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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE

FACULDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE CARUARU - FACITEC

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

A UTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES – UM ESTUDO DE CASO NO IFPE-CAMPUS PESQUEIRA

PRISCILA LOPES ALVES

CARUARU - PE

2009

UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE

FACULDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE CARUARU - FACITEC

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

A UTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES – UM ESTUDO DE CASO NO IFPE-CAMPUS PESQUEIRA

PRISCILA LOPES ALVES

Orientador: Profº. Vinicius Cardoso Garcia

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do diploma de Bacharel em Sistemas de Informação pela Faculdade de Ciência e Tecnologia de Caruaru.

CARUARU - PE

2009 !

PRISCILA LOPES ALVES

A UTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES – UM ESTUDO DE CASO NO IFPE-CAMPUS PESQUEIRA

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do diploma de Bacharel em Sistemas de Informação pela Faculdade de Ciência e Tecnologia de Caruaru.

Orientador: Profº. Vinicius Cardoso Garcia

CARUARU - PE

2009

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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE

FACULDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE CARUARU - FACITEC

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

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A UTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES – UM ESTUDO DE CASO NO IFPE-CAMPUS PESQUEIRA

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PRISCILA LOPES ALVES

Monografia apresentada como requisito parcial

para a obtenção do diploma de Bacharel em

Sistemas de Informação pela Faculdade de

Ciência e Tecnologia de Caruaru.

Membros da Banca:

Profº. Vinicius Cardoso Garcia (Orientador – UPE/FACITEC)

Profª. Roberta Andrade de A. Fagundes (UPE/FACITEC)

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado no dia

Tecnologia de Caruaru – FACITEC da Universidade de Pernambuco - UPE.

/

/2009,

na Faculdade de Ciência e

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Dedico este trabalho a Deus, a minha família e àqueles amigos que sempre me apoiaram e me deram força para não desistir desta batalha.

AGRADECIMENTOS

Durante todos estes anos, foram inúmeras as pessoas que ajudaram para que eu chegasse

até aqui. A princípio, gostaria de agradecer a Deus por todas as oportunidades colocadas em minha vida, por cada pessoa colocada em meu caminho e pela força e esperança que muitas vezes me segurou, me guiou e me ajudou a seguir a diante. Agradeço a minha família, às minhas tias e tios que sempre me ofereceram seu apoio e preocupação, a meus pais, pelo exemplo de garra, dedicação e responsabilidade. E em especial a minha mãe, que nos momentos difíceis não me deixou desistir e graças à persistência dela cheguei até aqui. Às minhas irmãs, Luiza e Camila, que mesmo a distância sei que posso contar com elas.

A meu namorado, Brainner, por sempre estar presente nos momentos mais difíceis, pelo

carinho, pela atenção e paciência dispensados a mim, ouvindo minhas reclamações e agüentando minha falta de paciência.

A minhas queridas amigas Katharina, Lucyana, Tatiana e Sylmara, responsáveis por boa

parte dos meus valores e opiniões, pois com elas cresci e aprendi a importância de se poder contar com verdadeiras amizades. Aos meus amigos de graduação, Tamires Silva, Amélia Costa, Elton Bezerra, Mariana Piquet, Jefferson Moisés, Pietro Pereira, Eduardo Melo, Diego Florêncio, Ênio Silva, Suetoni Barros, Rafael Estefano, Mavy Diego, Valter Costa e Ewerton Mendonça que levarei para

toda vida, pela ajuda nos momentos difíceis, pelas noites estudando, pelas preocupações compartilhadas, pelas caronas e também por todas as farras, que hoje tenho saudades. Agradeço também a todos aqueles amigos, que sei o quanto foram importantes nesta jornada deixando um pouco de si em minha pessoa, mas que devido às circunstâncias se afastaram. Aos colegas de trabalho, pela paciência e compreensão nos momentos em que precisei me dedicar mais a este trabalho. A professora Eleonor, pela ajuda. Aos colegas de almoço e de jantar, pelos momentos de descontração e apoio. E em especial, as meninas do alojamento, Elaine, Fátima, Alaide e Josineide, que me ajudaram com seu bom-humor e suas conversas até tarde sem me deixar dormir.

A Raimundo Praxedes, minha imensa gratidão e respeito, pelas diversas vezes em que

me ajudou durante o curso e pela sua torcida a cada vitória em minha vida.

Agradeço a todos os meus professores, desde aqueles que me alfabetizaram até os meus atuais professores da UPE, que nesta caminhada me apoiaram, incentivaram, acreditaram em mim e ajudaram a construir o que sou hoje. Em especial, ao professor Vinicius Cardoso Garcia, pela orientação, pelas dicas, pela abertura e prontidão que ofereceu não só a mim, mas a todos seus alunos e principalmente, pelo exemplo de profissional. Enfim, agradeço a todos que contribuíram para que eu chegasse até aqui, sem vocês nada disso seria possível.

RESUMO

Diante das atuais necessidades da sociedade, geradas pela difusão rápida e em massa de informação por meio das tecnologias, as organizações tanto públicas como privadas tem se conscientizado da importância do capital intelectual, do conhecimento, para o cumprimento da sua missão, no caso das públicas, ou para sua sobrevivência no mercado, no caso das privadas. Pensando nisto, muitas empresas passaram a investir em seus funcionários e em tecnologias que dessem suporte a eles. E é neste contexto que surge a questão deste trabalho:

como a Educação a Distância (EaD) pode gerar um ambiente de criação, inovação, desenvolvimento e disseminação de conhecimento entre os servidores de uma instituição pública? Para responder esta questão foram analisados alguns conceitos e situações acerca da EaD e da Gestão do Conhecimento, além de ter sido aplicado um questionário com os servidores administrativos do IFPE – Campus Pesqueira para identificar a possível necessidade de um processo de Gestão do Conhecimento no campus e a percepção deles quanto a Educação a Distância. Com isto, conclui-se que a EaD e as ferramentas que ela utiliza hoje, seriam bastante eficazes na Gestão do Conhecimento dentro do Instituto, porém com algumas ressalvas, uma vez que foi identificada uma certa resistência por parte dos servidores quanto a alguns aspectos da Educação a Distância.

Palavras-chaves: Educação a Distância (EaD), Gestão do Conhecimento, Instituição Pública, Tecnologia para Educação a Distância.

ABSTRACT

Given the current society needs, generated by the quick and mass dissemination of information through technologies, both public and private organizations have become conscious of the importance of the intellectual capital (knowledge) to fulfill their mission, in the case of the public organizations, or for their survival in the market, in the case of the private organizations. With this in mind, many companies started to invest in their employees and in technologies that would support them. In this context, the research question of this work is: can Distance Learning generate an environment for creation, innovation, development and dissemination of knowledge among the employees of a public institution? To answer this question concepts and situations on the Distance Learning and Knowledge Management were analyzed. Besides, a survey was performed with the administrative employees at IFPE - Campus Pesqueira to identify the potential need for a process of Knowledge Management on campus and their perception about distance learning. Thus, it possible to conclude that distance learning and its tools would be quite effective in Knowledge Management within the Institute, but with some reservations, since it some resistance from the employees on some aspects of Learning was also identified.

Keywords: Distance Learning, Knowledge Management, Public Institution, Technology for Distance Learning.

LISTA DE FIGURAS

1 Cinco gerações de educação a distância (MOORE & KEARSLEY, 2008)

 

22

2 Serviços da Web 2.0 (SILVA, 2008)

 

26

3 Classificação 3C dos sistemas colaborativos (PIMENTEL, M. et al., 2006)

 

28

4 O modelo 3C (FUKS, H. et al., 2002)

 

29

5 Modelo de Organização de Conhecimento (ANGELONI, 2002)

 

35

6 Espiral do Conhecimento (NONAKA & TAKEUCHI, 1997, p.80)

 

36

7 Tempo de Serviço dos Servidores Entrevistados

 

48

8 Opinião dos servidores quanto a frequência com que são ofertados cursos

 

de capacitação e treinamento

 

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9 Opinião dos servidores quanto a frequência com que são ofertados cursos

 

para todos os servidores

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10 Concordância com a política de incentivo a qualificação do IFPE

 

51

11 Questão sobre o acesso à informação no IFPE – Campus Pesqueira

 

52

12 Número de servidores que participaram ou não de algum curso oferecido

 

pelo

IFPE .

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52

13 Número de cursos feitos por servidor

 

53

14 Servidores que fizeram ou não curso a distância pelo IFPE

 

53

15 Frequência com que os cursos ajudam na produtivadade

 

54

16 Nível de satisfação dos servidores com a qualidade dos cursos ofertados

 

55

17 Frequência com que os servidores participam de cursos a distância por

 

iniciativa própria

 

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18 Avaliação do processo de EaD pelos servidores

 

56

19 Concordância com o processo de EaD para atualização e integração dos

 

servidores

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21

Itens considerados fundamentais para o sucesso de um processo de EaD

58

22 Identificação dos principais problemas do IFPE

59

SUMÁRIO

1 Introdução

12

1.1 Contextualização

 

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1.2 Caracterização do Problema

 

13

1.3 Objetivos

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1.3.1 Objetivo

 

Geral

 

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1.3.2 Objetivos Específicos

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1.4 Metodologia .

 

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1.4.1

Natureza da Pesquisa

 

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1.4.1.1 Quanto aos fins

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1.4.1.2 Quanto aos meios

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1.4.1.3 Quanto a forma de abordagem

 

17

1.5 Resultados e Impactos Esperados

 

17

2 Evolução da EaD

 

20

2.1 Contextualização

 

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2.2 A História da EaD

 

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21

2.3 O Modelo 3C de Colaboração nos Ambientes de EaD

 

26

2.3.1 CSCW, CSCL e Groupware

 

26

2.3.2 Modelo 3C de Colaboração

28

2.4 Universidade Corporativa e Treinamento Governamental

 

30

2.4.1 Universidade Corporativa

 

30

2.4.2 Treinamento Governamental

 

31

2.5 Resumo do Capítulo

 

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3.1 Contextualização

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3.1.1

Modelos de Gestão do Conhecimento

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3.2 O Suporte Tecnológico à Gestão do Conhecimento

 

37

3.2.1 Portais Corporativos

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3.2.2 Comunidades Virtuais

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3.2.3 Redes Sociais

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3.3 O Uso da EaD para a Gestão do Conhecimento

 

42

3.4 Resumo

do

Capítulo.

 

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4 Estudo de Caso: Como Utilizar a EaD para a Gestão do Conhecimento no IFPE - Campus Pesqueira

45

4.1 O IFPE – Campus

Pesqueira .

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45

4.2 Cenário Atual

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4.3 Descrição e Análise dos Resultados

 

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4.4 Conclusão

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5 Considerações Finais

 

62

Referências

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Apêndice A

68

Questionário

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1. INTRODUÇÃO

1.1

CONTEXTUALIZAÇÃO

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Anteriormente, na chamada “Era Industrial”, o trabalhador quase não precisava se preocupar com modificações em sua colocação no trabalho ou na estrutura da empresa. Hoje, porém, o trabalhador não pode manter-se indiferente às transformações que acontecem em seu ambiente de trabalho, correndo o rico, se o fizer, de tornar-se obsoleto e desnecessário. Nos anos 90, Drucker (1993, p. 15) já afirmava que diferentemente daquela época “o recurso realmente controlador, o fator de produção absolutamente decisivo não é o capital, a terra ou a mão-de-obra. É o conhecimento.” Moura (1999), por sua vez, assegurava que o conhecimento sempre foi a principal fonte de crescimento econômico, desde a revolução agrícola até os dias atuais. E a diferença entre essas épocas incide no impacto proporcionado pelo uso intenso das tecnologias da informação. Pois foram elas que contribuíram de forma efetiva para a mudança da sociedade em direção a uma economia baseada no conhecimento, ao permitir o acesso e a transmissão de um enorme volume de informações disponíveis. Castells (1999, p. 53) corroborava dizendo que “No novo modo informacional de desenvolvimento, a fonte de produtividade acha-se na tecnologia de geração de conhecimento, de processamento de informação e da comunicação de símbolos.” Desta forma, as novas tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), cujo principal artifício é a Internet, acabam por interferir de forma crucial na maneira como o conhecimento circula e é gerado. Santos e Okada (2003. p. 1) resumem que:

As redes não só de máquinas e de informação, mas principalmente de pessoas e de comunidades estão permitindo configurar novos espaços de interação e de aprendizagem. Qualquer usuário de qualquer ponto pode não só trocar informações, mas reconstruir significados, rearticular idéias tanto individualmente quanto coletivamente; e, assim, partilhar novos sentidos com todos os usuários da rede.

As empresas já tem procurado realizar transformações em sua cultura, estrutura e padrões para se adaptarem a este novo cenário, contudo, são poucas as que conseguem fazer isto de fato.

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As tecnologias tem assumido papéis não apenas voltados para automação de processos, mas principalmente para conexão de pessoas. Independente de tempo ou espaço ela tem permitido as empresas capacitarem, treinarem e preservarem o conhecimento na organização; tem permitido às pessoas comunicação, educação, entretenimento e muitas outras possibilidades. Os sistemas cooperativos, como os groupwares (softwares que auxiliam o trabalho em grupo), são um bom exemplo disto, pois permitem às pessoas que fazem parte de um mesmo grupo de interesses realizarem tarefas e compartilharem informações sem, necessariamente, estarem no mesmo espaço físico ao mesmo tempo. Estas ferramentas já são utilizadas diariamente, ainda que não se tenha o conhecimento de que são groupwares. O correio eletrônico, os fóruns, os blogs, os mensageiros instantâneos e as ferramentas wiki são apenas as mais corriqueiras destas ferramentas. Nas organizações podemos citar ainda o uso de softwares para gestão de projetos, agendas eletrônicas compartilhadas, intranets e ambientes virtuais de aprendizagem. Por outro lado, é preciso enxergar que o uso dessas tecnologias por si só, de maneira desordenada, sem metas e objetivos claros na organização, não produz muitos resultados. Não seria útil, por exemplo, a uma empresa ter as melhores máquinas e ferramentas tecnológicas se estas não estivessem atreladas às necessidades da organização ou se seus funcionários não estivessem preparados para manuseá-las. Para tanto, seria conveniente um estudo antecipado das necessidades organizacionais e um planejamento para uso efetivo dessa tecnologia, até mesmo para produção e gerenciamento do conhecimento na organização. É o que se propõe mostrar através deste trabalho. Conhecendo as necessidades (relacionadas ao desempenho de suas funções) dos servidores administrativos de uma instituição. E a partir daí identificar a possibilidade de utilizar o processo de Educação a Distância (EaD) para minimizar tais dificuldades.

1.2 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

Nas últimas décadas, tem-se observado um crescimento espantoso da quantidade de informação a que as organizações e as pessoas são submetidas diariamente através das mais diversas fontes e mídias. De acordo com uma pesquisa feita pela Price Waterhouse, o volume

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de conhecimento necessário para uma pessoa manter-se atualizada no mundo dos negócios dobra a cada ano. 1 E para uma organização, ser detentora desse conhecimento significa manter-se no mercado, ou quem sabe, sair na frente dos seus concorrentes. Mas como elas podem fazer isto? Como podem reter e administrar algo que não pode ser medido, mas que ao mesmo tempo é de extrema importância? No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) - Campus Pesqueira, mesmo sendo uma instituição pública e sem fins lucrativos, existem as mesmas preocupações: Como gerir as competências e capacidades existente no órgão? Como aprimorar a aprendizagem organizacional e a busca por inovação? Como envolver as pessoas e conscientizá-las de que são essenciais neste processo? Uma resposta das organizações para estes questionamentos tem sido a gestão do conhecimento, que segundo Nonaka e Takeuchi (1997) é o processo sistemático de

identificação, criação, renovação e aplicação dos conhecimentos que são estratégicos na vida de uma organização. “Para implementação de um processo de gestão do conhecimento, deve-se atentar para três dimensões condicionantes de uma organização do conhecimento: infra-estrutura

(TEIXEIRA FILHO, 2008, p. 5). E pensando nos

meios tecnológicos que poderiam dar suporte a um processo de gestão do conhecimento no IFPE – Campus Pesqueira chegou-se à Educação a Distância (EaD), ou e-learning, pois atenderia às necessidades de partilhar tarefas, preservar os conhecimentos corporativos e a memória institucional, além de ser um meio de promover a aprendizagem continuada e a interação entre os servidores. Algumas instituições governamentais como o Ministério da Fazenda, Ministério da Justiça, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) já utilizam a educação a distância para treinamentos e capacitações. Só que a EaD hoje, graças a web, é capaz de oferecer inúmeras características que facilitam não só o aprendizado e o treinamento, mas também a colaboração e a interação entre os participantes desta experiência em qualquer lugar do mundo. Redes sociais, escrita colaborativa e comunicação on-line, são algumas destas características.

organizacional, pessoas e tecnologia [

]”

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1 LUCCI, Elian Alabi. A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar. Disponível em: <http://www.hottopos.com/vidlib7/e2.htm>. Acesso em: 18. ago. 2009.

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Portanto, o estudo sobre a possibilidade de utilizar a EaD como um processo para gestão

do conhecimento no IFPE – Campus Pesqueira faz-se necessário, pois auxiliaria na resolução

de problemas administrativos decorrentes das dificuldades em gerir o conhecimento na

instituição. !

1.3 OBJETIVOS !

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1.3.1 OBJETIVO GERAL

Este trabalho tem como objetivo analisar a possibilidade de utilizar o processo de

Educação a Distância para Gestão do Conhecimento no âmbito administrativo do IFPE –

Campus Pesqueira.

1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Levantar aspectos relevantes sobre Gestão do Conhecimento;

Explorar o cenário atual do IFPE – Campus Pesqueira;

Aplicar pesquisa junto aos servidores administrativos do IFPE – Campus Pesqueira a fim

de verificar a aceitação e opinião dos servidores quanto ao processo de EaD e quanto a

necessidade de um processo de gestão do conhecimento;

!

1.4 METODOLOGIA

Cervo e Bervian (2002, p.23) definem método como:

a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários

para atingir um certo fim ou um resultado desejado. Nas ciências, entende-se por método o conjunto de processos empregados na investigação e na demonstração da verdade. Não se inventa um método; ele depende, fundamentalmente, do objeto da pesquisa. Os cientistas, cujas investigações foram coroadas de êxito, tiveram cuidado de anotar os passos percorridos e os meios que os levaram aos resultados. Outros, depois deles, analisaram tais processos, empíricos

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no

verdadeiramente científicos.

início,

foram

transformados,

gradativamente,

em

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métodos

Resumindo, Silva (2001) diz que metodologia científica é um conjunto de processos e

operações mentais que se deve empregar nas investigações. É a linha de raciocínio adotada no

processo de pesquisa. Ou seja, é a explicação de todos os processos de ação desenvolvidos no

trabalho de pesquisa.

1.4.1 NATUREZA DA PESQUISA

A seguir serão descritos itens a cerca da natureza desta pesquisa.

1.4.1.1 Quanto aos Fins

Esta pesquisa se classifica como uma pesquisa exploratória envolvendo levantamento

bibliográfico, entrevistas com pessoas ligadas ao tema tratado e análise de exemplos que

estimulem a compreensão do processo de gestão do conhecimento e EaD. Gil (1999) comenta

que a pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o

problema, com vistas a tomá-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Ele ainda diz que

estas pesquisas tem como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de

intuições.

O planejamento deste tipo de pesquisa é considerado bastante flexível, de modo que

permita a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. E como se

pretende pesquisar opiniões, pontos de vista e buscar soluções para os problemas

apresentados, as possibilidades desse tipo de pesquisa são mais amplas e oferecem uma maior

liberdade. Este tipo também é conhecido por procurar hipóteses ou prováveis explicações,

identificando áreas para um estudo mais aprofundado.

1.4.1.2

Quanto aos Meios

!( #

Será utilizado para o desenvolvimento desta pesquisa o estudo de caso, pois o esboço desse tipo de pesquisa se baseia na idéia de que a análise de uma parte de um todo escolhido permite, segundo Gil (1987), a compreensão da generalidade do mesmo, ou no mínimo, o estabelecimento de bases para uma investigação posterior, mais sistemática e precisa. Yin (2001) comenta que o estudo de caso é o delineamento mais propício para a investigação de um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, onde os limites entre o fenômeno e

o contexto não são claramente percebidos.

1.4.1.3 Quanto a Forma de Abordagem

A abordagem adotada para este trabalho foi a quantitativa, pois permite quantificar os

dados obtidos através do questionário. Porém foi deixado em aberto no questionário utilizado um espaço para aqueles que desejassem comentar suas respostas, caracterizando-se também como qualitativa, pois possibilita analisar aspectos implícitos nas práticas de uma organização e nas relações entre seus integrantes. É conforme Dias (2003, p. 376) “uma abordagem não estruturada, baseadas em pequenas amostras, a fim de proporcionar insights e uma compreensão do contexto do problema”

A coleta dos dados se dará através de um questionário estruturado que terá como

objetivo identificar a aceitação e opinião dos servidores quanto ao processo de EaD e quanto a necessidade de um processo de gestão do conhecimento.

O universo desta pesquisa será formado por todos os servidores administrativos do IFPE

- Campus Pesqueira.

1.5 RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS

No trabalho ora projetado não se tem a intenção de esgotar o tema estudado nem tampouco a pretensão de criar novos conceitos e novas metodologias. No entanto, é preciso estabelecer o referencial para a elaboração do estudo que se pretende fazer. Para tanto, serão adotados conceitos pré-estabelecidos para os principais itens abordados: gestão do

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conhecimento, tecnologia da informação e educação a distância. Pois como se sabe, tais conceitos servirão de base para o estudo de caso proposto.

O capítulo II será voltado para definição e discussão de aspectos relacionados com a

educação a distância (EaD): história, conceitos, ferramentas e ambientes. Só que, dentro deste escopo, serão focadas as tendências em EaD dirigidas para o ambiente corporativo. Será

analisada a importância do modelo 3C de colaboração para ambientes de EaD e como seus elementos: comunicação, cooperação e coordenação podem ser úteis no meio organizacional. 2 As experiências de organizações com educação a distâncias também serão levadas em consideração neste capítulo, em especial aquelas experiências que tratam de universidades corporativas e treinamentos governamentais, visto que estas modalidades se aproximam com

a realidade tratada no presente trabalho. As diretrizes para este capítulo virão de diversas

fontes (livros, artigos, publicações na web , dissertações e outros), pois por ser um tema de discussão presente em várias áreas (pedagogia, informática, design, etc.) conta com diversos

nomes, que aos poucos serão citados neste. No capítulo seguinte, pretende-se analisar a evolução e importância do conhecimento nas organizações, desde a sociedade agrícola, passando pela sociedade industrial, até os dias atuais, na denominada sociedade do conhecimento. Levantar-se-á, ainda, os principais conceitos de gestão do conhecimento, abordando obras de autores renomados na área como Nonaka, Takeuchi, Peter Drucker, Davemport, Prusak, entre outros. E fazendo comparações entre estes quando forem relevantes. Também serão vistas, no mesmo capítulo, as formas como as tecnologias da informação

e comunicação (TIC’s) invadiram diferentes áreas do conhecimento e como passaram a dar suporte ao processo de gestão do conhecimento. Pois se sabe que, aproveitando os avanços tecnológicos a gestão do conhecimento receberá um forte impulso. Pretende-se ainda mostrar que para a efetividade dessa relação entre tecnologia e gestão do conhecimento é preciso enxergar as tecnologias não apenas como ferramentas para armazenamento, consulta e automatização de tarefas, mas, sobretudo como um sistema para interação, cooperação e aprendizagem. E a partir desse pressuposto, o objetivo deste trabalho será analisar a possibilidade de utilização da tecnologia presente no atual processo de educação a distância para o favorecimento da gestão do conhecimento.

O capítulo seguinte apresentará a estrutura do IFPE – Campus Pesqueira, objeto do

estudo de caso deste trabalho. Serão pesquisadas publicações , leis e diretrizes com

#############################################################

2 Modelo desenvolvido inicialmente por Ellis et al. (1991)

#

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informações concernentes ao tema. Além de políticas e planos de ação desenvolvidos para o quadro de pessoal e para o desenvolvimento da infra-estrutura tecnológica do Campus. Também serão analisados neste capítulo, os resultados da pesquisa realizada com os servidores administrativos sobre a aceitação e opinião deles quanto a processos de EaD e quanto a necessidade de um processo de gestão do conhecimento. Nos demais capítulos, serão apresentadas as considerações finais do trabalho e apontadas possíveis soluções para o caso descrito. O lançamento da proposta para um trabalho futuro deverá ser analisado e estudado de acordo com a realidade percebida nas pesquisas:

infra-estrutura, pessoal, processos e gestores. Contudo, a finalidade maior deste trabalho, é lançar a idéia do uso das tecnologias de interação, comunicação e cooperação presentes atualmente no processo de EaD para dar possibilidade ao desenvolvimento estruturado e planejado de um processo de gestão do conhecimento. Uma vez que, como vimos no princípio deste trabalho, um processo de gestão do conhecimento é fundamental para qualquer organização que se preocupa em atender aos elevados padrões de exigência da sociedade contemporânea.

20

2. EVOLUÇÃO DA EAD

2.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

O ser humano sempre procurou interagir com as demais pessoas através de grupos. A expressão grupo faz entender um conjunto de indivíduos com os mesmos objetivos. Segundo Robbins (1999), grupo de trabalho é a reunião de pessoas para partilhar informações, conhecimento e tomar decisões, a fim de se ajudarem com seu desempenho em sua área de responsabilidade. Contudo, os grupos não interagem mais apenas face-a-face. Atualmente, a tecnologia tem contribuído de forma bastante significativa para trabalhos colaborativos, independente da distância geográfica. Com isso, surgem as chamadas equipes virtuais, que segundo Robbins (1999), são equipes que usam a tecnologia da informática para juntar fisicamente seus membros dispersos, para que possam atingir seus objetivos. Nesses grupos, as pessoas interagem “on line”, colaborando entre si, utilizando meios de comunicação tais como:

videoconferência, correio eletrônico, sistemas de mensagens instantâneas, etc. A exemplo disto, tem-se a Educação a Distância (EaD), que a cada dia vem incorporando estes serviços e crescendo mais. Pode-se dizer, inclusive, que esta integração que vem ocorrendo entre educação e tecnologia deu-se, principalmente, devido ao desenvolvimento da Internet. A princípio ela apresentou-se como poderosa ferramenta no que diz respeito ao acesso a informação e ao conhecimento e posteriormente, com a chamada Web 2.0 passou a utilizar a inteligência coletiva para sua própria construção e desenvolvimento. Os usuários, podem, eles mesmos, publicarem, compartilharem e organizarem as informações de modo a ampliar a interatividade neste meio. Desta maneira, “A rede de computadores apresenta-se hoje como elemento que pode modificar significativamente a educação presencial. As pessoas podem se comunicar, trocar informações, dados, pesquisas sem limites de hora e lugar.” (MOORE, 1996 apud MACHADO, 2002, p.26) Assim, a Educação a Distância pode ser citada como uma solução para diversos problemas de política educacional. Como uma forma de inclusão, que oferece oportunidade às pessoas que morram em lugares afastados, que não tem condições financeiras ou que não tem

21

disponibilidade, de cursarem o ensino superior, de complementarem a sua formação acadêmica ou se atualizarem profissionalmente com cursos e treinamentos. E como se percebe uma busca constante, quase obrigatória, por novos conhecimentos, o processo de ensino aprendizagem vem se reformulando para atender estas necessidades. Surgindo nesse cenário, a educação a distância, aliada às, já citadas, TICs. Em levantamento feito pelo ABRAEAD (Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância), um em cada 73 brasileiros estuda a distância. No ano de 2007 mais de 2,5 milhões de brasileiros estudaram em cursos com metodologias a distância. No entanto, foram incluídos nesta pesquisa não só alunos em cursos de instituições credenciadas pelo Sistema de Ensino, grandes projetos de importância regional ou nacional, como os da Fundação Bradesco e os do grupo S (Sesi, Senai, Senac, Sebrae etc.) foram incluídos na pesquisa. 1 Dentre as instituições renomadas de ensino superior que tem adotado a EaD, seja para a oferta de cursos de Licenciatura, Bacharelado ou Tecnólogo, pode-se citar a Universidade de Brasília (UnB), que oferece os cursos de Bacharelado em Administração de Empresas e Licenciatura Plena em Ciências Biológicas; a PUC-RIO que oferece o curso de Licenciatura em História, além de outros cursos de extensão; a Universidade de Pernambuco – UPE através dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e Licenciatura em Letras, e muitas outras. Desta forma, a adoção da EaD por instituições como estas, tem permitido que antigos preconceitos a cerca desta modalidade de ensino-aprendizagem sejam minimizados. Fazendo com que ela avance e se desenvolva tecnologicamente e pedagogicamente cada vez mais.

2.2 A HISTÓRIA DA EaD

Hoje, quando se fala em educação a distância é comum as pessoas associarem à I nternet e às novas tecnologias ligadas a ela. Contudo, não é de hoje que existe a EaD. Ela teve suas origens em meados do século XIX com a criação, em diversos países, de cursos por correspondência. De uma forma geral a EaD é assim caracterizada, segundo Moore & Kearsley (1996):

Pela separação do professor e aluno no espaço e/ou tempo;

Controle do aprendizado realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo instrutor distante;

22

Comunicação entre alunos e professores mediada por documentos impressos ou alguma tecnologia; Moore e Kearsley (2008) dividiram a evolução da EaD em cinco gerações (figura x). Já Maia e Mattar (2007) em três: cursos por correspondência; novas mídias e universidades abertas; e EaD on - line.

novas mídias e universidades aberta s; e EaD on - line . Figura 1 - Cinco

Figura 1 - Cinco gerações de educação a distância (MOORE & KEARSLEY, 2008)

Moore e Kearsley também definiram a educação a distância como o aprendizado planejado que ocorre normalmente em um lugar diferente do local do ensino, onde se fazem necessárias técnicas especiais de criação do curso e de instrução, comunicação por meio de várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais. Desta forma, vê-se que o termo educação a distância é utilizado para se referir à separação física no tempo e no espaço entre alunos e professores, e até mesmo entre os próprios alunos, diferentemente do ensino presencial. Sendo sua evolução marcada de acordo com a tecnologia utilizada para a comunicação e disseminação do conhecimento entre os elos deste processo de ensino-aprendizagem em cada época. Só que não há necessariamente uma substituição de uma tecnologia por outra. O que ocorre é que as novas tecnologias vão se agregando e se combinando as anteriores criando um novo modelo.

Primeira Geração: Cursos por Correspondência

Em 1833, um anúncio publicado na Suécia já se referia ao ensino por correspondência, e na Inglaterra em 1940, Isaac Pitman sintetizou os princípios da taquigrafia em cartões postais

23

que trocava com seus alunos. No entanto, o desenvolvimento se uma ação institucionalizada de educação a distância teve início a partir da metade do século XIX. 2

A história da educação a distância teve sua origem com cursos técnicos e de extensão

universitária que eram enviados pelo correio, chamados comumente de estudo por correspondência.

Esse tipo de EaD só foi possível graças ao desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, como os trens e o correio. O baixo custo e a confiabilidade dos serviços postais também foram fundamentais para que crescessem as iniciativas de criação de cursos a distância.

A primeira vez que a correspondência foi utilizada para cursos de nível superior foi no

Chautauqua Correspondence College uma das poucas instituições autorizadas pelo estado de Nova York a conceder diplomas e grau de bacharel por correspondência, entretanto havia uma

grande resistência com relação a cursos superiores a distância, mesmo nos países mais desenvolvidos.

Segunda Geração: Novas mídias e Universidades Abertas

A segunda geração da EaD segundo Maia e Mattar (2007) apresentou o acréscimo de

novas mídias como o rádio, a televisão, as fitas de áudio e vídeo e o telefone. Com o surgimento do rádio como uma nova tecnologia no início do século XX, muitas pessoas ligadas à educação reagiram com entusiasmo. No Brasil, em 1923 Henrique Morize e Roquette-Pinto criaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que oferecia cursos de línguas, radiotelegrafia e telefonia. Em 1936, a rádio foi doada ao Ministério da Educação e Saúde, e no ano seguinte foi criado o Serviço de Rádiodifusão Educativa do Ministério da Educação. Em 1934 foi a vez da televisão, a University of Iowa transmitia cursos pela televisão sobre temas como higiene oral e astronomia, e em 1939 já havia transmitido aproximadamente 400 programas educacionais (Unwin and McAleese, 1988). Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos também utilizaram filmes para treinar soldados no mundo todo. Os filmes abordavam tópicos sobre higiene pessoal e manutenção de armas. Em seguida, logo vieram os telecursos, programas educativos veiculados por canais de televisão ou por TV a cabo e que passaram a integrar programas de televisão, livros didáticos e guias de estudo.

2 Educação a Distância. Disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_a_dist%C3%A2ncia Acesso em: 16. Out. 2009

24

Um outro momento importante na história da EaD foi o surgimento das Universidades Abertas, a primeira foi a Open University constituída na Inglaterra em 1969. Iniciou seus cursos em 1970 valendo-se de um elevado financiamento e utilizando uma repleta gama de tecnologias (rádio, TV, vídeos, fitas cassetes e centros de estudo). Dez anos depois, consolidava-se como centro científico, autônomo e autorizado a emitir seus próprios diplomas. Com base nesta experiência, outros países passaram a se interessar pela educação a distância e criaram suas próprias instituições, como a Rádio ECCA nas Ilhas Canárias, Schools of the Air na Austrália, FernUniversitat na Alemanha e a Universidade Nacional Aberta na Venezuela.

Terceira Geração: EaD on - line

PLATO (Programmed Logic for Automatic Teaching) foi um dos projetos pioneiros da atual rede de computadores, desenvolvido na década de 70. Ele possibilitava que alguns locais se comunicassem por linhas de discagem ou através de conexões específicas. E a partir dele surgiu a idéia de criar uma forma de educação através da rede. Para Laudon & Laudon (2004) a Internet é a maior implementação de trabalho em rede, interligando centenas de milhares de redes individuais em todo o mundo. Eles afirmavam ainda, que o objetivo da criação da Internet foi interligar professores universitários e cientistas de todo o mundo. Na década de 90, com a popularização dos microcomputadores e o rápido desenvolvimento da Internet fez com que essa idéia avançasse e surgisse uma nova geração de educação a distância, baseada nas tecnologias de multimídia e nos computadores. Nesta nova geração, as mídias (vídeo, som, texto, imagem) e os meios de comunicação (teleconferência, correspondência, rádio, TV) utilizados anteriormente de forma isolada ainda persistiram, porém passaram a ser utilizados de forma integrada através do uso do computador e da Web. A Web 2.0, em particular, foi fundamental para o que existe hoje em termos de educação a distância. Enquanto a Web 1.0 trouxe grandes avanços no acesso à informação e ao conhecimento, a Web 2.0 permitiu maior liberdade e participação dos usuários. Para O’ Reilly (2005)

A Web 2.0 é a mudança para uma Internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se

25

tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva (O'Reilly, 2005).

Algumas das principais características da Web 2.0 são citadas por Coutinho & Bottentuit Junior (2007), a partir delas pode-se ver como a interação do usuário com o sistema passa a ser bem maior do que com a Web 1.0:

Gratuidade na maioria dos sistemas disponibilizados;

A edição de páginas pode ser realizada por vários usuários;

É

grande a velocidade que as informações mudam;

União de vários aplicativos somados aos sites/softwares;

Os softwares funcionam primordialmente online, ou com opção off-line para exportar informações de forma rápida e fácil para a Web;

Os sistemas param de ter versões e passam a ser atualizados e corrigidos a todo

instante, trazendo grandes benefícios para os usuários;

Os softwares da Web 2.0 geralmente criam comunidades de pessoas interessadas em um determinado assunto;

A atualização da informação é feita colaborativamente e torna-se mais confiável com

o

número de pessoas que acede e atualiza;

Acaba com a dependência das mídias físicas para armazenamento de dados, o que antes eram guardados em discos rígidos, agora são guardados em discos virtuais na Web.

Segundo (COSTA JÚNIOR, 2009, p.21) “Essa modificação sobre a interação com a Internet acabou gerando uma variedade de serviços disponíveis na Internet.” Silva (2008) mostra alguns desses serviços oferecidos a partir da Web 2.0 (Figura 2):

26

Característica das Ferramentas

Exemplos

Redes Sociais (social networking)

Orkut, Gazzag, Hi5, MySpace

Escrita colaborativa

Blogs, wikis, podcasts, Google docs

Comunicação On-line

VoIP, Skype, Msn Messenger, Pidgin

Acesso a videos on-line

YouTube, Google Video

Social Bookmarking

Del.icio.us

Jogos on-line

Second Life, GunBound, World of Warcraft

Figura 2 - Serviços da Web 2.0 (SILVA, 2008)

Hoje, já existem inúmeros softwares disponíveis no mercado para facilitar a montagem

e a gestão de cursos na Web; boa parte deles utilizam os serviços citados anteriormente para

tornar a interação mais atrativa e mais próxima com a dos cursos presenciais. Esses softwares

são comumente denominados de AVAs – Ambientes Virtuais de Aprendizagem, a exemplo

do Moodle, Amadeus, AulaNet, Sakai, Claroline e outros. Neles ocorrem as interações entre

alunos e professores, as atividades e o acompanhamento constante por parte dos professores

do progresso dos seus alunos. Alguns destes ambientes já são até editados pelos próprios

alunos; e não só no que diz respeito às informações contidas neles, mas também no que diz

respeito à arquitetura e ao design do ambiente.

2.3 O MODELO 3C DE COLABORAÇÃO NOS AMBIENTES DE EaD

2.3.1 CSCW, CSCL E GROUPWARE

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Para evitar o fracasso do grupo na realização das tarefas interdependentes, os participantes planejam e agem em conjunto. Na colaboração, os participantes se empenham para o sucesso do grupo, o que favorece uma postura pró-ativa e participativa dos indivíduos e uma maior união do grupo. Normalmente a liderança muda durante a resolução das tarefas de acordo com as competências de cada um, de modo que os papéis se revezam entre os participantes, mesmo que um deles tenha mais poder e seja o responsável pela tarefa.

Fuks (2000) acrescentava que:

Além da complementação de capacidades, do auxílio mútuo e da motivação advindos da colaboração, os novos profissionais são preparados a se relacionar, a negociar, a se expor, a liderar, a ter responsabilidade, e a se comunicar, coordenar e cooperar.

Em meados dos anos 70, existia a área de pesquisa chamada Automação de Escritório, que tinha como foco o aumento da produtividade das organizações. E já se preocupava em permitir o acesso simultâneo de membros de um grupo de trabalho a aplicações que eram apenas mono-usuário; Com os avanços da tecnologia, essa forma de trabalho começou a ser suportada pelo computador, motivando a criação de áreas de pesquisa como a CSCW (Computer Supported Cooperative Work) e CSCL (Computer Supported Cooperative Learning). De acordo com Rosa (2005), CSCW é “a área responsável pelo estudo de como as pessoas trabalham em conjunto utilizando a tecnologia computacional” e Lindemann e Simões (2007) definem CSCL como “a área responsável pelo estudo do aprendizado de um grupo de pessoas através do uso do computador”. Essas áreas descrevem como devem ser desenvolvidas as

28

ferramentas groupware, utilizadas para auxiliar o trabalho em grupo através do uso do computador. Logo, enquanto o CSCW e o CSCL são áreas de pesquisa, os groupwares são tecnologias geradas por estas áreas.

A utilização de groupwares já se tornou uma atividade comum na internet, as vantagens que esta prática proporciona tornam esta ferramenta como uma das mais utilizadas atualmente. Suas vantagens vão desde a aplicação em atividades acadêmicas até a utilização no dia-a-dia empresarial. (COSTA JUNIOR, 2009, p.

30)

Entretanto, para projetar um groupware que seja realmente propício à colaboração é necessário que suporte os aspectos do Modelo 3C de colaboração: comunicação, cooperação e coordenação.

2.3.2 MODELO 3C DE COLABORAÇÃO

Este modelo foi originalmente proposto por Ellis et al. [1991], ele confirma que para que haja colaboração efetiva nos grupos de trabalho suportados por computador deve existir coordenação, comunicação e cooperação, termos estes que dão origem aos 3Cs do Modelo. O Modelo 3C de Colaboração é frequentemente usado pela literatura para classificar os sistemas colaborativos, tal como proposto por Teufel et al. e Borghoff & Schlichter. Observando a figura seguinte pode-se observar como é feita a classificação destes sistemas com base no Modelo 3C.

a classificação destes sistemas com base no Modelo 3C. Figura 3 - Classificação 3C dos sistemas

Figura 3 - Classificação 3C dos sistemas colaborativos (PIMENTEL, M. et al., 2006)

29

Contudo, não se pode generalizar, uma vez que classificar um sistema como de comunicação não significa que ele não ofereça suporte à cooperação e à coordenação, apenas quer dizer que seu foco principal é a comunicação. Tentativas também tem sido feitas para usar este modelo no desenvolvimento de groupware e kits de componentes 3C que o desenvolvedor usa para montar uma ferramenta de colaboração.

usa para montar uma ferramenta de colaboração. Figura 4 - O modelo 3C (FUKS, H. et

Figura 4 - O modelo 3C (FUKS, H. et al., 2002)

A Figura 4 resume os principais conceitos do Modelo 3C, onde cada C representa:

Comunicação – Consiste na conversação, na troca de mensagens e na negociação entre pessoas. A comunicação gera compromissos e para que estes compromissos sejam cumpridos e as atividades individuais sejam transformadas em trabalho colaborativo é necessária a coordenação destas atividades.

Coordenação – É o gerenciamento de pessoas, atividades e recursos. A coordenação é um processo de planejamento, gerenciamento e o acompanhamento das atividades. É através da coordenação que ocorrem as negociações de maneira quase contínua no trabalho colaborativo. Para consolidar a coordenação é importante ter uma definição precisa das tarefas, atividades colaborativas e interdependências.

Cooperação – É o trabalho em equipe que é produzido pelas pessoas que compartilham um espaço de trabalho. Uma equipe coopera produzindo, manuseando e

30

organizando

informações,

construindo

e

aprimorando

projetos,

documentos,

planilhas,

gráficos, etc.

2.4 UNIVERSIDADE CORPORATIVA E TREINAMENTO GOVERNAMENTAL

Como já se sabe, a vantagem competitiva de uma organização está diretamente ligada ao capital intelectual de que dispõe. Sendo assim, as organizações já compreenderam que investir em seus funcionários, tanto por questões gerenciais como por pressão do próprio ambiente, traz resultados significativos. Desta forma, várias empresas tem utilizado a educação a distância como meio de oferecer cursos a seus colaboradores, clientes, fornecedores e demais stakeholders sem precisar afastá-los do trabalho e utilizando a própria infra-estrutura tecnológica da empresa. Seja através de universidades corporativas ou treinamento online.

2.4.1 UNIVERSIDADE CORPORATIVA

Após compreenderem a importância do conhecimento dentro da organização, várias empresas criaram suas universidades corporativas, que muitas vezes são utilizadas como sinônimo dos clássicos departamentos de treinamento e desenvolvimento. Contudo seu nível de atuação é bem maior do que o destes departamentos, tanto que passaram até a oferecer cursos com certificação acadêmica. Para Meister (1999, p.29) a universidade corporativa pode ser definida como “um guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar funcionários, clientes, fornecedores e comunidade, a fim de cumprir as estratégias empresariais da organização.” Allen (2002, p.9) em seu The corporate university handbook também definiu universidade corporativa como “uma entidade educacional que é uma ferramenta estratégica projetada para assistir sua organização-mãe a atingir sua missão, conduzindo atividades que cultivem aprendizado individual e organizacional, conhecimento e sabedoria” As universidades corporativas podem educar em diversos níveis através da formação básica, profissionalizante, graduação, especialização e pós-graduação. Podendo também educar sobre os próprios produtos e serviços da empresa

31

Segundo Maia e Mattar (2007) os Estados Unidos é o país onde mais se desenvolveram universidades corporativas a partir da década de 90. Já existem até empresas de referência como a Toyota, Motorola, IBM, Sun e McDonald’s. No Brasil, pode-se citar o Pão de Açúcar, a Académie Accor Latin America, os bancos como o Real, Bradesco e Banco do Brasil. Algumas universidades corporativas como a Motorola University, possuem campi físicos, outras como a Dell University, só existem virtualmente e existe ainda aquelas que usam a EaD misturada com aulas presenciais. São várias as vantagens de utilizar a EaD nas universidades corporativas. Uma delas é a economia, a quantidade de alunos e o perfil deles podem ser previstos mais precisamente, pode-se alcançar o funcionário onde ele estiver, além da flexibilidade de tempo. Desta maneira, a EaD permite que as empresas aumentem sua produtividade e competitividade, bem como desenvolver e reter talentos na organização.

2.4.2 TREINAMENTO GOVERNAMENTAL

Marchese (1998) afirma que as empresas privadas gastam aproximadamente 58 bilhões de dólares anualmente no treinamento de funcionários e cerca de 85% das empresas na

Fortune 500 estão oferecendo educação a distância para seus funcionários. Uma pesquisa feita pela SRI, Barron apud Moore & Kearsley (2008), indicou que 41% das organizações respondentes estavam adotando o aprendizado on-line. Mas o sucesso da EaD não tem ficado apenas no âmbito das empresas privadas. Ela também vem sendo utilizada de forma eficaz em instituições governamentais. Durante a Segunda Guerra Mundial, a necessidade de capacitação rápida dos recrutas norte-americanos deu origem a um dos primeiros usos da EaD para treinamentos governamentais, eram oferecidos treinamentos para recepção do Código Morse, instrução para manutenção de armas e noções de higiene pessoal. Hoje, vem sendo utilizada nos níveis federal, estadual e municipal, permitindo que os valores, a direção estratégica e os requisitos comuns sejam transmitidos e reforçados rapidamente. O uso da aprendizagem por meio eletrônico dentro de uma organização pode ser útil de várias formas:

• Ampliando o capital intelectual da organização, ao proporcionar acesso rápido a informações.

• Permitindo o acesso de funcionários remotos a oportunidades de aprendizagem.

• Economizando tempo e gastos com instrução e viagens.

32

• Atraindo e retendo pessoal, ao oferecer mais oportunidades de desenvolvimento profissional.

• Educando de maneira rápida e eficiente.

No Brasil, tem-se como exemplo de instituições que utilizam a EaD para treinamento governamental, o Tribunal de Contas da União, a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Ministério da Justiça, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

2.5 RESUMO DO CAPÍTULO

Este capítulo apresentou os principais conceitos da educação a distância e um breve histórico sobre sua evolução no decorrer dos anos. Foi apresentada também a ligação entre a EaD e o Modelo 3C de Colaboração, uma vez que espera-se que os ambientes virtuais de aprendizagem utilizados na educação a distância sejam ambientes de elevado nível de colaboração. No mesmo capítulo, ainda foram abordados os usos específicos da EaD em Universidades Corporativas e Treinamento Governamental, que tinham mais ligação com a finalidade deste trabalho. Em seguida, serão vistos conceitos de Gestão do Conhecimento e como a tecnologia, e consequentemente a EaD podem ser utilizadas neste processo.

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3. GESTÃO DO CONHECIMENTO

3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO

No mundo corporativo, a demanda por valor agregado e inovação tem sido amplamente difundida. Somado a isto, a constatação da sociedade de que o conhecimento hoje se torna ultrapassado rapidamente, tem feito com que as organizações assumam grandes responsabilidades como excelência na gestão, aptidões constantemente renovadas de seus funcionários, motivação própria para aprendizagem, fácil adaptação às situações e parcerias estratégicas. Com isto, este crescente entendimento da função e importância do conhecimento para sobrevivência das organizações tem colaborado para o desenvolvimento de novas formas de gerenciá-lo. Segundo Davenport e Prusak (1998) o conhecimento é a única fonte sustentável de vantagem competitiva. Drucker (1999), seguindo este movimento voltado para o conhecimento, passou a usar expressões como “organizações do conhecimento”, “trabalhador do conhecimento” e “economia do conhecimento” assinalando uma era na qual “a informação tornou-se o princípio organizador da produção”. Terra (2001), com base em análise de pesquisas da OCDE (Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), lista alguns dados que caracterizam o avanço dos países em direção à tão discutida Sociedade do Conhecimento:

a) A importância da inovação tecnológica para o crescimento econômico e a competitividade empresarial: até algum tempo atrás a tecnologia era considerada um dado de produção, embutida nos fatores tradicionais como o capital ou trabalho. Hoje é considerada como fator explícito de produção. Afinal, nos anos 90 a inovação tecnológica foi responsável pela maior parte do crescimento econômico e do ganho de produtividade. b) Relação entre conhecimento e Comércio Exterior: estima-se que, no conjunto dos países da OCDE, mais de 50% do PIB estão baseados em setores intensivos em conhecimento (como farmacêutico, eletro-eletrônico e informática), e essa tendência só tem aumentado Terra (2001). c) Queda de preços e da participação na economia dos recursos naturais e agricultura: os preços dos recursos naturais teriam caído quase 60% entre meados dos anos 70 e meados dos anos 90 (THUROW, 1997 apud TERRA, 2001). Consequentemente, nos países desenvolvidos o setor primário tem cada vez menor participação no PIB.

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d) Evolução dos setores de informática e telecomunicações: segundo o Departamento de Comércio dos EUA, citado por TERRA (2001) “em 1998, o valor dos investimentos em equipamentos de informática chegou a US$ 233 bilhões, sendo responsável por 58% do crescimento do total dos investimentos em equipamentos na indústria americana”. Já em 1997, nos EUA, os investimentos nos setores de informática corresponderam ao dobro (US$

225 bilhões) dos investimentos nos setores tradicionais. Consequentemente, esta preocupação com o conhecimento tem gerado um certo tipo de desafio para as organizações, uma vez que o conhecimento está presente em cada pessoa, sendo necessário extrair delas este conhecimento e compartilhá-lo de forma que futuramente gere vantagem competitiva. Tal desafio, seria o que comumente se chama de Gestão do Conhecimento (knowledge management). Para Terra (2001) gestão do conhecimento é organizar as principais políticas, processos e ferramentas gerenciais e tecnológicas à luz de uma melhor compreensão dos processos de geração, identificação, validação, disseminação, compartilhamento e uso dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados para a empresa e benefício para os colaboradores.

para Stwart (2002) gestão do conhecimento é identificar o que se sabe, captar e

organizar esse conhecimento e utilizá-lo de modo a gerar retornos.

Gordon (2001, p. 245) diz que:

Gestão do Conhecimento é, em seu significado atual, um esforço para fazer com que o conhecimento de uma organização esteja disponível para aqueles que dele necessitem dentro dela, quando isso se faça necessário, onde isso se faça necessário e na forma como se faça necessário, com o objetivo de aumentar o desempenho humano e organizacional.

A introdução de um processo deste numa empresa permite a ela criar uma linguagem

comum entre os colaboradores de maneira que eles possam trabalhar, interagir e trocar conhecimentos e experiências. Dentre outros benefícios de um processo de gestão do conhecimento pode-se citar a diminuição na perda do capital intelectual relativa a saída de empregados das organizações e a melhora da produtividade pelo fato do conhecimento estar mais acessível a todos.

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3.1.1 MODELOS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO

Em um modelo proposto por Angeloni (2002) são apresentados o que ele considera como as três principais dimensões de uma organização do conhecimento (tecnologia, pessoas, infra-estrutura organizacional) e as interações das variáveis organizacionais que ocorrem entre elas, conforme a figura 5:

que ocorrem entre elas , conforme a figura 5: Figura 5 - Modelo de Organização de

Figura 5 - Modelo de Organização de Conhecimento (ANGELONI, 2002)

O modelo mostra como a gestão do conhecimento não está ligada a apenas um aspecto da organização e sim a diversos fatores organizacionais, o que explica sua complexidade. A tecnologia, por exemplo, tem papel essencial num processo de gestão do conhecimento, contudo é insuficiente, pois a gestão do conhecimento é principalmente o desenvolvimento de uma cultura de aprendizado, colaboração dentro das empresas e inovação, acompanhados de um mapeamento do capital intelectual e valorização do mesmo. Bose apud Costa (2009) também apresentou um modelo para gestão do conhecimento, um modelo cíclico e dividido em fases, são elas:

Criação do Conhecimento: Descreve a etapa onde o conhecimento surge a partir das experiências e habilidades dos funcionários;

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Captura do Conhecimento: Técnicas e definições para a aquisição do conhecimento, que pode ser armazenado em forma bruta numa base de dados ou num repositório;

Refinamento do Conhecimento: Adição de contexto ao conhecimento, de forma que este possa ser facilmente reusado. Neste estágio o conhecimento tácito, adquirido através da experiência humana e difícil de ser capturado ou explicado a outra pessoa, é capturado, transformado e refinado junto ao conhecimento explícito, aquele de fácil documentação e distribuição;

Armazenamento do Conhecimento: Inclui a codificação do conhecimento explícito e tácito, depois de refinados, para que possam ser reutilizados;

Gerenciamento do Conhecimento: Seu objetivo é manter o conhecimento atualizado. Este conhecimento deverá ser sistematicamente para verificar se ainda encontra-se preciso.

Disseminação do Conhecimento: Garante que o conhecimento estará disponível para toda organização, a qualquer momento e sempre que necessário. Para Nonaka e Takeuchi (1997, p. 358) a criação e a transformação do conhecimento tácito em explícito e do explícito em tácito ocorrem através da chamada “espiral do conhecimento” (Figura 6), que acontece em quatro fases, são elas:

(Figura 6), que acontece em quatro fases, são elas: Figura 6 - Espiral do Conhecimento (NONAKA

Figura 6 - Espiral do Conhecimento (NONAKA & TAKEUCHI, 1997, p.80)

37

Socialização: Consiste no compartilhamento do conhecimento por meio da observação ou da prática, um processo de troca de experiências, sendo a transformação do conhecimento tácito individual para o conhecimento tácito coletivo.

Externalização: É a conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito e sua divulgação para o grupo. Isto pode ser feito a partir de debates internos com metáforas e analogias que acabam por gerar conhecimento.

Combinação: É a fase de padronização do conhecimento, ou seja, é a sistematização dos conhecimentos explícitos em um novo conhecimento explícito. Pode ser através de manuais, guias, documentos, redes de comunicação virtuais, etc. As tecnologias de informação tem se mostrado muito importantes nesta fase.

Internalização: É quando as pessoas passam a utilizar o conhecimento explícito retransformando seu conhecimento tácito. A documentação deste processo ajuda o indivíduo a internalizar suas experiências e ampliar seu conhecimento tácito. Nonaka e Takeuchi destacavam a necessidade de interação entre estas fases, uma vez que de forma isolada elas gerariam poucos benefícios para as organizações. Por estes modelos, vê-se que a partir do momento que os colaboradores das organizações passarem a dividir suas experiências de forma rotineira e sucessiva o armazenamento, gerenciamento e uso do conhecimento passarão a fazer parte da cultura organizacional.

3.2 O SUPORTE TECNOLÓGICO À GESTÃO DO CONHECIMENTO

Como já foi dito, a tecnologia é um dos principais fatores para um processo de gestão do conhecimento, contudo, se sua aplicação não for bem planejada pouca será sua utilidade. Com relação a isto, Davenport e Prusak (1998, p.171) já afirmava que “a mera presença da tecnologia não criará uma organização de aprendizado contínuo, uma meritocracia, nem uma empresa criadora de conhecimento”. Porém a sua utilização alinhada com as necessidades organizacionais de criação, armazenamento, divulgação e compartilhamento do conhecimento é de fundamental importância nos dias de hoje, onde o volume e a rapidez com que o conhecimento é difundido são extremamente avassaladores. Hoje, empresas públicas e privadas produzem conhecimento de várias formas, conhecimento este que muitas vezes é perdido ou fica apenas no conhecimento tácito de seus

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colaboradores. Vários projetos são implementados, inúmeros casos de sucesso são vivenciados, documentos e processos melhorados durante o decorrer dos anos, que caso não sejam preservados estes conhecimentos corre-se o risco de ficar num eterno recomeço, sem nunca de fato estabelecer boas práticas. É preciso estabelecer uma base, um alicerce de conhecimento para desenvolver novas propostas. As atuais tecnologias de armazenamento de informação tornam este trabalho de certa forma simples. No entanto, é preciso organizá-lo para que gere resultados efetivos, servindo como uma base de pesquisa e referencias dentro da organização, bem como permitindo a produção de conhecimento colaborativo e compartilhado. Das ferramentas que são utilizadas atualmente nestes processos de gestão do conhecimento tem-se as Universidades Corporativas, com o uso intensivo das práticas de EaD; tem também o desenvolvimento de portais corporativos; ou ainda a utilização, criação de comunidades virtuais. Como já se falou de Universidade Corporativa e será abordado um tópico sobre o uso da EaD na gestão do conhecimento, será visto neste momento apenas o uso de portais corporativos, comunidades virtuais e redes sociais:

3.2.1 PORTAIS CORPORATIVOS

Pode-se, de maneira resumida e ultrapassada, entender um portal corporativo como um site institucional que funciona como armazenador e disseminador de conteúdo dentro ou fora da organização. Só que hoje, ele tem inúmeras funções que vão muito além destas. Eles oferecem acesso rápido e organizado às aplicações e informações das empresas, oferecem meios de comunicação e colaboração para clientes, fornecedores e funcionários, disponibilizam catálogos de produtos e serviços da empresa, entre outros. Até pouco tempo, o foco dos portais de muitas empresas era apenas a comunicação, onde os usuários eram simplesmente expectadores, bombardeados por páginas com extensos conteúdos institucionais, mas sem nenhuma interação. De acordo com Coelho (2004, p.100) para um portal corporativo ser legitimado com tal ele deveria atender a alguns objetivos, como:

a) integrar o uso de aplicativos e bases de dados informatizadas; b) conectar os indivíduos às fontes de informação, unificando os ambientes de pesquisa, organização e divulgação e/ou publicação das informações e do conhecimento necessário às organizações; c) “permitir a personalização do acesso à informação;

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d) automatizar e aperfeiçoar os ciclos de decisão dos trabalhadores do conhecimento; e) permitir a criação de níveis mais profundos de colaboração entre os funcionários” (TERRA, 2002, p.17 apud COELHO, 2004); e f) “fomentar a criação e a reutilização do conhecimento explícito e a localização de pessoas que podem aplicar seu conhecimento tácito em situações específicas” (TERRA, 2002, p.51 apud COELHO, 2004).

Com estes recursos as interações dentro das organizações e acerca delas se tornam mais rápidas e produtivas, com informações mais detalhadas e completas. E desta forma, os portais corporativos também passaram a ser utilizados como sistemas de gestão do conhecimento, facilitando a tomada de decisão, agilizando as buscas por informação nas múltiplas fontes disponíveis e aumentando a produtividade.

3.2.2 COMUNIDADES VIRTUAIS

De acordo com o dicionário online Michaelis comunidade é uma “Agremiação de indivíduos que vivem em comum ou tem os mesmos interesses e ideais políticos, religiosos etc.. No mundo das tecnologias, o mesmo conceito poderia ser utilizado para comunidades virtuais, que nada mais são, além do que foi dito, uma maneira de pessoas com os mesmos interesses se organizarem e se unirem através da rede, em um ambiente virtual, para trocarem experiências e informações, independentemente de distância física e de tempo. (Rheingold apud Bertocchi, 2009) foi um dos primeiro a utilizar a expressão “comunidade virtual”, definindo-a:

As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da internet quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimentos humanos, para formar redes de relações pessoais no espaço cibernético.

Presentes nas mais diversas áreas de conhecimento, as comunidades virtuais surgem naturalmente em torno de um tema específico. Com usos acadêmicos, profissionais ou simplesmente para lazer, esta ferramenta mostra um grande potencial de integração, de aprimoramento de processos e troca de conhecimento. No governo federal brasileiro, o Comitê Técnico de Gestão do Conhecimento e da Informação Estratégica (CG-GCIE), ligado ao Comitê Executivo do Governo Eletrônico, criou o Portal das Comunidades Virtuais do Governo Federal. Denominado de CATIR (Comunidades de Aprendizagem, Trabalho e Inovação em Rede), este ambiente permite

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organizações públicas brasileiras desenvolverem suas comunidades voltadas para o suporte do seu trabalho, criando e socializando conhecimento. No entanto, mesmo com um número crescente de experiências com comunidades virtuais ainda há muito a avançar, pois segundo Coelho (2004, p.101)

os colaboradores possuem uma resistência natural ao compartilhamento de conhecimento e que os conhecimentos não fluem facilmente, mesmo quando as organizações realizam esforços consistentes e coordenados, no sentido de implementar projetos de gestão do conhecimento.

Do ponto de vista do uso pedagógico, também existem exemplos de certo receio. Desta forma, é preciso mostrar aos potenciais usuários as possibilidades que esta ferramenta gera e como pode ser eficiente em seu dia a dia.

3.2.3 REDES SOCIAIS

Diferentemente das comunidades virtuais que giram em torno de discussões e trocas a cerca de um tema específico, as redes sociais tem como principal fator a comunicação, o relacionamento e a interação entre os usuários, o que por sua vez, não despreza a possibilidade de utilizarem comunidades virtuais. Na verdade, de acordo com (COSTA, 2005)

O conceito de redes sociais responde a uma compreensão da interação humana de

Não se trata mais de definir relações de

comunidade exclusivamente em termos de laços próximos e persistentes, mas de

ampliar o horizonte em direção às redes pessoais.

modo mais amplo que o de comunidade [

]

Enfim, esta ferramenta vem desde meados da década de 90 alcançando um grande número de adeptos e uma enorme variedade no seu escopo. Segundo estudo realizado pela IBM, divulgado em O Globo(2009), o número de internautas em redes sociais, até 2012, ultrapassará 800 mi e o tráfego na Internet alcançará 20 mil petabytes por mês. Ainda segundo o mesmo, em junho do ano passado, os usuários de redes sociais já eram cerca de dois terços dos usuários de Internet no mundo e a previsão é que 90% do consumo de banda larga seja direcionado para as redes sociais até 2012. A pesquisa diz que as redes sociais já são utilizadas para prover a interação entre empresas, clientes e parceiros de negócios. E 69% dos profissionais, utilizam estes aplicativos para aumentar a colaboração, 55% usam para agilizar o tempo de resposta e 36% pretendem utilizá-las para diminuir custos com tecnologia.

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Muitos também são os trabalhos e pesquisas voltados para a análise de redes sociais. Eles vão desde estudos na área de computação até estudos nas áreas de comunicação, psicologia, marketing e sociologia. Um dos fatores que justifica esse interesse é a forma como estas redes conseguem extrair e disseminar o conhecimento tácito, inerente a cada pessoa, uma vez que os usuários divulgam suas informações nestas redes sem nenhuma ressalva e estas informações, se bem utilizadas, tornam-se extremamente importantes. “O uso das redes sociais como um caminho para a gestão de conhecimento vem sendo utilizado desde o ano de 2001” (COSTA, 2009, p. 2). Nesta época, começou-se a desenvolver ambientes multi-usuário que permitia a colaboração e a comunicação em grupo. A vantagem destes ambientes é que geralmente são redes informais e interativas onde os usuários tem livre expressão e interagem de forma íntegra entre si, gerando informações preciosas sobre estes usuários. Uma organização pode gerar estratégias de gestão com base nas informações extraídas das redes sociais de seus funcionários, ou estratégias de marketing a partir de informações dos seus clientes potenciais. Sites com Facebook, Twitter e Orkut batem recordes diários de acessos e muitos gestores estão começando a dar mais relevância a isto. Gomes (2009) retrata um pouco desta nova preocupação das empresas:

as empresas devem se adaptar, o mais rápido possível, aos novos tempos. Numa

economia em rede, numa sociedade do conhecimento, onde tudo são processos, tentar prender o tempo e os relacionamentos nas amarras do segredo como alma do negócio, que foi um fundamento da revolução industrial há mais de dois séculos é perda de energia. Total.

] [

Porque as pessoas sempre foram suas redes. Nós vivemos em contextos comunitários bem mais amplos do que nossas empresas, com muita gente pegando no “trampo” para, numa outra hora e cenário, fazer o que realmente gosta e para o que vive. Redes sociais (virtuais, habilitadas pela web) podem ser justamente a infraestrutura dos nossos tempos para fundir estes ambientes, hoje quase sempre sem conexão, de tal maneira que o que se faz “porque tem que ser feito” comece a ficar inseparável do que se faz “porque se quer fazer”.

Imagine as consequências, para seu negócio, de só ter gente fazendo o que quer fazer… Se não me engano, boa parte dos problemas da maioria dos negócios vem da falta de sincronia entre o que se tem que e o que se quer fazer, o que leva, quase sempre, a coisas mal feitas. Redes sociais, até porque são mecanismos poderosos de construção de imaginário coletivo, e portanto comum, podem ser um instrumento fundamental para a criação e manutenção das empresas na sociedade em rede.

Assim, as redes sociais tem modificado significativamente as coordenadas de várias organizações que trabalham com educação, publicidade, vendas e muitas outras áreas. No Governo do Estado de São Paulo, por exemplo, os órgãos estão expandindo a comunicação com o cidadão por meio das redes sociais. Inclusive, o governador José Serra

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assinou um decreto que permite o acesso às redes sociais de dentro das repartições públicas. 1 Pelo menos 28 entidades já criaram perfil no Twitter e 4 órgãos já estão presentes no Orkut, além de existirem contas no You Tube, no Facebook e no Flickr. Segundo Roberto Agune, coordenador de inovação do governo citado, “a idéia é criar um espaço para o cidadão comunicar do ponto de vista dele como estão os resultados dos nossos serviços.” 2 Outros casos semelhantes de utilização das redes sociais foram: o do governo britânico, que a princípio não permitia que os soldados acessassem às redes sociais, apenas com autorização, e que hoje é liberado para que os eles se comuniquem com a família e com os amigos. E o do presidente do Estados Unidos, Barack Obama, que também fez uso das redes sociais durante a sua candidatura e também depois de eleito. Resta a estas empresas e instituições públicas que já utilizam as redes sociais como forma de agregar valor a seus produtos e serviços, avaliar a utilização destas plataformas e se de fato elas estão sendo úteis e determinantes para os resultados da organização.

3.3 O USO DA EAD PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO

Para Stewart (2002), a gestão do conhecimento aparece de certa forma, como criatura da tecnologia, mesmo na sua definição não dizendo explicitamente da necessidade de um sistema computacional. Rodrigues Filho (2002) diz que isto ocorre porque as organizações que implementam uma gestão do conhecimento desenvolvem um conjunto de aplicativos para o compartilhamento do conhecimento, como: Internet, groupware, sistemas e aplicativos de apoio a decisão, armazenamento e busca de dados, entre outros, sendo enfatizadas as tecnologias, em detrimento das pessoas. Contudo, hoje a EaD é uma área que tem se preocupado não só com as tecnologias, ela tem se preocupado também com as pessoas e com a forma como elas interagem nestes sistemas. Uma vez que, uma das grandes questões em EaD é a interatividade, é tornar o sistema e a metodologia que ele utiliza agradável e eficiente para o usuário. Além disto, os ambientes virtuais de educação a distância, atualmente, tem utilizado boa parte das tecnologias/ferramentas citadas anteriormente como de suporte a gestão do conhecimento. Estes ambientes de EaD podem ser formalizados através de uma rede social, capaz de gerar uma maior intimidade e aproximação entre os usuários fazendo com que os

1 Disponível em : http://www.acessasp.sp.gov.br/modules/news/article.php?storyid=957 Acesso em:

04.nov.2009.

2 Informações obtidas de: < http://info.abril.com.br/seminariosinfo/blog/twitter-orkut-e-flickr/cobertura- 7/empresa-precisa-ser-relevante-nas-redes-sociais.shtml> Acesso em: 04.nov.2009

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mesmo explicitem o conhecimento tácito de forma natural e tudo fique registrado; podem conter comunidades virtuais, com cursos e materiais (vídeos, apresentações, apostilas) de um determinado tema e estas informações podem estar disponíveis sempre que alguém precisar. Atendendo a um dos principais preceitos da gestão do conhecimento, que diz que

a informação deve estar disponível quando necessário ou sob demanda e de uma

forma utilizável imediatamente. De acordo com a filosofia da gestão do conhecimento se uma pessoa precisa aprender somente um conceito ou aptidão específico, o sistema de aprendizado deve tornar fácil acessar informação e treinamento a respeito desse tópico precisamente. Esse método se contrasta com os cursos tradicionais que tentam oferecer um conjunto de capacitações e conhecimentos em preparação para seu uso e requerem um método distinto de criação do conteúdo da instrução. (MOORE & KEARSLEY, 2008, p.95)

No Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), por exemplo, existe uma universidade corporativa, a UniSerpro, onde as comunidades virtuais são formadas principalmente com base nos cursos oferecidos aos profissionais da empresa. Contudo, a idéia é que mesmo após o encerramento desses cursos os alunos continuem a manter contato. Márcio de Araújo Benedito, Analista da Divisão de Projetos Educacionais da UniSerpro em Belo Horizonte, explica que,

Além de surgirem a partir de um programa institucional ou de um curso de pós- graduação, as comunidades virtuais de aprendizagem podem ser constituídas espontaneamente por empregados que não participam de cursos, mas que decidem utilizar o Moodle da UniSerpro para tratar de alguns assuntos de interesse comum.

O Serpro tem atuação em praticamente todas as áreas do território nacional, então as

comunidades são uma forma que as pessoas tem de trocar experiências, estejam em que região do país estiverem.

E tudo isso com a finalidade de se obter uma troca de experiências num ambiente

com histórico, onde se pode recorrer às discussões feitas a qualquer momento, fazer uma busca contextual por assuntos no banco de dados. E do ponto de vista do ciclo de vida de uma comunidade, ela sempre pode ser retroalimentada com novas pessoas

entrando a cada momento. (COMUNIDADES, 2009, p.16)

Desta forma, estas experiências só vem corroborar os vários benefícios que podem ser gerados a partir do uso da EaD, e das ferramentas que ela utiliza hoje, para um processo de gestão do conhecimento. O principal destes benefícios pode ser a produtividade, pois da forma que foi apresentado, sempre haverá uma organização ou uma pessoa com conhecimento aprofundado em uma determinada área, enquanto outra é mais especializada em outro assunto. Atendendo de forma rápida as necessidades que surgem no dia a dia das organizações, evitando, inclusive, o retrabalho.

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3.4 RESUMO DO CAPÍTULO

Assim, foi possível observar neste capítulo os principais conceitos de Gestão do Conhecimento, os modelos utilizados por alguns autores, como a tecnologia através de comunidades virtuais, redes sociais e portais corporativos pode oferecer suporte para este processo e por fim, como a EaD é, e pode ser utilizada para Gestão do Conhecimento, muitas vezes incorporando várias ferramentas tecnológicas como as citadas. A seguir, será analisada a possibilidade de se utilizar a EaD como meio para um processo de Gestão do Conhecimento no IFPE – Campus Pesqueira. Será visto e considerado também, um pouco do histórico da instituição, além de dados de uma pesquisa realizada com os servidores administrativos da mesma.

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4. ESTUDO DE CASO: COMO UTILIZAR A EAD PARA GESTÃO DO CONHECIMENTO NO IFPE–CAMPUS PESQUEIRA?

4.1 O IFPE-CAMPUS PESQUEIRA

Em 1987, através do Programa de Extensão do Ensino Técnico, teve origem em meio a processos a então Uned Pesqueira da Escola Técnica Federal de Pernambuco. Este programa pretendia interiorizar a modalidade de ensino técnico no país, permitindo aos jovens do interior ter uma mão-de-obra qualificada. Dentre 90 cidades estudadas para fazer parte deste programa, Pesqueira foi a escolhida e seria a primeira cidade a sediar uma escola técnica no agreste do estado. Em 1992, foi autorizada a funcionar através da portaria 1533 de 19 de Outubro do MEC, contudo suas atividades só foram iniciadas em 1993. A princípio foram oferecidos os cursos técnicos integrados de Eletrotécnica e Edificações, recebendo 320 alunos. Em 09 de Outubro de 1998, através da portaria 681-GD, foi criada a Unidade Gestora em favor da Unidade Pesqueira, a fim de descentralizar os atos administrativos. Em 18 de Janeiro de 1999, através do Decreto S/N do então presidente Fernando Henrique com o Ministro da Educação Paulo Renato de Souza, a Escola Técnica Federal de Pernambuco passou a ser Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco. E a partir daí surgiram os cursos de Eletroeletrônica, Enfermagem e Turismo pós-médio. Em 1º de Outubro de 2004, através do Decreto 5224, o CEFET-PE foi autorizado a ministrar Ensino Superior de Graduação e Pós Graduação lato senso e stricto senso. Em 06 de Fevereiro de 2007 aconteceu a aula inaugural do Curso de Licenciatura em Matemática, primeiro curso de graduação do Campus Pesqueira. Aos 29 dias de Dezembro de 2008, através da Lei 11.892, a Uned Pesqueira do Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco passou a ser Campus Pesqueira do IFPE – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. A missão do IFPE e, portanto, do Campus Pesqueira é promover a educação, científica e tecnológica, em todos os seus níveis e modalidades, com base no princípio da indissociabilidade das ações de Ensino, Pesquisa e Extensão, comprometida com a prática cidadã e inclusiva, de modo a contribuir para a formação integral do ser humano e o desenvolvimento sustentável da sociedade. E tem como visão ser uma instituição de

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referência nacional que promove educação, ciência e tecnologia de forma sustentável e sempre em benefício da sociedade. 1

4.2 CENÁRIO ATUAL

Atualmente, o IFPE – Campus Pesqueira conta com 1.040 alunos e um quadro de funcionários com 56 técnicos administrativos, 53 docentes efetivos e 14 docentes substitutos, onde funcionam os cursos de Licenciatura em Matemática, de Eletrotécnica na modalidade PROEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos), Técnico Integrado em Eletrotécnica, Edificações e Eletroeletrônica e Técnico Sequencial em Eletrotécnica, Edificações, Eletroeletrônica e Enfermagem. E em 2009 contará com o curso de Licenciatura em Física. 2 Quanto a estrutura de Tecnologia da Informação, o Campus Pesqueira se encontra em expansão. Sua Coordenação de TI conta com servidores de última geração, a saber: Servidor de Sistema Acadêmico e de Biblioteca e Servidor Proxy, Firewall, Roteador, DNS, email e HTTP. O site do Campus Pesqueira pode ser acessado através da URL www.pesqueira.ifpe.edu.br. Alguns dos serviços oferecidos no portal é o portal do aluno, onde eles tem acesso às notas, materiais e conteúdos das aulas e o portal do professor, para lançamento de notas, livro de chamadas, entre outros. Em 2008, foi implementado o acesso à Internet através de uma rede wi- fi dentro do campus. Além disso, a Instituição expandiu seu link de Internet de 256kbps para 2Mbps. Em 2009, foram implementados no IFPE três cursos técnicos (Mecânica Automotiva, Manutenção e Suporte em Informática e Sistemas de Energia Renovável) através da Escola Técnica Aberta do Brasil, e- tec e dois cursos superiores na modalidade EAD/UAB (Universidade Aberta do Brasil): Licenciatura em Matemática e Tecnologia em Gestão Ambiental. Atualmente o IFPE oferece cursos nos pólos municipais da UAB em Ipojuca/PE, Pesqueira/PE, Santana do Ipanema/AL, Itabaiana/PB e Dias D’Avila/Bahia. Além disto, o IFPE tem oferecido cursos de pós-graduação Latu sensu para docentes e técnicos administrativos. O Programa de Qualificação Institucional – PQI já indica a

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“necessidade de se promover a qualificação dos servidores, em nível de mestrado e doutorado, com vistas a compreensão e produção do conhecimento.” Inclusive a instituição possui recurso do seu próprio orçamento para a capacitação dos servidores, a nível de pós-graduação, ofertando duas turmas de Especialização em Gestão Pública, uma no Campus Recife e outra no Campus Pesqueira. Também investe no pagamento de cursos de mestrado e doutorado e apóia a participação dos servidores em congressos, fóruns e seminários no âmbito nacional e internacional. E com a nova Política de Desenvolvimento Pessoal, instituída pelo Decreto nº 5.707, o Ministério do Planejamento vem incentivando os órgãos adotarem o Sistemas de Gestão por Competências, que é voltado ao desenvolvimento de um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes imprescindível ao bom desempenho do servidor na sua função, a fim de atingir os objetivos da instituição. 3

4.3 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Os itens anteriores foram dedicados a apresentar um breve histórico sobre o IFPE – Campus Pesqueira, bem como sua estrutura organizacional, a fim de oferecer uma melhor visão da instituição analisada. Caracterizado como estudo de caso, este trabalho buscou analisar o IFPE - Campus Pesqueira com base na percepção dos seus servidores administrativos. De um total de 56 (cinqüenta e seis) servidores, 37 (trinta e sete), ou seja, 66% dos servidores administrativos responderam a um questionário (Anexo A) que tinha como objetivo identificar a necessidade de um processo de gestão do conhecimento e a percepção destes servidores quanto à educação a distância. Após a aplicação dos questionários, os dados obtidos foram analisados e interpretados para sua devida apresentação, como será visto adiante. Nas perguntas, tentou-se analisar questões como:

Fatores geradores de conhecimento (cursos, treinamentos, especializações, etc);

Acesso ao conhecimento;

Disponibilidade da informação;

A importância do conhecimento adquirido;

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O contato com a EaD;

A opinião quanto ao processo de EaD;

Os requisitos de um projeto de EaD;

As necessidades do Campus;

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De início, foi possível observar que dentre os servidores entrevistados, mais de 50% estão na instituição a mais de 13 anos (Figura 7). Disto, pode-se imaginar que as informações prestadas terão uma boa base de conhecimento e experiência a cerca da Instituição e do seu funcionamento. E que aqueles como menos tempo na instituição, contribuirão indicando suas percepções iniciais.

contribuirão indicando suas percepções iniciais. Figura 7 – Tempo de Serviço dos Servidores Entrevistados

Figura 7 – Tempo de Serviço dos Servidores Entrevistados

Em seguida, a primeira questão se propôs a identificar a necessidade do IFPE – Campus Pesqueira, no que se refere a cursos de capacitação e treinamento, uma vez que, cursos deste tipo são capazes, não só, de gerar conhecimento, como também, de promover a integração entre os servidores e a disseminação do conhecimento. Desta forma, quando questionados quanto a frequência com que a instituição oferece cursos de capacitação e treinamento, 68% dos entrevistados afirmaram que os cursos só são oferecidos às vezes (Figura 8, questão 1), contrastando com 16% que afirmaram que os cursos são oferecidos frequentemente. A princípio, pensou-se na possibilidade destes 16% fazerem

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parte de um grupo mais recente de funcionários e estar ocorrendo uma mudança de comportamento no IFPE – Campus Pesqueira, porém isto não foi confirmado, pois entre os que responderam “frequentemente”, 67% tinha de 9 a 16 anos de serviço e apenas 33% tinha de 1 a 2 anos. Assim, numa próxima oportunidade, pode-se levantar uma nova questão a fim de identificar se na instituição ocorre uma maior oferta de cursos para determinados setores ou grupos de funcionários.

cursos para determinados setores ou grupos de funcionários. Figura 8 – Opinião dos servidores quanto a

Figura 8 – Opinião dos servidores quanto a frequência com que são ofertados cursos de capacitação e treinamento

Na questão seguinte, foi indagada a abrangência com que os cursos são oferecidos. Se atingem a todos os sevidores ou apenas a alguns. Uma vez que, como foi visto na questão anterior, 16% dos servidores afirmaram que os curso são oferecidos frequentemente, contrastando com os 68% e 16% que afirmaram que os cursos são ofertados apenas às vezes e nunca, respectivamente. Assim, ao serem perguntados quanto a frequência com que os cursos eram oferecidos abertamente para todos os servidores. As respostas mostraram que 61% dos servidores afirmaram que os cursos só atigem a todos às vezes (Figura 9, questão 2). O que cruzando com os dados da questão anterior, confirma, de certa maneira, que os cursos estão sendo oferecidos apenas para um mesmo setor ou grupo de servidores. Devendo a instituição analisar as necessidades de conhecimento e aprendizagem de cada setor e indivíduo, buscando uma forma de atingir e envolver todos neste processo de conhecimento.

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# "B # Figura 9 - Opinião dos servidores quanto a frequência com que são ofertados

Figura 9 - Opinião dos servidores quanto a frequência com que são ofertados cursos para todos os servidores

No quesito seguinte, foi perguntado se o servidor concordava que a política de incentivo a qualificação dos Institutos Federais era efeciente e estimulava o servidor a permanecer na instituição. Esta questão foi levantada, porque como viu-se anteriormente no tópico sobre o cenário atual do IFPE, no seu Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI é dado total apoio aos servidores que desejarem se capacitar. Inclusive, na Lei nº 11.091 de 2005 foi estruturado o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação que dentre outras disposições, incentiva, financeiramente, o servidor a se qualificar. 4 E desta maneira, observou-se que 51% dos servidores concordavam em parte com a política de incentivo a qualificação (Figura 10, questão 3). Alguns chegaram a comentar que ela era eficiente, mas não ao ponto de ser um diferencial que estimule o servidor a permanecer na instituição diante de outras propostas. O que de certa forma é oneroso para instituição, que muitas vezes investe no capital intelectual, através do desenvolvimento do seu servidor e o perde para outras instituições que pagam melhor ou oferecem outros benefícios.

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Figura 10 – Concordância com a política de incentivo a qualificação do IFPE

Na quarta questão, o objetivo foi identificar a facilidade de acesso às informações dentro do IFPE – Campus Pesqueira, principalmente quando o servidor está chegando na instituição ou quando o servidor está mudando de setor, e consequentemente de atribuições. Para isto, foi perguntado se ao entrar para o quadro de servidores do IFPE ou mudar de setor dentro da instituição o servidor teve acesso rápido e fácil às informações e procedimentos pertinentes a sua nova função. E 65% dos entrevistados responderam que sim, enquanto 35% responderam que não, o que mostra que de certa forma os servidores não tem muita dificuldade em encontrar as informações ou instruções necessárias para realizar as suas atividades (Figura 11, questão 4). Contudo, uma ressalva feita por um dos entrevistados foi pertinente. Ele comentou sobre a falta de treinamento quando os servidores assumem o cargo e quando são deslocados de função, o que de certa forma prejudica o seu desempenho, fazendo com que muitas vezes ele precise recorrer a outras pessoas, às vezes até de outro Campus.

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# "F # Figura 11 - Questão sobre o acesso à informação no IFPE – Campus

Figura 11 - Questão sobre o acesso à informação no IFPE – Campus Pesqueira

A quinta questão perguntava se o servidor já havia participado de algum curso ou treinamento oferecido pelo IFPE e quantos. 76% deles disseram já ter participado de algum curso oferecido pelo IFPE (Figura 12, questão 5). No entanto, a quantidade de cursos relatada, foi bem baixa (Figura 13, questão 5.1) levando-se em consideração o tempo de serviço dos servidores do instituto. 46% dos servidores que disseram já ter feito algum curso pelo o IFPE, só fizeram um único curso. E apenas 12% participaram de 5 cursos, não havendo nenhum relato superior a esta quantidade. Com isto, esta informação vem para confirmar a primeira pergunta do questionário quanto a frequência com que são ofertados cursos.

quanto a frequência com que são ofertados cursos. Figura 12 – Número de servidores que participaram

Figura 12 – Número de servidores que participaram ou não de algum curso oferecido pelo IFPE

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# "R # Figura 13 – Número de cursos feitos por servidor As questões 6 a

Figura 13 – Número de cursos feitos por servidor

As questões 6 a 8 foram direcionadas para aqueles que disseram já ter participado de algum curso ou treinamento oferecido pelo IFPE, ou seja, aqueles que responderam “Sim” a Questão 5. Na questão 6, foi perguntado se dos cursos feitos através do IFPE algum havia sido a distância (através da Internet), e caso sim, quantos. E apenas 11% respoderam que “Sim”, que dos cursos feitos algum foi a distância. Enquanto 89% só fizeram cursos presenciais (Figura 14, questão 6). Quanto ao número de cursos feitos a distância, um dos que respoderam “Sim” fez 2 cursos e outro fez apenas 1.

que respoderam “Sim” fez 2 cursos e outro fez apenas 1. Figura 14 – Servidores que

Figura 14 – Servidores que fizeram ou não curso a distância pelo IFPE

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Em seguida, questionados quanto a frequência com que os cursos feitos ajudaram a melhorar a produtividade ou agregaram conhecimento para a realização das tarefas, apenas 21% responderam que isto ocorria muito frequentemente e a maioria, 46%, respondeu que só às vezes isto ocorre (Figura 15, questão 7). O que mostra que a instiuição deve se preocupar com a ligação dos cursos que o servidor está fazendo com a sua função e com a qualidade destes cursos, para que o investimento não seja desperdiçado.

cursos, para que o investimento não seja desperdiçado. Figura 15 – Frequência com que os cursos

Figura 15 – Frequência com que os cursos ajudam na produtivadade

Na questão 8 (Figura 16), os servidores foram questionados quanto a satisfação com a qualidade dos cursos e treinamentos oferecidos pelo IFPE. 46% mostraram-se pouco satisfeitos, além de 21% terem se declarado insatisfeitos. Recaindo sobre o mesmo problema da questão anterior, onde a instituição deve analisar a qualidade destes cursos para não investir erradamente.

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# "" # Figura 16 – Nível de satisfação dos servidores com a qualidade dos cursos

Figura 16 – Nível de satisfação dos servidores com a qualidade dos cursos ofertados

Na questão 9, proucurou-se extrair o interesse dos servidores por cursos e treinamentos a distância, para isto, questionou-se com que frequência estes servidores fazem cursos através da Internet, por iniciativa própria. No entanto, as respostas demonstraram a pouca familiaridade dos servidores com esta metodologia, pois 51% afirmaram nunca ter feito um curso a distância por iniciativa própria (Figura 17, questão 9).

distância por iniciativa própria (Figura 17, questão 9). Figura 17 - Frequência com que os servidores

Figura 17