A tradição da “gaia ciência” e o homoerotismo

Edrisi Fernandes Pesquisador do grupo de estudos Metafísica e Tradição do Departamento de Filosofia da UFRN.

Resumo São investigadas as origens da tradição da “gaia ciência” e a contribuição de elementos dessa tradição, ou de uma apreensão rasa de alguns de seus ecos, para o entendimento atual da origem do vocábulo gay/guei e para o debate sobre a adequação de sua associação com a homossexualidade. Iniciando por uma apreciação do nascimento da tradição do gai saber no ambiente trovadoresco “provençal”, são acompanhadas diversas instâncias da associação entre amor, alegria e juventude, promovida pelos trovadores em nome da sabedoria e do prazer de viver, investigando-se sugeridas vinculações etimológicas e estilísticas. Procura-se demonstrar como o regramento tratadístico e legal da “gaia ciência”, abraçando a doutrina do “amor cortês”, tolheu a liberdade expressiva da poesia trovadoresca, submetendo-a a cânones que muito contribuíram para sufocar a espontaneidade de sua alegria. É apontada a contribuição de Nietzsche para o resgate da idéia de “gaia ciência” na modernidade, e são apresentadas algumas reflexões e preocupações contemporâneas sobre a questão. Palavras-Chave: Gaia ciência; gai saber; poesia provençal; poesia trovadoresca; amor cortês. Abstract The origins of the tradition of the “gay science” are investigated, as well as the contribution of elements from this tradition, or of a shallow grasp of some of its echoes, to the present understanding of the origin of the word gay and to the debate about its appropriateness to the homosexuality. Starting from an appreciation of the birth of the tradition of the gai saber in the trobadoresque-provençal milieu, we follow diverse instances of the association between love, joy, and youth, promoted by the troubadours in the name of wisdom and the pleasure of living, investigating suggested etymologic and stylistic connections. We try to demonstrate how the fixation of treatises and laws on the “gay science”, embracing the doctrine of “courtly love”, restricted the liberty of expression of trobadoresque poetry submitting it to cannons that contributed very much to suffocate the spontaneity of its gaiety. Nietzsche’s contribution to the rescue of the idea of the “gay science” in modernity is indicated, and some contemporary reflections and concerns about the question are presented. Keywords: Gay science; gai saber; provençal poetry; trobadoresque poetry; courtly love.

Introdução

Na história da literatura, “provençal clássico” (orig. proensal; doravante referido apenas como “provençal”, forma antiga do idioma occitano ou lenga d’òc [francês

I da Sicília) e o irmão e sucessor deste.) Hadewijch [séc. 2. Lafont.. usada pelos trobadors (occitano moderno troubadours)2 dos séculos XII a XIV. cortês. traduzida numa poesia cavalheiresca. 44. mas inferior ao de Minnesinger alemães conhecidos. Cino da Pistoia. (ed. Anatole. 47. o tipo de guerreiro da invasão dos bárbaros foi substituído pelo ideal do cavaleiro ascético cristão a serviço da Igreja e das cruzadas. Algunos comentarios acerca de la poesía trovadoresca”. 2 vols. c. v. V. Strofische gedichten. trovadores e mecenas de trovadores como Jofre de Foixà]. e Izquierdo. a arte da canção escalou novamente o cume de maior esplendor exterior (. 4 A burguesia tinha maior controle das cidades. J. empregado para designar a língua natural da região. e mobilizado na preparação das Cruzadas) e que ainda vivia numa atmosfera platônica (enquanto no norte a influência aristotélica imperava)5. trovadores escreveram em provençal até o séc.500 indivíduos. o feudalismo era menos rígido.m vol midons s’amor donar. 1942. Nessa passagem ardente surgiu uma imaginativa O termo lenga d’òc (língua d’oc. p. 1 . Este ideal cavalheiresco [o provençal não distingue cavaleiro e cavalheiro] nasceu na Provença. a um novo heroísmo decidido ao martírio. A Provença. II da Sicília). Frederico (III de Aragão. 3 Representado por Dante Alighieri. Barcelona: Dopesa. J. 28-30. na Alemanha [onde causou forte impacto sobre o trabalho dos Minnesinger em vernáculo local]. R. que tinha condições de vida mais pacíficas e melhores condições gerais4 que aquelas do norte da França (sacudido por repetidas lutas entre a realeza e os senhores feudais. número um pouco superior ao de trouvères em langue d’oïl (francês). c. uma visão progressivamente romantizada do papel do cavaleiro na sociedade. a partir do século X. seu filho Jaime (II de Aragão. político e econômico era favorável. viu florescer. 37. Quando em fins do século XII o cavaleiro cruzado se refinou e converteu-se em trovador.. Universitetet i Oslo). Historia de la Literatura Occitana. 2. por outro lado. 50 e ss. Romansk forum (Klassisk og romansk institutt. I da Sicília).). no sul da França (Provença) e. Antuérpia/Bruxelas/Gent/Leuven: N. v. [v. centrada no dialeto limousin (orig. 38. Standaard Boekhandel. 8 (2) 1998: 37-56. XIII]. no norte da França [onde influenciou a poesia lírica dos trouvères]. ainda. C. lemosin). Lapo Gianni.. Portugal [onde os trovadores rapidamente passaram ao uso do galego-português] e Sicília [com Pedro o Grande (III de Aragão. Depois de dois mil anos se efetuava novamente aquela espiritualização do guerreiro que havia feito florescer a épica homérica (. 1: Tekst em comentaar. 2: Inleiding]. XIV] . amorosa.. 3. por um limitado período. 1973.e. M. Guido Cavalcanti. o clima social. Conforme Walter Muschg: Na França do século XI. a cultura e a arte eram mais incentivadas. Brunetto Latini. p. no norte da Itália [onde derivaria no dolce stil nuovo3] e nordeste da Espanha [na Catalunha.390. langue d’oc) sendo. “Si. onde os trovadores inventaram ao serviço da dama a poesia amorosa cavalheiresca. 2 Dos quais se conhece o nome de cerca de 2.langue d’oc]) é o nome dado à língua padrão artificialmente homogênea1. p.. por vezes. Este ideal se havia comprometido a uma honra e uma fidelidade novas. 5 Van Mierlo.). com seus muitos dialetos.500.

rei após 1252). de Peire Raimon de Tolosa (c. 6 . predominantemente inominada e freqüentemente inalcançável. e na composição Atressi com la Candela. apresentam refrão e acompanhamentos musicais conhecidos a parir dos códices do Escorial (I2) e da Biblioteca nacional de Madri (1)./ Qu. Afastado das pelejas bélicas e menos envolvido em lutas em nome da fé. fin amor (tb./ E não sei que bens dela me virão”) [Pickens. Maria Jesús Rubiera Mata oferece uma interessante explicação para essa androginia na sua obra Literatura Hispanoárabe (Alicante: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. como no poema No sap chantar qui. mas por jogo gozoso. “meu dono”. R. O (a) amante retratava-se como um vassalo de sua amada8. The Songs of Jaufré Rudel. tornado princípio de perfeição moral e depois literária./ Ni per nulh [ou nuill] joi aitan[t] no ri. A questão do “amor cortês” é melhor tratada adiante. “meu senhor”./ Pois este coração não gosa a alegria de nenhum amor / Que não seja o daquela que nunca vi. neles se estabeleceu mais uma vez a velha harmonia entre poesia e ação. 214). o talento poético pertencia às virtudes cavalheirescas indispensáveis. de Blondel se Nesle (séc.m veira. como homens vivazes e enamorados da beleza da vida e das mulheres. passou a identificar-se com a própria poesia. T. pelo espírito da chevalerie galante (MUSCHG. que os trovadores trasladaram à amada de seus pensamentos. 416). praticado pelo fin aman ou drutz (fem. 1978. encontramos a forma midamo.s meravilh de mi/ S’ieu am so que ja no. Toronto: Pontifical Institute. 8 Freqüentemente caracterizada androginamente como midons (do latim meus dominus) ou meu senyor. “meu senhor/minha senhora”. que algumas vezes assume o caráter de amor de lonh (“de longe”). Assim. 2001. 7 Amor. fin’amor. Roumanille. girando em torno de uma piucela (donzela) ou domna/donna amada [ou bachalar (donzelo) ou cavalier amado] idealizada.arte nobre de senhores guerreiros. os quais. 9 Como na composição L’amour dont sui espris. O “amor cortês”7. Também se imiscuíram com suas canções e sentenças nas lutas políticas de seu tempo. 1907. Avignon: J. e viria a alcançar seu apogeu nas Cantigas de Santa Maria (420 composições)10. poema 13). o cavaleiro provençal veio a buscar renome através da romantização dos anseios ou embates do coração. a seus olhos. diante de quem se diminui e até pleiteia a auto-aniquilação9. fundaram a courtoisie6. que associa habitualmente ao elogio a Maria beleza e bondade perfeitas. promovido sobretudo a partir da reforma cisterciense (século XII). remetendo à inversão poética da nova relação do amo com a serva à época do califado de Bagdá. chegando a alguns resultados deliciosamente irreverentes como a representação da “última ceia” como consumação do amor ilícito em Chasutz sui de mal en pena. 215 (VI)] . assim. da época de Alfonso el sabio (1221-1284. druda ou drusa). e mawlâya. são muito aplicadas pelo amante à sua amada segundo convenções poéticas já apontadas por PÉRÈS (1937.el cor joi d’autr’amor non a/ Mas d’aissella [ou de cela] que [ou qu’ieu] anc non vi. Sob o influxo da adoração da virgem Maria. normanda] Matilda da Inglaterra. Que essa auto-aniquilação pode ser uma metáfora para o orgasmo tem sido sugerido por diversas leituras. que A courtoisie foi influenciada pelo culto mariano. mas não sob a pressão de uma necessidade trágica. de Jaufré Rudel de Blaia (versos 7-12): “Nulhs [ou Nuils] hom no. fine amor) ou drudaria. 58-9). filha do seu inimigo Henri II Plantageneta). 1170-1230)./ E no sai quals bes m’en venra” (“Que nenhum homem estranhe/ Se eu amo somente aquela que jamais me verá./ Por nenhuma outra alegria sorrirei. a vassalagem amorosa assumiu o aspecto de um culto. p. No occitano empregado por Auzias Jouveau no poema I sèt dono de la court d’amour de Carpentras (1891) (em: Gran de Bèauta: 52 sounet prouvençau. As expressões árabes masculinas sayyidi. de Bertran de Born (que possivelmente dedicou seu poema à saisa [“saxã”. pp. XII). O jogo metafórico dos poemas provençais e das cantigas ibéricas que os sucederam é rico e fascinante. 10 Alternando séries de poesias narrativas sobre milagres da Virgem com loas (cantigas de loor) que lhe são também dedicadas.l son no di (“Cantar não sabe quem não dá o tom”).

occitano moderno prechs] e petulante e prazeroso”./ e aí [se acharão] totalmente mesclados amor. 90-3). seja eu escutado: Nunca Marcabrun teve par/ na maledicência [contra a mulher]. farai un vers pauc (pouco) covinen”.i a de sen. considerado o mais antigo trobador11./ e porei aí mais loucura que sentido. modificada).i mais de foudatz no. sendo este último (por vezes identificado com tornar-se “pretz e bobans e jois”15) diversas vezes velado sob o código metafórico do primeiro.1200) em Leu chansonet’ e vil (“cançoneta leve e simples”). joi./ Ou em seu coração voluntariamente não o aprende:/ Raramente partem do amor aqueles que ali encontram seu talento [poético]”. A expressão é de Giraut de Bornelh (c. p. do autor. 262./ pois de amor não pode saber nada / quem não ama dona a longo tempo”) (CIDADE. uma única poesia (Pos de chantar m’es pres talenz). As composições de Guilhem de Poitiers refletem um estágio de maturidade técnico-estilística e uma familiaridade com convenções artísticas que apontam para um considerável desenvolvimento anterior. p. trad. 1975. 14 A expressão é de Huchet. ‘prendado’. As onze composições conhecidas de Guilhem de Poitiers podem ser divididas em dois grupos. J./ Et er totz mesclatz d’amor e de joi e de joven. versos 59-60./ Q’ins son cor voluntiers non l’apren:/ Greu partir si fai d’amor qui la trob’a son talen. A mescla total de amor. Alguns lêem “Companho. já dizia nos versos que abrem o primeiro poema seu que conhecemos: “Companho.htm>. alegria e juventude. p. Toda a poesia trovadoresca posterior oscilará entre o amor cortês e o carnal ou “amor descortês”14.incorporaram em tradução para o galaico-português muito da herança árabe que correu o risco de se perder com a reconquista (ALVES.. I. 1975. 1998./ Et aura.1140-c.)”12 (RIQUER.// E tenham por vilão quem não o entende. 74). 128). 1999. 11 . farai un vers qu’er covinen. porisso não me parece/ que ele seja digno de fé. 12 “Companheiros.. (. 77).com/textos/guilherme1.// E tenhatz lo per vilan qui no. 1921. sia ieu escoutatz:/ Anc en Marcabrus non [h]ac par/ de mal dire [maldire]. per que nom par/ quez el sia dignes de fe. que era bem mais velha que ele e bastante antipática. senhores./ quar d'amor no poc saber re/ quar dona lunh temps non amec” (“Agora. Guillaume) IX de Poitiers [Poitou]/da Aquitânia (1071-1127). I.l enten. o fato de o amor ser o primeiro ingrediente da mistura se explica pelo fato de que “unicamente um enamorado pode ser bom poeta” (GARCÍA PEINADO e MONFERRER SALA. espelhando a proximidade do exílio da morte e considerada a última das que nos chegaram.ricardocosta. e cabendo recordar que o “amor cortês” não excluía obrigatoriamente a consumação sexual (RIQUER. oferece um tratamento diferenciado do amor. 1987. Isso se deve ao desconhecimento de poetas anteriores compondo em provençal. L’Amour Discourtois. Toulouse: Ed. sendo um com cinco composições onde a mulher aparece como mero objeto de prazer13 e outro grupo (aparentemente mais tardio) com cinco poesias ou canções versando sobre o “amor cortês”. joven) dá a tônica da poesia trovadoresca. Há tradução brasileira de Ricardo da Costa em <www. Ermengarde d’Anjou. La “Fin’Amors” chez les premiers troubadours.-C. farei um verso conveniente. 13 Algumas dessas composições foram evidentemente compostas após o divórcio de Guilhem de Poitiers em relação a sua primeira esposa (por apenas dois anos). 15 “Famoso [literalmente. Guilhem (fr. senhors. Consideramos um exemplo de composição que bem retrata o “amor descortês” estes versos de Marcabrun: “Ar. alegria e juventude (amor.

1993. Berkeley: University of California Press. pp. prazer. “canção”. p. MENOCAL. R. 1966). nos poetas andaluzes do século XI. verbo gaud re). ousado. “tocar um instrumento musical”] (LEMAY. 13-18 (“The etymology of ‘trouver’”).ciência de viver alegremente ou. The Woman Troubadours. tarab. 49 (1). N. 1928. ou exaltação amorosa. ¢ 16 . de significado equivalente19 aos vocábulos provençais jauzimen. podendo estar relacionado ao árabe tarab. F. e mais remotamente ao médio-irlandês guaire. M. R. disponível em <www. trobairitz ou trobaritz)16 deriva do provençal trobar. 1987. “alegrar-se”).. ou à palavra homófona tarab. 1938. M. a alegria ou ‘joya’. “The mysteries of the Orient: Special problems in Romance etymology”. tocar”. Menocal. entreter cantando”] (RIBERA Y TARRAGÓ. v. LEMAY. Dominguez Domingues. Paden. W. The Arabic Role in Medieval Literary Theory: a forgotten heritage. estritamente. (ed. agitação. Em: Baldi. P. Memory and Re-Creation in Troubadour Lyric. são sentimentos conjuntos nos enamorados” (MENÉNDEZ PIDAL. and Webs of Meanings: The Interpretation of Language Variation and Change”. p. 1991.. parecem de todo modo remeter à mesma hipotética raiz indo-européia g u(com a forma sufixada g widh ). Amsterdam: J.ca/tuitekj/publications/Tuite-PhonemesFossils. se confunde justamente com la pena e la dolor [.umontreal. de origem no hipotético vocábulo franco gahi. Epos: revista de filologia.mapageweb. júbilo”. p. 57-75. Filadélfia: University of Pennsylvania Press. de gaudium. joy.) The Voice of The Trobairitz: Perspectives on The Women Troubadours.) Papers from the XIIth Linguistic Symposium on Romance Languages. inventar. M. 9. Algunas observaciones sobre los verbos de ‘encontrar’ (I)”. 1980. versos 1 [‘joya’] e 75-6). alegria”. e por extensão. K. reconhece-se largamente hoje que a alegria de viver é o impulso criativo da poesia (Van Vleck.. 147). “Del latin al romance. 20/12/2005. Menocal. Filadélfia: University of Pennsylvania Press. drb [“golpear. fazedor de canções”17. “gozo. apressado. Bogin. 21 Conforme Amelia van Vleck. M. das intercalações no canto eclesiástico) e só depois “compositor de versos.l martire em Bernart de Ventadorn (composição 44 [‘Tant ai mo cor ple de joya’]. 1982. rápido. relacionado ao grego gaio. p. 19 “A joya. 1992. “Of Phonemes. antigo francês joie.e. Outros letrados18 derivam trobar das raízes árabes trb [“provocar emoção. 140-3). 17 Cf. ou joya (forma aberrante jaia20). Também no provençal encontramos a palavra gaia/gaya. e “Del latin al romance. R. poetar”. Menocal. “alegria. 1928. “alegre exaltação amorosa”. Epos. 1981: 43-64. 67-100. 1984. A. presente em vocábulos relacionados a “alegrar-se” ou ¡ ¡   ¡   Q. excitação. (ed. ou de uma convergência das duas raízes (MENOCAL. 8. e a dor amorosa. derivados do latim gaudia (pl. de Raimbaut de Vaqueyras (1150/60?-1207).. 1966.A palavra trobador (fem. desfrute.pdf>. ex. “achar. E. Tuite. 20). Benjamins. p.. ou à forma mais breve joi. 404-5). 501-515.. “alegro-me” (verbo ganusthai. Iorque: Norton. antigo alto-alemão g hi. As palavras provençais joi/joy/joya/jaia e gai/gaya. apesar de inicialmente trobador parecer ter significado (partindo do baixo-latim tropare) “fazedor de tropos” (i. Hispanic Review. wa d [wajd]. Fossils. 18 P. arte poética21 -. 1989. J. 20 Como no poema Kalenda maia (“Primeiro de maio”). “impetuoso. cujo sentido em certa medida se sobrepôs na ideologia trovadoresca da “gaia ciência” . “nobre”. 1982. (II)”. “Close Encounters in Medieval Provence: Spain’s Role in the Birth of Troubadour Poetry”. pp. fazer música.] e. vivaz”. e nos surpreende achar também que. RIBERA E TARRAGÓ.

A. 2000. corrigida: Cancionero Andalusí. “Abengusmán. 116]. 23 Cf. 1997. or was the Poet having fun? (Ibn Quzmân's Zajal no. E. niyâk. árabe: Dîwân Ibn Quzmân al-Qurtubî: ishâbat al-agrâdh fî dhikr al-a‘râd. al-Malik Aben Guzmán [Ibn Quzmân]. SLEIMAN (2000. donde “apregoados. clássico. medido y explicado. 25. 27 Árabe muwashshahat (sing.que teve como principal fonte o Kitâb al-Muqtataf min Azahir at-Turaf de Ibn Sa‘îd (1214-1286) -. E. Monroe [“The Poet as Pederast”. “cingida. El Cancionero Hispanoárabe de Ibn Quzmân. castelhano zéjeles ou céjeles. Editado. Ibn Quzmân leva ao extremo sua intenção de “fazer da língua popular o veículo mais apropriado para exprimir. D.). “companhia. disponível em <www.com/dantestudies/ee1. 1999 (ed. Eisenberg.net/GER/ficha_GER. livresco. J. esclarece que “o zejel dispõe o autor e sua personagem numa relação de alteridade. proclamados”). Vernet-Ginés.geocities. para o status de zejeleiro (zajjâl). ímpio. a imagem construída por Ibn Quzmân e pela qual ele passou a ser conhecido foi a de desavergonhado. muwashshaha ou muwashshah ou tawshi.html>. a ironia e o panegírico”. 133)”. fazedor de zejéis. “doador”. T. Conforme J. 1991.. de estilo formal. 3 vols. W. Iorque: Garland. “podemos afirmar categoricamente que inexistiam homossexuais na civilização árabe pré-moderna. E este terá sido o maior vínculo entre o poeta e sua poesia: que um refletisse as qualidades do outro”. (eds. 30-4)22 . c. Em: Encyclopedia of Homosexuality. e que em conseqüência também inexistiam nela heterossexuais ou bissexuais. 1984. 33). remata-lhe algum episódio narrativo e termina com um panegírico”. afinal. 1972. Neste sentido. “The Trajectory of AABBBA from Ibn Quzman of Andalus. U.. Madrid. “Spain”. 25 Em árabe. 24 Liwât ou ubna são as palavras mais usadas em árabe para a sodomia. poemas do gênero jidd ou mu’rab. que parece ter sido bissexual assumido23 e “se proclamava bêbado. “que é ‘feito’”). Conforme SLEIMAN (2000. R. encontrou uma série de zejéis 26 e muaxafas27 escritos na língua romance das classes 22 . Cairo: Conselho Superior de Cultura. 115-27. 1990. maravilla del tiempo. ed. exemplo. ma’fûl. pp. “viver” (WATKINS. Rowson. p. Emery.. nakkah e nakkayi são as palavras mais usadas para “fodedor”. adúltero inescrupuloso e sodomita24 estuprador”25 (SLEIMAN. o inventor da muwassaha &¦ # '% ¦ $ " ¦  !     ©§¤ ¥ ¨¦ . El cancionero del s [sheikh]. moçárabe (hispano-romance) muwassahas. via the Marian–Laudes to Dante’s ‘Morte villana di pietà nemica’”. prólogo de M. 1078-1160. p. 20). zajal. disponível em <www. o cortejamento amoroso. por oportuno.pdf>. Segundo os testemunhos de Ibn Bassâm (m. Madri: Gredos. num único texto. Homoeroticism in Classical Arabic Literature. Abu Bakr ibn ‘Abd Nykl. García Gómez. que era o que importava. Madri: Publicaciones de las Escuelas de Estudios Árabes de Madrid y Granada/Imprenta de Estanislao Maestre. 1995. enfeixada”).“ter temor ou reverência religiosa”. p. R. simplesmente porque esses conceitos não existiam”. N. J. rebuscado. disponível em <http://users. enquanto maniûk é a palavra para “fodido” (sinônimos parciais: ‘attayi. 18) –.ipfw.edu/JEHLE/deisenbe/encyclopedia/Spain. castelhano muguasajas. p. Madri/Córdoba: Editora Nacional. F. Corriente Córdoba. Hiperión: 1989. Todo Ben Quzmán. E. 1933 (edição hoje considerada incompleta).: setembro de 2003). N. ao analisar o Cancionero (árabe Dîwân) de Aben Guzmán (SLEIMAN.ou gwei-. Cancionero de” Gran Enciclopedia Rialp. 26 Árabe azjal (sing. Digitamos a palavra bissexual em itálico em virtude de inexistir no árabe clássico [pré-moderno] vocábulo equivalente.do cordovês Ibn Quzmân ash-Shagîr. interpretado. 2000. 1927). £ A herança arábica e provençal Julián Ribera y Tarragó (1912. 2ª ed. 18-19). muasajas ou moaxahas. Iorque: Columbia University Press.asp?id=9164&cat=literatura>. 2000. ‘A Makkî. subseção de “The Striptease that was blamed on Abû Bakr’s Naughty Son: Was Father being shamed. multidão”. Em: Wright Jr. 1995. Madri.canalsocial. p. em 1147) e Ibn Khaldûn (1322-1406) no último capítulo dos seus Prolegômenos . O poeta cordovês geralmente “abre a composição com um prólogo amoroso. e mais remotamente podem se relacionar à hipotética raiz indo-européia gwei . Wayne Dynes. Comunicação apresentada ao Third International Seminar on “Arabic and Judaic influences in and Around Dante Alighieri” (Cambridge.

Abdul-Hâdî. ignora a pederastia.philol. de estilo festivo. os nomes árabes para o ativo [al-fâ’il. Le Vin. Cairo: n. Scheludko (1928)28. em moçárabe). Ethé. M. mais coloquial.populares na época da dominação árabe da Espanha (i. Monteil. tem monorrima e versos longos. o wishah). S. opinando numa nota emblemática (p. vol. é absolutamente (hoje considerada como derivada da estrofe clássica musammat) foi o poeta Muqaddam ben Mu‘âfâ (tb.”/“Zajal e estrofe romance nos sécs. R. sendo que aquele último autor chegou a afirmar que a língua da poesia amorosa árabe. Zwartjes (1995. p. Cairo: Bulaq. tanto num mesmo tratamento de temas amorosos29 quanto pelo comum emprego do estilo dos zejéis30.msu. (1977). trad. disponível em <www. vieram a ser o substituto vulgar da qâsida árabe clássica. n. Hodiernamente o zejel segue sendo usado em todo o mundo islâmico.arabworldbooks.uma visão panorâmica da “pederastia” na “zona sotádica (sotadic zone)” (citando Bagoas na p. Outros sugerem uma origem baseada em uma qasîda com três rimas internas (AAB/CCB).com/Literature/troubadour_poetry. nesses poemas. em dois hemistíquios. a musarmmat.ru/~tlit/texts/zajal. ( .” (“ XII-XIII . o cego. F. as opiniões de Andrés. nômade)” 30 Cf. B. Zaher. Até há bem pouco tempo pensou-se que o zajal (zejel). la Vie. e viu. em favor da “tese árabe”.htm>. um khuzistânî filho de mãe persa que “deixou as garotas pelos rapazes” (Abû Nuwâs. 1946). 33 o nome persa para o “trocatroca”. Mahn. Dierks. As muwashshahat (que devem seu nome a um cinto ornamental de faixa dupla. R. . Selât al-Muwashshahât wa al-Azjâl bi Shir Troubadour. Jones (1988). O. 1868).. chamado de Muhammad ibn Mahmûd). I. A contribuição das muaxafas e zejéis na gênese da lírica românica tem sido objeto de variados estudos. e na p. e o poeta árabe é um Badawi (beduíno. 237. 1997).e. Abû-Haidar (2001). enquanto a muwashshaha é estrófica. alish-takish. Abdelwahed. natural de Cabra. das quais diferem nos seguintes pontos formais: a qâsida não é estrófica. por outro lado. 91. p. 1974). “o fazedor”] e o passivo [alma‘fûl. le Vent. “Troubadour Poetry: An Intercultural Experience”. Corriente Córdoba (1998) e J. a mais antiga lírica em língua romance. Kitâbu’l-Agânî. 233. se posicionaram a favor de uma ausência de paralelos claros entre as formas literárias da poesia amorosa árabe e das composições de “amor cortês” (cf. X) fornece em sua parte IV/D (pp. Nykl acreditava que Muqaddam el Qabrî (castelhano el Egabrense) pode ter se inspirado nas composições em versos curtos (na forma mawâliya?) usadas por alguns poetas inovadores de Bagdá.. (m. em 1022). adiante) provençal. R. XII-XIII”). Menéndez Pidal (1938). aparecendo desde os séculos IX-X.H. composto no árabe dialetal de al-Ândalus. Journal of the American Oriental Society. H. Muqaddam logo foi seguido por Ibn ‘Abd Rabbihi (860-940) e Yûsuf ibn Hârûn al-Ramâdî. 102 (2). disponível em <www. Paris: Sindbad. Sobre o cancioneiro árabe oriental q. 205-254) – um ensaio francamente homofóbico . 225. 28 Scheludko cita. 20 vols. Nykl (1935. v. como o célebre Abû Nuwâs (747-810). tem polirrima e versos curtos. foram alguns dos pesquisadores que acumularam boa quantidade de sugestões a favor de uma precedência da poesia provençal/trovadoresca pela poesia arábico-andaluz dos séculos X a XII. 1885–86.htm>. “o feito”]). seguindo os passos de Ribera e Tarragó e de D. Schack e Tiraboschi. 1939. 2) que “o leitor das Noites observou o quão freqüentemente o ‘ele’ na poesia árabe denota uma ‘ela’. sem observar as desinências gramaticais desta. P F§GFD8A I H B E C B ( @ 9 7 87 7 5 4 0 2 0 863131) W V XF5 Q T UR 0 P S R 4 B 2 6836§185 Q . dando na p. Fauriel. a matriz da poesia provençal/trovadoresca. popular. 1982: 247-264]. mas o árabe. A. mas recentemente sugeriu-se que o zejel pode ter precedido a muaxafa [Wulstan. Muaxafas e zejéis parecem ter sido destinados a serem cantados e até dançados. . A. Stern (1965. V. 29 O “Terminal Essay” oferecido em apêndice à tradução do coronel Sir Richard Francis Burton para The Book of the Thousand Nights and a Night (Londres: The Burton Club. V. quando não contaminado por viagem. D. picante. na região de Córdoba. “The Muwaššah and Za al Revisited”. burlesco. A. 1397 a. Pizzi. Clouston. ainda Semenov. poemas do gênero hazl. de temática mais realista e em tom mais empolado. surgiu no século XI a partir da muwashshaha (muaxafa). e que viveu no tempos do emir ‘Abdallah (888-912) e no começo do emirato de ‘Abderrahmân III (912-961). Pérès (1937) e S. Abû’l-Faraj al-Ispahânî.) “Zadjal’ i romanskie strofy XII-XIII vv. A.

Introdução [depois renomeada “‘La escondida senda’ – homosexuality in Spanish history and culture”] a Spanish Writers on Gay and Lesbian Themes. W. Dozy. e isso vai se aliar a uma “epicurista liberdade de costumes” que se instala com os últimos califas Omíadas (1ª metade do século XI). 2001. Ibn al-‘Abbâr. from the copies in the library of the British Museum. cit. Westport. Analectes sur . mencionou33 os modos suaves de conversar e Cf. Amsterdam. Krehl e W. (eds. N. Tamim al-Mu’zz. 62.ipfw.) Islamic Homosexualities: Culture. ‘Âlî ibn Abî al-Husayn.. 32 Abû-Rub menciona em sua obra . Abû Muhammad ibn Galib. Abû Muhammad al-Giyyânî. 2004: 1-25. sold by W. H. Ibn Sahl al-Isra’îlî (de Sevilha). Al-As’ad Ibn Billita.). S. Abd al-Galil ibn Wahbûn. ghazal wa hanîn (poesia galante e carinhosa). 229). 1984). Ibn Fatuh. History. v. Ibn Burd “al-Mura‘ath”. Eisenberg. Ibn Rashiq.imiscível com a linguagem das composições de amor provençal. geography. by Pascual de Gayangos. Abû Bakr Yûsuf.. N. Allen and co. 65) sugeriu que as inovações culturais e lingüísticas de Al-Ândalus em boa parte acompanham a morte do severo hajib (espécie de grão-vizir) Al-Mansûr (em 1002) – “a poesia. Journal of the History of Sexuality. de origem iraniana) deveria ser suficiente para dar uma idéia da variedade das relações entre a linguagem e a prática amorosa árabe (que chegou a ser bastante liberal em Al-Andalûs)31: ghazal bi’lmû’annât (poesia galante dedicada a uma mulher). A. Connecticut: Greenwood. p. Iorque: The Haworth Press/Harrington Park Press. A diversidade de estilos da poesia galante árabe (o ghazal. Bulletin of the School of Oriental and African Studies (University of London). ghazal fahîch (poesia fescenina ou obscena). 1964. Olsen. N.. Al-Makkarî. 1991. Para um tratamento da homossexualidade moderna no mundo islâmico. “The Sodomitic Lions of Granada”.. 1840-43 (reimpr. 1967. Abû Talib Abd al-Gabbar. Al-Mu’tamid. 1999: 260-266. Wright. Crompton. 2 vols. 1-21 (disponível em <http://users. Delhi: Idarah-i Adabiyat-i Delli. Londres: Printed for the Oriental translation fund of Great Britain and Ireland. Abû Bakr ad-Dânî. q. ed. Dugat.pdf>). p. Ibn Husn al-Isbîlî. Abû Abd Allâh al-Gassânî. ghazal al-ghilmân (poesia galante exaltando os méritos dos adolescentes) (ABÛ-RUB. D. A Bio-Critical Sourcebook. L. J. O historiador Ahmad al-Maqqarî (1591-1632).). Ibn al-‘Abd Rabbih. pp. por sua vez. Schmitt. L. Ahmad ibn Muhammad. Ibn Suhayd. (2). Al-Mutalammis. (eds. Abû al-Ala’ al-Iyâdî. 1990)32. na descompressão gerada pela anarquia da revolução (fitna). Em: Murray. G. and Literature. ed. pp. 33 Maqqarî. bem como para a revisão de alguns tópicos clássicos. and illustrated with critical notes on the history. de temática mais idílica e tom menos grandiloqüente (ABÛ-HAIDAR. Schmidtke. E. Ibn Hafâgâ de Alcira. Iorque: Johnson Reprint Corp. G. ghazal bi’l-mûdakkâr (poesia galante dedicada a um homem). O. 1999. 142157. Ibn Haqân. Ibn al-Zaqqâq. 2 vols. Rowson. and antiquities of Spain. Adalberto Alves (1999.. Tr. J. Iorque: New York University Press. 13 (1). Gafar ibn al-Binnî.. Abû al-Assan al-Barqî. R. Abû Muhammad as-Shantarînî. David William Foster.. The history of the Mohammedan dynasties in Spain : extracted fro ---. S.numerosos poetas que trataram de temas homossexuais em Al-Ândalus no século XI: Ibn ‘Ammâr. ainda Wright Jr. Abû Zakaryya ibn Idrîs. Homoeroticism in Classical Arabic Literature (op. !   6¨ y  ¦ pq$  i i e  ©©w§vU&   x r s  q& & qpe b hg  ¦    ¨ $ c!   f ¦ ¦   i  e ¨ db ` ¥ Y Y b t  ¦  ¨ u  Y b t Y Y b Y Y §ca¨ Y  b „ ¥ †f …1 €ƒ i 3¥  q& g D¥ i U8e Y q& Y Y ¦ © Y $q©¦  Y ©6¨ 8  b  ¥ & b ‚  b ¥ ¥ & ¦ € 31 . “Male Love and Islamic Law in Arab Spain”.edu/jehle/deisenbe/Other_Hispanic_Topics/escondida. Oriental Press. “Homoeroticism and Homosexuality in Islam: A Review Article”. W. Roscoe W. expande-se e ganha espontaneidade”. Sexuality and Eroticism among Males in Moslem Societies.notadamente no capítulo VI “La poésie galante consacrée a l’amour homosexuel” . Bakar al-Marwânî. 1997.-(“extraído do Aroma do Perfume do Ramo da Verde Andaluzia e dos Memoriais de seu Vizir Lisân ad-Dîn ibn al-Khattîb”). Sofer. Binhhampton.

Tudo isso prova.. Esses remates são geralmente constituídos por um ou dois versos em árabe dialetal (andalusî). cit. Université de Limoges. o marcado contraste existente entre o mundo poético representado nas carjas35 romances e aquele representado nas carjas. qufl. castelhano xarjah ou jarcha). 39 Estas últimas. reproduz inteiramente o esquema de rimas da cabeza. M. e mãe e irmãs não costumam comparecer como personagens secundários. em estilo hazl. castelhano calva). J. os amores são normalmente masculinos (ou homossexuais)36. 37 Cf. deixados de lado no segmento intermediário (árabe ghusn. estribillo) ao metro e rima do refrão inicial (árabe matla‘. “Si. Em: Dictionnaire International des Termes Littéraires. p. 2006. Grassin e J. remates finais38. e cinco se encontram simultaneamente. 24). Para o classicista árabe. Literatura Hispanoárabe. muaxafas e zejéis árabes. M. com algumas alterações. 59-62. p. e a favor da tese de uma procedência romanista: “é importante. cit. Nestes últimos. na opinião dos romanistas. de kharja. Fahey. Algumas vezes a muaxafa carece do refrão inicial. estudadas por José Maria Millás Villacrosa. em moçárabe (em 14% dos casos)40 ou numa mistura dessas duas línguas.” (op. Elbouhajjari.-M. (op. em muaxafas árabes e hebraicas. além de muitas outras diferenças. “saídas” ou remates. embora a muaxafa (corpo da composição) seja tradicionalmente escrita em árabe mais clássico ou hebraico (o zejel carece do refrão final em linguagem coloquial)41. simt [donde o nome da estrofe clássica musammat]. posto que “normalmente” e “costumam” não são marcadores de absoluticidade. Izquierdo. 40 CORRIENTE CÓRDOBA (1998) lista 43 carjas romances em muaxafas árabes e 26 em muaxafas hebraicas. eds.info/arttest/art13521. N. pp. 10). a finura do trato (zarf) e a polimatia (adab)34 dos andalusinos (ALVES. quando não é calva.). a carja não Cf. 38 Um retorno (árabe markaz. Pedro Martín Baños resume numa breve frase um argumento bastante evocado contra a tese da procedência arábico-andaluza da poesia provençal/trovadoresca.php> 35 Árabe kharajât (pl. 65). que as “cantigas de Santa Maria” muitas vezes têm a mesma estrutura de rimas que os jezéis e que as “cantigas de amigo” parecem remontar às carjas. castelhano vuelta. p. disponível em <www. principalmente levando-se em conta a androginia de diversos poemas provençais ou trovadorescos37. Seis carjas se repetem em distintas muaxafas árabes. de composições em estilo jidd. enquanto a muaxafa. Rubiera Mata. Mas podemos dizer. com dois a quatro versos..). a presença de uma tradição lírica distinta da islâmica” (MARTÍN BAÑOS. castelhano cabeza – prelúdio repetido em coro no final do poema).m vol midons s’amor donar. “Adab”. 34 . sendo por isso chamada de “careca” (árabe aqra’. 1999. cf.ditl.. J. J. castelhano mudanza). desde a óptica romanista. de certas composições árabes ou hebraicas39 escritas na península ibérica entre meados do século XI e o final do século XII (salvo algumas experiências tardias) (ibid. pelo menos. Trata-se de uma afirmação problemática.argumentar. 41 Outra diferença é que o zejel usualmente reproduz em suas vueltas apenas metade das rimas da cabeza. 36 Sobre a valorização do elemento masculino na tradição amorosa árabe..

Weimar: Emil Felber. Berkeley/Los Angeles/Londres: University of California Press. Versmaßen und Namensregister. 65 (4). “Dâr at-Tirâz. posto que ao mesmo tempo deleitam e emocionam. 1953: 405-407. da UFES. seu açúcar. 1997. trad. Aletria (UFMG). Dâr at-Tiraz fi Kâmal al-Muwashshahât. Ibn. ar-Rikâbî.apenas foge às formas tradicionais: o poeta egípcio Ibn Sanâ’ al-Mulk (c. e “Unos con otros contra natura. 1981). M. podendo “estar em romance. pp. e costumbre natural. verso que o olho tomaria por prosa e prosa que o gosto diz ser poesia44. A. p. 2005: 43-98. 1998. S. Lisboa: Verbo. pp. libertam [de cuidados] e ocupam [o ócio]. 153-154). E. Eles tinham grande liberdade de expressão. vol. Hispano-Arabic Strophic Poetry. Amsterdã: APA Philo Press. 1897 (reimpr. pois surgiram por aquele horizonte e iluminaram aquele ar. Oxford: Clarendon Press. 2007: 121-150. o Ocidente converteu-se em Oriente. Paulo Roberto Sodré. patrono de entendimentos. J. 1988 [obra resenhada por Patricia Stablein Harris em Speculum. e finalmente o capítulo sobre “Pero da Ponte e os 42 . também Burgwinkle. 1155-1211)42 pronunciou-a composta “no estilo de Ibn al-Hajjaj quanto à senvergonhice. que são toda a seriedade. seu níscalo 43. “The Muwashshahat and the Kharjas tell their own story”. quzmânî (ao modo de Ibn Quzmân) quanto ao uso do dialeto. mit Formenlisten. âmbar de Sihr. 1980). os artigos “Estêvão da Guarda. Love for Sale: materialist readings of the troubadour razo corpus. 26 (1). em 1. Carlos Reis]. picante até abrasar e bem adereçada com o léxico do vulgo e dos delinqüentes”. Harvey. Bâqî. L. ouro puro do Algarve. São ditos festivos e graciosos. 14 -17). em Das muwaššah. Sobre a sodomia na sátira galegoportuguesa. 1949 (reimpr. Stern. dialetal. “Os homens entre si: homossexualidade masculina na lírica medieval galego-portuguesa (1330-1350)” (2006-7). 45 Muitos textos que advogam o “amor cortês” pronunciam que o amor não pode existir no casamento. Poétique du muwaššah by Ibn Sanâ’ al-Mulk”.. Cf. Dias na História Crítica da Literatura Portuguesa [dir. P. que é visto como uma relação formal destinada à procriação. chegando a abordar questões políticas e questionar a sexualidade ortodoxa45. No Brasil cabe mencionar as extensas pesquisas do Prof. I. acompanham e afugentam. 1990: 1005-1007]. Abbas. Die Entstehung der arabischen Versmasse. M. 2 vols. 9.. 13. e Abû-Haidar. S. edição de J. vinho de Qûfs. fazendo com que os habitantes das terras ocidentais se tornassem os mais ricos dos homens. 3ª ed. F. W. Al-Qantara. eine Studie der Geschichte und der Dichter eines der Hauptformen der arabischen Verskunst. ao tornarem-se donos deste tesouro que o destino lhes reservou e desta mina antes desconhecida da humanidade” (texto árabe reproduzido em Stern. incitam [à imitação] e fazem desesperar [de lográ-la]. A importância social exercida pelos trobadors não conheceu precedentes na história da poesia medieval. Iorque: Garland Pub. M. balança de inteligências. Cf ainda Hartmann. vagabunda e cigana” – ao passo que. seu âmbar” (ibid. Damasco: Dâr al-Fikr. 43 O cogumelo Lactarius deliciosus. As canções dos Ibn Sanâ’al-Mulk. Signum (São Paulo).. Ihsân. e Kendrick. e seriedade que parece dito festivo e gracioso. das arabische Strophengedicht. com a condição de que sua dicção seja igualmente vilã. idealmente. seduzem e atraem. 6 (2). Das arabische Strophengedicht – I. Álvar Rodriguiz e escárnio: sodomia no jugar de palabras”. N. enquanto chamou as muaxafas de sal da época. Babel da magia. 13-14). intituladas “Os homens entre si: homossexualidade masculina na lírica medieval peninsular” (2004-5). The Game of Love: Troubadour Wordplay. 2006: 125-132. Oriens. por A.. 1974.. aloé da Índia. Metrum und Rhythmus. quinta-essência suprema. Das muwaššah (Ergänzungshefte zur Zeitschrift für Assyriologie: Semititische Studien. deveria ser “condimento (ibzâr) da muaxafa. seu sal. Damasco. 44 A eulogia continua: “Graças a elas. 159-160. junto com a parte II. L. ed.

A alegada homosexualidade de Fernão Dias. M.it/autori/GlBerg. combinando sentimento e humor. Arnaut Daniel (fl. and Criminal Trials. O debate ou disputa trovada. 1150-1173) fez brilhar o “trobar ric” (“trovar rico” ou precioso). 210. teve seu ápice no século XV na península ibérica.s.pdf>). outrossim. 47 Que menciona. e um outro poema de Berguedán (210. e Bec. bispo de Urgel. viria a combinar o “trobar clus” e o “ric”. Canto XXVI. “Las poesías de Guilhem de Berguedán contra el obispo de Urgel”. Sodré). 33) que as referências homossexuais de Guilhem IX de Poitiers se articulam com estratégias doutrinárias. do livro de Anais do VI Congresso de Estudos Literários: Multiteorias: Correntes Críticas.trobadors por vezes evocam a homossexualidade empregando o artifício de disfarçá-la sob a máscara da “amizade viril” 46. 1180-1210). 1984. pp. Aimeric de Belenoi e Aimeric de Peguilhan. R. enquanto Raimbaut d’Aurenga (Raimbaud d’Orange.) Les Chansons de Pêro Garcia Burgalês. Ferreira. Paris: Centro Cultural Português de Paris. quatro poemas de Guilhem de Berguedan (1130?-1195 ou 96) (210. 1884-1992). Paris. 46 Por outro lado.ufes.]) atacam Arnaut de Preixens.21 [disponíveis em <www. cit. “A ‘outra arte’ das soldadeiras”. RuízDoménec. foi muito satirizada por diversos trovadores portugueses. El testimonio de Guilhem de Peitieu (Bellaterra: Instituto Universitario de Estudios Medievales/Institut d'’Estudis Medievals. 18. (ed.edu/~031_04_015_01_w01/documents/ trobadors_guillem_de_bergueda. e dele descendem a regueifa galega e o desafio em repentes dos nossos violeiros repentistas. 1-8 (disponível em <www. 1128-1150). Riquer. muitas vezes preservados na literatura de cordel (cordel é o vocábulo provençal para “barbante. 1983). c. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). 2006. Sobre a homossexualidade feminina no cancioneiro galaico-português cf. Guiraut de Bornelh (de Borneil. Trebelhos de Tissó Pérez”. 210. 1110. 210. . XIIe et XIII siècles. como Pero Garcia Burgalês [cf. Paris: Stock+. J. 1147-1170) dedicou-se ao “trobar leu” (“trovar leve” ou fácil).7. Barcelona. 1952: 272-291. Folquet de Marseille. versos 140-147). cf. n. e Los Trobadores. P. Universidad Autónoma de Barcelona/Universitat Autònoma de Barcelona. Récits Érotiques et Courtois. 1979.). derivado da tensó provençal (galaico-português tenção). E.rialto. 1993: 155-166. chegando a merecer citação literal no único trecho da Comédia (1308-1321) de Dante47 não escrito em dialeto toscano (Purgatório. L'Érotique des Troubadours (op. de Riquer. 2004 (ed. [op.doc>). já antes representado por Marcabrun (Marcabru. Régnier-Bohler (ed.unina. PPGL/MEL. Acima de tudo. c.htm>] ed. P. B. fl. floresceu circa 1162-1199) foi chamado “lo maestre dels trobadors” e considerado mestre do “trobar clus” (“trovar fechado” ou enigmático). Blasco.8 de Riquer) censura a homosexualidade de Pons (Ponç) de Mataplana (cf. acusandoo de homossexual e violador. Le Coeur Mangé.uoc.15. em Amor y Moral Matrimonial. Bertran de Born. 1996. Mass Media. Bernartz de Ventadorn (Bernart de Ventadour (floresceu c. Arnaut Daniel. cit. Fundação Calouste Gulbenkian. Luso-Brazilian Review. meirinho-mor da Galícia sob Afonso X. os seguintes trovadores provençais na Comédia e no De vulgari eloquentia: Peire d’Auvergne. transculturalismo. tb. Historia Literaria y Textos. nasceu c. 30 (1: Changing Images of the Brazilian Woman: Studies of Female Sexuality in Literature. os trobadors criaram em torno das pessoas da corte uma atmosfera de erudição e amenidade que até hoje não encontrou equivalente. contudo. provavelmente o autor das poesias mais pornográficas da literatura provençal. Stock+. de. Les Poesies del Trobador Guillem de Berguedà. A. 1984].br/~mlb/multiteorias/pdf/PauloRobertoSodrePeroDaPonteEOsTrebelhosDeTissoPerez. sugeriu (p. Giraut de Bornelh. M. R.). Para algumas questões relativas ao homoerotismo trovadoresco cf.4. por exemplo. Nelli. cordão”). P. transdisciplinaridade. o estudo da Universidad Oberta de Catalunya em <http://cv. floresceu c. Burlesque et Obscénité chez les Troubadours. Le contre-texte au moyen age. Studi Medievali.

A fonte aqui parece ser Menéndez Pidal. 49 Enueg equivale ao francês ennui. Nas cantigas de amigo quem se exprime é um eu lírico feminino. Esses e outros trovadores cujos nomes se perderam ensinaram aos portugueses as variadas formas poéticas provençais que. O mais ilustre dos trovadores portugueses foi o rei D. cf. . disponível em <http://cepadlab. e Zironi. que gozou por algum tempo o favor da corte de Afonso VII. Boletín de la Real Academia Española. entretanto. Ele começa uma delas (Cancioneiro do Vaticano [CV].. C.it/formazione/LinguaLettSpagnola_Liano/literaturaME/Contexto%20general. 123. M. 268. Estudios críticos de los alumnos del Curso de Instituciones de Literatura Española IV. Università Cattolica del Sacro Cuore (Milão). Rebuzzini. “tédio”. recorda ainda que nas “cantigas de amigo” “a palavra árabe habib (amado-‘amigo’) surge não raras vezes”. Tagliaro. destinadas ao canto e à dança como as muaxafas e zejéis 51) . ou senão. em sua edição crítica e comentada ao Cancioneiro da Ajuda52. mas a palavra provençal também veicula idéias satíricas adequadas a uma expressividade acusativa e agressiva. “Cantos románicos andalusíes continuadores de una lírica latina vulgar”. numa “estilização da língua falada. também em galaico-português . de “ilustre. Dinis (1261-1325. 75).escritas num português qualificado por Carolina Michäelis de Vasconcelos (1904). p.. P. 1875) dizendo “Quer eu en maneira proençal/ fazer agora un cantar d’amor. 50 Pronuncia-se sirventés. em relação àquela que mais tarde se tornou padrão. 1951: 187-270.htm >.Ainda não foi possível elucidar satisfatoriamente a história da influência provençal em Portugal48. língua que. ed.unicatt. 127) opina (versos 1-6) que “Proençaes soen mui bem trobar/ e dizen eles que é com amor/ mays os que troban no tempo da flor/ e nen en 48 Para um importante esboço nessa direção. e noutra (CV. mostrava aspecto conservador”. “Comparación entre las cántigas de la escuela gallego-portuguesa y las jarchas”. La Literatura Española Medieval. segundo Serafim da Silva Neto (1979).o primeiro exemplo do uso literário dessa língua (CASTRO..)”. Sabe-se. 1150/60?-1207) parece ter se expressado literariamente. em cujas composições se encontram referências a Portugal. 31. seleto. 51 Adalberto ALVES (1999.. 52 O mais cortesão e provençalizante de todos os cancioneiros galego-portugueses. convencionalmente unitário e arcaico. (. contemporaneamente na região de Entre-Douro-eMinho. 1995). Raimbaut de Vaqueyras (Vaqueiras. e nas cantigas de amor quem se exprime é um eu lírico masculino. neto de Alfonso el sabio). “cantigas de escárnio e maldizer” (“burlas” originadas nas enuegs49 e sirventes50 provençais). e “cantigas de amigo” (de origem peninsular. mas perfeitamente orgânico e coerente”. e Gavaudan o velho (1100?-1200?). desenvolveram-se em “cantigas” . que nos legou 138 composições.as “cantigas de amor” (originadas na chansó provençal). MONACI. se bem que apenas numa estrofe do Descordo Plurilíngüe. (docente coord. que se podem citar entre os trovadores mestres da poesia galego-portuguesa Marcabrun. Em: Milano. A. cultivadas pelos galegos e lusitanos. D.

.início do séc. 146-150. Poliptóton. geralmente de três versos. ou dois versos. Poética Fragmentária (perdeu-se todo o texto anterior ao capítulo IV da Parte 3) que pode ser achada no começo do Cancioneiro Colocci-Brancuti ou Cancioneiro da Biblioteca Nacional (com 1647 cantigas). palavra perduda57. Pedro. Uc de Saint Circ e Gaucelm Faidit. pp. A Estética Medieval. Aimeric de Peguilhan. que alguns trovadores colocavam na cantiga. figura de repetição de palavras. Peire Vidal. descreve. entrariam na compilação geral das cantigas. Folquet de Marseille. As composições trovadorescas tiveram uma destacada importância em Portugal durante um período temporal relativamente extenso . M. na palavra final de um verso. Raimbaut de Vaqueyras. Com o declínio da poesia provençal nos final do século XIII. Dante e Petrarca puderam conhecer os poetas que mencionam58 (CASTRO. seguidos de fac-símile. Guilhem de Cabestanh.) e respectivos processos de composição (fiindas54. artifício poético comum às manifestações trovadorescas.outro. crítica e introdução de Giuseppe Tavani. procuraram preservar para a posteridade a obra dos trovadores provençais. Bernart de Ventadorn. sem rima com nenhum outro verso da mesma estrofe. primeiro trovador galaico-português de que existe referência (1140). mozdobre56. cantigas d’escarneo. XIII . através destes. conscientes do valor da lírica occitana. No Languedoc. e. Lisboa: Edições Colibri. ela passou a ser cultivada e estudada por cada vez menos pessoas. 1995). Cotia: Íbis. A chamada Arte de Trovar53 (fim do séc. F. “A poética galego-portuguesa”. sey eu ben que non/ an tam gran coyta no seu coraçon/ qual m’en por mha senhor vejo levar. no segundo nível de formação dos cancioneiros. através de compilações de poemas e de tratados poéticos.de João Soares de Paiva. 58 O Trionfo d’amore (1352) refere-se elogiosamente a Arnaut Daniel. Peire d’Auvergne. 2003. constituíram-se os cancioneiros (tem-se ciência de 95). Catalunha e Itália surgiram sábios que. na metade do século XIV. na qual se dá a conclusão do desenvolvimento conceptual da composição. para mostrarem maior mestria. Giraut de Bornelh. principalmente na Itália. a D. 57 Verso. Em: Mongelli. versão de Yara Frateschi Vieira. Vieira. dentre os quais Arte de Trovar do Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa. cancioneiros individuais inteiros e cancioneiros de grupos de trovadores. 56 Também chamado de mordobre. Conforme Xoán Carlos Lagares Diez. cantigas de maldizer etc.)”. Raimbaut d’Aurenga. ed. consistindo em repetir (dobrar). 1999. Peire Rogier.. L.. Jaufre Rudel. o último (1374). XIV). 54 Rima ao final da cantiga. nos seus traços essenciais. dobre55. em versos diversos e em posições semelhantes. Arnaut Mareuil. 53 . rimas etc). as características peculiares dos vários gêneros ou subgêneros líricos desse período (cantiga d’amigo e cantiga d’amor. uma variante gramatical da última palavra (motz) do verso precedente. 55 Anáfora. com finalidade de rima. Como parte desses esforços. Y. Conde de Barcelos. que não tinha mais um caráter antológico. (. direção de Massaud Moisés.

E. consiste em composições de diversos cavaleiros. Lazar. Denomy. Paris: Droz. dois clérigos. Economou. (ed. cap.. F. Paris: Plon. VII – “Un libro de buen amor”. Arthur Lee-Francis Askins. M. 401-6 e 410-1. 1994.com/servlet/SirveObras/12593515339033735209624/p0000006. Há edição do Segundo Cancioneiro Aristocrático em preparação por María Mercedes Brea López. X. extraordinariamente. Port Washington. 1948. 2005). The Troubadours. Belperron. G.. João Servando. H. 60 Datado de c. Concluído c. Sem notação musical. 62 Estudado por Xosé Bieito Aries Freixedo. 1993. Newman. Chaytor. Le Breviari d’amor [i.[António Resende de] Oliveira59 reconheceu a existência de um antigo Cancioneiro de Reis e Magnates60. 1964. em que se utiliza esse critério de organização (LAGARES DIEZ. 61 Um dos núcleos do Cancioneiro da Ajuda [que tem ao todo 310 cantigas. 1975. The Cort D’Amor: A thirteenth-century allegorical art of love. 1608-1610. K 59 . Castalia. The Heresy of Courtly Love. Rui Queimado etc. D. Ferrante. Regrando a “Gaia Ciência” A doutrina do “amor cortês”64 foi condensada por Andreas Capellanus no tratado De Amore65 (entre 1174 e 1186. “Courtly Love and Courtliness”. L’Érotique des Troubadours. CAPELLANUS. 1941. Berkeley/Los Angeles: University of California Press. 1968. editor da Antoloxía da Lírica Galego-Portuguesa. 1938. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. o Perilhos tractat de l’amor de dompnas]. disponível em <www. 1975. Dos últimos anos do século XIII ou inícios do XIV.) The Meaning of Courtly Love. um Cancioneiro de Jograis Galegos61. L.) Matfre Ermengaut. Toulouse: ed. Paris: Union Générale d’Editions. Jones. Paio Soares de Taveirós. introd. J. Don Quijote como Forma de Vida. B. R. Paio Soares Charinho. Chapel Hill: University of North Carolina Press. João de Aboim. Como resultado desta pesquisa. Joham Soarez de Pavia (João Soares de Paiva). Nelli. pp. A estrutura dos cancioneiros peninsulares e as recolhas dos sécs. L. 64 Cf. 2002). J. La Joie d’Amour: contribution à l’étude des troubadours et de l’amour courtois. Denomy. Le Vocabulaire Courtois des Troubadours de l’Époque Classique. Azais. 1947. 1992. em cortes leonesas. A. de Santiago de Compostela. foi publicada recentemente em Portugal uma nova antologia de poesia medieval galego-portuguesa. R. J. McMillan Co. XIII e XIV. provavelmente compilado ou copiado em fins do século XIII]. 1977. Lourenço. Albany. 1976 (outra ed. J.cervantesvirtual. Pêro Garcia Burgalês e outros. Vigo: Edicións Xerais. ed. Lisboa: Edições Colibri. da Univ. Iorque: Kennikat Press. João Zorro. 1963 (reimpr. D. Ms. 1290 e compreendendo majoritariamente portugueses: Fernão Garcia Esgravunha. P... Cancioneiro de Corte e de Magnates. Inclui composições de Bernal de Bonaval. Béziers/Paris. 1953: 44-63. quase todos galegos. mas todo preparado para isso). 63 Um dos núcleos do Cancioneiro da Ajuda. 14-21. organizada por Américo António Lindeza Diogo. onde defende Depois do Espectáculo Trovadoresco. Avalle-Arce. J. de Santiago de Compostela. Amour Courtois et Fin’amors. Boase. Cf. João Garcia de Guilhade. 275. N. CXIV/2-2 da Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora. p. Iorque: State University of New York Press. galegas e na corte castelhana. Cambridge: University Press. et glossaire. Cropp. um Cancioneiro de Clérigos62 e um Cancioneiro de Cavaleiros63. N. Speculum. Paio Soares Coelho. e. e inclui. G.. Nuno Fernandes Mirapeixe. 1974). Pero Meogo e muitos outros. G (ed. 1977. 1275-76.htm>. Santiago de Compostela: Edicións Positivas. Manchester: Manchester University Press. 2003. 1912. N. X. Há edição em preparação por María Mercedes Brea López. da Univ. da Universidade de Vigo. In Pursuit of Perfection: Courtly Love in Medieval Literature. D. chegando até c. A.: Alicante: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. do autor. mas com algumas partes preparadas para isso (com pentagramas). Genebra: Droz. Valencia: Fundación Juan March. majoritariamente galegos. como Aires Corpancho. The Origin and Meaning of Courtly Love: a critical study of European scholarship. F. 1862. MENÉNDEZ PIDAL. Iorque: D. 1984). 28 (1). Goldin. e autor da Antoloxía de Poesía Obscena dos Trobadores Galego-Portugueses. Tese de doutoramento. O último núcleo do Cancioneiro da Ajuda consiste em um Segundo Cancioneiro Aristocrático (sem notação musical. 1968.

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