A Ajuda Pública ao Desenvolvimento Portuguesa

O Desenvolvimento e os Direitos Humanos
2010/2011 Economia 12® Ano Prof. Marcos Clara

Índice

Realizado por: Deltha Lowe Edna Silva Eliana Lourenço Turma E

Introdução
Os benefícios do desenvolvimento não atingem de forma igualitária a população do mundo. Apesar dos progressos que se verificaram na última década, as desigualdades mundiais continuam. A um mundo de prosperidade e de abundância opõem-se um mundo de pobreza e de privação. Actualmente, milhões de crianças são subalimentadas, milhões de pessoas no mundo não têm o direito de concretizar o seu projeto de vida de forma digna, saudável e criativa. E são, de facto, milhões as pessoas que não usufruem da melhoria do nível de vida que o desenvolvimento lhes deveria proporcionar, ficando assim afastadas do gozo do direito ao desenvolvimento, para além de a humanidade estar a desperdiçar o imenso potencial humano. Através da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) é possível promover projectos em diferentes áreas como a saúde, a educação, a formação profissional, a agricultura ou a construção de infra-estruturas que possibilitam a melhoria das condições de vida e do trabalho das populações pobres. A APD é um dos quatro elementos que constituem o Esforço Financeiro Global da Cooperação de um país doador. Deste modo, para além da APD, temos os OFSP (Outros Fluxos do Sector Privado), os FP (Fluxos Privados), e os Donativos das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD). A APD constitui um investimento, pois permite que as pessoas dos países pobres possam ultrapassar algumas das dificuldades de acesso à saúde ou à educação e possam dispor de meios que as ajudem a ultrapassar a situação de pobreza em que se encontram. A APD permite, desta forma, espalhar os benefícios da integração. Também ao reduzir a pobreza e a desigualdade estaremos a investir na segurança colectiva da comunidade mundial.

Assim, neste trabalho abordaremos a Ajuda Pública ao Desenvolvimento Portuguesa, no qual explicaremos do que se trata e a situação em que Portugal e os países por este apoiados se encontram.

Texto 1

2007/08/13

Definição
A APD é um tipo de ajuda que é concedida por organismos públicos, sob a forma de doações ou empréstimos, efectuados sempre a taxas de juro mais favoráveis do que as praticadas pelo mercado, sendo esta ajuda destinada exclusivamente ao desenvolvimento. Deste modo,
APD destina-se aos Países em Desenvolvimento: aqueles que apresentaram nos últimos três anos um Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita inferior a $9 206(PPM).

A AJUDA PÚBLICA AO DESENVOLVIMENTO

Daniela Siqueira Gomes
A ajuda económica externa, mais concretamente conhecida por Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD), constitui uma forma particular de Cooperação para o Desenvolvimento. Geralmente a cooperação para o desenvolvimento está directamente associada à cooperação entre o Norte e o Sul, isto é, entre Países Desenvolvidos (PD) e Países em Vias de Desenvolvimento (PVD) ou Países Menos Avançados (PMA). A ideia da APD surge, sensivelmente a partir dos anos 60 do século XX, quando é criado o Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Tendo como membros os próprios países da OCDE e da União Europeia (UE), o CAD tem como principal objectivo “coordenar e tentar melhorar a eficácia da Ajuda concedida pelos seus Estados-membros”, propondo-lhes, ainda, medidas adequadas para tal efeito.
Fonte: www.jornaldefesa.com.pt/conteudos/view_t xt.asp?id=501

Para melhor se perceber a APD, o Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) deu os seguintes critérios de definição à APD:
1. Ser fornecida aos países em desenvolvimento, dentro de um quadro bilateral ou acordada por instituições multilaterais; 2. Ser atribuída por organismos públicos; 3. Destinar-se a promover o desenvolvimento; 4. Assentarem condições financeiras favoráveis em que, pelo menos, 25% sejam atribuídos a fundo perdido.

Assim, APD deve ser vinculada pelo sector público; deve promover o desenvolvimento económico e o bem-estar, alcançar a boa governação, a participação e a democracia e garantir o desenvolvimento sustentável e a luta contra a pobreza; e por fim, deve ser fornecida em condições financeiras favoráveis ao beneficiário, de modo a que a transferência de

(¹) Organizações Multilaterais: “(...)no impulso da reconstrução europeia e, depois, das independências das antigas colónias, duas instituições financeiras internacionais ganham importância: o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial – que formam o conjunto que, habitualmente, se denomina instituições de Bretton Woods.(...) Outras organizações multilaterais foram surgindo, como resposta a preocupações e interesses comuns, partilhados por vários Estados. Organizações Regionais como a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) ou o Mercosul, na América Latina, por exemplo.(...)” Fonte: www.atua.pt

dinheiro, bens ou serviços não exija pagamento e, ainda, compreender um elemento de dádiva de pelo menos 25%.

Tipos de APD
A APD pode ser canalizada pela via bilateral e pela multilateral:

Ajuda Bilateral
Este tipo de ajuda é fornecida por organizações não governamentais (ONG) nacionais e internacionais que desenvolvem acções de desenvolvimento de iniciativa própria. Em suma, a ajuda é concedida do Estado directamente a outro Estado através de empréstimos ou doações.

Ajuda Multilateral

Esta Ajuda é composta por acordos e projectos realizados entre o Estado e as Organizações Multilaterais(¹), de forma autónoma, em que as acções são desenvolvidas e financiadas pelo orçamento público português. Em adição são estabelecidas quotas de participação em organizações internacionais de cooperação como o FMI ou o Banco Mundial.

Fig: Organização multilateral portuguesa

Portugal tem vindo a aumentar gradualmente a sua APD Bilateral. Até 2008 registou uma subida face a 2007 de 86 milhões de €. Em 2007 já havia registado um crescimento em relação a 2006 de cerca de 28 milhões de €. O súbito decréscimo de 2009, deve-se à actual crise económica. Por outro

lado, a APD multilateral tem crescido de 2006 a 2009, de aproximadamente 23 milhões de €.
Fonte: IPAD/DSP

Fluxos de APD
Os fluxos de APD referem-se ao financiamento oficial cujo principal objectivo é a promoção do desenvolvimento económico e do bem-estar dos países em desenvolvimento. Assim, os fluxos da APD são transferências de recursos, em dinheiro ou sob a forma de bens e serviços. Podem incluir: • • • Donativos; Empréstimos; Outras transações de capital, iguais ou superiores a um ano, relacionadas com o desenvolvimento.

(²) ONG: As organizações nãogovernamentais são associações da sociedade civil, sem fins lucrativos, que acolhem no seu interior especificidades que as diferenciam do Estado e de outras organizações e/ou instituições privadas. As ONG de Desenvolvimento têm como áreas fundamentais de intervenção: a cooperação para o desenvolvimento, a educação para o desenvolvimento e a ajuda humanitária e de emergência.

Formas de Ajuda
A APD pode tomar diversas formas como:
➢ Programas ou Projectos: cooperação técnica, aquisição de equipamentos, projectos para

➢ ➢ ➢

a construção de infra-estruturas; Fornecimento de bens e serviços; Transferência de verbas; Operação de alívio da dívida (programas de acção conjunta); Contribuição para uma ONG(²) ou para um organismo multilateral.

Eficácia da Ajuda
A eficácia da Ajuda consiste em aumentar a quantidade de APD prestada aos países em desenvolvimento e melhorar a sua qualidade. No intuito de tornar a Ajuda mais eficaz, são tomados em consideração alguns pontos: ➢ A apropriação : os próprios países em desenvolvimento formulam as estratégias para o desenvolvimento, para a melhoria das suas instituições e para a luta contra a corrupção inerente; ➢ O alinhamento : os países doadores alinham o seu apoio pelos objectivos previstos e recorrem a sistemas locais; ➢ A harmonização : as acções são coordenadas pelos países doadores, com o intuito de simplificar procedimentos e partilhar informação; ➢ A gestão centrada nos resultados : concentração dos países doadores e receptores na produção e na medição dos resultados; ➢ A responsabilização mútua : os países são igual e reciprocamente responsáveis pelos resultados obtidos em matéria de desnevolvimento.

Compromisso Português
APD Portuguesa e Rendimento Nacional Bruto: Ano 2006 2007 2008 2009 APD Total 315.774 343.726 429.995 368.157 APD/RNB % 0,21% 0,22% 0,27% 0,23%

Evolução ADP portuguesa, 2006/2009, milhares de euros

Fonte: www.objectivo2015.org/pdf

Em 2006, 0,21% do RNB português destinou-se à APD, verificando-se de seguida um aumento até 0,27% em 2008. Até ao ano 2015, Portugal comprometeu-se a destinar 0,33% do seu RNB para a APD. Subsequentemente, este diminui até 0,23% em 2009. Por isso, Portugal não tem visto a cumprir a promessa com relativa facilidade.

Prioridades geográficas
Na sequência de laços históricos e culturais, são geograficamente prioritários os países de expressão portuguesa – os PALOP (países africanos de língua oficial portuguesa, a verde) e Timor-Leste(cor de rosa).

Assim, Portugal concentra geograficamente a sua APD nos países de expressão lusófona, (os cinco PALOP, todos situados na África Subsariana e Timor-Leste), os quais, em conjunto, absorveram maior parte do total da APD bilateral em 2009, correspondendo a 131 M€, como se verifica no gráfico.

Fonte: IPAD/DSP

Prioriades sectoriais
Ajuda Bilateral
Sectorialmente, procura-se dar uma resposta às necessidades mais prementes (urgentes), conjugando a potencialidade do conhecimento da língua portuguesa, bem como a similitude da matriz instituicional e jurídica destes países em relação a Portugal. Deste modo, são as infra-estruturas, a educação, a saúde e outros serviços sociais, a promoção de uma boa governação e de uma sociedade cívil as áreas mais apoiadas bela APD Bilateral.

Fonte: IPAD/DSP

O gráfico mostra que a APD Bilateral Portuguesa sempre se encontrou mais concentrada no sector de Infra-estruturas e Serviços Sociais ( sempre acima de 100 000 milhares de euros). Em segundo lugar, encontram-se as Infraestruturas e Serviços Económicos, nomeadamente, os transportes, comunicação, bancos e outros serviços financeiros, que, em média, apresenta um valo de 20 000 milhares de euros. No entanto,de 2008 a 2009, o sector de Ajuda a Programas e Ajuda sob a forma de Produtos, revela ter sofrido um aumento significativo, apropriando-se do segundo lugar com um média de 50 000 milhares de euros a si destinados. Esta situação deveu-se à contabilização de duas linhas de crédito: em 2008 no

valor de 66 milhões € para Marrocos e em 2009 no valor de 30 milhões € para Moçambique.

Ajuda Multilateral
Numa outra vertente, a APD Multilateral é, em grande parte, canalizada pela União Europeia por via das contribuições para o Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) que financia a ajuda da UE para os Países ACP (África, Caraíbas e Pacífico), e para o Orçamento da Comissão Europeia de Ajuda Externa que financia a ajuda aos países em desenvolvimento não contemplados pelo FED.

Fonte: IPAD/DSP Em 2009, a Comunidade Europeia (CE) recebeu cerca de 137 milhões de €, correspondentes a aproximadamente 80% do total da APD multilateral portuguesa. Os Bancos Regionais de Desenvolvimento receberam 175 milhões €, as Nações Unidas 9,5 milhões €, o FMI, Banco Mundial e OMC cerca de 2 milhões € e as Outras Instituições Multilaterais aproximadamente 4,6 milhões €.

Conclusão
Ajuda Pública ao Desenvolvimento Portuguesa 2006/2009 (milhares €)
2006 % 100 9,5 22, 4 7,0 10, 3 5,3 18, 2 25, 6 100 5,5 67, 2 8,4 76, 4 2,4 2007 197,3 60 13,97 5 31,92 1 11,51 8 15,79 9 9,539 34,07 1 76,41 3 146,3 66 9,071 103,2 70 13,12 9 12,70 0 8,196 343,7 26 0,22 % 100 7,1 16, 2 5,8 8,0 4,8 17, 3 38, 7 100 6,2 70, 6 9,0 8,7 2008 258,8 62 13,25 0 43,28 6 12,37 1 17,41 0 9,209 27,03 0 132,7 67 171,0 93 7,805 111,7 92 28,99 9 17,16 7 5,330 429,9 55 0,27 % 100 5,1 16, 7 4,8 6,7 3,6 10, 4 51, 3 100 4,6 65, 3 16, 9 10, 0 3,1 2009 198,6 10 -7,072 38,39 2 10,36 1 48,83 1 10,63 7 24,87 2 67,69 0 169,5 47 9,506 135,3 76 2,488 17,51 0 4,667 368,1 57 0,23 % 100 -3,6 19, 3 5,2 24, 0 5,4 12, 5 34, 1 100 5,6 79, 5 1,5 10, 3 2,5

APB Bilateral, TOTAL
Angola Cabo Verde Guiné-Bissau Moçambique São Tomé e Príncipe Timor Leste Outros países

168,3 33 15,99 6 37,68 8 11,76 1 17,26 8 8,952 30,67 4 43,10 3 147,4 41 8,134 99,19 9 12,40 3 24,20 1 3,564 315,7 74 0,21

APD Multilateral, TOTAL
Nações Unidas Comissão Europeia FMI, Banco Mundial e OMC Bancos Regionais de Desenvolvimento Outras Instituições Multilaterais

5,6

APD Total
% APD/RNB Fonte: IDAP/DPP

Em suma, Portugal tem estado bastante activo em cooperações internacionais para aumentar a APD. Como mostra o gráfico, uma média de 80% da ajuda multilateral destina-se à CE. No entanto, Portugal tem sempre desviado mais dinheiro em direcção à APD bilateral, mostrando-se esta sempre acima da APD multilateral. O que quer dizer que Portugal prefere uma cooperação mais directa com os países receptores ( principalmente os PALOP e Timor-Leste. E, apesar da crise actual, Portugal conseguiu manter os valores da APD relativamente satisfatórios, não sofrendo um grande decréscimo nestes, anes uma breve oscilação. Porém, Portugal comprometeu-se a destinar 0,33% do seu RNB (Rendimento Nacional Bruto) à APD, e através da tabela é possível verificar que esta meta ainda não foi atingida.

Bibliografia
• http://www.gpeari.min-financas.pt/relacoes-internacionais/relacoesmultilaterais/peso-dos-fluxos-de-ajuda-publica-ao-desenvolvimentoapd-multilateral-no-total-de-fluxos-apd-dos-paises-da-ocde http://aeiou.visao.pt/portugal=s25047?mid1=vs.menus/19&m2=263 http://timorlorosaenacaodiario.blogspot.com/2011/04/cooperacaoajuda-publica-portuguesa.html http://www.objectivo2015.org/inicio/index.php? option=com_content&view=article&id=77&Itemid=200 http://www.educacaoparatodos.org/index.php? option=com_content&view=article&id=6&Itemid=7 http://www.ipad.mne.gov.pt/index.php? option=com_content&task=view&id=782&Itemid=1 http://www.ipad.mne.gov.pt/images/stories/APD/guia %20apd_actual.pdf

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