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pt 1

Os apontamentos que a seguir se disponibilizam não estão isentos de erros ou omissões.


O objectivo é proporcionar aos colegas que vão fazer a Cadeira ou quem sabe, uma
melhoria, mais uma base de estudo.

Estes elementos não substituem a frequência das aulas, nomeadamente, e esta é uma
opinião pessoal, as aulas práticas.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 1


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D.I.P.
9/10/2003
Prática

• Constituição
• Legislação
1. Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados
2. Pacto da Sociedade das Nações
3. Carta das Nações Unidas

Fontes de Direito Internacional Público

• Costume
• Convenções Internacionais

A convenção de Viena sobre o direito dos Tratados dá as traves mestras da vigência dos
Tratados.
• Doutrina
• Jurisprudência

Sujeitos

• Estado
• Organizações Internacionais

15/10/2003
Teórica
O Direito Internacional Público apresenta-se como o Direito que regula os diversos sujeitos
internacionais. Implica necessariamente a existência de uma Comunidade Internacional
distinta da sociedade internacional. Tem o mérito de decidir as matérias que releva da sua
competência e vincula os seus sujeitos. O conceito de Direito Internacional foi utilizado pela
1.ª vez em 1680, por Bentham, no seu livro “Introdução aos princípios de Moral e
Legislação”. Este autor baseou-se na expressão latina “Ius Inter Gentes”. O Direito
Internacional veio assim regular as relações entre os Estados. Deve assim ser entendido como
um Direito Interestadual. O Estado é o único actor e contribui para a formação do Direito

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Internacional. Este conceito, Direito Internacional, foi adoptado pela maioria da Doutrina e
constitui hoje um dos elementos das relações internacionais.
O Direito Internacional Público (DIP), não regula relações de natureza privada.
O DIP destaca-se dos outros ramos do Direito, nomeadamente do Direito Comparado.

Noção de Comunidade Internacional


O Direito Internacional é o direito da comunidade internacional na sua diversidade. O Direito
Internacional apresenta-se como um direito que se destina a uma diversidade de Estados, com
culturas, tradições e ideologias diferentes. Logo, um conceito de Direito Internacional parte
de uma base objectiva que é a de uma Comunidade Internacional. Assim, o Direito
Internacional “surge-nos como a ordem jurídica da Comunidade Internacional, porque regula
as relações entre os povos que compõem aquela Comunidade”- Prof. Fausto de Quadros
Alguns autores, como Francisco Suarez dizia no séc. XVII, afirmam que o Direito
Internacional existe porque existe uma Comunidade Internacional. Esta Comunidade
Internacional precisa do Direito para regular as relações entre os seus membros. Estes
sujeitos do Direito Internacional são não só os Estados como as Organizações Internacionais
e a Santa Sé. O Direito Internacional pode muito bem regular qualquer matéria e ser dirigido
a qualquer entidade susceptível de personalidade jurídica. Entende-se que seja necessário
estabelecer uma distinção entre matérias de Direito Internacional e Direito Interno, mas o
Tribunal Permanente de Justiça Internacional considerou que não era possível encontrar uma
fronteira nítida entre matérias de Direito Nacional e Direito Internacional, segundo parecer
datado de 1923 (?).
Não é possível estabelecer fronteiras distintas entre Direito Interno e Direito Internacional.

Principio da Subsidariedade- O Estado Nacional é o primeiro a intervir, intervindo depois a


União Europeia. Este Principio é uma farsa pois a União Europeia deixou ao Estado pouca
margem de liberdade.

A Comunidade Internacional revela-nos a existência de relações entre os seus principais


sujeitos que transcendem o âmbito dos Estados. Na Comunidade Internacional existem
interesses comuns e convergentes entre os Estados ao contrário do que acontece na sociedade
internacional onde prevalecem as divergências entre os Estados que a compõem. Na
Comunidade Internacional existe um número de armas ou domínios onde a solidariedade tem
prevalecido e onde a soberania dos Estados parece limitada pelo conjunto de regras

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internacionais. Na Comunidade Internacional as relações de cooperação são as relações


dominantes tal como existe o caso da cooperação no domínio económico, cultural, etc.
A distinção reside na forma como as normas são elaboradas, criadas; na formação das
normas internacionais.

Natureza Jurídica do Direito Internacional


A dificuldade do Direito Internacional reside na sua legitimidade, a qual por vezes é muito
contestada. Trata-se aqui de criar normas internacionais que agradem a todos, “Gregos e
Troianos”. As Convenções Internacionais vinculam o Estado Português. Existem
Convenções em vários domínios.
O Direito Internacional não se apresenta como um Direito homogéneo mas como uma
justaposição de regras de carácter geral e natureza especial. A vontade da Comunidade
Internacional é de submeter todos os seus sujeitos a um só Direito. É assim, por exemplo, que
o art.º 53.º da Convenção de Viena de 1969, reconhece a existência de normas imperativas de
Direito Internacional como sendo normas aceites pela comunidade dos Estados no seu todo.
Além destas regras de caracter geral, importa referir a existência de regras especiais no que
diz respeito, por exemplo, ao modo de vinculação do Estado a essas normas internacionais.
Mesmo um Tratado não pode violar normas fundamentais, o que também acontece no Direito
Interno. (DLG’s).
Nenhum Tratado pode ir contra as normas imperativas→ Convenção de Viena
Estas relações internacionais dependem de três tipos de ordens jurídicas:
• Ordem Estadual
• Ordem Supraestadual
• Ordem Interestadual
A Ordem Estadual é aquela que se refere ao Direito Interno de cada Estado. Nenhum Estado
se submete ao Direito Internacional contra a sua vontade. O Direito Internacional parte da
vontade dos Estados.
Quanto à Ordem Supraestadual, o Direito Internacional é o Direito que resulta de uma Ordem
que tenta impor as suas regras aos seus sujeitos. É o que resulta da Ordem Jurídica
Comunitária que estabelece regras comunitárias destinadas aos seus Estados Membros.
No que se refere à Ordem Interestadual, o Direito Internacional resulta da vontade conjunta
de vários Estados e não de um só Estado da Comunidade Internacional. Neste caso, a vontade
de cada Estado seria respeitada bem como o principio de igualdade entre os Estados.

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A ordem jurídica internacional é uma Ordem do tipo Interestadual, pois baseia-se na vontade
colectiva.
As Resoluções do Conselho de Segurança são vinculativas mas a sua legitimidade é
discutível, pois apenas quinze membros estão presentes e só cinco têm direito de veto
naquele Conselho.

20/10/2003
Prática
• Constituição República Portuguesa
• Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados
• Carta das Nações Unidas / Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça (ETIJ)

Art.º 38.º ETIJ→ Fontes de Direito Internacional Público

• Convenções Internacionais

Tratados sob a forma solene J A.R. art.º 161.i) CRP


têm de ser ratificados pelo PR J art.º 135.b) CRP

Direito
Internacional

Acordos sob a forma simplificada J A.R. art.º 161.i)


Governo J 197.1.c) CRP
Assinados pelo PR Jart.º 134.º. b) CRP

• Costume

Uso Convicção de obrigatoriedade

Prática reiterada com convicção de obrigatoriedade

1. Internacional
2. Bilateral
3. Regional
4. Local

• “Ex aequo et buono” J Equidade


C.R.P.

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Art.º 8.º J Direito Internacional

• Tese Dualista
• Tese Monista (Acolhida pelo Ordenamento Jurídico Português)

Os Princípios Gerais de Direito e o Costume Internacional geral entram no ordenamento


jurídico português, directamente, através do art.º 8.º, n.º 1, da CRP, não se exigindo
formalismos.

Normas “Ius Cogens”- São imperativas, obrigatórias para todos os países. Podem derivar de
Costumes ou Princípios e Convenções.

Art.º 8.º.2 CRP- Não são normas “Ius Cogens”. A recepção é feita de forma formal, que tem
de ser respeitada.

Técnica de Recepção
• Técnica de Recepção Automática J Não existe formalismo, art.º 8.º.1 e 3 CRP
• Técnica de Recepção Plena J Existe um formalismo, art.º 8.º. 2

Art.º 8.º.3 CRP- Direito Comunitário Derivado

Convenções Internacionais- Resultam de um acordo de vontades, exigindo duas partes e


podendo versar sobre as mais variadas matérias.
A Convenção de Viena explica as regras genéricas que se aplicam a todos os Estados, sendo
estas obrigatórias. Explica também quem pode negociar pelos Estados. No caso português,
cabe ao governo negociar, através do Ministro dos Negócios Estrangeiros. É ele que
representa Portugal nas negociações, pois é plenipotenciário.
A Convenção de Viena usa indistintamente os termos Convenções, Tratados e Acordos. A
Constituição da República Portuguesa não. Estes termos são usados de forma precisa.
A Assembleia da República aprova Acordos e Tratados. O Governo só aprova Acordos.
O Estado vincula-se a um Tratado sob a forma solene pela ratificação, sob a forma
simplificada pela aprovação.

Ver:
Art.º 161.º.i) CRP
Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 6
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Art.º 197.º.1.c) CRP


Art.º 14.º Convenção de Viena

Sujeitos de Direito Internacional


• Estado 4 Quando surge?
• Movimentos Beligerantes
• Movimentos Insurrectos
• Santa Sé
• Ordem de Malta
• Sujeitos Particulares
• Organizações Internacionais

22/10/2003
Teórica
A Ordem Jurídica Comunitária impõe-se aos seus membros, aos Estados e aos seus sujeitos
internos.
Os indivíduos passam a ser os destinatários das normas no caso do Tribunal Penal
Internacional, tal como acontece com o Direito Comunitário que se destina aos Estados e
indivíduos. Isto não acontece no Direito Internacional.
Os Estados transferiram competências para os órgãos comunitários. No Direito Internacional
Público, os Estados não transferem competências para os Órgãos Internacionais. Apenas são
reconhecidas competências às Organizações Internacionais mas não há delegações de
competências.
O Direito Internacional é uma ordem jurídica interestadual pois é feito na base da vontade
dos Estados, da sua livre vontade.

Critério de Ordem Jurídica

Existência de normas jurídicas diversificadas e hierarquizadas


Criadas por órgãos próprios, com várias finalidades
Compostas por sujeitos diversificados

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O papel do Estado na ordem internacional

O Estado é o criador e destinatário das normas internacionais. É o elemento central do


Direito Internacional. A ordem jurídica internacional é a ordem jurídica que melhor
representa o Direito Internacional. Esta ordem jurídica internacional produz normas que se
destinam a regular as relações entre os Estados. O Estado participa na elaboração dessas
normas internacionais nos diversos domínios de actividade. O Estado participa, pois, como
Estado soberano, na formação do Direito Internacional mas só se pode construir um conceito
de Direito Internacional se admitirmos a existência de uma comunidade internacional que
ultrapasse a ideia de soberania absoluta e indivisível como conceito essencial na formação do
Direito Internacional.
A noção de soberania absoluta defendida por Jean Bodin no seu manual sobre a República,
em 1576, está hoje ultrapassada, na medida em que a ideia de soberania indivisível, perpétua
e suprema não nos parece adequada para o Direito Internacional. A própria União Europeia
negou a ideia de soberania absoluta e indivisível do Estado. A simples adesão de um Estado à
Comunidade Europeia, sujeita o Estado e os seus sujeitos à jurisdição dos Tribunais
Comunitários:
• Tribunal Comunitário de 1.ª Instância
• Tribunal da Comunidade Europeia
As dificuldades que colocam as normas internacionais são a da sua aplicação e as sanções
aplicadas contra os Estados infractores. Acontece que a execução das sanções depende muito
da vontade do Estado e na prática muitas dessas sanções são levadas a cabo contra os
pequenos Estados e não contra as grandes Potências.

A afirmação do Direito Internacional

Os fundadores do Direito Internacional provêm da escola do Direito Natural de Hugo Grócio.


A partir do séc. XVI, aparecem os percursores do Direito Internacional. Hugo Grócio, 1583-
1645, expõe a teoria mais completa do Direito Natural e a sua concepção de Direito
Internacional. Ele defende o princípio segundo o qual os Estados não se podem ignorar e

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devem aceitar a ideia de uma sociedade regulada pelo Direito. Outros autores, como
Francisco de Vitória, 1480-1546, e Francisco Suarez, 1548-1617, vão “retomar” a ideia de
Hugo Grócio. Francisco de Vitória considera que o Direito Natural é superior ao Estado e
admite que a Comunidade Internacional é necessária para os Estados. Francisco Suarez
admite também a existência de uma Comunidade Internacional e afirma que o Direito
Positivo deve de estar conforme o Direito Natural. O Estado Soberano estaria subordinado ao
Direito Natural. No séc. XVIII, Vattel, 1714-1768, defende também a força do Direito
Natural mas considera que o Estado Soberano é livre de decidir aquilo que ele deve de fazer
e de se obrigar a respeitar as normas internacionais. Ele considera que o Estado pode muito
bem interpretar o Direito Natural ao interpretá-lo conforme os seus interesses. Estes
fundadores do Direito Internacional, baseando-se na teoria do Direito Natural, reconhecem o
papel fundamental dos Estados Soberanos e admitem as igualdades entre eles.
O Direito Internacional, a partir do séc. XVIII, a nível internacional, caracteriza-se pela
consciência da existência de interesses comuns em vários domínios de interesse para os
Estados. Estes vão tentar fazer prevalecer esses interesses comuns sobre os interesses
internacionais. Concretamente, os Estados manifestam a vontade de institucionalizar as suas
relações internacionais. Desta vontade, resulta a criação de Instituições Internacionais
capazes de resolver os conflitos entre os seus membros e contribuir para um maior
desenvolvimento das relações políticas, económicas e sociais.
Após a I Grande Guerra, é criada em Versalhes, sobre a forma de Convenção, a Sociedade
das Nações com o objectivo de manter a paz entre os povos. A Sociedade das Nações é a 1.ª
Organização Universal que tenta reforçar a solidariedade entre os Estados. Esta Organização
é substituída em 1945 pela Organização das Nações Unidas, que passa a ter um verdadeiro
poder de decisão sobre os Estados. A ONU vai assim contribuir para a afirmação do Direito
Internacional, nomeadamente no aspecto convencional. Hoje o Direito Internacional
Convencional contribui para uma maior afirmação do Direito Internacional.
Progressivamente, novos ramos do Direito Internacional vão ser criados tais como o Direito
Internacional Marítimo, o Direito Internacional Económico, o Direito Internacional
Humanitário, o Direito Internacional dos Tratados, o Direito Internacional dos Direitos do
Homem, etc.
Assim, os Estados elaboram regras internacionais nesses diversos domínios, quer através das
Organizações Internacionais, quer através dos próprios Estados. O Direito Internacional,
através das suas várias vertentes, pretende enquadrar todo o tipo de relações internacionais. A

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existência do Direito Internacional na sua diversidade não coloca dúvidas. É mais na relação
entre Direito Internacional e Direito Interno que as relações não são tão fáceis.
As normas internacionais elaboradas pelos Estados não podem ser consideradas como regras
de cortesia ou regras moralizadoras mas como regras jurídicas, obrigatórias, que se destinam
aos diversos sujeitos internacionais.
Hoje , o Direito Internacional existe na sua diversidade e heterogeneidade dos seus sujeitos e
domínios de aplicação. É certo que o Estado não deixa de ser o sujeito originário do Direito
Internacional, na medida em que ele dispõe de uma plenitude de competências internas, ao
contrário das Organizações Internacionais que dispõem de competências especializadas.
O Direito Internacional deixou de se destinar apenas aos sectores tradicionais da competência
do Estado, tais como a paz, a resolução pacífica de conflitos, os privilégios e imunidades
diplomáticas, para se alargar a outros domínios mais técnicos como a saúde, a economia, o
ambiente, o espaço marítimo, etc.
As primeiras Organizações Internacionais criadas foram as organizações técnicas que
estabeleceram regras de navegação para os rios Reno e Danúbio, no séc. XVII.
Existem organizações políticas como a OMC, que pretendem fomentar o comércio. A ONU
criou todo um sistema de organizações que versam variados objectivos. Existem ainda
instituições que vão fazer surgir ramos especiais do Direito Internacional. Ex. Cruz
Vermelha- Direito Internacional Humanitário.
O Direito Internacional apresenta algumas lacunas, pois alguns Estados entendem que as
regras não se aplicam a si.
Na realidade, existe um Direito Internacional composto de regras de carácter geral e especial
nesses diversos ramos. Os Estados não podem deixar de respeitar o Direito Internacional. As
Constituições nacionais estabelecem a relação efectiva que prevalece entre o Direito
Internacional e o Direito Interno, fornecendo assim uma base jurídica que deve de servir
todos os agentes. Tradicionalmente, o Direito Internacional regulava as relações entre os
Estados. Hoje, o Direito Internacional regula as relações entre os Estados e outros actores
internacionais. Não só os Estados mas também outras entidades participam na sua formação
directa ou indirectamente. Muitas destas normas internacionais têm um caracter obrigatório
para os Estados, algumas sendo normas “erga omnes”, como observou o Tribunal
Internacional de Justiça, em 1970. Por isso, o Direito Internacional deve ser respeitado na sua
íntegra, por todos os seus elementos e todos os seus sujeitos.

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27/10/2003
Prática
Sujeitos de Direito Internacional
• Estados
• Organizações Internacionais
Estado- Território soberano, organizado politicamente
• Povo
• Território
• Poder político soberano
Não vigora a tese do reconhecimento constitutivo. Actualmente vigora o reconhecimento
declarativo. Não é preciso aos Estados serem reconhecidos juridicamente. O reconhecimento
é apenas constatado para o Estado ser reconhecido como Estado.
As organizações jurídicas internacionais têm personalidade jurídica. Esta não é plena mas na
estrita medida dos fins que visa perseguir, limitada pelo princípio da especialidade.
De cada vez que um Estado nasce, torna-se membro da ONU para se ver reconhecido, apesar
do facto de ser aceite não valer como reconhecimento.

Art.º 8.º, N.º 1 CRP→ Não necessitam de formalismo


Os Estados, enquanto absolutos, negavam a existência do Direito Internacional Público como
regulador de quaisquer relações.
Em 1815, surgiu a possibilidade de se instituir uma organização internacional que regulasse a
navegação no rio Reno, pois havia conflitos interestaduais no tocante a diques, extracção de
areias, etc. O sucesso foi tão grande que foi feito o mesmo para o rio Danúbio. Estas
organizações tinham um grande caracter técnico.
No pós- I GG surge a Sociedade das Nações, a qual durou pouco pois os E.U.A não
ratificaram a Convenção, bem como devido ao facto das suas decisões necessitarem de ser
aprovadas por unanimidade, o que era praticamente impossível.
No pós- II GG, surgem então várias organizações. A ONU tem uma vocação pan-universal,
havendo uma família das Nações Unidas, de que fazem parte entre outros a FAO, a UNICEF,
etc.
A Carta das Nações Unidas entra no ordenamento jurídico português através do art.º 8.º, n.º 1
da CRP, pois esta é uma norma “Ius Cogens”.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 11


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Normas “Ius Cogens”- São normas imperativas, pois regulam e asseguram direitos
fundamentais dos indivíduos.

A Convenção de Viena aplica-se aos Estados, entrando no ordenamento jurídico português


através do art.º 8.º n.º 1 CRP, pois esta Convenção traduz normas “Ius Cogens” no tocante a
regras costumeiras de elaboração dos Tratados.

Reserva- Acto jurídico unilateral através do qual o Estado pretende desvincular-se de


algumas normas presentes no acordo a que se vai vincular.

29/10/2003
Teórica
As normas de Direito Natural são normas que evoluem no tempo.
O Direito Internacional passa a uma fase institucional.

Teoria do Direito Internacional Público


As relações entre o Direito Internacional e os diversos sistemas jurídicos internos obriga-nos
a estabelecer uma hierarquia entre estes diversos sistemas. A subordinação do Direito Interno
ao Direito Internacional é desde logo contestado no seu princípio. Devemos aceitar teorias
divergentes sobre a natureza do Direito Internacional.
Devemos, assim, distinguir a tese Voluntarista, Normativista, Sociológica e Jusnaturalista do
Direito Internacional.

Tese Voluntarista
Fundamenta o Direito Internacional na vontade dos Estados. Esta teoria é aquela que melhor
tenta fundamentar a obrigatoriedade do Direito Internacional e parte do princípio que o
Direito obriga, na medida em que resulta da vontade do próprio Estado. Esta vontade é
manifestada pelos órgãos do Estado que vinculam o próprio Estado e os seus sujeitos. Vários
autores admitiram esta teoria como aquela que fundamenta a obrigatoriedade do Direito
Internacional, tais como Hegel, Triepel , Jéllinek .
Teoria do Direito Estadual Externo Hegel- Esta teoria assenta na soberania absoluta do
Estado, respeitando a vontade deste. O Direito Internacional só existe porque o Estado assim
o entende, é a manifestação externa deste.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 12


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Teoria da Autolimitação Jéllinek- Parte do principio que qualquer obrigação internacional


deve basear-se no consentimento do Estado. Nenhum Órgão ou Instância Internacional pode
impor regras ao Estado. Este tem o poder de limitar a sua vontade na aceitação ou não das
regras internacionais. O Estado aceita submeter-se às regras internacionais, na sua livre
vontade, e auto limita-se na medida em que se submete ao cumprimento dessas regras
internacionais.

Teoria da Vontade Comum Triepel- Vareinbarung- O Direito Internacional é criado na


vontade comum dos Estados. Esta vontade não pode emanar de um só Estado mas de vários
Estados que representam a Comunidade Internacional. Os Estados são livres de participar na
realização de objectivos comuns. Hoje, a Carta das Nações Unidas é aquela que melhor
representa a vontade dos Estados.
Todos consideram que a vontade dos Estados deve ser respeitada.
Nota: Para Hegel o Direito Internacional seria a manifestação do Estado.

A vontade comum é aquela que melhor fundamenta o Direito Internacional mas apresenta
lacunas, pois os Estados, por vezes de forma bilateral, elaboram normas de Direito
Internacional. Acrescente-se que esta tese também não tem carácter obrigatório.

Tese Normativista de Kelsen


Afirma que a obrigatoriedade das normas jurídicas não depende da vontade do Estado mas da
sua conformidade com uma norma superior. Essa norma fundamental é aquela que confere
toda a unidade ao sistema e que garante a caracter jurídico a essas normas. Kelsen propõe a
regra Pacta Sunt Servanda como regra fundamental. Esta obriga o Estado ao respeito pela
palavra dada. Esta regra é uma regra de natureza consuetudinária que é comum aos Estados.
Fundamenta a obrigatoriedade do Direito Convencional. Este Principio legitima a concepção
da pirâmide de Hans Kelsen. Esta norma consuetudinária passa a ter mais importância que as
convencionais que se vão subordinar a esta. Nesta teoria, as normas “Ius Cogens”
ultrapassam o sistema hierárquico vigente não havendo lugar à cadeia hierárquica normativa.

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Tese Sociológica de Direito Internacional


Esta tese também tenta superar a vontade dos Estados. Aqui, a norma teria o seu fundamento
na convivência social ou nas necessidades sociais. O Homem teria, neste caso, obrigação de
se conformar às normas sociais criadas para as suas necessidades. A existência de um Direito
Internacional supõe a existência de uma sociedade internacional na qual os Estados
exprimam as suas necessidades. Toda a dificuldade aqui é de proceder à adaptação, à
transformação dessas necessidades em normas jurídicas. Este Direito forma-se
independentemente da vontade dos Estados, na medida em que ele se baseia nas necessidades
entre sociedades. Como autores desta teoria temos Roberto Ago e George Scelle.
É com base nas necessidades do homem que se cria o Direito Internacional. Estas
necessidades são reais.

Tese Jusnaturalista
Um dos autores é Hugo Grócio, que foi dos primeiros a definir que o Direito Internacional
tinha fundamento no Direito Natural. A força obrigatória do Direito Internacional resulta
tanto do Direito Natural como da vontade dos Estados. Também para os defensores desta tese
existe uma norma fundamental como na tese Normativista.
Esta tese apresenta duas teses ou variantes:
Jusnaturalismo Católico- Resulta da revelação divina
Jusnaturalismo dos Valores- Tem em conta os valores da sociedade
Esta tese é apresentada ou defendida por uma grande maioria da Doutrina que vê aqui o
fundamento do Direito Internacional. Alguns autores são da opinião de que os valores morais
são aqueles que podem ser incorporados no Direito Positivo, referindo como valores morais a
legitima defesa. Mas é de considerar que os valores nem sempre são iguais em todos os
Estados ou representam a Comunidade Internacional. Não há valores comuns a todos os
Estados.
Em Conclusão:
O fundamento do Direito Internacional não é diferente do fundamento do Direito em
geral. Para regular as relações há normas que se impõem naturalmente e que são
favoráveis ao desenvolvimento dessas mesmas relações. Com o aparecimento de uma
Comunidade Internacional composta de vários Estados diferentes, torna-se difícil

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 14


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afirmar a existência de uma hierarquia de valores. Hoje podemos encontrar uma


expressão do Jusnaturalismo na protecção dos direitos do Homem que vai cada vez
mais adquirindo a forma de “Ius Cogens”.

03/11/2003
Prática (Apontamento cedidos pela Paula)
O que é o Direito Internacional Público?
O Direito Internacional Público abarca tudo aquilo que é materialmente internacional, tudo o
que é objecto do Direito Internacional- Insuficiente.
É aquele que tem um processo de formação de normas específicas, isto é, as normas
nasceriam nos seus quadros o próprio Direito Internacional- Insuficiente
Objecto, processo de formação das normas e ainda a questão de saber a quem se aplica o
Direito Internacional:
Sociedade ou Comunidade Internacional
Sociedade Internacional→ + elementos de divergência do que de convergência
Aspira
Comunidade Internacional→ + elementos de agregação do que de desagregação

• Estados
• Organizações Internacionais
• Indivíduo
• Santa Sé
• Ordem de Malta
• Movimentos Beligerantes
• Movimentos Insurrectos
• Movimentos de Libertação Nacional

Questão: Aplica-se o Direito Internacional a todos eles?

Lei→ Fontes do Direito Internacional, art.º 38.º ETIJ, mas não todas, existem ainda os actos
jurídicos autónomos
Conselho de Segurança- Não tem função de Juiz

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 15


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Juiz:
• Tribunal Internacional de Justiça- Funciona no âmbito da ONU
• Tribunal Penal Internacional
• Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias- Estados e Sujeitos
Polícia:
Conselho de Segurança- Art.º 24.º e art.º 39.º da Carta das Nações Unidas.
Há que distinguir o Direito Internacional de
Moral Internacional
• O não cumprimento não implica sanções
de “Comunitas Gentium”
• Regras de cortesia internacional. Existem por deferência ao próprio Estado.
de Direito Internacional Público
de Direito Internacional Privado
• Aplica-se aos sujeitos de Direito Interno

Evolução Histórica do Direito Internacional Público


1.º Momento
• Até aos Tratados de Paz de Westefália, de 1648 (Séc. XVII)
2.º Momento
• Dos Acordos de paz de Westefália até ao termo da II GG, 1945
3.º Momento
• Do termo da II GG até aos nossos dias

1.º Momento
Sociedades caracterizadas pelo Absolutismo. Soberania dos estados vista numa perspectiva
absolutista.
Tese Anarquista- Entendia que no plano do Direito Internacional não havia quaisquer regras
a respeitar por parte dos Estados, logo negava o Direito Internacional, pois mesmo que o
Estado se vinculasse no plano internacional, nada o impede de revogar essa vinculação.
Surgem posteriormente as teses Voluntaristas, que passam a submissão ao Direito
Internacional pela própria vontade dos Estados (Tronco Comum), logo se o Estado não
concordar, não respeita, não sofrendo qualquer sanção, pelo que negam a existência do
Direito Internacional

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 16


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Teses Voluntaristas
• Teoria do Direito Estadual Externo (Hegel)- O Direito Interno do Estado vai projectar-se
no plano internacional. O Direito Internacional é um prolongamento do Direito Interno,
também aqui o Direito Internacional não existe.
• Teoria da Autolimitação dos Estados (Jellinek)- O Estado autolimita-se no plano interno,
monarcas com o poder absoluto, pelo que só se limitavam ao plano internacional se o
próprio Estado se autolimitasse, exp.: Acordos Internacionais, mas só e apenas se assim
quisesse, se fosse essa a sua vontade. Negam também o Direito Internacional.
• Teoria de Lei ou da Vontade Colectiva ou da Vontade Comum- “Vareinbarung”
(Triepel)- Concentração de vontades por parte dos Estados; os tratados de lei só existem
se e na medida em que a vontade dos Estados seja convergente; os Estados decidiram
fazer surgir uma lei internacional que se comprometem respeitar, mas apenas porque foi
por eles criada.
Atenção: Não confundir Tratado de Lei e Tratado Contrato

05/11/2003
Teórica (Apontamento cedido pela M.ª José)
O Direito Internacional resulta da vontade comum dos Estados.
Relação entre o Direito Internacional e o Direito Interno
Todos os Estados são iguais enquanto sujeitos de Direito e legisladores em Direito
Internacional. A soberania do Estado levanta a questão das relações entre Direito
Internacional e o Direito Interno. Com o abandono do conceito de soberania absoluta foi
possível por de lado a ideia de irresponsabilidade do Estado. O Estado é obrigado a
harmonizar a sua legislação interna com as normas de Direito Internacional. O problema da
relação entre Direito Internacional e Direito Interno pode ser explicado através da Tese
Dualista ou da Tese Monista de Direito Internacional.

Tese Dualista- Foi apresentada por Triepel, que concluiu pela independência da ordem
jurídica interna e da ordem jurídica internacional. Para Triepel as duas ordens jurídicas são
distintas, a norma interna vale independentemente da norma internacional. Para este autor e
outros, o Direito Internacional só vigora na ordem interna depois de ser recebido ou
transformado no Direito Interno.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 17


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Tese Monista- Esta tese não defende a existência de duas ordens jurídicas distintas mas
apenas de uma. A ordem jurídica internacional. A ideia é a de que o Direito Internacional
obriga porque provém da vontade do Estado. Os Estados têm a obrigação de aceitar o Direito
Internacional. Esta tese é apresentada por diversos autores entre os quais está Jellinek. Nesta
tese devemos o Monismo como primado do Direito Internacional e o Monismo como
primado de Direito Interno. O Monismo como primado do Direito Interno conduz à negação
do Direito Internacional. É defendido por autores como Hans Kelsen, George Scelle e
Verdross.

Esta é a concepção preponderante hoje em dia que resulta da rejeição do Voluntarismo.


Direito Internacional e Direito Interno
• Tese Dualista
1. Ordem Jurídica Internacional
2. Ordem Jurídica Interna
• Tese Monista
1. Primado do Direito Interno (Jellinek)
2. Primado do Direito Internacional (Hans Kelsen, George Scelle, Verdross)
• Radical
• Moderado
O Monismo como primado do Direito Internacional pode ser:
• Radical- A regra interna contrária à regra internacional torna-se nula
• Moderada- reconhece ao legislador nacional um domínio mais vasto de liberdade e acção
Em conclusão:
O Estado tem de conformar a sua ordem interna às suas obrigações internacionais. O
não cumprimento desta obrigação não tem por efeito forçar a vigência do Direito
Internacional na ordem interna e a obrigação para os tribunais internos de aplicar a
norma internacional, nem a invalidade da norma interna contrária à norma
internacional.
Existem certas normas de Direito Internacional que são independentes da vontade dos
Estados e que passam a vigorar na ordem jurídica dos Estados. Essas normas são
superiores ás normas internas e revestem-se de um caracter obrigatório para todos os
Estados- Normas Imperativas.
Também devemos referir as normas e os princípios que constituem o património
comum da Humanidade, são normas consuetudinárias, universalmente aceites e são

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 18


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também os princípios gerais de Direito, reconhecidos pelas nações civilizadas, que se


impõem a todos os Estados.

A Incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica interna


A incorporação varia conforme os sistemas constitucionais vigentes nas ordenações jurídicas
dos Estados.
1.º Sistema
Dualista- Obriga a uma transformação do Direito Internacional na ordem jurídica

2.º Sistema
Cláusula de Recepção Plena- Resulta do Monismo como primado do Direito Internacional.

3.º Sistema
Cláusula de Recepção Semi Plena- Resulta da adopção de concepções Monistas e Dualistas.
Deriva do Monismo como primado do Direito Internacional. Aqui o Estado não reconhece a
vigência de todo o Direito Internacional mas apenas de algumas matérias que vigoram como
válidas na ordem jurídica interna.

4.º Sistema
Cláusula de Incorporação Automática- As normas internacionais são directamente aplicáveis
na ordem jurídica interna dos Estados. (normas imperativas, regulamentos comunitários).

Posição ou situação de diversos Estados

A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Britânica


O Direito Britânico procede a uma incorporação automática do Direito Internacional
consuetudinário na sua ordem jurídica.
No que se refere ao Direito Convencional, terão de ser objecto de acto do Parlamento para
vigorarem na ordem interna.
Incorporação do Direito Internacional
• Direito Internacional Convencional
• Direito Internacional Geral

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A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Francesa


A Constituição Francesa de 1958 estabelece que os Tratados ou Acordos regularmente
ratificados ou aprovados têm autoridade superior à das leis, sob reserva da sua aplicação pela
outra parte. No que se refere aos Tratados de Paz, de Comércio, relativos a Organizações
Internacionais, que modifiquem disposições de natureza legislativa, relativos ao estado das
pessoas, que comportam cessão, troca ou acrescento de território, não podem ser ratificados
ou aprovados senão através de uma lei. O Direito Francês consagra aqui a cláusula de
recepção plena.

A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Alemã


A Lei Fundamental Alemã de 1949, dispõe que as regras gerais de Direito Internacional
fazem parte integrante do Direito Federal, elas prevalecem sobre as leis nacionais no que se
refere aos Tratados O Presidente Federal representa a Federação nas suas relações externas.
Compete-lhe celebrar, em nome da Federação, Tratados com os Estados estrangeiros. Os
Tratados exigem a aprovação das Assembleias Legislativas Federais competentes.

A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Espanhola


A Constituição Espanhola de 1978 prevê que os tratados Internacionais fazem parte da ordem
jurídica interna espanhola (recepção plena).

A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Italiana


A Constituição Italiana de 1948 prevê que a ordem jurídica italiana se submeta às normas do
Direito Internacional geralmente reconhecidas, Tese Dualista. Recepção automática do
Direito Internacional na ordem jurídica interna.

A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Norte-Americana


Todos os Tratados celebrados sob a autoridade dos EUA, constituem a lei suprema do país e
os juizes, em cada um dos Estados, estarão sujeitos a ele. Recepção Plena do Direito
Convencional.

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A incorporação do Direito Internacional na ordem jurídica Brasileira


A Constituição Brasileira não regula a vigência do Direito Internacional na ordem jurídica
interna, salvo os casos dos tratados em matéria de Direitos Fundamentais que têm carácter
supra-constitucional. Incorporação Automática.
Em conclusão:
Quase todos estes Direitos asseguram a vigência do Direito Internacional na ordem
interna no que diz respeito aos Tratados. É sempre necessário um acto de recepção
para que as normas internacionais vigorem no que se refere ao Direito Internacional
geral. Não é sempre necessário este acto de recepção ou transformação para que as
normas de Direito Internacional vigorem na ordem jurídica interna.

10/11/2003
Prática
2.º Momento
Em 1948, a Paz de Westefália põe termo à Guerra dos Trinta Anos e marca o surgimento do
Direito Internacional como ciência.
A soberania do Estado continua a ser vista como absoluta, mas com a influência de Jean
Bodin o Estado soberano está limitado pelo Direito Divino, natural e pelas obrigações a que
este se submeteu. Os Estados estavam em plano de igualdade, vista de uma forma
estritamente formal. Surge o Principio da Liberdade dos Mares, normas relativas a privilégios
(?), regras relativas à responsabilidade do Estado no tocante a estrangeiros no próprio Estado.
Existiam Convenções Internacionais Bilaterais, sendo o Costume a fonte por excelência deste
período.
Do ponto de vista da produção normativa, as normas de Direito Internacional Público eram
criadas pelos Estados. Não havia normas “Ius Cogens”. Havia um sistema de autotutela, não
havia normas sancionatórias.
A Sociedade das Nações surge em 1919, tendo o Tribunal de Justiça Internacional surgido na
mesma altura.
Neste período, o fundamento da obrigatoriedade do Direito Internacional justifica-se pelas
teses:
• Voluntarista- Continuaram a dominar. Negação do Direito Internacional
• Marxista-Leninista- Surge com a revolução Bolchevique de 1917. Resume-se ao facto de
para esta teoria o Direito Internacional era incluído na superestrutura com a Política,

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 21


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sendo esta superestrutura dominada pela infra-estrutura onde estava incluída a Economia.
Assim, haveria um Direito Internacional Capitalista e um Direito Internacional Socialista.
• Normativa- Surge com Hans Kelsen. Afirma a obrigatoriedade do Direito Internacional
fundamentado numa norma superior fundamental hipotética. A partir de 1932, Hans
Kelsen afirma que o fundamento se traduzia pela expressão Pacta Sunt Servanda. Mas
com isto não abarcava a obrigatoriedade do Costume Internacional. Assim, passou a
afirmar Consuetu Est Servanda. Isto foi alvo de criticas por causa da norma ficcionada,
hipotética.
• Sociológica ou Solidarista- Duguit e George Scelle assentam o seu pensamento na
solidariedade nas relações que se estabelecem entre Estados. As regras de Direito
Internacional impunham aos Estados o respeito da solidariedade e o dever de usar a força
de que dispunham ao serviço das regras de Direito. A existência da Comunidade
Internacional pressupunha a existência de colectividades reguladas pelo Direito
Internacional.

3.º Momento
Período Contemporâneo
Inicia-se com a Carta das Nações Unidas. Surge uma Organização Internacional pan
universal que tem o propósito de abarcar todos os países do mundo. Foi criada a família de
Direitos das Nações Unidas que têm personalidade jurídica internacional- FAO, UNESCO
OIT, etc.
Foi neste período que mais sujeitos de Direito Internacional surgiram.
• Estado
• Organizações Internacionais
• Movimentos Beligerantes*
• Movimentos Insurrectos*
• Movimentos de Libertação Nacional*
• Indivíduo*
• Santa Sé*
• Ordem de Malta*
• Nestes casos existem duvidas.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 22


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Fontes de Direito Internacional


• Convenções Internacionais
• Costume
• Doutrina
• Jurisprudência
• Princípios Gerais de Direito Internacional
• Actos Jurídicos Unilaterais Autónomos- podem ser praticados pelas Organizações
Internacionais ou pelos Estados

Será a equidade fonte de Direito Internacional? Logo se verá

Nota 1: O Costume não é só o tradicional mas também o selvagem.


Nota 2: A fonte Convenções Internacionais, ao contrário do período anterior é sobretudo
multilateral.
Nota 3: A distinção Tratado Lei e Tratado Contrato
• Tratado Lei- Um feixe de vontades comuns tendentes a um único objectivo.
• Tratado Contrato- Vontades contrárias que visam satisfazer necessidades
antagónicas
Norma “Ius Cogens”- Especificas da 3.ª fase.

Responsabilidade Internacional dos Estados


Existe responsabilidade internacional dos Estados por factos lícitos. Actualmente o Direito
Internacional apresenta-se como axiológicamente relevante. Tendencialmente não assenta na
igualdade formal dos Estados mas na igualdade material dos mesmos. Actualmente o
fundamento da obrigatoriedade do Direito Internacional assenta na tese Jusracionalista,
assenta no Direito Natural.
Existe um conjunto de valores comuns aos sujeitos de Direito Internacional. Assim, há um
feixe de valores que se sobrepõe à vontade humana e aos próprios Estados. São inerentes à
vontade da Comunidade Internacional. O Jusracionalismo foi defendido por Hugo Grócio. O
Jusracionalismo actual é diferente do Jusracionalismo de Hugo Grócio. É o Jusracionalismo
defendido pela Nova Escola de Direito Natural. Foi Pufendorf que rompeu o Jusracionalismo
clássico, pois entendia que havia Direito Natural no plano internacional, surgindo o Direito
Internacional. Esta Nova Escola surge nos finais do séc. XIX, princípios do séc. XX, sendo

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 23


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dois dos seus autores mais famosos Louis Le Fur e Verdross. Esta escola vai fundamentar a
jurisdicidade do Direito Internacional no Direito Natural porque defende que existem
princípios suprapositivos que estão acima do ordenamento jurídico, uma vez que decorrem
de um normativismo superior que resulta de uma opção feita no plano filosófico, que no caso
destes dois autores foi diferente, tendo dado origem a duas vertentes:
• Verdross- Jusnaturalismo dos valores. O Problema da obrigatoriedade do Direito
Internacional era colocado no plano ético. As normas eram valores comuns no plano
interno que se impunham aos Estados.
• Louis Le Fur- Jusnaturalismo Católico. O problema do fundamento da obrigatoriedade do
Direito Internacional era colocado num plano ontológico que significa que o Direito
Natural é apreendido pela revelação. Tinha como regras:
1. Obrigatoriedade de cumprir os compromissos
livremente aceites. Pacta Sunt Servanda.
2. Obrigatoriedade de reparar todos os prejuízos
causados indevidamente.
3. Respeito pela Autoridade.
Ver:
• Art.º 4.º da CRP e 1933. Aceitava-se a teoria da Auto Limitação dos Estados.

12/11/2003
Teórica
A norma pode ser incorporada automaticamente (concepção monista) ou ser transformada
(concepção dualista)→ recepção semi-plena
Valor hierárquico das normas
• Supralegislativo
• Legislativo

A incorporação do Direito Internacional na Ordem Jurídica Portuguesa


A nossa Constituição confere vigência ao Direito Internacional na ordem interna. As normas
de incorporação estão consagradas no art.º 8.º, n.ºs 1, 2 e 3 CRP.
• Art.º 8.º, n.º 1→ Normas e princípios consagrados. São normas “Ius Cogens”→ Carta das
Nações Unidas, Pactos, Costume Internacional, DUDH, imperativos que vigoram de
forma automática na ordem jurídica.
Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 24
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• Art.º 8.º, n.º 2→ Normas constantes das Convenções Internacionais, Tratados Solenes, e
Acordos Simplificados→ Normas convencionadas. Vigoram plenamente na ordem
interna, após o cumprimento de uma série de requisitos; Aprovação ou Ratificação,
entrada na ordem jurídica internacional (enquanto vincular o Estado Português) e a sua
publicação.
Vigência na ordem jurídica internacional- Por vezes pode haver necessidade de varias
ratificações para entrar em vigor. É a própria Convenção que indica o número de Estados
que é necessário para fazer vigorar a mesma.
• Art.º 8.º, n.º3→ Normas Comunitárias que vigoram directamente na ordem jurídica
interna. Não necessitam de transposição para vigorar. Trata-se aqui dos Regulamentos
Comunitários, art.º 249.º Tratado de Nice. O Regulamento tem caracter geral, é
obrigatório em todos seus elementos e directamente aplicado em todos os Estados
Membros.
As Directivas obrigam quanto aos fins mas não quanto aos meios. São transpostas na
ordem jurídica através de Decreto-Lei, sendo depois aplicada essa norma produzida
internamente.
Os Estados não podem ir contra o estabelecido nos Tratados Comunitários.

A vigência do Direito Internacional na Ordem Jurídica Portuguesa


A Constituição Portuguesa consagra o Principio da Recepção Automática das normas de
Direito Internacional Geral ou Comum. Isto significa que estas normas são directamente
aplicadas pelas autoridades públicas e Tribunais. Resta saber qual o valor jurídico das normas
do Direito Internacional Geral em face do Direito Interno. O Prof. Gomes Canotilho diz que
a recepção automática do Direito Internacional Comum não proclama a superioridade das
normas de Direito Internacional perante as normas de Direito Interno. Aqui o Direito
Internacional Geral ou Comum cede perante a Constituição mas no entanto prevalece sobre a
Lei.
Para o Prof. João Mota Campos, o Direito Internacional Geral ou Comum ocupa um grau
supra constitucional
Segundo o Prof. José Amorim, devemos entender que o Direito Internacional Geral ou
Comum prevalece sobre a Constituição pelo facto de consagrar regras consuetudinarias que
se impõem a todos os Estados e de ser composto de normas imperativas e que só podem ser
imperativas se se sobrepuserem ao Direito Interno.
Ver: Art.º 16.º CRP

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 25


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O art.º 8.º, n.º1 CRP é basicamente para regras consuetudinarias.

A vigência do Direito Internacional Convencional na Ordem Jurídica Portuguesa


O Direito Internacional Convencional cede perante a Constituição mas prevalece sobre a lei
convencional porque vem de Tratados e Acordos sobre forma simplificada. No entanto, o
Direito Internacional Convencional dos Direitos do Homem prevalece sobre a Constituição
visto que se fala da DUDH. Cede porque estão sujeitos à fiscalização preventiva da sua
constitucionalidade, do Tribunal Constitucional.

A vigência do Direito Comunitário na Ordem Jurídica Portuguesa


A uniformidade do Direito Comunitário em todos os países da União Europeia obriga o juiz
nacional a dar preferência ao Direito Comunitário. O primado do Direito Comunitário resulta
do disposto no art.º 249.º do Tratado de Amesterdão e do art.º 10.º desse mesmo Tratado que
dispõe que os Estados Membros deverão tomar todas as medidas para assegurar a execução
das obrigações do Direito Comunitário. Este Principio do Primado do Direito Comunitário
foi consagrado no Acordão proferido pelo Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias no
caso Costa versus Enel, em 1964, que refere que o Tratado da CEE institui uma ordem
jurídica própria integrada no sistema jurídico dos Estados Membros e que se impõe aos
respectivos Órgãos Internacionais.
Num outro caso, o caso Simmenthal, proferido em 1978, o Tribunal considerou no entanto
que o Direito Comunitário deve ceder o passo às disposições internas mais favoráveis aos
cidadãos em matéria de direitos fundamentais.

Fontes do Direito Internacional Público


As fontes principais do Direito Internacional Público
Noção de Fontes
Devemos estabelecer uma distinção entre fontes formais e fontes materiais de Direito.
As fontes formais são aquelas que se referem aos processos de elaboração do Direito. Estas
fontes formais vêm previstas no art.º 38.º, n.º1 e 2 do ETIJ. As fontes formais procedem à
introdução do conteúdo das normas no direito positivo.
Quanto às fontes materiais elas constituem os fundamentos sociológicos, políticos,
económicos, morais das normas internacionais. As fontes materiais são aquelas que
contribuem para a formação das fontes formais. As fontes previstas no art.º 38.º ETIJ, são
directamente aplicadas pelo juiz e são oponíveis a todos os sujeitos de Direito Internacional.

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Hierarquia das Fontes


Convém estabelecer uma distinção entre normas jurídicas e fontes formais de Direito
Internacional. As primeiras formam o conteúdo de uma regra elaboradas segundo as
exigências da fonte formal. Uma mesma norma pode emanar de diversas fontes, exp.: uma
norma relativa à delimitação da plataforma continental pode ter um fundamento
convencional para uns Estados e consuetudinária para outros. Daí a frequente confusão entre
normas e fontes. Por isso, deve-se falar de normas consuetudinarias por um lado e Costume
como fonte formal por outro. O art.º 38.º ETIJ não estabelece qualquer hierarquia entre as
fontes do Direito Internacional por isso não há razão para estabelecer que os Tratados
prevalecem sobre o Costume ou vice-versa. O facto de não existir uma hierarquia entre as
fontes formais do Direito Internacional não quer dizer que não exista uma relação entre essas
fontes. É o que acontece por exemplo no caso de Tratados sucessivos. Também o facto das
fontes não serem hierarquizadas não quer dizer que não exista uma hierarquia entre as
normas jurídicas. Por exemplo, pode existir um conflito entre uma norma imperativa e uma
norma convencional. Neste caso a Convenção de Viena de 1969, afirma o caracter
imperativo dessas normas que deve prevalecer sobre as outras normas→ art.º 53.º Conv.
Viena, em caso de conflito.

17/11/2003
Prática (Apontamento cedido pela Adelaide)
Caso Prático
Suponha que o Estado português é signatário de uma Convenção Internacional, concluída
em 2000, entre 20 Estados Europeus, tendo como principal objectivo o combate do tráfico de
droga e de armas. Nos termos da dita Convenção devem os 20 países promover a
cooperação das suas polícias. Se o Governo português aprovar um Decreto-Lei que vise
restringir a cooperação policial à captura de narcotraficantes, qual o valor constitucional
do referido documento?
Resolução
Relação entre Direito Internacional e Direito Interno
1.º Teorias que fundamentam as relações
2.º Técnicas de recepção do Direito Internacional na ordem interna
3.º A questão da hierarquia

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As Convenções internacionais têm um valor supra legal, mas infra constitucional, art.º 277.º
e seguintes CRP, são objecto de fiscalização.
Valor supra legal, art.º 8.º n.º 2
Norma de Direito Internacional

19/11/2003
Teórica
Costume Internacional
Noção
O Costume Internacional é uma fonte importante do Direito Internacional. O Tribunal
Internacional de Justiça tem julgados litígios em que tem estado em causa a aplicação do
Costume Internacional, tal como aconteceu no caso relativo às actividades militares e
paramilitares na Nicarágua, julgado em 27 de Junho de 1986.

Fundamento
O Costume Internacional baseia-se num elemento material (uso) e num elemento psicológico
(convicção de obrigatoriedade). Em relação ao elemento material, o Costume consiste na
repetição constante, geral e uniforme de uma conduta. O uso pode resultar de uma actividade
dos órgãos do Estado bem como da actividade dos sujeitos de Direito Internacional.
Relativamente aos actos das Instituições Internacionais, podemos distingir os actos jurídicos
e os actos não jurídicos. Os actos jurídicos são actos da jurisprudência das Instituições
Jurídicas. Vigora aqui a regra do procedente. Ao nível das actos não jurídicos, são todas as
resoluções das Instituições Internacionais como as das Nações Unidas ou dos Estados. O
elemento de repetição pode não ser necessário para a formação do Costume Internacional,
vide o caso Haya De La Torre, julgado em 1950. Aqui o Tribunal Internacional de Justiça
afirmou que a prática revelava tantas incertezas que não se podia tirar dela um uso constante.
Relativamente à constância do uso, o Tribunal também afirmou no caso da Plataforma
Continental, em 1969, que a formação da Direito dos Estados na Plataforma Continental
tinha sido estabelecido num curto lapso de tempo.
Relativamente ao facto do uso ser geral, o uso pode formar-se independentemente da vontade
de alguns Estados. Por exemplo, o Costume Local só obriga aqueles Estados que participam
na sua elaboração. Exemplo: No caso De La Torre, o Tribunal admitiu que o asilo
diplomático só dizia respeito aos países latino-americanos- Costume Regional.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 28


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Quanto ao uso, pode resultar de uma acção positiva ou de uma abstenção manifestada por
outros Estados. Caso das Pescarias, de 1951. O Tribunal afirmou que a acção positiva da
Noruega, que tinha estabelecido o limite do seu mar territorial e a abstenção por parte da
Inglaterra, originou um Costume entre dois Estados.
Quanto ao segundo elemento, consiste na convicção que os Estados estão a agir conforme o
Direito. Esta convicção é também chamada Opinio Iuris.
Os Estados devem ter a convicção de exercer um Direito. Toda a dificuldade é de provar a
existência desta Opinio Iuris. Acontece muitas vezes que os Estados quando alegam uma
regra de Direito, alegam na realidade considerações políticas, daí a dificuldade de fazer a
prova da existência do Costume. A dificuldade aumenta quando a actividade resulta de uma
atitude passiva. No caso La Torre, a Colômbia tinha alegado que o elemento psicológico não
era necessário para a formação do Costume. O Tribunal considerou que a Opinio Iuris é
imprescindível para a formação do Costume. O ónus da prova, em regra geral, compete
àquele que invoca uma norma consuetudinária. O Tribunal Internacional de Justiça, no caso
da Plataforma Continental disse que os actos devem testemunhar da convicção de que a
pratica é obrigatória. A repetição dos actos não é suficiente em si. O elemento psicológico
deve ser dissociado do elemento material.
Em conclusão geral, o Costume Internacional tem surgido ao longo da história do Direito
Internacional em vários domínios. No domínio do Direito Marítimo, das relações
diplomáticas e dos conflitos (Nicarágua). O Costume estende-se para outros domínios, como
os Tratados, a responsabilidade internacional, a arbitragem.
O Costume Internacional tem exercido uma influência sobre o Direito convencional, como
foi o caso no Direito Marítimo, na Convenção de Genebra de 1958.
O Costume Praeter Legen, Contra Legen, Secundo Legen (?). A norma consuetudinária mais
recente prevalece sobre a mais antiga. Há alguma reticência por parte do juiz para aplicar a
norma consuetudinária estrangeira no Direito Interno. Isto deve-se fundamentalmente a
desconhecimento destas regras.
Costume Selvagem- O que provém apenas da convicção de obrigatoriedade.
O Costume tem contribuído para a codificação do Direito Internacional.

Tratados Internacionais
Os Tratados Internacionais são uma importante fonte de Direito Internacional. Os que foram
elaborados pós-II Guerra Mundial incidem sobre várias actividades dos Estados, desde a Paz,
Cooperação Económica, passando pelos Direitos do Homem. A noção de Tratado

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 29


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Internacional vem mencionado no art.º 38.º, n.º 1 do Estatuto do Tribunal Internacional de


Justiça, que manda aplicar as Convenções Internacionais Gerais ou Especiais, que
estabelecem regras expressamente reconhecidas pelos Estados em litígio.
O Tratado Internacional pode ser concluído entre dois ou mais sujeitos de Direito
Internacional e destina-se a produzir efeitos jurídicos para as partes que nele participam. Isto
não quer dizer que só os Estados podem participar. É necessário que as partes sejam Sujeitos
de Direito Internacional para participar na elaboração dos Tratados Internacionais, daí que os
Acordos concluídos entre Estados e Organizações Não Governamentais ou uma Associação
de Direito Privado não pode ser reconhecido como Tratado. Todo o Direito relativo à
conclusão dos Tratados, à sua interpretação, aplicação, validade e eficácia encontra-se
codificado na Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 23 de Maio de 1969. Os
Tratos estariam assim submetidos ao Direito Internacional resultante da Convenção de Viena
de 1969. Em principio, os Tratados revestem a forma escrita e no entanto a prática aceita
Tratados verbais, só que a Convenção de Viena só se aplica aos Tratados celebrados entre
Estados, isto não significa que os Tratados entre Estados e Organizações Governamentais
não tenham validade. O Tratado Internacional pode revestir várias formas e denominações.
Pode ser designado Carta, Acordo, Estatuto, Pacto, Convenção, Protocolo, Declaração, etc.

Classificação das Convenções Internacionais


Podemos classificar as Convenções Internacionais em :
• Convenções Escritas
• Convenções Orais
Tal como estabelece a Convenção de Viena, a qual só se aplica às escritas.
Existem Tratados-Lei e Tratados-Contrato, Tratados Solenes e Acordos Simplificados,
Convenções Gerais e Convenções Especiais.
O Tratado-Lei cria uma regra de Direito pela vontade das partes. Estes Tratado-Lei resulta
das vontades convergentes dos Estados em considerar uma regra de Direito como regra
comum aos Estados.
O Tratado-Contrato é semelhante ao contrato de Direito Interno. Na sua aplicação temos o
exemplo dos tratados de Comércio.
O Tratado-Constituição é o tratado institutivo de uma Organização Internacional, como a
Carta das Nações Unidas. A ideia é que terá o valor de Constituição para todos os Estados.
O Tratado Solene carece de ratificação e o Acordo Simplificado não carece.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 30


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As Convenções Gerais e Especiais serão subsidiárias em termos de classificação em relação


às outras classificações, sendo Geral ou Especial em relação ao objecto de classificação.

24/11/2003
Prática
Art.º 8.º, n.º1 CRP
Quando se fala de “normas e ...”, estamos a falar de costume internacional geral, normas “Ius
Cogens” como a DUDH; Carta das Nações Unidas, princípios gerais de Direito Internacional
como “Mare Liberum”; Principio de Não Ingerência, princípios gerais de Direito como
“Pacta Sunt Servanda”; Principio da Igualdade.
Costume Regional- Pode ser territorial, religioso, económico.
Segundo o Prof. Jorge Miranda, o Costume Regional e Bilateral entram na ordem jurídica
nacional pelo art.º 8.º, n.º 1 CRP, se o Estado Português tiver participado, se não participou
seria necessário um formalismo parecido com o art.º 8.º, n.º 2 CRP→ Recepção Plena
O fundamento para a analogia da norma ao costume bilateral e assim a sua recepção
automática reside no facto de Portugal ter participado na formação deste Costume e assim
poder afirmar que para si e para os outros Estados envolvidos, este Costume é geral.
Se Portugal quiser vincular-se a um Costume para o qual não participou na sua formação
então terá de submeter esse Costume ao formalismo do art.º 8.º, n.º 2 CRP.

Onde se lê normas ratificadas, refere-se a forma solene, logo Tratados.


O Tratado tem de ser ratificado. A ratificação torna a Convenção Internacional Tratado mais
solene visto que a ratificação é feita pelo Presidente da República. As matérias versadas
nessa ratificação estão na alínea i) do art.º 161.º CRP, onde é dito “designadamente” o que
quer dizer que pode haver outras.
A especificidade dos Tratados advém da ratificação o que não quer dizer que não haja um
procedimento. Nesse procedimento, a Assembleia da República aprova os Tratados que
depois serão ratificados pelo Presidente da República.
Onde se lê aprovado, fala-se de Acordos sob a forma simplificada, o Estado Português
vincula-se pela aprovação e não pela assinatura. As matérias que revestem a forma de
Acordo são aquelas que não estão expressamente elencadas na alínea i) do art.º 161.º CRP.
Quem tem competência para aprovar, art.º 161.º, i)→ Competência reservada, Assembleia da
República e Governo, art.º 197.º, c) CRP

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 31


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Pode acontecer que sendo da competência do Governo, este decida remeter à Assembleia da
República para aprovação.
AR ART.º 161.º, i) ART.º 164.º + ART.º 165.º
GOV ART.º 197.º,n.º 1, c) in fine
GOV ART.º 197.º, n.º 1, c) 1.ª parte- as...
Têm de ser publicados no Diário da República, art.º 119.º, n.º 1, b).
Em certos Tratados é necessário um número mínimo de ratificações para que esta entre em
vigor.
Art.º 8.º, n.º 3 CRP
O Direito Comunitário Derivado entra no ordenamento jurídico por este número. O Direito
Comunitário Originário entra pelo n.º 2 deste artigo. As Recomendações e Pareceres não
entram por aqui pois não têm caracter geral e abstracto. Os Regulamentos são normas, têm
caracter geral e abstracto e entram directamente por este número. As Decisões têm
destinatários específicos logo não entram directamente→ Ver art.º 239.º TUE
As Directivas fixam os fins, cabendo aos Estados estipular os meios, logo não são normas
pois não têm aplicabilidade directa.
O Prof. Fausto de Quadros entende que as Decisões e as Directivas entram directamente, pois
o n.º 3 é incompatível com a União Europeia e esta tem o primado. A ONU através das
resoluções tem aplicabilidade directa, sejam emanadas pela Assembleia Geral sejam pelo
Conselho de Segurança.
Valor Hierárquico
• Art.º 8.º, n.º 1 CRP→ Normas supraconstitucionais→ art.º 8.º, n.º 1 CRP
• Art.º 8.º, n.º 2 CRP→ Normas infraconstitucionais e supralegais→ art.º 26.º e art.º 27.º
Convenção de Viena e art.º 277.º e seguintes CRP
• Art.º 8.º, n.º 3 CRP→ Normas infraconstitucionais e supralegais (?)→ Acordãos entre
Direito Internacional e Direito Interno

26/11/2003
Teórica
Convenções Internacionais
A Convenção Internacional é um acto jurídico plurilateral concluído entre Sujeitos de
Direito, submetidos às regulamentações do Direito Internacional e pode estar consignado
num único instrumento e em dois ou mais instrumentos conexos, sendo ainda possível

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 32


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assumir várias designações. Para concluir uma Convenção Internacional é necessário pelo
menos duas partes. Não são só os Estados que podem concluir Convenções Internacionais,
por outro lado, as Convenções Internacionais são reguladas pelo Direito Internacional, tanto
assim é que o nascimento, vigência e cessação de vigência das Convenções Internacionais
estão reguladas em instrumentos de Direito Internacional. Assim, as Convenções
Internacionais concluídas entre Estados, as regras sobre nascimento, vigência, etc., são
reguladas pela Convenção de Viena.
O texto de uma Convenção Internacional pode estar vertido num ou mais do que um
instrumento, logo o corpo de uma Convenção Internacional pode ser uno ou composto por
vários elementos, sendo mais usual por três elementos, o Preâmbulo, o Corpo Dispositivo (ou
Articulado. Na Convenção de Viena começa no art.º 1.º), e os Anexos (têm o mesmo valor
jurídico. Contêm disposições de carácter técnico. Podem ser concretizadas num instrumento
próprio que é o Anexo).
Uma Convenção Internacional pode assumir a designação de Carta, Pacto, Declaração,
Concordata.

Classificação das Convenções Internacionais

Critério da Qualidade das Partes


• Estados
• Estados e Organizações Internacionais
• Organizações Internacionais

Critério do Número das Partes


• Bilaterais→ Concluídas entre duas partes, podendo cada parte ter mais de um Estado,
caso de uma Guerra- vencedores/ Vencidos
• Multilaterais→ Concluídas entre mais de duas partes. Podem ser:
• Gerais ou Abertas- Tendem para a universalidade, estão abertas para que
novos países adiram, exp.: Carta das Nações Unidas.
• Restritas ou Fechadas- Abarcam um número restrito de Estados. Em geral
abarcam até dez Estados. Pode-se analisar este critério em função do
número de Estados ou que apenas abarcam Estados de uma determinada
zona geográfica.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 33


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Critério
• Tratados sob forma solene
• Acordos sob forma simplificada

Critério
• Convenções Internacionais Escritas
• Convenções Internacionais Não Escritas
A Convenção de Viena só se aplica às Convenções Internacionais Escritas, art.º 2.º, n.º 1,
alínea a) e art.º 3.ºda Convenção de Viena
As Convenções Não Escritas têm validade, art.º 3.º, alínea a), Convenção de Viena

Procedimento de vinculação à Convenção Internacional


1. Na Convenção Internacional os termos Convenção Internacional, Tratado e Acordo são
usados indistintamente.
2. No procedimento para vinculação de Direito Internacional tanto intervêm normas de
Direito Interno como de Direito Internacional.
3. Na CRP, os termos Acordo, Tratado e Convenção Internacional são usados em sentido
técnico-jurídico rigoroso. Convenção Internacional é um termo genérico que permite
abarcar Tratado e Acordo., art.º 8.º, n.º2; art.º 119.º, n.º 1, alínea b); art.º 197, n.º 1, alínea
b); art.º 161.º, alínea i); art.º 277.º, n.º 2; art.º 278.º, n.º1; art.º 279.º, n.º4, todos da CRP.
4. O Estado Português pode, à luz do art.º 115.º CRP submeter a referendo a sua vinculação
a uma Convenção Internacional, art.º 115.º, n.º 3, 4, 5 CRP.
5. A Convenção Internacional pode ser submetida a referendo antes, no decurso ou no final
das negociações desta. A Convenção Internacional pode ser submetida a referendo como
condição interna conducente à manifestação definitiva ao consentimento a estar
vinculado.

As várias fases do Processo de vinculação internacional


1.ª Fase
NEGOCIAÇÃO
• Discussão do texto da Convenção Internacional

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• Redacção e adopção do texto da futura Convenção. À luz da Convenção de Viena,


quem tem competência para negociar são os plenipotenciários, art.º 7.º. A alínea 2
enumera-os. À luz do Direito Interno, quem tem competência para negociar é o
Governo, art.º 197.º, n.º 1, alínea b) CRP, representando-se pelo Ministro dos
Negócios Estrangeiros e pelo Ministro competente em razão da área de competência
da matéria. O Governo deve de informar o Presidente da República dos avanços das
negociações, após ser informado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, art.º 201,
n.º 1 , alínea c) CRP. Também os Partidos Políticos, representados na Assembleia da
República devem ser informados, art.º 114, n.º 3 CRP. Devem ainda ser informados
os Grupos Parlamentares, art.º 180.º, n.º 2, alínea j) CRP. O representante das Regiões
Autónomas pode acompanhar, art.º 227.º, n.º 1, alínea t) CRP, o Ministro dos
Negócios Estrangeiros, desde que a matéria lhe diga respeito, mas não tem autonomia
para se vincular de moto próprio, art.º 227, n.º 1, alínea u) CRP. É durante a fase da
negociação que se vai escolher a forma da Convenção. Portugal e a generalidade dos
Estados têm normalmente liberdade para escolher a forma das Convenções. Não há
uniformidade entre Estados pelo que a forma da mesma Convenção pode assumir
várias formas, conforme o Estado. No fim da negociação temos o texto definitivo da
Convenção Internacional, quando este é adoptado, art.º 9.º Convenção de Viena.
Matéria dos Tratados→ art.º 161, alínea i) CRP

2.ª Fase
AUTENTICAÇÃO OU ASSINATURA DO TEXTO
Tem consequências diferentes conforme seja Tratado ou Acordo.
• Tratado- A assinatura cria o direito a que seja manifestada em momento posterior a
vontade de ficar definitivamente vinculado pelo Tratado que foi objecto da assinatura.
O Estado Português não fica vinculado pela mera assinatura de um Tratado mas a
assinatura que é feita tem vários efeitos, designadamente expressa o acordo formal
quanto ao texto do Tratado. Produz o direito de ratificar o Tratado. A partir da
assinatura, nos termos do art.º 18.º da Convenção de Viena, produz um dever geral de
boa fé. A assinatura autentica o texto que fica definitivamente fixado.
• Acordo- Pela simples assinatura, os Estados ficam vinculados definitivamente ao
Acordo. A partir dai funciona a regra Pacta Sunt Servanda.

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Quem tem competência para assinar Convenções?


Art.º 10.º, alínea a) Convenção de Viena. Estão no texto da Convenção. São os
plenipotenciários. No caso Português, se estivermos perante um Tratado, é o Ministro dos
Negócios Estrangeiros, à luz do Direito Interno, art.º 7.º, n.º 2, alínea a) CRP.

Tipo de Assinatura
Art.º 10, alínea b) C Viena
Tratados
• Assinatura em sentido próprio- Art.º 7.º, n.º 2, alínea a) C Viena. Plenipotenciários.
Efeito: Autenticação do texto. No caso português feito pelo Ministro dos Negócios
Estrangeiros.
• Assinatura Ad Referendum ou Rubrica- Art.º 10.º, alínea b) C Viena. Quem assina
não tem poderes para assinar, logo não produz os efeitos. Tem de ser depois
confirmada pelo Estado.
• Aposição de iniciais. Resulta da prática costumeira. A pessoa está presente mas não
tem poderes para assinar. Apõe as suas iniciais e só num momento posterior o Estado
envia um plenipotenciário para assinar a Convenção Internacional.
Acordos
• No âmbito do Direito Internacional, pela simples assinatura do texto do Acordo, o
Estado fica logo vinculado.
• Pode haver uma das três assinaturas anteriores, funciona a regra das assinaturas
anteriores do plenipotenciário.
• No plano do Direito Internacional, a assinatura do plenipotenciário gera dois efeitos:
1. Autenticação do texto
2. Vinculação internacional definitiva
No caso Português, o plenipotenciário assina mas a sua assinatura só tem o poder de
autenticação. Logo, ele faz uma assinatura sob reserva de aprovação. O plenipotenciário
assina e gera o único efeito de autenticação.

3.ª Fase
MANIFESTAÇÃO DO CONSENTIMENTO À VINCULAÇÃO INTERNACIONAL
Art.º 11.º Convenção de Viena
Tratados
Quem aprova?

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 36


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AR, art.º 161.º, alínea i) CRP


A Assembleia da República aprova os Tratados sob a forma de Resolução, como resulta do
art.º 166.º, n.º 5 CRP. O Presidente da República depois ratifica o Tratado, art.º 135.º, alínea
b) CRP. Depois de ratificados, seguem para Referenda Ministerial, art.º 140.º, n.º 2 CRP
Quando recebe o Tratado, o Presidente da República pode:
• Requerer a fiscalização da constitucionalidade, fiscalização preventiva, art.ºs 278.º,
n.º 1 e art.º 279.º CRP
• Ratificar ou não ratificar o Tratado
Pode não ratificar por:
• Motivos de ordem política
• Declaração de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional

Acordo
Tudo o que não cabe no art.º 161.º, alínea i)
Pode ser aprovado por:
• Governo- Os que não são da competência reservada da Assembleia da República,
art.º 197.º, n.º 1, alínea c) CRP
• Assembleia da República- Matérias que o Governo submeta à sua consideração, art.º
161.º, alínea i) in fine CRP e matéria de competência da Assembleia da República,
art.º 164.º e art.º 165.º CRP. Não pode haver lei de autorização legislativa nestes
casos.
Depois da aprovação da Assembleia da República sob a forma de Resolução, segue-se a
assinatura do Presidente da República da Resolução. Segue-se a Referenda Ministerial, art.º
140.º CRP.
Depois da aprovação do Acordo pelo Governo, sob a forma de Decreto, art.º 197.º, n.º 2
CRP, temos a assinatura do art.º 134.º, alínea b) CRP, pelo Presidente da República, do
Decreto e a seguir a Referenda Ministerial, art.º 140.º CRP

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 37


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03/12/2003
Teórica
Art.º 161.º, alínea i) CRP
Fiscalização preventiva da Constitucionalidade
Competência
• Acordos e Tratados, art.º 164.º e 165.º CRP- Assembleia da República
• Acordos, art.º 197.º CRP- Governo

4.ª Fase
PUBLICAÇÃO INTERNA E INTERNACIONAL
A última fase do procedimento de vinculação internacional do Estado Português é a da
publicação interna e a internacional.
A publicação interna é feita no “Diário da República” e a internacional no “United Nations
Treaty Series”. A publicação interna está prevista no art.º119.º , alínea b) CRP (interna).
A falta de publicação da Convenção Internacional implica a sua ineficácia jurídica. A
publicação internacional vem prevista no art.º 102.º da Carta das Nações Unidas e no art.º
80.º da C Viena.
As Convenções Internacionais que não foram objecto de publicação não poderão ser
invocadas perante qualquer órgão das Nações Unidas.
Importa aqui salientar que a publicação, interna e internacional, não é condição de validade
de vinculação internacional. O que significa que a vinculação internacional das partes
contratantes é uma consequência de manifestação definitiva do consentimento das partes a
estarem vinculadas.
Daqui resulta que a partir do momento em que o Estado Português manifestou o seu
consentimento a estar vinculado, não poderá praticar qualquer acto que possa por em causa o
seu compromisso internacional. Importa igualmente referir que não existe uma ligação
directa entre publicidade interna e entrada em vigor da Convenção Internacional. Assim, a
publicidade interna pode ser feita sem que tenham sido reunidos os pressupostos para a
produção dos efeitos internacionais.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 38


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Interpretação dos Tratados


O principio geral do Direito Internacional é o da boa fé. Deste principio geral resultam certas
regras, a regra do efeito útil, a regra da boa fé, art.º 31.º C Viena.
A interpretação pode ser feita por um Estado, por uma Organização Internacional ou por um
Juiz Internacional.
Cada Estado tem o direito de fazer a sua própria interpretação do Tratado em que é parte. Em
regra geral, as jurisdições nacionais abstêm-se de interpretar os Tratados, solicitando muitas
vezes o parecer do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
As organizações internacionais também podem interpretar as Convenções Internacionais
através dos seus órgãos competentes, o próprio Tribunal Internacional de Justiça não deixa de
recorrer à Assembleia Geral e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para interpretar
a Carta das Nações Unidas.
Quanto à competência do Juiz Internacional, o art.º 36.º do ETIJ, reconhece ao Tribunal
competência para interpretar um Tratado, a União Europeia atribui essa competência ao
Tribunal de Justiça e das Comunidades Europeias (art.º 234.º- Tratado de Amsterdão) e
também o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Métodos de interpretação
Todos seguem o principio da boa fé. Os métodos tradicionais utilizados são o elemento
literal, elemento sistemático, elemento histórico e o elemento teleológico. Exp.: Sul-Oeste
Africano em 1972, jurisprudência Nicarágua em 1966.

Efeitos das Convenções Internacionais


Relativa a terceiros
A questão que é colocada é saber se um Tratado pode ou não produzir efeitos relativamente a
terceiros. De acordo com o art.º 34.º C Viena, um Tratado não inclui direitos nem obrigações
para um Estado terceiro sem o seu consentimento.
No caso do Tratado produzir efeitos para o Estado terceiro, este deverá manifestar o seu
consentimento de forma expressa e por escrito.
As obrigações de um Estado terceiro podem derivar de um Acordo colateral pelo qual ele
aceite expressamente aquelas obrigações. É o que resulta do art.º 35.º C Viena, como ainda
podem derivar de uma disposição de um Tratado desde que aceite expressamente essa
obrigação. Existem Tratados que criam direitos para Estados terceiros, ao abrigo de cláusula
de nação mais favorecida.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 39


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Art.º 1.º GAT- “Todas as vantagens, privilégios ou imunidades concedidas por uma parte
contratante em relação a um produto originário ou com destino para outro Estado, são
imediata e incondicionalmente alargadas a todos os produtos similares, originários ou com
destino às outras partes contratantes”.
Nalguns casos, uma Convenção Internacional pode impor a Estados terceiros, certas
obrigações sem o seu consentimento. É o que resulta das Convenções que criam
Organizações Universais, como as Nações Unidas.
Os Tratados institutivos dessas Organizações Internacionais criam situações objectivas e
estabelecem normas que se opõem aos Estados membros a não membros da Organizações
Internacionais. Foi o que resultou do parecer do TIJ de 11/04/1949, sobre a reparação dos
danos causados ao serviço das Nações Unidas. Neste parecer foi dito pelo Tribunal que a
organização das Nações Unidas é uma entidade que possui uma personalidade jurídica
internacional objectiva que se destina a todos os Estados e não só aos Estados que a
reconhecem. Também importa acrescentar o principio de extensão dos efeitos das
disposições de certos Tratados em relação a terceiros, no caso de normas consuetudinárias de
Direito Internacional, art.º 38.º C Viena).
Norma erga omnes- Aplica-se a terceiros Estados sem o seu consentimento.

Ratificações Imperfeitas
Pode dar-se o caso da ratificação ser feita antes de cumprir certas formalidades previstas na
Constituição. Por exemplo, não se observarem formalidades para a aprovação parlamentar do
Tratado ou não se cumprirem as exigências em matéria de designação dos plenipotenciários.
Nestes casos estamos perante situações de ratificações imperfeitas. O consentimento de um
Estado deve respeitar as formas legais previstas, nomeadamente as disposições
constitucionais. A invalidade do consentimento dado pelo Estado ao Tratado só se constitui
no caso de ele ser manifesto de tal modo que um outro Estado não pudesse afirmar que o
desconhecia. Esta posição de alguns sectores da Doutrina é contraposta a um outro sector que
defende o principio da validade internacional do Tratado, apesar da sua ratificação
imperfeita.
Alguns autores sustentam que a invalidade internacional do consentimento dado por um
Estado ao Tratado só se constitui no caso de ser manifesto de tal modo que os outros Estados
não pudessem afirmar que a desconheciam.
O art.º 46.º C Viena, trata das disposições de Direito Internacional relativas à competência
para a conclusão de Tratados.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 40


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O Estado não pode alegar uma ratificação imperfeita para se desvincular das
responsabilidades assumidas internacionalmente.

10/12/2003
Teórica
Art.º 277.º, n.º 32 CRP→ Abre a via da Fiscalização Preventiva da inconstitucionalidade
Inconstitucionalidade Absoluta- O Ministro ratifica quando não tem competência para tal.
Inconstitucionalidade Relativa- Se o Governo aprovar Tratados.

Reservas aos Tratados


A noção de reserva vem prevista no art.º 2.º, n.º 1 da Convenção de Viena e consiste na
declaração feita por um Estado, no momento da sua vinculação a uma Convenção
Internacional, de se eximir de certas obrigações ou de definir o entendimento que pretende
dar a certas disposições da Convenção. O Direito Internacional recusa a introdução de
reservas sempre que afectam a integridade dos Tratados, exp.: A Convenção de Genebra, de
1952, sobre o Direito de Autor, proíbe qualquer formulação de reservas nesta Convenção. A
Convenção de Montego Bay, de 1952, sobre Direito do Mar, proíbe qualquer reserva relativa
a esta Convenção apesar de no art.º 310.º admitir declarações interpretativas. A Convenção
Europeia dos Direitos do Homem proíbe, no art.º 64.º as reservas de carácter geral.
A tendência geral é a de admitir a formulação de reservas nas Convenções Internacionais. A
Convenção de Viena distingue três categorias de Tratados:
• Nos Tratados concluídos entre um número restrito de Estados, aplica-se a regra da
unanimidade, art.º 20, n.º 2.
• Nos Tratados concluídos entre um maior número de Estados, as reservas são
admitidas desde que compatíveis com o fim e objectivo do Tratado. Aqui considera-
se que os Estados aceitaram a reserva formulada por um deles desde que não se
opunham no prazo de 12 meses após terem sidos notificados dessa reserva, art.º 20.º,
n.º 5.
• Nos Tratados institutivos de Organizações Internacionais, cabe aos órgãos próprios da
Organização admitir ou não a formulação de reservas. Se a Convenção resultar de um
acto constitutivo de uma Organização Internacional, a reserva tem de ser aceite pelo
órgão competente.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 41


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Aspectos
1. Se uma Convenção prevê a possibilidade de formulação de reservas, não é
necessário que os outros Estados aceitem a reserva formulada por um deles a
menos que se trate de uma Convenção de um número restrito de Estados.
2. Em caso de silêncio, a reserva pode ser formulada desde que tal não seja
contrário ao objectivo e fim da Convenção. Esta conformidade pode ser
apresentada por cada Estado que pode objectar a reserva expressamente ou
por escrito, art.º 25.º, n.º 1 Convenção de Viena, no prazo de um ano a contar
da notificação. Assim, o Estado que formulou uma reserva torna-se parte na
Convenção em relação ao Estado que a aceitou e a Convenção entra em vigor
mesmo entre o Estado que formulou a reserva e o que formulou a objecção, a
não ser que tenha manifestado intenção contrária, art.º 20.º, n.º 4 e 5 .
Em conclusão:
A Convenção entra em vigor entre o Estado que formulou a reserva e o que
objectou e que não se opôs a que a Convenção entrasse em vigor entre ambos.

Validade das Convenções Internacionais


Têm capacidade para concluir e celebrar Convenções Internacionais todos os
sujeitos de Direito Internacional, art.º 6.º Convenção de Viena. A questão que
aqui se coloca é a dos Estados Federais, pois algumas Constituições Federais
excluem a possibilidade dos Estados Federados concluírem Convenções
Internacionais (EUA, México). Outros Estados Federais admitem essa capacidade
(Alemanha, Lei Fundamental de 1949), nalgumas matérias. Também têm
capacidade para celebrar Convenções Internacionais as Organizações
Internacionais, por exemplo a Convenção de Montego Bay admite o Principio da
Capacidade das Organizações Internacionais para concluir Convenções
Internacionais, art.º 2.º da Convenção de Montego Bay. Nalguns casos os
Movimentos de Libertação Nacional também poderão participar na celebração de
Acordos Internacionais, exp.: Portugal e os Movimentos de Libertação Nacional
das ex-colónias; Acordo entre OLP e os Estados vizinhos. Face ao art.º 6.º da
Convenção de Viena pode-se criar situações de anulação de Convenções
Internacionais. Todo o processo de anulação das Convenções Internacionais vem
regulado nos art.ºs 65.º e seguintes da Convenção de Viena. Um Estado-Parte
pode arguir a nulidade ou anulabilidade de uma Convenção Internacional,

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 42


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devendo notificar os outros Estados-Partes da Convenção. Pode acontecer que as


partes não concordam com a nulidade ou anulabilidade invocada. Então, cabe
aqui às partes procurar uma solução com base nos meios previstos no art.º 33.º da
Carta das Nações Unidas. Se as partes não chegarem a acordo poderão recorrer ao
Tribunal Internacional de Justiça ou eventualmente à arbitragem internacional. A
arguição da nulidade só pode ser feita em relação a toda a Convenção e não
apenas em relação a certas cláusulas, salvo no caso dessas cláusulas poderem ser
destacadas do tratado (Anexos) ou as cláusulas não constituírem uma base
essencial da Convenção, art.º 44.º da Convenção de Viena.

Tipos de Irregularidades
Os vícios do consentimento podem resultar do erro, dolo ou da coacção e da corrupção. Estes
vícios podem determinar a nulidade da Convenção Internacional.
Erro- É um vício do consentimento que pode ser invocado, art.º 48.º, n.º 1 Convenção de
Viena, por uma das partes como tendo viciado a Convenção. A Convenção de Viena limita-
se aos erros de facto. Foi assim o caso que opôs a Tailândia ao Camboja, relativamente à
soberania sobre o templo Preah Vihear. O Tribunal Internacional de Justiça considerou que o
erro invocado pela Tailândia relativo à sua declaração de aceitação de jurisdição do Tribunal
não era um erro de facto mas um erro de Direito, logo não podia evocar o erro.
Relativamente ao dolo, com base no art.º 49.º da Convenção de Viena, o Estado que foi
levado a concluir uma Convenção pela conduta fraudulenta de outro Estado pode evocar o
dolo como tendo viciado o seu consentimento, exp.: Foi assim que o Tribunal Penal
Internacional de Nuremberga considerou que os Acordos de Munique, de 1938, tinham sido
concluídos pelo III Reich, com a intuição fraudulenta de proceder à anexação da
Checoslováquia. A corrupção do representante do Estado constitui um vicio de
consentimento, art.º 50.º da Convenção de Viena. Este artigo exige que a corrupção seja
imputada directa ou indirectamente ao Estado corruptor, que tenha participado na negociação
da Convenção Internacional, vide Declaração das Nações Unidas sobre Corrupção,
Resolução 51/191 de 1996, nas transacções internacionais. A coacção pode sair exercida
sobre o representante do Estado ou sobre o próprio Estado. O art.º 51.º da Convenção de
Viena declara a nulidade das Convenções concluídas por coacção exercida sobre o
representante do Estado. A coacção deve de ser entendida sob o ponto de vista de vista de
agressões físicas ou ameaças sobre o representante ou familiar, do Estado. Pode ser exercida
sobre o próprio Estado. Resulta do uso da força sobre o Estado. A Carta das Nações Unidas,

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 43


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art.º 2.º, n.º 4, proíbe o recurso e a ameaça à força. Importa também salientar outras formas
de coacção para além do recurso à força como a pressão económica e política exercida sobre
os Estados. Nessas situações é de admitir a nulidade do Tratado. As disposições duma
Convenção nula deixam de ter força jurídica. Dai resulta que uma das partes pode requerer
que estabeleça a situação que existiria se não tivessem sido praticados tais actos..
Regime da Nulidade
Importa distinguir a nulidade relativa e a nulidade absoluta- visam sancionar as graves
irregularidades que afectam o interesse geral.
A nulidade relativa visa sancionar a violação das regras estabelecidas com o fim de proteger
as partes contratantes. A Convenção de Viena admite estes dois tipos de nulidades. A
nulidade relativa sanciona os vícios do consentimento que resultam do erro, do dolo e da
corrupção.
A nulidade absoluta aplica-se no caso das Convenções Internacionais terem sido viciadas
pela coacção. De acordo com o art.º 65.º e seguintes da Convenção de Viena, uma das partes
pode evocar o vício do consentimento e deve notificar por escrito as outras partes. Um
Estado tem a possibilidade de proclamar a nulidade de uma Convenção Internacional. Na
falta de autoridade jurisdicional competente são os próprios Estados que declaram a nulidade
de toda a Convenção, art.º 44.º da Convenção de Viena, principio da indivisibilidade.
Cessação de vigência das Convenções Internacionais
A cessação da vigência de uma Convenção Internacional pode resultar de três situações:
1. Acordo entre as partes
2. Vontade unilateral de uma delas
3. Circunstâncias exteriores à vontade das partes
1. A cessação por acordo ou consentimento entre as partes, art.º 54.º, b) da Convenção de
Viena, pode ser expressa (Estado expressamente termina o Tratado) ou tácita, se as partes
celebrarem um novo Tratado que regula a mesma matéria, cessando o Tratado anterior,
art.º 59.º da Convenção de Viena.
2. Nos termos do art.º 56.º da Convenção de Viena, no caso de um Tratado não conter
nenhuma disposição no tocante à sua extinção e as partes não poderem denunciá-lo esse
Tratado não é susceptível de denúncia. No entanto, pode acontecer que uma das partes
entenda denunciar um Tratado e nesse caso deve notificar com pelo menos 12 meses de
antecedência as outras partes, art.º 56.º, n.º 2. A Convenção de Viena também admite a
possibilidade de uma das partes denunciar a outra parte, no caso de violação, art.º 60.º da
Convenção de Viena.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 44


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3. Um Tratado pode extinguir-se por circunstâncias externas à vontade das partes. Essas
circunstâncias exteriores podem resultar de uma alteração territorial de um dos Estados
contratantes (Ex-Jugoslávia), da impossibilidade do seu cumprimento, art.º 61.º da
Convenção de Viena, e duma situação de conflito internacional entre as partes
contratantes. Neste estado de conflito, o Tratado pode ficar suspenso entre as partes
beligerantes ou cessar definitivamente.

15/12/2003
Prática
Adesão- Vinculação Internacional a uma Convenção que já está em vigor.
Caso Prático

Em 12 de Janeiro, Portugal e Espanha adoptaram o texto de um Acordo Internacional, sobre


ratificação de fronteiras a norte do Tejo. Espanha ficou como país depositário da
Convenção. No momento de ratificação ocorrida a 20 de fevereiro de 2002, Portugal
formulou uma reserva nos termos da qual a alteração do traçado da fronteira cessaria no
prazo de 20 anos e que se o Estado Espanha se opusesse à reserva, Portugal evocaria a
alteração fundamental de circunstâncias previstas na Convenção de Viena, para por fim ao
acordo. Face ao silêncio de Espanha o Governo aprovou a Convenção a 11 de Março de
2002, não tendo a mesma sido registada.
Quid Juris

17/12/2003
Teórica
Fontes subsidiárias de Direito Internacional Público
Principios Gerais de Direito reconhecidos pelas nações civilizadas. A Doutrina entende que
os Princípios Gerais de Direito reconhecidos pelas nações civilizadas, consagrados no art.º
38.º, n.º 1 , alínea a) do Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça seriam os princípios
comuns aos grandes sistemas de Direito contemporâneos, nomeadamente os sistemas de
tradição romano-germânicos, o sistema jurídicos da “Commonwhealth”, o sistema dos países
islâmicos e outros sistemas (Direito Chinês, Japonês, de África), que são aplicáveis à ordem
jurídica internacional.
Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 45
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Os Voluntaristas consideram que os Princípios Gerais de Direito só se aplicam aos Estados


mediante autorização convencional expressa, dai que se nenhum Acordo estiver concluído
entre os Estados, os Princípios gerais de Direito não se impõem a esses juizes, árbitros, etc.
Alguns autores recusam-se a admitir que os Princípios Gerais de Direito são hoje uma
terceira fonte de Direito Internacional Público distinta do Costume e Convenções→ George
Scelle. No entanto, ao abrigo do art.º 38.º do Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça, os
Princípios Gerais de Direito constituem uma fonte autónoma do Direito Internacional Os
Princípios podem exercer a função de colmatar as lacunas do Direito Consuetudinário e
Convencional. Hoje, os Tribunais Internacionais aplicam os Princípios Gerais em muitas das
situações que lhes são apresentadas. É claro que nem todos os Princípios comuns aos
sistemas jurídicos tradicionais são aplicáveis na ordem internacional. Só se aplicam os
Princípios compatíveis com a ordem jurídica internacional, exp.: O Tribunal de Justiça das
Comunidades Europeias recusa-se a aplicar Princípios Gerais de Direito que violam o
equilíbrio institucional da União Europeia.

Existem duas categorias de Princípios Gerais de Direito


• Princípios Gerais comuns aos Direitos Internos, como o Principio da Boa Fé e do
Abuso do Direito, o Pacta Sunt Servanda, o Principio da Proporcionalidade, o
Principio da Segurança Jurídica, o Principio do Efeito Útil, o Principio da Reparação,
o Principio do Caso Julgado, o Principio Rebus Sic Stantibus→ O Direito mantêm-se
tal e qual desde que circunstâncias exteriores não ponham em causa o mesmo.
Princípios comuns ao Estado que foram aplicados a nível internacional, Principio do
Efeito Útil é muito utilizado pelos Tribunais Internacionais.
• Princípios de Direito Internacional como o Principio da Não Ingerência, art.º 2.º, n.º 7
da Carta das Nações Unidas; Princípio da Não Agressão, Resolução 33/14 de 1974
das Nações Unidas; Princípio do Não Recurso à Força, art.º 2.º, n.º 4 da Carta das
Nações Unidas; Princípio da Autodeterminação dos Povos, consagrado no Pacto
Internacional relativo aos Direitos Políticos e Civis, de 1966; Proibição do Genocídio,
de Crimes contra a Humanidade, Guerra, Agressão Directa ou Indirecta.
Art.º 5.º do Estatuto do Tribunal Penal Internacional, competência para:
• Crimes de Genocídio
• Crimes contra a Humanidade
• Crimes de Guerra- Direito Internacional Humanitário
• Crimes de Agressão Directa

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 46


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• Crimes de Agressão Indirecta


Julga de forma complementar
Principio da Assistência Humanitária, Resolução 45/100 de 1990, da Assembleia das Nações
Unidas.

Em conclusão:
Estes Princípios Gerais de Direito Internacional têm vindo a afirmar-se em muitos dos
conflitos internacionais mas tendo em conta a heterogeneidade da Comunidade Internacional.
Há alguma dificuldade em admitir que esses princípios passam a ter uma aplicação universal.

Actos Jurídicos Unilaterais


São fontes de Direito apesar de não estarem mencionados no art.º 38.º do Estatuto do
Tribunal Internacional de Justiça. Devemos distinguir os Actos Jurídicos Unilaterais dos
Estados e os Actos Jurídicos Unilaterais das Organizações Internacionais.
Os actos Jurídicos Unilaterais dos Estados subdividem-se em cinco categorias:
1. Protesto
2. Notificação
3. Promessa
4. Renúncia
5. Reconhecimento
Protesto
Acto pelo qual um Estado manifesta o seu desacordo com certa situação, exp.: Caso das
Pescarias, em 1951, o Tribunal admitiu o Protesto, manifestado pela Noruega à largura do
mar territorial.
Notificação
Acto pelo qual o Estado leva ao conhecimento de outros Estados, determinada situação da
qual decorre consequências jurídicas.
Promessa
Compromisso, assumido por um Estado, de tomar determinada atitude. Caso da Promessa
feita pelo Estado Francês, em 1974, de não fazer experiências nucleares no Pacifico.
Renúncia
Acto jurídico que extingue um Direito por parte do seu autor. No caso Lótus, o Tribunal
Permanente de Justiça Internacional, em 1927, disse que a renúncia devia ser expressa.
Reconhecimento

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 47


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Acto pelo qual um Estado constata uma situação e considera-a conforme ao Direito. O
reconhecimento é o acto mais frequente entre os actos unilaterais. O Reconhecimento não
deve contribuir para a admissão de situações ilícitas. O Estado não pode reconhecer um acto
contrário às normas “Ius Cogens”. Temos como exemplo de Reconhecimento o
reconhecimento de Timor, pelo Conselho da Europa, em 1999.
Os Actos Jurídicos Unilaterais das Organizações Internacionais
Os actos que emanam das Organizações Internacionais podem apresentar-se como actos
jurisdicionais, actos de administração interna e actos de funcionamento da Organização.
Estes actos podem tomar a forma de Resoluções, Recomendações, Decisões, Sentenças ou
Acórdãos e Pareceres.
Recomendação- Não tem força vinculativa
Resolução- Pode ter força vinculativa se provir do Conselho de Segurança
Decisões- São obrigatórias
Além destes actos ainda podemos acrescentar os Actos Jurídicos Comunitários, art.º 249.º do
Tratado da União Europeia.
Directiva- Efeito directo vertical ou horizontal

Doutrina e Jurisprudência
Vêm consagradas no art.º 38.º, n.º 1, alínea d) do Estatuto do Tribunal Internacional de
Justiça, não sendo estes vinculativos. Não são fontes imediatas mas meras fontes mediatas,
na medida em que contribuem para a formação das regras de Direito Internacional. A
Doutrina desempenha um grande papel na interpretação das fontes de Direito Internacional.
Alguns elementos da Doutrina estão na colectânea de textos da Academia de Direito
Internacional de Haia. Quanto à jurisprudência internacional, importa aqui referir a do
Tribunal Internacional de Justiça, que funciona na base da cláusula facultativa de jurisdição
obrigatória. No Tribunal Internacional de Justiça, não vigora a Regra do Precedente ao
contrário do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, cuja jurisdição é obrigatória
para os Estados Membros, funcionando a Regra do Precedente.
Tribunal Internacional de Justiça
• Cláusula facultativa de jurisdição obrigatória
• Competência consultiva (Órgãos das Nações Unidas) e contenciosa (Estados)
Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias
• Jurisdição obrigatória
• Competência consultiva e competência contenciosa (Estados e Particulares)

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 48


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Tribunal Europeu dos Direitos do Homem


• Jurisdição obrigatória
• igual ao TJCE. Recorre-se a este Tribunal depois de esgotados os recursos internos.

Equidade
Consagrado no art.º 38.º, n.º2, do Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça. Nenhum
Estado é obrigado a submeter os seus diferendos em equidade. No entanto, os Estados não
deixam de se referir à equidade para a resolução dos seus diferendos. O recurso á equidade
pode resultar da vontade das partes, é o que acontece no julgamento em equidade que está
previsto numa Conferência Internacional, exemplo: O art.º 5.º, do Anexo 2 dos Acordos de
Dayton, de 1995, que puseram fim ao conflito da ex-Jugoslávia, autoriza o Tribunal Arbitral
a estatuir sobre a zona de Breko, com base nos princípios equitativos. Outro exemplo: O
Tribunal Internacional de Justiça admitiu o principio de uma solução em equidade no caso do
Sudoeste Africano, em 1966.
No caso da Plataforma Continental, que opôs Tunísia e Líbia, em 1982, o Tribunal
Internacional de Justiça, disse que a equidade não é uma fonte de Direito, mas uma fonte de
referência para a resolução de conflitos internacionais.
A Conferência Internacional de Montego Bay, de 1982, sobre Direito do Mar, convida à
utilização da equidade para a resolução de potenciais conflitos.
Também a equidade pode resultar da vontade das partes. Entende-se que a equidade esteja
presente em todas as regras do Direito Internacional, por exemplo: Caso da Plataforma
Continental do Mar do Norte, em 1969. O Tribunal Internacional de Justiça disse que a
delimitação da Plataforma Continental deve efectuar-se segundo princípios equitativos. Os
Juizes frequentemente procuram a aplicação da regra da equitatividade nos casos que lhe são
submetidos. A equidade faz parte integrante do Direito Internacional, no entanto não deixa de
ser uma fonte indirecta do Direito Internacional ou um meio de interpretação das outras
regras de Direito. Daí a complementaridade entre Direito positivo e equidade.

05/01/2004
Prática (cedida pela Ana)
Caso Prático
“Em Setembro de 2002, representantes de cinco Estados Europeus reuniram-se em Madrid,
para concluir uma Convenção Internacional, sobre matéria penal, com vista à aproximação

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 49


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das respectivas legislações, no âmbito do Direito Penal Económico, criminalizando condutas


e punindo com pesadas penas os infractores.
A Convenção foi aprovada pelo Governo Português e enviada ao Presidente da República,
que a ratificou.
Espanha, aquando da assinatura, formulou uma reserva a uma cláusula da Convenção.
França opôs-se expressamente e por escrito à reserva, enquanto os representantes externos
dos Estados Italiano e Alemão mantiveram entre si conversas telefónicas em que
manifestaram desacordo quanto à reserva.
Portugal aceitou expressamente e por escrito a mesma reserva.”

1.º- À luz das classificações das Convenções Internacionais estudadas, como classifica a que
surge na hipótese?
• Quanto à qualidade das partes- entre Estados
• Escrita
• Plurilateral/ multilateral
• Restrito ou fechado ( n.º reduzido de Estados)
• É um Acordo, art.º 161, alínea i) CRP (mas não é matéria expressamente prevista neste
artigo)
• Presidente da República ratificou→ Tratado solene? Podia fazê-lo, pois a norma do art.º
161.º, alínea i) CRP não é uma norma taxativa, é uma norma aberta.

2.º- Estará Portugal vinculado à Convenção Internacional?


• Portugal está vinculado- Acordo sob a forma simplificada
• Estado Português vincula-se pela aprovação
• Matéria Penal→ competência de reserva relativa da Assembleia da República, art.º 161.º,
alínea i) CRP, diz isso mesmo.
• Trata-se de um Acordo, mas aprovado pela Assembleia da República, art.º 161.º, alínea i)
+ art.º 165.º CRP.
Se o Governo aprovasse→ Inconstitucionalidade orgânica
Presidente da República ratificou
• Não era necessário ratificar, no Acordo bastava assinar- logo ratificação: excesso de
forma
• Trata-se de uma ratificação imperfeita, pois o órgão que a aprovou (Governo) não
tinha competência→ inconstitucionalidade orgânica, conforme o art.º 277.º, n.º 2 CRP

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 50


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• Se partirmos do princípio que é um Tratado, a Assembleia da República tinha de


aprovar.
Ratificação regular→ tem de haver com o próprio acto de ratificação e não com o órgão
que a aprovou ( pelo Presidente da República, conforme art.º 135.º CRP).
a) Se partirmos do princípio que é um Tratado, (já que art.º 161.º, alínea i) CRP é
taxativo)- então, quem devia aprovar era a Assembleia da República. Sendo o
Governo há uma inconstitucionalidade orgânica, art.º 277.º, n.º 2 CRP, mas,
regularmente ratificado, conforme art.º 135.º, alínea d) CRP; então não impede a
vinculação, estamos vinculados (art.º 277.º, n.º 2 CRP + art.º 46.º CVDT).

3.º- Aprecie a oposição manifestada pelos Estados Francês, Italiano e Alemão à reserva
formulada por Espanha e explique se a concordância do Estado Português é suficiente para
permitir a vigência da mesma reserva, no âmbito da Convenção em referência.
• Limites à reserva
a) Temporal- corpo ao art.º 19.º CVDT
b) Formal- art.º 23.º CVDT, por escrito
c) Material- alíneas ao art.º 19.º CVDT
Reserva- Pode ser formulada até ao momento em que se vincula definitivamente ao texto
de uma Convenção.
Estado pode, no momento da assinatura, formular reserva, art.º 10.º CVDT
Ratificação- Neste momento a reserva tem que ser confirmada pelo Estado que a
formulou
Art.º 23.º, n.º 2 CVDT
• No caso concreto, todos os limites foram respeitados
• Objecção francesa- respeitou o limite formal, art.º 23.º, n.º 1 CVDT. A objecção pode
ser simples ou agravada- art.º 20.º, n.º 4, alínea b) CVDT
• França em relação a Espanha, objecção simples, art.º 20.º, n.º 4, alínea b), 1.ª parte
CVDT
• Itália e Alemanha→ silêncio- consentimento tácito, art.º 20.º, n.º 5 CVDT, doze
meses
• Regra para a reserva vigorar- basta uma aceitação expressa para que ela vigore. No
caso concreto, não basta a aceitação do Estado Português para que a reserva vigore,
pois quando há um número restrito de Estados numa Convenção Internacional é
necessário que a reserva seja aceite por unanimidade, conforme art.º 20.º n.º 2 CVDT

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 51


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“Supondo que Portugal firmou a sua vinculação à convenção depois de Espanha ter
aliciado o Ministro dos Negócios Estrangeiros Português com uma avultada quantia em
dinheiro, a depositar numa conta num Banco sito na Suiça. (Corrupção)”
Art.º 50.º CVDT- causa
Art.º 65.º CVDT- processo

07/01/2004
Teórica
Princípios Gerais de Direito
É preciso distinguir os Princípios Gerais de Direito comuns aos Estados, relativos aos
principais sistemas de tradição jurídica românica e da Commonwhealth dos Princípios Gerais
próprios do Direito Internacional. Estes estão consagrados em vários documentos
internacionais.
Os Sujeitos de Direito Internacional

1. Sujeito de Direito Internacional


O Direito Internacional determina quais os sujeitos de Direito Internacional. É também o
Direito Internacional que estabelece a forma através da qual nasce a personalidade
jurídica internacional. Esta personalidade pode ser automática, caso dos Estados ou
implicar um acto especial jurídico de reconhecimento para que nasça a personalidade
jurídica internacional. Também são sujeitos de Direito Internacional aqueles que estão em
contacto directo com as normas internacionais. No Direito Internacional existem sujeitos
com capacidade jurídica plena e outros com capacidade jurídica limitada.
↓ ↓
Estado Santa Sé
Ordem de Malta
Movimentos Nacionais
Indivíduo

2. Reconhecimento de Sujeitos de Direito Internacional


O reconhecimento pode incidir sobre matérias de facto ou de Direito. Podemos assim
reconhecer aqui a existência de uma nova regra de Direito ou de um novo Estado. A

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 52


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Doutrina estabelece uma distinção entre o reconhecimento constitutivo e o


reconhecimento declarativo. Para os autores da teoria do reconhecimento constitutivo é
do reconhecimento que nasce o Estado ou qualquer outro sujeito de Direito Internacional.
Para os autores da teoria do reconhecimento declarativo, a personalidade jurídica
internacional nasce independentemente do seu reconhecimento. Aqui o reconhecimento
tem apenas o efeito de constatar a personalidade jurídica internacional. O Estado é sujeito
de Direito Internacional independentemente do seu reconhecimento por parte dos outros
Estados, desde que existe ou seja constituído como tal.

3. Reconhecimento do Estado
A Doutrina admite o carácter meramente declarativo do reconhecimento do Estado ou
seja o Estado nasce como sujeito de Direito Internacional assim que reunir os três
elementos constitutivos: Povo, Território e Poder Político Soberano. Os reconhecimentos
pressupõem pelo menos a efectividade do poder num território. Acontece que o poder
pode ser recusado ou condicionado. O reconhecimento sendo um acto livre, não há dever
de reconhecer um Estado. A recusa de reconhecimento pode resultar do facto do Estado
ter nascido na dependência de outro Estado. Foi assim que durante muito tempo os Países
Ocidentais se recusaram a reconhecer a ex- República Democrática Alemã. Também o
reconhecimento pode ser recusado pelo facto do Estado não resultar do produto da
expressão do direito à autodeterminação dos povos. Foi assim que a Comunidade
Internacional se recusou a reconhecer a antiga ex-Rodésia. O reconhecimento do Estado
pode ser condicionado. Foi a posição que as Comunidades Europeias adoptaram em
relação aos novos países da Europa de Leste. A Comunidade Europeia condicionou o
reconhecimento desses Estados ao respeito dos Direitos do Homem, das regras
democráticas e da premência do Direito. Foi a mesma posição que adoptaram as
Comunidades Europeias em 1992 em relação ao reconhecimento da Croácia, Eslovénia e
Bósnia-Herzegóvina.

4. Reconhecimento do Governo
O reconhecimento do Governo é o acto pelo qual o Estado afirma que a autoridade
política que tomou o poder num Estado representa efectivamente esse Estado na cena
internacional. Em regra, a substituição de um Governo por outro constitucionalmente
previsto não dá lugar a reconhecimento. O problema surge quando a instituição deste
novo Governo não segue as regras constitucionais ou quando no mesmo Estado duas

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 53


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autoridades políticas reclamam o Governo do Estado. O reconhecimento do Governo tem


valor constitutivo e tem certos efeitos que são o de determinar a representação
internacional do Estado e o de permitir aos agentes diplomáticos e consulares o beneficiar
de imunidades diplomáticas reconhecidas pelo Direito Internacional.

5. Reconhecimento de Movimentos Insurrectos e Movimentos Beligerantes


O reconhecimento de Movimentos Insurrectos e Movimentos Beligerantes é transitório,
isto é ou o movimento revolucionário triunfa e neste caso coloca-se a questão do
reconhecimento do Estado ou ele é derrotado pelo Governo legitimo e neste caso caduca
o seu reconhecimento. Este reconhecimento é também discricionário pois não existe um
dever de os reconhecer. Em todo o caso o reconhecimento é constitutivo mas só os
Movimentos Beligerantes adquirem com o reconhecimento personalidade jurídica
internacional.

6. Reconhecimento de Movimentos Nacionais


O reconhecimento de Movimentos Nacionais teve uma grande importância na época da
descolonização, também chamados Movimentos de Libertação Nacional. O
reconhecimento de Movimentos Nacionais teve como objectivo o reconhecimento a esses
movimentos de capacidade jurídica internacional para o exercício do direito à
autodeterminação dos povos, consagrada na Carta das Nações Unidas, exp.: Frente
Polizário, OLP, MPLA, ANC, FRETILIN. Este reconhecimento é constitutivo. Estes
Movimentos representam um povo e detém sobre ele um poder político, faltando o
elemento território.

7. Reconhecimento de Organizações Internacionais


Sobre esta questão, as Organizações Internacionais adquirem personalidade jurídica
internacional sem necessidade de reconhecimento. A Organização Internacional é criada
com base num acto jurídico. A criação resulta da vontade dos Estados ou de outra
Organização.

8. Reconhecimento de Facto e de Iure (Direito)


O que é considerado com facto e de Iure não é propriamente o reconhecimento, mas um
Estado, um Governo, uma mudança territorial. O reconhecimento de facto é provisório e
revogável. Ele surge nos casos de dúvidas sobre o nascimento de um novo Estado ou

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 54


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sobre a estabilidade de um novo Governo. Mas quando a situação se estabiliza, então o


reconhecimento de facto passa para um reconhecimento de Iure. Este último é definitivo
e irrevogável. O reconhecimento de Facto tem por vantagem evitar reconhecimentos
prematuros e assim assegurar alguma segurança jurídica, expemplo do reconhecimento
de facto foi o reconhecimento provisório da Comunidade Europeia em relação aos países
resultantes da ex-União Soviética.

14/01/2004
Teórica
Capitulo III
1. Noção de Soberania do Estado.
O conceito de soberania é definido como o poder supremo e ilimitado do Estado. O
Principio da Soberania vem consagrado no art.º 2.º, n.º 1, da Carta das Nações
Unidas, que admite a igualdade soberana entre todos os Estados membros da
Comunidade Internacional. A jurisprudência internacional não estabelece qualquer
distinção entre soberania e independência do Estado. O Principio da Soberania não
permite que o Estado possa libertar-se do cumprimento das regras de Direito
Internacional. O Estado é soberano se se submeter directamente ao Direito
Internacional. Uma vez que os Estados não estão subordinados a qualquer outra
autoridade internacional, passa a existir uma igualdade entre eles. Este principio da
Igualdade pode criar, na realidade, desigualdades entre Estados desenvolvidos e
Estados subdesenvolvidos. Dai que o Direito Internacional tenha tentado corrigir
essas desigualdades através do Principio do Tratamento Preferencial, aplicável aos
países subdesenvolvidos. Com este Principio, cada Estado é livre de determinar a sua
participação nas relações internacionais. A Carta dos Direitos e Deveres Económicos
dos Estados, de 1974, consagra no seu art.º 10.º, o Principio segundo o qual todos os
Estados têm o direito de participar plena e efectivamente na adopção de decisões que
visam a resolução de problemas monetários, económicos e financeiros, por intermédio
das Organizações Internacionais apropriadas. Em virtude do Direito Internacional, o
Estado exerce a plenitude e exclusividade das suas competências, ao nível
internacional. Os Estados têm todo o direito de proibir a intervenção de quaisquer
outros Estados no seu domínio reservado de território e assuntos internos. O Principio

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 55


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da Não Ingerência nos assuntos internacionais vem consagrado no art.º 2.º, n.º 7, da
Carta das Nações Unidas.
Este Principio não constitui uma restrição ao principio de Direito de Assistência
Humanitária, no caso de necessidade para as populações carenciadas. Este conceito de
domínio reservado foi consagrado em diversos Tratados Internacionais. Acontece que
a jurisdição internacional afastou desde à muito tempo a Doutrina do Domínio
Reservado, considerando que “A questão de saber ser uma determinada matéria entra
ou não na competência exclusiva do Estado é uma questão relativa, na medida em que
depende do desenvolvimento das relações internacionais.”, Tribunal Permanente de
Justiça Internacional, no caso dos decretos de nacionalidade Tunisino e Marroquino,
julgado em 7 de Fevereiro de 1923.
Em conclusão:
O Principio do Domínio Reservado foi criado no sentido de assegurar a protecção da
soberania do Estado. A sua finalidade é a mesma da proibição da intervenção nos
assuntos internos dos Estados.

2. Personalidade Jurídica do Estado


O Estado é o sujeito principal por excelência do Direito Internacional. O Estado
Soberano, nasce automaticamente como sujeito de Direito Internacional, sem
necessidade de reconhecimento, desde que reuna os três elementos constitutivos:
Território, Povo e Poder Político Soberano.
O Estado Soberano tem personalidade jurídica internacional, a qual deriva da sua
unidade e da sua permanência. Qualquer que seja a sua actuação internacional, os
actos do Governo valem em todo o seu território e qualquer que seja a mudança a qual
ele é objecto, o Estado mantêm-se vinculado aos seus compromissos assumidos no
passado.
3. As competências do Estado
Ao nível interno, o Estado tem a plenitude da sua competência ou seja, uma
competência territorial e uma competência pessoal (competência de atribuir
nacionalidade a estrangeiros).
A competência internacional limita-se ao Ius Legationis, Direito de delegação activa e
passiva (Enviar e receber Diplomatas); ao Ius Beli, Direito de fazer a Guerra, tendo no
entanto de respeitar as regras de Direito Internacional Humanitário, consagrada na
Convenção de Genebra de 1949 e em dois Protocolos de 1977, sendo um para

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 56


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conflitos internos e o outro para conflitos internacionais; bem como o Ius Tractum,
Direito de celebrar Tratados.
4. Formação do Estado
O Estado pode ser objecto de alguma transformação. Essa transformação pode
resultar da separação de um território do Estado Metropolitano (Descolonização), do
desmembramento do Estado (Ex-Jugoslávia) ou da fusão do Estado (RFA+RDA). Os
Estados que são objecto de alguma transformação sujeitam-se ao disposto na
Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de Tratados, de 23 de
Agosto de 1978 e à Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de
Propriedade, Arquivos e Dívidas do Estado, de 8 de Abril de 1983.
Em matéria de relações entre Estado Sucessor e os particulares, o Estado Sucessor é
obrigado a respeitar as situações jurídicas de Direito Privado constituídas em
benefício dos particulares. No que diz respeito ao Direito Público, o Estado Sucessor
não é obrigado a assumir os direitos do Predecessor.
Em matéria de sucessão nos Tratados Internacionais, se o Estado Sucessor não é um
Estado novo, os Tratados concluídos estendem-se ao Estado Sucessor.
Em matéria de sucessão nas Organizações Internacionais, a regra é a da não sucessão
automática, ou seja o Estado Sucessor deve de requerer a sua admissão na
Organização Internacional. Foi o que entendeu o Conselho da Europa em relação à
República Checa e à Eslováquia, que não ocuparam o lugar da Checoslováquia. O
Estado Predecessor não é obrigado a entregar ao Estado Sucessor os originais dos
arquivos, apenas fotocópias. Quanto às dívidas, estas passam do Estado Predecessor
para ao Estado Sucessor em proporção equitativa.

5. As Entidades Estaduais
Ao lado dos Estados Soberanos existem Estados Protegidos, Estados Exíguos,
Estados Confederados e Estados Divididos. Os Estados Protegidos são Estados que só
podem exercer as suas competências através de outros Estados, os Estados
Protectores. Os Estados Exíguos são aqueles Estados que se encontram numa situação
especial face aos Estados limítrofes ou vizinhos. Os Estados Confederados são
aqueles cuja soberania é limitada em vários aspectos. Os Estados Divididos são os
que vivem uma situação excepcional decorrente de Guerra, sujeitos a ocupação
militar. Também os Estados podem classificar-se em :

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 57


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• Estados Soberanos
• Estados de Soberania Reduzida
• Estados sem Soberania
Também podemos referir as Entidades Pró-Estaduais, Infraestaduais e Supraestaduais.
As Entidades Pró-Estaduais abrangem os Movimentos Beligerantes e os Movimentos
de Libertação Nacional. Estes são entidades transitórias que pretendem assumir as
competências do Estado. As Entidades Infraestaduais são comunidades com base
territorial, dotadas de autonomia mas não soberanas, incluindo aqui alguns territórios
sobre tutela, os Mandatos e os Territórios Internacionalizados (Danzig, hoje Gdansk).
Os Mandatos podem ser de categoria A (Iraque), B (Togo) e C (Ilhas do Pacífico,
Jerusalém e Macau), segundo a Carta das Nações Unidas. Quanto às Entidades
Supraestaduais, as Federações incluem-se nesta categoria. São assimiláveis a qualquer
Estado.

Capitulo III
Elementos constitutivos do Estado

1. Território
Os conflitos territoriais são ainda muito frequentes entre Estados. Muitas das
fronteiras são contestadas pelo facto do seu traçado ser duvidoso, ter sido desenhado
pelo colonizador ou não ter em conta as características étnicas, históricas e
linguisticas dos povos.
Nestes conflitos utiliza-se como argumento o Principio da Continuidade Geográfica
(Irlanda do Norte) e o Principio da Autodeterminação (Países de África e Timor). O
Estado não deve deixar que o seu território seja utilizado para a prática de actos
contrários ao direito de outros Estados. Foi nesse sentido que o Tribunal Internacional
de Justiça o entendeu no caso do Estreito de Corfou, em 9 de Abril de 1949.
A demarcação do território segue normalmente as vias naturais e, caso não existam,
as vias artificiais. As vias naturais podem ser um rio contíguo ou a que seja
constituída por uma montanha. Podemos dividir o território de um Estado em
terrestre, domínio fluvial, domínio marítimo e domínio aéreo.
Quanto ao domínio terrestre é a parte do território do Estado de que faz parte do solo
e subsolo localizado dentro das fronteiras do Estado.

Autor: Rui Jorge, Aluno n.º 20020474 58


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Sobre o domínio fluvial, é constituído por todos os cursos de água que correm no
território do Estado e pela parte do curso de água que o separa de outros territórios e
sobre o qual exerce soberania. O Estado só pode navegar na parte do rio sobre o qual
exerce a sua soberania, salvo acordos de liberdade de navegação. Os problemas que
se colocam têm a ver com os rios internacionais. Foi assim que relativamente aos rios
Reno e Danúbio foram criadas comissões internacionais de navegação que
estabeleceram o regime de navegação nestes rios e de fiscalização da mesma. Essas
comissões foram criadas em 1831 (Reno) e 1856 (Danúbio). Esta questão da
internacionalização dos rios também se tornou efectiva nos rios de África, como no
Congo, Senegal Niger e Mekong. O problema mais grave referente aos rios
internacionais é o da poluição das águas relativamente ao desenvolvimento das
industrias químicas, etc.
O Principio é o de que nenhum Estado deve praticar no seu território actos que
prejudicam os Estados vizinhos. Caso prejudique poderá o Estado incorrer em
responsabilidade internacional pelos danos causados.

19/01/2004
Prática (facultada pela Ana)
Correcção do 2.º Caso Prático
Classificar a Convenção:
• Bilateral; restrita
• 2 partes; 2 Estados
• Forma escrita
• Tratado sob a forma solene, art.º 161.º, alínea i) CRP, expressamente previsto
Inconstitucionalidade formal- Revestiu a forma de Acordo
O papel do depositário é em regra adoptado nas convenções multilaterais, por uma questão
de melhor organização da recepção dos elementos e notificações.
Em Tratados Bilaterais, a forma utilizada é a da troca de instrumentos constitutivos, art.º 13.º
e 16.º CVDT, por oposição ao art.º 77.º CVDT.
Nos tratados Bilaterais, não havendo norma que obrigue um deles a ser depositário, a prática,
de acordo com as regras costumeiras, por “acordo de cavalheiros”, é que um deles ficará
responsável pelo registo.

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De qualquer modo, o facto de ser nomeada depositária uma das partes, neste Tratado
Bilateral, não inviabiliza o Tratado.
Não há vinculação no momento da autenticação, para Portugal. A reserva poderia ter sido
formulada neste momento, mas teria que ser confirmada no momento da ratificação- Assim,
o limite temporal não foi respeitado.
Basta que um dos limites não seja respeitado para que não possa a reserva ser formulada.
Pescas- Acordo- Aprovação do Governo
Neste caso, tratando-se de Tratado Bilateral, a doutrina defende que nestes casos as reservas
não fazem sentido, uma vez que tal acto significa uma proposta de novo texto (que pode ou
não ser aceite- surgindo novo texto), ou a uma recusa de ratificação (deixando de haver
Convenção).
Depreende-se pelo art.º 20, n.º?, alínea c) CVDT- Faz apenas sentido nas Convenções
Bilaterais.
A alteração fundamental das circunstâncias é uma causa de cessação de vigência dos
Tratados. Neste caso, não poderia ser invocado com base no art.º 62.º, n.º 2, alínea a) CVDT.
Conforme o art.º 161.º, alínea i) CRP, a competência para aprovar um Tratado sobre a
matéria em questão, cabe à Assembleia da República, logo estamos perante uma
inconstitucionalidade orgânica.
Desde que tivesse sido rectificado, art.º 135.º, alínea b) CRP, embora fosse uma ratificação
imperfeita, a mesma poderia ser superada nos termos do art.º 277.º, n.º 2 CRP + art.º 46.º
CVDT, pelo que Portugal poderia estar vinculado.
Publicação interna, art.º 119.º CRP; publicação externa, art.º 80.º CVDT; art.º 102.º, n.º 2
CVDT- sanção.
A falta de publicação tem como consequência a ineficácia.

21/01/2004
Teórica
2 Domínio Marítimo
O Domínio Marítimo do Estado abrange as Águas Interiores, o Mar Territorial, a
Zona Contígua, a Plataforma Continental, a Zona Económica Exclusiva e o Alto Mar.
• Águas Interiores- São as águas situadas entre a linha da maré baixa e o território
terrestre, ou seja as águas dos portos, dos golfos, das baias, dos estuários, dos
estreitos e dos canais. As águas interiores constituem território estadual. O Estado

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exerce a sua total soberania nessas águas, com excepção dos navios de guerra que
gozam de imunidade de jurisdição. As autoridades locais não podem entrar em
tais navios ou praticar qualquer acto sem autorização do respectivo capitão, bem
como não pode julgar os membros da tripulação por actos praticados a bordo ou
em terra. Os navios de guerra só podem entrar em águas interiores mediante
autorização das autoridades dos Estados ribeirinhos.
• Mar Territorial- Zona marítima adjacente às costas do Estado, que vai desde a
linha da maré baixa, até às 12 milhas marítimas. No Mar Territorial, o Estado
exerce a sua soberania quase completa, na medida em que goza dos direitos
exclusivos de pesca, de navegação e de regulamentação alfandegária. No entanto,
no Mar Territorial, a soberania dos Estados sofre algumas limitações no que se
refere ao direito de passagem inofensiva. A Convenção de Genebra, de 1958,
admite que todos os navios, mercantes e de guerra, têm direito de passagem
inofensivo. A Assembleia da República Portuguesa fixou o Mar Territorial na
largura de 12 milhas marítimas, lei 33/77, de 28 de Maio. O Estado Português, no
Mar Territorial, goza de direito exclusivo de pesca, exploração e extracção do
leito e subsolo, de cabotagem, de regulamentação, de exercício da jurisdição
penal.
• Zona Contígua- Convenção de Genebra de 1958. O direito dos Estados costeiros a
uma zona contígua foi consagrado nesta Convenção que não reconheceu aos
Estados um direito de pesca, segurança e neutralidade mas uma zona contígua em
matéria aduaneira, sanitária e de emigração. A Convenção de Montego Bay, de
1982, fixa a largura da zona contígua em 24 milhas marítimas.
• Plataforma Continental- O Presidente Truman, EUA, na sua declaração de 28 de
Setembro de 1945, considerava pertença dos EUA e debaixo da sua jurisdição e
fiscalização, os recursos naturais do leito do mar e do subsolo da Plataforma
Continental adjacentes às costas dos EUA. Outros Estados seguiram o exemplo
norte-americano, declarando-se com direitos exclusivos sobre os recursos do leito
e do subsolo do mar, nomeadamente reservas minerais, carvão, ferro, petróleo e
organismos animais e vegetais. A Convenção de 1958, define Plataforma
Continental, no art.º 1.º, como o leito do mar e o subsolo das regiões submarinas
adjacentes às costas mas situadas fora do mar territorial, até à profundidade de
200 metros ou até ao ponto onde a profundidade das águas suprajacentes permita
a exploração dos recursos naturais das ditas regiões. Nesta área, o Estado pode

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explorar os recursos minerais e outros, do leito do mar e subsolo, bem como os


organismos vivos. Também nesta área, os Estados podem colocar oleodutos e
cabos submarinos. A Convenção de Montego Bay, de 1982, estabelece a largura
da Plataforma Continental em 200 milhas marítimas. Se o prolongamento natural
do território não chega às 200 milhas, o Estado ribeirinho pode, no entanto,
exercer os seus direitos até às 200 milhas e se este prolongamento ultrapassar as
200 milhas, o Estado ribeirinho passa a ser titular desses direitos em toda essa
zona, prevalecendo o critério geológico.
• Zona Económica Exclusiva- É uma zona situada para além do mar territorial, com
uma largura de 200 milhas, fixadas a partir das linhas de base que servem
igualmente para mudar a largura do mar territorial. Nesta zona, o Estado exerce os
seus direitos de exploração e extracção de recursos biológicos e não biológicos do
fundo marinho, subsolo e águas supra adjacentes, bem como pode exercer outras
actividades tendentes à exploração da Zona Económica para fins económicos,
como a produção de energia a partir da água e dos ventos. Também nesta zona, o
Estado exerce a sua jurisdição sobre as ilhas artificiais e outros dispositivos que
venha a colocar. O Estado pode exercer a sua jurisdição sobre a preservação do
meio marinho e investigação científica. A enumeração de todos estes direitos
acaba por tornar inútil o conceito de Plataforma Continental, pelo menos quanto
aos Estados que possuam estas duas zonas marítimas. Nesta zona, o Estado
ribeirinho pode determinar o volume das capturas autorizadas, impondo a
obrigação de não sobre explorar a zona económica. A Convenção de Montego
Bay, regula a recolha de tais recursos, preconizando que o Estado ribeirinho
determine a sua capacidade de pesca, concedendo por meio de Acordo, a outros
Estados o direito de pesca dos excedentes, até ao limite das capturas autorizadas.
Os Estados sem litoral têm também o direito de participar na exploração dos
recursos biológicos das zonas económicas dos Estados costeiros, mediante
Acordos bilaterais, locais e regionais. Portugal fixou a Zona Económica Exclusiva
em 200 milhas marítimas.
• Alto Mar- É formado por todas as partes do mar que não pertençam ao mar
territorial. O alto mar está aberto a todas as nações e nenhum Estado pode
legitimamente pretender qualquer parte dele para a sua soberania, o que significa
que neste domínio vigora o principio da liberdade de pesca, exploração e
extracção de recursos marinhos. O Estado sem litoral pode usufruir de direitos em

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alto mar. Quanto ao regime jurídico dos navios em alto mar, cada navio está
sujeito à jurisdição do Estado do pavilhão que ele arvora. Esta regra sofre, no
entanto, algumas excepções, conforme o art.º 212.º da Convenção de Genebra.
Um navio mercante pode ser objecto de busca no caso de haver fortes suspeitas de
tráfico de escravos e pirataria para contrabando. Quando a incidentes de
navegação com navios de diferentes nacionalidades, o Tribunal Penal
Internacional de Justiça, no caso Lotus, de 1926, considerou que não havia
qualquer impedimento em que o Estado pudesse prosseguir um acto cometido no
alto mar, desde que o navio ou a pessoa se encontre no seu território. O Alto Mar
é património comum da humanidade.
3 Domínio Aéreo
Cada Estado exerce a sua soberania sobre o espaço aéreo supra adjacente ao seu
domínio terrestre e ao mar territorial. A soberania do Estado é completa e
exclusiva. Daí que um avião só pode sobrevoar um outro Estado com autorização.
A Convenção mais importante sobre direito aéreo é a Convenção sobre aviação
civil internacional, de Chicago, 1944. Além desta Convenção, existem vários
Acordos bilaterais e multilaterais que determinam as regras. No que se refere à
aviação civil internacional existem Convenções que sancionam infracções
cometidas no espaço aéreo, Convenção de Tóquio, de 1963, sobre a captura
ilícitas de aeronaves, a Convenção de Montreal, de 1971, sobre a punição de actos
ilícitos contra a segurança da aviação civil internacional. No que se refere aos
prejuízos causados pelos engenhos espaciais, foi elaborada uma Convenção, em
25 de Maio de 1972, que responsabiliza os estados que procedem ao lançamento
destes engenhos espaciais. O limite vertical é até à atmosfera, regra geral,
conforme Resolução da ONU, de 1962.
4. População
A população do Estado é o agregado de indivíduos que vivem em conjunto e que
forma uma comunidade de pessoas ligadas pela raça, usos, costumes, tradições
históricas, estilos de vida, etc. Nem sempre tem sido possível conciliar Estados e
Nações. Todas as pessoas residentes num território estão submetidas à
competência territorial do Estado. O Estado exerce a sua jurisdição sobre os seus
nacionais. A nacionalidade resulta de um vinculo entre o Estado e o indivíduo.
Cabe a cada Estado estabelecer os critérios de atribuição de nacionalidade. Todo o
indivíduo tem direito a uma nacionalidade, art.º 15.º Declaração Universal dos

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Direitos do Homem, não podendo ser punido com a perda de nacionalidade, art.º
26.º CRP. A relação que se estabelece entre o Estado e o indivíduo resulta de um
vinculo real e efectivo. Este vinculo é importante para determinar a residência
habitual do indivíduo, embora por vezes se possa recorrer a outros indícios, como
é o caso da condição do indivíduo na vida económica, política e social, para
estabelecer este vinculo, 37/81 de 3 de Outubro, art.º 28.º, principio da
nacionalidade efectiva, caso Nottebohm, de 1955.
Em conclusão:
A competência do Estado em relação aos seus nacionais não se limita ao seu
território. O Estado tem o direito de chamar os seus nacionais para prestar
serviços públicos ou de defesa militar. Qualquer cidadão da União Europeia
beneficia dos direitos de cidadão europeu que é o de poder beneficiar de
protecção diplomática de um outro Estado Membro da união Europeia, num
Estado onde não tenha representação diplomática ou consular. A cidadania
europeia exerce-se em relação a todos os cidadãos de todos os países da União
europeia.
5. Governo
Os regimes políticos caracterizam-se pela sua diversidade. Temos assim regimes
democráticos, autoritários, parlamentares, presidenciais, semi-presidenciais,
federais, etc. O Direito Internacional não se pronuncia sobre o regime político que
deve vigorar nos Estados. No entanto, o Direito Internacional admite o direito dos
povos à autodeterminação e a adoptar o seu próprio regime político. O Tribunal
Internacional de Justiça, no seu Parecer de 1985, sobre o Sahara Ocidental,
afirmou que não podemos falar de Estados se não existe uma verdadeira
autonomia política e estruturas governamentais efectivas. Deste Parecer é de
considerar que o Governo deve ser constituído de uma autoridade executiva. Mas
também de todas as outros poderes, legislativo e jurisdicional. O Estado deve
revelar a sua capacidade em exercer as suas funções estaduais incluindo a
manutenção da ordem pública, a segurança interna e o cumprimento dos
compromissos.
Em conclusão:
Os três elementos constitutivos dos Estados são interdependentes. Cada um é
função dos outros e nenhum pode faltar.

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6. Organizações Internacionais
São sujeitos de Direito Internacional. As Organizações Internacionais são
definidas como uma associação de Estados, constituída na base de um Tratado ou
acto jurídico, dotada duma “constituição” e órgãos comuns (órgãos deliberativos,
executivos), possuindo uma personalidade jurídica distinta da dos Estados
Membros, que lhe permite actuar em relação aos Estados. A Organização
Internacional está limitada ao principio da especialidade, não possui competências
plenas, mas apenas as que os Estados lhe atribuem, as quais constam do seu acto
constitutivo, sendo competências necessárias para as suas decisões.
7. Ordem de Malta
A Assembleia dos Cavalheiros Portugueses foi constituída por um Tratado
Internacional, recebido na ordem interna portuguesa por decreto datado de 25 de
Maio de 1829, que lhe conferia a qualidade de pessoa colectiva de utilidade
pública e tem hoje o estatuto de instituição de solidariedade social. Esta
Assembleia dos Cavalheiros Portugueses integra-se na Ordem Soberana e Militar
de Malta, sujeito de Direito Internacional, dotado de soberania e dependente de
Sua Santidade o Papa, a qual celebrou em 1999, 900 anos de existência. Esta
Ordem de Malta mantém relações diplomáticas com cerca de 90 países, incluindo
Portugal. Esta Ordem é também observadora permanente da ONU, tem
embaixador junto do Conselho da Europa e delegação junto da UNESCO, FAO e
outras organizações.

FIM ?

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