AIDE-MÉMOIRE MARROCOS, ENERGIAS RENOVÁVEIS O Ministério da Energia, das Minas, da Água e do Meio Ambiente promoverá, entre 21 e 23 de junho

próximos, em Casablanca, o “Salão das Energias Renováveis”. Embora o prazo seja provavelmente exíguo para divulgação junto a potenciais expositores, seria fortemente recomendável contar com a visita de atores do setor, com vistas a realizar contatos e examinar perspectivas de participação em futuras licitações internacionais que serão realizadas pelo país nos próximos meses. O Marrocos concentra seus projetos, nesta área, na geração de eletricidade de origem eólica e solar. O programa integrado de geração de eletricidade por intermédio de fontes renováveis deverá reduzir a dependência externa do Marrocos por derivados de petróleo, questão que transcende considerações meramente econômicas, na medida em que a Argélia é um dos principais exportadores da região. O país busca se beneficiar, igualmente, dos inúmeros programas de financiamento oferecidos pela União Européia, Estados Unidos e Japão para criação de modelos energéticos "verdes". Em junho de 2010, foi inaugurado parque eólico de Tânger, no norte do país. Com custo de 250 milhões de euros, o parque possui 165 hélices distribuídas em dois sítios de 42 km de extensão total, e capacidade de geração de 526 GWh. É a maior estrutura deste tipo, instalada no continente africano. O financiamento da obra foi repartido entre o Instituto de Crédito Oficial da Espanha (100 milhões de euros), o Banco Europeu de Investimentos (80 milhões de euros), o Banco de Desenvolvimento alemão KfW (50 milhões de euros) e o Escritório Nacional de Eletricidade marroquino - ONE (20 milhões de euros). O projeto foi executado pela empresa espanhola Gamesa Ealica, vencedora de licitação realizada em 2006, e que permanecerá responsável pela manutenção do equipamento. Outros parques eólicos já se encontram em operação nas regiões de Tétouan, no Mediterrâneo, e de Essaouira, no Atlântico, com capacidade total de 140 MW. Projeta-se a implementação de novos parques em Tétouan e em Laâyoune, no sul do país, na região do Saara ocidental. Já o programa de energia solar marroquino prevê custo total da ordem de de 1,1 bilhão e visa alcançar capacidade, até o ano de 2020, para a geração de 2.000 MW, ou 10 % da demanda estimada de eletricidade naquela data. A primeira fase do projeto deverá entrar em operação até o início de 2014, com a instalação, no sítio de Ouarzazate, de centrais termossolares e fotovoltaicas com capacidade de geração de 500 MW. Tenciona-se, igualmente, promover a criação de complexo industrial voltado para a pesquisa e desenvolvimento de equipamentos e maquinário associados à geração, estocagem e transmissão de energia de origem solar. Não há projetos no ãmbito dos biocombustíveis, o que significa que o Brasil poderá ocupar este mercado, por intermédio da recente parceria firmada entre a EMBRAPA e seu congênere local. Para tanto, ademais da pedagogia a ser realizada pelos cientistas e pesquisadores brasileiros – especialmente no esclarecimento acerca da compatibilidade entre investimentos em biocombustíveis e geração de alimentos - será necessário promover missões de investidores e de empresários do ramo.