Da Invalidade do Negócio Jurídico

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DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO
Sumário: 27.1 – Considerações introdutórias. 27.2 – Considerações sobre a invalidade do ato ou negócio jurídico. 27.3 – Nulidade absoluta (ato nulo). 27.3.1. – Casos de nulidade absoluta. 27.3.1.1 – Ato praticado (pessoalmente) por pessoa absolutamente incapaz. 27.3.1.2 – Ato cujo objeto é ilícito impossível ou indeterminável. 27.3.1.3 – Quando o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito. 27.3.1.4 – Ato não revestido da forma prescrita em lei. 27.3.1.5 – Ato em que tenha sido preterida alguma solenidade que a lei considera essencial para a sua validade. 27.3.1.6 – Ato que tiver por objetivo fraudar a lei imperativa. 27.3.1.7 – Ato declarado nulo de modo taxativo pela própria lei. 27.3.1.8 – Ato que estiver revestido de simulação. 27.4 – Quem pode alegar nulidade absoluta. 27.5 – Prescritibilidade do ato nulo. 27.6 – Ato anulável. 27.6.1 – Os negócios jurídicos anuláveis. 27.6.2 – Ato praticado por pessoa relativamente incapaz. 27.6.3 – Ato praticado por erro, dolo, coação, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão. 27.7 – Quem pode alegar a anulabilidade. 27.8 – Ratificação do ato anulável. 27.9 – Os efeitos da anulação. 27.10 – Da inexistência

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Parte Geral

do ato ou negócio jurídico.

27.1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS
Há um exemplo prático que pode esclarecer melhor o sistema da invalidade do negócio jurídico: É a hipótese de “A”, uma pessoa interditada, vendendo para “B” a sua casa, comparecendo sozinho no Cartório de Notas e assinando a escritura pública de compra e venda. Nessa ocasião, o juiz não toma conhecimento da nulidade e, passados dois anos, “B” vende o imóvel para “C”; depois este vende para “D” e, quando o bem encontrava-se em poder de “E”, um parente próximo de “A”, depois de 9 anos264 da prática do ato da venda, leva ao conhecimento do juiz a nulidade absoluta existente. O juiz, por sua vez, apenas verifica a existência da nulidade, declarando ser o ato praticado por “A” como sendo nulo, impondo a nulidade absoluta da venda, bem como de todas as vendas posteriores para que o imóvel retorne ao patrimônio de “A”, mesmo que este se encontre morto. Bem se está a ver que “B” foi totalmente negligente, omisso, em não verificar o que consta no “Distribuidor Forense” ou no assento de nascimento do vendedor. Veja o que dispõe o art. 1.184 do CPC, in verbis: “A sentença de interdição produz efeito desde logo, embora sujeita a apelação. Será inscrita no Registro de Pessoas Naturais e publicada pela imprensa local e pelo órgão oficial por três (3) vezes, com intervalo de dez (10) dias, constando do edital os nomes do interdito e do curador, a causa da interdição e os limites da curatela”. A propósito, o Tribunal decidiu, certa vez, o seguinte: “sem que previamente tenha sido interditado ninguém pode ser considerado incapaz” (in RT 447/63). É, pois, importante saber se juridicamente
Embora o ato nulo é imprescritível, porém, quando praticado por um interditado e envolve um patrimônio (negócio jurídico de fundo patrimonial), a ação de nulidade absoluta prescreve no prazo de 10 anos, ou seja, no prazo do art. 205 do CC.
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sem estar acompanhado do seu representante legal. sendo ela grave. Quando o negócio jurídico se apresenta de forma irregular. Por exemplo. in verbis: “Além dos casos expressamente declarados na lei. O contrário. é anulável o negócio jurídico: I – por incapacidade relativa 405 . Se a manifestação da vontade advém de agente capaz. 27. ou seja. ou são anuláveis. o ato é válido no momento da emissão do título. se a manifestação volitiva advém de agente absolutamente incapaz. não gerando os efeitos desejados pelas partes. tiver objeto lícito e obedecer à forma prescrita em lei. Com amparo no sistema das nulidades. O negócio jurídico pode ser menos grave e. a lei fulmina o ato negocial com a penalidade de nulidade absoluta. dentro de certo tempo previsto pela lei. pois. indiscutivelmente. até aqui. o ato é anulável. o ordenamento jurídico pode atribuir reprimenda menor. É evidente de que o credor prejudicou o menor. não será válido. 171 do CC.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE A INVALIDADE DO ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO Há duas categorias de nulidade: absoluta e relativa. a existência de um negócio nulo. ao praticar o “ato negocial”. então. produz os efeitos desejados pelas partes. defeituosa. os atos ou negócios jurídicos ou são nulos. Analisa o conteúdo do art. anulável. ou seja. Tratamos. mas poderá ser anulado judicialmente. é direito de um menor com menos de 18 e maior de 16 anos.Da Invalidade do Negócio Jurídico uma pessoa é ou não um doente mental. sozinho. tem-se aí um ato ou negócio jurídico válido e. por isso. o ato é nulo. se a manifestação da vontade origina-se de um menor púbere ou o manifestante do ato tenha concordado em virtude de um vício de consentimento ou tenha sido ludibriado pela fraude. imagine um rapaz com 17 anos fazendo um empréstimo. tiver objeto ilícito ou não obedecer à forma prescrita em lei. tem-se que o “ato negocial” da emissão do título de crédito sem a assistência é. assinando uma nota promissória. para tanto. estar assistido do seu representante legal.

Pela nulidade absoluta o ato não tem valor algum. Ele é destituído de qualquer valor. do CC. Nulo é todo ato a que faltam alguns dos requisitos ou formalidades que a lei impõe como essenciais à sua validade. ou seja. nulo). Nessa condição. ele não pode ser ratificado. do latim medieval nullitas.º. Não produz efeito algum. II – por vício resultante de erro. publica a seguinte situação: Na venda de um terreno. De fato. nem em juízo nem fora. estabelece o art. 735. ou que foi formado em desacordo com uma disposição proibitiva da lei. Ausência. 350. VII. porque tal ato não teve nascimento. consoante estabelece o art. E o § 1. a ineficácia jurídica é sanção correspondente aos atos nulos. nunca existiu. isto porque não chega sequer a se formar. nem em juízo ou fora deste. 166 do CC que é nulo o negócio jurídico quando “for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade” (inc. por ausência de um de seus elementos essenciais. não existindo. por sua vez. Em suma: o ato nulo de pleno direito nenhum efeito produz em tempo algum. ao conhecê-la. porque tal ato. em verdade. bem como a do tabelião ou seu substituto legal. o juiz. os transmitentes não a assinaram. Sendo nulo. de nullus (nenhum. V. vol. Qualquer interessado pode alegar a nulidade. A Revista dos Tribunais. 215 do CC considera da essência da escritura pública a “assinatura das partes e dos demais comparecentes. coação. considerou-a nula por preterição de alguma solenidade que a lei considera essencial para a sua validade. nunca existiu. é o ato-negócio jurídico ineficaz. pág. ademais. O tribunal. ou de pleno direito. O ato nulo produz a nulidade absoluta. lesão ou fraude contra credores”. encerrando o ato”. dolo. por ocasião da escritura pública de compra e venda lavrada no Cartório de Notas. estado de perigo. juridicamente. da CF/88. do art. 27.3 NULIDADE ABSOLUTA A nulidade absoluta é gerada pelo ato nulo. 166.Parte Geral do agente. 231. deve declará-la de ofício. V). de um 406 . Ele não produz nenhum efeito jurídico.º. porque viola frontalmente o art. “O contrato de locação cujo objeto é a locação de terras tradicionalmente ocupadas pelos índios é nulo de pleno direito. § 6.

3.1. Estão proibidas de praticar o ato-negócio jurídico pessoalmente. Assim. que não tiverem o necessário discernimento para a prática dos 407 .3. O art. os atos simulados são atos nulos.Da Invalidade do Negócio Jurídico dos elementos essenciais do negócio jurídico. comum a ambas as partes. sem cominar sanção”. qualquer negócio celebrado diretamente pelos menores de 16 anos. Ocorrendo qualquer das hipóteses supra.1 Casos de nulidade absoluta “É nulo o negócio jurídico quando . qual seja o objeto lícito do ato jurídico” (in RT 744/407). Portanto. 27. for ilícito. IV – não revestir a forma prescrita em lei. impossível ou indeterminável o seu III – o motivo determinante. VII – a lei taxativamente o declarar nulo. 166 do CC: I – “celebrado por pessoa absolutamente incapaz.3. pelos portadores de enfermidade ou deficiência mental.diz o art. 167 complementa: “É nulo o negócio jurídico simulado. VI – tiver por objetivo fraudar lei imperativa. V – for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade. objeto.º do CC. mas subsistirá o que se dissimulou. ou proibir-lhe a prática.1 Ato celebrado (pessoalmente) por pessoa absolutamente incapaz As pessoas absolutamente incapazes estão relacionadas pelo art. II – for ilícito. se válido for na substância e na forma”. 27. tem-se como causa de nulidade absoluta do negócio jurídico.

de ofício.595/64 dispõe que “qualquer pessoa física ou jurídica que atue 408 . não sendo pessoa capaz. é um ato que tem por objeto um fato ilícito.se reveste de todas as características de um ato ilícito.º. “O interdito.Parte Geral negócios jurídicos (caso dos loucos) ou pelas pessoas que não puderem exprimir sua vontade. § 7. (caso dos surdos-mudos que não puderem exprimir a sua vontade). todo ato-negócio jurídico em que estas pessoas participem pessoalmente não gera qualquer efeito. são absolutamente incapazes para a outorga de procuração. não sendo ele o pai de sangue da reconhecida. tanto por instrumento particular. penalmente punível. é considerado nulo de pleno direito. impossível ou indeterminável O negócio jurídico. 27. contrário à ordem pública. por contrariar a lei. O art. eis que inibidos de emitir consentimento como requisito integrativo à validade do respectivo ato jurídico” (in RT 709/168). A declaração falsa no assento de nascimento. a) OBJETO ILÍCITO: é aquele proibido pela lei. A decisão de doar tais órgãos é personalíssima. sem estar autorizado pelo Banco Central do Brasil é uma atividade ilícita e não permitida. mesmo que seja de causa transitória. como por instrumento público. “Em se tratando de menores impúberes. 168 transcrito acima.3. Outro exemplo: agir como instituição financeira.2 Ato cujo objeto é ilícito. Portanto. 44. . “A falsa declaração perpetrada pelo autor na escritura pública de reconhecimento de paternidade. não havendo ensejo para a interferência de tutores ou curadores ou para a atuação judicial” (in RT 612/66). estão eivados de nulidade absoluta. ainda que para fins humanitários e terapêuticos. por exemplo. que inclui o objeto ilícito.decidiu o TJRJ . quando este tomar conhecimento. podendo esta ser alegada por qualquer interessado. e deve ser declarada pelo juiz. da Lei 4. consoante mostra o art. impossível ou indeterminável. não pode dispor de órgãos e partes do próprio corpo vivo. ou pelo Ministério Público quando lhe couber intervir.1.

E continua: “Nem sempre será fácil distinguir o objeto ilícito do motivo determinante comum ilícito. disse: “Aqui. De qualquer maneira. fica sujeita à multa definida neste artigo e detenção de um a dois anos”. Se alguém receber um cheque dado em garantia por ter feito um empréstimo. a compra e venda de um 409 . não havendo negócio jurídico sem que haja um objeto. com a simulação. “A matéria tem a ver. no particular.1. não se trata pura e simplesmente de objeto ilícito”. Sendo nula de pleno direito a emissão do cheque. bem como o negócio jurídico que lhe deu origem. 45 da Lei 8.3 Quando o motivo determinante. restará ao Judiciário declarar a nulidade. por exemplo. obviamente ele não existe e. portanto. como instituição financeira.Da Invalidade do Negócio Jurídico como instituição financeira. por ilicitude do objeto. e que infringe o art. sem estar autorizada pelo Banco Central do Brasil. 27. c) OBJETO INDETERMINÁVEL: deixa de ter fundamento legal quando o objeto do negócio jurídico é identificável. comum a ambas as partes. onde há conluio para mascarar a realidade. Assim.245/91 (Lei do Inquilinato). embora não exclusivamente. o credor age. “A cláusula proibitiva de renovação do contrato de locação é nula de pleno direito” – decidiu o tribunal (in RT 705/151). b) OBJETO IMPOSSÍVEL: se o objeto do ato é impossível de realizar-se. for ilícito Própria a consulta a Sílvio Venosa que.3. 2) o objeto fisicamente impossível é aquele que resulta incompatível com as leis da natureza: dar a volta em torno da terra em duas horas. Se ambas as partes se orquestrarem para obter fim ilícito. o ato é plenamente nulo. É necessário que o objeto seja dentificável para o negócio tornar-se válido. haverá nulidade”. É a mesma situação de uma cláusula que proíbe a renovação do contrato de locação. infringindo a lei acima transcrita. o objeto impossível pode sê-lo jurídica ou fisicamente: 1) o objeto juridicamente impossível se confunde com o objeto ilícito.

O financiamento. não basta que o negócio jurídico se revista da forma prescrita em lei. Por exemplo. “Impossível considerar-se válido o testamento particular se a assinatura do testador não foi reconhecida por nenhuma das testemunhas. não tendo sido aposta em sua presença.é requisito da própria existência da escritura de venda e compra.1. ps.1. Forma e solenidade diferem entre si: deve-se respeitar a forma e também atender à solenidade imposta pela lei. mas que deixou de ser lida às partes.806). “A assinatura do vendedor – decidiu o tribunal . 27. Ob. 571/572. Por conseguinte. uma escritura pública. Portanto.3. com a finalidade de adquirir esse conventilho ingressa no motivo determinante que tornará o negócio nulo”266. o ato em que se desprezou a forma prescrita em lei é nulo.3. cits.4 Ato não revestido da forma prescrita em lei O art. 130 do CC declara a invalidade do ato que deixa de revestir a forma especial determinada em lei. e vol. mesmo regularmente lavrada. não gerará qualquer efeito.5 Ato em que tenha sido preterida alguma solenidade que a lei considera essencial para a sua validade Já é do nosso conhecimento que a lei impõe certa solenidade para a validade do ato. a escritura não será título hábil à transmissão da propriedade imobiliária. 27. a renúncia da herança deve ser por escritura pública. Sem ela. Se assim mesmo for levada a 265 266 Lupanar = prostíbulo. art.. ou sem que o testador o tenha lido perante elas” (in RT 703/133). ou por termo nos autos (CC. Por exemplo. em certos casos. conhecido de ambas as partes. se realizada por instrumento particular. é necessária a solenidade julgada essencial à sua validade.Parte Geral lupanar265 possui em si a finalidade ilícita. desrespeita a solenidade imposta pela lei. 1. casa de meretrizes. 410 .

3. 1. 1.991 (Lei do Inquilinato) estabelece que “são nulas de pleno direito as cláusulas do contrato de locação que visem a elidir os objetivos da presente Lei. c) Art. a nulidade opera-se de pleno direito. ou que imponham obrigações pecuniárias para tanto” . 45 da Lei n. 51. b) Art. II – por infringência de impedimento”. ou que afastem o direito à renovação. este será nulo. em decorrência da imprestabilidade do título registrado com preterição daquela solenidade” (in RT 707/143). de 1. 411 . em muitos casos. e) Art. como se pode observar: a) Art. notadamente as que proíbam a prorrogação prevista no art. no momento da liberalidade. se a dívida não for paga no vencimento”.548 do CC: “É nulo o casamento contraído: I – pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil.428 do CC: “É nula a cláusula que autoriza o credor pignoratício.7 Ato declarado nulo de modo taxativo pela própria lei A própria lei. 47. 27. d) Art.º 8. 27.245.Da Invalidade do Negócio Jurídico registro. dita expressamente a nulidade. na hipótese do art. ou renda suficiente para a subsistência do doador”. poderia dispor em testamento”. 549 do CC: “Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador. 548 do CC: “É nula a doação de todos os bens sem reserva de parte.6 Ato que tiver por objetivo fraudar lei imperativa Quando o objetivo do negócio jurídico for fraudar dispositivo expresso de lei. anticrético ou hipotecário a ficar com o objeto da garantia.1.1.3.

167: “É nulo o negócio jurídico simulado. mas que. 27.. 10ª ed. 412 .”. Caio Mário da Silva Pereira escreve: “Não há na simulação um vício de consentimento. Tratando-se do assunto em tela. do latim simulatio. que tem aparência normal.. Mas há um defeito do ato. Simulação. É sinônimo de fingimento. Como em todo negócio jurídico.8 Ato que estiver revestido de simulação O Código Civil coloca a simulação como causa de nulidade. porque o querer do agente tem em mira. Instituições de Dir. p.. Forense. mas enganosa”268. Civil. subsistirá o que se dissimulou267. há aqui uma declaração de vontade. de simulare. I. Porém. Rio. encobrir.. 167). visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”269. “se válido for na substância e na forma” (segunda parte do art. IV. ou em razão da técnica de sua realização”. antes da separação judicial. positivado na conformidade entre a declaração de vontade e a ordem legal.3. Ocorre simulação quando o marido.. na verdade. 19ª ed. Clóvis Beviláqua conceitua a simulação como sendo uma declaração enganosa da vontade. vol. 269 Código Civil Comentado. o resultado que a declaração procura realizar ou consentir. emite um título de 267 268 Dissimular = ocultar. 339. Continua: “Consiste a simulação em celebrar-se um ato.1. efetivamente. significa usar de fingimento. usar de artifício. o negócio jurídico simulado é nulo. disfaçar. vol. consoante expressamente determina o seu art. não visa ao efeito que juridicamente devia produzir. Os exemplos são abundantes na simulação. ou um daqueles que a doutrina apelida de vícios sociais. mas deixaremos para citá-los na medida em que formos nos aprofundando no estudo da parte especial. p. Portanto.Parte Geral Poderíamos apontar aqui outros artigos de lei em que taxativamente se condiciona a nulidade absoluta. em relação ao resultado daquela. 245.

que pretendendo doar um imóvel à concubina. mormente não havendo oposição de embargos” (in RT 619/129). por sua vez e mais tarde. ou de fazer desaparecer o patrimônio do casal. CONFISSÃO. 413 . a meação da esposa” (in RT 574/87). Exemplo clássico desse caso pode-se indicar o do homem casado. ou como esclarece certo acórdão assim ementado: “Ocorre vício de negócio jurídico na iminência de processo de separação.Da Invalidade do Negócio Jurídico crédito que na verdade não representa qualquer negócio. OU PÓS DATADOS. Hipótese mais freqüente desse caso é quando o marido. 441/276). “Positivada a simulação – decidiu o tribunal – por se ter engendrado dívida fictícia pela subscrição de nota promissória por falso devedor. emite nota promissória de alto valor a favor de um amigo. Há diversas formas por que se dá a simulação. o qual. de nulidade) de débito na pendência da execução. transfere o bem a ela (in RT 556/203). tal expediente constitui. OU TRANSMITEM”. para que não tenha de entregar. mas tem por fim prejudicar a mulher na partilha (in RT 307/376. ensejando cobrança executiva em prejuízo de terceiro. III – OS INSTRUMENTOS PARTICULARES FOREM ANTEDATADOS. simula a venda a um amigo. inegavelmente. II – “CONTIVEREM DECLARAÇÃO. 317/155. assim. ato atentatório à dignidade da Justiça que cumpre ser reprimido. às portas da separação judicial. 167 do CC. CONDIÇÃO OU CLÁUSULA NÃO VERDADEIRA. simulando a existência de dívida. O § 1º do art. visando lesar a mulher na partilha dos bens do casal. nada impedindo o ajuizamento de ação de anulação (atualmente. indica os diversos atos simulados: I – “APARENTAREM CONFERIR OU TRANSMITIR DIREITOS A PESSOAS DIVERSAS DAQUELAS ÀS QUAIS REALMENTE SE CONFEREM.

desde que fique provada a nulidade absoluta. não há como se falar em fraude a pretexto de que um dos avalistas veio a falecer em 19. uma vez que o art. 102 (atualmente.78 e a data aposta na emissão é de 28. o juiz. a nulidade absoluta pode ser alegada pelas seguintes pessoas: a) por qualquer interessado. com remissão ao nº III do art. tem a obrigação de declará-la ex officio.4 QUEM PODE ALEGAR A NULIDADE ABSOLUTA “Sendo a filha a única sucessora do promitentevendedor. Enfim. não a decreta. página 210. 414 . Quando o juiz toma conhecimento. Qualquer interessado pode levar ao conhecimento do juiz a existência do ato negocial nulo e em qualquer ocasião. consoante determina o art. 168 do CC. volume 546. 103.6. Não há necessidade de se propor qualquer ação de nulidade. do CC legitima qualquer interessado a discutir a nulidade de atos jurídicos” (in RT 744/179).Parte Geral A Revista dos Tribunais. ún. tomando conhecimento da situação. Quando muito poder-se-ia falar em “simulação inocente”. c) pelo juiz.78. porque gravado com cláusula de inalienabilidade. art. De fato. 168 do CC é expresso: “As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz. art.5. 167). fornece a seguinte situação que se encaixa na hipótese supra: “Sendo possível o preenchimento pelo tomador de nota promissória emitida sem data. tolerada pela lei CC-16. 27. art. resta caracterizado seu interesse. par. b) pelo Ministério Público. ainda que remoto. na declaração judicial de nulidade do contrato de compra e venda que teve por objeto bem fora do comércio. o Ministério Público também tem legitimidade. apenas declara a ineficácia. 146 (novo.168). O parágrafo único do art.

promovida pelo inventariante. as seguintes ementas de acórdão: “Tratando de ação relativa a estado de pessoa. por sua vez. 205) do CC” (in RT 568/164). o juiz. 415 . Os negócios jurídicos de fundo patrimoniais. Por conseguinte. de direitos não patrimoniais. tal contágio desaparece definitivamente. Se as partes desejarem a validade do negócio. adquirindo. terão de praticá-lo novamente. com todas as condições de validade.5 PRESCRITIBILIDADE DO ATO NULO É comum a decisão que segue: “Havendo alienação de imóvel de espólio em que há menor. quando a lei não lhe haja fixado prazo menor”. a propósito. ter-se-ia o ato nulo como eficaz. se não declarada sua nulidade. o negócio jurídico da alienação. É por isso que o ato nulo é chamado de nulidade de pleno direito. a pronuncia e esse pronunciamento independe de alegação. Enquanto o juiz não tomar conhecimento de sua existência. pessoalmente. se durante 10 anos. face à nulidade. não prescreve em tempo algum” (in RT 429/96). ele prevalece e. há nulidade. como é o caso da anulação do registro civil de nascimento. diz: “A prescrição ocorre em dez anos. eficácia jurídica. não há falar-se em prescrição” (in RT 459/196). como. a venda de uma casa por um louco. por exemplo. é imprescritível. chegamos à conclusão que. art. o ato que trata do estado ou da capacidade das pessoas. o juiz deve declará-la não sendo permitido revalidar ou sanar o ato. 177 (novo. A prescrição é regida pelo art. O artigo 205 do CC. quer do Ministério Público. Vale dizer. “A ação de contestação de filiação. 27. por escritura particular. ou ainda. tomando conhecimento. quando este pratica. in casu. Não são todos os atos nulos que prescrevem. quer da parte interessada. ninguém levar ao conhecimento do magistrado. sem autorização do juízo orfanológico. e não anulação. está contaminado de nulidade absoluta. assim.Da Invalidade do Negócio Jurídico quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas. Poder-se-ia dizer. Observando a jurisprudência. Veja. não lhe sendo permitido supri-las ainda que a requerimento das partes”.

27. O ato anulável é a ação válida no momento de sua prática. ao arbítrio do interessado anulá-lo ou não.6.6 ATO ANULÁVEL A palavra anulável tem o significa do que pode ser anulado.1 Os negócios jurídicos anuláveis “Além dos casos expressamente declarados na lei. dolo. Dentro de 4 anos. o ato é anulável. produz normalmente todos os efeitos. o interessado. pois antes disso será tido como válido. tornando os negócios jurídicos impraticáveis. houve a ratificação tácita. na compra e venda de uma casa. Por exemplo. estado de 416 . Se deixar passar esse prazo sem propor a ação judicial.diz o artigo 171 do CC: I – por incapacidade relativa do agente. o interessado pode requerer ao juiz a nulidade do ato. II – por vício resultante de erro. Portanto. 27. A referida prescrição é uma questão de técnica legislativa. deixando o ato de emissão de ser anulável. coação. produzindo efeitos. Fica. obrigaria o adquirente a examinar os negócios jurídicos de alienação praticados cem ou duzentos anos atrás. se um menor com 17 anos emite uma nota promissória sem estar presente o seu representante legal. pode ser judicialmente anulado. permitida a prescrição para certo caso. pois. tendo sido praticado com ofensa de formalidades legais. Por conseguinte.Parte Geral A nulidade absoluta é insanável de ser ratificada expressamente. mas que pode ser anulado. se qualifica o ato-negócio jurídico que. Em suma: havendo negócio jurídico anulável os seus efeitos fluem normalmente até o momento em que se declara judicialmente a nulidade. pois. se assim o requerer. se assim não fosse. dentro do prazo legal. Enquanto o ato não for declarado ineficaz. é anulável o negócio jurídico . ato anulável é válido enquanto não desfeito por decreto judicial. judicialmente.

ou se. no ato de se obrigar. o negócio jurídico é válido. ele se declara maior. para eximir-se de uma obrigação. o juiz dará ganho de causa à parte contrária. Quando o negócio jurídico for praticado por maior de 16 e menor de 18 anos. equipara-se ao maior quanto às obrigações resultantes de atos ilícitos. A decretação de tal ineficácia fica. são anuláveis. ou se. oculta intencionalmente a sua idade. em que for culpado”.Da Invalidade do Negócio Jurídico perigo. são suscetíveis de serem anulados se assim o requererem os interessados. Quando o ato é praticado com a presença de seus respectivos representantes legais. ao arbítrio do lesado. O objetivo da anulabilidade é proteger essas pessoas. não pode. entre dezesseis e vinte um (atualmente dezoito) anos. Portanto. 156 do CC-16 prescrevia. é equiparado ao maior. se. a anulação será concedida. a propósito: “O menor. portanto. pelos deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido. invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte. quando pratica atos ilícitos. pelos ébrios habituais. pois o menor púbere. ficando provado. 27. entre dezesseis e dezoito anos. declarou-se maior”. os atos praticados por maiores de 16 e menores de 18 anos. por todo tempo. nos termos do art. lesão ou fraude contra credores”. pelos excepcionais sem desenvolvimento mental completo ou pelos pródigos não assistidos pelos seus representantes legais.2 Ato praticado por pessoa relativamente incapaz Os atos praticados por pessoa relativamente incapaz. desde que ele não tenha agido com malícia. se interrogado pela outra parte. vítimas de sua própria inexperiência. espontaneamente. pelos viciados em tóxicos. in verbis: “O menor.6. O art. tinha a consciência de que não poderia contratar enquanto 417 . sem assistência de seu legítimo representante. Assim. Essa tomada de posição do nosso legislador é uma recusa àquele que usa de má-fé. 180 do CC. “O menor que toma a iniciativa de obter cartão de crédito – decidiu o tribunal – não pode desobrigar-se do pagamento das despesas comprovadamente efetuadas. no ato de obrigar-se.

“A prescrição estabelecida no art. 155 do CC-16.Parte Geral menor de idade. ocorre a anulabilidade e. dolo. pagou a um incapaz. por uma obrigação anulada. por exemplo. nos termos do art. ganhando a ação. etc. à parte contrária o ônus da prova de que o incapaz se enriqueceu com o pagamento que lhe foi feito. estado de perigo ou lesão. a menoridade não exime do cumprimento de obrigação. dolo. Não havendo qualquer dos dois casos previstos pelo artigo supra transcrito.7 QUEM PODE ALEGAR A ANULABILIDADE Só os interessados podem alegar a anulabilidade (segunda parte do art. dolo. da malícia do menor. pois. suscetíveis de anulação por erro. se ficar provado que o menor. se dolosamente foi ocultada quando inquirida pela outra parte” (in RT 764/342). perdeu na corrida de cavalo a importância recebida em decorrência do ato anulado. coação. aplica-se à ação anulatória dos contratos e dos demais negócios jurídicos. ou um dos vícios sociais (fraude contra credores). quem com este contratou só poderá obter ganho de causa se conseguir provar que o pagamento feito ao menor reverteu em proveito deste. fraude contra credores. ou não sendo possível a respectiva prova da má-fé. 27. não se podendo entender seja também pertinente à ação em que se pretenda a rescisão fundada na inadimplência. 181 do CC é o que orienta tal situação: “Ninguém pode reclamar o que.). poderá ser decretada a ineficácia desses atos. se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga”. estado de perigo ou lesão Existindo um dos vícios de consentimento (erro. coação. Mas.6. stricto sensu. Cabe. desde que fique provado o respectivo vício. onde o lapso prescricional é o comum – 20 (atualmente 10) anos” (in RT 610/196). 27. O art. 177 do CC). coação. o incapaz não terá que restituir o que tiver recebido. 418 .3 Ato praticado por erro. fraude contra credores. portanto. 178 do CC.

Por meio da ratificação. tornando-o válido definitivamente. a vontade de confirmar. É dar validade definitiva ao ato anulável. expressamente. ou seja. o vício de que se ressente o ato é expurgado. bem como determinados terceiros que sofram a influência dos atos. passando a ser este válido definitivamente. necessariamente a sentença atingirá os demais adquirentes.8 RATIFICAÇÃO DO ATO ANULÁVEL O ato anulável pode ser ratificado. A ratificação poderá ser expressa ou tácita. 172 do CC dispõe: “O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes. a) EXPRESSA: quando consta. Portanto. se tratar de solidariedade ou indivisibilidade. É preciso que a pessoa que faz a ratificação. Decretada judicialmente a nulidade do negócio a pedido deste. 27. através de uma declaração do interessado que estampe a substância do ato. atingirá toda a obrigação. forçosamente. o direito de pedir a anulação do ato cabe ao incapaz. salvo direito de terceiro”. também seus sucessores.Da Invalidade do Negócio Jurídico Os interessados são aqueles a quem a nulidade não aproveita. Desaparece a faculdade de desfazer o ato. no seu interesse particular. O art. a sentença produzirá efeitos sobre todo o negócio. como o caso do credor prejudicado. mas pode ser anulado por meio de uma ação judicial anulatória.diz o art. pois ato anulável é aquele válido no momento em que ele é praticado. não chegando a ser um contrato. 173 do CC deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-la”. “O ato de confirmação . Mas. a nulidade decretada só aproveita àquele que a tiver alegado e. A ratificação é ato unilateral de confirmação. várias pessoas adquirem um automóvel (bem indivisível) e dentre elas está um relativamente incapaz que não foi assistido pelo seu representante legal. quando alcançar a capacidade plena. Por exemplo. há praticamente a renúncia à faculdade de anulação. evidentemente. Por meio da ratificação. podem ingressar com a ação anulatória. a anulação decretada. na fraude. ou a 419 .

contado: I – no caso de coação. deve obedecer à mesma forma para o ato inquinado. mas que deseja livremente confirmar a sua validade. tiver cumprido em parte a obrigação. 178). Se o titular da ação não a exercer no prazo determinado pela lei. Quando se tratar de ratificação expressa. que era da substância do ato. ciente do vício que o inquinava”.Parte Geral convalidação do ato. dolo. 420 . É. consciente do defeito do ato. expressa ou tácita. ou seja. É como se quisesse ver o ato convalidado. opera outra forma de ratificação tácita. Com a ratificação. É o que determina o art. reconhecendo a existência do ato anulável e que é declarando ser de sua livre vontade torná-lo juridicamente válido. art. de documento explícito. 174 do CC: “É escusada a confirmação expressa. Enfim. art. fraude contra credores. quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor. III – no de atos de incapazes. a vontade de ratificar deve constar de declaração. “É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. b) TÁCITA: a ratificação tácita poderá dar-se de duas maneiras: 1) quando o devedor. se este foi realizado por escritura pública. 2) a ação anulatória está sujeita à prescrição. o vendedor relativamente incapaz. ciente do vício. ou exceções contra o ato e não se atinge direitos de terceiros (CC. do dia em que cessar a incapacidade” (CC. enfim. II – no de erro. continua recebendo as prestações. numa venda a prazo. do dia em que ela cessar. uma ratificação presumida. a ratificação deve também obedecer a essa forma. deixe claro que tinha ciência da anulabilidade do ato. há a renúncia de todas as ações. 175). estado de perigo ou lesão. Por exemplo. antes do prazo de prescrição para a ação. após alcançar a maioridade. do dia em que se realizou o negócio jurídico.

Havendo oposição. e. serão indenizadas com o equivalente” (art. o vendedor terá que restituir o preço e o comprador a coisa adquirida. Limongi França. 27. Exemplo típico de ato inexistente é o casamento de duas pessoas do mesmo sexo. R. estes não estão regulados em norma alguma. vol. a parte será indenizada com o equivalente. JURISPRUDÊNCIA 1. 182 CC). enquanto este existe até que seja declarada a nulidade pelo juiz.10 DA INEXISTÊNCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO Em referência a nosso Direito Positivo. A doutrina é que trata do assunto.9 OS EFEITOS DA NULIDADE “Anulado o negócio jurídico.Da Invalidade do Negócio Jurídico 27. Por exemplo. Saraiva. em virtude da falta de um dos seus elementos constitutivos”270. conforme entendimento do Prof. Já o casamento de irmão com irmã é ato nulo. restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Uma compra e venda em que haja omissão do preço e do objeto é outro exemplo de ato inexistente. não sendo possível restituí-las. São Paulo. 9. que um dos cônjuges já era casado quando contraiu matrimônio. este segundo ato matrimonial deve ser declarado nulo. Aquele independe de ação judicial para perder qualquer efeito por não ter existido. Ato inexistente. o prejudicado terá direito subjetivo de ajuizar a ação de indenização.º. por infringir 270 Enciclopédia Saraiva do Direito. p. decretada a nulidade de uma venda. inequivocamente. 28 421 . no plano dos atos inexistentes. “Se as provas do processo demonstram. não sendo possível restituir a coisa no estado anterior. “é aquele que não chegou a configurar-se como ato jurídico.

Todos os atos praticados pelo mandatário após o conhecimento desse fato são nulos” – RT 613/142. na sua essência.521/51. No mesmo sentido: RT 738/299. o casamento de pessoa anteriormente casada” – RT 588/211. desde que satisfeitas as condições legais em cada uma das oportunidades. anteriores ao ato amigável. 2. sendo nula. ou à sentença que o exonerar”. nitidamente. “É irrelevante que a ação objetive a segunda renovação do contrato de locação. mas nulos de pleno direito. Se as promissórias que fundamentam o processo de execução têm aí sua origem. 6. porém. pois não apenas o contrato originário pode ser renovado. até a atual Lei do Inquilinato a cobrança de “luvas” é considerada contravenção penal. pois é da essência do contrato de seguro a cobertura a riscos futuros” – RT 590/186. l. 7. não possui valor jurídico” – RT 598/214. a cláusula contratual que prevê a renúncia ao direito à renovação” – RT 583/171. dos casos comuns de nulidade por impossibilidade do objeto ou 422 . em vigor. “Considera-se nula a cláusula contratual que estabelecer renúncia do fiador ao direito assegurado pelo art. “É nulo. No mesmo sentido: RT 568/172. 10. “O fiador poderá exonerar-se da fiança que tiver assinado sem limitação de tempo. enunciado 60)” – RT 701/199. “Desde a Lei 1. “É invalido a nota promissória emitida e avalizada por mandatário de mutuário pertencente ao mesmo grupo financeiro do mutuante. 3. 183. por simples aposição de sinal digital. no exclusivo interesse deste (Súmula/STJ. do CC” – RT 621/204.500 do CC” – RT 588/152. e não anulável. sempre que lhe convier. mas também os que se seguirem.Parte Geral impedimento absoluto previsto no art. e assim têm de ser declarados” – RT 620/112. 5. obrigado por todos os efeitos da fiança. 9. Tratando-se de contravenção. “Com a morte do mandante extingue-se o mandato. claro está que não são exigíveis. 4. ficando. VI. “A venda a non domino se diferencia. 8. por outro lado. “É nula a apólice quando da sua expedição já ocorrera o sinistro. “O mandato conferido por analfabeto. os títulos que dela emanam não são apenas ineficazes.

nulos todos os negócios que lhe são subseqüentes. que aquele somente poderá negociar sobre unidades autônomas após ter arquivado no cartório de Registro de Imóveis o título de propriedade do terreno. “Nula é a compra e venda em que o preço do objeto do negócio foi deixado a critério exclusivo de uma das partes” – RT 554/91. e outros documentos elencados pelo aludido artigo. o ato de alienação de quem não é dono atua sobre o nada jurídico. No caso as unidades foram negociadas sem que tais providências que deveriam anteceder as vendas fossem tomadas. A nulidade é absoluta. visto nenhum liame jurídico conectar o sujeito e o objeto” – RT 566/96. ou promessa irrevogável e irretratável de compra e venda. 145 do CC pela circunstância de operar sobre o vazio. não sendo esta terceira de boa-fé. 32 da Lei 4. 11. essa 423 . estabelece. Assim.591/64 ao dispor sobre as obrigações e direitos do incorporador. inaplicável a teoria da aparência” – RT 719/186. 12. O juiz pode declará-la de ofício (parágrafo único do art. porque carece de base existencial. para conseqüência nem mesmo a boa-fé do terceiro” – RT 726/225. “Há nulidade por ausência de consentimento válido se a representação de sociedade em ato jurídico não se faz na forma que seus estatutos designam. no sistema brasileiro. 146 do CC. 16. como foi feito. A cláusula que afronta a Lei é tida como não escrita” – RT 719/136. 984 do CPC)” – RT 566/182. “O art.Da Invalidade do Negócio Jurídico por qualquer dos demais vícios arrolados no art. “Nula a procuração. 15. Não poderiam as partes disciplinarem contra disposição expressa de Lei. “É nulo o alvará judicial para ser lavrada promessa de compra e venda de imóveis descritos em inventário se houve falta de consentimento da herdeira única. proprietária e interdita. mas por Diretor-Presidente que isoladamente não detinha capacidade para obrigá-la por repactuação excedente da gestão ordinária dos negócios sociais. c/c o art. dentre outras providências legais. por isso que. Não importa. o que era do pleno conhecimento da outra contratante. 14. 13. histórico dos títulos de propriedade. “Não é passível de anulação ato inexistente” – RT 552/84. certidões negativas de impostos. havendo no contrato cláusula expressa prevendo a possibilidade de a incorporação vir a ser registrada no “período da construção”.

Parte Geral 17. “Alienando o diretor bem pertencente a fundação pública sem a autorização do órgão deliberativo. e 214 da Lei de Registro Público” – RT 781/194. “A fiança prestada pelo cônjuge sem outorga uxória não é nula. mas anulável por provocação do cônjuge que não assentiu. “A disposição da Lei 8. tornando o ato nulo de pleno direito . tornando o ato nulo de pleno direito.078/90. 424 . cuja declaração independe de ação judicial. não tinha competência para tal prática. “Ao proceder à retificação de registro de imóvel sem pronunciamento judicial e sem que tenha havido erro evidente. não pode o ato ser a ela imputado. o oficial cartorário exorbita de sua competência. que declara nula cláusula contratual leonina que permite a emissão de cambial por procuração do contratante. associados a cegueira bilateral e senilidade. 213. “É nula a escritura de promessa de compra e venda de parte da fazenda de propriedade de pessoa portadora de distúrbios psíquicos comportamentais. pois o alienante. Código de Defesa do Consumidor. 21. a teor dos arts. fartamente comprada nos autos” – RT 804/351. 18. A falta de “despacho judicial” que determina a retificação do registro de imóvel constitui erro de forma. pois. 19. ou por seus herdeiros” – RT 749/324. 20. nula a alienação” – RT 741/399. sendo. § 1º. tem aplicação imediata. por inobservância da lei. alcançando inclusive contratos firmados anteriormente ao seu advento. prevista como necessária nos estatutos. embora membro daquele órgão. não havendo que se falar em direito adquirido ou escudar-se atrás do princípio do pacta sunt servanda” – RT 739/360.