Revisto histórico... Alvor-Silves & Odemaia Maio de 2011. Volume 2, nº 5.

As caves de Maastricht

(página 37)

Âncoras Suiças (2)
(página 32)

Gigante de Lucerna
(página 45)

Os nomes e as serras
(página 34)

A linha que divide a terra, o mar e os céus
É assim que Plínio designa o Promontório Magno, hoje Cabo da Roca, numa orientação em que se trocam as orientações…
(página 9)

Arco Emerita Augusta
Um enorme arco… em Mérida. Não sendo romano, desconhecese a sua origem… queixa-se Gaspar Barreiros, de que povo tudo atribuía a Hércules (e não tanto aos romanos)!
(página 7)

Alvor-Silves 2 ... Zenobia 4 ... Jefe 7 ... Arco Emerita Augusta 9 ... A linha que divide a terra, o mar e os céus 11 ... Sóis e Luas 13 ... As Tebas 15 ... Conde D.Henrique e as quinas (2) 16 ... O Panorama 22 ... Loxodrómia 24 ... 23 maneiras de ser diferente 26 ... Mapas de Dieppe (3) - Nuca Antara 29 ... A última piada du Bocage 32 ... Âncoras suiças (2) 34 ... Os nomes e as serras 37 ... As caves de Maastricht 39 ... Das Maçãs às Laranjas 41 ... Basiliscos de Basileia e Medos de Medusa 44 ... Elefantes pelos Mamutes 45 ... O Gigante de Lucerna Odemaia
47 ... Cydonia & Sidonia 49 ... Naumaquias 50 ... Moon Spots 52 ... O halo de Ourém 54 ... Tiahuanaco liliputiano 55 ... Ararat e as cavernas do vulcão

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Zenobia

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

A cidade de Palmira (hoje na Síria), ainda exibe impressionantes ruínas do que foi um suspiro de breve independência do Império Romano, 12 anos protagonizados pela rainha Zenobia, entre 260 e 272 d.C. Zenóbia enquadrou-se numa sequência de rainhas míticas: - Semiramis (Assíria, Babel) - Dido (Fenícia, Cartago) - Cleópatra (Egipto, Alexandria) ... sendo as duas primeiras consideradas lendárias, e da terceira feita a lenda. Dido (e Eneias, segundo Virgilio), Cleopatra, Zenobia (ou mulher de Palmira) Se do lado ocidental do Império Romano o "tempo" foi mais castigador na preservação de ruínas, na parte oriental do império, o deserto, os bizantinos e os árabes em vez dos godos, deixaram-nos alguns vestígios razoavelmente intactos de grandes construções, possíveis a estudo posterior. O Império Romano teve um sobressalto de divisão involuntária após a prisão do imperador Valeriano na batalha de Edessa contra os Persas. Apesar dos sucessos de Claudio II (chamado Claudio Gótico, por ter derrotado os Godos), instalam-se o Impérico Gálico a ocidente, e o Império de Palmira a oriente. É deste Claudio II que Faria e Sousa referia não se conhecer a ascendência, comparando com o caso do Conde D. Henrique.

Dido (e Eneias, segundo Virgilio); Cleópatra; Zenobia (ou mulher de Palmyra).

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Sobre Zenobia, apesar deste registo de ser no tom "antes morrer do que ser serva", os vencedores registaram que foi cativa, e apresentada como tal em Roma, juntamente com Tétrico, o sucessor ocidental de Postumus... ainda que esta versão tenha sido logo posta em causa pelos próximos de Zenobia. Sintoma da sua independência efectiva, Zenobia mandou cunhar moeda própria:

Colapso do Império Romano em 268 d.C.

Do lado ocidental está o Império Gálico 260-270 d.C. com Postumus que une a Gália, a Britania e a Hispania sob seu controlo independente. Do lado oriental Zenobia sucede a seu marido num império oriental que reunia o Médio-Oriente com o Egipto. Se Cleópatra ficou lendária, Zenobia tomou essa ascendência, legitimando-se como uma sucessora de rainhas. O Império Romano reorganizou-se sob o controlo de Aureliano, talvez o último imperador a restaurar a glória de Roma, e marchou sobre os dois recentes impérios que sucumbiram. Aureliano terá tentado convencer Zenobia a render-se, mas a sua resposta é esclarecedora sobre a personalidade: Never was such an unreasonable demand proposed, or such rigorous terms offered by any but yourself. Remember, Aurelian, that in war whatever is done, should be done by valour. You imperiously command me to surrender; but can forget that Cleopatra chose rather to die with the title of queen, than live in any inferior dignity. We expect succours from Persia; the Saracens are arming in our cause: even the Syrian banditti have already defeated your army. Judge what you are to expect from a conjunction of these force. You shall be compelled to abate that pride, with which, as if you was absolute lord of the universe, you command me to become your captive.

Zenobia liderou um império de Nabateus (que não devem ser confundidos com Nabantinos) por um breve período, mas talvez tenha deixado claro que o desejo de formar um império oriental, com o Egipto, não se tinha desvanecido com Cleópatra e as suas jogadas políticas. Da mesma forma, do lado ocidental havia um igual desejo independentista. Assim, estavam formadas as condições de pressão para a separação definitiva do Império Romano em duas partes.

Alvor-Silves, publicado em 3 de Maio de 2011

Ruínas da cidade de Palmyra (Síria)

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Jefe

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O alfabeto, uma organização fonética de escrita teve a sua origem atribuída a Agenor, de acordo com a mitologia grega, um lendário rei fenício. Nascido em Memphis, no Egipto, filho de Poseidon e Lybia, estava ainda ligado a Cartago, de acordo com Virgílio, que colocava Dido como sua descendente. Heródoto considera que Agenor viveu antes de 2000 a.C., e sendo comum considerar Europa como sua filha, na Ilíada é também considerada como neta, filha de Fénix. Na procura de Europa, raptada por Zeus sob forma de touro, Agenor enviaria os filhos Fenix, Cadmus e Cilix. Para a história grega interessa especialmente Cadmus, que iria fundar a Tebas grega e passar o alfabeto fenício aos gregos.

Para além desta ligação recorrente à Frígia, também o irmão Cilix acabará por fundar a Cilícia, sempre na Ásia Menor, onde a confusão e aglomeração de reinos é bem ilustrada nesta imagem da wikipedia:

A complexidade de reinos na Ásia Menor, na Antiguidade, não estando representados Hititas e ainda outros povos...

Europa raptada por Zeus, na forma de um touro (terracota, séc V a.C., e fresco de Pompeia).

Cadmus, o irmão mais velho, ajudado por Atena irá fundar Tebas semeando homens com dentes de um dragão, após ter tido aprovação dos deuses no casamento com Harmonia em Samotrácia. A referência à ilha de Samotrácia é também aqui colocada como pretexto para lembrar a Nike, talvez a estátua mais bela alguma vez esculpida. Sendo também de notar que o templo de Samotrácia estava ligado a cultos antigos da terra, de Démeter e da filha Perséfone, raptada por Hades.

Um aspecto interessante coloca uma origem e a procura fenícia por Europa, talvez querendo reflectir uma primeira exploração sistemática da Europa por parte dos fenícios. O irmão de Cadmus que participa na busca de Europa é Fenix, que fixará uma Fenícia em África (Cartago?) e que vemos aqui representado com um barrete frígio:

Fenix, irmão de Europa (também considerado pai de Europa, na Ilíada)

Nike, Vitória de Samotrácia

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O alfabeto fenício acabou por estar na origem de vários outros alfabetos, em particular o hebraico. Na Monarquia Lusitana, Fr. Bernardo de Brito em 1596 apresenta duas sequências de letras, as primeiras correspondentes a um alfabeto mais antigo que era encontrado em textos hebraicos, e as segundas na ortografia do alfabeto hebraico moderno (já à sua época):

(a leitura é feita de nascente para poente)

A forma dos símbolos é semelhante entre o aramaico e hebraico moderno, tal como o protohebraico se assemelha ao fenício, mas sendo bastante diferentes entre si. Relativamente ao "tetragrama sagrado" convém notar que a sua leitura, como Jeová ou Javé, é estranha no sentido em que há uma repetição do E. A fazer-se alguma leitura seria mais lógico JEVE... porém devemos reparar que os gregos não faziam distinção entre o F e o V (ou melhor, o V não existiria), e no hebraico nota-se a falta antiga do F (aliás nos nomes hebraicos antigos é raro, talvez Jafet seja o mais conhecido, e desconheço se haveria algum nome começado por F). Por outro lado, a pronúncia da letra J leva a uma semelhança fonética curiosa entre JEFE ~ CHEFE que pode ser quase imperceptível. Aliás, em espanhol, Chefe escreve-se exactamente Jefe... Isto nada tem de extraordinário, a forma usual de tratamento como Senhor terá sido equivalente à forma antiga de Chefe. A diferença de tratamento, e de actual entendimento, considerará o Senhor numa posição de condição superior, enquanto o Chefe é alguém semelhante colocado em posição de liderança. Na concepção teológica cristã, sendo essa semelhança humana enfatizada, a palavra Chefe seria mais adequada... não fosse o sentido algo pejorativo que foi tomando, ao longo dos tempos.

Uma boa correspondência entre os diversos alfabetos pode ser encontrada aqui: variantes ortográficas - hebraico, proto-hebraico, fenício, aramaico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_hebraico#Variantes_ortogr.C3.A1ficas.

É fácil verificar que houve uma transformação significativa dos símbolos, sendo curioso que nalguns casos o proto-hebraico se assemelhava mais com a grafia latinizada, ou com o fenício. Podemos ver numa comparação tetragrama YHVH (Jeová): como o

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Não deixa de ser notável que apesar das 2 letras serem iguais, se insista numa reinterpretação fonética, conduzida de forma a considerar natural interpretar uma letra como A e outra como E, no caso de Javé, ou a ainda mais estranha colocação de um EO e A final, no caso de Jeová. Etimologicamente creio que o nome Chefe é uma designação tipicamente ibérica, e não é de excluir que haja uma associação - num sentido ou no outro. Falando do duplo E, não deixo de lembrar uma imagem de uma pedra antiga que se encontra na povoação do Carvalhal, no concelho de Sátão, junto à Capela da Srª. do Barrocal:

Imagens em patrimoniosustentavel.blogspot.com

Alvor-Silves, publicado em 6 de Maio de 2011

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Arco Emerita Augusta

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Gaspar Barreiros escreve em 1561 uma "Corografia de alguns lugares que estão num caminho...", caminho que o próprio Barreiros teria feito de Badajoz a Milão. É um título singularmente singelo, onde o autor aproveita para discursar sobre a história dos locais, e não apenas dos visitados... A propósito de Badajoz começa por falar de um triângulo na Lusitania que reuniria três cidades principais definindo regiões jurídicas, denominadas conventos, e seriam estas segundo Plínio: - Convento Pacense, de Pax Julia (Beja) - Convento Scalabitano, de Scalabis (Santarém) - Convento Emeritense, de Emerita Augusta (Mérida) Isto surge sobre a indefinição das localizações, mesmo dos lugares romanos, e da pretensa associação castelhana de Badajoz a Pax Julia. Apesar de Barreiros não alinhar na versão fabulosa dos reis míticos da Ibéria, tal como André de Resende, não deixará de fazer as suas censuras instrutivas... por exemplo, começa por dizer que Plínio citando Varro afirmava terem chegado à Hispania, para além de Iberos, Fenícios e Celtas, também os Persas e Poenos(?). À época, queixava-se Gaspar Barreiros do antigo ser quase sempre atribuível a Hércules, pela tradição popular... coisa que foi cuidada desaparecer na passagem para os tempos modernos. Quando descreve uma torre de Mérida disse terem tentado associar um símbolo a duas serpentes que Hércules teria no berço, mas ele contesta: (...) porque além desta cidade ser fundada muito tempo depois que foi Hercules como acima disse, & assim a obra da torre ser moderna, como na sua arquitectura se mostra, eu não creio que em Hespanha, nem em alguma outra parte do mundo haja cousa que com verdade se possa afirmar ser sua, por haver tanto tempo que foi, depois do qual sucederam tantas repúblicas e monarquias, em que afora uns desfazerem as obras dos outros, como os Godos fizeram a muitas dos Romanos & Gregos, ó mesmo tempo as desfizera e consumiria, ó qual se gastou as que estas duas tão ilustres & tão políticas duas nações (que agora nomeei) fabricaram, que menos fizera âs de Hercules sendo mais antigas, & em cujo tempo sabemos ser a arquitectura tão

apagada como ainda então era, a qual teve depois entre os ditos Gregos e Romanos posta em toda sua perfeição, se não se ainda cremos nas profecias & torres de Toledo, nos espelhos da Crunha [Corunha], & calçadas de Calez [Cádis], & em tantas fábulas quantas nasciam de cabeças à sua Hydra. E destas vaidades não há lugar nobre em Hespanha, que não tenha suas relíquias, ou em torres, ou em pontes, ou em quaisquer outros edifícios, como ora nestes de Merida, que a gente ignorante usurpa como por mostra & argumento de sua nobreza e antiguidade. Digo tudo isto porque nos mais dos lugares nobres de Hespanha me aconteceu achar sempre sempre qualquer cousa d'esta qualidade que o povo afirma com muita contumacia ser de Hércules, tão grande fortuna foi deste homem, que com uns poucos trabalhos & os mais deles fabulosos, roubou a fama de tantos alheios. Gaspar Barreiros e António Galvão seguem o discurso da destruição levada a cabo pelos Godos, relativamente a todos os monumentos antigos. O mais curioso é que depois deste discurso contra este exagero sobre Hércules, Barreiros vai sugerir que o símbolo das serpentes sejam afinal cordas... as cordas do Nó Górdio, e o atribua assim a uma alusão a Alexandre Magno. Isto é especialmente interessante pois para desvanecer Hércules faz aparecer uma conexão do episódio Górdio na Hispania, onde não poderia colocar Alexandre Magno.

Alexandre e o episódio do Nó Górdio

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O episódio do Nó Górdio tem um correspondente, alguns milénios depois, e chama-se Ovo de Colombo. As estórias produzidas são similares, procurando revelar um espírito audaz resolvendo um intrincado problema teórico com uma simplicidade agreste. Alexandre tocou o Oriente, e terá ido mais além, e o mundo outorgado a Alexandre manteve-se como "mundo autorizado" até que Colombo partiu a casca ao ovo, abrindo o novo conhecimento. Regressando a Merida, convém notar, como Barreiros faz, que o cognome Augusta, em Emerita, se relaciona com ser cidade sagrada e não com alguma conexão ao imperador Octávio. Aliás, a adopção do nome Augusto veio acrescentar essa confusão entre o seu nome e os locais sagrados... talvez uma razão enebriante que levou a que a Era Hispânica começasse com a sua regência, conforme já abordámos. Mérida conseguiu preservar vários monumentos antigos que Barreiros enumera, para além do aqueduto, é notável a enorme ponte "romana", que Barreiros diz contar mais de 70 arcos... coloco "romana" entre aspas, porque o próprio diz que a tradição a associava também a Hércules!

No mesmo sentido fala Barreiros de um notável Arco de Triunfo... começando por esclarecer que nunca poderia ser arco de triunfo romano, pois esses só estariam autorizados a ser feitos em Roma. De facto, se olharmos para o arco, é notável a sua concepção, com uma sustentação de pedra angular.

Arco em Mérida

Este arco é denominado de "Trajano", apesar de não se lhe conhecer a origem... diz Barreiros, por lhe chamarem "arco triunfal": Assim que não tendo este arco de Mérida, nem escultura de imagens, nem letras, nem magestade na obra, como se pode chamar triunfal, pois nele não há feitos nem nome do que triunfou? (...) Parece que este trofeu posto que tão bárbaro seja, teve alguma grande fortuna de diversos vencimentos, porque segundo me disseram em Mérida, acham-se algumas medalhas antigas, as quais têm de uma parte umas letras que dizem EMERITA AUGUSTA, & no reverso um arco; Este arco, apesar de pouco referenciado, e inserido no contexto da cidade sem destaque, figura ainda no brasão de Mérida... porque talvez como diz Barreiros, os Emeritenses tivessem alguma grande vitória que fosse aí celebrada. Ou ainda... uma coisa que Barreiros nunca escreveria, porque talvez celebrasse a vitória de Hércules contra os Geriões!
Alvor-Silves, publicado em 9 de Maio de 2011

Aqueduto e ponte "romana" de Mérida

Ora, como não conhecemos outras pontes restantes que não sejam romanas, é difícil colocar em causa que a ponte seja ou não romana... é quase obrigatório que uma ponte da antiguidade seja romana. Caso contrário, será medieval... manda a escolástica que assim se pense.

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A linha que divide a terra, o mar e os céus
É com estas palavras: "este local forma uma linha divisória entre a terra, o mar e os céus", que Plínio coloca o Promontório Magno, hoje dito simplesmente Cabo da Roca.

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

- Que sentido faz isto? - Aparentemente nenhum, e só o erro explicaria... mas podemos ser consistentes com mapas já apresentados aqui e aqui, ou seja usar a hipótese de um nível do mar mais elevado, e de uma orientação terrestre no alinhamento piramidal de Gizé: Gaspar Barreiros e António Galvão seguem o discurso da destruição levada a cabo pelos Godos, relativamente a todos os monumentos antigos. O mais curioso é que depois deste discurso contra este exagero sobre Hércules, Barreiros vai sugerir que o símbolo das serpentes sejam afinal cordas... as cordas do Nó Górdio, e o atribua assim a uma alusão a Alexandre Magno. Isto é especialmente interessante pois para desvanecer Hércules faz aparecer uma conexão do episódio Górdio na Hispania, onde não poderia colocar Alexandre Magno.

Promontório Magno, Artabrum, ou de Olisipo, dizia Plínio... ou seja, dizemos hoje - Cabo da Roca
(foto : portugalvirtual.pt)

Não é apenas assim... apesar de começar no 3º Livro com a Bética, Plínio vai descrever a Europa até fechar o ciclo e regressar à Lusitânia, no 4º Livro, Cap. 35. Começa a Europa na Bética, numa margem do Rio Ana (Guadiana) e termina na outra, na Lusitânia. Maneira curiosa de fazer o périplo europeu... "Onde a terra acaba e o mar começa...", Camões terá usado outra expressão para esta Finisterra, agora a parte mais ocidental da Europa continental. Este "agora" é aqui propositado, devido à descrição de Plínio, que parece confundir a Roca Lisboeta com a Finisterra Galega... o tradutor inglês queixa-se disso, aliás. Porquê? Porque Plínio faz neste ponto a divisão - de um lado fica o Norte, o mar Gálico, e do outro lado o Oeste, a face de Espanha. Esta descrição apenas seria compreensível hoje referindo-se ao Cabo Finisterra - é isso que o tradutor diz. Porém, toda a sequência da Lusitania, começada no Douro, descendo por Conimbriga, Collipo (~Leiria), Eburobritum (~ Obidos), confirma a posição do Promontório Magno, que é adicionalmente referido como próximo de Lisboa ~ Olisipo. Acresce uma descrição ainda mais estranha - o promontório avança no mar, na forma de um grande corno... e dá essas dimensões de penetração - entre 60 e 90 milhas (na tradução inglesa).

A orientação por rotação pode ser circunstancial, mas adaptada ao alinhamento das pirâmides daria um sentido consistente com Norte e Oeste, conforme Plínio.

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Quanto ao incremento do nível do mar, parece aqui mais convicente, transformando o conjunto montanhoso da Serra dos Candeeiros até à Serra de Sintra numa península - o dito "corno" - que teria facilmente as 90 milhas de extensão. Plínio fala ainda de uma Arrotrebae que autores situariam em fronte dum Celtico Promontório... algo que terá algum nexo toponímico se entendermos que neste mapa a Arrábida surgiria como ilha em face. Por outro lado, Plínio diz ainda que o Promontório Sacro projectar-se-ia do meio da face da Hespanha, algo que toma sentido com a orientação colocada no mapa. A denominada "face" teria topo no Promontório Magno, meio no Promontório Sacro, e base no Promontório Calpe, um dos pilares de Hércules. E sobre a "face" de Hespanha, completamos a citação de Camões Eis aqui, quase cume da cabeça De Europa toda, o Reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa, E onde Febo repousa no Oceano. Pela descrição que faz, Plínio nunca terá visitado a Hispânia, e por isso é de conceder que fosse influenciado por erros - a habitual justificação oficial ou então por relatos referentes a tempos muito anteriores, que justificariam a concepção de um mundo muito anterior aos Romanos, talvez à época de Jasão e Argonautas... Um outro pormenor interessante que Plínio aponta no sentido da memória perdida, e nas suas bases, é a referência que faz ao Rio Lima. Diz que os "antigos" chamavam a este rio, o "Rio do Esquecimento"... Na por vezes designada "mesopotâmia" de Entre Douro-eMinho, o outro rio, o Lima esqueceu essa designação do Esquecimento, e de "histórias fabulosas" - que Plínio refere, mas por outro lado há sempre uma tradição subreptícia que é possível encontrar. O Lima acabou por ficar conhecido pelo seu Queijo Limiano, e o Esquecimento associou-se indirectamente por esse mito popular de relacionar "queijo" à perda de memória.
Alvor-Silves, publicado em 11 de Maio de 2011

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Sóis e Luas

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No 2º livro da sua História Natural, Plínio refere vários fenómenos "naturais", alguns que têm explicação conhecida, outros nem tanto. Um desses fenómenos é conhecido como parélio, e manifesta-se no ocasional avistamento de 3 ou mais sóis - devido a uma refracção da luz em camadas de gelo na estratosfera, na zona onde se formam os cirros, é assim causada uma ilusão óptica.

Sobre os eclipses longos, refere que teriam ocorrido aquando do assassinato de César, e também durante quase um ano, aquando das guerras entre Octávio e Marco António, o Sol teria "ficado fraco", razão atribuída a um eclipse. É interessante, a associação que Plínio faz ao partido de César e Marco António, porque mais do que uma observação natural, parece ser uma opção política. Lembramos que Plínio, que morre na erupção do Vesúvio em Pompeia, e por isso não sendo contemporâneo de César, mostra ainda uma influência clara das opções políticas de uma época que seria mais dos seus avós, mas que marcou as gerações vindouras. Ao falar sobre o Oceano que rodeava a terra habitável, Plínio fala numa expedição ao tempo de Augusto que teria chegado ao Promontório Cimbri, mas que não teria ido mais longe no enorme Oceano pelo frio. Normalmente Cimbri é associada à Dinamarca... porém esses frios glaciais seriam aí bizarros numa altura em que a temperatura do planeta justificava as vestes ligeiras de gregos e romanos, habitualmente representados em "trajos de Verão" - com as togas ligeiras dos seus senadores e filósofos, ou com as pernas descobertas dos seus exércitos. Parece-nos bem mais provável que este promontório Cimbri estivesse na zona da Noruega, seguindo os argumentos apresentados no post Alemanha Escandinava. Entre os vários tópicos interessantes nos relatos de Plínio há dois que merecem desde já a nossa referência: 1º) Quando refere que segundo relatos antigos e ruínas, o mar teria atingido Menfis, que teria sido um porto, e que já à época de Plínio estava bem no interior do Egipto. Ou seja, as pirâmides podem ter sido construídas à beira-mar...

Refracção por parélio provoca a ilusão de 3 sóis.

Parece estranho que Plínio não considere essa explicação, e vai falar ainda do avistamento de 3 ou mais luas, a que diz chamarem "sóis nocturnos". Se a ilusão óptica do Sol é conhecida, já é muito mais difícil de ter ocorrido com a Lua, no entanto acaba por ser essa a tentativa de explicação dos tradutores, J. Bostok e H. Riley, em 1855. Há vários outros fenómenos que Plínio descreve, e que podem ser entendiveis pelo título do capítulo: - Luminosidade diurna à noite - Estrelas que se movem em várias direcções - Eclipses especialmente longos ... etc. As tentativas dos tradutores, para interpretar naturalmente aquilo a que Plínio não dá aparente explicação, e assume apenas como fenómeno estranho, são esforçadas, mas não são minimamente convincentes! É tão ilusória a tentativa de explicação, quanto ilusória parece a descrição do fenómeno.

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O Mediterrâneo com um nível do mar elevado. Menfis cidade portuária, pelo registo dos antigos, segundo Plínio.

É aliás natural pensar que a descida do centro decisor no Egipto esteve justamente relacionada com este afastamento da orla costeira. A tradição associa Tebas como primeira capital. Depois há uma descida no Nilo para Menfis, onde se encontram as pirâmides de Gizé. Finalmente, já no tempo de Alexandre, é decidida a nova transferência, a jusante, para a foz onde ficaria Alexandria. A Tebas inicial foi recuperada no significado religioso, como é ilustrado depois pelo complexo monumental de Carnac e Luxor, mas essa já não será a Tebas original, a de Ogyges. Atendendo ao mito do Dilúvio de Ogyges, e à primeira cidade numa Tebas egípcia, o nível marítimo pode ter sido ligeiramente superior ao apresentado neste mapa, conforme já apresentado num post anterior. 2º) Plínio refere ainda que numa expedição levada a cabo na época de Augusto, indo para além da Mauritânia (portanto em zonas tropicais do Golfo da Guiné), teriam sido encontrados ainda vestígios de navios hispânicos naufragados/encalhados nessas paragens. Refere depois o relato de viagens, de Hanno, Himilcon, Eudoxo, etc... que já mencionámos a propósito da obra de António Galvão, que cita Plínio entre outros.

É especialmente curioso notar que Plínio fala em tentativas de circum-navegação, mantendo sempre o mesmo paralelo, mas que estas tentativas não teriam sido concretizadas por falta de empenho, de persistência, de mantimentos, etc... Ou seja, notamos que 2000 antes, partiam expedições sistemáticas da Hispânia na direcção de África, conforme o registo de navios naufragados dado por Plínio, e provavelmente seguiriam para a América. Nessa altura eram já feitas tentativas de circumnavegação... pelo que o cenário de exploração não era muito diferente do que veio a repetir-se na época dos descobrimentos quinhentistas. O mecanismo de Anticitera já existiria como auxiliar de navegação, mostrando como seria possível empreender grandes viagens com conhecimento adicional de longitude.
Alvor-Silves, publicado em 13 de Maio de 2011

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As Tebas

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O correspondente grego do dilúvio é protagonizado pelo filho de Prometeu, Deucalião, cuja barcaça encalha não no Monte Ararat, mas sim numa encosta do Monte Parnaso, perto de Delfos. Delfos, que se torna famosa pelo oráculo de Apolo, e cujo nome deriva dos delfins que Apolo montou para derrotar a serpente Píton (ou pitão), formada das lamas do Dilúvio, uma serpente filha da Terra (Gaia), que guardava o umbigo do mundo.

Teria sido no cordão umbilical de Delfos que Reia (ou Gaia) escondera Zeus (Jupiter), evitando-lhe o destino funesto que o pai Cronos (Saturno) reservava aos seus filhos. Há assim uma certa associação entre a mudança civilizacional que ocorre pelo mito diluviano. O dilúvio teria sido decisão de Zeus para terminar com a Idade do Bronze, a idade de ouro, pela falta de culto e respeito aos deuses pelos humanos. Tem obviamente um correspondente directo com a Epopeia de Gilgamesh e, tal como a história de Noé, poderá ser um conto adaptado sobre o mesmo assunto. Pode estar ainda associado à transição entre Zeus e Cronos... A rebelião levada a cabo pelos titãs tem dois interpretes interessantes. Por um lado, Atlas é condenado a suportar o mundo nos ombros, nas Colunas de Hércules. Por outro lado, Prometeu é agrilhoado e condenado a suportar uma tortura de 30 000 anos de ver uma águia a dilacerar o seu fígado. Em ambos os casos será o humano, dito semideus, Hércules que aliviará a pena de ambos os titãs que ousaram contra o poder do Olimpo. Hércules tem demasiados registos humanos históricos para que possa ser visto como uma simples evocação do panteão divino. Mas Hércules surge já num período pós-diluviano, quando os titãs "agentes do Caos" tinham sido derrotados pelas forças da ordem olímpica. Perante a ordem de destruição diluviana, Prometeu avisa o filho Deucalião que se salva numa barcaça que encalhará no Monte Parnasso, em Delfos. Se historicamente o final da Idade do Bronze termina com uma invasão de Povos do Mar, mitologicamente ficará associado ao dilúvio marítimo. A este dilúvio grego também se associa Ogyges, fundador de Tebas, na altura chamada Ogígia. As coisas tornam-se mais claras com a referência a Cadmus, de que já aqui falámos... Na sua procura pela irmã Europa, Cadmus irá refundar Tebas, então chamada Cadmeia. Se a confusão parece aumentar nas histórias, fica mais clara quando é dito que o Oráculo de Delfos teria solicitado que o nome da cidade fosse o mesmo do que a Tebas egípcia!

Onfalo, ou umbigo, em Delfos

Há certamente outros umbigos do mundo, uns colocados em Jerusalém, outros no Tibete, India, etc... mas interessa-nos aqui o assunto grego pela grande informação associada.

Jerusalém seria umbigo do mundo na concepção T-O de Isidoro de Sevilha (e imagem do séc. XV), (o T surge da terra na divisão entre Europa, Ásia, África, circundada pelo O oceano).

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Propositadamente, será vontade dos deuses, agentes da ordem divina contra o caos popular, que se faça a confusão entre a Tebas egípcia e a Tebas grega. A Cadmus, de origem fenícia, é ainda atribuída a introdução do alfabeto na Grécia. Há um claro reconhecimento de influência... mas o contexto é já outro. O novo contexto é o contexto de obedecer aos deuses para refazer a História... Se o alfabeto é originalmente escrito no sentido poente, pelos fenícios, e depois pelos hebreus ou árabes... na tradição greco-romana a ordem é invertida - a escrita será feita no sentido nascente! O ponto dessa alteração parece ter sido definido por Cadmus, após a visita ao oráculo. A inversão da escrita poderá parecer ocasional, mas é civilizacional - o Oriente escreve em direcção a Poente, o Ocidente escreve em direcção a Nascente. E o Ocidente sai sempre vencedor, mas com um bom rival colocado a Oriente. Os pares Ocidente/Oriente vão-se suceder... um Egipto rival Sumério, uma Grécia rival de Tróia, da Fenícia, e a Macedónia rival Persa, uma Roma rival de uma Cartago de ascendente Fenício. A separação do Império Romano, de que sobreviverá a estratégia fragmentária do Papado Romano Ocidental, e o rival árabe oriental, que na altura dos descobrimentos passará a persa e otomano. O poder espanhol que se desloca ainda mais a ocidente, a uma Inglaterra, e depois aos Estados Unidos, que encontram novos rivais Orientais, na Rússia, e agora na China. Enquanto o Ocidente não se desloca, a sua história não existe. A Grécia procurava as suas raízes inexistentes quando o Egipto florescia, os Romanos teriam que suprimir os Etruscos, ocidentais fora de tempo, e entretanto os Gregos de Bizâncio passaram a Orientais, tal como os Egípcios do Cairo. Os hispânicos teriam que ignorar a herança ocidental dos Turdulos e Tartessos, fora de tempo, tal como os ingleses e franceses ficariam reduzidos a uma tosca herança megalítica celta. Já para não falar nos norteamericanos, cuja civilização pré-colombiana era quase rupestre. O poder divino deixou o mundo progredir com uma vitória ocidental controlada, sendo que não há mais Ocidente a ocidente, e o ciclo terá sido completado.

Voltamos a Tebas... A sua ligação ao Egipto não fica pelo nome, torna-se mais clara pela referência ao mito de Édipo. Édipo derrota a Esfínge, numa adivinha ridícula, mas o importante é que a mesma Esfínge surge portentosa, não em Tebas, mas sim em Menfis, no Egipto, junto às pirâmides... ou ainda em Tebas, na avenida de esfínges de Carnac.

Avenida de Esfínges em Carnac, Tebas.

O amor civilizacional grego parece aqui aceitar numa metáfora a sua progenitora Egípcia, com quem colaborará. A recuperação do tema incestuoso edipiano em "os Maias", de Eça de Queirós, poderá não ter sido completamente alheio... numa altura em que Freud iria recolocar o assunto, do complexo de Édipo, de forma definitiva como assunto de pedopsicologia. É ainda em Tebas que Jasão trairá Medeia, que o auxilara na sua questa em busca do Tosão de Ouro, cedendo a um casamento de poder que o levará a Creusa, filha de Creonte. O mesmo Creonte que Édipo teria deposto anos antes, após derrotar a Esfínge. Não importava a dedicação externa, ela seria ignorada pela potência ocidental. As civilizações não-helénicas, representadas por Medeia, seriam enjeitadas ao amor civilizacional grego, repudiadas pelos interesses políticos internos, apenas porque o mundo que interessava era o circuito interno helénico. A clivagem era necessária, e as tentativas românticas entre Alexandre e Roxana, entre César ou Marco António e Cleópatra, estavam destinadas ao fracasso... os amores possíveis com o oriente seriam até incestuosos, falando dos registos civilizacionais maternos, gregos ou egípcios. As crianças deveriam nascer sem a perigosa ligação materna, que acumularia informação geracional.
Alvor-Silves, publicado em 15 de Maio de 2011

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/as-tebas.html

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Conde D. Henrique e as quinas (2)
Apresentamos mais uma excelente colaboração que Calisto enviou, e que dá seguimento e adicional consistência à tese de Damião de Góis, sobre a origem do Conde D. Henrique, que já abordámos nos posts: Bolhão, Governantes da Lusitania, e no post anterior com o mesmo nome deste. Damião de Góis sustentou que o Conde D. Henrique seria da linha de Bouillon - Bulhão, e portanto a nossa primeira dinastia seria mais propriamente designada Dinastia de Bolonha, de Boulogne-sur-mer, ou ainda de Lorena, dada a conexão ao ducado de Lorena.

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Apesar dos autores dizerem que esta genealogia (Joinville) encerra erros grosseiros, encontram nas notícias dadas por Vassebourg certos detalhes que não são desprovidos de interesse e que tomam por emprestados tradições locais. Para o autor, o interesse dado à importância histórica ao papel de Guillaume, irmão de Godefroi de Bouillon, propunha a demonstrar, contra toda a razão, que os duques de Lorraine tinham herdado os direitos da casa de Bouillon sobre o reino de Jerusalém como sucessores de Guillaume. No entanto é de referir que Guillaume não é, ao contrário do que se julgava, uma personagem imaginária. A sua existência é atestada por Guillaume de Tyr, por Lemire. Fontes: Essai sur l´histoire et la généalogie des Sires de Joinville (1008-1386) accompagné de chartes et documents inédits par J. Simonnet, conseiller a la cour d’appel de Dijon, membre correspondant de la société historique et archéologique de langues, président de l’académie des sciences, arts et belleslettres de Dijon, correspondant du ministère de l’instruction publique, etc.-1876, pp.43-45, pp 55 (em pdf) ‘Mémoires de Jean Sire de Joinville ou histoire et chronique du tré-chrétien Roi Saint Louis’ (1858) (pp127), onde diz que de acordo com a ‘l’histoire inédite de Fissieux’, dos filhos de Guillaume, Thierry fica duque de Lorraine por morte do tio Baudouin, rei de Jerusalem, o segundo terá tido por divisão a baronia de Joinville por herança do seu tio Baudouin, e o terceiro Henri, que embarca em Marselha em 1110 para ir ter/vêr o seu irmão Geoffroi e o seu tio Baudouin, que era rei de Jerusalém, “Une tempète l’ayant fait aborder en Galice, il fut bien accueilli par Alphonse VI, que son frère avait chasé de son tròne, et il combattit si vaillamment les Sarrasins et le Maures, qu’Alphonse lui fit épouser sa fille naturelle Thérèse, et lui donna en dot le royaume de Portugal.”

Brazão actual de Boulogne-sur-mer

_________ comunicação de Calisto _________ Existe o manuscrito de Fissieux (1632), e o manuscrito (recueil) 1054, usados por M Didot mas apresentam-se como uma cópia do de Vassebourg ‘Antiquités de la Gaule Belgique’ (1549) no que concerne a Guillaume de Boulogne, suas alianças, posteridade e as aventuras de Henry na Galiza. Guillaume, o mais novo dos irmãos morre em 1098, teria a baronia de Jaynville e outros circunvizinhos, tal como o governo do ducado de Lorraine na ausência dos seus irmãos. Teve duas mulheres, Geltrude, filha do conde de Las, e Mathilde, filha de Gerard, duque de Mozellanne. Deixou 3 filhos: Théodoric que sucede no ducado de Lorraine. Godefroy com a baronia de Jainville (esteve em Jerusalém e tomou parte nos espólios do seu tio Baudoin), pouco depois da morte do tio Baudoin (1119) volta para Jainville que governa até 1128, deixando um filho Godefroy II. Henry, o mais novo, estando na flor da idade, no ano de 1110 embarca para Marselha, com intenção de chegar à Terra Santa, mas, ou por uma tempestade ou por deliberação daqueles que conduziam os navios foram aportar na Galiza (o resto da “aventura” encontra-se em ‘Essai sur la genealogie de Joinville’, Didot).

Alvor-Silves, publicado em 18 de Maio de 2011

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/conde-dhenrique-e-as-quinas-2.html

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O Panorama

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

"O Panorama" foi uma revista do Século XIX que teve como primeiro editor Alexandre Herculano, em 1837, e como último Miguel Soares Monteiro, em 1867, bem menos conhecido que o primeiro. O carácter generalista e a missão educativa que a revista teve, está estudado numa recente tese de doutoramento de 2008, de J. Bartolomeu Rodrigues, disponível online na UTAD. A revista é interessante, com notáveis ilustrações, e ajuda a perceber que o contexto educativo pretendido acabou por se perder rapidamente nas revistas de actualidade. Será difícil de pensar que se pode sustentar uma publicação frequente com temas antigos... mas depende muito da maneira como se olha para os mesmos temas. Não há repetição quando se retoma um velho tema com um novo olhar... aliás, o problema aí é que há uma imensidão de assuntos a recolocar, e o excesso de informação aparece agora como ruído de onde é difícil tirar algum som audível. Um tema que nos prendeu a atenção no volume do 2º ano da 5ª série, em 1867, dizia respeito aos Rothschild, família que rapidamente ascendeu a um estatuto de domínio económico mundial.

O artigo de 1867, publicado na revista Panorama, já sem a direcção de Herculano, começava dizendo o seguinte: Rothschild é um mito, é um símbolo, é matéria endeusada pelo paganismo actual (...) invocando os escrevedores desses vindouros tempos o deus Rothschild para presidir às lucias da agiotagem, que simbolizam este nosso afortunado século, cuja mitologia é menos poética, mas bem mais opulenta do que a da velha Grécia. E Rothschild é isto! Encarnação materializada do dinheiro, que a sociedade proclamou rei do mundo, não está em Londres ou em Paris, em Viena ou Francfort. Está sobre toda a superfície da terra onde a civilização fez compreender o valor de um milhão de francos, de libras, de florins, de dollars, de thalers, de reales, de rixdalers, de liras ou de cruzados. Como a companhia de Inácio de Loyola tem por pátria o mundo inteiro, que domina no mistério das suas transacções comerciais. Se não fala às consciências, fala às bolsas, órgão vital muito mais sensível nos seres da actual humanidade (...) O artigo foi escrito há quase 150 anos, e muitas gerações passaram, mas o mundo não terá mudado muito. Já em 1867 se procurava a causa, e ligava-se à fortuna acumulada durante as guerras napoleónicas, quando o negócio do metal bruto se tornou importante para financiar os exércitos de Wellington. A wikipedia relata que Nathan Mayer Rothschild terá financiado sozinho esse esforço inglês 9.8 milhões de libras, que seriam pagas depois pelos aliados da Inglaterra... escusado será dizer que começaram, ou melhor continuaram, aqui os nossos problemas de financiamento e a tormenta da dívida em contínuo. O metal precioso bruto, que Rothschild negociava, é denominado Bullion em inglês, e a própria wikipedia faz uma nota curiosa para não ser confundido com Bouillon, ou seja com o condado de Bulhão, de aqui temos falado! Dito doutra forma, os cruzados em dinheiro, não devem ser confundidos com os cruzados das Cruzadas. É demasiado fácil fazer ligações por esse lado, e já falámos aqui dos contos de reis, pelo que não me vou alongar...

Concordia, Integritas, Industria - Armas dos Rothschild

Não vamos falar das cumulativas teorias da conspiração, que sempre terão existido, mas que foram ganhando expressão significativa nestes últimos anos, em particular muito recentemente, desde o colapso económico de 2009. Este colapso apenas tornou mais visível um domínio efectivo subjacente, que escapa aos poderes pretensamente eleitos. Aparecem assim o Grupo Bilderberg, os Illuminati, etc... procurando nas sombras eventuais culpados, esquecendo que essas sombras são agora iluminadas para que as possamos ver e culpar.

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/o-panorama.html

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Hoje, 21 de Maio de 2011, seria uma data propagandeada para eventos apocalípticos, tal como se anuncia a mais estranha ligação ao fim do calendário Maia, em 21 de Dezembro de 2012... mas é bem mais certo que há um ano ouvimos a nossa governação revelar que o mundo "tinha mudado em 15 dias", ou seja, as datas para futuro podem ter sido antecipadas, lembrando que a Terra Hispaniola tremeu em 10 de Janeiro de 2010. Aquilo que se pretende tornar claro é que o controlo é efectivo, existe desde sempre, teve demasiados protagonistas conhecidos, e outros principais protagonistas desconhecidos. O artigo de "O Panorama" vem apenas mostrar que esse poder já estava claramente nas mãos de uma elite financeira do Século XIX, que terá sido responsável pelos desenvolvimentos subsequentes. A esse propósito, convém registar a confluência de acontecimentos no ano de 1917, de que já falámos. A maior curiosidade é a sua persistência num protagonismo de 2ª ordem, que pelo semi-anonimato público da elite financeira foi garantindo a sua permanência nos dois séculos seguintes, séculos esses responsáveis pelo aparente maior desenvolvimento da Humanidade. Não que ele não pudesse ter sido efectuado anteriormente, apenas porque ele foi outorgado pelo levantamento de restrições que amarravam as civilizações a um estado primevo. Se os deuses puniram Prometeu por levar o fogo aos homens, é natural que a "ordem divina" temesse o "caos popular"... e o exemplo da Revolução Francesa estava presente para o lembrar. A revolução seria cultural, através de uma educação condicionada a exemplos seleccionados. As mentalidades seriam formatadas para uma ilusória ideia de liberdade, que se completava pela própria crença educacional... e o controlo menos libertário, mais autoritário, seria apenas sentido nos degraus superiores, onde apenas chegariam alguns condicionados pelo seu percurso errante. Moralmente, não haveria pejo em condicionar quem se teria movido pela soberba do poder, já seria muito mais complicado restringir quem não tivesse essas falhas morais... esses teriam que ser limitados a acidentes casuais, poupados cedo pela injustiça do sistema, evitando-lhes um posterior condicionamento da sua efectiva liberdade. Goethe terá ilustrado o problema com o seu Fausto... Fica aqui o registo do artigo de "O Panorama", sobre os Rothschild ("escudo vermelho"):

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Alvor-Silves, publicado em 21 de Maio de 2011

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Loxodrómia

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Para que serve a Loxodrómia, curva associada à descoberta de Pedro Nunes? A navegação pela bússola, orientada por uma rosados-ventos, poderia fixar uma direcção... digamos Noroeste, e seguir esse rumo procurando aí uma localização conhecida.

Esse rumo em direcção ao pólo só seria evitado em direcções exactamente a oeste ou a leste, onde se seguiria o paralelo, pela latitude onde se estava. Até aqui nada dizemos que não seja habitualmente dito desta ou doutra forma... Porém convém esclarecer que a bússola nada traria de especial ao conhecimento de posição, exceptuando a possibilidade de orientação com condições atmosféricas adversas, em que a nebulosidade não permitisse avistar os astros de referência. A identificação do Norte ou do Sul faz parte das designações que usamos: - Meridional resulta do latim para meio-dia, sendo claro que a posição do Sol ao meio-dia, no hemisfério norte aponta sempre para sul (e de forma similar, no hemisfério sul aponta para norte). - Setentrional estará associado às sete estrelas, ou sete-estrelo, que se justifica hoje pela posição norte da Ursa Menor, constelação em cuja cauda estaria a Estrela Polar. Escusado será dizer que também as Pleiades são denominadas sete-estrelo... mas isso colocaria o Norte em posições que apenas fariam sentido com uma posição completamente diferente, remetendo o assunto para posts anteriores, na orientação das pirâmides de Gizé. Talvez seja de mencionar que as Pleiades poderiam ser escritas Peleiades, tornando quase foneticamente indistinguível as filhas de Atlas do não relacionado floco de pombas, cujo culto pertencia a outro oráculo famoso, o Oráculo de Dodona. Seria ainda de mencionar uma provável origem fonética do termo Oriente de Órion, assim como é importante não deixar de considerar que Sírio tanto se refere à estrela mais brilhante, como à zona da antiga Fenícia, e que foneticamente não é distinguível de Círio, e até próximo de Ciro... lembrando ainda o que já foi dito sobre Sidónia.

Rosa dos ventos numa carta de Jorge de Aguiar, 1492

O que Pedro Nunes tornou claro é que isso serviria localmente, em latitudes longe dos pólos, mas tornarse-ia bastante impreciso numa navegação no globo terrestre. É fácil perceber porquê... ao manter uma direcção que tivesse componente de Norte, por exemplo Noroeste, a cada passo iríamos aproximar mais do Pólo Norte, e no limite essa persistência levaria-nos numa espiral até ao pólo.

A concepção do mundo plano, no planisfério, chocava com os aspectos práticos de grandes navegações no globo esférico, ou quase esférico...

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/loxodromia.html

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Porém, concentrando-nos no tema da Loxodrómia, o importante é notar que a posição de latitude e a orientação dos pontos cardeais poderiam ser obtidas, de forma estática. O Sol a meio-dia dava a posição do Sul, e a sua altura no céu dava a latitude. Para esses efeitos a bússola seria desnecessária. Onde entra o papel da bússola, sem ser na orientação sob nebulosidade? A bússola permitia manter uma direcção, e mantendo uma direcção, pela diferença de latitude saber-se-ia a corresponde diferença de longitude. Ou seja, a bússola permitia efectivamente uma navegação de longitude. Damos um exemplo, para que fique mais claro. Ao nível das latitudes tropicais, e negligenciando o efeito das correntes marítimas, se fosse mantida uma direcção Noroeste (NW), medida a diferença de latitude, e regressando à latitude anterior por navegação Sudoeste (SW), percorreria-se o dobro da distância em longitude, conforme ilustramos:

Conforme já abordámos anteriormente, o erro de longitude, que justificaria os atrasos até ao Século XVIII, para uma navegação mais exacta com o cronómetro, foi uma Estória colocada na História. É muito natural que com uma bússola e um quadrante fosse mais do que possível fazer uma navegação global, com bastante orientação. Como a origem da bússola é assumidamente chinesa, e só introduzida na Europa pelos árabes, é perceptível que o método de navegação existia há muito! Para além destas rosas-dos-ventos, e acerca dos outros ventos, algo foi explicado a D. Dinis: -São rosas, Senhor... são rosas!

Alvor-Silves, publicado em 23 de Maio de 2011

Sem a bússola, manter essas direcções seria menos preciso, com o barco em movimento. O efeito das correntes seria negligenciável, se as correntes fossem as mesmas, apenas levaria a mapas menos correctos, mas não afectaria a navegação. A navegação à bolina, ou o ziguezaguear, tem a justificação clara de ser útil contra o vento, mas percebe-se ainda uma utilidade no posicionamento. O erro desta abordagem é assumir uma abordagem planar, que faz sentido numa concepção que foi corrigida pelo trabalho de Pedro Nunes - a loxodrómia tornou claro que esta abordagem não poderia ser estendida a grandes distâncias fora da zona equatorial. http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/loxodromia.html

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23 maneiras de ser diferente
A Maria da Fonte suscitou a questão cromossómica, nomeadamente pela diferença no número de combinações reprodutivas entre os primatas. Os macacos usam 24 cromossomas de cada progenitor, enquanto os humanos usam 23. Esta diferença no número de cromossomas não está directamente associada à questão da complexidade do organismo. Os cromossomas são diferentes e podem ser mais ou menos complexos, em termos da dimensão das cadeias de DNA que os constituem. Conforme é bem ilustrado na wikipedia...

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Usando uma daquelas analogias habituais, a informação acerca de um ser humano poderia ser bem comprimida numa Pen de 2 Gb. Não parece muito, mas é preciso notar que pelo mesmo critério de compressão, poderia caber nessa Pen toda a literatura universal relevante (note-se que sem artifícios especiais cabem aí 10 mil Lusíadas). O interessante é a perspectiva digital... a menos de gémeos, cada ser vivo estaria codificado numa Pen de 2 Gb, sem imprecisões. Isto resultaria do cruzamento de duas Pen's de 1 Gb, divididas em 23 partições, chamadas cromossomas. A evidência científica pretenderá que ocasionalmente duas Pen de 1 Gb se conhecem, uma da parte da mãe, outra da parte do pai, e dão origem a uma Pen filho(a) de 2 Gb. Essa Pen sozinha evolui misteriosamente em pouco tempo, dando origem a um ser humano. A informação está lá... disso parece não haver grandes dúvidas. Também podem estar lá as obras fundamentais da literatura... o que é preciso é saber interpretar a informação e transformá-la em algo real. A Pen de pouco nos serve, se não houver um computador para transformar os bytes em algo legível. No caso dos seres vivos, esse computador parece ausente... ou dito de outra forma, é-nos feito crer que acidentalmente a "Natureza" se transformou nesse processador que pega em 2 Pen's de 1Gb e faz sair daí um ser vivo. Os paradigmas computacionais vieram mostrar que é possível formatar uma realidade virtual, onde os seres virtuais interagem, simulando em muitos casos o que se passa na Natureza... porém em todos esses casos o que foi absolutamente impossível foi programar o computador para ser ele próprio o criador dessa realidade virtual. As simulações não existiram sem um programador prévio. É esse programador que cria todo o ambiente e as leis que regem o mundo virtual. No contexto da computação actual é impensável que algum programador crie objectos virtuais que desenvolvam uma consciência de que há um programador que os criou. Na fase actual da programação conseguirá no máximo fazer interagir os diversos seres por regras simples, automáticas.

das sequências de DNA (1) surgem suas ligações com histonas (2) que dão filamentos de cromatinas (3) que se unem pelo centrómero (4)... e várias coisas destas formam um cromossoma X (5). No caso do cromossoma Y, o masculino, que é diferente de todos os outros, e é o mais pequeno... há mesmo assim 58 milhões de bases distribuídas por 86 genes. Ou seja, não podemos reduzir a complexidade inerente à partição desta informação em 23+23 partes. Não deixa de ser notável que a "Natureza" tenha decidido fazer dos seres vivos uma questão digital. Este aspecto é suficientemente obscurecido, mas como aqui nos decidimos a trazer alguma luz sobre assuntos esquecidos, propositadamente ou não, é altura de dizer algo sobre isto. As bases de DNA num humano são aproximadamente 2 500 milhões, onde há a possibilidade de escolher 4 tipos de moléculas: ACGT - adenina, citosina, guanina, timina (uracilo no caso do RNA), e têm a programação do que é um ser vivo.

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/23-maneiras-de-ser-diferente.html

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Ficamos por aqui, pois doutra forma teriamos que ir para concepções filosóficas, em que o programador se interroga a si mesmo sobre se é resultado de semelhante programação externa. Teriamos que entrar no papel da sequência Úrano, Cronos, Zeus... e para esse efeito basilar ainda é necessário ir até à mitologia dos Vedas, para explicar melhor o problema fundamental. Ou então iriamos para uma encenação de ficção científica, onde ficaria bem a triologia Matrix... mas sem alternativa à realidade virtual. Ou seja, nesta explicação simplificada os seres têm apenas existência no contexto virtual - nada há para além dessa realidade... e é claro, o programador deixa sempre uma cláusula de intervenção que lhe permite alterar o curso dos acontecimentos. Poderia ser necessário refazer a programação com vista ao objectivo final, pelo que o mundo como o conhecemos poderia não ter sido sempre programado da mesma forma. Surge aqui uma teoria muitas vezes ocultada, que é a Teoria Catastrofista de Cuvier. Antes do absoluto consenso que se foi estabelecendo em torno da teoria evolucionista, que já aqui abordámos, os registos fósseis indicavam um cenário diferente. Esse cenário indicava uma estratificação das diferentes espécies, não havendo aparente conexão entre elas. Isso levou Cuvier a pensar num cenário catastrofista, onde não apareciam os "missing-links". As espécies eram diferentes, e as camadas fósseis revelavam essa diferença, sem aparecer uma evolução, como Lamarck pretendia sugerir... e depois Darwin. É já na transição para o Século XX que começam a aparecer fósseis que dariam justificação à evolução... e assim se esqueceu a primeira evidência, que levava a pensar em diversas catástrofes ao longo da história, e não numa evolução. É claro que a teoria da evolução, apesar de simples, precisa de muita justificação adicional, e em particular para ser plausível teria que transportar a ideia de que a Terra não teria apenas uns milhares de anos, mas sim muitos milhões... coisa que é contraditória com as simples leis termodinâmicas, conforme já aqui explicámos, dado que o interior da Terra se mantém inexplicavelmente quente.

Apesar de nada ter de extraordinário haver 23 pares cromossomas humanos e não 24, como nos outros primatas, parece injustificada a diminuição da partição, que apenas leva a menor diversidade na herança genética... O caso extremo de diversidade na combinação reprodutiva é dos primitivos fetos com 600 pares de cromossomas, havendo exemplos animais com número mais elevado que os primatas, como são os casos dos cavalos (32), dos galos (39), ou das borboletas (190)... sendo claro que não aparece uma relação directa com a complexidade do organismo. No caso da teoria evolucionista tudo é acidental, sendo claro que os referidos números nada têm de especial, nem tão pouco estão associados a nada de místico. A contrario do que aqui tem sido sugerido, nunca parece ter havido nenhuma sugestão mística antiga de particular relevância para o número 23 ou 46, que definia o património genético humano, por observação do número de cromossomas. Isso só foi observado na segunda metade do Século XIX. Se temos por vezes sugerido evidências de um conhecimento antigo profundo, não apareceu nenhum registo associado a esta característica humana tão relevante, do ponto de vista genético, que sugerisse que tal conhecimento tinha sido detido por alguma civilização passada.

Alvor-Silves, publicado em 24 de Maio de 2011

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Mapas de Dieppe (3) - Nuca Antara
Já aqui abordámos várias vezes o assunto da Austrália... em particular sobre as maneiras como se escondia o desenho da sua costa noutros mapas, ou como é possível juntar dois mapas de Dieppe e dessa colagem ver directamente a Austrália.

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

A maior demonstração não é essa, é o bom senso. Quem pensar que os portugueses e espanhóis se tinham dedicado a descobrir todas as pequenas ilhas da redondeza, e tinham se esquecido de dar com o continente australiano, tem um problema de cognição. Se ainda se tratasse de falhar o Havai, ou algum arquipélago pequeno no meio do Pacífico... tudo bem. Porém era mais fácil não descobrir Timor do que não descobrir a Austrália que estava ao lado. Não vou voltar a repisar todos os argumentos já explicados, havia um problema que se colocava nessas paragens, após o Trópico de Capricórnio... muito provavelmente estava instalado um reino "ilegal", de origem europeia, que não era reconhecido, primeiro pelo papado, e depois pelas nações de Vestfália. Até que o assunto fosse resolvido, pela eliminação completa evada a cabo pelos ingleses, a Austrália ficou fora da atenção e destinada à sua confusão com a parte gelada Austral. A memória não é algo muito duradouro, e ao contrário do que se julga a informação não se espalha tão facilmente. Numa sociedade hierarquizada, de estrutura piramidal, basta secar as fontes num nível superior, onde se exerce o controlo em troca de benesses, ou em troca de não ter problemas. Os casos que indiciam algo diferente mostram apenas que as revoluções não são acidentais, são autorizadas. Nuca Antara e Erédia Sobre a Austrália, fomos encontrar a designação Nuca Antara (ou ainda, Luca Antara) por via da Biblioteca Digital Mundial, e aí tomámos conhecimento de Manuel Godinho de Herédia (ou Emanuel Godinho de Erédia), um cartógrafo português de origem malaia, que terá feito explorações em território australiano.

O mapa de Herédia (1601) com Nuca Antara - na localização da Austrália

A Biblioteca Digital Mundial coloca a datação circa 1630, esclarecendo ao mesmo tempo que o primeiro avistamento teria sido realizado porJanszoon em 1606... aqui já não basta a viagem de Tasman, e é preciso ir ao mais desconhecido Janszoon, que não viu o Estreito de Torres, ao passo que Torres viu o Estreito, mas não viu um dos lados da terra, alguns meses antes. Isto foi certamente revoltante em tempos, para muitos amantes da Verdade, mas hoje passa por ser divertido... É interessante ver a capacidade de absurdo e desplante possível aos nossos contadores de estórias, que a transformam em História. Continuamos, com um sorriso no rosto, mas com um certo amargo no coração. Um dos amantes da verdade terá sido o inglês Richard Henry Major. Numa pequena pérola que fomos encontrar nas Memórias da Academia Real, em 1863, ele explica detalhadamente o "Descobrimento da Austrália pelos Portugueses em 1601" e depois tenta argumentar... algo que é engraçado como desporto para passar o tempo, mas que é esforço inútil quando dirigido à maioria dos mortais, além de ser inútil para convencer quem não tem intenção de ceder. Sobram apenas os espíritos irrequietos, que se vão apoquentando com a descoberta da verdade... sendo certo que a verdade nada mais é do que aquilo que resta após expurgar as contradições e identificar os falsários. Richard Major apresenta uma prova documental que encontra no Museu Britânico:

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Nesta cópia encontra-se uma legenda, na posição do continente australiano, que não deixa grandes dúvidas: Nuca Antara foi descoberta no ano de 1601 por Mano El Godinho de Erédia por mandado do ViceRei Aires de Saldanha. Terra descoberta pelos Holandeses a que chamaram Endracht ou Concordia. Tudo isto é explicado por Richard Major, que acrescenta as razões pelas quais não se pode pensar em falsificação posterior da legenda. Não explica, é claro, que espécie de Concórdia existiu para que fosse assim designada pelos holandeses ("Concórdias" há muitas... desdepraças fundadas em 1755 embelezadas com um obelisco egípcio, até aviões supersónicos malfadados). Estávamos em 1863... e o assunto não apareceu apenas na Academia das Ciências portuguesa, encontram-se registos em diversas academias de outros países. A comunicação de Major teve impacto à época, mas foi desaparecendo dos registos. É esse o destino das publicações inconvenientes... podem dar incómodo e/ou lucro aos editores, mas não afectam o resultado final.

Richard Major teve que retractar-se e dar o dito por não dito, afirmando depois que a viagem de Herédia não teria sido realizada. Passados quase 150 anos, o assunto vai voltando à baila, seja por Keneth Macyntire, seja por Peter Trickett, no Beyond Capricorn, seja por quem for... o resultado acaba por ser sempre o mesmo, e o magister dixit de uma academia condicionada impõe-se sobre o entendimento do senso comum. Gonneville Convém aqui esclarecer que Richard Major estava ciente dos mapas de Dieppe, e diz até mais do que isso... refere que um francês teria reclamado o descobrimento da Austrália logo em 1503. O seu nome era Gonneville e depois de ter passado o Cabo da Boa Esperança, uma tormenta teria-o levado à Austrália... ainda que ele argumente poder ser uma natural confusão com a Ilha de Madagascar. Daí teria trazido à Europa o filho do rei, e relatado o desejo de evangelização desses povos que classificava terem atingido algum grau de civilização.

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/mapas-de-dieppe-3-nuca-antara.html

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Esse grau de civilização, argumentava, era incompatível com o carácter selvagem dos povos aborígenes do norte da Austrália, segundo os relatos a que tinha acesso. Ora, esta descrição assenta muito bem com a junção que fizémos dos mapas de Dieppe, e que aqui relembramos:

Major não dá a tradução do latim, e também não a encontrei... porém a nossa língua tem fortes semelhanças que permitem deduzir que Manilio afirmava que a Terra era redonda e habitada pelas mais variadas gentes, em particular na parte Austral, que jazia sob os pés... ou seja, nos antípodas. Há outros autores do Séc. XVI que voltam a falar nessa habitabilidade nos antípodas, mas há sempre forma de invocar o erro e a interpretação, dizendo que afinal a cor do cavalo branco de Napoleão era o preto, esquecendo que à época o erro em latitude não poderia ser tão grosseiro. E aqui permito-me à divagação fonética... será que afinal Manila, surge como uma Manilia de Manilio? Uma pequena homenagem ao escritor romano, obrigada a ficar nas Filipinas, mas que deveria ter a sua localização numa Sidney ou Wellington, bem mais próximas dos antípodas do Império Romano? A nome da cidade chegou a ser escrito como Manilha, certamente por influência espanhola (... e não tanto do jogo da "sueca", onde o 7 ganha um valor diferente do habitual). A manilha permitia afinal completar o círculo do globo sendo a cidade que simbolizava o fecho pelo anti-meridiano de Tordesilhas...

Alvor-Silves, publicado em 25 de Maio de 2011

Nas ilustrações do mapa, aparecem alguns aborígenes (a norte da ilustração, a oeste na junção), mas também uma evidente civilização de aspecto europeu (a sul na ilustração, a leste na junção), mas não tão sofisticada quanto a europeia, conforme o relato de Gonneville. Manilio (séc. I) A exposição de Major vai ainda um pouco mais longe, e para isso cita um autor romano - Manilio:

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/mapas-de-dieppe-3-nuca-antara.html

Página 28

A última piada du Bocage
A piada é simples, foi escrita por Vilhena Barbosa em 1860, mas por isso mesmo ele não poderia perceber que a estava a escrever: No reinado de D. Maria I fizeram-se ali grandes escavações, que afinal não progrediram pela causa referida. Descobriram-se, contudo, alguns edifícios, e extraíramse muitos objectos d'arte preciosos, medalhas, utensílios, etc. Entre os primeiros figura uma magnifica coluna de mármore branco arraiado de negro e cinzento, com um capitel de ordem corinthia, se bem nos lembramos, primorosamente cinzelado; a qual a mesma soberana mandou inaugurar n'uma praça de Setubal, onde ao presente se admira como um dos melhores adornos da cidade. Passados onze anos, em 1871 foi inaugurada na praça de Setúbal um monumento de homenagem a Bocage. Que monumento, que ainda se ergue hoje? -Uma outra coluna de mármore branco sobre a qual se colocou uma estátua de Bocage:

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Já tínhamos escrito que o epíteto "louca" para D. Maria I revelaria uma outra coisa, tal como aconteceu com Afonso VI... mas não sabíamos que no seu reinado tinham sido feitas grandes escavações em Tróia. Claramente uma antecessora em 100 anos da busca que Schliemann levou depois para a Turquia. Fechada uma Tróia, era preciso abrir as escavações para outra... Quando é que Schliemann começa as suas escavações em Hissarlik? Exactamente na década em que se inaugurava a última piada du Bocage, colocada em Setúbal. Estaremos a ser injustos, não foi provavelmente a última piada sobre Bocage, mas talvez sim a primeira... sem intervenção do próprio. Por outro lado, há ainda o "Pelourinho" de Setúbal, curiosamente também com uma coluna de mármore branco, mas cuja inscrição remete para o Marquês de Pombal, 1774, três anos antes de D. Maria I iniciar o seu reinado...

O monumento a Bocage sobre uma coluna coríntia ... mas não a mesma que ali estava, retirada de Tróia.
[foto antiga no blog pracadobocage.wordpress.com]

É preciso explicar mais o humor dos nossos governantes? Como o assunto é Bocage e Vilhena, apetece usar o vernáculo para exprimir sentimentos... mas lá está - é melhor observar, perceber, e sorrir. O sorriso é a melhor arma da impotência contra o absurdo da prepotência.

O denominado pelourinho de Setúbal

Colocamos ainda a imagem da página, para que não se pense que isto é piada... certamente que não será pensado pela meia-dúzia de leitores habituais, que já perceberam que os assuntos de aqui falo são do mais sério que se pode imaginar... mas poderia ser entendido como tal por algum leitor incauto.

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/ultima-piada-du-bocage.html

Página 29

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Uma coluna coríntia é algo que não ilude pelo menos dois milénios... Quando, há um ano atrás, referia a citação de Damião Castro sobre as Torres Altas... estava obviamente a lembrar-me dos empreendimentos Torralta, que caracterizaram Tróia. Se de um lado do Promontório Magno estava uma Estrema Dura (com uma ilha Arrotrebae, quiçá a Arrábida), pelo lado de Tróia estava uma Estrema Arenosa. As areias dos tempos parece que decidiram ter sempre ali uma parte arenosa... e aproveito aqui para esclarecer que suspeitando ser a outra Estrema mais acima do nível do mar, na zona de Grandola... ou Cuba, a descoberta de artefactos tão antigos na península de Tróia tem um indicador diferente sobre a permanência daqueles areais ao longo dos tempos. Uma coluna coríntia é algo que não ilude pelo menos dois milénios... Quando se fala da cimenteira de Outão, podemos responder com a Torre do Outão, quando se fala da Torralta, podemos responder com as Torres Altas da Tróia de Homero. E é claro que os empreendimentos não são só estes, nem ficaram pela zona de Setúbal... Vilhena faz nomeadamente referência à ribeira de Querteira, onde teria existido uma cidade antiquíssima. Na altura nada existia, mas no decurso do final do Século XX, como sabemos, foi levado a cabo um desenfreado ímpeto construtor no Algarve, que criou uma nova Querteira, chamada Quarteira. A receita pode ser simples... os proprietários são confrontados com uma possibilidade de inibição de construir por cima de ruínas antigas, logo tornam-se eles próprios cúmplices de quaisquer descobertas. O essencial é prosseguir o empreendimento de patobravo... os bravios são apanhados como patos, e feitos cúmplices no sistema de ocultação. De bom grado desfazem-se a custo zero dos achados, sempre tidos como "romanos", e alegremente podem ocultar a paisagem e a história. Bocage terá sido poeta da Nova Arcádia, e numa altura em que D. Maria I levara a cabo tais escavações em Tróia, o movimento da Arcádia Lusitana renascia, mas a coluna du Bocage, passados quase cem anos, vinha encerrar um movimento entretanto terminado... é revelador saber-se que Eça de Queirós esteve presente na inauguração da nova coluna, conforme se pode ler aqui [www.mun-setubal.pt].

Página 50 do Volume III das Cidades e Villas... de Vilhena Barbosa

Quando, há um ano atrás, referia a citação de Damião Castro sobre as Torres Altas... estava obviamente a lembrar-me dos empreendimentos Torralta, que caracterizaram Tróia. Se de um lado do Promontório Magno estava uma Estrema Dura (com uma ilha Arrotrebae, quiçá a Arrábida), pelo lado de Tróia estava uma Estrema Arenosa. As areias dos tempos parece que decidiram ter sempre ali uma parte arenosa... e aproveito aqui para esclarecer que suspeitando ser a outra Estrema mais acima do nível do mar, na zona de Grandola... ou Cuba, a descoberta de artefactos tão antigos na península de Tróia tem um indicador diferente sobre a permanência daqueles areais ao longo dos tempos.

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/ultima-piada-du-bocage.html

Página 30

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
O rasto da coluna troiana original, sendo perdido (a menos que seja o pelourinho), terá guarida nalguma colecção privada, particular, institucional ou estatal... talvez alguns dos artefactos tenham migrado para Turquia, para serem encontrados de novo, num local mais conveniente, por um qualquer Schliemann. A voz que saiu de Setúbal nessa altura não foi propriamente a dos poetas da Arcádia, mas muito mais a voz de uma Luísa que tomou pelo casamento o nome de uma célebre montanha suiça, o Monte Todi... e coloco assim uma singela âncora para sinalização futura.

Alvor-Silves, publicado em 26 de Maio de 2011

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Página 31

Âncoras suiças (2)

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Quando falámos aqui sobre as Âncoras Suiças, já tinhamos também lido relatos de terem sido encontradas embarcações na Lagoa da Serra da Estrela. Coisa um pouco estranha... mas nada impedia terem sido feitas embarcações para a Lagoa (Comprida). Ao mesmo tempo esses relatos invocavam uma profundidade insondável e a suspeita dessa Lagoa ter comunicação com o mar... pelo que demos mais relevo ao relato notável da descoberta de âncoras incrustadas nas montanhas suiças, conforme afirmava António Galvão. Na sequência do post anterior, voltamos a abordar a questão das âncoras suiças, porque fomos encontrar um relato notável de 1878, de Edward B. Tylor. Ele localiza a história que Galvão contava, porque Buffon na sua Teoria da Terra invoca essa descoberta: Sur la montagne de Stella au Portugal, il y a un lac dans lequel on a trouvé des débris de vaisseaux, quoique cette montagen soit éloignée de la mer de plus de douze lieues (Voyez la Geographie de Gordon, édit. de Londres 1733, page 149). Sabinus, dans ses commentaires sur les métamorphoses d'Ovide, dit qu'il paroît para les monumens de l'Histoire, qu'en l'année 1460 on trouva dans une mine des Alpes un vaisseau avec ses ancres. Temos aqui o relato da Serra da Estrela, e ao mesmo tempo o relato da Suiça, mais detalhado. A origem é Angelo Sabino que num comentário a um texto de Ovídio relata a descoberta do navio com as âncoras numa mina dos Alpes. Barcos incrustados numa mina dos Alpes... e que forma teriam as suas proas? Olhando para os símbolos dos cantões suiços, percebe-se que houve uma Jura em Basileia:

Para que se perceba o silêncio sobre o assunto... que deveria constar nalgum livro de teorias de conspiração, de civilizações antigas, ou algo semelhante... basta fazer uma pesquisa no Google sobre o assunto. Em particular experimente-se "mine des Alpes un vaisseau avec ses ancres"... alguém deveria ter citado o Conde Buffon, autor largamente conhecido, considerado percursor da teoria da evolução. Ora, aparecem 5 resultados antes do Séc. XX, e a partir daí o assunto morre por completo, ou quase... Poderá dizer-se que é por ser em francês... mas então vamos experimentar encontrar uma citação ao texto de Edward Tylor: "in the year 1460 a vessel was found with its anchors" ocorrem 3 resultados ligados ao próprio texto que encontrámos! [as aspas são necessárias] Se o Google estiver a funcionar bem, acrescem os novos resultados deste blog, após publicar o post. Ou seja, será que há quase 150 anos que não se publica nada sobre o assunto?! É natural, os "teóricos da conspiração" seguem aquele caminho habitual que é seguir o guru anterior, e não fazem pesquisa própria... repetem o que é suposto ser repetido, interessam-se sobre aquilo que lhes é dito ser interessante, e vão calcorreando o caminho das pedras gastas. Como o objectivo é quase sempre o reconhecimento comunitário, não faz aí nenhum sentido caminhar isolado. Apesar de estarem habitualmente fora da academia oficial, vão desenvolvendo uma academia alternativa imitando a hierarquia pelos seus sucessos livreiros... e ficam assim facilmente manipuláveis, mesmo que alguns não o saibam. Desculpando-me por estas divagações, resultado da irritação de ver mais um "assunto escaldante" que foi escondido com sucesso, regresso ao assunto principal.

Estamos em 1460, e uns mineiros da Suiça comunicam a descoberta de navios incrustados nas minas... o efeito deve ter sido avassalador! A Suiça que pouco mais seria do que um projecto de intenções anti-domínio Habsburgo fica subitamente armada com uma besta letal. Se Hércules segurava uma Maça numa mão e uma Maçã na outra... Guilherme Tell apontou directamente à maçã, sendo certo que no tiro da besta arriscava a aniquilação do filho. A lenda de Guilherme Tell aparece não em 1460, mas sim por volta de 1470, e algumas décadas depois os suiços vão ocupar lugar de destaque na protecção do Papa. A partir daí a história da independência Suiça é uma história de sucesso, e apesar de alinharem pelo lado protestante ou calvinista, nunca deixarão de ter aquele lugar especial no coração ultra-católico do Vaticano.

brasões dos 2 cantóes de Basileia e brasão do cantão do Jura ... a semelhança com proas de navios antigos fica justificada!

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/ancoras-suicas-2.html

Página 32

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Quer Buffon, quer Tylor, alongam-se no discurso sobre as eventuais evidências de um nível marítimo superior ao contemporâneo, nomeadamente pelo registo fóssil. Em particular é referida a evidência da presença marítima no deserto da Mongólia, conforme já abordámos. Tylor apanha já a transição para o Darwinismo, e essa mudança de mentalidades é bem denunciada nalgumas frases: "In the ninth edition of Home's 'Introduction to the Scriptures,' published in 1846, the evidence of fossils is confidently held to prove the universality of the Deluge; but the argument disappears from the next edition, published ten years later." Aproximava-se uma "entente cordiale" recolocaria a educação no devido lugar. Tylor vai ainda muito mais longe... que The remains of the Dun Cow that Guy Earl of Warwick slew are or were to be seen in England, in the shape of a whale's rib in the church of St. Mary Redcliffe, and some great fossil bone kept, I believe, in Warwick Castle. "The giant sixteen feet high, whose bones were found in

1577 near Heyden under an uprooted oak, and examined and celebrated in song by Felix Plater, the renowned physician of Basle, has been long ago banished by later naturalists into a very distant department of zoology; but the giant has from that time forth got a firm standing ground beside the arms of Lucerne, and will keep it, all critics to the contrary notwithstanding.“

Ao contrário do que julgava Tylor, o brazão de Lucerna já não inclui nenhum gigante de Felix Plater, reportado com 18 ou 19 pés de altura, e que era citado por Júlio Verne na sua "Viagem ao centro da Terra"... Agora ficou bastante simplificado:

Both in Scotland and in South America, upheaval of land in more or less modern times is a recognized fact, and the finding of boats, as of various other productions of human art, in places where they could hardly have been placed by man, is readily accounted for between this upheaval and the effects of ordinary accumulation and degradation.
(estes barcos e artefactos em posições estranhas não são muito relatados... a menos de algum conto de reis de Garcia Marquez, que colocava barcos em desertos)

... e atreve-se a falar na questão dos gigantes. Deixo uma larga citação que é instrutiva em muitos aspectos: In the Old World, myths both old and new connected with huge bones, fossil or recent, are common enough. Marcus Scaurus brought to Rome, from Joppa, the bones of the monster who was to have devoured Andromeda, while the vestiges of the chains which bound her were to be seen there on the rock; and the sepulchre of Antaeus, containing his skeleton, 60 cubits long, was found in Mauritania. Don Quixote was beforehand with Dr. Falconer in reasoning on the huge fossil bones so common in Sicily as remains of ancient inhabitants, as appears from his answer to the barber's question, how big he thought the giant Morgante might have been? "... Moreover, in the island of Sicily there have been found long-bones and shoulder-bones so huge, that their size manifests their owners to have been giants, and as big as great towers, for this truth geometry sets beyond doubt." Again, the fossil bones so plentifully strewed over the Sewalik, or lowest ranges of the Himalayas, belonged to the slain Rakis, [p.324] the gigantic Eakshasas of the Indian mythology.

... em compensação temos o monumento de Lucerna, que ilustra a protecção que o leão dos mercenários suiços tentou fazer aquando da Revolução Francesa. A protecção da flor-de-lis da casa real francesa custou a vida a esses suiços, que tal como Buffon obedeciam ao rei francês, e que talvez lhe tivessem feito confidência do assunto esquecido das âncoras suiças.

Alvor-Silves, publicado em 26 de Maio de 2011

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Página 33

Os nomes e as serras

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

No seguimento do texto anterior, fomos encontrar a citação de Buffon sobre a Serra da Estrela, mencionada na "Geografia" de Patrick Gordon (aqui edição de 1737, p. 143) : In a Lake on the Top of the Hill Stella in Portugal, are found Pieces of Ships, though it be distant from the Sea more than twelve Leagues. Near to Raja, is a Lake observable for its hideous rumbling Noise, which is ordinarily heard before a Storm, and that at the Distance of five or fix Leagues. About eight Leagues from Coimbra is a remarkable Fountain, which swallows up, or draws in, whatsoever Thing only touches the Surface of its Waters; an Experiment of which is frequently made with the Trunks of Trees.The Town of Bethlem (nigh to Lisbon) is noted for the sumptuous Tombs of the Kings of Portugal. Esta "geografia" de Gordon é minimal e tem que ser inserida numa estranha mistura entre objectividade e subjectividade... Será interessante ainda conhecer a descrição que Gordon fazia dos portugueses: "tiremse as (poucas) qualidades dos vizinhos (espanhóis) e têm aí um português", marcando especialmente um carácter traiçoeiro que atribuía a forte mistura ou influência judaica no reino, após as descobertas. Pulo do Lobo A descrição de Gordon está inserida num tópico sobre "raridades", onde sobre a Espanha fala por exemplo do avistamento de um "barco feito de pedra" no Porto de Mongia, na Galiza... e para além de referir a lenda dos Pilares de Hércules em Cádiz, menciona algo que já tínhamos lido sobre o Guadiana - as suas águas desapareciam, algo que podemos associar à zona do Pulo do Lobo.

Ou seja, é provável que o estreitar do Rio Guadiana (antes chamado Ana), ali com uma queda de 20 metros, se fizesse sob a rocha, que entretanto abateu... e por isso o efeito do rio desaparecer sob terra já não é visível hoje, mas pode ter sido no passado. Serra da Estrela (de Alva) O mito da Serra da Estrela já o tinhamos encontrado num texto de 1804 do padre Francisco do Nascimento Silveira, no Mappa Breve da Lusitania Antiga e Galliza Bracarense. Silveira fala da Lusitania com a sua origem em Luso ou Elisa e descreve várias particularidades interessantes - umas mais credíveis do que outras. Se Tubal, neto de Noé, ficou associado à Iberia, o padre António Vieira associou Elisa, sobrinho de Tubal, ao nome Lusitânia/Lysitânia. Elisa é irmão de Tarsis, e vizinhos aos lusitanos estavam os tartéssios, a que se associa Tarsis. Silveira faz mesmo referência aos Campos Elísios, salientando que Homero coloca esse paraíso terrestre nas terras do Oceano Ocidental. Por outro lado, lembramos que Elisa era o outro nome associado a Dido, a mítica rainha fundadora de Cartago. Para não dispersar, deixamos para outra altura falar de Lysias, o filho de Baco, que também consta da mitologia lusitana... Baco foi talvez o único que Camões decidiu usar. Comportou-se como exigido na mitologia, para poder encriptar nos Lusíadas a sua versão da história recente. Sobre a Serra da Estrela, Silveira fala da toponímia ligada a uma rocha em forma de estrela, ou de um Templo a Lucífer - entendendo-se aí Vénus, como Estrela de Alva (que era diferenciada na sua aparição a Poente, com o nome Hesper). Seria assim Serra da Estrela de Alva... algo que ele parece querer confirmar falando logo de seguida da tripla origem dos rios Alva, Mondego e Zêzere, algo que já foi mencionado.

Guadiana - imagem aérea da cascata do Pulo do Lobo
[portugalfotografiaaerea.blogspot.com]

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Página 34

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Porém, o mais relevante é quando menciona a "Lagoa Escura" e diz (...) a qual, quando o mar anda bravo se enfurece também, dando bramidos como trovão, motivo porque os naturais crêem que comunica com o mar, e ainda mais o asseveram os que sabem, que João Vaseo, escreve que nela já foram achados troços de mastros de navios. O relato a que alude Gordon, Buffon e depois Tylor tem o autor identificado, é João Vaseo... e por aí fomos chegar às curtas referências que restam de um "insígne gramático" contemporâneo de João de Barros, Gaspar Barreiros, mas cujo nome nos tem sido afastado. Fonte de Cadima Aparentemente numa sua Crónica de Hespanha, João Vaseo fala ainda da tal fonte que tudo absorvia, conforme afirmava Gordon. Fomos encontrar esse relato num site Novo Aquilégio que fala da Fonte de Cadima, associando-a aos Olhos de Fervença, próximos de Tentúgal. Não se conhecendo a obra de Vaseo, é usada uma citação de um Aquilégio Medicinal de 1726 (pág. 115), de Francisco Fonseca Henriques, que diz: No lugar de Cadima, distante duas léguas da Vila de Tentúgal, comarca de Coimbra, há uma fonte ou charco, que tem de altura um palmo de água, a que os da terra chamam Fervenças, a qual sorve tudo quanto nela se lança, ainda que sejão cousas que nela não cabem , e segundo escreve João Vaseo na Crónica de Hespanha, e depois dele o Padre António Vasconcelos, e Duarte Nunez de Leão nas descrições que escreveram de Portugal, já sucedeu que sorveu arvores inteiras, que de propósito se lhe lançaram, para ver se as sorvia, e chegando-lhe uma besta, a ia sorvendo, de maneira, que com grande trabalho tiveram mão nela.

À época a fama desta fonte seria bem maior, mas terá sido destronada pelos pastéis de Tentúgal... se existiram alguns olhos de outra dimensão, que ali colocaram na escrita quase a descrição de um miniburaco-negro, tratou-se de fantasia ou pelo menos fenómeno ocasional (o Aquilégio de 1726 dá conta de fenómeno semelhante na Vila do Cano, em Évora). Vaseo teria ainda tentado relacionar Cadima com uma descrição de Plínio, do chamado Campo Carrinense, que os espanhóis localizam como sendo as Fontes Carrionas. Ainda que com dificuldade, é interessante ter conseguido ir buscar a origem do relato - João Vaseo, primeiro eminente gramático e depois enterrado nas areias do tempo. Monte do Cantaro Não acaba aqui a referência à Serra da Estrela, e no Archivo Popular de 1839 aparece uma outra informação interessante. Para além de ser dito que a Serra estava continuamente coberta por neve (não é a primeira vez que lemos isto), fala-se numa pirâmide, de rochas naturais, no topo da Serra, e é então chamado o "Monte do Cantaro". É claro que hoje temos a informação de que o ponto mais alto é a zona da Torre, mas é natural considerar que o Cântaro Magro, com a sua forma singular, seria tido como o pico.

Olhos de Fervença, a fonte de Cadima
[www.aguas.ics.ul.pt]

O Cântaro Magro e os 3 Cântaros (Gordo, Raso, e Magro)
[rocha podre e pedra dura - blogspot]

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Desconhecia a designação dos Cântaros... ou a estória de que a povoação do Carvalho tinha obrigação de aí colocar um cântaro, mas a denominação particular é conhecida dos montanhistas. Para finalizar o apontamento, que já vai longo, encontrámos ainda o Dicionário do Portugal Antigo e Moderno, de Augusto Pinho Leal, que no Volume 9, de 1880, já refere as neves restritas aos meses de inverno, e que sobre a antiga vila de Serdaça diz a certa altura: A 200 metros de distancia, passa o rio Mondego, e fica também próximo o monte do Cântaro (o Olympo dos antigos). Deste monte brotam trez caudalosos mananciaes de cristalinas águas, que dão origem a trez rios — o Mondego, o Alva e o Zêzere. Desconheço igualmente a razão pela qual Pinho Leal se vai lembrar de associar o Monte do Cântaro ao "Olimpo dos antigos"... parece descabido e de pretencioso nacionalismo exacerbado. É interessante notar que o início do Séc. XIX aparece bem mais frio do que o final do mesmo século... e não só! Apesar dessas neves constantes na Serra da Estrela, Silveira afirma que a Serra de Montejunto seria a mais alta de Portugal... hipótese que também é mencionada no Archivo Popular, mas obviamente descartada. Serra do Caramulo Não deixamos de assinalar uma outra formação estranha, que é relatada no Archivo Popular, e por Silveira... as rochas empilhadas no topo da Serra do Caramulo - que são ainda hoje bem visíveis, mas menos conhecidas do que os chapéus da Páscoa:

imagens do Caramulo - um outeiro no topo da Serra
[quintadoriodao.com]

Talvez se pretenda que as formações sejam naturais, ou que sejam celtas, ou quiçá até romanas... não faço ideia e já nada espanta... a arqueologia às vezes parece-se resumir a inventar a melhor estória que cole nas duas ou três possibilidades oficiais.
Alvor-Silves, publicado em 27 de Maio de 2011

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As caves de Maastricht

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Maastricht será mais conhecida pelo Tratado que definiu a União Europeia... a escolha da cidade nada indicaria de especial, a menos que se conheçam as Caves do Monte de St. Pietersberg, sobre as quais Buffon diz: On connoit des carrières qui sont d'une étendue très-considérable; celle de Mastricht, par exemple, où l'on dit que 50 mille personnes peuvent se réfugier, et qui est soutenue par plus de mille pilliers, qui ont 20 ou 24 pieds de hauteur;e depois de falar das minas de sal na Polónia, remata: "d'ailleurs, les ouvrages des hommes, quelque grands qu'ils puissent être, ne tiendront jamais qu'une bien petite place dans l'histoire de la Nature". Neste caso, as caves de Maastricht têm de facto um lugar pouco conhecido na História da Natureza, ainda que tenha sido lá que se encontrou o primeiro fóssil de grande réptil, o Mososauro:

Há normalmente um aviso colado às ilustrações, dizendo que as pinturas são recentes... não vá o povo pensar que algum homem pré-histórico tinha feito pinturas de carvão naquelas paredes. A este propósito, aproveito para colocar uma imagem de uma das muitas locomotivas abandonadas no Salar de Uyuni, na Bolívia

Salar de Uyuni, Bolívia - "Asi es la vida"

Ilustração da descoberta do Mososauro em 1764, Maastricht

Qualquer um dirá que esta locomotiva resulta de uma exploração de sal, que depois teve um fim, deixando abandonadas uma imensa quantidade de locomotivas (aparentemente nem o muito ferro abandonado foi considerado valioso). Há situações semelhantes na Austrália, no meio do deserto, ou na América... Nada a dizer, excepto que há uma outra hipótese mais interessante, ficcional é claro: - a confusão passado/presente! O que fazer com múltiplos registos inconvenientes, espalhados pelo globo? -Uma hipótese é ocultar, proibir as viagens, as visitas... isso terá sido seguido durante uns séculos. -Uma outra hipótese é favorecer uma rápida evolução, copiando a evolução anterior, de forma que os registos de milénios se confundam com abandonos recentes. Se alguém no Século XX encontrasse uma locomotiva abandonada num deserto boliviano nunca iria pensar tratar-se doutra coisa que não fosse uma locomotiva com menos de 100 anos... nada de ter ideias para coisas de civilizações passadas. Em jeito de piada, basta reparar no design dos carros americanos dos anos 50, para pensar que foram inspirados em coisas de sáurios!

Ora, convenientemente, houve artistas que decidiram aí representar nas paredes um mundo pré-histórico.

Ilustrações nas paredes das caves de Maastricht

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Com as pinturas inconvenientes será a mesma coisa... tivessem os espanhóis do Século XIX convocado um concurso de pintura nas grutas de Altamira, e os registos de caça agora atribuídos ao homem préhistórico, passavam por terem sido desenhados por crianças na altura. É difícil conter a informação, as populações saberiam, etc... Será? Será que não demos já exemplos suficientes que mostram que a informação não se propaga da forma que se pretende, a menos que haja patrocínio, ou que não haja restrição? As caves do monte de Maastricht são explicadas como resultado de exploração, como mina de pedra para as construções circundantes. Apesar de completamente esburacada, só em 1764 vão dar com o esqueleto do dinossauro, e em jeito de brincadeira vão usar as mesmas paredes para fazer uma pintura bastante realista do que seria o ambiente pré-histórico. É bastante provável que tenha sido assim, mas não se pode deixar de pensar noutras hipóteses... A Holanda, tal como a Suiça, depois de sofrer sob domínio Habsburgo, irá ter uma história de independência e sucesso, que só diminuirá justamente na altura da divulgação da descoberta do mososauro, que depois foi parar ao Museu de História Natural de Paris.
Alvor-Silves, publicado em 28 de Maio de 2011

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/as-caves-de-maastricht.html

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Das Maçãs às Laranjas
Este texto pode bem seguir-se às Caves de Maastricht, no que diz respeito à Holanda, via Casa de NassauOranje, pelo laranja, cor que no fim do Séc. XVI ficaria ligada à independência e crescimento holandês do Séc. XVII. Pode ler-se na wikipedia: A laranja doce foi trazida da China para a Europa no século XVI pelos portugueses. É por isso que as laranjas doces são denominadas "portuguesas" em vários países, especialmente nos Bálcãs (por exemplo, laranja em grego é portokali e portakal em turco), em romeno é portocala e portogallo com diferentes grafias nos vários dialectos italianos . Quem já tiver falado com magrebinos, saberá ainda que a palavra árabe para Laranja também deriva de Portugal... Desconheço pois a origem da ideia de que não havia laranjas a ocidente, mas é relatado o problema da viagem de Vasco da Gama com o escorbuto, associado à falta de consumo de citrinos apesar de ser assumido que existiam limões trazidos da Pérsia, e disseminados pelos árabes. O mesmo não teria acontecido com as laranjas, e a vila francesa de Orange por acidente ficou ligada a laranjas, alguns dizem que vindas das Cruzadas! Pretende-se pois constar que no mundo greco-romano não existiriam citrinos, o que seria complicado distinguir no pretenso legado artístico e arquitectónico greco-romano que é essencialmente de um mundo sem cores, não fora alguns frescos de naturezas-mortas de Pompéia:

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Louro da laranja O assunto chega a ser colocado ao ponto de não haver palavra para designar o cor-de-laranja, e por isso a uma dificuldade de rimas... a palavra é de facto difícil de encontrar em textos portugueses do Séc. XVI, e a primeira ocorrência que encontrámos, é curiosamente Camões: Mil árvores estão ao céu subindo, Com pomos odoríferos e belos: A laranjeira tem no fruto lindo A cor que tinha Dafne nos cabelos; Encosta-se no chão, que está caindo, A cidreira com os pesos amarelos; Os formosos limões ali, cheirando, Estão virgíneas tetas imitando.

Lusíadas, Canto IX, §56

Camões dá uma preciosa informação... Dafne seria ruiva, ou loura, de cabelos laranja. Atendendo a que Dafne está associada ao Loureiro, e os Louros não são Louros (de cor), ficaram-nos os louros como folhas descoloridas, e a informação camoniana ganha esse especial interesse! L'ouro de ouro, e não do loureiro... mas sim de laranjeira, tal como é dito que Orange vem do "ór" francês de ouro (há ainda a pretensa origem pelo sanscrito indiano de "naranga", deu o espanhol "naranja", mas em português manteve-se o L para laranja, detalhes...).

Natureza-morta de Pompéia, onde não se devem ver laranjas.
[viticodevagamundo.blogspot.com]

Apolo e Dafne... Dafne que fugindo ao deus Sol se transforma em loureiro, ou laranjeira?

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/das-macas-as-laranjas.html

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Esquecendo os detalhes... a cor-de-laranja esteve sempre bem presente e num pôr-do-sol marítimo e não poderia ser ocultada como uma das cores do arco-íris, ou de outras manifestações que tem na natureza. Parece ridícula a justificação de falha de palavra para a cor-de-laranja. A imposição contra o laranja parece ter assim motivação humana propositada. Maçãs e Laranjas Às laranjas ligam-se maçãs... de ouro! Começamos pelo pecado original - a maçã de Eva, que ficou no garganta dos homens como maçã de Adão... mas listamos mais alguns exemplos para que se perceba melhor: Maçã de Eva, o conhecimento proibido do Jardim do Paraíso; Maçã de Hércules e a sua Maça, os pomos de ouro e as Hespérides; Maçã de Guilherme Tell, de que já falámos; Maçã de Isaac Newton, na teoria da gravidade
... e mais recentemente poderíamos invocar a marca Apple no campo informático, só para lembrar alguns dos exemplos mais conhecidos que usaram a maçã como símbolo (podem ainda incluir-se as lendas nórdicas e celtas). Uma maçã malfadada que em latim se entende como Malum.

Aliás podemos citar Duarte Nunes do Leão (1610): Finalmente desta fruta é tão provida toda a terra, que na primavera em qualquer lugar que se ache uma pessoa, lhe cheirará a flor de laranja. Ao mesmo tempo Duarte Leão revela a imensa exportação que era feita para a Flandres e Inglaterra! O jardim das laranjas estava já a ser exportado em grande quantidade...
A laranja que é hoje vista como um fruto banal, bem poderia ter sido vista como uma antiga preciosidade, ao nível que tomaram depois as especiarias. Podemos ainda ter entendimento diferente daqueles provérbios bastante conhecidos: A laranja de manhã é de ouro, à tarde é de prata e à noite mata. Na alvorada dos tempos terá sido de ouro, nos tempos de esperança, de Hesper, no poente da tarde, foi de prata, e durante a noite da idade das trevas terá sido proibida. Só assim faz sentido a redescoberta da laranja, coincidente com as "redescobertas" nos "descobrimentos", e poderá perguntar-se até que ponto o nome Portugal, que se associa às laranjas em várias línguas, não terá sido mais uma consequência do que uma causa! Clementinas, Tangerinas Como etiquetamos este texto como "estória", vemos que as variantes reduzidas de laranja, clementinas e tangerinas, levam-nos por conjectura de etimologia a dois episódios: Clemente V... que cede a Filipe, o Belo, e ordena a destruição dos templários, passando o papado para Avignon, em 1309. Os templários vêm a Portugal sob protecção de D. Dinis. Tanger... e a autorização para o início da expansão africana, e dos descobrimentos, em 1415, com a participação dos templários.

No entanto, no caso de Hércules, os "pomos de ouro“ foram considerados como designação alternativa para a laranja (que em latim teve a designação Malum Medicum... maçã medicinal (?), cf. Dicionário de Jerónimo Cardoso, 1643). Isso é confirmado por Bernardino Silva (na Defensam da Monarchia Lusitana, p. 137): donde disse Salamão: Mala aurea in lectis argenteis homo qui loquitur verbum in tempore suo. O falar tempestivamente com palavras arresoadas & brandas, são maçãs de ouro em leitos de prata. Não falta quem por maçãs d'ouro entenda laranjas, & nesse sentido diz o Poeta Latino: Aurea mala decem misicras, altera mictam. Medicina tão própria para os doentes de cólera, que não haverá Acessias que as não receite (...) Ou seja, as supostas "maçãs de ouro" de Hércules, ou outros heróis, não eram mais do que simples "laranjas" do jardim das Hespérides. Onde estaria esse jardim ocidental, da estrela da tarde, de Hesper? Será difícil não associar laranjas a Portugal... especialmente para árabes, que usam a palavra como tal.

Picasso: les demoiselles d'Avignon... a fruteira deveria conter uma clementina! Alvor-Silves, publicado em 29 de Maio de 2011

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Página 40

Basiliscos de Basileia e Medos de Medusa
Ainda sobre as Âncoras Suiças (2), convém esclarecer algo sobre os símbolos de Basileia. Como é óbvio, não há nenhuma relação oficial do símbolo a quaisquer proas de navios... é suposto vermos aí a parte superior de um ceptro bispal (báculo), e não só, costuma estar acompanhado de Basiliscos, que são seres míticos (com aspecto de Gallos) capazes de "matar com o simples olhar"...

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

É interessante saber que para além de Medusa, as irmãs imortais Esteno e Euríale, habitariam o Ocidente. Isso é consistente com a lenda que coloca Perseu a repousar nas terras de Atlas, e a petrificar o titã por olhar para a cabeça da Medusa. Já não é tão consistente colocar o artifício de Hércules que substituiu temporariamente Atlas na sustentação do mundo, pois Atlas já estaria então petrificado como montanha. Perseu, depois Hércules, e depois Jasão, são colocados a efectuar estas viagens a paragens ocidentais, onde se deparam com um mundo inóspito, polvilhado de perigos, onde contam com a protecção de Atena. Perseu, acabará por libertar uma Andrómeda de ascendência fenícia, ameaçada pelo monstro marinho Cetus (... um cetáceo). Perseu e Andrómeda são colocados como ancestrais dos persas.

O símbolo de Basileia rodeado por dois Basiliscos.
[www.colnaghi.co.uk]

Pretender-se-à que o símbolo seja o báculo do bispo, como protector de Basileia, porém já explicámos nesse texto que as descobertas nas minas suiças - de barcos incrustados nas montanhas - poderiam ter um efeito semelhante às do Basilisco, sendo capaz de petrificar o mais céptico, com um simples olhar! Para além destes Basiliscos de Basileia, encontramos uma lenda semelhante com Medusa. Medusa seria uma das três Górgonas, e a única delas mortal, que sucumbiu à espada de Perseu.
Andrómeda acorrentada, será salva de Cetus por um Perseu, montado no Pégaso que resultou da morte de Medusa

Também Hércules se depara com um monstro, o dragão Ládon descendente de Cetus), que guardava os pomos de ouro (... ou laranjas) no Jardim das Hespérides. Na viagem de regresso com os Argonautas, Jasão encontra ainda o rasto desse dragão (mas que não é a mesma serpente que guarda o Tosão de Ouro). http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/medo-da-medusa.html

Página 41

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

A colaboração de Atena, já munida com a aegis da cabeça de Medusa (oferecida por Perseu), na questa de Jasão é evidenciada nesta imagem, onde o salva da serpente:

A deusa do conhecimento guardará como seu escudo a cabeça aterradora da Medusa, mas colabora com os diversos heróis nas suas viagens marítimas intrépidas. Se a viagem de Hércules está de sobremaneira associada à Hespanha, o mesmo não acontece com a de Jasão que é colocada no Mar Negro, por isso de forma alguma se poderia Jasão na rota das Hespérides e de Hércules... a menos que consideremos o nível do mar diferente, como já temos insistido! Usando a topografia actual, apresentamos a situação que permitiria um contorno da Europa, levado por Jasão e Argonautas, seguindo pelo Mar Negro, que aqui invadiria as extensas planícies da Europa de Leste, conectando com o Mar Báltico, de forma a ser possível o regresso pelo lado da Península Ibérica, entrando pelo lado oposto das colunas de Hércules... conforme ilustrado aqui:

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/medo-da-medusa.html

Página 42

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

É claro que tal situação topográfica apresenta tabus inquebráveis... Ninguém aceitará de bom grado ter uma Irlanda e Britania quase submersa e reduzida quase a Gales e Escócia, ter uma França polvilhada de ilhas, ter uma Polónia quase debaixo de água (apesar das extensas minas de sal que tem), ter uma Líbia reduzida à zona de Cyrene (sirenes, sereias), e ter uma Hungria abaixo do nível do mar. São demasiadas coisas para aceitar, ainda que possam dar consistência a relatos inconsistentes, em particular a António Galvão e à viagem de Alceus. Como já referimos a situação poderia ainda ser mais exagerada, abrindo mais o caminho pela zona da Europa de Leste, que é particularmente baixa... mas para isso temos que aceitar que o nível do mar não foi sempre o mesmo, e houve alterações consideráveis, ao longo dos tempos - e não dos milhões de anos geológico-evolucionistas, mas apenas de milhares de anos de testemunho humano. Dificilmente, mesmo assim, se conseguiriam explicar os registos de embarcações na Suiça... ainda que Basileia esteja apenas a 244m acima do nível do mar, e por isso as minas nas redondezas possam atingir zonas que não necessitariam mais do que pouco mais de uma centena de metros de aumento do nível do mar. Qualquer outra coisa implicaria transformações geológicas de magnitude planetária.

Alvor-Silves, publicado em 29 de Maio de 2011

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/medo-da-medusa.html

Página 43

Elefantes pelos Mamutes
Recorremos de novo a Buffon, que nos seus 44 livros parecerá ser uma fonte inesgotável, nos seus Elementos da Terra (vol. 3, pag. 183), diz o seguinte: Quoi! dira-t-on, les éléphans et les autres animaux du midi ont autrefois habité les terres du nord? Ce fait, quelque singulier, quelqu'extraordinaire qu'il puisse paroitre n'en est pas moins certain. On a trouvé et on trouve encore tous les jours en Sibérie, en Russie, et dans les autres contrées septentrionales de l'Europe et de l'Asie, de l'ivoire en grande quantité; ces défenses d'éléphant se tirent à quelques pieds sous terre (...) mais aussi dans les terres du Canada et des autres parties de l'Amerique septentrionale. Até aqui, do ponto de vista do que restou para os dias de hoje, dir-se-ia que Buffon estava a chamar elefantes a mamutes, e a história acabava na confusão "depois esclarecida" de que aos ossos de elefante da Sibéria e Canada se deveria adicionar pêlo.

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Repare-se que Buffon não diz que as defesas desses elefantes seriam muito maiores do que as dos elefantes actuais - seria isso que estaríamos à espera, se ele se estivesse a referir aos "mamutes". Porém ele é claro a estabelecer uma certa semelhança de dimensões... como enquadrar aí a noção do mamute com as grandes presas? Restará o pêlo... mas sobre esse pêlo, Buffon não faz observações, e lembramos como é caso raro encontrar-se uma pele associada a ossos. Buffon dá bastante ênfase aos achados de elefantes, mas não só, adiciona hipopótamos e rinocerontes: On trouve en Sibérie et dans les autres contrées septentrionales de l'Europe et de l'Asie, des squelettes, des défenses, des ossemens d'éléphans, d'hippopotames et de rhinocéros, en assez quantité (...) et l'on a observé que ces dépouilles d'éléphans et d'autres animaux terrestres se présentent à une assez petite profondeur; au lieu de coquilles et les autres débris(...) Estes ossos estavam a pouca profundidade, quando comparado com as conchas, o que levava à hipótese de mudança equatorial, que Buffon discute. No entanto, discute de forma simplificada, baseado nas observações astronómicas de então que davam uma mudança da eclíptica de 45'' por século, concluindo que precisaria de 360 mil anos para uma mudança de 45º, o que levaria a zona tropical para as partes siberianas. É engraçado ver que estas conclusões e a maneira simplificada de lá chegar já se encontravam ao Séc. XVIII. É depois com Cuvier que surge a hipótese de mudanças mais drásticas, catastróficas... é também Cuvier que define antigos mamutes como diferentes dos elefantes. De Cuvier aproveitaram-se os mamutes, de Buffon uma hipótese de idade antiga da Terra... Aqui somos levados ao contrário, a aproveitar os elefantes de Buffon, e um catastrofismo de Cuvier para explicar as mudanças bruscas e rápidas. Messerschmidt, é o nome a quem se atribui em 1728 a descoberta dos elefantes/mamutes na Sibéria, e este Daniel poderá ser confundido com Franz,, escultor seu contemporâneo... e em nenhum caso se devem ambos confundir com os famosos aviões… Messerschmitt.

Mamute de Beresovka, um elefante com pêlo.

Pelos vistos, vistos os pêlos, os elefantes passam a mamutes... Porém temos que observar que não era bem isso que Buffon dizia. Reparemos na quantidade de ossos encontrados: (...) on a peut-être déjà tiré du nord plus d'ivoire que tous les éléphans des Indes actuellement vivans n'en pourroient fournir; Ou seja, aparentemente no Séc. XVIII encontravamse ossos de "mamute" a pontapé, ao ponto de Buffon dizer que havia mais marfim retirado da Sibéria do que nos elefantes existentes na Índia (diz isto para afastar a hipótese que teriam sido levados por humanos, domesticadamente). Depois, e a propósito das dimensões das defesas dos elefantes encontrados, Buffon diz: Les os et les défenses de ces anciens éléphans sont au moins aussi grands et aussi gros que ceux des éléphans actuels, aux-quels nous les avons comparés;

Escultura de Franz Messerschmidt

Alvor-Silves, publicado em 31 de Maio de 2011

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Página 44

O Gigante de Lucerna

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Gigante de Lucerna, gigante da lâmpada, ou génio da lâmpada... Quando falámos aqui de Lucerna, ligámos à história de Aladino, pelas lâmpadas egípcias, uma vez que lucerna e lâmpada são sinónimos, e o "génio" ficou guardado na lâmpada... mas não tínhamos a informação que permitiria juntar um outro dado - o Génio da história era um gigante! Depois de esfregar no assunto, o gigante apareceu, conforme texto sobre as Âncoras suiças (2), e esteve presente nas armas de Lucerna.

Afinal, haveria elefantes na Suiça... bom, é claro que Blumenbach deveria querer referir-se a algum mamute ou mastodonte, mas a palavra não teria ainda sido inventada. Blumenbach irá ficar famoso por definir que existe apenas uma espécie humana, e que é semelhante em toda a Terra. Isso é obviamente marcante pelo bem maior que teve ao igualar as diferentes raças, numa altura em que havia escravatura. Porém, é também nessa altura que a afirmação de Blumenbach ganhará mais significado - os eventuais gigantes da Patagónia ou da Tasmânia, estariam em vias de desaparecer, sendo que os pigmeus já teriam desaparecido! Felix Plater, e outros avaliadores suiços, até Blumenbach terão simplesmente confundido ossadas de elefante com ossadas humanas... Assim, com um erro grosseiro passado, o problema fica resolvido no presente - uma técnica de Estória repetida vezes sem conta na História.

Gigante de Lucerna, na ponte Kappelbrucke

É Antoine Galland que no início do Séc. XVIII vai popularizar no ocidente as "Mil e uma Noites", e aparentemente decide incorporar a história de Aladino e também as de Ali Babá e Sindbad. À falta de pesquisa e dados sobre as duas últimas, voltamos a Aladino e à lâmpada, ou seja Lucerna, que mereceu esta atenção suplementar. Galland estaria certamente ciente da história do Gigante de Lucerna, ossos enviados ao médico de Basileia, Felix Plater em 1577, depois dos ossos terem sido descobertos numa tempestade, quando uma árvore tombou. Plater determinou que eram humanos e de dimensão considerável, ou seja 18 a 19 pés, o que colocaria o indivíduo perto dos 6 metros de altura. Os ossos foram guardados, juntamente com o esboço do desenho feito por Plater, e como a polémica se reacendeu no início do Séc. XIX, foram enviados ossos ao antropólogo Blumenbach, que determinou tratarem-se de ossos de elefante. Ponto final... reticências, e exclamação!

Porém, o problema é um pouco mais complicado! Não há apenas o relato desse caso invulgar do Gigante de Lucerna. Voltamos a Buffon... ainda não estamos no Séc. XIX, e ele pode dizer isto: Les races fes géans autrefois si communes en Asie, n'y subsistent lus. Porquoi se trouvent-elles en Amérique aujourd'hui?
(Buffon, Volume 3, Époques de la Nature, pag. 431)

De quem falava Buffon? Falava dos gigantes da Patagónia, dizendo "car on ne peut douter qu'on n'ait rencontré dans l'Amérique méridionale des hommes en grand nombre tous plus grands, plus carrés, plus épais et plus forts que ne le sont tous les autres hommes de la terre". Dalguma forma antevia o desfecho seguinte - "leur race s'est conservée dans ce continent désert; tandis qu'elle a été entièrement détruite par le nombre des autres hommes dans les contrées peuplées“ ... ou seja, o isolamento tinha permitido à raça de patagões subsistir, mas isso estava prestes a mudar no Séc. XIX, quando a Província do Rio de La Plata vai passar a ser Argentina conquistando a Patagónia, conforme já mencionámos [A última viagem de Gulliver].

http://alvor-silves.blogspot.com/2011/05/o-gigante-de-lucerna.html

Página 45

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
Apesar do relato de Pigafetta na viagem de Magalhães, e de avistamentos posteriores, de Drake e outros viajantes, tudo isso passará a mito. Ora, não o era para Buffon, credibilizado como um dos pais da teoria da evolução. Juntamos mais alguns registos, que fomos encontrar numa Enciclopedia Americana do Séc. XIX, começando por um que também consta da wikipedia, o de Teutobochus Rex, segundo W. A. Seaver em 1869: In times more modern (1613), some masons digging near the ruins of a castle in Dauphine, in a field which by tradition had long been called 'The Giant's Field,' at a depth of 18 feet discovered a brick tomb 30 feet long, 12 feet wide, and 8 feet high, on which was a gray stone with the words 'Theutobochus Rex' cut thereon. When the tomb was opened they found a human skeleton entire, 25-1/2 feet long, 10 feet wide across the shoulders, and 5 feet deep from the breast to the back. His teeth were about the size of an ox's foot, and his shin-bone measured 4 feet in length. O nome Teutobochus Rex refere-se ao líder Teutónico que combateu o romano Mário na batalha de Aquae Sextiae, e assim estaríamos na presença de um combate de um romano David contra um Golias teutónico. A justificação da wikipedia é simples... os restos mortais eram de um dinossauro, só faltava dizer que na tomba deveria estar Tyranosaurus Rex e não Teutobochus Rex (sendo que aí o tirano deveria ser Sula, inimigo de Mário). Talvez tenha havido alguma falsificação na identidade, mas não necessariamente confusão entre um humano e um dinossauro! Outros registos de gigantes passam na Sicília, por Licetus, que dá conta de um gigante com 30 pés, e de serem gigantes os Guanches, primevos habitantes das Canárias, antes de serem extintos na conquista portuguesa e especialmente na espanhola. Há ainda as outras menções já feitas, que incluem os registos asiáticos, nomeadamente na Índia, onde aparecem agora as imagens assumidamente falsas de vários achados de gigantes:

Imagem falsa de gigante – com propaganda de "imagens falsas" fica quase impossível passar alguma que fosse verdadeira... ainda que existisse!

Alvor-Silves, publicado em 31 de Maio de 2011

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Página 46

Cydonia & Sidonia

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Habitualmente o nome Sídon, referente à antiga cidade Fenícia, perdeu a sua ligação à designação que era comum na Hispania: Sídon era conhecida como Sidónia. Aliás compreende-se que a terminação fonética própria das línguas hispânicas levasse a essa alteração. Ao mesmo tempo, existiu uma cidade em Creta denominada Cydonia, associada à actual Chania. Teria sido fundada por um rei Cydon lendariamente filho de Hermes e de uma filha do rei Minos. É claro que escrever Cydon ou Sidon faz toda a diferença, ainda que foneticamente sejam equivalentes. Johannes Carion refere que os Fenícios, vindos da Síria a Espanha, em busca de ouro e metais, teriam edificado no ano de 815 a.C. a cidade de Sidonia, no interior (... entre Cadiz e Granada). Fala ainda davinda de Nabucodonosor, e de que depois disso os Turdetanos andaluzes ter-se-iam revoltado contra os Fenícios, tendo destruído a Sidonia espanhola. Parece agora evidente que o nome Medina-Sidonia, usado pelos duques espanhóis da Andaluzia ligava essa herança antiga de uma Sidónia desaparecida. Quanto ao nome Medina, significando cidade em árabe, denota a influência prolongada do controlo islâmico na Andaluzia. É especialmente curioso notar que Tiro teria sido formada por colonos vindos de uma Sidonia mais antiga... teria sido viagem curta para cidades situadas a 30 quilómetros. Aliás, em Sídon são visíveis ruínas do tempo das Cruzadas, mas não anteriores. Não será pois de excluir que a mais antiga Cydonia cretense, cujo nome é ainda usado para a deusaAtena, estivesse numa eventual origem mais antiga de Tiro, que depois migraria de regresso à Hispânia. Sobre Tiro, há uma curiosa suspeita sobre a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro - um impressionante morro carioca:
possível inscrição na pedra da Gávea Pedra da Gávea (Rio de Janeiro, Brasil)

A suspeita diz respeito a uma possível presença fenícia, atestada pela interpretação de eventuais inscrições numa das faces da rocha:

A inscrição referia-se então a Bazedir, filho de Jetubal, de Tiro, na Fenícia... o que baterá certo com outros registos do séc IX a.C. De Tiro até ao Brasil, não é nenhuma viagem impossível de fazer para marinheiros fenícios... só as concepções de limitações posteriores é que tornaram tais viagens como irrealizáveis na concepção medieval e moderna. Para terminar, e apenas por acidente de percurso... alguém se lembrou de chamar Cydonia à zona de Marte onde foi descoberta a chamada "face":

http://odemaia.blogspot.com/2011/05/cydonia-sidonia.html

Página 47

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

É perfeitamente claro que as sombras podem ter levado a uma ilusão óptica, que entretanto foi esclarecida com novas imagens... imagens essas que, se retiraram o acidente facial, deixaram mais claro um acidente natural da formação parecer um escudo. Mas as formações na Cydonia marciana não se resumem a essa face mais conhecida, toda a região aparenta ter outras formas piramidais que têm suscitado diversas suspeitas:

OdeMaia, publicado em 6 de Maio de 2011

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Página 48

Naumaquias

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Quando pensamos nos circos romanos, há alguma tradição em associar os combates de gladiadores, invocando muitas vezes celebrações de vitórias em batalhas.

O que talvez não seja tão conhecido é que chegou a ser popular a evocação de batalhas navais... o que implicava alguma engenharia surpreendente para a criação de piscinas internas, onde se simulavam combates com embarcações. Esses espectáculos navais eram designados Naumaquias e em Mérida ainda é possível encontrar o fosso onde se colocaria a base para a piscina artificial.

Anfiteatro de Mérida, onde eram exibidas Naumaquias.

O mais interessante é o já primitivo conceito de pavilhão multi-usos... quando vemos hoje em dia as adaptações que estes pavilhões sofrem para acomodar as diferentes representações, percebemos com as naumaquias que o conceito é afinal bem antigo. A primeira naumaquia registada é de César, mas usando o Tibre como cenário, o seu uso em cenário de anfiteatro romano é posterior, iniciado com Nero. A alternância entre espectáculo aquático e terrestre dará uma ideia da sofisticação de engenharia presente à época romana. Ao contrário do que é habitual educar-se, não houve uma lenta evolução do génio humano... houve sim uma poderosa restrição desse mesmo génio, destinado a ficar confinado a uma lamparina para que a lâmpada não fosse revelada.
OdeMaia, publicado em 10 de Maio de 2011

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Página 49

Moon Spots

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Num texto da Phil. Trans. Royal Soc. London do final do Séc. XVIII, referem-se observações lunares que reportavam o avistamento, mesmo à vista desarmada, de luzes na zona da sombra da Lua.

Pontos onde foram vistas luzes na sombra da Lua, em 1794.

Se o ponto na primeira imagem já dificilmente poderia ser entendido como o reflexo de uma montanha ou cratera mais alta - que naturalmente faria surgir um ponto de luz na zona obscura, é praticamente impossível que o ponto de luz na segunda imagem possa ser explicado dessa forma... está demasiado no interior! Estas observações de 1794 parecem ter sido corroboradas por observadores distintos, e mereceram a inclusão na famosa revista científica britânica... iniciada em 1665 (três anos depois do casamento de Carlos II e Catarina de Bragança). É claro que sendo observações casuais, de um episódio que no primeiro caso durou pouco mais de 5 minutos, segundo o relato, podem-se levantar todo o tipo de dúvidas... No entanto, como se afirma na mesma revista, já anteriormente Cassini e Herschel, em observações com telescópios, tinham avistado luzes na sombra lunar. Estas luzes tinham uma magnitude reduzida comparadas com estas que tinham sido observadas a olho nu.

Qualquer explicação luminosa, numa altura em que os primeiros balões de Montgolfier acabavam de levantar voo, seria na altura levada para eventuais erupções vulcânicas... já que na altura se poderiam associar as crateras a vulcões, hipótese que foi sendo afastada, até que o assunto deixou de ter referência. Só passados mais de 150 anos é que as explorações espaciais deram os primeiros passos, e levaram às primeiras explorações astronáuticas da Lua. A esse propósito é imperdível o fantástico documentário da ARTE France:

(dividido em 9 partes, sob o título "Moon Landing A Fake or Fact")

http://odemaia.blogspot.com/2011/05/moon-spots.html

Página 50

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
... um "documentário" que relacionaria Kubrick com as imagens da chegada à Lua! O documentário explora a ideia de que as imagens da ida à Lua seriam falsas... apesar da ida à Lua ter sido real. Não se teriam obtido imagens, e foram usados os estúdios onde Kubrick teria acabado de fazer o "2001, Odisseia no Espaço". Os entrevistados são bem conhecidos: Rumsfeld, Haig, Kissinger, e Walters... e apesar de haver um suposto tom jocoso, nem há nenhuma revelação no final, e é dificilmente entendivel o mau gosto de fazer Vernon Walters morrer entre estas entrevistas da Arte, de ataque cardíaco. Porquê? Porque Vernon Walters morre mesmo em 2002, antes da estreia do filme, que deveria comemorar o 2001... A decisão sobre a credulidade, cabe ao crédulo... e pode optar-se sempre pelos vídeos Mythbusters (Discovery Channel), que num tom jocoso infantil mostram como as "teorias da conspiração" não fazem nenhum sentido, e que tudo o que nos dado a acreditar é verdadeiro.

OdeMaia, publicado em 11de Maio de 2011

http://odemaia.blogspot.com/2011/05/moon-spots.html

Página 51

O halo de Ourém

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

O ano de 1917 ficou particularmente marcado por vários acontecimentos interessantes... A nível nacional será conhecido pelas "aparições de Fátima", mas a nível internacional é marcado decisivamente pela Revolução de Outubro, ocorrida em Novembro, na Rússia. Nesse mesmo mês de Novembro de 1917 é assinada a declaração de Balfour, que define o contexto de Jerusalém e Palestina, após a tomada britânica que ocorrerá em Dezembro. É aqui colocada essa carta de Balfour dirigida a Lord Rotschild, da Federação Zionista, sobre o objectivo de formação do estado judeu.

A região tinha sido denominada Ourém, pois segundo a lenda local teria havido uma Fátima, jovem árabe, que se teria casado com um cavaleiro de Cristo, circa 1170. Tendo deixado o nome Fátima, ao tornar-se cristã pelo casamento, passou a chamar-se Ouriana (ou Oriana)... de onde teria vindo o nome Ourém para a vila. Após a morte de Gonçalo Hermiges, seu esposo, cavaleiro de Cristo, recolheu-se ao Mosteiro de Alcobaça. Fátima não existia, nem enquanto aldeia, à época dos "milagres de 1917"... as terras da zona talvez mantivessem o nome de Fátima, e Vilhena Barbosa, no Séc. XIX, refere a existência de uma igreja paroquial, nas vizinhanças de Ourém: Nossa Senhora dos Prazeres de Fátima Misturamos aqui coisas aparentemente diversas, mas que estavam de alguma forma previstas nos denominados Protocolos de Sião, de 1897... bem como alguns dos acontecimentos que se lhe foram sucedendo ao longo do Século XX. As previsões de Fátima, nomeadamente a antecipação, por alguns meses, do domínio comunista na Rússia, quase poderiam ser repetidas por alguém que tivesse tido acesso a esses protocolos. Assim, o sucesso dessas previsões acabou por estar intimamente ligado ao próprio sucesso no cumprimento dos protocolos. Algo fascinante na questão de Fátima é a adopção do nome árabe, sendo Fátima nome da filha de Maomé! Portanto, muito antes de 1860 (altura do relato de Vilhena Barbosa), já existia uma igreja a Nossa Senhora de Fátima... o nome "Prazeres" era acrescentado à época. Não sei se há outro caso em que um nome tipicamente relacionado com Maomé é usado no culto católico, mas como já foi referido no blog Portugalliae no Canadá haveria várias referências a Fátima, nomeadamente num município das Iles-de-laMadeleine, Québec, do Séc. XVIII... A dimensão que este culto atingiu ultrapassou claramente fronteiras, e é bem conhecida a importância que o Papa João Paulo II atribuiu a esta questão. A formação do culto com o nome Fátima não deixa de poder estar ligada a uma presença ibérica dos Fatimidas, xiitas, na única linha que assegurou a descendência de Maomé, pelo casamento da filha com Ali (ver wiki).

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AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.
A utilização deste nome meses antes da tomada de Jerusalém, e da Declaração de Balfour, que levou à formação do Estado de Israel, e à segregação palestiniana... acontecimento quase simultâneo com a Revolução Bolchevique na Rússia, contida nas previsões de Fátima, não deixa de ser um marco de intersecção de factos dispersos. Porém, como bem sabemos, Fátima ficou ainda no imaginário popular, pelo chamado Milagre do Sol, ocorrido em 13 de Outubro de 1917, durante 10 minutos. O artigo da Wikipedia, a que remeti é bastante detalhado e com boa base bibliográfica - desconheço se há outro fenómeno da mesma natureza presenciado por quase 100 mil testemunhas...

Mas... é sempre surpreendente ser depois notícia do dia seguinte o aparecimento de um halo, em Fátima, nesse dia 13. Não sendo um fenómeno raro, cuja explicação científica é resultado da refracção atmosférica local, deverá ter constituído motivo de espanto, mesmo para os peregrinos! Tivesse ocorrido no ano anterior, altura da visita papal, e teria um significado completamente diferente para o pontificado do sucessor de João Paulo II. Há coincidências... mas nem sempre favorecem o papado.

Devido a essa tradição de fenómenos solares, e estando a ler Plínio, pareceu apropriado colocar no dia 13 de Maio, no blog Alvor-Silves, uma descrição antiga dessas observações místicas. Tal publicação acabou por ocorrer mais tarde, devido aos problemas com o Blogger, que teve os serviços suspensos até à tarde desse dia.
O halo solar em Fátima/Ourém, em 13/05/2011, no Jornal de Notícias, do dia seguinte

OdeMaia, publicado em 17 de Maio de 2011

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Página 53

Tiahuanaco liliputiano

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Num recente documentário (sugerido no facebook de Maria da Fonte) fui surpreendido pelas dimensões especialmente reduzidas do que se vê hoje nas portas de Tiahuanaco. Relembrando os desenhos de E. G. Squier

nada fazia suspeitar que as dimensões do monumento sejam afinal estas:

O "great monolithic gate-way" conforme designado por Squier, será agora uma porta de dimensões reduzidas, onde um turista terá dificuldade em caber. Na ilustração de Squier houve o cuidado de colocar pessoas para uma comparação das dimensões. Já tinhamos referido que a porta estava separada, e que teria sido recolocada... porém não suspeitámos que a recolocação afectasse também as dimensões do monumento! Não são muito comuns as imagens com pessoas posando na porta do monumento... que parece uma grande porta para liliputianos! Ou seja, tudo leva a suspeitar que em Tiahuanaco podemos estar em presença de uma réplica de dimensões reduzidas - o original, esse poderá estar algures nalguma colecção privada, destinada a olhos seleccionados.
OdeMaia, publicado em 22 de Maio de 2011

http://odemaia.blogspot.com/2011/05/tiahuanaco-liliputiano.html Página 54

Ararat e as cavernas do vulcão
Buffon, na sua História da Terra, no Séc. XVIII, fala das cavernas do Ararat, que seriam de origem vulcânica, suspeitando assim que o monte Ararat seria um vulcão extinto. É especialmente curioso, porque a equipa NAMI, de Hong-Kong, iniciou há poucos anos uma exploração no monte Ararat, em colaboração com exploradores turcos, que levou a essas cavernas de que já falava Buffon. Não sabemos se já tinham sido feitas explorações prévias, mas parece certo que Buffon sabia do que falava... antes de serem comuns as escaladas e o montanhismo. A expedição de Hong-Kong escalou, entrou em várias cavernas, e a mais de 4000m de altura, já tinham sido encontrados vestígios de construções de madeira, algo fossilizadas, pela equipa turca.

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 5.

Panda Lee, da equipa chinesa, disse o seguinte: “In October 2008, I climbed the mountain with the Turkish team. At an elevation of more than 4,000 metres, I saw a structure built with plank-like timber. Each plank was about 8 inches wide. I could see tenons, proof of ancient construction predating the use of metal nails. We walked about 100 metres to another site. I could see broken wood fragments embedded in a glacier, and some 20 metres long. I surveyed the landscape and found that the wooden structure was permanently covered by ice and volcanic rocks. Prior to my expedition, the Turkish team had excavated the site to expose the structure.”
É claro que imediatamente surgiu a controvérsia (ver aqui), directamente assumindo que toda a estrutura tinha sido inventada, construída num Verão para ser descoberta num Inverno...

Parece difícil assumir que há algo de tão fraudulentamente bem feito, sem uma colaboração institucional importante... tanto quanto seria do interesse institucional de outros denunciá-lo como tal! Um ponto a priori que parece não preocupar estas investigações no Ararat, é que o facto de serem descobertas construções de madeira no topo do monte não implicam directamente qualquer relação directa com a Arca de Noé... poderia tratar-se apenas de algum retiro monástico antigo. A esta observação junta-se o relato de Buffon, do final do Séc. XVIII, que mostra um conhecimento antigo dessas cavernas... a equipa de Hong-Kong poderá ter formalizado uma redescoberta, mas deparou com a opacidade clássica do condicionamento direccionado da informação nos mass-media ocidentais.
OdeMaia, publicado em 28 de Maio de 2011

http://odemaia.blogspot.com/2011/05/ ararat-e-as-cavernas-do-vulcao.html

Página 55

AlvoDeMaia (2011) Volume 2, nº 3.

João de Lisboa, 1514

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Volume 2 – Número 5
Maio de 2011
Página 56

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