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August 2009

Como aprender efetivamente a língua inglesa


Getúlio Medeiros*
“Cortina – School of Languages”
zextak@gmail.com

1. O QUE SIGNIFICA O APRENDIZADO DE UMA LÍNGUA?

No primeiro momento, minha intenção foi de apontar o aspecto negativo de como


não aprender uma língua, mas, prevalecente meu lado positivista não comtiano, passei a
elaborar este pequeno texto relativo ao aprendizado de uma língua --- de modo geral --- e
da língua inglesa --- no aspecto particular.

Nesse contexto, faz-se necessário estabelecer a razão de se desejar aprender a


língua inglesa, hoje alçada à condição de língua franca nas relações internacionais, subs-
tituindo o latim, mesmo nos vocábulos técnico-científicos. De que me serve saber inglês,
se até aquele filme de que gosto já se encontra dublado para o português? E aquele best-
seller americano, também já não tem tradução para nosso idioma vernáculo?

A resposta é sim e não, ao mesmo tempo. Não há tradução fidedigna, do mesmo


modo que não existe um só floco de neve igual, isto sem falar na impressão digital (aque-
la que o governo faz constar em nossas cédulas de identidade), logicamente se o leitor
não for portador da Síndrome de Nagali, caso em que a identificação pessoal somente
será estabelecida através leitura da íris.

Embora tenha melhorado nos últimos trinta anos, a tradução ainda é algo incipiente
entre a intelectualidade brasileira, pois, como se sabe, a condição básica para uma boa
tradução não é o domínio pelo tradutor da língua que está sendo traduzida (a língua origi-
nal), mas a dele própria (a língua alvo). E é aí que mora o pecado.

Quem não sabe expressar-se em sua língua materna, dificilmente conseguirá ex-
pressar-se nas alheias. Pode-se discordar dessa afirmação, mas tomemos o exemplo da
tradução para o português do “Fausto” de Johann Wolfgang von Goethe. Até hoje é tida
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como melhor tradução a do Visconde de Castilho que simplesmente não entendia uma só
palavra de alemão. Inteligentemente, ele pediu a um alemão que residia em Portugal que
vertesse as palavras, de preferência adaptando a sintaxe, e depois ele passou a trabalhar
no amontoado de palavras criado pelo genial teutônico.

Essa circunstância educacional especial conferida a nós, brasileiros, faz com que
não dominemos o idioma materno e consequentemente impõe-nos o isolamento em nos-
sa comunidade monolíngue. Empobrecemos educacionalmente quando a língua latina foi
retirada do currículo escolar, e mesmo assim o português continuou a ser ensinado com a
mesma densidade gramatical daquela língua.

Outro fator, esse de ordem cultural, compele-nos a não tentar criar motivos sufici-
entemente fortes para um esforço que tem pouca relação com as nossas necessidades
da vida diária. Não temos traquejo no manuseio do controle remoto de nossos televisores,
muito menos na seleção de canais estrangeiros.

2. O QUE SE DEVE EVITAR NA AQUISIÇÃO DE UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA.

Nosso pecado capital consiste na teimosia de continuar pensando em português,


principalmente no momento de se internalizar uma ou outra palavra. Nossa tendência tem
sido no sentido de traduzir para o português, quando o professor esta mostrando um livro
e afirmando “It’s a book”.

Outro erro, não menos importante, relaciona-se com a exata pronúncia, pois con-
soantes e vogais transpostas para outra língua resultam em fonemas distintos. Por exem-
plo, o “t” (intermediário e final) no inglês corrente não tem o valor fonético da consoante
oclusiva alveolar surda [ ], mas o da consoante vibrante alveolar sonora [ ], o nosso “r” na
palavra portuguesa “caro”.

Sempre entendi língua como fenômeno fundamentalmente oral, pois a forma escri-
ta da língua decorre daquela. Desse modo, estudar pronúncia de uma língua no contexto
da fonética e fonologia, sempre com a ajuda de um tutor, é algo de importância, a qual se
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deve ressaltar:

“A language is a complete, complex, changing, arbitrary system of primarily oral symbols


learned and used for communication within the cultural framework of a linguistic communi-
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ty. )

Conclui-se, portanto, que o domínio da língua que se fala começa com o entendi-
mento oral, e este começa com o reconhecimento das palavras contidas no fluxo de pro-
dução oral. Conseguir isolar cada conjunto de fonemas correspondentes a cada unidade
semântica (palavra), dentro da sequência ininterrupta de sons no fluxo da produção oral, é
um desafio considerável.

Por último, destaco a importância da elisão e da ligação no processo fonêmico da


língua inglesa, isto decorrente da miscigenação do anglo-saxônico com o francês após a
batalha de Hastings, na qual Guilherme, o Conquistador, saiu-se vencedor e tomou para
si o trono inglês.

Todos esses aspectos fonéticos, fonêmicos e linguísticos serão abordados em sala


de aula, pois no aspecto autodidata você pode aprender uma língua estrangeira para ler
ou escrever, mas nunca para pronunciar com propriedade uma língua sonora como é o
caso do inglês.

3. O VOCABULÁRIO BÁSICO.

Para quem tem pouco tempo de estudar inglês, recomenda-se reservar cinco minu-
tos diários para um mínimo de contato com o idioma. Ao final de um ano, o aluno terá de-
dicado 48 horas de estudo, o que corresponde a um estágio completo de inglês em uma
boa escola de idioma.

O estudo de um vocabulário básico deve ser compartimentado, com palavras do


mesmo naipe. Já para quem está começando, ou quer ampliar o vocabulário, ou para
quem deseja complementar o estudo na escola, vale a pena aprender palavras novas

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com imagem e som.

Nesse estudo, deve-se prestar bastante atenção aos falsos cognatos que são pala-
vras de origem comum, com grafias idênticas ou, pelo menos, semelhantes, mas que evo-
luíram com significados total ou parcialmente diferentes.

Além desse cuidado, as palavras devem ser divididas em dois tipos quanto à sua
flexão:

a) palavras variáveis, aquelas que podem sofrer alteração em sua forma; e

b) palavras invariáveis, aquelas que têm forma fixa.

Dentre as formas variáveis e invariáveis, existem dez classes gramaticais que se


subdividem por razões didáticas em:

I - Classes principais (a base do idioma e formadores do núcleo das ora-


ções):

a) substantivos: palavras variáveis com que se designam e nomeiam seres em


geral;

b) verbos: palavras variáveis que exprimem o que se passa, isto é, um aconte-


cimento representado no tempo; indicam ação, fato, estado ou fenômeno.

II - Satélites (servem para exprimir atributos das classes principais):

a) artigos: palavras variáveis (em inglês, segue a fonologia e não o gênero


gramatical) que acompanham os substantivos, determinando-os ou indetermi-
nando-os;

b) adjetivos: palavras invariáveis em inglês que indicam as qualidades, origem


e estado do ser;

c) numerais: palavras utilizadas para indicar uma quantidade exata de pessoas


ou coisas, ou o lugar que elas ocupam em uma série;

d) pronomes: palavras com a função de substituir o nome ou o ser, como tam-


bém de substituir sua referência; servem também para representar um substan-
tivo e para o acompanhar, determinado-lhe a extensão do significado;

e) advérbios: palavras invariáveis indicadoras de circunstâncias diversas; é


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fundamentalmente um modificado do verbo, podendo também modificar um ad-
jetivo, outro advérbio ou uma oração inteira.

III - Conectores (servem para estruturar a sintaxe de uma oração):

a) preposições: palavras invariáveis que ligam outras duas subordinando a se-


gunda à primeira palavra;

b) conjunções: palavras invariáveis que ligam outras duas palavras ou duas o-


rações;

interjeições: palavras invariáveis usadas para substituir frases de significado


emotivo ou sentimental.

Deve-se, contudo, atentar para o fato de que existem três problemas comuns aos
alunos que buscam novas palavras no dicionário:

• Buscar modificações da palavra principal e não conseguir achá-la. Um exemplo


disto seria de procurar por “broke” (forma passada do verbo “break”). O aluno
não acha a palavra entre os verbetes, e se frustra em não achá-la;

• Optar por um dos primeiros significados que aparece no dicionário de inglês


sem ler todos para descobrir o sentido correto para expressar o que quer dizer.
O aluno escolhe o significado errado. Este é um dos problemas mais comuns
entre os alunos de inglês;

• Utilizar um substantivo no lugar de um verbo. O aluno utiliza as palavras nas


classes e formas erradas. Isto poderia ser facilmente evitada se o aluno investir
no reconhecimento taxionômico das palavras, ou melhor dizendo, saber dife-
renciar um verbo de um substantivo, uma preposição de uma conjunção, etc.

4. A GRAMÁTICA ESSENCIAL.

Durante longo tempo, pelo menos até os anos sessenta, o ensino da língua inglesa
concentrou-se na escrita, o que era tido como prova de erudição. Estudava-se mais para
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ler e escrever do que para falar.

Nesse contexto, como ocorria com o francês e o latim, a oralidade nem sempre era
considerada habilidade maior, mas tão somente uma forma popular de expressão sem
qualquer registro da atividade coloquial.

Com as contribuições da abordagem comunicativa, a qual passou a ter maior difu-


são no ensino/aprendizagem durante a segunda metade dos anos 70, a língua passou a
ser vista não apenas a partir de suas estruturas (gramática e vocabulário), mas também e
principalmente em termos das funções comunicativas que ela se propõe a desenvolver.

Assim, a língua oral passou a ser valorizada como meio de expressão. A ênfase,
até então na pronúncia, deslocou-se para a busca da fluência oral em linguagem adequa-
da, diversificando-se o uso de estratégias para a aquisição oral.

Entretanto, mesmo com a abordagem comunicativa e seus pressupostos teóricos,


que aliam contribuições de abordagens anteriores àquelas da sociolingüística, da psico-
linguística, o material à disposição do professor de inglês encontra-se de modo geral pre-
so a estratégias que privilegiam o ensino da gramática em detrimento da língua oral.

Sempre existiu um grande debate entre todos os professores de Inglês sobre a real
importância da gramática no aprendizado de uma língua, e uma coisa é tida como essen-
cial por todos: o aluno deve sempre ter, pelo menos, uma noção da gramática normativa.

Desprezado a rigidez formalística, o quanto de gramática deve-se enfatizar no a-


prendizado do inglês vai depender do objetivo que se pretende fazer da língua. Se o a-
prendizado objetivar uma viagem, então a gramática textual deve ser priorizada.

Contudo, se você está aprendendo Inglês para prestar alguma prova ou teste de
proficiência, ou até mesmo fazer uma entrevista para emprego, aprender a gramática
normativa é algo primordial.

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