Introdução Regime de bens é um conjunto de regras aplicáveis à sociedade conjugal que tem como objetivo regularizar o patrimônio dos

cônjuges. A união de um homem e uma mulher pelo casamento ou união estável almeja mútua cooperação, assistência moral, material e espiritual. A finalidade do casamento não tem caráter econômico direto; mas o patrimônio envolve os cônjuges de uma tal maneira que o legislador fez por bem legalizar o regime de bens, mesmo quando os cônjuges forem omissos, a Lei pré-determina o regime legal. Posto isso, nessa pesquisa abordar -se-ão, os regimes de bens adotados no Brasil, analisando-os sob a ótica jurídica e social. A lei concede de certa forma, uma liberdade na escolha do regime, entre os estipulados em lei, ou os cônjuges pode m adaptar regras de um e outro regime formando o próprio regime (misto) como melhor lhes convier, desde que não ultrapassem as regras estabelecidas pela Lei. Palavras-chave: casamento, regime de bens, patrimônio conjugal. Regime de Bens O casamento pode ser celebrado atendendo aos interesses patrimoniais dos nubentes, que adotarão o regime de casamento que melhor lhes convenha. O regime pode ser de Comunhão Parcial, Comunhão de Bens, Separação de Bens ou ainda poderá conter outras disposições sobre o patrim ônio. O instrumento que os nubentes poderão utilizar para definir o Regime de Bens, que vigerá após o casamento, denomina -se "pacto antenupcial". É oportuno esclarecer que o pacto deve ser estabelecido antes do casamento, conforme o próprio nome informa "antenupcial". É que, uma vez celebrado o casamento, não há possibilidade de alterar o Regime de Bens. Mesmo que am bos, marido e mulher, o queiram nada pode ser feito, o pacto é imutável. Código Civil: Art. 230. O regime dos bens entre cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento, e é irrevogável.
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Na constância da sociedade conjugal. e efetuada a divisão do ativo e passivo. II . porém. Código Civil: Art. e art. Dissolve-se a comunhão: I . 268.pela sentença que anula o casamento (art. 251.pela separação judicial. III . ou nos casos do art. IV . só os administrará por autorização do marido. 315. quando se percebam ou vençam durante o casamento. Extinta a comunhão.Comunhão Universal de Bens A adoção do regime da "Comunhão Universal de Bens" implica na imediata constituição de uma sociedade total sobre os bens já existentes e sobre as dívidas de ambos os cônjuges. Art. cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro por dívidas que este houver contraído. 263 não se lhes estende aos frutos. 267. A mulher. Art. 248. A incomunicabilidade dos bens enumerados no art. 222). V. Art.pela morte de um dos cônjuges (art. Parágrafo único. a propriedade e posse dos bens é comum. 265. 2 . O regime da comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. com algumas exceções que a lei estabelece. com as exceções dos artigos seguintes. Art. 262. 266. I).pelo divórcio.

no artigo 269. No regime de comunhão limitada ou parcial. os bens de herança. Código Civil: Art. Art. o regime de "Comunhão Parcial" também exclui da comunhão alguns dos bens que a lei estabelece. 270. enumera aqueles bens que entram na comunhão. e os que lhe sobrevierem. no artigo 271.os adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges. mesmo quando recebida depois do casamento e ainda os bens recebidos em doação. por exemplo . Mas.os bens que cada cônjuge possuir ao casar. IV .os demais bens que se consideram também excluídos da comunhão universal. à razão de 50% (cinqüenta por cento). os demais bens que vierem a adquirir depois do casamento. na constância do matrimônio. em sub-rogação dos bens particulares. O Código Civil. Neste regime cada um dos cônjuges tem reservado seu patrimônio pessoal adquirido antes do casamento e passa a dividir com o cônjuge. II .os rendimentos de bens de filhos anteriores ao matrimônio a que tenha direito qualquer dos cônjuges em conseqüência do pátrio poder. Igualmente não se comunicam: 3 . por doação ou por sucessão. se da escritura de doação não constar o nome de ambos os cônjuges. 269. estabelece os bens que são excluídos da comunhão parcial e. III .Comunhão Parcial de Bens A comunhão parcial é aquela na qual somente se comunicam os bens adquiridos na constância do casamento. excluem -se da comunhão: I .

ainda que só em nome de um dos cônjuges. Este último dispositivo. 4 . IV . ou dos particulares de cada cônjuge.as provenientes de atos ilícitos. VI . Código Civil: Art. percebidos na constância do casamento. III . relativamente aos frutos civis do trabalho. encontra -se em contradição com a atual redação dos artigos 269 -IV e 263-XIII. Entram na comunhão: I .os frutos civis do trabalho. II . conforme previsto no art.os adquiridos por fato eventual. 272. V . em favor de ambos os cônjuges (art. I).os adquiridos por doação. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. Art.as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão dos adquiridos. por tratar-se de redação nova introduzida pelo Estatuto da Mulher Casada.os bens adquiridos na constância do casamento po r título oneroso. herança ou legado. II .as obrigações anteriores ao casamento. 271. 269.I . A corrente doutrinária majoritária entende que prevalece a tese de que os frutos civis do trabalho ficam excluídos da comunhão.os frutos dos bens comuns. ou de ambos. ou in dústria de cada cônjuge. 263 -XIII.

e as dívidas por este contraídas obrigam. quando não se provar com documento autêntico que o foram em data anterior. nos casos em que os seus atos são autorizados pelo marido. 247. ou escusam autorização (arts. 275. até por coerência. que os poderá livremente alienar. não só os bens comuns. II. se forem móveis (arts.Art. Da mesma forma. A administração dos bens do casal compete a o marido. No regime da comunhão parcial presumem -se adquiridos na constância do casamento os móveis. em razão de acidente de trânsito. permanecerão os de cada cônjuge sob a administraç ão exclusiva dele. Isto quer dizer que uma eventual indenização a que um dos cônjuges venha a ser condenado. por exemplo. 273. Código Civil: Art. 276. somente atingirá à sua quota parte no patrimônio. Art. 248 e 233. I. 5 . estipulando separação de bens. Art. Separação de Bens A "Separação de Bens" consiste na manutenção dos bens do casal absolutamente incomunicáveis. 242 a 244. Quando os contraentes casarem. e 310). também não se comunicam as dívidas havidas por qualquer dos cônjuges antes do casamento. os particulares de um e outro cônjuge. e ainda aquelas provenientes de atos ilícitos. V). senão ainda. não afetando o patrimônio que o outro cônjuge já possuía e sequer compromete os seus 50% (cinqüenta por cento) do patrimônio adquirido depois do casamento. 242. se presumem sê -lo. É aplicável a disposição do artigo antecedente às d ívidas contraídas pela mulher. na razão do proveito que cada qual houver lucrado. 274. cada um dos cônjuges administra e decide sobre seus bens independente da vontade do outro. 235. em falta destes.

Quando o regime de "Separação de Bens" se der exclusivamente em razão da lei. Esta vedação de pactuar livremente o regime de bens. tal qual no regime de "Separação Parcial". quanto aos bens entre os cônjuges. 258. os bens adquiridos na constância do casamento se comunicarão. exceto naquelas situações em que a lei prescreve que o regime será obrigatoriamente o de separação de bens. obrigatório o da separação de bens do casamento: 6 . 277.Obrigatória O Artigo 258 do Código Civil enumera as situações em que é obrigatório o regime de "Separação de Bens". na proporção de seu valor. ou sendo nula. Para adoção do Regime de "Separação de Bens" também é necessário o pacto "antenupcial". prevalecerá. relativamente ao dos do ma rido. Separação de Bens . por exemplo. nestes casos. o regime de comunhão parcial. Parágrafo único. quando se trata de bens imóveis.Art. salvo estipulação em contrário no contrato antenupcial (arts. porém. por força da lei. Não havendo convenção. o regime de "Separação de Bens". a lei exige a autorização expressa do outro cônjuge para a alienação. ainda que clara a incomunicabilidade e a definição da propriedade. ainda que haja "pacto antenupcial" estabelecendo de forma diversa. Mas. se aplica aos homens com mais de 60 (sessenta) anos e às mulheres com mais de 50 (cinqüenta) anos. É. A mulher é obrigada a contribuir para as despesas do casal com os rendimentos de seus bens. 256 e 312). Código Civil: Art. vigorará.

e os que lhe sobrevierem. ficar o cônjuge sem condições de provar claramente que a aquisição se deu por sub -rogação. em sub-rogação dos bens particulares. Sub-Rogação de Bens Quando um dos cônjuges possui qualquer bem que não se com unica no Regime de Bens. IV . Código Civil: Art. nos termos dos arts. 394 e 395. embora case. 183. com o consentimento do tutor. XI a XVI (art. II . deve constar da escritura de compra que aquele bem é a dquirido em sub-rogação ao outro.do órfão de pai e mãe. nesta hipótese. para casar. sob pena de. quando da compra de um novo bem em sub -rogação a outro bem do qual o cônjuge possuía em seu nome particular. no futuro. ou seja. em caso de discussão sobre os bens. III. 183.I . Contudo. 384.das pessoas que o celebrarem com infração do estatuído no art.de todos os que dependerem. de autorização judicial (arts. por doação ou por sucessão. ou do menor. 216). 269.do maior de 60 (sessenta) e da maior de 50 (cinqüenta) anos. e 4531. XI. que também será tido como bem particular do cônjuge. portanto lhe pertencendo exclusivamente. No regime de comunhão limitada ou parcial. o resultado da venda deste bem poderá ser aplicado na aquisição de outro bem que também continuará incomunicável. II . XI. 7 . 1. na constância do matrimônio. 426. excluem -se da comunhão: I .os adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges. 183. III .os bens que cada cônjuge possuir ao casar. nos termos do art.

Entretanto alguns doutrinadores entendem que esta disposição legal contraria dispositivo constitucional que estabelece igualdade de direitos e deveres entre o homem e a mulher. com a implantação do Novo Código Civil. o cônjuge tem direito apenas á metade dos bens adquiridos. o regime total desapareceu. E assim como na maior parte das leis brasileiras. Conforme explica o advogado Euclides de Oliveira. Este privilégio cria situações diferentes para os cônjuges e possibilita à mulher ter patrimônio incomunicável. é importante ressaltar que apenas os bens comprados durante o casamento são divididos ao término do mesmo. durante o casamento. ocorrido por separação ou morte. a inspiração veio do direito alemão. desde que isto esteja previsto no pacto antenupcial´. Participação final dos aquestos Além da comunhão total de bens. existe um quarto regime de casamento: a participação final nos aquestos. os bens de cada cônjuge pertencem apenas a ele. em 2003. ³O patrimônio adquirido por meio de herança ou doação não entra no regime de participação final nos aquestos´.Bens Reservados A Lei estabelece que a mulher que exerça atividade luc rativa distinta da do marido poderá usar destes recursos para adquirir bens que serão reservados e por conseqüência não se comunicam. que vigora caso os noivos não optem por nenhum) e da separação total do patrimônio. durante o casamento. Por meio da participação final nos aquestos. da comunhão parcial ( que é o regime oficial brasileiro. 8 . é que os bens são divididos. ³É possível até mesmo vender o patrimônio sem que o companheiro tenha que consentir. ainda que no Pacto Antenupcial esteja avençado o Regime de Bens da Comunhão Universal. Isso porque. dando lugar á participação final. por meio de compra. Além disso. E somente no fim do relacionamento.

é necessário que ambos entrem com um pedido na justiça. o regime de separação total de bens é obrigatório e não pode ser mudado. Importante . para qualquer caso. dando um motivo justo para a mudança´. a alteração do regime não pode prejudicar os credores. é possível alterar o regime estabelecido. 9 . ³Para tanto.O regime de bens pode ser modificado após o casamento.No caso de uma das pessoas possuir mais de 60 anos. caso seja vontade dos cônjuges.Durante o casamento. mediante alvará judicial e concordando ambos os cônjuges. Além disso. -É obrigatório o regime de Separação Total de Bens aos noivos maiores de sessenta anos e aos menores de dezesseis.

caindo assim automaticamente no regime de Comunhão Parcial de Bens. 1997. Orlando. 20. quando se deparam no cartório para realizar a habilitação para o casamento. 10 . OLIVEIRA. ed. ocorrendo muitas vezes um certo constrangimento entre os nubentes de procurar orientação de um profissional. Direito civil: Direito de família . classes de poder aquisitivo alto ou pessoas que já se realizaram financeiramente. DIAS. por ser desconhecido por grande parte da sociedade. muitas vezes nem mesmo sabiam da existência da possibilidade de ter feito um pacto anteriormente. 27. ed. 2007.Conclusão Na realidade a classe social é pouco informada sobre o regime de bens. ed. ed. Maria Helena. São Paulo: Atlas. deu oportunidade no sentido de permitir a alteração do regime de bens. Direito de Família e o Novo Código Civil . Direito de Família. 3. 2001. Sílvio. DINIZ. ed. Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito de Família . Maria Berenice (coord) et ali. 2002. No entanto. Separação e Divórcio. 6. São Paulo:Revista ampliada e atualizada.2005. São Paulo: Saraiva. Direito Civil: direito de família . O pacto antenupcial é pouco usado. ocorrendo apenas nas classes mais esclarecidas. 7. Belo Horizonte: DelRey. Euclides Benedito de. mediante autorização judicial Bibliografia AMORIM. Sílvio de Salvo. 2003. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. VENOSA. GOMES. o legislador observando a sociedade. Sebastião Luiz. 9. RODRIGUES. ed.