Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos, no 38, p.

205-215, 2009

205

A EDuCAÇÃo LiNGuÍSTiCA E A FormAÇÃo DE ProFESSorES
Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos
RESUMO Nossa proposta é de discutir novas propostas capazes de ampliar o conceito de transposição didática, por meio de contratos firmados entre professores e alunos, baseada nos princípios da Educação Linguística, que põe em relevo a necessidade de se respeitar o saber de cada um, garantindo-lhe o curso na intercomunicação social e o direito de ampliação, enriquecimento e variação desse patrimônio. PLAVRAS-CHAVE: educação linguística; formação de professores; ensino-aprendizagem de língua materna.

A Educação Linguística e a formação de Professores

É 

fundamental para a melhoria da qualidade da educação que se valorizem e qualifiquem os professores. Necessita-se, portanto, melhoriana formação e nas condições de trabalho dos docentes que deverão ter os conhecimentos específicos e as competências adequadas à sua atividade pedagógica. Qualidades pessoais, compromissos educacionais, possibilidades profissionais e motivação também são requeridas. Neste trabalho, objetivamos, a partir de resultados das avaliações da educação básica, discutir novas propostas capazes de ampliar o conceito de transposição didática, por meio de contratos firmados entre professores e alunos. Assentaremos nossas reflexões em relação à formação dos professores de língua materna nos princípios da educação linguística que põe em relevo a necessidade de que deve ser respeitado o saber linguístico próprio de cada um,

63 x 30. aqueles que haviam finalizado a educação básica em anos anteriores. Os dados são assustadores.94 (prova objetiva) e 51. enquanto o grupo que declarou ter estudado somente em escola particular teve média igual a 50. no entanto. uma nação determinante para a sobrevivência do Estado. com a média mais baixa. separados por estados e regiões. Buscamos.gov. Como ponto de partida para esta breve análise. na parte objetiva da prova. indicam 52. A educação linguística e a formação de professores garantindo-lhe o curso na intercomunicação social e o direito de ampliação.23 (redação). preocupantes. estando abaixo dos 40% de aproveitamento! 1 Dados obtidos em www.206 Vasconcelos. a média 36. ou seja. numa escala de 0 a 100. Na parte objetiva da prova.63. Na outra ponta da escala.Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira -.90. Dados do ENEM 20061 – Exame Nacional do Ensino Médio -.mostrados na formação inicial dos professores .17 e 33. temos o Amazonas com 30. acesso em 28/05/2008.63%.enem. Tais resultados. os alunos que estudaram somente em escola pública obtiveram médias 34. divulgados pelo INEP . . São Paulo apresentou média de 30.77 em redação. no tocante à aprendizagem de Língua Portuguesa.05) o intervalo é pouco significativo e ambos os resultados pífios.br.83 respectivamente. O dito uma língua. Partamos dos resultados das avaliações da educação básica da escola brasileira.73 (maior média do país!). não são tão piores do que o apresentado pelo Sudeste – 38. inserido no espaço lusófono. manifesta-se como ancoragem de nossas crenças que buscam por intermédio dos novos contratos didáticos . vejamos algumas informações recentemente publicadas. com médias 32. incrementar o compromisso dos educadores com os bens lusófonos de produção de língua oral e escrita. Se separados por natureza de escola.05.08 como a média nacional de desempenho em redação e. Participaram da prova alunos que concluíram o ensino médio em 2006 e egressos. ainda. enriquecimento e variação desse patrimônio.não se dissociar dos pactos culturais que constroem a identidade lingüística do brasileiro. o problema se agrava no Norte e Nordeste.inep. O Estado com melhor índice é o Rio Grande do Sul que apresentou a baixa média de 39.57 na parte objetiva e 59. Do melhor para o pior resultado (39. Maria Lúcia Marcondes Carvalho.

92. a situação por região do país se repete.Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica -. no tocante à aprendizagem de Língua Portuguesa. acesso em 28/05/2008. em documento publicado pelo INEP em janeiro de 2004.inep. no 38.34% apresentam desempenho “Adequado”. que avalia habilidades e competências por meio de testes. . O melhor estado foi novamente o Rio Grande do Sul (57. Na tabela de frequência e percentual de alunos nos estágios de construção de competências em Língua Portuguesa – 3ª Série do Ensino Médio – Brasil – ano de 2001. cremos que os resultados acima já bastam para o começo da presente análise. apresenta os resultados a seguir.12% dos alunos avaliados tiveram desempenho considerado “crítico” nessa avaliação! Muitos outros instrumentos de avaliação.gov.93.Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos. p. construídos por especialistas das diferentes áreas. 50. poderiam ser aqui citados para corroborar nossa afirmação inicial de que os resultados das avaliações da educação básica no Brasil. O Norte apresenta média de 49.29.20% aparecem como “Crítico”. com média nacional de 52. gerando uma escola desequipada para atender às necessidades pedagógicas atuais? O excessivo número de alunos por sala de aula? A má remuneração docente? A desvalorização social da instituição escolar? A má formação dos professores. Ou seja.br/download/saeb/2004/qualidade_educacao.54% estão no nível “Intermediário” e somente 05. A média de São Paulo foi 51.92% dos avaliados estão classificados como “Muito Crítico”. oferecida por precários cursos de Licenciatura? A pouca capacitação continuada dos professores de Língua Portuguesa hoje em exercício? 2 Dados obtidos em www. Quais os fatores que mais influíram para se chegar à presente situação no processo de ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa. nacionais ou internacionais. 37.08. 4. A melhor média foi a do Sul: 55.09) e Roraima obteve a pior média: 45. 205-215. Já o Saeb2 . são preocupantes. 52. em nossas escolas? A democratização da escola brasileira de educação básica.05 e o Nordeste. que trouxe para a escola uma camada social antes não atendida? O pouco investimento em educação básica por parte das diferentes esferas governamentais. Entretanto. relativos à 3ª série do Ensino Médio. “Qualidade da Educação: uma nova leitura do desempenho dos estudantes da 3ª série do Ensino Médio”.37.pdf. e que utiliza técnicas estatísticas para diagnosticar o nível educacional de determinadas séries. 42. 2009 207 Na prova de redação.

B. [. mas mais grave ainda é o caso de professores que. mostram-se incapazes de “escolher”. exigindo do aluno um saber gramatical profundo.. Bastos (1995. A educação linguística e a formação de professores Provavelmente todas as hipóteses no parágrafo anterior levantadas e algumas outras aqui não aventadas. Entretanto. em decorrência de uma formação aligeirada e inconsistente. de exercê-lo por inteiro. períodos. muitas vezes tem-se professores. Neusa Maria O. que. Selinunte. que. por serem despreparados. Maria Lúcia Marcondes Carvalho. O papel do professor no ensino de língua portuguesa.] pela falta de preparo para o exercício profissional. parágrafos. por não terem consciência das variações existentes.. São Paulo: IPPUCSP. p. portanto. têm dificuldades. 1995. Para muitos desses professores a questão teórica acima descrita nem mesmo se apresenta. sem a possibilidade de organizar um texto mais adequado aos objetivos e situação de sua produção. os professores ou permanecem rigidamente ligados ao ensino de língua portuguesa. no presente texto. a situação hoje encontrada. com os usos lingüísticos de sua comunidade. continuando. ao exercerem em sua completude seu papel profissional. vamos nos deter nas questões relativas à formação/educação continuada dos professores de Língua Portuguesa. enfraquecendo sua imagem 3 BASTOS. ou desligam-se da descrição e normativização da língua atribuindo aos alunos uma liberdade total de escolha de construções de orações. Tal é. 41)3 afirma que o ensino de Língua Portuguesa encontra-se no meio de um caos teórico: A partir desse caos. suas questões são mais rasteiras e remetem ao básico “o que fazer” em sala de aula. textos. desconsiderando a falta de conhecimento/repertório dos mesmos. não possuem o instrumental mínimo necessário para o exercício adequado da profissão docente. . através da gramática tradicional. tanto na fala quanto na escrita.208 Vasconcelos. portanto.

Dando prosseguimento. retomemos. Hoje a carga horária mínima por lei determinada corresponde a 2800 horas.] cabe especialmente aos docentes de graduação em Letras. em decorrência. 48. de maneira geral. p. Grifo nosso.. Frente a esse crítico panorama relacionado ao ensino de língua materna. estaduais e municipais. instituída por questões políticas sem que houvesse pedagogicamente o preparo para a ação consequente e efetiva. promotores etc. a seguir o direcionamento de poucas verbas para a Educação. comentemos duas questões de fundamental importância: o excessivo número de alunos por sala e o baixo salário dos docentes que revelam mais uma vez o desinteresse por parte dos governantes no que tange à Educação: se há número excessivo de alunos significa que não há escolas suficientes para a população. Niterói: Intertexto. o que representaria dar aquele passo tão 4 5 VASCONCELOS. se são baixos os salários. no 38. por inadequado exercício de sua autoridade. se comparado. Ainda sobre os problemas. assim se manifesta: [. Autoridade docente no ensino superior: discussão e encaminhamentos. p.. Carvalho. 2006. ao valor de outros profissionais como juízes. trataremos de dois considerados por nós muito críticos: a má formação do professor e o pouco incentivo a sua formação continuada. significa que o valor dos professores foi sendo diminuído no decorrer dos tempos. preparar as bases de um tratamento escolar cientificamente embasado 5 – e operacionalizável – da gramática do português para falantes nativos. Maria Lucia M. 205-215. o que tem sido uma constante quando se mencionam os governantes brasileiros federais.Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos. . os problemas como a democratização da educação básica. em seu “Que gramática estudar na escola?” (2003). que foi crescendo. abordaremos os cursos de Licenciatura – formadores de professores para o ensino fundamental e médio que têm sido – sistematicamente – reduzidos em sua duração e. 2009 209 e. isto é. inclusive. se perdem em sua relação com seus alunos4. Maria Helena Moura Neves. que são os formadores de professores de língua materna. São Paulo: Xamã. Para tal. em sua qualidade. a um curso de três anos de duração.

Como produzir conhecimento “cientificamente embasado” se os professores formadores são sobrecarregados por outras tarefas que não a pesquisa? Por outro lado. Como matemática é ciência exata. trabalhando em condições precárias. se estamos falando em formar o professor de língua portuguesa. esses cursos passaram a ser deficitários e as Instituições de Ensino Superior (IES) deixaram de neles investir. teremos mensalidades para as Licenciaturas muito abaixo da média dos demais cursos. Grande quantidade de alunos em sala – de 70 a 120 – significa prejuízo anunciado da qualidade do processo de ensino-aprendizagem: alunos desinteressados e dispersivos. professores exauridos e desmotivados! O excesso de alunos tolhe o professor em muitas de suas ações didáticopedagógicas. nem para o exercício frequente e supervisionado de sua competência escrita. não poderíamos subtrair dessa formação um espaço para a comunicação verbal constante desse futuro profissional. Os investimentos em laboratórios. como a demanda pelas Licenciaturas vem caindo ano a ano. pesquisas e capacitação docente serão sempre maiores naqueles cursos com maior número de alunos e consequente maior visibilidade externa. Que gramática estudar na esscola? Norma e uso na Língua Portuguesa. p. Há um flagrante desnível com relação ao grau de exigência e produtividade que se empresta a essa ação. verbal e leitora dos alunos que à educação básica venham a acorrer. com classes superlotadas? Como dar vez e voz a 120 alunos? Tarefa absolutamente teratológica! Outra questão a ser aqui levantada refere-se aos estágios educacionais. 17. a solução será aumentar o número de alunos por turma. Afinal. Maria Helena de Moura. dependendo 6 NEVES. na educação formal. São Paulo: Contexto. Basta fazer um rápido levantamento das Licenciaturas oferecidas pelas IES privadas do país e. nos futuros professores. será esse o professor que. estará encarregado do desenvolvimento das capacidades escrita. no entanto. Estamos aqui. diante de um paradoxo.210 Vasconcelos. tais habilidades. A educação linguística e a formação de professores reclamado entre o conhecimento das teorias lingüísticas e a sua aplicação na prática6. inerentes às licenciaturas de Letras. Assim. . se o valor per capita é diminuído. Mas como desenvolver. 2003. Maria Lúcia Marcondes Carvalho. guardadas algumas poucas exceções.

. naturalmente. alentadoras. uma nova capacidade: a de atender. 58. Como bem ressalta Teodoro (2006). portanto. “os indivíduos mudam. O processo de desvalorização da profissão de professor coincide. no 38. os princípios da igualdade e da diversidade. . e quase nenhuma preocupação com o ato de extrair dessa atividade os ensinamentos que ela poderia acrescentar à formação profissional desse jovem estagiário. nem redimensionado pelo professor coordenador na IES -. dessa escola e de seu professor. p. O que se vê é uma forte preocupação com os registros. 2004.Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos. L.acrítico. São Paulo: Editora UNESP. “Os professores e os novos modos de regulação da escola pública: das mudanças do contexto de trabalho às mudanças da formação”. 2009 211 tanto da IES quanto do professor coordenador dessa atividade. 205-215.). Esse binômio colabora para a baixa qualidade do ensino ofertado pela escola brasileira (voltando. Um momento que deveria ser de especial riqueza – a oportunidade de vivenciar a prática profissional – muitas vezes é aligeirado. A ênfase dada ao estágio de observação . João. por si só demonstra o enfraquecimento da ação proposta. preenchimento de fichas e coleta de assinaturas e carimbos. fazer da mudança das escolas um processo de formação (e mudança) dos professores 7. “formar professores”. até mesmo banalizado. Portanto. crescem as exigências sobre o professor e diminui a preocupação com sua formação! 7 BARROSO.. ao início deste texto) e as perspectivas vislumbradas não são. Trajetórias e perspectivas de formação de educadores. não discutido. p. (Org.] primeiro. mas partindo do princípio de que. em nada. mudando o próprio contexto em que trabalham”. como diz Rui Canário (1994). para que depois eles possam aplicar o que aprenderam. Raquel L. simultaneamente. com o aligeiramento de sua formação. In: BARBOSA. Não se trata de [. na transformação das escolas. o aumento da diversidade do público atendido pela escola de educação básica – fruto da democratização/universalização desse nível de ensino – exigirá.

operadores argumentativos 9 – somente para citar alguns termos presentes nos PCN. Não se pode. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). inferência. Grifo nosso. como mencionado anteriormente. a despeito de sua formação precária. esperar que esse profissional consiga aplicar tudo que está nos Parâmetros. coerência. por vezes. para tanto. o formando em Letras por vezes não consegue relacionar os conhecimentos teóricos referentes à Linguística e à Língua Portuguesa ao que deve ser ensinado em sala de aula. A educação linguística e a formação de professores Leonor Werneck dos Santos. nem sempre se discute o que é sugerido nos Parâmetros e. acesso em 10/06/2008. também o dever de se respeitar o saber linguístico próprio de cada um e garantir-lhe o curso na intercomunicação social. e o resultado já se conhece: repetem-se velhas e desgastadas fórmulas.br/viisenefil/06.org. Nossas reflexões no que se refere ao ensino de Língua Portuguesa convergem. a escola brasileira precisaria contar com professores competentes e constantemente atualizados. é uma completa falta de sintonia entre o que propõem os teóricos do ensino de língua portuguesa e o que se oferece nos cursos de Licenciatura. Muitos professores sequer tiveram aula de linguística na faculdade e outros nunca ouviram falar em conceitos como coesão. portanto. afirma que. Maria Lúcia Marcondes Carvalho.212 Vasconcelos. portanto. na prática. em seu texto “O ensino de Língua Portuguesa e os PCN’s” 8. ou provenientes de faculdades de qualidade questionável. ao analisar o documento do Ministério da Educação. mas nos cursos de Letras. percebe-se que mesmo os conhecimentos teóricos estão defasados.filologia. pressupondo a necessidade de um tratamento escolar cientificamente embasado. Quando os professores são profissionais formados há mais tempo. “no que se refere à língua portuguesa. . Assim. formadores dos profissionais que. 8 9 www. enriquecer e variar esse patrimônio. os PCN vêm apresentar propostas de trabalho que valorizam a participação crítica do aluno diante da sua língua e que mostram as variedades e pluralidade de uso inerentes a qualquer idioma”. as Licenciaturas abordam mais questões pedagógicas que linguísticas. não lhe furtando o direito de ampliar. textualidade. Segue afirmando que. embora alguns façam verdadeiros milagres. para os princípios da Educação Linguística que.htm. Essa falta de sintonia se reflete na baixa qualidade do ensino e na consequente pouca aprendizagem auferida. O que se vê. põe em relevo. segundo Bechara (2004). deveriam aplicar a teoria preconizada.

o bem falar e o bem escrever estabelecem-se no uso da língua a partir da norma culta que se encontra na Gramática Descritivo-Normativa. deixando de se fixar unicamente na Gramática Descritivo-Normativa de modelo greco-romano. Seja a linguística funcional. Gramática . que apresentam as concepções linguísticas vigentes no final do século XX e que devem ser 10 TRAVAGLIA. a LDB 3994/96 e. em seguida. que foram estabelecidos em nível nacional a partir de políticas linguísticas efetivas baseadas em princípios contemporâneos fundados em novo prisma: a produção de efeitos de sentido se dá no discurso elaborado em interações sociais. . Paralelamente à questão acima e com os atuais conhecimentos linguísticos. o professor deve se assenhorar dos ditames dos PCN. Luiz Carlos. 2009 213 Valemo-nos.Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos. que levam uma pessoa a conhecer o maior número de recursos da sua língua e a ser capaz de usar tais recursos de maneira adequada para produzir textos a serem usados em situações específicas de interação comunicativa para produzir efeito(s) de sentido pretendido(s) Assim. todos os apoios teóricos levarão o professor a abrir os seus horizontes.Ensino Plural. pois consideramos que. inclusive aquele que se expressa de acordo com a norma culta. formais ou informais. o que tem sido uma preocupação de governos federais desde a década de 90. ainda de Travaglia (2003)10. entendemos que essa postura levará o professor de língua portuguesa a apresentar uma variedade de recursos e seus efeitos de sentido. p. a textual. por atingir mais eficazmente o seu interlocutor. buscando descrever a Língua Portuguesa a partir de seus princípios e procedimentos. Há que se escolher uma vertente da linguística para se aprofundar. sistematização da língua com as suas descrições e estabelecimentos de normas que atendam a uma das variantes existentes na língua em uso. no 38. a do discurso. 2003. momento em que se inicia o estabelecimento de uma nova Lei de Diretrizes e Bases. os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998. conseguindo mais eficácia em suas interações verbais. para o conceito de Educação Linguística: A Educação Lingüística deve ser encarada como o conjunto de atividades de ensino/aprendizagem. 205-215. em se tratando de língua materna. São Paulo: Cortez.

poderão adotar a nova concepção de língua e de seu ensino. 1) a língua que se fala.214 Vasconcelos. O passo seguinte é a elaboração das sequências didáticas que precisam ser organizadas e planejadas para permitir a elaboração com o aluno das ferramentas (habilidades/competências) da pesquisa científica. aquele que está nos livros didáticos) e por meio deste. conhecendo-os. por meio do qual analisamos o movimento do saber sábio (aquele que os cientistas descobrem) para o saber a ensinar. simultaneamente. a menos que o quadro político seja revertido e a educação passe. fundamentais para a aprendizagem do aluno e para o desenvolvimento de sua autonomia e consciência crítica. Aí sim. então. voltado para a Educação Linguística. 3) a formação de professores de Português conscientes de sua tarefa (promover a Língua Portuguesa como instituição nacional – propiciar ao aluno a construção de seu próprio conhecimento – apresentar a eles os vários registros sem discriminá-lo. o ensino de língua portuguesa (e não só o de LP) estará irremediavelmente comprometido. por meio da Educação Linguística. os princípios da igualdade e da diversidade. Maria Lúcia Marcondes Carvalho. a ser preocupação efetiva e prioritária das diversas esferas do poder público. deverá conscientizar-se do cuidado necessário para a realização da transposição didática que é um instrumento. sem a marca da rabugice do professor e do enfado dos alunos. A educação linguística e a formação de professores seguidas pelos docentes que. finalmente. . o investimento será significativo e a profissão docente poderá ser revalorizada. o professor. visando aspectos conceituais e procedimentais. Assim. a língua que se quer falar a partir das situações efetivas de interação comunicativa. Além dessas concepções linguísticas. poderemos ter condição de tornar o ensino de Língua Portuguesa mais agradável e eficiente. ao saber ensinado (aquele que realmente acontece em sala de aula). Permitem vivências. ampliando seu universo de conhecimentos linguísticos). 2) o rumo que a escola deve tomar para o ensino da língua materna. Definindo-se. e munido da nova capacidade de atender. a continuar como estamos.

KEYWORDS: linguistic education. assuring him/her the course in the social intercommunication and the right of expansion. from the results of evaluations of basic education. enrichment and variation of this heritage. which emphasizes the need that every one’s language knowledge must be respected. 205-215.Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Diálogos Interamericanos. through contracts between teachers and students. p. 2009 215 ABSTRACT The purpose of this text is to discuss new proposals capable of extending the concept of didactic transposition. teacher training. teaching and learning of mother tongue. no 38. Recebido: 10/03/2009 Aprovado: 11/05/2009 . We will establish our reflections in regards to the Training of Teachers of mother tongue in the principles of Linguistic Education.