Relacionamento entre anfíbios anuros e bromélias da restinga de Regência...

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RELACIONAMENTO ENTRE ANFÍBIOS ANUROS E BROMÉLIAS DA RESTINGA DE REGÊNCIA, LINHARES, ESPÍRITO SANTO, BRASIL José Alberto P. Schineider1 Rogério L. Teixeira2
ABSTRACT RELATIONSHIP BETWEEN ANURAN AMPHIBIANS AND BROMELIADS OF THE SANDY COASTAL PLAIN OF REGÊNCIA, LINHARES, ESPÍRITO SANTO, BRAZIL. Some anuran amphibians use the bromeliads during the entire life cycle and others only as diurnal shelter. At the sandy coastal plain of Linhares, State of Espírito Santo, Southeastern Brazil, 676 bromeliads were examined, of which 303 of Aechmea blanchetiana (Baker) L. B. Smith., 1955, 287 of Aechmea nudicaulis (L.) Griseb., 1864, and 86 of Vrisea procera (Mart. Ex Schult. f.) Wittm, 1891. The morphometric and physical-chemical analysis of different bromeliads evidenced variations among plants. During the period sampled, six anuran species were found inside the plant axils. The hylid frog Phyllodytes luteolus (Wied, 1824) was the most abundant species (260 specimens). Its abundance was higher in the epiphyte bromeliad Vrisea procera. Phyllodytes luteolus had higher occurrences in bromeliads located at a transitional area between open and under the shrub vegetation. Specimens of Scinax alterus (Lutz, B., 1973) and Aparasphenodon brunoi Miranda-Ribeiro, 1920, were more frequent mainly in transitional areas; Bufo granulosus Spix, 1824 occurred in open and transitional areas, whereas Gastrotheca fissipis (Boulenger, 1888) and Leptodactylus fuscus (Schneider, 1799) were found only in bromeliads located in open areas. KEYWORDS. Hylidae, Leptodactylidae, Bufonidae, Bromeliad, sandy coastal plain.

INTRODUÇÃO A maioria dos estudos sobre comunidades de anfíbios anuros tem se concentrado em ambientes específicos, tais como aquelas espécies que coexistem no chão da floresta, nas margens de rios, lagos ou alagados (DUELLMAN & TRUEB, 1994). Entretanto, as imposições no meio ambiente levam muitos anfíbios a procurarem, principalmente, refúgios em bromélias (Bromeliaceae), exclusivas do continente americano (BENZING, 1990; DEJEAN & OLMSTED, 1997). Algumas espécies de anuros se adaptaram de tal maneira às bromélias-tanque, que passaram a utilizar as axilas das plantas durante todo o ciclo de vida, desenvolvendo estratégias avançadas relacionadas com o modo reprodutivo (DUELLMAN, 1985). PEIXOTO (1995) analisou várias espécies de anfíbios anuros na região sudeste do Brasil que utilizam as bromélias de diferentes maneiras. De acordo com o grau de utilização das plantas pelos anfíbios encontrados, o autor classificou as espécies em dois grupos principais: espécies bromelícolas ou espécies bromelígenas. A linha costeira brasileira tem uma extensão de 9000 km. Destes, 5000 km apresentam restingas como um conjunto complexo de ecossistemas, constituídos por uma variedade de vegetação herbácea, arbórea e arbustiva típica que fornece as características peculiares daquele ambiente. Especialmente na orla costeira espíritosantense, as restingas têm sofrido um impacto no que se refere à sua destruição,
1. Curso de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Dep. Biologia, Universidade Federal do Espírito Santo, Av. Marechal Campos, 1468, 29040090, Vitória, Espírito Santo, Brasil. 2. Museu de Biologia Professor Mello Leitão, Av. José Ruschi, 4, Centro, 29650-000, Santa Teresa, Espírito Santo, Brasil.

Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (91): 41-48, 27 de novembro de 2001

em período diurno (8-17 h). e o número médio de axilas foi de 18.. Foram analisadas as bromélias terrestres em área aberta (incidência total de luz solar).3. O peso e altura médios foram de 336. Aechmea nudicaulis (L. Aechmea nudicaulis. Espécimens-testemunhos foram depositados na Coleção Zoológica do Museu de Biologia Prof. Santa Teresa e Museu Nacional (MNRJ). norte do Espírito Santo (19º35’-19º40’S e 38º50’-39º00’W). 27 de novembro de 2001 . com grande ocorrência de bromeliáceas. Aechmea blanchetiana apresentou maiores médias de volume de água acumulada nas axilas (535. bem como de peso (1. A maioria das bromélias foram replantadas após o procedimento amostral. 1864 e Vrisea procera (Mart. Ex Schult. sendo o número de exemplares dividido pelo número de plantas. Os girinos. Vrisea procera apresentou a maior média de axilas (23. vegetação herbácea e gramíneas.) Griseb. cada planta foi pesada após a retirada de água em uma balança manual (precisão de 50 g) tendo sua altura medida com o auxílio de uma trena (cm). a temperatura da água dentro das axilas foi registrada com um termômetro de mercúrio (precisão de 0. (91): 41-48. eram escolhidos pontos não levantados anteriormente. Cada planta foi seccionada na parte basal e os seguintes parâmetros analisados: as axilas.1 cm.42 SCHINEIDER & TEIXEIRA principalmente devido à especulação imobiliária. RESULTADOS Foram analisadas 676 bromélias.3 ml). devido à ação antropogênica.4 ml).. Smith. nudicaulis e 86 Vrisea procera. A posição dos exemplares coletados. As coletas foram efetuadas bimensalmente.7). O clima da região é quente e úmido (tipo Aw de Köppen).5 m. obviamente por se tratar da maior bromélia entre as que foram analisadas neste estudo. A cada excursão ao campo. A análise dos parâmetros morfométricos e físico-químicos das espécies de bromélias estudadas. f. Rio de Janeiro.1 g e 35. quando comparada com as outras espécies. ou seja. nas quais se acumulava.5 g) e altura (85.501. foram contadas. O local possui relevo plano e vegetação arbórea baixa. Os anuros adultos foram coletados manualmente. variou de 0. B. Linhares. distanciando-se da linha de maré cerca de 1000m.. Mello Leitão (MBML). sendo 303 Aechmea blanchetiana. de acordo com a espécie ou diferente localização das bromélias. 1824) com as três espécies de bromélias. o volume de água foi medido em uma proveta graduada (precisão de 10 ml). três espécies de bromélias-tanque abundantes na restinga.. ainda são desconhecidos. 1955. Foi dada uma ênfase à relação de co-existência da espécie de anfíbio anuro mais abundante (Phyllodytes luteolus Wied. Avaliam-se aqui as espécies de anfíbios anuros que utilizam as bromélias-tanque com diferentes propósitos ecológicos e a ocorrência dos anfíbios em função das diferenças apresentadas por cada microhabitat particular. bem como as bromélias epífitas (em galhos expostos à luz solar plena). 1891.5oC). evidenciou variações entre elas (tab. Iheringia. entre janeiro e dezembro de 1998. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho de campo foi realizado em uma área de restinga da localidade de Regência.5 m a mais de 2. Áreas de restinga fragmentadas podem ser observadas próximas às grandes cidades e nos balneários.4 ml de água. com apenas o tubo central servindo como potencial reservatório. 137. com estação seca no outono-inverno e estação chuvosa na primavera-verão (PANOSO et al.3 cm.7 g e 66. apresentou um baixo volume médio de água (86. em relação ao solo. em média. servindo como potencial reservatório de água. Seu peso e altura médios foram de 200. A captura por unidade de esforço (CPUE) foi utilizada nas análises que envolveram as avaliações do número de exemplares amostrados. Sér. I).) Wittm. 287 A.41 cm). Universidade Federal do Rio de Janeiro. após identificados segundo PEIXOTO (1995). Os efeitos mais marcantes sobre a composição da flora e fauna. foram medidos e devolvidos às bromélias. Porto Alegre. em área de borda (incidência parcial de luz solar) e em área fechada (pouca ou nenhuma incidência de luz solar direta). Zool. 1978). Em cada coleta foram amostradas ao acaso bromélias de três espécies com padrões morfológicos e hábitos diferenciados: Aechmea blachetiana (Baker) L.

enquanto Gastrotheca fissipis e Leptodactylus fuscus foram encontrados apenas nas bromélias de borda. 1824) Scinax alterus (B. Lutz. blanchetiana N=303 Média DP 18.. 1799) Bufonidae Bufo granulosus Spix.0 35. sendo 64 machos.70 2. luteolus.0 22. Linhares. DP.5 771.10 A.6 a 74. 27 de novembro de 2001 . Tabela II. II). alterus foram encontrados na região de borda. **. procera. desvio padrão. fato ainda não registrado na literatura para P.44 150.59 1501.7 103.72 100. 1920 Gastrotheca fissipis (Boulenger. seguida por Scinax alterus (8 exemplares) e Aparasphenodon brunoi (7). ES.5 47.3 200.31 553. axilas que funcionavam como reservatório de água. foi observada uma maior ocorrência de P. Aparasphenodon brunoi foi mais representativa na região de borda. 43 Tabela I.19 24.5 53.0 59. Foram capturados 107 girinos e 260 exemplares adultos de P.10 250. Variáveis A. um Leptodactylidae e um Bufonidae (tab.. Zool.Relacionamento entre anfíbios anuros e bromélias da restinga de Regência. sendo quatro pertencentes à família Hylidae. Em uma planta obtiveram-se 33 ovos e em outra 27. 1888) Leptodactylidae Leptodactylus fuscus (Schneider. nudicaulis N=287 Média DP 1. a qual possui apenas o tubo central com potencialidade para armazenar água. com 260 indivíduos.4 116.50 Nº de axilas * Volume de água (ml) Peso (g) Altura** (cm) Temperatura da água (ºC) Durante o período amostrado foram encontradas seis espécies de anfíbios anuros ocupando as bromélias. As demais espécies de anfíbios apresentaram um baixo índice de captura por planta.33 23.44 35. tenha também ocorrido na região aberta. luteolus foi capturado nas bromélias localizadas na região de borda (49. embora. 1973) Aparasphenodon brunoi Miranda-Ribeiro.30 8.8 3. luteolus utiliza as bromélias durante todo o ciclo de vida. 1824 Total N 260 8 7 1 1 2 279 (%) 93. *.3 5. Porto Alegre.50 0. não sendo nenhuma delas encontradas em V.0 a 24.36 0. enquanto que um menor número ocorreu nas bromélias das demais regiões estudadas (tab.0 No.3 405. Linhares.59 336. ES (N.0 86. luteolus.1 13.6%). Na análise de ocorrência de anfíbios nas três espécies de bromélias estudadas. Bufo granulosus ocorreu tanto na região de borda quanto na aberta. Famílias / Espécies Hylidae Phyllodytes luteolus (Wied.40 V.74 9. medida da base à ponta da folha mais alta).2 2. enquanto que as demais espécies utilizam as bromélias apenas como refúgio diurno. A espécie Phyllodytes luteolus foi a mais abundante. Parâmetros morfométricos e físico-químicos das espécies de bromélias estudadas na restinga de Regência. onde foi encontrado quase um indivíduo por planta. sendo maior em V.20 2. Também esta espécie foi a que apresentou maior índice de captura por planta. luteolus (tab. procera N=86 Média DP 23.71 85. Sér. número de casos. (91): 41-48. Foi encontrada uma grande quantidade de ovos dentro de A. nudicaulis. Das espécies encontradas..46 137.86 2. Lote MBML 1322 MNRJ 24806 MNRJ 24807 MBML 1324 MBML 1321 MBML 1320 Iheringia.00 CRA 10.94 26.5 a 28. Número de exemplares (N) de anfíbios anuros coletados nas bromélias da restinga de Regência. de fevereiro a dezembro de 1998 (CRA em mm).4 17. III).36 0.0 e 54. apenas P. Um maior número de indivíduos de P. 122 fêmeas e 74 indeterminados.62 66. Todos os exemplares de S. procera. IV).

5 0.. 4.4 0. 2). Zool. de acordo com os meses e locais de amostragens. (91): 41-48. área fechada. 27 de novembro de 2001 .1 0 F ev A br Ju n A go O ut D ez N úm ero de plantas 1 2 3 4 0. procera 2 3 4 Localização da bromélia 4 N ú m ero d e in d iv íd u o s 5 Figs. A quantidade de girinos amostrada variou de acordo com a localização das plantas (fig. número de exemplares (juvenis e adultos) por planta de acordo com os meses de amostragem. ES. Phyllodytes luteolus nas bromélias da restinga de Regência.3 0.2 0 1 F req u ên cia (% ) A. blanchetiana A. bromélias epífitas).8 0.1 0 A . 1-5.5 0 Fev sem amostragem Abr 1 Jun Ago Out Dez 3 1.5 A.3 0.4 0. 3. a presença dos girinos foi bastante reduzida e não ocorreu em alguns meses. percentual de frequência de ocorrência do número de exemplares (juvenis e adultos) de acordo com as espécies de bromélias. A grande 0. blanchetiana A. área de borda. procera 100 80 60 40 20 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A. (1. O maior numero de girinos ocorreu na bromélia A. entre janeiro a dezembro de 1998: 1. Porto Alegre. n u d ica u li s V . 1). 2. nudicaulis V. nudicaulis ao longo de todo o período amostrado. Nas demais bromélias. número de exemplares (juvenis e adultos) por planta em diferentes locais amostrados.6 0. Iheringia. Sér. 4.2 0. nudicaulis V. 3.4 0.6 0.2 0. procera 2 Plantas 0.44 SCHINEIDER & TEIXEIRA Girinos ocorreram em todos os meses amostrados. área aberta. onde observou-se a presença de até 5 exemplares no tubo central. b l n ch e t a n a a i A . 5. número de girinos por planta em diferentes locais amostrados. número de girinos por planta de acordo com os meses de amostragem. 2. p ro ce ra rag se m a m o st em F ev A br Ju n A go O ut D ez 1 2 1. blanchetiana A. A abundância destes variou por mês de amostragem e de acordo com a espécie de bromélia (fig.2 Número de bromélias 1 0. nudicaulis V.5 Indivíduos /planta s 0.

enquanto que dois indivíduos ocorreram em 15. Houve grande variação na ocorrência de P.0 0. bromélias localizadas sob árvores. blanchetiana examinadas.006 A.. apenas um indivíduo ocorreu em 83.475 0. nudicaulis N CPUE 31 3 1 0 0 0 35 0.108 0. blanchetiana. Em A. Família / Espécies Hylidae Phyllodytes luteolus Scinax alterus Aparasphenodon brunoi Gastrotheca fissipis Leptodactylidae Leptodactylus fuscus Bufonidae Bufo granulosus Aberto N % 46 0 2 0 0 1 17.Relacionamento entre anfíbios anuros e bromélias da restinga de Regência.0 0. Adultos de P. De acordo com os resultados. Aberto. observou-se uma maior preferência de P.4%) de 303 A. blachetiana N CPUE 144 5 6 1 1 2 159 0.6 0. Em A. luteolus pela bromélia epífita V. a maior abundância de P. Borda. Epífitas.0 71.003 0.003 0.0 10 0 0 0 0 0 3.000 0.. o máximo de indivíduos encontrados em uma planta foi 9. nudicaulis.6 100. procera N CPUE 85 0 0 0 0 0 85 0. Número de indivíduos capturados de acordo com os locais estudados (N. número de anfíbios.000 0.0 50. Família Espécies Hylidae Phyllodytes luteolus Scinax alterus Aparasphenodon brunoi Gastrotheca fissipis Leptodactylidae Leptodactylus fuscus Bufonidae Bufo granulosus Total A.0 0.0 0. seguido por aquelas plantas localizadas na região de borda.0 Total N 260 8 7 1 1 2 maioria dos exemplares ocorreu em plantas localizadas na borda ou sob as árvores. luteolus ocorreram em 86 (28.0 28. Porto Alegre. enquanto que dois indivíduos representaram 8. Zool. luteolus foi observada nas plantas localizadas em áreas abertas. juvenis e recém-metamorfoseados de Phyllodytes luteolus ocorreram durante todo o ano (fig.0 100.0 Localização das bromélias Borda Fechado N % N % 129 8 5 1 1 1 49. observou-se um máximo de sete exemplares em única planta.000 - Tabela IV. nudicaulis e em 42 (48.0% das observações.0 0.000 0.0 0. captura por unidade de esforço animal/planta). enquanto que dois indivíduos ocorreram em 12.034 0.0 Epífitas N % 75 0 0 0 0 0 28.8 0.988 0. o maior número de Iheringia. assim como para aquelas epífitas. bromélias da área de transição entre áreas abertas e sob as árvores. procera.016 0.0 50. Apenas um indivíduo por planta representou 41. Número de exemplares capturados de acordo com o número de plantas analisadas (CPUE.9% dos casos.000 0. luteolus de acordo com a localização das bromélias (fig. Em V.7% das observações. procera. Adultos.4 100. um indivíduo ocorreu em 24.0 0. sendo restrita a ocorrência de girinos nas bromélias localizadas em áreas abertas e/ou bromélias epífitas. bromélias de áreas abertas.0 0.9 0.9% das observações. (91): 41-48.7%) de 287 A. bromélias localizadas sobre plantas). procera. 45 Tabela III. procera. nudicaulis. Em A. em 28 (9. 27 de novembro de 2001 . Entretanto.33% dos casos.000 0.019 0. Em A. Fechado.. blanchetiana.8%) de 86 V. 4).3%. o maior número de exemplares foi observado nas bromélias localizadas em áreas abertas. 3).7 0. Para V.000 0.0 0.000 V.010 0. Sér.

1997). blanchetiana também deve oferecer mais espaço para os predadores dos anfíbios anuros. Entre as espécies de anfíbios anuros capturadas na restinga de Regência.. sendo a maioria apenas como visitantes diurnos. Nota-se que as espécies de bromélias mais relevantes em termos de ocorrência diferem nas várias restingas. saindo durante a noite para se alimentar. foi observada uma baixa diversidade de espécies de anuros nas bromélias da restinga de Regência. a ocorrência de apenas um indivíduo foi mais constante (fig. 27 de novembro de 2001 .. luteolus nas bromélias examinadas (TEIXEIRA et al. Aechmea blanchetiana é a que oferece maior espaço e tem a capacidade de acumular um maior volume de água quando comparada com A. PEIXOTO (1995) citou cerca de 16 espécies de anfíbios que utilizaram bromélias. apenas P. Entretanto. Na região de mata Atlântica. a maioria tem pouca ou nenhuma capacidade de armazenar água e muitas são de baixa ocorrência. Zool.B.. Porto Alegre. Esses estudos. têm evidenciado um número maior de espécies de anfíbios que utilizam. DISCUSSÃO Algumas restingas do litoral do Espírito Santo podem apresentar mais de 20 espécies de Bromeliaceae. fornecem diferentes oportunidades para serem colonizadas. Hyla faber Wied-Neuwied. Embora a freqüência tenha variado de 1 a 9 indivíduos por planta. 1934. onde ocorreu apenas P. 2000). mais ao norte do Espírito Santo.: Thoropa miliaris (Spix. procera. Bufo granulosus é uma espécie altamente sedentária (TEIXEIRA et al. Aparasphenodon brunoi é outra espécie intimamente adaptada à vida dentro das bromélias. as bromélias como abrigo... mesmo que eventualmente. Em termos de comunidade. sendo muito comum em lagoas costeiras do Espírito Santo. Leptodactylus fuscus constrói tocas próximo a lagoas. luteolus necessita intrinsicamente do microhabitat oferecido pelas axilas das bromélias para garantir o sucesso reprodutivo. 1926) (SCHINEIDER et al. Este estudo indica que apenas a capacidade de oferecer mais espaço e mais volume de água não representam os fatores preponderantes para a colonização pelos anfíbios anuros. O número registrado foi maior do que para as bromélias da restinga de Guriri. (1994) encontraram S. 1959) na bromélia-tanque Neoregelia cruenta (R. embora as restingas representem um conjunto de ecossistemas praticamente contínuo no litoral brasileiro. Scinax sp. OLIVEIRA et al. Phyllodytes luteolus e Scinax argireornatus (Miranda-Ribeiro. onde ocorre Iheringia. 5). 1821. As principais bromélias-tanque que ocorrem na restinga de Regência diferem nos aspectos morfológicos. 1995) e. Contudo. desenvolvidos em uma diversidade de ecossistemas. sendo que sua presença em bromélias pode ser considerada acidental. alterus e Xenohyla truncata (Izecksohn.46 SCHINEIDER & TEIXEIRA exemplares foi igualmente observado nas plantas que estavam cobertas pela vegetação e aquelas epífitas. Gastrotheca fissipes mantém ovos em uma bolsa dorsal (PEIXOTO. e assim. Em uma restinga do Rio de Janeiro. (91): 41-48. Grahan) L. por ser maior. Scinax alterus é uma espécie que ocupa uma diversidade grande de microhabitats. assim como as principais estratégias reprodutivas dos anuros em um gradiente latitudinal. A. não desova dentro das bromélias e pode ocorrer em ocos de bambu na região de mata Atlântica. Scinax alterus. Entretanto. nudicaulis e V. Sér. 1999). foram registradas 6 espécies de anuros dentro da bromélia de encosta Alcantharea sp. não representando locais relevantes para a colonização dos anfíbios.. não é uma espécie abundante na maioria dos ambientes em que foi encontrada. 1824). aparentemente. Smith. passando o período diurno em buracos escavados na areia da restinga.

Cambridge University. OLIVEIRA et al. mais abundantes em A. levar a diferentes interpretações sobre aquela que poderia oferecer um ambiente mais relevante para os anfíbios. a qual tem apenas no tubo central espaço para armazenar água. V. A. Reproductive modes in anuran amphibians: phylogenetic significance of adaptive Iheringia. assim como garantir um maior suprimento de água para a deposição de ovos.C. poderão evidenciar mais claramente o papel de diferentes espécies de anfíbios em seu ambiente particular. 27 de novembro de 2001 . Na restinga de Regência.. Em duas plantas (A. BOKERMANN.. o maior número de exemplares de P. PEIXOTO. poderia oferecer maior microhabitat. 1966. seria improvável que várias fêmeas tivessem depositado pequenas quantidades de ovos simultâneamente ou mesmo durante a noite. 38:335-344.H. a capacidade de cada uma no que se refere à retenção de água. As espécies de anfíbios que utilizam as bromélias em diferentes restingas (e. London. No. sugerindo que a estratégia de desova possa diferir muito em relação ao que é conhecido ou sugerido até o presente momento. coincidentemente em apenas uma axila de A. Anais Acad.1994. I. 1997. O gênero Phyllodytes Wagler. poderá também elucidar novos fatos que levarão a um maior entendimento sobre a relação anfíbios/plantas. Como o número de exemplares não é alto na restinga de Regência. Proc. enquanto que A. 1985. Sua ocorrência em bromélias também pode ser considerada acidental.. A Jesuel F. W. 469321/2000-8). Como A. Agradecimentos. DUELLMAN. 1830 (Anura. É provável que estas bromélias possam oferecer um melhor abrigo no que se refere às defesas naturais contra os predadores diurnos. Hist. Outros estudos abordando localidades em diferentes latitudes ao longo da orla costeira brasileira. ETEROVICK (1999) observou que P. Este trabalho foi parcialmente financiado pelo CNPq (Projeto “Biodiversidade da Mata Atlântica no Estado do Espírito Santo”.. Oswaldo Luiz Peixoto (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e um revisor anônimo forneceram excelentes sugestões para a melhora do manuscrito. 1997) certamente o fazem de maneira diferente. sendo uma adaptação relevante para minimizar a competição por alimento e espaço dos girinos. Rio de Janeiro. Almeida pelo auxílio nos trabalhos de campo. W. TEIXEIRA et al. A morfologia das bromélias pode. luteolus em colocar apenas um ovo por axila. Vascular Epiphytes. nudicaulis. 354 p. D.. Porto Alegre. nudicaulis) foi encontrado um número muito alto de ovos. até certo ponto. A José Manoel Gomes (Universidade Federal do Espírito Santo) pela identificação das bromélias e José Pombal Jr. luteolus põem normalmente de dois a três ovos por planta. luteolus prefere a bromélia menor. 1990. Com relação aos girinos. Ciênc. 1995. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENZING. Zool. Muitas particularidades restritas aos hábitos das espécies de anuros ainda estão para serem determinadas. luteolus usa mais frequentemente as bromélias epífitas. blanchetiana é a maior bromélia. Os resultados evidenciam que. Sér. procera.A. 47 o amplexo e a deposição de ovos em espuma (MARTINS. Bernabé e Gladstone I. procera é o principal local de abrigo. (MNRJ) pela confirmação das espécies de anfíbios. Ecological studies on Aechmea bracteata (Swartz) (Bromeliaceae). especialmente no nordeste brasileiro. GIARETTA (1996) citou que existe uma tendência das fêmeas de P.. 31(9):1313-1334. coincidentemente. aparentemente. DEJEAN. & OLMSTED. luteolus adultos ou jovens ocorreu na bromélia epífita V.. (91): 41-48. Hylidae). nudicaulis. nudicaulis é o principal local de desova. J. BOKERMANN (1966) citou que fêmeas de P. bras.Relacionamento entre anfíbios anuros e bromélias da restinga de Regência.g. estes foram.E. nat. P. New York. 1988). Um maior conhecimento sobre as várias espécies de bromélias. e justamente a que acumula menos água. Entretanto..

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