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O Príncipe (resumo) Carta Dedicatória

Maquiavel dedica sua obra a Lorenzo de Medici (Lorenzo II), neto de Lorenzo, o Magnífico; apesar de pouco tempo antes ter sido preso e torturado, sob suspeita de participar de uma conjura contra os Medici, mas teve sua inocência reconhecida. Quando Maquiavel foi apresentar Il Principe a Lorenzo II em 1515, este o acolheu com frieza. Diz na dedicatória:

"Embora julgue este trabalho indigno de vossa presença, ainda assim confio que, por vossa humanidade, possa ser aceito, considerando que eu não vos poderia fazer melhor presente que vos dar a faculdade de entender em muito pouco tempo o que aprendi e compreendi em muitos anos, com tantas provações e perigos para mim mesmo."

O motivo que levou Maquiavel a dedicar o livro a Lorenzo é mostrado no último capitulo da obra.

Capítulo I: Os vários tipos de Estado, e como são instituídos

Maquiavel inicia seu livro falando sobre os tipos de Estado, que são segundo ele repúblicas ou principados, sendo estes últimos hereditários ou anexados pelo príncipe aos seus domínios ± os estados novos.

"Os principados ou são hereditários, quando por muitos anos os governantes pertencem à mesma linhagem, ou foram fundados recentemente." Capítulo II: As monarquias hereditárias

Neste capítulo Maquiavel fala que a dificuldade de se manter um Estado novo é maior do que a de se manter um Estado hereditário, pois quanto a este último, o povo já está acostumado com a soberania de uma família, de uma linhagem.

se tal fato ocorrer. "[. ao contrário. se sentirá grata pelo fato de o monarca os deixar em paz e não quererão ofender o soberano." Se um príncipe conquista determinado Estado e tenta mudar seus costumes. estes o quererão bem. os distúrbios serão logo percebidos e rapidamente corrigidos. este se acomoda de tal forma que as lembranças. revigorando seus pontos fracos. no pensar de Maquiavel. Basta para isso evitar transgredir os costumes tradicionais e saber adaptar-se a circunstâncias imprevistas. mudam com grande facilidade de governantes esperando tal mudança. o príncipe sempre precisará do favor dos habitantes de um território para poder dominá-lo. desejo de melhoria. ainda mais se este povo não estiver habituado com a liberdade. Deste modo.. os territórios rebeldes não voltam a ser perdidos com a mesma facilidade. o que pode gerar conspirações apoiadas pela grande massa ± o povo. Para ele." Quando o povo vive do seu modo. Capítulo III: As monarquias mistas Maquiavel mostra neste capítulo que o povo tem sempre o desejo de mudança. mas não pode deixar que haja divergência de costumes. em nada representarão perigo ao monarca. Outra forma seria de se estabelecer colônias em um ou dois lugares estratégicos na província. leis e costumes diferentes.] a dificuldade de se manter Estados herdados cujos súditos são habituados a uma família reinante é muito menor do que a oferecida pelas monarquias novas. os desejos de mudanças vão sendo postos em esquecimento. Ao se conquistar uma província com língua. corre o risco de o povo revoltar-se contra ele. é mais fácil de dominá-lo do que se não os fosse. Maquiavel ainda fala que na medida em que o soberano não ofende seus súditos e não mostra motivos para o povo odiá-lo.´. . assim. mas num longo reinado os motivos e as lembranças das inovações vão sendo esquecidos. inimigos para o príncipe ± que são as pessoas ofendidas com a ocupação do seu território.. um dos meios mais seguros. uma força excepcional o derrube. gerando. A grande maioria da população também não fará mal ao príncipe. O novo príncipe deve extinguir toda a linhagem de seus antigos governantes.. segundo Maquiavel. com seus costumes e sendo respeitado pelo monarca. é sempre para pior. podem gerar injúrias no povo. se manterá no poder. segundo Maquiavel.] depois de conquistado uma segunda vez. as pessoas. tomando as casas das pessoas que vivem neste local ± por ser uma pequena parte da população..] qualquer alteração na ordem das coisas prepara sempre o caminho para outras mudanças."[. poderá reconquistá-lo na primeira oportunidade oferecida pelo usurpador. que. A imposição do novo governo ou provocações vindas dos soldados do monarca.. o príncipe respeitando a cultura local. a menos que. desmascarando os suspeitos. como diz Maquiavel. é que o monarca vá pessoalmente habitá ³Estando o soberano presente. ou outros motivos. A própria rebelião faz com que o monarca se sinta inclinado a fortalecer sua posição ± punindo os rebeldes. -lo. e mais: "[." Quando se é conquistado um território de mesma região e língua. porém. deve também o príncipe fazer a manutenção das leis e dos tributos..

destruí-lo. "[. ou por um príncipe e vários barões. mas também os nobres que estarão sempre prontos a liderar novas revoluções. pode esperar ser destruído por ela. mais o inimigo fica preparado. que os faça esquecer. esses barões são ligados ao príncipe por laços de natural afeição. segunda. Maquiavel mostra três formas e mantê-lo: primeira. terceira. só trazem benefícios para o inimigo. desde se queira preservá la. só podemos injuriar alguém se não temermos sua vingança. Por isso se diz que é melhor respeitar os costumes do território conquistado. pois sempre haverá motivo para rebelião em nome da liberdade perdida e das suas eventuais tradições. Não há dificuldade para se conquistar um território onde ± movidos pela inveja dos que tinham o poder ± os habitantes menos poderosos apóiam o invasor. Quando um estado está habituado a viver sob o governo de uma linhagem de príncipes que tenha sido extinta. pois este povo não sabe viver em liberdade. então. mais cedo ou mais tarde estes se revoltarão contra o que está sendo imposto.. Capítulo IV: Por que o reino de Dario. pois. facilitando sua vitória.Disse Maquiavel: ³Note-se que é preciso tratar bem os homens ou então aniquilá-los. deve-se enfrentá-lo. .. Disse Maquiavel: ³. mas não poderão vingar-se de agressões graves. por isso. não se rebelou contra os sucessores deste. porém deve-se ter cuidado para que estes não adquiram poder e autoridade em demasia. Estes que estão de junto ao príncipe. Capítulo V: O modo de governar as cidades ou Estados que antes de conquistados tinham suas próprias leis Ao se dominar um Estado acostumado com a liberdade. e. ocupado por Alexandre.´. A guerra é inevitável. quando se tem a oportunidade de enfrentar o inimigo. seu povo não entrará em acordo para a escolha de um soberano. arruinando-o. e não aniquila. Eles se vingarão de pequenas injurias. dominá-los. quando adiadas. adiar uma guerra só traz sempre prejuízos ao monarca. ou então. mas dentre esses sempre há quem aspire por inovações.. as guerras não podem se evitadas e que. vê assim -se que depois não bastará aniquilar apenas família do príncipe. permitindo-lhe que viva seguindo suas próprias leis. os prestigiados.´ O príncipe de um território estrangeiro deve liderar e defender seus vizinhos mais francos e procurar debilitar os mais poderosos. após a sua morte Sempre os reinos foram governados de duas formas: por um príncipe e seus assistentes. quanto mais se adia uma batalha. que nem o curso do tempo nem os benefícios conseguem apagar. portanto. pondo -lhe tributos e pondo ali um governo de poucas pessoas que sejam mantidas amigas. como disse Maquiavel. Estes podem abrir caminho para um invasor tomar o poder. e com suas próprias leis. assim é fácil.] a cidade habituada à liberdade pode ser dominada mais facilmente por meio dos seus cidadãos do que de qualquer outra. ainda mais se o povo estiver junto.. habitando-o (ver capítulo III)." Quem se torna o senhor de uma cidade livre. são os nobres. e não haverá benefício ou tempo. Sempre estarão na mente do povo seus antigos costumes.

maior ódio. Quem com suas próprias armas consegue algo."Nas repúblicas. há mais firmeza." Quanto a isso. Segundo Maquiavel. Assim o monarca deve sempre procurar estar bem com o povo. se lhes possa fazer crer pela força. ou nelas habitar. Só com muito engenho e valor poderá se manter. Capítulo VI: Os novos domínios conquistados com valor e com as próprias armas Os homens sempre procuram seguir os caminhos percorridos por outrem. é sempre a força maior. Assim. "Vale lembrar que não há nada mais difícil de executar e perigoso e manejar (e de êxito mais duvidoso) do que a instituição de uma nova ordem de coisas. se tornam príncipes com dificuldade. O que seria de um reino sem povo? Quem pagaria os tributos? Quem trabalharia pra sustentar os luxos do príncipe? Quem seria governado? O príncipe só é príncipe quando tem quem governar. por outro lado. quando não mais acreditarem. E que convém ordenar tudo de modo que. ³inconsciente´. mas mantêm facilmente seu poder. mais é difícil que mantenham sua opinião. . e em parte pela incredulidade dos homens. pondo em prática seus atos que deram certo e evitando praticar seus passos que não deram certo. brio. quem têm as leis do seu lado. pois caso o contrário. e é defendido tibiamente por todos os que seriam beneficiados pela nova ordem ± alta de calor que se explica em parte pelo medo dos adversários. deve manter o povo. derrubando o monarca. Os que se tornam príncipes por seu próprio valor e com suas próprias armas. apesar de sempre ser a classe inferior. sempre mais que tudo. o meio mais seguro de dominá-las será devastá-las. com muita dificuldade manter-seá no poder. os Estados criados subitamente ± como tudo o mais que na natureza nasce e cresce com rapidez ± não podem ter raízes sólidas. diríamos talvez que. as dificuldades se originam em parte nas inovações que são obrigados a introduzir para organizar seu governo com segurança. enganados com a situação de que tudo está bem e de que o príncipe é bom. quando não se pode dar essas impressões ao povo ± segundo Maquiavel ± deve-se aniquilá-lo para que o poderio do monarca continue. Maquiavel diz que a natureza dos povos é lábil: é fácil persuadi-los de uma coisa. pois este último tendo consciência ou não. e desejo de vingança. "Além disso. o povo se revoltará. Quem toma tal iniciativa suscita a inimizade de todos os que são beneficiados pela ordem antiga." Esses ensinamentos de Maquiavel nos mostram que o príncipe. valoriza mais do quem conquista com armas alheias. não poderão abandonar a memória de sua antiga liberdade. Capítulo VII: Os novos domínios conquistados com as armas alheias e boa sorte Quem chega ao poder em troca de dinheiro ou pela graça alheia.

. Com um monarca cruel. são métodos que podem conduzir ao poder. estabelecendo." "Os benefícios. o povo se sente feliz e quer bem o monarca. Capítulo VIII: Os que com atos criminosos chegaram ao governo de um Estado Maquiavel cita dois exemplos de pessoas que se tornaram príncipes por meio do crime.]. a pessoa que chegou ao poder tenha tanta virtude que saiba conservar o que a sorte lhe concedeu tão de súbito. quem não cuidar de procurar se estabilizar.] ao tomar um Estado." Chegar ao poder dessa forma. o que fez com que pouco tempo depois. acabando por se reunir e destruir seu poderio.profundas e ramificadas.. não terão confiança no governante. foi diminuindo sua crueldade de modo a ser querido por seu povo. o de Agátocles ± após tantas traições e tão grande crueldade ± que além de ter obtido êxito na conquista. mas não à glória. e nunca poderá confiar em seus súditos. piedade e religião. se deve suprir essas carências bem antes. este fosse derrubado do poder e morto por César Borgia. a traição dos amigos. as bases que os outros precisam erigir antes de se tornarem príncipes. assim tranquilizará o povo.. juntamente com seu mestre em virtudes e atrocidades Vitellozzo. o que diminui consideravelmente a possibilidade de conspiração. de modo que a primeira tempestade os derruba. ao não renovar as crueldades. Maquiavel explica esse fato ao de que Agátocles usou da crueldade apenas uma vez: para chegar ao poder. conseguiu se manter no poder por muito tempo. achar meritório o assassínio dos seus compatriotas. pois na verdade é o povo quem detêm o poder e a força. o conquistador deve definir todas as crueldades que necessitará cometer. sem raízes. Quem agir diferentemente. contudo. por sua vez. tornar-se astuto. o primeiro. que devido às contínuas injúrias. e praticá-las todas de uma vê. a conduta sem fé. de forma que sejam mais bem apreciados." "[. conforme já disse.. Chegando ele lá.. Porém quando os benefícios vêm. o povo se torna amedrontado e injuriado. [. e lá se manteve cruel. O segundo exemplo é o de Oliverotto de Fermo que com tamanha crueldade chegou ao poder. Ou no caso se é possível prever. seduzindo-o depois com benefícios. perderá o Estado. "Não se pode. valorizar. é chegar despreparado. devem ser concedidos gradualmente. estará obrigado a estar sempre de arma em punho." O príncipe deve sempre agir pensando no povo. A não ser que. evitando ter de repeti-las a cada dia. em seguida.

se este. Capítulo X: Como avaliar a força dos Estados É examinada a situação do príncipe. conforme haja oportunidade para um ou para a outra. é difícil derrubá-lo do poder. . prestigiando um dos seus e fazendo-o príncipe. pois a aristocracia se considera igual ao monarca. se o povo estiver ao lado do príncipe. O povo. "Portanto. este não podendo combater. pode reunir um exército suficiente. Quando os ricos percebem que não podem resistir à pressão da massa. ou se não. e o povo apenas não quer ser oprimido. ainda que o fosse. quem o povo está com ele. de modo a poder perseguir seus propósitos à sombra da autoridade soberana. não se dará bem. por outro lado. o príncipe que é senhor de uma cidade poderosa. pois o povo se levantará contra ele. O povo é quem está com o príncipe na adversidade. sendo que o soberano não pode assim dirigi-los ou ordenar em tudo que lhe apraz. quando não pode resistir aos ricos. A aristocracia quer oprimir. mesmo que um dominador consiga tomar o lugar do príncipe. procura exaltar e criar um príncipe dentre os seus que o proteja com sua autoridade. em caso de ataque. unem-se.Capítulo IX: O governo civil Na visão de Maquiavel. "O governo é instituído pelo povo ou pela aristocracia." A dificuldade é maior de manter-se no poder o príncipe que chegou ao poder através da aristocracia do que o que chegou através do povo. e não se faz odiar. governo civil é governo em que o cidadão se torna soberano pelo favor de seus concidadãos. e defender-se." O povo tem enorme influencia para definir o a força de um Estado. ficando na defensiva. isso será conseguido o protegendo. é forçado a refugiar-se no interior de seus muros. não poderá ser atacado. o assaltante não sairia gloriosamente da empreitada. Quem chegar ao poder deve sempre manter a estima do povo.

não lhes são tomados. "Tão fortes e de tal qualidade são estes que permitem aos príncipes se manterem no poder qualquer que seja sua conduta e modo de vida. Há três tipos de tropas. "E a experiência demonstra que só os príncipes e as republicas armadas obtêm grandes progressos. e também que uma republica que tenha exercito próprio se submeterá mais dificilmente ao domínio de um dos seus cidadãos do que uma republica com armas mercenárias. O melhor sempre é usar suas próprias armas. pois as forças mercenárias só sabem causar danos." Os mercenários pensam em si e no que vão ganhar. . próprias. Sendo as mercenárias e as auxiliares prejudiciais e perigosas. seu único motivo pra lutar é o salário. e seus estados. auxiliares ou mistas. que nunca é o suficiente para que morram pelo príncipe numa batalha.Capítulo XI: Os Estados eclesiásticos Estados conquistados com o mérito ou com a sorte. não no êxito do monarca. São dispostos ao príncipe em tempos de paz. pois são sustentados por antigos costumes religiosos. Só esses príncipes podem ter estados sem defendê-los e súditos sem governá-los. mercenárias. se o povo se mantiver unido. A vitória obtida através da força e armas alheias não é uma vitoria genuína. são elas. este não obterá êxito em sua empreitada. o abandonam. porém estes não são necessários para conservá-lo. mas ao chegar a guerra. a base principal de um Estado são boas leis e bons exércitos. Capítulo XII: Os diferentes tipos de milícia e de tropas mercenárias Na ótica maquiaveliana. os costumes são fortes e mantêm o povo unido. mesmo sem ser defendidos." Mesmo que chegue um dominador e tente colocar tal estado sob seu poder. Os soldados mercenários são covardes.

" "Em conclusão. aos rios. vitória que não se pode considerar genuína. isto representa uma derrota.Capítulo XIII: Forças auxiliares. mistas e nacionais Maquiavel iguala as forças auxiliares com as mercenárias: são inúteis. mas são muito inferiores que um exército inteiramente nacional. o seguro mesmo é ter seu próprio exército e suas próprias armas. é também as leis e a disciplina. evitará sempre tais milícias. preferirá ser derrotado com suas próprias tropas a vencer com tropas alheias. Esta é a única arte que se espera de quem comanda.. Capítulo XIV: Os deveres do príncipe para com as milícias O capítulo inicia mostrando o objetivo ou pensamento principal de um príncipe. No entanto as armas alheias nos sobrecarregam e limitam. A caça é indicada por Maquiavel como um ato a ser sempre praticado pelos soldados. dependerá inteiramente da sorte.´ Quanto às tropas mistas. isso quando não falham." Assim como ocorreu com Davi quando Saul o ofereceu sua armadura para que enfrentasse Golias. quando surgirem dificuldades. a posição das montanhas. Maquiavel diz sê-las mais eficazes que as compostas inteiramente de mercenários ou auxiliares. pois. nenhum príncipe pode ter segurança sem seu próprio exército. que além da guerra. "Um príncipe prudente. e Davi preferiu ir com sua funda e um punhal. Quem negligencia a arte da guerra. se vencem. recorrendo a seus próprios soldados. mas são sempre perigosas para os que delas se valem ± se são vencidas. para que estes se habituem à natureza das regiões. . por conseguinte.. sem meios confiáveis de defesa. perde a consideração e o principal. ³As tropas auxiliares podem até ser em si mesmas eficazes. a abertura dos vales. o Estado. pântanos. aprisionam quem as utiliza. sem ele. pois com a armadura de Saul são poderia dar o melhor de si. Portanto.

entre tantos que não são bons. as guerras não podem ser evitadas. em cada caso. pois como foi dito no Capítulo III. ver como se conduziram na guerra. Se for necessário usar de bondade." O príncipe pode até aparentar ter todas as qualidades acima citadas.. um. um. se não for. um. uns são tidos como liberais. o outro bravo e corajoso. portanto. mesmo nos tempos de paz."A fim se exercitar o espírito. difícil ou fácil. o outro ávido. mas sempre estar preocupado para que suas tropas estejam em forma quando a sorte mudar. franco ou astuto. outros por miseráveis. faculdade que usará ou não. se preciso for a crueldade. o príncipe deve estudar a historia e as ações dos grandes homens. cruel. o outro misericordioso.. que use. são louvados ou vituperados É citado que levando em conta os príncipes. poderá praticá-los com menores escrúpulos. Diz ainda Maquiavel: "Quem quiser praticar sempre a bondade em tudo o que faz está fadado a sofrer. Capítulo XV: As razões pelas quais os homens. conforme seja necessário. religioso ou incrédulo. examinar as razões das suas vitorias e derrotas. especialmente os príncipes. faz-se necessário que o príncipe tenha a prudência para evitar o escândalo provocado pelos vícios que poderiam abalar seu reinado. efeminado e pusilânime. o outro fiel. evitando os outros se for possível. Maquiavel reconhece que o ser humano não possui a capacidade de ter todas as qualidades acima enumeradas." Estes são os deveres do príncipe que nunca deve se acomodar. generoso. Capítulo XVI: A liberalidade e a parcimônia . humanitário ou altaneiro. perjuro. então. que use. um. por isso é necessário que o príncipe aja de acordo com o momento. É necessário. lascivo ou casto. mas tê-las realmente já poderia tornar-se prejudicial. para imitar as primeiras e evitar as ultimas. que o príncipe que deseja manter-se aprenda a agir sem bondade. serio ou frívolo.

apenas esbanjar os próprios recursos que prejudica. o monarca não conseguirá comandar com êxito. "[. Se for necessário que o príncipe decrete a execução alguém.. se evite o ódio. Capítulo XVII: A crueldade e a clemência. os príncipes novos no poder não podem fugir da reputação de cruel." Quando o príncipe está à frente do exército deve manter a fama de cruel. o príncipe não deve se importar em ser tido por cruel. ser tido como liberal é necessário.[. Porém deve se saber usar essa clemência. Seria bom que o príncipe fosse ao mesmo tempo amada e temido. É necessário para o príncipe que esteja à frente do exército e vive do botim de guerra. o que o fará ser odiado pelos seus súditos. o que é conseguido não atentando contra as mulheres e os bens dos súditos e cidadãos. "Os homens têm menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer. O amar vem de acordo com cada homem. mas para aquele que está a caminho de ser. Temido de forma que. não sendo reconhecida. E ainda pouco estimado por ter se tornado pobre. mas o temor é mantido pelo medo do castigo. mas sim a ergue. pois o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários. do roubo e de resgates. . que nunca falha. o que o fará impor pesados impostos ao povo.. E o mais importante é que o príncipe não seja odiado ou desprezado. Se é preferível ser amado ou temido Todos os príncipes devem preferir ser considerados clementes.. pilhando a riqueza alheia.] o príncipe não se deve incomodar de ser tido como miserável. Quando o objetivo é manter o povo unido e leal. que este dê um bom motivo. E se o príncipe quiser corrigir sua liberalidade será passado imediatamente por miserável. já que os homens são egoístas.]" Maquiavel nos mostra neste capitulo que para aquele que já é príncipe a liberalidade é prejudicial. pois estes estados são os mais perigosos. para não ter de onerar demais os súditos. mas como essa junção é difícil.. é preferível que seja temido. Esbanjar as riquezas alheias não diminui a reputação do príncipe. se não é possível conseguir o amor de seus súditos. a liberalidade leva a uma dessas condições.A liberalidade deve ser praticada de modo apropriado. ou caso o contrario. e não no que depende da vontade alheia. e não cruéis. para poder defender-se e para não tornar-se pobre e desprezado. Um príncipe liberal gastará todo o seu tesouro. mas o temor lhes é imposto. sendo assim o príncipe deve fazer o uso do que lhe tem nas mãos.

. poucos sentem o que realmente somos. em caso de necessidade. "[. Pode-se lutar de duas formas: pela lei e pela força. íntegro e religioso. Por tanto: "Todos veem nossa aparência. Capítulo XIX: Como se pode evitar o desprezo e o ódio Os príncipes devem tomar o cuidado que suas decisões sejam irrevogáveis. Quando se é necessário que o príncipe aja como um animal." De certo que se não consiga ter todas as qualidades acima citadas. fiel. principalmente quando é necessário para isso ele ir contra os próprios interesses e quando os motivos para que mantenha a palavra não existam mais.Capítulo XVIII: A conduta dos príncipes e a boa-fé É esperado de um príncipe que mantenha sua palavra empenhada." O que importa para um príncipe é a aparência que passa para os seus subordinados. e que as sustente de tal forma que a ninguém ocorra enganá-lo ou deslocá-lo. Todavia nem sempre o príncipe pode agir com boa-fé. a segunda própria dos animais. humano. o leão para afugentar os lobos e a raposa para fugir das armadilhas. deve saber agir como o leão e a raposa. e viver com integridade e não com astúcia. mas conseguindo esconder o que se é de verdade.] é bom ser e parecer piedoso. mas é preciso ter a capacidade de se converter aos atributos opostos. nada é mais necessário do que a aparência da religiosidade. é bom aparentar tê-las. Contudo uma não é duradoura sem a outra. Sendo a primeira própria dos homens. e estes poucos não ousarão opor-se à maioria que tenha a majestade do Estado a defendê-la. . muitas vezes sendo o contrário do que pensa o povo..

Contra as potências estrangeiras lhe servirá boas armas e bons amigos. Se o príncipe novo desarma seus súditos. Pode-se fazer isso deixando reservado aos grandes as tarefas como os julgamentos ± isso pra eles é estima ±. se houver ocasião para tal.´ Capítulo XXI: Como deve agir um príncipe para ser estimado . Capítulo XX: A utilidade de construir fortalezas e de outras medidas que os príncipes adotam com frequência Quando um príncipe novo chega ao poder deve armar seus súditos. com exceção dos habitantes que estiveram do seu lado na conquista..´ Quanto às fortalezas. lhes imporá que não lhes tem confiança. Disse Maquiavel: ³. a proteção oferecida pelos amigos e pelo Estado. pois as fortificações não salvarão um príncipe odiado pelo povo. de modo a incrementar sua grandeza superando esse obstáculo. contra as conspirações dos súditos lhe servirá não ser odiado. Quando a esses fatores se acrescenta a estima do povo. Todavia se um príncipe adquire um Estado o adicionando ao seu. o receio do castigo. se o povo sente ódio ou desprezo. é impossível que alguém cometa a temeridade de conspirar. O príncipe deve sempre tomar cuidado para não injuriar alguém de cujos serviços se utilize. todavia o monarca deve ele mesmo fazer os favores. o príncipe sábio deve fomentar astuciosamente alguma inimizade. Maquiavel: ³. o Estado será perdido facilmente. "Em poucas palavras. o que provoca ódio contra o soberano. eles assim se tornam leais e os que já eram leais matem sua lealdade. os ciúmes. do lado do príncipe há a majestade do poder. as suspeitas. a melhor fortaleza é a construída sobre a estima dos súditos.. do lado do conspirador estão o medo. visto que o conspirador só executará seu plano se pensar que a morte do soberano satisfará o povo. é necessário que o desarme. em caso contrário.Os príncipes devem se acautelar contra duas coisas: seus súditos e as potências estrangeiras. as leis. não o temem. junto ao príncipe. arranjando as coisas de modo que o poder militar do novo domínio fique nas mãos de soldados que viviam no Estado antigo.. não. e ainda por cima.." Os príncipes sábios tentam sempre não aborrecer os grandes e agradar o povo. mesmo esses é necessário que lhes seja cortada a ousadia. Sempre o que conta para o príncipe é o que seus súditos sentem por ele. o que lhes imporá que o príncipe lhes tem confiança. se o príncipe teme seus súditos mais do que os estrangeiros. deve construí-las.

basta tomar conhecimento dos homens que o cercam. sem com a ajuda dos outros. Contudo quando o Estado apoiado perde. "O que não é amigo pedirá sempre a neutralidade. O monarca sábio escolhe bem seus ministros. não ficando em neutralidade quando dois de seus vizinhos poderosos estão em guerra. Com isso o povo terá sempre prazer em ter tal como seu soberano e sempre estará ao seu lado. Sendo que quando algum cidadão faz algo extraordinário.³Nada faz com que um príncipe seja mais estimado do que os grandes empreendimentos e os altos exemplos que dá. o príncipe deve lhe dar um recompensa ou uma punição que seja amplamente comentada pelo povo. pensando evitar perigos presentes. pois se o aliado vence. e o amigo solicitará uma decisão. o segundo compreende as coisas demonstradas por outrem. Os príncipes inseguros preferem geralmente permanecer neutros. Maquiavel distingue três tipos de mente: um compreende as coisas por si. Deve-se entreter o povo com festas e espetáculos em certas épocas.´ Em cada ação o príncipe deve procurar atrair fama de grandeza e excelência. e também o príncipe dever estar uma vez ou outra em contato com os membros de subgrupos do Estado. melhorando seu Estado. um superior não pode valer-se apenas de um ou de outro. é estabelecido um vinculo forte de amizade e gratidão por parte desse Estado. o que o mais das vezes os arruína. bom ou ruim. mas sempre mantendo sua dignidade majestosa. É elevada a estima de um príncipe que age como amigo ou inimigo declarado. mas a terceira é inútil. Castigos e recompensas devem estar em perfeito equilíbrio. e a entrada na guerra. a não ser quando for necessário. eles causam a primeira impressão do monarca. O príncipe não deve nunca aliar-se a alguém poderoso para causar dano a outrem. Capítulo XXII: Os ministros dos príncipes Para conhecer um príncipe. Os príncipes devem honrar os que são ativos." Quando o Estado que o príncipe apoiou vence. o terceiro nada consegue discernir. "Toda vez que o príncipe tem o discernimento para reconhecer o bem e o mal naquilo que se faz ou diz (mesmo que não apresente originalidade de . nem só. a segunda também é muito boa. este sempre ajudará e protegerá enquanto puder seu companheiro de uma sorte que poderá mudar. o príncipe fica sujeito ao seu poder. O primeiro tipo é o melhor de todo.

o fazendo perder a confiança. Capítulo XXIV: As razões por que os príncipes da Itália perderam seus domínios Um novo soberano é sempre mais observado do que um soberano de antiga dinastia. mas sim no monarca. Se a sorte lhe dê um orientador ainda poderá se sobressair. todavia quando todos podem falar a verdade a uma pessoa. O príncipe sábio tomará homens sábios como conselheiros. Quem é ministro nunca deve pensar em si próprio. pois ele ouvirá os conselheiros e não saberá harmonizá-los. O príncipe ouvirá seus conselheiros somente quando quiser e as decisões tomará sozinho. mantendo. Em suas decisões o príncipe deve ser claro e objetivo. da sua capacidade de escolha. mas mais na frente este orientador lhe tomará o poder. fortalecendo seu Estado com boas leis.intelecto). sempre que possível sua palavra. Capítulo XXIII: De que modo escapar aos aduladores O príncipe deve evitar os aduladores ± as cortes estão cheias ±. O príncipe que não é sábio nunca poderá ser bem aconselhado. perdem-lhe o respeito. e que esta não nasce dos bons conselhos recebidos. a não ser quando a necessidade os obriga a serem verídicos. o príncipe deve honrá-lo e enriquecê-lo. corrigindo algumas e incentivando outras. identificará as obras boas ou más do seu ministro. que falarão a verdade ao príncipe. Podemos dizer que se conhece o superior através de seus subordinados. pois os homens falam sempre com falsidade. boas armas e bons exemplos. e o príncipe será incapaz de corrigi-los. Para assegurar a fidelidade do ministro. Deverá o monarca novo não falhar em outras coisas. quando o soberano novo faz atos virtuosos. . ou de reconhecê-los." O ministro que procura sempre em todas as suas ações seu próprio interesse nunca será um bom ministro. assim o príncipe não ouvirá mais ninguém. estes cativarão mais os súditos do que os de um monarca de antiga dinastia. fazendo lhe favores e atribuindo lhe encargos. não merecendo confiança. Tudo vem da capacidade do príncipe. "Os conselheiros pensarão todos nos seus próprios interesses. Não pode ser de outra forma. Um príncipe que muda a todo o tempo de ideia acaba por deixar o povo confuso. mostrando que não há ofensa em falar a verdade. mas somente quando perguntados e sobre o que perguntados." Os bons conselhos nascem da prudência do príncipe.

mas metade disso podemos controlar. sejam desviadas e seu ímpeto seja menos selvagem e devastador. assim Maquiavel aconselha ser impetuoso a cauteloso com a sorte." Quando o príncipe tem o povo do seu lado.] o príncipe que baseia seu poder inteiramente na sorte se arruína quando esta muda.] alguns ou sofriam a hostilidade do povo ou... e da mesma forma é infeliz quem age apondo-se ao que o seu tempo exige. se o povo lhes tinha estima.. pelos motivos já amplamente examinados. como o rei de Nápoles. . Para ele a sorte é como um rio. encontraremos neles em primeiro lugar um defeito comum no que se refere às forças armadas.." O tempo vai determinar como que cada príncipe deve agir. Acredito que é prudente quem age de acordo com as circunstancias.´ Capítulo: XXV: O poder da sorte sobre o homem e como resistir-lhe Na visão de Maquiavel. "[. que quando este corre calmamente podemos construir diques e barragens para que quando as águas vierem com fúria. [. não souberam garantir-se contra os nobres. tudo que acontece conosco é atribuído à sorte. Disse Maquiavel: ³Só são boas. seguras e duráveis aquelas defesas que dependem exclusivamente de nós. o que de Milão e outros."Se considerarmos aqueles senhores que perderam seus estados na Itália de hoje. mesmo assim este não pode deixar ser derrubado esperando que o povo venha a reerguê-lo se levantando contra o dominador. contudo deve-se agir no tempo certo e sempre preparado para quando a sorte variar. e do nosso próprio valor.

webartigos. Esta disposta a seguir uma bandeira. assumir esta tarefa com a coragem e as esperanças inspiradas por uma causa justa. sob sua bandeira. "[. portanto deixar que se perca esta oportunidade.. desde que alguém a empunhe. depois de tanto tempo. à rapacidade e à extorsão no reino de Nápoles e na Toscana.] Fonte: http://www.Capítulo XXVI: Exortação à libertação da Itália. Pede a deus que lhe envie alguém capaz de libertá-la dessa insolência...com/articles/33340/1/O-Principe-resumo/pagina1. quase sem vida." Maquiavel deixa explícito neste capítulo que seu desejo é que Lorenzo de Medici se torne o soberano da Itália daqueles tempos. portanto." "Que vossa ilustre família possa.] agora. precisa encontrar seu libertador..html#ixzz1HFp8KRih . dominada pelos bárbaros Neste ultimo capítulo Maquiavel expressa o seu anseio pela libertação de sua pátria. nossa pátria volte a se levantar [. a Itália espera por quem lhe possa curar as feridas e ponha fim à pilhagem na Lombardia. de forma que. dessa Barbara crueldade. a Itália. um manual para que Lorenzo de Medici reine com êxito na Itália: "Não se deve. a Itália. curando-a das chagas abertas há tanto tempo. deixando claro também o principal motivo de ter escrito ³O Príncipe´.