BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Tradução Fernando Tomas. Convenções: p.

- número da página / - simples separação antes de outra citação, sem ligação de sentido, na mesma página [...] supressão de palavras ou frases para reduzir a citação sem perda do sentido Citações: P. 18 ³Nada é mais universal e universalizável do que as dificuldades.´ / ³Mas é talvez a melhor e a única maneira de se evitar decepções muito mais graves ± como a do investigador que cai do pedestal, após bastantes anos de automistificação, durante os quais despendeu mais energia a tentar conformar-se com a ideia exagerada que faz da pesquisa, istoé, de si mesmo como investigador, do que a exercer muito simplesmente o seu ofício.´ / ³Uma exposição sobre uma pesquisaé, com efeito, o contrario de um show, de uma exibição na qual se procura ser visto e mostrar o que se vale. É um discurso em qual a gente se expõe, no qual se correm riscos...´ P.19 ³O homo academicus gosta do acabado. [...] ele faz desaparecer dos seus trabalhos os vestigios da pincelada [...] descobri que pintores como Couture, o mestre de Manet, tinham deixado esboços magníficos, muito próximos da pintura impressionista- que se fez contra eles ± e tinham muitas vezes estragado obras julgando dar-lhes os últimos retoques, exigidos pela moral do trabalho bem feito, bem acabado, de quea estética acadêmica era a expressão.´ P.20 ³O cume da arte, em ciências sociais, está sem dúvida em ser-se capaz de pôr em jogo µcoisas teóricas¶ muito importantes a respeito de objectos ditos µempíricos¶ muito precisos, frequentemente menores na aparência, e até mesmo um pouco irrisórios.[...] O sociólogo poderia tornar sua a fórmula de Flaubert: µpintar o medíocre¶. É preciso saber converter problemas muito abstractos em operações científicas inteiramente práticas[...]´ P. 21 ³Só se pode realmente dirigir uma pesquisa[...] com a condição de a fazer verdadeiramente com aquele que tem a responsabilidade directa dela: o que implica que se trabalhe na preparação do questionário, na leitura dos quadros estatísticos ou na

a maior parte das vezes imposta e inculcada pela educação [. Witkoski. 25 ³a mais elementar sociologia da sociologia ensina que.. 24-25 ³procede-se frequentemente como se o que pode ser reivindicado como evidence fosse evidente. dirigir verdadeiramente senão um pequeno número de trabalhos. de fingir que ignora [. e aqueles que declaram µdirigir¶ um grande número deles não fazem verdadeiramente o que dizem.interpretação dos documentos.´(tanto no fichamento quanto no seminario deste texto na aula do Prof.. frequentemente... as condenações metodológicas são uma maneira de tornar a necessidade em virtude. por uma .]. se ignora.] ou combinara a mais clássica análise estatística com um conjunto de entrevistas em profundidade ou de observações etnográfica [. economia.. e se ficar privado deste ou daquele recurso entre os vários que podem ser oferecidos pelo conjunto das tradições intelectuais da disciplina.]ou por µcorreções¶ feitas à prática[.] O sociólogo que procura transmitir um habitus científico parece-se mais com um treinador desportivo de alto nível do que com um professor da Sorbone...].] o que... que a epistemologia. que é o contrário da inteligência e da invenção.´ P.]. não compreendi este conceito) P.´ P. melhor. O que se faz em função de uma rotina cultural. em ceeto sentido.] não é uma coisa que se produza de uma assentada.26-27 ³a construção do obecto [.. nestas condições. mas sabendo que é preciso não ficar por aí (nada há pior.]. assemelhando-se nisso ao treinador que imita um movimento[.]. O feticismo da evidence leva à recusa dos trabalhos empíricos que não aceitem como evidente a própria definição de evidence:[.. por exemplo utilizar a análise das correspondências para fazer uma análise de discurso[. com eu fiz em Le Métier de sociologue.´ P.e das disciplinas vizinhas: etnologia. um modus operandi científico que funciona em estado prático segundo as normas da ciência sem ter estas normas na sua origem [.. com o rigor. Ela fala pouco em termos de princícpio e de preceitos gerais ± pode. história [. etc. a pesquisa é uma coisa demasiado séria e demasiado difícil para se poder tomar a liberdade confundir a rigidez. logo que ela se transforma em tema de dissertação ou em substituto da pesquisa).23 ³O habitus científico é uma regra feita homem ou.é claro que não se pode. decerto enunciá-los..´ P.... que se sugiram hipóteses quando fora caso disso..26 ³Pode-se. muito simplesmente.. Ele procede por indicações prática..

´ P.. conceito posições sociais que garantem aos seus ocupantes um quantum suficiente de força social ± ou de capital ± de modo a que estes tenham a possibilidade de entrar nas lutas pelo monopólio do poder.espécie de acto teórico inaugural. um agente ou uma instituição faz parte de um campo na medida em que nele sofre efeitos ou que nele os produz[. Ca um. 31 ³Se é verdade que o real é relacional.].. e a situação de . 30 ³Procurar não cair na armadilha do objecto pré-construído não é fácil.. por toda uma série de correcções. pode acontecer que eu nada saiba de uma instituição acerca da qual eu nada saiba de uma instituição acerca da qual eu julgo saber tudo. ao ouvir os outros. perante os factos.. esse conjunto de princípios práticos que orientam as opções ao mesmo tempo minúsculas e decisivas. à maneira de um engenheiro: é um trabalho de grande fôlego.. de certa maneira. sem que eu conheça claramente o princípio verdadeiro desse µinteresse¶. por retoques sucessivos. pensará na sua própria pesquisa. 33 ³o modus operandi [. sugeridos por o que se chama o ofício. sem que haja necessidade de o explicitar teoricamente.. 28-29 ³é preciso pensar relacionalmente. 32 ³Construir o objecto supõe também que se tenha.. quer dizer.] transmitir-se-á.]. de um objecto que me interessa. e o programa de observações ou de análises por meio do qual a operação se efectua não é um plano que se desenhe antecipadamente.]o limite de um campo é o limite dos seus efeitos ou. em outro sentido. praticamente. pelo acto repetido a respeito de casos diferentes.´ P. por definição. poque ela nada é fora das suas relações com o todo.´ P. uma postura activa e sistemática. na medida em que se trata. poder-se-ia dizer deformando a expressão de Hegel: o real é relacional.´ P.´ / ³[. de emendas. que se realiza pouco a pouco.´ / ³É para romper com este modo de pensamento ± e não pelo prazer de colar um novo rótulo em velhos frascos teóricos ± que empregarei o termo campo de poder (de preferência a classe dominante.´ P. entre as quais possuem uma dimensão capital as que têm por finalidade a definição da forma legítima do poder [. Com efeito.

convosco. para se fazer ciência. contradizer mesmo as normas em vigor e desafiar os critérios correntes do rigor científico[. aceite como evidente pelo positivismo vulgar [. por vezes.. que reduzem os discursos científicos a estratégias retóricas a respeito de um mundo reduzido.. Presa no objecto que toma para objecto. rupturas com as crenças fundamentais de um grupo e.´ P.´ P..]. o objecto construído. assim-assim.. No tempo em que eu era mais directivo.. 37 ³descobrir-se-á que o problema. 38-39 ³ Nas ciências sociais.´ P. com as crenaçs fundamentais do corpo de profissionais. evitar as aparências de cientificidade. 42 ³é preciso muitas vezes. 35 ³Uma prática científica que se esquece de se pôr a sim mesma em causa não sabe. desde que vocês comecem a trabalhar num verdadeiro objeto construído..43 ³Entre essas críticas. .. em certas formulações. as rupturas epistemológicas são muitas vezes rupturas sociais.´ P. com o corpo de certezas partilhadas que fundamenta a communis doctorum opinio.]. Os µmetodólogos¶ não terão dificuldades em encontrar o pequeno erra nas operações que é preciso fazer para apreender. 41 ³enquanto você permanecerem na ordem da aparência socialmente constituída. embora.]. tudo se tornará difícil: o progresso µteórico¶ gera um acréscimo de dificuldades µmetodológicas¶.] foi socialmente produzido num trabalho colectivo de construção da realidade social e por meio desse trabalho[. ela descobre qualquer coisa do objecto.até mesmo as aparências de cientificidade. ele .´ P. como se sabe. aconselhava firmemente os investigadores a estudarem pelo menos dói objectos[.. preciso dar um lugar à parte àqueles que vêm da etnometodologia. propriamente falando.´ P. o que faz. Pelo contrário. todas as aparências estarão a vosso favor. mas que não é verdadeiramente objectivado pois se trata dos próprios princípios do objecto. elas se confundam com as conclusões dos mais irresponsáveis leitores dos filósofos franceses contemporâneos.].comparação institucionalizada que é assim criada [..

os produtos de práticas que invocam a seu favor a ciência. é só ao cabo de um verdadeiro trabalho de socioanálise que se pode realizar o casamento ideal de um investigador e do seu µobjecto¶. mas.´ P.´ . de um autodidacta. etc. deveria desempenhar por vezes o papel. 49 ³A ruptura é. 48 ³O termo ideologia pretende marcar a ruptura com as representações que os próprios agentes querem dar da sua própria prática: ele significa que não se deve tomar à letra as suas declarações. por meio de toda uma séroe de fases de sobreinvestmento e de desinvestimento. com efeito.´ P. de um sociólogo espontâneo ± e nem sempre o mais bem colocado.´ P. uma conversão do olhar e pode-se dizer do ensino da pesqusa em sociologia que ele deve em primeiro lugar µdar novos olhos¶ como dizem por vezes os filósofos iniciáticos. / ³Muitas vezes.´ P.´ P. pois se arrisca a substituir a doxa ingênua do senso comum pela doxa do senso comum douto. ao estado de texto. tão evidentes são. na sua violência iconoclasta. ele faz esquecer que a dominação à qual é preciso escapar para o objectivar só se exerce porque é ignorada como tal. mas estes instrumentos fazem que ele corra um perigo permanente de erro. 47 ³cada vez com mais freqüência. que atribui o nome de ciência a uma simples transcrição do discurso de senso comum. que eles têm interesse. ele não passa de um amador. efectivamente perigoso e em qualquer caso injustificável. os limites da sua experiência social -. 44 ³esta espécie de double bind a que todo o sociólogo digno deste nome está constantemente exposto: sem instrumentos de pensamento oriundos da tradição douta. 50 ³o director de pesquisa. frequentemente. de µdirector de consciência¶. se quisesse cumprir verdadeiramente a sua função.próprio. o termo ideologia significa também que é preciso reintroduzir no modelo científico o facto de a representação objectiva da prática dever ter sido construída contra a µverdade objectiva¶ desta experiência ser inacessível à própria experiência. sem saber. a ciência arrisca-se a registrar..

]´ P. a fim de fazerem triunfar a sua µverdade¶ para dizer a verdade do jogo..´ .] A objectivação participante. P. por pouco realizável que seja. e num pôr-em-suspenso desse interesse e das representações que ele induz..´ / ³Como passar para além de uma descrição inteligente. de se situar meta. 56-57 ³O que resulta de todas estas relações objectiva. para se estar em estado de operar um visão global que se tem de um jogo passível de ser apreendido como tal porque se saiu dele. de certo modo. unicamente pela força do discurso. numa palavra. 57 ³quando se trata. só o é se se firmar numa objectivação tão completa quanto possível do interesse a objectivar o qual está inscrito no facto da participação.. toda uma série de instituições que produzem o efeito de tornar aceitável a distância entre a verdade objectiva e a verdade vivida daquilo que se faz e daquilo que se é[.P. acima de. 55 ³ O espaço de interacção é o lugar da actualização da intersecção entre os diferentes campos.. ter-se renunciado à tentação de se servir da ciência para intervir no objecto.. objectivista levou-me a descobrir que existe no mundo social. e par triunfarem assim no jogo. é-se tentado a fazer uso da ciência das estratégias que os diferentes actores aplicam.[. sem dúvida. 53 ³A consciência dos limites da objectivação..]. o cume da arte sociológica.´ P. 58 ³É preciso. mas sempre sujeita a µfazer pleonasmo com o mundo¶ como dizia Mallarmé? P. são relações de força simbólicas que se manifestam na interacção em forma de estratégias retóricas[. em especial no mundo universitário.