CAPÍTULO 1

ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA

CAPÍTULO I: ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA I-1. O átomo como núcleo com elétrons circundantes Todos os átomos são constituídos por um núcleo central rodeado por um ou mais elétrons circundantes. O núcleo sempre contém prótons, e todos os núcleos mais pesados que o hidrogênio também contém nêutrons. Juntos, os prótons e os nêutrons constituem a maior parte da massa do átomo. Tanto prótons como nêutrons são partículas de massa unitária, mas o próton possui uma carga positiva e o nêutron é eletricamente neutro. Assim sendo, o núcleo apresenta sempre carga elétrica positiva. O número de cargas positivas no núcleo é exatamente equilibrado por um igual número de elétrons circundantes, cada um dos quais possui uma carga negativa. O elétron é relativamente mais leve – possui cerca de 1/1.836 da massa do próton. Os 103 elementos por enquanto conhecidos são todos constituídos de maneira simples por essas três partículas fundamentais. O hidrogênio é o primeiro e mais simples dos elementos: núcleo com 1 próton (+1) que é contrabalançada por 1 elétron circundante. O segundo elemento é o hélio. Seu núcleo contém 2 prótons (+2) e 2 nêutrons que atenuam a repulsão entre os prótons, e aumentam a massa do átomo, que é contrabalançada por 2 elétrons circundantes. Todos os núcleos mais pesados que o H contém nêutrons, mas o número de nêutrons presentes não pode ser previsto com precisão. Esse esquema se repete para o restante dos elementos. O número de cargas positivas no núcleo de um átomo é sempre igual ao número de elétrons circundantes, e é chamado de número atômico do elemento. No modelo planetário simples do átomo, imaginamos que esses elétrons se movem em torno do núcleo em órbitas circulares semelhantes ao movimento dos planetas em torno do Sol (Figura 1).
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x

H

Li
x

Be
x x x x x

B
x x x x x

C
x x x

x

x x

x

x x

He
x

N
x

O
x

F
x x

Ne
x x

Figura 1: As estruturas dos elementos hidrogênio até neônio. Assim, o hidrogênio e o hélio (fig.1) possuem 1 ou 2 elétrons, respectivamente em sua primeira órbita. A primeira órbita estará assim completa. Os 8 átomos seguintes são o lítio, o berílio, o boro, o carbono, o nitrogênio, o oxigênio, o flúor e o neônio. Cada um deles possui no núcleo um próton a mais do que o elemento precedente, e o elétron adicional vai para uma segunda órbita (fig.1). Assim estará preenchida a segunda órbita. Nos 8 próximos elementos (com números atômicos de 11 a 18), o elétron adicional começa a preencher um terceiro nível. Os elétrons com carga negativa são atraídos pelo núcleo positivo por meio de forças de atração eletrostática. Um elétron próximo do núcleo é fortemente atraído por este e possui uma baixa energia potencial. Um elétron distante do núcleo é atraído com menos intensidade e possui elevada energia potencial.
Química Inorgânica 1

relacionam-se com a freqüência.3 Å 4340.Em espectroscopia. Os comprimentos de onda.0 e 589. E espectroscopia atômica é uma técnica importante para o estudo da energia e da disposição dos elétrons nos átomos. até atingir-se a região do espectro contínuo (Figura 2). . Espectros atômicos do hidrogênio e a teoria de Bohr Quando átomos são aquecidos ou submetidos a uma descarga elétrica.7 Å υ= c Hα Hβ Hγ Hδ H∝ Energia Figura 2: O espectro do hidrogênio na região do visível (série de Balmer) Em 1885. através da equação: λ onde c é a velocidade da luz (2. Quatro linhas podem ser vistas a olho nu. A espectroscopia se ocupa do estudo tanto da radiação absorvida como da radiação emitida.6 nm).9979. Balmer mostrou que o número de onda de qualquer linha do espectro visível do hidrogênio atômico poderia ser dado pela fórmula empírica simples: Química Inorgânica 2 .5 Å 4101. dada em hertz (ciclos/segundo).108 m/s). que em seguida é emitida como radiação. se o cloreto de sódio for aquecido na chama de um bico de Bunsen. Essas linhas se aproximam cada vez mais à medida que o comprimento da onda (λ ) diminui. contínuo 6562. que emitem luz na região visível. Passando-se uma descarga através de gás hidrogênio (H2) a baixa pressão. mas muitas outras são observadas fotograficamente na região ultravioleta. Essa luz pode ser analisada por um espectrômetro. ν . dados em metros.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA I-2. Por exemplo.8 Å 4861. são produzidos átomos de sódio que dão origem à coloração amarela característica da chama (há duas linhas no espectro de emissão do sódio. freqüência são geralmente expressas como números de onda υ sendo υ= 1/λ m–1. formam-se alguns átomos de hidrogênio (H). correspondendo aos comprimentos de onda de 589. verificando-se que ela compreende uma série de linhas com diferentes comprimento de onda. eles absorvem energia.

Seria de esperar um movimento em espiral dos elétrons. 6. . . 4. Quando um elétron passa de uma órbita a outra. 5.. 5. Para que um elétron permaneça em sua órbita. Rutherford sugeriu. mas outras séries diferentes de linhas podem ser observadas em diferentes regiões do espectro (Tab.. sugerindo que estes estavam no átomo. que atrai o elétron em direção ao núcleo. Bohr postulou o seguinte: 1. a partir de dados espectroscópicos e de outros. .. houve absorção de energia. 5. As linhas observadas na região do visível são chamadas de série de Balmer. Como o núcleo e os elétrons apresentam cargas elétricas opostas..CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA 1 1 υ = R 2 − 2  n  2 onde R é a constante de Rydberg e n apresenta os valores 3. Por quê os elétrons deveriam mover-se numa órbita em torno do núcleo? 3. 2. 8. fornecendo-se assim uma série de linhas. ele ou irradiou ou absorveu energia. 7. 6.. 1). seu movimento não deve desacelerar-se. 1 1  υ = R 2 − 2  1 n  Série de Balmer visível/ultravioleta n = 3. que a aplicação de um elevado potencial elétrico através de um gás fornece elétrons. Niels Bohr combinou essas idéias e sugeriu que o núcleo do átomo era rodeado por elétrons movendo-se em órbitas. 8... eles deveriam atrairse mutuamente. até a colisão destes com o núcleo. 7. portanto. 3. 9. em 1896. Um elétron não emite energia enquanto permanecer numa mesma órbita e. Em 1913.... a partir de experimentos com dispersão de partículas alfa. 6. 1 1 υ = R 2 − 2  n  4 Série de Pfund Infravermelho n = 6. O movimento dos elétrons deveria tornar-se gradativamente mais lento. Thomson mostrou. Diversos problemas sugiram com esse conceito: 1. que um átomo é constituído por um núcleo pesado de carga positiva rodeado por um número suficiente de elétrons para mantê-lo eletricamente neutro. . 1 1 υ = R 2 − 2  3 n  Série de Brackett Infravermelho n = 5.. houve irradiação de energia e. 4. 1 1 υ = R 2 − 2  n  2 Série de Paschen Infravermelho n = 4. 3. de modo semelhante ao movimento dos planetas em redor do Sol. a atração eletrostática entre o núcleo e o elétron. . 4. 2. 1 1 υ = R 2 − 2  5 n  Série de Humphries Infravermelho Nos primeiros anos deste século foram feitas tentativas de obter uma imagem física do átomo. Tabela 1: Séries espectrais encontradas no hidrogênio Região do espectro Fórmula empírica Série de Lyman Ultravioleta n = 2. 7. deve ser igual à força centrífuga que Química Inorgânica 3 . 5. Para explicar esses problemas. .. Se ele se moveu em direção ao núcleo. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1922 por seu trabalho sobre a estrutura do átomo. se ele se moveu afastando-se do núcleo.

0529 nm Isso nos fornece uma imagem do átomo de hidrogênio em que um elétron se move em órbitas circulares de raios proporcionais a 12. A energia cinética de um elétron é 1/2mv2.0529 nm n = 1 teremos um valor de r = 32 . e portanto: v2 = Ze 2 4πε mr 0 De acordo com a teoria quântica de Planck. . Rearranjando a equação: E= 1 Ze 2 mv 2 = 2 8π ε r 0 ε0n2h2 r= πme 2 Z Substituindo r pela expressão obtida antes: Z 2e4m 2 8ε 0 n 2 h 2 Se um elétron saltar de uma órbita inicial i para uma órbita final f. movendo-se com uma velocidade v numa órbita de raio r.0529 nm n = 2 teremos um valor de r = 22 . mvr = nh 2π nh n 2h 2 ⇒ v2 = 2πmr 4π 2 m 2 r 2 Combinando-se essa equação com a equação anterior. mas discreta.. A energia de um elétron numa órbita. O átomo somente irradiará energia ao passar de uma órbita para outra. onde h é a constante de Planck. Z o número de cargas no núcleo. 32. Isso significa que a energia ocorre em “pacotes” chamados de quanta.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA tende a afastar o elétron de sua órbita. 22. seu movimento angular mvr. deve ser igual a um número inteiro n de quanta. de magnitude h/2π . isto é.. 0. 0. e ε 0 a permissividade no vácuo. 0. e se: n = 1 teremos um valor de r = 12 . a energia não é contínua. vale: força centrífuga = mv 2 r Sendo e a carga elétrica no elétron. Para um elétron de massa m. a variação de energia ∆ E é: E= Química Inorgânica 4 . têm-se: v= n2h2 Ze 2 = 2 2 2 4π m r 4πε mr 0 e portanto Para o hidrogênio a carga do núcleo é Z = 1. Ze 2 força de atração eletrostát ica = 4π ε r 2 0 de modo que força centrífuga = força de atração eletrostática.

2. executando um movimento de rotação em torno do próprio eixo. são também numeradas por 1.. da equação de Rydberg: υ=  1 Z 2e4m  1 1  1   − 2  = R 2 − 2  (equação de Rydberg) 2 3  2 n  8ε 0 h c  ni nf  n2   1  Z 2e 4m  1 1   − 2 2 2  2 8ε 0 h  ni nf   O valor experimental de R é 1.. L. Esse número é chamado de número quântico principal.096776. Química Inorgânica 5 mM m+M . M. N. A inclusão da massa do núcleo explica porque diferentes isótopos de um elemento produzem linhas espectrais de comprimento de onda ligeiramente diferentes. mas a relação entre as massas do elétron e do núcleo de hidrogênio é de 1/1.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA  Z 2e4m ∆E =  2 2 2  8ε n h  0 i =   Z 2e4m − 2 2 2   8ε n h   0 f     A energia se relaciona com o comprimento de onda (E = hc υ e esta equação tem a forma ). Na realidade. 3. an Série de Ly m KL M Sé ri ed eB a lm er hen asc eP ie d ckett e Bra Sér érie d S Série de Pfund N O P Figura 3: As órbitas de Bohr para o hidrogênio e as diversas séries de linhas espectrais. Freqüentemente.107 m–1. 3. As várias transições possíveis entre as órbitas são mostradas na fig.107 m–1. o núcleo oscila ligeiramente em torno do centro de gravidade. Refinamentos na teoria de Bohr Supôs-se que o núcleo permanece estacionário. e. para atender a esta situação. em boa concordância com o valor teórico de 1. As diferentes séries de linhas espectrais podem ser obtidas variando os valores de ni e nf.836.097373.. . I-3. 4. substitui-se na equação a massa do elétron m por sua massa reduzida µ : µ= onde M é a massa do núcleo. . A teoria de Bohr fornece uma explicação para os espectros atômicos de hidrogênio. Isso seria verdadeiro se a massa do núcleo fosse infinita. as órbitas são designadas pelas letras K.. a partir do núcleo.

sendo possíveis tanto órbitas circulares como elípticas. desde então. Isso significa que uma linha é composta na realidade por várias linhas muito próximas.4). deve originar-se uma linha única forte no espectro. . onde ms é o número quântico do spin. O número quântico original foi assim substituído por um novo número quântico l. é possível definir qual das diferentes órbitas circulares está sendo considerada.. n/k pode ter os valores 2/2 (órbita circular) e 2/1 (órbita elíptica). aparecem novas linhas no espectro.. algumas linhas espectrais são novamente desdobradas em duas linhas (um duplete). Assim. que a expressão correta é a s ( s +1)h / 2π .. o número quântico principal é n = 1. Zeeman mostrou que. que pode ter valores de l. eixo maior n = eixo menor k k é chamado de número quântico azimutal ou secundário. 0 . e que ocorre um movimento de precessão no espaço em torno do núcleo. é necessário um segundo número quântico k. explica o desdobramento das linhas espectrais reveladas com alta resolução. e o valor do momento angular da rotação foi inicialmente tido como sendo ms. 3/2 (elíptica) e 3/1 (elíptica mais excêntrica). Sommerfeld explicou esse desdobramento das linhas supondo que algumas das órbitas são elípticas. sendo l = k – 1. quatro ou mais linhas. n/k pode ter os valores 3/3 (circular). Quando um elétron se move de uma órbita para outra. -l. com energias ligeiramente diferentes uma das outras. e pode ter valores de 1. Para n = 2.. A presença dessas órbitas adicionais. Se observarmos o espectro do hidrogênio com um espectrômetro de alta resolução. k=3 k=2 k=1 Figura 4: As órbitas de Bohr-Sommerfeld para n = 3. Elas se devem ao fato das órbitas elípticas assumirem apenas determinadas orientações em relação ao campo externo. Para a órbita seguinte. com valores de ± ½ (a mecânica quântica mostrou. A energia é quantizada. verifica-se que algumas das linhas revelam uma “estrutura fina”. Explica-se esse fato supondo que o elétron pode girar em torno de seu próprio eixo em sentido horário ou em sentido anti-horário. correspondendo justamente à diferença de energia entre as órbitas inicial e final. Além disso. (l – 1) .. (-l + 1).CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA dado pelo símbolo n. A forma da elipse é definida pela relação entre os comprimentos dos eixos maior e menor. Para definir uma órbita elíptica. Tem-se pois: n=1 l=0 n = 3 l = 0 ou 1 ou 2 n = 2 l = 0 ou 1 n = 4 l = 0 ou 1 ou 2 ou 3 Isso explica porque algumas das linhas espectrais estão subdivididas em duas. três. onde s é o número quântico de spin ou a combinação de vários spins).h/2π . Para a órbita mais próxima do núcleo.. Cada uma dessas orientações está associada a um quarto número quântico m. e não sofrerem precessão aleatoriamente. havendo uma órbita circular. 2. Para n = 3 (fig. n. ao colocarmos átomos num campo magnético forte. o número quântico principal é n = 2. Especificando o número quântico principal. Química Inorgânica 6 ..

ou a velocidade e direção de seu movimento. ou. Um elétron é pequeno demais para ser visto. comportavam-se em alguns aspectos como ondas. Se um fóton colidir com um elétron. Heisenberg formulou que quanto mais exatamente pudermos determinar a posição de um elétron. Chama-se isso efeito fotoelétrico. 2. em alguns casos. . Certos materiais.. com luz ultravioleta. Na década de 1920. 1. a luz era tida ora como partícula ora como onda. Isso inevitavelmente modificará a posição do elétron. -1/2 I-4. Obteve-se uma evidência experimental da natureza ondulatória dos elétrons observando fotograficamente anéis de difração obtidos quando se conduz um fluxo de elétrons através de uma fina lâmina metálica. Número quântico azimutal l 0. ou poderíamos aplicar ao elétron uma força magnética ou elétrica. A difração de elétrons é hoje em dia uma ferramenta útil na elucidação da estrutura molecular. São.. 3. . poderíamos atingir o elétron com outra partícula. Símbolo Valores Número quântico principal n 1. como um fóton ou um elétron. É difícil medir com exatidão as duas quantidades simultaneamente. Esse é um conceito importante para explicar a estrutura eletrônica dos átomos.... Em 1924. ela pode remover o elétron da superfície do metal. . Ele é explicado imaginando a luz movendo-se na forma de partículas chamadas fótons. pois. Por exemplo. pois. O princípio da incerteza de Heisenberg Cálculos baseados no modelo atômico de Bohr exigem informações mais precisas sobre a posição de um elétron e sobre sua velocidade. como por exemplo o potássio. 0. como elétrons.. Contudo. se aplicarmos um campo magnético. O elétron é. considerado como partícula.. Por algum tempo. (n – 1) ou secundário Número quântico magnético m -l. Tabela 2: os quatro números quânticos. particularmente em gases. I-5..CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA Portanto uma linha espectral única aparece como (2l + 1) linhas. . e só pode ser observado quando submetido a uma perturbação. A mecânica ondulatória é um recurso para estudar a estrutura dos níveis eletrônicos nos átomos e a forma dos orbitais ocupados pelos elétrons. e em outras ocasiões é mais conveniente considerá-los como ondas.. tanto menor a certeza com que podemos Química Inorgânica 7 . mostrou-se que partículas em movimento. Os espectros dos outros átomos podem ser explicados de maneira semelhante. ele pode transferir sua energia para o elétron. +l Número quântico de spin ms +1/2.. A dualidade da natureza dos elétrons – partículas ou ondas A teoria planetária da estrutura atômica proposta por Rutherford e Bohr descreve o átomo como um núcleo central circundado por elétrons situados em certas órbitas.. emitem elétrons quando irradiados com luz visível. de Broglie afirmou que com os elétrons existe o mesmo duplo caráter – à vezes eles são considerados como partículas. como mostrado na tabela 2. Se a energia do fóton for suficientemente elevada. os fenômenos da difração e interferência da luz podem ser explicados imaginando a luz comportando-se como uma onda. necessários quatro números quânticos para explicar o espectro do átomo de hidrogênio.

devem apresentar certas propriedades: Química Inorgânica 8 . e são representadas pelo símbolo ψ . soluções que sejam fisicamente possíveis. a energia total do sistema E é constituída pela soma da energia cinética K e da energia potencial V: E = K + V donde K = E – V. A equação de onda de Schroedinger Para uma onda estacionária (como uma corda em vibração) de comprimento de onda λ . ou vice-versa. y e z. m a massa do elétron e v sua velocidade). o princípio da incerteza de Heisenberg pode ser expresso matematicamente como: ∆x∆v ≥ onde h = constante de Planck = 6. essa equação é simplificada para: 4π 2 2 ∇ψ =− 2 ψ λ A relação de de Broglie estabelece que λ = h/mv (onde h é a constante de Planck. ser substituída pela probabilidade de encontrar um elétron numa determinada posição. A equação de onda de Schroedinger constitui uma descrição satisfatória do átomo nesses termos. deve. portanto.10–34 Js.6262.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA definir sua velocidade. A probabilidade de se encontrar um elétron num ponto do espaço. Soluções para a equação de onda são chamadas de funções de onda. a equação se converte em: d 2ψ d 2ψ d 2ψ 4π 2 + + =− 2 ψ 2 2 2 dx dy dz λ h 4π Usando o símbolo ∇ no lugar de três derivadas parciais. portanto. e z. Isso significa que é impossível conhecer exatamente a posição e a velocidade de um elétron ao mesmo tempo. chegaremos à forma conhecida da equação de Schroedinger: 2 ∇ψ + 8π2 m ( E −V )ψ = 0 h2 Soluções aceitáveis para a equação de onda. isto é. I-6. pode-se mostrar que d 2 f ( x) 4π 2 = − 2 f ( x) dx 2 λ Se considerarmos um elétron movendo-se em apenas uma direção teremos: d 2ψ 4π 2 =− 2 ψ dx 2 λ Um elétron pode mover-se em três direções x. na qual podem ser calculados com exatidão sua posição e velocidade. portanto: 4π 2 m 2 v 2 ∇ 2ψ + ψ =0 2 h Contudo.z). é ψ 2(x. Mas a energia cinética = ½ mv2. e. ou num determinado volume de espaço. e cuja amplitude em qualquer ponto ao longo de x pode ser descrita pela função f(x). Se ∆ x for a incerteza ao definir a posição e ∆ v a incerteza em definir a velocidade. de modo que: ½ mv2 = E – V e v2 = 2(E – V)/m Substituindo o valor assim obtido. y. cujas coordenadas são x. O conceito de um elétron percorrendo uma órbita definida.y.

ou 3. Para um dado tipo de átomo. Essas três soluções para a equação de onda podem ser escritas: ψ x = f(r). d e f provêm dos termos espectroscópicos sharp. Orbitais desse tipo são chamados de orbitais p e existem três valores para o número quântico magnético (m = -1. y e z). E1. o único elétron presente normalmente ocupa o mais baixo dos níveis de energia. secundário e magnético – usados na teoria de Bohr.. p.f(z) Química Inorgânica 9 .f(x) ψ y = f(r). l e m. e é chamado de orbital s. o orbital tem forma de halteres duplos e é chamado de orbital d. e cada orbital pode ser descrito inequivocamente por um conjunto de três números quânticos n. Quando l = 0. + ∞ −∞ ∫ψ 2 dxdydz =1 Diversas funções de onda. O exame de todas as soluções permitidas para a equação de onda mostra que os orbitais se classificam em grupos. 1. Cada uma destas funções é chamada de orbital. de modo que só existe um orbital deste tipo para cada valor de n. poderão satisfazer as condições da equação de onda enumeradas acima. E3. No segundo grupo de soluções da equação de onda. depende somente da distância r ao núcleo.. Existem. Isso é chamado de estado fundamental. O número quântico secundário l descreve a forma do orbital ocupado pelo elétron. l pode ter valores de 0. que é a mesma em todas as direções. 3. que diferem somente em sua orientação no espaço. ψ 3.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA ψ deve ser contínua ψ deve ser finita ψ deve ser linear e homogênea a probabilidade de encontrar o elétron em todo o espaço. pois. o valor da função de onda ψ . ψ depende tanto da distância ao núcleo. +1). que são os mesmos números quânticos – principal. forma e tamanho. o orbital tem forma de halteres e é chamado de orbital p. e quando l = 3. chamadas de ψ 1. a probabilidade de encontrar um elétron ψ 2. 2. quando l = 1. Quando l = 0.. 2. deve ser igual a um. As letras s. de modo que 1. três orbitais idênticos em energia. . de + infinito até – infinito. há um certo número de soluções aceitáveis para a equação de onda. e cada uma destas terá uma energia correspondente E1. isto é. portanto. diffuse e fundamental que são usados para descrever as linhas nos espectros atômicos. o número quântico magnético m = 0. A probabilidade de encontrar um elétron num ponto x.. Num átomo de hidrogênio. z é ψ 2. ψ = f(r) Esse fato leva a um orbital esférico. ψ 2. e. y. o orbital é esférico. 0. principal. o volume do espaço onde é elevada a probabilidade de encontrar o elétron. em analogia com as órbitas da teoria de Bohr. . 4. E2. como da direção no espaço (x. forma-se um orbital f de forma mais complicada (Figura 5). A correspondente função de onda ψ 1 descreve o orbital.f(y) ψ z = f(r). Esses orbitais são chamados de orbitais s. e ocorre quando o número quântico secundário l é igual a zero. quando l = 2. No primeiro grupo de soluções.

0.. (i) orbital s. 4. 6. pois três orbitais p degenerados para cada um dos valores n = 2. +1 2p (três orbitais) 3 0 0 3s (um orbital) 3 1 -1.. +2 4d (cinco orbitais) Química Inorgânica 10 . +1 3p (três orbitais) 3 2 -2. O terceiro grupo de soluções da equação de onda depende da distância ao núcleo r e de duas direções no espaço. Ocorrem. 3dxy (observe que os sinais + e – referem-se à simetria e não à carga). formando-se sete orbitais f degenerados quando n = 4. 0. 4..CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA Orbitais de energia idêntica são chamados de degenerados. 5. +3. +2 3d (cinco orbitais) 4 0 0 4s (um orbital) 4 1 -1. . 2px (iii) orbital d. Há cinco soluções. -2. por exemplo: ψ = f(r). sendo os orbitais em questão chamados de orbitais f.. 0. 0.. 5. correspondentes aos valores de m = -2. +2. ocorrendo. -1. cinco orbitais degenerados d para cada um dos valores de n = 3. -1. todas de igual energia. -1. -1.. portanto. y y + x y z + + x (iii) (i) 2s z 3dxy + (ii) 2px x Figura 5: Funções de onda ψ para orbitais atômicos s. 3. Tabela 3: Orbitais atômicos Número quântico Número quântico Número quântico Símbolo principal secundário magnético n l m 1 0 0 1s (um orbital) 2 0 0 2s (um orbital) 2 1 -1. +1. Outra série de soluções ocorre quando l = 3. Existem sete valores de m: -3. +2. . 0. . +1. +1 4p (três orbitais) 4 2 -2.f(y) Tal grupo de orbitais possui l = 2. +1. 0. +1. p e d.f(x). 0. e são chamados de orbitais d. 2s (ii) orbital p.

que depende somente do número quântico m A equação pode ser reescrita: ψ = R(r)nl.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA 4 3 -3.Θ (θ ). +2. e r. que podem ser resolvidas separadamente: Química Inorgânica 11 . As coordenadas do ponto A. que por sua vez depende dos números quânticos n e l Θ (θ ) é uma função de θ . só podem ser obtidas soluções aproximadas. Deduz-se que as duas séries de coordenadas se relacionam através das seguintes expressões: z = r cos θ y = r sen θ sen φ x = r sen θ cos φ z A z θ x φ r y (x. y e z quando dados em coordenadas cartesianas. +1. medidas a partir da origem. Na maioria dos cálculos. que depende dos números quânticos l e m Φ (φ ) é uma função de φ .z) y x Figura 6: As relações entre coordenadas cartesianas e coordenadas polares. e para íons semelhantes que possuam apenas um elétron. θ e φ .Φ (φ ) R(r) é uma função que depende da distância do núcleo. Funções radiais e angulares A equação de Schroedinger pode ser resolvida completamente para o átomo de hidrogênio. θ e φ quando dadas em coordenadas polares.y.Aml Desdobramos assim a equação de onda em duas partes. A equação de Schroedinger é usualmente escrita da forma 8π 2 m ∇2ψ + ( E − V )ψ = 0 h2 onde ∂2ψ ∂2ψ ∂2ψ ∇2ψ = + + 2 2 2 ∂x ∂y ∂z Mudando para coordenadas polares. -2. 0. como He+ e Li2+. são x. y e z em coordenadas polares r. é mais simples resolver a equação convertendo as coordenadas cartesianas x. transforma-se em: ∇2ψ = 1 ∂  2 ∂ψ  1 ∂2ψ 1 ∂  ∂ψ  + 2 r + 2  sen θ  2 2 2 2 r ∂r  ∂r  r sen θ ∂φ r sen θ ∂θ  ∂θ  A solução dessa expressão tem a forma: ψ = R(r). Para outros átomos. -1. +3 4f (sete orbitais) I-7.

apresentam uma estrutura em camadas. as funções angulares A são registradas como diagramas polares. de modo que a probabilidade de estar o elétron a uma distância r do núcleo é 4π r2R2.A2(θ . ou para 3s. e independe da distância do núcleo. constituída por camadas concêntricas de densidade eletrônica. Todos os orbitais s. possuem estrutura em camadas.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA 1. a função radial R(r). Figura 7: Funções de distribuição radial para vários orbitais no átomo de hidrogênio. menos o primeiro orbital p (2p) e o primeiro orbital d (3d).θ . que depende dos números quânticos n e l. exceto o primeiro (1s). até o infinito. A figura 7 mostra gráficos da função de distribuição radial para o hidrogênio contra r. φ .A A probabilidade de encontrar um elétron simultaneamente a uma distância r e numa dada direção θ . Para um dado valor de r. A função angular A depende somente da direção. mas R2 nos dá a probabilidade de encontrar um elétron num pequeno volume dv próximo do ponto em que R é medida. A função radial R não tem significo físico.φ ) Química Inorgânica 12 . Assim. Esses gráficos mostram que a probabilidade é nula no núcleo (pois r = 0) e. vê-se que a distância mais provável aumenta acentuadamente à medida que aumenta o número quântico principal. vê-se que o raio mais provável decresce ligeiramente à medida que o número quântico secundário aumenta. ψ = R(r). a função de ando angular total Am. 2. Deve ser frisado que esses diagramas polares não representam a função de onda total. o número de pequenos volumes é 4π r2. A2 é a probabilidade de encontrara um elétron a uma dada direção θ e φ . 2s e 3s. mas somente a parte angular da função de onda (a função de onda total é composta de contribuições tanto das funções radial como angular). Essa função é chamada de função de distribuição radial. Analogamente. semelhante a uma cebola. Além disso. Na figura 6. é dada por: 2 ψ r. todos os orbitais. a qualquer distância do núcleo.φ = R2(r). examinando os gráficos para 1s. que depende dos números quânticos m e l. 3p e 3d. comparando os gráficos para 2s e 2p.

4p.. Alguns livros usam orbitais p alongados. na figura 8. estes não deveriam ter sinais. muitos autores desenham formas que se aproximam às probabilidades. É muito mais fácil visualizar uma superfície–limite. as superfícies–limites foram estendidas até o núcleo. uma forma sólida que contenha por exemplo 90% da densidade eletrônica. Contudo. . Elevar A ao quadrado não altera a forma de um orbital s. Para orbitais p a densidade eletrônica é nula no núcleo. isto é. e alguns textos mostram um orbital p como duas esferas que não se tocam. Apesar disso. Os diagramas da figura 8 mostram a parte angular. 2s. para sermos corretos. As formas são um pouco diferentes das formas da função de onda total.. funções de onda ao quadrado.. o sinal (a simetria) se inverte dentro da superfície – limite do orbital. Há diversos aspectos a considerar a respeito desses diagramas: 1.. são usados comumente para ilustrar a sobreposição (“overlap”) de orbitais dando origem a ligações entre os átomos. isto é. pois com elevação ao quadrado remove-se qualquer sinal de simetria. já que eles mostram os sinais + e – relacionados com a simetria da função angular. Para frisar que ψ é uma função contínua. referindo-se a orbitais tanto no caso de formas como no de funções de onda. mais precisamente. 5p. Esses desenhos mostram a simetria para os orbitais 1s. ou. A2. 5d. ψ θ 2ψ φ 2..CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA Diagramas polares. 4d. . φ é o quadrado da função de onda. 2p e 3d... y + x z 2s y y y + z + x x + x - z 2px 2pz 2py Química Inorgânica 13 . Para a formação de ligações deve haver sobreposição de sinais iguais. 3p. A probabilidade de encontrar um elétron numa direção θ . 2. Percebe-se esse fato nos nodos dos gráficos das funções radiais (figura 5) 3. mas. isto é. 3s.. É difícil visualizar uma função de onda angular como uma equação matemática. Os diagramas polares se prestam bem para esse propósito. e colocam os sinais das funções de onda nos lóbulos. mas alonga os lóbulos do orbital p. nos demais. desenhos da parte angular da função de onda. .

mas não tem simetria esférica em outra direção. É difícil fazer essa representação em duas dimensões. A representação completa da probabilidade de encontrar um elétron requer o quadrado da função de onda total e inclui o quadrado da probabilidade radial e da probabilidade angular. 4. Química Inorgânica 14 . como numa folha de papel. Note que os orbitais p não são simplesmente duas esferas. mostrada como diagramas polares. mas elipsóides em revolução. Analogamente. Assim. mas uma representação razoável é mostrada na figura 9.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA y z z + + x + + x + + y - - - 3dxy y 3dxz z 3dyz + + x + + x 3dx2-y2 3dz2 Figura 8: Superfície-limite para a parte angular da função de onda A(θ .φ ) para os orbitais 2s. Os orbitais não estão representados em escala. 2p e 3d num átomo de hidrogênio. o orbital 2px tem simetria esférica em relação ao eixo x. o orbital py tem simetria esférica em relação ao eixo y. Necessita na realidade de um modelo tridimensional para a representação da probabilidade e mostrar as formas dos orbitais. e tanto o orbital pz como o orbital 3dz2 tem simetria esférica em relação ao eixo z.

Trocando os números quânticos.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA Figura 9: Função de onda total (orbitais) para o hidrogênio. desde que eles tenham spins opostos. O princípio de exclusão de Pauli Para definir um orbital são necessários três números quânticos n. l e m. Portanto. Um número quântico adicional é necessário para definir o spin de um elétron no orbital. I-8. Cada orbital pode conter dois elétrons. é possível calcular o número máximo de elétrons contidos em cada um dos níveis energéticos principais (Figura 10). Química Inorgânica 15 . são necessários quatro números quânticos para definir a energia de um elétron num átomo. O princípio de Exclusão de Pauli diz que os dois elétrons de um orbital não podem ter iguais os quatro números quânticos.

o hidrogênio contém 1 elétron. I-10. número máximo de elétrons e forma da tabela periódica. 2p. Para mostrar a posição dos elétrons num átomo. No hélio. o que se indica por 1s2. Um índice indica o número de elétrons em cada série de orbitais. que é o nível 2s. de número quântico principal n = 2 e número quântico secundário l = 0. A figura 11 constitui um auxílio útil. O hélio possui dois elétrons. o que se indica por 1s1. Seqüência de níveis energéticos É importante conhecer a seqüência segundo a qual os níveis energéticos são preenchidos. o nível 1s contém 2 elétrons. 1s Química Inorgânica 16 . Eles ocupam orbitais p separados e possuem spins paralelos. I-9. os dois elétrons p do carbono estão desemparelhados. Assim.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA Figura 10: Números quânticos. O boro deve ter seu quinto elétron no nível 2p. O quarto elétron do berílio também ocupa o nível 2s. usam-se os símbolos 1s. para indicar o nível energético principal e o subnível. Vê-se pela figura que a seqüência de preenchimento dos níveis energéticos é: 1s 2s 2p 3s 3p 4s 3d 4p 5s 4d 5p 6s 4f 5d 6p 7s etc. possui um elétron. Isso é possível porque os dois elétrons apresentam spins opostos. pois o nível 2s estará completamente preenchido. apresenta três elétrons. O elemento seguinte. O segundo elétron também ocupa o orbital 1s. O nível 1s está assim completo. no estado fundamental. Por exemplo. o lítio. 2s. o hidrogênio. etc. que ocupa o nível 1s. e número quântico secundário l = 0. A regra de Hund estabelece que o número de elétrons não emparelhados num dado nível energético ‘e o máximo. O sexto elétron do carbono estará também no nível 2p. este nível tem número quântico principal n = 1. O terceiro elétron ocupa o próximo nível energético. Uma maneira alternativa de representar a estrutura eletrônica de um átomo é representar os orbitais por quadrados e os elétrons por pequenas setas. A regra de Hund e a construção dos átomos O elemento mais simples.

Esses são os elementos de transição interna. os elementos do Grupo V possuem cinco elétrons no nível mais externo. 6 elétrons. no elemento estrôncio. VI. no elemento argônio. V. daí a razão do nome do grupo. Uma segunda série de transição começa depois do preenchimento do orbital 5s. e da disposição dos elétrons no elemento. o ítrio. O nível 3d começa a ser preenchido com o elemento escândio. são os elemento de transição. porque no elemento seguinte. os elementos d vão sendo adicionados ao penúltimo nível. elemento em que começa o preenchimento do nível 5d. também chamados de lantanídeos. mas apenas dos diferentes grupos. começa o preenchimento do nível 4f. Os elementos do Grupo 0 possuem completo o nível mais externo. porque suas propriedades dependem da presença de elétrons s. e aqueles contendo dois elétrons no nível mais externo são chamados de elementos do Grupo II (os metais alcalino-terrosos). e eles em conjunto são chamados de elementos do bloco p. 7 elétrons. Os grupos III. Os elementos que vão do escândio ao cobre possuem um nível 4s completo. do Grupo VII. Nesses. começa o preenchimento do nível 4d. depois de preenchido o nível 6s. os elétrons seguintes passam para o nível 4s. haverá semelhanças do comportamento químico e físico dentro destes grupos. Depois de preencher os níveis 1s 2s 2p 3s e 3p. de modo que o nível seguinte está vazio. Finalmente. Elementos contendo 1 elétron no nível mais externo são chamados de elementos do Grupo I (os metais alcalinos). Uma terceira série de transição começa com o lantânio. analogamente. Elementos com três elétrons no nível mais externo (2 elétrons s e 1 elétron p) são chamados de elementos do Grupo III e. Uma nova complicação surge no elemento lantânio. e quimicamente todos se comportam de maneira semelhante. porque neste elemento. nos elementos potássio e cálcio. elementos nos quais varia o preenchimento dos elétrons d pertencem ao bloco d. A grande vantagem que advém disso é o fato de não ser inicialmente necessário estudar o comportamento de cada um dos elementos. Química Inorgânica 17 . Uma série de átomos nessas condições é conhecida como série de transição. os elementos do Grupo IV possuem quatro elétrons no nível mais externo. ou de metais das terras raras. elementos cujos orbitais f estão sendo preenchidos constituem o bloco f. nos elementos que vão do cério ao lutécio e que possuem de 1 a 14 elétrons 4f. os elementos do Grupo VI. De modo semelhante. o próximo nível em energia é o 3d e não o 4p. I-11. e aqui os elétrons f vão sendo adicionados ao antepenúltimo nível. e um nível 3d incompleto. Grupos de elementos na tabela periódica As propriedades químicas de um elemento são em grande parte função do número de elétrons existentes no nível mais externo. Preenchido o nível 4s. que possui um elétron no nível 5d. VII e 0 diferem no preenchimento dos elétrons p. Se os elementos químicos forem dispostos segundo grupos com a mesma configuração eletrônica no nível mais externo. IV. Esses dois grupos constituem os elementos do bloco s.CAPÍTULO 1 2s 3s 4s 5s 6s 7s 2p 3p 4p 5p 6p 7p ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA 3d 4d 5d 6d 7d 4f 5f 6f 7f Figura 11: Seqüência de preenchimento dos níveis de energia.

que são quimicamente inertes. Essa é a chamada forma longa da Tabela Periódica. o hidrogênio não é um metal e é gasoso. todos os gases nobres aparecem numa coluna vertical denominada Grupo 0. Assim. ou Química Inorgânica 18 . K. tendo portanto propriedades semelhantes. d ou f. por simples analogia com compostos já conhecidos. os demais provavelmente mostrarão reações semelhantes. e a Tabela Periódica pode ser dividida em quatro regiões principais.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA Tabela 4: A tabela periódica bloco s Grupo I II Período 1 1H 2 3 4 5 6 7 Li 11 Na 19 K 37 Rb 55 Cs 87 Fr 3 4 III IV bloco p V VI VII 2 0 He Be Mg 12 Ca Sr 56 Ba 88 Ra 20 38 Sc Y 57 La 89 Ac 21 39 Ti Zr 72 Hf 22 40 41 V Nb 73 Ta 23 24 42 Cr W Mo 74 bloco d 25 Mn 26Fe 43 Tc 44Ru 75 Re 76Os 27 45 Co Rh 77 Ir 28 46 Ni Pd 78 Pt Cu Ag 79 Au 29 47 30 Zn Cd Hg 48 80 B 13 Al 31 Ga 49 In 81 Tl 5 C 14 Si 32 Ge 50 Sn 82 Pb 6 N 15 P 33 As 51 Sb 83 Bi 7 O 16 S 34 Se 52 Te 84 Po 8 F 17 Cl 35 Br 53 I 85 At 9 Ne Ar 36 Kr 54 Xe 86 Rn 10 18 Lantanídeos Actinídeos Ce 90 Th 58 Pr 91 Pa 59 60 Nd 92 U 61 93 Pm 62 Sm 63 95 Eu Am Np 94 Pu bloco f 65 Tb 96 Cm 97Bk 64 Gd 66 Dy 67 98 Cf 99 Ho Es 68 Er Fm 69 Tm Md 70 Yb No 71 100 101 102 103 Lu Lr Na Tabela Periódica (tabela 4). tendo todos um nível eletrônico externo completo. O hélio obviamente pertence ao Grupo 0. Analogamente. no qual todos os elementos apresentam 1 elétron no nível mais externo. ou de número de elétrons crescente. sendo as mais importantes a ênfase na semelhança de propriedades dentro dos grupos e a relação entre o grupo e a configuração eletrônica. Assim. bem como suas fórmulas. ao passo que Li. de modo tal que cada período comece com um metal alcalino e termine com um gás nobre. Poderia ser incluído no Grupo I. O hidrogênio e o hélio diferem dos elementos restantes. Ela apresenta muitas vantagens. É possível dessa maneira prever reações de compostos novos. o dos gases nobres. Em vez de colocar os 103 elementos numa longa lista. formando compostos de fórmulas semelhantes. 1o período 1s 2 elementos no período o 2 período 2s 2p 8 elementos no período 3o período 3s 3p 8 elementos no período o 4 período 4s 3d 4p 18 elementos no período 5o período 5s 4d 5p 18 elementos no período o 6 período 6s 4f 5d 6p 32 elementos no período Os metais alcalinos aparecem numa coluna vertical chamada de Grupo I. Os elementos do bloco d são chamados de elementos de transição e situam-se entre os blocos s e p. A seqüência segundo a qual os vários níveis energéticos vão sendo preenchidos determina o número de elementos em cada período.o hidrogênio poderia ser incluído no Grupo VII. é monovalente e normalmente forma íons positivos monovalentes. Por outro lado. a Tabela Periódica os dispõe em ume série de fileiras horizontais ou períodos. p. cada elemento contém um elétron a mais que o elemento precedente. Na. porque falta um elétron no último nível. conforme estejam sendo preenchidos os níveis s. porque neles não existem elétrons p no primeiro nível. em ordem da carga nuclear crescente. os elementos encontram-se dispostos segundo números atômicos crescentes. O hidrogênio é mais difícil de classificar em algum dos grupos. Rb e Cs são metais e são sólidos. porque o nível eletrônico mais externo está completamente preenchido. Contudo. porque só possui um elétron s no nível mais externo. se um dos elementos do grupo reagir com um determinado reagente. isto é.

assim. nem aos elementos dos Grupos VII e IV.CAPÍTULO 1 ESTRUTURA ATÔMICA E TABELA PERIÓDICA no grupo IV. porque o último nível está semipreenchido. O hidrogênio não se assemelha aos metais alcalinos. Os átomos de hidrogênio são muitos pequenos e apresentam muitas propriedades específicas. o caso de colocar o hidrogênio num grupo à parte. Química Inorgânica 19 . Seria.