REVISÃO/REVIEW

Influência dos estágios de maturação sexual no estado nutricional, antropometria e composição corporal de adolescentes

Kiriaque Barra Ferreira Barbosa 1 Sylvia do Carmo Castro Franceschini Silvia Eloiza Priore 3

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Influence of the stages of sexual maturation in the nutritional status, anthropometrics and corporal composition of adolescents

Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Universidade Federal de Viçosa. Campus Universitário, s/nº, Viçosa, MG, Brasil. CEP: 36.571-000, E-mail: kiribarra@yahoo.com.br 2,3 Departamento de Nutrição e Saúde. Universidade Federal de Viçosa. Campus Universitário, s/nº, Viçosa, MG, Brasil. CEP: 36.571-000
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Abstract
Puberty phenomena concerning ages of onset and ending, speed and magnitude of expression, and interrelations are variable. Such phenomena influence anthropometric and body composition changes characterizing the process of growth and development during adolescence. This article has the objective of analyzing the influence of sexual maturing status on nutritional status, anthropometry and body composition in adolescents of both sexes. Literature review was accomplished through the use of the terms "Adolescent, Puberty and Body Composition" through consultation to the HighWire Press® database. Articles published from January 1995 to July 2006 were utilized, including others previously published and relevant to the subject. To assess nutritional status, anthropometric and body composition changes, during adolescence it is extremely important that consideration is not restricted to chronological age but extended to sexual maturity as well. The considerable methodological difficulties related to puberty staging should be emphasized. There is a need to accomplish further studies to clarify sexual maturing staging in anthropometric and body composition parameters, enabling systematic building and use of references considering puberty development. Key words Adolescence, Puberty and body composition.

Resumo
Os fenômenos puberais apresentam variabilidade no que diz respeito às idades de início e término, à velocidade e magnitude com que se expressam e as suas interrelações. Tais fenômenos influenciam as modificações antropométricas e de composição corporal que caracterizam o processo de crescimento e desenvolvimento da adolescência. O artigo tem como objetivo analisar a influência dos estágios de maturação sexual, no estado nutricional, antropometria e composição corporal de adolescentes de ambos os sexos. A revisão de literatura foi realizada utilizando-se os termos "Adolescent, Puberty and Body Composition", por meio de consulta na base de dados do HighWire Press®. Trabalhou-se com artigos publicados desde janeiro de 1995 até julho de 2006, incluindo, outros relevantes ao tema, publicados anteriormente. Na adolescência, para se avaliar o estado nutricional e as modificações antropométricas e de composição corporal, é de extrema importância a consideração não somente da idade cronológica, mas também do estágio de maturação sexual. Cabe ressaltar as consideráveis dificuldades metodológicas existentes nos estudos acerca do estadiamento pubertário. Destacase a importância da realização de mais estudos, no sentido de elucidar a influência dos estágios de maturação sexual na evolução dos parâmetros antropométricos e de composição corporal, possibilitando a construção e utilização sistemática de referências que considerem o desenvolvimento pubertário. Palavras-chave Adolescência, Puberdade, Composição corporal.

Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 6 (4): 375-382, out. / dez., 2006

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Barbosa KBF et al. Saúde Matern. A diferença entre os sexos não se dá somente em relação à idade de ocorrência dos eventos puberais. Infant. distribuição da gordura corporal. Em ambos os sexos ocorrem significativo aumento da massa de gordura corporal. aqueles relevantes ao tema. Durante a puberdade ocorrem modificações no padrão de secreção de alguns hormônios. predominantemente. Os indivíduos estudados foram acompanhados desde o primeiro sinal da puberdade. antropometria e composição corporal de adolescentes do sexo masculino e feminino. estágios de 2 a 4: puberais. principalmente. com o desenvolvimento mamário e dos pêlos púbicos. aceleração da velocidade de crescimento (estirão puberal) e a fusão das epífises ósseas com a parada do crescimento. Neste sentido. a testosterona no menino e o estradiol nas meninas. Trabalhou-se. com o desenvolvimento da genitália. segue-se. sendo superado pelo ganho da massa livre de gordura corporal. o indivíduo passa por intensas modificações corporais. No entanto. publicados anteriormente e citados nos artigos previamente selecionados. utilizando os estágios de Tanner. Tal classificação foi realizada considerando o desenvolvimento dos pelos pubianos (ambos os sexos). tal aumento é mais lento. o que limita sua aplicação populacional. não havendo até então um marcador hormonal ideal. Assim. no masculino. Puberty and Body Composition". que podem influenciar o início da puberdade. em função do crescimento acelerado. bem como. são fortemente rela- 376 Rev. a maturação sexual se inicia um ano mais cedo. certa cronologia fisiológica de eventos. das mamas e da genitália masculina. cabe ressaltar a importância das modificações antropométricas e de composição corporal que ocorrem durante o processo da puberdade. seguindo-se da modificação da massa corporal magra. out. A idade de início do desenvolvimento puberal. que são responsáveis pelas modificações morfológicas do período puberal. Crescimento estatural e estágios de maturação sexual A avaliação do estado nutricional. as modificações antropométricas e de composição corporal na adolescência. o processo parece ser lento. respectivamente. O autor evidenciou que. Assim. de modo geral.3 pode-se citar o de Colli. de acordo com o sexo. No feminino. São Paulo. No Brasil. o início se deu até os 14 anos. Já no masculino. Introdução A puberdade é definida como um processo fisiológico de maturação hormonal e crescimento somático que torna o organismo apto a se reproduzir. o presente artigo de revisão. varia com o sexo e etnia. realizaram-se estudos acerca do estadiamento pubertário em 19692 e 1970.1 Cabe ressaltar que estas últimas representam técnicas mais dispendiosas. 2006 . Bras. sob estímulo das gonadotrofinas. Uma vez que desde o início até o final do estadiamento pubertário. quando comparado ao masculino. que disponibiliza versões online dos principais periódicos científicos de impacto.1 Existem numerosos fatores intrínsecos e ambientais. mas também em função das modificações antropométricas e de composição corporal características deste processo. estágio 5: pós-puberal). / dez.1 Essas modificações morfológicas iniciam-se pelo aparecimento das características sexuais secundárias. se propõe a analisar a influência dos estágios de maturação sexual no estado nutricional. a secreção dos esteróides sexuais. seguido dos pêlos pubianos. gradual e evolutivo. quase que simultaneamente. por meio de consulta na base de dados do HighWire Press® produzido pela Stanford University Libraries. É essencialmente a ativação do eixo hipotalâmicohipofisário-gonadal. expor as dificuldades metodológicas existentes nos estudos acerca do estadiamento pubertário. o início do desenvolvimento pubertário ocorreu. bem como.. que desencadeia. Recife. incluindo também. com artigos publicados desde janeiro de 1995 até julho de 2006. A presente revisão de literatura foi realizada utilizando-se os termos "Adolescent. entre 10 e 19 anos. As medidas mais comuns de avaliação compreendem os indicadores de maturação sexual (estágios de Tanner) e avaliações do crescimento ósseo e fusão das epífises (avaliação da idade óssea).2. sendo classificados em cinco estágios (estágio 1: pré-puberal. 6 (4): 375-382. residentes do município de Santo André. no sexo feminino. marcado pelo estágio 2 de Tanner. entre os estudos realizados com o objetivo de caracterizar o processo de maturação sexual. progressão e a forma de avaliação.5 Dessa forma.4 realizado com 6765 adolescentes. Uma vez iniciado o desenvolvimento puberal.. geralmente. até os 13 anos. vencendo uma série de etapas. As principais implicações metodológicas relacionadas aos estudos acerca do estadiamento pubertário incluem a determinação do seu início. até a completa maturação.3 para meninas e meninos.

não o foram segundo a proposta do CDC. 2006 377 .0 Kg/m2 referente ao estágio 5.3 e considerando o pico máximo de velocidade de crescimento. a ocorrência da menarca é um marcador tardio do desenvolvimento puberal. classificaram como sobrepeso. Índice de Massa Corporal (IMC) e estágios de maturação sexual É evidente a crescente importância em se considerar o estágio de maturação sexual na avaliação do estado nutricional de adolescentes.CDC9 pode-se perceber que.3 kg/m2. com 2976 crianças e adolescentes. os autores 8 sugeriram que a proposta em questão seja utilizada.8 Díaz et al. a informação da ocorrência ou não do estirão puberal. sendo importante ressaltar que. segundo o estágio de maturação sexual. respectivamente. 7 baseando-se no estadiamento pubertário 2. de ambos os sexos. o pico de velocidade de crescimento (9 cm/ano) ocorre geralmente aos 13 anos de idade. out. foram propostos o estágio 3 do desenvolvimento da genitália masculina e a mudança do timbre da voz. Siervogel et al. respectivamente. Bras. geralmente. enquanto que a menarca. torna-se possível inferir se um adolescente com baixa estatura para a idade. na avaliação do estado nutricional de adolescentes. independente do sexo. se dá. caracterizado pela velocidade de 10. que é um marcador mais facilmente obtido. entre 7 e 17 anos de idade. Infant. Dessa forma. Comparando-se o diagnóstico do estado nutricional (quando se leva em consideração o estágio de maturação sexual em que o adolescente se encontra) com o diagnóstico obtido utilizando-se a referência clássica do Center for Disease Control and Prevention .Maturação sexual e composição corporal cionadas ao estirão puberal. um ano antes do pico da velocidade de crescimento.0 kg/m 2. 1 e a World Health Organization (WHO) 6 ressaltam a importância de se considerar marcadores biológicos para o início e o final do estirão puberal. com exceção da menarca.6 No entanto. No entanto. O estágio 2 do desenvolvimento mamário. considerando o estágio de desenvolvi- Rev. concluindo que o IMC aumentava. considerando-se a velocidade de crescimento. Dessa forma. iniciou ou não o estirão puberal. um ano após o pico máximo da velocidade de crescimento. auxilia na avaliação do estado nutricional e conseqüentemente na avaliação das modificações antropométricas e de composição corporal. ocorre. como marcadores biológicos do início e final do estirão puberal. a cada estágio de maturação sexual. foram classificados como sobrepeso. aproximadamente. um ano o pico da velocidade máxima de crescimento.8 ressaltam que seus resultados encontram respaldo em estudos realizados no Chile. para diagnóstico de baixo peso e sobrepeso. com aumento de 1 kg/m2 em cada estágio do desenvolvimento pubertário. sendo referente ao estágio 3 de desenvolvimento mamário. com valores de IMC acima de 21. Da mesma forma. uma vez que se associa com a já ocorrência do pico máximo de velocidade de crescimento. aproximadamente. realizaram um estudo.. O estágio 3 do desenvolvimento da genitália masculina.3 cm/ano. respectivamente. Ao passo que. os adolescentes diagnosticados como sobrepeso segundo o estágio de maturação sexual. foi proposta uma classificação de IMC. para avaliação do estado nutricional de adolescentes. Días et al. / dez. No sexo masculino. acima de 22. nos estágios 2 e 3 do desenvolvimento pubertário. não se deve perder de vista que tal proposta tem aplicação populacional. possibilitando o direcionamento das ações de intervenção. um ano após o pico máximo da velocidade de crescimento.. Recife. predizem o estágio de desenvolvimento pubertário em que o adolescente se encontra. Saúde Matern. entre 0. nos quais foram encontrados valores similares de IMC segundo o estágio de maturação sexual. Suécia e Guatemala.0 kg/m2. coincidindo com o estágio 4 do desenvolvimento da genitália.5 a 1. Tais marcadores possibilitam predizer o estágio de desenvolvimento puberal em que o adolescente se encontra.. Cabe também evidenciar as dificuldades metodológicas existentes na determinação de tais marcadores biológicos. No sexo feminino. atingindo o valor de 24. a mudança do timbre da voz ocorre.6 Assim. precede em aproximadamente. A partir de tal pressuposto. utilizando os pontos de corte de Percentil 10 e Percentil 90. é possível inferir que o diagnóstico de sobrepeso. Dessa forma. segundo o grau de desenvolvimento pubertário. aproximadamente. no estágio 4.0 kg/m 2 e no estágio 5.0 kg/m 2. são necessários exames mais detalhados. Para o sexo masculino. considerando o estágio 2..8 utilizando o IMC. os marcadores biológicos. significantemente. Para o sexo feminino. dois anos depois. acima de 23. sistematicamente.6 No sexo feminino. aqueles com IMC maior que 21. individualmente. propostos para o início e final do estirão puberal foram o estágio 2 do desenvolvimento mamário e a menarca. em torno dos 14 anos de idade. ocorre.6 Rogol et al. na avaliação do estado nutricional de adolescentes.1. Dessa forma. indivíduos do sexo masculino. 6 (4): 375-382.

numa idade correspondente a mais de dois desvios padrão abaixo da idade média da população de referência. Diante do exposto. abaixo de oito anos de idade. mas tal diferença não foi observada para o sexo masculino. ou seja. observaram que o IMC se correlacionou positivamente com os estágios de desenvolvimento mamário (r = 0. entre as meninas com maturação sexual precoce. 11 realizaram estudo com 6462 adolescentes obesos (IMC > Percentil 95). 2 os autores procederam à divisão das meninas em dois grupos. existem crescentes evidências de que a maturação sexual precoce constitui um fator de risco para o maior percentual de gordura corporal. Nesse sentido. mento pubertário. nos Estados Unidos. é marcada pela variabilidade biológica humana. 6 (4): 375-382. não foi observado aumento do IMC em relação aos estágios de desenvolvimento pubertário. Ibanez et al. Assim. 16 realizaram um estudo transversal retrospectivo. Com base no estudo de Tanner e Marshall.15 Com o objetivo de verificar a associação da maturação sexual precoce. é necessário um determinado depósito de gordura corporal para que ocorra o estirão puberal. No entanto. O grupo sem maturação sexual precoce foi constituído de 65 meninas. de 9 a 16 anos de idade. o aumento do IMC teve significância estatística entre os estágios 1 e 2. entre 9 e 16 anos. independente do IMC. com a adiposidade e distribuição de gordura corporal. independente da idade. quando foram consideradas. Kanbur et al. realizado com 3524 crianças e adolescentes da Louisiana. caracterizando assim.14 Em estudo epidemiológico.79. gordura abdominal) foram significantemente maiores. a maturação sexual precoce está associada à maior adiposidade e à distribuição centralizada dessa. Por outro lado. Baseando-se na cronologia do desenvolvimento pubertário.1 não somente para o sexo feminino.. / dez. em relação a todos os estágios puberais. também. os indivíduos com maior percentual de gordura corporal. assistidas em uma clínica especializada. a maturação sexual ocorreu precocemente. quando comparadas ao grupo controle. que apresentaram o início do estadiamento pubertário. Bras. com adolescentes do sexo feminino. meninas que se encontravam num mesmo estágio de desenvolvimento mamário. marcado pelo estágio 2 do desenvolvimento dos pêlos púbicos (pubarca). o grupo controle. Segundo Siervogel et al. encontrando que o IMC se correlacionava positiva e significativamente com a idade cronológica em ambos os sexos. Recife. p < 0. por sua vez.001) e. bem como a distribuição do mesmo durante a adolescência. Esta. Com base nos dados de peso e comprimento ao nascer de 3650 crianças saudáveis. com a idade cronológica.10 em estudo transversal realizado com 167 adolescentes do sexo feminino. Yalcin e Kinik.. numa clínica especializada no município de Hong Kong. mas também o estágio de maturação sexual em que o adolescente se encontra. no sexo feminino. ou seja. out. nas meninas com maior peso. relação cintura/quadril. o IMC deixou de se correlacionar com a idade cronológica. no sexo feminino.Barbosa KBF et al.. cabe ressaltar que durante a puberdade. quando os eventos puberais esteróides sexuais dependentes. Composição corporal e estágios de maturação sexual Holst e Grimaldi12 ressaltam que as modificações do tecido adiposo. Assim.3 a maturação sexual é considerada precoce quando se instala numa idade correspondente a mais de dois desvios padrão abaixo da idade média de instalação da mesma na população de referência. 2. são fortemente influenciadas pela maturação sexual. Para o sexo masculino. Saúde Matern. nascidas a termo. foi realizado um 378 Rev. mas também para o masculino. Considerando o estadiamento puberal. O grupo das que apresentaram maturação sexual precoce foi constituído de 67 adolescentes. no entanto. considera-se que o estadiamento puberal condiciona marcantes modificações nos parâmetros antropométricos e de composição corporal em adolescentes. tanto as medidas que refletem a adiposidade total (gordura corporal em kg e percentual de gordura corporal). têm maiores chances de maturar precocemente. apresenta maior sensibilidade em relação à proposta clássica. ocorrem abaixo dos oito anos de idade na menina e nove anos no menino. como aquelas que refletem a distribuição de gordura corporal (circunferência da cintura. encontrou-se que. entre os anos de 1973 e 1975. Infant. Frisch e McArthur13 argumentam que seria necessário atingir 17% de gordura corporal para possibilitar a ocorrência da menarca. que se origina da interação entre os fatores genéticos e ambientais que ocorrem durante o estirão puberal. 2006 . a prevalência de obesidade foi maior nos estágios 1 e 2. Os resultados de tal estudo 16 mostraram que. Em relação a tal influência. pareadas para idade e estágio de desenvolvimento dos pêlos púbicos. não somente a idade cronológica e o sexo devem ser considerados na avaliação do estado nutricional. concluiu-se que.

A Odds Ratio para obesidade foi de 0. com o sobrepeso e obesidade no sexo feminino. Tais indivíduos participaram do Third National Health and Nutritional Examination Survey (NHANES III) de 1988 a 1994 e tinham disponíveis dados antropométricos (peso.Maturação sexual e composição corporal estudo longitudinal.6% no sexo masculino e 34. Wang20 realizou um estudo transversal. 2006 379 . através da regulação dos níveis séricos de hormônios sexuais. no sexo masculino e feminino. encontrandose que a ocorrência do pico máximo da velocidade de crescimento (PVC) se dava entre 13. Ainda em relação à associação entre maturação sexual precoce e obesidade.4 e 14. Foram coletados dados de peso e comprimento ao nascer de 12. foi de 22.5 anos de idade.17 Em outro estudo longitudinal. ou seja.6 e 0. coletaram-se os mesmos dados.1% para o feminino. para cada indivíduo do estudo.6% contra 31. ou seja. positivamente. enquanto que no masculino. foi significantemente maior nas mulheres que referiam a ocorrência da menarca aos 11 anos. Participaram do estudo 391 meninas entre 8 a 21 anos de idade. sua manutenção na vida adulta. Rev. 14 e 31 anos de idade. na Finlândia. aos 14 (IMC > Percentil 95) e 31 anos de idade (IMC > 30 kg/m 2). Remsberg et al. Os indivíduos foram avaliados ao nascer e com 1. / dez.0 (1.4 anos de idade. Saúde Matern. As meninas com menarca precoce mostraram maiores níveis de percentual de gordura corporal. aqueles indivíduos com maior ganho de IMC alcançaram em média o PVC. segundo Tanner e Marshall.18 encontraram que a prevalência de obesidade.4 (0. bem como. Dessa forma. demonstrou-se que o ganho de IMC.8% para o sexo masculino e 15. em idade correspondente a mais de dois desvios padrão abaixo da média de ocorrência do mesmo na população de referência) e o grupo controle. Os resultados de tal estudo13 mostraram que a maturação sexual precoce se associa. os autores ressaltaram que a adiposidade corporal.. respectivamente. entre 2-18 anos de idade. Os resultados demonstraram que.6% contra 8.5) para o feminino.8) para o sexo masculino e 2. concluiu-se que a menarca precoce constitui um fator de risco para o desenvolvimento da obesidade na adolescência. na maturação sexual. do sexo feminino e masculino. O impacto do ganho de IMC. a adiposidade (somatória das quatro pregas cutâneas) não se associou positivamente com a maturação sexual precoce (ocorrência do estágio 2 do desenvolvimento mamário abaixo dos oito anos de idade). abaixo dos 13. Na última avaliação. acompanhadas durante três anos.6 e 0.7 anos antes.2% no sexo feminino. Com o objetivo de testar a hipótese de que a associação entre a maturação sexual precoce e a obesidade se diferencia entre os sexos.2.7 anos. Esses valores correspondiam à média e desvio padrão. respectivamente. foram classificadas em dois grupos distintos: menarca precoce (n = 91) e sem menarca precoce (n = 300). em prontuários de acompanhamento do crescimento dessas crianças. estatura e pregas cutâneas) e de maturação sexual.4 e 11. encontrando os valores de 6. lipídios sanguíneos. Foram realizadas avaliações antropométricas e do estágio pubertário duas vezes por ano. foi significantemente maior nos indivíduos com maturação sexual precoce.17 Construíram-se curvas de velocidade de crescimento. aos 31 anos de idade.. 6 (4): 375-382. 0.2-0. pressão arterial. baseado nos dados de 1501 e 1520 indivíduos. Situação similar ocorreu para a obesidade. marcado pelo estágio 2 do desenvolvimento mamário e da genitália masculina. uma vez que a prevalência de sobrepeso no grupo dos maturadores precoces. as mulheres referiram a idade de ocorrência da menarca. quando comparados aqueles com menor ganho de IMC. Posteriormente. tal associação é negativa.7% contra 14.19 avaliaram o efeito da menarca precoce sobre as modificações de composição corporal e marcadores de risco para a ocorrência de doenças cardiovasculares. Assim.1-3. mas sim com a velocidade do desenvolvimento pubertário.17 Assim. foram coletados nos prontuários dessas crianças e os dados de 7 a 18 anos foram coletados a partir da sua avaliação nas escolas em que estudavam. com idade de 8 a 14 anos. Baseando-se na cronologia do desenvolvimento pubertário. no qual os indivíduos foram acompanhados desde o nascimento até os 18 anos de idade. nos sexos masculino e feminino.5 anos. no sexo masculino e entre 11.058 crianças. foi realizado um estudo longitudinal com 68 adolescentes do sexo feminino. sem maturação sexual precoce. Foram caracterizados como maturadores precoces. aqueles indivíduos que alcançavam o PVC em idades correspondentes a 1 desvio padrão abaixo da média da ocorrência do mesmo nesta população. insulina e glicose. comparado ao grupo controle. ou seja.3 os autores Frisch e McArthur 13 dividiram os indivíduos em dois grupos: os com maturação sexual precoce (caracterizada pelo início do desenvolvimento pubertário. foi de 0. De acordo com a idade da menarca. out. Recife. quando comparadas àquelas que a referiam aos 15.4% contra 23. respectivamente. no sexo feminino.18 Laitinen et al. Os dados referentes ao período do nascimento até os 6 anos de idade. Infant. acompanhou-se uma coorte nascida em 1966.5 e 12. Bras.

sendo os adipócitos os responsáveis pela secreção de adipocinas. A média de idade. Essas substâncias têm atividade hormonal e regulam o metabolismo de lipoproteínas.. mas também sua velocidade.. 28 evidenciaram que tais modificações são influenciadas por vários fatores e entre eles destacam-se os genéticos e ambientais. associado a um aumento na glicemia. mostraram ocorrência da menarca mais cedo e. 2. predizem o risco de ocorrência. a osteoporose e a obesidade.30 afirmam que. uma vez que. encontraram que a associação entre maturação sexual precoce e obesidade.. tal inferência deve ser cuidadosa. entre elas a leptina. a obesidade se manteve na vida adulta em 50% e 66%. os autores 23 concluíram que as meninas que apresentaram um assicronismo entre o desenvolvimento das mamas e dos pêlos púbicos e que iniciaram a puberdade com o desenvolvimento mamário. Tal estudo foi realizado com 79 indivíduos do sexo masculino e 98 do feminino. também. depende. acompanhadas durante 10 anos. respectivamente. no sentido de evitar tal desfecho. bem como. Host e Grimaldi 12 ressaltaram que o tecido adiposo se constitui em um órgão com atividade endócrina. out. 31 por meio de estudo longitudinal realizado com 60 indivíduos entre 8 e 13 anos de idade. quando comparadas àquelas que ocorrem na infância. Saúde Matern. 380 Rev. sua distribuição. entre 13 e 18 anos de idade. os níveis séricos de leptina correlacionam-se positivamente com o percentual de gordura corporal durante a puberdade. de doenças crônicas não-transmissíveis. IMC e percentual de gordura corporal..1. tricipital. de 9 e 10 anos de idade. os próprios autores colocam que é mais comum o início da puberdade através do desenvolvimento mamário. o diabetes. foi de 13 anos. predominantemente no sexo feminino. Recife.7%) quando comparado a adrenarca (34. destacando-se a doença cardiovascular. além do sexo e idade. modula não só o início do desenvolvimento pubertário. demonstraram que na transição entre o estágio 1 e 3 de Tanner. maiores valores de pregas cutâneas. As meninas que mostraram um assincronismo entre o desenvolvimento mamário (telarca) e dos pêlos pubianos (adrenarca). conseqüentemente. mostrou ocorrência da menarca mais cedo e também. subescapular e suprailíaca). Entre as modificações na composição corporal que ocorrem durante a puberdade.3 houve uma redução de 1/3 na sensibilidade à insulina. possivelmente. Derman et al. Bras. apresentaram maior risco de obesidade. As modificações que ocorrem na adolescência. havia uma associação positiva entre a velocidade do desenvolvimento pubertário e obesidade. no sexo masculino e feminino. cabe ressaltar que o conhecimento da associação entre desenvolvimento pubertário e composição corporal possibilita o planejamento e a prática de medidas de intervenção.29 afirmam que entre crianças obesas de 8 a 13 anos de idade. podendo ser esse um viés para tal conclusão. tiveram maiores chances de iniciar o estadiamento pubertário através da telarca (65. a homeostase vascular e a função fibrinolítica e ainda desempenham efeitos pró ou antiinflamatórios. da característica sexual que marca o início do desenvolvimento pubertário. a área muscular do braço se correlacionou positivamente. Dessa forma. 24 observaram que em adolescentes do sexo masculino. para ambos os sexos. / dez. entre os sexos. modula a resistência à insulina nesse período. no início do acompanhamento.Barbosa KBF et al. Biro et al. O acúmulo de tecido adiposo. na vida adulta. a adiponectina e a resistina.3%). a obesidade se manteve na vida adulta em 33% dos indivíduos do sexo masculino e 50% do feminino. por sua vez. nas medidas que refletem a massa livre de gordura corporal. sendo então acompanhados até os 27 anos de idade. Estas.21 Outro estudo longitudinal22 comparou. exercem maior influência no risco de desenvolvimento de doenças crônicas nãotransmissíveis.25-27 Demerath et al. durante a puberdade. No que diz respeito à influência dos estágios de maturação sexual. uma vez que os indivíduos com desenvolvimento pubertário mais rápido mostraram valores significantemente maiores de IMC e somatório das quatro pregas cutâneas (bicipital. 2006 . não só com a idade cronológica. No entanto. Encontrou-se que. Assim. destacam-se àquelas referentes ao tecido adiposo. 6 (4): 375-382. Em adolescentes obesos. Infant.23 em estudo com 1166 meninas. Guo et al. a associação entre a velocidade do desenvolvimento pubertário e a obesidade. Goran et al. Importância da composição corporal durante a puberdade As modificações na composição corporal de adolescentes são marcadores das alterações metabólicas que ocorrem durante o desenvolvimento pubertário. mas também com os estágios de desenvolvimento pubertário. Roemmich et al. O grupo que iniciou o desenvolvimento pubertário através da telarca.

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