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RESUMO DA OBRA Ao iniciar o capítulo 5, discorre o autor acerca do uso das palavras, utilizadas pelas normas jurídicas enquanto disciplinadoras da conduta humana. Diferencia sentido onomasiológico (corrente) do semasiológico (normativo), afirmando como tarefa precípua da dogmática hermenêutica o estabelecimento do sentido das normas, do significado de seus textos, sua força e alcance, processo que carece de regras para sua elaboração. A seguir, traz o conceito de signos, como sendo entes caracterizados por sua mediatidade, que apontam para algo diferente de si próprio. Os signos podem ser naturais ou artificiais, conforme elaborados, ou não, por ação humana, sendo os últimos (artificiais), chamados de símbolos. Distingue, ainda, entre símbolos que designam algo de forma individualizada (nomes), e os que o fazem de forma geral (predicadores), podendo estes ser individualizados através do uso dos indicadores. Como os símbolos não possuem significação, isoladamente, necessitam estar inseridos num contexto de utilização pelo homem, através da fala. Falar é um ato de atribuir símbolos a alguma coisa. O conjunto de símbolos entrelaçados numa estrutura complexa é chamado de língua. Diferentemente da língua, que é um conjunto de símbolos, a fala nada mais é que a utilização atual da língua. A construção da fala parte de algumas premissas: de que a significação dos símbolos é dada pelo seu uso; que a maioria dos símbolos é vaga (seu campo de referência é indefi nido) e ambígua (pode ser usado em um campo de referência de diferente intensidade); que a utilização dos símbolos pode ser diferente de acordo com suas diferentes funções pragmáticas, podendo ser de uso descritivo, expressivo, diretivo ou operativo. A fala se caracteriza pelo fato de que, para haver um processo comunicativo completo, é necessário que haja entendimento entre emissor e receptor. A mensagem conterá o relato ± mensagem oriunda do emissor ± e o cometimento ± mensagem captada pelo receptor. Logo, existirão duas formas de se entender a mesma mensagem, podendo estas formas ser coincidentes ou não. Essa dicotomia de entendimento se dá através da interpretação. Esta interpretação suscita muitas polêmicas. Segundo o autor, Kelsen a distinguia entre a interpretação autêntica ± exercida por órgão competente, cuja decisão tem poder vinculante ± e a interpretação doutrinária que, ainda que se pronuncie a respeito do sentido da norma, não tem força vinculativa. A primeira advém de um ato de vontade, balizad o pela competência conferida ao órgão (juiz, legislador). Já a segunda tem sua origem num ato de conhecimento. Pela característica de vagueza e ambigüidade dos conteúdos normativos, a interpretação doutrinária tem seu limite no instante em que constata a p lurivocidade das normas, momento no qual cabe ao hermeneuta a tarefa de decidir qual o mais coerente uso, dentre os possíveis, a ser aplicado ao caso concreto. Preocupação presente ao processo interpretativo é estabelecer uma correta interpretação do texto da lei, o que estabelece uma dicotomia entre a doutrina objetivista e a doutrina subjetivista. Enquanto aquela defende o voluntas legis (vontade da lei), esta defende o voluntas legislatoris (vontade do legislador). De acordo com os subjetivistas, a inter pretação deve ser ex tunc (desde então), ou seja, a partir do pensamento do legislador; já os objetivistas entendem que a compreensão se dá ex nunc (desde agora), ou seja, do momento em que se faz necessária a interpretação do texto legal. Essa dicotomia caracteriza o desafio kelseniano. Após discorrer sobre cada uma das doutrinas (objetivista e subjetivista), o autor apresenta imperfeições de cada uma, levando à conclusão de que são, ambas, insuficientes, por si sós, para resolver o problema interpretativo. A seguir, Ferraz Jr. trata da interpretação e da tradução, apresentando as teorias realista e idealista. A primeira entende que a coisa (res) deva ser o ponto central da tradução. Já a segunda, entende que a tradução deve ter como base a idéia, o pensamento acerca da coisa (res). Ambas são criticadas: a teoria realista pelo fato de que ela parte da premissa de que a coisa (res) possui estrutura própria, independentemente da língua em que se apresentam; a teoria idealista, por entender que não pode haver compreensão de pensamento sem que haja um prévio entendimento da palavra traduzida. Mais adiante, faz uma explanação acerca da violência simbólica e do uso competente da língua, onde afirma que é imprescindível, não apenas a tradução, mas a competência do t radutor.

da lei em si. conclui que a hermenêutica realiza uma paráfrase.. Tratando. sendo de preciosidade ímpar na justa aplicação das normas presentes ao ordenamento jurídico. interpretação restritiva. a seguir. buscando identificar as particularidades da sociedade à época da criação da norma. com ele concordando. sociológico e evolutivo. Coloca -se. três possibilidades para o resultado da interpretação de uma norma jurídica: a interpretação especificadora. Numa segunda situação. não estendendo seu poder sobre os demais. serem aplicados caso a caso. onde. encerra o capítulo 5 destacando a função social da hermenêutica. existe m. histórico. aproximando o direito daquel es que fazem parte da sociedade. e a interpretação extensiva. aqui. dentre as possíveis. teleológico e axiológico. Contudo. que reduz o alcance d o texto legal. o conflito pode se dar pelo questionamento da própria estrutura. passa a explanar acerca dos métodos e tipos dogmáticos de interpretação. passa a fazer uma explanação acerca da Teoria da Decisão Jurídica como sistema de controle do comportamento. preleciona o autor a respeito da interpretação e paráfrase.A decisão. na busca do sentido da norma jurídica.Discorre. institucionaliz ado. Ferraz Jr. Diante dos métodos interpretativos esclarecidos. busca-se entender a letra da lei. O primeiro se relaciona ao poder de direito e o segundo. e. etc. a utilização desses instrumentos não é desregrada. histórico -sociológico e telelológico -axiológico. Os métodos hermenêuticos de interpretação são: gramatical. tem-se que todo conflito jurídico é finito. mostrando que a preocupação da ciência dogmática é o fornecimento de requisitos técnicos para fundamentarem o trabalho de decidibilidade. que entende como correto e suficiente o texto da lei. a preocupação dos meios passíveis de serem utilizados pelo hermeneuta no preenchimento de lacunas deixadas pela lei. a saber: método lógico -sistemático. destacando a figura do legislador racional. A dicotomia decisão-conflito traz as duas formas de controle: o controle -disciplina e o controle-dominação. do conflito. Por fim. Primeiramente. No primeiro. transmutando incompatibilidades indecidíveis em alternativas decidíveis. princípios gerais de direito e eqüidade (instrumentos institucionais). explicita o Norte da aplicação da hermenêutica: fornecer segurança jurídica. que passará a regular a situação conflituosa. via de regra. A interpretação e a integração do direito são o ponto seguinte de Ferraz Jr. procura-se interpretar a norma dentro de um contexto de historicidade. na qual o hermeneuta buscará a interpretação. Continuando. como sendo a língua (LH) que permite a tradução da linguagem normativa (LN) para a linguagem da realidade (LR). ainda. com uma estrutura em que a vontade dos comunicadores sociais para se submeter à coordenação de um terceiro ator social. se esta acompanhou a evolução dessa mesma sociedade. Alguns métodos sofrem restrições no seu uso. tem como finalidade última não a de ser a solução ideal para os conflitos. fundamentando não apenas o saber dogmático. À frente. por fim. que melhor se adeqüe ao caso concreto. lógico e sistemático. . pode o hermeneuta lançar mão de recursos como a analogia. nos dizeres do autor. Ao tratar da função racionalizadora da hermenêutica. o autor esclarece que este ocorre de forma institucionalizada. utilizando de métodos peculiares. a interpretação teleológica e axiológica é aquela permeada de juízo de valor. o significado de seu texto e seu entrelaçamento com as demais normas presentes ao ordenamento jurídico. interpretação extensiva e indução amplificadora (instrumentos quase -lógicos). Ao iniciar o capítulo 6. . como também aproximando a linguagem técnica do Direito de uma mais acessível à sociedade de modo geral. e os limites a ele impostos. bem como dos costumes. enquanto instrumento de decidibilidade. mas a ação finalista que visa à absorção da insegurança. proibida no Direito Penal. sobre a Hermenêutica Dogmática. a qual busca ampliar o sentido e o alcance da letra da lei. Já no segundo. por assim entender ser a vontade legislativa. Existem limites à sua aplicação. na medida em que confere segurança às relações jurídicas. como exemplifica o autor com a analogia. ao poder de fato. para Ferraz Jr. como sendo a de um agente aliviador de tensões sociais. ao final. Como não pode o aplicador da lei abster-se de julgar. Por fim. Para o preenchimento de tais lacunas. os chamados métodos hermenêuticos. esses princípios devem.

a qual fundamenta-se na construção de um sistema conceitual que tem como finalidade precípua a diminuição de tensões sociais. lhe é contrário. ao contrário. que se dá através do silogismo descrito acima. tem ±se o argumento exemplar. em seguida. Já o argumento ab auctoritate funda-se no prestígio da pessoa ou grupo. chega o autor ao fechamento do capítulo 6. A seguir. de forma que uma relação entre uma proposição inicial. que é a adequação do fato à norma. que podem levar a uma programação condicional ou finalística. partindo da causa para conhecer e entender o efeito. oriundo do latim probus tem sentido objetivo (constatação de fato ocorrido. do conceito de prova jurídica. em especial a retórica. impondo limites às relações de poder. delineado pela conhecida máxima: "o ônus da prova cabe a quem alega". pode ser condensada em uma relação única. Argumento silogístico ou entinema permite a conexão entre proposições. O argumento ad hominem serve para limitar a validade de uma determinada tese. que algo por ela não abrangido. na qual devem valer razões idênticas às da primeira. ao contrário. a seguir. stricto sensu. pode o menos". O argumento a minori ad maius. entende-se válido para toda e qualquer pessoa. Já o argumento ad rem. A pari é o argumento que relaciona entre si casos semelhantes. Na aplicação da norma jurídica. discorre sobre os fatores externos ao direito e que nele influem. evitando as situações de violências. enfati zando a função social da dogmática da decisão. em ordem inversa à usual. onde a força do argumento pode se dar pela quantidade ou qualidade das decisões. que passe por proposições intermediárias para se chegar a u ma proposição final. Tratando. Na teoria da argumentação. que é o ato decisório. o argumento a maiori ad minus traz a idéia de que a validade de norma mais extensa engloba a de norma menos extensa. autor mostra que o trabalho deste deve ser fundamentado em procedimentos. O argumento a fortiori estabelece a passagem de uma proposição para outra. cuja idéia-base é o conceito de jurisprudência. Diante do exposto. explana o autor que o termo. O argumento a contrario sensu consiste em. A posteriori parte das conseqüências para as causas. entre as proposições inicial e final. O argumento a priori é o oposto. Posteriormente. aplicando-se a esta proposição as técnicas de interpretação. parte de uma norma menos extensa para outra mais extensa. têm-se os argumentos jurídicos. no qual a premissa maio r (norma geral). Importante conceito a respeito da prova é o onus probandi. que exp ressa o que se costuma chamar de prova formal. existe um processo de subsunção. concluir. do processo silogístico da decisão. Explanando acerca da decisão e responsabilidade do decididor. É a idéia de que "quem pode o mais. busca-se chegar à comprovação de que a mesma é inaceitável. A seguir. Ferraz Jr. a partir de uma dada preposição. O argumento ab absurdo começa admitindo como verdadeira a proposição a ser examinada. comprovadamente) e sentido subjetivo (aprovar ou fazer aprovar). . juntamente com a premissa menor (descrição do caso conflitivo) leva a uma conclusão. Por fim.Trata.