ISSN 0102-3?

13
41
Ccnccrdia, SC
Dezembrc, 2004
Autcr
Julio César Pascale Palhares
Zootec., D.Sc.
palhares@cnpsa.embrapa.br
1. Intrcducãc
Durante o u|timo secu|o e inicio deste, o mundo se Iez dependente e
tem uti|izado, em grande esca|a, os combustiveis oriundos do
petro|eo, que a|em de não serem uma Ionte renováve|, tiveram por
várias vezes seus Iornecimentos comprometidos e precos super-
va|orizados por crises po|iticas e econðmicas.
A partir da crise do petro|eo, nos anos 70, ocorreu uma busca de
Iontes a|ternativas de energia, no Brasi| e no mundo. Para o meio
rura|, a a|ternativa que se mostrou promissora Ioi o biogás obtido a
partir da digestão da materia orgánica vegeta| e/ou anima|, sendo
estas encontradas em qua|quer propriedade agropecuária.
Considerando, a e|evacão crescente dos precos dos insumos
energeticos, o que torna extremamente cara a uti|izacão de
combustiveis de natureza Iossi|; a vocacão rura| do Brasi| e suas
condicões c|imáticas, veriIica-se que a geracão de biogás e uma
importante a|ternativa para Iornecer energia ás propriedades rurais,
podendo torná-|as auto-suIicientes neste insumo.
O biogás e uma energia proveniente da biomassa sendo esta deIinida
como uma Ionte de energia renováve|, assim como, a energia so|ar,
eo|ica, hidrau|ica, geotermica e dos oceanos. A energia da biomassa
compreende basicamente combustiveis provenientes de produtos que
soIreram Iotossintese, servindo desta Iorma, como um reservatorio
de energia so|ar indireta.
Usc da Cama de Frangc na Prcducãc
de ß|cgas
2 | Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós
As "P|antas de Biogás", em diversas conIiguracões e
esca|as, já são amp|amente uti|izadas nos paises
desenvo|vidos há mais de 30 anos, sendo este
sistema considerado como uma Iorma eIicaz e
eIiciente de tratar residuos orgánicos de origem
domestica, industria| ou rura|, ao mesmo tempo que
promove o uso raciona| de seu potencia| energetico
e a|to teor de nutrientes. A Europa e o continente
que maior uso Iaz dessa tecno|ogia, possuindo
inumeras p|antas em esca|a comercia| operando. Nos
Estados Unidos, embora as perspectivas sejam
bastante otimistas, as p|antas existentes são em
esca|a pi|oto. Nos continentes aIricano e asiático e
em várias regiões da America Latina, em paises
como Nepa|, lndia, China, Tanzánia, Vietnam,
Tunisia, Java, Cuénia, Costa do MarIim, Be|ize,
Co|ðmbia, Bo|ivia, Chi|e e outros, a tecno|ogia do
biogás tem exercido uma Iuncão socia|
inquestionáve|, ao ser uti|izada no meio rura|, em
comunidades iso|adas e de baixa renda, como uma
Iorma de assegurar o Iornecimento de energia
e|etrica a estas popu|acões, a|em da natura|
importáncia que detem em re|acão ao asseio pub|ico.
Observa-se uma diminuicão do uso de Iontes
renováveis de energia na zona rura| brasi|eira, pois
ana|isando-se o comportamento do consumo
energetico do setor agropecuário entre os anos de
1988 a 1998, veriIica-se que o setor caminha para
um uso mais intensivo das Iontes não renováveis de
energia, aIastando-se assim dos preceitos de
sustentabi|idade.
A cama de aviário está sendo produzida em grande
quantidade, devido ao crescente aumento da
avicu|tura de corte nos u|timos anos; em um
comparativo entre a producão brasi|eira de carne de
Irango em 2003 e a estimada para 2004, ca|cu|a-se
um crescimento medio de 8,6%. Este crescimento
da producão tem como uma de suas bases a a|ta
tecniIicacão dos ga|pões, o que signiIica maior
dependéncia energetica e econðmica destes
sistemas. Em pesquisas de campo rea|izadas pe|a
Embrapa Suinos e Aves no ano de 2002 para se
estimar o custo de imp|antacão de um aviário em
sistema manua| e automático, o gasto com
equipamentos representou 25% do custo tota| no
sistema manua| e 47,7% no sistema automático.
Outro Iato importante Ioi a proibicão pe|o Ministerio
da Agricu|tura, Pecuária e Abastecimento do uso
deste residuo para a|imentacão de ruminantes
(lnstrucão Normativa n° 15, de 17 de ju|ho de 2001,
DOU de 18-07-01) impossibi|itando que os
avicu|tores vendessem este residuo como insumo
nutriciona| para pecuaristas. Consequentemente, os
produtores tiveram que buscar outros meios de
aproveitamento e/ou tratamento para a cama.
Ana|isando os dois Iatos citados acima, percebe-se
que o tratamento deste residuo deve ser
considerado como uma acão intrinseca á producão
de Irangos, devendo o custo deste tratamento ser
inserido no custo de producão da atividade, a Iim de
proporcionar sustentabi|idade a esta cadeia
produtiva.
Este novo custo causou um desconIorto aos
avicu|tores, pois o que no passado era considerado
como receita, atraves da venda da cama para
a|imentacão, no presente, representa custo para o
seu devido aproveitamento e/ou tratamento. Como
conseqüéncia deste desconIorto, inumeras reuniões
tecnicas Ioram rea|izadas durante 2003 e 2004
entre os proIissionais do ministerio, orgãos
representativos dos avicu|tores de corte e
representantes de instituicões de pesquisa e ensino
a Iim de buscar-se outras a|ternativas para a cama
de aviário que não a a|imentacão. A esco|ha desta(s)
a|ternativa(s) teve como reIerencia| constituir-se em
um processo que, a|em de so|ucionar o prob|ema
ambienta| do avicu|tor, pudesse gerar renda. Cabe
destacar que este desconIorto tambem ocorreu,
principa|mente, entre os bovinocu|tores de corte,
pois se viram impossibi|itados de adquirir um insumo
nutriciona| de baixo custo e consideráve| va|or
nutriciona|.
Entre as a|ternativas proporcionadas, a biodigestão
ou digestão anaerobia se mostrou como uma das
mais vantajosas. Este e o processo pe|o qua|
bacterias anaerobias, atraves de Iermentacão
ocorrida em biodigestores, degradam a materia
orgánica, tendo como subprodutos o biogás (gás
inI|amáve|) e o bioIerti|izante (|iquido organo-minera|
estabi|izado). Estes dois subprodutos possuem a|to
va|or como Iontes energeticas e nutricionais para as
p|antas, respectivamente, podendo ser substitutos
de insumos adquiridos pe|o avicu|tor. A partir desta
substituicão, o produtor poderia ter desde uma
diminuicão do seu custo de producão ate a geracão
de uma renda extra, como ocorria na venda da cama
como insumo nutriciona|.
A grande importáncia do processo de biodigestão
não está somente no Iato de se poder obter energia
a|ternativa a partir de residuos orgánicos, mas
tambem, de saneamento rura|, atraves da reducão
da carga orgánica po|uente dos residuos; de se obter
um eI|uente apropriado para Ierti|izacão do so|o.
A|em de, ao contrário dos sistemas centra|izados de
producão de energia como o petro|eo e o carvão
minera|, o biodigestor e um sistema descentra|izado
e portanto com reduzidos custos de distribuicão da
energia para o produtor rura|.
O biogás produzido a partir da biodigestão da cama
de Irango, pode ser uti|izado para o aquecimento
dos pintinhos, atraves de equipamentos onde
ocorrerá a queima do biogás e conseqüente
producão de ca|or, Iundamenta| para sobrevivéncia
Fcnte a|ternat|va
de energ|a
(sustentab|||dade
energet|ca da prcducãc)
Av|cu|tura
Pes|duc
(cama de frango)
Prcdutc
(ß|cgas)
Energ|a Term|ca
(Aquec|mentc)
ß|cd|gestãc
anaerób|a
(cccrr|da em
ß|cd|gestcres)
Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós | 3
nas duas primeiras semanas de vida destes animais.
Pode tambem substituir a energia e|etrica, como por
exemp|o, na i|uminacão (|ampiões), no aquecimento
da água (para esteri|izacão de equipamentos,
|avagem das insta|acões, chuveiros, etc.), em
Iogões, na moagem de grãos, etc.
Vários autores conc|uem que a energia renováve|
para substituir os combustiveis Iosseis deverá ter
como caracteristicas principais a compatibi|idade
ambienta|, o a|to coeIiciente energetico, o baixo
custo, a Iáci| estocagem e transporte e, ainda, ser
de uso conveniente e socia|mente compative|. Estas
caracteristicas estão presentes no biogás.
Fica evidente que a biodigestão da cama de Irango e
de máxima importáncia, pois pode produzir ca|or
para o aquecimento dos animais e energia para
outros usos, propiciando um otimo manejo ambienta|
da propriedade, onde o residuo produzido e
manipu|ado, de ta| Iorma, que o produto desta
manipu|acão retorna a atividade geradora do proprio
residuo.
A Fig. 1 mostra o cic|o da producão de biogás, a
partir da cama de Irango, evidenciando a
importáncia econðmica, socia| e ambienta| deste
processo para avicu|tura.
F|g. 1 ÷ Cic|o da producão de biogás, a partir da
cama de Irango.
2. Tóp|ccs re|ac|cnadcs a b|cd|gestãc
anaerób|a
2.1. Caracter|st|cas dese[ave|s e mane[c da
cama de Irangc
A cama de Irango e mais uti|izada na criacão de
aves de corte, pois estas são criadas sobre piso
dentro de ga|pões. No caso de aves de postura,
estas são criadas, gera|mente, em gaio|as não
havendo desta Iorma o residuo cama, mas sim
Iezes, urina, entre outros.
Como a criacão de aves de corte tem um cic|o de
producão, em media de 42 dias, e durante estes os
animais Iicam conIinados no ga|pão, se torna
necessário um materia| que possa absorver a
umidade (proveniente das Iezes, urina e água de
bebedouros ma| regu|ados e/ou vazamentos no
sistema hidráu|ico), restos de racão e orgánicos
(penas). Assim, a Iina|idade da cama e de
proporcionar um ambiente sanitariamente seguro ao
p|ante|, onde este não tenha contato com umidade e
microorganismos que possam comprometer sua
saude.
O objetivo do uso da cama de aviário e evitar o
contato direto da ave com o piso, servir de substrato
para absorcão de água e urina, incorporacão das
Iezes e penas e contribuir para reducão das
osci|acões de temperatura no ga|pão.
Considerando esta Iina|idade, a cama deve ter as
seguintes caracteristicas. a|to poder de absorcão,
ser |ivre de contaminacão (bacterias, Iungos e
materiais estranhos), de Iáci| disponibi|idade, ser um
materia| não toxico aos animais, com baixo custo e
não deve ter um a|to teor de umidade, máximo de
20%.
Existem vários materiais que podem servir como
cama, a esco|ha de qua| uti|izar irá depender
principa|mente da disponibi|idade deste na região de
criacão. A cama de marava|ha ou raspa de madeira e
a mais uti|izada pe|os criadores, por atender todas as
caracteristicas de uma boa cama tendo como
ressa|va a possibi|idade desta estar contaminada
com pesticidas usados na conservacão da madeira,
ou por não ser disponive| na região. Outros residuos
que podem servir como cama são. sabugo de mi|ho
triturado; casca de amendoim; resto de cu|tura de
soja; bagaco de cana; Ieno de graminea triturado;
etc.
O manejo da cama consiste em manté-|a sempre
seca e uma vez por semana revo|ver toda cama do
ga|inheiro, o emp|astamento pode causar prob|emas
de Iungos e bacterias, ca|o no peito dos animais e
erosão das patas. A a|tura inicia| da cama e de 5 a
4 | Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós
10 cm aumentando durante o cic|o de producão do
|ote, para manter a umidade baixa, na superIicie.
Em certos casos, pode ocorrer uma reuti|izacão da
cama. Neste caso, não pode ter ocorrido nenhuma
doenca no |ote. A reuti|izacão deve se dar por no
máximo 5 a 6 |otes. No pinteiro deve co|ocar-se uma
cama nova por cima da ve|ha. Na reuti|izacão deve-
se considerar.
1. retirar todos os equipamentos para |impeza e
desinIeccão;
2. rea|izar a queima das penas, revo|ver a cama e
queimá-|as novamente;
3. remover a cama do ga|pão e amontoá-|a em
vários montes para que soIra Iermentacão em
outra insta|acão. Cuando não Ior possive| a
transIeréncia da cama ve|ha para outra insta|acão
deve-se amontoá-|a no proprio ga|pão;
4. umedecer a cama para que atinja 30 a 40% de
umidade e revo|vé-|a ate a umidade atingir de 20
a 25%;
5. na devo|ucão da cama ao ga|pão, uti|izar um
desinIetante, que auxi|ie na secagem, como a
ca|.
O idea| e que a cama permaneca amontoada
aproximadamente por 21 dias, permitindo uma boa
Iermentacão e um bom vazio sanitário.
Observacões da |iteratura sobre o uso de camas para
Irangos de corte demostram não haver diIerencas
signiIicativas, entre camas novas e reuti|izadas, nas
caracteristicas de desempenho das aves (conversão
a|imentar, ganho de peso e indice de perIormance).
O amontoamento da cama do aviário no periodo de
vazio sanitário e uma das estrategias para reduzir a
contaminacão com oocistos que se desenvo|vem
com a sua reuti|izacão. O idea| e que, num vazio
sanitário de 14 dias, a cama passe por dois periodos
de amontoamento de seis dias.
A quantidade de cama usada depende da idade das
aves como mostra a Tabe|a 1.
Tabe|a 1- Cuantidade de cama de Irango uti|izada
em um ga|pão, em Iuncão da idade das aves.
Idade em semanas 1 a 4 5 a B 9 a 12
m² de superIicie/
100 aves
5m² 10m² 15 m²
2.2. C res|duc cama de Irangc
A cama de aviário consiste na mistura da excreta
(Iezes e urina), com o materia| uti|izado como
substrato para receber e absorver a umidade da
excreta, penas e descamacões da pe|e das aves e
restos de a|imento e água caidos dos comedouros e
bebedouros. É preciso |embrar, que há variacão nos
materiais e nas quantidades uti|izadas como
substrato para Iormacão da cama, osci|ando
tambem o numero de |otes criados sobre a mesma
cama. Na Tabe|a 2, veriIica-se a quantidade media
que pode ser produzida de cama por mi| cabecas de
Irango.
Tabe|a 2 - Cuantidade de cama produzida por mi|
cabecas de Irango.
Um|dade
(%)
Idade
(d|as)
Prcducãc
de cama
pcr m||
cabecas
(tcne|ada)
Frango de corte¹ 20 42-49 2,0
¹Seis |otes por ano sobre cama de Pinus ou casca de
amendoim.
A inI|uéncia na producão de cama, considerando a
densidade de animais e o numero de reuti|izacões,
pode ser observada na Tabe|a 3.
Tabe|a 3 - Producão de cama. materia natura| (kg) materia seca (kg e %) e umidade (%) nas diIerentes
densidades, apos os dois |otes de criacão.
MS Lcte Dens|dade
(aves/m
2
)
NM
(kg)
Um|dade
(%)
(kg) (%)
MS/ave
(kg)
DA
(kg MS)
10 107,825 28,84 c 76,556 c 71,16 a 1,727 ax 0,949 bx
1° 16 137,363 33,2 b 91,366 b 66,74 b 1,349 bx 0,839 bx
22 170,525 39,03 a 103,511 a 60,97 c 1,124 cx 1,124 ax
13B,5?1 33,?2 A 90,4?B ß 66,29 ß 1,400 A 0,9?0 A
10 132,500 21,33 c 104,062 c 78,56 a 1,205 ay 1,023 ax
2° 16 164,313 28,12 b 118,094 b 71,88 b 0,992 by 0,874 bx
22 199,838 38,24 a 123,211 a 61,76 c 0,774 cy 0,689 cy
165,550 29,26 ß 115,123 A ?0,?3 A 0,990 ß 0,B62 ß
Em cada co|una, medias seguidas de |etra minuscu|a (maiuscu|a) comum, não diIerem pe|o teste de Tukey a 5%;
NS
. não signiIicativo no nive| de 5% de probabi|idade; ¯. P<0,05 (signiIicativo no nive| de 5% de probabi|idade);
¯¯. P,0,01 (signiIicativo no nive| de 1% de probabi|idade). MN. materia natura|; MS. materia seca;
DA. Detritos acrescentados pe|as aves.
Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós | 5
Estas variacões irão conIerir diIerentes concentracões de minerais nas camas o que tem inI|uéncia no processo
de biodigestão anaerobia e na qua|idade do biogás e do bioIerti|izante. Desta Iorma, o idea| seria uma aná|ise
Iisico-quimica da cama para ava|iar o potencia| de producão de biogás. Como esta aná|ise envo|ve. a rea|izacão
de uma amostragem que represente o residuo a ser digerido, tecnica que não e dominada pe|os produtores e
a|guns tecnicos e; a proximidade a um |aboratorio que rea|ize a aná|ise, a Iim de viabi|izar os custos de
transporte. Pode-se uti|izar de tabe|as com concentracões medias de minerais, disponiveis na |iteratura. A
Tabe|a 4, mostra uma composicão prováve| de camas de aviário.
Tabe|a 4 - Composicão da cama de aviário, em porcentagem da materia seca.
Cama de av|ar|c
1
Excreta
2
Nutr|entes (MS) Med|a Amp||tude Med|a
Umidade, % 21,9 10,1 - 43,4 7,7
NDT, % 50,0 36 - 64 -
Proteina Bruta, % 27,9 15,0 - 41,5 25,3
Proteina indisponive|, % 4,1 1,4 - 13,2 -
Proteina pura - - 12,6
N não proteico (N¯6,25) - - 12,7
Acido urico - - 6,4
Extrato etereo - - 2,8
Fibra Bruta, % 23,6 11 - 52 12,7
A|uminio, ppm 3957 684 - 9919 -
Cinzas, % 30,4 14,4 - 69,2 29,7
Cá|cio, % 3,0 1,1 - 8,1 7,0
Cobre, ppm 557 52 - 1306 60
Ferro, ppm 2377 529 - 12604 1465
Magnesio, % 0,6 0,27 - 1,75 0,5
Manganés, ppm 348 125 - 667 1670
FosIoro, % 2,1 1,0 - 5,3 2,2
Potássio, % 3,0 1,0 - 4,7 1,9
Sodio, ppm 8200 3278 - 14344 -
EnxoIre, % 0,5 0,22 - 0,83 -
Zinco, ppm 484 160 - 1422 485
1
Com base em 192 amostras dos EUA.
2
Excreta = esterco mais urina das aves; são medias para excretas desidratadas de aves oriundas de amostras
do Canadá, EUA, Peino Unido e Paises Baixos.
A inI|uéncia da reuti|izacão da cama de aviário por vários |otes na concentracão de a|guns macrominerais pode
ser observada na Tabe|a 5. Observa-se, para os trés e|ementos ana|isados, que quanto maior o grau de
reuti|izacão maior a concentracão de minerais, demonstrando um processo acumu|ativo. Como a concentracão
destes minerais irá inI|uenciar no desenvo|vimento da biodigestão anaerobia, demostra-se a importáncia de
conhecé-|a para me|hor manejar o biodigestor.
Tabe|a 5 - Concentracão media de Nitrogénio (N), FosIoro (P2O5) e Potássio (K2O) e teor de Materia Seca (MS)
em camas com vários niveis de reuti|izacão.
Pes|duc N|trcgén|c
(N)
FósIcrc
(P2C5)
Pctass|c
(K2C)
Mater|a Seca
(MS %)
% (m/m)
Cama de Aves (1 |ote) 3,0 3,0 2,0 70
Cama de Aves (3 |otes) 3,2 3,5 2,5 70
Cama de Aves (6 |otes) 3,5 4,0 3,0 70
6 | Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós
2.3. Aquec|mentc de Irangcs
O aquecimento de pintos e Iundamenta|, pois a não
manutencão de temperaturas ideais nos ga|pões,
pode causar e|evada morta|idade no inicio de vida
destes. Este aquecimento e importante,
principa|mente para que as aves tenham um otimo
desenvo|vimento, proporcionado por um ambiente
idea|. Mas a manutencão deste ambiente idea| tem
um custo e|evado. Pesquisas rea|izadas no segundo
semestre de 2002 pe|a Embrapa Suinos e Aves
demostraram que os gastos com os equipamentos
para aquecimento (campánu|as e botijões de gás),
representaram 9,6% do custo tota| de construcão de
um aviário para um ga|pão com manejo manua| e
7,5% para o ga|pão automático. A energia para
aquecimento (gás e |enha) tiveram uma participacão
de 2,9% no custo de producão do qui|ograma de
Irango no sistema manua| e 3,8% no sistema
automático.
No verão o aquecimento e Ieito nas duas primeiras
semanas, apos a chegada dos animais na criacão, e
no inverno o aquecimento se pro|onga ate a terceira
semana. Dependendo da temperatura interna do
ga|pão, o aquecimento pode ser Ieito durante o dia
ou somente a noite, quando há um decrescimo da
temperatura. O mais comum e o aquecimento
durante a noite, pois de dia, gera|mente, a
temperatura e agradáve| aos animais. É vá|ido
|embrar que o manejo termico idea| irá depender das
caracteristicas c|imáticas de cada região.
Ao chegar nas insta|acões, os pintinhos são
co|ocados em circu|os de protecão, que podem ser
de duratex, zinco, a|uminio, etc. e são uti|izados
pois. Iaci|itam o manejo de Iorma gera|; evitam a
dispersão das aves pe|o ga|pão, devido ao tamanho
reduzido dos animais, possibi|ita a concentracão de
animais nos circu|os e; mantém os animais proximos
a Ionte de ca|or. Uti|iza-se, no inicio, 100 pintos/m
2
e o circu|o deve ser co|ocado a 1,00-1,20 m da
campánu|a. A posicão dos animais dentro dos
circu|os e um bom indicativo das condicões
ambientais a que estes estão submetidos,
demonstrando um estado de conIorto ou
desconIorto termico.
Se os animais estiverem espa|hados por todo o
circu|o indica que a temperatura está idea|, se
concentrarem-se embaixo das campánu|as, signiIica
que estão com Irio, uma concentracão de aves em
um canto do circu|o indica a existéncia de uma
corrente de ar e quando os animais estão |oca|izados
na periIeria, ao redor, do circu|o a temperatura,
proporcionada pe|o aquecedor, está muito e|evada.
Assim podemos contro|ar a temperatura das
campánu|as de Iorma idea|. Como em uma
insta|acão são co|ocados vários circu|os, apos um
periodo estes vão sendo abertos e Iormando circu|os
maiores, no verão isto ocorre no 3
o
, 5
o
e 10
o
dias e
no inverno no 5
o
, 9
o
e 15
o
dias ate o momento de
so|tar as aves por todo ga|pão.
As Iormas de contro|e da temperatura, podem ser
Ieitas por campánu|as e cortinas internas e na
transversa| do ga|pão. As cortinas devem
permanecer Iechadas ate os 21 dias, sendo abertas
depois deste periodo. No gera| as campánu|as são
regu|adas para proporcionar uma temperatura de
32
o
C na primeira semana e a partir da segunda
semana são regu|adas para uma temperatura de
29
o
C mas tudo vai depender da região em questão.
Existem vários tipos de campánu|as assim, como
outras Iormas de aquecer os animais por exemp|o.
a- |ámpadas inIraverme|has - tem como
desvantagens o a|to custo do equipamento,
possiveis Ia|has no sistema de energia e|etrica e
ter como conseqüéncia do aquecimento, um ar
muito seco para os animais;
b- campánu|as aquecidas com resisténcia e|etrica-
tem como desvantagens o a|to custo do
equipamento e possiveis Ia|has no sistema de
energia e|etrica;
c- campánu|as aquecidas a carvão- expe|em gás
(CO2) toxicos aos pintinhos, devem ser evitadas;
d- campánu|as a gás - são as mais diIundidas no
meio avico|a e as de maior eIiciéncia. O gás
uti|izado e o de cozinha (gás butano), ou seja de
Iáci| aquisicão pe|o produtor e a um custo,
comparado aos outros tipos de aquecimento,
re|ativamente baixo. A regu|acão do ca|or,
proporcionado pe|a campánu|a, e Ieito erguendo-
se ou abaixando-se esta. Podem ser manuais, o
produtor ascende uma por uma ou automáticas.
Existem campánu|as de diIerentes tamanhos com
capacidade de aquecimento para 500, 700 e
1.000 pintos.
3. ß|cd|gestãc anaerób|a
3.1. Ccnce|tcs e pr|nc|p|cs
A co|eta de um gás combustive| obtido em um
processo bio|ogico Ioi primeiramente documentado
na lng|aterra em 1895 em um sistema de tratamento
de esgoto municipa|. O processo de biodigestão
anaerobia de estrume de bovinos e outros residuos
do meio rura| em pequenos biodigestores Ioi
estudado na lndia em 1941 e, desde então, o
processo tem sido ap|icado no tratamento de uma
serie de residuos de origem industria|, agropecuária
e municipa|.
Na biodigestão anaerobia ocorre a degradacão do
materia| orgánico em meio com auséncia de
oxigénio. O processo pode ser dividido em trés
Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós | 7
estágios com trés distintos grupos de
microrganismos. O primeiro estágio envo|ve
bacterias Iermentativas, compreendendo
microrganismos anaerobios e Iacu|tativos. Neste
estágio materiais orgánicos comp|exos (carboidratos,
proteinas e |ipidios) são hidro|izados e Iermentados
em ácidos graxos, á|coo|, dioxido de carbono,
hidrogénio, amðnia e su|Ietos. As bacterias
acetogénicas participam do segundo estágio,
consumindo os produtos primários e produzindo
hidrogénio, dioxido de carbono e ácido acetico. Dois
grupos distintos de bacterias metanogénicas
participam do terceiro estágio, o primeiro grupo
reduz o dioxido de carbono a metano e o segundo
descarboxi|iza o ácido acetico produzindo metano e
dioxido de carbono.
No processo de biodigestão anaerobia, a materia
orgánica presente nos eI|uentes e transIormada pe|a
acão dos microorganismos em aproximadamente
78% de biogás, sendo este constituido de uma
mistura de metano (CH4) e dioxido de carbono (CO2),
20% de materia| orgánico que continua em
disso|ucão, e entre 1 a 2% de novos
microorganismos.
Para que o processo possa Iuncionar eIicientemente,
e Iundamenta| o estabe|ecimento de condicões
propicias á atividade vita| dos microorganismos
presentes. Dentre e|as destaca-se.
• pH deve ser mantido proximo a 7,0 principa|mente
entre 6,8 e 7,2;
• existem duas Iaixas de temperatura, as das
bacterias mesoIi|as, com va|or otimo entre 35
o
e
40
o
, e a das termoIi|as com va|or otimo entre 55
o
e
60
o
, a maioria dos biodigestores opera na Iaixa das
mesoIi|as;
• o processo pode ser adaptado a diversas
concentracões de so|idos que variam desde 0,05%
a 20%;
• a acão dos microorganismos sobre o substrato
pode ser diIicu|tada se o residuo Ior composto de
particu|as de grandes dimensões, assim, torna-se
necessário um pre-tratamento como por exemp|o a
moagem, para Iaci|itar tanto essa acão como o
proprio bombeamento do materia|, residuos |igno-
ce|u|osicos podem necessitar não so uma moagem,
mas eventua|mente outro tipo de pre-tratamento
para |iberar a ce|u|ose e hemice|u|ose da |ignina;
• para que o carbono presente na materia orgánica
possa ser transIormado em metano e necessário
que haja nutrientes, especia|mente nitrogénio e
IosIoro, em quantidades apropriadas, recomenda-
se uma re|acão em massa de aproximadamente 30
C.1 N e 150 C.1 P.
A Iermentacão anaerobia oIerece as seguintes
vantagens.
1- produz um gás combustive| que pode ser uti|izado
para Iins domesticos, rurais ou industriais;
2- dispensa o uso de equipamentos soIisticados,
uma vez que o processo se rea|iza á pressão
atmosIerica e temperatura ambiente nos c|imas
tropicais;
3- reduz a carga po|uidora da materia orgánica
atraves da diminuicão da demanda bioquimica de
oxigénio;
4- dispensa insumos energeticos.
A|em destas, outras vantagens podem ser citadas
como. contribui para a mitigacão das emissões de
gases estuIa como o CH4 e o CO2; promove a
conservacão de áreas destinadas a aterro de
residuos; disponibi|iza Iorca de traba|ho pe|a
me|horia das condicões de higiene e saude; a|tera as
re|acões Iami|iares e sociais nas camadas de baixa
renda em Iuncão do Iornecimento de energia de
baixo custo e todas as beneIicas conseqüéncias;
minimiza o tempo despendido no meio rura| com
atividades re|ativas ao gerenciamento de residuos
animais e agrico|as; aIeta a ba|anca comercia| do
pais pe|a substituicão de combustiveis Iosseis e
reducão dos conseqüentes impostos; minora
distorcões de mercado reIerentes a práticas
monopo|istas do setor energetico em Iuncão da
auto-suIiciéncia que propicia; atua como um
mecanismo de seguranca para o sistema regiona| ou
|oca| de geracão e distribuicão de energia e gera
empregos.
Por outro |ado deve-se sa|ientar as seguintes
desvantagens.
1- o biogás contem cerca de 40% de dioxido de
carbono, que não e combustive|, a|em de tracos
de su|Ieto de hidrogénio, o qua| e corrosivo;
2- o biogás necessita de sistemas de estocagem
com maiores vo|umes devido a sua baixa
densidade comparada com a dos |iquidos, a
reducão desses vo|umes requer o uso adiciona|
de compressores.
3.2. C b|cd|gestcr para a cama de Irangc
Para um desenvo|vimento econðmico atrativo a
partir da digestão da biomassa de residuos animais,
e necessário que haja uma compatibi|idade das
propriedades Iisicas e quimicas do residuo com o
projeto de biodigestor considerado. A esco|ha do
adequado biodigestor, para um particu|ar residuo, e
a chave para um desenvo|vimento e processo
apropriados. Assim, se Iaz importante entender os
principios de operacão da maioria dos biodigestores
para ajudar na se|ecão e p|anejamento de um mode|o
de tratamento a partir da biodigestão anaerobia. A
importáncia de se ter este conhecimento está
re|acionado a e|evada producão de metano e as
taxas de producão de biogás, que são dependentes
8 | Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós
da re|ativa contribuicão do residuo e custo do
biodigestor para o custo Iina| do biogás.
Para estabe|ecer-se re|acões entre os principais tipos
de biodigestores e suas caracteristicas
microbio|ogicas, se torna Iundamenta| o
conhecimento de trés parámetros básicos que
inI|uem no modo de operacão destes e em suas
eIiciéncias na producão de biogás.
Estes parámetros são. Tempo de Petencão de
Microorganismos (TPM), Tempo de Petencão
Hidráu|ica (TPH) e Tempo de Petencão de So|idos
(TPS). O TPH e entendido como o interva|o de
tempo necessário para que ocorra o processo de
biodigestão de maneira comp|eta. Os TPM e TPS
são os tempos de permanéncia dos microorganismos
e dos so|idos no interior dos biodigestores, esses
tempos são expressos em dias. De Iorma resumida
pode-se dizer que a|tas producões de metano são
conseguidas, satisIatoriamente, com |ongos TPM e
TPS.
Sendo a cama de Irango um residuo produzido em
interva|os de tempo, ou seja, a disponibi|idade não e
continua devido ao modo de producão e
considerando suas caracteristicas Iisicas e quimicas
como a|to teor de so|idos, baixa umidade e tamanho
das particu|as, o tipo de biodigestor idea|, pe|as suas
caracteristicas de desenho e perIormance, para uma
perIeita digestão anaerobia da biomassa e o
biodigestor bate|ada, podendo este ser manejado em
Iorma de bateria ou sequencia|mente. A
desvantagem do manejo em Iorma de bateria, está
re|acionada a ve|ocidade de Iermentacão da cama,
que e |enta, diIicu|tando o aproveitamento do
biogás. No manejo sequencia|, deve-se uti|izar
inocu|os para que este seja viabi|izado.
3.2.1. ß|cd|gestcres mcde|c bate|ada
Em biodigestores bate|ada manejados em bateria,
constituim-se basicamente de um corpo ci|indrico,
um gasðmetro I|utuante e uma estrutura para guia
do gasðmetro, Fig. 2. No manejo sequencia|, o
biodigestor e comprido, horizonta| e em secão
transversa| trapezoida|, a partir da escavacão do so|o
e revestimento de Iundo com manta de PVC,
constroi-se na superIicie uma cana|eta de concreto,
que atua como sé|o de água, em torno do
biodigestor, e para Iixacão da manta p|ástica que
serve como gasðmetro, Figura 2.
F|g. 2 - Biodigestor mode|o bate|ada para manejo em bateria (sem esca|a).
Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós | 9
F|g. 3 - Biodigestor mode|o bate|ada para manejo sequencia| (sem esca|a, as
dimensões que aparecem são Iigurativas, não representando nenhuma indicacão).
Pode ser necessário que a cama tenha que soIrer um
pre-tratamento antes de ser adicionada ao
biodigestor, o mais indicado seria uma moagem pois
as particu|as de marava|ha são muito grandes e isso
pode diminuir a eIiciéncia das atividades dos
microorganismos. Observando-se o teor de umidade
da cama se Iaz necessário a adicão de água nesta
para uma diminuicão do teor de so|idos e di|uicão do
conteudo. Sendo estes muito a|tos, demandará um
|ongo TPH diIicu|tando uma perIeita consorciacão
producão de biogás/avicu|tura.
Para reduzir o TPH, que pode ser de semanas ou
meses, pode-se uti|izar de sistemas de agitacão,
aquecimento e, principa|mente, adicão de inocu|o.
Cuanto ao inocu|o, este tem a Iuncão de ace|erar o
processo, principa|mente em decorréncia dos a|tos
teores de ce|u|ose e |ignina que são materiais diIiceis
de serem digeridos e estão presentes na cama. Este
inocu|o poderá ser um esterco já bioIerti|izado de
bovinos, aves, suinos, etc. que contem uma grande
I|ora microbiana de bacterias acidogénicas e
metanogénicas Iundamentais na digestão.
A |oca|izacão dos biodigestores deve ser Ieita de
maneira a Iaci|itar a distribuicão do biogás pe|os
ga|pões, diminuindo os custos com transporte e
armazenamento do gás. Um modo de disposicão
consiste em insta|á-|os atrás de cada ga|pão, desta
Iorma o gás pode ser conduzido diretamente dos
gasðmetros dos biodigestores ate as campánu|as de
aquecimento e o manejo para o transporte da cama
será reduzido.
Cua|quer uma das |oca|izacões uti|izadas deve |evar
em conta a Iaci|idade de distribuicão do biogás e ter
um perIeito cronograma de uso dos ga|pões, camas
e gás, compatibi|izando necessidade de ca|or com
disponibi|idade de biogás, para ta| a propriedade
deve ser muito bem manejada.
A distribuicão, para que não e|eve o custo do gás,
poderá ser Ieita uti|izando-se tubos de PVC ou meta|
|igados diretamente aos gasðmetros dos
biodigestores, estes conduzem o gás ate um
determinado ga|pão, neste ponto se Iaz uma rede de
distribuicão com mangueiras p|ásticas, iguais as de
uso domestico, que |evarão o biogás a cada
campánu|a da insta|acão, Iornecendo ca|or. O gás
tambem pode ser armazenado em bujões de 13kg ou
mais, so que isto demandará equipamentos
aumentando o custo, este tipo de acondicionamento
e recomendado quando o biogás não Ior somente
uti|izado para geracão de ca|or nas campánu|as, ou
seja, para usos domesticos e outros. É necessário a
manutencão da rede de distribuicão periodicamente
evitando-se vazamentos, entupimentos e outros
prob|emas que possam causar a para|isacão do
Iornecimento.
4. Ccmpcs|cãc e ut|||zacãc dc b|cgas
A conversão bio|ogica da cama de Irango em biogás
vai depender de vários Iatores, tais como. tipo de
racão, estacão do ano, densidade de a|ojamento das
aves, tipo de substrato de cama, nive| de
reuti|izacão da cama e caracteristicas dos excretas
das aves.
O biogás, na Iorma como e produzido nos
biodigestores e constituido basicamente de 60 a
70% de metano (CH4) e 30 a 40% de dioxido de
carbono (CO2), a|em de tracos de O2, N2, H2S, etc.,
isto para residuos orgánicos. Na biodigestão de
gorduras o gás pode conter 75% de metano.
10 | Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós
O metano e o componente do biogás que apresenta
propriedades combustiveis, servindo, por exemp|o,
ao Iuncionamento de motores, onde o desempenho
obtido e bastante seme|hante ao do gás natura| ou
dos combustiveis |iquidos. A diIerenca está no
campo econðmico e ambienta|, pois o biogás e um
dos subprodutos do tratamento de residuos
orgánicos, produzindo menos residuos so|idos a base
de enxoIre.
A composicão do biogás irá depender do residuo que
a|imenta o biodigestor e tambem das condicões que
o mesmo e operado, Iatores como a temperatura,
pH e pressão, no interior do biodigestor, podem
a|terar a composicão do gás |evemente.
O biogás pode ser armazenado nos proprios
gasðmetros dos biodigestores ou em bujões de gás
de cozinha em pressões |evemente superiores á
atmosIera cerca de 10 a 20 cm de co|una d
´
água,
em pressões medias de 10 atm ou em pressões
e|evadas de 200 atm.
O metano tem um poder ca|oriIico de 9.100 kca|/m
3
a 15,5
o
C e 1 atm, sua inI|amabi|idade ocorre em
misturas de 5 a 15% com o ar. Já o biogás, devido
a presenca de outros gases que não o metano,
possui um poder ca|oriIico que varia de 4.800 a
6.900 kca|/m
3
. Em termos de equiva|ente
energetico, 1,33 a 1,87 e 1,5 a 2,1m
3
de biogás são
equiva|entes a 1L de gaso|ina e o|eo diese|
respectivamente. Comparando, o gás natura| possui
88% de metano.
O biogás pode ser uti|izado em Iogões, |ampiões,
campánu|as para aquecimento de |eitões e pintos,
para producão de vapor, para producão de energia
e|etrica, na industria quimica, conjuntos moto-bomba
e conjuntos geradores, entre outros. Em motores
estacionários pode-se uti|izar diretamente o biogás
produzido nos biodigestores, porem em motores de
unidades moveis e aconse|háve| uti|izar o metano
obtido da puriIicacão do biogás, isto por questões de
armazenamento do combustive| junto a estas
unidades e pe|o Iato de que com a retirada dos
outros gases sobra mais espaco no reservatorio de
combustive|, a exemp|o do CO2 e retira gases
prejudiciais ao motor como o H2S que e corrosivo.
Em todos os casos porem, recomenda-se a sua
uti|izacão, sempre que possive|, no |oca| onde Ioi
produzido ou perto desse |oca|, bem como seu uso
direto para evitar armazenamento e transporte do
biogás, pois, ao contrário do CLP que |iqüeIaz-se a
temperaturas ambientes e a pressões moderadas. O
biogás requer a|tas pressões e/ou baixas
temperaturas para se |iqueIazer, o que torna
necessário grandes vo|umes para seu
armazenamento devido a sua baixa densidade.
Na Tabe|a 6, veriIica-se o potencia| de producão de
biogás, e seu equiva|ente em CLP e KWh, quando se
Iaz a biodigestão de diIerentes substratos de cama
em um e dois cic|os de producão. Comparando-se
todos os substratos, observa-se que o capim Napier
Ioi o que apresentou os me|hores resu|tados entre os
substratos para a producão de biogás. Ana|isando-se
a inI|uéncia dos substratos e os cic|os de
reuti|izacão, a cama de marava|ha Ioi a unica em que
a producão de biogás no segundo cic|o Ioi maior que
no primeiro. Conc|ui-se que a reuti|izacão da cama
de marava|ha, a|em de ser beneIica em re|acão ao
meio ambiente, pois menor quantia de substrato
será consumida e menor quantidade de residuo será
gerada, tambem e vantajosa quando objetiva-se a
producão de energia.
Tabe|a 6 - Producão de biogás com base em trés tipos de cama de Irangos, e equiva|ente CLP e kWh (1.000 aves).
C|c|c Cama Prcd. ß|cgas
(m
3
/kg ST)
Prcd. Cama (kg
MS)
Prcd. de b|cgas
(m
3
)
GLP bct|[ões (13
kg)
Equ|va|ente
(kWb)
N 0,2496 1420 354 11,8 230,06
1° NM 0,2092 1420 297 9,9 193,01
M 0,1712 1420 243 8,1 157,92
Media 0,2100 1420 300 9,9 194,96
N 0,2710 1197 324 10,8 210,56
2° NM 0,2462 1197 295 9,8 191,71
M 0,2299 1197 275 9,2 178,72
Media 0,2490 1197 298 9,9 193,66
N- cama de capim Napier, NM- cama de capim Napier e marava|ha, M- cama de marava|ha.
Como a proposicão e disponibi|izar um sistema de
tratamento que tenha como principa| vantagem a
auto-suIiciéncia energetica da criacão, o
conhecimento do consumo energetico desta criacão
e Iundamenta| para o bom p|anejamento do sistema
de tratamento, detectando se este a|cancará a auto-
suIiciéncia ou simp|esmente contribuirá para a
diminuicão do consumo de energia externa. A Tabe|a
7, demonstra resu|tados dos consumos energeticos
em oito |otes de Irangos, Iornecendo um reIerencia|
para o p|anejamento do aproveitamento do biogás.
Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós | 11
5. Ccnc|usões
Como tudo na natureza Iunciona em cic|os, e
indispensáve|, nas atividades humanas, que esta
regra seja respeitada. Desta Iorma, quando se tem a
oportunidade de, dentro da propria atividade, se criar
um cic|o isto e economicamente, socia|mente e
ambienta|mente correto. No caso da avicu|tura de
corte, este cic|o pode ser criado a partir do
tratamento de seu principa| residuo, com o
aproveitamento dos subprodutos deste tratamento.
Portanto proporciona-se uma sustentabi|idade
energetica á criacão a partir de uma Ionte renováve|.
Considerando-se que o Brasi| tem sua matriz
energetica baseada na energia hidráu|ica, que os
investimentos para geracão e manutencão desta são
a|tos no pais e ainda que este modo de geracão tem
recebido constantes criticas re|acionadas aos seus
passivos sociais e ambientais, pode-se inIerir que há
uma tendéncia desta energia tornar-se mais cara,
consequentemente, aumentando o custo de
producão dos avicu|tores. lsso teria vários reI|exos,
sendo um de|es a diminuicão da competitividade
internaciona| deste produto, o qua| atua|mente
apresenta um dos menores custos de producão do
mundo.
Ana|isando-se a bib|iograIia especia|izada, conc|ui-se
que a viabi|idade tecnica da biodigestão anaerobia
da cama de Irango e um Iato, mas esta va|idacão
não tem sido observada em atitudes práticas, ou
seja, a uti|izacão deste processo de tratamento pe|os
avicu|tores. Assim, os motivos para não uti|izacão
do processo devem estar re|acionados a Iatores
econðmicos, po|iticos e cu|turais.
A partir desta consideracão, propõe-se as seguintes
diretrizes, objetivando a uti|izacão de biodigestores
pe|os avicu|tores.
1. desenvo|vimento de po|iticas e programas pe|as
esIeras Iederais, estaduais e municipais que
contemp|em a geracão de energia a partir da
biomassa, inc|uindo nestes |inhas de
Iinanciamento para adequacão ambienta| de
pequenas e medias propriedades que desejem se
tornar auto-sustentáveis energeticamente;
2. estudo, desenvo|vimento e imp|ementacão de um
programa de co-geracão de energia a partir da
biomassa de residuos animais;
3. interna|izacão do custo ambienta| no custo de
producão do Irango de corte, com isto, a
intervencão tecno|ogica atraves do biodigestor,
poderá ser amortizada em um tempo menor por
Iazer parte do re|acionamento comercia| da
propriedade;
4. desenvo|vimento e manutencão, a |ongo prazo, de
um programa de assisténcia tecnica aos
avicu|tores que optarem pe|a tecno|ogia para
que a Ia|ta de conhecimento do produtor não se
torne um |imitante ao manejo do biodigestor e
uti|izacão do biogás;
5. estabe|ecimento de po|iticas e programas de
incentivo a empresas que queiram comercia|izar
equipamentos adaptados a uti|izacão do biogás,
Iaci|itando a aquisicão da tecno|ogia pe|os
avicu|tores.
Acredita-se que com a execucão destas diretrizes, a
geracão de biogás a partir da cama de Irango não
mais se constituirá em casos esporádicos no sistema
de producão avico|a, pe|o contrário, será um Iato
comum que proporcionará a saude ambienta| das
producões, aumento da qua|idade de vida dos
avicu|tores e va|oracão e agregacão de va|or aos
produtos.
Tabe|a ?- Consumo de energia e|etrica tota| por Iase de criacão; consumo medio diário por Iase de criacão;
consumo por ave durante todo o periodo de criacão e consumo tota| por |ote estudado, va|ores em kWh.
Lcte 1 Lcte 3 Lcte 4 Lcte 5 Lcte 6 Lcte ? Lcte B Lcte 9 med|a
Ccnsumc tcta| pcr Iase de cr|acãc, kWb
Pre-inicia| 66,7 86,8 41,3 41,1 43,3 35,0 73,5 39,5 53,4
lnicia| 596,5 307,8 535,8 727,1 701,9 660,2 390,0 288,8 526,0
Engorda 881,3 739,8 1121,9 1934,4 2108,7 1984,3 940,3 1471,5 139?,B
Fina| 744,2 222,5 494,5 702,0 1621,1 497,6 548,2 531,8 6?0,2
Ccnsumc med|c d|ar|c pcr Iase de cr|acãc, kWb/d|a
Pre-inicia| 9,5 12,4 5,9 5,9 6,2 5,0 10,5 5,6 ?,6
lnicia| 35,1 18,1 31,5 42,8 41,3 38,8 22,9 17,0 30,9
Engorda 49,0 41,1 62,3 107,5 117,2 110,2 52,2 81,8 ??,?
Fina| 74,4 44,5 98,9 140,4 202,6 165,9 78,3 106,4 113,9
Ccnsumc tcta| pcr |cte, kWb
2288,7 1357,0 2193,5 3404,6 4475,00 3177,0 1952,0 2331,6 2?43,B
Ccnsumc med|c pcr ave, kWb/ave
0,13 0,10 0,15 0,21 0,29 0,22 0,12 0,16 0,1B
Ccnsumc med|c pcr kg de Irangc prcduz|dc (PV), kWb/kg de Irangc
0,06 0,04 0,06 0,09 0,11 0,10 0,05 0,07 0,0?
Duracão media de cada Iase de criacão (dias). pre-inicia|. 7; inicia|. 17; engorda. 18; Iina|. 3 a 10.
12 | Usc da Cama de /rangc na Prcducñc de 8icgós
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