História da Idade Contemporânea

Apontamentos de: Ana Peixoto Email: mig.pand@netc.pt Data: 2000/01 Livro:Introdução à História do Nosso Tempo Do Antigo Regime aos Nossos Dias René Rémond Gradiva 1994

Nota: O resumo do livro foi efectuado de acordo com os objectivos expressos no Caderno de Apoio para cada um dos capítulos. As respostas às actividades que se encontram também no mesmo Caderno foram compiladas (fornecidas pela assistente da cadeira). No final, encontra-se um glossário de conceitos e noções retirados quer do Dicionário de História da Edit. Universal quer de outros materiais de apoio existentes no mercado.

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História da Idade Contemporânea
Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 1 / 95

1. O HOMEM E O ESPAÇO: MUNDO CONHECIDO E MUNDO IGNORADO 1.1 Caracterize a situação do mundo quanto às relações e à comunicação entre as várias regiões Em 1750, para a humanidade, o mundo não existe como uma unidade. Não é concebido como tal. Não existe simultaneidade. As invenções técnicas estão ainda por chegar: não se conhece a revolução dos meios de comunicação, nem a revolução dos transportes. No séc. XVIII, o homem desloca-se a passo ou a cavalo. É o passo do cavalo e velocidade dos navios à vela que condicionam as comunicações, ritmam a transmissão das notícias ou das ideias, medem a distância. O mundo surge aos contemporâneos de 1750 incomparavelmente mais extenso e vasto do que actualmente. O homem encontrava-se então mais longe do homem. Tal situação implica todo o género de consequências. 1.2 Aponte as consequências políticas, sociais e económicas dessa situação Consequências políticas: devido ao distanciamento é difícil constituir associações políticas duráveis; é complicado os governantes administrarem os seus povos; os impérios demasiado vastos estão condenados à decomposição. Os agrupamentos políticos são naturalmente mais restritos. Consequências sociais: os indivíduos não saem de um círculo restrito - aldeia, paróquia, uma região geograficamente limitada – e ignoram o resto do mundo, vivendo assim numa dependência muito estrita no interior desse pequeno grupo. Consequências económicas: Os mercados são limitados. O que existe é uma economia de subsistência para produzir tudo o que se precisa, pois as trocas são quase inexistentes. 1.3 Refira as etapas de reconhecimento do mundo pelos homens e da apropriação do espaços O reconhecimento do mundo é uma consequência dos Descobrimentos. Em 1750, por iniciativa dos Ocidentais, o conhecimento geográfico do mundo já fez grandes progressos. A epopeia geográfica foi escrita por alguns países europeus devido a vários factores, nomeadamente os seguintes: Factores intelectuais ou morais: curiosidade, motivos científicos, de ordem religiosa como a vontade de levar até aos limites da Terra a mensagem do cristianismo. Motivos comerciais: a procura de novas vias de acesso às riquezas da Ásia. Motivos políticos: a vontade de poder das Nações. Meios científicos: aperfeiçoamento dos instrumentos de navegação; desenvolvimento da astronomia e hidrografia. Meios técnicos: o navio é o meio de exploração. Reencontramos o avanço cronológico dos países marítimos em relação aos países continentais: primeiro Portugal, depois Espanha. No século XVIII estes impérios coloniais já estão em declínio. Tomaram-lhes o lugar a França, a Inglaterra, as Províncias Unidas e mesmo os países escandinavos. Muito mais tarde, Alemanha e Itália juntar-se-ão ao grupo das potências coloniais. A Rússia tem também o seu lugar nesta lista, embora se expanda na Ásia através de uma espécie de dilatação da própria massa territorial, e não, como aconteceu aos outros países. Estes factos remetem-nos para a seguinte conclusão: houve um avanço da Europa Ocidental e depois da Europa Central. Estas duas Europas correspondem por um lado às sociedades marítimas (burguesia numerosa, e activa e uma economia com um comércio externo apreciável), por outro, às sociedades continentais (orientadas para a terra e cuja economia é totalmente agrária).

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Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 2 / 95

Em meados do séc. XVIII subsistem ainda grandes manchas brancas nos mapas da época ou assinaladas por terra incognita. É no séc. XIX que os exploradores vão resolver estes enigmas. Na segunda metade do séc. XVIII a curiosidade científica é intensa e as técnicas progridem, havendo expedições de todos os géneros. O regresso às origens da história é outra etapa da procura empreendida pelo homem. As conquistas dos pólos efectuam-se em 1909 e 1911. Nas vésperas do primeiro conflito mundial o homem tem um conhecimento praticamente total do globo. 1.4 Comente a afirmação “a época do mundo acabado começou” A expressão original de Valery – “a época do mundo acabado começou” – refere-se à tomada de consciência que a Terra é finita e ao conhecimento do globo, apesar de haver ainda vastos espaços que só lentamente foram desbravados pelo homem. Tomou-se consciência da finitude do espaço terrestre e dos seus limites. O crescimento da população mundial conduziu a grandes movimentos migratórios e à ocupação de espaços ainda inexplorados pelo homem. O conhecimento do mundo e o movimento da expansão, sobretudo dos países europeus, agudizou os conflitos pelo domínio de vastas regiões do globo entre as potências contemporâneas. Observe o mapa sobre as navegações dos europeus e o progressivo conhecimento do mundo. Discrimine as principais etapas da explorações geográfica do globo terrestre pelos europeus. As principais etapas da exploração geográfica do globo iniciam-se com as viagens dos descobrimentos nos séculos XV e XVI, onde os portugueses tiveram um papel pioneiro. Nos séculos seguintes esse processo continuou com a exploração do interior dos continentes, nomeadamente na América e, já no século XD(, na África A exploração dos pólos foi a etapa mais difícil, devido às duras condições climáticas. A última etapa dos homens na qualidade de exploradores iniciou-se com as viagens espaciais. O mapa assinala as viagens mais importantes e os nomes dos que as realizaram. Na pp. 2226 o manual aborda o assunto. Caracterize a situação do mundo quanto às comunicações entre as várias regiões no século XVIII. Apesar dos progressos realizados na época moderna, o mundo não está unificado e muitas sociedades vivem isoladas, segundo ritmos ancestrais. Veja o manual pp.19-22.

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O POVOAMENTO

2.1 Caracterize a chamada revolução demográfica Em 1750 o nº efectivo de seres humanos é avaliado em 700 milhões. Em pouco mais de duzentos anos a população quintuplicou. Esta comparação justifica a expressão revolução demográfica. As causas são múltiplas: algumas têm a ver com a diminuição da mortalidade, outras com as modificações da economia e da sociedade. Os efeitos desta revolução demográfica são inumeráveis e estão na base de todos os nossos problemas contemporâneos.

2 Mostre qual era a distribuição da população a nível mundial no século XVIII Em 1750 a repartição da população é muito desigual e o crescimento não se produziu em todos os continentes ao mesmo ritmo. Esta hemorragia está na origem da penúria actual de certos estados da África central. devido ao tráfico de escravos. desde a abolição da escravatura em 1863. a população diminui drasticamente em resultado da hemorragia demográfica do tráfico de escravos. que provoca uma hemorragia demográfica: este facto constitui o primeiro grande movimento migratório da história moderna. mas registará um salto de 1 milhão para 43 milhões de habitantes em 1870. negociadas e trocadas por escravos. na maior parte dos países europeus por um excedente de mão-de-obra. os progressos da agronomia. em consequência. Ásia e África. O tráfico desorganizou as trocas. a reconquista de um terço do solo abrem a esperança de perspectivas inesperadas.4 Explique a relação que existe entre a população e as subsistências disponíveis nos países. entre outros bens alimentares.5 Refira de que forma a revolução agrícola abriu novas perspectivas ao precário equilíbrio entre a população e os recursos alimentares Em alguns pontos privilegiados. Até meados do séc. A América do Norte encontra-se em 1750 praticamente vazia. Na economia de Antigo Regime. 2.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 3 / 95 2. Apercebemo-nos da fatalidade dos processos atmosféricos que ritmam a capacidade da agricultura e. o crescimento da população antecedeu a expansão das possibilidades de emprego. em África. 2.3 Refira as consequências demográficas do tráfico de escravos durante a Idade Moderna Desde o século XVI que a população da África negra diminuía. Esta descontinuidade contribui uma grande diversidade de condições de vida. A Europa lidera o quadro da densidade demográfica. provavelmente apenas com 1 milhão de indígenas. A América Latina tem também bastantes habitantes devido aos impérios coloniais portugueses e espanhóis. África e América. Todas as sociedades de Antigo Regime vivem na obsessão da escassez. A matériaprima oriunda dos navios das costas atlânticas eram. de civilizações. os homens começam a subtrair-se a esta dependência. a capacidade de um país para sustentar a sua população é limitada pelo volume dos recursos alimentares. abalou os fundamentos das sociedades. A revolução demográfica precedeu a revolução industrial. ou seja. 2. subsistem as sequelas como a segregação e a integração racial. a supressão do pousio e. 2. O tráfico de escravos estava intimamente ligado ao comércio triangular que se estabeleceu entre três continentes: Europa.6 Explique o problema do excedente de mão-de-obra e das massas indigentes no Antigo Regime No Antigo Regime. XIX a vida da população e as suas possibilidades de crescimento demográfico são ritmadas pela produção dos cereais. A revolução agrícola. a integração do gado na agricultura. açúcar e tabaco. Para a América. A esmagadora maioria da população mundial encontra-se na Europa. a situação caracteriza-se. Só em 1750 se reconhecerá a existência da Oceânia. consequentemente. Estes seguiam a bordo dos navios para o Novo Mundo onde eram vendidos. Em África. A Ásia é o continente mais povoado de todos. Graças ao produto da venda os navios regressavam a França e Inglaterra com rum. de mentalidades. . o quantitativo da população.

. que parte duma base demográfica já elevada. 32) e pelo quadro apresentado. que tem um crescimento extraordinário. Teremos de esperara pela revolução industrial e pelos seus efeitos. porque eram os mais jovens e válidos as presas mais apetecidas pelos traficantes. na América. o imaginário dessas sociedades forjadas em condições agrestes. é de destacar o caso da Grã-Bretanha. para que. Traduzem uma autêntica hemorragia populacional para África. A esperança média de vida aumentou e as taxas de mortalidade baixaram. No caso da Europa. visto que se desenvolveram reinos e sociedades que serviram de intermediários entre os negreiros europeus e as populações indefesas do interior que capturavam para trocar junto à costa. na Ásia. será importante destacar os países mais desenvolvidos e a Rússia. pelo menos na Europa. Deve discriminar os números que o comprovam e destacar as principais zonas do mundo para onde se deslocaram. mas impressionantes. decorrente do próprio desenvolvimento económico. se reabsorva a pouco e pouco o excedente de população. O que por vezes se chama «quarto estado» é constituído por vários milhões destes seres errantes. O caso da conquista do Oeste americano e das terras de fronteira marcou. posteriormente. 29-33. contudo só na época moderna se massificou. com graves consequências socio-económicas e culturais. os Estados Unidos e alguns países da América do Sul. Analise o movimento emigratório da população europeia no século XIX utilizando os dados fornecidos pelo manual (p. a gigantesca China e a Índia.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 4 / 95 Toda uma população excedentária de indigentes está à espera de trabalho. As principais vítimas desse tráfico foram os povos africanos. Mostre a importância do crescimento da população europeia e as respectivas causas O crescimento da população europeia prende-se com o desenvolvimento económico. da Ásia e da América. A Europa conseguiu ultrapassar o ciclo negro das sociedades de Antigo Regime. calcular alguns aumentos em termos percentuais para dar uma ideia mais precisa desse fenómeno demográfico. de 1750 a 1870. para a Austrália e. e os quadros. Nessas regiões reproduziram o modo de vida e a cultura europeia com as necessárias adaptações ao meio. Na Europa. discriminando os números respectivos. em especial da Europa. nomeadamente para a América. pp. A emigração de europeus para outros continentes. Os números são falíveis. que associava maus anos agrícolas. fomes e pestes. profundamente. para África foi elevadíssima. A escravatura é praticada pelos homens desde a Antiguidade mais remota. Portugal acompanha a considerável distância esse processo de aumento da população. É importante assinalar o grande crescimento demográfico dos vários continentes. inclusive. Identifique as áreas do globo onde o crescimento é mais acentuado Para identificar as áreas do globo onde o crescimento é mais acentuado precisa de analisar com atenção os dados e de fazer alguns cálculos. Observe os dados quantitativo dos quadros e gráfico e discrimine a distribuição da população mundial por continentes e países Para responder de forma correcta a esta questão deve ter em conta o que diz o manual. Pode. Pelo contrário. com a melhoria das condições sanitárias e de saúde. A partir dos elementos disponíveis no manual e neste caderno analise o problema da escravatura e as respectivas consequências para o continente africano. Vitimas e protagonistas. repercutindo positivamente no crescimento da população.

A cidade é um centro de trocas. o qual varia em função do desenvolvimento económico e da difusão dos conhecimentos.1 Defina os conceitos ou noções de ordem. assim. o rendimento dos capitais aplicados no comércio interno e externo seja infinitamente mais remunerador do que os benefícios da renda fundiária (rendimento proporcionado pela posse da terra). onde só se encontra um campesinato de servos e uma aristocracia de grandes proprietários. sociedade rural e sociedade urbana Vd. antes de mais.4 Caracterize as burguesias das sociedades pré-industriais quanto à sua composição social A burguesia é. Esta burguesia está desigualmente desenvolvida através da Europa. constituída por mercadores e negociantes. A forma habitual de aplicar o dinheiro é na terra. Em 1780 os rendimentos dos campos asseguram quase três quartos do rendimento nacional total. É válida para a distribuição dos homens e também para o rendimento nacional. direitos feudais. . numa sociedade em que os valores rurais predominam. Onde não existe burguesia o Estado é forçado a substituí-la – é o poder que desenvolve o país. que é composta pelas cidades hanseáticas. flamengas. uma burguesia das profissões liberais.3 Caracterize as sociedades urbanas mostrando a importância das cidades em geral. 3. No cume. É ela que está na origem da ascensão social. Esta correlação tem consequências quanto à composição social da população urbana: burguesia de comércio e de função. glossário.2 Caracterize as sociedades rurais explicitando as diferenças entre as várias regiões da Europa É de sublinhar a esmagadora predominância da sociedade rural sobre a sociedade urbana. só a posse da terra é digna de consideração. Grosso modo. os proprietários exploradores que têm suficientes bens para não precisarem de arrendar terras alheias. as regiões urbanas desenham uma espécie de faixa orientada de noroeste para sueste da Europa ocidental. A maior parte das cidades são portos.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 5 / 95 3 A ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE ANTIGO REGIME 3. renda fundiária. aristocracia. coexiste uma burguesia intelectual e da administração. Foi do comércio que nasceu a maior parte dos grandes centros urbanos. das cidades portuárias e das burguesias. 3. Só uma pequena minoria vive na cidade. No mais baixo da escala estão aqueles que trabalham a terra sem a possuir. A superioridade do campo estende-se a todos os aspectos da vida social. os capitais do comércio ou da indústria e esterilizao na compra de terras. No Ocidente encontra-se uma burguesia importante sem equivalência no Leste. alemãs e pelas grandes cidades da Itália setentrional. obrigações comunitárias. burguesia. Embora. Ao seu lado. usurário. classe. No entanto. O código dos valores sociais desvia. 3. a que gravita à volta dos parlamentos. servidão. A sua amplitude depende do grau de desenvolvimento dos países.

social e também intelectual. não se trata de uma sociedade fossilizada: pode ascender-se ao clero por vocação e à nobreza através de cartas de enobrecimento dadas pelo rei. A sociedade do antigo regime assenta na desigualdade. 3. sociais e militares. das relações sociais e da economia rompeu com o equilíbrio entre direitos e deveres. a burguesia e o campesinato vão solidarizar-se nas origens da revolução de 1789. Também se pode ascender por vocação no caso do clero ou por via de cartas de enobrecimento. o povo. Cada ordem tem o seu estatuto próprio.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 6 / 95 3. A evolução enriquece a burguesia que contribui mais activamente para o desenvolvimento do país. isto é.8 Explique a reacção nobiliárquica às transformações sociais que se foram dando no Antigo Regime Vendo a sua posição ameaçada e a fortuna a diminuir. porque injustificada. 2º factor de transformação – Económico: A evolução da economia empobrece a nobreza. o equilíbrio tradicional entre deveres e direitos. 1º factor de transformação – Político: Desenvolve-se uma forma de regime mais recente: a monarquia absoluta. das tarefas e das situações. Esta sociedade assenta na diversidade. também o seu papel político: é a partir dela que os soberanos recrutam ministros e funcionários. na pluralidade das ordens. 3. presta culto a Deus e está liberto de todo o trabalho servil. a nobreza procura conservar e preservar uma ordem que lhe era vantajosa e reforça disposições jurídicas e o seu lugar junto do soberano. rompendo-se. a persistência da desigualdade e da permanência da sociedade dividida em ordens. a nobreza assegura a defesa e a protecção. A classe não tem essa expressão. no caso da nobreza. pois é a expressão da diferença das dignidades. na hierarquia e na multiplicidade das leis. dos privilégios inerentes ao nascimento e às funções desempenhadas. É apenas uma simples realidade de facto e fundamenta-se na desigual distribuição de riqueza existente e nas diferenças socio-económicas que daí resultam entre os vários grupos sociais. A opinião pública toma consciência disso. Deste modo. o terceiro estado.5 Distinga entre ordens e classes As ordens são grupos em que a sociedade se divide com um estatuto definido e regulamentado a nível jurídico. Cresce. já que a terra perde a sua importância em detrimento da economia monetária. XVIII. O antigo regime é o regime da lei particular. À nobreza é retirada uma série de funções. A evolução da governação. das trocas comercias. em que o poder se concentra nas mãos de um soberano único. Este reduz o papel da nobreza a uma serventuária do culto monárquico: a corte. Estes privilégios comportam um sistema de direitos e de deveres que se equilibram. 3. trabalha. Reage também contra os camponeses repondo em vigor muitos direitos caídos em desuso.7 Exponha os sinais de envelhecimento dessa organização social e os respectivos factores de transformação Esta situação transforma-se no séc. também julga e lança direitos feudais. Ele parte do reconhecimento da diversidade das situações e consagra-a juridicamente. pois o antigo regime desconhece leis únicas. porque vai contra o sentido da evolução económica. O .6 Analise a organização social característica do Antigo Regime A sociedade do Antigo Regime está dividida em 3 ordens e assenta originariamente na diferenciação de funções. De resto. 3º factor de transformação – Espiritual/Ideias: A evolução dos espíritos e das ideias começa a sentir como inaceitável. O clero reza pela comunidade. assim. A reacção nobiliárquica torna-se assim odiosa face aos olhos dos contemporâneos. Pertence-se a uma ordem por nascimento. que é tida como legítima. que passam para a mão do rei.

• Nas mãos da nobreza. em particular as corveias. despotismo. colegialidade. repúblicas patrícias. um processo de desapropriação e de concentração da propriedade que expulsa muitos camponeses das terras. que passam a ser exploradas directamente pelos proprietários ou são arrendadas por preços tanto mais elevados quanto maior for a procura de terras.1 Defina os conceitos de feudalismo. vassalagem. XIX ou XX.2 Caracterize os cinco tipos distintos de organização política das sociedades europeias de Antigo Regime : sociedades feudais. Repúblicas Patrícias • Ligadas à cidades. A privatização dos baldios e terrenos comunais também constituiu um processo dramático de desapropriação das comunidades. servidão. Caracterize a situação social dos camponeses na transição do feudalismo para o capitalismo. Vilar. assim. • Ausência de um poder central. • Organização política que cobre uma área reduzida e que entra em declínio com o avanço geral da sociedade. 4 AS FORMAS POLÍTICAS DO ANTIGO REGIME 4. • Outros sinais do feudalismo: as Instituições representativas. nas várias regiões da Europa.36-41) e o excerto do texto de P. Os campos ocupam cada vez menos mão-de-obra nas sociedades contemporâneas. 4. o método electivo e a colegialidade política. oligarquia. despotismo esclarecido e o regime britânico Feudalismo Aristocrático • É o tipo mais antigo e sobreviveu até ao séc. Ao mesmo tempo. monarquia absoluta. cobrindo espaços restritos. • Existência de laços pessoais completado pela servidão (relações no interior das ordens e entre o senhor e o camponês – vassalo e suserano). os camponeses perdem o direito ao usufruto das terras. suserania. Na sua resposta deve desenvolver estas questões e mostrar que o processo ocorreu de forma diferenciada nas várias regiões da Europa. república. Vd. . monarquia. absolutismo e soberania. Leia o sub-capítulo sobre a sociedade rural (pp. patriciado. nomeadamente da servidão e de todas as obrigações que pesavam sobre eles. • Modelo adaptado às sociedades rurais da Idade Média.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 7 / 95 movimento das ideias e a sua difusão vai atacar os próprios fundamentos da sociedade do antigo regime. que estavam habituadas a utilizar essas terras desde tempos ancestrais. glossário. • Governam-se livremente. • Está ligado a uma economia assente na propriedade e na exploração da terra. Dá-se. • O poder é detido por uma minoria do tipo colegial e electiva. Os pequenos proprietários endividam-se e perdem as terras para os credores. O processo de transição do feudalismo para o capitalismo nos campos caracteriza-se pela libertação dos camponeses de todas as peias de carácter feudal.

4. com largas atribuições que limitam a acção do monarca em determinados aspectos. • As transformações da sociedade beneficiam a autoridade real porque dá uma resposta adequada aos problemas resultantes da evolução geral.3 Mostre a modernidade da monarquia absoluta e os limites do absolutismo Quatro factores jogam a favor do absolutismo: • A evolução das ideias devolveu o valor à ideia de Estado. esmagando imunidades. com simpatias e aliados. • Apresenta-se como monarquia hereditária. se vira para o rei protector. corroendo privilégios e destruindo tudo o que • • . • O rei não reconhece nem autoridade. É a modalidade de governo mais bem adaptada às exigências do tempo. A monarquia conta. não havendo centralização. da economia. sendo o povo mantido na dependência. • Sobrepõe-se ao que resta do feudalismo e das repúblicas patrícias. Despotismo esclarecido • Os déspotas esclarecidos empenham-se em reforçar a sua autoridade e vencer os mesmos obstáculos que os monarcas absolutos. do poder real que é também a mais perfeita da autoridade delegada por Deus. (vd. XVI e XVII. • Gabinete britânico é independente do rei e delibera sem a sua presença. • É constituída uma administração que proporciona à monarquia os meios para as suas ambições.4) Regime Britânico No final do Antigo Regime. • Aparecimento favorecido pela evolução da sociedade. nem suserania nem mesmo a do papa. • A soberania do rei é absoluta também no interior onde todos lhe obedecem e onde tudo lhe está subordinado – é esta concepção que preside à noção de monarquia absoluta. aristocrata e liberal. Organização política que cobre uma área reduzida e que entra em declínio com o avanço geral da sociedade. o monopólio da administração local. um regime representativo. • Temos. • Uma aristocracia poderosa detém o essencial do poder.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 8 / 95 O patriciado detém o poder. • A aristocracia inglesa é formada por gente aberta à fortuna e ao talento e está representada no Parlamento. mas não é absoluta. Monarquia absoluta • Constituída nos sécs. garante a ordem contra a insegurança. • Este movimento é reforçado pela burguesia das cidades que. assim. • O poder não é partilhado e reside nas mãos do rei. da administração e dos espíritos. em conflito com a autoridade episcopal e senhorial. onde há liberdade de consciência. electivo. é um factor de progresso em favor do desenvolvimento económico e social. • O soberano é único e detém o poder pessoal. os poderes de polícia e de justiça. liberdade de culto religioso. mas há diferenças. • Estas características são um decalque do modelo da monarquia absoluta. portanto. na Europa Ocidental. pluralidade de opiniões políticas expressas na imprensa. • Existem partidos que ocupam os lugares electivos da Câmara dos Comuns. o regime político britânico contém algumas características que o distinguem dos outros regimes contemporâneos. A autoridade real protege contra as arbitrariedades do feudalismo. 4. • Os déspotas reduzem os privilégios e utilizam o poder para racionalizar a governação e unificar os seus povos e os seus territórios.

• O rei não goza de todas as facilidades práticas que o progresso técnico põe à disposição. XX. separados da Grã-Bretanha elaboram um novo sistema político pela presença de um texto constitucional (1787) que ainda hoje regula o funcionamento dos poderes públicos. 4.6 Ponha em relevo a originalidade da experiência dos Estados Unidos. em 1815. Prússia e Rússia). colhendo a sua justificação na historicidade – é o que se chamará. Todos os regimes anteriores à revolução são regimes tradicionais. O caso americano é original: é a primeira vez que uma colónia reivindica a sua independência e rompe os laços com a metrópole. • É ao movimento das luzes que vai buscar a sua justificação (e não ao direito divino. • Permitiu a estes países recuperar o atraso em relação à monarquia absoluta e empreender ou acelerar a sua modernização. As assembleias são eleitas. Sem esta administração não teria havido monarquia absoluta. • A maioria dos soberanos não estão seguros dos seus agentes. A coexistência de 13 estados lembra as Províncias Unidas: existem semelhanças entre o carácter oligárquico. • As finanças reais estão em má situação. A simplicidade elimina os rivais.4 Compare a monarquia absoluta e o despotismo esclarecido assinalando os traços distintivos O que distingue o despotismo esclarecido do modelo da monarquia absoluta é: • Terem aparecido mais tarde (séc. a uniformização facilita a acção dos poderes públicos e reforça a sua autoridade.5 Identifique os traços comuns dos regimes anteriormente mencionados • • • • • São quatro os traços comuns: A quase universalidade da forma monárquica. privando a monarquia de rendimentos substanciais. o princípio da legitimidade. • Evidencia-se também pelo seu espírito de racionalidade. Nenhum admite a pluralidade das opiniões e das instituições (salvo o regime britânico). não existe uma administração responsável pela cobrança do imposto e a organização social que distingue as ordens privilegiadas reduz as receitas fiscais. • Caracteriza-se ainda por práticas intervencionistas que fundam uma tradição autoritária que perdurará até ao séc. Em 1783. . • É uma etapa do movimento que vai romper os laços entre a Igreja e o soberano. XVIII) e noutros lugares (leste da Europa . • Nascido mais tarde é mais moderno que a monarquia absoluta. já que esta parte da Europa não é católica). 4. Não há nada que se assemelhe à democracia.Áustria. Inicia a dissociação entre a Igreja e o Estado. a descentralização.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 9 / 95 ensombra a autoridade do rei. que é a forma de governo mais racional e a que atinge o mais alto grau de eficácia. existem liberdade públicas e o princípio da separação de poderes. existe um equilíbrio entre o governo federal e os estados. algumas instituições dos novos Estados unidos e a experiência duas vezes secular das Províncias Unidas. 4. Limites do Absolutismo: • O absolutismo ainda não conseguiu fazer desaparecer os vestígios do feudalismo e as liberdades das cidades.

mais conforme com a modernidade. Discrimine os traços políticos fundamentais do despotismo esclarecido ou iluminado tendo em conta o texto de P. As relações políticas entre os Estados europeus assentam em uniões dinásticas e em delicados equilíbrios de poderes. O despotismo esclarecido ou iluminado é um fenómeno típico do século XVIII e tributário da filosofia das luzes. Parain (p. sem esquecer o nosso Marquês de Pombal. A expressão feudal pode ser aplicada a todas as sociedades que reunam as condições que sintetiza. Charles Parain faz uma abordagem do feudalismo centrada nos aspectos socioeconómicos.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 10 / 95 Confronte o texto de C.56). relações de dependência pessoal e um regime de propriedade da terra com características específicas. sobre a qual se ergue uma superestrutura política marcada pela inexistência de Estado soberano. . Os traços políticos fundamentais são o laicismo e a secularização do poder e da sociedade. os laços pessoais entre os que detêm o poder nessas sociedades . o dinheiro é conhecido e utilizado desde tempos muito anteriores ao feudalismo. 5 AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 5. adaptando-se aos novos tempos. Um misto de tradição autoritária secular das monarquias europeias e de vontade dos soberanos de modernizar os seus países. Também não parece correcto alargar a utilização do termo a fenómenos recentes das economias contemporâneas. racionalismo e vontade de impor uma nova ordem social.a importância da terra e da propriedade fundiária e as relações entre os senhores e os que deles dependem em termos de sobrevivência . Em geral. Hazard (pp 28-30 CA). 27 CA) com o que leu no manual. Identifique as principais figuras dos estados europeus que praticaram o despotismo esclarecido O texto de Paul Hazard regista as principais figuras. a abordagem centra-se nos aspectos políticos que caracterizam as sociedades feudais. as potências da época partilham entre si os Estados mais fracos (caso da Polónia). No manual. Caracteriza as relações sociais de produção e a base económica. 52-56. apenas uma unidade simbólica (o caso do Sacro-Império Romano-Germânico). como os cartéis e as grandes concentrações financeiras e económicas (p. as potências europeias dispõe de impérios coloniais e gerem grandes empórios comerciais. XIX o maior império do mundo.as chamadas relações feudo-vassálicas . Faça as fichas de acordo com as instruções anteriores. Aliás. ausência de poder centralizado e soberano. isto é. estatismo e preocupação com a educação e a cultura.1 Caracterize o estádio das relações políticas e diplomáticas internacionais Na Europa. como se diz na p. pp. Mas sobre esses aspectos é importante que façam a vossa reflexão pessoal. Atenção: o feudalismo não ignorou o dinheiro. Deveriam ser desenvolvidos estes pontos na resposta.a servidão. Caracterize o feudalismo nas suas linhas essenciais. economia agrícola. No plano internacional. numa perspectiva de análise marxista. económica e administrativa. O império britânico está em franca expansão e a revolução industrial vai possibilitar os meios necessários para construir no séc. os Estados mais importantes não possuem uma unidade política de facto. 54. O autor destaca a ausência de poder centralizado.

somente uma unidade simbólica. Analise a importância do Atlântico e das relações triangulares entre Europa-ÁfricaAmérica no séc. Deve-se salientar a importância da África como fornecedora de mão-de-obra escrava para as plantações e minas americanas. A Inglaterra acaba por triunfar em toda a parte. Os conflitos de interesses nessa área entre as potências europeias e a dificuldade de estabelecer unidades políticas estáveis nesse pequeno xadrez de povos e culturas é muito antigo. a rivalidade colonial opõe ingleses e franceses na Índia. como no caso da Polónia. por causa do "pacto colonial”. os Estados mais importantes não possuem uma unidade política de facto. os territórios foram cedidos à Espanha. o avanço dos meios e das estratégias militares. o duelo entre os ingleses e os franceses foi bastante duro e conduziu à guerra. a Europa como fornecedora de produtos industrializados para o mercado das colónias. o maior império do mundo. as quais. pp. a cobrança de impostos que aumenta o orçamento de Estado. Mostre a crescente importância que os interesses coloniais assumem nos conflitos europeus Na segunda metade do século XVIII. A parte ocidental da Louisiana ficou para os ingleses e. A partir do texto de Corvisier (p. As potências da época.. o desenvolvimento das técnicas e da economia. No plano internacional. O império britânico está em franca ascensão e a revolução industrial vai possibilitar à Grã-Bretanha os meios necessários para construir. As relações políticas entre os Estados europeus assentam em uniões dinásticas e em delicados equilíbrios de poderes.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – I Parte: O Antigo Regime (1750-1789) 11 / 95 A unidade política nacional. A questão balcânica começa a esboçar-se com o declínio do império turco e a aspiração dos povos cristãos à independência. . XIX. Na América. É o caso do Sacro-Império Romano-Germânico. pela perda da Florida conquistada pelos ingleses. não podiam instalar as suas próprias industrias.32-33 CA) situe os principais pontos de conflito no continente europeu na segunda metade do século XVIII A resposta à questão encontra-se no próprio texto. geralmente. a leste do Mississipi e Nova Orleães. XVIII A resposta a esta questão requer uma análise atenta do mapa. Guadalupe e São Domingos. as potências europeias dispõem de impérios coloniais e gerem grandes empórios comerciais. A França perdeu o Canadá e a Louisiana.2 Caracterize as relações entre a Europa e os outros continentes e entre os estados europeus Na Europa. onde se defrontam as respectivas companhias comerciais por um mercado e um comércio altamente lucrativo. mas ficou com a Martinica. no séc. Veja sobre o assunto a obra já citada de André Corvisier.43 0-434. foram factores determinantes para a consecução das políticas imperialistas. partilham entre si os Estados mais fracos. 5. destacando os produtos que circulam entre os três continentes. devendo-se destacar o conflito austroprussiano e a expansão russa e austríaca à custa de estados como a Polónia e a Turquia. a América como fornecedora de matérias-primas para as indústrias europeias e de metais preciosos.

Também a luta de classes ou o movimento dos preços seria potenciais causas desencadeadoras da revolução. geradores de bloqueios ao desenvolvimento e de grandes desigualdades sociais. as explicações voltaram-se para as estruturas da sociedade e para o papel da economia. considerado mais justo e fraterno. XIX com as revoluções liberais pela Europa e as independências dos países latino-americanos. As novas ideias concebidas pelos teóricos foram um ponto de partida importante para angariar novos adeptos. 1. XVII. o factor ideológico. No aspecto social. Trata-se de uma época de mudança estrutural das sociedades que foi acompanhada de um intenso processo revolucionário. Mas todas tiveram o seu nível de importância já que isoladamente são impotentes para dar conta da totalidade do processo revolucionário. social. A Gabela (imposto sobre o sal) variava de região para região e só prejudicava os plebeus. política e ideológica. liberta de peias. o sistema corporativo são aspectos que a burguesia desejava mudar para instituir uma economia de mercado. Mais tarde. É isso que justifica a interrogação e a expressão “era das revoluções”.1 Problematize a questão do conjunto das causas que deram origem à Revolução Francesa.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 12 / 95 1 AS ORIGENS DA REVOLUÇÃO 1. mas tanto o clero como a nobreza remiram-se de a pagar e só os plebeus ficaram a pagá-la. A Talha também só caía sobre os plebeus. são de carácter estrutural o regime de ordens ou estados. A adaptação e simplificação dessas ideias fê-las chegar a camadas mais amplas que se mobilizaram para instaurar um novo regime. um ordenamento social em pirâmide que privilegia uma pequena minoria. No início os historiadores oscilavam entre uma explicação de tipo propriamente político (a crise das instituições) e a que põe em relevo o movimento das ideias.2 Discrimine essas causas em factores de ordem económica. financeira. o despertar dos espíritos. O imobilismo da sociedade do Antigo Regime e a necessidade de mudança profunda da sua organização foram factores determinantes da revolução. As novas ideias começaram por ser veiculadas em círculos restritos – leitores da Enciclopédia. . destaca-se um regime monárquico baseado no poder pessoal do rei e absolutista. distinguindo os de carácter estrutural dos conjunturais. Começou com a revolução inglesa ainda no séc. No aspecto económico. com um sistema fiscal injusto e deficitário. No aspecto político. O regime de propriedade e de arrendamento. e a república de Cromwell. Existe uma simultaneidade e um prolongamento de fenómenos de agitação social e política que se relacionam com uma situação de mal-estar e de mudança que caracteriza a passagem do Antigo Regime para a época contemporânea. a hierarquização rígida. a promoção com base no nascimento. Nenhum imposto era geral para todos os súbditos nem comum a todo o reino. jornais e livros – mas foram-se alargando a novas camadas. A Capitação incidia sobre a riqueza de cada uma. nos dois lados do Atlântico. continuou com a independência dos Estados Unidos e com a Revolução Francesa e. A organização social era caracterizada pela desigualdade entre os súbditos e a diversidade entre as províncias. em vez do mérito. já no séc. os entraves impostos à livre circulação das mercadorias. caracterizados pela longa duração. são estruturais a forma de organização da produção da riqueza e da distribuição dos bens. com o objectivo de implantar uma nova sociedade. Os plebeus eram praticamente os únicos que suportavam o Estado com os seus impostos. Os factores estruturais são aqueles que se prendem com a organização da economia e da sociedade.

a legitimidade de lutar contra os privilégios. os intendentes. Distinguem-se várias fases: Fase 1: A crise pré-revolucionária opõe ao poder real a resistência dos privilegiados. da arraia-miúda. a defesa da "maior felicidade para o maior número" e do contrato que deve estar na origem de todo o sistema de governo dos povos. desequilíbrio nas relações de poder e acumulador de tensões. administrativa.1 Explique as várias etapas da revolução e os antecedentes próximos que explicam o desencadeamento do processo revolucionário. Devem ser desenvolvidos estes tópicos. que não é ainda a igualdade social. As dificuldades de abastecimento de pão e os impostos excessivos são os factores que despoletam a rebelião. O terror é um aspecto desta . com oscilações cíclicas que caracterizam um determinado período. tanto a burguesia. executa o rei e proclama a república. de uma sucessão de revoluções. A sua conjugação funciona como detonador do processo revolucionário: Maus anos agrícolas. a reacção nobiliárquica inflexível e a incapacidade do rei para resolver os problemas financeiros. O Terceiro Estado é composto por vários estratos sociais. A França ao escolher a via revolucionária para repor a ordem não executa de uma só vez a refundição total.). Soboul (textos p. individualizadas. dos sans cullotes). De acordo com A. a busca de uma nova ordem social mais justa caracterizam esse movimento ideológico e repercutiram nas transformações da revolução. social. De acordo com Paul Hazard (textos p.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 13 / 95 Os factores conjunturais são de curta duração. proprietária de bens e enriquecida. Em comum têm o facto de terem o mesmo estatuto na sociedade de ordens do Antigo Regime. dos pés-rapados. Fase 3: A jornada popular de 10 de Agosto de 1792 (obra da arraia-miúda. à vasta massa dos sans cullotes ou. cada uma com o seu espírito. como as classes populares urbanas e os camponeses têm fortes razões de queixa contra o regime monárquico.e.) caracterize o Terceiro Estado e os factores da rebelião que germinava no seu seio. analise a importância do movimento das ideias do séc.. tendo em conta os textos de Paul Hazard e o manual. Embora limitando os poderes do rei. subida de preços e dificuldades de abastecimento. motivadas pelas reacções dos privilegiados e por medidas régias (p. financeira. Com base nos textos de Soboul e no manual. Trata-se. Fase 2: É o momento decisivo da revolução. aquele em que se opera a transferência da soberania. aumento dos impostos. não deixa de conservar no novo regime o princípio da monarquia. pp.39 ss. que os esmaga com deveres e impostos e não lhes concede quaisquer direitos. 92-93. o laicismo e o racionalismo. desde a burguesia. jurídica revela o cunho liberalista. É caracterizada pela rebelião (a revolução dos juristas – Maio/Junho de 1789) contra o absolutismo e os seus agentes locais. derruba a monarquia. Por razões diversas. como se diria em português. 2 O PROCESSO REVOLUCIONÁRIO E OS SEUS EFEITOS 2. A ideia da liberdade e da igualdade perante a lei. Toda a obra da Constituinte. 36 ss. pois. deve desenvolver os aspectos referidos. XVIII no eclodir da Revolução Francesa O movimento de ideias do século XVIII teve uma influência decisiva no eclodir da revolução francesa e nos princípios que orientaram as mudanças revolucionárias. que passa da mão do rei para a representação da nação – A Assembleia Constituinte (9 de Julho de 1789).

As estes factores juntam-se outros de natureza subjectiva. Foi a convergência de todos estes factores que imprimiu à história da revolução o seu andamento irregular. Exercem nos seus seus vizinhos um certo contágio e geram reacções em cadeia. A incerteza do abastecimento. A revolução realiza-se por sucessivos saltos. e através dos golpes de Estado. É a ruptura da França com os soberanos. A guerra é o factor mais determinante. sob todas as suas formas. autoritário. Leia os textos de A. Soboul (p. 2ª Etapa (1792-1799) Consequência da primeira. Estabelece-se um governo concentrado. a ocupação conduzem à abolição do antigo regime. a curiosidade e a simpatia por parte da opinião pública. cujas fases são separadas por rupturas da legalidade e que se resumem por lado através das revoltas populares. entre elas o destino da revolução dependerá da condução da guerra. senhores e bispos. É preciso contar com as intrigas da corte. aliada à psicologia das multidões revolucionárias. Sobre a questão religiosa. Cresce para a margem esquerda do Reno e para a Itália do Norte. Período caracterizado pela guerra. Mantêm os antigos métodos diplomáticos e militares enquanto que a revolução recorre a meios inéditos e mais eficazes. passa a ser também da Europa. Os revolucionários quiseram regenerar a Igreja e esta iniciativa apenas conduziu à ruptura. Fase 4: À margem. O directório provoca a formação de repúblicas irmãs como é o caso de Itália onde nascem muitas repúblicas. a vontade e as paixões dos protagonistas. As ordens são suprimidas. . a questão religiosa. a conspiração aristocrática e com a política do «quanto pior melhor». 1ª Etapa (1789-1792) Os acontecimentos em França suscitam fora das suas fronteiras a comiseração dos soberanos. o feudalismo abolido. as congregações dispersas. a guerra. A invasão. a dos camponeses que querem a emancipação completa da terra e a supressão do feudalismo. embora em 1790 se viva em paz. As intrigas contribuíram para erradicar da opinião pública o lealismo monárquico.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 14 / 95 revolução. introduzindo-se um dado novo que vai modificar o sistema de relações e desencadear consequências incalculáveis. a igualdade civil proclamada e as instituições da França revolucionária. O antigo regime é incapaz de adoptar e conceber a mesma estratégia que a revolução. irritação e conduz ao sentimento de insegurança. A revolução deixa de ser exclusivamente francesa. a guerra. A guerra engendrará o terror. por outro. O medo. Desenham-se movimentos contra os príncipes. contra os privilégios.44 e ss. que em nada fica atrás do absolutismo da monarquia. Os partidos contam com o medo para desencorajarem ou isolarem os revolucionários e estes empregam o terror contra os seus adversários. O papa condenou a constituição civil do clero e levou ao cisma e à perseguição. surge uma revolução autónoma. é certo que a revolução a principio não era anti-religiosa apesar de anticlerical.2 Analise os factores objectivos e os factores psicológicos que estão presentes no desenrolar do processo revolucionário – as subsistências. o medo. 2. dois anos mais tarde a assembleia legislativa declara guerra ao rei da Boémia e da Hungria. as corporações dissolvidas. O conflito entre a religião e a Igreja católica pesará durante 150 anos na Europa (divórcio entre a nova França e a França cristã do passado). suscita nervosismo. afecta todas as e todos os partidos políticos.) e descreva as etapas fundamentais das reacções dos estados europeus à Revolução Francesa. Porém.

Napoleão estende o seu domínio às extremidades da Europa.49 do Caderno) discriminam os principais momentos desse processo. estabeleça as principais etapas do processo revolucionário. A síntese que fizemos das etapas da revolução (p. Com a revolução. O sistema da contratação fomenta. Estes são os tópicos que deveria desenvolver Explique a importância da crise financeira no eclodir da revolução. • Regimes constitucionais e parlamentares. a publicidade dos trabalhos parlamentares. que recaem sobre a circulação e o consumo. Sendo a felicidade um direito do indivíduo o Estado será o responsável pela manutenção dessa condição. Partindo dos elementos fornecidos pelo texto de Soboul sobre o sistema fiscal do Antigo Regime. Rémond. Com a revolução. Conduz ao governo de opinião. A instrução incumbe também aos poderes públicos. A fraqueza do poder. o modo como alterou a própria noção de política e as respectivas práticas e a organização administrativa. mais injustiças. Os impostos indirectos. como no caso da odiada gabela. ainda. trata-se de mostrar sobre que camadas da sociedade recaem os impostos e de que forma se foram multiplicando. a qual se encontra política. O imposto directo. pagos pela burguesia comerciante e os mais pobres. • Uniformização a nível nacional. A soberania nacional rege as relações entre os Estados. numa conjuntura de crise socioeconórnica e de mudança de valores e de mentalidades foram o rastilho da revolução. a nível das relações internacionais Com a revolução transforma-se a noção de política. O segredo envolve as decisões. incapaz de solucionar os problemas financeiros. O campo da política alarga-se e estende-se a todas as actividades que até então não relevam da acção dos poderes públicos. a política torna-se a coisa de todos. For causa dos problemas financeiros sucederam-se vários ministros e o rei viu-se obrigado a convocar os Estados Gerais. afinal sempre pago pelos mesmos grupos sociais. . capitação e vigéssimo. e se desdobrou em talha. sectores que antes eram da responsabilidade da iniciativa privada (assistência pública) passam a ficar englobadas pelo poder público. mas para compreendê-lo não basta a leitura da cronologia e do manual. relacionando-as com a análise de R. a coisa pública. O grande império no seu apogeu cobre metade da Europa.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 15 / 95 3ª Etapa Dominada pela personalidade de Napoleão. • Centralização e especialização da administração pública. A revolução fora até à margem esquerda do Reno e à Itália do Norte. A crise financeira foi um elemento fundamental para o eclodir da crise e da revolução. que recai sobre o rendimento dos plebeus.1 Exponha as consequências políticas da revolução francesa. Deve consultar uma obra de história universal indicada no início ou a de Albert Soboul várias vezes citada. Demonstre a injustiça social do sistema fiscal do Antigo Regime. a liberdade de imprensa. Esta evolução traz como consequências a publicidade das decisões. No Antigo Regime é um domínio reservado a um reduzido nº de pessoas. social e administrativamente unificada e o bloqueio continental reforça ainda a homogeneidade desse todo. 3 A OBRA DA REVOLUÇÃO 3. • A crescente importância do Estado. de uma minoria restrita. A partir da cronologia da página 47 ss. • Sistemas eleitorais censitários.

3. no aspecto político. compostas por membros eleitos. A Assembleia Constituinte é o órgão que tem como finalidade elaborar a Constituição. denunciando e substituindo funcionários ineficazes. A revolução criou também a imprensa e a liberdade de imprensa. Este aparelho é um dos artífices da vitória. O Consulado estabiliza as instituições e lança as bases da administração moderna. É a experiência mais profunda de descentralização que a França conheceu. fazendo com que haja uma ligação estreita entre a actividade jornalística e a actividade política. A política surge como uma das actividades mais elevadas. A Assembleia Constituinte dirige-se contra o absolutismo monárquico e os seus agentes. Reorganiza completamente o aparelho de Estado.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 16 / 95 A publicidade dos debates e a extensão da política a todos os domínios têm uma importância acrescida tanto a nível da dignidade moral como a nível psicológico. transfere todos os poderes administrativos para os eleitos das colectividades locais. Em termos de organização administrativa Foi desmantelado o aparelho existente e aplicou-se a filosofia da descentralização. . O Directório Coma nova Constituição aprovada em 1795. O governo revolucionário Apoiado na montanha. Simplicidade. especialidade. A eleição torna-se o processo universal de designação. Os poderes administrativos passaram para órgãos eleitos pelas colectividades locais. sem controle dos representantes de Estado. as lutas partidárias e as relações entre partidos políticos e poderes públicos. o sistema de recrutamento à medida das necessidades. Paralelamente. que se tornam centros vivos da vida política. Assegurará o essencial dos recursos do Estado até à adopção do imposto sobre o rendimento. uniformidade. O Consulado Em 1799. filiadas no clube dos Jacobinos constituem uma Segunda administração que controla a primeira. dá-se o golpe de estado que põe Napoleão no Poder (o 18 de Brumário – 9Nov1799) e demite o directório. surgem os agrupamentos que proporcionam uma ligação entre as assembleias e os cidadãos. definem uma ordem administrativa racional e sistemática que atinge a eficácia. A reforma consular de Napoleão estabeleceu uma administração centralizada.2 Distinga. que se desdobra em direcções e ministérios. afirma a unidade e restabelece a centralização. sendo rigorosamente hierarquizada. administramse livremente. Mas o espírito centralizador voltou a impor-se. O sistema fiscal actual ainda advém do Directório. durante a 1ª Guerra Mundial. Decretou o fim do feudalismo e aboliu a servidão. apoiado nos sectores mais à esquerda – os montanheses. adopta o quadro do departamento. O Directório adopta ainda. em termos militares. a obra da Assembleia Constituinte. o poder executivo passou para um grupo de cinco directores – o Directório (vigorou durante 4 anos). apesar de só uma parte dos cidadãos terem direitos políticos. As assembleias inovam ao nível dos procedimentos regulares e oficiais – deliberações públicas. que gozavam de autonomia administrativa. É nesta época que aparece o militante. do governo revolucionário. do directório e do consulado. especializada e servida por um corpo de funcionários nomeados (um novo tipo social). como clubes e sociedades populares. As sociedades. As administrações municipais e departamentais. Os Jacobinos eram os defensores de posições mais radicalmente liberais.

3. da iniciativa individual.4 Caracterize as mudanças essenciais da ordem social que foram obra da revolução e a forma como foram fixadas e corrigidas pelo Código Napoleónico. Com Napoleão e a assinatura da Concordata em 1801. 3. depende do Estado. A sociedade nova caracteriza-se pela liberdade. O clero perde o seu estatuto. o movimento das ideias e a política dos Estados tinham já alterado a situação: o racionalismo combate o domínio político da Igreja e o absolutismo monárquico pugnou pela sua emancipação. liberdade da terra. • Promoção dos cidadãos com base no mérito individual. É o fim dos privilégios e das distinções sociais. Esta filosofia social estende-se a todos os domínios: é ela que inspira a reorganização administrativa. eclesiástica e municipal. como novo tipo social e os plebeus podem aceder a qualquer posto militar. traduzindo-se no Código Napoleónico . a Igreja vê a sua situação oficial novamente reconhecida embora de uma forma diferente: deixa de ser a única religião reconhecida (regime do pluralismo religioso).3 Analise as transformações ocorridas nas relações entre a religião e a sociedade civil Mesmo antes da revolução. Aparece o funcionário. São abolidos os direitos feudais e a servidão. o recrutamento e a igualdade no acesso aos empregos civis e militares. 3. . é-lhes retirado e os seus bens são confiscados. • Ascensão da burguesia. é despojado das suas atribuições na sociedade civil: o registo civil. Caminha-se para uma espécie de neocorporativismo. as ordens religiosas dissolvidas e o culto é muitas vezes entravado. os seus privilégios. • Igualdade dos cidadãos perante a lei.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 17 / 95 Esta ordem é exportada por toda a Europa e mesmo além dela pelos exércitos da revolução e do Império. • Declínio da nobreza tradicional e do clero. O exército e a administração pública tornam-se vias de promoção social. a do patrão no trabalho). • Regime dos princípios individualistas e leis do mercado. Instaura a igualdade perante o imposto de sangue. O individualismo da revolução é temperado pelo princípio de autoridade a todos os níveis e em todas as comunidades (a do pai na família. As carreiras dos marechais e dos prefeitos constituem êxitos sociais inconcebíveis no antigo regime. A revolução destruiu a sociedade do Antigo Regime. É aí que reside a verdadeira revolução. A revolução instaura como prática a igualdade civil. É suprimida a justiça senhorial.código civil francês. A revolução é incontestavelmente burguesa pelos seus autores. A revolução retoma este movimento e prolonga-o aprovando a constituição civil do clero em 1790. transferido para as municipalidades. que tem a marca do imperador. a composição das assembleias mostra-o bem. • Criação da sociedade burguesa. Napoleão conservou o essencial das conquistas sociais da revolução mas corrigiu algumas e moderou algumas audácias. Despojada.5 Caracterize o novo sistema de sociedade que emerge com a revolução. liberdade do indivíduo. os monopólios e as regulamentações que paralisavam a invenção e a iniciativa.

3. Caracterize do ponto de vista político-administrativo e social o governo revolucionário liderado pelos montanheses. O sufrágio é alargado a todos os homens e a soberania popular. industrial. Estes são os aspectos que importa analisar para responder à questão. num período de “grande terror”. com base no excerto de Soboul no manual. Discrimine as medidas tomadas em relação à Igreja pela Assembleia Nacional e as reacções do Vaticano. Estes tópicos devem ser desenvolvidos na resposta. A Assembleia Nacional estabeleceu a Constituição Civil do clero e pôs à disposição da nação os bens do clero. A Assembleia Constituinte foi responsável pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. pela reestruturação administrativa e a descentralização. pela implantação. Com a revolução acaba a diplomacia tradicional. A adesão vai para a nação e não para a coroa. pp. A subordinação do clero ao Estado e a laicização do poder não agradaram à hierarquia da Igreja. suscitando fortes reacções da Igreja francesa e do Vaticano.6 Caracterize o novo sistema das relações internacionais e a importância da própria ideia de nação nesse quadro. . o movimento de descolonização. fundada nas alianças dinásticas. XIX e. ao trabalho e á instrução. dum sistema eleitoral censitário. no sentido em que se preocupam com uma maior igualdade social e consagram o direito à assistência pública. 52 ss) e analise as transformações políticas e administrativas decorrentes da obra da Assembleia Constituinte (1789-91). a política jacobina e montanhesa é centralizadora. Em pontos importantes. É o governo duma pequena-burguesia radical que elimina à esquerda e à direita os seus adversários de forma cruel. as assembleias revolucionárias ou o consulado trouxeram restrições ao exercício das liberdades e à aplicação dos princípios de igualdade. No campo administrativo. 112-113. Soboul (p. em proveito da burguesia em detrimento de outras classes. nas convergências dos soberanos. Vários movimentos ratificaram esta aceitação da unidade nacional que culmina na festa da federação (14 de Julho de 1790). nas combinações matrimoniais. cujas virtudes e limites Soboul analisa num dos textos seleccionados. As medidas políticas são as mais democráticas. proprietária. A igualdade civil favorece também a burguesia. Ela introduz o princípio da soberania nacional que estende às relações internacionais e que terá como consequência o movimento das nacionalidades no séc. comerciante. A revolução precipitou a tomada de consciência da pertença a uma comunidade nacional e é a partir desse momento por adesão voluntária que se é cidadão francês. como reacção ao federalismo dos sectores conservadores. por uma Constituição liberal. com a famosa divisão em cidadãos activos e passivos. fora da Europa. Leia os textos de A.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 18 / 95 A revolução serve os interesses da burguesia devido às vantagens na abolição dos constrangimentos sociais e nas desigualdades jurídicas.

que pretendem libertar a América Latina e do Sul do império espanhol beneficiam do apoio da Grã-Bretanha que foi a primeira nação a reconhecer os seus governos bem como do apoio dos Estados Unidos que se opõe à intervenção da santa Aliança. A influência e a irradiação das ideias filosóficas.1 Caracterize a situação demográfica e política do continente americano. devido ao ressentimento causado pela monopolização de altos cargos e ao pesado jugo infligido pela metrópole. que se ressentiram do monopolismo dos altos cargos do clero e do governo. por não Ter meios para a conservar. Portugal detém o Brasil. pela independência americana e também pela ocupação da P. rompem os laços que os unem e conquistam a sua independência.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 19 / 95 4 O CONTINENTE AMERICANO (1783-1825) 4. contam-se igualmente entre as causas da ruptura. britânicas. 4. Os impérios espanhol e português foram afectados pela Revolução Francesa. as 13 colónias na orla atlântica da América do Norte. A falência da unidade e a instabilidade política constituem um duplo malogro político. obra dos colonos. O império britânico. pelas tropas de Napoleão.I.5 Explique as razões do fracasso da unidade latino-americana e as suas repercussões no futuro político daquela região.4 Explique a importância da posição norte-americana no processo das independências do sul do continente. pelos exércitos napoleónicos que provém a independência das colónias espanholas e portuguesas.2 Exponha os principais factos relacionados com a emancipação das colónias francesas. 4.I. Outra das causas é a influência da irradiação das ideias filosóficas europeias. ajudados pela França e pela Espanha. os encargos financeiros não eram compensados por nada de positivo. principalmente e quase exclusivamente.3 Identifique as causas da ruptura dessas colónias com as respectivas metrópoles e. a repercussão das próprias revoluções liberais europeias. O império francês tem essencialmente o Canadá e a Luisiana. já que numerosos colonos são instruídos. em especial. O movimento de independência é. A desigualdade social é patente no regime colonial. Todo um conjunto de relações deixa uma elite intelectual crioula atenta à Europa. O império espanhol detém a América Central e a do Sul. portuguesas e espanholas na América. que a recupera mas que depois a vende aos Estados Unidos. com excepção do Brasil O continente é pouco povoado face à sua extensão. consubstanciada na Declaração de Monroe (1823) Os independentes – como Bolívar e San Martín . O império francês é a primeira vítima do confronto com a Inglaterra. Por outro lado. na América do Norte. Causas da emancipação das colónias portuguesas (1822) e espanholas (1836) :O movimento de independência dos dois impérios é obra dos colonos. O império britânico teve o mesmo fim: com a revolta dos colonos. 4. dos crioulos. É obrigada a ceder o Canadá à Grã-Bretanha e a Luisiana à Espanha. 4. . A Declaração de Monroe (1823) situa-se nesta conjuntura e diz que a América é um continente livre e que cada um dos continentes deve evitar intervir nos assuntos do outro. Mas será da ocupação da P.

Nenhum destes Estados conseguirá criar instituições estáveis. 4. a unidade da América é quebrada e divide-se numa vintena de fragmentos de dimensões muito desiguais sendo que a maior parte não tem condições de viabilidade.U. de revoluções. À medida que se formam estes estados criam-se condições democráticas para o sufrágio universal e não prevêem discriminação em função do dinheiro ou da educação. com vista ao seu desmembramento.6 Analise os factores que contribuíram para o sucesso da experiência dos E. com núcleos populacionais dispersos por quilómetros. O regime de 1787 é um regime liberal que reserva o poder a uma classe abastada. destacando-se como lideres independentistas Bolívar e San Martin. por causa das guerras napoleónicas. A intervenção inglesa a favor das independências e do controlo dos mercados latinoamericanos foi decisiva Os novos Estados fragmentaram-se e iniciaram os conflitos por causa das fronteiras. Não existe sufrágio universal mas a evolução tenderá no sentido de uma democracia efectiva. determinou uma ausência da Espanha e a fuga da família real portuguesa para o Brasil. que a América Latina é uma longa cadeia de golpes de estado. sobretudo. A crise política na Península Ibérica. de proprietários ricos. souberam preservar a sua unidade e criar para si instituições estáveis. demasiado vasto. A guerra civil opôs lealistas e patriotas.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 20 / 95 Com a independência. actuando. Em 1828. No que diz respeito às relações entre os poderes.. numa sociedade que conserva o elitismo e a mania das origens aristocráticas. afirmam-se já como uma potência e estão em vias de conquistar a sua independência económica e que se desenvolve com a adopção de uma tarifa protectora/barreira alfandegária. Chaunu analise o problema das divisões rácicas da população do continente americano e a importância dos crioulos na estrutura social da América Latina. mas convém destacar o papel dos crioulos desejosos de tomar o poder. dentro da família real portuguesa. e para as evolução do regime liberal para a democracia. Nas relações externas. As razões deste malogro prendem-se com um continente pouco povoado. Pierre Chaunu fala do “tempo das catástrofes”. Desde 1825. A partir dos mapas de P. entra na casa Branca o general Jackson. os E. Paralelamente. . Analise os textos das páginas 60 ss. com consequências nefastas na economia e até no crescimento demográfico.U. Por isso. a sociedade transforma-se com a exploração dos territórios do Oeste. Este continente não conhece circunstâncias para a sua unificação política. A Constituição instaura um regime de dupla originalidade. a hostilidade inglesa e norte-americana que não têm o menor interesse em encorajar a unidade. O desenvolvimento destes pontos não dispensa a leitura do capitulo da obra indicada. instruída. Desde a Constituição de 1787. complemente com informação do manual e exponha as causas e o processo da ruptura das colónias espanholas e da portuguesa com as respectivas metrópoles. no caso dos outros países da América Latina desencadearam-se tremendas guerras civis. As causas são múltiplas. de ditaduras. que personifica a corrente mais democrática. a União Americana é a primeira experiência moderna da forma republicana num estado alargado. A existência de duas Câmaras fornece uma solução nas relações entre os treze estados e o estado federal. Thomas Jefferson. Nas eleições de 1800. candidato do Partido Republicano vence e retoma a orientação aristocrática dada pela presidência de Washington. Se neste último o processo da independência foi pacifico e se fez por uma transição de poder de pai para filho.

países de grandes plantações e de prática do esclavagismo até bastante tarde. na Argentina e Bolívia. no Brasil.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – II Parte: A Revolução (1789-1815) 21 / 95 Os mapas e os gráficos mostram o peso relativo dos brancos. Os mestiços estão em maioria na América Central e Sul. A mestiçagem e o fenómeno do crioulo é. E. índios e negros na América. por volta de 1820. apesar das chacinas. por conseguinte.U. Os negros só são majoritários.U. Os índios. Pode constatar-se que os brancos dominam na América do Norte. ainda são dominantes no México. em 1820. e Canada. na América Central. mestiços. Os negros têm grande peso também na sociedade dos F. uma característica das sociedades latino-americanas. nas Antilhas e Cuba + Porto Rico. .

o rei tem o poder moderador e é o chefe do executivo.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 22 / 95 1 A EUROPA EM 1815 1. . da administração e das sociedades Nem todos os monarcas foram repostos e subsistem grandes modificações territoriais. Em 1815 era uma virtualidade do triunfo dos reis. é mesmo a contra-revolução. 1. Restauração dinástica: Os soberanos do antigo regime vingaram-se de Napoleão. contribuindo para a unificação da Europa ocidental. A designação. Os soberanos destronados – pela revolução e por Napoleão – voltam a subir ao trono. A Carta Constitucional permitiu recuperar para um lugar cimeiro o papel do monarca e anula princípios mais radicais implantados na fase inicial. As três potências continentais cresceram dentro da própria Europa: Rússia. A restauração assim definida. das instituições. A soberania popular é negada e a monarquia institui-se como regime hereditário e representativo. quase todos os aspectos do programa liberal). fazem-se apreciáveis concessões ao espírito da época e à reivindicação de um texto constitucional (Carta Constitucional: concessão de liberdades. que como qualquer outra é instável e exposta a investidas de sentido contrário. do antigo regime. hierarquizada. A organização administrativa é mantida tal como está: racional. a situação caracterizava-se pela restauração – regime estabelecido em França entre 1815 e 1830.1 Caracterize a situação na Europa em 1815 no aspecto político – restauração monárquica e dinástica Após a segunda abdicação ao trono de Napoleão e da assinatura das actas do Congresso de Viena. A legitimidade é essencialmente histórica e tradicionalista e reside no valor reconhecido à duração. Geograficamente. eficaz. o mapa está profundamente alterado. uniforme. Restauração monárquica Na nova Europa já não se pensa na república e o princípio da legitimidade monárquica triunfa inequivocamente. Prússia e Áustria. Viena era a capital de um dos poucos países que não foram perturbados pela revolução e porque a dinastia dos Habsburgos era o símbolo da ordem tradicional. a Carta é uma concessão feita aos súbditos. No caso português.2 Exponha as mudanças entretanto verificadas no mapa político da Europa. 1815 marca uma etapa na racionalização do mapa político europeu. Diminui o número de parceiros e os estados reagrupam-se de maneira mais coerente. sob as aparências de um regresso ao antigo regime e sob a cor da restauração. Mas a restauração não restabelece por inteiro a situação de 1789. aos ataques de duas facções extremas. escolhendo Viena para a realização do congresso. As estruturas sociais transformadas pela revolução mantêm-se e aproximam os países onde elas se verificaram. A restauração implica o retorno integral ao antigo regime. adapta-se a toda a Europa.3 Caracterize os dois campos políticos que se opõe na Europa. no entanto. 1. Do ponto de vista institucional. As cartas constituem um travão à implementação de ideias políticas mais radicais. entre 1815 e 1848 – os absolutistas ou ultras e os liberais Sob a aparência da restauração prevaleceu uma solução de compromisso.

O regime monárquico. a perpetuação da dinastia de Bragança. de restauração das forças conservadoras e das dinastias tradicionais. nas Províncias Unidas prevalece o estado monárquico. a Confederação Germânica apenas se lhe assemelha vagamente. Esquematize as principais mudanças que se registam no mapa político da Europa. A Carta Constitucional é um acto de favor régio aos súbditos. para eles a revolução é satânica. Um misto de tradição e de progresso. não é restabelecido. como concede ao rei um importantíssimo papel na ordenação constitucional. apesar de garantir a nobreza hereditária e as suas regalias. firmando-se como uma talassocracia a nível mundial. Geograficamente. a Europa vive um período. O termo “liberdade” continua a ser a sua palavra de ordem. A Grã-Bretanha expandiu-se fora da Europa. como Génova e Veneza. Rémond sobre as modificações resultantes do Congresso de Viena. Visam o restabelecimento integral da Europa de outrora. O Sacro-Império Romano-Germânico. a consagração dos direitos dos cidadãos. agrupados em liberdade. e a independência do poder judicial são os aspectos progressivos do constitucionalismo moderado de feição liberal. Após a derrota de Napoleão. no quadro duma mudança política de sentido liberal e moderada.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 23 / 95 Os ultras querem voltar ao passado. O mapa simplifica-se: desapareceram muitos pequenos estado e alguns foram integrados nos reinos ou grão-ducados. como consequência do impacto das guerras napoleónicas e dos tratados entre as potências vencedoras. A Rússia obtém uma grande fatia da Polónia. É este também o programa da santa Aliança. A Prússia faz o mesmo e a sua superfície passa quase para o dobro. diminui o n. que constituem um reino sob a dinastia de Orange. mas as três grandes potências continentais cresceram dentro da própria Europa. Os Habsburgos restabelecem o seu poder e o chanceler Metternich domina a política externa europeia. de socorro público. hereditário e representativo. . O principio unitário também prevaleceu nos Países Baixos. vai levar à agitação que abalará a Europa entre 1815 e 1848. o rei é o único detentor do poder moderador e o chefe do poder executivo. nos remos e grão-ducados. a Prússia e a Áustria. Desenha-se uma solidariedade internacional contra os soberanos e as potências estabelecidas.º de parceiros reagrupando-se os Estado de uma maneira mais coerente. O mapa político da Europa simplifica-se com o desaparecimento de muitos pequenos estados e a incorporação de cidades livres. segurança individual e propriedade. Tendo presente o exemplo português da Carta Constitucional. as Cartas Constitucionais foram um importante passo na evolução política dos regimes monárquicos. dissolvido por Napoleão. Confronte-a com a análise de R. 141-142 do manual e confronte com os mapas para desenvolver a resposta. A Áustria perde a Bélgica mas torna-se senhora da Itália estendendo a tutela sobre a Alemanha. No caso português. Veja a pp. A Carta não só não afirma o princípio da soberania popular. uma concessão. posteriormente tira a Finlândia à Suécia e a Bessarábia ao Império Otomano. de 1815 a 1830. de 1815 a 1848. o mapa sai profundamente modificado. As três potências continentais vencedoras cresceram dentro da própria Europa: a Rússia. de igualdade perante a lei. o sistema representativo bicamarário. A divisão dos poderes. Só a GrãBretanha cresceu fora da Europa. A oposição entre estes dois campos políticos. de domínios eclesiásticos e de repúblicas. Câmara dos Pares e Câmara dos Deputados. Os liberais não aceitam a derrota da revolução e não aceitam os tratados de 1815. Em sua substituição. analise a importância da adopção das cartas constitucionais pelos regimes monárquicos europeus. desapareceram repúblicas como Génova e Veneza. entre outros como o direito de instrução. Observe a evolução do mapa político da Europa (CA p 64 e ss). e a religião católica mantêm a tradição. que exerce através dos seus ministros.

. sobre a sua relação com a verdade. Os seus doutrinadores são recrutados das profissões liberais e da burguesia mercantil. recorreu ao modo revolucionário. Para evitar o regresso ao absolutismo e ao poder sem limite. enquanto filosofia. No plano político. É também uma filosofia individualista porque coloca o indivíduo à frente da razão de Estado. O combate liberal é contra o antigo regime.2 Caracterize do ponto de vista sociológico o liberalismo. dos interesses do grupo e da colectividade. 2. Foi apenas em Inglaterra.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 24 / 95 2 A ERA DO LIBERALISMO 2. reservando-o para uma elite. os regimes totalitários. a monarquia absoluta. que é feita pelos indivíduos e não pelas forças colectivas. rejeitando todo o poder absoluto. ao nível filosófico e político. Fortemente racionalista opõe-se ao jugo da autoridade. 2. Nível político O liberalismo desconfia radicalmente do Estado e do poder. Países Baixos e Escandinávia que o liberalismo transformou a pouco e pouco e regime e a sociedade por via das reformas. portanto. o passado e o futuro. o antigo regime e a democracia futura. é a expressão de um grupo social – da burguesia. Nível filosófico O liberalismo é uma filosofia global e também uma filosofia política subordinada à ideia de liberdade. É também uma filosofia de história. Nos outros países. Por fim. O liberalismo é o disfarce do domínio de uma classe. o parlamentarismo é a tradução desta confiança no diálogo. O liberalismo evita entregar ao povo o poder que ele arrancou ao monarca. O liberalismo. combatendo. a afirmação do relativismo da verdade e a tolerância.1 Exponha os princípios fundamentais da ideologia liberal. O aspecto conservador sobressai quando os liberais detêm o poder. o liberalismo propõe um conjunto de fórmulas institucionais: Princípio da separação dos poderes Princípio do equilíbrio de poderes Princípio da descentralização Princípio da limitação do campo de actividade (o Estado deve deixar actuar livremente a iniciativa privada) Princípio da definição de regras de direito para o exercício do poder (a Grã-Bretanha foi a que melhor soube traduzir este princípio com o parlamentarismo) O liberalismo também emancipa todos os membros da família e manifesta-se contra as autoridades intelectuais ou espirituais. combatendo sucessivamente dois adversários. ditaduras e autoridade popular. É uma resposta sobre a liberdade. Esta filosofia do conhecimento tem como consequências: rejeição dos dogmas impostos pelas igrejas. uma filosofia do conhecimento e da verdade: o liberalismo acredita na descoberta progressiva da verdade pela razão individual.3 Analise as várias etapas da marcha do liberalismo na Europa e a sua expressão na colónia inglesa da Índia com o programa do self-government. os seus valores e as suas crenças. Inversamente. sobre as relações de cada um com os outros. É a doutrina de uma sociedade burguesa que impõe os seus interesses. o liberalismo revela que ele também é uma doutrina de conservação política e social.

O liberalismo desenvolve-se primeiro na Europa ocidental e alarga-se a pouco e pouco ao resto da Europa. O partido do Congresso. O liberalismo instaurou as liberdades públicas de opinião e discussão. e a repartição desigual da cultura. através das Câmaras. Vai abrir as portas àqueles que as sociedades liberais entreabriram a uma minoria. é de inspiração liberal. 2ª Etapa – 1830 É de maior amplitude e abala e demole o edifício político em vários países. descentralização. que a democracia vai pôr em causa. fruto da aliança entre liberais e católicos. na Escandinávia.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 25 / 95 1ª Etapa – 1820 Toma a forma de conspirações militares (o exército é.4 Descreva os resultados políticos e sociais da instauração dos regimes liberais Resultados políticos: Os regimes liberais organizam-se a partir de determinados princípios – separação de poderes com poderes equilibrados para evitar tentações absolutistas. As eleições. fundado na Índia em 1855. Aos restantes estão reservadas as funções subalternas da sociedade. Geralmente. por instigação das autoridades britânicas. Todos podem estudar mas somente um pequeno número. Resultados sociais: A sociedade liberal assenta na igualdade de direito. é o soberano que a autoriza. a sua privação lança a população na dependência. noutros é aprovada pelos representantes da Nação. que estende à Índia as instituições parlamentares desenvolvidas em Inglaterra um século antes. O liberalismo é uma sociedade aberta mas também desigual. na Suiça. . A Bélgica é uma realização exemplar do liberalismo. Na França o regime liberal sucede à restauração. bem como a laicização do ensino. Mas é também um elemento de opressão. 2. Também em vários territórios colonizados ele consegue triunfar – Índia. existem duas Câmaras – a Baixa e a Alta. Nalguns casos. A decisão política é partilhada entre a Coroa e os representantes da Nação. a disparidade de fortunas. A aplicação destes princípios varia consoante as características de cada país. Na Rússia. Só mais tarde consegue triunfar na Alemanha e mais tarde ainda na Áustria. Todas as Constituições tendem a limitar o poder. são em geral censitárias. O dinheiro é um elemento de emancipação social que abre possibilidades de mobilidade (dos bens e das pessoas. Estado de direito. É implementado o programa self-goverment (formado por uma elite anglo-indiana). as revoluções falham em quase todos os outros países. o seu instrumento) que se saldam por um malogro. impessoais e materializadas no dinheiro. só triunfa após a revolução de 1905. na época. mas não exclui a diferença das condições sociais. Toda uma população indigente perdeu a protecção garantida pela rede de laços pessoais e passa a viver numa sociedade na qual as relações são jurídicas. Mas. O liberalismo triunfa ainda nos Países Baixos. Se o sufrágio fosse universal estaríamos perante uma democracia. a dos Comuns e dos Pares. mas existem alguns traços comuns: O regime reconhece-se pela existência de uma Constituição. A sociedade liberal assenta essencialmente no dinheiro e na instrução – os seus dois pilares. no espaço). em que o poder está definido por regras. Para uns chega a ser a despromoção social e a miséria. A instrução é elemento libertador mas. Outras tentativas A unidade italiana realiza-se sob a égide do liberalismo.

pelo laicismo. liberdade de imprensa e de formação da opinião pública. A liberdade de voto. O alargamento da representatividade do parlamento (especialmente da Câmara Alta. A supressão dos lugares inamovíveis. pela aceitação do poder representativo e da necessária divisão dos poderes. pp. Aí são sistematizados os aspectos característicos dos regimes políticos liberais: constitucionalismo. De destacar: A implantação do sufrágio universal. sufrágio censitário. XIX. igualdade perante a lei e desigualdade de tracto. 3 A ERA DA DEMOCRACIA 3. seja soberana. isto é. a democracia não se confina à igualdade jurídica e civil. 155-159. A soberania popular é também um valor intrínseco à democracia implicando que a totalidade dos indivíduos (o povo) incluindo as massas populares. de forma esquemática. pela defesa da tolerância e da separação entre a Igreja e o Estado. pelo que reivindica a abolição do censo e aplicação do direito de voto para todos. nos sistemas bi-camarários). todos os procedimentos que visam a largar a participação dos cidadãos na vida política e o controlo destes sobre o exercício do poder. Os liberais defendem um Estado de direito e a liberdade da sociedade civil.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 26 / 95 Exponha os princípios fundamentais das ideologias políticas liberais. O alargamento da base do recrutamento dos candidatos políticos. Sistematize. pela defesa de formas de limitação do poder central. descentralização. Evolutivamente. representatividade do poder. O pensamento político liberal caracteriza-se pelo individualismo. bem como os meios necessários para exercer essa liberdade. Enuncia cinco condições para o exercício pleno dessa liberdade: condições de segurança e de protecção dos indivíduos contra a arbitrariedade do poder e a violência. A instituição da representação proporcional. Desenvolva estes pontos através da leitura do manual e de obras de referência. 67) O liberalismo tem como núcleo central da sua ideologia a ideia de liberdade e o discurso de Thiers ilustra bem essa preocupação. Thiers profere o seu discurso em 1864 e. os regimes liberais ainda conservam por todo o lado os sistemas censitários e a impossibilidade de voto das mulheres. Para fazer o esquema deve reler com atenção o manual. . exercício do poder pela maioria. liberdade dos representantes eleitos pelo povo controlarem os actos do poder. as discriminações e todas as restrições.1 Caracterize o ideário da democracia A democracia recusa as distinções. caminha para um demoliberalismo. Os democratas suprimem as restrições dos liberais (que reconheciam o exercício das liberdades apenas àqueles que já possuíam as necessidades capacidades intelectuais ou económicas) e reivindicam a liberdade para todos. de acordo com os níveis de riqueza. por isso. constata-se que o pensamento liberal já evoluiu no sentido da aceitação do poder da maiorias. Para os democratas não há democracia sem sufrágio universal. De um modo geral. mas interessa-se também pela igualdade social. pela não intervenção do Estado em matéria económica e social. por oposição ao intervencionismo estatal. integrando na sua exposição a análise do discurso de A. como a descentralização politico-administrativa. os aspectos que caracterizam os regimes políticos liberais europeus no séc. liberdade eleitoral para os cidadãos escolherem os representantes. Contudo. liberdade e laicismo. Thiers (CA p. A elegibilidade de todos os cidadãos.

A esta difusão junta-se o desenvolvimento do jornalismo e dos meio de informação. 3. provocando algumas rupturas com o liberalismo. que vêm do campo para a cidade. O crédito abre possibilidades à economia moderna. Na sua ausência. o que implica introduzir medidas como a democratização do ensino e uma política democrática de rendimentos. A primeira diferença relaciona-se com a abolição do voto censitário e a aplicação do sufrágio universal. outras actividades geradoras de alterações na composição da sociedade. encontra-se a sociedade burguesa que ascendeu ao poder com o liberalismo. contribuindo para o crescimento dos aglomerados urbanos. mas dá-lhe um alcance mais amplo. novas condições de trabalho e novos tipos sociais. O desenvolvimento do ensino A difusão da instrução contribui para aperfeiçoar esta classe média. A aristocracia tradicional continua a persistir e a ser poderosa. Abaixo dela. pois. Educação e informação da generalidade dos cidadãos.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 27 / 95 E condições socio-culturais Condições de vida razoáveis para a maioria da população. constituindo-se grandes estabelecimentos bancários e sucursais que vão gerar mais emprego. Esta revolução técnica suscita novas actividades profissionais. Os democratas defendem também a igualdade social. Perante a ameaça que a democracia representa para as suas prerrogativas tende a reaproximar-se da aristocracia unindo-se as duas classes contra o perigo comum representado pela democracia e pelas classes populares. Na democracia impera a soberania popular em vez da soberania nacional. 3.3 Relacione as concepções democráticas com as mudanças socioeconómicas e culturais Surgem novas camadas sociais resultantes de três ordens de mudanças: Revolução técnica As transformações mais visíveis são as que dependem da economia e estão ligadas à revolução industrial. 3. Desenvolvimento da consciência cívica e política Estes são alguns requisitos para a duração e maturidade das democracias.2 Compare os princípios liberais com os democráticos. surgem os operários da indústria. A soberania popular implica a totalidade dos indivíduos – o povo – como soberano. Na democracia alarga-se ao máximo o princípio da liberdade para todos. A democracia retoma a herança das liberdades públicas do liberalismo. como uma nova classe. Desenvolvimento do sector terciário O desenvolvimento da administração leva a que o Estado tome a seu cargo sectores como os correios e o ensino. . Esboça-se uma terceira sociedade. Uma classe média forte e extensa. A soberania nacional é exercida por uma minoria de cidadãos. estabelecendo as diferenças. Os profissionais de todas estas actividades constituem uma burguesia intermédia situada nas camadas populares. A revolução económica suscita. o golpismo e a tendência para regimes autoritários são muito fortes.4 Identifique a democracia com os grupos sociais cujos interesses expressa melhor Estas modificações criam novos tipos sociais que se juntam aos precedentes e no sentido de uma diferenciação crescente. Numericamente importantes.

. Implementa-se aos poucos o exercício de livre voto. Estas. e na dilatação das atribuições das instituições representativas.5 Analise as etapas da marcha das sociedades em direcção à democracia social e política A era liberal opera uma transição entre o antigo regime e a democracia. para que a consulta seja sincera. o povo soberano delega o seu poder em representantes. Tanto a sociedade aristocrática como a burguesa retardarão o estabelecimento da democracia. 3.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 28 / 95 composta pelo povo miúdo. O aparecimento dos partidos deu um apoio económico que era indispensável aos eleitos de origem popular. Os sistemas eleitorais diferem de país para país nas modalidades da sua aplicação. Institui-se o subsídio parlamentar. de democracia autoritária Paralelamente à forma representativa e parlamentar existe a forma directa e autoritária do regime democrático. Na Grã-Bretanha os aglomerados urbanos não estão representados proporcionalmente. O liberalismo é o adversário da democracia mas é também dele que recebe uma herança: os regimes constitucionais representados pelas câmaras electivas. Na Prússia recorreu-se ao sistema de classes (categorias por valores dos impostos). Outra inovação é o segredo de voto (aos poucos adopta-se o envelope e a câmara de voto). Nas vésperas da Primeira Guerra. Apesar de tudo o sufrágio é só semiuniversal já que as mulheres ficarão arredadas ainda durante um século (depois do fim da Segunda Guerra). Na Bélgica institui-se paralelamente o voto plural que restabeleceu uma certa desigualdade (em função da instrução e dos encargos familiares). à elegibilidade e representação parlamentar. pela burguesia das classes médias. Sob a influência do espírito democrático as relações entre a câmaras alta e baixa evoluem. Nos EUA os negros tinham se superar uma prova se quisessem votar . Após a Primeira Guerra Mundial vários países adoptam um novo modelo de escrutínio. No outro. o sufrágio universal entrou nos costumes e na legislação. Suprimemse os lugares inamovíveis da câmara alta 3. alargando-se assim o recrutamento do pessoal político. com a ampliação dos eleitores. outro critério da democratização das instituições. utilizado pelo autor. pelo preconceito de que apenas teria direito a voto aquele que pudesse exercê-lo com independência (na mesma situação estão os criados ou os filhos adultos que habitem na casa dos pais). no sentido da maior democraticidade dos regimes políticos europeus. pelos operários e camponeses representa a maioria da população. 3. confia-o a um executivo que evita as assembleias parlamentares. 3.7 Analise a evolução dos sistemas eleitorais quanto à liberdade de voto. com a universalidade imposta pela democracia.8 Explique o conceito. de carácter restritivo. instituindo-se a representação proporcional. Os países revogam progressivamente as cláusulas que subordinam a elegibilidade a um determinado nível de instrução ou ainda à diferença de sexo. evoluem no sentido do seu alargamento. A adopção do sufrágio universal foi bastante importante na medida em que veio contribuir para eliminar as restrições que limitavam a cidadania. No primeiro caso. Esta progressão consiste na transformação do procedimento eleitoral.6 Discrimine a importância do sufrágio universal e das medidas tomadas para a sua concretização no estabelecimento dos regimes democráticos.

ao acesso á educação. seleccionam candidatos. Ao mesmo tempo tecem contactos e federam-se.12 Distinga as posições liberais e as democráticas em relação à participação dos cidadãos na vida política. tornam-se centros ideológicos e asseguram uma educação política. São intermediários entre os indivíduos e as instituições. Passam a partidos de militantes e tornam-se unidos internacionalmente . que propagam. Enquanto escolas de pensamento.9 Caracterize os partidos modernos O aparecimento dos partidos são a consequência lógica do papel crescente das consultas eleitorais e respondem a necessidades funcionais.11 Analise a importância da instrução. O alargamento do direito de voto a todos os cidadãos exige que a instrução primária seja o prolongamento uma exigência lógica do sistema. são meras comissões que surgem ao aproximarse o acto eleitoral para depois desaparecerem após a consulta. Do mesmo modo. 3. 3. facções. propõem programas. Os partidos tornam-se permanentes. Começam também a ter outras funções: enquanto escolas de pensamento. Alargam as suas bases. procuram alargar o ensino a todos os cidadãos. círculos mundanos. Instrução Posição liberal: Raciocinavam na perspectiva de uma vida política restrita: interessavam-se quase exclusivamente pelo ensino secundário. seleccionam candidatos. o apagamento das distinções. São intermediários entre os indivíduos e as instituições. Em 1848 e mesmo em 1871. tornam-se centros de reflexão. uma ideologia. que encontrou a sua expressão com o regime de Bonaparte. assegurando a educação política. A igualdade política solicita a igualdade social. São também a resposta espontânea à mutação da vida política. A universalidade implica a obrigatoriedade e a gratuitidade do ensino. Pouco a pouco estas comissões tendem a perpetuar-se. que encontrarão o seu aplicativo numa repartição equitativa dos encargos fiscais e militares. propõem programas.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 29 / 95 Existe assim uma democracia que associa o apoio popular e a autoridade. Durante a era liberal os partidos pouco mais são do que clubes. formulam uma doutrina. De facto a cada tipo de eleitorado corresponde um tipo de partido. mas com a preocupação ideológica de não fazer crescer a influência dos seus adversários (direitas tradicionalistas e a Igreja) Informação e Cultura . a difusão da informação e a liberdade de expressão impõem-se como necessárias para que a democracia não se reduza a um simulacro. Posição democrática: Ao instituírem o sufrágio universal. à cultura e á informação e á incidência dos encargos fiscais. a igualdade de oportunidades. A democratização do regime e da sociedade não se limita às instituições. da informação. 3. democratizam-se. do serviço militar e das reformas fiscais no processo de democratização das sociedades contemporâneas.10 Descreva o processo que conduziu ao aparecimento dos partidos modernos na cena política O aparecimento dos partidos são a consequência lógica do papel crescente das consultas eleitorais e respondem a necessidades funcionais. nomeadamente sobre a polémica questão do imposto progressivo sobre o rendimento. Com o sufrágio universal e a democracia mudam de dimensão e de natureza. De partidos de notáveis passam a partidos de militantes e tornam-se unidos internacionalmente. 3.

partindo da análise que J.71) e estabeleça as diferenças entre o pensamento político liberal e o democrático. Barradas faz das ideias de A. o alargamento do próprio conceito de povo. mesmo se os objectivos são uma maior justiça social. prefere os mecanismos da concorrência e da selecção dos mais fortes à regulamentação das sociedades. tendo por base a sua experiência pessoal de vivência num regime democrático. aceitando o sufrágio universal e a necessidade de maior igualdade social. Fiscalidade Posição liberal: Cobrir as despesas com as receitas e assegurar a repartição dos encargos pelo alargamento da base de tributação. Porém. demonstrando a interiorização das noções aprendidas nestes capítulos e uma reflexão pessoal. sendo. o pensamento liberal evoluiu no sentido do demoliberalismo. Este imposto enfrenta resistências ao recear-se que perturbe as situações adquiridas e que abra portas à inquisição fiscal. contrária aos ideais dos liberais da primeira metade do século XIX. vendo-as como duas faces duma mesma moeda. A distribuição dos encargos não corresponde às possibilidades contributivas dos indíviduos. Deste modo reduzem o tempo do serviço militar para três ou dois anos e tornam necessário incorporar a totalidade do contigente. Posição democrática: Lançamento do imposto sobre o rendimento que exige uma declaração contributiva e a sua verificação.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 30 / 95 Posição liberal: O condicionamento e os encargos financeiros eram entraves à possibilidade da imprensa florescer. Posição democrática: Liberalização do regime jurídico. O regime militar dura entre cinco e sete anos. portanto de longa duração. As tremendas desigualdades sociais geradas pelo desenvolvimento do capitalismo e a constatação da concentração económica e de poder que acompanha esse processo. O serviço militar universal foi um agente de democratização e um factor de transformação social. Posição democrática: A desigualdade não faz parte dos princípios democráticos. estiveram na base dessa mudança. Desenvolva a dissertação de acordo com os tópicos apresentados. Obrigações militares Posição liberal: associam o alistamento de voluntários ao recrutamento mas só chamam parte de uma classe (por regime censitário). como já referimos. O último é individualista e avesso ao igualitarismo. Deve mostrar a associação que o pensamento político democrático estabelece entre liberdade e igualdade. o sufrágio universal. Leia o texto sobre “O Liberalismo e a Democracia” (CA p. a universalidade dos direitos e a defesa da redução das desigualdades sociais como condição para o exercício pleno das liberdades dos cidadãos são alguns dos princípios que distinguem a democracia do liberalismo. aumento da clientela (devido ao alargamento do ensino). ao contrário dos liberais. Herculano. . Disserte sobre a importância do acesso á educação e à informação para o exercício pleno dos direitos e deveres dos cidadãos. A defesa da soberania popular. o financiamento do esforço da Primeira Guerra Mundial ultrapassará os obstáculos para a sua aceitação. Contudo.

transformou-se num polvo que acaba por controlar a vida dos cidadãos. a máquina burocrática era reduzida e o Estado era apenas um pequeno corpo à superfície da sociedade. • Garantir a segurança externa e a defesa da colectividade junto doutros países. a situação era marcada por dois fenómenos distintos: o movimento das ideias e a prática das instituições. o Estado começa a intervir cada vez mais na vida das sociedades. Aos poucos. Deste modo as funções do Estado reduziam-se a um núcleo muito restrito de atribuições – as únicas cujo exercício era indispensável ao funcionamento normal de uma sociedade. já que esta era o motor de toda a actividade válida. A intervenção do Estado é permitida apenas para reprimir e sancionar as infracções. sancionando violações. 4.3 Discrimine os indicadores e as causas de cada vez maior intervenção do Estado na vida das sociedades Depois da idade de ouro do liberalismo (séc. XIX).2 Analise a atitude dos liberais em relação ao Estado e o papel que lhe atribuem No princípio da Restauração. a revolução ao fazer tábua rasa do passado irá beneficiar e abrir caminho à acção do poder estatal. O movimento das ideias era dominado por uma clara desconfiança em relação ao poder: os princípios da separação de poderes e o cuidado no seu equilíbrio denunciavam uma vontade de reduzir o domínio e o poder do Estado. mas alargou-se com o tempo e aumentou o nº de departamentos estatais. que graças a uma administração centralizada disporá dos meios que faltavam aos seus antecessores. técnicos e sociológicos: . Em relação ao Estado os liberais entendiam que este devia evitar substituir-se ao papel da iniciativa individual. Esta mudança na intervenção do Estado na sociedade ocorreu a nível geral das sociedades e decorreu de factores objectivos. Deste modo. compete ao Estado: • Promulgar as leis e fazê-las aplicar. • Manter a ordem pública interna. substituindo-se à iniciativa privada em muitos aspectos (por exemplo no domínio do progresso da tecnologia. Posteriormente. 4.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 31 / 95 4 A EVOLUÇÃO DO PAPEL DO ESTADO 4. etc. O Estado deve assumir uma postura de neutralidade jurídica e fiscal. São vários os indicadores desta evidência: • O progresso na estrutura dos governos. Concluindo. o Estado era apenas um pequeno corpo à superfície da sociedade. O Estado deve evitar substituir-se à iniciativa individual e abster-se de controlar a iniciativa privada ou mesmo de a regulamentar. • Arbitrar litígios entre particulares. pacífica ou militar).1 Caracterize o papel do Estado nas sociedades contemporâneas Uma ideia base do liberalismo preconiza a iniciativa individual como o motor de toda a actividade. Deveria também ter um papel neutro não só em relação a todos os agente da vida económica como também a nível jurídico e fiscal. com a multiplicação de departamentos ministeriais. e o crescimento notável do número de funcionários. • O aumento do orçamento público torna-se o instrumento de uma política social e económica e o Estado é chamado a corrigir desigualdades sociais e a estimular as actividades. No início. funcionários. quando antes assegurava apenas o funcionamento dos serviços públicos. • Cobrar verbas para suprir despesas do seu funcionamento.

O Estado não é amado: discorda-se entre aquilo que dele se espera e o que ele oferece. Parece que quase nada consegue escapar à intervenção do Estado. na habitação. Mais do que uma evolução linear no sentido do aumento indefinido do papel do Estado. no exercício das actividades profissionais. Através de medidas de protecção da família ou de imposição do controlo da natalidade. no ambiente. por exemplo. farmacêutico) que poderia pôr em causa a integridade e a segurança dos cidadãos. ao aumento de parte das actividades e de equipamentos colectivos. o Estado condiciona o numero de nascimentos e intervém em todas as esferas da vida social: na economia. ao certificar-se da sua observância e ao sancionar transgressões. . Dispõe de uma máquina político-adrninistrativa gigantesca e precisa de orçamentos cada vez mais elevados para gerir a coisa pública. na educação. no abastecimento e no consumo. do intervencionismo do Estado. Estes tópicos devem ser desenvolvidos com exemplos concretos. Mesmo os Estados mais desenvolvidos e ricos têm enormes défices orçamentais que crescem como uma bola de neve. por causa dos juros da dívida pública.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 32 / 95 • Preocupação com o exercício de certas profissões (arquitecto. No entanto a intervenção do Estado não ocorreu sem controvérsia.4 Explique as consequências desse maior intervencionismo do Estado ao nível do aparelho político-administrativo. O reconhecimento das aplicações do ideal igualitário da democracia. O alargamento das suas atribuições é ainda maior nas consequências das guerras.. dos orçamentos. confrontando a leitura do manual com a sua experiência pessoal Nas sociedades actuais. O Estado age ainda com o mesmo espírito ao regulamentar as condições do emprego e do trabalho. Sistematize de forma esquemática. a aspiração à justiça. De acrescentar os factores de mentalidade. • Noutros domínios como o progresso da tecnologia. Essa é a principal razão da sua crise actual. 4. o esquema alternativo dá melhor conta da realidade. na saúde. nas construções de obras sociais e de infraestruturas colectivas. pacífica ou militar. nos direitos e deveres dos cidadãos. como na China. Destaca-se o golpe desferido pela revolução de 1889 nas intromissões do Estado. É o fim da abstenção do Estado. o Estado é omnipresente desde o nascimento até à morte dos cidadãos. todos os sectores onde o intervencionismo do Estado se faz sentir nas sociedades actuais. engenheiro. das fronteiras entre o público e o privado e do actual questionamento desse excessivo peso na vida social Um dos maiores efeitos é a deslocação da fronteira entre o privado e o público. ao impor regras.. extraídos da sua experiência. médico. na segurança. levando a uma maior socialização. na assistência. seja através de leis e regulamentos que definem o exercício das actividades ou através de subsídios e investimentos públicos que condicionam e orientam a actividade privada. • As situações excepcionais cuja gravidade das consequências obrigam também os governos a tomar medidas de excepção no casos das catástrofes naturais e as calamidades de que também fazem parte as grandes crises económicas. na cultura. no domínio da saúde. da economia ou da instituição escolar. fizeram parecer anacrónica a noção liberal de não intervenção e de neutralidade do Estado. levou o Estado a tomar o lugar de uma iniciativa privada enfraquecida ou impotente. As ideologias contemporâneas partilham quase todas de uma aspiração à emancipação das pequenas comunidades e ao definhamento do estado. O Estado tornou-se um Leviathan. O papel do Estado é antes de controle e inspecção.

Eis a condição operária. o movimento operário poderia ter bebido a sua inspiração noutra doutrinas. As primeiras reacções de defesa operária em Inglaterra e a elite operária olham para o passado. glossário 5. Entre estes dois grupos. aplicadas. Por seu turno. dele recebendo a sua estratégia. A reivindicação da igualdade e a fórmula da partilha foram. do outro. a nova classe que emerge não tem tradições de luta e é constituída por indivíduos desenraizados do seu meio natural. a massa assalariada. São os operários de origem rural que vão constituir os batalhões das novas indústrias. 5. Este conjunto de disposições legislativas atrasa a constituição do movimento. podendo haver. anarco-sindicalismo. 5. isto é à formação de uma nova categoria social saída da revolução industrial. De um lado temos o capitalismo industrial. O interesse dos patrões é baixar os salários e dos trabalhadores é defendê-los. que lhes parece uma idade de ouro. As condições de trabalho são extremas: sem limite de duração. é necessário ir às suas origens. O socialismo absorveu pouco a pouco as preocupações da classe operária. mão-de-obra infantil. Paralelamente surge também uma nova categoria de dirigentes industriais que dispõem de capitais. equivalente aos actuais bairros de lata. Vd. socialismo. dificulta a organização de um movimento operário. porque ao lado das condicionantes jurídicas. uma espécie da aristocracia do trabalho que vai lançar as bases do movimento. como já houve. em reacção contra o individualismo liberal. A ordem social saída da Revolução Francesa.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 33 / 95 5 MOVIMENTO OPERÁRIO. em primeiro lugar. um socialismo das sociedades rurais. Reciprocamente. social-democrata. Por razões de ordem sociológica as reacções de defesa teriam sido também lentas. baixos salários. fez suas as reivindicações dela e é nela que se apoia.1 Defina os conceitos ou noções de movimento operário. pelo que decretou a dissolução de todas as associações e coligações. anarquismo. sem descanso semanal. Para discernir a história deste encontro. Estes exemplos sublinham o encontro fortuito (séc. SINDICALISMO E SOCIALISMO 5. Estas condições agravam-se pelas condições de habitação. A Grã-Bretanha é o primeiro país a reconhecer a liberdade de associação . XIX) entre o movimento operário e o socialismo. financeiro e bancário. marxismo. A doutrina que prevalece é o liberalismo que tem por princípio deixar actuar livremente a iniciativa individual. sindicalismo. O movimento operário não nasce destes elementos mas sim dos artífices e dos oficiais. Os seus interesses são contrários e o liberalismo concorre para esse antagonismo.4 Analise as causas que impulsionam os movimentos operários nos países industrializados ou em vias disso A passagem da classe operária ao movimento implica uma tomada de consciência desta condição operária e um esforço de organização. a dissociação acentua-se. O crescimento demográfico aumenta o desemprego.3 Caracterize a chamada «questão social» industrialização e da aplicação do liberalismo que decorre do processo da A revolução industrial provoca alterações de vária ordem. A préhistória do socialismo demonstra que ele não se reduz à filosofia das sociedades industriais.2 Identifique as origens dos ideais socialistas As origens do socialismo são anteriores à revolução industrial. à propriedade da terra. O primeiro objectivo do movimento é obter uma modificação da legislação para conquistar a igualdade jurídica. o movimento operário deve ao socialismo o essencial da sua inspiração.

O socialismo moderno pretende ser a reposta aos problemas resultantes da revolução industrial.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 34 / 95 e cinquenta anos depois concede aos sindicatos um reconhecimento de pleno direito. já que o essencial do problema reside nas questões sociais e na organização da sociedade. XIX. A I Internacional começa em 1864 e terminará em 1874. 5. pois. os doutrinários são muitos e têm como base comum a crítica do liberalismo e a substituição da propriedade privada pela socialista. criticando o liberalismo individualista. A Internacional (associação internacional de trabalhadores) nasce da solidariedade internacional dos trabalhadores. Põe em causa a iniciativa individual. que resulta da sua identidade de interesses e da sua oposição a um capitalismo igualmente internacional. não resistindo à guerra francoalemã. No princípio do socialismo radica um duplo protesto: revolta moral contra as consequências sociais e uma indignação contra o absurdo das crises económicas. A partir de 1870-80 torna-se a filosofia reconhecida no movimento operário. Uma destras escolas vai ofuscar as restantes: o marxismo. para conquistar uma força política que se ramifica depois pelos diferentes países. Como o marxismo suscita a formação de partidos. 5. torna-se necessário contar com os partidos socialistas. Foi em parte porque o marxismo prevaleceu que o socialismo se politizou. Em 1914 a sua evolução para o plano das forças organizadas está concluída. de preparar o advento de uma ordem social mais justa para o conjunto da sociedade através tanto da acção profissional operária como através da acção política. As escolas. O socialismo tornar-se-á uma força política. Esta Internacional é social democrata. na maioria dos países. do partido. os meios que utilizará para alcançar o seu objectivo vão modificar-se. a propriedade privada. O socialismo reage contra o individualismo. Propõe uma doutrina de organização social. os sistemas. estando os sindicatos ausentes. a conjunção entre o fenómeno social e o desenvolvimento de um pensamento – o socialismo. Surge o grande surto das trade unions inglesas e dos bourses de travail em França. tudo o que respeita ao trabalho. recrutam adeptos e se desenvolvem. Aqui vamos encontrar. do sindicato. postulados em que se fundava a economia liberal do séc.5 Identifique as razões que presidem ao desabrochar do socialismo nas sociedades do séc. A acção política identificar-se-á com o socialismo. O segundo. . que se organizam. numa palavra. está ligada à evolução interna do socialismo. a concorrência. 5. Porém divergem nas modalidades práticas e também na filosofia geral. um carácter fundamental. Circunstâncias internas e externas contribuiram para a vitória do marxismo. da escola para o partido. Na verdade. XIX O movimento operário na sua forma sindical propôs-se a vários objectivos em simultâneo: o primeiro visa melhorar as condições materiais de vida. Em 1900 o socialismo é ainda um fenómeno circunscrito à Europa. O internacionalismo tem. A II Internacional constituída em 1889 é uma internacional só de partidos. que se transforma em partido político para a conquista ou o exercício do poder. pois. não política.7 Indique o significado da constituição de Internacionais Socialistas e o respectivo papel nas lutas políticas.6 Mostre a importância do marxismo como sistema ideológico e na transformação do ideário socialista numa força política Esta evolução do social para o político. a propriedade privada dos meios de produção. é mais geral: trata-se de transformar a sociedade.

Proletários de todos os países. o conservadorismo político ou social. O marxismo não pretende acabar com toda e qualquer forma de propriedade. a que se junta uma oposição a todos os valores reconhecidos (as instituições políticas.8 Distinga o ideário socialista das concepções do liberalismo Uma vez que combate a ordem estabelecida. o socialismo constitui uma força de oposição política. é também uma filosofia. O socialismo não é só uma solução económica. É uma internacional social-democrata. das desigualdades sociais. o sistema de relações sociais. o socialismo e o comunismo. como também o liberalismo. o regime económico. 5. o materialismo predomina.sob a forma de lucro. a religião). Nesta perspectiva. o capitalismo e.isto é. onde se verificaria a abolição da propriedade privada e a redistribuição social da riqueza. não só os vestígios do antigo regime.9 Explique o significado original de social-democracia e a relação dessa ideia com o socialismo Advém das características da II Internacional. o feudalismo. No sistema de forças os seus aliados estavam sobretudo à esquerda. cujos defeitos estavam na origem da sua revolta. a progressiva abolição. através da luta dos partidos operários e da revolução. Com o triunfo do marxismo. a extinção do direito de herança. a educação gratuita. a moral burguesa. por fim. das terras e do próprio capital . cujos partidos que a ela aderem se reclamam do socialismo marxista. O que se pretende é mudar radicalmente essa realidade social. que se cristalizaram ao longo do tempo em vários sistemas socioeconómicos: o esclavagismo. a riqueza socialmente produzida por todos os assalariados é apropriada de forma privada pelos detentores dos meios de produção . uni-vos! . O controlo estatal da economia. mas só com aquela que permite a exploração do trabalho alheio em beneficio privado. No sistema capitalista. a total laicização do Estado e da sociedade são as propostas mais importantes dos comunistas. o movimento terminará a seguir ao primeiro conflito mundial A III Internacional. 5. a filosofia.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 35 / 95 Incapaz de susterem a corrida à guerra. socialista e democrática. 79ss e aponte algumas das ideias fundamentais que caracterizam o pensamento marxista O pensamento marxista caracteriza-se por uma posição filosófica materialista. na qual o socialismo sonha alargar a democracia política em democracia social. o processo histórico decorre do desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais de produção. dai a palavra de ordem do Manifesto Comunista . foi a fórmula seguinte de espírito mais radical. da qual a Rússia bolchevique é o seu melhor exemplo. como forma de redistribuir os rendimentos. a assistência social e a saúde públicas generalizadas. logo no início. que se traduziu na chamada concepção materialista da história. São também favoráveis ao internacionalismo proletário. o imposto fortemente progressivo. Leia o excerto do Manifesto de 1848 (Marx e Engels) no CA p. das fábricas. O marxismo chamou a atenção para a importância da luta de classes e para o respectivo antagonismo como motor da história.

O czar Alexandre II aboliu também a servidão em 1848 e veio emancipar dezenas de milhões de servos russos. Os regimes agrários são variados (arrendamento. a difusão dos jornais e o serviço militar veio a ter consequências na transformação dos campos. O mundo da terra não evolui ou fá-lo lentamente. O terceiro problema é o da apropriação da terra. As escolhas eleitorais do camponês exercem-se em sentidos diferentes. certas regiões de França. O segundo problema é o da terra: Há demasiada procura para a pouca terra disponível. Tomando consciência de si mesmo. Tal não resolve a questão agrária mas os camponeses passam a ser pessoas livres. o movimento democrático encontrou a sua significação plena com o desenvolvimento da instrução. a agricultura ser de características tradicionais e a economia de subsistência. O agricultor tem de desembaraçar-se rapidamente das colheitas através dos canais de comercialização. Tem aspirações à liberdade. os rurais representam 75% da população. meação. Onde o feudalismo desapareceu sucedeu a propriedade burguesa. Contudo. mas do banco – é esta a diferença.4 Explique as reacções dos camponeses à evolução política das sociedades contemporâneas O campesinato tem o hábito secular de se submeter. 6. não através de um usurário local. Mesmo nos países mais evoluídos. Esta é a alternativa quando a terra não retribui nada. de longe em longe. servidão). Outros grupos monopolizam progressivamente a terra principalmente aqueles aos quais o camponês é obrigado a recorrer quando necessita de dinheiro. XVIII.1 Discrimine a importância do mundo rural no séc. O êxodo rural. Se sobrevem uma má colheita poderá recorrer ao crédito. Embora venham a obter resultados superiores debatem-se com os mesmos problemas da agricultura tradicional pela via da economia de mercado. à emancipação das tutelas que pesam sobre si e à propriedade efectiva da terra que fecunda com o seu trabalho. Contudo a condição camponesa é a da esmagadora maioria da humanidade. O séc. Canadá. 6. faz irrupções bruscas no processo político. O outro problema é o do endividamento permanente das sociedades rurais. O imperativo alimentar é a preocupação mais antiga e constante das populações. Depois os seus . pois muitas vezes a terra não é de quem a trabalha. Depois da 1ª Guerra só na Inglaterra e na Alemanha é que a população camponesa se queda abaixo dos 50%. XIX. Apesar de. Escandinávia. na Europa Ocidental a revolução aboliu os vestígios da sociedade feudal e beneficiou todos os camponeses. Países Baixos e Inglaterra). o sufrágio universal reforçou a autoridade dos conservadores).2 Caracterize a situação dos camponeses e os problemas agrários O problema da fome e das subsistências foi primeiro um problema das sociedades rurais antes de se estender às cidades. Alemanha. por exemplo. XIX restringe progressivamente a extensão da escravidão e vem a condenar o tráfico de escravos. surgem no séc. muitas vezes num sentido conservador (em França. E são os camponeses que asseguram a subsistência da humanidade.3 Analise as transformações que se verificam ao nível da agricultura e respectivas consequências. XIX algumas agriculturas modernas com modos de organização industrial (EUA. No fim do séc.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 36 / 95 6 AS SOCIEDADES RURAIS 6. o afluxo às cidades e o trabalho industrial são as únicas saídas juntando-se-lhes a emigração (em cem anos a América recebeu cerca de 60 milhões de europeus). este organiza-se. 6. Nos países mais evoluídos. no geral. Na vida política o sufrágio universal veio a transferir para o campesinato o poder a prazo.

As cidades tornaram-se grandes cidades. Contudo.85 do CA A transição do feudalismo ao capitalismo nos campos e o próprio desenvolvimento da economia de mercado e da concorrência são os aspectos que condicionam mais fortemente a vida dos camponeses.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 37 / 95 votos deslocam-se para candidatos mais avançados. É com o afluxo de habitantes dos campos que as aglomerações urbanas crescem. O Partido Comunista Chinês apoiou-se no campesinato e foi a reforma agrária que lhe trouxe o apoio das massas. Os campos foram despovoando-se e o nível de vida dos que ficaram só lentamente melhorou. A sua aparência modificou-se e as suas funções diversificaram-se. em vastas regiões da Europa. O mesmo se passou com a revolução de Castro. A par dos ritmos ancestrais e da dificuldade de se adaptar ás mudanças técnicas e sociais. os camponeses vão lutando pela sobrevivência. Caracterize a situação social dos camponeses no séc. escoamento. mostrando a partir deles a progressiva perda de peso da população rural e o crescimento da população urbana. A revolução técnica (invenção de máquinas e uso de novas fontes de energia) origina a concentração de mão-de-obra à volta dos novos . Estas mudanças fizeram surgir uma série de problemas: subsistência. como a América. com a introdução de novas técnicas e um aumento da produtividade. Por vezes até se constituem em partidos. circulação. tipos de relações e modos de vida. multiplicaram-se e a sua população aumentou vertiginosamente. das comunicações. 7. Experimentam o associativismo e descobrem as virtudes do sindicalismo. Analise a evolução da população rural e da população urbana. abastecimento. jogue com as percentagens e distinga os níveis de industrialização dos países. Tenha em atenção os anos quando fizer análise comparativa entre os países. com base nos dados estatísticos do quadro do CA p. Desde 1800 que o fenómeno urbano sofreu uma aceleração irresistível. O êxodo rural veio responder ao apelo das cidades que necessitavam cada vez mais de mão-de-obra. jogando com todas as informações que colheu nos capítulos anteriores e no excerto de Dreyfus da p. para muitos deles passou por emigrar para as zonas urbanas ou para outros continentes. Posteriormente deslizam mais para a esquerda.84 Deve analisar com atenção os dados. em Cuba. XIX. ao nível da ocupação do espaço. administração e ordem pública. Constitui-se progressivamente um novo género de vida. da ordem e da segurança e no aspecto sociopolítico Causas: O crescimento urbano é um fenómeno demográfico e é alimentado pelo superpovoamento dos campos que não conseguem assegurar a subsistência de uma população excedentária. Algumas das mais recentes revoluções começaram por revoluções camponesas. Na sua resposta. do abastecimento. Apesar do século XIX ser marcado por uma tendência secular de baixa dos preços que afectou de modo bastante negativo o rendimento dos agricultores. consoante a importância da respectiva população urbana.1 Analise o fenómeno do crescimento urbano nas sociedades contemporâneas A distinção entre rurais e citadino é uma das linhas de clivagem decisivas da humanidade: diferencia géneros de habitat. As relações das cidades com o seu ambiente natural modificaram-se e ampliaram-se.2 Discrimine as causas do crescimento urbano e as respectivas consequências. 7 O CRESCIMENTO DAS CIDADES E DA URBANIZAÇÃO 7.

as novas formas de distribuição. os bancos.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 38 / 95 centros de produção. à incerteza das colheitas. situam-se no entroncamento de importantes redes de vias férreas. As administrações são levadas a intervir no funcionamento dos serviços colectivos. Consequências em termos de comunicações internas: Á medida que os aglomerados se expandem as distâncias aumentam e as relações distendem-se. mostrando o extraordinário crescimento das cidades. serviço de bombeiros). Consequências em termos de sociais e políticos: A sede do poder confunde-se com a grande cidade pelo que esta se encontra sujeita às oscilações de humor da população. criminalidade. Analise o crescimento populacional das cidades de vários continentes entre 1800 e 1910 com base nos dados fornecidos no quadro da p. pauperismo. as redes de transportes. A estes convém juntar elementos de psicologia colectiva: a cidade é um forte atractivo e é a esperança de um trabalho regular e remunerado. A facilidade de transportes atrai a actividade económica. As epidemias recuam com o progresso da ciência. Os flagelos sociais acompanham o crescimento das cidades (miséria. A passagem das sociedades agrárias para um novo modelo de existência social organizado em torno do fenómeno urbano constitui talvez o maior acontecimento histórico do séc. Os meios de comunicação permitem às cidades retomar o impulso para conquistar o espaço circundante. constituição de forças policiais. luz e energia. p. Os distritos urbanos organizam-se e formamse comunidades urbanas. O terreno não tarda em faltar e a sua raridade provoca a subida de preços. para além do sector industrial também o terciário concorre para explicar o crescimento urbano. ruas mais largas. De referir também o abastecimento em força motriz. O receio leva a fazer-se obras importantes: abertura de passagens para a cavalaria ou artilharia. como Londres e Paris. prostituição) e as administrações tentam corrigir a situação para que os flagelos sociais recuem paulatinamente. a generalização da instrução. A carestia de terrenos no centro da cidade origina o aparecimento de bairros e a sua diferenciação social. 88 CA É nítida a relação entre o crescimento das cidades e a rede de caminhos de ferro. Consequência em termos de abastecimento: cria-se uma densa rede de canalizações e constroem-se aquedutos. tendo em conta o mapa das grandes cidades e das vias férreas da Europa de 1830 a 1870. Repare no caso especial das cidades dos países europeus mais industrializados e da América do Norte e do Sul. substituição do empedrado pelo macadame. O comércio. jogando com vários exemplos extraídos da análise do mapa. Consequências em termos de extensão espacial: O afluxo de novos habitantes leva à extensão da cidade no espaço. por causa da emigração maciça doutros continentes. Consequências em termos de ordem e segurança: Contra a ameaça permanente do fogo as cidades protegem-se contra a sua propagação (construções de pedra ou metal. XX. Relacione o crescimento urbano com o desenvolvimento dos transportes. . as indústrias e a fixação das populações. As maiores cidades. criam novos postos de trabalho Portanto. a entrada numa economia regulada pelo dinheiro. construídas antes de 1840. Reordena-se o coração das velhas cidades e conservam-se arruamentos. Os que não têm dinheiro suficiente são empurrados para a periferia. etc. O abastecimento alimentar das cidades leva a procurar cada vez mais longe quantidades cada vez mais consideráveis. O estabelecimento do sufrágio universal torna-o o regulador da vida política e a insurreição torna-se uma violação do direito dos cidadãos. 87 do CA Construa a sua resposta a partir dos dados do quadro. Deve mostrá-lo na sua resposta.

Pelas seus princípios e pelo seu exemplo. sendo portanto seu contemporâneo. Tanto coabita com a esquerda como com a direita. no Congresso de Viena. na origem do movimento das nacionalidades confluem a reflexão. Apoia-se na Igreja. enquanto os outros três se sucedem nesse período. pela influência das suas ideias (uma vez que a independência e a unidade nacionais decorrem directamente dos princípios de 1789). estendendo-se por todos o séc. Faz intervir interesses e estes actuam quando. 8. Depois. menos alianças com o socialismo por que este se define como internacionalista. pela forma como mostrou o que pode o patriotismo da «grande nação» e. à unidade. p. historiadores. pela língua. 8 O MOVIMENTO DAS NACIONALIDADES 8. no Japão o sentimento nacional inspira a modernização). Estabeleceu. O fenómeno só conta quando é entendido conscientemente. portanto. definindo-se pela história. 89 CA As cidades crescem à custa dos terrenos agrícolas que as cercam e eram a sua fonte de abastecimento de produtos frescos. 8. os soberanos preocupados em destruir a obra da revolução e não levaram em consideração. 8. pela religião. filósofos. regiões basca e catalã. Irlanda. XIX foi em parte obra de intelectuais (escritores. E isso que as figuras mostram em relação ao caso de Paris. Espanha vs. XIX – o liberalismo. o impulso do sentimento e o papel dos interesses. A segunda fonte é o «historicismo» ou tradicionalismo que pouco ou nada deve à revolução. Alsácia e Lorena. quase todos os países conheceram crises ligadas ao fenómeno nacional (GrãBretanha vs. na reconstrução da Europa. linguistas. como universal e não é marcado por uma dada ideologia nem tem cor política uniforme. a democracia e o socialismo Em comparação com o liberalismo. o desenvolvimento da economia apela á superação dos particularismos. 229-234. caracterize a evolução duma grande urbe no séc. talvez a forma de acção que mais contribui para o despertar do sentimento nacional. Está ligado à redescoberta do passado.2 Relacione numa perspectiva temporal o movimento das nacionalidades com os três fenómenos do séc. O movimento das nacionalidades no séc. Os problemas decorrentes desse crescimento urbano vêm enunciadas no manual. filósofos políticos). pelas reacções que provocou.1 Refira os principais factores que caracterizaram o movimento das nacionalidades O movimento das nacionalidades pressupõe a existência de nacionalidades e o despertar do sentimento de pertença a estas nacionalidades. Assim. Esta dualidade do nacionalismo explica a complexidade da história e a ambivalência dos fenómenos. Tende a conservar ou a restaurar a ordem social e política de antigo regime. França vs.4 Analise as movimentações do nacionalismo entre o período de 1815 e 1914 Em 1815. XIX e o respectivos problemas. no entanto. pp. a democracia e o socialismo o movimento das nacionalidades cobre um período mais longo no tempo. enquanto o domínio do liberalismo se restringe durante muito tempo à Europa ocidental. O fenómeno nacional aparece. a revolução suscitou um nacionalismo democrático. XIX. por exemplo.3 Identifique as duas fontes que originaram o nacionalismo A primeira fonte foi a Revolução Francesa. a aspiração à . também.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 39 / 95 A partir do caso da cidade de Paris.

à semelhança do movimento operário. Fracassam rapidamente em 1849-50 e é restaurada a Europa do Congresso de Viena. 8. É em virtude deste princípio que os principados danubiano subtraídos ao Império Otomano podem fundir-se. volta-se para as doutrinas reaccionárias. XIX com o nascimento de uma consciência de classe operária e a crescente difusão das ideias socialistas o nacionalismo virou-se à direita. o que representa a mutação mais profunda. a existência de nacionalidades e o despertar do sentimento de pertença a estas nacionalidades. texto p. Em 1870 o mapa europeu está profundamente modificado. Em 1870 o mapa da Europa surge profundamente modificado. nem todos os países da Europa eram independentes e democráticos. foi em parte.91 do CA) Como se pode constatar através do manual nas pp. Estes movimentos apoiam-se nos povos mas em detrimento da liberdade individual. Nos finais do séc. o movimento das nacionalidades. É na terceira geração do movimento das nacionalidades entre 1850-70 que se alcança o triunfo. Entre 1830 e 1850 os movimentos de tipo nacional são conduzidos por uma ideologia democrática e expandem-se com a revolução de 1848. ao mesmo tempo. pressupondo. O socialismo contribuiu indirectamente para esta evolução do nacionalismo. Surgiram novas potências nascidas da aspiração á independência e á unidade nacional. Nascem novas potências da aspiração à independência. A unidade italiana é alcançada quando Piemont se alia à França ou à Alemanha de Bismarck. Outros povos estavam desde há séculos divididos em vários estados e principados mais ou menos independentes. XIX com uma tendência liberal e democrática enquanto noutros países se torna aliado do conservadorismo. Para completar o seu trabalho e desenvolver as ideias aqui apresentadas. do Russo e do Turco. Continuavam a existir alguns impérios liderados/governados por regimes autoritários. porque o princípio das nacionalidades é então admitido como um princípio de direito internacional. O movimento das nacionalidades. Elabore um comentário descrevendo as principais dificuldades e momentos que fizeram parte do processo de unificação da Itália e da Alemanha (vd. também. Todos eles incluíam nas suas fronteiras nações que aspiravam libertarse e tomar-se países independentes.5 Explique que o princípio das nacionalidades é um princípio do direito internacional Esta é uma das regras da política francesa do II Império. Alia-se ao conservadorismo político e social. nasceu de uma condição social e da tomada de consciência dessa condição. Era o caso da Alemanha e da Itália. O nacionalismo situou-se à esquerda desde o início do séc. um dos critérios para o reconhecimento dos governos. sempre receptivo a todas as ideologias. o nacionalismo. casos do Império Austríaco. Bismarck apoia-se no povo contra os particularismos regionais e atinge o seu objectivo ao fim de três guerras e graças a alianças externas contra a Áustria e a França.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 40 / 95 independência oprimindo assim o sentimento nacional e a ideia liberal. 93 do CA) . É também este princípio que inspira na Argélia a sua política dita do reino árabe que reconhecia a existência de uma personalidade argelina. deve consultar o manual onde poderá encontrar mais informação sobre estas matérias. contra-revolucionárias. o resultado das manifestações de intelectuais que através das sua obras deram conta de uma memória e de um sentimento nacional que se encontravam adormecidos. Faça um resumo sobre os caracteres do movimento das nacionalidades. Daí a acção conjunta dos movimentos das nacionalidades e dos movimentos de oposição à Santa Aliança entre 1815 e 1830-40. relacionando o contributo e a difusão das ideias liberais e socialistas na eclosão desses movimentos (vd. Reúnem-se fragmentos dispersos de uma mesma nacionalidade e emancipam-se. No séc. Quando a guerra rebenta em 1914 o comportamento das forças internacionalistas nessa prova de fogo permanece uma das incógnitas da conjuntura. 235 e 236. XIX. Deste modo. textos p.

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Como pode ver nos textos de apoio pp. 92 e 93 e o manual na p. 242, o Congresso de Viena confirmou e consolidou a fragmentação tanto da Alemanha (dividida em 39 Estados autónomos), como da Itália que tinha Estados submetidos ao Império Austríaco. É certo que desde o final do Império Romano, a Itália não constituía um Estado unificado. Como pode verificar no mapa da p.92, os principais Estados eram os que pertenciam à Igreja ( sob a autoridade do Papa), o Reino da Sicília, o Reino da Sardenha, o Piemonte, etc. Todos eles tinham a consciência de fazerem parte de uma única Nação, ou seja, possuíam a mesma língua, as mesmas tradições e um passado comum, o mesmo acontecia, aliás, com os Estados Alemães. Como pode ver também no texto da p. 93, a unificação italiana, apesar de territorialmente conseguida após uma longa luta contra os austríacos, estava longe de ser total, ou por problemas financeiros, ou por questões políticas em particular com a Igreja. No caso da Alemanha, sendo um mosaico de pequenos Estados, o processo foi liderado pela Prússia ( o mais importante de todos), através do seu 1º ministro que pode ser considerado o principal artificie da unificação alemã. Essa unificação foi feita de vontades, mas também de guerras. A principal guerra é a chamada franco-prussiana A França receava uma Alemanha unificada e forte ( a história e os acontecimentos posteriores confirmaram os seus receios). A França sai derrotada e perde a Alsácia Lorena. Em 1871 a unificação está concluída. Não deixe de consultar as pp.241 a 245 do manual.

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RELIGIÃO E SOCIEDADE

9.1 Demonstre de que forma a importância do fenómeno religioso é um aspecto importante da vida das sociedades contemporâneas Em primeiro lugar, a adesão a uma crença religiosa tem naturalmente efeitos sobre o comportamento dos indivíduos em sociedade. Além disso, o fenómeno religioso comporta geralmente uma dimensão social: é vivido numa comunidade. A fé exprime-se num culto celebrado publicamente. De modo que a religião suscita a existência de comunidades confessionais no interior da sociedade global. Esta não pode também ignorar o fenómeno religioso e a Igreja não pode esquecer-se que os seus fieis pertencem a uma nação. 9.2 Reconheça que as relações entre as Igrejas e os Estados é apenas o vértice de uma pirâmide de relações complexas e múltiplas Estas relações dizem respeito a muitos outros planos da realidade: movimentos de ideias, cultura, opinião pública, mentalidade, classes sociais. É a história das sociedades que apela à evocação do fenómeno religioso. Por outro lado as relações sofreram variações e alterações na sua importância, por exemplo sob o antigo regime as sociedades civil e eclesiástica entrecruzavam-se de forma intima. 9.3 Identifique os grandes acontecimentos históricos que marcaram a situação religiosa da Europa desde o séc. XVI até aos finais do séc. XIX Os grandes acontecimentos são a reforma, o movimento das ideias e a Revolução Francesa. A Reforma quebrou a unidade da cristandade medieval e retalhou o mapa religioso da Europa distinguindo-se três Europas religiosas (a ortodoxa, a protestante e a católica). Obedecia a uma inspiração religiosa, exprimia uma vontade de retorno ao essencial, de purificação, de aprofundamento. A Reforma teve ainda outra consequência: a coincidência entre confissão e pertença política: a escolha entre o catolicismo e a reforma fez-se com frequência por iniciativa dos soberanos e a regra prevê que os súbditos os sigam. Desta

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foram o fenómeno religioso torna-se também um elemento de distinção e de consciência nacional. A existência de minorias religiosas acaba por ser tolerada. Com o movimento das ideias reivindica-se o reconhecimento público da liberdade religiosa e da igualdade de todos os cultos perante a lei. Este facto implica um abrandamento dos laços entre o Estado e a igreja oficial. O movimento das ideias reivindica a autonomia da sociedade civil e transporta em embrião a laicização do Estado, a secularização da sociedade, a separação das duas ordens, a religiosa e a profana. É a Revolução Francesa que transcreve, pela primeira vez, no direito e na prática, as reivindicações do espírito filosófico. O divórcio parece irrevogável entre uma Igreja católica que representa o passado, a autoridade, o dogma e um universo que representa a liberdade, o progresso e o futuro. 9.4 Mostre de que forma o movimento das ideias é o reconhecimento público da liberdade religiosa e da igualdade de todos os cultos perante a lei Este facto implica um abrandamento dos laços entre o Estado e a igreja oficial. O movimento das ideias reivindica a autonomia da sociedade civil e transporta em embrião a laicização do Estado. 9.5 Compreenda de que forma a mutação social que correspondeu à industrialização e à urbanização levou à desintegração dos quadros tradicionais da sociedade e à ruptura dos hábitos colectivos que sustentavam a vida religiosa A descristianização contribui também para enfraquecer a autoridade das igrejas. Massas humanas, cada vez mais numerosas, começam a desinteressar-se de qualquer crença religiosa. A regressão da prática religiosa é um indício de um desinteresse crescente pelas igrejas e pela religião. A descristianização resulta de um desfasamento no tempo. Em primeiro lugar, o clero não soube aproveitar as novas ideias, teorias e sistemas. Em segundo lugar, a classe operária era uma realidade social nova e a igreja não reconheceu a importância desta nova classe tendo negligenciado a sua evangelização. Indirectamente, o trabalho industrial, a fábrica, a cidade tiveram também efeitos negativos sobre a fidelidade religiosa com a desintegração dos quadros tradicionais e a ruptura dos hábitos colectivos. É esta transformação das relações que se expressa quando se diz que as nossas sociedades passaram de uma situação de cristandade para um estado de diáspora. Apesar de tudo o fenómeno religioso não desapareceu e demonstra mesmo uma persistência surpreendente em países que tentaram asfixiá-lo (Rússia, Polónia, Irlanda...). Partindo dos textos (CA p. 96ss) justifique se o conteúdo dos mesmos são a confirmação da crescente secularização da sociedade e o reconhecimento de novas perspectivas filosóficas e políticas Como diz o próprio autor, René Rémond, o fenómeno religioso, independentemente da opinião que se tenha acerca dos seus dogmas, é um aspecto importante da vida das sociedades, ou seja, é um fenómeno social. Esta dimensão social do fenómeno religioso pautou, ao longo da história, as relações entre as duas realidades sociais - a civil e a eclesiástica. Esta proximidade e as relações que envolvia, afectavam todo o campo da existência social. As reformas iniciadas no século das Luzes e as novas condições proporcionadas pelas revoluções liberais alteraram o relacionamento da sociedade e do Estado com a Igreja. Para este novo relacionamento e para o despertar da "modernidade" contribuíram, entre outros factores, os movimentos das ideias, a cultura, a opinião pública, as mentalidades, as classes sociais. Foi, sobretudo, no campo da educação/ensino que se fez sentir o sentido geral da mudança. Até ao séc.XVII, com raras excepções, o ensino dependia da Igreja e quase todos os docentes eram eclesiásticos, em particular nos países de predominância católica. No séc.

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Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 43 / 95

XIX, o ensino passa a ser encarado como uma das obrigações do Estado e compete a toda a sociedade o dever de instruir e ser instruída, ou seja, o saber tem outras fontes e outros intervenientes para além da Igreja e da religião. Ensinar e aprender passa a ser um objectivo fundamentalmente cívico, estamos perante a laicização do saber. Ensinar é, essencialmente, formar cidadãos e transmitir conhecimentos, independentemente das convicções religiosas de cada indivíduo. Esta e outras matérias sobre o assunto podem ser aprofundadas no manual nas pp. 245 a 252. Tendo em atenção os conteúdos do capítulo, elabore um comentário referindo se o texto sobre o Concílio Vaticano II é a confirmação da importância social do fenómeno religioso ou a conclusão de um longo processo de renovação da Igreja nos últimos cem anos. Como já se disse, o fenómeno religioso continua a assumir uma importância relevante na vida das sociedades contemporâneas. O tratamento dado ao tema por René Rémond demonstra isso mesmo, ou seja, o fenómeno religioso conserva uma importância social e continua a ter um papel no devir das sociedades políticas. Veja-se o caso do Islão no mundo árabe, do catolicismo em Timor, das seitas em diversos países, como os Estados Unidos, Brasil e até Portugal. Quanto ao Concilio Vaticano II, foi, simultaneamente, o culminar de um processo de contestação à inércia da hierarquia da Igreja e o arranque de uma nova orientação mais humanista e com preocupações sociais a qual veio traduzir uma maior aproximação à sociedade. Este tema poderá ser desenvolvido, consultando o manual.

10 AS RELAÇÕES ENTRE A EUROPA E O MUNDO 10.1 Demonstre como a Europa do séc. XIX não está isolada e estende a sua acção ao mundo inteiro Um dos factores que concorre para explicar este facto deriva do fenómeno de mentalidade, da curiosidade, do desejo de conhecimento, do gosto pela aventura, portanto, da disponibilidade de espírito. Este dinamismo associado a outros trunfos conferiram à Europa uma superioridade em termos de avanço cronológico sobre todos os outros continentes. É uma superioridade dupla: superioridade técnica (consequência do pensamento científico) e superioridade na arte de governar (foi a primeira a saber administrar grandes aglomerados humanos). Finalmente, o prestígio da sua civilização assegurou a sua influência duradoura e prolongada. 10.2 Reconheça que a desigualdade de facto e a desigualdade de direito modelaram as relações intercontinentais desde os alvores dos tempos modernos até ao fim do processo de colonização A superioridade de facto e o avanço cronológico levam a que as relações entre a Europa e os outros continentes se estabeleçam numa base de desigualdade. A Europa vai reforçar a sua superioridade de facto através de uma superioridade de direito, de poder, de organização. 10.3 Identifique as várias formas de desigualdade no processo de colonização

As várias formas de desigualdade são: a dominação colonial; as desigualdades políticas, económicas e culturais. A dominação colonial é a desigualdade fundamental entre metrópoles e colónias. Estas não têm soberania nem personalidade reconhecida. As populações autóctones estão também

a preocupação com o escoamento das mercadorias estimulam a conquista colonial. O aumento do número de competidores. arriscam-se a engendrar conflitos internacionais e irá enfraquecer o seu prestígio junto dos povos colonizados. No que toca à cultura é a Europa que transporta as suas ideias e os seus valores. A opinião pública começa a tomar consciência das vantagens de uma expansão colonial e faz renascer o sentimento imperialista que se prolonga às dependências coloniais. 10. XIX a conquista colonial não provém de uma vontade sistemática dos Estados e é antes consequência de uma sucessão desordenada de iniciativas Estas iniciativas são quase sempre privadas e antecedem a intervenção dos Estados. a rarefacção das terras disponíveis a pressão económica suscitam rivalidades entre as potências europeias. com origem na Europa. A influência da Europa não se restringe à dominação colonial. Foi este o sistema que regulou as relações extra-europeias. Há factores que contrariam a expansão colonial. Espanha. Para a Grã-Bretanha o saldo é inverso – nessa data ela é a única grande potência colonial. A Itália aspira também constituir um império. No trabalho. Países baixos. mantémse o regime de corveia sob o nome de trabalhos forçados. No caso da Alemanha. O Império Otomano.. Um segundo factor prende-se com o estado de espírito da opinião pública europeia que crê que a conquista colonial pertence ao passado. 1815.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 44 / 95 sujeitas a um regime jurídico diferente do dos cidadãos da metrópole. o Egipto e a China são três exemplos de . Nas colónias a dependência e a desigualdades económicas são mais acentuadas. A hegemonia europeia sobrepõe-se à expansão ultramarina.7 Identifique os vários factores de penetração económica. no momento do restabelecimento da paz. foram as câmaras do comércio de duas cidades que estiveram na origem da vocação colonial alemã e que obrigaram o governo alemão pelas suas iniciativas. dão crédito à ideia que as colónias enveredarão pelo caminho da independência. O desenvolvimento industrial. o que se verifica é que a Europa continental conserva apenas restos de impérios.U. 10. 10. Surge o imperialismo económico. a europeização realiza-se também por outras vias. Por fim os factores económicos são também determinantes. Avançado no domínio económico a Europa não pode deixar de encontrar sistemas económicos que estão em desvantagem. São geralmente as ordens missionárias que tomam estas iniciativas: a história da colonização é inseparável da evangelização. da Espanha e de Portugal.4 Mostre de que forma as várias etapas da conquista do mundo sofreram os mais diversos incidentes e não se processou através de um desenvolvimento linear. Os reveses da Inglaterra nos E.5 Explique as razões por que no séc. a necessidade de matérias primas. Após o Congresso de Viena. sobre todos os outros continentes. Às antigas potências coloniais (Portugal.6 Refira os factores que contribuem para que a partir de 1880 uma série de mudanças importantes comecem a dar à expansão colonial da Europa uma fisionomia nova O número de interessados na expansão alarga-se. GB e França) juntam-se os Estados recém unificados. 10. Guilherme II passa para uma Weltpolitik (política mundial) ambicionando colónias. É assim que a 1ª guerra será vista do exterior como uma guerra civil.

Desta forma. Nos EU entraram 32 milhões. As constituições são uma forma de europeização. judeus. Milhares de britânicos foram para a Índia. A China é obrigada a abrir portos ao comércio. A história do Japão tem a sua originalidade: a revolução japonesa (meiji) vai dar uma inflexão diferente às relações entre este país e o ocidente. depois a abrir mão do controle das finanças e por fim a ceder porções do seu território aos britânicos e aos franceses. os 55 dias de Pequim.. tendo que dar em concessão portos. Consequências culturais: São as mais duradouras. As grandes potências são todas europeias. No séc. A par das razões económicas também há aqueles que emigram por razões ideológicas (irlandeses. Dá-se a sublevação dos Boxers. o imperador pode subtraí-lo à tutela dos EU. Foi ela que garantiu a exploração dos recursos.8 Mostre que ao lado da colonização declarada e da penetração económica a europeização exerceu-se. como também fugiram do despotismo e da desigualdade de condições fundaram sociedades que assentavam na liberdade e na igualdade. Estas imitação estendeu-se às instituições políticas. a partir de 1868. comerciais. pela exportação de seres humanos A Europa exportou-os para as suas colónias mas só uma minoria emigrou para lá. As grandes vagas de emigração coincidem com as crises económicas. assegurou a redistribuição dos produtos à escala do globo. A influência da Europa estendeu-se ao mundo inteiro. O crescimentos demográfico. a economia. dos capitais. A Alemanha e a Itália entram na corrida. O império otomano vive numa situação de protectorado e dado o estado das suas finanças e em consequência dos empréstimos concedidos pela Europa é colocado sob tutela.9 Analise as consequências e os efeitos da europeização do mundo Efeitos: A Europa foi durante muito tempo o centro da decisão. Contudo. as comunicações. Consequências económicas: Foi a Europa que definiu a configuração do mundo. O Japão declara guerra à China e fica com uma porção do território. com excepção para os EUA (embora este seja um filho europeu pela sua composição humana e pelas características da sua civilização). Controlando a modernização do Japão. No total alguns milhões. Fica assim desapossado do controle dos seus recursos. especialmente nos países . Os EUA também se estrearam no Japão obrigando-o a abrir portos ao seu comércio embora o processo não vá até ao fim. o pólo. também. uma reacção xenófoba aos acontecimentos. Deste modo. é o centro.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 45 / 95 penetração económica do continente europeu. No final a China continua ainda mais subjugada. XIX a emigração ultramarina é um dos grandes fenómenos demográficos da história do mundo. 10. Vão sobretudo para o norte e sul do continente americano. os portos. Os seus efeitos são agravados pelo maquinismo que gera o desemprego tecnológico. 10. Com o Egipto passa-se o mesmo. as novas Europas têm este duplo carácter de semelhança e de originalidade. caminhos de ferro. Todos os povos tiveram a Europa como modelo e imitaram-na. 8 milhões. o Egipto passa para o domínio da GrãBretanha que gere as finanças. Nos destinos de emigração os europeus fundaram sociedades semelhantes às do continente de origem. é o relógio do mundo. dos géneros alimentares. o Japão vai tornar-se independente por via de uma reforma (meiji) escolhida deliberadamente e com espírito de continuidade. Incapaz de reembolsar as suas dívidas. Esta afecta ainda a organização da sociedade. A partir de 1840 a emigração toma uma grande amplitude principalmente na Grã-Bretanha e Irlanda e o volume não pára de crescer até 1914. A língua do colonizador tornou-se a língua nacional. as relações entre grupos.).. Nas colónias a presença europeia reduz-se aos quadros militares. na América do Sul. dos homens. a política) se não queria que fosse reduzido à condição de colónia. o superpovoamento da Europa induz uma parte da população a emigrar. Para o jovem imperador o Japão teria de assegurar todos os trunfos que faziam a superioridade europeia (a técnica.

a declaração de guerra dos EU à Espanha retirando-lhe os restos do seu império colonial. Só a partir do acordo anglo-português de 1891 (consequência do Ultimatum). opuseram obstáculos à colonização. veio. do catolicismo ou protestantismo. as guerras que os indígenas travavam contra o invasor. Índia). não pôs de facto fim ao chamado Terceiro Império. tinham sido efectuadas várias viagens por parte de exploradores portugueses com o objectivo de afirmarem a soberania de Portugal nos territórios do continente africano. mostrar a urgência da ocupação no terreno das colónias africanas. desde antes de 1914. efectivamente. em particular a Inglaterra. sob a tutela dos belgas e. Se é verdade que o Ultimatum abalou o nosso sonho centro africano. como a exploração de diamantes.como. Com base nos textos da p. De facto. independentemente do comportamento inglês e da sua instrumentalização por parte da classe política. mau grado a cedência de território . de carácter geográfico e militar. posteriormente o ultimatum britânico . Todas estas influências exercem-se em sentido único. Assim: A conferência de Berlim foi a partilha do continente africano. a derrota da Rússia pelo Japão (1905-6). para os quais Portugal era incapaz de fazer frente face ao poderio militar e económico de algumas potências europeias. o obrigavam a estabelecer normas de ocupação de facto. base do império português em África. Existem vários exemplos: a derrota dos italianos face aos etíopes. Aplicam-se capitais no lançamento de infra-estruturas como o caminho-de-ferro e em actividades extractivas. pelo interior do Continente africano e dentro do espaço em que Portugal considerava dispor de direitos históricos. que garantia a integridade das colónias. não só militarmente. as deliberações saídas da Conferência vão obrigar Portugal a acelerar o ritmo das suas explorações. Já há sinais premonitórios do recuo da supremacia europeia. Faça um resumo caracterizando os principais factores de preponderância europeia no Mundo nos inícios do séc. Também leva consigo a distinção entre sociedade civil e religiosa. Poderá completar estas informações lendo os textos do caderno de apoio e o cap. numa corrida contra relógio) com a Inglaterra que se opunha às aspirações portuguesas. Estas duas reacções de sentido posto são as duas fontes dos nacionalismos coloniais que. O islão não separa as duas. 103ss do CA procure avaliar as consequências da Conferência de Berlim e a consequente partilha de África e procure esclarecer a posição de Portugal ao invocar direitos históricos sobre alguns territórios africanos Apresentamos alguns aspectos que nos parecem pertinentes sobre a Conferência de Berlim e a posição de Portugal relativamente à partilha do Continente Americano. medidas significativas no sentido de afirmar a soberania portuguesa nessas áreas. A irrupção da cultura europeia levou à desnacionalização dos quadros sociais. estas potências lhe reconhecem a soberania em territórios africanos e começa a lutar. Consequências da colonização: A colonização tanto inspirou a imitação como a rejeição. em troca de algumas concessões territoriais. são tomadas.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 46 / 95 que tinham várias línguas (p. O Ultimatum. a revolta dos chineses contra os europeus. 10 do manual. não obstante o aproveitamento económico permanecer inexistente. desde a década de cinquenta. os movimentos de rebelião. Foi.e. Portugal firma tratados de limites com a França e a Alemanha pelos quais. sobretudo. o entravar do projecto português do mapa-cor-de-rosa que marcava a ligação territorial das colónias de Angola a Moçambique. tomado o palco da disputa entre as grandes potências industrializadas europeias. XX . Deste modo. são investidos capitais nessas regiões. também. a resistência dos boers aos britânicos. políticos e intelectuais das colónias e a sobreposição de uma elite ocidentalizada. Através da evangelização. Embora em desvantagem. Realizaram-se varias expedições. o Ocidente oferece as diferentes variantes do cristianismo.reconhecimento do estado do Congo. Nas vésperas de 1914 a situação já é ambivalente.

Complete o seu conhecimento sobre o assunto consultando o manual nas pp. sem necessidade de domínio político directo. de transportes e comunicações. graças as concessões que os europeus obtinham para a exploração de matérias-primas. Da Sibéria à Nova Zelândia. Esses países. Tudo isto. mas não podemos esquecer e subvalorizar que este domínio teve. A Europa estendeu os seus impérios a todas as partes do globo. . efectivamente.272 a 277. também. apesar de politicamente independentes. nos finais do século XIX e princípios do XX. do Saara ao Amazonas. a par da colonização política a colonização económica e cultural europeia conquista os novos Estados (América Latina).História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – III Parte: O século XIX (1815-1914) 47 / 95 A chamada europeização do mundo radicou em processos históricos que foram desde a dominação colonial à influência económica e cultural. um dos principais aspectos da política e da acção dos Estados europeus. o Colonialismo e o "Neo-colonialismo" foram. quer isto dizer. fundamentalmente. por razões de ordem económica. profundos efeitos culturais sobre o mundo inteiro. Com a política de crédito e investimento que concediam podiam explorar a mão-de-obra e os mercados desses países. É certo que a europeização do mundo exerceu-se. que a civilização ocidental chegou a todas as partes da Terra .mundializou-se. dependiam na totalidade das potências europeias. Deste modo.

Duração no tempo: nenhum dos beligerantes conseguiu assegurar vantagens decisivas e a guerra vai prolongar-se e estender-se ao longo de centenas de quilómetros. Áustria-Hungria e Alemanha (no total 120 milhões). Eis a originalidade desta guerra mundial que se estendeu á Europa e ao mundo em consequência da «paz armada». após a demissão de Bismarck. De facto o único meio dos governos neutros assegurarem benefícios é passarem à beligerância. e as novas formas de guerra (efectivos. a França. É também o caso da Áustria-Hungria dilacerada pelas reivindicações das nacionalidades. a extensão geográfica. apesar de ter surgido num contexto já portador das virtualidades de guerra. 240 milhões de efectivos). Depois de 1900 a situação internacional passa para a chamada «paz armada» com os sistemas de alianças e a corrida aos armamentos os quais fazem crescer o mecanismo da generalização do conflito. militares e psicológicos que são desenvolvidos na questão a seguir. Para além destes factores que explicam o alargamento do .1 Enumere as causas que estiveram na origem do primeiro conflito mundial As origens são múltiplas. Estes elementos são agravados pela expansão ultramarina e pela corrida aos raros territórios ainda disponíveis. Bósnia-Herzgovina. De um lado a Sérvia. Vários estados europeus debateram-se com grandes dificuldades. Os dois sistemas adversos tentam atrair os países neutros. recursos. Rússia. de inspiração aventureira. Na verdade a economia alemã estava em plena expansão e a sua política comercial fá-la entrar em conflito com a Grã-Bretanha e com a França e fá-la fechar-se ao comércio externo. O primeiro a juntar-se aos impérios centrais é o Império Otomano. A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL 1. Marrocos. A Europa no verão de 1914 está à mercê de um acidente que relacionando todos estes elementos fará da situação diplomática uma máquina infernal. assim. 1. Desde 1905 as crises sucedem-se: Tânger. Extensão geográfica: A duração tem como consequência a extensão do espaço. Áustria. É o caso da Rússia que se debate com uma agitação revolucionária desde a revolução de 1905 e que ainda não se recompôs da sua derrota frente ao Japão no mesmo ano. 1. o Montenegro. O movimento das nacionalidades. novas armas. O jogo dos compromissos e das alianças envolve numerosos países no conflito. Balcãs. guerra psicológica). França e Grã-Bretanha). Algumas causas são imediatas. Do outro lado os dois impérios centrais. reunidas na guerra pela primeira vez desde 1815 (Alemanha. As cinco grandes potências estão. Estes levam vantagem estratégica devido à sua posição geográfica.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 48 / 95 1. Também os factores psicológicos como o receio do cerco e a prevenção que explicam a aquiescência ou a resignação à guerra. nomeadamente a da crise militar e diplomática com o atentado de Sarajevo. Também é necessário apontar factores políticos.2 Analise os factores políticos.3 Caracterize os três aspectos que contribuíram para singularizar a primeira guerra mundial Estes três aspectos foram: a duração no tempo. a aspiração à independência nacional e a reivindicação da unidade ou do separatismo são aspectos de um fenómeno que foi causa determinante do conflito. a Alemanha passa de uma política de equilíbrio para a Weltpolitik. A segunda explicação é de ordem económica: a guerra teria resultado da conjuntura e da inadequação das estruturas. Á medida que a guerra se prolonga cada um dos campos tenta persuadir os países neutros para inverterem o equilíbrio das forças. A Entente está dividida em duas frentes que não comunicam entre si. a Bélgica e a Grã-Bretanha (no total. Com a chegada de Guilherme II. Uma resposta de ordem jurídica aponta para o Tratado de Versalhes o qual atribui a responsabilidade da guerra à Alemanha. a Rússia. militares e psicológicos que marcaram o período que antecedeu o primeiro conflito mundial As dificuldades internas e externas do Estados concorrem para esta análise.

Politicamente a revolução russa desperta sentimentos e desejo de paz. A primeira revolução russa em 1905 e depois a segunda. Tendo em linha de conta os documentos da p. 1. são centenas de milhões de homens. As colónias seguem o destino das metrópoles (9 décimos do território africano são possessão colonial). No total estão 35 estados envolvidos e todos os continentes estão representados. Os bombardeamentos das capitais e das cidades e a propaganda são elementos que servem para desgastar a moral.ex. Portugal. Itália). 1. a boa coordenação das tropas e a intervenção americana a vitória dá-se em 11 de Novembro. Como diz o próprio autor. Em França e Itália acordam os fermentos da divisão. Este alargamento é uma consequência do prolongamento da guerra. Com o fortalecimento da moral. em 1918. como foi o atentado de Sarajevo e o respectivo encadeamento de acontecimentos que se seguiram . com greves e motins. A guerra põe em jogo novas armas: a guerra militar desdobra-se em guerra económica para paralisar o adversário.6 O fim do conflito Em 1917 os dois campos aproximam-se da ruptura. a Roménia.4 Explique as razões que fizeram para que as dimensões do conflito não se limitassem apenas ao continente europeu Com a adesão do Império Otomano a guerra estende-se à Ásia (o império ocupa território europeu e asiático) e o Médio Oriente é também arrastado. A partir do momento em que a Alemanha faz reconhecer os seus direitos coloniais na Conferência de Berlim. em substituição dos homens. assim como a China. A Rússia em primeiro e depois a França levam ao fim da guerra.109ss do CA disserte sobre a situação internacional e os acontecimentos políticos.5 Explique a expressão «guerra total» Precisamente por ser uma guerra de posições. em particular da Europa. também entra no conflito. mão-de-obra feminina. traz consequências para a história da guerra. Em 1917 entram os EUA. A França é a peça fulcral da coligação. isso não passa de uma resposta provisória Tudo isso veio juntar-se a um conjunto de factores diferentes e de natureza muito complexa. criar fábricas de armamento e recrutar. . Foi necessário forjar com todos os recursos uma indústria de guerra. 1. determinam-se bloqueios e lança-se a guerra submarina.crise militar e diplomática . e bem assim a Bulgária. a Itália junta-se aos aliados.e que tomaram a situação insustentável na Europa. os outros estados europeus tomam consciência do verdadeiro poder do Reich. A população civil é amplamente mobilizada. Militarmente para a Alemanha. com vantagem para o Ocidente. a situação inverte-se. Sem dúvida que a entrada dos EUA nesse ano deixa antever o restabelecimento do equilíbrio e mesmo a sua inversão. em 1917. a Grécia. Ao todo são 14 países europeus. A mobilização dos efectivos é levada a um grau até então desconhecido. Em 1915. que antecederam o primeiro conflito mundial Para responder a esta questão não basta dissertar sobre as causas circunstanciais e imediatas da 1ª Grande Guerra. era um dos principais beligerantes que ficava de fora do jogo. O Japão. devido à pressão da opinião pública. A chegada de Clemenceau à presidência do conselho esmaga o derrotismo e. reclama o envolvimento de forças cada vez maiores daí poder empregar-se a expressão «guerra total».História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 49 / 95 conflito há que contar com a opinião pública que pressiona os governos a favor da guerra (p.

para além das pretensões territoriais e dos antagonismos económicos. Tratado de Neuilly.287 a 294. Em suma e para alargar esta informação sobre o assunto. A Alemanha tomou-se a principal adversária da lnglaterra. Líbano. a Áustria e a Hungria são separadas. também se mostrava preocupada com a expansão industrial alemã. por mais pequeno que fosse. que passam a assumir uma variedade de formas particularmente perigosas. de bombardeamentos. Quatro deles desaparecem ou são amputados. a sua riqueza 50%.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 50 / 95 Até 1914 a Alemanha não deixará de crescer. a Turquia. massacres. Este foi o balanço trágico de um conflito com a duração de quatro anos de combates. com atenção. entre as quais destacamos pela sua actualidade: o Pan-eslavismo da Rússia. a sua duração . a guerra aberta.283 a 287. no sentido de gerar apoios e minar por dentro os próprios impérios. Forma-se a Roménia. A Rússia. os estados bálticos. Forma-se o grande reino da Jugoslávia (agrega a Sérvia. desde a perda da Alsácia-Lorena. Perante este equilíbrio instável qualquer conflito. é reduzido no seu território e novos estados se erguem: Iraque. Tratado de SaintGermain. A primeira guerra mundial preparada com base e meios do séc. Deve salientar e aprofundar no seu resumo alguns dos seguintes aspectos: -foram introduzidos novos métodos de luta. o seu rendimento nacional 100%. o Nacionalismo Sérvio. pertença de Turcos e Austríacos.1 Descreva as transformações territoriais mais visíveis resultantes do fim da primeira guerra mundial O mapa da Europa sai profundamente alterado. colidia com os interesses Austríacos e Alemães. 2 AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA 2. -intensa luta diplomática (de ambos os lados). -intensos bombardeamentos de artilharia sobre as trincheiras e novas armas de destruição massiva. deve salientar-se o papel dos nacionalismos. O ex-império otomano. com 10 milhões de homens e 20 milhões de feridos ou mutilados. foi substituída pela guerra de trincheiras. A sua população aumentará 25%. com pretensões a territórios á entrada do mar Negro. XIX diferenciou-se de todas as guerras até aí travadas. a situação europeia na primeira década do nosso século. Revanchismo francês e o Pangermanismo. -salientar que este conflito envolveu cerca de 65 milhões de combatentes. Nasce o estado da Checoslováquia. o Montenegro. Formam-se três estados bálticos: Estónia. uma das grandes beneficiárias da paz. Esta era. à excepção de alguns ataques de infantaria. Palestina e a Transjordânia. A França. os seus meios e estratégias e os seus efeitos. Elabore um resumo realçando a sua extensão. Deste modo. . a Bósnia e a Herzegovina). A Itália também tinha as suas pretensões no Trieste e no Tirol meridional. Os vários tratados são assinados entre 19191920: Tratado de Versalhes. Síria. Os dois conjuntos históricos Áustria e o Império Otomano são desmembrados e multiplicamse os estados (são criados ou reconstituídos a Polónia. poderia desencadear um conflito de consequências imprevisíveis. consulte o manual nas pp. a Finlândia. Estes tratados consagram a derrota dos grandes impérios. A Rússia perde possessões a favor da Roménia e da independência da Polónia e da Finlândia. Letónia e Lituânia. Tratado de Trianon. fomes e epidemias. sem contar com os que aumentam o seu território. como a Roménia ou a Sérvia. Veja. a Checoslováquia. em traços largos. Com o fim do império dos Habsburgos. Tratado de Sévres. o que o autor diz sobre o assunto nas pp.

a Finlândia. a solução da questões através da maioria dos sufrágios. extensão e características. é reduzido no seu território e novos estados se erguem: Iraque. A Rússia perde possessões a favor da Roménia e da independência da Polónia e da Finlândia. como a Roménia ou a Sérvia. Os vários tratados são assinados entre 19191920: Tratado de Versalhes. os estados bálticos. pela sua duração. 2. Mas. As soluções territoriais marcam o recuo do germanismo e o progresso dos eslavos. O ex-império otomano. Formam-se três estados bálticos: Estónia. Quatro deles desaparecem ou são amputados. A Sociedade das Nações é a universalização do regime parlamentar e. O equilíbrio das forças e dos blocos étnicos modificou-se profundamente no interior da Europa. o Montenegro. no caso dos vencidos. a ausência de pais desorganizou as famílias. a Checoslováquia. Dos quatro impérios o menos atingido é a Alemanha: perde território europeu (principalmente a favor da Polónia) e todas as colónias. Forma-se o grande reino da Jugoslávia (agrega a Sérvia. Palestina e a Transjordânia. sem contar com os que aumentam o seu território. Tratado de SaintGermain. O peso da dívida aumentou consideravelmente. o triunfo definitivo do direito sobre a força. a instauração de uma ordem jurídica que destrona as soluções de violência.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 51 / 95 Dos quatro impérios o menos atingido é a Alemanha: perde território europeu (principalmente a favor da Polónia) e todas as colónias. aparentemente. As destruições económicas: A reconversão de uma economia virada para a guerra é problemática. Consequências demográficas: as perdas humanas são consideráveis: cerca de 9 milhões de mortos. Vão provocar uma diminuição da natalidade ao longo de várias gerações. uma das grandes beneficiárias da paz. a economia que priva de produtores e consumidores. Letónia e Lituânia.2 Demonstre que a vitória dos aliados é também a vitória das democracias e da democracia O mapa da Europa sai profundamente alterado. Nasce o estado da Checoslováquia. as reparações. 2. A profundidade dos efeitos destas mudanças depende por um lado do grau de participação na guerra e por outro lado da posição dos beligerantes no fim do conflito. além do fardo das dívidas.3 Identifique os princípios e as práticas que a Sociedade das nações universalizou no campo das relações internacionais Os princípios e as práticas foram: a discussão pública. Esta perda demográfica atinge também a defesa nacional. Uma parte apreciável do orçamento público destinase ao pagamento das pensões de guerra. a Bósnia e a Herzegovina). Forma-se a Roménia. repercute-se na actividade intelectual do país.Tratado de Sévres. Tratado de Neuilly. O equilíbrio das forças e dos blocos étnicos modificou-se profundamente no interior da Europa. A guerra provocou toda a espécie de mudanças. Estes tratados consagram a derrota dos grandes impérios. a Turquia. A estes encargos juntam-se. As soluções territoriais marcam o recuo do germanismo e o progresso dos eslavos. a Áustria e a Hungria são separadas. Os aliados conseguiram inscrever no Tratado de Versalhes o reconhecimento pela Alemanha da sua culpabilidade. 2. a Alemanha vai faltar às obrigações impostas o .4 Ponha em relevo os problemas e as transformações que a guerra provocou a nível mundial. Líbano. a deliberação parlamentar. Tratado de Trianon. Com o fim do império dos Habsburgos. vítimas de guerra. A guerra deixa ao Estado. Síria. Os dois conjuntos históricos Áustria e o Império Otomano são desmembrados e multiplicamse os estados (são criados ou reconstituídos a Polónia.

. a Alemanha perdeu a Alsácia-Lorena e parte da antiga Prússia para além de todas as suas colónias.g. Cedeu território à Checoslováquia.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 52 / 95 que contribui para originar as graves crises financeiras que vão abalar a estabilidade das moedas europeias. No outro campo. A Bulgária cedeu território à Roménia. Veja o manual nas pp. à Jugoslávia e Grécia. a Europa definiu um novo mapa político. A Hungria perdeu 71% do seu antigo império e 60% da sua população. o dos pobres e vítimas da inflação sofreram o contragolpe da desvalorização da moeda. Jugoslávia e Polónia Perdeu cerca de 73% do seu antigo território e 75% da sua população. Nos países vencidos a situação é ainda mais agravante. O ano de 1918 representa a vitória da democracia política e também o fim do liberalismo. Perturbações sociais: A guerra criou um novo tipo social: o do antigo combatente. Modificações políticas: a guerra mudou o papel do Estado (ver reposta a seguir). Perturbações espirituais: São talvez as mais duradouras e a experiência da guerra desenvolve dois efeitos de sentido contrário: a religião (despertou o sentimento religioso ou afastou muitos dos caminhos da fé) e o patriotismo (estimulou o pacifismo ou por outro lado exasperou o orgulho nacional) Perturbações posicionais: A guerra abalou os fundamentos da preponderância da Europa e permitiu uma ascensão rápida de outros continentes (v. As assembleias são demasiado numerosas para uma decisão rápida. 2. 114ss do CA) faça um resumo e analise a situação em que ficou a Alemanha. Alargou a sua intervenção às relações entre os grupos sociais. Em Itália. foram as transformações territoriais e as novas fronteiras geográficas no espaço europeu. regulamentar as actividades.5 Analise de que forma a guerra modificou. destacando as principais alterações ocorridas no mapa político e territorial No comentário deve ser destacado que uma das consequências mais notórias. contribuiu para agravar a crise da habitação e dissociar as estruturas tradicionais. A mão-de-obra feminina começa a trabalhar nas fábricas. Durante a guerra o Estado teve de tomar em mãos a direcção da economia. A evolução processou-se em proveito do executivo e em detrimento das assembleias. que é também um grupo de pressão poderoso. O fim da guerra voltou a exigir a intervenção estatal para desmobilizar e reconverter a máquina de guerra. Neste contraste entre os princípios declarados e a realidade. o executivo estava melhor preparado. Como se pode constatar ( veja-se o mapa dos textos de apoio). históricos e culturais. Elabore um comentário sobre a nova fisionomia da Europa saída da guerra. Os anos de 1919-21/2 são assinalados por uma efervescência revolucionária. A Áustria foi obrigada a reconhecer a independência da Hungria. a política exigia decisões rápidas. Checoslováquia. Assim. após o término da guerra. reside um dos germes da crise que a democracia parlamentar vai atravessar no período entre as duas guerras. Ficou reduzida a um Estado pequeno e sem acesso ao mar. Na verdade. à Roménia e à Jugos1ávia A Turquia teve de entregar à Grécia quase todo o território da chamada Turquia europeia. no plano político. o papel e a função do Estado. A partir do texto sobre o Tratado de Versalhes (p. o fascismo recrutará muitos antigos combatentes. A guerra fez aparecer os novos ricos ao enriquecer os produtores e intermediários de armas. onde muitas das novas fronteiras geográficas não tiveram em conta factores étnicos. americano). Todas estas perturbações explicam que o fim da guerra tenha provocado um tão grande surto de agitação social. mobilizar recursos. O reforço do papel do Estado e a extensão das atribuições do poder público não beneficiaram todos os poderes.294 a 297. A guerra acelerou o êxodo rural.

estes tratados vieram criar novos focos de tensão no continente europeu. A partir de então opõemse as internacionais nas esferas política e sindical. no pósguerra. de internacionalismo. Nele ficou definida a situação da Alemanha. A solidariedade patriótica prevaleceu no geral. Os «dez dias que abalaram o mundo» provocam por todo o lado reacções e repercussões e aparece como a herdeira das revoluções de 1789 e de 1848. Destes tratados. Mas a ameaça mais grave não está ligada à suspeição relativa à hegemonia francesa ou à eventualidade do rearmamento alemão. que resultou numa paz imposta. várias conferências nos arredores de Paris . O perigo interno ameaça a existência de todos os regimes políticos e da ordem social e que se prende com a própria natureza da revolução. Roménia. querem ajudar a Alemanha a reerguer-se.2 Explique que o principal factor de instabilidade e inquietação para a Europa. Rivalidades opõem os vencedores entre si. Veja os textos que abordam o assunto no caderno de apoio. De imediato surge um conjunto de dificuldades internacionais. Em 1929 é criada a III Internacional. Os países vencidos oferecem um terreno de eleição às acções de bolchevização encorajadas pela III Internacional. teve de entregar a maior parte dos seus navios mercantes. parte da Posnania e da Prússia). De todas elas saíram tratados fixando as indemnizações de guerra. isto é. Só em 1923 o governo alemão aceita pagar as reparações. 3.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 53 / 95 Com o fim de se estabelecerem as condições de paz. tiveram lugar entre 1919 e 1920. que temem uma retaliação que restabeleceria o domínio russo. . Triannon e Sévres. destaca-se pela sua importância o de Versalhes. As divergências acentuam-se entre a Grã-Bretanha e a França. Finlândia. Uma vaga revolucionária varre a Europa. as condições de desmilitarização e a definição do novo mapa político da Europa Embora com a finalidade de consolidar a paz. de paz. A França penhora-lhe a região mais produtiva. perdeu territórios na Europa (Alsácia-Lorena. jovens nações como a Polónia. A França resolve-se a fazer a Alemanha pagar e os britânicos. era a revolução soviética A revolução constitui um perigo interno e externo. Tudo isto. As fronteiras permanecem indecisas e contestadas e certos estados recusam reconhecer as disposições territoriais. Eupen. O principal factor de inquietação é a revolução soviética. A América regressa ao seu isolacionismo e neutralidade deixando a Europa entregue a si própria. Saint-Germain. Perdeu todas as suas colónias. O mito da revolução cristaliza as aspirações de renovação. no entender de toda a Alemanha. destinada a rivalizar a segunda. A revolução bolchevique sobrevem durante uma crise grave da esquerda europeia. fiéis à sua política de equilíbrio continental. estados bálticos.Versalhes. 3 O PÓS-GUERRA (1919-1929) 3. não passou de uma humilhação e teve como consequência o abrir caminho para outras soluções políticas. em particular o nazismo.1 Reconheça que no período pós-guerra as dificuldades internacionais prevaleceram sobre os factores positivos Nem todos os problemas nascidos da guerra foram resolvidos. Em cada país esta rivalidade origina cisões. Neuilly. Externo para os seus vizinhos imediatos. viu as suas forças armadas reduzidas e limitadas a voluntários e foi-lhe exigido o pagamento de 33 biliões de dólares como indemnização de guerra.

camponeses desiludidos. numa renovação das instituições e no desanuviamento internacional Como pode reconhecer após a leitura das pp. È em 1925 que a Alemanha voluntariamente adere às disposições territoriais do Tratado de Versalhes. Mais tarde. sociais. Duraram mais ou menos dois anos os combates que se estenderam por todo o território russo. Bálticos. É também o período das conferências internacionais. Complete o assunto lendo o manual nas pp. Para um melhor esclarecimento sobre a cronologia russa. instauração do terror policial). A maior parte dos países reduziram as suas forças militares a um nível muito baixo. A Rússia reconhece a independência dos seus vizinhos com o Tratado de Riga (1921). cinquenta mil franceses. descontentes da paz com a Alemanha. Desta forma a revolução foi repelida para a sua origem: a Rússia. a Sociedade das Nações. Os EUA só em 1933. certamente. 3. Refira se os momentos áureos da Sociedade das nações reflectem. O envolvimento das democracias ocidentais manifesta-se no apoio aos anti-revolucionários. nasce da ideia da criação de uma liga em que todos os estados cooperassem para a preservação da paz. 310 a 314. A ordem interna foi-se apaziguando. isto porque os Russos só adoptaram o calendário gregoriano muito depois dos outros países europeus. Ao comunismo de guerra sucede a NEP. deve ter reparado o calendário russo não corresponde ao calendário ocidental. a Alemanha (1926) e a União Soviética (1934). cuja proveniência radica nos mais variados sectores da sociedade russa: Cossacos. podemos dizer que a primeira revolução russa de 1917 é chamada revolução de Fevereiro. 314 a 318. a revolução de Novembro é dita de Outubro. A Europa continua a ser o centro do mundo. tendo como resultado a capitulação dos adversários dos bolcheviques e na rendição das tropas “Brancas”. trinta mil ingleses e americanos juntaram-se ás chamadas tropas "Brancas” do general Denilcine e do almirante Koltchak. onde obterá mais informações. Sete mil Japoneses. Os anos 1925-30 são o melhor período da história desta instituição. Em 1920 os exércitos brancos são esmagados. A União Soviética vive uma situação diferente devido à originalidade do seu regime e ao estado das suas relações com o resto do mundo. O governo bolchevique resiste durante o período do chamado comunismo de guerra (centralização política.3 Analise quais foram as reacções dos governos ocidentais à revolução soviética A reacção foi pronta: os governos esmagam as revoluções ou falham os movimentos revolucionários. social-democratas. o calendário russo estava 13 dias atrasado em relação ao resto do mundo. As rivalidades partidárias circunscrevem-se às questões clássicas. financeiras.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 54 / 95 3. destacando o envolvimento das democracias ocidentais Para desenvolver esta actividade não deixe de consultar a cronologia do caderno de apoio. As principais potências ultrapassaram as suas dificuldades económicas. 118ss do CA as fases pelas quais passou a revolução soviética. No ano seguinte é admitida na Sociedade das Nações. com Roosevelt. Fechada sobre si própria recupera e reconstitui a sua economia. apesar de ter sido em Março. foram admitidos a Áustria (1920). Foram seus membros fundadores 32 potências vencedoras e 13 estados neutrais. Como. O clima é de desanuviamento internacional. Em 1917. Ucranianos. Distinga com base nos documentos das p. a confiança dos Estados que a ela aderiram. também. a nova política económica. A Itália de Mussolini é a primeira potência a reconhecer a Rússia soviética. A . O governo russo abandona a política de expansão revolucionária e ensaia a construção do socialismo num só país.4 Caracterize os factores de estabilidade e desanuviamento resultantes do pacto de Locarno (1925) O Pacto de Locarno assinala a transição de uma situação de força para um regime contratual.

tais como: 1920. colhem argumentos nas deficiências internas da democracia e pretendem instaurar uma ordem mais justa e igualitária. Nesta parte da Europa também não existia o equivalente á burguesia ocidental. cede o lugar a regimes autoritários. Ainda assim. Áustria. A Itália deu o exemplo com a marcha sobre Roma e o estabelecimento do fascismo em 1922. a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Os E. diferendo entre a Colômbia e o Peru: -reprimiu o tráfico de ópio. sobretudo: 1939. A instrução elementar está muito pouco difundida.U. Turquia.2 Caracterize de que forma a democracia se impôs aos novos Estados que resultaram do desmembramento do império dos Habsburgos e dos Czares As jovens nações adoptaram com entusiasmo as instituições dos vencedores.N. 4. um sindicalismo. que dois séculos mais tarde recorre a formas de governo que ilustram a sua posteridade. a conquista da Manchúria pelo Japão.. A crise da democracia está no sentimento.A. Nos países acabados de nascer a democracia é prematura pois a opinião pública não está preparada para a acolher. dirimiu alguns conflitos e interveio para solucionar problemas. não conseguiu evitar. valem-se de uma eficácia considerada superior. talvez dai o seu grande fracasso. e. a saber: 1931. 1932.D. 4. -ajudou países na profilaxia de doenças contagiosas. a mesma Europa do despotismo esclarecido. Porém não estavam reunidas as condições para que um regime parlamentar pudesse funcionar. a conquista da Etiópia pela Itália. Hungria. uma social- . rejeitaram em votação do Senado a instituição cuja criação tinha sido inspirada pelo seu presidente. E isto devido ao facto de terem estado durante muito tempo submetidas a um domínio estrangeiro e privadas da sua personalidade nacional. acontecimentos de grande repercussão internacional. 4 A CRISE DAS DEMOCRACIAS LIBERAIS 4. aos quais deviam a sua independência. Jugoslávia. A democracia parlamentar mostra-se impotente para fundar uma nação unificada. 1935. É precisamente por se ter tornado uma tradição que a democracia sofre. também. O modelo é imitado e outros países enveredam pela mesma via na década de 20-30: Polónia. O comunismo e o fascismo afiguram-se mais dinâmicos e mais bem adaptados.. impediu um ataque grego à Bulgária. Grécia. na inadequação dos princípios e das instituições da democracia clássica às circunstâncias. Contudo.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 55 / 95 Sociedade das Nações esteve longe de atingir os objectivos propostos pelos seus fundadores.3 Reconheça que por toda a Europa entre 1920 –30 a democracia clássica caracterizada pela ligação aos princípios liberais. Nesta região só a Checoslováquia é a excepção. Reside aí o elemento comum a todos os países. É toda a Europa oriental. 1925. um diferendo entre a Suécia e a Finlândia. Rapidamente as instituições parlamentares são varridas por golpes de força que as substituem por regimes autoritários. a S. danubiana e balcânica.1 Demonstre que a crise das democracias reside na conjunção de dois factores: dos ataques que lhe são dirigidos do exterior pelo fascismo e pelo comunismo e. por ter uma numerosa classe operária. devido a ser uma das primeiras regiões a industrializar-se. por ironia do destino. das suas imperfeições de ordem interna É precisamente esta conjunção que provoca a sua gravidade. Acrescente-se igualmente as diversidades e rivalidades étnicas.

Eis um conjunto de sinais de desregulação da democracia clássica. Para a política dos Estados é notável que a falência do sistema liberal obrigue o poder público a intervir. em primeiro lugar uma crise de crédito que estala na Bolsa de Nova Iorque. a grande depressão levou ao abandono dos princípios liberais. . Em Portugal. Em vários países o sinal é da desorganização dos poderes. existe uma crise das instituições representativas acompanhada de uma alteração do mecanismo tradicional da democracia parlamentar. primeiros socialistas e a seguir à guerra comunistas. O contágio autoritário estende-se aos países mediterrânicos da Europa Ocidental. de novas forças políticas que põem em questão o sistema no qual assentava a democracia clássica As novas forças põem em questão o funcionamento da democracia clássica. Amplos sectores da opinião pública estão prontos a escutar os apelos dos agitadores. A crise gera o desemprego de 30 milhões. 4. tendo a guerra ampliado o campo de acção dos poderes públicos. A posição do Estado modifica-se: tem novas responsabilidade.6 Explique em que medida a grande crise económica de 1929 abalou as estruturas económicas. O sufrágio universal não subvertera as condições de exercício de poder. também Espanha começa com uma ditadura militar e real e depois com a ditadura franquista.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 56 / 95 democracia. mas de confusão. Assim. Verifica-se a redução das receitas fiscais e a economia abranda. Indústrias e bancos declaram falência. Esta crise atinge outros sectores da economia americana e transmite-se à Europa devido aos laços estabelecidos desde a guerra: queda das cotações. Os governos caem na dependência estreita dos parlamentos. Mas depois de 1818 a relação entre os privados e o Estado modificou-se. A crise amplia o fenómeno do fascismo. a democracia parece prematura. a sociedade passou de tipo individualista para uma sociedade de grupos. Gera-se um movimento para constituir grupos de reivindicação. sociais. Durante este período de crise estabelece-se um novo tipo de relações entre o executivo e o legislativo. intelectuais e políticas em que assentava a democracia clássica Esta crise é diferente das anteriores pelas suas repercussões. 4. entre 1929-32. Passa-se de uma democracia de notáveis para uma democracia de massas. È mais um argumento a favor do autoritarismo e do totalitarismo. Já não se pode falar de equilíbrio. As relações externas são também afectadas pela política económica dos governos que fecham os países às importações. daí tomar nas mãos a direcção da economia e a sua intervenção na esfera monetária.5 Reconheça que o período entre as duas guerras é marcado pelo aparecimento. mas está cercado pelas forças sociais.4 Mostre que durante este período. ou pelo reforço. nos velhos afigura-se ultrapassada. 4. os regimes autoritários na América Latina ou no Japão (casta militar). Os inconvenientes destas situação seriam poucos se aquele tivesse atribuições restritas ou o período fosse calmo. É. Nos jovens estados. a ditadura técnica e discreta de Salazar governará entre 1926-74. Aparece um novo tipo de partido: partidos operários. Consequentemente a opinião pública perde a confiança nas instituições democráticas. De juntar ainda a ditadura estalinista da União Soviética e fora da Europa. É o surto dos sindicatos e de um novo sindicalismo. cuja perda é de 18 mil milhões. restrição da produção. O executivo parece impotente para conceber e aplicar uma política a longo prazo. em benefício ora de um. Para além da Itália. ora de outro.

metade da população masculina entre os 16 e os 30 anos ficou no desemprego. Assim. O seu alcance também ultrapassa o quadro nacional. Quebrou-se a confiança e a livre iniciativa.U. Para melhor desenvolver este tema nada melhor que ler com atenção as pp 318 a 330 do manual.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 57 / 95 A partir do texto sobre a situação económica entre 1919 e 1930. p. O colapso sentiu-se em todo o mundo. 121 do CA. na década de 30. 5 O COMUNISMO E A UNIÃO SOVIÉTICA 5. aumentar a produção e o desemprego. assistiu-se a um aumento da produção da ordem dos 64% e que teve a ver com: • progressos tecnológicos • concentração de capitais • formação de sociedades financeiras (Holdings) • novos métodos de trabalho (taylorismo). a Argentina abateu grande parte da sua reserva de gado. • o Japão perdeu o mercado americano que era o seu principal comprador. faça uma análise sobre as consequências que teve a crise económica no desencadear das crises políticas ocorridas nas democracias liberais Como orientação de resposta para esta actividade podemos avançar com alguns dados que nos parecem pertinentes. reduzindo o poder de compra e acentuando drasticamente o desequilíbrio entre a produção (excessiva) e o consumo (insuficiente). fez no mesmo sentido. Sai vencedora. estabeleceu uma nova ordem política e social. Tal como a revolução francesa. porque não conseguia • escoar os seus produtos. O Crash bolsista afectou toda a economia. • a falência do maior banco austríaco. • a produção mundial de aço baixou de 1024 milhões de toneladas para 50. a saber: • na Alemanha. Este foi o cenário da chamada Grande Depressão. levou à falência diversos bancos. consolidação dos regimes fascistas onde já existiam. • em 1931 o desemprego em 28 dos países mais ricos atingiu os 27 milhões de indivíduos. A 24 de Outubro de 1929 (Quinta-Feira negra). pela sua duração e pela extensão no espaço. o café no Brasil era utilizado como combustível nas locomotivas. • a América do Sul teve uma crise de superprodução. O Estado acentuou a sua intervenção de várias formas – New Deal nos E. • a libra inglesa desvalorizou cerca de 40%. ou seja. fez corresponder o governo revolucionário francês ao terror soviético. a Bolsa de Valores de Nova Iorque é abalada por múltiplas ordens de venda As cotações descem vertiginosamente.7 milhões. com o endurecimento . a revolução soviética modificou um país. Frentes Populares em França e Espanha. entre 1919 e 1929. No entanto.1 Analise qual o alcance político e sociológico da revolução soviética A revolução soviética é comparável às revolução de 1789. o Creditanstalt. reflecte as consequências da grande depressão de 1929 Estamos convictos que as dificuldades económicas e os graves conflitos sociais decorrentes da Grande Depressão estiveram na razão directa das alterações e configurações políticas da Europa.. Refira se a configuração política da Europa que é apresentada no mapa da p. A semelhança da primeira. 121 do CA. As analogias estendem-se às relações com os países vizinhos e a revolução soviética também foi banida pela Europa civilizada. Estamos perante um período de Deflação (queda dos preços) que afecta sobretudo a agricultura. implicando a bancarrota.A. arruinando os investidores e lançando no desemprego milhões de trabalhadores. este crescimento foi um tanto ilusório. Nazismo na Alemanha.

Com a guerra civil o governo bolchevique está cercado por forças contra-revolucionárias. Regressa-se à liberdade económica. o Komintern e outras tantas estruturas. homem do interior. • Nova Política Económica. É preciso fazer renascer a confiança. estimular a iniciativa. homem do exterior. acompanhada de uma Internacional Sindical Revolucionária. É esta a inspiração da NEP. Impõem-se os kolkozes e os sovkhozes. a edificação do socialismo num só país) irá dilacerar o PC da União Soviética. Institui-se o terror em resposta à acção contra-revolucionária.2 Identifique os factores mais relevantes que marcaram a revolução soviética Distinguem-se três momentos na revolução soviética: • Comunismo de guerra (1917-1921). Uma guerra que é imposta aos bolcheviques. 1924). A EDIFICAÇÃO DO SOCIALISMO (1927/8-1939) Caracteriza-se pela edificação do socialismo e pela instauração de um poder concentrado. . com o Komintern como instância suprema. Em 1936 é feita uma nova constituição que parece inteiramente democrática. um parte uma herança do regime derrubado. recorre-se aos capitalistas e técnicos estrangeiros. a revolução imediata e geral) e Estaline (realista. Este é um exemplo que se vê em todos os regimes totalitários: a confusão entre Estado e o partido. Durante vários anos o conflito entre Trotsky (romântico. É liquidada a classe dos kulaks e o fim da NEP. 5. É empreendido um grande esforço miltar. A URSS entra num período de terror crónico. Estaline é o secretário-geral do partido. É a ditadura do proletariado. edifica-se uma nova lasse. A revolução está salva e o essencial preservado. tendo em atenção o internacionalismo da sua ideologia A ideologia assume-se como internacionalista. A sociedade reconstitui-se aos poucos. COMUNISMO DE GUERRA (1917-1921) Fase dominada pela guerra interna externa. Politicamente. Fora dela é o contágio do comunismo. com a criação da III Internacional. concorre para tal irradiação. Em 1921 os exércitos brancos foram batidos.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 58 / 95 interno e o comunismo de guerra. Estaline é o senhor absoluto. e através da colectivização dos campos. nega e combate o nacionalismo e procura estender-se a todo o universo. Portanto. absoluto e totalitário. Estaline tornar-se-á o senhor incontestado da União Soviética até à sua morte em 1953.3 Caracterize a influência do comunismo no mundo. Trotsky organiza o exército vermelho. A consequência é o estabelecimento de um poder extraordinariamente concentrado em Estaline. Estaline (1927/8-1939). do qual o Estado depende. Neste ingressa-se por recomendação e é objecto de depurações periódicas. Os resultados da NEP geram a rivalidade para a sucessão de Lenine (m. a que vai preparar a era estalinista. os kulaks. Porém a submissão da administração ao partido está conforme à doutrina. os laços com a III Internacional. NEP (1922 –1927/8). dentro dos limites da antiga Rússia é a história da revolução contra s forças contra-revolucionárias. • Edificação do socialismo. trata-se de aplicar a doutrina em duas direcções paralelas: através da sucessão dos planos quinquenais para dotar a Rússia de uma poderosa indústria pesada. 5. mas é moderada pela ditadura do partido. A partir de 1927/8. NOVA POLÍTICA ECONÓMICA (1922-1927/8) A situação exige um abrandamento das coacções. A estrutura internacional de que a revolução soviética se recorre. Quanto ao socialismo. Juntase a estas a acção diplomática de estado soviétivo. porque o estado é controlado pelo partido. O regime é rigoroso em todos os domínios. grandes ou médios proprietários. O governo empenha-se em reorganizar a economia antes de retomar a marcha para a instauração do socialismo. Ela divide os países estrangeiros e exerce influência em algumas camadas das suas populações.

É na China que a reaproximação é levada mais longe Leia o texto da p. consistiam. 124 do CA e elabore um comentário explicitando a afirmação que Lenine utilizou para definir a Nova Política Económica (NEP): “Capitalismo de Estado num Estado Proletário” Na actividade 1 do capitulo referente ao Pós-Guerra abordamos o percurso da Revolução Soviética. Faça um resumo sobre o evoluir e a consolidação do Estado Soviético e esclareça se a política da economia planificada de Estaline é a continuação da Nova Política Económica (NEP). estão todos ainda em situação de subordinação colonial o comunismo vai cristalizar as aspirações nacionais à independência. a Nova Política Económica. Porém . • reintrodução do pagamento dos salários. Deste modo. a livre iniciativa desaparecia para dar lugar à estatização e burocratização da produção económica. foi responsável na altura pela recuperação económica da União Soviética. Grosso modo. A acção do comunismo vai exercer-se. Os Planos Quinquenais da URSS ou economia planificada. Nas sociedades industrializadas o comunismo ateia a luta de classes entre o proletariado e a burguesia capitalista. • propriedade privada de parte dos terrenos agrícolas. • pequenas empresas privadas. 332 a 335. na sujeição de toda a produção a um programa elaborado pelos organismos estatais. Nos países que foram chamados subdesenvolvidos e que. a seguir à 1ª Guerra Mundial. nem da definição de objectivos a médio prazo. A autoridade e o poder do Estado. Parece um paradoxo que o marxismo possa fazer causa comum com movimentos de inspiração nacionalista.4 Explicite quais as direcções. • contactos comerciais com países capitalistas. instituíram a Nova Política Económica (NEP) de que constavam mais ou menos as seguintes medidas: • manutenção das nacionalizações apenas nos sectores vitais da economia. onde destacamos as dificuldades da conquista/tomada definitiva do poder por parte dos bolcheviques. por um lado. por outro. tanto no espaço social como político. Nenhum país tinha ainda feito semelhante experiência. retomando a tradição de um dos ramos do movimento operário. essencialmente. sendo substituída pelos Planos Quinquenais da responsabilidade da política estalinista. praticamente absoluto e totalitário. Em 1921.336). obrigando os bolcheviques a abandonar a sua linha política que eles designavam por comunismo de guerra (nacionalização de todos os meios de produção). o do socialismo e beneficiando da decepção da social-democracia. utilizando mecanismos de mercado e assimilando alguma tecnologia ocidental (dai a frase de Lenine transcrita no enunciado da actividade). aos olhos do comunismo a colonização é uma das formas de exploração do homem e é o prolongamento da dominação capitalista. habituada após anos e anos de prática de liberalismo económico (p.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 59 / 95 5. vai surpreender a opinião pública mundial. • livre concorrência no mercado interno dos produtos agrícolas. em que o comunismo vais exercer a sua acção. A NEP continuou em vigor até 1928. de uma direcção autoritária da economia. . Essas dificuldades foram também de natureza económica. nas sociedades industrializadas e. • entrada de capitais e técnicos estrangeiros. Para completar a sua informação sobre o tema consulte o manual nas pp. • plano de electrificação e outras infraestruturas básicas. assentes na planificação da economia. isto é. nas sociedades coloniais. Aos lideres nacionalistas a URSS aparece como modelo a imitar. nos países subdesenvolvidos. Assiste-se à instauração de um poder de Estado concentrado.

O fascismo italiano só se define depois de tomar o poder e não antes.3 Identifique as componentes de vária ordem que se unem no fascismo Foi a reacção de um nacionalismo ferido que fez com que o fascismo encontrasse na Alemanha o seu país de eleição. Na sua maioria. do culto da força física. Remond impõem-se três questões: 1. sindicatos) e em sua substituição sucedem-se organizações unitárias fiéis ao regime e ao partido. com excepção do nacional-socialismo que surge completamente constituído. os fascismos definem-se progressivamente. Por que motivos o fascismo triunfou numas regiões e noutras não? As respostas deverão basear-se nas experiências do período entre as duas guerras. O fascismo também é antiliberal. juntamente com a crise da democracia clássica e a irradiação da experiência soviética. Os valores da democracia são também opostos ao do fascismo. às paradas.1 Refira que o fascismo torna-se um elemento essencial do quadro político e sociológico da Europa a partir dos anos 30 O fascismo é a terceira linha de forças do período entre as duas guerras. Daí a aspiração fervorosa dos fascismos à unidade. O fascismo é original ou uma variante de uma forma tradicional? 3. as restrições. Instaura a censura. A democracia apresenta-se como um regime racional. Em 1923 Hitler redigia o Mein Kampf e só ascendeu a chanceler dez anos depois. às grandes cerimónias. Originalmente um agrupamento.2 Caracterize o aspecto ideológico e a dimensão sociológica dos fascismos Entre 1919 e 1939 existem várias variantes do fascismo. Para R. O fascismo reagiu contra a democracia parlamentar e a filosofia liberal e transformaram em argumento a inadaptação das estruturas tradicionais às novas necessidades.335 a 339. cultiva as divisões. a vigilância policial e abre os campos de concentração. 6. A palavra de ordem do nacional-socialismo é Ein Volk.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 60 / 95 Até aí a economia fora sempre empírica e pragmática. A jovem nação italiana é vítima de um nacionalismo exacerbado – um meio de eleição para a eclosão do fascismo. O fascismo é anti-individualista e exalta valores de grupo. 6 OS FASCISMOS 6. Tudo o que sustenta a diversidade e o pluralismo é suprimido pelo fascismo (partidos. da comunidade nacional. tem o sentimento de ter merecido pouca atenção dos outros aliados. O nacionalismo é a primeira componente do fascismo. Á partida. Assim se explica a anomalia que o fascismo italiano constitui. embora fazendo parte dos vencedores. A partir de 1935 a opção entre fascismo e antifascismo torna-se a principal linha de separação. É por reacção que os movimentos fascistas se afirmam contra os adversários. A democracia dedica-se a preservar os direitos individuais. Os dez anos não alteraram o seu programa. É a vingança do instinto. A democracia em vez de concorrer todas as energias para um objectivo comum. o fascismo acabará por rotular um regime. Será o fascismo um fenómeno exclusivamente italiano? 2. a Itália. ao ser contra todas as liberdades que possam enfraquecer a autoridade do poder. 6. O fascismo é um combate. . Não deixe de consultar o manual nas pp. A unidade é o princípio de todos os movimentos. Porém. É uma religião de grupo. O fascismo é anti-intelectualista. este movimento representa um conjunto de aspirações. O nome de fascio designa as associações de antigos combatentes e que tomaram o poder em Itália em 1922 (Mussolini). Daí a importância atribuída à encenação. a unidade do povo reunido à volta do chefe.

um dogma que inspira uma política. O fascismo reclama a soberania nacional. Aos elementos tradicionais anti-semitas e socializantes. Em Espanha.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 61 / 95 O fascismo é o adversário da democracia mas não se identifica com o conservadorismo tradicional. antigos combatentes. As raças superiores devem preservar a pureza biológica. O fascismo encontra terreno fértil na Alemanha. O fascismo italiano e o nacional-socialismo alemão orientam toda a economia para a preparação da guerra. Embora seja possível encontrar-lhe antecedentes a combinação é nova e distingue radicalmente o fascismo de todas as experiências anteriores. pangermanista. sentimental e de política interna.5 Mostre em que medida foram os fascismos responsáveis pela eclosão da segunda guerra mundial O revanchismo está na própria génese do nacional-socialismo. Um dos aspectos da guerra é ser uma tentativa de desforra dos vencidos da véspera. A guerra procede dos fascismos de várias maneiras. Quarto factor: A gravidade do perigo comunista. Tanto o fascismo como a democracia consultam o povo: o Fűhrer recebe o poder do povo e é ele o chefe legítimo do povo alemão. Os países que melhor resistiram à crises em virtude da sua economia ser menos vulnerável (França) forma menos afectados pelo fascismo. O exemplo alemão é diferente. predispõe os espíritos a desejarem a guerra Toda a nação está armada. métodos policiais. o fascismo emana da democracia pois sem a revolução de 1789 e a transferência de soberania do rei para o povo ele seria inconcebível. 6. Faça um comentário explicando a aceitabilidade e a dimensão sociológica dos vários regimes fascistas . Primeiro elemento de explicação: tradições intelectuais e políticas antigas. Passa-se o mesmo com os aderentes ao movimento fascista. subordinação ao partido) No entanto. que dita uma legislação (as leis de Nuremberga) que levará ao extermínio de 6 milhões de judeus. na Itália. Hitler sobrepõe o racismo. Analogias não faltam entre o totalitarismo do comunismo e o do fascismo (parcialidade do Estado. as suas ideologias são diferentes: o marxismo-leninismo afirma a universalidade da luta de classes enquanto que o fascismo quer suprimi-la. São desenraizados. Esta doutrina é uma fé. 6.. dos sentimentos a que apela: exaltando a aventura.mais violenta é a reacção Quinto factor: O fascismo utiliza as dificuldades da democracia como argumento. Em Itália. marginais. anti-semita. a glória do Império Romano. Outra divergência é a da proveniência dos chefes: Tanto Hitler como Mussolini eram homens do povo.4 Caracterize as variedades nacionais dos movimentos fascistas As variedades dependem do passado do país e da doutrina. o franquismo liga-se ao mito da hispanidade do século do ouro. o primeiro é universalista mas o fascismo não procura converter o mundo aos seus valores. O fascismo exalta a grandeza da nação e aspira à hegemonia de uma raça. Segundo factor: a posição dos países saídos da guerra. Terceiro factor: as convulsões sociais que se seguem às crises económicas. Os dirigentes da contra-revolução eram oriundos sobretudo da aristocracia tradicional. cultiva antes a diferença e é contra todos os universalismos. o fascismo exalta a grandeza de Roma. não pertenciam a qualquer casta. A guerra é uma necessidade doutrinal. Decorre da sua doutrina e das forças que ele desencadeia. o nacional socialismo insere-se numa tradição nacionalista. aventureiros. Na Alemanha. passional. Os movimentos fascistas tiveram sucesso numas regiões e desaires noutras. Deste modo parece ao autor que o fascismo seja um fenómeno original. Os fascismos não serão a única causa do conflito mas constituem um risco objectivo de guerra. desempregados. À sua maneira. Na hierarquia a raça ariana. nos países da Europa danubiana. os derrotados e aqueles em que o sentimento nacional foi rebaixado pelos aliados. Quanto mais próximo se afigura o perigo – e está mais próximo na Alemanha do que na França .

344 a 357.exaltação das instituições. Militarismo . Nacionalismo . Grécia. etc. pontos essenciais dos partidos fascistas. Autoritarismo . religiosa.o cidadão não tem direitos mas apenas deveres.os interesses individuais e de classe subordinam-se aos interesses do Estado. desiludidos pela situação política e económica a que tinham chegado os seus países. assim como o livro sugerido. urbanidade e sociedade industrial. desligado de qualquer controlo do parlamento. rituais e intolerância. ou seja. resumidamente.4. 7 AS ORIGENS DO SEGUNDO CONFLITO 7. O Estado transcende a vida pública e abarca as mais diversas manifestações da actividade social: a vida familiar. indicamos-lhe.o fascismo/nazismo. Ruralismo . 126 do CA estabeleça as diferenças ou semelhanças dos vários regimes autoritários bem como as principais influências do fascismo português Para responder a esta actividade é necessário uma leitura atenta das páginas do manual que abordam o assunto. a saber: Totalitarismo .é preciso não haver nada que ponha entraves ao poder exercido pelo chefe do governo. dogmatismo.1 Caracterize as origens da segunda guerra mundial A guerra não resulta de uma causa única.supremacia étnica era a única que contribuía para o progresso da sociedade.. Polónia.o Estado congrega todos os interesses e toda a lealdade dos seus súbditos. Bulgária. Fanatismo . Unidade étnica. Amplas camadas da população. No entanto. Nalguns casos como a Itália e a Alemanha. que em pouco tempo por todos os países já referidos tentam chegar ao poder e pôr em prática estes princípios. Deve aprofundar estes pontos aqui referidos e ler com atenção o manual nas pp. alguns aspectos sobre os quais a sua resposta deve incidir e que são pontos importantes da doutrina dos vários fascismos. anarquia das instituições e impasses parlamentares • enfraquecimento da autoridade do Estado • instabilidade governativa e mudanças sucessivas de governos. totalitarismo e nacionalismo. Racismo . económica. Os países aqui referidos quase todos apresentam um percurso comum até à instauração dos fascismos.a nação provém da consciência activa e duradoura da existência de laços de solidariedade unindo antepassados. aparece como o resultado de factores cujos efeitos se multiplicam: É a herança dos anos 1919-30.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 62 / 95 Reveja os conteúdos das actividades referentes ao cap.tem de acabar todo o pluralismo social e político. contemporâneos e vindouros. portadoras das tradições ancestrais e históricas e por simbolizarem a reacção contra tudo o que a cidade representava -intelectualismo. casos da Espanha. aderem em massa e apoiam regimes baseados em doutrinas que se fundamentam na autoridade. As dificuldades económicas e os conflitos políticos e sociais devidas à 1ª Guerra Mundial e à Grande Depressão levaram a que alguns regimes parlamentares fossem destituídos. Monopartidarismo . Corporativismo . a saber: • crise financeira • quebra acentuada da actividade económica • inflação.um apoio às gentes do campo. Itália e depois a Alemanha. intelectual. Portugal. Antiparlamentarismo . . É a grande crise económica de 1929-30 que leva os países a fecharem-se. a questão das reparações e a do desarmamento. No seu lugar surgiram outras formas de governo autoritários e ditatoriais .as nações que não se expandissem acabariam por definhar e morrer. unidade e unicidade do poder para unir os cidadãos numa fé comum. A partir dos textos da p.

Hitler reocupa a margem esquerda do Reno (estava-lhe interdita pelo Tratado de Versalhes). A Alemanha estabelece o pacto anti-Komintern com o Japão ao qual vão aderir a Itália. A partir de então o Eixo divide a Europa em duas e isola o leste do oeste. O sistema triangular Berlim-RomaTóquio partilha o mundo. Em 1939 é assinado. É a consumação do Anschluss de Hitler ao desmembrar a Checoslováquia e a Polónia (1939) 7. Em resposta os conservadores formaram a Frente Nacional e apoiados pelo exército e liderados por Franco deram início à guerra civil. É a inversão das alianças (Itália-Alemanha=Eixo Roma-Berlim). As forças nazis de Hitler e as fascistas de Mussolini apoiaram a Frente Nacionalista. desagrega-se. sendo o segundo capítulo o da própria guerra e o da queda do Reich. 7. o velho sonho do Anschluss.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 63 / 95 É a instauração dos regimes autoritários de natureza fascista e vontade da hegemonia. a Áustria é anexada à Alemanha com a cumplicidade da Itália. um ensaio da Segunda Guerra Mundial onde se esboçam os traços da guerra total.4 Refira os principais acontecimentos ocorridos durante a guerra de Espanha e que levaram ao triunfo dos nacionalistas Em 1936 a Frente Popular ganhou as eleições(a Espanha era uma república desde 1931). A grande crise económica de 1929-30 leva a que os países se entrincheirem atrás das suas fronteiras económicas fazendo rarear as relações comerciais. dois a dois. Em 1 de Setembro desse ano. A partir desse ano as atenções viram-se para a questão do desarmamento. o destino da Checoslováquia é decidido na conferência de Munique. os quatro grandes da Europa. O sistema de forças opõe agora. É a conquista da Etiópia pela Itália e a remilitarização da Renânia. a reunificação. Porém a Alemanha ao retirar-se da conferência do desarmamento e ao votá-la ao seu insucesso vai conduzir ao agravamento da conjuntura internacional em 1933. A guerra chega ao fim em 1939 com o triunfo dos nacionalistas. Nos anos seguintes o nacionalsocialismo joga com o princípio do direito dos povos. o Pacto Germano-Soviético entre Estaline e Hitler. Em 1934. O capitulo seguinte abre em 1936 com a guerra civil de Espanha. a Alemanha invade a Polónia e começa a guerra. As brigadas internacionais e a URSS procuraram apoiar a Frente Popular. A Itália vira-se para a Alemanha e constituem o Eixo Roma-Berlim. Em 1938. . a Espanha e a Hungria. No mesmo ano. Em 1935 a frente. ataques de terror sobre a população civil: esboçam-se os traços da guerra total. destruição de Guernica. O governo francês entre o agir e o ceder acabou por ceder – é a etapa capital para a guerra e o descalabro da Sociedade das Nações. A Checoslováquia é desmantelada e os alemães dos Sudetas são integrados no Reich. 7. Apresentando-se como o herdeiro do movimento das nacionalidades. O acordo prevê que a URSS cobre parte da Polónia dividida. França e Itália. em segredo.2 Explique em que medida a nova configuração diplomática da Europa e a herança dos anos 1919/30 são decisivos no agravamento da situação internacional A configuração diplomática da Europa opõe dois campos: o dos vencedores (amarrados às cláusulas dos tratados) e o dos vencidos (o campo revisionista dos tratados). Os nacionalismos económicos reanimam os nacionalismos políticos e militares e conduzem os Estados para formas de economia de guerra. A questão das reparações marcou a conjuntura até 1928. constituída pela Inglaterra. A guerra de Espanha foi um ensaio da Segunda Guerra Mundial: bombardeamento das cidades abertas. Hitler dirige primeiro os seus esforços para a Áustria. consuma o Anschluss ao desmembrar a Polónia e a Checoslováquia.3 Identifique o encadeamento das várias crises que preenchem os anos de 1934-39 Estas crises são o primeiro capítulo de dez anos de crise. No mesmo ano. Itália conquista a Etiópia em 1936.

Encara agora a possibilidade de um conflito em três fronteiras (Reno. ataca possessões da Grã-Bretanha e da Holanda no Sueste asiático. a conferência de Munique assegura a paz.2 Refira a amplitude e extensão geográfica do segundo conflito mundial O nº de países de fica à margem do conflito é mais reduzido do que na 1ª Guerra Mundial. Em 1939. Espartilhada dentro dos limites territoriais impostos pelo Tratado de Versalhes. Bélgica. Noruega. Na ânsia de encontrar alternativas para a crise. os combates continuam na Europa. Para uma parte da opinião pública. A opinião pública está dividida entre o desejo de Hitler de regresso dos seus irmãos de raça e a hegemonia hitleriana. a Alemanha viveu como que em crise permanente de identidade. Hitler usa mais uma vez o método da desagregação interna (servindo-se dos alemães dos Sudetas) e externamente vai isolá-la dos seus aliados. Mas. As alianças invertem-se e. Três milhões de alemães (nas montanhas dos Sudetas) faziam parte da população. anexa as províncias dos Sudetas.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 64 / 95 7. Hitler começa então a falar da grande Alemanha que urge reconquistar. os alemães dos Sudetas são integrados no Reich. É sempre por iniciativa do Eixo que a guerra alastra a novos sectores. Holanda e Luxemburgo). da Boémia e da Morávia Estas ocupações confrontam o que Hitler delineara em 1936: "Estamos superpovoados e não podemos subsistir dentro do nosso território. Depois da anexação da Áustria por Hitler. A Checoslováquia é desmantelada. em Março de 1936 ocupa a Renânia. as reivindicações de Hitler aumentam. Itália e Alemanha (o Eixo ) invadem a Jugoslávia e a Grécia em 1941. apoiado pelos grandes banqueiros e industriais. Mussolini intrometese e propõe uma conferência a quatro (Alemanha. Itália.5 Analise os factores que estiveram na base da convocação da conferência de Munique Com o triunfo dos nacionalistas espanhóis a França fica cercada pela Espanha franquista. fonte de matérias-primas e de subsistência do nosso povo. 1942 marca o auge do conflito: ameaça japonesa à Índia e Austrália. A Itália passa também à guerra e ataca a Grécia. Exponha em que medida a conferência de Munique foi um fracasso A Alemanha aceitou parar as anexações após a ocupação da região dos Sudetas. Na sequência de uma política militarista (1935) e de um claro desrespeito do Tratado de Versalhes. 8 A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL 8. em 1938 é a vez da Áustria. é vez da Checoslováquia (ocupava uma posição estratégica capital). Procura-se uma solução de compromisso através de concessões da Checoslováquia à Alemanha. abremse as hostilidades contra a URSS.1 Enumere as principais características que marcaram a segunda guerra mundial São elas: extensão no espaço. 0 seu comentário deve incidir sobre alguns dos aspectos que passaremos a referir. Lança-se numa onda de expansionismo militar orientada para a ocupação de territórios que considerava pertença do espaço alemão. Une-se depois ao conflito europeu contra as democracias ocidentais e . pela Itália e pela Alemanha. É praticamente concedido tudo exigido por Hitler. nesse ano. 8. França e Grã-Bretanha) – a Conferência de Munique (1938). Alpes e Pirinéus). as tropas do Eixo estão no norte de África. Inicialmente é por iniciativa da Alemanha que a guerra alastra (1940: invasão da Dinamarca. A partir do texto da p. a longa duração (quase 6 anos) e intensidade crescente que fizeram desta guerra ainda mais total que a precedente. a "solução” foi o regime autoritário e ditatorial de Hitler. Hitler desrespeita os seus compromissos e invade a Checoslováquia. ataca a Manchúria e a China). A solução definitiva reside num alargamento do nosso espaço vital. 128 do CA analise as razões evocadas pela Alemanha para a recuperação do que entendiam ser os seus dirigentes o seu espaço vital. para outros a guerra é já uma certeza. Depois é a abertura da guerra noutra frente por parte do Japão (ataca os EUA – Pearl Harbour.

o progresso.Os Aliados -. Cerca de 60 milhões de pessoas sucumbiram pela fome. Termina a guerra. Praticamente todo o planeta está envolvido neste conflito: é a Guerra Total. Nos finais de 1941. pelo terror. A guerra usa a propaganda e a acção sobre a opinião pública. as sugestões serão escassas. No campo adversário. É o primeiro conflito no qual a rádio é chamada a desempenhar um papel. justificavam o esforço de uma geração e que se traduziu na barbárie da 2ª grande guerra O tratamento desta questão deve ser fundamentado através de uma opinião pessoal. sobretudo a arma atómica. as medidas repressivas por parte dos alemães nos territórios ocupados . A desmoralização também ocupa um lugar importante. 8. em simultâneo. . A Alemanha ocupa a Europa quase toda. A partir dos mapas da p. praticamente todas as potências europeias estão envolvidas no conflito. Elabore um comentário sobre se a liberdade.4 Demonstre que pelos recursos mobilizados pelos beligerantes a intensidade da guerra foi ao mesmo tempo o seu efeito e a sua causa Todos os recursos dos beligerantes são mobilizados.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 65 / 95 a URSS. A Alemanha capitula Maio de 1945. a justiça. 131 s do CA faça um balanço sobre a extensão geográfica do conflito mundial de 1939-45 Os mapas e o texto dão uma ideia sobre o alcance e extensão da Segunda Guerra Mundial. Não foram apenas os soldados os protagonistas. em todos os mares. não deixaremos de alertar para situações como foram os casos da violência anti-semita. um bloco de 26 nações . a de uma guerra industrial. Desde a invasão da Polónia em Setembro de 1939 pelos alemães. o Japão ameaça todos os interesses ocidentais no Extremo-Oriente e ataca a armada americana em Pearl Harbour. Pela primeira vez são realizadas operações aeronavais. Os beligerantes procuram atingir o poderio industrial do inimigo desferindo golpes na sua economia e no moral das populações. em África. Deste modo. A Primeira Guerra durou 52 meses. Em 1943 inicia-se a derrocada do Eixo e em 1944-45 verifica-se o contra-ataque aliado: o desembarque na Normandia (Dia “D”). o bem estar das sociedades. Sangue. Veja ou leia algumas das sugestões apresentadas e elabore o seu comentário sobre o assunto. 8. Todos os continentes estão envolvidos na guerra e as operações desenrolam-se no Pacífico e no Atlântico. os EUA tornam-se o arsenal das democracias e imprimem à segunda parte do conflito a característica que se tornará dominante. Mulheres. confrontam-se com as potências do Eixo Berlim-Roma-Tóquio. na Ásia. quase seis anos. Em finais de Dezembro de 1941. Cidades inteiras sofreram o poder destruidor das armas que o homem criou para o extermínio. velhos e crianças souberam desempenhar importantes e decisivas missões em defesa da sua Pátria e sobretudo da sua liberdade. suor e lágrimas foram as vivências da maioria das populações durante o conflito. pela violência e pela metralha. a tolerância.aldeias inteiras foram riscadas do mapa por represálias para desencorajar a resistência ao invasor/ocupante. Em Agosto são lançadas as bombas atómicas em Nagasáki e Hiroxima e o Japão capitula em Setembro desse ano. Prossegue a guerra no Pacífico. O auge do conflito é 1942. No entanto.3 Explique que a sua duração pelos meios e vicissitudes dos beligerantes é maior que o conflito precedente A duração da guerra decorre da sua extensão geográfica. no Hawai. O conflito durará mais de 68 meses. A Alemanha tinha aberto essa via com o bombardeamento contra cidades abertas. A luta desenrola-se na Europa.

as mesmas na maior parte dos países: o socialismo democrático da II Internacional. inglesa. É a derrota definitiva do antigo regime político e a vitória da democracia que triunfa também sobre o fascismo (Espanha e Portugal são a excepção. 9. O sistema de transportes e a indústria ficaram seriamente afectados.3 Demonstre em que medida a Conferência de Potsdam consagrou a ocupação comum e total da Alemanha Na Conferência de Potsdam. Só um pequeno número de Estados. subsistem na Europa como monarquias. De uma maneira geral. com a perda de 60 milhões de pessoas. políticas. provocando uma queda da produção industrial. o Leste foi mais sacrificado que o Ocidente (a URSS foi a mais afectada). Parte das elites sociais. estas forças mostram-se insuficientes para . já que os dois regimes susbsistirão até à morte dos respectivos fundadores).1 Refira quais as consequências negativas decorrentes do segundo conflito mundial 1º Crise demográfica. A outra parte foi destruída pela guerra. para além da ratificação das decisões tomadas em Ialta (entre elas. A crise não é homogénea. inglesa. a fixação das fronteiras da Polónia. a democracia cristã. a maioria mão-de-obra activa. a divisão da Coreia em duas zonas de influência (EUA e URSS). torna-se excepção em 1945. o desmembramento da Alemanha em quatro zonas (americana. Os países recorreram a empréstimos e os orçamentos nacionais ficaram debilitados. Vários monarcas pagam com a perda do trono o seu enfeudamento à Alemanha nazi. 9. A inflação subiu e as moedas desvalorizaram 3º Crise de valores.2 Explique quais foram as transformações territoriais delineadas nos acordos de Ialta Realizada em Fevereiro de 1945 entre os três grandes do bloco aliado no período terminal da guerra. Junta-se o grande número de traumatizados de guerra psicologicamente instáveis. O nazismo deixou uma marca sanguinolenta com a morte de 6 milhões de judeus. as direitas tradicionais estão desacreditadas e desorganizadas. A forma monárquica. francesa e soviética).História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 66 / 95 9 AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA 9. definiu-se um estatuto especial para Berlim (encravada na zona de influência soviética). É neste ano que acabam por desaparecer as monarquias autoritárias do séc. Áustria-Hungria. com o desalento provocado pelas destruições. francesa e soviética). Danzig passou para a Polónia e a Prússia Oriental foi dividida entre a URSS e a Polónia. 2º Crise económica. Decidiu-se o desmembramento e ocupação da Alemanha em quatro zonas (americana. A soberania alemã é transferida para os aliados. Três forças se salientam. pelos crimes do holocausto nazi. o comunismo. As cidades precisavam de ser reconstruídas. 9. XVIII. e também ela dividida em quatro zonas. a mais difundida em 1914. mas também da democracia enquanto ideia e instituição Em 1918 vira-se a derrocada dos grandes impérios e as dinastias colapsam (Alemanha. O fenómeno repete-se em 1945 com outras dinastias. realizada em Julho e Agosto de 1945 após a capitulação da Alemanha. administrativas e militares encontra-se marginalizada porque se comprometeu com o ocupante. aliada da URSS. Rússia e Império Otomano). 9. pelo elevado número de mortos. com a afectação de todos os países participantes devido ao facto de se ter tratado de uma guerra de movimento.4 Analise em que sentido a vitória dos aliados é não só uma vitória dos estados democráticos.5 Identifique as principais forças políticas que desenham a fisionomia dos novos regimes saídos da guerra O sistema das forças políticas exprime um crescimento da esquerda.

a esperança de conciliar a liberdade e a justiça. o comunismo tornou-se uma grande força política na maior parte dos países europeus. um governo. O socialismo que triunfa é um socialismo difuso. as fontes de energia. A Carta Atlântica de 1941 pode ser equivalente ao conteúdo da declaração wilsoniana. da fome. os estabelecimentos bancários e as companhias de seguros). 9. Transformações económicas: É a reforma das estruturas com a nacionalização de certos sectores industriais. em França). uma maioria. Na Carta Atlântica. Esta força é um dado novo do sistema de forças políticas e é também uma componente essencial da nova Europa política. segundo o modelo dos partidos operários. etc. fez frente ao fascismo italiano e ao nacional-socialismo. detendo todos os poderes e mantendo os governos na sua dependência. 1941): libertar a humanidade do medo. As reformas sociais procuram por em prática um plano de protecção e de cobertura dos riscos sociais tão completo quanto possível: adopção da segurança social. toda a gente se reclama do socialismo: essencialmente. Uma das razões imputadas era a igualdade fictícia ente grandes e pequenos. Os governos procuram retirar ensinamentos do malogro da Sociedade das Nações. Vai receber os leitores desamparados que escolherão à falta de melhor os candidatos da democracia cristã. inovações no regime eleitoral (a regra é a representação proporcional e o direito de voto alargado às mulheres. Nos outros países participa em coligação. Na medida em que se nacionalizou. Em 1942. Na época. de crença. as estruturas económicas. nas relações entre os poderes verifica-se o triunfo do regime parlamentar (assembleia soberana).6 Explique que a coligação destas forças políticas opera profundas transformações que afectam simultaneamente as instituições políticas. São nacionalizados os sectores de base. A democracia cristã fez boa figura na resistência aos regimes autoritários. pela sua resistência goza de um prestígio que se projecta nos diferentes partidos comunistas. os aliados envolvidos comprometeram-se a não subscrever qualquer armistício em separado. A URSS. Aos olhos da opinião pública conjugou-se a ideia nacional e o comunismo. 9. Isto vai ao encontro de um dos objectivos enunciados na Carta Atlântica (Agosto. Roosevelt proclamou as quatro liberdades fundamentais: a liberdade de pensamento e de palavra. através do Partido Trabalhista.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 67 / 95 constituírem por si mesmas. Deste modo vão governar de forma concertada (França=tripartismo). As nacionalizações obedecem a preocupações de ordem ideológica (Valorização da propriedade colectiva).7 Relacione em que medida a Carta Atlântica de 1941 pode ser considerada como preparatória da Conferência de S. no Pacto de Washington.. os transportes. Transformações sociais: são adoptadas importantes reformas que visam corresponder ao desejo da opinião pública. Só governará sozinho na Grã-Bretanha. Os mesmos princípios foram retomados na Carta do Atlântico Norte. O comunismo angariou muitas simpatias pela sua participação na luta contra o ocupante. a ideia do sentimento patriótico e o partido comunista. da miséria. a generalização do abono de família. Francisco e da adopção da Carta das Nações Unidas A Sociedade das Nações (1919-20) nascera da ideia de alargar a democracia às relações internacionais. a tendência é para um reduzido número de partidos. reflexo da opinião pública. o gás . as relações sociais e a organização do trabalho Transformações políticas: Elaboração de novas constituições de inspiração mais democrática. libertação da miséria e do medo. de ordem moral (sancionar empresas que colaboraram com o inimigo) e de ordem pragmática (a unificação de empresas é a melhor solução para realizar as reformas indispensáveis). .

Terminada a guerra. assim como a cooperação entre os povos. . a ONU é criada com o fim de precaver e evitar a ocorrência de novos conflitos e desastres como o da Segunda Guerra Mundial. Francisco. delegados de 50 países assinaram a cana das Nações Unidas e entrou em vigor em 24 de Outubro de 1945. o papel da Organização permitiu que os conflitos se mantivessem limitados e localizados de modo a que nenhum deles degenerasse em conflito à escala mundial. A capacidade de resistência. Assim nasceu a ONU. informação e sabotagem foi um aspecto valiosíssimo na preparação da vitória das tropas dos países aliados. desde a sua fundação até aos nossos dias. estabelece-se a distinção entre os cinco grandes e os outros. em 1945. A sua organização compõe-se dos seguintes elementos: -Assembleia Geral -Conselho de Segurança -Secretariado -Tribunal Internacional de Justiça -Conselho de Tutela -Conselho Económico e Social. o desenvolvimento económico e social.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 68 / 95 Quando se adopta a Carta das Nações Unidas. cujos principais objectivos são a manutenção e consolidação da paz mundial. a fundação da ONU tinha como objectivo fundamental manter a paz mundial promovendo a solução pacífica dos diferendos. em S. A sua acção de oposição. a ONU como fórum de encontro internacional tem incentivado o diálogo e estancado as situações. Mesmo em situações de quase ruptura total entre países e blocos. Descendente directa da Carta do Atlântico. ou prestando apoio a elementos da espionagem aliada. Aprofunde estes aspectos lendo o manual nas pp. a sua acção e em muitas situações a sabotagem por parte da população civil foi um dado importante e valioso no alcance da vitória por parte dos aliados. Outras conferências se seguiram durante e após o conflito mundial. por vezes de difícil resolução. Organizando-se por vezes em luta armada contra o ocupante. faça um comentário destacando o papel das resistências no desmoronamento dos regimes autoritários e a sua contribuição para a constituição de novas forças políticas no espaço europeu Nos países que foram ocupados. apesar disso. no qual delegados de 26 países assinaram a Declaração das Nações Unidas. O segundo passo remonta ao pacto de Washington (1942). a capacidade de resistência das populações foi um elemento importante. Para evitar um fracasso semelhante ao da Sociedade das Nações. Tendo em conta estes aspectos. a resistência desempenhou um papel relevante no assegurar da ordem e da paz e contribuiu para a democratização dos regimes. mas em 26 de Junho de 1945.378 a 380 e verificará como o papel das resistências foi um factor preponderante na democratização e preparação do futuro político nos vários países europeus participantes na guerra. Apesar da eclosão de numerosos conflitos internos e regionais entre os seus países membros. das instituições da vida política e das relações sociais nos países onde se tinha constituído como força importante na luta armada contra as tropas invasoras. Interprete o significado destas palavras sobre o papel que a ONU tem desempenhado. a resolução de conflitos pela via do diálogo.

A questão alemã agudizou as tensões entre as duas superpotências a partir desse ano. a democracia é a plena expressão das liberdades individuais herdadas dos regimes liberais. Assim. inglesa e americana. constituem-se definitivamente os dois blocos antagónicos. desfazendo-se assim a aliança que os tinha mantido na luta contra o nazismo. Desde 1947 até à queda do Muro de Berlim. Para o Ocidente. A URSS temia um avanço sobre o seu território do poder capitalista. a URSS fez questão de querer entrar na exploração desta zona e reivindicou igualmente os acessos aos mares Báltico. terminou com a criação da RFA e a RDA. identifica-se com o monopólio de um partido que exerce uma ditadura absoluta. mas com a redistribuição das áreas coloniais das potências do Eixo a internacionalização do Ruhr. Para o Leste. O auxilio técnico. 10. os EUA vão fazer correr um ferrolho diante destes dois países criando um obstáculo à penetração soviética. foi secundado pelo Plano Marshall que visava sustentar e reforçar os princípios da liberdade individual e a verdadeira independência da Europa.3 Caracterize a doutrina de Truman bem como o Plano Marshall O ano de 1947 assinala a ruptura definitiva entre os aliados da véspera. a constituição de um bloco ocidental ou capitalista. 10. O presidente Truman. Mediterrâneo. teve como consequências. financeiro e económico à Europa. porque põe a tónica na justiça a instaurar e na igualdade a promover. e porque a Grécia e Turquia pareciam estar ameaçadas pelas pretensões soviéticas. mas referem-se a duas noções diferentes de democracia. Em 1947. num desacordo doutrinal entre os aliados que combateram a Alemanha A guerra fria iniciou-se em 1947. com a expansão soviética e a militarização do Leste Europeu. fundamentalmente. A guerra fria foi marcada por uma corrida aos armamentos dos dois blocos e as duas superpotências reagiram com medidas de reforço interno. que teve um papel decisivo na guerra fria vai substituir a Grã-Bretanha na Grécia e na Turquia. tanto para o ocidente como para o leste Um e outro pretendem-se democráticos. os EUA e a Inglaterra queriam que o mundo permanecesse como em 1939. . Índico e Pacífico.1 Reconheça de que forma a guerra fria teve a sua origem. A doutrina Truman que consistia na ajuda aos países devastados pelo conflito bélico. liderado pela estratégia americana. apoiados na denominada doutrina Jdanov. a rivalidade e o estado de tensão político/militar pautaram as relações entre os dois blocos. As economias ocidentais temiam a influência do socialismo. por parte dos Estados Unidos. implica o pluralismo doas opiniões políticas e das formações organizadas. a democracia.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 69 / 95 10 A GUERRA FRIA 10. a constituição de um bloco de leste ou comunista. devido a toda a espécie de dificuldades económicas que os trabalhistas estavam a ter. acarrreta a suspensão da liberdades individuais: em vez de tolerar o pluralismo. por um lado. que Churchill chamou a «cortina de ferro». Na verdade.2 Distinga quais as duas noções diferentes de democracia. quando foi criado um estado alemão ocidental a partir da fusão das partes francesa. liderado pelos soviéticos. pôr outro lado. O governo dos EUA vai renunciar ao isolamento ao tomar consciência do seu poderio e das responsabilidades daí decorrentes. O bloqueio a Berlim pela URSS e a resposta americana. prestando auxilio aos países que participassem no programa comum de reconstrução.

Nenhum dos dois blocos aceita de bom grado que terceiros fiquem de fora.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 70 / 95 10. Decidiu-se que o bloco capitalista não interferiria no bloco socialista e vice-versa. de prestar auxilio económico e financeiro aos europeus. prestando auxilio aos países que participassem no programa comum de reconstrução. liderado pela estratégia americana. teve como consequências. Um e outro esforçam-se por arregimentar o maior número de parceiros possível. dos dois grandes blocos do pós-guerra O antagonismo político. desencadeando um movimento anticomunista a nível mundial. o primeiro foco de tensão surge com o bloqueio de Berlim em 1948. liderado pelos soviéticos. É a estratégia do cordão sanitário de 1919 retomada numa outra escala. tolera mal a neutralidade. o OTASE ou ainda o CENTO. a rivalidade e o estado de tensão político/militar pautaram as relações entre os dois blocos. A devastação na sequência da guerra era total e impunha-se reconstruir todas as estruturas dos países afectados pelo conflito. económico e militar e o clima de guerra fria entre os dois blocos gerou o que se denominou por equilíbrio pelo terror. É o momento da pactomia dos EUA. segue-se a guerra da Coreia (1950/53). as democracias populares e a China comunista. Com base nos mapas (p. foi secundado pelo Plano Marshall que visava sustentar e reforçar os princípios da liberdade individual e a verdadeira independência da Europa. a paz na Coreia e o fim da guerra da Indochina. É a denominada «coexistência pacífica»: os dois gigantes resignam-se a viver um com o outro. Desde 1947 até à queda do Muro de Berlim. constituem-se definitivamente os dois blocos antagónicos. Só os Estados Unidos estavam em condições para o fazer. a constituição de um bloco de leste ou comunista. pôr outro lado. por parte dos Estados Unidos. por um lado. O auxilio técnico. Estabelece-se um novo modo de relacionamento entre a URSS (Khuchtchev) e os EUA (Eisenhower). à competição pela hegemonia e à devastação do continente europeu. O desenvolvimento e resolução desta actividade deve incidir sobre os aspectos referentes à reconstrução económica da Europa. A situação evoluiu notavelmente desde os tempos em que Truman correra um ferrolho diante da expansão soviética ou em que Estaline tentava. a edificação de pacto sobre pacto (pacto do Atlântico. a constituição de um bloco ocidental ou capitalista. cercando além da URSS. na guerra do Vietname contra os vietnamitas do norte. O mundo parece entrar então numa fase de desanuviamento. isto é. apoiados na denominada doutrina Jdanov. 10.140ss CA) faça uma análise sobre os choques políticomilitares e as áreas geográficas de influência. Como poderá ver nos mapas do caderno de apoio. nos mais diversos lugares e que marcaram as relações entre os dois blocos. fazer com que os EUA cedessem na Europa. Os EUA envolveram-se em todas as frentes em que a URSS interveio: no conflito israelo-árabe.4 Analise as razões fundamentais do alastramento da guerra fria para fora da Europa A guerra fria. disserte sobre as consequências da Doutrina Truman e o consequente Plano Marshall. desfazendo-se assim a aliança que os tinha mantido na luta contra o nazismo. Em 1947. Aliviaram-se as tensões e os conflitos da guerra fria e a tensão de pré-conflito nuclear. o ANZUS. E neste contexto que têm lugar as várias crises.5 Explique os princípios da denominada «coexistência pacífica» 1953 assinala o desaparecimento de Estaline (um dos responsáveis pela guerra fria). Cada bloco procurou alargar a sua área de influência. Persistiriam apenas conflitos localizados dos quais o mais grave terá sido a crise dos mísseis de Cuba. no sentido da détente e da cooperação. financeiro e económico à Europa. invasão da Hungria . liderados pelas duas superpotências. Face ao antagonismo ideológico. pela sua própria natureza. A doutrina Truman que consistia na ajuda aos países devastados pelo conflito bélico. através do bloqueio de Berlim.

invasão da Checoslováquia (1968). Há desde então um segundo bloco . Esta segunda etapa do alargamento do bloco comunista deve tudo à acção da União Soviética. guerra de Angola e de Moçambique (1975/. ambicionam propagar além-fronteiras a doutrina que os une e estendê-la ao mundo inteiro. Nesta altura a URSS ficou isolada e marginalizada pela Europa. com o ataque de Hitler. O governo soviético integra-os num sistema unificado em termos políticos e económicos (COMECON) e militares (Pacto de Varsóvia). Lenine detém o poder. Estas três características definem a originalidade deste agrupamento.!) e guerra do Afeganistão.2 Identifique as etapas da formação do mundo comunista 1ª Etapa: Começa com a revolução de Outubro de 1917. desde os finais da década de 50 uma política de diálogo.. Hungria. à URSS. a revolução transformou a teoria em prática. vocação para agregar em qualquer pare do mundo todos os povos que optem por segui-la no caminho da construção de uma sociedade socialista. Nestes conflitos. O comunismo é um factor ambíguo que desencadeia duas ordens de consequências: divisão e unificação. no sentido de não ingerência nos assuntos internos dos países pertencentes às suas áreas de influência. Em 1941. A URSS integra os aliados até à derrota do Reich. construção do muro de Berlim (1961).. Simultaneamente. com o intuito de reduzir os arsenais nucleares que culminaram nos tratados SALT I e SALT II. guerra do Vietname (1963/75). Bulgária. neles estiveram directa ou indirectamente envolvidas as duas superpotências. desenvolveu-se. Estes países satélites da URSS aderem à ideologia e seguem o modelo soviético estabelecendo com ele laços de subordinação. o Komintern através da III Internacional Socialista promoveu a revolução comunista a nível mundial. Em conjunto. 2ª Etapa: O fim da guerra leva à transformação de oito estados em democracias populares (Polónia. Aos poucos sai do seu isolamento. Estaline assume o poder e o seu objectivo é fazer da URSS uma grande potência e edificar o socialismo num só país. e conduziram ao ciclo permanente de conferências entre os governantes máximos das duas superpotências a partir de 1985. que dá origem. cuja origem é quase tão antiga como a da URSS. não obstante estes confrontos. Em 1934 é admitida na Sociedade das Nações. Albânia e RDA). A designação tem. embora não renunciando ao alargamento da sua experiência por intermédio dos partidos comunistas de outros países. Quando Lenine morre. consignada na Conferência de Helsínquia.. Roménia. uma república não parlamentar. 3ª Etapa: Nesta etapa Moscovo pouco participa. guerra do Yon-Kippur (1973). Trata-se da instauração do comunismo na China. no espírito dos seus fundadores. A ambição pela intervenção externa leva-a a assinar o pacto germano-soviético com Hitler em 1939. em 1922. Contudo. associa povos muito diferentes e sobrepõe á sua divisão uma política comum sendo o marxismo-leninismo o cimento desta associação. tinham lugar cimeiras entre as superpotências. Todos estes países estão empenhados na construção de uma ordem que pretende romper radicalmente com o passado. A URSS é reconhecida como o exemplo a seguir. Checoslováquia.1 Caracterize os elementos fundamentais de unidade de todos os países que aderiram à comunidade dos povos comunistas O mundo comunista é um universo diferente do resto do mundo e tem uma unidade própria. Foram tentativas no sentido de chegar a denominada Coexistência Pacífica. 11 O MUNDO COMUNISTA A PARTIR DE 1945 11. crise dos mísseis em Cuba (1962). Como factor de reagrupamento. apesar de terem um carácter regional. um estado federado. Jugoslávia. 11. mas que levou cerca de trinta anos a instaurar (para Moscovo bastou um golpe).História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 71 / 95 (1956). O marxismo-leninismo é a doutrina. em 1949.

História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 72 / 95 levando a que se constitua um vasto conjunto asiático que apresenta em relação à URSS diferenças consideráveis. seis países asiáticos. Brejnev levou a cabo uma «normalização».4 Descreva os resultados políticos ocasionados pela apresentação do relatório de Nikita Khruchtchev ao XX Congresso PCUS em 1956 Desde a morte de Estaline (1953) que a história da URSS desenhava uma linha quebrada. Castro encontra assistência na URSS e integra-se no bloco comunista. Peru. legitimando a ingerência nos assuntos internos de um país satélite. Esta acção suspendese com a invasão do Afeganistão em 1979 (em 1985 acabam por retirar as tropas). Estes acontecimentos demonstravam que o comunismo não conseguira a adesão das populações. sucedeu-lhe Brejnev em 1964 e triunfou o imobilismo. liderada por Fidel Castro. apenas dizia respeito à direcção da economia. XIX do que com a revolução soviética. que denunciou no Relatório do Congresso (1956) os erros da política brutal estalinista. abriu um novo capítulo na história interna e dos povos cujo destina dela dependiam. De resto. consequências da desestanilização com a não aceitação da servidão a Moscovo nem o alinhamento ideológico. em 1985. através do reconhecimento de um sindicato independente. O acesso à direcção suprema da URSS. 4ª Etapa: Prende-se com a revolução cubana. as oito democracias populares do Leste.3 Analise os factores que contribuíram para que o mundo comunista estivesse longe de ser um conjunto harmonioso No seu interior conheceu tensões dramáticas. não esquecendo todas as etapas da constituição do bloco comunista. Afastado do poder. Hungria. Nicarágua. Temendo o contágio. O seu comentário deverá fazer referência a alguns dos seguintes aspectos: . Brejnev desencadeia uma acção no mundo inteiro com o apoio de Cuba. por Gorbatchev. A parte da Europa submetida desde 1945 ao domínio soviético foi periodicamente abalada por revoltas (Alemanha Oriental. Inaugura uma tentativa de liberalização. A revolução cubana inspira os revolucionários da América central e meridional (Bolívia. Salvador). 5ª Etapa: Nos anos 70. O PCUS. contra um regime opressivo. já que a abolição da propriedade capitalista não fizera desaparecer todos os vestígios anteriores (desigualdades). Em 1968 foi a vez da Checoslováquia. depois de 1956. Sucedeu-lhe Nikita Kruchtchev. A oposição irredutível da sociedade civil ao comunismo sucedeu na Polónia (greve dos estaleiros navais de Gdansk. pondo fim à Primavera de Praga. 11. O movimento não tardou a findar sem êxito. salvo em matéria de política externa em que a URSS praticou uma política ofensiva (penetração em África e invasão do Afeganistão. Polónia). Nota final: Assim se constituiu um bloco imenso repartido por quatro continentes (A URSS. chegando às confrontações e á intervenção armada. aproveitando-se do apagamento momentâneo dos EUA que recuam após o fracasso do Vietname. Uma destas diferenças prende-se com o facto de o comunismo chinês ser um comunismo de camponeses enquanto que a Revolução de Outubro fora feita pelos operários. Cuba e vários países africanos. e pratica uma intervenção activa em alguns países africanos. 1988)que arrancou ao poder concessões inéditas num regime comunista. Faça um comentário sobre o sistema político da União Soviética desde os tempos da consolidação do estado estalinista até à Primavera do Leste em 1989/90. em 1959. Colômbia. Repelido pelos EUA que apoiam os contra-revolucionários. nunca conseguiu reconstituir a homogeneidade do bloco que Estaline impusera. As evoluções ulteriores foram precipitadas e tornadas possíveis pelas mudanças na direcção da URSS. não comportando qualquer mudança no plano ideológico. 11. implementando assim a sua doutrina. Esta revolução tem mais a ver com as insurreições liberais do séc.

1 Caracterize o alcance histórico do acesso das colónias à independência A descolonização alterou profundamente o estado das relações entre os continentes. o mundo era quase inteiramente dominado pela Europa. uma crítica e uma autocrítica em todas as esferas da sociedade soviética.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 73 / 95 O estado soviético sob a direcção política de Estaline mobilizou todas as suas forças na tentativa da recuperação económica e no enquadramento e fortalecimento da sociedade socialista. cuja organização reflecte o princípio do centralismo democrático. e que o ajudarão a contextualizar a obra de Mikhail Gorbatchev. a vida das antigas colónias e a das metrópoles. A Constituição soviética reconhecia o papel dirigente do Partido Comunista. É necessário situar o fenómeno nas vésperas da Primeira Guerra Mundial. 1989 . mas bastarão duas décadas para os desmembrar. mais concretamente. A Perestroika significou uma tentativa de ultrapassar o processo de estagnação. Durante a Segunda Guerra não houve qualquer movimento que abalasse a coesão dos impérios e a fidelidade das colónias às metrópoles. Leia Perestroika de Gorbatchev e comprove. ao Praesidium e ao Conselho de Ministros. Embora com algumas dissidências pelo meio.(Outubro) unificação da Alemanha. 1989 . o modelo manteve-se até à queda do muro de Berlim. Nesta actividade apresentamos em forma de itens. Em suma. Até às recentes reformas políticas e. de encorajamento da iniciativa e da criatividade. Para se ocupar um cargo político era necessário ser-se membro do partido. 1990 .a Jugoslávia afasta-se de Moscovo. Depois de 1945 a situação transforma-se radicalmente. Para edificar os grandes impérios colónias tinham sido necessários quatro ou cinco séculos. colónias ibéricas da América Latina. era o traço de união entre todos os órgãos de poder. a saber: a sociedade soviética debatia-se com graves problemas económicos e de atraso tecnológico em relação ao Ocidente. Nos casos das Américas do Norte e do Sul. Mas entre estes e as lutas pela descolonização nos anos 1945-60 existem diferenças. escassez de produtos agrícolas e bens de consumo. O funcionamento do Estado decorria da existência de sovietes e o poder estabelecia-se através de uma cadeia hierárquica muito rígida que. O principal objectivo da política de Gorbatchev era reformar a sociedade soviética e reformular a sua política com o exterior.Gorbatchev inicia reformas na URSS que se estendem aos países satélites. Nesta altura. Não é do fim da guerra que data a reivindicação da independência.(Novembro) queda do muro de Berlim. conduziam ao Soviete Supremo. 12 DESCOLONIZAÇÃO 12. alguns pontos muito resumidos da situação na União Soviética em 1984/5.criação do Sindicato Solidariedade na Polónia. É uma das mais rápidas viragens da História . excessivo peso da centralização a da burocratização no sistema económico e político.(Janeiro) pressionados pelas manifestações populares os governos comunistas cedem lugar a regimes pluripartidários. quem combate são os descendentes das metrópoles. em última instância. 1985 . fuga de quadros e agravamento dos fenómenos de dissidência e de oposição ao regime. O regime era fortemente centralizado e o Partido Comunista da União Soviética (PCUS). O verdadeiro nome é secessão e . 1948 . ao seu desmembramento. porque antes dela já existiam fenómenos percursores: colónias britânicas da América do Norte. Este foi o modelo exportado para as chamadas democracias populares do Leste europeu. Foi também uma tentativa de democratização. 1968 a chamada Primavera de Praga. o Estado soviético era concebido como uma organização federal de repúblicas socialistas com tendências centralizadoras. esta foi a sua Perestroika. 1980 .

Por outro lado. Tal como os nacionalismos europeus. XIX. o Japão demonstrara a fraqueza das potencias coloniais com a rapidez do seu expansionismo durante a guerra. a saber: Até 1939 confiança das potências coloniais quanto à solidez dos seus impérios. a sua aliança com os camponeses sem terra e os grupos urbanos mal remunerados irão constituir a base social e política para a constituição dos movimentos nacionalistas de libertação. a história dos movimentos nacionalistas do séc. . a grande maioria dos territórios (nações) colonizados irão tomar-se independentes. No Oriente. a descolonização significa. As primeiras gerações receberam os ensinamentos do liberalismo e da democracia. dos Habsburgos ou contra a russificação dos alógenos. Os movimentos de verdadeira emancipação são desencadeados por populações autóctones. Estes foram usados pelas superpotências como estratégia para a demarcação de grandes áreas de influência. É nos contactos com os colonizadores que os povos tomam consciência da sua identidade e foi da Europa que retiraram a inspiração para os seus movimentos e o modelo a imitar.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 74 / 95 não descolonização. A descolonização traz consigo a reafirmação das origens e a contestação da universalidade da civilização europeia. Por um lado as principais potência colonizadoras haviam saído enfraquecidas do conflito e incapazes de se oporem a movimentos locais. Elabore uma análise sucinta explicando o contexto histórico em que se desencadeou o processo da descolonização. o recuo da Europa como potência mas é também a vitória dos seus princípios e uma consequência da sua penetração. a ONU. concebida pela Europa. em 1960. XX constitui um prolongamento do movimento das nacionalidades do séc. Finalmente. A curva ideológica dos movimentos de emancipação reproduz a sucessão das filosofias que inspiraram na Europa a acção dos movimentos nacionais. de alguma forma. 12. na Conferência de Bandung (1955). 12. O contacto destes elementos com a cultura europeia e com as ideais de liberdade. Deve procurar orientar a sua analise para os seguintes aspectos. os países do Terceiro Mundo deram expressamente apoio à causa da liberdade e da independência dos povos submetidos ao domínio estrangeiro. Preconizam o direito a autodeterminação. em primeiro lugar. expressou o direito à autodeterminação dos povos colonizados.3 Compare as concepções ideológicas dos movimentos de emancipação dos povos colonizados com os movimentos nacionais que caracterizaram a Europa do séc. A Segunda Guerra Mundial confirmou as fraquezas das potências europeias e fez ressurgir os movimentos nacionalistas liderados por burguesias e elites locais afastadas dos centros de decisão administrativos. Os primeiros a conquistarem a independência tornaram-se um exemplo para os outros. A descolonização inscreve-se na continuidade da história europeia e surge como a universalização de um fenómeno histórico cuja ideia fora. Assim. XIX. Á sua maneira.2 Analise quais as origens do movimento de emancipação das colónias O fenómeno procede da colonização por um laço de filiação. As lutas dos povos coloniais a partir de 1945 são como um ressalto do combate conduzido pelas nacionalidades contra a dominação otomana. A partir da Segunda Guerra Mundial. a partir do Norte muçulmano para Sul. os coloniais convergem na aspiração comum de se tornarem donos do próprio destino. A guerra fria favoreceu os movimentos de independência. Entre 1945 e 1955 sucederam-se os movimentos de independência no Médio Oriente e Sudoeste Asiático e a partir de 1955 em África. Estes factores estimularam os movimentos nacionalistas a empreender guerras de libertação.

XIX. não esqueça que a força crescente dos movimentos nacionais. com o seu modelo de Estado-nação. sofisticação dos costumes. Único grande país asiático que soube preservar a independência. respeito pela sua tradição) 2º Factor: Quando a Europa obriga a Ásia a abrir-se à sua penetração. XX. alicerçou-se na liderança das burguesias e elites locais emergentes. A curva ideológica dos movimentos de emancipação no denominado Terceiro Mundo reproduz a sucessão das filosofias que inspiraram na Europa a acção dos movimentos nacionais. Em 1868. a Ásia precedeu a África na via de emancipação em cerca de meio século. o jovem imperador Mutsu-Hito inicia a chamada revolução meiji. mas a sua influência nos costumes e nas crenças mantém-se superficial. XVIII. bem como das características muito distintas das culturas locais. 406 a 410 do manual. O êxito do Japão deve-se ao facto de ter sabido justapor as contribuições externas e as imitações ao respeito pelas tradições. tomam contacto crescente com a cultura europeia. dispondo.8 (III Parte) e respectivas actividades. que não sofre do complexo de inferioridade relativamente ao Ocidente (invenções técnicas. Foi também a primeira nação não-europeia a vencer uma europeia (URSS. 3º factor: A Ásia entrara em contacto com a Europa mais cedo do que a África. 1º Factor: As características da própria Ásia: é um continente com civilizações muito antigas. Mutsu-Hito reestruturou o poder político. em particular com o despotismo esclarecido. muitas vezes afastados dos cargos administrativos de responsabilidade. 13 O DESPERTAR DA ÁSIA 13. os seus ideais de liberdade. incentivou o aumento demográfico. de uma experiência mais longa e que lhe ensinara a arte de lidar com o Ocidente. divide noutros. O domínio europeu unifica em certos casos. que outros países seguiriam: renovar-se. Para desenvolver esta actividade sugerimos a releitura do cap. lançou as bases da industrialização. 1904-05). Interprete estas palavras tendo em conta o que foram os movimentos nacionalistas no séc. os EUA forçaram o Japão a abandonar a sua política isolacionista e a abrir-se ao comércio ocidental. da atitude da potência colonizadora e da importância da população branca no território. No entanto. criou um sistema bancário e monetário moderno. O novo poderio do Japão é rapidamente colocado ao serviço de uma grande ambição: uma visa a dominação económica e a outra visa a expansão armada e a construção de um vasto .História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 75 / 95 Ter em conta os diferentes processos e modalidades de descolonização que dependeu. 13.1 Identifique os factores que levaram a Ásia a antecipar-se a África no processo de descolonização De facto. justiça. Casos de “culturas sofisticadas" Índia e Sudoeste Asiático) e “culturas tribais" (África Negra). assim. que sugere uma analogia com o movimento das luzes que a Europa conhecera no séc. na maioria das vezes. a Ásia está quase totalmente submetida ao Ocidente. No princípio do séc. construiu uma rede ferroviária e contratou técnicos estrangeiros.2 Analise a originalidade e o sucesso da experiência japonesa para conseguir a sua modernização/desenvolvimento económico e social O alcance do exemplo japonês foi considerável. A sua originalidade consiste no facto de se tratar de uma modernização conduzida no interior e não imposta pelo exterior. tomando a iniciativa das reformas. democracia e. Em 1854. Leia as pp. O Japão conseguiu manter a independência. a revolução das luzes. contava já com conjuntos politicamente organizados. reorganizou as finanças públicas. mostrou a via para o conseguir. ainda.

Adoptou um regime semelhante ao das democracias ocidentais. Sun Yat-sem emprenha-se na união e aproxima-se da União Soiética. Com Tem Hsiao-Ping tem a ambição de fazer da China uma grande potência económica. Contudo. A Índia oferece o exemplo de colónia melhor preparada para dispensar o colonizador. a Índia esperava reformas que associasse os nacionalistas ao governo.. a Índia. o primeiro de uma longa série de «senhores da guerra». e que não aceitavam ser uma minoria num Estado dominado pelos hindus No . Uma vez que não se conseguiu reformar. Em 1961 rompe com a URSS. mas a metrópole manteve a soberania de centenas de principados ao lado dos territórios que dependiam da sua administração directa. no entanto. A seguir à Primeira Guerra. Com a sua morte Kai-chek rompe com os comunistas e principia uma guerra civil que ainda não terminou completamente (Taiwan é governada pelos seus sucessores) A relação de forças é muito desigual entre as duas Chinas e desvantajosa para os comunistas. Desde então. Sucede a fragmentação interna pelo regresso ao feudalismo. No entanto. o governo trabalhista concede a independência à Índia que passa. O poder é confiscado pela general Shikai. Com a revolução de 1911 a república é proclamada e a dinastia manchu derrubada. procurando que a sociedade chinesa adoptasse o maoísmo.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 76 / 95 império. XIX existe já uma elite angloindiana que aspira ao self-goverment. quase sem transição. a transformação efectua-se pela via revolucionária. Em 1966 criou a Revolução Cultural (uma revolução dentro de outra) mas esta revelar-se-á um enorme fracasso Após a morte de Mao (1976) a China desembaraça-se da sua influência: a desmaoização corresponde à desestalinização. não conseguiu eliminar a resistência chinesa e o conflito entre os dois funde-se o conflito mundial. Em 1947. A unidade do continente indiano não resistiu ao anúncio da independência: a iniciativa de separação veio da parte dos muçulmanos. 13. O regime é decalcado do marxismo-leninismo: o partido detém o essencial do poder. a mudança é rápida. Após a morte de Shikai passa a haver dois governos rivais. Entre 1950 e 1961 encetam-se relações de amizade com a URSS e adopta-se o modelo soviético na planificação da economia (planos quinquenais) e a colectivização das terras). Em 1945 a Índia encontra-se quase na mesma situação que em 1919. mas estes apoderam-se de toda a China continental graças à fraqueza dos adversários e ao génio de Mao. um modelo de comunismo original. A história da China é feita de uma sucessão de crises e revoluções em que a unidade esteve por diversas vezes em risco. O país fez prova de um admirável dinamismo e atingiu um nível tecnológico superior ao dos países mais avançados.3 Descreva o processo por que passou a transformação da sociedade chinesa A China seguiu um percurso completamente diferente do Japão. a adopção da língua do colonizador permite às populações comunicar entre si. como retribuição do seu auxílio. É também referência em matérias como a competitividade nos mercados externos. Nos finais do séc. Em 1949 os comunistas sobem ao poder e é proclamada a República Popular da China. O período entre os dois conflitos mundiais é caracterizado por negociações e rupturas. O imperador foi preservado mas perdeu o essencial dos seus poderes. apresenta um terceiro tipo de evolução. A Índia era uma colónia britânica. Contínua. o Japão sofreu transformações. que formavam um quinto da população. Tal não aconteceu e a decepção está na origem de um movimento de resistência. Esta diversidade não impede que a Índia conheça a unidade: a rede ferroviária. A capitulação do Japão em 1945 desmorona a sua ambição hegemónica.4 Analise a evolução do movimento de emancipação do subcontinente indiano O terceiro grande conjunto asiático. O paralelismo com as reformas de Gorbatchev é impressionante. sem indícios de uma evolução para um sistema democrático. Ghandi impõe-se como figura representativa da Índia. ao estatuto de independência total. que devia contar com uma mobilização de massas para se atingir o comunismo. 13. Anexou a Coreia e atacou a China.

Entre 1949 e 1952. A questão da Indochina é mais complexa devido à guerra da Coreia e ao Vietname. 148 CA. responsáveis por um clima especial de entendimento dentro das empresas. mas está longe de ser homogéneo: na Ásia encontram-se alguns dos povos mais pobres do mundo. O sueste asiático abrange a Indochina. Fortemente devastado pela guerra. A partir de 1960 o Japão toma-se a terceira potência mundial. que permitiu ao Japão aumentar as suas exportações. De 1953 a 1957. Vários factores contribuíram para esse "milaqre”: Reconstrução e expansão económicas. como o Japão. Ceilão e Birmânia) o que deu origem a movimentos separatistas que têm contestado os limites territoriais e reivindicado a independência. foram implementadas algumas medidas. Este ganhará a independência por etapas.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 77 / 95 mesmo ano da independência da Índia. Nas décadas de 1970 e 1980 assistiu-se à expansão dos produtos japoneses pelo mundo. referindo em que medida as circunstâncias internacionais tornaram possível a emergência e afirmação da economia japonesa. socialização e planificação. a política da China segue o modelo soviético de colectivação. de empenho na actividade profissional. após pressão dos EUA sobre a Holanda. o qual tem na sua esteira um conjunto de outros países que constituem uma zona de prosperidade. produtividade e um espírito especial para assimilar. 13. Desse modo. • abolição da velha organização social e familiar. O chamado milagre económico japonês permitiu melhorar o nível de vida da sua população em todos os aspectos.412 a 415 do manual. • expropriação de terras aos grandes proprietários absentistas e distribuição de pequenas parcelas aos camponeses. a política de Mao Zedong orienta-se para a reconstrução económica e a instauração de uma nova sociedade. Paquistão. • instauração da igualdade entre o homem e a mulher (Lei do casamento de 1950). apesar de ser uma encruzilhada de civilizações. a reconstrução e recuperação económica do Japão iniciou-se sob a orientação dos Estados Unidos. A partir do texto da p. a Malásia e a Indonésia. feitas a partir de indústrias que aproveitaram toda a recente inovação tecnológica. dotada de grande disciplina. A maior parte da região estava dependente do Ocidente antes de 1939 e existia já desde essa altura o sentimento nacional e a reivindicação da independência.5 Refira em que medida o sueste asiático. • recuperação da produção agrícola e industrial. reproduzir e melhorar os produtos estrangeiros. A Índia também é uma grande potência. faça uma breve exposição escrita. No termo desta história a Ásia emancipou-se completamente. Existência de mão-de-obra em grande número e a baixos custos. Procure fazer uma comparação entre a política e o contributo de Mao Tsé-Tung na construção da República Popular da China e a política seguida pelos actuais dirigentes chineses. a saber. . vão corresponder aos resultados económicos (caso dos países sob o regime comunista). Excelente organização comercial. logo após da tomada do poder por parte dos comunistas. à afirmação das multinacionais japonesas e a um aumento do volume do seu comércio. conjugou uma certa unidade nas reivindicações das independências dos vários estados. Esta região do mundo divide-se também entre os grandes sistemas políticos os quais. a península é desmembrada (Índia. por sua vez. Procure mais informações nas pp. outros países descrevem expansões fulminantes. A Indonésia torna-se independente em primeiro lugar. Elevado sentido de organização.

o árabe impõe-se como língua sagrada e língua de cultura.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 78 / 95 Em 1958. alguns acontecimentos nos últimos anos (Tianamen) atestam essa realidade. o mundo árabe e arabizado está fragmentado e submetido à dominação estrangeira tanto dos Otomanos como das nações cristãs. O arabismo passa a constituir um facto de civilização: designa a impregnação por uma cultura comum. XX. de importância comparável ao desmoronamento do império dos Habsburgos. ciência. Em rigor só esta porção de superfície pode ser designada por mundo árabe. Europa e EUA). Contudo. Do mesmo modo que o desaparecimento do império austrohúngaro conduziu á fragmentação da Europa danubiana. consciência de identidade. a . técnica e defesa). África negra. em que as populações não são árabes mas arabizadas pela conquista e conversão religiosa. 1ª realidade geográfica: desde o Tauro e das margens do Mediterrâneo oriental até ao planalto iraniano (o Irão e a Anatólia não fazem parte dele). • abertura ao ocidente e reatamento de relações políticas e económicas com os Estados Unidos. Japão e Europa Ocidental. baseada num conjunto de reformas. Mao opõese a esta abertura política e económica e. onde a justiça social e as liberdades fundamentais do Ser Humano sejam respeitadas. lança a Revolução Cultural. Bósnia. A queda deste império em 1918 é um acontecimento capital. ex-URSS. agricultura. Como o islão é uma religião universal. As suas origens são análogas àquelas que inspiraram os povos europeus: procura das origens. Segue-se um reajustamento da economia. O despertar do mundo árabe aspira á independência e à unidade: refazer a unidade da nação árabe. sendo o seu centro a península arábica. as dissensões levam a melhor sobre a aspiração unitária com a constituição de vários reinos. reacção contra o domínio estrangeiro. as suas fronteiras estendem-se por milhares de quilómetros (extremo oriente. 3ª realidade: o mundo muçulmano. • aceleração do desenvolvimento económico (indústria. O despertar foi precipitado pela Primeira Guerra Mundial. Mao renuncia ao modelo soviético e decide o Grande Salto em Frente. ligada à difusão do islão. traduzir a comunidade de crença – a umma – numa comunidade política. Trata-se de encontrar uma via original para a construção do socialismo. para o qual o mundo árabe foi arrastado por fazer parte do Império Otomano. 14. A Turquia fica reduzida a Constantinopla e à Anatólia. em 1966. uma prática da Revolução Cultural). Deng Xiaoping assume. com alguma abertura ao exterior e autorização da propriedade privada. em 1981. O balanço é um desastre.1 Enumere o vasto conjunto de territórios designado por «mundo árabe» O termo impõe uma precisão: refere-se a três realidades geográficas. 14 O ISLÃO E O MUNDO ÁRABE 14. Kemal fará da Turquia uma nação. Contudo. o poder e inicia uma nova política. China.2 Explique em que medida a queda do império otomano foi um factor capital para a independência e unidade do nacionalismo árabe O movimento das nacionalidades tocou também o mundo árabe. No início do séc. Apesar de libertados do jugo turco. uma autêntica catástrofe social e política. O quadro desta experiência são as comunas populares. Aliás. A religião constitui o princípio unificador. a saber: • desmaoização da economia e da sociedade (apoiam-se pequenas empresas privadas e proíbe-se a afixação de jornais de parede. Com desaparecimento de Mao Zedong tem lugar uma nova era na China. 2ª realidade: inclui todo o norte de África. a China ainda esta longe de ser um pais democrático. étnicas e culturais. com Medina e Meca (as cidades santas) na Arábia Saudita.

o rei Faruk é obrigado a abdicar). pois. . A Grã-Bretanha renuncia ao seu mandato sobre o Iraque. cada um sonhando realizar a unidade sob a sua autoridade (Nasser do Egipto. todo o Médio Oriente é uma zona de influência britânica.4 Analise os factores que impediram o nacionalismo árabe de se constituir numa grande nação unificada.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 79 / 95 queda do império otomano conduz ao esboroamento do Médio oriente (pode falar-se de uma balcanização). entre a consciência individual e a colectiva – o islão ignora a laicidade e a diferença entre as condutas privadas e os comportamentos colectivos. jordano. no Egipto. iraquiano. Existe também uma osmose entre a fidelidade às prescrições do Corão e o sentimento nacional (embora tal não seja exclusivo do islão) no caso da observância escrupulosa do Ramadão. Após a expulsão da França. Hussein do Iraque).3 Explique em sentido o fortalecimento do nacionalismo árabe foi a principal causa do enfraquecimento do domínio político ocidental no médio oriente. As sociedades onde o islão domina vivem sob o regime da religião de Estado. conquistou inteiramente a independência. Esta confusão proíbe aos muçulmanos a mudança de religião. do golfo Pérsico ao Atlântico. uma componente fundamental do mundo de hoje. 14. A partir de 1967 Israel ocupa a Cisjordânia e desde então que os habitantes dos territórios ocupados têm reivindicado uma pátria (OLP). O mundo árabe está divido entre monarquias e repúblicas. No Médio Oriente foi indirectamente sobre os escombros do império otomano que se estabeleceu a independência dos Estados da região (Líbia. A lei religiosa é a lei dos Estado. O Ocidente acaba por aceitar a afronta. o Corão é simultaneamente o código civil e a constituição. Os movimentos nacionalistas minam bases estratégicas e económicas e atacam os seus vassalos (rei da Transjordânia. Factor 2: As diferenças entre os regimes e o antagonismo das ideologias. Tunísia. a França concede a independência ao Líbano e à Síria. Ao contrário do cristianismo – que recebeu do Evangelho a distinção entre o religioso e o político. 14. dinastia iraquiana. Um homem em cada seis é muçulmano. Kadhafi da Líbia. O nacionalismo árabe não renuncia aos seus objectivos e em poucos anos subtraiu-se ao domínio político ocidental. Argélia. Palestina. Marrocos). O islão é uma das grandes religiões universais que não se circunscreve às circunstâncias de lugar e de tempo. Factor 3: A própria religião que constitui a referência comum divide por vezes mais radicalmente ainda do que todos os outros factores ( o ódio entre sunitas e xiitas é uma das componentes das inimizades entre o Iraque e o Irão) O único elemento que estabelece alguma unidade no mundo fragmentado é a existência de Israel – os exércitos sírio. França e Grã-Bretanha dividem entre si os mandatos (Líbano e Síria para a França. 14.5 Caracterize a presença do islão no mundo. o mundo árabe. Iraque e Transjordânia para a Grã-Bretanha). convergem para o liquidar. As populações árabes só mudaram de amos: as potenciais ocidentais substituem Constantinopla. São de referir neste âmbito a nacionalização do canal do Suez e a nacionalização do petróleo pelo governo iraniano que infligem grande desprestígio e lesam os interesses do Ocidente. Os movimentos combatem tanto a supremacia económica do Ocidente como a sua hegemonia política. O mundo muçulmano é. Em 1962. mas saem derrotados. exclui a liberdade de outros cultos e condena os cidadãos de outra religião ao estatuto de menoridade. Factor 1: As contradições entre as ambições concorrentes dos Estados.

apesar dos acordos de Madrid e da criação do Estado Palestiniano. o único factor que consegue alguma unidade “no mundo fragmentado” é o Estado de Israel. é bem capaz de distorcer. como resistirá o Islão e a sua civilização. O mundo islâmico é percorrido há algumas décadas por um movimento de renovação que se caracteriza pela rejeição de qualquer valor estrangeiro e por uma interpretação literal do Corão (fundamentalismo). se torne a lei do Estado e se imponha a todos. perante o avanço da industrialização e das novas tecnologias? Como disse um dia Fernand Braudel. como poderia a técnica aniquilar poderosas personalidades como são as grandes civilizações fundadas sobre religiões. na Palestina. desde o Norte de África ao Extremo Oriente. ela não é uma civilização. do Estado Judaico de Israel. logo a seguir à Guerra. equivalerá a dizer que a civilização moderna. da automação. O resultado é a criação.1956. pois. Terminada a 2ª Guerra. crentes ou não.. Explique se as condições internacionais que criaram o Estado de Israel foram condição suficiente para a unidade e emancipação do mundo muçulmano. Milita para que a charya. cujo desfecho interessará a todos. por outro lado. convocamos mais uma vez Fernand Braudel: "Para o islão. Gramática das Civilizações. Assim. para deixar de ser uma velha civilização e rejuvesnecer nas chamas do tempo presente. Incapaz de destruir os particularismos regionais. Depois da grande afluência de judeus à terra dos seus antepassados. a vida dos seus habitantes. Deste modo. varrer dele as outras civilizações? A maquinaria. onde obterá mais dados para desenvolver esta actividade. vai uniformizar o mundo. elabore um comentário sobre a seguinte questão: Conseguirá o Islão desembaraçar-se da sua antiga civilização tradicional à medida que se for aproximando da industrialização e das técnicas modernas? O mundo muçulmano abrange uma população de mais de 500 milhões de habitantes. de resolver os conflitos entre palestinianos árabes e judeus. 1967. a qual determina fortemente. com as suas inúmeras consequências. Para terminar estes tópicos sobre esta actividade. etc. ele tem sido um factor de alguma unidade e convergência dos povos pertencentes ao muçulmano. Considerando a existência de uma civilização muçulmana. onde a vida religiosa comanda todos os actos da vida. a do cérebro electrónico. 1981. de destruir e reconstruir muitas estruturas de uma civilização. por um lado tem sido um factor permanente de tensões. bem como os Estados Árabes vizinhos. De certo modo.” (Fernand Braudel. Se a vizinhança do Estado de Israel. aos mais diversos níveis. valores humanos e morais fundamentalmente diferentes.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 80 / 95 No caso do Afeganistão.l 20) . esta civilização. do átomo. o que todos estes povos têm em comum é a obediência à religião islâmica. a técnica apresenta-se como um circulo de fogo a transpor de repente. a lei religiosa. Estas rivalidades terão como consequências os graves conflitos que ao longo dos anos se têm verificado . a Inglaterra viu-se incapaz. A proclamação da independência de Israel incendiou as rivalidades entre os judeus e os palestinianos.3 do manual. os ingleses abandonam a região que fica sob a alçada da ONU. Contudo. Ainda hoje. filosofias. 1973. a da máquina. uma incógnita. Dentro do mundo Árabe são numerosas as causas e divergências que entravam a sua unidade. Pensamos que não todas: só por si. e incapazes de solucionar o problema. esta questão não é privativa do Islão. p. Veja com atenção o ponto 14. a situação não está resolvida. O despertar do fundamentalismo muçulmano comporta. a resistência ao exército soviético procedeu quer da rejeição de uma ideologia ateia quer do impulso de independência de um povo invadido. para bem ou para mal. em 1948.

1 Defina as noções ou conceitos de desenvolvimento. o atraso económico e a ausência de elites letradas. Glossário. pelo que só em 1974 se concedeu a independência às colónias. a França concederá também a independência às suas colónias da África negra por etapas e sem violência o mesmo não acontecendo com o Congo belga. de populismo e O. Vd. subdesenvolvimento e em vias de desenvolvimento económico. em 1885. da presença de uma massa de camponeses sem terra. não sendo o país produtor o senhor da fixação dos preços. Porém.3 Explique em que medida na maioria destes países a dependência económica susbsistiu para além do fim da subordinação política A situação económica da maioria destes países não era satisfatória pelo que a sua dependência subsistiu para além da sua subordinação. de ditadura militar. A economia destes países padece de um desequilíbrio estrutural nas suas relações externas. A democracia teve no entanto muitas dificuldades em implantar-se e o seu enraizamento é ainda precário. daí a cooperação com as antigas colónias. 15. a África Negra a suportar durante mais tempo a presença colonial europeia Este continente é o exemplo mais acabado da colonização e fora objecto de uma partilha integral entre as potências europeias pela Conferência de Berlim. das circunstâncias da independência. Muitas vezes a prosperidade colectiva estão dependentes de uma monocultura ou de um único recurso mineral. A venda dos produtos nacionais não é suficiente para formar um capital que permita o investimento em novas fontes de riqueza. os mais avançados envolveram-se numa política de investimentos e contraíram grandes empréstimos o que os conduziu a um assustador endividamento externo. pelo menos em termos políticos.A.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 81 / 95 15 OS OUTROS MUNDOS 15. É a partir de 1945 que se inicia o movimento de independência que se realiza a ritmos e por vias diferentes mas com o mesmo resultado final. conduziram.2 Reconheça que o subpovoamento. uma simples diminuição da procura pode levar os produtores à ruína. de Terceiro Mundo. Uns estão dependentes do mercado internacional por terem uma economia de monocultura. as rivalidades étnicas. ou do povoamento índio dos Andes ? Seja como for o poder foi tomado com frequência por generais cujos regimes satisfazem algumas aspirações populares (caudilhismo). de apartheid. Suportou durante mais tempo a presença colonial devido aos factores já enumerados que explicam que não tivessem aparecido movimentos de revoltas até ao final da segunda Guerra Mundial. da inexistência de uma burguesia. Exploraram o sentimento nacional contra a dominação dos EUA e procederam à nacionalização de alguns recursos nacionais. . sobretudo.U. A instabilidade crónica e as convulsões políticas (guerrilhas. de panafricanismo.4 Identifique os factores que simultaneamente contribuíram para a instabilidade política e para o subdesenvolvimento da América Latina A América latina foi conquistada trezentos anos antes de África e emancipou-se antes da colonização em massa do continente africano. A GrãBretanha é a primeira a conceder a independência: Gana e Nigéria. terrorismo) encontram uma das suas explicações numa das mais desiguais repartições da riqueza – a opulência está lado a lado com a miséria extrema. 15. Portugal também se opunha à ideia de perder os últimos vestígios do seu antigo império. Tal facto dever-se-á à herança de trezentos anos de ocupação. 15. de caudilhismo.

História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 82 / 95 15. esta noção não fará grande sentido se for considerada por oposição aos sistemas e modelos políticos/económicos apresentados. rivalidades económicas) Com base nos documentos da p. o critério menos discutível é integrá-los em conjuntos geográficos e. sobretudo porque não tem sido acompanhado por um correspondente aumento da produção. Sudeste Asiático e África Negra. económico e político. nos últimos tempos surgiu a consciência das diversas dimensões do subdesenvolvimento que afecta quase todos os países do terceiro Mundo. quase sempre. no Hemisfério sul e coincide. com as antigas zonas coloniais. Situa-se. desigualdades sociais graves. conflitos étnicos e tribais. entre os países desenvolvidos do hemisfério Norte e os do Sul subdesenvolvidos. sobretudo como é o caso da realidade do Terceiro Mundo. situações de neocolonialismo. isto é. Disserte sobre a homogeneidade e validade da designação de Terceiro Mundo tendo em linha de conta a coexistência dos grandes conjuntos geográficos e demográficos que o compõem A noção de Terceiro Mundo é recente e prolonga a de subdesenvolvimento. que resulta do contacto não harmonioso entre a sociedade tradicional e o mundo industrializado. que implica despesas elevadíssimas. Mundo Muçulmano. Com efeito. De facto. 154 CA elabore uma síntese explicando os factores de distinção entre o mundo desenvolvido e o subdesenvolvido. muitas vezes. • a cooperação militar com os países desenvolvidos. a saber: • dependência económica e as trocas comerciais com os países desenvolvidos. ou seja. Economias subdesenvolvidas e muito frágeis (supremacia do sector primário. político. desemprego. as economias do Terceiro Mundo revelam um profundo desequilíbrio. económico e social. Refira também o porquê da designação da divisão Norte-Sul Para responder a esta actividade deve ter em conta alguns dos seguintes aspectos. a saber: a emergência do terceiro mundo surge como um dos factos decisivos da. . Toda esta heterogeneidade toma difícil agrupar países para efeitos de análise. existem factores de dependência a diversos níveis. Esta tarefa só será viável com um crescente diálogo Norte-Sul. fraca rede de transportes). ou seja. carência de técnicos especializados. mesmo continentais: América Latina. sociedades instáveis e em permanente crise (baixo rendimento per capita. actualmente. capitalista e "socialista". dependência política e violência (conflitos pelas fronteiras. história contemporânea. a nível: geográfico e demográfico. dividas externas. antagónicos. agrava os conflitos e acentua a sua dependência política. muita vezes. regime de monocultura. A consciência do subdesenvolvimento que afecta a generalidade do Terceiro Mundo e a fraca eficácia das ajudas internacionais tem revelado a necessidade de se pensar uma nova ordem económica mundial. subnutrição das populações). produção artesanal e tradicional. alta taxa demográfica e de mortalidade infantil. • a necessidade de recorrer à tecnologia dos países industrializados. A sua localização apresenta algumas coincidências. um dos problemas fundamentais do Terceiro Mundo é o aumento espectacular da população. A definição de Terceiro Mundo será mais correcta se for analisada do ponto de vista da sua heterogeneidade. o Terceiro Mundo apresenta uma profunda heterogeneidade. e surgiu também por oposição ao mundo industrializado. níveis de riqueza económica muito diversos. que o desenvolvimento das comunicações acentuou. com condições naturais e demográficas muito distintas. sobretudo. a prevalência dos modelos culturais ocidentais. no aspecto humano. Apesar de tudo. ditaduras. sistemas económicos e políticos diferentes e. Ela apresenta uma conotação predominantemente geopolítica. Esta divisão Norte-Sul é a mais grave divisão internacional e está na base de muitos conflitos actuais.5 Distinga os contrastes fundamentais entre países desenvolvidos e países em vias de desenvolvimento.

Percebe-se que. Até ao conflito russo-japonês a Europa não perdera uma guerra. o milagre europeu foi fruto do trabalho e do empenho dos europeus (mão-de-obra qualificada. Esta universalidade regional também facilita a reaproximação entre estes povos que durante muito tempo combateram uns contra os outros. Em grande medida. da siderurgia. diante da acumulação das ruínas. O movimento que promove a unificação europeia. Certos aspectos do reordenamento territorial que se seguiu à Primeira Guerra Mundial causaram prejuízos a todo o continente: a destruição da Áustria-Hungria. Está também arruinada pelo esforço empreendido na guerra. . A tendência irá inverter-se em 1973 e 1979 com o choque petrolífero que relança a inflação e que deixa a economia europeia muito mal tratada. com o Tratado de Roma. Alargou o campo das suas competências que hoje extravasam da economia (política agrícola comum. A democracia parece mais firme e é hoje o regime de toda a Europa ocidental. O sistema de relações internacionais deixou de gravitar à sua volta deslocando-se para os EUA com a realização de conferências importantes (a ONU tem aí a sua sede).História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 83 / 95 Faça uma leitura atenta do cap. autoriza uma visão menos pessimista do futuro.1 Reconheça e aponte os factores que contribuíram para o enfraquecimento do continente europeu durante a primeira metade do séc. e que é radicalmente novo na história. tem um linha divisória que passa a meio do continente (Europa Ocidental/Europa Oriental ou do Leste). através do Plano Marshall. terminada a guerra. a Europa tenha tido uma sensação de decadência e pensado que a sua história chegara ao fim. Teriam sido os anos 50-70 um verão de São Martinho? No decurso das últimos duas décadas os países da Europa Ocidental superaram com sucesso as provações a que foram sujeitos. Em 1952 institui-se a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) e 1957 a CEE. das pescas. Esta inversão da tendência explica-se através dos seguintes factores: Factor 1(Causas externas): Toda a economia mundial (entre 1950 e 1973) viveu uma fase de expansão sem precedentes pelo seu ritmo e pela sua regularidade. A partir de 1918 a Europa tomou consciência da fragilidade da sua civilização. capacidade de invenção e de organização) e igualmente por uma grande vontade política devido à longa tradição de intervenção estatal. alvo de cobiça. Depois conheceu grandes infortúnios. fragmentando a Europa danubiana. da formação. elevado nível de instrução. 16. os EUA ficam para lá do oceano). competência técnica. Factor 2 (Causas internas): A Europa também se ajudou a si mesma.2 Analise quais teriam sido as principais causas do dinamismo europeu a partir da década de 60. A Comunidade alargou-se com a entrada de novos parceiros e a união desenvolveu-se em duas outras linhas. Quinze anos depois do fim das hostilidades a Europa reencontra a prosperidade. criou uma zona de fragilidade. A Europa já não conta como potência militar e a sua segurança depende da protecção dos dois grandes (Pacto de Varsóvia/URSS e Aliança Atlântica/EUA). a ajuda provém dos EUA com o Plano Marshall. O impacto da ajuda trazida pelos EUA. 16 E A EUROPA? 16. Para além disso a Europa não está unida. 15 e encontrará grande parte dos conteúdos aqui apresentados. foi decisivo. XX. As consequências são piores após a Segunda Guerra: a Europa deixa de existir como potência já que os vencedores são exteriores ao continente (a GrãBretanha é insular e está mais próxima dos grandes espaços ultramarinos. Os dois conflitos mundiais foram essencialmente europeus. Desde 1948 que se afirma a vontade de trabalhar para a união no Congresso em Haia. a Rússia está entre a Europa e a Ásia.

um compromisso precário. A instâncias da Comunidade intervêm na legislação dos Estados (directivas de Bruxelas). Fermentos de divisão Os mesmos factores descritos tanto podem aproximar como criar antagonismos entre povos e continentes. As capitais do Leste voltaram-se para o Ocidente. que resultam do progresso técnico(revolução dos transportes. os gostos. O mundo económico já não constitui senão um conjunto único. O comunismo desmoronou-se. esta civilização deveria certamente muito às ideias que surgiram na Europa. Foi por isso que a Europa presidiu às tentativas de unificação do globo por meio da constituição dos impérios coloniais. Se o mundo tivesse de convergir para uma civilização comum. No decurso das últimas décadas a democracia parece mais firme. mas também permanentemente restaurado. os sistemas filosóficos. Quinze anos depois do fim das hostilidades. meios de comunicação e difusão da informação). 16. desde o Tratado de Roma (1957) até ao começo da verdadeira União Europeia. Nos anos sessenta passou a empreender. formalizada com o Tratado de Maastricht. As guerras em que o continente se dilacerou levaram-no a deixar de existir como potência. da investigação). A sua preponderância económica não era menos discutível. 4º Factores culturais: os costumes. Faça um resumo. Caíram os regimes ditatoriais. O futuro do mundo será. os modelos de organização política continuam a ser importados da Europa ou dos seus países que são seus herdeiros directos. a afirmação de que a Europa “é a chave para a inteligência do mundo contemporâneo” está correcta. Factores de unificação 1º Factores técnicos: Um conjunto de dados de ordem material. 3º Factores económicos: As economias nacionais e mesmo continentais são cada vez mais interdependentes. a investir. para já. A unificação monetária vigora desde 2002. a inovar. formulando a sua opinião.3 Identifique os factores de unidade. 2º Factores linguísticos: A difusão de algumas grandes línguas. os tempos livres tendem a uniformizar-se e. 5º Factores político-ideológicos: existência de um fundo de ideias comum.4 Comente.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 84 / 95 do ensino. como os EUA. pode ser menos forte economicamente. A Europa. embora sem a adesão. O milagre europeu foi fruto do trabalho e do engenho dos próprios europeus. profusão de invenções. a aproximar os homens. se do ponto de vista do autor. a Europa ocidental consegue uma recuperação espectacular e reencontra a prosperidade. é um factor de compreensão e de aproximação. bem como os possíveis fermentos de divisão do mundo de amanhã. um património comum de valores. Todos os anos o hiato entre os países mais desenvolvidos e os menos desenvolvidos tende a alargarse. constantemente posto em questão. O mesmo acontece com a interdependência das economias. evoluindo no sentido inverso ao da unificação do mundo As ideologias são também responsáveis por uma parte das guerras que dilaceram o mundo. suscitando novas divisões e a instabilidade dos regimes ou a violência crónica em alguns países. Foi da Europa que se partiu à descoberta dos outros continentes e não o contrário. O Acto Único (1993) unificou as trocas e a livre circulação de pessoas e bens. hoje. da totalidade dos membros. mas é uma fonte de cultura. As ideias. sobre a constituição e vicissitudes da Comunidade Económica Europeia. que marcou o apogeu do poder e da irradiação do continente europeu. Os vencedores são exteriores ao continente. que se tornaram universais. com o Euro. Esta era a sua situação no início deste século. 16. portanto. mais provavelmente. em grande parte inspirado no Ocidente. . A difusão linguística abriu caminho a uma profunda influência cultural. A Europa começa desenvolver uma acção comum em política externa e tenta falar a uma só voz.

Itália. pelo tratado de Roma é criada a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica. Não há preocupação com uma mística. cujos objectivos são a eliminação progressiva dos direitos alfandegários nas trocas entre os seis países membros. ainda. fortemente enraizado. Inglaterra e Irlanda. através de uma Política Agrícola Comum PAC). bastante medíocre. Parecem nunca afastar do nível puramente técnico. não há apenas um lado cor-de-rosa e tranquilizador sobre a União Europeia. XX assistiu à desagregação do mundo socialista. em 1973. Instituições Comunitárias: Conselhos de Ministros. a saber: Em 1950 é criada a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. assinatura do Tratado de Maastricht com o objectivo de criar uma verdadeira União Europeia. Neste momento estamos perante um problema económico de primeira linha e de valor capital e estratégico para Portugal. ao termo da guerra fria. Mas é conhecer mal os homens dar-lhes por único alimento estas sábias contas que fazem tão triste figura ao lado dos entusiasmos. elabore um comentário exprimindo a sua opinião sobre as perspectivas da sociedade contemporânea. Tribunal de Justiça. Em 1986. Existem muitas sombras e vazios que carecem de ser desvendados e explicados. ou seja. Poder-se-á edificar uma consciência colectiva europeia apenas com números? Não vai ela. para o séc. ultrapassá-los de modo imprevisível? É inquietante constatar que a Europa. Áustria. vem em último lugar na lista dos programas em execução. Suécia e Finlândia. FEDER e Fundo Social Europeu. Pensamos que a situação é difícil porque não encontramos sinais de urna economia em expansão. foi assinado o Acto Único Europeu com o objectivo de relançar a Europa Comunitária. ou então. para o mundo de amanhã. Dito de outro modo. Em 1957. pelo contrário. Alemanha Federal. Em 1992. que arrasta o mundo camponês (veja-se o caso de Portugal). A comunidade Europeia tem procurado desenvolver o Mercado Agrícola Comum. Comissão Europeia. Bélgica. Faça um balanço sobre a integração de Portugal na Comunidade Europeia. E ninguém há-de negar que elas são indispensáveis. será necessário dizer que essa parece ser urna das preocupações menores dos construtores da Europa. o problema da Agricultura. . modernizar e mecanizar de forma que o campo terá que passar a produzir mais com menor número de produtores. a Grécia. Holanda e Luxemburgo. Comité Económico e Social. O problema neste momento ou é de resignação. em 1986. ou com uma ideologia. Parlamento Europeu. Portugal e Espanha. neste momento. em 1981. XXI Perante esta questão ocorre-nos responder formulando outra pergunta à semelhança de Fernand Braudel: "De que é ainda capaz. falam apenas com espírito de cálculo. em 1994. As belas discussões sobre alfândegas. e entre outras coisas ao anúncio do fim das ideologias. um mundo admirável mas cuja produtividade é como os números indicam. Fundos mais conhecidos da Comunidade: FEOGA. ocorre-nos dizer que. a civilização europeia?" É. Com base nos textos e tendo em atenção que o Mundo na década de 90 do séc. sintonizado com as palavras de Fernand Braudel que respondemos à questão acima formulada. de forma que absorva a desafectação do mundo agrícola. das loucuras não destituídas de sabedoria que abalaram a Europa de outrora e de ontem. escapar-lhes. níveis de preços e produção. A política da PAC está a ter consequências irreversíveis de primeira linha. entraram a Dinamarca. de especialistas habituados ás notáveis especulações da economia dirigida e do planning. Países membros em 1957: eram a França.História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 85 / 95 Apresentamos alguns tópicos que poderão ajudar na elaboração do resumo sobre a União Europeia. ideal cultural a promover. a experiência ainda é curta e devemos ter alguma prudência ao pronunciar-nos sobre ela. No entanto. Quanto a esta actividade deixemos ao seu critério o desenvolvimento da resposta. tal como as mais generosas das suas reciprocas concessões.

de um dia para o outro. que nela actuam ainda profundamente. se ignorar todos os seus humanismos vivos. .História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias 86 / 95 ou com as águas falsamente calmas da revolução. a Europa nada será se não se apoiar nas velhas forças que a fizeram. Não tem opção: ou se apoia neles. Ora. eles dilaceram-na e afogam-na: A Europa dos povos. nem com as águas vivas da fé religiosa. fatalmente. belo programa: ainda a formular. ou. numa palavra.

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ABSOLUTISMO Sistema político no qual todos os poderes dependem da autoridade de uma só pessoa sem sofrer quaisquer restrições. Neste sentido, o poder é absoluto nos planos executivo e legislativo. O conceito não se pode dissociar da Igreja uma vez que segundo aquele é Deus que concede o direito de governar. O sistema foi utilizado na Europa nos sécs. XVII e XVIII. ACTO ÚNICO EUROPEU Reformas dos Tratados de Paris e de Roma assinada em 1986 pelos países membros da então CEE. Nele forma definidos alguns objectivos: a instituição (até 1993) de um mercado único que permitisse a livre circulação de mercadorias e pessoas; a cooperação tendente a uma harmonização a vários níveis entre os estados-membros; cooperação política , por forma a criar uma plataforma única de representação da Comunidade face a estudos e organizações internacionais. (v. União Europeia) APARTHEID Política de segregação racial do governo da África do Sul entre 1948 e 1994. Os não brancos não partilhavam os mesmos direitos de cidadania com a minoria branca. O termo também tem sido aplicado a outras formas de separação racial, noutras partes do mundo. ARISTOCRACIA Elite social ou sistema de poder político associado à posse de riqueza fundiária. As aristocracias estão ligadas à monarquia com a qual entram geralmente em conflito no que respeita a direitos e privilégios. Na Europa do séc. XIX, o seu suporte económico ficou debilitado devido inflação e à queda dos preços dos bens agrícolas, conduzindo à sua destituição como força política a partir de 1914. BLOQUEIO DE BERLIM Bloqueio imposto pelas forças soviéticas entre Junho de 1948 e Maio de 1949, que consistiu no fecho da entrada dos sectores ocidentais de Berlim. Tratou-se de uma tentativa de impedir os outros aliados (EUA, França e Grã-Bretanha) de unificarem a parte ocidental da Alemanha. BURGUESIA Designação aplicada à classe social colocada acima dos operários e camponeses e abaixo da nobreza. No contexto doutrinário social-marxista o termo foi aplicado a todas as classes possidentes como forma de as distinguir do proletariado. CARTA ATLÂNTICA Acordo no respeito dos povos à autodeterminação e liberdade estabelecido entre os EUA e a Inglaterra (1941). CARTA DAS NAÇÕES UNIDAS Assinada em 1942 por 40 países, em que se acordou, por um lado, o empenhamento na guerra e, por outro, a assinatura conjunta do tratado de paz. CAUDILHISMO O termo caudilho é de origem espanhola e é sinónimo de líder. Foi utilizado em relação aos ditadores que surgiram durante o movimento de independência da América Latina (1808-26).

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CLASSE Conjunto de pessoas e grupos considerados como uma unidade social na escala hierárquica da sociedade COLEGIALIDADE Conjunto de indivíduos que pertencem a um círculo eleitoral em que todos têm igual dignidade COLONIALISMO Processo dinâmico que consiste no estabelecimento de práticas políticas e socioculturais de uma sociedade (metrópole) militar, economicamente dominante e com interesse em perpetuar a dependência, e a diferença entre uma e outra num território habitado por povos e culturas dominados (colónia). COMUNISMO Socialismo revolucionário baseado nas teorias dos filósofos políticos Marx e Engels, acentuando a propriedade comum dos meios de produção e uma economia planificada. Politicamente procura derrubar o capitalismo através da revolução do proletariado. O primeiro país comunista foi a URSS depois da Revolução de 1917. Como ideologia de um estadonação sobrevive na China, em Cuba, na Coreia do Norte, em Laos e no Vietname. CONFERÊNCIA DE POTSDAM Conferência realizada em Potsdam, Alemanha, em 1945 com os representantes dos EUA, da Inglaterra e da URSS. Aí decidiram enviar um ultimato ao Japão exigindo a sua rendição incondicional e estabeleceram-se os princípios político-económicos que iriam regulamentar o tratamento da Alemanha após o termo do segundo conflito mundial. DEMOCRACIA Sistema de governação em que o poder é exercido pelo povo através de representantes eleitos por sufrágio universal. A democracia desenvolveu-se a partir das revoluções francesa e americana DEMOCRACIA LIBERAL O termo passou a ser usado para distinguir as democracias ocidentais de outros sistemas políticos que se dizem democráticos. Os conceitos subjacentes são o direito a um governo representativo e o direito à liberdade individual. As principais características são a existência de mais do que um partido, processo de governo e de debate político abertos e separação de poderes. DEMOLIBERALISMO No séc. XX, a democracia e o liberalismo e as concepções políticas que traduzem acabaram por se fundir nesta designação própria do discurso político contemporâneo. O demoliberalismo combina princípios de ambos os conceitos e afirma-se como uma síntese. Retoma do liberalismo a ideia da liberdade, da tripartição do poder e da afirmação do estado de direito e o respeito pelos direitos individuais dos cidadãos. Por outro lado, é sensível ao problema da igualdade social, a favor do sufrágio universal e do alargamento das liberdades a todos os cidadãos. Uma das suas batalhas tem sido a educação, a base para formar cidadãos mais conscientes. DESCOLONIZAÇÃO De uma concessão gradual após a I Guerra Mundial passou a um processo intensificado na sequência da Segunda Guerra Mundial, caracterizado pela autodeterminação das colónias relativamente às metrópoles, constituindo-se como estados independentes.

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DESPOTISMO Forma de poder absoluto e arbitrário exercido por um déspota ou autocrata cuja vontade não é controlada pela lei ou pelas instituições políticas. DÉTENTE Diminuição da tensão política e descontracção das relações tensas entre nações (v.g. o fim da Guerra Fria, 1989). O termo foi usado pela primeira vez na década de 1970, para descrever o diminuir da tensão entre o Leste e o Ocidente, sob a forma de acordos comerciais e intercâmbios culturais. DIREITOS FEUDAIS Prestações em serviços ou impostos lançadas sobre os colonos pelo senhor em razão da sua superioridade sócioeconómica. O senhor tanto podia ser um nobre ou um clérigo. DITADURA MILITAR Tipo de governo em que o executivo, aqui com autoridade absoluta, absorve ou dispensa o poder legislativo. ERA MEIJI Reinado do imperador japonês Mutso-Hito (1867-1912) que se caracterizou pelo derrube do xogunato bem como pela construção de um estado moderno, mais centralizado e ocidentalizado. ESTADO-NAÇÃO Comunidade politicamente organizada, com poderes soberanos sobre um dado território. Um Estado pode englobar diferentes nações, entendendo-se por nação o conjunto de indivíduos identificados por origem, língua e cultura comuns. Na ordem internacional, o Estado é entendido como um sujeito soberano de direito internacional. ESTALINISMO Comunismo totalitário baseado nos métodos políticos de Estaline. O poder encontra-se exclusivamente nas mãos do Partido Comunista, organizado segundo linhas rígidas hierárquicas. O líder é propagandeado como sendo o pai da Nação, altruísta e benevolente. A política económica é baseada na industrialização e na colectivização da agricultura. O debate e oposição são implacavelmente reprimidos pela polícia secreta. FAIR DEAL Política de melhoria das condições sociais advogada pelo presidente dos EUA, Harry Truman, entre 1945-53. FASCISMO Sistema político e social introduzido em 1919 por Mussolini em Itália e seguido pela Alemanha de Hitler em 1933, caracterizado pelo estabelecimento de uma ditadura totalitária e repressiva das liberdades individuais e colectivas, bem como pela promoção do culto ao chefe, do nacionalismo, do corporativismo e do imperialismo, que atraiu as classes trabalhadoras mediante o uso de meios de comunicação e da demagogia. Também preparava os cidadãos para a mobilização económica e psicológica para a guerra. O fascismo foi essencialmente um produto da crise económica e social dos anos que se seguiram à Grande Guerra. FEUDALISMO Sistema medieval de ordenamento social, político e económico, tipificado pela instituição do feudo, factor divisível da propriedade e das obrigações recíprocas entre suseranos e vassalos. O feudalismo foi reforçado por um sistema legal complexo e apoiado pela Igreja. Gradualmente veio a dar lugar ao sistema de classes como forma dominante de estratificação

História da Idade Contemporânea Conceitos e Noções 90 / 95 social. e com a construção do centralismo democrático. a abolição dos privilégios de classe. a corrida ao armamento e a conquista do espaço até à competição aos níveis científico. LIBERALISMO Doutrina político e social que advoga o governo representativo. O termo foi utilizado pelo ditador Estaline para definir . Nov. XIII. MARXISMO Doutrina económica e social desenvolvida por Marx que assenta na teoria política da revolução operária. Veio no seguimento da Perestroika. As manifestações de guerra fria foram diversas. O fundamentalismo islâmico insiste na observância rígida da lei muçulmana da Charya. GLASNOST Política de liberalização da sociedade da URSS implementada em 1986 por Gorbatchev. XVII a XIX. devido às revoltas dos camponeses e ao crescimento da economia financeira. por exemplo. desde o conflito verbal e diplomático. FUNDAMENTALISMO Designa em religião a defesa incondicional dos princípios básicos ou dos artigos de fé. GUERRA FRIA Expressão criada para caracterizar o estado de tensão entre os EUA e a URSS a seguir à Segunda Guerra Mundial. a liberdade de imprensa. tecnológico e desportivo e à criação de estruturas político-militares antagónicas. O liberalismo desenvolveu-se entre os sécs. FEUDO Propriedade ou domínio territorial concedida pelo suserano ao vassalo sob condição de vassalagem e obrigatoriedade de prestação de tributo e assistência militar existente desde o séc. relacionadas. O fim da guerra fria foi oficialmente declarado na Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (Paris. Entre os aspectos resultantes desta política encontrava-se uma maior liberdade de expressão e informação e uma maior abertura nas relações com os países ocidentais. em particular. em oposição ao aprofundamento de uma democracia de base (sovietes). O fundamentalismo cristão surgiu no EUA. da instalação da ditadura do proletariado como etapa de transição para uma sociedade sem classes e sem Estado – o comunismo. 1990) IMPERIALISMO Sistema político que preconiza o domínio de um governo para além das suas fronteiras. clima que se estendeu posteriormente aos aliados destes dois países até 1990. Pode ser exercido por meio de governo directo ou através do controlo dos mercados dos bens e matérias-primas. dada a relativa fragilidade da classe operária. XX o seu ideário modificou-se com a aceitação do sufrágio universal e uma certa intervenção do Estado na economia. o envolvimento em conflitos regionais. com o peso que na revolução teve o campesinato. a utilização dos recursos do Estado para protecção do bem-estar do indivíduo e o comércio livre internacional. com comércio e industria. logo a seguir à Grande Guerra como reacção ao modernismo teológico. XI até ao fim da Idade Média. XX. No início do séc. MARXISMO-LENINISMO Teoria e programa de acção introduzido por Lenine que consistiu em adaptar o marxismo às circunstâncias históricas da Rússia dos princípios do séc. O sistema declinou a partir do séc. de expressão e de credo religioso.

Hungria e Sudetas tivessem adquirido maior importância. contra um ou mais países-membros. assinada por 51 países. ONU Veio no seguimento da Sociedade das Nações. Baseada no nacionalismo e no racismo. no qual se estipulou que «um ataque armado na Europa ou na América do Norte.). Estimulados pela Revolução Francesa. NEW DEAL Conjunto de reformas sócio-económicas empreendidas. O nazismo opunhase ao marxismo e o liberalismo. A NATO é composta por forças militares de todos os países membros e sob a doutrina de que a agressão a um era considerada uma agressão geral.. fascismo) NAZISMO Ideologia do Partido Nacional-Socialista Alemão. os movimentos nacionalistas tornaram-se um factor importante na política europeia do séc. UNESCO. A sua organização compreende: Conselho de Segurança. Objectivos: assegurar a paz no mundo. Conselho de Tutela. XIX. para superar os efeitos da Grande Depressão de 1929 e que traduziram pela intervenção do Estado na banca e no crédito. proclamadas pela Revolução Francesa. procurar resolver conflitos pela via do diálogo. greves. segurança e cooperação internacional fundada em 1945 na Conferência de São Francisco. baseado no sistema de partido único. bem como às ideias de individualismo e universalidade. será considerado um ataque contra todos eles» Formada em 1949 com o objectivo de constituir uma defesa colectiva dos principais países da Europa Ocidental e dos EUA contra a possível ameaça da URSS. desenvolver económica e socialmente as nações. a partir de 1933 por Roosevelt. liderado por Hitler de 1921-41. criar um Estado ou libertá-lo do domínio estrangeiro (eventualmente imperialista). manifestações. exalta a supremacia da raça ariana e do Estado sobre o indivíduo. proteger os direitos do Homem no mundo inteiro.. 1930) NACIONAL-SOCIALISMO Nome oficial para o movimento ideológico e político do nazismo na Alemanha (v. Preconizava um Estado totalitário. OMS. . Secretariado. Conselho Económico e Social e Organismos especializados (FMI. Associação de países para a paz. o nacionalismo pode produzir sistemas e regimes políticos perigosos (Alemanha nazi. Tribunal Internacional de Justiça. Com a vitória dos aliados o partido foi banido da Alemanha e os seus elementos condenados no Tribunal de Nuremberga. OTAN/NATO Teve por base o Tratado do Atlântico Norte. imprensa e a criação de partidos operários) iniciadas no princípio do séc. pela desvalorização do dólar. Durante a década de 1930 as ideias nazis espalharam-se na Europa tendo levado à formação de partidos semelhantes embora só os da Áustria. com a adopção da carta das Nações Unidas. XIX como reacção más duras condições de trabalho. colaborando na ocupação alemã da Europa (1939-45). NACIONALISMO Movimento político que procura de forma consciente unificar uma nação. Levado ao extremo. Assembleia Geral. reajustamento entre o nível salarial e os preços. incentivo à produção e execução de grandes obras do Estado como forma de combater o desemprego.História da Idade Contemporânea Conceitos e Noções 91 / 95 as suas próprias opiniões como a posição ortodoxa do marxismo (padrão de medida da pureza ideológica) MOVIMENTO OPERÁRIO Expressão que designa as movimentações operárias (criação de associações e sindicatos.

Foi fundado em 1900 em Londres. que inclui as antigas repúblicas soviéticas e cujo objectivo é a edificação de uma maior segurança na Europa. Os sindicatos preocupam-se particularmente com salários. controlar a inflação e equilibrar a balança de pagamentos (aplicação das teorias de Keynes) POPULISMO Sistema político que defende e promove a influência do elemento popular. condições de trabalho. PERESTROIKA Movimento de reestruturação levado a cabo por Mikhail Gorbatchev em 1985 que procurava modernizar e adaptar aos novos tempos o Estado soviético (com a abertura da economia através da privatização de sectores económicos e da promoção da iniciativa individual) para além de pretender reestruturar o comunismo a partir do seu interior. PAN-AFRICANISMO Movimento anti-colonial que acredita na unidade inata entre todos os africanos negros e entre os seus descendentes noutros continentes. segurança e despedimentos. como resposta à NATO. promovendo e defendendo os interesses dos sócios.g. governo paramilitar da família Duvalier do Haiti – 1957-86) ORDEM Posição. Itália. PLANO MARSHALL Favorecimento de ajuda económica à Europa Ocidental pelo presidente democrata (1945-53) dos EUA Harry Truman. Grã-Bretanha. Veio posteriormente a conduzir ao desmembramento do bloco de Leste. O apoio ao movimento foi estimulado pela invasão da Etiópia pela Itália em 1933. . defendendo a existência de uma África unida. REPÚBLICA Forma de governo em que o chefe de Estado é eleito pelos cidadãos ou seus representantes tendo o exercício do cargo duração limitada SINDICALISMO Organização de trabalhadores cujo objectivo é a regulamentação das relações entre as entidades patronais e os trabalhadores que representam. PACTO DE VARSÓVIA O bloco socialista. O Estado deveria garantir o pleno emprego. estabelecendo cooperação militar entre os países comunistas da Europa de Leste sob o comando da URSS e cujos princípios eram idênticos aos da NATO. como forma de impedir o avanço do socialismo. formou em 1955 o Pacto de Varsóvia. classe ou categoria a que pertencem as pessoas ou coisas num conjunto racionalmente organizado ou hierarquizado. Alemanha Ocidental. Tem sido parcialmente integrado em movimentos mais alargados do Terceiro Mundo. Holanda e Bélgica. Foi seguida da política de liberalização da sociedade a Glasnost.História da Idade Contemporânea Conceitos e Noções 92 / 95 Depois do desmantelamento do Pacto de Varsóvia (19991) foi estabelecido no âmbito da NATO o Conselho de Cooperação do Atlântico Norte. e que visava propiciar um desenvolvimento acelerado nos países mais favorecidos por este investimento: França. Foi dissolvido em 1991 juntamente com a URSS. denegando valor ou sentido crítico às classes mais sofisticadas. OLIGARQUIA Forma de governo em que o poder está na mão de poucas pessoas ou de poucas famílias(v.

com o objectivo de estabelecer uma sociedade sem classes. SUSERANIA Domínio de um senhor com vastos recursos económicos. Foi dissolvida em 1946 e deu lugar à ONU. habitualmente também designados como Países do Sul. SOCIEDADE DAS NAÇÕES Fundada em 1917 na Conferência de Paz de Paris com o objectivo de promover a paz. após 1933. Esta corrente continua. XIX e é. caracterizado pelo facto de os cidadãos participarem nos processos eleitorais sem qualquer distinção. ou a reunificação do antigo império) TOTALITARISMO Surgiu como reacção ao liberalismo do séc. o terceiro seria o Anschluss. SUFRÁGIO UNIVERSAL Sistema de votação adoptado progressivamente pelas democracias desde os finais do séc. O seu sentido e uso vulgarizou-se a partir do Tratado de Vestfália (1648) coma divisão da Europa em Estados independentes (e de fronteiras precisas) e com o fim da supremacia do Papa. Foi assinada por 63 países que se comprometeram a preservar a integridade territorial de todos e a submeter as disputas internacionais a esta organização.História da Idade Contemporânea Conceitos e Noções 93 / 95 SOBERANIA O poder que o Estado tem de fazer leis e impô-las colectivamente. TERCEIRO REICH Termo criado nos anos 20 e utilizado pelos nazis para designar a Alemanha durante os anos de ditadura de Hitler. XIX. Neste sentido. sociais e políticos de cujos vassalos dependem. América Latina e Sueste Asiático. nas ideias socialistas e na democracia parlamentar. SOCIALISMO Ideologia surgida no séc. SOBERANIA NACIONAL Autoridade absoluta de um Estado dentro do seu território. actualmente. na sua origem. em simultâneo. uma corrente político-ideológica reformista que estava representada na II Internacional. que se situam sobretudo na África. XIX e entende o Estado como valor absoluto ao qual se devem subordinar todos os indivíduos. constituída em 1889 que agrupava todas as organizações que se reviam. que reúne as diversas correntes e sensibilidades do socialismo democrático. agrupada em torno da Internacional Socialista. diferenciando governante de governados. logo que atingem a maioridade. TERCEIRO MUNDO Expressão que designa o conjunto de países que apresentam características de subdesenvolvimento ou que se encontram em vias de desenvolvimento. o totalitarismo conduz à . A Sociedade das Nações viu a sua actividade bloqueada pelas rivalidades internacionais e pela necessidade de unanimidade nos processos de tomada de decisão. A ideia de Terceiro Reich baseou-se a existência de dois impérios alemães anteriores (Sacro-império romano-germânico. outros que rendem homenagens ou pagam tributo. distribuição e troca pela propriedade colectiva. XIX como reacção às injustiças e desigualdades sociais. do período medieval. substituindo a propriedade privada dos meios de produção. a Confederação Germânica depois do Congresso de Viena. SOCIAL-DEMOCRACIA Corrente ideológica dos finais do séc.

Entre os objectivos do tratado contam-se: o fortalecimento das economias dos Estados-membros. uma maior união entre os povos europeus. As questões cobertas pelo tratado incluem o processo de tomada de decisão da UE e o estabelecimento de uma cooperação mais estreita na política externa e militar. TRATADO DE MAASTRICHT Entrou em vigor em 1nov1993. O objectivo dos seus fundadores era a construção de uma Europa unida por meios pacíficos. Bélgica. criando condições propícias ao crescimento económico. Espanha. que possui instituições e uma estrutura decisória próprias. Holanda e Luxemburgo. França e Itália –a Europa dos Seis) e é através dele que se funda a CEE. é uma organização intergovernamental constituída por quinze Estados europeus (Alemanha. Irlanda. Finlândia. Grécia. RFAlemanha. TRATADO DE ROMA Data de 1957. Áustria. Reino Unido e Suécia). TRIPLA ENTENTE Aliança entre a Inglaterra. TRATADO DE VERSALHES Tratado assinado em 1919 entre os países aliados para pôr fim à I Guerra Mundial declarando a Alemanha responsável pelo conflito e condenando-a apagar indemnizações. Luxemburgo. foi assinado por seis países europeus (Bélgica. e à repressão de quaisquer ideologias que se oponham. Dinamarca. uma política externa e de segurança comum. Em 1911 tornou-se uma aliança militar e serviu de base para a conjugação de poderes contra as potências centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) durante a I Guerra Mundial UNIÃO EUROPEIA Conhecida até 1993 como CE. sustentada por uma elite social esclarecida que governa. data a partir da qual a CE passou a ser designada por UE. à coesão social entre as diversas populações europeias e uma maior integração política entre os governos dos seus estados-membros FIM . França.História da Idade Contemporânea Conceitos e Noções 94 / 95 existência de uma orientação política e ideológica única. Ficaram assim abolidas tarifas e barreiras alfandegárias entre os membros. Países Baixos. incluindo uma moeda única estável. Portugal. Itália. de modo a ser estabelecida uma união económica e monetária. a França e a Rússia entre 1907 e 1917. a livre circulação de pessoas.

História da Idade Contemporânea Introdução à História do Nosso Tempo – IV Parte: O século XX: De 1914 aos nossos dias .

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