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ANÁLISE DE SALA LIMPA

Gustavo dos Santos Aidos Orientador: Prof. Dr. Paulo Otto Beyer Área de Concentração: Ciências Térmicas

Resumo: Este trabalho trata sobre uma sala limpa em operação na Empresa Johnson Controls Automotive Eletronics do Brasil Ltda., situada no distrito Industrial do Município de Gravataí, a qual não apresenta os níveis de desempenho desejados. O objetivo é analisar a situação atual da sala limpa em operação, levando-se em conta os aspectos necessários para a caracterização deste tipo de ambientes. A análise é feita baseando-se nas Normas existentes para o assunto, enfatizando aspectos construtivos e de ar condicionado. A análise mostra que deve-se melhorar a vedação do ambiente, afim de evitar-se a entrada de contaminantes e preservar a pressurização da sala. O sistema de ar condicionado deve ser adequado a carga térmica presente e as exigências normativas quanto aos volumes de ar insuflado.

Abstract: “ Cleanroom Analisys”

The cleanrooms are each time more used by several industries and applications, and are basic requirements to the manufacturing of certain products. This work treats about a cleanroom in operation, wich doesn’t present the desired performance. The objective is to analyse the actual situation of the cleanroom taking in account the necessary aspects to the characterization of those ambients. The analisys is done based on the standards existant for the subject, focusing on constructive and air conditioning aspects. The analiys shows that the ambient must be more sealed to avoid the entrance of contaminants and preserv the pressurization of the room. The air conditioning system must be adjusted to the thermal load present in the ambient and to the ventilation rules.

Palavras Chaves: Sala Limpa, Contaminação, Ventilação, ISO 14644, ar condicionado, partículas

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Índice 1 2 Introdução................................................................................................................................2 Fundamentação Teórica...........................................................................................................3 2.1 Aplicações de Salas Limpas ................................................................................................5 2.2 Normas vigentes ..................................................................................................................6 2.3 Classificação de salas limpas...............................................................................................7 2.4 Aspectos construtivos em Salas Limpas..............................................................................8 2.4.1 Zonas de controle de contaminação.............................................................................9 2.4.2 Fluxos de ar em salas limpas .......................................................................................9 2.4.3 Segregação de salas limpas........................................................................................10 2.4.4 Lay-Out de salas limpas ............................................................................................11 2.4.5 Materiais ....................................................................................................................12 2.5 Aspectos operacionais em Salas Limpas ...........................................................................14 2.6 Ar condicionado e ventilação em salas limpas..................................................................14 3 Análise da sala limpa da JCAE..............................................................................................16 3.1 Levantamento dos aspectos construtivos da sala limpa da JCAE .....................................17 3.2 Dimensionamento do ar condicionado e ventilação ..........................................................20 3.2.1 Cálculo da ventilação.................................................................................................20 3.2.2 Cálculo da carga térmica ...........................................................................................22 4 Conclusões.............................................................................................................................24 5 Referências Bibliográficas.....................................................................................................25 1 Introdução A tecnologia de salas limpas vem sendo cada vez mais utilizada nos mais diversos ramos da indústria civil e militar. Produtos cada vez menores e sensíveis demandam processos produtivos altamente controlados do ponto de vista de contaminantes presentes no ar, assim como microorganismos, ruído e luminosidade. Na empresa JCAE do Brasil, localizada no distrito industrial de Gravataí, encontra-se montada uma sala limpa na qual produz-se motores de passo. Esta sala foi construída sem um projeto adequado e, portanto, não apresenta os níveis de limpeza desejados. O presente trabalho tem como objetivo analisar a sala limpa da JCAE com base nas prescrições normativas referentes a este tipo de ambientes, e assim propor medidas para adequar a sala as exigências da norma e melhorar, por conseguinte, o desempenho do ambiente. A análise é feita sobre os aspectos construtivos do ambiente e principalmente sobre o sistema de ar condicionado, já que o mesmo configura-se como fator altamente relevante no desempenho de salas limpas.

sua construção e operação são feitas de forma a minimizar a introdução. Em muitos processos de fabricação estas partículas presentes no ar são consideradas como fonte de contaminação. fluxos de ar. ruído. Segundo o Manual ASHRAE 1999. bactérias. substância ou energia não desejada no ambiente. Partículas maiores que 5 micrometros tendem a precipitar rapidamente. cabelos. define-se sala limpa como uma área fechada especialmente construída e cujo ambiente é controlado no que diz respeito a particulados. microorganismos vivos ou mortos. A indústria gera partículas provenientes dos processos de combustão. A Norma ISO 14644-1. cosméticos. microorganismos vivos e iluminação. A noção do conceito de contaminação também é importante para o desenvolvimento do assunto. temperatura. Uma vez definida contaminação. pressão do ar. já que todas as medidas de uma sala limpa visam a eliminação ou controle de contaminações. Segundo o manual ASHRAE 1999. geração e retenção de partículas dentro da sala. Primeiramente. umidade. No figura 1 representa-se o tamanho de alguns tipos de partículas comumente encontradas. emissões da respiração e bactérias. .3 2 Fundamentação Teórica A abordagem de salas limpas necessita que se definam alguns conceitos básicos referentes ao assunto. umidade e pressão são controlados quando necessário. poeira ou partículas de líquidos e sólidos diversos. Tais contaminantes ocorrem na natureza na forma de pólen. fiapos de roupa. vapores químicos. Entende-se como sala limpa o ambiente que possui um sistema de manutenção de qualidade de ar interior visando manter os níveis de contaminantes e particulados abaixo dos limites especificados por Norma. o próprio conceito de sala limpa deve ser desenvolvido como ponto de partida para o restante da fundamentação. deve-se abordar as contaminações que estão presentes no ar. e processos que apresentam atrito mecânico nos equipamentos. As pessoas no ambiente de trabalho constituem uma importante fonte de partículas na forma de escamação da pele. Estas partículas presentes no ar variam em tamanho de 0. define sala limpa como sendo uma sala na qual a concentração de partículas presentes no ar é controlada e. define-se contaminação como todo e qualquer material.001 micrometro a centenas de micrometros. outros parâmetros relevantes como temperatura. vibração.

Trabalhadores podem gerar de milhares a milhões de partículas por minuto numa sala limpa. Entretanto a maior fonte de contaminação externa é mesmo o ar exterior insuflado através do sistema de ar condicionado.bhp. entretanto para salas limpas em repouso a concentração de partículas depende diretamente da concentração de partículas na área exterior. equipamentos e o processo produtivo em si. pelo desgaste das superfícies. normalmente via infiltrações em portas. janelas e outras aberturas. procedimentos de vestuário adequados ou fluxos de ar especialmente projetados para limpar os operadores continuamente.4 Figura 1 – Tamanho de partículas [www. Partículas geradas pelas pessoas podem ser controladas por vestimentas novas. O pessoal que opera dentro de uma sala limpa pode constituir a maior fonte de partículas. . b) Fontes de contaminação internas: As partículas no interior de uma sala limpa são geradas pelas pessoas. As fontes de contaminação externas são controladas primariamente por filtração do ar insuflado. as fontes de contaminação em uma sala limpa são classificadas em dois grandes grupos: fontes externas e fontes internas ao ambiente controlado. a) Fontes de contaminação externas: São aquelas partículas que entram na sala limpa vindas do ambiente exterior. Em salas limpas operacionais as fontes externas de partículas têm seu efeito reduzido pelos sistemas de filtragem de ar.br] Em geral.com. pressurização do ambiente e vedação de frestas.

mísseis e eletrônica embarcada.1 Aplicações de Salas Limpas O uso de salas limpas na fabricação. salas para pintura de automóveis. Salas limpas são usadas em áreas de isolamento de pacientes ou áreas de cirurgia quando existe o risco de infecção.5 Como o pessoal que opera dentro de uma sala limpa se movimenta. indústria automotiva (caso analisado neste trabalho). entretanto a deposição de partículas nos produtos e equipamentos deve ser igualmente considerada. Técnicas como aerossóis. Outras aplicações: Salas limpas são também utilizadas na indústria alimentícia. Salas de cirurgia em hospitais podem ser classificadas como salas limpas. Indústria Aeroespacial: As salas limpas foram inicialmente desenvolvidas para este tipo de indústria. 2. biológico e médico necessita salas limpas para controlar microorganismos vivos que poderiam causar o crescimento de focos de bactérias indesejados e outros contaminantes. este movimento pode introduzir partículas de outras fontes. . A concentração de partículas no ar é usada para definir a classe de uma sala limpa. embalagem e pesquisa cresce a medida que o nível tecnológico avança e a necessidade de ambientes limpos aumenta. Talvez os projetistas não possam controlar ou prevenir a geração interna de partículas completamente. mas deve-se antecipar as fontes internas e projetar mecanismos de controle e fluxos de ar adequados para limitar o efeito desta contaminações nos produtos. Outras atividades como escrever podem aumentar a concentração de partículas em salas limpas. As aplicações de salas limpas podem ser divididas em grupos principais de atividade: Indústria farmacêutica: A preparação de material farmacêutico. indústria ótica e na pesquisa de material de alta tecnologia. em aplicações como fabricação e montagem de satélites. Indústria Eletrônica: O avanço em semicondutores e microeletrônica continua impulsionando o desenvolvimento de salas limpas. entretanto sua função é limitar certos tipos de contaminações particulares e não a quantidade de partículas presentes. filtragem e fluxos de ar limpo são os primeiros passos para se compreender o controle de contaminação.

assim como procedimentos para testes. Controlled Environments”. construção e operação – Descreve como uma sala limpa deve ser projetada. onde vêm tomando o lugar da Federal Standard 209. procedimentos operacionais e procedimentos de teste para verificação de limpeza do ar interior. entre outros aspectos. A ISO 14644 é composta por 8 partes: Part 1: Classificação da limpeza do ar – descreve as diferentes classes de salas limpas e define as concentrações de partículas respectivas a cada classes.6 2. A Norma. já obsoleta.2 Normas vigentes As salas limpas possuem suas normas específicas que definem. define classes de limpeza do ar e estabelece métodos para medição da limpeza do ar em ambientes controlados. Part 5 – Operação – Fornece as diretrizes gerais de como operar uma sala limpa. construída preparada para utilização. técnicas construtivas adequadas. Part 4 – Projeto. b) ISO 14644 .Cleanrooms and associated controlled environments Esta norma ISO foi primeiramente aplicada na União Européia em 1999 e em seguida nos Estados Unidos em 2001. Part 6 – Termos e definições – Fornece uma coleção de termos e definições sobre salas limpas utilizados na norma ISO. Define os métodos de medição do ar ambiente para classificar quanto a concentração de partículas. a classificação dos ambientes quanto aos níveis de contaminação. sob o título “Clean Room and Workstation Requirements. Part 2: Especificações para teste e monitoramento para provar contínua validação – fornece informações quanto a intervalos de tempo para testes de conformidade de salas limpas.Aborda a contaminação gasosa em salas limpas. a) Federal Standard 209 – Airborne Particulate Cleanliness Classes in Clean Rooms and Clean Zones A primeira edição da Norma Federal Standard 209 data de 1963. . Part 8 – Contaminação molecular . nos Estados Unidos.Descreve os métodos de teste de salas limpas para validar sua condição de conformidade com a Norma. Part 7 – Dispositivos separadores – trata sobre dispositivos limpadores de ar e mini-ambientes especialmente preparados para níveis de limpeza superiores. Part 3: Metrologia e métodos de teste .

As salas limpas são então classificadas. d) NBR 13700 . da concentração de partículas por unidade de volume de ar. a Norma Brasileira estabelece classes-padrão de limpeza do ar e provê classes intermediárias para salas e zonas de trabalho limpas. . baseadas em concentrações especificadas de partículas em suspensão no ar. foram estabelecidas classes de pureza de ar. A classificação de salas limpas contida na parte 1 da ISO 14644 é a classificação mundialmente mais utilizada atualmente. e esta é descrita conforme a tabela 1. através das Normas. Afim de distinguir sistematicamente diferentes níveis de qualidade de áreas limpas. 2. Também fornece um método para determinação e descrição das concentrações (indicador U) de partículas ultrafinas. Part 2 – Avaliação e interpretação de dados – Fornece informações de como tratar as informações obtidas das medições de microorganismos em salas limpas. A NBR foi elabora baseada na Norma Federal Standard 209.3 Classificação de salas limpas Para garantir a devida proteção ao ser humano.7 c) ISO 14698 – Cleanrooms and associated controlled environments – Biocontamination control Esta norma ISO é composta de três partes: Part 1 – Princípios gerais e métodos – Aborda os métodos de medição de microorganismos em salas limpas. Prescreve métodos para verificação da classe e requer um plano estabelecido para monitoramento de limpeza do ar. aos processos e aos produtos.Classificação e controle de contaminação Com data de publicação em Junho de 1996. ou seja.Áreas limpas . Part 3 – Metodologia para medição da eficiência de processos de limpeza – Determina a eficiência de processos de limpeza utilizados em salas limpas. a pureza de ar exigida em uma sala limpa deve ser determinada conforme as necessidades de cada situação específica. em função da pureza de seu ar interior.

3µm 0 10 102 1020 10200 102000 NA NA 0.5µm 0 4 35 352 3520 35200 352000 8 83 832 8320 83200 29 293 2930 29300 293000 1µm 0 5µm 0 3520000 832000 NA 35200000 8320000 Quantidade de partículas definido por Cn=10N x (0.08 onde : Cn é a máxima concentração (partículas por m3) de partículas maiores ou iguais ao tamanho considerado N é a classificação ISO da sala limpa D é o tamanho da partícula em micrometros 0. garantindo a qualidade dos processos e produtos. . as salas limpas devem ser projetadas e construídas de forma a minimizar a geração ou entrada de contaminantes em seu interior.4 Aspectos construtivos em Salas Limpas Para que se atinja os níveis de limpeza do ar requeridos para uma determinada atividade.1/D)2. o grau de pureza do ar aumenta a medida que a classificação da sala limpa diminui.8 Tabela 1 – Classificação de salas limpas conforme ISO 14644-1 Limites máximos de concentração de partículas (partículas por m3 de ar) para partículas iguais ou maiores que os diâmetros Classe ISO (N) considerados mostrados abaixo 0.1µm ISO Classe 1 ISO Classe 2 ISO Classe 3 ISO Classe 4 ISO Classe 5 ISO Classe 6 ISO Classe 7 ISO Classe 8 ISO Classe 9 10 100 1000 10000 100000 1000000 NA NA NA 0.1 é uma constante em micrometros Como pode-se perceber na tabela 1.2µm 2 24 237 2370 23700 237000 NA NA NA 0. 2. Para cada aplicação é necessário definir o nível de limpeza do ar necessário.

4.2 Fluxos de ar em salas limpas Os fluxos de ar em salas limpas podem classificados tanto como unidirecionais (laminares) ou não-unidirecionais (turbulentos). Este conceito reduz as áreas mais limpas e minimiza custos. A combinação dos dois padrões de fluxo de ar também é possível e é denominada fluxo misto.4. A figura 2 exemplifica uma disposição apropriada para uma zona mais limpa dentro de uma sala limpa. Pessoal Sucata Produto Figura 2 – Segregação por zonas [ISO 14644] 2. A figura 3 exemplifica os diferentes tipos de fluxos de ar em salas limpas.1 Zonas de controle de contaminação Uma das alternativas para se otimizar custos e eficiência operacional é subdividir a sala limpa em zonas. entretanto o transporte de materiais e pessoas deve ser cuidadosamente planejado. Ambiente Exterior Ambiente Interior Sala Limpa(s) Zona de controle(s) Matéria prima Processo Mov. disposição de equipamento e movimentação de pessoal e material. . Os fluxos unidirecionais são geralmente empregados em salas classe ISO 5 ou mais limpas. as quais as mais críticas apresentam os níveis de contaminação desejados e as menos críticas apresentam contaminação mais elevada. Pessoal Mov. fluxos de ar. enquanto que fluxos turbulentos ou mistos são típicos para salas classe ISO 6 ou menos limpas. entre outros.9 Atingir e manter níveis satisfatórios de limpeza do ar depende da observância de aspectos como materiais utilizados na construção. 2.

alto fluxo de ar) Uma baixa diferença de pressão pode separar áreas limpas de não limpas através de um leve fluxo de ar turbulento cuja velocidade deve ser maior que 0. Existem basicamente três tipos de sistemas de segregação de ambientes: a) Deslocamento (baixo diferencial de pressão.2 m/s conforme figura 4.2m/s Figura 4 – Segregação por deslocamento [ISO 14644] . as salas limpas devem ser mantidas a pressões estáticas maiores que a pressão atmosférica para prevenir infiltrações. O volume de ar insuflado deve ser suficiente para o número de pessoas que trabalham na sala limpa. Área mais limpa Área menos limpa Var > 0.10 Unidirecional horizontal Unidirecional vertical Fluxo mixto Turbulento Turbulento Figura 3 – Exemplos de fluxos de ar em salas limpas 2. assim como deve ser suficiente para manter o ambiente pressurizado.4. levando-se em conta o ar de retorno e as fugas por frestas.3 Segregação de salas limpas Para proteger as salas limpas de contaminações provenientes de ambientes adjacentes com menor níveis de limpeza.

O diferencial de pressão recomendado é de 5 a 20 Pa. A disposição dos postos críticos de trabalho. Este diferencial de pressão é responsável pela formação de fluxos de ar nas frestas do ambiente evitando a infiltração de contaminantes.4. 2. Em geral. deve-se separar a mesma em zonas com ou sem barreiras físicas. deve ser feita em posições distantes das entradas e saídas. se a sala necessariamente for grande. . portáteis ou fixos. Sistemas de comunicação devem estar plenamente disponíveis para evitar entradas e saídas desnecessárias. Tubulações e fiações devem ser evitadas dentro de salas limpas. com atenção para os sistemas de filtragem do ar de exaustão que devem apresentar a mesma eficiência do sistema de filtragem da sala limpa. P1 P2 5Pa < P1-P2< 20Pa Figura 5 – Segregação por diferencial de pressão [ISO14644] c) Barreiras físicas O uso de barreiras físicas como divisórias ou paredes pode ser a alternativa ideal para prevenir a contaminação de zonas mais limpas por outras zonas vizinhas menos limpas. baixo fluxo de ar) Neste conceito cria-se um diferencial de pressão no interior do ambiente da sala limpa. ou de grande risco.4 Lay-Out de salas limpas Conforme a Norma ISO 14644. de acordo com a figura 5.11 b) Diferencial de pressão (alto diferencial de pressão. permitindo assim a abertura de portas e evitando a formação de fluxos turbulentos que podem gerar refluxos para o interior do ambiente. assim como distantes dos corredores onde há grande circulação. devem estar presentes dentro das salas limpas. Aparelhos aspiradores de pó. as recomendações para a disposição de equipamentos em uma sala deve seguir os seguintes princípios: O tamanho da sala limpa deve ser o menor possível.

As paredes. Os materiais que estarão em contato direto com o ar insuflado devem ser considerados em especial. O vestiário deve ser dividido em 3 zonas distintas: 1) Entrada. incluíndo dutos e difusores. O acabamento interno de uma sala limpa deve conter o mínimo de reentrâncias e cantos. A tabela 2 .5 Materiais Os materiais a serem utilizados na construção de uma sala limpa devem levar em conta a classe de limpeza da sala limpa. retirada da Norma ISO 14644. janelas e portas. onde o pessoal manipula as vestimentas adequadas a sala limpa. efeitos de abrasão ou impacto. onde o pessoal manipula as roupas não apropriadas a sala limpa. 2) Transição. luminárias. . O vestiário de uma sala limpa deve considerar os seguintes aspectos: a) O número de pessoas que utiliza o mesmo b) O procedimento de vestuário deve ser claro e definido c) A frequência de troca de vestuário d) Presença de armários para armazenar as vestimentas e) Presença de espelhos 2. métodos de limpeza e ataques químicos ou biológicos.4.12 Janelas envidraçadas são recomendadas por permitirem a supervisão das atividades no interior da sala limpa. exemplifica alguns materiais e suas propriedades para construção de salas limpas. As portas das áreas auxiliares não devem ser abertas simultaneamente O vestiário de uma sala limpa deve permitir a separação entre as pessoas que entram e que saem da sala e deve ter tamanho suficiente para abrigar as operações de preparação do pessoal para entrar na sala limpa. 3) Acesso. dispositivos contra incêndio. onde o pessoal já está pronto para entrar na sala limpa. devendo ser de fácil limpeza. O número de entradas e saídas deve ser minimizado e montados de forma a constituírem uma área auxiliar isolada da sala limpa e do exterior. teto e junções de uma sala limpa devem ser selados assim como todo e qualquer equipamento que for instalado através de paredes e tetos tais como difusores. As janelas devem ser construídas de forma a não poderem ser abertas. tomadas elétricas.

13 Tabela 2 – Materiais e suas propriedades para aplicação em salas limpas conforme ISO14644 Materiais Controle eletrostático Paredes Alumínio anodizado Metais cobertos Cortinas flexíveis Vidro Vidro com filme condutor Pobre Pobre a bom Pobre Pobre Bom Bom Bom Baixo Bom Bom Não Médio a baixo Bom Não Não Baixo Baixo a alto Médio a alto Baixo Baixo Resistência a abrasão Resistência ao impacto Permeabilidade Laminados plásticos Painéis resinados Aço inox Plástico transparente com filme condutor Plástico transparente Tetos Alumínio anodizado Metais cobertos Laminados plásticos Painéis de resina Aço inox Plástico transparente com filme condutor Pobre a bom Pobre a bom Bom Bom Bom Bom Bom Baixo Pobre Pobre Bom Pobre Médio a alto Médio a alto Muito baixo Baixo a médio Pobre Baixo Pobre Médio a baixo Pobre Pobre a bom Pobre a bom Pobre a bom Bom Bom Bom Bom Bom Bom Bom Baixo Não Médio a baixo Baixo Baixo Bom Pobre Baixo Baixo a alto Médio a alto Médio a alto Muito baixo Baixo a médio Plástico transparente Chão Alumínio anodizado (para chão suspenso) Metais cobertos Lajota polida Vidro Vidro com filme condutor Epoxi Laminados plásticos Painéis resinados Aço inox (para chão suspenso) Plástico transparente com filme condutor Plástico transparente Pobre Baixo Pobre Baixo a médio Pobre Bom Baixo Baixo Pobre a bom Pobre Pobre Bom Pobre a bom Pobre a bom Pobre a bom Bom Bom Bom Bom Bom Bom Pobre Bom Bom Bom Baixo Médio a baixo Bom Não Não Pobre Pobre Pobre Bom Pobre Baixo a alto Baixo Baixo Baixo Baixo a alto Médio a alto Médio a alto Muito baixo Baixo a médio Pobre Baixo Pobre Baixo a médio .

confiabilidade Manter as unhas cortadas e limpas 2.6 Ar condicionado e ventilação em salas limpas O projeto do ar condicionado e ventilação de uma sala limpa deve levar em conta os seguintes aspectos: a) O sistema de segregação do ambiente limpo (por diferença de pressão ou por deslocamento) b) Conforto térmico c) Características dos produtos processados na sala limpa d) Conservação de energia Como normalmente uma sala limpa encontra-se montada dentro de um ambiente climatizado a sua carga térmica principal é gerada normalmente pelos próprios processos internos. a zona controlada deve ser a menor possível. e os equipamentos utilizados.05K. Para determinadas aplicações a temperatura deve apresentar variações máximas de +/_ 0. tossir Não usar produtos cosméticos Comportar-se corretamente em respeito às exigências aerodinâmicas Manter distância entre pessoa e processo Apenas interferências bem refletidas na área do processo Disciplina. como na fabricação de microchips. a manutenção da temperatura a níveis confortáveis também é favorecida pelos volumes elevados de ar insuflado pelo sistema de ventilação. Normalmente. Para atingir este nível de estabilidade. espirrar. tornando o sistema sensível aos comandos do controle. o sistema de filtragem deve ser composto de três fases: . autocontrole. Para evitar a geração de contaminantes no interior da sala as seguintes recomendações devem ser seguidas: Não comer ou mascar gomas Não rasgar papéis Sempre utilizar as vestimentas determinadas Movimentos lentos Não raspar.5 Aspectos operacionais em Salas Limpas A operação em uma sala limpa é fator determinante no desempenho do ambiente. Segundo a Norma ISO 14644.14 2. O ar insuflado pelo sistema de ventilação deve ser cuidadosamente filtrado pois este configura a maior fonte de contaminação em uma sala limpa.

tratamento superficial 8 Turbulento ou misto Não especificado 10-20 Zonas de serviço . os volumes insuflados devem ser suficientes para manter a pressão da sala elevada com relação aos ambientes adjacentes. processamento de semi-condutores 3 Unidirecional 0.3 a 0.5 Trocas de ar por hora [m /m /h] 3 2 Exemplos de aplicação Não especificado Fotolitografia. A Norma ISO 14644 indica para a indústria eletrônica os padrões de insuflamento de ar conforme a tabela 3: Tabela 3 – Padrões de insuflamento de ar para salas limpas Classe ISO Fluxo de ar Velocidade do ar insuflado[m/s] 2 Unidirecional 0.5 Não especificado Processamento de semicondutores 4 Unidirecional 0.5 0.3 com fluxo direcionado Não especificado Não especificado Zonas de serviço Turbulento ou misto 7 Turbulento ou misto Não especificado 70-160 Não especificado 30-70 Zonas de serviço.1 a 0.2 a 0.15 a) Filtragem primária do ar exterior b) Filtragem secundária na saída dos ventiladores c) Filtragem final no difusores Além da filtragem.3 a 0.3 a 0.5 Não especificado Fabricação de CD’s 5 6 Unidirecional Misto 0.

Os motores de passo são utilizados em painéis de automotivos para movimentação dos ponteros indicadores. conforme figura 6.50 perfurado Duto filtrante Retorno do ar Lateral ou junto do Lateral. Tabela 4 – Padrões para instalações de ventilação para salas limpas Classe ISO Velocidade de face nos filtros (m/s) 8 Difusor Meio de distribuição do ar Teto Teto perfurado Teto filtrante 7 6 01 . junto ao piso piso ou pelo piso Junto ao Piso piso ou piso 3 Análise da sala limpa da JCAE A sala limpa da JCAE foi montada em meados do ano 2000 com o objetivo de controlar o ambiente de montagem de pequenos motores de passo.16 Já o site bhp sobre salas limpas estabelece a velocidade de face nos filtros.25 5 0.3 – 0.0.50 0. Figura 6 – Imagens do motor de passo aberto e motor de passo fechado . meios de distribuição do ar e retorno do ar conforme a tabela 4.45-0.45-0.45 4 3 0.

17 A sala limpa encontra-se montada no interior do pavilhão industrial da JCAE.1 Levantamento dos aspectos construtivos da sala limpa da JCAE A sala limpa da JCAE apresenta diversos problemas construtivos que devem ser corrigidos para que o ambiente apresente condições de atender a Norma ISO 14644 e a . como mostrado na figura 7.53m3 Altura: 2.7m Ocupação: 60 operadores por turno. Características da sala limpa: Volume total: 1042. 3 turnos Paredes internas: Painéis plásticos brancos 100mm Janelas internas: vidro transparente 3mm Parede externa: Prensado zinco com recheio fibra de vidro 4” branca + gesso acartonado 11mm Janela externa: Vidro duplo 10mm com filme reflexivo Teto: Painéis plásticos brancos 10mm Ar condicionado: 15TR Ventilação: indeterminada Pressurização: indeterminada 3.125m2. e ocupa uma área de 386. Figura 7 – Interior da sala limpa da JCAE Sua estrutura foi concebida de forma a apresentar níveis de limpeza compatíveis com a classificação ISO 8.

. Figura 8 – Detalhe da fresta na junção entre teto e janelas de vidro Nos detalhes da foto abaixo verifica-se frestas na instalação de fios elétricos e tubulações de ar comprimido. Figura 9 – Detalhe da má vedação em dutos. o que resulta em despressurização e risco de entrada de contaminantes.18 Resolução 176 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para ambientes climatizados. Entre eles estão: O detalhe mostrado na figura 8 revela uma grande área de fresta entre o teto e a parede de vidro.

Figura 10 – Detalhe da má vedação das luminárias A presença de furos no teto conforme figura 11 compromete o desempenho da sala limpa. Figura 11 – Detalhe de furo aberto no teto Na figura 12 evidencia-se a parede envidraçada com janelas. Este tipo de parede.19 Na figura 10 é possível verificar a má instalação das luminárias. além de não apresentar boa vedação com teto. permite que janelas sejam abertas e aumenta a carga térmica do ambiente. permitindo assim a entrada de contaminantes. Figura 12 – Detalhe da parede envidraçada com janelas .

20 O sistema de ventilação e condicionamento de ar impróprio. Var exterior Vinsuflado Vretorno Vfrestas Figura 14 – Esquema ideal do sistema de insuflamento de ar Além de atender as regulamentações. . Os esquema da figura 13 mostra como é feita a ventilação da sala limpa da JCAE atualmente. Na tabela 5 encontra-se as especificações para ventilação e vazão mínima de ar a ser insuflado na sala. que especifica vazões mínimas por classe de limpeza e também o nível de pressurização que a sala deve apresentar.2. sem insuflamento de ar exterior compromete a qualidade do ar interior e contraria as regulamentações. Esta vazão deve ser suficiente para atender as regulamentações locais correspondentes a ventilação mínima para ambientes climatizados. conforme figura 14.2 Dimensionamento do ar condicionado e ventilação 3. Ambiente interno climatizado .1 Cálculo da ventilação O dimensionamento do sistema de ar condicionado da sala limpa inicia-se pela definição da vazão de insuflamento de ar no ambiente.resto da fábrica Vinsuflado Vfrestas Figura 13 – Esquema do sistema atual de insuflamento de ar 3. o projeto da ventilação deve também atender a Norma ISO 14644 para Salas Limpas.

a diferença de pressão assumida para a sala é de 15 Pa (A norma ISO 14644 especifica pressurização de 5 a 20Pa). Para o cálculo da pressurização da sala limpa. vazão mínima média por Norma ISO 14644 de 15m3/m2/h. Vazão mínima de renovação média conforme Anvisa de 22 m3/hora/pessoa e área total de 386.2kg/m3) u é a velocidade do escoamento Temos que: u = 5 m/s .5. O balanço de massa fica: Vinsuflada = Vretorno + Vexterior Vinsuflada = Vretorno + Vfrestas Igualando-se (1) e (2) tem-se: (1) (2) Vexterior = Vfrestas Aplicando a equação de Bernoulli para a vazão nas frestas tem-se: ?P = 0.8 [m3/m2/h] Vazão min* [m3/h] * Cálculo de vazão mínima realizado considerando ocupação de 60 pessoas.u2 (3) (4) Onde: ?P é a diferença de pressão (15Pa) d é densidade do ar ( 1.21 Tabela 5 – Especificações de vazões mínimas conforme ANVISA e ISO 14644 Vazão mínima renovação Vazão mínima – ar exterior [m3/hora/pessoa] ANVISA Norma ISO 14644 – classe 8 17 – 27 10-20 1320 5791.12m2 .d. Considerando que a sala não será hermeticamente fechada é preciso considerar a vazão de ar pelas frestas.

53m3 Altura: 2. Portanto. 16 0.7m Área: 386m2 Ocupação: 60 operadores por turno. 0. 24 0. 3 turnos Paredes internas: Desconsideradas pois a sala encontra-se montada dentro de um ambiente já climatizado com temperatura oscilante entre 22. 22 0.2 Cálculo da carga térmica O cálculo da carga térmica da sala limpa é realizado com o programa CTVER (Programa elaborado pelo Laboratório de Refrigeração da UFRGS) para os meses de verão. A área de frestas máxima permitida para o sistema é de 0. 0. Parede externa (12. 18 0.22 Tendo-se a velocidade do escoamento é possível determinar a vazão de fresta em função da área de frestas presente na sala. as vazões de projeto devem ser: Vinsuflada = 5800m3/h Vretorno = 4780m3/h Vfrestas = Vexterior = 1320m3/h 3. conforme a figura 15 abaixo: Vazão nas frestas Vazão de ar [m3/h] 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 0 02 04 06 08 0. Área de frestas [m2] Figura 15 – Gráfico da vazão de ar nas frestas em função da área de frestas A área de frestas máxima pode ser obtida usando-se as equações (3) e (4) e definindo como vazão máxima de frestas a vazão de ar exterior a ser insuflada na sala pelo sistema de ar condicionado. 12 0.5 a 24 oC.2. 1 0. Os dados de entrada para o cálculo são : Volume total: 1042.0733 metros quadrados. 26 0. 0. 2 0.19m2): Prensado zinco com recheio fibra de vidro 4” branca + gesso acartonado 11mm . 28 0. 14 0.

18m2): Vidro duplo 10mm com filme reflexivo Teto: idem a paredes internas Equipamentos: 11 computadores Iluminação: 56 lâmpadas fluorescentes 110Watts Vazão de ar exterior: 383 l/s Os resultados do cálculo de carga térmica podem ser vistos nas figuras 16 e 17 abaixo: Figura 16 – Carga térmica da sala no mês de Dezembro Nota-se que para o mês de Dezembro carga térmica máxima atinge aproximadamente 58000 Watts (aproximadamente16.23 Janela externa (23.5TR) e pico ocorre as 18 horas devido ao aumento de entrada de calor pelas janelas externas. Figura 17 – Carga térmica da sala supondo existência de parede no lugar das janelas . Um cálculo aproximado da mesma sala sem as janelas exteriores apontaria uma redução na carga térmica máxima de aproximadamente 14%. conforme mostra a figura 17.

junções de paredes com forro e com chão. em especial como deve ser feita a climatização de tais ambientes. de retorno e exterior para atender as exigências normativas e a pressurização do ambiente. O sistema atual deve ser corrigido para incluir a vazão de ar exterior necessária e deve ser feita uma verificação das vazões de insuflamento. foi possível abordar aspectos construtivos da sala limpa. Os resultados de carga térmica são satisfatórios pois apresentaram o valor de 16. ou.Fechamento da lateral da sala que possui janelas com paredes sem janela. deve-se montar uma parede na lateral com janelas para evitar a insolação do ambiente e reduzir a carga térmica. O cálculo do ar condicionado considerou as vazões mínimas previstas nas regulamentações e as vazões mínimas previstas na norma para sala limpa. similares as outras laterais.Revisão da vedação do ambiente incluindo dutos elétricos. Entretanto.0733m2) estipulada pelo cálculo da ventilação. Esta alteração reduziria a carga térmica do ambiente em aproximadamente 14% e melhoraria a vedação do mesmo. . Esta medida é necessária para a obtenção da área de fresta máxima (0. dos procedimentos necessários para a obtenção de ambientes com contaminação do ar controlada. antes inexistente na Empresa JCAE. difusores. os quais quase todos são definidos por norma específica. Este valor.24 4 Conclusões A análise da sala limpa proposta neste trabalho propiciou uma visão geral. luminárias. Considerando os aspectos construtivos da sala em questão sugere-se as seguintes medidas para a melhoria do desempenho do ambiente: . a capacidade de refrigeração do sistema deve ser aumentada. Com base nestes princípios. .5 TR. comparado com a capacidade de refrigeração do equipamento atual (15 TR) não apresenta grande diferença.

USA. Brasil ASHRAE Handbook. São Paulo. Editora Edgard Blucher LTDA. ISO standards “Norma Federal Standard 209E Airborne Particulate Cleanliness Classes in Clean Rooms and Clean Zones”. ASHRAE publications. ventilation and air-conditioning applications”.htm > acesso em 20/Jan/2003 . “Norma ISO 14644 Cleanrooms and associated controlled environments”. 1999. Illinois – EUA “Resolução ANVISA no 176”.com. Agencia Nacional de Vigilância Sanitária.25 5 Referências Bibliográficas Shames. “Mecânica dos Fluídos”. “Heating.br/slimpas. Institute of Environmental Sciences. 1923. SALAS LIMPAS disponível em < http://www.bhp. Irving H.

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