TEXTO PARA DISCUSSÃO Nº 559

O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR
Robson R. Gonçalves*

Rio de Janeiro, abril de 1998

*

Da Diretoria de Pesquisa do IPEA.

O IPEA é uma fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento, cujas finalidades são: auxiliar o ministro na elaboração e no acompanhamento da política econômica e prover atividades de pesquisa econômica aplicada nas áreas fiscal, financeira, externa e de desenvolvimento setorial.
Presidente Fernando Rezende

Diretoria Claudio Monteiro Considera Luís Fernando Tironi Gustavo Maia Gomes Mariano de Matos Macedo Luiz Antonio de Souza Cordeiro Murilo Lôbo TEXTO PARA DISCUSSÃO tem o objetivo de divulgar resultados de estudos desenvolvidos direta ou indiretamente pelo IPEA, bem como trabalhos considerados de relevância para disseminação pelo Instituto, para informar profissionais especializados e colher sugestões. ISSN 1415-4765

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SUMÁRIO
RESUMO ABSTRACT 1 - INTRODUÇÃO ..................................................................................1 2 - METODOLOGIA ADOTADA E PANORAMA NACIONAL .................2 3 - O DÉFICIT HABITACIONAL NACIONAL SEGUNDO NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR.......................................................................5 4 - ASPECTOS ESPACIAIS DO DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO..................................................................................10 4.1 - Os Déficits Absoluto e Relativo segundo Unidades da Federação...............................................................................10 4.2 - Um Mapeamento do Déficit segundo Níveis de Renda Domiciliar .........................................................................14 5 - CONCLUSÕES ...............................................................................17 ANEXO DE DADOS .............................................................................19 BIBLIOGRAFIA ....................................................................................21

A fonte primária de informação foram os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE para 1995. . Os resultados mostram um perfil altamente regressivo para o déficit habitacional. o qual afeta mais fortemente tanto os estratos de renda mais baixos quanto as regiões mais pobres do país.RESUMO Este texto apresenta a distribuição do déficit habitacional brasileiro segundo níveis de renda domiciliar e por unidades da Federação.

The results show that the housing deficit is distributed in a regressive fashion affecting more hardly both the poorest people and the poorest regions of Brazil. The information used was that collected by National Survey per Household Sample (PNAD) in 1995.ABSTRACT This text contains an estimate for the Brazilian housing deficit. divided into different income brackets of the population. and it is classified by states of Federation. .

colocado em discussão no Legislativo Federal. Conclui-se. ficam extremamente prejudicados tanto a avaliação da efetividade das políticas públicas voltadas ao combate do problema. capaz de dar novo impulso à construção de unidades habitacionais. obtido após a adoção do programa de estabilização. conforme a amplitude do critério adotado. em face da importância (macroeconômica) do investimento em construção civil. Diante do (relativo) alargamento no horizonte de planejamento dos agentes econômicos. seja pela sua importância no âmbito das políticas de caráter social. A relevância deste fato prende-se à percepção de que a questão habitacional no Brasil constitui-se em um dos mais graves problemas sociais de nossos dias. seja por causa da sua relevância (de caráter microeconômico) para os agentes privados que atuam na oferta de unidades habitacionais. As tentativas de estimação do déficit habitacional ou. ainda que parcialmente. No cenário de incertezas. onde a precariedade da estrutura de moradias aparece como um fator agravante para a questão da pobreza em suas inúmeras manifestações. o presente texto baseou-se em uma metodologia bastante parcimoniosa de estimação do déficit habitacional brasileiro. Mantendo-se em linha com alguns trabalhos anteriores dedicados ao mesmo tema [Gonçalves (1997a e 1997b)]. voltou a ocupar um lugar de destaque ao longo do ano de 1997. já velha conhecida. no qual se destaca o segmento habitacional. vislumbrou-se a possibilidade de um reordenamento dos mecanismos de financiamento imobiliário. o problema habitacional brasileiro ainda sofre sérias limitações quanto ao seu dimensionamento a partir de uma ótica estritamente econômica. como o dimensionamento do mercado para unidades habitacionais no país como um todo e em suas diversas regiões. A dimensão deste problema é visível.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR 1 . Em conseqüência. seu principal mérito é evitar toda uma série de procedimentos que em geral potencializam a variância intertemporal e inter-regional da estimação. por conta de um novo conjunto de propostas. das condições gerais de moradia no Brasil. inaugurado com a instabilidade do quadro econômico internacional. tal diversidade dificulta enormemente seu monitoramento ao longo do tempo. com seus contingentes elevados de população favelada. têm se mostrado bastante discrepantes. pela necessidade de firmar uma metodologia capaz de lançar luz sobre a evolução temporal e a distribuição espacial do déficit habitacional brasileiro. As tentativas de dimensionar o acréscimo necessário ao atual estoque de domicílios com vistas a superar o déficit de habitações têm resultado em números que vão desde 4 milhões até 20 milhões de unidades. em 1994. o governo federal tem reenfatizado a importância da reforma do Sistema Financeiro da Habitação como um mecanismo capaz de compensar. No entanto. seja nas regiões mais pobres do interior do país. 1 . portanto. por fim. Muito mais do que dúvidas sobre a dimensão absoluta do déficit. de uma forma mais ampla. Segundo cremos. bem como o mapeamento de sua distribuição espacial. seja. seja nos grandes centros urbanos.INTRODUÇÃO A temática da reforma do Sistema Financeiro da Habitação. a despeito de sua importância inquestionável. o clima recessivo esperado para o ano de 1998.

foi possível notar a necessidade de enfatizar as limitações do próprio conceito de déficit utilizado neste trabalho além. por meio de proxies. para o país como um todo. puderam ser discutidos pelo autor em palestra proferida no Laboratório de Economia Social da PUC de São Paulo sobre o tema do déficit habitacional. deve-se reconhecer que nossa alternativa metodológica procura identificar o que se pode chamar de core do déficit habitacional. 2 Aspectos como estes. cabe destacar dois últimos aspectos. Ainda assim. confrontando-os com a PNAD-96 apenas no nível mais agregado. Portanto. seria proceder a uma estimação a partir dos componentes menos sujeitos a distorções relacionadas à heterogeneidade das condições socioeconômicas.METODOLOGIA ADOTADA E PANORAMA NACIONAL Como dissemos.13% do estoque total) alterou muito pouco as estimativas anteriores. poderemos identificar com um grau de confiança mais elevado as tendências de evolução temporal e de distribuição regional do déficit. se tal metodologia é válida.2 Finalmente. muito da discussão em torno da questão do déficit habitacional refere-se às significativas divergências metodológicas existentes entre as diversas alternativas de mensuração. O preço pago por esse tipo de estimação é seu caráter reconhecidamente conservador. de resto. Infelizmente. No entanto. aspecto indispensável à avaliação e à monitorização do déficit habitacional em sua distribuição espacial e em sua evolução temporal.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR sobretudo como decorrência de características socioeconômicas com elevado grau de dispersão no tempo ou no espaço. No entanto. é de suma importância deixar claro que os critérios adotados certamente são passíveis das mais diversas críticas. 1 Como deverá ficar claro adiante. a dimensão bastante reduzida deste tipo de domicílio (0. Não é por outro motivo que se observam divergências significativas entre as diversas tentativas de quantificação do déficit atualmente existente. A partir das discussões ocorridas por ocasião do evento. acreditamos que seu mérito decorre da precisão com a qual esperamos ter definido nossos parâmetros de mensuração. obviamente. não houve tempo hábil para processar os microdados também desta última pesquisa. incorporando ao conceito de déficit os domicílios improvisados. relacionados à natureza e às dificuldades na mensuração de variáveis econômicas e sociais. sobretudo com o objetivo de realizar o mapeamento e/ou acompanhamento temporal do déficit. dos resultados da PNAD-96. Em outros termos. porém. 2 . de seus possíveis méritos. pelo IBGE. no entanto. presente. procuramos aprimorar a metodologia adotada nos dois trabalhos citados. 2 . Uma tentativa de evitar níveis desnecessários de discricionariedade. Optamos por apresentar um mapeamento por unidades da Federação e por níveis de renda baseado nos dados de 1995. isto é. O final do tratamento destes dados coincidiu com a divulgação. tendo por foco os problemas da mensuração indireta. A mensuração do déficit habitacional possui uma característica de grande relevância. em maior ou menor grau. queremos fazer uma advertência importante. em um sem-número de variáveis econômicas: sua mensuração somente pode ser feita de forma indireta. isto é. A avaliação do déficit habitacional por faixas de renda domiciliar foi realizada pela análise dos microdados da PNAD-95.1 Desde já.

4 milhões em 1996. Por mais variadas que sejam as condições socioeconômicas observadas em diferentes regiões do país. entre 1987 e 1990. bem como a obtenção de um quadro de sua distribuição inter-regional.a. Os dados da Tabela 1 também permitem notar que o grande responsável por tal piora no déficit habitacional foi o aumento bastante expressivo da coabitação. 13% e 13. dificilmente esses elementos poderiam ser descaracterizados como componentes do déficit habitacional. o déficit relativo reduziu-se em média 3. ou seja. entre 1990 e 1995. ao mesmo tempo em que o déficit absoluto caía 50. sobretudo em situações de sublocação parcial de imóveis residenciais. pode-se acrescentar ainda os cômodos cedidos ou alugados não-rústicos. em virtude da depreciação e/ou da utilização de materiais improvisados ou não-duráveis. Cabe notar.6% dos domicílios particulares existentes no país em cada ano. Como mostram os dados da Tabela 1. que a elevação do déficit relativo em 1996 representa tãosomente o ponto de inflexão de uma trajetória de desaceleração daquela tendência de redução. Além deles. são utilizadas como domicílios de forma esporádica ou improvisada.. viabilizando um acompanhamento ano a ano da evolução do déficit. Esta elevação do déficit habitacional contraria a tendência de queda observada desde 1981. no entanto. Em 1995. a redução do déficit relativo passou a apenas 0.44% a. indiscutivelmente associados a qualquer conceito de déficit habitacional.a. entre 1995 e 1996 houve um crescimento expressivo do déficit relativo. e • a coabitação (existência de mais de uma família por domicílio em média). cerca de 58% do déficit correspondiam à coabitação (maior número de 3 .3% a.4%.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Adotando-se uma metodologia próxima à utilizada pela Fundação João Pinheiro (1995). o qual se elevou em 4. ao passo que o déficit absoluto passou a se expandir em média em 66 mil unidades anualmente [Gonçalves (1997a)].. os quais fornecem um indicativo do adensamento de alguns domicílios. Por seu turno. Assim. Mais ainda.6%. A partir dos resultados das PNADs estimou-se que o core déficit para o país em seu conjunto passou de 5. • a inadequação de algumas unidades habitacionais que. Tais números representavam.. observada desde meados da década de 80.08 milhões de unidades em 1995 para 5. quando o déficit relativo correspondia a cerca de 17% do total de domicílios. Esse método permite a estimação do que se pode chamar de core déficit. respectivamente.9 mil unidades a. o déficit absoluto ampliou-se em cerca de 326 mil unidades ou 6. em docorrência de suas características físicas e funcionais. tal método é compatível com a disponibilidade de dados das PNADs. o conjunto de elementos básicos. o déficit habitacional brasileiro pode ser avaliado a partir de três elementos básicos: • a rusticidade das estruturas físicas das habitações.a.

837.849.087 1. o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos.083.4 .15.801 221. O aspecto qualitativo estaria sendo captado pelos demais componentes do déficit (rusticidade.12 domicílio por família na Argentina em 1993. 36% a domicílios rústicos.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR famílias que de domicílios). responsáveis pelo censo demográfico em seus respectivos países. isto é. na Argentina. que foi de apenas 2%.93 domicílio por família quando da realização das PNADs 95 e 96. nos Estados Unidos. a coabitação elevou-se em mais de 11%.1 .1 13. ao considerar como referencial um nível zero de coabitação. Tal estimativa foi feita por conta de os dados da PNAD-96 serem ainda preliminares quando da elaboração deste trabalho.7 0.0 Taxas de Crescimento(%) Valores Valores Absolutos Relativos 2.5 0.3 4.6 9. com paredes de material não-durável.000 5. 1996 e 1997). enquanto a rusticidade se elevou em apenas 0.1 13.16. Entre 1995 e 1996. igual número de domicílios e famílias.021. relacionadas à adequação do próprio estoque. 4. nossa metodologia de mensuração do déficit habitacional mantém-se distante do quadro observado em países com renda per capita mais elevada. ao menos no que se refere ao componente coabitação.934 (%) 100 8. a parcela da coabitação no déficit habitacional total passou para 61% em 1996.3 Esses números demonstram que. percentual bem superior ao do crescimento do estoque de domicílios.6 .0 6. independente de considerações de natureza qualitativa. o número de domicílios por família era de 1.6 4. atribuindo-se-lhe uma taxa de crescimento igual à do estoque total de domicílios.320 1996 39. Tabela 1 Brasil: Composição do Déficit Habitacional — 1995 e 1996 Anos (%) 100 7.6 Fonte: PNADs 1995 e 1996 (IBGE.408. em termos médios agregados. do Departamento de Comércio e. existiam aproximadamente 0.6 0.383 1.6% em termos absolutos e o aluguel ou cessão de cômodos se reduziu em 15%. isto é.8% aos domicílios improvisados.4% aos cômodos alugados ou cedidos não-rústicos e 0.0 2.6 0.322.6 1995 Total de Domicílios Coabitação Domicílios com Paredes Não-Duráveis (Rústicos) Cômodos Alugados ou Cedidos (Não-Rústicos) Domicílios Improvisadosª Déficit 39. ª O número de domicílios improvisados para 1997 foi estimado. A importância relativa da coabitação no cálculo do déficit habitacional merece um comentário especial. 3 Estes organismos são. No Brasil.990 2.960 5. o Comitê para o Censo.0 11.023 187. Os dados originais foram obtidos via Internet.864 49. em uma perspectiva comparativa internacional.136 49.7 0 4. aluguel de cômodos e improvisação).975.728 3. Por conta deste processo. tal hipótese revela seu caráter conservador.2 0.795. No entanto. Nossa hipótese é de que o número ideal de domicílios seria aquele necessário para igualar o estoque de moradias ao total de famílias.2. Segundo os organismos oficiais. 4 .42 nos Estados Unidos em 1990 e de 1.

Como se pode observar pelos números da Tabela 2. essas comparações devem ser interpretadas da seguinte forma: o nível ótimo de coabitação. se tomarmos como referencial a relação observada na Argentina. a seguir. 79% dos quais são encontrados nos níveis de renda domiciliar até três salários mínimos. Enquanto o número acumulado total de domicílios com renda até três salários mínimos equivale a cerca de 40% do estoque de moradias. cujo nível de renda per capita aproxima-se daquele encontrado nos estratos superiores de renda domiciliar no Brasil. fixado neste trabalho em zero. Percentual ainda maior pode ser observado no caso dos domicílios rústicos.). No entanto. pode-se ter uma idéia do que representa esse padrão de distribuição do problema habitacional brasileiro. nada menos de 73% dos domicílios improvisados encontram-se nesta mesma faixa de rendimento. tanto os cômodos cedidos ou alugados (não-rústicos) quanto os domicílios improvisados e rústicos encontram-se fortemente concentrados nos estratos de renda mais baixa. A conclusão elementar é a de que as condições gerais do estoque de moradias mostra um perfil ainda mais regressivo que a própria distribuição domiciliar de rendimentos. ocorrendo o oposto nos níveis de renda mais altos onde a existência de mais de um domicílio por família em média faz que haja basicamente uma demanda por diversificação (tipicamente por casas de veraneio. deve ser relativizado. acompanhando o perfil observado no acesso às redes gerais de água e esgoto [ver Gonçalves (1997b)]. 71% dos quais estão na faixa de rendimento citada.O DÉFICIT HABITACIONAL NACIONAL SEGUNDO NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Em termos de sua distribuição por níveis de renda. Um perfil um pouco menos regressivo refere-se aos cômodos cedidos ou alugados. 5 . Em outros termos.12. uma vez que é razoável supor que se altere segundo o nível de renda. número relativo àquele país. é possível concluir (de forma nãosurpreendente) que o mercado brasileiro para novas unidades habitacionais encontra-se bastante distante da saturação nos níveis de renda mais baixos. Se levarmos em conta que o Brasil encontra-se entre os países com pior distribuição de renda em todo o mundo. imóveis em outras localidades utilizados por motivos de viagens de negócio etc.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR A importância desse aspecto ficará ainda mais explícita adiante. Ainda assim. quando mostrarmos o mapeamento do déficit habitacional por faixas de renda. A existência de mais de um domicílio por família em média nos estratos superiores gera uma estimativa de déficit negativo (ou superávit habitacional). o déficit habitacional brasileiro revela uma característica fortemente regressiva. notaremos que a relação domicílios/famílias permanece inferior a 1. 3 .

O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR TABELA 2 6 .

866 39.000 4.0 46.3 99.2 52.1 106.7 100.988 30.566 1.254 4.1 110.8 94.809 156.7 95.155.4 .5 96.0 77.418 0.157 48.936 191.994 1.765 103.4 10.9 100.3 22.6 38.6 98.3 98.987 45.773.7 91.399.638 1.4 100.728 587.414 22.9 57.514 46.569 36.996 15.8 98.9 79.968 48.198.465.9 102.1 111.815 0.5 32.094 41.095 11.0 86.955 0.677.382 1.862 25.990 1.232 1.837.239.748 1.330 38.0 87.8 100.0 62.412 221.918 0.0 9.880 0.101 1.9 107.090 218.9 90.615 35.2 73.040.9 71.4 25.123.551 49.059 218.3 24.801 2.101 9.777.3 95.685 49.7 84.0 0.813 215.0 97.758.7 97.994.0 2.163.5 46.031 1.9 98.021.188 1.Tabela 2 Brasil: Distribuição dos Diversos Componentes do Déficit Habitacional segundo Níveis de Renda Domiciliar — 1995 Nível de Renda Domiciliar em Salários Mínimos Número Acumulado de Domicílios Percentual Número Percentual Número Acumulado Acumulado Acumulado Acumulado de (%) de Domicílios (%) Domicílios Improvisados Rústicos Percentual Acumulado (%) Número Acumulado de Cômodos Alugados ou Cedidos Percentual Acumulado (%) Número de Domicílios por Família Número de Domicílios por Família/Número Total de Domicílios por Família (%) Sem Rendimento Até 1 De 1 a 2 De 2 a 3 De 3 a 5 De 5 a 10 De 10 a 20 Mais de 20 Sem Declaração 556.7 96.136 4.022 0.

031 e 1.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Como já adiantamos anteriormente. Isso significa que. a característica regressiva do déficit fica explícita nos números das Tabelas 3a e b. Como se pode observar. A coabitação é bastante próxima de zero no estrato de três a cinco salários mínimos. no entanto. que os valores observados para essa relação nestes dois estratos de renda (1. dos 5. a seguir. determinando que a relação domicílios/famílias seja cerca de 110% daquela observada no país como um todo. existia no país como um todo 0. Ainda assim. Nada menos de 87. Note. Nos dois níveis de renda mais elevados. passando a níveis um pouco melhores já a partir do estrato de renda de até um salário mínimo.1 milhões de unidades habitacionais necessárias para zerar o déficit habitacional estimado para o ano de 1995. conforme já se mencionou. a questão da coabitação merece um tratamento um pouco mais cuidadoso. os quais oferecem uma caracterização qualitativa do estoque de moradias.93 domicílio por família. Muito embora a coabitação seja a principal componente do déficit em todos os estratos de renda.8% do déficit habitacional total estão concentrados nos estratos de renda domiciliar até três salários mínimos. 4. 7 . A regressividade desse componente do déficit habitacional pode ser melhor avaliada quando comparamos o número de domicílios por família em cada nível de renda domiciliar com o valor observado para o país como um todo. o excedente de domicílios em relação ao número de famílias observado nesses estratos permanece claramente aquém daquele observado em países com renda per capita mais elevada. Por ocasião da PNAD-95. Mais uma vez. O número de domicílios por família nos estratos de renda entre 10 e 20 salários mínimos e acima de 20 salários mínimos corresponde a cerca de 72% da relação encontrada nos Estados Unidos e a cerca de 92% daquela observada na Argentina. também afetam mais fortemente os estratos de renda mais baixos. a coabitação é bastante elevada nos domicílios sem rendimentos. notamos a existência de um excedente de domicílios sobre o total de famílias.5 milhões deveriam ser acrescidos ao estoque de domicílios com renda até três salários mínimos. são o principal responsável pela ocorrência de um “superávit habitacional” nesses estratos. respectivamente) permanecem bastante distantes daqueles observados em países como Estados Unidos e Argentina. como Argentina e Estados Unidos. como dissemos anteriormente. resultado de um excedente total de quase 3 milhões de famílias em relação ao número de domicílios. é possível notar que elementos como a rusticidade e a improvisação. encontrados para a coabitação a partir do nível de renda de 10 salários mínimos. Tais números aparecem nas últimas colunas da Tabela 2. Os valores negativos. como também naquele correspondente aos domicílios sem declaração.022.

O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR TABELA 3A 8 .

518) (61.450 80.630.0 8.404) (66.887 42.877 23.320 149.254 3.145 451.9 -2.383 .707 10.0 9.209 8.189 528 315 49.4 24.724 221.975.031 322 2.187 5.136 830.(b) Número de Domicílios Improvisados (d) 2.735 7.2 1.715 3.551 40.124 39.574 8.Tabela 3a Brasil: Déficit Habitacional Total e Relativo segundo Níveis de Renda Domiciliar — 1995 Nível de Renda Domiciliar em Salários Mínimos Número de Domicílios Particulares (b) 556.536 823.075.246 3.834 4.792 325.407.579.020 567.168.768.211.530 825.837.627 4.571 (145.273 1.7 -2.895 5.420 5.009.0 13.652 4.0 Número de Famílias (a) 1.199 (126.990 Número de Cômodos Déficit Total Déficit Relativo (%) Alugados ou (g) / (b) Cedidos (g) = (c)+(d)+(e)+(f) (f) 9.483.141) 10.076.525 5.448 2.728 541.273.723.4 39.044 53.435.021.806 212.373 Coabitação (c) = (a) .859 1.634 309.418 7.962 156.454 1.083.847 5.954.500 3.700 1.928 14.250 577.215 46.923 833.1 16.214 54.159.127 34.422) 74.095 9.046.869 60.000 Número de Domicílios Rústicos (e) 46.666 3.767 13.886 6.747 5.485 780.330.801 Sem Rendimento Até 1 De 1 a 2 De 2 a 3 De 3 a 5 De 5 a 10 De 10 a 20 Mais de 20 Sem Declaração Total 772.371.272 800.

264 21.830 (1.7% 5.4% -3.727 25.558 1101.2% Roraima 936 0.9% -4.842) (2.0% 0.1% 20.037) 15.767 27.3% (619) -5.0% 0.632 100.4% -378 -0.3% -1.1% (325) -3.326 16.6% -3.975 33.647 22.0% 14.1% 25.228) 2.3% 10.445) -4.5% (1.161 122.5% 0 0.5% 25.445 34.0% (0) 0.0% 13.372 11.135 5.9% -0.397 26.057 221.0% 0 0.186 29.2% 0.132) (2.2% (312) -7.560 20.1% 52.7% 58.0% 16.561 31.1% Déficit Déficit Absoluto Relativo Amazonas 8.4% (1.656 800 (3.081 Déficit Relativo 494.3% 26.3% 2.3% 2.4% 24.2% -2.2% 48.2% Alagoas 23.1% 12.5% 1 0.0% 620 15.9% 38.0% 0.6% 24.8% 2.381 1.102 15.629 14.0% (continua) Bahia 138.618 12.400 17.8% 11.4% 47.620 9.0% 625 20.0% 0.933 44.877 341.9% 37.5% 3.941 18.639) (1.640 99.7% 0.2% (3.647 48.475 109.0% 4.938 20.3% 2.0% 1.3% 10.5% Déficit Déficit Absoluto Relativo Amapá 995 150.5% 626 7.7% 3.263 7.4% 16.2% 311 2.5% 29.733) (608) 3.4% 20.541 30.7% 309 1.1% 333 2.6% 22.8% Ceará 53.695 40.538 138.486 429.542 585.0% Tocantins 9.3% -757 -3.782 14.8% 40.028 16.7% 1.239 17.473 25.8% 19.6% Déficit Absoluto Pará 28.570 360.9% 12.649 7.0% 1.1% .1% -1.1% 995 49.9% 55.188 21.804 137.125 71.583 147.9% 3.9% 13.034) -3.336 10.800 89.8% 1.0% 58.5% (688) -1.6% 20.7% 0.065 45.0% 129.9% 1.024 8.7% 15.070 39.0% 7.357 14.7% 0.2% 11.0% 4.7% 50.5% 574 2.732 (2.7% 3.659 41.569 153.6% 6.669 20.6% 8.0% 0.367 35.3% -1.Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Déficit Déficit Absoluto Relativo Acre 3.0% 90.722) -5.320 24.8% 123.372) (1.6% 2.711 16.561 25.884 150.7% 1.7% 1.006 457.653 133.0% 1.3% 10.155 54.5% 17.152 62.467 35.4% 15.884 14.1% Déficit Déficit Absoluto Relativo Rondônia 4.

988 28.1% 18.8% 15.526 39.0% 26.6% 305 1.9% 106.8% (10.2% 28.418 91.243 12.7% (503) -1.0% 0.0% (644) -2.642) -4.515 18.734 11.5% 82.040 8.3% 87.306 11.660 30.3% Sergipe 12.4% (2) 0.3% 72.7% (3.5% (1.260 92.1% 11.5% 10.3% -4.1% 2.6% (1.376 104.050 11.616) -6.104 192.8% 17.6% Déficit Déficit Absoluto Relativo Pernambuco 57.3% (945) -2.907 266.836 32.822 34.0% Mato Grosso do Sul 8.014 31.190 4.6% Mato Grosso 11.2% 426 0.0% 5.755 171.0% (1.8% 13.5% 38.550 33.5% 10.7% (2.146 9.2% 90.151 -6.655 29.994 59.8% -346 -1.5% 4.673 70.0% 5.1% 8.3% 137.2% 50.720) -2.1% 2.8% 61.062 23.9% 3.2% 26.538 382.605 4.2% (2.420 10.153 48.032 6.352 67.5% 32.Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Déficit Déficit Absoluto Relativo Maranhão 52.3% (continua) .025 2.1% 107.006 26.5% 280.266 112.767 2.2% 7.322 34.992 34.5% 96.2% 16.9% 152.008 3.1% 966 1.784) -4.3% 1.812 53.642 17.1% 10.3% 192.1% 39.7% 546 0.0% (1.235 41.5% 581.7% 99.0% Déficit Déficit Absoluto Relativo Paraíba 21.7% 29.8% 14.7% 287.8% 17.734 16.985 20.509 228.0% 177.2% 669.4% 69.843 41.6% 167.7% 46.355 11.9% 809 1.8% 46.054) -1.570) -6.161 17.8% 2.599 153.6% 93.8% 56.201 6.167 9.996 7.917 13.8% 0.697 16.0% 323 4.483 27.3% 305 0.262 20.755 42.261 38.4% 503 11.610) -3.830 18.2% 36.913 25.594 42.4% (6.355) -3.945 36.1% 0.768 23.654 28.6% 52.605) -11.473 28.8% (5.2% Distrito Federal 10.386 17.1% 4.749 17.039) -5.7% (964) -1.6% 5.3% 28.031 21.7% 17.9% Déficit Déficit Absoluto Relativo Rio Grande do Norte 19.0% 129.805 16.048 19.5% (0) 0.527) -0.2% Déficit Déficit Absoluto Relativo Piauí 18.481 5.063 29.5% (629) -2.3% (1.3% 39.825 26.144 223.295 28.754 45.1% 108.5% 29.694 13.074 20.1% 16.5% 12.0% 13.8% 16.891 12.6% 19.4% 243.904 75.2% Goiás 22.6% 52.

7% 16.800) -3.782 20.497 20.6% 116.9% 21.843 166.637 18.418 382.733 (8.721 104.527) -1.071 109.8% 6.674 8.214 17.6% 20.025 -876 568 188.157 59.5% 12.2% Déficit Déficit Absoluto Relativo Minas Gerais 75.439 158.8% 181.9% (13.887 7.5% 3.Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Déficit Déficit Absoluto Relativo Espírito Santo 13.054 7.149 131.584 29.044 115.054 13.695 175.1% 23.875 37.0% 92.1% Déficit Déficit Absoluto Relativo Rio de Janeiro 54.870 27.217) -1.2% -0.0% 5.6% 14.826 360.6% -0.5% 2.020) (7.5% 9.578 4.9% 2.9% -2.845 7.1% -2.4% 18.3% 189.9% 574 0.4% 55.4% 1.6% 46.4% 283.3 % 73.6% 12.262 (16.7% -1.809 46.677 34.748 209.468) (489) 489 72.6% 37.897 37.3% (9.3% 99.1% 21.0% 9.0% (6.1% (1) 0.0% -2.323 644.5% 6.400) 3.450 3.682 7.2% Santa Catarina 13.172 2.7% (3.543 103.710) -2.4% 428 0.864) -3.937 20.470 (1.2% 4.4% 28.9% -1.497 12.8% Déficit Déficit Absoluto Relativo Paraná 36.7% 331.1% 12.5% -4.0% 55.3% 61.210 25.9% 10.887 23.6% .3% 17.107 93.151 7.9% 212.7% 23.6% 73.152 12.9% 0.422 180.1% 35.7% 18.1% 41.9% 8.4% (2.461 -12.044) (4.992 714.5% 30.0% 18.1% 7.571) (15.6% (10.7% 15.286) -2.186 21.829 23.423 1.0% -0.012 0.5% 1.6% Déficit Déficit Absoluto Relativo São Paulo 129.204 69.443 18.1% Rio Grande do Sul 36.0% 22.196 12.282 1.967 61.992 96.258 36.3% 6.868 2.8% 12.110) 3.

sabemos que diferentes estimativas para o déficit habitacional podem surgir a partir de hipóteses 9 . procuramos construir um método explicitamente parcimonioso de cálculo do déficit.3 milhões de unidades.1 0. caso o referencial de “coabitação negativa” fosse os Estados Unidos. pouco diferem de um percentual nulo do estoque de domicílios com renda superior a 10 salários mínimos. procuramos propositadamente evitar níveis indesejados de arbitrariedade.4 39. o déficit habitacional brasileiro.1 Rusticidade 8.0 0.4 8. dão uma idéia do espaço que ainda existe para o crescimento da demanda por novas unidades habitacionais na faixa de renda domiciliar acima de 10 salários mínimos.4 4.9 1. Fica claro. O déficit habitacional negativo.6 -3.5 6. Ainda assim.1 0.3 0. nosso déficit habitacional poderia ser estimado em nada menos que 23. Tais números. Por outro lado. o que permite caracterizar a demanda nesses estratos como essencialmente ligada à diversificação. onde existe uma relação domicílios/famílias de 1.9 22.2 milhões. pela baixa participação dos elementos rusticidade.6 0. passaria de 5. Tal conclusão é reforçada pelos aspectos qualitativos do estoque de moradias.2 0.3 0.0 9.0 8. caso adotássemos como referencial a relação domicílios/famílias de 1.7 1.42.6 Déficit Relativo 149. representados pela escolha de um referencial alternativo para a coabitação. estimado para o ano de 1996. ao mesmo tempo.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Tabela 3b Brasil: Composição do Déficit Habitacional Relativo segundo Níveis de Renda Domiciliar — 1995 (Percentuais em Relação ao Número Total de Domicílios Particulares) Nível de Renda Domiciliar Sem Rendimento Até 1 De 1 a 2 De 2 a 3 De 3 a 5 De 5 a 10 De 10 a 20 Mais de 20 Sem Declaração Total Coabitação 138.7 4.0 13.6 Improvisação 0.9 -2.2 0. observada na Argentina.0 0. estimado para essas faixas. É importante notar que. apresentada logo na introdução.0 0. indica apenas a inexistência de uma carência absoluta de novas unidades habitacionais.0 0.1 16.4 13.2 1. ao adotarmos como referencial para nossa estimação um nível zero de coabitação.0 Se nos concentrarmos exclusivamente nos dois estratos de renda mais elevados notaremos que.4 15.7 -2.12.0 0.0 0. referente às dificuldades da estimação (indireta) do déficit habitacional.3 0.2 milhões de unidades.3 0.4 milhões para 7. o acréscimo necessário ao estoque de domicílios nesses estratos seria da ordem de 911 mil e 3. juntos. porém. improvisação e aluguel de cômodos. para que ambos atingissem os níveis de “coabitação negativa” observados na Argentina ou nos Estados Unidos.5 9. que.1 0.0 3. Estes números nos remetem de volta à questão.0 1. estendendo-a para todos os níveis de renda domiciliar. os quais. respectivamente.4 24.1 7.2 1.4 0.7 Aluguel de Cômodos 1. claramente superiores aos superávits totais estimados para aqueles dois estratos.1 -2. isto é.5 0.3 7.2 0.

Valores superiores à unidade para o indicador CR demonstram uma concentração maior relativa do déficit. 4 . o déficit relativo reduziu-se em cerca de 3. Em outros termos. Tal fato fica patente quando se utiliza um indicador de concentração relativa (CR) construído valendo-se da razão entre o déficit relativo (como percentual do número de domicílios). É interessante comparar a dispersão dos valores estimados para o déficit relativo nas diferentes regiões geográficas. responsável por 2. 10 . como durante todo o período analisado. Dr = déficit relativo (como percentual do número de domicílios).9% dos domicílios da região. por seu turno.4 milhões de unidades ou 22. equivalentes a 8.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR alternativas para o nível ótimo de coabitação. ocorre o oposto com valores inferiores à unidade. nota-se que a distribuição do déficit entre as grandes regiões geográficas não se altera de forma significativa.ASPECTOS ESPACIAIS DO DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO 4. Em 1995. a estimativa de déficit habitacional adotada neste trabalho revela um crescimento do déficit absoluto no período 1981/96 de mais de 62 mil unidades/ano. Dom = número de domicílios. a heterogeneidade entre estados é tão mais marcante quanto maior o próprio déficit habitacional relativo observado nas respectivas regiões. e T = total para o país.Os Déficits Absoluto e Relativo segundo Unidades da Federação Em termos da dinâmica temporal. com 1.6 milhão de unidades. quanto maior o déficit relativo em uma região. a maior concentração do déficit absoluto localizava-se na região Nordeste. e o déficit relativo do país como um todo: C Ri = Def i / Domi ⇒ Def T / DomT Dr C Ri = i DrT onde: Def = déficit habitacional absoluto (em número de unidades). Ao longo deste período. seguida da região Sudeste.6% do total de domicílios [Gonçalves (1997a)].1 . i = i-ésima região. estimado em cada região ou estado.9% dos domicílios da região. fato que lança luz sobre os motivos de divergências tão pronunciadas como as observadas nas diversas tentativas de mensuração do déficit habitacional atualmente existentes no Brasil. maior a dispersão dos valores estimados para o déficit entre estados.

Nesta última região. CR ≤ 0.7 < CR < 1. muito embora fosse a segunda mais rica em 1994 [Lavinas et alii (1997)]. respectivamente.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Como mostram os números da Tabela 44 e o Mapa 1. 11 . 5 A partir de dados constantes em Lavinas et alii (1997). mencionado com detalhes adiante.68 e 1. relaciona-se a déficits estaduais sempre superiores ao déficit nacional. com um déficit percentual equivalente a apenas 60% do déficit nacional.3) encontra-se basicamente o Centro-Oeste. além de mais acentuada. 0.18 para a região Sul. Nas faixas intermediárias (0. muito embora o conjunto da região tenha um déficit maior do que o do país como um todo. apresentou o melhor desempenho em termos do déficit habitacional estimado para 1995. as regiões Norte e Nordeste revelam uma grande heterogeneidade intra-regional. Porém.3). a maioria dos estados encontra-se na faixa dos maiores valores para o indicador de concentração relativa (CR > 1. Por seu turno. 4 A última coluna da tabela traz os valores de um indicador adicional. Esta mesma razão era de 1.7).33 para a região Sudeste e 1. apenas estados do Sul e Sudeste encontram-se em uma classe das unidades da Federação com os melhores valores para o indicador CR (isto é.5 A região Sul. além de alguns estados das regiões Norte e Nordeste. À exceção de Rondônia.08 para as regiões Nordeste. Norte e Centro-Oeste. Além de apresentarem uma concentração maior relativa do déficit habitacional.0 < CR < 1.48. constatou-se que a razão entre os PIBs per capita regionais e nacional em 1994 pode ser estimada em 0. em 1995 as regiões Nordeste e Norte apresentavam os maiores valores para o indicador de concentração relativa.0 e 1. O Mapa 1 demonstra claramente o fato de que o déficit habitacional atinge marcadamente as regiões mais pobres do país. no Nordeste a dispersão dos valores observados. mensurável pela dispersão do indicador de concentração. a região Sul revelava o melhor desempenho. a qual inclui também Tocantins e Acre. mostrando que o déficit habitacional como percentual do número de domicílios encontrava-se acima da média nacional. enquanto no Norte encontramos alguns estados com déficits relativos inferiores à média nacional (o que se reflete em valores para o indicador CR inferiores à unidade).

86 1.146 82.87 1.517 106.21 1.083.87 0.1 8.05 0.1 9.9 21.78 0.4 33.93 1.60 0.1 33.274 665.21 2.2 27.7 36.47 1.54 0.318 61.6 15.05 1.42 1.3 29.56 1.6 8.82 4.3 19.37 1.320 1.1 62.85 1.57 0.734 307.04 0.16 1.877 277.0 15.78 1.8 20.00 1.20 1.7 67.08 1.561 2.263 4.68 1.050 1.7 39.7 8.2 14.8 15.4 14.80 0.800 16.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Tabela 4 Brasil e Unidades da Federação: Déficit Habitacional e Percentual de Domicílios com Renda até Três Salários Mínimos — 1995 Déficit Habitacional Total Déficit Habitacional Relativo (%) 19.8 11.5 25.88 1. 1996).0 11.63 0.3 8.23 0.76 1.00 1.381.9 11.59 1.1 55.7 38.613 106.95 1.57 1.372 58.70 0.37 1.1 41.7 18.03 0.8 16.21 1.60 1.1 7.53 1.90 0.0 16.9 67.61 1.46 1.9 32.965 493.65 1.5 32.34 1.587.4 35. 12 .67 0.73 0.674 799.4 17.081 354.75 0.878 188.76 1.02 0.887 5.2 42.7 40.2 9.8 28.71 1.53 1.7 29.72 1.66 0.875 382.07 0.66 0.55 1.6 58.6 13.8 56.8 7.09 0.12 0.9 60.584 331.93 0.13 1.69 0.72 1.84 0.53 1.62 1.59 0.09 0.75 1.3 26.71 0.94 0.9 40.85 0.60 0.78 0.06 1.743 457.17 0.9 60.407 62.41 1.97 0.9 59.694 56.00 Fonte dos dados originais: PNAD-95 (IBGE.3 53.54 1.69 1.704 176.28 2.4 40.2 7.1 46.92 0.711 153.896 14.38 1.71 0.098 72.25 1.88 1.9 Região CR RR CRN ª NORTE Acre Amapá Amazonas Pará Rondônia Roraima Tocantins NORDESTE Alagoas Bahia Ceará Maranhão Paraíba Pernambuco Piauí Rio Grande do Norte Sergipe CENTRO-OESTE Distrito Federal Goiás Mato Grosso Mato Grosso do Sul SUDESTE Espírito Santo Minas Gerais Rio de Janeiro São Paulo SUL Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul BRASIL 313.1 7.04 0.54 1.0 61.51 0.1 22.1 23. ª Calculado para a faixa de renda até três salários mínimos.26 1.7 13.937 92.60 1.06 1.054 212.2 25.560 7.02 0.9 10.87 0.68 0.58 1.041 125.146 124.2 13.89 0.629 58.0 Percentual de Domicílios com Renda até Três Salários Mínimos (%) 40.83 0.8 60.

observado para o país como um todo: RR = DPi / Dom i ⇒ DPT / Dom T Dp i Dp T ⇒ RR = onde: DP = número de domicílios com renda até três salários mínimos. cuja distribuição também é mostrada na Tabela 4. o qual é simplesmente a relação entre o percentual de “domicílios pobres” observado em cada estado ou região e o mesmo percentual. A partir do percentual de domicílios com renda até três salários mínimos. o qual procura avaliar a concentração espacial de “domicílios pobres”.7 De 0.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Mapa 1 Brasil: Coeficiente de Concentração Relativa do Déficit Habitacional — 1995 CR Menor do que 0. 13 . Dom = número total de domicílios. definidos como aqueles com renda domiciliar de até três salários mínimos.3 KM 0 400 A fim de estabelecer um primeiro nexo entre os níveis de renda domiciliar e a concentração relativa do déficit. observado no país como um todo (38.7 até 1 De 1 até 1.9%). construiu-se um outro indicador. construímos o indicador RR.3 Maior do que 1. Dp = proporção de domicílios com renda até três salários mínimos no estoque total de domicílios.

em paralelo. o valor do indicador CR é de 1. como esperado. o déficit habitacional relativo é quase 40% menor do que o déficit nacional. é possível aprofundar a análise da relação entre o déficit habitacional e os níveis de renda familiar em uma dimensão inter-regional. o valor do indicador RR é 0. mas também do aspecto distributivo e seu impacto sobre o déficit habitacional. Em outros termos. Para isso. em seus conceitos absoluto e relativo. Esse novo indicador será construído simplesmente pela relação entre o déficit habitacional como percentual do número de domicílios. o percentual destes domicílios em cada estado ou região vis-à-vis a média nacional. e T = total para o país. e o 14 . A especulação possível a partir destes números é de que a concentração de renda.61. Nesta unidade da Federação. o déficit habitacional relativo no Distrito Federal é apenas 9% superior àquele estimado para o país como um todo. sempre por níveis de renda domiciliar por unidade da Federação. Percentuais próximos à média nacional resultam em valores de RR próximos à unidade. A fim de abordarmos a questão da concentração. positiva. isto é. mas também sua concentração relativa. utilizaremos uma versão um pouco modificada do indicador CR. elevada no caso do Distrito Federal e menos pronunciada no Paraná. Por seu turno. ou seja.47. A correlação estatística obtida entre os indicadores CR e RR é elevada e. Ao mesmo tempo. Tal indicador mostra a concentração relativa de “domicílios pobres” em cada região ou estado.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR i = i-ésima região. A partir dos dados da Tabela 4. Note que uma importante discrepância em relação ao padrão de correlação entre os indicadores CR e RR refere-se ao Distrito Federal.2 . o Estado do Paraná apresenta um percentual de “domicílios pobres” bastante próximo àquele observado para o conjunto do país. relativamente ao observado no conjunto do país. o que revela que o percentual de domicílios com renda de até três salários mínimos é menos da metade do percentual nacional. a respeito da importância não apenas do nível de renda domiciliar. se tomarmos como proxy para o nível relativo de renda domiciliar regional o valor (negativo) do índice RR. fica patente que o déficit habitacional afeta mais fortemente as regiões mais pobres do país.09.Um Mapeamento do Déficit segundo Níveis de Renda Domiciliar A partir dos elementos apresentados nas seções anteriores. observado em cada estado segundo o nível de renda. o qual chamaremos de CRN. ou indicador de concentração relativa do déficit por nível de renda. 4. Quanto menor o valor do indicador. é possível especular. situando-se em 0. ainda que de forma menos precisa. menor a parcela de “domicílios pobres” na região ou unidade da Federação. elevando o valor observado para o déficit relativo. tende a potencializar o problema habitacional. é importante enfocar não apenas o déficit.

caso o déficit no país como um todo para determinada faixa de renda seja 2. Assim. consideravelmente maior. Os dados para o déficit relativo por faixa de renda segundo unidade da Federação encontram-se detalhados no Anexo e aparecem de forma mais agregada na Tabela 4. significativamente menor. encontram-se no Anexo. o que tornaria dúbia sua interpretação. o mesmo déficit for de 2. os mesmos dados foram utilizados na construção do Mapa 2. 15 . ou seja.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR mesmo déficit. Dr = déficit relativo (como percentual do número de domicílios). Assim. Os dados originais. com os níveis de renda tradicionalmente apresentados nas PNADs.5%.5% e em um determinado estado este mesmo déficit for -2. Note que optamos por agregar os dados de todas as faixas de renda desde os domicílios sem renda até o nível de três salários mínimos. porém. e T = total para o país. i = i-ésima unidade da Federação. ou seja. O fato de serem observados eventuais valores negativos para o déficit nas faixas de renda mais elevadas torna mais difícil a interpretação dos indicadores de concentração relativa. Dom = número de domicílios. em um estado qualquer. se o déficit para determinada faixa de renda no país como um todo for -2. observado nacionalmente. o valor do indicador de concentração também será -1. por exemplo. A última coluna da Tabela 4 apresenta a distribuição espacial dos valores para o indicador de concentração relativa CRN. o valor do indicador CRN será -1.5% e. j = j-ésima faixa de renda domiciliar. construído para a faixa de renda domiciliar até três salários mínimos. teremos: C j RNi Defij / Dom ij = j ⇒ DefTj / Dom T j ⇒ C RNi = Drij DrTj onde: Def = déficit habitacional absoluto (em número de unidades).5%. para cada faixa de renda em cada estado.

percebe-se que esses indicadores CR e CRN praticamente coincidem. dos 4. já constatado em nível nacional. muito embora ambos 16 . a mesma distribuição da concentração relativa do déficit como um todo.7 até 1 De 1 até 1. 56% encontram-se nas regiões Norte e Nordeste. Discrepâncias dignas de nota referem-se a Tocantins. estaremos buscando corroborar o caráter regressivo da concentração espacial do déficit habitacional ao mesmo tempo em que poderemos observar diretamente o valor do indicador de concentração CRN. ao nos concentrarmos na faixa de renda domiciliar até três salários mínimos. O caráter regressivo do déficit habitacional. Em termos das grandes regiões geográficas. é claramente agravado nas regiões mais pobres do país. O padrão de concentração relativa na faixa até três salários mínimos de renda domiciliar segue.7 De 0. na qual o déficit relativo é sempre positivo. sem perigo de interpretações dúbias.46 milhões de unidades que compunham o déficit habitacional nas faixas de renda domiciliar até três salários mínimos em 1995. Nestes estados. Como resultado.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR Mapa 2 Brasil: Coeficiente de Concentração Relativa do Déficit Habitacional para o Nível de Renda Domiciliar até Três Salários Mínimos — 1995 CRN Menor do que 0.3 KM 0 400 Assim. é possível observar que o indicador CRN é claramente inferior ao indicador CR . O quadro mostrado no Mapa 2 não é surpreendente. Maranhão e Piauí. grosso modo.3 Maior do que 1. onde o déficit habitacional relativo é significativamente superior ao nacional em termos agregados.

constatado mediante dados para o ano de 1995. A visível concentração absoluta nas áreas metropolitanas não reflete dois aspectos essenciais do problema: em primeiro lugar. a trajetória cadente do déficit habitacional relativo em nível nacional. fica claro que nenhum instrumento de política habitacional será eficaz se não puder direcionar o investimento habitacional para as regiões e para os estratos mais pobres do país. denotando a forte regressividade do problema em termos intra-regionais. o fato de que. caso uma política de ampliação do investimento habitacional seja avaliada meramente pelos incrementos totais no número de domicílios. porém. fenômeno intimamente ligado às alterações recentes observadas na estrutura familiar brasileira. No entanto. 5 . entre os anos de 1995 e 1996. é de grande importância a constatação de que. Em conseqüência. Como vimos. No caso do Maranhão. a constatação dessa inflexão na trajetória do déficit habitacional relativo. em termos relativos. torna ainda mais urgente a necessidade de se realizar um esforço decidido para ampliar a oferta de unidades habitacionais no país. corre-se o risco de não se conceder 17 .CONCLUSÕES Em trabalhos anteriores [Gonçalves (1997a e 1997b)]. De todo modo. à elevada concentração relativa de domicílios pobres soma-se uma concentração do déficit habitacional nas faixas de renda inferiores que é. conclui-se que ainda existe uma demanda potencial por diversificação nestas mesmas faixas de renda. nota-se um quadro de maior equilíbrio entre os três indicadores apresentados nos estados do Sul. o déficit habitacional é menor nessas regiões do que na média do país. nítida no período 1981/95. Muito embora não tenha sido possível explorar a distribuição do déficit por níveis de renda a partir dos dados da PNAD-96. diante de um quadro. Nestas regiões. Em um nível intermediário estão as regiões Sudeste e Centro-Oeste. o grande responsável por esse fato foi o aumento dos níveis de coabitação. a partir do mapeamento feito neste estudo. procuramos demonstrar que o déficit habitacional brasileiro não é um problema restrito aos grandes centros urbanos. Tal fato demonstra que o déficit nas faixas de renda mais baixas encontra-se mais próximo à média nacional que o déficit relativo observado no conjunto das faixas de renda. tenha sido revertida. No outro extremo. Situação inversa ocorre no Piauí. de forte concentração do problema nas faixas de renda inferiores. em geral. maior do que em nível nacional. o confronto entre os indicadores RR e CRN mostra que o déficit percentual na faixa de renda até três salários mínimos não é proporcional ao número de domicílios com esse mesmo nível de renda. além disso. onde o percentual de domicílios pobres é 72% superior à média nacional enquanto o déficit habitacional relativo nesta faixa de renda é 42% maior do que a média nacional. Dado que a relação domicílios/famílias no Brasil ainda é muito baixa mesmo nas faixas de renda mais altas. demonstrou-se neste estudo que o aspecto fortemente regressivo da distribuição do déficit habitacional é mais intenso nos estados menores e mais pobres da Federação.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR sejam superiores à unidade.

é preciso avaliar o caráter social das alterações que se promovem no sistema brasileiro de financiamento à habitação através. 18 . das reais condições que estiverem sendo geradas para minorar o perfil altamente regressivo do problema do déficit habitacional. diante dos resultados que este estudo tornou disponível. Em resumo.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR prioridade aos segmentos da sociedade cujo déficit habitacional traduz uma necessidade absoluta de moradia. sobretudo. e não uma mera demanda por diversificação.

O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR ANEXO DE DADOS 19 .

O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR TABELA 20 .

9% 18.0% 25.164 64.308 2.435.6% 20.841 88.462.5% -1.144 283.9% -2.266 12.9% 33.785.1% 7.530 825.8% 18.962 156.533 (69.362.255 130.7% 13.990 51.2% 1.022 275.324 333.331) 3.4% 8.Níveis de Renda Domiciliar em Salários Mínimos Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM Sem Declaração Total Sem Rendimento Até 1 SM De 1 a 2 SM De 2 a 3 SM Subtotal De 3 a 5 SM De 5 a 10 SM De 10 a 20 SM Mais de 20 SM sem Declaração Total Déficit Absoluto Déficit Relativo Brasil 830.059) (13.444 (2.5% 7.1% Déficit Absoluto Déficit Relativo Norte 55.005 15.4% 29.1% 32.8% -0.272.8% 19.0% 12.8% Déficit Absoluto Déficit Relativo Nordeste 349.0% 17.7% -2.549 315.041 Centro-Oeste 52.884 43.7% 3.6% 35.912 577.8% -0.219 2.8% -2.250 4.0% 24.878 121.493 1.3% 72.995 Sudeste 286.371.285) 55.3% 8.5% 27.859 1.689) (6.9% 22.868 83.2% 1.371.0% 10.8% 18.173 135.2% 45.3% 12.1% 13.080 395.189 313.034 270.477) (4.223.6% 0.518) (61.0% 29.8% -1.690) (1.466 109.2% 21.4% -2.7% 2.422) 1.4% 24.468 149.4% 12.6% 20.509) (3.911 397.4% 13.770 435.459 2.5% 15.209.739) 93.6% .0% -3.0% -2.688) 1.896 Sul 86.712 208.666 146.2% 18.1% 7.4% 39.0% 117.1% 14.291 261.7% 197.4% -2.341 (32.451 818.3% 21.7% -1.5% -3.153) (45.8% 6.3% 22.862 6.9% 114.299 (10.605 81.662 2.818 721.273 1.381.703 92.728 55.992 79.199 (126.940 (8.379) 995 493.024 40.1% 16.8% 42.2% 1.

—————. AMARAL. v. M. n.. GONÇALVES.O DÉFICIT HABITACIONAL BRASILEIRO: UM MAPEAMENTO POR UNIDADES DA FEDERAÇÃO E POR NÍVEIS DE RENDA DOMICILIAR BIBLIOGRAFIA IBGE. FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. R. 1997a. O déficit habitacional no Brasil: uma estimativa a partir dos dados da PNAD-95. p. Belo Horizonte: 1995 (Relatório de Pesquisa). Desigualdades regionais e retomada do crescimento num quadro de integração econômica. GARCIA. 2. Estudos Econômicos da Construção. Déficit habitacional no Brasil. Nova Economia. v. —————. H. p. Rio de Janeiro: DIPES/IPEA. R. 1997 (Texto para Discussão. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios — 1996. n.. 21 . Rio de Janeiro: Departamento de População e Indicadores Sociais. mar. Rio de Janeiro: Departamento de População e Indicadores Sociais. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios — 1995. 3. L. E. LAVINAS. R. 466). Um mapeamento do déficit habitacional brasileiro: 198195. maio 1997b. 1997. 1996. 29-51. 99-122. 7. 1.