1 - INTRODUÇÃO Ester 4:14 - “E quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino”.

Não há dúvida de que este verso seja uma grande fonte de ensinos para o povo de Deus que deseja, de fato, fazer sua santa vontade, compreender que Deus faz uso dos que estão prontos para o seu serviço e que, por conseguinte, sabem com consciência a razão pela qual Deus os colocou nesta ou naquela posição. É uma grande prova de que tais pessoas estão atentas para fazer aquilo que Deus tem planejado para elas. Vejamos alguns exemplos que mostram isto: Neemias estava servindo no palácio de Susã mas seu pensamento estava no seu povo que havia regressado depois dos 70 anos de cativeiro para a Palestina, de sorte que entrando em contato com um dos seus irmãos, logo se interessou em saber do estado deles e tomou conhecimento de que a situação era de grande miséria e desprezo, e que os muros estavam fendidos, as portas queimadas a fogo. Que fez ao ouvir tal relato? Neemias 1:4 - “E sucedeu que ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias e estive jejuando e orando perante o Deus dos Céus”. No capítulo 3 do mesmo livro, vê-se, de pronto, a resposta ao anseio do servo. O rei nunca o vira triste, indaga e ouve a razão de tal atitude, sentindo logo desejo de ajudar Neemias e para tal oferece tudo que ele achasse por bem pedir. Neemias, um copeiro, um doméstico em sua profissão, faz pelo seu povo um serviço de tão grande monta. É extraordinário o poder que Deus concede aos seus servos quando estes sabem que foram colocados aqui ou ali a serviço de Deus. José, quando foi desterrado para o Egito, jamais esqueceu que Jeová era o seu Deus e seu povo ainda que tivesse sido mau para ele, ainda era seu povo e desta forma usou sua posição para uma grande obra. E o plano de Deus foi cumprido. O tema do livro que vamos estudar, Ester, é mesmo inspirador e repeti-lo, graválo no coração, se faz necessário a fim de que Satanás não nos seduza fazendo-nos pensar que estamos neste ou naquele posto por nossa própria vontade ou capacidade, e na verdade podemos até galgar altas posições como o mundo as galga, mas sermos parte do plano de Deus é privilégio que Ele concede aos que permitem isto em suas vidas. Ester 4:14 - “E QUEM SABE SE PARA TAL TEMPO COMO ESTE CHEGASTE A ESTE REINO”. Ester, se faz portanto, um tipo da igreja fiel que está atenta ao tempo que se encontra neste mundo. É Ester um tipo da OBRA de Deus. Vamos ilustrar ainda melhor aquilo que Deus quer para nós em matéria de ensino, partindo de algo com o qual já estamos bem familiarizados. Por exemplo: a vida de DAVI. Davi, tipo do Senhor Jesus, não porque fosse sem pecado ou mesmo porque não tivesse tido deslizes em sua vida, mas porque havia dentro do seu coração um propósito de vida, no qual a vontade de Deus fosse feita. Deus, sendo aquele que conhece os corações, disse a Davi: Atos. 13:22 - “Achei a Davi, filho de Jessé, varão que executará toda minha vontade”. Deste modo, Davi é símbolo de uma Obra, uma casa, que é edificada solidamente,
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segundo a orientação de Deus. A Palavra nos diz que a casa de Saul, símbolo da obra do homem, enfraqueciase enquanto a casa de Davi, a obra de Deus, fortalecia-se. II Sm. 3:1 - “Houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi, porém Davi ia se fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo”. Na vida de Ester, encontramos exatamente o propósito de Deus realizado numa vida e isto é a OBRA. A vida de Ester nada tinha de diferente de qualquer pessoa segundo a aparência. Era até obscura, sem aparência, era uma jovem órfã, criada por um primo, mas nas mãos de Deus foi usada para dar livramento ao povo de Israel. que estava condenado a ser extinto por uma ordem cruel do império Persa. Concluímos que a Obra de Deus retratada na vida de Ester é algo digno de ser meditado, guardado no coração de todos os servos de Deus que nesta presente hora tomam consciência do lugar em que se acham, para que estão ali, atentos ao momento em que serão usados por Deus, numa disponibilidade sincera e capaz de trazer ao coração do Pai Celeste alegria ao ponto do Senhor dizer: “Encontrei este servo, esta serva capaz de fazer toda a minha vontade”. 2 - CONTEXTO HISTÓRICO Após a queda do Império Babilônico, profetizada por Daniel (Cap. 2:38-39), império Medo-Persa entra no palco através de Dario, o medo, depois de Ciro, o persa, e seguindo a ordem entra Xerxes I, que é chamado, ou melhor, é conhecido por Assuero um cognome que ele próprio escolheu para si. Não vamos analisar o livro, vamos antes buscar nele aquilo que Deus revela para fortalecer nossa fé, através de vidas que se deixam usar em Suas mãos ainda que em perigo de as perderem, como se vê no caso de Ester que numa atitude de disposição total, disse ao enviado Mardoqueu que todo o povo que se encontrava em Susã deveria orar e jejuar por ela e ela faria o mesmo com suas moças, e depois de feita a parte que competia ser feita pelos homens, Deus faria a dele. Ester 4:16 - “E assim irei ter com o rei, ainda que não é segundo a lei, e perecendo, pereço”. Capítulo 1 Nesse capítulo vê-se como o rei Assuero rejeitou Vasti e a desligou de toda posição que ocupava como a rainha do Império Persa. Vasti torna-se símbolo de uma Obra rejeitada, como se vê no texto: Verso 19 - “Se bem parecer ao rei, saia de sua parte um edito real e escreva-as nas leis dos Persas e dos Medos, e não se quebrante, que Vasti não entre mais na presença do rei Assuero e o rei dê o reino dela à sua companheira que seja melhor do que ela”. Vê-se nisto que Vasti reinava e tinha o reino em suas mãos - símbolo de uma Obra que tendo tudo para permanecer, desaparece por completo. Saul é substituído por Davi. A obra de Saul é destruída até os últimos vestígios enquanto a Obra de Davi surge gloriosamente.
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Vasti cai e Ester é levantada ao trono. Indagamos então: o que havia em Ester para tornar-se rainha do Império Persa? Perguntaríamos: o que havia em Davi para tornar-se o rei de Israel? Em ambos os casos vemos uma mesma resposta: Deus viu o coração de Davi capaz de ser-lhe obediente, assim como viu o coração de Ester capaz de executar sua vontade. Não podemos deixar de lembrar pontos de semelhança entre estes dois servos de Deus. A origem de Davi era simples; um pastor de ovelhas humilde, obscuro até entre seus familiares. Era, porém de aparência graciosa e gentil em seu aspecto, segundo descreve a Palavra de Deus. Quando o profeta Samuel levou óleo santo para ungir um dos filhos de Jessé, certamente os mais velhos, portanto, segundo os homens, os mais importantes apresentaram-se em desfile, e a voz segura de Deus soou aos ouvidos do profeta: “Não olhes para a aparência ... a este também tenho rejeitado”. Diante da dúvida do profeta, curioso ele indaga: “Acabaram-se os mancebos? Não, há ainda um menino que apascenta o campo das ovelhas”. Estava aquele jovenzinho diante dos outros como uma vida tão sem valor, que nem apresentado ao profeta foi, mas quando ele foi trazido e apresentou-se, a voz do TodoPoderoso se faz presente ao ouvido do profeta: “É este mesmo que tenho escolhido”. Origem de Ester: Era como Davi, simples, era órfã de pai e mãe, um primo cujo nome era Mardoqueu tomou-a para criar. Quem pensaria que um dia viesse a ser a rainha da Pérsia aquela jovenzinha tão humilde e que, além de tudo, pertencia a um povo pequeno e menosprezado, um resto do povo que não tendo voltado para a Palestina, vivia na Pérsia e ali era tolerado, mas não amado. Deste meio, portanto, surge Ester, que como Davi era formosa e graciosa de aparência. Vemos em tudo isto que Deus, cujo nome não aparece no livro, é visto gloriosamente em cada lance, providenciando tudo, para que seu povo fosse preservado. Capítulo 2 Ester 2:3 - “Reuniam todas as moças virgens , formosas à vista na fortaleza de Susã”. Esta foi a lei persa divulgada em toda a parte do império. Mardoqueu que criara Ester, não a podia esconder, ela era conhecida onde morava e preenchia os requisitos da ordem real: “...moças virgens, formosas à vista”. A graça de Deus foi logo manifesta, pois assim que Ester se apresentou, alcançou graça do guarda das mulheres que deu a Ester o melhor do que havia desde a habitação até a alimentação. Ester 2:9 - “E a moça pareceu formosa aos seus olhos, e alcançou graça perante ele, pelo que se apressou a dar-lhes os seus enfeites e os seus alimentos, como também em dar sete moças de respeito, da casa do rei; e a fez passar com as suas moças ao melhor lugar da casa das mulheres”. Uma grande batalha estava para ser travada: quem seria escolhida para
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substituir Vasti? Voltamos a Davi, vemo-lo também diante de batalhas, lutas grandes contra um urso, um leão, e a grande luta contra o gigante Golias. Na luta contra Golias, foram-lhe oferecidas as armas de Saul, ele de pronto as recusa, não iria usar as mesmas armas, se o negócio fosse ter bom armamento, Saul teria vencido, mas as armas de Davi eram outras, ele ia em nome do Senhor dos Exércitos, que ele, Davi, ouviu sendo desafiado. A Ester algo semelhante aconteceu: para se apresentar foi-lhe oferecido toda a sorte de luxo, riqueza, apresentação que as outras em vão tinham usado naquela disputa. Eram as armas humanas; Ester as recusa e se apresenta em sua beleza simples que Deus lhe dera. Quantas jovens bonitas usam suas belezas em coisas tão fúteis, ao passo que Ester usou-a sabiamente. Cap. 2:17 - “E o rei amou a Ester... e pôs a coroa real na sua cabeça e a fez rainha em lugar de Vasti”. Que vitória, dada por Deus, que sabia para que estava levantando uma filha de Israel para ser rainha do grande Império Persa. Ao finalizar o cap. 2, deparamo-nos com um personagem importante do livro de Ester. Trata-se de Mardoqueu. É ele exatamente aquele que criara Ester.

MARDOQUEU Ele era um judeu zeloso do seu povo. Prudente em suas ações, protetor, orientador da filha que ele criara. Mardoqueu torna-se um belo tipo do Espírito Santo, que no meio da Igreja age com zelo pela igreja, com cuidado, procurando em tudo apresentá-lo ao Pai como a Igreja viva e pura, bem cuidada, irrepreensível, como a noiva do Senhor Jesus. Em seu zelo, Mardoqueu disse a Ester que não declarasse seu parentesco, sua origem seu povo, por conseguinte, não era por medo ou covardia, era o desejo de agir na hora certa, como veremos no decorrer do livro. Ester 2:17 - “...e pôs a coroa na cabeça de Ester e a fez rainha em lugar de Vasti”. Ester, a rainha do Império Persa A glória real e a dignidade que rodeavam Ester do todos os lados não a afetaram. Ela não esquecia que toda glória real que a envolvia não era para ela pela razão de prazer em si, mas a obediência, o propósito providencial do qual ela ainda não tinha conhecimento, faziam-na quieta, silenciosa, aguardando sempre a voz segura do “seu conselheiro”. Seu interesse estava em Mardoqueu, fora do palácio, não no esplendor, dentro do palácio!!! Tudo isto fazia com que Ester então rainha persa não se tornasse vaidosa em sua posição, não ignorasse seu pai de criação, antes, diz a Palavra, que ele, Mardoqueu, se assentava diariamente à porta do rei, para que ele se inteirasse de tudo o que se passava com Ester e assim a orientava em tudo. Ester, por sua vez, não desobedecia em nada. Verso 20 - Ester não declarava sua parentela e o seu povo como Mardoqueu lhe ordenara, porque Ester cumpria o mandato como quando era criança. Que belo tipo da Igreja fiel, que obedece as orientações do seu Orientador - o Espírito Santo.
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João 16:13 - “Mas quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade”. Um ensino que merece atenção Quando Deus escolhe uma vida e a abençoa permitindo-lhe crescer em posição diante dos homens, não deve tal servo ou serva, satisfações aos homens, no sentido de envolvimento com a sociedade corrupta em que se encontra para praticar toda sorte de pecados que ela pratica, mas suas satisfações são àquele que é sabedor de todas as coisas e o colocou ali com um propósito que a Ele somente interessa. Se o servo de Deus não entender isto, ele corre perigo de se envolver de tal forma que a bênção que obteve de Deus muitas vezes com a ajuda até de outros servos que se desempenharam em jejuns, orações, de perder sua bênção. Se o mundo agora, domina a vida de uma pessoa, a ponto de não poder servir a Deus como antes, seu amor não será mais em Deus e em sua Obra. Veja o que está escrito em Tiago: Tiago 4:4 - “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade de Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”. Desta sorte, a bênção que a vida recebeu de Deus, testemunhada por ela até diante da Igreja e de outras pessoas, torna-se agora em maldição, e isto o Senhor Jesus teve o cuidado de advertir em sua Palavra, quando disse: Mateus 16:26 - “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”. Conclui-se que não é possível, não é admissível ao servo de Deus, a quem ele galardoou com bens, inteligência, posição de mando, graça diante dos homens, responder a tudo isto que o Senhor lhe deu com TRAIÇÃO. Ester honrou o seu Deus, o seu povo e não foi apenas a rainha da Pérsia, mas uma serva de Deus na posição em que Ele a colocou. “Quem sabe se para um tempo tal como este foste colocada aí”? Deus levanta sua obra usando servos e servas dispostos a ela. Cada servo deve ter isto em mente: Que seria da Obra do Senhor se ela dependesse de mim? Sabes tu a resposta desta pergunta? “Socorro e livramento virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis”. Deus deu assim oportunidade a Ester de usar, se ela preferisse as honras do palácio que lhe pertencia, nem isso a obra de livramento deixaria de ser feita por Deus. De igual modo, Deus nos permite em sua obra, nos aceita nela, e se ela prospera, cresce como no tempo apostólico, caindo na graça do povo, há um poder atrás disto, que é o poder de Deus e malbaratá-lo acarreta grandes responsabilidades. Como Ester dependia das orientações de Mardoqueu, assim a obra depende a cada passo, do Espírito Santo para guiá-la. Ester, rainha dos persas e dos medos podia ter negado Mardoqueu, sua
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origem sua parentela, por ela independia dele agora, bastava apenas assumir sua nova posição. E o que aconteceria com ela? Teria seu nome somente nos registros das crônicas do reino persa, não teria participação no plano de Deus para sua vida. Deus usaria outro plano conforme avisara a Mardoqueu, a teria perdido a oportunidade de servir numa Obra que perdura para a eternidade. O livro de Hebreus lembra-nos de muitos outros servos que fizeram escolhas tão sábias quanto Ester. Um belo exemplo disto vê-se em Moisés. Vejamos: Hb. 24:26 - “Pela fé Moisés sendo já grande recusou a ser chamado filho da filha de faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por pouco tempo ter o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito, porque tinha em vista a recompensa”. VALOR DO SILÊNCIO NA OBRA DE DEUS No final do Capítulo 2 vemos como Mardoqueu tomou conhecimento de um atentado contra a vida do rei Assuero e deu parte dele a Ester, e ela notificou-o ao rei, e feita a inquisição do fato, os dois envoltos no atentado foram mortos. Mardoqueu guardou silêncio de sua posição de pai da rainha. Ela não estava interessada em sua própria glória, afinal, ele tinha o direito de estar morando no palácio, desfrutando de todas as glórias que cercam os rei. Podia se gloriar de ser pai rainha, vivendo o gozo do momento. Nada entretanto pleiteou, antes silenciou, diante do fato. Desta forma ele ouviu tudo, quando os dois guardas do palácio planejaram contra a vida do rei sem desconfiarem que estava diante de alguém diretamente ligado à rainha. Esta é a maneira como o Espírito Santo age diante da Igreja; Ele sabe de tudo, e conta à Igreja dos planos de ataque do inimigo e ela recebe ao mesmo tempo a orientação de como deve agir sendo assim livrada. Para isto no entanto, uma coisa é necessária: que haja entre a Igreja e o Espírito uma ligação tão perfeita quanto havia entre Ester e Mardoqueu. Vemos aí, na maneira de agir de Mardoqueu, o simbolismo dele com o Espírito Santo. O Espírito Santo no meio da Igreja revela o perigo, nas lutas, consola-a, não a deixa só, é aquele que está ao lado dela, por isso é chamado “Paráclito”. Jo 14:16-17,26 -”E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre e o Espírito de verdade que o mundo não vê e nem conhece , mas vós conheceis porque habita convosco e estará em vós. Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Como resultado do silêncio de Mardoqueu, Deus pode agir de maneira a cumprir todos os seus planos - Tendo sido tudo registrado nas crônicas dos acontecimentos do reino, Deus fez uso da insônia do rei e lembra-lhe através da leitura das crônicas, o livramento que tivera da denúncia feita por Mardoqueu à rainha Ester, dos dois guardas que tinham a intenção de assassiná-lo. Que se fez em gratidão a este desconhecido que livrou o rei da morte? Voltaremos a isto mais tarde. No texto registrado, há uma expressão interessante e que deve ser melhor meditada:
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“ Espírito de verdade que o mundo não VÊ e nem CONHECE”. Ninguém conhecia a Mardoqueu, ele não se identificou como pai da rainha. Assim ele pôde agir. O mundo não conhece o Espírito Santo, mas a igreja fiel conhece e tem intimidade com ele. O Espírito Santo é ignorado pelo mundo ao redor, e assim Ele age e segreda tudo a igreja e a livra dos perigos que a cercam. Para que isto assim suceda de maneira perfeita, a igreja fiel tem que manter uma íntima relação com o Espírito, de tal forma que o desejo de UM é o MESMO que: Ap. 22:17 - “E o Espírito e a igreja dizem VEM”. Capítulo 3 Este capítulo apresenta uma personagem que não oferece nenhuma simpatia, nem inspira confiança, dada a sua maneira de ser e portar-se. Trata-se de HAMÃ, o agagita. Hamã recebera do rei Assuero todo poder de ação e colocou-o acima de todos os príncipes, como se lê no verso 1: Verso 1 - “O rei Assuero engrandeceu Hamã e o exaltou a o pôs acima de todos príncipes que estavam com ele”. No verso 6, vemos que todo este poder era usado para destruir, todos seu intento era para o mal. Quem era Hamã? A Palavra nos diz que Hamã era filho de Hamedata, o agagita, e, portanto, descendentes de Agague rei dos amalequitas, aquele que no passado pelejou contra Israel quando este precisava de passar por suas terras, e de tal forma atacou o povo do Senhor que mais tarde Deus disse a Saul que destruísse aquele povo conforme nos diz a Palavra: I Sm. 15:2 - “Assim diz o Senhor dos Exércitos; eu me recordei do que fez Amaleque a Israel, como se lhe pôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois e fere a Amaleque”. Amaleque foi poupado por Saul, amaldiçoado por Deus, porém, protegido por Saul. Amaleque amigo de Saul. Amigo da obra de Saul. Saul, por sua vez, inimigo de Davi. Que coincidência tremenda! Poderia Hamã ser inimigo de Mardoqueu, amigo de Ester e do povo que ela representava? Poderia Hamã, descendente de Amaleque, gostar de Mardoqueu? NUNCA!!! Hamã é, portanto, tipo do inimigo que vai através das gerações minando, corrompendo, atraiçoando, destruindo. Isto porque a Palavra de Deus diz que o inimigo não faz pacto de paz com ninguém. Jó 41:3-4 - “Porventura multiplicará as suas suplicações para contigo? Ou boamente te falará? Fará ele concertos contigo ou o tomarás tu por escravo para sempre?” Hamã, inimigo de Mardoqueu, inimigo dos judeus, inimigo de Ester!! Hamã, inimigo da OBRA DE DEUS!
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Hamã identifica-se com o homem do pecado, segundo nos fala: II Ts. 2:3-4 - “Porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o qual se levanta contra tudo o que se chama Deus, de sorte que se assentará como Deus no templo de Deus, querendo parecer Deus”. Hamã, filho de Hamedata, não poderia proceder diferente porque a Palavra diz que quando o inimigo projeta o mal, ela fala daquilo que lhe é próprio. Assim sendo, com mentiras Hamã vai perante o rei, contra Mardoqueu e o seu povo. Ester 3:8 - “E Hamã disse a Assuero: Existe espalhado e dividido entre os povos em todas as províncias do teu reino, um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as leis do rei, pelo que não convém que viva”. “Então tirou o rei o anel de selar sua mão e deu-o a Hamã, filho de Hamedata o agagita”. Impressionante como Hamã tramava ligeiro contra o povo de Deus e Mardoqueu ao seu encalce, tomando conhecimento de todas as tramas e notificando-as a Ester, que, por sua vez, dispunha-se a ouvir e a obedecer a Mardoqueu. Assim mesmo acontece ainda hoje. O inimigo apressar-se em tramar o mal contra a obra de Deus, contra seus servos, contra a igreja fiel, mas o Espírito Santo vai na frente avisando e a igreja fiel está atento aos avisos e segue as orientações e vem o socorro do alto como veio para Ester. Hamã tramou toda maldade e tudo corria bem. Rapidamente a notícia era levada através dos correios, e onde a triste notícia ia chegando, o povo entrava em luto, pranto e agonia. Enquanto isso, vitorioso, Hamã se assentava com o rei para comer e beber !!! Que quadro! Que cena! Mas a mão de Deus estava agindo desde quando Deus fez registrar nas crônicas do reino o livramento do rei através de Mardoqueu, provando assim que Mardoqueu pertencia àquele povo, não tramava contra o reino, como Hamã o acusara. Capítulo 4 Vem este capítulo mostrar o poder de Deus em dirigir tudo em direção a derrota do suposto vencedor, aquele que tinha em suas mãos o anel autoritário do rei. A Obra de Deus é a mesma. Manifesta-se em poder sobrenatural, porque Deus é mesmo ONTEM, HOJE E PARA SEMPRE. Seus livramentos surgem em meio às lutas terríveis travadas pelo inimigo, visando a derrota do servo de Deus, da Obra de Deus. DAVI vence Golias. DANIEL vence leões na cova onde fora lançado. SADRAQUE, MESAQUE E ABDNEGO vencem a fornalha aquecida sete vezes mais que o normal. Ester vence Hamã pelo poder de Deus usando os métodos que os servos no passado usaram, e os mesmos que serão usados pelos israelitas que se tornarão os servos de Deus durante a Grande Tribulação, Ap. 12:11 - “E eles venceram pelo Sangue do Cordeiro, pela palavra e por não amarem
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suas vidas”. São estas as armas daqueles que querem vencer. A Obra do Espírito de Deus é a mesma. Ela conta com a vitória desde que haja consciência de que o Sangue do Cordeiro é vivo, é honrado pelo Pai. A Palavra de Deus é a arma que atinge a mente carnal e derrota o inimigo. Não amar sua própria vida, antes entregá-la para que o Senhor saiba que Ele é Senhor. Exemplos que comprovam isto: DAVI - Saiu à luta sem medo de morrer. DANIEL - foi lançado na cova dos leões e não se acovardou. SADRAQUE, MESAQUE E ABDNEGO - lançados na fornalha de fogo. ESTER - a atitude da serva não foi diferente, ouviu a voz do seu orientador. “Não imagines em teu ânimo que escaparás na casa do rei mais do que todos os outros judeus, porque se de tudo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte VIRÁ PARA OS JUDEUS, mas tu e a tua casa de teu pai perecereis, E QUEM SABE SE PARA TAL TEMPO COMO ESTE CHEGASTE A ESTE REINO”? Entender para que existimos e entender as oportunidades é algo bem importante. Certa ocasião o Senhor Jesus fez uma lamentação sobre Jerusalém por ela não ter se apercebido da hora de sua visitação. Que coisa tão séria! Lc. 19:44 - “Pois que não conhecestes a hora da tua visitação”. Quantos estão na mesma situação. Deus sempre contou com servos fiéis e naquela hora difícil para o seu povo, Ester se apresentou não tendo sua vida por preciosa e pronta para o sacrifício disse: Cap. 4:16 - “Irei ter com o rei ainda que não é segundo a lei e perecendo pereço”. Qual o segredo de Ester para enfrentar e vencer tão ferrenho inimigo? Cap. 4:16 - JEJUM e ORAÇÂO. Ela e suas companheiras, seu povo e Mardoqueu, aquele que a orientava. Na direção do Espírito a igreja caminhava vitoriosa. Desta forma, a luta contra Hamã está silenciosamente travada: jejum e oração.

Capítulo 5 Neste capítulo vemos a certeza da vitória de Ester e isto se encontra logo no verso 1º. Et. 5:1 - “Sucedeu pois que ao terceiro dia Ester se vestiu de seus vestidos reais”. TERCEIRO DIA É o terceiro dia símbolo de vitória, símbolo de ressurreição e vida. Ao terceiro dia o Senhor Jesus ressuscitou, vencendo o inimigo mais terrível - a morte, o último a ser vencido, assegurando-nos a vitoria contra a morte. Jesus foi feito as primícias dos que dormem. Ao terceiro dia Deus ordenou que a TERRA ,saísse das águas e produzisse VIDA e erva verde.
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Ao terceiro dia Deus dá ao profeta Jonas uma experiência de livramento e ele assim vê a vida diante de si novamente!!! Ester após os três dias de saco, cinza, pranto, jejum, oração veste suas vestes de festas e vai ao rei. A IGREJA de igual modo caminha com lutas, orações, jejuns, intercessões, mas certa que a vitória lhe é assegurada. Antevendo a vitória, Ester convida o rei a um banquete e não temendo o inimigo, também este é chamado, pois Ester estava dentro de um esquema seguro traçado por Mardoqueu. O inimigo não perde tempo e logo ele relata aos seus e a sua mulher ZERES, que sua ambição não estava realizada enquanto não visse Mardoqueu morto e logo Zeres o aconselha a preparar uma forca, para nela matar Mardoqueu, pois seu destino já estava traçado pelas leis irrevogáveis dos persas, desconhecendo as leis superiores de Deus, ele levanta vitorioso, a forca de Mardoqueu. Capítulo 6 Há algo de notável, a providência de Deus para livrar Mardoqueu e a programação para o livramento do seu povo. Deus tirou o sono do rei e ele quis ler as crônicas dos acontecimentos do reino, e aí depara-se com o relato do seu livramento através de uma denúncia feita por Mardoqueu, de dois guardas que planejavam matá-lo. O rei se preocupa com uma manifestação de apreço ao seu benfeitor Mardoqueu, e indaga se foi dada a ele alguma recompensa e ao ter a notícia negativa a respeito e cogitando sito, ouve os passos de alguém chegando no pátio. Hamã aparece cedo, ele também não podia dormir, porque cogitar o mal o impedia de dormir, e sabemos, pela Palavra, que o inimigo não dorme. Hamã entra na presença do rei alegre, que maravilha, tudo dando certo na mente maligna dele!!! É bom lembrarmos de que o Senhor, o GUARDA DE ISRAEL, também não dorme! IRONIA DAS CIRCUNSTÂNCIAS, Hamã entrara para pedir a morte de Mardoqueu e sai arrasado, ferido em seu orgulho, para fazer a Mardoqueu tudo que desejava para saciar sua vaidade. O rei indaga a Hamã o que se deveria fazer ao homem de cuja honra o rei se agradava. Hamã, sem pejo algum, julgando que se tratava dele, expõe toda a sua vaidade e desejo: queria ele parecer-se com o rei nem que fosse por pouco de tempo. Et. 6:8-9 - “Traga o vestido real de que o rei costuma vestir-se, monte no cavalo em que o rei costuma andar montado, ponha-se a coroa real na sua cabeça, entregue-se o vestido e o cavalo à mão de um dos príncipes, dos maiores senhores, vistam dele aquele homem de cuja honra o rei se agrada e apregoe-se diante dele: assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada”. Poderíamos analisar item por item e ver a semelhança de Hamã com o homem de perdição: II Ts. 2:4-5 - “... e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se
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assentará como Deus, querendo parecer Deus”. Querer ser rei é de fato o desejo do inimigo. “Tudo isto te darei se prostrado me adorares”. Propôs o inimigo do Senhor Jesus. Por a coroa na cabeça e se assentar querendo as honras e a glória dos homens é sua grande ambição. Andar no cavalo do rei. Jesus como legítimo rei vem montado no seu cavalo branco, vencedor porque Ele é Deus. Hamã é protótipo do inimigo e, todas as suas aspirações. Mas a glória pertence a Deus e como Hamã foi derrotado ali no seu propósito, Mardoqueu sem querer exaltação, recebe a exaltação ambicionada por Hamã. Mardoqueu sai das cinzas, veste o manto real, a coroa real e recebe as honras do povo. Foi aí que, apavorado. Hamã corre para sua casa e ouve de sua mulher uma grande e perturbadora palavra: “Se Mardoqueu diante de quem já começaste a cair, é da semente dos judeus, não prevalecerás contra ele antes, certamente, cairás perante ele”.

Capítulo 7 Este capítulo revela a graça obtida por Ester, desde o momento em que ela entra na presença do rei e o cetro de ouro lhe é estendido, oferecendo-lhe graça. Até metade do reino lhe promete o rei, entretanto, cautelosa, ela foi devagar preparando o caminho e neste capítulo ela faz ao rei uma narrativa de tudo o que se passava e identifica-se com SEU POVO. Et. 7:3-5 - “Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, dê-se a minha vida como petição e o meu povo como meu requerimento porque estamos vendidos”. “E quem é este, e onde está este cujo coração o instigou a assim fazer”? A resposta se fez pronta: “É este mau Hamã”. Na hora certa, com uma palavra, o acusador foi destruído, assim como será destruído o homem do pecado na segunda vinda de Cristo. II Ts. 2:7-9 “Porque já o mistério da injustiça opera, somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado e então será revelado o iníquo a quem o Senhor desfará pelo sopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda, a esse cuja a vinda é segundo a eficácia de satanás, com todo poder e sinais e prodígios de mentiras”. Na hora certa, Ester apontou para o inimigo e ele com toda a sua fúria e poder destruído assim como está prevista a destruição do inimigo pelo cetro de ouro do Senhor Jesus.

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Capítulo 8 Este capítulo revela a graça de Ester em interceder pelo seu povo. Revela sua humildade: “Ester falou mais perante o rei, e lançou-se aos pés, e chorou, e lhe suplicou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e o seu intento que tinha intentado contra os judeus”. No mesmo dia Assuero entregou Hamã e a sua casa nas mãos de Ester e desta forma foi Hamã enforcado na forca que preparara para Mardoqueu e não somente foi ele enforcado, mas seus dez filhos. Interessante que um comentarista narra a este respeito, que os 10 filhos de Hamã representam o fim do império gentílico neste mundo conforme descrição do livro de Daniel, quando uma pedra rolará sobre eles e destruirá todo império que durou até o momento desta pedra poderosa a destruir, então o reino do Todo Poderoso será estabelecido. Mardoqueu agora, na hora certa, comparece perante o rei como o pai adotivo de Ester, como se lê no verso 1º. Et. 8:1 - “E Mardoqueu veio perante o rei, porque Ester tinha declarado o que era”. Conhecer a hora certa, não falar antes da hora é de fato uma virtude grande, é sem dúvida, em fruto de quem Mardoqueu é na Bíblia, tipo do ESPÍRITO SANTO. Desta forma, o rei concedeu através de uma lei o direito dos judeus resistirem ao inimigo e a vitória foi absoluta. Mardoqueu saiu da presença do rei com o vestido que tanto Hamã ambicionara. Et. 8:15 - “Então saiu Mardoqueu da presença do rei com um vestido real, azul celeste e branco, como também com uma coroa de ouro, e com uma capa de linho fino de púrpura e a cidade de Susã exultou”. VESTIDO REAL AZUL CELESTE E BRANCO - Revelação da vitória de Deus através do amor e da justiça. COROAL REAL DE OURO - Identificação com o reino e seu poder. Et. 8:2 - “E tirou o seu anel que tinha tomado de Hamã e deu-o a Mardoqueu”. Linho fino, a justiça com que Deus justifica os seus, conforme Apocalipse 19:10 Ap. 19:10 - “E foi-lhe dado que vestissem de linho fino e resplandecente que são as justiças dos santos”. A PÚRPURA - Também está relacionada com a realeza. Depois da grande luta uma vitória, sem dúvida por um preço - oferecimento de vidas no ALTAR DO SACRIFÍCIO. Foi assim que o Senhor da Glória comprou-o a vitória.

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Capítulo 9 Relata a vitória concedida aos judeus, pois no dia designado para a morte, a vitória lhes é concedida. Et. 9:1 - “E no mês undécimo, que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorar-se deles, sucedeu o contrário porque os judeus foram os que assenhoraram-se dos seus aborrecedores”. II Sm. 3:1 - “A casa de Saul ia-se enfraquecendo e a casa de Davi ia-se fortalecendo”. Compara-se isto o verso 4 do capítulo 9. Et. 9:4 - “Porque Mardoqueu era grande na casa do rei e a sua família saía por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu SE IA FORTALECENDO”. A casa de Hamã não era a esta altura, enfraquecida, mas totalmente destruída. Deus é aquele que tem poder de mudar tempos e estações, governos, como disse o profeta Daniel, assim Deus mudou tudo, em lugar de dor e lágrimas havia gozo e alegria. Et. 9:17 - “... e fizeram daquele dia, dia de banquete e de alegria”. Esta é a bênção que aprendemos neste livro de tão surpreendentes episódios. Vale a pena ficar ao lado daquele que tem a vitória e TODO O PODER em suas mãos. FESTA DE PURIM Et. 9:26 - “Por isto àqueles dias chamam Purim, do nome Pur: pelo que também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido”. Esta festa é comemorada até os dias de hoje pelos judeus, relembrando o grande livramento dado por Deus através de Ester na orientação segura de Mardoqueu. Encerra-se o livro mostrando que Ester simboliza a OBRA de Deus vista até o fim, e Mardoqueu, de igual maneira, simboliza o ESPÍRITO SANTO, não preocupado consigo, mas sua preocupação era com Ester, com seu povo, enfim, com o vem estar da nação que ele amava servia com zelo. Para a igreja fiel fala do arrebatamento e as bodas que serão celebradas com o júbilo para todo o sempre. Capítulo 10 “Porque o judeu Mardoqueu foi o segundo depois do rei Assuero e grande para com os judeus, e agradável para com a multidão de seus irmãos, procurando o bem do SEU povo, e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação”.

MARANATA! O SENHOR JESUS VEM!
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