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Modelo da Organização das Nações Unidas

LIGA DOS ESTADOS ÀRABES Tema A: Mecanismos para a contenção de grupos terroristas em países árabes Escrito por: Áureo Toledo Vivian Barlach

“Nossos criminosos não são mais aquelas crianças desarmadas que invocam a desculpa do amor. São, ao contrário, adultos, e seu álibi é irrefutável: a filosofia pode servir para tudo, até mesmo para transformar assassinos em juízes”
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Introdução

O uso sistemático de práticas terroristas em todo o mundo vem fomentando a discussão de como conter a proliferação de grupos terroristas ao redor do globo. Órgãos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas, cada vez mais se debruçam acerca desta temática, procurando encontrar medidas institucionais que proporcionem meios efetivos de combate ao terrorismo. Com o intuito de procurar soluções, o Conselho de Segurança das Nações Unidas, por meio da Resolução 1373 de 28 de setembro de 2001, criou o Comitê de Contra-Terrorismo, o qual tem como principal alvo verificar a implementação das diretrizes da Resolução 1373 pelos Estados e ajudar na capacidade dos países em combater tal prática que vem assolando o mundo. Por sua vez, o Departamento de Estado dos EUA possui um Escritório de ContraTerrorismo, que apresenta a visão estadunidense do problema, a sua lista das principais organizações e os países que patrocinam estas organizações terroristas. Dentro desse contexto turbulento, o Oriente Médio tem um papel, infelizmente, de destaque. Na região atuam diversos grupos designados terroristas e que vêm se proliferando a cada dia. Hoje, cerca de 95% da população do Oriente Médio é muçulmana e a maior parte dos terroristas atuais são também maometanos e fazem questão de deixar isto explícito. Procuram santificar suas ações através de referências tendenciosas aos textos islâmicos, descartam as passagens que evocam tolerância para com os outros e que contradizem seus atos, buscando assim evidenciar a todos que o islã verdadeiro e autêntico é o praticado por eles. Para que possamos evitar possíveis compreensões errôneas e a confusão entre criminosos, terroristas, radicais e muçulmanos comuns, faz-se necessário uma pequena síntese histórica para ajudar a iluminar um caminho por demais obscuro, desviando-se de uma visão estereotipada de um mundo fascinante, mas, ao mesmo tempo, mal compreendido. É a

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CAMUS, Albert. O Homem Revoltado. P.13. Rio de Janeiro: Record, 1999.

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intenção deste trabalho desviar-se de interpretações maniqueístas que tendem a ressaltar bons e maus, civilizados e bárbaros. Sabemos que, conforme Edward Said: Não há ponto de observação fora das relações concretas entre culturas, entre potências imperiais e não imperiais, entre diferentes Outros, uma perspectiva que desse a alguém o privilégio epistemológico de julgar, avaliar e interpretar livre dos interesses, das emoções e dos compromissos das relações em andamento 2. Dessa forma, achamos que a atualidade do tema não se deve apenas aos diferentes atos terroristas perpetrados em todo o mundo e como tais atos afetam a segurança internacional. Acreditamos que a pertinência do tema também está relacionada à quantidade de muçulmanos que vem perecendo frente ao terror. Desde os atentados terroristas de 11 de setembro, de um total de 2838 mortos, cerca de 2210 eram muçulmanos 3. Ademais, muitos dos terroristas não se vêm como tais. Ao cunharmos o termo “terrorista” a determinado grupo, estamos fazendo uma representação que, conforme a idéia de Said supracitada evidenciaria uma relação de poder entre os diferentes atores em questão: no caso, principalmente os EUA e Israel de um lado, e uma pequena parcela da população árabe que faz uso dessas práticas do outro. Muitos destes grupos acreditam estar agindo para conter a expansão israelense ou para impedir a dominação norte-americana que tende a degenerar o Islã. O principal interesse deste trabalho, portanto, não é escolher um lado: é tentar mostrar quais foram as razões que levaram ao uso sistemático do terrorismo como arma política em terras árabes e buscar alternativas compatíveis à realidade dos países da região.

O terrorismo no mundo árabe: panorama histórico

Antes de adentrarmos no histórico do terrorismo no mundo árabe, é importante que alcancemos uma definição, mínima que seja, acerca desse fenômeno que tem assolado não só o Oriente Médio, mas todo o globo, com atentados que vão desde Bali (12/10/2002) até os recentes ocorridos em Londres (07/07/2005). Desse modo, partimos do pressuposto que Terrorismo é todo e qualquer ato, perpetrado por indivíduos ou grupos políticos, que faz uso da violência, física ou psicológica, contra a ordem vigente. No entanto, quando a ordem vigente passa a fazer uso desse mesmo

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SAID, Edward W. “A representação do colonizado: os interlocutores da antropologia”. P.127. In: Reflexões sobre o Exílio e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. 3 Fonte em VEJA, 03 de agosto de 2005.

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No entanto. atuante primordialmente no Irã e na Síria entre os séculos XI e XIII. Além dessas rebeliões contra a ordem vigente. Esta expressão surgiu com as denúncias de práticas massivas de assassinatos. As disputas acerca do comando do império deixado pelo Profeta foram marcadas por muitas disputas. O primeiro foi morto após acusações de nepotismo por uma parcela da população descontente com seu governo. partidários de Ali. punido com danação eterna. quando Umar foi apunhalado por um escravo cristão insatisfeito. Tinha como principal objetivo a derrubada de governantes muçulmanos os quais eram entendidos como usurpadores e detratores do Islã autêntico. mas sim política entre xiitas e sunitas. só Abu Bakr não foi assassinado. quase concomitantemente surgiu na região a seita denominada Assassinos. 5 O suicídio é considerado um dos grandes pecados dentro do Islã. findou seu governo. os quais defendiam que o líder deveria ser alguém da mesma tribo do Profeta.) e Ali ibn Abi Talib (656-661 d. Os primórdios do terrorismo no mundo árabe-muçulmano nos remetem ao ano de 632 d. Dos quatro primeiros Califas. 01. Não existe grande diferença doutrinária. 4 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 3 . militar ou religioso e a adaga era a única arma permitida nas execuções. Ademais. mas interrompido em 644.VII Modelo da Organização das Nações Unidas tipo de artifício para atingir algum fim específico. Sua morte iniciou a primeira de uma série de guerras civis as quais contestavam a sucessão no califado. este governou e expandiu o império islâmico. Tais tradições de Maomé estão recolhidas em Recueil des Traditions Mahométanes. o Assassino nunca cometia suicídio: era preferível ser preso e morrer nas mãos dos 5 captores a findar com a própria vida . Foi um período de bastante prosperidade. vol. e os sunitas. podemos dizer que o país começa a utilizar o chamado Terrorismo de Estado 4. “Quem quer que se mate com uma lâmina será atormentado com aquela lâmina nos fogos do inferno”. após a morte de Maomé. tendo a seu favor o parentesco com o Profeta (era seu primo e cunhado) e o apoio de parte considerável dos muçulmanos. separação esta que consistia em delimitar o império muçulmano e as terras nas quais estariam os inimigos. mais uma revolta. o assassinato era praticamente um ritual: as vítimas eram indivíduos ligados ao alto escalão político. de M. Sucedido por Umar ibn al-Khattab. Uthman ibn Affasr (644-656 d. A rebelião contra Uthman e a ascensão de Ali é considerada a Fitnah.C. torturas e censura dos meios de comunicação feitas por alguns países. agora liderada por Aisha. Segundo uma das tradições de Maomé. após o ato.C. Ali ibn Abi Talib assumiu o poder. Os dois califas seguintes. Ludolf Krehl. dividindo o mundo em Dar al-Islam (a Casa do Islã) e Dar al-Harb (a Casa da Guerra). falecendo após dois anos de governo.). entre os xiitas.C. É nesse sentido que podemos entender as acusações de palestinos afirmando que Israel faz uso sistemático do terrorismo de Estado. Para este grupo. uma das esposas de Maomé.. foram ambos assassinados. a divisão da ummah.

Seu principal expoente foi o escritor vienense Theodor Herzl. Assim sendo. como supracitado. o qual publicou em 1896 um pequeno livro chamado Der Judenstaat (traduzido como O Estado Judeu). todavia. Esses câmbios. 01. crianças ou idosos. mas seu legado serviu de exemplo para outros grupos que surgiram. a formação do Estado de Israel. a região ambicionada pelos judeus ficou sob tutela do Império Britânico. e muitas vezes fazem questão que se atinja uma maior número de vítimas possível. mulheres. Herzl sistematiza a organização de um lar nacional judaico e teve na Organização Sionista Mundial um de seus principais patrocinadores. Os ataques terroristas praticados hoje em dia. Para que possamos entendê-los. social ou religiosa. No entanto. não foram sumários. suas vítimas eram. todavia. Nesta obra. seja ela política. publicado pela Jorge Zahar Editor. para garantindo-lhes assim uma ampla visibilidade internacional.VII Modelo da Organização das Nações Unidas Na lista das vítimas dos Assassinos. muçulmanos em posição de destaque. Duas características se destacam no terrorismo atual: a disposição dos executores em cometer suicídio e a crueldade com que tratam à vida alheia. devemos nos focar em alguns acontecimentos que marcaram o século XX e XXI e que ajudaram a delinear o atual formato do terrorismo em terras árabe-muçulmanas. principalmente na Rússia czarista. a Guerra do Golfo e os 6 atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 tornam-se variáveis importantes para a compreensão dessa atual vertente terrorista. como meros danos colaterais. a Palestina dos nossos dias. não são tão similares aos executados pelos Assassinos. legitimado 6 Esta divisão de eventos segue àquela feita pelo historiador Bernard LEWIS. FORMAÇÃO DO ESTADO DE ISRAEL A idéia para um lar nacional judaico é antiga. e durante sua existência foi vista como uma grande ameaça a ordem vigente. grupos como a Al-Qaeda tratam a morte de civis. Hoje em dia. A obra de Herzl deu impulso à idéia da instauração de um lar judaico em Canaã. ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 4 . encontramos também soldados cruzados. sejam homens. nos remetendo ao século XIX. A seita conseguiu sobreviver até meados do século XIII. 2004. Após o final da Primeira Guerra Mundial e com o desmembramento do Império TurcoOtomano. Os Assassinos de outrora não tiravam a própria vida e eram extremamente precisos quanto a seus alvos. não conseguiu destituir efetivamente os governantes. Estes pogroms eram movimentos populares envolvendo pilhagens e assassinatos contra os judeus da região e fizeram brotar a idéia de que apenas com um estado para si próprios este povo poderia sobreviver. O Movimento Sionista surgiu com força no seio dos sobreviventes dos pogroms realizados no Leste Europeu. a Guerra Fria. a Revolução Iraniana. em seu livro A Crise do Islã: Guerra Santa e Terror Profano. na maioria dos casos.

após votação na Assembléia Para ver a íntegra da Declaração. No entanto. Dessa forma. Em 15 de maio de 1947 foi criado o United Nations Special Committee on Palestine.alfredobraga. visto que questões envolvendo delimitação de fronteiras. a Questão Palestina passou a ser tratada em âmbito multilateral. Além disso. propiciando o início da migração para a Palestina.br/discussoes/balfour. UNSCOP. London: Routhledge. atingindo o montante de 5.html 8 BREGMAN. além de limitar a imigração judaica. a Inglaterra se comprometia a apoiar a criação de um Estado independente e judeu na região. começou uma forte campanha para a compra de terras na região. Com a ascensão da Alemanha nazista no cenário internacional e a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Logo. Para impedir que a Alemanha conseguisse maior influência na região e ainda conservar necessidades energéticas . O que é a Questão Palestina. mudando drasticamente a demografia da região: em 1882.VII Modelo da Organização das Nações Unidas pela Liga das Nações em 24 de julho de 1922.000 mortos durante a Rebelião Árabe. 9 A explosão do hotel matou cerca de 91 pessoas. surgiram grupos terroristas de extrema-direita. 2002. Com a Declaração Balfour. São Paulo: Brasiliense. sugeriu a criação de dois estados independentes na região. figura entre os grandes 9 atentados terroristas ocorridos na região . uso de recursos hídricos e migração nunca chegaram próximos de um acordo.a rota ao Extremo Oriente e o Canal de Suez . os quais pregavam a independência de Israel e tinham como alvos primordiais a população árabe e soldados ingleses.e geopolíticas . grupo acusado de perpetrar tal ato. uma solução aceitável para ambos os lados nunca foi alcançada. constituído em 1901. encontramos o Irgun Zvai Leumi (Organização do Exército Nacional) e o Lohmey Heruth Israel (Lutadores pela liberdade de Israel). A explosão do King David Hotel. as manifestações se radicalizaram e desembocaram em violência. incluindo ingleses. a partir de 1939. O Irgun Zvai Leumi. de 02 de novembro de 1922 7. Dentro da comunidade judaica que habitava a região. 1982. argumentou na época que avisou com 25 minutos de antecedência o hotel antes da explosão. os árabes viram em Hitler um possível apoio para a sua causa. em 1930 eram cerca de 30% 8. em 29 de novembro de 1947.o petróleo da região . com o Fundo Nacional Judeu. Israel´s Wars: a History Since 1947. Com a derrocada do Eixo e a emergência da Organização das Nações Unidas. 7 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 5 . In: Helena SALEM.pro. Seu relatório sugeria duas possibilidades: a criação de um Estado de caráter federativo ou a divisão do território entre árabes e judeus. Os povos árabes viram-se ameaçados pelo crescimento desproporcional da população judaica na região. Ahron. Dentre os principais grupos. uma cópia encontra-se disponível em http://www. árabes e até judeus. os judeus eram apenas 4% da população da Palestina.a Inglaterra. em julho de 1946. entre 1936-1939.

contudo. apenas no início de 1949 foram assinados os armistícios que culminaram no término dos conflitos. com seu território maior do que o 11 previsto pela Resolução 181 .47% da região.942 km2. Este primeiro episódio foi o primeiro embate dentre vários que até então permeiam a relação de Israel com seus vizinhos árabes 12. in: Helena SALEM. os países árabes nunca conseguiram vitórias significativas contra o estado judeu. Iraque. possui grande arsenal bélico e sempre contou. o Estado de Israel estava formado. optou por adiantar a retirada de suas tropas.gov/p/nea/rls/22562.VII Modelo da Organização das Nações Unidas Geral. op. foi aprovada a Resolução 181 10. Síria e Transjordânia na região. Guerra do Sinai (1973). 11 10 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 6 . o que foi o estopim para a intervenção dos exércitos do Egito. O Estado de Israel inserido em uma região na qual a maioria dos países é subdesenvolvida. Agrupa diversas organizações em seu interior. sem condições de manter a ordem na região. e a segunda. 13 Dentre os principais grupos constituintes da OLP. em 2000. Apesar da superioridade bélica dos árabes. a primeira iniciada em 1987. Mesmo quando atuando de modo coordenado. com suporte estadunidense. o espaço destina a Israel era uma área de 14. forças árabes lideradas pela Liga dos Estados Árabes e insatisfeitas com a resolução da ONU iniciaram revoltas generalizadas. Frente Popular para a Libertação da Palestina. A resistência palestina iniciou-se. desembocando em muitas mortes e dezenas de refugiados palestinos. proclamou a independência do Estado de Israel. porém. Líbano. a Guerra do Yom Kippur (1973). cunhada como Intifada de Al-Aqsa. http://www. Israel possuía um contingente maior de soldados.htm Conforme a Resolução 181.cit. cerca de 56.state. a partir da década de 50 em diante. Ao final dos primeiros embates. possui grandes vantagens frente a seus rivais: seu contingente de soldados sempre foi superior aos demais. Após tamanha turbulência. a Guerra dos Seis Dias (1967). culminando na emergência de organizações políticas que buscavam representar a causa palestina. a Invasão do Líbano (1982) e as Intifadas. sua área aumentou para 20. Fundada em 1964. grosso modo. no entanto. Frente Democrática Popular para a Libertação da Palestina. encontramos a Al Fatah. começando com passeatas de estudantes na Universidade Americana de Beirute (1952). a qual previa a partilha da Palestina e colocando sob tutela da ONU a cidade de Jerusalém. 12 Dentre os principais conflitos entre Israel e os demais países árabes da região. Aproveitando-se da situação.673 km2. a OLP é a mais alta instância política palestina e a única representante legítima desse povo. A Inglaterra. A divisão da Palestina ocasionou a eclosão de uma guerra civil na região. David Ben-Gurion. É nesse período que temos a criação da Organização para Libertação da Palestina. Entre 29 de novembro de 1947 e 15 de maio de 1948. coexistindo desde 13 moderados até extremistas . podemos destacar a Crise de Suez em 1956. 78% do total da Palestina. líder da comunidade judaica. Al Saika. desde sua independência.

a divisão do mundo segundo áreas de influência e a submissão de conflitos de cunho local ao embate entre as superpotências foram fatos marcantes deste momento histórico. Muitos dos grupos responsabilizados por tais atos justificam suas ações como estratégia para impedir o avanço israelense e assim poder constituir um estado palestino independente. O que se desprende dessa breve análise histórica é a idéia de que o terrorismo foi umas das práticas usadas na tentativa de conter a expansão israelense na região. A corrida armamentista e a possibilidade do uso de armas nucleares. tem como meta primordial a eliminação completa do Estado de Israel do mapa . 14 todavia. mas também ao redor do globo. devido à morosidade da resolução da questão via meios políticodiplomáticos. O período compreendido entre 1969 e 1973 foi de grande atividade terrorista na região. a tomada da embaixada saudita em Cartum quando dois diplomatas norte-americanos e um diplomata belga foram mortos. A priori. além de representar a incompatibilidade mútua entre os regimes políticos e econômicos presentes não apenas na Europa. inspirando medo na população.uma suíça. O seqüestro de três aeronaves em 1970 . os embates se dariam em locais públicos. sempre foi acusada de omissão ao não agir de forma eficaz para coibi-los. principalmente aqueles realizados por facções integrantes da organização. o embate entre dois povos tentando coexistir num mesmo espaço. no entanto. não deporá suas armas e continuará sua luta contra o Estado de Israel. surgiram na região grupos com o objetivo de combater em um novo front: dessa vez. 14 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 7 . GUERRA FRIA O período compreendido entre o final da Segunda Guerra Mundial e a esfacelamento do muro de Berlim em 1989 foi marcadamente caracterizado pelas clivagens ideológicas e de poder existentes entre EUA e URSS. Assim sendo. e. onde a possibilidade de se atingir civis era muito maior e que conjugada com o uso da mídia. poderiam evidenciar à opinião pública mundial a causa pela qual lutavam. Outros grupos. o estopim para o uso sistemático do terror foi uma causa de cunho político. ou seja. a tomada do cruzeiro italiano Achille Lauro são exemplos desse tipo de prática que tinha então apenas um objetivo: ganhar as manchetes e jornais de todo o mundo. uma inglesa e uma norte-america . Um exemplo desse tipo de retórica é a do Hamas. a matriz religiosa não foi a causa fundamental para que se iniciasse tais práticas. o qual já afirmou que mesmo com a retirada dos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza. A OLP sempre desaprovou publicamente tais atos.VII Modelo da Organização das Nações Unidas No entanto. O muro erguido em 1961 foi o símbolo de uma era em que a bipolaridade vigorava no sistema internacional. o assassinato de atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique m 1972. 02.que foram levadas para Aman.

principalmente com as fronteiras ideológicas e geopolíticas formatadas em Yalta e Postdam. No Magreb. mas com formação militar.VII Modelo da Organização das Nações Unidas Após a queda do Eixo e a vitória dos Aliados. que durante muito tempo haviam sido palco exclusivo de atuação de dois estados Europeus . culminando na saída dos franceses do território. Esta concepção de Estado foi fortemente influenciada por partidos socialistas e comunistas da Europa. liderado em sua maioria por homens de origem humilde. constituído pela idéia de nãoalinhamento e de unidade árabe. além da propriedade e direção da produção e a divisão eqüitativa da renda por meio de impostos e provimento de serviços sociais. Era a falência dos impérios do século XIX e a ascensão dos 15 Estados Nacionais . a geometria espacial da Guerra Fria começou a ser delineada. assim como da África Negra e do Extremo Oriente. A França ainda tentou manter sua dominação na região. O Oriente Médio e o Magreb. na qual o Front de Libération Nationale (FLN).no caso. muitos dos governos formados não tinham respaldo popular e em alguns casos nem estavam interessados em buscá-lo. conjugou-se o pressuposto de que o controle dos recursos produtivos deveria ficar a cargo do Estado. No entanto. 15 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 8 . mas o ônus obtido durante a Segunda Guerra Mundial impediu o país de manter-se hegemônico. A idéia dominante durante as décadas de 50 e 60 era representada pelo nacionalismo árabe. em muito apoiado pelas grandes potências definidoras da ordem internacional vigente. adotou uma política de apoio aos países árabes. agregando-se a influência exercida pela URSS em todo mundo. Tanto EUA quanto URSS eram favoráveis à independência dos países dessa região. eram diretrizes a serem seguidas pelos governantes. a revolta popular foi a forma encontrada para as colônias encontrarem sua independência. aspirando a independência das superpotências por meio de uma política de neutralidade e pela busca de reformas econômico-sociais que mudassem as condições de vida da população. Exemplo notório é a Guerra da Argélia (1954-1962). esperando que com isso eles optassem pela aliança ocidental e que os interesses britânicos e estadunidenses coincidissem no que tange a região. a grande maioria dos governos formados após os processos de independência se sustentava em forças políticas calcadas em famílias dominantes e/ou elites intelectuais as quais tiveram a capacidade de influenciar a transferência do poder a seu favor. A Inglaterra. Ao Arabismo popular dominante nas décadas de 50 e 60. por sua vez. conseguiu angariar apoio de grande parte da sociedade. No Oriente Médio.se encontravam frente a processos de independência e descolonização. Inglaterra e França . a principal intenção dessa elite era em manter-se no A Crise de Suez (1956) e a Guerra da Argélia (1954-1962) podem ser entendidas como tentativas tardias da Inglaterra e França em reafirmarem suas posições neste contexto de bipolaridade.

Neste período de diversas independências e embates entre uma elite dominante e movimentos contestadores. como distribuição eqüitativa da renda. Com uma orientação que levava ao ideal de uma nação árabe e à reforma do sistema político e social. calcando seu discurso em termos de redistribuição de renda e justiça social. São Paulo: Companhia das Letras.VII Modelo da Organização das Nações Unidas poder e não mudar a distribuição da riqueza. 16 de acordo com Albert Hourani. Síria e Sudão é um dos maiores expoentes desta contestação. É nesse momento que a matriz religiosa 16 HOURANI. como a de Nasser no Egito. Os Irmãos Muçulmanos no Egito. mesmo estes movimentos tiveram seus opositores. para fazer frente aos governantes que utilizaram medidas secularizantes. pode ser entendida. contestavam o governo local. foi morto por um terrorista principalmente por sua reaproximação a Israel e por suas políticas de cunho secularizantes. Mesmo as mais populares. chegando ao Líbano. Albert H. o não-alinhamento com nenhuma das superpotências. oriundo da liderança exercida por Nasser no Egito. O Nasserismo. foram idéias que Nasser adotou no Egito e somente depois foram traduzidas como programa ideológico nasserista e espalhadas para os demais países. exterminando a religião. o arabismo tornou-se um dos principais opositores. A unidade árabe. como uma prática política que se tornou ideologia . 1994. Dessa análise. na grande maioria das vezes apoio da população. No entanto. substituto de Nasser. O terrorismo foi uma das armas utilizadas pelas forças contestadoras para derrubarem os regimes vigentes. A emergência do Partido Baath (Ressurreição) na Síria durante as décadas de 50 e 60 foi uma das primeiras tentativas de destronar estas elites. 407. Uma História dos Povos Árabes. e na Jordânia. Um discurso pró-Islã é resgatado em alguns casos. Cap. p. a existência de um “poder paralelo” palestino chocando-se com a autoridade do rei Hussein. Jordânia e Iraque. tinham suas oposições. Em governos que mantinham essa conduta. que possibilitasse práticas secularizantes e modernizantes. além de agregar algumas idéias socialistas. salta aos olhos a idéia de que o uso de práticas terrorista também esteve ligado principalmente à contestação das elites governantes. ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 9 . conseguindo. ao integrarem nacionalismo. possibilitando a ascensão de movimentos e ideologias que. resultando em mais de quatro mil mortos. acusando Nasser de usar uma linguagem islâmica para encobrir seus reais motivos: secularizar toda a sociedade. culminou no chamado Setembro Negro. um maior controle estatal sob os diversos âmbitos produtivos da sociedade e a busca por um Islã reformista. religião e justiça social. Os combatentes da guerra argelina fizeram uso sistemático do terror com o intuito de extirparem a presença francesa no país. Anwar Sadat. 24. práticas terroristas foram utilizadas na tentativa de derrubar a ordem vigente. o partido conseguiu expandir-se além das fronteiras sírias.

movimento perseguido durante o governo de Nasser. Peter. O Mundo Muçulmano. As respostas acerca do desafio ocidental oscilaram. Modelo da Organização das Nações Unidas começa a ganhar força como movimento aglutinador. Alguns autores optam pela expressão Islamismo. entre outros fatores fizeram com que Qutb rejeitasse totalmente qualquer modo de vida ocidental.211. Alguns optaram pela modernização ocidentalizante. a falência das tentativas nacional desenvolvimentista-estadista em buscar uma maior equidade entre a população e a derrocada do Pan-arabismo criaram uma fenda a qual foi propícia para o desenvolvimento de movimentos fundamentalistas.VII Iraniana de 1979. Qutb era membro dos Irmãos Muçulmanos no Egito. procurando dar uma dimensão islâmica à democracia ocidental. disputando com o arabismo simbolizado por Nasser a preferência da população. ilustrada principalmente pela opção egípcia. No mundo árabe. Como enfrentar os desafios colocados pelo Ocidente -exploração econômica. o racismo. a qual tinha como pressuposto uma política antimoderna.era um dos principais objetivos desses movimentos. há muitas controvérsias acerca de como cunhar tal fenômeno no mundo muçulmano. doravante utilizaremos a expressão fundamentalismo muçulmano. perda de independência política. São Paulo: Contexto. 18 Com relação à nomenclatura. In: DEMANT. Uma terceira vertente era tradicionalista. 17 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 10 . atingindo seu auge com a Revolução 03. Frase atribuída a Sayd Qutb. Qutb era um reformador. A sexualidade aberta da sociedade norte-americana. por exemplo . anti-secularista e antiocidental. O fundamentalismo muçulmano 18 pode ser entendido como uma resposta frente ao desafio colocado pela modernidade aos países da região.entre eles Sayyd Qutb. A REVOLUÇÃO IRANIANA “A miséria do mundo muçulmano é o resultado dos muçulmanos terem esquecido Deus” 17 No decorrer dos anos 60 outro movimento começou a se desenvolver fortemente no Oriente Médio. Islã Político ou Revivalismo islâmico. Os movimentos fundamentalistas sunitas tiveram como maior ícone e ideólogo Sayyd Qutb e sua obra Marcos Milionários. a impotência dos governos frente ao Estado de Israel (principalmente após o malogro de 1967). o apoio ao sionismo. Inicialmente. como foi o caso da Turquia. Sua experiência no cárcere e principalmente seu período de estudos nos EUA fizeram com que ele enveredasse para o extremismo. Por estar de certa forma consagrado. P. 2004. Uma segunda opção foram as experiências nacionais secularistas. comuns nos anos 50 e 60. alguns líderes foram executados e boa parte encarcerada .

Nesse mesmo sentido. após uma guerra civil entre cristãos e muçulmanos. Influenciado pelos ingleses. Promessas do Islã. a formação do reino da Arábia Saudita pelos wahhabitas pode ser entendida como uma opção pela retirada e formação de uma sociedade islâmica autêntica. Em suma. não apenas a conduta nacionalista de Mossadegh foi o estopim para a Referência à Hégira. e no Sudão. 19 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 11 .VII Modelo da Organização das Nações Unidas A ideologia fundamentalista formulada por Sayyd Qutb rejeitava não apenas o modo de vida ocidental. 2001. a CIA montou a operação Ájax que tinha como principal intuito retirar Mossadegh do poder e colocar um governante simpático ao Ocidente. GARAUDY. O segundo é interpretado como o direito de defesa empreendido pelo Estado islâmico contra nações que persigam muçulmanos pretendendo impedi-los de praticar e divulgar sua fé. a qual era dominada pela Inglaterra. 20 Segundo Roger Garaudy. Em nome de Deus: : o fundamentalismo no Judaísmo. No mundo árabe. o fundamentalismo é uma reação contra a cultura científica e secular oriunda do Ocidente e que se espalhou pelo globo todo. como também sua forma de organização política. 21 ARMSTRONG. por encontrar-se num estado de completa ignorância e descrença frente a fé. desencadeando uma reação religiosa sem precedentes. ecos fundamentalistas sunitas espalharam-se na Síria. nenhum movimento sunita conseguiu assumir o poder até então. a democracia era inadequada. de acordo com Karen Armstrong 21. devemos diferenciar a Grande Jihad da Pequena Jihad. deram origem às primeiras respostas fundamentalistas ao governo central. No entanto. Karen. São Paulo: Companhia das Letras. A situação pela qual passava o país devido à ditadura do Xá Reza Pahlevi. somente existiriam duas alternativas de ação à sociedade árabe: a retirada e posterior formação de uma nova sociedade 19 ou a ação revolucionária. O primeiro é entendido como o esforço individual que todo muçulmano deve empreender para se manter dentro dos limites estabelecidos pelo Alcorão. principalmente na Tunísia. o qual. convocando todos os muçulmanos para uma Jihad 20 contra os governos que. quando Maomé e os demais muçulmanos migraram de Meca para Medina. Não obstante. ou seja. e sim de Deus. segundo ele. Sayyd Qutb optou pela segunda alternativa. não condiziam com as escrituras sagradas reveladas ao Profeta. descontentando a maior parte da população. O ato que desencadeou o golpe de estado que derrubou Mossadegh foi a iniciativa do governo de nacionalizar a Anglo-Iranian Oil Company. Conforme o credo fundamentalista. A primeira vitória fundamentalista. no Cristianismo e no Islamismo. conjugada com o programa e o carisma do Aiatolá Khomeini propiciaram a vitória do movimento. no entanto. devido à política secularizante empreendida pelo partido NeoDestur. viria num país persa e do ramo xiita do Islã. Roger. 1988. devido à presença dos Irmãos Muçulmanos naquele país desde a década de 40 e 50. visto que a autoridade não emana do povo. além do Magreb. Com a chegada ao poder de Mohamed Mossadegh na década de 50 o Irã adotou uma política nacionalista em seu governo. Foi apenas com a Revolução Iraniana de 1978-1979 que os fundamentalistas conseguiram atingir o governo central. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

o xá ainda tentou apaziguar a oposição com promessas de reformas governamentais e a redação de uma nova carta constitucional 24. foi vista como um evento antiocidental e como um sinal encorajador para que demais movimentos contestatórios de cunho religioso em outros países tentassem a tomada do poder. o xá lançou o que ficou cunhado como Revolução Branca. o Irã passou a integrar o campo ocidental e foi um dos representantes dos interesses estadunidenses na região. capaz de derrubar um governo secularista. Ulemás são os “sábios” ou “preparados”. os muçulmanos deveriam formar um Estado Islâmico. no Iraque. A revolução propriamente dita começou em meados de 1977. então já o principal líder da oposição. Khomeini e seu movimento foram saudados também como rivais ao Grande e ao Pequeno Satã: EUA e Israel. o processo beneficiou apenas uma pequena parcela. com medidas como uma reforma agrária. calcada em grande apoio popular. ampliando a base de apoio ao movimento. o qual enfrentou forte opressão e morreu em Karbala. Assim sendo. divergindo dos interesses dos líderes religiosos iranianos. Em janeiro de 1979 o xá fugiu do país. Nos anos 60. Khomeini argumentava que para ser bem sucedido. No mundo árabe. da sunnah (hábitos e práticas religiosas do Profeta que foram registrados por amigos e familiares) e dos ahadith (as tradições documentadas dos ensinamentos e ações de Maomé que não se encontram no livro sagrado). desagradando a maior parte da população e o clero do país. quando diversos protestos antigoverno e greves universitárias explodiram no país. 24 Dentre as novas propostas. Ademais. neto do Profeta. como dar direito de voto às mulheres culminou na revolto de diversos ulemás 22. A Sharia consiste no corpo das leis islâmicas sagradas provenientes do Alcorão. No entanto. o movimento deveria espelhar-se na resistência do imã Hussein. O impacto internacional da Revolução foi grande: foi a única revolução islâmica dos tempos modernos. 23 22 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 12 . escolarização da população e emancipação das mulheres. Khomeini. deixando o posto de governante aberto para Khomeini.VII Modelo da Organização das Nações Unidas sua queda: ações contrárias aos líderes religiosos. O Aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989) foi o principal líder da oposição. Sem contar com apoio expressivo da população. formatado segundo uma estrutura política que se guiasse pelos princípios da 23 Sharia . liderou as revoltas que pediam a cabeça de Reza Pahlevi. Em segundo lugar. No início de 1978. conjugouse o apoio de diversos ulemás contrários ao governo do xá. é a camada de especialistas em questões religiosas e jurídicas. A queda de Mossadegh permitiu que o Xá Reza Pahlevi iniciasse seu governo com amplos poderes. uma tentativa de modernizar o país. O descontentamento com o governo aumentou durante o decorrer da década de 70. encontrava-se leis que possibilitavam maior participação feminina na política e na educação. pelas mãos do califa Yazid (680-83). No entanto era tarde demais: no seu exílio na França.

A questão que se apresentava no início da década de 90 era saber se a hegemonia dos Estados Unidos se adaptaria e resistiria ao desgaste inevitável ou se recuaria diante das pressões externas e internas produzidas pelas transformações do cenário pós-Guerra Fria. aos fundamentos da cultura. O terrorismo foi também praticado por simpatizantes de Khomeini: a tomada da embaixada norte-americana em Teerã pelo grupo extremista Alunos da Linha do Imã desencadeou uma crise diplomática de grandes proporções.VII Modelo da Organização das Nações Unidas A Revolução Iraniana tinha um compromisso com a exportação internacional do movimento. deram aos praticantes do terror seja a volta da importância do Mito na formação ideológica desses grupos. simultaneamente. força militar e hegemonia estratégica global. Talvez a maior influência que a Revolução Iraniana. A GUERRA DO GOLFO O término da Guerra Fria e o esfacelamento da ordem bipolar que vigorara desde o final da Segunda Guerra Mundial transformou substancialmente a configuração de forças no sistema internacional. a qual se alongou por 444 dias. não comporta demonstrações empíricas. Um dos melhores exemplos foi o apoio iraniano para a Aliaça do Norte no Afeganistão. desde desenvolvimento econômico e social. ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 13 . assim como os movimentos fundamentalistas sunitas. característico do mundo Ocidental. superando assim a paralisia dos anos de Guerra Fria levando à decisões mais efetivas sobre diferente gama de assuntos. pragmático e científico. O final dos embates com o bloco soviético legou aos EUA a condição de única superpotência que reunia. no entanto. não tem tamanha importância para estes movimentos. o Logos. a qual combatia o regime sunita extremista do Talibã. o que provocou um debate sobre a configuração de poder que se sucederia à dissolução da URSS. Num primeiro momento a comunidade internacional acreditou estar a frente de um revigoramento da Organização das Nações Unidas. Khomeini apoiou diversas causas que considerava justa. é na dimensão mitológica que são ressaltados. O islã constituía um projeto universal e deveria se propagar pelo globo. Agregandose ao antiocidentalismo. fornece o contexto que dá sentido e valor às atividades práticas. foi uma das variáveis que propiciou o grande apoio que tais grupos possuem. o advento da idéia do Mito. Juntamente com o literalismo. ou seja. o pensamento racional. O mito de Hussein para os xiitas. quando grupos terroristas justificam e comparam suas ações aos antigos mitos islâmicos. Os atos perpetrados não se justificam e ganham valor na dimensão racional. algo atemporal. por exemplo. Tal influência permanece até os dias de hoje. que remonta às origens da vida. Entrementes. a interpretação ao pé da letra dos textos sagrados. passando pela proteção dos direitos humanos e a manutenção da paz e segurança internacional.. 04.

un. O que era para ser algo temporário acabou tornando-se permanente: mesmo após o final da Operação Tempestade do Deserto. que dariam ao Iraque novo acesso ao Golfo Pérsico. proclamando-o como sua 19ª província.Sadam Hussein. Em 16 de janeiro. do Egito. Ademais. provocando a ira de muitos grupos fundamentalistas. A idéia de que o Grande Satã explorava economicamente os países do Oriente Médio e do Magreb e apoiava tiranos ganhou grande força na população. caso seu Exército não se retirasse do Kuwait até 15 de janeiro de 1991. da França. a ONU autorizou o uso de forças militares contra o Iraque conforme a resolução 678 26 do Conselho de Segurança.pdf?OpenElement ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 14 . além da idéia de que o american way of life seria uma das maiores ameaças ao Islã prejudicaram a imagem dos EUA na região. Egito e Liga dos Estados Árabes não surtiram efeito algum: mesmo com a ONU tendo iniciado um boicote econômico conforme a resolução 661 25 do Conselho de Segurança. os EUA mantiveram suas bases em terras sauditas. calcada no multilateralismo e na emergência de um suposto direito cosmopolita. para outros.org/doc/RESOLUTION/GEN/NR0/575/11/IMG/NR057511. o qual acusava o Kuwait de provocar a baixa no preço do petróleo ao vender mais que a cota estabelecida pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Com a falência das tentativas de resolução diplomática do impasse. como o controle dos portos de Bubiyan e Uarba. que o Kuwait perdoasse a dívida de US$ 10 bilhões contraída pelo Iraque durante a guerra com o Irã (1980) e também pagasse uma indenização de US$ 2. A crise teve como estopim o pretexto usado por Sadam Hussein. da Síria e de países que formaram a coalizão anti . os quais enxergavam tal fato como um grande disparate. Ações norteamericanas como o apoio constante ao Estado de Israel. que se rendeu em 27 de fevereiro do mesmo ano. a Arábia Saudita tornou-se base temporária para as forças dos EUA. Tentativas de mediação por parte da Arábia Saudita. Hussein exigia. O rápido consenso atingido pelos membros do Conselho de Segurança frente à decisão unilateral de Saddam Hussein em invadir o Kuwait foi visto por muitos como o exemplo de uma nova era. estavam ainda em jogo antigas questões de limites. alegando que os kuwaitianos extraíram petróleo de campos iraquianos na região fronteiriça de Rumaila.org/doc/RESOLUTION/GEN/NR0/575/28/IMG/NR057528.VII Modelo da Organização das Nações Unidas A Guerra do Golfo foi vista como o melhor exemplo dessa nova era.un. o que ficou evidenciado foi a pretensão estadunidense de dominação global. O antiamericanismo que já era grande na região aumentou ainda mais. favorecendo os movimentos fundamentalistas que conseguiram diversos partidários.4 bilhões.pdf?OpenElement http://daccessdds. Durante as manobras militares. 25 26 http://daccessdds. as forças coligadas de 28 países liderados pelos EUA deram início ao bombardeio aéreo de Bagdá. do Reino Unido. o golpe contra Mohamed Mossadegh no Irã e a instauração de um governo opressor mais voltado ao Ocidente. o ditador iraquiano anexou o Kuwait. então. Não obstante.

o que se desprende é a idéia de que a atuação dos EUA nos países árabes. com o Reino Hachemita da Jordânia. Bin Laden foi considerado persona non grata e teve de deixar o país. Somália e Iêmen. como o suporte estadunidense à Israel. mostrou pesar às vítimas dos atentados. iniciando sua guerra contra os EUA. Dentro desse contexto. Washington e seus aliados passaram a ser as grandes batalhas a serem enfrentadas e o terror seria a melhor arma para se realizar esta tarefa. Dessa forma. grupo que assassinara Anwar Sadat. Seja por causas seculares. a década de 90 se viu frente à internacionalização do terror fundamentalista muçulmano. 27 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 15 . o terror fundamentalista começou a concentrar e intensificar suas ações contra alvos primariamente estadunidenses. Refugiando-se no Afeganistão. A Liga dos Estados Árabes. Assim sendo. sucessor de Nasser.os EUA seriam a Dar al-Harb e a sua derrota era a tarefa primordial de todo muçulmano -. xeique egípcio antes associado ao Jama’at al-Jihad. 05. Com os EUA representando o principal inimigo a ser combatido. além de financiar grupos no Egito. Um dos estopins que levaram à formação da Al-Qaeda por Osama Bin Laden foi a permanência dos norte-americanos em terras sauditas. direcionou a atenção dos grupos terrorista não apenas para o governo de seus países: os EUA passaram a ser considerados como um dos maiores degeneradores do Islã e deveriam ser expulsos de terras muçulmanas. Egito e Israel. dezenove americanos foram mortos num atentado na base militar saudita de Dhahran. Tais alvos podiam encontrar-se tanto no mundo muçulmano quanto em outras regiões. Em 1996. podemos dizer que o 11 de setembro foi o resultado do processo iniciado no pós-Guerra Fria e Guerra do Golfo. em 1998. culminando na morte de 300 pessoas. frente a este evento. a política dos EUA para o Oriente Médio esteve direcionada para o propósito de impedir a emergência de uma hegemonia regional que pudesse dominar a área e estabelecer forte influência sobre a produção petrolífera. Após diversas críticas abertas à Casa de Saud. Em 1993. houve a primeira tentativa de se explodir o World Trade Center. a Al-Qaeda explodiu simultaneamente as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia. conjugado com o antiamericanismo latente na região. Bin Laden deu início a formação de seu grupo terrorista. atribuída à Umar Abdul Rahman. o qual buscava seus alvos em quaisquer partes do planeta. O 11 DE SETEMBRO DE 2001 Grosso modo. seja por ser o maior desafio no plano mitológico .VII Modelo da Organização das Nações Unidas No pós-Guerra Fria. Este foi um dos principais motivos que levaram à permanência das tropas norte-americanas após a Guerra do Golfo 27. procurou apoiar governos que lhe fossem simpáticos.

p. http://www. Gazeta Mercantil.p. o patrocínio à causa sionista e ao Estado de Israel. resultando em mais de 3000 mortos. Foreign Affairs – Edição brasileira.il/articles/fatwah. Assim sendo.al-bab. na sua maioria civis. Na manhã de terça-feira de 11 de setembro de 2001. Osama Bin Laden acusa os norte-americanos de três crimes específicos contra Deus: a ocupação das terras sagradas do Islã. 31 http://www.whitehouse. ou seja.com/arab/docs/league/communique02.html 28 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 16 . Além de um forte antiocidentalismo presente em seu programa ideológico. a supremacia militar norte-americana também se torna uma Para ver maiores detalhes da declaração da Liga dos Estados Árabes acerca da questão do terrorismo pós. dezenove membros da Al-Qaeda seqüestraram quatro aviões e os lançaram contra os principais símbolos do poder econômico. 12/03/1999. Os atentados provocaram um momento de inflexão na política externa norteamericana. Modelo da Organização das Nações Unidas denunciando o terrorismo internacional. O resultado foi consubstanciado na dita Doutrina de Prevenção.VII para combater tal ameaça 28.ict. seria dever de todo muçulmano combater nessa Jihad global. Estava claro que a superpotência solitária 30 precisava de um projeto estratégico para enfrentar as novas ameaças que se colocavam à sua frente. Ademais. o sofrimento imposto aos iraquianos após a Guerra do Golfo. Os aviões levaram o terror fundamentalista muçulmano para dentro dos EUA. publicada em 20 de setembro de 2002 sob o título de “A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América” 31. Juntamente com o colapso das Torres Gêmeas. os atentados às Torres Gêmeas e ao Pentágono podem ser entendidos como a obra-prima de Bin Laden. A superpotência vencedora da Guerra Fria era vulnerável como qualquer outro Estado.11 de setembro. A principal conseqüência deste evento foi evidenciar a todos que o terror não estava restrito mais às terras árabes e/ou africanas. caiu o mito da inviolabilidade do território continental norte-americano. nos deparamos com uma retórica que ressalta o aspecto global da guerra entre o Islã e o Ocidente. Bin Laden afirmava que os atos perpetrados pelos terroristas suicidas eram parte da resposta às ações estadunidenses 29 outrora declaradas na carta de 1998 . e. acabando com o sentimento de segurança que a população possuía. Numa declaração de 1998. 23-28. “A Superpotência solitária”.org. político e militar dos EUA.htm 29 http://www. Logo.gov/nsc/nss. mas fazendo ressalvas às ações norte-americanas A Al-Qaeda pode ser considerada uma das principais responsáveis por esta internacionalização do terror. Em várias declarações gravadas.htm 30 HUNTINGTON. a partir de agora os EUA fariam uso da agressão preventiva caso entendessem que estivessem sob ameaça latente e futura. Samuel P. O documento introduz às relações internacionais o conceito de Guerra Preventiva.

o terror só tenderá a aumentar. atentados ocorreram na Tunísia. a Inglaterra. seja por meio de governo aliados. Os anos de 2002-2003 foram marcados pela grande emergência de violência fundamentalista. o terrorismo não é impedido de transitar por fronteiras delimitadas geograficamente. que outrora esteve restrito aos territórios árabe-muçulmanos. Indonésia e Filipinas. com os atentados na Espanha. de acordo com a concepção norte-americana. No entanto. a onda de terror se alastrou por todo o globo. Após 2003. notamos que o terrorismo fundamentalista islâmico. que na sua grande maioria rechaçara os atentados terroristas de 11 de setembro.VII pequeno ou longo prazo. principal aliado dos EUA na Guerra ao Terror. No mundo muçulmano. impedindo que aliados ou inimigos adquiram capacidades militares comparáveis no Esta nova postura da política externa norte-americana. culminando numa lógica maniqueísta da política internacional produziu controvérsias no mundo. principalmente depois da morte de Yasser Arafat. sendo capaz de atingir os mais distintos países. vem se expandindo cada vez mais. Se esta é a maior ameaça para a segurança internacional. só o tempo dirá se a Doutrina de Prevenção é a ferramenta adequada para a missão. se nada for feito internamente por cada país. com diversos países temendo novos atentados. as atenções ficaram voltadas primordialmente para a intervenção militar no Iraque. muitos ainda vêem com ressalvas a nova postura de Ariel Sharon. Em 2002. Contexto atual A constante ameaça terrorista presente não apenas no mundo árabe. No que tange ao Iraque. Modelo da Organização das Nações Unidas prioridade. sentiu o impacto da ameaça terrorista. a tentativa de aprovação de uma nova Constituição para o país patrocinada pelos EUA não vem agradando principalmente os sunitas que até a deposição ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 17 . seja por intervenção militar propriamente dita. e em 2005. 2004 viu o terror chegar ao Velho Continente. Assim sendo. mas em todo o globo. presente desde o início da Guerra Fria. em 2003. Enquanto isso. conforme visualizada no Iraque. principalmente grupos como o Hamas e o Hezbollah. muitos viram com maus olhos a intensificação do intervencionismo norte-americano. fortalecendo a teoria preventiva e as políticas impositivas estadunidenses. Podendo ser entendido como uma força transnacional. tem como um dos principais motivadores o discurso antiocidental da maior parte dos extremistas e que foi fortemente intensificado com a intervenção norte-americana no Iraque. A tentativa estadunidense em angariar apoio do Conselho de Segurança para invadir o Iraque terminou com o racha na aliança ocidental. O início da retirada dos colonos judeus da Faixa de Gaza parece ser uma iniciativa israelense de se avançar nas negociações de paz.

Egito. Atentados em países que apoiaram a intervenção norte-americana já atingiram Londres e Madrid. após o desfecho das operações. Não obstante. mesmo tendo apoiado inicialmente o reclamo iraquiano no Kuwait durante a Guerra do Golfo. Contribuiu substancialmente com contingente militar na Guerra do Golfo. Jordânia e Países do Golfo O Egito é um dos principais países da região e o primeiro a realizar um acordo de paz com Israel. Os Países do Golfo sempre tiveram uma política de alinhamento aos EUA e à Inglaterra. com a assinatura dos Acordos de Camp David em 1978 e a assinatura do Tratado de Paz em 1979. É um dos principais aliados dos Estados Unidos da América na região. Com relação à Israel. Na Austrália. ao jornal britânico Financial Times. o terrorismo internacional continua suas ações. Contudo. com o intuito de minar a confiança de investidores”. estão procurando normalizar suas relações com o país. além de abrigar tropas norte-americanas envolvidas em operações de busca e resgate no oeste do Iraque e operar um sistema Patriot de defesa antimísseis. sendo um dos grandes aliados dos EUA na região. apoiaram formalmente a coalizão.usaid. Na mesma linha se encontra o Reino Hachemita da Jordânia. e permitiu que Washington ampliasse uma base aérea para operar mais jatos de combate. Curdos e xiitas. Segundo afirmou Jean-Louis Bruguière. país que deu suporte à ação estadunidense. Qatar abriga o quartel-general móvel do Comando Central norte-americano. Bahrein serve como quartelgeneral à Quinta Frota dos Estados Unidos. “uma ação da Al-Qaeda à um grande centro financeiro em países como Singapura. também têm suas ressalvas. a qual também assinou um Tratado de Paz com Israel em 1995. na chamada Operação Estrela Brilhante. Com relação à intervenção dos EUA no Iraque. recebendo assistência militar e financeira da Casa Branca via USAID 32 e realiza manobras militares com os norte-americanos. abrindo seu espaço aéreo aos aviões da coalizão.gov/ ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 18 . o que pode culminar num atentado a qualquer momento. acredita-se na existência de células terroristas espalhadas pelo país.VII Modelo da Organização das Nações Unidas de Saddam Hussein estavam no poder. atuando sempre a favor da resolução pacífica do conflito árabe-israelense. Posição dos principais atores 01. Japão e a já citada Austrália é quase certo. Kuwait serviu de base às forças da coalizão concentradas para a 32 http://www. por sua vez. mas acreditam ser um grande avanço a nova Carta. investigador terrorista francês. o governo vem restaurando suas relações com o Ocidente.

no qual pelo menos 40 pessoas morreram e cem ficaram feridas em cinco explosões ocorridas em Casablanca. sobretudo pelos desejos do ex-líder iraquiano de despontar como novo símbolo árabe pós-Nasser. Líbano. 02. segundo o Departamento de Estado dos EUA. devido a desentendimentos com o Iraque de Saddam Hussein. Síria. Omã foi base para aviões norte-americanos usados no Afeganistão. com na Arábia Saudita. Nos últimos anos. Marrocos é um dos aliados dos EUA em sua guerra contra o terrorismo. Não obstante. Marrocos e Tunísia vêm procurando estreitar suas relações com Israel. que é apoiado pela Argélia. Não obstante. apoiando o retorno do Egito à Liga dos Estados Árabes em 1989 e dando suporte à coalizão internacional durante a Guerra do Golfo. aviões norte-americanos e britânicos usaram sua base aérea Prince Sultan para impor a "zona de exclusão de vôo" sobre o sul do Iraque. Ademais. ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 19 . procurou reverter a situação. o conflito pelo domínio da região do Saara Ocidental já dura 30 anos. Tunísia. O rei Mohammed 6º expressou preocupação de que a guerra pudesse despertar o movimento fundamentalista islâmico do país.VII Modelo da Organização das Nações Unidas invasão. 03. afirmou que não desempenharia papel algum na intervenção no Iraque. em 16/05/2003. o Front Polisário. mas. aspirando investimentos na região e um maior incremento no que tange ao comércio com o bloco europeu. A etapa mais violenta do conflito foi encerrada quando a Organização das Nações Unidas conseguiu promover um cessar-fogo em 1991. A União do Maghreb Árabe. tampouco com Israel. Argélia. Emirados Árabes Unidos é base para os aviões de vigilância e reabastecimento aéreo norte-americanos além de servir de base a um número estimado em 3. Iraque e demais países árabes A Síria é um dos países. por fim. Todavia.000 soldados ocidentais.000 prisioneiros marroquinos. visa também uma maior integração com a União Européia e com o Ocidente.Países do Maghreb Mauritânia. Esta nova perspectiva fez com que países como Argélia e Líbia deixassem de lado posturas mais extremistas e buscasse maior aproximação com o ocidente. patrocinadores do terrorismo internacional. Sua relação com os países árabes esteve deteriorada quando Damasco deu suporte ao Irã durante a Guerra Irã-Iraque. mas expressou desgosto com o fato de uma solução pacífica não ter sido encontrada para a crise iraquiana. num primeiro momento. reatando laços diplomáticos por meio da abertura de embaixadas e o estabelecimento de missões diplomáticas. Líbia e Mauritânia. capital comercial do Marrocos. não normalizou suas relações nem com EUA. o terrorismo internacional já atingiu a região. já libertou mais de 2. formada por Marrocos.

org/wiki/Terrorismo#Conven. Kofi Annan. Desde então. o relatório define terrorismo como “qualquer ação. conflitos entre Estados e intra-estatais. principalmente no conflito na região de Darfur. De março de 2003 a julho de 2005 foram mortas 2200 pessoas.B5es_Internacionais_sobre_Terrorismo 33 ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 20 . Desafios e Mudanças para o século XXI.em 12 de junho de 2005 e os atentados de 02 e 21 de junho de 2005.e o ex-líder comunista George Hawi. radiológicas. como Iêmen e Sudão mantêm uma política de isolamento à Israel. por sua vez. dentre outros. Neste sentido. armas nucleares. químicas e biológicas. o relatório incentiva os Estados a adotarem uma definição comum de terrorismo.A7. principalmente depois da ação ocorrida em 14/02/2005.VII Modelo da Organização das Nações Unidas O Líbano. e os curdos. Ambos são considerados patrocinadores do terrorismo pelos EUA e o Sudão vem sendo acusado de desrespeitar os direitos humanos e as minorias étnicas. na grande maioria iraquianos e muçulmanos. principalmente entre os sunitas.conhecido por sua militância contra o controle da Síria no Líbano . dentre os quais destacamos o que culminou na morte do ministro libanês da Defesa. o qual tirou a vida do ex-premiê e líder da oposição anti-Síria Rafik al Hariri. http://pt. O Iraque. O relatório intitulado “Um mundo mais seguro: nossa responsabilidade” 33 contém 101 propostas de reforma e recomenda mudanças no tratamento de ameaças. http://www.C3. e após a retirada das tropas sírias da fronteira do país.C3. associada a ações já especificadas pelas convenções existentes no aspecto do terrorismo. No que diz respeito ao terrorismo. que eram a elite do governo durante o regime de Saddam Hussein. crime organizado e terrorismo. é o palco do maior número de atentados terroristas no momento. Ações da Liga e principais organizações terroristas A ONU lançou no início de 2005. está sendo alvo de diversos atentados terroristas. os quais buscam o reconhecimento de um território autônomo. O documento pressupõe que apenas depois de reconhecerem a ameaça. os xiitas. o chamado Curdistão Outros países. nos quais morreram o jornalista Samir Kassir . Elias Murr.wikipedia. que integra um Painel sobre Ameaças.org/terrorism/ 34 Para as principais convenções e tratados contra terrorismo. os Estados podem se unir para combatê-la. um relatório elaborado pelo Grupo de Alto Nível criado pelo Secretário-Geral. o Líbano sofre uma série de atentados desde fevereiro. A tentativa de aprovação da Carta constitucional vem apresentando problemas. sendo que o primeiro prega a destruição do Estado Judeu. por sua vez. as Convenções de Genebra 34 e a Resolução 1566 (2004) Para maiores informações acerca das ações da ONU frente a temática do terrorismo.un. maioria da população.

org/arableague/english/details_en. A partir dos anos 80. o presidente norte-americano George W. que tem a intenção de causar morte ou ferimentos graves a civis ou não combatentes. Apesar de não contar com bases fixas de atuação. a Liga dos Estados Árabes realizou o Simpósio Regional Árabe de Combate ao Terrorismo. A Al-Qaeda foi formalmente fundada por volta de 1988. ou compelir o governo ou organização internacional a fazer ou se abster de fazer algo”. vindos de mais de 50 diferentes países. A rede nasceu como parte da oposição à invasão soviética ao Afeganistão em 1979.jsp?art_id=3664&level_id=219 . As principais medidas e discussões fomentadas no encontro podem ser vistas em http://www. Al-Qaeda A Al-Qaeda é uma rede internacional terrorista que acredita na libertação do mundo árabe da influência dos valores do Ocidente e luta pela instituição de regimes fundamentalistas islâmicos no Oriente Médio. fiel às multi-seculares e sagradas leis da hospitalidade. por natureza e contexto. Em janeiro de 2002.VII Modelo da Organização das Nações Unidas do Conselho de Segurança 35. A operação contou com grande financiamento e bin Laden queria levar sua luta para além das fronteiras afegãs. Bush. como prova de lealdade. o grupo parte de um princípio anti-estatal de resgate das origens islâmicas. Isso facilita a ação do grupo em países vizinhos. em seu discurso sobre o Estado da União já havia salientado medidas e citado alguns dos principais grupos terroristas que representariam ameaças para manutenção da paz no Oriente Médio e ao redor do mundo. sob a tutela de Osama bin Laden e do líder palestino Abdullah Azzam. Não obstante. os principais grupos terroristas atuantes levando em conta a amplitude de seus ataques. o grupo executou seus treinamentos ao longo das áreas fronteiriças montanhosas entre o Paquistão e o Afeganistão e dentro de cidades paquistanesas.arableagueonline. não é objetivo deste manual delimitar o debate apenas nessas organizações.un. os chamados ‘guerreiros sagrados’. Os simpatizantes devem acolher outros membros oferecendo-lhes abrigo. como o próprio Paquistão.org/doc/UNDOC/GEN/N04/542/82/PDF/N0454282. quando o propósito de tal ato. sediado na cidade do Cairo. o grupo iniciou o recrutamento e treinamento de milhares de mujahadeen. mas apenas colocar em foco aquelas que vem se destacando frente ao contexto atual. seguindo esta empreitada.pdf?OpenElement ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 21 . o intuito de exemplificação. Também no início de 2005. 35 http://daccessdds. Destacamos abaixo. Nas áreas fronteiriças do país. é intimidar a população. De 1991 até 1996. o número de seus seguidores e a capacidade para arrecadação dos fundos de financiamento que possibilitam suas ações.

Outros nomes são citados como lideranças fundamentais do grupo em diferentes países. O grupo conta com uma extensa rede de serviços sociais que atua junto à ala terrorista do movimento. incluindo os EUA. a maioria deles se refugiou ou foi capturada por agentes da inteligência. Autoridades já identificaram células do grupo no reino Unido.possam ter encontrado refúgio nessas áreas. o Abu Sayyaf da Malásia e Filipinas e grupos separatistas da Caxemira. Especialistas afirmam se tratar de milhares de pessoas ao redor do mundo. Hamas O Hamas representa hoje o maior e mais importante grupo fundamentalista mulçumano atuante na Palestina. que seriam discutidos e aprovados por um concílio geral que. Com a erupção da primeira Intifada.yale. 36 http://www. Segundo oficiais da inteligência norte-americana. Espanha. que significa "país sem lei". A grande descentralização do grupo dificulta a obtenção de dados quanto à estimativa de membros e simpatizantes. a rede possui células autônomas em cerca de 100 países. em 1987. também conhecidas como "agências" ou "ilaqa ghair". O grupo foi fundado no final da década de 60. Itália.e talvez o próprio Osama bin Laden . Inicialmente. o Movimento Islâmico do Uzbequistão. o Sheikh Ahmed Yassin e seus seguidores pregavam e realizavam trabalhos de caridade nas regiões da Cisjordânia e faixa de Gaza. seria comandado diretamente por bin Laden. Alemanha.htm ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 22 . mas desde o início da empreitada norte-americana no combate ao terrorismo. publicando sua carta oficial em 1988 . Yassin transformou o Hamas no 36 representante político local da Irmandade Mulçumana. A destruição de bases da AlQaeda no Afeganistão fez com que o grupo buscasse cada vez mais o apoio de outros grupos terroristas atuantes que compartilham de seus ideais. Albânia e Uganda. mas apenas algumas centenas participariam ativamente dos atos terroristas. França. A carta prega a destruição de Israel e substituição da Autoridade Palestina por um Estado Islâmico em Gaza e na Cisjordânia. como parte do grupo político e religioso da Irmandade Mulçumana do Egito. ao menos até 2003. o Exército Islâmico de Aden.edu/lawweb/avalon/mideast/hamas.VII Modelo da Organização das Nações Unidas existem zonas tribais pashtun. do Yemen. seu fundador e líder espiritual. Acredita-se que parte do grande financiamento obtido pelo grupo sirva também para patrocinar grupos como a Jihad Islâmica. Suspeita-se que muitos membros da Al-Qaeda .

VII Modelo da Organização das Nações Unidas Sheik Yassin foi o líder político do grupo até seu assassinato em março de 2004 por forças de segurança israelenses. com somas de até 30 milhões de dólares por ano. Estima-se que o Hamas tenha um orçamento anual de até 70 milhões de dólares que são empregados em grande parte na sua extensa rede de serviços sociais. mas acredita-se que a organização seja hoje dirigida por Khalid Meshal. Canadá e Europa. esse grupo de ativistas separou-se da Irmandade Mulçumana. Durante a primeira Intifada. em 1981. o Hamas tem mantido ocultas as identidades de seus principais líderes políticos para protegê-los de possíveis ataques das forças israelenses. na Síria. que fora assassinado um mês depois. que mais tarde. segundo o Departamento de Estado norte-americano. O Irã também foi apontado como contribuinte ativo do grupo. abrigos e ligas esportivas. Após o assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat. Inspirada na revolução xiita islâmica do Irã. O grupo foi fundado no final da década de 70 por um grupo radical de ativistas palestinos residentes no Egito. alegando que esta havia abandonado a causa Palestina. a Jihad Islâmica mescla princípios nacionalistas Palestinos. o Hamas ainda conta com doações de simpatizantes nos EUA. onde desenvolveu fortes laços com o Hezbollah e com o Irã. Desde então. que comandaria através de uma base em Damasco. em 2003. orfanatos. Acredita-se que apenas a ala militar do Hamas some mais de mil membros ativos e milhares de simpatizantes. foi acusado pelo Departamento de Justiça norte-americano de ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 23 . Jihad Islâmica A Jihad Islâmica Palestina é um segmento do Hamas que atua de maneira dispersa e menos organizada que seu movimento de origem. Grande parte do financiamento do Hamas parte de doações de palestinos expatriados e de colaboradores da Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico. Estimativas do governo israelenses afirmam que o Hamas é responsável pela morte de mais de 500 pessoas em mais de 350 diferentes ataques terroristas desde 1993. o grupo foi exilado no Líbano. mesquitas. Ele foi substituído por Abdel Aziz al-Rantisi. tornando-se moderada demais. fundamentalismo islâmico sunita e o pensamento revolucionário xiita. que incluem escolas. hospitais. A coesão do grupo diminuiu consideravelmente desde 1995 após o assassinato de Fathi Shaqaqi em Malta por agentes israelenses. Seguindo o líder Fathi Shaqaqi. Além disso. Shaqaqi foi substituído por Ramadan Shallah. a liderança do movimento foi expulsa e instalou-se em Gaza. formando uma ideologia que prega que a unidade islâmica não pode ser alcançada até a total destruição de Israel e libertação da Palestina.

Hezbollah O Hezbollah é uma organização libanesa de grupos radicais islâmicos xiitas. busca criar um estado mulçumano fundamentalista no Líbano e prega pela destruição de Israel. o grupo começou a executar ataques contra alvos civis dentro de cidades israelenses. Arafat afirmava que não controlava nem apoiava as brigadas. Só no início de 2002. os ataques realizados pelos mártires mataram mais israelenses do que o Hamas. As brigadas de mártires realizam o mesmo tipo de atentados suicidas associados a outros grupos fundamentalistas. O movimento tornou-se atuante a partir de 2000 e inicialmente planejava e executava atos terroristas somente contra soldados israelenses e assentamentos em Gaza e na Cisjordânia. na Síria. Shallah vive atualmente em Damasco. fato que teria levado o presidente Bush a solicitar pelo afastamento de Arafat de seu posto em junho de 2002. Assim como o líder do Hamas Khalid Meshal. ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 24 . A maioria dos ataques é de bombas suicidas e tiroteios e alguns dos ataques suicidas envolveram a participação de mulheres. A ligação do grupo com o ex-líder Yaser Arafat permanece incerta. Mesmo assim. movimento secular nacionalista ligado ao ex-líder palestino Yaser Arafat. Ele se opõe ao modo de vida do Ocidente. No início de 2002.VII Modelo da Organização das Nações Unidas assassinato e conspiração terrorista. Brigadas de Mártires da Al-Aqsa As brigadas são um grupo de milícias da Cisjordânia afiliados a al-Fatah.000 para o grupo. o grupo afirma que a morte de mulheres e crianças nos ataques é meramente acidental e deve ser evitada. Acredita-se que a Jihad Islâmica seja responsável por mais de 40 ataques terroristas que já causaram a morte de mais de 100 israelenses. mas diferencia-se por remeter suas origens a um forte nacionalismo Palestino e não ao tradicional islamismo político xiita. no entanto. Os oficiais de inteligência israelense reportam que Arafat teria feito pagamentos da ordem de US$ 20. O grupo é uma das principais e mais ativas forças da atual Intifada.

Alguns de seus principais ataques incluem o seqüestro de um avião em 1985 e os dois grandes atentados na Argentina. em uma congregação judaica. Juntos. Acredita-se que o grupo seja responsável por cerca de 200 atentados desde 1982 que causaram a morte de mais de 800 pessoas. Hoje. O líder declarou que os atentados teriam sido incompatíveis com a lei islâmica e com o real significado da jihad. O grupo também opera a rede de televisão e rádio al-Manar. líder espiritual do Hezbollah chegou a condenar os ataques de 11 de setembro. desde escolas e hospitais até serviços ligados à agricultura local. Apesar da retirada das tropas israelenses do Líbano em 2000.O Sheikh Mohammed Hussein Fadlallah é tido como o líder espiritual do grupo. a organização já conquistou tanta representação no país que chega a gerar um paradoxo entre o poder civil e poder do Estado soberano. incluindo algumas partes de Beirute e também ao sul do país. apesar de as ideologias xiitas do grupo divergirem daquelas dos líderes sunitas da AlQaeda e do Talibã. Fontes de inteligência norte-americanas já identificaram células do grupo operando ao redor da Europa. Ligações com a rede terrorista Al-Qaeda também já foram traçadas. os atentados mataram 122 pessoas. as áreas de fronteira com o Estado de Israel ainda estão constantemente sujeitas aos ataques do grupo. ponto de discussão entre analistas internacionais na atualidade. O Sheikh Fadlallah. provedora de diversos serviços sociais. em 1992 à embaixada de Israel e em 1995. Estimativas do governo norte-americano afirmam que o grupo possui milhares de militantes e ativistas ao redor do mundo inteiro. Assim. Soluções ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 25 . junto a grupos de diferentes correntes políticas. o partido conseguiu emergir dentro da arena democrática do Líbano. Imad Fayez Mugniyah é apontado como o grande chefe das operações terroristas ao redor do mundo e Hassan Nasrallah. na África e nas Américas do Sul e do Norte.VII Modelo da Organização das Nações Unidas Especialistas afirmam que o Hezbollah também é uma importante força política (detém 12 das 128 cadeiras do Parlamento libanês). Especialistas acreditam que o Hezbollah também atue em parcerias com membros do Hamas e da Jihad Islâmica. o grupo vem realizando desde 1992 uma série de concessões e alianças na tentativa de legitimar sua resistência. como o principal líder político. O grupo atua principalmente nas áreas de domínio xiita do Líbano. em resposta a invasão de Israel ao Líbano e mantém até hoje fortes elos com o Irã e a Síria. Como partido político. O Hezbollah foi fundado em 1982.

Ademais. possibilitando que os muçulmanos possam freqüentar as mesquitas e madrassas que quiserem. causando a morte de inocentes e denegrindo cada vez mais a religião fundada pelo Profeta. principalmente as de destruição em massa? ® GSPRI 2005 – Grupo de Simulações e Pesquisas em Relações Internacionais 26 . visto que estes grupos.VII Modelo da Organização das Nações Unidas A discussão de tema tão controverso é de suma importância para a Liga dos Estados Árabes. desrespeitando minorias e a já frágil liberdade individual em muitos países da região. algumas perguntas precisam ser discutidas tais como: • • • Existe a possibilidade de promover redes moderadas em detrimento aos radicais os quais possuem forte influência em grande parte da população? Como os países podem atuar de maneira integrada para destruir células terroristas na região? Como impedir que a destruição das células terroristas não impeça as liberdades individuais. o documento final da Conferência de Cúpula da Liga dos Estados Árabes deve tomar cuidado para que mecanismos de contenção a grupos terroristas não se tornem práticas abusivas. proporcionando canais para que as pessoas possam contestar o governo sem fazer uso da violência? • • • • Aprimorar as forças armadas dos países e prepará-las para as ameaças terroristas. afetam negativamente a governabilidade e as instituições do país. ao optarem pela violência como forma de contestação. que por ser um órgão de cunho regional. Logo. • • Como levar oportunidades econômicas para os pobres e necessitados. a Liga poderá colocar frente aos interesses norte-americanos a sua visão do problema e buscar respostas que se adequem mais diretamente às particularidades da região. Há a possibilidade para maior vigilância nas fronteiras? Qual a postura frente à retirada dos colonos israelenses de territórios palestinos e a política externa norte-americana para a região? Como lidar com a questão da proliferação de armas nas mãos de grupos terroristas. como diferenças culturais e correntes políticas divergentes entre seus países. a contenção de grupos terroristas na região tenderá também a aumentar a estabilidade dos governos e garantir a segurança da população. visto que são as parcelas mais fáceis para o aliciamento de novos terroristas. Existe a possibilidade para maior abertura política nos países. Dessa forma. está a par dos principais pormenores envolvendo seus membros. Dessa forma.

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