Bigite a equacão aquiǤTrabalho de Conversão ʹ III unidade

I - MÁQUINAS SÍNCRONAS
Uma máquina síncrona, em condições de regime permanente, é uma máquina CA cuja
velocidade é proporcional à frequência da corrente de sua armadura. O rotor, juntamente com
o campo magnético criado pela corrente CC do campo do rotor, gira na mesma velocidadeou
em sincronismo com o campo magnético girante, produzido pelas correntes de armadura,
resultando um conjugado constante.
1.1 ʹ Introdução a Máquinas Síncronas Polifásicas
Primeiramente, veremos alguns conceitos básicos de partes de uma máquina síncrona,
como por exemplo, o significado de estator, o que ele contém, assim como para o rotor, para
melhor entendermos o funcionamento das máquinas síncronas.
Pode-se dizer que, na maioria dos casos, o enrolamento de uma armadura, o qual contem
apenas uma bobina de N espiras, de uma máquina síncrona está no estator e geralmente é um
enrolamento trifásico, e o enrolamento de campo está no rotor, como na Figura 01.
O rotor gira a velocidade constante, acionado por uma fonte de potência mecânica
acoplada ao seu eixo. As linhas tracejadas na Figura 01 correspondem aos caminhos do fluxo.
Conforme o rotor gira, a forma de onda de fluxo passa pelos lados da bobina a e -a.


Figura 01 ʹ Gerador síncrono elementar (fonte: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald)

Neste caso, a tensão resultante na bobina (Figura 02) é uma função do tempo. Esta tensão
passa por um ciclo completo de valores para cada rotação da máquina de 2 pólos da Figura 01.
A frequência em ciclos por segundo equivale à velocidade do rotor em rotações por segundo,
ou seja, a frequência elétrica está sincronizada com a velocidade mecânica, e está é a razão
para a designação de máquina síncrona. Então uma máquina síncrona de 2 pólos precisa girar
a 3.600 rpm para produzir uma tensão a 60 Hz.

Figura 02 ʹ Forma de onda correspondente da tensão gerada. (fonte: livro Máquinas elétricas,
Fitzgerald)
Na Figura 03 o gerador apresenta 4 pólos e é monofásico. O enrolamento de armadura,
neste caso, consiste de 2 bobinas a
1
, -a
1
e a
2
, - a
2
ligadas em série por suas conexões nas
extremidades. A tensão gerada passa então por dois ciclos completos por revolução de rotor. A
frequência f é duas vezes a velocidade em rotações por segundo. Quando uma máquina tem
mais de 2 pólos deve-se concentrar a atenção sobre um único par de pólos, e reconhecer que as
condições elétricas, magnéticas e mecânicas associadas a qualquer outro de par de pólos são
repetições daquelas para o par em consideração. Desta forma, devem-se expressar ângulos em
graus elétricos ou radianos elétricos em lugar de unidades mecânicas.

Figura 03 ʹ Gerador síncrono elementar de 4 pólos (fonte: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald

A frequência da onda de tensão é, portanto,
݂ ൌ
ܲ
ʹ

݊
͸Ͳ
ܪݖ ሺͳሻ
onde n é a velocidade mecânica (velocidade síncrona) em rpm e n/60 é a velocidade em rotação
por segundo.
Os rotores vistos nas Figuras 01 e 03 têm pólos salientes, com enrolamentos
concentrados. A Figura 04 apresenta esquematicamente um rotor de pólos não-salientes, ou
cilíndrico ou liso. O enrolamento de campo é um enrolamento distribuído, colocado em
ranhuras e arranjado de modo a produzir um campo aproximadamente senoidal de 2 pólos.
Desta forma, os geradores síncronos podem ser construídos com rotores com pólos salientes ou
rotores cilíndricos. A estrutura a ser construída vai depender da Equação 01, pois uma
construção de pólos salientes é característica de geradores hidrelétricos porque as turbinas
hidráulicas funcionam com velocidades relativamente baixas, e um número relativamente
grande de pólos é necessário para produzir a frequência desejada. As turbinas a vapor e as
turbinas a gás, por outro lado, funcionam melhor com velocidades relativamente altas, e os
alternadores acionados por turbinas, ou turbogeradores, são comumente máquinas de 2 ou 4
pólos com rotor cilíndrico.

Figura 04 ʹ Enrolamento de campo elementar de um rotor cilíndrico de dois pólos(fonte: livro
Máquinas elétricas, Fitzgerald)

Na maioria das vezes os geradores síncronos são máquinas trifásicas, devido às
vantagens dos sistemas trifásicos para a geração, a transmissão e a utilização de grandes
potências. Uma máquina trifásica, 2 pólos, com uma bobina por fase, é mostrada na Figura 05.
As fases são designadas pelas letras a, b e c.

Figura 05 ʹ Gerador trifásico elementar de2 pólos (fonte: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald)

De maneira equivalente ao gerador síncrono, no motor síncrono a corrente alternada é
fornecida ao enrolamento de armadura (usualmente o estator) e a excitação de c.c é suprida
ao enrolamento de campo (usualmente o rotor). Em um motor síncrono, a velocidade de
regime permanente é determinada pelo número de pólos e a frequência da corrente de
armadura, do mesmo modo que para um gerador síncrono.
A potência de c.c. necessária para a excitação é suprida através de anéis coletores por
um gerador de c.c. chamado excitatriz, que frequentemente está montado no mesmo eixo da
máquina síncrona. A corrente e o fator de potência são determinados pela excitação de campo
do gerador e pela impedância de gerador e da carga.
A tensão e a frequência nos terminais da armadura de uma máquina síncrona são
fixados pelo sistema, já que esta é ligada a um sistema de potência contendo muitas outras
máquinas síncronas. Desta forma, com uma tensão eficaz e frequência constantes tem-se um
barramento infinito. A frequência do sistema determina a velocidade do campo magnético
produzido pelo enrolamento da armadura.
Na Figura 06 pode-se observar que a bobina estende-se por 180 graus elétricos, ou um
passo polar completo, e é então uma bobina de passo pleno. Supõe-se que o enrolamento de
campo no rotor produz uma onda espacial senoidal de induçãomagnética B na superfície do
estator. O rotor está girando à velocidade angular constante de ʘ radianos elétricos por
segundo.

Figura 06 ʹ Máquina de c.a. de2 pólos, elementar com bobina de estator de N espiras (fonte:
Adaptada: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald)

Quando os pólos do rotor estão alinhados com o eixo magnético da bobina do estator,
o fluxo concatenado com a bobina de estator é ܰ˗, onde ˗ é o fluxo de entreferro por pólo.
Para a onda de indução magnética senoidal considerada,
B = B
pico
cos ɽ (2)
onde B
pico
é o valor de pico no centro do pólo do rotor, e ɽ é medido em radianos elétricos a
partir do eixo do rotor. Para uma máquina de P pólos, onde ݈ é o comprimento axial do estator
e ݎ é o raio no entreferro, o fluxo no entreferro é dado por:
˗ ൌ
ʹ
ܲ
ʹܤ
௣௜௖௢
݈ݎ ሺ͵ሻ
Com o rotor girando à velocidade angular constante ʘ, o fluxo concatenadocom a bobina do
estator é
ߣ ൌ ܰ˗…os ߱ݐ ሺͶሻ
Pela lei de Faraday, a tensão induzida na bobina do estator é
݁ ൌ െ
݀ߣ
݀ݐ
ൌ ߱ܰ˗ ݏ݁݊ ߱ݐ െ ܰ
݀˗
݀ݐ
…os ߱ݐ ሺͷሻ
O primeiro termo no primeiro membro é uma tensão de velocidade, devida ao movimento
relativo do campo e da bobina. O segundo termo é uma tensão de transformador. No
funcionamento normal em regime permanente da maioria das máquinas rotativas é
simplesmente a tensão de velocidade,
݁ ൌ ߱ܰ˗ ݏ݁݊ ߱ݐ ሺ͸ሻ
O valor máximo da tensão induzida é
ܧ
௠௔௫
ൌ ߱ܰ˗ ൌ ʹߨ݂ܰ˗ ሺ͹ሻ
e seu valor eficaz é
ܧ
௘௙

ʹߨ
ξʹ
݂ܰ˗ ൌ ͶǡͶͶ݂ܰ˗ ሺͺሻ
Para enrolamentos distribuídos, a Eq. 08 torna-se

ܧ
௘௙
ൌ ͶǡͶͶ݂݇

ܰ
௙௦
˗ ݒ݋݈ݐݏ ݌݋ݎ ݂ܽݏ݁ ሺͻሻ
onde ܰ
௙௦
é o número de espiras em série por fase.
Quando um gerador síncrono supre potência elétrica a uma carga, a corrente na
armadura cria uma onda de fluxo no entreferro, que gira à velocidade síncrona. Este fluxo
reage com o fluxo criado pela corrente de campo e resulta daí um conjugado eletromagnético,
devido à tendência dos dois campos magnéticos se alinharem. Em um gerador, este conjugado
se opõe à rotação, e a máquina motriz deve aplicar conjugado mecânico a fim de sustentar a
rotação. O conjugado eletromagnético é o mecanismo através do qual maior potência elétrica
de saída exige maior potência mecânica de entrada. Logo, o conjugado unidirecional estável é
obtido quando os campos girantes do estator e rotor estão funcionando com amesma
velocidade e, portanto o rotor precisa girar exatamente na velocidade síncrona. Um motor não
apresenta conjugado de partida, e precisam ser providos meios para trazê-lo à velocidade
síncrona.
Em um motor, o conjugado eletromagnético está na direção de rotação e equilibra o
conjugado oponente exigido para mover a carga mecânica. Nos geradores e motores são
produzidos um conjugado eletromagnético e uma tensão rotacional. Estes são os fenômenos
essenciais para a conversão eletromecânica de energia.
O comportamento do motor síncrono, nas condições de funcionamento, pode ser
visualizado em termos da equação de conjugado:
ܶ ൌ െ
ߨ
ʹ

ܲ

Ͷ
ቇ ˗

ܨ

ݏ݁݊ ߜ
ோி

onde
˗

= fluxo resultante por pólo no entreferro
ܨ

= FMM do enrolamento CC de campo
ߜ
ோி
= ângulo de fase elétrica entre os eixos magnéticos de ˗

e ܨ


Onde o sinal negativo pode ser removido da equação, lembrando que o conjugado
eletromagnético age no sentido de alinhar os campos que interagem. Nas condições normais,
a queda de tensão na resistência da armadura é desprezível, e o fluxo de dispersão da
armadura é pequeno, comparado com o fluxo de entreferro resultante ˗

.
Consequentemente, a tensão gerada pela onda de fluxo de entreferro deve aproximadamente
equilibrar a tensão terminal ܸ

. Desta forma, o fluxo de entreferro pode ser dado por:
˗


ܸ

ͶǡͶͶ݂݇

ܰ


1.2 - Indutâncias das máquinas síncronas
Nesta seção será representado as características de volts-ampères dos terminais em
regime permanente através da dedução de um circuito equivalente.


Figura 07 ʹ Diagrama esquemático de uma máquina síncrona trifásica de rotor cilíndrico e dois
pólos (fonte: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald) pág.242

Para a Figura 07, a qual apresenta um esboço de um corte de uma máquina síncrona
trifásica de rotor cilíndrico, os fluxos concatenados das fases de armadura a, b, c e do
enrolamento de campo f são expressos em termos de indutâncias e correntes da seguinte
forma,
ߣ

ൌ ࣦ
௔௔
݅

൅ ࣦ
௔௕
݅

൅ ࣦ
௔௖
݅

൅ ࣦ
௔௙
݅


ߣ

ൌ ࣦ
௕௔
݅

൅ ࣦ
௕௕
݅

൅ ࣦ
௕௖
݅

൅ ࣦ
௕௙
݅


ߣ

ൌ ࣦ
௖௔
݅

൅ ࣦ
௖௕
݅

൅ ࣦ
௖௖
݅

൅ ࣦ
௖௙
݅


ߣ

ൌ ࣦ
௙௔
݅

൅ ࣦ
௙௕
݅

൅ ࣦ
௙௖
݅

൅ ࣦ
௙௙
݅



Desta forma, as tensões induzidas podem ser obtidas pela lei de Faraday.
Com um estator cilíndrico, a indutância própria do enrolamento de campo (rotor) não
depende da posição do rotor ߠ

. Nesse caso, os efeitos das harmônicas devido às aberturas
das ranhuras do estator são desprezados.
Assim,

௙௙
ൌ ܮ
௙௙
ൌ ܮ
௙௙଴
൅ ܮ
௙ଵ

onde ܮ
௙௙
indica uma indutância que não depende de ߠ

. E, ܮ
௙௙଴
é a componente fundamental
e ܮ
௙ଵ
é responsável pelo fluxo de dispersão.
Já as indutâncias mútuas entre estator e rotor variam periodicamente com ߠ

, que é o
ângulo elétrico entre o eixo magnético do enrolamento de campo e o da fase a. Supondo que a
FMM espacial e a distribuição de fluxo no entreferro sejam senoidais, a indutância mútua
entre o enrolamento de capo f e a fase a varia proporcionalmente a ߠ
௠௘
. Assim,

௔௙
ൌ ࣦ
௙௔
ൌ ܮ
௔௙
…os ߠ
௠௘


௕௙
ൌ ࣦ
௙௕
ൌ ܮ
௕௙
…osሺߠ
௠௘
െͳʹͲǏሻ

௖௙
ൌ ࣦ
௙௖
ൌ ܮ
௖௙
…osሺߠ
௠௘
൅ ͳʹͲǏሻ
As indutâncias próprias do estator serão constantes. Assim,

௔௔
ൌ ࣦ
௕௕
ൌ ࣦ
௖௖
ൌ ܮ
௔௔
ൌ ܮ
௔௔଴
൅ ܮ
௔ଵ

onde ܮ
௔௔଴
é a componente de indutância própria devida ao fluxo fundamental espacial de
entreferro e ܮ
௔ଵ
é a componente adicional devida ao fluxo dispersivo de armadura. As
indutâncias mútuas entre as fases de armadura são iguais e dadas por


௔௕
ൌ ࣦ
௕௔
ൌ ࣦ
௔௖
ൌ ࣦ
௖௔
ൌ ࣦ
௕௖
ൌ ࣦ
௖௕
ൌ െ
ͳ
ʹ
ܮ
௔௔଴

Substituindo as equações das indutâncias próprias do estator e mútuas entre as fases
de armadura na expressão do fluxo concatenado da fase a, obtém-se
ߣ

ൌ ሺܮ
௔௔଴
൅ ܮ
௔ଵ
ሻ݅


ͳ
ʹ
ܮ
௔௔଴
ሺ݅

൅݅

ሻ ൅ ࣦ
௔௙
݅


Sabendo que as correntes de armadura trifásica em equilíbrio são dadas por,
݅

൅ ݅

൅ ݅

ൌ Ͳ
݅

൅ ݅

ൌ െ݅


Então,
ߣ

ൌ ሺܮ
௔௔଴
൅ ܮ
௔ଵ
ሻ݅


ͳ
ʹ
ܮ
௔௔଴
݅

൅ ࣦ
௔௙
݅


Desta forma, define-se a indutância síncrona ܮ

, como
ܮ


͵
ʹ
ܮ
௔௔଴
൅ ܮ
௔ଵ

e, assim,
ߣ

ൌ ܮ

݅

൅ ࣦ
௔௙
݅


Pode-se observar que a indutância síncrona ܮ

é a indutância efetiva vista pela fase a
quando a máquina está funcionando em regime permanente e condições trifásicas
equilibradas.
A indutância síncrona é uma indutância aparente no sentido de que ela leva em
consideração o fluxo concatenado da fase a em termos da corrente da fase a, mesmo que uma
parte desse fluxo concatenado seja devido às correntes das fases a e b. Assim, ela não se limita
apenas à indutância própria da fase a.
1.3 - Circuitos equivalentes
Um circuito equivalente muito útil e simples, que representa o comportamento em
regime permanente de uma máquina síncrona de rotor cilíndrico em condições polifásicas
equilibradas, pode ser obtido se o efeito do fluxo de reação da armadura for representado por
uma reatância indutiva.
A tensão ݁
௔௙
induzida pelo fluxo do enrolamento de campo pode ser obtida da
derivada, em relação ao tempo da seguinte forma,
݁
௔௙

݀
݀ݐ
൫ࣦ
௔௙
݅

൯ ൌ െ߱

ܮ
௔௙
ܫ

ݏ݁݊ ሺ߱

ݐ ൅ ߜ
௘଴

Assim, a tensão de terminal pode ser expressa como
ݒ

ൌ ܴ

݅


݀ߣ

݀ݐ
ൌ ܴ

݅

൅ ܮ

݀݅

݀ݐ
൅ ݁
௔௙

A tensão gerada ݁
௔௙
eficaz é dada por
ܧ
௔௙

߱

ܮ
௔௙
ܫ

ξʹ

Podemos escrever a amplitude complexa eficaz da tensão gerada como
3
௔௙
ൌ ݆ ൬
߱

ܮ
௔௙
ܫ

ξʹ
൰ ݁
௝ఋ
೐బ

Do mesmo modo, a equação de terminal para um motor pode ser escrita em termos de
amplitudes complexas eficazes como
̰ܸ

ൌ ܴ

Î

൅ ݆ܺ

Î

൅ 3
௔௙

onde ܺ

ൌ ߱

ܮ

é conhecida como reatância síncrona.
E, para um gerador, a equação pode ser escrita como
̰ܸ

ൌ െܴ

Î

െ ݆ܺ

Î

൅ 3
௔௙

Um circuito equivalente em notação complexa está mostrado na Figura 08.

Figura 08 ʹ Circuitos equivalentes de máquinas síncronas: (a) sentido de referência do
tipo motor e (b) sentido de referência do tipo gerador. (fonte: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald)

A Figura 09 apresenta uma forma alternativa do circuito equivalente em que a
reatância síncrona é mostrada em termos de suas componentes. Assim,
ܺ

ൌ ߱

ܮ

ൌ ߱

ܮ
௔ଵ
൅ ߱




ܮ
௔௔଴
ቁ ൌ ܺ
௔ଵ
൅ ܺ



Figura 09 ʹ Circuito equivalente de uma máquina síncrona mostrando as componentes
de entreferro e de dispersão para a reatância síncrona e a tensão de entreferro (fonte: livro Máquinas
elétricas, Fitzgerald)

A tensão de entreferro 3

difere da tensão terminal pelas quedas de tensão na
resistência de armadura e na reatância de dispersão, como mostrado à direita de3

na Figura
09, onde ܴ

é a resistência da armadura, ܺ
௔ଵ
ൌ ߱ ܮ
௔ଵ
é a reatância de dispersão da armadura,
e ܺ

ൌ ߱ ቀ


ܮ
௔௔଴
ቁ é a reatância correspondente à componente fundamental espacial do
fluxo de entreferro produzido pelas três correntes de armadura.
A Figura 10 apresenta uma representação em diagramas fasoriais para os quatro casos
possíveis de funcionamento de uma máquina síncrona.



Figura 10 ʹRepresentação por modelo (fonte:Olle Elgord. Sistemas de energia elétrica )


1.4 ʹ Características a vazio e de curto-circuito
As características fundamentais de uma máquina síncrona podem ser determinadas
por um par de ensaios, um feito com os terminais de armadura a vazio (em circuito aberto) e o
segundo, com os terminais de armadura em curto-circuito.
1.4.1 ʹ Características de Saturação a Vazio e Perdas Rotacionais sem Carga
A característica de circuito aberto ou a vazio de uma máquina síncrona, quando ela
está girando na velocidade síncrona, é a curva da tensão de terminal da armadura a vazio em
função da excitação de campo, como mostrado na Figura 11.
Quando a corrente de campo é aumentada desde zero, a característica de circuito
aberto é linear no inicio. Essa porção da curva ( e sua extensão linear para valores mis elevados
de corrente de campo) é conhecida como linha de entreferro. Ela representa a característica de
tensão a vazio correspondente à operação não saturada.

Figura 11 ʹ Características a vazio de uma máquina síncrona (fonte: livro Máquinas elétricas, Fitzgerald)
Com correntes de campo crescentes, a curva característica inclina-se para baixo à
medida que a saturação do material magnético produz aumento de relutância nos caminhos
de fluxo da máquina. Isso reduza a efetividade da corrente de campo para produzir fluxo
magnético. Como vemos na Figura 11 quando a correte de campo é aumentada desde zero, a
característica de circuito aberto é linear no início. Essa porção da curva é conhecida como linha
de entreferro.

1.4.2 - Características e Perdas de Curto-Circuito

A característica de curto-circuito é obtida quando aplica-se um curto-ciruito através de
sensores adequados de corrente aos terminais de armadura da máquina síncrona. Com a
máquina acionada na velocidade síncrona, a corrente de campo pode ser aumentada e um
gráfico da corrente de armadura pode ser obtido. Essa relação é conhecida como característica
de curto-circuito. Uma característica de circuito a vazio CAV e uma característica de curto-
circuito ccc são mostrados na figura 12.


Figura 12 ʹ Características a vazio e de curto-circuito em uma máquina síncrona

Figura 13 ʹ Características a vazio e de curto-circuito mostrando a curva de magnetização em
condições saturadas de operação




CONSIDERAÇÕES FINAIS
De maneira geral, vimos que as tensões das máquinas síncronas são geradas pelo
movimento relativo de um campo magnético em relação a um enrolamento, e os conjugados
são produzidos pela interação dos campos magnéticos dos enrolamentos de estator e do rotor.
Uma máquina síncrona funcionará como um motor síncrono quando o estator
(armadura) for ligada a uma fonte monofásica ou polifásica CA. Desta forma, o rotor irá girar
na velocidade síncrona, em sincronismo com o campo girante desenvolvido pelo enrolamento
do estator e determinado número de pólos e frequência da fonte. O rotor, que estará girando
na velocidade síncrona, pode ser um rotor de pólos salientes ou não-salientes, funciona como
um alternador ou gerador síncrono quando através da máquina primária, quer monofásico ou
polifásico, o que vai depender das conexões da armadura.


Fitzgerald A frequência da onda de tensão é.a2 ligadas em série por suas conexões nas extremidades. Então uma máquina síncrona de 2 pólos precisa girar a 3. Figura 02 Forma de onda correspondente da tensão gerada. -a1 e a2 . . magnéticas e mecânicas associadas a qualquer outro de par de pólos são repetições daquelas para o par em consideração.600 rpm para produzir uma tensão a 60 Hz. consiste de 2 bobinas a1 . Quando uma máquina tem mais de 2 pólos deve-se concentrar a atenção sobre um único par de pólos. Fitzgerald) Na Figura 03 o gerador apresenta 4 pólos e é monofásico. devem-se expressar ângulos em graus elétricos ou radianos elétricos em lugar de unidades mecânicas. portanto. . Desta forma. (fonte: livro Máquinas elétricas. O enrolamento de armadura. Figura 03 Gerador síncrono elementar de 4 pólos (fonte: livro Máquinas elétricas.para a designação de máquina síncrona. A tensão gerada passa então por dois ciclos completos por revolução de rotor. A frequência f é duas vezes a velocidade em rotações por segundo. neste caso. e reconhecer que as condições elétricas.

devido às vantagens dos sistemas trifásicos para a geração. os geradores síncronos podem ser construídos com rotores com pólos salientes ou rotores cilíndricos. ou cilíndrico ou liso. . O enrolamento de campo é um enrolamento distribuído. são comumente máquinas de 2 ou 4 pólos com rotor cilíndrico. ou turbogeradores. colocado em ranhuras e arranjado de modo a produzir um campo aproximadamente senoidal de 2 pólos. Uma máquina trifásica. Desta forma. Figura 04 Enrolamento de campo elementar de um rotor cilíndrico de dois pólos(fonte: livro Máquinas elétricas. As turbinas a vapor e as turbinas a gás. com uma bobina por fase. Fitzgerald) Na maioria das vezes os geradores síncronos são máquinas trifásicas. por outro lado. com enrolamentos concentrados. A estrutura a ser construída vai depender da Equação 01. é mostrada na Figura 05. b e c. pois uma construção de pólos salientes é característica de geradores hidrelétricos porque as turbinas hidráulicas funcionam com velocidades relativamente baixas. 2 pólos.    onde n é a velocidade mecânica (velocidade síncrona) em rpm e n/60 é a velocidade em rotação por segundo. e um número relativamente grande de pólos é necessário para produzir a frequência desejada. e os alternadores acionados por turbinas. Os rotores vistos nas Figuras 01 e 03 têm pólos salientes. a transmissão e a utilização de grandes potências. funcionam melhor com velocidades relativamente altas. A Figura 04 apresenta esquematicamente um rotor de pólos não-salientes. As fases são designadas pelas letras a.

ou um passo polar completo. chamado excitatriz. já que esta é ligada a um sistema de potência contendo muitas outras máquinas síncronas. A frequência do sistema determina a velocidade do campo magnético produzido pelo enrolamento da armadura. e é então uma bobina de passo pleno. Desta forma. que frequentemente está montado no mesmo eixo da máquina síncrona. Na Figura 06 pode-se observar que a bobina estende-se por 180 graus elétricos. necessária para a excitação é suprida através de anéis coletores por um gerador de c.c. radianos elétricos por . Em um motor síncrono.c é suprida ao enrolamento de campo (usualmente o rotor). Supõe-se que o enrolamento de campo no rotor produz uma onda espacial senoidal de indução magnética B na superfície do estator. a velocidade de regime permanente é determinada pelo número de pólos e a frequência da corrente de armadura.c. do mesmo modo que para um gerador síncrono.Figura 05 Gerador trifásico elementar de2 pólos (fonte: livro Máquinas elétricas. no motor síncrono a corrente alternada é fornecida ao enrolamento de armadura (usualmente o estator) e a excitação de c. A corrente e o fator de potência são determinados pela excitação de campo do gerador e pela impedância de gerador e da carga. com uma tensão eficaz e frequência constantes tem-se um barramento infinito. Fitzgerald) De maneira equivalente ao gerador síncrono. A tensão e a frequência nos terminais da armadura de uma máquina síncrona são fixados pelo sistema. A potência de c. O rotor está girando à velocidade angular constante de segundo.

a. No .Figura 06 Máquina de c. o fluxo no entreferro é dado por:   Com o rotor girando à velocidade angular constante . elementar com bobina de estator de N espiras (fonte: Adaptada: livro Máquinas elétricas. devida ao movimento relativo do campo e da bobina. onde é o comprimento axial do estator e é o raio no entreferro. o fluxo concatenado com a bobina de estator é . e é medido em radianos elétricos a partir do eixo do rotor. Fitzgerald) Quando os pólos do rotor estão alinhados com o eixo magnético da bobina do estator. de2 pólos. a tensão induzida na bobina do estator é       …‘•  O primeiro termo no primeiro membro é uma tensão de velocidade. o fluxo concatenado com a bobina do estator é …‘•  Pela lei de Faraday. onde é o fluxo de entreferro por pólo. Para a onda de indução magnética senoidal considerada. B = Bpico cos (2) onde Bpico é o valor de pico no centro do pólo do rotor. O segundo termo é uma tensão de transformador. Para uma máquina de P pólos.

O conjugado eletromagnético é o mecanismo através do qual maior potência elétrica de saída exige maior potência mecânica de entrada. Em um motor. Quando um gerador síncrono supre potência elétrica a uma carga. Logo.funcionamento normal em regime permanente da maioria das máquinas rotativas é simplesmente a tensão de velocidade. devido à tendência dos dois campos magnéticos se alinharem. e precisam ser providos meios para trazê à velocidade -lo síncrona.       O valor máximo da tensão induzida é e seu valor eficaz é    Para enrolamentos distribuídos. nas condições de funcionamento. a corrente na armadura cria uma onda de fluxo no entreferro. 08 torna-se     onde é o número de espiras em série por fase. a Eq. que gira à velocidade síncrona. Um motor não apresenta conjugado de partida. pode ser visualizado em termos da equação de conjugado:      onde = fluxo resultante por pólo no entreferro = FMM do enrolamento CC de campo . o conjugado eletromagnético está na direção de rotação e equilibra o conjugado oponente exigido para mover a carga mecânica. Nos geradores e motores são produzidos um conjugado eletromagnético e uma tensão rotacional. Este fluxo reage com o fluxo criado pela corrente de campo e resulta daí um conjugado eletromagnético. este conjugado se opõe à rotação. Estes são os fenômenos essenciais para a conversão eletromecânica de energia. portanto o rotor precisa girar exatamente na velocidade síncrona. o conjugado unidirecional estável é obtido quando os campos girantes do estator e rotor estão funcionando com a mesma velocidade e. e a máquina motriz deve aplicar conjugado mecânico a fim de sustentar a rotação. Em um gerador. O comportamento do motor síncrono.

a queda de tensão na resistência da armadura é desprezível. c e do enrolamento de campo f são expressos em termos de indutâncias e correntes da seguinte forma.= ângulo de fase elétrica entre os eixos magnéticos de e Onde o sinal negativo pode ser removido da equação. Fitzgerald) pág. e o fluxo de dispersão da armadura é pequeno. comparado com o fluxo de entreferro resultante . lembrando que o conjugado eletromagnético age no sentido de alinhar os campos que interagem. a tensão gerada pela onda de fluxo de entreferro deve aproximadamente equilibrar a tensão terminal . o fluxo de entreferro pode ser dado por:   1. os fluxos concatenados das fases de armadura a.Indutâncias das máquinas síncronas Nesta seção será representado as características de volts-ampères dos terminais em regime permanente através da dedução de um circuito equivalente.2 . Consequentemente. Desta forma. b.242 Para a Figura 07. Figura 07 Diagrama esquemático de uma máquina síncrona trifásica de rotor cilíndrico e dois pólos (fonte: livro Máquinas elétricas.     . a qual apresenta um esboço de um corte de uma máquina síncrona trifásica de rotor cilíndrico. Nas condições normais.

Assim.            Desta forma.    indica uma indutância que não depende de onde e é responsável pelo fluxo de dispersão. Nesse caso. Assim. Assim.     onde é a componente de indutância própria devida ao fluxo fundamental espacial de entreferro e é a componente adicional devida ao fluxo dispersivo de armadura. E. . que é o ângulo elétrico entre o eixo magnético do enrolamento de campo e o da fase a. os efeitos das harmônicas devido às aberturas das ranhuras do estator são desprezados. Com um estator cilíndrico. obtém-se     Sabendo que as correntes de armadura trifásica em equilíbrio são dadas por. . a indutância mútua entre o enrolamento de capo f e a fase a varia proporcionalmente a . As indutâncias mútuas entre as fases de armadura são iguais e dadas por         Substituindo as equações das indutâncias próprias do estator e mútuas entre as fases de armadura na expressão do fluxo concatenado da fasea. é a componente fundamental Já as indutâncias mútuas entre estator e rotor variam periodicamente com . as tensões induzidas podem ser obtidas pela lei de Faraday. a indutância própria do enrolamento de campo (rotor) não depende da posição do rotor . Supondo que a FMM espacial e a distribuição de fluxo no entreferro sejam senoidais.   …‘• …‘• …‘•      As indutâncias próprias do estator serão constantes.

define-se a indutância síncrona   . A tensão induzida pelo fluxo do enrolamento de campo pode ser obtida da derivada.    Então. que representa o comportamento em regime permanente de uma máquina síncrona de rotor cilíndrico em condições polifásicas equilibradas. como    e. em relação ao tempo da seguinte forma. A indutância síncrona é uma indutância aparente no sentido de que ela le em va consideração o fluxo concatenado da fase a em termos da corrente da fase a. assim. Assim. 1.Circuitos equivalentes Um circuito equivalente muito útil e simples.  Pode-se observar que a indutância síncrona é a indutância efetiva vista pela fase a quando a máquina está funcionando em regime permanente e condições trifásicas equilibradas.3 .     Desta forma.      Assim. pode ser obtido se o efeito do fluxo de reação da armadura for representado por uma reatância indutiva. mesmo que uma parte desse fluxo concatenado seja devido às correntes das fases a e b. a tensão de terminal pode ser expressa como       A tensão gerada eficaz é dada por  Podemos escrever a amplitude complexa eficaz da tensão gerada como . ela não se limita apenas à indutância própria da fase a.

Fitzgerald) . a equação pode ser escrita como B  B 3 Um circuito equivalente em notação complexa está mostrado na Figura 08. (fonte: livro Máquinas elétricas. para um gerador. Assim. Figura 08 Circuitos equivalentes de máquinas síncronas: (a) sentido de referência do tipo motor e (b) sentido de referência do tipo gerador. Fitzgerald) A Figura 09 apresenta uma forma alternativa do circuito equivalente em q a ue reatância síncrona é mostrada em termos de suas componentes. a equação de terminal para um motor pode ser escrita em termos de amplitudes complexas eficazes como  B  B 3 onde  é conhecida como reatância síncrona.      Figura 09 Circuito equivalente de uma máquina síncrona mostrando as componentes de entreferro e de dispersão para a reatância síncrona e a tensão de entreferro (fonte: livro Máquinas elétricas.3  Do mesmo modo. E.

A tensão de entreferro 3 difere da tensão terminal pelas quedas de tensão na resistência de armadura e na reatância de dispersão. A Figura 10 apresenta uma representação em diagramas fasoriais para os quatro casos possíveis de funcionamento de uma máquina síncrona. como mostrado à direita de 3 na Figura 09. onde é a resistência da armadura. Sistemas de energia elétrica ) . e   é a reatância correspondente à componente fundamental espacial do fluxo de entreferro produzido pelas três correntes de armadura. Figura 10 Representação por modelo (fonte:Olle Elgord.  é a reatância de dispersão da armadura.

Características e Perdas de Curto-Circuito A característica de curto-circuito é obtida quando aplica-se um curto-ciruito através de sensores adequados de corrente aos terminais de armadu da máquina síncrona.2 . a característica de circuito aberto é linear no inicio. Com a ra . a característica de circuito aberto é linear no início. Quando a corrente de campo é aumentada desde zero.4 Características a vazio e de curto-circuito As características fundamentais de uma máquina síncrona podem ser determinadas por um par de ensaios. Essa porção da curva é conhecida como linha de entreferro. com os terminais de armadura em curto-circuito.4. Figura 11 Características a vazio de uma máquina síncrona (fonte: livro Máquinas elétricas. 1.1 Características de Saturação a Vazio e Perdas Rotacionais sem Carga A característica de circuito aberto ou a vazio de uma máquina síncrona. quando ela está girando na velocidade síncrona. é a curva da tensão de terminal da armadura a vazio em função da excitação de campo. um feito com os terminais de armadura a vazio (em circuito aberto) e o segundo. Isso reduza a efetividade da corrente de campo para produzir fluxo magnético. a curva característica inclina para baixo à -se medida que a saturação do material magnético produz aumento de relutância nos caminhos de fluxo da máquina.1. como mostrado na Figura 11.4. Ela representa a característica de tensão a vazio correspondente à operação não saturada. Como vemos na Figura 11 quando a correte de campo é aumentada desde zero. 1. Fitzgerald) Com correntes de campo crescentes. Essa porção da curva ( e sua extensão linear para valores mis elevados de corrente de campo) é conhecida como linha de entreferro.

Uma característica de circuito a vazio CAV e uma característica de curtocircuito ccc são mostrados na figura 12. Essa relação é conhecida como característica de curto-circuito. Figura 12 Características a vazio e de curto-circuito em uma máquina síncrona Figura 13 Características a vazio e de curto-circuito mostrando a curva de magnetização em condições saturadas de operação .máquina acionada na velocidade síncrona. a corrente de campo pode ser aumentada e um gráfico da corrente de armadura pode ser obtido.

Uma máquina síncrona funcionará como um motor síncrono quando o estator (armadura) for ligada a uma fonte monofásica ou polifásica CA. funciona como um alternador ou gerador síncrono quando através da máquina primária. que estará girando na velocidade síncrona. vimos que as tensões das máquinas síncronas são geradas pelo movimento relativo de um campo magnético em relação a um enrolamento.CONSIDERAÇÕES FINAIS De maneira geral. e os conjugados são produzidos pela interação dos campos magnéticos dos enrolamentos de estator e do rotor. O rotor. Desta forma. quer monofásico ou polifásico. . o que vai depender das conexões da armadura. o rotor irá girar na velocidade síncrona. pode ser um rotor de pólos salientes ou não-salientes. em sincronismo com o campo girante desenvolvido pelo enrolamento do estator e determinado número de pólos e frequência da fonte.