Comandos de Eletropneumática

Exercícios Comentados para Elaboração, Montagem e Ensaios
O Método Intuitivo de elaboração de circuitos:
As técnicas de elaboração de circuitos eletropneumáticos fazem parte das informações tecnológicas necessárias para o desenho de qualquer circuito elétrico de comando seguro e eficaz para o controle dos movimentos de atuadores pneumáticos. O método intuitivo, dentre outras, é uma destas técnicas. No método intuitivo utiliza-se o mecanismo do pensamento e do raciocínio humano na busca da solução de uma situação-problema apresentada. Dessa forma, se podem obter diferentes soluções para um mesmo problema em questão, que é característica principal do método intuitivo. Porém nada impede que o método intuitivo se apóie também em alguma forma de ferramenta. Tanto o método intuitivo (quando bem apoiado por uma ferramenta de raciocínio), quanto o método cascata (também chamado de seqüência mínima ou minimização de contatos) apresentam a característica de reduzir número de relés auxiliares utilizados no comando elétrico. Tal redução é muito desejável quando se projeta um comando que será implementado utilizando componentes físicos reais, pois significa considerável redução de custos. Entretanto o método intuitivo difere do método cascata pela forma de raciocínio e pelo tipo de ferramenta de apoio utilizada: o método intuitivo é apoiado pela ferramenta denominada Mapa de Acionamentos, utilizando como referência um diagrama Trajeto-Passo e / ou uma Seqüência Algébrica. Exemplo de mapa de acionamentos:
BOTÔES RELÊS AUXILIARES SOLENOIDES DE VÁLVULAS MOVIMENTOS DA SEQÜÊNCIA CHAVES FIM DE CURSO

Sem tal ferramenta de apoio o método intuitivo é possível, mas se torna muito menos eficiente não garantindo uma minimização do uso de relês auxiliares e ficando ainda dependente de uma rotina de tentativa e erro. O método intuitivo considera ainda duas regras básicas: √ Utiliza relês auxiliares para funções de memorização do comando de válvulas direcionais que são acionadas por simples solenóide;

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sempre após a ocorrência de dois movimentos consecutivos de sentidos opostos. elaborar o diagrama de comando para as seguintes seqüências: 1.B+ A+ A. a necessidade de incluir um botão de partida.A+ A.A+ A. Exercício: Dado o diagrama pneumático abaixo: A • S1 S2 B S3 S4 Y1 Y2 Y3 Usando o método intuitivo. de um mesmo atuador. manualmente comandado.B+ B3. • A sobreposição de sinais ocorre de um modo que ela afeta o comando de um próximo movimento de uma dada seqüência. Dois contatos NF em paralelo se a função da combinação for desligar um relê auxiliar ou um solenóide de válvula (função lógica “Não-E”).√ Utiliza relês auxiliares para resolver problemas de lógica seqüencial: com o recurso da combinação de sinais de modo a prover a habilitação ou desabilitação de um dado sinal de comando para os casos de sobreposição de sinais. para elaboração do circuito de comando de todas as 4 seqüências propostas.A+ B+ A.B2. A combinação de sinais é implementada associando-se em série ou paralelo no circuito os contatos relativos a estes sinais: Dois contatos NA em série se a função da combinação for ligar um relê auxiliar ou um solenóide de válvula (função lógica “E”).B- Considere ainda. 2 .A4. para dar início à execução da seqüência de acionamentos.A+ B+ B.

A única exceção a essa regra são os casos de seqüências nas quais ocorre sobreposição de sinais. BOTÔES RELÊS AUXILIARES SOLENOIDES DE VÁLVULAS MOVIMENTOS DA SEQÜÊNCIA CHAVES FIM DE CURSO B1 A+ S2 B+ S4 AS1 BS3 3 .B- Comentário: Comece o mapa de acionamentos assinalando nele a seqüência de movimentos desejada: BOTÔES RELÊS AUXILIARES SOLENOIDES DE VÁLVULAS MOVIMENTOS DA SEQÜÊNCIA CHAVES FIM DE CURSO A+ B+ A- B- Em acionamentos seqüenciais de atuadores eletropneumáticos. normalmente o primeiro movimento é comandado a partir do acionamento manual de um botão de partida (push-button) e cada um dos movimentos subseqüentes é comandado a partir do acionamento da respectiva chave de fim de curso do movimento anterior.Exemplos de Soluções para os Exercícios Propostos: Situação Inicial da Planta (para todos os exercícios propostos) – Situação de repouso do sistema com alimentação de ar ligada: A B 1- A+ B+ A. conforme a definição dada à ocorrência desses casos.

Caso contrário o relê permaneceria “selado”. Podemos considerar o comando para esta seqüência (A+ B+ A. Assim. Esta retenção pode ser obtida por um esquema de ligação que utiliza um contato NA do próprio relê (K1) associado em paralelo com o contato NA do elemento acionador (B1) para manter o relê energizado. A este contato denominamos “contato de selo”. Já no caso de válvula de simples solenóide com retorno por mola. no devido momento. energizado por tempo indefinido. Mapa de Acionamentos: BOTÔES RELÊS AUXILIARES SOLENOIDES DE VÁLVULAS MOVIMENTOS DA SEQÜÊNCIA CHAVES FIM DE CURSO B1 K1 Y1 A+ S2 Y2 B+ S4 K1 Y1 AS1 Y3 BS3 4 . nós podemos antecipadamente “prever” a necessidade do uso de um contato NF em série (por exemplo.Para se solucionar a lógica de comando para um acionamento seqüencial devemos começar com os seguintes questionamentos: • • Qual solenóide dever ser energizado para provocar um dado movimento? A válvula associada a esse solenóide é de duplo ou simples solenóide? No caso de válvula de duplo solenóide. caso contrário. em contrapartida. que terá a finalidade de fazer a retenção da ativação da válvula simples solenóide associadas ao cilindro A. além de acionar o solenóide relacionado ao movimento desejado.B-) relativamente simples de solucionar uma vez que nela não ocorre sobreposição de sinais. e o esquema de ligação é conforme mostrado na figura a seguir: Repare que sempre que utilizarmos este esquema de ligação. é preciso se ter em mente a necessidade de manter a energização do solenóide de avanço por tanto tempo quanto se deseje que o avanço seja mantido e é justamente aqui que faz necessária a utilização de um relê auxiliar. para retornar basta apenas cortar a energia do solenóide de avanço. de um mesmo atuador. S4). para que tenhamos a possibilidade de. a contrapressão impediria o movimento desejado. Para que o relê auxiliar mantenha o solenóide de avanço ativado é necessário que o seu comando possua alguma forma de retenção. desenergizar o relê. usaremos apenas um relê auxiliar. mas. deve-se também tomar o cuidado de que o solenóide do movimento oposto não esteja simultaneamente acionado. pois nesta seqüência não há ocorrência de dois movimentos consecutivos de sentidos opostos.

Diagrama de Comando: Versão 1 : Esta solução de comando atende perfeitamente a necessidade da seqüência especificada. conforme apresentado a seguir: 5 . Isso pode não ser conveniente. No entanto algo ainda pode ser melhorado. Podemos facilmente ser evitado com uma pequena modificação na linha de comando do solenóide Y3. Repare que o solenóide Y3 permanece energizado mesmo quando a planta esta em seu estado de repouso. pois pode reduzir a vida útil do solenóide bem como significa um desperdício de energia elétrica.

adotarmos de antemão que o mapa de acionamentos tenha sempre uma coluna a mais que o número de movimentos previstos na seqüência. podemos assumir como regra. Mas fique atento. Isto foi possível devido ao fato de que ao ativarmos Y3. para que a solução do mesmo não fique como um aprimoramento a posteriori. Algo ainda interessante de ser notado é que nós ativamos o solenóide Y3 sem nos preocuparmos em desativar o solenóide Y2. assim.Versão 2 : Coluna Extra BOTÔES RELÊS AUXILIARES SOLENOIDES DE VÁLVULAS MOVIMENTOS DA SEQÜÊNCIA CHAVES FIM DE CURSO B1 K1 Y1 A+ S2 Y2 B+ S4 K1 Y1 AS1 Y3 BS3 Y3 Associando um contato NF de S3 à linha de comando do solenóide Y3 evitamos que o mesmo permaneça energizado quando a planta se encontra no estado de repouso. Problema semelhante a este poderá ocorrer em outras seqüências dadas. pois este desligamento automático nem sempre ocorre em outras seqüências. como é o caso das que veremos posteriormente. Y2 já havia se desligado automaticamente no início do movimento A-. 6 . sendo que ambos estão associados à mesma válvula direcional duplo solenóide.

nenhum movimento posterior que venha a ter seu comando afetado. devemos criar uma outra condição apropriada para comandar este movimento. O modo como o comando do movimento B+ é afetado pela sobreposição de sinais é que tal movimento não poderá ser comandado simplesmente pela condição dada pelo sinal da chave de fim de curso do movimento imediatamente anterior (S1). a planta está no estado de repouso. Entretanto um segundo relê auxiliar será também necessário. ou. uma vez que temos dois movimentos consecutivos de sentidos opostos de um mesmo atuador (A+ A-). Temos ainda outros dois movimentos consecutivos e de sentidos opostos de um mesmo atuador (B+ B-). não existindo assim. a condição adequada para ativar o movimento B+ é: A chave S1 deve estar acionada “E” O movimento A+ já deve ter sido previamente executado Assim devemos fazer uso de um relê auxiliar (K2) para memorizar que o evento A+ já foi executado. por exemplo. mas sim. mas.2- A+ A. afetando a ativação do próximo movimento da seqüência (B+). mas no primeiro caso ele deve ser evitado! Deste modo. Isso porque devemos considerar e diferenciar duas situações: 1) A chave fim de curso S1 está acionada por que ainda não executamos o movimento A+. Somente no segundo caso o movimento B+ deverá ser executado. pois nesta seqüência certamente temos a ocorrência de sobreposição de sinais.B+ B- Comentário: Nesta seqüência também usaremos um relê auxiliar com a finalidade de fazer a retenção da ativação da válvula simples solenóide associadas ao cilindro A. Mapa de Acionamentos: BOTÔES RELÊS AUXILIARES SOLENOIDES DE VÁLVULAS MOVIMENTOS DA SEQÜÊNCIA CHAVES FIM DE CURSO B1 K1 Y1 A+ S2 K2 K1 Y1 AK2∧S1 Y2 B+ S4 K2 Y2 Y3 BS3 7 . 2) A chave fim de curso S1 está acionada por que já acabamos de realizar o movimento A-. neste caso. estes movimentos encerram a seqüência.

Diagrama de Comando: Versão 1 : 8 . e somente se. Em termos de circuito. ou seja: S1∧K2 A função “E” é representada pelo símbolo “∧”. o sinal da chave de fim de curso S1 se torna ativo mas o comando do próximo movimento (B+) não será feito diretamente por este sinal (S1).Repare que. como mostrado a seguir: O solenóide Y2 somente será energizado se. ao final do movimento A. podemos implementar tal função “E” por associar em série dois contatos Nados respectivos sinais.. somente se K2 “E” S1 forem simultaneamente acionados. ou seja. ambos os contatos K2 e S1 forem acionados. mas sim por uma combinação “E” deste sinal com o sinal do relê K2.

mas que surgirão com certeza nos próximos exercícios. para desligar o outro relê que precisamos desligar. Entre estes motivos podemos alistar: • O relê auxiliar a ser ligado num determinado momento é sempre um único relê. ou seja. o único detalhe diferente é que: Na versão 2 usamos a seguinte estratégia: S2 K2 K1 K2 K1 Apesar da diferença.Versão 2 : Repare que. As duas soluções de comando mostradas acima satisfazem igualmente a seqüência do exercício 2. Nos casos em que o comando para ligar um determinado relê resulta de uma combinação de sinais (combinação de contatos). usamos um de seus próprios contatos. desligar outro. concomitantemente. Enquanto que na versão 1 usamos a estratégia: S2 • 9 . se precisamos ligar um relê auxiliar e. uma vez que o solenóide Y3 se desliga automaticamente ao iniciarmos o último movimento (B-). via de regra. ao passo que no mesmo momento relês a serem desligados podem vir a serem vários. que têm seqüências em ordens diferentes e que possuem maior número de movimentos. no entanto. primeiramente devemos ligar o relê que precisa ser ligado para em seguida. uma vez que este relê seja efetivamente ligado. com esta seqüência. a versão 2 é mais conveniente para a consistência do método intuitivo. os quais não se aplicam agora neste exercício. diferentemente do exercício anterior não foi necessária a utilização da coluna extra do mapa de acionamentos. Essa conveniência é devida a alguns bons motivos. um único contato deste relê já carrega toda a condição da combinação de sinais. a funcionalidade é exatamente a mesma.