Manual Merck - Saúde Para a Família

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Orientação para o leitor
O Manual Merck de Informação Médica – Saúde para a Família está organizado de forma a facilitar seu uso. Os tópicos de interesse podem ser localizados rapidamente, bastando consultar o o Sumário ou índice, porém só o entendimento da organização das seções e dos capítulos é que ajudará o leitor a navegar pelo livro e a encontrar o máximo de informações.

Seções O livro está dividido em seções. Algumas seções englobam órgãos pertencentes a sistemas, como o olho, a pele ou o coração e os vasos sangüíneos. A organização por seções significa que as informações relacionadas estão próximas. Por exemplo, na seção sobre Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos, a apresentação da aterosclerose é imediatamente seguida pela da doença da artéria coronária, que é causada pela primeira. Outras seções correspondem a especialidades médicas, como distúrbios hormonais ou doenças infecciosas. Três seções separadas abrangem tópicos da saúde dos homens, das mulheres e das crianças. A maioria das seções dedicadas a um órgão pertencente a um sistema começam com um capítulo que descreve a estrutura e o funcionamento do órgão. A leitura de como funciona o coração ou o exame das ilustrações do coração, por exemplo, poderão tornar mais compreensível um distúrbio cardíaco específico. Muitas seções também incluem um capítulo que descreve os exames médicos utilizados no diagnóstico das doenças discutidas na seção em questão. A leitura sobre a doença da artéria coronária pode encaminhar o leitor para o capítulo que descreve os exames e os testes, como o cateterismo cardíaco, utilizado no diagnóstico das doenças do coração. Capítulos Alguns capítulos descrevem exclusivamente uma doença, como a osteoporose. Outros capítulos englobam doenças ou distúrbios correlacionados, como os distúrbios da medula espinhal. Qualquer que seja o caso, a discussão em geral começa com uma definição da doença ou do distúrbio, impressa em itálico. Freqüentemente, a informação que se segue está organizada sob títulos, como causas, sintomas, diagnóstico, prevenção, tratamento e prognóstico. Palavras em negrito no corpo do texto indicam tópicos de grande importância. Alguns capítulos abrangem um sintoma ou problema causado por uma doença. Por exemplo, um capítulo na seção sobre Distúrbios da Pele discute a coceira e suas muitas causas. No entanto, mais informações sobre as causas específicas da coceira podem ser encontradas em outras páginas do livro. Um capítulo na seção sobre Distúrbios da Nutrição e do Metabolismo explica os modos complexos pelos quais o corpo mantém seu equilíbrio ácido-básico e as muitas causas e conseqüências de um equilíbrio anormal. Termos Médicos Com freqüência, são fornecidos termos médicos, habitualmente entre parênteses, em seguida ao termo leigo. Na página xxv há uma lista de prefixos, raízes e sufixos utilizados na terminologia médica. Essa lista pode ajudar a levantar o véu de mistério que paira sobre o vocabulário polissilábico da medicina. Anotações O livro contém muitos quadros e ilustrações para reforço. Essas anotações ajudam a explicar o conteúdo no corpo do texto ou fornecem informações adicionais correlacionadas ao assunto. Informação sobre Medicamentos

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A seção sobre Medicamentos, que começa na página 25, fornece informações abrangentes sobre as drogas farmacológicas. As drogas individuais são quase sempre citadas por seus nomes genéricos, e não pelos nomes de marca comercial. O livro não fornece doses de medicamentos, porque as doses podem variar bastante, dependendo de circunstâncias individuais. Fatores como idade, sexo, peso, altura, presença de mais de uma doença e uso de outros medicamentos modificam o que constitui uma dose eficaz e segura. Portanto, a dose de um medicamento, bem como a escolha do medicamento, devem sempre ser planejadas “sob medida” para cada pessoa. Exames e testes diagnósticos são mencionados em todo o livro. Habitualmente, é fornecida uma explicação na primeira vez que o teste é mencionado em um capítulo. Além disso, o Apêndice II lista muitos exames laboratoriais e de diagnóstico comuns, explica para que eles são utilizados e fornece referências cruzadas acerca de onde podem ser encontradas, no texto, as principais discussões sobre eles.

Seção - Compreendendo os termos médicos
À primeira vista, a terminologia médica pode parecer com uma língua estrangeira. Mas freqüentemente, a chave para a compreensão dos termos médicos consiste em concentrarmo-nos em seus componentes (prefixos, raízes e sufixos). Exemplificando, espondilólise é uma combinação de “espondilo”, que significa vértebra, e “lise”, que significa dissolver ou degenerar. Portanto, espondilólise significa dissolução ou degeneração de uma vértebra. Os mesmos componentes são utilizados em muitos termos médicos. “Espondilo” mais “ite”, que significa inflamação, forma espondilite, uma inflamação da vértebra. O mesmo prefixo acrescido de “malacia”, que significa macio, forma espondilomalacia, um amolecimento das vértebras. Saber o significado de um pequeno número de componentes pode ajudar o leitor na interpretação de grande número de termos médicos. A lista a seguir define muitos prefixos, raízes e sufixos médicos de uso comum.

a(n) acou, acu aden(o) aer(o) alg ancil(o) andr(o) angi(o) ante anter(i) anti arteri(o) articul artr(o) ater(o) audi(o) aur(i) aut(o) bi, bis bradi braqui buc(o) carcin(o) cardi(o) cefal(o) cerebr(o) cervic

ausência de ouvir glândula ar dor entortado, encurvado homem vaso antes frente, para a frente contra artéria articulação, junta articulação, junta gorduroso audição, escutar orelha o próprio dobro, duas vezes, dois lento curto bochecha câncer coração cabeça cérebro pescoço

infra inter intra ite lact(o) lapar(o) latero leuc(o) lingu(o) lip(o) lis(e) mal malac mam(o) mast(o) megal(o) melan(o) mening(o) mi(o) mic(o) miel(o) nas(o) necr(o) nefr(o) neur(o) nutri ocul(o)

por baixo entre dentro inflamação leite flanco, abdômen lado branco língua gordura dissolver mau, anormal mole seio, mama seio, mama grande negro membranas músculo fungo medula nariz morte rim nervo nutrição, nutrir olho

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cian(o) circum cist(o) cit(o) col(e) condr(o) contra corpor cost(o) crani(o) cri(o) cut datil(o) dent derm(ato) dipl(o) dis

azul em torno de, nas proximidades vesícula, bexiga célula bile, ou referente à vesícula biliar cartilagem contra, em oposição corpo costela crânio frio pele dedo da mão ou do pé dente pele duplo ruim, defeituoso, anormalidade cromossômica

odin(o) oftalm(o) oma onc(o) oofor(o) opia opsia orqui(o) ose osse(o) oste(o) ot(o) pat(o) ped(o) penia peps, pept peri piel(o) pir(o) plastia pleg(ia) pnéia pneum(ato) pneumon(o) pod(o) poe, poie poli post poster(i) presbi proct(o) pseud(o) psic(o) pulmon(o) ragi raqui(o) rêi, réia ren(o) rin(o) scopia scópio somat(o) stom supra taqui terap term(o) tomia torac(o)

dor olho tumor tumor ovários visão exame testículos condição osso osso ouvido doença criança deficiente, falta de digerir em torno de pelve renal febre, fogo reparo paralisia respiração respiração, ar pulmão pé fazer, produzir muita coisa, muitos depois por trás, atrás idoso ânus falso mente pulmão romper, explodir espinha fluxo rim nariz exame instrumento corpo boca, abertura acima rápido, veloz tratamento calor incisão (operação por corte) peito

dors ectomia emia encefal(o) end(o) enter(o) epi eritr(o) esclero(o) espondil(o) esteat(o) esten(o) estet(o) eu extra fag(o) faring(o) farmaco fleb(o) fobi(a) gastr(o) gen gin glic(o) gloss(o) gram, graf hem(ato) hemi

costas excisão (remoção por corte) sangue cérebro dentro intestino de fora, superficial, sobre vermelho duro vértebra gordura estreito, comprimido peito normal fora, externo, além de comer, destruir garganta droga veia medo estômago que se torna, origina mulher doce, ou referindo-se a glicose língua escrever, registrar sangue metade

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hepat(o) hidr(o) hiper hipo hist(o) hister(o) iatr(o)

fígado água excessivo, alto deficiente, baixo tecido útero doutor, médico

tox(i) tromb(o) uria vas(o) ven(o) vesic(o) xer(o)

veneno coágulo, calombo urina vaso veia vesícula, bexiga seco

Seção - Prefácio
O Manual Merck de Informação Médica - Saúde Para a Família foi publicado para satisfazer a demanda crescente do público leigo por informações médicas sofisticadas e altamente detalhadas. Este livro baseia-se quase que inteiramente no texto do Manual Merck de Diagnóstico e Terapia, comumente denominado Manual Merck. Publicado pela primeira vez em 1899, o Manual Merck é a primeira obra de medicina geral que vem sendo editada continuamente em língua inglesa. É também amplamente utilizada no mundo. Abrange praticamente todas as doenças que afetam os seres humanos, tanto em especialidades – incluindo a pediatria, a ginecologia e obstetrícia, a psiquiatria, a oftalmologia, a otorrinolaringologia, a dermatologia e a odontologia – quanto em situações especiais como as queimaduras, os distúrbios pelo calor, as reações e lesões causadas pela radiação e as lesões esportivas. Nenhum outro texto médico abrange uma faixa tão ampla de distúrbios. Durante as últimas duas décadas, foram publicados muitos livros com o intuito de suprir a necessidade do público em geral por informações médicas. Ao mesmo tempo, o Manual Merck era cada vez mais vendido para uso pessoal, apesar dele não ser direcionado a esse público. Chegamos então à conclusão de que as pessoas que desejam compreender os problemas médicos querem ter acesso às mesmas informações que os médicos têm. Isso nos levou a adaptar o Manual Merck a uma linguagem que o público em geral pudesse compreender. O Manual Merck de Informação Médica – Saúde para a Família contém quase todas as informações contidas no Manual Merck. Algumas informações, como as descrições de sopros cardíacos e o aspecto de tecidos doentes ao microscópio, não foram incluídas porque os leitores leigos provavelmente não escutarão os sopros cardíacos nem examinarão amostras de tecidos. Alguns detalhes do tratamento medicamentoso também foram omitidos, pois a escolha de drogas e as instruções referentes às dosagens variam muito em situações específicas, de modo que essas informações não podem ser fornecidas de maneira confiável. Entretanto, é oferecida uma boa quantidade de informações sobre o tratamento de cada doença discutida, além de um capítulo sobre drogas não controladas (de venda livre) na seção sobre medicamentos. Em cada seção, foram adicionadas visões gerais da anatomia e da fisiologia para orientar os leitores sobre a estrutura e a função de órgãos específicos. Foram mantidas as informações detalhadas sobre as doenças, suas causas, seu reconhecimento e seu tratamento. A dura realidade relacionada às doenças incuráveis e os riscos dos tratamentos também não foram abrandados. Este manual apresenta a realidade do que uma doença pode produzir e o que a medicina moderna pode realizar. A força desta obra reside no conhecimento, na experiência e no julgamento de nossos excepcionais autores, consultores e membros do conselho editorial. Seus nomes estão listados nas páginas seguintes ao Sumário. Eles são dignos de um agradecimento que não pode ser adequadamente expresso aqui. Mas sabemos que eles se sentirão suficientemente recompensados se seus esforços satisfizerem as necessidades do leitor. Assim como o Manual Merck, esta obra foi editada pela Merck Research Laboratories. O formato e a seqüência deste livro apresentam características únicas. Solicitamos aos leitores que despendam alguns minutos na leitura do Orientação para o Leitor (p.xxiii), do Sumário e do Índice. Um exame dos capítulos de cada seção, do título de cada capítulo e dos termos em negrito revelará um padrão de destaque destinado a auxiliar os leitores a localizarem as informações de uma maneira rápida e fácil. As referências cruzadas auxiliam no direcionamento dos leitores a informações adicionais. Nenhum livro pode substituir a experiência e o aconselhamento de profissionais da saúde que têm um contato direto com o paciente. O Manual Merck – Saúde para a Família não pretende fazê-lo nem tem a intenção de ser um livro de auto-ajuda. Ao contrário, apenas esperamos que as informações médicas que ele fornece auxiliem os leitores a se comunicarem de maneira eficiente com seus médicos e, como

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conseqüência, que compreendam melhor as situações e as escolhas. Sugestões para melhorias do texto são muito bem-vindas e serão consideradas com atenção.

Seção - Colaboradores
Hagop S. Akiskal, M.D. Professor de Psiquiatria, University of California at San Diego Depressão e Mania James K. Alexander, M.D. Professor de Medicina, Baylor University Embolia Pulmonar Chloe G. Alexson, M.D. Professor de Pediatria, University of Rochester Defeitos Congênitos Roy D. Altman, M.D. Professor de Medicina e Chefe (em Exercício) de Artrite, University of Miami; Diretor de Pesquisa Clínica, Pesquisa Geriátrica e Centro Clínico de Educação, Miami VA Medical Center Doença de Paget dos Ossos Karl E. Anderson, M.D. Professor de Medicina Preventiva e Saúde da Comunidade, Medicina Interna e Farmacologia e Toxicologia, The University of Texas Medical Branch at Galveston Porfirias Brian R. Apatoff, M.D., Ph.D. Professor Assistente de Neurologia, Cornell University; Diretor do Centro de Tratamento e Pesquisa Clínica da Esclerose Múltipla, Departamento de Neurologia e Neurociências, The New York Hospital–Cornell Medical Center Esclerose Múltipla e Distúrbios Relacionados Noel. A. Armenakas, M.D. Professor Clínico Assistente, Cornell University; Médico em Exercício, The New York Hospital –Cornell Medical Center e Lenox Hill Hospital Lesão ao Trato Urinário Hervy E. Averette, M.D. Professor de Oncologia Clínica na American Cancer Society e Professor e Diretor da Sylvester, Divisão de Oncologia Ginecológica, Sylvester Comprehensive Cancer Center, University of Miami Cânceres do Sistema Reprodutivo Feminino Zuhair K. Ballas, M.D. Professor de Medicina Interna, University of Iowa Biologia do Sistema Imune John G. Bartlett, M.D. Professor de Medicina e Chefe da Divisão de Doenças Infecciosas, Johns Hopkins University Pneumonia; Abcesso Pulmonar Mark H. Beers, M.D. Editor Associado do MANUAL MERCK; Professor Clínico Associado de Medicina, Allegheny University of the Health Sciences Anatomia; Envelhecimento do Corpo Robert Berkow, M.D. Editor-Chefe do MANUAL MERCK; Professor Clínico de Medicina e Psiquiatria, Allegheny University of the Health Sciences Placebos; Distúrbios Psicossomáticos; Distúrbios Somatoformes Richard W. Besdine, M.D. Professor de Medicina e Diretor, Travelers Center on Aging, University of Connecticut; Diretor do Health Standards and Quality Bureau e Chefe-Médico da Health Care Financing Administration Medicamentos e Envelhecimento John H. Bland, M.D. Professor de Medicina– Reumatologia (Emérito), University of Vermont Osteoartrite M. Donald Blaufox, M.D., Ph.D. Professor e Chefe de Medicina Nuclear, Albert Einstein College of Medicine Lesão por Radiação Phillip K. Bondy, M.D. Professor de Medicina (Aposentado), Yale University Sistema Endócrino e Hormônios; Distúrbios das Glândulas Adrenais; Síndrome da Deficiência Poliglandular Roger C. Bone, M.D. Professor de Medicina, Rush University; Presidente e CEO, Medical College of Ohio Bacteremia e Choque Séptico Sallyann M. Bowman, M.D. Professor Associado de Medicina Clínica, Allegheny University of the Health Sciences Distúrbios do Estômago e do Duodeno Thomas G. Boyce, M.D. Epidemiologista Médico, Centros de Controle e Prevenção da Doença Gastroenterite

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M.D. University of Illinois at Chicago Lesões por Eletricidade John K.R.. Crane. Chefe dos Serviços de Trauma (Emérito). Tutor Sênior. Diretor. Vice-Presidente Sênior.D.D. Merck Research Laboratories Genética Alan S.Lewis E. Professor de Medicina e Professor Pesquisador de Bioquímica. Insuficiência Renal. Burke. Massachusetts General Hospital Queimaduras Ronald W.D. Professor Clínico Associado de Cirurgia. M. Harvard University. Freeman Hospital Ritmos Cardíacos Anormais John Caronna.D.D.D.P. Cutler. Professor de Medicina.D. M. Dean. University of Newcastle upon Tyne. Professor de Medicina. M.D. Infecções do Trato Urinário David C. University of California at Irvine. University of Massachusetts Medical Center Distúrbios da Glândula Tireóide Peter C. Harvard University Síndromes de Neoplasia Endócrina Múltipla Anne L. Campbell. VA Medical Center. Bellevue Hospital Bronquiectasia e Atelectasia Norman L. Boston University Amiloidose Robert B. Chefe Associado de Psiquiatria. Distinguished Professor de Medicina. St. Médica em Exercício. Distúrbios dos Vasos Sangüíneos dos Rins. Professor de Cardiologia da British Heart Foundation. M. East Tennessee State University. Brown. M. Boston University Infecções Fúngicas 6 .. Instrutora em Medicina. Professor de Medicina e Farmacologia. Professora Associada de Medicina Clínica. Geriatra-Pneumologista.Presidente Assistente da Richard Laylord Evans. Keesler Medical Center (USAF) Distúrbios da Boca e dos Dentes Sidney Cohen.D. Albert Einstein College of Medicine. M. Dale. Cohen.D. Stamford Distúrbios Venosos e Linfáticos Richard D. M. M. Chefe de Psiquiatria. University of Wisconsin at Madison Distúrbios Metabólicos e Congênitos dos Rins George R. Cornell University. Brazy. Temple University Distúrbios do Esôfago Eugene L. M.D. Professor de Medicina e Fisiologia e Diretor da Divisão de Endocrinologia. State University of New York at Buffalo Infecções Bacilares (Gramnegativas) Ralph E. Residência de Odontologia Geral.. Neurologista em Exercício.D. Braverman. Professor Assistente de Medicina. Thomas Caskey. Mountain Home VA Medical Center Sexualidade e Distúrbios Psicossexuais John F. Professor de Cirurgia do Helen Andrus Benedict. D. F. Pettis Memorial VA Medical Center Sistema Reprodutivo do Homem. Chefe da Medicina Interna. Centro de Ciências da Saúde. Daly. Professora Associada de Medicina de Emergência. Ch. F.D. M. Loma Linda University.B. Harvard University. M. Nefrite. M.. University of Washington Infecções em Pessoas com Defesas Comprometidas Patricia A.D. F. Ph. Long Beach Exames Médicos Comuns Mary Ann Cooper. Cohen.E. M. Diamond. Divisão de Serviços da Saúde. Professor de Medicina. Joseph’s Hospital. M. Biologia dos Rins e doTrato Urinário. Chefe de Nefrologia. M. Coodley.D.C.S. Professor de Neurologia Clínica.D. Cirurgião Associado em Exercício. North Carolina Department of Corrections Quase Afogamento Ronald Dee.D.D. M.B. Davis. M. Consultor Cardiologista Honorário.D.C. The New York Hospital– Cornell Medical Center Acidente Vascular Cerebral e Distúrbios Relacionados C. M. New York University. M. Professor de Medicina e Vice.

Drossman. M. M. Diretor do Chestnut Lodge Research Institute Esquizofrenia e Distúrbios Delirantes Michael R. Harvard University Distúrbios da Saúde Mental David Eidelberg. Professor de Farmácia Clínica e Deão de Farmácia. M. Kenneth Pye Professorship. M. M. Fowler. M. Trabalho de Parto e Nascimento do Bebê. M.D.D. M. Drazen.. Professor de Obstetrícia e Ginecologia (Emérito). Dilts.D. M. Diretor do Programa de Transplantes de Células-Tronco.D. Professor de Medicina. Professor de Medicina e Psiquiatria. Fajans. University of Rochester Problemas do Desenvolvimento em Crianças Novas (Problemas do Comportamento. Complicações do Câncer. Scripps Clinic and Research Foundation Distúrbios dos Olhos Steven M. M. Complicações da Gravidez. Mount Sinai Hospital.Preston V. Problemas Alimentares. Nova York Distúrbios Mieloproliferativos Glen O. University of Missouri at Kansas City Sistema Reprodutivo da Mulher. Período Pós. University of North Carolina at Chapel Hill Biologia do Sistema Digestivo. Gravidez. M. Professor de Psiquiatria Infantil. Fobias. Pesquisador de Câncer da Patsy R. Mayo Clinic Distúrbios do Pâncreas George E. Pharm. Professor Clínico Associado de Pediatria. Philadelphia College of Pharmacy and Science Alguns Nomes Comerciais de Drogas Genéricas Jeffrey M.D. Professor de Obstetrícia e Ginecologia e Professor de Genética Molecular e Humana. Brigham & Women’s Hospital Doenças Obstrutivas das Vias Aéreas (Asma) Douglas A. Foley. Harvard University.D. Diagnóstico de Câncer. Fruchtman.D. and Raymond D. Frenkel.D. Hiperatividade) Eugene P.D. The New York University– Cornell Medical Center Dependência e Adição às Drogas Robert H.D. M. Dukarm.D. Hipoglicemias Wayne S. Departamento de Medicina. Francis. University of California at San Francisco Hanseníase Ray 7 . Jr. Diretor do Centro de Distúrbios do Movimento. North Shore University Distúrbios do Movimento Sherman Elias. Jr. M. M. Problemas do Sono.D.Parto Eugene P..D. DiMagno. University of Rochester Puberdade e Problemas em Adolescentes Felton J. Phoenix Perinatal Associates Uso de Drogas Durante a Gravidez Noble O.D. Divisão de Hematologia. Exames Diagnósticos para os Distúrbios Digestivos. Professor de Medicina (Emérito).D.D. Indigestão Carolyn P.D. Diretor de Cirurgia da Córnea e Refrativa. Callaway Distinguished Professor The Menninger Clinic Aspectos Gerais dos Cuidados da Saúde Mental Marc Galanter. Problemas de Treinamento do Uso do Toalete. Gelber.D. Gabbard. Professor de Medicina da Parker B. Fenton. Diretor da Unidade de Pesquisa de Gastrenterologia. University of Michigan Diabetes Mellitus. Professor Emérito (Ativo) de Medicina Interna. Baylor University Testes para Distúrbios Genéticos Stefan S. Diretor de Terapia Intensiva Obstétrica e Diretor Associado de Medicina Materno-Fetal. Câncer e o Sistema Imune. Diretor Associado. Professor de Psiquiatria e Diretor da Divisão de Alcoolismo e Abuso de Drogas.D. The University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas Biologia do Sangue. Downs. Good Samaritan Regional Medical Center. M. Tratamento do Câncer Mitchell H. M.D. Diretor Médico do Chestnut Lodge Hospital. M. Anemias. Mayo Medical School. Complicações do Trabalho de Parto e do Nascimento do Bebê. Nasher Distinguished Chair e da A. M. Instrutor e Bolsista em Pediatria. Chefe da Divisão de Terapia Intensiva Pulmonar. Foye. Professor de Medicina Interna e Radiologia. University of Cincinnati Pericardite Howard R.Oncologia. Earls. M. Professor Clínico de Medicina e Dermatologia. Friedlaender. Obstetra e Ginecologista da Henry and Emma Meyer Chair.

The Center to Improve Care of the Dying Morte e Processo de Morte I. Guerrant. Doença das Montanhas Daniel A. Professor de Psiquiatria. Remington Philadelphia College of Pharmacy and Science Fatores que Afetam a Resposta aos Medicamentos Michael Jacewicz. Greist. University of Illinois at Chicago. University of Minnesota Distúrbios do Baço 8 . CEO.. M. Professor de Farmácia. University of Colorado Doença das Artérias Periféricas Barry Steven Gold.D. M. Chefe da Divisão de Hematologia. Houston. Ohio State University. Mercer Medical Center Tumores do Coração Joe Graedon. University of Wisconsin.. Hussar. Jay Goodkind. Ph.D. M. Professor Associado de Neurologia.D.D. M. Wayne State University at Detroit Menopausa. Durham. University of Virginia Infecções Bacilares (Gram. M. M.W.D. Harvard University. University of North Carolina at Chapel Hill. M. Infecções Bacilares (Gram-positivas) Charles S. Instrutora de Ciências da Saúde e Medicina. Hallett. Jacob. Inc. Harrold.D. Departamento de Medicina Interna. Professor Clínico de Medicina. M.D.D.D. Professor de Medicina (Emérito). Durham. Problemas Ginecológicos Comuns Robert A. Gifford. University of Vermont Distúrbios do Calor. M.. Sequus Pharmaceuticals. Diretor do Serviço de Distúrbios da Personalidade em Pacientes Ambulatoriais. Dean Foundation for Health. Cleveland Clinic Foundation Pressão Arterial Elevada (Hipertensão) Robert Ginsburg. M. Professor de Cirurgia. Graedon Enterprises. Ph. Chefe (Aposentado) do Departamento de Cardiologia. Hunter. Hoeprich. Lesões por Frio. Cientista Pesquisadora.D. University of Pennsylvania. Johns Hopkins University Mordidas e Picadas Venenosas M. M. M.D.D. Professor Clínico de Psiquiatria. University of California at San Francisco. Mayo Clinic Aneurismas e Dissecção da Aorta Joan K. The George Washington University. Hoekelman. North Carolina Medicamentos de Venda Livre John H. M. Professor de Medicina (Emérito). Jr. Distúrbios das Mamas Susan L. Professor Clínico Associado de Medicina. University of Rochester Infecção por Nematódeos Paul D. Infecções do Cérebro e da Medula Espinhal George Gee Jackson. M. Research and Education Distúrbios da Ansiedade Richard L. Distúrbios do Olfato e Paladar.O. Professora Assistente de Obstetrícia e Ginecologia.D. Professor Adjunto de Medicina.Negativas) John Gunderson. Professor de Medicina.S. Fraqueza Muscular. Cientista Sênior Ilustre.D. Craig Henderson. Professor Assistente de Medicina. Hendrix. D. M.D.D. Professor de Medicina Internacional da Thomas H. Professor de Medicina (Emérito). Graedon Enterprises. Consultor. University of California at Davis Infecções por Cocos.D. Inc. Inc.Chefe em Clark. M. Professor de Pediatria. University of Utah Infecções Virais Harry S. Conferencista. Jr. Professor de Medicina Interna. University of Tennessee Vertigem. M. North Carolina Medicamentos de Venda Livre Teresa Graedon. McLean Hospital Distúrbios da Personalidade John W..D. Professor de Medicina e Vice.

Professor de Medicina e Diretor Associado.D. M. University of Rochester Distúrbios Metabólicos. Korones. The New York Hospital–Cornell Medical Center Distúrbios Convulsivos Jules Y. Kluft. Labar.. Professor de Medicina (Emérito) em Regents e Professor de Oncologia (Emérito) em Masonic. Presidente e CEO.T. University of Minnesota Causas e Riscos de Câncer Thomas Killip. Diretor. Professor de Medicina.R.Presidente Executivo para Assuntos Médicos. Dean Foundation for Health. Chefe do Departamento de Medicina. Professor de Pediatria e Chefe da Neonatologia. Northwestern University Síndromes da Neoplasia Endócrina Múltipla Edward H. F. Professor de Medicina e Chefe da Seção de Doenças Infecciosas. M. Divisão de Medicina Geriátrica. M. Diretor do Comprehensive Epilepsy Center. University of Arizona Viagens Aéreas e Seus Problemas Médicos 9 .D.D. M. University of Wisconsin.C. Albert Einstein College of Medicine. Cutter. M.D. National Institutes of Health Distúrbios da Pele Donald Kaye. Lentino.D. Temple University Distúrbios Dissociativos Calvin H.A. University of Wisconsin at Madison Lesões pelo Mergulho Ruth A. Beth Israel Medical Center Doença das Artérias Coronárias Richard P. Lam.D. M. Crianças Doentes e Suas Famílias David N. Envenenamento em Crianças Harvey Lemont. East Carolina University Problemas em Recémnascidos e Lactentes. Research and Education Distúrbios da Ansiedade Nicholas Jospe. Professor e Diretor. Kennedy. Allegheny University Hospitals Drogas Antiinfecciosas B.P. Ph.D. M. M.. M. Professora de Pediatria. Krieger. Professor Clínico de Psiquiatria. D. Philadelphia College of Pharmacy and Science Adesão ao Tratamento por Medicamento Arthur E.D. Allegheny University of the Health Sciences. Professor de Urologia. M. M. Professor Associado de Pediatria.P. Ph.D. Knowlton. University of Rochester Recém-Nascidos e Lactentes Normais.M.D. M.Sc. Vice.. Pennsylvania College of Podiatric Medicine Problemas dos Pés Joseph R. St. Cientista Sênior (Emérito). Professor Associado de Farmácia. M. Ph. Cientista Sênior Ilustre. M. Louis University Impotência Harold S. M. Professor Associado de Medicina da Família e Comunidade.D. Professor Assistente de Pediatria. Medicina de Transfusão.D. Lawrence. Professor Clínico de Psiquiatria. University of Montreal. M. Distúrbios Hormonais Fran E. Katz. National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases. Jefferson. J. Ph.D. University of Rochester Cânceres da Infância John N. The University of Texas Southwestern Medical Center Transfusão de Sangue Stephen I. Professor de Medicina.D. Lanphier.P.D.D. Montreal Heart Institute Aterosclerose Lewis Landsberg.D. Professor e Chefe em Irving S.D. Departamento de Medicina Preventiva. Kopelman. M. M. M.D.D.James W..D.D.C. Hines VA Hospital Infecções Bacterianas Anaeróbias Daniel Levinson. M..D. Loyola University. University of Washington Distúrbios do Pênis. da Próstata e dos Testículos Douglas R. Kaiser. Kaplan. M. Obstetrícia e Ginecologia. (C) Professor Associado de Medicina.

Doenças Sexualmente Transmissíveis. Medicina de Transfusão.D. Divisão de Doenças Infecciosas. Professor de Medicina. Lief. Professor Clínico Associado de Pediatria. Professor de Ciências em Owen R. Johns Hopkins University. M. Equilíbrio Ácido-Básico Lawrence M. Infecções dos Ossos e das Articulações. Exercício e Aptidão Daniel R. M. P. London. Diretor.D. M.. M. Johns Hopkins Asthma and Allergy Center Reações Alérgicas Harold I. Professor de Medicina (Emérito).D.D.K. Mandell.D. McNeile Professor e Chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia. Liu.. M. Masi.. Chefe da Divisão de Doenças Infecciosas. Dr. Professora e Chefe do Departamento de Pediatria. Professor Assistente e Diretor Associado. M.D. Cheatham. M. University of Alabama at Birmingham Equilíbrio Hídrico.D.D. III. Infecções da Pele e do Tecido Subjacente.. Columbia Metrowest Medical Center Testes Diagnósticos para os Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Alvin M.D. M. Loudon. Infertilidade. Mishell. Professor Clínico de Psiquiatria. Distúrbios da Glândula Hipófise Elliot M. M. University of Virginia. M. Professor de Obstetrícia e Ginecologia. Professor e Chefe do Departamento de Otolaringologia. Presidente. Lewis. Mauer. Masson. London Health Sciences Centre. University of California at San Diego Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana. McAnarney. The University of Western Ontario. Articulações de Charcot Alfonse T. University of Southern California Planejamento Familiar W. University of Massachusetts. The George Washington University.H. Sarasota Memorial Hospital Câncer e Outros Crescimentos do Sistema Digestivo Robert G. Professor de Medicina e Diretor em Will and Cava Ross.D.D. Professor Assistente de Medicina e Diretor do Programa de Treinamento de Bolsas de Nefrologia.Robert I. Professor de Medicina. do Nariz e da Garganta Joanne Lynn. Medicina Pulmonar e Terapia Intensiva. Professor de Medicina.A.B. University of Virginia Health Sciences Center Biologia da Doença Infecciosa.. Lyle G.B.D. Professora de Ciências da Saúde e Medicina. The Center To Improve Care of the Dying Morte e Processo de Morte Gerald L. Geralyn M. M. Ph. The University of Texas Southwestern Medical Center Transfusão de Sangue Gabe Mirkin.D. Arthritis Institute. M. Wyeth-Ayerst Research Distúrbios do Colesterol e de Outras Gorduras James L. M.Chefe. University of Cincinnati Endometriose. University of Tennessee Leucemias Elizabeth R. Ch. University Campus. M. University of Pennsylvania. M. Professor Associado de Medicina. Abcessos. Livstone.D. Thomas Jefferson University Distúrbios da Função Sexual James H. M. Professor de Medicina. State University of New York Health Science Center at Brooklyn Distúrbios do Ouvido. M. Morgan. Diretor.C. M. Lucente. Canadá Doenças Pulmonares de Origem Ocupacional 10 .D. Professor de Psiquiatria (Emérito). Co. Jr.D. Professor de Medicina e Epidemiologia. Serviço de Doenças do Tórax. Georgetown University Lesões Esportivas. M. Allen McCutchan. Médico em Exercício. das Bursas e dos Tendões Richard G. University of Rochester Medical Center Puberdade e Problemas em Adolescentes Daniel J.D. Meny. University of Illinois Distúrbios dos Músculos. Lichtenstein. Levy. Equilíbrio do Sal.D. McCarty.D. University of Cincinnati Biologia dos Pulmões e das Vias Aéreas Frank E. Ontario. M. Professor de Medicina.D. M. Medical College of Wisconsin Gota e Pseudogota J.

Distúrbios da Hipófise Hal B. Washington Poison Center Envenenamento Beryl J. Reações Adversas a Medicamentos 11 . The New York Hospital– Cornell Medical Center Biologia do Sistema Nervoso. M. Professor de Medicina e Chefe da Divisão de Endocrinologia e Metabolismo. Richerson. Duke Comprehensive Kidney Stone Center. University Professor e Chefe da Neurologia (Emérito).D.D.D.D. University of Rochester Distúrbios do Ouvido.D. Professor de Medicina Interna. M. Sangramento Uterino Ausente ou Anormal.D.D. M. Preminger. University of South Florida Aspectos Gerais da Nutrição. Norante. Co-Chefe. University of Maryland Distúrbios dos Olhos em Crianças William O. Diretor Médico. Professor de Ortopedia e Oncologia. Desnutrição.D.D. Darthmouth Medical School. M. M. M. M. Johns Hopkins University Fibrose Cística G. University of Washington. Ph. Diretor. Memorial Sloan-Kettering Cancer Center Dor Glenn M. M. Mayo Medical School. Exame Neurológico e Testes. Professor de Saúde Pública Tropical e Professor Associado de Medicina. Robertson. Portenoy. Ouslander. Professor Associado. Professor de Medicina Interna. Síndrome do Ovário Policístico. Lesões da Cabeça. Diretor. Professor de Pediatria e Neurologia.D. Rosenstein. Professor e Chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia. Diretor de Programa. Victor Rossi. Atlanta VA Rehabilitation Research and Development Center Incontinência Urinária Lawrence L. Mayo Clinic Tumores Ósseos Lawrence G. Ph. Nemiah.D. Philadelphia College of Pharmacy and Science Aspectos Gerais dos Medicamentos. M. Wesley Woods Geriatric Center at Emory University. University of Rochester Defeitos Congênitos John C. Duke University Medical Center Obstrução do Trato Urinário Douglas J. Phillips.D. Delírio e Demência. Pelletier. M. Farmacodinâmica. University of Cincinnati Hormônios e Reprodução. Professor de Farmacologia em Leonard and Madlyn Abramson. University of Kansas at Wichita Endocardite Hart Peterson. Professor de Pediatria. Distúrbios do Sono. Professor de Neurologia e Pediatria (Emérito). Professor de Pediatria. Cornell University Paralisia Cerebral Sidney F. Dores de Cabeça. Duke University. Dor e Serviço de Tratamento Paliativo. Infertilidade. Mayo Clinic Distúrbios do Movimento Intestinal Willy F. University of Connecticut Osteoporose Robert W. M. Professor de Psiquiatria. M. M. Cornell University.D. Professor Clínico Assistente de Oftalmologia. Harvard University Infecções Parasitárias Fred Plum. Pritchard. Professor de Cirurgia Urológica. M. Vanderbilt University Síndrome da Angústia Respiratória Aguda Melvin I.D. M. Consultor.Gary J. M.D.D. Endometriose.. Roat. M. Myers. General Clinical Research Center. Cornell University. M. Rinaldo. Estupor e Coma Russell K.D. Diretor da Divisão de Medicina Geriátrica e Gerontologia e Chefe de Medicina. Professor de Medicina. Distúrbios Nutricionais Joseph G.D. Raisz. M. Olson.D.D.. Vitaminas e Minerais. Jr. Rebar. Harvard University Distúrbios da Ansiedade John D. Piessens. University of Iowa Doenças Alérgicas dos Pulmões Jean E. Professor Clínico Associado de Otolaringologia. M.D. do Nariz e da Garganta em Crianças Robert E. Professor de Psiquiatria (Emérito). Professor de Pediatria.D. Neurologista em Exercício. Professor de Medicina.

Distúrbios das Articulações e do Tecido Conjuntivo..C. M. (Falecido) Professor de Medicina. Cirurgião Visitante. Chefe e CEO. Calgary. The Mount Sinai Medical Center. Diretor do Arthritis-Immunology Center. F. M. M. University of Rochester. Interscience. Ralph Schumacher.D. Joseph’s Hospital.C. Professor de Medicina e Vice. Consultor Educacional. Russell..(C) Professor de Medicina. M. Pediatra em Exercício. Kingston. Scheiner.Fred H. Boston University. Sayre. Simon. Cirrose e Distúrbios Relacionados. Distúrbios dos Nervos Cranianos Paul S.C. Professor Associado de Medicina. Distúrbios dos Nervos Periféricos. Ph.D. Pesquisador Associado Sênior Honorário. Alberta.D. Phoenix Tumores do Sistema Nervoso Harold Silverman. Harvard University.D. M. Washington. Cornell University. Distúrbios dos Vasos Sangüíneos do Fígado William R. Harvard University.D.D. Sachar. M.R.R. M. F.Chefe do Departamento de Medicina. M.. Jr. Diretor da Divisão de Gastroenterologia. Fígado Gorduroso. Rodeer Systems Câncer do Pulmão Eldon A. Schaffer. Tumores Hepáticos Arthur T. Barrow Neurological Institute/St.D. Inglaterra.P.R. Massachusetts General Hospital Transplantes David B. Boston Bronquite. VA Medical Center. Philadelphia Ossos.D.. M. M. Shadyside Hospital Imunizações para Evitar Infecção Michael Rubin. New York Doenças Intestinais Inflamatórias.Psych. Rochester Problemas do Desenvolvimento em Crianças Novas (Distúrbio da Deficiência da Atenção. Departamento de Psiquiatria. Rubin. Snider. Royal Victoria Infirmary Comportamento Suicida Albert P. M. Diretor. Distúrbios da Medula Espinhal. University of Pennsylvania.D. Consultor Psiquiatra (Emérito). Canadá Testes Diagnósticos para Distúrbios do Fígado e Vesícula Biliar.D. F.A. Professor Adjunto de Pediatria. Pharm. Professor de Cirurgia em John Homans.D. Médico em Exercício. University of Pittsburgh.D.C. Professor e Chefe do Departamento de Medicina. DanaFarber Cancer Institute Linfomas Gordon L. Sanford.D. Diretor do Serviço Neuromuscular.D. Manifestações Clínicas da Doença do Fígado. F. Schworm. University of Calgary.P. M. Articulações e Músculos. Sahler. M. Chefe do Departamento de Medicina. (C). The University of Texas Southwestern Medical Center Infecções por Espiroquetas James W. M. Shapiro.D. Chefe do Serviço Médico. Canadá Biologia do Fígado e da Vesícula Biliar. Problemas de Aprendizado.University of Rochester Problemas em Recém-Nascidos e Lactentes (Não Desenvolvimento).C. Professor Clínico de Pediatria.D. VA Medical Center. DC Medicamentos Genéricos Jerome B. St. Hepatite. Colite Associada a Antibiótico Olle Jane Z. University of Massachusetts Retardo Mental H. Professor Clínico Associado de Medicina.D.R. Doenças Obstrutivas das Vias Aéreas (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). M. Skarin. Professor de Medicina. Distúrbios Pleurais 12 . Ontario. Scoggin. Chefe da Divisão de Neurologia. Dislexia) Charles H.P. Professor de Pediatria (Emérito). Distúrbios Musculoesqueléticos em Crianças Ronald W. M. Mary’s Hospital Abuso e Negligência Infantis Kurt Schapira.. Distúrbios Gastrointestinais em Crianças Jay P. University of Newcastle upon Tyne. The New York Hospital–Cornell Medical Center Distrofia Muscular e Distúrbios Relacionados.D.P. The Reading and Learning Disorders Center. F. Professor Associado de Neurologia Clínica. Oncologia Médica. Queen’s University.

D. M.D. Jr. Tozer.C. M.D. St. Beth Israel Hospital Bexiga Neurogênica William W. Colite Associada a Antibiótico Wendy Watson.P. Richard Stiehm.D. Chefe de Oncologia e Diretor do Baylor-Sammons Cancer Center.C. e Eliminação dos Medicamentos Stephen K. Ontario. Massachusetts General Hospital Doença Diverticular. Swanson. Townsend. Distúrbios Alimentares David A. Chefe da Divisão de Imunologia/ Alergia Pediátrica. van der Jagt. Canadá Síndromes da Má Absorção John M. Insuficiência Cardíaca.D. M. University of Iowa Biologia do Sistema Imunológico 13 ..D. Ph.D. F. Professor (Emérito). Pennsylvania State University Fatores Que Afetam a Resposta aos Medicamentos (Genética) Jacob Walfish. Professor de Medicina (Aposentado). Professor e Chefe Representante do Departamento de Urologia. M. Professor de Medicina. Professor e Diretor Ilustre do John Woods Harris . Harvard University. The Mount Sinai School of Medicine Doenças Intestinais Inflamatórias. Urice.D. Professor. Sc. Miocardiopatia. Sc. Tompkins. M. University of Arkansas.. Distúrbios das Válvulas Cardíacas Mary Territo.D. Professor de Ciências Biofarmacêuticas e Química Farmacêutica (Emérito). The University of Texas. M. Ph. University of Rochester Infecções Virais em Crianças. University of Minnesota Distúrbios da Vesícula Biliar Elliot S.D. The University of Texas Medical Branch at Galveston Carcinóide Thomas N.. London. Distribuição. Ph. Anderson Cancer Center Tumores e Cânceres dos Rins e do Trato Urinário Jan Peter Szidon.R. University of Western Ontario. Vennes. Hamilton.D. Tanser. M. M. Diretor de Urodinâmica e Incontinência. Stunkard. McMaster University.D. M.D. Baylor University Distúrbios dos Plasmócitos Albert J.D. Stone. University of Rochester Acidentes Jack A. Rush University Doenças Pulmonares Infiltrativas Paul H. Cardiologista Sênior. University of California at San Francisco Administração.. J. Professor de Cirurgia.D. Divisão de Hematologia/Oncologia. Cirurgião.D. M.D. M. Ontario. Professor Clínico Assistente de Cirurgia. Philadelphia. Professor de Psiquiatria.Norman Sohn.D. Joseph’s Hospital. M.D. Infecções em Neonatos e Bebês William C.D. Cornell University Distúrbios do Ânus e do Reto David R. M.(C) Professor de Medicina. Professor Assistente de Pediatria.R.. Stone. Evan Pugh Professor e Membro do Departamento de Farmacologia. Diretor do Programa de Tuberculose. F..D. University of Pennsylvania Obesidade. Professor Clínico Associado de Medicina. Stead. M. PA Assuntos Legais Elise W. M. Harvard University. M. Diagnóstico da Doença Cardíaca.D.P. University of California at Los Angeles Distúrbios dos Glóbulos Brancos Ronald G.D. Vesell. Arkansas Department of Health Tuberculose E. M. M.D. Professor de Medicina. Professor Assistente de Urologia.. M.D. M.D. Watson. University of Minnesota Distúrbios da Vesícula Biliar Marvin J. Staskin. Professor de Medicina. Seção de Medicina Pulmonar. Emergências Gastrintestinais Courtney M. Weiler. M. Canadá Biologia do Coração e Vasos Sangüíneos. Departamento de Cirurgia. Professor Clínico Assistente de Medicina. Professor Associado de Pediatria e Terapia Intensiva. University of California at Los Angeles Distúrbios por Imunodeficiência Bradford G.D.

Dentre as pessoas que nos ajudaram na edição inicial estão Amy Crawford-Faucher. Também queremos agradecer as contribuições da Project House. Welch. Matz. Woodward.D. M.. Professor de Ginecologia e Obstetrícia. Bari Samson. Claudia Piano. White. Professor Clínico Assistente de Oftalmologia. Professor de Medicina (Cardiologia). Chefe da Divisão de Hematologia-Oncologia. Harvard University. Professor Clínico de Dermatologia. Schwartz.D. Diretor do Centro de Artrite-Imunologia. Larsen. M. Professor e Chefe do Departamento de Otolaringologia.D. Professor de Medicina. que nos proporcionaram revisões críticas de capítulos específicos: Sarah Atkinson. Ralph Schumacher. Melvin Horwith. Luke’s– Roosevelt Hospital Distúrbios Hemorrágicos Claude E.D.. Weinberg. M. University of Maryland Infecções por Riquétsias Agradecimentos Desejamos agradecer as contribuições de Shirley Claypool. Oregon Health Sciences University Distúrbios da Pele Mortimer Lorber. PA Nutrição Ralph E. do Nariz e da Garganta Hal B. M. M. M. Cirurgião Sênior. Entre os que merecem agradecimentos especiais de nossa parte estão Stephanie Phillips. Marcia Ringel e Lynn Atkinson. cuja capacidade editorial foi inestimável. Philadelphia Distúrbios dos Ossos. Bea Dickstein. Agradecemos a ajuda das pessoas citadas a seguir. M. Roat. M.D.D. Loma Linda University.D.D. Voth.P. M.D. University of Rochester. Marcye B. Georgetown University Distúrbios da Boca e dos Dentes Gregory J. St. University of Pennsylvania. Seção . Irwin Reich e Eric A. Strong Memorial Hospital Infecções Bacterianas em Crianças. Problemas de Saúde do Homem Walter G. Emory University.Geoffrey A. D. Inc.. Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana em Crianças Allan B.D. Grady Memorial Hospital.D. Pettis Memorial VA Medical Center Distúrbios dos Rins e do Trato Urinário. Professor de Medicina (Emérito). (Falecido) Professor Clínico de Cirurgia (Emérito). Weiss.D. Weingold. Professor de Medicina e Farmacologia. University of Rochester Problemas de Saúde da Mulher Seção . Emory Heart Center Baixa Pressão Sangüínea (Hipotensão) Theodore E. Cutler. M.C.M. M. The George Washington University Gravidez de Alto Risco.D. M. Professor Assistente de Pediatria.. M. M.A. Massachusetts General Hospital Doença Diverticular. VA Medical Center. Ronald J. Professor Associado de Fisiologia e Biofísica. Professor de Obstetrícia e Ginecologia e Vice-Presidente para Negócios Médicos. M. M.D. das Articulações e dos Músculos Ruth W.D. Consultor. Columbia University. M. M. M..D. Brogan..Equipe Editorial 14 . Professor de Medicina Interna.D. M. Loyola University Distúrbios do Ouvido. University of Maryland Distúrbios do Olho H. que supervisionou e coordenou os trabalhos iniciais de produção do livro. Emergências Gastrointestinais Nanette K.D. Doenças Que Podem Complicar a Gravidez Harvey J. Jr. (Aposentado) Allentown.D. University of Iowa Distúrbios do Sistema Imune Melvin I. Médico em Exercício do Serviço Pediátrico e Diretor do Programa de HIV Materno/Pediátrico. Professor de Medicina.. e Cathy Glew. Chefe de Nefrologia. Diretor da Clínica de Cardíacos. Anthony Greco. Richerson. Wenger.Consultores Stephen Barrett. Distúrbios Provavelmente Causados por Infecção.D.D. M.

The Menninger Clinic Robert A.B. Professor de Pediatria. Enfermeira Consultora Independente. University of North Carolina at Chapel Hill L.Oncologia. University of Virginia Health Sciences Center Edwina A. e Professor Clínico Associado de Medicina Allegheny University of the Health Sciences Editores Assistentes Seniores Robert M. Professor Associado de Medicina.Chir Professor Adjunto de Cuidados Farmacêuticos para a Saúde Temple University Tradução: Dr. Professora Clínica de Psiquiatria. Professor de Medicina.D. M. Cheatham Professor de Ciências. Jr.(C) Professor de Medicina.Lawrence K. M. The University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas Glen O. Nasher. F. Coordenador de Pesquisa do Câncer em Kenneth Pye. M. M. Gabbard.D. R. U. Boston University. Georgetown University. University of Virginia. New York University Susan J. Owen R.D. M. St.D. Mandell. Department of Health and Human Services Philip K. Departamento de Medicina. University of Missouri at Kansas City Douglas A. Ph. Texas Tech University. M. Correspondente Médico. B. e Raymond D.D. Chefe Associado de Medicina. Bogin. Diretor Executivo de Literatura Médica Merck & Co. Membro Ilustre de Pesquisa do Câncer em Patsy R. M. Cardiologista Sênior. Secretária Assistente Representante– Saúde da Mulher.D. Yale University Preston V. Boston VA Medical Center Eugene P. Professor de Farmacologia da Leonard e Madlyn Abransom. Drossman.D. McConnell. M. M. Professora de Enfermagem. Cirurgiã Geral Assistente.P. Altman. M. Hamilton. Beers. Ph. Neurologista (em Exercício). Inc.D.D. Fletcher M.D. Wisconsin Fred Plum. Professor Clínico Associado de Medicina. Professor Ilustre em Callaway.C.D. Tanser. Madison.D. Dilts.. The New York Hospital–Cornell Medical Center G. Bondy. Inc. Professor de Medicina (Aposentado). Canada Editor-Chefe Robert Berkow. M. Philadelphia College of Pharmacy and Science Paul H. Professor de Medicina Interna e Radiologia. Professor de Medicina e Psiquiatria. Blumenthal.P.. Divisão de Hematologia..D. Chefe da Divisão de Doenças Infecciosas. Marcos Ikeda 15 .D. M. Hoekelman. McMaster University.N.R. M. Victor Rossi.D. Cornell University. Frenkel. University of Rochester Gerald L. M. New York Times.. Jack Faling. Ontario. Professor e Diretor de Neurologia (Emérito)... Diretor Sênior de Geriatria Merck & Co.S. Joseph’s Hospital.D.A. M. Professor de Ginecologia e Obstetrícia (Emérito). M. Fernando Gomes do Nascimento Revisão científica: Dr.D. e Professor Clínico de Medicina e Psiquiatria Allegheny University of the Health Sciences Editor Associado Mark H.. e Andrew J.

Em particular. Nariz e Garganta Distúrbios do Olho Problemas de Saúde do Homem Problemas de Saúde da Mulher Problemas de Saúde na Infância Acidentes e Lesões Seção 1 .Fundamentos Capítulo 1 .Distúrbios da Nutrição e do Metabolismo Seção 13 Seção 14 Seção 15 Seção 16 Seção 17 Seção 18 Seção 19 Seção 20 Seção 21 Seção 22 Seção 23 Seção 24 Apêndices Distúrbios Hormonais Distúrbios do Sangue Câncer Distúrbio do Sistema Imune Infecções Distúrbios da Pele Distúrbios do Ouvido. as diferenças razoáveis nas opiniões entre autoridades.Anatomia 16 . da gravidez e da infância até a vida adulta Consulte a obra mais lida em todo o mundo sobre medicina.Distúrbios da Boca e dos Dentes Seção 9 .Fundamentos Seção 2 . O Manual Merck Saúde para a Família cobre as doenças e os distúrbios humanos.Colaborador: Dr.Distúrbio dos Rins e do Trato Urinário Seção 12 .Distúrbios Digestivos Seção 10 . o Manual Merck Saúde para a Família é um guia essencial para um diálogo mais aberto com seu médico e para o cuidado e bem-estar de sua família. o leitor é solicitado a discutir a informação obtida neste livro com um profissional da saúde. das Articulações e dos Músculos Seção 6 .Medicamentos Seção 3 .Distúrbios dos Ossos. os aspectos peculiares de situações individuais e a possibilidade de erro humano na preparação deste texto tão amplo implicam na necessidade.Distúrbios do Cérebro e dos Nervos Seção 7 . Seção . Sumário • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Introdução Seção 1 . por parte do leitor.Saúde Para a Família Escrito por 200 médicos respeitados internacionalmente.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Seção 4 .Distúrbios do Fígado e da Vesícula Biliar Seção 11 . Carlos D. e de consultar e comparar informação de outras fontes. Manual Merck . Candeias Editoração Eletrônica: Avit's Estúdio Gráfico Ltda. Mas as constantes mudanças na informação. de exercer seu melhor julgamento ao tomar decisões. revisores e editores realizaram enormes esforços para assegurar que as informações terapêuticas aqui contidas são precisas e estão de acordo com padrões vigentes à época da publicação. Com linguagem simples e didática.Distúrbios da Saúde Mental Seção 8 .Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Seção 5 . resultantes das pesquisas e da experiência clínica em curso.Nota ao Leitor Nota Especial para o Leitor Os autores.

quase todas apresentam os mesmos componentes. A anatomia é o estudo das estruturas e a fisiologia é o estudo das funções do organismo. A célula é composta por um núcleo e pelo citoplasma e é envolta por uma membrana celular. A anatomia celular é o estudo das células e de seus componentes e requer instrumentos especiais. Dentro da Célula Embora existam diferentes tipos de células. e um nucléolo. o qual produz ribossomos. de forma que possam deixar a célula. Os ribossomos produzem proteínas.Células Tecidos e Órgãos Sistemas Orgânicos Barreiras Externas e Internas Anatomia e Doença A biologia engloba o estudo da anatomia e da fisiologia dos organismos vivos. A anatomia geral é o estudo dos órgãos do organismo através da sua observação a olho nu durante a inspeção visual e a dissecção. A célula é composta por um núcleo e pelo citoplasma e é envolta por uma membrana celular. Os lisossomos contêm enzimas que são capazes de degradar partículas que entram na célula. são destruídas por enzimas existentes nos lisossomos. como microscópios e técnicas especiais para sua observação. em seguida. 17 . desde os menores componentes das células até os órgãos maiores e suas relações com outros órgãos. Por exemplo. as quais podem ser consideradas os órgãos da célula. os quais representam o material genético da célula. determinados leucócitos ingerem bactérias. quase todas apresentam os mesmos componentes. a anatomia é organizada por níveis. Os centríolos participam na divisão celular. a qual controla o que entra e sai. Células Embora existam diferentes tipos de células. O retículo endoplasmático transporta materiais no interior da célula. a qual controla o que entra e sai. as quais. O núcleo controla a produção de proteínas. O núcleo controla a produção de proteínas. O citoplasma é formado por um material líquido e organelas. Ele contém os cromossomos. as quais são acondicionadas pelo aparelho de Golgi. Devido à complexidade da estrutura dos organismos vivos. As mitocôndrias geram energia para as atividades celulares.

O organismo é constituído por muitos tipos diferentes de células. as células da mama produzem leite. são destruídas por enzimas existentes nos lisossomos. como os leucócitos (glóbulos brancos). os quais representam o material genético da célula. as células nervosas nunca se reproduzem. têm como função principal a produção de substâncias complexas. sobretudo as glandulares. e as da boca. Outras células desempenham funções que não estão relacionadas com a produção de substâncias como. com freqüência alteram e controlam as funções celulares. o núcleo contém o material genético da célula e as estruturas que controlam a sua divisão e reprodução. as quais. como um hormônio ou uma enzima. Outras. Dentro da membrana celular. muco. Os centríolos participam na divisão celular Ela possui receptores que identificam a célula a outras células. O retículo endoplasmático transporta materiais no interior da célula. Algumas. saliva. de forma que possam deixar a célula. como as células musculares. cada qual com estrutura e função próprias. As células nervosas conduzem impulsos elétricos. Algumas células. Os ribossomos produzem proteínas. Algumas células. por exemplo. As reações que ocorrem nos receptores. Por exemplo. Por exemplo. as células dos músculos e do coração que têm como ação principal a contração. Os lisossomos contêm enzimas que são capazes de degradar partículas que entram na célula. movimentam-se livremente. e um nucléolo. que essas substâncias ou medicamentos entrem e saiam da célula. não estando unidas a outras células. O citoplasma contém estruturas que consomem e transformam a energia e que desempenham as funções celulares. as do pâncreas. permitindo a comunicação entre o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e o resto do organismo. As mitocôndrias geram energia para as atividades celulares. topo Tecidos e Órgãos 18 . Os receptores também reagem a substâncias produzidas no organismo e a medicamentos nele introduzidos. de modo seletivo. determinados leucócitos ingerem bactérias. as do revestimento pulmonar. as quais podem ser consideradas os órgãos da célula. insulina. por outro lado. dividem-se e reproduzem-se com rapidez e. estão firmemente unidas entre si. O citoplasma é formado por um material líquido e organelas. como as da pele. em seguida. as quais são acondicionadas pelo aparelho de Golgi. o qual produz ribossomos.Ele contém os cromossomos. existem dois compartimentos importantes: o citoplasma e o núcleo. permitindo.

Ele é responsável pelo bombeamento e pela circulação do sangue.É denominado tecido o conjunto de células semelhantes unidas entre si. Cada órgão é uma estrutura reconhecível que desempenha funções específicas como. por exemplo. o coração. provendo sua sustentação. este livro foi elaborado baseando-se no conceito do sistema orgânico. bombeando mais sangue. O sistema musculoesquelético. Um exemplo de sistema é o cardiovascular. topo Sistemas Orgânicos Embora um determinado órgão desempenhe funções específicas. Além do estômago. dependendo da sua localização no organismo. como o pâncreas. mas atuam em conjunto para realizar funções específicas. A comunicação entre órgãos e sistemas orgânicos é vital. 19 . O tecido conjuntivo está presente em quase todos os órgãos. que formam o cristalino e a córnea. músculos. os pulmões. constituído por ossos. é responsável pela recepção e digestão dos alimentos e também pela excreção de resíduos. Os vasos sangüíneos do sistema digestivo dilatam para transportar mais sangue. Através da homeostasia. notificando-o sobre o aumento de trabalho. o fígado. maior plenitude e menor interesse por atividades vigorosas. ele solicita o auxílio dos sistemas cardiovascular e nervoso. o coração contém um tecido muscular. as do revestimento interior que são resistentes aos efeitos irritativos da bile. ligamentos. As células de um tecido não são idênticas. Mesmo um órgão aparentemente tão simples como a vesícula biliar contém tipos diferentes de célula como. células transparentes. As funções corpóreas são realizadas por órgãos. O olho contém células musculares que abrem e fecham a pupila. Um órgão é composto por vários tipos de tecidos e. os olhos e o estômago. células musculares que contraem para expelir a bile. um tecido fibroso que formam as válvulas cardíacas e células especiais que mantêm a freqüência e o ritmo dos batimentos cardíacos. esse sistema inclui órgãos relacionados. o organismo mantém o equilíbrio. O tecido conjuntivo é o tecido resistente e freqüentemente fibroso que une as estruturas do organismo. o qual se estende da boca ao ânus. o sistema digestivo necessita de uma maior quantidade de sangue para desempenhar suas funções. O cérebro também responde detectando menor fome. que se contrai para bombear o sangue. Os rins devem saber quando o organismo apresenta excesso de líquido. Por exemplo. Essa comunicação permite que o organismo ajuste a função de cada órgão às necessidades de todo o organismo. conseqüentemente. os quais produzem enzimas digestivas. células que produzem o líquido existente no interior do olho. a classificação das doenças e o planejamento dos tratamentos. por exemplo. após a ingestão de uma refeição. provê sustentação e movimento ao organismo. Em grande parte. e células nervosas que transmitem impulsos até o cérebro. O sistema digestivo estimula o coração de modo direto através de impulsos nervosos e substâncias químicas liberadas na corrente sangüínea. dos tendões e dos músculos. representando uma grande parte da constituição da pele. para excretar mais urina. do intestino delgado e do intestino grosso. Por isso. removem toxinas e armazenam substâncias necessárias para a digestão. por vários tipos de células. células sensíveis à luz. As características do tecido conjuntivo e os tipos de células nele contidos variam. Impulsos nervosos são transmitidos ao cérebro. apesar do médico poder estar interessado apenas em um tipo específico de célula. os órgãos não apresentam uma produção excessiva nem uma produção deficiente e cada órgão facilita as funções dos outros. Por exemplo. e quando os órgãos necessitam de mais sangue. para reduzir o ritmo cardíaco. Por meio dessa comunicação. existem órgãos que também fazem parte de um grupo. O sistema orgânico é a unidade organizacional na qual se baseia o estudo da medicina. tendões e articulações. O coração responde. e quando ele está desidratado. o qual é composto pelo coração (cardio) e pelos vasos sangüíneos (vascular). O sistema digestivo. O coração deve saber quando o organismo encontra-se em repouso. Este conceito é conhecido como homeostasia. para acelerar. e células que formam a parede fibrosa externa que contém a vesícula. o fígado e a vesícula biliar. os sistemas orgânicos não funcionam isoladamente. Uma amostra de tecido removida para exame em microscópio (biópsia) contém muitos tipos de células. Evidentemente. para conservar água. o qual é denominado sistema orgânico. os quais transportam o alimento.

Outras comunicações químicas são menos espetaculares. o sistema nervoso autônomo controla a complexa rede de comunicação que regula as funções corpóreas. a qual estimula vários órgãos a preparar o organismo para enfrentar o estresse. essa substância química coloca todo o organismo em estado de alerta. a qual então produz o hormônio antidiurético. Quando uma pessoa defronta-se a uma situação súbita de estresse ou de medo. mas igualmente eficazes. uma resposta que. os olhos dilatam para permitir maior entrada de luz. até a hipófise. o cérebro detecta a sede e estimula a ingestão líquida. capilares. é denominada “preparação de luta ou fuga”. o cérebro envia instantaneamente uma mensagem até as glândulas adrenais. ou seja. Esses receptores respondem enviando impulsos. Os transmissores que conduzem mensagens entre partes do sistema nervoso são denominados neurotransmissores. o qual controla a taxa metabólica (velocidade com que ocorrem as funções químicas do organismo). Em grande parte. quando o organismo fica desidratado e precisa de mais água. Em instantes. O efeito é rápido e intenso. Um dos transmissores mais conhecidos é o hormônio epinefrina (adrenalina). o volume de sangue circulante no sistema cardiovascular diminui. sem que haja indicação perceptível de sua ação. Por exemplo. através de nervos. às vezes. O coração bate mais rápido e intensamente. veias) • • • • • • • • Boca Esôfago Estômago Intestino delgado Intestino grosso Fígado Vesícula biliar Pâncreas (a parte do sistema que produz enzimas) Respiratório • • • • • • • Nariz Boca Faringe Laringe Traquéia Brônquios Pulmões Endócrino • • • • Glândula tireóide Glândula Glândulas adrenais Pâncreas paratireóide (a parte do sistema que produz insulina) 20 . As substâncias químicas utilizadas na comunicação são denominadas transmissores. a glândula tireóide produz o hormônio tireoidiano. Simultaneamente. Por exemplo. o pâncreas produz insulina. O organismo também possui um grupo de órgãos – o sistema endócrino – cuja função principal é produzir hormônios que regulam a função de outros órgãos. (localizada na base do cérebro). e as glândulas adrenais produzem adrenalina. a qual controla o consumo de açúcar.A comunicação para a manutenção da homeostasia pode ocorrer através do sistema nervoso ou da estimulação química. Principais Sistemas de Órgãos Sistema Órgãos Componentes Sistema Órgãos Componentes • Cardiovascular Coração Vasos sangüíneos Digestivo • (artérias. Essa redução do volume sangüíneo é detectada por receptores localizados nas artérias da região do pescoço. Os transmissores produzidos por um órgão e que se deslocam até outros órgãos através da corrente sangüínea são denominados hormônios. as quais imediatamente liberam adrenalina. a respiração acelera e a atividade do sistema digestivo diminui para permitir que maior volume de sangue seja enviado aos músculos. Essa parte do sistema nervoso funciona sem que a pessoa tenha consciência. Este hormônio sinaliza aos rins para que eles produzam menos urina e retenham mais água.

é uma superfície óbvia. até as vias respiratórias e as ramificações das vias respiratórias pulmonares (os brônquios).Nervoso • • • Cérebro Medula espinhal Nervos Urinário • • • • • • • • • Rins Ureteres Bexiga Uretr Pênis Próstata Vesículas seminais Vasos deferentes Testículo Vagina Colo uterino Útero Tubas uterinas Ovário Pele • Pele Reprodutivo masculino • • Musculoesquelético Músculos Tendões e Reprodutivo feminino Ossos Articulações Células ligamentos • • • • • • • • sangüíneas e plaquetas • Plasma (parte líquida do Sangüíneo sangue) • Medula óssea (onde são produzidas as células do sangue) • • Baço Timo topo Barreiras Externas e Internas Por mais estranho que pareça. Em que ponto esse sistema de condução do ar deixa de ser “externo” e passa a ser “interno”? O oxigênio nos pulmões não tem utilidade para o organismo até entrar na corrente sangüínea. ex.. os quais podem ser transportados até o interior dos pulmões juntamente com o ar. os nutrientes e líquidos não se encontram no interior do organismo até serem absorvidos para o interior da corrente sangüínea. Para fazê-lo. o oxigênio precisa atravessar uma fina camada de células que reveste os pulmões. pois o organismo apresenta muitas superfícies. o canal auditivo é em geral considerado interno por penetrar profundamente na cabeça. Apesar de revestido por uma fina camada de pele. bacilo da tuberculose). Essa camada funciona como uma barreira contra vírus e bactérias (p. O alimento parcialmente absorvido ao passar através desse tubo encontra-se dentro ou fora do corpo? Na realidade. e forma uma barreira que impede a entrada de muitas substâncias nocivas no organismo. definir o que é “externo” e o que é “interno” no organismo nem sempre é fácil. 21 . O ar passa através do nariz e da garganta até a traquéia e. é um sistema orgânico. na realidade. A pele que. serpenteia ao longo do corpo e termina no ânus. O sistema digestivo é um tubo longo que inicia na boca. em seguida.

Em razão dos pulmões possuírem muitos mecanismos de proteção – como os anticorpos. como o câncer. mas também pode ocorrer a produção de lesões graves. a ressonância magnética (RM). e alterações da anatomia podem causar uma doença. os quais eliminam os detritos das vias respiratórias – a maioria dos organismos infecciosos nunca causam doença. o sangue normalmente é confinado no interior dos vasos sangüíneos. os quais utilizam substâncias químicas radioativas injetadas no organismo. o indivíduo pode apresentar incapacidade para falar. mas pode queimar e lesar o esôfago. também. Um outro avanço importante foi a tomografia computadorizada (TC). Por exemplo. de modo que elas possam funcionar satisfatoriamente. ao contrário. Um infarto do miocárdio (ataque cardíaco). tão importante na boca. A saliva. em última instância. praticamente cada seção deste livro inicia com uma descrição da anatomia de um sistema orgânico. na qual os raios X são associados a um computador. Por exemplo. Se o suprimento sangüíneo a um tecido for bloqueado ou interrompido. os órgãos internos não flutuam no sangue. a qual permitiu aos médicos examinar o interior do organismo e os órgãos sem cirurgia. a qual utiliza ondas sonoras. ou lesar outros órgãos.A não ser que penetrem nas células ou na corrente sangüínea. O ácido clorídrico produzido pelo estômago raramente causa danos a esse órgão. O primeiro grande avanço ocorreu com a radiografia. pode causar problemas sérios quando aspirada pelos pulmões. um volume similar de sangue extravasando para o interior da cavidade abdominal não causa destruição do tecido. podem destruir diretamente o tecido normal ou podem produzir uma pressão. Por exemplo. a qual. A Anatomia neste Livro Como a anatomia é muito importante na medicina. mantêm as estruturas e as substâncias no local adequado. Se ocorrer extravasamento de sangue. Quase todos os seus órgãos possuem grande reserva ou capacidade extra. A TC produz imagens bidimensionais detalhadas do interior do organismo. mover um membro ou manter o equilíbrio. é um procedimento invasivo. Crescimentos anormais. pode prejudicar apenas discretamente a capacidade de bombeamento de sangue ou pode acarretar a morte. o que lhes permite funcionar adequadamente. os quais combatem infecções. mas. os métodos de exame do interior do organismo tornaram-se a base do diagnóstico e do tratamento de doenças. pois não existe espaço livre que permita a expansão do sangue dentro dos limites do crânio. o qual destrói tecido cardíaco. destrói o tecido cerebral. A doença afeta a anatomia. não ocorre somente a falha de fornecimento de oxigênio e nutrientes aos tecidos. o tecido morre (infarto). Devido à relação entre a doença e a anatomia. provoca destruição. Tratam-se de técnicas nãoinvasivas que examinam o interior do organismo. e os cílios. mesmo quando parcialmente lesados. topo Anatomia e Doença O corpo humano é admiravelmente bem planejado. Outros órgãos podem suportar pequenas lesões antes de apresentarem uma disfunção (mal funcionamento). como no infarto do miocárdio (ataque cardíaco) ou no acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Outros métodos de produção de imagens de estruturas internas são a ultra-sonografia. A cirurgia. com invasão de outras partes do organismo (hemorragia). no caso de haver refluxo. mesmo que pequena. se um acidente vascular cerebral (derrame cerebral) destruir uma pequena quantidade de tecido cerebral vital. As superfícies do corpo não só separam o “exterior” do “interior”. Por outro lado. desde que o outro pulmão apresente uma função normal. As fezes – parte não digerida dos alimentos que é expelida através do ânus – podem causar infecções potencialmente letais quando ocorre extravasamento através da parede intestinal para o interior da cavidade abdominal. é necessário uma destruição superior a dois terços do fígado antes que ocorram graves conseqüências e uma pessoa possa sobreviver à remoção cirúrgica de um pulmão inteiro. Uma hemorragia cerebral. e os estudos imagenológicos com radionuclídeos. 22 . As ilustrações apresentadas ao longo do livro enfatizam a parte da anatomia que está sendo abordada. caso extravase através da parede do estômago. a qual detecta o movimento dos átomos em um campo magnético. esses organismos não causam doença.

onde ocorre a síntese de proteínas. ou ligados ao X. ele fixa-se aos ribossomos. a presença adicional de cromossomos X causa muito menos anormalidades de desenvolvimento que a de cromossomos não-sexuais (autossômicos). a mulher apresenta o dobro de genes do cromossomo X que o homem. as meninas possuem dois cromossomos X. de acordo com o tamanho da proteína. As bases do RNA estão dispostas na mesma seqüência que as bases do filamento inativo do DNA. o outro filamento funciona como um padrão contra o qual forma-se um filamento complementar de RNA (ácido ribonucléico). Os genes variam de tamanho. os quais são os componentes que formam as proteínas. Cada molécula de RNA de transferência carrega um aminoácido que deve ser incorporado à cadeia de proteína que está sendo sintetizada. A inativação do cromossomo X explica certas observações. A localização de um determinado gene é conhecida como locus. as mulheres com três cromossomos X (síndrome do triplo X) são normais. exceto pelo fato do RNA conter uracil e o DNA conter timina. isso poderia produzir um excesso de alguns genes. separa-se do DNA. a hélice do DNA divide-se. A princípio. No citoplasma. Os meninos possuem um cromossomo sexual X e um Y. não importa quantos sejam os cromossomos X que a pessoa possua. Esse material consiste nas espirais de DNA (ácido desoxirribonucléico) dispostas em um arranjo complexo para formar os cromossomos. Um gene consiste no código necessário para a produção de uma proteína. O código genético é escrito em tripletos. Os genes no cromossomo X são conhecidos como genes ligados ao sexo. denominadas bases.Seção 1 . praticamente todos os genes no cromossomo X se expressam. Por exemplo. sejam eles dominantes ou recessivos. O cromossomo Y contém relativamente poucos genes. A cópia do RNA. Nos homens. um cromossomo autossômico adicional pode ser fatal durante a fase inicial do desenvolvimento fetal. O cromossomo X inativo (corpúsculo de Barr) é visível ao microscópio como uma protuberância no núcleo da célula. consistem em pares de quatro tipos de moléculas. As células humanas contêm 46 cromossomos dispostos em pares. A molécula de DNA é uma dupla hélice longa que se assemelha a uma escada em espiral. porque. Geralmente.Fundamentos Capítulo 2 . Os degraus da escada. apenas um parece permanecer ativo. sendo que apenas um deles é ativo. e a guanina faz par com a citosina. abrindo-se no sentido longitudinal.Genética Inativação do Cromossomo X Anormalidades Genéticas Tecnologia Genética O material genético do organismo está contido no interior do núcleo de cada uma de suas células. Um recémnascido com um cromossomo autossômico adicional (uma trissomia) geralmente apresenta muitas anormalidades físicas e 23 . Os genes estão dispostos em uma seqüência precisa nos cromossomos. a adenina faz par com a timina. No entanto. denominada RNA mensageiro (mRNA). Nos degraus. acredita-se que um dos dois cromossomos X seja inativado no início da vida do feto em todas as células da mulher – exceto nos óvulos contidos nos ovários. Os dois cromossomos sexuais determinam se o feto será do sexo masculino ou feminino. de modo que cada grupo de três degraus da escada codifica a produção de um dos aminoácidos. Quando uma parte da molécula de DNA controla ativamente alguma função da célula. tanto física como mentalmente. topo Inativação do Cromossomo X Pelo fato de possuir dois cromossomos X. Um filamento da hélice aberta é inativo. O RNA mensageiro transmite aos ribossomos as informações sobre a seqüência de aminoácidos necessária para a produção de uma proteína específica. deixa o núcleo e passa para o citoplasma da célula. os quais determinam o código genético da pessoa. um dos quais determina o sexo. Os aminoácidos são levados até o ribossomo por um RNA de transferência (tRNA). um tipo de RNA muito menor. incluindo um par de cromossomos sexuais. Em contraste.

De modo similar. A probabilidade também é alta nos grupos fechados cujos membros casam entre si. as quais formam os degraus da escada. como as comunidades Amish ou Menonita. esses genes não fazem com que as células funcionem de modo anormal. como a cor dos cabelos. uma doença hereditária pode ser resultado de características anormais que se manifestam como expressão de um gene anormal. Todas as características herdadas (traços) são codificadas pelos genes. Algumas características. uma doença ou uma tendência ao desenvolvimento de certas doenças. Geralmente. Cada par de bases é unido por uma ligação de hidrogênio. a expressão do genótipo – é denominada fenótipo. denominadas bases. Como cada gene controla a produção de uma determinada proteína. encontrado em filamentos espiralados frouxamente entrelaçados denominados cromatina no núcleo de cada célula. simplesmente diferenciam as pessoas umas das outras e não são consideradas anormais. Anormalidades Produzidas por um Único Gene Os efeitos de uma anormalidade produzida por um único gene dependem dele ser dominante ou recessivo ou dele estar ou não localizado em um cromossomo X (ligado ao X). os princípios seguintes são aplicados aos traços determinados por um gene dominante: 24 . A resposta do organismo à presença desses genes – isto é. Na população geral. em última instância.mentais graves. a probabilidade de uma pessoa apresentar dois genes recessivos similares é muito pequena. A constituição genética de uma pessoa é chamada genótipo. Um gene é um segmento de DNA que possui uma função específica e consiste em uma seqüência específica de bases. Genes Não Ligados ao X O efeito (traço) produzido por um gene dominante anormal sobre um cromossomo autossômico pode ser uma deformidade. são conectados por pares formados de quatro moléculas. mas ela é mais elevada em filhos de parentes próximos. A molécula de DNA é uma dupla hélice longa e espiralada que se assemelha a uma escada. Entretanto. podendo acarretar uma anormalidade na função celular e. Nos degraus. compostos de moléculas de um açúcar (desoxirribose) e de fosfato. No entanto. topo Anormalidades Genéticas Anormalidades de um ou mais genes. enquanto a ausência de um cromossomo X acarreta anormalidades relativamente menos graves (síndrome de Turner). no aspecto físico ou na função corpórea. a adenina faz par com a timina. particularmente de genes recessivos. a não ser que dois genes recessivos similares estejam presentes. um gene anormal produz uma proteína anormal ou uma quantidade anormal de proteína. a ausência de um cromossomo autossômico é invariavelmente fatal ao feto. dois filamentos. Estrutura do DNA O DNA (ácido desoxirribonucléico) é o material genético da célula. Cada indivíduo possui de seis a oito genes recessivos anormais. e a guanina com a citosina. são bem freqüentes. No DNA.

Se um gene anormal ligado ao X for recessivo. ambos os genitores das pessoas portadoras do traço apresentam o gene. possui muito poucos genes. com um gene recessivo. No entanto. Os genes dominantes causadores de doenças graves são raros. seja portadora de um gene anormal. Se um gene anormal ligado ao X for dominante. os indivíduos do sexo masculino afetados transmitem a anormalidade a todas as filhas. a qual produz deterioração severa da função cerebral e. os princípios seguintes são aplicados aos traços determinados por um gene recessivo: • Teoricamente. • A anormalidade pode manifestar-se em qualquer geração. não é portador do gene e não pode transmitir o traço a seus filhos. como a doença de Huntington. No entanto. • A anormalidade pode ocorrer.• As pessoas com o traço possuem pelo menos um dos pais com o traço. o indivíduo já pode ter tido filhos. em todas as gerações. quase todos os indivíduos com o traço serão do sexo masculino. • A probabilidade de ser afetado é igual para homens e mulheres. A não ser que os dois genes de um par sejam recessivos. existem algumas exceções. nos homens. exceto se ele for causado por uma nova mutação. hemofilia Como o cromossomo Y. No entanto. inicia após os 35 anos de idade. Os filhos de um homem afetado recebem seu cromossomo Y. não importando se são dominantes ou recessivos. anemia falciforme Daltonismo (cegueira para as cores vermelho e verde). como as mulheres possuem dois cromossomos X. Se o genitor sem o traço não possuir o gene recessivo anormal. nenhum dos filhos apresentará o traço. • É provável que uma pessoa que não apresenta o traço anormal. portanto. • A probabilidade de ser afetado é a mesma para homens e mulheres. e geralmente acontece. cada filho apresenta uma probabilidade de 50% de herdar o traço anormal e 50% de não herdá-lo. embora seus irmãos o possuam. mas não apresenta o traço. em geral. se expressam. em geral. mas a nenhum de seus filhos. nefrite hereditária Recessivo Fibrose cística. é provável que metade dos filhos apresente o traço e que os demais filhos sejam portadores. pode ocorrer que nenhum deles apresente o traço. o qual poderá ser transmitido para seus descendentes. os mesmos princípios aplicados aos genes ligados ao X são aplicados aos genes dos cromossomos autossômicos. mas é portadora e pode transmitir o gene para seus filhos. • Quando apenas um dos pais possui um traço anormal. 25 . o qual não possui o gene anormal. A pessoa com um gene recessivo não apresenta o traço correspondente. As mulheres afetadas com apenas um gene anormal transmitem a anormalidade a metade de seus filhos (sejam do sexo masculino ou do sexo feminino). • Uma pessoa que não possui o traço anormal. • Traços genéticos anormais freqüentemente são causados por novas mutações genéticas ao invés de serem herdados dos pais. praticamente todos os genes do único cromossomo X (genes ligados ao X ou ligados ao sexo) não são pareados e. isso só ocorre quando os dois pais possuem o traço. se o genitor possuidor do traço anormal possuir duas cópias do gene anormal – uma ocorrência rara – todos os filhos apresentarão o traço anormal. • Quando um dos pais possui o traço e o outro possui um gene recessivo. mas. Exemplos de Distúrbios Genéticos Gene Não ligado a X Ligado a X Genes Ligados ao X Dominante Síndrome de Marfan. Contudo. No momento em que surgem os sintomas. • É muito improvável que mutações acarretem a expressão do traço. pois os indivíduos que os apresentam freqüentemente apresentam uma doença grave que impossibilia a procriação. Eles tendem a desaparecer. mas todos os filhos herdarão um gene anormal. De maneira geral. Genes recessivos manifestam-se apenas quando o indivíduo possui dois desses genes. mas cujos irmãos comprovadamente o possuem. apenas os genes dominantes se expressam. doença de Huntington Raquitismo familiar.

as doenças causadas por genes mitocondriais anormais são transmitidas pela mãe. Às vezes. Se os pais forem portadores de um gene anormal e de um gene normal. Quando um óvulo é fertilizado. a probabilidade de herdar dois genes anormais (e. todas as mitocôndrias do espermatozóide são descartadas. apresentar a doença) é de 25%. Nos homens. os oncogenes são versões anormais dos genes responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento antes do nascimento. Um pai com genes mitocondriais anormais não pode transmitir essas moléstias a seus descendentes. O daltonismo (cegueira para as cores vermelha e verde). somente as mitocôndrias do óvulo farão parte do feto em desenvolvimento. o gene do daltonismo é originário de uma mãe daltônica ou que possui visão normal mas é portadora do gene. Um exemplo é a anemia falciforme: se o indivíduo possuir um gene normal e um gene anormal. mas metade delas será portadora. Esses oncogenes podem ser reativados mais tarde na vida da pessoa e causar câncer. os quais. mas transmitem o gene à metade de seus filhos. mas ainda não se sabe como esse processo ocorre. são desativados após o nascimento. Genes Mitocondriais Anormais No interior de cada célula existem mitocôndrias – estruturas diminutas que fornecem energia à célula. como seus pais) é de 50% Herança Codominante A herança codominante é caracterizada pela expressão de ambos os genes. Filhas de homens com daltonismo raramente apresentam essa deficiência. mas podem transmitir o gene anormal para seus filhos. os quais geralmente apresentam o traço. um de cada genitor. Várias doenças raras são causadas por genes anormais contidos no cromossomo existente no interior da mitocôndria. O gene nunca é originário do pai. Para ser portador da doença. geralmente. Herança de Genes Recessivos Anormais Algumas doenças são devidas a um gene recessivo anormal. topo 26 . a pessoa deve receber dois genes. também chamados genes tumorais. Por essa razão. e a de herdar um gene normal e um gene anormal (tornando-se portadores da doença. afeta cerca de 10% dos homens. assim. Genes Causadores de Câncer As células cancerosas podem conter oncogenes. causado por um gene recessivo ligado ao X comum. Nenhuma de suas filhas apresentará o traço. ele apresentará produção de um pigmento (hemoglobina) normal e de um pigmento anormal eritrócitos (hemácias). As mães portadoras não apresentam o traço. eles não apresentam a doença. Para cada filho. mas é incomum entre as mulheres. mas são sempre portadoras do gene causador. o qual contribui com o cromossomo Y. que são genes causadores de câncer. a de herdar dois genes normais é de 25%.Os homens transmitem o gene anormal apenas às filhas e todas elas tornam-se portadoras. Cada mitocôndria contém um cromossomo circular.

nem toda pessoa que possui o gene para determinada doença irá realmente desenvolvê-la. Uma técnica.000 vezes em questão de horas. Como a sonda liga-se apenas à sua imagem complementar. tem como objetivo a identificação e o mapeamento de todos os genes dos cromossomos humanos. o que as tornará portadoras. A função exercida por esse locus. As mulheres. polymerase chain reaction). um segmento específico do DNA. Se a mãe for portadora e o pai tiver o gene normal. Isso ocorre porque os homens possuem somente um cromossomo X. Uma sonda genética pode ser utilizada para localizar um gene específico em um determinado cromossomo. As bactérias multiplicam-se com muita rapidez e. ela irá identificar o fragmento de DNA. separados em um gel por meio da técnica da eletroforese. inclusive do gene introduzido. várias doenças podem ser diagnosticadas antes ou após o nascimento. as quais possuem dois cromossomos X. por exemplo a cordos olhos. todas as filhas receberão um gene anormal e um gene normal. o gene a ser copiado é introduzido no DNA do interior de uma bactéria. Um gene clonado ou copiado torna. O gene normal é dominante e impede que as mulheres desenvolvam a doença. No entanto. tanto antes como após o nascimento.se uma sonda marcada quando recebe um átomo radioativo. comumente recebem um gene normal no segundo X. Cada vez que ela se reproduz. O DNA de uma única célula é suficiente para iniciar uma reação de cadeia de polimerase. Os fragmentos. Cópias de um gene humano podem ser produzidas em laboratório através da clonagem genética. Herança de Genes Ligados a X Recessivos Anormais Quando um gene é ligado ao cromossomo X. são colocados em um papel de filtro e cobertos com uma sonda marcada. A sonda irá buscar a imagem complementar do segmento do DNA e se ligará a ele. existe um gene. Outra técnica de cópia do DNA utiliza a reação de cadeia de polimerase (PCR. Genoma é o conjunto genético de um indivíduo. a bactéria produz uma cópia exata de todo seu DNA. Geralmente. denominado Projeto Genoma Humano. Em um laboratório. incluindo um gene específico. o DNA é cortado em fragmentos precisos através de uma enzima denominada endonuclease de restrição. Há vários modos de se produzir cópias suficientes de um gene para o seu de estudo. Nenhum de seus filhos receberá o gene anormal. Se o pai tiver um gene recessivo anormal em seu cromossomo X e a mãe possuir dois genes normais. Qualquer filha apresenta uma probabilidade de 50% de receber um gene anormal e um gene normal (tornando-se portadora) ou de receber dois genes normais. Doenças resultantes de um gene recessivo ligado a X anormal geralmente afetam apenas os indivíduos do sexo masculino. pode ser copiado (amplificado) mais de 200. dessa forma. fornecendo a cada um de nós características próprias. ele aparece no cromossomo X e não no cromossomo Y. Um grande esforço em andamento. bilhões de cópias do gene original podem ser produzidos em pouquíssimo tempo. é provável que as sondas genéticas sejam capazes de testar pessoas em relação a muitas doenças genéticas importantes. o gene preciso que se encontra nesse local varia de pessoa para pessoa. qualquer filho apresenta a probabilidade de 50% de receber o gene anormal da mãe. Com as sondas genéticas. No futuro. conhecida como Southern blot. é a mesma para todos os indivíduos. O conhecimento vem se expandindo e de forma particularmente rápida na área da tecnologia do DNA. A sonda radioativa pode então ser detectada através de técnicas fotográficas sofisticadas. Extraído das células do indivíduo que está sendo estudado. 27 .Tecnologia Genética Um grande avanço tecnológico vem melhorando a detecção das moléstias genéticas. Contudo. Em cada locus de um cromossomo. é amplamente utilizada para identificar o DNA.

Durante essas reações. Uma criança do sexo feminino nascida em 1900 apresentava uma expectativa de vida de aproximadamente 48 anos. Quando isso acontece. dependendo de como as células produzem e respondem aos radicais livres. enquanto que uma nascida atualmente pode esperar viver cerca de 79 anos. Uma criança do sexo masculino nascida em 1900 apresentava uma expectativa de vida de apenas 46 anos. Apesar do maior conhecimento sobre a constituição genética e da melhoria dos cuidados médicos. embora nenhuma delas tenha sido comprovada. os membros mais idosos morrem em uma velocidade que permite o espaço para os mais jovens.Seção 1 . A teoria dos radicais livres propõe que as células envelhecem em decorrência de danos acumulados devidos às reações químicas que ocorrem no interior das células. ninguém parece ter vivido além dos 120 anos. não conseguem manter as funções biológicas necessárias para a manutenção da vida. finalmente. enquanto que uma criança do mesmo sexo nascida hoje pode viver mais de 72 anos. À medida que as células morrem. Em última instância. podem ser extraídas de cada teoria explicações da razão das pessoas envelhecerem e morrerem. Os radicais livres terminam lesando as células e fazendo com que o indivíduo envelheça. topo Teorias do Envelhecimento Todas as espécies envelhecem e sofrem alterações notáveis desde o nascimento até a morte. ocorre uma alteração de vários aspectos perceptíveis do organismo O primeiro sinal de envelhecimento talvez seja quando o olho não consegue focalizar com facilidade objetos próximos (presbiopia). No caso da teoria do envelhecimento programado. mais e mais lesões são causadas.Fundamentos Capítulo 3 . a velocidade com que uma espécie envelhece é predeterminada por seus genes. são produzidas toxinas denominadas radicais livres. topo Alterações Corpóreas Com o envelhecimento. em torno dos 40 28 . Freqüentemente. Os genes determinam quanto tempo as células viverão. Os cientistas desenvolveram teorias tentando explicar a razão pela qual as pessoas envelhecem.Envelhecimento do Corpo Teorias do Envelhecimento Alterações Corpóreas Implicações da Doença A expectativa média de vida aumentou significativamente nos Estados Unidos. Com o passar do tempo. o período máximo de vida – a idade mais avançada alcançada pelas pessoas – alterou pouco desde que esse tipo de registro vem sendo realizado. até muitas células não funcionarem normalmente ou morrerem. os órgãos começam a apresentar um mal funcionamento e. o organismo também morre. O envelhecimento programado ajuda na preservação da espécie. Apesar do aumento da expectativa média de vida. Espécies diferentes envelhecem em velocidades diferentes.

mesmo que metade do fígado seja destruída. As alterações da função renal podem afetar drasticamente o modo com que as pessoas idosas são capazes de eliminar certas drogas do organismo. Por exemplo. Algumas alterações podem ser evitadas com a mudança para um estilo de vida mais saudável. toxinas e doenças. Não é surpreendente que a maioria das funções internas também altere ao longo do tempo. a proporção de gordura corpórea aumenta em mais de 30% com o envelhecimento. porém contínuo. as pessoas mais idosas podem pensar que seus interlocutores estão murmurando. os pulmões e o fígado. As pessoas tendem a perder parte da capacidade de ouvir as tonalidades mais agudas (presbiacusia). Do mesmo modo. A distribuição da gordura também muda: há uma menor quantidade de gordura sob a pele e uma maior quantidade na área abdominal. Na maioria das pessoas. a maioria das funções permanece adequada durante toda a vida. A audição também altera com a idade. independentemente da idade do indivíduo. Os indivíduos que se expuseram a toxinas podem apresentar uma redução mais importante ou mais rápida da função de alguns órgãos. sofrem um declínio gradual. o coração não consegue bombear o suficiente quando forçado ao máximo. Como o Corpo Altera com a Idade • • • • • • • • • Diminução do fluxo sangüíneo para os rins. t. essas funções atingem seu ápice um pouco antes dos 30 anos e. Mesmo assim. É difícil se determinar com exatidão quais alterações estão exclusivamente relacionadas ao envelhecimento e quais são decorrentes do estilo de vida do indivíduo. Em geral. Um estilo de vida sedentário.anos de idade. Geralmente as doenças são responsáveis pela perda da função nas pessoas idosas. freqüentemente de forma mais intensa que o processo de envelhecimento. o declínio na função significa que as pessoas com mais idade estão mais sujeitas a efeitos adversos com o uso de medicamentos. mais do que o envelhecimento normal. Por essa razão. permanecerá uma quantidade de tecido hepático mais que suficiente para manter o funcionamento normal. apesar da quantidade de sangue que o coração bombeia em repouso não sofrer grande redução na pessoa idosa. As pessoas que trabalham em ambientes altamente ruidosos podem apresentar redução da capacidade auditiva. Por isso. especialmente os rins. Exercícios com sustentação do peso ajudam a manter a força dos músculos e ossos. o declínio de certos órgãos pode afetar significativamente a saúde e o bem-estar. ajuda a melhorar o funcionamento pulmonar e reduz a chance de desenvolver câncer pulmonar. pois quase todos os órgãos possuem uma capacidade funcional consideravelmente superior às necessidades do organismo (reserva funcional). Conseqüentemente. em seguida. Embora o declínio da função de muitos órgãos tenha pouco efeito sobre o modo de vida dos indivíduos. o fumo e o abuso do álcool e de drogas podem causar danos a muitos órgãos ao longo do tempo. algumas pessoas idosas acham que a música de um violino já não soa de modo tão emocionante quanto na juventude. a pele torna-se mais delgada. muitas pessoas acham difícil ler sem usar óculos. Entretanto. uma alimentação inadequada. mesmo aos 80 anos de idade. como a maioria das consoantes fechadas são emitidas com tonalidades agudas (sons como k. A interrupção do tabagismo. mas sem alteração da freqüência cardíaca em Diminuição do débito cardíaco (saída de sangue do coração) máximo Diminuição da tolerância à glicose Diminuição da capacidade pulmonar demobilização do ar Aumento da quantidade de ar retido nos pulmões depois de uma expiração Diminuição da função celular de combate às infecções medicamentos repouso 29 . fígado e o cérebro Diminuição da capacidade dos rins de eliminar toxinas e medicamentos Diminuição da capacidade do fígado de eliminar toxinas e metabolizar a maioria dos Diminuição da freqüência cardíaca máxima. mesmo frente a esse declínio. enrugada e frágil e a forma do tronco muda. mudanças de ambiente. Isto significa que atletas idosos não são capazes de apresentar desempenhos tão bons como os atletas mais jovens. p e ch). s.

Com freqüência. uma doença crônica não significa necessariamente incapacidade. nos idosos. Outros distúrbios afetam pessoas de todas as idades. causando dor outras demências outras funções intelectuais Úlceras de decúbito Hiperplasia benigna da Lesões da pele em decorrência da pressão prolongada Osteoporose Perda de cálcio dos ossos. as fraturas do quadril e as pneumonias. que Doença de bloqueia o fluxo urinário Parkinson 30 . depressão e confusão mental. Por sua vez. Em uma pessoa idosa. mesmo que elas não sejam curáveis. a qual pode ser confundida com a demência. enfermeiros. sendo que uma pode exercer influência sobre a outra. A gerontologia é o estudo do envelhecimento. Por exemplo. tradicionalmente. a equipe clínica. problemas renais. as doenças agudas. mais graves ou causando sintomas ou complicações diferentes nas pessoas idosas. Muitos idosos tendem a ocultar pequenos problemas de saúde e não procuram ajuda médica até que estes se tornem realmente graves. enquanto que. a depressão pode piorar a demência e o diabetes pode agravar uma infecção. Já uma tireóide hiperativa faz com que as pessoas mais jovens tornem-se agitadas e apresentem perda de peso. é comum os geriatras recomendarem o tratamento multidisciplinar. Uma doença pode causar sintomas diferentes em pessoas idosas. Quando a doença causa alguma perda temporária ou permanente da independência. sendo. Por essas razões. terapeutas. assistentes sociais. Com esse tipo de tratamento. passando a necessitar de auxílio psicológico e de um serviço social. embora. ativas e independentes. Outros fatores sociológicos complicam a doença nas pessoas idosas. Por exemplo. às vezes denominados síndromes geriátricas ou doenças geriátricas. a depressão algumas vezes acarreta confusão mental e perda de memória. Atualmente. a qual pode ser formada por médicos. planeja e implementa o tratamento sob a liderança do médico principal. Não há idade específica na qual uma pessoa tornase “idosa”. que os tornam frágeis e pode acarretar fraturas Doença cerebral degenerativa e lentamente progressiva que acarreta Aumento da próstata (nos homens). à retração e demonstrem tristeza. pelo fato de ser quando os trabalhadores adultos costumam aposentar. a depressão faz com que adultos jovens tornem-se propensos ao choro. Em geral. isolamento. muitas pessoas com diabetes. ela pode causar sonolência. como o infarto do miocárdio. As pessoas idosas tendem a apresentar mais de uma doença concomitantemente. a tireóide hipoativa também pode provocar confusão mental. Antigamente. podendo ser equivocadamente interpretado como demência. Diversos distúrbios. Fatores sociológicos e econômicos costumam influenciar a forma com que as pessoas idosas procuram e recebem cuidados médicos. Nas pessoas idosas. essas doenças são tratáveis e controláveis. Hoje. uma glândula tireóide hipoativa habitualmente faz com que pessoas mais jovens ganhem peso e tornem-se mais lentas. cardiopatias e outras doenças crônicas perceberam que podem manter-se funcionais. no entanto. quase sempre resultavam na morte de idosos.topo Implicações da Doença A geriatria é a especialidade médica que se ocupa das pessoas idosas e suas doenças. farmacêuticos e psicólogos. Distúrbios que Afetam Principalmente as Pessoas Idosas Moléstia ou Distúrbio Doença de Alzheimer e Explicação Moléstia ou Distúrbio Explicação Distúrbios cerebrais que acarretam a perda progressiva da memória e de Osteoartrite Degeneração da cartilagem que reveste as articulações. ela tenha sido estabelecida como sendo de 65 anos. ocorrem quase que exclusivamente em adultos idosos. as pessoas idosas padecem de uma doença de forma diferente à das pessoas mais jovens. a pessoa idosa pode tornar-se deprimida.

A morte era uma experiência familiar e quase todas as pessoas esperavam pouco mais do que Quando a Morte é Iminente Após o Falecimento Efeitos Sobre a Família 31 . perda de sensibilidade. rigidez muscular. dificuldade nos movimentos e instabilidade postural Câncer da glândula prostática (nos homens) Reativação do vírus da catapora latente. Tipo de leucemia Herpes zoster produzindo uma erupção cutânea e podendo acarretar dor prolongada Obstrução ou sangramento de um vaso Catarata Leucemia linfocítica crônica Diabetes tipo 2 (início na vida adulta) Tipo de diabetes que pode não exigir o tratamento com insulina Acidente Vascular Cerebral sangüíneo do cérebro. dificuldade para falar ou outros problemas neurológicos Aumento da pressão Glaucoma em uma das câmaras cegueira Grupo de doenças diversas caracterizaGamopatias monoclonais das pela proliferação anormal de um mesmo tipo de célula que produz níveis elevados de uma imunoglobulina Incontinência do olho.Morte e Processo de Morte Sintomas Durante uma Doença Fatal P r e v i s ã o d a M o r t e Cronologia da Morte Tomada de Decisões Aceitação da Morte Um século atrás.Fundamentos Capítulo 4 .próstata Opacificação do crista-lino. Aquelas que apresentavam uma cardiopatia ou câncer apresentavam uma pequena expectativa de uma vida longa após a doença ter sido diagnosticada. com comprometimento da visão Câncer de próstata tremores. acarretando fraqueza. podendo reduzir a visão e causar urinária Incapacidade de controlar a micção Seção 1 . quase todas as pessoas que sofriam lesões traumáticas ou contraíam infecções graves morriam logo em seguida.

a insuficiência hepática ou renal. A melhor previsão que o médico pode fazer baseia-se em probabilidades e no grau de confiabilidade dessas probabilidades. Além disso. possibilitandolhes muitos anos mais. é necessário se prever a morte de um indivíduo que apresenta uma doença crônica. nos quais a qualidade de vida e as funções vitais são bem satisfatórias. a doença pulmonar obstrutiva crônica. aumentar o desconforto e a dependência e diminuir a qualidade de vida do paciente. geralmente. elaborando os planos de acordo com essa realidade. estão morrendo. Hoje. mas com declínio das funções e da qualidade de vida. o acidente vascular cerebral. excetuando-se os tratamentos hospitalares. Contudo. topo Cronologia da Morte Com o envelhecimento. as pessoas envolvidas devem reconhecer a probabilidade de 90% de morte do paciente. como a AIDS. Geralmente. Freqüentemente. em torno dos 40 anos de idade. 32 . A audição também altera com a idade. Na ausência de informações estatísticas disponíveis. ocorre uma alteração de vários aspectos perceptíveis do organismo O primeiro sinal de envelhecimento talvez seja quando o olho não consegue focalizar com facilidade objetos próximos (presbiopia). certos tipos de câncer.perada. Por exemplo. freqüentemente diz-se que pessoas muito idosas e frágeis ou portadoras de uma doença fatal. Freqüentemente. A maioria das pessoas com doenças crônicas – como as cardiopatias. cuja previsão acurada pode ser difícil. Outras vezes. exigem um prognóstico para um período inferior a seis meses – um período de tempo arbitrário. mesmo quando a família tem consciência que a pessoa falecida apresentava uma doença grave. topo Previsão da Morte Algumas vezes. eles podem estimar com exatidão que 5 em cada 100 pacientes com condições críticas similares irão sobreviver e terão alta hospitalar. embora apresentem limitações no que diz respeito à atividade física. muitas pessoas acham difícil ler sem usar óculos. muitos pacientes e seus famíliares podem sentir que eles devem tentar essas terapias caso exista alguma probabilidade de sobrevivência. No entanto. Se a probabilidade de sobrevivência for de 10%. As principais causas de morte entre as pessoas com mais de 65 anos são as doenças cardíacas. o enfisema. o câncer.um tratamento de apoio por parte de seus médicos. e. o médico pode ser incapaz de estabelecer um prognóstico ou pode defini-lo baseando. valores e crenças religiosas interferem quando tais decisões são tomadas pelo paciente ou por amigos e parentes do paciente que está morrendo. Os procedimentos médicos geralmente prolongam a vida dos portadores dessas doenças. e morrer um pouco mais tarde através da instituição de uma terapia agressiva. As pessoas tendem a perder parte da capacidade de ouvir as tonalidades mais agudas (presbiacusia). a previsão de quanto tempo determinada pessoa sobreviverá é muito mais difícil. os seguros de saúde não cobrem o tratamento de apoio de doenças crônicas. a morte parece ines. Muitas vezes.se em análises estatísticas de grandes grupos de pacientes com condições similares. as pneumonias e a demência. o qual pode ser menos acurado. as escolhas possíveis ficam entre morrer mais cedo. é comum a morte ser considerada um evento que pode ser retardado indefinidamente e não uma parte intrínseca da vida. descrevendo recuperações notáveis. Questões filosóficas. Alguns médicos preferem dar esperança. mas com conforto. Dizer que uma pessoa está morrendo significa que existe uma expectativa de que ela venha a falecer em horas ou dias. deve ser fornecido às pessoas gravemente enfermas e às suas famílias as informações mais completas disponíveis e o prognóstico mais realista possível. a doença de Alzheimer e outras demências – vive durante anos. os procedimentos prolongam a vida.se em sua experiência pessoal. em muitas partes do mundo. Entretanto. mesmo quando a esperança de cura não é realista. a qual pode prolongar o processo agônico. sem mencionar a grande probabilidade da maioria das pessoas portadoras de tal doença acabar morrendo. Os médicos podem fazer um prognóstico de curto prazo razoavelmente preciso para um paciente com determinadas patologias baseando.

Mesmo assim. os pulmões e o fígado. piora subitamente e. mudanças de ambiente. freqüentemente de forma mais intensa que o processo de envelhecimento. pois quase todos os órgãos possuem uma capacidade funcional consideravelmente superior às necessidades do organismo (reserva funcional). as funções e o conforto diminuem substancialmente. a maioria das funções permanece adequada durante toda a vida. Em geral. topo Tomada de Decisões 33 . Embora o declínio da função de muitos órgãos tenha pouco efeito sobre o modo de vida dos indivíduos. No caso de indivíduos com câncer. o fumo e o abuso do álcool e de drogas podem causar danos a muitos órgãos ao longo do tempo. o coração não consegue bombear o suficiente quando forçado ao máximo. Contudo. Por exemplo. somente algumas horas ou dias antes de seu falecimento. uma alimentação inadequada. Por essa razão. às vezes com episódios de sintomas graves. a proporção de gordura corpórea aumenta em mais de 30% com o envelhecimento. essas funções atingem seu ápice um pouco antes dos 30 anos e. a qual é caracterizada por episódios de complicações e efeitos colaterais. enrugada e frágil e a forma do tronco muda. é cada vez mais comum que a morte ocorra com um lento declínio das faculdades do paciente durante um longo período. o declínio de certos órgãos pode afetar significativamente a saúde e o bem-estar. a morte geralmente é súbita.Por isso. como ocorre em algumas pessoas com câncer. as pessoas mais idosas podem pensar que seus interlocutores estão murmurando. como a maioria das consoantes fechadas são emitidas com tonalidades agudas (sons como k. A cardiopatia grave incapacita os indivíduos no decorrer do tempo e produz sintomas graves de modo intermitente e. assim como o enfisema. porém contínuo. um mês antes da morte. mesmo frente a esse declínio. Os indivíduos que se expuseram a toxinas podem apresentar uma redução mais importante ou mais rápida da função de alguns órgãos. em seguida. Isto significa que atletas idosos não são capazes de apresentar desempenhos tão bons como os atletas mais jovens. Habitualmente. Geralmente as doenças são responsáveis pela perda da função nas pessoas idosas. Um estilo de vida sedentário. Não é surpreendente que a maioria das funções internas também altere ao longo do tempo. permanecerá uma quantidade de tecido hepático mais que suficiente para manter o funcionamento normal. a energia. especialmente os rins. Do mesmo modo. sofrem um declínio gradual. p e ch). seguem esse padrão. as insuficiências hepática e renal e outras patologias crônicas. Entretanto. mesmo que metade do fígado seja destruída. O processo de morte pode caracterizar-se pela deterioração durante um longo período de tempo. é percebida a iminência da morte. a pele torna-se mais delgada. O conhecimento da possível evolução de uma doença permite que o paciente e sua família façam planos. s. o declínio na função significa que as pessoas com mais idade estão mais sujeitas a efeitos adversos com o uso de medicamentos. t. o paciente e sua família devem estar preparados para a sua ocorrência a qualquer momento. mais do que o envelhecimento normal. algumas pessoas idosas acham que a música de um violino já não soa de modo tão emocionante quanto na juventude. nesses casos. uma pessoa que está sendo submetida a um tratamento hospitalar intensivo decorrente de doença grave. sendo provocada por um distúrbio do ritmo cardíaco (arritmia). A distribuição da gordura também muda: há uma menor quantidade de gordura sob a pele e uma maior quantidade na área abdominal. como a doença de Alzheimer. Às vezes. Percebe-se nitidamente que a pessoa está entrando em falência e o fato de a morte estar próxima torna-se evidente para todos. Conseqüentemente. É difícil se determinar com exatidão quais alterações estão exclusivamente relacionadas ao envelhecimento e quais são decorrentes do estilo de vida do indivíduo. O processo de morte pode seguir um outro curso. Quando existe a possibilidade de morte em decorrência de uma arritmia. As alterações da função renal podem afetar drasticamente o modo com que as pessoas idosas são capazes de eliminar certas drogas do organismo. toxinas e doenças. a piora do quadro que precede a morte serve como advertência de que o paciente encontra-se em seus últimos dias de vida. As doenças neurológicas. apesar da quantidade de sangue que o coração bombeia em repouso não sofrer grande redução na pessoa idosa. Na maioria das pessoas.

um hospital.Para a melhor qualidade de vida possível durante uma doença fatal. O procurador fica autorizado a tomar decisões concernentes à saúde do paciente no caso dele tornar-se incapaz de fazê-lo. emocional e financeiro? • Esse sistema atenderá as suas preferências e os planos específicos? Procuração Permanente para Assuntos de Saúde O paciente deve nomear uma pessoa de confiança como procurador ou representante por meio de um documento legal denominado Procuração Permanente para Assuntos de Saúde. As orientações podem ser declarações gerais de objetivos e filosóficas. outros pacientes e famílias. sendo especialmente importante quando o parente mais próximo não é a melhor escolha como procurador ou quando a relação com o procurador não é legalmente reconhecida. como esses serviços são pagos e como ajudar o paciente e sua família na obtenção de serviços intensivos quando houver necessidade? Um sistema de assistência médica inclui um sistema de financiamento. e um sistema de prestação de serviços como. o paciente deve questionar sobre os cuidados que receberá ao final da vida: O médico tem experiência suficiente para tratar de pacientes terminais? O médico irá prover atendimento ao paciente em todos os locais – hospital. Se o paciente não nomear um procurador. o paciente e sua família devem avaliar: • Eles sentiram que as respostas às suas questões foram honestas? • Nesse sistema. Formular questões aos médicos. • Quais tratamentos são cobertos pelo sistema? • Quais são as informações disponíveis sobre os méritos dos tratamentos possíveis? Como o paciente pode entrar em contato com outros pacientes (e famílias) que foram tratados na instituição? • Quais são os tratamentos experimentais disponíveis? Quais foram as reações de outros pacientes a esses tratamentos? Como esses tratamentos são pagos? Tendo formulado essas questões.se mais específicas à medida que a doença avança. as quais devem tornar. assistentes sociais e demais profissionais envolvidos ajuda o indivíduo a encontrar um bom sistema de assistência médica. em algumas jurisdições e para algumas decisões. uma clínica para pacientes terminais e serviços de home care. Ao escolher um médico. eles receberão apoio médico. o parente mais próximo habitualmente tomará essas decisões. O médico deve apresentar ao paciente um quadro realista no que diz respeito às possibilidades de recuperação e de incapacitação durante e após várias opções de tratamento e o paciente informará ao médico e a sua família o que ele deseja ou não enfrentar. No entanto. O paciente deve definir suas preferências de tratamento e também seus desejos em relação ao local onde ele quer morrer e o que ele espera que seja feito quando a morte chegar. enfermeiros. Orientações Antecipadas e Testamento em Vida O paciente pode estabelecer orientações em relação aos tipos de tratamentos que deseja antes de necessitá-los. A existência de um procurador nomeado evita os gastos e a demora judiciais. é fundamental a comunicação aberta e honesta entre o paciente e seu médico sobre as preferências relativas ao tratamento no final da vida. fisioterapia e terapia ocupacional da comunidade? – quem está qualificado para esses serviços. No entanto. Essas orientações médicas antecipadas são importantes para o caso do paciente tornar-se incapaz de tomar decisões. As orientações antecipadas podem ser documentadas como testamentos em vida. por exemplo. clínica para pacientes terminais ou domicílio? O médico tratará de todos os sintomas (tratamento paliativo) no final da vida? O médico está familiarizado com os serviços de tratamento domiciliar. 34 . o parente mais próximo deve ser autorizado juridicamente. é suficiente uma carta escrita pelo paciente ou a documentação das orientações do paciente no prontuário médico. como as apólices de seguro e o managed care.

com enfermeiras e pessoal de apoio. No entanto. uma instituição para doentes terminais ou um hospital. A pessoa que deseja morrer na própria casa e não quer ser submetida a procedimentos de ressuscitação deve pedir ao médico para emitir uma ordem aos outros profissionais envolvidos para não executarem a sua transferência para o hospital e para não tentarem a sua ressuscitação. O local pode ser a casa do paciente. O importante é que eles se sintam satisfeitos por ter feito o possível para manter o bem-estar e a dignidade do paciente até a sua morte. Às vezes. Algumas resoluções como. pode ser desejo da família manter o paciente em casa – um ambiente familiar e confortante – e não em um hospital. por exemplo. o paciente deve entender completamente suas circunstâncias e escolhas. Além disso. Uma ordem contra a tentativa de ressuscitação faz sentido para a maioria dos pacientes que certamente morrerão e a família não sente tanto o fardo dessa decisão. Por exemplo. É improvável que o paciente venha a se beneficiar com a tentativa de ressuscitação. Às vezes. À medida que a morte se aproxima. as orientações devem ser passadas aos profissionais envolvidos em todas as fases do tratamento. O paciente. A ressuscitação pode ser proibida nas orientações antecipadas do paciente. é preferível essa sensação de não controle do que a responsabilidade de pensar sobre o que mais poderia ser feito. A alimentação e a água administradas através de tubos (nutrição e hidratação artificiais) freqüentemente são inúteis para um paciente terminal e também podem ser proibidas nas orientações antecipadas. a família e os profissionais da saúde devem ser realistas no que diz respeito à possibilidade da morte. É essencial ter uma conversa com o médico para que tais orientações sejam específicas e úteis. analisar essas possibilidades de modo objetivo pode ser difícil quando ocorrem eventos inesperados. A hospitalização pode ser recusada de forma explícita. Os pacientes e os familiares diferem em seu interesse por informações e em sua participação nas tomadas de decisão. para ter acesso a esses cuidados. os quais podem ajudar administrando medicamentos. Planejamento Terapêutico O paciente e sua família podem se sentir impotentes frente à doença e aos tratamentos.Ao tomar decisões sobre orientações antecipadas. Cuidados domiciliares de enfermagem é o tratamento realizado por uma instituição autorizada. devendo discutir as prováveis complicações e elaborar um plano de como enfrentá-las. o paciente terminal é persuadido a tentar um último tratamento. enfatizando o alívio dos sintomas. sacrifica seus últimos dias em decorrência de efeitos colaterais. Decisões ponderadas para uma instituição de pacientes terminais são irrelevantes se médicos e enfermeiros locais nada souberem acerca delas. Os membros da família devem insistir para que os médicos e demais profissionais da saúde ajudem na elaboração de planos específicos relativos a essas preferências e as respeitem. outras decisões afetam o paciente e a família de forma mais significativa e. o paciente deve ter um prognóstico de menos de seis meses de vida. avaliando o estado do indivíduo e prestando serviços pessoais. como dar banho. Serviços que Devemos Conhecer Home care é o tratamento supervisionado por um médico e ministrado na casa do paciente por profissionais da saúde. Além disso. sem oferecer ganhos efetivos na qualidade de vida. 35 . em geral. O paciente e a família devem ser céticos em relação a esses tratamentos. e que proporcionam apoio psicológico e social para o doente terminal e sua família. a autorização de ressuscitação – o único tratamento realizado automaticamente no hospital – são menos menos significativas do que parecem. o centro dos cuidados deve ser direcionado totalmente ao conforto do paciente. por essa razão. No entanto. merecem uma maior atenção. assegurando o não sofrimento. Cuidados para o paciente terminal são os cuidados ministrados no fim da vida do paciente. Em geral. como se não pudessem fazer nada em relação ao que está ocorrendo. as respostas emocionais influeciam as decisões. o qual.

para a maioria das pessoas esse é um momento de uma nova compreensão e de crescimento. um indivíduo em fase terminal e sua família podem sentir uma profunda sensação de paz. colocar em ordem os assuntos com os familiares e os amigos e aceitar o inevitável. permitindo que os membros da família do paciente ou profissionais da saúde viajem. assegurar ao paciente e à família o afeto necessário e ajudá-los na busca de um significado. inconsciência e invalidez. A preparação para a morte é uma tarefa difícil. seja como um exercício de autonomia determinando precisamente quando e como eles desejam morrer. Contudo. úlceras de decúbito e fadiga. irritados ou tristes e podem se isolar.Cuidados temporários que consistem em cuidados prestados em casa ou numa instituição de pacientes crônicos ou de pacientes terminais. ansiedade. problemas gastrointestinais. Apesar disso. No entanto. repleta de altos e baixos emocionais. delírio. Esse tipo de decisão não é considerada suicídio. sinta-se integrado no mundo e confortável. o profissional pode aumentar os esforços para controlar a dor. membros do clero participam da equipe terapêutica e os profissionais da saúde podem auxiliar as pessoas envolvidas a encontrar o apoio espiritual apropriado. com freqüência. perturbados. Comumente. A fisioterapia ou analgésicos. Em geral. como a alimentação parenteral e a respiração artificial. são utilizados para controlar a dor leve. topo Sintomas Durante uma Doença Fatal Muitas doenças fatais produzem sintomas semelhantes como. Através da solução de mágoas do passado e de relações abaladas. Em algumas instituições para pacientes terminais e hospitais. Uma discussão sobre o assunto com o médico poderá ser útil. seja em busca de alívio para uma situação intolerável. Também é comum a ocorrência de depressão. dor. caso não tenham contato com um padre ou outro líder espiritual. Para algumas pessoas. Os aspectos espirituais e religiosos são importantes para alguns pacientes e suas famílias. significa terminar o trabalho de toda uma vida. Esses cuidados podem se prolongar por dias ou semanas. permitindo que o indivíduo permaneça consciente. dificuldade respiratória. em razão do aumento do debate público sobre essa questão. Quando essas reações amenizam. Suicídio Muitos pacientes terminais e suas famílias chegam a considerar a possibilidade do suicídio. A radiação pode controlar certos tipos de dor produzidos pelo câncer. sobretudo atualmente. Dor A maioria das pessoas teme a dor ao se defrontarem com a morte. alguns pacientes e suas famílias optam pelo suicídio. confusão mental. Organizações voluntárias fornecem uma série de serviços de suporte financeiro e de auxílio a pessoas enfermas e às suas famílias. a hipnose ou o biofeedback – métodos que não produzem efeitos adversos importantes – aliviam a dor de modo eficaz. As pessoas que defendem o suicídio são em grande parte motivadas pela solidão. topo Aceitação da Morte É comum os indivíduos apresentarem uma reação de negação ao serem informados que eles provavelmente morrerão em decorrência de sua doença. por exemplo. como o acetaminofen e a aspirina. 36 . repousem ou dêem atenção a outros assuntos. pela sensação de inutilidade ou por sintomas incontroláveis. essas organizações ocupam-se de indivíduos portadores de uma determinada doença. Eles podem tornar-se confusos. ela pode ser controlada. dependendo das normas do sistema de tratamento e do plano de saúde. os indivíduos iniciam o processo de aceitação da morte – o que. os pacientes recusam tratamentos que podem prolongar a vida.

É indicada a utilização de uma solução para a higiene bucal que contenha pouco ou nenhum álcool. O médico pode ter que alterar a medicação ou receitar um medicamento antiemético (antináusea). Outros. uma vez que produtos que contêm álcool e que são derivados do petróleo podem produzir um grande ressecamento. a constipação. a mudança da posição do paciente. a diminuição da produção de secreção. dependendo do estado geral do paciente. da boca e da língua. Dificuldade Respiratória A dificuldade respiratória é uma das piores formas de se viver ou de morrer e também pode ser evitada. a náusea. são efeitos colaterais de medicamentos. A constipação traz muito desconforto. Problemas Gastrointestinais Esses problemas. em alguns casos com aspiração nasogástrica concomitante para manter o estômago vazio. pode ser preferível o uso de medicamentos que paralisem o intestino. A perda do apetite é comum na maioria dos pacientes terminais. do provável tempo de vida que lhe resta e da causa da obstrução. como a constipação. a obstrução intestinal e a perda de apetite. os dentes devem ser escovados ou devem ser utilizadas esponjas bucais para a limpeza de dentes. é freqüente.se de que o médico tomará todas as providências necessárias. é consenso quase geral entre os médicos que trabalham em instituições para pacientes terminais a administração de um narcótico em dose suficientemente alta para aliviar a falta de ar. Contudo. Podem ocorrer cólicas abdominais. o alívio da constipação é benéfico. Em quase todos os casos. Para o alívio da dor. A náusea causada por uma obstrução intestinal também pode ser tratada com antieméticos. 37 . É natural que ocorra uma diminuição do apetite e isso não acarreta problemas físicos adicionais. pode ser administrada durante um tempo limitado para se observar se uma melhor nutrição traz o conforto. mesmo que o tratamento provoque inconsciência ou acelere de alguma forma a morte. Vários métodos podem facilitar a respiração como. a administração de oxigênio suplementar ou a diminuição do volume de um tumor que esteja obstruindo as vias respiratórias decorrente da radiação ou de corticosteróides. evitando que o paciente desperte freqüentemente em conseqüência do esforço respiratório. Os pacientes não manterão sua força obrigando-se a comer. por exemplo. A obstrução intestinal pode exigir cirurgia. A dependência medicamentosa não deve ser levada em consideração e medicamentos adequados devem ser administrados desde o início e não se deve aguardar que a dor se torne insuportável. mesmo que eles não estejam sentindo dor. existem produtos adequados para as fissuras labiais. é necessário um regime com emolientes de fezes. a necessidade do uso de narcóticos. O paciente que deseja evitar a dificuldade respiratória ao final da vida deve certificar. Além disso. Os narcóticos ajudam os pacientes com dificuldade respiratória leve e persistente a respirar com maior facilidade. mesmo nos estágios finais da doença. O uso de narcóticos na hora de dormir permite um sono confortável. e podem ser tomadas outras medidas para o conforto do paciente. embora possa angustiar o paciente e sua família. mesmo que isso provoque a inconsciência do paciente. os narcóticos podem ajudar. obstrução intestinal ou doença avançada. a nutrição ou a hidratação – administradas por via intravenosa ou por uma sonda passada através de uma narina até o estômago –. Para evitar problemas dentais. A ingestão limitada de alimentos. Quando esses tratamentos são ineficazes. Se não houver expectativa da morte em horas ou dias. Alguns dos problemas são causados pela própria doença. a lucidez ou a energia do paciente. a falta de atividade física e certos medicamentos produzem diminuição dos movimentos intestinais. A náusea e o vômito podem ser causados por medicamentos. laxantes e enemas para o alívio da constipação. A boca seca pode ser aliviada por algodão ou gazes umedecidos que são aplicados sobre os lábios ou por balas. como a codeína e a morfina. Não há uma dose padrão: alguns necessitam de pequenas doses enquanto outros precisam de doses muito maiores. especialmente quando o problema é causado por narcóticos. Os narcóticos administrados por via oral podem aliviar eficazmente a dor por muitas horas e os narcóticos mais fortes podem ser administrados sob a forma injetável. são comuns em doentes graves.No entanto. Muitas vezes. incluindo a boca seca. mas podem sentir algum conforto comendo pequenas porções de seus pratos caseiros favoritos.

A redução da ingestão de alimentos e líquidos pode diminuir a necessidade de aspiração por causa da menor quantidade de líquido acumulado na garganta e pode reduzir a dor causada pela menor pressão sobre os tumores. A sensação de não estar sendo devidamente informado ou de estar sendo sobrepujado pode causar ansiedade. Depressão e Ansiedade A sensação de tristeza ao contemplar o fim da vida é uma resposta natural. Na verdade. 38 . os pacientes não devem ser forçados a comer ou a beber. Confusão Mental. Um indivíduo terminal que apresenta ansiedade deve receber o apoio de conselheiros e pode necessitar de medicamentos ansiolíticos. Solução de Continuidade da Pele Os pacientes terminais podem apresentar soluções de continuidade (lesões) da pele que acarretam desconforto. A redução da ingestão de alimentos ou de líquidos não causa sofrimento. mas esse sentimento não deve ser confundido com a depressão. Freqüentemente. principalmente se isso consumir a energia necessária para atividades que causam mais satisfação. O indivíduo no estado terminal que apresenta delírio ou incapacidade mental não percebe a eminência da morte. a tranqüilização e a reorientação podem aliviar a confusão mental. enxerga apenas o lado triste da vida ou não sente emoções. mesmo nas últimas semanas de vida. Fadiga A maioria das doenças fatais causa fadiga. e melhora a qualidade de vida durante o tempo que resta ao paciente. uma infecção pouco importante ou mesmo pela alteração do ritmo de vida. O indivíduo deprimido perde o interesse pelo que ocorre à sua volta. mas o médico sempre deve ser informado sobre o sintoma para que sejam aventadas as possíveis causas tratáveis. especialmente nos casos em que há necessidade de meios de contenção. Essa medida muitas vezes ajuda o organismo a liberar maiores quantidades das substâncias químicas naturais que aliviam a dor (endorfinas). à medida que o coração e os rins começam a falhar. Essa situação pode ser aliviada quando o paciente solicita informações mais precisas ou ajuda às pessoas responsáveis pelo seu tratamento. Estratégias que foram úteis no passado como. o tratamento – o qual combina medicamentos e aconselhamento – é eficaz. o estímulo à confiança. por exemplo. apresentam maior risco. não é essencial a ida a uma consulta médica ou a continuação da prática de exercícios que não produzem mais efeitos benéficos. tubos intravenosos ou hospitalização. Devem ser feitos todos os esforços possíveis para proteger a pele e o médico deve ser imediatamente comunicado caso ocorra hiperemia (rubor) ou lesão. O paciente e sua família devem conversar com o médico sobre esses sentimentos para que a depressão seja diagnosticada e tratada. O paciente muito confuso pode exigir atenção constante ou apenas uma sedação leve. a ingestão normal de líquidos freqüentemente provoca dificuldade respiratória à medida que ocorre um acúmulo de líquido nos pulmões.O paciente e sua família devem entrar em um acordo explícito com o médico em relação aos objetivos dessas medidas e ao momento ideal de sua interrupção. A pressão sobre a pele decorrente da permanência na posição sentada ou do movimento sobre lençóis pode produzir lacerações ou lesões cutâneas. Os pacientes com mobilidade limitada. caso elas não estejam ajudando. podem ser úteis para o paciente. permanecendo sobretudo confinados ao leito ou sentados. A ansiedade é caracterizada por uma preocupação excessiva e ela ocorre quando a preocupação e o temor são tão grandes que passam a interferir nas atividades cotidianas. Delírio e Inconsciência Os pacientes gravemente doentes freqüentemente apresentam confusão mental. inclusive nos últimos dias de vida. Os indivíduos que costumam ficar ansiosos durante períodos de estresse são mais propensos à ansiedade frente à proximidade da morte. Algumas vezes. Esse estado pode ser desencadeado por um medicamento. o uso de medicamentos e a canalização da preocupação para atividades produtivas. Um indivíduo em fase terminal pode tentar poupar energia para a realização de atividades realmente importantes. Com freqüência. Por essa razão.

especialmente quando o indivíduo e sua família estiverem em paz e tiverem elaborado todos os planos. podem ocorrer algumas contrações musculares e o tórax pode movimentar-se como se o paciente estivesse respirando. topo Quando a Morte é Iminente A perspectiva da morte levanta dúvidas acerca da natureza e do significado da vida e das razões para o sofrimento e a morte. Quase todas as pessoas que estão morrendo precisam de ajuda nas últimas semanas. mas também podem ser equivocadamente interpretados como uma melhora do quadro. mesmo se a invalidez progredir. devem ser tomadas providências para acomodar essa pessoa por um tempo indefinido. preferindo uma morte mais precoce à internação. Esse tipo de respiração pode persistir por horas.No entanto. nos momentos finais da vida. Não se deve permitir que a enorme quantidade de diagnósticos e tratamentos clínicos acabe ocultando as questões maiores e a importância das relações humanas. preparar a comida. Não existem respostas fáceis para essas dúvidas fundamentais. Esses episódios podem ser muito significativos para os membros da família. mas não deve esperar que eles ocorram. de fisioterapia e de atendimento domiciliar de enfermagem ajudam a pessoa a permanecer em seu domicílio. A mudança de posição do paciente ou o uso de medicamentos para eliminar as secreções pode minimizar o ruído. No momento da morte. às vezes denominada “estertor agônico”. é difícil prever o momento exato da morte. 39 . na maioria dos casos. conselheiros e amigos. pois a respiração ruidosa ocorre em uma fase em que o paciente não tem consciência do que está ocorrendo. Freqüentemente. os membros tornam-se frios e podem apresentar uma coloração azulada ou um moteamento e a respiração pode tornar-se irregular. As famílias são orientadas a não insistir no estabelecimento de previsões exatas e a não confiar totalmente nas previsões fornecidas. eles poderão se despedir como se a pessoa efetivamente as estivesse ouvindo. A família deve estar preparada para esses episódios. A morte ocorrida durante um período de inconsciência é uma forma muito tranqüila de morrer. a incapacidade progressiva acompanha as doenças fatais. As pessoas afetadas tornam-se gradualmente incapazes de administrar o lar. Às vezes. o antídoto mais importante para o desespero é. se sentir amado. ele pode apresentar períodos de lucidez surpreendente. aproximadamente metade das pessoas que estão morrendo permanece inconsciente. Se os membros da família acreditarem que a pessoa nesse estado ainda é capaz de ouvir. pacientes muito frágeis sobrevivem além do que seria de se esperar. Essa invalidez deve ser prevista e devem ser implementadas medidas como. Nos últimos dias de vida. O coração pode bater durante alguns minutos após a cessação da respiração e o paciente pode apresentar uma crise convulsiva de curta duração. andar ou realizar os cuidados pessoais. Na busca por respostas. A consciência pode diminuir. os pacientes gravemente enfermos e suas famílias podem fazer uso de seus próprios recursos. Normalmente. religião. por exemplo. a escolha de uma moradia com acesso a cadeira de rodas e próxima da moradia dos familiares que cuidam do paciente. Serviços como o de terapia ocupacional. Invalidez Freqüentemente. Algumas pessoas preferem permanecer em casa mesmo sabendo que a segurança é menor. Se o paciente exprimir o desejo de que uma determinada pessoa permaneça ao seu lado no momento da morte. Com a proximidade da morte. tratar dos assuntos financeiros. Esse tratamento tem como objetivo o conforto da família ou das pessoas que estão tratando do paciente terminal. existem sinais característicos que indicam a iminência da morte. Eles podem falar e participar de rituais religiosos ou familiares ou de atividades significativas. As secreções na garganta ou o relaxamento dos músculos dessa região levam à produção de uma respiração ruidosa. Outros pacientes morrem rapidamente.

Quando um indivíduo encontra. são atitudes aceitáveis. Essa atitude parece afastar o medo irracional de que o indivíduo não tenha morrido realmente. para a transferência dos bens materiais que pertenciam ao falecido e para o estabelecimento da herança. A família pode demonstrar relutância em solicitar ou aprovar a realização de uma autópsia. cuidam voluntariamente do enfermo em seus dias finais. insistindo para que seja dada uma razoável atenção a esse aspecto e planejando antecipadamente para limitar ou se preparar para tais gastos. A reconstrução da vida após o período de luto depende da tipo de relação existente com o falecido.se hospitalizado. Do mesmo modo. as instituições para pacientes terminais e os programas de home care têm rotinas para notificar as autoridades. do modo como a morte ocorreu e dos recursos emocionais e financeiros disponíveis. Eles devem investigar como os profissionais da saúde podem auxiliá-los para tornar essa carga suportável. A obrigatoriedade de um atestado de óbito costuma ser subestimada. para o acesso a contas bancárias. mesmo um pouco após o óbito. acariciar ou abraçar o organismo de uma pessoa moribunda. ver o corpo após o óbito conforta as pessoas mais íntimas do morto. a família deve entrar em contato com um médico legista ou um agente funerário para tomar conhecimento das medidas cabíveis. elas devem ser notificadas com antecedência que a pessoa está morrendo em casa e que sua morte está sendo aguardada. topo Após o Falecimento A morte deve ser declarada por uma pessoa investida da autoridade para fazê-lo – normalmente um médico – e a causa e as circunstâncias da morte devem ser atestadas oficialmente. o enfermeiro responsável geralmente explica todos esses detalhes. Apesar dela não ser útil ao falecido. em geral mulheres de meia-idade ou mais idosas. Em geral. Freqüentemente. o tratamento domiciliar e os deslocamentos. deve ser assegurado aos membros da família que tocar. poupando assim a família dessas situações desconfortáveis. a família deve saber previamente o que esperar e quais providências tomar. Esse documento legal é necessário para as reivindicações junto às seguradoras. de sua idade. a família e as pessoas mais íntimas iniciam o processo de perda. Parentes próximos. Comumente as incisões efetuadas durante a autópsia são ocultas pelas roupas. Um estudo demonstrou que um terço das famílias despende a maior parte de suas economias ao tratar de um parente moribundo. O atendimento dessas exigências varia substancialmente de país para país ou mesmo de uma região a outra. Caso o paciente não esteja sendo tratado por alguma instituição. topo Efeitos Sobre a Família A família e os amigos íntimos são companheiros de viagem do paciente terminal e também sofrem. Após a autópsia. 40 . a família necessita sentir que ela fez tudo que foi possível. A família também deve procurar se inteirar sobre os custos da morte de um membro da família. a família deve ser informada sobre o que está ocorrendo e sobre o que provavelmente irá ocorrer. Mesmo antes da morte. Se o paciente planejar morrer em casa. Se houver necessidade de chamar a polícia ou outras autoridades. o corpo pode ser preparado pela agência funerária ou pela família para o enterro ou cremação. Durante o processo de agonia do paciente.A menos que o paciente terminal seja portador de uma doença infecciosa rara. Uma conversa com o médico algumas semanas após o óbito pode ajudar a dissipar dúvidas remanescentes. ela pode ser de valia para a família e outros portadores da mesma doença. pois revela maiores detalhes a respeito do processo patológico. Existem os custos do afastamento do emprego. A família deve discutir francamente sobre os custos com o médico. assim como as despesas com medicamentos. A família deve providenciar uma quantidade de cópias suficientes.

reduzindo a carga sobre a família. Após a morte. Embora trate-se de uma tarefa difícil.Aspectos gerais dos Medicamentos Reações adversas M e d i c a m e n t o s d e r e c e i t a o b r i g a t ó r i a Nomes dos Medicamentos Dinâmica e Cinética dos Medicamentos Ação do Medicamento Resposta aos Medicamentos Eficácia e segurança Interações Medicamentosas Abuso de drogas 41 .Medicamentos Capítulo 5 .A solidão. mas a sensação de perda persiste. Com freqüência. mas conseguem aceitá-la e dão prosseguimento à vida. a desorientação e a sensação de irrealidade experimentadas durante o período próximo da morte diminuem ao longo do tempo. a família deve estabelecer a herança. Seção 2 . As pessoas não “superam” uma morte. a discussão sobre os bens e as questões financeiras no período que antecede a morte é uma boa medida. esse tipo de procedimento revela documentos que podem ser assinados ou questões que podem ser decididas pelo paciente.

Várias substâncias obtidas de vegetais e animais são ainda hoje consideradas muito valiosas. usos modernos Droga Digital Quinina Alcalóides da vinca Insulina Origem Dedaleira-purpúrea Casca de Cinchona Pervinca Insulina suína. O medicamento ibuprofen. medicamentos com excelente registro de segurança podem ser aprovados pela FDA para venda livre. A busca por substâncias para combater as doenças e para alterar o humor e a consciência é quase tão primitiva quanto a busca por alimento e abrigo. Os medicamentos de venda livre – considerados seguros para uso sem supervisão médica – são vendidos nas farmácias sem receita. Uma definição prática de droga é qualquer substância química que afeta o corpo e seus processos. mas que atualmente pode ser comprada sem receita. Pela lei vigente nos Estados Unidos.Em todas as civilizações de que se tem registro histórico. mas quase todas as drogas utilizadas na medicina moderna são produtos do avanço da química orgânica sintética e da biotecnologia desde o final da Segunda Guerra Mundial. o tratamento ou a prevenção das doenças. uma droga é qualquer substância (exceto alimentos ou dispositivos) cuja finalidade é o diagnóstico. sem necessidade de receita. 42 . Os medicamentos de receita obrigatória – considerados seguros para uso apenas sob supervisão médica – podem ser fornecidos somente mediante uma receita por escrito de um profissional habilitado (por exemplo. ela não é prática no dia-a-dia. é uma droga que antigamente precisava de receita para compra. ou drágea de uma substância aprovada para venda livre é substancialmente menor que a quantidade em uma dose do medicamento receitado. um analgésico. Freqüentemente a quantidade do ingrediente ativo existente em cada comprimido. Nos Estados Unidos. a cura. a Food and Drug Administration (FDA) é o órgão governamental que decide quais medicamentos precisam obrigatoriamente de receita e quais podem ser vendidos livremente. o alívio. Nos Estados Unidos. ou qualquer substância que tenha como objetivo afetar a estrutura ou funções do corpo. as pessoas têm feito uso de remédios de origem vegetal e animal na prevenção e no tratamento das doenças. médico. bovina e humana (manipulada geneticamente) Distúrbio Tratado Insuficiência cardíaca Malária Câncer Diabete Urocinase Ópio topo Culturas de células renais humanas Papoula Coágulos sangüíneos Dor Medicamentos de receita obrigatória Legalmente. Embora essa definição abrangente seja importante para finalidades legais. cápsula. os medicamentos são divididos em duas categorias: os que dependem de prescrição (receita) para compra e os de venda livre. dentista ou veterinário). Os anticoncepcionais orais são exemplos de drogas que afetam a estrutura ou as funções do corpo sem ter relação com um processo patológico. Medicamentos tradicionais. sem necessidade de receita. o inventor ou descobridor de uma substância nova recebe uma patente que lhe assegura direitos exclusivos para uso da fórmula durante dezessete anos. embora comumente muitos desses anos já tenham transcorrido por ocasião da aprovação da substância para venda. Depois de muitos anos de uso dentro da norma de prescrição.

medicamento genérico é um preparado que contém o mesmo fármaco da marca original e é comercializado com a Denominação Comum Brasileira. As exigências objetivam dar segurança tanto a médicos como a pacientes de que o genérico terá o mesmo efeito que o medicamento de referência (marca comercial patenteada). Por essa razão. o medicamento pode ser legalmente comercializado. normalmente multinacional. propondo-se a manter equivalência terapêutica com os mesmos. Depois que a patente expira. que seja curto e fácil de lembrar. E é este princípio ativo que será copiado para a elaboração do genérico. também comercializados. De acordo com a lei. Todo remédio tem de ter um princípio ativo. O nome químico descreve a estrutura atômica ou molecular da substância. por meio da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária. um nome genérico (não registrado) e um nome comercial (registrado ou de marca). Genérico é o medicamento que possui o mesmo princípio ativo. Na maior parte dos casos. cuja patente já está vencida. No Brasil. em alguns casos os nomes comerciais ligam o medicamento ao uso pretendido. para os médicos receitarem e os consumidores procurarem pelo nome. Similar é um medicamento que copia os chamados remédios de marca ou de grife. Cada medicamento de proprietário recebe pelo menos três nomes: um nome químico. Princípio ativo é a substância do medicamento que provoca sua ação terapêutica. as mesmas características e a mesma ação terapêutica que um de marca. exceto no caso de algumas substâncias inorgânicas simples. Nos Estados Unidos. mas que ainda não cumprem as exigências da regulamentação.3-diidro-1-metil-5-fenil-2 H-1. A companhia tenta escolher um nome exclusivo. topo Nomes dos Medicamentos Algum conhecimento de como os medicamentos recebem seus nomes ajuda a decifrar os rótulos desses produtos. ou de referência. O nome comercial é escolhido pela companhia farmacêutica que fabrica o produto. por qualquer fabricante ou vendedor aprovado pela FDA. O fabricante de uma versão genérica pode optar por conferir ao medicamento seu próprio nome comercial quando acredita que sua versão “de marca” irá vender melhor. as versões genéricas são vendidas a preços mais baixos que o medicamento original. Embora descreva e identifique com precisão o produto. A FDA exige que as versões genéricas dos medicamentos possuam os mesmos ingredientes ativos do original e que sua taxa de absorção seja igual. estabelecendo as exigências para que um medicamento possa ser comercializado pelo nome de seu princípio ativo. seguida do nome do fabricante. a substância é considerada um medicamento registrado. como o bicarbonato de sódio.4benzodiazepin-2-ona Nome Genérico acetaminofen diazepam Nome Comercial Tylenol Valium 43 . O que significa um nome ? Nome Químico N-(4-hidroxifenil) acetamida 7-cloro-1.Enquanto a patente for válida. a United States Adopted Names (USAN) Council. pesquisado e desenvolvido por outro laboratório farmacêutico. com seu nome genérico. o Ministério da Saúde.787/99). o nome genérico é dado por uma organizaçåo oficial. habitualmente é muito complexo e inconveniente para uso geral. Não confundir genéricos com os chamados produtos similares. regulamentou a Lei dos Genéricos (lei 9. Um medicamento genérico (não registrado) não é protegido por patente. mas o detentor original dos direitos autorais ainda controla os direitos do nome comercial do medicamento.

muitas e muitas vezes. pelas células renais. alívio da dor. a intensidade da ação do medicamento depende de como responderão os processos-alvo. distrofia muscular. isto é. da eficiência da degradação hepática (metabolismo) e da rapidez com que eles são eliminados pelos rins e intestinos. não alteram a natureza básica dos processos existentes nem criam novas funções. a ponto de produzir efeitos colaterais ou reações tóxicas graves. Todos os médicos sabem que a seleção da dose correta é tarefa verdadeiramente complicada. em grande parte. O tempo necessário para eles começarem a agir e a duração de seus efeitos freqüentemente dependem da rapidez com que eles chegam na corrente sangüínea. a secreção de substâncias pelas glândulas (como muco. esclerose múltipla e mal de Alzheimer.N’-[2-[[(5-metil-1 H-imidazol4-il) metil]tio]etil]guanidina topo haloperidol Haldol cloridrato de pseudoefedrina cimetidina Allegra D Tagamet Dinâmica e Cinética dos Medicamentos Duas características clínicas principais influenciam a seleção e o uso de um medicamento: sua farmacodinâmica (o que o medicamento faz ao corpo) e sua farmacocinética (o que o corpo faz ao medicamento). redução do nível do colesterol plasmático). as reações bioquímicas que promovem a contração dos músculos. e a transmissão de mensagens pelos nervos. ele deve atingir o local do corpo onde está ocorrendo o problema. redução da pressão sangüínea. do volume de água e da quantidade de sais retidos ou eliminados pelo corpo. se reconhecermos que os medicamentos afetam apenas a velocidade de ocorrência das funções biológicas. a farmacodinâmica descreve onde (o lugar) e como (o mecanismo) determinado medicamento atua no corpo. o local e o mecanismo de ação precisos talvez não sejam esclarecidos senão anos depois de o medicamento ter comprovado seu valor. 44 .4-[4-( p-clorofenil)-4-hidroxipiperidino]-4'fluorobutirofenona DL-treo-2-(metilamino)-fenilpropan-1-ol N”-ciano. mas apenas recentemente foram descobertas a química e as estruturas cerebrais envolvidas no alívio da dor e na euforia produzidos por essas drogas. reduzem as convulsões enviando ao cérebro uma ordem determinando que esse órgão reduza a produção de certas substâncias químicas cerebrais. topo Ação do Medicamento O mistério que envolve a ação de um medicamento pode ser esclarecido. Para que um medicamento funcione. ácido gástrico ou insulina). da rapidez com que eles deixam a corrente sangüínea. Os medicamentos aceleram ou retardam. e é por isso que a ciência da farmacocinética é importante. mas não prolongadamente. o ópio e a morfina têm sido usados há séculos para aliviar a dor e a angústia. Alguns medicamentos antiepilépticos. a regulação. Além do que o medicamento faz (por exemplo. Uma quantidade suficiente do medicamento deve permanecer no local de ação até que a substância “faça seu trabalho”. como insuficiência cardíaca. Em geral. Embora fique logo evidente o que o medicamento faz. por exemplo.N-metil. Exemplificando. por exemplo. Muitos medicamentos atingem o local de ação através da corrente sangüínea. da quantidade que atinge a corrente sangüínea. Assim. Essa limitação fundamental de sua ação justifica grande parte da frustração atual nas tentativas de tratamento de moléstias degenerativas ou que destroem tecidos. Mas os medicamentos não podem restaurar os sistemas que já estão lesionados sem possibilidade de reparo. artrite. as drogas podem alterar a velocidade de processos biológicos existentes.

O modo de avaliar a ação de determinado medicamento (efeito colateral ou efeito desejável) depende do motivo para seu uso. com base em testes laboratoriais em animais e em experimentos em seres humanos. turvamento da visão. confusão mental. Um medicamento pode afetar várias funções. Por isso. uma boa comunicação entre paciente e médico garante que efeitos indesejáveis sejam minimizados ou evitados. Habitualmente. os anti-histamínicos podem ajudar a aliviar os sintomas da alergia. também causam alguns efeitos indesejáveis. provocando pressão arterial baixa na pessoa que está sendo tratada para pressão arterial alta ou um baixo nível de açúcar no sangue da pessoa com diabetes. como nariz entupido. Exemplificando. anti-histamínicos são os ingredientes ativos nos sedativos que podem ser comprados livremente. Pessoas com doenças renais e hepáticas têm maiores problemas para a eliminação dos medicamentos depois de sua entrada no corpo. Embora muitos medicamentos recentes sejam mais seletivos que seus predecessores. topo Reações adversas No início do século passado. Esses efeitos são chamados efeitos colaterais ou reações adversas. Mas. Em vez disso. Mas a maioria dos medicamentos não pode manter um nível específico de ação. Se a dose efetiva comum de 45 . Assim. como a maioria afeta o sistema nervoso central. Embora eles atuem contra as doenças. ainda não existe o remédio perfeito. ou um nível normal de açúcar no sangue de alguém com diabetes. Apesar disso. Recém-nascidos e pessoas idosas metabolizam os medicamentos mais lentamente que crianças e adultos. quando esses remédios são tomados com essa finalidade. sua capacidade de produzir sonolência é um efeito benéfico.topo Resposta aos Medicamentos Os indivíduos respondem de maneira diferente aos medicamentos. não um efeito colateral incômodo. sem lesionar os tecidos sadios. poderiam manter automaticamente um nível desejável de ação. constipação e problemas de micção. Uma dose padrão ou média é determinada para cada medicamento novo. o cientista alemão Paul Ehrlich descreveu o medicamento ideal como um “projétil mágico”: direcionado precisamente para o local da doença. O paciente informa ao médico como o medicamento o está afetando. Poucos medicamentos se aproximam da precisão prevista por Ehrlich. Se os medicamentos tivessem um controle cruzado. embora objetive apenas uma delas. e o médico ajusta a dose. sua segurança é relativa. Uma pessoa de grande estatura geralmente precisa de uma dose maior que uma pessoa pequena para que ocorra o mesmo efeito. boca seca. causam um efeito demasiadamente intenso. os anti-histamínicos também costumam causar sonolência. Quanto mais ampla a margem de segurança (janela terapêutica) – a diferença entre a dose efetiva comum e a dose que produz efeitos colaterais graves ou que põem em risco a vida do usuário – mais útil será o medicamento. olhos lacrimejantes e espirros. mas quase ninguém fica vestido com perfeição. Tendo em vista que todos os medicamentos tanto podem causar danos como benefícios. topo Eficácia e segurança Os dois princípios que norteiam o desenvolvimento de um medicamento são eficácia e segurança. poderiam manter uma pressão arterial normal em alguém com pressão arterial elevada. Mas o conceito de uma dose média é como o conceito de “tamanho único” para uma roupa: ela veste grande número de pessoas suficientemente bem.

exceto em situações-limite. Os melhores medicamentos são eficazes e. Pessoas que tomam warfarina precisam ser freqüentemente submetidas a exames de controle para que se verifique se o medicamento está exercendo efeito excessivo ou deficiente na coagulação do sangue. tanto no aspecto positivo como no negativo. por exemplo. As pessoas também devem manter bem informados os profissionais de saúde sobre sua história clínica. A warfarina. avaliar mais adequadamente como o medicamento está funcionando e se estão ocorrendo problemas sérios com seu uso. pode causar sangramentos. em particular quando também estão tomando medicamentos de receita obrigatória. As interações medicamentosas nem sempre são prejudiciais. as pessoas tratadas com clozapina devem realizar exames de sangue freqüentes durante o tempo em que estão usando o medicamento. os médicos não desejarão utilizá-lo. o farmacêutico pode ajudar a verificar a possibilidade de interações. Exceto em pessoas alérgicas a ela. Juntos. a despeito de possuírem uma margem de segurança muito estreita. Assim. no mesmo período. Quando as pessoas sabem o que esperar de um medicamento. a penicilina é virtualmente atóxica. Em virtude desse risco. antiácidos e remédios para tosse e resfriado). A penicilina é um deles. barbitúricos. quando não há alternativa mais segura. Por outro lado. As pessoas também devem consultar um farmacêutico de confiança ao selecionar medicamentos de venda livre (por exemplo. Clozapina é outro exemplo. à enfermeira ou ao farmacêutico quanto aos objetivos do tratamento. Embora muitas pessoas não considerem o álcool uma droga. os outros medicamentos que estão tomando e qualquer outro dado relevante. alguns medicamentos utilizados no tratamento da pressão arterial alta são receitados em combinação. para ajudar a garantir os melhores resultados. podem. que eram comumente utilizados como sedativos. Médicos ou farmacêuticos podem esclarecer as dúvidas sobre possíveis interações entre o álcool e medicamentos. com o objetivo de reduzir os efeitos colaterais que poderiam ocorrer se apenas um medicamento fosse receitado em dose mais elevada. na maioria dos casos. Esse medicamento costuma trazer benefícios às pessoas que sofrem de esquizofrenia quando todos os demais medicamentos fracassaram. junto com seus médicos. Mas a clozapina tem um efeito colateral sério: ela pode diminuir a produção dos glóbulos brancos do sangue (leucócitos). dois ou mais medicamentos podem interagir de forma satisfatória ou prejudicial. laxantes. cada um deve tomar conhecimento de todos os medicamentos que estão sendo utilizados. os tipos de reações medicamentosas adversas e os problemas que costumam ocorrer. Por exemplo. alterar o ritmo cardíaco e mesmo causar a morte se ingeridos em excesso. que mantenha um perfil medicamentoso completo para cada paciente. mesmo em doses altas. topo Interações Medicamentosas Quando tomados. os medicamentos podem ser mais efetivos no tratamento de um problema ou aumentar a quantidade ou a gravidade das reações adversas. As interações medicamentosas ocorrem tanto entre medicamentos de receita obrigatória como entre medicamentos de venda livre. Alguns medicamentos precisam ser usados. 46 . Qualquer pessoa que esteja tomando um medicamento não deve hesitar em pedir explicações ao médico. Quando mais de um médico está envolvido no tratamento.determinado medicamento for também tóxica. como o triazolam e temazepam. seguros. que protegem contra infecções. Deve também saber até onde esses profissionais podem participar no plano terapêutico. possuem maiores margens de segurança. podem interferir na respiração. essa substância afeta os processos do corpo e freqüentemente é responsável por interações medicamentosas. É preferível que as pessoas obtenham todos os medicamentos de receita obrigatória em uma mesma farmácia. Os medicamentos sedativos mais recentes. utilizada para evitar a coagulação do sangue.

diazepínicos. A substância deixa o corpo (eliminação) pela urina ou pela conversão em outra substância.Administração. As mais comuns são: álcool. a mais conveniente. como outros medicamentos e a alimentação. maconha. instilados no olho (ocular). cocaína. anfetaminas. afetam a forma de absorção dos medicamentos depois de 47 . Seção 2 . vantagens e desvantagens específicas. Sempre houve um “lado obscuro” na descoberta e no uso das drogas. segura e barata. especialmente das que aliviam a ansiedade ou alteram o humor e comportamento por formas que satisfazem as necessidades emocionais das pessoas. benzo. para algumas pessoas..Deixe que Saibam. Distribuição e Eliminação dos Medicamentos Administração Absorção Distribuição Eliminação O tratamento por medicamentos implica a introdução de uma substância no corpo (administração). LSD (dietilamida do ácido lisérgico) e PCP (fenciclidina). O abuso de drogas – uso excessivo e persistente de substâncias que alteram a mente. barbitúricos. Mas. topo Administração Os medicamentos podem ser administrados por diversas vias: pela boca (oral). sem necessidade clínica vem acompanhando o uso clínico apropriado dessas drogas ao longo de toda a história. Contudo. as drogas vêm trazendo enormes benefícios no alívio do sofrimento e na prevenção e tratamento das moléstias. a palavra droga significa uma substância que altera a função cerebral de forma prazerosa. heroína e outros narcóticos. aplicados à pele para efeito local (tópica) ou sistêmico (transdérmica).Medicamentos Capítulo 6 .. e portanto a mais comum. borrifados dentro do nariz (nasal) ou dentro da boca (inalação). a enfermeira e/ou o farmacêutico tenham as seguintes informações: • Quais são seus problemas clínicos • Quais medicamentos (tanto de receita obrigatória como de venda livre) vêm tomando nas últimas semanas • Se são alérgicos ou já tiveram alguma reação incomum a qualquer medicamento. Para ajudar os profissionais da saúde na formulação de um plano terapêutico seguro e eficaz. inseridos no reto (retal). as pessoas devem certificar-se de que o médico. por injeção em uma veia (intravenosa) ou em um músculo (intramuscular) ou sob a pele (subcutânea). a via oral tem suas limitações. em geral. para que chegue até a corrente sangüínea (absorção) e seja transportada até onde é necessária (distribuição). Via Oral A administração oral é. alimento ou outra substância • Se estão submetidos a dietas especiais ou a restrições alimentares • Quando mulheres. se estão grávidas ou planejam engravidar ou se estão amamentando topo Abuso de drogas Ao longo do tempo. Muitos fatores. Cada via tem finalidades. metaqualona.

No caso da via subcutânea. diminuindo a quantidade absorvida. intramuscular e intravenosa. a agulha é inserida diretamente em uma veia. As outras vias geralmente são reservadas para situações em que o paciente não pode ingerir nada pela boca. que se dissolve depois de ter sido inserida no reto. Em razão do revestimento delgado e da abundante irrigação sangüínea do reto. é o melhor modo de administrar medicamentos com rapidez e precisão. a droga chega aos pequenos vasos e é transportada pela corrente sangüínea. em forma de supositório. para essas substâncias. A absorção começa na boca e no estômago. especialmente em pessoas obesas. dias ou mais tempo. e assim oferecem uma resposta mais rápida e consistente. Os medicamentos podem ser preparados em suspensões ou em complexos relativamente insolúveis. A administração intravenosa. o medicamento é misturado a uma substância cerosa. A parede intestinal e o fígado alteram quimicamente (metabolizam) muitos medicamentos. impossibilidade de engolir ou alguma restrição à ingestão. Vias Injetáveis A administração por injeção (administração parenteral) compreende as vias subcutânea. Em contraposição. porque a absorção é. alguns medicamentos apenas devem ser tomados com o estômago vazio. A despeito dessas limitações. como a insulina. o fígado. A via sublingual é especialmente boa para a nitroglicerina. A via intramuscular é preferível à via subcutânea quando há necessidade de maiores volumes do medicamento. Alguns medicamentos são irritantes em forma de supositório. enquanto outros devem ser ingeridos com o alimento ou simplesmente não podem ser tomados por via oral. de modo que sua absorção se prolongue por horas. em geral. que poderiam ser digeridos no trato gastrointestinal se fossem tomados pela boca. Depois de injetada. Assim. Mas a maioria dos medicamentos não pode ser administrada por essa via. que é utilizada no alívio da angina (dor no peito). seja em dose única ou em infusão contínua. Alguns medicamentos administrados por via oral irritam o trato gastrointestinal: a aspirina e a maioria das outras drogas antiinflamatórias não-esteróides. A via subcutânea é utilizada para muitos medicamentos protéicos. sem passar através da parede intestinal e pelo fígado. Para chegar à circulação geral. Levando em consideração que os músculos estão situados mais profundamente que a pele.sua ingestão oral. No caso da via intravenosa. os medicamentos injetados por via intravenosa chegam à circulação geral sem atravessar a parede intestinal e o fígado. podem prejudicar o revestimento do estômago e do intestino delgado e causar úlceras. em que o medicamento deve ser administrado rapidamente ou em dose muito precisa ou quando a droga é absorvida de forma deficiente e errática. não precisando ser administrados com tanta freqüência. a via oral é utilizada com freqüência muito maior que as demais vias de administração. mas ocorre principalmente no intestino delgado. Outros medicamentos são absorvidos de forma deficiente ou errática no trato gastrointestinal ou destruídos pelo ambiente ácido e pelas enzimas digestivas do estômago. a agulha é inserida por baixo da pele. em seguida. A aplicação intravenosa pode ser mais difícil que as demais parenterais. o medicamento precisa primeiramente atravessar a parede intestinal e. porque a absorção é rápida e o medicamento ingressa diretamente na circulação geral. incompleta e errática. o medicamento é rapidamente absorvido. é utilizada uma agulha mais comprida. Via Sublingual Alguns medicamentos são colocados debaixo da língua para serem absorvidos diretamente pelos pequenos vasos sangüíneos ali situados. deve ser utilizada a via parenteral. Via Retal Muitos medicamentos que são administrados por via oral podem também ser administrados por via retal. Supositórios são receitados quando a pessoa não pode tomar o medicamento por via oral em razão da náusea. 48 . como ocorre em seguida a uma cirurgia. Nessa forma. por exemplo. Os medicamentos administrados por via oral são absorvidos pelo trato gastrointestinal.

a via transdérmica fica limitada pela velocidade com que a substância pode atravessar a pele. os comprimidos são uma mistura do medicamento e de aditivos que funcionam como diluentes. são inaladas. Essas substâncias transitam através das vias respiratórias diretamente até os pulmões. Os fabricantes de medicamentos ajustam essas variáveis para otimizar a velocidade e o grau de absorção do medicamento. Produto farmacológico é a própria forma de dosagem de um medicamento: comprimido. supositório. emplastro transdérmico ou solução. como os gases utilizados em anestesia e os medicamentos contra a asma em recipientes aerossóis de dose medida. cápsula. O tipo e a quantidade de aditivos e o grau de compressão afetam a rapidez com que o comprimido se dissolve. alimentos. Por exemplo. É desejável que haja coerência de biodisponibilidade entre os produtos farmacológicos. ou mesmo por mais tempo. A biodisponibilidade depende de diversos fatores. topo Absorção O conceito de biodisponibilidade refere-se à velocidade e ao grau de absorção de determinado medicamento pela corrente sangüínea. Essas substâncias. Habitualmente. consiste da droga combinada com outros ingredientes. onde são absorvidas pela circulação sangüínea. provocando resposta excessiva. mas podem ter ingredientes inativos diferentes. As misturas são granuladas e reduzidas à forma do comprimido. Alguns exemplos são: nitroglicerina (para angina). como o modo com que foi concebido e manufaturado o produto farmacológico. às vezes misturadas a um agente químico que facilita a penetração cutânea. o que nem sempre ocorre. outros medicamentos e moléstias gastrointestinais influenciam a biodisponibilidade. 49 . Considerando que a absorção até a corrente sangüínea é muito variável no caso da inalação por aerossol. poderá gerar um alto nível da substância ativa na circulação sangüínea. que aceleram o trânsito pelo trato intestinal.Via Transdérmica Alguns medicamentos podem ser administrados pela aplicação de um emplastro à pele. nicotina (para a cessação do fumo). escopolamina (contra o enjôo de viagem). Laxantes e diarréia. produtos farmacológicos equivalentes podem apresentar diferenças quanto aos efeitos do medicamento. atravessam a pele e chegam à corrente sangüínea. raramente esse método é utilizado na administração de medicamentos que atuem em outros tecidos ou órgãos além dos pulmões. desintegrantes e lubrificantes. porque a inalação precisa ser cuidadosamente monitorada para garantir que o paciente receba a quantidade certa do medicamento dentro de determinado período. durante muitas horas ou dias. Apenas medicamentos que devem ser administrados em doses diárias relativamente pequenas podem ser dados por via transdérmica. Por outro lado. mesmo quando ministrados na mesma dose. Inalação Algumas substâncias. Se um comprimido se dissolver e liberar com demasiada rapidez o medicamento. Portanto. clonidina (contra a hipertensão) e fentanil (para o alívio da dor). se o comprimido não se dissolver e liberar com suficiente rapidez a substância ativa. grande parte do medicamento poderá ser eliminada nas fezes sem que tenha ocorrido absorção. Mas algumas pessoas sofrem irritação onde o emplastro toca a pele. as propriedades físicas e químicas do medicamento e a fisiologia da pessoa tratada. Um número pequeno de medicamentos é administrado por essa via. Além disso. Produtos quimicamente equivalentes contêm a mesma substância ativa. A via transdérmica permite que o medicamento seja fornecido de forma lenta e contínua. estabilizadores. que afetam a velocidade e o grau de absorção. Por isso. podem reduzir a absorção do medicamento. Os sistemas de dose medida são úteis para os medicamentos que atuam diretamente nos canais condutores do ar até os pulmões.

de 1 minuto. mas também produzem virtualmente os mesmos níveis sangüíneos com o passar do tempo. por exemplo. Mas nem sempre esses revestimentos protetores dissolvem-se de forma apropriada. O anestésico tiopental. enquanto pessoas muito magras armazenam uma quantidade relativamente pequena. e muitas pessoas. especialmente as idosas. os medicamentos solúveis em gordura (lipossolúveis) atravessam as membranas celulares com mais rapidez que os medicamentos solúveis em água (hidrossolúveis). Alguns produtos são especialmente formulados para liberar o ingrediente ativo com lentidão. circulam pela corrente sangüínea durante vários dias após a ingestão. Muitas outras propriedades das formas sólidas de dosagem (comprimidos ou cápsulas) afetam a absorção do medicamento após a ingestão. Alguns medicamentos ligam-se firmemente às proteínas do sangue. dependendo de sua capacidade de atravessar membranas. projetadas para que as partículas se dissolvam em tempos diferentes no trato gastrointestinal. Algumas substâncias tendem a ficar nos tecidos aquosos do sangue e dos músculos. Cápsulas consistem de medicamentos e outras substâncias no interior de um invólucro de gelatina. Os medicamentos penetram nos diferentes tecidos com velocidades diferentes. topo 50 .Dizemos que os produtos farmacológicos são bioequivalentes quando não apenas contêm o mesmo ingrediente ativo. a bioequivalência garante a equivalência terapêutica. Portanto. talvez necessitem de doses maiores do medicamento. em média. Essas formas de dosagem são revestidas com um material que não se dissolve até entrar em contato com um ambiente menos ácido ou com as enzimas digestivas do intestino delgado. A distribuição de uma substância também pode variar de pessoa para pessoa. alguns medicamentos. do fígado e dos rins. Ao se molhar. como a aspirina lesionem o revestimento do estômago ou se decomponham em seu ambiente ácido. porque a proporção de gordura corporal aumenta com a idade. Alguns comprimidos e cápsulas apresentam revestimentos protetores (entéricos) cujo objetivo é impedir que medicamentos irritantes. eliminam esses produtos intactos em suas fezes. em conseqüência. Assim que absorvidos. Comumente esse invólucro sofre erosão facilmente. em geral durante doze horas ou mais. como os da glândula tireóide. Em geral. entra com rapidez no cérebro. Essa distribuição também é observada em pessoas idosas. as partículas do medicamento reunidas em uma cápsula podem ser revestidas com polímeros (substância química) de espessuras variáveis. enquanto outros escapam da corrente sangüínea rapidamente para outros tecidos. O diâmetro das partículas do medicamento e das demais substâncias afeta a rapidez da dissolução e também da absorção. a gelatina se expande e libera o conteúdo. Indivíduos muito robustos. porque o tempo de circulação do sangue é. Mas a substância pode mover-se lentamente da corrente sangüínea até os tecidos do corpo. como os que se acumulam nos tecidos gordurosos. e produtos bioequivalentes são intercambiáveis. mas o mesmo não ocorre com o antibiótico penicilina. que possuem maior quantidade de tecidos e de sangue circulante. Essas formas de dosagem com liberação controlada diminuem ou retardam a velocidade de dissolução do medicamento. os medicamentos não se disseminam igualmente por todo o corpo. o medicamento circula rapidamente pelo corpo. Alguns tecidos acumulam níveis tão elevados de determinado medicamento que passam a funcionar como reservatórios do mesmo. abandonando a corrente sangüínea de forma muito lenta. topo Distribuição Depois de absorvido pela corrente sangüínea. enquanto outras concentram-se em tecidos específicos. deixam esses tecidos lentamente e. Medicamentos em cápsulas que contêm líquido tendem a ser absorvidos mais rapidamente que medicamentos em cápsulas que contêm sólidos. Assim. prolongando a distribuição da substância. Pessoas obesas podem armazenar grandes quantidades do medicamento no tecido gorduroso. De fato.

Algumas drogas. os recémnascidos têm dificuldade de metabolizar muitos medicamentos. Também pequenas quantidades de algumas substâncias são excretadas na saliva. diabetes e infecções renais recorrentes – e a exposição a níveis elevados de agentes químicos tóxicos podem prejudicar a capacidade renal de excreção de drogas. A administração de um medicamento eliminado principalmente pelo metabolismo no fígado talvez tenha que ser ajustada para a pessoa com doença hepática. produzindo reações chamadas conjugações. crianças de 2 a 12 anos de idade necessitam de maior quantidade de medicamento em proporção ao peso corporal que os adultos. Seção 2 .Eliminação Os medicamentos são metabolizados ou excretados intactos. do fluxo de sangue através dos rins e do estado dos rins. diminui a função renal. A diminuição normal da função renal com o envelhecimento pode ajudar o médico a determinar uma dose apropriada com base apenas na idade de seu paciente. recém-nascidos e pessoas idosas freqüentemente necessitam de doses menores por quilograma de peso corporal. chamadas promedicamentos. suor. o médico pode ajustar a dose de determinado medicamento que é eliminado principalmente pelos rins. Mas um modo mais preciso de determinar uma dose apropriada consiste em avaliar a função renal com um exame de sangue (medindo a quantidade de creatinina no soro). se não forem reabsorvidas pela corrente sangüínea. Os rins são os principais órgãos de excreção. Por isso. Excreção refere-se aos processos pelos quais o corpo elimina uma droga. enquanto as crianças precisam de doses maiores. Não existem modos simples de avaliar a função hepática (para o metabolismo dos medicamentos) comparáveis aos que medem a função renal. Esses órgãos são particularmente efetivos na eliminação de medicamentos solúveis em água e de seus metabólitos. que o rim de uma pessoa com 35 anos. em termos de excreção de drogas. Como os recém-nascidos. O rim de uma pessoa com 85 anos de idade tem apenas cerca da metade da eficiência. Esses metabólitos ativos são excretados (principalmente na urina ou nas fezes) ou convertidos em outros metabólitos. Muitas moléstias – especialmente pressão sangüínea alta. O fígado é o local principal (mas não o único) de metabolismo das drogas. A acidez da urina afeta a velocidade de eliminação de algumas substâncias ácidas e alcalinas. portanto. Tendo em vista que os sistemas enzimáticos metabólicos estão apenas parcialmente desenvolvidos no nascimento. Os conjugados (moléculas da droga com as substâncias fixadas) são excretados na urina. Essas substâncias entram no trato gastrointestinal e terminam nas fezes. Metabolismo é o processo pelo qual uma droga é quimicamente alterada pelo corpo. Um medicamento ou metabólito deve ser solúvel em água e não deve estar ligado muito fortemente às proteínas plasmáticas. são administradas em forma inativa. Se os rins não estão funcionando normalmente.Medicamentos 51 . Por outro lado. seus metabólitos são ativos e promovem os efeitos desejados. À medida que as pessoas vão envelhecendo. redução e hidrólise das drogas. O fígado excreta alguns medicamentos pela bile. que terminam sendo excretados. Os rins filtram medicamentos da corrente sangüínea e excretam essas substâncias na urina. não sendo capazes de metabolizar os medicamentos de forma tão eficiente como os adultos mais jovens e as crianças. ou decompostas. O fígado possui enzimas que facilitam reações químicas como a oxidação. A capacidade renal de excreção de medicamentos também depende do fluxo urinário. os bebês necessitam de menor quantidade de medicamento em proporção ao peso corporal que os adultos. Os produtos do metabolismo – os metabólitos – podem ser inativos ou exibir graus similares ou diferentes de atividade terapêutica ou toxicidade em comparação com a droga original. leite materno e mesmo no ar expirado. as pessoas idosas também exibem reduzida atividade enzimática. isoladamente ou em combinação com um exame de urina (medindo a creatinina na urina coletada durante 12 a 24 horas). Muitos fatores podem afetar a capacidade de excreção de medicamentos pelos rins. Também possui outras enzimas que fixam substâncias à droga.

Farmacodinâmica Seletividade da Ação dos Medicamentos Potência e Eficácia Tolerância Planejamento e Desenvolvimento dos Medicamentos A farmacodinâmica descreve uma infinidade de modos pelos quais as substâncias afetam o corpo. também pode relaxar os músculos do olho e do trato respiratório. Drogas antiinflamatórias não-esteróides como a aspirina e o ibuprofen são relativamente seletivas. porque atuam em qualquer local onde esteja ocorrendo inflamação. injetados ou absorvidos através da pele. a atropina. uma substância administrada com o objetivo de relaxar os músculos no trato gastrointestinal. quase todos os medicamentos entram na corrente sangüínea. Drogas soníferas se direcionam a certas células nervosas do cérebro. circulam pelo corpo e interagem com diversos locais-alvo. Exemplificando.Capítulo 7 . porque a substância tem uma configuração que se encaixa perfeitamente ao receptor. por exemplo um medicamento. uma droga administrada a pessoas com insuficiência cardíaca. Um Encaixe Perfeito Um receptor de superfície celular tem uma configuração que permite a uma substância química específica. Mas dependendo de suas propriedades ou da via de administração. a digital. se ligar ao receptor. a ação dos antiácidos fica em grande parte confinada ao estômago). além de diminuir a secreção das glândulas sudoríparas e mucosas. hormônio ou neurotransmissor. Como as drogas sabem onde exercer seus efeitos? A resposta está em como elas interagem com as células ou com substâncias como as enzimas. atua principalmente no coração para aumentar sua eficiência de bombeamento. um medicamento pode atuar apenas em uma área específica do corpo (por exemplo. Receptores 52 . enquanto a interação com outras células. A interação com o local-alvo comumente produz o efeito terapêutico desejado. Depois de terem sido engolidos. topo Seletividade da Ação dos Medicamentos Seletividade da Ação dos Medicamentos Alguns medicamentos são relativamente não seletivos. Outros medicamentos são altamente seletivos e afetam principalmente um órgão ou sistema isolado. Exemplificando. tecidos ou órgãos pode resultar em efeitos colaterais (reações medicamentosas adversas). atuando em muitos tecidos ou órgãos diferentes.

utilizada no tratamento de algumas pessoas que têm níveis sangüíneos elevados de colesterol. os medicamentos pudessem ser capazes de ligar-se a eles. bloqueia o acesso ou a ligação dos agonistas a seus receptores. morfina e drogas analgésicas afins ligam-se aos mesmos receptores no cérebro utilizados pelas endorfinas (substâncias químicas naturalmente produzidas que alteram a percepção e as reações sensitivas). pode ser utilizado em conjunto com o antagonista dos receptores colinérgicos ipratrópio. O receptor tem uma configuração específica. o agonista carbacol liga-se a receptores no trato respiratório chamados receptores colinérgicos. e o efeito da droga persiste até que o corpo manufature mais enzimas. algum dia. o antagonista de receptores colinérgicos ipratrópio bloqueia o efeito broncoconstritor da acetilcolina. Algumas drogas se fixam a apenas um tipo de receptor. Enzimas Além dos receptores celulares. Os antagonistas são mais efetivos quando a concentração local de um agonista está alta. Provavelmente a natureza não criou os receptores para que. mas complementares. Enquanto as drogas que se direcionam para os receptores são classificadas como agonistas ou antagonistas. permitindo que somente uma droga que se encaixe perfeitamente possa ligarse a ele – como uma chave que se encaixa em uma fechadura. Um grupo muito utilizado de antagonistas é o dos beta-bloqueadores. disparando uma resposta que aumenta ou diminui a função celular. Afinidade e Atividade Intrínseca 53 . Exemplificando. chamados receptores adrenérgicos. esses antagonistas são utilizados no tratamento da pressão sangüínea alta. Às vezes uma interação é em grande parte irreversível (como ocorre com omeprazol. Quase todas as interações entre drogas e receptores ou entre drogas e enzimas são reversíveis – depois de certo tempo a droga “se solta” e o receptor ou enzima reassume sua função normal. Freqüentemente a seletividade da droga pode ser explicada por quão seletivamente ela se fixa aos receptores. O agonista dos receptores adrenérgicos albuterol. Exemplificando. que ajudam no transporte de substâncias químicas vitais. chamadas antagonistas. Exemplificando. angina e certos ritmos cardíacos anormais. inibe a enzima HMG-CoA redutase. regulam a velocidade das reações químicas ou se prestam a outras funções de transporte. Os agonistas e os antagonistas são utilizados como abordagens diferentes. outros alvos importantes para a ação dos medicamentos são as enzimas. Outro agonista. albuterol. que relaxa os músculos lisos dos bronquíolos. Um número maior de veículos é parado pela barreira na hora do “rush” que às 3 horas da madrugada. fazendo com que as células dos músculos lisos relaxem e causando broncodilatação (dilatação das vias respiratórias). Do mesmo modo. Outra classe de drogas. uma droga que inibe uma enzima envolvida na secreção do ácido gástrico). Exemplificando. a droga lovastatina. o transmissor natural dos impulsos nervosos colinérgicos. que bloqueia o efeito broncoconstritor da acetilcolina. Esses antagonistas bloqueiam ou diminuem a resposta excitatória cardiovascular aos hormônios do estresse – adrenalina e noradrenalina. Os antagonistas são utilizados principalmente no bloqueio ou diminuição das respostas celulares aos agonistas (comumente neurotransmissores) normalmente presentes no corpo. outras são como chavesmestras e podem ligar-se a diversos tipos de receptores por todo o corpo. as drogas direcionadas para as enzimas são classificadas como inibidoras ou ativadoras (indutoras). Os receptores têm finalidades naturais (fisiológicas) mas os medicamentos tiram vantagem dos receptores.Muitas drogas aderem (se ligam) às células por meio de receptores existentes na superfície celular. A maioria das células possui muitos receptores de superfície. no tratamento da asma. o que permite que a atividade celular seja influenciada por substâncias químicas como os medicamentos ou hormônios localizados fora da célula. fundamental na produção de colesterol pelo corpo. como o propranolol. fazendo com que as células dos músculos lisos se contraiam e causando broncoconstrição (estreitamento das vias respiratórias). Uma classe de drogas chamadas agonistas ativa ou estimula seus receptores. beta-bloqueadores em doses que têm pouco efeito na função cardíaca normal podem proteger o coração contra elevações súbitas dos hormônios do estresse. reguladoras ou estruturais. Esses agentes operam de forma muito parecida à de uma barreira policial em uma auto-estrada. liga-se a outros receptores no trato respiratório.

Exemplificando. furosemida tem maior eficiência. o médico pode aumentar a dose ou selecionar um medicamento alternativo. Exemplificando. potência. A eficácia refere-se à resposta terapêutica máxima potencial que um medicamento pode produzir. se 5 miligramas da droga B alivia a dor com a mesma eficiência que 10 miligramas da droga A. topo Tolerância A administração repetida ou prolongada de alguns medicamentos resulta em tolerância – uma resposta farmacológica diminuída. seja um receptor ou enzima. Idealmente. drogas que bloqueiam receptores (antagonistas) ligam-se efetivamente (têm afinidade com os receptores). Também são considerados outros fatores ao longo do desenvolvimento dos medicamentos. Dependendo do grau de tolerância ou resistência ocorrente. Maior potência não significa necessariamente que uma droga é melhor que a outra. afinidade pelos receptores e eficácia terapêutica. O termo resistência é utilizado para descrever a situação em que uma pessoa não mais responde satisfatoriamente a um medicamento antibiótico. duração da eficácia (e. e o complexo droga-receptor deve ser capaz de produzir uma resposta no sistema-alvo (ter atividade intrínseca). Da mesma forma que no caso da potência. então a droga B é duas vezes mais potente que a droga A. Tolerância ocorre quando o corpo adapta-se à contínua presença da droga. como o alívio da dor ou a redução da pressão sangüínea. conseqüentemente. A atividade intrínseca é uma medida da capacidade da droga em produzir um efeito farmacológico quando ligada ao seu receptor. que a clorotiazida. antiviral ou quimioterápico para o câncer. ou eficácia terapêutica. toxicidade potencial. são dois os mecanismos responsáveis pela tolerância: (1) o metabolismo da droga é acelerado (mais freqüentemente porque aumenta a atividade das enzimas que metabolizam os medicamentos no fígado) e (2) diminui o número de receptores ou sua afinidade pelo medicamento. A afinidade é a atração mútua ou a força da ligação entre uma droga e seu alvo. topo Potência e Eficácia A potência refere-se à quantidade de medicamento (comumente expressa em miligramas) necessária para produzir um efeito. Medicamentos que ativam receptores (agonistas) possuem as duas propriedades. comumente ele é modificado muitas vezes para otimizar sua seletividade. Os médicos levam em consideração muitos fatores ao julgar os méritos relativos dos medicamentos. como se o composto é absorvido pela parede intestinal e se é estável nos tecidos e líquidos do corpo. Assim. que o diurético clorotiazida. número de doses necessárias a cada dia) e custo. o medicamento deve ser efetivo ao ser tomado por 54 . mas têm pouca ou nenhuma atividade intrínseca – sua função consiste em impedir a interação das moléculas agonistas com seus receptores. Quando um novo composto mostra-se promissor. como seu perfil de efeitos colaterais. Por outro lado.Duas propriedades importantes para a ação de uma droga são a afinidade e a atividade intrínseca. o diurético furosemida elimina muito mais sal e água por meio da urina. As abordagens mais recentes ao desenvolvimento de um medicamento baseiam-se na determinação das alterações bioquímicas e celulares anormais causadas pela doença e no planejamento de compostos que possam impedir ou corrigir especificamente essas anormalidades. a eficácia é apenas um dos fatores considerados pelos médicos ao selecionar o medicamento mais apropriado para determinado paciente. devem ligarse efetivamente (ter afinidade) aos seus receptores. Comumente. topo Planejamento e Desenvolvimento dos Medicamentos Muitos dos medicamentos em uso corrente foram descobertos por pesquisas experimentais e pela observação em animais e seres humanos.

de modo que uma dose por dia seja adequada. a excreção e o efeito final de determinada droga. o que causa toxicidade. quando administrado em doses mais altas ou no caso de outro medicamento que usa o mesmo sistema para seu metabolismo. Às vezes. mesmo nos transtornos de difícil tratamento. Nesses casos. Portanto. o sistema pode estar sobrecarregado e a droga pode atingir níveis tóxicos.via oral (para a conveniência da auto-administração). mas. a distribuição. estatura. isto é. bem absorvido pelo trato gastrointestinal e razoavelmente estável nos tecidos e líquidos do corpo. O medicamento deve ser altamente seletivo para seu local-alvo. topo Seção 2 . O estudo da influência das diferenças genéticas sobre a resposta às drogas é chamado farmacogenética. os médicos avaliam os benefícios e riscos potenciais dos medicamentos em cada situação terapêutica que exija tratamento com medicamento de receita obrigatória. diferenças genéticas afetam de outra forma o metabolismo das drogas. Entre outras razões. o metabolismo. a velocidade com que as drogas movimentamse dentro do corpo. de modo que tenha pouco ou nenhum efeito nos outros sistemas do organismo (efeitos colaterais mínimos ou ausentes). Em razão de sua constituição genética.Medicamentos Capítulo 8 . insônia. algumas pessoas metabolizam medicamentos lentamente. promovendo um acúmulo do medicamento no organismo. um medicamento pode ser metabolizado em velocidade normal. Outras pessoas possuem uma constituição genética que faz com que metabolizem rapidamente as drogas. por exemplo. seguindo explicitamente as orientações para seu uso. ou seja. os médicos devem individualizar a terapia. Assim. Para ter certeza de que o paciente tomou medicamento suficiente para a ocorrência do efeito terapêutico com pouca toxicidade. topo Genética Diferenças genéticas (hereditárias) entre indivíduos afetam a cinética das drogas. Ainda assim. o medicamento deve ter potência e eficácia terapêutica em alto grau para que seja efetivo em baixas doses. e ajustar cuidadosamente a dose. selecionar o medicamento certo.Fatores que afetam a resposta aos medicamentos Genética Interações Medicamentosas Interações do Tipo Medicamento-Doença Placebos A velocidade com que os medicamentos entram no organismo e dele saem varia amplamente entre diferentes pessoas. levar em consideração fatores como idade. Além disso. Não existe o remédio que seja perfeitamente efetivo e completamente seguro. determinado medicamento pode ser metabolizado com tanta rapidez que seus níveis no sangue nunca tornam-se suficientemente altos para que seja eficaz. A insuficiência das diferenças genéticas sobre o modo com que os medicamentos afetam o corpo (farmacodinâmica) é muito menos comum que as diferenças no modo com que o corpo afeta os medicamentos (farmacocinética). pessoas fazem autotratamento com medicamentos de venda livre para pequenas dores. sexo. o uso simultâneo de outros medicamentos e o limitado conhecimento acerca das interações desses fatores complicam esse processo. nos níveis decorrentes da dose habitual. Mas às vezes alguns transtornos são tratados sem a supervisão de um médico. raça e origem étnica da pessoa. as diferenças genéticas são particularmente importantes em certos grupos étnicos e raças. por exemplo. dieta. tosses e resfriados. A presença de moléstia. 55 . Muitos fatores podem afetar a absorção. ou ainda pela presença de moléstias que influenciam os efeitos medicamentosos. essas pessoas devem ler a bula fornecida com o medicamento. as pessoas respondem de modo diverso aos medicamentos por causa de diferenças genéticas ou da ingestão simultânea de dois ou mais medicamentos que interagem entre si.

Cerca de metade da população dos Estados Unidos tem baixa atividade de N-acetiltransferase, uma enzima hepática que ajuda a metabolizar algumas drogas e muitas toxinas. Pessoas com baixa atividade dessa enzima metabolizam muitas drogas lentamente, as quais tendem a atingir níveis sangüíneos mais elevados e a permanecer no corpo mais tempo que nas pessoas com atividade intensa de Nacetiltransferase. Cerca de uma entre cada 1.500 pessoas tem baixos níveis de pseudocolinesterase, uma enzima do sangue que inativa drogas como a succinilcolina, que é administrada com a anestesia para relaxar temporariamente os músculos. Embora a deficiência dessa enzima não seja comum, suas conseqüências são importantes. Se não for inativada, a succinilcolina causará paralisia dos músculos, inclusive os envolvidos na respiração. Essa situação pode exigir o uso prolongado de um ventilador mecânico. A glicose-6-fosfato desidrogenase, ou G6PD, é uma enzima normalmente presente nas hemácias, que protege essas células de certos agentes químicos tóxicos. Cerca de 10% dos homens negros e uma porcentagem um pouco menor das mulheres negras têm deficiência de G6PD. Algumas drogas (por exemplo, a cloroquina, a pamaquina e a primaquina, usadas no tratamento da malária, e a aspirina, a probenecida e a vitamina K) destroem as hemácias em pessoas com deficiência de G6PD, causando anemia hemolítica. Certos anestésicos provocam febre muito alta (transtorno chamado hipertermia maligna) em cerca de uma entre cada 20.000 pessoas. A hipertermia maligna tem origem em um defeito genético dos músculos, que os torna excessivamente sensíveis a alguns anestésicos. Os músculos enrijecem, o coração dispara e a pressão arterial cai. Embora não seja comum, a hipertermia maligna é um problema que representa risco à vida. O sistema enzimático P-450 é o principal mecanismo do fígado para a inativação das drogas. Os níveis de atividade do P-450 determinam não apenas a velocidade com que as drogas são inativadas, como também o ponto a partir do qual o sistema enzimático torna-se sobrecarregado. Muitos fatores podem alterar a atividade do P-450, e diferenças na atividade desse sistema enzimático influenciam profundamente os efeitos dos medicamentos. É o que acontece, por exemplo, com o indutor do sono flurazepam: em pessoas com níveis enzimáticos normais, os efeitos duram dezoito horas; em pessoas com baixos níveis da enzima, os efeitos podem se prolongar por mais de três dias. Muitos Fatores Influenciam a Resposta aos Medicamentos

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Interações Medicamentosas
Interações medicamentosas são alterações nos efeitos de um medicamento em razão da ingestão simultânea de outro medicamento (interações do tipo medicamento-medicamento) ou do consumo de determinado alimento (interações do tipo alimento- medicamento). Embora em alguns casos os efeitos de medicamentos combinados sejam benéficos, mais freqüentemente as interações medicamentosas são indesejáveis e prejudiciais. Tais interações podem intensificar ou diminuir os efeitos de um medicamento ou agravar seus efeitos colaterais. Quase todas as interações do tipo medicamento- medicamento envolvem medicamentos de receita obrigatória, mas algumas envolvem medicamentos de venda livre (sem necessidade de receita) – mais comumente aspirina, antiácidos e descongestionantes. O risco de ocorrência de uma interação medicamentosa depende do número de medicamentos usados, da tendência que determinadas drogas têm para a interação e da quantidade tomada do medicamento. Muitas interações são descobertas durante testes de medicamentos. Médicos, enfermeiras e farmacêuticos podem reduzir a incidência de problemas sérios mantendo-se informados a respeito de interações medicamentosas potenciais. Livros de referência e programas de software de computador podem ajudar. O risco de uma interação medicamentosa aumenta quando não há coordenação entre a receita dos medicamentos e o fornecimento e a orientação de seu uso. As pessoas que estão aos cuidados de vários médicos estão em maior risco, porque um dos profissionais pode não ter conhecimento de todos os medicamentos que estão sendo tomados. O risco de interação medicamentosa pode ser reduzido pela utilização de uma mesma farmácia, que aviará todas as receitas. Os medicamentos podem interagir de muitas formas. Um medicamento pode duplicar o efeito de outro ou se opor a ele, ou ainda alterar a velocidade de absorção, o metabolismo ou a excreção do outro medicamento. Efeitos de Duplicação

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Às vezes dois medicamentos tomados simultaneamente têm efeitos similares, o que resulta em duplicação terapêutica. Uma pessoa pode, por descuido, tomar dois medicamentos com o mesmo ingrediente ativo. Isso ocorre comumente com medicamentos de venda livre. Por exemplo, a difenidramina é ingrediente de muitos remédios para tratamento de alergia ou de resfriado; é também o ingrediente ativo de muitos indutores do sono. A aspirina pode ser ingrediente de remédios contra a gripe e de produtos para o alívio da dor. Mais freqüentemente dois medicamentos similares, mas não idênticos, são tomados ao mesmo tempo. Em alguns casos, o médico planeja isso, para que seja obtido um efeito maior. Assim, o médico pode prescrever dois medicamentos anti-hipertensivos para uma pessoa cuja pressão alta é de difícil controle. No tratamento de câncer, os médicos às vezes prescrevem diversos medicamentos (quimioterapia combinada) para a obtenção de um resultado melhor. Mas podem surgir problemas quando o médico, inadvertidamente, prescreve medicamentos similares. Os efeitos colaterais podem se tornar graves; por exemplo, podem ocorrer sedação e tontura excessivas quando uma pessoa toma dois sedativos diferentes (ou álcool ou outra droga que tenha efeitos sedativos). Efeitos Opostos Dois medicamentos com ações opostas (antagonistas) podem interagir. É o caso de drogas antiinflamatórias não-esteróides (DAINEs), como o ibuprofeno, que, tomadas para combater a dor, fazem com que o organismo retenha sal e água; os diuréticos, por seu lado, ajudam a eliminar o excesso de sal e água do organismo. Se esses medicamentos forem tomados simultaneamente, o DAINE diminuirá (fará oposição, ou antagonizará) a eficácia do diurético. Alguns medicamentos administrados para o controle da pressão alta e da doença cardíaca (por exemplo, betabloqueadores como o propranolol e o atenolol) antagonizam certos medicamentos administrados contra a asma (por exemplo, drogas estimulantes betaadrenérgicas, como o albuterol). Alterações na Absorção Medicamentos tomados por via oral devem ser absorvidos através do revestimento do estômago ou do intestino delgado. Em alguns casos, os alimentos ou alguma droga podem reduzir a absorção de outra droga. Por exemplo, o antibiótico tetraciclina não é absorvido adequadamente se for tomado no período de uma hora após a ingestão de cálcio ou de alimentos que contenham cálcio, como o leite e laticínios. A obediência a orientações específicas – por exemplo, evitar alimentos por uma hora antes ou algumas horas depois de ter tomado um remédio, ou tomar os remédios com um intervalo de pelo menos duas horas – é uma precaução importante. Alterações no Metabolismo Muitos medicamentos são inativados por sistemas metabólicos no fígado, como o sistema enzimático P-450. Os medicamentos circulam através do organismo e passam pelo fígado, onde as enzimas atuam inativando as drogas ou alterando sua estrutura, de modo que os rins possam filtrá-las. Algumas drogas alteram esse sistema enzimático, fazendo a inativação de outra droga ocorrer com maior rapidez ou lentidão que o habitual. Assim, por exemplo, pelo fato de os barbitúricos, como o fenobarbital, aumentarem a atividade enzimática no fígado, drogas como a warfarina tornam-se menos eficazes quando tomadas durante o mesmo período. Por isso, os médicos às vezes precisam aumentar a dose de certos medicamentos para compensar esse tipo de efeito. Mas se o fenobarbital for interrompido mais tarde, o nível de outros medicamentos poderá aumentar de forma drástica, levando a efeitos colaterais potencialmente graves. As substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro podem aumentar a atividade de algumas enzimas hepáticas. É por isso que o fumo diminui a eficácia de alguns analgésicos (como o propoxifeno) e de alguns medicamentos utilizados para problemas pulmonares (como a teofilina). A cimetidina, um medicamento utilizado em úlceras, e os antibióticos ciprofloxacina e eritromicina são exemplos de drogas que retardam a atividade das enzimas hepáticas, prolongando a ação da teofilina. A eritromicina afeta o metabolismo da terfenadina e do astemizol (antialérgicos), levando a um acúmulo potencialmente sério dessas drogas.

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Alterações na Excreção Uma droga pode afetar a velocidade de excreção pelos rins de outra droga. Algumas drogas, por exemplo, alteram a acidez da urina, o que, por sua vez, afeta a excreção de outras drogas. Em grandes doses, a vitamina C pode ter esse efeito. Como Reduzir o Risco de Interações Medicamentosas

• Consulte seu médico, antes de tomar qualquer medicamento novo • Tenha à mão uma lista de todos os medicamentos que está tomando e periodicamente discuta essa lista com seu médico • Mantenha uma lista de todas as enfermidades clínicas que já o acometeram e periodicamente discuta essa lista com seu médico • Selecione um farmacêutico que proporcione serviços abrangentes e faça com que todas as receitas sejam aviadas por ele. • Procure compreender a finalidade e a ação de todos os medicamentos prescritos • Procure conhecer os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos prescritos • Aprenda o modo como os medicamentos devem ser tomados, em que hora do dia devem ser tomados e se podem ser tomados ao mesmo tempo que outros medicamentos • Discuta o uso dos medicamentos de venda livre (sem necessidade de receita) com o farmacêutico responsável e discuta seus problemas clínicos e o uso de medicamentos de receita obrigatória que está tomando • Siga as instruções recomendadas para tomar os medicamentos • Informe ao médico qualquer sintoma que possa estar relacionado ao uso de um medicamento

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Interações do Tipo Medicamento-Doença
A maioria dos medicamentos circula por todo o corpo; embora exerçam a maior parte de seus efeitos em um órgão ou sistema específico, também afetam outros órgãos e sistemas. Um medicamento tomado por causa de um distúrbio pulmonar pode afetar o coração, e um medicamento tomado para o tratamento de um resfriado pode afetar os olhos. Considerando que os medicamentos podem afetar outros problemas clínicos além do que está sendo tratado, o médico deve tomar conhecimento de todos os distúrbios que porventura existam, antes de prescrever um novo medicamento. Diabetes, pressão arterial alta ou baixa, glaucoma, dilatação da próstata, controle deficiente da bexiga e insônia são distúrbios particularmente importantes. topo

Placebos
Placebos são substâncias prescritas como medicamentos, mas que não contêm substâncias químicas ativas. Um verdadeiro placebo é produzido de modo a se parecer exatamente com um remédio de verdade, mas se compõe de uma substância química inativa, como amido ou açúcar. Os placebos são utilizados em pesquisas para comparação com drogas ativas. Além disso, um placebo pode ser prescrito em circunstâncias muito limitadas, para aliviar os sintomas quando o médico não considera cabível o uso de um medicamento que contenha agente químico ativo. O efeito de placebo – uma modificação nos sintomas depois de ter sido ministrado um tratamento sem efeito comprovado – pode ser obtido por qualquer tipo de terapia, inclusive por medicamentos, cirurgias e psicoterapia. Placebos podem produzir ou estar associados a um número notável de mudanças, tanto desejáveis como indesejáveis. Dois fatores tendem a influenciar o efeito de placebo. Um desses fatores é a antecipação dos resultados (comumente otimista) pelo fato de tomar um remédio; às vezes isso é chamado de sugestão, fé, esperança ou otimismo. Em alguns casos, o segundo fator, mudança espontânea, é ainda mais importante. Às vezes as pessoas experimentam uma melhora espontânea; ficam melhor sem nenhum tipo de tratamento. Se a melhora espontânea ocorre depois de ter sido tomado um placebo, este poderá, incorretamente, receber o crédito pelo resultado.

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Por outro lado, se ocorre espontaneamente uma dor de cabeça ou erupção depois de tomado um placebo, este poderá, também incorretamente, ser considerado o culpado. Pesquisas com o objetivo de determinar se pessoas com certas características de personalidade apresentam maior tendência a responder a placebos acabaram chegando a conclusões diametralmente opostas. A reatividade ao placebo é questão de grau, já que virtualmente todas as pessoas, em certas circunstâncias, são influenciadas pela sugestão. Mas algumas pessoas parecem ser mais suscetíveis que outras. As que respondem intensamente a placebos exibem muitas das características de dependência a drogas: tendência a necessitar de aumentos de doses, desejo compulsivo de tomar a droga e apresentação de sintomas de abstinência ao serem privadas da substância. Placebo: “Agradarei”

Em latim, placebo quer dizer “agradarei”. Em 1785, a palavra placebo surgiu pela primeira vez em um dicionário médico, como um “método ou remédio corriqueiro”. Duas edições depois, placebo havia se transformado em “remédio fictício”, e foi alegado inerte e inofensivo. Atualmente sabemos que os placebos podem ter efeitos profundos, tanto bons como maus.

Uso em Pesquisa Qualquer droga pode ter um efeito de placebo – efeitos bons ou maus, não relacionados aos ingredientes químicos ativos. Para diferenciar um efeito medicamentoso real de um efeito de placebo, os pesquisadores comparam drogas com placebos em testes experimentais. Nesses estudos, metade dos participantes recebe um placebo parecido em tudo com o medicamento. Idealmente, nem os participantes nem os pesquisadores sabem quem recebeu a droga e quem recebeu o placebo (assim, a pesquisa é chamada experimento duplo-cego). Quando a pesquisa termina, todas as alterações observadas para a droga que está sendo testada são comparadas com as do placebo. Para estimar os verdadeiros efeitos químicos da droga, os efeitos do placebo são subtraídos dos resultados observados para a droga em teste. Para que seu uso se justifique, o medicamento em teste deve sair-se de forma significativamente melhor que o placebo. Por exemplo, em estudos de novos medicamentos para aliviar a angina (dor no peito decorrente de irrigação sangüínea inadequada ao músculo cardíaco), o alívio oferecido por um placebo em geral ultrapassa os 50%. Por essa razão, a demonstração da eficácia de novos medicamentos é um desafio considerável. Uso na Terapia Todos os tratamentos têm um efeito de placebo, fazendo com que os efeitos atribuídos aos medicamentos variem de pessoa para pessoa e de médico para médico. Para a pessoa que tem uma opinião positiva a respeito de medicamentos, médicos, enfermeiras e hospitais, é maior a probabilidade de responder favoravelmente aos placebos ou de exibir uma resposta de placebo a medicamentos ativos, em comparação à pessoa com orientação negativa, que pode negar os benefícios ou experimentar efeitos adversos. É mais provável a ocorrência de um efeito positivo quando tanto o paciente como o médico acreditam que o placebo será benéfico. Uma droga ativa sem efeito terapêutico conhecido para o transtorno que está sendo tratado (por exemplo, vitamina B12 para a artrite) pode trazer alívio; ou um medicamento com atividade leve (por exemplo, um analgésico fraco) pode ter seu efeito reforçado. Em geral, os médicos evitam o uso deliberado e secreto de placebos (ao contrário do que ocorre nos experimentos de pesquisa), porque a decepção pode abalar a relação entre o médico e o paciente. Do mesmo modo, o médico pode interpretar de forma errada a resposta do paciente, acreditando equivocadamente que os sintomas não se baseiam na enfermidade física ou são exagerados. Quando outros médicos e profissionais da saúde também estão envolvidos (como no tratamento realizado por um grupo ou em um hospital), as atitudes e o comportamento do profissional com relação ao paciente podem ser adversamente afetados, aumentando a possibilidade de descoberta da burla. Mas os médicos têm um método simples e direto de receitar placebos. Assim, se um paciente com dor crônica está se tornando demasiadamente dependente de um analgésico capaz de viciar, o médico pode

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sugerir uma tentativa com placebos. a quantidade de água no organismo diminui. uma injeção quando um comprimido bastaria). Também a probabilidade de reações adversas serem mais severas é maior para os idosos. os médicos devem prescrever doses menores de muitos medicamentos para pacientes idosos ou um menor número de doses diárias. ficam pouco à vontade para recomendar ou prescrever esses medicamentos. Em decorrência disso. olhos. pode causar problemas. Seção 2 . vasos sangüíneos. essas drogas atingem níveis mais elevados de concentração nas pessoas idosas. as pessoas idosas em geral tomam mais medicamento que os adultos jovens. por isso. o paciente e o médico concordam com uma experiência. levando em consideração as desvantagens potenciais para a relação entre médico e paciente. uma pessoa idosa toma quatro ou cinco medicamentos de receita obrigatória e dois de venda livre.Medicamentos e Envelhecimento Com o envelhecimento. ou tomá-lo em doses erradas. Em quase todos os casos. Mas a maioria dos médicos percebe que alguns pacientes ficam tão dependentes dos placebos que sua privação pode fazer mais mal que bem (assumindo que o placebo utilizado ofereça grande margem de segurança). Além disso. Cérebro. muitos medicamentos tendem a permanecer no corpo das pessoas idosas durante um tempo muito maior do que ocorreria no organismo de uma pessoa mais jovem. menos capaz de metabolizar muitas delas. algumas pessoas parecem necessitar de um medicamento cientificamente não comprovado e beneficiarem-se com seu uso ou com determinada forma de administração (por exemplo. Como muitas drogas se dissolvem na água e há menos água disponível para sua dissolução. e o fígado. por exemplo. bexiga e intestinos tornam-se consideravelmente mais sensíveis aos efeitos colaterais anticolinérgicos de alguns medicamentos de uso freqüente. Os idosos são duas vezes mais suscetíveis a reações medicamentosas adversas que os adultos jovens. Não tomar um remédio. pois encaram esses efeitos como não científicos e. Embora raramente os médicos receitem placebos. provocando o surgimento de outra doença ou levando o médico a mudar o tratamento por acreditar que o remédio não funcionou. Em média. freqüentemente conseguem excelente alívio da dor e ficam convencidas de que os medicamentos são mais fortes do que qualquer outro que haviam tomado anteriormente. Essencialmente. para confirmar se realmente há necessidade do medicamento “perigoso”. devendo por isso ser evitados. as pessoas idosas tendem a ficar mais sonolentas e apresentam maior possibilidade de ficar confusas ao tomar drogas ansiolíticas ou indutores do sono.Medicamentos Capítulo 9 . Em razão de crenças culturais ou de atitudes psicológicas. Por exemplo. Algumas pessoas que são informadas que seus analgésicos leves são “potentes”. quase todos têm notícia de pacientes que estão totalmente convencidos de que o uso de alguma substância impede ou alivia sua enfermidade. os rins tornam-se menos capazes de excretar as drogas na urina. Drogas que Representam Aumento de Risco em Pessoas Idosas 61 . aumenta a probabilidade de ocorrência de doenças crônicas. É o caso de pessoas que são beneficiadas por tomar vitamina B12 ou outras vitaminas como tônicos e que freqüentemente adoecem e sofrem indigestão caso o medicamento lhes seja negado. mesmo sem a existência de evidência científica em apoio a essa crença. À medida que as pessoas vão envelhecendo. Por essas razões. No entanto. Uma pessoa idosa que não deseja seguir as orientações clínicas deve discutir a situação com seu médico em vez de agir sozinha. Certos medicamentos tendem a causar reações adversas com mais freqüência e intensidade nos idosos. existem substitutos mais seguros à disposição. coração. Pode ser arriscado não seguir as orientações do médico em relação ao uso de medicamentos. Em geral. os médicos ficam confusos nessas situações. Medicamentos que baixam a pressão arterial por meio do relaxamento das artérias e de redução da tensão sobre o coração tendem a baixar a pressão de forma muito mais acentuada nos idosos que nas pessoas jovens. a não adesão às orientações clínicas não é mais comum entre idosos do que entre pessoas mais jovens. As drogas com efeitos anticolinérgicos bloqueiam a ação normal da parte do sistema nervoso denominada sistema nervoso colinérgico. O organismo do idoso também é mais sensível aos efeitos de muitos medicamentos.

essa substância provoca confusão mental ou tontura. Normalmente os medicamentos contra tosse e resfriado que não incluem anti-histamínicos em suas fórmulas são mais seguros para pessoas idosas. O uso de reserpina é arriscado. Mesmo que possam ser úteis no tratamento de reações alérgicas e alergias sazonais. quando administrada por via oral. na prevenção da formação de coágulos sangüíneos. tripelenamina. A ticlopidina pode ter utilidade como alternativa para pessoas que não podem tomar aspirina. essa substância pode causar dependência. A pentazocina é um analgésico narcótico que apresenta maior possibilidade de provocar confusão mental e alucinações. de ranitidina. a amitriptilina geralmente não é o melhor antidepressivo para pessoas idosas. até certo ponto. nizatidina e famotidina) podem causar efeitos adversos. Pode causar constipação. isoladamente ou em combinação com outros medicamentos. A doxepina também é um potente anticolinérgico. essa substância oferece pouca vantagem. das pernas e do corpo. a ticlopidina não é mais eficaz que a aspirina na prevenção de coágulos sangüíneos. Quando injetada. tontura. Às vezes. não é muito eficaz contra a dor e freqüentemente produz confusão mental. Anti-hipertensivos A metildopa. sendo consideravelmente mais tóxica. impotência. como movimentos anormais dos braços. As drogas incluem: clorfeniramina. principalmente confusão mental. Entre todas as drogas antiinflamatórias nãoesteróides. Nos casos em que há necessidade de anti-histamínicos. a indometacina é a que mais afeta o cérebro.Analgésicos O propoxifeno não oferece maior alívio da dor que o acetaminofeno e provoca efeitos colaterais narcóticos. prometazina. a meperidina é um analgésico potente. dexclorfeniramina e medicamentos combinados contra resfriado. dáse preferência aos que não produzem efeitos anticolinérgicos (loratadina e astemizol). 62 . difenidramina. Substâncias Anticoagulantes No idoso. sedação e tontura quando a pessoa se levanta. pois pode induzir à depressão. Para a maioria das pessoas. hidroxizina. ciproeptadina. Antidepressivos Em razão de suas fortes propriedades anticolinérgicas e sedativas. Anti-histamínicos Todos os anti-histamínicos de venda livre e muitos de receita obrigatória produzem efeitos anticolinérgicos potentes. o dipiridamol pode provocar tontura quando o indivíduo se levanta (hipotensão ortostática). Como os outros narcóticos (opióides). Para a maioria das pessoas. Drogas Antiulcerosas Doses usuais de alguns bloqueadores da histamina (em especial de cimetidina e. mas. em comparação com a aspirina. pode reduzir os batimentos cardíacos e agravar a depressão. em geral os anti-histamínicos não são apropriados para combater a coriza e outros sintomas de infecção viral. Medicamentos contra Náusea (antieméticos) A trimetobenzamida é uma das drogas menos eficazes contra a náusea e pode provocar efeitos adversos. confusão e (raramente) respiração lenta. em comparação com outros narcóticos.

por mais de 96 horas). e sua utilidade – em especial nas baixas doses toleradas pelas pessoas idosas – é questionável. é o ingrediente ativo em muitos sedativos de venda livre. tioridazina e tiotixeno sejam eficazes no tratamento dos distúrbios psicóticos. provocando sedação. Também interagem com muitas outras substâncias. alcalóides da beladona e clidínio-clordiazepóxido são administrados no tratamento das cólicas e dores estomacais. como metocarbamol. além de não oferecer vantagens em relação aos benzodiazepínicos. Mas a difenidramina produz efeitos anticolinérgicos potentes. Ansiolíticos e Indutores do Sono O meprobamato. isoladamente ou em combinação com outras. como o secobarbital e o fenobarbital. sedação e debilidade.Antipsicóticos Embora antipsicóticos como clorpromazina. Essas substâncias são altamente anticolinérgicas. No caso de o uso ser imprescindível. Drogas Antidiabéticas (hipoglicemiantes) A clorpropamida tem efeitos prolongados. um anti-histamínico. 63 . Suplementos de Ferro Doses de sulfato ferroso que excedam 325 miligramas diários não melhoram muito sua absorção e podem causar constipação. apresenta muitas desvantagens. A necessidade do tratamento deve ser freqüentemente reavaliada. hiosciamina. Sedativos. Barbitúricos. arremesso de objetos e agressão). exceto para o tratamento de distúrbios convulsivos. a clorpropamida também diminui o nível de sódio no sangue. distúrbios do movimento e efeitos colaterais anticolinérgicos. clorzoxazona metaxalona e ciclobenzaprina provocam efeitos colaterais anticolinérgicos. as pessoas idosas devem usar antipsicóticos em doses pequenas. como diciclomina. É questionável a utilidade de todos os relaxantes musculares e antiespasmódicos nas baixas doses toleradas pelos idosos. os idosos devem evitar os barbitúricos. propantelina. Relaxantes Musculares e Antiespasmódicos Quase todos os relaxantes musculares e antiespasmódicos. podem causar sonolência prolongada e aumentam o risco de quedas e fraturas. Antiespasmódicos Gastrintestinais Antiespasmódicos gastrintestinais. Por promover a retenção de água pelo organismo. diazepam e flurazepam – benzodiazepínicos utilizados no tratamento da ansiedade e insônia – têm efeitos extremamente prolongados nos idosos (em geral. Em geral. não foi estabelecida sua eficácia no tratamento de distúrbios comportamentais associados à demência (como agitação. Essas drogas. A difenidramina. repetição de perguntas. Freqüentemente essas drogas são tóxicas. oxibutinina. que são exagerados nas pessoas idosas e podem causar longos períodos de baixos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia). produzem mais efeitos adversos que outras drogas utilizadas no tratamento da ansiedade e da insônia. devaneios. e os medicamentos devem ser interrompidos o mais rápido possível. haloperidol. carisoprodol. Clordiazepóxido.

O primeiro consiste nas reações que representam uma intensificação dos efeitos farmacológicos ou terapêuticos conhecidos e desejados. Drogas com efeitos anticolinérgicos podem provocar confusão mental. Na verdade. diminui tanto a quantidade de acetilcolina no organismo quanto a capacidade orgânica de utilização da acetilcolina existente no corpo. mas em alguns casos inevitável.Reações Medicamentosas Adversas Tipos de Reações Adversas Benefícios Versus Riscos Fatores de Risco Alergias a Medicamentos Toxicidade por Overdose Uma concepção equivocada muito comum é a de que os efeitos medicamentosos podem ser nitidamente divididos em duas categorias: efeitos desejáveis ou terapêuticos e efeitos indesejáveis ou colaterais. aumentando assim o nível de sua concentração no sangue. Diz-se que as drogas que bloqueiam a ação do neurotransmissor acetilcolina têm efeitos anticolinérgicos.Anticolinérgico: O Que Isso Significa? A acetilcolina é um dos muitos neurotransmissores do organismo. os demais efeitos podem ser considerados indesejáveis. se o indivíduo for muito sensível à droga administrada ou se outro medicamento reduzir o metabolismo do primeiro. Cerca de 15% a 30% dos pacientes hospitalizados apresentam pelo menos uma reação medicamentosa adversa. Uma reação adversa pode ocorrer se a dose do medicamento for demasiadamente alta. não foi projetada para bloquear a acetilcolina. nocivos ou potencialmente prejudiciais. com a idade. outras reações são mais sérias e duradouras.Medicamentos Capítulo 10 . náusea e palpitações se a insulina ou o hipoglicemiante reduzir excessivamente o nível de açúcar no sangue. boca seca. Embora muitas dessas reações sejam relativamente brandas e desapareçam quando o medicamento é interrompido ou a dose é mudada. sudorese. Estima-se que cerca de 10% das admissões hospitalares nos Estados Unidos ocorram para o tratamento de reações medicamentosas adversas. muitas delas permanecem imprevisíveis até que os médicos tomem conhecimento de outras pessoas com 64 . Pessoas idosas são particularmente sensíveis às drogas com efeitos anticolinérgicos porque. no entanto. Embora a maioria das pessoas. constipação. O segundo tipo importante de reações medicamentosas adversas inclui aquelas resultantes de mecanismos que ainda não estão bem compreendidos. Esse tipo de reação medicamentosa adversa é comumente previsível. o termo reação medicamentosa adversa é mais apropriado para os efeitos indesejáveis. uma pessoa que esteja tomando um medicamento para reduzir a pressão alta pode ter tontura ou sensação de desmaio se a droga reduzir demasiadamente a pressão arterial. Uma pessoa com diabetes pode apresentar fraqueza. Não surpreende que as reações medicamentosas adversas sejam comuns. topo Tipos de Reações Adversas As reações medicamentosas adversas podem ser divididas em dois tipos principais. tontura e dificuldade de micção ou perda do controle da bexiga. desagradáveis. inclusive os profissionais da saúde. a maioria dos medicamentos produz vários efeitos. Seção 2 . Neurotransmissor é uma substância química utilizada pelas células nervosas para a intercomunicação e para a comunicação com os músculos e com muitas glândulas. mas em geral o médico deseja que o paciente experimente apenas um ou poucos deles. seus efeitos anticolinérgicos são efeitos colaterais. Por exemplo. A maioria dessas substâncias. turvamento da vista. use o termo efeito colateral.

embora sejam relativamente raras. como famotidina ou ranitidina. os médicos são obrigados a continuar a administração de medicamentos de alto risco (por exemplo. Em geral. Mas o médico provavelmente reavaliará a dosagem. fadiga. Algumas reações medicamentosas adversas não se encaixam com facilidade em uma ou outra categoria. angustiantes ou intoleráveis. em alguns casos. A ocorrência de reações medicamentosas adversas leves ou moderadas não significa necessariamente que o medicamento deva ser interrompido. uma queda na contagem de leucócitos. Além disso. Pessoas acometidas por uma reação grave comumente devem interromper o uso de remédio e ser tratadas para a reação. Mas. São exemplos desse tipo de reação as erupções cutâneas. qualquer mudança perceptível no humor ou na função mental e certas alterações nos componentes do sangue (como gorduras ou lipídeos). Os médicos fazem uso de todos os meios possíveis para lidar com as reações adversas graves: podem receitar desde antibióticos. Mas tais reações podem ser realmente preocupantes para a pessoa que as experimenta. dor de cabeça. mas apenas nos casos em que o paciente as considera nitidamente incômodas. essas reações ocorrem em um número muito pequeno de pessoas. os quimioterápicos. uma lesão renal e uma lesão nervosa. que podem apresentar alergia medicamentosa ou hipersensibilidade à droga em questão. freqüentemente ocorrem irritação e sangramento no estômago quando as pessoas fazem uso crônico de aspirina ou outras drogas antiinflamatórias nãoesteróides. Reações moderadas são as mesmas classificadas como leves. podem fazer infusão de plaquetas para o tratamento de problemas sérios de sangramento ou injetar eritropoetina em pacientes com anemia induzida por medicamento para estimular a produção dos glóbulos vermelhos. para evitar ou curar úlceras do estômago. os distúrbios gastrointestinais – perda de apetite. como ibuprofeno. uma droga nova deve 65 . o momento de administração das doses (antes ou depois das refeições. os distúrbios visuais (sobretudo em pessoas que usam lentes corretivas). e em grande parte os mecanismos envolvidos são conhecidos. cetoprofeno e naproxeno. para pacientes que foram submetidos a transplantes de órgãos). a icterícia (lesão hepática). Testando a Segurança de Drogas Novas Antes de ser aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) para comercialização nos Estados Unidos.reações similares. Considerando que a maioria dos medicamentos são administrados por via oral. Comumente essas reações são previsíveis. se o sistema imune ficar comprometido para o combate de infecções. Por exemplo. caso o medicamento tenha causado constipação). a anemia. a freqüência de administração (número de doses por dia). A essa lista são acrescidas reações como as erupções cutâneas (especialmente quando extensas e persistentes). para pacientes com câncer. até antiácidos líquidos de alta potência ou bloqueadores dos receptores H2. que podem pôr em risco a vida do paciente. náusea. Distúrbios gastrointestinais. com possível comprometimento da visão ou audição. a dificuldade miccional (comum a muitos medicamentos administrados a pessoas idosas). Gravidade das Reações Adversas Não existe uma escala universal para descrever ou medir a gravidade de uma reação medicamentosa adversa. o médico pode recomendar o uso de um emoliente das fezes. em especial quando não há alternativa adequada. a pessoa que percebe uma redução em sua qualidade de vida pode não cooperar com o tratamento medicamentoso prescrito. pela manhã ou na hora de deitar) e o possível uso de outros agentes que possam aliviar o sofrimento (por exemplo. a avaliação é amplamente subjetiva. ou os imunossupressores. o que se torna um grande problema quando se pretende que os objetivos do tratamento sejam atingidos. dores musculares vagas. em razão de diferenças genéticas no metabolismo da substância ou em sua resposta aos medicamentos. mal-estar (sensação geral de enfermidade ou desconforto) e mudanças nos padrões de sono são considerados reações leves e de pouca importância. os tremores musculares. sensação de flatulência (timpanismo) e constipação ou diarréia – são responsáveis por elevada porcentagem de todas as reações descritas. Às vezes os medicamentos provocam reações graves.

após seu lançamento no mercado.000 doses. II e III). Muitas drogas são rejeitadas nesse estágio. eliminação). distribuição. porque mesmo os estudos de pré-comercialização mais abrangentes somente conseguem detectar reações adversas que ocorrem em.000 doses. embora a FDA possa abreviar esse período quando se trata de um medicamento que represente um avanço terapêutico importante. em seguida.000 doses.ser submetida a um estudo rigoroso em animais e seres humanos. juntamente com os procedimentos pretendidos quanto à produção da droga ou informações contidas na bula e a rotulagem do produto. Na maioria dos casos. para que sejam reunidas informações sobre a cinética da droga (absorção. Os estudos são realizados primeiramente em animais. distúrbios complicadores e interações com outras drogas). podem ser detectadas apenas quando grande número de pessoas já usou o medicamento. em um número crescente de pessoas que sofrem ou estão em risco de sofrer a doença que deve ser tratada ou evitada pela nova droga. Mesmo depois da aprovação de um medicamento novo. Nas fases de pré-comercialização (fases I. inclusive quanto a possíveis efeitos na capacidade reprodutiva e na saúde da prole. as pesquisas em seres humanos se concentram no tipo e na freqüência das reações adversas e nos fatores que tornam as pessoas suscetíveis a tais reações (como idade. Os dados resultantes dos testes em animais e seres humanos. a FDA aprova o requerimento dos pesquisadores para Investigação de Nova Droga. sexo. e em seguida a droga passa a ser estudada em seres humanos. Esses estudos progridem ao longo de várias fases. especialmente em pessoas com Anemia (diminuição da produção ou aumento da destruição de glóbulos vermelhos) Diminuição da produção de leucócitos. Algumas Reações Medicamentosas Adversas Sérias Reação Adversa Úlceras pépticas ou sangramento do estômago Medicamentos • Corticosteróides (como prednisona ou hidrocortisona) tomados por via oral ou injetável (não aplicados na pele como cremes ou loções) • Aspirina e outras drogas antiinflamatórias nãoesteróides (como ibuprofeno. ou porque não conseguem demonstrar uma atividade benéfica ou porque se verifica que são muito tóxicas. mais ou menos. A FDA pode suspender sua aprovação se novas evidências indicarem que a droga representa um risco significativo. sua dinâmica (ações e mecanismos) e a segurança que oferece. Se os testes com animais são bemsucedidos. uma vez a cada 1. Esse acompanhamento é importante. o processo de revisão e aprovação se estende por dois ou três anos a partir da apresentação do formulário. cetoprofeno e naproxeno) • Anticoagulantes (como heparina e warfarina) • Certos antibióticos (como o cloranfenicol) • Algumas drogas antiinflamatórias não-esteróides (como indometacina e fenilbutazona) • Certas drogas antipsicóticas (como a clozapina) • Medicamentos contra câncer • Algumas drogas para problemas de tireóide (como a propiltiouracila) • Acetaminofeno (uso repetido de doses excessivas) • Algumas drogas contra tuberculose (como a isoniazida) • Quantidades excessivas de compostos de ferro • Muitas outras drogas. a nova droga é estudada primeiramente em um pequeno número de voluntários sadios e. Além de determinar a eficácia terapêutica. o fabricante deve coordenar uma vigilância de pós-comercialização (fase IV). comunicando imediatamente qualquer reação medicamentosa adversa adicional ou não-detectada. são apresentados para análise junto à FDA em um Formulário de Droga Nova. Médicos e farmacêuticos são incentivados a participar na monitorização contínua do medicamento. ou mesmo uma vez a cada 50. Grande parte dos testes tem como objetivo a avaliação da eficácia da droga e de sua segurança relativa. metabolismo. com aumento do risco de infecções Lesão hepática 66 . Reações adversas importantes que ocorrem uma vez a cada 10.

O número e a gravidade dessas reações aumentam desproporcionalmente com o número de remédios tomados. comparando-os com os benefícios esperados. topo Fatores de Risco Muitos fatores podem aumentar a possibilidade de uma reação medicamentosa adversa: o uso simultâneo de diversos medicamentos. Ao avaliar os benefícios e riscos de prescrever um medicamento. O uso de um medicamento não se justifica a menos que os benefícios esperados superem os possíveis riscos. Os recém-nascidos não podem metabolizar e eliminar o antibiótico cloranfenicol. é aceitável apenas um nível muito baixo de efeitos adversos. por exemplo. Idade Bebês e crianças muito novas estão em especial risco de reações medicamentosas adversas porque a capacidade de metabolização das drogas nessas faixas etárias não está ainda completamente desenvolvida. Raramente os benefícios e riscos potenciais podem ser determinados com precisão matemática. tensões musculares ou dores de cabeça esporádicos podem ser aliviados com remédios vendidos sem receita. A revisão periódica. pelo médico ou farmacêutico. a faixa etária do paciente (muito jovem ou muito idoso). que é também uma droga. desconfortos relativamente menores de tosses e resfriados. os médicos levam em consideração a gravidade do distúrbio que está sendo tratado e o impacto que esse distúrbio está tendo na qualidade de vida do paciente. Assim. aumenta o risco. nesses casos. Terapia Medicamentosa Múltipla Tomar vários medicamentos de receita obrigatória ou de venda livre aumenta o risco de ocorrência de uma reação medicamentosa adversa. certas doenças e fatores hereditários. Crianças com menos de 15 anos 67 . câncer ou rejeição de transplante de órgão). Mas o risco de uma reação medicamentosa adversa cresce abruptamente quando uma pessoa está tomando outros medicamentos (de venda livre ou de receita obrigatória). Tetraciclina. além de trazer benefícios. o médico deve pesar os possíveis riscos. uma reação séria e freqüentemente fatal. os bebês que recebem essa droga podem sofrer a síndrome do bebê cinzento. de todas as drogas que a pessoa está tomando pode reduzir o risco de reações indesejáveis. O uso do álcool. O médico também deve considerar as possíveis conseqüências da não administração do medicamento. Por outro lado. administrada a bebês e crianças novas durante o período de formação dos dentes (até aproximadamente 7 anos de idade) pode alterar permanentemente a cor do esmalte dental. quando um medicamento está sendo utilizado no tratamento de uma moléstia ou de um distúrbio sério ou que põe a vida em risco (por exemplo.doença hepática preexistente ou em consumidores de grandes quantidades de bebidas alcoólicas Lesão renal (o risco de lesão renal induzida por medicamento é maior para pessoas idosas) • Drogas antiinflamatórias não-esteróides (uso repetido de doses excessivas) • Antibióticos aminoglicosídeos (como canamicina e neomicina) • Algumas drogas contra câncer (como a cisplatina) topo Benefícios Versus Riscos Todo medicamento pode causar danos. derrame. torna-se necessário aceitar um risco mais alto de reação medicamentosa grave. ataque cardíaco. outro antibiótico. Os medicamentos de venda livre para tratamento de distúrbios corriqueiros possuem uma grande margem de segurança quando tomados de acordo com as orientações. gravidez. Sempre que pensa em prescrever um medicamento.

topo Alergias a Medicamentos Em geral.estão sob risco de sofrer a síndrome de Reye caso tomem aspirina quando estiverem gripadas ou com catapora. a reação grave ou de risco pode exigir uma injeção de adrenalina (também chamada epinefrina) ou corticosteróides (como a hidrocortisona). edema dos tecidos. Drogas sociais ou ilícitas (álcool. Pessoas idosas também estão sob alto risco de sofrer reação medicamentosa adversa. algumas pessoas idosas apresentam uma tendência a fazer confusão em relação às instruções para o uso apropriado dos remédios. A reação leve pode exigir tratamento com somente um antihistamínico. nicotina. As pessoas que já tiveram reações alérgicas graves. apenas incômodo. às vezes até níveis perigosamente baixos. e queda na pressão arterial. Entre os medicamentos que costumam causar esses problemas. até um processo grave e que põe em risco a vida. Mas essa relação entre dose e resposta não se aplica a pessoas alérgicas ou hipersensíveis a determinado medicamento. Outros Fatores As doenças podem alterar a absorção. Em geral os médicos perguntam se o paciente tem alguma alergia conhecida a medicamento antes de prescrevê-lo. porque as reações ocorrem mesmo depois de a pessoa já ter sido exposta ao medicamento (por via tópica. mulheres grávidas não devem tomar remédios. constrição das vias respiratórias e respiração ruidosa. o metabolismo e a eliminação dos medicamentos. mesmo pequenas quantidades do medicamento podem deflagrar uma reação alérgica. esses problemas freqüentemente são complicados pela desnutrição e desidratação. topo Toxicidade por Overdose 68 . especialmente durante o primeiro trimestre. assim como a resposta do organismo às drogas. podendo prejudicar a respiração. oral ou injetável) uma ou mais vezes. Para elas. sedativos. que têm problemas clínicos sérios ou que estão tomando medicamentos de alto risco devem usar um colar ou pulseira de alerta. Alergias a medicamentos são imprevisíveis. Gravidez Muitos medicamentos representam risco para o desenvolvimento normal do feto. como laringe e glote. cocaína e narcóticos como a heroína) também trazem riscos para a gestação e para o feto. A informação inscrita na pulseira (por exemplo. ansiolíticos e antidepressivos. tomem vários remédios de venda livre e de receita obrigatória. Ainda permanece muito pouco explorado o campo das interações entre a mente e o corpo. tomando warfarina) alertará a equipe médica e o paramédico no caso de uma emergência. Além disso. A função renal e a capacidade de eliminação de drogas do corpo declinam com a idade. O médico deve supervisionar o uso de qualquer medicamento de receita obrigatória ou de venda livre durante a gestação. confusão e comprometimento da coordenação correm maior risco de sofrer quedas e de fraturar ossos. febre. sem nenhuma reação alérgica. Tanto quanto possível. alérgico à penicilina. por isso. Pessoas idosas tratadas com remédios que podem causar tontura. crença em si próprio e confiança no médico. principalmente porque é provável que tenham numerosos problemas de saúde e. pontos de vista. incluindo aspectos como atitude mental. Reações alérgicas podem refletir-se em erupções cutâneas e coceira. que varia desde algo de pouca importância.A hereditariedade pode conferir maior suscetibilidade aos efeitos tóxicos de certos medicamentos. o número e a gravidade das reações medicamentosas adversas aumentam proporcionalmente à dose. estão muitos dos anti-histamínicos. diabético dependente de insulina.

acidental ou intencional. Estar enfermo é causa de preocupação. como a fluoxetina e a paroxetina. Outras razões para não cooperar com o plano terapêutico médico são o custo do tratamento. muitas consultas médicas. mas possuem uma margem de segurança mais ampla e apresentam probabilidade muito menor de causar toxicidade grave no caso de uma overdose. Seção 2 . do farmacêutico ou do paciente) ou intencional (homicídio ou suicídio) de determinada droga. e ter de tomar o remédio é lembrança constante da enfermidade. A maioria dos comprimidos e cápsulas vivamente coloridos que atraem sua atenção possui formulações com doses para adultos. Um risco menor de toxicidade por overdose é freqüentemente a razão por que os médicos preferem um medicamento em detrimento de outro quando os dois produtos são igualmente eficazes. ansiolítico ou tranqüilizante. e não barbitúricos.Medicamentos Capítulo 11 . Quase todas as áreas metropolitanas dos Estados Unidos contam com serviços de informação sobre envenenamento com agentes químicos e medicamentos. terem substituído em grande parte antidepressivos mais antigos.000 mortes por doenças cardiovasculares. até 23% das admissões em casas de repouso. a mais comum é: esquecimento.A expressão toxicidade por overdose referese a reações tóxicas sérias. Os benzodiazepínicos não são mais eficazes que os barbitúricos. em decorrência de uma overdose acidental (decorrente de erro do médico. se há necessidade de um sedativo. como ataques cardíacos e derrames. A conseqüência mais óbvia da não-adesão é a enfermidade não ser aliviada ou sanada. freqüentemente lesivas e possivelmente fatais. Crianças mais novas estão em alto risco de toxicidade por overdose. resultando em uma repressão do desejo de seguir o plano terapêutico. mas igualmente eficazes. em geral os médicos receitam benzodiazepínicos. como o pentobarbital. Assim. Alguma coisa acerca do tratamento pode preocupar muito a pessoa. Nos Estados Unidos. muitos exames diagnósticos e muitos tratamentos desnecessários poderiam ser evitados se as pessoas tomassem os medicamentos 69 . a menos que o paciente renuncie por escrito a possíveis problemas.Adesão ao Tratamento Medicamentoso Resultados da Falta de Adesão Adesão no Caso de Crianças Adesão no Caso de Pessoas Idosas Modos de Melhorar a Adesão A classe médica define adesão como o grau com que o paciente segue o plano terapêutico. todos os anos a falta de adesão ao tratamento medicamentoso resulta em 125. Entre as muitas razões alegadas pelos pacientes para não cooperar com um plano terapêutico. topo Resultados da Falta de Adesão Mesmo o melhor plano terapêutico fracassará se não for seguido pelo paciente. como o diazepam e o triazolam. suas inconveniências e possíveis efeitos adversos. Segurança é também a razão de antidepressivos mais recentes. o mecanismo psicológico de negação está operando. como a imipramina e amitriptilina. Mas a pergunta-chave é: por que as pessoas esquecem? Freqüentemente. 10% das admissões em hospitais. indicando que esse tipo de recipiente representa uma limitação. regulamentos federais exigem que todos os medicamentos de uso oral sujeitos a receita sejam fornecidos em frascos “à prova de crianças”. e a maioria dos catálogos telefônicos contém o número do Centro de Controle de Venenos local. Além disso. Estudos sobre o comportamento de pacientes demonstram que apenas metade das pessoas que deixam o consultório médico com uma receita toma o medicamento de acordo com as orientações prescritas. Esse número de telefone deve ser copiado e guardado perto de um telefone ou programado em um aparelho telefônico de discagem automática. Segundo uma estimativa da Inspetoria Geral dos Estados Unidos.

Em geral as pessoas idosas são mais sensíveis aos medicamentos e podem necessitar de doses diferentes. Alguns dos remédios podem ter sido prescritos por médicos diferentes. adição de medicamentos de venda livre. que necessitam de uma terapia complexa durante longos períodos. Às vezes os pais não compreendem claramente as instruções. A adesão a um plano terapêutico é ainda pior nos casos de doenças crônicas. porque muitos farmacêuticos mantêm registros dos medicamentos que determinada pessoa está tomando e podem ser consultados para possível duplicação ou interação com outros medicamentos. Os pais recordam do primeiro terço da orientação e lembram mais acerca do diagnóstico que dos detalhes do plano terapêutico. por exemplo. e 82% no nono dia. assim como a não observância às doses prescritas de um antibiótico pode promover a recidiva de uma infecção. Por exemplo. Quando participam do planejamento de seu tratamento. que esses pacientes não diminuam a dosagem dos medicamentos por vontade própria. talvez levando ao surgimento de bactérias resistentes à droga. aumentando a probabilidade de sua manutenção. É por isso que os pediatras tentam tornar simples o plano terapêutico e freqüentemente fornecem instruções por escrito. topo Adesão no Caso de Crianças Em comparação com os adultos. de um medicamento para reduzir a pressão alta. as pessoas também assumem a responsabilidade por ele. A compra de todos os remédios de um mesmo farmacêutico também costuma ajudar. é preciso que todos os médicos envolvidos tomem conhecimento de todos os medicamentos que a pessoa está tomando. 71% no sexto dia. demonstrou que 56% pararam de tomar o remédio no terceiro dia. A boa comunicação ajuda a garantir. e a maior parte dos pacientes deseja participar no processo de tomada de decisão. A comunicação nos dois sentidos funciona melhor. de um medicamento para o coração. com o objetivo de abrandar os efeitos colaterais. derrames. é maior a probabilidade de esquecer ou confundir os horários e de ocorrer uma interação medicamentosa adversa. e também pode haver.conforme a orientação médica. é ainda menos provável que as crianças sigam um plano terapêutico. a um ritmo cardíaco errático e à parada cardíaca. O paciente que recebe explicações claras e compreende a base lógica do tratamento também tem mais vontade de cooperar. Estudos demonstram que os pais esquecem cerca de metade das informações 15 minutos depois da consulta com o médico. A falta de adesão não apenas aumenta os custos de um tratamento médico como também piora a qualidade de vida. Uma boa comunicação ajuda o médico a desenvolver um plano terapêutico mais simples e também evita os perigos de interações medicamentosas não previstas. É mais provável que as pessoas cooperem se acreditarem que o médico e outros profissionais da saúde envolvidos no tratamento preocupamse com sua adesão ao plano terapêutico. topo Modos de Melhorar a Adesão Normalmente os pacientes facilitam a cooperação com o plano terapêutico quando mantêm boa relação com seus médicos. Portanto. como o diabetes juvenil e a asma. em alguns casos. topo Adesão no Caso de Pessoas Idosas Quando o paciente está tomando vários medicamentos. a nãoingestão das doses de determinado medicamento para o tratamento de glaucoma pode levar à lesão do nervo óptico e à cegueira. 70 . Um estudo de crianças com infecções estreptocócicas e para as quais foi prescrito um curso de dez dias de penicilina.

e o médico pode fazer os ajustes apropriados depois de uma discussão franca sobre o problema. A boa comunicação também garante que todos os profissionais envolvidos no tratamento compreendam o plano prescrito pelo médico. Nomes e números telefônicos de grupos de apoio podem ser obtidos nos hospitais locais e nos grupos comunitários. Equívocos em geral podem ser esclarecidos por uma simples conversa com um profissional bem informado. e gostam mais do médico. Os pacientes que assumem a responsabilidade de ajudar na monitorização dos bons e maus efeitos do tratamento e que discutem as dúvidas e preocupações com os médicos e demais profissionais envolvidos provavelmente obterão melhores resultados com o plano terapêutico. mas tomar os remédios incorretamente • Tomar um remédio que não foi receitado Contato inadequado com o médico • Demorar para procurar cuidados médicos • Recusar-se a aderir ao plano terapêutico ou ser incapaz disso • Não ter à disposição um tratamento acessível.Estudos demonstram que as pessoas que recebem explicações de um médico interessado ficam mais satisfeitas com a ajuda que recebem. Em muitos casos. Freqüentemente as pessoas têm bons motivos para não seguir o plano terapêutico. a febre pode desaparecer antes que todas as bactérias infecciosas tenham sido erradicadas) • Temer conseqüências adversas ou tornar-se dependente do medicamento • Preocupar-se com as despesas • Ser indiferente a seu estado de saúde (apatia) • Ser intimidado por obstáculos (por exemplo. conveniente ou financeiramente suportável • Não comparecer às consultas • Abandonar logo o plano terapêutico • Não levar problemas ao conhecimento do médico 71 . e que. o paciente pode “chegar a um acordo” com relação à gravidade da enfermidade. achar o plano terapêutico inconveniente. existem grupos de apoio para pessoas com moléstias similares. Ao fazer perguntas ao médico. Instruções por escrito ajudam os pacientes a evitar erros causados por lembrança imprecisa ou equivocada do que o médico disse. equivocadamente. quanto mais gostarem do médico. Razões para Não Aderir ao Plano Terapêutico • Não compreender ou interpretar erradamente as instruções • Esquecer de tomar o remédio • Sofrer reações adversas (o tratamento pode ser considerado pior que a doença) • Negar a enfermidade (rejeitando o diagnóstico ou seu significado) • Não acreditar que o medicamento pode ajudar • Acreditar. no caso de uma infecção. mais obedientes serão ao plano terapêutico. Muitas vezes esses grupos reforçam os planos terapêuticos com sugestões para enfrentar os problemas. que já recebeu tratamento suficiente (por exemplo. ser incapaz de obter o medicamento) Fatores que Comprometem o Sucesso do Plano Terapêutico Erros de medicação • Não aviar a receita • Aviar a receita. ou a enfermeira sobre efeitos indesejáveis ou inesperados antes de ajustar ou interromper o tratamento por vontade própria. pesando de forma inteligente as vantagens e as desvantagens do plano terapêutico. ter dificuldade em engolir comprimidos ou cápsulas. Essas pessoas devem informar o médico. A criação de uma relação biunívoca entre o paciente e o médico pode ter início com uma troca de informações. ter problemas com a abertura de frascos.

Em geral. porque se refere à própria droga. que identifica a substância como sendo de exclusiva propriedade de determinada empresa. e não à marca dada por determinada empresa para essa droga ou para um produto específico. Os medicamentos são conhecidos por diversos nomes. Ao ser descoberta. com freqüência.Medicamentos Genéricos Proteção por Patente Procedimentos de Avaliação e Aprovação Comparação entre Medicamentos Genéricos e de Marca Escolha de um Medicamento Genérico Medicamentos Genéricos de Venda Livre O termo genérico é utilizado na descrição das versões mais baratas de produtos de marcas conhecidas e de amplo uso. o órgão federal responsável pela segurança e eficácia dos medicamentos nos Estados Unidos. As patentes concedem à empresa o privilégio de direitos exclusivos sobre o medicamento durante dezessete anos. porém em troca de um padrão mais baixo de qualidade e de eficiência. e Skelaxin é um relaxante da musculatura esquelética. Nomes muito parecidos aos de outras drogas podem induzir a erros na prescrição ou no fornecimento do medicamento. No caso de produtos farmacêuticos. são reservados ao fabricante apenas cerca de sete anos de comercialização exclusiva 72 . como não é raro transcorrerem cerca de dez anos entre o momento da descoberta da substância e o momento de sua aprovação para uso humano ou veterinário. sugerem determinada característica da droga. o nome comercial Minocin é simplesmente uma versão abreviada de minociclina. Muitos nomes genéricos são um tipo de abreviatura para o nome químico. a estrutura ou a fórmula da substância. uma droga recebe um nome químico.Resistência comportamental ao tratamento • Não cumprir as etapas preventivas recomendadas • Não seguir completamente as instruções • Não participar dos programas de saúde recomendados Seção 2 . Os nomes comerciais também devem ser exclusivos. e não podem ser confundidos com os de outras drogas. que torna as pessoas mais vivazes.Medicamentos Capítulo 12 . Vivactil é um antidepressivo. criado para fácil referência entre os pesquisadores. As autoridades devem ter certeza de que os nomes comercial e genérico são exclusivos. a empresa que desenvolve um novo medicamento pode solicitar patente para o próprio medicamento. O s nomes genéricos quase sempre são mais complicados e difíceis de lembrar que os nomes comerciais. em geral não é esse o caso. topo Proteção por Patente Nos Estados Unidos. Mas. Mas as receitas escritas em geral usam o nome de marca. A característica mais importante de um nome genérico é sua exclusividade. para seu modo de produção ou de utilização. ela recebe mais dois nomes: um nome genérico (nome oficial) e um nome comercial (também chamado nome de proprietário ou de marca). Glucotrol controla taxas elevadas de açúcar (glicose) no sangue. Se a Food and Drug Administration (FDA). o termo genérico implica pagar menos. o fabricante é detentor de mais de uma patente para determinado medicamento e pode até mesmo ter a patente do sistema que transporta e libera o medicamento na corrente sangüínea. Textos oficiais e científicos referem-se ao novo composto pelo nome genérico da droga. uma versão abreviada de seu nome químico ou nome em código. o nome genérico do medicamento. Assim. além de atraentes e de fácil lembrança. aprova a droga para prescrição geral. Quando se trata de produtos alimentícios ou de uso doméstico. Por outro lado. Lopressor reduz a pressão arterial.

Essas pesquisas são chamadas estudos de bioequivalência. Depois de expirada a patente. Sempre que é desenvolvida uma nova forma de determinado medicamento. 73 . Essa exigência é aplicável mesmo nos casos em que outra versão de liberação programada do medicamento já está sendo comercializada. outras companhias podem vender uma versão genérica do medicamento. Freqüentemente o comprimido ou cápsula usados durante as experiências clínicas e o desenvolvimento do produto devem ser modificados por razões comerciais. a FDA deve aprovar todas as versões genéricas do medicamento. de que estão sendo manufaturados de acordo com os padrões federais (Práticas da Boa Fabricação) e de que são liberadas no organismo com a mesma velocidade e abrangência que os medicamentos de marca originais. as autoridades federais regulamentadoras exigem a realização dos extensos estudos envolvidos em uma completa Investigação de Novo Medicamento.do novo medicamento (medicamentos para AIDS ou outras enfermidades que representem perigo de vida quase sempre recebem aprovação mais rápida). sua aromatização ou cor ou seus ingredientes inativos com o objetivo de aumentar a aceitação do consumidor. a duplicação da substância é difícil demais ou não existem testes adequados para comprovar que o medicamento genérico tem a mesma eficácia que o de marca. Existem muitos caminhos distintos para a produção de um medicamento seguro e eficaz. Para os medicamentos de liberação programada (de liberação contínua e de ação prolongada). deve-se provar sua bioequivalência com relação à forma originalmente utilizada para que sejam estabelecidas sua segurança e eficácia. Em comparação. esses especialistas provavelmente optam por ingredientes inativos diferentes. os funcionários especialistas em formulação definem como projetar o produto. A FDA testa drogas genéricas novas para se assegurar de que contêm as quantidades adequadas dos ingredientes ativos (o medicamento). topo Procedimentos de Avaliação e Aprovação A aprovação de um medicamento genérico pela FDA baseia-se em evidência científica de que o produto surte um efeito em seres humanos essencialmente idêntico ao do original. Contudo. Embora tenha retardado a disponibilidade de versões genéricas de alguns medicamentos de liberação programada. Um medicamento genérico pode ser vendido com um nome comercial (nome de fantasia) ou apenas com seu nome genérico. normalmente com preço muito mais baixo que a marca original. às vezes. a pesquisa obrigatória é imposta visando a atender o interesse do consumidor. mais complexos e muito mais caros para provar que são seguras e eficazes. topo Comparação entre Medicamentos Genéricos e de Marca Desenvolver e manufaturar medicamentos sujeitos a receita não é como seguir um livro de receitas. pode-se assumir que. as drogas novas devem ser submetidas a estudos maiores. Tendo em vista que esse tipo de medicamento está sujeito a uma variação muito maior que os comprimidos e cápsulas corriqueiros. Pode-se modificar a rigidez dos comprimidos. somente com o objetivo de determinar se a versão genérica libera os ingredientes ativos na corrente sangüínea do mesmo modo que o medicamento de marca original. Nem todos os medicamentos fora da validade da patente têm versões genéricas. Pesquisadores das companhias que manufaturam medicamentos genéricos realizam estudos. Quando uma indústria farmacêutica decide desenvolver uma versão genérica de determinado medicamento. De qualquer forma. em geral em um número relativamente pequeno (de 15 a 50) de voluntários sadios. os genéricos apresentam a mesma qualidade do original. Os fabricantes de medicamentos de marca usam técnicas de pesquisa da bioequivalência quando desenvolvem novas formas de dosagem ou concentrações de seus medicamentos. antes que a companhia comercialize uma versão de liberação programada. Embora utilizem ingredientes ativos idênticos aos do medicamento original. via de regra. as regras são diferentes.

O catálogo pode ser adquirido por qualquer pessoa. porque esses preservativos estão presentes em muitos aerossóis e soluções utilizados no tratamento da própria asma. Um exemplo referese aos hormônios da tireóide. As diferenças reais entre medicamentos genéricos e seus correspondentes de marca.5%. para evitar que o comprimido se esfarele entre o momento de fabricação e o de ingestão. as leis estaduais que controlam certos aspectos da prática da medicina e da farmácia variam com relação ao grau de participação do consumidor nas decisões que envolvem 74 . Muitos planos de saúde e organizações de manutenção da saúde (OMSs) exigem que sejam receitados e fornecidos medicamentos genéricos sempre que possível por motivos econômicos. o consumidor pode procurar pelo nome genérico do ingrediente ativo no rótulo do medicamento. para algumas pessoas. que não afetam o organismo. Medicamentos genéricos idênticos aos de marca podem ser usados livremente como substitutos em qualquer receita. um medicamento genérico difere de seu congênere de marca em tamanho. Às vezes. Em alguns casos. Em geral. são muito menores que os 20% permitidos. mas não devem substituir umas às outras. utilizados como preservativos em muitos produtos. causam reações alérgicas asmáticas em grande número de pessoas. a menos que o médico indique de outra forma. as variações observadas encontram-se na faixa de 3. Em geral. Por isso. para dar volume. a menos que seu médico tenha escrito na receita que não pode ser feita nenhuma substituição. mas é basicamente para uso de médicos e farmacêuticos. Todas as versões são aceitáveis para o tratamento de glândulas tireóides subativas. Por razões legais. cor e forma. um lote de certo medicamento da empresa X manufaturado na fábrica de New Jersey pode não ser idêntico a um lote do medicamento produzido na fábrica de Porto Rico da mesma empresa. nem será igual à sua versão genérica manufaturada pela empresa Y em Boston. Assim. Esses produtos podem ser comercializados. aprovados pela FDA e administrados por via oral. o consumidor se vê obrigado a comprar a versão genérica que o farmacêutico tem em estoque. A bioequivalência de diferentes versões de um medicamento pode variar em até 20% sem que haja nenhuma diferença perceptível na eficácia. Nos Estados Unidos. ou para dar ao produto sabor e cor agradáveis. também conhecido como “o livro laranja” pela cor laranja brilhante de sua capa. Todas as versões devem ser testadas para garantir que produzam efeito similar no corpo humano. Nesse caso. a FDA publica o catálogo Approved Drug Products With Therapeutic Equivalence Evaluations (“Medicamentos Aprovados. o médico especialista pode explicar quais medicamentos genéricos são substitutos aceitáveis. topo Escolha de um Medicamento Genérico Todos os anos. de modo que um comprimido seja suficientemente grande para ser manuseado. os medicamentos que contêm bissulfitos recebem destaque sobre esse aspecto no rótulo. As variações podem ocorrer tanto entre a versão de marca e a genérica do medicamento como entre diferentes partidas (lotes) do medicamento de marca ou genérico de determinado fabricante. para ajudar que o comprimido se dissolva no estômago ou intestino. o que induz o consumidor a acreditar que a versão genérica é muito diferente do medicamento de marca com que está familiarizado. tornando uma marca ou versão genérica de determinado medicamento mais aceitável que outra. é provável que pessoas com asma tenham sido expostas a bissulfitos com freqüência. os ingredientes inativos são substâncias inofensivas. mas não devem ser considerados equivalentes. Para verificar que o medicamento genérico fornecido equivale ao prescrito na receita.Os ingredientes inativos são alterados por razões específicas: por exemplo. determinadas versões genéricas disponíveis não podem substituir livremente o medicamento original porque não foram estabelecidos padrões de comparação. porque não foram estabelecidos padrões para sua comparação. os bissulfitos (como o metabissulfito de sódio). Ironicamente. O farmacêutico é responsável pelo aviamento e pela rotulagem dos medicamentos constantes nas receitas. e raramente excedem os 10% em qualquer estudo isolado. porém. Mas. O consumidor pode escolher entre um medicamento de marca e uma versão genérica. Por exemplo. esses ingredientes podem causar reações alérgicas incomuns e às vezes graves. com Avaliações das Equivalências Terapêuticas”). O “livro laranja” fornece orientações sobre quais medicamentos genéricos podem ser considerados idênticos a seus congêneres de marca e quais não podem.

algumas preparações de corticosteróides em aerossol Qualquer das versões pode ser eficaz. portanto substituí-los livremente Medicamentos antihipertensivos Reserpina. desonida. hidralazina Medicamentos em aerossol. não podendo. mometasona e triamcinolona 75 . halobetasol. tamanho. mesmo que o médico e o farmacêutico tenham recomendado um genérico. uma quantidade muito pequena do medicamento pode não funcionar. reserpina + hidroclorotiazida. reserpina + hidroflumetiazida. A resposta é tão imprevisível que o produto que tenha demonstrado eficácia não deve ser substituído por outro Comprimidos de corticosteróides Dexametasona. Em outros estados. betametasona. carbamazepina. mas os padrões para comparação estão ainda em fase de desenvolvimento As versões genéricas não são equivalentes aos medicamentos de marca Exemplos Comentários Medicamentos cuja dose tóxica é apenas ligeiramente superior à dose terapêutica Warfarina e digoxina (para a insuficiência cardíaca). dexametasona. Embora muitos tenham sido classificados como equivalentes pela FDA. e uma dose muito grande. fenitoína. que pode redigir uma receita autorizando uma versão genérica. ácido valpróico e outros medicamentos anticonvulsivos Cremes. pomadas.receitas. o consumidor discute com o médico a respeito. causar efeitos colaterais Esses produtos são padronizados por testes de resposta cutânea. o farmacêutico deve fornecer um medicamento genérico. hidrocortisona. fluocinolona. resultante de consultas extras ao médico. Os críticos do uso disseminado de medicamentos genéricos têm levantado outras preocupações. desoximetasona. loções e pomadas que contêm corticosteróides Alclometasona. Os críticos querem saber quanto dinheiro é realmente poupado com a troca para uma versão genérica depois que esses custos adicionais forem pagos. ou forma de um medicamento genérico podem diminuir a motivação dos pacientes para seguir as instruções terapêuticas do médico. Em alguns estados. amcinonida. flurandrenolida. a resposta pode variar e diferentes veículos para a substância ativa (cremes. novos exames de laboratório e outros aspectos da troca de opção. fluocinonida. algumas marcas de prednisona Muitas versões pseudo-genéricas não são equivalentes aos medicamentos de marca. Se o médico receita um medicamento de marca mas o consumidor deseja uma versão genérica. o consumidor não tem voz ativa: se o médico receita um medicamento genérico. Outra preocupação é se as diferenças de cor. Quando a Substituição Genérica Pode Não Ser Apropriada Categoria de Medicamento A margem de segurança é relativamente pequena (margem terapêutica estreita). especialmente os utilizados em tratamento de asma Metaproterenol e terbutalina (broncodilatadores amplamente utilizados). halcinonida. o consumidor pode insistir em um medicamento de marca. clocortolona. diflorasona. como o possível aumento na conta de saúde das pessoas. fluticasona. gels) também causam efeitos variáveis. para uma nova marca de medicamento de receita obrigatória.

Medicamentos orais contra asma Teofilina. em geral. 76 . uma marca de combinação de amitriptilinaperfenazina Nem todas as marcas são substituíveis Medicamentos antidiabéticos Gliburida (para o diabetes inicial em adulto) Uma marca de gliburida (Glynase) pode não ser intercambiável com os demais produtos Antipsicóticos Comprimidos de clorpromazina As versões genéricas não são equivalentes às versões de marca Medicamentos para tratamento de gota Hormônios Probenecida. Mas. a maioria das versões de metiltestosterona As duas marcas de estrogênio esterificado não são equivalentes. Esses medicamentos são avaliados da mesma forma que as drogas genéricas de receita obrigatória. colchicina As versões genéricas não são equivalentes às versões de marca Estrogênio esterificado (para terapia de reposição de estrogênio em mulheres na pós-menopausa). quando determinada marca está se mostrando eficaz. Por isso. Embora qualquer marca possa ser eficaz. deve-se evitar sua substituição. a menos que seja absolutamente necessário Antidepressivos Algumas marcas de amitriptilina. algumas marcas de medroxiprogesterona. diferenças poderiam causar grandes oscilações na resposta do paciente As cápsulas de ação prolongada que contêm potássio para reposição são consideradas equivalentes e podem ser adotadas livremente como substitutas Potássio A maioria dos produtos de reposição de potássio em forma de comprimido Outras substâncias Disulfiram Fluoximesterona Mazindol Emplastros ( patches) de nicotina Fenitoína. gosto. a preferência por determinado produto está relacionada com sua aparência. A escolha de uma marca “doméstica” ou versão genérica de um medicamento de venda livre provavelmente poupará dinheiro. preparada Prometazina (comprimidos e supositórios) Rauwolfia serpentina Triclormetiazida As versões genéricas desses produtos não são equivalentes. difilina e algumas marcas de aminofilina Em geral. a substituição não é recomendável topo Medicamentos Genéricos de Venda Livre Freqüentemente as versões genéricas dos medicamentos de venda livre (sem necessidade de receita) mais populares são vendidas como marcas “domésticas” por cadeias ou cooperativas de farmácias. os produtos não são equivalentes. consistência e outras características dessa ordem. Os farmacêuticos podem orientar os consumidores com relação aos produtos genéricos de venda livre que devem ser tão eficazes quanto os originais. e devem atender às mesmas exigências. Levando em conta que os hormônios são geralmente administrados em doses extremamente pequenas.

Contudo. praticamente qualquer coisa podia ser colocada em uma garrafa e vendida como capaz de curar tudo. instituição norte-americana de âmbito federal.Medicamentos de Venda Livre Antiácidos e Produtos para Indigestão A n t e c e d e n t e s H i s t ó r i c o s Considerações Quanto à Segurança Analgésicos e Antiinflamatórios Medicamentos Contra Resfriado Produtos para Emagrecimento Medicamentos de venda livre (VL) são aqueles que podem ser adquiridos sem receita. regulamentados pela Portaria 344/98 da Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS/MS) e que necessitam de Notificação de Receita – documento padronizado destinado à notificação da prescrição de medicamentos: entorpecentes (cor amarela). Álcool. psicotrópicos (cor azul) e retinóides de uso sistêmico e imunossupressores (cor branca) – ou de Receita de Controle Especial em duas vias. Eles permitem que as pessoas aliviem muitos sintomas incômodos e curem algumas moléstias de forma simples e sem as despesas de uma consulta médica. topo Medicamentos Contra o Enjôo de Viagem Sedativos Precauções Especiais Antecedentes Históricos Antigamente. Demais substâncias e medicamentos ficariam sujeitas a Receita Médica sem retenção. cocaína. impõe a presença de bom senso e responsabilidade.Embora os ingredientes ativos sejam os mesmos. Antes da criação da Food and Drug Administration (FDA). Seção 2 . 77 . maconha e ópio faziam parte de alguns produtos VL. sem notificação aos consumidores. incentivada pela disponibilidade de medicamentos VL seguros e eficazes. a revolução de autoterapia ocorrida nas últimas décadas. No Brasil há regulamento técnico específico para substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. outras características podem diferir.Medicamentos Capítulo 13 . restando ainda aqueles denominados medicação não controlada. a maioria dos remédios podia ser comprada sem receita.

os tóxicos ou inseguros para uso. os rótulos dos medicamentos VL não listam toda gama de reações adversas possíveis. Esses medicamentos também podem irritar o trato digestivo e. Por exemplo. é também importante examinar os componentes e não confiar apenas em nomes de marca familiares. eventualmente. muitas pessoas assumem que esses medicamentos têm poucos ou nenhum efeito adverso. Nos últimos anos. Qualquer outro produto poderia ser vendido sem receita. as pessoas devem recorrer ao bom senso ao determinar se um sintoma ou indisposição é irrelevante ou exige atenção médica. Ao estabelecer as doses apropriadas de medicamentos VL. coceira. Mas a definição de um grau de risco aceitável é questão de ponto de vista. Foram classificados como medicamentos de receita obrigatória os compostos potencialmente capazes de formar hábito. outros. Conforme foi observado pela Lei AM&C em 1962. Todos os medicamentos apresentam benefícios e riscos. causar úlceras. Não é seguro assumir que a dose é a mesma apenas pela denominação comercial. Ao selecionar um produto. ocorreu verdadeira inflação de nomes de marcas. mesmo quando tomados de modo correto. topo Considerações Quanto à Segurança Segurança é uma preocupação fundamental quando a FDA considera se um medicamento que até então estava disponível apenas com receita deve passar para o status de VL. o que parece ser uma azia intensa pode ser um aviso de ataque cardíaco iminente. a maioria das dores de cabeça não é perigosa. Uma rara e grave reação alérgica (anafilaxia) a analgésicos como aspirina. o que fornece a margem de erro.A aprovação da Lei de Alimentos. Mas o que funciona com uma pessoa pode não funcionar com outra. Por exemplo.) Sem um sistema organizado para comunicação das reações adversas dos medicamentos VL. carbonato de cálcio. Freqüentemente o uso apropriado depende do autodiagnóstico do consumidor. A segurança de um medicamento VL depende do uso apropriado que se faz dele. Em suma. uma importante mudança ocorrida recentemente foi a reclassificação de muitos medicamentos de receita obrigatória para a condição de VL. nem todos os produtos chamados Maalox contêm os mesmos ingredientes – alguns contêm óxidos de alumínio e magnésio. Do mesmo modo. Com freqüência. E mais: qualquer medicamento pode causar reações adversas. cetoprofeno. Medicamentos e Cosméticos (AM&C) em 1938 deu à FDA alguma autoridade para emitir regulamentos. mas esta última denominação não deixa claro que os efeitos adicionais são quase sempre indesejados. mas não foram fornecidas diretrizes claras com relação aos medicamentos que deveriam ser vendidos apenas com receita e os que teriam a venda liberada sem receita. por isso. certo grau de risco deve ser tolerado para que o consumidor tenha acesso aos benefícios do medicamento. A Lei AM&C foi reformulada em 1951. mas. problemas respiratórios e até colapso cardiovascular. o consumidor deve saber qual ingrediente é mais apropriado para seu problema. a FDA e os fabricantes não têm nenhum modo de saber com segurança o quanto são comuns ou sérios esses efeitos. As pessoas que compram esse tipo de medicamento devem ler e seguir cuidadosamente as instruções. com enorme gama de componentes. (Algumas pessoas referem-se a reações adversas como efeitos colaterais. o rótulo deve ser examinado com atenção cada vez que o produto é comprado. naproxeno ou ibuprofeno pode causar urticária. 78 . existe mais de uma dúzia de formulações diferentes para o Tylenol. a dor de cabeça pode ser um aviso precoce de tumor cerebral ou de hemorragia. em casos raros. exceto sob supervisão médica. Por fim. Em decorrência disso. os fabricantes e a FDA tentam equilibrar segurança e eficácia. os medicamentos VL tinham de ser seguros e eficazes. Tendo em vista que o mesmo nome de marca pode ser aplicado a formulações de liberação imediata e de liberação controlada (liberação lenta). Algumas pessoas sofrem reações adversas com medicamentos VL. em um esforço de resolver os problemas de segurança e esclarecer a diferença entre medicamentos VL e medicamentos de receita obrigatória.

por exemplo. Estas são substâncias similares aos hormônios e que alteram o diâmetro dos vasos sangüíneos. Acetofen. naproxeno e acetaminofeno. já que o tamponamento não pode contrabalançar a diminuição na formação das prostaglandinas. Grandes doses de aspirina podem fazer o usuário ouvir sons de “campainha” (zumbidos). entorse ou distensão – leva a inflamação. Um médico deve ser consultado se os sintomas piorarem ou não desaparecerem. Esses produtos contêm um antiácido que cria um ambiente alcalino para facilitar a dissolução da aspirina e reduzir o tempo de contato da droga com o revestimento do estômago. Como a aspirina pode interferir com a coagulação do sangue. topo Analgésicos e Antiinflamatórios Os analgésicos (produtos que combatem a dor) de venda livre. Compostos tamponados podem diminuir os efeitos irritantes diretos da aspirina. A liberação de prostaglandinas pelo corpo em resposta a alguma lesão – queimadura. Em conseqüência. Todos. Como uma das funções das prostaglandinas é proteger o trato digestivo contra a ação do ácido gástrico. Pessoas com pólipos nasais provavelmente exibirão chiado ao respirar se tomarem aspirina. inclusive a aspirina. cetoprofeno. Mas. podem causar azia. a informação na embalagem. A aspirina e outras drogas antiinflamatórias não esteróides bloqueiam a enzima cicloxigenase. também reduzem as inflamações e são classificados como drogas antiinflamatórias não-esteróides (DAINEs). Em geral. pessoas com dores ou inflamações crônicas chegam a tomar o remédio durante longos períodos sem perceber que esse tipo de procedimento pode causar sérios problemas. Mas a aspirina com revestimento pode ser absorvida de forma errada. Dôrico. portanto. a aspirina não é usada na semana anterior a uma cirurgia eletiva. A aspirina com revestimento entérico é projetada para atravessar intacta o estômago.A bula de um analgésico. entre outros efeitos. retarde a absorção da aspirina com revestimento entérico e o alívio da dor. crucial para a síntese das prostaglandinas. É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento gástrico e. fratura. Anatyl 79 . exceto o acetaminofeno. até mesmo a morte. Alguns Medicamentos Reclassificados como de Venda Livre Nome Genérico Acetaminofeno Nomes de Marca Selecionados no Brasil Tylenol. A aspirina também pode agravar a asma. O uso simultâneo de aspirina e anticoagulantes (como a warfarina) pode causar sangramentos com risco de vida. indigestão e úlceras pépticas. são razoavelmente seguros para uso durante períodos curtos. Todas as drogas antiinflamatórias não esteróides. exceto sob supervisão médica. pessoas que dela fazem uso com freqüência têm maior risco de sangramento.se apenas no intestino delgado. Embora rara. porque podem ser acometidas pela síndrome de Reye. minimizando assim a irritação direta. Aspirina O mais antigo e mais barato dos analgésicos VL é a aspirina (ácido acetilsalicílico). como a aspirina. ibuprofeno. elevam a temperatura do corpo em resposta à infecção e desempenham papel essencial na coagulação do sangue. no frasco ou na bula que acompanha o medicamento não descreve os possíveis efeitos adversos graves oriundos do uso prolongado. A alergia à substância pode causar erupções ou graves dificuldades respiratórias. Seus rótulos alertam contra o uso durante mais de sete a dez dias no combate à dor. apenas alerta o consumidor para não tomar o remédio por mais de dez dias em caso de dor contínua. dissolvendo. a medicação com aspirina ou outra substância similar pode causar indigestão. Crianças e adolescentes com gripe ou catapora não devem tomar aspirina. Pessoas que se contundem com facilidade podem ser especialmente vulneráveis. a aspirina tamponada também pode irritar o estômago. Qualquer pessoa que já tenha sofrido algum distúrbio hemorrágico ou hipertensivo deve evitar o uso de aspirina. úlceras e mesmo sangramento. avermelhamento e inchaço. essa síndrome pode ter graves conseqüências.

pseudoefedrina (associação) Xilometazolina Actifedrin (em assoc. Amplium-G (em assoc. Neoxidil Flanax.Acetaminofeno. Artrosil. Ulcimet Agasten Canesten. Nedax. Toppyc Fenilefrina. Cetoprofeno e Naproxeno 80 . Advil. Cheracap. Revenil.) Tricocel Antak. Motrin Candoral. Label. Danilon.) Triprolidina. Allegra D (em assoc. (em assoc. fenilpropanolamina fenilefrina (em associação) Clorefeniramina (em associação) Cimetidina Clemastina Clotrimazol Difenidramina (em associação) Doxilamina (em associação) Sinutab Dimetapp Apracur. Marax Famodine. Logat Quadriderm. Inhalante Yatropan.) Regaine. Nizoral Artrinid. Profenid Closecs. fenilpropanolamina.) Coristina D (em assoc. Asafen. (em associação) Bromofeniramina. Calcitran B12.) Pseudoefedrina Pirantel Ranitidina Tolnaftato (em assoc. Ulcedine. Loniten. Clogen. Naprosyn Axid Afrin. Tetraderm Actifedrin Otrivina Ibuprofeno. Famoset. Freenal Kwell. Franol. Benadryl.). Gino-Canesten Alergo Filinal. Desfrin. Clotrimix. Ginedak. Cetonax. Silencium Xarope. Benegrip. Fluotrat Flebocortid. Imosec Daktarin. Superhist Tagamet. Silomat Plus Efedrina (em associação) Famotidina Fluoreto Hidrocortisona Ibuprofeno Artril Cetoconazol Cetoprofeno Loperamida Miconazol Minoxidil Naproxeno Nizatidina Oximetazolina Permetrina Fenilefrina Argyrophedrine. Solu-cortef Actiprofen. Famox Calciferol. Benalet. Notuss Bronco-Ped.

como a warfarina (Coumadin). diarréia.O ibuprofeno foi reclassificado em 1984. coceiras ou dificuldade respiratória exige imediata consulta médica. dores estomacais e úlceras. naproxeno VL é comercializado apenas na formulação de 200 miligramas. como a aspirina. © 1993. Alguns medicamentos de receita obrigatória para o coração ou para reduzir a pressão alta não funcionam tão bem quando combinados com esses analgésicos. 600 e 800 miligramas. O cetoprofeno foi aprovado para VL em 1995. zumbidos. O naproxeno foi aprovado para VL em 1994. O surgimento de erupções. 29. exceto sob orientação médica. As concentrações de receita obrigatória são as seguintes: comprimidos de 25. Mas. distúrbios da visão. insuficiência cardíaca ou pressão alta. há necessidade de orientação médica quanto à administração dessas drogas a pessoas com problemas renais ou hepáticos. Embora não comprometam a coagulação sangüínea com a mesma intensidade que a aspirina. Alguns Analgésicos de Venda Livre 81 . As concentrações de ibuprofeno de receita obrigatória são as seguintes: comprimidos de 300. Em geral. úlceras e comprometimento da função hepática. essas três drogas podem causar indigestão.. bula • As orientações adequadas para uso podem ser escritas? • Alertas contra uso inseguro podem ser escritos? • O rótulo ou a bula é de fácil entendimento para um leigo? Reimpresso com permissão de “FDA’s Review of OTC Drugs. American Pharmaceutical Association. o cetoprofeno VL é comercializado apenas na formulação de 25 miligramas. 400. a menos que o médico tenha orientado de outra forma. 375 e 500 miligramas. náusea. 10ª ed. O ibuprofeno VL é comercializado apenas em comprimidos de 200 miligramas. p. 50 e 75 miligramas. Pessoas que regularmente ingerem bebida alcoólica estão em maior risco de problemas no estômago. exceto quando existe cuidadosa supervisão médica. As concentrações de receita obrigatória vêm nas seguintes formulações: 250.” Handbook of Nonprescription Drugs. Outros efeitos adversos são: sonolência. cetoprofeno e naproxeno. Considerações na Reclassificação de um Medicamento Margem de segurança • Quais efeitos prejudiciais o medicamento pode causar? • O uso do produto exige acompanhamento profissional? • O produto pode ter efeitos prejudiciais (inclusive em decorrência de mau uso)? • O produto é formador de hábito? • Qual é o potencial de abuso? • Os benefícios trazidos pela classificação como VL suplantam os riscos? Facilidade de diagnóstico e tratamento • Uma pessoa leiga pode autodiagnosticar o problema a ser tratado pelo medicamento? • A pessoa leiga pode tratar o problema sem a ajuda de um médico? Rótulo. da condição de medicamento de receita obrigatória para medicamento VL. As instruções de dosagem para o naproxeno VL alertam o consumidor para não ultrapassar 3 drágeas em 24 horas. o cetoprofeno e o naproxeno tenham ação mais suave sobre o estômago que a aspirina. retenção de líquidos e dificuldade respiratória. Pessoas alérgicas à aspirina também podem ser alérgicas ao ibuprofeno. essas drogas não devem ser combinadas com medicamentos anticoagulantes. embora poucos estudos tenham realmente comparado esses medicamentos. tontura. Do mesmo modo. Pessoas com mais de 65 anos são alertadas a não tomarem mais de 1 drágea a cada 12 horas. azia. acredita-se que o ibuprofeno.

complicações no trabalho de parto. dor e inflamação Usos Problemas Potenciais 82 . dor leve ou mo derada Irritação do trato digestivo. dor leve ou moderada (comprimidos de goma) Febre e dor (mastigável) Risco de infarto do miocárdio Produtos que contêm ibuprofeno. dor leve ou moderada.Concentração Nomes de Marca do Ingrediente (mg = miligramas) Produtos que contêm aspirina Aspirina Prevent. Somalgin Cardio 100 mg de aspirina Risco de infarto do miocárdio (com revestimento entérico) Irritação e sangramento gastrointestinais pelo uso prolongado. Ecasil. Ronal Melhoral Infantil 85 mg de aspirina Febre. Buferin. cólicas menstruais. cólicas menstruais Usos Problemas Potenciais 500 mg de aspirina Febre. úlceras em decorrência do uso prolongado. Aspirina Infantil. naproxeno ou cetoprofeno Concentração Nomes de Marca do Ingrediente (mg = miligramas) Advil. Somalgin Cardio AAS. dor e inflamação 325 mg de aspirina Febre. reação alérgica em pessoas sensíveis Flanax 275 e 550 mg de naproxeno Febre. lesão renal em pessoas idosas e em pessoas suscetíveis. AlgiDanilon. inflamação. Actiprofen 200 mg de ibuprofeno Febre. “campainhas no ouvido” (zumbido). reação alérgica em pessoas sensíveis. Aspirina. síndrome de Reye em crianças e adolescentes com catapora ou gripe Aspirina Forte 650 mg de aspirina Dor e inflamação (liberação programada) Alka Seltzer. inflamação.

Paracetamol 325 mg de paracetamol Febre. o acetaminofeno mostrou. Dôrico 500 Tylenol Infantil 500 mg de paracetamol Febre. Acetofen 500. Gripeonyl. o acetaminofeno apresenta menor atividade antiinflamatória que a aspirina. Dôrico 750. dor de cabeça.Naproxeno 250 e 500 mg de naproxeno Febre. risco de problemas renais com o uso prolongado. Pessoas que consomem grandes quantidades de álcool provavelmente estão em maior risco de sofrer problemas hepáticos com o uso excessivo de 83 . o cetoprofeno ou o naproxeno. dor leve ou moderada Lesão hepática em decorrência de repetidas doses altas ingeridas com o estômago vazio ou com álcool. Talvez a ausência de problemas estomacais tenha conduzido à idéia de que o acetaminofeno não produz efeitos adversos. Embora comparável à aspirina em seu potencial analgésico e antitérmico. Mas a ingestão de grandes doses durante longos períodos pode trazer alguns riscos. reação alérgica em pessoas sensíveis Paracetamol Infantil 100 mg / 1 ml de paracetamol Febre. O acetaminofeno praticamente não produz efeitos adversos sobre o estômago. Pesquisas recentes sugerem que é freqüentemente benéfico no tratamento da dor da osteoartrite.se tão eficaz quanto o ibuprofeno no alívio dos sintomas da artrite no joelho. inflamação. Pessoas que não toleram aspirina. cetoprofeno ou naproxeno muitas vezes se dão bem com o acetaminofeno. o acetaminofeno passou a ser vendido sem receita a partir de 1960. dor leve ou moderada. dor leve ou moderada 200 mg / 1 ml de paracetamol Febre. ou outra dor leve Acetamol. inclusive lesão aos rins. Tylenol 750 750 mg de paracetamol Acetaminofeno Introduzido em 1955 para o tratamento de febre e dores infantis. Não se tem certeza quanto a doses menores durante longos períodos também causarem lesões ao fígado. cólicas menstruais Artrosil 160 e 320 mg de cetoprofeno Profenid 100 e 200 mg de cetoprofeno Algiprofen 50 mg de cetoprofeno Cetynol. Uma overdose de mais de 15 gramas de acetaminofeno pode levar a uma moléstia hepática irreversível. O uso regular de outras drogas antiinflamatórias não-esteróides (exceto a aspirina) também pode aumentar o risco de transtorno renal. Em um estudo. ibuprofeno. Seu modo de ação ainda não foi devidamente esclarecido. dor leve ou moderada Acetofen. o ibuprofeno.

algumas autoridades afirmam que se a pessoa resfriada não tomar nenhum medicamento. os pais costumam dar remédios contra resfriado. A despeito da grande preocupação sobre esses riscos. é difícil encontrar remédios para o resfriado com apenas um ingrediente ativo. resfriado ou tosse são um sinal de problema sério comum. Anti-histamínicos Muitos especialistas acreditam que os antihistamínicos não devem ser incluídos em remédios VL para resfriado. É improvável que febre e dor acompanhem um resfriado comum. A preocupação desses especialistas é que os anti-histamínicos causem sonolência e induzam as pessoas à indolência. cada sintoma do resfriado deve ser tratado com um medicamento. boca seca. aspirina. tosse. Muitos produtos VL. trabalhar com equipamento pesado e envolver-se em atividades que exijam atitude alerta. Descongestionantes Quando os vírus invadem as membranas mucosas.A. resfriado. há evidências de que pessoas que tomam acetaminofeno e param de comer. A maioria deles contém diversas drogas – anti-histamínicos. fenilpropanolamina e fenilefrina. dificuldade de micção. apresentando insônia ou hiperatividade. quase todos os remédios contra resfriado contêm anti-histamínicos. Os descongestionantes promovem a constrição dos vasos sangüíneos. como os utilizados contra os sintomas de alergia. dores e incômodos nos seios faciais (sinusite). descongestionantes. Contudo. Também podem ter utilidade pastilhas para garganta – especialmente as que contêm um anestésico local. 84 . Algumas vezes. analgésicos. os sintomas tendem a desaparecer em uma semana e. Teoricamente. Também nesse caso ajuda ler a bula ou procurar orientação com um farmacêutico. esses sintomas em geral indicam gripe ou infecção bacteriana. Um médico deve ser consultado se os sintomas perdurarem por mais de uma semana. os vasos sangüíneos dilatam-se e causam inchaço. um expectorante ou um analgésico não alivia a congestão nasal. Fenilpropanolamina é também o principal ingrediente de muitos produtos VL para emagrecer. em virtude de um resfriado forte ou uma gripe. topo Medicamentos Contra Resfriado Mais de cem vírus conhecidos são responsáveis pelos incômodos atribuídos ao resfriado comum. as crianças são estimuladas por anti-histamínicos. Encontrar o tratamento apropriado para os sintomas isolados pode ser um verdadeiro desafio. nos E. e a cura permanece indefinida. nesse estado. como diclonina ou benzocaína – ou um gargarejo com água e sal (1/2 colher de chá de sal em um copo de água morna). especialmente no nariz. O jejum também pode contribuir para a toxicidade hepática. é provável que o problema seja resolvido com um analgésico (acetaminofeno. oferecendo algum alívio. se tomar. Os ingredientes ativos presentes nos descongestionantes orais são pseudo-efedrina. tontura. Também ajuda ler a bula dos remédios ou consultar um farmacêutico de confiança. As crianças têm especial propensão para ficar resfriadas e. Gastamse bilhões de dólares todos os anos na tentativa de aliviar os sintomas do resfriado.. ibuprofeno ou naproxeno). destinadas a tratar um amplo leque de sintomas. estará melhor em sete dias. é perigoso dirigir.acetaminofeno.U. gripe. Se o problema é a tosse. É preciso ter o cuidado de não tomar muitos medicamentos à base de acetaminofeno simultaneamente. Ocasionalmente. expectorantes e supressores da tosse –. contêm acetaminofeno. Embora haja necessidade de mais pesquisas. sobretudo se ocorre dor no peito ou se a tosse produz um escarro escuro. embora não tenha sido verificada a eficácia desses medicamentos em crianças de idade pré-escolar. Tomar um supressor da tosse. por que tomar um antihistamínico ou descongestionante? Se dor de garganta é o único sintoma. Na realidade. constipação e confusão mental. ficam mais vulneráveis à lesão hepática. Os idosos são particularmente suscetíveis aos efeitos adversos dos anti-histamínicos e podem ser acometidos de obscurecimento da visão.

Bricanyl Composto expectorante. agitação. A sensação pode ser tão desconfortável. A tosse improdutiva. Os aerossóis nasais de ação prolongada contêm em sua formulação oximetazolina. se possível. mas muitas unidades federativas dos Estados Unidos exigem que a codeína seja vendida somente com receita. A combinação de uma substância que facilita a expectoração do catarro com uma substância que suprime a tosse parece não fazer sentido para alguns especialistas. Mas tem sido difícil estabelecer o nível real de benefício dessa droga. Alguns Anti-histamínicos de Venda Livre Bromofeniramina Clorfeniramina Dexbromfeniramina Difenidramina Doxilamina Fenindamina Feniramina Pirilamina Triprolidina Medicamentos Contra Tosse A tosse é um reflexo natural para a irritação pulmonar. Supõe-se que a guaifenesina. pessoas com pressão alta ou com doença cardíaca devem tomar descongestionantes somente sob supervisão médica ou. possivelmente elevando a pressão sangüínea. nariz e garganta (otorrinolaringologista). o único expectorante atualmente comercializado que é aprovado. Na tentativa de evitar essas complicações. é um mecanismo que livra os pulmões das secreções ou do muco excessivos. nesse caso. os pequenos vasos sangüíneos no nariz podem expandir-se causando congestão e entupimento (obstrução) nasal. expectorantes são acrescentados aos supressores da tosse em remédios contra resfriado e tosse. a dependência é incomum. Com o desaparecimento do efeito. Quando a pessoa está congestionada e expectora catarro. ou até anos. muitas pessoas preferem os aerossóis nasais. Mas essa forma de medicamento funciona com tal rapidez e tão bem que muitas pessoas são tentadas a utilizá-los por mais tempo que o limite de três dias observado na bula. Aturgyl e Neoxinefrina são alguns exemplos. A codeína. a cada vez. Às vezes a descontinuação do medicamento tem de ser supervisionada por um médico especializado em distúrbios de ouvido. que se prolonga por meses. pode ser muito irritante.Os efeitos adversos dos descongestionantes podem ser: nervosismo. xilometazolina. um supressor da tosse pode dar alívio. que o uso do aerossol terá continuidade. Afrin. fenilefrina e fenoxazolina que oferecem alívio por até doze horas. tornando-as mais facilmente expectoráveis. levando muitas vezes à dependência do medicamento. contribuindo para um sono repousante. palpitações e insônia. evitá-los totalmente. ajuda na hora de dormir em razão de seu efeito ligeiramente sedativo. que aliviam os tecidos nasais inchados sem afetar outros sistemas do organismo. ou seca. ajude a soltar as secreções pulmonares. Outros distúrbios que exigem supervisão médica para o uso de descongestionantes são diabetes e hipertiroidismo. algumas pessoas temem que a codeína cause dependência. Toplexil Tetrapulmo e Transpulmin são alguns dos produtos que contêm guaifenesina. Tendo em vista que é um narcótico. esses medicamentos promovem constrição também de vasos sangüíneos de outros locais do corpo. Na verdade. Levando em conta que circulam por todo o corpo. não é aconselhável a supressão dessa tosse produtiva. um supressor altamente eficaz. É difícil encontrar supressores de tosse que contenham somente um ingrediente ativo. Em geral. Essa atitude pode levar ao círculo vicioso da congestão nasal de repercussão. 85 . Esses remédios também devem ser utilizados por não mais de três dias. especialmente à noite. Por essa razão. Otrivina.

não havendo produtos de venda livre para esta indicação terapêutica. Por isso. A alergia à codeína é incomum. disfunção tireoidiana. A dose de fenilpropanolamina nos produtos para emagrecimento é mais alta que a dose geralmente encontrada nos remédios para tratamento de resfriado ou alergia. se for tomado mais do que a dose recomendada. As formas mais apropriadas de benzocaína são goma de mascar. vômito e constipação em algumas pessoas. Em casos raros. indutores do sono.Outros estados apenas permitem que os farmacêuticos vendam remédios contra tosse contendo codeína se o consumidor responsabilizar-se por escrito. Somente fórmulas manipuladas sob indicação médica podem conter o produto com a finalidade de emagrecimento. sedativos. sem a retenção de receita. Derrames e outros problemas cardiovasculares podem ocorrer em pessoas suscetíveis que tomam doses elevadas de fenilpropanolamina. que também tem ação descongestionante em muitos remédicos contra resfriado e para tratamento de alergia. Supressores da Tosse que Contêm Dextrometorfano em Associação Silencium Tossbel Helifenicol Dextro 86 . adormece os corpúsculos gustativos. Mytussin AC Cough Syrup Robitussin A-C Cough Syrup. A codeína causa náusea. mantidas na boca antes de uma refeição. topo Produtos para Emagrecimento Supõe-se que os produtos para emagrecimento VL suprimam a fome e tornem mais fácil o acompanhamento de uma dieta de baixas calorias. O efeito adverso potencial mais preocupante é um aumento significativo da pressão arterial. Em uma pesquisa com pessoas que estavam em dieta. pressão alta ou doença cardíaca para que não tomem medicamentos para emagrecer sem supervisão médica. a combinação deve ser administrada apenas com supervisão médica. insônia.5 kg. Os efeitos adversos são raros. São exemplos desses produtos: Cheracol Cough Syrup. dor de cabeça e náusea. As bulas alertam pessoas com diabetes. como nervosismo. e Tussi-Organidin NR Liquid. O dextrometorfano é o ingrediente mais comum nos remédios VL contra tosse. É provável que essa substância seja mais útil quando faz parte de um programa que inclua exercícios e modificação dos hábitos alimentares. é importante conversar com o médico antes de tomar qualquer medicamento que contenha fenilpropanolamina. e a benzocaína. tontura. embora possa ocorrer indigestão ou sonolência. medicamentos contra tosse à base de codeína não devem ser tomados por pessoas que irão dirigir um automóvel ou realizar uma tarefa que exija concentração. sonolência ou tontura. causando perigosa elevação da pressão arterial. Considerando a possibilidade de interações medicamentosas. isoladamente ou em combinação com outros medicamentos. Os efeitos adversos podem aumentar quando depressores do sistema nervoso central – como álcool. Os inibidores da monoamina oxidase (medicamentos antidepressivos) interagem com a fenilpropanolamina. Mas a diferença na perda de peso foi pouco significativa: cerca de 2. doces ou pastilhas. Pela possibilidade de também ocorrerem delírios. o usuário sofre efeitos adversos com a dose habitual. um anestésico local que. A eficácia da fenilpropanolamina foi comprovada durante apenas cerca de três a quatro meses. acredita-se. alguns também se tornam intranqüilos e têm alucinações pouco depois de ter ingerido fenilpropanolamina. perderam mais peso as que ingeriram fenilpropanolamina do que as que tomaram um placebo. Duas substâncias foram aprovadas com essa finalidade: a fenilpropanolamina. Seu potencial de supressão da tosse é comparável ao da codeína. antidepressivos ou antihistamínicos – são tomados ao mesmo tempo que a codeína. os medicamentos à base de fenilpropanolamina ficam sujeitos a venda sob prescrição médica. Guiatuss AC. ou em pessoas que usam a substância durante longo período. No Brasil. Podem ocorrer efeitos adversos.

sais de magnésio. mas podem também ter ação laxante. O uso prolongado pode enfraquecer os ossos. Antiácidos com alumínio e magnésio parecem oferecer o melhor de dois mundos: alívio rápido e duradouro. por promover a depleção de fósforo e cálcio do organismo. O objetivo do tratamento é prevenir a produção do ácido gástrico ou promover sua neutralização. porque as causas variam desde uma pequena imprudência alimentar até úlceras pépticas. como cimetidina. No entanto. Embora não neutralizem por completo o pH extremamente ácido do estômago. foi questionada a segurança a longo prazo dos antiácidos que contêm alumínio. Isso neutraliza praticamente 99% do ácido gástrico e alivia de modo significativo os sintomas na maioria das pessoas. por isso. Grande parte dos produtos antiácidos contém um ou mais entre quatro componentes principais: sais de alumínio. também causa constipação. O autodiagnóstico da indigestão é procedimento arriscado. hipertensão ou problemas renais deve consultar o médico antes de selecionar um antiácido. porque cada ingrediente complementava o outro. A cimetidina também pode interagir com alguns medicamentos de receita obrigatória. carbonato de cálcio e bicarbonato de sódio. Todos os ingredientes funcionam em 1 minuto ou menos. mas proporciona alívio duradouro. os antiácidos elevam o nível do pH de 2 (muito ácido) para algo entre 3 e 4. seria melhor que procurassem orientação médica para sintomas que se prolongam por mais de duas semanas. não disponíveis em versão brasileira. indigestão e acidez gástrica são alguns dos muitos termos utilizados para descrever um transtorno gastrointestinal. Embora muitas pessoas tratem sua própria azia. os sintomas de doença cardíaca se parecem com uma indigestão aguda. nizatidina e ranitidina. e portanto seu uso deve ser monitorizado cuidadosamente por um médico. ou mesmo câncer do estômago. Alguns oferecem alívio por cerca de 10 minutos. deve-se consultar o farmacêutico acerca das interações medicamentosas antes de se tomar um antiácido. Qualquer pessoa com problemas cardíacos. antiácidos contendo tanto alumínio como magnésio pareciam a solução ideal. Os bloqueadores da histamina levam mais tempo para dar resultado. famotidina. Às vezes. O hidróxido de alumínio dissolve-se com lentidão no estômago e começa a fazer efeito gradualmente. Os sais de magnésio agem mais rápido e neutralizam os ácidos com eficácia. Alguns Produtos* de Venda Livre para Emagrecimento Nome de Marca Acutrim Maximum Strength Control Capsules Dexatrim Plus Vitamins Caplets Ingrediente Ativo 75 mg de fenilpropanolamina 75 mg de fenilpropanolamina 75 mg de fenilpropanolamina *Produtos norte-americanos. Alumínio e Magnésio Antigamente. Os antiácidos podem interagir com diferentes medicamentos de receita obrigatória.pulmo topo Antiácidos e Produtos para Indigestão Azia. Os bloqueadores da histamina2. Antiácidos são agentes neutralizadores que trabalham com maior rapidez. mas os produtos operam por tempos diferentes. Carbonato de Cálcio 87 . ajudando a evitar a azia. enquanto outros são eficazes por mais de 90 minutos. reduzem a quantidade de ácido produzido no estômago. mas seus efeitos são mais prolongados. com menor risco de diarréia ou constipação.

O bicarbonato de sódio é uma excelente solução a curto prazo para a indigestão. Qualquer pessoa que precise dirigir um veículo. porque seus efeitos podem se somar inesperadamente. Não é recomendável tomar um sedativo VL durante mais de uma semana ou dez dias. Pessoas idosas ou com lesão cerebral e crianças novas são aparentemente mais suscetíveis a essa resposta que os demais usuários. a menos que exista orientação médica que permita o excesso. O carbonato de cálcio age com rapidez e neutraliza os ácidos por um período relativamente longo. Bebês e crianças muito novas podem ficar agitados. A quantidade máxima diária não deve exceder 2. como turvação da visão. que pode sinalizar para um problema subjacente sério. dor de estômago. os anti-histamínicos difenidramina e doxilamina. mas também podem ser comprados sem receita (medicamentos VL). Pessoas idosas. Eles também não devem ser tomados com bebidas alcoólicas. a menos 88 .Há muito tempo. constipação.000 mg. Mas nem todos reagem dessa forma. causando alcalose metabólica. mas o excesso dessa substância pode provocar grave transtorno no equilíbrio ácido-básico do organismo. A eructação do bicarbonato de sódio é causada pela liberação do gás dióxido de carbono. Algumas pessoas reagem de maneira oposta (uma reação paradoxal). Essas substâncias tendem a fazer com que as pessoas fiquem sonolentas ou trôpegas. turvação da visão e “campainhas no ouvido” (zumbido). mulheres grávidas ou que estejam amamentando devem evitar esses medicamentos. Outros efeitos adversos. Dois ingredientes. o giz (carbonato de cálcio) vem ocupando espaço principal entre os antiácidos. e acham que a difenidramina ou doxilamina as torna tensas. não devendo tomar esses medicamentos. aumento da próstata (hipertrofia) ou constipação devem tomar remédios contra enjôo de viagem apenas se o médico recomendar ou aprovar seu uso. a menos que haja supervisão médica. são menos comuns. Pessoas com glaucoma de ângulo estreito. constipação. O bicarbonato de sódio de uso doméstico tem proporcionado rápida ação neutralizadora há décadas. É mais provável que os remédios contra enjôo de viagem sejam eficazes se forem tomados 30 ou 60 minutos antes da viagem. Ocasionalmente esses medicamentos são receitados. uma dessas drogas. mas corre-se o risco de sofrer uma overdose de cálcio. topo Sedativos Os sedativos VL têm como objetivo relaxar o usuário em uma ocasional noite sem sono. Os efeitos adversos são mais comuns em pessoas idosas. não deve tomar medicamentos contra enjôo de viagem. como boca seca. não em casos de insônia crônica. interferindo na concentração ou coordenação. confusão mental. Algumas pessoas também sofrem ocasionais efeitos adversos. Bicarbonato de Sódio Um dos antiácidos mais baratos e acessíveis não está muito longe do armário da cozinha. Seu elevado teor de sódio pode também acarretar problemas em pessoas com insuficiência cardíaca ou pressão alta. é o ingrediente ativo da maioria dos sedativos VL. Uma dose excessivamente elevada em uma criança nova pode causar alucinações ou mesmo convulsões fatais. inquietas e agitadas. Os asiáticos parecem ser menos sensíveis aos efeitos sedativos da difenidramina que pessoas dos países ocidentais. são utilizados nos sedativos VL. topo Medicamentos Contra o Enjôo de Viagem Os medicamentos utilizados para evitar o enjôo de viagem são anti-histamínicos. palpitações ou dificuldade com a micção. sedativos ou tranqüilizantes. ou que tenha de executar um trabalho que exige atenção. Outro benefício é essa substância fornecer uma fonte barata de cálcio. dor de cabeça. De fato. a difenidramina. Freqüentemente os remédios contra enjôo de viagem deixam a pessoa sonolenta e menos alerta.

Por exemplo. Uma dose recomendada expressa em termos do peso da criança pode ser a mais fácil de interpretar e administrar. por exemplo uma erupção cutânea ou insônia. angina. e na verdade podem fazer alguns distúrbios piorarem. Pessoas com glaucoma de ângulo estreito. crianças de 2 a 6 anos ou de 6 a 12 anos). deve ser interpretada como um sinal para a interrupção imediata do remédio e busca de aconselhamento médico. Quando em dúvida. pode- 89 .que tenham sido orientadas pelo médico para tomá-los. devem consultar o farmacêutico ou médico responsáveis. os pais não devem “chutar” a dose (tentar adivinhar o que será melhor). o que pode incluir supervisão médica. e os especialistas não concordam se o melhor modo de mensuração para determinar a dose dos medicamentos é o peso. um medicamento pode acabar revelando riscos para as crianças. pessoas muito idosas ou muito enfermas devem ser medicadas apenas com extrema precaução. especialmente para crianças. Tomando essa precaução. as pessoas devem consultar o farmacêutico ou médico antes de combinar medicamentos de receita obrigatória e remédios VL. a idade não é o melhor critério. Tanto médicos como pais freqüentemente se surpreendem ao descobrir que a maioria dos remédios VL. a altura ou a superfície total do corpo. arritmias ou aumento da próstata devem consultar o médico antes de usar um anti-histamínico para dormir ou para qualquer outra finalidade. As crianças podem variar enormemente quanto à estatura dentro de qualquer faixa etária. de modo que o uso desses medicamentos pode ser uma perda de dinheiro e expor desnecessariamente as crianças à toxicidade. Embora freqüentemente as doses infantis sejam expressas em termos de faixa etária (por exemplo. Estes últimos não foram projetados para tratar de doenças sérias. Uma reação não antecipada. Certas pessoas são mais vulneráveis que outras a possíveis danos causados pelo uso de medicamentos. Mesmo depois de estar em amplo uso durante muitos anos. Para que sejam evitadas interações perigosas.8 mg de carbonato de cálcio em um comprimido ou pastilha Tums Rennie Magnésia Bisurada topo Precauções Especiais Bom senso é um elemento crítico na autoterapia. Crianças muito novas. Se a bula não fornece instruções acerca de quanto medicamento deve ser dado à criança. Antiácidos à Base de Carbonato de Cálcio Nome de Marca Calsan Ingrediente Ativo 500 mg de carbonato de cálcio em um comprimido 500 mg de carbonato de cálcio em um comprimido 680 mg de carbonato de cálcio em uma pastilha 520. mesmo os que apresentam doses pediátricas recomendadas. A administração de uma dose correta do medicamento a uma criança pode ser complicada. não foram completamente testados em crianças. transcorreram cinco anos antes de os pesquisadores confirmarem que o risco de síndrome de Reye estava ligado ao uso de aspirina em crianças com catapora ou gripe. Em particular. não foi comprovada a eficácia dos remédios contra tosse e resfriado. Crianças O organismo infantil metaboliza os medicamentos e a eles reage de forma diferente do organismo adulto.

Às vezes os anti-histamínicos causam confusão ou delírio em pessoas idosas. e uma seringa oral é preferível para a administração da dose exata do remédio na boca de um bebê. também representam riscos especiais para pessoas idosas. Pessoas Idosas O envelhecimento altera a velocidade e as formas de metabolização dos medicamentos pelo organismo. Além de (possivelmente) piorar a asma. mas esses avisos raramente estão impressos nas bulas de remédios VL. e isso pode trazer conseqüências sérias. Muitos medicamentos para uso infantil são oferecidos em forma líquida. inclusive vitaminas e minerais. As colheres de uso doméstico (afora colheres medidoras) não são suficientemente precisas para medir remédios líquidos. Pessoas idosas podem ser mais vulneráveis que indivíduos jovens aos efeitos adversos ou às interações medicamentosas. Medicamentos Contra Enjôo de Viagem: Precauções para Crianças Nome de Marca Marezine* Calm-X* Dramin Dramoxina Benadryl Nordryl* Ingrediente Ativo Ciclizina Dimenidrinato Dimenidrato Dimenidrato Difenidramina Difenidramina Crianças que Não Devem Tomar o Medicamento Com menos de 6 anos de idade Com menos de 2 anos de idade Com menos de 2 anos de idade Com menos de 2 anos de idade Pesando menos de 10 kg Pesando menos de 10 kg 90 . Anti-histamínicos. O risco aumenta quando os remédios são tomados regularmente na dose máxima. Fórmulas de alívio da dor noturna. às vezes os adultos que estão com a responsabilidade de medicar a criança acabam dando a dose errada por usarem uma colher de chá comum. Uma colher medidora cilíndrica é muito melhor para determinar doses infantis. particularmente quando em doses altas ou em combinação com outros medicamentos. Sempre devemos remover a cobertura da ponta da seringa oral antes do uso: a criança poderá engasgar se a cobertura for acidentalmente impelida até a traquéia. Um número cada vez maior de bulas de medicamentos de receita obrigatória especificam se há necessidade de doses diferentes para pessoas idosas. ou uma dose perigosamente alta de um remédio que poderia ajudar.se evitar que a criança receba um medicamento inadequado. Mesmo o consumo de vitamina C pode causar desarranjo intestinal ou diarréia em pessoas idosas. Vários medicamentos infantis são comercializados em mais de uma forma. Muitos remédios VL podem ser perigosos para pessoas idosas. os anti-histamínicos podem induzir a pessoa à tontura e instabilidade. As alterações no fígado e nos rins que ocorrem naturalmente em função do processo de envelhecimento afetam o modo como os medicamentos são metabolizados ou eliminados. causando quedas e fraturas de ossos. Uma úlcera hemorrágica é uma complicação que põe em risco a vida do idoso e pode ocorrer sem nenhum sintoma de aviso. como a difenidramina. Embora a bula em geral forneça orientações claras sobre a dose. Pessoas idosas podem ser mais suscetíveis aos possíveis efeitos adversos dos medicamentos para o trato digestivo. Os adultos devem ler cuidadosamente a bula todas as vezes que um novo remédio infantil for adquirido. sedativos e muitos remédios contra tosse e resfriado freqüentemente contêm anti-histamínicos. É mais provável que antiácidos à base de alumínio causem constipação e que antiácidos à base de magnésio provoquem diarréia e desidratação. as pessoas idosas devem mencionar qualquer produto VL que estejam tomando. Essa informação ajuda o médico a avaliar todo regime medicamentoso e a determinar se o remédio VL pode ser o responsável por certos sintomas. o glaucoma de ângulo estreito ou a próstata hipertrofiada. Durante consultas ao médico. Por exemplo. uma pessoa idosa que sofre de artrite mostra-se inclinada a usar com freqüência um medicamento analgésico ou antiinflamatório.

no tratamento da insuficiência cardíaca grave.U. Para as muitas pessoas que não têm conhecimento que o antidepressivo que estão tomando é um inibidor da monoamina oxidase. esse aviso em nada ajudará. • Peça ao farmacêutico para examinar as possíveis interações com outros medicamentos que estão sendo usados • Leia a bula cuidadosamente. Embora a bula de alguns remédios VL traga alertas sobre interações medicamentosas. depois de comunicadas as ocorrências de reações adversas ou mortes. como ocorre em casos de resfriado. Algumas dessas interações são bastante sérias. Médicos e farmacêuticos podem não ter a idéia de perguntar por remédios VL ao prescrever ou aviar uma receita. Isso também pode ocorrer com outros inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA). Este é o caso de alguns medicamentos para emagrecimento ou para tratamento de resfriado que contêm fenilpropanolamina e cuja bula alerta contra o uso do produto junto com um inibidor da monoamina oxidase (administrado para tratamento da depressão) ou mesmo nas duas semanas seguintes à interrupção do antidepressivo. Medicamentos consumidos intermitentemente.Meclizine* Dramamine II* Bonine* *Produtos à venda nos E. Não assuma que o problema é “alguma coisa que todo mundo está pegando” • Selecione produtos com base no planejamento e nos ingredientes racionais. o que representa riscos adicionais e maior custo • Em caso de dúvida. pare de tomar o remédio se os sintomas piorarem • Guarde todos os medicamentos. descubra quais condições tornariam o medicamento uma escolha ruim • Peça ao farmacêutico para escrever os possíveis efeitos adversos • Não exceda a dose recomendada • Nunca tome um remédio VL por mais tempo que o período máximo sugerido na bula. Muitos problemas sérios têm sido descobertos acidentalmente. fora do alcance das crianças Interações Medicamentosas Muitas pessoas deixam de mencionar o uso de remédios VL a seu médico. por exemplo. para saber qual o ingrediente ou produto mais adequado. remédios que tentam aliviar todos os sintomas possíveis provavelmente irão expor o usuário a substâncias desnecessárias. a linguagem pode não ser inteligível para a maioria dos consumidores. Não existe uma pesquisa sistemática devotada a interações entre remédios VL. constipação ou dores de cabeça ocasionais. Pessoas com doença cardíaca talvez não tenham conhecimento do fato de um antiácido à base de alumínio ou magnésio reduzir a absorção de digoxina (Lanoxin).A Meclizina Meclizina Meclizina Com menos de 12 anos de idade Com menos de 12 anos de idade Com menos de 12 anos de idade Orientações para a Escolha e o Uso de Medicamentos de Venda Livre • Certifique-se de que o autodiagnóstico é o mais preciso possível. Tomar aspirina junto com o anticoagulante warfarina (Coumadin) aumenta o risco de sangramento anormal. muitos produtos VL podem interagir adversamente com uma grande variedade de medicamentos. 91 . O antibiótico tetraciclina pode ser ineficaz se tomado com cálcio. Apesar disso. Mesmo a ingestão de um polivitamínico ou suplemento mineral pode interferir com a ação de alguns medicamentos de receita obrigatória. inclusive remédios VL. para determinar a dose apropriada e as precauções que devem ser tomadas. converse com o farmacêutico ou o médico responsáveis. magnésio ou ferro. Até um comprimido de aspirina é capaz de reduzir a eficácia do enalapril (Vasotec). e não porque apresentam uma marca familiar • Escolha um produto com o menor número de ingredientes apropriados. são mencionados ainda com menor freqüência.

Biologia do Coração e dos Vasos Sangüíneos Função do Coração Vasos Sangüíneos Suprimento Sangüíneo do Coração Sintomas das Cardiopatias O coração é um órgão muscular oco localizado no centro do tórax. a menos que isso ocorra com orientação de um médico. as pessoas podem acidentalmente sofrer overdose. é aconselhável uma consulta médica para qualquer pessoa que esteja cronicamente enferma ou que planeje tomar o remédio diariamente. Considerando que os remédios VL foram projetados principalmente para uso ocasional por pessoas essencialmente sadias.O melhor modo de reduzir o risco das interações medicamentosas é pedir ao farmacêutico que verifique possíveis incompatibilidades. o coração realiza essas funções através da coleta do sangue com baixa concentração de oxigênio do organismo e do seu bombeamento para os pulmões. topo 92 . o médico deve ser informado acerca de todos os demais medicamentos que estão sendo tomados. tanto de receita obrigatória como de venda livre. porque seus efeitos adversos podem ser perigosos diante de tais distúrbios. Esse uso está além dos limites normais de autoterapia e impõe a busca da orientação de um especialista. Pessoas com doença cardíaca podem precisar de orientação sobre o tratamento de um resfriado ou mesmo de uma indisposição gástrica com produtos que não interajam com os medicamentos de receita obrigatória que estejam tomando para o problema do coração. Em resumo. A menos que leiam as bulas de tudo que tomarem. que o ejeta. Em seguida. As principais funções do coração são: o fornecimento de oxigênio ao organismo e a eliminação de produtos metabólicos (dióxido de carbono) do organismo. Diabéticos. Seção 3 . os ventrículos possuem uma válvula de entrada e uma de saída. e uma câmara inferior (ventrículo). Problemas Crônicos Diversos problemas crônicos podem piorar se um remédio VL é tomado de forma inadequada. Pessoas de qualquer idade com um distúrbio clínico sério devem consultar o médico ou farmacêutico antes de comprar produtos VL. o coração recebe o sangue rico em oxigênio dos pulmões e o bombeia para os tecidos do organismo. resfriado ou gripe de venda livre – não devem ser tomados por ninguém que sofra de asma. Para assegurar que o sangue flua em uma só direção. por exemplo. Os lados direito e esquerdo do coração possuem uma câmara superior (átrio). Alcoólatras em recuperação precisam estar atentos para evitar remédios contra resfriado que contenham álcool (alguns produtos contêm até 25% de álcool). O simples fato de tomar um anti-histamínico pode também complicar o glaucoma e uma hipertrofia da próstata. doença cardíaca. que coleta o sangue. onde ele capta oxigênio e elimina o dióxido de carbono. O acetaminofeno é comumente encontrado em medicamentos para tratamento de sinusite. Além disso. enfisema ou problemas pulmonares crônicos. Pessoas com pressão alta. a pessoa que toma um produto para emagrecer e também um remédio contra resfriado – ambos contendo fenilpropanolamina – corre o risco de tomar o dobro da dose considerada segura. hipertiroidismo ou hipertrofia da próstata devem consultar o médico ou farmacêutico responsáveis antes de tomar descongestionantes ou anti-histamínicos VL. antialérgicos e medicamentos para tratamento de tosse. podem precisar de ajuda para escolher um xarope contra tosse que não contenha açúcar.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 14 . diabetes. Anti-histamínicos – que são encontrados em sedativos. Por exemplo. Superposição de Drogas Outro problema possível é a superposição de drogas. Uma pessoa que esteja tomando simultaneamente uma medicação contra sinusite e acetaminofeno para combater uma dor de cabeça pode exceder a dose recomendada.

Função do Coração
Durante o batimento cardíaco, as câmaras cardíacas dilatam ao encherem-se de sangue – período denominado diástole – e, em seguida, elas contraem quando o coração bombeia o sangue – período denominado sístole. Os dois átrios relaxam e contraem concomitantemente, assim como os dois ventrículos. A seguir, descreveremos como o sangue move-se através do coração. Inicialmente, o sangue proveniente do corpo, pobre em oxigênio e rico em dióxido de carbono, flui através das duas veias de maior diâmetro (as veias cavas) até o átrio direito. Ao encher, essa câmara impulsiona o sangue até o ventrículo direito. Quando este se torna repleto, ele bombeia o sangue, através da válvula pulmonar, até as artérias pulmonares, as quais suprem os pulmões. Em seguida, o sangue flui pelos diminutos capilares que circundam os sacos aéreos (alvéolos) dos pulmões, absorvendo oxigênio e eliminando dióxido de carbono, o qual é, em seguida, é expirado. O sangue então rico em oxigênio flui através das veias pulmonares até o átrio esquerdo. Esse circuito entre o lado direito do coração, os pulmões e o átrio esquerdo é denominado circulação pulmonar. Ao encher, o átrio esquerdo impulsiona o sangue rico em oxigênio até o ventrículo esquerdo. Quando este se torna repleto, ele bombeia o sangue, através da válvula aórtica, até a aorta, a maior artéria do corpo. Esse sangue rico em oxigênio irriga todo o organismo, exceto os pulmões. topo

Vasos Sangüíneos
O restante do sistema circulatório (cardiovascular) é composto por artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias. As artérias, fortes e flexíveis, transportam o sangue do coração e suportam pressões sangüíneas mais elevadas. Sua elasticidade auxilia na manutenção de uma pressão arterial durante os batimentos. As artérias menores e as arteríolas possuem paredes musculares que ajustam seu diâmetro a fim de aumentar ou diminuir o fluxo sangüíneo em uma determinada área. Os capilares são vasos diminutos e de paredes extremamente delgadas, os quais atuam como pontes entre as artérias e transportam o sangue para longe do coração; as veias transportam o sangue de volta para o coração. Os capilares permitem que o oxigênio e os nutrientes passem do sangue para os tecidos e que produtos da degradação metabólica passem dos tecidos para o sangue. Eles drenam o sangue para as vênulas, as quais, por sua vez, drenam nas veias que se dirigem ao coração. Pelo fato de possuírem paredes mais finas e, em geral, de maior diâmetro que as artérias, as veias conduzem o mesmo volume de sangue com menor velocidade e sob uma pressão muito mais baixa. topo

Suprimento Sangüíneo do Coração
O músculo cardíaco (miocárdio) também recebe uma parte do grande volume de sangue que flui através dos átrios e ventrículos. Um sistema de artérias e veias (circulação coronariana) irriga o miocárdio com sangue rico em oxigênio e, em seguida, retorna o sangue com baixo conteúdo de oxigênio para o átrio direito. A artéria coronária direita e a artéria coronária esquerda originam-se da aorta para fornecer o sangue ao coração; as veias cardíacas drenam no seio coronariano, que retorna o sangue ao átrio direito. Em razão da grande pressão exercida no coração quando o órgão contrai, a maior parte do fluxo sangüíneo da circulação coronariana ocorre durante o relaxamento cardíaco entre os batimentos (durante a diástole ventricular).

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Um Olhar Dentro do Coração A incidência em secção transversal do coração mostra a direção do fluxo sangüíneo normal.

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Sintomas das Cardiopatias
Não existe um sintoma isolado que identifique de maneira inequívoca uma doença do coração (cardiopatia), mas determinados sintomas sugerem a possibilidade, e um conjunto de sintomas faz com que um diagnóstico seja estabelecido. O médico inicia o processo do diagnóstico com uma entrevista (história clínica) e um exame físico. Freqüentemente, são solicitados exames para a confirmação do diagnóstico, para a avaliação da gravidade do problema ou como auxílio no planejamento do tratamento. Contudo, algumas vezes, mesmo uma cardiopatia grave não apresenta sintomas até atingir um estágio avançado. Check-ups de rotina ou uma consulta ao médico por qualquer outro motivo podem revelar essa cardiopatia assintomática. Os sintomas de uma cardiopatia incluem determinados tipos de dor, dificuldade respiratória, fadiga, palpitações (percepção de batimentos cardíacos lentos, rápidos ou irregulares), tontura e desmaios. Contudo, esses sintomas não indicam necessariamente uma cardiopatia: uma dor torácica pode indicar uma cardiopatia, mas pode ser também sinal de uma doença respiratória ou gastrointestinal. Irrigação Sangüínea do Coração Como qualquer outro tecido do corpo, o músculo do coração deve receber sangue rico em oxigênio e eliminar o sangue exaurido de oxigênio. A artéria coronária direita e a artéria coronária esquerda com seus dois ramos (a artéria circunflexa e a artéria descendente anterior esquerda) fornecem sangue ao músculo cardíaco (miocárdio). As veias cardíacas retornam o sangue ao átrio direito.

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Dor Quando a quantidade de sangue que chega aos músculos é insuficiente (condição conhecida como isquemia), a quantidade inadequada de oxigênio e o excesso de produtos da degradação metabólica causam câimbras. A angina – uma sensação de aperto ou de compressão torácica – é decorrente da insuficiência do suprimento de sangue ao coração. Entretanto, o tipo e o grau de dor ou de desconforto variam enormemente entre as pessoas. Alguns indivíduos com suprimento sangüíneo inadequado não apresentam dor (condição conhecida como isquemia silenciosa). Se a quantidade de sangue que flui aos outros músculos é muito pequena, particularmente aos músculos da panturrilha, o indivíduo costuma sentir uma dor tipo compressiva e fadiga na região durante a realização de exercícios (claudicação). A pericardite – inflamação ou lesão da membrana que envolve o coração – causa uma dor que aumenta de intensidade quando o indivíduo deita e diminui na posição sentada ou reclinada para a frente. Nesse caso, o exercício não aumenta a dor e a inspiração ou a expiração pode reduzi-la ou aumentá-la, pois pode ocorrer concomitantemente uma pleurite – inflamação da membrana que envolve os pulmões. Quando uma artéria sofre uma laceração ou ruptura, o indivíduo geralmente apresenta uma dor aguda que surge e desaparece rapidamente e pode não ter relação com a atividade física. Às vezes, as artérias principais, especialmente a aorta, são lesadas. Uma parte dilatada e saliente da aorta (aneurisma) pode apresentar um extravasamento súbito ou o seu revestimento pode apresentar uma discreta laceração, permitindo que o sangue penetre entre as camadas da aorta (dissecção da aorta). Esses eventos produzem dor súbita e intensa intermitente, com a ocorrência de novas lesões (p.ex., lacerações) ou mesmo com o movimento do sangue fora de seu canal normal. Geralmente, a dor originária da aorta é sentida na região posterior do pescoço, entre as escápulas, ao longo das costas ou no abdômen. A válvula localizada entre o átrio e o ventrículo esquerdos pode protruir em direção ao átrio esquerdo quando o ventrículo esquerdo contrai (prolapso da válvula mitral). Às vezes, os indivíduos com esse distúrbio apresentam episódios curtos de dor lancinante, tipo punhalada ou picada de agulha. Em geral, a dor é localizada abaixo da mama esquerda, independentemente da posição ou da atividade física da pessoa. Dificuldade Respiratória

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A dificuldade respiratória, conhecida como falta de ar, é um sintoma comum da insuficiência cardíaca. Ela é decorrente do líquido que drena para os espaços aéreos do pulmão – um distúrbio denominado congestão pulmonar ou edema pulmonar –, resultando em um processo similar ao afogamento. Nos primeiros estágios da insuficiência cardíaca, a pessoa apresenta dispnéia apenas durante o esforço físico. À medida que a insuficiência cardíaca progride, a dispnéia ocorre em atividades cada vez menos intensas, até ocorrer mesmo em repouso. As pessoas apresentam dispnéia sobretudo ao se deitar porque o líquido espalha-se por todo o tecido pulmonar. Na posição sentada, a força da gravidade faz com que o líquido se acumule na base dos pulmões, o que não produz tanto incômodo. A dispnéia noturna é a falta de ar que ocorre à noite com o indivíduo deitado e que é aliviada pela posição sentada. A dispnéia não é limitada às cardiopatias, podendo afetar também os indivíduos com doenças pulmonares, doenças dos músculos respiratórios ou doenças do sistema nervoso central que interferem na respiração. Qualquer distúrbio que comprometa o delicado equilíbrio normal entre o fornecimento e o consumo de oxigênio – por exemplo, a capacidade inadequada de transporte de oxigênio pelo sangue em decorrência de uma anemia ou o incremento do metabolismo geral do organismo em decorrência de uma tireóide hiperativa – pode fazer com que um indivíduo apresente dispnéia. Fadiga Quando o coração bombeia de forma ineficaz, o fluxo sangüíneo aos músculos pode ser inadequado durante a realização de exercícios, fazendo com que o indivíduo apresente fraqueza e cansaço. Em geral, os sintomas são sutis. Os indivíduos costumam compensar essa situação diminuindo gradualmente as atividades ou consideram os sintomam como decorrentes do envelhecimento. Palpitação As pessoas frequentemente não percebem o batimento cardíaco. Entretanto, em determinadas circunstâncias – por exemplo, durante o exercício vigoroso ou uma experiência emocional dramática –, mesmo os indivíduos saudáveis percebem seus batimentos cardíacos. Eles podem sentir o coração batendo forte ou rapidamente ou detectam um batimento irregular. O médico pode confirmar esses sintomas examinando o pulso e auscultando os batimentos cardíacos com o auxílio de um estetoscópio colocado sobre o tórax. As palpitações serão consideradas anormais de acordo com as respostas a diversas questões: se elas ocorrem frente a determinados fatores ou situações, se o seu início é súbito ou gradual, qual a rapidez dos batimentos cardíacos e quanto eles parecem ser irregulares. É mais provável que palpitações que ocorrem concomitantemente a outros sintomas (p.ex., dispnéia, dor, fraqueza e fadiga ou desmaios) sejam decorrentes de um ritmo cardíaco anormal ou de uma doença subjacente grave. Tontura e Desmaio O fluxo sangüíneo inadequado resultante da freqüência cardíaca ou de ritmos cardíacos anormais ou da deficiência da capacidade de bombeamento cardíaco pode causar tontura, fraqueza e desmaio. Esses sintomas também podem ser decorrentes de alguma doença cerebral ou da medula espinhal ou sua causa pode não ser grave. Por exemplo, muitos soldados podem ter uma sensação de desmaio ao permanecerem em posição de sentido durante longos períodos, pois os músculos das pernas devem permanecer ativos para auxiliar o retorno sangüíneo ao coração. Uma emoção ou uma dor intensa, a qual ativa parte do sistema nervoso, também pode causar desmaio. Os médicos devem diferenciar o desmaio provocado por uma cardiopatia da epilepsia, na qual a perda de consciência é devida a um distúrbio cerebral.

Seção 3 - Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos
Capítulo 15 - Diagnóstico de Cardiopatia
História Clínica e Exame Físico Exames Diagnósticos

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O médico pode dizer se um indivíduo apresenta uma doença cardíaca (cardiopatia) baseandose na história clínica e no exame físico. Exames diagnósticos são utilizados para confirmação do diagnóstico, para a determinação da extensão e das conseqüências da doença e como auxílio no planejamento do tratamento. topo

História Clínica e Exame Físico
Em primeiro lugar, o médico interroga o indivíduo sobre sintomas como, por exemplo, dor torácica, dispnéia, edema dos pés e tornozelos e palpitações, os quais sugerem a possibilidade de uma cardiopatia. Em seguida, pergunta se a pessoa tem outros sintomas como febre, debilidade, fadiga, falta de apetite e mal-estar generalizado, que também são indícios de cardiopatia. A seguir, o paciente é questionado sobre infecções passadas, exposição prévia a agentes químicos, uso de medicações, álcool e tabaco, ambientes doméstico e profissional e atividades de lazer. O médico também questiona a pessoa acerca de membros da família que tiveram cardiopatias e moléstias afins e sobre o paciente manifestar alguma outra doença que afete o sistema cardiovascular. Durante o exame físico, o médico anota o peso, o estado físico e o aspecto geral da pessoa, verificando a presença de palidez, sudorese ou sonolência – as quais podem ser indicadores sutis de uma cardiopatia. Também são observados o humor do indivíduo e sua disposição, os quais costumam ser afetados pelas cardiopatias. A avaliação da cor da pele é importante, porque a palidez anormal ou a cianose (coloração azulada) podem indicar anemia ou deficiência do fluxo sangüíneo. Esses achados podem indicar qua a pele está recebendo oxigênio de forma inadequada devido a uma doença pulmonar, à insuficiência cardíaca ou a problemas circulatórios. O médico verifica o pulso de artérias do pescoço, sob os braços, nos cotovelos e pulsos, no abdômen, na regiao inguinal, nos joelhos e nos tornozelos e pés, para avaliar melhor se o fluxo sangüíneo é adequado e igual em ambos os lados do corpo. A pressão arterial e a temperatu- ra corpórea também são verificadas. Qualquer anormalidade pode sugerir uma cardiopatia. As veias no pescoço são então analisadas porque elas estão conectadas diretamente ao átrio direito do coração e fornecem uma indicação sobre o volume e da pressão do sangue que está entrando no lado direito do coração. Nessa etapa do exame, a pessoa coloca-se em decúbito dorsal com a parte superior do corpo elevada em um ângulo de 45°. Às vezes, o indivíduo pode sentar-se, permanecer em pé ou deitar em decúbito dorsal totalmente horizontal. A pele sobre os tornozelos e a perna (e, em alguns casos, sobre a região dorsal inferior) é pressionada, para verificar a presença de acúmulo de líquido (edema) nos tecidos subcutâneos. É utilizado um oftalmoscópio (instrumento que permite examinar o interior do olho) para a observação dos vasos sangüíneos e tecidos nervosos da retina (a membrana sensível à luz existente na superfície interna da parte posterior do olho). São comuns as anormalidades visíveis na retina em pessoas com hipertensão, diabetes, arteriosclerose e infecções bacterianas das válvulas cardíacas. O médico observa a região torácica para determinar se a freqüência e os movimentos respiratórios são normais e, em seguida, percute o tórax com os dedos para determinar se os pulmões estão cheios de ar, o que seria normal, ou se eles contêm líquido, condição anormal. A percussão também ajuda a determinar se a membrana que envolve o coração (pericárdio) ou a dupla camada membranosa que reveste os pulmões (pleura) contêm líquido. Usando um estetoscópio, o médico também ausculta os sons respiratórios para determinar se o fluxo de ar encontra-se normal ou obstruído e se os pulmões contêm líquido em decorrência da insuficiência cardíaca. Uma das mãos do médico é colocada sobre o tórax para determinar o tamanho do coração, o tipo e a força das contrações durante cada batimento cardíaco. Às vezes, um fluxo sangüíneo turbulento e anormal no interior dos vasos ou entre as câmaras cardíacas causa uma vibração que pode ser sentida com a ponta dos dedos ou a palma da mão. Com um estetoscópio, o médico escuta o coração (procedimento denominado auscultação), observando os diferentes sons produzidos pela abertura e pelo fechamento das válvulas cardíacas. Anormalidades das válvulas e de estruturas cardíacas produzem um fluxo sangüíneo turbulento, o qual dá origem a sons característicos denominados sopros. Em geral, o fluxo sangüíneo turbulento ocorre quando o sangue passa por válvulas

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suprimento inadequado de sangue e de oxigênio ao coração e um espessamento (hipertrofia) exagerado do miocárdio. o examinador instala pequenos contatos metálicos (eletrodos) sobre a pele dos braços. infarto do miocárdio ou morte – é de 1:1. a ressonância magnética (RM). No entanto. O pulso e o tamanho da aorta abdominal também são verificados. e nem todos os sopros indicam cardiopatia. O posicionamento do estetoscópio sobre artérias e veias em qualquer outro ponto do corpo permite que o médico realize a auscultação em busca de sons do fluxo sangüíneo turbulento. a probabilidade de uma complicação grave – como acidente vascular cerebral. Sopros cardíacos inofensivos também são comuns em bebês e crianças. Virtualmente.000. o qual pode ser decorrente da hipertensão arterial. em virtude do rápido fluxo do sangue através das pequenas estruturas do coração. mesmo que não exista cardiopatia grave subjacente. O médico palpa abdômen para determinar se o fígado está aumentado de volume em conseqüência do acúmulo de sangue nas veias principais que se dirigem ao coração. o qual permite controlar o ECG e a pressão arterial do indivíduo durante o exercício. simples e indolor. a ecocardiografia. das pernas e do tórax do indivíduo. as vias de condução nervosa do coração e a freqüência e o ritmo cardíacos. Os testes de esforço apresentam risco de infarto do miocárdio ou de morte de 1:5. O eletrocardiograma (ECG) permite que o médico analise o marcapasso do coração. Um teste de esforço. mas este aumenta de acordo com a complexidade do procedimento e a gravidade da cardiopatia subjacente. das válvulas e dos outros tecidos se enrijecem nos idosos. A maioria dos procedimentos diagnósticos cardíacos apresenta apenas um risco mínimo. os estudos radiográficos. Um abdômen com um aumento anormal de volume em decorrência da retenção de líquido pode indicar insuficiência cardíaca. Cada traçado representa uma “imagem” particular dos padrões elétricos do coração. A tecnologia inclui as mensurações elétricas. a tomografia por emissão de pósitrons (TEP) e o cateterismo cardíaco. Os eletrodos são conectados através de fios metálicos a um aparelho que gera um traçado para cada eletrodo. como ritmos cardíacos anormais. 98 . É comum mulheres grávidas apresentarem sopros cardíacos em razão do aumento normal do fluxo sangüíneo. que é inferior à radiação recebida pelos indivíduos na maioria das radiografias. Esse exame pode ajudar o médico a identificar diversos problemas cardíacos. Nos casos do cateterismo e da angiografia cardíacos. pode revelar problemas que não são evidenciados em repouso. À medida que as paredes dos vasos. em que impulsos elétricos no coração são amplificados e registrados em uma fita de papel em movimento. Quase todas as pessoas com suspeita de ser portadora de uma cardiopatia devem ser submetidas à realização de um ECG. Teste de Esforço A resistência dos indivíduos ao exercício fornece ao médico informações sobre a existência e a gravidade de uma doença arterial coronariana e de outros distúrbios cardíacos.000. topo Exames Diagnósticos Os médicos podem utilizar uma ampla gama de exames e procedimentos para a realização de diagnósticos rápidos e precisos. condição esta que pode ser decorrentede um infarto do miocárdio. essas imagens são denominadas derivações. o qual dispara cada batimento. denominados ruídos e causados pelo estreitamento (estenose) dos vasos ou por conexões anormais entre vasos. Esses eletrodos mensuram o fluxo e a direção das correntes elétricas no coração durante cada batimento cardíaco. Eletrocardiografia A eletrocardiografia é um procedimento rápido.estenosadas (estreitadas) ou insuficientes (que permitem o refluxo). o sangue vai fluindo de forma turbulenta. O ECG também pode revelar o adelgaçamento do miocárdio ou sua ausência (em razão de sua substituição por tecido não-muscular). Para obter um ECG. o único risco dos estudos com radionuclídeos é originário da diminuta dose de radiação recebida pelo paciente. nem todas as cardiopatias causam sopros.

o qual fornece informações semelhantes às do teste de esforço. antes do início de um programa de exercícios ou na avaliação para a realização de um seguro de vida. a prova deve ser interrompida. a pessoa pedala uma bicicleta ergométrica ou anda sobre uma esteira ro.positivo) e. apesar de um resultado anormal do teste. A realização simultânea de uma prova da função pulmonar pode diferenciar a limitação do exercício por uma doença cardíaca ou pulmonar da limitação em função da ocorrência concomitante de uma patologia cardíaca e uma patologia pulmonar. mas não envolvem a prática de exercícios. mas não quando ele se exercita. como o dipiridamol ou a adenosina.lante em um determinado ritmo. O complexo QRS representa a ativação dos ventrículos. a probabilidade de doença arterial coronariana é baixa. tornaremse muito desconfortáveis ou se forem detectadas anormalidades significativas no registro eletrocardiográfico ou da pressão arterial. O teste de esforço sugere a presença de uma doença arterial coronariana quando surgem determinadas anormalidades eletrocardiográficas. O ritmo é gradualmente aumentado. Apesar disso. Os indivíduos que. Em geral. o coração pode apresentar uma circulação sangüínea suficiente quando o indivíduo encontra-se em repouso. eles não revelam anormalidades em pessoas que realmente apresentam angina (resultado falso-negativo). Nenhum teste é perfeito. às vezes. Se sintomas. Durante a prova. mas diminui o suprimento ao tecido anormal. a corrente elétrica flui até as câmaras inferiores do coração (ventrículos). Esse impulso ativa primeiramente as câmaras superiores do coração (átrios). como a dificuldade respiratória ou a dor torácica. Às vezes. ECG: Interpretação das Ondas O eletrocardiograma (ECG) representa a corrente elétrica que percorre o coração durante um batimento cardíaco. especialmente os mais jovens. A onda P representa essa ativação dos átrios. Os muitos falso-positivos resultantes causam uma preocupação considerável e despesas médicas desnecessárias. Cada parte do ECG é designada por uma letra. 99 . enquanto a corrente elétrica dissemina-se de forma retrógrada sobre os ventrículos. eles revelam anormalidades em pessoas que não apresentam doença arterial coronariana (resultado falso. Para os indivíduos assintomáticos (sem sintomas). Cada batimento cardíaco começa com um impulso do principal marcapasso do coração (nódulo sinoatrial). O ECG é monitorizado de forma contínua e a pressão arterial é medida em intervalos regulares. é freqüente o teste de esforço ser utilizado com finalidade de controle de indivíduos aparentemente saudáveis como.Se as artérias coronárias apresentam um bloqueio parcial. Em vez disso. a maioria dos especialistas não incentiva a utilização do teste de esforço em pessoas assintomáticas. Em seguida. uma substância que aumenta o suprimento sangüíneo ao tecido cardíaco normal. A onda T representa a onda de recuperação. por alguma razão. não podem realizar exercícios. são submetidas ao eletrocardiograma de estresse. o indivíduo apresenta angina ou a sua pressão arterial diminui. é solicitado ao indivído que está sendo testado que ele continue o teste até a sua freqüência cardíaca atingir entre 80 e 90% do máximo para sua idade e seu sexo. por exemplo. é injetada no indivíduo para simular os efeitos do esforço. Por isso.

Em geral.Muitos tipos de anormalidade são revelados num ECG. Em seguida. o médico determina em qual parte do coração o ritmo anormal é originado e pode dar início ao processo de determinação de sua causa. assim que o paciente apresenta sintomas. Os sintomas registrados no diário podem então ser relacionados às alterações eletrocardiográficas Caso seja necessário. o indivíduo carrega consigo um pequeno aparelho movido a pilha (monitor Holter). 100 . As de compreensão mais fácil são as anormalidades do ritmo do batimento cardíaco: demasiadamente rápido. Enquanto estiver com o monitor. Neste exame. Eletrocardiografia Ambulatorial Contínua (Holter) Os ritmos cardíacos anormais e o fluxo sangüíneo insuficiente ao miocárdio podem ocorrer apenas durante um curto período de tempo ou de maneira imprevisível. verifica a ocorrência de alterações na atividade elétrica que possam indicar um fluxo sangüíneo inadequado ao miocárdio e reproduz um registro de cada batimento cardíaco ocorrido durante as 24 horas. demasiadamente lento ou irregular. o qual registra o ECG durante 24 horas. para leitura imediata. o médico pode lançar mão da monitorização eletrocargiográfica ambulatorial contínua. o qual analisa a freqüência e o ritmo do coração. a pessoa anota em um diário o horário e o tipo de qualquer sintoma. ao analisar o ECG. Para detectar esses problemas. o registro é transferido para um computador. o ECG pode ser transmitido por via telefônica a um computador localizado no hospital ou no consultório médico.

101 . o tamanho do coração pode ser normal mesmo em pessoas com cardiopatia grave. Com os eletrodos fixados no tórax. Esses registros ajudam a diferenciar as crises convulsivas epilépticas das anormalidades do ritmo cardíaco. que é sustentado por um dos ombros por uma correia. o médico retorna rapidamente ao ritmo normal com um choque elétrico de curta duração sobre o coração (cardioversão). Às vezes. o monitor registra continuamente a atividade elétrica do coração.Aparelhos ambulatoriais sofisticados podem registrar simultaneamente um ECG e um eletroencefalograma (mensurações da atividade elétrica do cérebro) em pacientes que apresentam episódios de perda da consciência. Em caso de necessidade. As radiografias torácicas também podem revelar o estado dos pulmões. Exames Radiológicos Qualquer pessoa com suspeita de cardiopatia deve ser submetida a radiografias nas incidências frontal e de perfil.000. Testagem Eletrofisiológica A testagem eletrofisiológica é utilizada na avaliação de alterações graves do ritmo ou da condução elétrica. particularmente dos vasos sangüíneos pulmonares. como depósitos de cálcio no interior do coração. Nos casos de pericardite constritiva. A anormalidade da forma ou do tamanho do coração e alterações. e a presença de qualquer líquido no interior ou em torno dos pulmões. este não aumenta de volume. em alguns casos. a qual cria um envelope de tecido cicatricial envolvendo o coração. mesmo na vigência de uma insuficiência cardíaca. através das artérias. Monitor Holter: Leituras Eletrocardiográficas Contínuas A pessoa utiliza um pequeno monitor. o médico insere diminutos eletrodos através das veias e. a testagem eletrofisiológica é muito segura e o seu risco de morte é de 1:5. Freqüentemente. o médico provoca intencionalmente um ritmo cardíaco anormal durante a testagem para descobrir se determinado medicamento pode interromper o distúrbio ou se uma cirurgia irá ajudar o paciente. Embora seja um procedimento invasivo e exija a anestesia do paciente. As radiografias revelam a forma e o tamanho do coração e delineiam os vasos sangüíneos nos pulmões e no tórax. para obter o registro eletrocardiográfico a partir do interior do coração e para identificar a localização exata das vias de condução elétrica. são imediatamente observadas. atingindo diretamente o interior das câmaras cardíacas. No entanto. No hospital. a insuficiência cardíaca ou uma alteração de uma válvula cardíaca acarreta um aumento do volume do coração.

Os principais tipos de exames ultra-sonográficos são: modo M. ela pode detectar anormalidades estruturais do coração. Ao variar a posição e o ângulo da sonda. A ecocardiografia utiliza ondas de ultra-som de alta freqüência. Esse exame pode ser utilizado na avaliação de anormalidades estruturais e de movimento. a qual envolve uma dose relativamente alta de radiação. 102 . A ultra-sonografia com Doppler detecta o movimento e a turbulência do sangue e pode produzir uma imagem colorida (Doppler colorido). dos vasos principais. O exame é inofensivo. Por exemplo. A imagem é visualizada em um monitor e é registrada em videocassete ou em papel. A tomografia computadorizada é moderna e ultra-rápida. A fluoroscopia também é utilizada como um componente da cateterismo cardíaco e da testagem eletrofisiológica. As imagens permitem ao médico observar se as válvulas cardíacas abrem e fecham adequadamente. Doppler e Doppler colorido. fornece uma imagem móvel tridimensional do coração. produz imagens bidimensionais reais. não utilizar raios X e fornecer imagens excelentes. Esta técnica pode detectar anormalidades de movimento da parede do coração e do volume de sangue que está sendo bombeado pelo coração em cada batimento. vem sendo amplamente substituída pela ecocardiografia e por outros exames. Na ultra-sonografia no modo M. bidimensional. revelando a localização exata de qualquer anomalia. a fluoroscopia. Esta técnica é conhecida como ecocardiografia transesofágica. o médico visualiza o coração e os vasos sangüíneos importantes sob vários ângulos. por não ser invasiva. Ela pode ser útil em alguns diagnósticos difíceis que envolvem doenças valvulares e defeitos congênitos do coração. A ultrasonografia bidimensional. um feixe isolado de ultrasom é direcionado à parte do coração estudado. um computador gera imagens de cortes transversais de todo o tórax utilizando raios X. indolor. Podem ser detectadas conexões anormais entre os vasos sangüíneos ou entre as câmaras cardíacas e a estrutura e o funcionamento de vasos e câmaras cardíacas podem ser determinados. a quantidade de sangue que escapa.O aspecto dos vasos sangüíneos nos pulmões é muitas vezes mais importante na confirmação diagnóstica do que o aspecto do coração em si. também chamada de cinetomografia computadorizada. em “cortes” gerados por computador. Tomografia Computadorizada A tomografia computadorizada (TC) comum não é freqüentemente utilizada no diagnóstico das cardiopatias. relativamente barato e amplamente disponível. e ainda se o sangue flui normalmente. a dilatação das artérias pulmonares localizadas próximas ao coração e a sua estenose no interior do tecido pulmonar sugerem o aumento do ventrículo direito. No entanto. se há escape de sangue durante fechamento e. produzindo uma imagem móvel. o médico pode passar uma sonda através da garganta do paciente até o esôfago. As ecocardiografias com Doppler colorido e com Doppler simples podem determinar e mostrar a direção e a velocidade do fluxo sangüíneo nas câmaras cardíacas e nos vasos sangüíneos. em caso afirmativo. a qual é a técnica mais utilizada. registrando os sinais a partir de um ponto situado logo atrás do coração. Ecocardiografia É uma das técnicas mais amplamente utilizadas no diagnóstico das cardiopatias. Fluoroscopia (Radioscopia) A fluoroscopia (radioscopia) é um procedimento radiológico contínuo que mostra em um monitor o coração batendo e os pulmões insuflando e desinsuflando. do pericárdio. Contudo. a qual é a técnica mais simples. Nesse exame. as quais são emitidas por uma sonda de registro (transdutor). espessamentos e doenças da membrana que envolve o coração (pericárdio) e acúmulo de líquido entre o pericárdio e o músculo cardíaco (miocárdio). dos pulmões e das estruturas de sustentação no tórax. Para uma maior nitidez ou para analisar estruturas localizadas na parte posterior do coração. chocamse contra as estruturas do coração e os vasos sangüíneos e são retornadas. obtendo um retrato acurado da estrutura e do funcionamento do coração.

ocasionalmente. não há necessidade de agentes de contraste (radiopacos). as quais são refinadas pelo computador – técnica conhecida como tomografia computadorizada por emissão de fótons isolados. Ao contrário do tálio. são utilizados marcadores que contêm tecnécio 99m como alternativa ao tálio-201. em comparação com a tomografia computadorizada (TC). Em geral. Estudos com Radionuclídeos Nos estudos imagenológicos com radionuclídeos. Os estudos com radionuclídeos são particularmente úteis no diagnóstico de indivíduos com dor torácica de causa desconhecida. Os estudos com radionuclídeos também são utilizadas na comprovação da melhoria do fluxo sangüíneo ao miocárdio após uma cirurgia de bypass (revascularização miocárdica) ou um procedimento similar. Se houver suspeita de um infarto agudo do miocárdio. Essas drogas desviam a irrigação sangüínea dos vasos anormais para os vasos normais. Em seguida. No entanto. são administrados contrastes paramagnéticos pela via intravenosa. Geralmente. 103 . algumas pessoas apresentam claustrofobia durante a realização da RM. a qual é comumente decorrente de uma estenose coronariana. Além disso. e quais áreas apresentam cicatrizes irreversíveis do miocárdio – geralmente decorrentes de um infarto do miocárdio prévio. Nos indivíduos que apresentam estreitamento (estenose) de uma artéria coronária. os quais são convertidos em imagens bi e tridimensionais das estruturas cardíacas. mas.Ressonância Magnética A ressonância magnética (RM) é uma técnica que utiliza um campo magnético potente para a produção de imagens detalhadas do coração e do tórax. o exame expõe o indivíduo a uma menor radiação do que na maioria dos estudos radiográficos. Nos indivíduos incapazes de realizar o exercício. o qual faz com que os núcleos dos átomos do organismo vibrem e emitam sinais característicos. quantidades diminutas de substâncias radioativamente marcadas (marcadores) são injetadas em uma veia. eles são detectados por uma câmara gama. o tecnécio acumula. as imagens obtidas com RM são borradas. é realizada uma segunda exploração. Uma desvantagem da RM é a demora para a obtenção de cada imagem. uma determinada área do miocárdio com irrigação sangüínea deficiente (isquemia) apresenta menor radioatividade (gera uma imagem menos nítida) que o músculo vizinho com uma circulação normal. Além disso. pois elas devem ficar imóveis em um espaço estreito dentro de uma máquina gigantesca. as costelas dificultam um pouco a avaliação da imagem cardíaca. o fluxo sangüíneo miocárdico é examinado com o uso de uma injeção intravenosa de tálio-201 e através da obtenção de imagens enquanto a pessoa realiza um teste de esforço. incluindo o coração. O médico pode então observar quais são as áreas do coração que apresentam uma ausência de fluxo reversível. a técnica é utilizada para a determinação da magnitude do efeito da estenose sobre o aporte sangüíneo e o funcionamento do coração. pode ser aplicada uma injeção intravenosa de dipiridamol ou de adenosina para simular os efeitos do exercício sobre o fluxo sangüíneo. de qualquer modo. O indivíduo é colocado no interior de um enorme ímã elétrico. No pico do exercício. os quais ajudam na identificação de áreas de pouco fluxo sangüíneo do miocárdio. A imagem é apresentada em um monitor e gravada no disco rígido do computador para análise posterior. Os marcadores distribuem-se rapidamente por todo o corpo. o qual acumula-se principalmente no tecido normal. Após o indivíduo repousar algumas horas. Em razão dos movimentos cardíacos. O computador também pode gerar uma imagem tridimensional. como o tecnécio também acumula-se nos ossos. A quantidade de tálio-201 absorvida pelas células do músculo cardíaco depende do fluxo sangüíneo. em comparação com as obtidas por TC. Diferentes tipos de câmaras de registro de radiação podem registrar uma imagem isolada ou gerar uma série de imagens de cortes transversais. Essa técnica extremamente cara e sofisticada ainda se encontra em estágio experimental para uso no diagnóstico de cardiopatias. No entanto. eles também são úteis na determinação do prognóstico de um indivíduo após um infarto do miocárdio.se sobretudo no tecido anormal.

Essa técnica é utilizada como uma ferramenta de pesquisa e nos casos em que exames mais simples e baratos são inconclusivos. Para atingir o lado direito do coração. Como a inserção de um cateter na artéria pulmonar pode desencadear ritmos cardíacos anormais. Através da utlização de instrumentos introduzidos através do cateter. quando o nutriente marcado atinge a área do coração que está sendo examinada. A área lesada do coração absorve o tecnécio e o exame pode detectar um infarto do miocárdio durante aproximadamente uma semana. Freqüentemente. Dependendo do tipo. O débito cardíaco aos pulmões também pode ser mensurado. observar o interior dos vasos sangüíneos. Este procedimento é chamado cateterismo da artéria pulmonar. Os cateteres são muito utilizados na avaliação cardíaca. a partir de 12 a 24 horas após sua ocorrência. o coração é controlado através do eletrocardiograma. os cateteres podem ser utilizados para mensurar a pressão. é injetado através da via intravenosa. Amostras de sangue podem ser coletadas através do cateter para análise do conteúdo de oxigênio e de dióxido de carbono. A pessoa é submetida a uma anestesia local antes do procedimento. Em poucos minutos. pois podem ser inseridos sem a necessidade de uma cirurgia importante. um detector examina a área e registra os locais com maior atividade. os quais são observados na fluoroscopia (radioscopia) dos vasos sangüíneos e das câmaras cardíacas. trata-se de um exame muito caro e ainda não está amplamente difundido. é utilizada uma artéria. Contudo. A tomografia por emissão de pósitrons produz imagens mais nítidas que os demais estudos de medicina nuclear. habitualmente de uma perna ou de um braço. em seguida. Se isto não resolver. Essa análise fornece uma medida do grau de intensidade da lesão cardíaca em decorrência de uma doença arterial coronariana isquêmica ou de uma outra patologia. O médico também pode avaliar a capacidade de bombeamento do coração através da análise dos movimentos da parede do ventrículo esquerdo e calculando a eficácia com que o sangue é bombeado para fora do coração (fração de ejeção). o cateter é removido. Usando o cateter. um cateter (tubo) fino é inserido através de uma artéria ou veia.A cintilografia com tecnécio é utilizada no diagnóstico do infarto do miocárdio. O médico pode corrigir ritmos anormais mobilizando o cateter para outra posição. Um computador produz uma imagem tridimensional da área. um nutriente necessário para o funcionamento das células cardíacas é marcado com uma substância que emite partículas radioativas chamadas pósitrons e. Em cada local. e é conduzido até os grandes vasos e câmaras cardíacas. o qual é realizado no hospital. revelando quão ativamente as diferentes regiões do miocárdio estão utilizando o nutriente marcado. sendo direcionado através do átrio e do ventrículo direitos do coração até a abertura da válvula pulmonar. o médico pode obter amostras de tecido da superfície interna das câmaras cardíacas para exame microscópico (biópsia). Tomografia por Emissão de Pósitrons Na técnica de tomografia por emissão de pósitrons (TEP). Cateterismo Cardíaco Na cateterismo cardíaco. para atingir o lado esquerdo. o médico insere o cateter em uma veia e. 104 . também podem ser mensuradas isoladamente as pressões arteriais nas câmaras cardíacas e nos vasos sangüíneos importantes e os conteúdos de oxigênio e de dióxido de carbono no sangue podem ser determinados em diferentes partes do coração. Os cateteres podem ser posicionados no coração com objetivos diagnósticos ou terapêuticos. O médico também pode utilizar o cateter para obter amostras de sangue para estudos metabólicos. o cateter contém um instrumento de mensuração ou um outro dispositivo na extremidade. Um cateter especialmente projetado com um balão na sua extremidade pode ser inserido em uma veia do braço ou do pescoço. o médico também pode instilar contrastes. alargar uma válvula cardíaca estreitada (estenosada) ou desobstruir uma artéria bloqueada. O cateter é utilizado para mensurar a pressão arterial dos vasos de maior calibre e nas câmaras cardíacas. Anormalidades anatômicas e do fluxo sangüíneo podem ser observadas e filmadas enquanto as radiografias são realizadas.

Efeitos colaterais menores da angiografia coronariana ocorrem imediatamente após a injeção. enquanto o contraste se espalha pela corrente sangüínea. e a pressão arterial cai discretamente. O médico introduz um cateter fino em uma artéria do braço ou da região inguinal. A extremidade do cateter é posicionada adequadamente. é injetado um contraste radiopaco nas artérias coronárias e o contorno destas é visualizado em um monitor. convulsões. As reações alérgicas variam desde erupções cutâneas até uma condição rara. A freqüência cardíaca aumenta.Angiografia Coronariana A angiografia coronariana é o estudo das artérias coronárias com a utilização de um cateter. Se um indivíduo apresenta doença arterial coronariana. através do cateter. Durante a inserção. a qual é potencialmente letal. Reações graves. Caso o cateter toque a parede do coração. incluem o choque. as quais são ainda mais raras. o paciente apresenta uma sensação temporária de calor. Em geral. o médico pode lançar mão da fluoroscopia (procedimento radiológico contínuo) para monitorizar a progressão do cateter. A cineangiografia fornece imagens nítidas das câmaras cardíacas e das artérias coronárias. A ocorrência de reações leves. Em seguida.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 16 . como a náusea. até atingir as artérias coronárias. especialmente na cabeça e no rosto. A doença arterial coronariana é detectada manifesta-se sob a forma de irregularidades ou estenoses das paredes internas dessas artérias. problemas renais e cessação dos batimentos cardíacos (parada cardíaca). A equipe que está realizando o procedimento deve estar equipada e treinada para tratar imediatamente qualquer um dos efeitos colaterais. o vômito e a tosse. Este procedimento é denominado angioplastia coronariana transluminal percutânea. podem ocorrer ritmos cardíacos anormais. Seção 3 . a anafilaxia. é rara. um cateter poderá ser utilizado no tratamento para eliminar a obstrução.Ritmos Cardíacos Anormais Taquicardia Ventricular B a t i m e n t o s E c t ó p i c o s ( E x t r Fibrilação Ventricular Bloqueio Cardíaco Síndrome do Seio Doente (ou do Seio Enfermo) 105 . em direção ao coração.

o nervo vago. A descarga rítmica que inicia cada batimento cardíaco origina-se no marcapasso natural do coração (nódulo sinoatrial). O sistema parassimpático supre o coração através de um único nervo. Apenas quando a freqüência cardíaca é inadequadamente elevada (taquicardia) ou baixa (bradicardia) ou quando os impulsos elétricos são transmitidos por vias anormais é que se considera que o coração apresenta um ritmo anormal (arritmia). ao longo de vias distintas e em uma velocidade controlada. enquanto o sistema nervoso parassimpático a diminui. A contração das fibras musculares no coração é controlada por uma descarga elétrica que flui através do coração de maneira precisa. a dor e a raiva. Os ritmos anormais podem ser regulares ou irregulares. A freqüência cardíaca responde não só ao exercício e à inatividade. Quando o impulso elétrico chega ao nódulo atrioventricular (3). quando há deficiência do mesmo. fazendo essas câmaras se contraírem. A freqüência cardíaca também é influenciada pelos hormônios circulantes do sistema simpático – a epinefrina (adrenalina) e a norepinefrina (noradrenalina) –. impulsionando o volume máximo de sangue com o menor consumo energético possível durante cada batimento cardíaco. o coração bate muito lentamente. o plexo simpático.a s í s t o l e s ) A t r i a i s Taquicardia Atrial Paroxística Fibrilação e Flutter Atrial Síndrome de Wolff-Parkinson-White Batimentos Ectópicos (Extra-sístoles) Ventriculares O coração é um órgão muscular composto por quatro câmaras projetadas para trabalhar de modo eficaz. constituído pelos sistemas nervosos simpático e parassimpático. situado na parede do átrio direito. por exemplo. os quais são responsáveis por sua aceleração. a freqüência cardíaca torna-se muito elevada. Entretanto. O hormônio tireoidiano também influencia a freqüência cardíaca: quando em excesso. As paredes musculares de cada câmara contraem em uma seqüência precisa. mas também a estímulos como. Em seguida. freqüências muito mais baixas podem ser normais em adultos jovens. sofre ligeiro retardo. o impulso 106 . a freqüência cardíaca normal em repouso é de 60 a 100 batimentos por minuto. A freqüência da descarga é influenciada pelos impulsos nervosos e pelos níveis de hormônios que circulam na corrente sangüínea. A parte do sistema nervoso que regula a freqüência cardíaca automaticamente é o sistema nervoso autônomo. confiável e contínuo durante toda a vida. O sistema nervoso simpático aumenta a freqüência cardíaca. particularmente entre aqueles que apresentam um bom condicionamento físico. Acompanhando a Via Elétrica do Coração O nódulo sinoatrial (1) inicia um impulso elétrico que flui sobre os átrios direito e esquerdo (2). Geralmente. O sistema simpático supre o coração com uma rede de nervos. Variações da freqüência cardíaca são normais.

as valvulopatias cardíacas e a insuficiência cardíaca. Em seguida. Via Elétrica A descarga elétrica originada no marcapasso é transmitida inicialmente através dos átrios direito e esquerdo. o qual divide-se em ramo direito (para o ventrículo direito) (5). as quais variam de anomalias inofensivas a problemas potencialmente letais. algumas vezes ocorrem arritmias sem que haja qualquer cardiopatia ou outra causa subjacente detectável.dissemina-se ao longo do feixe de His (4). A hiperatividade ou a hipoatividade tireoidiana. Após passar pelo nodo atrioventricular. permitindo que os átrios contraiam completamente e os ventrículos encham com o máximo possível de sangue durante a diástole ventricular (o período de relaxamento ventricular). pelo estresse ou por exercícios. No entanto. Arritmias menores podem ser desencadeadas pelo consumo excessivo de álcool ou pelo fumo. a descarga elétrica dirige-se ao feixe de His. Em seguida. Sintomas 107 . Em seguida. o impulso disssemina-se sobre os ventrículos. algumas causas podem desencadear diversos tipos de arritmia. assim como algumas drogas – especialmente as utilizadas no tratamento de determinadas doenças pulmonares e as utilizadas no tratamento da hipertensão arterial – podem afetar a freqüência e o ritmo do coração. especialmente a doença arterial coronariana. Esse nódulo retarda a transmissão da descarga elétrica. fase na qual o sangue é ejetado do coração. e em ramo esquerdo (para o ventrículo esquerdo) (5). As cardiopatias representam a causa mais comum de arritmia. Esse fluxo da corrente elétrica pode apresentar vários problemas e acarretar arritmias. a descarga dissemina-se de modo ordenado sobre a superfície dos ventrículos. um grupo de fibras que se divide em um feixe esquerdo (para o ventrículo esquerdo) e em um feixe direito (para o ventrículo direito). fazendo com que eles contraiam. provocando uma contração em seqüência do tecido muscular e a ejeção do sangue dos átrios para o interior dos ventrículos. Cada tipo de arritmia apresenta uma origem própria. a descarga elétrica atinge o nódulo atrioventricular. Contudo. iniciando a contração ventricular (sístole). situado entre os átrios e os ventrículos.

Além disso. apesar de muitas delas não serem prejudiciais. Geralmente. Alguns tipos de arritmia. de vertigem. Com freqüência. o paciente pode relatar a ocorrência de dor torácica. Um cateter contendo fios metálicos é introduzido através de uma veia e direcionado ao coração. Alguns chegam mesmo a perceber os batimentos normais. As arritmias que provocam esses sintomas exigem atenção imediata. um monitor portátil (monitor Holter). Ao contrário. as arritmias passam a ocorrer menos freqüentemente ou podem mesmo desaparecer. acabam gerando problemas.A percepção dos próprios batimentos cardíacos (denominada palpitações) varia muito entre os indivíduos. As considerações mais importantes são a descrição das características dos batimentos cardíacos realizada pelo paciente. 108 . essa percepção não é decorrente de uma patologia subjacente. Geralmente. dificuldade respiratória ou qualquer outra sensação incomum concomitante. O indivíduo submetido a esse tipo de monitorização também deve manter um diário dos sintomas ocorridos durante as 24 horas. regulares ou irregulares. Em geral. nos átrios ou nos ventrículos. Em decúbito lateral esquerdo. Em geral. as arritmias são intermitentes. A maioria das arritmias não provoca sintomas e nem interfere na função de bomba do coração e. Por essa razão. Além disso. Outras arritmias nunca provocam problemas graves. de desmaios ou mesmo de perdas temporárias de consciência. Apesar disso. os indivíduos com suspeita de arritmias potencialmente letais são hospitalizados para a realização da monitorização. Diagnóstico Em geral. a compreensão de que essas arritmias são inofensivas tranqüiliza suficientemente o indivíduo afetado Às vezes. ela é resultante de contrações incomumente fortes que ocorrem periodicamente por várias razões. ajusta suas dosagens ou quando o paciente evita álcool ou exercícios vigorosos. a realização de estudos eletrofisiológicos pode ser útil. o eletrocardiograma (ECG) revela apenas o ritmo cardíaco durante um período muito breve e. A eletrocardiografia é o principal procedimento diagnóstico para a detecção de arritmias. freqüentemente. mas causam sintomas. conseqüentemente. a descrição dos sintomas pelo paciente pode auxiliar o médico a estabelecer um diagnóstico preliminar e a determinar a gravidade da arritmia. são necessários alguns exames adicionais para se determinar a natureza exata do distúrbio. os seus riscos são pequenos ou inexistentes. informações referentes a episódios de tontura. os indivíduos podem perceber batimentos cardíacos anormais. Esse exame fornece uma representação gráfica da arritmia. vertigem e desmaio (síncope). Quase todas as arritmias graves podem ser detectadas através dessa técnica. breves ou prolongados. Esse monitor registra arritmias esporádicas enquanto a pessoa realiza suas atividades diárias habituais. mas. É realizada uma combinação de estimulação elétrica e de monitorização sofisticada para se determinar o tipo de arritmia e a resposta mais provável ao tratamento. as arritmias originadas nos ventrículos são as mais graves. identificando se eles são rápidos ou lentos. as arritmias podem acarretar uma ansiedade considerável quando o indivíduo tem consciência de sua existência. a natureza e a gravidade da cardiopatia subjacente são mais importantes que a própria arritmia. pode fornecer informações mais precisas. Também é importante que o médico identifique se as palpitações ocorrem em repouso ou apenas durante atividades vigorosas ou incomuns e se elas iniciam e cessam de modo súbito ou gradual. O indivíduo que apresenta um determinado tipo de arritmia apresenta uma tendência a apresentá-la repetidamente. apesar de causarem poucos ou nenhum sintoma. Quando existe suspeita de uma arritmia contínua potencialmente letal. a maioria dos indivíduos percebe o batimento cardíaco. quando o médico muda os medicamentos. No entanto. em geral. elas podem causar tontura. o qual é utilizado durante 24 horas. a percepção dos próprios batimentos cardíacos é perturbadora. Quando as arritmias afetam a capacidade de bombeamento do coração. Freqüentemente. Prognóstico e Tratamento O prognóstico depende em parte do local de origem da arritmia: no marcapasso normal do coração.

Os marcapassos são utilizados mais freqüentemente no tratamento de freqüências cardíacas anormalmente baixas. os batimentos ectópicos atriais ocorrem como batimentos adicionais e raramente produzem sintomas. podem piorar ou até causar arritmias. a aplicação de um choque elétrico sobre o coração pode interromper um ritmo anormal. A utilização do choque elétrico com esse objetivo é denominada cardioversão. as arritmias provocadas pela doença arterial coronariana podem ser controladas por meio da angioplastia ou da cirurgia de revascularização miocárdica. a qual pode ser desencadeada por uma área lesada do miocárdio que pode ser identificada topo Batimentos Ectópicos (Extra-sístoles) Atriais O batimento ectópico (extrasístole) atrial é um batimento cardíaco extra produzido pela ativação elétrica dos átrios antes de um batimento cardíaco normal. microondas e detectores de segurança dos aeroportos. eles são implantados cirurgicamente sob a pele do tórax e possuem fios metálicos que vão até o coração. isoladamente. morreriam devido a uma parada cardíaca abrupta. Contudo. de medicamentos contra resfriado que contêm substâncias estimulantes do sistema nervoso simpático (como a efedrina ou a pseudoefedrina) ou de medicamentos destinados ao tratamento da asma. Às vezes. Os marcapassos artificiais – dispositivos eletrônicos que substituem o marcapasso biológico do coração – são programados para simular a condução cardíaca normal. Após um infarto do miocárdio. Devido ao circuito de baixa energia e de novos tipos de bateria. os aparelhos atuais duram cerca de oito a dez anos. reduzindo a freqüência cardíaca. pode ser implantado cirurgicamente um desfibrilador do tamanho de um maço de cigarros . o marcapasso começa a disparar impulsos elétricos. Os medicamentos antiarrítmicos podem provocar efeitos colaterais. a equipe médica utiliza um grande aparelho que gera a carga elétrica (desfibrilador) para interromper uma arritmia potencialmente letal. Muito raramente. Quando a freqüência cardíaca diminui a um nível inferior a um limiar estabelecido. por exemplo. cure as arritmias de todos os indivíduos. No entanto. os quais detectam automaticamente as arritmias potencialmente letais. disparam uma carga elétrica. Geralmente. restaurando um ritmo normal. Não existe um medicamento que. A cardioversão pode ser utilizada nas arritmias atriais ou ventriculares. os de ressonância magnética (RM) e os aparelhos de diatermia (fisioterapia utilizada para aquecer os músculos). Diagnóstico e Tratamento 109 . eles são desencadeados ou piorados pelo consumo de álcool. o ponto pode ser destruído ou ressecado. Os novos circuitos eliminaram quase completamente o risco de interferência com distribuidores de automóveis. Algumas vezes. Mais freqüentemente. Determinadas arritmias podem ser corrigidas através de procedimentos cirúrgicos ou de outros procedimentos invasivos. Esses pequenos aparelhos. um marcapasso é utilizado para disparar uma série de impulsos visando interromper um ritmo anormalmente alto. Às vezes. são necessárias tentativas com vários medicamentos até que seja encontrado um que produza resultados satisfatórios. Quando uma arritmia é gerada por um ponto irritável no sistema elétrico do coração. são utilizados por pessoas que. os indivíduos geralmente também são tratados com medicamentos. o foco é destruído através da ablação por cateter – aplicação de radiofreqüência através de um cateter inserido no coração. eletroversão ou desfibrilação. Por exemplo.As drogas antiarrítmicas são úteis para a supressão das arritmias que causam sintomas intoleráveis ou apresentam risco. Geralmente. radares. existem alguns equipamentos que podem causar interferência nos marcapassos como. Como esses desfibriladores não impedem as arritmias. Em pessoas sadias. de outra maneira. Esse tipo de marcapasso é utilizado apenas para ritmos rápidos de origem atrial. alguns pacientes apresentam episódios potencialmente letais de uma arritmia denominada taquicardia ventricular.

conseqüentemente. o médico pode prescrever um betabloqueador com o objetivo de reduzir a freqüência cardíaca. Na fibrilação. Diversos mecanismos podem produzir taquicardias atriais paroxísticas. tanto o ritmo atrial como o ventricular comumente são regulares. o aumento da freqüência cardíaca inicia e cessa subitamente e pode durar desde alguns minutos até muitas horas. os ventrículos batem muito rapidamente. Geralmente. a fraqueza. os ventrículos batem mais lentamente que os átrios. Tratamento Freqüentemente. 110 . se elas não forem eficazes. o ritmo atrial é irregular e. o qual envia um impulso através de uma via anormal até os ventrículos. o coração é normal em outros aspectos e os episódios são mais desagradáveis do que perigosos. O médico pode interromper imediatamente o episódio administrando uma dose intravenosa de verapamil ou de adenosina. Essas manobras funcionam melhor quando realizadas logo após o início da arritmia. Quase sempre. o ritmo ventricular também é irregular. as quais fazem com que os átrios contraiam de modo extremamente rápido e. muitos indivíduos solicitam auxílio médico para interromper o episódio. Comumente. Em geral. Contudo. fazem que os ventrículos contraiam mais rapidamente e de forma menos eficaz do que o normal. Esses ritmos anormais podem ser esporádicos ou persistentes. A prevenção desse tipo de arritmia é mais difícil do que o tratamento. é necessária a destruição de uma via anormal no coração através da ablação com cateter (aplicação de radiofreqüência através de um cateter inserido no coração). A freqüência cardíaca elevada pode ser desencadeada por um batimento atrial prematuro. Em casos raros. conseqüentemente. No flutter. por exemplo. o que impede o seu enchimento completo. Durante a fibrilação. Em ambos os casos. essas drogas não surtem efeito e. a pressão arterial cai e o indivíduo pode apresentar um quadro de insuficiência cardíaca. massagear o pescoço do paciente imediatamente abaixo do ângulo da mandíbula (o que estimula uma área sensível da artéria carótida denominada seio carotídeo) e mergulhar o rosto do paciente em uma bacia com água gelada. ele está associado a outros sintomas como. topo Fibrilação e Flutter Atrial A fibrilação e o flutter atrial são padrões de descarga elétrica muito rápidas.Os batimentos ectópicos (extrasístoles) atriais podem ser detectados no exame físico e confirmados através de um eletrocardiograma (ECG). Raramente. topo Taquicardia Atrial Paroxística A taquicardia atrial paroxística é uma freqüência cardíaca regular e elevada (de 160 a 200 batimentos por minuto) que ocorre subitamente e é desencadeada nos átrios. impedindo que o sangue seja bombeado de modo eficaz para o interior dos ventrículos. ou o flutter. freqüentemente. pois o nodo atrioventricular e o feixe de His não conseguem conduzir impulsos elétricos em velocidade tão alta e apenas um em cada dois a quatro impulsos pode ser transmitido. o episódio geralmente desaparece se a pessoa for dormir. o coração bombeia quantidades insuficientes de sangue. Por essa razão. as contrações atriais são tão rápidas que as paredes atriais simplesmente tremulam. Além disso. os episódios de arritmia podem ser interrompidos através de uma das várias manobras de estimulação do nervo vago com conseqüente diminuição da freqüência cardíaca. essas manobras realizadas pelo médico são: solicitar ao paciente que force como durante o ato de evacuação. o paciente descreve esse distúrbio como uma palpitação desconfortável e. mas diversos medicamentos podem ser eficazes quando utilizados isoladamente ou combinados. nesses casos. a cardioversão (aplicação de choque sobre o coração) pode ser utilizada. No entanto. Se os batimentos ectópicos forem freqüentes ou produzirem palpitações intoleráveis.

desmaio e dificuldade respiratória. Quanto maior for o período de anormalidade do ritmo atrial ou quanto maior for a dilatação dos átrios ou mais grave a cardiopatia subjacente. O bloqueio de uma artéria cerebral pode causar um acidente vascular cerebral (derrame cerebral). Sintomas e Diagnóstico Em grande parte. o pulso é irregular e. O diagnóstico é confirmado através de um eletrocardiograma (ECG). a propafenona ou a flecainida. essa conversão pode ser obtida através da administração de determinadas drogas antiarrítmicas. Quando a digoxina isoladamente não soluciona o problema. (Os fragmentos de coágulo que causam obstrução de uma artéria são chamados êmbolos. Alguns indivíduos. as contrações ventriculares podem ser retardadas e sua força pode ser aumentada através da digoxina. a causa é um problema subjacente. o risco de recorrência da arritmia é grande. como a cardiopatia reumática. 111 . Uma freqüência ventricular moderada – inferior a 120 batimentos por minuto – pode não produzir sintomas. tratar o distúrbio responsável pelo ritmo anormal e restaurar o ritmo cardíaco normal. mas exige o implante de um marcapasso artificial permanente para que os ventrículos contraiam. o tratamento também é geralmente instituído para impedir a formação de coágulos e êmbolos. Na fibrilação. no flutter. menor será a probabilidade de sucesso (especialmente após seis meses). Raramente.) Mais freqüentemente. a administração de uma segunda droga – um betabloqueador. Freqüências mais elevadas produzem palpitações desagradáveis ou desconforto torácico. como o propranolol ou o atenolol. o sangue que permanece nos átrios pode estagnar e coagular. dores torácicas e choque. o choque elétrico (cardioversão) geralmente é a abordagem mais eficaz. Esse procedimento interrompe a condução dos átrios em fibrilação aos ventrículos. Pode ocorrer descolamento de fragmentos do coágulo. Se todos os outros tratamentos fracassarem. No entanto. a procainamida. o nodo atrioventricular pode ser destruído através ablação com cateter (aplicação de radiofreqüência através de um cateter inserido no coração). mesmo se o paciente for tratado com drogas preventivas como. a probabilidade do pulso ser regular é maior. como o diltiazem ou o verapamil – é geralmente bem sucedida. o tratamento da causa subjacente melhora as arritmias atriais. A redução da capacidade de bombeamento do coração pode produzir fraqueza. a hipertensão arterial. a doença arterial coronariana. Contudo. porém mais rápido. ocasionalmente. Em geral. Comumente. No caso da fibrilação. Apesar de. especialmente os idosos. apresentam insuficiência cardíaca. os quais podem ir ao ventrículo esquerdo e penetrar na circulação sistêmica. No decorrer do tempo. Às vezes. qualquer que seja o método utilizado. Contudo. Tratamento Os tratamentos para a fibrilação e o flutter atrial visam controlar a freqüência da contração ventricular. o primeiro passo do tratamento da fibrilação ou do flutter atrial consiste na redução da freqüência ventricular para melhorar a função de bomba do coração. a quinidina. o indivíduo pode ter consciência das irregularidades do ritmo. seja espontaneamente ou com um tratamento. Ainda que a conversão seja bem-sucedida. a menos que essa causa seja o hipertireoidismo. os fragmentos do coágulo quebram logo após a conversão da fibrilação atrial no ritmo normal. freqüentemente. os sintomas da fibrilação ou do flutter atrial dependem de quão rápida é a contração ventricular. O médico suspeita de uma fibrilação ou de um flutter atrial baseando-se nos sintomas. um acidente vascular cerebral raramente é o primeiro sinal de fibrilação atrial. Na fibrilação. onde eles podem bloquear uma artéria menor. a fibrilação ou o flutter reverterem espontaneamente ao ritmo normal. uma droga que retarda a condução de impulsos até os ventrículos. o consumo abusivo de álcool ou o excesso de hormônio tireoidiano (hipertireoidismo). mais comumente é necessário realizar a sua conversão. por exemplo.A fibrilação ou o flutter atrial pode ocorrer sem que haja qualquer outro sinal de cardiopatia. ou um bloqueador dos canais de cálcio. os átrios não esvaziam completamente nos ventrículos em cada batimento. No caso da fibrilação atrial.

Essas manobras. Tratamento Freqüentemente. para interromper 112 .se por um ritmo cardíaco anormal no qual impulsos elétricos são transmitidos ao longo de uma via acessória dos átrios aos ventrículos. é feito com o auxílio de um eletrocardiograma (ECG). Algumas vezes. apesar de raramente persistirem por mais de doze horas. Ela pode manifestarse tanto no primeiro ano de vida quanto aos 60 anos. mas persistentes. Os episódios típicos apresentam início súbito. Eles podem durar apenas alguns segundos ou persistir por várias horas. mas parece conduzir impulsos através do coração apenas em certas ocasiões. com ou sem fibrilação atrial. como o verapamil ou a adenosina. a qual pode levar à morte imediatamente. geralmente realizadas por um médico. Como qualquer indivíduo com fibrilação atrial apresenta risco de vir a sofrer um acidente vascular cerebral. produzindo episódios de taquicardia (freqüência cardíaca elevada). por exemplo. os lactentes podem apresentar insuficiência cardíaca no caso do episódio ser prolongado. incluem procedimentos como solicitar ao paciente que ele realize um esforço similar ao de evacuação. Algumas vezes. No primeiro ano de vida. massagear o pescoço do indivíduo logo abaixo do ângulo da mandíbula (estimulando a área sensível da artéria carótida denominada seio carotídeo) e mergulhar a cabeça do paciente em uma bacia de água gelada. é geralmente recomendada a instituição da terapia anticoagulante para evitar os coágulos – exceto se houver uma razão específica que a contra-indique como. a terapia anticoagulante em si apresenta o risco de sangramento excessivo. o médico deve avaliar os riscos e os benefícios de cada paciente. Sintomas e Diagnóstico A síndrome de Wolff-Parkinson-White pode produzir episódios súbitos de freqüência cardíaca muito elevada acompanhada de palpitações.White. o qual pode acarretar um acidente vascular cerebral hemorrágico e outras complicações do sangramento. os episódios costumam produzir poucos sintomas. freqüentemente durante a realização de exercícios. apresenta um bom estado físico.O risco de coágulos sangüíneos é maior entre os indivíduos com fibrilação atrial que apresentam dilatação do átrio esquerdo dilatado ou alguma anomalia da válvula mitral. deixam de se alimentar bem ou apresentam pulsações rápidas e visíveis no tórax. Conseqüentemente. Além do coração funcionar de modo ineficaz ao bater tão rapidamente. comumente é realizada a administração de uma dose intravenosa de drogas. a qual pode ser potencialmente letal. a hipertensão arterial. de fibrilação atrial ou que foram submetidos à conversão ao ritmo normal. A síndrome de Wolff-Parkinson-White é o mais comum dos distúrbios que envolvem vias extras (acessórias). os episódios de arritmia podem ser interrompidos através da realização de uma das várias manobras de estimulação vagal que reduzem a freqüência cardíaca. topo Síndrome de Wolff-Parkinson-White A síndrome de Wolff-Parkinson-White caracteriza. O risco de deslocamento de um coágulo com subseqüente acidente vascular cerebral é particularmente elevado entre os indivíduos que apresentam episódios intermitentes. mas as freqüências cardíacas muito elevadas são desconfortáveis e angustiantes e podem provocar desmaios ou insuficiência cardíaca. uma vez que a via acessória pode conduzir os impulsos rápidos até os ventrículos de modo mais eficaz que a própria via normal. O resultado é uma freqüência ventricular extremamente elevada. A via acessória está presente desde o nascimento.Quando essas manobras fracassam. excetuando-se esse problema. a freqüência cardíaca elevada transforma-se em fibrilação atrial. Os primeiros episódios podem ocorrer na adolescência ou no início da segunda década de vida. a freqüência cardíaca extremamente elevada pode evoluir para a fibrilação ventricular. Em um indivíduo que. Essas manobras funcionam melhor quando elas são realizadas logo após o início da arritmia. No entanto. os lactentes podem apresentar falta de ar ou letargia. O diagnóstico da síndrome de Wolff-Parkinson. Esta é particularmente perigosa em aproximadamente 1% dos indivíduos com síndrome de Wolff-Parkinson.White.

Normalmente. a taquicardia ventricular ocorre semanas ou meses após um infarto do miocárdio. A ocorrência de contrações ventriculares prematuras é comum e não significam perigo nos indivíduos que não apresentam uma cardiopatia. exceto quando extremamente freqüentes. além da redução do estresse e a evitação do consumo de bebidas alcoólicas e de remédios para o resfriado que contêm drogas que estimulam o coração. topo Batimentos Ectópicos (Extra-sístoles) Ventriculares O batimento ectópico ventricular (extrasístole ou contração ventricular prematura) é o batimento cardíaco extra produzido pela ativação elétrica dos ventrículos antes de um batimento cardíaco normal. Entretanto. após a realização de estudos cardíacos sofisticados e de uma avaliação dos riscos.a arritmia. Geralmente. pelo fato dos mesmos serem drogas relativamente seguras. 113 . As contrações ventriculares prematuras são diagnosticadas através do eletrocardiograma (ECG).. essas drogas devem ser utilizadas com muito cuidado e em pacientes selecionados. topo Taquicardia Ventricular A taquicardia ventricular é a freqüência ventricular de no mínimo 120 batimentos por minuto e que é desencadeada nos ventrículos. fibrilação ventricular) e pode provocar morte súbita. geralmente. A taquicardia ventricular prolongada (taquicardia ventricular com duração de no mínimo 30 segundos) ocorre em várias cardiopatias que lesam os ventrículos. não há necessidade de instituição de um tratamento. A destruição da via de condução acessória por ablação com cateter (aplicação de radiofreqüência através de um cateter inserido no coração) é bem-sucedida em mais de 95% dos casos. Por essa razão. ex. aumentando o risco de fibrilação ventricular fatal. uma vez que. Por essa razão. Mais comumente. quando elas ocorrem freqüentemente em indivíduos com insuficiência cardíaca ou estenose aórtica ou naqueles que já sofreram um infarto do miocárdio. As drogas antiarrítmicas podem suprimir as contrações ventriculares prematuras. a digoxina pode ser administrada para suprimir os episódios de freqüência cardíaca elevada. são prescritas outras drogas antiarrítmicas que visam a prevenção a longo prazo de episódios de aumento da freqüência cardíaca. caso não fossem submetidos a esse procedimento. pois esta droga aumenta a condução na via acessória. Em lactentes e crianças com menos de 10 anos de idade. a administração de digoxina é interrompida antes da criança atingir a puberdade. O risco de morte durante o procedimento é inferior a 1:1. Em seguida. mas também aumentam o risco de uma arritmia fatal. a terapia medicamentosa é instituída somente quando os sintomas são intoleráveis ou quando o padrão das extrasístoles indicam perigo. é tentada inicialmente a administração de agentes betabloqueadores. Sintomas e Diagnóstico As contrações ventriculares prematuras isoladas têm pouco efeito sobre a função de bomba do coração e.000. No entanto. Os adultos não devem utilizar digoxina. elas podem representar o início de arritmias mais perigosas (p. teriam que tomar medicamentos antiarrítmicos pelo resto da vida. muitas pessoas recusam-se a utilizar essas drogas devido à letargia por elas provocada. A ablação com cateter é particularmente útil para indivíduos jovens. não produzem sintomas. O indivíduo que apresenta freqüentes contrações ventriculares prematuras após um infarto do miocárdio pode reduzir o risco de morte súbita tomando betabloqueadores e submetendo-se a uma angioplastia ou a uma cirurgia de revascularização do miocárdio para eliminar o bloqueio da artéria coronária. O principal sintoma é a percepção de um batimento forte ou de um batimento irregular. Tratamento Para o indivíduo saudável sob outros aspectos.

a taquicardia ventricular prolongada é desencadeada por uma pequena área ventricular anormal e. Do ponto de vista elétrico. apresentando.Sintomas e Diagnóstico O indivíduo com taquicardia ventricular quase sempre apresenta também palpitações. o médico poderá realizar um estudo eletrofisiológico. Tratamento 114 . exige tratamento de emergência. A taquicardia ventricular prolongada pode ser perigosa e. é administrada por via intravenosa para suprimir a taquicardia ventricular. freqüentemente. uma vez que ela pode agravar e mesmo transformarse em uma fibrilação ventricular – um tipo de parada cardíaca. um prognóstico muito mais grave. devido à doença arterial coronariana ou a um infarto do miocárdio. nem o pulso nem batimentos cardíacos são detectados e a pressão arterial não pode ser mensurada. pois não há mais aporte de oxigênio ao cérebro. A lidocaína. apesar disso. essa área pode ser removida cirurgicamente. a taquicardia ventricular produz poucos sintomas. contudo. a não ser que seja tratada imediatamente. Se não for tratado. Tratamento O tratamento é instituído para qualquer episódio de taquicardia ventricular que produz sintomas e para os episódios com duração superior a 30 segundos. O médico aventa o diagnóstico de fibrilação ventricular quando o paciente apresenta um colapso súbito. Se os episódios acarretarem hipotensão arterial. ou drogas similares. Outras causas incluem o choque e níveis sangüíneos muito baixos de potássio (hipocalemia). sobrevém a morte. As causas da fibrilação ventricular são as mesmas que as da parada cardíaca. A implantação de um aparelho denominado cardioversor-desfibrilador automático pode ser realizada em alguns indivíduos que apresentam taquicardia ventricular não responsiva ao tratamento medicamentoso. o indivíduo geralmente apresenta crises convulsivas e lesão cerebral irreversível após aproximadamente 5 minutos. Em seguida. algumas vezes. pois os ventrículos não conseguem encher de forma adequada e não conseguem bombear o sangue normalmente. Sintomas e Diagnóstico A fibrilação ventricular provoca a perda de consciência em questão de segundos. mesmo se o paciente for assintomático. tentar outras drogas. Na fibrilação ventricular. é necessária a realização imediata da cardioversão. O diagnóstico é confirmado através de um eletrocardiograma (ECG). Durante o exame. Normalmente. a fibrilação ventricular representa um tipo de parada cardíaca e. Algumas vezes. a fibrilação ventricular é similar à fibrilação atrial. mesmo com freqüências cardíacas de aproximadamente 200 batimentos por minuto. mas. A pressão arterial tende a cair e o paciente pode evoluir para uma insuficiência cardíaca. ela pode ser extremamente perigosa. e. Pode-se continuar a administração da droga que apresentar melhores resultados durante a testagem eletrofisiológica como adjuvante na prevenção de recorrência. topo Fibrilação Ventricular A fibrilação ventricular é uma série descoordenada e potencialmente fatal de contrações ventriculares muito rápidas e ineficazes produzida por múltiplos impulsos elétricos caóticos. A mais comum é o fluxo sangüíneo inadequado ao miocárdio. talvez. Se os episódios de taquicardia ventricular persistirem. O diagnóstico da taquicardia ventricular é feito com o auxílio de um eletrocardiograma (ECG). é fatal. A taquicardia ventricular prolongada também é perigosa. Como o sangue não é bombeado do coração. os ventrículos tremulam e não contraem de forma coordenada.

mas o paciente pode apresentar fadiga. A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada em questão de minutos e deve. o bloqueio de terceiro grau exige a instalação de um marcapasso artificial. A instalação de um marcapasso artificial de emergência também é possível. são irregulares e pouco confiáveis. ser o mais rapidamente possível ser seguida por uma cardioversão (choque elétrico aplicado sobre o coração). Como marcapassos substitutos. de segundo ou de terceiro grau. nem todo impulso originado nos átrios atinge os ventrículos. a cardioversão imediata apresenta uma probabilidade de sucesso de 95% e o prognóstico é bom. o nódulo atrioventricular e os ventrículos não apenas são lentos. A maioria das pessoas necessita do marcapasso pelo resto da vida. O bloqueio cardíaco de primeiro grau é comum entre atletas bem treinados. No bloqueio cardíaco de terceiro grau. tontura e insuficiência cardíaca súbita. um retardo intermitente ou um bloqueio completo. como um infarto do miocárdio. os ventrículos batem de forma muito lenta. Quase sempre. mesmo quando ele é conseqüente a uma cardiopatia. os sintomas são menos graves.se na posição em pé) e dificuldade respiratória. os impulsos que normalmente originam-se nos átrios e são transmitidos aos ventrículos são completamente bloqueados e a freqüência e o ritmo cardíacos são determinados pelo nódulo atrioventricular ou pelos próprios ventrículos. hipotensão ortostática (queda da pressão arterial ao colocar. adultos jovens e indivíduos com atividade vagal elevada. mesmo a cardioversão imediata apresentará uma probabilidade de apenas 30% de êxito e 70% dos sobreviventes ressuscitados acabarão falecendo. O bloqueio cardíaco de terceiro grau é uma arritmia grave. ele também ocorre em casos de cardiopatia reumática e de cardiopatia causada pela sarcoidose e também pode ser causado por drogas. mas. topo Síndrome do Seio Doente (ou do Seio Enfermo) 115 . O diagnóstico é estabelecido através da observação do retardo da condução revelado em um eletrocardiograma (ECG). caso essas complicações estejam presentes. mas é retardado por uma fração de segundo ao atravessar o nódulo atrioventricular. embora. Esse bloqueio resulta em um batimento lento ou irregular. qualquer impulso originado nos átrios chega aos ventrículos.A fibrilação ventricular deve ser tratada como uma emergência. a qual pode afetar a função de bomba do coração. No bloqueio cardíaco de segundo grau. O bloqueio cardíaco é classificado como sendo de primeiro. É comum a ocorrência de desmaios (síncope). No bloqueio cardíaco de primeiro grau. menos de 50 batimentos por minuto. Sem a estimulação do marcapasso normal do coração (nódulo sinoatrial). Em seguida. Quando os ventrículos apresentam uma freqüência superior a 40 batimentos por minuto. Alguns casos de bloqueio de segundo grau podem exigir a instalação de um marcapasso artificial. Quando a fibrilação ventricular ocorre algumas horas após um infarto do miocárdio e a pessoa não está em choque ou não apresenta insuficiência cardíaca. Algumas formas de bloqueio de segundo grau evoluem para o bloqueio cardíaco de terceiro grau. o qual está localizado entre os átrios e os ventrículos. algumas vezes. freqüentemente. Esse problema de condução não produz sintomas. Tratamento O bloqueio de primeiro grau não exige tratamento. No entanto. são administradas drogas que ajudam a manter o ritmo cardíaco normal. topo Bloqueio Cardíaco O bloqueio cardíaco é um atraso na condução elétrica através do nódulo atrioventricular. até que seja possível a implantação de um permanente. adolescentes. O choque e a insuficiência cardíaca são sinais de lesão ventricular importante e. de acordo com a condução aos ventrículos apresentar um retardo discreto. ocorra o restabelecimento do ritmo normal após a recuperação da causa subjacente.

Sem dúvida. o indivíduo descreve as freqüências cardíacas elevadas como palpitações. Geralmente. a mais comum dessas doenças é a doença arterial coronariana. Alternativamente. Um pulso lento. Caso a freqüência seja muito baixa. os indivíduos que apresentam sintomas da síndrome são submetidos a um implante de marcapasso artificial. ou um pulso que varia enormemente sem que o indivíduo tenha realizado qualquer alteração em suas atividades. geralmente. cerca de 400 mil casos novos de insuficiência cardíaca são diagnosticados anualmente e 70% das pessoas com insuficiência cardíaca morrem devido à mesma em um período de dez anos. no qual o impulso proveniente do marcapasso não produz contração atrial. auxiliam o médico a estabelecer o diagnóstico. Sintomas e Diagnóstico Muitos tipos de síndrome do seio doente não produzem sintomas. leva o médico a aventar o diagnóstico da síndrome do seio doente.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 17 . A miocardite (infecção do miocárdio causada por bactéria. como a fibrilação ou o flutter atrial. assim como o diabetes. Seção 3 . Nos Estados Unidos. freqüências cardíacas baixas e persistentes produzem fraqueza e cansaço. Uma valvulopatia cardíaca pode obstruir o fluxo sangüíneo entre as câmaras cardíacas ou entre o coração e as artérias principais. o hipertireoidismo ou a obesidade. Todos os tipos de síndrome do seio doente são particularmente comuns em idosos. alternam-se com longos períodos de ritmos cardíacos lentos. pelo fato deles apresentarem maior probabilidade de apresentar alguma doença que a desencadeie. a melhor terapia é a implantação de um marcapasso juntamente com a administração de uma droga que diminui a freqüência cardíaca (p. o qual é utilizado para aumentar a freqüência cardíaca e não para diminuí. Tratamento Geralmente. A insuficiência cardíaca tem muitas causas. Apesar de algumas pessoas.la. em um ponto mais baixo do átrio ou mesmo no ventrículo. Apesar do quadro apresentar um agravamento no decorrer do tempo. mas. Essa síndrome acarreta um batimento cardíaco persistentemente lento (bradicardia sinusal) ou um bloqueio completo entre o marcapasso e os átrios (parada sinusal). uma válvula insuficiente pode permitir o refluxo do 116 . incluindo várias doenças. comprometendo sua capacidade de contrair e de bombear o sangue. As doenças podem afetar seletivamente o miocárdio. sobretudo quando irregular. Causas Qualquer doença que afete o coração e interfira na circulação pode levar à insuficiência cardíaca. anormalidades eletrocardiográficas características – principalmente as registradas ao longo de 24 horas e avaliadas em conjunto com os sintomas que acompanham o quadro –.Insuficiência Cardíaca A insuficiência cardíaca (insuficiência cardíaca congestiva) é uma condição grave na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. que limita o fluxo sangüíneo ao miocárdio e pode acarretar um infarto do miocárdio. um marcapasso de urgência (de escape) entra em ação. Muitas vezes. Quando isso ocorre.A chamada síndrome do seio doente compreende uma ampla variedade de anormalidades funcionais do marcapasso natural. ex. os indivíduos com insuficiência cardíaca podem viver muitos anos. refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho. Para os indivíduos que ocasionalmente apresentam freqüência cardíaca elevada. o termo. o paciente pode apresentar desmaios. Ela é muito mais comum entre os idosos. Por essa razão. acreditarem que o termo insuficiência cardíaca signifique parada cardíaca. de modo equivocado. um betabloqueador ou o verapamil). na realidade. na qual ritmos atriais acelerados. o tratamento medicamentoso também pode ser necessário. Um subtipo importante da síndrome do seio doente é a síndrome da bradicardia-taquicardia. vírus ou outros microrganismos) pode lesar o miocárdio..

Na posição deitada. No entanto. O mecanismo de resposta de emergência ini-cial (minutos ou horas) é a reação de “luta ou fuga” causada pela liberação de adrenalina (epinefrina) e de noradrenalina (norepinefrina) pelas glândulas adrenais na corrente sangüínea. resultando em batimentos cardíacos lentos. na-quele com cardiopatia crônica. essas respostas são benéficas. Esse é um dos princi-pais mecanismos utilizados pelo coração para melhorar seu desempenho em casos de insuficiência cardíaca. o que acarreta a diminuição da força de contração cardíaca. às custas de um aumento da freqüência cardíaca e de um batimento cardíaco mais forte. Esse enrijecimento impede que o coração expanda completamente entre os batimentos e encha de sangue de forma adequada. Essa água adicional aumenta o volume sangüíneo circulante e. A adrenalina e a noradrenalina são as defe-sas de primeira linha do organismo contra qual-quer estresse súbito. prejudicando o bombeamento do sangue no coração. geralmente causando insuficiência cardíaca em pessoas muito mais jovens do que nos países desenvolvidos. certos parasitas podem alojar-se no miocárdio. essas respostas podem gerar. Algumas pessoas apresentam enrijecimento do pericárdio (membrana delgada e transparente que reveste o coração). esse aumento produz contrações mais fortes. doenças que afetam outras partes do corpo aumentam exageradamente a demanda de oxigênio e nutrientes. O resultado é a insuficiência cardíaca. a princípio. No indivíduo sem cardiopatia que necessita de um aumento momentâneo da função cardíaca. Embora com freqüência muito menor. apesar de ser normal. Outras doenças afetam principalmente o sistema de condução elétrica do coração. o orga-nismo retém água concomitantemente. Outro mecanismo corretivo consiste na reten-ção de sal (sódio) pelos rins. mais tarde. o líqui-do geralmente acumula-se nas costas ou no ab-dômen. É comum o ganho de peso causado pela retenção de sódio e água no corpo. o líquido desce para as pernas e para os pés. da mesma maneira que o fazem os músculos distendidos do atleta antes do exercício. Esse músculo distendido contrai com mais força. nos países tropicais. compensando o problema de bombeamento. produzindo inchaço (edema). demandas maiores a um sistema cardiovascular que já se encontra lesado. segundo as diferentes doenças que ocorrem em cada país. melhora o desempenho cardíaco. porém. A hipertensão arterial pode fazer com que o coração trabalhe mais vigorosamente.sangue. Para manter cons-tante a concentração de sódio no sangue. à medida que a insufici-ência cardíaca evolui. ajudando-o a aumentar o débi-to sangüíneo e. A condição resultante é semelhante à carga adicional que uma bomba de água tem que suportar ao empurrar a água através de tubos estreitos. Quando o coração é submetido a uma carga de trabalho exagerada ao longo de meses ou anos. Por exemplo. Ele também trabalha mais vigorosamente quando é forçado a ejetar o sangue através de um orifício mais estreito. O local em que ocorre acúmulo de líquido depende da quantidade de líquido em excesso retido no cor-po e dos efeitos da força da gravidade. A princípio. A noradrenalina também é liberada pelos ner-vos. As causas da insuficiência cardíaca variam nas diversas regiões do mundo. 117 . Mecanismos de Compensação O organismo possui vários mecanismos de resposta para compensar a insuficiência cardía-ca. No decorrer do tempo. Na posi-ção ortostática (em pé). até certo ponto. Esses distúrbios aumentam a carga de trabalho do miocárdio. rápidos ou irregulares. geralmente uma válvula aórtica estenosada. Na insuficiência cardíaca compensada. o líquido em excesso esca-pa da circulação e acumula-se em diversos locais do corpo. a longo prazo. geralmen-te. da mesma forma que um bíceps após meses de exercício. de modo que o coração. essa demanda acarreta uma deterioração da função cardíaca. torna-se incapaz de suprir esse aumento da demanda. a adrenalina e a noradrenalina fazem com que o coração trabalhe mais vigorosamente. embora. O débito cardía-co pode retornar ao normal. o coração aumentado de tamanho pode diminuir sua capacidade de bombeamento e tornar-se insuficiente (insuficiência cardíaca). ele aumenta de tamanho. Contudo. Uma das principais conseqüências da retenção de líquido é que o maior volume sangüíneo promove a distensão do miocárdio.

embora. pois os seus músculos não recebem um aporte adequado de sangue. a dificuldade respiratória manifesta-se à noite. e a eletrocardiografia. o indivíduo acorda com dificuldade respiratória ou apresentando sibilos (chio de peito). o líquido é drenado dos pulmões. Esse é um dos principais mecanismos utilizados pelo coração para melhorar seu desempenho em casos de insuficirealizar atividades físicas. compensando o problema de bombeamento. ajudando-o a aumentar o débito sangüíneo e. Para manter constante a concentração de sódio no sangue. a falta de ar ocorre durante a realização de um esforço. a adrenalina e a noradrenalina fazem com que o coração trabalhe mais vigorosamente. até certo ponto. Sintomas As pessoas com insuficiência cardíaca descompensada apresentam cansaço e fraqueza ao compensada. tornozelos. No decorrer do tempo. Os indivíduos com insuficiência cardíaca podem ser obrigadas a dormir na posição sentada para evitar que isso ocorra. que utiliza ondas sonoras para gerar uma imagem do coração. O edema também provoca muitos sintomas. A insuficiência cardíaca direita tende a produzir acúmulo de sangue que flui para o lado direito do coração. como a ecocardiografia. Ao sentar-se. com a evolução da doença. aumento do coração. mas. Além da influência exercida pela força da gravidade. melhora o desempenho cardíaco. essas respostas são benéficas. causando uma dificuldade respiratória intensa. mas acaba funcio-nando mal e agrava a insuficiência cardíaca. essa demanda acarreta uma deterioração da função cardíaca. Uma radiografia torácica pode revelar um aumento do coração e o acúmulo de líquido nos pulmões. aumento do fígado. acúmulo de líquido nos pulmões. a longo prazo. Os médicos abordam a terapia 118 . Os eventos a seguir podem confirmar o diagnóstico inicial: pulso fraco e acelerado. dilatação das veias do pescoço. ela também ocorre em repouso. às custas de um aumento da freqüência cardíaca e de um batimento cardíaco mais forte. o desempenho cardíaco é avaliado através de outros exames. No entanto. a localização e os efeitos do edema são influenciados pelo lado do coração que apresenta maior comprometimento. hipotensão arterial. Inicialmente. Algumas vezes. Outros exames podem ser realizados para se determinar a causa subjacente da insuficiência cardíaca. No entanto. a princípio. não existe uma cura para a maioria das pessoas com insuficiência cardíaca. Outro mecanismo corretivo consiste na retenção de sal (sódio) pelos rins. Esse músculo distendido contrai com mais força. Tratamento Muito pode ser feito para tornar a atividade física mais confortável. Um acúmulo exagerado de líquido (edema pulmonar agudo) é uma emergência potencialmente letal. fígado e abdômen. freqüentemente existe um predomínio dos sintomas da doença de um dos lados. O miocárdio hipertrofiado pode contrair com mais força. demandas maiores a um sistema cardiovascular que já se encontra lesado. o que torna a respiração mais fácil. essas respostas podem gerar. Uma das principais conseqüências da retenção de líquido é que o maior volume sangüíneo promove a distensão do miocárdio. A insuficiência cardíaca esquerda acarreta um acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Esse acúmulo acarreta edema dos pés. Freqüentemente. No indivíduo sem cardiopatia que necessita de um aumento momentâneo da função cardíaca. Freqüentemente. geralmente. pernas. quando a pessoa está deitada. Essa água adicional aumenta o volume sangüíneo circulante e.O outro mecanismo de compensação importan-te do coração é o aumento da espessura do miocárdio (hipertrofia). ganho rápido de peso e acúmulo de líquido no abdômen ou nos membros inferiores. da mesma maneira que o fazem os músculos distendidos do atleta antes do exercício. o organismo retém água concomitantemente. Diagnóstico Esses sintomas geralmente são suficientes para o médico diagnosticar uma insuficiência cardíaca. a qual examina a atividade elétrica do coração. naquele com cardiopatia crônica. O débito cardíaco pode retornar ao normal. determinadas anomalias nas bulhas cardíacas. em decorrência do deslocamento do líquido para o interior dos pulmões. Apesar da doença de um dos lados do coração sempre causar insuficiência do coração como um todo. para melhorar a qualidade de vida e para prolongar a vida do paciente.

Para os indivíduos com insuficiência cardíaca mais grave. Os indivíduos com insuficiência cardíaca podem verificar o conteúdo de sal dos alimentos industrializados lendo as embalagens cuidadosamente. a causa pode ser totalmente eliminada sem necessidade de cirurgia. visando melhorar o estado físico geral. para a realização das alterações dietéticas adequadas. os médicos freqüentemente solicitam aos pacientes que eles controlem o peso diariamente com o máximo de acurácia possível. remoção dos fatores que contribuem para o agravamento da insuficiência cardíaca e tratamento da insuficiência cardíaca em si. Os indivíduos com insuficiência cardíaca grave normalmente recebem informações detalhadas sobre como limitar a ingestão de sal. esses medicamentos são muito eficazes quando administrados por via intravenosa. dessa forma. A digoxina aumenta a força de cada batimento cardíaco e reduz a freqüência cardíaca quando esta encontra-se muito elevada. As tendências são mais fáceis de serem determinadas quando o indivíduo utiliza a mesma balança. o excesso de peso e o consumo de bebidas alcoólicas são fatores que agravam a insuficiência cardíaca. um suplemento de potássio ou um diurético poupador de potássio também pode ser administrado. para a interrupção do consumo de bebidas alcoólicas ou para a realização regular de exercícios moderados. 119 . De modo similar. a ingestão de sal. reduz o trabalho cardíaco. o médico pode prescrever drogas diuréticas para aumentar a produção de urina e remover sódio e água do organismo através dos rins. assim como os extremos da temperatura ambiente. A redução de líquido diminui o volume sangüíneo que chega ao coração e. veste a mesma roupa ou uma roupa similar e mantém um registro escrito de seu peso diário. Irregularidades do ritmo cardíaco (arritmias) – nas quais o batimento cardíaco é demasiado rápido ou lento ou é errático – podem ser tratadas com medicamentos ou com um marcapasso artificial. são utilizadas drogas que relaxam (dilatam) os vasos sangüíneos (vasodilatadores). em uma emergência. Como certos diuréticos podem acarretar uma perda indesejável de potássio do organismo. Remoção dos Fatores Contribuintes O tabagismo. a quantidade de sódio no organismo diminui quando o sal de mesa. após a micção e antes do café da manhã. mesmo quando isso é impossível. Um modo simples e confiável de controlar a retenção de líquido pelo organismo consiste no controle diário do peso corpóreo. Insuficiência Cardíaca Crônica: quando apenas a restrição de sal não reduz a retenção de líquido. O excesso de sal (sódio) na comida pode provocar retenção de líquido. Entretanto. Por essa razão. o repouso ao leito por alguns dias pode ser indicado como uma parte importante do tratamento. Tratamentos medicamentosos.através de três ângulos: tratamento da causa subjacente. Algumas vezes. Os médicos podem recomendar um programa de suporte para a interrupção do tabagismo. cirúrgicos ou radioterápicos podem corrigir a hiperatividade da glândula tireóide. complicando o tratamento clínico. os importantes avanços terapêuticos podem prolongar e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos com insuficiência cardíaca. algumas drogas podem reduzir e controlar a hipertensão arterial. a longo prazo. o sal nos alimentos e os alimentos salgados são limitados. Tratamento da Insuficiência Cardíaca O melhor tratamento para a insuficiência cardíaca é a prevenção ou a reversão precoce da causa subjacente. Freqüentemente. Tratamento da Causa Subjacente A cirurgia pode corrigir uma válvula cardíaca estenosada ou insuficiente. Variações superiores a 1 kg por dia quase que seguramente são devidas à retenção de líquido. basicamente pela manhã. Os diuréticos são normalmente tomados por via oral. uma conexão anormal entre as câmaras cardíacas ou uma obstrução coronariana – todos eventos que podem acarretar a insuficiência cardíaca. Geralmente. Um ganho de peso rápido e constante (1 kg por dia) é um indício de que a insuficiência cardíaca está agravando. mas.

Em situações raras. Insuficiência Cardíaca Aguda: caso acumulese subitamente líquido nos pulmões (edema pulmonar agudo). As câmaras cardíacas dilatadas e com contração deficiente permitem a formação de coágulos sangüíneos em seu interior. como a digoxina. Faz-se uma rotação desses torniquetes entre os membros a cada 10 ou 20 minutos. Corações mecânicos temporários.Miocardiopatia Miocardiopatia Congestiva Dilatada Miocardiopatia Hipertrófica Miocardiopatia Restritiva 120 . acompanha o edema pulmonar agudo. causando lesões em outros órgãos vitais. de modo que a respiração seja auxiliada por um ventilador mecânico.Um vasodilatador pode dilatar artérias e/ou veias. Seção 3 . são utilizadas para estimular as contrações cardíacas em pacientes hospitalizados que necessitam de alívio a curto prazo. diminui a freqüência respiratória. a pessoa com insuficiência cardíaca vai respirar com sofreguidão. A morfina alivia a ansiedade que. Essas drogas não só melhoram os sintomas mas também prolongam a vida. infecção e coágulos sangüíneos. Os vasodilatadores arteriais dilatam as artérias e reduzem a pressão arterial.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 18 . torniquetes podem ser aplicados a três dos quatro membros. se a estimulação do sistema interno de resposta emergencial do organismo for excessiva. e acarretando um acidente vascular cerebral. O transplante de coração está indicado para alguns indivíduos que são saudáveis em outros aspectos e cuja insuficiência cardíaca. A miocardioplastia é uma cirurgia experimental na qual um grande músculo retirado do dorso do indivíduo é utilizado para envolver o coração e. como a dopamina e a dobutamina. no entanto. e a hidralazina dilata artérias. em seguida. reduzindo assim a carga de trabalho do coração. Assim como os inibidores da ECA. vem se agravando. não respondendo de modo adequado aos medicamentos. Uma cirurgia experimental recente revelou ser promissora para pacientes selecionados com insuficiência cardíaca grave: o miocárdio fraco e insuficiente é simplesmente ressecado. estimulado por um marcapasso artificial para contrair de modo ritmado. para evitar lesões nos membros. Ainda estão sendo intensamente estudados os problemas de eficácia. Diuréticos intravenosos e drogas como a digoxina podem melhorar o quadro de forma rápida e eficiente. a nitroglicerina dilata veias. São administradas altas concentrações de oxigênio através de uma máscara facial. Os inibidores da ECA dilatam artérias e veias na mesma proporção. como o cérebro. o que por sua vez. são utilizadas outras drogas que têm ação oposta (betabloqueadores). As drogas anticoagulantes são importantes porque ajudam na prevenção da formação de coágulos de sangue no interior das câmaras cardíacas. Os vasodilatadores mais comumente utilizados são os inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina). Drogas similares à adrenalina e à noradrenalina. um tubo é inserido nas vias respiratórias do paciente. o perigo é o descolamento dos coágulos para o interior da circulação. Essas novas drogas são utilizadas apenas por curtos períodos em pacientes rigorosamente monitorizados em ambiente hospitalar. reduz o trabalho cardíaco. Nesse caso. Se essas medidas falharem. A nitroglicerina administrada por via intravenosa ou colocada sob a língua (via sublingual) dilata as veias e. e a freqüência cardíaca. Por exemplo. a milrinona e a amrinona dilatam tanto as artérias quanto as veias e. geralmente. Mas. parciais ou completos. Os vasodilatadores venosos dilatam as veias e fornecem mais espaço para o sangue acumulado que não tem possibilidade de entrar no lado direito do coração. ao passo que muitas drogas mais antigas dilatam esses vasos em graus diferentes. Diversas drogas novas estão sendo pesquisadas com esse objetivo. assim. para reter temporariamente o sangue. Esse espaço extra alivia a congestão e reduz a carga sobre o coração. em alguns casos. pois elas podem causar arritmias graves. ainda encontram-se em fase experimental. elas também aumentam a forçacontrátil do coração. reduz o volume de sangue que flui através dos pulmões.

topo Miocardiopatia Congestiva Dilatada O termo miocardiopatia congestiva dilatada re-fere-se a um grupo de distúrbios cardíacos nos quais os ventrículos dilatam. A lesão miocárdica e a dilatação po-dem tornar aumentar ou diminuir anormalmente o ritmo cardíaco. podem cau-sar a miocardiopatia congestiva dilatada. Nos Estados Unidos. Essa doença arterial coronariana acarreta uma irrigação sangüínea inadequada ao miocárdio. a qual pode levar a uma lesão per-manente. Aproximadamente 50% das mortes são súbitas. 121 . gravidez ou doenças do tecido conjuntivo. como os antidepressivos. a causa identificável mais comum da miocardiopatia congestiva di-latada é a doença arterial coronariana disse-minada. Como conseqüência. A miocardiopatia alcoólica pode ocorrer após aproximadamente dez anos de consumo intenso de ál-cool. para detectar a causa. A miocardiopatia pode ser causada por mui-tas doenças conhecidas ou pode não ter uma causa identificável. apre-sentam insuficiência. freqüentemente. a pressão arterial é normal ou bai-xa. O diagnóstico é baseado nos sintomas e no exa-me físico. uma amostra de tecido pode ser removida para ser submetida a um exame microscópico (biópsia). Qualquer que seja a causa. Nos Estados Unidos. freqüentemente. Durante a cateterização. ocorre retenção de líquido nos membros inferiores e no abdômen e os pulmões apresen-tam congestão líquida. um cateter destinado a mensurar a pressão é inserido no coração para uma avaliação mais precisa. Sintomas e Diagnóstico Os primeiros sintomas usuais da miocar-diopatia congestiva dilatada – dificuldade respiratória durante os exercícios e cansaço fácil – são decorrentes do enfraquecimento da fun-ção de bomba do coração (insuficiência cardíaca). a sobrevida dos ho-mens equivale apenas à metade do tempo de sobrevida das mulheres e a sobrevida dos indiví-duos da raça negra equivale à metade do tempo de sobrevida dos brancos. e por medicamentos. O problema também pode ser causado por drogas. A eletrocardiografia (procedimento que examina a atividade elétrica do coração) pode re-velar alterações características. Quando esse espessamento não compensa adequadamente. Um fechamento valvular inadequado produz sopro.A miocardiopatia é um distúrbio progressivo que altera a estrutura ou compromete a função da parede muscular das câmaras inferiores do coração (ventrículos). a infecção pelo coxsackievírus B é a causa mais comum de miocar-diopatia viral. Alguns distúrbios hormonais crônicos. como o diabetes e os distúrbios tireoidianos. provavelmente em razão de uma arritmia cardíaca. Em geral. A ecocardiografia (exame que utiliza ondas ultrassônicas para gerar uma imagem das estruturas cardíacas) e a res-sonância magnética (RM) podem ser utilizadas para a confirmação do diagnóstico. A dilatação do coração faz com que as válvulas cardíacas abram e fechem inadequadamente e aquelas que permitem a passagem do sangue aos ventrículos (as vál-vulas mitral e tricúspide). Se o diagnósti-co permanecer duvidoso. Quando a miocardiopatia é decorrente de uma infecção. os primeiros sintomas podem ser uma febre súbita e sintomas similares aos do resfria-do. a freqüência cardí-aca aumenta. Essas anormalidades interferem ainda mais na função de bomba do coração. Uma inflamação aguda do miocárdio (miocar-dite) por uma infecção viral pode enfraquecer esse músculo e causar miocardiopatia congestiva dilatada (às vezes denominada miocardiopatia viral). o qual pode ser aus-cultado pelo médico com o auxílio de um este-toscópio. Raramente. como a artrite reumatóide. mas são incapazes de bombear um volume de sangue suficiente que supra as demandas do organismo e acarretam a insuficiência cardíaca. Prognóstico e Tratamento Cerca de 70% das pessoas com miocardiopatia congestiva dilatada morre nos cinco anos subse-qüentes ao início dos sintomas e o prognóstico piora à medida que as paredes cardíacas tornam-se mais delgadas e a função cardíaca diminui. As anomalias do ritmo cardíaco também indicam um prognóstico ruim. para confirmar o diagnóstico e. ocorre a miocardiopatia congestiva dilatada. como o álcool e a cocaí-na. a parte do miocário não lesada sofre um espessamento para compensar a perda da função de bomba. podem produzir a miocardiopatia congestiva dilatada.

um tumor que produz adrenalina. Geralmente. os indivíduos com miocardiopatia hipertrófica não apresentam essas condições. o espessamento produzido nos casos de mio-cardiopatia hipertrófica geralmente é resultante de um defeito genético hereditário. dor torácica. o estreitamento da válvula aórtica (estenose aórtica) e outros distúrbios que aumentam a resistência à saída do coração. um betabloqueador ou um bloqueador dos canais de cálcio. a irrigação sangüínea deficiente pode provocar angina (dor torácica causada por uma car-diopatia).O tratamento das causas subjacentes especí-ficas. um distúrbio resul-tante do excesso de hormônio do crescimento no sangue. topo Miocardiopatia Hipertrófica A miocardiopatia hipertrófica é um grupo de dis-túrbios cardíacos caracterizados pelo espessamento das paredes ventriculares. Geralmente. é provável que a insuficiência cardíaca acarrete a morte do paciente. Prognóstico e Tratamento 122 . Quase todas as drogas utilizadas na prevenção de arritmias cardíacas são prescritas em doses pequenas e estas são ajustadas através de pequenos aumentos. eletrocardio-grama (ECG) ou por radiografia torácica. Se o uso abusivo de bebidas alcoólicas for a cau-sa. o paciente deve abster-se da ingestão al-coólica. conseqüentemente. Ela também pode ocorrer em adultos com acromegalia. A miocardiopatia hipertrófica pode ser um defeito congênito. os sons cardíacos ausculta-dos através de um estetoscópio costumam ser característicos. uma dificuldade respira-tória crônica. Por exemplo. geralmente são utilizadas drogas anti-coagulantes. Para prevenir a sua ocorrên-cia. Por outro lado. Se uma infecção bacteriana produzir uma inflamação aguda do miocárdio. a qual pode acarretar acúmulo de líquido nos pulmões e. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas incluem desmaio. também podem apresentar miocardio-patia hipertrófica. Em decorrência dos batimentos cardíacos irregulares. palpitações produzidas pelas arritmias cardía-cas e insuficiência cardíaca acompanhada de dificuldade respiratória. o diagnóstico é con-firmado por um ecocardiograma. impe-dindo o enchimento adequado do coração. O coração aumenta de espessura e torna-se mais rígido do que o normal e apresenta uma maior resistência à entrada de sangue proveni-ente dos pulmões. No entanto. ou em portadores de feocromo-citoma. um diurético. por exemplo. Devido a esse prog-nóstico sombrio. a miocardiopatia congestiva di-latada é a indicação mais comum para a realiza-ção de um transplante cardíaco. freqüentemente. No indivíduo com doença arterial coronariana. pode haver ser necessária a realização de um cateterismo cardíaco para a mensuração das pressões no interior do coração. à medida que as pa-redes ventriculares aumentam de espessura. Uma das conseqüências é a pressão retrógrada nas veias pulmonares. As causas típicas são a hipertensão arterial. como o consumo abusivo de álcool ou uma infecção. Indi-víduos com neurofibromatose. esta deve ser tratada com antibiótico. Medidas que auxiliam a reduzir a tensão sobre o coração incluem o repouso e o sono suficientes e a redução do estresse. pode ocorrer a morte súbita. Geralmene. impondo a necessidade de um tra-tamento com um nitrato. qualquer espessamento das pa-redes musculares do coração representa a rea-ção muscular a um aumento da carga de traba-lho. um distúrbio hereditário. Além disso. pois esses agentes po-dem reduzir a força das contrações cardíacas. O acúmulo de sangue no coração dilatado pode acarretar a formação de coágulos nas paredes das câmaras cardíacas. um inibidor da enzima conversora da angiotensina e. elas podem bloquear o fluxo sangüíneo. A insuficiência cardíaca também é tratada com dro-gas como. o médico consegue diagnosticar a miocardiopatia hipertrófica através do exame físico. No caso do médico aventar a possibilidade de uma cirurgia. No entanto. Os betabloqueadores e os bloqueadores dos canais de cálcio podem reduzir a força das contrações cardíacas. pode prolongar a vida do paciente. a menos que a causa da miocardiopatia congestiva dilatada possa ser tratada.

Antes de qualquer tipo de tratamento odonto-lógico ou qualquer procedimento cirúrgico. Pode ser ne-cessário o aconselhamento genético para os in-divíduos que apresentam esse distúrbio de na-tureza congênita e que desejam ter filhos. ocorre infiltração de um material anormal no miocárdio como. Porque a resistência cardíaca ao enchimen-to com sangue.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 19 . em geral. a quantidade de sangue bom-beada para fora é adequada quando o indiví-duo encontra-se em repouso. como ocorre na hemocromatose (so-brecarga de ferro nos tecidos). Prognóstico e Tratamento Cerca de 70% dos indivíduos com miocardio-patia restritiva morrem nos cinco anos que su-cedem o início dos sintomas. um diagnóstico preciso exige um cateterismo cardíaco. A cirurgia pode reduzir os sin-tomas. Em um de seus dois tipos básicos.Distúrbios das Válvulas Cardíacas Estenose Aórtica 123 . a causa da miocardiopatia restritiva pode ser tratada para prevenir a pio-ra da lesão cardíaca ou mesmo para reverter o quadro. Algumas vezes. Sintomas e Diagnóstico A miocardiopatia restritiva causa insuficiên-cia cardíaca acompanhada de dificuldade res-piratória. topo Miocardiopatia Restritiva A miocardiopatia restritiva é um grupo de dis-túrbios do miocárdio nos quais as paredes ventriculares enrijecem. A cirurgia de remoção de parte do miocárdio me-lhora o refluxo do sangue do coração. A morte por insuficiência cardíaca crônica é menos comum. a qual pode permitir a identificação da substância infiltrada. a morte é súbita. Adminis-trados de forma isolada ou simultânea. Os indivíduos com sarcoidose podem utilizar corticosteróides. O tratamento tem como objetivo principal a redução da resistência cardíaca à entrada de sangue entre os batimentos cardíacos. pois elas podem produzir uma redução excessiva da pressão arterial. em grande parte. produzindo uma resistência ao enchimento normal com san-gue entre os batimentos cardíacos. mas essa operação é realizada apenas em indivíduos cujos sintomas são incapacitantes apesar da terapia medicamentosa. a miocardiopatia restritiva apresenta muitas características da miocardiopatia hiper-trófica. para a mensuração das pressões. que normalmente são utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca. agravan-do o problema em vez de melhorá-lo. Geralmente. A ressonância mag-nética (RM) pode fornecer informações adicio-nais sobre a estrutura do coração. Outras causas de infiltração são a amiloidose e a sarcoidose. nos casos de sobrecarga de ferro. no exame físico. Sendo a forma menos comum de miocar-diopatia. não ajudam. As drogas normalmente utilizadas em casos de insuficiên-cia cardíaca que visam reduzir a carga de tra-balho do coração. cerca de 4% das pessoas com miocardiopatia hipertrófica morrem. a sua causa é desconhecida. esse metal pode acumular-se no miocárdio. Por exemplo. Quan-do o organismo possui uma quantidade excessiva de ferro.Anualmente. o miocárdio é substituído gradualmente por tecido cicatricial. mas não diminui o risco de vida. O diagnóstico baseia-se. glóbulos brancos (leucócitos). podem reduzir o volume sangüíneo que chega ao coração. Por exemplo. de-vem ser administrados antibióticos para reduzir o risco de infecção do revestimento interno do coração (endocardite infecciosa). os diuréticos. os betabloqueadores e os bloqueadores dos canais de cálcio representam o principal tratamento. Para a maioria das pessoas com esse distúrbio. no eletrocardiograma (ECG) e no ecocardiograma. Seção 3 . a remoção de sangue em intervalos regulares reduz a quantidade de ferro armazenado. No outro tipo. não existe uma te-rapia satisfatória. Geralmen-te. A causa também pode ser um tumor que invade o tecido cardíaco. mas não quando ele está exercitando-se. mas não necessaria-mente apresentam espessamento. Comumente. por exemplo. e de uma biópsia do miocárdio (remoção e exa-me microscópico de uma amostra).

e duas inferiores e maiores (os ventrículos). permitindo um vazamento (insuficiência valvular) ou uma abertura não adequada (estenose valvular). embora eles também possam ocorrer nas demais válvulas cardíacas. ambos unidirecionais. Algumas vezes. 124 . A válvula mitral abre-se do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo e a válvula aórtica abre-se do ventrículo esquerdo para a aorta. Qualquer um desses problemas pode interferir gravemente na capacidade de bombeamento de sangue do coração. Estas ilustrações apresentam os dois problemas na válvula mitral.I n s u f i c i ê n c i a M i t r a l Prolapso da Válvula Mitral Estenose Mitral Insuficiência Aórtica Insuficiência Tricúspide Estenose Tricúspide Estenose Pulmonar O coração possui quatro câmaras: duas superiores e de pequenas dimensões (os átrios). seja não abrindo adequadamente (estenose) seja permitindo o vazamento do sangue (regurgitação). uma válvula apresenta os dois problemas simultaneamente. Cada ventrículo possui uma válvula de entrada e uma válvula de saída. A válvula tricúspide abre-se do átrio direito para o ventrículo direito e a válvula pulmonar abre-se do ventrículo direito para as artérias pulmonares. As válvulas cardíacas podem apresentar um funcionamento deficiente. Compreendendo a Estenose e a Regurgitação (Insuficiência) As válvulas cardíacas podem funcionar mal.

regurgitação mitral) consiste no fluxo retrógrado de sangue através dessa válvula ao átrio esquerdo cada vez que o ventrículo esquerdo se contrai. Pelo fato de ser obrigado a bombear mais sangue para compensar o fluxo retrógrado de sangue ao átrio esquerdo. O átrio esquerdo também tende a dilatar para acomodar o sangue adicional que retorna do ventrículo. o qual reduz a eficácia do bombeamento do coração. uma causa mais comum de insuficiência mitral é o infarto do miocárdio. isso aumenta a pressão no interior dos vasos que levam o sangue dos pulmões ao coração. Outra causa é a degeneração mixomatosa. Por sua vez. 125 . ela é rara nos países que contam com uma medicina preventiva de boa qualidade. nos países onde a medicina preventiva é de má qualidade. Quando o ventrículo esquerdo bombeia o sangue para fora do coração e para o interior da aorta. Entretanto. Atualmente. é identificado apenas quando o médico.topo Insuficiência Mitral A insuficiência mitral (incompetência mitral. ouve um sopro cardíaco característico resultante fluxo retrógrado do sangue que retorna ao átrio esquerdo após a contração do ventrículo esquerdo. O problema. na maioria dos casos. ocorre um fluxo retrógrado de uma certa quantidade de sangue ao átrio esquerdo. o qual pode lesar as estruturas de sustentação da válvula mitral. o uso de antibióticos contra a infecção de garganta por estreptococos impede. ocorre um aumento progressivo do ventrículo esquerdo para aumentar a força de cada batimento cardíaco. resultando em um acúmulo de líquido (congestão) no interior dos pulmões. às vezes. um átrio muito dilatado bate rapidamente e com um padrão desorganizado e irregular (fibrilação atrial). Sintomas Uma insuficiência mitral leve pode não produzir qualquer sintoma. a ocorrência da moléstia reumática. Geralmente. O ventrículo dilatado pode produzir palpitações (percepção de batimentos cardíacos vigorosos). auscultando o paciente com um estetoscópio. um distúrbio no qual a válvula torna-se gradativamente mais flácida. sendo uma causa comum de insuficiência mitral. aumentando o volume e a pressão nessa câmara. a insuficiência mitral causada pela moléstia reumática é comum apenas em pessoas idosas que não foram beneficiadas pelos antibióticos durante a juventude. Na América do Norte e na Europa Ocidental. por exemplo. a moléstia reumática ainda está presente. Na América do Norte e na Europa Ocidental. particularmente quando a pessoa encontra-se em decúbito lateral esquerdo. Nessas regiões. A moléstia reumática costumava ser a causa mais comum de insuficiência mitral.

O eletrocardiograma (ECG) e radiografias torácicas revelam se o ventrículo esquerdo encontra-se aumentado. 126 . alguns deles apresentam sintomas que são difí-ceis de serem explicados baseandose apenas no problema mecânico. A reparação valvular elimina ou diminui a insuficiência o suficiente para que os sintomas se tornem toleráveis e não ocorra lesão cardíaca. Qualquer pessoa que apresente uma lesão valvular ou uma válvula artificial deve tomar antibióticos antes de ser submetida a tratamento odontológico ou procedimento cirúrgico. será bombeado para fora do coração e poderá obstruir uma artéria de menor calibre e pode provocar um acidente vascular cerebral ou outra lesão. Esses sintomas incluem a dor torácica. A cirurgia pode ter como objetivo a reparação da válvula (valvuloplastia) ou a sua substituição por uma válvula mecânica ou por uma válvula feita parcialmente com uma válvula de porco. Diagnóstico Em geral. enxaqueca. fadiga e tontu-ra. No entanto. Esse exame pode gerar uma imagem de uma válvula defeituosa. indicando a gravidade do problema. As válvulas de porco funcionam bem e não acarretam o risco de formação de coágulos. e a ausência de um fluxo sangüíneo adequado permite a formação de coágulos. a qual. topo Prolapso da Válvula Mitral No prolapso da válvula mitral. Drogas como os betabloqueadores. a válvula deverá ser reparada ou substituída antes que a anormalidade do ventrículo esquerdo tornese muito importante e não possa ser corrigida. mas a sua duração é menor do que a das válvulas mecânicas. dificuldade respiratória durante o exercício ou esforço e edema nos membros inferiores. A fibrilação atrial também pode exigir tratamento medicamentoso. a digoxina e o verapamil podem reduzir a freqüência cardíaca e ajudar no con-trole da fibrilação. ocorre uma protrusão dos folhetos da válvula para o interior do átrio esquerdo durante a contração ventricular. Se um desses coágulos se soltar. algumas vezes. essa anomalia produz problemas cardíacos graves. A insuficiência grave reduz o fluxo sangüíneo anterógrado o suficiente para provocar uma insuficiência cardíaca. permite o fluxo retrógrado de pequenas quantidades de sangue para o átrio.Na realidade. Em alguns indivíduos. palpitações. batimentos cardíacos discretamente irregulares produzem palpitações (percepção dos batimentos cardíacos). Apesar de normalmente serem eficazes. a qual pode produzir tosse. ela deve ser imediatamente substituída. Raramente. Se uma válvula substituta apresentar defeito. o átrio em fibrilação não bombeia. Cerca de 2 a 5% da população apresentam prolapso da válvula mitral. uma técnica de diagnóstico por imagem que utiliza ondas ultrassônicas. Tratamento Se a insuficiência for grave. Sintomas e Diagnóstico A maioria dos indivíduos com prolapso da válvula mitral não apresenta sintomas. As superfícies das válvulas cardíacas lesadas podem ser locais de graves infecções (endocardite infecciosa). apenas tremula. para evitar a ocorrência de processos infecciosos. em outros. a pressão arterial cai abaixo do normal quando eles assumem a posição ortostática e. O exame que fornece mais informações é a ecocardiografia. os médicos podem diagnosticar uma insuficiência mitral através do sopro característico – um som auscultado através de um estetoscópio quando o ventrículo esquerdo se contrai. as válvulas mecânicas aumentam o risco de formação de coágulos sangüíneos. obrigando o paciente a tomar anticoagulantes por um período indeterminado para que haja menor risco. Cada tipo de válvula substituta apresenta vantagens e desvantagens.

Ao contrário de uma válvu-la normal. Tratamento A maioria dos indivíduos que apresenta prolapso da válvula mitral não necessita de trata mento. a pressão arterial au menta no átrio esquerdo e nas veias pulmona res. permite a visua lização do prolapso e a determinação da gravidade de qualquer insuficiência. Um mixoma (tumor não maligno localizado no átrio esquerdo) ou um coágulo sangüíneo podem obs truir o fluxo sangüíneo através da válvula mitral. Quase sempre. um batimento cardíaco irregular e rápido. os sin-tomas podem ocorrer mesmo durante o repouso. Prevenção e Tratamento 127 . Se o coração bater em uma freqüência ex cessivamente rápida. Algumas vezes. os folhetos da válvula mitral tornam-se parcialmente fundidos. Posteriormente. Um rubor cor de ameixa nas regiões das bochechas é sugestiva de estenose mitral. ele deve tomar antibióticos antes de procedimen tos cirúrgicos ou odontológicos devido ao pe queno risco de infecção valvular decorrente das bactérias liberadas durante os mesmos. quando a moléstia reumáti ca é a causa da estenose. Sintomas e Diagnóstico Se a estenose for grave. nessas partes do mundo. levando à estenose mitral em adultos. a estenose mitral é resultante da moléstia reumática. a moléstia reumática é comum. Por essa razão. Através de um estetoscópio. pode ocorrer uma instalação rápida da insuficiência cardíaca. Se uma mulher com estenose mitral grave engravidar. cuja abertura é silenciosa. Inicialmente. acarretando sangramento (discreto ou abundante) no interior dos pulmões. de uma radiografia torácica que revela a dilatação atrial ou de um ecocardiograma (técnica diagnós-tico por imagens que utiliza ondas ultrassônicas). O indivíduo com in-suficiência cardíaca apresenta cansaço fácil e dificuldade respiratória. Geralmente. a estenose mitral ocorre principalmente em pes soas idosas que apresentaram moléstia reumá tica durante a infância. acarretando insuficiência cardíaca com acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmo-nar). exceto quando submetidos a uma cirurgia. O aumen-to do átrio esquerdo pode levar à fibrilação atrial. afecção que atualmente é rara na América do Norte e na Europa Ociden tal. o paciente pode utilizar um betabloqueador. adolescentes e mesmo em crianças. a válvula estenosada freqüentemente produz um estalido ao se abrir para permitir a entrada do sangue para o interior do ventrículo esquerdo. o médico ausculta um sopro cardíaco característico quando o san-gue proveniente do átrio esquerdo passa através da válvula estenosada. ele pode apresentar dificuldade respiratória somente du-rante a atividade física. Alguns indivíduos respiram confortavelmente somente se ficarem recostados sobre travessei-ros ou sentados eretos. A estenose mitral também pode ser congêni ta. uma técnica de diagnóstico por ima gens que utiliza ultra-som. Em geral. A insuficiência é diagnosticada através da ausculta de um sopro durante a contração ventricular. para diminuir a freqüência car díaca e reduzir as palpitações e outros sintomas Caso o indivíduo apresente insuficiência. topo Estenose Mitral A estenose mitral é o estreitamento da abertu ra dessa válvula que aumenta a resistência ao fluxo sangüíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. A ecocar diografia. Lactentes que nascem com esse distúrbio ra ramente sobrevivem além dos 2 anos de idade. No resto do mundo.O médico diagnostica o distúrbio através da ausculta de um som característico (“clique”) através do estetoscópio. o diag-nóstico é confirmado através do eletrocardiograma. a realização de um cateterismo cardíaco é necessária para se determinar a exten-são e as características da obstrução. A pressão elevada das veias pulmonares pode acarretar a ruptura venosa ou capilar. produzindo o mesmo efeito que a estenose.

a causa mais comum de insuficiência aórtica é o enfraquecimento do material valvular. a um defeito congênito ou a fatores desconhecidos. uma doença in-fantil que. um cateter que possui um balão na sua extremidade é introdu-zido através de uma veia e é dirigido ao coração. podem diminuir a pressão arterial nos pulmões. No caso de uma insuficiência grave. a digoxina e o verapamil. Geralmente. além dos outros sinais de insuficiência aórtica observados durante o exame físico (como certas anormalidades do pulso) e da presença de dilatação cardíaca nas radiografias. indicando a gravidade do problema. Se o tratamento medicamentoso não produzir redução dos sintomas de maneira satisfatória. o médico estabelece o diagnóstico após auscultar o sopro característico.A estenose mitral pode ser evitada com a pre-venção da moléstia reumática. o ventrículo esquerdo recebe uma quantidade de sangue cada vez maior. O indivíduo também pode apresentar palpitações (percepção dos batimentos cardíacos vigorosos). o qual pode ser auscultado através de um estetoscópio em cada relaxamento do ven-trículo esquerdo. o que acarreta a dilatação do ventrículo e. graças ao uso disseminado de antibióticos. pode ser necessária a reparação ou a substitui-ção da válvula. especialmente durante a noite. a digoxina tam-bém fortalece os batimentos cardíacos. normalmente fibroso e resistente. Sintomas e Diagnóstico Uma insuficiência aórtica leve não produz sintomas além de um sopro cardíaco característico. o que permite sua distensão anormal e. afastando os folhetos valvulares nos locais de fusão. topo Insuficiência Aórtica A insuficiência aórtica (incompetência ou regurgitação aórtica) é o refluxo de sangue através da válvula aórtica toda vez que o ventrículo esquerdo relaxa. A ecocardiografia pode gerar uma imagem da válvula defeituosa. ocorre após uma in-fecção estreptocócica da garganta. as causas mais comuns costumavam ser a moléstia reumática e a sífilis. como os betabloqueadores. o paciente é submetido a uma cirurgia de separa-ção dos folhetos fundidos. Podem ocorrer dores torácicas. ela poderá ser substi-tuída cirurgicamente por uma válvula mecânica ou por uma válvula parcialmente produzida a partir de uma válvula de porco. Cerca de 2% dos meninos e 1% das meninas nascem com uma válvula aórtica contendo dois folhetos em vez dos três habituais. Um eletrocardiograma (ECG) pode revelar alterações do ritmo cardíaco e sinais de di-latação do ventrículo esquerdo. Tratamento 128 . o que pode causar insuficiência leve. a lesão valvular causada pela moléstia reumática ainda é comum. finalmente. Os indivíduos com estenose mitral são trata-dos com antibióticos antes de qualquer procedimento cirúrgico ou odontológico para redu-zir o risco de infecção da válvula cardíaca. Nesse procedimento. devido a uma degeneração mixomatosa. Atualmente. Além dessas infecções. No caso de insuficiência cardíaca. Na América do Norte e na Europa Ocidental. A abertura da válvula pode sim-plesmente ser aumentada através de um proce-dimento denominado valvuloplastia com cateter com balão. A degeneração mixomatosa é um distúrbio hereditário do tecido conjuntivo que enfraquece o tecido valvular cardíaco. Drogas. podem reduzir a freqüência cardía-ca e ajudar no controle da fibrilação atrial. Se a válvula apresen-tar uma lesão importante. Quando o cateter estiver localizado na vál-vula. através da redução do volume sangüíneo circulante. ambas são raras. A posição sentada permite que a drenagem do líquido da parte superior dos pulmões e restauração da respiração normal. Os diuréticos. raramente. algumas vezes. Em outras regiões. o balão é insuflado. as quais são causadas por contrações fortes do ventrículo aumentado. Opcionalmente. o seu rompimento. A insuficiência cardíaca produz dificuldade respiratória ao esforço ou em decúbito dorsal. Outras causas são as infecções bacterianas ou uma lesão. especialmente à noite. à insuficiência cardíaca.

O indivíduo com estenose aórtica grave pode desmaiar durante o esforço. insuficiência ou ambas. tornando-se. Essa irrigação sangüínea insuficiente pode lesar o miocárdio e. No entanto. A válvula pode apresentar apenas dois folhetos. Sintomas e Diagnóstico A parede do ventrículo esquerdo espessa à medida que o ventrículo tenta bombear um volume sangüíneo suficiente através da válvula aórtica estenosada e o miocárdio aumentado exige um maior suprimento sangüíneo das artérias coronárias. ou pode apresentar uma forma anormal. possivelmente. de preferência antes que ocorra uma lesão irreparável do ventrículo esquerdo. angina e dificuldade respiratória ao esforço pro-vocados por uma estenose aórtica. O indivíduo que apresenta sintomas de insuficiência cardíaca deve ser submetido à cirur-gia antes que ocorra uma lesão irreversível do ventrículo esquerdo. produzindo dor torácica (angina) ao esforço. a estenose aórtica inicia-se após os 60 anos de idade. em anormalidades reveladas no eletrocardiograma (ECG) e no espessamento da parede cardíaca revelado através da radiografia torácica. Na América do Norte e na Europa Ocidental. Nas semanas que antecedem a cirurgia. no entanto. Geralmente. conseqüentemente. produzindo estenose. a abertura dessa válvula freqüentemente tornase rígida e estreitada devido ao acúmulo de depósitos de cálcio. Finalmente. a insuficiência cardíaca é trata-da com digoxina e inibidores da enzima conver-sora da angiotensina ou com outras drogas que produzem dilatação dos vasos sangüíneos e redução do trabalho cardíaco. Tratamento Em qualquer adulto que apresente desmaios. Com o passar dos anos. os quais dilataram para receber mais sangue rico em oxigênio. em anormalidades do pulso. a válvula é substituída por uma válvula mecânica ou por uma válvula parcialmente produzida a partir de uma válvula de porco. topo Estenose Aórtica A estenose aórtica é o estreitamento da abertu-ra dessa válvula que aumenta a resistência ao fluxo sangüíneo do ventrículo esquerdo para a aorta. A insuficiência cardí-aca resultante acarreta fadiga e dificuldade respiratória ao esforço. Em geral. em vez dos três habituais. o cateterismo cardíaco podem ser utilizados. a estenose aórtica é uma doença típica de pessoas idosas – resultante da cicatrização e do acúmulo de cálcio nos folhetos da válvula. o volume sangüíneo originário do coração tornase inadequado para as necessidades do organismo. Quando essa é a causa. A estenose aórtica também pode ser decorrente da moléstia reumá-tica contraída na infância. Em indivíduos jovens.Antibióticos são administrados antes de procedimentos odontológicos ou cirúrgicos para impedir infecção da válvula cardíaca lesada. 129 . A válvula aórtica estenosada pode não ser um problema durante a infância. Essa precaução é tomada mesmo nos casos de insuficiência aórtica leve. em funil. problemática na idade adulta. a ecocardiografia (técnica de diagnóstico por imagem utilizando ondas ultra-sônicas) e. A válvula permanece do mesmo tamanho à medida que o coração aumenta e tenta bombear volumes maiores de sangue através da válvula pequena. o suprimento sangüíneo tornase insuficiente. pois a válvula estenosada impede que o ventrículo bombeie sangue suficiente para as artérias dos músculos. dificuldade respiratória ou desmaios. Por essa razão. ela comumente não produz sin-tomas até os 70 ou 80 anos. a causa mais comum é um defeito congênito. a estenose aórtica geralmente é acompanhada por um distúrbio da válvula mitral. é realizada a substituição cirúrgica da mesma. Para a identificação da causa e a de terminação da gravidade da estenose em indivíduos que apresentam angina. o médico baseia o diagnóstico em um sopro cardíaco característico (auscultado através de um estetoscópio).

A valvuloplastia é também utilizada em pacientes idosos e frágeis. Finalmente. a insuficiência tricúspide em si requer pouco ou nenhum tratamento. topo Estenose Tricúspide 130 . o ventrículo direito ao contrair não apenas bombeia o sangue para os pulmões. os quais não suportariam uma cirurgia. Es-ses sintomas são decorrentes do fluxo retrógrado do sangue para as veias. como a fraqueza e a fadiga decorrentes de um baixo débito sangüíneo do coração. topo Insuficiência Tricúspide A insuficiência tricúspide (incompetência ou regurgitação da válvula tricúspide) consiste no refluxo sangüíneo através da válvula tricúspide em cada contração do ventrículo direito. Qualquer indivíduo com implante valvular deve tomar antibióticos antes de ser submetido a procedimentos odontológicos ou cirúrgicos para para evitar uma infecção da válvula cardíaca. a cirurgia pode ser realizada mesmo antes que haja manifestação dos sintomas. Sintomas e Diagnóstico Além dos sintomas vagos. as alterações efetivas e seguras à cirurgia de substituição da válvula são a reparação cirúrgica da válvula e a valvuloplastia com cateter com balão. Essa pressão elevada é transmitida para as veias que desembocam no átrio. No entanto. em virtude do aumento do fígado. na qual um cateter é inserido na válvula e o balão localizado em sua extremidade é insuflado para expandir a abertura valvular. Para crianças. a substituição da válvula lesada é o melhor tratamento para adultos de todas as idades e seu prognóstico é excelente. A insuficiência valvular aumenta a pressão no átrio direito. A causa mais usual da insuficiência tricúspide é a resistência ao efluxo do sangue proveniente do ventrículo direito. os únicos sintomas geralmente são um desconforto na região superior direita do abdômen. mas também envia uma certa quantidade de sangue de volta ao átrio direito. geralmente. Tratamento Geralmente. no eletro-cardiograma (ECG) e na radiografia torácica. A ecocardiografia pode gerar uma imagem do refluxo. No caso da insuficiência tricúspide. e pulsações na região do pescoço. Proble-mas como as arritmias cardíacas e a insuficiência cardíaca comumente são tratadas sem que haja necessidade de cirurgia da válvula tricúspide. caso a estenose seja grave.A válvula substituta pode ser uma válvula mecânica ou uma válvula parcialmente produzida a partir de uma válvula de porco. O tratamento precoce é importante porque a morte súbita pode ocorrer antes do surgimento dos sintomas. ocor-re a insuficiência cardíaca e a retenção líquida. Como mecanismo de compensação. principalmente nos membros inferiores. A insuficiência valvular produz um sopro que pode ser auscultado pelo médico através de um estetoscópio. O diagnóstico é baseado no histórico clínico do indivíduo e no exame físico. o ventrículo direi-to aumenta para bombear com mais força e ocorre uma dilatação da abertura valvular. fazendo com que ele dilate. A dilatação do átrio direito pode acarretar fibrilação atrial – batimentos cardíacos rápidos e irregulares. No entanto. produzin do uma resistência ao fluxo sangüíneo proveniente do corpo em direção ao coração. a doença pulmonar ou a valvulopatia pulmo-nar subjacente pode exigir tratamento. embora exista a tendência de reincidência da estenose. indicando sua gravidade. a qual é produzida por uma doença pulmonar grave ou por um estreitamento da válvula pulmonar (estenose pulmonar). Em crianças.

são considerados incomuns. disseminam-se (produzem metástases) ao coração. uma tremulação desconfortável no pescoço e apresentar fadi ga.Tumores Cardíacos Mixomas Outros Tumores Primários É denominado tumor qualquer tipo de crescimento anormal. Para chegar ao diagnóstico. tanto por serem relativamente incomuns. A radiografia torácica pode revelar dilatação do átrio direito e o ecocardiograma revela uma imagem da estenose. eletrocardiograma (ECG) mostra alterações sugestivas de sobrecarga do átrio direito. ainda mais raramente. No decorrer do tempo. os sintomas são leves. Sintomas. a qual é rara em adultos. Diagnóstico e Tratamento Geralmente.duo pode apresentar palpitações (percepção dos batimentos cardíacos). o médico pode auscultar o sopro da estenose tricúspide. mas procura auxílio médico por causa de sintomas relacionados à disfunção cardíaca. o surgimento abrupto de arritmias e uma queda súbita da pressão arterial decorrente do sangramento no pericárdio (a membrana que envolve o coração).Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 20 .se em alguma outra parte do corpo – geralmente no pulmão. O volume de sangue que retorna ao coração diminui e a pressão sobre as veias que conduzem o sangue de volta ao coração aumenta. ainda assim. topo Mixomas 131 . Praticamente todos os casos são causados pela moléstia reumática. mas. Raramente. topo Estenose Pulmonar A estenose pulmonar é o estreitamento da abertura dessa válvula. um defeito congênito. Os tumores cardíacos são de difícil diagnóstico. a estenose tricúspide é suficientemente grave a ponto de exigir uma reparação cirúrgica. Por exemplo. A estenose pulmonar. Raramente. indicando sua gravidade.A estenose tricúspide é um estreitamento da abertura dessa válvula . quanto pelo fato de seus sintomas serem semelhantes aos de de muitos outros distúrbios. Eles podem ser cancerosos ou não cancerosos e são raros. em seguida. Os tumores cardíacos podem não provocar sintomas ou podem produzir uma disfunção cardíaca potencialmente letal. Com o auxílio de um estetoscópio. é necessário que o médico tenha indícios de sua presença. o qual aumenta a resistência ao fluxo sangüíneo proveniente do ventrículo direito para as artérias pulmonares. Os tumores secundários originam. se um indivíduo apresenta um câncer em qualquer outra região do corpo. a estenose tricúspide produz dilatação do átrio direito e diminuição do ventrículo direito. Os tumores originários do coração são denominados tumores primários e podem ocorrer em qualquer um de seus tecidos. Exemplos de tais disfunções incluem a insuficiência cardíaca súbita. no sangue ou na pele – e. Ele pode apresentar um desconforto abdominal se o aumento da pressão venosa acarretar aumento do fígado. uma doença do tecido conjuntivo ou. o profissional pode suspeitar da presença de um tumor cardíaco. a causa é um tumor no átrio direito. Eles sempre são cancerosos. a qual tornou-se rara na América do Norte e na Europa Ocidental. o qual aumenta a resistência ao fluxo sangüíneo proveniente do átrio direito em direção ao ventrículo direito. geralmente é um defeito congênito. Seção 3 . na mama. Os tumores secundários são trinta a quarenta vezes mais comuns que os primários. seja ele canceroso (maligno) ou não canceroso (benigno). simulando outras cardiopatias. O indiví.

geralmente associados a uma rara doença infantil denominada 132 . o médico considera se o sopro é resultante de um refluxo causado por uma lesão decorrente do tumor. Na posição ortostática. até a abertura da válvula. Os rabdomiomas. de modo que o fluxo sangüíneo é interrompido e reiniciado de forma intermitente. desenvolvem-se na infância ou na pré-adolescência. Ao oscilarem. Outros sintomas de mixomas incluem a febre. oscilando livremente com o fluxo sangüíneo. ocorre um refluxo de sangue por essa abertura. Ao oscilar. Três quartos dos mixomas localizam-se no átrio esquerdo. geralmente. O decúbito diminui os sintomas. topo Outros Tumores Primários Os tumores cardíacos não cancerosos menos comuns. Essa oscilação pode obstruir e desobstruir a válvula continuamente. pois a força da gravidade faz com que o tumor se mova para baixo.O mixoma é um tumor não canceroso e. Geralmente. podem crescer diretamente a partir das células do tecido fibroso do coração e das células do miocárdio. como os fibromas e os rabdomiomas. dedos das mãos e dos pés frios e doloridos ao serem expostos à baixa temperatura (fenômeno de Raynaud). o mixoma pode entrar e sair da válvula mitral próxima – a via de passagem entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. o indivíduo pode apresentar desmaios ou episódios de congestão pulmonar e de dificuldade respiratória. perda de peso. anemia.se de um pedículo e podem oscilar livremente com o fluxo sangüíneo. Os sintomas dependem do vaso obstruído: a obstrução de um vaso sangüíneo cerebral pode causar um acidente vascular cerebral. por exemplo. o segundo tipo mais comum de tumor primário. com a produção de um sopro cardíaco que o médico ausculta com o auxílio de um estetoscópio. igual a uma bola fixada a um fio. de uma causa rara ou de uma causa mais comum como. conseqüentemente. os mixomas do átrio esquerdo originam. a cardiopatia reumática. O tumor pode lesar a válvula mitral e. a obstrução de um vaso pulmonar pode causar dor e expectoração sanguinolenta. Baseando-se nas características do do sopro cardíaco. contagem baixa de plaquetas (pois as plaquetas estão envolvidas na coagulação sangüínea) e sintomas sugestivos de infecção grave. circular até outros órgãos e obstruir os vasos sangüíneos nesses locais. os mixomas podem mover-se para dentro e para fora da válvula mitral próxima – a via entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. Metade de todos os tumores cardíacos primários são mixomas. Fragmentos de um mixoma ou coágulos sangüíneos que se formam na superfície do mixoma podem soltar-se. apresenta uma forma irregular e uma consistência gelatinosa. a câmara do coração que recebe o sangue rico em oxigênio proveniente dos pulmões. Como um Mixoma Pode Obstruir o Fluxo Sangüíneo do Coração Um mixoma no átrio esquerdo pode crescer a partir de um pedículo.

Seção 3 . de modo que o fluxo sangüíneo é interrompido e reiniciado de forma intermitente. Os tumores secundários são trinta a quarenta vezes mais comuns que os primários.Tumores Cardíacos Mixomas Outros Tumores Primários É denominado tumor qualquer tipo de crescimento anormal. o que ajudará na seleção do tratamento adequado. Um tumor cardíaco primário não canceroso isolado pode ser removido por cirurgia. mas.esclerose tuberosa. Os tumores cardíacos são de difícil diagnóstico. Por exemplo. Se for detectado um tumor.se em alguma outra parte do corpo – geralmente no pulmão. Eles podem ser cancerosos ou não cancerosos e são raros. em geral. Ao oscilarem.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 20 . Um cateter inserido através de uma veia até o coração pode ser utilizado para injetar substâncias que delineiem um tumor cardíaco nas radiografias. Os tumores secundários originam. apenas seus sintomas podem ser tratados. cura o paciente. no sangue ou na pele – e. em seguida. Vários exames são utilizados no diagnóstico dos tumores cardíacos. ainda assim. o surgimento abrupto de arritmias e uma queda súbita da pressão arterial decorrente do sangramento no pericárdio (a membrana que envolve o coração). As ondas ultrassônicas podem atravessar a parede torácica ou o lado interno do esôfago (procedimento chamado ecocardiografia transesofagiana). mas procura auxílio médico por causa de sintomas relacionados à disfunção cardíaca. Metade de todos os tumores cardíacos primários são mixomas. utilizada para identificar o tipo de tumor. os mixomas podem mover-se para dentro e para fora da válvula mitral próxima – a via entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. na mama. o indivíduo pode apresentar desmaios ou episódios de congestão pulmonar e de 133 . para o delineamento dos tumores usa-se a ecocardiografia (exame que utiliza ondas ultrassônicas para investigar as estruturas internas do coração). seja ele canceroso (maligno) ou não canceroso (benigno). Os tumores originários do coração são denominados tumores primários e podem ocorrer em qualquer um de seus tecidos. Na posição ortostática. Os tumores cardíacos podem não provocar sintomas ou podem produzir uma disfunção cardíaca potencialmente letal. mas esse procedimento é menos freqüentemente necessário. não existe um tratamento satisfatório. As crianças que apresentam esses tumores apresentam uma expectativa de vida inferior a um ano. a câmara do coração que recebe o sangue rico em oxigênio proveniente dos pulmões. Tumores cancerosos primários e secundários são incuráveis. tanto por serem relativamente incomuns. são considerados incomuns.se de um pedículo e podem oscilar livremente com o fluxo sangüíneo. simulando outras cardiopatias. se um indivíduo apresenta um câncer em qualquer outra região do corpo. Três quartos dos mixomas localizam-se no átrio esquerdo. A tomografia computadorizada (TC) e imagens por ressonância magnética (RM) também são utilizadas. para eles. o profissional pode suspeitar da presença de um tumor cardíaco. então. como os cancerosos primários. Com freqüência. igual a uma bola fixada a um fio. nem tratam de tumores que são tão grandes a ponto de impossibilitar a remoção. disseminam-se (produzem metástases) ao coração. Eles sempre são cancerosos. é necessário que o médico tenha indícios de sua presença. são extremamente raros e. Geralmente. Essa oscilação pode obstruir e desobstruir a válvula continuamente. Para chegar ao diagnóstico. Exemplos de tais disfunções incluem a insuficiência cardíaca súbita. apresenta uma forma irregular e uma consistência gelatinosa. uma pequena amostra poderá ser removida por meio de um cateter especial. geralmente. a amostra será. os mixomas do átrio esquerdo originam. o que. quanto pelo fato de seus sintomas serem semelhantes aos de de muitos outros distúrbios. Outros tumores cardíacos primários. topo Mixomas O mixoma é um tumor não canceroso e. Os médicos não costumam tratar tumores primários quando existem diversos presentes.

Baseando-se nas características do do sopro cardíaco. são extremamente raros e. desenvolvem-se na infância ou na pré-adolescência. As ondas ultrassônicas podem atravessar a parede torácica ou o lado interno do esôfago (procedimento chamado ecocardiografia transesofagiana). circular até outros órgãos e obstruir os vasos sangüíneos nesses locais. Com freqüência. Ao oscilar. como os fibromas e os rabdomiomas.dificuldade respiratória. anemia. Outros tumores cardíacos primários. até a abertura da válvula. Como um Mixoma Pode Obstruir o Fluxo Sangüíneo do Coração Um mixoma no átrio esquerdo pode crescer a partir de um pedículo. O decúbito diminui os sintomas. 134 . a obstrução de um vaso pulmonar pode causar dor e expectoração sanguinolenta. dedos das mãos e dos pés frios e doloridos ao serem expostos à baixa temperatura (fenômeno de Raynaud). de uma causa rara ou de uma causa mais comum como. o mixoma pode entrar e sair da válvula mitral próxima – a via de passagem entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. não existe um tratamento satisfatório. podem crescer diretamente a partir das células do tecido fibroso do coração e das células do miocárdio. como os cancerosos primários. a cardiopatia reumática. geralmente associados a uma rara doença infantil denominada esclerose tuberosa. o segundo tipo mais comum de tumor primário. para eles. O tumor pode lesar a válvula mitral e. As crianças que apresentam esses tumores apresentam uma expectativa de vida inferior a um ano. pois a força da gravidade faz com que o tumor se mova para baixo. para o delineamento dos tumores usa-se a ecocardiografia (exame que utiliza ondas ultrassônicas para investigar as estruturas internas do coração). com a produção de um sopro cardíaco que o médico ausculta com o auxílio de um estetoscópio. Fragmentos de um mixoma ou coágulos sangüíneos que se formam na superfície do mixoma podem soltar-se. Outros sintomas de mixomas incluem a febre. perda de peso. contagem baixa de plaquetas (pois as plaquetas estão envolvidas na coagulação sangüínea) e sintomas sugestivos de infecção grave. topo Outros Tumores Primários Os tumores cardíacos não cancerosos menos comuns. oscilando livremente com o fluxo sangüíneo. conseqüentemente. ocorre um refluxo de sangue por essa abertura. Os rabdomiomas. Vários exames são utilizados no diagnóstico dos tumores cardíacos. o médico considera se o sopro é resultante de um refluxo causado por uma lesão decorrente do tumor. por exemplo. Os sintomas dependem do vaso obstruído: a obstrução de um vaso sangüíneo cerebral pode causar um acidente vascular cerebral.

a qual.se. aumentando o risco de endocardite. nutrientes ou medicamentos. nem tratam de tumores que são tão grandes a ponto de impossibilitar a remoção. da mucosa oral ou das gengivas (mesmo uma lesão em decorrência de uma atividade normal. menos freqüentemente. pode ocorrer a introdução de bactérias e é provável que estas sejam resistentes aos antibióticos. Os médicos não costumam tratar tumores primários quando existem diversos presentes. fungos) que invadem a corrente sangüínea ou.Endocardite A endocardite é a inflamação do revestimento interior liso do coração (o endocárdio). a amostra será. Acúmulos de bactérias e coágulos sangüíneos nas válvulas (denominados vegetações) podem soltar-se e deslocar-se até órgãos vitais. em raras circunstâncias. em geral. em seguida. a cistoscopia (inserção de um tubo que permite a visualização do interior da bexiga) e a colonoscopia (inserção de um tubo para visualização do interior intestino grosso). Endocardite Infecciosa A endocardite infecciosa é uma infecção do endocárdio e das válvulas cardíacas. sendo mais freqüentemente resultante de uma infecção bacteriana. utilizada para identificar o tipo de tumor. as válvulas cardíacas lesadas podem aprisionar bactérias. A endocardite infecciosa pode ocorrer subitamente e pode ser potencialmente letal em questões de dias (endocardite infecciosa aguda). especialmente quando presentes em grande quantidade. Raramente.Um cateter inserido através de uma veia até o coração pode ser utilizado para injetar substâncias que delineiem um tumor cardíaco nas radiografias. não ocorre qualquer dano e os glóbulos brancos (leucócitos) do sangue destroem essas bactérias. onde eles podem obstruir o fluxo sangüíneo arterial. provoca febre alta. As válvulas anormais ou lesadas são as mais suscetíveis a infecções. mas esse procedimento é menos freqüentemente necessário. Seção 3 . Entretanto. uma lesão da pele. cura o paciente. Por exemplo. mas é possível que a bacteremia evolua para a septicemia. No entanto. o uso de linhas intravenosas para o fornecimento de líquidos.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 21 . Certos procedimentos cirúrgicos. Se for detectado um tumor. o que ajudará na seleção do tratamento adequado. calafrios. infarto do miocárdio. então. podendo causar acidente vascular cerebral. as quais. uma infecção grave do sangue. A gengivite (infecção e inflamação das gengivas). ao longo de um período de semanas a vários meses (endocardite infecciosa subaguda). infecção e lesão da área onde estiverem localizadas. A tomografia computadorizada (TC) e imagens por ressonância magnética (RM) também são utilizadas. contaminam o coração durante uma cirurgia cardíaca a céu aberto podem alojarse nas válvulas cardíacas e infectar o endocárdio. válvulas normais podem ser infectadas por algumas bactérias agressivas. ou pode evoluir de forma sutil e gradual. como escovar os dentes ou mastigar) pode permitir que um pequeno número de bactérias invada a corrente sangüínea. de um ventrículo a outro) também apresentam maior risco de sofrer endocardite. Bactérias (e. normalmente. uma pequena amostra poderá ser removida por meio de um cateter especial. Essas obstruções são muito graves. Em pessoas com válvulas cardíacas normais. Os indivíduos que apresentam um defeito ou uma anormalidade congênita que permite a passagem de sangue de uma parte do coração para outra (por exemplo. apenas seus sintomas podem ser tratados. Tumores cancerosos primários e secundários são incuráveis. quando uma válvula cardíaca é substituída por uma válvula artificial (prótese valvular). Um tumor cardíaco primário não canceroso isolado pode ser removido por cirurgia. alojam-se no endocárdio e começam a multiplicar. as infecções de pele menores e infecções em qualquer outra parte do organismo podem permitir que bactérias entrem na corrente sangüínea. o que. odontológicos e médicos também podem facilitar a entrada de bactérias na corrente sangüínea. Causas Embora as bactérias normalmente não estejam presentes no sangue. tremores e 135 . A presença de algumas bactérias no sangue (bacteremia) pode não produzir sintomas imediatos.

a válvula de entrada para o ventrículo Vista Interna da Endocardite Infecciosa Este corte transversal mostra vegetações (acúmulos de bactérias e coágulos sangüíneos) nas quatro válvulas cardíacas. Vista Interna da Endocardite Infecciosa Este corte transversal mostra vegetações (acúmulos de bactérias e coágulos sangüíneos) nas quatro válvulas cardíacas. mas permanece discretamente maior que o normal. Algumas vezes. 136 . O indivíduo com septicemia apresenta um grande risco de endocardite. infectam apenas válvulas anormais ou lesadas. As bactérias que causam endocardite bacteriana subaguda. Algumas pessoas entram em choque e seus rins e outros órgãos param de funcionar – situação conhecida como síndrome da sépsis. o risco de endocardite infecciosa é maior durante o primeiro ano após a cirurgia. Transcorrido esse período. com febre elevada (de 38. quase sempre. a endocardite bacteriana aguda apresenta um início súbito. quase todos os casos de endocardite ocorrem em indivíduos com defeitos congênitos das câmaras e das válvulas cardíacas. As válvulas cardíacas podem ser perfuradas e podem ocorrer escapes importantes de sangue em poucos dias. fadiga e dano rápido e extenso da válvula cardíaca.5 a 40°C). em indivíduos com válvulas cardíacas artificiais e em idosos com lesão valvular causada pela moléstia reumática na infância ou com alterações valvulares relacionadas ao envelhecimento. seringas ou soluções de drogas contaminadas. o risco diminui. Para um indivíduo com uma válvula artificial. Vegetação Átrio direito Válvula pulmonar Válvula tricúspide Ventrículo direito Átrio esquerdo Válvula aórtica Válvula mitral Ventrículo esquerdo (válvula mitral) é a estrutura infectada. Os usuários de drogas injetáveis apresentam um grande risco de endocardite. Por razões desconhecidas. a válvula de entrada para o ventrículo direito (válvula tricúspide) é a mais freqüentemente infectada. pois é comum a injeção de bactérias diretamente na corrente sangüínea através de agulhas. Vegetações endocardíacas desalojadas (êmbolos) podem deslocar-se para outras áreas e criar novos locais de infecção. o risco sempre é maior com uma válvula aórtica artificial do que com uma válvula mitral artificial e com uma válvula mecânica em vez de uma transplantada de porco. Agrupamentos de pus (abscessos) podem formar-se na base das válvulas cardíacas infectadas ou em qualquer local onde tenha havido depósito de êmbolos. Na maioria dos outros casos de endocardite. Nos usuários de drogas injetáveis e nos indivíduos que apresentaram endocardite em decorrência do uso prolongado de cateteres. Sintomas Geralmente. Nos Estados Unidos.hipotensão arterial. as bactérias que causam a endocardite bacteriana aguda são suficientemente agressivas para infectar válvulas cardíacas normais. freqüência cardíaca aumentada.

a infecção pode lesar as válvulas cardíacas ou disseminar-se para outros locais antes do problema ser diagnosticado. pois a insuficiência cardíaca em decorrência do escape valvular muito intenso pode ser fatal. Nesse caso. O médico suspeita de endocardite baseando-se apenas nos sintomas. provocando o desprendimento dessa estrutura. as conseqüências da endocardite são tão graves que quase todos os médicos e dentistas acreditam que a administração de antibióticos antes desses procedimentos é uma precaução justificável. Algumas vezes. Outros sintomas de endocardite bacteriana aguda e subaguda incluem os calafrios. A ruptura pode ser fatal. infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral. resultando em um retardo do batimento cardíaco. Pode ser necessária a realização de uma cirurgia cardíaca para reparação ou substituição de válvulas lesadas e remoção de vegetações. mas um dos vários distúrbios muito semelhantes à endocardite como. quando surge um novo sopro cardíaco ou quando ocorre alteração de um sopro já existente. 137 . Outra possibilidade é o paciente não apresentar endocardite. O uso isolado de antibióticos nem sempre cura uma infecção de válvulas artificiais. três ou mais amostras devem ser coletadas em ocasiões diferentes.Infecções arteriais podem enfraquecer as paredes dos vasos sangüíneos. O médico pode suspeitar de endocardite quando o indivíduo apresenta febre sem apresentar uma origem evidente de infecção. as bactérias não podem ser cultivadas a partir de amostras de sangue. o médico deve coletar amostras de sangue e submetê-las à cultura. confusão mental e presença de sangue na urina. vários antibióticos são testados contra a bactéria (antibiograma). particularmente quando ocorre no cérebro ou em áreas próximas ao coração. o sistema de condução elétrica do coração é interrompido. diminui o número de bactérias suficientes para mascarar sua presença. Essas manchas são áreas minúsculas de sangramento causadas por êmbolos pequenos que se desprenderam das válvulas cardíacas. Em comparação com a infecção de uma válvula natural. parecidas com sardas diminutas. é mais provável que a infecção de uma válvula artificial se dissemine ao miocárdio da base da válvula. os indivíduos com endocardite bacteriana são quase sempre tratadas em ambiente hospitalar. Os sintomas incluem a fadiga. Apesar do risco de endocardite não ser muito alto para os procedimentos cirúrgicos e como a antibioticoterapia preventiva nem sempre é eficaz. ou de manchas similares no branco dos olhos (esclera) ou sob a unha dos dedos das mãos. sudorese e anemia (baixa contagem de hemácias ou eritrócitos). no início. apesar de não ter debelado a infecção. febre baixa (de 37 a 38°C). para se determinar qual é o mais adequado para uso. batimentos cardíacos rápidos. Após a identificação. Para identificar a bactéria causadora da doença. Diagnóstico Geralmente. válvulas artificiais ou defeitos congênitos são tratadas com antibióticos antes de procedimentos cirúrgicos ou odontológicos. dores articulares. A ecocardiografia. Como o tratamento normalmente consiste em pelo menos duas semanas de doses elevadas de antibióticos intravenosos. principalmente quando eles ocorrem em um indivíduo com um distúrbio predisponente. é necessária uma cirurgia de emergência para substituição da válvula. os indivíduos que apresentam suspeita de endocardite bacteriana aguda são imediatamente hospitalizadas para diagnóstico e tratamento. Prevenção e Tratamento Como medida preventiva. exame que utiliza ondas ultrassônicas refletidas para gerar imagens do coração. A endocardite de uma válvula cardíaca artificial pode ser aguda ou subaguda. O médico pode observar o aumento do baço ou o aparecimento de manchas muito pequenas na pele. Como. Como em determinadas ocasiões as bactérias são liberadas na corrente sangüínea em quantidades suficientes que permitem a sua identificação. os sintomas da endocardite bacteriana subaguda são vagos. fazendo com que eles se rompam. obstrução súbita de uma artéria que irriga um membro superior ou inferior. pode identificar vegetações e lesões valvulares. visando aumentar a probabilidade de pelo menos uma das amostras conter bactérias em número suficiente para que o crescimento em laboratório seja possível. um tumor cardíaco. Êmbolos maiores podem causar dores gástricas. Algumas vezes. palidez da pele. É por essa razão que os dentistas e cirurgiões precisam saber se seus pacientes apresentaram um distúrbio valvular. A endocardite subaguda não tratada pode ser tão letal quanto a endocardite aguda. os indivíduos com anomalias valvulares. perda de peso. A razão pode ser a necessidade de técnicas especiais para o crescimento da bactéria em questão ou a ingestão anterior de antibióticos que. por exemplo. o que pode acarretar uma perda súbita de consciência ou mesmo à morte. nódulos subcutâneos dolorosos. A endocardite bacteriana subaguda pode produzir sintomas durante meses antes que a lesão valvular ou dos êmbolos tornem o diagnóstico evidente para o médico.

lúpus eritematoso sistêmico. A inflamação faz com que o líquido (plasma) e os produtos do sangue (como fibrina. O distúrbio é imediatamente tratado através da drenagem cirúrgica ou da punção do pericárdio com uma agulha longa para remoção de líquido e redução da pressão. tornando-se encarcerado e isto pode levar à morte em poucos minutos. atingindo níveis anormalmente baixos durante a inspiração. em geral. eritrócitos e leucócitos) depositem-se no espaço pericárdico. A pressão arterial pode cair bruscamente. as doenças do pericárdio podem ter como causa infecções. Além dos defeitos congênitos.Endocardite Não Infecciosa A endocardite não infecciosa é um distúrbio no qual ocorre formação de coágulos sangüíneos nas válvulas cardíacas lesadas. doença reumatóide. O risco de êmbolos virem a causar um acidente vascular cerebral ou um infarto do miocárdio é elevado. esses defeitos comumente são reparados cirurgicamente e. Como ocorre com a endocardite infecciosa. Quando possível. cirurgia cardíaca. as válvulas cardíacas podem permitir escapes ou sua abertura pode ser inadequada. caso seja removido. lesões e tumores que se disseminaram. Os indivíduos com maior risco de endocardite não infecciosa são as que apresentam lúpus eritematoso sistêmico (doença do sistema imune). Ele contém uma quantidade apenas suficiente de líquido lubrificante entre as duas camadas que permite o deslizamento de uma sobre a outra. O médico utiliza um anestésico local para impedir que o paciente sinta dor durante a introdução da agulha através da parede torácica. O pericárdio mantém o coração em posição. lesões. Outras causas incluem a AIDS. a remoção do líquido é realizada com monitorização ecocardiográfica. Podem ser utilizadas drogas que impede a coagulação. câncer do pulmão. No entanto. infecção óssea ou doenças que provocam perda significativa de peso. Tamponamento Cardíaco: a Complicação Mais Grave da Pericardite Em geral. não produzem efeitos duradouros) até o câncer. impede que este se encha demasiadamente de sangue e o protege das infecções torácicas. Para confirmar o diagnóstico. Por isso. ocorre ausência congênita do pericárdio ou este apresenta áreas frágeis ou orifícios em sua estrutura.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 22 . ele não produz efeitos mensuráveis sobre o desempenho cardíaco. A pericardite aguda também pode ser um efeito colateral de certas drogas. No caso de uma pericardite de 138 . como anticoagulantes. de uma lesão ou de uma cirurgia. procainamida. Em raros casos. como conseqüência de um tumor. o médico utiliza a ecocardiografia (procedimento que utiliza ondas ultrassônicas para gerar uma imagem do coração). pneumonia. tuberculose. infarto do miocárdio. penicilina. Seção 3 . estômago ou pâncreas. fenitoína e fenilbutazona. o tamponamento cardíaco representa uma emergência médica. pois o coração ou um vaso sangüíneo importante pode formar uma protuberância (herniação) através de um orifício do pericárdio. desde infecções virais (as quais podem ser dolorosas mas de breve duração e. topo Pericardite Aguda A pericardite aguda é uma inflamação do pericárdio que apresenta um início súbito e que é freqüentemente dolorosa. Esses defeitos são perigosos. o qual é potencialmente letal. o pericárdio não é essencial à vida e.Doenças do Pericárdio Pericardite Aguda Pericardite Crônica O pericárdio é um saco constituído de duas camadas flexíveis e distensíveis que envolve o coração. mas não foram publicadas pesquisas confirmando seus benefícios. o tamponamento é decorrente do acúmulo de líquido ou do sangramento no pericárdio. Freqüentemente. caso a reparação não seja possível. A pericardite aguda possui muitas causas. insuficiência renal. pode ser realizada a remoção de todo o pericárdio. Infecções virais e bacterianas e a insuficiência renal são outras causas comuns. radioterapia e escape de sangue de um aneurisma da aorta (dilatação da aorta com enfraquecimento de sua parede).

Complicações ou recorrências podem retardar a recuperação. um distúrbio potencialmente letal. ao longo do braço esquerdo. Os indivíduos que apresentam um câncer que invadiu o pericárdio raramente sobrevivem mais de doze ou dezoito meses.origem desconhecida. A pressão elevada pode ser um sinal de alarme de que existe um tamponamento cardíaco. A dor pode ser semelhante à de um infarto do miocárdio. a moléstia reumática e o aumento do nível de uréia no sangue conseqüente à insuficiência renal. Quando causada por vírus ou por uma causa não evidente. a AIDS. Os exames de sangue permitem a detecção de alguns distúrbios causadores de pericardite – como a leucemia. Depois da pressão ser aliviada. a recuperação geralmente estende-se durante uma a três semanas. coletando uma amostra para auxiliar na determinação do diagnóstico. A radiografia torácica e a ecocardiografia (técnica que utiliza ondas ultrassônicas para gerar uma imagem do coração) podem revelar a presença de uma quantidade excessiva de líquido no pericárdio. os 139 . durante a tosse ou com a respiração profunda. o paciente comumente é mantido hospitalizado como medida de prevenção da recorrência do tamponamento. A pericardite pode causar tamponamento cardíaco. o médico pode drenar cirurgicamente o pericárdio. um tumor – e mostrar a pressão exercida pelo líquido pericárdico sobre as câmaras cardíacas direitas. a pericardite aguda provoca febre e dor torácica. Um médico pode diagnosticar a pericardite aguda através da descrição da dor pelo paciente e pela ausculta com o auxílio de um estetoscópio colocado sobre o tórax do paciente. infecções. às vezes. A pericardite pode produzir um rangido forte semelhante ao de um sapato novo de couro. Prognóstico e Tratamento O prognóstico depende da causa da pericardite. Geralmente. Sintomas e Diagnóstico Normalmente. A ecocardiografia também pode mostrar a causa básica – por exemplo. a qual irradia no ombro esquerdo e. exceto pela sua tendência a piorar na posição deitada.

A pericardite constritiva crônica também pode ser decorrente de artrite reumatóide. de alguma lesão prévia ou de uma infecção bacteriana. A compressão aumenta a pressão nas veias que retornam o sangue ao coração porque é necessária maior pressão para enchê-lo. a causa é desconhecida. No entanto. a hipertensão arterial. comprimindo o coração e reduzindo seu tamanho. no abdômen e. atualmente. mas a condição pode ser causada por câncer. a doença arterial coronariana ou uma valvulopatia cardíaca. em geral. As origens conhecidas mais comuns da pericardite constritiva crônica são as infecções virais e a radioterapia utilizada no tratamento do câncer de mama ou de um linfoma. as drogas que podem causar pericardite são suspensas. um escape e acúmulo sob a pele.médicos hospitalizam os pacientes com pericardite. O tratamento posterior da pericardite aguda varia dependendo da causa básica. Geralmente. observando a evolução do quadro. Os sintomas fornecem indícios importantes para o diagnóstico da pericardite crônica. às vezes. tuberculose ou hipoatividade da tireóide. A droga mais comumente utilizada contra a dor intensa é a prednisona. Quando possível. o coração não encontra-se aumentado nas 140 . Ocorre um acúmulo de líquido e. administram drogas que reduzem a inflamação e a dor (como a aspirina ou o ibuprofeno) e observam esses pacientes atentamente. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas da pericardite crônica são a dispnéia (dificuldade respiratória). caso a função cardíaca seja normal. mas. Ela apresenta um início gradual e persiste durante um longo período. Sempre que possível. Os médicos tratam as infecções bacterianas com antibióticos e drenam cirurgicamente o pus acumulado no pericárdio. Os indivíduos com episódios repetidos de pericardite resultante de infecção viral. Causas Qualquer condição que cause pericardite aguda pode causar pericardite constritiva crônica. lesão ou causa desconhecida podem obter alívio com a aspirina. verificando a ocorrência de complicações (sobretudo do tamponamento cardíaco). a causa é desconhecida. Também é comum o acúmulo de líquido no abdômen e nos membros inferiores. mas. Por outro lado. as causas conhecidas são tratadas e. Na África e na Índia. Geralmente. a colchicina é eficaz. Em alguns casos. do lúpus eritematoso sistêmico. nos espaços em torno dos pulmões. A pericardite constritiva crônica é uma doença. Os indivíduos com câncer podem responder à quimioterapia (tratamento à base de drogas contra o câncer) ou à radioterapia. ocorre quando há formação de tecido fibroso (cicatricial) em torno do coração. quando o tratamento medicamentoso não é bem sucedido. eles são freqüentemente submetidos à remoção cirúrgica do pericárdio. a tuberculose era a causa mais comum nos Estados Unidos. ela é responsável por apenas 2% dos casos. geralmente. tosse (porque a pressão elevada nas veias dos pulmões empurra o líquido para os sacos aéreos) e fadiga (porque o coração funciona de modo deficiente). ocorre um acúmulo lento de líquido no pericárdio. topo Pericardite Crônica A pericardite crônica é a inflamação resultante do acúmulo de líquido no pericárdio ou do espessamento do pericárdio. o ibuprofeno ou corticosteróides. é realizada a remoção cirúrgica do pericárdio. No caso da pericardite crônica com derrame. a tuberculose é ainda a causa mais comum de todas as formas de pericardite. O tecido fibroso tende a contrair no decorrer do tempo. particularmente se não houver outra razão para a redução do desempenho cardíaco como. em seguida. o médico pode adotar uma atitude expectante. a qual. o distúrbio é indolor. por exemplo. no caso da pericardite constritiva crônica. A dor intensa pode exigir o uso de um opiáceo. como a morfina. Geralmente. Os indivíduos submetidos à diálise devido à insuficiência renal normalmente respondem às alterações de seus esquemas de diálise. ou de um corticosteróide. Antigamente.

o volume de sangue nos vasos sangüíneos e a capacidade dos vasos sangüíneos. O volume de sangue bombeado pode ser reduzido se o coração bater mais lentamente ou se suas contrações forem mais fracas. o único tratamento possível é a remoção cirúrgica do pericárdio. assim como outros tipos de ritmos cardíacos anormais. Dois tipos de procedimentos podem confirmar o diagnóstico. Uma perda de sangue devido à desidratação ou à hemorragia pode reduzir o volume sangüíneo e diminuir a pressão arterial. as pessoas sadias que apresentam uma pressão arterial baixa em repouso tendem a viver mais tempo. Se a pressão arterial estiver muito baixa. a maioria das pessoas afetadas não opta pela cirurgia. maior a pressão arterial. exceto quando o distúrbio interfere de forma substancial nas atividades quotidianas. ao contrário do que ocorre na maioria das outras cardiopatias.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 23 . na pericardite constritiva crônica. Quando detectam uma alteração produzida por um desses três fatores. como tontura e desmaio. nem remover de forma adequada os produtos metabólicos. ela pode romper um vaso sangüíneo e provocar um sangramento no cérebro (acidente vascular cerebral hemorrágico) ou outras complicações. Tratamento Embora os diuréticos (drogas que promovem a eliminação do excesso de líquido) auxiliem na redução dos sintomas. A cirurgia cura cerca de 85% das pessoas submetidas ao procedimento.Pressão Arterial Baixa Mecanismos de Compensação Desmaio Hipotensão Ortostática A pressão arterial baixa(hipotensão) é a pressão arterial baixa o suficiente para produzir sintomas. Em geral. os sensores desencadeiam uma alteração em um dos outros fatores para compensar o quadro e. topo Mecanismos de Compensação Existem três fatores que ajudam a determinar a pressão arterial: o volume de sangue bombeado pelo coração. a dilatação dos vasos sangüíneos provoca a redução da pressão arterial. particularmente os do pescoço e do tórax. a espessura do pericárdio é inferior a 3 mm. Cerca de metade das pessoas com pericardite constritiva crônica apresenta depósitos de cálcio no pericárdio. o sangue pode não fornecer oxigênio e nutrientes suficientes para as células. A manutenção da pressão do sangue quando ele deixa o coração e circula por todo o corpo é tão essencial quanto a manutenção da pressão da água nas tubulações de uma casa. mas. No entanto. como pode ocorrer após um infarto do miocárdio. os quais são observados nas radiografias. No entanto. Seção 3 . Opcionalmente. Assim. elapode atingir 6 mm ou mais. maior é a pressão arterial. Quanto maior for a quantidade de sangue circulante. O cateterismo cardíaco é utilizado para mensurar a pressão arterial nas câmaras cardíacas e nos principais vasos sangüíneos. Quanto mais sangue for bombeado do coração (débito cardíaco) por minuto.radiografias. maior será a pressão arterial. A pressão deve ser suficientemente alta para que oxigênio e nutrientes sejam fornecidos a todas as células do corpo e para que sejam removidos os produtos metabólicos. o qual pode reduzir a eficácia da função de bomba do coração. dessa maneira. Entretanto. enquanto a constrição dos vasos provoca sua elevação. Determinados sensores. também pode reduzir o débito cardíaco. Quanto menor for a capacidade dos vasos sangüíneos. Os nervos transmitem sinais desses sensores e dos centros cerebrais para diversos órgãos-chave: 141 . manter a pressão arterial constante. controlam constantemente a pressão arterial. como o risco de vida é de 5 a 15%. se a pressão arterial for demasiadamente elevada. o médico pode lançar mão da ressonância magnética (RM) ou da tomografia computadorizada (TC) para mensurar a espessura do pericárdio. Um batimento cardíaco extremamente rápido.

se os vasos sangüíneos dilatarem. os sensores. A combinação entre a redução do débito cardíaco e o aumento da capacidade dos vasos provoca a redução da pressão arterial e o desmaio. o coração pode ser incapaz de aumentar seu débito de sangue o suficiente para compensar a redução da pressão arterial. Este tipo de desmaio é denominado síncope vasomotora ou vasovagal. ocorre em casos não tratados de diabetes ou doença de Addison. Muitos outros sinais – produzidos por sensações como a dor. freqüentemente. o qual geralmente é provocado por uma diminuição temporária do fluxo sangüíneo. Obviamente. Por exemplo. dessa maneira. o volume sangüíneo rapidamente é restaurado. esses mecanismos de compensação apresentam limitações. Conseqüentemente. Finalmente. alterar o volume de sangue circulante. a sudorese ou a micção excessivas.• Coração: para modificar a freqüência e a força dos batimentos cardíacos. • Rins: para regular a excreção de água e. topo Desmaio O desmaio (síncope) é uma perda súbita e breve da consciência. Como resultado. e os vasos sangüíneos contraem. uma uma cólica intestinal pode enviar um sinal ao coração por meio do nervo vato que reduz a freqüência cardíaca o suficiente para fazer com que o indivíduo desmaie. enviam sinais ao cérebro e deste ao coração para elevar a freqüência cardíaca. o volume sangüíneo diminui quando ocorre sangramento. se ela perder uma grande quantidade de sangue rapidamente. Com freqüência. o desmaio causado pela tosse (síncope da tosse) ou pela micção excessiva (síncope da micção) ocorre quando a quantidade de sangue que retorna ao coração diminui durante a realização do esforço. pois a demanda de oxigênio pelo organismo aumenta subitamente. os mecanismos de controle compensatório podem não funcionar adequadamente. A hipotensão arterial também pode ser resultante de uma disfunção dos mecanismos que mantêm a pressão arterial. alterando assim o volume de sangue bombeado. Por exemplo. reduzindo sua capacidade. O indivíduo também pode desmaiar quando os mecanismos de compensação são afetados por sinais enviados através dos nervos oriundos de outras partes do corpo. aumentando o débito cardíaco. Contudo. imediatamente. a pessoa desmaia após haver praticado exercício. Se o indivíduo receber uma transfusão de sangue. o restante do líquido do organismo tende a entrar na circulação sangüínea. a freqüência cardíaca começa a cair. Quando o exercício é interrompido. Essa redução do fluxo ocorre sempre que o organismo não consegue compensar rapidamente uma queda na pressão arterial. novas células sangüíneas são produzidas e o volume sangüíneo é completamente restaurado. aumentando o débito cardíaco. quando uma pessoa apresenta um sangramento. ele também pode diminuir quando a pessoa está desidratada em decorrência de problemas como a diarréia. o que tende a reduzir a pressão arterial. de modo a alterar a capacidade dos vasos sangüíneos. Isto ocorre porque o coração é incapaz de manter uma pressão arterial adequada durante o exercício. Entretanto. a freqüência cardíaca eleva. No entanto. a pressão arterial permanece constante ou altera muito pouco. se houver um comprometimento da capacidade dos nervos de transmitir os sinais por uma doença. os mecanismos de compensação são insuficientes e a pressão arterial diminui. mas podem desmaiar durante o exercício. recuperando o volume e normalizando a pressão arterial. o que. Em geral. Este tipo de desmaio é denominado síncope de exercício ou de esforço. 142 . O desmaio causado pela micção excessiva é particularmente comum nos idosos. se um indivíduo apresenta uma arritmia. • Vasos sangüíneos: provocando constrição ou dilatação. Os indivíduos com esse tipo de problema podem sentir-se bem em repouso. Por exemplo. mas os vasos sangüíneos dos músculos permanecem dilatados para eliminar os produtos metabólicos. O desmaio é um sintoma de aporte inadequado de oxigênio e outros nutrientes ao cérebro. Por exemplo. o medo e a visão de sangue – podem levar a esse tipo de desmaio. Se o sangramento for interrompido.

Se o indivíduo ficar em pé de modo demasiadamente rápido. A hipocapnia comumente é precedida de uma sensação de alfinetadas e agulhadas e de desconforto torácico. a diminuição do nível de açúcar no sangue (hipoglicemia) ou a diminuição do nível de dióxido de carbono no sangue (hipocapnia) causada por respirações aceleradas (hiperventilação). o pulso torna-se muito lento e o indivíduo desmaia. bloqueadores do cálcio. O desmaio ortostático ocorre quando a pessoa senta-se ou fica em pé com demasiada rapidez. Principais Causas de Hipotensão Arterial Alteração no Mecanismo de Compensação Diminuição do débito cardíaco Ritmos cardíacos anormais Lesão. freqüentemente. em parte pelo fato dele estar deitado e freqüentemente porque a causa do desmaio desaparece. O indivíduo somente aparenta estar inconsciente. a ansiedade leva à hiperventilação. Às vezes. especialmente quando o indivíduo encontra. Uma forma similar de desmaio. ocorre um acúmulo de sangue nas veias dos membros inferiores e a pressão arterial cai. na verdade. As causas de desmaio também podem ser a diminuição do número de eritrócitos (anemia). Raramente. ela é precedida de náusea. os vasos san-güíneos no cérebro contraem e o indivíduo pode ter uma sensação de desmaio. O desmaio histérico não é um desmaio verdadeiro. o desmaio começa e termina de modo súbito. Quando a causa é uma arritmia. A síncope do levantador de peso pode ser decorrente da hiperventilação realizada antes do levantamento. mais frequente em pessoas idosas. por exemplo. ele poderá desmaiar novamente. o desmaio pode fazer parte de um acidente vascular cerebral leve. Quando ele cai.se em pé. queda do nível sangüíneo de açúcar (hipoglicemia) ou diminuição do nível sangüíneo de dióxido de carbono (hipocapnia) causada pela hiperventilação. A síncope vasovagal pode ocorrer quando o indivíduo está sentado ou em pé e. não apresenta sudorose nem palidez. o indivíduo apresenta palpitação (percepção dos batimentos cardíacos) imediatamente antes de desmaiar. Como os músculos dos membros inferiores não são utilizados. a pressão arterial aumenta. Às vezes. fraqueza. denominada síncope “da parada militar”. bocejos. mas. O indivíduo apresenta palidez intensa. eles não impulsionam o sangue na direção do coração e. inibidores da enzima conversora da angiotensina) Causas Sintomas A tontura ou a vertigem podem preceder o desmaio. perda ou disfunção do miocárdio Distúrbios das válvulas cardíacas Embolia pulmonar Diminuição do volume de sangue Sangramento excessivo Diarréia Sudorese excessiva Micção excessiva Aumento da capacidade dos vasos sangüíneos Choque séptico Exposição ao calor Drogas vasodilatadoras (nitratos. não chega a perder a consciência. O desmaio que apresenta um início gradual com sintomas de alerta e que também desaparece de forma progressiva sugere alterações na composição química do sangue como.A síncope da deglutição pode acompanhar doenças do esôfago. turvamento da visão e sudorese. Diagnóstico 143 . no qual o fluxo sangüíneo a uma área do cérebro diminui subitamente. ocorre quando a pessoa fica em pé e parada durante longo tempo em um dia quente. mas não apresenta alterações da freqüência cardíaca ou da pressão arterial. Quando o nível de dióxido de carbono diminui. conseqüentemente.

Ou. A elevação dos membros inferiores pode acelerar a recuperação por aumentar o fluxo sangüíneo ao coração e ao cérebro. pode ser fatal. enquanto o indivíduo realiza suas atividades comuns. o desmaio pode ser decorrente de diversos problemas interrelacionados. Se o paciente aprsentar uma arritmia cardíaca ocasional. Ela possui várias causas. Entretanto. qualquer sinal de alerta que precedem os episódios de desmaio e as medidas que ajudam a pessoa a se recuperar – como deitar-se. um exame que revela os padrões de ondas elétricas cerebrais. acarretando diminuição do fluxo sangüíneo para o cérebro e desmaio. são necessárias investigações diagnósticas extensas ou tratamento. topo Hipotensão Ortostática A hipotensão ortostática é a queda excessiva da pressão arterial quando a pessoa fica em pé. mas uma incapacidade de regular rapidamente a pressão arterial. Geralmente. são muito menos preocupantes. A freqüência cardíaca muito elevada pode ser reduzida através da terapia medicamentosa. a força da gravidade faz com que haja acúmulo de uma quantidade de sangue nas veias dos membros inferiores e na parte inferior do corpo. Para diagnosticar uma epilepsia – a qual. pode ser necessária a utilização de um monitor Holter – um pequeno aparelho que registra os ritmos cardíacos durante 24 horas. O tratamento dependerá da causa. O batimento cardíaco demasiadamente lento pode ser corrigido pelo implante cirúrgico de um marcapasso. Os exames de sangue podem revelar um nível sangüíneo baixo de açúcar (hipoglicemia) ou uma contagem eritrocitária baixa (anemia). enquanto controla os batimentos cardíacos através um eletrocardiograma (ECG). O médico também precisa saber se o indivíduo apresenta qualquer outro distúrbio e se está fazendo uso de algum medicamento de receita obrigatória ou de venda livre. os desmaios não são graves e.O médico tenta determinar a causa subjacente dos desmaios porque algumas são mais graves que outras. por exemplo um ritmo cardíaco anormal ou a estenose da válvula aórtica. os quais impedem o ajuste adequado do coração e dos vasos sangüíneos a uma redução na pressão arterial. ele pode pres sionar suavemente a região sobre o seio carotídeo (a parte da artéria carótida interna que contém sensores que controlam a pressão arterial). a anemia ou o baixo volume sangüíneo. Descrições realizadas por testemunhas do episódio de desmaio podem ajudar. solicitando ao paciente que ele respire rápida e profundamente. por exemplo. como a ecocardiografia (técnica de obtenção de imagens por meio de ondas ultra-sônicas). Também podem ser tratadas outras causas de desmaio como. independentemente da idade do indivíduo. podem determinar se o coração apresenta uma anormalidade estrutural ou funcional. Um eletrocardiograma (ECG) pode indicar uma doença pulmonar ou uma cardiopatia subjacente. A cardiopatia. O médico pode reproduzir um episódio de desmaio sob condições seguras. Para descobrir a causa do desmaio. nas pessoas idosas. 144 . Os fatores que facilitam o diagnóstico incluem a idade do paciente no momento em que os episódios de desmaio iniciaram. No entanto. nos indivíduos jovens que não apresentam cardiopatia. raramente. Se uma arritmia cardíaca coincidir com um episódio de desmaio. pode ser confundida com desmaio – o médico pode utilizar a eletroencefalografia. a hipoglicemia. as circunstâncias em que os desmaios ocorrem. prender a respiração ou beber suco de laranja. algumas vezes. A hipotensão ortostática não é uma doença específica. aparelho eletrônico que estimula os batimentos cardíacos. porém. é possível a implantação de um desfibrilador que restaure o ritmo cardíaco normal. Tratamento Em geral. Quando o indivíduo assume a posição em pé abruptamente. se o indivíduo sentar-se com demasiada rapidez ou se ele for apoiado ou carregado em uma posição ereta. pode ocorrer outro episódio de desmaio. outras causas. a colocação do paciente em decúbito dorsal é o suficiente para que ele recupere consciência. A intervenção cirúrgica deve ser aventada nos casos de valvulopatias. ela poderá ser – mas não necessariamente – a causa. Outros exames.

reduzindo também a pressão arterial. o problema pode ser corrigido rapidamente.O acúmulo reduz discretamente o volume sangüíneo que retorna ao coração e também o volume de sangue bombeado pelo coração. reduzindo a pressão arterial. Essa lesão é uma complicação comum no diabetes. Os idosos com hipotensão ortostática devem beber muito líquido e pouco ou nenhum álcool. conseqüentemente. o indivíduo pode melhorar a condição permanecendo na posição sentada durante períodos gradativamente maiores. A fadiga. conseqüentemente. se necessário. nem devem permanecer em pé e imóveis durante longos períodos. que desencadeiam respostas compensatórias. como a fludrocortisona. O diagnóstico pode ser confirmado se a pressão arterial apresentar uma queda significativa quando o indivíduo fica em pé e retornar ao normal quando ele se deita. o indivíduo apresentará hipotensão ortostática. Quase todos os episódios de hipotensão ortostática ocorrem como efeito colateral de certas drogas.5 quilos e a dieta rica em sal pode levar à insuficiência cardíaca. como os barbitúricos. uma droga especifica ou sua dosagem. Os vasos sangüíneos contraem e. o médico pode diagnosticar uma hipotensão ortostática. Em conseqüência. Se essas respostas compensatórias não ocorrerem ou forem lentas. Quando a causa da hipotensão ortostática é um baixo volume sangüíneo. Prognóstico e Tratamento Um indivíduo diabético com hipertensão arterial pode ter um prognóstico pior se ele também apresentar hipotensão ortostática. Em razão da retenção de sal e água. sobretudo os potentes e administrados em doses elevadas. mais especificamente. Se essas medidas não forem 145 . a pessoa pode ganhar rapidamente 1. Os sensores existentes nas artérias. diabetes não-tratado ou doença de Addison. o exercício. Se a hipotensão arterial for decorrente do acúmulo de sangue nos membros inferiores. Doenças que lesam os nervos que controlam o diâmetro dos vasos sangüíneos também podem causar hipotensão ortostática. O médico deve então investigar a causa da hipotensão ortostática de seu paciente. Quando a hipotensão ortostática é decorrente de um repouso prolongado ao leito. O volume sangüíneo pode ser reduzido por sangramento ou por uma perda excessiva de líquido em decorrência de episódios graves de vômito. tontura. Uma diminuição pronunciada do fluxo sangüíneo cerebral pode acarretar desmaio e até mesmo convulsões. Drogas vasodilatadoras – como os nitratos. na amiloidose e em lesões da medula espinhal. A efedrina ou a fenilefrina podem auxiliar na prevenção da queda da pressão arterial. os sintomas comumente podem ser reduzidos ou eliminados. podem ser comprometidos por algumas drogas. diarréia. ocorre uma redução de sua capacidade. confusão mental ou turvamento da visão ao passarem da posição horizontal para a posição em pé ou quando se levantam após permanecerem um longo período na posição sentada.5 a 2. os diuréticos. os bloqueadores dos canais de cálcio e os inibidores da enzima conversora da angiotensina – aumentam a capacidade dos vasos. Freqüentemente. podem reduzir o volume sangüíneo ao promoverem a eliminação de líquido do corpo e. O volume sangüíneo também pode ser expandido com o aumento da ingestão de sal e. Sintomas e Diagnóstico Quase todos os indivíduos com hipotensão ortostática apresentam alguns episódios de desmaio. sudorese. é solicitado aos indivíduos que não apresentam insuficiência cardíaca ou hipertensão a aumentarem a quantidade de sal nos alimentos ou que eles consumam comprimidos de sal. O corpo responde imediatamente: o coração bate mais rapidamente e suas contrações tornam-se mais fortes. em pessoas idosas. vertigem. Quando a causa da hipotensão ortostática não pode ser tratada. ocorre uma queda da pressão arterial. Quando esses sintomas ocorrem. as meias elásticas apropriadas podem ajudar. o uso de álcool ou uma refeição farta podem agravar os sintomas. o álcool e medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão arterial e da depressão. Os indivíduos suscetíveis não devem se sentar ou ficar em pé rapidamente. em particular as administradas no tratamento de problemas cardiovasculares e. Por exemplo. com a administração de hormônios que provocam a retenção de sal. particularmente nos indivíduos idosos.

Freqüentemente. O pulso torna-se fraco e rápido. doença renal ou uso excessivo de drogas potentes que aumentam a excreção de urina (diuréticos). o choque geralmente é fatal. A dilatação excessiva das paredes dos vasos sangüíneos pode ser decorrente de uma lesão craniana. Essa hipotensão arterial. perfuração da parede intestinal. Prognóstico e Tratamento Se não for tratado. Uma função de bombeamento inadequado do sangue do coração também pode fazer com que volumes sangüíneos inferiores ao normal sejam bombeados para o corpo em cada batimento cardíaco. apresenta sudorese. 146 . Quando o choque é decorrente de uma dilatação excessiva dos vasos sangüíneos. a diidroergotamina. O sangue pode ser perdido rapidamente em decorrência de um acidente ou de um sangramento interno. acarreta um suprimento sangüíneo inadequado às células do organismo. sonolência e confusão mental. (O choque causado por uma infecção bacteriana é denominado choque séptico. Em geral. O choque é a conseqüência de uma hipotensão arterial importante em decorrência de um baixo volume sangüíneo. Uma perda excessiva de outros líquidos corpóreos pode ocorrer em casos de grandes queimaduras.Choque O choque é uma condição potencialmente letal na qual a pressão arterial é muito baixa para manter o indivíduo vivo. de outras doenças que o indivíduo apresenta. a qual é muito mais grave e prolongada que no desmaio (síncope). o prognóstico depende da causa. de uma embolia pulmonar. sobretudo no caso de choque séptico. outras drogas – como o propranolol. do período transcorrido entre o início do choque e o início do tratamento e do tipo de tratamento oferecido. Seção 3 . O quadro pode iniciar com cansaço. Pode ocorrer o surgimento de uma rede de linhas azuladas sob a pele. a indometacina e a metoclopramida – poderão ajudar a aliviar a hipotensão ortostática. os sintomas são um pouco diferentes. Pode ocorrer uma lesão rápida e irreversível das células com sua conseqüente morte. então. com freqüência. particularmente no início do quadro. de uma insuficiência valvular (particularmente de uma válvula artificial) ou de arritmias cardíacas. exceto se a causa do choque for uma freqüência cardíaca baixa. ele não consegue ingerir uma quantidade suficiente de líquido para compensar as perdas quando alguma incapacidade física (por exemplo. Nos primeiros estágios do choque.eficazes. de doses excessivas de certas drogas ou de uma infecção bacteriana grave. muitos sintomas podem estar ausentes ou podem não ser detectáveis. da inadequação da função de bombeamento de sangue do coração ou do relaxamento excessivo (dilatação) das paredes dos vasos sangüíneos (vasodilatação). O fluxo urinário também é muito baixo e ocorre um acúmulo de produtos metabólicos no sangue. Quando tratado.se quente e ruborizada. o indivíduo não consegue mais se sentar. A pele torna-se fria. Apesar do indivíduo sentir sede.) Sintomas e Diagnóstico Os sintomas do choque são similares. quer a causa seja o baixo volume sangüíneo ou uma função de bombeamento inadequado do coração. O baixo volume sangüíneo pode ser devido a um sangramento intenso. uma vez que ele pode desmaiar ou mesmo morrer. a queda da pressão arterial é tão acentuada que ela não pode ser medida com um esfigmomanômetro. apresenta uma coloração azulada e palidez. diarréia intensa. a cor normal retornará muito mais lentamente. uma doença articular grave) o impede de fazê-lo de modo independente. Finalmente. mas a respiração e o pulso podem tornar-se lentos se a morte for iminente.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 24 . inflamação do pâncreas (pancreatite). como o provocado por uma úlcera gástrica ou intestinal. pela ruptura de um vaso sangüíneo ou de uma gravidez ectópica (gestação fora do útero). de um envenenamento. mas com um risco significativo de efeitos adversos. A pele pode. à perda excessiva de líquidos corpóreos ou à ingestão inadequada de líquidos. a menos que especificamente procurados. Se a pele for pressionada. o indivíduo apresenta uma respiração rápida. A função de bombeamento inadequado pode ser decorrente de um infarto do miocárdio. de uma insuficiência hepática. tornar. A pressão arterial é muito baixa.

No entanto. Quando não é realizada uma angioplastia coronariana transluminal percutânea ou uma cirurgia cardíaca de emergência. exceto quando isto pode agravar outros problemas clínicos apresentados pelo paciente. Nos pacientes. ruptura de um aneurisma. a probabilidade de morte devida ao choque após um infarto do miocárdio ou ao choque séptico em um paciente idoso é alta. Seção 3 . o sangue dos membros inferiores (pernas) é direcionado para o coração e para o cérebro. assim como outras drogas para melhorar a capacidade de contração do miocárdio. uma bomba com balão pode ser inserida na aorta para reverter o choque temporariamente. o sangue do tipo O negativo pode ser administrado em qualquer pessoa. uma angioplastia coronariana transluminal percutânea de emergência. infarto do miocárdio e lesão renal. Geralmente. A cabeça da vítima deve ser virada para o lado. A atropina pode ser administrada para acelerar um ritmo cardíaco lento. Contudo. Essas calças exercem pressão sobre a parte inferior do corpo e. vítimas de um infarto do miocárdio.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 25 . Em alguns casos de choque secundário a um infarto do mocárdio. para desobstrução da artéria bloqueada. 147 . os pacientes recebem drogas intravenosas que visam destruir os coágulos (drogas trombolíticas). Em geral. pode melhorar a função de bomba do coração lesado e combater o choque resultante. é administrada uma droga trombolítica o mais precocemente possível. em comparação com 29% dos adultos da raça branca. em termos médicos. sedativos e tranqüilizantes. Frente a um determinado nível de pressão arterial. Drogas que promovem a constrição dos vasos sangüíneos podem ser administradas para favorecer o fluxo sangüíneo ao cérebro ou ao coração. Após esse procedimento. a palavra hipertensão sugere tensão excessiva. Podem ser feitas tentativas para aumentar a pressão arterial com calças antichoques militares (ou médicas). ela não produz sintomas durante muitos anos (até ocorrer lesão de um órgão vital). insuficiência cardíaca. São administrados líquidos pela via intravenosa. Estima-se que o número de norte-americanos que apresentam hipertensão arterial seja superior a 50 milhões. concomitantemente com a correção da causa subjacente da dilatação excessiva. Enquanto esperam por socorro médico. Qualquer sangramento deve ser interrompido e a respiração deve ser controlada. em uma situação emergencial na qual não há tempo para a sua realização. para evitar a aspiração de vômito. pois eles tendem a diminuir a pressão arterial. Quando o choque é causado por um bombeamento cardíaco ineficaz. antes desse procedimento. A equipe médica de emergência pode prover a respiração mecânica assistida. mas essas drogas devem ser usadas durante o menor tempo possível. o volume sangüíneo deve ser aumentado. não são administrados narcóticos. independentemente da causa. A administração de líquidos pela via intravenosa e a transfusão sangüínea podem ser medidas insuficientes para combater o choque quando o sangramento ou a perda líquida persistir ou quando o choque é decorrente de um infarto do miocárdio ou de um outro problema não relacionado ao volume sangüíneo.Pressão Arterial Alta A pressão arterial alta (hipertensão) é geralmente um distúrbio assintomático no qual a elevação anormal da pressão nas artérias aumenta o risco de distúrbios como o acidente vascular cerebral. dessa forma. pode ser necessária a realização emergencial de uma cirurgia de revascularização do miocárdio ou de uma cirurgia de correção de defeitos cardíacos. Todo medicamento será administrado por via intravenosa. nervosismo ou estresse. Geralmente. hipertensão referese a um quadro de pressão arterial elevada. é realizada a prova cruzada de sangue antes de uma transfusão sangüínea. O choque causado pela dilatação excessiva dos vasos sangüíneos é tratado principalmente com drogas que promovem a constrição dos vasos.Independentemente do tratamento. as pessoas que se encontram próximas devem manter o doente aquecido e seus membros inferiores devem ser lentamente elevados para para facilitar o retorno do sangue ao coração. Nada deve ser administrado pela via oral. em geral. A hipertensão tem sido denominada de “assassino silencioso”. as conseqüências da hipertensão são piores nos indivíduos da raça negra. quando necessário. O problema ocorre mais freqüentemente entre os indivíduos da raça negra – 38% dos adultos negros apresentam hipertensão arterial. porque. devem ser tomadas providências para melhorar o desempenho cardíaco. Para muitas pessoas. pois elas podem reduzir o fluxo sangüíneo aos tecidos. As anomalias da freqüência e do ritmo cardíacos devem ser corrigidas e.

ocorrendo em apenas um em cada duzentos indivíduos com hipertensão arterial. Assim. caso não seja tratada. mas expande as arteríolas de determinadas áreas. É isto o que ocorre em pessoas idosas cujas paredes arteriais se tornaram espessadas e rígidas por causa da arteriosclerose. a pressão sistólica é igual ou superior a 140 mmHg. estima-se que apenas dois em cada três indivíduos com hipertensão arterial têm seu quadro diagnosticado. o sangue ejetado em cada batimento cardíaco é forçado através de um espaço menor que o normal e a pressão arterial aumenta. Com o envelhecimento. A hipertensão maligna é uma forma de hipertensão arterial particularmente grave que. mas a pressão diastólica é inferior a 90 mmHg – ou seja. Desses indivíduos.Nos Estados Unidos. se a pressão cai. Isto ocorre quando os rins funcionam mal e são incapazes de remover a quantidade adequada de sal e água do organismo. o qual é lido como “cento e vinte por oitenta”. o que reduz o volume sangüíneo e faz a pressão retornar ao normal. 148 . De modo similar. Quando a pressão arterial é mensurada. o qual faz parte do sistema nervoso autônomo. Por exemplo. a pressão arterial é reduzida. 75% são tratados com medicamentos e apenas 45% destes recebem um tratamento adequado. a pressão arterial aumenta com a idade. é comum tanto a pressão sistólica quanto a pressão diastólica estarem elevadas. Por exemplo: 120/80 mmHg (milímetros de mercúrio). quando artérias muito finas (arteríolas) se contraem temporariamente devido à estimulação nervosa ou por hormônios presentes no sangue. se a função de bombeamento de sangue do coração diminui. o coração pode bombear com mais força. a pressão arterial eleva em casos de vasoconstrição. Em praticamente todos os indivíduos. em homens do que em mulheres e em pessoas de baixa situação socioeconômica do que em pessoas com padrão socioeconômico mais elevado. Por outro lado. O volume de sangue no corpo aumenta e a pressão arterial também. geralmente leva à morte em três ou seis meses. aumenta temporariamente a pressão arterial durante a resposta de “luta ou fuga” (reação física diante de uma ameaça). aumentando assim o volume sangüíneo do corpo. Por outro lado. se as artérias dilatarem ou se houver perda de líquido do sistema. em seguida. o volume sangüíneo aumenta e a pressão retorna ao normal. Controle da Pressão Arterial A elevação da pressão nas artérias pode ocorrer de várias maneiras. Os rins controlam a pressão arterial de vários modos. Nos casos de hipertensão arterial. Ele também produz uma contração da maioria das arteríolas. O sistema nervoso simpático também libera os hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina). ejetando mais sangue a cada minuto. a hipertensão sistólica isolada torna-se cada vez mais comum. são registrados dois valores: o mais alto se produz quando o coração se contrai (sístole) e o mais baixo se produz quando o coração relaxa entre os batimentos (diástole). O sistema nervoso simpático. mas é muito mais comum entre a raça negra do que entre a raça branca. os rins diminuem a excreção de sal e água e. com a pressão sistólica aumentando até os 80 anos de idade e a pressão diastólica aumentando até os 55 ou 60 anos e. Se a pressão aumenta. como na musculatura esquelética. os quais estimulam o coração e os vasos sangüíneos. os rins aumentam a excreção de sal e água. estabilizando nesse patamar ou até diminuindo. conseqüentemente. Além disso. A hipertensão maligna é bastante rara. A hipertensão arterial é definida pela pressão sistólica média em repouso de 140 mmHg ou mais e/ou pela pressão diastólica em repouso média de 90 mmHg ou mais. A pressão arterial é transcrita com o valor da pressão sistólica seguido por uma barra e o valor da pressão diastólica.A hipertensão maligna é uma emergência médica. onde é necessária uma maior irrigação sangüínea. de modo que elas não conseguem expandir para permitir a passagem do sangue bombeado pelo coração. Outra possibilidade é as artérias de maior calibre perderem sua flexibilidade normal e tornarem-se rígidas. a pressão diastólica encontra-se dentro da faixa normal. Os ajustes desses fatores são regidos por alterações da função renal e do sistema nervoso autônomo (parte do sistema nervoso que regula automaticamente muitas funções do organismo). o sistema nervoso simpático diminui a excreção renal de sal e água. Uma terceira forma de elevação da pressão arterial é através do aumento do aporte líquido ao sistema. O sistema nervoso simpático aumenta tanto a freqüência quanto a força dos batimentos cardíacos. Na hipertensão sistólica isolada.

Regulação da Pressão Arterial: Sistema Renina-Angiotensina. é desencadeado um mecanismo de compensação que procura compensar esse aumento e manter a pressão em níveis normais. Por sua vez. provocando a retenção de sal (sódio) e a excreção de potássio. por sua vez. Alterações arterioscleróticas renais podem comprometer a capacidade dos rins de excretar sal e água. a renina (2) ativa a angiotensina (3). A atividade também afeta a pressão. Assim. o qual tende a aumentar a pressão arterial. Variações da Pressão Arterial A pressão arterial varia naturalmente durante a vida de um indivíduo.Aldosterona Uma queda na pressão arterial (1) provoca a liberação de renina. A angiotensina também desencadeia a liberação do hormônio aldosterona pelas glândulas adrenais (4). uma enzima renal. durante o sono. o qual. O sódio promove a retenção de água e. faz com que os vasos sangüíneos dilatem e que os rins aumentem a excreção de sal e água. Lactentes e crianças normalmente apresentam pressão muito mais baixa que os adultos. aumentando a pressão arterial. 149 . um hormônio que provoca contração das paredes musculares das pequenas artérias (arteríolas).Os rins também podem elevar a pressão arterial secretando a enzima renina. o estreitamento da artéria que irriga um dos rins (estenose da artéria renal) pode causar hipertensão. dessa forma. a qual auxiliaria na redução da pressão arterial aos seus níveis normais. Entretanto. inflamações renais de diversos tipos e a lesão renal uni ou bilateral também podem provocar aumento da pressão arterial. A pressão arterial também apresenta variações ao longo do dia. a arteriosclerose produz enrijecimento das artérias. impedindo sua dilatação. desencadeia a liberação do hormônio aldosterona. um aumento no volume do sangue bombeado pelo coração. sendo mais elevada pela manhã e mais baixa à noite. provoca a expansão do volume sangüíneo e o aumento da pressão arterial. muitas doenças e anomalias renais podem causar o aumento da pressão arterial. o que tende a reduzir a pressão arterial. a qual é mais baixa quando o indivíduo encontra-se em repouso. Por exemplo. Sempre que uma alteração provoca a elevação da pressão arterial. Da mesma forma. a qual estimula a produção do hormônio angiotensina. Devido ao importante papel dos rins no controle da pressão arterial. o que contribui para a elevação da pressão arterial.

Sintomas Na maioria dos indivíduos. Quando indivíduo apresenta uma hipertensão arterial grave ou prolongada e não tratada. Ocorre uma combinação de diversas alterações cardíacas e dos vasos sangüíneos para elevar a pressão arterial. eles ocorrem com a mesma freqüência naqueles com pressão arterial normal. tontura. Uma causa rara de hipertensão é o feocromocitoma. o estresse e a ingestão de quantidades excessivas de álcool ou de sal são fatores que têm um papel importante no desenvolvimento da hipertensão arterial em indivíduos com predisposição hereditária. em outras circunstâncias. inclusive quando o estresse desaparece. agitação e visão borrada em decorrência de lesões que afetam o cérebro. Quando a causa é conhecida. Isto explica a “hipertensão do jaleco branco”. O estresse tende a elevar temporariamente a pressão arterial. o coração e os rins. a vida sedentária. os indivíduos com hipertensão arterial grave apresentam sonolência ou mesmo o coma em razão do edema cerebral. finalmente. apesar da coincidência do surgimento de determinados sintomas que muitos consideram (de maneira equivocada) associados à hipertensão arterial: cefaléia. apresentaria uma pressão arterial normal. sangramento pelo nariz. Entretanto. requer um tratamento de emergência. náusea. ela apresenta sintomas como cefaléia. em geral. Em 1 a 2%. os olhos. 150 . provocam uma hipertensão arterial permanente. um tumor da glândula adrenal que secreta os hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina). a condição é denominada hipertensão secundária. vômito. Embora os indivíduos com hipertensão arterial possam apresentar esses sintomas. a causa é uma doença renal. A hipertensão arterial essencial pode ter mais de uma causa. fadiga. No entanto. Esse distúrbio. essas elevações breves da pressão arterial são responsáveis por lesões que.Causas Em aproximadamente 90% dos indivíduos com hipertensão arterial. dispnéia. a causa é desconhecida. essa teoria de que os aumentos transitórios da pressão podem levar a uma hipertensão arterial permanente não foi demonstrada. nas pessoas suscetíveis. rubor facial e cansaço. A condição é então denominada hipertensão primária essencial. por exemplo. a origem é um transtorno hormonal ou o uso de determinadas drogas como. na qual o estresse decorrente da consulta a um médico faz com que a pressão arterial aumente o suficiente fazendo com que seja diagnosticada como hipertensão em alguém que. Em 5 a 10% das pessoas com hipertensão arterial. a hipertensão arterial não produz sintomas. mas. os anticoncepcionais orais (pílulas de controle da natalidade). Ocasionalmente. a pressão retorna ao normal assim que o estresse desaparece. A obesidade. denominado encefalopatia hipertensiva.

outras provas da função renal. transpiração excessiva. pode indicar a presença de uma lesão renal. As alterações cardíacas – sobretudo a dilatação decorrente do aumento do trabalho necessário para bombeamento do sangue sob uma pressão elevada – podem ser detectadas através da eletrocardiografia e de radiografias torácicas. Um som (bulha) cardíaco anormal. Quanto mais alta for a pressão arterial e quanto mais jovem for o paciente. A presença de células sangüíneas e de albumina (um tipo de proteína) na urina. As leituras não apenas revelam a presença da hipertensão arterial. esses hormônios também produzem várias combinações de sintomas como cefaléia intensa. Se a leitura inicial apresentar um valor alto. questionando sobre problemas renais preexistentes. A retina (membrana sensível à luz localizada sobre a superfície interna da porção posterior do olho) é a única região onde o médico pode visualizar diretamente os efeitos da hipertensão arterial sobre as arteríolas. medida mais duas vezes em pelo menos dois outros dias. Acredita-se que as alterações na retina sejam similares às alterações dos vasos sangüíneos de outras áreas do corpo. por exemplo. Após a hipertensão arterial ter sido diagnosticada. Quando a causa da hipertensão arterial é um feocromocitoma. O médico também deve investigar a causa da hipertensão arterial. embora isso seja possível em menos de 10% dos casos. Nas fases iniciais. e a mensuração da pressão arterial nos membros superiores e inferiores pode auxiliar na detecção da coarctação da aorta. especialmente em pessoas jovens. Outras causas raras de hipertensão podem ser detectadas através de determinados exames de rotina. palpitação (percepção de freqüência cardíaca rápida ou irregular). a determinação do nível de potássio no sangue pode auxiliar na detecção de hiperaldosteronismo. é uma das primeiras alterações cardíacas provocadas pela hipertensão arterial. Um estetoscópio é posicionado sobre o abdômen para auscultação de um ruído anormal (som característico do fluxo sangüíneo através de uma estenose da artéria que supre o rim). mas também auxiliam na classificação de sua gravidade. observando a presença de sensibilidade. A avaliação pode incluir radiografias e estudos renais com radioisótopos. ansiedade. Às vezes. o médico inicialmente realiza uma anamnese (história clínica) do paciente. são detectados na urina produtos metabólicos dos hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina). a pressão arterial deve ser medida novamente e. quando necessário. denominado quarta bulha cardíaca. os rins. As primeiras indicações de lesão renal são detectadas principalmente pelo exame de urina. tremor e palidez. o médico pode classificar a gravidade da hipertensão arterial.Diagnóstico A pressão arterial deve ser mensurada após o paciente permanecer sentado ou deitado durante 5 minutos. Geralmente. mas não é possivel basear o diagnóstico apenas em uma leitura. em seguida. Uma leitura igual ou superior a 140/90 mmHg é considerada alta. Principais Causas da Hipertensão Secundária Problemas renais Estenose da artéria renal ielonefrite Glomerulonefrite Tumores renais im policístico (em geral hereditário) Lesões renais Radioterapia que afeta os rins Distúrbios hormonais Hiperaldosteronismo 151 . o qual pode ser auscultado com o auxílio de um cardíestetoscópio. as alterações são detectadas de forma mais eficaz pela ecocardiografia (técnica que utiliza ondas ultra-sônicas para a obtenção de imagens do coração). Para examinar a retina. por exemplo. mesmo várias leituras com valores altos não são suficientes para o estabelecimento do diagnóstico. a radiografia torácica e a determinação de determinados hormônios no sangue e na urina. mais extensa deve ser a investigação da causa. a área do abdômen sobre os rins é examinada. geralmente são avaliados seus efeitos sobre os órgãos-chave: coração. o médico utiliza um oftalmoscópio (instrumento que permite a visualização do interior do olho). Ao determinar o grau de lesão da retina (retinopatia). cérebro e rins. durante o exame físico. Para detectar um problema renal. Uma amostra de urina deve ser enviada para análise laboratorial e devem ser realizadas radiografias ou ultra-sonografias do suprimento sangüíneo dos rins e. para se assegurar o diagnóstico de hipertensão arterial. Em seguida. Por exemplo.

Síndrome de Cushing Feocromocitoma Drogas Contraceptivos orais Corticosteróides Ciclosporina Eritropoietina Cocaína Álcool (quantidades excessivas) Alcaçuz (quantidades excessivas) Outras Causas Coarctação da aorta Gravidez complicada pela pré-eclampsia Porfiria intermitente aguda Intoxicação aguda por chumbo Classificação da Pressão Arterial em Adultos Quando as pressões sistólica e diastólica de um indivíduo são classificadas em diferentes categorias. No entanto. Categoria Pressão arterial normal Pressão arterial normal alta Hipertensão de grau 1 (leve) Hipertensão de grau 2 (moderada) Hipertensão de grau 3 (grave) Pressão Arterial Sistólica Pressão Arterial Diastólica Inferior a 130 mmHg 130-139 140-159 160-179 180-209 Inferior a 85 mmHg 85-89 90-99 100-109 110-119 Igual ou superior a 120 Hipertensão de grau 4 (muito grave) Igual ou superior a 210 Prognóstico A hipertensão arterial não tratada aumenta o risco de uma cardiopatia (como a insuficiência cardíaca ou o infarto do miocárdio). a mais alta é utilizada para classificar sua pressão arterial. Ela também é um dos três principais fatores de risco do infarto do miocárdio contra o qual uma pessoa pode instituir medidas. mas pode ser tratada para impedir complicações. A redução do consumo diário para menos de 2. em menor grau. As alterações dietéticas dos indivíduos diabéticos. os médicos procuram evitar tratamentos que provoquem mal-estar ou que interfiram no estilo de vida do paciente. menos de 5% das pessoas com hipertensão maligna sobrevivem mais de um ano. Tratamento A hipertensão arterial essencial não tem cura. A hipertensão arterial é o fator de risco mais importante do acidente vascular cerebral. é comum serem tentadas medidas alternativas. 160/92 é classificada como hipertensão arterial de grau 2 e 180/120 é classificada como hipertensão arterial de grau 4. 152 . as leituras incomumente baixas devem ser avaliadas. Antes da prescrição de qualquer medicamento. Por exemplo. Os outros dois fatores de risco são o tabagismo e o nível sangüíneo elevado de colesterol. A pressão arterial ideal para a minimização do risco de problemas cardiovasculares situa-se abaixo de 120/80 mmHg. magnésio e potássio) e a redução da ingestão diária de álcool para menos de 709 ml de cerveja. de insuficiência renal e de acidente vascular cerebral em pessoas jovens. É aconselhado aos indivíduos com excesso de peso e com hipertensão arterial que eles reduzam o peso até os níveis ideais. O tratamento da hipertensão arterial diminui enormemente o risco de acidente vascular cerebral e de insuficiência cardíaca e. 236 ml de vinho ou 59 ml de uísque puro podem tornar desnecessário o tratamento da hipertensão arterial. Como a hipertensão arterial em si é assintomática.3 g de sódio ou 6 g de cloreto de sódio (com manutenção da ingestão adequada de cálcio.o risco de infarto do miocárdio. obesos ou com nível sangüíneo de colesterol elevado também são importantes para a saúde cardiovascular geral. Sem tratamento.

elevando a pressão arterial. particularmente em pessoas com doença arterial coronariana. Ao escolher uma droga. Sendo os bloqueadores adrenérgicos mais comumente utilizados. Vários tipos de drogas reduzem a pressão arterial através mecanismos diferentes. o que diminui o volume de líquido do organismo. a presença de outros distúrbios. e o custo dos medicamentos e dos exames necessários para controlar sua segurança. o médico leva em consideração fatores como a idade. A maioria das pessoas tolera as drogas antihipertensivas sem problemas. os indivíduos com hipertensão arterial essencial não precisam restringir suas atividades. Por essa razão. Os diuréticos ajudam os rins a eliminar sal e água. indivíduos que apresentam proteína na urina em decorrência de uma nefropatia crônica ou de uma nefropatia diabética e homens que apresentam impotência como efeito colateral de uma outra droga. Os bloqueadores da angiotensina II reduzem a pressão arterial através de um mecanismo similar – porém mais direto – ao mecanismo dos inibidores da enzima conversora da angiotensina. os quais variam de uma droga a outra. acrescentam outras. alguns especialistas aconselham que qualquer elevação. Freqüentemente. em vez de reduzilos. iniciam com um tipo de droga e. os beta-bloqueadores são particularmente úteis para os indivíduos da raça branca. Alguns médicos utilizam um tratamento escalonado. promovendo a queda da pressão arterial. de acordo com a necessidade. maiores são os riscos. Essas drogas são particularmente úteis para os indivíduos da raça branca. existe um consenso de que quanto mais alta for a pressão arterial. os betabloqueadores e o alfa-betabloqueador labetalol – bloqueiam os efeitos do sistema nervoso simpático. prescrevem uma droga e. São particularmente úteis para os indivíduos da raça negra. Os tabagistas devem deixar de fumar. certos tipos de arritmias ou enxaquecas. Outros especialistas afirmam que o tratamento da pressão arterial inferior a um certo nível pode. a suspendem e prescrevem uma outra. obesos e portadores de insuficiência cardíaca ou insuficiência renal crônica. caso esta seja ineficaz. mas o tratamento deve ser individualizado. o primeiro medicamento receitado no tratamento da hipertensão arterial é um diurético tiazídico. que poderá ajustar a dose ou substituir a droga utilizada por uma outra. Desde que a pressão arterial esteja sob controle. inclusive quando os níveis encontram-se dentro da faixa de normalidade. portadores de insuficiência cardíaca. No entanto. deve ser tratada e quanto maior for a redução. qualquer droga anti-hipertensiva pode causar efeitos colaterais. os possíveis efeitos colaterais. não importando quão mínima ela seja. o sexo e a raça do paciente. Como os diuréticos acarretam perda de potássio na urina. Os bloqueadores adrenérgicos – grupo de drogas que inclui os alfabloqueadores. o paciente deve informar o médico. Por essa razão. O tratamento é mais eficaz quando existe uma boa comunicação entre o paciente e o médico e a colaboração com o programa de tratamento. os bloqueadores da angiotensina II parecem causar menos efeitos colaterais. qualquer pessoa com hipertensão arterial pode mantê-la sob controle por meio de uma grande variedade de drogas. na verdade. Geralmente. como o diabetes ou o nível sangüíneo de colesterol elevado. Devido ao seu modo de ação. aumentar os riscos de infarto do miocárdio e de morte súbita. os médicos recomendam aos indivíduos com hipertensão arterial que controlem a pressão arterial em casa. isto é. idosos e aqueles que apresentam angina pectoris (dor torácica). Outros médicos preferem um tratamento seqüencial. a gravidade da hipertensão. Terapia Medicamentosa Teoricamente. melhor. isto é. algumas vezes é necessária a administração de suplemento de potássio ou de drogas que poupam potássio. idosos. o sistema que pode responder rapidamente ao estresse. procedimento que conscientiza o paciente em relação ao cumprimento das recomendações médicas. jovens e para aqueles que sofreram um infarto do miocárdio ou apresentam freqüência cardíaca elevada. caso eles ocorram. Os diuréticos também produzem dilatação dos vasos sangüíneos. Não existe uma concordância entre os especialistas em relação ao nível de redução da pressão arterial durante o tratamento ou no que diz respeito a quando e como a hipertensão arterial de grau 1 (leve) deve ser tratada.A prática moderada de exercícios aeróbios é útil. Os diuréticos são particularmente úteis para os indivíduos da raça negra. jovens. No entanto. Os antagonistas do cálcio produz dilatação dos vasos sangüíneos através de um mecanismo completamente diferente. Os inibidores da enzima conversora da angiotensina reduzem a pressão arterial através da dilatação das artérias. Relatos recentes sugerem que os antagonistas do cálcio de ação curta aumentam o risco de 153 . angina pectoris (dor torácica) ou cefaléia do tipo enxaqueca.

mas. Anifedipina. aumentando de tamanho e diminuindo ainda mais a luz arterial. ela exige um controle cuidadoso do paciente. Tratamento da Hipertensão Secundária O tratamento da hipertensão secundária depende da sua causa. No decorrer do tempo. Uma droga dessa classe quase nunca é utilizado isoladamente. Com o passar do tempo. ela costuma ser adicionada como uma segunda medicação. a nitroglicerina e o labetalol. pelo menos. Em alguns casos. supostamente porque a turbulência constante nessas áreas lesa a parede arterial. como o feocromocitoma. tornando. transformando. 154 .Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 26 . Uma estenose de uma artéria renal pode ser dilatada através inserção de um cateter com um balão em sua extremidade. ela pode provocar um infarto do miocárdio. apenas nos Estados Unidos. dando início à formação de um coágulo sangüíneo (trombo). quando ocorre nas artérias que suprem o coração (artérias coronárias). Os vasodilatadores diretos dilatam os vasos sangüíneos através de outro mecanismo. que podem tornar-se frágeis e romper. Quando a aterosclerose ocorre nas artérias que suprem o cérebro (artérias carótidas). O ateroma roto também pode liberar seu conteúdo gorduroso. Em vez disso. esses monócitos gordurosos acumulam-se e provocam um espessamento em forma de placas no revestimento interno da artéria. Tumores que causam hipertensão arterial. Também pode ser realizada uma derivação da área estenosada da artéria que irriga o rim. Nos Estados Unidos e na maioria dos outros países ocidentais. esse tipo de revascularização cura a hipertensão arterial. ela foi responsável por quase 1 milhão de mortes – duas vezes mais que o câncer e dez vezes mais que acidentes. No entanto. Os ateromas podem localizar-se em artérias de médio e grande calibre. As emergências hipertensivas – como a hipertensão arterial maligna – exigem a redução rápida da pressão arterial.Aterosclerose A aterosclerose pode afetar as artérias do cérebro. geralmente. o tratamento de uma doença renal pode normalizar a pressão arterial ou.morte por infarto do miocárdio. As artérias afetadas por aterosclerose perdem sua elasticidade e. Freqüentemente. Apesar dos importantes avanços da medicina. a doença arterial coronariana (a qual é decorrente da aterosclerose e causa do infarto do miocárdio) e o acidente vascular cerebral aterosclerótico são responsáveis por mais mortes que todas as demais causas combinadas. ou ele pode despregar-se e entrar na circulação onde ele produz uma oclusão (embolia). tornam-se mais estreitas. Em 1992. Essas drogas incluem o diazóxido. os ateromas acumulam depósitos de cálcio. Existem várias drogas que produzem esse efeito e a maioria delas é administrada pela via intravenosa.a mais suscetível à formação do ateroma. quando a outra droga isoladamente não consegue reduzir suficientemente a pressão arterial. principalmente o colesterol. O sangue então pode penetrar em um ateroma rompido. Seção 3 . reduzi-la. ela pode provocar um acidente vascular cerebral e. mas não existem relatos sugerindo o mesmo efeito para os antagonistas do cálcio de ação prolongada. Causas A aterosclerose começa quando os monócitos (um tipo de leucócito) migram da corrente sangüínea para a parede da artéria. podem ser removidos cirurgicamente. o nitroprussiato. devido a sua possibilidade de causar hipotensão. um antagonista do cálcio. dos rins e de outros órgãos vitais. do coração. o qual é insuflado. à medida que os ateromas crescem. Cada área de espessamento (chamada placa aterosclerótica ou ateroma) está repleta de uma substância cuja aparência lembra a de um queijo (caseosa) e que é constituída por diversos materiais gordurosos. assim como as dos membros superiores e inferiores. células musculares lisas e células do tecido conjuntivo. O coágulo pode diminuir ainda mais a luz da artéria ou mesmo obstruí-la. eles formam-se nos locais de ramificação das artérias. a aterosclerose é a principal causa de doença e morte. de modo que a terapia medicamentosa é mais efetiva.se em células que acumulam materiais gordurosos. tem uma ação muito rápida e pode ser administrada pela via oral.

Por exemplo. os sintomas surgem repentinamente.Sintomas Em geral. nos membros inferiores ou em praticamente qualquer região do corpo. quando uma obstrução ocorre de modo súbito – por exemplo. eles podem refletir problemas no coração. Como a aterosclerose estreita uma artéria de forma considerável. Em geral. O primeiro sintoma de uma estenose arterial pode ser dor ou câimbras nos momentos em que o fluxo sangüíneo é insuficiente para satisfazer à demanda de oxigênio do corpo. ao caminhar. no cérebro. a aterosclerose não causa sintomas até haver produzido um estreitamento importante da artéria ou até provocar uma obstrução súbita. Mas. No decorrer do tempo. quando um coágulo sangüíneo se aloja em uma artéria –. Os sintomas dependem do local de desenvolvimento da aterosclerose. Desenvolvimento da Aterosclerose A aterosclerose começa quando os monócitos (um tipo de leucócito) migram da corrente sangüínea para a parede arterial e transformamse em células que acumulam material gorduroso. sente câimbras nas pernas (claudicação intermitente) decorrente da falta de oxigenação nas pernas. conforme a aterosclerose vai estreitando a artéria. as áreas do corpo por ela supridas podem não receber uma quantidade suficiente de sangue. o qual transporta oxigênio para os tecidos. durante a prática de exercícios. ocorre a formação de um espessamento irregular (placa) no revestimento interno da artéria. Essa doença afeta principalmente indivíduos com hipertensão arterial 155 . esses sintomas desenvolvemse gradualmente. a pessoa sente dor torácica (angina) em decorrência da falta de oxigênio ao coração ou. Por essa razão. O Que É Arteriosclerose? A arteriosclerose é um tipo menos comum de doença vascular que afeta principalmente as camadas interna e média das paredes de pequenas artérias (arteríolas) musculares.

arritmias cardíacas. A interrupção do tabagismo também ajuda a diminuir o nível de colesterol e a pressão arterial. hipertensão arterial. na redução da pressão arterial. Por exemplo. na interrupção do tabagismo. o melhor tratamento para a aterosclerose é a prevenção. o que. as quais 156 .Fatores de Risco O risco de ocorrer aterosclerose aumenta com a hipertensão arterial. insuficiência renal. o abandono do tabagismo diminui a incidência da doença e o risco de morte em indivíduos com aterosclerose em artérias distintas daquelas que suprem o coração e o cérebro. infarto do miocárdio. obesidade e falta de exercício. Os indivíduos com homocistinúria. Os homens apresentam maior risco que as mulheres. por sua vez. conseqüentemene. Os indivíduos que deixam de fumar apresentam uma redução de 50% do risco em comparação àquelas que continuam a fazê-lo. Para os indivíduos que já apresentam um risco elevado de cardiopatia. independentemente do período de tempo que eles fumaram. O fato de ter um parente próximo que apresentou aterosclerose ainda jovem também é um fator de risco. Os depósitos de gordura (denominados ateromas ou placas) formam-se gradualmente e desenvolvem-se nos grandes ramos das duas artérias coronárias principais. Prevenção e Tratamento Para evitar a aterosclerose. níveis sangüíneos elevados de colesterol. o risco aumente para as mulheres. após a menopausa. comprometendo ainda mais o volume de sangue que chega aos tecidos. tabagismo. aumenta o risco de doença arterial periférica. acidente vascular cerebral e obstrução de um enxerto arterial após uma intervenção cirúrgica. Quando a aterosclerose torna-se suficientemente grave a ponto de causar complicações.Doença Arterial Coronariana Angina Infarto do Miocárdio A doença arterial coronariana é um distúrbio no qual depósitos de gordura acumulam-se nas células que revestem a parede de uma artéria coronária e . Além disso. O abandono do tabagismo também diminui o risco de morte após uma cirurgia de revascularização miocárdica (bypass) ou após um infarto do miocárdio. obstruem o fluxo sangüíneo. doença arterial coronariana. na hipercolesterolemia familiar. dependendo dos fatores de risco particulares a um indivíduo. embora. o início de um programa de exercícios ajuda o indivíduo a perder peso. insuficiência cardíaca. A doença afeta muitas artérias. o fumo aumenta a tendência do sangue de coagular e. tabagismo. outra doença hereditária. Em contraste. o que aumenta o risco de lesões do revestimento da parede arterial e o fumo contrai as artérias já estreitadas pela aterosclerose. níveis sangüíneos de colesterol extremamente altos estimulam a formação de ateromas nas artérias coronárias. O tabagismo também eleva o nível de monóxido de carbono no sangue. Além disso. o médico deve tratar as complicações – angina. mas não principalmente as artérias coronárias que suprem o coração. auxília a reduzir o nível de colesterol e a pressão arterial. o tabagismo é particularmente perigoso. Em resumo. a instituição de medidas para atingir alguns desses objetivos acaba auxiliando a atingir os outros. pois o fumo diminui o nível do colesterol bom (colesterol ligado a lipoproteína de alta densidade ou HDL-colesterol) e aumenta o nível do colesterol ruim (colesterol ligado à lipoproteína de baixa densidade ou LDL-colesterol). a prevenção pode consistir na redução do nível de colesterol. devem ser eliminados os fatores de risco controláveis: níveis sangüíneos elevados de colesterol. na perda de peso e no início de um programa de exercício. dessa forma. Felizmente. chegando a ser igual ao dos homens. particularmente quando jovens. Seção 3 . uma doença hereditária. muito mais do que nas demais artérias. acidente vascular cerebral ou obstrução de artérias periféricas. O risco de doença arterial coronariana do tabagista está diretamente relacionado ao número de cigarros fumados diariamente. diabetes ou obesidade e com a falta de exercício e o envelhecimento.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 27 . Portanto. apresentam uma extensa formação de ateromas.

circundam o coração e provêem sangue ao mesmo. Esse processo gradual é conhecido como aterosclerose. Os ateromas produzem proeminências no interior da luz das artérias, estreitando-as. À medida que os ateromas crescem, alguns se rompem e fragmentos livres caem na corrente sangüínea ou pode ocorrer a formação de pequenos coágulos sangüíneos sobre sua superfície. Para que o coração se contraia e bombeie o sangue normalmente, o músculo cardíaco (miocárdio) necessita de um fornecimento contínuo, através das artérias coronárias, de sangue enriquecido de oxigênio. No entanto, à medida que a obstrução de uma artéria coronária agrava, pode ocorrer uma isquemia (irrigação sangüínea inadequada) do miocárdio com conseqüente lesão cardíaca. A causa mais comum de isquemia do miocárdio é a doença arterial coronariana, cujas principais complicações são a angina e o infarto do miocárdio. A doença arterial coronariana afeta indivíduos de todas as raças, mas a sua incidência é extremamente elevada entre os indivíduos da raça branca. No entanto, a raça não parece ser um fator tão importante quanto o estilo de vida. Especificamente, uma dieta rica em gordura, o tabagismo e o sedentarismo aumentam o risco de doença arterial coronariana. Nos Estados Unidos, a doença cardiovascular é a principal causa de morte para ambos os sexos e a doença arterial coronariana é a principal causa de doença cardiovascular. O índice de mortalidade é mais elevado entre os homens que entre as mulheres, especialmente na faixa etária de 35 a 55 anos. Após os 55 anos, o índice de mortalidade para os homens diminui, enquanto o das mulheres continua a aumentar. Em comparação com o índice de mortalidade para os indivíduos da raça branca, o índice de mortalidade para os homens negros é mais elevado até os 60 anos e o para as mulheres da raça negra é mais elevado até os 75 anos. topo

Angina
A angina, também denominada angina pectoris, é uma dor torácica transitória ou uma sensação de pressão que ocorre quando o miocárdio não recebe oxigênio suficiente. As necessidades de oxigênio do coração são determinadas pelo grau de intensidade de seu esforço, isto é, pela rapidez e pela intensidade dos batimentos cardíacos. O esforço físico e as emoções aumentam o trabalho cardíaco e, conseqüentemente, aumentam a demanda de oxigênio do coração. Quando as artérias apresentam estreitamento ou obstrução de modo que o fluxo sangüíneo ao músculo não pode ser aumentado para suprir a maior demanda de oxigênio, pode ocorrer uma isquemia, acarretando dor. Causas Geralmente, a angina é resultante da doença arterial coronariana. Algumas vezes, no entanto, ela é decorrente de outras causas, incluindo anormalidades da válvula aórtica, especialmente a estenose aórtica (estreitamento da válvula aórtica), a insuficiência aórtica (escape da válvula aórtica) e a estenose subaórtica hipertrófica. Como a válvula aórtica encontra-se próxima à entrada das artérias coronárias, essas anormalidades reduzem o fluxo sangüíneo através das artérias coronárias. O espasmo arterial (constrição súbita e transitória de uma artéria) também pode causar angina e a anemia grave pode reduzir o aporte de oxigênio ao miocárdio, desencadeando um episódio de angina. Sintomas Nem todos os indivíduos com isquemia apresentam angina. A isquemia sem angina é denominada isquemia silenciosa. Os médicos não compreendem a razão pela qual a isquemia algumas vezes é silenciosa. Mais comumente, uma pessoa sente a angina como uma pressão ou uma dor sob o esterno (osso localizado na região central do tórax). A dor também pode atingir o ombro esquerdo ou irradiar- se pela face interna do membro superior, pelas costas, pela garganta, pelo maxilar ou pelos dentes e, ocasionalmente, pelo membro superior direito. Muitos indivíduos descrevem a sensação mais como um desconforto do que como uma dor. Tipicamente, a angina é desencadeada pela atividade física, dura alguns minutos e desaparece com o repouso.

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Alguns indivíduos conseguem prever a ocorrência da angina com um certo grau de esforço. Em outros, os episódios ocorrem de maneira imprevisível. Com freqüência, a angina é mais intensa quando o esforço é realizado após uma refeição e, geralmente, ela é pior nos períodos de frio. Caminhar expondo-se ao vento ou passar de um ambiente quente para um mais frio pode desencadear uma crise de angina. O estresse emocional também pode desencadeá-la ou piorála. Às vezes, uma forte emoção durante um período de repouso ou um pesadelo durante o sono também podem provocar uma crise de angina. A angina variante é resultante de um espasmo das grandes artérias coronárias que percorrem a superfície do coração. Esse tipo de angina é denominado variante por se caracterizar pela ocorrência de dor com o indivíduo em repouso, não durante o esforço, e por certas alterações eletrocardiográficas durante um episódio de angina. Na angina instável, o padrão dos sintomas altera. Como as características da angina em um determinado indivíduo geralmente permanece constante, qualquer alteração – como uma dor mais intensa, crises mais freqüentes ou crises durante esforços menores ou durante o repouso – é considerada grave. Essas alterações dos sintomas comumente refletem uma progressão rápida da doença arterial coronariana, com um aumento da obstrução da artéria provocado pela ruptura do ateroma ou pela formação de um coágulo. O risco de infarto do miocárdio é alto. A angina instável é uma emergência médica. Depósitos de Gordura em uma Artéria Coronária À medida que depósitos de gordura acumulam-se numa artéria coronária, ocorre uma redução do fluxo sangüíneo e o miocárdio é privado de oxigênio.

Diagnóstico Em grande parte, o médico diagnostica a angina de acordo com a descrição dos sintomas feita pelo próprio paciente. Entre as crises de angina ou mesmo durante uma crise, o exame físico ou o ECG podem revelar poucas alterações ou mesmo nenhuma. Durante uma crise, a freqüência cardíaca pode aumentar discretamente, a pressão arterial pode aumentar e uma alteração característica nos batimentos cardíacos pode ser detectada através da auscultação com o auxílio de um estetoscópio. Durante uma crise de angina típica, o médico pode detectar alterações eletrocardiográficas, mas o ECG pode ser normal entre as crises, mesmo no indivíduo com uma doença arterial coronariana grave. Quando os sintomas são típicos, o diagnóstico geralmente é fácil. O tipo de dor, sua localização e sua relação com o esforço, refeições, clima e outros fatores podem ajudar o médico a estabelecer o diagnóstico. Certos exames auxiliam na determinação da gravidade da isquemia e da presença e extensão da doença arterial coronariana. A prova de esforço (na qual a pessoa anda sobre uma esteira rolante enquanto é monitorizada por um ECG) pode ajudar na avaliação da gravidade da doença arterial coronariana e da capacidade do coração de responder à isquemia. Os resultados também podem ajudar na determinação da necessidade de uma arteriografia coronariana ou de uma cirurgia. Os estudos com

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radioisótopos (radionuclídeos) combinados com uma prova de esforço podem fornecer ao médico informações valiosas sobre a angina do paciente. Os estudos com radioisótopos além de confirmarem a presença de isquemia também identificam a região e a extensão do miocárdio afetado, além de revelar o volume do fluxo sangüíneo que chega ao miocárdio. A ecocardiografia de esforço é uma prova na qual são obtidas imagens (ecocardiogramas) produzidas por oscilações de ondas ultrassônicas refletidas do coração. Trata-se de uma prova inócua e que revela o tamanho do coração, o movimento do miocárdio, o fluxo sangüíneo através das válvulas cardíacas e o funcionamento das válvulas. Os ecocardiogramas são obtidos em repouso e no exercício máximo. Quando existe isquemia, o movimento de bombeamento da parede do ventrículo esquerdo é anormal. A arteriografia coronariana (coronariografia) pode ser realizada quando o diagnóstico de doença arterial coronariana ou de isquemia não é seguro. Contudo, este procedimento é mais comumente utilizado para a determinação da gravidade da doença arterial coronariana e como adjuvante na avaliação da necessidade ou não de um procedimento cirúrgico para melhorar o fluxo sangüíneo – seja uma cirurgia de revascularização do miocárdio ou uma angioplastia.

Colesterol e Doença Arterial Coronariana O risco de doença arterial coronariana aumenta com os níveis elevados do colesterol total e do colesterol total ligado à lipoproteína de baixa densidade (LDLcolesterol ou ruim) no sangue. O risco de doença arterial coronariana diminuiu com os níveis elevados de colesterol ligado à lipoproteína de alta densidade (HDLcolesterol ou colesterol bom). A dieta influencia o nível do colesterol total e, conseqüentemente, o risco de doença arterial coronariana. A dieta americana típica aumenta os níveis de colesterol total. As alterações dietéticas (e, quando necessário, o uso de medicações prescritas) podem diminuir os níveis do colesterol. A redução dos níveis do colesterol total e do colesterol ruim alentecem ou revertem a progressão da doença arterial coronariana. Os benefícios da redução do colesterol ruim são maiores em pacientes com outros fatores de risco de doença da artéria coronária. Esses fatores de risco incluem o tabagismo, a hipertensão arterial, a obesidade, a inatividade, os níveis séricos elevados de triglicerídeos, uma predisposição genética e os esteróides masculinos (androgênios). A interrupção do tabagismo, a redução da pressão arterial, a perda de peso e o aumento do exercício diminuem o risco de doença arterial coronariana

Em alguns indivíduos com sintomas típicos de angina e uma prova de esforço anormal, a arteriografia coronariana não confirma a presença de doença arterial coronariana. Em alguns desses casos, as pequenas artérias do miocárdio encontram-se contraídas de forma anormal. Ainda há muitas questões sem respostas a respeito desse distúrbio, o qual alguns especialistas denominam de síndrome X. Em geral, ocorre melhora dos sintomas quando são ministrados nitratos ou betabloqueadores. O prognóstico para as pessoas com síndrome X é bom. A monitorização contínua por ECG com um monitor Holter (gravador de ECG portátil e alimentado a pilha) revela anormalidades que indicam isquemia silenciosa em alguns pacientes. Os médicos discutem a importância da isquemia silenciosa, mas, geralmente, a gravidade da doença arterial coronariana determina a extensão da isquemia silenciosa e, conseqüentemente, o seu prognóstico. O ECG também ajuda a diagnosticar a angina variante ao detectar certas alterações que se produzem quando a angina ocorre durante o repouso. A angiografia (filme radiográfico realizado após a injeção de contraste) pode, algumas vezes, detectar um espasmo das artérias coronárias que não apresentam ateromas. Em alguns casos, durante a angiografia, são administradas certas drogas para desencadear o espasmo. Prognóstico Os fatores fundamentais que prevêem o que pode ocorrer às pessoas com angina são: idade, extensão da doença arterial coronariana, gravidade dos sintomas e, principalmente, o grau de funcionamento do miocárdio normal. Quanto mais as artérias coronárias estiverem afetadas ou quanto pior for a obstrução arterial, pior é o prognóstico. No entanto, a previsão é

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surpreendentemente boa para o indivíduo com angina estável e capacidade normal de bombeamento (função da musculatura ventricular). A redução da capacidade de bombeamento piora o prognóstico de forma significativa. Tratamento O tratamento é iniciado com medidas para se evitar a doença arterial coronariana, retardar sua progressão ou revertê-la através do tratamento das causas conhecidas (fatores de risco). Os principais fatores de risco, como a hipertensão arterial e os elevados níveis de colesterol, são tratados imediatamente. O tabagismo é o fator de risco evitável mais importante da doença arterial coronariana. O tratamento da angina depende em parte da gravidade e da estabilidade dos sintomas. Quando os sintomas são estáveis e leves ou moderados, o que pode ser mais eficaz é a redução dos fatores de risco e a utilização de medicamentos. Quando os sintomas pioram rapidamente, a hospitalização imediata e o tratamento medicamentoso são usuais. Se os sintomas não forem substancialmente minimizados com o tratamento medicamentoso, a dieta e a alteração do estilo de vida, a angiografia pode ser utilizada para determinar a possibilidade de uma cirurgia de revascularização miocárdica (bypass) ou de uma angioplastia. Tratamento da Angina Estável O tratamento medicamentoso tem como objetivo evitar ou reduzir a isquemia e minimizar os sintomas. Existem quatro tipos de medicamentos disponíveis: betabloqueadores, nitratos, antagonistas do cálcio e as drogas antiplaquetárias. Os betabloqueadores interferem nos os efeitos dos hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina) sobre o coração e outros órgãos. Em repouso, essas drogas reduzem a freqüência cardíaca. Durante os exercícios, os betabloqueadores limitam o aumento da freqüência cardíaca, reduzindo assim a demanda de oxigênio. Foi demonstrado que os betabloqueadores e os nitratos diminuem o risco de infarto do miocárdio e de morte súbita, melhorando o prognóstico a longo prazo dos indivíduos com doença arterial coronariana. Os nitratos, como a nitroglicerina, dilatam as paredes dos vasos sangüíneos. Podem ser administrados nitratos de ação curta ou prolongada. Geralmente, um comprimido de nitroglicerina colocado sob a língua (administração sublingual) alivia uma uma crise de angina em 1 a 3 minutos. Os efeitos desse nitrato de ação curta duram 30 minutos. Os indivíduos com angina estável crônica devem trazer sempre consigo comprimidos ou aerossóis de nitroglicerina. A ingestão de um comprimido antes de ser atingido um determinado nível de esforço que sabidamente desencadeará uma crise de angina pode ser útil. A nitroglicerina também pode ser utilizada através da via sublingual (colocando-se um comprimido próximo da gengiva) ou através da inalação (aerossol oral), mas a primeira forma é a mais comum. Nitratos de ação prolongada são utilizados uma a quatro vezes por dia. Também são eficazes os cremes ou adesivos cutâneos de nitrato, nos quais a droga é absorvida através da pele durante muitas horas. Entretanto, a utilização regular de nitratos de ação prolongada pode diminuir rapidamente a capacidade de proporcionar alívio da droga. A maioria dos especialistas recomenda períodos de 8 a 12 horas sem uso da medicação para a manutenção de sua eficácia a longo prazo. Os antagonistas do cálcio impedem que os vasos sangüíneos se contraiam e podem combater o espasmo das artérias coronárias. Essas drogas também são eficazes no tratamento da angina variante. Alguns antagonistas do cálcio, como o verapamil e o diltiazem, podem reduzir a freqüência cardíaca, efeito útil para alguns indivíduos. Essas drogas podem ser utilizadas combinadas a um betabloqueador para impedir episódios de taquicardia (freqüência cardíaca elevada). As drogas antiplaquetárias, como a aspirina, também podem ser tomadas. As plaquetas são fragmentos celulares que circulam no sangue e que são importantes na formação de coágulos e na resposta dos vasos sangüíneos às lesões. Quando as plaquetas acumulam-se nos ateromas das paredes arteriais, a conseqüente formação de coágulo (trombose) pode estreitar ou obstruir a artéria e causar um infarto do miocárdio. A aspirina liga-se de forma irreversível às plaquetas, não permitindo que elas se acumulem nas paredes dos vasos sangüíneos. Portanto, a aspirina reduz o risco de morte pela doença arterial coronariana. Para a maioria dos indivíduos com doença arterial coronariana, pode ser recomendada a utilização de um comprimido de aspirina infantil ou de meio a um comprimido de aspirina de adulto por dia. Os indivíduos alérgicos à aspirina podem utilizar a ticlopidina. Tratamento da Angina Instável

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Freqüentemente, os indivíduos com angina instável são hospitalizados para a monitorização rigorosa da terapia medicamentosa e a eventual instituição de outros tratamentos. Esses pacientes são tratados com drogas que reduzem a tendência do sangue à coagulação. Tanto a heparina, a qual diminui a coagulação sangüínea, quanto a aspirina pode ser prescrita. Do mesmo modo, são administrados betabloqueadores e nitroglicerina através da via intravenosa para reduzir a carga de trabalho do coração. Se os medicamentos não forem eficazes, pode ser necessária a realização de uma arteriografia e de uma angioplastia coronariana ou de uma cirurgia de revascularização do miocárdio (bypass). Cirurgia de Revascularização do miocárdio ( Bypass): Essa cirurgia (também denominada de cirurgia de derivação das artérias coronárias), é altamente eficaz nos casos de angina e de doença arterial coronariana que não tenha se disseminado. A cirurgia pode melhorar a tolerância ao exercício, reduzir os sintomas e diminuir o número ou a dose das drogas necessárias. A cirurgia de revascularização do miocárdio apresenta uma grande probabilidade de beneficiar o indivíduo com angina intensa que não respondeu ao tratamento medicamentoso, possui um coração normal do ponto de vista funcional, não apresenta antecedente de infarto do miocárdio e não apresenta outros problemas que tornariam a cirurgia arriscada (por exemplo, uma doença pulmonar obstrutiva crônica). Nesse indivíduo, a cirurgia não emergencial apresenta um risco de morte de 1% ou menos e uma possibilidade de lesão cardíaca (por exemplo, infarto do miocárdio) inferior a 5%. Com a cirurgia, cerca de 85% dos pacientes obtêm um alívio completo ou muito significativo dos sintomas. O risco cirúrgico é um pouco mais elevado para os indivíduos com redução da função de bombeamento de sangue do coração (mau funcionamento do ventrículo esquerdo), com lesão miocárdica em decorrência de um infarto do miocárdio prévio ou com outros problemas cardiovasculares. A cirurgia de revascularização do miocárdio consiste no enxerto de veias ou artérias – desde a aorta (a maior artéria do corpo, a qual conduz o sangue do coração ao restante do organismo) até a artéria coronária – evitanto dessa forma a área obstruída. Em geral, as veias utilizadas para o implante são retiradas do membro inferior. Quase todos os cirurgiões usam pelo menos uma artéria como enxerto. Normalmente, a artéria utilizada é retirada da região inferior ao esterno (osso localizado na região central do tórax). É raro que essas artérias apresentem doença arterial coronariana e mais de 90% delas ainda apresentam um funcionamento adequado dez anos após a cirurgia de revascularização do miocárdio. Os enxertos venosos podem apresentar uma obstrução gradual e, após cinco anos, um terço ou mais podem apresentar obstrução completa. Além de aliviar os sintomas da angina, a cirurgia de revascularização do miocárdio melhora o prognóstico de alguns indivíduos, especialmente aqueles que apresentam uma doença grave. Angioplastia Coronariana: as razões pelas quais pacientes com angina são submetidos à angioplastia são similares às da realização da cirurgia de revascularização do miocárdio. Nem todas as obstruções da artéria coronária podem ser submetidas à angioplastia devido à sua localização, à sua extensão, ao seu grau de calcificação ou a outras condições. Por isso, antes da realização do procedimento, é necessária uma análise minuciosa das condições do paciente. A angioplastia é iniciada com uma punção de uma grande artéria periférica, em geral a artéria femoral (localizada no membro inferior), através de uma agulha grande. Em seguida, um fio guia longo de metal é inserido através da agulha e introduzido no sistema arterial, até atingir a aorta e, finalmente, a artéria coronária obstruída. Um cateter com um balão na extremidade é passado sobre o fio-guia até atingir a artéria coronária afetada. O cateter é posicionado de modo que o balão permaneça no nível da obstrução. Em seguida, o balão é insuflado por alguns segundos. A insuflação e a deflação podem ser repetidas várias vezes. O paciente deve ser cuidadosamente monitorizado durante o procedimento, pois a insuflação do balão provoca uma obstrução momentânea do fluxo sangüíneo através da artéria coronária. Em alguns indivíduos, essa obstrução pode causar alterações eletrocardiográficas e sintomas isquêmicos. O balão insuflado comprime o ateroma que está obstruindo o vaso, dilata e descola parcialmente as camadas internas da parede arterial. Quando a angioplastia é bem sucedida, a obstrução é reduzida de forma notável. Das artérias obstruídas que o cateter consegue atingir, 80 a 90% são desobstruídas. Cerca de 1 a 2% das pessoas morrem durante a realização de uma angioplastia e 3 a 5% sofrem infarto do miocárdio não fatal. Em 2 a 4% dos pacientes, é necessária a realização da cirurgia de revascularização do miocárdio imediatamente após a angioplastia. Em cerca de 20 a 30%, a artéria coronária é novamente obstruída em um período de seis meses, geralmente nas primeiras semanas após o procedimento. Com freqüência, a angioplastia é repetida, controlando com êxito a doença arterial coronariana a

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é necessário reduzir os fatores de risco. No entanto.5 anos. conseqüentemente. Elas não curam a doença subjacente. o médico insufla o balão para comprimir a placa contra a parede arterial e. Acredita-se que os índices de êxito da angioplastia sejam semelhantes ao da cirurgia de revascularização do miocárdio. Causas 162 . essas técnicas. Esse procedimento parece reduzir à metade o risco de uma obstrução arterial subseqüente. Em um estudo que comparou a cirurgia de revascularização do miocárdio com a angioplastia. Para melhorar o prognóstico de modo global. Para manter a artéria desobstruída após a angioplastia. Entendendo a Angioplastia Após realizar a punção de uma artéria de grande calibre (comumente a artéria femoral). um cateter com um balão na extremidade e o direciona até a artéria coronária obstruída. Em seguida. a cirurgia de revascularização do miocádio e a angioplastia são apenas procedimentos mecânicos que visam corrigir o problema de imediato. muitas das quais estão ainda em fase de avaliação. topo Infarto do Miocárdio O infarto do miocárdio é uma emergência médica em que parte do fluxo sangüíneo ao coração sofre uma súbita redução ou interrupção súbita e intensa. o médico pode utilizar uma técnica mais recente na qual um dispositivo produzido com malha de fio metálico (stent) é inserido na artéria. desobstruir a artéria. esse termo referirse-á especificamente ao infarto do miocárdio. Alguns utilizam o termo infarto do miocárdio de maneira ampla. Entretanto. Poucos estudos compararam os resultados da angioplastia com os da terapia medicamentosa. o médico introduz através do sistema arterial. o qual durou 2. neste capítulo. incluem o uso de dispositivos para reduzir as obstruções que são espessas. Técnicas modernas de remoção de ateromas. aplicando-o a outras condições cardíacas. o tempo de recuperação da angioplastia foi menor e os riscos de morte e de infarto do miocárdio permaneceram os mesmos ao longo do estudo.longo prazo. produzindo morte do músculo cardíaco (miocárdio) por falta de oxigênio. fibrosas e calcificadas.

Sintomas Aproximadamente dois em cada três indivíduos vítimas de infarto do miocárdio apresentam dores torácicas intermitentes. o médico deve aventar a possibilidade de um infarto do miocárdio. Um coágulo sangüíneo é a causa mais comum de obstrução de uma artéria coronária. dispnéia ou fadiga alguns dias antes do ataque. um ateroma pode romper ou lacerar. a dor é localizada no abdômen. o sintoma mais identificável é a dor localizada na região medial do peito. O coração lesado pode dilatar. Menos freqüentemente. Uma causa incomum de infarto do miocárdio é um coágulo originado no próprio coração. Outros sintomas incluem a sensação de desmaio e de batimentos fortes do coração. acarretando perda de consciência ou morte. Como cada artéria coronária irriga uma região específica do coração. a sua causa é desconhecida. em parte para compensar a redução da capacidade de bombeamento (um coração maior bate com mais força). podendo ser confundida com uma indigestão. as mãos ou os pés podem tornar-se discretamente azulados (cianóticos). uma fratura de costela. a qual pode irradiar para as costas. Menos freqüentemente. a mandíbula ou o membro superior esquerdo. especialmente porque. Quando ela ocorre após um infarto do miocárdio. Outra causa incomum é o espasmo de uma das artérias coronárias. um em cada cinco indivíduos que sofrem um infarto do miocárdio apresenta apenas sintomas leves ou é assintomático. Os indivíduos idosos podem aprsentar desorientação. o indivíduo sente um alívio parcial ou temporário. O espasmo pode ser causado por drogas. ela é mais intensa e prolongada e não é aliviada pelo repouso nem pela nitroglicerina. um coágulo (êmbolo) forma-se no coração. Geralmente. ela irradia para o membro superior direito. o infarto do miocárdio ocorre quando um bloqueio de uma artéria coronária reduz ou interrompe o fluxo sangüíneo a uma região do coração. Os episódios de dor podem tornar-se mais freqüentes. No entanto. A dor pode ocorrer em um ou várias dessas localizações e não no peito. A dor de um infarto do miocárdio é semelhante à da angina. Os lábios. o coração geralmente não consegue funcionar e pode acarretar uma incapacidade grave ou a morte. Como já foi discutido. experimentando uma sensação de tragédia iminente.Em geral. Os batimentos cardíacos irregulares (arritmias) podem interferir gravemente na capacidade de bombeamento do coração ou fazer com que o coração pare de bater de modo eficaz (parada cardíaca). ao eructar (arrotar). a qual facilita a formação de coágulos. a artéria já encontra-se parcialmente estreitada por ateromas. uma inflamação da membrana que envolve o coração (pericardite). em geral. Geralmente. um espasmo esofágico. Se ocorrer lesão de mais da metade do tecido cardíaco. mas. vários outros distúrbios podem provocar uma dor semelhante: uma pneumonia. O ateroma roto não somente reduz o fluxo sangüíneo através de uma artéria. Essa angina instável pode culminar em um infarto do miocárdio. Se a irrigação for interrompida ou drasticamente reduzida mais do que alguns minutos. A capacidade do coração de manter o bombeamento de sangue após um infarto do miocárdio está diretamente relacionada à extensão e a localização do tecido lesado (infarto). estimulando ainda mais a formação de coágulos. como a cocaína ou pelo fumo. ocorrerá morte do tecido cardíaco. A dilatação também pode refletir a lesão miocárdica em si. 163 . desprega-se e aloja-se em uma artéria coronária. Diagnóstico Sempre que um homem com mais de 35 anos de idade ou uma mulher com mais de 50 anos queixase de dor torácica. o coração pode não bombear adequadamente e pode acarretar uma insuficiência cardíaca grave ou choque – uma condição ainda mais grave. agitação e ansiedade. aumentando a obstrução. um coágulo sangüíneo em um pulmão (embolia pulmonar). algumas vezes. Mesmo quando a lesão é menos extensa. mesmo após esforços físicos cada vez menores. o qual interrompe o fluxo sangüíneo. uma indigestão ou uma sensibilidade da musculatura torácica após uma lesão ou um esforço. Durante um infarto do miocárdio. Pode ser que esse infarto do miocárdio silencioso seja dectado algum tempo após a sua ocorrência através de um eletrocardiograma (ECG) de rotina. Em geral. Apesar de todos os sintomas possíveis. a dilatação cardíaca sugere um prognóstico pior do que um coração de tamanho normal. mas também aumenta a aderência das plaquetas. a localização da lesão é determinada pela artéria obstruída. o indivíduo pode apresentar uma sudorese excessiva. um ECG e determinados exames de sangue podem confirmar o diagnóstico de infarto do miocárdio em poucas horas. Às vezes. mas.

Geralmente. 164 . e a remoção da obstrução provavelmente não será útil. o ECG revela imediatamente que a pessoa está tendo um infarto do miocárdio. os níveis de CK-MB são mensurados quando o indivíduo ingressa no hospital e em intervalos de seis a oito horas nas 24 horas seguintes. O tratamento precoce aumenta o fluxo sangüíneo em 60 a 80% dos pacientes e faz com que a lesão do tecido cardíaco seja mínima. essas substâncias são administradas através da via intravenosa em um período máximo de seis horas após o início dos sintomas do infarto do miocárdio. sugerindo a existência de uma cicatriz (tecido morto) causada por um infarto do miocárdio. Geralmente. Tratamento O infarto do miocárdio é uma emergência médica. a urocinase e o ativador do plasminogênio tecidual. Nessa unidade. Metade das mortes por infarto do miocárdio ocorre nas primeiras três ou quatro horas após o início dos sintomas. ou a heparina. melhores são as probabilidades de sobrevivência. podem aumentar a eficácia da terapia trombolítica. a qual impede a formação de coágulos sangüíneos pelas plaquetas. Qualquer indivíduo com sintomas sugestivos de infarto do miocárdio deve procurar ajuda médica imediatamente. é realizada a administração de oxigênio com o auxílio de uma máscara facial ou de um cateter nasal do tipo óculos. é liberada no sangue quando ocorre lesão do músculo cardíaco. Se for possível realizar rapidamente a desobstrução da artéria coronária afetada. pode ser realizado um ecocardiograma ou um exame com radioisótopos (cintilografia). A enzima chamada CKMB. essa modalidade terapêutica geralmente não é instituída para os indivíduos que apresentam sangramento gastrointestinal ou hipertensão arterial grave. Se alguns ECGs realizados ao longo de algumas horas forem normais. é imediatamente administrado ao paciente um comprimido mastigável de aspirina. Em geral. os indivíduos com suspeita de infarto do miocárdio são encaminhados a um hospital que possui uma unidade coronariana. Como a diminuição da carga de trabalho do coração também auxilia na limitação da lesão do tecido cardíaco. Os enfermeiros que trabalham nessas unidades são especialmente treinados para tratar de pessoas com problemas cardíacos e para tratar as emergências cardíacas. para a avaliação da lesão cardíaca.O ECG é o exame diagnóstico inicial mais importante quando o médico suspeita de um infarto do miocárdio. as quais dependem principalmente do tamanho e da localização da lesão miocárdica. a qual utiliza drogas como estreptoquinase. Após seis horas. pode ser mais difícil para do médico diagnosticar um infarto do miocárdio. Níveis elevados de CK-MB estão presentes no sangue seis horas após um infarto do miocárdio e persistem por 36 a 48 horas. normalmente encontrada no miocárdio. quando apresenta redução parcial dos movimentos da parede do ventrículo esquerdo (a câmara cardíaca que bombeia sangue para o organismo). Para serem eficazes. o médico pode considerar o infarto do miocárdio improvável. Freqüentemente. os coágulos sangüíneos localizados no interior de uma artéria podem ser dissolvidos através da terapia trombolítica. a qual também interrompe a coagulação. o tecido cardíaco pode ser salvo. Essa terapia aumenta a pressão de oxigênio no sangue. uma vez que ele reduz o coágulo localizado no interior da artéria coronária. O ECG pode revelar várias alterações. Tratamento Inicial Em geral. A cintilografia pode mostrar uma redução persistente no fluxo sangüíneo a uma região do miocárdio. o ritmo cardíaco e a pressão sangüínea do paciente devem ser rigorosamente monitorizados. algumas lesões tornam-se permanentes. Como a terapia trombolítica pode provocar sangramento. sugere uma lesão devida a um infarto do miocárdio. provendo um maior volume de oxigênio ao coração e mantendo mínima a lesão do tecido cardíaco. Quando os resultados do ECG e do nível de CK-MB não fornecem informações suficientes. Este tratamento aumenta as chances de sobrevivência. Os níveis de certas enzimas no sangue podem ser mensurados para auxiliar no diagnóstico de um infarto do miocárdio. A aspirina. Quanto mais precoce for a instituição do tratamento. um betabloqueador pode ser administrado para reduzir a freqüência cardíaca e fazer com que o coração tenha que trabalhar menos intensamente para bombear o sangue. Em muitos casos. que sofreram recentemente um acidente vascular cerebral ou que foram submetidas a uma cirurgia durante os trinta dias que precederam o infarto do miocárdio. O ecocardiograma. Se o indivíduo já apresenta problemas cardíacos prévios que causam alterações eletrocardiográficas. apesar de certos exames de sangue e outros exames ajudarem no estabelecimento do diagnóstico.

pois essas drogas reduzem o risco de vida em cerca de 25% dos pacientes. O nervosismo e a depressão são comuns após um infarto do miocárdio. Quase todas as mortes ocorrem nos primeiros três a quatro meses. enfermeiros e assistentes sociais. em um ambiente tranqüilo. Quando o paciente não consegue urinar ou quando a equipe médica necessita de informações sobre a quantidade de urina produzida. Além disso. esse fármaco é administrado inicialmente através da via intravenosa. reduz o trabalho do coração. elas são rotineiramente administradas aos pacientes alguns dias após o infarto. Os médicos também costumam prescrever betabloqueadores. Podese permitir que o paciente assista à televisão.Os indivíduos idosos que não apresentam qualquer um desses problemas podem ser beneficiados pela terapia trombolítica com segurança. um infarto do miocárdio é uma razão convincente para o indivíduo parar de fumar. Em geral. Se essas provas revelarem arritmias ou isquemia. sua família e amigos são estimulados a expor seus sentimentos aos médicos. maiores serão os benefícios proporcionados pelo uso dessas drogas. Alguns centros de terapia cardiovascular utilizam a angioplastia ou a cirurgia de revascularização do miocárdio logo após o infarto do miocárdio. No entanto. além de seu efeito calmante. No caso de persistência da isquemia. um tranqüilizante leve pode ser prescrito. fatos comuns após um infarto do miocárdio. meio ou um comprimido adulto de aspirina. Pode ser necessária a utilização de um monitor Holter. Essa substância. para que o médico observe a ocorrência de arritmias ou de episódios de isquemia silenciosa. ela reduz o risco de morte e o risco de um segundo infarto do miocárdio em 15 a 30%. muitos médicos prescrevem o uso diário de um comprimido infantil. Para avaliar se o paciente apresentará mais distúrbios cardíacos ou se ele necessitará de tratamento adicional. o tratamento medicamentoso pode ser indicado. Uma prova de esforço (teste no qual o indivíduo corre sobre uma esteira rolante enquanto é monitorizada por um ECG) antes ou logo após a alta hospitalar pode contribuir para a determinação da condição cardíaca após o infarto do miocárdio e da persistência da isquemia. o médico pode solicitar certos exames. Os pacientes alérgicos à penicilina podem utilizar ticlopidina. sobretudo nas unidades coronarianas. Após um infarto do miocárdio. durante alguns dias. Por ser um importante fator de risco para a doença arterial coronariana e para o infarto do miocárdio. o médico geralmente utiliza a morfina injetável. aproximadamente 10% deles morrem antes de um ano. Se os medicamentos utilizados para aumentar o fluxo sangüíneo das artérias coronárias também não aliviarem a dor e a angústia do paciente. arritmias ventriculares e insuficiência cardíaca. A nitroglicerina pode aliviar a dor ao reduzir o trabalho do coração. restringindo-as aos membros da família e aos amigos íntimos. alguns indivíduos não toleram seus efeitos colaterais e nem todos são beneficiados com esse tipo de tratamento. Quanto mais grave tiver sido o infarto do miocárdio. Complicações de um Infarto do Miocárdio 165 . Por essa razão. é utilizada uma sonda vesical. Em muitos pacientes que sofreram um infarto do miocárdio. o esforço físico e a angústia emocional submentem o coração ao estresse e fazem com que esse órgão trabalhe mais intensamente. Para tratar a depressão leve ou a negação da doença. Como a aspirina impede que se formem coágulos. o paciente. o indivíduo que sofre um infarto do miocárdio deve manter o repouso ao leito. pode ser necessária a realização de uma arteriografia coronariana para avaliar a possibilidade de uma angioplastia ou de uma cirurgia de revascularização do miocárdio com o objetivo de restaurar o fluxo sangüíneo ao coração. geralmente sendo pacientes que continuam a apresentar angina. desde que os programas escolhidos não causem estresse. Entretanto. Prognóstico e Prevenção A maioria dos indivíduos que sobrevive alguns dias após um infarto do miocárdio pode esperar uma recuperação completa. Emolientes fecais e laxantes suaves podem ser utilizados para evitar constipação. o qual realiza um registro eletrocardiográfico durante 24 horas. no lugar da terapia trombolítica. o tabagismo é proibido na maioria dos hospitais. as drogas denominadas inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) podem reduzir a dilatação cardíaca. Tratamento Subseqüente Como a excitação. Como o nervosismo exagerado pode estressar o coração. É comum a limitação de visitas.

insuficiência cardíaca . como uma área do ventrículo esquerdo que não esteja contraindo de forma adequada. mas necessita de um ecocardiograma para se certificar. realizar exercícios passivos. os pacientes com infarto do miocárdio geralmente melhoram gradualmente e podem. Freqüentemente. Se o paciente não apresentar dispnéia e dor torácica. caminhadas até o banheiro e trabalhos leves ou leitura. em alguns casos. Embora rupturas do septo algumas vezes possam ser reparadas cirurgicamente. a depressão e a uma sensação de desesperança. as rupturas da parede cardíaca externa quase sempre acarretam uma morte rápida. após dois a três dias.ou choque e pericardite. a válvula não consegue funcionar e o resultado será uma insuficiência cardíaca repentina e grave. sentarse em uma cadeira. A não ser que hajam complicações. o qual contrai muito pouco ou não contrai. O miocárdio pode romper na parede que separa os dois ventrículos (septo) ou na parede cardíaca externa. Ruptura do Miocárdio Devido à debilidade do miocárdio lesado. os médicos prescrevem anticoagulantes. Coágulos Sangüíneos Aproximadamente 20 a 60% dos indivíduos vítimas de um infarto do miocárdio apresentam formação de coágulo sangüíneo no coração. O repouso ao leito por mais de dois ou três dias acarreta o descondicionamento físico e. os quais circulam pelas artérias e alojam-se em vasos sangüíneos de menor calibre através do corpo. mesmo que não apresente laceração ou ruptura. Como o sangue flui mais lentamente através dos aneurismas. o indivíduo deve aumentar a sua atividade lentamente. coágulos sangüíneos. parte da parede do coração expande ou forma uma saliência ao invés de contrair. Os inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) podem reduzir a extensão dessas áreas anormais. Um ecocardiograma pode ser realizado para detectar a formação de coágulos no coração ou para verificar se o indivíduo apresenta fatores predisponentes. batimentos cardíacos irregulares (arritmias). O músculo lesado pode acarretar a formação de uma protuberância fina (aneurisma) na parede cardíaca. o músculo cardíaco algumas vezes rompe devido à pressão da atividade de bombeamento do coração. Existem duas partes do coração particularmente suscetíveis à ruptura durante ou após um infarto do miocárdio: a parede da musculatura cardíaca e os músculos que controlam a abertura e o fechamento da válvula mitral. Nas três ou seis semanas seguintes. ele pode reiniciar muitas das atividades normais após aproximadamente seis semanas. pode ocorrer a formação de coágulos sangüíneos no interior das câmaras cardíacas. A maioria dos indivíduos pode retomar a atividade sexual com segurança uma ou duas semanas após deixar o hospital. ocorre o descolamento de fragmentos de coágulos. em decorrência de um infarto. mas podem produzir episódios de arritmias e diminuir a capacidade de bombeamento do coração. Reabilitação A reabilitação cardíaca é uma parte importante da recuperação. o miocárdio lesado. Às vezes. A maioria dos indivíduos recebe alta hospitalar após uma semana ou menos. 166 . para ajudar na prevenção da formação de coágulos. Essas drogas costumam ser administradas durante três ou seis meses após o infarto do miocárdio. como a heparina e a warfarina. Mais freqüentemente. Esses aneurismas não se rompem. Se esses músculos romperem. Em cerca de 5% deles. O médico suspeita de um aneurisma baseando-se num padrão eletrocardiográfico anormal. O músculo lesado é substituído por tecido cicatricial fibroso e resistente.O indivíduo vítima de um infarto do miocárdio pode apresentar qualquer uma das seguintes complicações: ruptura do miocárdio. bloqueando o fluxo sangüíneo a uma área do cérebro (provocando um acidente vascular cerebral) ou a outros órgãos. não contrai adequadamente.

o tratamento visa sobretudo as suas complicações: câimbras Doença de Raynaud e Fenômeno de Raynaud Acrocianose 167 . especialmente aqueles podem ser alterados pelo paciente. a oclusão parcial ou completa de uma artéria pode ser decorrente de outras causas como.Após um infarto do miocárdio. O diabetes também é uma causa importante de doença arterial periférica e o seu tratamento adequado pode retardar a doença arterial.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 28 . a qual pode acarretar o infarto do miocárdio. Outras doenças arteriais periféricas são a doença de Burger. A conseqüente diminuição do fornecimento de oxigênio (isquemia) pode ocorrer de modo súbito (isquemia aguda) ou gradual (isquemia crônica). sem exceção. a hipertensão arterial e os níveis elevados de colesterol.Doença Arterial Periférica Distúrbios Funcionais das Artérias Periféricas A o r t a A b d o m i n a l e S e u s R a m o s Artérias dos Membros Inferiores e Superiores Doença de Buerger A doença arterial oclusiva inclui tanto a doença arterial coronariana. a doença de Raynaud e a acrocianose. Quando uma artéria apresenta estenose. reduzir os níveis sangüíneos de colesterol através da dieta ou de medicação e realizar exercícios aeróbios diariamente são medidas que. perder peso. Seção 3 . Deixar de fumar. Para se evitar a doença arterial periférica. assim como as artérias dos membros inferiores. reduzem o risco da doença arterial coronariana. o médico e o paciente devem discutir os fatores de risco que contribuem para a doença arterial coronariana. a qual pode afetar a aorta abdominal e seus principais ramos. as partes do corpo supridas pelo vaso podem não receber sangue suficiente. controlar a pressão arterial. a obesidade. por exemplo. deve ser reduzido o número de fatores de risco da aterosclerose. de um coágulo sangüíneo. como o tabagismo. No entanto. um processo patológico no qual ocorre acúmulo de gordura sob o revestimento da parede arterial. produzindo um estreitamento gradual da artéria. Assim que a doença arterial periférica se manifesta. quanto a doença arterial periférica. Quase todos os indivíduos com doença arterial periférica apresentam aterosclerose.

Geralmente. a dor abdominal de forte intensidade geralmente é pior que a sensiblidade à pressão. O indivíduo que apresenta esse tipo de obstrução apresenta-se gravemente doente. um ramo importante da aorta abdominal que irriga grande parte do intestino. por um tumor. ocorre uma obstrução completa e súbita quando um coágulo transportado pela corrente sangüínea aloja-se em uma artéria (embolia). Sintomas Uma obstrução completa e súbita da artéria mesentérica superior. O paciente pode apresentar sangue nas fezes. a qual é disseminada e vaga. os ruídos intestinais desaparecem. insuficiência cardíaca. O abdômen pode apresentar uma distensão discreta. Quando essa artéria é bloqueada. no início. arritmias cardíacas. topo Aorta Abdominal e Seus Ramos A obstrução da aorta abdominal e de seus ramos principais pode ser súbita ou gradual. angina. No início. o paciente apresenta vômitos e urgência para evacuar. por exemplo. este ser detectável somente através de exames laboratoriais. acidente vascular cerebral e insuficiência renal. 168 . apresentando uma dor abdominal intensa. uma obstrução gradual é devida à aterosclerose e. apesar de. Normalmente. ela é resultante de um crescimento anormal da camada muscular da parede arterial ou da pressão externa exercida por uma massa expansiva como. quando há formação de um coágulo (trombose) em uma artéria estenosada ou quando ocorre laceração da parede arterial (dissecção da aorta). Apesar do abdômen poder apresentar sensibilidade à palpação. Em seguida. A pressão arterial cai e o indivíduo entra em choque quando o intestino começa a gangrenar. Posteriormente. as fezes tornam-se sangüinolentas. o tecido intestinal começa a morrer. menos freqüentemente. Quando Existe um Bloqueio da Circulação Intestinal A artéria mesentérica superior irriga grande parte do intestino. é uma emergência. infarto do miocárdio.intensas nos membros inferiores durante a marcha.

o médico realiza uma angioplastia (procedimento no qual um cateter com um balão em sua extremidade é inserido na artéria e este é insuflado para eliminar a obstrução). Tratamento A sobrevivência de um indivíduo após uma obstrução súbita da artéria mesentérica superior e o salvamento do intestino dependem da velocidade com que a irrigação sangüínea é restaurada. Isto pode fazer com que os pacientes tenham medo de ingerir alimentos. pois a digestão exige um maior fluxo sangüíneo aos intestinos. após 1 a 5 de minutos de repouso na posição sentada ou em pé. geralmente. Nos homens. Não é possível se detectar pulsos nos membros inferiores e estes podem tornar-se insensíveis. mas a cirurgia pode ser mais eficaz. Se a artéria mesentérica superior estiver bloqueada. A dor pode aliviar com o repouso. o primeiro sintoma é uma sensação dolorosa. o indivíduo apresenta cansaço muscular ou dor nas nádegas. mas também pode localizar-se no pé. a impotência é comum nos casos de estenose da aorta inferior ou de ambas as artérias ilíacas. Apesar da obstrução poder causar lesão em áreas do fígado ou do baço. Para ganhar um tempo precioso. apenas a cirurgia imediata pode restaurar a irrigação sangüínea com rapidez suficiente para salvar a vida do paciente. a obstrução gradual das artérias de um ou ambos os rins é decorrente de aterosclerose e pode levar à hipertensão arterial (hipertensão renal). o indivíduo geralmente apresenta dor nas panturrilhas ao caminhar e os pulsos abaixo do nível da obstrução são fracos ou estão ausentes. como a urocinase. Quando o estreitamento gradual ocorre na aorta inferior ou em uma das artérias ilíacas. na coxa. o que contribui para a perda de peso. Normalmente. o indivíduo pode ser submetido a uma cirurgia de emergência mesmo sem a realização de radiografias. No caso de uma obstrução gradual do fluxo sangüíneo intestinal. confirmando a suspeita. pálidos e frios.Tipicamente. raramente é necessária a realização de uma cirurgia para a correção do problema. no caso de uma obstrução gradual de uma artéria renal. Algumas vezes. respectivamente – não são tão perigosos quanto a obstrução do fluxo sangüíneo intestinal. intensa e. a qual é responsável por 5% de todos os casos de hipertensão arterial. câimbras ou cansaço nos músculos da do membro inferior: é a chamada claudicação intermitente. Os músculos doem durante a marcha e a dor aumenta rapidamente e torna-se mais intensa durante a marcha rápida ou em um plano ascendente. o indivíduo pode caminhar a mesma distância já percorrida antes que a dor se manifeste novamento. O mesmo tipo de dor durante um 169 . Mais comumente. no quadril ou na nádega. em geral. mas. Se o estreitamento ocorrer na artéria que se originam na região inguinal (virilha) e descem pelo membro inferior até o nível do joelho (artéria femoral). Quando um coágulo aloja-se em uma das artérias renais – os vasos que suprem os rins –. a dor localiza-se na panturrilha. no local onde o vaso divide-se nos dois ramos que conduzem o sangue aos membros inferiores. as quais passam pela pelve para conduzir o sangue até os membros inferiores. Geralmente. A remoção cirúrgica precoce de um coágulo de uma artéria renal pode restaurar o funcionamento do rim. Em razão da redução do fluxo sangüíneo. Geralmente. mas apenas a cirurgia pode eliminar a obstrução. dependendo da localização do estreitamento. o que pode acarretar uma perda de peso considerável. ocorre uma absorção inadequada de nutrientes. Às vezes. A dor é constante. localizada na região umbilical. Quando a aorta inferior é abruptamente obstruída no ponto onde ela divide-se em dois ramos (artérias ilíacas). o paciente apresenta um dor súbita no flanco e a urina torna-se sangüinolenta. nos quadris e nas panturrilhas ao caminhar. Os médicos usam a ultrasonografia com Doppler e a angiografia para determinar a extensão da obstrução e para confirmar a necessidade de uma cirurgia. A cirurgia de emergência pode eliminar uma obstrução repentina da aorta inferior. a nitroglicerina pode aliviar a dor abdominal. topo Artérias dos Membros Inferiores e Superiores Quando ocorre um estreitamento gradual de uma artéria do membro inferior. o bloqueio exige a remoção cirúrgica ou uma cirurgia de derivação (bypass). os coágulos sangüíneos das artérias hepática e esplênica – ramos que irrigam o fígado e o baço. estes tornam-se doloridos. o médico pode dissolver o coágulo injetando uma droga trombolítica. um estreitamento da artéria mesentérica superior provoca dor 30 ou 60 minutos após uma refeição.

a distância que a pessoa consegue andar sem sentir dor diminui. o indivíduo apresenta dor intensa. Diagnóstico 170 . o indivíduo indivíduo pode deixar os pés pendentes na lateral do leito ou pode sentar-se com os membros inferiores pendentes. pode ocorrer a formação de úlceras nos dedos dos pés ou no calcanhar e. o indivíduo pode apresentar claudicação mesmo em repouso. A pele pode tornar-se seca e descamativa e as unhas e os pêlos apresentam um crescimento anormal.esforço também pode ocorrer em um membro superior quando eixte uma estenose da artéria que fornece sangue ao mesmo. nas pernas. diminuição da temperatura e insensibilidade no membro. Uma obstrução grave pode causar morte tissular (gangrena). Freqüentemente. Comumente. Para obter alívio. O membro inferior pode atrofiar. Geralmente. o qual apresenta um aspecto pálido ou azulado (cianótico). ocasionalmente. A palpação de pulsos não é possível abaixo do nível da obstrução. sobretudo após uma lesão. Finalmente. À medida que a obstrução piora. No caso da obstrução súbita e completa de uma artéria de um membro inferior ou superior. a dor começa na perna ou no pé. À medida que a doença agrava. um pé com uma redução acentuada da irrigação sangüínea torna-se frio e insensível. a dor impede que o indivíduo durma. é intensa e persistente e piora quando o membro inferior é elevado.

mas pode ser um pouco desconfortável. O médico pode realizar uma ultra-sonografia para verificar o resultado do procedimento e para se certificar de que não houve recorrência da estenose. como antagonistas do cálcio ou a aspirina. No caso da ultra-sonografia com Doppler. a ultra-sonografia com Doppler colorido é utilizada no lugar da angiografia. quando é muito extenso ou quando a artéria apresenta um enrijecimento grave e extenso. também podem ser úteis. gera uma imagem da artéria que revela as diferentes velocidades do fluxo em cores distintas. geralmente a distância percorrida pode ser aumentada. Se a úlcera se infeccionar. uma solução opaca aos raios-X (contraste) é injetada na artéria. A elevação da cabeceira da cama com calços medindo 10 a 15 centímetros pode ajudar para aumentar o fluxo sangüíneo nos membros inferiores. A angioplastia não pode ser realizada quando o estreitamento é disseminado. como a aspirina. Em seguida. A úlcera deve ser mantida limpa através de lavagens diárias com sabonete neutro ou com soro fisiológico e deve ser coberta com curativo seco e limpo. para evitar a coagulação. No entanto. No entanto. através da comparação entre a pressão arterial ao nível do tornozelo e a pressão arterial do braço. Cuidados com os Pés O objetivo desses cuidados é preservar a sua circulação sangüínea e evitar as complicações produzidas pela má circulação. com o objetivo e melhorar a provisão de oxigênio aos músculos. a qual poderia tornar necessária a realização de uma amputação do pé. Ao sentirem dor. os indivíduos com claudicação intermitente devem caminhar pelo menos 30 minutos por dia. o paciente pode receber heparina para evitar a formação de coágulos sangüíneos na área tratada. Outras drogas. pois o paciente tem de permanecer imóvel sobre uma mesa de radiografia. na insuflação do balão para eliminar a obstrução. os betabloqueadores – os quais são úteis para os indivíduos com obstruções de artérias coronarianas por reduzirem a freqüência cardíaca e a demanda de oxigênio – pioram os sintomas nos indivíudos com obstruções arteriais nos membros inferiores. O procedimento é indolor. Como regra. a qual é dura. Em alguns casos. Na angiografia. e o som produzido pelo fluxo sangüíneo indica o grau de obstrução. O paciente é submetido a uma sedação leve. a com Doppler colorido. Quando ocorre formação de um coágulo sangüíneo na área 171 . O indivíduo com úlceras nos pés necessita de cuidados meticulosos para evitar uma maior deterioração. reiniciar a caminhada. no caso de uma estenose grave. muitos médicos preferem administrar um inibidor plaquetário. A angioplastia exige somente um ou dois dias de internação e pode evitar a necessidade de uma cirurgia de grande porte. qualquer indivíduo com má circulação nos pés ou com diabetes deve consultar um médico quando uma úlcera não cicatriza em aproximadamente sete dias. ela pode ser inferior a 50%. O repouso absoluto ao leito e a elevação da cabeceira da cama podem ser necessários. sobre a área da obstrução. não a uma anestesia geral. o médico prescreve uma pomada contendo antibiótico. O médico pode avaliar o fluxo sangüíneo de diversos modos como. Normalmente a pressão arterial ao nível do tornozelo é no mínimo igual a 90% da pressão do braço.A suspeita de obstrução é estabelecida a partir dos sintomas descritos pelo paciente e da diminuição ou ausência de pulso abaixo de um determinado nível do membro inferior. O diagnóstico pode ser confirmado através de certos exames. Muitas vezes. A cicatrização poderá demorar semanas ou mesmo meses. Os indivíduos com obstrução arterial não devem fumar. eles devem parar até a dor desaparecer e. os médicos realizam a angioplastia imediatamente após a realização de uma angiografia. Com esse procedimento. Tratamento Quando possível. para desobstruir a artéria. o diâmetro da artéria e qualquer obstrução presente. em seguida. Após o procedimento.Uma técnica mais sofisticada de ultra-sonografia. são realizadas radiografias que revelam velocidade do fluxo sangüíneo. talvez pelo fato do exercício melhorar o desempenho muscular e provocar a dilatação dos demais vasos sangüíneos que irrigam os músculos. A angiografia pode ser seguida pela angioplastia. Angioplastia Geralmente. A angioplastia consiste na passagem de um cateter com um balão na extremidade na área estreitada da artéria e. em seguida. Por não exigir uma injeção. Os indivíduos diabéticos também devem controlar o máximo possível a sua glicemia (nível de açúcar no sangue). O médico pode prescrever uma droga como a pentoxifilina. ele geralmente prescreve antibióticos que devem ser administrados pela via oral. por exemplo. uma sonda é colocada sobre a pele do paciente.

no qual é realizada o implante de um enxerto artifical (um tubo de material sintético) ou de uma veia retirada de uma outra parte do corpo. com bicos largos. topo Doença de Buerger A doença de Buerger (tromboangeíte obliterante) é a obstrução de artérias e veias de pequeno e médio calibre por uma inflamação causada pelo tabagismo. • Não utilizar bolsas de água quente ou almofadas elétricas. principalmente se o paciente planeja utilizar uma prótese. A secção dos nervos próximos à obstrução (uma cirurgia denominada simpatectomia) previne os espasmos da artéria e. os stents e as polidoras giratórias. o cirurgião remove o mínimo possível do membro inferior. Quando é necessária a realização de uma amputação para a eliminação de tecido infectado. cura as úlceras e evita a amputação. secando-os suave e completamente. Embora não se conheça exatamente a causa dessa doença. • Utilizar meias de lã folgadas para manter os pés aquecidos. os cortadores.estreitada. pode ser necessária a realização de uma cirurgia de emergência. • Não utilizar sandálias nem andar descalço. para o alívio de uma dor persistente ou para a interrupção de uma gangrena que se agrava. Nenhum deles demonstrou ser superior aos demais. Cirurgia Com muita freqüência. em alguns casos. Sintomas 172 . Cuidados com os Pés O indivíduo que apresenta uma má circulação nos pés deve instituir as seguintes medidas e precauções: • Examinar os pés diariamente. quando há um descolamento de um fragmento do coágulo e obstrução de uma artéria mais distante. verificando a presença de rachaduras. tabagistas e com idade entre 20 e 40 anos. • No caso de deformidade do pé. quando apenas uma pequena área encontra-se bloqueada. como a lanolina. Como alternativa.) • Ir a um podólogo para tratar calos ou calosidades. • Cortar as unhas retas e não demasiadamente. como o laser. o cirurgião vascular pode remover o coágulo. não medicinal. para manter os pés secos. pode ser muito útil. os cateteres ultrasônicos. • Utilizar um talco comum. a cirurgia alivia os sintomas. quando há infiltração de sangue no revestimento da artéria com produção de uma protuberância e interrupção do fluxo sangüíneo ou quando existe uma hemorragia (geralmente decorrente do uso da heparina para prevenir a formação de coágulos). calos e espessamentos (ceratoses). • Calçar sapatos confortáveis. com a parte superior elástica. • Não utilizar agentes químicos aderentes ou irritantes. são utilizados outros dispositivos para aliviar as obstruções. • Utilizar um lubrificante. solicitar ao podólogo uma prescrição de calçados especiais. apenas os tabagistas são afetados e a persistência no vício agrava o quadro. • Não utilizar ligas ou meias apertadas. • Lavar os pés diariamente com água morna e sabonete neutro. para a pele seca. o cirurgião pode realizar um enxerto de derivação (bypass). Em alguns casos. solicitar os serviços de um podólogo. • Trocar de meias diariamente e de sapatos com freqüência. O fato de apenas um pequeno número de tabagistas apresentar a doença de Buerger sugere que algumas pessoas são mais suscetíveis. Esta doença afeta predominantemente os indivíduos do sexo masculino. de modo que haja uma comunicação entre a parte superior da artéria obstruída e a parte situada abaixo da obstrução. Além do cateter com balão. Outra técnica consiste na remoção da parte obstruída ou estenosada e a inserção de um enxerto em seu lugar. não se sabe a razão pela qual nem como o tabagismo causa esse problema. (Se necessário. Apenas 5% dos indivíduos afetados são do sexo feminino. No entanto. feridas.

ao frio ou a substâncias. antagonistas do cálcio ou inibidores plaquetários (p. os pés. os indivíduos afetados apresentam o fenômeno de Raynaud e câimbras musculares. mas ainda apresentam oclusão arterial. Raramente. e medicamentos que possam levar a uma constrição dos vasos sangüíneos (vasoconstritores). ele deve evitar a exposição ao frio. Eles devem proteger os pés com faixas providas de almofadas no calcanhar ou com botas de espuma de borracha. Cerca de 40% das pessoas acometidas pela doença de Buerger apresentam episódios de inflamação nas veias – particularmente nas veias superficiais – e nas artérias dos pés ou das pernas. as mãos.Os sintomas da diminuição da irrigação sangüínea aos membros superiores e inferiores surgem de forma gradual. como o iodo ou ácidos. seu estado irá piorar de forma inexorável e. nas mãos. provavelmente devido à reação nervosa à dor persistente e intensa. a redução de calosidades). O membro afetado pode apresentar diminuição da temperatura. especialmente quando a obstrução é decorrente de um espasmo. visando impedir o espasmo. pois as artérias afetadas por essa doença são muito pequenas. iniciando nas pontas dos dedos das mãos ou dos pés e progredindo na direção proximal pelos membros superiores e inferiores. Esses distúrbios podem ser causados por um defeito dos vasos sangüíneos ou por distúrbios dos nervos que controlam a dilatação e a contração das artérias (sistema nervoso simpático). o paciente pode apresentar úlceras e/ou gangrena. A mão (ou o pé) torna-se fria. lesões causadas por sapatos apertados ou pequenas cirurgias (por exemplo. Estudos ultra-sonográficos revelam uma queda acentuada da pressão sangüínea e do fluxo sangüíneo nos pés. caso contrário. ocorre a gangrena. finalmente. os cirurgiões podem melhorar o fluxo sangüíneo através da secção de determinados nervos vizinhos. geralmente no arco dos pés ou nas pernas. a dor torna-se mais intensa e persistente. Tratamento O indivíduo com doença de Buerger deve parar de fumar ou. duas vezes ao dia. mãos e dedos dos pés e das mãos afetados. apresenta uma sudorese profusa e torna-se azulada. dormência. lesões devidas ao calor. São recomendadas caminhadas durante 15 ou 30 minutos. os dedos das mãos ou dos pés afetados tornam-se pálidos ao serem elevados acima do nível do coração e tornamse vermelhos quando colocados abaixo desse nível. infecções por fungos. especialmente nas mãos e nos pés. em última instância. Para aqueles que abandonaram o tabagismo. As angiografias (radiografias das artérias) revelam as artérias obstruídas e outras anormalidades da circulação. os cirurgiões realizam enxertos de derivação (bypass). mais raramente. topo Doença de Raynaud e Fenômeno de Raynaud 173 . insensibilidade. para que a força da gravidade facilite o fluxo sangüíneo através das artérias. úlceras ou que sintam dor em repouso. aspirina). Estes podem necessitar de repouso ao leito. e. Diagnóstico Em mais de 50% dos casos. Freqüentemente. geralmente de um ou mais dedos (das mãos ou dos pés). exceto para os indivíduos com gangrena. o pulso é fraco ou ausente em uma ou em mais artérias dos pés ou dos punhos. Freqüentemente. será necessária a realização de uma amputação.. Além disso. No início da doença. formigamento ou sensação de queimação antes que o médico observe qualquer sinal. utilizadas no tratamento de calos e ceratoses. Os indivíduos afetados podem apresentar úlceras cutâneas e gangrena. até que. Com o agravamento da obstrução. nos braços ou nas coxas. A cabeceira da cama pode ser elevada com calços de 15 a 20 centímetros. topo Distúrbios Funcionais das Artérias Periféricas A maioria desses distúrbios são decorrentes de um espasmo de artérias dos membros superiores ou inferiores. Essas anomalias dos nervos podem ser decorrentes de uma obstrução causada pela aterosclerose. O médico pode prescrever pentoxifilina. ex.

as técnicas de relaxamento. artrite reumatóide. O espasmo pode durar minutos ou horas. menos comumente. emoções ou a exposição ao frio. o cirurgião pode realizar a secção de nervos simpáticos para aliviar os sintomas. mas ela torna-se evidente dentro de um período de dois anos. hipoatividade da tireóide. brilhante e distendido. geralmente dos dedos das mãos e dos pés. a pele torna-se pálida ou apresenta manchas irregulares avermelhadas ou azuladas. Os dedos das mãos e dos pés e as próprias mãos e pés 174 . a clonidina e derivados da ergotamina) podem piorá-lo. Causas As possíveis causas incluem a esclerodermia. mas as drogas que promovem a constrição dos vasos sangüíneos (como os betabloqueadores. Tratamento O controle da doença de Raynaud leve pode ser feito através da proteção do tronco. com a formação de áreas irregulares vermelhas e brancas. lesões e reações a determinados medicamentos. Alguns indivíduos que apresentam o fenômeno de Raynaud também apresentam enxaqueca. angina variante e hipertensão pulmonar (aumento da pressão arterial nos pulmões). No entanto. Essa cirurgia. dos pés. a fenoxibenzamina. é desencadeado pela exposição ao frio. Pequenas lesões dolorosas podem ocorrer nas pontas dos dedos. A fenoxibenzamina pode ser útil. como a ergotamina e a metilsergida. Os indivíduos afetados devem interromper o tabagismo. Sintomas e Diagnóstico O espasmo de pequenas artérias dos dedos das mãos e dos pés ocorre rapidamente e. O aquecimento das mãos ou dos pés restaura a cor e as sensações normais. podem reduzir os espasmos. apresentando um aspecto liso. mas são comuns a ocorrência de insensibilidade ou formigamento. os dedos atingidos não doem. quando o indivíduo apresenta o fenômeno de Raynaud há muito tempo (especialmente na presença de esclerodermia). persistente e indolor de ambas as mãos e. as áreas afetadas podem tornar. a causa subjacente não pode ser diagnosticada no início. Comumente. por exemplo. Entre 60% e 90% dos casos de doença de Raynaud ocorrem em mulheres jovens. Habitualmente. muito freqüentemente. Em alguns casos. a pele dos dedos pode sofrer alterações permanentes. Qualquer fator que estimule o sistema nervoso simpático como. a metildopa ou a pentoxifilina podem ser úteis. Os dedos tornam-se pálidos. Essas associações sugerem que a causa dos espasmos arteriais pode ser a mesma em todos esses distúrbios. o distúrbio afeta as mulheres e não necessariamente aquelas que apresentam doença arterial oclusiva. Pode ocorrer acometimento de apenas um dos dedos da mão ou do pé ou parte de um ou de mais dedos. aterosclerose.A doença de Raynaud e o fenômeno de Raynaud são distúrbios nos quais pequenas artérias (arteríolas). geralmente é mais eficaz nos casos de doença de Raynaud do que nos de fenômeno de Raynaud. dos membros superiores e inferiores contra o frio e da utilização de sedativos leves. Para alguns poucos indivíduos. mas o efeito pode durar somente um ou dois anos. No caso de incapacidade progressiva e quando os outros tratamentos são ineficazes. topo Acrocianose A acrocianose é a coloração azulada . distúrbios nervosos. sensação de alfinetadas e agulhadas e de queimação. Geralmente. geralmente em forma de manchas. Os médicos utilizam o termo “doença de Raynaud” quando não existe uma causa subjacente aparente e o termo “fenômeno de Raynaud” quando a causa é conhecida. Quando o episódio termina. pois a nicotina promove a constrição dos vasos sangüíneos. em conseqüência. O médico trata o fenômeno de Raynaud tratando a causa subjacente. denominada simpatectomia. Ocasionalmente. como o biofeedback.se mais rosadas que o normal ou azuladas. pode causar espasmos arteriais. a qual é causada por um espasmo de causa desconhecida dos pequenos vasos sangüíneos da pele. sofrem um espasmo e. a doença de Raynaud é tratada com prazosina ou nifedipina. os médicos solicitam exames laboratoriais antes e após a exposição ao frio intenso. Para diferenciar a oclusão arterial do espasmo arterial.

mas. mas a maioria necessita de anos para se desenvolver. O distúrbio é indolor e não lesa a pele. Seção 3 . Qualquer um desses distúrbios pode ser imediatamente fatal. em seguida. Os médicos podem prescrever drogas vasodilatadoras. o distribui por todo o corpo.se nos sintomas persistentes. o tratamento é desnecessário. Geralmente. topo Aneurismas 175 . rupturas externas. os quais limitamse às mãos e aos pés dos pacientes juntamente com pulsos normais. é realizada a secção de nervos simpáticos para alívio dos sintomas. a aorta ramifica-se em artérias tributárias menores ao longo de seu trajeto. desde o ventrículo esquerdo até a parte inferior do abdômem. Visualização da Aorta e de seus Ramos Principais O sangue que deixa o coração através da aorta chega a todas as regiões do organismo. ao nível da porção superior do osso do quadril (pelve). com exceção dos pulmões.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 29 . as temperaturas baixas aumentam a coloração azulada.Aneurismas e Dissecção da Aorta Aneurismas Dissecção da Aorta A aorta. Essas áreas podem aumentar de volume (edema). a maior artéria do organismo. Os distúrbios da aorta incluem as áreas frágeis de suas paredes que permitem a formação de dilatações (aneurismas). recebe todo o sangue ejetado do ventrículo esquerdo e. essas substâncias não são eficazes. enquanto o aquecimento a reduz. hemorragias e a separação das camadas da parede arterial (dissecção). Muito raramente. Comumente.tornam-se constantemente frios e azulados e apresentam sudorese abundantemente. na maioria dos casos. Os médicos diagnosticam o distúrbio baseando. excetuandose os pulmões. Como um grande rio.

Um aneurisma abdominal roto é freqüentemente fatal. freqüentemente doem espontaneamente ou quando são pressionados durante o exame da região abdominal. sendo esses últimos os mais freqüentes. Tratamento A menos que o aneurisma esteja rompendo.9 a 2. Traumatismo. porém é mais cara que a ultra-sonografia e é raramente necessária. No entanto. a infecção começa em uma outra região do corpo. Uma radiografia abdominal pode revelar um aneurisma que possui depósitos de cálcio em sua parede. a dilatação (aneurisma) ocorre em uma área frágil da parede da artéria. que estão prestes a romper. mas trata-se de um exame mais caro. Aneurismas da Aorta Abdominal Os aneurismas localizados no segmento da aorta que passa pelo abdômen tendem a ocorrer em uma mesma família. Os aneurismas são protuberâncias arredondadas (saculares) ou tubulares (fusiformes). Vários procedimentos laboratoriais auxiliam no diagnóstico de aneurismas. Em geral.5 centímetros. Por essa razão. um exame ultra-sonográfico revela com nitidez o tamanho do aneurisma. Muitos deles são decorrentes de uma debilidade congênita ou da aterosclerose. Diagnóstico A dor é um sintoma diagnóstico muito útil. Geralmente. a qual apresenta um alto risco. durante exames físicos de rotina ou por radiografias realizadas por outra razão qualquer. o tratamento inclui a reparação cirúrgica. Comumente. (O diâmetro normal da aorta é de 1. a ruptura é uma ocorrência mais comum. A hipertensão arterial e o tabagismo aumentam o risco aneurisma. o qual pode disseminar-se ao longo de toda a parede. o tratamento dependerá de seu tamanho. da aorta. Nos indivíduos obesos. Os aneurismas também podem desenvolver-se em outras artérias que não a aorta. o indivíduo pode entrar rapidamente em choque.) Sintomas Um indivíduo com aneurisma da aorta abdominal freqüentemente começa a perceber uma espécie de pulsação no abdômen. Freqüentemente. Freqüentemente. e a sífilis são distúrbios que predispõem um indivíduo à formação de aneurismas. geralmente uma dor profunda e penetrante. outros são devidos a lesões causadas por arma branca ou por arma de fogo ou por infecções bacterianas ou fúngicas na parede arterial. Esses aneurismas freqüentemente atingem mais de 7 centímetros e podem romper. é ainda mais precisa na determinação do tamanho e da forma do aneurisma. a qual enfraquece suficientemente a parede da aorta até a pressão intra-arterial provocar a sua protrusão. No caso de um sangramento interno grave. muitos indivíduos com aneurisma não apresentam sintomas e são diagnosticadas por acaso.Um aneurisma é uma saliência ou protrusão (dilatação) na parede de uma artéria. A dor pode ser intensa e constante. Os aneurismas infectados de artérias cerebrais são particularmente perigosos e exigem um tratamento precoce. três quartos desses defeitos ocorrem no segmento abdominal. quando é maior do que 6 centímetros. ocorre a formação de um coágulo sangüíneo (trombo) no aneurisma. mas. A tomografia computadorizada (TC) abdominal. a 176 . No caso da síndrome de Marfan. principalmente qando realizada após a injeção intravenosa de um contraste. mais comumente em uma válvula cardíaca. Embora possam ocorrer em qualquer local ao longo da aorta. mesmo aneurismas grandes podem passar desapercebidos. geralmente. O médico pode sentir uma massa pulsátil na linha média do abdômen. como a síndrome de Marfan. mas que surge tardiamente. Os aneurismas de crescimento rápido. Geralmente. distúrbios hereditários do tecido conjuntivo. doenças inflamatórias da aorta. o aneurisma pode desenvolver-se na aorta ascendente (o segmento que emerge diretamente do coração). sobretudo na região dorsal. embora ela possa ser aliviada com a mudança de posição. o primeiro sinal de uma ruptura é uma dor intensa na região inferior do abdômen e nas costas e sensibilidade na área sobre o aneurisma. Um aneurisma com menos de 5 centímetros de largura raramente se rompe. A ressonância magnética (RM) também é precisa. O aneurisma pode causar dor. Muitas vezes. esses aneurismas desenvolvem-se em pessoas com hipertensão arterial. os médicos geralmente recomendam a cirurgia para aneurismas com mais de 5 centímetros de largura. Os aneurismas da aorta são decorrentes principalmente da aterosclerose.

Além disso. a dor intensa geralmente começa na porção superior das costas. O indivíduo pode apresentar um conjunto de sintomas (síndrome de Horner) que consiste na constrição pupilar. Uma radiografia torácica obtida por outra razão qualquer pode revelar a existência de um aneurisma. o canal que transporta os alimentos até o estômago. A dor também pode ser sentida no tórax e nos membros superiores. na queda palpebral e na sudorese em apenas um dos lados do rosto. a probabilidade de sobrevivência é muito baixa. Um aneurisma roto e não tratado sempre é fatal. Tratamento Geralmente. pode tornar a deglutição difícil. Quando ocorre ruptura de um aneurisma da aorta torácica. Essa dilatação pode causar disfunção da válvula localizada entre o coração e a aorta (válvula aórtica). Os sintomas típicos são a dor (normalmente na na parte superior das costas). A ruptura ou a ameaça de ruptura de um aneurisma abdominal exige uma cirurgia de emergência. A dor pode irradiar pelas costas e atingir o abdômen à medida que a ruptura progride. quando um aneurisma da aorta torácica apresenta 7 centímetros de largura ou mais. Aneurismas da Aorta Abdominal Torácica Os aneurismas localizados no segmento da aorta que avança ao longo do tórax são responsáveis por um quarto de todos os aneurismas aórticos. O índice de mortalidade decorrente desse tipo de cirurgia é de aproximadamente 2%. Caso ocorra insuficiência renal após a cirurgia. pulsações anormais da parede torácica também podem ser um sinal de um aneurisma da aorta torácica. pode ser instituída a terapia medicamentosa com um betabloqueador para reduzir a freqüência cardíaca e a pressão arterial o bastante para diminuir o risco de ruptura. Nos demais 50%. permitindo o refluxo sangüíneo ao coração quando a válvula se fecha. Os sintomas são decorrentes da pressão exercida pela aorta sobre as estruturas vizinhas. é realizada a reparação cirúrgica utilizando. O risco de morte durante a reparação de aneurismas da aorta torácica é alto (cerca de 10% a 15%) Por essa razão. Como a ruptura é mais provável em pessoas porta doras da síndrome de Marfan. são utilizadas a tomografia computadorizada (TC). Diagnóstico O médico pode diagnosticar um aneurisma da aorta torácica baseando-se nos sintomas ou pode diagnosticar um aneurisma por acaso. Em uma forma particularmente comum de aneurisma da aorta torácica. a tosse e sibilos.se um enxerto sintético. A aortografia (procedimento radiológico realizado após a injeção de um contraste que delineia o aneurisma) é comumente utilizada para ajudar o médico a determinar a necessidade ou não de uma cirurgia e também o tipo de cirurgia mais adequada. O risco de morte durante uma cirurgia para um aneurisma roto é de aproximadamente de 50%. Quando ocorre a ruptura de um aneurisma. O indivíduo pode entrar rapidamente em choque e morrer devido à perda sangüínea. A rouquidão pode ser decorrente da pressão sobre o nervo que inerva a laringe. o distúrbio não possui uma causa aparente. os médicos podem recomendar que esses pacientes sejam submetidos à reparação cirúrgica mesmo de aneurismas menores. As radiografias torácicas podem revelar deslocalmento da traquéia. a aorta dilata-se ao deixar o coração. A pressão sobre o esôfago. A pessoa pode expectorar sangue em decorrência da pressão exercida sobre a traquéia ou da erosão desse órgão ou das vias respiratórias vizinhas. os rins apresentam risco de lesão em função do comprometimento da irrigação sangüínea ou do choque relacionado à perda de sangue. simulando um infarto do miocárdio.menos que o procedimento seja arriscado demais por outras razões médicas. Sintomas Os aneurismas da aorta torácica podem tornarse enormes sem produzir sintomas. A cirurgia consiste na colocação de um enxerto sintético para reparar o aneurisma. a ressonância magnética (RM) ou a ultra-sonografia transesofágica. durante um exame. Para se determinar com precisão o tamanho do aneurisma. Cerca de 50% dos indivíduos com esse problema são portadores da síndrome de Marfan ou de uma de suas variações. topo 177 . embora muitas dessas pessoas sejam hipertensas.

o infarto do miocárdio. aterosclerose. acarretando vazamento de sangue. na qual o revestimento interno da parede da aorta sofre laceração. Ocorre escape de sangue através da laceração. Raramente. geralmente descrita como “dilacerante”. a dor abdominal súbita. na direção do coração. Sintomas Teoricamente. Pode ocorrer acúmulo de sangue no tórax. e lesões traumáticas. as conseqüências incluem o acidente vascular cerebral. Uma dissecção que avança de forma retrógrada. a dissecção ocorre acidentalmente. a qual está presente em mais de dois terços das pessoas que apresentam dissecções da aorta. a qual geralmente é de forte intensidade e súbita. defeitos congênitos do coração e dos vasos sangüíneos. se ocorrer algum erro ou defeito. Freqüentemente. qualquer indivíduo que apresenta uma dissecção da aorta sente dor. a lesão nervosa com produção de formigamento e a incapacidade de movimentar um membro. Durante o exame. Também é freqüente a dor na região dorsal. o revestimento interno da parede da aorta sofre laceração. a dor acompanha o trajeto da dissecção ao longo da aorta. durante a passagem de um cateter arterial (como pode ocorrer durante a realização de uma aortografia ou de uma angiografia) ou de uma cirurgia cardíaca ou vascular. A deterioração da parede arterial é responsável pela maior parte das dissecções da aorta. Compreendendo a Dissecção Aórtica Na dissecção da aorta. A causa mais comum dessa deterioração é a hipertensão arterial. persistência do canal arterial e defeitos da válvula aórtica. os pacientes sentem uma dor torácica. pode obstruir um ponto onde uma ou mais artérias conectam-se à aorta. Mais comumente. enquanto o revestimento externo permanece intacto. o qual pode ser auscultado com o auxílio de um estetoscópio. À medida que a dissecação avança. Dependendo de quais artérias são bloqueadas. com dissecação da camada média e criação de um novo canal na parede aórtica. entre as escápulas. pode produzir um sopro. dois terços dos indivíduos com dissecção da aorta apresentam diminuição ou ausência de pulso nos membros superiores e inferiores. 178 . especialmente as síndromes de Marfan e de Ehlers-Danlos. como a coarctação da aorta. o qual disseca (separa) a camada média e cria novo canal na parede arterial. hematoma dissecante) é uma condição freqüentemente fatal. Diagnóstico Os sintomas característicos de uma dissecção aórtica geralmente tornam o diagnóstico óbvio para o médico. Outras causas incluem os distúrbios hereditários do tecido conjuntivo.Dissecção da Aorta Uma dissecção da aorta (aneurisma dissecante.

Logo após o início da terapia medicamentosa. O índice de mortalidade da cirurgia realizada em grandes centros médicos especializados é atualmente de aproximadamente 15% para as dissecções da aorta mais próximas do coração e um pouco mais elevada para as dissecções um pouco mais distantes. continuam vivas cinco anos após o tratamento e 40% deles sobrevive pelo menos dez anos. Normalmente. o qual visa manter a pressão arterial baixa e. cerca de um terço morre por complicações da dissecção. o que é importante em uma situação de emergência. os médicos recomendam a cirurgia para dissecções que afetam os primeiros centímetros da aorta. Ao contrário. os médicos geralmente mantêm o tratamento medicamento. os médicos administram medicamentos destinados a reduzir a freqüência cardíaca e a pressão arterial até os níveis mais baixos que manterão um suprimento sangüíneo adequado ao cérebro. os outros dois terços morrem devido a outras doenças. a cirurgia é necessária. Qualquer uma dessas complicações pode necessitar de uma correção cirúrgica. Prognóstico Cerca de 75% dos indivíduos com dissecção da aorta e que não são tratados morrem nas duas primeiras semanas. Para as dissecções mais distantes do coração.O sangue que escapa através de uma dissecção e que se acumula em torno do coração pode impedir que seus batimentos sejam adequados. Seção 3 . pressão arterial e freqüência respiratória) são rigorosamente controlados. ao coração e aos rins. Se a válvula aórtica apresentar refluxo. A morte pode ocorrer poucas horas após o início da dissecção da aorta. excetuando. Tratamento Os indivíduos com dissecção da aorta são internadas em unidades de terapia intensiva. diminuindo a pressão sobre a aorta. impedindo que o sangue entre pelo falso canal e a aorta é reconstruída com o auxílio de um enxerto sintético. 60% dos indivíduos tratados que que sobrevivem às duas primeiras semanas. das quais as três mais importantes são: uma nova dissecção.Distúrbios do Coração e dos Vasos Sangüíneos Capítulo 30 . As radiografias torácicas revelam aortas dilatadas em 90% das pessoas sintomáticas. uma terapia medicamentosa de longo prazo. Os médicos também devem ficar atentos às complicações tardias. a formação de aneurismas na aorta enfraquecida e a insuficiência progressiva da válvula aórtica. mesmo quando não existe dilatação da aorta. é removida a maior área possível de aorta dissecada. Por essa razão. o cirurgião realiza a sua reparação ou a sua substituição. a ultra-sonografia confirma o diagnóstico. Nesses casos.Distúrbios Venosos e Linfáticos Fístula Arteriovenosa T r o m b o s e V Linfedema Lipedema 179 . onde seus sinais vitais (pulso. A tomografia computadorizada (TC) realizada após a injeção de um contraste é uma técnica confiável e que pode ser realizada rapidamente. inclusive aqueles submetidos ao tratamento cirúrgico. conseqüentemente. Geralmente. Os médicos prescrevem a todos os indivíduos com dissecção da aorta. Dos indivíduos que morrem nas duas primeiras semanas. produzindo um tamponamento cardíaco – uma condição potencialmente letal. próximos do coração. assim que possível.se os casos de dissecções que provocam escape de sangue através da artéria ou de dissecções nos indivíduos com síndrome de Marfan. Durante a cirurgia. o médico deve decidir entre a recomendação de cirurgia e a continuidade do tratamento medicamentoso. exceto quando complicações da dissecção implicam em um risco cirúrgico muito alto.

essa pressão baixa pode causar problemas. drena seu conteúdo no sistema venoso do pescoço. Os principais problemas que afetam o sistema linfático ocorrem quando os vasos são incapazes de conter o volume de líquido que circulará no seu interior e quando os vasos são obstruídos por uma inflamação ou por por um tumor. Válvulas Unidirecionais nas Veias Estas duas ilustrações mostram como as válvulas venosas funcionam. A ilustração à esquerda mostra as válvulas abertas pelo fluxo sangüíneo normal. nas veias dos membros inferiores. essas veias são fortemente comprimidas em cada passo. o sangue nas veias superficiais flui mais lentamente que nas veias profundas. o sangue deve fluir das veias dos membros inferiores em direção ascendente. minerais. As veias profundas têm um papel importante na propulsão do sangue para cima. a compressão das veias profundas empurra o sangue para cima. os quais provêem a proteção contra a disseminação de infecções ou de cânceres.a coagulação e defeitos que acarretam distensão e a formação de varizes. as quais se abrem como um par de portas basculantes. a pressão sangüínea em todas as veias é baixa e. localizadas nos músculos. Nos membros inferiores. e. pois não são circundadas por músculos. Grande parte do sangue que flui para cima através das veias superficiais é desviada para as veias profundas através das veias curtas que conectam os dois sistemas. finalmente. O sangue empurra as cúspides. O sistema linfático é constituído por vasos com paredes delgadas. mas o sangue forçado na direção oposta pela gravidade faz com que as cúspides se fechem. Assim como ao se espremer um tubo de pasta de dente. As veias superficiais possuem o mesmo tipo de válvula.e n o s a P r o f u n d a Flebite Superficial Varizes As veias transportam o sangue proveniente de todos os órgãos do corpo ao coração. localizadas na camada adiposa subcutânea. O sistema faz com que o líquido passe através dos linfonodos (gânglios linfáticos). Cada válvula é constituída por duas metades (cúspides) com bordas entram em contato. estão localizados dois grupos principais de veias: as veias superficiais. proteínas. Quando o indivíduo encontra-se em pé. Essas veias transportam 90% ou mais do sangue dos membros inferiores em direção ao coração. Localizadas no interior dos poderosos músculos da panturrilha. Os principais problemas que afetam as veias são: a inflamação. 180 . e as veias profundas. Normalmente. o seu conteúdo é ejetado. Existem algumas veias curtas que conectam tanto as veias superficiais às profundas. nutrientes e outras substâncias de todos os órgãos do organismo até as veias. as veias profundas possuem válvulas unidirecionais. Para manter a direção ascendente do fluxo sangüíneo. para chegar ao coração. a da direita mostra as válvulas fechadas por um fluxo retrógrado do sangue. Por essa razão. mas essas veias não estão sujeitas a qualquer pressão. os quais drenam líquido.

esses êmbolos enormes não são comuns. nãotratada. Como o sangue das veias das pernas flui até o coração e. A trombose venosa profunda é perigosa. A trombose venosa profunda não deve ser confundida com a flebite de varizes. a hipercoagulabilidade do sangue relacionada a alguns tipos de câncer e. podendo levar rapidamente à morte. até os pulmões. apenas os trombos que ocorrem nas veias profundas são potencialmente perigosos. e o retar do fluxo sangüíneo nas veias. mas que. 181 . A ação da constrição dos músculos da panturrilha pode desalojar o trombo. Causas Três fatores podem contribuir para a trombose venosa profunda: a lesão do revestimento da veia. Um trombo móvel é denominado êmbolo.topo Trombose Venosa Profunda A trombose venosa profunda é a coagulação do sangue nesse tipo de veia. Um êmbolo pulmonar grande pode obstruir parcialmente ou quase totalmente o fluxo sangüíneo proveniente do lado direito do coração e direcionado aos pulmões. pois uma parte ou todo o trombo. a qual é um processo doloroso. ou parte dele pode se soltar e circular através da corrente sangüínea. Felizmente. Quanto menor for a inflamação em torno de um trombo. especialmente no caso de indivíduos convalescentes que se tornam mais ativas. Apesar da possibilidade de ocorrência de trombos tanto nas veias superficiais quanto nas profundas dos membros inferiores. O coágulo que se forma em um vaso sangüíneo é denominado trombo. os êmbolos originários dessas veias obstruirão uma ou mais artérias dos pulmões. o médico controla rigorosamente todo indivíduo com uma trombose venosa profunda. uma condição denominada embolia pulmonar. mas ninguém pode prever quando uma trombose venosa profunda. comparativamente. menos firmemente essa estrutura irá aderir à parede da veia e maior será a probabilidade dela se transformar em um êmbolo. raramente. acarretará uma embolia maciça. ao uso de contraceptivos orais. é muito menos perigoso. Por essa razão. em seguida. A gravidade da embolia pulmonar depende do tamanho e do número dos êmbolos. alojando-se em uma artéria estreita do pulmão e obstruindo o fluxo sangüíneo.

uma vez que os músculos das panturrilhas não contraem e não pressionam o sangue em direção ao coração. Alguns trombos são “curados” através da sua conversão em tecido cicatricial. o médico deve solicitar cintilografia pulmonar para confirmar o diagnóstico e ultrasonografia dos membros inferiores para avaliá-los. Quando esse distúrbio é suspeitado. por exemplo. A pele com a cor alterada torna-se vulnerável e mesmo uma pequena lesão. do pé ou da coxa. o edema piora no final do dia devido ao efeito da gravidade. aqueles recém-submetidos a uma cirurgia de grande porte ou aqueles que realizam viagens longas) devem flexionar e estender os tornozelos aproximadamente dez vezes a cada 30 minutos. elas são de plástico e são insufladas e desinsufladas automaticamente através de um dispositivo elétrico. essas meias podem enrolar e agravar o problema pela obstrução do fluxo sangüíneo nas pernas. Geralmente. a panturrilha edemacia (incha) e pode tornar-se dolorida. ele pode ser reduzido de várias maneiras. Quando a trombose venosa profunda causa inflamação importante e obstrução do fluxo sangüíneo. Se a localização da obstrução for em um ponto suficientemente alto. Os indivíduos com risco de trombose venosa profunda (p. pode causar sua ruptura e produzir uma úlcera. comprimindo as panturrilhas 182 . As meias pneumáticas são uma outra forma eficaz de prevenir a formação de coágulos. Nesses indivíduos. Prevenção e Tratamento Embora o risco de trombose venosa profunda não possa ser inteiramente eliminado. A trombose pode ocorrer mesmo em pessoas saudáveis que permanecem sentadas durante longos períodos como. durante e. a trombose venosa profunda pode ocorrer em pacientes vítimas de um infarto do miocárdio que permanecem hospitalizadas durante vários dias e que realizam poucos movimentos com os membros inferiores ou em paraplégicos que permanecem sentados durante longos períodos e cujos músculos não funcionam. o exame ultrasonográfico das veias dos membros inferiores (duplex scan) pode confirmar o diagnóstico. pois o paciente não apresenta dor e. às vezes. A terapia anticoagulante antes. após a cirurgia reduz a coagulação do sangue de forma muito mais eficaz. Sintomas Cerca de metade dos indivíduos com trombose venosa profunda não apresentam qualquer sintoma. Durante a noite. Dependendo das veias envolvidas. as meias elásticas proporcionam uma proteção mínima e podem dar uma falsa sensação de segurança. Caso não sejam utilizadas de forma correta. Por exemplo. o edema pode se estender até a perna e inclusive afetar a coxa. o edema diminui ou desaparece porque as veias esvaziam satisfatoriamente quando as pernas encontram-se na posição horizontal. Essa alteração da cor é devida aos eritrócitos (hemácias) que escapam das veias dilatadas para o interior da pele. Entretanto. freqüentemente. O uso contínuo de meias elásticas (meias compressivas) produz uma diminuição discreta do calibre das veias e faz com que o sangue flua mais rapidamente. durante viagens longas de automóvel ou em viagens aéreas a locais muito distantes. Diagnóstico O diagnóstico de uma trombose venosa profunda pode ser difícil. como um arranhão ou uma batida. o que diminui a probabilidade de formação de coágulos.. O conseqüente acúmulo de líquido (edema) pode produzir aumento de volume do tornozelo.como ocorre durante um repouso ao leito prolongado. desencorajando a instituição de métodos de prevenção mais eficazes. As lesões ou as cirurgias de grande porte também podem aumentar a tendência do sangue de coagular. Um sintoma tardio da trombose venosa profunda é a alteração da cor da pele para o castanho. ele também não apresenta edema ou apenas um edema muito discreto. também pode ocorrer aumento de volume do tornozelo. Quando o indivíduo permanece em pé ou sentado. Se o paciente apresentar sintomas de embolia pulmonar.ex. o qual pode lesar válvulas venosas. sensível ao toque e quente. normalmente acima do tornozelo. a dor torácica causada pela embolia pulmonar pode ser a primeira indicação de que algo de anormal está ocorrendo.

A flebite pode ocorrer em qualquer veia do corpo. Úlceras Cutâneas Quando ocorrem úlceras cutâneas dolorosas. mais freqüentemente. Esses enfaixamentos devem ser realizados pelo médico ou por um enfermeiro experiente e devem ser mantidos por vários dias. As veias nunca se recuperam após uma trombose venosa profunda e a cirurgia corretiva encontra. não é necessária a utilização de meias elásticas do tipo leotard ou de meias-calças elásticas de forte compressão. Normalmente. a maioria dos indivíduos com varizes não apresentam flebite. é importante que a pessoa caminhe. o paciente deve comprar sete meias (ou sete pares de meias. os enfaixamentos devem ser refeitos.se em fase experimental. As meias pneumáticas são colocadas antes da cirurgia e mantidas durante a sua realização. Durante esse período. se ambos os membros inferiores estiverem afetados). ela afeta as veias dos membros inferiores. 183 . que causa uma inflamação mínima e é freqüentemente indolor. diminuindo a sua possibilidade de se desprender. o paciente deve utilizar meias elásticas durante todo o dia. a flebite ocorre em indivíduos com varizes. para evitar a recorrência do edema. o uso diário de meias elásticas pode evitar as recorrências. Sintomas e Diagnóstico Rapidamente. Em seguida. pois o edema acima dessa articulação é pouco importante e não causa complicações. Se o edema não desaparecer completamente. Os cremes de pele. Como o sangue na veia está coagulado. topo Flebite Superficial A flebite superficial (tromboflebite. Por essas razões. inchaço e rubor da pele sobre a veia e a área afetada torna-se quente. mas. Dessa forma. Geralmente. O pus e a secreção podem ser removidos da pele através da lavagem com sabonete e água. elas devem ser lavadas e guardadas para a semana seguinte. o uso adequado do enfaixamento compressivo pode ser útil. Após a remoção dos enfaixamentos compressivos. No entanto. Se as condições financeiras permitirem. a flebite superficial envolve uma reação inflamatória súbita (aguda). a úlcera cura por si. esses enfaixamentos quase sempre curam a úlcera por aumentarem o fluxo sangüíneo nas veias. os bálsamos ou os medicamentos tópicos de qualquer tipo têm pouco efeito. a flebite superficial raramente causa embolia. As meias devem ser trocadas assim que se tornam demasiadamente frouxas. Edema dos Membros Inferiores O edema pode ser eliminado através do repouso ao leito e da elevação dos membros inferiores ou através do uso de enfaixamentos compressivos. as veias superficiais não são são envolvidas por músculos que as comprimem e que podem provocar o desalojamento do trombo. Ao contrário das veias profundas. Ao contrário da trombose venosa profunda. Raramente as úlceras que não cicatrizam exigem a realização de um enxerto de pele. Mesmo uma lesão discreta pode provocar a inflamação de uma veia. o paciente apresenta dor localizada. Elas também são mantidas no período pós-operatório até que a pessoa conseguir andar novamente. Aplicados uma ou duas vezes por semana. a veia é palpada como um cordão duro sob a pele e não apresenta a maciez de uma veia normal ou varicosa. a qual faz com que o trombo adira firmemente à parede da veia. as meias duram por muito mais tempo. Após a cicatrização. flebite) é a inflamação e a formação de coágulo em uma veia superficial. As úlceras quase sempre estão infectadas e há presença de pus e de uma secreção fétida na faixa cada vez que o curativo é trocado. uma vez que isto não retarda substancialmente a cicatrização. Após o aumento do fluxo sangüíneo nas veias.repetidamente e esvaziando as veias. As meias devem ser marcadas para cada dia da semana e usadas somente naquele dia. As meias não devem ultrapassar o joelho.

Quando a flebite superficial ocorre na região inguinal (virilha). alguns médicos recomendam uma cirurgia de emergência de ligamento da veia superficial. uma flebite ou um sangramento. A causa exata das varizes não é conhecida. freqüentemente incorretamente atribuídos à pele seca. essa cirurgia é realizada com anestesia local e sem necessidade de internação do paciente. com o qual o paciente permanecerá por alguns dias. ex. Mais importante que o alongamento é a dilatação. podem levar várias semanas podem para que as irregularidades da veia e a sensibilidade desapareçam por completo. mesmo com veias muito dilatadas.se salientes sob a pele. as quais normalmente permitem o fluxo do sangue somente no sentido das veias superficiais para as veias profundas. Com o passar do tempo. Embora a flebite comumente melhore em questão de dias. a qual promove o afastamento das cúspides das válvulas venosas. Um analgésico (p. o médico pode injetar um anestésico local. Essa debilidade pode ser hereditária. Tratamento Muito freqüentemente. 184 . mas provavelmente elas sejam decorrentes de um enfraquecimento das paredes das veias superficiais. as veias enchem-se rapidamente com sangue quando o indivíduo fica em pé e as veias tortuosas e de paredes delgadas dilatam-se ainda mais. Se as válvulas dessas veias comunicantes falharem. a flebite superficial desaparece por si. as varizes geralmente produzem dor e cansaço nos membros inferiores. as veias alongadas tornam-se tortuosas. acima do tornozelo. nitidamente visível quando tornam. Geralmente.se.Essa sensação de cordão endurecido pode estender-se por toda a extensão da veia. em seguida. Para prover um alívio precoce. o diagnóstico torna-se evidente para o médico. A dilatação também afeta algumas das veias comunicantes. onde a veia superficial principal une-se à veia profunda principal. distendam-se e tornem-se mais longas e dilatadas. pruriginoso e descamativo ou uma área acastanhada geralmente na face medial (interna) da perna. como uma dermatite. o trombo pode chegar até o interior da veia profunda e desprender. o sangue reflui às veias superficiais quando os músculos pressionm as veias profundas. a debilidade das paredes faz com que as veias percam sua elasticidade. com um aspecto serpenteante. A dermatite produz um rash cutâneo avermelhado. podem não sentir dor. realizar um enfaixamento compressivo. topo Varizes As varizes são veias superficiais dilatadas dos membros inferiores. fazendo com que as veias superficiais dilatem ainda mais. especialmente quando o membro encontra-se aquecido logo após a retirada das meias. Sintomas e Complicações Além de serem anti-estéticas. Conseqüentemente.. Entretanto. Para que isso não ocorra. a partir do exame da área dolorosa. remover o trombo e. O paciente pode apresentar prurido na perna e no tornozelo. Para que possam caber no mesmo espaço que ocupavam quando eram normais. O paciente pode retomar suas atividades normais logo em seguida. aspirina ou ibuprofeno) pode ajudar a aliviar a dor. Normalmente. muitas pessoas. Apenas uma pequena porcentagem dos indivíduos com varizes apresenta complicações. O prurido pode levar o indivíduo a coçar e produzir arranhões e provocar rubor ou um rash cutâneo. Algumas vezes os sintomas são mais pronuniciados quando as varizes estão em desenvolvimento e não quando elas encontram-se totalmente dilatadas.

Quando as varizes não são visíveis. A elevação das pernas – com o indivíduo deitado ou com o auxílio de um banquinho para descanso dos pés enquanto ele permanece sentado – alivia os sintomas das varizes. o médico experiente pode palpar a perna para determinar a extensão do problema. Diagnóstico As varizes normalmente podem ser observadas salientando-se sob a pele. por um aparelho de barbear ou pelo ato de coçar pode causar sangramento. Geralmente. uma pequena lesão provocada. mas o paciente pode apresentar sintomas antes das veias tornarem. As meias elásticas (meias compressivas) comprimem as veias. Numa veia varicosa. mas não impede a sua ocorrência. porque a veia está anormalmente dilatada.se visíveis. por exemplo. Durante esse período. o objetivo principal do tratamento é aliviar os sintomas. esses exames somente são necessários somente as alterações cutâneas sugerem uma disfunção das veias profundas ou quando o tornozelo do paciente apresenta edema (acúmulo de líquido no tecido sob a pele). elas não devem ser tratadas. As varizes em si não causam edema. melhorar o aspecto e prevenir as complicações. 185 . evitando que elas dilatem e doam. a flebite que ocorre nas varizes raramente causa problemas graves.Os arranhões provocados pelo ato de coçar ou uma pequena lesão podem produzir uma úlcera dolorosa que não cicatriza. Alguns médicos solicitam radiografias ou uma ultra-sonografia para avaliar o funcionamento das veias profundas. Se a pele sobre uma veia varicosa ou uma teleangiectasia (aranha vascular) for delgada. As úlceras também podem sangrar. Embora ela normalmente seja dolorosa. Tratamento Como as varizes não são curáveis. Válvulas em Veias Varicosas Na veia normal. As varizes que aparecem durante a gravidez geralmente melhoram bastante na segunda ou terceira semana após o parto. A flebite pode ocorrer espontaneamente ou ser resultante de uma lesão. as cúspides das válvulas fecham para evitar o retorno do sangue. o que faz o sangue fluir na direção errada. as cúspides não podem fechar.

a qual é uma alternativa à cirurgia. Cirurgia A cirurgia tem como objetivo a remoção da maior quantidade possível de veias varicosas.Os indivíduos que não desejam se submeter a cirurgia ou ao tratamento com injeções ou que apresentam algum problema clínico que impede a realização desses procedimentos. Embora a cirurgia alivie os sintomas e evite complicações. ao invés de transformar-se em tecido cicatricial. o procedimento deixa cicatrizes. Como o procedimento parecia simples. conseqüentemente. Para remover o maior número possível das outras veias. Essencialmente. O cirurgião realiza duas incisões. É injetada uma solução que irrita a veia e causa a formação de um trombo. Como as veias superficiais têm um papel menos importante do que as veias profundas no que diz respeito ao retorno do sangue ao coração. o que explicaria a razão pela qual as teleangiectasias afetam mais as mulheres. a qual é desejável. a cirurgia não elimina a tendência ao desenvolvimento de novas varizes. Muitos dos medicamentos utilizados não eram adequadamente testados e causavam efeitos colaterais desagradáveis ou mesmo perigosos. permite o tratamento de novas varizes que vão se formando e o prosseguimento das atividades diárias normais entre as aplicações. esse procedimento produz um tipo inofensivo de flebite superficial. podem optar pelo uso de meias elásticas. O tratamento com injeções foi popular nos Estados Unidos entre as décadas de 30 e 50. acredita. o tratamento com injeções não exige o uso de anestesia. Embora elas possam ser causadas pela pressão retrógrada do sangue nas varizes. um fio flexível é introduzido ao longo da veia e é puxado para promover a remoção. Quando as teleangiectasias provocam dor ou sensação de queimação ou ainda quando possuem um aspecto desagradável. Freqüentemente. o trombo irá diminuir de tamanho e é mais provável que ocorra a formação de tecido cicatricial. o qual obstrui a veia. Como o procedimento é demorado. elas podem ser tratadas com injeções. o trombo pode dissolver e. A veia safena pode ser removida através de um procedimento chamado fleboextração. No entanto. a veia varicosa reabre. muitos médicos tentavam realizá-lo sem a devida experiência. Entretanto. os indivíduos com varizes também apresentam teleangiectasias (aranhas vasculares). A maior veia superficial é a veia safena interna. é normal o paciente ser submetido a uma anestesia geral. uma na virilha e outra no tornozelo. Embora mais demorado que a cirurgia. topo Fístula Arteriovenosa 186 .se que essas formações sejam resultantes de fatores hormonais ainda pouco compreendidos. maior será o período transcorrido até o surgimento de novas varizes. a qual se estende desde o tornozelo até a virilha. a sua remoção não compromete a circulação desde que as veias profundas estejam funcionando normalmente. as veias são esclerosadas. Se o diâmetro da veia injetada for reduzido pela compressão com uma técnica de enfaixamento especial. de modo que o sangue não consegue passar através delas. Em seguida. Terapia com Injeções (Escleroterapia) Na terapia com injeções. mas caiu em descrédito devido aos maus resultados e às complicações. mesmo com o uso das técnicas modernas. o cirurgião realiza incisões em outras áreas. onde ela une-se à veia profunda principal. As técnicas modernas apresentam uma maior probabilidade de êxito e são seguras para as varizes de todos os tamanhos. sobretudo durante a gestação. Quanto mais extensa for a cirurgia. A cura do trombo leva à formação de tecido cicatricial. e abre a veia em cada extremidade. alguns médicos consideram o tratamento com injeções apenas quando as varizes retornam após a cirurgia ou quando o indivíduo deseja melhorar o aspecto estético. No entanto. Outra vantagem dessa técnica é que a compressão adequada costuma eliminar a dor normalmente associada à flebite de uma veia superficial.

a veia é obstruída por tecido cicatricial.ex. Com o estetoscópio posicionado sobre uma fístula arteriovenosa grande. uma fístula localizada no cérebro). do cérebro ou de outras estruturas importantes pode ser particularmente difícil. Em determinadas regiões. o médico pode optar por criar uma fístula arteriovenosa. Esse procedimento dilata a veia. As fístulas arteriovenosas congênitas são incomuns. conseqüentemente. O contraste. o médico pode auscultar um som característico de vaivem. Na presença de uma fístula arteriovenosa. mais rápido pode ocorrer a insuficiência cardíaca. Se houver escape de sangue para o interior dos tecidos circunvizinhos. As fístulas arteriovenosas adquiridas são corrigidas por um cirurgião assim que possível após o seu diagnóstico.ex. as fístulas arteriovenosas congênitas podem parecer edemaciadas e com uma cor azulavermelhado. Normalmente. algumas vezes. tornando mais fácil a inserção da agulha e. Normalmente o sangue flui das artérias para os capilares e. Para confirmar o diagnóstico e determinar a extensão do problema. As fístulas arteriovenosas adquiridas podem ser causadas por qualquer lesão que cause dano uma artéria e uma veia situadas lado a lado. a veia torna-se inflamada e pode ocorrer coagulação. a área afetada pode aumentar rapidamente de volume. o sangue flui mais rápido e apresenta menor probabilidade de coagular. para as veias. interrompendo o fluxo sangüíneo através da fístula. Com a punção repetida. Ao contrário de algumas fístulas arteriovenosas grandes. como o de uma máquina em atividade (sopro em maquinaria). ou a fístula pode formar-se após o nascimento (fístula adquirida).Uma fístula arteriovenosa é uma comunicação anormal entre uma artéria e uma veia. pois. Sintomas e Diagnóstico Quando próximas à superfície da pele. o médico injeta um contraste nos vasos sangüíneos para distingui-los claramente nas radiografias. por faca ou projétil de arma de fogo. as fístulas apresentam uma cor roxa e podem ser anti-estéticas. por exemplo. o defeito poderá ser tratado através da obstrução da artéria utilizando técnicas complexas de injeção que provocam a formação de trombos. Finalmente. o qual revela o traçado do fluxo sangüíneo. essas fístulas pequenas não causam problemas cardíacos e podem ser fechadas quando não forem mais necessárias. geralmente entre uma veia e uma artéria adjacente do membro superior. o sangue flui diretamente de uma artéria para uma veia. Se uma fístula arteriovenosa adquirida grande não for tratada. Para evitar esse problema. em seguida. Tratamento As fístulas arteriovenosas congênitas pequenas podem ser eliminadas ou destruídas através do tratamento de coagulação a laser. Quanto maior for a fístula. O tratamento das fístulas arteriovenosas próximas do olho. A pessoa pode nascer com uma fístula arteriovenosa (fístula congênita). diálise renal) exigem a realização de uma punção venosa a cada sessão.. como a face. as paredes das veias dilatam e formam protuberâncias (às vezes parecendo varizes). A fístula pode surgir imediatamente ou pode desenvolver-se em algumas horas. um volume considerável de sangue com maior pressão flui da artéria para o interior da rede venosa. topo Linfedema 187 . desviando dos capilares. O retorno anormalmente rápido do sangue ao coração através da comunicação arteriovenosa pode provocar tensão ao coração e acarretar insuficiência cardíaca. a lesão é uma ferida perfurante causada. Alguns tratamentos clínicos (p. as fístulas são maiores do que aparentam ser na superfície. Se o cirurgião não conseguir atingir a fístula com facilidade (p. Esse procedimento deve ser efetuado por um cirurgião vascular experiente. pode ser observado nas radiografias (angiografias). Não sendo fortes o suficiente para resistir a pressão tão elevada..

produzindo um quadro denominado linfadenite.O linfedema é o aumento de volume causado por uma interferência na drenagem normal da linfa de volta ao sangue. 188 . encontra-se edemaciada. o edema torna-se evidente posteriormente. os nutrientes e todas as substâncias essenciais à manutenção da vida chegam aos tecidos? Esses componentes são dissolvidos no líquido que se difunde através das paredes muito delgadas dos capilares. apesar de parecer saudável. sobretudo após o tratamento de um câncer. o edema desaparece quando o membro inferior é elevado. o que faz com que o calçado aperte o pé no final do dia. O primeiro sinal de linfedema pode ser o inchaço do pé. Esses ductos drenam a linfa no sangue através de veias. O linfedema adquirido é mais comum do que o congênito. Mais freqüentemente. o edema torna-se mais evidente e não desaparece completamente. exceto nas infecções causadas pela Filaria. Se a área for comprimida com um dedo ela não deixa sinal (depressão). Linfa. Os médicos avaliam os linfonodos quando um câncer é diagnosticado. o linfedema é evidente no nascimento. um parasita tropical. mesmo após uma noite de repouso. células cancerosas que se separaram de um tumor canceroso próximo). seja ele congênito ou adquirido. A maioria dos vasos linfáticos possui válvulas semelhantes às das veias. Normalmente. mas isso é muito incomum. Ocasionalmente. os quais têm um papel fundamental nas defesas imunológicas do organismo. as bactérias fazem com que os vasos linfáticos inflamem.ex. o distúrbio. No linfedema adquirido. mas. Parte do líquido é reabsorvida pelos capilares. A cicatrização de vasos linfáticos que sofrem infecções repetidas também pode causar linfedema. chegando inclusive a deixar marcas na pele. o edema é evidente desde o nascimento. normalmente. Nos estágios iniciais do distúrbio. quando o volume da linfa aumenta e supera a capacidade do número reduzido de vasos linfáticos. Algumas vezes. como os leucócitos (glóbulos brancos). a linfa passa por linfonodos (algumas vezes denominados gânglios linfáticos). os vasos linfáticos existentes são adequados para a pequena quantidade de linfa produzida pelo organismo do lactente. a pele. raramente. no qual linfonodos e vasos linfáticos são removidos ou irradiados com raios X. os membros superiores. o membro edemaciado torna-se extremamente volumoso e a pele torna-se muito espessa e com tantos sulcos que lembra a pele de um elefante (elefantíase). Por exemplo. As mulheres apresentam uma maior probabilidade do que os homens de apresentar linfedema congênito. ele surge após uma cirurgia de grande porte. porém são menores do que as veias mais finas. O linfedema congênito ocorre devido à existência de um número insuficiente de vasos linfáticos para conter toda a linfa. Linfonodos e o Sistema Linfático Como o oxigênio. (É importante observar que muitos indivíduos que não apresentam linfedema também apresentam inchaço dos pés após permanecerem longo tempo sentados) O linfedema congênito piora com o decorrer do tempo.. As bactérias aprisionadas pelos gânglios linfáticos podem fazer com que esses órgãos aumentem de volume e tornem-se sensíveis. manifesta-se mais tarde. o restante do líquido (a linfa) flui para o interior de pequenos vasos (vasos linfáticos). para manter o fluxo da linfa (a qual pode coagular) na direção dos dois grandes ductos linfáticos localizados no pescoço. Ao fluir pelos vasos linfáticos. para determinar se ele se disseminou. O edema inicia de forma gradual em um ou em ambos os membros inferiores. O problema quase sempre afeta os membros inferiores e. Os vasos linfáticos possuem um maior calibre que os capilares. Raramente. Em casos raros. Os linfonodos filtram as partículas estranhas que chegam à linfa (p. o membro superior pode apresentar uma propensão ao edema após a remoção de uma mama com câncer e dos linfonodos vizinhos. os quais produzem anticorpos para a destruição dos organismos estranhos. Mais freqüentemente. Os linfonodos também produzem componentes essenciais do sistema imunológico. ao contrário do que ocorre quando o aumento de volume pelo acúmulo de líquido (edema) é causado pelo fluxo sangüíneo inadequado nas veias.

Esta medida controla o aumento de volume até um certo ponto. O lipedema é muito mais freqüente nas mulheres e está presente desde o nascimento. geralmente localizado na perna. mas o aumento de volume cessa logo abaixo dos ossos do tornozelo e não inclui os pés. A lipoaspiração pode melhorar bastante a forma das pernas. entre a panturrilha e o tornozelo. As pernas tornam-se inchadas e podem doer. durante uma ou duas horas. Também existem luvas elásticas. apresenta febre e calafrios. Nos indivíduos com linfedema discreto.Biologia dos Pulmões e das Vias Aéreas Estridor F u n ç õ e s d o S i s t e m a Hemoptise Cianose Baqueteamento dos Dedos Insuficiência Respiratória Fisioterapia Respiratória 189 . enfaixamentos compressivos podem reduzir o aumento de volume. O indivíduo apresenta estrias vermelhas e dolorosas ao longo da pele e. A pele das pernas parece normal. mangas pneumáticas (semelhantes às meias pneumáticas) podem ser utilizadas diariamente para reduzir o inchaço. mas pode apresentar sensibilidade. Para a elefantíase.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 31 . Embora ele seja semelhante ao linfedema. trata-se de um distúrbio distinto.produzindo uma condição denominada linfangite. pode ser realizada uma invervenção cirúrgica de grande porte para se remover a maior parte dos tecidos edemaciados sob a pele. Os estafilococos e os estreptococos são as bactérias que mais freqüentemente causam linfangite. Seção 4 . possivelmente devido ao acúmulo subjacente de gordura. Tão logo o inchaço reduza. topo Lipedema O lipedema é um acúmulo anormal de gordura sob a pele. A compressão de um dedo sobre a perna não produz depressão. em geral. o paciente deve utilizar meias elásticas que cheguem até o nível do joelho durante todo o dia. Ambos os membros inferiores são afetados. Os indivíduos que apresentam um linfedema mais grave podem usar meias pneumáticas diariamente. para reduzir o inchaço. Para o linfedema de membro superior. As pernas e os tornozelos perdem seu contorno normal. Tratamento O linfedema não tem cura. desde o momento em que ele se levanta até a hora de dormir.

auxiliam na respiração.R e s p i r a t ó r i o Controle da Respiração Sintomas Respiratórios Tosse Dispnéia (Dificuldade Respiratória) Dor Torácica Sibilos O sistema respiratório tem início no nariz e na boca e continua através das vias aéreas até os pulmões. e uma desliza suavemente sobre a outra durante a expansão e a contração pulmonar. são semelhantes a grandes esponjas rosas e preenchem quase toda a cavidade torácica. Os pulmões. apresentando um diâmetro de apenas 0. e reveste a face interna da parede torácica. O músculo mais importante utilizado na respiração é o diafragma. A maior via aérea é a traquéia. o nono e o décimo par de costelas unem-se à cartilagem do par superior. cada par de costelas une-se aos ossos da coluna vertebral (vértebras). pois ele compartilha com o coração o espaço do hemitórax esquerdo. que representam a principal parte do sistema respiratório. Na região posterior do corpo. o espaço entre as duas camadas lubrificadas da pleura é quase inexistente. localizados entre as costelas. As vias aéreas assemelham-se a uma árvore de cabeça para baixo e. dessa forma. Os bronquíolos são as vias aéreas mais estreitas. Os pulmões e outros órgãos contidos na cavidade torácica são protegidos por uma armadura óssea formada pelo osso do peito (esterno). os sete pares de costelas superiores unem-se diretamente ao esterno através de cartilagens costais. pelas costelas e pela coluna vertebral.005 milímetro. O ar penetra no sistema respiratório através das narinas e da boca e avança através da garganta (faringe) até a laringe. Cada pulmão é dividido em seções (lobos): o pulmão direito possui três e o esquerdo. Os doze pares de costelas curvam-se em torno do tórax. dessa forma. que se ramifica em duas vias menores (brônquios) para suprir os dois pulmões. impede que o alimento penetre nas vias aéreas. Cada pulmão contém milhões de alvéolos e cada alvéolo é circundado por uma densa rede de capilares. facilitam a movimentação do gradil costal e. uma bainha muscular em forma de sino que separa os pulmões do abdômen. A entrada da laringe está recoberta por um pequeno retalho de tecido muscular (epiglote) que se fecha durante a deglutição e. dois. O diafragma fixa-se na 190 . O pulmão esquerdo é um pouco menor que o direito. Na região anterior do corpo. onde o oxigênio da atmosfera é trocado pelo dióxido de carbono proveniente dos tecidos corpóreos. Na extremidade de cada bronquíolo existem dúzias de cavidades semelhantes a bolhas e cheias de ar (alvéolos). As paredes extremamente delgadas dos alvéolos permitem que o oxigênio passe do seu interior para o sangue dos capilares e também que o dióxido de carbono (um produto metabólico) passe do sangue capilar para o interior dos alvéolos. Os brônquios sofrem várias divisões até se transformarem em vias aéreas menores (bronquíolos). A pleura recobre os pulmões. as costelas dos dois últimos pares (costelas flutuantes) são mais curtas e não se unem na região anterior do corpo. A pleura é uma membrana lisa que permite que os pulmões movam-se suavemente durante cada movimento respiratório. Normalmente. essa porção do sistema respiratório é freqüentemente denominada árvore brônquica. que apresentam um aspecto de cachos de uva. Os músculos intercostais. contornando-os em sua parte posterior. O oitavo. por essa razão.

O oxigênio atravessa facilmente as paredes finas dos alvéolos e chega ao sangue capilar. Quando o diafragma contrai. O cérebro e os pequenos órgãos sensoriais localizados nas artérias aorta e carótidas detectam quando os níveis de oxigênio encontram. expande os pulmões. aos pulmões. quando os níveis de dióxido de carbono encontramse muito baixos. a freqüência respiratória diminui. ele aumenta o tamanho da cavidade torácica e. topo Controle da Respiração Em condições normais. conseqüentemente. a transferência de oxigênio para o sangue e a eliminação de um produto metabólico denominado dióxido de carbono. e o cérebro aumenta a freqüência e a profundidade da respiração. Pelas veias pulmonares. Por outro lado. através da artéria pulmonar. sendo controlada subconscientemente pelo centro respiratório localizado na base do cérebro. o qual bombeia o sangue para o resto do organismo. topo Funções do Sistema Respiratório As principais funções do sistema respiratório são a condução de oxigênio aos pulmões. O sangue pobre em oxigênio e rico em dióxido de carbono retorna ao lado direito do coração por duas grandes veias. as veias cavas superior e inferior. 191 .se demasiadamente baixos ou quando os níveis de dióxido de carbono encontram-se muito elevados. e é bombeado. nas porções inferiores do gradil costal e na coluna vertebral. o sangue oxigenado vai dos pulmões ao lado esquerdo do coração.base do esterno. a respiração é automática. onde ele recebe oxigênio e libera dióxido de carbono. As paredes dos alvéolos e dos capilares circunvizinhos apresentam a espessura de apenas uma célula e encontram-se em íntimo contato entre si. O oxigênio inalado entra nos pulmões e alcança os alvéolos. o dióxido de carbono passa do sangue para o interior dos alvéolos e é expirado através das narinas e da boca.

o oxigênio inalado passa dos alvéolos para o sangue nos capilares. a cianose (coloração azulada). pode ser decorrente de um problema cardíaco ou intestinal. topo Sintomas Respiratórios Entre os sintomas mais comuns dos distúrbios respiratórios destacam-se a tosse. Isto reduz a pressão intratorácica. o ar penetra 192 . o estridor (um som semelhante a um grasnido durante a respiração). A dor torácica. o trabalho respiratório é realizado principalmente pelo diafragma e. Os músculos intercostais participam desse processo. Ao contrair. a cavidade torácica aumenta. e o dióxido de carbono passa do sangue nos capilares para o interior dos alvéolos. Conforme mostram as ilustrações abaixo. o baqueteamento dos dedos e a insuficiência respiratória. O ar penetra nos pulmões para igualar a pressão. em menor extensão. Durante a respiração forçada ou difícil. a dificuldade respiratória (dispnéia). pelos músculos localizados entre as costelas (músculos intercostais). A troca ocorre entre os milhões de alvéolos existentes nos pulmões e os capilares que os circundam. Papel do Diafragma na Respiração Quando o diafragma contrai.Na respiração tranqüila. Em seguida. quinze vezes por minuto. da parede torácica e do abdômen também participam do processo. a hemoptise (escarro com sangue). o adulto inspira e expira. O ar é expulso dos pulmões por causa de sua elasticidade. Como os pulmões não possuem músculos em sua estrutura. o músculo diafragma move-se para baixo. o diafragma relaxa e move-se para cima. em média. reduzindo a pressão interna. por exemplo. os sibilos. Alguns desses sintomas nem sempre indicam um problema respiratório. especialmente quando a respiração é profunda ou rápida. Para igualar a pressão. Troca de Gases entre Alvéolos e Capilares A função do sistema respiratório é trocar dois gases: oxigênio e dióxido de carbono. a cavidade torácica contrai e aumenta a pressão do ar. aumentando a cavidade torácica. a dor torácica. os músculos do pescoço.

resíduos e células eliminadas pelos pulmões. um reflexo comum. que tende a eliminar materiais presentes nas vias aéreas. Quando o diafragma relaxa. Uma tosse pode ser aflitiva. quando a tosse persiste por muito tempo. Juntamente com outros mecanismos. a cavidade torácica contrai. especialmente quando os episódios são acompanhados de dor torácica. como no caso de um indivíduo tabagista com bronquite crônica. Para determinar a causa da tosse. topo Tosse A tosse é um movimento súbito e explosivo do ar. a tosse produz escarro – uma mistura de muco. elevando a pressão e expulsando o ar para fora dos pulmões. A tosse. o médico costuma formular as seguinte questões: • Há quanto tempo ela vem ocorrendo? 193 . porém complexo. é uma forma de proteção dos pulmões e das vias aéreas. dificuldade respiratória ou produção excessiva de escarro (também denominado flegma).rapidamente nos pulmões. Às vezes. é possível que o indivíduo se dê conta de sua presença. Os tipos de tosse variam consideravelmente. ela protege os pulmões contra partículas inaladas (aspiradas). No entanto.

como quando o indivíduo apresenta-se exausto mas não consegue dormir. Os demulcentes formam uma película protetora sobre o revestimento irritado. ela produz escarro? O indivíduo pode produzir escarro sem tossir ou apresentar uma tosse sem escarro. em certas circunstâncias. A inalação de vapor (p. fala. esbranquiçado ou aquoso pode indicar a presença de um vírus. tontura ou outros sintomas? • Ela é produtiva. A tosse pode ser tratada com dois grupos de medicamentos: antitussígenos e expectorantes. antitussígenos podem ser prescritos com o objetivo de aliviar a tosse. Os anestésicos locais. pois eles tornam as secreções brônquicas mais finas e mais fáceis de serem expectoradas. esverdeada ou acastanhada pode indicar uma infecção bacteriana. por exemplo. são algumas vezes utilizadas quando o principal problema são as secreções brônquicas viscosas e pegajosas.• Em qual momento do dia ela ocorre? • Existem alguns fatores que a desencadeiam (p. A codeína. é uma substância analgésica (que elimina a dor). Um umidificador de vapor frio pode obter o mesmo resultado. Do mesmo modo. ar frio. é mais importante. Esses medicamentos são aplicados diretamente na parte posterior da garganta com o auxílio de um pulverizador antes da realização de qualquer procedimento que seria impossível de ser realizado por causa da tosse (p. A coloração amarelada. O aspecto do escarro também auxilia no diagnóstico. uma infecção. O médico pode examinar o escarro ao microscópio e a presença de bactérias e leucócitos é uma indicação adicional de infecção. com o uso de um vaporizador). denominadas mucolíticos. como ocorre na fibrose cística. rouquidão. vômito ou constipação. mas também funciona como supressora da tosse por inibir o centro da tosse localizado no cérebro. enquanto o escarro incolor. podem ser utilizados medicamentos que suprimem a tosse (antitussígenos) para combatê-la. Muitos outros narcóticos utilizados na supressão da tosse apresentam efeitos colaterais similares. postura. a codeína pode induzir à sonolência e também causar náusea. Uma pequena dose de xarope de ipeca pode ajudar as crianças que apresentam tosse. uma alergia ou a ação de uma substância irritante.ex. Se a codeína for tomada durante um longo período. O tratamento da causa subjacente como. pode ser necessário aumentar a dose necessária para suprimir a tosse. dificuldade respiratória. A umidade do vapor também amolece as secreções. Descongestionantes e Broncodilatadores 194 . Os iodetos são expectorantes comumente utilizados e o hidrato de terpina e guaifenesina são ingredientes que fazem parte de muitas preparações de venda livre. Caso a tosse seja seca (não produtora de escarro) e incômoda. ele não causa dependência nem sonolência. um narcótico. Terapia Antitussígena Os medicamentos antitussígenos suprimem a tosse. Ingrediente de muitos medicamentos antitussígenos de venda livre. mas inibe de modo eficaz o centro da tosse do cérebro. pode suprimir a tosse através da redução da irritação na faringe e das vias aéreas. Essas substâncias são úteis contra a tosse provocada por uma irritação laríngea. uma broncoscopia. ingestão de alimentos ou líquidos)? • Ela é acompanhada por dor torácica. O dextrometorfano não é um analgésico. inibem o reflexo da tosse. Por exemplo. exame que permite a visualização dos brônquios através da introdução de um tubo de fibra óptica). Anti-histamínicos. especialmente aquelas que apresentam um quadro de crupe.ex.ex. mesmo quando esta é produtiva. Entretanto. uma tosse que produz uma grande quantidade de escarro geralmente não deve ser suprimida. a presença de líquido nos pulmões ou uma alergia. Expectorantes Os expectorantes ajudam a desprender o muco. como a benzocaína. Os demulcentes são apresentados sob a forma de pastilha e de xarope. antibióticos podem ser administrados para combater uma infecção ou anti-histamínicos para tratar uma alergia. tornando mais fácil a sua expectoração. Tratamento Como a tosse tem um papel importante na eliminação do escarro e na limpeza das vias aéreas. Drogas que reduzem a viscosidade do muco. isto é.

dando origem ao chamado edema pulmonar. podem ser prescritos quando a tosse é decorrente de um estreitamento das vias aéreas. O acúmulo de líquido nos pulmões também pode acarretar o estreitamento das vias aéreas e à produção de sibilos expiratórios. pois as vias aéreas se estreitam durante a expiração. Na respiração periódica ou de Cheyne-Stokes. a sensação desconfortável de urgência de realizar uma inspiração antes da expiração ser completada e sensações vagas. a respiração rápida pode limitar a quantidade de exercício realizada. O centro respiratório do cérebro aumenta a freqüência respiratória quando os níveis de oxigênio no sangue encontram. Outras sensações relacionadas à dispnéia são a percepção de aumento do esforço muscular para a expansão do tórax durante a inspiração ou para a sua contração durante a expiração.Os anti-histamínicos. exceto nos casos em que o processo é causado por uma alergia ou nos estágios iniciais de um resfriado comum. como na asma brônquica e no enfisema. que é freqüentemente acompanhada por uma sensação de asfixia ou de peso no peito. Entretanto. como a fenilefrina. A dispnéia paroxística noturna é uma crise de dispnéia súbita e freqüentemente assustadora que ocorre durante o sono. Em geral. especialmente durante a expiração.se baixos ou quando os níveis de dióxido de carbono encontram-se elevados. Os indivíduos com dispnéia restritiva comumente sentem-se confortáveis em repouso. como os agentes simpaticomiméticos inalados ou a teofilina oral. a ação ressecante dos anti-histamínicos pode ser prejudicial. O indivíduo desperta com falta de ar e deve sentar-se ou ficar em pé para conseguir respirar. a respiração mais rápida é acompanhada pela sensação de falta de ar e de incapacidade de respirar de modo suficientemente rápido e profundo. o ar pode ser inspirado. o corpo produz mais dióxido de carbono e consome mais oxigênio. Como o coração impulsiona o sangue através dos pulmões. topo Dispnéia (Dificuldade Respiratória) dispnéia é a sensação desagradável de dificuldade para respirar. A respiração é difícil. Trata-se de um tipo de ortopnéia e um sinal de insuficiência cardíaca. A dispnéia limita a quantidade de exercício que pode ser realizado. A dispnéia obstrutiva envolve o aumento da resistência ao fluxo de ar devido ao estreitamento das vias aéreas. a dispnéia pode ocorrer mesmo em repouso. Um problema respiratório pode incluir tanto defeitos restritivos como obstrutivos. as quais são freqüentemente descritas como uma opressão no peito. Na dispnéia. também não aliviam a tosse. Durante o exercício. Apesar de raramente ser desconfortável. Nas formas mais graves. ocorre uma alternância entre períodos de respiração acelerada (hiperpnéia) e períodos de respiração lenta (hipopnéia) ou de ausência de respiração (apnéia). se as funções cardíaca e pulmonar estiverem anormais. como mostram as provas de função pulmonar. mesmo um pequeno esforço pode acarretar um aumento acentuado da freqüência respiratória e causar a dispnéia. As provas de função pulmonar mensuram o grau de obstrução. Por outro lado. mas apresentam dificuldade respiratória quando estão em atividade porque seus pulmões não conseguem expandir-se o suficiente para obter o volume de ar necessário. Na dispnéia restritiva. A dispnéia de causa pulmonar pode ser conseqüência de defeitos restritivos ou obstrutivos. o trabalho respiratório aumenta por causa do um comprometimento da expansão torácica devido à perda de elasticidade dos pulmões. a qual alivia na posição sentada. quando a tosse é decorrente de outras causas. A pessoa sadia respira mais rapidamente durante a realização de exercícios e em altitudes elevadas. espessando as secreções respiratórias e tornando a sua expectoração difícil. Alguns indivíduos cujo coração bombeia de modo inadequado podem apresentar ortopnéia (dificuldade respiratória quando estão deitados). mas não pode ser expirado da forma normal. O volume de ar que chega aos pulmões é inferior ao normal. 195 . a uma deformidade da parede torácica ou a um espessamento pleural. Tipos de Dispnéia O tipo mais comum de dispnéia é aquele que acompanha o esforço físico. Se a função de bomba do coração for inadequada. um distúrbio conhecido como asma cardíaca. pode ocorrer acúmulo de líquido nos pulmões. Os descongestionantes. os quais aliviam a congestão nasal. é fundamental que a função cardíaca esteja normal para que o rendimento pulmonar seja adequado. os quais promovem o ressecamento do trato respiratório. a menos que ela seja devida a um gotejamento pós-nasal. Este distúrbio produz dificuldade respiratória. têm pouca ou nenhuma utilidade no tratamento da tosse. Os broncodilatadores.

Esses indivíduos podem apresentar alteração da consciência. um indivíduo com uma insuficiência renal grave pode apresentar dispnéia e uma respiração ofegante e rápida devido a uma combinação de acidose. Eles também apresentam uma sensação de formigamento nas mãos. Muitos indivíduos apresentam episódios de dispnéia caracterizados por respirações rápidas e profundas. topo Sibilos Os sibilos são sons semelhantes a assovios produzidos durante a respiração e que se devem à obstrução parcial das vias aéreas. denominados síndrome da hiperventilação. protegendo-se o lado afetado e evitando-se a respiração profunda ou a tosse. Normalmente. Uma obstrução em qualquer ponto das vias aéreas produz sibilos. por exemplo. A dor pode ser aliviada com a imobilização da parede torácica.se muito distantes. da parede torácica ou de estruturas internas que não fazem parte do sistema respiratório. dos pulmões. a qual é comumente descrita como uma sensação de que as coisas ao seu redor encontram. – um acúmulo de líquido no espaço situado entre as duas camadas da pleura – pode causar inicialmente uma dor pleurítica. O derrame pleural. o herpes zóster. Em geral. sem que seja possível determinar a sua localização de forma precisa. Os sintomas devem. ou lesões de músculos intercostais. sobretudo o coração. ela possa mudar de localização no decorrer do tempo. como o que ocorre na acidose diabética. um abcesso ou um tumor pulmonar pode causar uma sensação vaga de dor torácica profunda. Uma lesão cerebral súbita decorrente de uma hemorragia cerebral. A dor pleurítica – uma dor aguda provocada pela irritação do revestimento dos pulmões – torna.se a alterações das concentrações dos gases sangüíneos (principalmente em função da diminuição do nível de dióxido de carbono) provocadas pela respiração acelerada. antes do surgimento da erupção cutânea típica. Eles podem ser causados por um estreitamento geral das vias respiratórias (como ocorre na asma ou na doença pulmonar obstrutiva crônica). Por exemplo. como fraturas de costelas e lacerações. algumas vezes. As causas mais comuns são as lesões da parede torácica. topo Dor Torácica A dor torácica pode ser originária da pleura. 196 . Um tumor que cresce na parede torácica pode causar apenas uma dor local ou. como. a dor pleurítica é mais fácil de ser descrita do que a dor originária de outras estruturas do sistema respiratório. são comumente causados por ansiedade e não por um problema físico. o local da dor pode ser indicado com precisão. manifesta-se por uma dor torácica em cada inspiração. O aumento da acidez do sangue. Esses episódios. causado pelo vírus da varicela zóster. pode produzir um padrão respiratório caracterizado por respirações lentas e profundas (respiração de Kussmaul). de um traumatismo ou de qualquer outro distúrbio pode acarretar uma respiração rápida e intensa (hiperventilação).As suas possíveis causas são a insuficiência cardíaca e a redução da eficácia do centro respiratório do cérebro. geralmente. pode causar uma dor referida (dor ao longo de toda a zona inervada pelo nervo afetado). Muitos indivíduos que apresentam essa síndrome se assustam. quando o indivíduo tem um sangramento abundante ou anemia. insuficiência cardíaca e anemia. Algumas vezes. Por outro lado. O indivíduo tem uma respiração rápida e profunda em uma tentativa de obter oxigênio em quantidade suficiente. A dispnéia circulatória é um distúrbio grave de início súbito que ocorre quando o sangue não consegue transportar uma quantidade suficiente de oxigênio aos tecidos. embora. achando que estão sofrendo um infarto do miocárdio. ela é limitada a uma área da parede torácica que também dói quando pressionada. A respiração profunda e a tosse aumentam sua intensidade e. A dor também pode originar-se na parede torácica.se mais intensa com a respiração profunda e com a tosse. mas a dor freqüentemente desaparece quando as duas camadas são separadas em decorrência do acúmulo de líquido. por um estreitamento localizado (como o produzido por um tumor) ou por uma partícula estranha que se aloja nas vias aéreas. quando ele afeta um nervo intercostal. nos pés e em torno da boca. como. por exemplo. mas o indivíduo não apresenta falta de ar.

A obstrução de uma artéria pulmonar. de um edema das vias aéreas superiores ou de uma disfunção das cordas vocais. A hemorragia pode ser grave quando. uma hemoptise importante exige uma avaliação médica rápida. também é uma causa de hemoptise. sendo ouvido durante a respiração. acidentalmente. Os médicos investigam a ocorrência de câncer pulmonar em tabagistas com mais de 40 anos que apresentam hemoptise. Não obstante. Algumas vezes. Ele se deve a uma obstrução parcial da garganta (faringe). Um infarto pulmonar (morte do tecido pulmonar devido a obstrução da artéria que o irriga) também pode causar hemoptise. Para mensurar a extensão do estreitamento das vias aéreas e para avaliar os benefícios do tratamento.A causa mais comum de sibilos recorrentes é a asma. o estridor pode ser o sintoma de uma emergência potencialmente letal. O escarro com estrias de sangue é bastante comum e normalmente não é grave. o estridor é suficientemente alto para ser ouvido a uma certa distância. de um abcesso. Geralmente. é realizada a introdução de um tubo através da boca ou da narina do indivíduo (intubação traqueal) ou diretamente na traquéia (traqueostomia) para permitir que o ar evite a obstrução e. embora muitos indivíduos que nunca tiveram asma apresentem sibilos em algum momento da vida. pode ser necessária a realização de provas da função pulmonar. O aumento da pressão sangüínea nas veias pulmonares. Geralmente. Principais Causas de Hemoptise Infecções do trato respiratório • Bronquite • Pneumonia • Tuberculose • Infecção por fungo (por exemplo. o médico detecta a presença de sibilos realizando a ausculta pulmonar com o auxílio de um estetoscópio. ele pode dever-se à presença de um tumor. dessa forma. topo Estridor O estridor é um som semelhante a um grasnido e é predominantemente inspiratório. Os tumores. 197 . mas ele pode ser audível apenas durante uma respiração profunda. a causa pode ser uma infecção da epiglote ou a aspiração de um corpo estranho. como pode ocorrer na insuficiência cardíaca. Nesses casos. da laringe ou da traquéia. Cerca de 50% dos casos são devidos a infecções como a bronquite aguda ou crônica. O som é causado pelo fluxo de ar turbulento pela via aérea superior estreitada. especialmente o câncer pulmonar. pode ocorrer quando um coágulo sangüíneo desloca-se na circulação sangüínea e aloja-se na artéria. infecção por Aspergillus) • Abcessos pulmonares • Bronquiectasia Problemas circulatórios • Insuficiência cardíaca • Estenose da válvula mitral • Malformações arteriovenosas Corpo estranho nas vias aéreas Distúrbios hemorrágicos Trauma Lesão durante um procedimento médico Embolia pulmonar Tumor topo Hemoptise A hemoptise é a expectoração de sangue originário do trato respiratório . denominada embolia pulmonar. ocorre uma lesão de um vaso pulmonar durante a passagem de um cateter. Nos adultos. mesmo quando observa-se a presença de sangue no escarro. são responsáveis por 20% dos casos de hemoptise. a vida do paciente pode ser salva. Nas crianças. O cateter pode ser inserido em uma artéria ou em uma veia pulmonar para mensurar as pressões no coração e nos vasos sangüíneos que entram e saem dos pulmões.

a sua origem deve ser determinada e o sangramento interrompido. Mesmo com os exames. Geralmente. Esses procedimentos de alto risco são utilizados apenas em último caso. ele introduz o cateter até o vaso e. ele pode ser removido utilizando-se um broncoscópio. O baqueteamento dos dedos. A cianose que permanece limitada aos dedos das mãos e dos pés normalmente ocorre porque o sangue flui muito lentamente através dos membros. Algumas vezes. A cianose ocorre quando o sangue desprovido de oxigênio. a causa da hemoptise não é identificada em 30 a 40% dos casos. Tratamento A hemoptise leve pode não exigir tratamento ou demandar apenas o uso de antibióticos para combater uma infecção. o baqueteamento dos dedos das mãos não está relacionado a qualquer doença e é hereditário. Quando um coágulo grande obstrui um brônquio importante. a tosse é um mecanismo eficaz para manter as vias aéreas livres e não deve ser suprimida por medicamentos antitussígenos. ela pode ser letal e. é freqüentemente causado por doenças pulmonares. pode ser necessária a realização de radiografias. estudos do fluxo sangüíneo e provas das funções pulmonar e cardíaca para se determinar a causa da diminuição do oxigênio no sangue e da conseqüente cianose. que é mais azulado do que vermelho. Entretanto. utilizando um procedimento denominado embolização da artéria brônquica.Diagnóstico Se a hemoptise provocar uma importante perda de sangue ou se é recorrente. A fisioterapia respiratória também pode ser necessária. A quantidade de oxigênio no sangue pode ser determinada pela gasometria arterial. em seguida. Freqüentemente. que não representa um perigo médico. topo Cianose A cianose é a coloração azulada da pele decorrente de uma quantidade inadequada de oxigênio no sangue. A hemorragia pode produzir coágulos que bloqueiam as vias aéreas e acarretam novos problemas respiratórios. pode ser necessária a realização de transfusão de plasma. Em algumas famílias. topo Baqueteamento dos Dedos O baqueteamento dos dedos é o aumento de volume das pontas dos dedos das mãos ou dos pés e a perda do ângulo de emergência da unha. Algumas vezes. o sangramento de vasos pequenos cessa espontaneamente. Por outro lado. de fatores da coagulação ou de plaquetas. A broncoscopia (exame que utiliza um tubo de visualização que é introduzido até os brônquios) pode identificar o foco de sangramento. O médico pode tentar interromper o sangramento ocluindo o vaso. embora muitas outras possam causar essa alteração. é necessária a realização de uma broncoscopia ou de uma cirurgia para remover a parte afetada do pulmão. por essa razão. Orientado por radiografias. circula através dos vasos da pele. A cianose generalizada pode ser conseqüência de vários tipos de doenças pulmonares graves e de determinadas malformações vasculares e cardíacas que desviam o sangue do lado venoso para o lado arterial da circulação. O sangramento causado por uma infecção ou pela insuficiência cardíaca geralmente cessa tanto quanto o tratamento do distúrbio subjacente é bem sucedido. 198 . o tratamento inicial instituído é a administração de oxigênio suplementar. A cintilografia com radioisótopos (cintilografia de perfusão) pode revelar uma embolia pulmonar. o sangramento de um vaso importante normalmente requer tratamento. Se existirem distúrbios da coagulação que contribuem para o sangramento. A inalação de névoa quente ou fria produzida por um vaporizador ou por um umidificador pode auxiliar na eliminação de um coágulo. injeta uma substância química que provoca o fechamento do vaso. A cianose pode ocorrer quando a ação de bomba do coração é fraca ou quando o indivíduo expõe-se ao frio. Por essa razão. a causa da hemoptise grave normalmente é estabelecida.

Esse distúrbio não chega a impedir que o ar entre e saia dos pulmões. acidente vascular cerebral. o oxigênio não é extraído adequadamente do ar e a transferência de dióxido de carbono não ocorre de modo normal.Reconhecimento do Baqueteamento dos Dedos das Mãos O baqueteamento dos dedos das mãos é caracterizado pelo aumento do volume da ponta dos dedos e pela perda do ângulo normal do leito ungueal. asma. poliomielite. A insuficiência respiratória pode ocorrer se o fluxo sangüíneo através dos pulmões torna-se anormal. Outras causas de fluxo sangüíneo anormal. bronquiolite. enfisema. Quase todas as condições que afetam a respiração ou os pulmões podem causar insuficiência respiratória. também podem causar insuficiência respiratória. Debilidade muscular síndrome de Guillain-Barré. as lesões de tecidos pulmonares. Causas da Insuficiência Respiratória Razão Subjacente Causa Bronquite crônica. Obstrução das vias aéreas bronquiectasia. apnéia do sono. fibrose cística. Outras causas comuns são a obstrução das vias aéreas. topo Insuficiência Respiratória A insuficiência respiratória é uma condição na qual o nível de oxigênio no sangue torna-se perigosamente baixo ou o nível de dióxido de carbono perigosamente alto. mas. em uma área pulmonar sem fluxo sangüíneo. como acontece na embolia pulmonar. polimiosite. partículas aspiradas Respiração insuficiente Obesidade. como os distúrbios congênitos que enviam sangue diretamente para o restante do corpo sem antes passar pelos pulmões. Uma dose excessiva de narcóticos ou de álcool produz uma sonolência tão profunda que o indivíduo pode parar de respirar e apresentar insuficiência respiratória. as lesões de ossos e de tecidos que envolvem os pulmões e a debilidade dos músculos normalmente responsáveis pela insuflação pulmonar. lesão da medula espinhal 199 . distrofia muscular. esclerose lateral amiotrófica. intoxicação por drogas Miastenia grave. A insuficiência respiratória é conseqüência de uma troca inadequada de oxigênio e dióxido de carbono entre os pulmões e o sangue ou de uma alteração da ventilação (movimento do ar para dentro e fora dos pulmões).

se muito para respirar. Muitos tipos de ventiladores e modos de operação podem ser utilizados. sarcoidose. tanto pelo ajuste da freqüência respiratória como pela utilização de medicamentos que promovem o tamponamento dos ácidos. reação Anormalidade do tecido pulmonar medicamentosa. acarretando deterioração da consciência e arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais) que podem levar à morte. alveolite fibrosante. Quando a insuficiência respiratória apresenta uma evolução lenta. os níveis baixos de oxigênio produzem em última instância um mau funcionamento cerebral e cardíaco. tumores disseminados. mas. No entanto. Esse tipo de paciente tende a apresentar uma redução da freqüência respiratória quando submetido a uma oxigenação. uma vez que eles podem causar muitas complicações. queimaduras Anormalidade da parede torácica Cifoescoliose. a asma e as reações alérgicas. O aumento da concentração de dióxido de carbono faz com que o sangue torne-se ácido. Tratamento No início da insuficiência respiratória. Normalmente a quantidade administrada é superior à necessária. Alguns pacientes em estado grave necessitam de ventilação mecânica como adjuvante na respiração. são administrados medicamentos que visam manter o paciente calmo e. especialmente o coração e o cérebro. dependendo do distúrbio subjacente. fibrose pulmonar. O tubo é conectado a um aparelho que impulsiona o ar para o interior dos pulmões. A causa subjacente também deve ser tratada. 200 . radiação. Entretanto. exceto se o indivíduo sofrer de insuficiência respiratória crônica. como ocorre na síndrome da angústia respiratória aguda. Deve-se manter a acidez do sangue equilibra equilibrada. A quantidade de líquido no organismo deve ser controlada e ajustada rigorosamente para maximizar as funções pulmonar e cardíaca. o uso rotineiro desses medicamentos não é justificado. medicamentos que reduzem a inflamação. incluindo a perda da força muscular. quase sempre é realizada a administração de oxigênio. Caso não seja tratada. Um indivíduo com obstrução das vias aéreas pode apresentar falta de ar e esforçar. É realizada a passagem de um tubo plástico através da narina ou da boca. uma condição denominada hipertensão pulmonar. Independente da causa da insuficiência respiratória. Quando o tecido pulmonar apresenta uma lesão grave. níveis baixos de oxigênio produzem cianose (coloração azulada da pele) e níveis elevados de dióxido de carbono causam confusão mental e sonolência. a pressão nos vasos sangüíneos pulmonares aumenta. ferimento na região torácica Sintomas e Diagnóstico Alguns sintomas da insuficiência respiratória variam de acordo com a causa. Quando os pulmões não funcionam corretamente. conseqüentemente.Síndrome da angústia respiratória aguda. até a traquéia. reduzem a demanda de oxigênio do organismo e torna a insuflação pulmonar mais fácil. é possível a administração de oxigênio suplementar com o uso do ventilador. Outras medicações também podem ser administradas para reduzir a a inflamação ou evitar a formação de coágulos sangüíneos. enquanto um indivíduo que se encontra intoxicado ou debilitado pode simplesmente entrar em coma. Em geral. ela lesa os vasos sangüíneos. comprometendo ainda mais a transferência de oxigênio para o sangue e estressando o coração com conseqüente insuficiência cardíaca. como as vasculites. O organismo tenta livrar-se do dióxido de carbono com respirações rápidas e profundas. afetando ainda mais os órgãos. esse padrão respiratório pode não ajudar. Antibióticos são administrados para combater infecções e broncodilatadores são utilizados para dilatar as vias aéreas. A ventilação mecânica pode salvar a vida de pacientes quando esses são incapazes de realizar por si uma ventilação adequada. A expiração ocorre passivamente devido à retração elástica dos pulmões. Além disso. essas substâncias são mais benéficas para os indivíduos que apresentam distúrbios que sabidamente causam inflamação pulmonar ou das vias aéreas. o médico freqüentemente aventa a possibilidade da administração de corticosteróides. se a função pulmonar estiver comprometida.

esses profissionais geralmente introduzem um pequeno tubo plástico através da narina e o avançam alguns centímetros na via aérea. Em seguida. com aqueles que apresentam fraqueza muscular e com os pacientes em período de convalescença de uma cirurgia. Aspiração Os fisioterapeutas e os enfermeiros especializados nessa área utilizam a aspiração para remover secreções das vias aéreas. a bronquiectasia e o abcesso pulmonar. Exercícios Respiratórios Os exercícios respiratórios podem proporcionar uma sensação de bem-estar. Respiração com os Lábios Contraídos Essa técnica pode ser útil para os indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica. Contudo. O paciente inspira com a maior força possível através de um tubo conectado a um dispositivo plástico. A aspiração também é utilizada para a eliminação de secreções em pacientes passaram por uma traqueostomia ou que apresentam um tubo de respiração introduzido através da narina ou da boca até a traquéia. de uma lesão ou de uma enfermidade grave. ajudando a evitar que as mesmas colapsem. os exercícios respiratórios e a respiração com os lábios contraídos. estimulados pelos enfermeiros e fisioterapeutas. A respiração com os lábios contraídos representa um exercício adicional para os indivíduos que já vêm realizando algum tipo de treinamento respiratório. Este dispositivo possui uma bola que se eleva em cada inspiração. Também podem ser aplicadas palmadas (com as mãos em concha) sobre o tórax ou o dorso para auxiliar a liberação de secreções. Drenagem Postural Na drenagem postural. como a drenagem postural.topo Fisioterapia Respiratória Os fisioterapeutas utilizam várias técnicas que auxiliam no tratamento das doenças pulmonares. 201 . A escolha da terapia baseia-se na causa subjacente e no estado geral do paciente. Freqüentemente. Esses exercícios são particularmente úteis para os indivíduos sedentários que apresentam doença pulmonar obstrutiva crônica ou que tenham sido submetidas à ventilação mecânica. podem ser mais eficazes que os exercícios de respiração com um espirômetro de incentivo. Para realizar a sucção. esses exercícios envolvem o uso de um instrumento denominado espirômetro de incentivo. como a fibrose cística. o paciente é colocado em uma posição inclinada ou em um ângulo que facilita a drenagem das secreções pulmonares. Esses dispositivos são utilizados rotineiramente nos hospitais antes e depois de cirurgias. O exercício não produz efeitos adversos e alguns indivíduos adotam esse hábito sem qualquer instrução. os exercícios de respiração profunda. Essas técnicas são aplicadas em intervalos regulares nos pacientes que apresentam distúrbios que produzem uma grande quantidade de escarro. os exercícios respiratórios reduzem a probabilidade de complicações pulmonares pós-cirúrgica em tabagistas inveterados e em outros pacientes com doenças pulmonares. eles não melhoram a função pulmonar de modo direto. como se estivesse se preparando para assobiar. Opcionalmente. No entanto. os quais insuflam exageradamente os pulmões durante episódios de obstrução das vias aéreas ou em decorrência de uma crise de pânico ou de um esforço físico. Elas também podem ser utilizadas quando o indivíduo não consegue expectorar de forma eficaz. O paciente é orientado a expirar com os lábios parcialmente fechados (contraídos). Esse procedimento aumenta a pressão nas vias respiratórias. melhorar a qualidade de vida e ajudar a fortalecer os músculos responsáveis pela insuflação e desinsuflação dos pulmões. Ainda assim. a aspiração. o terapeuta pode utilizar um vibrador mecânico. Esta técnica é denominada percussão torácica ou tapotagem. como ocorre com os idosos. realizam uma aspiração suave para retirar secreções que não podem ser expectoradas.

Mensurações do Volume Pulmonar e do Fluxo Aéreo Freqüentemente. O aparelho de registro mensura o volume de ar inspirado ou expirado e a duração de cada respiração. como a distrofia muscular.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 32. a avaliação da força muscular e a mensuração da capacidade de difusão. em seguida. conseqüentemente. elas podem ser utilizadas para diagnosticar algumas doenças como. Avaliação da Força Muscular A força dos músculos respiratórios pode ser mensurada solicitando-se que o indivíduo inspire e expire intensamente contra um medidor de pressão. 202 . Essas provas são mais adequadas para detectar o tipo e a gravidade dos distúrbios pulmonares do que para definir a causa causa específica do distúrbio. expira vigorosamente e o mais rápido possível através do tubo. a prova de fluxo-volume. Freqüentemente. Essas medidas são obtidas com o auxílio de um espirômetro. a avaliação da doença respiratória consiste na realização de um teste que verifica a quantidade de ar que o pulmão consegue reter e quão rapidamente o ar pode ser expirado. O volume de ar inspirado ou expirado e a duração de cada respiração são registrados e analisados.Exames Diagnósticos para Distúrbios dos Pulmões e Vias Aéreas Os exames utilizados para a detecção de doenças respiratórias são elaborados para fornecer uma avaliação acurada da função pulmonar. a asma. o indivíduo sopra com força dentro desse pequeno aparelho manual. o indivíduo inspira profundamente e. em seguida. expira vigorosamente e o mais rápido possível através do tubo enquanto são realizadas as mensurações. Os valores encontram-se anormais em distúrbios como a bronquite. esses testes são repetidos após a administração de um medicamento que dilata as vias aéreas pulmonares (broncodilatador).Seção 4 . Esse pequeno aparelho de baixo custo ajuda os pacientes asmáticos no controle domiciliar da gravidade de sua doença. assim como as capacidades inspiratória. acarreta pressões inspiratória e expiratória baixas. O indivíduo inspira profundamente e. um tubo e um aparelho de registro. Esse tipo de distúrbio é denominado distúrbio obstrutivo. Provas de Fluxo-Volume A maioria dos espirômetros mais modernos pode avaliar continuamente os volumes pulmonares e as taxas de fluxo durante uma manobra de respiração forçada. Utilização do Espirômetro O espirômetro consiste de uma peça bucal. o enfisema e a asma. torna a respiração mais difícil e. Os valores encontramse anormalmente baixos em distúrbios como a fibrose pulmonar e os desvios da coluna vertebral (cifoescoliose). expiratória e de troca de oxigênio e de dióxido de carbono. Os distúrbios que causam perda de elasticidade dos pulmões ou que reduzem o movimento da caixa torácica são denominados distúrbios restritivos. que consiste de uma peça bucal e de um tubo conectado a um instrumento de registro. Uma doença que enfraquece os músculos. Um grupo de exames denominado provas da função pulmonar mensura a capacidade pulmonar de retenção de ar. Essas taxas de fluxo podem ser particularmente úteis na detecção de anormalidades que provocam obstrução parcial da laringe e da traquéia. As provas da função pulmonar incluem mensurações do volume pulmonar e do fluxo aéreo. No entanto. Para utilizar um espirômetro. Cada exame avalia um aspecto diferente da função pulmonar. As mensurações do fluxo aéreo refletem o grau de estreitamento ou obstrução das vias aéreas. Um dispositivo mais simples para mensurar a velocidade de expiração do ar é o mensurador do fluxo máximo. As mensurações do volume pulmonar refletem a rigidez ou a elasticidade dos pulmões e da caixa torácica. por exemplo. Esse exame também ajuda a determinar se o indivíduo que se encontra conectado a um ventilador será capaz de respirar independentemente quando deixar de utilizá-lo. Após inspirar profundamente.

A tomografia computadorizada (TC) do tórax fornece maiores detalhes que uma radiografia de rotina. algumas vezes. a respiração pode ser interrompida durante períodos prolongados. mas. Através da amostra de sangue arterial. Gasometria Arterial A gasometria arterial mede as concentrações de oxigênio e dióxido de carbono no sangue arterial. No entanto. quando o indivíduo encontra-se em estado grave ou quando o médico também necessita de uma mensuração do dióxido de carbono. a presença de líquido no espaço pleural (derrame pleural) e o enfisema. são realizadas radiografias no sentido ântero-posterior (incidência dos raios x em direção das costas para a região anterior do corpo). perto do punho. podem revelar uma doença grave nos pulmões. Caso os pulmões estejam normais.Mensuração da Capacidade de Difusão Uma prova da capacidade de difusão para o monóxido de carbono pode determinar o grau de eficiência da transferência do oxigênio dos sacos aéreos (alvéolos) dos pulmões à corrente sangüínea. a respiração é automática e é controlada por centros cerebrais que respondem aos níveis de oxigênio e dióxido de carbono no sangue. enfisema e distúrbios que afetam os vasos sangüíneos dos pulmões. elas podem ajudar a determinar quais exames complementares são necessários para se estabelecer o diagnóstico. assim como a acidez do sangue. o indivíduo inala uma pequena quantidade de monóxido de carbono. essa incidência é complementada com uma incidência lateral (perfil). Se o teste revelar que o monóxido de carbono não foi bem absorvido. as radiografias torácicas podem mostrar nitidamente uma pneumonia. o laboratório pode determinar as concentrações de oxigênio e de dióxido de carbono. é necessária a coleta de uma amostra de sangue. comumente. Como é difícil realizar a mensuração direta da capacidade de difusão do oxigênio. uma série de 203 . No caso da TC. Estudos do Sono Geralmente. Essas concentrações são importantes indicadores da função pulmonar por revelar a capacidade dos pulmões de fornecer oxigênio ao sangue e de extrair o dióxido de carbono do mesmo. Normalmente. nos espaços adjacentes e na parede torácica. A capacidade de difusão anormal é característica em indivíduos com fibrose pulmonar. incluindo as costelas. O teste para a apnéia do sono consiste na instalação de um eletrodo em um dedo ou no lobo de uma orelha para medir a concentração de oxigênio no sangue. Por exemplo. tumores pulmonares. As concentrações de oxigênio podem ser monitorizadas com o auxílo de um eletrodo instalado em um dedo ou no lobo de uma orelha – um procedimento denominado oximetria. Embora raramente as radiografias torácicas forneçam informações suficientes que permitam a determinação da causa exata da alteração. especialmente durante o sono – uma condição denominada apnéia do sono. um colapso pulmonar (pneumotórax). Quando ocorre uma alteração desse controle. de um eletrodo em uma das narinas para medir o fluxo de ar e de um eletrodo ou medidor sobre o tórax para medir os movimentos respiratórios. que não pode ser mensurada em uma amostra de sangue venoso. em seguida. sustenta a respiração por 10 segundos e. Exames de Diagnóstico por Imagem Rotineiramente. isto significa que a troca de oxigênio entre os pulmões e a corrente sangüínea é anormal. o monóxido de carbono é muito bem absorvido do ar inspirado. expira em um detector de monóxido de carbono. As radiografias torácicas mostram muito bem a silhueta do coração e dos principais vasos sangüíneos e. essa amostra é coletada na artéria radial.

o médico insere a agulha entre duas costelas e retira uma certa quantidade de líquido com a seringa. é injetado em um vaso sangüíneo e são obtidas imagens das artérias e veias pulmonares. No primeiro estágio. durante a punção com a agulha. A ressonância magnética (RM) também fornece imagens bem detalhadas. A ultra-sonografia também pode ser utilizada para orientar o médico durante a realização de uma punção com agulha para aspirar o líquido acumulado nesse espaço. o médico também pode injetar substâncias no espaço pleural para impedir um novo acúmulo de líquido. uma substância radioativa é injetada em uma veia. o exame é realizado em dois estágios. Durante o procedimento. Durante a realização da TC. Esse tipo de imagem é particularmente útil na detecção de coágulos sangüíneos nos pulmões (embolias pulmonares). desmaios. perfuração do baço ou do fígado e. Ocasionalmente.radiografias é analisada por um computador. Biópsia Pleural com Agulha 204 . e tem como objetivo analisar esse líquido. As duas principais razões para se realizar uma toracocentese são o alívio da falta de ar causada pela compressão do tecido pulmonar e a obtenção de uma amostra de líquido para exames diagnósticos. Toracocentese Na toracocentese. Um contraste líquido radiopaco que pode ser visualizado em radiografias. Do mesmo modo. Ao invés disso. o paciente permanece sentado confortavelmente e inclina-se para a frente. pode-se injetar um contraste na corrente sangüínea ou ele pode ser administrado pela via oral. A cintilografia pulmonar (estudos com radioisótopos) utiliza quantidades muito reduzidas de materiais radioativos de vida curta para mostrar o fluxo de ar e de sangue através dos pulmões. o paciente pode sentir alguma dor quando os pulmões insuflam de ar e expandem contra a parede torácica. finalmente. Normalmente. para se obter uma visão mais detalhada do pulmão que se encontrava obscurecido pelo líquido e. Durante a toracocentese. e o aparelho gera uma imagem que mostra a distribuição da substância pelos vasos sangüíneos pulmonares. o paciente inala um gás radioativo e um aparelho gera uma imagem que mostra como o gás distribui-se pelas vias aéreas e pelos alvéolos. a RM registra as características magnéticas dos átomos no interior do corpo. é realizada a remoção do derrame pleural (acúmulo anormal de líquido no espaço pleural) com o auxílio de uma agulha e seringa. No segundo estágio. A angiografia é utilizada mais freqüentemente quando há suspeita de embolia pulmonar. que logo em seguida mostra várias imagens de cortes transversais. a RM não utiliza radiação. que são particularmente úteis quando o médico suspeita de alterações dos vasos sangüíneos do tórax como. infecções. apoiando os braços sobre suportes adequados. O líquido coletado é analisado. A angiografia arterial pulmonar é considerada o exame definitivo (padrão ouro) para diagnosticar ou descartar a possibilidade de uma embolia pulmonar. sentir tontura e falta de ar. A angiografia revela detalhadamente o aporte sangüíneo aos pulmões. Freqüentemente. Após o procedimento. O risco de complicações durante e após uma toracocentese é baixo. Essa técnica também pode ser utilizada na avaliação pré-operatória de pacientes com câncer pulmonar. um aneurisma aórtico. sendo avaliada a sua composição química e verificada a presença de bactérias ou células cancerosas. o paciente pode. Ao contrário da TC. O contraste ajuda a esclarecer determinadas alterações na região torácica. Uma pequena área da região dorsal é limpa e recebe uma anestesia local. A ultra-sonografia produz uma imagem. Em seguida. para se garantir que o procedimento não causou alguma complicação. muito raramente. Caso o acúmulo de líquido seja importante a ponto de causar falta de ar. ela é utilizada para detectar a presença de líquido no espaço pleural (o espaço situado entre as duas camadas de pleura que recobrem os pulmões). geralmente baseando-se em resultados anormais de uma cintilografia pulmonar. por exemplo. durante um curto período. uma radiografia torácica é realizada para se documentar a quantidade de líquido retirado. o sangramento para o interior do espaço pleural ou na parede torácica. o médico utiliza a ultra-sonografia como orientação. a partir da reflexão das ondas sonoras em determinadas partes do corpo. Outras complicações possíveis são o colapso pulmonar (pneumotórax). Às vezes. a entrada acidental de bolhas de ar na corrente sangüínea (embolia gasosa). um volume maior de líquido pode ser retirado para permitir a expansão pulmonar e facilitar a respiração do paciente. a qual é visualizada em um monitor.

para instilar medicamentos em áreas específicas dos pulmões e para a investigação da origem de hemorragia. a pele é anestesiada com a mesma técnica utilizada para a toracocentese. No caso de suspeita de um câncer pulmonar. a biópsia pleural permite diagnosticar essas doenças com precisão. o médico coleta uma pequena amostra de tecido pleural e a envia ao laboratório para que seja verificada a presença de sinais de câncer ou de tuberculose. Freqüentemente. Esse exame pode auxiliar o médico no estabelecimento do diagnóstico e no tratamento de determinadas doenças. O detalhe abaixo mostra o que o médico visualiza. O paciente não deve comer nem beber durante as 4 horas que antecedem a broncoscopia. No caso de indivíduos com queimaduras ou que inalaram fumaça. o médico poderá realizar uma biópsia com agulha. Em primeiro lugar. permitindo ao médico observar dentro do pulmão as grandes vias aéreas (brônquios). o médico pode examinar e coletar amostras de qualquer área suspeita. o médico introduz um broncoscópio de fibra óptica flexível através de uma das narinas do paciente. até o interior das vias aéreas. pus e corpos estranhos. são administrados um sedativo para reduzir o nível de ansiedade do paciente. Broncoscopia A broncoscopia é um exame visual direto da laringe e das vias aéreas com a utilização de um tubo de visualização de fibra óptica (broncoscópio). Pode-se utilizar um broncoscópio flexível para a remoção de secreções. a broncoscopia ajuda a avaliar o estado da laringe e das vias aéreas. sangue. A broncoscopia é particularmente útil para a obtenção de amostras de indivíduos com AIDS ou outras deficiências imunológicas. Em seguida. As complicações são semelhantes às da toracocentese. A broncoscopia é utilizada para a coleta de microrganismos causadores de pneumonia e cuja coleta é difícil com outras técnicas.Quando os resultados da toracocentese não conseguem determinar a causa de um derrame pleural ou quando é necessária uma amostra de tecido de um tumor. Compreendendo a Broncoscopia Para observar as vias aéreas de modo direto. Em aproximadamente 85 a 90% dos casos. e atropina para reduzir os riscos de espasmo da laringe e de redução 205 . utilizando uma agulha de maior calibre. O broncoscópio possui uma fonte luminosa em sua extremidade.

Apesar da biópsia pulmonar transbrônquica aumentar o risco de complicações. trata-se de uma cirurgia importante e. Toracoscopia A toracoscopia é o exame visual das superfícies pulmonares e do espaço pleural por meio de um tubo de visualização (um toracoscópio). As complicações são semelhantes às da toracocentese e da biópsia pleural com agulha. o broncoscópio flexível é introduzido através da narina até as vias aéreas dos pulmões. trazendo consigo células e algumas bactérias. A lavagem broncoalveolar é um procedimento que os médicos podem utilizar para coletar amostras das vias aéreas menores. um tubo torácico é inserido para remover o ar que penetrou no espaço pleural durante o procedimento. Toracotomia A toracotomia é uma intervenção cirúrgica que consiste na abertura da parede torácica para se observar os órgãos internos. trata-se de um procedimento mais invasivo por produzir uma pequena ferida e exigir hospitalização e anestesia geral. o timo e os linfonodos. O médico pode utilizar a fluoroscopia como orientação e também para diminuir o risco de uma perfuração acidental do pulmão. A biópsia pulmonar transbrônquica consiste na obtenção de uma amostra de tecido pulmonar através da parede brônquica. A toracotomia é utilizada quando procedimentos como a toracocentese. o líquido é aspirado para o interior do broncoscópio. Apesar de ser o meio mais acurado para se avaliar doenças pulmonares. Em seguida. A mediastinoscopia é realizada em uma sala cirúrgica. A cultura do líquido é um modo mais adequado para se diagnosticar infecções. Além de ser capaz de visualizar a superfície pulmonar e a pleura. radiografias torácicas são realizadas para se controlar possíveis complicações. Isso permite a entrada de ar. podendo evitar a realização de uma intervenção cirúrgica de grande porte. O mediastino abrange o coração. que não podem ser observadas com o broncoscópio. O médico remove fragmentos de tecidos de uma área suspeita introduzindo um instrumento de biópsia através de um conduto existente no broncoscópio e. A lavagem broncoalveolar também pode ser utilizado no tratamento da proteinose alveolar pulmonar e outras doenças. em seguida. a broncoscopia ou a mediastinoscopia não fornecem informações adequadas. O toracoscópio também pode ser utilizado no tratamento do derrame pleural (acúmulo de líquido no espaço pleural). Após a broncoscopia. provocando o colapso do pulmão. permitindo que o médico observe todo conteúdo do mediastino e. para se obter amostras de tecido para exame laboratorial e para se tratar doenças pulmonares. o esôfago. ela é utilizada menos freqüentemente que outras técnicas diagnósticas. o paciente é mantido sob observação por algumas horas. A garganta e a via nasal são anestesiadas com um spray anestésico e. 206 . o paciente é submetido a uma anestesia geral para a realização desse procedimento. Quase todas as mediastinoscopias são realizadas para diagnosticar a causa do aumento de volume dos linfonodos ou para avaliar o nível de disseminação do câncer pulmonar antes de uma cirurgia torácica (toracotomia). O exame microscópico do material auxilia no diagnóstico de infecções e cânceres. atingindo finalmente a área pulmonar suspeita. colete amostras para exames diagnósticos. em seguida.da freqüência cardíaca. No caso de ter sido realizada a coleta de uma amostra de tecido. Em seguida. quando necessário. Em seguida. Após a remoção do toracoscópio. a qual causaria um colapso pulmonar (pneumotórax). o médico pode coletar amostras de tecido para exame microscópico e pode administrar medicamentos por meio do toracoscópio. ela freqüentemente fornece informações complementares para o dianóstico. através da parede de uma via aérea pequena. a traquéia. a qual ocorre algumas vezes durante o procedimento. o médico instila soro fisiológico (água com sal) através do instrumento. para impedir um novo acúmulo de líquido no espaço pleural. Após ajustar o broncoscópio no interior de uma via aérea pequena. Entretanto. com o paciente sob anestesia geral. o instrumento é introduzido no tórax. cardíacas e das artérias principais. É realizada uma pequena incisão na incisura localizada acima do esterno. o cirurgião realiza três pequenas incisões na parede torácica e introduz o toracoscópio até o espaço pleural. permitindo que o pulmão em colapso insufle novamente. Geralmente. Mediastinoscopia A mediastinoscopia é o exame visual direto da área do tórax localizada entre os dois pulmões (o mediastino) por meio de um tubo de visualização (mediastinoscópio). por essa razão.

A gasometria arterial revela baixos níveis de oxigênio no sangue e as radiografias torácicas revelam a presença de líquido nos espaços que deveriam estar cheios de ar.Em mais de 90% dos indivíduos submetidos a esse tipo de cirurgia. Devido aos baixos níveis de oxigênio no sangue. Incialmente. O médico realiza uma incisão na parede torácica e coleta amostras de tecido do pulmão. o indivíduo apresenta falta de ar. é necessária a realização de outros exames para se confirmar que a causa do problema não é a insuficiência cardíaca. Apesar de algumas vezes ser denominada síndrome da angústia respiratória do adulto. Quando necessário. ocorre um escape de sangue e de líquido para os espaços interalveolares e. Causas A causa pode ser qualquer doença que. A toracotomia requer que o paciente seja submetido a uma anestesia geral e deve ser realizada em uma sala cirúrgica. esse distúrbio também pode ocorrer em crianças. pode ser comprometida. para o interior dos alvéolos. Causas da Síndrome da Angústia Respiratória Aguda • Infecção disseminada e grave (septicemia) • Pneumonia • Hipotensão arterial grave (choque) • Aspiração de alimento para o interior no pulmão 207 . Aproximadamente um terço dos indivíduos com a síndrome a desenvolvem devido a uma infecção disseminada e grave (sépsis).Como conseqüência. o problema pulmonar é identificado. Aspiração A aspiração é utilizada para se obter secreções e células da traquéia e dos grandes brônquios. como o coração e o cérebro. quase sempre acompanhada por uma respiração superficial e rápida. que são submetidas ao exame microscópico. É instalado um tubo torácico. finalmente. longo e flexível. o paciente permanece internado no hospital por alguns dias. Seção 4 . Essa síndrome é considerada uma emergência médica que pode ocorrer mesmo em pessoas que anteriormente apresentavam pulmões normais. Normalmente. Quando é necessária a coleta de amostras de áreas dos dois pulmões. Uma das extremidades de um tubo plástico transparente. a pele pode tornar-se moteada ou azulada e a função de outros órgãos. direta ou indiretamente. Com o auxílio de um estetoscópio. Nos indivíduos que apresentam uma traqueostomia (abertura artificial da traquéia). Sintomas e Diagnóstico Normalmente. com duração de 2 a 5 segundos. o tubo pode ser inserido diretamente na traquéia. Após o tubo ser posicionado. os pulmões não conseguem funcionar normalmente.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 33 . o médico pode auscultar sons crepitantes ou sibilos nos pulmões. pois o local de coleta da amostra pode ser visualizado e selecionado e porque podem ser coletadas amostras maiores de tecido. que é mantido por 24 a 48 horas após a cirurgia. e também para ajudar os pacientes a eliminar secreções das vias aéreas quando a tosse não é eficaz. A inflamação subseqüente pode acarretar a formação de tecido cicatricial. Quando os alvéolos e os capilares pulmonares são lesados. de um lobo pulmonar ou mesmo de um pulmão inteiro. a síndrome da angústia respiratória aguda ocorre 24 ou 48 horas após a lesão ou a doença original. pode ser realizada a remoção de um segmento pulmonar. o médico comumente secciona o esterno. produz lesão pulmonar. a aspiração é realizada de forma intermitente.Síndrome da Angústia Respiratória Aguda A síndrome da angústia respiratória aguda (também denominada síndrome da angústia respiratória do adulto) é um tipo de insuficiência pulmonar provocado por diversos distúrbios que causam acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). Às vezes. é conectada a uma bomba de aspiração e a outra é introduzida através de uma narina ou da boca até a traquéia. amostras que serão submetidas ao exame microscópico ou para a realização de uma cultura de escarro.

Seção 4 . propoxifeno ou aspirina.• Múltiplas transfusões de sangue • Lesão pulmonar decorrente de concentrações elevadas de oxigênio • Embolia pulmonar • Lesão torácica • Queimaduras • Afogamento • Cirurgia de derivação ( bypass) cardiopulmonar • Inflamação do pâncreas (pancreatite) • Dose excessiva de algum tipo de droga. A embolia pulmonar é a obstrução repentina de uma artéria pulmonar causada por um êmbolo. Os pacientes que respondem normalmente ao tratamento. a insuficiência renal. e para garantir que os pulmões não recebam uma concentração excessiva de oxigênio. Isto é importante. Por exemplo. um fragmento de um tumor ou uma bolha de ar que se desloca através da corrente sangüínea até obstruir um vaso. com um tratamento adequado. um ventilador deverá ser utilizado.Embolia Pulmonar Geralmente. No caso de pequenos coágulos. cerca de 50% dos indivíduos afetados sobrevivem. A falta prolongada de oxigênio pode causar complicações graves como. as artérias não obstruídas conseguem enviar sangue suficiente até a parte afetada do pulmão. quando vasos de grande calibre estão bloqueados ou quando a pessoa já sofria de alguma doença pulmonar. metadona. Cerca de 10% das pessoas com embolia pulmonar sofrem alguma morte de tecido pulmonar (infarto pulmonar). antibióticos são administrados para combater uma infecção. Para aqueles pacientes cujo tratamento depende de longos períodos sob respiração assistida (com o auxílio de um ventilador). Essa pressão ajuda a forçar a passagem do oxigênio ao sangue. Comumente. Tratamentos adicionais cruciais para o sucesso dependem da causa subjacente da síndrome da angústia respiratória aguda. Também é importante a instituição de outros tratamentos adjuvantes.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 34 . de medula óssea. a quantidade de sangue transportada pode ser insuficiente para evitar a morte do tecido. como a administração de líquido ou nutrientes através da via intravenosa. a possibilidade de formação de cicatrizes pulmonares é maior. eles comumente desenvolvem pneumonia bacteriana em algum momento no curso da doença. a privação grave de oxigênio provocada pela síndrome causa a morte em 90% dos pacientes. Sem um tratamento imediato. No entanto. Complicações e Prognóstico A falta de oxigênio provocada por essa síndrome pode produzir complicações em outros órgãos logo após o início do quadro ou. mas também pode ser um êmbolo de gordura. ao longo de dias ou semanas. na boca ou na traquéia. A oxigenoterapia é fundamental para a correção dos baixos níveis de oxigênio. pois a desidratação ou a desnutrição aumentam a probabilidade de interrupção do funcionamento de diversos órgãos (falência múltipla de órgãos). essas cicatrizes podem melhorar alguns meses após o paciente ter deixado de utilizar o ventilador. No entanto. Mas. pois uma concentração excessiva de oxigênio pode lesar os pulmões e agravar a síndrome da angústia respiratória aguda. Tratamento Os pacientes com síndrome da angústia respiratória aguda são tratados na unidade de terapia intensiva. recuperam-se bem com pouca ou nenhuma alteração pulmonar a longo prazo. como heroína. A pressão é ajustada para ajudar a manter abertas as vias aéreas pequenas e os alvéolos. evitando a morte tissular. Este fornece oxigênio sob pressão através de um tubo inserido na narina. quando não ocorre melhora do quadro. de líquido amniótico. um êmbolo é um coágulo sangüíneo (trombo). Como os indivíduos com síndrome da angústia respiratória aguda são menos resistentes às infecções pulmonares. o organismo consegue desintegrá- 208 . Se o oxigênio administrado com o uso de uma máscara facial não corrigir o problema. por exemplo.

pode ocorrer a formação de um outro tipo de êmbolo. No entanto. Essas condições incluem • Cirurgia • Repouso prolongado ao leito ou inatividade (como permanecer sentado em viagens prolongadas de carro ou de avião) • Acidente vascular cerebral • Infarto do miocárdio • Obesidade • Fratura do quadril ou da perna • Aumento da tendência à coagulação do sangue (como ocorre em certos cânceres ou com o uso de contraceptivos orais ou na deficiência hereditária de um inibidor da coagulação sangüínea) Causas O tipo mais freqüente de êmbolo pulmonar é um coágulo sangüíneo. Poucas vezes os coágulos formam. as condições predisponentes são evidentes. Os sintomas da embolia pulmonar costumam manifestar-se de forma abrupta. como pode ocorrer nas veias dos membros inferiores quando o indivíduo permanece na mesma posição durante muito tempo. composto pela gordura oriunda da medula óssea que penetra na corrente sangüínea. Freqüentemente. eles alojam-se em pequenos vasos (arteríolas e capilares) dos pulmões. desmaios ou convulsões. tanto os êmbolos de gordura quanto os de líquido amniótico são raros. 209 . sobretudo quando ele respira profundamente. sintomas como a dificuldade respiratória crônica. Causas Que Predispõem à Formação de Coágulos A causa da coagulação do sangue nas veias pode não ser identificável. mas. especialmente quando não ocorre infarto. o indivíduo apresenta uma dor torácia aguda. parecendo estar apresentando uma crise de ansiedade. Sintomas Os êmbolos pequenos podem ser assintomáticos. Freqüentemente.se nas veias dos membros superiores ou no lado direito do coração. mas a maioria produz dificuldade respiratória. Os indivíduos com obstrução de um ou mais grandes vasos pulmonares podem apresentar pele azulada (cianose) e morte súbita. que geralmente. porém. os primeiros sintomas podem ser tontura. Essa dor é denominada dor torácica pleurítica. escarro sanguinolento. Grandes coágulos. esses sintomas se devem à redução súbita da capacidade do coração de liberar uma quantidade suficiente de sangue oxigenado ao cérebro e a outros órgãos. Este pode ser o único sintoma. enquanto os do infarto pulmonar ocorrem ao longo de horas. Os coágulos sangüíneos tendem a se formar quando o sangue circula lentamente ou não circula. diminuindo de forma progressiva. Também pode ocorrer formação de um êmbolo de líquido amniótico durante o trabalho de parto. se forma em uma veia da perna ou da pelve. inchaço dos tornozelos ou dos membros inferiores e fraqueza tendem a ocorrer de modo progressivo ao longo de semanas. o coágulo pode fragmentar e desprender. Comumente. Algumas vezes. muitas vezes. Nos indivíduos com episódios recorrentes de pequenos êmbolos pulmonares. Também podem ocorrer arritmias cardíacas (batimentos cardíacos irregulares). O infarto pulmonar produz tosse.los com rapidez e a lesão é mantida em nível mínimo. Quando o indivíduo volta a movimentar-se. Em algumas pessoas. Quando o indivíduo sofre uma fratura. Quando um coágulo venoso cai na corrente sangüínea. Se ocorrer uma obstrução de muitos desses pequenos vasos. Geralmente. ele normalmente desloca-se até os pulmões. os sintomas do infarto persistem por vários dias. o indivíduo apresenta uma respiração muito rápida e manifesta sintomas de ansiedade ou de agitação. o indivíduo pode apresentar a síndrome da angústia respiratória aguda. dor torácica aguda durante a respiração e febre. meses ou anos. levam tempo para se desintegrar. causando maiores danos e até mesmo morte súbita.

conseqüentemente. que pode ser visualizado nas radiografias. Uma área de embolia apresenta uma ventilação normal. o qual é então distribuído pelos pequenos sacos aéreos (alvéolos) dos pulmões. O indivíduo que apresenta as funções cardíaca e pulmonar normais quase sempre sobrevive. uma cintilografia anormal pode ser devida a outras causas que não a embolia pulmonar. a não permanência no leito e a retomada das atividades assim que possível para reduzir o risco de formação de coágulos. A arteriografia pulmonar é o procedimento mais acurado para o diagnóstico da embolia pulmonar. na qual é injetada em uma veia uma pequena quantidade de substância radioativa. Uma radiografia torácica pode revelar alterações discretas no padrão da vascularização após uma embolia e sinais de infarto pulmonar. Geralmente. Prognóstico A probabilidade de morte por causa de uma embolia pulmonar depende do tamanho do êmbolo. algumas vezes é necessária a realização de determinados procedimentos para a confirmação do diagnóstico. Entretanto. Meias compressivas para os membros inferiores. raramente confirmam a embolia pulmonar. aos indivíduos que apresentam insuficiência cardíaca ou choque. a prática de exercícios de membros inferiores. A heparina pode causar sangramento e retardar a cicatrização e. onde delineia o aporte sangüíneo (perfusão) ao órgão. No entanto. Doses baixas de heparina são injetadas sob a pele (injeção subcutânea). imediatamente antes da cirurgia e durante os sete dias seguintes. mas essas anormalidades normalmente são temporárias e podem indicar apenas uma possibilidade de embolia pulmonar. Quase sempre é realizada uma cintilografia pulmonar de perfusão. a administração de heparina (um anticoagulante) é amplamente utilizada para evitar a formação de coágulos nas veias da panturrilha. é injetado em uma artéria e circula até as artérias pulmonares. Uma cintilografia normal indica que o indivíduo não apresenta uma oclusão importante dos vasos sangüíneos. Em uma radiografia. ela é administrada somente aos pacientes com um grande risco de formar coágulos.Diagnóstico Um médico pode suspeitar de uma embolia pulmonar baseando-se nos sintomas e nos fatores predisponentes do paciente. As imagens revelam as áreas onde ocorre a troca de oxigênio. Cerca da metade dos indivíduos com embolia pulmonar não tratada pode apresentar uma nova embolia no futuro e 50% dessas recorrências são fatais. No entanto. reduzem a incidência de formação de coágulos na panturrilha e. reduzem o risco de embolia pulmonar. que circula até os pulmões. as radiografias torácicas geralmente são normais e. Após uma cirurgia. Comparando essa cintilografia com o padrão de suprimento sangüíneo revelado pela cintilografia de perfusão. Um eletrocardiograma pode revelar anormalidades. a embolia pulmonar aparece como uma obstrução arterial. o médico normalmente pode determinar se o indivíduo apresenta uma embolia pulmonar. O tratamento com medicamentos que inibem a coagulação sangüínea (anticoagulantes) reduz a taxa de recorrência para cerca de 1 em cada 20 casos. projetadas para ativar a circulação sangüínea. Um contraste. Prevenção São realizadas tentativas para prevenir a formação de coágulos nas veias dos indivíduos com risco de embolia pulmonar. do seu diâmetro. O paciente inala um gás inofensivo que contém traços de um material radioativo. inclusive quando são anormais. Contudo. mas uma diminuição da perfusão. Normalmente uma embolia pulmonar fatal causa a morte em uma ou duas horas. As áreas sem irrigação sangüínea normal aparecem escuras na cintilografia. a cintilografia de perfusão é realizada conjuntamente com uma cintilografia de ventilação. exceto quando o êmbolo obstrui metade ou mais da metade dos vasos pulmonares. pois as partículas radioativas não conseguem chegar até as mesmas. aos indivíduos obesos ou àqueles com formação anterior de coágulos. ela apresenta alguns riscos e é mais desconfortável que os outros exames. do número de artérias pulmonares obstruídas e do estado geral de saúde do paciente. Qualquer indivíduo com um problema cardíaco ou pulmonar grave apresenta um maior risco de embolia. Exames adicionais podem ser realizados para se investigar a origem do êmbolo. àqueles com uma doença pulmonar crônica. 210 . Para os pacientes que se encontram no período pós-operatório – especialmente os idosos – recomenda-se o uso de meias elásticas. por essa razão.

O dextrano. Para os pacientes submetidos a cirurgias com grande probabilidade de formação de coágulos (por exemplo. Em geral.A heparina não é utilizada nas cirurgias que envolvem a coluna vertebral ou o cérebro porque o perigo de hemorragia nessas áreas é muito grande. As infecções recorrentes podem advir da sinusite crônica.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 35 . o dextrano pode causar sangramento. os coágulos originam-se nos membros inferiores ou na pelve. Anticoagulantes como a heparina são prescritos com o objetivo de evitar o aumento dos coágulos existentes ou a formação de novos coágulos. é realizada a administração de warfarina pela via oral. Os tabagistas e os indivíduos que apresentam doenças crônicas pulmonares ou das vias aéreas. também ajuda a prevenir a formação de coágulos. Se ocorrer recidiva da formação de êmbolos apesar de todo o tratamento preventivo ou se os anticoagulantes causarem uma hemorragia grave. o tratamento durará de dois a três meses. podem ser úteis. quando necessário. a fumaça de tabaco e outras fumaças. cloro. que também inibe a coagulação. de alergias e. nas crianças. denominada embolectomia pulmonar (remoção do êmbolo da artéria pulmonar). deve ter a sua dosagem cuidadosamente regulada. A duração do tratamento anticoagulante depende do quadro do paciente. No entanto. podem apresentar crises repetidas. administrado por via intravenosa. Normalmente. a urocinase ou o ativador do plasminogênio tissular. Ela pode ser causada por vírus. que interferem na eliminação de partículas inspiradas dos brônquios. Como ela pode ser administrada pela via oral. na reparação de uma fratura do quadril ou na substituição dessa articulação). A bronquite irritativa pode ser causada por diversos tipos de pós. e o filtro evita que esses coágulos cheguem à artéria pulmonar. dióxido de enxofre e brometo. Pequenas doses de heparina podem ser administradas aos indivíduos hospitalizados com risco elevado de embolia pulmonar. Enquanto estiver utilizando a warfarina. da inflamação das tonsilas (amígdalas) e das adenóides. a bronquite pode ser grave nos indivíduos com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas e nos idosos. pode salvar a vida de pacientes com embolia grave. O tratamento com warfarina pode prolongar-se por várias semanas ou meses. A heparina. vapores de ácidos fortes. a warfarina é adequada para o tratamento prolongado. poluentes aéreos como o ozônio e o dióxido de nitrogênio. é iniciada a administração da warfarina. Em seguida. Assim como a heparina. o tratamento normalmente dura de três a seis meses e. mas demora mais para começar a atuar.Bronquite A bronquite é uma inflamação dos brônquios. até os exames de sangue demonstrarem que a warfarina já previne a formação de coágulos de modo eficaz. como a estreptocinase. que pode apresentar uma cura completa. amônia. 211 . Os indivíduos com risco de morte devido a uma embolia pulmonar podem ser beneficiados por outras duas formas de tratamento: a terapia trombolítica e a cirurgia. de analgésicos. como uma cirurgia. sulfeto de hidrogênio. bactérias e especialmente por microrganismos semelhantes às bactérias. ele deve ser prosseguido por um período indeterminado. Tratamento O tratamento da embolia pulmonar é iniciado com a administração de oxigênio e. administrada pela via intravenosa para a obtenção de um efeito rápido. Causas A bronquite infecciosa ocorre com maior freqüência no inverno. como o Mycoplasma pneumoniae e a Chlamydia. Os trombolíticos (drogas que dissolvem os coágulos). da bronquiectasia. mesmo quando eles não forem passar por uma cirurgia. Se a causa for um problema de longa duração. essas substâncias não devem ser administradas aos pacientes que tenham sido submetidos a um procedimento cirúrgico nos dez dias anteriores. trata-se de uma doença leve. causada geralmente por uma infecção. em alguns casos. o paciente deve realizar periodicamente um exame de sangue para determinar se a dose deve ser modificada. Entretanto. A cirurgia. poderá ser realizada a instalação cirúrgica de um filtro na veia principal (oriunda dos membros inferiores e da pelve que desemboca no lado direito do coração). A heparina e a warfarina são administradas conjuntamente de cinco a sete dias. Se a embolia pulmonar for causada por um fator predisponente temporário. alguns solventes orgânicos. Seção 4 . a gestantes e a indivíduos que recentemente foram vítimas de um acidente vascular cerebral ou que apresentam propensão à hemorragia.

Sintomas e Diagnóstico Freqüentemente. A cultura de escarro pode indicar a necessidade de um outro tipo de antibiótico quando ocorrer persistência ou recidiva dos sintomas. podem ser prescritos o trimetoprim-sulfametoxazol. Na bronquiectasia. ocorre uma forma de bronquiectasia que afeta os brônquios de grosso calibre. o indivíduo pode apresentar dispnéia (dificuldade respiratória). principalmente nas características do escarro expectorado através da tosse. dor nas costas e dores musculares. freqüentemente. O repouso e a ingestão de bastante líquido são úteis. Inicialmente. Tipicamente. Ocasionalmente. A bronquiectasia não é em si uma doença isolada. Em geral. Na atelectasia. a bronquite infecciosa começa com os sintomas de um resfriado comum: coriza. Em geral. com uma coloração amarelada ou esverdeada. Quando há obstrução das vias aéreas. que variam de espessura e de composição nas diferentes partes das vias aéreas. o diagnóstico de bronquite é baseado nos sintomas. os brônquios menores localizados abaixo apresentam cicatrização e obstrução. Posteriormente. a bronquiectasia causa dilatação dos brônquios de calibre médio. pode ser necessária a realização de uma radiografia torácica para assegurar-se que o indivíduo não evoluiu para uma pneumonia.Bronquiectasia e Atelectasia Bronquiectasia Atelectasia Prevenção e Tratamento Tanto a bronquiectasia como a atelectasia são resultantes de uma lesão parcial do trato respiratório. O paciente pode desenvolver uma pneumonia. um distúrbio provocado por uma resposta imune ao fungo Aspergillus. Tratamento Os adultos podem utilizar aspirina ou acetaminofeno para reduzir a febre e o mal-estar provocado pela doença. a escolha habitual é a amoxicilina. ele começa a apresentar melhora da maioria dos sintomas. Para os adultos. mas. Para as crianças. especialmente após a tosse.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 36 . após um ou dois dias. Freqüentemente. O indivíduo com bronquite grave pode apresentar febre alta durante três a cinco dias e. quando existe a suspeita de uma infecção causada pelo Mycoplasma pneumoniae. o início da tosse indica o começo da bronquite. mas as crianças devem utilizar apenas o acetaminofeno. Geralmente. os antibióticos não são úteis quando a infecção é de origem viral. é administrada a eritromicina. A condição pode ser difusa ou pode afetar somente uma ou duas áreas. mas é produzida de diversas maneiras e é conseqüência de diferentes processos que lesam a parede brônquica. interferindo direta ou indiretamente em suas defesas. Os antibióticos são prescritos para os indivíduos com sintomas que sugerem que a sua bronquite é devida a uma infecção bacteriana (como aquelas cuja expectoração é amarelada ou esverdeada ou que apresentam uma febre alta persistente) e para aqueles com uma doença pulmonar preexistente. topo Bronquiectasia A bronquiectasia é uma dilatação irreversível de porções dos brônquios devida à lesão da parede brônquica. No entanto. nos casos de aspergilose broncopulmonar alérgica. cansaço. calafrios. a tosse é seca e pode permanecer assim. a tosse pode persistir por várias semanas. ele começa a expectorar uma quantidade muito maior de escarro. o indivíduo freqüentemente começa a expectorar pequenas quantidades de escarro esbranquiçado ou amarelado. a parede brônquica é formada por várias camadas. parte do pulmão contrai devido à uma perda de ar. Se houver persistência dos sintomas. são os brônquios (as vias aéreas que se ramificam a partir da traquéia) que se encontram lesados. No entanto. O revestimento interno (mucosa) e a região imediatamente inferior (submucosa) contêm células que ajudam a proteger as vias aéreas e os pulmões 212 . Seção 4 . após esse período. uma tetraciclina ou uma ampicilina. febre discreta e dor de garganta. A presença de sibilos é comum. ou quando a bronquite for muito grave. Entretanto.

Além disso. os sintomas surgem muito mais tarde ou podem jamais se manifestar. e tendem a piorar no decorrer dos anos. Os indivíduos com bronquiectasia generalizada apresentam sibilos ou dificuldade respiratória. Os vasos sangüíneos e o tecido linfóide auxiliam na nutrição e na defesa da parede brônquica. permitindo a variação de seu diâmetro de acordo com a necessidade. acúmulo de líquido no abdômen e dificuldade respiratória. e muitas outras células que estão relacionadas à imunidade e à defesa do organismo contra organismos invasores e substâncias nocivas. enfisema ou asma. Além disso. em alguns casos. o quadro aparece com maior freqüência na primeira infância. Além disso. a inflamação e o aumento de vasos sangüíneos na parede brônquica pode provocar o surgimento de uma expectoração sanguinolenta. A tosse com sangue é comum e pode ser o primeiro e o único sintoma. As radiografias torácicas padrões podem ser normais. podendo sobrecarregar o coração e acarretar insuficiência cardíaca – uma condição que pode produzir edema (inchaço) nos pés ou nas pernas. as crises de tosse ocorrem no início da manhã e no final do dia. seja ela crônica ou recorrente. os cílios são destruídos ou lesados e a produção de muco aumenta.contra substâncias potencialmente nocivas. Os episódios freqüentes de pneumonia podem também indicar a existência de bronquiectasia. é necessária a realização de estudos radiográficos para a confirmação do diagnóstico e para a avaliação da extensão e da localização da doença.se mais dilatada. A quantidade e o tipo do escarro dependem da extensão da doença e da presença de uma complicação por uma infecção sobreposta. A causa mais comum é a infecção. A inflamação pode estender-se até os pequenos sacos aéreos dos pulmões (alvéolos). sobretudo na posição deitada. Essas células incluem as células secretoras de muco. No entanto. Muitas condições podem causar a bronquiectasia. elas detectam as alterações pulmonares causadas pela bronquiectasia. a formação de tecido cicatricial e a perda de vasos sangüíneos na parede dos brônquios podem sobrecarregar o coração. e ocorre mais comumente nos países menos desenvolvidos. algumas vezes. podem predispor um indivíduo a infecções que levam à bronquiectasia. Na bronquiectasia. 213 . Fibras musculares e elásticas e uma camada cartilaginosa constituem a estrutura das vias aéreas. Pode-se suspeitar a existência de bronquiectasia através dos sintomas ou pela presença de outro distúrbio associado. produz freqüentemente obstrução brônquica e acarreta o acúmulo de secreções e um maior dano à parede brônquica. mas. As respostas imunes anormais. ocorre destruição e inflamação crônica em áreas das paredes brônquicas. Nos casos graves. A obstrução das vias aéreas lesadas pode acarretar níveis anormalmente baixos de oxigênio no sangue. que possuem estruturas semelhantes a pêlos que auxiliam na eliminação de partículas e de muco do inteior das vias aéreas. Compreendendo a Bronquiectasia Na bronquiectasia. os problemas congênitos que afetam a estrutura das vias aéreas ou a capacidade dos cílios de eliminar muco e fatores mecânicos. a parede perde seu tônus normal. A área afetada torna. A maioria dos indivídos apresenta uma tosse de longa duração e produtiva. eles podem apresentar bronquite crônica. Normalmente. Os sintomas começam de maneira gradual. como a obstrução brônquica. comumente após uma infecção do trato respiratório. flácida e pode produzir protuberâncias ou bolsas semelhantes a pequenos balões. as células ciliadas. O aumento de muco possibilita o crescimento bacteriano. formação de cicatrizes e uma perda de tecido pulmonar funcional. As células ciliadas são lesadas ou destruídas e a produção de muco aumenta. algumas áreas da parede brônquica são destruídas e apresentam inflamação crônica. É provável que um pequeno número de casos seja decorrente da inalação de substâncias tóxicas que lesam os brônquios. A doença é muito grave. Sintomas e Diagnóstico Apesar de a bronquiectasia ocorrer em qualquer idade. No entanto. causando broncopneumonia.

. como a artrite reumatóide e a colite ulcerativa Outros distúrbios Abuso de drogas como. Outros exames podem ser realizados para a identificação de doenças subjacentes. após o diagnóstico da bronquiectasia. por exemplo. como a dificuldade de deglutição. ou sintomas gastrointestinais. como a pneumonia e a tuberculose. Esses exames incluem a determinação dos níveis de imunoglobulina no sangue. gases. Staphylococcus ou Pseudomonas) Lesão causada por vapores. a regurgitação ou a tosse após a alimentação. a dosagem da concentração de sal no suor (anormais em casos de fibrose cística) e o exame de amostras nasais. A vacina pneumocócica pode ajudar a evitar determinados tipos de pneumonia pneumocócica e suas graves complicações. brônquicas ou do sêmen para se determinar se as células ciliadas apresentam defeitos estruturais ou funcionais. como a aspergilose broncopulmonar alérgica. Quando a bronquiectasia é limitada a uma área (p. fumaça (inclusive a fumaça de tabaco) e poeiras nocivas (como a de sílica ou o talco) também ajuda a evitar a bronquiectasia ou a reduzir sua gravidade. pode evitar as lesões brônquicas que produzem as bronquiectasias. para se determinar se a causa é um corpo estranho aspirado ou um tumor pulmonar. Freqüentemente. deve ser evitada a instilação de gotas oleosas ou de óleo mineral na imunológicas genéticos Síndromes de deficiência imunoglobulínica Disfunções dos leucócitos Deficiências do complemento Certos distúrbios auto-imunes 214 . também pode evitar a bronquiectasia ou reduzir sua gravidade. A administração de imunoglobulinas em uma síndrome de deficiência imunoglobulínica pode evitar a ocorrência de infecções recorrentes e complicações derivadas das mesmas. como o comprometimento do nível de consciência. As vacinações anuais contra a gripe também ajudam a impedir a ação destrutiva dos agentes virais causadores da doença. gases ou partículas nocivas Aspiração de ácido gástrico e partículas de alimento Distúrbios Fibrose cística Discinesia ciliar. principalmente nos indivíduos com aspergilose broncopulmonar alérgica. evitando-se a excessiva sedação por drogas ou álcool e pela busca de auxílio médico no caso do paciente apresentar sintomas neurológicos. inclusive síndrome de Kartagener Deficiência de alfa1-antitripsina Anormalidades ou hiperimunes. O uso adequado de medicamentos antiinflamatórios. O uso de antibióticos na fase inicial de infecções.ex. a heroína Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) Síndrome de Young (azoospermia obstrutiva) Síndrome de Marfan Prevenção As vacinações infantis contra o sarampo e a coqueluche têm ajudado a reduzir o número de indivíduos que desenvolvem bronquiectasia. são realizados exames que verificam a presença de doenças que podem ser reponsáveis pelo quadro. como os corticosteróides. A aspiração de corpos estranhos até as vias aéreas pode ser prevenida pelo controle rigoroso do que as crianças colocam na boca. um lobo ou segmento pulmonar).A tomografia computadorizada (TC) de alta resolução geralmente confirma o diagnóstico e é especialmente útil na determinação da extensão da doença quando é aventada a possibilidade de um tratamento cirúrgico. pode ser realizada uma broncoscopia de fibra óptica (exame que utiliza um tubo de visualização que é introduzido nos brônquios). Evitar a inalação de vapores perniciosos. Principais Causas de Bronquiectasia Infecções Gripe Tuberculose Infecção por fungo Infecção por Mycoplasma Obstrução Aspiração de corpo estranho Aumento de tamanho de gânglios linfáticos Tumor pulmonar Tampão de muco Lesões por inalação brônquica respiratórias Sarampo Coqueluche Infecção por adenovírus Infecção bacteriana (por exemplo. Além disso. por Klebsiella.

é realizada a remoção cirúrgica de uma parte de um pulmão. O tecido pulmonar colapsado comumente enche-se de células sangüíneas. A cirurgia também pode ser aventada para os indivíduos que apresentam infecções repetidas apesar do tratamento ou para aqueles que expectoram grandes quantidades de sangue. Na síndrome do lobo médio. O pulmão obstruído e contraído pode desenvolver uma pneumonia que não chega a curar completamente e que produz inflamação crônica. Se a concentração de oxigênio no sangue estiver baixa. Na microatelectasia irregular ou difusa. As vias aéreas pequenas também podem ser obstruídas. O brônquio também pode ser obstruído por causa de uma pressão externa provocada por um tumor ou o aumento de tamanho de linfonodos (gânglios linfáticos). algumas vezes. Quando uma via aérea é obstruída. Os medicamentos antiinflamatórios. A principal causa da atelectasia é a obstrução de um brônquio principal. uma das duas ramificações da traquéia que se dirigem diretamente aos pulmões. Se o paciente apresentar insuficiência cardíaca. Raramente. a administração de oxigênio ajuda a prevenir complicações como o cor pulmonale (doença cardíaca relacionada a uma doença pulmonar). sem que haja compressão do brônquio. Para os indivíduos que eliminam secreção em grande quantidade.boca ou no nariz na hora de dormir. o que acarreta sua diminuição de volume e sua retração. Na atelectasia por aceleração. um tumor ou um corpo estranho aspirado para o interior do brônquio. Como alternativa. pois essas substâncias podem ser aspiradas até os pulmões. um tipo de atelectasia de longa duração. A broncoscopia pode ser utilizada para detectar e tratar uma obstrução brônquica antes que ocorram lesões graves. cicatrização e bronquiectasia. como os corticosteróides e os mucolíticos (substâncias que diminuem a viscosidade do pus e do muco) também podem ser administrados. as drogas broncodilatadoras freqüentemente são úteis. o médico pode obstruir deliberadamente o vaso sangrante. Em alguns casos. os antibióticos são prescritos durante um longo período para evitar as recidivas freqüentes. de preferência. A obstrução pode ser causada por um tampão de muco. Tanto a cirurgia como outras causas de respiração superficial podem causar a atelectasia. a drenagem postural e a tapotagem (percussão torácica) várias vezes ao dia. geralmente em decorrência da pressão sobre o brônquio exercida por um tumor ou por linfonodos. Tratamento Não são recomendados os medicamentos que suprimem a tosse porque eles podem agravar o problema. o lobo médio do pulmão direito contrai. o ar contido nos alvéolos é absorvido pela corrente sangüínea. topo Atelectasia A atelectasia é uma condição na qual parte do pulmão torna-se desprovida de ar e entra em colapso. ajudam a drenar o muco e são essenciais no tratamento da bronquiectasia. Os adultos também podem apresentar microatelectasias devido à administração excessiva de oxigênio. a um lobo ou segmento pulmonar. a uma infecção generalizada grave (sépsis) ou a muitos outros fatores que lesam o revestimento dos alvéolos. Sintomas e Diagnóstico 215 . Após uma cirurgia – sobretudo quando torácica ou abdominal –. as grandes forças geradas pela alta velocidade do vôo fecham as vias aéreas pequenas e produzem um colapso dos alvéolos. o sistema tensoativo do pulmão é comprometido. soro e muco. Esse tipo de procedimento é uma opção somente quando a doença está limitada a um pulmão ou. a qual ocorre em pilotos de aviões a jato. Caso o paciente apresente sibilos ou dificuldade respiratória. O surfactante é uma substância tensoativa que recobre o revestimento dos alvéolos e reduz a tensão superficial alveolar. impedindo o seu colapso. a respiração comumente é superficial e as partes inferiores dos pulmões não se expandem adequadamente. Os recém-nascidos prematuros que apresentam uma deficiência de surfactante desenvolvem a síndrome da angústia respiratória neonatal. mas. o que propicia o desenvolvimento de infecções. As infecções são tratadas com antibióticos. os diuréticos podem reduzir o edema.

Basicamente. Em certos casos. os pacientes devem ser estimulados a respirar profundamente. os indivíduos com a síndrome do lobo médio não apresentam sintoma. e os receptores peptidérgicos. a tossir com regularidade e a movimentar. Em seguida. os tabagistas podem diminuir a probabilidade de sua ocorrência se deixarem de fumar de seis a oito semanas antes da cirurgia. Os receptores colinérgicos. O médico suspeita de atelectasia baseando-se nos sintomas do paciente e nos resultados do exame físico. dividem-se repetidas vezes em ramos progressivamente menores (bronquíolos) à medida que se introduzem mais profundamente nos pulmões. são administrados antibióticos. ele passa pela garganta (faringe) e por uma série de canais tubuliformes. os brônquios e bronquíolos são tubos com paredes musculares. as vias aéreas estreitam e dificultam a entrada e a saída do ar. quando estimulados pela acetilcolina. quando estimulados pelas neurocininas. o ar passa pelos dois brônquios principais. Os brônquios principais. O principal tratamento para a atelectasia repentina e de grande escala é a eliminação da causa subjacente. Conseqüentemente.A atelectasia pode ocorrer lentamente e causar apenas uma discreta dificuldade respiratória. Algumas vezes. o indivíduo pode apresentar uma coloração azulada ou acinzentada. Seu revestimento interno é uma membrana mucosa contendo uma pequena quantidade de células produtoras de muco. iniciando pela laringe e pela traquéia. Finalmente. No período pós-operatório. A obstrução das vias aéreas pode ser reversível ou irreversível. Embora apresentem um maior risco de atelectasia. mesmo no final de uma respiração. as vias aéreas dilatamse e facilitam a entrada e a saída do ar. a obstrução das vias 216 . Quando a atelectasia atinge uma grande área pulmonar de forma rápida. Para qualquer infecção. Os aparelhos aplicam uma pressão contínua aos pulmões. fazem com que os músculos contraiam. a atelectasia de longa duração é tratada com antibióticos pelo fato de a infecção ser praticamente inevitável. Quando estimulados. No caso da asma. direito e esquerdo.Doenças Obstrutivas das Vias Aéreas Asma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica Após o ar penetrar no corpo através da boca e das narinas. Freqüentemente.se assim que possível. conseqüentemente. onde ocorre a troca de oxigênio e dióxido de carbono. uma dor intensa no lado afetado e uma dificuldade respiratória extrema.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 37 . No caso de uma obstrução de vias aéreas por um tumor. os receptores betaadrenérgicos produzem o relaxamento muscular e. Uma tomografia computadorizada (TC) ou uma broncoscopia de fibra óptica pode ser realizada para se detectar a causa da obstrução. Ocasionalmente. as vias aéreas colapsem. Os indivíduos com deformidades torácicas ou distúrbios neurológicos que produzem uma respiração superficial durante longos períodos podem ser beneficiados com a utilização de aparelhos mecânicos que auxiliam na respiração. ela geralmente pode ser removida pela broncoscopia. Os dispositivos e os exercícios respiratórios também são úteis. Se houver uma infecção concomitante. topo Prevenção e Tratamento O paciente deve adotar medidas para evitar a atelectasia após uma cirurgia. os bronquíolos conduzem o ar para dentro e para fora dos grupos de sacos aéreos (alvéolos). o indivíduo pode apresentar uma hipotensão arterial grave (choque). cada um suprindo um dos pulmões. Quando uma obstrução não pode ser eliminada pela tosse ou pela aspiração das vias aéreas. O diagnóstico é confirmado por uma radiografia que mostra a zona desprovida de ar. Seção 4 . de modo que. o paciente apresenta febre e a freqüência cardíaca acelerada. que detectam a presença de substâncias e estimulam os músculos subjacentes a contrair e a relaxar. embora muitos apresentem uma tosse seca. a parte afetada do pulmão pode ser removida quando uma infecção recorrente ou persistente torna-se incapacitante ou quando a perda sangüínea é grave. o alívio da obstrução através da cirurgia ou de outros meios pode evitar que a atelectasia progrida e que ocorra o desenvolvimento de uma pneumonia obstrutiva recorrente. As outras células que revestem os brônquios possuem três tipos principais de receptores de superfície especializados.

a asma afeta cerca de 10 milhões de norteamericanos e sua freqüência vem aumentando. o indivíduo consegue pronunciar somente algumas palavras entre os esforços para respirar. o aumento da secreção e promovem a migração de determinados leucócitos para a área. Alguns indivíduos não apresentam sintomas na maior parte do tempo. O estreitamento das vias aéreas é reversível. as vias aéreas estreitam em resposta a estímulos que não afetam as vias aéreas de pulmões normais. Na doença pulmonar obstrutiva crônica causada pela bronquite crônica. dessa forma. localizados ao longo dos brônquios. utilizando os músculos torácicos e do pescoço para auxiliar na respiração. por exemplo. enquanto na doença pulmonar obstrutiva crônica causada pelo enfisema. exigindo a hospitalização de um maior número de indivíduos.aéreas é completamente reversível. um outro tipo de célula encontrada nas vias aéreas de indivíduos asmáticos. manifestando apenas crises de dificuldade respiratória leves. e. ar frio e prática de exercícios. ocorre uma reação semelhante. os indivíduos asmáticos geralmente apresentam primeiramente dificuldade respiratória. que promovem a contração da musculatura lisa. incluindo os leucotrienos e outras substâncias. ele ainda continua a sentir falta de ar. como o pólen. Os mastócitos. a crise de asma pode iniciar lentamente e os sintomas podem evoluir de modo gradual. liberam substâncias adicionais. Quando um indivíduo asmático exercitase ou respira um ar muito frio. Entretanto. ácaros da poeira ou pêlos de animais. A sudorese é uma reação comum ao esforço e à ansiedade. particularmente os mastócitos. de curta duração e ocasionais. ácaros da poeira. resíduos da descamação animal. topo Asma A asma é uma condição caracterizada pelo estreitamento das vias aéreas. A crise pode cessar em minutos ou pode durar horas ou dias. Acredita-se que certas células nas vias aéreas. o pólen. O sibilo é particularmente perceptível durante a expiração. o número de indivíduos com asma aumentou 42%. fumaça. tosse e dificuldade respiratória. sejam responsáveis pelo início do estreitamento. Entre 1982 e 1992. Uma crise de asma pode ter início súbito com o indivíduo apresentando sibilos. tosse ou opressão no peito. No entanto. O prurido na região torácica ou no pescoço pode ser um sintoma precoce. No entanto. Causas Em um indivíduo com asma. a dificuldade respiratória pode ser grave. Nos Estados Unidos. Instintivamente. Uma tosse seca noturna ou durante a realização de exercícios as vezes é o único sintoma. Os eosinófilos. a obstrução é parcialmente reversível. Os mastócitos são estimulados a liberar essas substâncias em resposta a algo que elas reconhecem como estranho (um alérgeno). Sintomas e Complicações As crises de asma variam em freqüência e gravidade. a taxa de mortalidade por asma aumentou 35% no período entre 1982 e 1992. contribuem para o estreitamento das vias aéreas. Em ambos os casos. especialmente nas crianças. O choro ou o riso forte também podem desencadear os sintomas. liberam substâncias como a histamina e os leucotrienos. além disso. apresentam crises graves após infecções virais. a asma também é comum e grave em muitos indivíduos que não apresentam alergias definidas. causando ansiedade. ocorre um espasmo dos músculos lisos dos brônquios. O estreitamento pode ser desencadeado por muitos estímulos como. Durante uma crise de asma. Em outras ocasiões. Essas alterações diminuem o diâmetro das vias aéreas (condição denominada broncoconstrição) e obrigam o paciente a realizar um maior esforço para que o ar entre e saia dos pulmões. 217 . exercícios ou exposição a alérgenos ou irritantes. O estresse e a ansiedade também podem estimular os mastócitos a liberarem histamina e leucotrienos. e os tecidos que revestem as vias aéreas inflamam e secretam muco para o interior dessas vias. pois a hiperreatividade a determinados estímulos produz inflamação. Atualmente. Esse distúrbio também parece estar se tornando mais grave. o quadro é irreversível. o indivíduo senta-se e inclinase para a frente. Outros indivíduos apresentam tosse e sibilos na maior parte do tempo e. Em uma crise muito grave. os sibilos podem diminuir por causa da escassez de ar que entra e sai dos pulmões. Em uma crise de asma.

ocorre a ruptura de alguns alvéolos. também devem ser evitados. Como Evitar as Causas Comuns das Crises de Asma Os alérgenos domésticos mais comuns são ácaros da poeira. Freqüentemente. como a fumaça de cigarro. com a utilização de condicionadores de ar. a camada de músculo liso contrai. Como as Vias Aéreas Estreitam Durante uma crise de asma. a determinação da causa desencadeante de uma crise de asma é difícil. as velocidades do fluxo máximo são menores entre 4 e 6 horas da manhã e maiores às 4 horas da tarde. revelam que o estreitamento das vias aéreas diminuiu e. considera. o que estreita ainda mais a via aérea. Em alguns asmáticos. baratas. A mucosa inflama e aumenta a produção de muco. Raramente. um corante amarelo utilizado na fabricação de alguns comprimidos de medicamentos e de certos alimentos. Normalmente.A confusão mental. A exposição a ácaros da poeira pode ser reduzida pela remoção de carpetes e tapetes que recobrem todo o assoalho e pela manutenção da umidade relativa em níveis baixos (de preferência inferior a 50%) durante o verão. mesmo de uma crise asmática grave. Vapores e fumaças irritantes. Deve-se evitar a criação de gatos e cães. penas. portanto. para que ocorra uma diminuição significativa de descamação de pêlos animais. na qual o paciente inala broncoconstritores em aerossol. resíduos da descamação e pêlos de animais. Essas complicações agravam a dificuldade respiratória. permitindo o acúmulo de ar no espaço pleural (espaço entre as membranas que revestem os pulmões) ou em torno dos órgãos torácicos. em doses suficientemente baixas que não afetam um indivíduo normal. A espirometria também é utilizada para avaliar a gravidade da obstrução das vias aéreas e para monitorizar o tratamento. A tartrazina. é reversível. Qualquer medida para diminuir a exposição a esses alérgenos auxilia na redução do número ou da gravidade das crises. o médico pode confirmar o diagnóstico através da realização de uma segunda prova.se que uma diferença entre as velocidades mensuradas nesses horários superior a 15-20% é uma evidência de asma. O diagnóstico da asma pode ser confirmado quando as provas repetidas de espirometria . estreitando a via respiratória. o paciente recupera-se completamente. No entanto. o diagnóstico da asma é confirmado. Travesseiros e forros especiais para colchões também ajudam a reduzir a exposição aos ácaros. realizadas ao longo de várias horas ou dias. também pode desencadear uma crise. de moderada a grave. Geralmente. O fluxo expiratório máximo (a velocidade máxima com que o ar é expirado) pode ser medido com o auxílio de um medidor de fluxo máximo portátil. Se ocorrer estreitamento das vias aéreas do paciente após a inalação. Esse teste é utilizado para a monitorização domiciliar da gravidade. Se as vias aéreas não estiveram estreitadas durante a primeira prova. a letargia e a pele azulada (cianose) são sinais indicativos de que o aporte de oxigênio está gravemente comprometido e de que é necessária a instituição de um tratamento de emergência. Os 218 . Diagnóstico O médico suspeita de asma baseando-se principalmente nos sintomas característicos descritos pelo paciente. a crise pode ser desencadeada pela aspirina e por outras drogas antiinflamatórias não esteróides.

ele poderá solicitar a dosagem dos anticorpos produzidos em resposta ao alérgeno para determinar o grau de sensibilidade. pode ocorrer da droga não atingir as vias aéreas que apresentam uma obstrução importante. Quando um indivíduo asmático sente necessidade de utilizar uma dose maior de um agonista dos receptores beta-adrenérgicos do que a recomendável. o alérgeno pode ser o desencadeador da asma. Os broncodilatadores que atuam principalmente sobre os receptores beta-adrenérgicos. uma resposta alérgica a um teste cutâneo não significa necessariamente que o alérgeno que está sendo testado seja o causador da asma. a teofilina é vendida sob muitas formas. Como a prova tenta desencadear um episódio de estreitamento das vias aéreas. Para testar a asma induzida pelo exercício. as crises induzidas pelo exercício são evitadas com o uso de medicamentos adequados antes da sua realização. injetados ou inalados. produzem menos efeitos colaterais do que os broncodilatadores que atuam sobre todos os receptores beta-adrenérgicos. A teofilina é outra droga que produz broncodilatação. produzem efeitos colaterais como a aceleração dos batimentos cardíacos. o indivíduo inala uma solução muito diluída de um determinado alérgeno. mas. A inalação deposita a droga diretamente nas vias aéreas e. Os broncodilatadores podem ser utilizados pela via oral. Existem broncodilatadores mais modernos de ação prolongada. Os broncodilatadores orais e injetáveis podem atingir essas vias. mas eles apresentam uma maior probabilidade de produzir efeitos colaterais e a sua ação tende a ser mais lenta. como o albuterol. Em seguida. Os agonistas dos receptores beta-adrenérgicos são as melhores drogas para aliviar as crises asmáticas repentinas e para prevenir as crises induzidas pelo exercício. Os broncodilatadores que atuam sobre todos os receptores betaadrenérgicos. o qual pode levar à insuficiência respiratória e à morte. e são altamente eficazes. Entretanto. O uso excessivo dessas drogas pode ser muito perigoso. exercem pouco efeito sobre outros órgãos. No entanto. Prevenção e Tratamento As crises de asma podem ser prevenidas se os fatores desencadeantes forem identificados e evitados. Freqüentemente. Se o volume expiratório máximo em 1 segundo reduzir mais de 20% após a inalação. eles são utilizados apenas na prevenção e não nas crises agudas de asma. a sua ação é rápida. pode ser realizada uma prova de broncoprovocação por inalação. Inicialmente. No caso de uma crise asmática grave.sulfitos – comumente adicionados aos alimentos como preservativos – podem desencadear uma crise em um indivíduo suscetível após o consumo de saladas ou de cerveja ou vinho tinto. antes e após o exercício sobre esteira rolante ou em bicicleta ergométrica. o examinador utiliza a espirometria para medir o volume expiratório máximo em 1 segundo. a asma pode ser induzida pelo exercício. ele deverá solicitar orientação médica imediatamente. Os tratamentos de emergência para controlar crises de asma é diferente do tratamento de longo prazo para prevenir as crises. mas os seus efeitos duram apenas de quatro a seis horas. Essa medida é conhecida como volume expiratório máximo em 1 segundo (VEM1). Os tratamentos medicamentosos permitem que a maioria dos asmáticos leve uma vida relativamente normal. Por essa razão. localizados principalmente nas células dos pulmões. cefaléia e tremores musculares. 219 . agitação. Normalmente administrada pela via oral. A necessidade de uso contínuo indica broncoespasmo grave. por essa razão. as mensurações espirométricas são repetidas. pelo fato de não agirem com a mesma rapidez. Quando o diagnóstico de asma é duvidoso ou quando a identificação da substância que desencadeia a crise é essencial. de comprimidos e xaropes de ação curta até cápsulas e comprimidos de liberação contínua e ação prolongada. Testes alérgicos cutâneos auxiliam a identificar alérgenos que podem desencadear sintomas da asma. existe um pequeno risco de uma crise de asma grave. o examinador utiliza um espirômetro para calcular o volume de ar que o paciente pode expulsar dos pulmões em 1 segundo durante uma expiração forçada. Se o volume expiratório máximo em 1 segundo reduzir mais de 15%. o paciente deve observar se as crises ocorrem após a exposição a esse alérgeno. Após aproximadamente 15 a 20 minutos. como a adrenalina. a teofilina pode ser administrada por via intravenosa. Se o médico suspeitar de um determinado alérgeno. Esses broncodilatadores. A maioria dos broncodilatadores agem em minutos. Esses broncodilatadores estimulam os receptores beta-adrenérgicos para que dilatem as vias aéreas.

para dilatar as vias aéreas. catarata prematura. Os corticosteróides bloqueiam a resposta inflamatória do organismo e são excepcionalmente eficazes na redução dos sintomas da asma. Elas são particularmente úteis para crianças asmáticas e para os indivíduos com asma induzida pelo exercício. normalmente pela via intravenosa. Essas drogas dilatam ainda mais as vias aéreas nos indivíduos que já vêm fazendo uso de agonistas dos receptores beta2adrenérgicos. Também pode ser necessária a instituição de um tratamento com antibióticos quando o médico suspeita de infecção. Eles impedem a ação ou a síntese dos leucotrienos. No entanto. um tipo de teofilina. as mesmas drogas utilizadas para evitar as crises são utilizadas para combatê-las. Os pacientes que apresentam uma crise grave e aqueles que não respondem a outros tratamentos podem receber injeções de corticosteróides. 220 . aumento da glicemia (nível de açúcar no sangue). agitação. é freqüente a ocorrência de aceleração dos batimentos cardíacos ou palpitação. Os nebulizadores produzem uma névoa contínua e. Porém. o médico pode verificar as concentrações de oxigênio e de dióxido de carbono no sangue. esses efeitos colaterais desaparecem à medida que o organismo se adapta à droga. O nebulizador dirige sob pressão o ar ou o oxigênio através de uma solução da droga. Ao utilizar a teofilina pela primeira vez. que podem ser letais. Os corticosteróides orais são receitados para uso prolongado somente quando nenhum outro tratamento consegue controlar os sintomas. O paciente também pode apresentar insônia. com o auxílio de um nebulizador. mas são relativamente caros e devem ser tomados regularmente. Durante o tratamento da asma grave. Quando utilizados por longos períodos. quando a dificuldade respiratória é grave. os corticosteróides inaláveis são prescritos porque a inalação libera cinqüenta vezes mais droga aos pulmões que ao resto do organismo. eles podem receber oxigênio durante as crises enquanto outros tratamentos são administrados. como a atropina e o brometo de ipratrópio. Ele também pode avaliar a função pulmonar através de um espirômetro ou de um medidor de fluxo máximo.A quantidade de teofilina no sangue pode ser dosada em laboratório e deve ser cuidadosamente monitorizada pelo médico. Como os indivíduos com asma grave comumente apresentam uma baixa concentração de oxigênio no sangue. e infusões intravenosas de aminofilina. os corticosteróides reduzem gradualmente a possibilidade de uma crise de asma. Algumas formas menos eficazes de tratamento da crise de asma incluem injeções subcutâneas de epinefrina (adrenalina) ou de terbutalina. comprometimento do crescimento em crianças. produzindo uma névoa que é inalada. Geralmente. pois uma quantidade muito pequena no sangue pode ser pouco benéfica. Quando o paciente apresenta desidratação. as drogas anticolinérgicas são apenas adjuvantes no tratamento da asma. Tratamento da Crise de Asma Uma crise de asma deve ser tratada o mais rápido possível. impedem que a acetilcolina provoque a contração da musculatura lisa e a produção excessiva de muco nos brônquios. o indivíduo asmático pode apresentar uma náusea discreta ou nervosismo. vômito e crises convulsivas. hemorragias gástricas. Geralmente. e uma quantidade excessiva poderá produzir arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais) ou crises convulsivas. são as drogas mais modernas disponíveis para o controle da asma. Os modificadores dos leucotrienos. fome. a radiografia de tórax é necessária somente nas crises graves. pode ser necessária a reposição de líquido através da via intravenosa. mas em doses mais elevadas ou em formulações diferentes. dessa maneira. mas não o são no tratamento emergencial. tornando as vias aéreas menos sensíveis a diversos estímulos provocadores. Quando um indivíduo utiliza doses mais elevadas. Normalmente destinados ao uso prolongado. o uso prolongado de corticosteróides orais ou injetáveis pode acarretar dificuldade de cicatrização. o zafirlucast e o zileuton. O cromoglicato e o nedocromil são muito seguros. Essas drogas são úteis na prevenção de crises. como o montelucast. Acredita-se que o cromoglicato e o nedocromil inibem a liberação de substâncias químicas inflamatórias dos mastócitos e diminuem a propensão à contração das vias aéras. substâncias químicas sintetizadas pelo organismo que causam os sintomas da asma. o paciente não precisa coordenar a respiração com a ação do dispositivo. mesmo quando o indivíduo não apresenta sintomas. Comumente. ganho de peso e problemas mentais. As drogas anticolinérgicas. perda de cálcio ósseo. Os agonistas dos receptores beta-adrenérgicos são administrados com o auxílio de um inalador portátil ou. Os corticosteróides orais ou injetáveis podem ser utilizados durante uma ou duas semanas para aliviar uma crise asmática grave.

Geralmente, os indivíduos asmáticos são hospitalizados quando a sua função pulmonar não melhora após a administração de um agonista dos receptores beta-adrenérgicos e de aminofilina ou quando eles apresentam uma concentração sangüínea de oxigênio muito baixa ou uma concentração sangüínea de dióxido de carbono muito elevada. Os pacientes com crises de asma muito graves podem precisar de ventilação assistida (auxiliada por um respirador mecânico).

Como Usar um Inalador com Dosímetro 1. 2. Expirar Agitar durante 1 o ou 2 inalador. segundos.

3. Colocar o inalador na boca ou a uma distância de 2,5 a 5 centímetros da boca. Em seguida, começar a inspirar lentamente, como se estivesse sorvendo uma sopa quente. 4. No início da inspiração, pressionar a parte superior do inalador. 5. Inspirar lentamente até que seus pulmões estejam cheios. (Isso deve 6. levar Prender a 5 respiração ou por 4 6 a 6 segundos.) segundos.

7. Expirar e repetir o procedimento 5 ou 7 minutos mais tarde.

Tratamento Prolongado da Asma Um dos tratamentos mais comuns e eficazes contra a asma é a inalação de um agonista dos receptores beta-adrenérgicos. A maioria deles são inaladores apresentados em tubos com dosímetros que contêm gás sob pressão. A pressão pulveriza a droga, transformando-a em um aerossol fino contendo uma quantidade específica da droga. Os indivíduos que apresentam dificuldade para utilizar um inalador podem usar aparelhos espaçadores ou câmaras de contenção. Para qualquer tipo de inalador, é fundamental que seja utilizada uma técnica adequada. Se o aparelho não for utilizado adequadamente, o medicamento não atingirá as vias aéreas. O uso excessivo de inaladores sugere que o indivíduo apresenta uma asma potencialmente letal. Além disso, o paciente também pode apresentar efeitos colaterais devidos ao uso excessivo da droga, como arritmias cardíacas. Se um inalador com dosímetro não contiver uma quantidade suficiente do medicamento para aliviar os sintomas por 4 a 6 semanas, o cromoglicato ou corticosteróides inaláveis podem ser adicionados ao tratamento diário. Além disso, pode-se também adicionar a teofilina oral quando os sintomas são persistentes, especialmente durante a noite. topo

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a obstrução persistente das vias aéreas causada pelo enfisema ou pela bronquite crônica. O enfisema consiste na dilatação dos pequenos sacos aéreos dos pulmões (alvéolos) e na destruição de suas paredes. A bronquite crônica caracteriza-se por uma tosse crônica persistente que produz escarro e não é devida a uma causa clínica perceptível, como o câncer de pulmão. Na bronquite crônica, as glândulas brônquicas dilatam e causam uma secreção excessiva de muco. Existem duas causas para a obstrução do fluxo de ar na doença pulmonar obstrutiva crônica. A primeira é o enfisema. Normalmente, os aglomerados alveolares conectados às pequenas vias aéreas (bronquíolos) apresentam uma estrutura relativamente rígida e mantêm as vias aéreas abertas. No entanto, no enfisema, as paredes alveolares são destruídas e os bronquíolos perdem seu suporte estrutural. Por essa razão, os bronquíolos colapsam quando o ar é expirado. Conseqüentemente, no enfisema, o estreitamento das vias aéreas é estrutural e permanente. A segunda causa de obstrução das vias aéreas é a inflamação das pequenas vias aéreas que ocorre na bronquite crônica. Nessas vias, observa-se a cicatrização das paredes, edema do revestimento, obstrução parcial da passagem pelo muco e espasmo da musculatura lisa. Ocasionalmente, a gravidade do edema, da obstrução por muco e do espasmo da musculatura lisa pode variar e melhorar em resposta à administração de drogas broncodilatadoras. Portanto, esses componentes da obstrução do fluxo de ar são parcialmente reversíveis.

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Nos Estados Unidos, cerca de 14 milhões de pessoas apresentam doença pulmonar obstrutiva crônica, superada somente pelas cardiopatias como causa de incapacitação para o trabalho, e representa a quarta causa mais comum de morte. Mais de 95% de todas as mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica ocorrem em indivíduos com mais de 55 anos de idade. Ela é mais freqüente nos homens do que nas mulheres e é também mais fatal. A mortalidade também é maior entre os indivíduos da raça branca e entre os trabalhadores braçais do que entre os indivíduos que exercem funções administrativas. A doença pulmonar obstrutiva crônica ocorre mais freqüentemente em algumas famílias, o que sugere a possibilidade de uma tendência hereditária. Trabalhar em ambiente poluído por vapores químicos ou poeira não tóxicos pode aumentar o risco de doença pulmonar obstrutiva crônica. No entanto, o tabagismo aumenta o risco muito mais do que a ocupação do indivíduo. Cerca de 10 a 15% dos tabagistas desenvolvem doença pulmonar obstrutiva crônica. Os fumantes de cachimbo e de charuto apresentam essa doença mais freqüentemente que os não fumantes, mas não tanto quanto os fumantes de cigarros. Os fumantes de cigarro apresentam uma taxa de mortalidade maior devida à bronquite crônica e ao enfisema do que os não fumantes. Com o passar dos anos, os fumantes de cigarros apresentam um comprometimento mais rápido da função pulmonar do que os não fumantes. Quanto mais cigarros o indivíduo fumar, maior é a perda da função pulmonar. Causas As substâncias irritantes causam inflamação dos alvéolos. Se a inflamação se prolongar, pode ocorrer uma lesão permanente. Os leucócitos (glóbulos brancos) acumulam-se nos alvéolos inflamados e liberam enzimas (especialmente a elastase dos neutrófilos) que lesam o tecido conjuntivo das paredes dos alvéolos. O tabagismo compromete ainda mais as defesas dos pulmões ao lesar as pequenas células ciliadas (que contêm projeções semelhantes a pêlos) que revestem as vias aéreas e que, normalmente, transportam o muco em direção à boca e auxiliam na eliminação de substâncias tóxicas. O organismo produz uma proteína denominada alfa1-antitripsina, cujo papel principal é impedir que a elastase dos neutrófilos lese os alvéolos. Em um distúrbio hereditário raro, ocorre a ausência ou uma quantidade mínima de alfa1- antitripsina no organismo, de modo que o enfisema manifesta-se no início da meia-idade, especialmente em indivíduos tabagistas. Todas as formas de doença pulmonar obstrutiva crônica fazem com que o ar fique retido nos pulmões. O número de capilares nas paredes alveolares diminui. Essas anormalidades comprometem a troca de oxigênio e de dióxido de carbono entre os alvéolos e o sangue. Nas primeiras fases da doença, a concentração de oxigênio no sangue encontra-se reduzida, mas a de dióxido de carbono permanece normal. Nos estágios mais avançados, a concentração de dióxido de carbono torna-se elevada, enquanto a de oxigênio diminui ainda mais. Sintomas O sintoma mais precoce da doença pulmonar obstrutiva crônica, que pode ocorrer em indivíduos que fumam há cinco ou dez anos, é a tosse produtiva, que é mais comum quando o indivíduo acorda. Em geral, a tosse é discreta e o paciente não a leva em conta, considerando-a uma tosse “normal” do tabagista, apesar de evidentemente ela não o ser. Freqüentemente, o indivíduo apresenta uma tendência aos resfriados, nos quais o escarro torna-se amarelado ou esverdeado, devido à presença de pus na secreção. No decorrer dos anos, essas doenças podem ocorrer mais freqüentemente. Elas podem ser acompanhadas por sibilos, o qual é freqüentemente mais evidente para os membros da família do que para o próprio paciente. Geralmente, em torno dos 60 anos de idade, o indivíduo apresenta dificuldade respiratória durante o esforço físico, dificuldade esta que evolui de forma lenta e gradual. Finalmente, o paciente apresenta dificuldade respiratória durante a realização das atividades cotidianas como, por exemplo, tomar banho, vestir-se ou cozinhar. Aproximadamente um terço dos pacientes apresenta uma perda de peso acentuada, a qual é decorrente, pelo menos parcialmente, do aumento da dificuldade respiratória após as refeições. Freqüentemente, o paciente apresenta edema nos membros inferiores, o qual pode ser conseqüência da insuficiência cardíaca. Nos estágios finais da doença, uma infecção respiratória, a qual poderia ser bem tolerada na fase inicial, pode causar uma dificuldade respiratória intensa em repouso e isso é um sinal de insuficiência respiratória aguda. Diagnóstico

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No caso de uma doença pulmonar obstrutiva crônica leve, o médico pode não observar qualquer anormalidade durante o exame físico, exceto alguns sibilos auscultados com o auxílio de um estetoscópio. Normalmente, a radiografia torácica é normal. É necessária a realização de uma espirometria para se mensurar o volume expiratório máximo em 1 segundo, com o objetivo de comprovar a obstrução do fluxo de ar e estabelecer o diagnóstico. Em um paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica, a prova revela uma redução do fluxo de ar durante uma expiração forçada. À medida que a doença evolui, ocorre uma diminuição dos movimentos torácicos durante a respiração e os músculos do pescoço e dos ombros participam da respiração trabalhosa do indivíduo. A ausculta dos sons respiratórios com o auxílio de um estetoscópio torna-se difícil. Se o indivíduo apresenta uma doença pulmonar obstrutiva crônica quando jovem, deve-se --- suspeitar da deficiência de alfa1-antitripsina e a concentração sangüínea dessa proteína deve ser mensurada. A pesquisa de alfa1-antitripsina também é realizada nos membros da família de um indivíduo que sabidamente a apresenta. Tratamento Como o tabagismo é a causa mais importante da doença pulmonar obstrutiva crônica, o principal tratamento consiste na interrupção do vício. Se o indivíduo parar de fumar quando a obstrução do fluxo de ar é leve ou moderada, isso provocará um retardo no desenvolvimento da dificuldade respiratória incapacitante. No entanto, a interrupção do tabagismo em qualquer estágio da doença sempre produz algum benefício. O indivíduo também deve tentar evitar a exposição a outros irritantes aéreos. A doença pulmonar obstrutiva crônica pode piorar significativamente quando o indivíduo apresenta uma gripe ou uma pneumonia. Por essa razão, um indivíduo que apresenta essa doença deve ser vacinado anualmente contra a gripe e, a cada seis anos, deve receber uma vacina antipneumocócica. Os elementos reversíveis da obstrução das vias aéreas incluem o espasmo muscular, a inflamação e o aumento de secreção. A melhoria de qualquer um desses elementos geralmente reduzem os sintomas. O espasmo muscular pode ser reduzido com o uso de broncodilatadores, como os agonistas dos receptores betaadrenérgicos (por exemplo, o albuterol em inalador com dosímetro) e uma teofilina de ação lenta. A inflamação pode ser reduzida com o uso de corticosteróides, mas os sintomas respondem a essas drogas somente em cerca de 20% dos pacientes. Não existe uma terapia confiável para fluidificar as secreções, facilitando a sua expectoração. No entanto, evitar a desidratação pode prevenir a formação de secreções espessas. Uma regra prática consiste na ingestão de uma quantidade suficiente de líquido que mantenha a urina clara, excetuando-se a da primeira micção matinal. Na doença pulmonar obstrutiva crônica, a terapia respiratória (fisioterapia respiratória) pode ajudar na liberação das secreções. Algumas vezes, os episódios agudos da doença pulmonar obstrutiva crônica são decorrentes de uma infecção bacteriana, a qual pode ser tratada com antibióticos. Geralmente, o médico prescreve uma antibioticoterapia com duração de sete a dez dias. Muitos médicos fornecem a seus pacientes uma reserva de antibiótico, orientando-os a iniciar o tratamento na fase inicial do episódio agudo da doença. A oxigenoterapia de longo prazo prolonga a vida dos indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica grave e com concentrações sangüíneas de oxigênio muito baixas. Apesar da terapia contínua ser melhor, doze horas de oxigênio por dia também produzem algum benefício. Esse tipo de tratamento reduz o excesso de eritrócitos (glóbulos vermelhos, hemácias) causado pela baixa concentração de oxigênio, melhora a função mental e também a insuficiência cardíaca causada pela doença pulmonar obstrutiva crônica. A oxigenoterapia também pode reduzir a dificuldade respiratória durante exercício. É importante observar que os pacientes nunca devem aplicar a oxigenoterapia perto de fontes de calor ou de alguém que esteja fumando. Para a oxigenoterapia domiciliar, os grandes cilindros (torpedos) contendo oxigênio comprimido são caros e de difícil manipulação. Os concentradores de oxigênio, os quais extraem o oxigênio do ar ambiente e o transportam até o paciente através de um tubo de aproximadamente 15 metros, são mais baratos. Os torpedos portáteis contendo oxigênio comprimido também podem ser necessários durante os breves períodos que o paciente permanecer fora de casa. Os torpedos de oxigênio líquidos, os quais são recarregáveis, apesar de manejo mais fácil tanto dentro como fora do ambiente doméstico, são o sistema mais caro. Os programas de exercícios podem ser realizados tanto no ambiente hospitalar como no doméstico. Esses programas aumentam a independência do paciente e melhoram sua qualidade de vida, diminuem a freqüência e a duração das hospitalizações e aumentam a capacidade de exercício, mesmo se a função pulmonar não evoluir de modo

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favorável. Para os exercícios de membros inferiores, recomenda-se a utilização de bicicletas ergométricas, subir escadas e caminhar. O levantamento de peso é utilizado para o fortalecimento dos membros superiores. Freqüentemente, é recomendada a administração de oxigênio durante a realização de exercícios. exercícios. Técnicas especiais são ensinadas pelos profissionais para melhorar a função pulmonar durante as atividades cotidianas, como cozinhar, e durante a atividade sexual. Como ocorre com qualquer programa de exercícios, os ganhos no condicionamento são rapidamente perdidos quando o indivíduo para de se exercitar. Para os indivíduos com uma deficiência grave de alfa1-antitripsina, a proteína em falta pode ser reposta. No entanto, o tratamento exige infusões intravenosas semanais da proteína e é caro. O transplante de pulmão pode ser tentado em pacientes selecionados com idade inferior a 50 anos. Nos indivíduos com enfisema grave e na fase inicial da doença obstrutiva, pode ser realizado um procedimento denominado cirurgia de redução do volume pulmonar. Trata-se de um procedimento complexo, o qual exige que o indivíduo pare de fumar pelo menos 6 meses antes e inicie um programa de treinamento intensivo. A cirurgia melhora a função pulmonar e aumenta a capacidade de realizar exercícios em alguns pacientes. No entanto, a duração dessa melhoria é desconhecida. Prognóstico O prognóstico para os pacientes com obstrução leve das vias aéreas é favorável, sendo um pouco pior que o prognóstico para os tabagistas sem doença pulmonar obstrutiva crônica. Nos casos de obstruções moderadas e graves, o prognóstico torna-se gradativamente pior. Cerca de 30% dos indivíduos com obstrução grave das vias aéreas morrem dentro de 1 ano e 95% deles morrem em 10 anos. A morte pode ser decorrente da insuficiência respiratória, pneumonia, extravasamento de ar para o espaço pleural em torno dos pulmões (pneumotórax), arritmias cardíacas (anormalidades do ritmo cardíaco) ou obstrução de artérias pulmonares (embolia pulmonar). Os indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica também apresentam maior risco de câncer pulmonar. Alguns indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica podem sobreviver por 15 anos ou mais.

Seção 4 - Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas
Capítulo 38 - Doenças Pulmonares de Origem Ocupacional
Asma Ocupacional S i l i c o s e Pulmão Negro Asbestose Beriliose As doenças pulmonares de origem ocupacional são causadas pela inalação de partículas, névoas, vapores ou gases nocivos no ambiente de trabalho. O local exato das vias aéreas ou dos pulmões onde a substância inalada irá se depositar e o tipo de doença pulmonar que irá ocorrer dependerão do tamanho e do tipo das partículas inaladas. As partículas maiores podem ficar retidas nas narinas ou nas grandes vias aéreas, mas as menores atingem os pulmões. Quando atingem esses órgãos, algumas partículas se dissolvem e podem passar para a corrente sangüínea. A maioria das partículas sólidas que não se dissolvem são removidas pelas defesas do organismo. O corpo possui vários meios para eliminar as partículas aspiradas. Nas vias aéreas, o muco recobre as partículas de modo que a sua expulsão por meio da tosse seja mais fácil. Nos pulmões, existem células removedoras (denominadas fagócitos) que “engolem” a maioria das partículas, tornando-as inofensivas. Tipos diferentes de partícula produzem reações distintas no organismo. Algumas – como o pólen de plantas – podem Bissinose Exposição a Gases e a Substâncias Químicas Pneumoconioses Benignas

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causar reações alérgicas, como a febre do feno ou um tipo de asma. Partículas como o pó de carvão, o carbono e o óxido de estanho não causam muita reação nos pulmões. Outras, como o pó de quartzo e o asbesto, podem causar cicatrizes permanentes no tecido pulmonar (fibrose pulmonar). Em quantidades importantes, certas partículas, como o asbesto, podem causar câncer nos tabagistas. topo

Silicose
A silicose é a formação de cicatrizes permanentes nos pulmões provocada pela inalação do pó de sílica (quartzo). A silicose, a mais antiga doença ocupacional conhecida, ocorre em indivíduos que inalaram pó de sílica durante muitos anos. A sílica é o principal constituinte da areia, e, por essa razão, a exposição a essa substância é comum entre os trabalhadores de minas de metais, os cortadores de arenito e de granito, os operários de fundições e os ceramistas. Normalmente, os sintomas manifestamse somente após vinte a trinta anos de exposição ao pó. No entanto, em ocupações que envolvem a utilização de jatos de areia, a escavação de túneis e a produção de sabões abrasivos, que produzem quantidades elevadas de pó de sílica, os sintomas podem ocorrer em menos de dez anos. Quando inalado, o pó de sílica atinge os pulmões, onde os fagócitos (p.ex., macrófagos) “engolem” as partículas. As enzimas liberadas pelos fagócitos provocam a formação de tecido cicatricial nos pulmões. Inicialmente, as áreas cicatriciais são pequenas protuberâncias arredondadas (silicose nodular simples), mas, finalmente, essas protuberâncias podem aglomerar- se, formando grandes massas (silicose conglomerada). Essas áreas cicatriciais não permitem a passagem normal de oxigênio ao sangue. Os pulmões perdem a elasticidade e a respiração exige um maior esforço. Sintomas e Diagnóstico Os indivíduos com silicose nodular simples não apresentam dificuldade para respirar, mas apresentam tosse e escarro em decorrência da irritação das grandes vias aéreas, uma condição denominada bronquite. A silicose conglomerada pode produzir tosse, produção de escarro e dificuldade respiratória grave. No início, a dificuldade respiratória pode ocorrer somente durante a realização de exercícios, mas, no estágio final, ela ocorre mesmo durante o repouso. A respiração pode piorar de dois a cinco anos após o indivíduo haver parado de trabalhar com a sílica. A lesão pulmonar sobrecarrega o coração e, algumas vezes, acarreta a insuficiência cardíaca, potencialmente letal. Além disso, quando os indivíduos com silicose são expostos ao agente causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis), a probabilidade de contraírem a infecção é três vezes maior do que a dos indivíduos que não sofrem de silicose. O diagnóstico de silicose é estabelecido quando um indivíduo que trabalhou com sílica apresenta uma radiografia torácica com os padrões característicos de cicatrização e nódulos. Prevenção O controle da poeira no local de trabalho pode ajudar a evitar a silicose. Quando ela não pode ser controlada, como no caso das atividades que utilizam jatos de areia, os trabalhadores devem vestir capacetes que forneçam ar externo puro ou máscaras que filtrem completamente as partículas. Esse tipo de proteção pode não estar disponível para todos os indivíduos que trabalham na área poeirenta (p.ex., para pintores e soldadores) e, por essa razão, quando possível, deve ser utilizado um outro abrasivo que não a areia. Os operários expostos ao pó de sílica devem realizar regularmente uma radiografia torácica – a cada seis meses para os operários que trabalham com jato de areia e a cada dois a cinco anos para os demais operários –, para que os problemas sejam detectados precocemente. Se as radiografias indicarem a presença de silicose, o médico provavelmente irá orientar o indivíduo a evitar a exposição contínua à sílica. Tratamento

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Quem Possui Risco de Apresentar Doenças Pulmonares Ocupacionais? Silicose • Mineiros de chumbo.. Por outro lado. No caso de ela ser detectada. mesmo quando eles não apresentam pulmão negro. como a terapia medicamentosa que visa manter as vias aéreas desobstruídas e livres de secreções. de modo que a doença possa ser detectada no seu estágio inicial. a prevenção é fundamental. muitos indivíduos com essa doença tossem e. freqüentemente. No entanto. um distúrbio raro que afeta mineiros de carvão que apresentam artrite reumatóide. na qual ocorre a formação de cicatrizes em grandes áreas do pulmão (com pelo menos 1 centímetro de diâmetro). Sintomas e Diagnóstico Normalmente. o trabalhador deve ser transferido para uma área onde a concentração de pó de carvão seja baixa. facilmente. No caso de pulmão negro simples. elas devem submeterse a exames de controle regulares que incluam um teste cutâneo para a tuberculose. Apesar de ser relativamente inerte e incapaz de provocar reações exageradas. O médico estabelece o diagnóstico após observar as manchas características na radiografia torácica de um indivíduo que se expôs ou vem se expondo ao pó de carvão há muito tempo. O pó de carvão não obstrui as vias aéreas. visando evitar o desenvolvimento da fibrose disseminada progressiva. A fibrose disseminada progressiva pode piorar mesmo após o indivíduo interromper a exposição ao pó de carvão. os estágios graves da fibrose disseminada progressiva produzem tosse e. 1 a 2% dos indivíduos com pulmão negro simples evoluem para uma forma mais grave da doença. pois eles também sofrem de enfisema (decorrente do tabagismo) ou bronquite (também devida ao tabagismo ou à exposição tóxica a outros contaminantes industriais). os peneiradores que trabalham imediatamente sobre os veios de carvão) 226 . topo Pulmão Negro O pulmão negro (pneumoconiose dos mineiro de carvão) é uma doença pulmonar causada por depósitos de pó de carvão nos pulmões. trata-se de um indivíduo que trabalhou em minas subterrâneas durante pelo menos dez anos. Como o pulmão negro não tem cura. O pulmão negro é conseqüência da aspiração de pó de carvão durante um período prolongado. anualmente. Na síndrome de Caplan. Os mineiros de carvão devem realizar um exame radiográfico a cada quatro ou cinco anos. o que é revelado nas radiografias torácicas como pequenas manchas. o pulmão negro simples é assintomático (não produz sintomas). a interrupção da exposição à sílica em um estágio inicial da doença pode interromper a evolução da mesma. como o tratamento medicamentoso para manter as vias aéreas desobstruídas e livres de secreções. Prevenção e Tratamento O pulmão negro pode ser evitado com a supressão adequada do pó de carvão do local de trabalho. O indivíduo com dificuldade respiratória pode beneficiar-se com os tratamentos utilizados para a doença pulmonar obstrutiva crônica. Como os indivíduos com silicose apresentam um alto risco de tuberculose. Geralmente. dificuldade respiratória incapacitante. O tecido pulmonar e os vasos sangüíneos pulmonares podem ser destruídos pelas cicatrizes. conhecida como fibrose disseminada progressiva.Apesar da silicose não ter cura. cobre. Apesar disso. prata e ouro • Determinados mineiros de carvão (p. O indivíduo que apresenta dificuldade respiratória grave pode beneficiarse dos tratamentos utilizados na doença pulmonar obstrutiva crônica. o pó de carvão dissemina-se por todo o pulmão. o pó de carvão acumula-se em torno das pequenas vias aéreas (bronquíolos) dos pulmões. apresentam dificuldade respiratória.ex. Esses nódulos podem formar-se em indivíduos que não se expuseram de modo importante à poeira de carvão. ocorre a formação rápida de grandes nódulos redondos de tecido cicatricial nos pulmões.

moem ou manufaturam amianto • Operários da construção civil que instalam ou removem materiais que contêm asbesto Beriliose Pneumoconiose benigna • Trabalhadores da indústria aeroespacial • Soldadores • Mineiros de ferro • Operários que trabalham com bário • Operários que trabalham com estanho Asma ocupacional • Indivíduos que trabalham com cereais. cânhamo. provocando a formação de cicatrizes. oleiros • Cortadores de arenito ou de granito • Operários que trabalham na construção de túneis • Trabalhadores da indústria de sabões abrasivos • Trabalhadores que utilizam jatos de areia Pulmão negro Asbestose • Mineiros de carvão • Operários que mineram. maior é o risco de ele desenvolver uma doença relacionada a esse material. que trabalham em edifícios com isolamento que contém asbesto. resinas de epóxi. Quanto mais o indivíduo se expõe às fibras de asbesto. malte e objetos de couro Bissinose • Operários que trabalham com algodão. somente após ter havido a formação de muitas cicatrizes e os pulmões terem perdido a elasticidade. corantes. também correm risco. embora menor. O asbesto é composto por silicatos minerais fibrosos com diferentes composições químicas. Sintomas Os sintomas da asbestose aparecem gradualmente. Os operários do setor de demolição. juta e linho Doença do enchedor de silo topo • Fazendeiros Asbestose A asbestose é a cicatrização disseminada do tecido pulmonar causada pela aspiração de pó de asbesto (amianto). A inalação de asbesto também pode acarretar o espessamento das duas membranas que revestem os pulmões (pleura). chá e enzimas utilizadas na manufatura de detergentes.• Operários de fundição • Ceramistas. 227 . Os tabagistas inveterados que apresentam bronquite crônica concomitante com a asbestose podem apresentar tosse e sibilos. sementes de rícino. antibióticos. Os sintomas iniciais são uma dificuldade respiratória discreta e a diminuição da capacidade de realizar exercícios. madeira de cedro vermelho ocidental. as fibras de asbesto depositamse profundamente nos pulmões. Quando inaladas. Os indivíduos que trabalham com asbesto apresentam risco de desenvolver uma doença pulmonar.

também causa mesoteliomas. que seguramente é causadora desses tipos de tumores. Em casos raros. denominados mesoteliomas peritoneais. Geralmente. em um indivíduo com história de exposição ao asbesto. Prevenção e Tratamento As doenças causadas pela inalação de asbesto podem ser evitadas com a minimização da poeira e fibras de asbesto no local de trabalho. os mesoteliomas desenvolvem. como as indústrias que usam asbesto melhoraram o controle da poeira. O asbesto presente nas construções deveria ser removido por profissionais treinados em técnicas seguras de remoção. um outro tipo. os mesoteliomas ocorrem trinta ou quarenta anos após a exposição. 228 . mas algumas vezes ela é contaminada pela tremolita. A crisotila provavelmente não causa mesoteliomas. O câncer de pulmão está relacionado em parte ao grau de exposição às fibras de asbesto. Aproximadamente 15% dos indivíduos com asbestose apresentam uma dificuldade respiratória grave e insuficiência respiratória. a oxigenoterapia diminui a dificuldade respiratória. Os tabagistas que tiveram contato com o asbesto podem diminuir o risco de câncer de pulmão abandonando o vício. o asbesto acarreta a formação de tumores pleurais. Para determinar se um tumor pleural é canceroso. uma menor quantidade de indivíduos vem apresentando asbestose. Em determinadas ocasiões. durante a ausculta pulmonar (realizada com o auxílio de um estetoscópio). alguns indivíduos que habitam regiões próximas a refinarias de berílio também apresentam beriliose. Os mesoteliomas causados pelo asbesto são cancerosos e não têm cura. ou no peritôneo (membrana que reveste o abdômen). Normalmente. sobretudo naqueles que consomem mais de um maço de cigarros por dia. o médico diagnostica a asbestose por meio de uma radiografia torácica que revela as alterações características. No passado. A quimioterapia não produz bons resultados e a remoção cirúrgica do tumor não cura o câncer. Atualmente. A drenagem do líquido acumulado em torno dos pulmões pode facilitar a respiração. os mesoteliomas continuam a ocorrer em indivíduos que estiveram expostos há quarenta anos. denominados mesoteliomas pleurais. topo Beriliose A beriliose é uma inflamação pulmonar causada pela inalação de poeira ou gases que contêm berílio. Por exemplo. No entanto. Mais comumente. o transplante de pulmão tem sido bemsucedido no tratamento da asbestose. um dos quatro tipos de asbesto. o berílio era comumente extraído para ser utilizado nas indústrias eletrônicas e químicas e na fabricação de lâmpadas fluorescentes. No entanto. a inalação de fibras de asbesto pode provocar o acúmulo de líquido no espaço existente entre as duas membranas pleurais (espaço pleural). o médico pode detectar sons anormais denominados estertores crepitantes. O líquido em torno dos pulmões pode ser removido com o auxílio de uma agulha (procedimento denominado toracocentese) e analisado. No entanto. o médico deve realizar uma biópsia (remoção de um pequeno fragmento de pleura. Diagnóstico Algumas vezes. o câncer de pulmão ocorre quase exclusivamente nos que também são tabagistas.A respiração torna-se cada vez mais difícil. esse procedimento não é tão acurado quanto a biópsia. entre os indivíduos com asbestose. o indivíduo também apresenta uma função pulmonar anormal e. A amosita. Além dos trabalhadores dessas indústrias. Os mesoteliomas são invariavelmente fatais. que é enviado para exame microscópico). A maioria dos tratamentos da asbestose aliviam os sintomas. Ocasionalmente. ele é utilizado principalmente na indústria aeroespacial.se após a exposição à crocidolita. Atualmente.

Algumas vezes. Os pulmões perdem a elasticidade e a função pulmonar é ruim. se os pulmões apresentarem um dano muito importante decorrente da beriliose crônica. a tosse. o único sintoma são os sibilos noturnos. O diagnóstico é baseado no antecedente do indivíduo de exposição ao berílio. Muitas substâncias presentes no local de trabalho podem causar espasmos das vias aéreas. em alguns indivíduos. Eles pioram com a exposição repetida. Algumas vezes. A doença pode afetar até mesmo indivíduos cuja exposição tenha sido relativamente curta. Como as vias aéreas podem começar a estreitar antes que o indivíduo apresente sintomas. a maioria dos indivíduos recupera-se. corticosteróides.A beriliose difere das outras doenças pulmonares. A beriliose aguda também pode afetar a pele e os olhos. o médico utiliza um teste de provocação por inalação. eles começam apenas algumas horas após o indivíduo ter terminado seu expediente. Os indivíduos com beriliose aguda apresentam um quadro caracterizado por tosse. No entanto. são prescritos no tratamento da beriliose crônica. um indivíduo com sintomas tardios pode utilizar um dispositivo para monitorizar as vias aéreas 229 . coriza e lacrimejamento. pode ser necessária a realização de testes imunológicos adicionais. tornando a respiração difícil. como a instituição de ventilação assistida e o uso de corticosteróides. No entanto. os sintomas podem aparecer e desaparecer durante uma semana ou mais após a exposição. Entretanto. Sintomas A asma ocupacional pode causar dificuldade respiratória. apesar de. sibilos (chio de peito). Nesses indivídos. Os sintomas podem ocorrer durante a jornada de trabalho. Prognóstico e Tratamento A beriliose aguda pode ser grave. O indivíduo também é submetido a provas da função pulmonar para verificar se existe uma diminuição da mesma. Quando o estabelecimento do diagnóstico é mais difícil. Alguns indivíduos são particularmente sensíveis a irritantes presentes no ar. principalmente sob a forma de uma inflamação pulmonar (pneumonite). Diagnóstico Para estabelecer o diagnóstico. o coração pode ser sobrecarregado e. que atuam como irritantes ou causam uma reação alérgica. é freqüentemente difícil estabelecer a relação entre o ambiente de trabalho e os sintomas. Com um tratamento adequado. como as radiografias da beriliose assemelham-se às de uma outra doença pulmonar. no qual uma pequena quantidade da substância suspeita é aplicada sobre a pele. e os sintomas podem demorar de dez a vinte anos para se manifestarem.se gravemente doentes. tosse. a dificuldade respiratória e a perda de peso ocorrem de forma gradual. pode ocorrer insuficiência cardíaca e morte. na qual ocorre a formação de um tecido anormal nos pulmões e o aumento de linfonodos. a sarcoidose. dificuldade respiratória e perda de peso. mas. Outros indivíduos apresentam beriliose crônica. Sintomas e Diagnóstico Em alguns indivíduos. a reação alérgica é detectada através de um teste cutâneo (teste de contato). a beriliose ocorre subitamente (beriliose aguda). na maioria das vezes. Os sintomas comumente tornam-se mais leves ou desaparecem nos finais de semana ou durante os feriados. espirros. Contudo. apesar de. nos sintomas e nas alterações características reveladas pela radiografia torácica. o médico interroga o paciente a respeito dos sintomas e da exposição a uma substância que sabidamente causa a asma. como a prednisona oral. sensação de opressão no peito. pois os problemas pulmonares parecem ocorrer apenas em indivíduos sensíveis ao berílio – cerca de 2% daqueles que entram em contato com a substância. não apresentando efeitos residuais. Por essa razão. Além disso. eles não serem muito úteis. topo Asma Ocupacional A asma ocupacional é um espasmo reversível das vias respiratórias causado pela inalação de partículas ou de vapores existentes no ambiente de trabalho.se em sete ou dez dias. no início. freqüentemente. eles apresentarem. no qual o paciente inala pequenas quantidades da substância suspeita e é observada a ocorrência de sibilos e de dificuldade respiratória. os indivíduos geralmente recuperam. conseqüentemente. ou mesmo fatal.

devem mudar de atividade. linho ou cânhamo. Para as crises graves. geralmente no primeiro dia de trabalho após uma folga. Por essa razão. Os medicamentos que promovem a abertura das vias aéreas (broncodilatadores) podem ser administrados sob a forma de inalador (por exemplo. 230 . liberados em acidentes de reatores nucleares. Ao contrário do que ocorre na asma. Sintomas e Diagnóstico A bissinose pode causar sibilos e opressão no peito. o albuterol) ou de comprimido (por exemplo. Os mais afetados parecem ser os indivíduos cuja ocupação é abrir fardos de algodão cru ou aqueles que trabalham nos primeiros estágios do processamento do algodão. Esses gases podem causar inflamação das vias aéreas menores (bronquiolite) ou causar um acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar). o fosgênio. embora indivíduos que trabalham com linho e cânhamo também possam apresentá-la. Gases como o cloro e a amônia dissolvemse facilmente e produzem irritação imediata da boca.enquanto trabalha. Os sibilos e a opressão torácica podem ser tratados com as mesmas drogas utilizadas no tratamento da asma. após um indivíduo ter trabalhado com algodão durante muitos anos. o dióxido de enxofre. Alguns gases – por exemplo. Prevenção e Tratamento O controle da poeira é o melhor modo de evitar a bissinose. mas não evolui para uma doença pulmonar incapacitante permanente. topo Bissinose A bissinose é um estreitamento das vias aéreas provocado pela inalação de partículas de algodão. No entanto. Gases radioativos. Aparentemente. As drogas que promovem a abertura das vias aéreas (broncodilatadoras) podem ser administradas com o auxílio de um inalador (por exemplo. a teofilina). a teofilina). sugerindo asma ocupacional. A exposição prolongada à poeira do algodão aumenta a freqüência dos sibilos. a eliminação de poeiras e vapores pode ser impossível. algo presente no algodão cru provoca o estreitamento das vias aéreas em indivíduos suscetíveis. o dióxido de nitrogênio – não se dissolvem com facilidade. o albuterol) ou sob a forma de comprimido (por exemplo. o sulfato de hidrogênio. Nos Estados Unidos e na Inglaterra. mensura a velocidade com que o indivíduo expira o ar dos pulmões. eles não produzem sinais precoces da exposição. como irritação do nariz e dos olhos. Normalmente. os corticosteróides (como a prednisona) podem ser administrados por via oral durante um período curto. podem causar. Prevenção e Tratamento As indústrias que utilizam substâncias que podem causar asma devem obedecer às normas de controle da poeiras e vapores. o dióxido de nitrogênio e a amônia – podem ser liberados durante acidentes industriais e irritar gravemente os pulmões. a opressão torácica pode persistir por dois ou três dias de trabalho ou mesmo por toda a semana. o uso de corticosteróides inalados é preferível. a bissinose ocorre quase exclusivamente em indivíduos que trabalham com algodão não-processado. do nariz e da garganta. Os trabalhadores com asma severa. Entretanto. os sintomas tendem a diminuir após exposições repetidas. quando possível. O diagnóstico é estabelecido por meio de um teste que revela a redução da capacidade pulmonar ao longo de um dia de trabalho. Os tratamentos são os mesmos utilizados para os outros tipos de asma. Esse aparelho. a velocidade diminui acentuadamente. Quando as vias aéreas estreitam. a longo prazo. A exposição contínua freqüentemente leva a um quadro de asma mais grave e mais persistente. Para o tratamento prolongado. aumentando a possibilidade de serem inalados profundamente nos pulmões. câncer de pulmão e de outras regiões do corpo. As partes inferiores dos pulmões somente são afetadas quando o gás é inalado profundamente. e a opressão torácica pode desaparecer no final da semana de trabalho. topo Exposição a Gases e a Substâncias Químicas Muitos tipos de gases – como o cloro. um medidor de fluxo máximo. essa redução é maior no primeiro dia de trabalho.

causam dificuldade respiratória. Os corticosteróides. Gases menos solúveis. O câncer pode ocorrer nos pulmões ou em outras partes do corpo. A radiografia torácica pode revelar a ocorrência de edema pulmonar ou de bronquiolite. Elas também podem ocorrer devido à ingestão de determinados alimentos ou ao uso de determinadas drogas. Em alguns indivíduos. a baritose (da inalação do bário) e a estanose (da inalação de partículas de estanho). por essa razão. A melhor maneira para se prevenir a exposição é o cuidado rigoroso durante a manipulação de gases e de substâncias químicas. como o dióxido de nitrogênio. pois ficam expostos a grandes quantidades de antígenos suspensos no ar. a exposição a pequenas quantidades de gás ou a outras substâncias químicas durante um período prolongado pode acarretar uma bronquite crônica. Prognóstico. topo Pneumoconioses Benignas Ocasionalmente. após um período de três a quatro horas. aumenta a possibilidade de reações respiratórias alérgicas. Máscaras de gás com provisão própria de ar devem estar disponíveis para o caso de um vazamento acidental. Seção 4 . recidivar dez ou catorze dias depois. os indivíduos expostos a essas substâncias não apresentam sintomas nem comprometimento funcional. como a prednisona. na garganta. como o cloro. Os fazendeiros devem ser informados sobre o perigo da exposição acidental a gases tóxicos em silos. essas partículas de poeira não causam reações pulmonares importantes e. acredita-se que a exposição a determinadas substâncias químicas. Além disso. Prevenção e Tratamento Quase todos os indivíduos apresentam uma recuperação total da exposição acidental a gases. o acúmulo de líquido nos pulmões pode demorar até doze horas após a exposição para ocorrer. A complicação mais grave é a infecção pulmonar. algumas vezes grave. causam graves queimaduras nos olhos. as reações alérgicas pulmonares não são decorrentes apenas de antígenos inalados. Também são freqüentes a náusea e a dificuldade respiratória. Embora sejam evidentes nas radiografias torácicas. dependendo da substância inalada. como compostos de arsênico e hidrocarbonetos. a infusão de líquidos por via intravenosa e a administração de antibióticos podem ser úteis.Doenças Alérgicas dos Pulmões Pneumonite de Hipersensibilidade Pneumonia Eosinofílica Aspergilose Broncopulmonar Alérgica Granulomatose Pulmonar de Wegener Síndrome de Goodpasture Os pulmões são particularmente propensos às reações alérgicas. outras substâncias produzem alterações que são detectadas na radiografia torácica: a siderose (resultante da inalação de óxido de ferro). esses gases produzem tosse e sangue no escarro (hemoptise). em seguida. o indivíduo pode precisar de ventilação mecânica. A oxigenoterapia é o principal tratamento. O distúrbio pode apresentar uma melhora temporária e. As drogas que promovem a abertura das vias aéreas.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 39 . no nariz. como poeira. 231 . mesmo que não ocorram novos contatos com o gás. pólen e substâncias químicas. Sintomas e Diagnóstico Gases solúveis. A recorrência tende a afetar as pequenas vias aéreas (bronquíolos). na traquéia e nas grandes vias aéreas. Freqüentemente. Se a lesão pulmonar for grave.Na doença dos enchedores de silo – resultante da inalação dos vapores que contêm dióxido de nitrogênio liberados pela silagem úmida –. seja responsável pelo câncer em alguns indivíduos. são freqüentemente prescritos para reduzir a inflamação pulmonar. No entanto. A exposição a poeira ou a substâncias irritantes suspensas no ar normalmente no ambiente de trabalho.

Um exemplo de doença causada por uma reação do tipo II é a síndrome de Goodpasture. As reações do tipo I (atópicas ou anafiláticas) ocorrem quando um antígeno que penetrou no organismo encontra-se com mastócitos ou basófilos – tipos de leucócitos que possuem anticorpos aderidos à sua superfície e fazem parte do sistema imune. quando ocorre uma interação entre o anticorpo e o antígeno. menos comumente. As reações alérgicas são classificadas de acordo com o tipo de lesão tissular ocorrida. Muitas reações alérgicas são uma combinação de mais de um tipo de lesão tissular. As reações do tipo IV (retardadas ou mediadas por células) ocorrem quando um antígeno interage com linfócitos antígeno-específicos que liberam substâncias inflamatórias e tóxicas. A ocorrência de sibilos é incomum. Contudo. As reações do tipo II (citotóxicas) destroem as células porque a combinação antígeno-anticorpo ativa substâncias tóxicas. acarretando a inflamação dos pulmões e um acúmulo de leucócitos nas paredes dos alvéolos. Um exemplo bem conhecido de pneumonite de hiperesensibilidade é o pulmão do fazendeiro. Algumas reações alérgicas envolvem linfócitos (um tipo de leucócito) antígeno-específicos ao invés de anticorpos. os sintomas normalmente diminuem em questão de horas. Essas substâncias também atraem outros leucócitos para a área. particularmente as paredes dos vasos sangüíneos. O tecido pulmonar funcionante pode ser substituído ou destruído. Um exemplo de reação do tipo I é a asma brônquica alérgica.Tipos de Reações Alérgicas O organismo reage a um antígeno formando anticorpos.. Essas reações podem causar inflamação disseminada que lesa os tecidos. em certas circunstâncias. calafrios e dificuldade respiratória. O lúpus eritematoso sistêmico é um exemplo de doença resultante de uma reação do tipo III. Estes ligam-se ao antígeno. Se o indivíduo não mais tiver contato com o antígeno. resultante da inalação repetida de bactérias presentes no feno mofado e que toleram temperaturas elevadas (termofílicas). a substâncias químicas. que provocam dilatação dos vasos sangüíneos e contração das vias aéreas. e somente uma pequena porcentagem dos indivíduos com reações alérgicas apresentam uma lesão irreversível dos pulmões. isocianatos). uma condição denominada vasculite. Parece que a lesão pulmonar é resultado de uma combinação de reações alérgicas dos tipos III e IV. Quando o antígeno ligase a esses anticorpos da superfície celular. ocorrem de quatro a oito horas após a reexposição à substância. como a histamina. A exposição às poeiras produz sensibilização dos linfócitos e formação de anticorpos. topo Pneumonite de Hipersensibilidade A pneumonite de hipersensibilidade (alveolite alérgica extrínseca. Somente um pequeno número de indivíduos que inalam essas poeiras comuns apresenta reações alérgicas.ex. atraem outros linfócitos e lesam o tecido normal. tosse. As reações do tipo III (complexo imune) ocorrem quando há um acúmulo de uma grande quantidade de complexos antígeno-anticorpo. normalmente ele apresenta febre. sintomas esses que. pneumoconiose de poeira orgânica) é uma inflamação que atinge os diminutos sacos aéreos (alvéolos) pulmonares e também em volta dos mesmos. 232 . mas a recuperação completa poderá levar semanas. ocasionando a doença sintomática. ocorrem a inflamação e a lesão tissular (dos tecidos). náusea e vômito. normalmente tornando-o inofensivo. Causas Muitos tipos de poeira podem causar reações alérgicas nos pulmões. um indivíduo deve ser exposto a esses antígenos de forma contínua ou freqüente durante um longo período antes de desenvolver sensibilidade e doença. Sintomas e Diagnóstico Se um indivíduo desenvolveu hipersensibilidade a uma poeira orgânica. os mastócitos liberam substâncias. Outros sintomas podem incluir a perda de apetite. Geralmente. tipicamente. pneumonite intersticial alérgica. Ela é causada por uma reação alérgica a poeiras orgânicas inaladas ou. As poeiras orgânicas que contêm microrganismos ou proteínas. O teste cutâneo para a tuberculose (teste da tuberculina) é um exemplo desse tipo de reação. podem causar pneumonite de hipersensibilidade. assim como substâncias químicas (p.

pombos. Neste caso. Quando não é possível realizar a identificação do antígeno e o diagnóstico for duvidoso. O tecido pode ser removido durante uma broncoscopia (exame das vias aéreas com o auxílio de um tubo de visualização). pode ser realizada uma biópsia pulmonar (remoção de um pequeno fragmento de tecido pulmonar. A dificuldade respiratória durante a prática de exercícios. Os indivíduos expostos a esses produtos no ambiente de trabalho podem apresentar sintomas horas mais tarde. Um bom indício de que o ambiente de trabalho pode ser a origem do problema é o indivíduo sentir-se mal durante os dias de trabalho e não durante os finais de semana e feriados. Freqüentemente. A dosagem de anticorpos no sangue podem confirmar a exposição ao antígeno suspeito. pulmão do avicultor Pulmão do condicionador de ar Bagaçose Pulmão do cultivador de cogumelos Umidificadores. pulmão do criador de pombos. Em última instância. o indivíduo entra várias vezes em contato com o alérgeno em um período de meses ou mesmo anos e pode ocorrer a for mação de cicatrizes difusas nos pulmões. o indivíduo pode apresentar tosse e dificuldade respiratória durante dias ou semanas e. O Que Provoca Pneumonite de Hipersensibilidade? Doença Pulmão de fazendeiro Pulmão do criador de pássaros. a doença pode levar à insuficiência respiratória. a realização de provas da função pulmonar – que medem a capacidade pulmonar de retenção de ar e as capacidades inspiratória e expiratória. No caso de uma pneumonite de hipersensibilidade crônica. uma condição denominada fibrose pulmonar. O diagnóstico da pneumonite de hipersensibilidade depende da identificação do tipo de poeira ou de outra substância que esteja causando o problema. uma toracoscopia (exame da superfície pulmonar e do espaço pleural com o auxílio de um tubo de visualização) ou uma toracotomia (cirurgia na qual a parede torácica é aberta). o cansaço e a perda de peso pioram no decorrer de meses ou anos. o diagnóstico é suspeitado por causa de uma radiografia torácica anormal. condicionadores de ar Resíduos da cana de açúcar Compostos (adubos) de cogumelos Pulmão do trabalhador de cortiça (suberose) Doença da casca do bordo Pulmão do trabalhador de malte Sequoiose Casca de bordo infectada Cevada ou malte mofado Serragem mofada de sequóia Pulmão de queijeiro Pulmão do moedor Mofo de queijo Farelo de trigo infectado Cortiça mofada Origem das Partículas de Poeira Feno mofado Dejetos de periquitos. o que pode ser difícil. galinhas 233 . o quadro pode ser tão grave a ponto de exigir a hospitalização. assim como a troca de oxigênio e de dióxido de carbono – podem auxiliar o médico a estabelecer o diagnóstico de pneumonite de hipersensibilidade. a tosse produtiva.Em uma forma de reação alérgica mais lenta (forma subaguda). que é submetido a um exame microscópico). quando encontram-se no domicílio. em alguns casos.

ex. prednisona) reduzem os sintomas e auxiliam a diminuir a inflamação severa. as pneumonias eosinofílicas costumam apresentar sombras que surgem e desaparecem rapidamente em radiografias seriadas. Contudo. fumaças químicas e infecções ou infestações fúngicas e parasitárias. constitui um grupo de doenças pulmonares nas quais os eosinófilos. O indivíduo pode apresentar tosse. quando não tratada. A pneumonia eosinofílica crônica é grave e. as vias aéreas enchem-se de eosinófilos. especialmente quando se investiga uma infecção causada por fungos ou parasitas. Nesse tipo de pneumonia. A quantidade de eosinófilos aumenta em muitas reações inflamatórias e alérgicas (p.. A pneumonia eosinofílica simples (síndrome de Löffler) e pneumonias similares produzem febre baixa e sintomas respiratórios leves. os exames revelam uma grande quantidade de eosinófilos no sangue. que freqüentemente acompanham determinados tipos de pneumonia eosinofílica. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas podem ser leves ou potencialmente letais. No entanto. não é possível se identificar a substância causadora da reação alérgica. na corrente sangüínea. sibilos e dificuldade respiratória. no entanto. ou podem ser assintomáticas. isolamento. em vez das camadas de granulócitos observadas nos casos de pneumonia bacteriana. freqüentemente. Os indivíduos que apresentam um episódio agudo de pneumonite de hipersensibilidade geralmente se recuperam evitando novos contatos com a substância. asmas). algumas causas conhecidas da pneumonia eosinofílica incluem determinados medicamentos. também conhecida como síndrome de infiltrados pulmonares com eosinofilia (IPE). O tratamento químico do feno ou dos restos da cana de açúcar e o uso de bons sistemas de ventilação ajudam a evitar que os trabalhadores sejam expostos e sensibilizados a esses materiais. uma pneumonia eosinofílica pode evoluir para uma insuficiência respiratória grave em poucas horas. tende a piorar. No entanto. os corticosteróides (p. os alvéolos pulmonares e. freqüentemente. A razão exata do aumento de eosinófilos nos pulmões não é bem compreendida e. no caso de desenvolvimento da asma. A eliminação ou a redução da poeira e o uso de máscaras protetoras ajuda a evitar as recorrências. esse procedimento é impraticável se o indivíduo não puder mudar de ocupação. As paredes dos vasos sangüíneos também podem ser invadidas por eosinófilos e. Pode ocorrer uma dificuldade respiratória grave. potencialmente letal. podendo atingir dez a quinze vezes a quantidade normal. ocorrem em maior quantidade nos pulmões e. ao contrário da pneumonia causada por bactérias ou vírus. Outros exames laboratoriais podem ser realizados na investigação da causa.. Os eosinófilos participam da defesa imunológica do pulmão. comumente. Normalmente. as vias aéreas estreitadas podem ser obstruídas pelo muco produzido. geralmente é rápida. Os episódios prolongados ou recorrentes podem levar a uma doença irreversível. uma radiografia torácica revela sombras nos pulmões características da pneumonia. a função pulmonar pode tornar-se tão comprometida que o indivíduo irá necessitar de suplementação de oxigênio. moldagem.Pulmão do cafeicultor Pulmão do trabalhador de teto de palha Pulmão do trabalhador químico Grãos de café Palha ou junco utilizados na confecção de tetos Agentes químicos utilizados na produção de espuma de poliuretano. borracha sintética e materiais de embalagem Prevenção e Tratamento A melhor prevenção é evitar a exposição ao antígeno. Um 234 . um tipo especializado de leucócitos. topo Pneumonia Eosinofílica pneumonia eosinofílica. O exame microscópico do escarro revela aglomerados típicos de eosinófilos. Se o episódio for grave. A sua recuperação. Ocasionalmente. Nesse grupo de pneumonias.ex.

nos alimentos. mais comumente. concomitantemente. a utilização de qualquer medicamento que possa causar a doença é interrompida. O Aspergillus é um fungo que cresce no solo. Apesar de não invadir os pulmões e não lesar tecidos. pode ocorrer uma reação alérgica mais complexa nas vias aéreas e nos pulmões. mais comumente pelo Aspergillus fumigatus. Finalmente. No exame microscópico de escarro. causando uma pneumonia grave nos indivíduos imunodeprimidos (com diminuição da função do sistema imune). dificuldade respiratória e febre baixa. O Aspergillus pode invadir os pulmões. uma condição denominada. será instituído o tratamento de rotina para essa doença. a inflamação pode acarretar a dilatação permanente das vias aéreas centrais. Drogas antiasmáticas. O fungo também pode formar uma “bola de fungos”. na poeira e na água. o médico pode aventar a possibilidade da causa ser uma medicação que o paciente está utilizando. as drogas antifúngicas não são úteis. denominada aspergiloma. Os alvéolos pulmonares enchem-se principalmente de eosinófilos.. Outras formas de aspergilose também podem ocorrer. Nesse caso. é necessária a utilização de um corticosteróide (p. Sintomas e Diagnóstico Os primeiros indícios da aspergilose broncopulmonar alérgica são sintomas normalmente progressivos de asma. sobretudo os corticosteróides. Se a causa da doença for uma verminose ou uma outra parasitose. Além disso. Se o paciente também apresentar asma. No entanto. topo Aspergilose Broncopulmonar Alérgica A aspergilose broncopulmonar alérgica é um distúrbio pulmonar alérgico que. Nos casos graves. Como os efeitos nocivos não são causados pela infecção.desses exames é o exame parasitológico de fezes. Geralmente. Além disso. mas que se deslocam e. assim como a concentração de determinados anticorpos contra o Aspergillus.. A aspergilose broncopulmonar alérgica é provocada pela reação alérgica a um fungo. Nos casos avançados. prednisona). os pulmões apresentam cicatrizes. elas serão tratadas com medicações adequadas. Em alguns indivíduos. As radiografias torácicas sucessivas revelam áreas que apresentam as mesmas características da pneumonia. trata-se de uma infecção e não de uma reação alérgica. tuberculose). freqüentemente. a quantidade excessiva de eosinófilos. encontram-se localizadas nas partes superiores dos pulmões. Tratamento Pelo fato do Aspergillus estar presente em muitos ambientes. Geralmente. Testes cutâneos podem comprovar se o indivíduo é alérgico ao Aspergillus. Ela caracteriza-se pela asma.ex. pode haver um aumento da quantidade de células produtoras de muco. 235 .ex. A prednisona – utilizada inicialmente em doses elevadas e. que pode ocorrer nos casos de asma alérgica não acompanhada de aspergilose. pode-se observar a presença do fungo e. o contato com esse fungo é difícil de ser evitado. na vegetação em decomposição. posteriormente. a tomografia computadorizada (TC) pode revelar vias aéreas dilatadas. A quantidade de eosinófilos no sangue encontra-se elevada. o fungo forma colônias no muco presente nas vias aéreas e provoca inflamações alérgicas de repetição nos pulmões. são utilizadas no tratamento da aspergilose broncopulmonar alérgica. Nos casos de doença prolongada. o indivíduo não se sente bem. pela inflamação das vias aéreas e dos pulmões e pelo aumento da quantidade de eosinófilos no sangue. em doses mais baixas e por um período prolongado – pode impedir a lesão pulmonar progressiva. em cavidades e cistos de um pulmão já lesado por uma outra doença (p. assemelha-se à pneumonia. O indivíduo pode eliminar escarro com coloração castanha ou tampões de muco. O indivíduo que inala esse fungo pode tornar-se sensibilizado e pode desenvolver asma alérgica. eles não fazem a diferenciação entre aspergilose broncopulmonar alérgica e uma simples alergia ao Aspergillus. em geral. como sibilos. Tratamento A pneumonia eosinofílica pode ser leve e melhorar sem tratamento.

eles são a causa direta da doença. uma doença potencialmente letal. muitos pacientes também necessitam de uma outra droga imunossupressora (p. o tratamento deve ser iniciado imediatamente após o estabelecimento do diagnóstico. Como a lesão pulmonar pode piorar sem causar qualquer sintoma perceptível. Sintomas e Diagnóstico A granulomatose pulmonar de Wegener pode ser assintomática ou pode causar febre. dos rins e da pele. Geralmente.A aplicação de alérgenos (dessensibilização) também não é recomendada. provas da função pulmonar e dosagens de anticorpos. dos seios da face.ex. vias nasais. A granulomatose pulmonar de Wegener pode responder à administração isolada de corticosteróides. ocorre uma diminuição das concentrações de anticorpos. pode ser freqüentemente detectado no sangue de indivíduos com granulomatose de Wegener.. com formação de nódulos denominados granulomas. os vasos sangüíneos dos pulmões inflamam e pode haver uma destruição parcial do tecido pulmonar. dificuldade respiratória e dor torácica. Os sintomas podem agravar rapidamente. os indivíduos com a síndrome de Goodpasture produzem anticorpos contra certas estruturas do aparelho filtrador dos rins. o indivíduo com essa doença apresenta dificuldade respiratória e tosse com expectoração de sangue. cansaço. somente são afetados as vias nasais. O diagnóstico pode ser estabelecido somente com a realização do exame microscópico de um pequeno fragmento de tecido coletado de uma área afetada (p. A radiografia torácica revela áreas anormais em ambos os pulmões. contra os alvéolos pulmonares e contra os capilares pulmonares. Quando a doença encontra-se sob controle. Supostamente. O exame de urina revela a presença de sangue e de proteínas. as vias aéreas e os pulmões. o paciente apresenta anemia. Por essa razão. pode ocorrer a instalação rápida de uma insuficiência renal. é caracterizada por uma inflamação intensa das paredes dos vasos sangüíneos (vasculite granulomatosa). Esses anticorpos desencadeiam uma inflamação que interfere nas funções renal e pulmonar. topo Síndrome de Goodpasture A síndrome de Goodpasture é um distúrbio alérgico raro. no qual ocorrem sangramento nos pulmões e insuficiência renal progressiva. Os exames laboratoriais indicam a presença de anticorpos característicos no sangue. os quais encontram-se dispostos em um padrão específico. essa doença afeta indivíduos jovens do sexo masculino. mas as reações alérgicas podem estar envolvidas. Um anticorpo característico.. Uma biópsia renal com agulha revela depósitos microscópicos de anticorpos. Uma radiografia torácica pode revelar cavidades ou áreas densas nos pulmões que podem lembrar um câncer. ciclofosfamida).ex. A causa da granulomatose de Wegener é desconhecida. Tratamento Caso não seja tratada. perda de peso. Freqüentemente. Ao mesmo tempo. o médico deve monitorizar regularmente a doença através de radiografias torácicas. No entanto. Sintomas e Diagnóstico Tipicamente. Por razões até o momento desconhecidas. Nessa doença. A respiração pode piorar e o indivíduo pode perder uma grande quantidade de sangue. a doença pode piorar rapidamente e levar à morte. vias aéreas ou pulmões). tosse. Tratamento 236 . denominado anticorpo anticitoplasma dos neutrófilos. topo Granulomatose Pulmonar de Wegener A granulomatose de Wegener. pele. dos pulmões. Em alguns casos.

à medida que a concentração de oxigênio no sangue diminui.A síndrome de Goodpasture pode levar à morte muito rapidamente.Doenças Pulmonares Infiltrativas Fibrose Pulmonar Idiopática Histiocitose X Hemossiderose Pulmonar Idiopática Proteinose Alveolar Pulmonar Sarcoidose Várias doenças que apresentam sintomas semelhantes se devem a acúmulos anormais de células inflamatórias no tecido pulmonar. O termo idiopático(a) significa “de origem desconhecida”.ex. a causa jamais é identificada. Nas fases mais avançadas da doença. inclusive quando os sintomas são graves. A transfusão sangüínea pode ser necessária. Seção 4 . Quando ocorre uma lesão. apesar das muitas causas possíveis. pneumonia intersticial). causando uma inflamação (alveolite). a radiografia torácica é normal. A formação extensa de tecido cicatricial em torno dos alvéolos pode destruir progressivamente os alvéolos funcionantes e. uma variante da fibrose pulmonar idiopática. Na fase inicial dessas doenças. a pele pode tornar-se azulada e as pontas dos dedos podem espessar ou apresentar baqueteamento (forma de baqueta de tambor). que deve ser removida cirurgicamente.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 40 . infecções e insuficiência cardíaca). O esforço excessivo do coração pode levar a uma insuficiência cardíaca. A pneumonia intersticial linfóide 237 . topo Fibrose Pulmonar Idiopática A fibrose pulmonar é causada por muitas doenças. pode ser necessária a instituição da diálise renal ou a realização de um transplante renal. esta é permanente. Essa insuficiência cardíaca causada por uma doença pulmonar subjacente é denominada cor pulmonale. especialmente por aquelas que envolvem alterações do sistema imune. em seu lugar. pode ser realizada uma biópsia (remoção de pequeno fragmento de tecido pulmonar. perda de peso. perda de apetite. No caso de o paciente apresentar insuficiência renal. fraqueza e dores vagas no tórax. envolve principalmente os lobos inferiores do pulmão. Muitas vezes. mas o aspecto microscópico do tecido pulmonar é distinto. ocorre a formação de cistos. Para confirmar o diagnóstico.. Podem ser administradas doses elevadas de corticosteróides e de ciclofos-famida através da via intravenosa para suprimir a atividade do sistema imune. cansaço. Aproximadamente um terço dos casos ocorre em indivíduos portadores da síndrome de Sjögren. da velocidade com que a doença evolui e da presença de complicações (p. em 50% dos indivíduos que apresentam fibrose pulmonar. como dificuldade respiratória durante o esforço e diminuição da força. é necessária uma amostra maior. os anticorpos indesejáveis são removidos do sangue e as células sangüíneas são devolvidas à circulação. Uma radiografia torácica pode revelar a presença de tecido cicatricial nos pulmões e a formação de cistos. A utilização precoce dessa combinação de tratamentos pode ajudar a salvar as funções renal e pulmonar. em algumas ocasiões. que é submetido ao exame microscópico) com o auxílio de um broncoscópio. A gasometria arterial revela uma concentração baixa de oxigênio no sangue. pode ocorrer solidificação do líquido e a substituição do tecido pulmonar por tecido cicatricial (fibrose). Os sintomas mais comuns são tosse. A pneumonia intersticial descamativa. Se a inflamação persistir. O tratamento pode exigir a suplementação de oxigênio ou o uso de um respirador (ventilação mecânica). Os sintomas principais apresentam um início insidioso. apresenta os mesmos sintomas. Muitos indivíduos podem necessitar de tratamento de apoio enquanto a doença segue a sua evolução. Outra variante. No entanto. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas dependem da extensão da lesão pulmonar. a pneumonia intersticial linfóide. Considera-se que esses indivíduos apresentam uma fibrose pulmonar idiopática (alveolite fibrosante. O paciente também pode ser submetido a uma plasmaferese – procedimento no qual o sangue é removido da circulação. As provas da função pulmonar comprovam que o volume de ar retido pelos pulmões é inferior ao normal. No entanto. ocorre um acúmulo de leucócitos e de um líquido rico em proteínas nos alvéolos pulmonares.

a antibioticoterapia para o tratamento de infecções. amiodarona. e de um outro tipo de célula do sistema imune. o fígado e o baço. topo Histiocitose X A histiocitose X é um grupo de distúrbios (doença de Letterer-Siwe. O colapso de um pulmão (pneumotórax) é uma complicação comum. mas pode ocorrer no final da meia-idade. mas pode levar à formação de cistos nos pulmões e ao desenvolvimento de um linfoma. a lesão da hipófise produz exoftalmia (protrusão dos globos oculares) e o diabetes insipidus. que provoca freqüentemente a formação de cicatrizes. carbono. Alguns indivíduos não beneficiados com o uso da prednisona apresentam uma melhoria do quadro com o uso da azatioprina ou da ciclofosfamida. os linfonodos. Os pulmões e os ossos são os órgãos mais comumente afetados. O prognóstico é muito variável. quando a concentração de oxigênio no sangue encontra-se baixa. Causas Comuns da Fibrose Pulmonar • Alterações do sistema imune (artrite reumatóide. A pneumonia intersticial descamativa responde melhor ao tratamento com corticosteróides. os ossos. • Infecção (vírus. A pneumonia evolui lentamente. tuberculose disseminada). A maioria dos pacientes piora. fumaças e vapores (cloro. dificuldade respiratória. um distúrbio no qual ocorre uma produção de quantidades elevadas de urina que acarreta a desidratação. granuloma eosinofílico) nos quais ocorre uma proliferação de células removedoras anormais. micoplasmas. O colapso pulmonar (pneumotórax) pode ocorrer. nitrofurantoína. limalha metálica. quando não tratada. e medicamentos específicos para a insuficiência cardíaca. os corticosteróides aliviam a pneumonia intersticial linfóide. Contudo. o tempo de sobrevida é maior e a taxa de mortalidade é menor para os indivíduos que apresentam essa variante. Raramente. polimiosite e. sulfonamidas. Ele normalmente afeta os ossos.também pode ocorrer em crianças e em adultos infectados pelo HIV. Outros tratamentos visam o alívio dos sintomas: a oxigenoterapia. Os histiócitos lesam não apenas os pulmões. asbesto) Poeiras orgânicas (fungos. A doença de Hand-Schüller-Christian geralmente começa na primeira infância.. doença de Hand-Schüller. Algumas vezes. O médico avalia a resposta do paciente com o auxílio de radiografias torácicas e de provas da função pulmonar. penicilamina. riquétsias. paraquat). febre e perda de peso. esclerodermia. raramente. os sintomas podem incluir tosse. bussulfano. lúpus eritematoso sistêmico). Tratamento e Prognóstico Se as radiografias torácicas ou a biópsia pulmonar revelarem qua a cicatrização não é extensa. ciclofosfamida. • Poeiras minerais (sílica. Vários serviços médicos vêm realizando transplantes de pulmão em indivíduos com fibrose pulmonar idiopática grave. A doença de Letterer-Siwe começa antes dos três anos de idade e. dióxido de enxofre) Radioterapia ou radiação industrial Medicamentos e substâncias tóxicas (metotrexato. mas também a pele. denominadas histiócitos. Algumas vezes. mas também afeta os pulmões em 20% dos indivíduos. somente os pulmões são envolvidos.ex. excrementos de aves) Gases. prednisona). O granuloma eosinofílico tende a iniciar entre os 20 e os 40 anos de idade. Quando os pulmões são afetados. alguns indivíduos permanecem assintomáticos. o tratamento usual é a administração de um corticosteróide (p. ouro. é normalmente fatal.Christian ou com granuloma eosinofílico podem apresentar uma recuperação 238 .Christian. Os indivíduos com a doença de Hand-Schüller. denominada eosinófilo. especialmente nos ossos e nos pulmões. enquanto outros morrem em poucos meses. Alguns sobrevivem por muitos anos.

239 . Uma parte do sangue que extravasa dos capilares é recolhida pelos fagócitos (células removedoras) presentes no pulmão. ela também pode ocorrer em adultos. Sintomas e Diagnóstico O acúmulo de líquido nos alvéolos impede a passagem de oxigênio dos pulmões para o sangue. A morte geralmente é decorrente da insuficiência respiratória ou da insuficiência cardíaca. exceto quando o indivíduo é tabagista.ex. Ocasionalmente. apenas uma pequena área do pulmão precisa ser lavada. durante a broncoscopia. ocorre um extravasamento de sangue dos capilares para o interior dos pulmões. também durante o repouso. topo Hemossiderose Pulmonar Idiopática A hemossiderose pulmonar idiopática (ferro nos pulmões) é uma doença rara e freqüentemente fatal. Em conseqüência. Os produtos de degradação do sangue irritam o pulmão e acarretam a formação de cicatrizes.. ele utiliza um broncoscópio para realizar a lavagem de segmentos do pulmão com soro fisiológico e. posteriormente. mas. que pode levar à morte. o indivíduo apresenta dificuldade respiratória. Em casos raros. recolhe o lavado. Uma perda excessiva de sangue acarreta anemia e sangramento maciço. inicialmente durante o exercício. topo Proteinose Alveolar Pulmonar A proteinose alveolar pulmonar é uma doença rara. Os três distúrbios podem ser tratados com corticosteróides e drogas citotóxicas (p. é realizada uma biópsia (obtenção de uma amostra de tecido pulmonar para exame microscópico). Apesar de essa doença afetar principalmente as crianças. o tecido pulmonar cicatriza. Em alguns casos. Para estabelecer o diagnóstico. realizada durante a broncoscopia. o médico colhe uma amostra do líquido presente nos alvéolos para exame. Devido à perda sangüínea. A radiografia torácica revela sombras irregulares em ambos os pulmões. em seguida. Geralmente.ex. a maioria dos indivíduos com essa doença apresenta dificuldade respiratória durante o esforço. A maioria também apresenta tosse. na qual os alvéolos pulmonares enchem-se de um líquido rico em proteínas. azatioprina) são úteis durante os períodos de exacerbação do quadro.. A gravidade depende de quão freqüentemente os capilares sangram nos pulmões. Nos indivíduos sintomáticos. embora nenhuma terapia seja claramente benéfica.espontânea. ciclofosfamida). ela afeta indivíduos com idade entre 20 e 60 anos. por razões desconhecidas. pode ser necessária a realização de transfusões de sangue. Os corticosteróides e as drogas citotóxicas (p. No entanto. geralmente não produtiva. Após a formação de cicatrizes nos pulmões. mesmo em repouso. permanecer estável ou desaparecer espontaneamente. Exames revelam concentrações baixas de oxigênio no sangue. Tratamento Os indivíduos que apresentam poucos sintomas ou que são assintomáticos não necessitam de tratamento. Para obter a amostra. que sabidamente não apresentavam uma doença pulmonar. o alívio dos sintomas. que deve ser obtida através de uma remoção cirúrgica. As provas da função pulmonar revelam uma diminuição importante do volume de ar retido pelos pulmões. sobretudo. A oxigenioterapia também pode ser necessária quando a concentração de oxigênio no sangue encontra-se muito baixa. Alguns deles apresentam dificuldade respiratória grave. O principal sintoma é a hemoptise (tosse com expectoração de sangue). A causa da proteinose alveolar pulmonar é desconhecida. A doença pode evoluir. O tratamento visa. uma amostra maior é necessária. o líquido rico em proteína presente nos alvéolos pode ser eliminado através da lavagem com soro fisiológico. O tratamento das complicações ósseas é semelhante ao dos tumores ósseos. Em algumas situações. na qual.

no fígado. a sarcoidose freqüentemente começa com a formação de tumefações vermelhas e dolorosas. A sarcoidose produz uma inflamação nos pulmões que. O órgão mais afetado pela sarcoidose é o pulmão. Os indivíduos com proteinose alveolar pulmonar freqüentemente apresentam dificuldade respiratória. A febre. e provoca alteração da visão. A uveíte (inflamação de determinadas estruturas internas do olho) faz com que os olhos se tornem vermelhos e doloridos. mas outros necessitam de uma lavagem a cada seis ou doze meses. na realidade. A maioria das indivíduos com sarcoidose apresenta sintomas discretos e que não pioram. em última instância. o indivíduo pode apresentar uma febre recorrente. menos freqüentemente. leva à formação de cicatrizes e de cistos. Muitas vezes. Por fim. Menos de 10% dos indivíduos com sarcoidose apresentam um fígado com volume aumentado. dor e hiperemia dos olhos.quando os sintomas são graves e a concentração de oxigênio no sangue encontra-se baixa. Alguns indivíduos com sarcoidose queixam-se de secura. A causa da sarcoidose é desconhecida. Os corticosteróides. A icterícia causada pela disfunção hepática é rara. placas elevadas ou tumefações subcutâneas. desde que sejam realizadas lavagens pulmonares regulares. no entanto. uma lavagem é suficiente. Após três a cinco dias. Os sintomas variam bastante de acordo com o local e a extensão da doença. o paciente é submetido à anestesia geral para que todo o pulmão possa ser lavado. o indivíduo não apresenta sintomas e a função hepática parece ser normal. Essas formações podem desaparecer completamente ou transformar. A conjuntiva. 240 . como o uso de iodeto de potássio e de enzimas que degradam proteínas. A utilidade de outros tratamentos. Ela pode ser decorrente de uma infecção ou de uma resposta anormal do sistema imune. no baço. a doença pulmonar grave pode debilitar o coração. além de não serem eficazes. O exame microscópico de uma amostra de tecido de um indivíduo com sarcoidose revela a presença de granulomas. A sarcoidose prolongada pode levar à formação de placas achatadas. Quinze por cento dos pacientes apresentam comprometimento dos olhos. Os granulomas comumente surgem nos linfonodos. a perda de peso e as dores articulares podem ser as primeiras manifestações dessa doença. Os sintomas graves são raros. No entanto. A inflamação prolongada pode obstruir a drenagem das lágrimas.se em tecido cicatricial. por sua vez. mas freqüentemente não produz sintomas. aumentar as chances de infecções. Para alguns indivíduos. é um local de fácil acesso e permite que o médico colete amostras de tecido para exame. Na Europa. Os fatores hereditários podem ser importantes. durante muitos anos. esse quadro é menos comum nos Estados Unidos. permanece obscura. nos músculos esqueléticos. A sarcoidose ocorre predominantemente entre os 20 e os 40 anos de idade e é mais freqüente entre os europeus do norte e os norte-americanos da raça negra. causando o glaucoma. Pode ocorrer ainda a formação de granulomas na conjuntiva (membrana que reveste o globo ocular e o interior das pálpebras). Linfonodos com volume aumentado no local onde os pulmões unem-se ao coração ou à direita da traquéia podem ser observados em uma radiografia torácica. e pode levar à cegueira. A pele é freqüentemente afetada pela sarcoidose. os quais. nos pulmões. nas articulações. e a doença somente é descoberta em uma radiografia torácica realizada por outras razões. no coração e no sistema nervoso. podem causar tosse e dificuldade respiratória. mas. A linfadenomegalia (aumento de volume dos linfonodos) é comum. topo Sarcoidose A sarcoidose é uma doença na qual ocorre um acúmulo anormal de células inflamatórias (granulomas) em muitos órgãos do corpo. Esses granulomas freqüentemente não produzem sintomas. acompanhadas por febre e dores articulares. Durante a doença. nos olhos e na pele e. o outro pulmão é lavado com o paciente sob anestesia geral. Aproximadamente 70% dos indivíduos com sarcoidose apresentam granulomas no fígado. nos ossos. podem. Sintomas Muitos indivíduos com sarcoidose são assintomáticos. a doença raramente leva à morte. geralmente na região dos tornozelos (eritema nodoso).

náusea. a realização de um lavado pulmonar e de uma cintilografia com gálio de todo o corpo. Se a hipófise ou os ossos que envolvem essa estrutura forem afetados. e acarreta a micção freqüente e a produção excessiva de urina. Ocasionalmente. sendo que as mãos e os pés são as regiões mais comumente afetadas. As fontes mais adequadas de amostras de tecidos são a pele afetada. A tuberculose pode causar muitas alterações semelhantes àquelas produzidas pela sarcoidose. Os indivíduos cuja doença começou pelo eritema nodoso apresentam o melhor prognóstico. sobretudo a da fosfatase alcalina. hepático ou muscular. o exame microscópico de uma amostra de tecido para detectar a presença de inflamação e de granulomas confirma o diagnóstico. A sarcoidose também pode causar um aumento da concentração de cálcio no sangue e na urina. Mesmo a linfadenomegalia na região torácica e a inflamação pulmonar disseminada podem desaparecer no período de alguns meses ou anos. Nos casos de sarcoidose ativa. mas sem sinais de doença pulmonar. Em muitos indivíduos com sarcoidose. Os indivíduos com linfadenomegalia na região torácica. Cerca de 50% dos indivíduos 241 . as provas da função pulmonar indicam que a quantidade de ar que os pulmões conseguem reter encontrase abaixo da normal. para se assegurar de que não se trata de um caso de tuberculose. Os granulomas que se formam no coração podem causar angina ou insuficiência cardíaca. Freqüentemente. também é comum a realização do teste cutâneo da tuberculina. Se houver. A inflamação pode causar dor articular disseminada. Ocorre a formação de cistos nos ossos. A concentração elevada de cálcio no sangue causa perda de apetite. Aqueles que se formam nas proximidades do sistema de condução elétrica do coração podem desencadear arritmias cardíacas (batimentos cardíacos irregulares) potencialmente letais. o indivíduo poderá apresentar diabetes insipidus. Em alguns casos. mas esse resultado não é exclusivo dos casos de sarcoidose. os linfonodos com tamanho aumentado localizados junto à pele e os granulomas localizados na conjuntiva. Diagnóstico Freqüentemente. é necessária a coleta de uma amostra de tecido pulmonar. Nos pacientes com cicatrizes pulmonares.A causa provável dessas alterações é o mau funcionamento das glândulas lacrimais devido à doença e que não produzem uma quantidade suficiente de lágrimas para manter os olhos lubrificados. a concentração da enzima conversora da angiotensina no sangue encontra-se elevada. Por essa razão. especialmente em indivíduos da raça negra. vômito. Se persistir por um tempo prolongado. Os resultados são melhores quando a sarcoidose não se estende além do tórax. podem estar elevadas quando existe comprometimento hepático. esse exame é algumas vezes utilizado quando o diagnóstico é incerto. A hipófise pára de produzir vasopressina. Como a cintilografia com gálio mostra padrões anormais nos pulmões ou nos linfonodos de um indivíduo com sarcoidose nesses locais. Os exames de sangue podem revelar uma contagem baixa de linfócitos. apresentam um prognóstico muito bom. O exame de uma amostra de qualquer um desses tecidos é acurado em 87% dos casos. os valores das imunoglobulinas encontram-se elevados. a concentração elevada de cálcio no sangue pode levar à formação de cálculos renais ou ao depósito de cálcio nesses órgãos e. um hormônio fundamental para os rins concentrarem a urina. As concentrações das enzimas hepáticas. e esses podem fazer com que as articulações próximas tornemse inchadas (edemaciadas) e doloridas. à insuficiência renal. a qual aumenta a absorção de cálcio do intestino. produzindo visão dupla e paralisia de uma lado da face. Prognóstico Comumente o quadro da sarcoidose melhora ou desaparece espontaneamente. os lavados pulmonares contêm uma grande quantidade de linfócitos. Mais de dois terços dos indivíduos com sarcoidose pulmonar não apresentam sintomas após nove anos. A sarcoidose pode afetar os nervos cranianos (nervos da cabeça). os médicos diagnosticam a sarcoidose ao observarem as sombras características em uma radiografia torácica. sede e produção excessiva de urina. Mais de três quartos dos indivíduos que apresentam apenas linfadenomegalia e mais da metade daqueles que apresentam comprometimento pulmonar recuperam-se após cinco anos. Essas concentrações elevadas ocorrem em decorrência da produção de vitamina Dativada pelos granulomas sarcóides. finalmente. Outros métodos úteis para o diagnóstico da sarcoidose ou para a avaliação de sua gravidade são a determinação da concentração da enzima conversora da angiotensina (ECA) no sangue. não há necessidade de outros exames.

seguida pela hemorragia devida à infecção pulmonar causada pelo fungo Aspergillus. Os indivíduos assintomáticos não devem fazer uso de corticosteróides. A formação de cicatrizes pulmonares que levam à insuficiência respiratória é a causa mais comum de morte. quando ocorrem lesões cutâneas desfigurantes ou uma doença oftálmica que não é curada com o uso de colírio contendo corticosteróide. a dor articular e a febre. Cerca de 10% dos indivíduos com sarcoidose desenvolvem uma incapacidade grave devida à lesão ocular. mesmo quando alguns resultados de exames laboratoriais sejam anormais. Esses medicamentos também são administrados quando os exames revelam uma concentração elevada de cálcio no sangue. Seção 4 . Os corticosteróides são administrados para suprimir os sintomas graves.que já apresentaram a sarcoidose apresentam recaídas. das provas da função pulmonar e das determinações das concentrações de cálcio ou da enzima conversora da angiotensina no sangue. hepático ou neurológico. Cerca de 10% dos indivíduos que necessitam de tratamento não são responsivos aos corticosteróides e. Apesar de controlarem os sintomas de modo satisfatório. a medicação é substituída pelo clorambucil ou pelo metotrexato. os corticosteróides não impedem a formação de cicatrizes pulmonares no decorrer do tempo. ou quando a doença pulmonar continua a piorar. nesses casos. a hidroxicloroquina auxilia na eliminação das lesões cutâneas desfigurantes. que são muito eficazes. Tratamento A maioria dos indivíduos com sarcoidose não necessita de tratamento. do sistema respiratório ou de outras partes do organismo.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 41 . quando existe comprometimento cardíaco. Esses exames são repetidos regularmente com o objetivo de detectar recidivas após a interrupção do tratamento.Pneumonia Psitacose P n e u m o n i a P n e u m o c ó c i c a Pneumonia Estafilocócica Pneumonia Causada por Bactérias Gram-negativas Pneumonia Causada pelo Haemophilus influenzae Doença do Legionário Pneumonia Viral Pneumonia por Fungos Pneumonia por Pneumocystis carinii Pneumonia por Aspiração 242 . O êxito do tratamento pode ser monitorizado através de radiografias torácicas. Em alguns casos. como a dificuldade respiratória.

Geralmente. em decorrência da respiração superficial resultante. ou após um traumatismo. Alguns fungos também causam pneumonia. 243 . da gripe e o da varicela) também podem causar pneumonia. Na maioria dos casos.. é uma causa particularmente comum de pneumonia em crianças maiores e em adultos jovens. o tabagismo. os calafrios. Os indivíduos debilitados. os pneumococos. o médico realiza a ausculta pulmonar com o auxílio de um estetoscópio para avaliar o seu estado. Streptococcus pneumoniae. A pneumonia é a sexta causa mais comum de morte e a infecção hospitalar fatal mais comum. No entanto. algumas vezes. paralisados.000 a 70. Alguns indivíduos são mais suscetíveis à pneumonia que outros.. os agentes causadores da pneumonia são o Staphylococcus aureus. cada uma sendo causada por um microrganismo diferente. Nos países em desenvolvimento. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas comuns da pneumonia são a tosse produtiva. como os debilitados ou submetidos a uma cirurgia torácica. a insuficiência cardíaca e a doença pulmonar obstrutiva crônica são condições que. as causas mais comuns são as bactérias (p. Quando um indivíduo parece apresentar pneumonia. a infecção é levada aos pulmões através da circulação sangüínea ou migra aos pulmões diretamente a partir de uma infecção próxima.ex. Freqüentemente. a pneumonia é a primeira ou a segunda causa principal de morte. da administração de líquidos pela via intravenosa e de suporte ventilatório mecânico. a dor torácica. que podem ser detectadas através do estetoscópio. e 40. Staphylococcus aureus. acamados. Também são examinadas amostras de escarro e de sangue com o objetivo de se identificar o microrganismo responsável. sendo apenas suplantada pela desidratação causada pela diarréia grave. a identificação do microrganismo responsável é impossível. Esses indivíduos também podem necessitar de suplementação de oxigênio. Freqüentemente. microrganismo semelhante às bactérias. em 50% dos indivíduos com pneumonia. sem exceção.000 deles morrem. do comprometimento da tosse e da retenção de muco.Pneumonias Atípicas A pneumonia é uma infecção dos pulmões que envolve seus diminutos sacos aéreos (alvéolos) e os tecidos circunjacentes. Os vírus (p. predispõem à pneumonia. a pneumonia é a doença terminal de indivíduos portadores de outras doenças crônicas graves. o diagnóstico da pneumonia é confirmado por uma radiografia torácica.. O alcoolismo. Nos adultos. os indivíduos que não se encontram muito doentes podem utilizar antibióticos pela via oral e permanecer em casa. Freqüentemente.ex. cerca de 2 milhões de indivíduos desenvolvem um quadro de pneumonia. Entretanto. mas muitas doenças diferentes. o diabetes. Legionella e Haemophilus influenzae). principalmente após uma cirurgia abdominal. Tratamento Os exercícios de respiração profunda e a terapia para eliminar secreções são úteis na prevenção da pneumonia em indivíduos de alto risco. sobretudo um traumatismo torácico. o Haemophilus influenzae ou uma combinação desses microrganismos. O Mycoplasma pneumoniae. A pneumonia pode ocorrer após uma cirurgia. a febre e a dificuldade respiratória. Isto também é verdadeiro para os indivíduos que apresentam supressão do sistema imune pelo uso de determinadas drogas (como as utilizadas no tratamento do câncer e para evitar a rejeição de um órgão transplantado). nos Estados Unidos. a pneumonia produz alterações características na transmissão dos sons. esses sintomas podem variar de acordo com a extensão da doença e com o microrganismo causador. inconscientes ou que apresentam uma doença que compromete o sistema imune (p. Causas A pneumonia não é uma doença única. Os idosos e aqueles que apresentam dificuldade respiratória ou uma doença cardíaca ou pulmonar preexistente geralmente são hospitalizados e medicados com antibióticos administrados pela via intravenosa.ex. a pneumonia inicia após a inalação de microrganismos para o interior dos pulmões. que também auxilia na determinação do microrganismo causador da doença. Os indivíduos com pneumonia também precisam eliminar as secreções. mas. Os indivíduos muito jovens e os muito idosos também apresentam maior risco do que a média. AIDS) também correm risco. Geralmente. Anualmente.

a ponto de permitir que pneumococos infectem a área. O paciente apresenta tremores e calafrios. um comprometimento do sistema imune ou diabetes. a pneumonia pneumocócica inicia após uma infecção viral do trato respiratório superior (resfriado. inclusive a penicilina. normalmente é utilizada uma droga denominada vancomicina. A vacinação é recomendável para os indivíduos com alto risco de pneumonia pneumocócica. Aumento da Resistência aos Antibióticos Um número cada vez maior de bactérias causadoras de pneumonia vem desenvolvendo resistência a antibióticos. como aqueles que apresentam uma doença pulmonar ou cardíaca. Em aproximadamente 50% das vezes. Os indivíduos alérgicos à penicilina são medicados com eritromicina ou um outro antibiótico. e aqueles com mais de 65 anos de idade. Existe uma vacina que protege até 70% dos indivíduos contra infecções pneumocócicas graves. Por exemplo. No entanto. faringite ou gripe) ter lesado suficientemente os pulmões. mas através de um mecanismo diferente. o escarro apresenta uma cor de ferrugem devido à presença de sangue. Esse tipo de pneumonia tende a desenvolver-se em indivíduos muito jovens. A resistência aos antibióticos é um problema sério. tosse produtiva. Entretanto. A pneumonia estafilocócica tende a responder lentamente aos antibióticos e o período de convalescença é longo. o vômito. Ela 244 . Os pneumococos resistentes à penicilina podem ser combatidos com outras drogas. Para esses estafilococos. A pneumonia pneumocócica pode ser tratada com qualquer um dos diversos antibióticos existentes. As infecções tratadas causadas com por estafilococos eficazes resistentes na podem presença ser da antibióticos mesmo penicilinase. mas é a causa de 10 a 15% dos casos adquiridos no ambiente hospitalar enquanto os indivíduos são tratados de uma outra doença. embora os indivíduos com risco máximo algumas vezes sejam revacinados após cinco ou dez anos. Os pneumococos também vêm se tornando mais resistentes à penicilina. O indivíduo infectado com um dos oitenta tipos conhecidos de pneumococos adquire uma imunidade parcial contra a reinfecção desse tipo. topo Pneumonia Estafilocócica O Staphylococcus aureus é responsável por apenas 2% dos casos de pneumonia adquirida fora do ambiente hospitalar. muito idosos ou debilitados por outras doenças. as vacinações produzem rubor e dor no local da injeção. esses pneumococos também vêm se tornando mais resistentes às demais drogas. Freqüentemente.topo Pneumonia Pneumocócica O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é a causa bacteriana mais comum de pneumonia. particularmente no caso de infecções hospitalares. Geralmente. A proteção decorrente da vacinação quase sempre se prolonga por toda a vida. Apenas 1% dos indivíduos apresentam febre e dores musculares após a vacinação. muitos estafilococos produzem enzimas (penicilinases) que impedem a ação da penicilina contra eles. mas não se torna imune aos demais tipos. Um número ainda menor de vacinados apresenta reação alérgica grave. a fadiga e as dores musculares. alguns estafilococos estão se tornando resistentes também a essas drogas. acompanhados por febre. Também são comuns a náusea. dificuldade respiratória e dor torácica (no lado do pulmão afetado).

topo Pneumonia Causada pelo Haemophilus influenzae O Haemophilus influenzae é uma bactéria. essas bactérias infectam bebês. topo 245 . Essa coleção purulenta é drenada com o auxílio de uma agulha ou de um tubo torácico. a epiglotite e a pneumonia. Apesar de receberem um tratamento excelente. O derrame pleural (acúmulo de líquido no espaço pleural) é uma complicação comum. As bactérias Gram-negativas. os esquimós. o paciente é hospitalizado para ser submetido a um tratamento intensivo que inclui a administração de antibióticos. a suplementação de oxigênio e a administração de líquidos intravenosos. A taxa de mortalidade varia entre 15 e 40% – em parte porque aqueles que desenvolvem a pneumonia estafilocócica geralmente apresentam-se gravemente enfermos. O escarro expectorado pode ser espesso e com uma coloração vermelha (cor e consistência de uma geléia de groselha). a pneumonia causada por uma bactéria Gramnegativa tende a se tornar grave rapidamente. a maioria desses casos é produzida por outras cepas. A febre. As bactérias Gramnegativas podem destruir rapidamente o tecido pulmonar e. devido ao uso disseminado da vacina contra o Haemophilus influenzae do tipo b. As cepas do tipo b de Haemophilus influenzae são as mais virulentas e são responsáveis por doenças graves. causam pneumonias que tendem a ser extremamente graves. aproximadamente 25 a 50% dos indivíduos com pneumonia causada por bactérias Gramnegativas morrem. como a Klebsiella e a Pseudomonas. distintas das utilizadas na vacina contra o Haemophilus influenzae do tipo b. por essa razão. O Staphylococcus pode produzir abcessos (coleções purulentas) nos pulmões e cistos pulmonares cheios de ar (pneumatoceles). Apesar de seu nome. Os antibióticos são utilizados no tratamento da pneumonia causada pelo Haemophilus influenzae do tipo b. como a meningite. topo Pneumonia Causada por Bactérias Gram-negativas As bactérias são classificadas como Grampositivas ou Gram-negativas de acordo com o seu aspecto após serem coradas em uma lâmina e examinadas ao microscópio. os indivíduos da raça negra e aqueles com anemia falciforme ou com imunodeficiência. a tosse produtiva e a dificuldade respiratória. Contudo. normalmente em crianças com menos de 6 anos de idade. Em alguns casos. O Staphylococcus produz os sintomas típicos da pneumonia. sobretudo aqueles que apresentam anomalias do sistema imune.também tende a ocorrer em alcoolistas. Mais comumente. Entretanto. alcoolistas e indivíduos com doenças crônicas. acompanhados pelos sintomas típicos da pneumonia. idosos. que são bactérias Grampositivas. As bactérias Gram-negativas raramente infectam pulmões de indivíduos sadios. não se trata do vírus da influenza responsável pelo resfriado. A vacina é administrada em três doses: aos 2. mas os calafrios e a febre são mais persistentes na pneumonia estafilocócica que na pneumocócica. Devido à gravidade da infecção. a doença grave causada por esse microrganismo vem se tornando menos comum. O acúmulo de pus no espaço pleural (empiema) é relativamente comum. as infecções Gram-negativas são adquiridas em um hospital ou em uma clínica de repouso. a tosse e a dificuldade respiratória são comuns. o paciente necessita de ventilação mecânica. sobretudo nas crianças. 4 e 6 meses de idade. Os sinais da infecção são os espirros e a coriza. A vacinação contra cepas do tipo b do Haemophilus influenzae é recomendável para todas as crianças. A maioria dos casos de pneumonia é causada por pneumococos e estafilococos. As bactérias podem ser transportadas dos pulmões pela corrente sangüínea e podem produzir a formação de abcessos em outras regiões do corpo. como a febre. Esse tipo de pneumonia é mais comum entre os índios norte-americanos. Freqüentemente.

Doença do Legionário A doença do legionário. ocorreu uma epidemia de uma doença respiratória entre os membros da “American Legion” que participavam de uma convenção em um hotel. os sintomas persistem por uma ou duas semanas. mas é uma causa incomum nas outras faixas etárias. é responsável por 1 a 8% de todas as pneumonias e por cerca de 4% das pneumonias fatais adquiridas no ambiente hospitalar. Quase todos os indivíduos tratados com eritromicina melhoram. se torna produtiva. As bactérias do gênero Legionella vivem na água e a epidemia ocorre quando as bactérias propagam-se pelos de sistemas de condicionamento de ar em hotéis e hospitais. Os sintomas são semelhantes aos da pneumonia causada pelo Mycoplasma. os sintomas iniciais da pneumonia causada pelo Mycoplasma são a fadiga. Ocasionalmente. que. sangue e urina. Embora a doença do legionário possa ocorrer em qualquer idade. A taxa de mortalidade é muito mais elevada entre os indivíduos que contraem a doença em hospitais ou que apresentam uma imunodeficiência. pois o período de incubação é de dez a catorze dias. a dor de garganta e a tosse seca. Ela também afeta alguns indivíduos idosos. a eritromicina pode ser administrada pela via oral. que têm por objetivo verificar a presença de anticorpos contra o microrganismo suspeito. e de radiografias torácicas. posteriormente. Os sintomas pioram lentamente. os alcoolistas ou aqueles que fazem uso de corticosteróides parecem apresentar um maior risco. febre. As causas mais comuns são o Mycoplasma e a Chlamydia – dois microrganismos semelhantes às bactérias. os indivíduos não apresentam um quadro grave. Os tabagistas. os indivíduos de meiaidade e os idosos são os mais freqüentemente afetados. Em seguida. os exames de sangue revelam um aumento da concentração desses anticorpos. 246 . Os antibióticos eritromicina e tetraciclina são eficazes. Os indivíduos com infecções graves podem apresentar uma grande dificuldade respiratória e. Geralmente. Como os indivíduos infectados pela Legionella pneumophila produzem anticorpos para combater a doença. os resultados desses exames geralmente tornam-se disponíveis somente após a pneumonia já ter iniciado. Em 1976. As crises de tosse intensa podem produzir escarro. que se manifestam de dois a dez dias após a transmissão da infecção. O Mycoplasma pneumoniae é a causa mais comum de pneumonia em indivíduos com idade entre 5 e 35 anos. Em seguida. dores articulares ou problemas neurológicos. o indivíduo apresenta uma tosse seca. o indivíduo apresenta anemia. O diagnóstico desses dois tipos de pneumonia é confirmado com os exames de sangue. No entanto. Alguns indivíduos ainda sentem-se fracos e cansados após várias semanas. A confusão mental e outros distúrbios mentais são menos comuns. como os de estudantes. vírus ou fungos. topo Pneumonias Atípicas As pneumonias atípicas são pneumonias causadas por microrganismos que não as chamadas bactérias típicas. Os primeiros sintomas. embora a taxa de mortalidade dos idosos seja de 5 a 10%. normalmente ela é leve e a maioria dos indivíduos recuperase sem tratamento. É mais comum esse tipo de pneumonia ocorrer na primavera. o quadro melhora lentamente. Na maioria dos casos. Cerca de 10 a 20% dos indivíduos afetados apresentam uma erupção cutânea. são realizados exames de escarro. A doença do legionário tende a ocorrer no final do verão e no início do outono. de militares e os de familiares. A eritromicina (um antibiótico) é a medicação de primeira escolha para o tratamento desse tipo de pneumonia. Não foram descritos casos de infecção direta de um indivíduo a outro. mas a recuperação pode ser prolongada. Para a confirmação diagnóstica. comumente. que levou à descoberta e à denominação da bactéria. As epidemias ocorrem especialmente em grupos confinados. Cerca de 20% dos indivíduos que apresentam essa doença morrem. Apesar de a pneumonia causada pelo Mycoplasma poder ser grave. Em casos menos graves. causada pela bactéria Legionella pneumophila e por outras espécies de Legionella. A Chlamydia pneumoniae é outra causa comum de pneumonia em indivíduos com idade entre 5 e 35 anos. A doença é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas expelidas com a tosse. A doença do legionário pode produzir sintomas relativamente leves ou pode ser letal. A epidemia tende a disseminar-se lentamente. são: fadiga. Geralmente. cefaléia e dores musculares. enquanto nos casos mais graves o antibiótico é administrado pela via intravenosa. apresentam diarréia.

galinhas e perus. A recuperação pode ser longa. que causa a blastomicose. determinadas pneumonias virais graves podem ser tratadas com drogas antivirais. No entanto. ele apresenta tosse. uma doença cardíaca ou renal. uma bactéria encontrada principalmente em pássaros como papagaios e periquitos. topo Pneumonia por Fungos Freqüentemente. em seguida. Quase todas as pneumonias virais não são tratadas com medicamentos. O vírus do sarampo também pode causar pneumonia. que causa a coccidioidomicose. calafrios. posteriormente. raramente. o indivíduo apresenta febre. para os idosos e para aqueles que apresentam doenças crônicas. os sintomas tendem a recidivar. Os indivíduos imunodeficientes de qualquer idade podem apresentar uma pneumonia grave causada pelo citomegalovírus ou pelo vírus da herpes simples. topo Psitacose A psitacose (febre do papagaio) é uma pneumonia rara causada pela Chlamydia psittaci. e o Blastomyces dermatitidis. alguns tornam-se 247 . a pneumonia causada pelo vírus da varicela ou pelo vírus da herpes simples pode ser tratada com aciclovir. Os criadores de aves podem proteger-se evitando a poeira proveniente da plumagem e das gaiolas de aves doentes. que causa a histoplasmose. o vírus sincicial respiratório. o que geralmente elimina o microrganismo. O microrganismo também pode ser transmitido pela bicada de uma ave infectada e. A psitacose é tratada com tetraciclina durante pelo menos dez dias. o diabetes. Entretanto. topo Pneumonia Viral Muitos vírus podem infectar os pulmões. fadiga e perda de apetite. Se o tratamento for interrompido muito precocemente. os indivíduos são infectados através da inalação da poeira da plumagem ou do excremento de aves contaminadas.mas a resposta ao tratamento é mais lenta nos casos de pneumonia causada por clamídias que nos de pneumonia causada por micoplasmas. denominados tipos A e B. A psitacose é sobretudo uma doença ocupacional de indivíduos que trabalham em lojas de animais de estimação ou em granjas avícolas. psittaci também é encontrada em outras aves. Em seguida. especialmente nos casos graves. A C. O vírus da varicela também pode causar pneumonia em adultos. A taxa de mortalidade pode atingir 30% nos casos graves não tratados. dependendo da idade do indivíduo e da extensão do envolvimento do tecido pulmonar. três tipos de fungos produzem pneumonia: o Histoplasma capsulatum. especialmente em crianças desnutridas. o Coccidioides immitis. A doença pode ser leve ou grave. A pesquisa de anticorpos no sangue representa o método mais confiável para a confirmação do diagnóstico. causam pneumonia. Nos indivíduos idosos a pneumonia viral pode ser causada pelos vírus da influenza. como o enfisema. Por exemplo. da parainfluenza ou sincicial respiratório. que é inicialmente seca e. dois tipos de vírus da influenza. como pombos. Aproximadamente uma a três semanas após ter sido infectado. Em lactentes e crianças. o vírus da parainfluenza e o vírus da influenza são as causas mais comuns. É exigido dos importadores importadores que eles tratem as aves suscetíveis com tetraciclina durante um período de 45 dias. Nos adultos sadios. Normalmente. de pessoa para pessoa através de gotículas expelidas com a tosse. A febre persiste por duas a três semanas e. torna-se produtiva com uma expectoração esverdeada. A vacinação anual contra a gripe é recomendada para os indivíduos que trabalham em ambientes hospitalares. desaparece lentamente. causando pneumonia viral. o adenovírus. A maioria dos indivíduos infectados apresenta apenas sintomas mínimos e não sabe que foi infectada.

Essa forma disseminada da doença tende a ocorrer em indivíduos com AIDS e outros distúrbios do sistema imune. O diagnóstico costuma ser realizado com a identificação do fungo no escarro. a infecção dissemina-se a outras áreas do corpo. Tipicamente. febre. De fato. o fluconazol ou a anfotericina B. Infecção rara. por exemplo. causada pelo Cryptococcus neoformans. a aspergilose. sobretudo no pulmão. o tratamento consiste na administração de uma droga antifúngica como. O Aspergillus causa infecções pulmonares em indivíduos com AIDS ou naqueles submetidos a um transplante. Outras infecções fúngicas ocorrem principalmente com uma imunodepressão importante. Após ser inalado. os ossos. Após ser inalado. dores musculares e dor torácica. muitos indivíduos ficam sabendo que foram expostos apenas após a realização de um teste cutâneo. o fungo pode não causar sintomas ou pode causar uma pneumonia aguda ou crônica. causada pelo Aspergillus. centro-sul e no meio-oeste dos Estados Unidos e nas regiões próximas dos Grandes Lagos. A blastomicose ocorre principalmente nas regiões sudeste. AIDS).. Todas essas infecções ocorrem em todo o mundo. Raramente. a candidíase pulmonar ocorre mais freqüentemente em pacientes com leucemia e naqueles submetidos à quimioterapia. No entanto. onde ela produz uma meningite criptocócica. o fungo não causa sintomas em muitos deles. a mais freqüente.ex. o itraconazol ou a anfotericina B. às articulações e à próstata. especialmente os filipinos e os da raça negra. o diagnóstico é realizado identificando. e a mucormicose. pode ocorrer em indivíduos saudáveis. ao fígado. Mais de 80% dos indivíduos que vivem nos vales dos rios Mississippi e Ohio são expostos ao fungo. mas prevalece nos vales fluviais e nas zonas de climas temperados e tropicais. especialmente à medula óssea. Mais de 80% dos pacientes com AIDS que não são submetidos ao tratamento profilático padrão apresentam. No entanto. por exemplo. A criptococose pode disseminar-se especialmente às meninges. A mucormicose. a histoplasmose ocorre mais comumente nos vales dos rios Mississippi e Ohio e nos vales dos rios da região leste. e geralmente é grave apenas nos indivíduos que apresentam distúrbios do sistema imune (p.se o fungo em uma amostra de escarro ou da pesquisa de determinados anticorpos no sangue. Tipicamente. A infecção pode causar pneumonia aguda ou pode evoluir para uma pneumonia crônica com sintomas que persistem durante meses. Outros podem apresentar tosse. 248 . o fungo causa infecção. O diagnóstico é estabelecido identificando-se o fungo em uma amostra de escarro ou em uma amostra de uma outra área infectada ou com a identificação de determinados anticorpos no sangue. não servindo como prova de que o fungo seja o causador da doença.gravemente doentes. Em alguns casos.. A coccidioidomicose ocorre principalmente em climas semi-áridos. topo Pneumonia por Pneumocystis carinii O Pneumocystis carinii é um microrganismo comum. A histoplasmose ocorre no mundo todo. ao baço e ao trato digestivo.ex. o tratamento consiste na administração de uma droga antifúngica como. de um tratamento antineoplásico (contra o câncer) ou da AIDS. ela geralmente não produz sintomas. e em indivíduos com AIDS e outros distúrbios do sistema imune. Essa complicação é mais comum entre indivíduos do sexo masculino. o tratamento consiste da administração de uma droga antifúngica como o itraconazol ou a anfotericina B. os sintomas de uma infecção pulmonar crônica persistem durante meses. os indivíduos com AIDS e outros distúrbios do sistema imune podem não se recuperar. Ocasionalmente. as articulações e as meninges (membranas que recobrem o cérebro). uma infecção fúngica relativamente rara. a infecção dissemina-se além do sistema respiratório – atingindo a pele. a candidíase. Após ser inalado. As quatro infecções são tratadas com drogas antifúngicas (p. aos ossos. Nos Estados Unidos. fluconazol e anfotericina B). Tipicamente. o qual pode residir inofensivamente em pulmões normais. Essas infecções incluem a criptococose. causada pela Candida. A criptococose. especialmente à pele. Alguns indivíduos apresentam um quadro semelhante ao do resfriado. itraconazol. sobretudo no sudoeste dos Estados Unidos e em certas regiões da América do Sul e da América Central. o exame de sangue simplesmente comprova a exposição ao fungo. ocorre com maior freqüência em indivíduos com diabetes grave ou com leucemia. causando doença apenas quando as defesas do organismo diminuem em decorrência de um câncer. Geralmente. Entretanto. A doença pode disseminar-se a outras partes do corpo.

pois elas colocam objetos na boca com freqüência e podem aspirar pequenos objetos ou partes de brinquedos. A obstrução mecânica das vias aéreas pode ser causada pela aspiração de partículas ou objetos. Uma radiografia torácica e a dosagem das concentrações de oxigênio e de dióxido de carbono no sangue arterial podem auxiliar o médico a estabelecer o diagnóstico. Os pulmões podem ser incapazes de fornecer uma quantidade suficiente de oxigênio ao sangue. O problema deve-se mais ao resultado da irritação que da infecção. Normalmente. quando necessário. Geralmente. A obstrução também pode ocorrer em adultos. Se o objeto não for removido de imediato. a qual é causada pelo sangue pouco oxigenado. pode desenvolver uma pneumonia. particularmente comuns nos indivíduos com AIDS. uma pneumonia causada pelo Pneumocystis. dificuldade respiratória e tosse seca. o escarro com espuma cor-de-rosa e a cianose (coloração azulada da pele). Normalmente. o trimetrexato e a leucovorina. são prescritos antibióticos para prevenir a infecção. Freqüentemente. a ventilação mecânica. A aspiração de bactérias é a forma mais comum de pneumonia por aspiração. A traquéia pode ser aspirada para se eliminar as secreções e as partículas aspiradas das vias aéreas. essas partículas podem causar pneumonia. Aproximadamente 30 a 50% dos indivíduos com pneumonite química morrem. causando uma dificuldade respiratória grave. O resultado imediato é a dificuldade respiratória súbita e o aumento da freqüência cardíaca. o indivíduo pode apresentar uma tosse crônica irritante e infecções recorrentes. Algumas vezes. mas. a taxa de mortalidade global é de 10 a 30%. elas são eliminadas pelos mecanismos normais de defesa antes de chegar aos pulmões ou de causar inflamação ou infecção. O antibiótico comumente utilizado no tratamento da pneumonia causada pelo Pneumocystis é o trimetoprimsulfametoxazol. Mesmo quando a pneumonia causada pelo Pneumocystis é tratada. a clindamicina e a primaquina. Os indivíduos debilitados. apresentam um maior risco de contrair esse tipo de pneumonia. Os pacientes com AIDS cuja pneumonia por Pneumocystis foi tratada com sucesso geralmente tomam medicamentos como o trimetoprim-sulfametoxazol ou a pentamidina em aerossol para impedir a recorrência da doença. a sua causa é a deglutição e a conseqüente aspiração de bactérias para o interior dos pulmões. principalmente quando um pedaço de carne é aspirado durante uma refeição. Os efeitos colaterais. No entanto. quando não são eliminadas. redução da concentração dos leucócitos que combatem a doença e febre. o objeto é 249 . Os tratamentos medicamentosos alternativos são a dapsona e o trimetoprim. Os indivíduos que apresentam concentrações baixas de oxigênio no sangue também podem receber corticosteróides. o indivíduo pode ser incapaz de respirar ou falar. O tratamento inclui a oxigenoterapia e. realizada para desalojar o objeto. O diagnóstico é estabelecido no exame microscópico de uma amostra de escarro obtida por uma das duas técnicas seguintes: a indução do escarro (na qual se utiliza água ou vapor de água para estimular a tosse) ou a broncoscopia (na qual a amostra é coletada com o auxílio de um instrumento que é inserido nas vias aéreas). aqueles que apresentam intoxicação alcoólica ou medicamentosa ou que se encontram inconscientes devido à anestesia ou à uma doença.em um determinado momento. Se um objeto ficar retido na porção baixa das vias aéreas. normalmente. As crianças de baixa idade são as que apresentam maior risco. Até mesmo um indivíduo sadio que aspira uma grande quantidade de partículas. Um material tóxico comumente aspirado é o ácido gástrico. A pneumonite química ocorre quando o material aspirado é tóxico para os pulmões. Geralmente. os indivíduos com pneumonite química recuperam-se rapidamente. ele pode morrer rapidamente. topo Pneumonia por Aspiração Partículas minúsculas provenientes da boca freqüentemente migram até as vias aéreas. pode salvar a vida do indivíduo. A manobra de Heimlich. como pode ocorrer durante um episódio de vômito. ela é a primeira indicação de que um indivíduo infectado pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) desenvolveu a AIDS. Se um objeto ficar retido na porção alta da traquéia. a atovaquona e a pentamidina. esses sintomas manifestam-se ao longo de várias semanas. Outros sintomas incluem a febre. evoluem para a síndrome da angústia respiratória aguda ou apresentam uma infecção bacteriana. A maioria das indivíduos afetados apresenta febre. são erupções cutâneas. o diagnóstico geralmente torna-se evidente pela seqüência de eventos. No entanto.

enchendo-o de pus – condição denominada empiema. sobretudo quando a pleura encontrase inflamada. Finalmente. A pneumonia causada por determinadas bactérias. circundada por tecido inflamado e causada por uma infecção. Nos indivíduos com imunodeficiência. anestesia. Raramente. consumo exagerado de bebidas alcoólicas ou uma doença do sistema nervoso. como um distúrbio do sistema nervoso. a coleta de material e a remoção de corpos estranhos). Freqüentemente. febre e tosse produtiva com escarro que pode apresentar estrias de sangue. Se um abcesso destruir a parede de um vaso sangüíneo. Seção 4 . quando apenas uma radiografia sugere a presença de um abcesso. O indivíduo também pode apresentar dor torácica. pode ocorrer a formação de muitos abcessos disseminados. um abcesso grande rompe no interior de um brônquio (uma grande via aérea que leva ar aos pulmões) e o pus espalha-se pelo pulmão. No entanto. É impossível realizar o diagnóstico de um abcesso pulmonar baseando-se apenas nos sintomas semelhantes aos da pneumonia e nos achados do exame físico. Entretanto. particularmente naqueles com mais de 40 anos de idade. As culturas de escarro podem auxiliar na identificação do microrganismo causador do abcesso. perda de apetite. o escarro possui um odor desagradável porque as bactérias provenientes da boca ou da garganta tendem a produzir odores fétidos. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas podem começar lenta ou repentinamente. causando pneumonia e síndrome de angústia respiratória aguda. Tratamento 250 . contém bactérias em quantidade suficiente para causar uma infecção. Comumente. o indivíduo apresenta formação de apenas um abcesso pulmonar. mas mesmo a saliva normal. Freqüentemente. as quais ocorrem apenas quando essas defesas estão baixas – nos casos em que o indivíduo encontrase inconsciente ou sonolento devido a uma sedação. é necessária a realização de uma tomografia computadorizada (TC) do tórax.Abcesso Pulmonar Um abcesso pulmonar é uma cavidade cheia de pus localizada no pulmão. Se uma infecção atinge um pulmão pela corrente sangüínea. Um abcesso que se rompe deixa uma cavidade no pulmão cheia de líquido e ar. um tumor pulmonar pode causar a formação de um abcesso pulmonar ao bloquear uma via aérea. Os sintomas iniciais são semelhantes aos da pneumonia: fadiga. quando aspirada. quando ocorre a formação de mais abcessos. pode ocorrer uma hemorragia grave. eles tipicamente ocorrem no mesmo pulmão. O organismo sadio possui muitas defesas contra essas infecções. produzindo uma infecção. ou por fungos pode levar à formação de um abcesso pulmonar. um problema de uso abusivo de álcool ou drogas ou um episódio recente de perda de consciência por qualquer motivo.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 42 . Causas O motivo habitual da formação de um abcesso é a aspiração de bactérias originárias da boca ou garganta até o interior dos pulmões. um abcesso drena para o interior do espaço pleural (o espaço existente entre as membranas que revestem os pulmões). Algumas vezes. a maioria dos abcessos rompemse no interior de uma via aérea. radiografias torácicas revelam a presença de um abcesso pulmonar. Esse problema é mais comum entre os dependentes de drogas que as injetam utilizando agulhas contaminadas. Freqüentemente. Em alguns indivíduos.removido durante uma broncoscopia (procedimento que utiliza um instrumento que permite a visualização das vias aéreas. sudorese. como o Staphylococcus aureus ou a Legionella pneumophila. produzindo uma grande quantidade de escarro que deve ser expectorado através da tosse. uma doença gengival é a fonte das bactérias. Contudo. As causas raras incluem os êmbolos pulmonares infectados e as infecções hematogênicas (disseminadas pela corrente sangüínea). microrganismos menos comuns podem ser a causa. é possível suspeitar de um abcesso pulmonar quando os sintomas semelhantes aos da pneumonia ocorrem em um paciente que já apresenta determinados problemas.

as vias aéreas enchem-se de secreções infectadas. o indivíduo deve forçar a tosse e submeter. que pode acarretar perfuração da parede intestinal ou torção intestinal. Uma quantidade insuficiente de secreções pancreáticas essenciais para a digestão adequada de gorduras e proteínas acarreta uma digestão deficiente em 85 a 90% dos lactentes com fibrose cística. ocorre em 17% dos recém-nascidos com fibrose cística. Sintomas Os pulmões são normais no nascimento. Em alguns casos. ele produz uma obstrução intestinal. as secreções são espessas ou sólidas e podem causar obstrução completa da glândula. Geralmente. Ocasionalmente. um abcesso pode ser drenado através de um tubo inserido na parede torácica até o interior do abcesso. A taxa de mortalidade de pacientes com com abcesso pulmonar é de aproximadamente 5%. É a doença hereditária que mais leva à morte os indivíduos da raça branca nos Estados Unidos.500 recém-nascidos da raça branca e de 1:17. As glândulas produtoras de muco presentes nas vias aéreas dos pulmões produzem secreções anormais que obstruem as vias aéreas e permitem a multiplicação de bactérias. o primeiro sintoma de fibrose cística de um recém-nascido que não apresenta íleo meconial é o baixo ganho de peso nas quatro ou seis primeiras semanas de vida. as paredes brônquicas tornam-se espessas. não existe variação de incidência em função do sexo. a transferência de cloreto de sódio é interrompida. As secreções brônquicas espessas acabam obstruindo as pequenas vias aéreas. Se o mecônio for muito espesso.Fibrose Cística A fibrose cística é uma doença hereditária que faz com que determinadas glândulas produzam secreções anormais. Seção 4 . Por outro lado. As secreções são anormais e afetam a função glandular. A sua freqüência é de 1:2. Muitos indivíduos com fibrose cística morrem jovens. apresenta uma imunodeficiência. Essa doença afeta praticamente todas as glândulas exócrinas (glândulas que secretam líquidos no interior de um conduto). As glândulas sudoríparas e parótidas e as pequenas glândulas salivares secretam líquidos que contêm uma quantidade de sal superior à normal. é necessária a remoção de um lobo pulmonar ou mesmo de um pulmão inteiro.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 43 . produzindo inflamação. uma substância de cor verde-escuro que aparece nas primeiras fezes de um recém-nascido. o tecido pulmonar infectado deve ser removido. Cerca de 5% dos indivíduos da raça branca apresentam um gene anormal responsável pela fibrose cística. Freqüentemente. O mecônio. No entanto. Posteriormente. À medida que a doença evolui.se à fisioterapia respiratória. mas o traço é recessivo e a doença desenvolve-se somente quando o indivíduo apresenta dois genes anormais. dentre os quais o mais importante afeta o trato digestivo e os pulmões. O tratamento medicamentoso continua até o desaparecimento dos sintomas ou até que uma radiografia torácica demonstre o desaparecimento do abcesso. como no pâncreas e nas glândulas intestinais. Mais freqüentemente. mas daí em diante os distúrbios respiratórios podem ocorrer em qualquer momento.000 recém-nascidos da raça negra. um tipo de obstrução intestinal neonatal. Em aproximadamente 5% dos casos. essa melhoria exige várias semanas ou meses de antibioticoterapia. mas 35% dos norte. a infecção não desaparece. acarretando vários sintomas. é espesso e seu trânsito é mais lento do que o normal. O gene controla a produção de uma proteína que regula a transferência de cloreto de sódio (sal) através das membranas celulares. O íleo meconial. Quando existe a suspeita de a causa ser uma obstrução das vias aéreas. Quando os dois genes são anormais.A cura completa e imediata de um abcesso pulmonar exige a administração de antibióticos pela via intravenosa ou oral. Aqueles que apresentam apenas um gene anormal não têm sintomas perceptíveis. Em algumas glândulas. áreas do pulmão contraem (condição denominada atelectasia) e os linfonodos aumentam de tamanho. Todas essas alterações reduzem a capacidade dos pulmões de transferir oxigênio para o sangue. O mecônio também pode formar obstruções (tampões) temporárias no intestino grosso ou no ânus. ela é rara entre a população asiática. afetando ambos os sexos de maneira igual. Essa porcentagem é mais elevada quando o indivíduo já se encontra debilitado. Para auxiliar a drenagem de um abcesso pulmonar. o médico deve realizar uma broncoscopia para eliminála. apresenta um câncer ou um abcesso muito grande.americanos com fibrose cística atingem a idade adulta. os recémnascidos com íleo meconial quase sempre apresentam outros sintomas da fibrose cística. O lactente apresenta evacuações 251 . acarretando desidratação e aumento da viscosidade das secreções.

A pilocarpina é administrada para estimular a transpiração em uma pequena área da pele e um pedaço de papel filtro é colocado sobre a pele para absorver o suor. No entanto. apesar de a criança apresentar um apetite normal ou acima do normal. ocorre uma exteriorização do revestimento intestinal através do ânus. condição denominada prolapso retal. Quando um indivíduo transpira excessivamente em um clima quente ou devido à febre. O teste do suor pode também confirmar o diagnóstico em crianças com mais idade e em adultos. 98% não produzem espermatozóides ou apresentam uma contagem baixa de espermatozóides. o tórax assume uma forma de barril e a falta de oxigênio pode acarretar dedos em baqueta de tambor e cianose. Em seguida. a coleta de uma amostra de suor suficientemente grande de um lactente com menos de 3 ou 4 semanas de idade pode ser difícil. Cerca de 50% das crianças com fibrose cística são levadas pela primeira vez ao médico por apresentarem tosse.freqüentes. Apesar dos resultados dessa prova serem válidos para os recém-nascidos a partir da 24a hora de vida. uma radiografia torácica pode sugerir o diagnóstico. Nas mulheres. e tem um abdômen abaulado. vários outros testes auxiliam o médico no estabelecimento do diagnóstico. a concentração de tripsina (uma enzima digestiva) no sangue é elevada. Essa concentração pode ser medida em uma gotícula de sangue coletada sobre um pedaço de papel filtro. D. a glicemia (concentração de açúcar no sangue) estará elevada. À medida que a doença evolui. Pode ocorrer a formação de pólipos nasais e uma sinusite com secreções espessas. muitas mulheres com fibrose cística tiveram filhos. Freqüentemente. As provas da função pulmonar podem revelar um comprometimento da função respiratória. Cerca de 2 a 3% dos indivíduos com fibrose cística apresentam diabetes insulinodependente. os parentes de uma criança com fibrose cística podem demonstrar interesse em saber 252 . Os lactentes alimentados com formulações a base de proteína da soja ou leite materno podem apresentar anemia e edema por não absorverem uma quantidade suficiente de proteínas. Uma concentração de sal superior à normal confirma o diagnóstico em indivíduos que apresentam outros sintomas de fibrose cística ou que possuem familiares que apresentam fibrose cística. A tosse. ele corre o risco de desidratar em decorrência da maior perda de sal e água. acarretando dilatação das veias na região inferior do esôfago (varizes esofágicas). a concentração de sal no suor é mensurada. Entre os homens adultos. Em 20% dos recém-nascidos e lactentes não tratados. pois o pâncreas cicatrizado é incapaz de produzir uma quantidade suficiente de insulina. anemia e distúrbios hemorrágicos. sibilos e infecções do trato respiratório. vômito e alteração do sono. Se a secreção de insulina estiver reduzida. é freqüentemente acompanhada por náusea. As complicações em adultos e adolescentes são o colapso pulmonar (pneumotórax). o sintoma mais perceptível. Embora este método seja utilizado em programas de investigação de recém-nascidos. A infecção também é um problema importante. A cirrose pode aumentar a pressão no interior das veias que suprem o fígado (hipertensão portal). Os pais podem observar então a formação de cristais de sal sobre a pele da criança. Essas veias anormais podem romper e sangrar copiosamente. finalmente. Os indivíduos com fibrose cística freqüentemente apresentam comprometimento da função reprodutiva. A obstrução dos ductos biliares por secreções espessas pode acarretar a inflamação do fígado e. que pode inclusive apresentar um sabor salgado. raquitismo. O crescimento é lento. uma exame de fezes pode revelar uma redução ou o desaparecimento das enzimas digestivas tripsina e quimiotripsina ou concentrações elevadas de gordura. E e K – pode acarretar cegueira noturna. Além dos pais. ele não é uma prova conclusiva para o diagnóstico da fibrose cística. Se as concentrações das enzimas pancreáticas encontrarem-se reduzidas. A bronquite e a pneumonia recorrentes provocam uma destruição gradual dos pulmões. as secreções cervicais são muito espessas e causam diminuição da fertilidade. Diagnóstico Nos recém-nascidos com fibrose cística. com eliminação de grandes quantidades de fezes gordurosas e fétidas. Como a fibrose cística pode afetar diversos órgãos. As mulheres com fibrose cística apresentam uma maior probabilidade de complicações durante a gravidez. a morte é decorrente de uma combinação da insuficiência respiratória e da insuficiência cardíaca causadas pela doença pulmonar subjacente. a cirrose hepática. A iontoforese da transpiração estimulada pela pilocarpina mensura a quantidade de sal presente no suor. A absorção inadequada das vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura) – A. a expectoração de sangue e a insuficiência cardíaca. O lactente é magro e sua musculatura é flácida. Comumente. devido ao desenvolvimento anormal do vaso deferente. os adolescentes apresentam um retardo do crescimento e da puberdade e uma diminuição da resistência física. Além disso.

uma boa nutrição. acarretando um estado de debilidade e. os indivíduos com insuficiência pancreática devem fazer uso de suplementos enzimáticos. A sobrevida a longo prazo é um pouco melhor para os homens. os filhos não apresentarão fibrose cística. lactulose) pode evitar que as fezes provoquem obstrução intestinal. orientado por um médico experiente que coordena uma equipe composta por enfermeiros.ex. Um certo tipo de enema pode aliviar um íleo meconial não complicado. que é realizada através de uma sonda introduzida no estômago ou no intestino delgado. As crianças que não conseguem manter uma nutrição adequada podem necessitar de suplementação alimentar. 253 . as perspectivas vêm melhorando progressivamente ao longo dos últimos 25 anos. a atividade física e a assistência psicossocial. apresentam febre ou expõem-se à temperatura elevada. O paciente deve ser submetido a um programa terapêutico completo. Ela é determinada em grande parte pelo grau de comprometimento pulmonar. para que compreendam a doença e as razões dos tratamentos instituídos. Em cada refeição. para os indivíduos sem problemas pancreáticos e para os indivíduos cujos sintomas iniciais limitavamse ao sistema digestivo. Geralmente. Os pais de uma criança de pouca idade podem aprender essas técnicas. finalmente. A terapia genética é muito promissora no que diz respeito ao tratamento dessa doença. As crianças com mais idade e os adultos podem realizar a terapia respiratória independentemente. sobretudo porque atualmente os tratamentos conseguem retardar algumas das alterações que ocorrem nos pulmões. O uso regular de medicamentos que provocam a retenção de líquido no intestino (p. um fisioterapeuta e um terapeuta respiratório. Além disso. um nutricionista. Se ambos os pais forem portadores de um gene anormal que produz a fibrose cística. Apesar disso. a morte. Freqüentemente. Tratamento A terapia inclui a prevenção e o tratamento dos problemas pulmonares. eles devem consumir quantidades superiores à normal dessas substâncias para garantir o crescimento. na tapotagem (percussão torácica). Quando realizam exercícios. Prognóstico A gravidade da fibrose cística varia muito de pessoa para pessoa. Os pais são responsáveis por grande parte do tratamento de uma criança com fibrose cística. A não ser que ambos os pais possuam pelo menos um gene. eles devem duplicar a dose diária habitual de polivitamínicos e devem tomar vitamina E hidrossolúvel (solúvel em água). na vibração e na tosse assistida – deve ser iniciada ao primeiro sinal de distúrbio pulmonar. O paciente deve receber todas as vacinas de rotina e a vacina contra a gripe.se disponíveis sob a forma de pós (para lactentes) e de comprimidos. A proporção de gordura deve ser de normal a elevada. Esses suplementos encontram. No entanto. os pacientes são tratados com medicamentos que auxiliam na prevenção do estreitamento das vias aéreas (broncodilatadores). O tratamento dos distúrbios pulmonares está centrado na prevenção da obstrução das vias aéreas e no controle de infecções. Os tipos especiais de leite que contêm proteínas e gorduras de fácil digestão podem ser úteis para os lactentes com problemas pancreáticos graves.. a deterioração é inevitável. cada gravidez apresenta 25% de probabilidade dessa doença afetar o concepto. durante a gestação. independente da idade. A terapia respiratória – que consiste na drenagem postural. uma vez que as infecções virais podem aumentar as lesões pulmonares. pode ser necessária a realização de uma cirurgia. utilizando aparelhos respiratórios especiais ou coletes compressivos. aplicando-as diariamente em casa. um assistente social. é possível estabelecer um diagnóstico de fibrose cística no feto.se existe a probabilidade de terem filhos com essa doença. Aqueles com problemas pulmonares graves e concentração baixa de oxigênio no sangue podem necessitar de oxigenoterapia suplementar. os portadores de fibrose cística geralmente conseguem freqüentar a escola ou o trabalho até pouco tempo antes da morte. Caso ele não seja eficaz. A dieta deve fornecer calorias e proteínas suficientes para o crescimento normal. os indivíduos com fibrose cística devem tomar suplementos de sal. Os exames genéticos realizados com uma pequena amostra de sangue podem ajudar a determinar quem apresenta um gene anormal que produz a fibrose cística. Eles devem ser bem informados e orientados. Metade dos indivíduos com fibrose cística vivem mais de 28 anos. Como os indivíduos com fibrose cística não apresentam uma absorção normal de gorduras. Apesar dos diversos problemas.

são amplamente utilizados.. Normalmente. de sinusite crônica. contanto que a função pulmonar fosse normal antes da ocorrência da infecção. como a DNase recombinante humana. que não podem ser abertas através dos broncodilatadores. Os corticosteróides podem aliviar os sintomas em lactentes com inflamação grave dos brônquios e em indivíduos com constrição das vias aéreas. aproximadamente 75% dos pacientes continuam vivos e com uma condição muito melhor. se a infecção for grave. Se o acúmulo de material for excessivo. A pleurisia ocorre quando um agente (geralmente um vírus ou uma bactéria) irrita a pleura e produz uma inflamação. A utilização contínua de antibióticos (orais ou em aerossol) ajuda alguns indivíduos a prevenir as recorrências da infecção. As infecções pulmonares devem ser tratadas imediatamente com antibióticos. Um sangramento abundante ou recorrente em um pulmão pode ser tratado através do bloqueio da artéria responsável pelo mesmo. outras drogas antiinflamatórias não esteróides (p. um número reduzido de pacientes morre em conseqüência de uma doença hepática. de um sangramento nas vias respiratórias ou de complicações cirúrgicas. Em alguns casos. o que produz um colapso pulmonar. topo Pleurisia A pleurisia é uma inflamação da pleura. Os medicamentos em aerossol que ajudam a dissolver o muco (mucolíticos). para a identificação do microrganismo infeccioso e a escolha dos medicamentos mais adequados para combatê-lo. um ou ambos os pulmões podem tornar-se incapazes de expandir normalmente em cada respiração. Tendas de nebulização não oferecem benefícios comprovados. Pode ocorrer o acúmulo de ar. No entanto. O transplante de coração e de ambos os pulmões somente é realizado no caso de uma doença cardíaca ou pulmonar grave. Ao primeiro sinal de uma infecção pulmonar. pois facilitam a tosse e a eliminação do escarro. períodos curtos e esporádicos de ventilação mecânica podem ser úteis durante infecções graves. Os mucolíticos também diminuem a freqüência de infecções pulmonares graves. A cirurgia pode ser necessária para o tratamento de pneumotórax (colapso de um segmento pulmonar). melhorando a função pulmonar. a administração do antibiótico pode ter de ser realizada pela via intravenosa.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 44 . Entre as duas superfícies finas e flexíveis. Após o desaparecimento da inflamação. de infecção crônica grave em uma área do pulmão. mas pode ser realizado no domicílio.ex. Esse tratamento freqüentemente exige a hospitalização.Geralmente. criando um espaço. o antibiótico pode ser administrado pela via oral. Entretanto. existe uma pequena quantidade de líquido que as lubrifica durante o movimento de deslizamento suave de uma sobre a outra que ocorre em cada respiração. ibuprofeno) são utilizadas para retardar a deterioração da função pulmonar. de líquidos ou de outros materiais entre as duas membranas. A superfície que reveste os pulmões encontra-se em contato com a que reveste a parede torácica. de sangue. devem ser coletadas amostras do escarro. de colecistopatia (doença da vesícula biliar) ou de obstrução intestinal. 254 . os indivíduos com insuficiência pulmonar não são beneficiados com o uso de um ventilador mecânico. Um ano após o transplante. Seção 4 . O antibiótico tobramicina pode ser administrado sob a forma de nebulização. Pode ocorrer o acúmulo de líquido no espaço pleural (derrame pleural) ou não (condição denominada pleurisia seca). Os indivíduos com fibrose cística normalmente morrem de insuficiência respiratória após muitos anos de deterioração da função pulmonar. Esses tipos de transplantes vêm se tornando mais rotineiros e bem sucedidos devido à experiência e ao aperfeiçoamento das técnicas. de hemorragia de vasos sangüíneos esofágicos. O transplante de fígado tem dado bons resultados nos casos de lesão hepática grave.Distúrbios Pleurais Pleurisia Derrame Pleural Pneumotórax A pleura é uma membrana fina e transparente que reveste os pulmões e a parte interna da parede torácica. No entanto. a pleura pode retornar ao normal ou pode ocorrer a formação de aderências que fazem as camadas pleurais se unirem.

normalmente. ou alguém que o esteja acompanhando. No caso de uma infecção viral. a dor também pode ser sentida. Os analgésicos (p. no pescoço e no ombro como uma dor referida. A dor é decorrente da inflamação da pleura parietal (membrana pleural externa) e. se a causa for uma infecção bacteriana. mas eles tendem a suprimir a tosse. no abdômen. Se houver acúmulo de uma grande quantidade de líquido. Com o auxílio de um estetoscópio. Por exemplo. denominado atrito pleural. Duas Visões da Pleura Tratamento O tratamento da pleurisia depende de sua causa. No entanto. segurar um travesseiro firmemente contra a parte dolorosa do tórax. Os músculos do lado afetado movimentam-se menos que os do lado normal. logo acima do local da inflamação.. O grande acúmulo de líquido pode causar dificuldade na expansão de um ou de ambos os pulmões durante a respiração. uma evidência de doença pulmonar ou um pequeno acúmulo de líquido no espaço pleural. este pode separar as camadas pleurais. Ela pode ser sentida apenas quando o indivíduo respira profundamente ou quando tosse. independente da causa da pleurisia. ou pode ser contínua. O enfaixamento torácico com faixas elásticas largas e não aderentes ajuda a aliviar a dor torácica intensa. O diagnóstico da pleurisia normalmente é fácil de ser realizado. não há necessidade de tratamento para combater a infecção. até exclusivamente. o médico pode auscultar um som semelhante a um rangido.Sintomas e Diagnóstico O sintoma mais comum de pleurisia é a dor torácica. Por essa razão. A tosse pode ser menos dolorosa se o paciente. acetaminofeno ou ibuprofeno) geralmente ajudam a aliviar a dor torácica. é sentida na parede torácica. A codeína e outros narcóticos são analgésicos potentes. piorando com a respiração profunda e a tosse. causando dificuldade respiratória. o indivíduo que apresenta uma pleurisia é estimulado a respirar profundamente e a tossir quando a respiração torna-se menos dolorosa. Apesar de a radiografia torácica não mostrar a pleurisia. fazendo com que a dor torácica desapareça. pois a dor é muito característica. o que não é indicado porque a respiração profunda e a tosse ajudam a evitar a pneumonia. No entanto. A dor varia desde um desconforto vago até uma dor intensa. o enfaixamento torácico com o objetivo de reduzir a expansão durante a respiração aumenta o risco de pneumonia. que normalmente apresenta um início súbito. o tratamento freqüentemente permite a resolução da pleurisia. Se a causa for uma doença autoimune. 255 . ela pode revelar uma fratura de costela. A respiração pode tornar-se rápida e superficial porque a respiração profunda produz dor. são prescritos antibióticos.ex.

somente uma pequena quantidade de líquido separa as duas membranas da pleura. como Infarto pulmonar causado por uma embolia Pneumonia pulmonar Câncer Tuberculose reumatóide sistêmico amebas Pancreatite costela locais • Irritantes. a cirrose hepática e a pneumonia. uma ruptura esofágica ou um abcesso abdominal.se quando a pneumonia ou um abcesso pulmonar alastra-se até o interior do espaço pleural. uma infecção de ferimentos torácicos. Pode ocorrer o acúmulo de uma quantidade excessiva de líquido por muitas razões. uma cirurgia torácica. a isoniazida. como o causado pela tuberculose ou pela artrite reumatóide. incluindo a insuficiência cardíaca. O pus no espaço pleural (empiema) pode acumular. como a hidralazina. O sangue no espaço pleural (hemotórax) geralmente é decorrente de uma lesão torácica. O líquido rico em colesterol no espaço pleural é decorrente de um derrame pleural de longa evolução. ou uma dilatação de uma porção da aorta (aneurisma da aorta) drena sangue para o interior do espaço pleural. Causas Comuns de Derrame Pleural • • • • • • • • • • • • • • Embolia Abcesso sob Artrite o Concentração Insuficiência baixa de proteínas no cardíaca sangue Cirrose Pneumonia Blastomicose Coccidioidomicose Tuberculose Histoplasmose Criptococose diafragma reumatóide Pancreatite pulmonar Tumores 256 . O empiema pode complicar uma pneumonia. que chegam à pleura a partir das vias • Reações alérgicas causadas por drogas. como o asbesto. a fenitoína e a clorpromazina topo Derrame Pleural O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural. pus.Principais Causas da Pleurisia • • • • • • • • • aéreas Lesão. Normalmente. Raramente. um vaso sangüíneo rompe-se e drena para o interior do espaço pleural. é relativamente fácil para o médico removê-lo com o auxílio de uma agulha ou de um tubo torácico. Outros tipos de líquido que podem se acumular no espaço pleural incluem sangue. líquido leitoso e líquido rico em colesterol. O sangramento também pode ser causado por um distúrbio da coagulação sangüínea. Como o sangue no espaço pleural não coagula completamente. a procainamida. O líquido leitoso no espaço pleural (quilotórax) é resultado de uma lesão no ducto linfático principal do tórax (ducto torácico) ou de uma obstrução do mesmo por um tumor. como ou uma de fratura outros de Lúpus Infecção por Artrite eritematoso parasitos.

a isoniazida. e pode revelar a presença de uma pneumonia. Raramente. Se o pus for muito espesso ou se ele se formar no interior de compartimentos fibrosos. Depois de anestesiar a área com a injeção de um anestésico local. a nitrofurantoína. é necessária a realização de uma cirurgia para a retirada da camada externa da pleura (decorticação). a broncoscopia (exame visual direto das vias aéreas com o auxílio de um tubo visualizador) ajuda o médico a descobrir a origem do líquido. Se a amostra obtida for pequena demais e não permitir um diagnóstico preciso. Tratamento Os derrames pleurais pequenos podem necessitar apenas do tratamento da causa subjacente. Pode ocorrer bloqueio da drenagem se o tubo torácico for posicionado incorretamente ou se ele dobrar. com o objetivo de realizar a sua drenagem. Em alguns casos. a fenitoína. Em seguida. Se esses exames não identificarem a causa do derrame.5 litro de líquido de cada vez. A tomografia computadorizada (TC) mostra mais nitidamente o pulmão e o líquido. O médico remove uma amostra da pleura parietal para enviá-la para exame. o líquido pode ser drenado através de uma toracocentese. deve ser realizada uma biópsia pleural aberta (retirada uma amostra de tecido através de uma pequena incisão na parede torácica). muitos indivíduos com derrame pleural não apresentam qualquer sintoma. Quando devem ser removidos volumes maiores de líquido. a sua drenagem pode ser impossível. O acúmulo de pus devido a uma infecção (empiema) exige o uso de antibióticos intravenosos e a drenagem do líquido. O aspecto do líquido pode auxiliar o médico na determinação da causa. especialmente aqueles que produzem dificuldade respiratória. Se o líquido for muito espesso ou apresentar muitos coágulos. procedimento no qual uma pequena agulha (ou um cateter) é inserida no espaço pleural. o médico insere um tubo plástico na parede torácica. é realizada uma radiografia torácica para verificar a posição do tubo. A ultra-sonografia pode ajudar o médico a localizar um pequeno acúmulo de líquido. Freqüentemente. independente do tipo de líquido presente no espaço pleural ou de sua causa. Em cerca de 20% dos indivíduos com derrame pleural. a bromocriptina. Ocasionalmente. Normalmente. pois existe uma tendência de o líquido voltar a acumular rapidamente. a drenagem alivia significativamente a dificuldade respiratória. a causa jamais é descoberta. O tratamento de derrames causados por tumores pleurais pode ser difícil. ele conecta o tubo a um sistema de drenagem com selo de água. podem exigir a retirada do líquido (drenagem). Quase sempre é realizada a coleta de uma amostra do líquido para exame. de um abcesso pulmonar ou de tumor. a amostra é obtida com o auxílio de um toracoscópio (tubo visualizador que permite o exame do espaço pleural e a coleta de amostras). Embora ela comumente seja realizada com objetivos diagnósticos. Em alguns casos. A seguir. A amostra também é examinada para se determinar a quantidade e os tipos de células e a presença de células cancerosas. a drenagem será mais difícil e pode ser necessária a remoção de parte de uma costela para a colocação de um tubo de drenagem maior. Os derrames maiores. Certos exames laboratoriais avaliam a composição química e determinam a presença de bactérias ou fungos. a toracocentese permite a remoção de até 1. A tuberculose ou a coccidioidomicose exigem um tratamento com antibióticos mais prolongado. a drenagem do líquido e a administração de drogas antitumorais impedem a ocorrência 257 . mesmo após uma investigação minuciosa. é necessária a realização de uma biópsia pleural com uma agulha adequada. entre duas costelas. No entanto.• • • Lúpus eritematoso Cirurgia Traumatismo sistêmico cardíaca torácico • Drogas como a hidralazina. Uma radiografia torácica mostrando a presença de líquido é geralmente o primeiro passo para o estabelecimento do diagnóstico. A coleta é realizada com o auxílio de uma agulha (procedimento denominado toracocentese). a procainamida. um tubo pode ser inserido na parede torácica. impedindo o que o ar entre no espaço pleural. raramente. são a dificuldade respiratória e a dor torácica. a clorpromazina e. intravenosos o dantroleno e a procarbazina • Colocação inadequada de sondas de alimentação ou de cateteres Sintomas e Diagnóstico Os sintomas mais comuns.

O tratamento do quilotórax é centrado na reparação da lesão do ducto linfático. A dor pode ser sentida no ombro. contanto que o sangramento tenha cessado. A maioria dos casos de pneumotórax espontâneo simples não é causada por esforço. Nesse distúrbio. se o líquido continuar a acumular. Normalmente. e ocasionalmente uma tosse não produtiva e intermitente. mas não permitindo que ele saia. 258 . Eles variam desde uma dificuldade respiratória leve ou uma dor torácica até uma dificuldade respiratória grave. pode ser necessária a realização de uma cirurgia. O pneumotórax também pode ocorrer em decorrência de uma lesão ou de um procedimento que permite a introdução de ar no espaço pleural. choque e parada cardíaca potencialmente letal. Se o sangramento continuar ou o derrame não puder ser removido adequadamente com um tubo. O pneumotórax de tensão é uma forma grave e potencialmente letal de pneumotórax. aparentemente devido às alterações da pressão nos pulmões. O pneumotórax espontâneo simples geralmente ocorre quando uma pequena área enfraquecida do pulmão (bolha) se rompe. O pneumotórax espontâneo complicado ocorre em indivíduos com doenças pulmonares extensas. Alguns casos ocorrem durante a prática de mergulho ou durante o vôo em altitudes elevadas. como a fibrose cística. Por causa da doença pulmonar subjacente. a pressão local torna-se maior que a pressão intrapulmonar e o órgão colapsa de forma parcial ou completa. o abcesso pulmonar. O pneumotórax pode ocorrer sem uma razão identificável. os tecidos que circundam a área por onde ocorre a penetração do ar no espaço pleural funcionam como uma válvula unidirecional. não existe espaço para que o acúmulo de líquido prossiga. quando o ar penetra no espaço pleural. a pressão no espaço pleural é menor que a pressão intrapulmonar. produzindo um pneumotórax. sendo então denominado pneumotórax espontâneo. os sintomas e as conseqüências geralmente são piores no pneumotórax espontâneo complicado. Mais comumente. Sintomas e Diagnóstico Os sintomas variam muito e dependem do volume de ar que penetrou no espaço pleural e do tamanho da área pulmonar colapsada. Os medicamentos que ajudam a degradar os coágulos sangüíneos. no pescoço ou no abdômen. a tuberculose e a pneumonia causada pelo Pneumocystis carinii. No entanto. permitindo a entrada do ar. Mais freqüentemente. O distúrbio é mais comum em homens altos com menos de 40 anos de idade. esse tipo de pneumotórax é decorrente da ruptura de uma bolha em indivíduos idosos com enfisema. o indivíduo apresenta uma dor torácica intensa e abrupta e dificuldade respiratória. Todo o líquido é drenado através de um tubo. o granuloma eosinofílico. o pneumotórax de tensão pode causar a morte em poucos minutos. Essa situação produz uma pressão tão elevada na cavidade pleural que o pulmão colapsa totalmente e o coração e as outras estruturas mediastinais são desviadas para o lado oposto do tórax. como o talco ou uma solução de doxiciclina. ocorre um colapso da maior parte do pulmão ou de todo ele. que é então utilizado para a administração de um irritante pleural. Este é mais freqüente em indivíduos com síndrome da angústia respiratória aguda grave que necessitam de ventilação mecânica de alta pressão para conseguirem sobreviver. o único procedimento necessário é a sua drenagem através de um tubo. dessa forma. como no caso da toracocentese. Se houver presença de sangue no espaço pleural. O pneumotórax espontâneo complicado pode ocorrer em indivíduos com outras doenças pulmonares. O irritante sela as duas camadas pleurais juntas e.de novos acúmulos de líquido. No entanto. topo Pneumotórax O pneumotórax é o acúmulo de ar entre as duas membranas pleurais. Esse tratamento pode ser realizado através de uma cirurgia ou da terapia medicamentosa contra um câncer que está obstruindo o fluxo linfático. Os ventiladores mecânicos podem causar lesão pela pressão que eles exercem. Se ele não for tratado rapidamente. pode ser útil vedar o espaço pleural. como a estreptocinase e a estreptodornase. Algumas vezes. podem ser administrados através do tubo de drenagem. A maioria dos indivíduos apresentam uma recuperação total. acarretando uma dificuldade respiratória imediata e grave.

é necessária a instalação de um tubo torácico. Nos indivíduos com um pneumotórax resistente ou que apresentaram dois episódios de pneumotórax no mesmo lado.Distúrbios dos Pulmões e das Vias Aéreas Capítulo 45 . a cirurgia é realizada com um toracoscópio introduzido através da parede torácica no interior do espaço pleural.ex. e. maior será o risco de apresentar um câncer de pulmão. especialmente o adenocarcinoma e o carcinoma das células 259 . Nos indivíduos de alto risco (p. éter clorometílico. ele não causa problemas respiratórios graves e o ar é absorvido em poucos dias. gás mostarda e emissões dos fornos de coque tem sido relacionado ao câncer de pulmão. No entanto. Em algumas ocasiões. níquel. começa a inflar novamente. a grande via aérea que passa através da região anterior do pescoço. Em seguida. o médico realiza a ausculta torácica e pode observar que uma parte não transmite os ruídos respiratórios normais. a doença pulmonar subjacente pode ser uma contra-indicação para a cirurgia. tanto em homens quanto em mulheres. Tratamento Um pneumotórax pequeno não exige tratamento. O câncer de pulmão tornou-se mais comum em mulheres devido ao aumento do número de mulheres tabagistas. No entanto. ainda que somente nos indivíduos que também são tabagistas. A exposição ao gás radônio no ambiente doméstico pode ser importante em um pequeno número de casos. Este é conectado a um sistema de drenagem com selo de água ou a uma válvula unidirecional.. é realizada. os sintomas comumente desaparecem quando o organismo adapta-se ao colapso do pulmão e este.Câncer Pulmonar Tipos de Câncer de Pulmão A maioria dos cânceres de pulmão originam-se nas células dos pulmões. Com o auxílio de um estetostópio. trata-se da causa mais freqüente de morte devida ao câncer em ambos os sexos Causas O tabagismo é a causa principal de aproximadamente 90% dos casos de câncer de pulmão em homens e de cerca de 70% em mulheres. separadamente. Normalmente. Freqüentemente. A absorção completa de um pneumotórax maior pode levar de duas a quatro semanas. No caso de um pneumotórax de tensão. o ar pode ser removido mais rapidamente com a inserção de um tubo torácico no pneumotórax. Comumente. a cirurgia é realizada para eliminar a causa do problema. Com exceção de um pneumotórax muito grande ou de um pneumotórax de tensão. Uma pequena porcentagem de cânceres de pulmão (aproximadamente 10 a 15% para os homens e 5% para as mulheres) é causada por substâncias que se encontram ou que são aspiradas no local de trabalho. o exame físico pode confirmar o diagnóstico. O papel da poluição do ar na etiologia do câncer de pulmão ainda é incerto. Em um pneumotórax espontâneo complicado com um escape persistente de ar para o interior do espaço pleural ou em um pneumotórax recidivante. radiação. Um pneumotórax recorrente pode causar uma incapacidade considerável. Ocasionalmente. a introdução de um tubo para drenar o ar de forma contínua. que permite a saída do ar sem permitir que haja qualquer retorno. lentamente. cromo. os cânceres de pulmão. O contato com asbesto. o mais importante. O tubo pode ser conectado a um aspirador quando o ar continua a escapar através de uma conexão anormal (fístula) entre uma via aérea e o espaço pleural. o espaço pleural pode ser selado através da administração de doxiciclina através de um tubo torácico enquanto o ar é evacuado. Normalmente. o câncer também pode disseminar-se (produzir metástases) aos pulmões a partir de outras partes do organismo. a remoção emergencial do ar pode evitar a morte. O câncer de pulmão é o mais comum. Quanto mais cigarros o indivíduo fumar. a cirurgia deve ser aventada após o primeiro episódio de pneumotórax. Quando o pneumotórax é suficientemente grande a ponto de comprometer a respiração.Os sintomas tendem a ser menos graves no pneumotórax de evolução lenta que no pneumotórax de evolução rápida. arsênico. A traquéia. Uma radiografia torácica revela o acúmulo de ar e o colapso pulmonar. Seção 4 . pode ser desviada lateralmente por causa de um colapso pulmonar. mergulhadores e pilotos de avião). é necessária a realização de cirurgia. O ar é imediatamente aspirado com o auxílio de uma seringa grande conectada a uma agulha introduzida no tórax.

Os cânceres de mama. de cólon. pode causar hemorragias graves. O carcinoma de células alveolares origina-se nos alvéolos pulmonares. Os tipos de câncer são: o carcinoma epidermóide. topo Tipos de Câncer de Pulmão Mais de 90% dos cânceres de pulmão iniciam nos brônquios (as grandes vias aéreas que levam ar aos pulmões). Ele pode iniciar nos pulmões ou produzir metástases pulmonares. insensível e fraco. provocando rouquidão. ósseo e de pele são os que mais comumente produzem metástases pulmonares (disseminam-se até os pulmões). A obstrução de um brônquio pode acarretar o colapso da parte do pulmão suprida por esse brônquio. Geralmente. Os cânceres localizados na parte mais alta do pulmão podem invadir os nervos que inervam o membro superior. as glândulas adrenais e os ossos. O câncer pode invadir certos nervos do pescoço. dor torácica e dificuldade respiratória. tontura e sonolência. concentração baixa de oxigênio no sangue e insuficiência cardíaca. especialmente nos casos de carcinoma das células pequenas. o pescoço e a parte superior da parede torácica – inclusive as mamas – incham e adquirem uma tonalidade arroxeada. A obstrução dessa veia faz com que o retorno sangüíneo ocorra através de outras veias da porção superior do corpo. aumento de volume do coração ou o acúmulo de líquido no interior do pericárdio (que envolve o coração). Os sintomas posteriores são a perda de apetite. Ocasionalmente. acarretando dificuldade de deglutição. como a tuberculose e a fibrose. tornando-o dolorido. Geralmente. como a insuficiência hepática. O câncer pode causar sibilos devido ao estreitamento da via aérea na qual ou em torno da qual ele está se desenvolvendo. Sintomas Os sintomas dependem do tipo. O câncer de pulmão pode atingir o coração. O rosto. O câncer de pulmão também pode disseminarse através da corrente sangüínea até o fígado. Outra conseqüência pode ser a pneumonia com tosse. ocorrem em indivíduos cujos pulmões apresentam cicatrizes decorrentes de outras doenças pulmonares. A doença também causa dificuldade respiratória. esses sintomas pioram quando a indivíduo inclina-se para a frente ou deita-se. a perda de peso e a fraqueza. Embora esse tipo de câncer possa ser um túmor único.alveolares. de testículo. as crises convulsivas e as dores ósseas – podem ocorrer antes que qualquer problema pulmonar torne-se evidente. Os sintomas. provocando queda da pálpebra (ptose palpebral). ocorre a formação de um canal anormal (fístula) entre o esôfago e os brônquios. febre. da localização e do modo de disseminação do câncer. o cérebro. visão borrada. uma condição denominada atelectasia. O linfoma é um câncer do sistema linfático. Se o câncer disseminar-se no interior dos pulmões. que produzem dificuldade respiratória. Os nervos da laringe também podem ser lesados. de colo uterino. Este conjunto de sintomas é conhecido como síndrome de Horner. a confusão mental. Este câncer é denominado carcinoma broncogênico. gástrico. Os cânceres de pulmão freqüentemente causam acúmulos de líquido em torno do pulmão (derrame pleural). o principal sintoma é uma tosse persistente. 260 . ele pode produzir uma dor torácica persistente. ou proliferar ao seu redor e pressionar esse órgão. ele pode apresentar estrias de sangue. As veias na parede torácica dilatam. renal. Os tumores pulmonares menos comuns são o adenoma brônquico (que pode ser canceroso ou não canceroso). provocando tosse intensa durante a deglutição porque os alimentos e os líquidos entram nos pulmões. dificultando o diagnóstico precoce. o carcinoma de células pequenas (células em aveia) e o adenocarcinoma. prostático. Isso pode ocorrer no início da doença. Os indivíduos com bronquite crônica e que apresentam câncer de pulmão freqüentemente observam uma piora da tosse. Se o tumor invadir a parede torácica. diminuição do diâmetro da pupila (miose). afundamento do globo ocular e redução da transpiração em um lado do rosto. ele comumente ocorre simultaneamente em mais de uma área do pulmão. produzindo arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais). da tireóide. cefaléia (dor de cabeça). Se o câncer invadir os vasos subjacentes. o hamartoma condromatoso (não canceroso) e o sarcoma (canceroso). Muitos tipos de cânceres originários de outras regiões do organismo podem disseminar-se aos pulmões. O câncer pode invadir a veia cava superior (uma das grandes veias torácicas) ou ao seu redor. o indivíduo pode apresentar dificuldade respiratória grave. O câncer pode invadir diretamente o esôfago. retal. Se o escarro puder ser expectorado.

pois eles podem obstruir os brônquios e podem tornarse cancerosos ao longo do tempo.Alguns cânceres de pulmão produzem efeitos à distância como. O estágio de um câncer sugere o tratamento mais adequado e permite ao médico estimar o prognóstico do paciente. às glândulas adrenais ou ao cérebro. As diferentes categorias são denominadas estágios. Um exemplo de síndrome paraneoplásica é a síndrome de Eaton-Lambert. Por exemplo. freqüentemente. O câncer de pulmão pode inclusive alterar a forma dos dedos das mãos e dos pés. 261 . as quais podem ser observadas nas radiografias. é necessária a realização de uma biópsia (remoção de uma amostra de tecido para exame microscópico) para se determinar se esse aumento é decorrente da inflamação ou do câncer. causando a síndrome de Cushing. o médico realiza uma biópsia (remoção de uma amostra de tecido para exame microscópico) de medula óssea. Esse procedimento é denominado biópsia percutânea com agulha. Alguns cânceres pulmonares secretam hormônios ou substâncias semelhantes a hormônios. por exemplo. Como o carcinoma das células pequenas tende a disseminar. a radiografia mostra apenas uma sombra no pulmão. Na verdade. por exemplo. ocasionalmente. A TC também pode revelar se os linfonodos estão aumentados. Geralmente. Um outro exemplo é a fraqueza muscular e a dor causadas pela inflamação (polimiosite). Nos outros cânceres que não o carcinoma de células pequenas. A cintilografia óssea pode revelar se houve disseminação do câncer aos ossos. apresenta uma tosse persistente ou que vem agravando ou que apresenta outros sintomas pulmonares. No entanto. Também pode ser realizada uma broncoscopia para a coleta de uma amostra de tecido. Diagnóstico O médico investiga a possibilidade de um câncer de pulmão quando o paciente. ou o hormônio antidiurético. Outras síndromes anormais relacionadas aos cânceres de pulmão incluem o aumento do tamanho das mamas em homens (ginecomastia) e uma produção excessiva de hormônio tireoidiano (hipertireoidismo). diarréia e alterações de válvulas cardíacas). o escurecimento da pele na regiões axilares. Tomografias computadorizadas do abdômen ou do crânio podem revelar se houve disseminação do câncer ao fígado. e pode causar alterações nas extremidades nos ossos longos. as quais podem ser acompanhadas por uma inflamação cutânea (dermatomiosite). Essas síndromes não têm relação com o tamanho ou com a localização do câncer de pulmão. embora ela possa não detectar os menores. A tomografia computadorizada (TC) pode mostrar pequenas sombras que não aparecem nas radiografias. é necessária a realização do exame microscópico de uma amostra de tecido. causando retenção de água e concentração baixa de sódio no sangue. o carcinoma de células pequenas pode secretar a corticotropina. Às vezes uma sombra na radiografia torácica de um paciente sem sintomas fornece o primeiro indício. Esses sintomas podem ser o primeiro sinal de câncer ou a primeira indicação de que o câncer retornou após o tratamento. O carcinoma epidermóide pode secretar uma substância semelhante a um hormônio que acarreta uma concentração muito elevada de cálcio no sangue. Além disso. Entretanto. nervosos e musculares (síndromes paraneoplásicas). a qual é caracterizada por uma fraqueza muscular profunda. especialmente se ele for tabagista. distúrbios metabólicos. acarretando concentrações hormonais anormalmente elevadas. Se o câncer estiver localizado profundamente no pulmão. elas são causadas por substâncias secretadas pelo câncer. A produção hormonal excessiva também pode causar a síndrome carcinóide (rubor. Algumas vezes. Tratamento Os tumores brônquicos não cancerosos geralmente são removidos cirurgicamente. elas não indicam necessariamente que o câncer disseminou-se além do tórax. Freqüentemente. sibilos. uma amostra de escarro pode fornecer material suficiente para esse exame (chamado exame citológico do escarro). Uma radiografia torácica pode detectar a maioria dos tumores pulmonares. a qual não é uma prova segura da existência de um câncer. no comprometimento de linfonodos vizinhos e na disseminação à órgãos distantes. sendo guiado pela tomografia computadorizada (TC).se à medula óssea. Algumas vezes. impedindo que o broncoscópio o atinja o médico pode obter uma amostra mediante a introdução de uma agulha através da pele. A classificação dos tipos de câncer baseia-se no tamanho do tumor. o médico não tem certeza se um tumor localizado na borda do pulmão é canceroso até ele ser removido e examinado ao microscópio. Também podem ocorrer alterações cutâneas como. uma amostra de tecido somente pode ser obtida através de um procedimento cirúrgico denominado toracotomia.

a cirurgia pode ser impossível. em sua maioria. dificuldade respiratória e febre.que não se disseminaram além dos pulmões. a quimioterapia prolonga substancialmente a sobrevida. a cirurgia algumas vezes é possível. das Articulações e dos Músculos Capítulo 46 . um câncer origina-se em um outro local do organismo a parte do corpo e dissemina. os narcóticos podem ajudar consideravelmente quando utilizados em doses adequadas. O sistema musculoesquelético é formado pelo esqueleto. Esse procedimento raramente é recomendado e apenas aproximadamente 10% dos indivíduos operados sobrevivem cinco anos ou mais. prednisona). a síndrome da veia cava superior e a compressão da medula espinhal. no momento do diagnóstico. o médico realiza provas da função pulmonar para determinar se o pulmão remanescente pode apresenta uma capacidade suficiente. Em aproximadamente 25% dos pacientes. não existe qualquer tratamento quimioterápico que seja particularmente eficaz.ex. Seção 5 . Esses sintomas podem ser aliviados com a administração de corticosteróides (p. Apesar de ser possível a remoção cirúrgica de 10 a 35% dos cânceres.ex. ela nem sempre resulta na cura. responsável pela resistência dos ossos. A porcentagem é muito maior para aqueles que continuam a fumar após a cirurgia. Para os outros cânceres pulmonares que não o carcinoma de células pequenas. Felizmente. Outras permitem uma amplitude 262 . Muitos indivíduos com câncer de pulmão avançado apresentam dor e dificuldade respiratória importantes a ponto de necessitarem de altas doses de narcóticos nas semanas ou meses que antecedem a sua morte. Composta principalmente de cálcio e outros minerais. A medula óssea localizada no centro de cada osso é mais mole e menos densa que o restante do osso e contém células especializadas que produzem células sangüíneas. a qual causa tosse. variando desde uma pequena parte de um lobo pulmonar até um pulmão inteiro. como aquelas que se encontram entre os ossos planos do crânio (denominadas suturas) não apresentam movimento. a cirurgia não é uma opção. Contudo. quer tenham sido submetidas a um tratamento ou não. 25 a 40% deles sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico.. Articulações e Músculos O osso é um tecido orgânico que muda constantemente e que desempenha várias funções. Se o câncer disseminar-se além dos pulmões ou estiver localizado muito próximo da traquéia ou se o paciente apresenta outras doenças graves (p. Como. O esqueleto é o conjunto de todos os ossos do corpo. Vasos sangüíneos passam através dos ossos e nervos os circundam. a cirurgia não é justificável. Algumas articulações. em grande parte. Entretanto. Os ossos também servem de escudos para proteger os delicados órgãos internos. Se os resultados da prova forem insatisfatórios. pelos músculos. Ocasionalmente. As articulações representam o ponto de união de um ou mais ossos e a sua configuração determina o grau e a direção do possível movimento. o carcinoma de células pequenas do pulmão quase sempre já se disseminou a regiões distantes do organismo. ela pode causar inflamação nos pulmões (pneumonite por radiação). Nesses casos. A oxigenoterapia e medicamentos que promovem a dilatação das vias aéreas podem aliviar a dificuldade respiratória. O esqueleto provê força. Os sobreviventes devem passar por exames de controle regulares. A radioterapia pode ser utilizada em indivíduos que não podem ser submetidos à cirurgia por apresentarem uma outra doença grave. às vezes realizada concomitantemente com a radioterapia. o objetivo da radioterapia não é a cura. uma doença cardíaca ou pulmonar grave). Entre os indivíduos submetidos à remoção de um tumor isolado de crescimento lento. A radioterapia também é útil para controlar as dores ósseas. tendões. Antes da cirurgia. estabilidade e uma base de sustentação para que os músculos trabalhem e produzam o movimento. A quantidade de pulmão a ser removido é decidida durante a cirurgia.. Os indivíduos com carcinoma de células pequenas do pulmão que apresentaram uma boa resposta à quimioterapia podem ser beneficiadas pela radioterapia da cabeça para tratar o câncer que se disseminou ao cérebro. a hidroxiapatita armazena grande parte do cálcio do corpo e é. esse câncer é tratado com quimioterapia. uma vez que o câncer de pulmão recidiva em 6 a 12% dos indivíduos que foram submetidas à cirurgia. A parte rígida externa é composta. a sua estrutura interna é basicamente a mesma.Distúrbios dos Ossos. O tratamento visa retardar a evolução do câncer. ligamentos e outros componentes das articulações.Ossos. Muitos indivíduos com câncer de pulmão apresentam um comprometimento importante da função pulmonar. Ao invés dela. Os ossos possuem duas formas principais: plana (como as placas do crânio e as vértebras) e longa (como os ossos das pernas e dos braços). A extirpação das lesões pulmonares somente é realizada após a remoção do tumor original. por proteínas como o colágeno. e por uma substância denominada hidroxiapatita.se aos pulmões.

Os tendões são cordões resistentes de tecido conjuntivo que inserem cada extremidade de um músculo ao osso. Coxins cartilaginosos (meniscos) atuam como amortecedores entre os dois ossos e ajudam a distribuir o peso do corpo na articulação. de outra forma. As articulações também possuem um revestimento (membrana sinovial) que as envolve. As bursas (bolsas repletas de líquido) fornecem proteção quando a pele ou os tendões movem-se sobre os ossos. Ele encontra-se totalmente envolvido por uma cápsula articular flexível o suficiente para permitir os movimentos. A patela (rótula) protege a parte frontal da articulação. o qual secreta o líquido sinovial que lubrifica a articulação. a cartilagem e o líquido sinovial minimizam o a