PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIA DE COLUNA

Viviane Cordeiro Veiga Salomón Soriano Ordinola Rojas Elaine Aparecida Silva de Morais Erica Cristina Alves dos Santos Olga Oliveira Cruz Andrea Maria Marchesini Ligia Maria Coscrato Junqueira

I - Introdução: O pós-operatório imediato das cirurgias de coluna devem basear-se, principalmente, na avaliação da presença de déficits motores e no controle da analgesia. Nos procedimentos de coluna cervical, atenção especial deve ser dada para a possibilidade de hematomas no sítio cirúrgico, podendo provocar alteração no padrão respiratório, com intervenção rápida. II - Cuidados pós-operatório: 1. Dieta após liberação médica. Se o paciente estiver bem acordado e não houver contra-indicação, do ponto de vista clínico, pode ser liberada dieta leve após seis horas do procedimento. 2. Protetor gástrico – Omeprazol (Losec®) 40mg (iv ou vo) 12/12h ou Esomeprazol 40mg (vo®) 12/12h 3. Analgesia: Deve ser baseada na avaliação da intensidade da dor, através da Escala Visual Numérica (EVN) que é aplicada pela equipe de enfermagem: Em casos de dor leve (EVN até 4): Anti-inflamatórios não-hormonais: - Cetoprofeno (Profenid®) – 100mg (iv ou vo) a cada 12 horas, diluído em 100ml de SF 0,9% ou Tenoxican (Tilatil®) – 20mg (iv ou vo) a cada 12 horas ou Valdecoxib (Bextra®) – 40mg (iv) a cada 12 horas Dipirona – 2ml (iv) a cada 6 horas Paracetamol (Tylenol®) – 500 – 750mg (vo) a cada 6 horas Em casos de dor moderada (EVN entre 5 – 7): Dipirona – 2ml (iv) a cada 6 horas Tramadol (Tramal®) – 100mg (iv) até de 4/4horas Codeína + Paracetamol (Tylex®) – 30 – 120mg (vo) a cada 4 horas Em casos de dor intensa (EVN entre 8 – 10): Dipirona – 2ml (iv) a cada 6 horas Morfina (Dimorf®) – 10mg diluído em 10ml de água (iv ou sc) – 1 a 2 ml, com máximo de 10mg. Se após 20minutos, persistir a dor, poderá ser feita nova dose.

podendo ser alterado se níveis glicêmicos elevados.Questionar sangramento intra-operatório. COLUNA TORÁCICA .Se hipotensão arterial: volume / hemoderivados se necessário. . deve ser administrado Ondasetrona (Zofran®) ou Metoclopramida (Plasil®) 20 minutos antes do Tramadol. Também esta classe de medicamentos deve ser usada com cautela em idosos e pacientes com alteração da função renal. . Há contra-indicação de uso de máscara laríngea.Se não houver drenagem – retirada do dreno no 1º PO. A náusea é um efeito colateral muito frequente em pacientes que utilizam Tramadol.Avaliar drenagem pelo dreno de tórax. Antibioticoterapia profilática: Cefuroxima (Zinacef®) 750mg (IV) 8/8h por 48 horas 5.ATENÇÃO PARA FORMAÇÃO DE HEMATOMAS E OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS: . .Manter vias aéreas pérvias: se necessário intubação orotraqueal. . .Atenção ao sangramento de pós-operatório. portanto. não devem receber anti-inflamatórios. Mobilização de decúbito – a/c neurocirurgia 6. Comunicar equipe de neurocirurgia. períodos prolongados de jejum. deve ser prescrito protetor gástrico – Omeprazol (Losec®) ou Esomeprazol (Nexium®) ou Pantoprazol (Pantocal®) 4.5mg (iv ou vo) Fentanil transdérmico (Durogesic®) excepcionais. c. Pacientes com histórico de sangramento gastrintestinal ou úlcera gastroduodenal ativa. onde não houve controle da dor. Em todo paciente em uso de AINH. – utilizado em casos Observações: a. III . Ver necessidade de intubação com broncoscopia. histórico de diabetes. Glicemia capilar a cada quatro horas. Manter níveis glicêmicos entre 100 – 180mg/dL.Metadona – 2. b.Se não conseguir realizar intubação orotraqueal = cricotomia de urgência. Se não houver resposta – drogas vasoativas (preferência à noradrenalina).CUIDADOS EM PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIAS POR VIA ANTERIOR: COLUNA CERVICAL: . .

observação de formação de hematomas/ edema local . 5. 4. Mobilização precoce. disfonia. Na presença de pneumopatia prévia e atelectasias. Avaliar sinais de incompetência glótica ou dificuldade respiratória. Obs: iniciar imediatamente administração da analgesia quando prescrito e alternar os horários dos analgésicos.protocolo de avaliação neurológica . Observar se analgesia está sendo eficaz. enfatizar higiene brônquica.IV .troca de curativo se necessário . . 7. com ênfase nos pós-operatório de cirurgia de coluna cervical. Avaliação clínica 2.Fisioterapia 1. A respiração por pressão positiva intermitente e espirometria incentivada também poderão beneficiar os pacientes. após liberação médica. se orientação da equipe . dificuldade de deglutição. respeitando os limites de dor (Escala Visual Numérica de Dor).mobilização de decúbito – a/c neurocirurgia Cuidados no pós-operatório de coluna cervical: . Reavaliar e adequar o O2 para manter paO2 ≥ 80 e SpO2 ≥ 95%.Cuidados de enfermagem: . 6.manter colar cervical adequadamente posicionado até 2ª ordem Cuidados no pós-operatório de coluna torácica e lombar: . Oxigenioterapia: manter com máscara de nebulização.não sentar o paciente até o 4º dia de pós-operatório devido à possibilidade de herniação do disco remanescente. disfagia . caso contrário. V . 3. Decúbito em até 45º para pós-operatório de coluna lombar e elevação de decúbito liberada para pós-operatório de coluna cervical. notificar equipe médica. especialmente por obstrução parcial. Avaliar força e sensibilidade no pós-operatório imediato.manter dreno sem vácuo.decúbito até 45º .avaliar queixas: falta de ar. exercícios respiratórios e mudanças de decúbito.avaliar débito pelo dreno e anotar na evolução .

HG. Spine 2000. 11. Diagnosis and management of lumbar disk disease. The NICE-SUGAR Study Investigators. 21:2840-9. 4. MW. DR. Intensive versus conventional glucose control in critically ill patientes. Nos casos de recirculação da sedação. Diagnosis and management of acute low back pain. Parâmetros de ventilação mecânica na admissão do POI: (*) VC = 6 – 8 ml/Kg PEEP = 5 Fluxo = 40 . Van Tulder . RJ. Drug therapy for back pain: which drugs help which patients? Spine 1996. de acordo com o risco de trombose venosa profunda. 71:283-7. SY et al.25:2501-13. 10. 2. RA. Deyo.8.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. 9. 360:1283-97. Deyo. onde houver rebaixamento do nível de consciência e/ou queda da base da língua – avaliar utilização de cânula de Guedel / intubação orotraqueal. RA. 5. S. N Engl J Med 2009. Ogle AA. Avaliar necessidade de protetor de pé eqüino (disponível na UTI). BW. American Family Phisician 2000. Compressão Pneumática Intermitente. Deen Jr. AT. Em casos de padrões neurológicos já instalados: órteses. Chittock. 3. Finfer. . Su. Koes.61:1779-90. Pattel. Scholten.60 Ventilação a volume FR – 12 FiO2 = 50% *Considerar pneumopatias prévias. Non-steroidal anti-inflammatory drugs for low back pain: a systematic review within de Framework of the Cochrane collaboration back review group. (ver protocolo de TVP) VI . Mayo Clin Proc 1996.