PRESCRIÇÃO PENAL

1. Prescrição – conceito.
"Prescrição penal é a perda do poder-dever de punir do Estado pelo não-exercício da pretensão punitiva ou da pretensão executória durante certo tempo. Ela se diferencia da decadência e da perempção, que também constituem causas extintivas da punibilidade. A prescrição atinge em primeiro lugar o direito de punir do Estado e, em consequência, extingue o direito de ação. A perempção e a decadência, ao contrário, alcançam primeiro o direito de ação e, por efeito, o Estado perde a pretensão punitiva"1. Numa síntese, podemos falar que é a perda da possibilidade de o Estado movimentar a máquina penal em detrimento do autor pelo decurso de certo tempo (especificado em lei). A prescrição é uma hipótese de extinção da punibilidade (art. 107, VI, CP). Podemos dividir, basicamente, em duas situações: a) Prescrição da pretensão punitiva: ocorre antes de transitar em julgado a sentença penal (vide art. 109, CP); b) Prescrição da pretensão executória: seu prazo começa a fluir após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória (depois analisaremos melhor a questão da necessidade ou não do trânsito para ambas as partes (vide art. 112, incisos I e II, CP).

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JESUS, Damásio. Prescrição Penal. São Paulo: Saraiva.

Regras fundamentais - CP
Art. 109 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1 do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se: (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze; II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a doze; III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito; IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a quatro; V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; VI - em dois anos, se o máximo da pena é inferior a um ano. VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010).
o

Prescrição das penas restritivas de direito Parágrafo único - Aplicam-se às penas restritivas de direito os mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Prescrição depois de transitar em julgado sentença final condenatória Art. 110 - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença condenatória regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o condenado é reincidente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 1º - A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação, ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 2º - A prescrição, de que trata o parágrafo anterior, pode ter por termo inicial data anterior à do recebimento da denúncia ou da queixa. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 1o A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.234, de 2010). (Revogado pela Lei nº 12.234, de 2010).

Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a sentença final

Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - do dia em que o crime se consumou; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) IV - nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou conhecido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Termo inicial da prescrição após a sentença condenatória irrecorrível Art. 112 - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação, ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento condicional; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção deva computar-se na pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional Art. 113 - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Prescrição da multa Art. 114 - A prescrição da pena de multa ocorrerá: (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) I - em 2 (dois) anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada; (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996) II - no mesmo prazo estabelecido para prescrição da pena privativa de liberdade, quando a multa for alternativa ou cumulativamente cominada ou cumulativamente aplicada. (Incluído pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)

Redução dos prazos de prescrição Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Causas impeditivas da prescrição Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Causas interruptivas da prescrição Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - pela pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) III - pela decisão confirmatória da pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) IV - pela sentença condenatória recorrível; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; (Redação dada pela Lei nº 11.596, de 2007).

“HABEAS CORPUS” – PRETENDIDA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DO RÉU - MENORIDADE - ALEGADA CONSUMAÇÃO DA PRESCRIÇÃO PENAL – INOCORRÊNCIA - EFICÁCIA INTERRUPTIVA DO ACÓRDÃO CONDENATÓRIO (QUE REFORMA SENTENÇA ABSOLUTÓRIA) INTERRUPÇÃO DO LAPSO PRESCRICIONAL QUE SE REGISTRA NA DATA DA

inciso IV. ACÓRDÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA QUE ELEVA A REPRIMENDA. confirmando a condenação de primeira instância. unânime.A data em que o acórdão condenatório . Com o advento da Lei 11. do Código Penal. o referido dispositivo passou a ter a seguinte redação: “pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis”. modificasse a pena. Rel.810-2-RS. Min.596/2007. em tese. . 1ª Turma. I – Originariamente. o acórdão condenatório equipara-se. que reforma sentença penal absolutória. QUE ALTEROU A REDAÇÃO DO INCISO IV DO ART. de modo a refletir no cálculo do prazo prescricional. o inciso IV do art. DJU 01/12/2006) HABEAS CORPUS. . 117. ORDEM DENEGADA.que reformou sentença de absolvição . julgado em 06/09/94. III – Mesmo antes da alteração introduzida pela Lei 11. CRIME COMETIDO ANTES DA LEI 11. deveria ser considerado como uma nova causa de interrupção do prazo prescricional. PENAL. para os fins a que se refere o art. REFLETINDO NO CÁLCULO DA PRESCRIÇÃO. PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE. PRESCRIÇÃO NÃO VERIFICADA. II – A condenação do paciente.interrompe a prescrição é aquela em que se realizou a sessão de julgamento na qual o Tribunal decidiu o recurso interposto pelo Ministério Público ou por seu assistente. reveste-se de eficácia interruptiva da prescrição penal.PEDIDO INDEFERIDO. NOVO MARCO INTERRUPTIVO. SENTENÇA CONDENATÓRIA RECORRÍVEL.596/2007. o que. em primeira instância. que não se qualifica como causa de interrupção do lapso prescricional. . Celso de Mello. o Superior Tribunal de Justiça e esta Suprema Corte já haviam consolidado o entendimento de que o acórdão de segundo grau que. tal como vigente no momento da sentença condenatória.596/2007. tinha relevância jurídica e. Precedentes” (HC nº 70. 117 do Código Penal previa como causa de interrupção do prazo prescricional apenas a “sentença condenatória recorrível”. Ao contrário do que ocorre com o acórdão meramente confirmatório de anterior condenação.SESSÃO DE JULGAMENTO DO RECURSO . CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO. recomendaria a sua aplicação. 117 DO CÓDIGO PENAL. à sentença condenatória recorrível. portanto.O acórdão condenatório. e não a data em que se deu a publicação formal de referido acórdão. deu-se sob a égide do texto primitivo daquela norma penal.

2011). que prescreve.222/SP. do dia da interrupção. em doze anos.Interrompida a prescrição. julgado em 01. III.As penas mais leves prescrevem com as mais graves.IV – A pena fixada ao paciente é de quatro anos e seis meses de reclusão. publicado no DJ em 29. previstas no art. unânime.268. que sejam objeto do mesmo processo.pelo início ou continuação do cumprimento da pena. de 1º. V . VI – Ordem denegada. V – Entre as causas de interrupção do prazo prescricional.1996) § 1º .1984) Art.03.1984) § 2º .4.pela reincidência.209. a interrupção da prescrição produz efeitos relativamente a todos os autores do crime. (Redação dada pela Lei nº 7.Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo.7. novamente. do Código Penal. (Redação dada pela Lei nº 7. afastando o argumento de prescrição da pretensão punitiva do Estado. (Redação dada pela Lei nº 9. 117 do Código Penal.7. de 11.7.2011. 118 . 1ª Turma. (Redação dada pela Lei nº 7. estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer deles. não transcorreu lapso superior a doze anos. nos termos do art. de 1º.03. todo o prazo começa a correr. salvo a hipótese do inciso V deste artigo.4.209. Nos crimes conexos. 109. de 11. (Redação dada pela Lei nº 9.268.209.1984) . de 11. (Habeas Corpus nº 106. Relator Ministro Ricardo Lewandowski. portanto.1996) VI .

se a conduta que é considerada crime é praticada quando o réu ainda não tem 21 anos. Independe de arguição.209. 4º . A denominada "prescrição etária" está regulada no art. não a pena em si): a) se quando do tempo do crime o réu era menor de 21 anos (regra não alterada pelas modificações no Código Civil): O Código Penal adotou a chamada Teoria da Atividade. ou. Portanto.2. ao tempo do crime. 115 . ainda que outro seja o momento do resultado.Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão.1984) São duas as hipóteses (atentar que o que é reduzido é o prazo prescricional. ele tem direito à benesse legal. de 11. menor de 21 (vinte e um) anos. 115 do Código Penal.São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era.7. Menoridade e prescrição etária.(Redação dada pela Lei nº 7. como em todas as situações que envolvem a prescrição. que se encontra no art. . 4º do CP: Art. na data da sentença. que ora se reproduz novamente: Art. maior de 70 (setenta) anos.

1) Alguns precedentes: HABEAS CORPUS. os fatos que culminaram na condenação teriam acontecido no período compreendido entre julho de 1996 a dezembro de 2000.02. Ministro Arnaldo Esteves Lima. em consequência. da 4ª Vara Especial da Infância e da Juventude da Capital/SP. No caso. ORDEM CONCEDIDA. a prescrição seria de 2 anos. 52.009856-6. Ordem concedida para declarar prescrita a pretensão punitiva do Estado quanto ao ato infracional aplicado no Processo nº 015. tendo o menor infrator completado 21 (vinte e um) anos. 115 do Código Penal. nos termos dos arts. a prescrição da pretensão executória ocorre em 1 (um) ano. Assim. Isso porque. Rel. não há como se aplicar o benefício da redução do prazo prescricional. por ser o paciente menor de 21 anos. foi convertida em internação. Se ao paciente foi imposta medida de liberdade assistida pelo período de 6 meses. deve ser determinada sua liberação compulsória.10. a qual. todos do Código Penal. extinguindo-se a medida socioeducativa imposta. RECONHECIMENTO DA MENORIDADE RELATIVA EM RELAÇÃO A TODO O PERÍODO. PACIENTE QUE ATINGE 21 (VINTE E UM) ANOS EM 1997. (Habeas Corpus n. e 115. abrange todas as condutas criminosas praticadas pelo agente. julgado em 27/09/2007. INVIABILIDADE. para o prazo de internação na hipótese.473-SP. a qual deve ser reduzida pela metade. Ademais. 4. PRESCRIÇÃO EM 1 (UM) ANO. que constituem.09. por razões de política criminal. atingiu. 3. 2. unanimidade. determinando a expedição de salvo-conduto em favor do paciente. publicado no DJ em 19. presente no art. 1. DELITOS COMETIDOS ENTRE OS ANOS DE 1996 E 2000.101/RS. CRIME CONTINUADO. A ora paciente. 47. unânime. um único delito.2009. Ordem denegada. REDUÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PELA METADE. ECA. 5ª Turma. os 21 (vinte e um) anos de idade. Precedentes do STJ e do STF. A expressão "ao tempo do crime". DESCABIMENTO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS." (HC n. 3. inviável o reconhecimento da atenuante da menoridade relativa e. LIBERDADE ASSISTIDA PELO PRAZO DE 6 (SEIS) MESES CONVERTIDA EM INTERNAÇÃO. 2.a. atingida a maioridade durante a continuidade delitiva. 109. nascida em 15 de julho de 1976. da prescrição da pretensão punitiva. em razão de seu descumprimento. Relator Ministro Og Fernandes. DJU de 22/10/2007) . julgado em 17.2009) "HABEAS CORPUS. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. 6ª Turma. em 15 de julho de 1997. 110. 1. VI. Assim.

Ressaltou-se que o fato de o ECA não ter previsto a prescrição como forma de extinção da pretensão punitiva e executória não seria motivo suficiente para afastá-la. reputou-se cabível a incidência do instituto em questão a tais medidas dispostas na Lei 8. CRIMES CONTRA ORDEM TRIBUTÁRIA. na supressão ou redução do pagamento de tributos. lapso temporal inferior ao transcorrido o recebimento da denúncia e a publicação da sentença.2) Problema: Recente decisão do TRF da 4ª Região: PENAL.ECA E PRESCRIÇÃO PENAL. ART. A materialidade. Por não vislumbrar constrangimento ilegal. rel. em princípio. assim. pelo STJ. (Apelação Criminal nº 0002287- . seria a solução adotada. 503. haja vista não existirem incompatibilidades entre as medidas sócioeducativas e as normas que prevêem a extinção da punibilidade pelo transcurso do lapso temporal.2008. incluindo-se os dispositivos referentes à prescrição. um prejuízo aos cofres públicos. Inicialmente. 115 do CP). deve-se reduzir o prazo prescricional pela metade (art. tendo em conta o lapso temporal decorrido. AUTORIA E DOLO COMPROVADOS. 2. No ponto. Asseverou-se que. as normas gerais do Código Penal seriam integralmente aplicáveis às hipóteses sujeitas ao Estatuto da Criança e do Adolescente . como conseqüência. PROCESSUAL PENAL. (HC 88788/SP. Joaquim Barbosa. 1. 115 do CP. Sendo a ré menor de 21 anos ao tempo dos fatos (art. MENORIDADE. II.ECA. 30 de abril de 2008) a. 115 DO CP. restando. ART. verificou-se que a prescrição não estaria configurada na espécie. in casu. Em seguida. aduziu-se que aí residiria a dificuldade em se fixar o parâmetro a ser adotado para a aplicação dos prazos prescricionais. prevista no art. entendeu-se que a maneira mais adequada de resolver o tema. Informativo n.4.137/90. 1º. para 2 anos. autoria e dolo decorrem da constatação pelo Fisco de que a conduta praticada implica omissão de renda e. sem criar tertium genus e sem ofender o princípio da reserva legal. PRESCRIÇÃO. MATERIALIDADE. III E IV DA LEI Nº 8. Min. 4º do CP). enfatizando que tal diploma não estabelecera quantum mínimo e máximo das medidas sócioeducativas. combinada com a redução à metade do prazo prescricional.069/90. Assim. 22. no acórdão impugnado: considerar a pena máxima cominada ao crime pela norma incriminadora pertinente. a Turma indeferiu habeas corpus em que pleiteado o reconhecimento da prescrição da pretensão executória de medida sócio-educativa. em virtude da menoridade.

I. Note-se que sempre dissemos estar absolutamente equivocado o entendimento ora consubstanciado na Súmula Vinculante nº 24. 7ª Turma. como já mencionado. No tocante à prescrição.] 7..2011). sem. a prática delituosa se consumou. no caso em comento. 65. fraudulenta ou não (porque nem todas condutas-meio pressupõem a fraude). reduzir a pena. 1º da Lei 8.611-SP. Portanto. 65.02. há se considerar que. muito embora a ré – nascida em 18/07/1984 – tenha omitido informações que redundaram na supressão de tributo federal relativo ao IRPF dos exercícios de 2004 e 2005.137/90 ou do art. entretanto. com a constituição definitiva do crédito tributário. em 25 de setembro de 2007. ainda que outro seja o momento do resultado” (art. Juliana contava com 23 anos. prevista nos incisos do art. 4º. CP. que precisa ser aplicado “na íntegra”).93.. aponta para a presença da “atenuante do art. 9. No entanto. a demonstrar – também por estas circunstâncias – o equívoco da jurisprudência: “Na verdade. CP).2011. 231 do STJ. I. quando do sopesamento da pena.02. do Código Penal (ré menor de 21 anos na data do fato)”. em observância à Súmula n. publicado no DJ em 24. Reproduzimos nossa crítica. quando os débitos foram encaminhado para inscrição na dívida ativa da União (fl. julgado em 15. a legislação pátria adotou a denominada Teoria da Atividade. Assim. CP). considerando-se “praticado o crime no momento da ação ou omissão. unânime.404. 10. do CP. . 1º) de tributo mediante alguma conduta. que atenta diretamente contra o Princípio Fundamental da Teoria da Atividade (art. 4º. não fazendo jus à atenuante do art.2006. no momento da EXISTÊNCIA do crime (PORQUE É ISSO QUE DISSE O STF NO HC Nº 81. Extrato de algumas considerações minhas (parecer no caso acima): [. o crime se consuma com a ação (no caso. muito menos à contagem da prescrição pela metade. 8. tão somente. necessariamente comissiva) supressão ou redução (caput do art. 337-A. anos-calendário 2003 e 2004. cumpre mencionar importante questão: a sentença prolatada.7107/RS. 07).

p. 2010. que é o exaurimento da esfera). Na verdade. Pierre Souto Maior Coutinho de. e digo isto faz tempo. CP) adotou a denominada Teoria da Atividade.” 11. 2 h) o Código Penal (art. ("OS PARADOXOS DA SÚMULA VINCULANTE Nº 24/STF: As contradições. 1º da Lei 8. como veremos. ainda que outro seja o momento do resultado”.sonegação . entre a data dos fatos ocorridos e a data do recebimento da denúncia. a impunidade e a agravação da situação do réu em determinados casos". do momento do "crime". . Portanto. DOUGLAS. e tampouco entre essa e a data da publicação da sentença. é preciso atentar que os precedentes do STF e também desse Egrégio TRF 4ª Região já assentaram que o “crime” somente ocorre com o exaurimento da esfera administrativa. prevista nos incisos do art. (Org. "quebrou-se" em pedaços a "Teoria da Atividade" nos crimes tributários materiais (eu defendo que o crime ocorre com a ação . tendo em vista que não transcorreu período superior a 4 anos – prazo prescricional apontado para os delitos cuja pena seja igual ou inferior a 2 anos (já desconsiderando-se o acréscimo pela continuidade delitiva). Se assim é. Tributo a Afrânio Silva Jardim: escritos e estudos. v. Marcelo Lessa. o crime se consuma com a ação (no caso. 1 ed. AMORIM. necessariamente comissiva) supressão ou redução (caput do art. In: BASTOS. 1º) de tributo mediante alguma conduta. reconhece explicitamente que o delito somente se consuma quando do exaurimento da esfera administrativa. fraudulenta ou não. ambos do CP –. verifica-se a inocorrência da prescrição. conforme subsume-se dos artigos 110 c/c 109.e que não há necessidade de exaurimento da esfera administrativa 2). Uma delas é a de contar a prescrição e os benefícios a ela relacionados apenas após a ocorrência do crime. 55-94. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Com o devido respeito. FISCHER.). 1. Atentar para o seguinte: o que o STF disse com a Súmula Vinculante 24 (e o TRF abona) é que NÃO EXISTE CRIME (e não é relativo ao resultado. V. malgrado dizendo que o tema engloba discussão acerca de uma condição objetiva de punibilidade. considerando-se “praticado o crime no momento da ação ou omissão. não há lógica. 4º. embora diga que seja crime de resultado) antes do exaurimento da esfera administrativa (tanto que manda contar a prescrição. Entretanto. 12.137/90.Um destaque: o STF (e boa parte dos tribunais que o seguem no precedente). a não-compreensão de como se tipifica o crime material de sonegação fiscal. Desse modo. a compreensão inserta na Súmula Vinculante 24 do STF precisa trazer todas as consequências para o processo.

É possível encontrar precedentes (inclusive do TRF da 4ª Região) dizendo que se a confirmação da condenação de primeiro grau se der em data na qual o réu já tiver mais de 70 anos. 5ª Turma. unânime. No caso. por ocasião da prolação da sentença condenatória.540-RJ.2011) PRESCRIÇÃO. o qual tão-só ratificou o decisum de 1º grau. redução dos prazos de prescrição. nascido o Paciente em 05 de outubro de 1937. ou seja.067-RO. 2. idade atingida apenas quando do julgamento da apelação. O benefício da contagem pela metade do prazo prescricional deferido aos idosos pelo art. Relatora Ministra Laurita Vaz.b) se.2011. 3. Ordem denegada. ainda não haviam sido completados os 70 (setenta) anos. A Turma reafirmou que não cabe aplicar o benefício do art. Precedentes desta Corte e do Supremo Tribunal Federal.02. Precedentes citados do STF: HC 96.02. aplica-se a benesse legal. na data da sentença. DJe 5/2/2010. Venia concessa. 115 do CP. julgado em 03. 115 do Código Penal alcança tão-somente aqueles que. 70 (SETENTA) ANOS. AgRg no HC 94. PRETENSÃO PUNITIVA. publicado no DJ em 21. DJe 13/3/2009. HABEAS CORPUS. for maior de 70 anos: Atentar que o que deve ser considerado para este fim é a data da condenação (se for sentença propriamente dita ou acórdão que. já haviam completado 70 (setenta) anos. reformando a decisão inferior absolutória. firma o decreto condenatório). (Habeas Corpus nº 175. 1.968RS. está equivocado. PRAZO. na data da primeira decisão condenatória. seja sentença ou acórdão. CONTAGEM PELA METADE. PENAL. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. em 22 de junho de 2007. IDADE ATINGIDA APÓS A PROLAÇÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. em 13 de maio de 2008. do STJ: HC . PRESCRIÇÃO. quando o agente contar mais de 70 anos na data do acórdão que se limita a confirmar a sentença.

(Habeas Corpus n. tomando-se por base a pena fixada na sentença penal condenatória" (GRECO.01. A prescrição da pretensão punitiva. DJ 18/6/2007. Rogério. Essa lição espelha o que diz o § 1º do art.557-DF. 2. 3. Volume 1. PRESCRIÇÃO. Min. na modalidade intercorrente ou superveniente. publicado no DE em 04/02/2010) PENAL.404.968/RS. DJe 3/11/2008. Informativo n. No caso. que reduz pela metade o prazo prescricional em relação ao réu que contar 70 anos de idade na data da sentença. é aquela que "ocorre depois do trânsito em julgado para a acusação ou do improvimento do seu recurso. 7ª Turma. Rel. ORDEM DENEGADA. ART. DJe 30/11/2009.7201/SC. Pelo que não há como aplicar a causa de redução do prazo prescricional da senilidade a que se refere o art. Ímpetus: Niterói. ed. e HC 67. no julgamento de apelação. (HC 123. da relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. da minha relatoria).711. 423. 11. publicado no DJ em 20. INTERPRETAÇÃO DO ART. julgado em 18/2/2010.01. Entendimento do STJ.2011).579-RJ. 115 do Código Penal. 115 DO CÓDIGO PENAL. unânime.131. ante a não ocorrência da prescrição superveniente. 738). julgado em 11.2011. julgado em 01/12/2009. 1ª Turma. HC 71. Até porque a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que tal redução não opera quando. aplica-se quando ele já tiver completado essa idade na data da prolação do acórdão que julgar o recurso de apelação. Relator Des. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. na data da publicação da sentença penal condenatória. ALEGAÇÃO DE SER O AGENTE MAIOR DE 70 (SETENTA) ANOS NA DATA DA SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA. unânime. o paciente contava 69 (sessenta e nove) anos de idade. 115 do Código Penal. O disposto no art. Parte geral.320.065-AgR-ED-ED. RJ. 110 do Código Penal: "A prescrição. o Tribunal confirma a condenação (HC 86. depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação. e AI 394. Federal Márcio Antônio Rocha. PRESCRIÇÃO DA PENA EM CONCRETO. 1. 2009. 96. 115 DO CÓDIGO PENAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. da relatoria do ministro Carlos Velloso. (Apelação Criminal nº 0005289-80. HC 104. Felix Fischer. 26 de fevereiro de 2010) HABEAS CORPUS. regula-se pela pena aplicada". p.909-GO. PRESCRIÇÃO. Ordem indeferida. Curso de Direito Penal. . Relator Ministro Ayres Britto. ou depois de improvido seu recurso.830SC.2006.

para identificar prioridade no processo e o no julgamento das ações penais. (observação sobre minha compreensão de como deva ser calculada a prescrição intercorrente e a executória pós julgamento.notadamente a intercorrente . do HC 84. controlar para que não seja possível a fluência de dois ou mais anos entre os marcos interruptivos.3. controlar para que não seja possível a fluência de três ou mais anos entre os marcos interruptivos. não há mais se falar de prescrição retroativa entre o fato e o recebimento da denúncia. atualmente é de 3 anos (igualmente para os fatos cometidos posteriormente à edição da novel lei).é altíssimo (recursos procrastinatórios). b) para os fatos cometidos posteriormente à Lei 12. Portanto.234/2010.078-MG) Mudou muito a sistemática (para o futuro) da prescrição retroativa. 110. pelo Plenário do STF. . Doravante (portanto.234. Importância do controle da prescrição na secretaria e no gabinete. que deu nova redação ao art. há se atentar que a prescrição mínima anteriormente era de 2 anos. além do critério antiguidade das metas nacionais e dos prazos razoáveis da Corregedoria Regional (prescrição da pena mínima x prescrição da pena máxima). a prescrição precisa ser muito bem controlada nos cartórios para que se evite a prescrição notadamente a retroativa. Além disto. Sugestão: a) para os fatos cometidos anteriormente. de 2010). apenas aos crimes cometidos após a vigência da Lei nº 12. sim (a grande maioria dos presentes hoje nas varas federais). § 1º. CP). O índice de prescrição . Para fatos cometidos anteriormente.

110 do CP: § 1o A prescrição. smj. Panorama geral da a) prescrição em abstrato. com caso de pronúncia) a sentença ou acórdão condenatórios. d) prescrição executória. . dispõe o § 1º do art. em nenhuma hipótese. Gostaria de analisar ambas as prescrições concomitantemente. Com efeito.078-MG. Portanto. de 2010). só se pode cogitar de aplicá-la para os crimes cometidos após sua vigência. Reiterando: prescrição retroativa é "pérola" do sistema jurídico brasileiro. em nossa interpretação: a prescrição retroativa não existe mais entre o fato e a denúncia. A prescrição em abstrato pressupõe que entre os marcos interruptivos (notadamente entre o fato e o primeiro marco interruptivo: não confundir com a prescrição retroativa) transcorreu prazo superior ao limite pela pena máxima prevista para o delito.4. pois. regula-se pela pena aplicada. depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso. é preciso uma releitura em face do que decidido no HC nº 84. c) prescrição intercorrente e. só se pode cogitar de retroativa entre o recebimento da denúncia e (se não for júri. Mudou muito a sistemática (para o futuro) da prescrição retroativa. Ou seja. (Redação dada pela Lei nº 12.234. ter por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. Esta regra é mais gravosa. Consequência. não podendo. b) prescrição retroativa (antes de depois de mai/2010).

O art. restrição dos efeitos da interposição de recursos em matéria penal e punição exemplar. o Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu inviável a execução de pena antes de exauridas todas as instâncias.[. A prisão antes do trânsito em julgado da condenação somente pode ser decretada a título cautelar. 6. vencidos os senhores Ministros Ellen Gracie. apenas poderia ser justificada em nome da conveniência dos magistrados – não do processo penal.210/84. Eis como está resumido na ementa o que foi decidido pelo Plenário da Corte no leading case: HABEAS CORPUS. os originais baixarão à primeira instância para a execução da sentença”.o tem efeito suspensivo. Por isso a execução da sentença após o julgamento do recurso de apelação significa. por maioria de votos (7 x 4. 3. que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. 4. também. em seu art.. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. 5. A antecipação da execução penal. inciso LVII. INCONSTITUCIONALIDADE DA CHAMADA “EXECUÇÃO ANTECIPADA DA PENA”. e uma vez arrazoados pelo recorrido os autos do traslado. os tribunais [leia-se STJ e STF] serão inundados por recursos especiais e extraordinários e subseqüentes agravos e embargos.] Nada obstante o que dispõem o art. A ampla defesa. Daí que os preceitos veiculados pela Lei nº 7. ART.. sobrepõem-se.078-MG (decisão publicada no DJ em 26. caracterizando desequilíbrio entre a pretensão estatal de aplicar a pena e o direito. quem está desejando punir demais. § 2º. da Lei nº 8. A Constituição do Brasil de 1988 definiu. 637 do CPP. inclusive extraordinárias. 5º. além de adequados à ordem constitucional vigente. dizem. Joaquim Barbosa. está querendo fazer o mal. 1. 5º. temporal e materialmente. no julgamento proferido nos autos do Habeas Corpus nº 84. de elidir essa pretensão. ademais de incompatível com o texto da Constituição.2010). no fundo. o art. 2.02. inclusive as recursais de natureza extraordinária. DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. Cármen Lúcia e Menezes Direito). não se a pode visualizar de modo restrito. sem qualquer contemplação. Prisão temporária. LVII. salvo se houver necessidade de prisão de índole cautelar. Engloba todas as fases processuais. DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1º. ao disposto no art. além do que “ninguém mais será . restrição do direito de defesa. III. do acusado. A Lei de Execução Penal condicionou a execução da pena privativa de liberdade ao trânsito em julgado da sentença condenatória. no fundo. nos “crimes hediondos” exprimem muito bem o sentimento que EVANDRO LINS sintetizou na seguinte assertiva: “Na realidade. 27. se equipara um pouco ao próprio delinquente”. ART. 637 do CPP estabelece que “[o] recurso extraordinário n. 637 do CPP.038/90 e a Súmula 267/STJ. A prestigiar-se o princípio constitucional.

reduz a amplitude ou mesmo amputa garantias constitucionais. em caso de absolvição”. 1430-1432.2010) [. 1º. em quaisquer circunstâncias. o que somente se pode apurar plenamente quando transitada em julgado a condenação de cada qual Ordem concedida. por unanimidade. A Corte que vigorosamente prestigia o disposto no preceito constitucional em nome da garantia da propriedade n. . (HC nº 84. Rio de Janeiro: Lumen Júris. Eis o que poderia ser apontado como incitação à “jurisprudência defensiva”. imperioso que se dê nova roupagem à compreensão da questão do modo de cálculo da prescrição.. 8. quando foi debatida a constitucionalidade de preceito de lei estadual mineira que impõe a redução de vencimentos de servidores públicos afastados de suas funções por responderem a processo penal em razão da suposta prática de crime funcional [art. São pessoas. estar-se-ia validando verdadeira antecipação de pena. o STF afirmou.o a deve negar quando se trate da garantia da liberdade. Daí porque a Corte decidiu. que deu nova redação à Lei nº 869/52].988. sem que esta tenha sido precedida do devido processo legal. da Constituição do Brasil). 5º da Constituição do Brasil. sonoramente. especificamente da executória. por maioria. no sentido do não recebimento do preceito da lei estadual pela Constituição de 1. 2º da Lei nº 2. Comentários ao Código de Processo Penal e sua jurisprudência. sem que sejam consideradas. p. Eugênio Pacelli de. Relator Ministro Eros Grau. para se transformarem em objetos processuais. no extremo. Não perdem essa qualidade. por unanimidade.2009.006. julgado em 05. a melhor operacionalidade de funcionamento do STF não pode ser lograda a esse preço. Plenário. e antes mesmo de qualquer condenação. a ameaça às liberdades alcança de modo efetivo as classes subalternas. mesmo porque a propriedade tem mais a ver com as elites.02.078-MG.] Já destacamos noutras oportunidade (e ora insistimos) 3 . III. Isso porque – disse o relator – “a se admitir a redução da remuneração dos servidores em tais hipóteses.. 2011. relator o Ministro Lewandowski. inseridas entre aquelas beneficiadas pela afirmação constitucional da sua dignidade (art. nada importando que haja previsão de devolução das diferenças.preso”. Douglas. publicado no DJ em 26. 7. A comodidade. que. FISCHER. No RE 482. Nas democracias mesmo os criminosos são sujeitos de direitos. as singularidades de cada infração penal. STF. partindo-se das premissas assentadas pela Corte Suprema.02. 2 ed. afirmando de modo unânime a impossibilidade de antecipação de qualquer efeito afeto à propriedade anteriormente ao seu trânsito em julgado. que o preceito implica flagrante violação do disposto no inciso LVII do art. Atualmente tem-se visto manifestações (sobretudo defensivas) no sentido do acolhimento da prescrição sob o fundamento de que o prazo prescricional deveria ser apurado entre a 3 OLIVEIRA.364/61. É inadmissível a sua exclusão social.

5 MORIN. os pensamentos tópico e sistemático não se isolam um frente ao outro. Neste sentido. Com efeito. 6 GRAU. aos pedaços" 6. Também Eros Grau já falava em doutrina que "a interpretação do direito é interpretação do direito. 3 ed. mas se interpenetram mutuamente 4.uma nova leitura também do modo de contagem da prescrição. p. . I. Não temos dúvidas em assentar que o acolhimento de tais postulações seria o sepultamento de toda efetiva (até então) persecução penal. CP).data da sentença (ou acórdão) condenatória e a do trânsito em julgado (apenas para acusação.40. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. não de textos isolados. 2004. na medida em que se deveria considerar não recebido pelo atual ordenamento constitucional o texto do art. 88. De certa forma. p. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 112.. procede (e apenas em parte) as críticas tecidas pela doutrina. 2005. p.] o conhecimento das partes depende do conhecimento do todo. I. onde o todo não é redutível às partes" 5. Pensamento Sistemático e Conceito de Sistema na Ciência do Direito. Repisamos que a interpretação não pode ser unilateral ou isolada. CP. 3 ed. 112. Edgar.. como o conhecimento do todo depende do conhecimento das partes. deve-se fazer .inevitavelmente . 9 ed. no seu todo. na lítera do disposto no art. 2002. São Paulo: Malheiros. desprendidos do direito. 273. Não se interpreta o direito em tiras. Ensaio sobre a Interpretação/Aplicação do Direito. A Cabeça Bem-Feita. 4 CANARIS Claus-Wilhelm. Como alerta prudentemente Canaris. Eros Roberto. Por isso. nasce uma concepção sistêmica. é o mesmo recomendado por Edgar Morin ao referir que "hoje em dia admite-se cada vez mais que [. a partir do julgamento do referido leading case. em várias frentes do conhecimento.

em vigência contemporânea com o CPP de 1941. Por isto. hoje revogado expressamente pela Lei nº 11. somente admitindo a liberdade em circunstâncias especiais (antiga e originária redação do art. mas de induvidosa inconstitucionalidade após 1988). 594. ao seu tempo. Pede-se destaque para uma circunstância fundamental na compreensão (também histórica) do problema ora enfrentado. . somente se referiu ao prazo prescricional no âmbito da jurisdição ordinária. olvidando-se por inteiro as determinações do Código Penal. A questão da prescrição da pretensão punitiva diante de recursos de natureza extraordinária não admitidos ou improvidos. A razão é (era) muito simples: a legislação em vigor determinava a execução provisória da condenação (até) em primeiro grau. Nosso Código Penal.Portanto. não se pode é dar interpretação conforme (a Constituição) unicamente em relação ao estatuto processual penal. é preciso se ver na íntegra quais os efeitos que foram irradiados inclusive sobre a legislação infraconstitucional diante da nova leitura conferida pela Corte Suprema à questão da (im)possibilidade da execução de pena na pendência dos recursos de natureza extraordinária.719/2008. CPP. originárias e umbilicalmente conectadas e dependentes daquelas cujo sentido se modificou. sequer a interrupção da prescrição pelo acórdão condenatório. não contemplando.

Curso de Direito Penal.320. da relatoria do ministro Carlos Velloso. em matéria penal (que ora tratamos). boa parte da doutrina é bastante expressa no sentido de que a prescrição intercorrente poderia ser reconhecida mesmo na pendência de recursos extremos. 3. 109. publicado no DJ em 04. 2. na modalidade intercorrente ou superveniente.2009. o prazo .12. regula-se pela pena aplicada". julgado em 1º. muitas vezes com a finalidade (senão única) de. 1ª Turma. EMBARGOS PREJUDICADOS. Relator Ministro Ayres Britto. 11.711. é (quase) da cultura brasileira a interposição de todos os recursos possíveis. 2009. No caso. 7 HABEAS CORPUS. O Embargante foi condenado à pena de 3 anos e 6 meses de reclusão pela prática de delito previsto no art. Ordem indeferida. ORDEM DENEGADA. na data da publicação da sentença penal condenatória. notadamente aqueles extraordinários. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. no julgamento de apelação.968/RS. e AI 394. é aquela que "ocorre depois do trânsito em julgado para a acusação ou do improvimento do seu recurso. Rogério. (Habeas Corpus n. 1. ante a não ocorrência da prescrição superveniente. Pelo que não há como aplicar a causa de redução do prazo prescricional da senilidade a que se refere o art.437/97. RJ. INTERPRETAÇÃO DO ART. nos termos dos arts. e 110. Segundo visualizamos. 1. p. HC 71. PRESCRIÇÃO. ou depois de improvido seu recurso.065-AgR-ED-ED. ALEGAÇÃO DE SER O AGENTE MAIOR DE 70 (SETENTA) ANOS NA DATA DA SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA. RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA DO ESTADO. 115 do Código Penal. § 1º. da Lei 9. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. do Código Penal. 10. Essa lição espelha o que diz o § 1º do art. unânime. depois da sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação. Parte geral. da minha relatoria). A prescrição da pretensão punitiva. Até porque a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que tal redução não opera quando.Embora não seja o enfoque principal da presente abordagem.2010) 8 PENAL. 96. ed. 110 do Código Penal: "A prescrição. §§ 2º e 4º. o Tribunal confirma a condenação (HC 86. muitas vezes interpostos com a (única) finalidade de evitar o trânsito em julgado? Efetivamente. da relatoria do ministro Ricardo Lewandowski. Assim. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO.02. Ímpetus: Niterói. Também este é o entendimento (pelo menos majoritário) na jurisprudência. o paciente contava 69 (sessenta e nove) anos de idade. 738). Volume 1. 115 DO CÓDIGO PENAL. procrastinar os feitos e tentar obter a denominada prescrição superveniente (à sentença ou acórdão condenatórios). tomando-se por base a pena fixada na sentença penal condenatória" (GRECO. como se vê de alguns julgados do STF 7 e do STJ 8. IV. não se pode esquecer um detalhe importante: como se deve considerar o cálculo da prescrição da pretensão punitiva em face da pendência de recursos de natureza extraordinária.

entre os marcos interruptivos da prescrição – data do crime. melhor) compreensão sobre o tema: [. Não ocorreu. o acórdão que confirmou a condenação foi proferido antes do prazo de dois anos contados da data da publicação da sentença condenatória. aconteceu em 31. na espécie é de 8 anos. 37). unânime.11. Outra fase – a da prescrição da pretensão executória – terá prescricional. O Estado não descurou de sua função jurisdicional.2010. Irrelevante que. na hipótese dos autos. é certo. Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima. recebimento da denúncia. na medida em que não concordamos com tais conclusões. O aresto confirmatório da condenação.. 26). A denúncia foi recebida em agosto de 2001 (fl. 5l). não decorreu o prazo de prescrição da pretensão punitiva. Prejudicada a análise dos embargos de declaração pelo reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva do Estado e consequente extinção da punibilidade.05. O órgão de segundo grau de jurisdição atuou a tempo e modo.2010) .03 (fl. não há mais cogitar de prescrição da pretensão punitiva. entre a data da publicação da sentença – 15. O que releva no caso é que.01 (fl.03. julgado em 20.02 – e o trânsito em julgado da decisão monocrática que negou seguimento ao agravo de instrumento interposto contra o despacho que indeferiu o recurso extraordinário – 04. Recursos extraordinário e especial foram indeferidos (fls. que cancelou a substituição da pena corporal e impôs o regime semi-aberto. 2.999/SP. não é marco interruptivo de prescrição. a prescrição. último marco interruptivo da prescrição. O julgamento em segundo grau de jurisdição. 338).05.É preciso bem contextualizar a questão. Decorridos mais de 8 anos entre o último marco interruptivo e a presente data. publicado no DJ em 10.01. 263/266). 5ª Turma. impõe-se o reconhecimento da prescrição superveniente. A sentença condenatória recorrível foi publicada em 15. Para tanto. tendo sido o acórdão publicado em 07. contados da publicação da sentença condenatória em 30/7/01. tenha decorrido prazo superior a dois anos. Eis a (objetiva e precisa) análise do caso. portanto.] O crime de lesão corporal dolosa foi praticado em 06. E. que fora interrompido com o advento da sentença condenatória recorrível.05.04 –.04.05. Agravos de instrumento interpostos perante o STJ e o STF tiveram seguimento negado (fls.03 (fl.. (Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1. sentença condenatória recorrível−.008. portanto.02 (fl. a fase da prescrição da pretensão punitiva. colacionando-se a (para nós. Está encerrada. Mas se ele surge antes de fluído o prazo prescricional. uma vez mais nos utilizamos das precisas considerações da Ministra Ellen Gracie ao analisar caso concreto em que se pretendia o reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva superveniente à sentença penal porque da data do édito condenatório até o trânsito das decisões em sede de recursos interpostos perante o STF e o STJ transcorrera prazo superior ao fixado em lei diante da pena concretizada. 38). 268 e 354).

confirmando o que decidido no juízo de admissibilidade. 26. A situação equipara-se àquela que ocorreria se o recurso não tivesse sido interposto. 109.125 9.e com muito mais razão . Recursos especial e extraordinário indeferidos na origem.se justifica tomar como corretas as ponderações da 9 HABEAS CORPUS. Recurso inadmissível não tem a virtude de obstar à coisa julgada: nunca a teve. impedir e obstar a formação da coisa julgada.2005. Não a partir da decisão que a pronuncia. da condenação é marco divisório de duas espécies de prescrição. em decisões mantidas pelo STF e pelo STJ.08. pode o condenado lançar mão dos agravos de instrumento. não pode ser olvidado que o recurso capaz de impedir a coisa julgada é o recurso admissível.2009. pág. grifos e destaques nossos) Antes de prosseguir. Basta interpor recursos especial e extraordinário. PRETENSÃO PUNITIVA. Pode. Indeferidos. em 05. verifica-se que realmente o recurso era inadmissível. agora .04 a decisão monocrática que negou seguimento ao agravo de instrumento interposto contra o indeferimento do recurso extraordinário. não têm o condão de empecer a formação da coisa julgada. Não tendo fluído o prazo de dois anos (CP. julgado em 16. E a partir do trânsito em julgado da condenação.2005. E desse tipo de prescrição não cuidou a inicial.” (Habeas Corpus nº 86. Recursos especial e extraordinário. caso tenham o seguimento negado. PRESCRIÇÃO PENAL. RT. Entretanto. porque inadmissíveis. é a lição de Ada Pellegrini Grinover. protrairão o início da contagem dessa nova modalidade de prescrição que tem a ver com a pretensão executória. No caso. Porém. 1. 3. mas não afetam. RECURSOS ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO INDEFERIDOS. Mas o condenado pode. eventualmente interpostos.09. 1996. E tem início a fase da prescrição executória. a propósito do tema em discussão. limitando-se a certificar algo que lhe pré-existe. Com o trânsito em julgado termina a fase da pretensão punitiva. do Habeas Corpus n º 84. recebimento da denúncia e sentença condenatória recorrível) e sobrevindo acórdão confirmatório da condenação. que só é declaratória.078-MG. os efeitos desse reconhecimento retroagem. de modo que a coisa julgada exsurge a partir da configuração da inadmissibilidade. Antonio Magalhães Gomes Filho e Antonio Scarance Fernandes: “Mesmo nesse caso.início. manejar embargos de declaração. E. não tendo tido o condão de obstar à formação da coisa julgada. teve início a contagem do prazo da prescrição da pretensão executória. Nesse sentido. Relatora Ministra Ellen Gracie. a prescrição da pretensão punitiva. uma ênfase fundamental. porque inadmissíveis. transitando em julgado em 04. porém. 2. antes do decurso do período fixado em lei. pelo Plenário. n. Não custa lembrar. Esse prazo ainda não se encerrou. publicado no DJ em 02. 2ª Turma. 55). se o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça reconhecem a inadmissibilidade. .11. porque já exaurida. passada em julgado a decisão no agravo e reafirmada a inadmissibilidade. art. Estamos cientes de que o precedente retrocitado foi proferido por órgão fracionário do STF antes do julgamento. AGRAVOS IMPROVIDOS. que o trânsito em julgado. E até mesmo dos agravos regimentais. quando muito. sim. está exaurida a chamada prescrição da pretensão punitiva. 2.” (RECURSOS NO PROCESSO PENAL. VI) entre os vários marcos interruptivos (data do crime.02. ainda. HC indeferido. unânime.

como dito no precedente ora utilizado. segundo defendemos. é de se ter em consideração. acaso venham efetivamente não ser admitidos ou improvidos no futuro. não há como se cogitar de prescrição superveniente se até o acórdão do tribunal de apelação (instâncias ordinárias) não fluiu prazo superior ao legalmente estipulado diante da pena concretizada. "o órgão de segundo grau de jurisdição atuou a tempo e modo". que o prazo máximo para a análise da fluência ou não da prescrição intercorrente se dá com o exaurimento das instâncias ordinárias.125. . na medida em que. mesmo que decorra formalmente o prazo legal até esta data. não têm (mais) o condão de permitir o reconhecimento da prescrição superveniente. como (e bem) assentado pela Ministra Ellen Gracie (acolhida à unanimidade pelo órgão fracionário) “os efeitos desse reconhecimento retroagem”. numa interpretação sistêmica. Os recursos de natureza extraordinária. pois. jamais se podendo esquecer que o (único) recurso que pode obstar a coisa julgada é aquele que for tido como admissível (tanto pela ótica das questões processuais – admissibilidade propriamente dita -. como diante do julgamento – e improvimento – do “mérito”). Portanto. como não é mais possível se cogitar da fluência do prazo da prescrição executória antes do trânsito em julgado para ambas as partes.Ministra Ellen Gracie no julgamento do HC nº 86. pois.

CP. reiteramos que nossa posição é de defesa intransigente de que o Estado não pode agir com excessos injustificados em detrimento dos cidadãos. Concluindo. Em arremate: a questão não gira em torno de se buscar uma interpretação que seria mais ou menos favorável a esta ou aquela pretensão no processo (acusação e defesa). equivocadamente) que a presunção de inocência impede a execução de pena enquanto não exauridas todas as instâncias recursais (salvo hipótese de prisões cautelares). e sim conferindo (também) uma (nova) interpretação da expressão trânsito em julgado da sentença condenatória "para a acusação” constante do artigo 112. do Código Penal. I. Não se cuida. e na mesma medida. ponderamos.Conclusões. com a maxima venia. De outro lado. 112. Se restou decidido (para nós. de leitura menos ou mais favorável. em se tratando de prescrição executória a leitura do art. inarredavelmente necessita ser harmonizada com a novel compreensão sobre a execução das penas não definitivas em graus recursais extraordinários. na linha do in dubio pro reo. Não se está criando nova causa de suspensão da prescrição. Muito ao contrário. ainda. o que exige a contextualização histórica dos aludidos Códigos. inciso I. que esse mesmo Estado não pode permitir uma total desproteção sistêmica em face do ordenamento jurídico vigente e de sua interpretação. . cuida-se de harmonizar as disposições legais (e suas interpretações) do Código Penal que determinaram as escolhas do processo penal.

em sua decisão. Em síntese. quando tais sentenças são politicamente inexatas ou falsas (no sentido de que arruínam as tarefas políticas legítimas de administração do Estado). 2002. em nenhum momento. adverte que o Juiz. somente começará a correr do trânsito em julgado para ambas as 10 PERELMAN. e. 514. as consequências práticas e jurídicas (todas !) da decisão que tomar. podem ocasionar catástrofes não apenas para o caso concreto. quando. mas todos os casos da mesma espécie. a prescrição executória. “deve levar em conta não só o caso particular que lhe é submetido. diz ele. São Paulo: Martins Fontes. p. inexoravelmente. Ética e Direito. Essas sentenças. Chaïm. a questão não deixa de ser decorrente da lógica da melhor compreensão sistêmica vigente: se a execução somente pode ser feita após o julgamento de todos os recursos (porque antes não há nada que possa ser executado) . a lesão pode alcançar toda a comunidade.Daí que relembramos Perelman 10 . que lhes prescreve tratar da mesma forma casos essencialmente semelhantes”. ao falar da lógica e da argumentação. mas para outros inúmeros casos. .e isto foi o que disse o STF no precedente invocado -. e que certas sentenças têm efeitos vinculantes gerais ou com força de lei. isso porque sua decisão pode tornar-se um precedente no qual se inspirarão outros juízes em seu desejo de observar a regra de justiça. Encerra com assertiva incisiva. porém correta: “el Tribunal Constitucional no puede ser ciego a las consecuencias políticas de sus decisiones”. E as ponderações de García de Enterría são de todo pertinentes 11 ao discorrer que o juiz constitucional não pode perder de vista.

La Constitución como Norma y El Tribunal Constitucional. a prescrição intercorrente também não poderá mais ser contada além do exaurimento das instâncias ordinárias. Madrid: Civitas. .partes. 11 GARCÍA DE ENTERRIA. p. 3 ed. Do contrário. para dizer o menos) de prazo prescricional fluindo de título que sequer seja exequível. 2001. teríamos a situação (esdrúxula. E pelos mesmos fundamentos e na linha de precedente do próprio STF. 179. Eduardo. 180 e 183.

O estelionato praticado para continuar obtendo. 1.5. simplesmente projetada. mas sim levar em conta os elementos oriundos do contraditório da instrução criminal. independentemente da existência ou sorte do processo penal. DO CÓDIGO PENAL. no âmbito da Seguridade Social. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO INSS DA TRANSFERÊNCIA DA PENSÃO ESTATUTÁRIA AO ÓRGÃO DE ORIGEM. que se . RECEBIMENTO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DE TRATO SUCESSIVO DE FORMA DÚPLICE. benefício de pensão por morte estatutário. §3º. PRESCRIÇÃO EM PERSPECTIVA. mpf e advogados) Dispõe a Súmula 438 do STJ: É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética. Precedentes do Tribunal Regional Federal: PENAL E PROCESSUAL PENAL. PRESCRIÇÃO PELA PENA EM ABSTRATO. SÚMULA 438 DO STJ. uma vez vencidas todas as suas fases. que foi transferido ao órgão de origem (IBAMA). quando analisado sob o prisma do beneficiário acusado pela fraude. PRECEDENTES DO STF. Prescrição da pena projetada . ESTELIONATO CONTRA O INSS. CONDUTA DO BENEFICIÁRIO CAUSADOR DA FRAUDE. pois viola os princípios da presunção de não culpabilidade e o da individualização da pena. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 171.Súmula 438 do STJ x consequências do indeferimento pelo juiz do pedido de arquivamento do MPF (inutilidade do trabalho que acarreta para o judiciário. O instituto da prescrição em perspectiva é inadmissível. CRIME PERMANENTE. Questão sumulada no verbete 438 do STJ. INADMISSIBILIDADE. a priori. ERRO DE PROIBIÇÃO. sendo consabido que eventual resposta penal a ser aplicada não poderá ser. 2. é crime permanente.

julgado em 17. não se mostrando adequado seu enfrentamento neste momento processual. (Apelação Criminal nº 000363870. Relator Des. do Código Penal.2010). Crítica à criação da súmula.7009/PR. 4. observados os princípios do contraditório e da ampla defesa. entre a data do último saque indevido e o recebimento da denúncia não decorreu o lapso prescricional do crime do artigo 171. A alegação de erro de proibição deverá ser examinada após o transcorrer da instrução criminal.11. Federal Victor Luiz Santos Laus.2010.404. não há falar em prescrição da pretensão punitiva. a teor do artigo 111. do Código Penal. Considerando que.2007. inciso III. Precedentes do STF.11. 3. § 3º. 8ª Turma. Meu entendimento: sou favorável à prescrição em perspectiva. oportunidade na qual as partes poderão debater as respectivas teses.consuma com a cessação dos saques indevidos. Em determinadas circunstâncias ! . publicado no DJ em 23.

2011. 2. OMISSÃO DE RENDIMENTO. para o início da ação penal. Se (mesmo que erroneamente. SÚMULA 182 DO EXTINTO TFR.2011). CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA. 3. impõe-se a absolvição do réu. 386. 1. Prescrição em crimes tributários . PROCESSO PENAL. VII do Código de Processo Penal. previsto no art. que fique claro) a partir daí.72. Relator Desembargador Federal Márcio Antônio Rocha.137/90. a prescrição só pode ser cogitada a ser contada (e não é hipótese de suspensão. ABSOLVIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. nos termos do art. Nos crimes contra a ordem tributária (art. PENAL.02. Já analisamos anteriormente.001933-4/SC. 1º da Lei nº 8.6. SONEGAÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. 7ª Turma. 1. A fluência da prescrição penal somente se iniciará com consumação do delito. CPMF. (Apelação Criminal nº 2006. da Lei nº 8.137/90.início da prescrição ao final do processo administrativo. AUSÊNCIA DE PROVA SUFICIENTE PARA A CONDENAÇÃO.137/90 coincide com a data do exaurimento da via administrativa e o respectivo lançamento definitivo do crédito tributário. PENAL. I. PRESCRIÇÃO. haja vista a condenação anterior da ex-cônjuge do réu em ação penal na qual restou afastada a alegação de defesa no sentido de que o responsável era o ex-marido. digo eu) o STF disse que o crime só existe com o exaurimento da esfera administrativa. antes do lançamento definitivo do tributo. "Não se tipifica crime material contra a ordem tributária. DADOS DE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. O marco inicial para contagem do prazo prescricional nos delitos do artigo 1º da Lei 8. PROCESSUAL PENAL.430/96. . 2.137/90) exige-se. SONEGAÇÃO FISCAL. ARTIGO 42 DA LEI 9. incisos I a IV.02. ARTIGO 1º LEI 8. do STF). o lançamento definitivo para a sua consumação (Súmula Vinculante nº 24. Havendo insuperável dúvida na solução do feito. inc. 1º. TERMO INICIAL. INCORRÊNCIA. 111. julgado em 08. publicado no DJ em 24. CRIME MATERIAL. nos termos do art." (Súmula vinculante nº 24 do Supremo Tribunal Federal).11. SUPRESSÃO DE TRIBUTO. do Código Penal.

2010) PENAL E PROCESSO PENAL. jamais tendo as defesas demonstrado o aludido pagamento/parcelamento.004609-0/SC. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS ACUSATÓRIO. o sujeito passivo imediato é o Estado. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. publicado no DJ em 16. 231. INÉPCIA DA DENÚNCIA. 9.. sendo certo que o crédito foi incluído em dívida ativa. e secundariamente. Relator Juiz Federal Luiz Fernando Wowk Penteado. Ademais. a representação fiscal para fins penais em nada se confunde com a representação do ofendido. APELAÇÃO CRIMINAL. de que trata o art.2010.09. VI – A requisição de cópia da representação fiscal para fins penais. SÚMULA VINCULANTE N. NECESSIDADE DE PRÉVIO INQUÉRITO POLICIAL. MATERIALIDADE E [. em razão da manutenção de sua privacidade e dignidade em relação ao fato. FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL. 10. haja vista que a pena aplicada na sentença ora recorrida ficou exatamente no mesmo patamar que a sentença .00. determinada pelo juiz em atendimento a requerimento do Ministério Público não ofende os princípios acusatório.] (Apelação Criminal Nº 2002.. PRELIMINARES REJEITADAS. da inércia e da imparcialidade do Magistrado. No crime de sonegação fiscal.. 24. REFORMATIO IN PEJUS INDIRETA.] XI .684/2003. PRESCRIÇÃO. DA INÉRCIA E DA IMPARCIALIDADE DO JUIZ. 24 do CPP.[.. 9º da Lei n. CERCEAMENTO DE DEFESA.72.. Tal dispositivo se dirige aos agentes da Administração Tributária e não ao Ministério Público. COMPETÊNCIA DO JUÍZO A QUO. ILICITUDE DAS PROVAS. toda a coletividade que se vê privada dos recursos que àquele cabe reverter através da prestação de serviços essenciais. a prova documental pode ser apresentada a qualquer tempo (art. quando o pedido decorre da mudança de advogado pela parte. NULIDADE DO PROCESSO.Não há reformatio in pejus indireta. in fine do CPP). por outras vias.] III – A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal entende como necessária à instauração da ação penal tributária a conclusão definitiva do procedimento administrativo fiscal com a constituição do crédito e não a apresentação ou não da representação fiscal para fins penais. ao conhecimento do lançamento definitivo do crédito tributário.430/96 não caracteriza condição específica da ação penal... que poderá formar sua opinio delicti desde que tenha chegado. Aliás. que não poderia se beneficiar de fato por ela causado sob pena de violação da igualdade das partes. [. VII – Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de devolução do prazo concedido para manifestação acerca do pagamento ou parcelamento do tributo nos termos do art..09. já que esta vem calcada no interesse pessoal do próprio sujeito passivo do delito em não trazer seu drama ao conhecimento público. [. julgado em 01. 8ª Turma.] VI – O art. 83 da Lei n.

rel. 2.137/90.” Ora. se pode dizer consumado o crime.51. Entre as datas interruptivas da prescrição não decorreu o prazo prescricional. PRAZO PRESCRICIONAL SUSPENSO. 1º da Lei n. O tema relacionado à necessidade do prévio encerramento do procedimento administrativo-fiscal para configuração típica dos crimes contra a ordem tributária.2005). a segunda maneira de “tipificar” um crime. a ele correspondendo integralmente. porquanto sua “tipificação”. do seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária. somente na data dessa decisão do Conselho de Contribuintes é que o crime se consuma. na hipótese. que não foi agravada na nova sentença proferida. ou seja. 1. de Lei nº 8. art. XII . ORDEM CONCEDIDA.] (ACR nº 2001. quando a conduta humana praticada viola o tipo penal.07. O entendimento quanto à data dos fatos e do início da contagem do prazo prescricional é de cunho objetivo e não se refere especificamente à situação do acusado.05. Aí sim. 8.01.137/90 não se “tipificam” apenas com a conduta humana do contribuinte que sonega o tributo. valendo como data a quo para o cômputo do prazo prescricional de que trata o inciso I do art.137/90.611 do STF acabou se convertendo na Súmula Vinculante n.137/90.. Só pode ser desta segunda hipótese. previstos no art. é quando da adequação da conduta ao tipo penal formal previsto legalmente.527473-3 . tecnicamente. sendo o precedente mais conhecido o HC n ° 81.611 (Min. “tipificar” um crime. No mesmo sentido do precedente referido: HC 85. NECESSIDADE DE EXAURIMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. 1°). 1º. Sepúlveda Pertence. HABEAS CORPUS. DJ 01. Relator Desembargador Abel Gomes. ART. antes do lançamento definitivo do tributo. e certamente não é sobre esta que trata a Súmula Vinculante n.A tese advogada no emblemático HC 81. que trata a Súmula Vinculante n.TRF2 -. . Min. dogmaticamente só pode corresponder à sua consumação. HC 90. 1º DA LEI 8.957/RJ. 1°. XIII – Os crimes dos incisos I a IV do art. Pleno.2005. 24. só ocorre em duas hipóteses: a primeira. na data prevista para o pagamento da exação. mas sim quando os conselheiros da última instância administrativa julgam que o crédito constituído inicialmente é realmente exigível. 111 do CP.1a.051/MG. já foi objeto de aceso debate perante esta Corte. quando se dá aquilo que. Carlos Velloso. Turma Criminal . [. se denomina “tipicidade”. A orientação que prevaleceu foi a de exigir o exaurimento do processo administrativo-fiscal para a caracterização do crime contra a ordem tributária (Lei n° 8. da Lei n° 8. previsto no art. que diz respeito à função legislativa de criminalizar condutas abstratamente na lei. 24. DJ 13. Sendo assim. 24. incisos I a IV. rel..nulada por esta Corte em relação ao acusado. Min. mediante uma das formas previstas naqueles incisos. julgado na Sessão do dia 9/6/2010) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL.137/90.

CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. a presença de elementos que configurem o delito do art. crimes em tese. 41 do Código de Processo Penal. ocasião em que há de fato a configuração do delito. TERMO A QUO. 2. publicado no DJ em 28.423/RJ. Não pode ser acoimada de inepta a denúncia formulada em obediência aos requisitos traçados no art. INICIAL ACUSATÓRIA QUE DESCREVE CRIMES EM TESE. 5. 3. Relator Ministro Jorge Mussi. e a denúncia foi recebida em 1º. 1. 1º da Lei nº 8. descrevendo perfeitamente os fatos típicos imputados. 5ª Turma. . 109. com todas as suas circunstâncias. rel.2004. por ora. Carlos Britto. Consolidou-se nesta Corte Superior de Justiça o entendimento no sentido de que o termo a quo para a contagem do prazo prescricional no crime previsto no art. Ordem de habeas corpus concedida. No caso concreto.2010. por ausência de tipicidade penal. assim. conforme decidido no HC 81. inciso III.484-1/AM. 92. não há como se reconhecer.137/90. 1. DJ 24. da Lei nº 8. 2.12. DJ 19. Se a vestibular acusatória narra em que consistiu a ação criminosa do réu nos delitos em que lhe incursionou. do Código Penal. julgado em 18.2009. 2ª Turma.10. PEÇA INAUGURAL QUE ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS EXIGIDOS.137/90 é o momento da constituição do crédito tributário.728 – SP.2011). (Recurso em Habeas corpus nº 25. DENÚNCIA. unânime. ao indicar os ilícitos supostamente infringidos.09.Celso de Mello. Min. portanto. Relatora Ministra Ellen Gracie. ressalvado meu entendimento pessoal. é inviável acolher-se a pretensão de invalidade da peça vestibular.08. preenchendo. não houve o esgotamento da via administrativa e. 4. nos termos do disposto no art.2009) RECURSO EM HABEAS CORPUS. publicado no D. em 21. INÉPCIA NÃO EVIDENCIADA.4.E. PRESCRIÇÃO NÃO VERIFICADA. LAPSO PRESCRICIONAL. julgado em 02.06. terminando por classificá-los. (HC n. atribuindo-os ao paciente.O não encerramento do processo administrativo fiscal atua como causa impeditiva do curso prescricional penal. In casu. a condição objetiva de punibilidade necessária à pretensão punitiva (Precedentes).2007 e HC 84.2000 .11. permitindo o exercício da ampla defesa. na esteira da orientação que vem prevalecendo nesta Suprema Corte. 3. unânime.02.611/DF. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.termo inicial da contagem do prazo -. não se constata que tenha transcorrido o lapso temporal de 12 anos necessário à ocorrência da prescrição do delito em questão cuja pena máxima cominada é de 5 anos de reclusão. o crédito foi apurado em definitivo em 11. 1º.2007. Recurso improvido.

168-A é FORMAL !!!! SEMPRE FOI E CONTINUA SENDO !!!! Considerações essenciais: [. da lavra do e. O objeto jurídico protegido é o patrimônio da previdência social no que se deixa. ficam afastadas a persecução penal e – ante o princípio da não-contradição.consequências do art. A apropriação indébita disciplinada no artigo 168-A do Código Penal consubstancia crime omissivo material e não simplesmente formal. pendente recurso administrativo em que se discute a exigibilidade do tributo. INQUÉRITO. tem-se como inviável a propositura da ação penal. a ocorrência de apropriação dos valores. com a redação dada pela L 12350/10.] 7. A leitura do artigo 168-A do Código Penal revela que se tem como elemento da prática delituosa deixar de repassar contribuições previdenciárias. Do voto-condutor. portanto. Assim está ementado o acórdão proferido originalmente no julgamento do Agravo Regimental no Inquérito 2. Ministro Marco Aurélio. o princípio da razão suficiente – a manutenção de inquérito. O crime do art. com inversão da posse respectiva. 9. a seqüência quanto ao incidente alusivo ao recebimento da denúncia apresentada.7. em ato de apropriação glosado penalmente. (fls. Estando em curso processo administrativo mediante a qual questionada a exigibilidade do tributo. SONEGAÇÃO FISCAL. 04-05 do voto) . Ora. de recolher valores.537: APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA – CRIME – ESPÉCIE.537-GO. 83 da L 9430/96. Prescrição 168-A do CP . Sobre uma “suposta modificação de entendimento do STF” no julgamento no Inquérito 2. ainda que sobrestado.. algumas considerações são fundamentais. Indispensável. extraem-se os seguintes fundamentos: O Ministério Público parte de equívoco: a denominada apropriação indébita previdenciária não consubstancia crime formal. mas omissivo material. 8.. PROCESSO ADMINISTRATIVO.

há contradição quando o votocondutor afirma a necessidade de animus rem sibi habendi e não analisa comparativamente os tipos penais do artigo 168 e do artigo 168A. o aresto apresenta contradições e omissões evidentes. ambos do Código Penal. foi o que constou expressamente do voto do Ministro Cezar Peluso (sem qualquer referência na ementa ou no acórdão!) que: “[. no prazo e forma legal ou convencional: § 1º. Em nenhum momento a norma objeto do artigo 168-A. ´a´. no prazo legal. segundo. contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados. § 1º. relator do precedente anteriormente citado. O tipo se consuma mediante duas condutas: a primeira comissiva (descontar). também se encontrava no julgamento acima. a terceiros ou arrecadada do público.10. Mais: O Ministro Eros Grau. . deixar de recolher”. CP (verdadeiro delito de apropriação indébita). Apropriar-se de coisa alheia móvel. a segunda omissiva (deixar de repassar no prazo legal). I – Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes. inciso I.] este caso de apropriação indébita previdenciária não pode ser equiparado ao dos delitos materiais de débito tributário. sendo necessária a demonstração (exatamente por isso) do dolo específico (animus rem sibi habendi). Art. Consoante se vê das normas: Art. Nas mesmas penas incorre quem deixar de: I – recolher. No tipo do artigo 168. Aliás. As ações são duplas: primeiro.. de que tem a posse ou a detenção. indispensável a apropriação da coisa mediante a inversão da posse. se compõe de dois verbos. descontar.. da necessidade de apropriação. 168-A. 13. apenas o relator defendeu tais conclusões). 11. § 1º. Em primeiro lugar. I estipula como condição a necessidade de apropriação dos valores. que é o 168. tratando-os como se fossem idênticos. porque aqui o núcleo do tipo. Já no delito de “apropriação indébita previdenciária” não há exigência. sobretudo no caso. na norma penal. 12. § 1º. 168. Além de não ter sido acolhida essa posição pela composição majoritária daquela sessão (dos 7 ministros. I.

728/PE. Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima. extrai-se que: a) o acórdão publicado foi omisso porque fez constar da ementa apenas o posicionamento do eminente relator. § 1º. O dolo do crime de apropriação indébita previdenciária é a consciência e a vontade de não repassar à Previdência. 3. b) o acórdão foi omisso porque fez constar da ementa posicionamento que.008. alínea “a”. 5ª Turma. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. expressamente. Por isso se trata do crime de apropriação – que diria – imprópria. CP. não se extrai posicionamento sequer majoritário. Na fl. 1. Trata-se de crime omissivo próprio. 4. RECURSO ESPECIAL. CP. publicado no DJE em 09/06/2008) 15. não se exige o elemento volitivo consistente no animus rem sibi habendi para a configuração do tipo inscrito no art.14. retém-se dinheiro de terceiro. I. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. mas a Previdência”. Depois. que “o tipo do artigo 168. mais adiante (fl. ou seja. em que o tipo objetivo é realizado pela simples conduta de deixar de recolher as contribuições previdenciárias aos cofres públicos no prazo legal. as contribuições recolhidas. 168-A do Código Penal. dentro do prazo e na forma da lei. c) o voto-condutor foi omisso e contraditório porque deixou de analisar comparativamente os tipos penais dos artigos 168 e 168-A. unânime. Do excerto do voto acima visto. quando há voto claramente divergente sobre a dispensabilidade do animus rem sibi habendi nos delitos do artigo 168-A. (RESP n. PRESCINDIBILIDADE DO ESPECIAL FIM DE AGIR OU DOLO ESPECÍFICO (ANIMUS REM SIBI HABENDI). após a retenção do desconto. I. dos debates. 123). Recurso conhecido e provido. mas deixar de repassar essas importâncias. consta complementação do voto do eminente Ministro Marco Aurélio que diz. CRIME OMISSIVO PRÓPRIO. da Previdência”. Há contradição também no voto do eminente relator no que tange à configuração do delito. 121. afirmou que “a vítima. Não se julga tipo penal tendo-se como vítima aquele que foi alvo do desconto. o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: PENAL. é a Administração Pública previdenciária. 16. Há contradição frontal na . 2. Na mesma linha. no caso. não se exigindo a demonstração de especial fim de agir ou o dolo específico de fraudar a Previdência Social como elemento essencial do tipo penal. julgado em 03/04/2008. não é reter indevidamente importâncias. § 1º. apropriação indébita. Ao contrário do que ocorre na apropriação indébita comum.

2009) 19. nem à sua qualificação jurídica.04. 121. TRANCAMENTO DE INQUÉRITO POLICIAL. O delito inserto no inciso I do § 1º do art. a ocorrência de circunstância extintiva da punibilidade. 3. § 1º. para sua configuração. (HC n. de forma indubitável. julgado em 29. depois. sendo comissivo. resta bastante claro que não subsiste a argumentação de que o tipo penal em comento. exigiria demonstração do animus rem sibi habendi (sobretudo após a inserção no CP dos artigos 168-A e 337-A). 18. peço vênia a Vossa Excelência não para discordar em relação à solução do caso. é inviável obstar prematuramente o prosseguimento do caderno indiciário.603/SP. parece-me. NÃO EXAURIMENTO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. não exigindo à sua caracterização. Destarte.2009. de ausência de indícios de autoria ou de prova da materialidade do delito e ainda da atipicidade da conduta. 1. de natureza mista. Se dúvida alguma pairar. O Ministério Público. unânime. Está-me parecendo que o Ministério Público não se insurge nem quanto à qualificação que Vossa Excelência deu ao crime. em sede de habeas corpus. a contrario sensu.05. INEXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 17. assenta que a retenção é o caracterizador do delito de apropriação indébita. precedente do Superior Tribunal de Justiça que refere bem a questão: HABEAS CORPUS. ou como condição objetiva de punibilidade. publicado no DJ em 25. o exaurimento de procedimento na via administrativa. 168-A do CP é crime formal. 2. 5ª Turma. FALTA DE LANÇAMENTO DEFINITIVO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. no que tange à falta de repasse ao órgão competente. A propósito. pretende é . e omissivo. somente deve ser acolhido se restar. CRIME FORMAL. I. basta uma leitura atenta do voto do Ministro Peluso no julgamento dos embargos de declaração opostos pelo Ministério Público Federal (malgrado improvidos): “O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) – Ministro Marco Aurélio. AUSÊNCIA DE CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE. pertinente ao desconto efetuado. O trancamento de inquérito. 168-A. muito menos que necessitaria o exaurimento da esfera administrativa. PACIENTES INDICIADOS PELA SUPOSTA PRÁTICA DO DELITO DISPOSTO NO ART. Relator Ministro Jorge Mussi. DO CP. portanto. ATIPICIDADE DA CONDUTA NÃO CONSTATADA. Ordem denegada.fundamentação quando diz em um momento não reter não é crime e.

ou seja. se extraia a tese de que. pelo empregador. o tributo é inexigível. Há um precedente. se existe e o Instituto comunica – como o fez no caso – que a exigibilidade não está pacificada e que ele ainda está examinando. deixar claro. logo sabe o valor que desconta e deveria recolher. deste julgado. sabe o valor que descontou e tem que repassar. a notícia do Instituto segundo a qual. não há necessidade nenhuma de instaurar-se prévio procedimento administrativo para saber o que ele devia ter recolhido. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) – Está claro. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Necessário não é. E o Ministério Público está preocupado que. porque. Portanto. ainda nesse caso.. por estar em curso processo administrativo. No debate. O Tribunal deixa claro que NÃO concorda com a tese de que é necessário breve procedimento administrativo para caracteriza o tributo. no caso de desconto. se tire a tese de que o crime. seria necessário procedimento administrativo prévio para saber qual é o valor para efeito de caracterização do tributo. ele mesmo.. inclusive.)” . por ora. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Há aquela peculiaridade que. mas. Não chego a tanto. deste julgamento. dependa de prévio procedimento administrativo para caracterizarse como tal. não se tem como admitir a persecução criminal. que não compreendi até hoje. quando o empregador desconte e não recolha. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) – É só para fazer constar esse pronunciamento. O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO – Nessa matéria de desconto e falta de recolhimento. É ele mesmo que toma a iniciativa. de verba devida à previdência social. o levou a somar o seu voto ao meu. Concordo com Vossa Excelência. Eu também rejeito os embargos. entendi não ser o caso. (. no sentido de sinalizar a necessidade de lançamento.dissipar a preocupação de que. desconta. quando o empregador.

.. de 27 de dezembro de 1996... § 3o A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da pretensão punitiva. § 1o Na hipótese de concessão de parcelamento do crédito tributário. desde que o pedido de parcelamento tenha sido formalizado antes do recebimento da denúncia criminal. § 2o É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente aos crimes previstos no caput.... § 4o Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput quando a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos...... § 5o O disposto nos §§ 1o a 4o não se aplica nas hipóteses de vedação legal de parcelamento... 83.. 83 da Lei no 9.....430.... durante o período em que a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente dos aludidos crimes estiver incluída no parcelamento.. a representação fiscal para fins penais somente será encaminhada ao Ministério Público após a exclusão da pessoa física ou jurídica do parcelamento.. desde que não recebida a denúncia pelo juiz... inclusive acessórios.350/2010: Art..... .249... que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento... renumerando-se o atual parágrafo único para § 6o: “Art.... 34 da Lei no 9... passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 1 o a 5o.. 6o O art.... § 6o As disposições contidas no caput do art. aplicam-se aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso. 168-A PARA MATERIAL? MINHA RESPOSTA: NÃO !!!! ......430.....” (NR) PERGUNTA: ESTA REGRA "TRANSMUDOU" O TIPO PENAL DO ART..Novel disposição da redação do art.. com a redação dada pela Lei nº 12. 83 da Lei nº 9.. de 26 de dezembro de 1995....

O que vai haver após o exaurimento da esfera administrativa é o envio do processo para persecução. pois o crime se consuma com a ação ou omissão. IMPUNIDADE: maior ainda ! . Mas nestes interregno (reitero: infelizmente) a prescrição vai estar fluindo.Portanto (e infelizmente) a prescrição começa a correr não do processo administrativo.

CRIME COMETIDO ANTES DA LEI 11. 117 DO CÓDIGO PENAL. Pelos argumentos já expostos anteriormente.8. PENAL. CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO.596/2007. 11. Prescrição executória em caso de trânsito em julgado para o MPF e recurso da defesa não provido consequências da inadmissibilidade da execução provisória. 10. ACÓRDÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA QUE ELEVA A REPRIMENDA. QUE ALTEROU A REDAÇÃO DO INCISO IV DO ART. 9. a prescrição executória pressupõe (agora) o trânsito em julgado para ambas as partes.596/2007). já analisado: HABEAS CORPUS. Defendo que a regra não mudou nada "na prática". Marco interruptivo da publicação da sentença. Prescrição executória em caso de recurso do MPF não provido e data a ser considerada como marco interruptivo. data a ser considerada (antes x depois da L. Reitero precedente do STF. NOVO MARCO INTERRUPTIVO. Raciocínio idêntico ao tópico anterior. REFLETINDO NO CÁLCULO DA PRESCRIÇÃO. PRESCRIÇÃO NÃO . SENTENÇA CONDENATÓRIA RECORRÍVEL.

2011). portanto. em tese. o Superior Tribunal de Justiça e esta Suprema Corte já haviam consolidado o entendimento de que o acórdão de segundo grau que. publicado no DJ em 29. não transcorreu lapso superior a doze anos. o marco interruptivo é a publicação em cartório. o que. Traduzindo e em síntese: a) se a sentença é condenatória. (Habeas Corpus nº 106. nos termos do art. portanto.596/2007. PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE. interrupção se dá com a data da sessão de julgamento: a HABEAS CORPUS” – PRETENDIDA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DO RÉU .VERIFICADA. afastando o argumento de prescrição da pretensão punitiva do Estado.03.03. II – A condenação do paciente. 109. VI – Ordem denegada. I – Originariamente. o inciso IV do art. Com o advento da Lei 11. Relator Ministro Ricardo Lewandowski.MENORIDADE . que prescreve. recomendaria a sua aplicação. 1ª Turma. 117 do Código Penal previa como causa de interrupção do prazo prescricional apenas a “sentença condenatória recorrível”.2011. o referido dispositivo passou a ter a seguinte redação: “pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis”. IV – A pena fixada ao paciente é de quatro anos e seis meses de reclusão. em primeira instância. tinha relevância jurídica e. III – Mesmo antes da alteração introduzida pela Lei 11. julgado em 01. V – Entre as causas de interrupção do prazo prescricional. b) se a sentença é absolutória e o acórdão é condenatório. do Código Penal.222/SP. unânime. deveria ser considerado como uma nova causa de interrupção do prazo prescricional. tal como vigente no momento da sentença condenatória. III. deu-se sob a égide do texto primitivo daquela norma penal. 117 do Código Penal.EFICÁCIA INTERRUPTIVA DO . modificasse a pena.ALEGADA CONSUMAÇÃO DA PRESCRIÇÃO PENAL – INOCORRÊNCIA . confirmando a condenação de primeira instância. em doze anos.596/2007. previstas no art. ORDEM DENEGADA. de modo a refletir no cálculo do prazo prescricional.

Rel. unânime.09.PEDIDO INDEFERIDO.810-2-RS.A data em que o acórdão condenatório . para os fins a que se refere o art. Precedentes. Se . reveste-se de eficácia interruptiva da prescrição penal. que não se qualifica como causa de interrupção do lapso prescricional. 1ª Turma. .O acórdão condenatório. inciso IV. Ao contrário do que ocorre com o acórdão meramente confirmatório de anterior condenação. do Código Penal. Celso de Mello. à sentença condenatória recorrível. e não a data em que se deu a publicação formal de referido acórdão. o acórdão condenatório equipara-se.que reformou sentença de absolvição . 117.ATENTEM PARA A DATA DE JULGAMENTO E A DATA DE PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO !!! c) se a sentença é condenatória.94. que reforma sentença penal absolutória.interrompe a prescrição é aquela em que se realizou a sessão de julgamento na qual o Tribunal decidiu o recurso interposto pelo Ministério Público ou por seu assistente. (HC nº 70. julgado em 06.12. .ACÓRDÃO CONDENATÓRIO (QUE REFORMA SENTENÇA ABSOLUTÓRIA) INTERRUPÇÃO DO LAPSO PRESCRICIONAL QUE SE REGISTRA NA DATA DA SESSÃO DE JULGAMENTO DO RECURSO . Min. o acórdão condenatório (sessão) só vai interromper novamente se alterar o marco prescricional. publicado no DJ em 1º.2006) .