EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA 1ª VARA DO TRABALHO DE TAGUATINGA.

Processo 00001-14.2011.5.10.0101

RESTAURANTE SABOR DA BAHIA LTDA, empresa comercial com sede na Avenida Comercial Norte n. 45, CNPJ N. 010101010101-0001-00, por seu advogado, com escritório profissional na C-03 Lote 14 sala 202 Taguatinga – DF Fone: (61) 3037-9581, nos autos do processo em referência, mui respeitosamente vem à presença de Vossa Excelência apresentar DEFESA À Reclamação proposta por VIRGULINO FERREIRA, já qualificado, o que o faz nos seguintes termos: Trata-se de ação trabalhista pleiteada pelo Reclamante onde requer a indenização e verbas rescisórias por supostos fatos danosos ao seu contrato de trabalho ocorrido entre 02/01/2008 e 29/09/2008. PREJUDICIAL DE MÉRITO - PRESCRIÇÃO A Reclamada requer que seja aplicada a prescrição total do feito tendo em vista o fato da Reclamação ter sido ajuizada somente em 02 de Outubro de 2010.

o que enseja a extinção do processo sem julgamento do mérito. cabe igualmente a impugnação da petição inicial por inepta que é. 7º inciso XXIX da CF e art. do artigo 295 e artigo 301. por qualquer motivo. requer que seja aplicada a regra da prescrição qüinqüenal. Sendo assim. não mostra ou comprova qual foi o dano experimentado pelo Autor. não se traz o pedido específico somente pleiteando o pagamento de verbas rescisórias não existindo assim observância da regra do art. Assim. Caso não seja aceita. a peça ser apreciada sem ser declarada sua inépcia. do Código de Processo . no que pertine ao supostos danos pleiteados. a prescrição bienal. o nexo de causalidade e o dano demonstra o caráter aventureiro da ação. que obriga trazer de forma simples mas objetiva o dissídio de que resulta o pedido. 11 . XXIX . No que se refere ao pedido de verbas rescisórias a peça não traz quais são os pedidos que efetivamente o Reclamante quer a condenação. No tocante ao dano moral pedido. Pedir dano moral simplesmente por pedir sem mencionar expressamente a conduta. o autor tenta se valer de um evento ocasionado por um ato entre terceiros para pleitear dano moral.ação. mas que houve recusa na assinatura no termo de aviso. com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais. de 5. 11 da CLT. portanto. inciso III.em cinco anos para o trabalhador urbano.Art. Além de não demonstrar o dano. CLT . sua gravidade. o nexo causal.658. quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho. requer a declaração da prescrição bienal ou quinquenal ante a regra do art. até o limite de dois anos após a extinção do contrato INÉPCIA DA INICIAL A Reclamação Trabalhista não deve prosperar visto que a petição inicial encontra-se eivada de diversas mentiras e absurdos que serão desmascaradas no curso do processo e que trazem vícios processuais insanáveis não podendo. até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho.2 Tendo em vista a data de ajuizamento ter sido após o lapso temporal de 2 (dois) anos contados da data da rescisão do contrato de trabalho requer que seja aplicada a prescrição ao caso concreto.O direito de ação quanto a créditos resultantes das relações de trabalho prescreve: (Redação dada pela Lei nº 9. 840 §1º da CLT. A inicial é inepta.1998) I .6. inciso I. No pedido e na causa de pedir. Convém lembrar que o Reclamante em nenhum momento narra na inicial ou mesmo faz o pleito de afastamento da justa causa que foi efetivamente aplicada e que o Reclamante sabia de sua existência. nos termos do parágrafo único.

uma vez que os pedidos formulados pelo demandante são juridicamente impossíveis pelos motivos apontados nesta contestação. 482 alíneas “b”. com as conseqüências que este fato ocasionam. “h” e “j” da CLT foi o Reclamante demitido por JUSTA CAUSA. ameaçou de lesões físicas outro colega de trabalho e causou prejuízos financeiros à empresa conforme se demonstrará. . Isto posto. Por ter ocorrido as hipóteses previstas no art. O fato ocorreu por volta de 8:00 h da manhã quando o Reclamante iniciou discussão verbal com seu colega de trabalho Sr. causando constrangimento no ambiente de trabalho comportou-se de modo violento. Além disso. O pedido deve ser certo e determinado. pois o Reclamante passou a agredir verbalmente o cozinheiro chegando até a lhe ameaçar fisicamente com uma faca. DO SALÁRIO E DA DATA DE ADMISSÃO E DA DATA DE AFASTAMENTO O Reclamante foi admitido na empresa como assistente de cozinha com o salário da categoria. fato que levou a colega ao hospital. João por motivos fúteis. O reclamante além de ofender e agredir verbalmente um colega de trabalho. Daí em diante a discussão que se seguiu foi de baixo calão. O Reclamante foi demitido no dia 30/09/2008. pertinente ao “pedido” de verbas rescisórias e dano moral. sequer comprovou-se a sua existência. razão pela qual reitera o seu pedido de indeferimento da inicial. Conforme se verifica da peça esta além de não demonstrar o fato danoso nem a data de sua ocorrência. indisciplina além de ferir de forma culposa uma colega de trabalho. mas este se recusou a assinar a Carta Aviso. por justo motivo. dando causa à sua demissão. não se encontrando qualquer possibilidade de deferimento com base apenas na causa de pedir que também é genérica. Os motivos da justa causa foram comunicados ao Reclamante. Antes de ir embora o Reclamante de forma negligente ainda causou lesões leves no pé de outra colega de trabalho jogando uma faca a ermo. DO MODO DA RESCISÃO O Reclamante teve seu contrato rescindido por justa causa no dia 30/09/2008 uma vez que na manhã do dia 29/09/2008 cometeu graves atos de mau procedimento.3 Civil. requer a extinção do processo com a declaração de inépcia da inicial com a condenação do Reclamante nas custas processuais.

está condicionado à demonstração da culpa em sentido amplo do autor da lesão a direito subjetivo de outrem. O FGTS se encontra regularmente depositado. pela desobediência de regra contratual ou por inobservância de um preceito normativo que regula as relações sociais. não podendo o Reclamante fazer seu saque tendo em vista a JUSTA CAUSA aplicada. o saldo salarial de setembro de 2008. por ação ou omissão. Nele. o dever de reparar o dano tem suporte na teoria da culpa. representando o seu elemento subjetivo. a obrigação de indenizar está submetida a alguns requisitos. DAS VERBAS DEVIDAS As verbas rescisórias decorrentes do término do contrato de trabalho foram pagas na data da demissão. a fim de evitar danos a outrem que de maneira alguma concorreu para o resultado lesivo.4 DA RESCISAO E DA RECUSA DO RECLAMANTE EM RECEBER AS VERBAS RESCISÓRIAS Conforme carta aviso o Reclamante estava sendo avisado da motivação da rescisão e sendo-lhe avisado que somente teria direito ao saldo de salários do mês de setembro de 2008. do dano. verba que este efetivamente recebeu. DA RESPONSABILIDADE CIVIL . A exteriorização ou elemento objetivo da conduta é . dano provocado à vítima e a culpa do agente. deve reparar o dano provocado na vítima. cuja falta pode ensejar a inexistência de tal dever. até mesmo porque não existem verbas suplementares a pagar ao Reclamante. A sociedade tem expectativa na observância do dever geral de emprego de diligência na prática de atos. O comportamento humano relevante para a responsabilidade civil é a conduta voluntária. O artigo 186 do Código Civil estabelece que aquele que. O dever de reparar exige uma ação ou omissão do agente violador da norma ou do contrato. ou seja. ainda que tão-somente de cunho moral. não cabe a aplicação de qualquer multa de mora. Depreende-se que o dispositivo retrocitado adotou a responsabilidade civil subjetiva. mas porque poderia receber as verbas existentes opondo ressalvas. quais sejam: ação ou omissão do agente. A conduta é o primeiro pressuposto da responsabilidade civil. ante a recusa injustificada do Reclamante em assinar a carta. causar prejuízo a outrem.PRESSUPOSTOS DA CONDUTA DA RECLAMADA A responsabilidade civil pode surgir pelo descumprimento obrigacional. conseqüentemente. Infere-se que a conduta culposa representa a ausência de cautela necessária motivadora do ilícito e. não só porque havia a alegação de justa causa. relação de causalidade. isto é. ou seja. A recusa do Reclamante em assinar a carta é injustificada. Desta forma. É tal regra de direito material que orienta o deslinde da presente Reclamação. Aos casos em que é aplicada.

Trata-se da relação identificada no plano fático e que vincula a conduta (ação ou omissão) do agente ao resultado danoso imposto à vítima. fato que foi expressamente mencionado na carta aviso que este se recusou a assinar. Por fim. Certamente que a omissão não altera fisicamente a realidade. mas adquire relevância jurídica quando o agente tem o dever jurídico de agir no sentido de evitar um resultado danoso. p. o Reclamante pleiteia dano moral com base na falta de aviso da justa causa. A obrigação e agir ou o dever jurídico originário decorre da lei. Nenhuma demonstração ou argumentação foi feita comprovando o que a Reclamada poderia ter feito para evitar o infortúnio vivenciado pelo Reclamante. . Igualmente. 2003. Direito Civil: responsabilidade civil. ed. de negócio jurídico ou de conduta anterior do próprio agente ao criar um risco determinado. 88). Evidencia-se a partir da não-realização de ato que por lei contrato estava o agente obrigado a praticar. ou seja. A omissão é um comportamento negativo do agente. uma atuação no sentido de fazer algo. isto é. NEXO DE CAUSALIDADE O segundo pressuposto da responsabilidade civil é o nexo ou relação de causalidade (Sílvio de Salvo Venosa. a omissão revela-se não apenas no "non facere" relevante para o direito. a omissão é caracterizada quando o agente não impede a ocorrência do evento naturalístico específico a que estava obrigado a evitar. um comportamento negativo do agente. para se atribuir responsabilidade civil há de existir sempre uma conduta seja ela positiva (um fazer) ou negativa (um não fazer). mas na atuação diversa daquela a que o agente estava obrigado. A outra forma de conduta voluntária é a omissão. a omissão resta configurada também na hipótese do agente realizar ato diverso daquele a que estava obrigado. um movimento corpóreo comissivo ou positivo. Ao alegar responsabilidade da Reclamada por suposto dano deveria o Reclamante demonstrar qual a responsabilidade da Reclamada ou o que a Reclamada fez ou deixou de fazer. Como é de seu ônus deveria a Reclamante demonstrar qual a causa e efeito da conduta das ações ou omissões da Reclamada para com o evento o que não foi feito. Como já se colocou. Até o presente momento não foi demonstrado quais foram as alegadas expressões racistas no ambiente de trabalho e se foi alguém no exercício do poder da empresa que tratou o Reclamante com desrespeito. São Paulo: Atlas. 3. Os fatos demonstram que foi o Reclamante quem causou tal conflito e sendo assim não há que se falar em conduta da Reclamada. De qualquer forma. de alteração física da realidade.5 ordinariamente manifestado pela ação. Ora. É um nexo de causa e efeito que o sistema jurídico reconhece no plano objetivo. a alegada dinâmica dos fatos narrados não demonstram que existiu uma conduta da Reclamada que deu causa ou foi concausa da relação conflituosa entre o Reclamante e o outro funcionário.

que é obrigado a comprová-los. O dano emergente ou dano positivo é a efetiva diminuição do patrimônio da vítima verificado até o momento da prática do ato ilícito. subsidiariamente. que é composto pelo dano emergente e lucro cessante. sempre visando o restabelecimento ao estado anterior ao ato ilícito. 767 da CLT. 1-5). Não há provas do dano moral do Autor. há substituição do bem da vida violado por outro da mesma espécie. o que se admite por mera cautela. a Reclamada requer a compensação das parcelas que foram pagas. sob pena de enriquecimento ilícito ou sem causa. ou seja. COMPENSAÇÃO Na hipótese de qualquer condenação. Em momento algum a Autora conseguiu mostrar o dano pedido. na forma do art. São Paulo: J. Passa a contestar os pedidos: . fato censurado pelo sistema jurídico (Ronaldo Alves de Andrade. desincumbindo-se do ônus da prova. coerente com o princípio da restituição integral ("restitutio in integrum"). É o prejuízo futuro da vítima. O dever de reparar somente será configurado pela existência inequívoca de dano efetivo experimentado pela vítima. DA CULPA EXCLUSIVA DO RECLAMANTE Os fatos experimentados pelo Reclamante decorreram de sua própria culpa ou de sua própria predisposição. Dano Moral à pessoa e sua valoração. ensejando a substituição do bem da vida agravado pela lesão por uma determinada quantia em dinheiro. o seu correspondente em dinheiro. A Reclamação trabalhista. a par do nexo causal. nos termos do artigo 331. Incumbe-se a comprovação e a demonstração efetiva do dano moral suportado por aquele que promove ação indenizatória. A indenização corresponderá ao bem atingido ou. do Código de Processo Civil. de Oliveira. apesar de mencionar a existência de duas espécies de danos distintos deixa de comprovar categoricamente a ocorrência de qualquer deles.6 DA INEXISTENCIA DE DANO MORAL E MATERIAL O terceiro e mais destacado pressuposto da responsabilidade civil é o dano. O lucro cessante ou dano negativo corresponde à dimensão patrimonial que a vítima deixou de ganhar em razão do ato lesivo. Não há que se falar em responsabilidade da Reclamada quando o próprio Reclamante é quem causou conflitos dentro do ambiente de trabalho que lhe geraram o término da relação de emprego. A reparação do dano material pode decorrer pela via natural. 2000. Não há que se falar em ressarcimento ou reparação sem a ocorrência de um dano. A lesão aos bens aferíveis economicamente e pertencentes a qualquer sujeito de direito caracteriza o dano patrimonial ou material. não bastando alegá-los. Entretanto. em alguns casos a reparação natural torna-se impossível. Identifica-se o dano emergente com a mera aferição da redução ou perda material em razão do ato ilícito. p. para evitar o enriquecimento ilícito do Reclamante.

sem receio de errar. pode-se concluir. a qual requer a manutenção. os valores referente ao FGTS foram todos depositados na conta vinculada e nas épocas próprias. FGTS: o FGTS é indevido. a qual requer a manutenção. em favor do empregado. o § 8o estabelece a condenação em multa. Referida parcela já foi devidamente paga. como se pode impor ao empregador o pagamento de uma multa por atraso no pagamento das verbas rescisórias cuja obrigação sequer estava definida? A conclusão lógica é de que não há nada devido. o Melhor explicando. em seu § 6o "a" e "b". que inexiste prazo vencido para o pagamento das verbas rescisórias. De qualquer forma não tem como prosperar o pedido da multa prevista no § 8 do artigo 477 da CLT. não existe valor a pagar. 13º salário: Tal verba é indevida pela aplicação da Justa causa. até porque a existência ou não do modo como se procedeu a rescisão do contrato não foi julgada. MULTA DE 40%: Não é devida pela justa causa. em caso de inobservância do disposto no referido § 6o. a qual requer a manutenção. encontrando-se sub judice. Apenas por amor aos debates. se o empregado vai a juízo pleitear a inexistência de Justa Causa e a devida indenização. a qual requer a manutenção. posto que não se pode atribuir qualquer mora à Reclamada. bem assim. Desse modo.7 a) parcelas pleiteadas Saldo de Salários de Setembro de 2008. Mesmo sem enveredar pelo mérito do pleiteado. Aviso prévio: Tal verba é indevida pela aplicação da Justa causa. MULTA DO ART. conforme se demonstra pelo recibo em anexo. Férias proporcionais: Tal verba é indevida pela aplicação da Justa causa. a não ser após o trânsito em julgado de decisão em ação que o empregado venha a ajuizar e que eventualmente lhe seja favorável. o prazo para o pagamento destas começaria a fluir a partir do momento em que a sentença de condenação tivesse transitado em julgado e não a partir da data que o Reclamante entende que seja a data correta. . o artigo 467 e 477 ambos da CLT. 477 E 467 DA CLT Como já se demonstrou não existiam quaisquer verbas a pagar na data de 30 de setembro de 2009 que não o saldo salarial que foi devidamente pago. supondo que tais verbas fossem devidas. dispõe sobre os prazos para pagamento das verbas rescisórias.

Nestes termos. ao tempo em que requer provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos. Taguatinga... requer-se de Vossa Excelência que se digne julgar totalmente improcedentes os pedidos da presente Reclamatória. Pelo exposto. condenando-se o Reclamante ao pagamento das custas processuais e demais cominações legais.8 Ou seja. sob pena de confissão. ADVOGADO . havendo controvérsia quanto à forma da rescisão não há como se condenar na multa de mora. . Dano moral Inexiste direito ao pleito de dano moral ante a inexistência de qualquer causa que tenha gerado o direito na forma da fundamentação já esposada. Honorários advocatícios Na forma da Súmula 219 do TST descabe a condenação em honorários advocatícios na Justiça do Trabalho quando o Reclamante é representado por advogado particular. Pede deferimento. o depoimento pessoal do Reclamante. DF . notadamente. 25 de abril de 2011.. oitiva de testemunhas e juntada de novos documentos..