A DIVINDADE E A ÁRVORE DA VIDA A Divindade Oculta A Cabala tenta responder perguntas que perseguem todos os pensadores religiosos.

Se Deus é bom, como entrou o mal no mundo criado por Ele? Qual a relação entre Deus, que é infinito, onipotente e eterno, com um mundo finito, limitado no espaço e no tempo? Como pode surgir variedade da unidade, ou matéria do puro espírito? E se Deus está tão além de tudo que o homem só pode conceber como incognoscível, como pode o homem conhecer Deus? A essas indagações, o cabalista responde que o mundo não foi criado por Deus no sentido de ser fabricado, mas emanado de Deus. Não se trata de invasão do mal ou limite num mundo que existe separadamente de Deus. O mundo flui da divindade, da qual é uma manifestação. "Ele ocupa todas as coisas e Ele é todas as coisas". Portanto, Deus contém e transcende todas as coisas e qualidades, boas e más, ilimitadas e limitadas, infinitas e finitas, unidade e variedade, espírito e matéria, desconhecido e conhecido, todas as quais são reconciliadas e unidas no grande Todo que é a divindade; com a implicação de que o homem que quer alcançar a divindade tem igualmente de reconciliar e transcender todos os fatores em si mesmo. O Deus da Cabala é mais um ser de gênero neutro que "ele". É o "Infinito" (En-Sof, ou Ain Soph: as transliterações do hebraico variam mais uma vez). É uma divindade oculta, desconhecida e inexplicável. Não se pode dizer que seja "boa", ou "misericordiosa", ou "justa", ou mesmo que seja "real" ou "viva", como tampouco se pode dizer que não seja tudo isso. Pode ser chamada de "Nada" (Ayin ou Ain), pois nào se pode atribuir-lhe nenhuma qualidade, mas é igualmente tudo. Também pode ser chamada de "Luz Infinita' (En-Sof ou Ain Soph Aur), uma ilimitada radiação divina. O processo pelo qual a divindade desconhecida se faz conhecida começa com a radiação divina emanando alguma coisa de si mesma - muitas vezes descrita como a luz de um raio - e dessa se originam outras emanações, ou luzes, até formarem dez ao todo. Essas emanações são chamadas sefiroth e, na típica linguagem paradoxal, o Zohar explica o seguinte: "O Velho dos Velhos, o Desconhecido dos Desconhecidos, tem forma mas não tem forma. Tem uma forma pela qual o universo é preservado, mas não tem forma porque não pode ser compreendido. Quando assumiu pela primeira vez a forma (da primeira emanação), fez com que emanassem dela nove luzes esplêndidas, que, brilhando através dela, difundiram uma luz brilhante em todas as direções. Assim é o Santo Velho uma luz absoluta mas em si mesmo oculto e incompreensível. Só podemos abrangê-lo através dessas emanações luminosas, que também são em parte visíveis e em parte ocultas. Essas constituem o sagrado nome de Deus". A Árvore da Vida As esplêndidas luzes dos sephiroth constituem o nome de Deus porque são sua identidade manifesta, e o processo de emanação é o processo pelo qual ele desdobra e revela sua identidade. Os sefiroth são facetas ou aspectos da personalidade divina, estágios na revelação que Deus faz de si mesmo e fases da vida divina, e formam a base da construção do universo e da natureza do homem, ambos feitos à imagem de Deus. São as forças motoras do universo e os impulsos que movem o homem. A relação entre eles é mostrado no que os cabalistas chamam de Arvore da Vida. Os galhos da Árvore espalham-se por todo o universo, reconciliando toda a diversidade num padrão unificado. É um mapa de tudo, e uma classificação de tudo. Mostra tanto a descida do divino em manifestação quanto a ascensão pela qual o homem pode reverter o processo de emanação e tomar a subir a Árvore, por assim dizer, para reconquistar a divindade. A representação do homem subindo a Árvore baseia-se na antiga crença de que a alma surgiu originalmente de Deus e desceu para sua encarnação num corpo físico na Terra através das esferas planetárias, assumindo características de cada um dos planetas, sucessivamente agressividade de Marte, sensualidade de Vênus, inteligência de Mercúrio, e assim por diante (esta teoria é um dos bastões da ASTROLOGIA tradicional). Após a morte, a alma tomava a subir pelas esferas, despindo-se das características em cada uma delas, até retomar à sua fonte original. Essa ascensão podia ser feita não apenas após a morte, mas, através de técnicas mágicas e místicas, durante a vida terrena. Em qualquer dos casos, porém, a ascensão não era fácil. Legiões de demônios espreitavam à espera da alma na atmosfera entre a Terra e a Lua, e se ela escapasse

velhice. aos sete planetas conhecidos na antigüidade. A Árvore é lida da direita para a esquerda. justiça. o ativo governante e organizador. É a esfera de Marte. "ponto primordial" ou "ponto dentro do circulo". que dão substância as idéias. a coroa. Os textos do Hekhaloth judeu. o espírito doador de vida que paira sobre as águas no Gênese. ou Pachad). impulsivo. civilização. dois aspectos do criativo intelecto divino. há duas forças opostas. equilibra a atividade construtiva de Hesed com atividade destrutiva. Capítulo I. a esfera do Primeiro Agente. Entre os primeiros três sefiroth e os demais está o Abismo. e também da morte. O primeiro sephirah. é a força que molda e organiza as coisas. o amor ou misericórdia de Deus. Em cada triângulo. no cume. e todos os sefiroth femininos na coluna da esquerda da Arvore. o sefirah oposto.C. do tempo e do destino. mudança. Hokhmah é o pensamento ativo e criativo de Deus. que correspondem às esferas da Terra. que "tinham a semelhança de homens" e surgiam da "grande nuvem. a força por trás de tudo que é positivo. Do mesmo modo. com o décimo sefìrah. guiando-o no caminho certo. a "alma sagrada '. Hesed. editados nos séculos V e VI D. governo. crueldade. Binah. É a esfera de Júpiter. é a autoridade bondosa e caridosa do pai. Em termos de família humana. e um fogo revolvendo-se nela. preside o colapso do tecido na perda de energia. Geburah (ou Din. deixado embaixo. a consciência divina da consciência comum humana . e a ascensão enfrentava a resistência dos guardas do portão. movimento. A Árvore é também às vezes representada na forma do corpo de um homem. as águas estéreis das quais. os sefiroth da Cabala são guardados por ordens de anjos. evolução. sistema. cujo conhecimento indica que a alma aspirante alcançou a sabedoria ou atingiu a condição espiritual exigida para avançar até aquela esfera. É a Binah que a Cabala atribui a origem da neshamah. todas as coisas tiveram origem. De Kether. os da esquerda negativos e femininos. que protege e encoraja a criança. ira e ódio. e o primeiro estágio na progressão de infinito a finito. o infinito do finito. e Geburah está por trás de toda destruição. O sefirah oposto. a alma tinha de conhecer as senhas corretas. Seus anjos guardiões são as "criaturas vivas" de Ezequiel. um nome divino.. Adão Kadmon. emanam dois grandes princípios ou forças opostos. o "celestial" ou "universal". o planeta da guerra e da força violenta. lei e ordem construtivos. que eram inertes mas continham em potencial toda a fervilhante vida do mundo. Os dois princípios opostos no triângulo seguinte são os que impõem forma ao que nesse estágio ainda é informe. e um resplendor ao redor. ou Geburah. tido na astrologia como uma influência essencialmente benévola. é "a Mãe". Hokhmah é masculino e ativo. também chamado de "Velho". é a divindade como Primeiro Agente e Causa Primeira. às estrelas fixas ou zodíaco e. Binah a compreensão ou inteligência de Deus. É a esfera de Saturno. os guardiões das esferas planetárias tentavam faze-la voltar. que tinham em si "o espírito das criaturas vivas". os blocos de construção básicos a partir dos quais se formam todos os outros números. e uma terceira força que as reconcilia. dinâmico. No corpo. O impulso que gera ação. Os Hekhaloth eram os palácios celestiais pelos quais eles passavam em sua jornada até o Trono do Rei Sagrado no sétimo céu. que saia do meio do fogo". São também os números de um a dez. o verdadeiro eu nas profundezas internas de cada ser humano. e cada sefirah tem uma senha. o pai de deuses e homens. Os sefiroth do lado ou coluna direita são positivos e masculinos. é a força por trás do armazenamento dos alimentos nos tecidos. o poder e o severo julgamento de Deus.embora seja um golfo que pode ser cruzado. o planeta da estabilidade e inércia. Kether. as águas escuras do Gênese. Binah está por trás de tudo que é mais potencial que real. que constrói e acumula. que se encontra por trás de todo crescimento. mais estável que mutante.de suas garras. moldando delicadamente seu caráter. Hokhmah e Binah. a forma de humanidade original. Enquanto Hokhmah é "o Pai" de todas as coisas. espiritual e ideal. A Cabala tende a acentuar a natureza demoníaca do feminino. uma vez fertilizadas. a centelha divina em cada personalidade humana. Estão dispostos em três triângulos. Hokhmah é a sabedoria de Deus. passiva onde Hokhmah é ativo. solidez. reagindo onde Hokhmah impele. Malkuth. A Árvore da Vida tem dez sefiroth ou esferas. Para passar por esses seres terríveis. descrevem as experiências de místicos que em suas vidas terrenas ascenderam e viram a glória de Deus. massacre. que disciplina e frustra a criança. É a unidade na qual se reconcilia toda diversidade. Seus anjos são as rodas da visão de Ezequiel. embora necessários ao equilíbrio do . o golfo que separa o ideal do real. e no meio dela havia uma coisa como de cor âmbar. Assoma no fundo de toda energia. Em termos de corpo físico. É a severa autoridade da mãe. como o hebraico escrito.

e levou a formação de uma hierarquia de emanações diabólicas. como a carruagem do sol. ou como o Sol "morre" ao entardecer para tornar a renascer na aurora. Yesod é a esfera da Lua. como Cristo morreu e tornou a viver. Como o último dos sefiroth. imaginação. diz o Zohar. A Beleza de Deus Todos os fenômenos são governados pela interação de construção e destruição. Seus anjos. a esfera em que o homem começa sua subida na Árvore. que é a esfera do Sol. os "filhos de Deus" da lenda judia. ensinandolhe as artes e ofícios. que está ligado à iniciação aos mistérios e ao poder mágico que brota da união das faculdades mentais de Hod com os impulsos animais de Netzah. que os sefiroth mais elevados fluem para dentro dela. Hod. O luar é luz do Sol refletida.Universo. é a esfera de Vênus. cuja esfera está significativamente colocada no lado bom da Árvore. intuição. no qual muitos cabalistas vêem a raiz do mundo demoníaco. Mas igualmente como último sefirah. habilidade e artifício. o eu interior escondido nas profundezas da personalidade. mas também os torra e faz murchar com a destrutiva ferocidade de Geburah. É a torça de atração e coesão do universo. que desfiguraram a inocência natural da humanidade. como o aparente circular da Terra ao redor do Sol. atingível em qualquer estado mental normal. dos instintos e paixões. dos sentidos. deus da inteligência. atividade mental. mudando e em constante fluxo. "a bica". e segundo uma longa tradição governa o aumento e a diminuição. e é o "coração". Representa as mais altas faculdades mentais. Muitas vezes é chamada de Shekhinah. Malkuth. e sobretudo a presença divina no povo de Deus. compreensão. Tifereth é energia vital. A última sefirah.". mas como as outras esferas na coluna da esquerda tem um lado diabólico . das reações imediatas e impensadas. andam em carruagens. É "a bica para as águas vindas do alto". As esferas superiores só podem ser alcançadas em estados supranormais. Coesão e fluxo. das esferas na Árvore. toda a aparelhagem de convenções restritivas impostas à mente pela educação e o condicionamento social para conter os impulsos do homem natural. Netzah. a eterna paciência de Deus. a beleza de Deus. e Tifereth. dispostas numa arvore própria: o que quer dizer que a fonte última do mal é a ira de Deus. para restaurar a totalidade de Deus. Na Cabala.. e da tremula luz da verdade. Estão unidos e reconciliados no Titereth (ou Rahamìn). da matéria e do corpo físico. a majestade de Deus. do qual os cabalistas desconfiam. deusa da natureza e do desejo. o centro.racional e lógico. reconciliam-se em Yesod. O terceiro triângulo. e seus anjos são os benei Elohim. Noiva e Filha. Malkuth é a união dos sefiroth em toda a Árvore. bombeando o sangue da vida pelo sistema num movimento circular. o natural e o planejado. No corpo. no limiar dos padrões supranormais." . É equilibrada pelo sefirah oposto. comunicação. representa a morte como acesso a uma vida nova. o canal entre a energia divina vital e a Terra ou o homem terrestre. o Shekhinah é um elemento feminino em Deus. e Yesod é a ligação entre Tifereth (o Sol ou a força vital) e Malkuth (a Terra ou corpo). todo o reino manifesto de Deus. com a implicação de que "uma parte do próprio Deus está exilada de Deus". o estado espiritual mais elevado. É através de Yesod. e "representa essencialmente uma característica mercurial das coisas sempre fluindo. ela está no exílio. e quando a Arvore é mostrada na forma do corpo de um homem. feras e safras com a nutritiva benevolência de Hesed. é a esfera da Terra. Diz-se que a parte de feroz energia desse sefirah transbordou. Isso se aplica sobretudo a Geburah. a base de todas as forças ativas em Deus. Essa é a esfera de Mercúrio. a força que une tudo. Psicologicamente. Yesod é a genitália. Israel. O supremo objetivo da Cabala judia é reunir a caída Shekhinah ao seu "marido". Tifereth é o coração. Tifereth é a consciência esclarecida. o crescimento e a decomposição de todas as coisas na Terra. Está por trás dos impulsos animais. ela é a entrada para o divino. "eleva tudo ao estágio onde tudo tem de ser uno. os shinanim. e no entanto forma um ciclo coesivo. por assim dizer. a força de vida. caída na matéria. "Aquele que venera Deus por amor". a divina Rainha. Hesed e Geburah. O Sol brilha quente sobre homens. têm associações ameaçadoras e agourentas. cuja luz brilha na escuridão.. a presença divina no mundo. A Lua atravessa constantes mudanças no céu. o impulso que impele a vida a continuar. Hod é a força por trás das reações aprendidas. ponderadas e artificiais. do natural em oposição ao planejado.

Shalom! Marcos Moura .Moderador Cabala Universal .