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Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado EXTINÇÃO DO CASAMENTO Referência legislativa: art.

226 da CF; arts. 1.562 e 1.571 a 1.582 do CC; Lei 6.515/77; Lei 8.408/92; Lei 7.841/89; Lei 968/49 e Lei 5.478/68. CAPÍTULO X Da Dissolução da Sociedade e do vínculo Conjugal
Art. 1.571. A sociedade conjugal termina: I - pela morte de um dos cônjuges; II - pela nulidade ou anulação do casamento; III - pela separação judicial; IV - pelo divórcio. § 1 O casamento válido só se dissolve pela morte de um dos cônjuges ou pelo divórcio, aplicando-se a presunção estabelecida neste Código quanto ao ausente. § 2 Dissolvido o casamento pelo divórcio direto ou por conversão, o cônjuge poderá manter o nome de casado; salvo, no segundo caso, dispondo em contrário a sentença de separação judicial. Art. 1.573. Podem caracterizar a impossibilidade da comunhão de vida a ocorrência de algum dos seguintes motivos: I - adultério; II - tentativa de morte; III - sevícia ou injúria grave; IV - abandono voluntário do lar conjugal, durante um ano contínuo; V - condenação por crime infamante; VI - conduta desonrosa. Parágrafo único. O juiz poderá considerar outros fatos que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum. Art. 1.577. Seja qual for a causa da separação judicial e o modo como esta se faça, é lícito aos cônjuges restabelecer, a todo tempo, a sociedade conjugal, por ato regular em juízo. Parágrafo único. A reconciliação em nada prejudicará o direito de terceiros, adquirido antes e durante o estado de separado, seja qual for o regime de bens.
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Art. 1.578. O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro, desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: I - evidente prejuízo para a sua identificação; II - manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida; III - dano grave reconhecido na decisão judicial. § 1 O cônjuge inocente na ação de separação judicial poderá renunciar, a qualquer momento, ao direito de usar o sobrenome do outro. § 2 Nos demais casos caberá a opção pela conservação do nome de casado. Art. 1.579. O divórcio não modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. Parágrafo único. Novo casamento de qualquer dos pais, ou de ambos, não poderá importar restrições aos direitos e deveres previstos neste artigo. Art. 1.580. Decorrido um ano do trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação judicial, ou da decisão concessiva da medida cautelar de separação de corpos, qualquer das partes poderá requerer sua conversão em divórcio. § 1 A conversão em divórcio da separação judicial dos cônjuges será decretada por sentença, da qual não constará referência à causa que a determinou. § 2 O divórcio poderá ser requerido, por um ou por ambos os cônjuges, no caso de comprovada separação de fato por mais de dois anos. Art. 1.581. O divórcio pode ser concedido sem que haja prévia partilha de bens. Art. 1.582. O pedido de divórcio somente competirá aos cônjuges. Parágrafo único. Se o cônjuge for incapaz para propor a ação ou defender-se, poderá fazê-lo o curador, o ascendente ou o irmão.
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XV. Da Dissolução da Sociedade e do vínculo Conjugal Uma das características do casamento é a sua indissolubilidade No entanto, há fatores que podem importar em sua extinção, sejam eles imputáveis ou não às partes. Rompe-se o casamento: a) por fato natural (morte); b) nos casos de invalidade e ineficácia do matrimônio, que são, a bem da verdade, fatores anteriores ao próprio casamento civil;

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Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado c) pela vontade de uma ou de ambas as partes, através da separação judicial ou do divórcio. A separação de corpos se dará por: Quando um dos cônjuges resolve deixar de manter domicílio naquele fixado pela entidade familiar, dá-se o abandono do lar 1. Abandono do lar conjugal. Trata-se de conduta incompatível com o cumprimento conjugal dos deveres de assistência imaterial e materiais decorrentes do casamento civil, que se caracteriza pela simples saída do domicílio, com indícios de que não mais haverá retorno a ele. 2. Saída do domicílio por O cônjuge que sai do domicílio por motivos justificáveis motivos justificáveis pode regularizar tal ato, obtendo autorização judicial para tanto. A jurisprudência considera como motivos razoáveis ou justificáveis agressões físicas, atentado contra a vida e assim por diante. A ausência de motivo justo, responsabilidade, podendo ser imputada desfavor à culpa pela extinção do casamento. acarreta em seu

A separação de corpos pode ser requerida cautelarmente, como forma de saída autorizada do lar conjugal e de liberação dos deveres matrimoniais. 3. Outras hipóteses de separação de corpos A separação de corpos poderá, ainda, ser requerida ao juiz de direito nas seguintes hipóteses: • • • • Antes da ação de nulidade do casamento; Antes da ação anulatória de casamento; Antes da separação judicial; Antes da dissolução da união estável.

A separação de corpos pode ser deduzida como pedido processual cumulado com o de retirada do outro cônjuge do lar conjugal, a pretexto de proteção da integridade física do requerente ou de seus filhos. O CC autoriza a conversão da separação de corpos em divórcio – art. 1.580. Decorrido mais de um ano do trânsito em julgado da decisão que concedeu a separação de corpos, qualquer dos interessados poderá requerer a sua conversão em divórcio.

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4. Separação Judicial a) separação consensual ou amigável Há o acordo de vontades entre os nubentes, para extinção da sociedade conjugal, para tanto, os cônjuges deverão estar casados há mais de um ano. Não há nesta modalidade de separação nenhum litígio a ser dirimido entre os cônjuges, e os termos constantes da petição inicial, devidamente assinadas por ambos os interessados e seu procurador, devem ser submetidos à apreciação do MP e do Poder Judiciário. Casos da não homologação da separação consensual: • os interesses dos filhos porventura existentes não estão sendo preservados; e • os interesses de um dos cônjuges não estão sendo preservados. A recusa judicial da homologação poderá ser posteriormente suprida, mediante o atendimento da alteração dos termos integrantes da separação amigável.

4.1 Separação judicial e o divórcio de acordo com a Lei n.º 11.441/07 A alteração mais recente, como produto da reforma processual, foi introduzida pela Lei n.º 11.441, de 04 de janeiro de 2007 a qual, alterando dispositivos da Lei n.º 5.869/73 – Código de Processo Civil, admitiu a realização de inventário, partilha, separação consensual e divórcio por via administrativa. O referido diploma legal foi recebido com entusiasmo pela comunidade jurídica, sobretudo porque tem por objetivo promover uma sensível desobstrução dos canais do Judiciário brasileiro e proporcionar à sociedade uma célere opção para a resolução de situações de direito, que versem sobre as relações pessoais, em que propriamente não haja um litígio, mas sim uma convergência de interesses. Deste modo, a repercussão da lei n.º 11.441 foi manifestada especialmente nos institutos da separação consensual, do divórcio consensual, da realização do inventário e da partilha, ao passo que conferiu às partes interessadas a possibilidade de, pela via administrativa, realizar tais atos mediante escritura pública lavrada no Tabelionato de Notas. Todavia, a admissão de tal procedimento exige, especialmente, dois requisitos cumulativos, que devem ser observados com cautela pelas partes interessadas, no caso:

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Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado (a) exige-se a consensualidade entre as partes, ou seja, os interessados devem estar de comum acordo acerca do conteúdo das disposições a serem tomadas com relação à separação, ao divórcio, ao inventário e à partilha; (b) em qualquer das hipóteses, isto é, em se tratando de separação, divórcio, partilha e inventário, não poderá coexistir interesses de menores ou incapazes, o que impede, por exemplo, que casais com filhos menores ou incapazes, ainda que a separação seja consensual, optem pela via administrativa – no Cartório de Ofício de Notas. Devido às nuances que envolvem as relações pessoais, o Direito de Família, assim como o Direito das Sucessões, sofrem uma significativa ingerência do Estado, que procura regular e, na maioria das vezes, proteger os interesses daqueles cuja capacidade jurídica, ainda que temporariamente, encontra-se comprometida. Tal fato justifica a preocupação legislativa no tocante aos interesses dos menores ou incapazes como necessária, sobretudo porque, trata-se de um interesse indisponível, melhor dizendo, irrenunciável, e por esta razão sua apreciação é reservada, exclusivamente, à tutela do judiciário com o consentimento do Ministério Público. Por outro lado, a exigência de consensualidade para a prática do ato, no caso, separação, divórcio, partilha e inventário, é um requisito que se compatibiliza com o Estado Democrático de Direito, pelo qual, apenas o Poder Judiciário, constitucionalmente reconhecido, pode se manifestar, em caráter vinculativo e definitivo, com relação a conflito de interesses. Em uma palavra, trata-se de uma intervenção judicial obrigatória, assim como do Ministério Público que, por missão institucional, atua como fiscal da lei, garantindo a lisura e segurança do procedimento. Com efeito, satisfeitos tais requisitos, a lei reconhece a possibilidade de realização de inventário, partilha, separação e divórcio por via administrativa. A opção pela via administrativa reconhece que tais relações pessoais, especialmente aquelas inerentes ao Direito de Família, poderão se submeter a um procedimento mais célere, mediante escritura pública lavrada no Tabelionato de Notas, a qual será considerada título hábil para o registro de imóveis e o registro civil, dispensando, na hipótese, eventual homologação judicial. Neste procedimento administrativo, inaugurado pela Lei n.º 11.441/2007, é exigido que as partes sejam assistidas por advogado comum ou representantes de cada uma delas. Tal exigência afigura-se como requisito de existência, validade e eficácia da escritura pública a ser lavrada no Tabelionato de Notas, pelo que não pode ser dispensada. Ademais, a lei, ratificando as disposições inerentes ao Código Civil, manteve, para tal procedimento, os mesmos requisitos legais específicos relativos à separação e ao divórcio. Desta forma, para que os cônjuges possam se separar devem estar casados há mais de um ano. No caso do divórcio sobrevêm duas situações:

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é importante ressaltar que a opção pela via administrativa.029. formalizada através de escritura pública. para aqueles que não se beneficiarem pela gratuidade constante daquela previsão normativa.50). não afasta eventual responsabilidade tributária dos beneficiários os quais estarão submetidos ao recolhimento do Imposto de Transmissão – ITD cuja disciplina é reconhecida à competência de cada Estado. §3º da Lei n. Frise-se. Separação em conta OAB-DF reduz honorários para divórcio em cartório A seccional da OAB do Distrito Federal reduziu em 50% a tabela de honorários cobrados em casos de separação. Nos dois casos.00. os honorários foram reduzidas de 60 URH (R$ 6.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado (a) os cônjuges poderão se divorciar acaso tenha decorrido um ano do trânsito em julgado da sentença que homologou a separação judicial. Registre-se ainda a preocupação legislativa constante do artigo 3º da Lei 11. o acréscimo de 5% foi reduzido também para 2. os casos de separação judicial consensual sem bens a partilhar correspondiam a 40 Unidades de Referência de Honorários (URH).441/2007). A decisão foi tomada pelo Conselho Seccional para adequar a tabela à nova lei — PLS 155/2004 — que altera dispositivos do Código Civil e do Código do Processo Civil. por fim. quanto à relevância do conteúdo/alcance da escritura pública.45. que a escritura pública relativa à separação e ao divórcio será o ato formal no qual restará consignada todas as disposições em que convergiram os interesses dos cônjuges. divórcio e inventário consensuais feitos diretamente nos cartórios.087. Já nos casos de divórcio direto judicial consensual. 63 .058. especialmente no tocante à partilha e inventário. ou R$ 4. Com a decisão.º 11. sujeitam-se às custas inerentes à elaboração da escritura pública. sem bens a partilhar.00. havendo bens a partilhar. a qual sofrerá variação de acordo com o Estado em que for formalizada. especialmente aquelas referentes à pensão alimentícia. em especial. à retomada do nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado na oportunidade da celebração do casamento.5%. se houver.00) para 30 URH (R$ 3.043. De outro lado. Esta mesma particularidade. esse valor cai para R$ 2.124-A do Código Civil e passou a reconhecer a gratuidade da escritura pública e demais atos notariais àqueles que se declararem pobres sob as penas da lei (artigo 3º. (b) os cônjuges poderão se divorciar se o casal comprovar estar separado de fato por mais de dois anos. Antes.441/2007. ou 20 URHs. ou. Por fim. que deu nova redação ao artigo 1. deve ser ressalvada no caso de partilha e inventário. à partilha dos bens comuns. O valor de cada URH fixado para fevereiro é de R$ 101. no tocante à disposição dos bens. um ano da separação formalizada por meio de escritura pública.

a criminalidade. e a enfermidade física ou mental grave. “Perdura. Motivos ou causas da separação a) separação judicial por força da ação do tempo A ruptura pela ação do tempo é causa para a separação judicial a partir de um ano do término da vida em comum devidamente comprovado. gerenciar e acompanhar os procedimentos de registro cartorário. os custos de processos na Justiça podem variar de R$ 100. se um cônjuge imputa ao outro a culpa pela dissolução do matrimônio. citar: a torpeza. Em contrapartida.58 a R$ 148. para que os estabelecimentos disponham de sala privativa para tratar dos casos. O autor do voto. a responsabilidade do profissional pelos atos que pratica e pela assinatura em documentos”.41 e R$ 655. desse modo. mas destacou a necessidade de o advogado orientar o cliente. Podemos. 5. 64 . ainda. o casal gastará entre R$ 87. conselheiro seccional Leonardo Mundim reconheceu a redução do volume de serviços nos casos de separação em cartórios. Os fundamentos legais para o pedido de separação formulado por um dos cônjuges são os seguintes: a) b) c) d) fato desonroso. b) Ruptura da sociedade conjugal por culpa e por conduta desonrosa Tradicionalmente. diante de grave violação de um dos deveres conjugais ou por uma conduta desonrosa. com cópia à OAB. ofendendo a sua honra.92.70. a corrupção. não se exige o período mínimo de um ano de casamento para se propor a demanda que objetiva a separação contenciosa. o uso de entorpecentes e as práticas sexuais anormais. Fato desonroso é aquele que expõe o nome do cônjuge ou da família ao ridículo. ao cônjuge inocente é permitido postular em juízo a dissolução da sociedade conjugal. o descumprimento dos deveres de assistência material ou imaterial. a ruptura da sociedade conjugal.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado No Distrito Federal. afirmou. por sua vez. Reunião particular O Tribunal de Justiça do DF expediu nesta quinta-feira (8/2) recomendação aos cartórios. bem como organizar a documentação. a embriaguez contumaz. O objetivo é dar mais privacidade ao casal. No cartório. o respeito ou a privacidade. b) separação litigiosa ou contenciosa Na qual não há prévio acordo entre os cônjuges para a dissolução da sociedade conjugal.

ainda: d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) a embriaguez habitual. não precisa ser prévia. • a fidelidade mútua. apontam. trocar a fechadura do domicílio. o pedido de interdição por insanidade inexistente. o castigo físico (tapa. b) a tentativa de morte contra o outro cônjuge. c) a sevícia. podendo ser postergada para depois do divórcio. ou seja. Enfermidade física ou mental grave é aquela que possui cura improvável. • a partilha dos bens. • o fim dos deveres de coabitação. uso abusivo de morfina.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Descumprimento dos deveres de assistência material ou imaterial – exemplos: o adultério. no mínimo.). o abandono voluntário do domicílio conjugal por um ano contínuo. a conduta desonrosa. que importa em violação da vida em comum. o cônjuge enfermo deverá estar nesta condição. 65 .por 2 anos (no CC/16 era no mínimo por 5 anos).1 Separação remédio Diante do reconhecimento da insuportabilidade da vida em comum ou da impossibilidade de reconstituição da sociedade conjugal. Os mais recentes julgados. espancamento etc. no entanto. a condenação por crime infamante. impedindo a entrada do outro cônjuge. e por outros motivos reconhecidos pelo juiz de direito. são inerentes à sentença que extingue o vínculo matrimonial: • a separação de corpos. 5. 5. Em qualquer hipótese de separação judicial. a injúria grave. ou a prática de injúria grave contra o outro cônjuge. os maus-tratos e o abandono de lar. o descumprimento do débito conjugal. A partilha dos bens.2 Causas de insuportabilidade da vida em comum: a) o adultério. ciúme despropositado.

a sociedade conjugal. quer litigiosa. Demais disso. 1. todavia.639. É possível. 1. quanto permitir a reconciliação. Com a reconciliação. O assunto em comento prevê o restabelecimento da sociedade conjugal. Não se trata de mero fato. os cônjuges voltarão a usar o nome que usavam antes da dissolução da sociedade conjugal. 101 da Lei dos Registros Públicos. porém.579 proclama a inalterabilidade dos direitos e deveres dos pais com relação aos filhos. 7. requer a lei ato regular em juízo. que o ato de restabelecimento da sociedade conjugal será também averbado no Registro Civil. é lícito aos cônjuges restabelecer.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 6. mediante autorização judicial. 1. § 2º).577. que é o da separação judicial. Conversão da separação em divórcio – art. adquirido antes e durante o estado de separado. com o fim de proteger a boa-fé de terceiros. se o casal se divorciou. O requerimento deve ser formulado por ambos os cônjuges. vale dizer. seja qual for o regime de bens. aludida no item anterior. com as mesmas indicações e efeitos. em decorrência do divórcio ou do novo casamento de qualquer um deles. Reconstituição do casamento é a desistência da pretensão de divórcio. art. a alteração do regime de bens por ocasião da reconciliação. se houver “pedido motivado de ambos os cônjuges. Reconstituição do casamento Art. sendo reduzido a termo assinado pelos cônjuges e homologado por sentença. a todo tempo.580 66 . intervenção do Estado-Juiz chancelando o restabelecimento. O art. A reconciliação em nada prejudicará o direito de terceiros. A obrigação alimentar. depois da manifestação do MP. O artigo 1. em caso de separação judicial. Não haverá alteração no regime de bens. em face da eficácia jurídica da separação. Interessante anotar que para o restabelecimento não importa a causa da separação. poderá unir-se novamente (novo casamento) com outro regime de bens. não sofre qualquer modificação com a mudança do estado civil do alimentante (quem paga alimentos). fruto tanto dos laços de parentesco quanto em decorrência do poder familiar. perante o juízo competente. Parágrafo único. quer tenha sido consensual. essa possibilidade é o que marca a separação judicial como medida que tanto pode conduzir ao divórcio. são colocados a salvo tais direitos. por ato regular em juízo. apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros” (CC. está-se consolidando corrente jurisprudencial que permite a revisão do valor dos alimentos quando estabelece o alimentante novo vínculo afetivo ou ocorre o nascimento de outros filhos. Seja qual for a causa da separação judicial e o modo como esta se faça. No entanto.

se julgada culpada pela separação. no caso de comprovada a separação de fato por mais de 2 anos. se expressamente requerido pelo vencedor e sua alteração não ocasionar: • • • prejuízo evidente à sua identificação. dado ao princípio da igualdade entre o homem e a mulher. por um ou por ambos os cônjuges. na modalidade do divórcio indireto.1 Efeitos da separação e do divórcio A separação e o divórcio acarretam efeitos sobre a pessoa e o patrimônio dos cônjuges. 1. antes o casamento somente poderia ser extinto por morte ou mediante desquite.2 Nome de casado No regime jurídico anterior. nosso país. 9. manifesta diferença entre o seu nome de família e o dos seus filhos.582 identifica os legitimados para propor a demanda. A ruptura do vínculo pode dar diretamente. de 28. prevendo-se que o divórcio poderá ser requerido. pois. novas núpcias. no caso de separação litigiosa. Porém. o que não rompia o liame conjugal e permitia tão-somente a separação do casa.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Apenas o divórcio importa no rompimento do vínculo matrimonial. que torna o divorciado livre para a celebração de novo casamento civil. estipulou que a mulher não poderia continuar utilizando o nome do marido. impossibilitando-se. Divórcio Divórcio é a completa ruptura da sociedade conjugal e do vínculo matrimonial.581 dispensa a partilha dos bens para a sua decretação e o art. ambos podem. hoje. 8. grave dano reconhecido judicialmente.1977. 9.580. O divórcio pode ser obtido por meio indireto ou via conversão. O artigo 1. O divórcio veio a ser permitido no Brasil a partir da Emenda Constitucional n. assim como sobre os demais membros da família. 9. Como exceção à regra à regra.º 9. O que tem acontecido: tratando-se de separação ou divórcio litigioso.6. Divórcio Indireto A separação (a judicial ou aquela concessiva tão-só da separação de corpos) como estágio intermédio entre o casamento e a ruptura do vínculo. O divórcio direto está previsto no segundo parágrafo do artigo 1. em caráter definitivo. decorrido um ano do trânsito em julgado da sentença que houver decretado a separação judicial. não tem essa tradição. o evictor perderá o direito de usar o nome do outro. 67 . apenas a mulher poderia adotar o patronímico do marido. ou da decisão concessiva da medida cautelar de separação de corpos.

22. 1.77. o que impede que os consortes convolem novas núpcias. desde que prove judicial conduta desonrosa ou falta a dever conjugal por parte do outro. 6. litigiosa e divórcio Separação judicial Após um ano da celebração do casamento. CC. art. 5º e Separação litigiosa ou não-consensual.515/77. visto que a vontade dos cônjuges só produz efeito liberatório quando houver homologação do órgão judicante.572 e 1.Procedimento (CPC.dissolver a sociedade conjugal. 39) efetivada por iniciativa de vontade unilateral de qualquer um dos cônjuges ante as causas legais.574. 15.015/73. arts. art. Divórcio Direto Após dois anos de separação de fato. 6. 101. §§ 1º . art.120 a 1. Separação judicial Finalidades Separação judicial . 20. 34. que tem eficácia com a reconciliação (Lei n. Lei n. II. Lei n. 1. art.574). tornando a vida insuportável. § 2º) por ser a separação consensual um ato judicial complexo. arts.515/77. por qualquer um dos cônjuges.515.14). desde que prove a separação de fato há pelo litigiosa menos um ano e a impossibilidade de recompor o lar. arts. Espécies (lei n. Lei n. 3º e 4º. arts. 4º. QUADRO RESUMO .573). sem romper o vínculo matrimonial. 101. por conversão da separação judicial que tenha ocorrido há pelo menos um ano. 9º 10. 4º. por qualquer um dos cônjuges. ou após um ano da decisão concessiva de medida cautelar de separação de corpos. 167. 1. ou dois anos de doença mental grave do outro. contado do trânsito da sentença da separação.º 6.515/. parágrafo único).º 1. litigiosa Separação imotivada Por qualquer um dos cônjuges. sem a necessidade de apresentar judicial qualquer motivo. a) separação litigiosa como sanção (CC. 46. 6.º 6. Divórcio Indireto Por qualquer um dos cônjuges.124. .Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Quadro síntese dos prazos para separação judicial consensual. Separação consensual . 6. arts. Separação consensual ou por mútuo consenso dos cônjuges casados há mais de 1 ano (CC. que ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro qualquer ato que importe em grave Separação judicial 68 . por ambos os cônjuges consensual Separação motivada A qualquer tempo.Constituir-se como uma medida preparatória do divórcio. 34. n. arts.015/73.Eficácia jurídica só com a homologação judicial (Lei n. art.

Pode ser precedida de separação de corpos (CC. art. art. . 46. § 2º). separação em relação aos . Separação judicial Separaçã o litigiosa Modalidades b) Separação litigiosa como falência.578. desde que isso seja requerido pelo cônjuge inocente e não se configure os casos do art. Ao passo que na separação consensual tem opção de usar ou não o Efeitos da Efeitos pessoais sobrenome de casado. I a III. . 1. 1. que impossibilite a continuação da vida em comum.º 6. que se efetiva quando um cônjuge a pedir ante o fato de estar o outro acometido de grave doença mental. cumprido 1 ano de vigência de separação judicial ou da decisão concessiva de separação de corpos.576).º 6.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado violação dos deveres matrimoniais. arts. do CC. . Autorizar a conversão em divórcio. § 1º). . 1. Há possibilidade de reconciliação (Lei n.Obedece a rito ordinário. .Impedir o cônjuge de continuar a usar o sobrenome do outro se declarado culpado na separação litigiosa. art. arts. que se dá quando um dos cônjuges provar a ruptura da vida em comum há mais de um ano consecutivo e a impossibilidade de sua reconstituição (CC.572. após uma duração de 2 anos.572. Separação judicial Separaçã o litigiosa Procedimento . manifestada após o casamento.Foro competente é o do domicílio da mulher (Lei n. desde que.515. 1.Impossibilitar realização de novo consortes judicial casamento.Proibir que sentença de separação judicial de empresário ou ato de 69 Separação judicial .Pôr termo aos deveres recíprocos do casamento (CC. art. 1. a enfermidade tenha sido reconhecida de cura improvável (CC. 52).515. parágrafo único). c) Separação litigiosa como remédio.575).

Por fim ao regime matrimonial de bens. o direito de visita. CC).829. . homologada pelo juiz (na separação consensual) ou por ele deliberada (na litigiosa). 1.701. 980). 1. 1700. se litigiosa a separação. .Impedir que ex-cônjuge de empresário separado judicialmente exija desde logo a parte que lhe couber na quota social. 1708 e 1709). .515.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado reconciliação sejam opostos a terceiros antes de arquivados ou averbados no Registro Público de Empresas Mercantis (CC. arts.Possibilita que ex-cônjuges separados judicialmente. de têla temporariamente em sua companhia nas férias e dias festivos e de fiscalizar sua manutenção e educação. sendo que a partilha será feita mediante proposta dos cônjuges. CC. . adotem em conjunto criança. Separação judicial Efeitos da Efeitos separação patrimoniais relativamente aos Dar origem.699. até que a sociedade se liquide (art. 1. art. desde que preenchidos os 70 Efeitos aos filhos . 29 e 30. 19. se houver motivos quanto graves.Garante aos filhos menores ou maiores inválidos pensão alimentícia. 1. .830 e 1. .Não altera o vínculo de filiação.Assegura ao genitor. que não tem a guarda da prole.838). arts. 22.027. 1.707. ou. . .Suprimir direito sucessório entre os consortes em concorrência ou na falta de descendente e ascendente (CC.º 6. 21. §§ 1º e 2º. à judicial indenização por perdas e danos ante cônjuges prejuízos morais ou patrimoniais sofridos pelo cônjuge inocente. 1. arts. permitindo que concorra à divisão periódica dos lucros. . 23. parágrafo único.Passa-os à guarda e companhia de um dos cônjuges. de terceiro.Substituir o dever de sustento pela obrigação alimentar (Lei n.

Lei n. 6. 6. art.1. em que um dos consortes. judicialmente separado há mais de 1 ano. § 2º.515.515.124. art.24.622. e CC. Divórcio Conceito (CC. 47. CPC.580) 226. pede ao juiz que converta a separação judicial (consensual ou litigiosa) em divórcio. 31. . 40. Conceito: É o que se apresenta quando perdido por um dos consortes separados de fato há mais de 2 anos. 6. art.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado requisitos legais parágrafo único). procedendo a partilha conforme o regime. 82. .841/89. II. e da Lei n.515) . § 6º. art. Divórcio litigioso indireto. Divórcio consensual indireto ocorre quando um dos cônjuges com o consenso do outro pede a conversão da prévia separação judicial (consensual ou litigiosa) em divórcio (Lei n. 6. 1. 7. obtido mediante sentença judicial proferida em processo de jurisdição contenciosa ("tem por objetivo a composição e solução de um litígio.Dissolução do vínculo conjugal civil e cessação dos efeitos civis do casamento religioso inscrito no Registro Público (art. art.º 6. 1. que se opera mediante sentença judicial. art. havendo recusa do outro. embora tenha vigência. §§ 1º e 2º. Lei n. 1.580 e § 1º).580) litigioso direto Procedimento: Lei n. 40. separados de fato há mais de 2 anos (CF/88.515. art. 226. 2º. 6. art. § 3º. art.º 7. 2º). 36 e parágrafo único. arts.515. § 6º. 48. 1. Divórcio consensual direto – decorre do mútuo Divórcio Modalidades Divórcio direto consentimento dos cônjuges que se encontram (CC."). parágrafo único. Divórcio Modalidades Divórcio indireto Procedimento: Lei n.120 a 1. art. desde que tal separação tenha mais de 1 ano (CF. 35). I e II. 40. seguindo o procedimento do CPC.Cessação dos deveres recíprocos dos cônjuges.art. Divórcio Modalidades Divórcio direto Divórcio (CC. art. com redação da Lei n. É a dissolução do casamento válido. 32. 35. 71 . 37. art. que não tem mais eficácia.Extinção do regime matrimonial. habilitando as pessoas a contrair novas núpcias.841/89. Lei n. arts.515.

que alterou a Lei n. Quanto aos alimentos devidos pelos pais à prole observam-se os arts. será ela atribuída a quem revelar melhores condições para exercê-la. salvo se o contrário estiver disposto na sentença (CC. 1. Em sede de medida cautelar de separação de corpos. . 1. No caso de dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal pela separação judicial por mútuo consentimento ou pelo divórcio direto consensual. CF/88. . embora possa modificar as condições do exercício do poder familiar e guarda dos filhos.Extinção da obrigação alimentar do ex-cônjuge devedor se o ex-cônjuge credor contraiu novo casamento (Lei n.º 6. . o juiz deferirá a sua guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida.583. arts. observar-se-á o que os cônjuges acordarem sobre a guarda dos filhos. CAPÍTULO XI Da Proteção da Pessoa dos Filhos Art.Pedido de divórcio sem limitação numérica (Lei n. Decretada a separação judicial ou o divórcio. se se tratar de divórcio direto.584. 1.º 6. art. art. Verificando que os filhos não devem permanecer sob a guarda do pai ou da mãe. se for indireto. 33). aplica-se quanto à guarda dos filhos as disposições do artigo antecedente. 28 da Lei n. art. de acordo com o disposto na lei específica. nos casos legais. art. . de preferência levando em conta o grau de parentesco e relação de afinidade e afetividade. 51.Direito ao uso do nome do ex-consorte. art.º 6. 29 e 30).º 883/49. § 2º). 1.622 e parágrafo único). 1. sem que haja entre as partes acordo quanto à guarda dos filhos. 72 .Inadmissibilidade de reconciliação (Lei n.Possibilidade de novo casamento ao divorciado. 3º). Os filhos herdam os bens de seus pais (Lei n.515 e 1. Parágrafo único.515. art. Art. Efeitos do .Inalterabilidade dos direitos e deveres dos pais em relação aos filhos (Lei n.Direito a 1/3 do FGTS quando o ex-cônjuge for demitido ou vier a se aposentar. 2º.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado .515. art.º 6. 227.515. Art. . . 27 e parágrafo único). .Continuação do dever de assistência por parte do cônjuge que moveu ação de divórcio.571.841/89.515. art.Conversão da separação judicial em divórcio.Término do regime de separação de fato.Possibilidade de adoção conjunta de criança pelos ex-cônjuges divorciados divórcio (CC.699 do CC.585. 6. § 6º). .º 7. .

Entende-se por guarda originária aquele decorrente da proteção ao recém-nascido. Havendo motivos graves. Art. que pode prevalecer. As disposições acerca da guarda são aplicáveis tanto para o menor de idade como para maior incapaz. Desde o advento da lei do divórcio. A guarda pode ser originária ou derivada.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Art. a questão será dirimida pela Vara da Infância e da Juventude. Vigora na guarda o princípio do melhor interesse do menor. conforme a conclusão judicial extraída a partir do caso concreto. No caso de invalidade do casamento. 1. poderá o juiz. Considera-se guarda definitiva aquela que se obtém por força de uma sentença judicial transitada em julgado. que só lhe poderão ser retirados por mandado judicial. GUARDA DOS FILHOS Guarda dos filhos é o direito potestativo (direito-dever) conferido àquele que permanecer na posse da prole ou de parte dela. observando-se a incapacidade dele é ampla ou não (lembre-se. sobre os interesses do seus próprios genitores. Art. bem como fiscalizar sua manutenção e educação. ou for fixado pelo juiz. Art. se houver fato grave. poderá visitá-los e tê-los em sua companhia. 1. 73 .589. que os cônjuges podem acordar sobre a guarda dos filhos. 1. provado que não são tratados convenientemente. A guarda pode ser obtida de forma provisória. mediante procedimento cautelar ou por decisão liminar inaudita altera parte em processo que tramita perante a Vara de Família e Sucessões. em qualquer caso. havendo filhos comuns.586. por qualquer pessoa capaz. O pai ou a mãe que contrair novas núpcias não perde o direito de ter consigo os filhos. quer pelos genitores ou por terceiros. 1. 1.584 e 1.588. XVI. o juiz modificará a guarda dos menores. Somente. sobre menor abandonado ou órfão. regular de maneira diferente da estabelecida nos artigos antecedentes a situação deles para com os pais. a bem dos filhos. Art. mesmo que o genitor não tenha sido despojado a título provisório ou definitivo do poder familiar. O pai ou a mãe. por exemplo.586. Quando a guarda versar. 1. observar-se-á o disposto nos arts. As disposições relativas à guarda e prestação de alimentos aos filhos menores estendem-se aos maiores incapazes.587.590. no entanto. segundo o que acordar com o outro cônjuge. em cuja guarda não estejam os filhos. Guarda derivada é aquela que uma pessoa obtém de forma superveniente.

Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado que o pródigo somente é considerado incapaz de forma relativa e para praticar atos de disposição patrimonial). Guarda unilateral Sendo determinada a guarda do filho incapaz em prol de apenas um dos cônjuges. Deve-se sempre atender ao bem-estar do menor. Não é correto usar o termo posse dos filhos. É nula a cláusula de separação9 ou divórcio que estabelece a modificação automática da guarda em virtude da alteração de domicílio do guardião. salvo se o julgador considerar mais benéfico à formação da prole que outra solução seja dada ao caso. ocorre a continuidade da guarda compartilhada. Isso não significa que o incapaz ficará sob a guarda de quem possui melhor situação financeira para sustentá-lo. de qualquer sorte. isto é. haverá a exclusão da responsabilidade do guardião. porém não possui o condão de levar o visitante a pleitear a modificação da guarda. sujeitando-se o visitante aos efeitos jurídicos do dano porventura sofrido pelo visitado. A guarda unilateral enseja o dever de vigilância a ser observado pelo guardião. o Juiz requererá avaliação psicológica. embora separados ou divorciados um do outro ter a guarda do mesmo filho. A regra é que a guarda dos filhos seja conferida à mãe. há guarda unilateral. 74 . porque posse é para bens e não para pessoas. Na guarda compartilhada alternada. há um rodízio entre os guardiães. ambos os genitores poderão. quanto mais quando se tratar de criança de tenra idade. esta última a modalidade mais comum quando da ocorrência da separação ou do divórcio. Sua conveniência. A guarda do filho será confiada ao cônjuge que possa melhor atender aos interesses do menor. Guarda compartilhada Mantendo-se a guarda a ambos os cônjuges por força da sentença judicial de separação ou divórcio. 2. cada qual devendo arcar com os deveres inerentes à guarda tão-somente durante o período para o qual forem encarregados. Em caso de discórdia entre os pais. As responsabilidades dos pais permanecem quando da guarda e se alternam entre eles quando estiverem com os filhos menores. preferindo-se que a guarda se dê em favor daquele que melhor se relaciona com o incapaz. 3. Quando o menor estiver sob os cuidados do outro cônjuge em virtude do exercício do direito de visitar. A guarda compartilhada pode ser exercida de forma concomitante ou alternada. A alteração do domicílio do guardião não pode ser encarada como um obstáculo ao exercício do direito de visitar que o outro cônjuge possui. pode ser questionada perante o Poder Judiciário.

Modificação da guarda A modificação da guarda é procedimento de natureza excepcional. 1. deve ser exercido em conformidade com o determinado na sentença judicial de separação. 75 . o juiz poderá proceder à restrição do exercício do direito de visitas a algumas poucas horas no domicílio do menor e acompanhado. o juiz poderá conceder a guarda ao pai ou a terceiro que seja membro da família de qualquer um dos cônjuges. o abuso de direito. a afinidade e a afetividade. este deve ser exercido. Dependendo.694. em tutela antecipatória do mérito. e. do pedido. poderá determinar a perda do direito de visitas. suspender temporariamente o direito de visitas. não embaraçando o exercício de suas atividades habituais. por algumas horas ou durante os dias estabelecidos pelo juiz. para que fique na companhia do visitante. hora. 5. Esta se dará obedecendo ao grau de parentesco. os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social. ainda. sem que qualquer hipótese de conflito de interesses. O genitor visitante deve respeitar. imprescindíveis à sua integração social e à confirmação de sua identidade. entre os envolvidos. Podem os parentes. Poderá. é razoável que o direito de visitas seja exercido com a retirada do menor de seu domicílio. de ato incompatível com a moral ou os bons costumes. pelo visitante.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Em caráter excepcional. em dia.694 A 1. a ameaça contra a vida ou a integridade física daquele que detém a guarda do filho. inclusive para atender às necessidades de sua educação. ALIMENTOS – ARTS. problemas de ordem econômica do guardião. XVII. o juiz de direito concederá a guarda a pessoa que não possua o poder familiar. e. Quando caberá a suspensão do direito de visitar: • • • a prática. 1. por si sós. devolvendo-se ou entregando-se o menor em horários e datas não ajustadas quando da separação ou do divórcio. possa prejudicar. Em princípio. Direito de visitar e direito de ser visitado Direito de visitas é aquele conferido a quem não detém a guarda do filho menor. Somente em caráter excepcionalíssimo. duração e local. O menor possui o direito de ser visitado. não se justificando quando há. a educação e a boa formação que vêm sendo dadas ao incapaz pelo seu guardião. 4. Em hipóteses de gravidade.710 DO CC Art.

nem pode prover. os cônjuges separados judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos. 1. a pedido de qualquer das partes. o filho havido fora do casamento pode acionar o genitor. Para a manutenção dos filhos. Art. 1. intentada ação contra uma delas.695. sem desfalque do necessário ao seu sustento. Para obter alimentos. 1. Art. sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos. nem aptidão para o trabalho. será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz. 1. 1. Na separação judicial litigiosa. Art.694.703. prestar-lhe-á o outro a pensão alimentícia que o juiz fixar.701. 1. quando menor. 1.700. poderá o interessado reclamar ao juiz. à própria mantença.699. exoneração. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes.694. o o 76 . serão chamados a concorrer os de grau imediato. caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. faltando estes. 1.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado § 1 Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. obedecidos os critérios estabelecidos no art. Os alimentos provisionais serão fixados pelo juiz. ou dar-lhe hospedagem e sustento. 1. fixar a forma do cumprimento da prestação. 1. Parágrafo único.698. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos.696. redução ou majoração do encargo. fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência. sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre.705.702. Art. Art. o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los. sendo um dos cônjuges inocente e desprovido de recursos.704. sendo facultado ao juiz determinar. que deve alimentos em primeiro lugar. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. Se o parente. pelo seu trabalho. ou na de quem os recebe. e. 1. A obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros do devedor. assim germanos como unilaterais. se as circunstâncias o exigirem. 1. que a ação se processe em segredo de justiça. conforme as circunstâncias. Parágrafo único. não estiver em condições de suportar totalmente o encargo.706. aos irmãos. sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação. 1. todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos. na forma do art. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos. pode fornecê-los.697. fixados os alimentos. e aquele. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando. uns em falta de outros. § 2 Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência. poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. 1. de quem se reclamam. nos termos da lei processual. Art. Art. quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes. e não tiver parentes em condições de prestá-los. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. Art. e extensivo a todos os ascendentes. guardada a ordem de sucessão e. Art. Compete ao juiz. Art. Art. Se.

incluindo parcelas despendidas com sepultamento.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Art. Parágrafo único. A obrigação alimentar pode ser originar: a) b) c) Da lei. de qualquer natureza. tratamento médico. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. O direito a alimentos é personalíssimo. Yussef Cahali entende por alimentos a obrigação de prestar as necessidades vitais de uma pessoa. sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão. Art. 1. compensação ou penhora. a união estável ou o concubinato do credor. transporte. e não pode ser objeto de renúncia. dentário.708. vestuário. Conceito O dever de prestar alimentos. Art. com a preservação da dignidade da pessoa humana. As prestações alimentícias. Arnoldo Wald estabelece que os alimentos constituem uma obrigação decorrente da solidariedade econômica. art. 1. diversões. 77 .710. Com o casamento. ademais.701). se a pessoa alimentada for menor de idade. 1. 2. e. ou subseqüentes do rompimento do casamento ou da convivência. Com relação ao credor cessa. aposentadoria por invalidez. Art. Exemplos: pensão por morte. é imposto por lei para que se possam garantir as necessidades vitais do alimentando. com o direito à vida. Segundo Orlando Gomes. por parentes legalmente responsáveis pelos alimentos. Pode o credor não exercer. ainda. serão atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido. 1. O novo casamento do cônjuge devedor não extingue a obrigação constante da sentença de divórcio.707. também. cogentes. disciplinado no Direito de Família. Trata-se de matéria em que transparece o interesse social. As regras deste subtítulo são de ordem pública. se tiver procedimento indigno em relação ao devedor. o legado (cláusula testamentária que beneficia determinado sucessor. como as verbas de natureza alimentar pagas pelo poder público. De sentença judicial. mediante o negócio jurídico ou. 1. pois. Compreende o que é imprescindível à vida da pessoa como alimentação. o direito a alimentos.709. cessa o dever de prestar alimentos. habitação. ainda verbas para sua instrução e educação (CC. imperativas. que pode ser pessoa estranha à família ou não). Da vontade humana. alimentos são prestações para satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. Os alimentos podem ter origem na relação de parentesco. não pode ser cedido a outrem. é impenhorável. com os direitos da personalidade. imprescritível. 1. Relaciona-se.

um ou outro integrante poderá ser compelido ao pagamento das prestações imprescindíveis à subsistência. pelos de linha colateral. Presentes tais requisitos. de igual modo. Pressupostos da obrigação alimentar São três os pressupostos para que se configure a obrigação de prestar alimentos (Gomes. Já o art. entende que a obrigação alimentar não é devida pelo parente por afinidade porque os afins. Conforme a pessoa que necessita de alimentos na família. Cabe ressaltar que quem é obrigado a prestar também pode exigir seu recebimento. não são parentes. Modos de satisfação da obrigação alimentar e pessoas envolvidas na relação de alimentos Os alimentos podem ser supridos (art. • Estado de necessidade do alimentando. Pela redação do artigo 1.700 traz a transmissibilidade da obrigação alimentar aos herdeiros.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Os alimentos devem ser fixados em favor do integrante da família que deles necessite para subsistir. o dever em desfavor de parentes por afinidade. O art. os alimentos devem ser fixados guardando a proporção entre o binômio necessidade-possibilidade. 1. 3. 2001. Devem ser observados os seguintes critérios: 10 Silvio Rodrigues. p. Arnoldo Wald. em face do princípio da solidariedade familiar.701. 429): • Existência de determinado vínculo de família entre o alimentando e a pessoa obrigada a suprir alimentos.697 do CC. cônjuges e companheiros. pode-se observar que estão envolvidos nessa relação de obrigação-direito: os ascendentes. Orlando. 1. Exclui. contemplando a hipótese de obrigação fixada em desfavor de qualquer um desses membros da família. os descendentes e os irmãos germanos e unilaterais. a rigor. • Possibilidade econômico-financeira da pessoa obrigada a prestar alimentos. 78 . na sua falta. de modo que a prestação seja suficiente para suprir as necessidades do alimentando e seja possível de ser prestada pelo alimentante.694 do CC expressamente possibilita a fixação de alimentos a serem pagos entre parentes. quando menor. Direito de Família. 2002. 4. sem prejuízo ao necessário à educação. 422). contudo. CC): • • Por meio de pensão ao alimentando. pois o direito à prestação de alimentos é recíproco entre as pessoas definidas em lei10. Por meio de hospedagem e sustento. 1. Luiz Edson Fachin entende que os alimentos devem ser pagos pelos parentes em linha reta e. Direito Civil – Direito de Família. lembrando que somente é transmissível até a força da herança. p.

o filho deve alimentos ao pai. que se tornou órfão. Avô Pai Tio João João é parente em 1º grau de seu pai.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado • Se os alimentos devem ser concedidos em favor de uma criança ou de um adolescente. na impossibilidade dele. o de 2º grau. quando este for idoso e não puder garantir a sua subsistência. É possível a responsabilidade conjunta de duas ou mais pessoas ao pagamento de pensão alimentícia. para um tio ser compelido a pagar alimentos em prol de seu sobrinho. porém de obrigação conjunta 79 . Caso o filho não possa pagar alimentos. o devedor será o ascendente imediato ou de 1º grau e. o avô pode solicitar ao neto João. desde que presentes os elementos viabilizadores da fixação de pensão alimentícia. na sua impossibilidade. de 2º grau de seu avô e de 3º grau de seu tio. A relação de parentesco entre João e o Pai é de 1º grau na linha ascendente. • Se os alimentos devem ser concedidos em favor do idoso. Não se trata de obrigação alimentar solidária. por exemplo. no nosso exemplo. Avô Pai João (neto) Desta forma. Avô Pai João O parentesco entre João e seu avô: relação de parentesco em linha reta de 2º grau ascendente. o de 2º grau. o devedor será o ascendente imediato ou de 1º grau e. • Não há impedimento legal.

p. A obrigação de prestar alimentos é transmissível aos herdeiros do devedor. perde o direito a receber alimentos do antigo consorte. sempre levando-se em consideração a necessidade do credor. não havendo razões para se impedir. Os alimentos são insuscetíveis de cessão ou compensação. 5. tais como: alimentação. devendo ainda prestá-lo ao cônjuge necessitado. Os alimentos não são reembolsáveis. e desse modo. parágrafo único: 80 . v. em princípio. Obrigação de alimentos ao cônjuge O cônjuge não foi citado na ordem acima descrita porque o fundamento da obrigação é outro. instrução. Se. Portanto. b) alimentos civis. em valor que não comprometa a sua subsistência. por sua.480). Os devedores comuns respondem conjuntamente. Curso de Direito Civil brasileiro. Cada qual poderá ser compelido ao pagamento segundo a proporção de sua possibilidade. CC). Na fixação da prestação de alimentos deve-se observar o binômio necessidade do alimentando e possibilidade do prestador. instaura-se o concurso de devedores. o cônjuge credor contrair nova união. mas sim do dever de mútua assistência em decorrência da dissolução da sociedade conjugal. ou seja. Inovou a legislação civil ao prever no artigo 1. A obrigação. não decorre da relação de parentesco. No concurso de devedores. que são aqueles devidos para a subsistência do organismo humano. a divisão igualitária da obrigação (poderá ser um avô e um tio da criança). não cessa se o cônjuge devedor se casar novamente. Os alimentos podem ser: a) alimentos naturais. asseveram Orlando Gomes e Yussef Cahali. o devedor poderá ser obrigado ao pagamento de alimentos. até a força da herança. educação. Características: • • • • • • Os alimentos são irrenunciáveis. Mariia Helena Diniz. ainda que tenha ocorrido a extinção de sua necessidade. 2002. 5.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado ao pagamento de pensão. 7. aqueles que englobam outras necessidades.704. 206. pois o credor pode abrir mão de seu exercício. como as intelectuais e morais. mas não do direito. 6. primeiramente verifica-se a possibilidade de cada coalimentante ao pagamento da prestação. a partir da data em que se venceram (art. isto é. contudo. § 2º. vestuário e habitação. assistência e recreação. remédios. vez. tendo o devedor de pagá-los a quem necessita (cf. embora prescreva em dois anos a pretensão para haver prestações alimentares. O direito aos alimentos é imprescritível. Os alimentos são impenhoráveis.

Sentença reformada. Maioria. os naturais11. prestar-lhe-á o outro a pensão alimentícia fixada pelo magistrado. Ressalta-se. que quando do divórcio. deste modo. o que nos faz analisar que.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Art. 1. e não tendo renúncia expressa. FALTA DE RENÚNCIA EXPRESSA. isto é. (20030610042647APC.704. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos. que são aqueles devidos para a subsistência do organismo humano. nem aptidão para o trabalho. Logo. Na separação judicial litigiosa. concordou em perceber alimentos do cônjuge-varão durante 13 (meses). 1. essa previsão é uma injustiça. RECLAMAÇÃO DE CONTINUIDADE DOS PAGAMENTOS. o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los. Trata-se dos alimentos indenizatórios concedidos necessarium personae. 1. prestar-lhe-á o outro a pensão alimentícia que o juiz fixar. DJ 11 alimentos naturais. o dever de alimentar não será considerado apenas a título de dever de socorro. que ao cônjuge culpado só serão devidos os alimentos indispensáveis à sobrevivência. NECESSIDADE-POSSIBILIDADE. 1. mantendo-se seu padrão de vida (RT. fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência. 4ª Turma Cível. ainda deverá socorrer em suas necessidades o cônjuge culpado. Desse modo. DIVÓRCIO. apresentando-se o quadro acima descrito. ALIMENTOS ACORDADOS ENTRE OS CÔNJUGES POR PERÍODO CERTO DE TEMPO (13 MESES). Vejamos alguns julgados: CIVIL E PROCESSO CIVIL. julgado em 22/08/2005.702 do CC. 720:101). Para muitos. Na separação judicial litigiosa. também o chamado de alimentos humanitários. conforme Jones Figueiredo Alves. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos. atendido o duplo requisito possibilidade-necessidade. abrangendo as necessidades básicas para a preservação da vida e as despesas relativas à sua condição social. à cultura etc. 2. caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. 81 . o inocente terá direito à mesma condição social de que desfrutava durante o casamento. assiste razão à autora a reclamar a continuidade dos pagamentos. e não tiver parentes em condições de prestá-los. esta é a inteligência do artigo 1. obedecidos os critérios estabelecidos no art. máxime quando superveniente doença que a impossibilita de promover o próprio sustento. embora ofendido ou magoado o cônjuge inocente. sendo um dos cônjuges inocente e desprovido de recursos. Parágrafo único. remédios. como as concernentes ao lazer. pois a culpa de que se trata é da quebra dos deveres do casamento. todavia. sendo um dos cônjuges inocente e desprovido de recursos. será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz. venha a reclamar a prorrogação do acordo.694. Somente a renúncia expressa em termos inequívocos impossibilita que o cônjuge-virago. Apelo provido. Relator CRUZ MACEDO. 1. atendendo aos critérios do art. vestuário e habitação. Art. tais como: alimentação.702. mas apenas eventual dispensa.694 do CC.

DJ 19/11/2003 p. daí sim poderá o ex-cônjuge mover a ação em desfavor de seus parentes. Assim. 3ª Turma Cível. Relator ROBERVAL CASEMIRO BELINATI.694 do Código Civil.(20030020035432AGI. segundo está expresso no artigo 1. com fundamento no artigo 1. Renúncia ao exercício do direito à pensão alimentícia De acordo com o já estudado. eis que efetivamente demonstrada a necessidade da esposa. mas não do direito. renunciou ao exercício do direito à pensão alimentícia.704 do Código Civil. defere alimentos provisionais ali postulados. É evidente que para a fixação dos alimentos o juiz apreciará o binômio necessidade/capacidade dos cônjuges.704 do Código Civil é claro nesse sentido. você pode abrir mão do seu exercício.PRESENÇA DOS REQUISITOS . porque há informações nos autos de que o cônjugevarão foi interditado em razão de doença mental. O artigo 1. 2ª Turma Cível. julgado em 16/10/2003. ALIMENTOS PROVISÓRIOS FIXADOS EM DEZ POR CENTO DOS RENDIMENTOS DA EX-ESPOSA. julgado em 16/05/2005. onde percebe remuneração líquida mensal superior a três mil e duzentos reais. 118) SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA . não é carecedor de ação o ex-cônjuge que primeiro ajuíza a ação de alimentos contra a ex-mulher. Se esta não tiver condições.(20050020008731AGI. Sendo assim.DEFERIMENTO. posteriormente carecerá de ação para pleitear alimentos ao seu ex-marido. ostenta renda salarial privilegiada. poderá desde logo fixar os alimentos provisórios. o cônjuge-varão tem o direito de pedir alimentos à ex-mulher. de um bom padrão de vida. 155) AÇÃO DE ALIMENTOS PROPOSTA PELO EX-MARIDO. Para que o ex-cônjuge varão postule alimentos. será o outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser fixada pelo juiz. 1. está correta. Relator ADELITH DE CARVALHO LOPES. ainda que na homologação do acordo da separação judicial os cônjuges tenham dispensado os alimentos. enquanto a ex-mulher do agravado é funcionária pública federal. AGRAVO DE INSTRUMENTO PRETENDENDO A SUSPENSÃO DA DECISÃO. ante a 82 .ALIMENTOS PROVISIONAIS . não se revelando o valor arbitrado em empeço ao desfrute.1. porém temos julgados dispares com relação ao assunto. ao receber a petição inicial da ação de alimentos. No caso em apreço. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos. a decisão que fixou os alimentos provisórios em dez por cento dos rendimentos brutos da ex-mulher. em sede de ação de separação judicial litigiosa. 32) 7. por ex. Entende-se que se a mulher. FATO QUE NÃO IMPEDE O AJUIZAMENTO DA AÇÃO. que não possui qualquer renda e que vive na companhia de sua genitora que percebe pensão mensal do INSS no valor de um salário mínimo. mover a ação em desfavor da ex-mulher. por parte dele.. lotada na Procuradoria Geral da Justiça Militar. Correto se revela provimento jurisdicional que. se estes não tiverem condições de prestálos. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DA EX-MULHER REJEITADA. por seu turno. DJ 30/08/2005 p. não é preciso que primeiro ajuíze a ação de alimentos contra os seus parentes para só depois. RECURSO DESPROVIDO.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 18/10/2005 p. 2. ALEGAÇÃO DE QUE OS ALIMENTOS FORAM DISPENSADOS POR OCASIÃO DA HOMOLOGAÇÃO DA SEPARAÇÃO JUDICIAL. o qual. e o juiz. os alimentos são irrenunciáveis. que vem se submetendo a tratamento médico decorrente de violência física perpetrada pelo marido. abatidos os descontos compulsórios.

1. RT. impõe-se o reconhecimento da impossibilidade jurídica do pedido. 16.AUSÊNCIA DE CLÁUSULA REFERENTE À OBRIGAÇÃO ALIMENTÍCIA POR PARTE DO EX-CÔNJUGE COM RELAÇÃO AO OUTRO . Providos os embargos infringentes. 1571. DJ 19/09/2006 p. mesmo que alegue alteração de sua situação econômica (RT. 115) CIVIL. 162:314.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado insubsistência do vínculo matrimonial.ROMPIMENTO DA SOCIEDADE CONJUGAL . julgado em 03/10/2005. e apenas ela. Comprovada a efetiva renúncia ao direito de receber alimentos na oportunidade do acordo de separação judicial consensual. A ausência de renúncia expressa com relação ao recebimento dos alimentos não implica a obrigação por parte de um dos ex-cônjuges em pagar pensão alimentícia ao outro. por conseqüência. RENÚNCIA EXPRESSA. 620.(20030710215909APC. em um contexto de definitividade. 3ª Turma Cível.CONVERSÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO EM DIVÓRCIO CONSENSUAL . 2. cessando. sem a intenção da renúncia ao direito aos alimentos. CONDIÇÕES DA AÇÃO. 3. 2ª Câmara Cível.167.J. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. DJ 02/02/2006 p. Relator MARIO-ZAM BELMIRO. inserindo-se a primeira. 99) EMBARGOS INFRINGENTES . EJSTJ. 20:133. A intenção dos cônjuges de emprestar diferentes significados aos termos "renúncia" e "dispensa" resta evidente.56). qualquer obrigação alimentícia por parte do cônjuge com relação ao outro. Unânime. AÇÃO DE ALIMENTOS PROPOSTA CONTRA EXMARIDO.INEXISTÊNCIA DE DEVER QUANTO À PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS. se ambos foram empregados na petição do acordo sobre o divórcio. do Código Civil dispõe que a sociedade conjugal termina pelo divórcio. INEXISTÊNCIA. A renúncia não pode ser presumida e abarcada pela simples dispensa. 2. Vejamos julgados do DF: FAMÍLIA. 776. COM BASE CONTRATUAL. seja pelo fato de que a exceção é que deveria estar expressa no termo de acordo. A dispensa motivada da pensão. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. julgado em 21/08/2006. SE EXSURGE DOS TERMOS DO ACORDO. aludindo a hipótese diversas. 3. 1. IV. eis que seu convencimento dispensa a realização de todas as diligências requeridas pelas partes. se modificadas as circunstâncias. posteriormente convertido em divórcio. por parte de um dos cônjuges. não inibe futura demanda em que venham a ser reclamados. DIVÓRCIO.(20030610042647EIC. seja pelo fato de que tal obrigação inexistia à época da consumação do divórcio. Relator J. COSTA CARVALHO. CIVIL E PROCESSO CIVIL. Recurso desprovido. OBRIGAÇÃO QUE SUBSISTE. Precedentes desta Corte e do colendo Superior Tribunal de Justiça. todavia tem havido decisão em contrário (JB.224). 83 . Inexiste cerceamento de defesa quando o magistrado indefere a produção de provas sabidamente inócuas para o desate da querela. DISPENSA MOTIVADA QUE NÃO SE CONFUNDE COM RENÚNCIA. DIVÓRCIO CONSENSUAL. O art. CERCEAMENTO DE DEFESA. ALIMENTOS.

caso demonstre a existência do binômio necessidade/possibilidade. Provisórios – aqueles fixados liminarmente (initio litis) na própria ação de alimentos. 2002. estabelecido na Lei n. Maria Helena. 84 . v. Classificação dos alimentos quanto à finalidade: • Definitivos ou regulares – Aqueles de caráter permanente. Aqueles determinados em medida cautelar (ex. 2002. Diniz. O cônjuge que dispensa os alimentos por ocasião da separação judicial pode requerê-los posteriormente. O fato de a mulher manter relacionamento afetivo com outro homem não representa causa suficiente para eximir o alimentante de prestar alimentos à mesma. 10. Relator ANA MARIA DUARTE AMARANTE. 430. Ação de alimentos. DJ 19/11/1997 p. estabelecidos pelo juiz na sentença ou em acordo das partes devidamente homologado. na pendência da lide. 3ª Turma Cível.RECURSO .NAMORO .478/68. 476). de rito especial. Quanto à causa jurídica • • • Voluntários – Aqueles que resultam de declaração de vontade.699 do CC. Provisionais acautelatórios ou ad litem.RENÚNCIA . DJ 22/09/2005 p. para tanto. Relator LÉCIO RESENDE. Não representa renúncia do direito aos alimentos. 93). Alimentos provisórios e definitivos A legitimidade ativa ad causam é do credor. possam ser revistos em caso de mudança na situação financeira do devedor ou do credor de alimentos. 8. tratando-se de credor incapaz poderá suceder a sua representação ou assistência. (Cf. 28. Destinam-se a manter o litigante. p. Ressarcitórios – Aqueles destinados a indenizar as vítimas de ato ilícito. Por isso. exigindo-se.RECURSO DESPROVIDO. segundo o artigo 1.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado (APC4249596.382) AÇÃO DE ALIMENTOS . de anulação ou nulidade de casamento ou mesmo de alimentos. inter vivos ou causa mortis. 5ª Turma Cível. mas sim dispensa provisória e momentânea. por se tratar de natureza intuitu personae. prova pré-constituída de parentesco. de divórcio.: separação de corpos) preparatória ou incidental de ação de separação judicial.PRETENSÃO DE RECEBÊ-LOS POSTERIORMENTE .ACORDO HOMOLOGADO NA SEPARAÇÃO JUDICIAL DISPENSA DOS ALIMENTOS PELO EX-CÔNJUGE . hipótese possível caso tal relacionamento representasse união estável. • • 9. casamento ou união estável. (20030410065330APC.SENTENÇA . Curso de Direito Civil Brasileiro. julgado em 15/05/1997. p. consoante o grau da sua incapacidade. bem como a custear as despesas com o processo. 5. Silvio Rodrigues. para a lide. julgado em 15/08/2005.PROCEDÊNCIA DO PEDIDO . 5. Direito Civil – Direito de Família. embora. Legítimos – Aqueles impostos por lei em virtude do fato de existir entre as pessoas um vínculo familiar. daí a nomenclatura ad litem.

13. art. o 12 13 14 Que não tem capacidade legal. que fica assim juridicamente desprotegido.. os pródigos.º 5. ainda. 501:110. 16 Alimentos definitivos são aqueles estabelecidos por sentença judicial. 13. cujo pagamento está atrasado. ordinária. 518:279). Reza tal lei no seu art. no caso de incapacidade por idade. 15 Os alimentos provisionais somente podem ser fixados em processo cautelar. 15) ou deterioração monetária provocada pela inflação (Lei 6. nem com os definitivos16. § 2º). o prazo prescricional17 é de 2 anos (CC. não transitando em julgado. RT. o juiz mandará citar o devedor para. se houver alteração na situação econômica das partes (art. mas para exercer a pretensão à execução de alimentos. Como já vimos. inábil. Os menores de 18 anos e maiores de 16 anos. O relativamente incapaz13 – será assistido pelo detentor do poder familiar ou. tinham direito de haver de seus parentes. etc. [Cf. na ausência deste. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.. pelo tutor ou curador. efetuar o pagamento. em 3 dias. 1º e 6º). 100. § 2º). Nela há uma fase preliminar de conciliação (Lei n. sendo devidos até a decisão final ou julgamento do recurso extraordinário (art. nem se escusar. se o devedor não pagar.515/77. II. pode a qualquer tempo ser revista. § 1º). sendo de salientar-se que a lei não estabelece nenhum critério) a serem pagos pelo devedor. nesta acepç. que deles não necessita. expressamente. seguindo o rito especial e sumário.º 968/49. a intervenção do MP (RT. § 3º).478/68 (Lei de Alimentos). na execução da sentença que fixa a prestação alimentícia. O mestre Cahali nos ensina que. que não se confundem com os provisionais15. art. por laços de parentesco. os toxicômanos. é feito por meio da nomeação judicial de um tutor. A petição inicial pode conter pedido de fixação provisória de alimentos14. a hipótese é de curatela. 4º que o juiz. 492:106). 509:140. 206. por seu tutor ou curador. se houver modificação da situação econômicafinanceira dos interessados (art. O suprimento do exercício do poder familiar. art. fixará alimentos provisórios (na base de 1/3 dos rendimentos do devedor. a partir de quando as prestações serão exigidas ou devidas (art. decadência (5). 503:87. na sua falta. (CPC. 22). Às demais incapacitâncias. 448).Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado O absolutamente incapaz12 – será representado pelo detentor do poder familiar ou. ao despachar o pedido inicial. arts. art. A ação de alimentos é o meio técnico de reclamá-los desde que se configurem os pressupostos jurídicos. em conseqüência do não uso dela durante determinado tempo. os excepcionais. na qual o magistrado empregará todos os meios para que as partes entrem num acordo sobre o direito ou sobre o quantum dos alimentos (CPC. O foro competente para processar e julgar a ação ordinária de alimentos é o da comarca do domicílio do alimentando. A sentença que conceder alimentos retroage nos seus efeitos à data da citação inicial. É uma ação de estado. 17 Perda da ação atribuída a um direito. os ébrios. Requer.] 85 . é imprescritível. Alimentos provisórios são aqueles fixados incidentalmente no curso de um processo de cognição. [Diz-se daquele a quem a lei priva de certos direitos ou exclui de certas funções]. estabelecido pela Lei n. salvo se o credor declarar. o foro competente é o do domicílio do alimentando. afastam-se assim as dificuldades processuais que retardavam a concessão de recursos aos necessitados que. 13. Os alimentos provisórios poderão ser revistos a qualquer tempo.

DA EXECUÇÃO DE PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA Art. Art. o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.DA EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR SOLVENTE). mas o juiz não lhe imporá segunda pena. por isso. perdem. (Redação dada pela Lei nº 6. em ordem a afastar a possibilidade do decreto de prisão. segundo a jurisprudência. a natureza alimentar. que condena ao pagamento de prestação alimentícia. como diz Bellot. de 26. não necessita dos alimentos. efetuar o pagamento. 56:194 e 200). art. prevê pena de detenção de 1 a 4 anos e multa de 1 a 10 vezes o maior salário mínimo vigente no Brasil àquele que. meios eficaz para coagir o alimentante recalcitratante a pagar dívida alimentar. Na execução de sentença ou de decisão. o decreto da prisão.478/68. E. 733. Recaindo a penhora em dinheiro. EJSTJ. 244. vem se entendendo. sendo uma das exceções a de que não há prisão por dívidas (CF/88.515. de forma coativa”. RSTJ 87:323. 5. devendo as mais antigas. deixa de prestar alimentos. 61:379. (veja o capítulo . Bem por isso. em definitivo. trata-se de crime de abandono material. ou seja. 51:363. § 2 º O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas ou vincendas. com a redação dada pelo art. É que. § 1 Se o devedor não pagar. ela deve ser exigida imediatamente após a existência e o nascimento da obrigação. por sentença ou acordo (RJSTF. não justificando. o juiz mandará citar o devedor para.º 5. salvo se realmente impossibilitado de fornecê-lo (RT.1977) o o 18 Cahali esclarece que a prisão civil não é bem uma pena.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado magistrado decretará sua prisão civil (Lei n. pelo menos em caráter sobrevivencial. é porque. doutrina e jurisprudência firmaram entendimento de que se o alimentando não cobra os alimentos. 786:217.478. efetivamente. nesses casos. deixando passar o tempo e permitindo a acumulação de parcelas vencidas. por essa razão. 733. aqueles vencidos. há mais de três meses. sem justa causa. arts. Os alimentos pretéritos. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. 108:345. mas. nesses casos. o oferecimento de embargos não obsta a que o exeqüente levante mensalmente a importância da prestação. em regra. “por se tratar de verba que visa atender à própria sobrevivência. passando a ter características tipicamente reparatórias de despesas já efetivadas. 139:166. em 3 (três) dias. 21 da Lei n. § 2 O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas. art. em se tratando de alimentos provisórios ou provisionais. RT. Ciência Jurídica. RF.12. 86 . A execução de sentença. que fixa os alimentos provisionais. 5º. § 1º). 601:240. LXVII). pelo prazo de 1 a 3 meses18 (CPC. se os alimentos devidos estiverem fixados. 15:236. Parágrafo único. 732. serem cobradas na forma do artigo 732 do mesmo Código. nem se escusar. que a execução das prestações alimentícias atrasadas somente pode se processar na forma do artigo 733 do CPC. art. 19 e 21) até 60 dias. se existentes. ainda que haja inadimplemento posterior. far-se-á conforme o disposto no Capítulo IV deste Título. 585:262) e. O Código Penal. até o limite das três últimas.

O esclarecimento acerca da extensão do desconto pactuado em juízo a título de alimentos é perfeitamente possível de ser feito nos autos da ação de alimentos. à empresa ou ao empregador por ofício. se a menor possui problemas de saúde.AÇÃO REVISIONAL DE ALIMENTOS . não existe uma determinação legal) sobre os rendimentos auferidos pelo devedor. o juiz mandará descontar em folha de pagamento a importância da prestação alimentícia. militar. diretor ou gerente de empresa. insuficiente para prover as necessidades da menor. pode o credor promover a execução da sentença. compreendendo. de que constarão os nomes do credor. o que pressupõe maiores gastos com medicamentos. 4ª Turma Cível. sob pena de reduzi-la a valor ínfimo. o levantamento do FGTS. Com a constituição de nova família e. como o salário recebido no desempenho de suas atividades empregatícias. como as indenizações por convenção de licença-prêmio ou férias em pecúnia (dinheiro). tal percentual deve incidir sobre a remuneração do genitor. as gratificações e incorporações na remuneração do alimentante. Qualquer pretensão de modificação do valor pactuado a título de alimentos deve ser buscada em ação revisional. aumento de gastos. razão pela qual não pode incidir sobre a mesma pensão alimentícia (art. seja ela em reais ou dólares.QUANTUM . 735. julgado em 04/05/2000. Vejamos alguns julgados: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL .DIPLOMATA . a importância da prestação e o tempo de sua duração.ÍNDICE DE REPRESENTAÇÃO NO EXTERIOR . não podem ser excluídas da base de cálculo da pensão.733/73) (20020020039665AGI. 734. A comunicação será feita à autoridade. as eventuais horas extras.NOVA FAMÍLIA . As parcelas extraordinárias. excluindo-se as recebidas eventualmente.ESCLARECIMENTO POSSIBILIDADE .IREX é verba de cunho indenizatório. DJ 12/03/2003 p.BASE DE CÁLCULO DA PENSÃO . Relator SANDRA DE SANTIS. justifica-se o tratamento desigual em relação ao irmão. Art.PERCENTUAL DE 10% ADEQUADO.1 Do valor da pensão alimentícia Importante ressaltar que a pensão pode ser estipulada em percentual (em torno de 10 a 40%.IREX CARÁTER INDENIZATÓRIO PENSÃO ALIMENTÍCIA NÃO INCIDÊNCIA. A Indenização de Representação do Exterior .AÇÃO DE ALIMENTOS . DJ 87 .Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado § 3 Paga a prestação alimentícia. o reembolso de despesas de viagem. Se o devedor não pagar os alimentos provisionais a que foi condenado. motivo pelo qual deverá o valor da pensão ser revisado. 75) CIVIL . o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. (19980310015300APC. o 10. abatendo-se para efeito dos cálculos apenas os descontos compulsórios. Parágrafo único.GRATIFICAÇÕES E INCORPORAÇÕES . 5ª Turma Cível. Quando o devedor for funcionário público. do devedor. Relator SÉRGIO BITTENCOURT. Art. Porém. etc. bem como empregado sujeito à legislação do trabalho. o 13º salário e outras. considerando-se somente as verbas de caráter permanente. há inegavelmente alteração da capacidade contributiva do alimentante. 17 do Decreto 71. observando-se o procedimento estabelecido no Capítulo IV deste Título. conseqüentemente. na hipótese. Pactuando as partes que o alimentando faria jus a 15% dos ganhos do alimentante. julgado em 12/12/2002. e não remuneratório.

art. dispõe o credor dos seguintes meios: 1. para assegurar o pagamento de alimentos provisórios (Lei n. INEXISTÊNCIA DE CLÁUSULA QUE IMPLIQUE RENÚNCIA. Relator CARMELITA BRASIL. REJEITADA A PRELIMINAR DE PRONUNCIAMENTO CITRA-PETITA. art.478. 19 É a constrição judicial de bens. 659 e seguintes. art. desconto em folha de pagamento da pessoa obrigada (CPC. EXONERAÇÃO CONCEDIDA. NO MÉRITO. 4. soldo de militares e salários em geral. 88 .155) ALIMENTOS.515/77. MAIORIDADE DOS FILHOS. AO FIXAR EM 15% SOBRE OS VENCIMENTOS LÍQUIDOS DO PAI ALIMENTANTE A PENSÃO DEVIDA AO FILHO MENOR. DA MULHER AOS ALIMENTOS. 41) PENSÃO ALIMENTÍCIA. APELO PROVIDO. Veja arts. inclusive subsídios de parlamentares (CPC. já idosa e doente. lícito pleiteá-los quando deles necessitar desde que não rompido o vínculo conjugal. parágrafo único). 47) 10. 734). penhora19 em vencimento de magistrados. reserva de aluguéis de prédios do alimentante (Lei n.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 28/06/2000 p. 5.2 Meios de assegurar o pagamento da pensão Para garantir o direito à pensão alimentícia e o adimplemento da obrigação. para reclamá-los (lei n. a ação de alimentos. 3ª Turma Cível. do Código de Processo Civil. Verifica-se que. art. art. justa a fixação de alimentos para a mulher. entrega ao cônjuge. 17). aos filhos. que o alimentante tem judicialmente obtido. (19980410032936APC. FILHOS COMUNS SOB A GUARDA DA MÃE.478/68. sendo certo que a mulher sempre viveu com a pensão recebida. DJ 09/03/1994 p. 4º. 7. DJ 21/02/2001 p. embora fosse ela destinada aos filhos. UNANIMEMENTE. na hipótese que o casal tinha seis filhos menores. 5. SEQUER DISPENSA. 1ª Turma Cível. se o regime de casamento for o da comunhão universal de bens. alimentos no valor equivalente a 40% de seus rendimentos. mensalmente. de parte da renda líquida dos bens comuns. 2. constituição de garantia real20 ou fidejussória21 e de usufruto22 (lei n. o bem é vendido em hasta pública e o produto da venda é revertido em favor do credor.º 6. Se quando da separação do casal a mulher não renunciou aos alimentos. Relator EDMUNDO MINERVINO.478/68. 5. 5. ficaram sob a guarda da mãe e o pai obrigou-se a prestar. julgado em 28/08/2000. ALIMENTOS FIXADOS PARA OS MENORES NA AÇÃO DE SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA TRANSFORMADA EM CONSENSUAL. MULHER DESAMPARADA. execução por quantia certa (CPC. professores e funcionários públicos. CASAL SEPARADO JUDICIALMENTE HÁ VÁRIOS ANOS. 3. dados pelo devedor em garantia de execução de dívida. CORRETA A DECISÃO RECORRIDA. 6. administrados pelo devedor. (APC2928392. em geral. Não paga esta. Com a maioridade e a conseqüente exoneração. julgado em 19/08/1993. 21). 2. 732). DE 03 ANOS DE IDADE. IV). NEGOU-SE PROVIMENTO AO RECURSO. 649. art.

e não apenas para suprir o indispensável (art. 22 Direito que se confere a alguém para. que se responsabiliza. limitando-se. desde que não lhe altere a substância ou o destino. 1. Obrigação acessória assumida por terceira pessoa.694 do CC permite concluir que devem ser aplicados aos alimentos devidos em conseqüência da dissolução da união estável os mesmos princípios e regras aplicáveis à separação judicial.694. art. 10. conforme anteriormente se afirmou. nem aptidão para o trabalho. prisão do devedor (Lei n. inclusive para atender às necessidades de sua educação. ante a superveniência de fatos novos (estado de fato) que justifiquem a redução ou a majoração do valor da prestação alimentar. parágrafo único). os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social. (Artigos 1. CPC art.702). 89 .704. total ou parcialmente. 733).478/68. a união estável ou o concubinato do credor” (CC. por certo tempo. 23 Art. 10 Recai sobre determinado bem móvel e imóvel de propriedade do devedor. 1. A revisão dos alimentos fixados judicialmente decorre do fato segundo o qual a sentença que os concede é de natureza continuativa. abonação. 1. O novo casamento deste. a ser paga pelo outro. como maneira de assegurar ao credor. retirar de coisa alheia todos os frutos e utilidades que lhe são próprios. portanto. 1. todavia. Cessa o dever de prestar alimentos com “o casamento. se deles vier a necessitar e não tiver parentes em condições de prestá-los. inclusive para atender às necessidades de sua educação. parágrafo único). fixada com obediência dos critérios estabelecidos no art. ao indispensável à sobrevivência deste (art. 1. Significativa inovação introduziu o CC de 2002 nesse assunto ao prever a fixação dos alimentos na dissolução litigiosa da sociedade conjugal mesmo em favor do cônjuge declarado culpado. 21. caso este não a cumpra ou não possa cumpri-la. a proporcionar-lhe um modo de vida compatível com a sua condição social. fiadoria.225 a 1. fidejussória. o que possibilita a alteração do valor originariamente estabelecido a título de pensão. fiador. no entanto. Podem os parentes. a pensão.227 do Código Civil). pelo cumprimento da obrigação do devedor. “não extingue a obrigação constante da sentença de divórcio” (art. 5. 21 Jur. 1. caução fidejussória. garantia quanto à dívida assumida por aquele.708.3 Alimentos decorrentes da dissolução da sociedade conjugal e da união estável A dicção do art. Por outro lado. 10. art. “perde o direito a alimentos o credor que tiver procedimento indigno em relação ao devedor” (art.4 Revisão de alimentos É possível a revisão dos alimentos. de acordo com a modificação da situação das partes. O cônjuge inocente e desprovido de recursos terá direito a pensão.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 8.69423 e destinada.708). 1.709). 1.

devendo-se sempre assegurar a pensão de forma eqüitativa em prol de todos os credores. se a incapacidade por idade for absoluta ou quando se fizer necessária a nomeação de tutor com fim específico de autorizar o casamento. 90 . 10. O ministério público atuará no feito. Entretanto.de autorização dos detentores do poder familiar. . ou . A exoneração de alimentos é cabível nos seguintes casos. ou e) a impossibilidade do prestador de continuar cumprindo a obrigação alimentar. a fim de evitar um ônus maior ao credor.pela colação de grau em curso de ensino superior.pelo exercício de emprego público efetivo. ao menos. b) a emancipação do alimentando. encontra-se matriculada em curso superior. a hipótese deverá ser considerada como de suspensão dos alimentos. c) a morte do alimentando. Emancipação legal se dá: . 16 anos de idade. a obrigação persiste até os 18 anos do alimentando. pressupondo a jurisprudência que essa obrigação remanesceria até que o alimentando atingisse a idade de 24 anos. que 24 Proporcionalmente. A emancipação voluntária pode se dar em favor da pessoa que tem. por ato jurídico formal praticado pelo detentor do poder familiar. A emancipação legal pelo casamento. embora tenha atingido a maioridade. bem como nos casos expressos em lei. Pontes de Miranda e Yussef Cahali propugnam que as diminuições são pro rata24. com o advento puro e simples da maioridade civil do alimentando. Tratando-se de impossibilidade temporária. O alimentando pode vir a ser emancipado na forma voluntária. considerada razoável para a finalização da graduação e a introdução no mercado no trabalho. Porém se esta emancipação se der para exoneração de alimentos.5 Exoneração de alimentos Exoneração de alimentos é a cessação definitiva da obrigação de prestar alimentos. 16 anos.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado No caso de concurso de créditos de alimentos. porque o direito de alimentos é personalíssimo.pelo estabelecimento civil ou comercial. a) o advento da maioridade do alimentando. d) a desnecessidade do alimentando. ante a possibilidade de subsistência pelos meios próprios.através de suprimento judicial. o que não se verifica na prática. o que se dá aos 18 anos de idade. se o interessado em contrair núpcias tiver. admite-se a continuação do pagamento de alimentos em prol da pessoa que. em princípio. e não de exoneração. o que se comprova mediante o registro em carteira de trabalho. sob pena de comprometer a sua própria subsistência. .pela existência de relação de emprego. . de difícil aplicabilidade. Ocorre a exoneração dos alimentos. que pode advir: . pelo menos.

Recurso conhecido e desprovido. DA FAMÍLIA CONSTITUÍDA POR UNIÃO ESTÁVEL TÍTULO III DA UNIÃO ESTÁVEL Art. COSTA CARVALHO. 6ª Turma Cível. Atingida a maioridade dos filhos que vinham recebendo os alimentos em razão do dever de sustento decorrente do poder familiar. sustento e educação dos filhos. (20050110077048APC. 101) CIVIL. Relator CARMELITA BRASIL. para os fins de demonstração do binômio necessidade-possibilidade. exonera-se o alimentante.723. resultante da constituição de nova família com companheira e prole. DEVER DE SUSTENTO DECORRENTE DO PODER FAMILIAR. procede o pedido de revisão. Sentença mantida. RECURSO IMPROVIDO. contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. Relator J. REVISÃO. 1. julgado em 30/08/2006. vez que extinta de pleno direito a causa jurídica que deu ensejo à obrigação.CONSTITUIÇÃO DE NOVA FAMÍLIA – POSSIBILIDADE.EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS . o o 91 . Relator JAIR SOARES. 72) ALIMENTOS. e de guarda. MAIORIDADE.(20050110037792APC. Provada a redução das possibilidades econômicas do devedor e que a credora. julgado em 09/08/2006. tendo diminuído suas despesas. Vejamos a jurisprudência pátria: CIVIL .Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado teria de novamente propor ação de cognição. 1.708 do Código Civil de 2002). § 2 As causas suspensivas do art. (20040110916138APC.J. 3.724. Art. não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.DIMINUIÇÃO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA DO ALIMENTANTE . PROVA. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade. configurada na convivência pública.521. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável. A alteração na capacidade contributiva do alimentante. 2ª Turma Cível. ALIMENTOS. 1. Apelações não providas. respeito e assistência. DJ 29/08/2006 p. 2ª Turma Cível. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher. EXONERAÇÃO. DJ 21/09/2006 p. autoriza a exoneração da obrigação alimentar anteriormente acordada na ação de separação do casal em favor da ex-esposa (artigo 1. 2. § 1 A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. julgado em 06/09/2006. não mais necessita de alimentos no montante estipulado. 118) XVIII. 1. DJ 05/10/2006 p.

Na união estável.009/90.278/96. Lei 9. Art. se houver filhos ou comuns. Lei 8. art.801 do CC. 1. 5º Revogam-se as disposições em contrário. Lei 6.971/94. III .723 a 1. 29 de dezembro de 1994. separado judicialmente. Referências legislativas: Art. Art. no que couber.727. 2º As pessoas referidas no artigo anterior participarão da sucessão do(a) companheiro(a) nas seguintes condições: I . art. terá o sobrevivente direito à metade dos bens. divorciado ou viúvo. ao usufruto de quarta parte dos bens do de cujos. 793. As relações não eventuais entre o homem e a mulher. ao usufruto da metade dos bens do de cujos. enquanto não constituir nova união e desde que prove a necessidade. 1º A companheira comprovada de um homem solteiro. Igual direito e nas mesmas condições é reconhecido ao companheiro de mulher solteira. o(a) companheiro(a) sobrevivente terá direito à totalidade da herança. 226 da Constituição Federal.o(a) companheiro(a) sobrevivente terá direito. se não houver filhos. salvo contrato escrito entre os companheiros.971. Regula o direito dos companheiros a alimentos e à sucessão. embora sobrevivam ascendentes.725.726. poderá valer-se do disposto na Lei nº 5. 550.478. aplica-se às relações patrimoniais. 226 da CF. II . UNIÃO ESTÁVEL Mensagem de veto Regula o § 3° do art. enquanto não constituir nova união.278. 1. 3º Quando os bens deixados pelo(a) autor(a) da herança resultarem de atividade em que haja colaboração do(a) companheiro. A união estável poderá converter-se em casamento.015/73.o(a) companheiro(a) sobrevivente terá direito enquanto não constituir nova união. divorciada ou viúva. DE 10 DE MAIO DE 1996. 173º da Independência e 106º da República. FRANCO 92 . o regime da comunhão parcial de bens.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Art. mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. separada judicialmente. 4º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. 5º da LICC. ITAMAR Alexandre de Paula Dupeyrat Martins LEI Nº 9. Art. Art. impedidos de casar. LEI No 8. 1º da Lei 8. constituem concubinato. ou dele tenha prole. 1. arts. Brasília. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1. Art. Art.727 e 1. Parágrafo único. de 25 de julho de 1968. DE 29 DE DEZEMBRO DE 1994.na falta de descendentes e de ascendentes. que com ele viva há mais de cinco anos.

enquanto viver ou não constituir nova união ou casamento. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. requerer a conversão da união estável em casamento. Art. a título de alimentos. na constância da união estável e a título oneroso. Dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes. o sobrevivente terá direito real de habitação. Art. 10. Art. II . salvo estipulação contrária em contrato escrito. Parágrafo único. Art. 4° (VETADO) Art. 8° Os conviventes poderão. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Milton Seligman AS ENTIDADES FAMILIARES DA UNIÃO ESTÁVEL 93 . Art.guarda. § 1° Cessa a presunção do caput deste artigo se a aquisição patrimonial ocorrer com o produto de bens adquiridos anteriormente ao início da união. em condomínio e em partes iguais. pública e contínua. 7° Dissolvida a união estável por rescisão. 6° (VETADO) Art.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. são considerados fruto do trabalho e da colaboração comum. 11. de um homem e uma mulher. sustento e educação dos filhos comuns. 3° (VETADO) Art. 175º da Independência e 108º da República. de comum acordo e a qualquer tempo.assistência moral e material recíproca. 2° São direitos e deveres iguais dos conviventes: I . 9° Toda a matéria relativa à união estável é de competência do juízo da Vara de Família. Revogam-se as disposições em contrário. 1º É reconhecida como entidade familiar a convivência duradoura.respeito e consideração mútuos. estabelecida com objetivo de constituição de família. 10 de maio de 1996. III . passando a pertencer a ambos. salvo estipulação contrária em contrato escrito. § 2° A administração do patrimônio comum dos conviventes compete a ambos. por requerimento ao Oficial do Registro Civil da Circunscrição de seu domicílio. a assistência material prevista nesta Lei será prestada por um dos conviventes ao que dela necessitar. relativamente ao imóvel destinado à residência da família. Art. Art. assegurado o segredo de justiça. Brasília. 5° Os bens móveis e imóveis adquiridos por um ou por ambos os conviventes.

José Carlos Teixeira Georgis. o que melhor traduz o que vem a ser união estável. surgiram vários projetos de lei tentando estabelecer normas para essa entidade familiar. Aliás. j.001. estabilidade. de forma pública e notória. Definir união estável não é muito simples. os elementos da última lei. então reconhecida pelo Estado. prole. veremos. que existem outras. até porque também não é nada simples. como já decidiu o TJRS26. este é o grande desafio do Direito de Família contemporâneo. desde que não contrariem as normas de ordem pública e dos bons costumes. se observarmos melhor a nossa sociedade. O conceito de União Estável Após a CF/88. com o reconhecimento da união estável como mais uma forma de família. É preciso saber se daquela relação nasceu uma entidade familiar.982 de Porto Alegre. Porém. na atualidade. que vivam em economia comum.960/02 acrescenta o artigo 1. 94 25 . 70. O NCC incorporou.3.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 1.727-A. Para Fachin. 7ª Câmara Cível do TJRS.278/96 traduziram de forma contraditória. Os projetos que se tornaram as Leis n. Os ingredientes são aqueles já demarcados principalmente pela jurisprudência e pela doutrina pós-constituição de 1988. principalmente. 9. 26 Apelação Cível n. por exemplo: dois irmãos vivendo juntos. Da Coabitação O Projeto de Lei n. A partir do momento em que a família deixou de ser. União estável. surgiram novas e várias representações sociais para ela. o conceito de família. Rel. 14. O art. elementos para a compreensão da união estável. essencialmente. o núcleo econômico e de reprodução para ser o espaço do afeto e do amor. convivência sob o mesmo teto. 2. relação de dependência econômica. 6. durabilidade.971/94 e n. Definir união estável começa por e termina por entender o que é família. Dês.2001. determinando a aplicação dos dispositivos da união estável às uniões fáticas de pessoas capazes. 226 da CF enumera três: • • • Casamento. e Qualquer dos pais que viva com seus descendentes (família monoparental).388.ºs 8. a união estável e as uniões livres são fontes das relações de família O delineamento do conceito de união estável deve ser feito buscando elementos caracterizadores de um “núcleo familiar”. um avô ou avó com um(s) neto(s) e até mesmo relações homoafetivas estáveis25 começam a ser consideradas entidade familiar.

entendem que deve existir na união estável há a notoriedade da relação familiar. 20ª ed. Mos significa costume. Ante a circunstância de que no próprio casamento pode haver uma separação material dos consortes por motivo de doença. 2004). p. dizendo que não é necessária a convivência sob o mesmo teto para a caracterização do concubinato”. sem que se possa exigir que os concubinos vivam em comum. Ed. Os doutrinadores Maria Helena Diniz.224). Ed. RT. “convívio marital” ou “vida marital”. 1. de viagem ou de profissão. Surge a Súmula 380 do STF (Comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos. Vide Súmula 382 do STF. sem que se possa exigir que os concubinos vivam em comum. a união estável pode existir mesmo que os companheiros não residam sob o mesmo teto. querendo dizer. que significa esposa. e atual. Direito de família e o novo Código Civil. cada um vive em apartamentos separados. Roberto Senise Lisboa.724) em não contemplar esse dever”. Depois vem a Súmula 382. dir. vol. pode-se afirmar que a união estável possui as seguintes características: a) a união estável é a união more uxório. sob o mesmo teto”. “No Brasil. são da década de 1960. de família e das sucessões. Del Rey. Mos uxorius é expressão substantiva. Manual de Direito de Civil. 4ª ed. rev. Desembargadora Maria Berenice Dias e Rodrigo da Cunha Pereira.5. porém desprovida da solenidade exigida por lei para o casamento. (Roberto Senise Lisboa. p.368. Bastam a publicidade. p. a convivência idêntica ao casamento. São Paulo. Por isso. em tradução livre. Se no casamento pode. isto é. hábito.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Apesar de casados. é cabível a sua dissolução judicial com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum). Curso de direito civil brasileiro. significando “como se houvesse casamento”. 5º volume: direito de família. com o espírito de constituição de um casal. de acordo com o novo Código Civil. para além de simples namoro ou noivado. 219. BH. (Maria Helena Diniz. rev atual. São Paulo : Saraiva. sob o mesmo teto. b) na união estável há a notoriedade da relação familiar. desde que seja notório que sua vida se equipara à dos casados civilmente (Súmula 382 do STF). uxorius deriva de uxor. senão vejamos: “Coabitação. O entendimento mais moderno é que seja dispensável o mos uxorius27. Aliás. que impulsionaram a construção de uma ‘doutrina concubinária’. a continuidade e a constância das relações. porque não poderia na União Estável.. fez bem o novel Código Civil (art. (Maria Berenice Dias e Rodrigo da Cunha Pereira. este é o entendimento consagrado na Súmula 382 do STF: 27 More uxório é advérbio. uma vez que a união estável deve ter aparência de casamento. 2005) “Analisando-se de forma isenta os ensinamentos doutrinários antecedentes à CF/88. os primeiros julgados. ou seja. 95 .

28 Desde a jurisprudência anterior à promulgação da CF/88. no companheirismo. more uxório. h) A informalização da constituição da união. é no intuito de constituição de família que está o fundamento da união estável. Para Álvaro Villaça (Estatuto da família de fato. f) A coabitação. a união estável nasce com o afeto dos companheiros. como se os conviventes tivessem contraído o matrimônio civil entre si (união more uxório). caracterizada pelo período de convivência. ainda. 2002. b) A inexistência de impedimento matrimonial entre os conviventes. relações sexuais e sócias. ed. o que importa na impossibilidade de reconhecimento de união estável entre pessoas homossexuais. diferenciadoa do concubinato. sem prazo certo (quer dizer. d) A notoriedade ou publicidade da relação. duração suficiente para a existência da união estável. g) A fidelidade. Os Tribunais chamam esse estado de mero companheirismo. para que se reconheça a estabilidade da união. 303604/SP e 195157/ES. tanto sob o aspecto de disposição física do corpo como sob a ótica moral. 96 . e) A aparência de casamento perante a sociedade. Porém não pode ser admitido como absoluto. por exemplo. 438). e i) A durabilidade. Veja. rígido. 2. uma vez presentes os demais requisitos.º 30. deverá o juiz perceber se houve. cinco anos28. prazo fixo. pode um casal viver mais de dez anos. não é indispensável à caracterização do concubinato”. Parte VI. sem que se vislumbre união estável. p. o legislador preferiu a expressão “união estável”. além da companhia esporádica. perante a sociedade e na esfera íntima de atuação dos conviventes. ou não. Em cada caso concreto. marcado. realmente. 3. São Paulo. Este seria a convivência entre pessoas impedidas de se unirem. n. não encarando os afazeres domésticos com seriedade. Esse estado de espírito de viver no lar pode não existir. limitando-se a admitir em norma extravagante o pagamento de alimentos ao convivente e o direito sucessório em favor do convivente se a união for estável por. c) A exclusividade. 4. constituindo uma família. preestabelecido) para existir ou para terminar.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado “A vida em comum sob o mesmo teto. Atlas. que objetive. Nessa situação. ao menos. Os requisitos da união estável: a) A diversidade de sexos. os Resp’s 474962/SP. Ao se referir ao instituto. Lapso temporal A lei não fixa um período mínimo de tempo para a união estável. que é a forma de expressão da afectio maritalis. Exemplo: A morte de um dos conviventes antes do término do período de cinco anos não obsta o reconhecimento da união estável. já vinha sendo adotado o período de cinco anos como o lapso temporal necessário para o reconhecimento do concubinato. com ampla liberdade de que tenham outras convivências os companheiros. de união aberta ou de relação aberta”. ponderando o autor: “Todavia.

97 .801. A expressão já teve uma definição tecnológica bem mais extensa. dando margem ao enriquecimento ilícito de um dos parceiros. art. Compreendem. Questões terminológicas Os termos mais usados nos textos legais para identificar os sujeitos de uma união estável é companheiro (L. parece dizer – mas não diz – que as relações paralelas não constituem união estável. 1. tornandose prescindível o divórcio para que se reconheça a existência de lapso temporal suficiente a autorizar o estado de convivência. 6.1 A sentença de separação judicial – lapso temporal Os efeitos da sentença que fixa a separação judicial favorecem a união estável. 8. sempre traduziu relação escusa e pecaminosa. por exemplo. no entanto. Nitidamente punitiva a postura da lei. para que seja feita analogia com as sociedades de fato. a pretensão é deixar as uniões “espúrias” fora de qualquer reconhecimento e a descoberto de direitos. 1. Não é de bom alvitre.642.727). O que se permite é tão-somente a contagem do tempo desde a separação de ato para os fins de cômputo do período de existência da união estável. é registrada em um texto legislativo (CC 1. no passado. Pelo jeito. A norma restou incoerente e contraditória. Simplesmente. Na lei. pois condena à invisibilidade e nega proteção jurídica às relações que desaprova. chamada doutrinariamente de concubinato adulterino. sem atentar que tal exclusão pode gerar severas injustiças.72729). Mas não foi feliz. 9. Não é feita sequer remissão ao direito das obrigações. tendo o legislador procurado diferenciar o concubinato da união estável. mas usa também os termos convivente e concubino. Quando. a intenção era estabelecer uma distinção entre união estável e união paralela.708) e negar o exercício da inventariança (CC.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Também não obsta o reconhecimento da união estável: • A existência de causas suspensivas para o casamento. as relações não exclusivas e as vinculantes de parentes afins em linha reta. Pela primeira vez. 5. III). A união livre é uma espécie de concubinato. mas para isso faltou coragem ao legislador. V). Historicamente. concubinato vem definido como as “relações não eventuais entre o homem e a mulher impedidos de casar” (CC. o reconhecimento judicial da união estável antes da formalização do divórcio. O CCB prefere o vocábulo companheiro. A essas relações é que faz referência a lei ao autorizar a anulação de doações (CC 550 e 1.971/1994) e convivente (L.278/1996). suspender o encargo alimentar (CC. quase uma depreciação moral. 1. nem constituir união estável. 4. A palavra concubinato carrega consigo um estigma e revela relacionamentos alvo de preconceito. a ordem jurídica só reconhecia como legítima a 29 Relações não eventuais entre o homem e a mulher impedidos de casar. Certamente. União Livre As uniões livres correspondem aos vínculos de conjugalidade destinados à formação de família estabelecidos entre sujeitos que não podem casar-se.

o interesse no relacionamento tem em vista apenas ou principalmente a gratificação sexual. ou seja. 1. II e V).1 A família dos impedidos A lei define que certas pessoas não podem casar-se nem se envolver em união estável. cuidados. ou seja. 1. Essas uniões livres não deviam ser ignoradas pelo Direito.521. ou seja. Os compromissos por vezes são menores. Afeto. III). § 1º A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. João (adotante) adota Carlinhos. a vontade de constituir família. isto é. porque o mesmo obstáculo ao casamento também impediria a formação dessa outra espécie de entidade familiar (art. 1. VII). quando os parceiros não dão à exclusividade sexual a mesma importância que a maioria das pessoas. e se acontecer de o adotante e o antigo cônjuge do adotado se unirem para a formação de uma nova família. ente os concubinos. Em outros termos. adota Carlinhos. A união livre se distingue do concubinato em geral porque nela encontra-se sempre o affectio maritalis. se casar com o pai do seu marido.521. Mas. de pouco adianta a lei proclamar de forma peremptória que determinadas pessoas não podem constituir famílias se elas. como em qualquer outra família.521. Na união livre. incluindo a geração e criação de filhos comuns? O vínculo de conjugalidade entre eles não pode caracterizar-se como união estável. porque seus membros merecem a mesma atenção e proteção dispensadas às demais entidades familiares. Carlinhos está impedido de se casar com esta moça. separar-se dele. movidas pelos seus sentimentos e interesses. 6.723. ao contrário. a criação de vínculos familiares. João já tem uma filha. ingrediente inexistente na relação concubinária. acabam se unindo familiarmente. o sogro. nem de longe eles cogitam unir-se de forma mais intensa. João. No outro exemplo. mútua assistência e companheirismo estão presentes. Outras uniões livres que causam polêmica. com ou sem filhos comuns. o objetivo é o mesmo do casamento e da união estável. o impedimento fundado no parentesco por afinidade em linha reta e o do adotado com o filho do adotante (CC. 1. não pode casar-se com a Márcia que foi casada com o Carlinhos. não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente”. 1. 98 . não poderia. a união livre não pode ser considerada uma relação descompromissada. todavia. Mesmo nesse caso.521. deste modo. Isso não significa que elas não se unam com o intuito de constituir família. a despeito da vedação legal. art. João. esposa do João. Vamos imaginar a seguinte situação: O adotante não pode casar-se com quem foi cônjuge do adotado (CC. se Maria. § 1º). pela lei. Os mesmos impedimentos se dão com relação ao cônjuge sobrevivente de se casar com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio de seu consorte (art. todas as demais formas de relacionamento entre homens e mulheres eram rotuladas como concubinárias. art. como uma família.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado família constituída pelo casamento. Por vezes.

satisfatoriamente atendidas. pode-se encontrar a figura jurídica de maior envergadura no arco dessas soluções intermediárias. Observe que não se está falando de inacessibilidade aos direitos de conteúdo patrimonial. na verdade. Ele não proporciona. em relação aos seus parceiros no vínculo de conjugalidade. aqui. não há nada mais desrespeitoso ao princípio constitucional da dignidade humana que a ausência de disciplina legal da família constituída pela união de pessoas do mesmo sexo. por exemplo. em 1999.2 União de pessoas do mesmo sexo No direito brasileiro da atualidade. 2007. e com razão. um “contrato entre pessoas físicas maiores. Em várias partes do mundo. por exemplo. o direito à adoção comum de filhos. sem natureza contratual. Por meio do PACS. por meio do direito de família. Em França. e não um pacto concernente a interesses convergentes. projetam-se por força de lei efeitos próximos aos do casamento. testamento cuidadosamente elaborado. mas não todos. quando findo o relacionamento. No Estado de Vermont. destinados à organização da vida em comum dos contratantes”. nos primeiros anos seguintes ao eventual término do relacionamento – são medidas por meios das quais os interesses econômicos dos casais homossexuais ficam. em 1998. Em relação a estes. como são impedidos de adotar em conjunto. A instituição de condomínio sobre os bens adquiridos durante a constância da parceria. a meio passo entre. que vem sendo incorporada a diversos ordenamentos jurídicos (Coelho. p.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 6. devida pelo mais abonado ao menos. cremação do corpo ou doação de órgãos após o falecimento e vocação para curadoria em caso de interdição -. simplesmente obstar qualquer contato entre a criança e o antigo parceiro. no fim de 1999. os institutos do direito contratual e real permitem que casais homossexuais alcancem idêntica proteção à concedida aos heterossexuais. bem como a contratação sobre a obrigação pelas despesas comuns e previsão de ajuda pecuniária. a adoção de filhos comuns pelos casal homossexual. O desrespeito ao princípio constitucional da dignidade humana a que leva a falta de disciplina legal dessa espécie de entidade familiar encontra-se. os direitos da paternidade são exercidos apenas por um deles. Registrada a declaração pelos interessados no sentido de fixarem a residência comum. Nos Estados Unidos. Os homossexuais se sentem injustiçados. de sexos diferentes ou do mesmo sexo. de outro. Por outro lado. Na Bélgica. a desconsideração pela lei da realidade dos enlaces homossexuais. a lei introduziu a figura do pacte civil de solidarité (PACS). A cohabitation legale é um estado civil. a tendência tem sido a adoção. a admissibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo e. porque não podem ter os mesmo direitos que os heterossexuais. No enfrentamento de questões sensíveis – como. autorização para transplantes. pela ordem jurídica. de modo geral. nenhum negócio jurídico praticado pelos homossexuais pode garantir a equiparação aos heterossexuais. como a PÀCS. alguns dos direitos e obrigações derivados do casamento podem ser titulados pelos parceiros homossexuais. que pode. Falo da união civil. Também não é permitida. de uma solução intermediária. de um lado. no exercício dos direitos extrapatrimoniais titulados pelos cônjuges e companheiros. 141/142). a lei criou o instituto da cohabitation legale. a Corte Suprema declarou inconstitucional uma lei estadual que expressamente negava aos casais do mesmo 99 .

com os contornos tais como traçados no art. 2002). No passado. nem indolor. como a do Estado de Nova Escócia. estiveram à altura dos desafios daquele tempo. Quaisquer cidadão norte-americanos.2006 p. 1º da Lei n. para que haja partilha de bens adquiridos durante a constância de sociedade de fato entre pessoas do mesmo sexo. Os únicos ordenamentos jurídicos que. A adoção de filhos comuns pelo casal de mesmo sexo é aceita. no final de 2005. deve-se aplicar o regime jurídico da união estável às uniões nascidas de relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. então marginalizadas pela lei. julgado em 10. os Tribunais. construíram os instrumentos de proteção da união estável. Outros ordenamentos jurídicos têm incorporado a união civil. Necessidade de comprovação do esforço comum. a lei instituindo a civil union.A aplicação dos efeitos patrimoniais advindos do reconhecimento de união estável a situação jurídica dessemelhante. foram gradativamente amparando os direitos da concubina e de seus filhos. . admitiam o casamento independentemente da diversidade ou identidade de sexo dos nubentes eram os da Holanda e Espanha. 2004: 69/71).º 9. viola texto expresso em lei. 100 . Ministra NANCY ANDRIGHI. assim como todos os demais direitos extrapatrimoniais próprios do casamento de heterossexuais. Os desafios do tempo atual são semelhantes. Nessa decisão. Ação de reconhecimento e dissolução de sociedade de fato entre pessoas do mesmo sexo. 259). Pereira. Recurso especial conhecido e provido. máxime quando os pedidos formulados limitaram-se ao reconhecimento e dissolução de sociedade de fato. nada aduzindo a respeito de união estável. .10. Deitando ao largo preconceitos. Rel. cabe a jurisprudência a tarefa de não as deixar ao desamparo. Note que a união civil não significa. e mesmo os estrangeiros. (REsp 773. com a proibição de alienação dos bens arrolados no inventário da falecida. em meados de 2000. Efeitos patrimoniais. porque inaplicável à referida relação os efeitos jurídicos. Este continua a representar uma das hipóteses de conjugalidade exclusivamente entre homens e mulheres. 2004: 294/320. Enquanto o direito positivo brasileiro continuar ignorando a famílias fundadas por casais do mesmo sexo. o mesmo que casamento.2006. o Judiciário deu duas alternativas ao Legislativo: • Equiparar por completo as duas hipóteses ou estatuir um regime específico para as uniões de homossexuais.11. Direito civil.136/RJ. mas os membros do poder judiciário que se sensibilizaram com a situação de inúmeras famílias fundadas pelos desquitados. juridicamente falando. é necessária a prova do esforço comum. Optando pela última. podem-se vincular em união civil pelas leis de Vermont. Não foi um processo célere. mesmo que não residam nesses Estado (Roy.Sob a ótica do direito das obrigações. atentos aos clamores da realidade social. DJ 13.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado sexo direitos e obrigações iguais derivados do casamento. TERCEIRA TURMA. o Legislativo do Estado de Vermont baixou. no Canadá (em que vigora a domestic partnership).278/96. quando a ordem positiva nacional proclamava indissolúvel o casamento. Já existem alguns precedentes nesse sentido (Cahali. principalmente os patrimoniais. Portugal (que aboliu a diversidade sexual como requisito da união estável) e Inglaterra (onde se admite o civil partnership). Em termos gerais.

identificando o elemento volitivo expresso pelas partes. Pode até mesmo conter disposições ou estipulações esparsas. também deve ser averbado. a realização de contrato concedendo todo o patrimônio a um dos companheiros. 1. ser levado ou não a inscrição. mas sem eficácia erga omnes. e que ninguém se preocupou em atualizar. No entanto. Também pode ser revogado na constância da conjugalidade. inclusive. pode tanto constar de escrito particular como de escritura pública. com relação ao casamento. bem como a boa-fé dos terceiros que precisam saber da existência da união. O registro torna público o conhecimento do seu conteúdo. que traz disposição sobre bens imóveis. É preciso preservar a fé pública de que gozam os registros imobiliários. para gerar efeitos publicísticos. Cabe figurar um exemplo.723). efeito retroativo às deliberações. dedicar ao regime de bens nada menos do que 50 artigos e às questões patrimoniais na união estável singelas duas palavras: contrato escrito (art. no sentido de ser oponível a união estável contra terceiros. a qualquer tempo (antes. De qualquer forma. certa estranheza o fato de o CCB.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 7. pois a partilha ocorrerá de forma igualitária. 101 . nada restando ao outro para garantir a própria sobrevivência. que é do ano de 1973. instrumentalizadas em conjunto ou separadamente em negócios jurídicos diversos. agregando. A possibilidade de avença escrita passou a ser denominada de contrato de convivência: instrumento pelo qual os sujeitos de uma união estável promovem regulamentações quanto aos reflexos da relação. regularem de forma que lhes aprouver as questões patrimoniais. Nitidamente. mas também de ordem pessoal.639 § 2º). A singeleza com que a lei refere à possibilidade de os conviventes disciplinarem o regime de bens. o registro no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (LRP 127 VII) serve para conservar o documento. Pacto informal. no mínimo. Causa. não poderia determinar a inscrição do contrato de convivência. como os filhos e terceiros. registro ou averbação. desde que contenha a manifestação bilateral da vontade dos companheiros. Não importa o fato de os bens estarem registrados apenas no nome de um dos companheiros. II.657). ou renda suficiente a garantir a subsistência do doador (CC 548). tal ato de liberalidade configura doação. denota a ampla liberdade que têm os companheiros de estipularem tudo o que quiserem. Contrato de convivência O regime condominial dos bens na união estável decorre da convivência. Depois de anos de convívio e aquisição de bens. O contrato de convivência não serve para criar a união estável. Claro que a lei registral. ou mesmo depois de solvida a união). não só questões de ordem patrimonial. não é necessário grande esforço para reconhecer que o contrato de convivência. cuja averbação se dá no Registro de Imóveis (LRP 167. tal como ocorre nos regimes de bens (CC 1. 1). a qual gera a presunção da comunhão de esforços à sua constituição. Determinado o registro do pacto antenupcial (CC 1. facultando a elaboração de contrato escrito. pois sua constituição decorre do atendimento dos requisitos legais (CC 1. Não há determinação de que o contrato seja averbado no registro civil ou no registro imobiliário. mas é forte indício de sua existência. há a possibilidade de os conviventes. A liberdade dos conviventes é plena e somente em raras hipóteses merece ser tolhida. previsto em lei que data de 1996. não pode subsistir. durante.725). Mas a necessidade do registro é evidente para resguardar direitos de terceiros. desde que seja a vontade expressa de ambos os companheiros. sendo vedado doar todos os bens sem reserva de parte deles. fato que pode prejudicar tanto o companheiro. Pode ser modificado a qualquer tempo.

para os fins de proteção legal. 2º da Lei n. com a separação de fato. pondera Álvaro Villaça que. Não se caracteriza a união estável. o NCC os reiterou no artigo 1. guarda. Apenas diante da falta ou do impedimento de um deles é que poderá o outro exercê-lo com exclusividade. de 1996. indispensável à estruturação da família. Relativamente aos filhos havidos ente os conviventes ou por estes adotados. Lembrando que a união estável possui o requisito da inexistência de impedimento matrimonial. 9. viúvo. Conseqüentemente. desaparece a afeição entre os cônjuges (affectio maritalis). pois se trata do caso de concubinato adulterino.631. deve ser considerado para a contagem de tempo hábil à caracterização da união estável. a teor do art. deverá ser exercido. que não se considera entidade familiar. Assim. configurando-se o concubinato adulterino. em que pese a dissolução da sociedade conjugal. pois subsiste o vínculo matrimonial. 10. divorciado. estatuindo que as relações pessoais entre os companheiros deverão obedecer aos deveres de lealdade. o período da separação de fato que antecede à separação judicial ou ao divórcio do convivente impedido para a celebração de casamento. já os contemplava. ante a continuidade do vínculo matrimonial. em igualdade de condições. um convivente se encontra separado de fato de outra pessoa. Além disso. Os direitos e deveres entre companheiros Quantos aos direitos e deveres entre companheiros. respeito e assistência. Casamento e união estável A união estável difere do casamento. sustento e educação dos filhos. importa destacar que estes estarão sujeitos ao poder familiar.278. pela inexistência da adoção da forma solene exigida por lei para que as pessoas de sexos diversos sejam consideradas civilmente casadas. se: a) b) um convivente se encontra formalmente casado com outra pessoa. Facilitação da conversão em casamento 102 .724. Tal poder. porém o simples concubinato. convém afirmar que os conviventes podem ter os seguintes estados civis: a) b) c) d) e) ambos os conviventes são solteiros. um dos conviventes é viúvo e o outro. entretanto. um dos conviventes é solteiro e o outro. fundamentalmente. 1. Entretanto. de fato ou de direito. ambos os conviventes são viúvos. por ambos os conviventes.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado 8. 9. vale lembrar que o art. caracteriza-se a união estável se um convivente se encontra separado judicialmente de outra pessoa. ambos os conviventes são divorciados.

139). 3. Verbo intransitivo. Vejamos o que reza o art. Verbo transitivo indireto. e b) a inexistência de impedimento matrimonial. 1... 2.Morar em comum. 1. Depreende-se desse artigo que o procedimento para a conversão da união estável em matrimônio civil diferencia-se daquele previsto para a celebração do casamento. 30 103 .726. o senhor morará só. cohabitare. pelos conviventes. Para que suceda a conversão. 4. 5. mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil. viver junto: “O senhor. citada anteriormente. São eles: a) a diversidade de sexos. p. no entanto. deve-se observar que o dever de coabitação30 não significa que os envolvidos são obrigados a morar sob o mesmo teto.Viver intimamente com alguém.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Aos conviventes é garantida constitucionalmente a facilitação da conversão da união estável em casamento. depois de casado com minha filha. Livro de uma Sogra. o reconhecimento dos requisitos da união estável que são indispensáveis para a habilitação do casamento civil. A conversão da união estável em casamento poderá ser feita..726: Art. Veja a Súmula 382 do STF. coabitar [Do lat. A união estável poderá converter-se em casamento. 11. 1. numa boa casa . de pedido judicial dos companheiros para cuja decisão impõe-se a necessária instrução probatória. b) A coabitação exclusiva.Ter relações sexuais habituais. torna-se necessário. tard.Viver como marido e mulher (embora não obrigatoriamente casados). portanto. a fim de que reste comprovada a presença dos requisitos necessários para a configuração da união estável que se pretende converter. com outra pessoa. ao passo que Palmira continuará a residir em minha companhia” (Aluísio Azevedo. Trata-se. Todavia. lícitas ou não. Efeitos pessoais da união estável a) A fixação de domicílio.Habitar em comum: Coabitam na mesma casa. a qualquer tempo.. não coabitará com ela. bem como ainda o termo inicial da união. pois a união estável pressupõe o dever equivalente ao do casamento monogâmico. uma vez que é realizado diretamente no Cartório de Registro.] Verbo transitivo direto. sendo perfeitamente admissível que um deles fixe o domicílio desde que não ocorra a oposição por parte do outro. mediante requerimento feito perante o juiz e assento no registro civil.

d) A assistência material e imaterial recíproca. conforme pondera Álvaro Villaça. Estabelece-se a presunção iuris tantum de meação sobre o patrimônio adquirido pelos conviventes. comunicando-se os bens percebidos a título oneroso. faz-se necessária a autorização ou anuência do outro convivente para a transmissão da coisa. se o casamento civil houvesse sido celebrado. salvo na hipótese em que se tornaria imprescindível a adoção do regime de separação de bens. Compreende tantos os alimentos naturais como os civis. d) 104 . assim entendida como fidelidade física e moral.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado c) A fidelidade. independentemente da situação pessoal ou patrimonial dos conviventes. b) c) Em se tratando de bem imóvel. 12. considerarem-se bens comuns dos conviventes. esta última modalidade correspondendo ao atendimento dos deveres semelhantes aos decorrentes do casamento. Os conviventes são titulares do poder familiar sobre os seus filhos menores. Efeitos patrimoniais da união estável Os principais efeitos patrimoniais incidentes sobre a união estável são os seguintes: a) O patrimônio adquirido a título oneroso e os bens adquiridos em época posterior à união são comuns dos conviventes. portanto. aqueles adquiridos a título oneroso. o condomínio na união estável. e) A adoção do nome do convivente. É possível a adoção conjunta realizada pelos conviventes. desde que pelo menos um deles tenha completado 18 anos de idade. A lei adotou um regime de bens similar à comunhão parcial. O convivente pode ainda receber doação do outro convivente. as doações exclusivamente destinadas a um deles e a herança. com o prévio consentimento do outro e após a procedência judicial da retificação do registro civil. tão-somente. Luiz Edson Fachin lembra ser perfeitamente justificável. a partir do termo inicial da união estável. Não se comunicam em prol de ambos os conviventes. Constitui-se. f) O registro e o reconhecimento de filhos havidos da união estável pode ser efetuado a qualquer tempo. O convivente tem direito de alimentos. desse modo. Os conviventes têm o dever de educação e sustento da prole. porém não há qualquer impeditivo para que os conviventes estabeleçam percentuais diferenciados de aquisição dos bens. que ficarão sob a sua guarda.

se entre eles não havia impedimento para o matrimônio”. Roberto Senise Lisboa. a concubina tem direito de ser indenizada pela morte do amásio. e) O convivente tem direito à indenização por morte do outro convivente.694 do NCC. 1. Entende. O art. viúvo ou separado judicialmente.971/96 trata da meação do convivente. se a extinção da união estável adveio de culpa de quem os pleiteou. É que a ele assegura o direito à metade daquilo que ajudou o de cujus a adquirir. g) h) 13. O convivente possui o direito previdenciário por causa da morte do outro. tornando-se suficiente a demonstração da existência da relação informal em questão. É perfeitamente adaptável tal entendimento para os que vivem em união estável. já que o concubinato é considerado pelo atual sistema civil como uma relação não eventual ente homem e mulher que se encontram impedidos de contrair matrimônio. estabelece: “Em caso de acidente de trabalho ou de transporte. observando-se o binômio necessidadepossibilidade. 8. O convivente pode ser contemplado em testamento se o outro convivente for solteiro. f) O convivente pode se habilitar em inventário. preceitua que a prestação decorrente de pensão alimentícia deve ser paga pelo convivente culpado pela rescisão do contrato de concubinato consolidado.278/96. que tal questão se encontra ultrapassada por força da entrada em vigor do art. A única restrição que pode ser encontrada com base na culpa é a da redução dos alimentos ao montante indispensável para a subsistência. Não é necessária a designação expressa de contemplação do benefício previdenciário em seu favor. Extinção da União Estável 105 . no caso de acidente de trabalho ou de transporte. 3º da Lei. 9.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado A Lei n. assim como solicitar a reserva de bens. que desprestigia a análise da culpa para fins de fixação de alimentos e expressamente autoriza ao convivente necessitado requerer alimentos em face do outro. bastando a comprovação da união estável. A Súmula 35. muito embora a questão regulada diga respeito à sucessão. do STF.

não teriam direitos patrimoniais sobre os bens reciprocamente considerados. b) Pela vontade de uma ou de ambas as partes. Rescisão de contrato efetuada por acordo de todos os contratantes ou em razão de cláusula de antemão estipulada. 3. decisão: Tem visão administrativa e muita resolução. com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum”. deliberar. destarte. “comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos.1 Da partilha dos bens A dissolução da união estável possibilita a partilha dos bens havidos pelos companheiros. 1.Capacidade de resolver. decidir. Jur. considerando-o a união não eventual entre um homem e uma mulher impedidos de se casar e que. abandono do lar e homicídio tentado. 32 31 106 . por meio da resilição31 unilateral (denúncia) ou da resilição bilateral (distrato). por um dos conviventes. porém repudia o concubinato. São eles: a) Com a morte de um dos conviventes. durante a união estável. 2. injúria grave. são frutos do trabalho e esforço comum. o atual sistema admite a aplicação da súmula transcrita para a união estável. Segundo a matéria sumulada. 13. É o que ocorre ante a prática de sevícia. deliberação. apesar de editada há um bom tempo.] Substantivo feminino. ante a quebra de um dos requisitos da união estável. referentes aos deveres dos conviventes. resolução [Do lat. é cabível a sua dissolução judicial. c) Pela resolução32.Decisão. a título oneroso. Logo. A Súmula 380 do STF. resolutione. deliberação. justificando-se a constituição de um condomínio sobre esses bens. é suscetível de aplicação quando da dissolução da união estável.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Extingue-se a união estável por fatores imputáveis aos conviventes ou não.Ato ou efeito de resolver(-se). Os bens imóveis e móveis obtidos.

Admite-se o pedido de medida cautelar de separação de corpos.2 Alimentos ao convivente Os conviventes que dissolveram a união estável poderão obter o direito de alimentos. As principais regras referentes aos alimentos entre os conviventes são: a) os alimentos concedidos na constância da união estável consubstanciam uma obrigação de fazer. também. assim como para o requerimento de dissolução da união estável é do juiz da vara de família. como mecanismo a resguardar os direitos dos conviventes quando da efetivação da dissolução da união estável. enquanto o outro se origina da atividade de auxílio ao outro concubino. A competência para apreciação do pedido de reconhecimento.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado O esforço comum pode ser pessoal ou econômico. ou b) se da união estável tiver havido prole. A separação de corpos em por finalidade regularizar a saída do convivente do lar da união estável. se analisará o binômio necessidade-possibilidade. sem prejuízo dos direitos resultantes da sua dissolução. mas do dever de assistência material. 13. Aqui. o que se dá: a) se o período mínimo de estabilidade da união tiver sido de cinco anos. pois os alimentos se fundamentam no dever de assistência decorrente da solidariedade entre os integrantes da entidade familiar em referência. existente tanto no decorrer da união estável como após o seu término. faz-se necessário o reconhecimento da união estável. este decorrente da atividade laboral do convivente. b) a culpa não é pressuposto para a constituição da obrigação alimentar em desfavor de um dos conviventes. 107 . um do outro. enquanto os alimentos pagos após a dissolução da entidade familiar consubstanciam uma obrigação de dar. para que ele exerça a sua atividade econômica de forma racional. Para a percepção de alimentos. A obrigação de alimentos entre os conviventes decorre não da existência de culpa na dissolução da união estável.

Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado Na opinião de Roberto Senise Lisboa.728/96) a coabitação como requisito essencial para caracterizar a união estável. além das profundas mudanças pelas quais tem passado a sociedade. não é raro encontrar cônjuges ou companheiros residindo em locais diferentes. RECURSO ESPECIAL 2002/0095247-6 Relator(a) Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA (1088) Órgão Julgador T4 . de imediato. IMPOSSIBILIDADE. Guarda dos filhos As mesmas regras sobre a guarda dos filhos mencionadas. a convivência sob o mesmo teto pode ser um dos fundamentos a demonstrar a relação comum. 382 DA SÚMULA/STF. REEXAME. 13. II . se aplicam aqui. segue a pensão decorrente do casamento.694 a 1.2004 p. 7 DA SÚMULA/STJ. 93 RDR vol. ENUNCIADO N.Não exige a lei específica (Lei n. a existência da união estável. tão logo deixe formalmente de existir o impedimento matrimonial para a oficialização da união estável. 23 p. ainda. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. somente pode requerer e receber alimentos decorrentes da união estável o convivente cujo estado civil é solteiro. ENUNCIADO N. CPC. Na realidade. RECONVENÇÃO.3. Observa. CAPÍTULO DA SENTENÇA. I . LEI N. 186 RBDF vol. DOUTRINA.QUARTA TURMA Data do Julgamento 23/09/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 01. HONORÁRIOS. Para Silvio Rodrigues. na dissolução do casamento. 108 . 9.03. separado judicialmente.Diante da alteração dos costumes. CONVIVÊNCIA SOB O MESMO TETO. § 3º. a questão dos alimentos se encontra nos artigos 1. INCIDÊNCIA SOBRE A CONDENAÇÃO. 444 Ementa DIREITOS PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. 20. REQUISITOS. ART. Vejamos os mais recentes julgados: Processo REsp 474962 / SP . UNIÃO ESTÁVEL. mas a sua ausência não afasta. CASO CONCRETO. PRECEDENTES. TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM. que aquele que se encontra separado de fato pode requerer alimentos na forma retroativa. 30 p. 9. divorciado ou viúvo. DISPENSA.728/96.710 do Código Civil. ou seja. anteriormente. ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO.

Ministros Ruy Rosado de Aguiar e Sálvio de Figueiredo Teixeira.QUARTA TURMA Data do Julgamento 29/02/2000 Data da Publicação/Fonte DJ 29. CONCUBINO. IRRELEVANCIA. CONCUBINO. que haja aparência de casamento. Votaram com o Relator os Srs. e não sobre o valor total dos bens. DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE DE FATO. HIPOTESE. FORMAÇÃO. em princípio. UNIÃO ESTAVEL.Segundo a jurisprudência do STJ. vencidos os Sr. que necessariamente se desdobra em dois capítulos. "os honorários serão fixados (. PATRIMONIO COMUM.. VII . ou namoro. DISSOLUÇÃO. CASAMENTO. INDEPENDENCIA. 'na mesma sentença' (art. SIMULTANEIDADE.Na linha da doutrina. . Recurso especial conhecido e provido parcialmente. ou seja. não devolve ao tribunal o exame da reconvenção. Resumo Estruturado POSSIBILIDADE. “processadas em conjunto.05. COMPANHEIRA. é sobre essa verba que deve incidir o percentual dos honorários. ainda que um dos concubinos seja casado. julgam-se as duas ações [ação e reconvenção]. COABITAÇÃO. RECONHECIMENTO. CPC. 20. a apelação interposta apenas contra a parte da sentença que tratou da ação. para fins de recorribilidade e de formação da coisa julgada".Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado III . IDENTIDADE.O que se mostra indispensável é que a união se revista de estabilidade. 159 LEXSTJ vol.Seria indispensável nova análise do acervo fático-probatório para concluir que o envolvimento entre os interessados se tratava de mero passatempo. DOMICILIO. V . CONTRIBUIÇÃO. foi o usufruto sobre a quarta parte dos bens do de cujus. valendo cada um por decisão autônoma. conhecer do recurso e dar-lhe provimento. na forma do relatório e notas taquigráficas precedentes que integram o presente julgado. PARTILHA DE BENS.Consoante o § 3º do art. 137 p. EXISTENCIA.) sobre o valor da condenação". não havendo a intenção de constituir família. E a condenação. em regra. é admissível a pretensão de dissolver a sociedade de fato. como no caso entendeu o acórdão impugnado. constituindo-se em capítulos diferentes. Acórdão Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas: Decide a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça. VI . 133 p.2000 p.Nestes termos. Processo REsp 195157 / ES . 318). 109 . Ministros Aldir Passarinho Júnior e Cesar Asfor Rocha. ATIVIDADE ECONOMICA. sob pena de violação das regras tantum devolutum quantum apellatum e da proibição da reformatio in peius.. UNIÃO ESTAVEL. por maioria. RECURSO ESPECIAL 1998/0084892-4 Relator(a) Ministro BARROS MONTEIRO (1089) Órgão Julgador T4 . COMPANHEIRO CASADO. INEXISTENCIA. 448 Ementa CONCUBINATO. Assim. EXERCICIO. FALTA. DECORRENCIA. no caso. IV . 178 RSTJ vol. CABIMENTO.

RECONHECIMENTO.Comprovadas a durabilidade. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.UNIÃO ESTÁVEL . Cabe ação declaratória para reconhecer a existência da relação jurídica que se conceitua legalmente como união estável. julgado em 28/11/2005. AÇÃO DECLARATÓRIA. Trata-se de presunção relativa. tal presunção quando o varão. 3ª Turma Cível. de prestar-lhe alimentos. LEI. 3. julgado em 10/05/2006. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. CAPACIDADE LABORATIVA. PROVA EM SENTIDO CONTRÁRIO. HIPOTESE. RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL.Restando incontroverso que a autora era companheira do réu. CONVIVENCIA MORE UXORIO. mister o reconhecimento e dissolução da união estável. 2. CONVIVENCIA MORE UXORIO. 1ª Turma Cível. assim não 110 . SEPARAÇÃO DE FATO. 48) CIVIL . 1ª Turma Cível. DJ 16/05/2006 p. já montada. muda-se para residência da virago.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado (VOTO VENCIDO EM PARTE) (MIN.Recurso provido. EXISTENCIA. para que surta seus efeitos no mundo jurídico. sem condições materiais de prover sua subsistência. Não se justifica contudo. pessoalmente.A fixação de alimentos provisórios é de ser feita com cautela pelo magistrado. A união estável não é mero fato. POSTERIORIDADE. UNIÃO ESTÁVEL. INEXISTENCIA. EXCLUSIVIDADE. CESAR ASFOR ROCHA) IMPOSSIBILIDADE. PERIODO.Recurso parcialmente provido. DJ 24/01/2006 p.ALIMENTOS. 2. após algum tempo de namoro. 85) DIREITO CIVIL. (20050110657016APC. COMPANHEIRA. PARTILHA DE BENS. Presumem-se comuns os bens adquiridos na vigência da união estável. FIXAÇÃO COM CAUTELA. publicidade e continuidade do relacionamento entre as partes. ESPOSA. CONCUBINO. APLICAÇÃO. 1. sendo uma relação jurídica que necessita de provimento jurisdicional. CASAMENTO. (20050020060256AGI. (20040310081874APC. principalmente quando a alimentanda é pessoa jovem e saudável. COMPANHEIRA.FAMÍLIA . (VOTO VENCIDO) (MIN. Relator NÍVIO GONÇALVES. DJ 27/06/2006 p. 1. UNIÃO ESTAVEL. impõese o dever daquele primeiro. Relator HERMENEGILDO GONÇALVES. com plena capacidade laborativa. ALDIR PASSARINHO JUNIOR) POSSIBILIDADE. julgado em 06/03/2006. COMPANHEIRA. 85) CIVIL. encontrando-se necessitada. 3. no âmbito de suas possibilidades econômicas. Relator VASQUEZ CRUXÊN. levando consigo apenas seus pertences pessoais e embora prometesse participar das despesas da casa. Diminuição do quantum arbitrado. como alimentos entre companheiros e partilha dos bens havidos durante a convivência em comum. 1. SOCIEDADE DE FATO. ou por qualquer de seus familiares. 2. UNIÃO ESTAVEL. ALIMENTOS.

Apelação conhecida.790.Incumbe ao réu o ônus da prova de que o bem foi comprado com o produto da venda de outros adquiridos em momento anterior ao início da união. 2. e improvida. INVENTÁRIO RITO SOLENE. 106) REMESSA OFICIAL. DJ 21/09/2006 p. UNIÃO ESTÁVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. 103) 111 . PENSÃO POR MORTE DE COMPANHEIRO. (20060020053787AGI. o que a levou a se mudar para a residência de um irmão com medo de atitudes agressivas. Relator VERA ANDRIGHI.Os bens adquiridos na constância da união estável serão partilhados entre os companheiros. VIABILIDADE. A existência de sentença judicial transitada em julgado reconhecendo a união estável entre a autora e seu falecido companheiro. Relator SILVÂNIO BARBOSA DOS SANTOS. I . COMPANHEIRO. unânime. 10.Profª Maria Cremilda Silva Fernandes Especialista em Direito Privado procedeu. DJ 28/09/2006 p. DO CÓDIGO CIVIL. 2ª Turma Cível. Chegou a proferir graves ameaças. do Código Civil. Recurso desprovido. julgado em 09/08/2006. julgado em 16/08/2006. PRETENSÃO DE SER HABILITADO COMO HERDEIRO. Tratou sua companheira sem respeito ou consideração. 1. maioria. DJ 10/10/2006 p.790. conforme dogmática do art. julgado em 09/08/2006. 84) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ÔNUS DA PROVA. torna líquido e certo o seu direito ao benefício da pensão por morte. 37 da Lei nº. DJ 17/10/2006 p. MOMENTO DA AQUISIÇÃO. II . 3ª Turma Cível. nos termos do art. ART. 73) PARTILHA. (20050310108449APC. Relator VASQUEZ CRUXÊN. e ainda. Consignando a ilustre autoridade judiciária de primeiro grau que a própria inventariante havia confessado a condição de companheiro do agravado em relação à autora da herança. Relator WALDIR LEÔNCIO JÚNIOR. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. 1. UNIÃO ESTÁVEL RECONHECIDA JUDICIALMENTE. perfeitamente possível sua admissão no feito como herdeiro. julgado em 02/08/2006. sem assistência material. (20050110399446APC. 4ª Turma Cível. (20040110577953RMO. 1.486/2002. 6ª Turma Cível. ex-soldado militar. III .