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Mestre em Design pela Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) da UERJ. Graduada em Comunicação
Social pela PUC Minas. Professora de Planejamento Gráco do curso de Jornalismo da Universidade Fumec.
Resumo
Neste artigo, aborda-se o impacto da introdução das técnicas grácas no
Brasil do século XIX, quando o País passou por uma verdadeira revolução
visual com o crescente processo de industrialização e a formação de uma
cultura visual brasileira. A partir do século XX, o acelerado processo de
modernização levou a imprensa brasileira a importantes transformações,
principalmente no que diz respeito à reelaboração de sua linguagem grá-
ca. Atualmente, o impacto das novas tecnologias digitais traz para o
jornal impresso novos desaos.
Palavras-chave: Design de jornais. Jornal diário. Linguagem
gráf ica.
Dúnya Azevedo
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A evolução técnica
e as transformações
grácas nos jornais
brasileiros
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Introdução
O século XIX foi, para o Brasil, o período marcado pela formação de
um público ávido pelo consumo de informações, seja por meio de textos,
seja por meio de imagens. Quando os primeiros impressos começaram a
circular no País, não havia o conceito de jornal diário como conhecemos
hoje, por limitações de ordem tecnológica. A construção de estradas de fer-
ro, a introdução do telégrafo e de novas técnicas de impressão, composição
e reprodução de imagens foram alterando ao longo do tempo o processo de
circulação de informações e mercadorias, como veremos mais adiante.
Os avanços das técnicas de reprodução de imagens – notadamente
da litograa – beneciaram a proliferação das publicações ilustradas.
Descoberta por Aloys Senefelder em 1796, a litograa teve grande in-
uência na publicação de livros, jornais e revistas, além de permitir o
desenvolvimento do cartaz. O processo se desenvolveu a partir da des-
coberta da propriedade que têm as pedras calcárias de Solenhofen (re-
gião próxima a Munique) de rejeitar a tinta oleosa quando ainda úmi-
das. Torna-se possível, então, o desenho livre diretamente sobre a pedra
(nesse caso o desenho era invertido) ou no papel de transporte para ser
impresso na pedra e posteriormente impresso no papel denitivo.
A litograa chegou ao Brasil pouco tempo depois de ter sido in-
troduzida denitivamente na Europa: na França (1814), na Espanha
(1819) e em Portugal (1824). Desde 1819, o público do Rio de Janeiro
já conhecia a litograa, pois nessa data os jornais publicavam anúncios
alusivos a esse processo de impressão (FERREIRA, 1994, p. 323). A
litograa tornou-se muito popular na imprensa brasileira do século XIX
por ser um processo que permitia a produção de imagens mais atraentes
do que aquelas produzidas até então pela xilograa.
A partir de 1850, já estava em circulação um grande número de pu-
blicações impressas. Era uma espécie de revolução visual, considerando
que a imprensa só chegou ao Brasil em 1808, com a vinda do príncipe
regente D. João, transferindo a corte portuguesa e implantando a Im-
prensa Régia no Rio de Janeiro, onde foram produzidas cartas de bara-
lho, obras cientícas e literárias, além de impressos avulsos.
Até 1808, nenhum tipo de publicação era impressa no Brasil. Os mo-
tivos para tal restrição eram de ordem econômica – evitar a concorrên-
cia dos produtos brasileiros com os portugueses; e política – impedir que
impressos subversivos circulassem pelo País. Após a independência, em
22 de novembro de 1823, foi promulgada a primeira lei brasileira de im-
prensa. A partir daí, deu-se efetivamente o desenvolvimento da imprensa
periódica no Brasil, com a proliferação de jornais por todo o País.
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O primeiro periódico impresso no Brasil foi a Gazeta do Rio de Janei-
ro, nascido em 1808, na Imprensa Régia. Circulava com quatro páginas
e, às vezes, com seis ou oito. No início era semanal, depois passou a ser
editado de duas em duas semanas e, depois, de três em três semanas.
Publicado até 1821, era um periódico a serviço do poder. John Armita-
ge – um leitor eminente (apud SODRÉ, 1999, p. 20) – mostra o que era
a Gazeta do Rio de Janeiro:
Por meio dela só se informava ao público, com toda a delidade, do
estado de saúde de todos os príncipes da Europa e, de quando em
quando, as suas páginas eram ilustradas com alguns documentos
de ofícios, notícias dos dias natalícios, odes e panegíricos da família
reinante. Não se manchavam essas páginas com as efervescências
da democracia, nem com a exposição de agravos. A julgar-se do
Brasil pelo seu único periódico, devia ser considerado um paraíso
terrestre, onde nunca se tinha expressado um só queixume.
A Idade de Ouro do Brasil foi o segundo periódico impresso na colô-
nia. Surgido na Bahia – antiga capital colonial –, tinha formato in 4º,
quatro páginas, circulava às terças e sextas-feiras (SODRÉ, 1999).
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A Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro jornal impresso no Brasil
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Mas a verdade é que o pioneirismo da imprensa periódica no Brasil é
atribuído ao brasileiro Hipólito José da Costa, que editou em Londres o
Correio Braziliense, com o subtítulo “Armazém Literário”, cuja primeira
edição foi em junho de 1808 – poucos meses antes da circulação da
Gazeta do Rio de Janeiro, que teve sua primeira edição em setembro do
mesmo ano. Ex-diretor literário da Junta da Imprensa Régia, Hipólito
da Costa exilou-se na Inglaterra em 1805 e fez circular, independente-
mente da censura, esse periódico que, segundo Sodré (1999), tinha um
caráter mais doutrinário do que noticioso. O Correio Braziliense circulou
mensalmente até 1822 e, em termos de formato e design da página,
parecia-se mais com um livro. Segundo Sodré (1999), a Gazeta do Rio
de Janeiro, embora fosse um exemplo rudimentar, estava mais próximo
do tipo de periodismo que hoje conhecemos como jornal. O autor deixa
clara a diferença entre os dois periódicos:
A Gazeta era embrião de jornal, com a periodicidade curta, in-
tenção informativa mais do que doutrinária, formato peculiar aos
órgãos impressos do tempo, poucas folhas, preço baixo; o Correio
era brochura de mais de cem páginas, geralmente 140, de capa
azul escuro, mensal, doutrinário muito mais do que informativo,
preço muito mais alto. (SODRÉ, 1999, p. 22)
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Correio Braziliense, de Hipólito José da Costa
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Correio Braziliense, de Hipólito José da Costa
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Imprensa ilustrada
A imprensa ilustrada também cumpriu importante papel no pro-
cesso de modernização do País no século XIX. Apesar de a primeira
caricatura brasileira ter sido publicada no Jornal do Commercio, um jor-
nal mais afeito aos textos, esse gênero de imagens foi mais explorado
pelos periódicos ilustrados semanais como A Lanterna Mágica (1844),
A Vida Fluminense (1868), Revista Illustrada (1876), A Illustração Bra-
sileira (1876), Dom Quixote (1895), que envolviam artistas como Hen-
rique Fleiuss, Ângelo Agostini, dentre outros de grande talento. Eram
imagens que reetiam e satirizavam aspectos da vida política e social
do País, exercendo importante função social, em um período de grande
liberdade de expressão. Essa técnica abriu caminho, também, para os
desenhos documentais, como o noticiário de crimes. As ilustrações de
noticiários policiais eram apresentadas como narrativas visuais de um
fato, cumprindo a função dos atuais infográcos.
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Caricatura em litograa da Revista Semana Illustrada, 1874.
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Capa litográca do Jornal Ostentor Brazileiro, 1845
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Página da Revista Illustrada, 1887
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A escassez de mão de obra qualicada no Brasil impossibilitou a
utilização mais ampla das matrizes xilográcas, principalmente a xilo-
graa de topo – processo cujo entalhe, feito com buril ou goiva, é per-
pendicular aos veios da madeira, resultando em imagens com contornos
delicados e precisos. Por isso, a imprensa ilustrada utilizou amplamente
a litograa para a reprodução de imagens ricas em detalhes. Obviamen-
te, as publicações ilustradas brasileiras eram inspiradas nas publicações
do mesmo gênero que começaram a circular pela Europa desde ns do
século XVIII. A imprensa ilustrada se nutria da sátira por meio da pu-
blicação de charges e caricaturas. La Caricature (França, 1830), Le Cha-
rivari (França, 1832), Punch (Londres, 1841), Jugend e Simplicissimus
(Alemanha, 1896) são alguns dos exemplos de publicações cômicas que
povoaram o imaginário europeu, satirizando fatos do cotidiano.
Importantes inovações tecnológicas que começaram a ser introduzidas
na Europa desde os últimos anos do século XVIII alimentavam as trans-
formações sociais e o surgimento de mais e mais publicações. De acordo
com Wilson (1996), as principais delas podem ser assim relacionadas: a
invenção da máquina para fabricar o papel contínuo em 1798, por Lou-
is Robert, que substituiu a fabricação folha por folha, antes mesmo da
invenção das impressoras rotativas; a invenção da prensa mecânica pelo
alemão Friedrich König em 1811 que, utilizando o vapor como força mo-
triz, possibilitou a impressão de 800 folhas por hora; a invenção da prensa
rotativa por Richard Hoe, em 1846, e por Hippolyte Marinoni, por volta
de 1850, e que passou por aperfeiçoamentos sucessivos, levando à viabili-
zação das formas cilíndricas (ou clichês curvos) e a utilização do papel em
bobina, aumentando enormemente a capacidade de produção; a invenção
do linotipo, sistema mecânico de composição tipográca a quente, pelo
alemão residente nos EUA, Ottmar Mergenthaler, em 1884.
Além da linotipo, que fundia linhas inteiras, surgiu também, em
1893, a monotipo, inventada pelo norte-americano Tolbert Lanston,
que fundia letras soltas, normalmente empregadas nos títulos. O jornal
New York Tribune foi o primeiro a implantar o uso da linotipo, em 1886
(MARTINS, 1996, p. 122). A composição na monotipo facilitava a cor-
reção dos erros tipográcos. Em vez de refazer toda a linha, como era
o caso na composição pela linotipo, bastava substituir a letra errada da
composição monotípica.
No processo de composição manual, os tipógrafos retiravam os tipos
das caixas para compor as linhas, processo que se fazia à velocidade de
1.200 a 1.500 caracteres por hora. A composição mecânica em linotipo
agilizou consideravelmente o processo, passando a ser compostos de 6
mil a 9 mil caracteres por hora.
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Fotograa
A introdução da fotograa não teve impacto imediato nos periódicos
impressos. Sofreu restrições tecnológicas e não representou, de início,
ameaça às outras técnicas de reprodução de imagens. Era cara e durante
muitos anos foi privilégio de poucos. A daguerreotipia era um processo
lento e produzia imagens únicas, impossíveis de se reproduzir. A partir
de 1860, tornou-se mais acessível, mediante o processo de colódio, que
gerava negativos sobre vidro, quando proliferaram os retratos (carte-de-
visite). Para a reprodução das imagens fotográcas era preciso copiá-las
em uma matriz xilográca ou litográca. Em 1880, foi introduzida, na
imprensa, a fotogravura em clichê a meio tom, suplantando lentamente
a gravura para reprodução de imagens.
Esse processo de gravação fotográca em chapas de zinco é chamado
de autotipia, clichê, fotogravura ou similigravura. Essa técnica consistia
na gravação de uma chapa (clichê a traço ou reticulado). A imagem
a traço é a imagem em preto absoluto, e para obtenção de meio-tom,
a imagem original é reproduzida por meio de uma retícula de vidro
– “cristal namente raiado com linhas em forma de grade” (CRAIG,
1987, p. 74), que permite a fragmentação da imagem em pequenos pon-
tos, formando meio-tons quando impressos.
Em várias partes do mundo, o grande salto dado pela imprensa a
partir do século XIX acompanhou o surpreendente crescimento urbano
e a ampliação das atividades culturais e sociais. O número de habitantes
nas grandes cidades aumentava a passos largos em busca de empregos
e melhores condições de vida. Na mesma proporção crescia a capaci-
dade de consumo da população. A construção das estradas de ferro, o
surgimento da fotograa e do telégrafo para a transmissão das notícias,
dentre outras inovações, alterou profundamente o sistema de distribui-
ção de mercadorias e de informações. A abertura de novos mercados e a
necessidade de conquistá-los abriu espaço para a propaganda como elo
entre a imprensa e a produção de mercadorias. Com a difusão da alfa-
betização nos centros urbanos, o público-leitor torna-se maior e mais
exigente. E a imprensa, ao mesmo tempo em que estimula a voracidade
de leitura da população, cria meios de se adequar à demanda crescente
desses leitores. O resultado da industrialização é a subsequente redu-
ção de custos operacionais e a oferta crescente de novas publicações
e outros impressos como cartazes, folhetos, catálogos, embalagens, etc.
(CARDOSO, 2000). Nesse processo de reordenamento social, a crença
no progresso e na ordem por meio da tecnologia era o que norteava a
sociedade:
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O fervilhamento no meio do grande uxo de pessoas e paisa-
gens, o delicioso mas deprimente anonimato no seio da mul-
tidão, a impossibilidade de assimilar todas as imagens e todas
as informações, a afetação de tédio diante do desconhecido ou
inesperado: são sensações como estas que caracterizam a ‘moder-
nidade’, assim identicada pelo poeta e crítico francês Charles
Baudelaire ainda na década de 1860. (CARDOSO, 2000, p. 39)
As inovações tecnológicas exigiram cada vez mais de tipógrafos, de-
senhistas, gravadores e compositores mais produções e com maior qua-
lidade no que se refere à linguagem gráca dos materiais impressos:
Entre as tentativas toscas de justapor textos e imagens, caracte-
rísticas do início do século XIX e as sosticadas programações
do nal do mesmo, existe um mundo de diferenças não somente
de ordem tecnológica, mas também em termos de cultura visual.
(CARDOSO, 2000, p. 45)
No Brasil, a passagem do século XIX para o XX foi marcado por gran-
des investimentos na expansão do parque gráco, resultando no aumento
expressivo do número de jornais. A introdução da fotograa, do telégrafo,
novas máquinas de impressão (rotativas) e composição (linotipo) permiti-
ram a redução de custos e agilizaram consideravelmente a produção. Pou-
co a pouco, a imprensa migrou de uma fase artesanal para a industrial.
O jornalismo literário do início do século começou a ceder lugar a
um jornalismo mais noticioso, no qual a reportagem passa a ser valoriza-
da. Os classicados que apareceram já na década de 1820 ganham mais
espaço e a publicidade assumiu importância a partir de 1920. Na virada
do século apareceu, também, nos jornais a estereotipia – reprodução de
textos e imagens por meio do an, matriz que era um molde de papelão
e gerava chapas curvas para a impressão em rotativas. O m do século
XIX e o início do XX foram épocas férteis para o surgimento de novos
jornais com edições diárias. A historiadora Abreu (1996, p. 17) faz uma
cronologia do surgimento dos principais jornais brasileiros:
O Jornal do Commercio foi fundado em 1827, e O Estado de S.
Paulo, de 1875; imediatamente após a implantação da República,
temos o Brasil, em 1891, e o Correio da Manhã, em 1901. Já neste
século apareceram O Jornal, fundado em 1919, e os jornais da
década de 20, como a Folha da Noite, de 1921, que deu origem à
Folha da Tarde em 1924 e à Folha da Manhã em 1925. Também
em 1925 foi fundado O Globo. O Estado de Minas e o Diário
Carioca surgiram em 1928, e o Diário de Notícias, em 1930. Em
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seguida temos A Manhã, criada em 1941, mas que teve vida cur-
ta, desaparecendo em 1953.
O jornal A Noite, de Irineu Marinho, começou a circular no Rio de
Janeiro em 1911, sendo seguido por outros vespertinos, como A Pátria,
Vanguarda, e O Globo. Esse último também do grupo de Marinho. Nes-
se período, a oferta de matutinos cresceu bastante: Imprensa, O Tempo,
Diário Carioca, Diário de Notícias, Manhã, etc. (Abreu, 1996). O Jornal
do Commercio e o Diário de Pernambuco (fundado em 1825) são os dois
jornais mais antigos em circulação até hoje no Brasil.
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Jornal do Commercio, 1832
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Jornal do Commercio, 1946
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Planejamento gráco
Na composição manual, o tipógrafo ajusta o componedor na medida
da linha e preenche-o com os tipos que pega na caixa de tipos. Para jus-
ticar as linhas, ele adiciona espaços entre palavras e entre letras. Para
criar o espaço adequado, o tipógrafo insere placas de metal (entrelinhas)
entre as linhas. Quando o componedor está cheio, as linhas são trans-
feridas para uma bandeja rasa – a galé. A junção dos tipos compostos,
títulos e os resulta na paginação, de acordo com uma disposição pre-
viamente desenhada (CRAIG, 1987, p. 16).
Em decorrência dessa técnica de ajustar bem os elementos na com-
posição da página, o layout adquire uma forma muito rígida. Com o
crescimento do espaço ocupado pelos anúncios e pela utilização cres-
cente da fotograa a partir da década de 1960, a página começa a assu-
mir uma conguração assimétrica.
A composição mecânica (linotipo e monotipo) era uma exclusividade
dos grandes jornais que surgiram no nal do século XIX, nos maiores
centros urbanos. Os jornais menores utilizavam a composição manual.
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Jornal do Commercio, 1984
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Jornal do Commercio, 1966
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O avanço das técnicas de fundição mecânica de tipos metálicos e o
surgimento das tituleiras facilitaram a produção de letras maiores e de
grande variedade, permitindo a valorização dos títulos e o aumento do
número de chamadas de matérias, cujo desenvolvimento se encontrava
em uma página do miolo do jornal. O jornalismo diário brasileiro se
inspira no modelo do e Times, londrino e no Temps, parisiense. Local-
mente, o Jornal do Commércio era a referência (Bahia, 1990).
Em 1895, o Jornal do Brasil, impresso nas rotativas Marinoni, começa a
usar os primeiros clichês em zincograa. “É considerado o mais moderno
da época, com seus intertítulos que facilitavam a leitura” (CAMARGO,
2003, p. 50). O leitor, com o tempo cada vez mais escasso, contava, então,
com uma facilidade maior para a seleção de matérias de seu interesse.
Esse recurso tornou-se importante no processo de organização da página
e na construção de uma hierarquia na apresentação das notícias.
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Estado de Minas, 1954
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Estado de Minas, 1930
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A primeira página do jornal transforma-se, aos poucos, num espaço
de apresentação das notícias que o leitor encontrará completas no miolo
da publicação. No entanto, algumas restrições técnicas não permitiam
um planejamento adequado da massa de texto, pois a leitura era inter-
calada pela fotograa que ocupava a mesma bitola da coluna de texto
(FIG. 12 e 13). As matérias iniciadas na primeira página do jornal eram
abruptamente interrompidas e no nal da coluna havia a indicação de
que a continuação daquela matéria estava em outra página do jornal.
Essa prática perdurou em vários jornais até m da década de 1950.
Outra característica do design dos jornais diários era a persistência
dos os para separar as colunas, numa tentativa de reforçar o espaço
entre colunas, que era geralmente apertado. Esse recurso só começou a
desaparecer na maioria dos jornais diários também no nal da década
de 1950 e início de 1960.
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Última Hora, 1966
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Estado de Minas, 1969
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No pós-guerra e a partir da década de 1950, houve diversicação da
atividade industrial no Brasil. Essa época foi marcada por uma efer-
vescência nos campos político, econômico, social e cultural. Surgiram
novos jornais, como a Última Hora (1951) e Tribuna da Imprensa (1949),
com renovação da linguagem jornalística, tanto no que se refere aos tex-
tos como ao modo de diagramar as matérias, inuência do jornalismo
norte-americano. (ABREU, 1996)
Após um longo período de restrições à importação, a indústria gráca
se renovou e cresceu espantosamente na virada da década de 1950 para a
de 1960, graças, principalmente, aos investimentos do governo Juscelino
Kubitschek. O aumento do número de jornais, tiragens cada vez maio-
res com a introdução de novos métodos de composição e impressão, os
contatos com agências de notícias e de publicidade, a implementação de
uma rede de pontos de venda pelo País eram práticas que se tornavam
mais e mais comuns nos grandes jornais diários desse período.
O desenhista André Guevara chegou ao Brasil por volta de 1944, após
ter feito um curso de artes grácas nos Estados Unidos. Nesse período,
Guevara desenvolveu trabalhos importantes na imprensa brasileira:
Guevara trouxe o cálculo, a tabela de correspondência entre lauda
datilografada (com um número preestabelecido de linhas e toques)
e a composição nos variados corpos tipográcos e larguras. Intro-
duziu ainda a folha milimetrada que permitia a produção de ’es-
pelhos’ das páginas. Além disso, vendia bem seus projetos, em sua
segunda fase carioca criou o layout base do Diário da Noite, da Fo-
lha Carioca e principalmente da Última Hora, cujos diagramadores
foram chamados por ele da Argentina. (LOREDANO, 1988)
No exemplo a seguir, do Jornal Última Hora, há um planejamento
bastante elaborado da página, com hierarquia entre os elementos edi-
toriais (manchete e títulos), maior espaço entre colunas, edição de fo-
tograas – recursos que, em um contexto de forte concorrência entre os
veículos impressos, pediam a atenção do público.
Ao mesmo tempo em que o linotipo e as rotativas aceleram o rit-
mo do jornal, a fotograa torna-se elemento essencial na construção
da informação e ganha espaço maior na página. Os classicados que
eram veiculados gratuitamente nos primórdios da imprensa dão espaço
à publicidade que, de acordo com uma tabela de preços calculada em
centímetros de coluna, se torna a maior responsável pela introdução da
cor e pelo aumento de receita dos jornais.
A fotocomposição foi outra inovação que alterou o design dos jor-
nais diários na década de 1960. Enquanto na composição manual e na
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quente o tipo deve ser entintado para impressão, na fotocomposição,
os caracteres são projetados e expostos sobre um lme ou papel fotos-
sensível, resultando em letras de fôrma bem denidas (CRAIG, 1987).
Completando a série de inovações, o sistema de impressão oset possi-
bilitou novas soluções visuais:
A impressão oset é econômica, dá maior nitidez à fotograa,
facilita a leitura, torna mais rápido e eciente o aproveitamento
da cor, proporciona melhor preparação e montagem do veículo.
O tempo, em relação ao sistema quente, é menor porque supri-
me algumas fases do trabalho, como clichê, an e estereotipia.
(BAHIA, 1990)
De acordo com Bahia (1990), o São Paulo Shimbun Jornal, da co-
munidade japonesa, é o primeiro periódico brasileiro a ser impresso em
oset, seguido pelo Cidade de Santos (do grupo Folhas) e Correio Brazi-
liense (dos Diários Associados). Dos grandes jornais, a Folha de S. Paulo
foi pioneira, colocando o Brasil no segundo lugar do mundo a utilizar a
impressão oset nos jornais.
O anúncio é o responsável pela introdução da cor nos jornais brasi-
leiros a partir de 1914, primeiramente no Jornal do Brasil e, em 1915, na
primeira página de O Estado de S. Paulo. Além de ser o primeiro grande
jornal a utilizar a impressão oset, a Folha de S. Paulo introduz a cor em
oset em 1967, seguido de outros jornais como o Zero Hora, de Porto
Alegre, O Liberal, do Pará. Na década de 1980, as redações ganharam
ainda mais agilidade com a introdução da editoração eletrônica e a su-
cessiva informatização de todo o processo de fechamento das páginas.
Desde o surgimento da televisão, a partir de meados da década 1950,
a imprensa passou por processos de readequação de seu papel e reelabo-
ração de sua linguagem gráca. O mundo fragmentado da TV passou a
habitar as páginas dos jornais. A divisão dos jornais em seções, cadernos,
encartes, suplementos dirigidos a públicos especícos, o aumento dos
recursos editoriais/visuais e a capa construída como uma espécie de mo-
saico partem de uma lógica em que o jornal deveria ser um produto de
consumo massivo. O marketing, as pesquisas de mercado e um sistema
complexo de distribuição são ferramentas utilizadas pela maior parte
dos jornais diários atuais para garantir sobrevivência em um mercado
cada vez mais dinâmico.
O jornal impresso está passando por novas transformações e desa-
os desde o advento da internet, na década de 1990, que vem causando
grande impacto sobre as empresas jornalísticas, deslocando leitores e
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anunciantes para o ambiente online. O segmento está passando por
um período de transição para se adaptar às novas congurações do
mercado e a um novo perl de público, profundamente inuenciado
pela cibercultura – conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de
práticas, atitudes, de modos de pensamento e de valores que se de-
senvolvem juntamente com o crescimento da rede mundial de com-
putadores (LEVY, 1999, p. 17). O destaque às imagens e a utilização
de outros recursos grácos, como tabelas, mapas, infográcos, fazem
parte de uma estratégia de adequação do jornal a um ritmo mais di-
nâmico de leitura.
Mais uma vez, na história da imprensa, é preciso reelaboração, diante
das alterações provocadas pela tecnologia digital. Esse é o novo desao
lançado ao jornal impresso contemporâneo.
Technical advances and graphic changes in Brazilian newspapers
Abstract
This paper discusses the impact of the introduction of graphic techniques in
Brazil in the 19th century, when the country was undergoing a true visual
revolution with the growing process of industrialization and the formation of a
Brazilian visual culture. Starting in the 20th century, the country’s accelerated
modernization led the Brazilian press to important transformations, especially
regarding the renewal of its graphic language. Presently, the impact of the new
digital technologies is offering new challenges to the printed media.
Key-words: Newspaper design. Daily newspaper. Graphic language.
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as suas páginas eram ilustradas com alguns documentos de ofícios. Não se manchavam essas páginas com as efervescências da democracia. de três em três semanas. depois. 20) – mostra o que era a Gazeta do Rio de Janeiro: Por meio dela só se informava ao público. Publicado até 1821. p. primeiro jornal impresso no Brasil A Idade de Ouro do Brasil foi o segundo periódico impresso na colônia. na Imprensa Régia. A Gazeta do Rio de Janeiro. nem com a exposição de agravos. odes e panegíricos da família reinante. do estado de saúde de todos os príncipes da Europa e. tinha formato in 4º. 83 . devia ser considerado um paraíso terrestre. 1999). notícias dos dias natalícios. Circulava com quatro páginas e.O primeiro periódico impresso no Brasil foi a Gazeta do Rio de Janeiro. nascido em 1808. Surgido na Bahia – antiga capital colonial –. No início era semanal. depois passou a ser editado de duas em duas semanas e. circulava às terças e sextas-feiras (SODRÉ. 1999. com seis ou oito. quatro páginas. A julgar-se do Brasil pelo seu único periódico. às vezes. onde nunca se tinha expressado um só queixume. de quando em quando. John Armitage – um leitor eminente (apud SODRÉ. com toda a delidade. era um periódico a serviço do poder.

parecia-se mais com um livro. esse periódico que. cuja primeira edição foi em junho de 1808 – poucos meses antes da circulação da Gazeta do Rio de Janeiro. (SODRÉ. de Hipólito José da Costa Correio Braziliense. preço baixo. embora fosse um exemplo rudimentar. a Gazeta do Rio de Janeiro. geralmente 140. o Correio era brochura de mais de cem páginas. 1999. doutrinário muito mais do que informativo. 22) Correio Braziliense. O autor deixa clara a diferença entre os dois periódicos: A Gazeta era embrião de jornal. O Correio Braziliense circulou mensalmente até 1822 e. Segundo Sodré (1999). formato peculiar aos órgãos impressos do tempo. preço muito mais alto. independentemente da censura. em termos de formato e design da página. Hipólito da Costa exilou-se na Inglaterra em 1805 e fez circular. segundo Sodré (1999). de Hipólito José da Costa 84 . com a periodicidade curta. Ex-diretor literário da Junta da Imprensa Régia. que teve sua primeira edição em setembro do mesmo ano. p.Mas a verdade é que o pioneirismo da imprensa periódica no Brasil é atribuído ao brasileiro Hipólito José da Costa. poucas folhas. intenção informativa mais do que doutrinária. estava mais próximo do tipo de periodismo que hoje conhecemos como jornal. tinha um caráter mais doutrinário do que noticioso. que editou em Londres o Correio Braziliense. mensal. de capa azul escuro. com o subtítulo “Armazém Literário”.

um jornal mais afeito aos textos. Eram imagens que re etiam e satirizavam aspectos da vida política e social do País. exercendo importante função social. também. Dom Quixote (1895). 1874. Caricatura em litogra a da Revista Semana Illustrada. como o noticiário de crimes.Imprensa ilustrada A imprensa ilustrada também cumpriu importante papel no processo de modernização do País no século XIX. A Illustração Brasileira (1876). para os desenhos documentais. Ângelo Agostini. em um período de grande liberdade de expressão. Essa técnica abriu caminho. esse gênero de imagens foi mais explorado pelos periódicos ilustrados semanais como A Lanterna Mágica (1844). A Vida Fluminense (1868). Apesar de a primeira caricatura brasileira ter sido publicada no Jornal do Commercio. As ilustrações de noticiários policiais eram apresentadas como narrativas visuais de um fato. que envolviam artistas como Henrique Fleiuss. 85 . cumprindo a função dos atuais infográ cos. dentre outros de grande talento. Revista Illustrada (1876).

1887 86 .Capa litográ ca do Jornal Ostentor Brazileiro. 1845 Página da Revista Illustrada.

A escassez de mão de obra quali cada no Brasil impossibilitou a utilização mais ampla das matrizes xilográ cas. Por isso. em 1846. La Caricature (França. pelo alemão residente nos EUA. feito com buril ou goiva. processo que se fazia à velocidade de 1. em 1886 (MARTINS. e que passou por aperfeiçoamentos sucessivos. A composição na monotipo facilitava a correção dos erros tipográ cos. em 1893. que fundia letras soltas. utilizando o vapor como força motriz. Obviamente. as publicações ilustradas brasileiras eram inspiradas nas publicações do mesmo gênero que começaram a circular pela Europa desde ns do século XVIII. levando à viabilização das formas cilíndricas (ou clichês curvos) e a utilização do papel em bobina. principalmente a xilogra a de topo – processo cujo entalhe. por Louis Robert. p. que substituiu a fabricação folha por folha. inventada pelo norte-americano Tolbert Lanston. é perpendicular aos veios da madeira. sistema mecânico de composição tipográ ca a quente. A composição mecânica em linotipo agilizou consideravelmente o processo. Ottmar Mergenthaler. Em vez de refazer toda a linha. possibilitou a impressão de 800 folhas por hora. antes mesmo da invenção das impressoras rotativas. Punch (Londres. 122). por volta de 1850. que fundia linhas inteiras. 1830). Jugend e Simplicissimus (Alemanha. 1996. passando a ser compostos de 6 mil a 9 mil caracteres por hora. a invenção da prensa rotativa por Richard Hoe. aumentando enormemente a capacidade de produção. a invenção da prensa mecânica pelo alemão Friedrich König em 1811 que. resultando em imagens com contornos delicados e precisos. a imprensa ilustrada utilizou amplamente a litogra a para a reprodução de imagens ricas em detalhes. Importantes inovações tecnológicas que começaram a ser introduzidas na Europa desde os últimos anos do século XVIII alimentavam as transformações sociais e o surgimento de mais e mais publicações.200 a 1. O jornal New York Tribune foi o primeiro a implantar o uso da linotipo. satirizando fatos do cotidiano. A imprensa ilustrada se nutria da sátira por meio da publicação de charges e caricaturas. em 1884. surgiu também. Le Charivari (França. De acordo com Wilson (1996). como era o caso na composição pela linotipo. 1841). 1832). os tipógrafos retiravam os tipos das caixas para compor as linhas. bastava substituir a letra errada da composição monotípica. 87 .500 caracteres por hora. 1896) são alguns dos exemplos de publicações cômicas que povoaram o imaginário europeu. No processo de composição manual. as principais delas podem ser assim relacionadas: a invenção da máquina para fabricar o papel contínuo em 1798. e por Hippolyte Marinoni. a monotipo. Além da linotipo. normalmente empregadas nos títulos. a invenção do linotipo.

que gerava negativos sobre vidro. 1987. Na mesma proporção crescia a capacidade de consumo da população. mediante o processo de colódio. (CARDOSO. embalagens. cria meios de se adequar à demanda crescente desses leitores. Sofreu restrições tecnológicas e não representou. etc. a fotogravura em clichê a meio tom.Fotogra a A introdução da fotogra a não teve impacto imediato nos periódicos impressos. dentre outras inovações. e para obtenção de meio-tom. O número de habitantes nas grandes cidades aumentava a passos largos em busca de empregos e melhores condições de vida. Nesse processo de reordenamento social. O resultado da industrialização é a subsequente redução de custos operacionais e a oferta crescente de novas publicações e outros impressos como cartazes. Em várias partes do mundo. A construção das estradas de ferro. formando meio-tons quando impressos. Era cara e durante muitos anos foi privilégio de poucos. A partir de 1860. impossíveis de se reproduzir. ao mesmo tempo em que estimula a voracidade de leitura da população. 74). ameaça às outras técnicas de reprodução de imagens. fotogravura ou similigravura. alterou profundamente o sistema de distribuição de mercadorias e de informações. Essa técnica consistia na gravação de uma chapa (clichê a traço ou reticulado). A daguerreotipia era um processo lento e produzia imagens únicas. Com a difusão da alfabetização nos centros urbanos. de início. catálogos. a imagem original é reproduzida por meio de uma retícula de vidro – “cristal namente raiado com linhas em forma de grade” (CRAIG. folhetos. p. A imagem a traço é a imagem em preto absoluto. o grande salto dado pela imprensa a partir do século XIX acompanhou o surpreendente crescimento urbano e a ampliação das atividades culturais e sociais. a crença no progresso e na ordem por meio da tecnologia era o que norteava a sociedade: 88 . quando proliferaram os retratos (carte-devisite). tornou-se mais acessível. Esse processo de gravação fotográ ca em chapas de zinco é chamado de autotipia. o surgimento da fotogra a e do telégrafo para a transmissão das notícias. 2000). na imprensa. clichê. foi introduzida. o público-leitor torna-se maior e mais exigente. E a imprensa. Para a reprodução das imagens fotográ cas era preciso copiá-las em uma matriz xilográ ca ou litográ ca. que permite a fragmentação da imagem em pequenos pontos. Em 1880. suplantando lentamente a gravura para reprodução de imagens. A abertura de novos mercados e a necessidade de conquistá-los abriu espaço para a propaganda como elo entre a imprensa e a produção de mercadorias.

Também em 1925 foi fundado O Globo. O Estado de Minas e o Diário Carioca surgiram em 1928. (CARDOSO. Os classi cados que apareceram já na década de 1820 ganham mais espaço e a publicidade assumiu importância a partir de 1920. a afetação de tédio diante do desconhecido ou inesperado: são sensações como estas que caracterizam a ‘modernidade’. como a Folha da Noite. Pouco a pouco. Na virada do século apareceu. características do início do século XIX e as so sticadas programações do nal do mesmo. e o Correio da Manhã. de 1921. novas máquinas de impressão (rotativas) e composição (linotipo) permitiram a redução de custos e agilizaram consideravelmente a produção. em 1901. gravadores e compositores mais produções e com maior qualidade no que se refere à linguagem grá ca dos materiais impressos: Entre as tentativas toscas de justapor textos e imagens. 17) faz uma cronologia do surgimento dos principais jornais brasileiros: O Jornal do Commercio foi fundado em 1827. a imprensa migrou de uma fase artesanal para a industrial. p. e os jornais da década de 20. a impossibilidade de assimilar todas as imagens e todas as informações. a passagem do século XIX para o XX foi marcado por grandes investimentos na expansão do parque grá co. e O Estado de S. (CARDOSO. 2000. do telégrafo. O m do século XIX e o início do XX foram épocas férteis para o surgimento de novos jornais com edições diárias. o delicioso mas deprimente anonimato no seio da multidão. 2000. fundado em 1919. e o Diário de Notícias. em 1930. O jornalismo literário do início do século começou a ceder lugar a um jornalismo mais noticioso. nos jornais a estereotipia – reprodução de textos e imagens por meio do an. em 1891. que deu origem à Folha da Tarde em 1924 e à Folha da Manhã em 1925. de 1875. 45) No Brasil. Em 89 . A historiadora Abreu (1996. 39) As inovações tecnológicas exigiram cada vez mais de tipógrafos. A introdução da fotogra a. mas também em termos de cultura visual. temos o Brasil. p. imediatamente após a implantação da República. p. assim identi cada pelo poeta e crítico francês Charles Baudelaire ainda na década de 1860. também. no qual a reportagem passa a ser valorizada.O fervilhamento no meio do grande uxo de pessoas e paisagens. Paulo. Já neste século apareceram O Jornal. desenhistas. matriz que era um molde de papelão e gerava chapas curvas para a impressão em rotativas. resultando no aumento expressivo do número de jornais. existe um mundo de diferenças não somente de ordem tecnológica.

mas que teve vida curta. a oferta de matutinos cresceu bastante: Imprensa. 1996). criada em 1941. Diário Carioca. começou a circular no Rio de Janeiro em 1911. Esse último também do grupo de Marinho.seguida temos A Manhã. (Abreu. e O Globo. Jornal do Commercio. de Irineu Marinho. Diário de Notícias. Manhã. O Jornal do Commercio e o Diário de Pernambuco (fundado em 1825) são os dois jornais mais antigos em circulação até hoje no Brasil. Nesse período. O Tempo. como A Pátria. O jornal A Noite. etc. 1832 Jornal do Commercio. Vanguarda. sendo seguido por outros vespertinos. desaparecendo em 1953. 1946 90 .

Quando o componedor está cheio. Para justi car as linhas. o layout adquire uma forma muito rígida. 16). a página começa a assumir uma con guração assimétrica. p. Os jornais menores utilizavam a composição manual. as linhas são transferidas para uma bandeja rasa – a galé. 1984 Planejamento grá co Na composição manual. ele adiciona espaços entre palavras e entre letras.Jornal do Commercio. títulos e os resulta na paginação. 91 . Para criar o espaço adequado. A junção dos tipos compostos. Com o crescimento do espaço ocupado pelos anúncios e pela utilização crescente da fotogra a a partir da década de 1960. o tipógrafo ajusta o componedor na medida da linha e preenche-o com os tipos que pega na caixa de tipos. 1966 Jornal do Commercio. o tipógrafo insere placas de metal (entrelinhas) entre as linhas. A composição mecânica (linotipo e monotipo) era uma exclusividade dos grandes jornais que surgiram no nal do século XIX. 1987. nos maiores centros urbanos. de acordo com uma disposição previamente desenhada (CRAIG. Em decorrência dessa técnica de ajustar bem os elementos na composição da página.

londrino e no Temps. Localmente. com uma facilidade maior para a seleção de matérias de seu interesse. 1954 Estado de Minas. o Jornal do Commércio era a referência (Bahia. contava. começa a usar os primeiros clichês em zincogra a. “É considerado o mais moderno da época. O leitor. então. com o tempo cada vez mais escasso. impresso nas rotativas Marinoni. o Jornal do Brasil. p. 2003. 1930 92 . O jornalismo diário brasileiro se inspira no modelo do e Times.O avanço das técnicas de fundição mecânica de tipos metálicos e o surgimento das tituleiras facilitaram a produção de letras maiores e de grande variedade. Em 1895. Estado de Minas. 1990). com seus intertítulos que facilitavam a leitura” (CAMARGO. 50). parisiense. Esse recurso tornou-se importante no processo de organização da página e na construção de uma hierarquia na apresentação das notícias. cujo desenvolvimento se encontrava em uma página do miolo do jornal. permitindo a valorização dos títulos e o aumento do número de chamadas de matérias.

Última Hora. Esse recurso só começou a desaparecer na maioria dos jornais diários também no nal da década de 1950 e início de 1960. num espaço de apresentação das notícias que o leitor encontrará completas no miolo da publicação. Essa prática perdurou em vários jornais até m da década de 1950. que era geralmente apertado. algumas restrições técnicas não permitiam um planejamento adequado da massa de texto.A primeira página do jornal transforma-se. 1966 Estado de Minas. As matérias iniciadas na primeira página do jornal eram abruptamente interrompidas e no nal da coluna havia a indicação de que a continuação daquela matéria estava em outra página do jornal. pois a leitura era intercalada pela fotogra a que ocupava a mesma bitola da coluna de texto (FIG. 12 e 13). No entanto. numa tentativa de reforçar o espaço entre colunas. 1969 93 . Outra característica do design dos jornais diários era a persistência dos os para separar as colunas. aos poucos.

O aumento do número de jornais. graças. principalmente. como a Última Hora (1951) e Tribuna da Imprensa (1949). os contatos com agências de notícias e de publicidade. Os classi cados que eram veiculados gratuitamente nos primórdios da imprensa dão espaço à publicidade que. edição de fotogra as – recursos que. de acordo com uma tabela de preços calculada em centímetros de coluna. Além disso. do Jornal Última Hora. após ter feito um curso de artes grá cas nos Estados Unidos.No pós-guerra e a partir da década de 1950. Guevara desenvolveu trabalhos importantes na imprensa brasileira: Guevara trouxe o cálculo. (ABREU. A fotocomposição foi outra inovação que alterou o design dos jornais diários na década de 1960. com hierarquia entre os elementos editoriais (manchete e títulos). em um contexto de forte concorrência entre os veículos impressos. 1996) Após um longo período de restrições à importação. econômico. da Folha Carioca e principalmente da Última Hora. Essa época foi marcada por uma efervescência nos campos político. cujos diagramadores foram chamados por ele da Argentina. vendia bem seus projetos. Nesse período. Ao mesmo tempo em que o linotipo e as rotativas aceleram o ritmo do jornal. tiragens cada vez maiores com a introdução de novos métodos de composição e impressão. há um planejamento bastante elaborado da página. Surgiram novos jornais. houve diversi cação da atividade industrial no Brasil. O desenhista André Guevara chegou ao Brasil por volta de 1944. a implementação de uma rede de pontos de venda pelo País eram práticas que se tornavam mais e mais comuns nos grandes jornais diários desse período. maior espaço entre colunas. social e cultural. 1988) No exemplo a seguir. a tabela de correspondência entre lauda datilografada (com um número preestabelecido de linhas e toques) e a composição nos variados corpos tipográ cos e larguras. a indústria grá ca se renovou e cresceu espantosamente na virada da década de 1950 para a de 1960. em sua segunda fase carioca criou o layout base do Diário da Noite. se torna a maior responsável pela introdução da cor e pelo aumento de receita dos jornais. (LOREDANO. Introduziu ainda a folha milimetrada que permitia a produção de ’espelhos’ das páginas. tanto no que se refere aos textos como ao modo de diagramar as matérias. pediam a atenção do público. Enquanto na composição manual e na 94 . in uência do jornalismo norte-americano. a fotogra a torna-se elemento essencial na construção da informação e ganha espaço maior na página. com renovação da linguagem jornalística. aos investimentos do governo Juscelino Kubitschek.

o aumento dos recursos editoriais/visuais e a capa construída como uma espécie de mosaico partem de uma lógica em que o jornal deveria ser um produto de consumo massivo. colocando o Brasil no segundo lugar do mundo a utilizar a impressão o set nos jornais. a imprensa passou por processos de readequação de seu papel e reelaboração de sua linguagem grá ca. como clichê. seguido pelo Cidade de Santos (do grupo Folhas) e Correio Braziliense (dos Diários Associados). da comunidade japonesa. O tempo. facilita a leitura. torna mais rápido e e ciente o aproveitamento da cor. a partir de meados da década 1950. A divisão dos jornais em seções. O jornal impresso está passando por novas transformações e desaos desde o advento da internet. O Liberal. proporciona melhor preparação e montagem do veículo. o sistema de impressão o set possibilitou novas soluções visuais: A impressão o set é econômica. suplementos dirigidos a públicos especí cos. a Folha de S. Paulo. na década de 1990. na primeira página de O Estado de S. 1990) De acordo com Bahia (1990). os caracteres são projetados e expostos sobre um lme ou papel fotossensível. primeiramente no Jornal do Brasil e. O marketing. as pesquisas de mercado e um sistema complexo de distribuição são ferramentas utilizadas pela maior parte dos jornais diários atuais para garantir sobrevivência em um mercado cada vez mais dinâmico. Além de ser o primeiro grande jornal a utilizar a impressão o set. resultando em letras de fôrma bem de nidas (CRAIG. do Pará. cadernos. seguido de outros jornais como o Zero Hora. Desde o surgimento da televisão. é menor porque suprime algumas fases do trabalho. de Porto Alegre.quente o tipo deve ser entintado para impressão. dá maior nitidez à fotogra a. O mundo fragmentado da TV passou a habitar as páginas dos jornais. é o primeiro periódico brasileiro a ser impresso em o set. a Folha de S. Paulo foi pioneira. Na década de 1980. encartes. (BAHIA. deslocando leitores e 95 . O anúncio é o responsável pela introdução da cor nos jornais brasileiros a partir de 1914. an e estereotipia. o São Paulo Shimbun Jornal. 1987). na fotocomposição. que vem causando grande impacto sobre as empresas jornalísticas. Dos grandes jornais. em relação ao sistema quente. as redações ganharam ainda mais agilidade com a introdução da editoração eletrônica e a sucessiva informatização de todo o processo de fechamento das páginas. em 1915. Paulo introduz a cor em o set em 1967. Completando a série de inovações.

Marieta de Moraes. BAHIA. when the country was undergoing a true visual revolution with the growing process of industrialization and the formation of a Brazilian visual culture. de práticas. LATTMAN. Joaquim Marçal Ferreira de. especially regarding the renewal of its graphic language. Daily newspaper. FERREIRA. 1999.). atual. é preciso reelaboração. Mais uma vez. ANDRADE. the country’s accelerated modernization led the Brazilian press to important transformations. James. Jornal. Rio de Janeiro: FGV. Starting in the 20th century. Produção grá ca. São Paulo: Nobel. 2003. 2003. como tabelas. profundamente in uenciado pela cibercultura – conjunto de técnicas (materiais e intelectuais). na história da imprensa. Presently. 96 . ed. A imprensa em transição: o jornalismo brasileiro nos anos 50. 17). Referências ABREU. Alzira Alves. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. fazem parte de uma estratégia de adequação do jornal a um ritmo mais dinâmico de leitura. CRAIG. p. história e técnica: história da imprensa brasileira. the impact of the new digital technologies is offering new challenges to the printed media. 1996. Graphic language. Juarez. diante das alterações provocadas pela tecnologia digital. A modernização da imprensa (1970-2000). 1987. Weltman. São Paulo: Bandeirantes. Technical advances and graphic changes in Brazilian newspapers Abstract This paper discusses the impact of the introduction of graphic techniques in Brazil in the 19th century. Esse é o novo desa o lançado ao jornal impresso contemporâneo. 1990. infográ cos. Alzira Alves.anunciantes para o ambiente online. ABREU. Rio de Janeiro: Campus. Mário (Org. de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento da rede mundial de computadores (LEVY. Grá ca: arte e indústria no Brasil: 180 anos de história. CAMARGO. ed. São Paulo: Ática. 4. História da fotorreportagem no Brasil. O destaque às imagens e a utilização de outros recursos grá cos. 2. atitudes. Key-words: Newspaper design. O segmento está passando por um período de transição para se adaptar às novas con gurações do mercado e a um novo per l de público. mapas. 2002.

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