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Nome empresarial e Título do estabelecimento no ordenamento jurídico pátrio

O nome empresarial é o elemento jurídico que individualiza e identifica a


sociedade empresária ou o empresário individual no contexto econômico e social. Assim
como o nome das pessoas naturais é tutelado pelo direito privado, os nomes empresariais
também recebem proteção do ordenamento jurídico pátrio. Dessa forma, eles devem obedecer
a uma série de requisitos positivados na legislação brasileira para que haja segurança jurídica
e suas atividades possam ser exercidas com zelo e excelência, de uma maneira que não
prejudique a organização empresarial.
É por intermédio do nome empresarial que o empresário ou a sociedade
empresarial se apresenta à população e especificamente aos seus clientes e credores,
contraindo direitos e obrigações na esfera jurídica. Por essa relevante importância, faz-se
imprescindível uma tutela jurisdicional capaz de garantir estabilidade nas relações jurídicas
empresariais. Essa proteção se inicia com o arquivamento dos atos constitutivos nas Juntas
Comerciais, tanto das pessoas jurídicas como do requerimento dos empresários individuais.
Tal fato leva ao conhecimento do Direito o surgimento de uma nova atividade empresarial,
que adquire personalidade e recebe proteção para seu complexo de bens.
Há duas espécies de nome empresarial, a firma e a denominação. Esta é utilizada
somente para sociedades, devendo conter o objeto social expresso, ou seja, o ramo da
atividade. Já aquela pode ser individual ou social. A firma individual é utilizada pelos
empresários que atuam singularmente, e por isso deve constar no nome empresarial o nome
civil do seu titular. A firma é social quando um sócio ou uma pluralidade deles se reúnem
para exercerem a empresa, devendo constar no nome empresarial os nomes civis dos sócios
ou pelo menos de um deles.
O nome empresarial é protegido pelos princípios da veracidade e da novidade.
Quem registra um nome empresarial, qualquer que seja o tipo – denominação, firma
individual ou social - tem direito à exclusividade do uso desse nome. Tendo em vista a
função do nome empresarial que é de distinção em relação a outros empresários. Não se
admitem nomes iguais ou semelhantes que possam causar confusão junto ao público, como
preceitua o artigo 1.163 do Código Civil.
A proteção ao nome empresarial quanto ao princípio da novidade se inicia
automaticamente a partir do registro e é restrita ao território do estado e da Junta Comercial
em que o empresário se registrou, salvo se o empresário obtiver o direito de usar
exclusivamente seu nome empresarial em todo o território nacional, conforme previsão do
parágrafo único do artigo 1.166 do Código Civil.
Quanto ao princípio da veracidade, as informações que constam no nome
empresarial devem guardar estrita correspondência com a realidade. Não se admite o uso de
informações falsas ou enganadores, ou seja, sem verossimilhança. O nome dos sócios ou do
empresário individual precisa ser o mesmo registrado civilmente e o ramo da atividade
desempenhada deve ser aquele descrito no nome empresarial. Nem mesmo nome de um sócio
falecido, excluído ou retirado da sociedade pode permanecer na firma social.
O direito do empresário sobre o nome empresarial, especificamente para as
sociedades, perdura enquanto a sociedade estiver regularmente inscrita na junta comercial. O
cancelamento do registro do nome pode se dar quando cessar o exercício da atividade para
que foi adotado, ou quando se ultimar a liquidação da sociedade que o inscreveu (art. 1.168
do Código Civil).
O nome empresarial não se confunde com o título do estabelecimento (ou nome
fantasia). Este é aquele vinculado à atividade desempenhada empresarialmente, utilizado para
levar aos consumidores a imagem de seu estabelecimento. O ordenamento jurídico-
empresarial brasileiro não reserva proteção específica ao título de estabelecimento.
Entretanto, necessário é para o Direito reservar um cuidado especial para a tutela do nome-
fantasia nos estabelecimentos empresariais; afinal, se alguém o utiliza de maneira contrária
aos costumes e à boa-fé, estará se valendo de uma conquista alheia, normalmente vinda com
labor e dedicação. Se não houvesse proteção jurisprudencial e mesmo legal indireta para tais
fatos, estaria sendo permitido o enriquecimento ilícito e a concorrência desleal.
Conforme leciona Fábio Ulhôa Coelho, a proteção do título de estabelecimento se
faz, atualmente, por regras de responsabilidade civil e penal, na medida em que caracteriza
concorrência desleal (Lei de Propriedade Industrial, artigos 195, inciso V, e 209). “O
empresário que imitar ou utilizar o título de estabelecimento que outro havia adotado
anteriormente deve indenizar este último pelo desvio eficaz de clientela”.