MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA – MG Departamento de Ensino de 2º Grau Departamento de Ciências Humanas e Sociais Fundamentos de Sociologia

Política – Prof. Bráulio Silva Chaves Turma: Química 3A Alunos: Ayeska Barbosa, Camila Renata, Guilherme Bedeschi, Maria Luiza Aquino, Mariana Gabriela de Oliveira, Mariana Myriam Fraga, Roger Highlander.

Seminário: “Weber e a Sociologia: aplicando os conceitos” Grupo 3 – TEMA: Weber como chave de interpretação do mundo religioso
Weber (1864-1920) buscava entender a razão da prosperidade do capitalismo nas grandes potências econômicas mundiais – Estados Unidos, França e Alemanha – da época. Para isso, procurou similaridades e fez generalizações entre estes países por meio de dados estatísticos e concluiu que “[...] os homens de negócios e donos do capital, assim como os trabalhadores mais especializados [...] são, predominantemente, protestantes” (WEBER, 2009, p. 39). A partir disso, Weber constatou uma nova mentalidade que orientava a vida sócio-econômica da população capitalista, mentalidade esta que é influenciada por princípios religiosos. Ao buscar na História o motivo do surgimento dessa nova mentalidade, notou que a partir do momento em que as práticas econômicas passaram a não condizer com a ideologia da Igreja Católica da época (séc. XVI), o protestantismo foi fortalecido. Os princípios protestantes defendiam e justificavam as práticas capitalistas por meio de ideias como a preocupação com o aproveitamento do tempo para que se trabalhasse o máximo possível a serviço de Deus (Quakers), a não rejeição das oportunidades de trabalho e lucro como propósito inquestionável de Deus (Puritanos) e o ato de seguir uma vocação definida por Ele como missão (Luteranos). Esse ethos¹, ou seja, o espírito do capitalismo, é um tipo ideal² de Weber. No mundo Oriental, o ascetismo, isto é, a busca pela ascensão e desenvolvimento espiritual, era exterior. Isso significa que as práticas religiosas não influenciavam na vida econômica da sociedade, logo, o ascetismo extramundano não era capaz de impulsionar o desenvolvimento do capitalismo. Já o protestantismo proporcionou esse desenvolvimento por meio do ascetismo intramundano, o qual se diferenciava do outro no que diz respeito à ação e recompensa. Dessa forma, o ascetismo é racionalizado e sistematizado pelas ideias
¹ Ethos, palavra de origem grega que significa costumes, modo de pensar de um povo, voz pública, consciência viva da sociedade. ² Tipos ideais, segundo Max Weber, são abstrações, categorias que os cientistas sociais criam para compreender o real.

protestantes, nas quais o trabalho torna-se culto de ação de graças a Deus.

O trabalho, como glorificação ao Criador, tem como recompensa o dinheiro. Este é apenas uma conseqüência do cumprimento do trabalho, que é o objetivo final, único caminho para satisfazer a Deus. Portanto o acúmulo de capital deixa de ser considerado pecado, como era para a Igreja Católica, e se torna uma dádiva, um presente de Deus. Porém a ostentação desta riqueza continua sendo vista como pecado. Essa nova visão racional da relação entre religião e vida econômica introduziu espírito, isto é, vida ao capitalismo. Esse espírito proporcionou o desenvolvimento econômico através da estruturação de empresários e trabalhadores ideais, que trabalham buscando agradar a Deus. A partir da reportagem Paradoxos e Semelhanças entre Religião e Business, escrita por Emerson José Sena da Silveira, publicada na Revista Sociologia, Ciência & Vida, nota-se, atualmente, que a religião utiliza os artifícios capitalistas, em especial o marketing. Isso pode ser percebido nos horários e canais televisivos comprados pelas instituições religiosas e o aumento da venda de livros de mesma temática voltados para o mundo dos negócios. Essa forma de divulgação “de mensagens religiosas é vista como oportunidade divina” (SILVEIRA, p. 67) pelos fiéis. Segundo Weber, após a consolidação do capitalismo, este se tornou independente da religião, conforme o trecho “Hoje, o espírito do ascetismo religioso, quem sabe se definitivamente, fugiu da prisão. Mas o capitalismo vitorioso, uma vez que repousa em fundamentos mecânicos, não mais precisa de seu suporte.” (WEBER, 2009, p. 140). No entanto, muitas empresas lançam mão da “espiritualidade corporativa”, que visa conciliar lucro, sociedade e meio ambiente, harmonicamente, através do suporte ao trabalhador. Para tal consolidação, os valores espirituais são incorporados nas práticas organizacionais, por meio de discursos motivadores, palestras, cursos, empresas de consultoria, livros, dentre outros. Também se tem observado o crescimento das igrejas protestantes principalmente em épocas de crise - como a década de 1980 no Brasil, quando a Ditadura Militar chegava ao fim e havia uma recessão econômica (Década Perdida) - justificada pela fragilidade a que, principalmente os menos favorecidos, estão sujeitos. Isso se dá pelos discursos religiosos que prometem o sucesso profissional e familiar, dentre outros, e que representam um forta³ Suporte fornecido pelo ascetismo religioso.

lecimento da teoria da ética do trabalho, na qual, para alcançar o sucesso no emprego, é necessário trabalhar mais.

Referências Bibliográficas: - WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2009 - SILVEIRA, Emerson José Sena da. Paradoxos e Semelhanças entre Religião e Business, Revista Sociologia Ciência & Vida,ano III, nº 22 , p. 63-67

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful