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O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT – RS) – Cumprimento a


Senadora Ana Amélia por seu pronunciamento, preciso e objetivo como sempre.
Passamos a palavra neste momento ao Senador Aloysio Nunes
Ferreira, que falará como Líder do PSDB.
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (Bloco/PSDB – SP. Pela
Liderança..) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, começo por onde a ilustre
Senadora Ana Amélia terminou: comemorando a decisão do Governo de ampliar o
âmbito dos exames neonatais contidos no Teste do Pezinho.
Que eu me lembre, o Teste do Pezinho foi instituído, pela primeira
vez, para a detecção precoce da fenilcetonúria ainda no tempo do Governador
Montoro, no Estado de São Paulo, por instigação de um Deputado Estadual médico,
o Deputado Fernando Mauro.
Há dez anos, o Ministro Serra, da Saúde, incluiu a anemia falciforme e
a fibrose cística no espectro dos exames. E o Senador Pedro Simon teve uma
grande atuação em uma frente parlamentar que se criou nessa época em apoio a
essa medida não apenas junto ao Governo Federal, mas também para que fossem
tomadas providências para estimular e capacitar os Estados e Municípios para
aplicarem esse teste – o Senador Pedro Simon, que é representante do seu
Estado, Senador Paulo Paim, onde há a maior incidência dessa moléstia.
Temos ainda muita coisa a fazer, a começar por generalizar o teste.
Há ainda muitos estudos epidemiológicos a serem feitos – por exemplo, o
acompanhamento, a informação regular da incidência dessas doenças detectadas
no Teste do Pezinho – e também é necessária a inclusão dos remédios, que são de
alto custo, para o tratamento das doenças que serão detectadas a partir da
ampliação da gama de exames: a biotinidase e a hiperplasia adrenal.
Portanto, ficam aqui meus cumprimentos ao Governo. Faço votos de
que haja medidas complementares para que esse programa seja efetivamente
implementado no Brasil inteiro.
Sou obrigado agora, Sr. Presidente, a tratar de um tema
desagradável: a questão do Ministro Palocci. Quero dizer a V. Exª que não me sinto
bem com denuncismo. Essas denúncias, aliás, não foram feitas pela oposição, mas,
sim, por uma investigação jornalística do jornal Folha de S. Paulo acerca do
enriquecimento fabuloso e rápido do Ministro com atividades ditas de consultoria.
Detesto, igualmente, sapatear em cima do cadafalso alheio e considero que, muitas
vezes, o moralismo é um biombo atrás do qual se escondem muitos canalhas, na
vida privada e na pública
O fato, porém, é que nós estamos vivendo uma situação política da
maior delicadeza, situação em que o Chefe da Casa Civil, Ministro que ocupa papel
central no núcleo do Governo, tem hoje a sua autoridade política profundamente
questionada, a tal ponto que é obrigado a ouvir um desaforo como o relatado pela
imprensa e atribuído ao Deputado Anthony Garotinho: “Temos aqui uma pedra
preciosa de R$20 milhões”. Uma afirmação como essa mereceria uma réplica
indignada, a começar do próprio Ministro, que, na entrevista ao Jornal Nacional da
Rede Globo, disse: “Olha, não ouvi, não foi bem isso, talvez não seja isso”.
Mereceria também uma réplica das lideranças do Governo, do partido da
Presidente, partido do qual o Sr. Palocci é um militante ilustre. Como é que pode?
Deputados se encontram com a Presidente da República e
conseguem a retirada de um material didático que havia sido apresentado pelo
Ministro da Educação como importantíssimo para fortalecer os laços e os

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fundamentos da cidadania. O material é retirado sob a ameaça desses Deputados


de votarem a convocação do Ministro Palocci. Já não é mais agora a autoridade
política do Governo, mas a autoridade da Presidência da República que é posta em
cheque!
Eu esperei, sinceramente, visto que o Ministro Palocci foi
extremamente correto com o PSDB na Prefeitura de São Paulo e no Governo do
Estado, que ele viesse a público, na tão esperada entrevista pela televisão, para
esclarecer as coisas.
Não queria esclarecimentos sobre a vida privada do Ministro, não se
trata disso, mas esclarecimentos sobre sua atividade privada naquilo que ela pode
ter de conexão com atividade pública. O enriquecimento vertiginoso, em pouco
tempo, de um político importante, que coordena a campanha vitoriosa da
Presidente da República e que coordena a transição de um governo para outro,
merece um esclarecimento. Estas perguntas estão na cabeça de todos: para quem
o Ministro trabalhou? Quais são os seus clientes? Que trabalho efetivamente
produziu? Será que foi um power point, será que foi um fax, será que foi um
relatório, uma foto? Nada! Quanto faturou?
Ora, um Ministro que vai à televisão, depois de dezoito dias de
silêncio, para esclarecer a sua situação... Era de se esperar que ele pudesse dizer
quanto faturou. E perguntado pelo repórter se o faturamento de sua empresa era
realmente do montante apontado pela Folha de S. Paulo, de R$20 milhões, o
Ministro disse: “Mais ou menos, eu não me lembro”. “E o faturamento dos três anos
anteriores, é de 30%, 40%, 50%?” “Eu não tenho os dados”. Não é possível! Devia
ter se preparado melhor para dar as informações.
Dizia ele: “Isso diz respeito a minha atividade privada”. Não, o que diz
respeito à vida privada é a herança que o caseiro Francenildo recebeu, são os
R$24 mil que ele recebeu na sua conta, que foi violada pela equipe do Ministro,
com o conhecimento dele provavelmente, conforme a própria Caixa Econômica
Federal atestou recentemente. Agora, o que o Ministro Palocci faturou, um volume
de dinheiro mil vezes superior à herança recebida pelo caseiro Francenildo, no
período em que coordenava a campanha presidencial e a transição do governo,
isso tinha de ser esclarecido.
Mas o Ministro faz um gesto de boa vontade. Disse: “Estou à
disposição dos órgãos de controle para esclarecer tudo”. Não quis esclarecer na
televisão por lealdade aos seus clientes, mas, por lealdade aos cidadãos
brasileiros, eu pediria ao Ministro que se submetesse ao grande órgão de
fiscalização e controle da República, que é o Congresso Nacional.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT – RS) – Senador Aloysio,
permita-me interrompê-lo.
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (Bloco/PSDB – SP) – Pois não.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT – RS) – Gostaria de fazer
uma homenagem à delegação da Bahia que está nos visitando neste momento.
Sejam bem-vindos. Está na tribuna o Senador Aloysio Nunes Ferreira,
de São Paulo, Líder do PSDB.
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (Bloco/PSDB – SP) – E que
gosta muito da Bahia, tem muitas ligações na Bahia. Abraços e sejam bem-vindos.
(Palmas.)

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Mas eu dizia, Sr. Presidente, que quando o Ministro disse que está à
disposição dos órgãos de controle, nós temos a oferecer a ele a oportunidade de se
explicar, de modo a espantar, espero eu...
(O Sr. Presidente faz soar a campainha.)
O SR. ALOYSIO NUNES FERREIRA (Bloco/PSDB – SP) – ... todas as
dúvidas perante o maior órgão de controle da República, que é o Congresso
Nacional. Faltam apenas oito assinaturas no pedido de CPI protocolado, que é
promovido pela Liderança da oposição. Se não quiserem, permitam que tenha
eficácia a convocação pela Comissão de Agricultura na Câmara.
Eu tenho para mim, Sr. Presidente, que a situação se deteriorou a um
ponto que dificilmente teria volta. O Ministro fez um movimento para isolar o seu
caso do Governo, mas eu creio que, infelizmente, o caso já atingiu o Governo,
porque quando terminar esse episódio, o Governo estará menor do que antes de o
episódio eclodir.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco/PT – SP) – A Presidência
cumprimenta o Senador Aloysio Nunes Ferreira pelo tempo. Como eu tenho sido
tolerante com todos, ele ficou exatamente nos seus cinco minutos. Eu havia lhe
dado mais cinco, como dei para os outros uma tolerância maior.
Agora, neste momento, o Senador Wilson Santiago. (Pausa.)
O Senador Francisco Dornelles, como orador inscrito. Em seguida, o
Senador Cristovam Buarque, como Líder do PDT.
Como orador inscrito, V. Exª tem 20 minutos.

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