Chênia Maria Batista de Barros Izabela Neves da Silva Karla Emanuele B.

da Silva Mariana Conceição de Farias Maria Lúcia Batista da Silva Michelle Rose Lima Santos Monique Oliveira Santos

CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS

Maceió – AL, 2010

Chênia Maria Batista de Barros Izabela Neves da Silva Karla Emanuele B. da Silva Mariana Conceição de Farias Maria Lúcia Batista da Silva Michelle Rose Lima Santos Monique Oliveira Santos

CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS

Trabalho como requisito a avaliação da disciplina de Legislação Trabalhista Sindical e Previdenciária sob a orientação do Profº. Felipe Cavalcante Vasconcellos.

Maceió – AL, 2010

..................... Características das cinco contribuições mais populares em nosso sistema sindical........................................9 2......5 2. Contribuição Confederativa..............20 Referências.........................................7 2.................................. Contribuição Associativa..................................SUMÁRIO Introdução...............2.............21 ...12 3.................................................Condições para o exercício do direito à Liberdade Sindical.................................................11 2...................................................................................7 2..........3....................................................................................... Previsão da Constituição Federal no que concerne a Contribuição SindicalFunções das Contribuições Sindicais.5.........................................1..................................................... Contribuição Sindical............................................ Questões que desafiam a atuação dos Sindicatos em prol da categoria representada ....................................4 1............................................................................................. Contribuição Negocial..................................... sendo que nem todas tem previsão legal explícita...10 2...................................13 Conclusão........4......................... Contribuição Assistencial..........

e essa necessidade eclode na atual sociedade. . uma dessas adaptações é o alargamento das funções sindicais para alem de mera representação dos interesses dos trabalhadores. onde a arrecadação é convertida em serviços de interesse dos profissionais. E finalizando com as questões que desafiam os sindicatos a terem uma melhor representação em prol dos trabalhadores. As entidades precisam desses recursos para o custeio das despesas do sistema confederativo. Com isso. Quanto mais serviços. ou com sua fixação. Contribuição Confederativa e Contribuição Negocial também conhecida como Taxa Negocial. A liberdade sindical vem questionar dentre os sistemas da unicidade ou da pluralidade sindical qual seria o melhor caminho para que essa liberdade seja utilizada da melhor forma possível. na esfera real. É um círculo virtuoso. maior a arrecadação. é comum que gastemos algum tempo diferenciando uma contribuição de outra. e o pleno exercício do direito à Liberdade sindical. Contribuição Associativa. especialmente os que não são especializados na área sindical. Contribuição Assistencial. pois trata da parcela de contribuição que o trabalhador investe para a sua representação sindical. dentre tantas que podem ser devidas ou indevidas. abordaremos neste trabalho. o que gera enormes dificuldades aos contadores profissionais de departamentos financeiros e até advogados.INTRODUÇÃO A contribuição sindical é importante. todas estabelecidas na Constituição Federal de 1988. tudo o que diz respeito às principais contribuições sindicais existentes em nosso país: Contribuição Sindical ou Imposto Sindical. passando também a influenciar as decisões de cunho político. Com o passar dos tempos os sindicatos foram se adaptando e criando novas condições para o exercício dos seus instrumentos de atuação. Quando nos deparamos com a cobrança de contribuições. O recolhimento da contribuição permite que as entidades representativas defendam os profissionais e fortaleçam as categorias.

d) e a função econômica (art. proibições que atritam a Constituição Federal (art.564). não exerçam na empresa atividade equivalente ao seu título.Os Estados. inclusive o dissídio.I e II).521. mas todos os profissionais pertencem a uma categoria.1.Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais. Os empregados que. de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. I e III. 146. observado o disposto nos arts. O artigo 149 da Constituição Federal prevê a Contribuição Sindical. qualquer que seja a forma de pagamento." Os artigos 578 e 579 da CLT prevêem que as contribuições devidas aos sindicatos. fora da empresa. . de sistemas de previdência e assistência social. em benefício destes. relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. para o custeio. Parágrafo único . ainda que. § 6º. III e 150. Algumas pessoas utilizam-se da terminologia "imposto sindical" para referir-se a esta obrigatoriedade. o Distrito Federal e os municípios poderão instituir contribuição. Ninguém é obrigado a filiar-se a sindicato. em virtude disso faz jus a todos os direitos dispostos na convenção coletiva. simultaneamente. embora liberais. cobrada de seus servidores. têm a denominação de "Contribuição Sindical". pelos que participem das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas pelas referidas entidades. Previsão da Constituição Federal no que concerne a Contribuição SindicalFunções das Contribuições Sindicais. nos seguintes termos: "Art. tanto que são obrigados a contribuir anualmente. 195. A CLT proíbe a função político partidária (art. como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas.8º. deverão contribuir à entidade sindical da Categoria Profissional preponderante da empresa. e sem prejuízo do previsto no art. exerça sua atividade liberal e efetue a respectiva Contribuição Sindical. 149 . A Contribuição Sindical dos empregados será recolhida de uma só vez e corresponderá à remuneração de um dia de trabalho.

Há sensível transformação nas funções dos sindicatos brasileiros. Daqui. no que diz respeito às contribuições. Representa os interesses gerais da categoria e os interesses individuais dos associados relativos ao trabalho (art. A solução então é a efetiva participação dos trabalhadores. Um sindicato que de fato não representa nem defende os interesses que de direito lhe compete representar e defender não é. meramente assistenciais no corporativismo. bem como sua limitação. todas elas devem ser aprovadas em assembléias. a forma de contribuição do sindicato em questão. negociação. um sindicato. ou é um sindicato desnaturado. pois. a defesa dos interesses da categoria profissional ou dos trabalhadores inscritos que representa. É este o fundamental sentido que assume em sistema de livre-empresa. nisto reside à base da sua autenticidade funcional. e a necessidade dos recursos. Iniciaram-se discussões a partir de 2003. por definição.O sindicato visa. em qualquer caso.da CLT).513.a. com caráter de princípio: os sindicatos devem. que abranjam tanto aos filiados quanto os não filiados à entidade sindical. de fato. o Sindicato de trabalhadores exerce funções de representação. assistência e postulação judicial. Podem discutir-se as formas da sua organização e enquadramento (no sistema jurídico-social). o seu escopo originário e essencial. representar e defender efetivamente os interesses profissionais correspondentes. arrecadação.de modo a participar efetivamente do debate sobre questões econômicas e sociais. de forma indiscriminada. Portanto. bem como o sinal que deva marcar a sua atitude (adentro ou perante o referido sistema). ou seja.O Ministério Público do Trabalho há muito vem ingressando com ações buscando a anulação de cláusulas de convenções e acordos coletivos que fixam contribuições. . uma primeira afirmação poderá tirar-se.destinadas a atribuir aos sindicatos funções mais amplas. É importante ainda que se vá à assembléia com espírito aberto para discutir os verdadeiros anseios e necessidades da categoria. especialmente confederativa e assistencial. passando a preponderantemente negociais no sistema de liberdade sindical e autonomia para reivindicação de normas e condições de trabalho. mas não pode nunca apagar-se aquela sua essencial razão de ser sem com isso o desnaturar.

o que significa dizer que. sendo que a relação de . O desconto deverá ocorrer nos salários referente ao mês de março de cada ano e recolhido aos cofres sindicais no mês de abril. também conhecida como Contribuição Compulsória. conforme trás o artigo 8º da Constituição Federal.1. sendo que nem todas tem previsão legal explícita: 2. mais especificamente o inciso IV: “A assembléia geral fixará a contribuição que. 602 da CLT. independentemente da contribuição prevista em lei”.2. da representação sindical respectiva. se a remuneração for paga por tarefa. em se tratando de categoria profissional. se o pagamento for feito por unidade de tempo ou 1/30 da quantia percebida no mês anterior. um dia de salário para a apuração da contribuição sindical equivale a uma jornada de trabalho. empreitada ou comissão. ainda que não sindicalizados. para custeio do sistema confederativo. È a contribuição prevista em lei. e os empregados que forem admitidos posterior àquela data que não tenham trabalhado anteriormente. Contribuição Sindical ou Imposto Sindical. conforme art. será descontada em folha. todos aqueles que pertencerem a uma categoria deverão realizar o pagamento desta contribuição. Trata-se de uma contribuição compulsória. Características das cinco contribuições mais populares em nosso sistema sindical. A contribuição sindical está estabelecida nos artigos 578 e seguintes do Estatuto Consolidado. O empregado que não estiver trabalhando no mês destinado ao desconto da contribuição sindical será descontado no primeiro mês subsequente ao do início do trabalho. QUANTO AO RECOLHIMENTO DESTA CONTRIBUIÇÃO: Para os empregados.

baseia-se num percentual fixo (artigo 580. conforme art. Para os empregadores a contribuição será proporcional ao capital social da firma ou empresa. O recolhimento das contribuições sindicais citadas acima. nos trinta primeiros dias. mediante ação executiva. conforme o artigo 580. além de juros de mora de 1% ao mês e correção monetária. § 5º da CLT. isento de outra penalidade. com o adicional de 2% por mês subseqüente de atraso. . bem como os comprovantes de recolhimento deverão ser enviados às entidades beneficiárias. que forem efetuadas fora do prazo. Quanto aos valores arrecadados seu repasse efeito na seguinte ordem: 60% do valor arrecadado fica com o Sindicato. agentes e trabalhadores autônomos. quando espontâneo será acrescido da multa de 10%. tal recolhimento deve ser efetuado no mês de abertura. o desconto será no mês de abril e em relação aos profissionais liberais. valendo como título de dívida a certidão expedida pelas autoridades regionais do Ministério do Trabalho – artigo 606 da CLT. No caso dos trabalhadores avulsos. 15% com a Federação. inciso II da CLT). o infrator. E para aquelas cuja abertura deu-se posterior a janeiro. registrado na Junta Comercial ou órgão equivalente. O montante recolhido reverterá em favor do Sindicato. O recolhimento da contribuição sindical patronal deverá ocorrer no ultimo dia útil do mês de Janeiro de cada ano. nesse caso. QUANTO AO NÃO CUMPRIMENTO DESTA CONTRIBUIÇÃO Em caso de não pagamento. valendo ressaltar que as entidades que não estejam obrigadas ao registro do capital social deverão considerar como capital para efeito do cálculo o percentual de 40% sobre o movimento econômico registrado no exercício financeiro anterior. cabe às entidades sindicais promover a cobrança judicial. será em fevereiro. CLT. Para os trabalhadores autônomos e profissionais liberais. 5% com a Confederação respectivas e 20% com o Ministério do Trabalho (na Conta Especial Empregados e Salários – CEES). 589.empregados e valores. ficando.

2. É uma obrigação estatutária devida pelos associados dos Sindicatos. Ela não deve ser confundida com nenhuma outra contribuição. em geral. definida em assembléia geral da respectiva entidade Sindical. Pode-se considerar um real sócio do sindicato aquele que: . nos valores estabelecidos pela Assembléia Geral. “ART. haverá por parte da Entidade Sindical a cobrança de uma mensalidade correspondente. do Art. na forma estabelecida nos estatutos ou pelas assembléias gerais”. encontra-se fixada em convenção coletiva. e para tanto. 548 Constituem o patrimônio das associações sindicais: b) as contribuições dos associados. ao fazer uso das prerrogativas a que terá direito. que é voluntário. A contribuição associativa é devida apenas pelos associados. que o associado paga ao sindicato por força do próprio ato de associação. os requisitos exigidos para sua cobrança: filiação sindical e previsão estatutária. O embasamento legal desta contribuição é a alínea “b”. pois se trata de um valor a ser pago pela empresa ou empregado em virtude de sua associação ao sindicato que o representa. 548 da CLT. Essa associação é uma manifestação espontânea de vontade por parte de quem deseja se associar ou filiar-se a um determinado Sindicato. Contribuição Associativa Também chamada mensalidade. A Contribuição Associativa é destinada à manutenção dos serviços prestados exclusivamente aos associados. Pode ser paga diretamente pelo interessado. valor e obrigação desta última. aderem automaticamente às normas estatutárias. ou através de autorização de desconto remetida à empregadora. Uma vez que a empresa filia a algum sindicato. aos seus respectivos Sindicatos da categoria a que se enquadrem. São dois. cuja forma.2. devendo contribuir com a mensalidade se assim estiver estipulado. nos termos estabelecidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas. portanto.

principalmente pelo fato de o mesmo ter participado das negociações para obtenção de novas condições de trabalho para a categoria.• Mantém-se a par dos objetivos e da política de ações do sindicato. 2. isto é. também conhecida como taxa assistencial é uma importância paga pelo sindicalizado (fixada em percentual sobre um dos 12 salários do ano) sempre que o seu respectivo sindicato consegue para o sindicalizado algum benefício. Só é devida para os sindicalizados. no mês seguinte a homologação do instrumento. Visa custear as atividades assistenciais do sindicato. • Tem sentido e visão de classe. • Aceita encargos e responsabilidades. Contribuição Assistencial Contribuição assistencial. • Paga pontualmente sua anuidade e outras contribuições. associados. desde que seja comunicado por escrito para a empresa e o sindicato da categoria no prazo máximo de 10 dias. ou aumento de salário. • Apresenta reivindicações justas e pertinentes. aos trabalhadores que por livre e espontânea vontade se filiaram ao seu respectivo sindicato. tornando-se. • Participa das atividades sindicais. • Convida companheiro para associar-se. que vem estampado em dissídios coletivos ou acordos intersindicais. É fixada por assembléia convocada através da publicação de edital e está prevista em acordo ou convenção coletiva de trabalho. . • Participa das reuniões e assembléias.3. portanto. O pagamento da contribuição assistencial é anual. descontado em folha e no valor definido pela assembléia da categoria. É dado ao profissional o direito de oposição ao pagamento desta contribuição. • Vota nas eleições sindicais e se compromete com o processo eleitoral.

A taxa negocial. não são beneficiárias desta contribuição. ou contribuição negocial. composto de sindicatos. devendo ser fixada em assembléia geral de toda a categoria. Não há critério para sua fixação.2. Contribuição Confederativa É uma contribuição destinada apenas para os filiados ao sindicato. 2. Esta modalidade de contribuição também . 548 da CLT alínea B e o inciso IV do art. federações e confederações. por não integrarem o sistema confederativo. a lei determinará um critério para a base de cálculo das categorias econômicas. É a retribuição da categoria pelas conquistas conseguidas pelo seu Sindicato nas negociações com a classe econômica. por serem pessoas jurídicas de direito público não pertencentes ao sistema confederativo. também não são beneficiários da contribuição confederativa. Conforme art. independentemente da contribuição prevista em lei". os conselhos federais e regionais fiscalizadores do exercício de profissionais liberais. pois são entidades formadas livremente pelos seus interessados. será descontada em folha. para os empregadores.5.4. Tal contribuição será descontada em folha de pagamento dos empregados de acordo com a quantidade de empregados no estabelecimento e. Pode ser cobrado tanto por Sindicatos representantes de categorias profissionais quanto de categorias econômicas. ainda que não público. A Contribuição Confederativa destina-se ao custeio do Sistema Confederativo da representação sindical. 8 da Constituição Federal. por uma convenção ou um acordo coletivo. “A assembléia geral fixará a contribuição que. é uma contribuição cobrada dos trabalhadores beneficiados por uma norma coletiva. Contribuição "negocial". Neste mesmo diapasão. Vale à pena ressaltar que as centrais sindicais. em se tratando de categoria profissional. para custeio do Sistema Confederativo da representação sindical respectiva. que é definida pela assembléia. também chamada de "taxa negocial" contribuição negocial que da conceituação tributária recebe a definição de uma contraprestação a um serviço prestado.

para todos os sindicatos de todas as categorias. correspondente a 1% de cada salário. . que não trazem absolutamente nada à categoria. Há outros que possuem contribuições até menores. mais 1% do 13º salário. Há sindicatos que tem contribuições consideradas altas. não pode focar única e exclusivamente as contribuições. tendo para isso equipe técnica altamente eficiente. formulada por um sem número de notáveis. Na reforma constitucional sobre matéria sindical entabulada. ou por duas dúzias. mas conseguem amplos benefícios à categoria em negociações. que esta contribuição seria também compulsória. sem que houvesse uma forma de medir o trabalho executado e seu resultado. mas.deriva de certa forma. e que seria depois submetida ao congresso nacional. segundo nosso entendimento. ampla gama de serviços. nenhum benefício além dos legais. haveria índices de medição da representatividade e atuação sindical. juntamente com tal mudança. apesar de não ser de sua essência. e com sorte o trabalhador poderia contar com alguma forma de cobrar resultados do seu sindicato ou de pelo menos vincular sua arrecadação aos resultados obtidos para a categoria. independente de ser associado ou não à entidade. possuem departamento jurídico coletivo atuante. da entidade e os benefícios que são gerados. mas deve. excelente assessoria de comunicação. pelo menos. ainda. inclusive vinculado às centrais sindicais. assessoria especializada em questões políticas de interesse da categoria. inclusive acompanhamento de projetos de leis que virão beneficiar a profissão em questão. um limite admitido para a taxa negocial. Trocaríamos assim o seis por meia dúzia. esta contribuição seria implantada e em alguns anos seria suprimida a contribuição hoje compulsória. não defendendo a contento os interesses da categoria e não possuindo qualquer patrimônio. o que vem indicar que os recursos não são bem utilizados. denominada Contribuição Sindical. que seria de 13% ao ano. portanto. da já mencionada taxa de solidariedade. grande patrimônio e. Logicamente que se tal taxa fosse aplicada indiscriminadamente. já que parte do conceito de que todo trabalhador deve contribuir para a manutenção daquela entidade que beneficia sua categoria. O poder fiscalizatório do parquet. Havia. observar o efetivo do trabalho.

condicionando o homem a viver predeterminado ao desenvolvimento de funções que confirmavam a manutenção de ordem estabelecida. a atitude da época já refletira na liberdade sindical de um povo que não sabia nem da existência dos seus diretos. porque o conteúdo da liberdade sindical possui diversas dimensões. Questões que desafiam a atuação dos Sindicatos em prol da categoria representada . no tocante a classificá-la. O primeiro destes elementos é a autonomia sindical.3. no ano de 67 a. isto tudo. devemos ter em conta que esta autonomia não se restringe às características do direito individual do . 65-73) que não se pode tratar da organização sindical sem conceber os três elementos constituintes da liberdade sindical. C fica proibido pelo senado Romano o seu funcionamento. Preleciona RUSSOMANO (1995. infelizmente pouco contribuíram ao que podemos chama hoje de organização sindical. sindicalização livre e pluralidade sindical. nos quais a autonomia sindical. O sentido da liberdade sindical deve ser entendido como a faculdade dada aqueles sujeitos em exercer as suas ações.Condições para o exercício do direito à Liberdade Sindical. uma vez que o direito sindical é importante sustentáculo da relação entre trabalhadores e as sociedades empresarias. buscavam atender as suas necessidades dentro das condições do trabalho existentes na época. AS QUALIFICAÇÕES DA LIBERDADE SINDICAL: A liberdade sindical tem sido vista e discutida sobre diversas perspectivas na doutrina e jurisprudência. exemplo disto é a possibilidade do trabalhador se filiar ou não a um sindicato. que possui peculiaridade de abranger as relações coletivas de trabalho liberdade sindicais engloba direitos individuais. Na antiguidade a divisão da sociedade se fundamentava na religiosidade. principalmente. através da mutua ajuda. O principio da liberdade sindical é um dos princípios reguladores do direito do trabalho. em momentos histórico os colégios romanos tinham o objetivo de prestar assistência social aos trabalhadores que exerciam o mesmo oficio e que. p.

existem aqueles que defendem o regime da unicidade sindical. Como último vértice tem a pluralidade sindical que não esta reduzida à possibilidade do sindicato se organizar e atuar livremente. ao receio de que cada fração deste movimento esteja vinculada a um grupo político distinto podendo causar uma crise social e política dentro da classe que representa (XAVIER. dar continuidade ou não do vínculo firmado com a única entidade representativa existente. notadamente quando imposta por lei. ou seja. não lhe cabe escolher pela entidade que mais lhe agrada. 193). uma vez filiado. é assim.trabalhador. 1992. nem tão pouco ao direito concebido individualmente ao trabalhador de escolher se pretende ou não se associar ou se deseja manter ou não sua filiação. baseados na imagem de que a união faz a força. mas trata também de uma liberdade coletiva refletida no direito do sindicato organizar-se e guiar-se por si. ainda. um órgão oficial carecedor de força moral. Neste caso. O exercício desta liberdade o sindicato não deverá estar submetido ao governo e as pressões de forças que atuam ao seu lado nas relações sociais do Estado. este regime caracteriza-se pela existência de uma única entidade representativa dos interesses coletivos. do poder econômico das sociedades empresárias. ainda. p. isto acontece. o trabalhador possui apenas a escolha de formar ou não. das confederações e das federações sindicais e. a existência de um sindicato único por imposição legal. estamos diante da total ausência desta possibilidade. sendo livre a executar as suas determinações. pois. Ao falar de unicidade sindical. então diante de uma falsa liberdade. independentemente da forma de sindicalização adotada. Sendo assim. ainda. agora baseada em ideologias que melhor correspondem aos seus desejos. facultar o rompimento deste vínculo em conjunto com a criação de uma nova entidade. de uma liberdade fracionada. A vantagem da unicidade é sempre vista relacionada ao problema do enfraquecimento que a proliferação de entidades pode trazer ao movimento sindical e. pois. estamos. Contudo. Trata-se também da possibilidade de ofertar a opção de se filiar a uma entidade de sua preferência ou. não exprime a manifestação da vontade coletiva. No entanto. não surgiu em conformidade com os anseios dos seus .

os defensores da pluralidade sindical defendem que este problema diminuiria a representatividade dos interesses dos trabalhadores quando a entidade sindical é alvo das pressões os grupos governistas e do poder econômico. isto sim. debilitaria a atividade sindical. p. fracionará a própria categoria e será um belo convite à criação de novos sindicatos ou. nada mais legitimo que um único sindicato represente os interesses daquela classe. este pluralismo não é só calmaria. Contudo. se a unicidade sindical for conseqüência destas pretensões. verdade que a pluralidade de sindicatos restringe as possibilidades de defesa de uma classe. Não se trata aqui de afastar definitivamente a unicidade sindical. 1998. na política sindical. há uma autêntica liberdade sindical (LEITE. causa à . pois esta forma de sindicalismo pode vir a trazer problemas para a organização do movimento sindical. 84) acerca do direito da minoria que este pressupõe. quando dissolve seus esforços em diversas associações.associados. nos deparamos com pior situação quando uma lei impuser a unidade de representação na categoria e no seu seio houver grupos com convicções dissidentes. Ressalta RUSSOMANO (1995. Assim. a única intenção aqui é preservar concomitantemente o pleno exercício da liberdade sindical e as reais pretensões das classes. refletindo em proporções superiores à vontade do grupo. porquanto. e. sendo estes impossíveis em face da própria lei local. desde que seja resguardada aos membros a possibilidade de a qualquer momento constituir um novo sindicato que subsista com o anterior quando esta não mais lhe convier. O regime da pluralidade sindical se encontra a liberdade dos representantes em constituir um sindicato novo a qualquer tempo e conforme as suas convicções. assim se esta inconformidade for levada ao extremo. ao isolamento progressivo dos descontentes no grande conjunto da vida trabalhista. Nesta idéia de pluralismo sindical existe uma garantia da concorrência na representação dos interesses dos trabalhadores. p. É. igualmente. afastando a vontade dos associados com a finalidade de dificultar a obtenção e a consolidação das suas reivindicações. não fruto da lei. a inconformidade com a resolução tomada pela maioria. 199). Já. Porém.

mas não estar somente adstrita ao caráter associativo (XAVIER. têm o direito de constituir as organizações que lhe . não havendo interesse coletivo. Assim. 1992. bem como não tem como sobreviver em um mesmo sindicato ideologias opostas. que estabelece importantes aspectos sobre o pleno exercício desta liberdade. em nenhuma distinção e se previa autorização. ampliando a função sindical e impondo-lhe. A LIBERDADE SINDICAL NA OIT: A OIT vem adotando a tutela do movimento sindical livre como fundamental à proteção das condições das relações de trabalho e de vida do trabalhador. ocorreria à exclusão da fração com menor força expressiva. mas é sobretudo na sua Convenção n° 87. Na atual sociedade não se pode separar totalmente a entidade sindical de seus ideais. também. desde que estejam de acordo com a liberdade de atuação dos sindicatos e em consonância com as normas legais e costumes dos diversos países e que não haja uma supressão da finalidade do movimento sindical. a responsabilidade nas soluções de cunho político. adotada em 1947. é imprescindível delimitar a categoria a ser representada pela entidade sindical. é incompatível a organização da estrutura da entidade sindical em bases hermenêuticas.sobreposição dos interesses de uns sobre outros. 2 que prescreve que os "trabalhadores e empregadores. 140-142). A pluralidade sindical não pode ser a solução perfeita já. Dentre muitas considerações desta convenção podemos ressaltar a disposição do art. A representação no regime sindical deve estar relacionada a interesses que podem ultrapassar a dos próprios filiados. pois. mas é a que melhor se adequa à realidade social permeada de distintas convicções. que facilita a criação de vários sindicatos com pouca ou nenhuma representatividade dos interesses dos seus associados. p. A liberdade sindical é tratada pela OIT no Preâmbulo do Tratado Internacional do Trabalho onde enuncia que "entre os meios susceptíveis de melhor as condições d e trabalho e de garantir a paz" encontra-se "a afirmação do principio da liberdade de associação sindical".

a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato. não podendo . procurando salienta os aspectos que apóiam a idéia defendida no presente texto.acharem convenientes. p. também. o projeto de Decreto Legislativo para a sua aprovação. Apesar de haver expressamente qualquer tipo de declaração a respeito da unicidade. em qualquer grau. quer a respeito da pluralidade. observa-se que a OIT procura resguardar este direito sem. contudo.é vedada a criação de mais de uma organização sindical. Sendo assim. apesar de estar em tramitação no Congresso Nacional. 8). observado o seguinte: I . desde 1984. porém. o direito a pluralidade sindical vem sendo tutelado como uma forma de exercício da liberdade sindical. qual seja a aproximação da pluralidade com o exercício democrático da liberdade sindical. notadamente. está prevista como direito fundamental na CF/88 no artigo 8° que dispõe: Art. na mesma base territorial. O Brasil não ratificou esta convenção. a interpretação da norma leva ao entendimento de que está resguarda a liberdade de escolha e constituição de associações de acordo com a conveniência dos filiados. assim como de a elas filiarem. vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. II . Assim. Como afirmamos a liberdade sindical. representativa de categoria profissional ou econômica. sob a única condição de observar os seus estatutos". A PLURALIDADE E A UNICIDADE SINDICAL NO BRASIL: Depois de demonstrado o posicionamento a respeito da liberdade sindical. acerca da organização e estrutura dos sindicatos sob a égide do pluralismo. que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados. infringir a ordem jurídica adotada por cada Estado-Membro (art. não se pode falar em imposição de sindicato único sem que haja desconsideração ao disposto na convenção n° 87 (XAVIER. 8º É livre a associação profissional ou sindical. ressalvado o registro no órgão competente. mediante reforma constitucional. passa-se a analisar o regime jurídico atual do Brasil. 123-124). 1992.

As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores. 8. 8 da CF/88. VII . inferior inclusive à em área questões de judiciais um ou Município. A pluralidade sindical.ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da IV .é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. Parágrafo único. III .ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato. a autonomia sindical e a pluralidade de sindicatos. pois as entidades sindicais apesar de não necessitar de autorização estatal possuem uma rigorosa e arcaica estrutura corporativista onde prevalece a unicidade sindical. VI . limita no seu próprio texto a liberdade sindical quando mantém os aspectos do corporativismo da Constituição de 1937. atendidas as condições que a lei estabelecer. V . II). bem como a contribuição compulsória (art. Regime implementado pela CF/88.é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e.ser categoria. VIII . se eleito. para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva. em se tratando de categoria profissional. administrativas. não foi protegida no regime jurídico brasileiro. Somente haverá liberdade sindical quando estiverem protegidos os seus elementos quais sejam: a livre sindicalização. A nossa legislação protegeu tanto a livre sindicalização como também a autonomia sindical quando disciplinou no caput e no inciso I do art. até um ano após o final do mandato. no entanto. independentemente da contribuição prevista em lei.a assembléia geral fixará a contribuição que. III). salvo se cometer falta grave nos termos da lei. 8. . será descontada em folha. onde é obrigatória a sindicalização por categoria em determinada base territorial (art. ainda que suplente. apesar de prever a associação sindical livre sem interferência estatal na criação e organização dos sindicatos.o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais.

.Não devemos aqui confundir a pluralidade sindical com a pluralidade de associações. pois nestas poderá ser reconhecida pelo Ministério do trabalho a reunião de várias associações profissionais para uma mesma categoria.

desvinculando os sindicatos do corporativismo. que comporta em sua natureza diversas dimensões. É clara a necessidade de uma reforma na Constituição no âmbito da organização sindical. de seu "custo benefício" para a categoria representada.não é possível a concepção de liberdade sindical em um regime. por si só. A liberdade sindical é. convenientemente com os seus anseios e vontades como um grupo. não é importante apenas visualizarmos isoladamente o quanto determinado sindicato arrecada. através de formas inovadoras de negociação. para que seja implantado um real sistema de liberdade. dependente de vontade política. do contrário não teremos uma visão clara de seu efetivo desempenho.CONCLUSÃO Como vimos. mas também qual o nível de sua atuação em prol da categoria. o ideal é a constituição de vários sindicatos através da livre iniciativa dos empresários e dos trabalhadores. onde o Estado tolhe a pluralidade de direitos. É comum hoje em dia. exercida tanto em sentido positivo como negativo. notadamente. podendo ser caracterizada tanto como liberdade individual como coletiva. tão inerente à essência desta liberdade pública. para que possa fixar autônoma e democraticamente suas condições de trabalho. . através de negociações coletivas criativas e sensíveis às necessidades das partes. conforme acontece no Brasil. Embora as nossas relações sindicais estejam longe das ideais. o estabelecimento de benefícios mútuos de grande valia. a baixos custos para as empresas. uma liberdade múltipla. o empenho conjunto das categorias profissionais e econômicas tem apresentado evolução e conquistas. dos enclaves da unicidade imposta por lei. em termos de quantidade e qualidade.

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