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UNIPAN – UNIÃO PAN-AMERICANA DE ENSINO PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO EMPRESARIAL E ESTRATÉGIA DE RECURSOS HUMANOS DISCIPLINA: AMBIENTE ECONÔMICO

E AS DECISÕES EMPRESARIAIS DOCENTE: GILNEI SAURIN

EMPRESAS BRASILEIRAS NA ATUAL CRISE FINANCEIRA: OPORTUNIDADES E AMEAÇAS

ANDREY FERNANDO VIEIRA DOS SANTOS LUCIANA FURLIN PEDRO LAURINDO

Cascavel – PR 2009

A crise financeira pela qual o mundo vive atualmente, teve início a partir da crise nos setores imobiliário e financeiro norte-americano, refletindo nos demais países, de maneira quase que imediata por conta da globalização. A eclosão da crise internacional ocorreu em um momento em que a economia do Brasil atingiu o mais alto grau em um processo de expansão, iniciado no segundo trimestre de 2006, atingindo seu melhor desempenho entre julho e setembro de 2008, o que permitia acreditar que o enfrentamento da crise se daria de forma mais fácil no Brasil do que em outros países, uma vez que seu surgimento no mercado brasileiro ocorreu discretamente, não permitindo que se fosse facilmente percebida, vindo a ser conhecida mais claramente com o passar dos tempos. Pesquisas, como por exemplo as realizadas pelo Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (IEDI), Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), foram fundamentais para mensurar os efeitos da crise no Brasil. Para as organizações restam duas alternativas: explorar as oportunidades surgidas em meio à crise ou se render às ameaças que decorrem dela. As ameaças da crise para a economia brasileira como um todo e especificamente para as empresas, se dão principalmente em decorrência da escassez de crédito sofrida tanto por quem produz, quanto por quem comercializa e consome o que gera um círculo vicioso onde um é dependente do outro, e quando uma dessas engrenagens (indústria, comércio e consumidor) se desestabiliza, compromete todo o processo. Exemplo dessa desestabilização é que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 3,6% no último trimestre de 2008 sendo a maior queda desde 1996, podendo se agravar em 2009 quando a expectativa é de crescimento próximo de zero. Outro fator que demonstra a ameaça da crise para o Brasil é a redução do número de postos de trabalho entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, período em que foi registrado o fechamento de 797 mil postos de trabalho. Mas é importante ressaltar que essas demissões não têm ocorrido necessariamente por dificuldades, mas por precaução das empresas que temem pela crise. Em contrapartida às ameaças, em período de crise também surgem novas oportunidades para o mercado. As condições em que o Brasil se

encontra hoje são favoráveis para o enfrentamento da crise e tal situação fica evidente pelo bom desempenho alcançado pelo país atualmente. Nos últimos três anos, a atuação da economia brasileira se apóia cada vez mais na demanda interna que vem sendo afetada positivamente pelo crescimento do rendimento das famílias decorrente da recuperação do poder de compra do salário mínimo, das políticas de renda mínima e da ampliação do acesso ao crédito. Porém devido à crise o consumidor ganha um aliado que é o poder de negociação, que proporciona o aumento da demanda no mercado. Médias e pequenas empresas têm demonstrado aumento contínuo nos negócios, mesmo com as turbulências da economia mundial por serem fortemente voltadas ao mercado interno e para produtos e serviços mais populares, estas ainda estão se beneficiando da melhora da renda do brasileiro. Um exemplo claro de oportunidade em meio à crise é o crescimento do comércio eletrônico, apresentando em setembro de 2008 um avanço de 21,39% nos negócios e existe uma projeção de crescimento na casa dos 20% para os próximos anos nesse tipo de negócio, mesmo com cenário de crise. Portanto, observa-se que diante da crise, enquanto alguns segmentos são atingidos por fatores negativos que podem ameaçar a estrutura da empresa, ocasionando retração em suas estratégias de desenvolvimento, outros segmentos a usam como alicerce para um despertar econômico visualizando na crise uma oportunidade para alavancar negócios.