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Elementos de Retórica (1999) por Radamés Manosso © Copyright 1999 Radamés Manosso Versão para RocketEdition eBooksBrasil.com

Considerações iniciais O escopo da Retórica O mito do discurso básico O elenco dos recursos retóricos Taxonomias de recursos retóricos Sentido próprio e sentido figurado Retórica e Estilística Retórica e Teoria de Informação CATEGORIAS Comunicabilidade Legibilidade Acessibilidade Processabilidade Atratividade Quantidade de informação Conotação Sentido imediato Sentido preferencial Propriedade Estilo Concisão Ênfase Atenuação e agravamento Anomalia Sociabilidade Definição Sofística Dualidades do discurso Taxonomias RECURSOS RETÓRICOS Alegoria Editoriais Elipse Entoativos e gestuais Iconia Ironia Metáfora Metaplasmos Metonímia Ordem Ortográficos Oxímoro Repetição Rima Segmentação Título Trocadilho Outros recursos Qualidades notáteis

MIMÉTICA Elementos da narrativa Fábula Tempo Foco Ponto de vista Continuidade Descrição A narrativa noticiosa e a literária Formas narrativas Recursos retóricos em narração RETÓRICAS NOTÁVEIS Da Monografia Da Influência Do Jornalismo Da Oratória Da Literatura BIBLIOGRAFIA Recursos na Internet .

Por que só na segunda metade do século XX surgiram novas contribuições notáveis à Retórica? Afinal. Em terceiro. Mesmo as tentativas atuais de revitaliza-la padecem deste mal. literário. . Não se disse tudo que há para dizer e muito do que foi dito merece reparos. Digo que isto é válido quando o conhecimento anterior tem alguma premissa refutável que abala suas fundações.A renovação da Retórica É surpreendente a Retórica ter surgido pujante há mais de dois mil anos. Mas há outros modos de progresso do conhecimento. Em segundo. mas extende-la até os seus limites naturais. Moral e Estética sempre contaminaram a Retórica. Há o progresso por generalização. Então por que tantos séculos sem evolução significativa? Em especial. etc. não não é o caso da Retórica. ou a mero apêndice da estética literária. desbravamento. o progresso por expurgo e também por desbravamento. o que há de errado com a Retórica? Ela não é matéria digna de atenção? Algum preconceito esmagador paira sobre ela? A Retórica estará intrinsecamente impedida de alcançar o estatuto de ciência? Há quem diga que a evolução do conhecimento se dá por saltos qualitativos. expurgo. Primeiro generaliza-la. Um fato é certo: a Retórica não está completa. nascidas no mesmo berço já atingiram o estatuto de ciência moderna. com certeza a Retórica ganhará novo alento. Nem todos os limites da Retórica foram demarcados. numa época de parcos recursos de análise. Feitas as correções de rota necessárias. passando pelo jornalístico. o que me parece. É por estas vias que julgo possível um avanço do conhecimento retórico. Há o que ainda não foi abordado. De tudo que na Retórica venha de postulação estética ou moral e de tendências para a normatividade. Não limita-la à oratória da persuasão e do debate.. o que inclui abordar desde o bate-papo no bar da esquina até o discurso filosófico mais denso. por ruptura. considerando que matérias como a Lógica e a Lingüistica. mesmo sendo objeto de furiosa exegese e matéria de estudo das melhores cabeças por séculos. Mais surpreendente é a hibernação milenar em que a Retórica ingressou após seu período áureo. didático. que nem de longe se comparam aos que dispomos hoje.

Radamés Manosso .

E quando mudarem os objetivos do jornalismo mudará sua Retórica. etc. diferenciado. publicitários. oratórios. com a Psicologia. A especificidade nem sempre leva a eficácia. A Retórica não estipula estes objetivos. Existe um outro modo de entender a Retórica. inespecífico. além de categorias relacionadas a isto. A técnica é componente decisivo para o sucesso. Eles devem estar colocados anteriormente para que haja possibilidade de fazer Retórica. é bom lembrar que nenhuma arte prescinde do talento. A Delimitação do campo Delimitar o campo da Retórica requer se embrenhar numa selva de senões. O esforço aqui foi no sentido de restringi-lo para que não se tenha a impressão que a Retórica é . Há matéria situada em terra de ninguém. outra jornalística. não como estudo.. mas insuficiente sem a excelência trazida pelo talento. se é eficaz.O escopo da Retórica A Retórica se ocupa dos meios formais que tornam a comunicação específica e/ou eficaz. com a Lógica. Uma premissa básica permeará todo nosso trabalho: Não existe um discurso geral. um fim. se o que se faz é decodificar. sua eficácia. é específico. se o que se faz é codificar. uma arte do discurso eficaz. Agora. didáticos. sem estilo. Há matéria fazendo interface com a Lingüística. senão geralmente. Há matéria em litígio quanto a posse. sua funcionalidade. apropriada por não haver quem a reinvindique. um discurso básico. Podendo ser vista como arte. com a Teoria Literária. e de dispositivos de análise que permitam ver o que ele tem de específico. É um conhecimento sobre tais categorias. de modo que não basta munir-se da melhor técnica para produzir o melhor discurso. que é particularizado. poréns e todavias e o resultado a pouco leva. Para que a comunicação seja eficaz supõe-se que vise a objetivos. Existe o discurso para um uso. mas uma Retórica literária. e publicitária. mas como arte. uma função. pois. suas características. Assim. A Retórica neste sentido não é uma arte do bem discursar. argumentativa.. Idem para os demais discursos. pode ocorrer que em dado contexto a eficácia repouse justamente no discursar mal. etc. sua excelência. com a Sociologia. um receituário do discursar para qualquer circunstância. peculiar. argumentativos. com a Estilística da língua. literários. Por vezes a especificidade não é a adequada. tais como regras de uso ou supressão e formas construtivas. sem peculiaridades. não há uma Retórica geral. como conhecimento. oratória. Existem discursos jornalísticos. A Retórica como estudo é a busca do conhecimento dos meios formais que tornam possível a moldagem do discurso à necessidade visada.

dos juízos estéticos. sejam quais forem. do moralismo e do compromisso com estilísticas.uma matéria inter disciplinar. Tem de ser tudo isso e um pouco mais e precisa se precaver a todo custo da tentação da normatividade. E fica-se por isto que mais é discussão ociosa. . ou um conhecimento a serviço exclusivo da literatura. Para saber o que se entende por Retórica aqui. A Retórica não deve se limitar a ser apenas um conhecimento sobre os recursos de Retórica. ou sobre a arte da persuasão. basta folhear por alto as páginas do livro. ou sobre a arte da eloqüência.

sem iconia. Inespecífica é a linguagem. que dentro de certas balizas se amolda aos objetivos a que se destina. Novamente o distinguido do vulgar pelo uso ou não de formas fixas. da nobreza. Concebia-se que existia um discurso baixo. massa plástica informe e potencial. de um discurso inespecífico. O mito nasce a partir de duas atitudes. de um modo normal de discursar. os recursos de Retórica ocorrem no discurso elevado e no baixo. chama-se de falta de estilo não usar certas formas. Assim o discurso básico geralmente é apresentado como aquele que não tem o bom estilo porque não usa as formas essenciais ao bom estilo. ali da atenuação ou agravamento. Este grau zero seria o antípoda literário. sem estilo. Já o discurso é particularização. A índole aristocrática da Retórica Antiga nunca permitiu a seus seguidores enxergar que o discurso plebeu é igualmente bem ornamentado. A segunda é a crença que se pode distinguir o elevado do baixo. Os recursos de Retórica não são o ornamento. são algo no mínimo muito exótico e raro. Também . primário. o literário do não-literário. lá estão os recursos de Retórica exercendo as mais diversas funções. de um grau zero da escritura. são a própria matéria prima da forma.O mito do discurso básico Existe o mito de um discurso de referência. A primeira consiste em chamar de estilo o que se julga o bom estilo e sua falta o que se julga o mau estilo. São pau para toda obra. Modernamente surgiu o conceito de grau zero da escritura. tese que tem como premissa a existência do discurso nu. sem elipse. que é a presença dos ornamentos que garante a beleza e a nobreza. Aqui a serviço da economia. sem alegoria. identificado do discurso Novamente belo sendo Figuras de ornamentação Existe também uma idéia batida que os recursos de Retórica existem para ornamentar o discurso. Discursos sem metáfora. Óbvio. desprovido de Retórica. o discurso baixo era próprio da plebe e o elevado. o belo do vulgar. enquanto objeto de estética. sem Retórica. de um jeito natural. se ornamentado. Servem inclusive para ornamentar. Para piorar dizem que este discurso cru é baixo e/ou feio. e não é pela sua presença que se funda essencialmente a beleza e a nobreza. atualização de uma potencialidade. Num discurso assim seria impossível germinar literatura. se existem. acolá da ênfase. sem ornamentação. proximamente do discurso científico. pois. no belo e no feio. unicamente a partir do uso ou não desta ou aquela forma sem atentar para sua excelência. sem as figuras de ornamentação e um discurso elevado. Mesmo nos discursos onde a preocupação com a forma é secundária. Foi assim na Retórica Antiga. de uma linguagem essencialmente não-literária. sem hipérbato.

A presença de Retórica deve ser lida como uso abundante de tropos. Os recursos de Retórica não são meros ornamentos do discurso. sem elipse. São básicos e não opcionais ou supérfluos. cuja principal virtude é a clareza. A ausência de Retórica do discurso claro deve ser lida como ausência de tropos. Considerar que o uso de tropos é essencial ao poético. se associa o discurso claro ao discurso científico. há uma tradição de conceber a existência de um discurso desprovido de Retórica. São a própria carne da forma. Os preconceitos embutidos nesta tradição podem ser resumidos no seguinte: Considerar que o uso de tropos sempre prejudica a clareza. Já o discurso figurado. e de um discurso impregnado de Retórica. a obscuridade. Linguagem racional e linguagem da paixão Seguindo a mesma linha da tese do discurso básico. cuja virtude é a opulência. . sem metonímia. É impensável uma linguagem sem metáfora. é associado ao poético. Seria de um pedantismo insuportável. a plurissignificação. ao discurso de pretensão racional. ao literário.existem os discursos de alto valor estético mas pobres em recursos de Retórica. Implicita ou explicitamente. Esta pesada herança clássica que impregnou a Retórica de moralismo e Estética precisa ser superada para que a Retórica entre em uma nova fase. Considerar que o uso de tropos é característica essencial do discurso emotivo. em alguns casos.

alusão. sinédoque. silepse. por exemplo. A tradição pressiona neste sentido. epíforas e etc. zeugma. epanalepses. antimetábole. Todorov e Grupo Nü obtemos um elenco comum formado por: alegoria. A formação de um elenco de recursos retóricos Pela disparidade que existe entre as ocorrências a que se pode chamar recurso.. Cruzando. metonímia. por exemplo. Relevância é questão subjetiva. ironia. Não se dá o contrário: definir recurso retórico para depois gerar o elenco. busca-se uma definição que enquadre todas as ocorrências elencadas.O elenco dos recursos retóricos As definições compreensivas para recurso retórico são feitas sempre tentando se adequar a um elenco sub-entendido de ocorrências. antanáclase. limitações podem ser propostas. com repetição. não podem ser considerados recursos. Mesmo assim. por exemplo. epânodos. comparação. atenuação e agravamento. há várias formas capazes de atenuar ou agravar. Por exemplo: pode-se dizer que a metáfora tem relevância indiscutível para citação. por causa disso as listas de recursos retóricos costumam ser diferentes entre si. Isto indica que embora haja divergências acerca da definição compreensiva de recurso retórico há certo consenso sobre quais sejam os recursos retóricos mais relevantes. hipérbato. primeiro para ser citado. pensar em recurso retórico sem pensar em metáfora. Pode-se atenuar com metonímias. etc. como foi feito na retórica tradicional que criou epanadiploses. epanáforas. elipse.. com elipses. . metáfora. litotes. as citações de Tavares. A segunda: relevância. Com isto. Se os elencos de recursos citados por cada autor são diversos entre si isto não se deve tanto à variação da definição compreensiva de recurso retórico autor a autor. pois. Nos diversos tratados de Retórica notáveis temos diferentes entendimentos do que seja recurso retórico. o que torna difícil. Um recurso deve ter relevância. em segundo para ser distingüido quando é caso particular de uma classe que também pode ser entendida como recurso retórico. Não são muitos os casos em que a relevância é unanimamente aceita. Do mesmo modo a repetição. Em parte. epanástrofes. Já é discutível a relevância de se relacionar todos os casos particulares da repetição. pleonasmo. ou seja. Estabelecido o elenco de ocorrências. hipérbole. sua caracterização será sempre uma tarefa indelegável do entendimento. há acordo sobre a definição extensiva do conceito. Algumas importantes: A primeira limitação: o recurso tem que ser uma forma e não característica de formas. Não há algoritmo para caracterizar recursos retóricos. Apesar disso. mas à relevância que o autor atribui a cada recurso em particular. desses tratados é possível obter um elenco comum de recursos.

. Não deve ser estabelecida a partir de postulação estética e moral.A terceira: a relevância tem que ser estabelecida a partir da utilidade do recurso para especificar e dar eficácia ao discurso no seu uso.

da antanáclase.Taxonomias de recursos retóricos A abundância de recursos retóricos é característica da maioria dos tratados de Retórica. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metalogismo de supressão-adjunção. Tomamos a classificação dada por Hênio Tavares como sendo a tradicional. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. A comparação para Tavares é figura de pensamento. houve tradicionalmente. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é um metalogismo de adjunção. considerável dispêndio de esforço para classifica-los. Em alguns casos este dispêndio drenou toda a atenção dos retóricos e o que deveria ser uma prática acessória tornou-se no escopo principal da Retórica. inclusive este. A alusão para Tavares é figura de pensamento. Provavelmente em função desta abundância e da disparidade entre os recursos retóricos. Para fins de análise consideremos três classificações notáveis: a tradicional. O pleonasmo para Tavares é figura de construção. Analisemos os casos da alusão. para Todorov é figura semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. A de Todorov e do Grupo Nü são classificações matriciais. A antanáclase para Tavares é figura de construção. O traço comum das três classificações é o estabelecimento de uma analogia entre Retórica e Lingüística. a de Todorov e a do Grupo Nü . O quadro abaixo mostra como cada classificação faz a correspondência dos recursos com categorias lingüísticas: . Os problemas com este critério são de consistência. o que é visível pelo quadro de correspondências que segue: A relevância e a pertinência da analogia Lingüística/Retórica parece inegável. da comparação e do pleonasmo.

Todorov o considera semântico e o Grupo Nü. Tradicionalmente. Quando ocorre como redundância o pleonasmo se manifesta no nível semântico. Em resumo. é um recurso de sintaxe. Quando ocorre como repetição de mensagem o pleonasmo se manifesta no nível supra-sintático. Então por que a divergência? O problema está na inconsistência do critério. logo. Tavares está certo. Quando ocorre como repetição o pleonasmo se manifesta no nível sintático. Todorov está certo. logo. o pleonasmo. cabe em qualquer uma das três classes e o critério da analogia com a lingüística não é consistente.O exemplo do pleonasmo é o mais eloqüente. . O conceito designado por 'pleonasmo' é o mesmo nas três classificações. logo. supra sintático. o Grupo Nü está certo.

Alguns autores o julgam. 'primeiro'? Pela lógica da Retórica tradicional. etc. Ele carrega uma conotação positiva. vemos conotações de valor sendo atribuídas a categorias retóricas a partir de considerações totalmente externas à Retórica. com os mesmos argumentos. mas nem sempre.'. na acepção tradicional não é próprio ao contexto. O sentido próprio é o mesmo do enunciado: 'parte do vegetal que gera a semente'. sempre corresponde ao que definimos aqui como sentido imediato do enunciado. como sendo o sentido preferencial. não. pois. sentido 'primeiro'. 'primeiro' é o sentido figurado. Não há muito o que criticar na adoção dos conceitos de sentido próprio e figurado. Se o sentido figurado é o 'verdadeiro' para o enunciado. O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a metáfora. apesar da imparcialidade típica e necessária ao conhecimento científico. afinal. em algumas teorias modernas. primeiro. ela abre um caminho de abordagem do fenômeno da metáfora. Assim. além disso. é verdade. Ainda hoje. mulher bela. o sentido figurado está impregnado de uma conotação desfavorável. logo. Invertendo a perspectiva. O sentido figurado é o mesmo de 'Maria. Um exemplo: o retórico que tenha . A Retória tradicional é impregnada de moralismo e estetização e até a geração de categorias se ressente disso. é natural. O sentido próprio. Geralmente os exemplos de tais ocorrências são metáforas. em 'Maria é uma flor' diz-se que 'flor' tem um sentido próprio e um sentido figurado. cuja índole era hierarquizante. que ocorre esporadicamente. e que em leitura imediata leva à mesma mensagem que se obtém pela decifração da metáfora. pois. Tradicionalmente o sentido próprio carrega uma conotação de sentido 'natural'. o que comumente ocorre. o que se extende até hoje. O que é criticável é a atribuição de status diferenciado para cada uma das categorias. esta inversão de perspectiva não é possível. sempre buscando uma estrutura piramidal para o conhecimento. O sentido tradicionalmente dito próprio. por que não chama-lo de 'natural'. mas ao termo. O sentido figurado é visto como anormal.Sentido próprio e sentido figurado Há uma tradição de afirmar que certas ocorrências de discurso possuem sentido próprio e sentido figurado. O conceito do sentido próprio nasce do mito da existência da leitura ingênua. O sentido próprio. poderíamos afirmar que 'natural'. mas nunca mais que esporadicamente. é o sentido figurado que possibilita a correta interpretação do enunciado e não o sentido próprio. Esta tendência para atribuir status às categorias é uma constante do pensamento antigo.

o que lhe interessa é pôr os recursos retóricos a serviço de sua concepção estética. pois. originalidade.para si a convição que a qualidade de qualquer discurso se fundamenta na sua novidade. tenderá a descrever os recursos retóricos como 'desvios da normalidade'. . imprevisibilidade.

sendo esta a diferença básica para com o discurso racional. o discurso enxuto. Na história da Retórica. como obte-la.Retórica e Estilística A Retórica se ocupa daquilo que torna o discurso específico e de como esta especificidade contribui para a eficácia. A Retórica é um instrumento. Os retóricos antigos entendiam que dois discursos sobre o mesmo tema. enfim.. pela exuberância. as estilísticas gozam de má fama entre alguns. contenção. Desatentos. É preciso avaliar a normatividade de forma conseqüente. enfim. Também ocorreu de se confundir fatos de estilo com fatos de Retórica. Novamente uma característica de estilo é generalizada indevidamente em lei retórica. Por serem normativas. Neste sentido nem a Retórica. pois ela não é em essência ruim ou boa. por exemplo. inclusive. Quando se escrevia nos tratados de Retórica que o discurso deve ter um exórdio. Daí julgavam que os recursos retóricos eram sempre próprios para as finalidades ornamentais do estilo bizantino e só para elas. A confusão entre fatos de estilo e fatos retóricos levou alguns retóricos a dizer que os recursos retóricos eram próprios à linguagem da paixão. onde o lógico é substituido pelo analógico. uma partição. estes retóricos não percebiam que o estilo ático também é rico em recursos retóricos. definia-se um estilo.. É . já que nem todos diferenciam uma de outras. Já a Estilística. estava-se a definir estilo. nem a Estilística definem estilos. das estilísticas. um epílogo. um discurso barroco. harmonioso. constantemente os retóricos se ocuparam de estabelecer estilos. elevado. se ocupa das especificidades típicas. racionalidade. Mas é a estilística que estabelece se a concisão é desejável no discurso. porém. Isso compete às estilísticas. enquanto área de conhecimento. uma argumentação. O estilo ático era entendido como aquele que prima pela concisão. Baseavam-se para isto na constatação que o discurso produzido em condições emocionais tensas costuma ser rico em tropos. A Retórica diz. que efeitos dela se tira. etc. Normatividade e Retórica A Retórica não existe para baixar normas sobre como deve ser o discurso. o que se estende à Retórica. etc. o que é concisão. Quando se dizia que o discurso deve ser claro. O estilo bizantino era entendido como aquele que prima pela opulência. O equívoco se explica a partir da dicotomia que se praticava na Retórica Antiga entre o estilo ático e o bizantino. Este tipo de confusão levou a equívocos como o de considerar os recursos retóricos como 'figuras de ornamentação'. um em estilo ático e outro em estilo bizantino se diferenciavam basicamente pelo uso exacerbado de recursos retóricos no de estilo bizantino.

certo que temos exemplos em que ela descambou para o dogmatismo e produziu efeitos desastrosos. sístoles. Para facilitar esta tarefa virtuosista criaram as licenças poéticas: encadeamentos. inversões sintáticas bruscas. que é um discurso escrito a muitas mãos não teria unidade sem o seu Manual de Estilo. O poema tinha de ser rimado. metrificado. Mas nem toda normatividade é maligna. ritmado segundo formas fixas. palavras supérfluas para completar metro. Citemos como exemplo as regras de versificação dos parnasianos. etc. para não macular um aspecto da forma criava-se licenças de efeito até cômico que deterioravam a forma em outro aspecto. O jornal. diástoles. Quer dizer. ..

Desde que foi criada houve inúmeras tentativas de transplantar suas conclusões para outras áreas do conhecimento para as quais ela não havia sido concebida. que divergem consideravalmente do sentido comum destes termos. Em princípio. As línguas naturais são redundantes. que é o princípio da entropia. Uma mensagem previsível não traz informação nenhuma. é redução das probabilidades de escolha. Informação é a redução da previsibilidade. Analisemos esses sentidos específicos: O conceito de informação na Teoria da Informação Informação nesta teoria é vista como quantidade de significante após tradução para um código otimizado. É o caminho inverso da tendência natural para a desorganização.Retórica e Teoria de Informação A Teoria da Informação foi desenvolvida num ambiente de engenharia para a solução de problemas técnicos de telecomunicações relativos a transmissão de informação. Antes disso são traduzidas . redundância. maior seu valor informativo. porém. Surgiram afirmações absurdas e cômicas. A maioria dos transplantes. Informação é a organização do caos. isto interressa à Retórica. A Teoria da Informação considera que as mensagens não são transmitidas na sua forma original. Absurdos como os enumerados acima resultam do desconhecimento do sentido específico que os conceitos informação. Se uma língua natural tem redundância de 55% pode-se excluir ao acaso 55% de suas unidades significativas sem perda do conteúdo. Quanto maior a taxa de novidade de uma mensagem. o mais economicamente possível. Alguns exemplos: Quanto mais raro um termo. simplesmente porque eram citadas como resultados da Teoria da Informação. que ganharam status de ciência. A preocupação da Teoria da Informação é transmitir informação. pois foram o resultado de uma assimilação mal digerida dos conceitos que a Teoria da Informação usa. A Teoria da Informação quer quantificar o significante consumido em cada mensagem. Então a pergunta: no que a Teoria da Informação pode contribuir para o desenvolvimento da Retórica? Talvez possamos responder analisando o que aconteceu em outras áreas. mais informativo. ruído possuem na Teoria da Informação. resultou em rejeição pelo paciente.

quer dizer. mais bits. numa estatística do discurso todos ocorrem o mesmo número de vezes. por ocorrerem pouco não prejudicarão a economia da transmissão. Partindo dos conceitos que utilizamos neste livro podemos dizer que um código com redundância de 55% é abundante. grosso modo. No código real cada signo tem uma probabilidade diferente dos demais para ocorrer no discurso. para ser transmitidos. quer-se dizer que na linguagem artificial de transmissão eles são representados por números binários mais extensos. O código ideal é de economia máxima. pois. Não quer dizer que eles sejam mais informativos quando se entende informação como significado. O conceito de redundância é uma comparação entre o código real e o código ideal no tocante ao aspecto de economia de meios de transmissão. aos signos originais mais comuns se atribui um número binário de menos dígitos. Ruído para a Teoria da Informação Na Teoria da Informação ruído é a diferença entre a quantidade de informação . Isso é natural para se economizar tempo de transmissão. pois os signos mais comuns ocorrem mais. Já os raros.para uma linguagem artificial otimizada onde cada signo do código original é associado a um número binário. Aos signos mais raros se atribui os números binários com mais dígitos. Se forem representados por números binários de menos dígitos ocuparão menos tempo de transmissão. Nesta tradução. que são representados por números binários mais extensos. Redundância para a Teoria da Informação A Teoria da Informação compara os códigos reais com um código ideal. Quando se diz que um código tem redundância de 55% segundo a Teoria da Informação isso quer dizer que seu desempenho no tocante a economia de transmissão é apenas 45% do máximo teórico que só se alcança com um código ideal. que teria as características perfeitas para a economia de transmissão. Quando se diz na Teoria da Informação que signos raros são mais informativos. Mas não se pode dizer que é possível eliminar 55% de seus signos sem perder sentido. O código real terá uma eficiência avaliada por um percentual em relação ao código ideal. Isto não tem absolutamente nada a ver com a eficiência dos signos raros na comunicação humana. que possui mais elementos que os necessários à realização econômica dos discursos. A diferença de eficiência entre o código real e o ideal é o que se chama de redundância do código. é o número de dígitos binários que uma mensagem consome para ser transmitida na forma traduzida para uma linguagem binária otimizada. No código ideal suposto pela Teoria da Informação os signos são equiprováveis. Informação para a Teoria de Informação. e consomem mais informação. abundância não é redundância.

emitida e a recebida. Isto corresponde a uma quantificação do que entendemos por ruído supressivo neste livro. .

Ficaram de fora os recursos retóricos e categorias da Mimética que tem espaço próprio em outras áreas. da publicidade. muitas questões modernas já estavam presentes nas discussões do período clássico. Mas olhando bem. velhos temas Com a explosão dos meios de comunicação de massa. do ensino. . Nesta área. abordamos inúmeras categorias diretamente relacionadas à Retórica.Novo enfoque. a Retórica ganhou novos campos em que atuar.

Código É o sistema que possibilita a construção de discursos formado por uma gramática e um léxico. a atualização das potencialidades do código que veicula a mensagem. onde a mensagem é transferida integral. Gramática É o conjunto de regras pelas quais se relacionam os signos do léxico e com as quais se constroem os discursos. correta. .A Transmissão correta implica em identidade entre a mensagem mentada pelo emissor e pelo receptor. Contexto É a situação que circunda o ato comunicativo. Elementos da comunicação Emissor Ou fonte. o significado que se deseja transferir. que porta a mensagem.Comunicabilidade Comunicabilidade é a qualidade do ato comunicativo otimizado. esforços de decifração e compreensão. A economia supõe que não são necessários retornos. Léxico Ou repertório é o conjunto de signos que pertencem ao código. Signo É a exterioridade convencionalmente portadora de significado.A rapidez supõe que se pratica o ato pela via mais curta. Receptor Ou destinatário é aquele a quem se destina a mensagem. rápida e economicamente. Mensagem É o conteúdo. deformantes ou concorrentes. Discurso É a exteriorização. ou remetente é o portador da mensagem a ser transferida. É um símbolo de seu significado. Pode-se falar numa comunicabilidade de código e de discurso. Domínio Ou background ou competência é a parte do código que receptor/emissor domina.A transmissão integral supõe ausência de ruídos supressivos.

Decodificação É a passagem do discurso interiorizado à mensagem. Recepção É o ato da interiorização do discurso pelo receptor. Sintonia É a preservação da atenção mútua entre emissor e receptor durante a transmissão da mensagem. Contato É o estabelecimento da atenção mútua entre emissor e receptor. Ruído É uma ocorrência externa ao ato comunicativo que surge na fase da transmissão ou recepção e que leva à perda total ou parcial da mensagem e/ou sua deformação.Codificação É o ato de concepção do discurso. Emissão É a realização. a atualização. Estocagem . É concorrente se disputa com o discurso a atenção do receptor. Decifração É o reconhecimento do signo enquanto tal e de suas funções gramaticais no discurso. O tradutor é um emissor mas não um codificador primário. É formado por decifração e compreensão. É supressivo se elimina o discurso em parte ou totalmente. O ruído pode ser deformante. a exteriorização do discurso. Um tradutor recebe a mensagem. recodifica-a num novo código e novo discurso e o emite dando continuidade a transmissão. Tradução Surge eventualmente durante a transmissão. decodifica. É deformante se altera o discurso e conseqüentemente a mensagem. concorrente ou supressivo. Canal Ou meio é o suporte físico da transmissão do discurso. Transmissão É a jornada do discurso da emissão à recepção. Compreensão É a extração da mensagem a partir do discurso decifrado.

Intercala-se eventualmente na transmissão. É o caso do discurso escrito em que a recepção pode se dar muito depois da emissão. Danos à comunicabilidade ocorrem em todas as etapas do processo comunicativo, da codificação à compreensão. O dano ocorrido em uma etapa pode ter sido gerado em outra. O tipo de dano causado pode ser: Supressão total ou parcial da mensagem no processo. Deformação da mensagem. Perda de produtividade (velocidade menor, esforço maior.) A comunicabilidade pode ser dividida em partes: Pronunciabilidade: Qualidade do ato comunicativo oral otimizado para a elocução. É interesse típico do radialista, por exemplo. Audibilidade: Qualidade do ato comunicativo oral otimizado para a audição. Também interessa ao rádio. Legibilidade: qualidade do ato comunicativo escrito otimizado para a leitura. É típica questão para editores e jornalistas. Processabilidade: qualidade do ato comunicativo otimizado para o processamento, para a compreensão. É típicamente do interesse da didática, do ensaio, por exemplo. Acessibilidade: qualidade do ato comunicativo escrito otimizado para a leitura seletiva.

Fatores que prejudicam a comunicabilidade

Legibilidade
A leitura é um ato de percepção, tradução, decifração e compreensão. Percepção de signos visuais, de uma ordem espacial, da diagramação. Tradução, pois, na leitura se opera a permuta de um código visual para um código lingüístico. Decifração porque envolve reconhecer o signo enquanto tal. Compreensão porque, decifrado o signo é preciso extrair dele a mensagem. Legibilidade é a qualidade do ato comunicativo otimizado para a produtividade da leitura.

Qualificação do leitor
Consideremos dois casos extremos de leitor. Um que chamaremos qualificado, outro, o desqualificado. O leitor qualificado tem alta inteligência verbal, alta competência gramatical e lexical, está habituado a leituras, enquanto lê sua atenção pouco se volta para a decifração. Tem método e disciplina ao ler. O leitor desqualificado tem pouca inteligência verbal, pouco domínio do léxico e da gramática, pouca experiência de leituras e maus hábitos ao ler. Assim, quando falamos em legibilidade convém citar de que nível de leitor tratamos. Um texto ilegível ao leitor desqualificado pode não o ser ao qualificado.

Tipos de leitura
Decifratória/automática A decifratória é aquela em que a atenção e o esforço do leitor se dissipa principalmente na decifração. É típica dos que estão se familiarizando com o código como os que estão se alfabetisando e os que aprendem uma segunda língua. Não ocorre só entre leitores desqualificados. Fatores externos ao ato da leitura podem tornar o texto ilegível criando dificuldades mesmo para o leitor qualificado. A leitura silábica é o caso extremo da leitura decifratória. A leitura automática é aquela em que se dissipa mínimo esforço consciente na decifração. Supõe leitor qualificado e texto otimizado para a leitura. Vocal/mental A leitura vocal pode ir da sua forma mais apurada, a recitação com esmeros de entoação ao murmúrio entre dentes. A leitura mental pode reproduzir no nível mental uma recitação a plena voz ou se afastar disso rumo a uma leitura mais rápida que foge da entoação. Fonológica/ideogrâmica

com boa compreensão. O automatismo melhora com o treinamento .A leitura fonológica. frase. tendência à réplica. linha a linha. Ambientais: iluminação. Na leitura seletiva há interesses prévios estabelecidos. palavras chave. motivação. ou visual. o signo visual que é grafemático. Começando com os inerentes ao ato: Fatores que influenciam a produtividade da leitura Fisiológicos: acuidade visual. É a região mais nítida do campo visual. Integral/seletiva Integral é a que se dá palavra por palavra. Considera-se que a leitura ideogrâmica é típica do leitor qualificado. Primeiro porque não se perde tempo com a decifração consciente. É assunto para experimentação determinar a possibilidade de leituras integralmente visuais. Leitura produtiva Leitura produtiva é rápida. a partir de signos grafemáticos. O signo visual é convertido em fonema. leitura seletiva Zona nítida corresponde à região do campo visual captada pela fóvea do olho. Psicológicos: atenção. estado emocional. palavra. Só localizados os elementos de interesse é que o leitor passa para uma leitura linha a linha. preconceitos. bloqueios psicológicos. é captado como signo visual remetendo ao significado sem a passagem pelo linguístico. dispensa releituras. egocentrismo. Intelectuais: divagação. Para isto acontecer há fatores relacionados ao ato de ler e fatores externos a ele. Estes leitores obtém velocidades de leitura maior. Depois porque a atenção não se dissipa diante da lentidão da entrada de signos. atitude crítica. em especial. A seletiva inicia com uma busca prévia de elementos de interesse. envolve a tradução de um código visual para um código acústico. Um maior automatismo aumenta a velocidade da leitura. Na leitura ideogrâmica a tendência é de velocidades de leitura maiores. mentalização. Na leitura ideogrâmica. Relata-se que certos leitores conseguem enquadrar mais grafemas na zona nítida por fixação dos olhos que outros. automatismo. Metodológicos: abrangência da zona nítida. conforto. bem pequena em relação ao campo total da visão. que a pratica associada com a fonológica tendendo mais para uma ou para outra dependendo da situação. leitura visual. praticada tanto verbal como mentalmente. ausência de ruídos. Se eles chegam a isto pelo treinamento ou pela natureza da visão que possuem é matéria para a fisiologia da visão.

com a conseqüente perda de compreensão envolvida. Em princípio a interiorização de um signo visual é mais rápida que o tempo para a elocução da palavra que o designa. por exemplo. não se fecha em si. está atento. sem bloqueio psicológico contra a leitura em si ou ao assunto do texto. Quando sacrificar a produtividade Nem sempre a leitura mais rápida é a ideal. Um romance policial. sua leitura é automática. óbvio. A leitura seletiva é mais rápida que a integral. seja melhor liberar a divagação.e com a competência linguística. ou seja. aqueles em que há desproporção entre medidas ortogonais entre si. quando o leitor é qualificado para o nível do texto. Desde que se aceite uma pela outra. Para certos textos sugestivos talvez. Adornos que escondem o traço básico do grafema. tranqüilo. Outros textos devem ser lidos com visão crítica nem que isto signifique interromper a leitura em vários pontos. motivado. É de se cogitar se depende de fatores como a inteligência verbal ou outras aptidões pessoais. (camuflagem) Tipos bojudos. sem tendência à réplica. não tem preconceito contra a leitura em si ou ao assunto do texto. A leitura visual não será ideal para textos dramáticos e poéticos onde a máxima fruição se dá quando são recitados e a leitura recria toda uma entoação. abstraindo tudo que na entoação reduz a velocidade. não divaga. controla o ímpeto à crítica. tende para o visual. Legibilidade de edição A legibilidade de edição envolve fatores externos ao ato de ler que otimizam a produtividade da leitura no nível gráfico. a abrangência da zona nítida é máxima. Outros textos são melhor fruídos com leitura integral. ou seja. só é lúdico se lido página a página e não apenas no ponto em que se desvenda a identidade do criminoso. mentalizada. Tipos esguios. A leitura mentalizada tende a ser mais veloz que a vocal porque nela é possível ignorar apuros de entoação. Casos de má legibilidade de edição Ligados à decifração Mistura de padrões de letras. A leitura visual é mais rápida que a fonológica. aqueles em que a área dos vazados e das reentrâncias é mínima em relacão à área do tipo. é seletiva. a leitura seletiva é mais produtiva. sua acuidade visual é boa. A leitura mais produtiva ocorre quando os fatores externos que influem no ato de ler estão otimizados. .

(camuflagem) Sequências de letras com padrões semelhantes. Siglas que não podem ser lidas como palavras. Fundo carregado de informação. (estilização) Suprimir contornos da letra (camuflagem) Baixa resolução. (camuflagem) Abreviaturas. oblíquas. Escrita vertical. . Alteração do traço básico do grafema.Tipos de traço fino. Corpo da letra carregado de informação. onduladas. Letras amontoadas e/ou encostadas. Números altos em notação decimal. Palavra que não cabe dentro da zona nítida da visão. Ligados à recepção: Tamanho reduzido dos grafemas. da frase. Letras afastadas. Letras desalinhadas. da palavra da locução. Terminar a linha no meio da sílaba. Linhas inclinadas. Baixo contraste de cor entre letra e fundo (camuflagem). Variações de tamanho das letras na linha. Falta de alinhamento na margem esquerda.

cujas funções equivalem às do título num texto convencional.Acessibilidade A acessibilidade é a qualidade do texto otimizado para a leitura seletiva. possível no texto informatizado permite a movimentação rápida pelas partes do texto que são nomeadas por variáveis de glossário. Medidas para melhorar a acessibilidade: Máxima segmentação do texto. . Hiper-texto. Ordem entre as partes. O hiper-texto. A informação deve ter uma parte do discurso a ela dedicada e só uma parte. Uso de títulos esclarecedores. Unidade temática das partes. que facilita o acesso à informação.

aumentam a dificuldade: definições. remissões. Frases parentéticas. Desconexidade entre as partes: uma lista caótica é mais difícil de memorizar que uma lista de ítens interrelacionados. mais fácil o discurso. . sua competência linguística. Complexidade crescente: reduz a dificuldade. Na sua qualificação computa-se sua inteligência verbal. Abundância de elipses. sua atenção difusa. O que torna um discurso difícil? Há duas esferas a considerar: a da forma e a do conteúdo. Dificuldades de competência: Abundância de raridades de léxico e sintáticas. Aspectos da processabilidade relacionados com o significado: Familiaridade: A familiaridade com o significado diminui a dificuldade. sua memória imediata. Densidade de novidade: menor taxa de novidade. Background progressivo: reduz a dificuldade. Na esfera formal: Dificuldades de processamento: Frases longas. Distanciamento entre termos sintáticos dependentes. Abundância de recursos de semântica aberta. Frases subordinadas. classificações.Processabilidade Um discurso difícil é aquele que só se afigura como de boa comunicabilidade ao receptor qualificado. Categorias que silogismos. Abstração aumenta a dificuldade.

Para discursos que são recebidos em condições tipicamente distensas como é o caso da leitura de uma revista de atualidades é preciso ter em mente que o receptor nessas situações tem uma inércia considerável. um cartaz de rua. do leitor que abre um livro de seu interesse para estudo ou lazer. Num caso a iniciativa da busca do contato é do receptor. É o caso. a capitular. quer dizer. o parágrafo. A tradição criou convenções editoriais que funcionam como pontos de entrada. o subtítulo. O ponto de entrada deve ser acessível. tais como. talvez passe despercebida. Alta informação camufla a diferenciação. Daí a necessidade de captar a atenção e o interesse desse leitor. em especial. por exemplo. Para o ponto de entrada é indispensável diferenciação das demais partes do texto. sem concentração ou objetivo de leitura estabelecido. Uma diferenciação tipográfica de dez por cento no tamanho.Atratividade Atratividade é a qualidade do discurso otimizado para estimular o travamento de contato com o receptor e na seqüência a manutenção da sintonia. sua resistência a discursos cuja assimilação envolva esforço mental é grande. O cartaz de rua é o tipo do texto que necessita de boa atratividade para surtir o seu efeito comunicativo. . O jornalismo sabe bem que é por aí que o leitor começa qualquer leitura. Se não for perceptível não surte efeito. Noutro extremo temos o texto que o leitor não está propenso antecipadamente a ler. por exemplo. A diferenciação tem de ser pronunciada o suficiente para ser percebida. um objeto heterogêneo entre outros homogêneos. em função de seu interesse particular. como por exemplo. ao contrário de uma diferenciação em que o tamanho do diferenciado dobre. a legenda.A diferenciação fica mais visível em ambiente de baixa informação. e que pelas suas características é por ela que o receptor inicia o contato com o discurso. Pontos de Entrada Um ponto de entrada é uma parte do discurso que se diferencia das demais. Há dois caso extremos de postura do receptor com relação ao discurso emitido. A melhoria da atratividade envolve o uso de recursos formais ou de conteúdo. Para tornar o texto atraente é preciso levar em consideração que quando o leitor não está predisposto à leitura o contato inicial com o texto é feito por atenção difusa. o título. diferenciado e ter o potencial de atrair a atenção do leitor para ser a primeira parte do texto a ser lida. Diferenciação O que é diferenciado tende a atrair a atenção.

Baixa legibilidade afugenta. O centro de atenção da página é uma região localizada um pouco acima do centro geométrico da página identificada como o ponto onde se posiciona a zona nítida da visão ao travar o primeiro contato com a página. iconias. por si. O leitor começa ler pela tipografia No centro de atenção da página. Nas páginas iniciais de um livro. etc.. etc. É a solução clássica. antes que a atenção seja drenada para outro ponto de interesse. produtiva. etc. Numa linha diagonal que começa no canto superior esquerdo e termina no canto inferior direito da página.Direção preferencial de leitura Sabe-se que a atenção do leitor é um pouco maior: Nas páginas ímpares. Fora desta faixa diagonal tem-se as chamadas zonas mortas. Os mais usados: trocadilhos. Indiferenciação afugenta. Recursos de Retórica. maior. citações. Fatores de conteúdo que melhoram a atratividade Introdução direta do tema: Quando o tema.. O uso de recursos de Retórica nos pontos de entrada do discurso podem melhorar a atratividade. tipografia pouco diferenciada. é atraente pode-se apresenta-lo no ponto de entrada do discurso. revistas. Despertar a curiosidade pelo suspense: Esta solução envolve respeitar as regras para o sucesso do efeito do suspense. Fatores formais que influenciam na atratividade Discurso longo afugenta o receptor. O exemplo ilustrativo: . Com tipografia relativamente maior. Texto passível de leitura numa só acomodação visual da retina tem maiores chances de leitura. paráfrases. Exemplos: Escrita vertical. equilibrada. Acessibilidade atrai.. Falta de segmentação afugenta. texto camuflado.

dramático.Um caso típico. Proximidade ao receptor. . Matéria de interesse humano. notável que ilustre o tema atrairá a atenção para o tema se colocado no ponto de entrada do discurso. Possibilidade de envolvimento do receptor. Possibilidade de empatia com o receptor. Novidade. Aspectos atraentes do conteúdo. Destacando no ponto de entrada uma ou mais das seguintes Propriedades do tema: Raridade. o exótico. O curioso. Atualidade. pitoresco. o pitoresco.

sintático. fonológico. É necessário resolver questões como: Enquanto significado a informação é segmentável ou ao menos mensurável? Há como definir uma unidade de informação significativa? Tomemos como exemplo um caso mais simples: a lista telefônica. repertório e estocagem. As unidades de informação devem ser consideradas de mesma extensão. quantidade de informação é o número de unidades presentes no discurso. No lingüístico. ocupam um mesmo espaço de estocagem e um mesmo tempo para transmissão. que ocupa espaço de estocagem e tempo de transmissão. gráfico. Unidade de informação Para o discurso lingüístico. pela frase. Conforme a escolha que se faz para a unidade de informação pode haver diferenças de extensão entre uma unidade e outra no mesmo repertório. O problema é a escolha da categoria para servir de unidade. pode-se optar pelo fonema. Suponhamos que a unidade mínima de significação de uma lista telefônica sejam os dados . quer dizer. Escolhida a categoria para unidade de informação temos em cada código um conjunto de unidades de informação que chamamos repertório. informação é discurso tomado como coisa. por exemplo. Quantidade de informação Escolhida uma categoria para unidade de informação.Quantidade de informação Há dois modos de entender a informação: como significante e como significado. que é composto por unidades discretas nos seus diversos níveis. unidade de informação é definida a partir da escolha arbitrária de uma categoria num dos níveis e cujos eventuais segmentos menores que a formam não tem a característica comum do nível e de qualquer segmento superior. se a palavra é escolhida como categoria para unidade de informação é porque não pode ser segmentada em unidades menores a que se possa atribuir características de palavra. Esta consideração é apenas metodológica. morfológico. Como significante é o modo que adota a Teoria da Informação. Assim. Entendida como significante. pelo morfema. A escolha está ligada a fatores como economia de transmissão. como objetividade que veicula mensagem. Informação enquanto significado A quantificação da informação enquanto significado enfrenta vários impasses. pela palavra. pelo sintagma.

De modo semelhante poderíamos estipular como unidade de significação da enciclopédia o verbete. E as informações nele contidas são relevantes? A maioria dos discursos. Normalmente. Neste caso a quantidade de informação contida numa lista telefônica será o número de usuários cadastrados. Assim a quantidade de informação de uma enciclopédia seria seu número de verbetes. eles é que serão considerados unidade de informação. o redundante. seu endereço e seu número de telefone. Como definir a unidade de informação significativa num romance? numa reportagem? num ensaio? A escolha da unidade mínima significativa é condicionada por fatores como o grau de síntese que se considera adequado. De modo análogo. Mas um verbete pode ter extensão muito maior que outro. o sobejamente conhecido. Pode-se distinguir a informação significativa pela relevância. . o dispersivo. excluídas as redundantes. No exemplo da lista telefônica poderíamos definir densidade como a razão entre o número de usuários cadastrados e o número de grafemas da lista. o trivial. Densidade de informação significativa É a razão entre a quantidade de informação significativa. densidade de informação significativa relevante é a razão entre esta quantidade de informação significativa relevante e a quantidade de informação significante. o supérfluo. de detalhes pode ser considerada uma unidade de significação se os detalhes não são considerados relevantes.cadastrais do usuário: seu nome. A densidade é uma função da escolha das unidades de informação significativa e significante. e a quantidade de informação enquanto significante. não oferece uma solução viável e inequívoca para a quantificação da informação significativa como a lista telefônica. Uma descrição minuciosa. do relevante se exclui o óbvio. Se forem.

tipos de discurso. Conotação é a resposta a perguntas como: é de uso geral ou restrito a contextos. situações. são execradas pela comunidade conservadora é porque a comunidade não aceita o grupo que as pratica e não por execração à gíria em si. impressões a ela se aderem em função de suas características de uso? . épocas. Exemplo: o chulo. Os termos que são marca de um grupo ficam impregnados das impressões e opiniões que a comunidade reserva ao grupo. grupos. Mas cada emissor agrega à palavra que o designa diferentes impressões e opiniões.. Os dois termos apontam para o mesmo referente mas aparecem nos discursos em distribuição complementar. Palavras ligadas a dados contextos A palavra só é adequada ou tolerável em dadas situações. via de regra. Isso se deve a impressões e opiniões agregadas a cada termo acerca do referente. uma época. A palavra é típica de um grupo. regionalismos. ou seja. Vejamos algumas ocorrências relacionadas à conotação. de significado único e preciso. Termos referencialmente sinônimos mas não efetivamente sinônimos Um exemplo: 'música sertaneja' e 'música caipira'. Para contextos formais existem equivalentes próprios. Conceito de conotação As classes de palavras acima citadas tem características de uso próprias em função de opiniões e impressões a ela aderidas. seja dos usuários em relação ao referente que elas simbolizam ou dos usuários em relação ao subgrupo de usuários que as praticam. nos contextos em que se usa um não se usa outro. Os termos considerados chulos só costumam aparecer em contextos informais. Para um historiador o burguês é o morador do burgo que capitalizado desencadeia a revolução industrial. ocasiões. um estilo Exemplos: gírias. Este perfil é a conotação da palavra. Para um marxista o burguês é o explorador da sociedade. pois nestes contextos eles são tolerados. uma região. Para um adepto da contracultura o burguês é o símbolo da decadência da sociedade de consumo. Isso se deve à conotação. Caso se use 'música sertaneja' subentende-se uma música de boa qualidade. Quando se usa 'música caipira' fica subentendido que se julga tal música de má qualidade.Conotação Nem toda palavra é neutra. para dado grupo? Que juízos. de baixa índole. Se as gírias. receptor a receptor Exemplo: a palavra 'burguês'. etc. Palavras com referente mutável contexto a contexto. O referente é o mesmo para todos os emissores. de uso geral. jargões. regiões? Que sentido ela assume em dado contexto.

própria da poesia. etc. por alguns até pedante. sensação no receptor de uma inadequação. Conotação de categorias de língua Partindo de alguns exemplos do português: A segunda pessoa de tratamento no português é considerada rara. Pelos exemplos. se conclui que as categorias da língua também são conotadas. de que algo está errado no discurso. .. A ênclise dos pronomes átonos é considerada formalíssima. tem um perfil de uso adequado. A voz passiva é evitada no jornalismo atual. arcaica. formal.Toda vez que uma palavra conotada é usada em situação fora de seu perfil típico de uso o resultado é estranhamento.

Sentido imediato
Sentido imediato é aquele que resulta de uma leitura imediata, que com certas reservas poderia ser chamada de leitura ingênua ou leitura de máquina de ler. Uma leitura imediata é aquela em que se supõe a existência de uma série de premissas que restringem a decodificação tais como: As frases seguem modelos completos de oração da língua. O discurso é lógico. Se a forma usada no discurso é a mesma usada para estabelecer identidades lógicas ou atribuições, então, tem-se uma identidade lógica e atribuição respectivamente. Os significados são os encontrados no dicionário. Existe concordância entre termos sintáticos. Abstrai-se a conotação. Supõe-se que não há anomalias lingüísticas. Abstrai-se o gestual, o entoativo e o editorial enquanto modificadores do lingüístico. Supõe-se pertinência ao contexto. Abstrai-se iconias. Abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.. Não se concebe locuções, frases feitas. Supõe-se que o uso do discurso é comunicativo. Abstrai-se o uso expressivo, cerimonial. Admitindo as premissas acima o discurso fica indecifrável, ininteligível ou compreendido parcialmente toda vez que nele surjam elipses, metáforas, metonímias, oxímoros, ironias, alegorias, anomalias, etc.. Também passam desapercebidas as conotações, as iconias, os modificadores gestuais, entoativos, editoriais, etc.. Não existe o leitor absolutamente ingênuo, que se comporte como uma máquina de ler, o que faz do conceito de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. O que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de uma leitura imediata, como quando alguém toma o sentido literal pelo figurado, quando não se capta uma ironia, ou fica-se perplexo diante de um oxímoro. Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de grau zero da escritura, identificando-a como uma forma mais primitiva de expressão. Este grau zero não tem realidade, é um pressuposto. Os recursos de Retórica são anteriores a ele.

Sentido preferencial
Para compreender o sentido preferencial é preciso conceber o enunciado descontextualizado ou em contexto de dicionário. Quando um enunciado é relizado em contexto muito rarefeito, como é o contexto em que se encontra uma palavra no dicionário dizemos que ela está descontextualizada. Nesta situação o sentido preferencial é o que na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, o sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser o mesmo para outro. Por isso a definição tem de considerar o resultado médio, o que não impede que pela necessidade momentânea consideremos o significado preferencial para dado indivíduo. Algumas regularidades podem ser observadas nos significados preferenciais. Por exemplo: o sentido preferencial de 'porco' costuma ser: 'animal criado em granja para abate, etc.', e não o de 'indivíduo sem higiene'. Em outras palavras, o sentido que admite leitura imediata se impõe sobre o que teve origem em processos metafóricos, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos o seguinte exemplo: 'Um caminhão de cimento'. O sentido preferencial para a frase dada é o mesmo de 'caminhão carregado com cimento' e não o de 'caminhão construído com cimento'. Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o que vai contra a tese muito propalada que o sentido 'figurado' não é o ' primeiro significado da palavra'. Também é comum o sentido mais usado se impor sobre o mais raro. Para certos termos é difícil estabelecer o sentido preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial de 'manga'? O de 'fruto' ou 'parte da roupa'?

Propriedade
Propriedade é a característica do discurso ou do termo cujo significado é totalmente adequado para o contexto em que se aplica. No significado considere-se também a conotação. A impropriedade altera a mensagem.Causa dano. Há impropriedades sutis e outras em que o dano é considerável. Há impropriedades típicas em todos os idiomas. Os manuais de gramática normativa estão sempre advertindo contra elas. No português, como exemplo, é tradicional a impropriedade que consiste em usar 'inflação' no lugar de 'infração', ou 'flagrante' no lugar de 'fragrante'. Nestes exemplos a confusão resulta da semelhança fonológica entre os termos trocados. A impropriedade fica constatada pela inadequação da mensagem ao contexto ou pela incoerência da mensagem resultante. Para sanar o dano causado pela impropriedade é preciso haver alguma previsibilidade de correção. No caso das impropriedades tradicionais a previsibilidade deriva da própria tipicidade da ocorrência.

Propriedade total
O discurso com propriedade total é um sonho que naufraga diante de problemas como: Noções novas que ainda não tem o signo próprio. Noções que admitem matizes na caracterização. Exemplos abundantes temos na filosofia onde muitas noções são questão de litígio quanto à definição, logo, para cada matiz da noção seria necessário um signo próprio. Signos conotados tornam-se impróprios em contextos culturais novos ou diferenciados dos típicos. Para solucionar problemas de propriedade pode-se usar soluções como: Criar neologismos. Fazer uso ressalvado. Definir o termo antes de usa-lo quando ele não tem o perfil desejado, para que não seja confundido com outras possibilidades de significação. Estas definições ora ampliam, ora reduzem, ora modificam o espectro comum de significação. Uso de tropos. Um tropo, por vezes, expressa melhor uma mensagem que um enunciado que admite leitura imediata.

Uso ressalvado

tais como: uso de aspas no discurso escrito. pelo contrário traz conotação diferenciada. Sinonímia para tropos Ao falar em sinonímia para tropos o que está em questão. mais raro ainda é que tenham também mesma conotação. via de regra. Daí que. Esta tradição se lastreia no hábito de afirmar que só se tem sentido próprio quando é admissível a leitura imediata. etc. para sugerir um equivalente imediato de um tropo é preciso recorrer a enunciados bem mais . Ocorreu uma permuta de semelhantes.É comum ouvir: 'O termo tal. Se já é raro encontrar dois termos com mesma extensão e compreensão. Boa parte do que se rotula como sinonímia é apenas propriedade aproximada. que não é igualmente tropo. 'flor' representa mesmo parte de um vegetal e não se está dizendo que Maria é vegetal. pois. é o sinônimo do tropo que admite leitura imediata. ironias. Assim diz-se que na metáfora 'Maria é uma flor' não há sentido próprio em 'flor' porque este signo só é pertinente a partes de vegetais e não a mulheres.. O que costuma impedir a sinonímia total é a conotação. Na metáfora do exemplo. precisamente. mais próprias que termos que admitem leitura imediata. as metáforas podem ser próprias ao contexto. metonímias.. A metáfora tem seu algoritmo próprio de decifração que dissipa o ilogismo e.' Ocorrências como esta são casos de uso ressalvado de signos. então recorre a um uso impróprio mas faz a ressalva para que o uso seja tomado com significação diferenciada. Propriedade aproximada Ao dizer 'Ficou sem abrigo' onde caberia 'Ficou sem casa' pratica-se uma impropriedade parcial. balizas: 'com reservas'. Mas não se faz metáforas para que sejam lidas pelo modo imediato. alegorias como portadores de sentido impróprio. É rara a sinonímia perfeita. Para muitos casos esta forma branda de impropriedade não traz dano. Uma das características dos tropos é sua concisão. 'abrigo' não tem o mesmo espectro de significação de 'casa'. mas há semelhanças. na maioria dos casos. 'como dizem'. Não totalmente. As metáforas são impropriedades apenas diante de uma leitura imediata. Quem discursa não encontra a solução própria. Há meios para efetuar a ressalva. Sinonímia Sinonímia é a equivalência de nomes quanto ao significado. A metáfora 'Maria é uma flor' diz muito mais que 'Maria é bela'. Propriedade e recursos retóricos Há uma longa tradição de se considerar metáforas. em certos casos. o que tem seus efeitos retóricos. na acepção de fulano ..

.extensos. O resultado nem sempre é satisfatório. tanto do ponto de vista da propriedade como do ponto vista estético.

Um exemplo é a Poética de Aristóteles que além de ser um tratado de Mimética é uma estilística da tragédia grega. . do sem retorno. de grupo. as estilísticas estão ligadas e derivam de valores estéticos e morais. o modo popular. O estilo é considerado num nível acima dos recursos de Retórica. de uso ou supressão. de escolas. por princípio estético de unidade. é repetição insistente de uma característica. Certas regras de estilística são adotadas para se beneficiar de uma eficácia e/ou especificação maior trazida pela norma.Há regularidades que distingüem o formal do informal. Existem estilos pessoais. É comum a Estilística ser confundida com a Retórica em função justamente de muitas vezes a estilística se apoiar nas conclusões da Retórica para formular seus preceitos. Não se deve confundir estilo com o recurso da repetição. de época. tais como: Padronização. O estilo torna o discurso mais que específico.Estilísticas são criadas e praticadas com funções diversas. Para compor um estilo o emissor lança mão do uso regular de recursos de Retórica. Pratica-se por racionalidade. de regras de seletividade. Também há regularidades que caracterizam o modo regional. o modo padrão. Adotar por norma o que a Retórica recomenda. para uniformizar a apresentação. Há muitos tratados em que estilística se funde com Retórica. o discurso com retorno. Via de regra. o oral do escrito.Estilo Estilo é regularidade observável no discurso. se bem que há quem prefira limitar a Estilística aos estilos individuais. Há também um sentido para Estilística que é o de estudo dos estilos. torna-o típico. Estilística Uma estilística é um conjunto de preceitos para a composição de um estilo. Estes tipos de regularidade podem ser abordados pela Estilística. o espontâneo do elaborado. é adoção continuada da mesma solução para o mesmo contexto.

devido às suas funções existe um grau de síntese ótimo. Por exemplo: 'Entrou no banheiro. Isto inclui as sintáticas. dispersivo. alheio.' Supressão de redundâncias e abundâncias. O que não está dentro do campo de interesse prejudica a concisão e será considerado supérfluo. É o uso da síntese. ou por implicação semântica. Uso de metonímias elípticas. A substituição pode ser uma generalização equivalente. Pode haver concisão nos três casos. Os autos do inquérito sobre o crime o descreverão em várias páginas.Concisão Há dois tipos básicos a considerar: concisão de código e concisão de discurso. A concisão ótima será aquela em que não se discursa sobre o que é óbvio. Predomínio de palavras lexicais sobre as gramaticais. lógicas e outras. Diz-se que um código ou discurso é mais conciso que outro quando comunica o mesmo com menor extensão. . mas para cada discurso. O background externo do receptor. Concisão é uma qualidade relativa e subjetiva dos códigos e discursos. O grau de síntese desejado. A elipse elimina o que é previsível pela forma do discurso. desligou o chuveiro e secou-se com a toalha.' Pode-se substituir o texto anterior por 'Tomou banho de chuveiro. Há o costume de dizer 'código conciso' ou 'discurso conciso' quando tal código ou discurso é mais conciso que a média de sua classe. Condensação. Ganha-se concisão aumentando o grau de síntese. Concisão de discurso A concisão de discurso é avaliada no nível da forma e do conteúdo. trivial para o receptor. Como obter concisão Uso de elipses. Um livro de história pode contar um crime numa frase. A substituição equivalente elimina a abundância. ensaboou-se. ligou o chuveiro. O jornal do dia do crime o noticiará em uma coluna. O campo de interesse do discurso. narrativas. Quando permuta-se 'precipitação pluviométrica' por 'chuva' ganha-se em concisão sem alterar a referência. Para a avaliação no nível do conteúdo é preciso estabelecer algumas premissas sobre: A ordem de grandeza da quantidade de significante esperada para o discurso. enxaguou-se. Uma frase pode ser considerada longa para título de uma notícia e concisa demais para ser o lide da notícia. ortográficas. Substituição equivalente.

do supérfluo.Supressão do óbvio. do trivial. do dispersivo. .

Ênfase pela posição: A posição inicial e final são mais enfáticas. Repetição. sublinhado. etc. família de tipos diferenciada. Recursos de ênfase: Editoriais: uso de maiúsculas. Uso de ocorrências fáticas próprias: 'Preste atenção'. Uso de balizas: 'É bom frisar'. Uma das formas de obter ênfase é por diferenciação perceptível e atrativa. uma valoração privilegiada. cor diferenciada. corpo diferenciado. Entoação e/ou gestual diferenciados. negrito. .Ênfase Enfatizar é criar condições para que uma parte do discurso receba maior atenção do receptor que as outras partes e em função disso este atribua um status diferenciado. 'Não custa lembrar'. itálico. Ênfase por gradação: O último termo de uma gradação ascendente ou o primeiro de uma gradação descendente são enfatizados.. ao referente expresso pela parte. 'Veja lá'.

Isso decorre de transferências icônicas. podem ser atenuadas ou agravadas pelas características do discurso que veicula a mensagem. ascendentes ou descendentes. manipulação psicológica. Nestas comparações não se pode dizer que temos ironia. aceitação/reprovação. pois. em especial as hipérboles. Ironia agrava. adjuntos adverbiais e adnominais podem agravar ou atenuar conforme o caso. 'Bonito como um dragão'. Um caso notável de comparação que intensifica: 'Inteligente como um jumento'. Esta valoração e a resposta emocional. Metonímias atenuam ou agravam conforme o caso. Iconias: podem atenuar ou agravar conforme o caso. atenua se repete o que atenua.: 'Sou bela?' 'Não és feia'. ênfase. O que é recebido antes. . etc. Repetição: agrava se repete o que agrava. Sintáticos: apostos. Ordem temática: Ordens gradativas.) podem sugerir importância. podem agravar ou atenuar conforme o caso. moldura. Metáforas.. Comparações idem. atenuam ou agravam conforme o caso. Há meios para atenuação ou agravamento nos diversos extratos do discurso como segue: Ordem de emissão. além de uma resposta emocional. Volume de texto maior está associado com maior importância. convenções editoriais. Antíteses agravam. tipografia diferenciada. bastante subjetivas e contextualizadas. de entoação e gestual. mas o grau de inteligência nele é considerado muito baixo comparativamente a outros seres. Precisão atenua ou agrava conforme o caso. Conotação pode agravar ou atenuar. Litotes atenua. Ex. Entoação e gestual expressivos: uma entoação expressiva conforme ao que suscita a mensagem pode agravar o impacto psicológico. convencionalmente é considerado mais importante. Ênfase: atenua ou agrava conforme enfatize o que atenua ou o que agrava. o jumento não é de todo destituido de inteligência. Uma entoação e um gestual que tendem para a neutralidade emocional atenuam. gravidade. Destaques gráficos (cor diferenciada. Corpo tipográfico relativamente maior está associado por convenção a maior importância do que se veicula.Atenuação e agravamento Ao receber uma mensagem o receptor lhe atribui valores como: importância.

Ponto de vista neutro atenua. Paralelismo narrativo agrava. . Imparcialidade do narrador atenua. Dramatização agrava. Empatia agrava. Presentificação agrava. Sumarização atenua. Suspense agrava. Envolvimento agrava. Imprevisibilidade agrava.Avaliações subjetivas podem atenuar ou agravar.

Isso é feito pela busca de uma possibilidade de substituição que tem de ser compatível com o contexto. gramaticais. As parciais. Incompreensão. grupo. Prosódicas: Resultam do afastamento dos padrões fonológicos e entoativos vigentes para o discurso oral. Reprovação. Equívoco. por vezes. Via de regra. As anomalias podem ser ortográficas. prosódicas. divulgadas e preservadas pelos cultuadores do padrão culto do idioma. ocasião. trocando um 's' por um 'ç' ou um 'c' é porque há semelhança entre os fonemas representados pelo 's' e pelos 'ç' e 'c'. variante lingüística aceita. editores. da falta de domínio do código. de manifestações inconscientes da psique. Esta decisão de não incluir. A anomalia resulta do lapso. como gramáticos normativos. Exemplos: anomalia . do litígio entre opiniões opostas. jornalistas. As anomalias levam a uma ou mais das consequências seguintes: Estranhamento. Existem anomalias prosódicas unânimes e parciais. que podem ser chamadas de estilísticas. Geralmente as possibilidades de substituição são de algum modo assemelhadas à anomalia. Para uma ocorrência ser considerada anomalia é preciso descartar a hipótese de tratar-se de neologismo. Tipos de anomalias Ortográficas: Resultam da discordância com as regras ortográficas vigentes. isto não é uma sua característica essencial e sua natureza diverge sensivelmente do que aqui é tratado como anomalia. conotativas e estilísticas. incompreensão. semânticas. Não costuma haver variantes aceitas para ortografia. Diante de uma anomalia o receptor se vê na contingência de suplanta-la para continuar a decodificação. As unânimes são as que permanecem como anomalia em qualquer contexto. Ato falho: É a anomalia que resulta de desatenção. metaplasmo ou recurso retórico com sentido figurado. para dados grupos. da intenção. por exemplo. só se caracterizam como anomalia em dados contextos. as normas ortográficas são estabelecidas. Por exemplo: se alguém escreve uma palavra errada segundo a ortografia oficial. Indecifrabilidade. a metáfora entre as anomalias se lastreia no fato que embora a metáfora possa produzir efeitos como estranhamento. ou no caso de anomalias estilísticas.Anomalia Anomalias do discurso são ocorrências que ferem regras estabelecidas e aceitas pela comunidade da língua. da má codificação.

A norma do idioma padrão prescreve que neste uso o verbo assistir não é acompanhado de preposição. Em outros casos a solução é meramente arbitrária.prosódica unânime: 'Amazonás'. grupo a grupo. No português. Há três tipos de solecismo: De concordância: Anomalia paradigmática de flexão. É uma solução gramatical. Por vezes a caracterização da anomalia estilística é polêmica e subjetiva pois existem questões de litígio entre os usuários da língua sobre o que é o correto ou não. Conotativas: É o uso do termo com conotação imprópria ao contexto. mas não cita-se ocorrências deste tipo. Exemplo: 'Direi-te .. Exemplo: 'A populosa São Paulo'. Solecismo O solecismo é um caso de anomalia gramatical. Exemplo: 'Assisti ao filme'. Estes solecismos estruturais não são considerados anômalos. 'Pernambucô'.. Este tipo de anomalia geralmente não vai além do pitoresco. Exemplo: 'Eu fez tudo'. contexto a contexto. Em alguns casos podem adotar o mecanismo da silepse. Exemplo: 'Estraçalhadores de taturanas se adensam como microvilosidades estapafúrdeas'. De colocação: É a anomalia sintagmática. Anomalia prosódica parcial: 'vamo fazê'. que consiste em concordar com a idéia associada a conjunção das partes. na frase: 'Eu e ele fomos ao parque'. Há a hipótese de solecismos de tempo e modo. Quem além dos dadaístas fazem uso deles? As impropriedades são anomalias semânticas. O defeito se observa no nível da mensagem. 'São Paulo' é nome que se origina de conceito . Exemplo: 'Um e outro foram à feira'. O solecismo neste caso é normativo. De regência: É a anomalia paradigmática de co-ocorrência. Solecismos de código: Há solecismos estruturais na língua.' A norma do idioma padrão prescreve o uso da mesóclise: 'Dir-te-ei'. já considerada a possibilidade de significação figurada. Outro solecismo de código no português é o que ocorre envolvendo nomes que na origem tem um gênero mas designam conceitos a que se atribui gênero diferente. Gramaticais: São as frases que não se amoldam a nenhum modelo aceito pela língua já considerada a hipótese de elipse. por exemplo. diante da impossibilidade de o verbo concordar com dois sujeitos díspares. um contexto. No português pode ocorrer o solecismo de número. Os padrões de estilo ditam qual dentre as variantes gramaticais deve ser usada. Semânticas: É um discurso gramatical do qual se obtém uma mensagem incoerente e/ou incompleta e/ou equivocada. um grupo. de pessoa. Estilísticas: É a ocorrência que não segue o padrão de estilo de uma época. de gênero. Os padrões de estilo variam época a época.

com gênero masculino que se aplica a conceito do gênero feminino. Outro solecismo de código ocorre quando o elemento é de um gênero e a classe que o contém é de outro ou quando aquilo a que é comparado é de outro. Exemplos: ' Ele é uma personagem' e ' Ele é uma máquina'. Os solecismos de discurso geralmente se restringem a alguns casos típicos. É típico o solecismo de número que coloca o singular no lugar do plural, o de pessoa que coloca a terceira pessoa no lugar da segunda, tanto que no português há uma tendência dominante para as flexões de segunda pessoa serem substituídas totalmente pelas de terceira. Silepse: Semelhante ao solecismo de concordância é a silepse. A diferença é que o mecanismo da silepse faz a concordância com um conceito de algum modo. vinculado ao termo determinante da flexão. Além do solecismo, que é um tipo de anomalia gramatical bastante comum há outras mais drásticas como: 'Ao bola pai menino a pediu o'. Uma anomalia como a do exemplo é uma raridade só encontrável, por exemplo, em discursos de usuários que não dominam o código e que estão acostumados a idiomas com estrutura muito diferenciada. O anacoluto, quando praticado de modo não intencional e sem função pode ser considerado anomalia gramatical.

Ambigüidade
A ambigüidade pode ser classificada como anomalia. É a admissibilidade de mais de um sentido para um só enunciado em dado contexto. Na ambigüidade a opção por um dos sentidos possíveis é uma questão indecidível. A ambigüidade pode ocorrer por lapso ou intenção. Vejamos tipos de ambigüidades: Sintáticas Falta de morfema separador sintático para delimitar termos sintáticos. O determinado admite mais de um determinante. A ambigüidade deriva da sintaxe de colocação. Exemplo: 'Paulo esqueceu a senha do cartão, que ele cancelou.' Cancelou o cartão ou a senha? Um termo admite mais de uma função sintática. Exemplo: 'Protesto contra a impunidade e lentidão da justiça'. '... e lentidão da justiça' pode ser lido como oração coordenada ou como termo enumerado junto com a 'impunidade'.

Elipses imprevisíveis. Concordância com mais de um determinado. Exemplo: 'João, o Carlos fez a sua parte'. No português é clássica a ambigüidade envolvendo a segunda e a terceira pessoa do discurso devido o verbo ter a mesma flexão para as duas pessoas. Semânticas: .Gerada por termos polissêmicos. Ocorre quando os dois sentidos de um termo polissêmico resultam pertinentes no contexto. O signo pode ser tomado como significante ou como significado, ou seja pode haver uso ou menção. Nos dois casos o sentido é pertinente. Tanto o sentido imediato como o figurado são pertinentes. O termo tem duas conotações diferentes, cada uma levando a uma possibilidade de interpretação pertinente. Trocadilhos. Alguns são ambígüos. Tropos de semântica aberta podem criar ambigüidades. Contextualidade dos enunciados ambígüos Um enunciado pode ser ambígüo num contexto e não o ser em outro. A frase 'João, o Carlos já fez a sua parte' só é ambígüa se no contexto em que for lançada não houver como discernir se a parte referida é a do João ou do Carlos. A ambigüidade, toscamente falando, é o oposto da polissemia. Enquanto a ambigüidade é a existência de mais de um sentido em dado contexto, a polissemia é a existência de mais de um sentido num contexto de dicionário, que é algo próximo da ausência de contexto. Se a ambigüidade for considerada fora de contexto passa por polissemia.

Sociabilidade
Sociabilidade é a qualidade do discurso otimizado para o desempenho social. Algumas categorias a ela pertinentes: Gíria: São palavras e construções de uso corrente entre grupos sociais diferenciados, não raro marginais, e só nestes grupos. A gíria é um fenômeno antropológico. Nos grupos que a praticam a gíria desempenha uma função especial: é a senha da confraria. Serve como marca de grupo. Como, via de regra, estes grupos são marginais na sociedade e assumem postura de afronta aos valores da maioria a gíria torna-se estigmatizada. É obrigatória e apreciada no seio do grupo. Fora dele é rejeitada. A mesma segregação que a sociedade reserva ao grupo, reserva à gíria do grupo. Gíria não é léxico. Por dois motivos: não é praticada e aceita por toda a comunidade da língua. Segundo: sua permanência é duvidosa, embora seja comum a gíria ser assimilada pela sociedade quando o grupo que a pratica conquista aceitação ou ao menos tolerância. Nesses casos a gíria se converte em léxico. Palavra-tabu: É aquela que as regras de conduta social estabelecem que não deve ser pronunciada, por vezes, em ocasião alguma, noutras só em ocasiões específicas ou por iniciados. É evidente que existem ocasiões em que as palavras tabu são pronunciadas, pois, o usuário precisa conhece-la para saber que não pode pronuncia-la. Há palavras-tabu relacionadas à religião e outras à etiqueta. As religiosas são tabu porque se julga estejam investidas do sagrado ou só passíveis de uso por iniciados. As de etiqueta costumam se referir ao que se julga impuro, obsceno. Via de regra, a palavra-tabu é proibida por se referir a um assunto tabu. A pronúncia de uma palavra-tabu se constitui numa transgressão de conduta reprovada socialmente. Esta reprovação tem uma escala variável de intensidade segundo o contexto em que se dá a transgressão, podendo chegar à punição. Calão: Ou palavrão, ou o chulo, é uma classe de palavras-tabu que se referem: às práticas e tabus sexuais e ao que com isso se relaciona: coito, órgãos genitais, prostituição, o que se considera perversão, esperma, etc.. ou à excreção biológica e o que com ela se relaciona: fezes, urina, pênis, ânus, vagina, latrina, etc.. A reprovação ao calão oscila numa escala que vai da tolerância à punição. A reprovação aumenta com a formalidade, a solenidade, a publicidade, a sublimidade do contexto do discurso. A tolerância aumenta com a informalidade, a intimidade, a privacidade do discurso.

Uma questão vem ao se admitir a necessidade de eliminar o clichê do discurso: Frase feita é clichê? Frase feita é a frase que consagrada pelo uso se lexicalizou. Com elas o chingador atribui ao chingado as características de impureza e perversão sexual tipicamente associadas ao calão. comunicabilidade. etc. sem constrangimentos. Idioma padrão: Um quesito relevante à sociabilidade do discurso é a sua pertinência ou não às formas e estilo do idioma padrão. tão impregnada deles está a língua.Os sinônimos não reprovados do calão: Geralmente o calão tem um ou mais sinônimos que se usam como solução polida nas ocasiões em que o referente do calão está sendo abordado. No contexto da sexualidade o uso do calão tem seu papel como liberador da libido. atratividade. O uso do calão como catarse: O uso do calão tem sua função expressiva para o alívio de tensões emocionais acumuladas. O critério da supressão do desgastado pode ser perigoso pois não considera outros atributos de certos clichês como lirismo. à qual se atribui um juízo estético negativo por julga-la repetitiva e desgastada. Numa análise diacrônica vê-se que geralmente a origem do calão difere da de seu sinônimo polido. Por exemplo: ao se tratar de anatomia usa-se 'pênis'. O que se julga como clichê não deve ser usado nos discursos. as de concordância sintática. humor. das mais subjetivas. O idioma sofre variações regionais. aristocrática. O que determina que uma palavra seja conotada como calão e outra. Por outro lado há clichês que são pedantes. A frase feita se repete em contextos semelhantes sem alterações.. 'vagina'. Clichê pode ser uma frase ou um fragmento de frase como por exemplo um substantivo e seu adjetivo. Normalmente o calão deriva da linguagem popular. O chingamento com calão: Cada língua dispõe de uma série de palavras e locuções com calões usadas para chingar. No discurso espontâneo a eliminação do clichê é difícil. o que reforça a tese da eliminação. E caso se aceite que o conceito em si é válido. julgar a que ele se aplica também é questão de estética. Costuma ser exemplo de vivacidade popular na criação de ditos espirituosos. e seu sinônimo polido da linguagem culta. Quer dizer não é o calão é uma palavra conotada. Como regra pode-se dizer . 'ânus'. da gíria. de mau gosto. Clichê: Clichê é um conceito estético. palpabilidade. portanto criticável. uma conotação que seu sinônimo polido não carrega. exceto. por classe social e por classe de escolaridade. referencialmente sinônima ao calão seja aceitável mesmo em contextos formais? Numa análise sincrônica a tendência é a de dizer que a qualificação como calão é arbitrária.

Nas sociedades atuais. apogeu e queda. A característica do jargão é a especificidade. Jargão: É a palavra.que o idioma padrão é o aceito pelos usuários mais escolarisados da classe socialmente dominante da região hegemônica. Não só a classe que impõe o idioma padrão pratica o rótulo como os próprios membros das classes populares. Há a tendência para ele substituir o regional e o popular. Existe o caso da influência cultural pelo intercâmbio constante. com a penetração dos meios de comunicação e a frequência mais generalizada à escola há a tendência para a disseminação do idioma padrão para além das fronteiras onde é gerado. locução. pois. Atribui-se o rótulo de certo para o idioma padrão e de errado para o popular. culturais e intelectuais. Um usuário pode falar de um modo e julgar correto outro. Arcaísmo: É o signo de uso corrente no passado mas que por razões ligadas ao dinamismo da língua caiu no desuso. O idioma padrão é cultivado na escola. Há casos em que fatos culturais novos não dispõe de termo próprio no idioma local. Quando perde a atualidade cai no desuso. A característica do modismo é a atualidade. antes da incorporação definitiva ao léxico local passam por um processo de acomodação. Os estrangeirismos são adotados por razões diversas. Para o resto da comunidade da língua seu uso e conhecimento é uma raridade. que vem da sua associação a algum fato social em destaque. Entenda-se por populares o praticado pelas classes economicamente desfavorecidas e menos escolarisadas e que contrastam com o idioma padrão. Aceitação não significa uso sistemático. Modismo: Modismo é uma forma ou estilo que num dado momento da vida social passa a ser usado intensamente. daí adotar-se o signo já usado no outro idioma. no jornalismo mais sisudo. Como obedece aos mecanismos que regem as modas seu uso segue uma curva de ascensão. na literatura mais conservadora quanto a questões linguísticas. Em sociedades politica e socialmente fechadas. estes assimilam os padrões de excelência das classes hegemônicas. As conotações mais comuns que se agrega ao . embora igualmente eficientes na função de comunicar. frase feita ou outro signo de uso restrito a um grupo reduzido. O jargão é típico dos grupos profissionais. especialmente de prosódia e ortografia. que geralmente se auto-investem em guardiães da pureza da língua. A cultura satélite tende a prestigiar o que se relaciona com a cultura hegemônica. Existe a influência da cultura hegemônica sobre a satélite. É a existência do idioma padrão que origina o estigma que acompanha as formas e estilos populares. Estrangeirismo: Os estrangeirismos. É tutelado pelos gramáticos normativos. É de uso corrente no grupo para o qual o referente que representa tem alto valor cultural. em que não ocorre intercâmbio cultural entre regiões e classes há a tendência para o idioma padrão diferir significativamente das demais variantes. A sociabilidade do estrangeirismo está associada com a eceitação ou rejeição dos valores culturais da cultura externa de onde ele provém.

Via de regra. As liturgias existem em função de complexos mecanismos antropológicos. É o protocolo presente nos rituais. as necessárias à concordância gramatical.. o que torna problemático seu uso para o discurso público de largo espectro. A origem dos protocolos comumente está no uso comunicativo.. por ser de incorporação recente. 'Ave. 'massa'. 'Meus protestos de elevada estima. Cesar'. O protocolo precisa de uma análise semântica diferenciada. Noutras julga-se que o uso da liturgia pode modificar a realidade. não significa do mesmo modo que os enunciados de uso comunicativo. por exemplo. Ocorre sem variações. Palavra-ônibus: São palavras de larguíssimo espectro de significação. O neologismo. via de regra é pouco conhecido. reformismo. No uso protocolar a propriedade não está em evocar um objeto. As conotações que costumam a ele se agregar são: negativas: elitismo. Geralmente tem origem na gíria. Quando se diz 'bom dia' a intenção nem sempre é desejar um bom dia ao receptor. 'legal'. o protocolo é frase feita. Ex. mas sempre em caráter secundário. Exemplos: 'bacana'. renovação.'.. As frases cerimoniais são típicas para dados usos no convívio social. exceto.. e são usadas para ajuizar valores. Liturgia: É um caso especial de protocolo. positivas: modernidade.'.'. Por vezes julga-se que a liturgia tem poder de invocar o sagrado..: 'Nestes temos pede deferimento.. Também há casos em que se julga que o signo é a própria coisa. 'No aguardo de suas providências. pois. Por exemplo: 'Bom dia'. Protocolo: Protocolos são frases de uso cerimonial. mas apenas cumprir um cerimonial típico no estabelecimento do contato social. 'Quebre a perna'. mas corresponder a um uso. Neologismo: É o signo que se lexicalizou recentemente. As palavras-ônibus são conotadas pejorativamente por alguns segmentos. impressões e sensações. A função comunicativa pode estar presente num protocolo. que as consideram como palavras tapa-buraco para a pobreza de léxico do emissor. . Os discursos administrativos sempre trazem exemplos fartos de protocolos. o que é inversamente proporcional à precisão do significado. 'Bom dia'.arcaísmo são a de pedantismo e caducidade. se originou num enunciado comunicativo.

Definição Definição é um enunciado que delimita um conceito na sua exata extensão e compreensão. A conjunção das partes é suficiente para delimitar o conceito. são dispensáveis. só define X no contexto. . de modo intelegível para dado background e de modo eficaz para dada função. Há modos diversos de delimitar um conceito. Não se extrapola o background dado. Exigir que a definição remeta à essência do conceito. Suficiência do conjunto. Podem ser exigidas caso a caso. dizer o que ele é. Cada parte que compõe a definição deve ser necessária. Do que se disse podemos concluir: Se um enunciado define X. Distingüir no que ele se diferencia dos demais objetos considerados no universo do contexto. O modo escolhido deve ser relevante para tornar a definição eficaz ao que se destina. igualmente. Poderíamos deixar o conceito de definição mais restrito e mais rigoroso. de modo unívoco em dado contexto. Tais restrições. quer dizer não incluir na definição o que se supõe conhecido. Essencialidade para a definição. Estabelecer a posição ocupada pelo conceito numa taxonomia para os conceitos do universo considerado. contudo. Uma definição boa para um contexto pode não o ser para outro. Uma definição boa para uma função pode não o ser para outra. para obter definições mais econômicas. Ela não pode ser ambigüa. de modo absoluto e não comparativo. Não trivialidade no background dado. acrescentando condições como: Necessidade para as partes. Outro enunciado pode definir X. tais como: Relacionar suas propriedades.

suas propriedades. se a definição é nome. . Dar a conhecer as características do conceito. que pode ter pouco valor num contexto metafísico. São muito comuns os enunciados que evidenciam equivalências de definição. Não se confunda uma definição classificatória com definição dentro da taxonomia. Definição analítica: É aquela que delimita o conceito relacionando seus atributos. logo. O nome é signo para o conceito. se é pela definição que ele é tornado público. A equivalência mais praticada é aquela que relaciona o nome a uma definição analítica. Contextualidade de definições Um enunciado só é definição estabelecido o contexto em que se aplica e suposto um background mínimo de quem a usa. Evidenciar as relações do conceito com outros conceitos do universo do contexto. Equivalência de definições: Duas definições se equivalem quando se referem ao mesmo conceito. Gênero próximo é a classe taxonômica mais restrita a que pertence o conceito e diferença específica o que o diferencia dentro do gênero essencialmente. reprodutibilidade e aceitação. tem permanência. e que tem com o conceito uma relação simbólica. O caso particular mais notável é a definição aristotélica onde o conceito é definido citando o gênero próximo e a diferença específica.As funções da definição Pode ser uma ou mais das seguintes: Nomear o conceito. Além disso é necessário que se saiba o que seja 'animal' e 'racional'. o que pode não ser suficiente para que o receptor delimite o conceito. Nome: É uma palavra ou locução que define um conceito. Ditingüir o conceito num universo dado. Definição por exclusão: É a que diz o que o conceito não é numa classe. é definição. Definir uma classe dentro de uma taxonomia é determinar sua posição dentro da taxonomia. 'Animal racional' é uma definição para homem num contexto da zoologia. Estabelecer o conceito. Definição classificatória: É um tipo de definição analítica que se vale dos critérios de uma taxonomia. A forma de uma definição analítica é uma conjunção de proposições. Neste caso sua função é a de transmitir um conhecimento. Para ser válida é necessário que o conceito definido seja classe complementar da classe negada.

Não temos uma definição circular quando. para entender a definição circular o conceito tem que ser conhecido nos termos em que a definição deveria estar dando a conhecer. O que ele significa é que tais ocorrências não se coadunam com o que aqui se entende por definição. Exemplificação: Cita-se um caso de ocorrência do conceito. Os conceitos delimitados por 'estratégia'. para dados contextos são suficientes e práticas. Definição circular: É o enunciado em que se procura definir um conceito. Pelo contrário. É o ato de fazer conhecer na objetividade a que o nome se refere. escolhe-se uma palavra num grupo de mesma raiz. No dicionário. Se quem recebe o enunciado acima sabe a que se refere 'estratégia' e não sabe a que se refere 'estrategista' julgará a definição acima válida. definimos o conetivo 'e' enquanto coisa da lingüística através de um enunciado onde se usa 'e'. Exemplo: 'Uma vaca? Vaca é aquele bicho lá no pasto. Intuitiva: É uma mera aproximação sem rigor. 'estratégico'. Definição ostensiva: É uma categoria que diverge em natureza das definições até aqui abordadas. As demais palavras do grupo são definidas em função desta. De outro modo. Não entenda-se o prefixo 'pseudo' como pejorativo. o que não quer dizer que sejam inúteis. Seja o enunciado: 'O estrategista é aquele que se ocupa da estratégia'. Agora. Está vendo?' 'Ser' e 'nada' são indefiníveis. Contextual: Aplica-se o conceito a um contexto em que ele se adequa. Exemplos: 'Precisão é a delimitação precisa dos limites'. mas que para ser compreendido depende dum conhecimento prévio do que deveria estar sendo dado a conhecer pelo enunciado.Exemplo: 'Homem é um animal racional'. Este tipo de definição é típica do dicionário. se o receptor carece do conhecimento da raiz comum aos conceitos teremos uma definição circular de 'estrategista'. Para esta palavra dá-se definição usando referências que não dependam do conhecimento prévio da raiz. impraticáveis. Se quem usa o dicionário encontra uma definição com este tipo de circularidade terá de buscar a . por exemplo. É uma definição analítica incompleta. 'estrategista' pertencem a uma mesma raiz conceitual. Ppseudo-definições: Perífrase: É a citação de um ou outro atributo essencial do conceito. Há um caso especial de definição circular que é aquela que envolve o conhecimento acerca de conceitos que formam grupos de mesma raiz conceitual.

A falácia da circularidade da busca dos significados: Consiste em pensar que é impossível se conhecer o significado das palavras porque este significado é elucidado pela prática de equivalências de definição. 'gastrite' e uma definição analítica. Dizer: 'A terra é um planeta redondo' é uma redundância hoje. que todos conhecem a natureza das coisas e o significado dos nomes. Outros casos particulares de definição: Definição extensiva: quando usa-se o . Quando digo: 'Gastrite é uma inflamação do estômago' estou estabelecendo uma equivalência entre um nome. Os grupos de definições concatenadas são organizados por background crescente. Consistem de um conjunto ordenado de definições. Mas dizer que práticas deste tipo são inúteis é um erro que supõe pensar que todos saibam que gastrite é uma inflamação do estômago.entrada lexical em que se rompe a circularidade Equivalência circular de definições: Quando se pratica uma equivalência de definições na maioria das vezes o que se pretende é apresentar uma alternativa a quem recebe o discurso para que este possa delimitar o conceito. Um ou mais conceitos costumam ser considerados primários. que são explicadas por outras até que retornamos à palavra inicial. ou seja. Geralmente se escolhe para conceitos primários os mais evidentes e simples. mas geralmente conveniente. Uma equivalência circular. Quer dizer. A falácia existe quando se desconsidera a existência da definição ostensiva. 'inflamação do estômago'. A utilidade das equivalências de definições: Existe uma falácia que diz ser inútil qualquer equivalência de definições porque elas se reduzem à fórmula 'A é A'. Quando digo 'Gastrite é uma inflamação do estômago' estou praticando uma equivalência que se reduz ao princípio da identidade. No tempo em que se julgava a terra chata era uma heresia. Grupos de definições concatenadas: Ocorrem tipicamente nas teorias científicas e matemáticas. Realmente a redução existe. o que não acrescenta nada ao conhecimento. A primeira definição do grupo é estabelecida com referências unicamente a conceitos primários. A definição n pode ser feita com referências a conceitos primários e a quaisquer conceitos delimitados pelas definições precedentes. ou circunlóquio. que em algum ponto da cadeia de equivalências de definição se interpõe para tirar o receptor do labirinto de palavras que remetem a palavras. o que não é absolutamente necessário. o significado de uma palavra é explicado com outras palavras. provavelmente porque nem todos sabem que o nome gastrite define uma inflamação do estômago. Não acontece a informação nova. Por esta falácia resultam inúteis os dicionários e os livros didáticos. são introduzidos sem definição. como se faz nos dicionários. Na equivalência circular ocorre apenas uma mutação cosmética da definição. é aquela em que não se agrega a informação nova que o receptor carece. A segunda definição pode se referir a conceitos primários e ao conceito delimitado pela definição l. As informações constantes em cada lado da equivalência são basicamente as mesmas.

etc. o italiano e etc. Um exemplo temos no modo como definimos neste livro nível taxonômico. Há casos em que a equivalência de significados se confunde com a de conceitos. para o qual também serve a definição recursiva. Por exemplo: 'Europeu é o inglês. Define-se o elemento n remetendo ao elemento de ordem imediatamente inferior ou superior conforme o caso. os artigos. quando praticada entre nomes. Não é para todos os enunciados que o estabelecimento da equivalência de significado é simples como no acima citado. Definição de significado de signos: Se perguntarmos 'O que é um carro?' e 'O que significa 'carro'?' no primeiro caso estamos pedindo uma definição de conceito. Das interjeições pode-se dizer que não significam. Um elemento se presta à definição do seguinte ou o antecessor formando uma cadeia de definições até atingir o primeiro ou último elemento da série quando. por exemplo.. ambas são formalmente idênticas. Definição rercursiva: usada para definir o elemento n genérico de uma sequência ordenada.'. Numa equivalência de definições de conceito se estabelece que duas definições são pertinentes ao mesmo conceito. Com uma resposta assim quem perguntou pode ter enriquecido o seu conhecimento sobre o léxico do português. Definição essencial: quando cita-se as características essenciais do definido. Definição compreensiva: quando cita-se os atributos genéricos do definido. pela própria lógica da definição recursiva atinge-se uma condição de encerramento para o procedimento. ou seja.' estamos praticando uma equivalência de significados ou de conceitos. Não há como dizer se na frase 'Carro é um veículo motorizado de quatro rodas. Numa equivalência de significados se estabelece que dois signos designam o mesmo conceito. Ex.: 'Europeu é o nascido na Europa'. o alemão. As palavras gramaticais.recurso de citar todos os tipos possíveis do definido.. A sinonímia costuma ser usada mais como equivalência de significados que como equivalência de conceitos. Para responder a segunda pergunta poderíamos dizer: 'Carro é um automóvel?'. então. em geral. os pronomes. mas que expressam estados . no segundo caso pedimos uma definição de significado. praticarmos uma equivalência de significados. o francês. pois. como os conetivos. não oferecem meios de equivalência por sinonímia. também chamada sinonímia. mas não acrescentou nada ao seu conhecimento sobre as máquinas que são chamadas por 'carros' e também por 'automóveis'.

Por último é bom lembrar que quando se estabeleçe a equivalência de significado entre 'carro' e 'automóvel' esta equivalência se limita à referência.' O que o dicionário faz neste caso é dar uma equivalência de conceitos em vez de equivalência de significados. Uma outra solução que o dicionário adota é o da definição contextual. etc. logo como conceito e nos propõe a equivalência com uma definição analítica para uma categoria lingüística. . mas que tem uma função social em dadas situações. Não estão considerados os aspectos conotativos de cada signo. Apresenta-se vários contextos típicos do uso do 'e' . Também não há nenhum objeto relacionado ao signo 'e' assim como existe um objeto relacionado com o signo 'carro'. que são ditas porque é próprio serem ditas em tais situações. que aqui consideramos uma pseudo-definição. Procurando no dicionário encontraremos na entrada 'e': 'conjunção que representa operação lógica de conjunção entre termos sintáticos. Das frases cerimoniais e protocolares pode-se dizer que não significam como as palavras lexicais.. Como se pode então responder à pergunta 'O que quer dizer 'e'?' O conetivo 'e' não tem sinônimos no português. O dicionário supõe que 'e' está entendido como signo. o que rompe com a sinonímia se exigirmos total similaridade entre os signos.emocionais.

O tipo de semelhança que determina o sofisma geralmente é aquela relacionada com a forma lógica do enunciado. A caracterização de um sofisma é subjetiva. Fatores que favorecem o efeito de ilusão do sofisma: Uso de forma de silogismo. analogias. provavelmente em função da contigüidade que sempre existiu entre lógica e epistemologia na história do pensamento. Segundo: Não há critérios objetivos para definir o que seja uma coisa que parece verdadeira. A forma do silogismo tem a ela associada uma conotação de credibilidade.Sofística Sofística é o estudo das generalizações possíveis sobre erros formais com definições. induções e argumentos. Outro pode considerar a contradição grosseira e rotula-la como simples mentira. A versão pode parecer verdadeira mas nem por isso vai ser chamada automaticamente de sofisma. A especificação exata do tipo de semelhança com a verdade que caracteriza o sofisma não é possível nem desejável. O melhor é deixar a definição em aberto ou então recorrer a uma definição extensiva do tipo: sofisma é a petição de prinçípio. O sofisma nasce do lapso ou da intenção de iludir. Impossível em função da disparidade entre os sofismas tradicionais e indesejável porque fecha o conceito de sofisma a futuras inclusões. em primeiro lugar temos que nos retringir à classe das questões que podem ser refutadas pela via lógica. O lapso pode ser do emissor e/ou do receptor. Há outros enunciados que parecem verdadeiros mas não costumam ser arrolados como sofisma. Um exemplo: a versão de um criminoso tentando se livrar da acusação do crime. Para isso. equívoco. a falsa analogia. Em enunciados que se respaldem em premissas filosóficas a caracterização do sofisma pode ficar impossível. contradição.. Sofisma De modo aproximado sofisma é o enunciado falso que parece verdadeiro numa compreensão superficial. classificações. . Isso depende da acuidade de cada um. Por exemplo: uma contradição camuflada pode ser encarada como sofisma se quem avalia a contradição a julgar sutil. a contradição camuflada ou etc. Tradicionalmente nem todo enunciado que pareça verdadeiro é considerado sofisma. Também é comum entender como sofisma aqueles enunciados aparentemente verdadeiros em função de induções mal feitas. Uso de forma elaborada leva a uma conotação de credibilidade.

por exemplo. como as que estabelecem em que condições são válidas as induções amplificadoras. A questão começa a ficar complexa quando nos avizinhamos de questões limite da epistemologia. Sofismas de indução Por vezes as premissas resultam de induções. Sofismas formais/sofismas materiais Um sofisma é formal quando as premissas que o sustentam são válidas e sua falsidade deriva de mau uso das regras de inferência lógica. Supõe-se. Pessoas que não são rigorosas no raciocínio praticam estas operações.Arredondamentos. que são as induções por excelência praticadas pelos cientistas. de infinitésimo e outras noções que podem ser usadas para desmontar o sofisma.. Existem sofismas de indução cuja invalidade é aceita sem maior discussão. por isso tradicionalmente fala-se nos sofismas de indução que resultam de premissas mal induzidas. Também é preciso considerar que a qualidade de uma indução depende do estágio em que se encontra o conhecimento da objetividade. devido a simplicidade com que se prova o erro de indução. percorrida metade da distância será necessário percorrer metade da distância restante e assim sucessivamente de modo que para cobrir uma distância será necessário realizar uma sequência infinita de etapas. que quase tudo significa tudo. Ora. que para percorrer infinitos espaços infinitesimais não é necessário um tempo infinito. usando uma tabela-verdade. O enunciado 'A terra é o centro do universo' já passou por boa indução. Sua falsidade vém da falsidade das premissas. Uma indução amplificadora é aquela que extrapola suas conclusões para além daquilo que foi observado. O sofisma de Zenão é clássico para ilustrar que certos sofismas de indução só são desmontados com o avanço do conhecimento. o que pode ser mostrado com os recursos da lógica formal. Um sofisma é material se resulta falso mesmo sendo validado pelos critérios da lógica formal. que o improvável é impossível. Há casos em que é difícil discernir se um sofisma é formal ou material. Pelo sofisma de Zenão se afirma que o movimento é impossível supondo que para percorrer uma distância é necessário primeiramente percorrer a metade da distância. nem sempre há como dizer se a confusão ocorreu no nível da forma ao tomar o impossível pelo improvável ou por uma má indução de fatos da objetividade. Hoje podemos afirmar que o movimento é contínuo e não discreto. Na época em que Zenão lançou seu sofisma não haviam sido formuladas as noções de continuidade. que resultou em considerar impossível fato que na verdade não o é. que 'se' significa 'se e somente se'. etc. Um exemplo: ao se confundir um fato improvável com um fato impossível. por exemplo. Em função das dificuldades epistemológicas envolvidas em afirmar o que é uma .

A ou B em separado pode ser verdadeira. O que se disse sobre sofismas de contrariedade pode ser dito sobre sofismas de contradição camuflada. De possibilidades Consideremos proposições que se referem a coisas da objetividade. Uma relação de contrariedade entre as proposições A e B pode ser expressa pela sentença: 'se A então nãoB e se B. Os sofismas de possibilidade confundem as noções: Exemplos: 'Tudo que é improvável é falso. As contradições tem a forma 'A é não A'. que é apresentado apenas formalmente. A camuflagem ocorre quando: A premissa que revela a contrariedade é desconhecida ou desconsiderada pelo receptor. A contrariedade camuflada difere da contrariedade flagrante e do oxímoro. provável e certo. O sofisma da contrariedade camuflada se resume à fórmula 'A é B'. exceto o da falsa analogia. O possível pode ser improvável. impossível'. sem que isto seja visível de imediato. Há distanciamento entre as proposições contrárias de modo que a memória da primeira já se desvaneceu ao ser apresentada a segunda. Contrariedade camuflada Consiste na conjunção de proposições onde a aceitação de uma implica na negação da outra. Obviamente uma das duas proposições. Assim sendo qualquer contadição também é uma contrariedade. Da primeira pela própria camuflagem e do segundo pela impossibilidade de aplicação do algoritmo para oxímoro. então não A'. Elas podem declarar o impossível e o possível. Os enunciados contrários de um sofisma de contrariedade tem de estar explícitos no discurso para que se caracterize o sofisma unicamente pela análise do discurso. A relação não é exaustiva. A contrariedade é sutil e exige atenção para detecção. A falsidade se aplica à conjunção. Tipos de sofisma Os tipos a seguir são os mais notáveis. aqui não se faz referência a sofismas de indução.indução mal feita. . A revelação da contrariedade exige o estabelecimento de uma seqüência longa de implicações.

pois considera que a autoridade da fonte implica na veracidade do enunciado.A rigor todos os sofismas são sofismas de implicação. então todo indivíduo atende à proposição'. Os aqui considerados são aqueles em que o erro de implicação está mais evidente. A ilusão do sofisma é criada na maioria das vezes porque X e Y apresentam alguma relação de contigüidade que é tomada por relação de implicação. De quantificação São os ligados a declarações de existência. Se a tese é verdadeira então as premissas também o são. a posição da autoridade. Se X implica Y então não Y implica não X. etc. Transferência de credibilidade A proposição é considerada boa porque vem de boa fonte. ou comumente lhe é contíguo. De implicação Consiste basicamente em dizer que X implica Y quando na verdade isto não ocorre. a maioria. Os sofismas mais comuns desta classe: Ad hominem: Argumento que prova tese usando premissas que não a implicam. Se X implicaY então não X implica não Y. Este tipo de sofisma é também sofisma de implicação. ou Y implica X.. Os sofismas de possibilidade e quantificação poderiam ser chamados de sofismas de arredondamento e enunciados do seguinte modo: 'O que está próximo de zero ou próximo de 100% pode ser arredondado para zero e 100% respectivamente'. então nenhum indivíduo atende à proposição'. ou má se de má fonte.. Ex. Esta fonte pode ser a tradição. Ou X antecede Y. Se X implica Y então Y implica X.: 'O cigarro não faz mal porque o João disse isso'. Se X é contíguo a Y então X implica Y. 'Existe indivíduo que atende à proposição. 'Nem todo indivíduo atende à proposição. etc. verdadeiro'. Se a tese é falsa então as premissas também o são. . ou nãoY implica não X.'Tudo que é provável é certo.

Composição/divisão São os que atribuem ao todo o que é próprio das partes ou às partes o que é próprio do todo.Do maniqueísmo Sejam X e Y proposições pertinentes num mesmo domínio e não complementares. . X tem a propriedade P. Falsa analogia Consiste no transplante inconsistente de conclusões de um contexto a outro. Exemplo: 'Tirando-lhe um cabelo não ficará calvo. É a forma redutível a: 'A é verdadeira porque A é verdadeira'. Estatísticos 'A qualidade do indivíduo é a qualidade média do grupo'.. tampouco tirando-lhe dois ou três. O enunciado verdadeiro seria: 'Se não X então Y ou A ou B ou C . O conjunto é leve'. Falta de prova em contrário A proposição é considerada verdadeira pela ausência de prova da sua falsidade. Aqui extrapola-se o que é válido para um. Genericamente: X é similar a Y.. logo Y também a possui. A falsa analogia extrapola a similaridade entre duas situações para além da sua validade. Petição de princípio É o argumento que prova a tese assumindo a sua veracidade como premissa. Se não X então Y'. dois e três cabelos ao total dos cabelos. A confusão no sofisma de maniqueísmo consiste em tomar por relação de contrariedade complementar o que é contrariedade simples. 'As partes são leves.'. As partes são pesadas'. O sofisma do maniqueísmo se expressa como: 'Se X então não Y. Do mesmo modo não ficará calvo se lhe tirarem todos os cabelos'. Exemplos: 'O todo é pesado. ou vice-versa.

Parte-se das características de um termo tais quais elas são num contexto A para critica-las num contexto B. o que não impede de a proposição ser verdadeira. Não há porque discutir sobre palavras. ora como significado. o que significa que não é possível provar a proposição com ele. Há muitas possibilidades: Atribuir ao comparado. Atribuir ao termo conotações diferentes no mesmo contexto. Num termo que admite leitura imediata e leitura figurada atribuir ao conceito evocado pela leitura figurada características do conceito evocado pela leitura imediata ou vice-versa. De conjunção/disjunção Atribui-se a um termo o que só pode ser atribuído quando em conjunção com . No sofisma semântico temos um só sentido. A petição de princípio eficaz como sofisma sempre envolve camuflagem. Aqui há dois sentidos para conhecer.A petição de princípio é um argumento inválido. num recurso de retórica semântico. que é falso mas aparentemente verdadeiro. O sofisma só funciona quando se opta por um nas duas ocorrências. ou vice-versa.' Um sofisma semântico não deve ser confundido com ambigüidade. A ambigüidade se caracteriza pela possibilidade de pelo menos dois sentidos para o mesmo enunciado. Este sofisma ocorre muito nas críticas filosóficas. Exemplo: 'Não conheces este homem velado. Tomar o signo ora como signo mesmo. onde a ilusão vém de se tomar um termo num sentido quando se deveria toma-lo em outro. ou vice-versa. Exemplo: '' Racismo' é só uma palavra. sendo a escolha por um dos sentidos questão indecidível no contexto. Numa palavra polissêmica que se refere ao conceito A ou ao conceito B atribuir ao conceito A as características do conceito B. características do comparante que não são pertinentes a ambos. Confunde-se uso com menção. onde o conceito a que se refere o termo sofreu mutação. Nestes casos é preciso estabelecer uma cadeia de impicações para desmontar a petição de princípio Semânticos Consistem em confundir o receptor quanto ao sentido em que é usado dado termo. Não há porque discutir racismo. É teu pai. Caso se opte por atribuir ao enunciado o sentido que anula o sofisma o resultado é uma anomalia. ora como significante. logo não conheces teu pai'.

onde fracos são os impossíveis e os improváveis e fortes são os prováveis e os certos.5 e menor que l. como abaixo: Certo: enunciado com probabilidade l. Quem transmite doença contagiosa faz mal ao outro. Também pode-se considerar que o enunciado é uma simplificação por analogia de: 'Ele deve estar mentindo porque mentiu sempre nas situações semelhantes precedentes'. Provável: enunciado com probabilidade maior ou igual a 0.outro. Exemplo: 'O que se compra no mercado come-se. Mas há outra opção para classificar os enunciados. verdadeiro na lógica bivalente é o enunciado que tem probabilidade 100% e falso todo enunciado com probabilidade menor que 100%. O limite entre o provável e o improvável é arbitrário. O que falta à primeira premissa é a conjunção com o enunciado: 'mas não tal qual vém'. ou seja. Sofismas em outras lógicas Os sofismas acima foram considerados à luz da lógica bivalente do falso e do verdadeiro. Exemplo: 'Quem faz mal a outro merece punição. é um sofisma ad hominen.5 e maior que 0. Comprei carne crua. Num quadro resumo temos: Certo = Forte = Verdadeiro Provável = Forte = Falso Improvável = Fraco = Falso Impossível = Fraco = Falso O enunciado 'Ele está mentindo porque é um mentiroso contumaz' é um enunciado falso na lógica bivalente F/V. logo deve ser punido'. . Se admitirmos que os enunciados tem uma probabilidade associada a eles. Impossível: enunciado com probabilidade igual a zero. mas se a premissa que o sustenta é verdadeira. então o enunciado é certo ou provável. logo forte. Comerei carne crua'. Improvável: enunciado com probabilidade menor que 0. se ele é realmente mentiroso contumaz. Neste caso o termo 'fazer mal' só é pertinente ao enunciado se estiver em conjunção com o termo 'intencionalmente'. Também poderíamos classificar os enunciados como fortes ou fracos.

Nesta direção o enunciado sobre o mentiroso contumaz deixa de ser sofismático.Há certos contextos em que decisões devem ser tomadas a partir da análise de enunciados como o anterior. . Nestes contextos a dicotomia falso/verdadeiro nem sempre é a ideal para balizar a decisão. Pode ocorrer que a dicotomia forte/fraco seja mais conveniente.

Já no escrito a entoação e o gesto tem de ser abstraidos. no geral. que acrescenta à comunicação um segundo código e em alguns casos também o gestual. dos três. É básica para o discurso formal. o que não é possível para discursos sem retorno. Normalmente diz-se que um discurso é formal quando sua formalidade. No oral está presente a entoação. . Não há o discurso absolutamente formal. que em certas ocasiões são mais solicitados que em outras. A edição tem o seu potencial retórico que no oral não pode ser aproveitado. Existem padrões sociais de excelência de comportamento. O formal e o informal A formalidade e a informalidade são categorias sociológicas que exercem sua influência na forma do discurso. A formalidade do discurso é consequência da conduta social do emissor. É raro alguém falar como se escrevesse. faz com que os profissionais da palavra como os que atuam no tele jornalismo procurem colocar nos discursos orais uma taxa maior de redundância que a usada no escrito. Vejamos algumas inerentes a um e outro: No oral não existe a possibilidade do retorno do discurso. A formalidade do discurso é uma característica relativa. para suprimir as deficiências de assimilação do receptor. persiste apenas o lingüístico. Existe o discurso mais formal que outro. Este fato.Dualidades do discurso Algumas características do discurso são determinadas por dualidades como as colocadas na seqüência. extensivos ao modo de discursar. Alguns padrões de excelência para o discurso formal. um terceiro código. Na maioria dos casos o emissor de um discurso oral lança mão aos recursos gestuais e entoativos de comunicação. exceto se o receptor pedir ao emissor que faça isto. está acima da média dos demais discursos. em função das limitações da escrita para reproduzir o entoativo e o gestual. No escrito. No escrito o leitor pode retornar a uma parte do texto que não captou. Supressão do chulo e de outras palavras tabu. No oral temos uma comunicação com três códigos sobrepostos. No escrito temos a edição presente como modificadora do lingüístico. O oral e o escrito O fato do discurso ser oral ou escrito condiciona bastante suas características. abstraindo a entoação.

Segurança: Deve-se suprimir a hesitação. Desorganização: comum no espontâneo. o que permite os processo da revisão e da versão. barbarismos. Anacolutos: comuns no espontâneo. No discurso formal é vedado a ocorrência de solecismos. etc. Imprecisão: comum no espontâneo. coletivo. em tempo real e o elaborado é que no primeiro a emissão ocorre concomitante com a codificação e no segundo há uma defasagem de tempo entre a codificação e a emissão. típico das ocasiões distensas do convívio social.Supressão das anomalias formais. Desconexidade: comum no espontâneo. Algumas características de um e outro discurso: Retificação: no espontâneo são comuns as retificações. Redundância: costuma ser alta no espontâneo. Em oposição ao discurso formal. Impropriedades: comuns no espontâneo.. se coloca o discurso informal. nem fraco. Hesitações: são comuns no espontâneo. O espontâneo e o elaborado A diferença básica entre o discurso espontâneo. volume num nível equilibrado. Precisão. O público e o privado O discurso privado tem um destinatário único. Em função disso algumas características . associadas à falta de certas qualidades pessoais de quem as use. clareza. o equívoco. O discurso público tem um destinatário indefinido. ambigüidades. no elaborado não. o anacoluto. típico das situações de relacionamento social em que se cobra alto desempenho do emissor. nem intenso demais. definido. Respeito ao idioma padrão. No formal são vedadas especialmente as variantes populares. Equívocos: mais comuns no espontâneo. O informal caracteriza-se por uma certa tolerância com o que o formal reprova. organização e outras características consideradas virtudes de estilo são exigidas no discurso formal. Se o discurso for oral exige-se boa dicção.

Existe a possibilidade de abstrair as características mais particulares do receptor ou então arbitrar estas características. Existe a suposição que faz a abstração máxima do receptor. o que lhe dá alguns contornos de definição. Emissor e receptor trocam de papéis constantemente ao longo do discurso que neste caso passa a condição de diálogo. O discurso se torna mais pessoal. na banheira. No discurso com retorno é mais abundante o uso de apóstrofos e vocativos. aí sentado em sua poltrona. a precisão. Existe a possibilidade do tratamento impessoal. pois não há possibilidade de confirmar a transmissão. comum. no jornalismo mais sisudo e existe a possibilidade de um tratamento mais pessoal. Impessoalidade: É a característica do discurso em que são abstraídas ao máximo as características do receptor e do emissor.. telespectador. No discurso com retorno são comuns referências ao contexto circundante. Existe a suposição de vincula-lo a um grupo. nos mesmos moldes que se faz o arbítrio das características do receptor.' O apresentador está se fixando na idéia que é típico assistir televisão sentado numa poltrona.diferenciam um de outro. Algumas características: No discurso com retorno são comuns as ocorrências fáticas. Um exemplo deste arbítrio ocorre quando um apresentador de televisão diz: 'Você. . Com retorno e sem retorno O discurso com retorno é aquele em que receptor e emissor interagem mutuamente. No discurso público há diversas maneiras de supor o destinatário. por exemplo. em que não se faz referência ao contexto que os circunda. Mas é claro que há espectador assistindo o programa em pé. Em certos casos estas referências são arbitradas. que se tornam previsíveis em função da maior contextualização do discurso. No discurso público é comum a ausência de referências ao contexto circundante do receptor. tratando-o como uma entidade vazia de atributos. No discurso com retorno é mais abundante a presença de elipses drásticas. como é comum na publicidade. etc. No discurso sem retorno o emissor tem que se preocupar bem mais com a clareza. a comunicabilidade em geral. exceto o de ser receptor. O arbítrio geralmente se baseia em suposições de tipicidade. deitado. opta-se pelas formas gramaticais menos ligadas à pessoa.

O falado espontâneo informal privado com retorno versus o escrito elaborado formal público e sem retorno A seguir colocamos uma listagem das características que servem para diferenciar a forma mais distensa do discurso de sua forma mais tensa . Uso de variantes de pronúncia distintas do idioma padrão. Comuns os equívocos. Fusão do linguístico com o entoativo e o gestual. Redundância alta. Comum a desconexidade. Comuns as hesitações. . Comuns as anomalias discursivas. Comum a retificação do discurso. Uso de anacolutos. Falta de organização. Comuns as ocorrências fáticas. Ocorrências metalinguísticas. Referências ao contexto circundante. Características típicas do discurso falado-espontâneo-informal-privado-com retorno: Abundância de interjeições e outras manifestações do uso expressivo. Induções fonológicas espontâneas. Uso de elipses drásticas. Imprecisão.

A comparação para Tavares é figura de pensamento. Para fins de análise consideremos três classificações notáveis: a tradicional. considerável dispêndio de esforço para classifica-los. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é um metalogismo de adjunção. A alusão para Tavares é figura de pensamento. O quadro abaixo mostra como cada classificação faz a correspondência dos recursos com categorias lingüísticas: . houve tradicionalmente. para Todorov é figura semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. Provavelmente em função desta abundância e da disparidade entre os recursos retóricos. Analisemos os casos da alusão. inclusive este. da comparação e do pleonasmo. o que é visível pelo quadro de correspondências que segue: A relevância e a pertinência da analogia Lingüística/Retórica parece inegável. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metassemema. para Todorov é anomalia semântica e para o Grupo Nü é Metalogismo de supressão-adjunção. A de Todorov e do Grupo Nü são classificações matriciais. Os problemas com este critério são de consistência. a de Todorov e a do Grupo Nü . da antanáclase. Em alguns casos este dispêndio drenou toda a atenção dos retóricos e o que deveria ser uma prática acessória tornou-se no escopo principal da Retórica. O pleonasmo para Tavares é figura de construção.Taxonomias de recursos retóricos A abundância de recursos retóricos é característica da maioria dos tratados de Retórica. A antanáclase para Tavares é figura de construção. O traço comum das três classificações é o estabelecimento de uma analogia entre Retórica e Lingüística. Tomamos a classificação dada por Hênio Tavares como sendo a tradicional.

cabe em qualquer uma das três classes e o critério da analogia com a lingüística não é consistente.O exemplo do pleonasmo é o mais eloqüente. logo. Quando ocorre como redundância o pleonasmo se manifesta no nível semântico. Quando ocorre como repetição o pleonasmo se manifesta no nível sintático. Tavares está certo. logo. . Todorov o considera semântico e o Grupo Nü. é um recurso de sintaxe. o Grupo Nü está certo. supra sintático. logo. Todorov está certo. Então por que a divergência? O problema está na inconsistência do critério. o pleonasmo. Quando ocorre como repetição de mensagem o pleonasmo se manifesta no nível supra-sintático. Tradicionalmente. Em resumo. O conceito designado por 'pleonasmo' é o mesmo nas três classificações.

Mais recentemente surgiram novas terminologias ligadas a novos critérios de classificação. pois. Isto não é uma definição. A dificuldade de reduzir as disparidades da lista e classificar os itens é milenar. seletividade ou supressão e formas construtivas que tornam o discurso eficaz e/ou específico.A definição de recurso retórico Recursos de Retórica são opções de uso. Preferimos abandonar as terminologias conhecidas. Um tratamento mais detalhamento da questão da classificação está em Taxonomias para os recursos retóricos. Muitos dos recursos aqui citados. É mera aproximação. Criar uma lista extensa é simples. Na verdade dificilmente chegaremos a uma definição precisa do que seja um recurso retórico. em função das dificuldades com os critérios de classificação adotados. . todas díspares entre si que poderiam constar em nossa listagem dos recursos relevantes. existem inúmeras ocorrências no universo do discurso. Leia mais em O elenco dos recursos retóricos. tradicionalmente foram arrolados como figuras de linguagem ou como tropos. Aqui os recursos foram apenas listados.

Ambos são pertinentes. Enunciado substituído: 'Não desista que ela há de ceder'. O enunciado genérico. Os três elementos da alegoria contextualizada são: O enunciado alegórico.'. tanto bate até que fura'... O enunciado substituído. espeto de pau'.. Cada receptor adotará a solução que julgar conveniente. Os ditados populares são alegorias contextualizadas: 'Água mole em pedra dura. 'Mais vale um pássaro na mão que dois voando'. Um exemplo baseado num ditado popular: Imaginemos um amigo se queixando a outro por não conseguir conquistar a amada. Alegoria contextualizada Intuitivamente: a alegoria contextualizada ocorre quando um enunciado passível de leitura imediata transmite um significado impróprio ou deslocado do contexto extraverbal em que é lançado fazendo o receptor pensar num segundo enunciado apropriado ao contexto que guarda com o primeiro uma relação de similaridade. Excelência da alegoria contextualizada Será melhor quando: . Pode-se levantar questão sobre se a decifração de uma alegoria contextualizada é o enunciado particular adequado ao contexto ou o genérico que é classe para os dois elementos particulares da alegoria. Enunciado genérico: 'A perseverança quebra lentamente as resistências'. Resolvemos considera-la isoladamente em função de sua relevância e particularidades. o substituto e o substituído. Poderia até ser considerada uma metáfora de tipo III. devem ser pertinentes a uma mesma classe de enunciado genérico. 'Casa de ferreiro.' Enunciado alegórico: 'Água mole em . Os dois enunciados da alegoria.Alegoria A alegoria se assemelha à metáfora em muitos pontos.. O outro lhe diz: 'Água mole em . ou substituto.

O enunciado alegórico é mais característico do enunciado geral. Neste caso a situação é bem diversa da que ocorre na emissão das alegorias contextualizadas. O enunciado é forma nova. criativa. gênio da literatura. Trata-se de uma alegoria com semântica aberta. . O enunciado alegórico atenua/intensifica com mais eficácia que o substituído. Será que Kafka. que também é recurso de Retórica que consiste em dizer uma coisa querendo dizer outra. Alegoria não contextual Consideremos o livro 'A Metamorfose' de Kafka. Para a alegoria de Kafka não está determinado o contexto em que ela se aplica. É o leitor que deve. Numa certa manhã o personagem Gregor Samsa acorda transformado num repulsivo inseto. por própria conta e risco. pretendia exclusivamente contar uma pitoresca história de um homem que se transformou em inseto? É provável que estejamos diante de um recurso literário. definir o que substitui o enunciado alegórico Kafkiano.

simetria. Convenções editoriais básicas . densa. que ocupa grande área da página deixando vazias apenas as margens. linearidade que na sua forma primária. proporção. Sabe-se que um segmento longo prejudica a legibilidade. porque a visão periférica perdeu contato com a margem esquerda. No discurso longo a linha tipográfica é segmentada por razões diversas: para acomoda-la às dimensões da página. provável. uma arte plástica. para otimizar a legibilidade. se os tipos tendem para o negrito e/ou estão concentrados. No segmento curto desperdiça-se a capacidade da fóvea. Seus efeitos retóricos resultam da sua forma. etc. ou em outros termos a largura da coluna tipográfica. Seria necessário abordar questões como composição. É provável que a dimensão ideal seja aquela que origina de uma a três acomodações visuais otimizadas por segmento durante a leitura. que é a oral. Linha tipográfica Resulta da linearidade do discurso linguístico. maciça. pois edição é técnica e arte. Coluna tipográfica Uma questão básica de legibilidade é determinar o tamanho do segmento de linha tipográfica.. Mancha tipográfica É a superfície ocupada pelo texto na página.Editoriais Para uma abordagem da edição que esgotasse o assunto seria necessário invadir jurisdição alheia. a mancha pode ser: densa. Quanto á textura. Pode ser maciça se não há segmentação e espaços vazios internos e vazada no caso contrário. Uma acomodação visual otimizada é aquela em que a fóvea do olho capta o máximo de grafemas que é possível para a natureza e o treinamento da visão do leitor. taxa de informação. A largura ideal da coluna é uma questão a ser determinada experimentalmente em função do perfil de leitores visados.. do corpo tipográfico usado e de fatores diversos como os técnicos e estéticos. por razões estéticas. da sua textura e da posição que ocupa na página. No segmento longo o leitor tem dificuldade para encontrar o início do segmento seguinte ao retornar a vista para a margem esquerda do texto. rarefeita se os tipos são delgados e/ou espalhados. Na medida do possível não vamos tocar em questões pertinentes exclusivamente ao domínio das artes plásticas. é temporal e na escrita é espacial. A mancha tipográfica clássica e conservadora é a retangular. etc. um muito curto também. harmonia.

itálico. O referencial para estabelecer as posições relativas é a visão do leitor. verso. basicamente. No jornalismo e na publicidade a situação se inverte. Os segmentos de linha devem ser retos e horizontais. Há um divórcio entre a codificação e a edição. sendo vedada a rotação. Há casos em abundância em que o texto é concebido abstraindo a edição. O romance clássico é um exemplo disso. De segmentação: Parágrafo. Os boxes. O status da edição Em certos textos a edição é uma categoria enjeitada. Exemplo: grafar em itálico um termo que não se aceita a conotação. A codificação é concomitante à edição e esta chega a condicionar aquela. apêndices.A escrita ocidental segue várias convenções. . a edição pode ser modificadora do discurso escrito. A obediência ou a transgressão a estas convenções gera fatos retóricos. espaços em branco. famílias de tipos. boxes. orelha. Vejamos algumas convenções: Na linha tipográfica o discurso deve progredir da esquerda para a direita. Podem ser de vários tipos. Vejamos alguns: De diferenciação: Corpo tipográfico. diferenciados do todo. negrito. notas. A edição como modificadora do discurso Assim como a entoação no discurso oral. glossários. tais como: prefácio. posfácio. A linha tipográfica pode ser segmentada. dedicatórias. Recursos de Retórica editoriais Há inúmeros recursos retóricos editoriais. Os segmentos de linha tipográfica são ordenados uns sobre os outros de forma que o discurso progrida de cima para baixo. Os segmentos de linha tipográfica devem ser alinhados na vertical à esquerda e preferencialmente também a direita. estrofe. numerações e marcadores. sublinhado. De legibilidade: Alinhamentos. bibliografia. Se o discurso ocupar mais de uma página deve haver progressão girando as páginas no sentido anti-horário. cronologia e legendas. que ficará a cargo do editor. Diante de duas páginas lado a lado a progressão se dá da esquerda para a direita. citações. ou que se deseja enfatizar. são unidades independentes de texto. Os grafemas devem ser apresentados ao leitor sempre na mesma posição relativa ao eixo da linha tipográfica.

Há estrofes com mais de um período sintático e estrofes encadeadas. uma licença poética de estilística da versificação que consiste em emendar a entoação de dois versos seguidos. sem métrica. Com a evolução histórica da poesia surgiram os versos brancos. A definição do verso como recurso de entoação apresenta o defeito de não ser geral porque há versos com pausas internas de entoação e versos com o chamado encadeamento. Muitos versos podem ser definidos como compassos de métrica ou mesmo compassos de rima clássica.Verso O verso é um recurso de edição típico do discurso de intenção poética. Verso é um segmento de linha tipográfica do discurso de intenção poética. na sua origem o verso era entendido como compasso de entoação. Define-se um soneto como o poema com quatro estrofes. Restrita porque como para o verso. Há poesia sem verso e verso fora da poesia. de modo que a edição é a única geral. Existe a possibilidade de defini-lo a partir da entoação: verso é uma parte do discurso de intenção poética delimitado por duas pausas nítidas seguidas de entoação. Uma definição geral para estrofe a partir da edição seria: segmento de texto de intenção poética que produz uma mancha tipográfica maciça formada por mais de um verso. Esta definição a partir da edição é a mais geral para o verso. embora um não seja essencialmente ligado ao outro. Estrofe Uma definição restrita e sintática para a estrofe seria: parte do discurso de intenção poética formada por versos que constituem um período sintático completo. As licenças poéticas que contaminam as definições de verso e estrofe são fruto de uma estética que primava pela rigidez numa cláusula e por ser frouxa em outra. . duas com quatro versos e duas com três versos e não se estabelece critério algum sobre o que seja uma estrofe. a estrofe admite licenças poéticas. Efetivamente. de métrica e de edição.

Elipse
Genericamente, elipse é a supressão de uma parte do discurso que pode ser prevista no contexto. A elipse ocorre em vários níveis do discurso, tais como: Ortográfico: abreviaturas, siglas, aspas na construção de colunas. Morfológico: elisões: 'Zé' por 'José', 'pneu' por 'pneumático'. De morfemas presos: 'mono, di e trissílabos', 'otorrinolaringologista'. Mimético: suprimir passagens da narrativa. Lógico: suprimir passagens de uma seqüência de implicações. Na elipse eufemística: suprime-se uma parte devido ao seu impacto. Exemplo: 'É um grande filho da ...' A elipse clássica é a sintática que consiste em suprimir um ou mais termos sintáticos de um dos modelos completos de oração da língua. Para ser praticada a elipse exige a previsibilidade, o que implica na aceitação de algumas premissas: Da gramaticalidade: o enunciado elíptico, na sua forma completa é gramatical. Da pertinência contextual: o enunciado elíptico, na sua forma completa é pertinente ao contexto. Da maior probabilidade: Entre as alternativas prováveis para preencher a lacuna deixada pela elipse será válida a mais provável. Da regra da distribuição: é o caso do zeugma. O que foi dito no primeiro enunciado não se repete nos subseqüentes mas considera-se que o efeito se distribui sobre eles. O zeugma é uma regra convencional. Há casos de zeugma posterior, que são aqueles em que o explícito vem por último. A forma elíptica de dar resposta a perguntas não deixa de ser uma forma de zeugma.

Zeugma
O zeugma é formado por uma frase completa e uma ou mais frases elípticas, sendo que a completa sempre é colocada por primeiro. A condição ideal é aquela em que as frases elípticas sucedem imediatamente a completa. Um distanciamento entre a frase completa e as elípticas do zeugma traz problemas de processamento. O que se pode suprimir na elipse : O que já foi dito. É o zeugma. O que se prevê pela concordância sintática com termos explícitos. É o caso da elipse dos pronomes no português que são

sub entendidos pela flexão de pessoa do verbo da frase. O que se prevê pelas limitações gramaticais de substituição. É um tipo de elipse em que o termo elíptico é previsível independente do contexto. Exemplo: 'E espero seja a última.' O que não faz parte do foco da frase. O foco da frase é a única parte dela que não se elide. A continuação de uma série infinita. Por exemplo: 3,333... Um caso particular de elipse é a simplificação após primeira ocorrências. É típica no jornalismo. Na primeira citação usa-se o nome completo da personalidade e da segunda em diante apenas uma elipse, por economia.

As funções da elipse
A elipse tem duas funções: a econômica, de concisão. Dizer mais com menos ou não repetir, no caso do zeugma. A segunda é o eufemismo. Suprime-se o que causa impacto.

A excelência da elipse
Será tanto melhor quanto mais previsível. Se for usada com intenção de economia será tanto melhor quanto mais extensa a parte elíptica relativamente à parte explícita.

Entoativo-gestuais
No discurso falado se sobrepõe três códigos: a língua, a linguagem entoativa e a gestual. É discutível a separação entre língua e entoação mas vamos mante-la por questão metodológica. Entoação é o que resulta da definição do timbre, da altura, da intensidade e da duração dos sons da fala. O gestual resulta da postura, da fisionomia e dos gestos. Eventos de entoação e gestual nem sempre são signos. A entoação/gestual comunicativa convive com a expressiva. Também se distingue a entoação/gestual naturais do convencional. Ainda se distingue o intencional do espontâneo, o autêntico do representado. Geralmente se associa a entoação/gestual comunicativa à convenção e a entoação/gestual expressiva à naturalidade. É assunto para estudo determinar se todas as entoações/gestuais comunicativos são convencionais e se todas as expressivas são naturais. Tem-se como certo que certas entoações/gestuais comunicativas imitam entoações/gestuais expressivos.

Tipos de signos entoativos/gestuais
Arbitrários. Exemplo: dizer 'sim' oscilando a cabeça na vertical. Imitativos: Exemplo: pedir afastamento repelindo com a mão um hipotético objeto a frente. Associativos: podem ser metafóricos ou metonímicos conforme a associação que os gera seja uma relação de semelhança ou contigüidade respectivamente. Exemplo: dizer que se tem o domínio da situação imitando o gesto de quem segura rédeas nas mãos. As entoações/gestos expressivos resultam do reflexo, da exteriorização de estado emocional, da personalidade, do instinto, de razões biológicas. A entoação, a postura, a fisionomia, os gestos nos transmitem: Impressões sobre a personalidade. Impressões sobre o estado emocional. Impressões sobre a condição física. No caso de comunicativos, mensagens. Por ser mais versátil e privilegiada, a língua costuma se impor, no discurso falado como código principal, cabendo à entoação e ao gestual funções de reforço,

os elementos de uma enumeração são distinguidos por pausas entre eles.. redundância. Já em textos que servem ao preparo de representações como o script de teatro e o roteiro de cinema. A inexistência de ortografia para elementos de entoação. Coisa muito saudável. O ponto de interrogação representa esta modulação.complementação. persistência. modificação. Por exemplo: as mãos crispadas podem significar intensidade. Complementação: O discurso linguístico se completa com o entoativo e o gestual. principalmente os mais utilitários. Geralmente veiculam idéias simples como 'sim' e 'não' ou então representam grupos de idéias análogas como as palavras-ônibus o fazem. fervor. dirão alguns. Por exemplo: Citar certa palavra que se deseja destacar com volume mais intenso ou colocada entre pausas. Ênfase: O entoativo e o gestual enfatizam partes do discurso linguístico. Por exemplo dizer 'Sabe qual a minha resposta?' e em seguida oscilar a cabeça na horizontal. Os discursos codificados especialmente para o escrito abstraem a entoação para não depender dela. são paupérrimas em recursos para representar entoação. via de regra. etc. Interações entre a língua e os códigos entoativos e gestuais A entoação e o gesto interagem com a língua de várias formas. Quando se verte um discurso oral para o escrito a entoação se perde. Vejamos: Reforço. mesmo os comunicativos. caberá aos diretores e atores definir a entoação por critérios próprios. Enquanto dramaturgos e roteiristas não publicarem seus textos acompanhados de uma partitura para a entoação. Um modificador de interesse particular é a ironia gestual/entoativa. Modificação: O entoativo e o gestual atuam sobre o linguístico modificando-o. Nela o discurso linguístico afirma algo mas uma entoação/gestual diferenciada nega o discurso linguístico. Entoação e discurso escrito As ortografias. É algo semelhante à função dos adjetivos e advérbios. a falta de registro da entoação é sentida. ódio. Ainda no português. não chega a ser problema em muitos tipos de texto. . ou com entoação silábica. Por exemplo. Por exemplo: dizer 'sim' e ao mesmo tempo oscilar a cabeça na vertical. Os códigos entoativo e gestual são mais pobres em recursos que a língua . Tem-se reforço. no português as frases interrogativas orais são formadas com uma modulação própria de altura no final da frase. As ortografias só representam a entoação quando a estrutura da língua depende da entoação como único recurso à construção do discurso. No escrito a representação da pausa compete à vírgula.

métrica. Mas faz-se pausa também com função retórica. Rompe a dependência de um termo do seu contigüo. Quando alguém diz: 'Que mulher'. ou seja. o enunciado é apenas o suporte da entoação. uma admiração.Pausa Justamente o silêncio é um dos recursos mais ricos de expressividade da entoação. o sentido do enunciado só se evidencia pela entoação. É a entoação que carrega o principal da mensagem. desconfiança. a entoação e os gestos devem ser conformes ao que suscita a mensagem do discurso. etc. Faz-se pausa porque ela tem função linguística. ou seja. Quando ele não se verifica causa estranhamento. por exemplo. Pode ajustar a ocorrência do discurso às ocorrências do contexto circundante. uma aprovação. Princípio da conformidade expressiva Há um princípio bastante disseminado que supõe a conformidade entre o que se expressa e o que se comunica. . Redução ao entoativo/gestual Há certas ocorrências de discurso em que o lingüístico se torna suporte do entoativo ou do gestual. Ela distingüe os termos sintáticos de uma enumeração. uma decepção. atenuação/agravamento. A pausa pode criar suspense. A pausa também dá conformidade expressiva. A entoação pode agregar à frase uma reprovação. reprovação.. Por este princípio não é aceitável dar uma notícia triste com o semblante sugerindo felicidade ou vice-versa.

Embora. em sua maioria. Transferência icônica Pode o significante como coisa modificar o significado? Sim. gestual. gramatical.Iconia O signo é um portador de significado e também coisa da objetividade. em certos casos. Quando se deseja tirar proveito deste fato como recurso de Retórica é preciso considerar que os juízos suscitados pelo significante que interessam são os assumidos pelo público alvo do discurso. antigüidade. Em vez de harmonia produzimos contraste. 'miado' tem uma fonética do significante semelhante à classe de sons a que se refere o significado. Um exemplo: usar a tipografia gótica num logotipo de produto cuja imagem está associada à idéia de modernidade. impressões e opiniões. por exemplo. pela contigüidade entre um e outro o receptor do discurso tende a transferir para o significado os juízos que lhe suscita o significante. Temos uma iconia por semelhança. Teremos iconia quando usarmos a tipografia gótica para criar o logotipo de um produto cuja imagem está associada à idéia de tradição. entoativo. Esta associação pode derivar de uma relação de semelhança ou contigüidade. Tomando por exemplo a onomatopéia. Iconia conotativa: É aquela que se deve à atributos agregados ao significante pela convenção cultural. O efeito se deve à memória cultural e não à observação do significante. tenham uma relação arbitrária com seu significado. ortográfico. 'piado'. Seria o caso em que o suscitado pelo significante contrasta com o significado. Por exemplo: a tipografia gótica está ligada a evocações de tradição. A classe de sons do significante é semelhante à classe de sons significada. Nestes casos temos iconia. Iconia é uma associação harmoniosa que se induz entre os efeitos suscitados pela observação do significante e seu significado. . uma iconia fonológica: as palavras 'mugido'. nos suscita sensações. Alguns tipos de iconia: Iconia natural: É aquela que deriva da observação direta do significante em si. O melhor exemplo é a onomatopéia. os signos linguísticos. fonológico. no geral. espontânea ou intencionalmente. estilístico. não importando que sejam equivocados. A iconia ocorre em vários níveis: gráfico. esta arbitrariedade é reduzida. Anti-iconia: Trata-se do efeito oposto. mimético. Enquanto coisa.

o que não ocorre a todo mundo. vogais fechadas. A diferença entre a transferência icônica e a iconia é que na primeira ao significado não se atribui a qualidade do significante anteriormente à observação do significante. Uma tipografia recém criada pode vincular-se a idéia de modernidade por uns tempos. avaliando se elas surgem da observação do comportamento coletivo ou da experiência individual. é a incorporação ao significado de alguma característica ou valor do seu significante. A qualidade da forma faz crer na qualidade do conteúdo designado. não para todos ao menos. . Na iconia a qualidade em questão já é considerada pertinente ao significado antes da observação do significante.. que vogais nasais deprimem. tristes. não é válido afirmar que vogais anteriores são claras e vogais posteriores escuras.Muitas verdades duvidosas foram estabelecidas sobre efeitos suscitados por significantes. Usa significantes que evocam as qualidades que se deseja agregar à idéia referida. então. Com o passar dos anos pode passar a evocar tradição. A publicidade é usuária constante do recurso da transferência icônica. por exemplo. Transferência icônica. Poetas simbolistas lembravam de cores diante de certas vogais. É preciso tomar cuidado com estas verdades. Diz-se que vogais abertas são alegres. O inventário dos efeitos suscitados por significantes envolve observação experimental do comportamento coletivo e só vale para um contexto e uma época. Assim. etc.

geralmente o contrário. mas o que se pretende comunicar é uma crítica ao que se mimetiza. via contexto. Imita-se o estilo ou o ponto de vista de outrem. ser diferente'. quem a pratica. que dele se discorda. Por exemplo: usar ironicamente uma gíria. dá a entender que se reprova a gíria e. Dizer ironicamente que alguém é virtuoso implica numa impressão: 'é um mau exemplo' e numa crítica: 'devia mudar. entoação ou gesto ou outro. O que diferencia a ironia do enunciado falso simples é a sinalização da contrariedade. provavelmente. ou por meio da alguma diferenciação editorial. . Um caso particular relevante de ironia é a mimese irônica. Assim uma ironia entre o 'belo' e o 'feio' é menos extrema e intensa que entre o 'lindo' e o 'horrível'. ou entoativa ou gestual. A função da ironia geralmente é crítica e impressionista. A ironia é um recurso usual de humor. geralmente sutil. Torna-se mais intensa quanto mais extrema a relação de oposição entre o falso atribuído e o verdadeiro. Há também o uso irônico de termos a que se reserva alguma crítica quanto a conotação. onde o emissor deixa transparecer a contrariedade através do contexto do discurso. edição. Na mimese do ponto de vista. leva-se a entender que o estilo adequado não é tal. No caso de mimese de estilo.Ironia É a afirmação de algo diferente do que se deseja comunicar. Ironiza-se o excesso e o reprovável.

Determinar o atributo implícito é a própria decifração da metáfora. Daí a metáfora ser vista como uma impertinência na leitura imediata. O atributo implícito deve ser pertinente ao comparante e ao comparado. . A decifração fica mais encaminhada se o comparante possuir atributos marcados. mas não o atributo na sua essência. Sejam as frases: 'Quintilano é o autor de 'Instituições Oratórias". o objetivo da metáfora é dar expressividade a uma atribuição. ou seja. O atributo explícito só aparece em metáforas de segundo tipo. O algoritmo da metáfora comporta até quatro elementos: O comparado.. O atributo implícito. Constatada a impertinência o receptor da mensagem irá aplicar à situação um algoritmo metafórico. Se a aplicação for plausível teremos a metáfora. Para tanto temos que nos balizar no contexto selecionando entre os atributos possíveis aquele ou aqueles mais plausíveis. caso contrário. Em muitos casos também faltam as balizas de comparação: 'como'.Metáfora A intuição de que estamos diante de uma metáfora começa quando ao fazer uma leitura imediata nos deparamos com uma impertinência. o atributo explícito pertinente ao comparante. um lapso. O atributo explícito. Assim como na comparação. uma impropriedade ou outro fenômeno. a cultura convenciona que o atributo marcado é um símbolo de seu sujeito e/ou vice-versa. Quando a baliza de comparação está ausente a estrutura sintática da metáfora de tipo I fica igual à usada para estabelecer identidades. A metáfora é uma comparação elíptica. Ou se atribui a um referente algo que não lhe diz respeito ou se classifica o referente numa classe a que não pertence. etc. Atributo marcado É aquele que tem com seu sujeito uma relação simbólica. em que sempre está ausente o atributo comum. mas seguido das modificações e/ou acréscimos que decorrem de sua ligação com o comparante. 'peso' é um atributo marcado de 'elefante'. 'Aristoteles é genial'. 'tal qual'. Assim 'altura' é um atributo marcado de 'girafa'. no mínimo que o define. O comparante.

A metáfora é um recurso de semântica aberta e em certos casos as incertezas quanto ao atributo implícito são grandes. Sendo a metáfora uma comparação elíptica ela nos é apresentada pela mesma forma que se usa para estabelecer identidades. O comparante: 'flor'. Pela leitura imediata concluímos que estamos diante de uma impertinência. 'suave'. A primeira frase serve para o estabelecimento de uma relação de eqüivalência. O algoritmo da metáfora consiste em determinar: O comparado: 'Maria'. Metáforas tipo II .' 'Maria flor. Pelo mesmo tratamento relaxado das relações entre as coisas surgem os sofimas de arredondamento. etc. Um mesmo exemplo sob vários enunciados: 'Maria é uma flor. 'delicada'.' 'Maria: uma flor. por exemplo. A determinação do atributo implícito nem sempre é simples. É uma atribuição. O termo 'genial' é determinante de 'Aristóteles'. A forma sintática das três frases é a mesma. Na terceira frase temos uma metáfora.' 'Maria é como uma flor.'Maria é uma flor'. Em função disso a metáfora numa leitura imediata aparece como impertinência. 'perfumosa'. A pertinência ao contexto é fundamental. pois.' Imaginemos as frases acima proferidas num contexto em que 'Maria' é uma mulher. Metáforas tipo I É a que explicita comparado e comparante. Esta semelhança entre as formas sintáticas não é ocasional. Eqüivalência redutível a uma relação tautológica do tipo 'A é A'.. Na segunda frase o que se estabelece é uma relação determinado-determinante. O atributo implícito: provavelmente 'bela'. O significado de 'Quintiliano' é considerado eqüivalente ao de 'autor de 'Instituições Oratórias". É provável que alguma operação mental menos rigorosa que as operações lógicas estabeleça que o semelhante pode ser tratado como idêntico. 'mulher' e 'flor' são classes disjuntas.

Comparado: 'cor'. Metáfora original e metáfora lexicalizada A metaforização é um processo de vasto uso na criação de léxico. Uma metáfora. Atributo implícito: capacidade de abrir portas. Exemplo: 'cor quente'. 'Chorar lágrimas de sangue'. Metáforas tipo III O comparante substitui o comparado. Em muitos casos a percepção da origem metafórica chega a se dissipar. A metáfora lexicalizada. Comparante: 'temperatura'. a rigor. etc. Pela metáfora não se compara apenas objetos. caminhos. 'desagradável'. 'O basset é um salsichão de patas'. Comparado: 'regresso' Comparante: 'sabor' Atributo explícito: 'amargo'. 'Ficar gelado de medo'.. Comparado: 'solução'. Atributo implícito: capacidade de gerar impressões fortes e enérgicas.. Um caso particular é aquele em que ao comparante se atribui características do comparado. Comparante: 'chave'. quando surge pode se vulgarizar a ponto de se converter em léxico. mas também fenômenos. Exemplos: 'O homem é um caniço pensante'. Quando digo 'Maria é uma flor' estou sugerindo que o enunciado seja . etc. Atributo implícito: 'ruim'. Exemplo: 'A chave do problema'. deixa de existir como metáfora.É aquela que explicita comparado e atributo explícito. Atributo explícito: 'quente'. Assim são metáforas: 'Correr como raio'. Um segundo exemplo: 'Amargo regresso'.

O comparado cabível seria 'onde quase ninguém mora'. em muitos .decodificado por um algoritmo metafórico. Por exemplo: 'Demorou um século'. nem comparante sofrem mutação ou transferência de sentido. Hipérbole A hipérbole é um caso especial de metáfora usada para passar uma impressão de grau extremo. 'chorar lágrimas de sangue'. Um exemplo: 'Moro onde não mora ninguém'. Na metáfora original não há nenhuma alteração de sentido dos signos nela envolvidos. 'Maria' continua a designar a Maria e 'flor' continua a designar a flor. Geralmente a hipérbole apela para o maravilhoso. A metáfora agrega significação ao discurso relativamente ao enunciado próprio que vém da sua decifração. O termo 'flor' passará a ser signo para a Maria. Um caso notável da hipérbole é aquele que se gera a custa de arredondamentos. 'Comer o pão que o diabo amassou'. Este agregado de significação é que torna a metáfora um recurso espetacular de expressão. O exemplo. Designava um objeto e passou a designar outro. O Comparante é um extremo na classe dos eventos demorados da qual faz parte o comparado. que tipo. Se a comunidade começar a chamar a Maria sempre por 'flor' teremos uma lexicalização. Atributo implícito: 'demora'. Comparante: 'Um século'. Hipérbole é a metáfora em que o comparante se caracteriza por ser um extremo em relação ao comparado. Comparado: 'Tempo da demora'. que grau. Neste caso estamos diante de uma lexicalização que teve origem numa metáfora. onde 'Maria' continua a designar uma mulher e 'flor' continua a designar um vegetal. na metáfora original nem comparado. Será justo dizer que 'flor' passou por uma transferência de sentido. Alguns exemplos: 'Cuspir fogo pela boca'. no nível imediato é uma contradição. Mas por que então usar a metáfora e não o termo próprio? Ocorre que pela metáfora não se diz apenas que 'Maria é bela' mas também como é esta beleza. a rigor. O agregado de significação pela metáfora Ao dizer 'Maria é uma flor' consideremos uma das intenções seja dizer 'Maria é bela'. ou seja. insubstituível. Essta concepção designa. o processo de lexicalização originado a partir de tropos. O comparante é um arredondamento extremado que se relaciona com o comparado. Isso gerou a clássica concepção dos tropos como 'palavra tomada em outro sentido'.

o oxímoro. Posso dizer: 'Maria é uma flor. embora seja pertinente à metáfora. O caso mais frustrado seria aquele em que X e Y são tão díspares que a única semelhança que se pode imputar aos dois é a do ser. Comparações desconcertantes O enunciado 'X é Y' se não admitir leitura imediata sempre dá em metáfora. As funções da metáfora A metáfora é usada quando: Não há termo próprio para a situação. Os atributos implícitos são muito característicos do comparante. . Pela metáfora se obtém palpabilidade. que não precisa ser mínima como é a palavra. A metáfora não está presa a uma forma. não a enquadra. A definição aristotélica da metáfora A definição aristotélica da metáfora: palavra tomada em outro sentido. Diante de frases deste tipo nossa mente começa a trabalhar automaticamente na busca de uma semelhança entre X e Y até encontrar uma razoável que viabilize a metáfora.' ou 'Maria é como uma flor. A qualidade de uma metáfora está associada à semelhança induzida entre os elementos X e Y. mas uma unidade semântica. Outros recursos de estilo se enquadram na definição aristotélica de metáfora como o ato falho.casos por outros recursos.. a ironia.' Nas três formas subsiste a mesma metáfora. Se busca a novidade. Metáfora não precisa ser palavra. Se quer drenar a atenção para o significante. A excelência da metáfora Será tanto melhor quando Os atributos implícitos inferidos são muitos. O termo próprio não tem a conotação desejada. Os atributos implícitos são muito pertinentes ao comparado. a impropriedade.' ou 'Maria flor. A metáfora intensifica/atenua. Se quer evitar a repetição do termo próprio Se quer comparações palpáveis..

etc. . a ironia. tais como.Metáfora não se diferencia da comparação pelos termos de comparação típicos. Metáfora é um algoritmo analógico.. ora impertinências lógicas. Os tropos tem a característica de parecerem impertinências numa análise superficial. a alegoria. juntamente com a metonímia. ora contextuais. A diferença entre comparação e metáfora é que na metáfora o atributo comum está elíptico. 'como'. Tropos A metáfora. 'tal qual'. o oxímoro e alguns trocadilhos formam um grupo de recursos de Retórica semânticos a que se chamou de tropos.

apócope. que liberdade total para criar palavras só tiveram aqueles homens boçais dos primeiros tempos que nomeavam conforme a primeira sensação que lhes causava o cotato com as coisas.. Na maioria esmagadora dos casos os nomes e os neologismos se formam a partir de palavras existentes. Um exemplo: uma empresa de laticínios deu a um de seus produtos o nome de 'mumu'. sinérese..A arbitrariedade na criação de léxico e gramática é a exceção. A seguir. Aqui são classificados alguns mecanismos pela relação entre a origem e o resultado.Metaplasmos Genericamente. fonológico. um metaplasmo é uma alteração intencional do código. Visam basicamente a regularizar a métrica. como são as onomatopéias. mas uma parte dos metaplasmos criados se difunde pelo uso e acaba levando à alterações diacrônicas do idioma. ortográfico. alguns tipos de metaplasmo: Icônico: O metaplasmo cria uma iconia. Já com relação aos mecanismos de formação de nomes e neologismos. . Além disso existe uma relação estreita entre a criação de metaplasmos para uso retórico e a criação de léxico e gramática. imitando Quintiliano. Os metaplasmos são praticados nos diversos níveis do linguístico: gráfico. Costumam ser divididos em fonológicos: Elisão. muitos deles derivados de mecanismos de associação de significados. podemos dizer. etc. Metaplasmos clássicos: São típicos na poesia anterior ao modernismo. De extrapolação: O metaplasmo vem de extrapolação das características do código. e morfológicos: Prótese. síncope. é exercício de criatividade sobre a língua. por vários meios. Nosso interesse está focado no uso retórico dos metaplasmos. raramente arbitrários. gramatical. diérese. Realmente assim é para o signo enquanto coisa. a larga maioria dos signos linguísticos tem relação arbitrária com seu significado. Caso típico é a criação de palavras a partir de morfemas da língua. Cobertura de defectividade: Quando o código é defectivo. etc. Elíptico: Resultam da elipse de parte de um termo. Os mecanismos de criação de léxico e gramática costumam ser os mesmos com que se fazem os metaplasmos. as vezes esta defectividade é suprimida com um metaplasmo. sem pretensão de classificar nem de ser exaustivo. Criação de léxico e gramática Saussurre já dizia que tirando algumas exceções de signos linguísticos icônicos.

a algo que mantinha com o simbolizado uma relação especial. Por polissemia é criada boa parte do léxico de Informática. metonímica. o primeiro é a palavra tomada como coisa. irônica. Por empréstimo de outro léxico. Exemplo: 'pneu' por 'pneumático'. Simbolização A criação de léxico é criação de símbolos. geralmente. eventualmente icônica. Sua ocorrência é típica para os termos que são incorporados ao léxico por empréstimo. Mas o significante que origina o símbolo. Siglas: 'ONU' por 'Organização das Nações Unidas'. Por polissemia: Metafórica. arbitrária. A rigor estamos diante de dois símbolos. Assim se a locução 'calcanhar de Aquiles' simboliza a fraqueza é inegável a arbitrariedade da relação entre o significado 'fraqueza' e o significante 'calcanhar de Aquiles' mas igualmente é inegável a não arbitrariedade entre o significado 'fraqueza' e o significado imediato de 'calcanhar de Aquiles'. original da palavra. Por junção: Afixação. A simbolização é uma categoria antropológica. As acomodações prosódicas estão fora do domínio retórico. por exemplo. se referia a outra coisa. Por derivação gramatical. não arbitrária. Por criação arbitrária. o segundo é o sentido imediato. alegórica. A origem da simbolização lingüística geralmente é metafórica ou metonímica. Neste sentido a simbolização lingüística raramente é arbitrária. que é uma área fervilhante no aspecto lingüístico. As leis que as regem são as da lingüística. Acomodação prosódica São as alterações fonológicas de um vocábulo para melhor se adaptar às tendências dominantes de pronúncia do idioma. Um símbolo é uma coisa que representa outra coisa convencionalmente em dados contextos da cultura.Por elipse: Elimina-se parte da origem. Frase feita . 'web'. 'surfar'. Justaposição: Exemplo: 'guarda-chuva'. Não há manipulação retórica da acomodação prosódica. Condensação: Exemplo: 'embora' por 'em boa hora'. O caso mais comum é o dos afixos que são morfemas. A relação entre a coisa significada e seu significante geralmente é arbitrária. Basta lembrar de termos como 'mouse'. na origem do processo. Não deixa de ser um mecanismo de elipse. Na linguística a simbolização tem uma característica especial: o símbolo é palavra e como tal na maioria dos casos tem uma relação arbitrária com a coisa simbolizada. 'menu'.

exceto.Ou frase lexicalizada.' 'Matar cachorro a grito'. ou grupo fraseológico é uma frase que se consagrou pelo uso repetido em contextos semelhantes. A frase feita é repetida sem alterações. Exemplos: 'Dar com burros n'água. ganhando condição de léxico. . as flexões de concordância necessárias ao contexto.

ou seja. Um exemplo: 'Leu Drummond'.: 'Respeite-lhe os cabelos brancos'. Ex.: 'O homem foi à lua'.: 'Poeta dos escravos'. É a perífrase.: 'Leiloaram um Portinari'.: 'Um litro de leite'. A decifração. Ex. Ex. Substituído: 'casa'. O efeito pela causa. Ex. Tipos de metonímias Normalmente são classificadas pelo tipo de relação que vincula o substituído ao substituto. A decifração depende do contexto. O substituído. Os elementos deste algoritmo são: O substituto. A relação de contigüidade. Substituídos: 'Castro Alves' e 'Paris'. Ex.: 'Ficou sem teto'. Substituído: 'Um quadro pintado pelo Portinari'. Ex. A coisa por seu símbolo.Metonímia Como acontece com a metáfora. a leitura imediata de uma metonímia nos revela uma impertinência. Alguns casos notáveis: A parte pelo todo. Substituto: 'Drummond' Relação de contigüidade: 'Drummond é o autor das poesias'. O continente pelo conteúdo. Substituído: 'Nazismo'. Substituído: 'alguns astronautas'. Decifração: 'Leu poesias do Drummond'. A coisa por um seu atributo.: 'A suástica paira sobre a Europa'. ao referente que atende a dupla condição de ocupar a posição do substituto e manter com este uma relação de contigüidade. deve ser pertinente a ele. Substituído: 'poesias do Drummond'. Decifrar a metonímia consiste em chegar ao substituído. Ex. Neste tipo de metonímia é comum o enunciado metonímico tornar-se símbolo do seu substituto. 'Cidade luz'. Substituído: 'velhice'. O leitor tentará resolve-la usando um algoritmo próprio para metonímias. O autor pela obra. A espécie pelo indivíduo. .

continente/conteúdo.. é simples reconhecer intuitivamente uma metonímia.O local pela coisa. São metonímias do tipo parte pelo todo. 'Completou quinze primaveras'. Observando uma boa amostragem de metonímias podemos induzir alguns tipos como: parte/todo. Este enunciado pode ser substituido por uma metonímia: 'Ficou sem teto'. Quando se usa a metonímia . Substituído: 'roupa'. concerto. Mas não é o que acontece. Substituído: 'O porta-voz da Presidência'. pois. O singular pelo plural: 'O imigrante povoou o norte'. No programa: Stravinski'. Só em princípio. É comum ouvir: 'Leu Aristóteles'. o que dificulta a redução da disparidade.: 'O Palácio do Planalto divulgou nota'. Ou seja. Para a metonímia ser bem sucedida algumas condições a mais precisam ser observadas. na segunda temos uma equivalência de quantidades. dali por diante. Tentativas para delimitar a metonímia Se apresentarmos alguns exemplos do que se entende por metonímia a uma pessoa que nunca estudou Retórica não será difícil.Também não se diz ' Amputou um dedo' no lugar de 'Amputou uma mão' emmbora a relação 'dedo'/'mão' seja do tipo parte/todo. A matéria pela coisa: 'Trajava um pano de primeira'. Cada tipo apresenta peculiaridades e é razoavelmente distinto dos demais. A dificuldade decorre de questões como: Dizer que uma metonímia se forma permutando a parte pelo todo é uma informação relevante mas não suficiente para gerar metonímias adequadas porque não é toda parte que substituindo o todo produz o efeito desejado. Analisemos o seguinte exemplo: 'Completou quinze anos'. Um exemplo: 'Após o incêndio ficou sem casa'. 'Completou quinze invernos'. para esta pessoa identificar outras ocorrências de metonímia que lhe sejam apresentadas. 'Hoje. Ex. boa parte das metonímias não se sobrepõe perfeitamente em significado às suas decifrações. O primeiro enunciado é a decifração das duas metonímias que lhe seguem. Por exemplo: a metonímia 'triste madrugada' tem uma tradução bem diversa da metonímia 'um quilo de batatas'. Modificação da mensagem pela metonímia Em princípio no enunciado metonímico o substituto equivale em significação ao substituído. Na primeira temos uma personificação. A metonímia que usa 'primaveras' é comum e batida. obra/autor e etc. Se a escolha da parte fosse arbitrária poderíamos obter boas metonímias dizendo: 'Ficou sem janela' ou 'Ficou sem parede' ou 'Ficou sem soalho'. mas é muito difícil dar-lhe uma definição compreensiva. Substituído: 'os imigrantes'. Mas já não se ouve 'Queimou uma Edison' no lugar de 'Queimou uma lâmpada' embora 'lâmpada'/'Edison' gozem da mesma relação obra/autor que existe nas metonímias válidas. A metonímia que usa 'invernos' não é adequada para substituir a que usa 'primaveras'.

'Homem' é um conceito semelhante à 'alguns astronautas'. Na metonímia 'O Brasil está clamando' procura-se amplificar a dimensão do fato. Modificação. Com a metonímia das 'primaveras' a mensagem além de afirmar um fato dá um juízo de valor sobre o fato. O que descarta o enquadramento do enunciado como metáfora é a falta da intenção de comparar. As funções da metonímia Economia. É o caso do exemplo 'Completou quinze primaveras'. Atenuação/agravamento. A metonímia 'O Brasil todo está clamando' não é equivalente por completo ao significado de 'Os brasileiros todos estão clamando'. No exemplo encontramos a metonímia. Nesta metonímia o clamor se extende para além do seu sítio natural. O substituto é 'homem enquanto espécie' e o substituído é 'alguns astronautas'.das 'primaveras' o discurso ganha um acréscimo de significação que não teria se fosse usado o enunciado não metonímico. Na metonímia 'Ficou sem teto' a dimensão do fato que envolve a perda de uma casa fica reduzida ao seu aspecto mais dramático. redução. Dizer 'Ficou sem teto' está mais próximo de 'Ficou desamparado' do que de 'Ficou sem casa'. Poderíamos dizer tratar-se de uma metonímia hiperbólica. Na verdade todas as características de 'homem' são pertinentes a 'alguns astronautas'. Agregado de conotação. A metonímia tem este potencial modificador da mensagem relativamente ao enunciado próprio. Ampliação. Metonímia e sentido preferencial . ampliação do espectro de significação do enunciado próprio. Também é plausível considerar o enunciado como uma metáfora. Também ocorre economia quando o enunciado metonímico tem significação mais extensa que a do enunciado próprio. Uma metonímia em que o substituto é menos extenso que o substituído se presta à economia. Ênfase. Muitos eufemismos/disfemismos são metonímas. Alguns tipos de modificação notáveis que a metonímia pode operar: Redução. Variar para não repetir. Interface da metonímia com a metáfora Alguns casos de metonímia se assemelham à definição da metáfora. Um exemplo: 'O homem foi à lua'.

Certos tipos de metonímia se impuseram de tal modo que a forma não metonímica que os substitui nunca é usada. 'Uma garrafa de leite'. 'uma caixa de tomates'. Quem haveria de usar as formas: 'Volume de leite que se contém em uma garrafa'. Exemplificando: As metonímias do tipo continente-conteúdo. 'um pacote de biscoitos'. Um enunciado para substituir a metonímia seria: 'Quantidade de massa de carne idêntica à da massa do protótipo padrão armazenado no Bureau Internacional de Pesos e Medidas'. 'Quantidade de biscoitos que cabem num pacote'. 'Tomates em quantidade para encher uma caixa'. Que seria da concisão sem a metonímia num caso como este? .Pela própria definição a metonímia é um enunciado que pode ser substituido por um enunciado equivalente e que admite leitura imediata. É uma metonímia do tipo: número de unidades de medida por quantidade. O enunciado 'um quilograma de carne' é mais pitoresco.

é uma ordem de edição. Diante de uma página de jornal o leitor selecionará de acordo com sua vontade a ordem de leitura. textos. A ordem de emissão escrita é muito influenciada pela convenção. No oral a ordem de recepção coincide com a de emissão. O caso mais notável é a ordem alfabética. Ordem de emissão É aquela que rege a emissão dos signos do discurso. etc. por exemplo. pelo corpo tipográfico maior. É o problema típico do jornalismo que tem de encontrar a melhor solução para ordenar no espaço títulos. Ordenação pelo significante É aquela em que a ordem das partes do discurso se estabelece a partir de características do significante. Uma decisão vital sobre ordem de edição é como distribuir na página partes do discurso segmentado. É provável que um leitor comece a leitura pelo título. Considerando conhecida a ordem de recepção é possível pensar num outro nível de ordenação que admite duas possibilidades: pelo significante ou pelo significado. legendas. Esta convenção é consequência da linearidade do discurso linguístico. Há dispositivos de Retórica para manipular sua vontade. Na escrita ocidental. de cima para baixo e virando as páginas no sentido anti-horário. seguindo as regras da atratividade. Romper ou não com as convenções é decisão para quem edita. ou seja. pelo texto de menor extensão. A exceção é a dos discursos orais sobrepostos. No discurso escrito é o leitor que decide a ordem de interiorização. Essa liberdade do leitor não é incontrolável nem arbitrária. Ordem de recepção É aquela que rege a interiorização do discurso. No discurso escrito a ordem de emissão é espacial. No discurso oral é linear e temporal. que arcará com os benefícios ou prejuízos disto. quando mais de uma mensagem é veiculada no mesmo lapso de tempo.Ordem O uso retórico da ordem é vasto Há vários tipos de ordem a considerar.. Exceção se faz à liberdade do ouvinte para concentrar sua atenção num ou noutro discurso nos casos de sobreposição. visual. cada signo é emitido individualmente numa seqüência ao longo do tempo. uma . No discurso oral esta ordem não está a critério de quem ouve mas de quem emite. convenciona-se que se escreva da esquerda para direita. subtítulos. Basta lembrar dos quartetos da ópera lírica ou da música coral.

Ordenação temática São as que dizem respeito não ao significante. e grau menor nas descendentes. Causal: Organiza-se pondo a parte que é consequência sucedendo a que lhe é causa. entendido este como grupo de termos sintáticos interrelacionados. a alfabética. Exemplo: se quisermos descrever o aparelho digestivo uma ordem topográfica possível seria começar pela boca.ordenação pelos grafemas iniciais correspondentes do discurso. que a rigor não é uma ordenação de temas mas de fonemas. egocêntrica: Vai-se do mais caro ao ego do receptor para o menos. de complexidade: É típica da didática que ordena as partes em ordem crescente de complexidade. eufemismo. de impacto psicológico: Se for descendente será disfemismo. mas ao significado. Algumas ordens temáticas importantes: Temporal: organiza-se o discurso pela coordenada de época associada às suas partes. É típica da descrição. Algumas ordens gradativas: de prioridades: usada no jornalismo por exemplo para a redação de notícias. de familiaridade: Vai-se do mais familiar para o menos. de background progressivo: Também típica da didática que só apresenta uma parte quando os pressupostos necessários a sua compreensão já foram colocados anteriormente. o estômago e etc. de preferências. A ordem sintática é determinada: . ou vice-versa. Aleatória: É na verdade a negação da ordem. nas gradações ascendentes.. de importância. É típica da narração. Gradativas: São aquelas em que o sucedâneo tem grau maior que o anterior. o esôfago. Ordem sintática É aquela dos termos sintáticos que se verifica nos limites do período. se ascendente. depois a faringe. Convencionais: por exemplo. mas que termina dando ao significado uma ordem neutra. Topográfica: Organiza segundo a seqüência em que as partes se apresentam no percurso de uma rota. Serve para obtenção de neutralidade ou quando a ordem não é um objetivo. como as de emissão e recepção.

pela gramática. A comunicabilidade da ordem sintática será maior na ordem direta. geralmente porque se julga seja mais usual e/ou de mais fácil processamento. O que é foco para um pode não o ser para outro. é necessário recodificar o período. prioridade ou outro critério que as organize numa escala de valor. etc. estéticos. pela estilística: donde resultam ordens conformes ou não aos padrões estilísticos vigentes. O final é a solução que se adota quando se pretende gerar expectativa. Geralmente são menos usuais e de processamento mais difícil. O começo é preferível quando deseja-se fixar a atenção do receptor de imediato com algo de impacto. Em certos casos para conciliar as duas pretensões: comunicabilidade e ênfase. o determinante é contíguo ao determinado. Ordem direta: É aquela indicada pelos gramáticos como referencial. A avaliação é subjetiva. Hipérbatos: são as ordens equivalentes à ordem direta. não são interpolados apostos e sendo mais usual não drena atenção para o significante. Ordens sintáticas equivalentes: são aquelas que para os mesmos termos sintáticos remetem ao mesmo referente. cada função sintática está onde é mais comum estar. As agramaticais podem ser ambíguas ou inintelegíveis. que facilita o processamento. Ordem sintática e foco do período As partes do período sintático podem ser ordenadas em função da importância. pela Retórica. abstraídos os nuances conotativos. Para enfatizar o foco através da ordem sintática deve-se ter em vista que as duas posições mais enfáticas são o começo e o final. situando o foco numa função sintática que possa assumir posição enfática sem prejuízo à comunicabilidade. pois. . que se sobressai pela importância. A parte a que se atribui maior valor é o foco da frase. donde resultam ordens gramaticais e agramaticais. É a solução típica do jornalismo.. impacto. O deslocamento do foco para uma posição enfática pode prejudicar a comunicabilidade do período.

minúsculas. Uma ortografia é um conjunto de regras que disciplinam a emissão do discurso na sua forma escrita. títulos.' Uma ortografia racional. Uma ortografia pode adotar como unidade mínima o fonema. horários. a sílaba. significação e estilo). provável. uso de grupos de grafemas (maiúsculas.. A unidade mínima terá como correspondente na emissão visual. que em geral remetem a idéias. racionalidade. apartes. se fonológica. com alguma reserva podem ser chamadas ideogrâmicas. É o sonho da ortografia racional. entre outras. A ortografia padrão se associa umbilicalmente ao idioma padrão. do 'se escreve como se lê.Ortográficos Antes do enfoque retórico para a questão ortográfica vamos comentar algo sobre a ortografia em si. o morfema. tanto que oficialmente não se considera grafias . de forma correta. regras para grandezas numéricas (numerais. metalinguagem. uma versão cursiva para o conjunto de grafemas o mais possível parecida com a versão tipográfica. frases. simplicidade. ressalvas (de conotação. generalidade. unidades métricas. encraves. remissões. unidade de estilo gráfico para o conjunto de grafemas.. economia.) Ortografia padrão É aquela que independente de suas qualidades leva a referência oficial de forma socialmente preferida. pois remetem a palavras.. Ortografia racional Todos que já se defrontaram com as dificuldades de aprendizado e as imperfeições das ortografias correntes.). As ortografias que usam o alfabeto romano são fonológicas. datas.). sonham com uma ortografia que tivesse qualidades tais como simplicidade. para foco (citações. etc. estrangeirismos. os grafemas mais simples e de traço rápido legados aos fonemas mais usados. grafia de variantes de pronúncia. segmentação do texto. etc. como locuções. entoação. o grafema. a palavra. etc. alta legibilidade. nomes.. Também pode ter representação unitária para categorias superiores à palavra. o que nos servirá de ponto de partida para propósitos posteriores. deveria atender um mínimo de preceitos como: um fonema para um grafema e um grafema para um fonema. univocidade. facilidade de aprendizado. etc. escrita. abreviaturas. que é uma forma traduzida da forma oral. Ortografias que usam como unidade mínima a palavra. legibilidade. diálogo.

o discurso escrito da fala. tais como: foco narrativo. pode-se grafar variantes de pronúncia. . Algumas características da ortografia padrão ocidentais: Privilégio do idioma padrão: considera-se que a ortografia deve reproduzir no escrito apenas a variante padrão do idioma. É esta transgressão que permite aproximar. salvo as exceções em que a entoação é o meio único que o código utiliza para estabelecer a comunicação. fruto de um processo longo que valoriza a tradição. omissões. que precisam ser preenchidas pelo usuário. uso de metalinguagem. os dígrafos. A ortografia padrão abstrai a entoação. crítica ou especulação. os fonemas que só são representados por dígrafos. mesmo a comunicativa. racional e simplificada. etc. É pela transgressão que se produzem efeitos de estranhamento. É bem aceita e o que dela se afasta é reprovado. ocasiões raras. geralmente por editores.. Isso se explica porque na sua origem a ortografia foi estabelecida por grupos que detinham o privilégio da escrita e que se identificavam com a forma padrão do idioma. em especial se por desconhecimento do padrão. O desvio do padrão é chamado de erro. etc. por exemplo. a entoação é esquecida completamente pelas regras ortográficas. Prova disso são as intermináveis exceções à regra. Transgredindo a ortografia padrão.para variantes regionais ou populares de pronúncia. segundo critérios próprios. daí resultar pouco econômica. os fonemas que possuem mais de um grafema. os grafemas que representam mais de um fonema. variantes culturais. Recursos retóricos ortográficos Muito do que se pode chamar de recursos retóricos ortográficos envolvem de algum modo a transgressão da ortografia padrão.. A ortografia padrão tem alta sociabilidade. As ortografias padrão tem lacunas. Assim no vocabulário ortográfico brasileiro registra-se 'mulher' mas não 'muié'. As ortografias padrão são obra coletiva. Por outro lado autores podem estabelecer suas próprias convenções ortográficas para grafar aspectos do discurso não cobertos pela ortografia padrão.

Quando se diz: 'reparar o irreparável ultraje' está se pondo em evidência a impossibilidade do ultraje ser reparado. no oxímoro a idéia é deixa-lo bem visível. Enquanto na contradição propriamente dita houve o lapso ou a intenção de escamoteamento. um ponto de vista. O oxímoro é uma contradição no nível da leitura imediata. É lançado para que se decifre e decifra-lo envolve dissolver a contradição. O oxímoro é um recurso de semântica aberta. Cabe a quem o assimila fechar as lacunas. Ao se dizer 'conseguiu o impossível' evidencia-se que aquilo que se julgava impossível apenas parecia impossível. Uma afirmativa. Para dissipar a contradição o receptor é levado a fazer hipóteses tais como: Que a natureza do referente tratado no oxímoro é diferente daquela que se supõe no nível imediato. ou seja. obrigando quem quer assimila-lo a refletir sobre o porque de sua presença. não o é sob outro. Quem o emite abre possibilidades de decifração. faz-se a conjunção de duas proposições onde uma é a negação ou implica na negação da outra.Oxímoro É um enunciado contraditório a primeira vista. porque se finge que estão certas. Evidenciar a contraditoriedade. O que diferencia o oxímoro da contradição propriamente dita é a intencionalidade do primeiro. a proximidade dos termos contraditórios. mas sob outra visão tudo está errado. . O que se diz verdadeiro sob um aspecto. Quando Drummond nos fala em 'Claro Enigma' é plausível supor que aquilo que se julga um enigma na verdade não o é ou que o próprio conceito de enigma é um embuste. Quando se diz: 'tudo certo como dois e dois são cinco' é plausível supor que sob certo prisma as coisas estão certas porque parecem certas. outra negativa. a visibilidade flagrante e a admissibilidade de uma decifração. Deve-se tomar o enunciado em duas acepções.

a repetição tem que ser percebida. ritmo.. etc. gramatical.. Um exemplo: 'Come para viver ou vive para come?' A repetição é praticada por razões diversas. ' Porque o conceito surge repetidas vezes ao longo do discurso... Para retomar um conceito provisoriamente inconcluso ou não desenvolvido por razões didáticas. proximidade. Esta é a regra geral do léxico. Um exemplo: Hamlet. Por exemplo: uma biografia de Sheakespeare não conseguirá evitar contínuas repetições da palavra ' Sheakespeare. Outros fatores estão ligados à codificação. . C porque . B e C. sua concentração. Isso depende de vários fatores.. entre eles a raridade. monotonia.. Repetição de formas com diferentes funções. Igualmente são redundantes. Exemplo: 'Há três razões: A. ênfase e freqüência. Repetição de funções sob diferentes formas. palavras'. Melhora com a atratividade do elemento que se repete. Repetição de palavras de largo uso como a das classes gramaticais fechadas (artigos. bom ou mau. preposições. etc.. tipicidade. pronomes) só é percebida se houver outro fator favorável como proximidade e/ou . Não há redundância. Para estes podemos dizer que a percepção da repetição melhora devido a fatores como: atratividade. sua atenção.. São ocorrências redundantes. Poucas palavras ocorrem muito e muitas palavras ocorrem pouco. Por exemplo: no português o dígrafo 'ss'. Neste caso pratica-se para sugerir obcessividade. Entre esses fatores estão os ligados à qualificação do receptor. B porque . diz: 'Palavras. Vários fatores determinam a atratividade. Para enfatizar. Para criar rima. suas qualidades de observador. as vezes sobrepostas. Há três casos de repetição: Repetição de formas de mesma função. perguntado sobre o que lia. tais como: Icônica.. A porque . Por ser uma repetição estrutural da língua. Para criar trocadilho.Repetição A repetição como recurso de Retórica é praticada em diversos níveis: fonológico. palavras.' Por não se usar o zeugma. gráfico.. raridade. Para criar redundância. Perceção do repetido Para surtir efeito.

A solução oposta.frequência alta. Repetição: qualidade ou defeito? A repetição pode surtir efeito positivo ou negativo conforme a impressão que suscita. Maior número de repetições. ou seja. A rima literária. de prolixidade. Repetir ou usar sinônimos? Nos discursos em que um conceito é citado diversas vezes o emissor tem de escolher entre repetir sempre o mesmo signo para designa-lo ou então usar sinônimos. à inadequação contextual. de limitação da qualificação do codificador. pela tipografia. Não há regras infalíveis para detectar quando a repetição descamba da qualidade para o vício. . se enfatiza. Exemplo: 'Subir para cima' que equivale a 'subir e ir para cima'. não faça o mal'. A ênfase se consegue de vários modos: pela posição. Neste caso uma parte do enunciado é implicação óbvia da outra. O efeito é negativo quando o que se suscita é impressão de excesso. mais possibilidades de percepção do efeito. é colocada no final do verso. Melhora com a frequência das repetições. por exemplo. de descuido na elaboração. Melhora com a ênfase sobre a repetição. pela entoação. ou seja não se faz rima literária separada por mais de dois versos. um ritmo. Pleonasmo Quando o efeito da repetição extrapola certo limite subjetivo e a repetição é considerada uma trivialidade. o que em si catalisa a percepção. que é uma posição enfática. nos casos de maior afastamento usava o esquema ABBA. A percepção do repetido melhora com a proximidade dos elementos repetidos. por vezes. leva ao pedantismo. Há dois tipos de pleonasmo: Pleonasmo de repetição. Um enunciado é a negação do contrário do outro. um excesso. de tal modo que há comicidade temos o pleonasmo. etc. Se a repetição é periódica. No caso de repetir corre o risco de cair no excesso. cria-se uma regularidade. Exemplo: 'Chove chuva'. Ex. A decisão é estética. 'Faça o bem. um supérfluo.: 'Banco do Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul.' Já a repetição de palavras raras é percebida mesmo sem proximidade ou frequência. por exemplo.. se é um ritmo ela cria a expectativa da próxima repetição. A avaliação é toda subjetiva. à estranheza. 'frígida neve'. A rima literária. O efeito é positivo se produz-se iconia. se cria-se atmosfera. 'Pleonasmo de repetição é redundante e repetitivo'. O efeito não seria percebido. 'cadáver mudo'. Pleonasmo de trivialidade.

insegurança... O ritmo quaternário: intensa. Redundância .. fraca. Ritmo Ritmo é a repetição periódica de uma seqüência chamada compasso. Chegaste/ Tu vinhas fatigada e triste/ e triste e fatigado eu vinha.. do metro. a repetição simétrica tem a forma geral ..A. provavelmente movida pelo mesmo princípio de ordem e unidade que norteava o uso da rima. Um exemplo: 'Cheguei. ou num ritmo da métrica. A antimetábole é ao mesmo tempo repetição simétrica e trocadilho. é próprio a textos que sugerem velocidade. suavidade.. Assim: O ritmo binário: intensa..B. que é linear. fraca. fraca.C..' Olavo Bilac.. Em literatura o ritmo mais comentado é o da intensidade das sílabas do discurso mas pode-se falar num ritmo das rimas se o poema tem rimas ocorrendo em posições fixas. Para que ocorra sistematicamente é preciso intenção e elaboração. É repetição periódica do número de sílabas. Métrica Métrica é uma regularidade quanto ao número de sílabas de cada segmento de discurso compreendido entre duas pausas nítidas de entoação. fraca.A caracterização do pleonasmo é contextual e subjetiva.A.C. Em linguagens não lineares há outras possibilidades de simetria. da estrofe e pela origem musical da poesia. etc. intensa. é mais adequado para significados relativos a equilíbrio.. Pode-se comer outras coisas além de comida. que classificamos como trocadilho. segurança. distanciamento.. violência. Um caso especial de repetição simétrica é a antimetábole. A poesia anterior ao modernismo valorizava o ritmo das sílabas intensas. pressa. vagar. Há autores que apontam iconias relativas aos ritmos das sílabas intensas.B. persistência. fraca. impacto. é mais adequado a significados relativos a desequilíbrio. Quiasmo Quiasmo é repetição simétrica.. leveza. O ritmo ternário: intensa. O ritmo nos discursos espontâneos é esporádico e acidental. fraca . O enunciado 'Comer comida' não pode ser rotulado como pleonasmo fora de um contexto.. calma. Na língua.

desatenção. o semântico. Os elementos que permanecem tem a propriedade de se distinguir de outros . Existem e com elas se convive. 'viajamo' e 'voltamo' dos verbos 'fomos'. As variantes existem em função da inércia que faz o idioma se transformar no sentido da economia. incompreensão. Existe uma redundância de código que é inerente a estrutura da língua. Temos abundância porque são necessários dois elementos para uma só função. Neste caso o idioma utiliza mais fonemas que o necessário ao cumprimento da função. Para este enunciado existe alternativa não redundante e não se fere a estrutura da língua com este ganho de concisão. noutros qualidade. Exemplo: No nível fonológico: As variantes prosódicas 'fomo'. O elemento abundante pode hipoteticamente ser eliminado sem inviabilizar a função. ótimo'. Outro exemplo no nível ortográfico: 'ss' no português é um dígrafo que representa o fonema sibilante 's' em algumas palavras. Em outros casos sua função é dar ênfase a uma mensagem. São elementos que juntos e só quando juntos desempenham uma função. Um exemplo: 'Eu faço'. o sintático. A redundância de discurso pode ocorrer espontânea ou intencionalmente.. Os fonemas 's' finais são abundantes na caracterização da primeira pessoa do plural do verbo. Esta frase no português tem uma redundância estrutural que é a determinação do sujeito da oração tanto no pronome como na flexão do verbo. a não ser que se altere a estrutura da língua. A abundância igualmente à redundância também ocorre no nível de código e de discurso. é a junção dos dois e só dos dois que cumpre a função. Intencionalmente. Abundância É a característica da forma que apresenta mais elementos que os hipoteticamente suficientes para o cumprimento de sua função. Em certos casos é considerada defeito. neste caso dois elementos iguais. A redundância aqui é no nível semântico. pois. tanto que podem ser eliminados sem que se perca a função. Redundância de discurso é aquela que resulta da liberdade do emissor para escolher entre as várias possibilidades gramaticais válidas na língua. Temos uma repetição de grafemas. excelente. ela é praticada como uma precaução contra danos à transmissão causados por ruídos. etc. mas não uma redundância de grafemas. o mesmo significado é veiculado três vezes. 'viajamos' e 'voltamos' ilustram uma abundância fonológica estrutural da língua. Para elimina-la poderia ser usada a forma: 'Faço'. Um exemplo: 'Muito bem. Muitas das redundâncias de língua não apresentam alternativa concisa.É a repetição de funções com ou sem repetição de formas e pode se dar em diversos níveis: o fonológico. anomalias. Cada idioma tem suas redundâncias estruturais.

Nela nenhum elemento do discurso poderia ser suprimido sem prejuízo à mensagem. No exemplo das variantes dos verbos do português fica claro que o 's' não é necessário no papel de distinguir aquela forma de outras flexões para o verbo.elementos de mesma classe. Uma linguagem artificial otimizada para a economia seria livre de redundâncias e abundâncias. um dos quesitos para a suficiência é o da distinção. . Todos os elementos teriam função distintiva. quer dizer.

Sendo repetição. na parte posterior da palavra. Rima clássica é aquela que se verifica entre palavras. reforçada por uma longa tradição de poesia rimada e também pela estranha regra estilística da indiferenciação fonológica na prosa. a frequência das rimas e a ênfase sobre ela. Igualdade de métrica. 'cópia'. Aliteração é a repetição difusa de fonemas. Talvez nenhum recurso de Retórica esteja tão associado ao discurso de intenção poética quanto a rima clássica. 'extrato'. rima é toda semelhança fonológica entre as partes do discurso. A rima tem por característica drenar considerável atenção sobre o significante. Isso depende de fatores como atratividade dos termos rimados. 'tântalo'. quando temos a mesma seqüência de fonemas a partir da vogal mais intensa. Praticada sistematicamente dá ao discurso uma impressão de ordem. Praticamente não há manual de estilística que não prescreva o expurgo da rima na prosa. para surtir efeito a rima tem de ser percebida. 'fina'. Anteriores: 'copo'. Praticada de forma periódica cria expectativa no receptor que passa espera-la nas posições fixas.Rima Genericamente. de unidade. 'firma'. de tal modo que é quase inevitável rotular o discurso rimado como discurso de intenção poética. Aristóteles já dizia que não é assim. como na poesia clássica é preciso intenção e em certos casos até virtuosismo. para que apesar de elaborado transpareça naturalidade. Difusas: 'tártaro'. Rima é repetição no nível fonológico. . que se pode fazer rima em qualquer modalidade de discurso e que não é a presença da rima que converte o discurso em poesia. Alguns exemplos de rimas entre palavras: Posteriores: 'rima'. 'cópula'. 'prima'. do distanciamento entre os termos rimados. 'lima'. Para que ocorra sistematicamente e em posições fixas. Mas a associação existe. Também pode ser arrolada como caso de rima. 'tratado'. No discurso espontâneo a rima só ocorre esporádica e acidentalmente. inclusive. Igualdade quanto a colocação de acentos de intensidade.

Nesse caso a função só se cumpre se o parágrafo for uma unidade temática.. Consiste em segmentar o discurso após a conclusão de um período sintático iniciando o segmento novo alinhado na margem esquerda. Mudança de página.Segmentação O discurso é segmentado em unidades discretas em todos os níveis linguísticos: no fonológico. Uma diferença relevante entre segmentação lingüística e retórica é o fato que a retórica se dá também num nível superior ao gramatical. Interpolação de títulos.. Por exemplo: 'Vamos à outra parte .' Interpolação de títulos. Diferenciação editorial. Caixas. As funções do parágrafo podem ser de atratividade. Balizas.. Por exemplo: o verso e a estrofe são recursos de segmentação no nível do significante que podem corresponder ou não a segmentações no nível do significado. Pode ser também de acessibilidade. Parágrafo O parágrafo é um recurso de edição. se a segmentação do parágrafo tem por correspondência uma segmentação temática. Segmentação pelo significante No discurso oral a segmentação se dá por recursos como: Pausas. O parágrafo funciona como ponto de entrada para o texto. com ou sem recuo para a direita. O discurso é segmentado no nível do significante geralmente para acompanhar uma segmentação no nível do significado. Além da segmentação com funções lingüísticas há segmentações retóricas e segmentções estilísticas. no sintático e no semântico. . A segmentação do discurso pode se dar na área do significante e/ou do significado. no gráfico. Pontuação. 'Mudando de assunto . Parágrafo.. ou seja. Mas há casos que isso não ocorre. Mudança de linha. no morfológico.'. Um verso ou uma estrofe com encadeamento não correspondem a um segmento temático. No discurso escrito a segmentação se dá por: Espaços em branco.

etc. Contudo a regra consta nos manuais de gramática normativa. Separar provérbios em hemistíquios: 'Quem usa as cabeças. No oral a pontuação se caracteriza pelo uso da pausa. Segmentação e comunicabilidade A segmentação pode aumentar ou restringir a comunicabilidade dependendo do modo como é praticada. No escrito há vários grafemas que caracterizam pontuação. o grande filósofo grego. outra retórica e uma terceira que é estilística. o de exclamação. seja ela uma palavra. As funções retóricas da pontuação podem ser: . a oração. a locução. Por exemplo: ao praticarmos uma segmentação temática beneficiamos a acessibilidade. uma locução. Se divide-se uma palavra em dois segmentos de linha na hora da edição prejudica-se a pronunciabilidade.Há quem defina o parágrafo como a unidade temática mínima. Exemplos de pontuação estilística no português: Colocar entre vírgulas conjunções adversativas: 'Fez. não usa os pés'. é autor dos Tópicos'. mas isto só é válido para uma parcela dos parágrafos observados. Como as conjunções por natureza se destinam a delimitar orações as vírgulas são redundantes. Paulo e José se apresentem'. porém. um conceito. mal feito'. os dois pontos. Nos apostos: 'Aristóteles. o travessão. Por exemplo: vírgula. Aqui a pontuação serve para distingüir as partes de uma enumeração. Há uma pontuação lingüística. nomes.. Pedro. A segmentação é usada meramente por respeito a uma tradição. Além destes temos outros que apresentam outras funções acumuladas com a de pontuar. ponto e vírgula. Alguns exemplos de pontuação lingüística no português: Nas enumerações: 'João. um termo sintático. Outros exemplos: No discurso escrito segmentando a palavra. perde-se em comunicabilidade. Pontuação Pontuação é um tipo de segmentação. locuções e termos sintáticos em dois segmentos de linha. São exemplos o ponto de interrogação. o termo sintático. Por isso no jornalismo evita-se dividir palavras. ponto. uma oração. Como regra geral pode-se afirmar que a segmentação prejudica a comunicabilidade toda vez que rompe uma unidade.

segmenta-se os segmentos. O desrespeito às regras de pontuação lingüística pode trazer danos a comunicabilidade na medida que cria obstáculos. Os segmentos de nível 2 tratam todos do tema relacionado ao segmento de nível 1 que os contém. à decifração. Isto tem sido usado em literatura deliberadamente. as vezes intransponíveis. Os segmentos de nível três só são contidos em segmentos de nível 2 e l e assim sucessivamente. Os segmentos de topo são de nível 1. enfatizar o que se coloca entre pausas ou contestação estilística quando se rompe com uma norma de estilo. Certos autores usam do expediente da eliminação da pontuação com objetivo de reduzir a comunicabilidade do discurso. Tipografia específica para o texto. Também há estruturações em nível que refletem uma taxonomia.Determinar a entoação. Os segmentos de nível 3 tratam todos do tema relacionado ao segmento de nível 2 que os contém. No discurso escrito o nível do segmento na estruturação pode ser caracterizado por: Tipografia específica para o título. Os segmentos de nível 2 são os que só são contidos por segmentos de nível l. Neste caso os segmentos de nível 1 tratam do tema genérico do discurso. . Segmentos de topo: os que não estão contidos num segmento maior. Numa estruturação em níveis identificamos três tipos de segmentos: Segmentos de ponta: os que não são formados por segmentos menores. Segmentos intermediários: os que estão contidos num segmentos superior e contém segmentos inferiores. mas só por texto. Estruturação em níveis Tanto na segmentação pelo significante como na pelo significado pode haver estruturação em níveis. Geralmente a estruturação em níveis se corresponde com uma hierarquia temática. ou seja. Podemos para cada segmento atribuir um número ordinário de nível. E assim por diante. Na estruturação em níveis pratica-se a segmentação na segmentação. Marcadores específicos para status.

. que não precisam ser iguais. alínea. parágrafo. Status de um segmento é um valor a ele atribuído relativamente aos demais. Um segmento numa estruturação por nível tem um número ordinal de nível e outro de status. Exemplo típico de atribuição de status é a sequência: tomo.A cada segmento de uma estruturação em níveis é possível atribuir um status que pode ser correspondido a um número ordinal de status. ou a um nome. artigo. embora o de status não possa ser maior que o de nível. capítulo.

Isto melhora a atratividade. No discurso escrito diversos recursos de edição são criados para facilitar o acesso do receptor ao título. linhas em branco antes e depois. O título como recurso de atratividade Naqueles tipos de discurso em que o contato e a sintonia do receptor precisam ser conquistados o título desempenha um papel de destaque. no cabeçalho do texto. curto o suficiente para ser lido numa só acomodação visual da retina. possibilita uma leitura automática. Esta situação ocorre algumas vezes em discursos cujo título não pode ser excluído sob pena de alterar ou impedir a inteligibilidade do discurso como um todo. etc. Nesta função funciona como uma referência ao tema. O título como recurso de acessibilidade Para um discurso ter o máximo de acessibilidade ele deve ser ao máximo segmentado e cada segmento identificado facilmente quanto a sua natureza. O título curto é melhor para a memorização. a parte do discurso que se lê primeiramente. no cabeçalho da página. está na primeira página de um livro. A convenção estabelece tradicionalmente que a primeira parte de um discurso escrito a ser lida é seu título. Ser curto. É um recurso de acessibilidade que presta um esclarecimento temático sobre a natureza do discurso que nomeia. itálico. via de regra. Há várias formas de esclarecimento temático: .. sublinhado. De preferência. É um recurso de atratividade que funciona como ponto de entrada no discurso. pois. o que é uma virtude para nomes. Neste papel de ponto de entrada para o texto o título ganha a responsabilidade de fixar o receptor. independente de decisão consciente e atenção concentrada. O título pode cumprir este papel de esclarecer a natureza do discurso que nomeia. O título fazendo o esclarecimento temático do texto a que se liga. É uma parte ativa do discurso.Título Um título é um segmento isolado do discurso que cumpre uma ou mais destas funções: É um nome para o discurso. O título é a primeira parte do discurso que o leitor busca. Este é um dogma moderno para títulos que tem a ver com a atratividade. Para ele a edição reserva corpo tipográfico maior ou outro recurso de destaque como negrito. O título.

atratividade. são a revelação do foco da notícia. Títulos de notícias são um caso especial de títulos temáticos. informativo e objetivo. São exemplos os livros cujo título é o nome do protagonista. no jornalismo tem a função de esclarecer o tema do texto. O título atrai e o olho esclarece. É típica do ensaio. impacto. Metonímico: se refere a algo contíguo ao tema. Olho é um texto um pouco mais longo que o título. Alegóricos: O título é uma alegoria ao tema. sua parte de maior importância. O título noticioso é o núcleo da notícia.Genérico. Olho Olho é um segmento relativamente bem menor que o segmento principal que se refere ao segmento principal esclarecendo-lhe a natureza do referente. pois. Por exemplo: 'Arte Poética' e 'Arte Retórica'. O olho. Podem ser considerados metonímicos. Exemplo: 'A Metamorfose' ou 'O Processo'. .

Exemplo: 'Mineira gostosa'. O trocadilho pode ser intencional ou acidental. Atribuir o mesmo determinado da atribuição anterior próxima. como ocorre na cacofonia. O signo pelo significado.' Slogan de uma escola de natação. Sintáticos Permuta de posições. É a antanáclase. Usar o mesmo termo duas ou mais vezes num enunciado. Slogan de um restaurante de comida mineira. Exemplo: 'Homem grande' versus 'grande homem'. Permuta de funções sintáticas. semelhança que pode chegar à identidade. Inclui o caso da locução pela frase não entendida como locução. Entre parônimos: Exemplo: Os integralistas diziam: 'Deus. em cada uso com sentido diferente. 'Lavrador lavra dor'. O termo elíptico por outro. Alguns trocadilhos relacionam uma paráfrase com seu parafraseado. Pátria e Família'.: 'Em vão os sonhos se vão'. Pátria e Família' e o Barão de Itararé contra atacava: 'Adeus. um deles elíptico. por vezes.Trocadilho O trocadilho resulta de uma semelhança formal entre dois enunciados. São os qui pro quos. Exemplo: 'Dizer . Exemplo: 'Qual o nome do produto?' 'É Sem Nome'. Semânticos O sentido imediato pelo sentido largo. Tipos de trocadilho Fonológicos Resultantes da alteração na colocação das pausas. É a antimetábole. Os trocadilhos elípticos não deixam de ser um tipo de ambigüidade intencional. 'Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil'. Entre polissemias: Exemplo: 'O que você faz aqui? Nada. Um trocadilho fonológico pode ser visto como rima. Exemplos: 'Come para viver ou vive para comer?'. Ex. Exemplos: 'Dever de ver'. Entre homófonos: Exemplo: 'Sem conserto do piano não há concerto'. 'Por cada' versus 'porcada'. Contextuais.

. Neste trocadilho 'mais' se refere à mensagem e 'menos' ao discurso. No exemplo do trocadilho do Barão de Itararé: 'Adeus. Cacofonia É o trocadilho fonológico acidental e cômico em que o enunciado elíptico implícito. Pátria e Família' o cômico resulta da relação de oposição extrema entre a paráfrase e o parafraseado. Há ainda o caso do trocadilho em que o efeito resulta da relação que media os dois enunciados. Há trocadilhos com intenção crítica. obsceno. onde se deseja transferir para um enunciado o suscitado pelo outro. Funções do trocadilho O efeito do trocadilho resulta da observação de duas formas semelhantes com sentidos de algum modo relacionados. etc. inesperado pelo emissor resulta no chulo. O trocadilho resulta de se atribuir 'menos' à mensagem.mais com menos'. no grotesco. geralmente da paráfrase para o parafraseado..

Este exemplo é de uma hipálage lexicalizada.' Indicação de ordem: 'Primeiramente .. implícito mas previsível.' Índice de segmentação: 'Vamos à outra parte . Ficaram parados..'. se digo..'. 'Enfiou a cabeça no chapéu' produz-se estranhamento.. A silepse como solução para a concordância dos termos compostos: 'Eu e ele fizemos tudo'. que não funciona como recurso de Retórica mas como forma padrão.. que poderia substituir com pertinência o termo discordante. Na maioria das ocorrências a silepse não é recurso de Retórica. ' Gritado . A silepse é mais comum como anomalia e como solução para o problema de concordância dos termos compostos. Uma ou mais flexões da frase discordam do termo sintaticamente ligado..'... Neste exemplo o verbo não concorda com nenhum dos dois sujeitos. Concorda com a idéia de conjunto.. Exemplo: 'A dupla não fez nada. Em certos casos é difícil discernir se a silepse tem característica de recurso de Retórica ou de anomalia.. 'Ressalto que .. Alguns exemplos: Sinalização para ênfase: 'É bom frisar . O conceito 'cidade' pede concordância no feminino. Silepse A silepse numa leitura imediata é uma anomalia de concordância. Hipálage A hipálage é um recurso de Retórica ou uma anomalia do discurso? Quando digo: 'Enfiou o chapéu na cabeça.' não há estranhamento. O conceito 'São Paulo' pede concordância no masculino.Outros recursos Balizas Balizas do discurso são frases que parafraseiam as funções de diversos recursos de Retórica. Via de regra a concordância se dá com um termo hipotético.. Os verbos discendi são exemplo: 'Disse ele:'... Ao contrário. A . 'Por fim .'. Indicar foco.' Indicar entoação: 'Pausadamente . Exemplo: 'A populosa e dinâmica São Paulo'. Existe uma pseudo-silepse que surge quando um nome pede concordância diferente da que o conceito que ele representa pede.' Neste exemplo não há como prever se houve intenção ou lapso. A substituição não causaria prejuízo à mensagem.

O anacoluto assemelha-se à elipse. No discurso espontâneo o anacoluto surge em função de má codificação. As frases são construídas de modo a considerar algo como agente e algo paciente. ou por se arrepender do que começou.. o covarde seus feitos inveja. não é então recurso de Retórica. Logo depois vem a frase . Por ser sintaticamente incompleto o anacoluto fica semânticamente incompleto. É típica do discurso oral informal.' 'A rua onde moras. ou porque começou a emitir sem ter em mente o final. Geralmente. a falta se dá no final do enunciado. Como no processo de colocar o chapéu na cabeça o deslocamento é realizado pelo chapéu sob o ponto de vista da subjetividade de quem observa o chapéu entra na estrutura da frase como agente. '.' 'O forte. Na Retórica clássica há uma definição de anacoluto que preferimos arrolar como um caso particular de retomada. Um exemplo: 'Para bom entendedor. ' Os termos 'Essas criadas de hoje'. Não. não.. É uma atribuição impertinente onde o que se atribui é pertinente ao que está contíguo na estrutura da frase. que também é frase incompleta. da frase elíptica se extrai um sentido completo. a hipálage deriva de uma confusão de atribuição de funções sintáticas. Falta-lhe termos sintáticos. não se pode confiar nelas. geralmente de tempo real. Exemplo: 'Hum. talvez esteja na psico-linguística. Diferem no fato que na elipse a parte ausente é previsível. para possibilitar plurissignificação. Há três modos de ocorrência da hipálage: como anomalia.. quer dizer .. Anacoluto É a frase incompleta. 'O forte' e 'A rua onde moras' são postos em destaque pela citação desligada de outros termos sintáticos. As ocorrências como padrão linguístico geralmente derivam de uma anomalia que se consagrou no uso. talvez se a gente . Como recurso retórico o anacoluto ocorre quando a suspensão do enunciado é intencional e deixa a continuação apenas sugerida pelo contexto.explicação para o estranhamento. Exemplos: 'Essas criadas de hoje.' Bloqueia-se a continuidade do enunciado para fins de atenuação... Ocorre porque o emissor se arrepende da solução que iniciou. No caso 'enfiar' tem sentido de 'colocar'. vejamos. Enquanto recurso de Retórica a hipálage tem mecanismo semelhante ao da metonímia. nela é que desejo morar. E se eu fizer ... Apesar de incompleta. Quando ocorre como anomalia. como forma típica padrão e como recurso de Retórica.

como conter todos os elementos do universo considerado e não haver interseção de domínios. Não é resultado de codificação defeituosa.. Diferencia-se da enumeração com paralelismo pois.. Geralmente os elementos de uma enumeração são comuns a uma classe. Optativa não exclusiva. esta Retórica agora . Representada pela conexão 'e/ou'. o que prejudicaria a comunicabilidade. o progresso justo'. Enumeração ordenada: é aquela em que a disposição dos elementos na seqüência admite algum tipo de ordem. O anacoluto citado pela Retórica clássica é uma forma de retomada com fim enfático. e C devido a . B porque . O que dizer dela?' . Há três tipos de enumeração: Aditiva. Hipoteticamente pode-se supor uma enumeração caótica.onde se encaixariam e onde são substituídos por pronomes. Quando isso ocorre temos uma enumeração com paralelismo de similaridade. Para rememorar um termo cuja determinação ficou em suspenso após uma digressão.'.. Enumeração classificada: Quando os termos da enumeração são classes de uma taxonomia. de deturpações. Exemplo: 'Só um progresso importa.. no paralelismo não existe a obrigatoriedade de atender às regras que definem uma taxonomia.. Tipicamente representada pelo conetivo 'e'. É um recurso de ênfase. de adaptações às necessidades de época. Retomada Retomada é a segunda introdução de um elemento sintático como ocorre no exemplo: 'Os motivos são A. Optativa exclusiva. Se isto é possível na prática é questão duvidosa.. Exemplo: 'A Retórica que por longos séculos foi objeto de exegese.. Exemplo: 'A juventude de hoje.. B e C. A retomada se dá por motivos diversos como: Para desenvolver o tema sem o uso de parênteses.'. Enumeração na enumeração: há casos em que um ou mais elementos da enumeração são enumeração. Representada pelo conetivo 'ou'. A porque . Para enfatizar uma determinação.. Enumeração Enumeração é a seqüência de pelo menos dois elementos de mesmo status sintático no discurso. aquela em que os elementos são totalmente disjuntos.

o esperado e o acontecido. o que é e o que deveria ser. etc. é muito pouco. Exemplo: 'É um tédio que é até do tédio. Gradação de determinantes É a seqüência de atribuições a um determinado.' F. Paralelismo de similaridade É a sucessão de partes do discurso que tem entre si uma relação de similaridade de conteúdo.D.. por isso nem tudo que pode-se chamar de paralelismo tem proveito retórico. o moral e o imoral. que amava Raimundo. 'A quem ama. Pessoa. Exemplo: 'João que amava Maria. o belo e o feio. Um objeto referido é o oposto do outro como o bom e o mau. é aberta.. Atribuição reflexiva Ocorre quando se faz uma atribuição de qualidade sobre a própria qualidade. pouquíssimo.. Alguns exemplos de relação adicional: Os opostos são: a realidade e a aparência. o utópico e o pragmático. Neste sentido podem ser chamados de paralelismo a equivalência de definição e o sofisma da contrariedade camuflada. Para caracterizar o paralelismo basta apenas a citação dos contrários em partes contíguas do discurso.D. Redobro sintático Ocorre quando o terceiro termo sintático tem com o segundo a mesma relação que o segundo tem com o primeiro. a seguinte num grau superior ao anterior se ascendente e o contrário de descendente. o feio. é mais que pouco.. aqui.' C. Exemplos: 'Dizer mais com menos'.' C.de Andrade. O termo 'tinha uma pedra' serve a dois adjuntos. Exemplo: 'No meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho. O proveito costuma aparecer quando existe uma relação adicional entre os opostos ou similares que compõe o parelelismo. A primeira é paralelismo de similaridade e o segundo de contraste.Superposição sintática Ocorre quando um termo sintático desempenha função dupla no período. Exemplo: 'É pouco. bonito lhe parece'. o prometido e o acontecido. de Andrade.' Paralelismo de contraste Ou Antítese é a referência num mesmo discurso a objetos que mantém uma relação de contrariedade. que amava . A definição de paralelismo. Como a definição de paralelismo é aberta também não se considera em que . etc.

a 'beleza' é o atributo e 'flor' o comparante. Assim como no parêntese sintático a parte do segundo discurso que sucede o parêntese é a continuação da parte que o antecede. o enunciado parentético: 'Aristóteles. obrigando assim o receptor a uma retenção provisória de termos sintáticos órfãos. Comparação É formada por três elementos. O parêntese prejudica o processamento do discurso. um desvio do núcleo temático. escreveu 'Arte Retórica". Como exemplo.' 'Maria e a flor. O parêntese é uma digressão. negação de ambos ou outras possibilidades de onde também resultará também efeito retórico. todos explícitos: o comparado. Se dissesse só 'Maria é bela' as . Uma informação que se deseja passar é dada logo após a citação do que lhe seja correlato. Parêntese Parêntese no nível sintático consiste na intercalação de um trecho de discurso entre duas partes do mesmo período ou mesma oração. pois. Para substituí-lo por uma construção sem parênteses será necessário o uso de uma retomada. o comparante e o atributo. suspende uma construção para retomala mais adiante. Ele foi um dos maiores filósofos gregos'.condição os opostos são inseridos no discurso. Pode haver afirmação de ambos. belas uma e outra. algumas frases que contém a mesma comparação: 'Maria é bela como uma flor.' 'Maria tem a beleza da flor. É possível o parêntese dentro do parêntese. afirmação de um ou outro. A comparação dá expressividade à atribuição. Parêntese num nível superior ao sintático é a intercalação de um trecho de discurso entre duas partes de um segundo discurso cujo núcleo temático é diferente. 'Aristóteles escreveu 'Arte Retórica'. Como exemplo. O parêntese pode ser usado como recurso de concisão.' No exemplo dado 'Maria' é o comparado. um dos maiores filósofos gregos. evitando assim a retomada deste correlato mais tarde para introduzir a informação. A parte que sucede o parêntese é a continuação da parte que o antecede.' 'Maria com a beleza da flor.

O objetivo de uma comparação é criar uma atribuição expressiva. A comparação torna palpável a relação entre o comparado e o atributo nos apectos de qualidade e quantidade. .. extrapola. Fazer caricatura. Quando a paráfrase visa produzir humor chama-se paródia. hipetrofia/atrofia. O atributo é muito característico do comparante. no gramatical. palavras. Paráfrase É o discurso produzido semelhante a outro preexistente. e havendo semelhança de estilo. no estilístico. A comparação atenua/agrava conforme o caso. Um exemplo: Hamlet. no semântico. Não se consegue discernir qual das duas possibilidades é a válida. atenua/agrava. no fonológico. Na ambigüidade a duplicidade de significado tem efeito negativo. O resumo é uma paráfrase de conteúdo. Já na plurissignificação ambos os sentidos são válidos. Formalmente a plurissignificação é semelhante à ambigüidade. O comparante atua como determinante do atributo. ao responder sobre o que lia: 'Palavras. etc. Isso se obtém quando: O atributo é muito pertinente ao comparado. visando atualizar. Criticar o preexistente ao criar uma versão que enfatiza. minimiza/maximiza ou outra dualidade que altere a valoração que se supõe haver em torno do pré-existente. Uma paráfrase mimética é a dos discursos que veiculam a mesma fábula. Neste caso o recurso principal usado é a hipérbole. Plurissignificação É a admissibilidade de mais de um significado válido para o mesmo enunciado. A paráfrase é praticada com várias intenções: Adaptar uma mensagem a outro contexto.características da beleza não estariam delineadas. palavras'. ou adequar ao contexto novo. As funções e a excelência da comparação são próximas às da metáfora. com alteração do grau de síntese. no mimético. A paráfrase pode-se dar em diversos níveis do discurso: no gráfico.

Exemplos: 'Cada um é o que é. no verso deparamos com a afirmação: o que se diz no verso desta folha é falso.' Um exemplo vindo da antigüidade: 'Epimênides diz que todos os atenienses são mentirosos.' 'O que está feito está feito. logo o que ele diz é uma mentira e os atenienses não são mentirosos. O exemplo de Russel foi o seguinte: 'Numa folha de papel está escrito: o que se diz no verso desta folha é falso. logo . ' 'Ou é ou não é.. Epimênides é ateniense. o que traz problemas filosóficos mal vislumbrados.' 'Palavras são palavras. geralmente originados a partir de ocorrências do uso comunicativo. Ocasionalmente pode lançar mão de signos não expressivos. Não é comunicação. Paradoxos de Russel: Chamados por Bertrand Russel de paradoxos das classes são proposições sobre proposições que resultam falsas quando aplicadas a si mesmas. Não se volta para um receptor.Paradoxo É um enunciado indecidível quanto sua veracidade ou falsidade. apenas palavras. propriamente.' Os paradoxos de Russel são muito usados.' Tautologia É o enunciado que resulta sempre verdadeiro. não importa a veracidade de suas variáveis.. As características principais do uso expressivo são: Externa estados de ânimo. além de efeito retórico que é o nosso interesse. Emprego de signos próprios.' Interjeição Interjeições são ocorrências típicas do uso expressivo da linguagem. o que ocorre em função da forma e independente de verificação externa ao discurso.' 'Não existe filosofia perene. Alguns exemplos: 'Só sei que nada sei. em especial no discurso filosófico. Ao virar a folha. ela . A interjeição não veicula uma mensagem.

ora como signos do uso comunicativo. ' Diabos'. em que uma das possibilidades de uso do termo é expressiva e outra comunicativa. como os palavrões. Expressivo porque o chingamento resulta do estado emocional em que se encontra o emissor. Por exemplo: Quando alguém dá uma topada numa pedra e solta um palavrão temos um uso todo expressivo. 'ui'. 'Caramba'.é índice de um estado de ânimo. Formam-se por mecanismos diversos como: icônico. Nestes exemplos há uma mensagem presente na leitura imediata. tem a característica adicional de serem uma ruptura da sociabilidade. 'Nossa'. tais como: 'Bum'. Exemplo: 'Por Deus'. Imitam sons não fonológicos associados aos estados emocionais que externam. Há ocorrências de discurso totalmente expressivas e outras totalmente comunicativas. É símbolo mas não é signo. Comunicativo porque há intenção de passar uma mensagem ao receptor. . 'crac'. 'Bang' é o símbolo que nos quadrinhos representa o som típico de um disparo de arma de fogo. Neste caso há uma polissemia. Há ocorrências não morfológicas no escrito e no oral. Por exemplo: 'ai'. Uma característica relevante da interjeição é sua brevidade. Exemplos típicos são vistos nos quadrinhos. Quando alguém chinga outro estamos diante de um uso ao mesmo tempo expressivo e comunicativo. É comum as ocorrências serem símbolos. Uso de palavras tabu. 'plaft'. 'Pelas barbas do profeta'. Ocorrências não morfológicas São os meios que se lança mão para reproduzir classes de sons não morfológicos. 'ai'. Mas também há ocorrências em que os usos se interseptam. 'Droga'. 'splash'. não é usado para citar o disparo mas para substituir o disparo na sua ocorrência. só que veicular esta mensagem não é o objetivo da interjeição. Por exemplo: 'Puxa'. Há ocorrências que ora se dão como interjeição. Unicamente externa um estado emocional. As interjeições que usam palavras tabu. Por exemplo: 'uau'. Tipos de interjeição: Há ocorrências que só aparecem no discurso como interjeições. A origem das interjeições: Interjeições são signos. pois. pois. 'ui'. A partir de enunciados comunicativos correlatos com o estado de ânimo em questão. o palavrão não se dirige a ninguém.

Regras de supressão A Retórica não se funda só no que se diz mas também no que não se diz. É uma regra típica dos discursos que pretendem servir a um espectro largo de receptores. Todas as regras de supressão relacionadas acima são típicas de algum tipo de . pois. Do clichê: É típica do discurso de pretensão bem comportada. do jargão. os ecos. Do anacoluto. arbitrárias. a relação deixa de ser icônica para se tornar convencional. O difícil é chegar a um acordo sobre a que se aplica o conceito do clichê. Das anomalias. Existem inúmeras regras de supressão para o discurso. eliminas-se do discurso tudo que leva a indução de semelhanças ou repetições no nível fonológico do discurso. geralmente as ocorrências não morfológicas serem símbolos verbais fonológicos não muito fiéis à classe de sons que procuram imitar. da gíria. O jornalismo sempre se coloca esta regra e sempre a descumpre. Dos desvios do idioma padrão. as iconias fonológicas.As ocorrências não morfológicas. sisudo. Do calão. Do raro. No discurso espontâneo as induções ocorrem de forma assistemática. Do que prejudica a comunicabilidade. as métricas. Da contradição e outras transgressões à lógica formal quando estas transgressões não podem ser interpretadas como recursos de Retórica semânticos. as aliterações. do regionalismo. da reticência. Típica do discurso público. os ritmos. as repetições. os sons da fala raramente imitam com perfeição sons não fonológicos. Depois que uma ocorrência não morfológica se converte em símbolo esta imitação imperfeita que ela realiza deixa de ser relevante. É típica do discurso elaborado sem retorno. ou seja. É uma regra do discurso elaborado. Daí. Algumas notáveis: Da indução fonológica: é típica da prosa quando esta evita as rimas. assim como os fonemas. pois. Das referências de contexto circundante. não representam sons. Costumam ser em parte icônicas e em parte. A representação perfeita geralmente não é possível. mas classes de sons. os trocadilhos. Das ocorrências fáticas e metalinguísticas. Da redundância. Típica das ocasiões em que se deseja passar impressão de segurança.

Exemplos: 'Quer dizer . por exemplo. convencionalmente.discurso com pretensões específicas. enquanto significante ou enquanto significado. Ocorrência metalingüística Ocorrências metalinguísticas são trechos do discursos que tratam do código que está em uso. A relação pode ser. O substituto é . a aparência e a realidade. multiplique por três'. Por isso cria-se mecanismos para distinguir quando um fragmento de discurso está sendo usado ou mencionado. Nestas ocorrências de retificação intencional costuma haver alguma relação entre o que se apaga e o que lhe substitui..' Nas ocorrências metalingüísticas é comum ser necessária a distinção entre uso e menção.' Verificação de transmissão. seja enquanto signo. não podendo ser encaradas como válidas em geral. o verdadeiro e o falso.. o pretendido e o alcançado. ou melhor. 'Escute bem.. os mecanismos costumam ser convenções editoriais. Por exemplo: uso de parênteses.. caracterizam a condição de uso ou menção do fragmento por eles delimitado. Exemplo: 'Você multiplica por dois. quer dizer. 'Ficou claro?' As ocorrências fáticas são típicas do discurso espontâneo com retorno. 'Não usei a palavra certa . etc. barras. Nesta situação a retificação ganha função crítica.' Retificações. No discurso elaborado sem retorno as ocorrências fáticas costumam ser suprimidas. Nestes casos é comum uma palavra ser tomada não como intrumento do código mas como coisa. Ocorrências fáticas Uma ocorrência fática é um trecho do discurso que visa a tratar do andamento do ato comunicativo tal como: Verificação de contato e sintonia.'. Exemplos: 'Alô'. Por exemplo: ' aqui se fala da palavra 'tal' e não do que ela se refere'. Retificação É toda ocorrência que apaga uma ocorrência anterior. Quando ocorre sem intenção resulta de idas e vindas do entendimento.. A retificação é típica do discurso espontâneo distenso mas há certos casos em que é praticada intencionalmente no discurso elaborado. Um caso particular de retificação é a retificação gradativa. apóstrofos. Exemplos: 'O que quer dizer tal palavra?' ''tal palavra' é muito sonora. colchetes. No escrito. 'Entendeu?'. Tanto no oral como no escrito podem ser usadas balizas metalingüísticas.

Exemplos: 'Você. vê se me entende'. Na função apelativa. pare'. ' João. .semelhante em natureza ao apagado mas diferente em grau. é de você que estamos precisando'. Na função fática visa a confirmar a transmissão. ' Meu caro. se busca um ganho de intimidade pela reiteração da exclusividade do discurso. O vocativo é praticado com função fática e/ou apelativa. como se o receptor dissesse: é para você que estou falando. Vocativo Vocativo é toda invocação do receptor.

'música sensual'. Materialização: É o recurso que associa uma noção abstrata a algo concreto. ou mesmo impressão se associa a uma impressão. Sensações evocando impressões: 'sabor de pecado'. 'voz áspera'. Exemplos: 'Triste madrugada' é uma metonímia prosopopéica e impressionista. 'imagem do medo'. . 'sentimentos úmidos'. ou uma impressão. para o receptor. Personificação: É a atribuição de características humanas a coisas não humanas. normalmente são arroladas como recursos de Retórica. mas em verdade são apenas uma propriedade destes recursos. Impressionismo: O impressionismo ocorre quando uma situação. ou uma situação. Os exemplos dados são metáforas. Exemplos: Sensações evocando sensações: 'cor quente'. Palpabilidade: É a característica do discurso que traz o conceito para a área do familiar. Há muitos casos de sobreposição de característica. do mensurável. 'comportamento frio'. Situações evocando sensações e vice-versa: 'amargo regresso'. 'Amor quente' é uma metáfora sinestésica e impressionista.Qualidades notáteis As características abaixo. Exemplos: 'amor sólido'. Os exemplos são metáforas. Exemplos: 'tempestade furiosa' (metáfora). 'sendeiro luminoso'. 'triste madrugada' (metonímia). sensação. 'determinação férrea'. Os exemplos dados são metonímias. do concreto. Emoções evocando sensações: 'amor quente'. do preciso. 'doce música'. Todos os exemplos dados são metáforas sinestésicas. Sinestesia: Sinestesia é a propriedade de um discurso que gera uma associação entre uma sensação e outra sensação.

Roteiros para cinema. tais como: Discursos historiográficos. Reportagens de acontecimentos. Fábulas. etc. A teoria da ficção faz parte da Mimética. Romances. Memórias.Mimética A Mimética se ocupa de discursos narrativos. Lendas. a dissertação e a dramatização. representações e fábulas. É raro o discurso integralmente narrativo. tempo. espaço. Os aspectos que interessam à Mimética são o modo como se narra. personagem. novelas e contos. os critérios de eficácia e excelência da narração.. . Mitos. Folclore. Textos para teatro. as categorias da narração: foco. Chamaremos discurso narrativo aquele em que a narração predomina. Geralmente a narração se alterna com a descrição.

Ação cardeal: É aquela que não pode ser suprimida sem comprometer a inteligibilidade global da fábula. ações e situações formando um todo organizado e hipotético. ações e situações que formam um todo organizado não veraz. É aquela que resulta do sonho de um dos agentes da ficção. O discurso narrativo ou representação ou fábula é o ponto de partida para a construção do universo ficcional. É um tipo de episódio útil para a obtenção de clímax. Os agentes da ficção podem representar dentro da ficção. que não é dado em si. Efetivamente ocorrida no universo ficcional. O que extrapolamos para além dos dados do discurso é por nossa conta e risco. o . Alguns tipos notáveis de episódio: Inversão de tendência: Por exemplo: O herói consegue inverter as expectativas que apontavam para o seu fracasso em expectativa para a vitória. Ação: São as mudanças que ocorrem na situação do universo ficcional. Representada. Episódio: É qualquer fragmento de narração formado por ao menos uma proposição. mas que no decorrer da narrativa possa se mostrar como não consumada no universo ficcional. Revelação: é o que ocorre quando um dos agentes da narração. o narratário. Universo ficcional: É uma criação subjetiva intuida a partir de uma ficção formado por entidades. Onírica. Se o discurso nos remete a um universo ficcional em certos aspectos análogo ao universo objetivo diremos que ele possui uma dimensão realista.Elementos da narrativa Ficção: É o discurso narrativo ou representação ou fábula que nos remete a uma construção subjetiva onde figuram entidades. É aquela que por algum imperativo da ficção se supõe consumada. Imaginária. Proposição: É a tripla situação anterior. É aquela fruto de uma ficção dentro da ficção estabelecida por algum dos agentes da ficção. Hipotética. o que para a Mimética é um atributo contingente. mas por aspectos. o que não deixa de ser saudável em certos casos. ação. A ação pode ter vários aspectos: Consumada. Situação: É a ordem vigente dos elementos do universo ficcional em dada coordenada de tempo ficcional. Podemos até imaginar o universo ficcional se estendendo para além de onde é possível ver pela janela do discurso. Este exemplo citado recebe o nome de peripécia. Mera divagação. situação posterior.

Neste romance o narrador acompanha a história de um personagem de cada vez. A peça teatral 'Peer Gynt' de Ibsen. Podemos dizer que cada ato se constitui num núcleo. respectivamente a infância. o leitor. Não há uma baliza precisa para determinar que nível de generalização deve ser empregado para caracterizar um núcleo. ocorre catástrofe no clímax. por exemplo. Para não se enxergar núcleos e mais núcleos numa narrativa é preciso considerar apenas aquelas priorizações de abordagem mais gerais. cada um ligado a um dos personagens do romance. Dano: É o fato que cria um desequilíbrio no universo ficcional que por vezes condiciona toda a ação. onde um dos agentes da narração toma conhecimento da identidade de outro. em três atos. Catástrofe: É o fato de dimensões trágicas no universo ficcional. a idade adulta e a velhice do protagonista. Podemos dizer que isso caracteriza um núcleo. Um tipo de revelação é o reconhecimento. toma conhecimento de um fato que redireciona os caminhos da ação. Pode-se dizer que uma parte da narrativa é um núcleo desde que nela seja localizada uma característica que se preserva nos limites da parte. . Temos vários núcleos narrativos neste romance. Na tragédia grega. Núcleo narrativo: É uma parte da narrativa em que se prioriza a abordagem de determinado objeto. passa-se em três épocas.personagem. por isso a determinação de um núcleo é uma questão subjetiva. O tipo mais comum e notável de núcleo é o que se desenvolve em função de personagens. Por exemplo: o romance 'Cem Anos de Solidão' de Garcia Marquez. Confronto: É o encaminhamento irreconciliável para a disputa entre dois agentes da narrativa.

então.Fábula É o conjunto completo de ações e situações de uma narrativa. O herói é convocado para restaurar o status quo reparando o dano. ação e espaço. Aristóteles propôs um modelo de fábula que pode ser resumido em duas regras básicas: Unidade de tempo. O herói passa por uma ou mais provas qualificatórias. O herói enfrenta a peleja final quando. O dano é uma ação que desequilibra o status quo perfeito. Estas duas regras definem a questão da fábula. clímax. O herói se defronta com o inimigo em várias pelejas que antecipam a peleja final. Um resumo das suas regras: A fábula começa com uma situação de status quo equilibrado. O herói bate em retirada fustigado pela perseguição do inimigo. Para as outras questões da tragédia há outras definições. Nem os mestres gregos da tragédia seguiram a risca os preceitos aristotélicos da tragédia perfeita. acrescido da compreensão das relações entre as partes deste conjunto. Tipos de fábula Aristotélica Aristóteles foi pioneiro no estudo da Mimética. complicação. O herói recebe a ajuda do coadjuvante. Proppiana Propp estudou a estrutura dos contos folclóricos russos e concluiu que eles seguiam algumas regras que ele identificou e relacionou. no geral. mas suas colocações acerca da Mimética permanecem válidas. A 'Arte Poética' é ao mesmo tempo um tratado de Mimética e um tratado normativo de Estética teatral. desenlace e epílogo. . Divisão em partes: prólogo. a Mimética e para a Teoria Literária e Teatral. recupera o bem que havia provocado o dano. O herói parte para o território inimigo na intenção de reparar o dano. Sua obra 'Arte Poética' permanece até hoje como marco para a Retórica. Na 'Arte Poética' Aristóteles dá a receita da tragédia grega e lança os conceitos fundamentais de Mimética.

Imprevisibilidade. complicação. Não há de ser encontrada com todos os seus elementos de caracterização. É onde ocorre a ação cardeal que determina todas as demais ações cardeais da fábula.O herói vence o inimigo e deixa o território inóspito. Desencadeamento: Sucede o prólogo. Envolvimento. Verossimilhança interna. desenvolvimento. O herói peleja com os usurpadores e os derrota. As características: Presença das seguintes partes: prólogo. Presentificação. Continuidade. Unidade de ação. clímax e epílogo. que vem sendo usada exaustivamente na literatura da massa e em outras modalidades narrativas. Maniqueísmo. Analisando a estrutura do conto propiano não podemos deixar de ver sua semelhança evidente com o mito de Ulisses. Background otimizado para o público alvo. As partes da fábula de massa Prólogo: É a parte inicial da narrativa em que é colocada a situação inicial. Na seqüência conplicação-clímax deve ter uma inversão de tendência.. Abundância de ação e emoção. O herói chega à terra natal mas não é reconhecido. Unidade de caráter dos personagens. Causalidade. É um momento de aumento de tensão que fixa a atenção do receptor em definitivo à narrativa. O herói é reconhecido. Final que não frustrante para o envolvimento. Ter um falso final. desencadeamento. De massa A narrativa de massa é um pressuposto metodológico. . Necessidade. Desencadeamento com objetivo a atingir. Restabelece-se o status quo original. Ter um anti-clímax. Sociabilidade. Resume as características formais típicas da narrativa com largo espectro de aceitação.

o Príncipe da Dinamarca. A proximidade de certo objetivo. Uma mesma fábula admite incontáveis ordens de apresentação. Dificilmente algum se igualará ao realizado por Sheakespeare. É a parte em que se verifica intensificação contínua. Os obstáculos ao atingimento dos objetivos. A fábula subsiste além do discurso que a contém. . Complicação: É parte do desenvolvimento. Clímax: É a parte da ação em que se dão as ações que resolvem o processo que se complicava. Epílogo: Sucede o clímax. É a parte central da narrativa que contém a maioria das ações cardeais. A complexidade da ação. Incontáveis discursos podem ser proferidos contendo a fábula de Hamlet. A velocidade da ação. mas todos equivalentes no potencial de portar a fábula sobre o príncipe. O clímax desata o nó que se apertava continuamente na complicação e que fora atado no desencadeamento. O acirramento dos conflitos. O que se intensifica na complicação? Uma ou mais das características seguintes: O envolvimento do receptor. Começa num dado ponto dele e termina com ele imediatamente antes do clímax. A excitação das emoções do expectador. Ordem de apresentação É aquela pela qual se dá a conhecer as ações e situações que formam a fábula.Desenvolvimento: Sucede o desencadeamento. Insere a situação posterior a este. Equivalência narrativa É a característica de dois discursos narrativos ou representações que remetem à mesma fábula. As dificuldades do personagem com quem o receptor simpatiza.

Narração em tempo real: É aquela que hipoteticamente ocorre paralela com a ação. Narração pretérita: É a que hipoteticamente ocorre após a consumação dos fatos narrados. Para dizer se uma narrativa é justa. Época de ação: É a coordenada de tempo ficcional associada hipoteticamente à ação narrada. o que é falso. Época de atualização: Ou de recepção é a coordenada de tempo real associada ao ato da recepção do discurso ou representação. baseada no desempenho do leitor médio que executa uma leitura integral. O primeiro mede o tempo objetivo. contraida ou dilatada é preciso supor que o tempo de atualização é fixo e conhecido para todas as leituras. Duração da atualização: É o lapso de tempo real em que ocorre a atualização da narrativa pelo leitor/espectador. Duração da ação: É o lapso de tempo ficcional em que ocorre a ação narrada. Narração contraida. O narrador a pratica rememorando os fatos e livre das contingências do momento da ação. . Contorna-se o problemas supondo uma duração de atualização média. Contraida se a duração da atualização é menor que a de ação e dilatada se ocorre o contrário. Há coincidência de época de ação com época de narração. justa e dilatada É justa se a duração da atualização coincide com a duração da ação. vocalizada e dramatizada nos discursos diretos. Época de narração: É a coordenada de tempo ficcional associada hipoteticamente ao ato da narração.Tempo Para tratar das questões miméticas de tempo temos que considerar dois relógios: o da realidade e o do universo ficcional. Mede-se num relógio solidário ao universo ficcional. o segundo o tempo fictício. Época e duração Época de criação: Ou de emissão é a coordenada de tempo real associada ao momento da criação do discurso pelo autor.

A narrativa primária é externa à fábula.Foco Questões de foco são as que dizem respeito às condições em que se dá o ato narrativo. Narrador-etéreo: É o narrador que não está inserido no universo narrativo. uma entidade imaginária que não deve ser confundida com o autor do discurso. via discurso direto. Narrador: É o hipotético emissor do discurso narrativo. como se vagasse no éter e as contingências do universo narrativo não o atingissem nem ele tampouco pudesse interagir com o universo narrativo. entidade igualmente imaginária que não deve ser confundida com o receptor. Pode ser construído de diversas formas pelo autor: como uma platéia. idéias que são do personagem que está acompanhando. reações. Transferência: É o que ocorre quando o narrador toma por suas as impressões. etc.personagem: É o narrador que está inserido no universo narrativo sobre o qual narra. Há dois tipos de interação opostas do narrador com o universo narrativo. A diferença desta narrativa para a primária é que a narração de personagem é uma ação da fábula. Hipoteticamente tem história. Como personagens podem ter história. Narrador e narratário são tipos especiais de personagens. Narratário: É o hipotético receptor do discurso narrativo. principalmente estilo. Do mesmo modo pode-se falar em: Narratário-personagem: O narratário está inserido no universo ficcional. Narração primária e narrativa na narrativa: É comum narrativa um personagem se por a narrar. A primeira é a condição de narrador-personagem. ideologia e no caso do narrador. caráter. embora seja comum este assumir o papel de narrador. um personagem de pouca atuação ou mesmo apenas observador. aparência. Narratário-etéreo: O narratário etéreo está a margem do universo narrativo. aparência. caráter.. Dramatização . como um grupo diferenciado. mesmo quando estão excluídos da ação. embora seja comum o discurso destinar-se diretamente ao receptor. como um personagem específico ou como uma entidade abstraida de todos os atributos que não sejam o de receber a narrativa. Este narrador pode ser um protagonista. Narrador.

Omnipresença: É o atributo do narrador que não está atrelado a um ponto de vista que o limita. nem caráter. mas tem ideologia e estilo. do leitor. São tipos notáveis de ciência do narrador: Perceptiva: o que o narrador sabe é fruto do que pode a percepção saber. Não faz transferências. monólogos. Os meios da língua para reproduzir o que se passa no universo narrativo se limitam a reprodução de discursos e precariamente sons não fonológicos. Tipos clássicos de narrador e narratário O Narrador etéreo clássico: Este narrador pode ser definido pelas seuintes características: Não tem história. A dele ou a do personagem que acompanha. Daí o discurso direto ser a reprodução hipotética de diálogos. pensamentos. Abstrai seu contexto circundante. pronunciamentos.. etc. Não se refere ao narratário. Podemos citar a ciência do narrador. cartas. Ciência É o grau de conhecimento sobre o que se passou. . nem participa dela. Compete a quem lê um discurso direto imagina-lo como a voz dos personagens ou como a voz do narrador reproduzindo a fala dos personagens. aparência.Ou discurso direto é uma forma construtiva da narrativa que pretende eliminar a figura do narrador pondo o leitor em contato direto com o universo narrativo. do narratário. Omnisciência: É a característica do narrador que não encontra limitações à sua ciência da narrativa. Tem omnisciência subjetiva extensiva a todos os personagens. Premonitiva: O narrador sabe o que se dará mais adiante. colocando-se sempre onde for mais conveniente aos objetivos da narrativa. dos personagens. Não interfere na trama. Procura criar a ilusão que a época de narração coincide com a da leitura. É onisciente e onipresente. De qualquer modo o efeito é atingido: reproduzir o que se passa hipoteticamente na cena sem filtragem. manchetes. Subjetiva: É a do narrador que hipoteticamente penetra na subjetividade de um ou mais personagens da narrativa. passa ou passará no universo narrativo.

Tem um papel secundário na trama. É quase um observador.O Narrador personagem observador: Suas características principais são: Pertence ao universo narrativo. O Narratário etéreo clássico: Não tem história. Desempenha um papel destacado na trama. Confunde-se com um leitor genérico. ideologia e estilo. caráter. Tem história. nem aparência. . Abstrai-se seu contexto circundante. ideologia e estilo. aparência. nem ideologia. aparência. nem caráter. caráter. O narrador personagem atuante: Tem história.

Quanto à área de abrangência referida ao homem: close. distante. plano americano. rotação horizontal (panorâmica) Cine-verdade Zoom Deslocamento de foco Variação de profundidade de campo Quanto a resolução: definido. Quanto ao foco: próximo. de ponta-cabeça ou outro.Ponto de vista Ponto de vista é a hipotética condição de observação em que se dá o conhecimento da narrativa por quem a frui. . Quanto a solidariedade ao ponto de vista do personagem: desvinculado. do narratário. oblíquo. vista humana. vertical. Quanto a altura relativa da linha do horizonte: de cima. de baixo. rotação da moldura. Podemos falar em ponto de vista do narrador. granulado. distante. Quanto a mobilidade: fixo. Quanto à profundidade de campo: estreito. do personagem e do receptor. próximo. rotação vertical. Ponto de vista do espectador no cinema Quanto à proximidade do objeto: . plano geral. translação vertical ou horizontal. Quanto à inclinação da moldura: horizontal. solidário. largo. desfocado por setores.

Continuidade de posições dos objetos O espectador em todos os momentos da representação está a par das posições relativas dos objetos da cena entre si. qual indica fuga e qual confronto. para só depois usar planos que não mostrem o conjunto. Assim uma narrativa com continuidade de sentido de trajetória pode não ter continuidade de direção de trajetória. fuga.. A ciência do sentido de movimento dos objetos em cena difere da ciência da direção dos objetos da cena. conforme o caso e que se chama eixo da ação. para cima. convencionalmente associado a recuo. confronto. A relevância da ciência da trajetória dos objetos da cena na maioria dos casos se limita a manter o espectador informado sobre o sentido do movimento. O problema clássico para este tipo de continuidade ocorre no cinema. deve ser estabelecida na primeira tomada a convenção para qual sentido representa avanço e qual representa recuo. A convenção deve ser mantida ao longo da representação. partida ou retorno. A trajetória de um objeto pode ser associada a uma linha imaginária contínua dentro do universo narrativo que muda de direção para esquerda. etc. Esta linha tem dois sentidos possíveis. ou qualquer outra dualidade relacionada com a escolha de um sentido para o eixo da ação.. Continuidade de ponto de vista A cada momento da representação existe uma coordenada de espaço associada . etc. etc. para direita. Para que o receptor se mantenha ciente do sentido do movimento basta seguir a regra que manda o ponto de vista do espectador não cruzar o eixo da ação sem o conhecimento do expectador. É o da reunião de múltiplos personagens que conversam entre si com a cena sendo registrada através de planos fechados. retorno.. para baixo. Para darlhe a ciência da direção dos objetos no universo narrativo a questão é mais complexa. um positivo que convencionalmente podemos associar a avanço. e um negativo. Continuidade de movimentos dos objetos O expectador em todos os momentos da representação mantém-se a par das informações relevantes sobre a trajetória física dos objetos da cena. Para esses casos de narrativa em que o importante é a identificação da dualidade relacionada com o movimento.Continuidade Continuidade é a característica de uma representação que possibilita ao receptor a ciência das condições de posição e movimento dos objetos da cena e dos pontos de vista nela inseridos. Para mante-la é preciso iniciar a cena com planos que estabeleçam as posições relativas. fuga ou confronto. progresso. se um objeto da ação está em avanço ou recuo. Faz-se necessário mostrar toda mudança de direção.

Continuidade de trajetória do ponto de vista do espectador O espectador tenderá a atribuir ao seu ponto de vista características humanizadas. pois é a partir dele que discerne os demais posicionamentos relativos.aos pontos de vista da narrativa. Por exemplo: se a câmara filma o aproximação de um carro da esquerda para a direita. . se o ponto de vista se desloca de plano a plano. Assim. Um dos mais notáveis para os problemas de continuidade é o ponto de vista do expectador. vindo do ponto de fuga da perspectiva até passar pela câmara quase roçando-a. o expectador o imaginará percorrendo uma trajetória contínua durante os cortes. Por isso há quem adote uma continuidade de trajetória do ponto de vista de espectador que consiste em dar a impressão que o ponto de vista de espectador é humanizado. no próximo plano o carro aparecerá visto por trás em afastamento. Para ter ciência das posições ocupadas pelos objetos da cena o expectador tem que ter ciência primeiramente do posicionamento de seu ponto de vista. se deslocando da esquerda para a direita na direção do ponto de fuga da perspectiva.

De complexidade crescente. Narrar é dar ao conhecimento através do discurso sobre a mutação das coisas. Organizacionais. Nessa classificação dois tipos se ressaltam: a descrição geográfica e o retrato. Fisiológicas. Narrar é dizer o que acontece. De background progressivo. da ação. Organizam as partes segundo uma taxonomia. A descrição geográfica trata das aparências das coisas não humanas tal qual se dão à percepção. tanto físicas como de caráter e ideologia. Explicam as relações entre as partes. Os tipos de ordenação são muitos e incluem também o caso da ausência de ordem. Há descrições: Topográficas. Enquanto uma . Um outro critério de classificação é o das características do que se descreve sobre o objeto. Tanto que os conceitos de descrição e narração são mais pressupostos metodológicos que resultado da observação experimental dos discursos. enquanto indivíduo ou tipo.Descrição É rara a ocorrência da descrição isolada da narração e vice-versa. Semelhanças da descrição com a narração Descrição e narração são categorias de uma mesma classe. Explicam a função e o funcionamento das partes. Uma outra forma de classificar as descrições é pelo critério da ordem que elas usam para apresentar as partes do discurso. é o universo de objetividades. É discurso sobre o que é. É discurso acerca do que é imutável ao longo da ocorrência dos fenômenos. que não raro. A narração trata dos fatos. Há descrições: Classificatórias. conforme o caso. Tipos de descrição Tradicionalmente as descrições são classificadas pelo assunto que abordam. O retrato trata das aparências do ser humano. Descrição é um tipo de discurso que dá ao conhecimento do receptor uma situação vigente no universo narrativo considerado. Em ordem atenuante ou agravante.

dá ao conhecimento uma situação. a outra explana as mutações da situação. Ambas são referência a um universo que pode ser o universo objetivo.explana. .

A literária busca ludicidade. manipulação psicológica. Sumarização: A narrativa noticiosa procura ser o mais possível sumarizada. . nem opina.. A literária comumente tem ponto de vista comprometido com um personagem. com uma tendência do narrador. Pode ocorrer narração em tempo real. É comum preferir o detalhamento para criação de atmosferas. crítica. É comum usar ordem cronológica e favorecer a criação de clímax. ao contrário da narrativa literária que tem nessas categorias um dos seus objetivos centrais. Na narrativa literária dramatização é freqüente.A narrativa noticiosa e a literária Há dois modos notáveis de narrar que chamamos arbitrariamente de noticioso e literário. Ponto de vista: A narrativa noticiosa busca o mais possível um ponto de vista neutro. Na narrativa literária o narrador é criado com mais liberdade. A narrativa literária desfruta de maior liberdade no uso dos tempos. sua consequência. se impressiona e opina. agravar. Geralmente prefere narrar o fato tal qual e não por seu detalhe. Narrador: A narrativa noticiosa prefere o narrador etéreo. Empatia. Metonímias narrativas: A narrativa noticiosa pouco recorre a metonímias. dar concisão. Ordem de apresentação: A narrativa noticiosa prefere a ordenação por importância decrescente. produtividade. envolvimento. Os dados prioritários da ação são revelados de imediato. A narração pode ser contraída. que não se impressiona. A narrativa literária tem mais liberdade quanto a ordem. etc. No geral a narrativa noticiosa busca neutralidade. A narrativa literária não tem esta preocupação. Nela o uso dos tempos não favorece a presentificação e o envolvimento. neutro. Comumente faz transferências. para criar suspense usa ordem de importância crescente. Pelos nomes não se deve concluir que a narrativa noticiosa não aparece na literatura e que a narrativa literária não é usada em jornalismo ou em outro tipo de discurso. Pode ser etéreo ou engajado à cena. o envolvimento e a presentificação. geralmente contraída. envolvimento. conforme a necessidade do envolvimento e presentificação. No geral evita a ordem por importância decrescente. As vezes. dilatada.. A narrativa comumente usa de metonímia com finalidades diversas: atenuar. que não faz transferências. seu indício. Tempos: A narrativa noticiosa usa narração pretérita. presentificação: A narrativa noticiosa evita a empatia. concisão. justa. etc. Vejamos as características de cada uma em relação a várias categorias: Dramatização: A narrativa noticiosa não dramatiza.

já o romance. Por ser curto o conto costuma ter um núcleo de ação restrito enquanto o romance admite vários núcleos com raio de ação mais vasto. Pela extensão conto é a narrativa curta. Crônica A característica marcante da crônica moderna é o fato dela ser redigida para publicação em jornal. o conto tende a ser mais sintético. por exemplo. Isto a condiciona em muitas de suas propriedades. O conto. Por ser curto. No conto. Os limites são fluidos e subjetivos. nem tampouco outro com cem mil palavras de conto. via de regra pode ser lido de uma só vez com facilidade. Romance mono-nuclear e pluri-nuclear Existe uma dificuldade considerável em certos casos para se ter unanimidade sobre o que seja um núcleo narrativo num dado romance. enquanto o romance é mais versátil para a abordagem de temas que exigem maior extensão no tratamento. ou seja. o convívio é mais curto mas cumprido sem interrupção. tais como: Ser curta. já o romance mais analítico. Esta característica de extensão condiciona outras características de cada tipo de narrativa. Na crônica não se faz raciocínios tortuosos. análises sofisticadas. . No romance o convívio do leitor com a narrativa é maior. A diferença mais visível entre um conto. Noutros casos o problema é mais simples. novela é a narrativa de extensão média e o romance a de longa extensão. Ser leve. geralmente. da novela e do romance. por ser mais curto. para ser lido integralmente sem interrupção apresenta dificuldade ao leitor médio. o conto é mais versátil para temáticas que admitem um tratamento menos extenso. enquanto formas narrativas é a comparação. mas truncado por intervalos. de Gabriel Garcia Marquez. Pode-se dizer que um conto longo pode ser confundido com uma novela curta e que uma novela longa passa por romance curto. O romance 'Cem Anos de Solidão'. Ninguém há de chamar um discurso narrativo com menos de dez mil palavras de romance.Formas narrativas Conto/Novela/Romance Um modo produtivo de tratar do conto. mas os problemas de definição só aparecem nas zonas de interface. uma novela e um romance é a extensão física. Estas características tornam o conto diferenciado do romance na questão do envolvimento do leitor. é um caso típico de romance pluri-nuclear. Neste romance os núcleos se desenvolvem em função dos personagens. Como pede o jornalismo: textos curtos que não agridam a inércia do leitor típico. Ao longo do livro o autor dedica atenção ora a um ora a outro personagem e no final temos várias biografias interligadas pelos laços familiares dos personagens.

Os temas para a crônica devem estar preferencialmente no próprio jornal em que ela está impressa. tais como: concisão. o leitor encontra na crônica um pouco de entretenimento para relaxar. As ações de cada narrativa não causam alteração no perfil dos personagens comuns do seriado.. . supõe-se. que num jornal geralmente abundam. Ser lúdica. A crônica deve ser algo como a sobremesa do jornal. onde dificuldades de processamento e compreensão afugentam o leitor. realiza-se em condições distensas. Após o contato com as coisas duras da vida. etc. a crônica se contamina da exigência de contemporaneidade típica do jornalismo. Como texto para jornal. Ser contemporânea. Seriado Um seriado é um conjunto de narrativas ou representações com as seguintes características: Estanqueidade. A leitura da crônica. simplicidade.sínteses maciças. Uma narrativa não se comunica e não depende da outra. Ser relativamente fiel aos preceitos estilísticos do jornalismo. Afugentado uma vez ele dificilmente volta. E no jornalismo deseja-se manter a fidelidade do leitor.

mas que está a ele ligada por uma relação de contigüidade . . Para caracteriza-la é preciso supor que há um modo mais genérico. O indício pelo fato. O substituto é esteticamente preferível. praticados com funções diversas. Para não repetir a mesma solução. o que faz caracterização da metonímia narrativa uma questão subjetiva. Por modo metonímico entende-se aquele que hipoteticamente substitui o modo direto. Há vários tipos. O conseqüente pela causa. Economia. O substituto mais conciso que o substituído. Tipos notáveis: A parte pelo todo. Tipos de metonímia narrativa: O substituto é um caso particular do substituído. O substituto é mais sintético/analítico segundo a necessidade. O detalhe pelo conjunto. mais direto. típico. O substituto atenua/agrava o impacto da narração. que é genérico. Funções notáveis: Agravar/Atenuar conforme o caso. Usar ponto de vista tipo close para diálogos íntimos. mais objetivo. mais abrangente de realizar a cena. ao menos em parte o núcleo temático da ação. O substituto dá variedade a narrações que se repetem.Recursos retóricos em narração Iconia Simplificadamente: são semelhanças induzidas entre o que se narra e o como se narra.Exemplos: Ação intensa e rápida narrada com planos rápidos. Variedade. Para caracterizar um trecho da narrativa como metonímico é preciso supor o que constitui o núcleo temático. Metonímia Uma metonímia narrativa é a parte da narrativa onde está ausente.

. o supérfluo. Suprime-se o trivial.Elipse Elipse narrativa é a supressão parcial ou total de trechos da narrativa. o que não é de interesse. Atenuação/agravamento. Alegoria A literatura nos dá exemplos abundantes de narrativas alegóricas. É praticada com funções diversas. conforme o caso. Paráfrase Também na literatura temos vários exemplos de paráfrase narrativa. Entre as notáveis temos: Economia.

Os discursos são particulares. Diante disso a abordagem deve ser feita caso a caso. Se a Retórica se propõe a definir condições de excelência para o discurso deve se ater às necessidades e objetivos do discurso. específicos para dados fins.A Retórica como instrumento Assim como não há um discurso genérico não há uma Retórica genérica. Um critério de excelência bom para o discurso jornalístico pode ser péssimo para o discurso poético e vice-versa. .

Qualquer tentativa neste sentido terá que se basear no geralmente aceito e geralmente válido. etc. palestra. As partes devem se organizar segundo uma ordem conveniente ao objetivo visado. Introdução Ou exórdio. só efeitos. reportagem. procurando estabelecer critérios de excelência suficientemente gerais para atender a discursos tão díspares entre si. As ordens possíveis são muitas. causas e soluções. notícia. Tal diversidade torna quase impossível estabelecer uma Retórica de monografias. na dos efeitos. quanto mais restrito melhor. só causas. como no jornalismo.Da Monografia Monografia é um discurso dissertativo curto de tema único e restrito. Passemos a exposição de alguns critérios consagrados: Unidade temática A monografia deve se ocupar de um só tema. o que é necessário as vezes. o parágrafo e os capítulos. pronuciamento de ocasião. esta regra não é seguida. A ligação estabelece a ponte entre uma parte e outra e impede a percepção do salto. para atender necessidades de espaço no jornal. Exemplo: uma monografia que aborda certo problema pode se dividir em definição. Dentro da parte vale a regra da unidade temática. efeitos. Como tratamos de regras geralmente aceitas é bom registrar as exceções: na notícia. tais como. cada uma abordando uma divisão do tema. Divisão em partes A monografia deve se dividir em partes. como na Retórica clássica. o que se vê no capítulo próprio. é a parte da monografia que a começa e que cumpre uma ou mais das seguintes funções: . Na abordagem das causas. relatório. por exemplo. Por que unidade temática? Pela produtividade: a atenção se concentra num só tema para esgota-lo. As ligações podem ser feitas usando balizas de ligação. pois. A divisão em partes deve ser acompanhada de recursos de segmentação que permitam identifica-las. Embora a unidade temática seja parte da própria definição de monografia esta regra precisa ser frisada por causa de tendências dispersivas que rondam o discurso. se as partes tiverem interligação fica impossível suprimir uma parte da matéria.. ou lide. Deve-se estabelecer uma ligação fluida entre as partes para que resulte uma impressão de continuidade. Muitos discursos se enquadram nesta definição bastante genérica como: redação escolar.

tese. Resumir o que foi desenvolvido. quer dizer. ou outra solução que dê ao final um destaque e faça o receptor encerrar a monografia com impressão positiva. Dissipar animosidades. Acaba quando termina Acabar quando termina. objetivo. Fixar o interesse do receptor. no jornalismo procura-se ordenar as partes de modo que o mais interessante. 'Terminou?'. .Sinalizar que o discurso começa. extra. É a parte que se coloca por último na monografia e deve cumprir uma ou mais das seguintes funções: Lançar o apelo. Para monografias que visam à persuasão recomenda-se ordens gradativas ascendentes. importante. para rememorar e/ou preparar o apelo. primeiro os argumentos médios. Angariar simpatias. o receptor deve estar satisfeito. Estabelecer o tema. No jornalismo considera-se que a tendência do leitor abandonar o texto sempre é maior nas partes iniciais. onde o tema é trabalhado. 'e o resto?' Para isto algumas regras tem de ser observadas. inesperado. saciado e não fará perguntas do tipo: 'E daí?'. Sintetizar o exposto. ou seja. no caso de matéria de discussão. Acenar ao receptor com a informação do término da monografia. Encerramento Ou peroração. interessante. prioritário fique por primeiro. Se o tema comporta subdivisões elas devem ser apresentadas segundo uma ordem conveniente. Atrair a atenção do receptor. A Retórica clássica recomenda para as monografias argumentativas a seguinte ordem de argumentos: 2-1-3. . quando no discurso coloca-se o ponto final. Desenvolvimento Ou exposição é a parte central e mais extensa da monografia. Se houver tese ela deve ser provada. Lançar o elemento novo. Concluir. nos discursos persuasivos. tais como: as expectativas geradas tem de ser dissipadas. no meio os mais fracos e por último os melhores. Por isso. esta é uma das virtudes que o receptor espera do discurso. como na Retórica clássica.

a exemplificação. os enunciados se interrelacionam e cada um é provado a partir das consequências lógicas dos demais. Argumentação lógica: É o discurso que prova teses. Argumento: É um discurso formado por proposições em que uma é a tese. a classificação. A lógica também nos diz que entre os enunciados que compõe uma teoria consistente. a postulação. pois. sua veracidade não é demonstrada através de argumento. A suscetibilidade do receptor a raciocínios lógicos. O sucesso do argumento como recurso de influência depende de fatores como: As premissas são melhor aceitas que a tese.Da Influência Por influenciar entenda-se convencer. Argumenta-se se a tese não é aceita. a síntese. a argumentação lógica e para-lógica e a persuasão pelo discurso. . Argumentação para-lógica: É o discurso que leva a uma prova aparente de uma tese por usar de sofismas. O que é aceito dispensa prova. Em princípio qualquer enunciado da teoria pode ser postulado. Os meios que importam à Retórica para atingir estes fins são: a explanação. A Retórica se ocupa da especificidade da argumentação para a influência. nenhum tem status diferenciado de modo que a ele se deva atribuir a condição de postulado. O sucesso do argumento para convencer depende da qualidade das premissas. em que fica provada a veracidade da tese a partir de implicações lógicas das premissas. Explanação: É o discurso que dá ao conhecimento do receptor determinado assunto. mas. incitar à ação. Por outro lado. outra ou mais são as premissas. Persuasão: É o discurso que influencia por meios outros que não a argumentação. a enumeração. Argumentos complexos são mais difíceis de compreender. a análise. Seus instrumentos são a indução e a dedução. se compreendidos ganham uma conotação de qualidade superior. aliciar. nem sempre validade à luz da lógica é sinônimo de capacidade de convencer. Postulação: Para a lógica um postulado é um enunciado aceito sem prova. quer dizer. ao menos. O grau de elaboração do argumento. mover. do ponto de vista da influência. Seus recursos são a definição. As melhores premissas são aquelas encaradas pelo receptor como evidentes ou como postulados que ele não questiona. Refutação: É o argumento que prova a contraditória da tese do oponente num debate. A lógica estabelece os critérios de validade para argumentos. em especial recursos psicológicos.

O postulado deve ser simples Hipótese: Hipótese é um enunciado não veraz. As funções da conversação: Travar contato. Se o postulado não é evidente para o receptor. Desorganização. desabafo. Conversação É o caso mais distenso do diálogo. exteriorização. Produtividade na conversação significa ludicidade. incorre-se no risco deste exigir prova do postulado e postulado não se prova. colóquio. Isso decorre de suas funções sociais e psicológicas. ausência de argumentação. A conotação do receptor relativamente a hipóteses. Ausência de objetivo discursivo. Temas escolhidos a partir das necessidades de exteriorização das partes e/ou das conveniências protocolares do contexto. Formalidade limitada em alguns casos ao respeito à etiqueta. Predomínio da explanação. Hipóteses pouco plausíveis ou julgadas pouco plausíveis comprometem a eficácia do argumento. Se o receptor é avesso a hipóteses o argumento nelas baseado fica com a eficácia comprometida. melhor o conceito de produtividade neste caso é outro. O sucesso de argumentos que se baseiam em hipóteses como premissa depende de fatores como: A plausibilidade da hipótese. Lúdica. uma vitória. Níveis do diálogo em tempo real Por ordem crescente de tensão psicológica os níveis são: conversação. uma solução. assumido como não veraz. Auto-afirmação. discussão e debate.Quando se pratica a postulação como recurso de Retórica da influência o postulado deve ser escolhido não ao acaso. Nenhum compromisso com a produtividade. . conquistar simpatias. um acordo. respeito à etiqueta. mas plausível. mas por critérios como: O postulado deve ser evidente ao receptor. Catarse. quer dizer não se busca uma conclusão. Ausência de conflito. As características da conversação: Pluralidade temática. relaxamento.

Colóquio No colóquio há busca de unidade temática. Tende para a organização. A discussão tem pouca função psicológica. uma certa dose de função comunicativa e já bastante função política.. fonte de conflito entre as partes. Táticas de debate: Omitir o que não convém. Existe uma motivação que é a troca de informações sobre um tema. restrito aos que terão participação ativa. Suas características: Unidade temática. tensão e eventualmente formalidade. Obrigatoriamente extrair uma conclusão. Predomínio da explanação. Para otimização das discussões em grupo convém observar o seguinte: Agendar a discussão com antecedência e divulgar o tema. Objetivo discursivo. Coordenação. protocolares. O objetivo do debate é o desmonte das posições do oponente. que julgam necessária a vitória de uma das partes. A argumentação é sua ferramenta básica. o que para alguns além de uma técnica de discurso é um método filosófico. Debate É o caso mais tenso do diálogo. são alvo de refutação sistemática do oponente. Evitar a dispersão do tema. A argumentação é a ferramenta básica. Não há possibilidade de solução que contemple ambas as partes. ruins ou bons. Espírito desarmado. Nas discussões grupais alguém tem de coordenar e moderar. Preocupação com a produtividade. inclusive. Número mínimo de participantes. . Há tendência para a formalidade. acompanhada da persuasão.Cerimoniais. No colóquio predomina a função comunicativa. A preocupação com a produtividade é grande. Discussão É o diálogo que visa a trabalhar um tema que pode ser. No debate os argumentos do oponente. A arte da discussão é a dialética. não raro nas suas formas mais capciosas. O discurso ganha em produtividade. Horários rígidos de início e término.

dispersivos quando a clareza. Usar termos vagos.. As posições vão se delineando com o avanço da dicussão. Criar clima de urgência para concluir quando a argumentação se encaminha favoravelmente. Contra argumentos fortes não pedem refutação e sim outros argumentos fortes e contrários.. etc. em vez de refutar. aliciar. Desvalorizar. . por exemplo. mas também há casos em que a influência visada é a sobre a platéia que acompanha o debate. uma favorável e outra inaceitável ao oponente. Noutros casos o objetivo do debate é a competição pura. Se particulariza por características como: Limitação de extensão. negar sob outro a que se dará valor maior de prioridade. a precisão e a objetividade são inconvenientes. Assumir tese refutável desde que isto seja conveniente. ou valorizar o que lhe favorece. importância. O discurso publicitário. Negar a consequência da tese do oponente. laudatórios e etc. se busca a influência sobre o oponente. Nem sempre estes tipos de diálogo visam a influenciar. Levar as hipóteses do oponente a conclusões absurdas.Atenuar. Negar a tese em si. Levar a tese do oponente a um dilema. via de regra. incitar à ação. tem pouco tempo e pouco espaço para veicular a mensagem. ou desvalorizar o que lhe prejudica. Protelar declarações que não lhe convém. por vezes. pode acontecer dela iniciar sem posições prévias assumidas. reduzindo a questão a duas alternativas. Criticar o uso de hipóteses como coisa deslocada da realidade. Distinguir: concordar sob um aspecto. A publicidade também se ocupa de convencer. Defender-se atacando. para o que domina. Fazer parecer que seus argumentos se lastreiam em argumentos geralmente aceitos. Retorquir: Usar o argumento do oponente contra ele. Publicidade A Retórica publicitária é um caso particular da Retórica da influência. Polarizar. Na discussão. Tomar cuidado com recursos grosseiros como superlativos. imprecisos. Induzir o oponente a aceitar uma premissa que logo em seguida será usada contra ele. No debate. minimizar. Desviar o assunto para o que lhe convém. não o compromete. Agravar.

Será repetido inteminavelmente. ou seja. Deve evocar qualidades que se deseja associar ao produto. Para cada caso e cada tipo de público pode calhar melhor a argumentação ou a persuasão. Usar frases afirmativas e interrogativas. Aos emotivos. No geral. Usar formas de tratamento pessoais. informal. ser coloquial. Não transparecer demagogia. Regras para slogans Ser curto. Usar frase nominais. Ser impessoal. do slogan. Não usar chavões. Pronúncia simples. Regras para títulos de texto Predomínio de palavras lexicais. Não repetir fonemas. O receptor é . portanto. hipérboles. deve ser uma iconia. do texto publicitário. realizar uma transferência icônica. pessoal.Importância da forma escrita. Ortografia que não deixe margem a dúvidas sobre o modo de pronunciar. a persuasão. Aos racionais calha melhor a argumentação. Predomínio de palavras lexicais. tendo em vista seu potencial de atratividade. Ser elíptico. Ter sonoridade. Ser original. de preferência. a persuasão predomina. Para convencer se vale da argumentação e da persuasão. Ser sintético. Ser curto. A publicidade tende a privilegiar a edição. Tem de ser memorisável. Regras para texto publicitário A linguagem publicitária. uma palavra de poucas sílabas. ou ao menos. Regras para marcas Marca é nome. para ser persuasiva deve buscar intimidade com o público. Deve. Tipografia discreta. A publicidade atual gira muito em torno da marca. termos técnicos. simples.

pois. quase todos psicológicos. Começar atraindo a atenção. etc.. modismos. faze-lo identificar-se com o apelo. faze-lo crer que sua adesão ao apelo o torna superior em status. as condições em que ele é lido são tipicamente distensas e textos longos. desenvolver encadeando argumentos e persuasões. o discurso lança mão de uma série de artifícios de persuasão. até gírias. afagar o ego do leitor. deixando o melhor por último. mesmo nos extratos menos qualificados do público alvo. Para o fim deixa-se o apelo. Quanto ao conteúdo. Os os meios não formais que a publicidade lança mão são muitos e escapam aos objetivos desta Retórica. qualificação. envolve-lo emocionalmente. pouco comunicativos afugentam a atenção do leitor. a incitação. . buscar a sua simpatia.tratado por 'você'. sempre na busca da intimidade Para o texto publicitário valem as regras para monografias. Na linguagem publicitária aproveita-se neologismos. O discurso publicitário deve ter boa comunicabilidade. tais como. O discurso publicitário deve ser tão curto quanto permitir a natureza do que se veicula . maçudos.

a competência linguística. O fato é que este princípios norteiam toda a Retórica do discurso jornalístico. chegamos a algumas conclusões comuns. a sociabilidade. a atratividade é considerada uma qualidade capital para o jornalismo. o que evita indispor o leitor com a leitura.Do Jornalismo Arbitremos a existência de alguns princípios legítimos que norteiam o jornalismo sóbrio. uma leitura seletiva. Se são princípios utópicos ou mesmo de fachada isto é questão para discussão filosófica. deixando a critério do leitor a valoração sobre eles. algumas delas enumeradas na seqüência. parágrafos curtos. Comunicabilidade: A boa comunicabilidade evita qualquer dificuldade para o leitor assimilar o texto. Palavras curtas. Atratividade: Dada a forma como o discurso jornalístico é lido. que procura manter para o público a mesma cara. Estilo gráfico: A imagem gráfica é alvo de grande atenção do jornalismo. . raramente com objetivos precisos estabelecidos. Indução fonológica zero: É uma regra de estilo bastante difundida. só alterando-a após análise cuidadosa e em função da necessidade de seguir as tendências dominantes. Adequação ao perfil do leitor: O discurso jornalístico procura se colocar no nível do seu leitor típico. impregnado da fobia à perda de tempo quer tudo otimizado para economiza-lo. sendo que para isso tem de ser acessível à faixa menos qualificada deste espectro. Vejamos alguns deles: Objetividade: Objetivo é o discurso que dá ao conhecimento do leitor a situação e os fatos tais quais são. descontraida. textos curtos. Simplicidade: A simplicidade deriva da pretensão do jornalismo de ampliar ao máximo o seu espectro de público potencial. Respeito ao idioma padrão: Esta regra é uma função da busca da sociabilidade. Para textos em geral Restrinja-se aos substantivos e verbos. isso inclui ajustar o background. Regras práticas discurso jornalístico Coletando em diversos manuais informações sobre como deve ser o discurso jornalístico. Concisão: A concisão é uma exigência do leitor que. Evite adjetivos e advérbios. via de regra. frases curtas.

Preferir o ponto às conjunções. Ser impessoal. conter o foco da notícia. Controlar a conotação dos termos usados. jargões. Usar verbos no presente do indicativo. sintaxes. Os segmentos de linha de um título devem ter tamanhos harmonizados entre si. arcaísmos. Não repetir em títulos de mesma matéria. Não usar clichês. preferindo sempre os de conotação mais neutra. chulos. A tipografia do título em corpo maior que a do texto. regionalismos. Suprimir anomalias linguísticas. partes de nome próprio. raridades. partes de locuções em segmentos de linha do título. Regras para títulos Ser curto. Evitar artigos. modismos. Não repetir. Ser atraente. Organizar o texto do mais prioritário para o menos. Imparcialidade Discurso imparcial é o que explana sobre um tema sem agregar sensações. Independência entre parágrafos que possibilite a supressão dos que se julgar necessários. sejam elas do emissor ou de qualquer outro. impressões e opiniões acerca do tema. idéias. Isso envolve a manipulação de fatores relativos à: Conotação. Buscar o equilíbrio entre o discurso formal e o coloquial. Não usar superlativos e absolutos. Evitar as negativas. O que nos motiva aqui são os meios retóricos para melhorar a imparcialidade de um discurso. Usar voz ativa. o termo de seus adjuntos. Para ganhar em imparcialidade é preciso evitar as formas conotadas . Evitar a passiva. Uma frase para cada idéia. Nos noticiosos.Não usar neologismos. Não separar grupos fraseológicos. palavras. gírias. Usar ordem sintática direta. Evitar frases subordinadas e coordenadas. mesma página. mesmo assunto. A possibilidade do discurso realmente imparcial é uma questão filosófica. Não separar em sílabas no título. Usar frases afirmativas.

o leitor associará à extensão um valor. Ênfase. Impossibilidade da imparcialidade absoluta Usando como exemplo a notícia jornalística. A transferência icônica altera a valoração do significado. pois. Tendo uma extensão. a notícia apresentará uma de edição e uma temática. Ordem. altera o status da mensagem enfatisada. A ênfase deve ser evitada. todas escolhas a que será atribuído valor pelo leitor. A impossibilidade de uma imparcialidade absoluta se evidencia pelo fato que qualquer notícia tem sempre existência.que agregam valoração ao significado.. ambas com potencial de influir na valoração do leitor. . edição. família de tipos. que é um dos tipos de discurso para qual a imparcialidade tem importância especial. etc. Tendo uma edição a notícia apresentará uma série de soluções como corpo tipográfico. Deve ser evitada. o que em si é atribuição de valor jornalístico ao fato que ela veicula. Para obter imparcialidade é preciso evitar todos os artifícios que atenuam ou agravam a valoração da mensagem. extensão e ordem. Se a notícia existe é porque se fez a escolha de publica-la. Transferência icônica. Atenuação/agravamento.

É a pronúncia inadequada dos fonemas. 'ahn'. cuja única função é preencher a lacuna de um titubeio. de moralidade duvidosa. Má dicção. Caso extremo do titubeio é a gagueira. repete-se as últimas palavras que antecederam o titubeio. . muito aguda ou grave. em certos casos. O orador precisa conhecer as expectativas de sua platéia para se beneficiar disto. bem redigido. A velocidade ideal é determinada na prática. Para o melhor resultado do discurso oratório a imagem do orador tem que ser tal que desperte na platéia a impressão por ele desejada. Volume muito fraco ou intenso. Usar do gestual e do entoativo como código hegemônicos. mas também na entoação e no gestual.Da Oratória Oratória é a arte do discurso público em tempo real. Defeitos a evitar Titubeio. Exemplos: 'né'. Problemas de qualidade da voz: voz fanhosa. entre outras coisas. No discurso oratório é marcante a sua característica performática. Pausas de pronúncia que não coincidem com pausas sintáticas. Não basta que ele tenha sido bem planejado. muito lenta ou muito rápida. 'hum'. Caso notável é a pausa provocada por falta de ar. pois o ouvinte pode fazer uma transferência icônica a partir da aparência do orador para o conteúdo do discurso. que não resultam nítidos e diferenciados ao ouvido do receptor. parecer uma arte da dissimulação. Para obter o melhor resultado o orador tem que zelar pela sua aparência. Pronunciar expressões. Isto envolve um bom desempenho não só na sua parte linguística. Velocidade inadequada de entoação. Esta regra. O titubeio prejudica a imagem do orador. É o linguístico que deve predominar. A velocidade de entoação influi na comunicabilidade. Por vezes. O receptor associa ao titubeio a insegurança de personalidade. Tem de ser bem emitido. faz a oratória. Uso de variantes de prosódia conotadas pejorativamente pela platéia.

o espontâneo e o elaborado. época a época.Da Literatura Das retóricas particulares a literária é a mais aberta. Assim. Para compor o discurso literário o escritor lança mão dos mesmos recursos que estão disponíveis para a criação dos demais discursos. etc. o elevado. apelativa. fática. o opulento. líquida e certa. figuras que causam estranhamento e figuras sem estranheza nenhuma. o oratório. O literário é definido obra a obra. Segundo porque pode se dar que a função poética se estabeleça justamente a partir de suas funções referencial. Não está congelado no Olimpo das idéias platônicas a espera que um estudioso diligente o resgate. o opaco e o claro. Enfim. o jornalístico. estabelecer o que é geralmente válido para o corpus. escola a escola. o colóquio e o debate. Assim a Retórica da literatura nestes casos será a Retórica do jornalístico. Felizmente é assim. emotiva. uma linguagem literária distinta essencialmente de todo o resto dos discursos. em muitas de suas ocorrências é comum a Retórica literária ser a mesma do que se mimetiza. como estabelecer uma Retórica literária? Só há um método razoavelmente válido. Em literatura se mimetiza o formal e o informal. do debate. o arcaísmo. Não há estilos exclusivamente literários. autor a autor. não é a metáfora que estabelece o poético. Quem estabelece o corpus literário de alto nível que precisamos é a crítica dos leitores mais qualificados. por isso a mais difícil de delimitar. Um discurso só ganha o estatuto de literário por um juízo de valor estético. Agora isso não significa de modo algum que este uso quando ocorre sempre ocorre apartado de outros usos como as funções referencial. o conciso. discursos. etc. do colóquio. Ela pode ser matéria prima para gerar objetos estéticos. Primeiro tomar um corpus geralmente aceito para observação. o racional. Decididamente não há formas essencialmente literárias. então a linguagem tem um uso poético.. A definição do literário não está dada a priori de uma Estética que a suporte. Exemplificando: A literatura dita . Não existe um estilo. O que é o literário sob uma Estética pode ser o antípoda do literário para outra. Sendo a literatura mimética. literariedade é questão de opinião. metalingüística. a discussão. apelativa. No discurso literário podemos encontrar o estilo culto. Não é a rima nem o verso que estabelecem a poesia. Nunca haverá meio de definir universalmente o que seja o literário. Depois. A literariedade não é uma atribuição unânime. Não é a 'opacidade' de um recurso retórico. no caso. Primeiro porque o literário na maioria dos casos mimetiza todas estas funções. Função poética da linguagem Se entendermos função como uso.. nem um suposto 'desvio' a um modo normal de discursar que fundam o literário. Não há recursos retóricos essencialmente literários. a gíria. Então.

quando temos discurso sobre discurso. que deriva de uma proposta estética formalista radicalizada e postulação estética não combina com conhecimento científico. .engajada só tem sua função poética cumprida na medida que cumpre sua função apelativa. está praticando uma redução brutal. quando o que está em jogo é exclusivamente a forma. Quem diz que a função poética da linguagem acontece quando o discurso se ocupa de si mesmo. A literatura naturalista só cumpre sua função poética se cumprir a sua função referencial de dar a conhecer uma realidade.

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mas não para os leitores de RocketEditions e navegantes da Internet) .br/radamesh .com.br/radamesp e Haicais Polacos (poesia) em http://sites.uol.engenheiro .ocupa-se da informática Outras obras do autor: Faces (poesia) em http://sites.inédito em papel (também em pergaminho.curitibano .1961 ..O Autor Radamés Manosso .com.uol.

org — Abril 2008 .ebooksbrasil.RocketEdition TM www.1999 eBooksBrasil pdf: eBooksBrasil.com Dezembro .