EMBARGOS INFRINGENTES

Embargos Infringentes, no qual requer que sejam os presentes embargos conhecidos e providos, para o consectário reexame do objurgado Acórdão de fl. 356 -361 por parte desta Colenda Câmara, a fim de que sejam aquinhoados os judiciosos e procedentes fundament s o exarados pelo conspícuo Desembargador-Relator Everards Mota e Matos em seu voto minoritário, às fls. 357-359, com o propósito de que ao EMBARGANTE seja garantida a correta apenação à continuidade delitiva em epígrafe (ACRÉSCIMO DE 1/3), nos moldes do Artigo 71, caput do Código de Processo Penal. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR -RELATOR DA APELAÇÃO CRIMINAL N° (XXX) ³Acima de tudo, o drama do juiz é a rotina, que, insidiosa como uma doença, o desgasta e o desencoraja até fazê-lo sentir sem revolta que decidir da honra e da vida dos homens tornou se para ele uma prática administrativa ordinária´. (PIERO CALAMANDREI)

Apelação

Criminal

n.º:

(XXX)

(XXX), já devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, tempestiva e respeitosamente, por intermédio dos Advogados e Estagiários do Núcleo de Assistência Judiciária (NAJ-UniCEUB), à presença de Vossa Excelência, com supedâneo no Artigo 609, parágrafo único do Código de Processo Penal Brasileiro e demais disposições aplicáveis, opor EMBARGOS INFRINGENTES solicitando que sejam conhecidos e providos em seus regulares efeitos de direito e posteriormente remetidos ao órgão hierarquicamente superior, a fim de que este, tomando ciência das motivações fáticas e dos fundamentos jurídicos em disceptação, digne-se reformar o douto Acórdão de fls. 356-361, o qual negou, não à unanimidade, provimento ao apelo do EMBARGANTE. Nestes termos Pede deferimento. Brasília - DF, 22 de maio de 2004. CAROLINE PINHEIRO DE MORAES GUTERRES OAB/DF 22.602 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR Insigne Procurador de Justiça Colenda CÂMARA CRIMINAL RAZÕES DO EMBARGANTE I. ANTELÓQUIO

O eminente representante do Ministério Público denunciou o EMBARGANTE como incurso nos

que é. ante a ausência de provas. Juiz Federal. 320-332. manifesta suas congratulações ao pujante elucidário narrado pelo supereminente Desembargador -Relator Everards Mota e Matos no caso sub judice. 21. até mesmo. Adotou a lei a teoria da ficção jurídica. e subsidiariamente. 293298. ed. corroborá-lo nos embasamentos que se seguem. com o fito de que esta egrégia Câmara reexamine a matéria objeto da divergência e profira nova decisão. dentre outras considerações. 1. Inciso I do Artigo 157 do CP. Incisos I e II ³(por três vezes)´. exordialmente.. caput do CP. 02-05. nas circunstâncias do crime. De registrar ainda respeitável escólio de Ivan Lira de Carvalho. a pena haveria que ser a mesma cominada para um só dos crimes concorrentes. em seu Manual de Direito Penal. que se realize um novo processo. por meio de seu representante legal. Consubstanciado o trâmite regular da demanda em altercação. O CP adota a teoria a ficção jurídica (a) e não a da unidade real´. a reunião de vários delitos praticados nas mesmas condições´. 2004. em que se afirma derivar a unidade de uma criação legal para a imposição da pena quando. a unidade do crime continuado é fictícia e resultante da lei. parágrafo único ³e Artigo 214. às fls. negou. centrado nas teses de alto grau de reprovabilidade da conduta do EMBARGANTE. determinando o sistema da pena ao crime continuado. 288. FUNDAMENTOS JURÍDICOS EMBASADORES DA POSTULAÇÃO DE REFORMA DO ACÓRDÃO EM CONSPECTO Permissa maxima venia.regramentos dos artigos 157. múltiplos são os delitos e se efetivamente existisse o crime único. pugnando. p. 2000. a partir de então. nos moldes do ³Artigo 33. na forma de 1/30 do salário mínimo em vigor à época do ocorrido. todos do Código Penal brasileiro. com sua indiscutível autoridade. 2. DA APLICAÇÃO DA PENA NA CONTINUIDADE DELITIVA Em rigor. proficiente escólio de Julio Fabbrini Mirabete. II. ipsis verbis: ³a da unidade real. em que o MM. et al. In Código Penal Comentado. razão pela qual este opõe os embargos em epígrafe. 277-290. em proêmio. nos termos da peça exprobratória de fls. 133. (GRIFOS ACRESCENTADOS) Não discrepa desse posicionamento Celso Delmanto. hauriu-se. rechaçando ainda o uso de arma de fogo. que é o próprio concurso. além do pagamento de 106 dias-multa. o EMBARGANTE. p..356-361. µa¶. São Paulo: Atlas. da relatoria do excelso Desembargador Everards Mota e Matos. como requisitos para a caracterização do crime continuado. elemento nuclear que o impulsionou a dar parcial provimento ao apelo do EMBARGANTE. nas quais contestou. que lhe seja favorável. as provas testemunhais. pela desclassificação do crime de roubo para o tipo fulcrado no Artigo 155. mas de um terceiro crime. pela decotação da circunstância qualificadora insculpida no § 2º. este último combinado com o art. já que. sobre as quais tomamos a liberdade de transcrever. in totum. a da ficção jurídica. DA NATUREZA JURÍDICA DO CRIME CONTINUADO Em nosso ordenamento jurídico. do Código Penal. e que pretendemos. existem vários delitos. bem como o emprego de violência ou grave ameaça sobre a vítima. § 2º. 317. in fine. na realidade. em verdade. Rio de Janeiro: Renovar. Irresignado. estabelecendo. em suas contra-razões. o proficiente decreto segregatório. razões de Apelação. v. II. que considera serem as várias violações componentes de um único crime. é possível. apresentou. ed. provimento à Apelação do EMBARGANTE. 29´. Em apertada síntese. Às fls. o venerando Acórdão. oficiados pela acusação. a unidade delitiva não passa de uma criação da lei. 5. gravitam 3 (três) teorias em torno da natureza do crime continuado. Julgador monocrático. ao reconhecer o remansoso posicionamento dou trinário e jurisprudencial concernente à dosimetria da pena no que respeita à continuidade delitiva. por maioria. atribuiu-lhe reprimenda definitiva de 9 anos e 10 meses de reclusão. exarou-se um breve histórico dos fatos. b. formalmente. que. apesar da coisa julgada. Professor do Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. § 2º. segundo o qual: De acordo com a teoria da ficção jurídica. pela qual não se cogita de unidade ou pluralidade de delitos. E por decorrer de mera criação jurídica. a unidade é real e verdadeira. oficiou pela manutenção. às fls. às fls. pela absolvição. ipse literis. além de pleitear. tendo o diploma penal pátrio adotado a teoria da ficção jurídica para evitar a aplicação de sanções penais desnecessariamente gravosas. a prática de mais de uma ação ou omissão . 1. O Parquet. II. obtempera: ³Existem duas posições na doutrina: a. a ser cumprida inicialmente no regime fechado. o EMBARGANTE. e a teoria mista. da decisão objurgada.

em seu Curso de Direito Penal.. 320. MINISTROS JORGE SCARTEZZINI. MANTIDA A CONDENAÇÃO. REDUZIR O AUMENTO RELATIVO Á CONTINUIDADE DELITIVA. se da mesma espécie. no que concerne à continuação do crime. mas diversos (crime continuado heterogêneo). e assim sucessivamente. 5. 2004. São Paulo: Atlas. na hipótese em altercação: ³(. o lugar.. de 1/5 para 3. MINISTRO JOSÉ ARNALDO DA FONSECA. ed.) O ACRÉSCIMO RELATIVO À CONTINUIDADE DELITIVA DEVE CONSIDERAR O NÚMERO DE INFRAÇÕES COMETIDAS.. principalmente. nos imediatos termos: ³Para o crime continuado foi adotado o sistema da exasperação.(pluraridade de condutas) previstas como crime. OS SRS. se idênticos (crime continuado homogêneo). Propõe-se a seguinte tabela. em seu voto vencido. de um terço para cinco. na mesma proporção do aumento do número de delitos. ou a do mais grave. o NÚMERO DE INFRAÇÕES PRATICADAS PELO AGENTE.. DETERMINANDO QUE SEJA ESTABELECIDO NO MÍNIMO DE UM SEXTO. de metade para seis... ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA PARA. embora sem caráter vinculante: Número de crimes Aumento 2 1/6 3 1/5 4 1/4 5 1/3 6 1/2 7 ou + 2/3 Com efeito.. 21. A TURMA. aplicando-se a pena de um só dos crimes. Acórdão HC 15603 / RS . p. O AUMENTO PROCEDIDO SERIA O MÍNIMO LEGAL. ed. DETERMINANDO-SE QUE SEJA ESTABELECIDO NO MÍNIMO DE 1/6. MANTIDA A CONDENAÇÃO. o tempo. da mesma espécie. tendo consignado a tese de que a dosimetria da pena. SOBRESSAINDO QUE O AUMENTO PELA CONTINUIDADE SE DEU SEM JUSTIFICATIVA E EM DESACORDO COM A DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA DOMINANTES. DECISÃO (. AUSENTE. OCASIONALMENTE.) ACORDAM OS MINISTROS DA QUINTA TURMA DO SUPERI OR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O SR. 2003. EM REGRA. HABEAS CORPUS 2000/0147385-9 Fonte DJ DATA:08/10/2001 PG:00230 RT VOL. v. 462. em seu Manual de Direito Penal. o modus operandi . CONCEDEU PARCIALMENTE A ORDEM PARA. CONFIGURA -SE A OCORRÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO IL EGAL SANÁVEL NA VIA ELEITA. NO CASO DE PRÁTICA DE APENAS 02 DELITOS EM CONTINUIDADE. partindo-se de 1/6 para 2 infrações. Por conseguinte. deve-se obedecer o número de crimes praticados pelo agente. para que prevaleçam os notáveis fundamentos perfilhados pelo Desembarg ador-Relator..) O RECONHECIMENTO DA CONTINUIDADE DELITIVA QUANTO AO CRIME DE ROUBO (. Tem -se recomentado como parâmetros aumento de um sexto para duas infrações. MINISTRO RELATOR. de dois terços para sete ou mais ilícitos´ (GRIFOS ACRESCENTADOS). sempre aumentada de um sexto a dois terços.. para quem. mister se faz imprescindível a reforma do respeitável Acórdão guerreado. Afina pelo mesmo diapasão Fernando Capez. de um quinto para três. E DSON VIDIGAL E FELIX FISCHER VOTARAM COM O SR. p. vejamos a seguinte jurisprudência: Ementa ³(. v. 1. num sistema de aplicação progressivo de aumento da pena. São Paulo: Saraiva. 1. de um quarto para quatro. registre-se a salutar ensinança de Julio Fabbrini Mirabete. SENDO QUE. POR UNANIMIDADE. Para a dosagem do aumento deve-se levar em conta.) aplica-se a pena do crime mais grave. e o mais importante. pertinente à dosimetria da pena no que tange à continuidade delitiva levando-se em conta o número de infrações praticadas pelo agente.:00796 PG:00565 Relator .. aumentada de 1/6 até 2/3. Nesse desiderato. REDUZIR -SE O AUMENTO RELATIVO À CONTINUIDADE DELITIVA.

357359.5. p. nos termos infratranscritos: ³Cálculo do aumento: Deve ser pelo número de infrações (STF. GILSON DIPP (1111) Data da Decisão 28/08/2001 Orgão Julgador T5 . cit. RT 667/293). 59 do CP (TJSC. p. 13903. requer sejam os presentes embargos conhecidos e providos.96.446-4. a fim de que sejam aquinhoados os judiciosos e procedentes fundamentos exarados pelo conspícuo Desembargador-Relator Everards Mota e Matos em seu voto minoritário.89. HC 73.602 Enviado por: Caroline Pinheiro de Moraes Guterres Advogada.. JC 72/592). DJU 3. in RBCCr 12/283). DO PEDIDO Ante o exposto. DJU 26. recrudesce. 135). 15646. .056. Termos em que Pede deferimento. Havendo vários acusados. considerado o número de crimes (STF. 405). in RBCCr 15. 15157. expormos as seguintes anotações de Celso Delmanto (ob. para o consectário reexame do objurgado Acórdão de fl. 22 de maio de 2004.9. OAB/DF nº 22. e não sobre a pena-base (STJ HC 57. DJU 18. Do parágrafo único: o limite mínimo deve ser um sexto (STF.QUINTA TURMA Dilucidando ainda mais a tese que ora exaramos. p. por derradeiro. com o propósito de que ao EMBARGANTE seja garantida a correta apenação à continuidade delitiva em epígrafe (ACRÉSCIMO DE 1/3). p. RTJ 143/215.89. 14665)´. e HC 44. P. (GRIFOS ACRESCENTADOS) III. caput do Código de Processo Penal.95. 356-361 por parte desta Colenda Câmara. DJU 10. p. HC 72. não se devendo considerar as circunstâncias judiciais do art. nos moldes do Artigo 71.602. RT 617/410. Incide sobre a pena já agravada.5.DF.10. às fls. Brasília . pode ser fixado para cada qual percentual próprio. CAROLINE PINHEIRO DE MORAES GUTERRES OAB/DF 22.Min. TACrSP.