Monografia sobre Direitos Civis dos Homossexuais no Brasil - autora: Marcela Giandoso FONTE: Blog Fora do Armário, de Sérgio

Viúla

É a primeira vez que publico uma monografia aqui no blog, e vale ressaltar que a publicação foi autorizada pela autora (Marcela Giandoso). Achei uma boa ideia postar esse trabalho, porque a autora faz menção a mim e ao blog Fora do Armário. Senti-me honrado com isso, especialmente por ser um trabalho relevante para a comunidade LGBT. Espero que meus leitores apreciem o conteúdo do trabalho. Parabéns, Marcela, pela sua coragem e pela pertinência de sua monografia. Desejo sucesso na apresentação da mesma diante da bancada de avaliadores. Beijo, menina esperta! ---------------------------------------

FACULDADE DE DIREITO DO SUL DE MINAS MARCELA GIANDOSO ALVES

A LEGALIZAÇÃO DO CASAMENTO CIVIL HOMOSSEXUAL NO BRASIL POUSO ALEGRE - MG 2010 MARCELA GIANDOSO ALVES

A LEGALIZAÇÃO DO CASAMENTO CIVIL HOMOSSEXUAL NO BRASIL

Dedico este trabalho a todos aqueles que acreditam no amor puro e simples independente de credo, raça e opção sexual. Pois nada jamais poderá barrar a força do amor.

“Época triste a nossa, em que é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo”

Albert Einstein RESUMO

ALVES, Marcela Giandoso. A legalização do casamento Civil Homossexual no Brasil. 2010. 73f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Faculdade de Direito do Sul De Minas. Pouso Alegre, 2010.

O presente trabalho objetivou um estudo bibliográfico sobre a homossexualidade, visando o levantamento da condição atual desta população no que se refere ao preconceito e às conquistas sociais. Nos dias atuais, é importante a discussão sobre o assunto, uma vez que os homossexuais vêm sofrendo inúmeras conseqüências e agressões que marcam suas dificuldades de integração social. Pode-se concluir que ainda existe o preconceito no mercado de trabalho, na saúde e na igreja, pois os homossexuais são considerados dentro do estigma de grupo de risco. Porém, há alguns movimentos que favorecem esta população tais como a adoção de crianças e a união homoafetiva pela mudança do paradigma de família. Este trabalho foi teve como suporte teórico os conceitos pertinentes ao tema e outros materiais publicados sobre o assunto.

Palavras-chave: Homossexualidade. Preconceito. Lei.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 11 2 EVOLUÇÃO HISTORICA DA HOMOSSEXUALIDADE 13 2.1 Movimento Dos Homossexuais 15 3 HOMOSSEXUALISMO X HOMOSSEXUALIDADE 17 4 OLHAR CONSTITUCIONAL SOBRE A UNIÃO HOMOSSEXUAL 20 4.1 Da Diginidade Da Pessoa Humana 20 4.2 Da Igualdade E Da Liberdade 23 4.3 Dos Direitos Humanos 25 5 EVOLUÇÃO DA FAMILIA E DO DIREITO DE FAMÍLIA 28 5.1 A família no contexto das relações Homossexuais 30 6 A NECESSIDADE DE DEFINIÇÃO DA NATUREZA JURIDICA DAS RELAÇÕES HOMOSSEXUAIS NO DIREITO BRASILEIRO 34

6.1 As Uniões Homossexuais Brasileiras e o Direito Comparado 35

CONCLUSÃO 38

REFERÊNCIAS 40

ANEXO I - PGR pede que STF equipare união homossexual estável à relação estável entre homem e mulher 43

ANEXO II - Brasil Sem Homofobia 45

INTRODUÇÃO

Casais heterossexuais estão se separando. casar de papel passado e ter a chance de viver juntos no que configura um casamento civil. Percebemos que hoje a palavra de ordem é a inclusão dos excluídos e o . adotar crianças. Porém. reservado por lei ainda hoje somente para casais heterossexuais. não há mais como esconder a face dos homossexuais atrás de doutrinas e jurisprudências. uma abordagem histórica das relações homossexuais. o casamento tradicional está em crise. Objetiva-se primeiramente. sendo que a negativa deste apenas incitará novas abominações cometidas contra seres humanos que só querem ter seus direitos preservados. chegamos ao ponto em que é necessário uma lei reguladora desse instituto familiar formado por casais homossexuais. pares homossexuais estão buscando tudo isso. visto que a homossexualidade existe desde que o mundo é mundo. querem formar família. dependendo apenas da boa vontade dos julgadores decidir através de analogias e princípios. O maior propósito deste é visualizar a separação entre moral e justiça trazendo um espaço mais igualitário em nosso país para os indivíduos que ainda hoje se encontram em alguns casos jogados a marginalidade. Esse trabalho enfocará o que ainda hoje muitas vezes não é dito por constrangimento ou por provocar um mal estar social. acompanhando os passos do homem durante sua evolução.Este trabalho não tem como propósito esgotar o tema a ser discutido ou influenciar as decisões sobre a sexualidade do individuo atentando contra a moral ou os bons costumes. Desde a década de 80 os homossexuais começaram um movimento de “saída do armário” mostrando seu rosto em público e conquistando cada vez mais direitos iguais aos dos heterossexuais. as famílias contemporâneas estão passando por grandes transformações e a cada dia chega aos olhos da Justiça mais casos de pluralismo familiar que não encontram apoio em leis. Numa versão antagônica. levando em consideração o número de pessoas que serão atingidas por essa lei de maneira favorável.

reis e heróis. fazia parte do cotidiano dos deuses. sempre sentindo um vazio e a falta de realização pessoal. Outra explicação da homossexualidade na Grécia é o fato de treinar os homens para as guerras. Na Grécia clássica a sexualidade livre era privilegio dos bens nascidos. restringindo-se a ambientes cultos. mas. então é o momento certo para batermos na tecla de uma legalização É absurdo pensar que esses indivíduos escolheram algo que os deixam expostos à rejeição por parte da família. uma manifestação legitima da libido” . cujo maior exemplo é o filosofo Platão e seus preceptores. Como profissionais do direito temos o dever de abrir as portas para a liberdade de todos os cidadãos. amigos e sociedade. Eles vão mais longe: a crença que a homossexualidade é uma escolha. apesar de não a admitir nenhuma sociedade jamais a ignorou” . Por que iria um adolescente acabar com sua vida.direito a uma cidadania. se pode evitar a vergonha. “Ela era vista como uma necessidade natural. Adolescentes buscavam o mestre para . “É diversamente interpretada e explicada. nas quais não havia mulheres. Débora Vanessa Caús Brandão cita Caroline Mécary : Além da estética ao redor da homossexualidade.” 2 EVOLUÇÃO HISTORICA DA HOMOSSEXUALIDADE Não há duvidas de que a homossexualidade sempre existiu na história da humanidade. escondidos atrás de uma fachada de casamento. independente da opção sexual escolhida. dentro deles cabe qualquer sexo. o medo e o isolamento escolhendo ser heterossexual? Este preconceito também ignora todos os homossexuais que tentam viver a sua vida como heterossexuais. esconde a elevada taxa de suicídios entre adolescentes atribuídos à orientação sexual. havia todo um ritual envolvendo a transmissão e aquisição de sabedoria. E como já dizia Mario de Andrade: “As pessoas que abrem seus corações de uma maneira abrangente.

que representavam justamente a homossexualidade e as virtudes militares. Em Esparta “a homossexualidade era um resultado lógico da supervalorização do mundo masculino de guerra” . A Bíblia condenou o homossexualismo na própria destruição de Sodoma e Gomorra. nem uma degradação. e nessa mesma época o Código Napoleônico. prescreveu a . Acrescenta ainda Débora Vanessa Caús Brandão que: Cartagineses. Freud já em 1935 estabelecia que a homossexualidade não causa desvantagens assim como não causa nenhuma vantagem. Freud em seu texto sobre Leonardo da Vinci. Em 1179. Dizia Freud que ela não é motivo de vergonha. Em Roma. o homossexualismo era visto como procedência natural. os jovens aprendizes deveriam se submeter a favores sexuais. A visão que a sociedade possuía sobre isso se inverteu totalmente com o advento do cristianismo. não é um vicio nem uma doença. onde se verifica o extermínio das populações em decorrência da pratica de sodomia. o III Concilio de Latrão institui a homossexualidade como crime. pois a pederastia era atribuída aos deuses Horus e Set. pois para ele “todos os seres humanos são capazes de fazer uma escolha de objeto homossexual e de fato a consumaram no inconsciente”. Após serem escolhidos pelo preceptor. a sodomia não se ocultava.serem iniciados na arte da retórica e da oratória. Eram denominados efebos. que era homossexual. Note-se que havia um fundamento para que os preceptados servissem seus preceptores: acreditava-se que essa pratica aumentaria suas habilidades políticas e militares. opõe-se a tentativa de separar os homossexuais dos outros seres humanos. A Bíblia refere-se à homossexualidade como uma abominação: “com o homem não te deitarás. Ao responder a uma mãe preocupada com a homossexualidade do filho. os que era motivo de muita honra. como se mulher fosse: é a abominação” Com a Santa Inquisição a perseguição contra os homossexuais ficou ainda mais severa. dórios e normandos viam a homossexualidade relacionada à religião e à carreira militar.

em 1979 instaurou-se um inquérito contra seus editores que haviam contrariado “a moral e os bons costumes”. mas com mulheres recolhidas em hárens. Na Idade Média a homossexualidade era pratica comum nos lugares em que os homens eram mantidos confinados. 2.pena de morte para sua pratica. como mosteiros e acampamentos militares. os gays foram buscar no grande sucesso cinematográfico “O Mágico de Oz”. e apesar de não constar como crime no Código Penal brasileiro. Para homenagear sua musa. Neste mesmo dia uma multidão se rebelou contra a polícia que mais uma vez tentava prender os homossexuais. Em meio aos carros queimados e a batalha campal que durou três dias. abertura e legitimidade. nasceu o moderno movimento pelos direitos homossexuais e este dia é comemorado o dia Internacional do Orgulho Gay. “Over the Rainbow”. onde Judy fazia a garotinha Dorothy. . Em 28 de junho de 1969 gays estavam reunidos no bar Stonewall Inn em Nova York. internatos e prisões.1 Movimento Dos Homossexuais O auge da liberdade sexual foi a ploriferação da autodenominação GAY. Em fevereiro de 1979 o Grupo SOMOS – Grupo de afirmação Homossexual apareceu em publico debatendo sobre as minorias. que sugere colorido. eles eram restritos as classes médias. Passou-se então a uma maior valorização do afeto e a orientação sexual passou a ser uma opção sem acúmulo de culpa. O jornal foi censurado. eles pranteavam Judy Garland que falecera na véspera. A partir da metade do século XX é que a sociedade começou a ter uma nova visão menos homofóbica com a separação entre Igreja e Estado e a grande perda de influência da primeira. em São Paulo e o jornal Lampião no Rio de Janeiro. Assim como hoje ainda acontece em presídios. porém. No Brasil o inicio do ativismo gay começou a ocorrer em 1978 com a criação do grupo Somos. um trecho da canção tema. que diz “além do arco-íris há um mundo novo sem preconceitos”. Não só com homens.

“Não mais pecadores. Nos últimos anos. Uniões reconhecidas como estáveis pela justiça foi mais um marco da historia de vitória dos homossexuais. neuróticos ou marginais. que em seu artigo 2° ponderou: “consideram-se atos atentatórios. mais precisamente em 2006. A justiça outorgou o direito às primeiras adoções feitas por casais homossexuais. . Ele simplesmente nasceu assim. direito a herança do parceiro falecido e ingresso junto ao INSS. Sempre com temas polêmicos e políticos a Parada Gay de São Paulo foi considerada a maior parada gay do mundo. Nessa mesma época. criminosos.948 de 5 de novembro de 2001. Sendo agora a Vara da Família a responsável por cuidar dos assuntos referentes a casais homossexuais. bissexuais ou transgêneros. e discriminatórios dos direitos individuais e coletivos dos cidadãos homossexuais. sendo numerosos os casos de partilha de bens na separação. os homossexuais estão sendo lentamente redefinidos em termos menos pesados.” Como escreve os pesquisadores Masters e Johnson. Atualmente podemos dizer que a homossexualidade esta saindo da escuridão em que se encontrava. constando em sua certidão de nascimento o nome do casal adotante. houve grande avanço no que diz respeito a decisões proferidas na esfera do Poder judiciário e do Poder Legislativo. para os efeitos dessa lei”. Foi aprovada lei n° 10. não foi uma escolha dele. O movimento das massas começou em meados da década de 90 com as paradas do Orgulho Gay que já existem em mais de 30 cidades do Brasil. mas sim impedir-se de viver a favor 3 HOMOSSEXUALISMO X HOMOSSEXUALIDADE No ano de 1869 um médico húngaro chamado Karoly Benkert escreveu uma carta ao Ministério da Justiça da Alemanha do Norte em defesa aos homens homossexuais que na época estavam sendo perseguidos por questões políticas. As pessoas estão aprendendo que “amoral não é ser homossexual. pervertido. eles têm afirmado a idéia de que o homossexual não pode ser mudado. o Código Penal Alemão do Segundo Reich punia com pena de morte os homossexuais em seu §175.

em meados do século xix passando por sua identificação como veiculo de doença. Dez anos depois. sob o n° 302. pois a situação não melhorara. Benkert acabara de diagnosticar a doença Homossexualismo. O dr. Falando isso. A CID 9 de 1975 traz o homossexualismo como um diagnostico psiquiátrico no capitulo de doenças mentais. abriu-se caminho com espadas enfeitadas de flores. religiosa ou sexual”.Dr. Benkert dizia que o homossexualismo era algo anormal e inato que merecia ser tratado pela medicina e não perseguido pela Justiça . ou seja. O fim da década de 90 traz assim um mapa alterado das percepções sobre o homoerotismo. no sub-capitulo dos Desvios e Transtornos Sexuais. Com isso. em 1985 a OMS publica uma circular esclarecendo que o homossexualismo esta deixando de ser uma doença. e passa a ser HOMOSSEXUALIDADE (homo=semelhante) (dade =que quer dizer modo do ser). . Maria Berenice Dias cita Anna Paula Uziel : Da criação do termo como sinônimo de pederastia masculina. porém. A partir daí a medicina tentou de todas as formas buscar tratamento para esses “doentes”. o significado do termo homossexual vem se deslocando. um “desajustamento social decorrente de discriminação. Em 1995 a OMS publica a CID 10.0. na versão do câncer gay nos anos 80 e chegando a objeto de consumo de um recente mercado promissor. onde não aparece mais esse diagnostico. Sendo agora o homossexualismo tratado como doença. ele deixa de ser HOMOSSEXUALISMO (homo= grego hómos que significa semelhante) (sufixo ismo = que em Medicina significa doença). e do capitulo de doenças mentais ele passa a ser colocado no capitulo dos “Sintomas Decorrentes da Circunstancias Psicossociais”.

criou a definição Homoerotismo.C). A Homossexualidade pode ser tanto feminina quanto masculina. A Homossexualidade feminina é conhecida como lesbianismo ou tribadismo. Sutter classifica o homossexual como “um individuo que não nega seu nexo. natural de Lesbos (Ilha do Mar Egeu). este já se encontra inserido no vocabulário jurídico e na linguagem comum. quer de forma fantasiosa. Diz Guilherme Oswaldo Arbenz: “ Safismo. só nos resta esperar que a . região da qual se extraiu a segunda denominação. pode-se afirmar que homossexual é a pessoa que se relaciona sexualmente. mantendo-se. A presumível vida sexual irregular dessa poetisa deu origem a estas duas denominações de distúrbio da identidade sexual feminina” . desde definições que abrangem a Medicina Legal até noções de Psicologia e Filosofia. com parceiros pertencentes ao mesmo sexo que o seu. mantendo sua identidade no sexo biológico. mas cuja atividade sexual só se volta para as pessoas do mesmo sexo que o seu” .Muitas são as definições que tentam conceituar a homossexualidade. quer de fato. Existem palavras que carregam a força do preconceito já embutida. tentando diminuir o estigma que envolve a palavra homossexualismo. o Lesbianismo. satisfeita com seu sexo biológico. qual seja. Foi criado também o neologismo “homoafetividade”. Percebemos com isso que uma vez que a medicina não considera a homossexualidade uma forma de doença. Por isso Jurandir Freire Costa. Canger Rodrigues diz “o homossexual é aquele individuo que tem preferência evidente pela relação sexual com pessoas do mesmo sexo” . termo que tem por origem a palavra “Sappho” poetisa grega (625-580 a. Matilde J. imaginaria. Débora Vanessa de Caus Brandão conceitua o Homossexual da seguinte forma: Assim. todavia. querendo demonstrar assim que pessoas do mesmo sexo podem se sentir atraídas. sem que isso configure uma doença ou anomalia. “cuja conotação melhor expressa o vinculo que envolve o par” .

. “um país que se diz guardião dos direitos humanos. social por essa minoria será sempre bem vindo.sociedade modifique sua maneira de pensar. um avanço extraordinário no que se refere a aos direitos humanos e cidadania. E assim não poderia ser diferente. Traz-nos o art. Tudo que se puder fazer no âmbito jurídico. se irradiam delas uma gama de direitos e obrigações. Vale ressaltar aqui que a nossa Carta Política consagrou a União Estável como entidade familiar. não pode compactuar com os preconceitos e discriminação. que na duvida entre a moral e a justiça. Com isso. No panorama atual observamos que existem cada vez mais decisões liberais e brilhantes. sem distinção de qualquer natureza. democrático e moderno. Devemos. não sendo de maneira literal atribuída a pessoas do mesmo sexo. excluindo cada vez mais a os excluídos e as minorias. religioso. 4 OLHAR CONSTITUCIONAL SOBRE A UNIÃO HOMOSSEXUAL Atualmente percebemos que as uniões homossexuais são uma realidade cada vez mais presente no cotidiano. à segurança e à propriedade”. no entanto interpretar a lei em sintonia com os demais dispositivos constitucionais. 5° Caput da CF: “Todos são iguais perante a lei. à liberdade. principalmente em relação aos princípios da igualdade e da dignidade. sem preconceitos de discriminação. à igualdade. É nesse colorido e com esse propósito que se enfatiza. e como conseqüência suas dissoluções também. porém ao ler seu dispositivo percebemos que essa união é reconhecida apenas entre homem e mulher. que prevaleça sempre a ultima” . garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.

5°). a inviolabilidade da intimidade e da vida privada (CF. o que sempre pressupõem uma relação heterossexual. sendo esses princípios imprescindíveis para uma sociedade que se diz livre. existindo tendência a conduzir e controlar seu exercício. art. verdadeiro fundamento da República brasileira. Já dizia José Carlos Teixeira Giorgis que em magistério paradigmático. Estas relações estão aqui presentes. mas um dado aprioristico. despertando sempre enorme curiosidade e profundas inquietações. está no próprio texto constitucional brasileiro. X). 5°. Assim sendo negar direitos a determinadas pessoas em razão a sua opção sexual fere explicitamente o mais sagrado principio constitucional que é o da Dignidade da pessoa humana. não tendo como fechar os olhos deixando essa instituição familiar jogada a marginalidade. política e cultural com densificação constitucional. Assim. sem que se busque identificar suas origens orgânicas. . tendo lenta maturação por gravitarem na esfera comportamental. a liberdade e a igualdade sem distinção de qualquer natureza (CF. 1°. III). cabendo ao Judiciário solucionar os conflitos trazidos por elas. as relações Homossexuais estão presentes em nossa sociedade. Diz José Carlos Teixeira Giorgis: O princípio da dignidade não é um conceito constitucional. sociais ou comportamentais. mas também da ordem econômica.1 Da Dignidade Da Pessoa Humana Por serem consideradas diferentes dos padrões normais de família. art. Porem. se recorda que os temas da ordem e da sexualidade são envoltos em uma aura de silencio. Família geralmente esta relacionada a casamento e filhos.4. justa e solidária. Uma das bases legais que confirma os direitos que os casais homossexuais têm. que nos traz como principio maior do Estado Democrático de Direito a principio da Dignidade da Pessoa Humana (CF. as Uniões Homoafetivas são muitas vezes taxadas de imoral ou amoral. preexistente à toda a experiência. reclamando por tutela jurídica. não é só um principio da ordem jurídica. art. atraindo o conteúdo de todos os direitos fundamentais. acabando por emitir-se um juízo moral voltado exclusivamente à conduta sexual .

sendo que este princípio está ligado diretamente aos direitos de personalidade. já que é de perquirir ate que ponto é possível o individuo realizar. pois se não existisse não haveria fronteira a ser respeitada. porém foi através de Kant que ocorreu sua a secularização. a dignidade da pessoa reclama que este guie as suas ações tanto no sentido de preservar a dignidade existente. direitos fundamentais e direitos humanos. compreende uma dignidade. uma vez que essa discriminação vai de encontro ao pluralismo estabelecido pelo art. suas necessidades existenciais básicas ou se necessita para tanto de concurso do Estado ou comunidade. a coisa que se acha acima de todo preço e por isso que não admite qualquer equivalência. Entenda-se : Como limite da atividade dos poderes públicos. sendo que deve ser aplicado na situação concreta. a dignidade é algo que pertence necessariamente a cada um e que não pode ser perdida nem alienada. pode ser substituída por algo equivalente.A dignidade da pessoa humana vai acompanhar o homem até a sua morte. sendo que o homem já se torna o fim em si mesmo. além de representar uma expressão da legalidade e da publicidade atribuídas a essa forma de . ou uma dignidade. quanto objetivando a promoção de dignidade. ele próprio. Quando uma coisa tem preço. impedindo então que este seja usado como meio para se atingir um determinado fim. 226 da Constituição Federal. não pode e nem deve ser reconhecido apenas de maneira formal. Dentro das relações familiares a dignidade humana deverá ser fundada na ética do afeto e do amor. tudo tem ou um preço. E é em decorrência dela que a discriminação em face da União Homossexual se torna uma afronta aos princípios norteadores da Constituição da Republica. especialmente criando condições que possibilitem o pleno exercício e fruição da dignidade que é dependente da ordem comunitária. parcial ou totalmente. O reconhecimento das relações entre pessoas do mesmo sexo pelo Direito. porém. por outro lado. A dignidade da pessoa humana foi um conceito construído ao longo da historia. O ser humano passar a ser visto como o valor supremo. ele reclama condições mínimas de existência. No reino dos afins. e como tarefa (prestação) imposta ao Estado. vem a ser uma forma de materializar esse principio.

9. infringindo assim um dos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito. Os princípios são os verdadeiros alicerces de um sistema jurídico.0002030-2 e 96. subversão dos seus valores fundamentais. pois com isso.0002364-6. 96. em razão de sua orientação sexual. principalmente no ramo do Direito de Família que é tutelado pelo afeto. não sendo aceitável.7. Prega o artigo 5°.2 Da Igualdade E Da Liberdade A liberdade e a igualdade foram os primeiros direitos reconhecidos como direitos humanos fundamentais. Mas uma sociedade regulada de tal modo que os indivíduos que a compõem são mais livres e iguais do que em qualquer outra forma de convivência” .União. 4. Sendo essas palavras o fundamento legal do principio da igualdade e tem como escopo o tratamento uniforme dispensado ao individuo. contumélia irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. De acordo com BOBBIO. porque representa insurgência contra todo um sistema. Como diz Celso Antonio Bandeira de Mello: Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma. Processos ns. Juiz Roger Raup Rios.1996) Um individuo jamais pode ter seus direitos restringidos. A desatenção ao principio implica ofensa não apenas a um especifico mandamento obrigatório. caput da CF de 1988 que todos são iguais perante a lei “sem distinção de qualquer natureza”. mas a todo o sistema de comandos. (10° Vara/RS. e com o passar do tempo foram se desdobrando com a finalidade de garantir o respeito à dignidade da pessoa humana. juridicamente que preconceitos infundados legitimem restrições de direitos servindo para o fortalecimento de estigmas sociais e sofrimentos de muitos seres humanos. No que diz respeito à expressão “sem distinção de qualquer natureza” . “a democracia é não tanto uma sociedade de livres e iguais. ignora-se a condição pessoal do ser humano. Conclui-se que. a legalização desse tipo de União baseada na orientação sexual é aspecto fundamental para a afirmação da dignidade humana. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade conforme o escalão do principio violado.

encontra-se uma brecha para iniciar o combate ao preconceito criado pela mesma. sejam eles de qualquer espécie. em seu art. mas instrumento regulador da vida social que necessita tratar equitativamente a todos” . “Primordial se faz o respeito às diferenças existentes” . é “suficientemente abrangente para recolher também aqueles fatores que tem servido de base para desequiparação e preconceitos” tais como o fator da opção sexual. Promover o bem de todos. o que exige isonomia legal. qual pode ou não incluir crianças. A Constituição Federal de 1988 acabou fazendo uma discriminação sexual ao liberar o casamento e a união estável apenas para homem e mulher. sexo.contida na lei. em desfrutarem uma vida de família. Negar aos casais homossexuais os efeitos jurídicos que um relacionamento heterossexual teria constitui um tratamento discriminatório incontestável. O desembargador Giorgis. em 14 de março de 2001. inciso IV.: ”Constituem objetivos fundamentais da Republica Federativa do Brasil: IV. é no sentido de que as uniões homoeróticas devem ter os mesmos direitos que os outros casais. 3°. O que se almeja pelo principio da Igualdade não é um molde nos institutos familiares já criados. no Tribunal do Rio Grande do Sul iniciou o reconhecimento das Uniões Homoafetivas como família: A questão dos direitos dos casais do mesmo sexo tem sido debatido no mundo. Diz o art. cor. Porém. raça. idade e quaisquer outras formas de discriminação”. mas um instituto próprio que não promova descriminação e ao mesmo tempo dê a segurança jurídica necessária àqueles que procuram tutela jurisdicional. Ana Carla Harmatiuk Matos defende: . assegurando a liberdade das pessoas de ambos os sexos de adotarem a orientação sexual que melhor lhes aprouver . ao demonstrarem um compromisso público um para o outro. sem preconceito de origem. Observa-se porem que “a lei não deve ser fonte de perseguições nem privilégios. A própria Carta Magna nos mostra ser possível quebrar qualquer barreira proveniente de preconceitos. e o argumento básico em favor do tratamento igualitário. Não respeitando tanto o principio da igualdade como o da dignidade já que se encontram também razões de afeto.

” Devemos respeitar a decisão do individuo de escolher sua própria opção sexual. com a redivisão . enquanto profissionais do Direito. 4. Deve-se lutar pela igualdade formal e material para as parcerias entre homossexuais. Essas mudanças tiveram origem na Revolução Industrial. o próximo passo das conquistas por uma não –discriminação em virtude da orientação sexual se dê por intermédio de um “direito á diferença”. se é com base nela que se origina a categoria especifica a ser tutelada. mas ajuda a reproduzir e a reforçar a estrutura estabelecida. negando sua liberdade de opinião e expressão de sua própria personalidade afetiva. Impor ao individuo um modelo padronizado de relação é uma forma de limitar a sua liberdade.. Rodrigo Pereira Cunha afirma que “interessa-nos. não merecendo nenhum destaque no campo jurídico. O último século foi marcado por vitorias a favor de mulheres. nada mais justo que tirar da marginalidade e da clandestinidade a população homossexual. Dessa forma. E hoje. condicionando. evitarem-se os posicionamentos de determinação de direitos próprios para a discriminação por orientação sexual de forma setorizada. Criarem-se ‘GUETOS’ para se lutar pelas reinvidicações pode ser uma causa nobre.o a modelos tradicionais de família. Progredimos no que diz respeito à relação dos direitos étnicos e culturais. adolescentes. crianças. pensar e repensar melhor a liberdade dos sujeitos acima dos conceitos estigmatizados e moralizantes que servem de instrumentos de expropriação da cidadania” .Respeitar as especificações presentes não pode significar setorização de direitos. a manifestação da sexualidade humana diria respeito apenas as pessoas envolvidas e não se traduziria em diferenças de direitos. Lutamos contra o racismo. Talvez em se conquistando a igualdade respeitadora das diferenças – tomada sem fundamentalismo .3 Dos Direitos Humanos Os direitos humanos sempre travaram uma luta em favor das minorias sociais ou daqueles que precisavam urgentemente de proteção. para a caminhada na direção de conquistas para os movimentos gays. Porem soa interessante. ‘”A Liberdade merece um papel especial em detrimento do modelo exclusivamente heteropatriarcal como informador de uma pretensa moralidade” . Grandes mudanças relacionadas à família ocorreram nos últimos anos.

2° “toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração. seja de raça. sexo. nem a ataques à sua honra e reputação. 1° “Todas as pessoas são livres e iguais em dignidade e direitos.. religião. adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas. Esses artigos transparecem perfeitamente que a Homofobia. ou seja. pois este se relaciona com a cidadania e com o principio da dignidade da pessoa humana. opinião política ou de diferente natureza. diferenças de raça. Assim. sendo o Brasil seu signatário. imperioso reconhecer que a garantia do livre . origem nacional ou social. [. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas as outras com espírito de fraternidade.sexual do trabalho e com a revolução Francesa e seus ideais de liberdade. O que se buscou acabar com a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi as diferenças entre os seres humanos. no seu lar ou na sua correspondência. é o direito de família que deve ser mais protegido pelos Direitos Humanos. cor. Ao entrarmos no assunto de Homossexualidade é essencial falar sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. fenômeno que decorre do constante processo de evolução dos valores histórico-sociais. riqueza. na sua família.. língua. a discriminação contra homossexuais não é aceita por nenhum dos países que assinaram a declaração. [. 12° “ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada. opção sexual. De todos os ramos do Direito. Maria Berenice Dias avalia que: É crescente a positivação dos direitos humanos em nível constitucional. credo.] Art. sem distinção de qualquer espécie... Houve com isso um declínio do patriarcalismo. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou invasões.] Art. cor. Vejamos alguns de seus artigos : Art. nascimento ou qualquer outra condição. igualdade e fraternidade. na Suíça em 10 de dezembro de 1948. a mulher saiu de casa entrando no mercado de trabalho.

que não permite sua colocação como inferior ou superior. No final de século XX. como expressão de um direito subjetivo ao mesmo tempo individual. porque esta relacionada com os postulados fundamentais da liberdade individual. categórico e difuso” . não sejam excluídas do mundo do Direito.exercício da sexualidade integra as três gerações de direitos. É nela que encontramos a estrutura que precisamos para o começo da nossa vida. da igualdade social e da solidariedade humana. No passado qualquer referencia a família traduzia a idéia de matrimonio. pelo concubinato não-adulterino e as monoparentais (formada por qualquer dos pais e seus descendentes). crivadas pelo preconceito. mas como apenas uma “diferença”. Hoje em dia a família passa a ser analisada como instituição. Conclui-se que a liberdade sexual é um direito que decorre da própria natureza humana. independente . As gerações dos direitos servem para alcançar a realização de todos os cidadãos. ela traduz a liberdade da pessoa de escolher qual a melhor maneira de se criar sua estrutura familiar. No Brasil. havendo a necessidade de que as relações homossexuais. não sendo obrigatoriamente a estrutura familiar tradicional. 5 EVOLUÇÃO DA FAMILIA E DO DIREITO DE FAMÍLIA O principio de qualquer sociedade é a família. pois a higidez dos conceitos jurídicos deve-se contrapor a intolerância social. A homossexualidade é uma característica humana. Concluímos que existe uma nova tendência no mundo de se adotar e reconhecer várias representações de família. foi inserida na Declaração Universal dos Direitos do Homem a possibilidade das pessoas escolherem a forma de família que gostariam de ter. a CF de 1988 reconheceu como família as constituídas pelo casamento. A nova classificação de família esta além dos conceitos morais hoje em dia. “Impositiva é a inclusão das relações homossexuais no rol dos direitos humanos fundamentais. Não há organização social e jurídica se não houver a família.

é reconhecida a União Estável entre homem e mulher como entidade família. regras de convivência impostas aos membros da família e sancionada com penalidades rigorosas. tendo caráter perpétuo e indissolúvel. Com isso o legislador deve ficar mais atento as necessidades de alterações legislativas causadas pelo surgimento de novos modelos de família. Em poucas décadas o Direito de Família se transforma. protegendo assim de maneira especial a célula base do Estado (art. ou seja. tem especial proteção do Estado. sendo a família sua célula base. Antigamente no Brasil. No principio o direito de família foi inspirado pelas normas religiosas.da maneira como ela foi gerada. O direito de família canônico era constituído por normas imperativas. 4° entende-se também como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes . O Estado não pode deixar de proteger a família. O casamento era a pedra fundamental comandado pelo marido. 226 da CF) IN VEBIS: art. 226. inspiradas na vontade do monarca ou de Deus. Par. base da sociedade. 2° o casamento religioso tem efeito civil. 1° o casamento é civil e gratuita sua celebração Par. hoje em dia ele vem tutelado pela Carta Magna. com conceitos provocantes e desafios atuais. Par. nos termos da lei. o Direito de Família era tratado apenas no Código Civil. a família era constituída por cânones. devendo a lei facilitar sua conversão em casamento Par. Hoje os juristas se deparam com um direito de família cheio de surpresas. abrangendo relações sem casamento e famílias monoparentais. pois é sua função social. A família. Na época. objetivando o fim da procriação. 3° para efeito da proteção do Estado.

sociólogos e assistentes sociais no que tange respeito a questões de família. 5° os direitos e deveres referentes á sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. As características do Direito de Família examinadas pelo aspecto individual é de natureza personalíssima. intervindo de forma indireta no caso de necessidade. e assim deve permanecer. O direito de Família começa a exigir um profissional de mente aberta. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito. ter auxilio de outras áreas como psicologia. Num Estado Democrático de Direito como o nosso. e não o contrario. 7° fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável. o planejamento familiar é livre decisão do casal. 6° o casamento Civil pode ser dissolvido pelo divorcio. vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas Par. criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. um Direito de Família Público traria uma grande intervenção do Estado na vida intima do cidadão. ou comprovada separação de fato por mais de dois anos Par. pedagogia. adequando-se as necessidades do ser humano com o passar do tempo. Par. O Direito de Família é um instituto privado. Sendo que a família é quem deve servir o sujeito. . pois o profissional que não acompanha essa evolução poderá traduzir desarmonia às necessidades de seu tempo. criada pelo homem e para o homem. após brévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei. intransferíveis.Par. intransmissíveis por herança. A família a meu ver é um fato cultural. que possa absorver as modificações sociais que o cercam. Ao Estado cabe o dever de tutelar e proteger a família. sendo irrenunciáveis. 8° o Estado assegurara a assistência a família na pessoa de cada um dos que a integram. Atualmente nos deparamos com uma grande necessidade no meio jurídico.

Faz-no trabalhar. “A verdadeira Liberdade e ideal de Justiça estão naqueles ordenamentos jurídicos que asseguram um direito de Família que compreenda a essência da vida de dar e receber amor” . É a energia libidinal que dá vida a vida. acabou o desejo. é o desejo. “se a família fosse uma entidade natural. ficando esses indivíduos a mercê de julgadores muitas vezes sem a ampla visão que o Direito de Família exige. Começou a vida. o modelo familiar seria sempre único. e como tal deve ser protegida pelo Estado. Com isso nos deparamos com a seguinte questão: Se um casal homossexual mantém uma relação com todos os elementos acima elencados. mútua assistência e os requisitos de vida em comum. porém. acabou a vida. Como já vimos hoje à família tem como elemento essencial o afeto. a questão de fundo ou de cerne gira sempre em torno da tentativa de organização e regulamentação das relações de afeto. O direito pretende legislar sobre isso. E sempre nesta pretensão prescreveu e ainda prescreve o legitimo e o ilegítimo. remete à noção de que suas emoldurações variam. se está constituída uma família? A resposta é sim. Com isso ferimos princípios constitucionais e normas protegidas pelos Direitos Humanos.De acordo com o professor Francisco José de Oliveira. assim sendo ela é precedente do Estado e ao Direito. A colocação da família como fato cultural inserida na historia. coabitação. tendo o Estado que usar de analogias e casos concretos para resolver problemas advindos dessa relação.” Sexualidade segundo Freud “é uma dimensão presente na totalidade da existência humana. É ele que mantém vivo o arco da promessa. Não cabendo ao estado impor-lhe funções externas ou modelos. inclusive sobre as relações sexuais. A essência da família nos tempos atuais é o afeto. criar e descansar. 5. tendo afeto. o relacionamento de duas pessoas se torna uma entidade familiar. Este começa com o nascimento. não há base legal para protegê-la. termina com a morte e sustenta-nos por toda a vida. instalou-se o desejo. amar e sofrer. ter alegria. prazer e dor etc. produzir. .1 A família no contexto das relações Homossexuais “No plano da construção teórica do Direito de Família. e sendo fundamental na estruturação jurídica do sujeito. das conseqüências patrimoniais delas decorrentes e de se estabelecer parâmetros mínimos para aquilo que Freud disse ser a satisfação mais forte do ser humano: a sexualidade. deve ser reconhecida e protegida enquanto sirva de instrumento à efetivação da dignidade da pessoa humana” .

Em nossa própria Constituição Federal de 1988 não há menção da União homossexual. “inclusive para ampliar as possibilidades de acerto. Daí é forçoso reconhecer que a União estável é um gênero que admite duas espécies: a heteroafetiva e a homoafetiva.Para Maria Berenice Dias : “se o convívio homoafetivo gera família e se esta não pode ter a forma de casamento. muito mais do que relações homossexuais. pagam impostos e constroem patrimônio conjunto. fazem planos juntos. então como deixá-los na marginalidade? Torna-se de extrema importância o reconhecimento legal de uma união estável ou um casamento civil. ao considerar a família como um fato natural. Não há outra opção. Trata-se de uma alternativa entre duas opções. configuram uma categoria social que não pode mais ser discriminada ou marginalizada pelo preconceito. reconhecer que todos os cidadãos dispõem do direito individual a liberdade. mas a proteção ao pluralismo familiar fez com que alguns juízes de coragem quebrassem preconceitos e tabus. acabando a carta Magna por reconhecer unicamente a relação heteressexual”. do direito social de escolha e do direito humano à felicidade. É de conhecimento publico que na sociedade em que vivemos existem casais homossexuais. votam. quando fizermos seriamente o juízo valorativo das inúmeras . Que convivem numa relação usual como homem e mulher. O legislador constituinte. Esta na hora de o Estado. Esta na hora de enxergarmos que o preconceito destinado a relações homossexuais já causou muitas injustiças e sofrimentos. necessariamente há de ser união estável. são cidadãos. só a concebeu como uma estrutura em torno da diferença entre os sexos. só assim conseguiremos chegar ao apogeu de uma sociedade equilibrada. que consagra como principio maior o respeito a dignidade da pessoa humana. fazendo justiça e reconhecendo como entidade familiar as Uniões Homossexuais baseadas no afeto e no convívio. Eles são ligados por uma relação de afeto. Indispensáveis que se reconheça que os vínculos homoafetivos. Precisamos aprender a conviver com as diferenças.

Sergio Gischkow Pereira enfatiza: O direito de família evolui para um estagio em que as relações familiares se impreguinam de autenticidade. sofrera do mal de ineficácia. Ele defende o direito a orientação sexual como direito personalíssimo. dialogo. Ela observa que melhor “seria se não tivesse previsto essa limitação.conseqüências que advêm do reconhecimento jurídico dessas uniões. no obsessivo ignorar das profundas modificações consuetudinárias. petrificados. não mais em relação a laços biológicos ou legais. inerente e inegável da pessoa humana. Trata-se de afastar a hipocrisia. “tem relevância jurídica as uniões estáveis de natureza homossexual” diz Luiz Edson Fachin. o fingimento. o obscurecer dos fatos sociais. sinceridade. culturais e científicas. fazendo emergir as verdadeiras valorações que orientam as convivências grupais. E que negando direitos aos homossexuais. Ampliam-se cada vez mais os horizontes sócio-afetivos das relações familiares. estes se tornam vitimas de preconceitos. a falsidade institucionalizada. juízo em que necessariamente estará presente uma indagação” . onde domina a relação de afeto. e são colocados à margem do sistema jurídico. pois o . Nasce hoje uma concepção moderna de família. paridade. Maria Berenice Dias lamenta que a Constituição tenha se limitado a reconhecer juridicidade apenas nas relações afetivas heteressexuais. compreensão. As pessoas se reúnem em família em razão do amor e do convívio. em perniciosa teimosia. de solidariedade e cooperação. O regramento jurídico da família não pode insistir. realidade. mumificado e cristalizado em um mundo irreal. atributo. amor.

Não é desconhecendo o problema que vamos resolvê-lo. Vários juristas têm colocado a frente da . “Cabe ao direito regular a vida e sendo essa uma eterna busca da felicidade. que gera efeitos jurídicos” . O vinculo que os une é o mesmo que une os demais casais héteros. impossível que não se reconheça o afeto como um vínculo que não serve só para gerar a vida eis que conforme Silvio Macedo. A Constituição Federal protege de certa maneira as relações homossexuais. pois inquestionável que se trata de um relacionamento tendo por base o amor”. Os fundamentos dessas uniões são assemelhados aos do casamento ou união estável. sendo este o afeto. Não é negando a legalização da União Homossexual que vamos fazer desaparecer a homossexualidade. promovendo o bem de todos sem discriminação com fundamento no principio da prevalência dos direitos humanos . A doutrina expõe cada vez mais sobre o tema e a jurisprudência caminha a favor de uma legalização forçada dessa relação. com isso também esta nos assegurada à livre escolha da orientação sexual. o amor é um valor jurídico. não tem como pressuposto a diversidade de sexos.afeto por mais que não se queira ver. Não se diferenciando de nada a convivência homossexual da união estável. 6 A NECESSIDADE DE DEFINIÇÃO DA NATUREZA JURIDICA DAS RELAÇÕES HOMOSSEXUAIS NO DIREITO BRASILEIRO Vivemos num Estado Democrático de Direito em que temos o livre exercício da liberdade e o respeito à dignidade humana. Fachin ainda acentua que “a convivência estável de pessoas do mesmo sexo tem encontrado as portas praticamente fechadas pela sintomatologia da manutenção de princípios cujos resultados não são equidosos. A doutrina e a jurisprudência tentam evitar á qualquer maneira a marginalização do ser humano. No vazio jurídico da lei expressa. estabelecido entre seus direitos fundamentais a dignidade da pessoa humana . a consciência histórica do judiciário continua ancorada no século XVIII e de costas para a presente” . nem justos. Apesar disso ainda vivemos “numa sociedade que estigmatiza e ridiculariza as pessoas que exercem uma orientação sexual diferente.

226. contrariando o principio constitucional constante de regra pétrea” . os juristas usam os meios que. sendo assim proferidas sentenças muitas vezes dotadas de preconceito moral. e sim uma sociedade de afetos.1 As Uniões Homossexuais Brasileiras e o Direito Comparado O Direito brasileiro não tem nenhuma regulamentação sobre a união de pessoas do mesmo sexo. “iludem-se narcisivamente pensando que ao aprisionar o fato social estarão estabelecendo o rumo da historia da humanidade”. 6. 226. Legalmente. contemplando a proteção da união estável apenas quando envolva pessoas do mesmo sexo. Hoje o grande desafio dos operadores de direito é definir a natureza jurídica das uniões homossexuais. Não ocorre uma sociedade de fato. parágrafo 3° fez uma distinção odiosa. E aí como resolver? Os tribunais hoje em dia usam analogias ou muitas vezes casos já julgados. A crítica de Adauto Saunnes invocando o princípio da igualdade nos mostra que “se a constituição federal no art. faça com que nossos legisladores abram os olhos para a realidade que esta na nossa frente. psicológico. não será absurdo concluir que o art. enquanto o fundamente da união homossexual é afetivo.norma o fato social. 5° estatuiu o principio de equiparação entre os sexos e se tais uniões existem. desta maneira a doutrina se divide entre aquelas que ainda a consideram como sociedade de fato e aqueles que recomendam a legitimação de tais uniões. parágrafo 3° continuar sem alteração. sendo assim o judiciário fica frente a frente muitas vezes com situações em que casais homossexuais buscam soluções para seus litígios e como não existem bases jurídicas para consultas. procurando ver à realidade assim como ela é e não fechando os olhos para esse novo modelo de família que esta nascendo. ao seu entender são os mais corretos. mas boa parte dos doutrinadores ainda insiste em regulamentar sentimentos. a união homossexual continuará a ser considerada sociedade de fato enquanto não houver legislação definindo sua natureza ou o art. mas quem sabe com o advento das uniões de afeto e o tratamento em casos semelhantes como está acontecendo. A Sociedade de fato é fundamentada em vinculo obrigacional. .

O parecer 1503/2010 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional foi aprovado pelo ministro da Fazenda. Outro caso recente envolve um elegante e fechado clube paulistano que recusou a solicitação de um sócio homossexual para que o companheiro. Guido Mantega. Em junho. O tribunal de Justiça do Amazonas disponibilizou no Diário da Justiça o provimento n° 174/2010 que diz respeito às regras para a lavratura de Escritura Publica de Declaração de Convivência e União Homoafetiva.Alguns cartórios estão fazendo um contrato de União estável entre casais homossexuais. Assim sendo seu companheiro ingressou na Justiça para pleitear o seu quinhão na partilha de bens do de cujus. ainda conservarão a mente com idéias amorais a respeito dessas Uniões. com quem vive há seis anos. os cartórios do Estado devem lavrar a declaração de união entre pessoas capazes. Alguns terão o apoio de operadores de Direito com mentes abertas e uma noção maior de que o direito está sempre a serviço do homem e de suas necessidades. a . Ele. Outros. como foi o caso recente da cantora Adriana Calcanhoto que oficializou na Justiça sua União Civil com a cineasta Suzana de Moraes. Infelizmente. foi o do filho do Sr. pudesse utilizar o clube como seu “dependente”. A solicitação foi recusada com a justificativa que tanto o estatuto do Clube quanto o Novo Código Civil brasileiro só admitem a União estável entre homem e mulher. filha do musico Vinicius de Moraes. Outro caso famoso. e julgarão de acordo com a norma e não com a realidade. O casal entrou na justiça pleiteando auxilio para poder freqüentar como qualquer casal normal um clube. Jorginho Guinle. No Mato Grosso. porém veio a falecer com o vírus da AIDS. independente de identidade ou oposição de sexo. conhecido nas colunas sociais cariocas. porém. Sendo abandonado pela família e pelos amigos. enquanto houver essa lacuna legal fatos como esses só irão se repetir cada vez mais. Jorge Guinle. Jorginho Guinle era homossexual declarado e mantinha uma relação de “união estável” com seu companheiro. só obteve amparo e atenção de seu parceiro. sendo a justiça favorável. a advocacia geral da União (AGU) reconheceu que a União Homoafetiva estável dá direitos ao recebimento de benefícios previdenciários para trabalhadores do setor privado. De acordo com a publicação. e não como visitante. A partir de 02/08/10 casais do mesmo sexo também já podem declarar o companheiro ou companheira como dependente na declaração do IR.

assim como foi à lei do divorcio e a conquista dos filhos fora do casamento. CONCLUSÃO Já era de se esperar que a legalização das parcerias homossexuais fosse um direito difícil de ser conquistado no Brasil. em 2008. Na Holanda foi legalizado o casamento em 1996. Aos poucos os homossexuais vão conseguindo abrir seu caminho na legislação. E. A medida estabelece que casais homossexuais possam procurar os cartórios para pedir escritura pública declarando a união Homoafetiva. O juiz federal americano Vaugh Walker derrubou o veto do casamento Gay na Califórnia e determinou que a União entre Homossexuais já poderá ser realizada de forma legal a partir de 18 de agosto de 2010. Nos Estados Unidos existem dezenas de cidades entre elas São Francisco (1991) e Nova Yorque (1993). todos os candidatos a presidência do Brasil se dizem a favor da Legalização do casamento Homossexual no Brasil. desde 95 reconhece o “paternariat” que oficializa os laços entre pessoas do mesmo sexo. em abril deste ano. isso nos mostra que este é um assunto que já incomoda a grande massa da população e quanto mais tempo se passar mais casos de abusos e preconceitos farão parte da nossa historia. A Noruega acompanhou a Dinamarca em 1992. que reconhecem a casais homossexuais alguns direitos relativos ao patrimônio. O Superior Tribunal de Justiça (STJ). mas pelo meu ponto de vista. aberta a novos conceitos de vida e a noções de respeito e dignidade entre todos os seres humanos. Desde 1986 a Dinamarca reconhece alguns direitos patrimoniais dos casais homossexuais e a união civil foi legalizada em 1989. A questão dos direitos dos casais do mesmo sexo tem sido debatida no mundo todo e em vários países estão sendo aceitos com base no tratamento igualitário pregado pela Convenção dos Direitos Humanos. saúde e outros. A Argentina se tornou o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento homossexual. seguro. Aproveitando também a época de eleições. Com isso vamos caminhando a passos de formiga em pleno século XXI para uma humanidade mais afetuosa. a . manteve a adoção de uma criança por um casal Homossexual. O parlamento Sueco. foi favorável à inclusão de um companheiro de mesmo sexo no plano de saúde do parceiro.Corregedoria de Justiça chegou a publicar decisão que regulamenta a união entre pessoas do mesmo sexo.

Devemos deixar os tabus tão conservadores que nunca trouxeram a verdadeira felicidade pras relações humanas e abrirmos os braços para uma sociedade voltada a sentimentos de amor e afeto. Hoje em dia os homossexuais já ganharam seu espaço. O que falta agora? Tempo. Ser tolerante é um exercício que requer . Devemos ter em mente que homossexuais e as famílias não são opostos. Devemos adequar as leis ao ser humano. porque atualmente os homossexuais são condenados a ficar em casa ou em ambientes propícios a eles como se qualquer contato com pessoas ditas “normais” pudesse ser prejudicial. A cada dia novos operadores do direito trazem a tona decisões pioneiras e brilhantes em relação à união homossexual. Basta tirar a venda dos olhos e observar uma realidade que insiste em bater na nossa porta pedindo ajuda e abrigo. seja no Senado Federal e estão a cada dia conquistando mais direitos que na verdade já lhe são resguardados. somente tempo para que essa relação seja regularizada de maneira correta. ainda não possam usufruir da maneira como querem. teremos dado um grande passo rumo a uma sociedade mais justa. Percebo com alegria que esses mesmos homossexuais já fizeram suas escolhas e se sentem a vontade para lutar e aceitar as conseqüências vindas dessa nova orientação. Não podemos mais condenar pessoas como nós ao isolamento de uma prisão afetiva. Temos leis falhas porque não podemos condicionar o ser humano através das leis. mas por uma questão de preconceitos morais. pelo contrario. É preciso coragem para levantar a bandeira da igualdade e da liberdade em busca do respeito à dignidade humana e cidadania. e cada vez mais presenciamos jovens gays irem as ruas empunharem essas bandeiras. quando existe o verdadeiro sentimento e a verdadeira cumplicidade qualquer relação entre pessoas pode ser considerada como uma entidade familiar. A partir do momento que a sociedade perceber que o certo não é sempre o “ser igual”.batalha já esta quase ganha. Talvez o que esteja faltando para as coisas começarem a dar certo no país seja essa falta imensurável de sentimentos. seja em programas de TV.

Maria Berenice. Acesso em 7 set. São Paulo: Martin Claret. Assim como o casamento. Igualdade e Liberdade. BLOG FORA DO ARMÁRIO. Disponível em: .cuidado diário. é sempre o amor o grande vencedor e aquele que quebra barreiras. Fustel. Disponível em: . DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. A Cidade Antiga. Disponível em: . Disponível em . 2003. 2002. Acesso em: 08 set. BRANDÃO. 2006. Rio de Janeiro: Ediouro. tabus e vence qualquer tipo de preconceito. Débora Vanessa Caús. . Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Manual do Direito de Família. 2010. 1997. 2010. 3 ed. 2010. Acesso em: 8 set. de 10 de Janeiro De 2002. de 2010 BOBBIO. _____. DE COULANGES. Parcerias homossexuais aspectos juridicios. BRASIL. Belo Horizonte: Del Rey. In: Anais do I Congresso Brasileiro de Direito Família. Livro: Levitico . Lei no 10. Efeitos patrimoniais das relações de Afeto. Porto alegre: Livraria do Advogado. Acesso em: 8 set. Disponível em: .18:22. 1999. E no final. São Paulo: Revista dos Tribunais. Norberto.406. Acesso em 7 de set. 2010 DIAS. REFERÊNCIAS BIBLIA SAGRADA. _____.

XIII (1913-1914): “Totem e Tabu” e outros trabalhos. KANT. GIORGIS. José Carlos Teixeira. Aspectos jurídicos acerca da homossexualidade. IBIAS. da propriedade privada e do estado. Elementos Críticos do Direito de Família. 2000. Friedrich. Delma Silveira. Trad. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Rio de janeiro: Imago Editor. Ricardo Pereira (Coord. Em busca da família do novo milênio: uma reflexão critica sobre as origens históricas e as perspectivas do direito de família brasileiro contemporâneo. _____. Reflexões acerca de questões patrimoniais nas uniões formalizadas. Volume 2. Rio de janeiro: Renovar._____. São Paulo. informais e marginais. Immanuel. LIRA. 2002. Homossexualidade – discussões jurídicas e psicológicas. Editora Revista dos Tribunais. 1995. São Paulo: Martin Claret. 1969. . FACHIN. Obras Psicológicas completas de Sigmund Freud – vol. 2001. Fundamentações da metafísica dos costumes e outros escritos. 2001.1997. In: Instituto Interdisciplinar De Direito De Família – IDEF (coord. Marilene Silveira.). Rio de janeiro: Renovar. FACHIN. Curitiba: Juruá. Rio de Janeiro: Renovar . FREUD. Curitiba: Juruá.). 2001. Luiz Edson. ENGELS. 2001. A origem da família. Aspectos jurídicos da união de pessoas do mesmo sexo. GUIMARÃES. In repertorio de jurisprudência e doutrina sobre direito de família. São Paulo: Centauro. União homossexual: o preconceito & justiça. Sigmund. A relação homoerótica e a partilha de bens. Rosana Amara Girardi. 1999. In: Homossexualidade: discussões jurídicas e psicológicas. Orizon Carneiro Muniz.

_____. SARLET. PEREIRA. 2004. Francisco José. Sérgio Gischkow. _____. União entre pessoas do mesmo sexo: aspectos jurídicos e sócias. Apelação civil n. 1988. MORAIS. Dignidade da pessoa humana na constituição federal de 1988. setor de ciências jurídicas. Direitos Humanos. Giselle Câmara (Coord. Relator: Des. 2006 (dissertação – mestrado). Tendências modernas do direito de família. 1999.). União entre pessoas do mesmo sexo – reflexões éticas e jurídicas. Rodrigo da cunha. 42. 2004. PEREIRA. v. Adauto. _____. 2000. universidade federal do Paraná. RIO GRANDE DO SUL. SUANNES. OLIVEIRA.Giorgis. In: Ajuris n. Psicanálise e Inclusão Social. 2001.Graduação em Direito. 7ª CC TJRS. Famílias não legisladas: Direitos fundamentais e normas constitucionais de inclusão. Ed. Ingo Wolfgang. Belo horizonte: Del Rey. Rio de Janeiro: Imago. TJ-RS. 2006. Coad. Belo Horizonte: Del Rey. A Sexualidade vista pelos tribunais. Porto Alegre.MATOS. 2001. As uniões homossexuais e a Lei 9278/96. Curso de Pós. PEREIRA. 14 mar. Curitiba. Belo horizonte: Del Rey. 31. A constitucionalização do direito civil. In: GROENINGA. Família. 2003. Direito de família – uma abordagem psicanalítica. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Direito de Família e Psicanálise: Rumo a uma nova epistemologia. 70001388982. . Rodrigo da Cunha (Coord. In: Revista da faculdade da UFPR. 2003. Ana Carla Harmatiuk. Porto alegre: Síntese. In: Revista brasileira de direito comparado.). Maria Cecília bodin.

Unisinos. Anna Paula. apud DIAS. Determinação e mudança de sexo. São Paulo: Revista dos Tribunais. Acesso em: 7 set. também.PGR pede que STF equipare união homossexual estável à relação estável entre homem e mulher Notícias STF Quinta-feira. alcance e direções. União homossexual: o preconceito & justiça. In: Revista de Direito Administrativo. Pede. SUTTER.Especial out/nov 1999. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2001. Disponível em: . Glauber Moreno. n. Ana Maria. UES. 80. no Supremo Tribunal Federal (STF). Rio de Janeiro: Renovar. Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 178) com o propósito de levar a Suprema Corte brasileira a declarar que é obrigatório o reconhecimento. . Graduação em Ciências Jurídicas e Sociais. TABORDA. Deborah Duprat. Maria Berenice. Trabalho de Conclusão de Curso. UZIEL. desde que atendidos os requisitos exigidos para a constituição da união estável entre homem e mulher.37 ANEXO I . da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. no Brasil. que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis sejam estendidos aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo. p. 02 de julho de 2009 PGR pede que STF equipare união homossexual estável à relação estável entre homem e mulher A procuradora-geral da República. Matilde Josefina. 1999. Maren Guimarães. O princípio da igualdade em perspectiva histórica: conteúdo. 1993. ajuizou nesta quintafeira (02). Parcerias Entre Pessoas Do Mesmo Sexo: O Preconceito E A Justiça. 2010. TALAVERA.

a PGR sustenta que a união entre pessoas do mesmo sexo “é. da igualdade (artigo 5º. em sintonia com essa realidade. hoje. E lembra que. caput). sustenta a procuradora-geral. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pede que a ação seja distribuída por dependência à ADPF nº 132.A petição da procuradora-geral está instruída com cópia da representação formulada pelo Grupo de Trabalho de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e pareceres dos professores titulares de Direito Civil e de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Gustavo Tepedino e Luís Roberto Barroso. no mundo e no Brasil”. muitos países vêm estabelecendo formas diversas de reconhecimento e proteção dessas relações. A ela estão também anexadas cópias de decisões judiciais violadoras de preceitos fundamentais na questão em debate. ajuizada pelo Governador do estado do Rio de Janeiro versando questão conexa. a obrigatoriedade do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar”. como também importa em menosprezo a sua própria identidade e dignidade”. inciso III). diante da inexistência de legislação infraconstitucional regulamentadora. da liberdade (artigo 5º. Igualdade Na ação. devem ser aplicadas analogicamente ao caso as normas que tratam da união estável entre homem e mulher” . Essa ação foi distribuída ao ministro Carlos Ayres Britto. caput) e da proteção à segurança jurídica. da vedação de discriminações odiosas (artigo 3º. notadamente dos princípios da dignidade da pessoa humana (artigo 1º. inciso IV). Ela defende a tese de que “se deve extrair diretamente da Constituição de 88. Sustenta ainda que. “A premissa destas iniciativas é a idéia de que os homossexuais devem ser tratados com o mesmo respeito e consideração que os demais cidadãos e que a recusa estatal ao reconhecimento das suas uniões implica não só privá-los de uma série de direitos importantíssimos de conteúdo patrimonial e extrapatrimonial. uma realidade fática inegável.

E pede que a equiparação pleiteada seja atendida logo. E. o Código Civil. hoje. em seu artigo 1723. no processo envolvendo os bens deixados pelo artista plástico Jorge Guinle Filho. da possibilidade de reconhecimento dessas entidades familiares. circunscreve a união estável às relações existentes entre homem e mulher. ainda não há. que faleceu depois de ter convivido por 17 anos com parceiro do mesmo sexo. é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar. Até pelo contrário. “independentemente de qualquer mediação legislativa”. Ausência comprometedora “A ausência desta regulamentação legal vem comprometendo. segundo ela. tendo sido pioneiro o Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). a união entre pessoas do mesmo sexo. em sintonia com o artigo 226. também. segundo ela. porque. em nossa ordem infraconstitucional. . “para efeito de proteção do Estado. Dispõe esse artigo que. qualquer regra geral conferindo a estas relações o tratamento de entidade familiar”. o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul já avançou em diversos pontos sobre o assunto. “embora já existem no país algumas normas tutelando. devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento”. parágrafo 3º. que são concedidos sem maiores dificuldades aos casais heterossexuais que vivem em união estável” Isso ocorre. Evolução A procuradora-geral observa que tem havido evolução no reconhecimento jurídico da união homossexual estável. declarando a competência das varas de família para julgamento das ações de dissolução de união entre pessoas do mesmo sexo. que se veem impedidas de obter o reconhecimento oficial das suas uniões afetivas e de ter acesso a uma miríade de direitos que decorrem de tal reconhecimento. da Constituição Federal (CF) de 1988. a possibilidade de exercício de direitos fundamentais por pessoas homossexuais. na prática. há decisões de quatro Tribunais Regionais Federais (TRFs) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). viabilidade de adoção conjunta de criança por casal homossexual e. para finalidades específicas. Também no campo previdenciário. para aplicação imediata dos princípios constitucionais por ela mencionados.

reconhecendo o direito do homossexual ao recebimento de pensão do INSS ou estatutária.stf.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.jus.asp?idConteudo=110522 ANEXO II . Tiragem: 500 Normalização: Maria Amélia Elisabeth Carneiro Veríssimo Referencia bibliográfica: .SEDH Distribuição gratuita Impresso no Brasil Reprodução autorizada.Brasil Sem Homofobia Brasil Sem Homofobia Programa de Combate à Violência e à Discriminaçãocontra GLTB e de Promoção da Cidadania Homossexual © 2004. desde que citada a fonte de referencia. em caso de óbito do seu companheiro ou companheira. FK/LF http://www. Ministério da Saúde/Conselho Nacional de Combate à Discriminação Secretaria Especial dos Direitos Humanos .

Santos Yone Lindgren Beth Fernandes . IV. Comissão Provisória de Trabalho II. Santos. 2004. Brasil. Brasília : Ministério da Saúde. CDD 301. Discriminação 2 . Ivair Augusto Alves dos Santos. Programa Nacional dos Direitos Humanos II III. Cláudio Nascimento V. Discriminação. 1. Homossexual.4157 Comissão Provisória de Trabalho do Conselho Nacional de Combate à Discriminação: Janaína Dutra (In memoriam) Cláudio Nascimento Silva Ivair Augusto A. Brasil Sem Homofobia: Programa de combate à violência e à discriminação contra GLTB e promoção da cidadania homossexual. Homossexual. Conselho Nacional de Combate à Discriminação(Brasil). Brasil Sem Homofobia : Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e Promoção da Cidadania Homossexual / elab oração / organização e revisão de textos: Cláudio Nascimento Silva e Ivair Augusto Alves dos Santos. Silva. Direitos.. 3. Homossexual. 2004. Violência 4. Violência 2.I . – Brasília : Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Combate à Discriminação/Ministério da Saúde (Brasil).CONSELHO Nacional de Combate à Discriminação. Co¬missão Provisória de Trabalho do Conselho Nacional de Combate à Discriminação da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Medeiros Weber Oswaldo Braga Jr. Santos Léo Mendes Luciano Bezerra Vieira . Participantes e Organizações na reunião ampliada da Comissão Provisória de Trabalho realizada no Edifício-Sede do Ministério da Justiça. nos dias 7 e 8 de dezembro de 2003 Adamor Guedes Alexandre Böer Beth Fernandes Beto de Jesus Caio Fabio Varela Cláudio Nascimento Silva Eduardo Piza Gomes de Mello Francisco Pedrosa Herbert Borges Paes de Barros Ivair Augusto A.Mirian G.

B. Silene HirataSilene Hirata Toni Reis Welton D.Marcelo Cerqueira Marcelo Nascimento Marcus Lemos Melissa Navarro Miriam B. Trindade Wilson Dantas Yone Lindgren Entidades Nacionais: Associação Brasileira de Gays. Corrêa Mirian G. Medeiros Weber Oswaldo Braga Jr. Lésbicas e Transgêneros (ABGLT) Articulação Nacional de Transgêneros (ANTRA)) Articulação Brasileira de Lesbicas .

Lesbicas e Transgêneros/PR Grupo Gay da Bahia (GGB)/BA Grupo Gay de Alagoas (GGAL)/AL Grupo Hábeas Corpus de Potiguar (GHAP)/RN Grupo Resistência Asa Branca (GRAB)/CE Grupo Somos/RS Instituto Edson Néris (IEN)/SP Lésbicas Gaúchas – LEGAU/RS Movimento D`Ellas/RJ . Lésbicas e Travestis (AAGLT)/AM Associação Goiana de Gays.Entidades nos Estados: Arco-Iris – Grupo de Conscientização Homossexual/RJ Associação Amazonense de Gays. Lésbicas e Travestis (AGLT)/GO Associação Goiana de Transgêneros/GO Estruturação – Grupo Homosexual de Brasília/DF Grupo Dignidade – Pela Cidadania de Gays.

Secretaria Nacional de Segurança Pública / Ministério da Justiça David Harrad .Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Cristina Gross Vilanova .Secretaria de Políticas Públicas de Emprego /SPPE /Ministério do Trabalho e Emprego Fauze Martins Chequer .Sub . Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação.Grupo Dignidade Denise Paiva .Secretaria de Educação Continuada.Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República Cristiane Gonçalves Meireles da Silva .Ministério das Relações Exteriores Ane Rosenir Teixeira da Cruz .secretário de Articulação da Política de Direitos Humanos / SEDH Hugo Nister Pessoa .Movimento do Espírito Lilás (MEL)/PB Movimento Gay de Minas (MGM)/MG Colaboração: André Luis de Figueiredo Lazáro .Conselho Nacional de Combate a Discriminação / SEDH Joelma Cezario dos Santos . André Saboya .Estruturação/ Grupo Homossexual de Brasília .Subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente / SEDH Eunice Léa de Moraes .

Coordenador de Assuntos Acadêmicos do Grupo Arco-Iris / Universidade Federal Fluminense Marco Aurélio Trocado Paes .Assessoria de Comunicação / SEDH Mário Mamede Filho .Conselho Nacional de Combate à Discriminação / SEDH Lilia Rossi .Secretária-Adjunta da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República SEPPIR Marina Pimenta Spinola Castro -.José Eduardo Andrade .Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Luiz Mott .Assessoria Legislativa do Grupo Arco-Íris Maria Aparecida Guggel .Assessor / SEDH Julio Hector Marin Chefe de Gabinete / SEDH Karen Bruck de Freitas – Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Lília Maia .Sub-Procuradora do Ministério Público do Trabalho Maria Eliane Menezes .Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal Maria Inês da Silva Barbosa .Secretário-Adjunto / SEDH .Professor Titular da Universidade Federal da Bahia Diretor do Grupo Gay da Bahia Marcio Caetano .

Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Sérgio Carrara .Grupo Homossexual de Brasília Paulo Carvalho .Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde .Assessor da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde Perly Cipriano .Diretor Adjunto do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Rosa Maria Rodrigues de Oliveira .Assessoria de Comunicação / SEDH Vera Regina Müller .Centro Latino-americano de Direitos Humanos e Sexualidade do IMS da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Sidney Souza Costa .Conselho Nacional de Combate a Discriminação / SEDH Silvia Ramos .Secretaria Nacional de Segurança Pública / Ministério da Justiça Roberto Brant .Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes Toni Reis .Subsecretário de Promoção dos Direitos Humanos / SEDH Ricardo Balestreri .Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Patrícia Diez Rios .Secretaria Nacional de Segurança Pública / Ministério da Justiça Rita de Cássia Lima Andréa .Milton Santos Silva Estruturação .Secretário-Geral da ABGLT Valeria Tavares Rabelo .

..........19 II Legislação e Justiça ...................Secretário-Executivo do Conselho Nacional de Combate à Discriminação /SEDH – Presidência da República Sumário À Janaína .................................. Lésbicas e Travestis (ABGLT)................................................................................................................ Ivair Augusto Alves dos Santos ..........................................................................................................................................19 I Articulação da Política de Promoção dos Direitos de Homossexuais ..............................................Organização e revisão de textos: Cláudio Nascimento Silva ..........................11 O Programa Brasil Sem Homofobia possui como princípios: ...................................15 Programa de Ações .......................21 ................................................11 Justificativa ...........................21 IV Direito à Segurança: combate à violência e à impunidade .........................8 Introdução ..................Membro do Conselho Nacional de Combate a Discriminação / SEDH e Secretário de Direitos Humanos da Associação Brasileira de Gays......20 III Cooperação Internacional ............................

................................................................................26 Implantação do Programa ............31 O Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB (Gays........................................................................................................................................................27 Dúvidas mais freqüentes ............. Lésbicas................... Um ..................................................................29 Glossário ........................................................ é uma das bases fundamentais para ampliação e fortalecimento do exercício da cidadania no Brasil....V Direito à Educação: promovendo valores de respeito à paze à nãodiscriminação por orientação sexual ........25 XI Política contra o Racismo e a Homofobia .....................24 IX Política para a Juventude ............................... Transgêneros e Bissexuais) e de Promoção da Cidadania de Homossexuais “Brasil sem Homofobia”........24 VIII Direito à Cultura: construindo uma política de cultura de paz e valores de promoção da diversidade humana ...........................27 Monitoramento e Avaliação .............................................................22 VI Direito à Saúde: consolidando um atendimentoe tratamentos igualitários..........................................................................................................................23 VII Direito ao Trabalho: garantindo uma política de acessoe de promoção da não-discriminação por orientação sexual ..............................25 X Política para as Mulheres ..................... ............................

A expectativa é que essa integração interministerial. sociais e legais tão duramen¬te conquistados. prospere e avance na implementação de novos parâmetros para definição de políticas públicas. O Programa “Brasil sem Homofobia” é uma articulação bem sucedida entre o Governo Federal e a Sociedade Civil Organizada. ao tomar a iniciativa de elaborar o Programa. que na sua passagem pelo Conselho Nacional de Combate à Discriminação deixou um testemunho de coragem e dignidade. reco¬nhece a trajetória de milhares de brasileiros e brasileiras que desde os anos 80 vêm se dedicando à luta pela garantia dos direitos humanos de homosse¬xuais. em parceria com o movimento homossexual. As políticas públicas traduzidas no Programa serão exitosas porque é uma decisão de todos.verdadei¬ro marco histórico na luta pelo direito à dignidade e pelo respeito à diferença. elaboradas pelo consenso. Um dos objetivos centrais deste programa é a educação e a mudança de comportamento dos gestores públicos. É o reflexo da consolidação de avanços políticos. Quero manifestar o nosso agradecimento ao esforço de todos os militantes e à Janaína. incorporando de maneira ampla e digna milhões de brasileiros. Entretanto. a participação de cada um de nós como cidadão é importante para a consolidação dos direitos humanos como direito de todos. Buscamos a atitude positiva de sermos firmes e sinceros e não aceitarmos nenhum ato de discriminação e adotarmos um “não à violência” como bandeira de luta. fundamental para o alcance do resultado apresentado nesta publicação. que durante aproxi¬madamente seis meses se dedicou a um trabalho intenso. Nilmário Miranda Secretário Especial dos Direitos Humanos Brasil Sem Homofobia . O Governo Federal.

revelam a grandeza de sua personalidade e altruísmo de seus objetivos de vida. tendo participado de inúmeros congressos. A prostituição um dia acaba. foi mais forte do que as convenções sociais e Jaime se assume travesti. só que ao invés de estar cercada de água por todos os lados está cercada pela violência. Cearense do município de Canindé tornou-se Dr. Fundou a ATRAC. porém. ocupando a vice-presidência do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB). tornou-se militante dos direitos humanos dos homossexuais. Jaime ao se formar em Direito. exerceu o cargo de Secretária de Direitos Humanos (suplente) da Associação Brasileira de Gays. aids. depois vem a siliconização e o preconceito. Algumas opiniões e decla¬rações de Janaína. Associação Nacional de Transgêneros. A família. Em 1989. retiradas da imprensa nacional. as jovens travestis começam os processos de hormo¬nização. mesas redondas e seminários so¬bre direitos humanos. Defendo uma política de cotas que garantam participação das travestis no mercado de trabalho. não aceita e o garoto é expulso de casa. não é para a vida toda. por volta dos 13 ou 14 anos. travestismo. que uma travesti conseguiu sua carteira e filiação junto à OAB.” Sobre a necessidade de profissionalização das travestis “Nossa meta é melhorar a qualidade de vida das travestis. A tendência ao travestismo. Figura das mais destacadas dentro do movimento “trans”. Faleceu a 8 de fevereiro de 2004. principalmente no Nordeste. costumava sempre ter à mão cópia da Lei Municipal de sua cidade contra a homofobia. A adolescência das travestis ‘’Geralmente. Costumo comparar a travesti a uma ilha. Foi a primeira. aos 43 anos. sendo Presidenta da ANTRA. passando a viver como Janaína. O único meio de vida é a prostituição. além de . e membro do Conselho Nacional de Combate à Discrimi¬nação. Associação de Travestis do Ceará. Lésbicas e Transgêneros.8 À Janaína Janaína foi registrada na certidão de nascimento com o nome de Jaime César Dutra Sampaio. de Fortale¬za. talvez a única vez em toda historia do Brasil. A cidadania e a busca do conhecimento são alternativas à prostituição. em decorrência de um câncer no pulmão. quando ainda estão cursando o ensino fundamental.

respeitando a especificidade de cada um desses grupos populacionais.PPA 2004-2007 definiu. Com vistas em efetivar este compromisso. Figura meiga e dinâmica. Brasil Sem Homofobia 9 Melhorando a imagem das transgêneros “As travestis sempre foram vistas como “bagaceiras”. com sua longa cabeleira. Direitos de Todos.políticas públicas que obriguem as escolas a ensinar o respeito à diversidade”. transgêneros e bissexuais. perigosas. Esta recen¬te campanha do Ministério da Saúde pela cidadania das travestis e transexuais ajudará a quebrar o preconceito e a passar mensagem de respeito e auto-es¬tima”. lésbicas.Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de Promoção da Cidadania Homossexual. a ação denominada Elaboração do Plano de Combate à Discriminação contra Homossexuais. era muita bem quista pelos militantes do movimento homos¬sexual brasileiro. que pranteiam sua partida tão prematura. O exemplo de luta de Janaína estará permanente em nossa memória. o Programa é constituído de diferentes ações voltadas para: . Luiz MottBrasil Sem Homofobia 11 Introdução O Plano Plurianual . a partir da equi-paração de direitos e do combate à violência e à discriminação homofóbicas. Janaína. Para atingir tal objetivo. com o objetivo de promover a ci¬dadania de gays. protótipo da Rainha do Mar. a Secretaria Especial de Direitos Humanos lança o Brasil Sem Homofobia . travestis. no âmbito do Programa Di¬reitos Humanos.

a) apoio a projetos de fortalecimento de instituições públicas e nãogo¬vernamentais que atuam na promoção da cidadania homossexual e/ou no combate à homofobia. O Programa Brasil Sem Homofobia possui como princípios: A inclusão da perspectiva da não-discriminação por orientação sexual e de promoção dos direitos humanos de gays. o combate à homofobia e a promoção dos direitos huma¬nos de homossexuais é um compromisso do Estado e de toda a sociedade brasileira. e d) incentivo à denúncia de violações dos direitos humanos do segmento GLTB. A produção de conhecimento para subsidiar a elaboração. lésbicas. implantação e avaliação das políticas públicas voltadas para o combate à violência e à discriminação por orientação sexual. A reafirmação de que a defesa. transgêneros e bis¬sexuais. b) capacitação de profissionais e representantes do movimento homosse¬xual que atuam na defesa de direitos humanos. portanto. nas políticas públicas e estratégias do Governo Federal. c) disseminação de informações sobre direitos. de promoção da autoes¬tima homossexual. a serem implantadas (parcial ou integralmente) por seus diferentes Ministérios e Secretarias. garantindo que o Governo Brasileiro inclua o recorte de orientação sexual e o segmento GLTB em pesquisas Brasil Sem Homofobia 12 nacionais a serem realizadas por instâncias governamentais da adminis¬tração pública direta e indireta. . a garantia e a promoção dos direitos huma¬nos incluem o combate a todas as formas de discriminação e de violência e que.

bem como um diagnóstico sobre a situação nacional e uma lista de propostas. O debate sobre a não-discriminação com base na orientação sexual foi retomado de forma organizada durante o processo preparatório para a Con¬ferência Mundial contra o Racismo. África do Sul (2001). A preparação da posição do Brasil na Conferência de Durban envolveu ampla participação da sociedade civil organizada. pela Delegação da Suécia. sobretudo. Xenofobia e Intolerância Correlata.Brasil Sem Homofobia 13 por várias delegações. em um foro das Nações Unidas. a Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância 1 realizada em Durban. Tendo em vista que a regra para a aprovação de qualquer proposta durante a Conferência é o consenso entre os Estados. onde. A proposta brasileira para a inclusão da orientação sexual entre as formas de discriminação que agravam o racismo foi apoiada 1 Ver Relatório do Comitê Nacional Para a Preparação Da Participação Brasileira na III Conferência Mundial Das Nações Unidas Contra o Racismo. a apresentação de objeção por delegações islâmi¬cas impossibilitou a sua adoção. na oportunidade. Entretanto. o Governo Brasileiro levou o tema para a Conferência Regional das Américas. o Brasil introduziu o tema da discriminação sobre a orientação sexual em plenária. A segunda versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH II. durante a Con¬ferência Mundial de Beijing (1995). Discriminação Racial. pela primeira vez. Com base na articulação e consultas feitas junto à sociedade civil orga¬nizada. o tema da discriminação com base na orientação sexual foi um dos principais proble¬mas levantados. ambos incluí¬dos no relatório nacional.O tema da discriminação com base na orientação sexual foi formalmente suscitado. realizada em Santiago do Chile. A Declaração de Santiago compromete todos os países do continente com texto que menciona a orientação sexual entre as bases de formas agravadas de discriminação racial e exorta os Estados a preveni-la e combatê-la. Durante a Conferência Mundial de Durban. preparatória para a Con¬ferência de Durban. em 2000. . do continente europeu. Brasília. não foi incorporada ao texto final da Declaração de Plano e Ação da Conferência de Durban. a Discriminação Racial. Ministério da Justiça (2001)”.

não se poderá afirmar que a sociedade brasileira seja jus¬ta. resolução administrativa por meio da qual o Brasil passou a reconhecer. o CNCD criou um Grupo de Trabalho destinado a elaborar o Programa Brasileiro de Combate à Violência e à Dis¬criminação a Gays. Brasil sem Homo¬fobia. Representantes de organizações da sociedade civil. mediante amplo processo de consulta pública. Finalmente. criou-se uma Comissão temática permanente para receber denúncias de violações de direitos humanos. em novembro de 2003. Dessa maneira. para efeito de concessão de vistos. lésbicas e transgêneros integram o CNCD e. Transgêneros e Bissexuais (GLTB) e de Promoção da Cidadania Homossexual. As ações contidas no Programa Nacional de Direitos Humanos foram deba¬tidas e discutidas com a sociedade civil organizada. com base na orientação sexual. em outu¬bro de 2001. A criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação. Somando-se a essas ações. Lésbicas. foi uma das primeiras medidas adotadas pelo governo brasileiro para implementação das recomendações oriundas da Conferência de Dur¬ban. desde que comprovada a união estável. Travestis. raça. Entre as vertentes temáticas tratadas pelo CNCD está o combate à discri¬minação com base na orientação sexual. democrática e tolerante. igualitária. à sociedade brasileira que. permanente ou de residência definitiva. sinaliza. Além disso. dos movimentos de gays. a companheira ou companheiro de uma cidadã ou cidadão brasileiro ou estrangeiro residen¬te no País pode vir a receber o visto temporário. lésbicas. com quinze ações a serem adotadas pelo Governo Brasileiro para o combate à discriminação por orien¬tação sexual. travestis. garantindo ao seg¬mento GLTB o pleno exercício de seus direitos humanos fundamentais. idade. etnia. e para a sensibilização da sociedade para a garantia do direito à liberdade e à igualdade de gays. de modo claro. com o objetivo de reunir-se com seu companheiro ou companheira que já resida no Brasil. transgêneros e bissexuais. enquanto existirem cidadãos cujos direitos fundamentais não sejam respeitados por razões relati¬vas à discriminação por: orientação sexual. o governo brasileiro dá um passo crucial no sentido da construção de uma . Com esse novo Programa. credo religioso Brasil Sem Homofobia 14 ou opinião política. o Conselho Nacional de Imigração (CNI) edi¬tou. que tem como objetivo prevenir e reprimir a discriminação com base na orientação sexual.2002) contém uma seção dedicada ao assunto. em 2003. em 2003. a união de pessoas do mesmo sexo. o presente Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de Promoção da Cidadania de Homossexuais.

como Campinas (Centro de Defesa ao Homossexual). Esses eventos. estaduais e federais. no Brasil. transgêneros e bissexuais (GLTB). A homossexualidade foi retirada da relação de doenças pelo Conselho Federal de Medicina em 1985 (vários anos antes de a OMS fazer o mesmo) e o Conselho Federal de Psicologia. na qual se destaca a realização das Paradas do Orgulho GLTB que mobilizam milhões de pessoas em todo o País. há cerca de 140 grupos espalhados por todo o território nacional. por sua vez. como é o caso do Dia Mundial do Orgulho GLTB. devem. a educação e a justiça. criado no Rio de Janeiro em 1999 e que hoje existe em outras cidades. RESOLUÇÃO CFP N° 001/99. sua atuação tem se desdobrado em um notável engajamento no enfrentamento de graves problemas de interesse público. E. lésbicas. A força do ativismo vem se expressando em diferentes momentos e eventos comemorativos. travestis. têm visto surgir uma eficiente parceria entre grupos GLTB e órgãos de saúde e de segurança pública municipais. os homossexuais brasileiros organizados têm enfrentado a histórica situação de discriminação e marginalização em que foram colocados no seio da sociedade brasileira. Brasília (Disque Cidadania Homossexual) e Salvador. ser considerados como as mais extraordinárias manifestações políticas de massa desse início de milênio no Brasil. Atualmente. 3 Cf. a um fortaleci¬mento da luta pelos direitos humanos de gays. para além da luta pelo reconhecimento de seus legítimos direitos civis. de DE 22 DE MARÇO DE 1999 “Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da . sociais e políticos. Não há dúvida quanto ao fato dessa luta pela cidadania estar produzindo importantes frutos. Atuando em áreas como a saúde. que nenhum profissional pode exercer “ação que favoreça a patolo¬gização de comportamentos ou práticas homoeróticas3”.Brasil Sem Homofobia 15 Justificativa Desde o início da década de 1980. Em ambos os contextos. em 1999. especialmente. 2 Experiência pioneira nesse sentido foi o DDH (Disque Defesa Homossexual). sendo casos exem¬plares de sua mobilização em torno da luta contra o HIV/aids no País e do combate à violência urbana2. determinou. com justiça. assistimos.verdadeira cultura de paz. Associações e grupos ativistas se multiplicam pelo País.

Na área criminal. após sua morte). em 2000. como marco do combate aos crimes de ódio no País.e mais especialmente contra travestis e transgêneros . os dados divulgados pelo movimento homossexual são . sem dúvida. merece destaque. que a sua crescente organização e visibilidade têm permitido avaliar com mais clareza a grave extensão da violação de seus direitos e garantias funda¬mentais. O poder judiciário brasileiro apresenta-se. Em certos casos. foram abertos diversos precedentes jurisprudenciais importantes no sentido do reconheci¬mento do direito que os (as) homossexuais têm sobre a guarda dos filhos que criam em comum com seus companheiros ou companheiras (como foi o caso da guarda do filho da cantora Cássia Eller. devemos. diferentes constituições estaduais e legislações municipais vêm contemplando explicitamente esse tipo de dis¬criminação. como um outro setor em que se percebem avanços na defesa dos direitos sexuais no País. RS) e no Distrito Federal e mais de oitenta municípios brasileiros têm algum tipo de lei que contempla a proteção dos direitos humanos de homossexuais e o combate à discriminação por orientação sexual. determinado pelo INSS. entretanto. como o da extensão dos benefícios de pensão por mor¬te e auxílio-reclusão aos casais homossexuais.Brasil Sem Homofobia 16 Em que pese a Constituição Federal de 1988 não contemplar a orientação sexual entre as formas de discriminação. há le¬gislação específica nesse sentido em mais cinco estados (RJ. no centro de São Paulo. Atualmente. por estar caminhando de mãos dadas com seu namorado. reconhecer. igualmente. uma das faces mais trágicas da discriminação por orientação sexual ou homofobia no Brasil. condenando os assassinos de Édson Néris.é. Tal violência tem sido denunciada com bastante veemência pelo Movimento GLTB. Em outros. MG. em 2001. SP.Orientação Sexual”. Sergipe e Pará). A violência letal contra homossexuais . por pesquisadores de diferentes universidades brasileiras e pelas organizações da sociedade civil. foram ações judiciais movidas por grupos de ativistas homossexuais que abriram caminho para mudanças legislativas. em defesa dos direitos dos homossexuais brasileiros. Ao destacar conquistas obtidas nos últimos anos. nos últimos anos. a proibição de discriminação por orientação sexual consta de três Constituições Estaduais (Mato Grosso. a histórica sentença proferida pelo juiz Luís Fernando Camargo de Bar¬ros Vidal. que têm procurado produzir dados de qualidade sobre essa situação. SC. barbaramente linchado. Com base em uma série de levantamentos feitos a partir de notícias sobre a violência contra homossexuais publicadas em jornais brasileiros.

traves¬tis e transexuais) 6 revelaram que 60% dos entrevistados já tinham sido víti¬mas de algum tipo de agressão motivada pela orientação sexual. envolvendo 416 homossexuais (gays. expulsão de casa. confirmando assim que a homofobia se reproduz sob múltiplas formas e em proporções muito significativas. as forças armadas. Editora Grupo Gay da Bahia.5% declararam já haver experimentado discriminação ou humilhação tais como impedimento de ingresso em estabelecimentos co¬merciais. foram recebidas 500 de¬núncias. da Secretaria de Segu¬rança do Estado Rio de Janeiro. Quando perguntados sobre os tipos de agressão viven-ciada. morreram exclusivamente pelo fato de ousarem manifestar publicamente sua orientação sexual e afetiva.7 %) e extorsão (10. entre travestis e transexuais). como Édson Néris. mau tratamento por parte de servidores públicos. que englobam a humilhação.alarmantes. ofensas verbais e ameaças relacionadas à homossexualidade. entre outras publicações.3%). envolvendo familiares. Pesquisa realizada sobre o Disque Defesa Homossexual (DDH). vizinhos.8%) e. 56. revelando Brasil Sem Homofobia 17 que nos últimos anos centenas de gays. 18% já haviam sofrido algum tipo de chantagem e extorsão (cifra que. Além disso. Assassinato de homossexuais: Manual de Coleta de Informações.3 %)5. Nesse mesmo sentido. Pesquisas recentes sobre a violência que atinge homossexuais dão uma idéia mais precisa sobre as dinâmicas mais silenciosas e cotidianas da homofobia. organizados por Luiz Mott et alli. foram freqüentes as denúncias de discriminação (20. travestis e lésbicas foram assassinados no País4.6% disseram ter sofrido agressão física (cifra que sobe para 42. a justi¬ça ou a polícia. entre travestis e transexuais. devido a sua orientação sexual.3% declararam já haver passado pela experiência de ouvir xingamentos. a ofensa e a extorsão. demonstrando que além de um número significativo de assassinatos (6. revelou que nos primeiros dezoito meses de existência do serviço (junho/1999 a dezembro/2000). Causa Mortis: Homofobia (2001). agressão física (18. Para além da situação extrema do assassinato. 58. O Crime Anti-Homosexual no Brasil (2002). lésbicas.3%. . muitas outras formas de violência vêm sendo apontadas. Violação dos direitos humanos e assassinato de homossexuais no Brasil – 1999 (2000). sobe para 30. 16.2%). colegas de trabalho ou de instituições públicas como a escola. Sistematização e Mobilização Política contra Crimes Homofóbicos (2000). 4 Ver. Muitos deles. os resultados de recente estudo sobre violência rea¬lizado no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro: Pallas Ed. lésbicas. travestis. seus pais e professores. sobretudo. na efetivação de ações punitivas. grandes dificuldades na investigação de práticas de violência e discriminação que atingem gays. número 56. No que se refere ao ambiente escolar. realizada em quatorze capitais brasileiras.Brasil Sem Homofobia 18 colegas. principalmente quando tratam de violência cometida contra travestis e transgêneros8. Violência e Homossexualidade. em Recife). 6 Ver Política. muitas vezes. também. ainda. envolvendo estudantes brasileiros do ensino fundamental. problemas na escola. transexuais e bissexuais e.4%. Outras pesquisas recentemente realizadas também revelam dados signifi¬cativos em relação à discriminação sofrida por homossexuais em diferentes contextos sociais. no trabalho ou no bairro. Realização Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual. Em muitos casos. nesses casos. agentes de segurança da justiça e de outros órgãos do Estado. . ano 20. já que se concentra no âmbito familiar. não se pode deixar de registrar alguns dados de recente pesquisa feita pela UNESCO7. sendo que aproximadamente um quarto dos alunos entrevistados declara essa mes¬ma percepção. Centro de Estudos de Segurança e Cidadania/UCAM e Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos/IMS/UERJ. Essa pesquisa. para o fato de as mulheres homossexuais serem mais vitimadas na esfera doméstica (22. Sílvia Ramos e Marcio Caetano (2002). confirmando a percepção de organizações lésbicas sobre o fato de as mulheres homossexuais serem duplamente alvo de atitudes de violência e discrimina¬ção: por serem mulheres e por serem lésbicas e que. revelou que mais de um terço de pais de alunos não gostaria que homossexuais fossem colegas de escola de seus filhos (taxa que sobe para 46.4%).5 Ver Disque Defesa Homossexual: Narrativas da violência na primeira pessoa. amigos e familiares. chacotas. que acabam por determinar um alto grau de impunidade. Coordenação: Sérgio Carrara. Silvia Ramos (2001) Comunicações do ISER. mas. colaboram ativamente na reprodução de tal violência. se mostram despreparados para lidar com a violência letal que atinge os homossexuais. Esse cenário tem sido também enfatizado por pesquisas cujos resultados apontam para a persistência nesse campo de concepções preconceituosas e equivocadas. a violência é ainda mais grave. Observam-se. a exemplo de grande parte de nossa sociedade. também. e reve¬lando que os professores não apenas tendem a se silenciar frente à homofo¬bia. Os resultados desse survey apontam. Direitos.

Vianna (2001). a mobilização social em torno da temática de orientação sexual e definir termos de referência para a implantação e funcionamento desses Conselhos. criando novos grupos de trabalhos para a elaboração de planos pilotos que repliquem metas e objetivos do Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de Promoção da Cidadania Homossexual Brasil Sem Homofobia. traduzido em um conjunto de ações governamentais a se¬rem executadas parcial ou integralmente pelo Governo Federal. em estados e municípios. o relatório de pesquisa (mimeo). 5 Apoiar a manutenção de Centros de Referência em Direitos Humanos que contemplem o combate à discriminação e à violência contra o segmento . levando-se em conta a situação de violação de direitos humanos. Mary Garcia Castro e Lorena Bernardete da Silva (2004). 4 Apoiar e fortalecer a participação do segmento GLTB no Conselho Na¬cional de Combate a Discriminação. Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos/MS/ UERJ.Articulação da Política de Promoção dos Direitos de Homossexuais 1 Criar o Programa Brasileiro de Combate à Discriminação e à Violência contra GLBT.B.o preconceito segue “vitimando” de diferentes formas.Brasil Sem Homofobia 19 Programa de Ações I . aqueles que se encontram nas prisões. Sergio Carrara e Adriana R. Brasília: UNESCO Brasil 8 Ver Homossexualidade Violência e Justiça: A violência letal contra homossexuais no município do Rio de Janeiro. 7 Ver Juventudes e Sexualidade. desenvolvendo também estraté¬gias específicas que viabilizem a criação e fortalecimento dos Conselhos Estaduais e Municipais de Direitos Humanos e dos Fóruns GLBT. 3 Criar e/ou fortalecer Conselhos de Direitos Humanos. 2 Apoiar e estimular a participação do segmento GLTB em mecanismos de controle social já existentes no Governo. Miriam Abramovay.

II – Legislação e Justiça . em parceria com outras áreas governamentais. campanhas institucionais para a divulgação do Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de Promoção da Cidadania Homossexual. com vistas na: a)criação de uma rede nacional de apoio social e jurídico a GLTB vítimas de violência. ao fomento e à avaliação das políticas públicas definidas neste Programa. a serem posterior¬mente estabelecidos. 8 Propor alteração da natureza do Conselho Nacional de Combate a Discri¬minação. com o objetivo de garantir que essa instância passe também a ser consultiva e deliberativa no que diz respeito ao estabelecimento de linhas de apoio para projetos dos Movimentos GLTB que sejam direcionados à articulação. insti¬tutos de pesquisas e Universidades visando a estabelecer estratégias espe¬cíficas e instrumentos técnicos que possam mapear a condição socioeco¬nômica da população homossexual e monitorar indicadores de resultados sobre o combate à discriminação por orientação sexual. sobretudo. voltadas para a produção de conhecimento.GLTB. Brasil Sem Homofobia. capazes de instigar a mobilização de ações integradas de institui¬ções governamentais e não-governamentais. 6 Articular e desenvolver. sensibilizar a sociedade brasileira para uma cultura de paz e de nãovio¬lência e da não-discriminação contra homossexuais.Brasil Sem Homofobia 20 7 Apoiar a elaboração de instrumentos técnicos para acolher. para a proposição de políticas públicas para desenvolver ações articuladas no âmbito da promoção e da defesa dos direitos huma¬nos. transgêneros e bissexuais por meio do estabelecimento de parcerias com a sociedade civil organizada. visando a ampliar o repasse de informações sobre o tema e. c) criação de um Sistema Nacional de Informação em Direitos Humanos de GLTB. ações de publicidade de utilidade pública. tendo início principalmente em estados com maior incidência de violência e discriminação contra homossexuais. apoiar e res¬ponder demandas de gays. lésbicas. b) capacita¬ção do quadro técnico dos serviços Disque Direitos Humanos (DDH). 9 Promover a articulação e a parceria entre órgãos governamentais.

Assim. dos órgãos públicos e de toda a sociedade. ainda. da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e demais órgãos pertinentes. decisões judiciais e instruções normativas já em vigor no Estado Brasileiro. 15 Apoiar as iniciativas voltadas para a criação de mecanismos normativos que garantam o reconhecimento da cidadania e de permanência no Brasil de estrangeiros companheiros de homossexuais brasileiros e. em parceria com organizações de defesa dos direitos dos homossexuais. assessorias legislativas e gestores de políticas públicas sobre os direitos dos homossexuais. com a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público da União e com o Ministério Público do Trabalho compêndios sobre Legislação. . de acordo com o Relatório do Comitê Nacional para a Pre¬paração da Participação Brasileira na III Conferência Mundial das Nações Unidas Contra o Racismo e a Intolerância Correlata e com as resoluções do Conselho Nacional de Combate à Discriminação. voltadas ao segmento GLTB. o governo brasileiro. Para isso.10 Apoiar e articular as proposições no Parlamento Brasileiro que proíbam a discriminação decorrente de orientação sexual e promovam os direitos de homossexuais. por parte dos governos. 12 Estabelecer e implantar estratégias de sensibilização dos operadores de Direito. em consulta permanente com a sociedade civil. por meio do Itamaraty. de que a discriminação em razão da orientação sexual caracteriza violação dos direitos fundamentais e de liberdade assegurados pela Constituição Federal. 11 Editar e publicar. deverá mobilizar esforços. a res¬peito aos direitos e às obrigações decorrentes da celebração de uniões em países que já possuem legislação que assegura a união civil entre pessoas do mesmo sexo.Brasil Sem Homofobia 21 III – Cooperação Internacional 13 Apoiar o reconhecimento. 14 Promover articulações e debates com vistas na criação de instrumentos de proteção de direitos sexuais e reprodutivos no âmbito das instituições do Mercosul e da OEA. realizará os esforços necessários para que o tema figure com destaque na agenda dos mecanismos dos sistemas de proteção de direitos humanos das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos. bem como pelos tratados e convenções inter¬nacionais de direitos humanos. a fim de reunir apoio em outros países nas Américas para iniciativas nesse campo.

16 Apoiar a criação da Convenção Interamericana de Direitos Sexuais e Re¬produtivos, em consulta permanente com a sociedade civil.

17 Apoiar a cooperação técnica horizontal com países que desenvolvem polí¬ticas de promoção dos direitos humanos e de combate à violência e a dis¬criminação contra gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais é parte da atu¬ação do governo brasileiro para a elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas definidas neste Programa, sendo necessária a criação de instrumentos técnicos para cooperação com países com os quais o Bra¬sil mantenha relação diplomática e que tenham políticas consideradas de relevância no tema.

IV – Direito à Segurança: combate à violência e à impunidade

18 Apoiar a criação de instrumentos técnicos para elaboração de diretrizes, de recomendações e de linhas de apoio por meio do Plano Nacional de Se¬gurança e de outros programas para as Secretarias Estaduais de Segurança Pública e os órgãos municipais que atuam na área de Segurança Urbana, Brasil Sem Homofobia 22

visando ao estabelecimento de ações de prevenção à violência e combate à impunidade contra gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais.

19 Estimular o desenvolvimento e o apoio na implementação de políticas públicas de capacitação e de qualificação de policiais para o acolhimento, o atendimento e a investigação em caráter não-discriminatório; a inclusão nas matrizes curriculares das Polícias e das Guardas Municipais do recorte de orientação sexual e do combate à homofobia nos eixos temáticos de di¬reitos humanos; e a sistematização de casos de crimes de homofobia para possibilitar uma literatura criminal sobre o tema.

20 Apoiar a criação de Centros de Referência contra a discriminação, na es¬trutura das Secretarias de Segurança Pública, objetivando o acolhimento, orientação, apoio, encaminhamento e apuração de denúncias e de crimes contra homossexuais.

21 Criar instrumentos técnicos para diagnosticar e avaliar a situação de vio¬lação aos direitos humanos de homossexuais e de testemunhas de

crimes relacionados à orientação sexual para levantar os tipos de violação, a tipi¬ficação e o contexto dos crimes, o perfil de autores e o nível de vitimização, de modo a assegurar o encaminhamento das vítimas GLBT, em serviços de assistência e proteção.

22 Propor a criação de uma câmara técnica para diagnosticar, elaborar e ava¬liar a promoção das políticas de segurança na área em questão.

V – Direito à Educação: promovendo valores de respeito à paz e à nãodiscriminação por orientação sexual

23 Elaborar diretrizes que orientem os Sistemas de Ensino na implementação de ações que comprovem o respeito ao cidadão e à nãodiscriminação por orientação sexual.

Fomentar e apoiar curso de formação inicial e continuada de professo¬res na área da sexualidade;

Formar equipes multidisciplinares para avaliação dos livros didáticos, de modo a eliminar aspectos discriminatórios por orientação sexual e a superação da homofobia;

Estimular a produção de materiais educativos (filmes, vídeos e publica¬ções) sobre orientação sexual e superação da homofobia;

Apoiar e divulgar a produção de materiais específicos para a formação de professores;

Divulgar as informações científicas sobre sexualidade humana;Brasil Sem Homofobia 23

Estimular a pesquisa e a difusão de conhecimentos que contribuam para o combate à violência e à discriminação de GLTB.

Criar o Subcomitê sobre Educação em Direitos Humanos no Ministério da Educação, com a participação do movimento de homossexuais, para acompanhar e avaliar as diretrizes traçadas.

VI – Direito à Saúde: consolidando um atendimento e tratamentos igualitários.

24 Formalizar o Comitê Técnico “Saúde da População de Gays, Lésbicas, Transgêneros e Bissexuais”, do Ministério da Saúde, que tem como objeti¬vo a estruturação de uma Política Nacional de Saúde para essa população. A agenda de trabalho desse Comitê considerará, entre outras, as propos¬tas apresentadas pelo movimento homossexual, em que se destacam: i) atenção especial à saúde da mulher lésbica em todas as fases da vida; ii) atenção a homossexuais vítimas de violência, incluindo a violência sexual; iii) atenção a saúde dos homossexuais privados de liberdade; iv) promoção da saúde por meio de ações educativas voltadas a população GLTB, v) esta¬belecimento de parceria e participação de usuários GLTB e do movimento organizado na definição de políticas de saúde específicas para essa popula¬ção; vi) discussão com vista na atualização dos protocolos relacionados às cirurgias de adequação sexual; vii) atenção à saúde mental da população.

25 Apoiar a implementação de condições para produção e acesso ao conheci¬mento científico sobre saúde e sobre outros aspectos da população GLTB por meio de:

Desenvolvimento de estratégias para a elaboração e execução de estudos que permitam obter indicadores das condições sociais e de saúde da popu¬lação GLTB;

Implementação de Centros de Informação (observatórios) que possam gerenciar estudos de saúde sobre e para a população GLTB com capacida¬de de processamento, análise e divulgação de informações desta natureza;

Estabelecimento de canais de divulgação das informações científicas de saúde existentes e produzidas;

Estabelecimento de um canal com função de Ouvidoria, por meio do DisqueSaúde do MS, para recebimento e encaminhamento de denúncias sobre situações de discriminação ocorridas na rede de saúde.

Raça. sensibilização e pro¬moção de mudanças de atitudes de profissionais de saúde no atendimento Brasil Sem Homofobia 24 à população GLTB. procurando garantir acesso igualitário pelo respeito à diferença da orientação sexual e do entendimento e acolhimento das espe¬cificidades de saúde desta população VII – Direito ao Trabalho: garantindo uma política de acesso e de promoção da não-discriminação por orientação sexual 27 Articular. lésbicas e travestis no ambiente de trabalho. lésbicas e travestis. programa de sensibilização de gestores públicos sobre a importância da qualificação profissional de gays. trabalho e renda. VIII – Direito à Cultura: construindo uma política de cultura de paz e valores de promoção da diversidade humana 31 Apoiar a criação de um Grupo de Trabalho para elaborar um plano para o fomento. incluin¬do nos programas de políticas afirmativas existentes.26 Apoiar os investimentos na formação. em parceria com o Ministério do Trabalho. 28 Apoiar e fortalecer a rede de Núcleos de Combate à Discriminação no Ambiente de Trabalho das Delegacias Regionais do Ministério do Traba¬lho e Emprego. . bem como de políticas de acesso ao emprego. 29 Ampliar a articulação com o Ministério do Trabalho. nos diversos segmentos do mundo do trabalho. o combate à discriminação de gays. contribuindo para a erradicação da discriminação. Pobreza e Emprego) e da fiscalização do trabalho. a implemen¬tação de políticas de combate à discriminação a gays. 30 Desenvolver. na implementação de políticas de combate à discriminação no ambiente de trabalho. lésbicas e travestis. incentivo e apoio às produções artísticas e culturais que promo¬vam a cultura e a não-discriminação por orientação sexual. como GRPE (Gêne¬ro. em parceria com o Ministério Público do Trabalho. capacitação.

38 Apoiar a implementação de projetos de prevenção da discriminação e a homofobia nas escolas. 34 Criar ações para diagnosticar. em parceria com agências internacionais de cooperação e com a sociedade civil organizada. em parceria com agências internacionais de cooperação e a sociedade civil organizada. em parceria com agências internacionais de coo¬peração e com a sociedade civil organizada 39 Capacitar profissionais de casas de apoio e de abrigos para jovens em as¬suntos ligados a orientação sexual e ao combate à discriminação e à vio¬lência contra homossexuais. IX – Política para a Juventude 37 Apoiar a realização de estudos e pesquisas na área dos direitos e da situ¬ação socioeconômica dos adolescentes GLTB. 35 Implementar ações de capacitação de atores da política cultural para valo¬Brasil Sem Homofobia 25 rização da temática do combate à homofobia e da afirmação da orientação sexual GLBT. sociais e econômicos decorrentes da participação da popu¬lação homossexual brasileira no processo de desenvolvimento. 36 Articular com os órgãos estaduais e municipais de cultura para a promo¬ção de ações voltadas ao combate da homofobia e a promoção da cidada¬nia GLBT. a partir de sua história e cultura. circulação e acesso aos bens e serviços culturais com temática ligada ao combate à homofobia e à promoção da cidadania de GLBT. 33 Estimular e apoiar a distribuição.32 Apoiar a produção de bens culturais e apoio a eventos de visibilidade mas¬siva de afirmação de orientação sexual e da cultura de paz. avaliar e promover a preservação dos valo¬res culturais. .

garan¬tindo o recorte de orientação sexual. do Mercosul. incluindo as lésbicas. garantindo o recorte da orientação sexual. 44 Implementar sistema de informações sobre a situação da mulher.X – Política para as Mulheres 40 Implementar Centros de Referência para mulheres em situação de violên¬cia. 45 Incentivar a realização de eventos de políticas para as mulheres promoven¬do intercâmbio de estudos. Convenções e Protocolos internacionais de eli¬minação da discriminação contra as mulheres.Política contra o Racismo e a Homofobia 49 Apoiar estudos e pesquisa sobre a discriminação múltipla ocasionada . em especial. 41 Avaliar regularmente a atuação das DEAM (Delegacias Especializadas da Mulher) no que diz respeito ao atendimentos das mulheres lésbicas. Brasil Sem Homofobia 26 48 Ampliar o Disque-Mulher garantindo informações e o atendimento nãodiscriminatório das mulheres lésbicas. incluindo a orientação sexual. incluindo a perspectiva da discriminação contra as mulheres lésbicas. 47 Monitorar os Acordos. 42 Capacitar profissionais de instituições públicas atuantes no combate à violência contra as mulheres. dados. 46 Garantir a construção da transversalidade de gênero nas políticas governa¬mentais. experiências e legislações sobre as mu¬lheres no âmbito da América Latina e. 43 Apoiar estudos e pesquisas sobre as relações de gênero e situação das mu¬lheres com o recorte de orientação sexual. XI .

Apesar de o Programa ter a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. 51 Monitorar os Acordos. além de serem co-autores na implantação de suas ações. estaduais e municipais. a promoção de um contexto de aceitação e respeito à diversidade. a responsabi¬lidade pelo combate à homofobia e pela promoção da cidadania de gays.Brasil Sem Homofobia 27 Implantação do Programa O Programa Brasil sem Homofobia é bastante abrangente e define como atores para a sua implantação o setor público. federais. o setor privado e a sociedade brasileira como um todo Instâncias essas que podem somar esforços na luta contra a discriminação por orientação sexual. assumem o compro¬misso de estabelecer e manter uma política inclusiva em relação aos homosse¬xuais. assim como ao conjunto da sociedade brasileira. Desta forma. 50 Criar instrumentos técnicos para diagnosticar e avaliar as múltiplas for¬mas de discriminação combinadas com o racismo. 52 Estimular a implementação de ações no âmbito da administração pública federal e da sociedade civil de combate a homofobia que inclua o recorte de raça. homofobia e preconceito de gênero. lés¬bicas e transgêneros se estende a todos os órgãos públicos. Neste Programa. reuniões . Convenções e Protocolos internacionais de elimi¬nação da discriminação racial. 53 Apoiar elaboração de uma agenda comum entre movimento negro e movimento de homossexuais e a realização de seminários. portanto. estão envolvidos Ministérios e Secretarias do Governo Federal que. garantindo o recorte da orientação sexual. etnia e gênero. assim.pelo racismo. de combate à homofobia e . garantindo. homofobia e precon¬ceito de gênero. ofici¬nas de trabalho sobre a temática do racismo e da homofobia. como órgão responsável pela sua articulação. o Programa Brasil sem Homofobia apresenta um conjunto de ações destinadas à promoção do respeito à diversidade sexual e ao combate as varias formas de violação dos direitos humanos de GLTB. implantação e avaliação.

sendo que. as ações previstas no Programa serão sistematicamente monitoradas e avaliadas. lésbicas. Estão previstas avaliações anuais do Programa Brasil Sem Homofobia. terá lugar o processo de avaliação que envolverá organizações de defesa dos direitos de homossexuais e de defesa dos direitos humanos que. por meio de parcerias com suas lideranças. movimentos sociais e organizações da so¬ciedade civil. assim. viabilizando. da mesma forma. transgêneros e bissexuais.de mudança de comportamento da sociedade brasileira em relação aos gays. juntamente com o Governo Federal. na sua implantação. ao final do segundo ano. vítimas da homofobia em todos os Brasil Sem Homofobia 28 seus ambientes. O Conselho Nacional de Combate à Discriminação terá papel de suma importância nesse processo. A elaboração do Programa Brasil sem Homofobia contou com a parti¬cipação direta de representantes do segmento GLBT e. as ferramentas para o exercício do controle social no que se refere ao acompanhamento e avaliação das diferentes ações que integram o presente Programa. Monitoramento e Avaliação Um dos principais ganhos paralelos do Programa Brasil sem Homofobia é a definição de indicadores que possibilitem avaliar sistemática e oficialmente a situação dos homossexuais brasileiros.Brasil Sem Homofobia 29 Dúvidas mais freqüentes Qual a diferença entre sexo e sexualidade? . onde se inclui o combate à discriminação com base na orientação sexual. a representação de tais segmentos. garante-se. definirá as bases para a sua continuidade. Com base de tais indicadores cuja definição será feita a pos¬teriori. uma vez que representa o coletivo da sociedade brasileira e é o responsável pelo controle das ações que visem à promoção da igualdade e o fim da discriminação em todas as suas vertentes.

O que é identidade sexual? É o conjunto de características sexuais que diferenciam cada pessoa das demais e que se expressam pelas preferências sexuais. ou não. os psicólogos não consideram que a orientação sexual seja uma opção consciente que possa ser modificada por um ato da vontade.Brasil Sem Homofobia 30 Classificação de Homossexualidade. a Classificação Internacional de Doenças (CID) não inclui a homossexualidade como doença desde 1993. sensações e interpretações. Embora tenhamos a possibilidade de esco¬lher se vamos demonstrar. e o outro se refere à parte física da relação sexual. desejos. Por esse motivo. sentimentos ou atitudes em relação ao sexo.Atualmente a palavra “sexo” é usada em dois sentidos diferentes: um re¬fere-se ao gênero e define como a pessoa é. O que é orientação sexual? Orientação sexual é a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. A orientação sexual existe num continuum que varia desde a ho¬mossexualidade exclusiva até a heterossexualidade exclusiva. a homossexualidade também não tem. Nem sempre está de acordo com o sexo biológico ou com a genitália da pessoa. segundo padrão de conduta e/ou identidade sexual HSH: sigla da expressão “Homens que fazem Sexo com Homens” utilizada . Da mesma forma que a heterossexualidade (atração por uma pessoa do sexo oposto) não tem explicação. Sexualidade transcende os limites do ato sexual e inclui sentimentos. O que é homossexualidade? A homossexualidade é a atração afetiva e sexual por uma pessoa do mes¬mo sexo. passando pelas diversas formas de bissexualidade. Depende da orientação sexual de cada pessoa. A identidade sexual é o sentimento de masculinidade ou feminilidade que acompanha a pessoa ao longo da vida. ao ser considerada como sendo do sexo masculino ou feminino. os nossos sentimentos. fantasias.

embora dotado de genitália externa e interna de um único sexo. o indiví¬duo identifica-se com o sexo oposto. Lésbicas e Travestis . Alguns assumem as facetas de sua sexualidade aberta¬mente. além de se relacionarem afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo. Transgêneros e Bissexuais ABGLT .9 . enquanto outros vivem sua conduta sexual de forma fechada. Lésbicas.Brasil Sem Homofobia 31 Glossário: GLTB . mas se relaciona com o mundo como mulher. Lésbicas: terminologia utilizada para designar a homossexualidade femini¬na.Gays. Transexuais: são pessoas que não aceitam o sexo que ostentam anatomica¬mente. para referirem-se a homens que mantêm relações sexuais com outros homens. Bissexuais: são indivíduos que se relacionam sexual e/ou afetivamente com qualquer dos sexos. na área da epidemiologia. independente destes terem identidade sexual homossexual.principalmente por profissionais da saúde. Gays: são indivíduos que. vivendo abertamente sua sexualidade.Associação Brasileira de Gays. têm um estilo de vida de acordo com essa sua prefe¬rência. PNDST/AIDS. Transgêneros: terminologia utilizada que engloba tanto as travestis quanto as transexuais. 9 Ver Guia de Prevenção das DST/Aids e Cidadania para Homossexuais. É um homem no sentido fisiológico. Sendo o fato psicológico predominante na transexualidade. Homossexuais: são aqueles indivíduos que têm orientação sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo.

Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ARV .Ministério da Cultura MEC .Gays.Ministério do Trabalho e Emprego MRE .Conselho Nacional de Combate a Discriminaçãos GBLTT .Homens que fazem sexo com homens (categoria epidemiológica) MJ .Aids . lésbicas.Movimento Homossexual Brasileiro MS . transgêneros e transexuais HIV .Vírus de Imunodeficiência Humana HSH .Anti-retrovirais ASICAL .Ministério das Relações Exteriores MHB .Ministério da Saúde .Doenças Sexualmente Transmissíveis DST .Ministério da Educação MTE .Associação para a Saúde Integral e Cidadania na América Latina DST . bissexuais.Ministério da Justiça MinC .Doenças Sexualmente Transmissíveis CNDC .

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da Republica SEPPIR/PR .Organização Não-Governamental OPAS .Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde do Brasil SEDH/PR .Programa Conjunto das Nações Unidades sobre HIV/Aids UNESCO .OEA .Organização dos Estados Americanos OMS .Organização Pan-americana da Saúde PN-DST/Aids . a Ciência e a Cultura USAID .Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da Republica UDI .Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional .Organização Mundial da Saúde ONG .Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República SPM/PR .Organização das Nações Unidas para a Educação.Usuários de Drogas Injetáveis UNAIDS .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful