PORTUGUÊS

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12ºano

herói colectivo.

OS LUSÍADAS tópicos gerais a destacar em cada trecho________ Canto I – Dedicatória Canto I – Proposição pág. 26 Nestas três estrofes iniciais da epopeia, o poeta enuncia o propósito da obra. Ao fazê-lo apresenta os heróis e os feitos que lhes deram esse estatuto: os navegadores que, sulcando os mares desconhecidos, dilataram o Império para oriente vencendo obstáculos que estavam para além “do que prometia a força humana”; todos os Reis portugueses que contribuíram para a dilatação da Fé e do Império; todos os homens, enfim, que, por feitos grandiosos se imortalizaram. O poeta refere em síntese este herói colectivo como “o peito ilustre lusitano” cujos feitos irá cantar e divulgar. A mitificação do herói d’OS LUSÍADAS está patente no confronto com os heróis míticos da Antiguidade, ofuscados pela grandeza dos senhores do Mar e da Guerra “a quem Neptuno e Marte obedeceram”. pág. 32 Camões dedica o seu poema ao Rei D. Sebastião a quem louva pelo que representa para a independência de Portugal e para o aumento do mundo cristão; pela ilustre e cristianíssima ascendência e ainda pelo grandioso império de que é senhor. Aos louvores segue-se o apelo. Referindose com modéstia à sua obra, que designa como “um pregão do ninho (…) paterno”, pede ao Rei que a leia. Na breve exposição que faz do assunto d’OS LUSÍADAS, o poeta evidencia um assunto particularmente importante, a obra não versará heróis e factos lendários ou fantasiosos, como todas as epopeias anteriores, mas matéria histórica. Documenta--o nomeando alguns heróis nacionais que valoriza pelo confronto com os de outras epopeias. Termina o seu discurso incitando o Rei a dar continuidade aos feitos gloriosos dos portugueses, nomeadamente, combatendo os mouros, e renovando o pedido de que leia os seus versos. O discurso da Dedicatória organiza-se, pois, segundo esta lógica – louvor, apelo de carácter pessoal e argumentos que o fundamentem, incitamento/apelo de carácter nacional e, em jeito de conclusão, breve reforço do apelo pessoal.

Canto I – Invocação

pág. 28

Esta segunda parte constituinte da epopeia tem como destino as Tágides, a quem o poeta pede inspiração. É significativo que dirija a sua invocação a entidades míticas nacionais: através do seu canto, tornará as águas do Tejo tão famosas como as de Hipocrene. O poeta joga assim com a vaidade das ninfas, mas também com o seu espírito de gratidão, ao recordar-lhes que sempre as celebrara no seu canto. Significativa, também, a valorização do “estilo” épico por comparação com o lírico. Um estilo que está em consonância com a grandeza dos feitos e heróis que vai cantar, “Se tão sublime preço cabe em verso”. Mais um momento de engrandecimento do herói lusitano. Pela leitura da Proposição e Invocação das epopeias da Antiguidade, ILÍADA, ODISSEIA e ENEIDA constata-se que só em OS LUSÍADAS, epopeia renascentista, o herói épico é um povo, um

documentada nas epopeias da Antiguidade (ver págs. 20 e 21). Neste Consílio, presidido por Júpiter, o pai dos deuses pretende dar conhecimento à assembleia da sua determinação de ajudar os navegadores portugueses a chegar à Índia conforme está, aliás, predestinado pelo “Fado eterno/ cuja alta lei não pose ser quebrada”. Júpiter justifica a sua decisão elogiando as proezas históricas do povo português e a coragem e voluntarismo com que, agora, procuram dominar os mares desconhecidos. Mas a sua decisão gera forte controvérsia entre os deuses e uma acalorada discussão, até à deliberação final. Vários aspectos deste episódio contribuem para o engrandecimento do herói do plano fulcral de AO LUSÍADAS: a admiração manifestada por Júpiter, o temor de Baco de que o poder dos portugueses destrua o prestígio de que desfruta no Oriente, o carinho e afeição de Vénus pela "gente Lusitana" e o respeito implícito pela "gente forte" revelado por Marte, o deus da guerra, cujo discurso é decisivo para a deliberação final do Consílio. De salientar, no que diz respeito à estrutura da obra: − a interligação entre o plano fulcral e o plano mitológico: "Enquanto isto se passa na fermosa/casa etérea do Olimpo omnipotente,/Cortava o mar a gente belicosa..."; − o início da narração da Viagem (acção fulcral) numa fase já adiantada, in media res, conforme as regras da epopeia. Canto I – Reflexão do poeta pág. 39

Canto I – Consílio dos Deuses no Olimpo pág. 35 A Narração começa no plano central – “Já no largo Oceano navegavam…” – logo interrompido pela inclusão do plano mitológico: “Quando os Deuses no Olimpo luminoso (..)/ se ajuntam em consílio glorioso”. A intervenção dos deuses no destino dos homens, ou mesmo consílios divinos para tomar deliberações sobre o futuro dos heróis obedece a uma regra clássica amplamente

As traições e perigos a que os navegadores estão sujeitos justificam este desabafo do poeta. Não será por acaso que esta reflexão surge no final do Canto I quando o herói ainda tem um longo e penoso percurso a percorrer. Ver-se-á, no Canto X, até onde a ousadia, a coragem e o desejo de ir sempre mais além pode levar o "bicho da terra tão pequeno", tão dependente da fragilidade da sua condição humana.

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que antecipadamente choravam a perda dos que partiam. Príncipe e futuro Rei de Portugal. pondo a tónica nos sentimentos dos 2 . que tiveram que enfrentar este primeiro obstáculo -a dor que infligiam aos seres amados. "mães. numa epopeia cujo herói é colectivo. A reinterpretação da matéria histórica. irmãs". vive eternamente na memória dos tempos. e dos Descobrimentos. Canto IV – Batalha de Aljubarrota pág. mas que. este episódio descritivo realça uma das conquistas da viagem. ou ainda condenação explícita da ousadia humana. no Portugal do século XVI defendiam a expansão para o Norte de África. que opôs Castelhanos e Portugueses. se valorize tanto o herói individual. 47 Canto IV – Despedidas em Belém pág. decisiva para a independência de Portugal. Ao enunciar o assunto desta narração retrospectiva.III. reitera-se o propósito de glorificação de feitos verídicos. A desproporção das forças em conflito [". Inês uma vítima do Amor. Afonso Henriques. em que alguns dos vencidos "vão maldizendo e blasfemando/ do primeiro que guerra fez no mundo". valores tão exaltados pela mentalidade do Renascimento. em particular. 42 Início de uma longa analepse que tem como narrador Vasco da Gama e como narratário o Rei de Melinde. 66 Colocado em posição de destaque. bem como nos destes. forte na defesa da vida por amor dos filhos e do Um momento particularmente lírico da narrativa. "os velhos e os mininos" (os mesmos cujas lágrimas darão sal ao mar. a saudade que eles próprios já começavam a sentir. Note-se que poderá parecer também contraditório que. Esta contradição tem a ver com o conceito da época de que do valor dos chefes dependia a actuação das suas gentes.pêra um só (cristão) cem Mouros haveria. A contradição é aparente pois. ou acumulando as suas palavras os diversos níveis significativos. 59 Este episódio lírico narra o facto histórico do assassinato de Inês de Castro.)/que lágrimas são a água e o nome Amores. em geral..". alvo de diversas interpretações. ou daqueles que. no poema da Mensagem). mas o cumprimento de uma missão que o transcende e que foi confiada por Deus ao povo de que é Rei: a dilatação da fé cristã. A vitória ficou a deverse à força indomável de Nun'Álvares e à coragem de D. vêm os mais frágeis. 138) O episódio. A determinação com que cumpriu e. Adão.. Prometeu. O romance de Pedro e Inês tornou-se assim o mito nacional do grande amor contrariado. Afonso Henriques. "seu" Pedro. qual Romeu e Julieta. Porta-voz do bom senso e da prudência. quase no início da narração da viagem por Vasco da Gama. esposas. Ícaro.") Canto V – O fogo de Santelmo e a tromba marítima pág. a força anímica e capacidade de chefia de D.. Neste episódio.)/que inda dura (. da luta contra os Infiéis."]. 61 Canto III – Batalha de Ourique pág. Camões vê a guerra em função das causas. "esforço e valentia". 55 que ficavam. fez cumprir essa missão deu ao primeiro Rei de Portugal o estatuto de símbolo. textos da pág. Canto IV – O Velho do Restelo pág.. uma vítima inocente de tamanha crueldade que a própria natureza chorou o seu destino e a imortalizou numa "fonte pura (. torna D. do impulso do ser para transcender tudo o que o limita (cf. a fé inabalável do Rei e a sua capacidade de chefiar e inflamar os ânimos dos combatentes são os aspectos que contribuem para a mitificação deste herói. O interesse manifestado pelo Rei africano em conhecer a história dos visitantes. no mesmo poema da Mensagem será. para sempre fixado. a aparição de Cristo a D. 64). . ("Um fraco Rei faz fraca a forte gente" C.Canto III – Em Melinde pág. Antes dos heróis.. 43 Episódio bélico que relata uma batalha travada no Baixo Alentejo entre o exército lusitano e o dos Mouros que ocupavam a região. a conquista do Canto III – Inês de Castro pág.. o plano da História de Portugal (técnica de encaixe). João I que com o seu exemplo. Relata a batalha. feita neste episódio d'Os Lusíadas. pois é da natureza humana essa "Mísera sorte! Estranha condição". introduz a perspectiva oposta à do espírito épico.) serem inúteis todas as críticas e condenações. até pelos exemplos que cita (os mitos da transgressão. o poeta parece contradizer o espírito guerreiro e combativo até agora glorificado. ao longo da obra. ele sabe. A protagonista é apresentada como uma “fraca dama delicada". em particular Vasco da Gama. A guerra é "justa" quando está em causa a defesa da independência nacional ou a dilatação da fé cristã. Não está apenas em causa. neste episódio. (a resposta de Pessoa.. apelidando o Velho de vaidade aquilo a que outros chamam "Fama e Glória". Episódio bélico. como chefe. é o pretexto para a inclusão dum terceiro plano narrativo na epopeia. como veremos "Valeu a pena? Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena. instigou o ânimo das tropas.

então. depois na composição da figura do Adamastor. a incansável divulgação da Fé. assim. no final retira-se com um "medonho choro". pág. • a afirmação do herói . é possível. e a falta de cultura dos heróis nacionais é responsável pela indiferença que manifestam pela divulgação dos seus feitos. 74 pedagógica da sua epopeia (cf. • a exaltação do herói . as "grandes obras" realizadas. na realização de qualquer viagem. 107). "ver os segredos escondidos/da natureza e do húmido elemento". é realizada a obra.) Canto V – O Gigante Adamastor pág. Exalta. "em delícias. movido pelo amor da pátria. os navegadores enfrentaram o terror. 78 O poeta começa por mostrar como o canto. e que é marca da sua identidade nacional. desta forma. reitera o seu propósito de continuar a engrandecer. o medo do desconhecido. em todas as suas capacidades. no mar). 68 do manual chamam a atenção). o poeta faça novo louvor aos portugueses. 75 e pág. ao tornar-se conhecido. na pág. Por oposição. por parte de Vasco da Gama. portanto. veja-se o texto "O Homem é a medida de todas as coisas". se mais mundos houvera. • o desfazer do mito . desvendados os segredos. 76 Vencidos os perigos e o medo. desvanece-se o seu carácter ameaçador. o gigante. decifrá-lo. O episódio simboliza. têm um efeito duplamente exaltante.exactamente por serem ditas por um ser tão temível as palavras do Adamastor. "E. que os perigos ignorados da natureza provocavam. lá chegara"./Gastam as vidas" . e a chegada. no combate aos infiéis. bem como da importância dada ao conhecimento e à cultura. depois de ter contado a sua história. Não é. o que se passa com os portugueses: não se pode amar o que não se conhece. a pergunta sobre a sua identidade -"Quem és tu?" são o momento simbólico de afirmação da grandeza do homem.na batalha ou enfrentando os elementos. dá em seguida exemplos do apreço dos Antigos pelos seus poetas. incita à realização dos feitos.conhecimento. "mais que quantas/no mundo cometeram grandes cousas". que levava a que as armas não fossem incompatíveis com o saber. caixa. a cor cadavérica. o "duro inglês". o Ásia. o "Galo indigno".) 3 . aquela "gente ousada". (Para um melhor enquadramento do novo conceito de saber no ideário do Renascimento. os italianos que. é momento para que. do saber que resulta da aliança entre o estudo e a experiência (para cuja importância os textos da pág. a vertente Percorrido tão longo e difícil caminho. o louvor. sacrificando o corpo e sofrendo pela perda dos companheiros. estão presentes os elementos desde sempre associados ao medo. a mesma intenção simbólica). Canto VI – Chegada a Calecut pág. o prestígio e o poder adquirem-se pelo esforço . (A este propósito. com os seus versos. como nos filmes de terror). como um dos grandes feitos da viagem. Canto V – Reflexão do poeta pág. ousar conhecê-lo. encontraremos. o ruído intenso. nas histórias para crianças. 77 Continuando a exercer a sua função pedagógica. Canto VI – Reflexões do poeta pág. a vitória sobre o medo.o Gigante Adamastor representa o maior de todos os obstáculos. sobre a ousadia dos navegadores. veja-se o texto "Nacionalismo e universalismo". o que mostra ao profetizar desgraças futuras. infelizmente. a sujidade repelente. associados ao medo. o seu espírito de Cruzada. afinal vencido no amor e na guerra. como a escuridão (no ar. assim.a coragem do herói afirma-se pelo enfrentar do medo. desvendaram os seus mistérios e o desconhecido deixou de o ser./Que o vil ócio no mundo traz consigo. interrompendo as palavras ameaçadoras da monstruosa figura. o e poeta defende um novo conceito de nobreza. o uso da palavra. que se coloca em destaque.por não seguirem o seu exemplo. nobre ou imortal se tinha atrevido a tentar. Como vencer os limites por vezes paralisantes que a prudência impõe? Como preparar o confronto com não se sabe o quê? Com que armas se luta contra o que se desconhece? Perante o desconhecido. 83. o tom de voz (facilmente se identificam alguns ou todos estes elementos.tendo sobre os humanos a vantagem de conhecer para além do presente. América. iludido e aprisionado. 69 O conhecido episódio simbólico aponta as etapas para a sua interpretação: • a representação do «terrífico» . permanecendo no luxo e na ociosidade. ultrapassou os limites. o que nenhum ser. do saber ancorado na observação. (No "Mostrengo" da Mensagem. Apesar disso. Manifesta. na defesa da realização plena do Homem. Canto VII – Reflexões do poeta pág.os "Alemães. fora. É mais uma vez a conquista do conhecimento. espelho do modelo da virtude renascentista: a fama e a imortalidade. na pág. por África. finalmente. soberbo gado". • simbologia do episódio . critica duramente as outras nações europeias . na chegada a Calecut. os "vedados términos"' para desvendar o desconhecido. ignorou as interdições.desde logo na descrição do ambiente. naturalmente. o tamanho e postura ameaçadoras. não se é nobre por herança. seja qual for a natureza dessa viagem. o poeta. assim inserindo a viagem à Índia na missão transcendente que assumiram. 83. nem pela concessão de favores se deve alcançar lugar de relevo.

deturpa o conhecimento e a consciência.de novo a crítica aos contemporâneos. que sobrepõem os seus interesses aos do "bem comum e do seu Rei". segundo diz. uma recompensa pelos perigos e tormentas que enfrentaram. "Nũa mão sempre o espada e noutra a pena. Esta ilha não existe na realidade. o poeta exprime um estado de espírito bem diferente do que caracterizava. no sonho que dá sentido à vida. percorre um caminho "árduo.Canto VII – Reflexões do poeta pág. faz dos amigos traidores. reiterando valores como a justiça. orientada por valores materialistas. povoada de ninfas amorosas que lhes deleitam os sentidos.. insano e temerário". Canto X – Reflexões do poeta pág. recebe novas contrariedades . É a glorificação simbólica do conhecimento. o presente e o futuro. no mais. É a imagem que nos dá do Portugal do seu tempo. Canto VIII – Reflexões do poeta pág. e esse foi o da imortalidade. a lealdade ao Rei.. o orgulho nos que continuam dispostos a lutar pela grandeza do passado e a esperança de que o Rei saiba estimular e aproveitar essas energias latentes para dar continuidade à glorificação do "peito ilustre lusitano" e dar matéria a novo canto. que enumera: a pobreza. os dissimulados. as divindades fingem assustar-se com a presença dos marinheiros. O "bicho 4 . Por contraste.Vasco da Gama vê o que só aos deuses é dado ver." . os textos e as leis são por ele condicionados. a ninfa com cujo amor Vasco da Gama fora premiado. e o alerta. orgulho. vitoriosos. corrompe até os sacerdotes. está na origem de difamações. 85 Estando os navegantes na viagem de regresso a Portugal. por seu Rei". a coragem. O seu desalento advém de constatar que canta para "gente surda e endurecida (. de esboçar o perfil dos que podem ser "nesta ilha de Vénus recebidos". Canto IX – Ilha dos Amores pág. da Realização. que não defendam "que se pague o suor da servil gente". A grandeza dos Descobrimentos também se mede pela grandeza do prémio. quando são enumerados aqueles que nunca cantará e que. mas logo se rendem aos prazeres do amor. Musa. A nível da estrutura do poema.. significativamente. A glória do passado deverá ser encarada como um exemplo presente para construir um futuro grandioso. não por cansaço. Tétis. esperança. mancha o que há de mais puro. É o auge da glorificação . a desilusão. condu-lo agora ao cume de um monte para lhe mostrar a "Máquina do Mundo" e lhe dar a noção do que será o Império Português. apagada e vil tristeza". Numa atitude estudada de sedução. no Canto I a Invocação às Tágides -"cego. Como não ver neste retrato a intenção de espelhar o modelo de virtude enunciado em momentos anteriores? Em retribuição. 95 Numa reflexão de tom marcadamente autobiográfico. perigos do mar e da guerra. Fá-los aportar a uma ilha paradisíaca. em consequência de tais exemplos. uma ninfa profetiza futuras vitórias dos portugueses. longo e vário". O sonho que permite atingir a plenitude da Beleza. com a ajuda das ninfas e de seu filho Cupido. O poeta não perde o ensejo. são agora enumerados os efeitos perniciosos do ouro provoca derrotas.. Retomando a função pedagógica do seu No banquete com que homenageiam os navegantes. teme que o barco da sua vida e da sua obra não chegue a bom porto. da tirania de Reis. 81 canto.". sob a aparência da virtude. do saber proporcionado pelo sonho da descoberta. retorna à definição do seu herói o que arrisca a vida "por seu Deus. o amor à Pátria. 99 Os últimos versos de Os Lusíadas revelam sentimentos contraditórios -desalento. o poeta recusa continuar o seu canto. o poeta aponta um dos males da sociedade sua contemporânea. no final do Canto. Canto X – A Ilha dos Amores pág. "No mais. 84 da terra tão pequeno" venceu as suas próprias limitações e foi além "do que prometia a força humana". do Amor. os três planos sobrepõemse: os viajantes confraternizam com as entidades mitológicas e ouvem a História de Portugal futura. mas por desânimo. mas na imaginação. Vénus prepara-lhes. Uma vida que tem sido cheio de adversidades... Mas a crítica aumenta de tom na parte final. denuncia abundarem na sociedade do seu tempo: os ambiciosos. simbolicamente representada na união homens-deusas. os exploradores do povo. No final.. implicitamente. A propósito da narração do suborno do Catual e das suas exigências aos navegadores. para a inevitável inibição do surgimento de outros poetas... e precisa de auxílio porque. O poema encerra pois com uma mensagem que abarca o passado.)/metida/no gosto da cobiça e na rudeza/dhũa austera.