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Aula 1

Tipos de Passe

Atividade 1 (45 min)

Divididos em duplas, um de frente para o outro, propor que façam passes um para
o outro, primeiro de ombro, depois quicado, depois em pronação e por último por
trás (pelas costas), totalizando 2 séries para cada tipo de passe, com 15
repetições por série com cada braço.

Observações: corrigir o gesto, educando-os a executar a técnica da maneira


correta.

Atividade 2 (45 min)

Ainda em duplas, correndo organizadamente de um gol para o outro executando


passes em deslocamento frontal. Na ida, estando a 3 metros um do outro e na
volta a 20 metros um do outro, executando na ida, três séries para cada tipo de
passe vivenciado anteriormente, e por fora, realizando passes bem longos. Quem
estiver pela esquerda deve fazer passe com a mão direita, quem estiver pela
direita deve fazer passe com a mão esquerda.

Observações: corrigir o gesto, educando-os a executar a técnica da maneira


correta. Cada vez que a bola cair, a dupla volta ao fim de fila e executa
novamente a série de onde parou. Ter atenção para que eles recepcionem a bola
sempre com as duas mãos em formato de concha com os dedos polegares
apontados um para o outro.

Aula 2

Precisão

Atividade 1 (45 min)

Em trios, dois realizam passes e o terceiro aluno segura um arco. Primeiro ele
segura o arco o mais alto possível, depois na altura dos ombros e depois na altura
dos joelhos. Os passadores devem fazer a bola passar 10 vezes por dentro do
arco cada um nas diferentes alturas, fazendo a bola chegar ao outro companheiro.
Quem terminar primeiro as séries segura o arco para que o aluno que estava no
arco também execute a tarefa.

Observações: mostrar a diferença do ângulo do ombro em cada tipo de passe


realizado

Atividade 2 (45 min)


A mesma atividade, só que agora com deslocamento pela quadra, podendo dar
apenas três passos com a bola nas mãos. Se a bola cair ou se o jogador der mais
de três passos com a bola na mão, o trio volta ao fim da fila e inicia novamente a
série em que estavam

Observações: as mesmas da atividade anterior, além das questões da recepção


da bola.

Aula 3

Passes de Habilidade

Atividade 1 (40 min)

Em trios, dois alunos devem passar a bola sendo atrapalhadas pelo terceiro aluno
– ele não pode pegar a bola, servirá apenas de obstáculo e ficará sempre entre a
linha reta formada entre os dois passadores que mão poderão se mover, tendo de
desviar o passe através do passe feito pela lateral do corpo (próximo a altura do
quadril).

Atividade 2 (40 min)

Ainda em trios, dois jogadores passam a bola e um jogador ficará bem próximo de
quem estiver com a bola. O passe será feito através da ação realizada próximo à
cabeça do terceiro aluno, próximo ao quadril do aluno e entre as pernas do aluno.

Atividade 3 (10 min)

Jogo de 7×7 para avaliar quantos passes certos e errados acontecem, para
verificar se os treinos de passe foram bem assimilados

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Minha inveja decorre do fato de, sobre uma perspectiva tecnicista, parecer tão
simples ensinar o passe em suas variadas formas e possibilidades e ainda por
cima, através de um “scout” de erros e acertos, conseguir avaliar se houve ou não
aprendizagem. Em caso afirmativo, um novo conteúdo será abordado. Em caso
negativo, toda sequência de aulas será retomada, para assimilação e acomodação
dos conhecimentos sobre o passe.

Ao pensarmos sobre esse modelo de ensino, porém, sinto-me reconfortado, pois é


bastante complicado imaginar que a mera assimilação de gestos motores será
capaz de garantir a transferência eficiente destes como ações para o ambiente de
jogo, dotado de imprevisibilidade, incertezas, pressões e com caráter irredutível
(nunca um jogo será igual ao outro).
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Gestos se diferem de ações por um simples fato – o gesto refere-se à mera


execução de uma tarefa, a ação refere-se à resolução de um problema, que será
feito através de uma ação motora significada dentro desse contexto

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Quantas vezes não nos deparamos com o fato de, após 1, 2 ou 3 sessões de
treinos aos moldes tradicionais, como aqueles descritos anteriormente,
verificarmos que em momentos de pressão por tempo e espaço (necessidade de
rápida tomada de decisão e antecipação aos interesses do oponente) costumeiras
em jogos e atividades de apelo coletivo que usamos em nossos treinos, outras
formas/tentativas de execução do passe (às vezes interpretadas por nós como
erros de alavanca, ou de ângulo entre braço e antebraço, por exemplo) acabam
por emergir por visarem solucionar um problema inerente ao jogo; ou mesmo
percebemos acontecerem muitos e sucessivos erros, que em nosso julgamento
parecem impensáveis: “Porque você fez isso?! Cansamos de treinar a semana
toda passe e você faz o gesto de qualquer jeito?! Assim não dá!”

O erro é do aluno, que não aprendeu direito, ou será do professor, que acredita
que realizar passes em duplas garantirá ao aluno a capacidade de resolver os
problemas circunscritos (inerentes e específicos) ao jogo? Uma questão que
muitas vezes não fazemos a nós mesmos, enquanto professores, pois onde já se
viu um professor errar? É assim que pensamos.

Mesmo sabendo que o ensino tecnicista – baseado em resolução de tarefas


prontas – não é o caminho ideal para a formação de jogadores inteligentes para
responder aos constrangimentos do jogo, reforço, mais uma vez a minha opinião
inicial de que, apesar disso, o ensino tradicional possui uma grande organização
de seus conteúdos, meios de ensiná-los e formas de avaliar o aprendizado.

Através desse primeiro artigo, pretendo inaugurar uma discussão sobre como
garantir a “construção de um caminho pedagógico para o ensino do handebol
através do jogo”, título dessa série de artigos.

Pretendo formalizar aqui caminhos e perspectivas que possam fundamentar


professores e treinadores a acreditarem que através do jogo eles possam ser
capazes de educar/treinar, provando que não se trata de uma “metodologia de
joguinhos”, ou um monte de “joguinhos juntos” apenas, mas sim de uma
sequência pedagógica.

A partir do próximo texto irei fundamentar alguns pontos que são o alicerce para
compreender a construção de jogos conceituais, ou seja, que trazem consigo
significados que visam à assimilação de conceitos a serem executados no jogo
formal e também jogos específicos, cujos conceitos serão vividos de maneira auto-
organizável, garantindo a autonomia para que o jogo se desenrole de maneira
organizada, estruturada e funcional.

Assim, cada jogo terá um papel fundamental para a aprendizagem e aplicação de


conteúdos inerentes ao handebol, garantindo uma melhor prática da modalidade
através de um ensino preocupado com a formação de jogadores capazes de
responder inteligentemente às demandas do jogo.