Fertilidade do solo

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Índice
1 - Nutrientes De Plantas E Conceitos Básicos Em Fertilidade Do Solo ............................. 4 1.1. Caracterização de nutrientes de plantas ................................................................... 4 1.2. Fertilidade do solo - conceito e importância .............................................................. 5 1.3. Disponibilidade de nutrientes .................................................................................... 6 1.4. Lei do mínimo ............................................................................................................ 9 1.5. Fertilidade do solo e produtividade.......................................................................... 10 2 - INTERAÇÃO NUTRIENTE - SOLO .............................................................................. 12 2.1. O ar do solo ............................................................................................................. 12 2.2. A solução do solo .................................................................................................... 14 2.3. Os componentes sólidos do solo............................................................................. 15 2.4. Desenvolvimento de cargas elétricas em solos....................................................... 16 2.5. Retenção e troca de íons no solo ............................................................................ 20 2.6. Conceitos básicos sobre CTC ................................................................................. 22 2.7. Os organismos do solo ............................................................................................ 25 3 - TRANSPORTE DE NUTRIENTES PARA AS RAÍZES ................................................. 27 3.1. fluxo de massa ........................................................................................................ 27 3.2. Difusão .................................................................................................................... 29 4 - ACIDEZ DO SOLO ....................................................................................................... 34 4.1. Origem da acidez dos solos .................................................................................... 34 4.2. Componentes da acidez dos solos.......................................................................... 37 4.3. Poder tampão dos solos .......................................................................................... 39 4.4. Causas do pouco crescimento das plantas em solos ácidos e alcalinos ................ 40 5 - NITROGÊNIO NO SOLO.............................................................................................. 47 5.1. Ciclo e formas do nitrogênio no solo ....................................................................... 47 5.2. Fatores que afetam o teor de nitrogênio no solo ..................................................... 50 5.3. Transformações do nitrogênio no solo .................................................................... 51 5.3.1. Mineralização.................................................................................................... 51 5.3.2. Imobilização ...................................................................................................... 52 5.3.3. Nitrificação ........................................................................................................ 55 5.3.4. Denitrificação .................................................................................................... 58 5.4. Princípios da avaliação da disponibilidade de nitrogênio no solo ............................ 60 6 - FÓSFORO NO SOLO................................................................................................... 63 6.1. Formas e dinâmica do fósforo no solo .................................................................... 63 6.1.1. Fósforo na Solução ........................................................................................... 64 6.1.2. Fósforo Precipitado ........................................................................................... 66 6.1.3. Fósforo Adsorvido ............................................................................................. 68 6.1.4. Fósforo Mineralogicamente Estável .................................................................. 69 6.1.5. Fósforo Orgânico .............................................................................................. 71 6.2. Princípios da avaliação da disponibilidade de fósforo no solo ................................ 72 7 - ENXOFRE NO SOLO ................................................................................................... 76 7.1. Formas e dinâmica do enxofre no solo ................................................................... 76 7.1.1. Enxofre na Solução .......................................................................................... 77 7.1.2. Enxofre Adsorvido ............................................................................................ 78 7.1.3. Enxofre Orgânico .............................................................................................. 79 7.2. Princípios da avaliação da disponibilidade de enxofre no solo ............................... 80 8 - POTÁSSIO NO SOLO .................................................................................................. 82 8.1. Formas e dinâmica do potássio no solo .................................................................. 82 8. 1. 1. Potássio na Solução ....................................................................................... 83

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8.1.2. Potássio Trocável ............................................................................................. 84 8.1.3. Potássio Não Trocável ...................................................................................... 86 8.1.4. Potássio Mineral ............................................................................................... 86 8.1.5. Potássio Lixiviado ............................................................................................. 87 8.2. Princípios da avaliação da disponibilidade de potássio no solo .............................. 89 Í9 - CÁLCIO NO SOLO ...................................................................................................... 91 9.1. Formas e dinâmica do cálcio no solo ...................................................................... 91 9.1. 1. Cálcio na Solução ............................................................................................ 92 9.1.2. Cálcio Trocável ................................................................................................. 93 9.1.3. Cálcio Mineral ................................................................................................... 93 9.1.4. Cálcio Lixiviado ................................................................................................. 94 9.2. Princípios da avaliação da disponibilidade de cálcio no solo .................................. 96 10 - MAGNÉSIO NO SOLO .............................................................................................. 97 10.1. Formas e dinâmica do magnésio no solo .............................................................. 97 10.1.1 . Magnésio na Solução .................................................................................... 97 10.1.2.Magnésio Trocável .......................................................................................... 98 10.1.3.Magnésio Mineral ............................................................................................ 99 10.1.4.Magnésio Lixiviado .......................................................................................... 99 10.2. Princípios da avaliação da disponibilidade de magnésio no solo .......................... 99 LITERATURA CITADA .................................................................................................... 101

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oxigênio. O principal fator que controla o teor de nutrientes nas plantas é o potencial de absorção. Relacionada a essencialidade dos elementos. notadamente das plantas. Ferro. procura. zinco e manganês. mas não às plantas. Magnésio. A lista apresentada pode não ser definitiva. os seguintes elementos são considerados nutrientes de plantas: Carbono. Hidrogênio. Com base nisto. 4 . Os nutrientes supridos pelo solo não são exigidos em iguais quantidades pelas plantas. Assim. Potássio. 1. S e Mg ou cerca de mil vezes maior que o de ferro. Portanto. diz respeito à capacidade de conversão de elementos químicos absorvidos do meio ambiente em componentes celulares. Variações dessa natureza ocorrem em todas as espécies vegetais. por exemplo. o cobalto é essencial às bactérias fixadoras de nitrogênio. por exemplo.1 . entre espécies. em resumo. Zinco. ao fato do elemento ser constituinte de um metabólito essencial ou ser requerido para ação de um processo metabólico. Cálcio. Assim. De qualquer forma. Cobre. o que também é geneticamente determinado. os demais elementos essenciais ao crescimento das plantas têm o solo como fonte primária. visando a produção de soja sob fixação de nitrogênio. não se deve confundir a essencialidade de certos elementos para microrganismos vivendo em associação com as plantas como sendo essenciais as mesmas. oxigênio e hidrogênio que são supridos às plantas através de água e do ar. sem qualquer um deles as plantas não conseguem completar o seu cicio de vida. por exemplo. Molibdênio. A Fertilidade do Solo. estudar os aspectos relacionados com a dinâmica. nitrogênio. fósforo e enxofre são os elementos formadores de proteínas-constituintes protoplasmático de vital importância para o crescimento e desenvolvimento das plantas. suprimento e disponibilidade dos nutrientes de plantas. Todavia. 1954). são considerados nutrientes de plantas. Vários elementos químicos são essenciais à produção vegetal.NUTRIENTES DE PLANTAS E CONCEITOS BÁSICOS EM FERTILIDADE DO SOLO Uma destacável característica dos seres vivos. Exceto o carbono. Caracterização de nutrientes de plantas A essencialidade de certos elementos químicos às plantas está relacionada. Oxigênio Nitrogênio.1. em sua parte básica. elementos exigidos em quantidades negligíveis podem ainda se mostrarem essenciais. importante disciplina no contexto da agropecuária brasileira. para ação de uma enzima (Arnon & Stont.. Enxofre. que é geneticamente fixado. hidrogênio. pois. Fósforo. O cloro foi o último elemento essencial a ser descoberto (Broyer et al. o agricultor terá de preocupar-se com a disponibilidade de cobalto no solo. o teor foliar de N e K é cerca de dez vezes maior que o de P. carbono. pode haver diferenças quanto ao teor de um dado nutriente. Boro e Cloro. Por exemplo. pois. Manganês. 1939).

solos aparentemente improdutivos podem tornar-se destacados produtores de alimentos.ainda é grandemente desprezada. Mg e S. .N. procura-se aprofundar os conhecimentos para melhor entender as transformações. através dos conhecimentos gerados pela pesquisa em fertilidade do solo.Uma divisão.conceito e importância A fertilidade do solo como disciplina. manejo mais eficiente do solo. Mo. Zn. Cu. 5 . o agricultor tem de estar muito atento para a capacidade do solo em suprir os nutrientes de plantas. Além da destacada importância da aplicação dos conhecimentos em fertilidade do solo para a produção vegetal em áreas antes improdutivas. fazer a correta adoção de práticas corretivas e de adubação. É lamentável que diversos conhecimentos básicos sobre a fertilidade do solo ainda não são devidamente adotados por muitos agricultores brasileiros. até mesmo por técnicos. em sua definição mais simples. Numa agricultura cada vez mais científica. Presume-se que cerca de 70% dos solos cultivados no Brasil apresentam uma ou mais limitação séria da fertilidade (Lopes. a mobilidade e a disponibilidade de cada um às plantas. de certa forma arbitrária. P. A título de exemplo. Este é o escopo da parte aplicada da disciplina Fertilidade do Solo. Mn. quanto a exigência. K. uso de variedades mais produtivas. Sanchez & Salinas. 1981). o agricultor precisa conscientizar-se que o correto manejo da fertilidade do solo é responsável por cerca de 50% dos ganhos de produtividade das culturas. Os nutrientes de plantas são indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento das plantas. fazer o correto manejo da Fertilidade do Solo.2. ou seja.pelo menos enquanto sua capacidade de suprir nutrientes de plantas persistir. B e CI.tendem a aumentar ainda mais a importância do manejo da fertilidade do solo na produção vegetal. cita-se o fato de que a análise química do solo . às vezes. Não se pode ignorar a existência de solos férteis. pode-se. a maioria dos agricultores estão em luta constante para suplantar deficiências de nutrientes na busca por maiores produtividades. que permitem a obtenção de elevadas produtividades.Fe. classifica os nutrientes que ocorrem em teores mais elevados nas plantas como Macronutrientes . os menos exigidos são denominados Micronutrientes . deve-se ressaltar que os avanços em geral na agricultura . Todavia. Mas. sem uso de corretivos ou de fertilizantes . Fertilidade do solo . Fazendo-se uso de conhecimentos básicos adquiridos e da correta avaliação da capacidade do solo em suprir nutrientes às plantas. Mais do que nunca. para a fertilidade do solo a ser cultivado. Em tal estudo. ou seja. Por sua vez.o mais usado método de avaliação da fertilidade do solo nos países desenvolvidos . 1. Ca.irrigação. 1975. para cada nutriente. quando necessário. pode ser considerada como o ramo da ciência do solo que estuda a capacidade dos solos em suprir nutrientes de plantas. etc.

Aí estão as preocupações com a contaminação de águas subterrâneas. nutriente em solução é normalmente muito pequena. tanto de natureza mineral quanto orgânica.capaz de ressuprir prontamente a solução do solo à medida que o nutriente da fase líquida vai sendo absorvido. além do baixo retorno econômico. será enfatizado o seu poder tampão. Para cada nutriente. Mas. fornecê-lo às raízes. com a contaminação dos próprios alimentos produzidos. O nutriente X para ser absorvido pela raiz necessita ser transportado até a superfície radicular. com a eutroficação de lagos e rios e. A umidade do solo é de relevada importância para a disponibilidade dás nutrientes. em função do fator transporte. O número 2 na Figura 1.3. a quantidade do nutriente em solução representa o fator intensidade. apesar de apenas absorverem os nutrientes da solução. de forma que as plantas. Com isso. O nutriente existente na fase sólida em forma disponível representa o fator quantidade. mas. compactação e teor de água. Quando definiu-se fertilidade do solo como sendo a disciplina que estuda a capacidade dos solos em suprir nutrientes de plantas.representado na Figura pelo número 1 . que precisa ser melhor entendido. o fator capacidade ou poder tampão do nutriente X é dado pela relação quantidade/intensidade.capaz de chegar até a superfície da raiz mais a quantidade que se encontra na fase sólida . portanto. pode resultar em sérios problemas ao meio ambiente. pode-se considerar como disponível o somatório da quantidade de nutriente na solução do solo . as condições de precipitação necessitam ser consideradas para melhor interpretar o conceito de disponibilidade. Em outras palavras.1. estava implícito o fato de que "suprir” implica em o solo ter o nutriente e. o nutriente em forma capaz de ser suprido é considerado disponível às plantas. Entretanto.a afetar a disponibilidade do nutriente X é o seu poder tampão ou fator capacidade. o termo nutriente disponível é muito usado em fertilidade do solo. é preciso destacar que o uso inadequado de fertilizantes. Devida a importância do fator transporte na disponibilidade dos nutrientes. 1. este assunto será tratado com detalhes no capítulo 3. Disponibilidade de nutrientes De forma simplificada.de um nutriente X.1. Como será detalhado adiante. de forma a considerar os fatores que afetam a disponibilidade de um dado nutriente em toda a plenitude da relação solo-plantamicrorganismos. procura mostrar esquematicamente os fatores que afetam a disponibilidade. representa o fator transporte. depende de aspectos físicos do solo tais como textura. Através da aplicação dos conhecimentos da fertilidade do solo pode-se conciliar a economicidade da atividade agrícola com a preservação do meio ambiente. no que concerne ao uso de corretivos e fertilizantes.Finalmente.. ficam quase totalmente na dependência da fração do nutriente retido na fase sólida capaz de ressuprir a solução do solo. este conceito precisa ser aprofundado. Assim sendo. A Figura 1. o teor disponível de um dado nutriente. a concentração de qualquer. 6 . Assim. O primeiro fator . ao mesmo tempo. de grande importância na disponibilidade dos nutrientes. em capítulos específicos desta monografia. até mesmo.

sua disponibilidade.a afetar a disponibilidade do nutriente X é o fator interação.1. através da interação à nível de solução de solo. No caso de Y representar um radical orgânico e X um dos micronutrientes catiônicos. a interação entre Y e X promove aumento na disponibilidade de X. pelo número 3 .1. consequentemente.alumínio com fósforo. o amônio é um potente inibidor da absorção de potássio (Vale. Figura 1. Representação esquemática dos vários fatores que afetam a disponibilidade de nutrientes (veja texto). Em termos práticos. São vários os casos de competição durante o processo de absorção. em solos mais arenosos a presença de resíduos orgânicos. conforme será discutido no capítulo 10. Neste caso.pode afetar seriamente a disponibilidade do nutriente X. tratados em profundidade na nutrição mineral de plantas. 1988). a presença de outro nutriente ou de certos elementos químicos . consequentemente. o nutriente ou elemento Y competindo com o nutriente X pelos sítios de absorção na raiz.reduzem a concentração de X na solução e.representado na Figura 1. Em segundo lugar. Por exemplo. o seu transporte até a superfície radicular. por exemplo . solução e. neste caso. a interação pode ocorrer a nível da superfície radicular. reações de precipitação . mesmo em pequenas 7 .O terceiro fator . a complexação ou quelação do micronutriente pode aumentar a sua concentração em. Portanto. ou seja. Mais especificamente. em primeiro lugar.representados por Y . A disponibilidade pode ser reduzida.

ou seja. finalmente. As plantas. Todavia. podem também alterar a disponibilidade dos nutrientes através da absorção propriamente dita . ao cultivar esse solo. dentro de certos limites tende a criar um ambiente próprio de 1 a 4 mm ao seu redor . na massa de solo. que é a parte analisada quimicamente no laboratório uma condição de pH elevado implica em baixíssima disponibilidade de ferro. É muito comum observar diferenças de pH de uma a duas unidades entre a rizosfera e a massa de solo adjacente. com condições. 1986). as alterações de acidez e de potencial de oxi-redução promovidas pelas plantas na rizosfera ou a exsudação dos mais variados compostos orgânicos podem resultar em sensíveis alterações na disponibilidade dos nutrientes. Portanto. ou seja. O número 4 na Figura 1. Por exemplo. A quelação ou complexação com substâncias orgânicas de baixo peso molecular exudadas pelas raízes aumenta a concentração de micronutrientes catiônicos na solução do solo bem como o transporte dos mesmos até a superfície radicular. cada vez mais precisa-se estar atento para o papel da planta na disponibilidade dos nutrientes. Merece destaque também a associação das raízes com micorrizas. Além de se considerar a capacidade do solo em suprir. o que a planta pode fazer para alterar a disponibilidade dos nutrientes. a morfologia e o crescimento radicular exercem fundamental papel em alterar a disponibilidade deste nutriente. Cada vez mais é reconhecido o papel da planta em alterar a disponibilidade de nutrientes no solo. os ácidos orgânicos podem aumentar a disponibilidade de fósforo por promoverem uma redução na atividade de ferro e/ou de alumínio na solução do solo. Enfim. Portanto. Mn.1. de forma a aumentar a disponibilidade deste nutriente. variações entre genótipos de uma mesma espécie. bastante distintas do solo adjacente. Em suma. cada vez mais reconhece-se o papel das plantas na aquisição dos nutrientes do solo.última etapa do processo de aquisição do nutriente. para melhor entender o conceito de disponibilidade de nutrientes precisa-se considerar toda a 8 . As hifas dos fungos micorrízicos aumentam a área de absorção promovendo maior aquisição de nutrientes. Portanto. é de relevada importância para promover maior aquisição de Fe. A raiz das plantas. certas plantas podem criar um ambiente de pH rizosférico com maior acidez. Há variações entre espécies quanto a capacidade de absorção de nutrientes e. precisa-se considerada capacidade da planta em adquirir o nutriente. como por exemplo para o fósforo. notadamente de fósforo (Siqueira & Paula.rizosfera -. a alteração de apenas uma unidade no valor de pH pode alterar a disponibilidade de ferro em cerca de mil vezes. representa o fator planta. Como será detalhado adiante. as hifas minimizam o efeito do fator transporte na disponibilidade do fósforo. Neste mesmo sentido. muitas vezes. o que é mais relevante.quantidades. Zn e Cu pelas plantas. a acidez do solo exerce importante papel na disponibilidade de nutrientes. aumenta à disponibilidade destes nutrientes. Assim. Principalmente para os nutrientes de baixa mobilidade.

essa proposição simples deste químico alemão é de importância universal no manejo da fertilidade do solo. S. mostra como a aplicação de potássio. Por isso. Quadro 1. a tarefa dos extratores químicos é das mais difíceis.1. não houve resposta ao nitrogênio (Carvalho et al. Sem dúvida. em solo com baixa disponibilidade deste nutriente. 1. há necessidade de uma adequada disponibilidade de N. O equilíbrio de nutrientes é um conceito vital em fertilidade do solo. Lei do mínimo A lei do mínimo. 1991). pois. mesmo que todos os outros estejam disponíveis em quantidades adequadas.. a disponibilidade nem sempre pode ser expressa diretamente por um número. devendo-se considerar a disponibilidade de nutrientes tais como enxofre. Infelizmente. Inclusive. Zn. a "Lei do Mínimo ou Lei de Liebig" torna-se de maior importância. Mg. Efeito da adubação com nitrogênio e potássio sobre a produção de matéria seca de Brachiaria decumbens Stapf (soma de três cortes). kg/ha/ano __________________________________________________ 0 75 150 ___________________________________t/ha___________________________ 50 100 200 400 11 13 12 12 14 15 16 18 14 18 20 25 Nos sistemas de exploração agrícola objetivando elevadas produtividades. visando uma recomendação equilibrada de fertilizantes. magnésio e micronutrientes. B. diz que a produção das culturas é limitada pelo nutriente em menor disponibilidade no solo. A bem da verdade. Para maximização da produtividade vegetal.1. pensando-se na produção das culturas. Apesar de não ser considerada uma lei propriamente dita.4. Cu. foi importante para a resposta da braquiaria ao nitrogênio. Mo e Cl. P. Mn. deve-se estar atento. K. precisa-se considerar toda a plenitude da relação solo-planta-microrganismos. O exemplo do Quadro 1. formulada por Liebig em 1862. são utilizados vários métodos de análise do solo para avaliar a disponibilidade dos nutrientes.plenitude da relação solo-planta. Como se sabe. Nitrogênio aplicado Kg/ha/ano K2O aplicado. os princípios básicos da proposição secular de Liebig são muitas vezes esquecidos pelos técnicos. Fe. Quando potássio não foi aplicado. a produção será limitada pelo nutriente em menor disponibilidade. 9 . Se não. Ca.

além da calagem e da adubação. deve-se considerar outras práticas que também afetam a produção. A primeira diz respeito a interação do manejo da fertilidade com a irrigação e a segunda. dado ao aumento da demanda de nutrientes. a irrigação. Portanto. Fertilidade do solo e produtividade Quando se almeja a maximização da produção das culturas. a densidade e época de plantio e o controle de pragas e doenças. o uso de variedades mais produtivas. o controle da erosão. 10 . A aplicação de 168 kg/ha de nitrogênio. Efeito da adubação nitrogenada na produção de Colza em cultivo de sequeiro ou irrigado (Henry & Mac Donald. Mas sim.1. em agricultura altamente tecnificada. Portanto. na produção de colza. é preciso considerar o adequado preparado solo. Em segundo lugar. Dois tipos de interação envolvendo a fertilidade do solo são de destaque na agricultura moderna. 1978).2. é preciso considerar outros fatores que afetam a produtividade do solo. a interação com o potencial genético-variedades mais produtivas.2. calagem e adubação são duas práticas de crucial importância. não deve-se considerar apenas a fertilidade do solo. é mostrado na Figura 1. observa-se que a resposta a nitrogênio é muito maior sob adequada disponibilidade de água. promoveu um aumento de cerca de quatro vezes na produção.5. Figura 1. Em termos do manejo da produção vegetal. em cultivo irrigado. Em primeiro lugar. Apenas são obtidos os benefícios esperados da irrigação e do uso de variedades mais produtivas se houver disponibilidade suficiente de nutrientes. O efeito do cultivo de sequeiro ou irrigado. observa-se o grande efeito da irrigação na produção desta oleaginosa. sob doses crescentes de nitrogênio.

da mesma forma.Fazendo-se uma ampliação da Lei de Liebig. observa-se claramente o efeito limitante da baixa disponibilidade de água no solo na resposta das plantas à adubação. para todos os fatores da produção vegetal. E. 11 . é preciso haver disponibilidade suficiente de nutrientes para fazer-se o melhor uso possível da água disponível.

Por sua vez. gasosa e viva.1. o fumo é tão sensível ao decréscimo da pressão parcial de oxigênio no solo que a inundação de algumas horas causa sérios danos ou completa perda da lavoura. 12 . pois. O objetivo deste capitulo é fazer uma breve revisão das interações entre nutrientes e o sistema solo. Sabe-se que as plantas diferem quanto a sensibilidade ao suprimento de oxigênio. A composição do ar existente nos poros do solo difere da do ar atmosférico basicamente por apresentar uma maior concentração de CO2. No que tange ao suprimento de nutrientes às plantas. o que será feito para cada um deles em capítulos seguintes. Através da respiração gera-se energia para vários processos metabólicos. Para a grande maioria das espécies vegetais. devido a sua capacidade de oxigenar a raiz. enfocando a importância de cada uma das fases do solo.INTERAÇÃO NUTRIENTE . um solo mal aerado . Para maior aprofundamento no estudo da dinâmica de cada nutriente no solo.pode não expressar todo o potencial de suprimento de nutrientes.SOLO O sistema solo é bastante complexo.através da ação de agentes agregantes como matéria orgânica e óxidos de ferro e de alumínio . respectivamente. líquida. Nesta situação. resulta na existência de espaços vazios ou poros entre as partículas. composto de quatro fases bem distintas sólida. ressaltar os aspectos das interações entre nutriente e solo. até mesmo. O espaço vazio do solo é variavelmente ocupado por água ou por ar. a fonte imediata e o reservatório dos nutrientes.2 . com base no conceito de disponibilidade discutido no capítulo 1. de diferentes tamanhos e formatos. a rizosfera. o nutriente não é disponível. produzido pela respiração das raízes e na decomposição da matéria orgânica. e. é preciso. resulta na existência de poros ainda maiores. Se as partículas unitárias formam agregados . de forma generalizada. não se pode deixar de considerar o papel das fases gasosa e viva. inclusive para a absorção de nutrientes. porque o mesmo não permite geração de energia nas raízes para absorção dos nutrientes. Portanto. há necessidade de uma boa aeração do solo. o oxigênio do ar do solo é essencial para a Respiração das raízes e microrganismos. O arroz pode ser cultivado em condições de completa inundação do solo. O ar do solo A existência de partículas sólidas no solo.dado a destruição de sua estruturação pelo uso excessivo de máquinas . que implicam em processos de oxi-redução e processos biológicos de importância na disponibilidade dos nutrientes. 2. Por outro lado. maior ênfase será dada para as interações com a fase líquida e sólida que são.que promovem a estruturação do solo.

244 -0. CH4 + 2H2O 2H+ + 2e. promove mudança no metabolismo microbiano. que apresenta-se no solo também na forma de gás N2.1. Entretanto.814 0.13 -3. com o posterior fornecimento de formas minerais às plantas.00 O2 + 4H+ + 4e.14 -7. dado a inexistência de nutrientes na forma gasosa. após sua transformação em forma mineral.413 13. H2S + 4H2O CO2 + 8H+ + 8e. Foi destacada a importância do ar do solo para o suprimento de gás oxigênio às raízes. passando de aeróbico para anaeróbico. N2 + 6H2O MnO2 + 4H+ + 2e. Na ausência crescente de oxigênio.401 -0. nenhuma espécie vegetal é capaz de absorver essa forma gasosa. Sequência termodinâmica de reações de redução em solos e potenciais de oxi-redução correspondentes (Fonte: Ponnamperuma. outras substâncias ou íons . para a manutenção do processo de absorção dos nutrientes . pensando-se no suprimento direto de nutrientes às plantas. é preciso destacar também que a falta de oxigênio tem conseqüências diretas na dinâmica de certos nutrientes.+ 12H+ + 10e. diminuindo-a.0 ____________________________ Eo (V) pEo 0. eliminando a prática da adubação nitrogenada. é apresentada a seqüência das reações de redução no solo. H2 13 .63 -4. em alguns casos aumentando sua disponibilidade.741 0. sofrendo redução.passarão a ser os receptores de elétrons.nitrato. em outros. não há qualquer importância desta fase. que é reduzido a água. Mn+2 + 2H2O Fe(OH)3 + 3H+ + e. Quadro 2.80 -3. Se o metabolismo for aeróbico.importante fator a afetar a disponibilidade dos mesmos. o receptor de elétrons é o oxigênio. sulfato e metais . A importância do gás nitrogênio fica exclusiva ao processo de sua fixação biológica por organismos do solo. 2H2O 2NO3. No Quadro 2. Reações Potencial de oxi-redução corrigido a pH 7.1. O cultivo da soja sob fixação simbiótica do nitrogênio já é uma realidade. 1977). O predomínio de condições redutoras no solo. De maior importância para a produção vegetal é a fixação simbiótica realizada por bactérias do gênero Rhizobium.185 -0. Todavia.Em termos de interação dos nutrientes com a fase gasosa.214 -0.66 6. A exceção fica por conta do nitrogênio. devido a redução crescente na concentração de oxigênio. que transferem o gás N 2. para as raízes de leguminosas. Fe+2 + 3H2O SO4-2 + 10H+ + 8e.80 12.

sob anaerobiose. que a inundação do solo promove consumo de íons H+. que manganês e. está redução do nitrato em solos inundados ou. Tal consumo promove elevação do pH do solo. MoO4-2.para formas gasosas. também. Em solos com alto teor de óxido de ferro. K+. a absorção pelas raízes ocorre apenas a partir da solução do solo. Ca+2. A solução do solo Já foi ressaltado que o espaço vazio do solo é variavelmente ocupado por água ou por ar. em solos inundados. NPO4-2. principalmente os nutrientes. NH4+. no caso do manganês. há necessidade também de uma boa disponibilidade de água no solo. culturas mais sensíveis como a soja podem ter problemas em solos ricos em óxidos de manganês. observasse no quadro 2. E. As principais formas são as seguintes: NO3-. mas sim uma solução. conforme será discutido no Capítulo 10.Inicialmente. até mesmo. para uma boa produção vegetal. Portanto. com consequente insolubilização de íons alumínio. pela liberação desses nutrientes ligados a ferro e a alumínio. Cl-. Mn+2 Zn+2. HmoO4-. Neste último caso. Enfim. Com a intensificação das condições de redução. a seguir. não há necessidade de inundação total. ferro são reduzidos. Mg+2. Todavia. H2PO4-. que. não se pode considerar a fase líquida do solo como água pura. com a diminuição da aeração do solo as suas disponibilidades são aumentadas. Com respeito ao suprimento de nutrientes às plantas. na qual estão dissolvidos diversos solutos. em solos aerados com anaerobiose localizada. As formas divalentes destes dois nutrientes são muito mais solúveis e são as formas absorvidas pelas plantas. Alguns nutrientes apresentam-se na solução em formas catiônicas enquanto outros em formas aniônicas.1. observa-se no Quadro 2.prontamente disponível às plantas . A solução do solo representa a fonte imediata de nutrientes às plantas. 2.1. mas. Isto porque. em função do destacado papel que a mesma exerce no crescimento e desenvolvimento das plantas. o que é facilmente obtido em solos mais compactados e com precipitação mais elevada. que pequenos decréscimos na concentração de oxigênio promove a redução do nitrato . observa-se ainda no Quadro 2.1. ou seja. que são perdidas por volatilização. O boro representa uma exceção pois encontra-se na solução do solo na forma neutra H3BO3. 14 . SO4-2. por exemplo. é importante pela diminuição na disponibilidade deste nutriente. Todavia. que são as únicas formas absorvidas pejas plantas. Conforme será destacado no Capitulo 5.2. Fe+2. os micronutrientes em excesso são altamente tóxicos às plantas. anaerobiose momentânea. Cu+2. o arroz cultivado sob inundação pode sofrer sérios danos pela toxidez de ferro E. representa uma das principais formas de perdas do nitrogênio do sistema solo. Portanto. não necessita ocupar muito mais do que 50% do volume de poros do solo. já foi por demais ressaltada a importância da aeração do solo. a elevação do pH pode aumentar a disponibilidade de fósforo e de molibdênio.

apresenta-se nas formas solúveis AI+3.3. é aumentada sobremaneira. é que os componentes orgânicos podem predominar. fator a afetar a disponibilidade dos nutrientes. A capacidade do solo em suprir nutrientes às plantas está. Os micronutrientes catiônicos podem apresentar-se na solução do solo em formas complexadas ou quelatadas com radicais orgânicos. Devido a isto. No caso do fósforo. por exemplo. Além do baixo teor de nutrientes. Todavia. à medida que são absorvidos pelas plantas. notadamente para a disponibilidade de nutrientes. consequentemente. Portanto. mesmo em pequenas quantidades. a solução do solo está sujeita a variações de concentração. 2. Há necessidade de reposição dos nutrientes da solução. Os. com o que existe apenas na solução. precisa-se considerar a presença de íons H+ e OH. ligada ao teor de nutriente disponível na fase sólida. onde o acúmulo de matéria orgânica é superior à decomposição. mais diversos compostos orgânicos. seu teor na solução é quase desprezível. Os componentes sólidos do solo A fase sólida do solo é representada pelos componentes minerais ou inorgânicos e pelos componentes orgânicos. e apresenta-se irregularmente distribuída nos poros do solo. os solos orgânicos são de ocorrência restrita. é muito difícil determinar a real concentração de nutrientes na solução do solo. principalmente do alumínio em solos ácidos. Os componentes minerais representam a maior parte da fase sólida dos solos bem drenados. Embora a solução do solo seja a fonte imediata de nutrientes para as plantas. conforme será mostrado no estudo de cada nutriente. o teor dos mesmos na fase líquida é muito baixo. a solubilidade e. são de extrema importância no sistema solo. Portanto. Este elemento. mesmo a curtas distâncias. Também. resultantes da atividade microbiana ou da exsudação das raízes. mesmo em solo férteis. através da liberação contínua dos mesmos da fase sólida. conforme será ressaltado adiante. ainda. o transporte até a superfície radicular. a planta não consegue adquirir a quantidade de nutriente demandada para um dia sequer de crescimento. Nestas formas. na forma Na+. nessas formas. AI(OH)+2 ou AI(OH)2 +1. e considerando que o suprimento de nutrientes às plantas fica quase que exclusivamente na dependência da fase sólida do solo. em função do pH da solução. a disponibilidade dos mesmos é maior. são de grande importância na solução do solo. em solos salinos o sódio pode apresentar-se em elevados teores na solução do solo. A acidez da solução do solo é o principal. Em geral. E. 15 . os componentes orgânicos. as avaliações de disponibilidade de nutrientes não envolvem análise da solução do solo. Mas. apesar do predomínio dos componentes minerais. em termos práticos.Além dos nutrientes. Apenas em condições de má drenagem. precisa-se considerar a presença de elementos tóxicos.que definem o pH da solução do solo.

as quais podem ser permanentes ou variáveis. são os principais responsáveis pela atividade química dos solos. a atividade química deve-se a uma propriedade fundamental dás sistemas coloidais. com a percolação da água. Em solos mais jovens e em camadas mais profundas de solos. os nutrientes podem ser prontamente liberados . representados pela matéria orgânica ainda não decomposta. que não contribui em nada com o suprimento de nutrientes para a solução do solo. Quando considera-se que a quantidade de nutriente existente na solução do solo é suficiente para atender a demanda da planta de um ou pouco mais dias. Entretanto. trata-se de uma liberação muito lenta e depende do mineral primário predominante. como colóides e.nas cargas elétricas do sistema solo. libera nutrientes para a solução através da decomposição. Entretanto. apenas liberam nutrientes para a solução através da intemperização. apesar de ser um processo bem mais rápido que o da intemperização dos minerais primários. tem-se que os minerais primários. 16 .adsorção . Os minerais secundários e o húmus apresentam-se. Uma vez retidos . os nutrientes seriam perdidos para camadas mais profundas. ainda. mais associados às frações areia e silte. adicionados na solução através da adubação. como tal. a fase sólida torna-se capaz de reter os cations e anions liberados para a solução pelo intemperismo dos minerais primários ou pela decomposição da matéria orgânica ou. normalmente. tem de ser visto como uma liberação em potencial. experimenta os componentes orgânicos do solo. que. pode representar uma importante fonte de nutrientes mais a longo prazo. precisa-se entender como a fase sólida pode ressuprir a solução no dia a dia de crescimento da lavoura. 2. Situação semelhante à reportada para os minerais primários. mineral muito resistente ao intemperismo. tais como feldspatos e micas. Basicamente.4. há o predomínio de cargas negativas. Em solos tropicais é muito comum o predomínio de quartzo na fração grosseira. que é o desenvolvimento de cargas elétricas.húmus.para a solução. O ressuprimento da solução a curtíssimo prazo é feito pelos minerais secundários da fração argila minerais de argila e óxidos de ferro e de alumínio . Desenvolvimento de cargas elétricas em solos Os colóides do solo podem desenvolver tanto cargas negativas quanto positivas. quanto ao suprimento de nutrientes para a solução do solo. a presença de minerais primários.e pela matéria orgânica bem decomposta . Sem a existência das cargas elétricas.Em termos de suprimento de nutrientes às plantas pelos componentes minerais. dependendo do teor do nutriente na solução e da cultura instalada. A matéria orgânica não decomposta. quando adicionada ao solo. através do processo da lixiviação.desorção . à medida que as raízes vão absorvendo os mesmos. Com a existência de cargas elétricas na superfície dos colóides.

com a elevação do pH do solo. devido a substituições isomórficas. Os colóides orgânicos. em função de substituição isomófica na camada octaedral. montmorilonita e vermiculita apresentam elevada densidade de carga negativa permanente. 17 .1. vermiculita ou ilita. alguns átomos de Si+4 dos tetraedros são substituídos por AI+3 e alguns átomos de AI+3 dos octaedros são substituídos por Mg+2.2. A ilita. respectivamente. resultando na capacidade de retenção de cations de 30-50.As cargas negativas permanentes existem na estrutura dos minerais de argila. Tais substituições resultam em excesso de cargas negativas na superfície dos cristais. e 2. Figura 2. conforme apresentado nas reações 2. As cargas variáveis.1. devido a dissociação das oxidrilas da superfície. Representação esquemática do desenvolvimento de carga negativa permanente em mineral de argila. apresentam aumento na densidade de cargas negativas. esses três minerais de argila são raros em solos do Brasil. notadamente no tipo 2:1. conforme esquematizados na Figura 2.1. Infelizmente. 80-120 e 120-150 meq/100g. assim denominadas por ter em seu desenvolvimento afetado pelo pH do solo. notadamente nos latossolos. podem ser negativas ou positivas. Na estrutura dos cristais de montmorilonita.

tem uma densidade de carga negativa muito reduzida. a densidade de carga por eles desenvolvidas é muito baixa. Portanto. E.da solução. são também do tipo variável. para retenção de outro cátion da solução do solo. Apresenta valores de retenção de cations da ordem de 200 a 600 meq/100g. Os óxidos de ferro e de alumínio são abundantes na fração argila de solos brasileiros.3. Portanto. O desbloqueio de cargas negativas ocupadas por óxidos pode ser conseguido com a elevação do pH do solo. Os óxidos de ferro e de alumínio também apresentam cargas variáveis. mineral de argila de ocorrência mais generalizada nos solos brasileiros. a carga ocupada pelo íon H+ apenas é liberada desenvolvida -.2. para formar água. ocorre a protonação das oxidrilas com o consequente desenvolvimento de cargas positivas. ou seja. através do bloqueio de cargas negativas. Com isto. em função do pH do solo. com a elevação do pH ocorre a dissociação das oxidrilas e. com a elevação do pH do solo. A caulinita. é muito menos expressiva que a retenção de cations. Portanto. com a acidificação do solo.15 meq/100g. consequentemente. Por outro lado. na verdade. o desenvolvimento de cargas negativas. conclui-se que a retenção de anions em solos. A densidade de carga negativa nos colóides orgânicos é elevada e muito variável dado a grande variedade de compostos orgânicos existentes no solo. as cargas desenvolvidas são também devidas a dissociação de oxidrilas da superfície. principalmente quando fazse uso da calagem. mesmo em pequenas quantidades no solo. reduzir a densidade de cargas negativas de minerais de argila. esses minerais secundários podem desenvolver tanto cargas negativas quanto positivas (Figura 2. Todavia. além de contribuírem muito pouco para o desenvolvimento de cargas elétricas no solo. neste caso. Com valores desta magnitude.O íon H+ liga-se ao oxigênio na formação da oxidrila através de ligação covalente. conforme mostra a Figura 2. Todavia.). via adsorção a cargas positivas. através da neutralização direta. a capacidade de retenção de cations é de 5 . como apenas estes colóides é que desenvolvem carga positiva. a matéria orgânica. é a principal responsável pela capacidade de retenção de cations nos solos brasileiros. em reação com OH. 18 . que é muito forte. podem. Os óxidos de ferro e de alumínio.

2. Representação esquemática do bloqueio e desbloqueio de cargas negativas de minerais de argila por óxidos de alumínio 19 . Representação esquemática do desenvolvimento de cargas negativas e positivas variáveis na gibsita. Figura 2.3.Figura 2.

No caso dos cations AI+3.2. resume o que foi dito até então para a retenção de íons no solo: A retenção de íons pela fase sólida do solo não envolve apenas a adsorção em cargas elétricas desenvolvidas na superfície dos colóides. O esquema a seguir. 20 . NH4+ e Na+2 a adsorção às cargas negativas é direta. os quais tendem a ser trocáveis com cations é anions da solução do solo. ressuprindo a solução do solo à medida que os nutrientes são absorvidos da solução. esses cations são trocáveis com cations da solução.CTC do solo. num processo reversível e estequiométrico. O cátion H+ apresenta uma relação muito específica com a superfície dos colóides. A segunda representa o grande reservatório de nutrientes. O desenvolvimento de cargas promove a adsorção de cations e de anions da solução do solo. Retenção e troca de íons no solo Conforme já destacado.5. através de ligação covalente. Mg+2. na avaliação da capacidade do solo em suprir nutrientes às plantas. uma vez que o mesmo liga-se fortemente à superfície. definindo a Capacidade de Troca de Cations . ocorrendo apenas ligação eletrostática. precisa-se considerar a relação entre a fase líquida e a sólida. de onde os nutrientes são absorvidos. Ca+2. uma característica fundamental dos solos diz respeito a capacidade dos colóides em desenvolver cargas negativas ou positivas. K+. Assim. A primeira representa a fonte imediata. Neste caso.

cations no solo é um processo reversível. principalmente. Portanto. instantâneo e.e H2PO4-. através da neutralização com oxidrila adicionada na solução. c) teor de matéria orgânica do solo. No caso dos ânions SO 4-2. sendo dificilmente trocados por outros anions normalmente existentes na solução do solo. em solos mais arenosos ou com predomínio de argilas de. No entanto. NO3. é o peso atômico do cátion dividido pela sua valência. torna-se quase irrelevante falar-se em troca de anions no solo. Como a retenção de fosfato será tratada de forma específica no capítulo 6. ou seja. enquanto 1 meq de Ca+ e igual a 20 mg. 21 . definindo a Capacidade de Troca de Anions . Em termos práticos. por unidade de peso ou volume de solo. o HMoO4.008 g de H +. No caso da existência de grande quantidade de óxidos de ferro e de alumínio. notadamente o fosfato. o íon fosfato é retido por troca com oxidrilas. o manejo da matéria orgânica e a prática da calagem podem ser muito importantes para aumentar a capacidade dos solos de reter cations. Ela é representada por meq/100 g solo ou por meq/100 cm de solo.Neste caso. superfície por ligação covalente. a retenção na fase sólida assume certas particularidades. o cátion H+ não é trocável e apenas libera a carga negativa ocupada de forma indireta. em função da pouca existência de cargas positivas no solo e ao grande domínio do fosfato sobre os demais anions. Neste caso esses anions são trocáveis com outros da solução. Portanto. baixa atividade. Em termos práticos e em função do que já foi visto para o desenvolvimento de cargas no solo é preciso estar atento para o fato de que a CTC do solo é influenciada pelos seguintes fatores: a) Mineralogia do solo. no momento a maior ênfase é para a capacidade de troca de cations no solo. Assim. A capacidade de troca de cations é dada pela quantidade de cátions retidos. quanto a capacidade de retenção às superfícies dós colóides.CTA do solo. independente da existência de carga positiva.e Cl. Portanto. promove aumento da CTC do solo. d) pH do solo. A troca de. ligam-se fortemente à. No caso dos anions. entre outros benefícios. 1 meq de K + é igual a 39mg. 39 mg de K+ é capaz de deslocar 20 mg de Ca+2 e vice-versa.a adsorção às cargas negativas é direta. estequiométrico. principalmente devido ao comportamento do anion fosfato. b) textura do solo. a calagem. O peso equivalente de um elemento químico refere-se ao peso do elemento que equivale quimicamente a 1. no caso de anions. num processo reversível e estequiométrico. ocorrendo apenas ligação eletrostática. Do ponto de vista da estequiometria. da forma dinâmica como ocorre para os cations.

por força da lei de ação das massas. apenas são adsorvidos após desidratação. e reflete a capacidade de troca de cations efetiva do solo.4. Apesar da série preferencial de troca.os teores de AI+3. a preferência de adsorção é para o cation com menor energia de desidratação.6. Este princípio básico é que permite. Os cations. reter cations em seu pH natural. Qualquer que 22 .Apesar do processo ser estequiométrico. é tratado com KCI 1N 2. a determinação dos teores de AI +3. Conceitos básicos sobre CTC A capacidade de troca de cations dos solos. pode-se saturar o complexo de troca com qualquer cátion. No caso de cations com igual carga. os cations trocáveis não são retidos com a mesma força pelos colóides. Assim. o principal fator determinante da preferência de adsorção é a carga do cátion. ou melhor. conforme já discutido. deslocando os demais cations trocáveis para a solução. alguns conceitos a ela relacionados são muito importantes no manejo da fertilidade do solo. por razões já expostas. por exemplo. em laboratório de análise química do solo. que apresentam-se hidratados em solução. Figura 2. Ca+2 e Mg+2 trocáveis. Assim sendo. Ca+2 e Mg+2 trocáveis tratando-se o solo com excesso de K+. é preciso atentar para o fato de que. A ordem preferencial de retenção ou série liotrópica é dada por: H+ > > AI+3 > Ca+2 > Mg+2 > K+  NH4+ > Na+ Excetuando-se os íons H+.solução do solo .4. é de grande importância na agricultura. a) CTC efetiva É representada pela letra “t”. no laboratório trata-se 10 cm3 de solo com 100 ml de KCI 1 N e determina-se no sobrenadante . a capacidade do solo em. A representação esquemática da reação de troca é dada na Figura 2. Representação esquemática da reação de troca quando o solo.

mesmo se mais argiloso. do potencial de salinidade e necessidade de parcelamento das adubações potássicas. pode-se calcular a fração da CTC efetiva ocupada por cada uma.80. Mg e K deve ser de 60 . a CTC efetiva.20 e 5 – 10 %. por conseguinte. para uma condição ideal de suprimento das bases. e. e. por englobar três bases e.5 meq/100 cc é baixo. a correta interpretação do valor da CTC efetiva fornece uma idéia das possibilidades de perdas de cátions por lixiviação. é tóxico às plantas. não dar uma idéia dos valores absolutos .de cada uma delas. da seguinte forma: % Ca = Ca+2 x 100 t % Mg = Mg+2 x 100 t % K = K+ x 100 t Generalizando. as cargas negativas ocupadas pelo H + não estão disponíveis para retenção de outro cátion. 23 . É importante observar que na definição da CTC efetiva aparece um cátion de caráter ácido .cálcio. reflete a soma de cálcio. magnésio e potássio trocáveis. a percentagem de saturação de Ca. Assim. Para cada uma das bases. magnésio e potássio ~. além dos teores absolutos. que. com predomínio de argilas de baixa atividade. como o próprio nome indica. se for feita uma adubação pesada poderá ocorrer perdas de cations por lixiviação e elevada salinidade para as sementes ou plântulas. que são essenciais às plantas. S (meq/100 cc) = Ca+2 + Mg+2 + K+ A soma de bases não é um parâmetro muito importante. Um valor de t menor que 2. Nesta condição. é dada por: t (meq/100 cc) = AI+3 + Ca+2 + Mg+2 + K+ Supondo-se o cultivo do solo ao valor do pH natural. respectivamente. segundo o PROFERT – MG sendo indicativo de solo arenoso. Portanto. além de não ser essencial. três cations de caráter básico . 10 . o que é feito com base nos dois conceitos a seguir: b) Soma de bases É representada pela letra "S". com baixo teor de matéria orgânica e. por troca.seja o valor de pH do solo.alumínio -. deve-se considerá-los distintamente.

de forma que a determinação da percentagem de saturação de bases da CTC efetiva ou da percentagem de saturação de cada uma das bases. Partindo-se de um solo ácido. para a grande maioria das espécies vegetais. c) Percentagem de saturação de alumínio É representada pela lera “m”. Assim sendo. Todavia. m % = Al+3 x 100 t Quando se faz a interpretação de resultados da análise química de um dado solo.0. Os conceitos até então discutidos estão relacionados com a CTC do solo em seu pH natural ou. sua CTC será alterada. Com isto. obtem-se o valor de T a partir da extração de H+ + Al+3 com solução salina tamponada a pH 7. os dois conceitos a seguir aplicam-se para urna condição de pH ideal para cultivo do solo. e reflete a capacidade do solo em reter cations a pH 7.Muitas vezes o solo não será cultivado em seu pH natural. dado a . Diversos trabalhos mostram que para uma saturação de alumínio acima de 60% há um grande aumento na atividade de alumínio em solução. com as condições prevalentes no solo em seu pH natural. expressando a fração da CTC efetiva que é ocupada por alumínio trocável.0 promove a neutralização de cations H+ que se encontram em ligações covalentes como oxigênio de colóides orgânicos e de óxidos de ferro e de alumínio.0. 24 . de outra forma. é o valor da CTC de um solo. d) CTC potencial É representada pela letra "T". Acima de. em relação a CTC efetiva. caso a calagem deste solo fosse feita para elevar o pH a 7. o crescimento das raízes é praticamente paralisado. é também conhecida por CTC a pH 7. Na análise química do solo. Todavia.necessidade da calagem Portanto. Nestas condições.0. 1. Sob o ponto de vista prático. é o teor considerado elevado pelo PROFERT-MG e será prejudicial ao crescimento da maioria das espécies vegetais. a elevação do pH para 7. sabe-se que muitas vezes o solo não será cultivado na sua condição natural de pH. o parâmetro que melhor expressa o potencial fitotóxico do alumínio é justamente o valor "m". um dos pontos mais importantes é avaliar o teor de alumínio trocável.0 neq Al+3/100 cc. Mais adiante este aspecto será melhor enfocado. perdem o significado. O valor de T pode ser calculado por: T (meq/100 cc) = S + H+ + AI+3 T = t + H+ ou.0. são desenvolvidas cargas negativas que existiam apenas em potencial. considerando a variação da CTC entre os solos. Portanto.

por conseqüência. As bactérias também apresentam grande importância na nutrição das plantas. Assim sendo.Finalmente.0. os microrganismos podem promover imobilização de nitrogênio inorgânico. deve-se destacar que o ganho em CTC pela neutralização de H + adsorvidos será tanto maior quanto mais baixo for o pH natural do solo e quanto maior for o teor de matéria orgânica e de óxidos de ferro e de alumínio do solo. e) Percentagem de saturação de bases da CTC a pH 7. Por exemplo. Conforme já destacado no capitulo 1.0 estão ocupados pelas bases existentes no solo. a percentagem de saturação de bases é um parâmetro muito usado para recomendação de calagem. sem aumento no teor das bases Ca. Os organismos do solo Cada vez mais é reconhecido o papel dos microrganismos em alterar a disponibilidade de nutrientes no solo. reflete quantos por cento da CTC a pH 7. com mútuo benefício. é preciso lembrar que. pois há aumento da CTC com o aumento de pH . Mg e K. além de aumentar à disponibilidade dos nutrientes. O valor de V será dado por: V% = S T x 100 Supondo-se a elevação do pH do solo para 7. representado por "V". a percentagem de saturação de bases no complexo de troca será reduzida. além de elevar o pH do solo. no estudo da fertilidade do solo. na liberação de nutrientes para a solução do solo. Esta é uma das razões do uso de calcário. o aumento do pH do solo tem de ser feito com corretivos que adicionem bases ao solo. a associação de raízes com micorrizas promove acentuado aumento na disponibilidade de nutrientes. Alguns fungos infectam raízes de plantas. de forma a elevar também a saturação de bases.a CTC passa de t para T. notadamente de fósforo. alterando de forma significativa sua disponibilidade. Para o nitrogênio. é preciso considerar o papel da fase biológica. cada vez mais reconhece-se o papel dos microrganismos na aquisição de nutrientes do solo pelas plantas.0 Este parâmetro. participam de várias transformações do nitrogênio. Portanto. Também. Os colóides orgânicos são os principais responsáveis por tal ganho. a nível de manejo da fertilidade do solo. este corretivo adicionará cálcio e magnésio ao solo. De forma bem 25 .7. ou seja. Os microrganismos em geral desempenham papel fundamental na decomposição da matéria orgânica e. pois. do enxofre e de micronutrientes. 2. este papel é de relevado destaque. Portanto.

específica, merece destaque o fato de que algumas bactérias fixam o nitrogênio do ar do solo, em simbiose ou não com raízes de plantas liberando-o para as plantas em forma mineral. Os microrganismos apresentam uma importância direta na disponibilidade de nutrientes. Todavia, não se deve negligenciar o papel dos organismos superiores - cupins, formigas, minhocas, vegetais e o próprio homem. As minhocas, por exemplo, além de produzirem um húmus de excelente qualidade, promovem uma melhoria da estrutura do solo. Inclusive, os canais formados promovem uma maior troca gasosa entre a atmosfera e camadas mais profundas do solo, de grande importância no processo de aeração do solo.

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3 - TRANSPORTE DE NUTRIENTES PARA AS RAÍZES
No capítulo 1 ficou muito claro que um dos importantes fatores a afetar a disponibilidade dos nutrientes é o fator transporte. Para serem absorvidos, os nutrientes precisam ser transportados até a superfície das raízes. Inicialmente pensou-se que a simples interceptação do nutriente no solo pelas raízes em crescimento seria o suficiente para a aquisição dos nutrientes. Todavia, considerando que o volume de solo ocupado pelas raízes muito pequeno - 0,4 a 2% - e que a quantidade requerida de nutrientes é muito maior que a quantidade no solo em direto contato com as raízes, concluiu-se que a contribuição da interceptação radicular é mínima. Os nutrientes na solução do solo podem ser transportados até a superfície das raízes - superfície externa da plasmalema de células da epiderme ou de células corticais por dois mecanismos: Fluxo de Massa e Difusão. 3.1. fluxo de massa É o transporte de nutrientes com o fluxo convectivo da solução do solo até a superfície das raízes, ocasionado elo gradiente de potencial, de água entre o solo e a raiz, em função da transpiração das plantas. A água é quase que constantemente absorvida no período diurno, portanto, constantemente movendo-se em direção às raízes e arrastando consigo os nutrientes consigo os nutrientes nela dissolvidos. O transporte de nutrientes por fluxo de massa pode ser dado por:

F = V.Cl onde:

(3.1)

F = Transporte ou fluxo de nutrientes por fluxo de massa-solução (mol.cm-2 solo.s-1) V = Fluxo de solução (cm3 solução.cm-2 solo.s-1) C l = Concentração do nutriente na fase líquida ou solução (mol.cm -3 solução) Em estudos envolvendo as relações hídricas em plantas, a absorção de água tem sido calculada tanto em termos de fluxo médio de água para as raízes - 0,5 a 2,0 x 10-6 cm3 água.cm-2 solo.s-1 – quanto em termos de taxa de transpiração - 200 a 600 g H2O.g-1 planta. Assim considerando o consumo total de água pela planta e a concentração do

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nutriente na solução pode-se calcular a contribuição do fluxo de massa para o transporte de nutrientes até a superfície das raízes. Assumindo uma concentração de fósforo na solução do solo de 0,15 mg/litro e uma quantidade de água transpirada de 3 milhões litros/ha, a contribuição do fluxo de massa é de 0,45 kg P, o que é menos de 2% da demanda de uma cultura. A contribuição tem-se mostrado variável, dependendo do nutriente, solo, espécie vegetal e idade da planta. Em geral, nos solos de melhor fertilidade o fluxo de massa pode ser importante para o suprimento de cálcio, magnésio e de boa parte do nitrogênio. Para o fósforo e potássio - o primeiro por se apresentar na fase líquida em baixíssima concentração e o segundo por ser muito exigido pelas plantas, além de se apresentar em baixa concentração na fase líquida - a contribuição do fluxo de massa é de pequena relevância. Em condições de campo, a precipitação ou o cicio de irrigação exercem grande influência na contribuição do fluxo de massa para o total de nutriente transportado até as raízes. Quando o potencial de água no solo é alto - por exemplo, mantido na capacidade de campo - o fluxo de massa é irrestrito, mantendo um potencial de água similar na superfície radicular. O balanço entre a taxa de transporte de nutrientes até as raízes por fluxo de massa e a taxa de absorção pelas raízes define gradientes de concentração entre um dado ponto na solução e a superfície radicular. A Figura 3.1. mostra possíveis gradientes de concentração para os nutrientes magnésio e fósforo, que apresentam demanda mais ou menos igual pelas plantas. Portanto, ambos apresentam quase igual taxa de remoção da superfície radicular, ou seja, taxa de absorção. A grande diferença entre esses dois nutrientes, quanto ao transporte por fluxo de massa até a superfície radicular, relaciona-se com a concentração dos mesmos na solução do solo. Por ser muito menor para o fósforo, a sua taxa de chegada - transporte por fluxo de massa - até a superfície das raízes é muito menor que a sua taxa de remoção – absorção -, criando um gradiente de concentração após um certo tempo de absorção. No caso do magnésio, alguns resultados sugerem até a possibilidade de acúmulo na superfície das raízes, criando-se um "gradiente ao contrário". Em termos genéricos, dom base na situação apresentada na Figura 3.1., diz-se que o fluxo de massa contribuiu com toda a demanda de magnésio, enquanto que para o fósforo não. Em termos reais, a situação apresentada para o magnésio aconteceria apenas em solos com elevada disponibilidade neste nutriente. E, para o fósforo, a contribuição do fluxo de massa para seu transporte até as raízes é negligível. Portanto, este nutriente fica na dependência quase total do outro mecanismo de transporte-difusão.

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Contrário ao fluxo de massa.concentração criado entre a solução do solo e a superfície das raízes (Figura 3. Portanto.2) Onde: 29 .1. na verdade. Segundo a lei de Fick (1855) a difusão de qualquer íon num sistema aquoso é dada por: D = Dl .1. Assim sendo.0 a 10 mm. o transporte por fluxo de massa e por podem ocorrer simultaneamente.Figura 3. devido ao movimento térmico dos mesmos. é grandemente influenciado por fatores do solo e da planta . 3. dc dx (3. O gradiente de.crescimento e morfologia radicular.2. Difusão É o transporte de nutrientes ao acaso num sistema aquoso. a difusão é um processo de transporte lento e que ocorre mais nas vizinhanças da superfície radicular . Representação esquemática de possíveis gradientes de concentração estabelecidos pelo fluxo de massa para o magnésio e fósforo entre um dado ponto na solução do solo (CI) e a superfície externa da raiz (Clr).) induz à difusão predominantemente no sentido da menor concentração.

o gradiente de concentração entre um dado ponto na solução e a superfície da raiz.cm-3 água. é fácil perceber que o gradiente de concentração . (3.cm-2 . menor difusão.s-1) Dl = Coeficiente de difusão do íon na água pura (cm2. Em termos práticos. O valor de f é especialmente determinado em estudos específicos sobre difusão. o coeficiente de difusão de um dado íon "i" no solo é dado por: D isolo = Di l .3) O fator de impedância diz respeito à tortuosidade do caminho a ser percorrido pelo íon.apenas será mantido com o tamponamento do nutriente na solução do solo. viscosidade da água. Em segundo lugar. Em primeiro lugar é preciso atentar para o fato de que a difusão de nutrientes no solo ocorre essencialmente na fase líquida .s-1) dc/dx = Gradiente de concentração (mol. em que a água é substituída por um sistema trifásico . dci l dci l Onde: Disolo = Coeficiente de difusão do íon "i" no solo (cm2 . s-1) Di l = Coeficiente de difusão do íon "i" na água pura (cm 2 . com menor teor de umidade ou mais compactados apresentarão maior tortuosidade .sólido. reações de adsorção e de repulsão dos íons e grau de compactação do solo.força motora da difusão . que é afetada pela textura. dado a grande influência de  na tortuosidade do caminho de difusão. há necessidade de nova fórmula. Solos mais arenosos. ressaltase o fato de que não é possível medir. cm-3 solo) f = Fator de impedância ou fator de transmissão ou fator de continuidade (0 < f < 1) Cl = Concentração do íon "i" na solução do solo Cs = Concentração do íon "i" na fase sólida do solo. Entretanto.menor valor de f -. Com essas considerações.  . f . portanto. 30 . pode-se considerar o valor de f igual ao de .cm-1) Para o sistema solo. em forma disponível. ou seja. teor de umidade. líquido e gasoso -. s-1)  = Conteúdo volumétrico de água no solo (cm3 água . diz respeito a distância efetiva da difusão. em termos práticos.solução do solo.D = Taxa de difusão do íon (mol.

O Quadro 3. dado a dependência da difusão para o suprimento dos mesmos até as raízes. apresenta um efeito positivo mais acentuado que o decorrente da incorporação de grandes quantidades de fósforo. conforme mostra a fórmula :5. Este solo apresenta maior capacidade de fixação de fosfato que o solo Raub.2. 50. notadamente no solo Wellston. Quadro 3.1. (1988). Para o fósforo. As lâminas de água corresponderam a 187. s-1) 1. Portanto. Por outro lado. Faixa de variação para o coeficiente de difusão de alguns nutrientes no solo. viscosidade da água. notadamente daqueles com elevada dependência no transporte por difusão. precisa-se ressaltar que a difusão apenas foi aumentada significativamente com a aplicação de doses mais elevadas de fósforo. 277. 200 e 400 kg/ha de P2O5. ao estudarem a importância do teor de água no solo para a aquisição de fósforo pelas plantas. s-1) 2 x 10-7 a 2x10-6 5 x 10-7 a 1 x 10-5 1 x 10-14 a 4x10-9 A disponibilidade de nutrientes tais como fósforo. reações de adsorção ou de repulsão de íons pelos colóides do solo e do poder tampão do solo no coeficiente de difusão. apresentada para cálculo do coeficiente de difusão do íon no solo. mostra o efeito da adubação com fósforo no coeficiente de difusão. A produção de grãos e o conteúdo de fósforo na planta aumentaram 31 . a difusão de um dado nutriente pode ser aumentada através da adubação e/ou irrigação. com oscilações pronunciadas do conteúdo de água. dado a grande influência do teor de água no solo na difusão. O coeficiente de difusão na água é apresentado como comparação Nutriente (íon) K+ NO3H2PO4Dl (cm2 . apresenta coeficientes de difusão de alguns nutrientes tanto na água pura quanto no solo. segundo diversos autores. são mais difíceis de serem conseguidos. O Quadro 3. de forma que os aumentos em Cl em relação a Cs. utilizando-se as doses de 0. 100.90 x 10-5 8.3. a prática da irrigação tem-se mostrado de grande importância em aumentar a disponibilidade de nutrientes. maior é a dificuldade de se estabelecer um acentuado gradiente entre a solução e a superfície da raiz. na forma de superfosfato triplo. 354 e 416 mm/ciclo. quanto maior o poder de fixação de fósforo. A adubação com fósforo foi realizada no sulco de plantio. Apesar de seu efeito positivo. Silveira & Moreira (1990) estudaram a resposta do feijoeiro a doses de fósforo e lâminas de água de irrigação. 25. Segundo Ruiz et al. potássio e zinco é grandemente afetada pelo fator transporte. a incorporação de doses relativamente menores de fósforo. a sua quase total dependência na difusão é uma séria limitação na aquisição deste nutriente pelas plantas. Em termos práticos.9 x 10-6 Disolo (cm2 . com um manejo adequado de água para assegurar as melhores condições para a difusão.98 x 10-5 1.1. O coeficiente de difusão na água é apresentado para mostrar os efeitos da tortuosidade.

8 611.79 1. O Quadro 3.43 0. kg/ha _____________________________________________________________ 0 25 50 100 200 400 ____________________________kg / ha___________________________ 467 1357 1449 1476 554 1502 1608 1668 609 1556 1839 1853 580 1386 1761 1878 658 1614 1899 2184 566 1642 2127 2332 mm/ciclo 187 277 354 416 Conforme já ressaltado. Normalmente. Efeito da adição de fósforo em parâmetros que influenciam a taxa de suprimento deste nutriente para as raízes das plantas.com o incremento da dose de fósforo e da lâmina de água.4) 32 . em função das diferentes doses de P2O5 e lâminas de água aplicadas no solo.3. a distância linear que um íon move-se por difusão com o tempo é dada por: d = (2 .8 (cm2.60 2.2 14. Disolo .41 11. a difusão é um processo lento.24 0.3. em baixa lâmina de água. (Fonte: Anghinoni & Barber.29 5.0 62.2. Lâmina de água Doses de P2O5. a resposta à aplicação de fósforo foi pequena. Observa-se ainda no Quadro 3.1 53.3. t) ½ (3.9 3.83 3. 1980) P adicionado Solo (mg P/kg solo) 0 60 120 240 480 0 140 280 560 1120 ( mol/l) 2. s-1) x 109 1.9 182.28 Cl DP solo Raub Wellston Quadro 3.02 10. Rendimento de grãos de feijão. Quadro 3. que um mesmo rendimento de grãos pode ser conseguido por diferentes combinações de doses de fósforo e lâminas de água.1 1.1 9.43 0. mostra que houve resposta mais acentuada sobre o rendimento de grãos pelo efeito das lâminas de água do que pelas doses de fósforo e.9 6.

004 cm . 104s)½ = 1.64 . dia-1  Fósforo: DH2PO4¯ solo = 10-10 cm2 s-1 d = (2 x 10-10 cm2 s-1 x 8. a morfologia e crescimento radicular bem como a associação com fungos micorrízicos podem reduzir sobremaneira o caminho a ser percorrido pelo fósforo.13 cm .de relevada importância. nutrientes tais como fósforo. em média. portanto. Desta forma. enxofre e boro podem ser aplicados a lanço. Em termos de disponibilidade é preciso. enquanto que para o fósforo de 90 dias. potássio e zinco devem ser. para os nutrientes nitrogênio. com base no Quadro 3. cálcio. 104 s)1/2 = 0. Assim. Para o potássio este tempo seria de cerca de 3 dias. ampliar. um íon nitrato localizado a igual distância de duas raízes seria disponível no tempo de 0. preferencialmente. Em termos da prática da adubação. principalmente do fósforo.7 cm . o transporte por difusão tem implicações na localização de fertilizantes. 104 s)1/2 = 0. dia-1  Potássio: DK+ solo = 10-7 cm2 s-1 d = (2 x 10-7 cm2 s-1 x 8.27 dias..7 cm.64 . nitrogênio.onde: d = distância linear percorrida pelo íon "i" por difusão Disolo = coeficiente de difusão do íon ''i" no solo t = tempo em segundos Assim. Assim sendo. magnésio. No sentido de reduzir a grande limitação imposta pela difusão na disponibilidade de nutrientes. a própria planta pode exercer papel . dia-1 Dados desta natureza tem sérias implicações na disponibilidade de nutrientes e na prática da adubação. aplicados de forma localizada Por sua vez. supondo-se seu transporte apenas por difusão.este conceito e considerar o "nutriente posicionalmente disponível". Por exemplo.64 . algumas avaliações indicam que as raízes de milho guardam entre si. 33 .1. uma distância de 0. fósforo e potássio pode-se ter as seguintes situações  Nitrogênio: D NO3¯ solo = 10-5 cm2 s-1 d = (2 x 10-6 cm2 s-1 x 8.

em geral. Sob acidez ou alcalinidade excessiva.+ HOH (4. a acidificação do solo consiste na remoção dos cations básicos .+ H2O + 2H+ (4. a oxidação do enxofre por bactérias autotróficas. precisa-se considerar que o material de origem do solo influencia o grau de acidez do mesmo. tem-se uma baixa disponibilidade de. antes do preparo do solo. entre outros problemas para as plantas.3) E. houve intenso processo pedogenético. mais afeta a disponibilidade dos nutrientes às plantas. acidifica o solo. Essa é a situação apresentada por muitos latossolos originados de rochas básicas. predominantemente.do sistema solo. em solos com pH acima de 5.nutrientes. na verdade. deve-se procurar saber as condições de acidez do solo. A decomposição da matéria orgânica gera acidez de diversas formas. a prática da calagem torna-se de vital importância no manejo da fertilidade do solo.2. segundo as reações: H+ + HCO3 H+ + CO3= CO2 + HOH HCO3. conforme a seguir: 34 .1) (4.0 e 7. os cations hidrogênio e alumínio. 4.2) A decomposição da matéria orgânica também produz NH4+. que pode acidificar o solo através da reação de nitrificação: NH4+ + 2O2 NO3. Neste último caso. uma condição de precipitação mais intensa. o maior problema relacionado à reação do solo diz respeito ao fato de que cerca de 70% dos solos cultivados apresentam acidez excessiva. Em primeiro lugar. Os solos serão naturalmente ácidos quando a rocha de origem for pobre em bases ou. numa faixa entre 3 e 10. Portanto. K e Na . Assim. então quando mesma rica em bases. também resulta na produção de íons H+. No Brasil. partindo-se de compostos resultantes da decomposição da matéria orgânica por bactérias heterotróficas. ao longo dos anos.ACIDEZ DO SOLO Os valores de pH dos solos variam grandemente.4 . Origem da acidez dos solos Em resumo. antes da adubação e. O CO 2 produzido. promove grande lixiviação das bases. substituindo-os por cátions ácidos -Al e H. permanecendo no complexo de troca.1.0. A reação do solo é o fator que. por fim. Mg.Ca. Sabe-se que a maior disponibilidade ocorre na faixa de pH entre 6.

relevo e regime de ventos. numa elevação do pH na proximidade do grânulo para cerca de 8 a 9. da seguinte forma: 2H+ + SO4= 2H+ + 2NO3- SO2 + H2O + 1/2 O2 NO2 + H2O + 1/2 O2 (4.HS. fica mais restrita a região próxima da grande fonte poluidora.R .5) (4.6. dependendo da geografia. conforme a reação 4. a sua hidrólise resulta. segundo discussão a ser feita no capítulo 5. termoelétricas. produzem significativa alteração no pH do solo. conforme a reação abaixo: NH4+ + CO2 + HOH + OHurease (NH2)2 CO + HOH (4. Tem sido responsável por alguns desastres ambientais e agrícolas.5) A maior alteração do pH do solo e promovida pelos fertilizantes nitrogenados amoniacais. Na verdade. pois o amônio produzido vai gerar muita acidez. mas pode ter implicações na atividade biológica.3. é verdade. em função da seguinte reação: Ca (H2 PO4)2 + HOH Ca HPO4 + H3PO4 (4.) O aumento de pH é muito localizado. siderurgias e outras fontes poluidoras da atmosfera resulta na chuva ácida.4) A emissão de óxidos de enxofre e de nitrogênio por refinarias de petróleo. Os fertilizantes aplicados ao solo. representando mais um processo de acidificação dos solos. como é o caso da uréia. ou por aqueles que resultam na formação de amônio no solo. De 35 .+ 2O2 SO4= + H+ (4. após reação dos mesmos. Muitas vezes a alteração fica restrita à região próxima do grânulo. Os óxidos de enxofre e de nitrogênio carreados para o solo pela chuva sofrem oxidação formando ácidos fortes. tal aumento é transitório. O amônio adicionado ou formado no solo gera acidez conforme a reação 4.3.5 na região do grânulo. o fosfato monocálcico hidrolisa produzindo valores de pH de cerca de 1. pela menor mobilidade da molécula Por exemplo. No Brasil. Além de localizado.6) O fenômeno da precipitação ácida pode ocorrer a grandes distâncias a partir do local onde os óxidos são emitidos para a atmosfera. no caso da uréia. inicialmente. a degeneração da Mata Atlântica na região de Cubatão é um bom exemplo. A precipitação ácida.

1990) Preparo do Solo Sucessão de cultura Nitrogênio aplicado no milho (kg/ha) 0 90 0 90 pH em água AI+3 (meq/100 cc) Milho/pousio Plantio Convencional Milho/tremoço 5.0 4. a uréia é menos acidificante que o sulfato de amônio. As raízes alteram o pH através da liberação de íons H+ ou OH-. inicialmente produzido pela hidrólise da uréia.qualquer forma. as raízes tendem a criar um microambiente de pH na sua vizinhança (Rizosfera). no balanço geral. dado a necessidade do balanço eletroquímico tanto no citoplasma das células da raiz quanto na solução do solo. em função do sistema de preparo do solo.6 0.1. sucessão de cultura e da adubação com sulfato de amônio. Resultados analíticos para a acidez ativa e acidez trocável. Quadro 4. deve-se considerar que as plantas podem alterar o pH do solo. No caso de leguminosas. cultivadas sob fixação de N2.78 0. o qual pode diferir em muito do pH do solo adjacente.7 6.8 0.1 4. suplanta a absorção de anions. mostra as alterações produzidas na acidez do solo.90 0 90 - 5.15 0. 36 . em função do sistema de prepara do solo. em função do balanço entre a absorção de cations e anions.5 5.).40 1. há também uma tendência de acidificação do solo (Quadro 4.35 1.6 5.18 0.20 0. que é grandemente absorvido e o único que pode ser absorvido na forma catiônica ou aniônica. da rotação de cultura e da adubação com sulfato de amônio. notadamente de potássio.1. Neste último caso. Ou melhor. Esse efeito das raízes tende a ser mais importante ao redor das mesmas. Apenas o milho foi adubado.05 Milho/pousio Plantio Direto Milho/tremoço 0 90 5. A maior influência na relação de absorção entre cations e anions é exercida pelo nitrogênio. enquanto que a maior absorção da forma amoniacal resulta no abaixamento do pH.1. a absorção de cations. O Quadro 4. Uma maior absorção da forma nítrica causa uma elevação do pH da solução.0 5. incluindo-se a adubação ou não com sulfato de amônio.0 0. justamente devido ao aumento de pH.1 Solo antes do cultivo Finalmente. após sete anos de cultivo (Paiva.

dado a importância da acidez do solo para o crescimento das raízes e. grãos. 4. é afetada. em média. deve-se considerar que o próprio processo da colheita representa uma importante fonte de acidificação dos solos. Por mais ácido que seja um solo. Bastaria alguns quilos de calcário por hectare. Os íons 37 . Apesar da fração de H+ livres na solução ser muito reduzida. através dos métodos convencionais de avaliação do pH do solo.Este efeito da raiz é um complicador a mais para o entendimento do conceito de disponibilidade de nutrientes. principalmente em função da presença de sais no solo. Por exemplo.0 tonelada/ha de grãos de feijão promove a remoção de aproximadamente 40 kg/ha de bases. constantemente removidas do sistema solo. O pH em CaCI2 0. que permite manter constante a concentração salina. conforme discutido no capitulo 1. a colheita de cerca de 1.folhas. ela é quimicamente ativa e. exerce grande efeito na disponibilidade dos nutrientes. Ainda relacionado com as plantas. Portanto. Com base nas considerações feitas no estudo de troca iônica no solo. a acidez diz respeito à solução do solo. dificultando a interpretação da disponibilidade de ferro. a fase sólida direta ou indiretamente libera H+ para a solução. Todavia. das plantas. é extremamente fácil corrigir a acidez ativa. O mais comum é a determinação do pH em água. Qualquer material vegetal .5 unidades menor que o pH em água.colhido é muito rico em bases.01 M. flor e tubérculos .5. entre outros aspectos. torna-se mais importante ainda considerar que a acidez do solo é algo mais complexo. apenas pelas condições prevalentes na solução do solo. por conseqüência.5 pode resultar na acidificação da rizosfera para pH 6. Para todos os efeitos. a acidez desse solo seria considerada como sendo apenas igual a 7. A acidez ativa é medida pelo índice pH. a nutrição amoniacal num solo com pH 7. que reduzem o valor do pH. Por isso alguns laboratórios. na-se importante destacar que. de forma direta. sabe-se que os íons H+ do sistema solo estão predominantemente retidos na fase sólida. seu valor fica sujeito a certas variações. considerando a grande influência exercida pela fase sólida sobre a solução do solo. aumentando em mais de 1000 vezes a disponibilidade de ferro. Componentes da acidez dos solos A raiz das plantas.0. Entretanto. caule.2. à medida que se neutraliza os íons H+ da solução. que são. A fração de íons H+ na solução do solo representa a Acidez Ativa.01 M é cerca de 0. ao invés da água. Por exemplo. além da simples atividade de íons H+ na solução. Todavia. usam a solução de CaCI2 0. portanto. na verdade. a nível de concentrações de soluções de solos de alta fertilidade.

Assim. em qualquer uma das suas formas iônicas solúveis. seu teor no solo representa parte da acidez potencial. de outra forma.2. Em primeiro lugar. Dado ao destacado papel do alumínio na acidez dos solos. o alumínio é causa da acidez excessiva de certos solos. em função do pH da solução. ilustra os três estágios da hidrólise de alumínio. adsorvidos nos colóides da fase sólida.1. O alumínio é um componente de destaque na acidez dos solos. denominada Acidez Trocável. o alumínio consome sucessivamente oxidrilas até precipitar-se na forma AI(OH)3.2. 38 . A Figura 4. ao ser deslocado dos sítios de adsorção para a solução este cátion hidrolisa produzindo íons H +. através da injeção de oxidrilas na solução . De outra forma.para sua neutralização. Além de gerar acidez ativa.H+ (diretamente) e os íons AI+3 (indiretamente). não são trocáveis. conforme esquematizado na Figura 4. isto é. em valores de pH acima de cerca de 6. por exemplo -.0. denominada Acidez Trocável ou Acidez Nociva. quando deslocado para a solução do solo.1. Sabe-se que os íons H+ não participam das reações normais de troca iônica. que é conseguida apenas através da reação de neutralização com íons OHintroduzidos na solução do solo. É importante ressaltar que ao tentar-se elevar o pH do solo. o alumínio atua no meristema apical da raiz. Cada Al+3 deslocado para a solução gera 3 H+ ou. consome 3OH. resultam na Acidez Potencial. pois. Representação esquemática da hidrólise do alumínio trocável. OH H + - +3 Al SOLUÇÃO Al +2 [OH} SOLUÇÃO Al [OH] + 2 SOLUÇÃO OH H + - Al [OH] 0 3 INSOLÚVEL Figura 4. Portanto o alumínio trocável gera acidez ativa. em seus três estágios. Representação esquemática da hidrólise do alumínio. cessando a divisão celular. o alumínio trocável. que existia em potencial. o alumínio representa parte da acidez potencial. paralisando o crescimento das raízes. é um elemento altamente fitotóxico. AI+3 AI+3 solução Colóides - + HOH AI(OH)+2 solução + H+ Figura 4. portanto. A ligação covalente do H+ com os colóides requer alta energia para ser desfeita. o teor de alumínio trocável ou a percentagem de saturação de alumínio dão uma idéia da acidez trocável ou nociva. a partir do resultado da análise química do solo. Entre outros problemas. tanto por gerar acidez quanto por ser fitotóxico.via calagem.

pois o processo de acidificação ocorre mais rapidamente. na frequência de análise química do solo para avaliar a sua acidez. o que acarreta a redução da disponibilidade de vários nutrientes. Poder tampão dos solos A capacidade ou poder tampão do solo diz respeito à resistência do solo em ter o valor de seu pH alterado. 39 . partindo-se de um solo com pH ácido qual seria a sua resistência em ter seu pH elevado. é preciso estar atento para o fato de que a aplicação de pequenas doses de calcário em excesso podem elevar o pH para acima de 7. em valores de pH acima de cerca de 6.3. deve-se lembrar sempre que a resistência que o solo oferece em ter seu pH elevado é idêntica àquela para ter seu pH diminuído. que apresentam grande quantidade de íons H + adsorvidos nos grupamentos carboxílicos e fenólicos. quando tratado com base ou com ácido. Se a um dado solo forem adicionadas quantidades crescentes de calcário e for medido o pH resultante após a reação do corretivo. são obtidas curvas de neutralização. Muitas vezes o conceito de poder tampão é mais enfocado no sentido do aumento do pH do solo. principalmente pelo uso de fertilizantes nitrogenados e pela remoção das bases pelas colheitas. pois todo o alumínio já foi precipitado na forma AI(OH)3. Isto tem implicações. Este enfoque está ligado à determinação da necessidade de calcário para elevar o pH a um valor desejado. Quanto maior a acidez potencial maior será o poder tampão do solo. solos mais argilosos ou com argila de maior atividade ou solos com maiores teores de matéria orgânica possuem maior poder tampão do que solos mais arenosos ou argilosos com argila de baixa atividade ou solos com menores teores de matéria orgânica. mas não acidez trocável ou nociva. A continuada neutralização da acidez não-trocável. Num solo com baixo poder tampão. Assim.0 ainda existe acidez ativa e acidez não-trocável. com a conseqüente neutralização da acidez ativa na faixa de pH 6 a 7. Em termos práticos. Essa acidez praticamente não causa qualquer problema para o crescimento das plantas. ou seja. considerando as causas de acidificação dos solos. notadamente de micronutrientes. com poder tampão bem contrastantes. Segundo o que já foi visto. 4. denominada Acidez Não-trocável. A Figura 4. traria como benefício maior o aumento da CTC do solo e aumento da atividade de certos microrganismos.Os íons H+ da fase sólida constituem a outra parte da acidez potencial. Portanto. em solos com maior teor de matéria orgânica. Quanto menor o poder tampão do solo menor será o espaço de tempo entre uma amostragem e outra. essa acidez representa apenas o gasto de uma maior quantidade de calcário para elevar o pH do solo. Na prática.0. como tendência geral. inclusive. mostra curvas de neutralização para dois solos. em função de um maior poder tampão. é preciso estar atento para a resistência que o solo oferece em ter seu pH decrescido. nessa condição não há mais efeito desfavorável da acidez para as plantas. Por outro lado.3.

de H+. é preciso considerar que as causas variam com o próprio pH do solo. com o teor e tipo de matéria orgânica. ao que tudo indica. devese destacar que o aumento da concentração de cálcio na solução alivia os efeitos prejudiciais dos íons H+. como tendência geral.Figura 4. explica-se. pois vários outros fatores atuam simultaneamente aos íons H+ Estudos em solução nutritiva ou em areia pura mostram que os íons H + causam problemas apenas se o pH da solução cai abaixo de 4. Relacionado a essa competição com o Ca +2. Representação de curvas de neutralização. Ademais. com a força iônica da solução do solo e com a espécie ou. o excesso de íons H-.2. com o genótipo dentro de uma mesma espécie. Mn+2 e AI+3 Os efeitos diretos de íons H+ no crescimento das plantas é difícil de ser determinado em condições de solo. pelo menos em parte. As principais causas limitantes do baixo crescimento das plantas em solos ácidos são as seguintes: a) Toxidez. conforme mostra o Quadro 4. normalmente. Causas do pouco crescimento das plantas em solos ácidos e alcalinos O crescimento da maioria das plantas é drasticamente reduzido. 4. com a textura e mineralogia do solo. Em qualquer uma das condições. alterando sua permeabilidade e reduzindo o crescimento de raízes. são várias as causas da baixa produção vegetal.5. tanto sob acidez quanto alcalinidade excessivas. Nestas condições. de dois solos com poder tampão bem distintos.4.3. os efeitos benéficos do uso do gesso em 40 . Com base em resultados desta natureza. até mesmo. desloca o Ca+2 da plasmalema.

tem comportamento bem semelhante à disponibilidade de AI +3 . envoltas por zonas cloróticas. mas sim a parte área. afetadas. entre outros fatores.5. a sua toxidez pode manifestar-se no início como deficiência induzida de cálcio. quando absorvido em quantidades excessivas. a possibilidade de ocorrência de toxidez de manganês é muito maior do que em solos originários de arenito.6 24 270 422 461 453 455 0. Quadro 4. dado a sua essencialidade. Sob condições solo ácido.05 0. ao contrário do alumínio.5 Além do efeito na permeabilidade de membranas e no crescimento de raízes.2. o teor de Mn+2 disponível na solução depende de reações de oxi-redução. A toxidez de manganês em solos ácidos é muito menos generalizada que a de alumínio. em latossolos originários de rochas básicas.solos ácidos. não afeta as raízes diretamente. magnésio e. podem apresentar elevados teores de manganês solúvel. a atividade de íons H+ na solução do solo afeta diretamente as leguminosas crescendo com fixação de N2. Ademais. O pH necessário para neutralizar o Mn+2 tóxico é cerca de 0. posteriormente. através de pontuações de cor marrom ao longo das nervuras. mm _________________________________________________ pH 4. dada a interação do manganês com outros nutrientes. Uma elevada atividade reduz a sobrevivência e multiplicação de bactérias no solo.5 2. As 41 . o aumento do pH implica na redução da disponibilidade. a forma inerte de manganês Mn O2 é reduzida para forma Mn+2. mas aumenta a concentração de cálcio na mesma. pelo pH do solo. esses últimos são mais predispostos à deficiência de manganês do que à toxidez. com material de origem rico em manganês. devido ao acúmulo de óxidos de manganês. Em síntese. Por exemplo. Obviamente. também. 1970) Concentração de Cálcio (ppm) Comprimento de raiz principal.5 unidade maior que aquele exigido para o alumínio. em especial. em função do pH. portanto. O manganês. a elevação do pH muito além desse valor é totalmente indesejável. Solos muito ácidos. deve-se destacar que o cálcio é o nutriente mais importante para o crescimento de raízes. Na verdade. como toxidez propriamente dita. Frequentemente. Efeito da concentração de íons H+ e de Ca+2 em solução nutritiva no crescimento de raiz de soja (Lund.5 pH 5. também tóxico para as plantas. reduz o processo de infecção e estabelecimento do nódulo e. para o manganês. A disponibilidade de Mn+2 na solução do solo. O gesso não eleva o pH da solução. a eficiência da simbiose. pois a de manganês ocorre apenas em solos originários de material de origem ricos nesse nutriente. em torno de 6. Portanto. Esta manifesta-se primeiramente nas folhas mais novas. de ferro e.

é preciso considerar que as espécies de plantas ou. O teor de alumínio trocável tem sido usado como indicador do potencial fitotóxico do alumínio no solo. podem atingir a superfície das raízes. 1974). o alumínio ligando ao fosfato na molécula do DNA. O alumínio além de reduzir drasticamente a disponibilidade de fósforo na solução. até mesmo. Em conseqüência do grande espectro de atuação do alumínio nos processos metabólicos das plantas. as quais tornam-se curtas. justamente a região afetada pelo alumínio. tanto por dissolução de óxidos hidratados quanto por substituição da alumínio do interior das camadas octaedrais dos minerais. que é o cátion mais abundante na crosta terrestre. além de apresentar aparência coraloide. deixam de ser transportados para a parte aérea. por serem solúveis. Ainda não se conhece com exatidão as bases bioquímicas da fitotoxidez de alumínio. Basicamente. apresenta os níveis críticos da percentagem de 42 . indistintamente. O Quadro 4. à ação dos íons hidrogeniônicos. considerando a variação de CTC entre solos. com participação na estrutura de vários minerais primários e secundários. notadamente fósforo e cálcio (Foy. ou seja. devido a reação de precipitação. com a acidificação dos solos. um melhor indicador tem sido a percentagem de saturação de alumínio. sabe-se que sua absorção ocorre apenas nas partes novas das raízes. Qualquer uma destas formas. Nesta avaliação. os primeiros sintomas aparecem nas raízes. pode apresentar-se na solução em diversas formas iônicas. Todavia. A liberação do alumínio da fase sólida. A extremidade delas fica amarronzada e o sistema radicular como um todo é desprovido de ramificações finas. o que torna as raízes. quebradiças e adquirem coloração escura. dependendo do seu estágio de hidrólise. O que se sabe é que sua ação é mais pronunciada no sistema radicular. ou seja. No caso do cálcio. o alumínio é o que apresenta maior potencial fitotóxico. portanto. se deformam ficando encarquilhadas.3. A toxidez de alumínio na parte aérea é caracterizada por uma sensível redução no crescimento das plantas e por sintomas semelhantes àqueles da deficiência de nutrientes. Dentre as principais causas do pouco crescimento das plantas em solos ácidos está a toxidez causada pelo alumínio. 1974). há redução na capacidade de exploração de água e de nutrientes presentes no perfil do solo. dado ao menor crescimento das raízes. o alumínio em solo ácido. Conforme já ressaltado. o AI+3 tende a constituir um dos principais cations na nuvem de contra-íons dos colóides do solo. os sintomas de toxidez ocasionados por este elemento tendem a ser expressos de várias formas. Assim. cultivares dentro de uma mesma espécie têm demonstrado comportamento diferencial quanto à susceptibilidade à toxidez ocasionada pelo alumínio. está diretamente ligada ao processo de acidificação do solo. Dos elementos químicos normalmente presentes no solo. muito sensíveis à toxidez de manganês. diminui sensivelmente sua aquisição por acentuar o papel da difusão. os quais. mais grossas e curtas (Foy. Conforme já visto. Como consequência da diminuição na proliferação de raízes. engrossadas. bem como redução na síntese de reguladores de crescimento nas partes novas das raízes. reduz a atividade de replicação e de transcrição.folhas das dicotiledôneas. essa alteração marcante no sistema radicular se deve ao efeito do alumínio no processo de divisão celular.

4. Conforme esperado. estas duas espécies incluídas para efeito comparativo .4. apesar de se usar o híbrido BR-201. dado ao elevado teor de alumínio trocável do solo estudado. relativamente resistente à acidez. (1988) m (%) 10 15 15 20 20 30 30 30 45 88 O reduzido crescimento de raiz em solos ácidos.).por ser reconhecidamente resistente à toxidez de alumínio -. no qual se observa acentuada variação no comportamento de espécie para espécie.3. devido principalmente ao excesso de alumínio e/ou a deficiência de cálcio. Em trabalho conduzido por Vale et al. em programas de revegetação às margens de lagos e rios ou em cidades. observou-se comportamento muito diferenciado quanto a adaptação ao elevado teor de alumínio (Figura 4. Há de se destacar a importância de se definir a sensibilidade de espécies florestais nativas às diferentes condições de acidez do solo. onde procurou-se avaliar o efeito da acidez. Dentre as espécies florestais nativas. notadamente com aquelas diretamente relacionadas com a correção efetivada pela prática da calagem..4. representa um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas nestas condições. o comportamento frente ao alumínio variou entre aquele observado para o milho e para o eucalipto (Figura 4. pois. O eucalipto. espécie florestal muito estudada e também utilizada para efeito comparativo neste estudo . do excesso de alumínio e da deficiência de cálcio no crescimento de raízes de quinze espécies florestais nativas e do algodão e do milho. pode não ser viável o uso de calcário. 43 .). a raiz do algodão não cresceu nestas condições (Figura 4.). o crescimento foi muito afetado (Figura 4. Níveis críticos da percentagem de saturação de alumínio no solo para algumas espécies vegetais Espécie Vegetal Algodão Alfafa Aveia Soja Feijão Cevada Trigo Milho Arroz Eucalipto FONTE: Neves et al.).saturação de alumínio no solo para algumas espécies vegetais.são espécies bem mais conhecidas quanto a sensibilidade à acidez -. muitas vezes. (1993). No caso do milho. (1982) e Fageria et al.4. apresentou o comportamento esperado. Quadro 4.

Ou. Assim sendo.5.0 e o estresse de alumínio é considerado no mesmo solo natural tratado com CaCI2 para elevar o teor de cálcio para 1.0 a 5. quando se pretende determinar a atividade de alumínio em solução. por exemplo . milho e de espécies arbóreas em condição de estresse provocado pela toxidez de alumínio. tem-se observado que o benefício da calagem em solos mais orgânicos solos hidromórficos.é mais para suprir cálcio e magnésio. (1985). De importância na dinâmica do alumínio no solo.4. do que para neutralizar alumínio. E. após a aplicação de grande quantidade de resíduo orgânico no solo. de outra forma. ou com saturação em bases na faixa de 40 a 50%.Figura 4. A Figura 4. pode ter uma atividade negligível de alumínio em solução. O crescimento relativo foi calculado atribuindo-se o valor 100% para o crescimento em solo ácido tratado com Ca(OH)2 para elevar o pH a 6. um solo com pH em torno de 5. desde que cálcio e magnésio não estejam em deficiência. Portanto.5. conforme observado por Quaggio et al. os níveis de calagem para elevar a saturação em bases para 40-50% são suficientes para o cultivo do feijão e milho verde e inferiores aos preconizados para elas em solos minerais. nestes solos. consegue-se boas produções na faixa de pH 5. Crescimento relativo de raiz de algodão. o pH não pode ser analisado isoladamente.5. o que reduz sobremaneira sua atividade em solução. em solos orgânicos. mostra que.0 meq/100 cc. deve-se destacar a grande capacidade desse elemento em formar complexos com radicais orgânicos. 44 .

dado a menor taxa de mineralização da matéria orgânica. através do processo de lixiviação. apresentam baixa disponibilidade solos ácidos. todavia. Quanto à dinâmica do alumínio no solo.Figura 4. em geral. de nutrientes.5. destaca-se ainda a grande reatividade deste elementos com anions inorgânicos. dado a fixação dos anions molibdato e fosfato. deve-se de adsorção aos cálcio. promove a perda de cations essenciais às plantas potássio -. por apresentar elevada capacidade colóides do solo. a principal implicação dessa reação é a redução da disponibilidade de fósforo às plantas. Em alumínio. enxofre e micronutrientes. E. além do efeito fitotóxico das formas catiônicas de ressaltar que esse elemento. magnésio e A disponibilidade de molibdênio e de fósforo em solos ácidos. notadamente com fosfato. No caso do fosfato. A reação com qualquer um destes anions também reduz a atividade do alumínio em solução. a ser discutida adiante. fluoreto e sulfato. de valor mais prático. Curva de resposta à calagem das culturas de feijão e milho verde em solo orgânico do Vale do Ribeira. além do baixo acúmulo da mesma. A formação de pares iônicos ou complexos como AISO 4+ ou de fluoreto de alumínio tem sido propostos como possíveis mecanismos envolvidos na redução da atividade do alumínio em subsolos ácidos através do uso de gesso. 45 . é muito baixa. ainda. os solos ácidos são também deficientes em nitrogênio. normalmente. b) Baixa disponibilidade de nutrientes Os solos ácidos.

assim como as plantas. ou seja. é preciso relembrar que o crescimento da maioria das espécies vegetais é drasticamente reduzido. Assim. A eficiência máxima na aquisição de nutrientes aplicados na forma de fertilizantes é apenas conseguida na faixa de pH 6 a 7.c) Baixa eficiência no aproveitamento de fertilizantes A acidez do solo exerce fundamental papel no aproveitamento de nutrientes aplicados ao solo pelas plantas. conforme normalmente ocorre em solos ácidos. notadamente de ferro. Basicamente. em decorrência da aplicação de fertilizantes. no uso eficiente de fertilizantes. muitas vezes. fixação do N2 por leguminosas ou nitrificação. A correção da acidez dos solos pela calagem é condição essencial para obter-se a maior relação benefício/custo. notadamente as bactérias. tanto sob acidez quanto alcalinidade excessivas. Na verdade. uso excessivo de calcário. tais como a mineralização da matéria orgânica. são muito sensíveis a qualquer toxidez ou baixa disponibilidade de nutrientes. o fósforo é o mais afetado. d) Baixa atividade biológica Os microrganismos do solo. Uma vez discutidas as principais causas do pouco crescimento das plantas em solos ácidos. Portanto. a principal causa limitante do baixo crescimento das plantas em solos alcalinos é a baixa disponibilidade de micronutrientes catiônicos. As condições de alcalinidade elevada são muito menos comuns na agricultura brasileira. tal condição ocorre devido a calagem mal recomendada. trata-se de condição artificial. são afetados sob condições de solo ácido. Dentre os macronutrientes. a acidez do solo é o principal fator a afetar a sobrevivência e crescimento das bactérias fixadoras do N2. Por exemplo. 46 . manganês e de zinco. ou seja. importantes processos.

O envolvimento do NO 2 na chuva ácida já foi discutido no capítulo 4. precisa ser transformada para formas orgânicas ou inorgânicas. A Figura 5. Uma vez presente na atmosfera. As quantidades adicionadas são maiores em áreas de intensa atividade industrial. o nutriente exigido em maior quantidade pelas culturas. Ciclo e formas do nitrogênio no solo Ao contrário dos demais nutrientes. principalmente na forma nítrica. adicionam de 1 a 50 kg N/ha/ano. No solo. apresenta parte do cicio do nitrogênio no sistema solo-atmosfera. Há muito. Na verdade. aproveitáveis pelas plantas. Assim sendo. forma aproveitável pelas plantas. o nitrogênio. normalmente. o NO2 pode ser uma fonte de nitrogênio para o solo. que é carreado para o solo através das chuvas. 5. à medida que a agricultura se intensifica. No Brasil. espera-se uma atenção cada vez maior para o correto manejo da adubação nitrogenada. o nitrogênio pode transformar-se para formas gasosas. além da movimentação em profundidade.5 . a adubação nitrogenada precisa ser feita de forma muito mais pesada e constante que a dos demais nutrientes. mediada por calor e descarga elétrica dos relâmpagos. o nitrogênio não é absorvido pelas plantas.1. Esse nutriente apresenta uma dinâmica complexa. Dado ao seu elevado dinamismo. essa fonte inesgotável de nitrogênio. Em última instância a fonte de nitrogênio para as plantas é o gás N2. o NO2 é adicionalmente oxidado para nitrato. traduzida por grande mobilidade no solo e por diversas transformações em reações mediadas por microrganismos. Portanto. através de seu carreamento pelas chuvas. o nitrogênio praticamente não é fornecido ao solo pelas rochas de origem. quando comparado com os demais nutrientes. o consumo mundial de fertilizantes nitrogenados supera o consumo de fertilizantes com qualquer outro nutriente. normalmente. entretanto. é preciso ressaltar que a maior contribuição de NO 2 na atmosfera deve-se a emanação de gases de certas indústrias. é muito mais difícil de ser mantido no solo ao alcance das raízes. Inclusive. que constitui 78% da atmosfera terrestre. Na sua forma elementar. dado ao seu baixo efeito residual e sua grande exigência pelas culturas.1.NITROGÊNIO NO SOLO O nitrogênio destaca-se dos demais nutrientes por apresentar acentuado dinamismo no sistema solo e por ser. dependendo da localização. que. O gás nitrogênio pode sofrer oxidação na atmosfera. resultando em perdas por volatilização. com ênfase para a incorporação do gás nitrogênio ao solo. para ser utilizada pelas plantas. formando NO2. 47 .

). num sistema de rotação de culturas. a mineralização do nitrogênio orgânico produz elevada quantidade de nitrogênio mineral para não leguminosas. cerca de 75% do nitrogênio requerido pela leguminosa. para formar NH3. A contribuição desse processo. Uma vez presente no ar do solo.1. como parte do cicio do nitrogênio no sistema solo-atmosfera. Os gases N2 e H2 reagem sob altas temperaturas e elevadas pressões. Incorporação do gás nitrogênio ao solo.1. após mineralização do nitrogênio orgânico formado. em condições de adequada modulação. Além de suprir. a fixação é feita por microrganismos crescendo em simbiose com a planta hospedeira. No segundo caso. através da produção industrial de NH3 (Figura 5. Portanto. apresenta-se em equilíbrio entre a atmosfera e o ar do solo. com a adubação mineral.1. tem sido citada como sendo de 10 a 50 kg N/ha/ano. através da difusão. O gás N2 pode ainda ser incorporado ao solo através da fixação industrial. No primeiro caso.fixação biológica (Figura 5.Figura 5. ou seja. a fixação é feita por microrganismos vivendo livres no solo.). por exemplo. variam de 40 a 200 kg/ha/ano. O processo de fixação biológica do nitrogênio pode ser não simbiótico ou simbiótico. O gás nitrogênio. após incorporação dos resíduos da mesma. 48 . De maior importância para a agricultura é a fixação por bactérias do gênero Rhizobium em simbiose com leguminosas. um intermediário chave da fabricação de diversos fertilizantes nitrogenados. o gás nitrogênio pode ser fixado por microrganismos . principalmente por certas bactérias e algas. As quantidades médias de nitrogênio fixado. respectivamente. para feijão e alfafa.

amidos. além de mostrar aumento no teor de nitrato em profundidade. o teor de amônio não trocável é negligível. mostra o predomínio da forma amoniacal nas camadas superficiais. Embora represente importante reservatório de nitrogênio . enfocando-se a incorporação do mesmo no solo. 1965).1. 49 .amônio ou nitrato provenientes do N2. A forma não trocável corresponde ao amônio que é 'fixado" pelo solo. àquele retido nos espaços internos de argila do tipo 2:1. permite concluir que as principais formas de nitrogênio no solo são o gás inerte N2. A quase totalidade (cerca de 98%) do nitrogênio presente no solo está na forma orgânica .1. o nitrogênio orgânico não é diretamente disponível para as plantas. apenas tem importância para as plantas através do processo de fixação biológica.1. ácidos nucléicos e.1. pode ser trocável ou não trocável. O íon nitrato. o ciclo do nitrogênio precisa ser ampliado. proveniente da oxidação do amônio ou do NO2 e da adubação (Figura 5. Dado a importância do nitrogênio orgânico. O gás N2 do solo. As formas amoniacal e nítrica são prontamente absorvidas pelas plantas.). é preciso que seja transformado em formas inorgânicas ou minerais. algumas vezes. dessa forma muito mais suscetível à lixiviação. que pode ser feita através da aplicação de resíduos vegetais ou animais ao solo. O íon amônio. notadamente vermiculita. além da fixação biológica (Figura 5.2000 a 20000 kg N/ha na camada arável -. a melhor forma de avaliar a disponibilidade de nitrogênio mineral no solo é fazer amostragem até maiores profundidades. proteínas.). O Quadro 5. ou seja. o predomínio é da forma nítrica (Alexander. O nitrogênio mineral do solo é representado pelas formas iônicas amônio. Em solos mais férteis. muito raramente. através do processo da mineralização. Para sua utilização pelas plantas.pode-se incorporar ao solo qualquer uma das formas de nitrogênio mineral . Por essa razão. conforme destacado. A análise detalhada da Figura 5. Portanto. nitrato e. associado a polímeros de complexidade variada.). o nitrogênio mineral e nitrogênio orgânico. em solos mais intemperizados. aminoaçúcares.1. ficando. proveniente da mineralização do nitrogênio orgânico ou da aplicação de fertilizantes ao solo (Figura 5. tende a predominar na solução do solo.aminoácidos. por ser negativamente carregado. nitrito.

conseqüentemente. um aumento da precipitação média anual tende a ser acompanhado de um aumento no teor de nitrogênio no solo. conseqüentemente. Normalmente.20 20 . Em princípio.1. o teor de nitrogênio total do solo.7 5.9 12.4 12. principalmente por promover maior disponibilidade de nutrientes e maior retenção de umidade no solo.Quadro 5. respectivamente.2. Em resumo.0 5. o teor de nitrogênio no solo. a formação de complexos organo-minerais com as argilas tende a proteger o nitrogênio orgânico da ação de microrganismos mineralizadores. uma vez formadas são muito suscetíveis a perdas. A mineralização do nitrogênio orgânico praticamente inicia-se a partir de 0ºC. determinado antes do plantio de cana de açúcar (Oliveira. com a maior incorporação de matéria orgânica ao solo.80 12.5 6.4 21.MG.3 9. Profundidade (cm) N mineral ______________________________________________________ N-NH4+ g N g-1 solo N –NO3- 0 . Ademais. em última instância. acelerando-se rapidamente com a elevação da temperatura até a faixa mais favorável de 40 a 60ºC.8 5. tem-se que a incorporação de matéria orgânica ao solo bem como sua taxa de decomposição ou de mineralização controlam. Fatores que afetam o teor de nitrogênio no solo Considerando que a quase totalidade do nitrogênio do solo se faz presente na forma orgânica. notadamente a nítrica. Assim sendo. a incorporação de matéria orgânica no solo e a mineralização tendem a aumentar e diminuir. um solo mais argiloso favorece uma maior produção vegetal.60 60 . A principal explicação está relacionada com o maior crescimento vegetal e.0 11. As formas minerais.5 13. um aumento no teor de argila representa um aumento no teor de matéria orgânica do solo e. Teor de nitrogênio mineral no perfil de um Latossolo Vermelho Amarelo do Município de Lavras . 1992). 50 . Em regiões com temperatura média anual similares.40 40 .10 10 . no teor de nitrogênio. o teor de nitrogênio no solo tende a diminuir com o aumento da temperatura média anual.

Assim sendo.3. Transformações do nitrogênio no solo 5. as respostas às adubações nitrogenadas são. em geral. 5.5.NH2 + Co2 + Energia + outros produtos Microrganismos Proteínas heterotróficos (5. A redução no teor de nitrogênio com o cultivo se deve ao fato de que as queimadas e as constantes arações e gradagens favorecem a oxidação da matéria orgânica. Mineralização O processo pelo qual o nitrogênio orgânico (98 a 99% do N total) é convertido em nitrogênio mineral ou inorgânico é denominado Mineralização. A mineralização do nitrogênio orgânico deve-se a ação de microrganismos heterotróficos. A maior preservação do nitrogênio orgânico no solo foi atribuída ao menor contato dos resíduos vegetais com o solo. ou seja. representa a aminação:  R .Em geral. sendo denominada de Aminação. Paiva (1990) observou que o teor de matéria orgânica foi maior no sistema de plantio direto em relação ao plantio convencional. É importante destacar que o tipo de cultivo também afeta o teor de nitrogênio do solo. apesar de não ter sido devidamente estudada. A reação 5. Vários grupos de bactérias e fungos atuam no processo. Com o cultivo dos solos ocorre. muito baixas ou nulas em solos recémdesbravados. com o passar do tempo. É considerada a primeira etapa da mineralização. um decréscimo do tipo exponencial.1) 51 . solos sob vegetação de gramínea apresentam maior teor de matéria orgânica do que solos sob vegetação de floresta.3. No caso de regiões tropicais úmidas. O tipo de sistema radicular das gramíneas associado com contínua decomposição de restos culturais favorece uma maior incorporação de matéria orgânica nos solos sob cultivo com gramíneas. as perdas podem até ser mais intensas. para o sistema de plantio direto. um abaixamento do teor de matéria orgânica. muito rápido nos primeiros anos de cultivo e. Um dos estágios da decomposição de compostos orgânicos nitrogenados é a hidrólise de proteínas com a liberação de aminas e aminoácidos. os quais requerem carbono orgânico como fonte de energia. via de regra. dentre as várias que ocorrem na decomposição da matéria orgânica.1. após oito anos de cultivo. cada um sendo responsável por uma ou mais de uma reação. As bactérias atuam melhor em solos mais alcalinos enquanto que os fungos prevalecem em solos ácidos. Stevenson (1982) relata perdas de cerca de 25% de nitrogênio nos primeiros 20 anos de cultivo de solos de região temperada. cada vez menor. Essa transformação do nitrogênio ocorre na medida em que os microrganismos decompõem a matéria orgânica.

incluindo tanto microrganismos aeróbicos quanto anaeróbicos.3. A transformação do nitrogênio mineral em nitrogênio orgânico do protoplasma de microrganismos é denominada de Imobilização. No balanço geral.2.NH2 + HOH heterotróficos NH3 + R .2) Em condições de pH abaixo de 7. Na verdade. Para determinação.3) Uma população bem diversificada de bactérias. H+ NH3 + H2O OH+ NH4 + OH(5. se o material orgânico em decomposição tem baixo teor de nitrogênio. conforme mostra a reação 5. com a conseqüente liberação de amônio. O amônio é.0. a mineralização e imobilização são transformações concomitantes. fungos e actinomicetos participa da reação de amonificação. representa a amonificação: Microrganismos R . o predomínio de uma ou outra transformação depende da relação C/N do material orgânico em decomposição.OH + Energia (5.presentes na solução do solo. na etapa de aminação a imobilização predomina sobre a mineralização. praticamente toda amônia é convertida em íons amônio. Assim sendo. 5. a relação C/N de aproximadamente 20:1 tem sido considerada como a linha divisória entre a imobilização e a liberação líquida de nitrogênio. A reação 5.2. após incorporação ao solo de resíduos orgânicos. O nitrogênio mineral é necessário para permitir rápido crescimento da população microbiana. em termos práticos. Imobilização É muito importante considerar que os microrganismos heterotróficos do solo que decompõem a matéria orgânica necessitam de nitrogênio e outros nutrientes prontamente disponíveis.3. 52 . a primeira forma de nitrogênio mineral formada. Esta é considerada a segunda etapa da mineralização. que ocorre com a adição da fonte de carbono. Portanto. É uma forma nitrogenada prontamente disponível para as plantas. os microrganismos utilizam N-NH4+ e NNO3. da capacidade de suprimento de nitrogênio ou de produzir um déficit deste nutriente no solo.As aminas e aminoácidos liberados são utilizados por vários microrganismos heterotróficos. portanto. em relação ao carbono presente que é sempre elevado. denominada de Amonificação.

cultivo irrigado -. esse tempo varia de 3 a 8 semanas. o teor de nitrogênio mineral pode ir a zero e voltar a aumentar nessa fase mais final da decomposição. Durante o estágio inicial da decomposição do material orgânico fresco há um rápido aumento na população de microrganismos heterotróficos. Ainda.5 % e o de carbono de 50 a 58 %. Se isto tiver de ser feito. O resultado disto é que o teor de nitrogênio mineral final tende a ser menor que o teor inicial. há liberação de nitrogênio mineral para o solo. Para resíduos orgânicos com relação C/N abaixo de 20:1 há uma liberação líquida de nitrogênio já no início da decomposição. até estabilizar em cerca de 10:1. com a diminuição da relação abaixo de 20:1. Com o prosseguimento da decomposição.são adicionados ao solo. quando resíduos orgânicos com relação C/N acima de 30:1 . dando uma relação C/N de 9 a 12. de palhada de leguminosas ao solo.carbono orgânico . É o caso da incorporação. por exemplo. acompanhado pela evolução de grande quantidade de gás carbônico. mostra o que acontece na decomposição de resíduos de elevada relação C/N. o plantio de determinada cultura logo após a incorporação de grande quantidade de palhada com elevada relação C/N pode resultar em séria deficiência de nitrogênio na fase inicial de crescimento da lavoura instalada. Como a relação C/N é inicialmente alta. Para relações C/N na faixa de 20:1 a 30:1 tende a não haver nem predomínio da imobilização nem liberação líquida de nitrogênio. o período crítico para a cultura subseqüente.palhada de arroz e milho. pois o teor de carbono é mais ou menos constante em torno de 40%. A linha divisória entre a imobilização e a liberação líquida de nitrogênio para o solo corresponde a um teor de nitrogênio no resíduo de cerca de 2%. Como o resíduo orgânico tinha relação C/N muito alta. Grande parte da população microbiana morre devido a tal redução no suprimento de alimento.também vai diminuindo. Portanto. portanto. com o teor de nitrogênio mineral podendo ser reduzido a zero. da relação C/N e da resistência do resíduo ao ataque microbiano.2. A Figura 5. a relação C/N do resíduo vai diminuindo e o suprimento de energia .Geralmente. típica de resíduo humificado. O grau de deficiência de nitrogênio mineral dependerá do teor de nitrogênio mineral no solo e da quantidade de resíduo adicionada. Considerando que a maior variação é no teor de nitrogênio do resíduo orgânico. por exemplo . por exemplo. em condições de plantio intenso . há uma imobilização líquida de nitrogênio. o que. O teor de nitrogênio do húmus é de cerca de 5 a 5. A mineralização da matéria orgânica do solo é o processo mais importante de suprimento natural de nitrogênio para as plantas. É. resulta na estabilização da relação C/N em torno de 10:1. 53 . em última instância. a simples análise do teor de nitrogênio dos resíduos pode dar uma boa idéia da magnitude da imobilização e mineralização. é preciso elevar a quantidade de nitrogênio aplicada no plantio ou antecipar a adubação em cobertura. principalmente temperatura e umidade do solo. O tempo requerido entre a imobilização líquida e a subseqüente liberação de nitrogênio mineral depende da quantidade de resíduo incorporada. Em geral. há predomínio da imobilização de nitrogênio durante a fase inicial de decomposição. da disponibilidade de nitrogênio mineral inicial e de fatores que afetam a mineralização. que depende do teor de ligninas.

A umidade ideal para a mineralização situa-se entre 50 a 75% da capacidade de retenção de água do solo. A mineralização praticamente inicia-se a partir de 0ºC. aumentando a disponibilidade desse nutriente às plantas. ela é favorecida com o aumento do pH até a neutralidade. Em função dos fatores que afetam a mineralização. Brandão (1990) observou que a calagem acelera a mineralização do nitrogênio potencialmente mineralizável. acelerando-se rapidamente com a elevação da temperatura até a faixa mais favorável de 40 a 60ºC. em termos práticos. em geral. mas. Alterações na disponibilidade de nitrogênio mineral no solo durante a decomposição de resíduos orgânicos com baixo teor nitrogênio. que de 1 a 4% do nitrogênio orgânico é mineralizado no período normal de 54 . apesar de ser a uma menor taxa e de ser incompleta. pode-se considerar. É difícil estabelecer um valor ótimo de pH para a mineralização do nitrogênio devido à heterogeneidade dos organismos envolvidos nessa transformação.2.Figura 5. A decomposição da matéria orgânica continua mesmo sob anaerobiose.

 serem utilizados por microrganismos. Quadro 5. principalmente pelos heterotróficos na decomposição de resíduos orgânicos.0 N mineral acumulado (g N/g solo) 6. 55 .0 40.2 5.  serem convertidos para a forma nítrica. sendo mediada por bactérias do gênero Nitrosomonas e Nitrobacter.5 13. Observa-se grande variação na capacidade natural de suprimento de nitrogênio.2.0 12.3.2. em posições não disponíveis aos microrganismos. Mineralização líquida do nitrogênio em solos de várzea dos polderes Bela Vista e Careaçú. para cada 1% de matéria orgânica no solo a sua capacidade natural de suprimento de nitrogênio varia de 10 a 40 kg N/ha/cultivo. com a correlação entre matéria orgânica e nitrogênio mineralizado sendo altamente significativa. avaliada sob condições ideais de temperatura e umidade. Portanto.8 12. Solo Teor de matéria orgânica (%) 1. Nitrificação Os íons NH4+ produzidos pela mineralização ou adicionados ao solo através de adubações podem ter um dos seguintes destinos:  Serem absorvidos diretamente pelas plantas.cultivo de culturas anuais.3 Cambissolo Glei Pouco Húmico Cambissolo Glei Pouco Húmico Glei Húmico Orgânico 5.0 90.1 8.  serem transformados em NH3.8 3. 1987). na Região de Pouso Alegre-MG (Vale. mostra o potencial de mineralização em solos de várzea da região Sul de Minas Gerais. em incubação por 10 semanas.4 35. O Quadro 5. sob elevada alcalinidade.3. que são quimioautotróficas e obrigatoriamente aeróbicas. e perdidos por volatilização.  serem fixados por argilas do tipo 2:1. A transformação do amônio para nitrato ocorre em duas etapas. numa oxidação biológica denominada Nitrificação.0 20.

ou seja. estes autores observaram que o teor de cálcio.4. a acidez do solo exerce papel fundamental nessa transformação. conforme mostra a reação 5. é importante considerar que a taxa de nitrificação pode ser também afetada pela fonte de amônio. apresentando maiores atividades em torno da capacidade de campo. As nitrobactérias. Em geral. a taxa de nitrificação é muito baixa em solos ácidos com pH menor que 5. a nitrificação é mais rápida em solos bem aerados e ausente sob anaerobiose. temperatura e umidade do solo. que a maior atividade ocorre em torno de pH 8. Considerando o efeito da acidez do solo na atividade das nitrobactérias.0 e que a hidrólise da uréia promove aumentos de pH localizados ao redor do grânulo desse fertilizante justamente para a faixa de pH entre 8. se constituiu no melhor preditor da taxa de nitrificação dos latossolos estudados. Silva et al. Todavia. tais como aeração do solo. (1993) observaram que o valor de pH crítico para o processo da nitrificação em latossolos da região Sul de Minas Gerais situou-se em torno de 6. ou seja. pela ação das bactérias do gênero Nitrobacter. conforme mostra a reação 5. pois. pois é rapidamente oxidado a nitrato. não produzem nitrato na ausência de oxigênio molecular.5) Dado ao envolvimento de um grupo específico de bactérias.5.0 e 9.0.4) O nitrito é formado como produto intermediário.+ 2 H2O + 4H+ (5.5. A nitrificação é bastante intensa em solos férteis aerados. A nitrificação ocorre na faixa de 5 a 40ºC. numa reação que se destaca no sistema solo pela geração de acidez. Portanto. 2NH4+ + 3O2 2 NO2. 2 NO2.+ O2 2 NO3- (5.As bactérias do gênero Nitrosomonas promovem a oxidação do amônio para nitrito. com maiores taxas entre 30 a 35ºC de temperatura do solo. na maioria das vezes. acidez do solo. As nitrobactérias são muito sensíveis a umidade do solo. dentre os parâmetros da acidez do solo. Silva et al. Ainda. o pH do solo não é corrigido para este valor. (1993) 56 . a nitrificação é muito afetada por fatores ambientas. conforme destacado anteriormente. podendo ocorrer a transformação de todo o amônio a nitrato em uma ou poucas semanas após a adubação com nitrogênio amoniacal. abaixo desse valor a taxa de nitrificação é sensivelmente reduzida. além da própria fonte de íons amônio. Tal conclusão é de grande importância prática. no caso da aplicação de fertilizantes.0.

com a aceleração da nitrificação. em cultivo sem a correção da acidez. tanto por considerações nutricionais das plantas. Portanto. conseqüentemente.3.observaram maior taxa de nitrificação para o amônio proveniente da uréia. do ponto de vista nutricional a nitrificação de parte do amônio do solo é desejável. 57 .). A transformação de amônio a nitrato no solo tem despertado grande interesse. Neste sentido. quanto por considerações de eficiência de uso de fertilizantes nitrogenados ou ainda. em condições desfavoráveis à nitrificação. Efeito dos fertilizantes uréia e sulfato de amônio sobre a taxa de nitrificação em quatro solos do Sudoeste da Bahia. a produção com sulfato de amônio não difere daquela obtida sem a aplicação de nitrogênio. 1988). por aspectos ecológicos e de saúde humana. mostram que a produção de matéria seca do feijão é favorecida pelo uso de uréia ou de nitrato de amônio. quando comparada com o sulfato de amônio (Figura 5. incubados durante quinze dias a 26ºC. não houve diferença entre os fertilizantes. Os dados do Quadro 5. quando comparados com sulfato de amônio. Figura 5. Nessas condições. Com a correção da acidez e. que tendem a preferir um suprimento em quantidades iguais das duas formas nitrogenadas (Guazelli. Numerosos estudos têm mostrado que as espécies de plantas variam na capacidade de absorver e/ou utilizar amônio e nitrato.3.3. os fertilizantes contendo ambas formas de nitrogênio ou que promovem maior nitrificação podem apresentar maior eficiência. O suprimento de apenas amônio é altamente indesejável para a grande maioria das espécies cultivadas.

é o principal problema ambientar com o uso de fertilizantes. resulta no acúmulo de nitrato em vegetais. Denitrificação Os íons NO3 produzidos pela nitrificação ou adicionados ao solo através de adubações podem ter mm dos seguintes destinos: 58 . principalmente em hortaliças .formado após redução bacteriana do nitrato . 1993) Fonte de Nitrogênio Produção de Matéria Seca (g/vaso) ________________________________________________________ Sem calagem Com calagem 2. Como a nitrificação é realização por um grupo muito específico de bactérias. sendo muito efetiva quando incorporada junto com fertilizante orgânico ou mineral.38 A 3.18A 1. Outra preocupação muito grande com o consumo excessivo de nitrato diz respeito a reação do nitrito .a alface é uma das espécies acumuladores de nitrato. O uso excessivo de nitrogênio na produção vegetal. dentro de cada coluna. A forma nítrica.3. para reduzir as perdas de nitrogênio do sistema solo.18 AB 2. não diferem ao nível de 5% pelo teste Tukey. a nitrapirina já tem sido usada por agricultores.32 A 3. tais vegetais podem representar outra importante fonte de nitrato para o consumo humano. em função da aplicação de 150 g N g-1 solo em diferentes formas de nitrogênio (Silva et al.3. notadamente em crianças. Por outro lado. Assim sendo. quando comparada com a forma amoniacal.66 B 3..com aminas formando nitrosaminas. a nitrificação intensa é de todo indesejável. O consumo de água com mais de 50 mg N-NO3-/litro pode trazer sérios problemas de saúde. a lixiviação de nitrato.83 B Uréia Nitrato de amônio Sulfato de amônio Sem nitrogênio Médias seguidas pelas mesmas letras. minimizar o impacto ambiental da adubação nitrogenada bem como reduzir os problemas à saúde humana. Sem dúvida. é possível reduzir significativamente a formação de nitrato através do uso de inibidores químicos específicos.75 B 1. cultivado em Latossolo Roxo por 25 dias. com contaminação de águas subterrâneas. algumas vezes associado ao uso de grandes quantidades de fertilizantes orgânicos. Em alguns países.Quadro 5. que são substâncias tidas como carcinogênicas. através da doença metahemoglobinemia.4. Produção de matéria seca do feijoeiro. 5.53 A 2. é muito mais suscetível a perda por lixiviação ou por volatilização.

Logo abaixo da lâmina de água de inundação. denominada camada oxidada ou camada anaeróbica. O teor de água do solo é outro fator crítico para a denitrificação. Ela resulta da difusão do O2 dissolvido na lâmina de água ou do transporte de O2 da parte aérea para a rizosfera de plantas como o arroz. com espessura de cerca de 1 cm. em que perdas de até 80% de nitrato de fertilizantes nitrogenados podem ocorrer. cuja magnitude é influenciada por fatores ambientais tais como teor e tipo de matéria orgânica. mesmo em cultivo de sequeiro. Com a inundação do solo.17 ppm de nitrogênio na forma de N2O ou de 0. como receptor de elétrons em seus processos metabólicos. há uma camada de maior potencial redox.1. ao invés do oxigênio. As reações de redução microbiológica do nitrato são esquematizadas a seguir: +4H+ 2 NO3¯ -2H2O 2 NO2¯ -2H2O +2H+ 2NO -H2O 2H+ N2O -H2O 2H+ N2 O potencial para denitrificação é muito grande na maioria dos solos cultivados. umidade do solo. temperatura e pH do solo. Portanto. Com o sucessivo abaixamento do potencial redox. A quantidade de resíduo orgânico facilmente decomponível no solo é fator crítico na determinação da taxa de denitrificação. com anaerobiose localizada. A compactação do solo intensifica a denitrificação.  serem utilizados por microrganismos. Cerca de 1 ppm de carbono disponível é requerido para a produção de 1.  serem perdidos por volatilização. a 59 .  serem perdidos por lixiviação. as perdas de nitrogênio podem ser de 2 a 30% do nitrogênio adicionado via fertilizante. A redução do nitrato pode ocorrer também em solos bem drenados. Abaixo da camada oxidada. uma vez que essa transformação ocorre sob anaerobiose. principalmente pelos heterotróficos na decomposição de resíduos orgânicos.99 ppm de nitrogênio na forma de N2. Serem absorvidos diretamente pelas plantas. Apenas por volatilização de N2O e N2. A denitrificação assume grande importância em cultivos sob inundação. a denitrificação representa o processo final de retorno do N2 fixado ao solo para a atmosfera (Figura 5. A denitrificação não é um fenômeno de ocorrência exclusiva em solos inundados ou mal drenados. algumas bactérias aeróbicas facultativas passam a utilizar o nitrato. que são perdidos por volatilização. através da redução microbiológica a N2O e N2 denominada Denitrificação. formam-se os gases N2O e N2.).

em função da própria espécie vegetal. do tipo de fertilizante e de condições climáticas e do solo.0 a 8. Após visto o acentuado dinamismo do nitrogênio no solo. Destino do nitrogênio aplicado a uma dada lavoura. Quadro 5. mesmo usando fonte amoniacal para o cultivo do arroz sob inundação. Todavia. sem dúvida. As maiores taxas de denitrificação ocorrem na faixa de pH 8.4. mostra variações típicas para o destino do nitrogênio aplicado a uma dada lavoura.4. Assim como no caso da nitrificação as bactérias denitrificadoras são muito sensíveis à acidez do solo.60 20 .amônio e nitrato -.5.concentração de O2 diminui com a profundidade. em função de suas várias transformações Destino Absorvido pelas plantas (parte aérea) Incorporado ao solo corno nitrogênio orgânico Adsorvido pelos colóides * Perdido por volatilização Perdido por lixiviação * Maiores valores apenas em solos com argila do tipo 2:1. preferencialmente em grânulos maiores. expresso por várias transformações. Se aplicado sem lâmina de água. por exemplo. Princípios da avaliação da disponibilidade de nitrogênio no solo O nitrogênio prontamente disponível às plantas é representado pelo nitrogênio mineral . 60 . ressalta-se que são vários os destinos do nitrogênio aplicado ao solo.30 2 . A denitrificação é também muito sensível à temperatura do solo. O fertilizantes nitrogenado deve ser aplicado abaixo da camada oxidada. Estas duas formas de nitrogênio mineral são produzidas a partir da mineralização do nitrogênio orgânico e são muito dinâmicas. a inundação tem de ser muito rápida para evitar a nitrificação do amônio.20 2 . a aplicação de forma nitrogenada nítrica há muito já foi descartada para o cultivo sob inundação. notadamente vermiculita. % 40 .50 3 . para além dos limites destacados. com a taxa aumentando grandemente com a elevação da temperatura de 2ºC a 30ºC.4. o qual representa apenas de 1 a 2% do nitrogênio total do solo. Portanto. variando dentro de limites amplos. O Quadro 5. resultando na camada reduzida ou camada anaeróbica. reduzir a recuperação pela cultura e acentuar as perdas. a forma de aplicação e o manejo da água são importantes para reduzir as perdas. O inadequado manejo da adubação nitrogenada e condições ambientais muito adversas podem.10 5.

Figura 5. mostra as principais transformações do nitrogênio no solo. a disponibilidade de nitrogênio depende dos fatores que afetam a produção e manutenção de amônio e nitrato no sistema solo. Transformações do nitrogênio no solo. Nom = nitrogênio em microrganismos). no mínimo até 80 cm. Como o nitrato tende a predominar nos solos mais férteis. A Figura 5. sendo que a maioria dos estados adota a menor profundidade por motivo de limitação operacional a nível de 61 .1. Em muitos casos a amostragem é feita antes do plantio. Em alguns estados americanos já é prática generalizada considerar o teor de nitrato residual como um índice de disponibilidade de nitrogênio para fins de recomendação de adubação nitrogenada. com ênfase para o nitrogênio orgânico – reservatório de nitrogênio disponível – e para as formas minerais – prontamente disponíveis.). mas suscetíveis a perdas por volatilização ou lixiviação (No = nitrogênio orgânico. Em solos do Brasil.Assim sendo. com destaque para a produção de amônio e nitrato bem como para as perdas dessas formas nitrogenadas por imobilização (perda temporária).4. lixiviação e volatilização. alguns dados tendem a mostrar a importância de se considerar também a forma amoniacal (Quadro 5. apenas essa forma nitrogenada é analisada.. Em certas situações em que não se vislumbra condições para grandes perdas de nitrogênio mineral. O requerimento básico para uso do nitrogênio mineral é que a análise seja feita até maiores profundidades.4. normalmente. há grande potencial de utilização do teor de nitrogênio mineral como índice de disponibilidade de nitrogênio às plantas. com a profundidade variando de até 60 a 180 cm.

molecular. O sucesso no uso do teor de matéria orgânica depende de condições mais ou menos adequadas para maior atividade microbiana.no pecíolo de batata e a medição direta do teor de clorofila em milho. Todavia. conforme já discutido. apesar de resultados promissores obtidos em alguns estudos. Como exemplo. essas análises são feitas rapidamente no campo. com duração de uma a quatro semanas. o teor de matéria orgânica foi utilizado como critério básico para recomendação de nitrogênio até 1983. numa taxa de 1 a 4%.01 M quanto os de extração mais intensa como ácidos. através de equipamentos portáteis. O princípio envolvido no uso de extratores químicos é o da extração da fração da matéria orgânica mais suscetível à mineralização e que correlacione com o nitrogênio absorvido pelas plantas. portanto. principalmente em termos de temperatura. a amostragem é realizada a uma profundidade que varia de 60 a 100 cm. dependendo da profundidade do sistema radicular (Kolembrander et al. no Brasil. em condições ideais de atividade microbiana. a análise química da planta tem sido usada como método de avaliação ou como ferramenta adicional no processo. Este critério foi abandonado. Em São Paulo. 62 . 1981). O emprego do teor de matéria orgânica. A lógica em usar medidores portáteis de clorofila é que a concentração de clorofila apresenta alta correlação com o teor de nitrogênio foliar. Em países desenvolvidos a análise química da planta já avançou além da análise de um órgão . Estudos mais recentes propõem uma amostragem de 0 a 30 cm.análise foliar -. e começa a ser feita a nível de tecido e. Em face das dificuldades encontradas na avaliação da disponibilidade de nitrogênio no solo. O teor de nitrogênio mineral produzido pelo solo. Hoje em dia. até mesmo. bases e agentes oxidantes.campo. inadequado para a rotina. Na Holanda. até hoje nenhum método químico de determinação do nitrogênio mineralizável foi adaptado para rotina. Mais importante ainda. umidade e acidez do solo. 1989). apresenta altas correlações com o nitrogênio absorvido pelas plantas.. como critério de avaliação da disponibilidade de nitrogênio às plantas baseia-se na premissa de que a mineralização ocorreria durante todo o cultivo. Apesar de refletir melhor o processo natural de liberação de nitrogênio mineral para o solo. devido as baixas correlações entre o teor de matéria orgânica e a produção das culturas. de determinação analítica muito mais simples que o teor de N total. atribuídas à variação na taxa de mineralização durante o ciclo das culturas e ao alto dinamismo das formas nitrogenadas minerais. envolvendo desde os de extração mais suave como água e CaCI 2 0. sob incubação aeróbica ou anaeróbica.. cita-se a análise do teor de N-NO3. este método é demorado. quando as plantas de milho tiverem de 15 a 30 cm de altura (Blackmer et al. o teor de matéria orgânica do solo é utilizado como critério básico para recomendação de adubação nitrogenada nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Vários extratores químicos tem sido pesquisados para extração do nitrogênio mineralizável do solo.

a concentração de fósforo em solução é extremamente baixa.FÓSFORO NO SOLO Dentre os macronutrientes.1. a calagem é muito importante para aumentar a eficiência da adubação fosfatada. qualquer que seja a natureza do solo. Portanto. trata-se do nutriente que mais limita a produção vegetal no Brasil. 63 . quando necessária.6 . com a forte tendência do fósforo aplicado ao solo de reagir com componentes do mesmo para formar compostos de baixa solubilidade. antes de mais nada. na Figura 6. normalmente entre 0.1 e 1. a fome do solo pelo fósforo será tanto maior quanto mais ácido for o solo. na camada arável. este último representando de 20 a 70% do fósforo total na camada arável.1.). trata-se do nutriente aplicado em maiores quantidades em adubação no Brasil.0 kg/ha. pois. o fósforo é o exigido em menores quantidades pelas plantas. A explicação para esse fato relaciona-se com a baixa disponibilidade de fósforo nos solos do Brasil e. a adubação com fósforo assume a particularidade de terse que aplicar uma quantidade várias vezes maior do que aquela exigida pelas plantas. Portanto. Os solos podem apresentar de 100 a 2500 kg/ha de fósforo total.1. saturando os componentes consumidores de fósforo. No geral. de forma a vencer a barreira imposta pela fome do solo por este nutriente. ao contrário dos demais nutrientes. Sem dúvida. a elevação de sua disponibilidade. torna-se necessário satisfazer a exigência do solo. tanto por precipitação quanto por adsorção (Figura 6. Formas e dinâmica do fósforo no solo As várias formas de fósforo no solo são apresentadas simplificadamente. O teor de fósforo inorgânico nos solos é muito maior que o de fósforo orgânico. Todavia. Todavia. 6. também. dado a elevada tendência de remoção do fósforo da solução. E. é um dos grandes desafios no manejo da fertilidade do solo.

1. enquanto o tracejado representa uma transformação muito mais lenta.P precipitado Com Al. Ca P mineralogicamente Estável P solução P orgânico P adsorvido Em óxidos De Fe e Al Figura 6. com a quantidade de cada uma dependendo do pH da solução (Figura 6. A pH igual a 7. 64 .3) Considerando que a maioria dos solos apresenta pH na faixa de 4 a 9. tende a não ocorrer. conforme mostra as reações de dissociação do H3PO4: H3PO4 H2PO4HPO4-2 H+ + H2 PO4H+ + HPO4-2 H+ + PO4-3 log K1 = 2. Abaixo deste valor de pH.2.20.e HPO4-2.). Fe.20 log K3 = 12. Fósforo na Solução As formas de fósforo na solução do solo dependem diretamente da acidez da mesma.é a forma predominante.1. H 2PO4. As setas cheias dão uma idéia da intensidade das transformações. Representação simplificada das formas de fósforo no solo e suas interrelações. em princípio. as formas predominantes são H2PO4. condição existente na grande maioria dos solos cultivados.1. as quantidades se equivalem. 6.33 (6.2) (6. O pontilhado representa uma transformação que.12 log K2 = 7.1) (6.

g P/ml e de 0. dado as dificuldades de se analisar a solução do solo. do ponto de vista conceitual de disponibilidade de fósforo. Este fósforo em equilíbrio rápido com o fósforo da solução é representado por uma determinada fração do fósforo precipitado. representado também por uma dada fração do fósforo adsorvido 65 . ou seja. do estágio de crescimento e das condições de difusão de fósforo no solo. A quantidade de fósforo na fase sólida capaz de ressuprir a solução. A concentração de fósforo requerida na solução do solo. Todavia. do ponto de vista conceitual da disponibilidade de fósforo. Assim sendo. depende da espécie vegetal. o mais importante é a capacidade das formas de fósforo associadas à fase sólida de ressuprir ou de tamponar a concentração da solução. os nutrientes são absorvidos da solução do solo.Figura 6. normalmente referida como fator intensidade. Distribuição relativa dos íons ortofosfato em relação ao pH da solução Conforme já discutido no capítulo 2.20 g P/ml para a mandioca e soja. na medida que mostram uma variação muito grande entre espécies na capacidade de aquisição de fósforo do solo. Independentemente da concentração de fósforo a ser mantida na solução do solo. Resultados desta natureza são importantes. cuja magnitude depende da solubilidade do produto formado.005. o fósforo da fase sólida em equilíbrio com o da solução é referido como fator quantidade. as plantas absorvem. do ponto de vista de crescimento vegetal. ou como requerimento externo de fósforo. predominantemente. Uma concentração de 0.2. tem sido sugerida como adequada para o máximo crescimento destas espécies (Tisdale et al. Portanto. a solução do solo representa a fonte imediata de nutrientes às plantas.. a forma H 2PO4. as avaliações de disponibilidade de fósforo no solo não envolvem a análise da concentração de ortofosfato em solução. à medida que as plantas absorvem o fósforo. a manutenção de uma adequada concentração deste ion ortofosfato na solução do solo é de fundamental importância para o crescimento das plantas. ou seja. 1985). respectivamente. e.

1. 6. no sistema solo forma-se compostos mais complexos.1. novo aumento da fixação. no caso de solos ácidos.0. ao promover a neutralização do alumínio e de grande parte do ferro.pelos óxidos. O fósforo em equilíbrio com o fósforo da solução é também conhecido como P lábil. + H-2PO4 sol.2.a calagem prévia. 8H2O AlPO4 . Contudo. em diversas combinações catiônicas e formas de difícil identificação. o fenômeno da remoção é denominado fixação de fósforo. o uso excessivo de calcário promoveria. Quadro 6.1) Fe(OH)2+ sol. 2H2O Al2K(PO4)2 OH . Fósforo Precipitado A precipitação em solos ácidos ocorre com íons alumínio ou ferro presentes na solução e. + H2 PO4.). no caso de solos alcalinos com íons cálcio. P lábil AI(OH)2 H2PO4 (variscita) (6. P lábil Fe(OH)2 H2PO4 (estrenguita) (6. Por outro lado. Exemplos de compostos formados da reação de precipitação de fosfatos com cations em solos ácidos e básicos. P lábil CaHPO4 (Monetita) (6. + H2 PO4¯ sol. via precipitação do fosfato com cálcio. A remoção de fósforo da solução do solo (Figura 6. apresenta alguns compostos formados pelas reações de precipitação do fosfato. reduz a fixação do fosfato via precipitação. 2H2O Fe3(PO4)2 .l. Composto Estrengita Vivianita Variscita Leucofosfita Fórmula Fe PO4 . O Quadro 6.. 2H2O Composto Monetita Hidroxiapatita Fluorapatita Fórmula Ca HPO4 Ca10(PO4)6 (OH)2 Ca10 (PO4)6 F2 66 . pode-se dar tanto por precipitação quanto por adsorção e. conforme os três exemplos a seguir: AI(OH)2+ sol. a pH acima de 7.3) Assim.1.sol.2) Ca+2 sol.

2H2O log Ks = 30. a disponibilidade de fósforo vai depender da solubilidade dos compostos formados. no caso da existência simultânea de vários compostos de fósforo. por sua vez.4) Agora. Assim sendo.02 (6. para alguns compostos fosfatados. enquanto que o inverso ocorre com fosfatos de cálcio. resulta no aumento da atividade de fósforo em solução.Com a fixação de fósforo via precipitação. A Figura 6. porque fosfatos de cálcio. a atividade de íons fosfato em solução.48 (6.5 (6.0. uma diminuição de pH.5. No caso da variscita pura. a maior solubilidade . de acordo com: AI+3 + 3OH- AI(OH)3 log Ks = 34. Nota-se que a solubilidade de fosfatos de ferro e de alumínio aumenta com o pH. com concentrações fixas de cálcio. decresce com a elevação do pH.+ OH- AI PO4.7 (6. apresentam maior eficiência com o aumento da acidez dos solos. a atividade do alumínio em solução.7) Analisando-se a reação 6. como a hidroxiapatita de fosfatos de rocha. Isto explica. a equação de equilíbrio é a seguinte: 10Ca+2 + 6PO4-3 + 2OH- Ca10 (PO4)6 (OH)2 log Ks = -113. em função do pH pode ser dada por: P(H2PO4-) = 10.4 e 6.7. 2H2O log Ks = 10.5) Combinando as equações 6.disponibilidade . que é justamente o caso do sistema solo.ocorre em torno de pH 6. a equação de equilíbrio é esta: AI+3 + H2PO4. que implica em decréscimo da atividade de OH-. 67 .6) Com isto.PH No caso da hidroxiapatita. conclui-se que. mostra as relações entre a atividade de fosfato em solução e o pH.48 . conforme visto no capítulo 4. tem-se: AI(OH)3 + H+ + H2PO4- AlPO4 .3.

Figura 6.3. Isotermas de solubilidade para alguns compostos fosfatados, com atividade de cálcio definida por pCa = 2,5 (Adaptada de Olsen & Khasawneh, 1980)

6.1.3. Fósforo Adsorvido O outro mecanismo envolvido na remoção do fósforo da solução - fixação de fósforo - é a reação de adsorção na superfície de argilas, óxidos hidratados de ferro e de alumínio ou de carbonato de cálcio, em solos calcários. A adsorção de fosfato ocorre através de ligação covalente, de alta energia, todavia, pelo menos parte do fosfato adsorvido permanece por certo tempo na forma lábil, ou seja, pode retomar à solução. A Figura 6.4. ilustra três mecanismos propostos para a adsorção de fosfato na superfície de óxidos hidratados de alumínio, os quais, juntamente .com os de ferro, são os responsáveis pelo desenvolvimento de carga positiva em solos ácidos ou apresentam a superfície rica em OH- para troca com H2PO4 . Quanto menor o grau de cristalinidade dos óxidos, maior é a capacidade de adsorção, devido a menor superfície específica. Merece destaque na Figura 6.4. a proposição de Hingston et al (1974) de que o fosfato adsorvido por troca com o grupo "ol" (letra c) é irreversivelmente adsorvido. A fixação de fósforo tem relevada importância no manejo da fertilidade do solo, visando maior eficiência de uso de fertilizantes fosfatados.

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Figura 6.4. Representação esquemática de adsorção de fosfato em superfície de óxido hidratado de alumínio, mostrando a substituição de um grupo "aquo" (a), "hidroxila" (b) e grupo "ol" (c)

Em função do que foi visto, quanto mais ácido, quanto maior teor de argila e, principalmente, quanto maior o predomínio de óxidos de ferro e de alumínio na fração argila, maior é a capacidade de fixação. Em termos práticos, o teor de argila é uma característica a ser considerada, pois apresenta elevada correlação com a fixação de fosfato por solos sob vegetação de cerrado (Lopes, 1983), dado a grande ocorrência de óxidos de alumínio e ferro na fração argila destes solos. A análise da Figura 6.4. permite inferir que uma calagem prévia à adubação fosfatada, uma vez mais, reduz a fixação de fósforo, por promover a diminuição de cargas positivas disponíveis para adsorção de fosfato e por reduzir a adsorção por substituição direta, dado a maior atividade de hidroxila no meio. 6.1.4. Fósforo Mineralogicamente Estável O fósforo removido da solução por precipitação ou adsorção, com o passar do tempo tende a formar ligações mais estáveis com AI, Fe ou Ca, resultando na formação de compostos mineralogicamente estáveis. Enfim com o passar do tempo - reações lentas o fósforo lábil torna-se P não lábil, que constitui, portanto, o fósforo mineralogicamente estável da Figura 6.1. Esta é uma particularidade para o fósforo, na dinâmica dos nutrientes no solo, no sentido de que é o único nutriente que "envelhece" no solo. Tal envelhecimento, passando-se da forma lábil para a não lábil, implica na diminuição da disponibilidade do fósforo aplicado ao solo em adubações, com o passar do tempo (Figura 6.5.). Nos cultivos sucessivos, a reciclagem do fósforo através do adequado manejo de resíduos vegetais tende a reduzir o problema imposto pela reação de envelhecimento, na medida em que grande parte do fósforo absorvido retorna ao solo. Portanto, o problema tende a ser mais significativo no caso, por exemplo, de uma fosfatagem corretiva efetuada com grande antecedência ao plantio. Ademais, é preciso considerar a possibilidade do P não lábil

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sofrer solubilização e fornecer fosfato para a solução (Figura 6.1.). Além de não se conhecer os mecanismos exatamente envolvidos no envelhecimento do fósforo, ainda não se sabe muito a respeito do retorno deste fósforo para a solução, que, se ocorrer, é muito lento (Figura 6.1.).

Figura 6.5. Efeito do tempo de incubação de fosfato com o solo na eficiência disponibilidade - de fósforo para a planta (Barrow, 1980)

Apenas a título de ilustração, as reações 6.8, 6.9 e 6.10, em seqüência, procuram mostrar possíveis reações de envelhecimento do fosfato aplicado em solo alcalino, rico em cálcio. Inicialmente, conforme já discutido, forma-se fosfato bicálcico (monetita), que ainda é capaz de manter uma boa parte do fósforo na forma lábil, ou seja, em equilíbrio rápido com o fósforo da solução. Com o tempo, dado a grande afinidade do fósforo com o cálcio, estes dois elementos continuam a reação, nesse meio rico em cálcio e em oxidrila, formando compostos mais estáveis de fósforo, como fosfato octocálcico e, finalmente, hidroxiapatita. Este último mineral, quase não mais mantém fósforo na solução (vide tamanho da seta na reação 6.10 e compare com 6.8), ou seja, trata-se de composto fosfatado altamente estável, com quase 100% de seu fósforo na forma não lábil. Este é o mineral que tende a predominar nos fosfatos naturais predominantes no Brasil. Assim sendo, a adubação com fosfato natural implica na aplicação de grande quantidade de P não lábil. Não deixa de ser um grande contrasenso e, a bem da verdade, um grande desperdício de um recurso natural não renovável.

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1979. 1982). antes de mais nada.). portanto. a própria planta.10) Quanto ao retorno do P não lábil para a solução. principalmente representados por fosfatos de inositol. pois. do que normalmente se imagina.1.5. o que pode implicar num maior uso de P não lábil do solo.. trata-se de forma inerte para as plantas.8) CaHPO4 + Ca+2 + HPO4- Ca4 H(PO4)3 Fosfato octacalcico (6. em primeiro lugar é preciso considerar que é um processo lento. Já foi por demais destacada a capacidade das plantas em alterar a acidez e o potencial de oxi-redução da rizosfera.1. é a forma de fósforo predominante na maioria dos solos. as espécies capazes de promover maior acidificação da rizosfera são mais eficientes em fazer uso de P não lábil ligado a cálcio (Raij & Diest. A acidificação do solo implica. Em segundo lugar. E. ácidos nucleicos. Fósforo Orgânico A última forma de fósforo no solo a ser destacada é o fósforo orgânico (Figura 6. por exemplo. nucleotídeos e açúcares fosfatados. Sob anaerobiose.). Por exemplo. ferro pode ser liberado para a solução devido a redução do Fe+3 para Fe+2 (Ponnamperuma. tais como de acidez ou de potencial de oxiredução.1. 6. que trata-se de processo que depende de alterações químicas no solo.). na passagem de parte do P não lábil para a solução do solo (Figura 6. é preciso considerar a decomposição dá matéria orgânica como um todo. podem vir a representar importante papel. merece destaque o papel da planta em alterar a disponibilidade dos nutrientes no solo. Logicamente. O fósforo não lábil constitui a maior parte do fósforo inorgânico do solo.9) Ca4 H(PO4)3 + Ca+2 + HPO4. cada vez mais preocupa-se com a capacidade das plantas em usar este fósforo. em princípio.Cal+2 + HPO4- Ca HPO4 Fosfato bicalcico (6. os microrganismos e. pelo que foi visto.3. que pode representar de 20 a 70% do fósforo total da camada arável. 1972). Merece destaque o fato 71 . Todavia. ou seja. a sua contribuição será tanto maior quanto maior for o teor de matéria orgânica do solo. Uma vez mais. O fósforo orgânico apresenta-se basicamente na forma de esteres do ácido ortofosfórico. o fósforo não lábil ligado a. fosfolipídeos. Os aspectos básicos envolvidos na mineralização do P orgânico são praticamente os mesmos discutidos para o nitrogênio orgânico.+ OH- Ca10 (PO4)6 (OH)2 hidroxiapatita (6. dado a grande quantidade de P não lábil presente nos solos e a escassez de fontes naturais de fósforo. Neste sentido. infelizmente. Bekele et al. numa maior solubilização da hidroxiapatita (Figura 6.

5% P. em face da expressiva quantidade de fósforo orgânico existente no solo. aspectos relacionados a morfologia e crescimento radicular além de alterações promovidas pelas plantas na rizosfera são da maior importância. que desempenha importante papel na mineralização do fósforo orgânico no solo.1. c) Fator planta No caso do fósforo. diz respeito a atuação muito particular da enzima fosfatase. Levando-se em consideração diversos aspectos discutidos na mineralização do nitrogênio orgânico e que a matéria orgânica do solo tem cerca de 0. principalmente a nível de rizosfera (Figura 1. Em termos de concentração de fósforo no resíduo. Esta enzima produz a defosforilação de todo e qualquer composto orgânico fosfatado normalmente presente no solo.10 kg P2O5/ha.). É dado pela relação entre os fatores quantidade e intensidade. em estudos mais aprofundados envolvendo a relação soloplanta-microrganismos. 72 . equivalentes a 3 .2%. distinguindo-o das demais formas orgânicas de outros nutrientes. 6. Quanto maior a atividade da fosfatase mais rápida será a liberação.de que uma relação C/P no resíduo orgânico maior que 300 tem sido associada a um predomínio da imobilização de fósforo sobre a mineralização. pode exercer importante papel no aumento da disponibilidade de fósforo às plantas. promovendo a liberação de fosfato para a solução do solo (Figura 6. b) Fator difusão O fósforo é transportado de um dado ponto da solução do solo até superfície da raiz quase que exclusivamente por difusão. ou pode ser produzida por diversos microrganismos. a disponibilidade de fósforo no solo depende de quatro fatores: a) Fator capacidade ou poder tampão de fósforo Capacidade da fase sólida em ressuprir a solução do solo. A sua contribuição real precisa ser melhor avaliada. onde pode estar presente livre no solo ou associada a parede celular das raízes. A atividade da fosfatase. o valor crítico parece ser de 0. pode-se considerar que para cada 1% de matéria orgânica no solo haverá a mineralização de 1 a 4 kg P/ha. através da solubilização ou dessorção do P lábil.1. Princípios da avaliação da disponibilidade de fósforo no solo Pelo exposto até então.2.). Um aspecto da mais alta relevância relacionado ao fósforo orgânico. A fosfatase pode ser produzida por raízes de plantas e excretada para a rizosfera.

desenvolvido por Mehlich na North Carolina State University. conclui-se que a tarefa do extrator é realmente difícil. se o solo recebeu grandes quantidades de fosfato natural. promovendo a síntese de fosfatase. dado a grande solubilização de P Ca. em face do exposto no capítulo 2 para o papel tanto da fase sólida quanto da solução do solo na nutrição das plantas. alumínio e ferro. superestimando a disponibilidade de fósforo. representado pelo fósforo da fase sólida que pode passar para a solução. são quatro as reações pelas quais o fósforo lábil é extraído da fase sólida. Assim sendo. com a seguinte ordem de solubilidade: P . Todavia. em termos práticos. o uso de extratores ácidos promove a solubilização de grande quantidade de P ligado a cálcio. a um dado momento ou localizadamente. Essas reações são: a) Ação solubilizadora de ácidos As soluções ácidas utilizadas. os mais diversos microrganismos. sob a denominação de extrator ou método de Mehlich ou Carolina do Norte. É quase impossível pensar-se num método prático de avaliação da disponibilidade de fósforo capaz de expressar o efeito de todos os quatro fatores citados.Ca > P . ou seja. representado por P não lábil. O extrator mais conhecido é o formado da mistura de H2SO4 0. dificultando comparações. Esta é a situação prevalente na grande maioria dos solos do Brasil. Hoje. a disponibilidade de fósforo é avaliada pelo fator quantidade.025 N + HCI 0. H2SO4 e HCI. Por exemplo. com pH na faixa de 2 a 3..por anions tais 73 . Passou a ser testado no Brasil a partir de 1965. Os diferentes métodos de extração do fósforo resultam em diferentes valores para fósforo. Considerando os quatro fatores anteriormente citados bem como a complexidade da dinâmica do fósforo no solo. procurando-se determinar o fator quantidade. pelo fósforo lábil. o poder tampão de fósforo tende a ser o mais importante para fins de avaliação da disponibilidade de fósforo e de recomendação de adubação. é usado em todos os estados do Brasil.d) Fator microrganismos As hifas dos fungos micorrízicos minimizam o fator transporte. Os ácidos mais usados são HNO3. Todavia. dado a sua dinâmica no solo ser muito simples. exceto São Paulo. b) Substituição de anions O fosfato adsorvido na superfície de óxidos de ferro e de alumínio e de CaCO3.desorção . Na verdade. que representa a outra forma de P-Iábil. podem.AI > P . E. pode ser substituído .Fe.05 N. promovem a solubilização de precipitados de fosfatos de cálcio. aumentar o poder tampão para fósforo. Basicamente. este problema não ocorre para o potássio. Existem vários extratores químicos de fósforo em uso no mundo. o que reflete a dificuldade de avaliação da disponibilidade deste nutriente. os extratores ácidos são mais adequados para avaliarem a disponibilidade de P ligado a Al e Fe.

ou seja. por promover a hidrólise do ferro e do alumínio ligado a fósforo. P-Fe ou P-Al. acetato. os íons oxidrila extraem fósforo ligado a ferro ou alumínio por hidrólise desses cations (vide Figura 4. por exemplo. tanto por solubilização . Todavia. Na verdade.+ HCO3- (6. d) Hidrólise de cations ligados a P Em soluções alcalinas tamponadas.uso de extratores químicos . sejam elas P-Ca. A resina trocadora de anions é constituída de esferas com diâmetro de aproximadamente 1 mm. atrai o P lábil. diz respeito ao uso de resina trocadora de anions (Raij. cloreto. bastante porosas e com grande quantidade de radicais de amônio quaternário (-NR3+ OH-). verificou-se que este extrator é igualmente eficiente em solos ácidos. liberando o íon fosfato ligado a esses cations.do fosfato adsorvido. procura extrair todo o P lábil.5 foi desenvolvido para avaliar a disponibilidade de fósforo em solos calcários. 1991).2. por exemplo. através da hidrólise desses cátions.do fosfato precipitado quanto por desorção . Uma forma alternativa de extração do fósforo que parece extrair apenas as formas de P-Iábil. que parece também imitar mais o processo natural de liberação e transporte do fósforo para absorção.. citrato e carbonato. pois o anion HCO3. reduzindo a precipitação do fósforo. parece ocorrer uma 74 . a resina atrai o fósforo da solução (simulando a absorção pelas raízes) e. capítulo 4). desde 1894 tem-se estudado o uso de ácido cítrico como extrator de fósforo.+ H2PO4-NR3+ H2PO4.11) Em função da grande capacidade de adsorção de anions da resina.é muito efetivo em substituir (letra b) o fosfato adsorvido em CaCO 3 ao mesmo tempo em que o sódio diminui a atividade de cálcio em solução. Assim. o processo de extração de fósforo pela resina tem características que lhe dão um suporte teórico que outros métodos . de forma que numa suspensão aquosa de solo e resina tem-se: .como sulfato. de certa forma. Ainda. Enfim. o equilíbrio da reação 6. Os anions citrato e lactato também são eficientes na complexação de alumínio. por conseqüência. c) Complexação de cations ligados a P O anion fluoreto é muito eficiente na complexação dos cations alumínio e cálcio.NR3+ HCO3.efeito do anion do ácido . o extrator Mehlich.efeito da acidez . o uso da resina em análise de rotina tem-se restringido ao estado de São Paulo.não têm. e. o extrator NH4 F promove a complexação de alumínio e/ou cálcio. A resina é normalmente saturada com bicarbonato. a nível mundial. Então. Posteriormente. segundo esse autor. os quais apresentam-se combinados com fósforo nos solos. O extrator NaHCO3 a pH 8.11 é favorável à direita.

Quanto maior o coeficiente de correlação.2.13 0.91 0. conforme destacado. Amplitude de variação de coeficientes de correlação obtidos em diversos estudos de avaliação da disponibilidade de fósforo Coeficiente de correlação _____________________________ Mínimo Máximo 0. 75 .maior analogia com o processo de aquisição de fósforo pelas raízes. pelo fato deste método independer do fósforo estar ligado a Ca.25 0. Em princípio.69 0. Fixen & Grove (1990).2.). conforme já discutido. Quadro 6. melhor é o extrator .2. conforme esquematizado a seguir: difusão P lábil P solução Presina (6.025 N + NH4F 0. para o fato de que o fósforo disponível será superestimado em solos que receberam grandes quantidades de fosfatos parcialmente solubilizados ou de fosfatos naturais. é preciso estar sempre atento.98 Método Extrator Bray I Olsen Mehlich I Resina HCI 0. a maneira de se comparar extratores de um dado nutriente é através de correlações entre as respostas de plantas cultivadas ao nutriente e os teores do mesmo no solo.025 N + HCI 0.69.96 0. Com uma boa probabilidade. observaram uma ampla faixa em coeficientes de correlação para os métodos de avaliação da disponibilidade de fósforo (Quadro 6. os baixos coeficientes de correlação (Quadro 6. Os métodos variaram de correlação não significativas até explicar mais de 90% da variabilidade na disponibilidade de fósforo.03N Na HCO3 0.05 N resina trocadora de anions Os dados do Quadro 6.2. teor do nutriente na planta ou crescimento ou produção relativa.12) Em estudos específicos envolvendo a avaliação da fertilidade do solo. o mais usado no Brasil. tendem a mostrar que o método da resina adapta-se a uma maior variação nas condições prevalentes nos solos. Fe ou AI. Quanto ao extrator Mehlich I. A resposta das plantas pode ser expressa como quantidade do nutriente absorvido pela planta.) para este extrator devem ter sido obtidos em condições de grande quantidade de fósforo ligado a cálcio.98 0.03 0. com base em dados da literatura.método de extração.5 H2SO4 0. pois o valor mais baixo de coeficiente de correlação reportado na literatura foi de 0.5M a pH 8.

há necessidade de estar muito atento para a capacidade do solo em suprir enxofre. Formas e dinâmica do enxofre no solo A Figura 7. é um nutriente que pode. O enxofre. apesar de pouco exigido. até mesmo. O tracejado representa uma transformação muito mais lenta 76 . principalmente por apresentar-se no solo quase que totalmente em formas orgânicas e. S adsorvido S solução S orgânico lixiviação Figura 7. Enfim.sem enxofre . está sempre muito mais disponível que o fósforo. A razão é muito simples. Representação simplificada das formas e dinâmica do enxofre no solo.1.7 . Entretanto. do técnico. leguminosas e crucíferas. principalmente para espécies mais exigentes em enxofre. Com a tendência de uso cada vez maior de fertilizantes concentrados . as principais formas e dinâmica do enxofre no solo. muitas vezes sob cultivo intenso e buscando-se altas produtividades nos mesmos. na maioria das vezes. trata-se de um nutriente que. 7.ENXOFRE NO SOLO O enxofre é exigido pelas plantas em quantidades aproximadamente iguais ao fósforo. como por exemplo. estar limitando a produção vegetal.e com a exploração de solos de fertilidade mais baixa. assemelha-se ao nitrogênio. por sofrer várias transformações em reações mediadas por microrganismos.1. diferentemente do fósforo. de maneira simplificada. o milho. mostra. em vários aspectos.1. Portanto. em várias situações. e está ligada ao fato do enxofre apresentar muito menor tendência de reagir com componentes do solo. cana de açúcar. não faz parte das principais preocupações do agricultor e.

com potencial de oxi-redução abaixo de 150 mV. 7. mais de 90% do S total está na forma orgânica. a formação de FeS2 apenas é apreciável com potencial de oxi-redução abaixo de -400 mV.1. Tal redução é mediada principalmente por bactérias do gênero Desulfovibrio. via adubação.002 a 0. principalmente em solos cultivados. mesmo com a drenagem a pirita tende a persistir no solo. 2 Assim sendo. formando FeS2 (pirita). o enxofre também fica muito suscetível a perdas. resiste à oxidação. Enxofre na Solução O enxofre ocorre na solução do solo na forma de SO4-2 que é a forma absorvida pelas raízes das plantas. E. há muita similaridade entre o nitrogênio e enxofre. a degradação da matéria orgânica do solo implica. e potássio. o sulfato sofre competição na adsorção com as hidroxilas do calcário e com o fosfato da adubação.1. o sulfato é reduzido para H2S. uma vez transformado para a forma inorgânica. Na camada arável.1. em função da associação dos mesmos com a matéria orgânica.). Sob anaerobiose em solos inundados. O qual é bastante tóxico. em médio prazo. em redução na disponibilidade de enxofre. via calagem. tende a ficar mais em solução. Neste sentido. Ao formar pares iônicos com Ca +. Na maioria dos solos inundados. que é tóxico e também acumula sob anaerobiose. Mg+2 e K . Trata-se de reação desejável. a tendência do sulfato é movimentar-se para camadas subsuperficiais (Figura 7. lixivia com relativa facilidade no solo (Figura 7. Assim como acontece com o nitrogênio. pois reduz a toxidez às plantas do H2S e do próprio Fe+2. pode haver acúmulo de H2S. o sulfeto é removido da solução por reação com Fe+2. nesse caso por lixiviação (Figura 7. Merece destaque também o fato de que no cultivo do arroz em solos ricos em matéria orgânica e pobres em ferro. na camada arável dos solos.1. A perda de sulfato é maior com o predomínio de K+ e Na+ na solução.). 77 . Uma vez formada. Portanto. um composto de baixa solubilidade. é preciso considerar que. quando comparados com Ca+2 e Mg+2. Na verdade. Portanto. Trata-se de uma forma bastante solúvel. isto é.04% e está intimamente relacionado com o teor de matéria orgânica do solo. que recebem muito cálcio e magnésio.2.).O teor de S total nos solos varia de 0.

).2...Figura 7. a adsorção do sulfato ocorre quase que exclusivamente nas superfícies com cargas positivas. de 50% do S total destas camadas. as condições tornam-se propícias para maior adsorção do sulfato. representando em alguns casos. Enxofre Adsorvido Os íons sulfato em solução. quando em competição com fosfato e hidroxila. Todavia. portanto. Teores de S – So4-2 e S-orgânico em função da profundidade e do manejo do solo durante seis anos (Adaptado de Bromfield. geralmente ocorre um aumento significativo no teor de SO4-2 na camada imediatamente inferior àquela cultivada. 78 . além de depender do teor de óxidos de ferro e alumínio. podem apresentar grande reserva de sulfato adsorvido.2.1. .. até mais. As camadas subsuperficiais. conforme se observa na Figura 7.3. envolvendo a adsorção de fosfato e de sulfato.. e 7. por adsorção eletrostática na substituição de grupos "aquo". ou seja. com aplicações de enxofre. podem ser adsorvidos nas superfícies de óxidos de ferro e de alumínio. à semelhança do que ocorre com os íons fosfato.. é muito pequena. Com a diminuição no teor de fosfato com a profundidade do solo.. Daí a importância de se atentar para os significados dás setas nas Figuras 6. Em solos cultivados.S-orgânico 7. a adsorção de sulfato depende do pH do solo (Figura 7.1. Ao que tudo indica.1... 1972).2. Portanto. a sua capacidade de adsorção. ________ S-SO4-2.

1964). 7.3.). Também. Enxofre Orgânico Em geral. já que as formas orgânicas constituem a maior parte do enxofre do solo. Aproximadamente. mais de 90% do S total da camada arável do solo encontra-se em formas orgânicas. ser levados em consideração para se avaliar a capacidade do solo em liberar o S-SO4 = para a solução do solo.2. Se 79 .3. Assim sendo. para cada 1% de matéria orgânica no solo a sua capacidade natural de suprimento de enxofre varia de 1 a 4 kg S/ha/Cultivo. via mineralização do S orgânico. Portanto. já discutidos no Capítulo 5 quando do estudo da mineralização do nitrogênio. é importante considerar que o cultivo do solo tende a resultar na redução do teor de matéria orgânica e.. Figura 7. do teor de S orgânico (Figura 7. conseqüentemente. da mesma forma.1. a mineralização é o processo natural de maior importância para a disponibilidade às plantas. observa-se altas correlações entre os teores de matéria orgânica e os teores de S total ou orgânico. (adaptado de Chao et al. Relação entre os teores de óxidos hidratados de ferro e de alumínio e a adsorção de SO4-2 em solo com diferentes níveis de acidez. devem. conforme será discutido adiante. Os fatores que afetam a decomposição da matéria orgânica.Este fato é de grande importância na avaliação da disponibilidade de sulfato.

pela atuação de diversos microrganismos heterotróficos. conforme já discutido. a disponibilidade de enxofre também está intimamente relacionada com o teor de enxofre orgânico. o H2S é O produto final da mineralização do S orgânico. O enxofre adsorvido. ou seja. as preocupações com a avaliação da disponibilidade de enxofre se assemelham muito com aquelas para o nitrogênio. Normalmente. com o teor de matéria orgânica do solo. pois. forma-se inicialmente H2S. assim corno acontece com o nitrato. o enxofre em solução é determinado com água ou com soluções salinas diluídas.2. Sob aerobiose. enxofre em solução mais o adsorvido ou enxofre em solução mais o adsorvido mais o enxofre orgânico facilmente mineralizável. Mas. uma fração do mesmo reage com Fe+2. Assim. poderá ocorrer deficiência deste nutriente. procurando-se determinar o fator quantidade. em primeiro lugar. de tal sorte que a disponibilidade pode ser maior em profundidade. conforme já destacado várias vezes. esta forma seria a reserva de enxofre capaz de rapidamente ressuprir a solução do solo. Em segundo lugar. Os estudos relacionados com a avaliação da disponibilidade de enxofre procuram usar extratores para extração do enxofre em solução. 7. Portanto.o solo for cultivado sem adubação com enxofre. dependendo do manejo. em pouco tempo. é extraído com Ca (H2PO4)2 ou acetato de amônio. principalmente do gênero Thiobaccilus. em transformação mediada por diversas bactérias quimioautotróficas. Princípios da avaliação da disponibilidade de enxofre no solo Considerando o exposto no item anterior. 80 . tanto em termos de movimentação em profundidade quanto pela predominância na forma orgânica. desejavelmente. que prevalece na maioria dos solos cultivados. está relacionada com o enxofre adsorvido. em solos inundados. Parte do H2S é perdido por volatilização e. a correta avaliação da disponibilidade de sulfato no solo tem de envolver a análise química também além da camada arável. No processo de mineralização do S orgânico. Todavia. o H2S transforma-se instantaneamente para SO4-2. é preciso estar sempre atento para o fato de que a adsorção é maior logo abaixo da camada arável. à medida que a planta vai absorvendo este nutriente. a concentração de qualquer nutriente em solução diz muito pouco a respeito de sua disponibilidade. a disponibilidade do enxofre. Sob anaerobiose.

H2O com 500 ppm de P. pois. que é medida em espectrofotômetro. conforme proposto por Fox et al.. 81 . além do adsorvido. sendo especialmente importantes as condições de mistura dos reagentes para a formação do precipitado e o intervalo de tempo até a leitura no espectrofotômetro. extrai parte do S orgânico mineralizável. métodos tidos como extratores apenas do S inorgânico podem extrair parte do S orgânico facilmente mineralizável (Biederbeck. Este método é altamente afetado por variáveis operacionais. No Brasil. pouco ainda é conhecido sobre a natureza das formas extraídas por determinado método. 1978). O primeiro extrai o sulfato adsorvido enquanto que o segundo. O sulfato de bário que permanece em suspensão reduz a intensidade de luz que passa através da solução. Na verdade.. no caso de procurar extrair também o enxofre orgânico facilmente mineralizável. (1973). que envolve a precipitação do sulfato com um sal de bário. tem-se estudado o uso de Ca (H2 PO4)2 em meio ácido. segundo proposição de Hoeft et al. O método mais usado é a sua determinação turbidimétrica. poucos estudos tem sido desenvolvidos para a determinação de índices de disponibilidade do enxofre. O maior problema na avaliação da disponibilidade de enxofre é a determinação analítica do sulfato. no caso do enxofre. Dentre os extratores usados por alguns laboratórios destacam-se o Ca (H2 PO4)2. (1964) e a mesma solução em ácido acético 2 N.E. por exemplo.

os benefícios do potássio na qualidade dos produtos colhidos não podem ser ignorados na análise econômica da adubação potássica. notadamente na maioria dos solos brasileiros. 8.POTÁSSIO NO SOLO O potássio é absorvido pelas plantas em grandes quantidades. Com isto. mais do que qualquer outro. o potássio é muitas vezes associado a uma maior resistência das plantas a condições adversas. 82 . é conhecido por reduzir a incidência de doenças e ataque de insetos. Soma-se a isto o fato de que a adubação potássica também não apresenta maiores complicações. o potássio é. mesmo porque existe praticamente um único fertilizante potássico de importância cloreto de potássio. Formas e dinâmica do potássio no solo O potássio apresenta-se no solo apenas como c monovalente. principalmente quando a qualidade do produto é tão procurada quanto a produção.8 . tais com baixa disponibilidade de água e extremos de temperatura. Além de sua importância na produção vegetal propriamente dita. descrito como o "nutriente da qualidade" na produção vegetal. como por exemplo banana. Ainda. normalmente. citros. para várias espécies.1. numa dinâmica bastante simples conforme ilustrada na Figura 8. abacaxi e batata a exigência é muito maior do que para o nitrogênio. O comportamento do potássio no solo é bastante simples. Na verdade.1. Este nutriente.

como a concentração de potássio é muito maior que a de fósforo. o potássio depende largamente da difusão para chegar na superfície das raízes. Ainda. 83 . afetam sobremaneira a disponibilidade de potássio. Mg+2. Apesar de muito variável . De qualquer forma. com a relação a disponibilidade de potássio.1.1 a 100gk/l . portanto. sua dependência na difusão é menos critica. durante o processo de absorção (Figura 1. Ca+2. A concentração de potássio na solução controla a difusão deste nutriente até a superfície das raízes. Todavia. Representação simplificada das formas de potássio no solo e da sua dinâmica.o potássio na solução do solo representa apenas uma pequena fração do potássio trocável.). é preciso destacar a interação deste nutriente com outros cations normalmente presentes na solução. controla a absorção de potássio pelas plantas (Mengel & Von Braunschweig. com relação a absorção de potássio pelas plantas. os fatores que afetam a difusão. 1. tais como NH 4+. O tracejado representa uma liberação muito mais lenta do potássio. 8. 1972).K não trocável K trocável K solução K mineral K lixiviado Figura 8.1. Potássio na Solução A solução do solo é a fonte imediata de potássio para as plantas. 1. Assim como o fósforo. ou melhor.

Por outro lado. apresentam alta seletividade para o potássio. A interação entre cations é tão importante que merece destaque o fato de que em solos mal aerados de várzeas ou sob inundação. Neste sentido.1. conforme proposição de Schouwenburg & Schuffelen (1963). principalmente considerando a grande exigência por este nutriente.).2. Portanto. o potássio trocável assume papel de destaque. muitas vezes. o potássio compete com os demais cations pelas cargas negativas desta posição. à medida que a planta absorve este nutriente. de uma forma de potássio prontamente disponível às plantas. distúrbio normalmente conhecido como bronzeamento. referente a cargas negativas nas margens dos espaços entre as camadas e na posição "i". Ainda.. o potássio pode ser adsorvido na posição "e". para atender as exigências da cultura por mais de um dia de cultivo. em termos práticos. considerando a relação entre as fases sólida e líquida. o predomínio da forma amoniacal na solução do solo pode reduzir em cerca de 50% a absorção de potássio (Vale et al.. A quantidade de potássio presente na solução do solo é insuficiente. ou seja. o poder tampão do solo para potássio é muito mais importante para a sua disponibilidade do que a concentração deste nutriente na solução.posição "p" -. portanto. Portanto. mostra os três diferentes sítios de adsorção para a ilita e vermiculita. 1988). é representado pelos íons K+ adsorvidos nas cargas negativas dos colóides do solo por atração eletrostática. A Figura 8. portanto. É importante destacar que as argilas do tipo 2:1 adsorvem potássio em sítios de adsorção com diferente seletividade para este ion. 84 .do ponto de vista conceitual de disponibilidade. Esta posição não tem especificidade para os íons K+.1. o potássio da solução do solo tem de ser continuamente ressuprido pelo potássio da fase sólida (Figura 8. 8. representada pelas cargas situadas na posição interna entre as camadas. o aumento na disponibilidade de potássio reduz a absorção de ferro e.Sob condições de reduzida taxa de nitrificação.2. facilmente deslocados ou trocados por outros cations da solução. Potássio Trocável O potássio trocável representa a fração do potássio da fase sólida capaz de prontamente ressuprir a solução do solo. Trata-se. O potássio pode ser adsorvido na posição planar . representada pelas superfícies externas destas argilas. principalmente a posição "i". representando o fator quantidade para o potássio . Em termos de interação é importante considerar também a presença dos cations alumínio em solos ácidos e do sódio em solos salinos. o excesso de Fe +2 na solução pode inibir a absorção de K+ e causar toxicidade de ferro. Em outras palavras. a ocorrência desta desordem fisiológica. Estas duas posições.

1968). 1987). que na sua maioria só contém colóides orgânicos. o potássio trocável pode representar até 10% do potássio total (Prezotti & Defelipo. podendo ser facilmente substituído por outros cations. com ausência quase completa de argilas do tipo 2:1. a seletividade de adsorção por íons K + é similar àquela dos sítios da posição "p" das argilas do tipo 2:1 (Ehlers et al. tais como ilita e vermiculita. e pelas argilas do tipo 1:1 e por óxidos hidratados de ferro e de alumínio. principalmente com esta última.2. 85 . Assim. Nestes casos. o potássio trocável usualmente representa menos de 1% do potássio total do solo. o Potássio é adsorvido fracamente. Figura 8.. em solos tropicais. caulinita e óxidos hidratados de ferro e de alumínio como materiais responsáveis pela capacidade de retenção de cations.Os íons K+ adsorvidos na posição "p" estão em equilíbrio com os íons K+ da solução do solo. ou seja. Por outro lado. Sítios de adsorção para potássio em argilas do tipo 2:1. é bastante baixa. são trocáveis. AI+3. nestes dois últimos casos o potássio não é considerado trocável. Por outro fado. Ca+2 e Mg+2. Em solos de clima temperado. a capacidade de adsorção de Potássio é dada pelo teor de matéria orgânica. a concentração de potássio na solução do solo em equilíbrio com potássio adsorvido nas posições "e" e "i". Para estes colóides. Na grande maioria dos solos brasileiros. tais como H +.

notadamente. Por exemplo.aumenta a liberação de K+ fixado. na grande maioria dos nossos solos. Embora a reserva de potássio não trocável não seja prontamente disponível. é mais significativa em solos menos intemperizados e em horizontes sub-superficiais. em troca com os íons H+. após esgotamento do potássio trocável. Na verdade. ou seja. mostrando que amostras de solos do horizonte B são mais importantes que a camada arável em liberar potássio não trocável.1. esta pode vir a exercer importante papel no suprimento de potássio às plantas a médio/longo prazo. Os íons K+ fixados são considerados como não-trocáveis.exsudato pela raiz com a absorção de K+ . Ainda. o teor de K não trocável normalmente é determinado com extrator ácido concentrado .Sem dúvida. logicamente. ambos íons competem com K+ pelos sítios de adsorção internos (Bartlett & Simpson. adição de potássio a solos com predomínio destas argilas resulta numa forte adsorção dos íons K+ nesta posição. 1967). 8. Potássio Mineral O potássio mineral representa o potássio estrutural. Uma saturação de potássio entre 5 a 10% da CTC tem sido tomada como ideal para o crescimento da maioria das espécies em nossas condições. 86 . mesmo para solos mais intemperizados. de ácidos diluídos ou de resina trocadora de íons.posição "i"apresentam elevada especificidade ou seletividade para o potássio. de ilita e vermiculita. Potássio Não Trocável Devido ao raio iônico dos íons K+ ser praticamente do tamanho do espaço existente entre as camadas de argilas do tipo 2:1.3. os sítios de adsorção representados pelas cargas negativas situadas na posição interna .4.HNO3 1N. como íons NH4+ e H+ apresentam raio iônico muito similar ao K+. Com o abaixamento da concentrarão de potássio na solução do solo e aumento da concentração de íons H + . o potássio como constituinte de minerais primários. E facilmente determinado através do uso de soluções salinas. a falta de resposta da soja à adubação potássica em solo com baixo teor de K trocável foi demonstrada por Rosolem et al (1988) como sendo devida a significativa contribuição de formas não trocáveis do nutriente. merece. Assim sendo. tem-se observado significativa contribuição de potássio não trocável para a nutrição das plantas. 8. A contribuição do potássio não trocável para a nutrição das plantas só ocorre após sensível redução da reserva de potássio trocável e. Neste sentido.1. No Brasil. o potássio trocável é a principal forma responsável pelo suprimento deste nutriente às plantas. destaque estudos de Raij & Quaggio (1984). num processo denominado de Fixação de K+.

Ricci et al (1989). Na verdade.1. Assim. notadamente a maiores profundidades no solo. 8. muito pobres em minerais potássicos primários. portanto. Os mais importantes minerais primários potássicos são as micas e os feldspatos.5.5% na muscovita. os solos que se originam de rochas ricas em biotita raramente são deficientes em potássio. não se detectar mais este mineral primário nas frações silte e areia. Dados de levantamentos de solos são. usualmente segue a ordem biotita > flogopita > muscovita > microclina > ortoclásio. o primeiro facilmente hidrolizável e o segundo facilmente oxidável. De qualquer forma. estudando diversos solos de Minas Gerais. da CTC do solo. diminuição da eficiência da adubação potássica.2% na biotita e de 10. de maneira geral. A quantidade de potássio que lixivia para abaixo da camada do solo ocupada pelas raízes depende do volume de água percolada. Em solos mais intemperizados. muito importantes para se avaliar minerais potássicos. refere-se ao potássio removido para camadas mais profundas. Apenas. +2 A capacidade natural de suprimento de potássio depende diretamente do material de origem e do grau de intemperização do solo. enquanto nas micas é de 8. do tipo de anions presente na solução. caracterizando-se por um processo relativamente lento (Figura 8. é muito importante destacar a possibilidade de sua movimentação para camadas do solo fora do alcance das raízes. mesmo porque pode tratar-se de potássio em solução. mesmo em solos formados de rochas ricas em biotita. 87 . a lixiviação de potássio pode representar perdas deste nutriente para as plantas. liberando mais rapidamente o potássio existente entre as camadas de silicatos. como a maioria dos solos cultivados no Brasil. Dentro da dinâmica do potássio no solo (Figura 8. O quartzo foi o único mineral encontrado na fração areia. decompõe-se com maior facilidade. uma vez que nelas se encontram minerais que constituem a fonte natural de potássio para as plantas. De qualquer forma. com o movimento descendente da água.). da concentração deste nutriente na solução do solo. trata-se da principal fonte de potássio para as plantas crescendo sob condições naturais. O conteúdo de potássio no ortoclásio e microclina é cerca de 16% de K2O.A liberação do potássio mineral para a solução do solo ocorre através da intemperização dos minerais primários.). potássio trocável ou não trocável.1. ou seja. há uma tendência de.1. observaram que as frações areia e silte mostraram-se. da cobertura vegetal e do método de aplicação do potássio. o conhecimento da mineralogia das frações silte e areia é de grande importância. com as três posições octaedral ocupadas por cations tais como Mg +2 e Fe . em ordem decrescente. A seqüência de liberação de potássio. Isto porque. A biotita. Potássio Lixiviado O potássio lixiviado não representa uma forma de potássio propriamente dita.

Mas. A lixiviação de potássio será tanto maior quanto maior for a presença de anions na solução com menor capacidade de adsorção. 88 . trata-se de uma adubação pesada. aumentando as chances de perda por lixiviação. durante o ciclo de uma cultura de milho. o potássio aplicado ao solo tende a permanecer em grande parte na solução do solo. Cl-. deslocou-se para a camada abaixo de 30 cm de profundidade. com a água de percolação.. Sanzonowicz & Mieiniczuk (1985) observaram que o potássio. A kalsilita (KAISiO4) além de apresentar baixa solubilidade em água contém o anion SiO4-4.Em solos de baixa CTC. Figura 8. de qualquer forma. que é mais fortemente adsorvido do que o próprio fosfato.> SO4= > NO3. Os principais anions que acompanham os cations. entre os quais o potássio. a magnitude da lixiviação de potássio é um indicador do potencia1.3. (1979) verificaram em um Latossolo Vermelho-Escuro argiloso de cerrado que cerca de 25% dos 600 kg/ha de K 2O incorporados na camada de 0-10 cm na forma de KCI. Valores de K trocável no perfil do solo. na descida através do perfil do solo são nitrato.). cloreto e o sulfato. quando aplicado na forma de KCl . amostrado 150 dias após a aplicação de 0 e 300 Kg/ha. sofreu maior lixiviação do que quando aplicado na forma de K 2 SO4 ou de KAI SiO4 (Figura 8.de perdas deste nutriente. Estudando a distribuição do potássio no perfil de um solo Podzólico VermelhoAmarelo. o que acarreta uma maior concentração de potássio na solução. na forma de KCl. Souza et al. de acordo com a seguinte ordem: H2PO4. K2SO4 e SiO4. Sem dúvida.3.praticamente único fertilizante potássico existente no mercado -.

Sanzonowicz & Mielniczuk. As perdas de potássio por lixiviação podem ser reduzidas através do uso de fertilizantes menos solúveis e/ou contendo anions pouco móveis no solo. as plantas podem buscar grande parte do potássio em camadas abaixo da camada arável.05 N + H2SO4 0. No Brasil tem sido mais usado o extrator Mehlich HCI 0. favorecendo a lixiviação.extraído com acetato de amônio 1N tem sido o índice mais utilizado para avaliar a disponibilidade de potássio no solo para as plantas.2. Portanto. o potássio trocável . Todavia. o teor de potássio trocável é um candidato ainda mais forte para avaliar a disponibilidade deste nutriente. em função do processo de lixiviação deste nutriente. há estudos cujos resultados sugerem a necessidade de inclusão de fatores do solo.025 N -. nas interpretações dás análises de solo para fins de recomendação de adubação potássica (Silva & Meurer. soluções salinas e de ácidos diluídos são usadas com igual sucesso na determinação do teor de K trocável. também usado como extrator de fósforo. principalmente da CTC. não havendo qualquer restrição ao crescimento das raízes em profundidade. 8. que a camada arável pode representar muito pouco para avaliar a disponibilidade de potássio. Princípios da avaliação da disponibilidade de potássio no solo Na maioria dos países. dado a pouca contribuição de formas não trocáveis para a maioria dos solos. permitiu a definição de três grupos de CTC: menor que 5 meq/100 cc. Considerando a facilidade de desorção do potássio trocável. 1988). conforme já destacado. entre 5 e 9 meq/100 cc e maior que 9 meq/100 cc.o maior contato do potássio com o solo favorece a sua adsorção. mantendo alta concentração na solução e. que proporcionaram o rendimento máximo de matéria seca de trigo com teores de K trocável de 85. deve-se ressaltar . conduzido em casa de vegetação. No Brasil. a lixiviação (Ritchey. Mas. até mesmo de soluções salinas. notadamente com elevado teor de argilas do tipo 2:1. quando se tratar da necessidade de uso de maiores doses. o nível crítico para potássio tem situado na faixa de 80 a 100 ppm. 1985). respectivamente.O método de aplicação dos fertilizantes potássicos também pode influir na lixiviação deste nutriente. reduzindo. através de aplicação a lanço. Para a maioria dos solos brasileiros. 115 e 156 g/ml de solo. Quando a aplicação é feita a lanço . por consequência.potassagem . solos com maior CTC. realmente poderão ter nível crítico de potássio mais elevado. A aplicação no sulco faz com que o potássio fique concentrado numa pequena porção do solo. Conforme já discutido. a inclusão da CTC não deve contribuir significativamente para melhorar a recomendação de adubação potássica. dessa forma. O estudo destes autores. com valores de CTC normalmente abaixo de 5 meq/100 cc. 1982. e através do aumento da CTC do solo pela calagem ou pela adição de resíduos orgânicos ao solo. 89 . No caso do uso do extrator Mehlich ou.

tal contribuição tende a ser maior em camadas mais profundas. 90 . do K mineral para a nutrição das plantas. o teor de potássio trocável pode dizer muito pouco sobre a disponibilidade de potássio. não se deve esquecer da Possibilidade de contribuição do K não trocável .K fixado . Quando esta contribuição é mais significativa. até mesmo.e. Neste sentido.Ainda.

em solos altamente intemperizados e ácidos o crescimento radicular pode ser grandemente reduzido. fertilizantes específicos podem ser usados. A limitação imposta ao enraizamento profundo. ligada a prática da calagem.1. Portanto. Todavia. o cálcio apresenta uma dinâmica bastante simples no solo.1. Trata-se do único nutriente. Ca trocável Ca solução Ca mineral Ca lixiviado Figura 9. O tracejado representa uma liberação muito mais lenta do cálcio 91 . principalmente abaixo da camada arável. Quando há necessidade. aipo. repolho. até mesmo mais simples que a do potássio. amendoim e batata pode haver necessidade de adubações específicas com cálcio.Representação simplificada das formas de cálcio no solo e da sua dinâmica. Merece destaque especial a importância que o cálcio desempenha no crescimento radicular. maçã. é mostrada a dinâmica deste nutriente com a interrelação entre as diversas formas. em parte devido a deficiência de cálcio. devido a baixa disponibilidade de cálcio. O cálcio ocorre no solo apenas na forma catiônica de Ca +2 apresentando uma. por tratarem-se de espécies muito exigentes neste nutriente. mesmo em solos ácidos ou solos arenosos. à semelhança do que é observado para K + e Mg+2.CÁLCIO NO SOLO Apesar de ser um nutriente bastante exigido pelas plantas. para várias espécies tais como tomate. Formas e dinâmica do cálcio no solo Conforme já destacado. a aplicação de cálcio no solo está. a deficiência de cálcio não é muito comum. Na Figura 9.Í9 .1. beterraba. dinâmica muito simples. tem sido citada como um dos grandes desafios a serem vencidos no manejo da fertilidade do solo para obtenção de maiores produtividades em solos ácidos do Brasil. através de seu papel na divisão e elongação celular. normalmente. cujo suprimento externo às raízes é crucial para o crescimento das mesmas. 9. citros. Em situações em que o cálcio é requerido sem a necessidade de corrigir a acidez do solo. sendo o terceiro nutriente em exigência.

20.20 (Lund. a disponibilidade pode depender da difusão. um contínuo suprimento é essencial.1. ou seja. pode haver necessidade de adubação com cálcio. em maçã. 1970). Por sua vez. quando a concentração de cálcio é mais elevada. sob condições de reduzida taxa de nitrificação.15 é a desejada para o crescimento de raízes de algodão. Conforme destacado no capítulo 4. o uso de fertilizantes amoniacais pode induzir a deficiência de cálcio. Isto. sob condições mais úmidas .10 a 0. o alumínio afeta grandemente a aquisição de cálcio pelas plantas. AI+3 em solos ácidos e Na+ em solos salinos (Vide Figura 1.1. Portanto. pimentão. portanto. que. apresenta-se na solução do solo em concentrações relativamente elevadas. não por competição direta mas por alterações na região da raiz capaz de absorver este nutriente. o qual é rapidamente absorvido pelas plantas. são mais comuns os sintomas de deficiências em cálcio. K+. A disponibilidade de cálcio. na quase totalidade dos solos cultivados. principalmente em períodos de grande exigência deste nutriente. Não se deve esquecer que o cálcio é praticamente imóvel na planta. enquanto a elongação de raízes de soja ocorre na taxa máxima quando a relação é de 0. aparecendo as conhecidas desordens fisiológicas. a quantidade de cálcio requerida pelas plantas pode ser suficientemente transportada por fluxo de massa. 1. Em média. exceto em solos altamente intemperizados e ácidos.baixa taxa de transpiração dos frutos -. É evidente que. Neste caso o Ca+2 sofre competição com o NH4+ propriamente dito e com os íons H+ liberados com a absorção desta forma nitrogenada. sem contar a contribuição da interceptação radicular. 92 . com o cultivo de espécies muito exigentes neste nutriente.16 e 0. tais como Mg +2 . é muito afetada por outros cátions normalmente presentes na solução do solo.9. A absorção de Ca+2 sofre inibição competitiva com NH4+. de forma que a absorção de cálcio é afetada. A absorção de cálcio pelas plantas é quase que restrita à região apical da raiz. por exemplo. Uma relação cálcio/total de cátions na solução de 0. Isto porque.). aqui incluídos os solos ácidos devidamente corrigidos com a calagem. à porção da raiz sem endoderme suberizada. notadamente para as espécies mais exigentes neste nutriente. com enfoque para o processo de sua absorção. baixo teor de água no solo. Nesta situação. tomate. muito embora o cálcio seja bem menos absorvido pelas plantas do que o potássio. salinidade e/ou elevada concentração de cations competidores com o cálcio na absorção. O fator transporte praticamente não exerce qualquer efeito na disponibilidade de cálcio. Esta é a parte da raiz mais afetada pelo alumínio. neste sentido. aipo e melancia. sob menor disponibilidade de cálcio no solo. Cálcio na Solução O cálcio. a concentração de Ca+2 é cerca de dez vezes maior que a de K+. pode contribuir em muito para a aquisição do cálcio. desordens fisiológicas em tomate é evitada com a manutenção desta relação na solução entre 0.10 a 0. cenoura. Inclusive. NH4+.

pode-se ter crescimento muito satisfatório com saturações bem abaixo de 50%. Uma alta saturação de cálcio é indicativo de prevalecer no solo uma faixa de pH ideal. o cálcio é fortemente adsorvido pelos colóides.2. os íons cálcio são igualmente adsorvidos a despeito da mineralogia do solo. potássio.1. A maioria das espécies. o suprimento de cálcio para a solução do solo e. Por outro lado. As argilas do tipo 2:1 requerem uma saturação de cálcio de 70 a 80% para liberar este nutriente suficientemente para a solução do solo. apatita e certos borossilicatos.há um deslocamento de íons cálcio da fase sólida para a fase líquida.há uma adsorção dos íons cálcio pelos colóides. muito mais fortemente que magnésio.9.é O mais importante mineral primário contendo cálcio. A augita e hornblenda também são comuns e contém cálcio. satisfazem os requerimentos de cálcio da maioria das plantas.Ca Al2 Si2 O8 . 9. com saturação entre 40 e 50%. A ligação de adsorção do cálcio aos colóides orgânicos. normalmente. considerando sua resistência a solos ácidos. principalmente aos ácidos húmicos. baixa concentração ou ausência de alumínio em solos ácidos e baixa concentração de sódio em solos salinos. respondem a adubação com cálcio quando a saturação de cálcio está abaixo de 25%. é mais específica do que para os demais cátions dos macronutrientes.1.). amônio e sódio. portanto. Por se tratar de cátion divalente e com pequeno raio de hidratação. O tipo de argila influencia a disponibilidade de cálcio. ou seja. Cálcio Mineral A anortita . fica totalmente na dependência da quantidade de cálcio trocável. Em termos práticos. O complexo de troca de cátions do solo dominado pelo cálcio está. Nenhuma argila apresenta sítios seletivos de adsorção para cálcio. Se a atividade do cálcio decresce em solução através da absorção pelas plantas ou da lixiviação . com o cálcio adsorvido nos colóides orgânicos ou inorgânicos (Figura 9. 93 . Pequenas quantidades de cálcio também podem originar da biotita. As argilas do tipo 1:1 e os óxidos de ferro e de alumínio. como é o caso de muitos solos ácidos e intemperizados do Brasil. Em solos que não contém minerais primários capazes de liberar cálcio. para as plantas. Dependendo da espécie. se a atividade de cálcio na solução aumenta através da calagem ou adubação .1.3. por outro lado. associado com maiores produtividades. O cálcio da solução do solo está em equilíbrio dinâmico com o cálcio trocável. exceto aquelas adaptadas a solos ácidos. consequentemente. pode-se considerar como ideal para a maioria dos nossos solos e das espécies cultivadas uma saturação entre 50 e 70%. Cálcio Trocável Assim como acontece com os demais cations.

é muito importante destacar a possibilidade de sua movimentação para camadas abaixo da camada arável.). na presença de CO 2. da CTC do solo. mesmo porque pode tratar-se de cálcio em solução ou de cálcio trocável. quando se trata de solos altamente intemperizados e ácidos (Quadro 9. forma-se carbonato ácido de cálcio. Todavia.1. conforme já enfatizado. O aumento da atividade de íons H+ na solução e também de agentes quelantes acelera o processo de intemperização dos minerais cálcicos.1) Em solos formados de rochas com baixo teor de minerais primários contendo cálcio ou em solos altamente intemperizados. potássio e magnésio. conforme observado por Braga (1991) e apresentado na Figura 9.1. Cálcio Lixiviado O cálcio lixiviado não representa uma forma de cálcio propriamente dita. sua lixiviação não é tão intensa e.4. conseqüente. Como o cálcio é mais fortemente adsorvido que amônio. que é muito mais solúvel (reação 9. Os solos dessas regiões geralmente são ricos em cálcio como resultado da baixa precipitação e.1). 9. do tipo de anions presente na solução e da concentração de CO2 no solo. 94 . a contribuição do cálcio mineral é negligível. alguns dos minerais citados sejam adicionados ao solo.1. A menos que. com a percolação de água.) a partir do momento em que os minerais primários citados sofrem intemperização ou decomposição no solo. Deve-se ressaltar que através das práticas de calagem. A decomposição dos carbonatos é muito dependente da produção de CO 2 no solo. da baixa lixiviação. CaCO3 + CO2 + H2O Ca(HCO3)2 (9. A calcita é um mineral de baixa solubilidade. a dolomita e gesso também podem-se fazer presentes. O aumento da irrigação e/ou da dose de gesso promove uma movimentação mais intensa de cálcio em profundidade. o enriquecimento de camadas mais profundas com cálcio pode ser de grande importância para o enraizamento em profundidade. dentro da dinâmica do cálcio no solo (Figura 9. Isto porque. A lixiviação do cálcio para camadas mais profundas no solo depende do volume de água percolada. da concentração deste nutriente na solução do solo. Apenas. De qualquer forma.A calcita normalmente é o mineral dominante como fonte de cálcio em solos de regiões áridas e semi-áridas. refere-se ao cálcio removido para camadas mais profundas. na verdade. Nestas condições. gessagem e fosfatagem corretiva com fosfato natural está se aplicando ao solo formas de cálcio mineral.2.). não chega a preocupar em termos de perdas. O cálcio é liberado lentamente para a solução (Figura 9.1.

Teores de cálcio a diferentes profundidades do solo.2. (C) 17. 95 . (6) Gesso Figura 9. (4) Silva (1990).4 mm H2O / dia.30 30 . Efeito de aplicações de gesso na distribuição de raízes em profundidade de várias espécies vegetais crescendo em solos altamente intemperizados Milho(1) Maçã(2) Alfafa(3) Algodão(4) Distribuição Densidade Comprimento Comprimento relativa de raízes de raízes de raízes de raízes ______________________________________________________________ T(5) G(6) T G T G T G % 53 17 10 8 2 34 25 12 19 10 50 60 18 18 18 cm/g 119 104 89 89 89 m/m3 115 30 19 10 6 439 94 96 112 28 cm 981 548 448 183 145 3658 2657 1682 1200 804 Profundidade Cm 0 -15 15 .5. em função de doses de gesso e do nível de irrigação: (A) 8.45 45 .9.1.Quadro 9. (2) Pavan & Bingham (1986).60 60 .75 (1) Souza & Ritchey (1986). (3) Sumner & Carter (1988). (B) 13. (5) Testemunha.

aumentando a liberação de CO 2 e. conforme destacado na reação 9. A solução extratora mais comumente usada é o acetato de amônio 1N a pH 7. a matéria orgânica através de sua decomposição (vide reação 5. várias outras soluções salinas. de grande importância. muitos laboratórios do mundo nem determinam o cálcio. A sua correção. A definição de níveis de fertilidade para o cálcio não tem grande importância no manejo da fertilidade do solo. em complementação ou não à calagem pode tornar-se uma preocupação. de acordo com a ordem: H2PO4 > SO4= > NO3. ácidos diluídos ou resina trocadora de íons resultam em resultados equivalentes. As principais fontes de CO2 para o solo são a água da chuva.1. 9. o cálcio não é dos principais problemas em solos ácidos. Na verdade. Princípios da avaliação da disponibilidade de cálcio no solo Assim como acontece para o potássio. a exsudação radicular e. quando exigida. normalmente. o cálcio trocável tem sido o índice mais utilizado para avaliar a disponibilidade de cálcio no solo para as plantas. destaca-se o papel da concentração ou pressão parcial de CO2 no solo na lixiviação de cálcio através da formação de Ca(HCO3)2 em solos contendo CaCO3 livre. com a correção da acidez este nutriente será suficientemente adicionado ao solo. Portanto. De outra forma. Com isto. Ainda.2. Em termos quantitativos. a combinação de calagem e incorporação de resíduos orgânicos pode promover uma significativa lixiviação de cálcio na forma de Ca(NO3)2. a elevação do pH favorece a mineralização. consequentemente. é via calagem.). mesmo em solos com apenas Ca+2 livre na solução pode-se formar Ca(HCO3)2. pois. é muito comum a extração com KCI 1N. se necessária. a lixiviação de cálcio será tanto maior quanto maior for a presença de anions na solução com menor capacidade de adsorção. o NO3 desempenha um papel muito mais importante que HCO 3 na lixiviação de cálcio.1. Isto porque.Conforme já discutido para potássio. No Brasil. A sua determinação no solo representa muito mais um indicativo adicional dos problemas inerentes à acidez do solo do que a sua disponibilidade propriamente dita. Em solos que receberam calcário. O Ca (HCO3)2 é muito mais solúvel que CaCO3 e pode movimentar-se mais em profundidade.0. Cl-. Finalmente. a percolação de Ca (HCO3)2 com a água. um tratamento específico em termos de adubação. Apenas em cultivos específicos de espécies exigentes é que a adubação com cálcio. o cálcio não recebe. Até mais importante ainda. 96 . devido a aceleração da nitrificação pito aumento do pH. a aplicação de resíduos orgânicos ao solo pode ser importante para aumentar a lixiviação de cálcio.

podem surgir problemas com o suprimento de magnésio nas seguintes situações: em solos ácidos altamente intemperizados. O tracejado representa uma liberação muito mais lenta do magnésio 10. O magnésio ocorre no solo apenas na forma catiônica de Mg+2 e apresenta. batata. 10. uma dinâmica muito simples. em cultivo com adubações pesadas de potássio ou amônio.MAGNÉSIO NO SOLO O magnésio é pouco exigido pelas plantas.1. a deficiência deste nutriente não é muito comum.1. merecem destaque o milho. à semelhança do cálcio. associada à prática da calagem. com exigência similar ao fósforo e enxofre. pode haver a necessidade de uso de fertilizantes específicos.1. Magnésio na Solução 97 . Entre as espécies mais exigentes em magnésio.1 . Com isto. citros e fumo. A aplicação de magnésio no solo está. Formas e dinâmica do magnésio no solo As formas e dinâmica do magnésio são apresentadas na Figura 10.10 . no cultivo de espécies mais exigentes em magnésio.1. e considerando que a disponibilidade de magnésio é satisfatória na maioria dos solos. como os calcários muitas vezes apresentam baixo teor de magnésio. normalmente. Representação simplificada das formas de magnésio no solo e da sua dinâmica. em solos ácidos cultivados com aplicação de altas doses de calcário pobre em magnésio. em solos arenosos. Mg trocável Mg solução Mg mineral Mg lixiviado Figura 10. Todavia. Entretanto. algodão.

Isto. Existem recomendações técnicas para ajustar-se a relação Ca/Mg para valores entre 3 e 4. Com respeito às interações entre cations no solo. sem contar a contribuição da interceptação radicular.1. A percentagem de saturação com magnésio necessária para o ótimo crescimento das plantas depende da natureza do solo e da espécie vegetal. de forma que a relação Ca/K é importante para assegurar alta produtividade. Todavia..A solução do solo é a fonte imediata de magnésio para as plantas. NH4+. Enfim. em alguns casos. que a mesma seja de no máximo 7. a concentração de magnésio na solução do solo é relativamente elevada. em termos de absorção pelas plantas. tais como Ca+2. K+.2. e em função da baixa demanda das plantas por este nutriente. AI+3 em solos ácidos e Na+ em solos salinos (vide Figura 1. Por outro lado. a recomendação de uso de um calcário contendo magnésio ou de uso de fertilizantes magnesianos é feita quando a percentagem de saturação de magnésio é menor do que a de potássio.4meq Mg/100 cc de solo. Quaggio et al. O magnésio trocável normalmente perfaz de 2 a 20% do complexo de troca do solo. Com isto. Na maioria das vezes. as relações Ca/Mg e Mg/K foram pouco importantes para a produtividade. facilmente deslocados ou trocados por outros cátions da solução. Assim como já discutido para potássio e cálcio. muitos resultados experimentais não sustentam tais recomendações. Exceto em solos ácidos altamente intemperizados ou em certos solos arenosos. tem-se enfatizado mais a relação Ca/Mg. quando a percentagem de saturação de magnésio é menor que 3% ou quando o teor de magnésio trocável é menor do que 0. 98 . o transporte de magnésio por fluxo de massa quase sempre é suficiente para atender a necessidade das plantas. a disponibilidade de magnésio. Por exemplo. ou. Em termos práticos. desde que o pH do solo esteja numa faixa adequada e não se tenha um destes dois nutrientes em valores absolutos muito reduzidos. Enfim. (1992) observaram que na laranjeira existe forte antagonismo entre Ca e K.1). é muito afetada pela presença de outros cations na solução. com ênfase para a sua absorção. 10. à medida que as plantas absorvem este nutriente. trata-se do magnésio da fase sólida capaz de prontamente ressuprir a solução do solo.Magnésio Trocável O magnésio trocável é representado pelos íons Mg+2 adsorvidos nas cargas negativas dos colóides do solo por atração eletrostática. a saturação ideal está entre 10 e 20%. a relação Ca/Mg parece não ser tão critica quanto se pensava.

Magnésio Mineral Em solos bem menos intemperizados.1. Como o magnésio é menos fortemente adsorvido que o cálcio . 99 . por exemplo. A menos que o solo sob cultivo tenha recebido grande quantidade de calcário dolomítico ou magnesiano. seu teor em frutos e grãos é muito baixo.o magnésio apresenta raio iônico hidratado maior que o cálcio -.1. tanto por lixiviação quanto por remoção nas colheitas sucessivas de grãos e frutos. a longo prazo. Portanto. Na verdade.2. para destacar a possibilidade de lixiviação deste nutriente para camadas do solo abaixo do alcance das raízes. dolomita. a contribuição do magnésio mineral.4. o qual pode ainda apresentar grande quantidade de dolomita.1. o magnésio é mais susceptível de remoção do solo do que o cálcio. é preciso considerar que a lixiviação de cálcio em solos pobres neste nutriente é desejável. a avaliação da disponibilidade de magnésio no solo é feita com base na determinação do teor de magnésio trocável. mais provavelmente.Magnésio Lixiviado O magnésio lixiviado não representa uma forma de magnésio propriamente dita.10. olivina e serpentina pode ser importante para a disponibilidade deste nutriente. Apenas é apresentado na dinâmica do magnésio no solo (Figura 10. o uso de gesso em quantidades elevadas em solos com baixa CTC pode promover uma acentuada lixiviação de magnésio.1. é o contrário. A concentração de magnésio nos grãos é muito maior que a de cálcio.). merece destaque o fato de que. que normalmente retomam ao solo. hornblenda. à semelhança do que acontece para o cálcio. é negligível. Princípios da avaliação da disponibilidade de magnésio no solo Assim como acontece para potássio e cálcio. do volume de água percolada. Ainda. muito embora a taxa de liberação seja lenta em comparação com a demanda das plantas (Figura 10. mesmo porque pode tratar-se de magnésio em solução ou de magnésio trocável. do tipo de anions presentes na solução e da concentração de CO2 no solo. enquanto que nos restos vegetais. da CTC do solo. 10. o magnésio presente em minerais primários tais como biotita.3. A lixiviação do magnésio para camadas mais profundas do solo depende. 10. a sua lixiviação tende a ser mais intensa que a do cálcio. no sentido de se promover maior enraizamento em profundidade no solo. A lixiviação do magnésio. Na grande maioria dos solos brasileiros. Dado a baixíssima mobilidade do cálcio nas plantas. quando se compara cálcio com magnésio. da concentração deste nutriente na solução. por sua vez. é indesejável.).

até mesmo. Todavia. não apresentam este nutriente em sua composição. normalmente. também não recebe um tratamento específico em termos de adubação. O magnésio.As soluções extratoras mais usadas são as mesmas já destacadas para o cálcio. considerando que muitos calcários disponíveis no mercado são pobres em magnésio ou. sua correção deve ser feita através da prática da calagem. 100 . Idealmente. a definição de níveis de fertilidade para o magnésio torna-se mais importante que para o cálcio. quando exigido.

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