PLANO DIRETOR DO ARCO METROPOLITANO

IGUAÇU NOVA

O2 de Maio de 2007

RELATÓRIO FINAL
MAIO/2011

Governador Sérgio Cabral Filho Vice-Governador e Secretário de Estado Obras Luiz Fernando de Souza Pezão Secretário de Estado de Desenvolvimento Economico, Energia, Industria e Serviços Julio Cesar Carmo Bueno Secretário de Estado do Ambiente Carlos Minc Secretário de Estado de Planejamento e Gestão Sérgio Ruy Barbosa Secretário de Estado da Casa Civil Regis Velasco Fichtner Pereira

Equipes Técnicas
UGP - Unidade de Gerenciamento de Programas Secretaria Executiva - Secretaria de Estado de Obras Titular: Vicente de Paula Loureiro Suplente: Paulo César Silva Costa Núcleo de Desenvolvimento Urbano - Secretaria de Estado de Obras Paulo Gustavo Pereira Bastos (Coordenador), Milton de Mello Bastos, Affonso Junqueira Accorsi e José Semeão Metran Curado Núcleo de Desenvolvimento Econômico - Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços Sérgio José Teixeira (Coordenador), Lucia Helena do Nascimento, Carol Bastos e Mônica Vettori Lage Martins Assessoria Internacional - Secretaria de Estado da Casa Civil Viviane Vanni Leffingwell Núcleo de Gestão - Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão Paulo Nunes Teixeira Braga (Coordenador), Cátia Maria Cavalcanti Pereira, Roberto Amarante Campos e Marcelo Dreicon Núcleo do Ambiente - Secretaria de Estado do Ambiente Elizabeth Cristina da Rocha Lima (Coordenadora) , Eloísa Elena Torres e João Batista Dias

Consórcio Tecnosolo - Arcadis Tetraplan
Vera Cansanção e Delson de Queiroz - Coordenação Geral Aída Maria Pereira Andreazza - Coordenadora do Componente Avaliação Ambiental Estratégica Ricardo Pontual - Coordenador do Componente Desenvolvimento Urbano Mauro Osório da Silva - Coordenador do Componente Econômico e Social

ÍNDICE
Página 1 3 3 5 9 21 24 34 36 37 46 46 147 240 360

1. 2. 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.5. 2.6. 2.7 2.8. 3. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 4.

APRESENTAÇÃO............................................................................................................. OBJETO............................................................................................................................ Considerações Iniciais...................................................................................................... Área de Abrangência do Arco Metropolitano.................................................................... Aspectos Gerais de Ocupação na Área de Abrangência do Arco Metropolitano............. Empreendimento Alicerce................................................................................................. Empreendimentos Âncora................................................................................................. Empreendimentos Aderentes............................................................................................ Agregação de Empreendimentos Estruturantes............................................................... Empreendimentos Complementares................................................................................. CENA ATUAL.................................................................................................................... Aspectos Ambientais......................................................................................................... Desenvolvimento Urbano............................................................................................... Desenvolvimento Econômico e Social............................................................................ Governança...................................................................................................................... SIMULAÇÃO DE CENÁRIOS DA REGIÃO DE INFLUÊNCIA DO ARCO METROPOLITANO DO RIO DE JANEIRO NO PERÍODO DE 2007 ATÉ 2030.................................................................................................................................. Fatores de Desenvolvimento Urbano da Região de Influência do Arco Metropolitano.. REPERCUSSÕES E MUDANÇAS................................................................................ Qualidade Ambiental..................................................................................... ................. Desenvolvimento Urbano................................................................................................ Desenvolvimento Econômico e Social............................................................................ Governança...................................................................................................................... SISTEMA DE INDICADORES E MODELO DE GESTÃO................................................ Apresentação.................................................................................................................... Modelo de Gestão............................................................................................................. Visão Conceitual do Sistema de Indicadores Metropolitano............................................. Construção do Sistema de Indicadores Metropolitanos................................................... Módulo de Administração................................................................................................ Módulo de Consulta......................................................................................................... Estrutura Analítica de Dados (EAD) ................................................................................ Bibliografia Consultada..................................................................................................... Apêndice A: DDL do Sistema de Indicadores................................................................... DIRETRIZES ESTRATÉGICAS................................................................................... Qualidade Ambiental....................................................................................................... Desenvolvimento Urbano................................................................................................ Desenvolvimento Econômico e Social............................................................................ Governança......................................................................................................................

4.1 5. 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. 6. 6.1 6.2 6.3 6.4 6.5 6.6 6.7 6.8 7. 7.1. 7.2. 7.3. 7.4.

384 388 437 437 457 484 559 560 560 563 599 619 637 645 652 660 662 676 676 688 700 742

1.

APRESENTAÇÃO

A construção do Arco Metropolitano acontece em um momento decisivo para o estado, em especial para a sua capital e Região Metropolitana, onde vários empreendimentos já estão em andamento e vultosos investimentos no curto prazo estão a caminho em valores que superam os R$ 59 bilhões. Nesse contexto, o Arco Metropolitano permitirá a tão necessária sustentação dos investimentos públicos e privados previstos para o estado, nos próximos anos, e contribuirá, sem dúvida, na atração de novos investimentos para o seu redor. O traçado do Arco Metropolitano vai aproximar importantes pólos de desenvolvimento do estado: ele se conectará ao Comperj, em Itaboraí, à Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), em Santa Cruz, (bairro do Rio de Janeiro) e ao complexo portuário de Itaguaí. A otimização do acesso ao Porto de Itaguaí propiciará a redução do custo do transporte de mercadorias oriundas de pelo menos seis estados brasileiros – São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul –, além do Distrito Federal. A conexão entre o Porto de Itaguaí e o Comperj, juntamente com os ramais ferroviários existentes, transformará a Região Metropolitana em umas das maiores áreas logísticas do mundo, gerando novas perspectivas econômicas regionais. O projeto do Arco Metropolitano apóia-se em três funções básicas:
(i) (ii) integração do Porto de Itaguaí à malha rodoviária nacional e ao futuro Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj); ligação entre os eixos rodoviários beneficiados pelo projeto sem a necessidade de circulação pela Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói, desviando o fluxo das principais vias de acesso à capital e; aumento dos níveis de acessibilidade dos municípios próximos ao Arco e que concentram grande contingente populacional.

(iii)

Por outro lado, a construção do Arco Metropolitano induzirá fluxos migratórios para as áreas diretamente beneficiadas, reforçando o processo de aglomeração a se iniciar com a própria obra rodoviária e com os empregos por ela gerados. Nesse panorama de infindáveis oportunidades e, também, de grandes desafios sociais, econômicos e ambientais, o Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Sustentável do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro se apresenta como a ferramenta indispensável de apoio ao 1

planejamento, à elaboração de políticas de desenvolvimento integrado e ao contínuo e permanente monitoramento destas políticas para a região. A partir de projetos integrados e complementares, o Plano Diretor do Arco Metropolitano pretende apontar soluções para as áreas de desenvolvimento econômico e social, infraestrutura urbana, saneamento, habitação, transporte e mobilidade. No âmbito do Plano Diretor também está incluído o controle das ações sobre o território e o ambiente, além do aperfeiçoamento da gestão institucional do espaço metropolitano, com participação social. Considerando os impactos e as repercussões dessa nova realidade sobre o desenvolvimento, o território e o ambiente metropolitano, como um todo, e sobre os municípios da área de influência do Arco, o Plano Diretor visa à criação de políticas públicas que antecipem e potencializem os efeitos sinérgicos e cumulativos das ações que promoverão estes impactos. O Plano Diretor permitirá ao Governo do Rio de Janeiro a efetiva coordenação do desenvolvimento sustentável de toda a área de influência do Arco Metropolitano. Este relatório apresenta uma primeira síntese dos principais componentes do Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, que adiante será denominado apenas por Plano Diretor do Arco Metropolitano. Sua elaboração atende especificações do Contrato 040/2008 entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Consórcio Tecnosolo e ARCADIS Tetraplan, conforme solicitação de Propostas SDP N 01/08 da Unidade de Gerenciamento de Programas – UGP, seguindo as indicações do Termo de Referência - TR, e do Plano de Trabalho deste Plano Diretor.

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2.

OBJETO

2.1. Considerações Iniciais
A demanda de infra-estrutura econômica no Brasil, notadamente associada a modais de transportes e logísticas variadas é crescente, e seu atendimento por parte das políticas públicas tem sido lento, trazendo custos sistêmicos à produção nacional, tolhendo sua competitividade e já cunhando no passado a expressão “custo Brasil”, constrangedor exemplo de estricção ao desenvolvimento do País. Por outro lado, o Modelo Nacional de Desenvolvimento atual, expressivo em associação ao mercado externo, traduz sua dimensão estruturante também nos desdobramentos

verticalizados, desencadeando animação econômica regional, ao criar e consolidar cadeias de valor. O Estado do Rio de Janeiro participa desse movimento, com programas de vigoroso recrudescimento econômico, ao mesmo tempo em que fortalece sua conduta ambiental, cuidando de seus recursos naturais na perspectiva de processos sustentáveis. É nesse contexto que o Arco Metropolitano está concebido, ao ofertar nova logística a um mosaico de demandas e impor, na dinâmica econômica do Estado do Rio de Janeiro, transformações de magnitude e importância, com alto valor estratégico. Trata-se de um projeto estruturante, de grande porte e presença com forte multiplicação de fatores de produção, mercados, renda e emprego, obedecendo a um ciclo longo de maturação, integrando os investimentos na produção e capitais físicos logísticos que dão sustentação ao Plano de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, rumo a uma maior diversificação de sua base produtiva e a uma nova organização espacial. A elaboração do presente Plano Diretor exige o conhecimento dos investimentos que se localizarão na órbita de influência do Arco Metropolitano, contemplando esse conjunto integrado no sentido de criar referências que subsidiem decisões atuais, com amplitudes a médio e longo prazo, e orientem a formulação de diretrizes e recomendações, para a internalização desse capital físico vertebrador da dinâmica de desenvolvimento regional. 3

Em outras palavras, é necessário conhecer e analisar a configuração agregada dos investimentos logísticos, industriais e de serviços que tende a se estabelecer na área de abrangência do Arco Metropolitano. Esta configuração agregada é construída pelo Arco Metropolitano e pelo mosaico de investimentos contemplados na sua área de abrangência, cujas dimensões alcançam o estruturante e as associam sinergicamente a ele. Essa associação sinérgica galga poder para mudar o rumo dos acontecimentos, induzindo crescimento socioeconômico de forma irreversível, um point-of-no-return, que transcende sua própria dimensão; exige um novo olhar estratégico através do Plano Diretor para se propor alternativas de sustentação ambiental e, ao mesmo tempo, oferecer opções de desenvolvimento regional rumo às finalidades maiores de sua aplicação. Nesses termos, envolverá decisões públicas de natureza estratégica, mas também privadas, em tempos-prazos próprios, impondo compartilhamentos, colaboração e gestão conjunta entre o público e o privado, com seu debruçar na competitividade empresarial ambientalmente sustentada e parcerias entre as políticas públicas e a iniciativa privada, que conviverão na região do Arco Metropolitano. Desta forma, o objeto do Plano Diretor é constituído da região de abrangência do Arco Metropolitano e dos empreendimentos estruturantes nela localizados. Os empreendimentos estruturantes são constituídos por um empreendimento alicerce – o Arco Metropolitano –, empreendimentos âncora, empreendimentos aderentes e empreendimentos complementares, estes últimos formados por Distritos Industriais já existentes na região ou em fase de planejamento para implantação.

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2.2. Área de Abrangência do Arco Metropolitano
Segundo definições dos Termos de Referência, a área de abrangência do Arco Metropolitano envolve 21 municípios, já considerando as Áreas de Planejamento – APs – 5 (5.2 e 5.3) e 3, do município do Rio de Janeiro. Esta definição se deu, basicamente, em função da identificação dos municípios interceptados pelo traçado do Arco, bem como pela identificação inicial dos municípios que receberiam outros investimentos estruturantes e que, portanto, poderiam sofrer efeitos diretos e indiretos decorrentes da implantação desses empreendimentos e do próprio eixo rodoviário. Neste sentido, os 9 municípios interceptados são: Itaguaí, Seropédica, Rio de Janeiro, Japeri, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Magé, Itaboraí e Guapimirim e os outros 12 municípios são: Mangaratiba, Paracambi, Queimados, Mesquita, Nilópolis, São João do Meriti, Belford Roxo, São Gonçalo, Tanguá, Niterói, Maricá e Cachoeiras de Macacu. Conforme os Termos de Referência, essa área de abrangência compartimenta-se em três grandes porções territoriais (Figura 2.1), definidas por três conjuntos de municípios que apresentam características metropolitanas e realidades diferenciadas sob o ponto de vista físico-territorial, econômico, social e, sobretudo, demográfico.

Figura 2. 1 - Mapa das Áreas de Abrangência dos Estudos do Plano Diretor

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Área de Estudo I A Área I é constituída pelos municípios de Itaguaí, Seropédica, Mangaratiba e pelas subáreas de planejamento 5.3 e 5.2, da Área de Planejamento 5, AP-5, do município do Rio de Janeiro, considerando-se como fatores determinantes complementares dessa compartimentação, a presença da serra do Gericinó/Mendanha, do maciço da Pedra Branca e as vertentes da Serra das Araras, a oeste. Nesta Área situam-se 10 empreendimentos estruturantes, além dos Segmentos B e parte do C do Arco Metropolitano. Destaca-se ainda a existência do Porto de Itaguaí e sua retroárea e do Terminal de Minérios da Ilha da Guaíba e o seu ramal ferroviário de cargas. Nesta Área também se localizarão duas das sete interligações viárias principais do Arco: BR 116 em Seropédica e BR 101 sul em Itaguaí. Destaca-se ainda que Mangaratiba se configura como vetor potencial de ocupação com vocação para atividades residenciais e lazer, o que lhe confere papel de destaque no contexto regional do Arco. Área de Estudo II Constituída por praticamente a totalidade da região denominada Baixada Fluminense, fazendo parte os municípios de Japerí, Paracambi, Queimados, Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, São João do Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias e Magé. Inclui-se aqui a região da AP-3 (Área de Planejamento 3) do município do Rio de janeiro, considerando-se o fato de nela se localizar o entroncamento da BR-116 com a BR-101, a presença de uma área residencial densa, atividade industrial e de logística, a localização do CENPES na ilha do Fundão, uma atividade importante no setor da indústria naval, e a importância logística do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim para o transporte de cargas e passageiros. Nesta Área situam-se 4 empreendimentos (RIOPOL e REDUC em Duque de Caxias, Bayer em Belford Roxo e Estaleiro Ilha S.A. no Rio de Janeiro), além de parte do Segmento C e o Segmento D do Arco. Deve-se destacar a polaridade intra-regional dos municípios de Nova Iguaçu, por conter um dos mais importantes centros de comércio e serviços na escala metropolitana, e de Duque de 6

Caxias, por suas características internas e localização, considerando-se também a presença da REDUC e a Rio Polímeros. Área de Estudo III Esta área tem como pólo principal o município de Itaboraí, em função da localização do COMPERJ e da intercessão entre o Segmento A do Arco Metropolitano e a BR-101 norte. Em Guapimirim se localiza o outro trecho do Segmento A. Destaca-se neste grupo São Gonçalo, não somente pela sua importância econômica e demográfica no contexto metropolitano, mas também por abrigar os futuros Centros de Escoamento e de Inteligência do COMPERJ. No caso de Tanguá, atravessado pela BR-101 norte, à semelhança de Mangaratiba (Área de Estudo I), no extremo oeste, o município poderá se comportar como o vetor de expansão, a leste, do Arco. Os municípios de Niterói, Maricá e Cachoeiras de Macacu fazem parte também desta área de estudo, ressaltando-se o papel compartimentador das serras do Tiririca, Malheiro e Calaboca e o eixo de estruturação formado pelas rodovias Amaral Peixoto, RJ-106, a RJ-114, vetores secundários de expansão oeste do Arco Metropolitano. Nesta Área situam-se 3 empreendimentos estruturantes (COMPERJ em Itaboraí e Estaleiros Aliança e Mauá em Niterói). O Quadro 2.1 apresenta informações sobre os municípios integrantes das Áreas de Estudo I, II e III.

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Quadro 2. 1 - Áreas de Estudo do Arco Metropolitano

Área de Abrangência

Municípios
RJ-109

Aspectos Relevantes

Itaguaí Seropédica

BR-101 / (trecho div. munic. Mangaratiba a Av. Brasil) RJ-109 (confluência com a BR-116) Retro área do porto de Itaguaí, terminal de minérios da ilha da Guaíba e ramal ferroviário de cargas, vocação do município para atividades residenciais e lazer, que lhe confere um papel de destaque como provável vetor de expansão oeste do Arco. BR - 101 RJ-109 (cruzamento e paralelismo c/ ramal ferroviário Japeri – Trem Metropolitano Supervia) Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física RJ-109 Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física RJ-109 BR-493 Atravessada pela BR-101, a presença de uma área residencial densa, atividade industrial e de logística, o CENPES na ilha do Fundão, uma atividade importante no setor da indústria naval e a importância logística do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim para o transporte de cargas e passageiros, no conjunto dos empreendimentos do Arco BR-493 (COMPERJ) BR-101 norte Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Localização dos Centros de Escoamento e de Inteligência do COMPERJ Muito embora não seja atravessado pelo Arco, os efeitos espaciais do evento poderão se fazer presentes, pela contiguidade Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física Efeitos espaciais decorrentes da contigüidade física

Área de Estudo I – Porção Mangaratiba Oeste
Rio de Janeiro - Área de Planejamento 5 (5.3 e 1 5.2) Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita Nilópolis

Área de Estudo São João do Meriti II – Porção Belford Roxo Central
Duque de Caxias Magé

Rio de Janeiro - Área de 2 Planejamento AP 3

Itaboraí Guapimirim

Área de Estudo São Gonçalo III – Porção Tanguá Leste
Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu

1 2

AP 5.2 – XVIII Campo grande / AP5.3 – XIX Santa Cruz e XXVI Guaratiba. AP 3 – Bairros Ilha do Governador, Penha, Ramos, Olaria, Bonsucesso, Irajá, etc.

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2.3. Aspectos Gerais de Ocupação na Área de Abrangência do Arco Metropolitano
De forma geral, dois “vetores” principais constituem o Arco Metropolitano: • Vetor principal de aproximadamente 119 km de extensão, partindo do município de Itaguaí em direção ao município Itaboraí, conectando as rodovias federais BR-101, BR-116 (Norte e Sul), BR-465, BR-040 e BR-493 (Segmentos A, C e D): − − − • Itaguaí (BR-101) a Duque de Caxias (BR-040) – construção de rodovia, com aproximadamente 72 km. Duque de Caxias (BR-040) a Magé (BR-493) – rodovia duplicada existente, com aproximadamente 22 km. Magé (BR-493) a Itaboraí/Manilha (BR101) – rodovia a duplicar, com

aproximadamente 24,9 km. Vetor complementar (duplicação) com aproximadamente 43 km de extensão, ligação Itaguaí à Av. Brasil BR-101 (Segmento B). − BR 101 entre o final do trecho atualmente duplicado (município do Rio de Janeiro / RJ 097) e Itacuruçá (município de Mangaratiba): duplicação em aproximadamente 43 km.

Entroncamento da BR-101 e BR-493 em Manilha/Itaboraí

Entroncamento da BR-493 e BR-116 em Magé

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Entroncamento da BR-493 e BR-040 em Duque de Caxias

Ao fundo Baia de Sepetiba em Itaguaí próximo à CSN

Pode-se afirmar que nas proximidades das rodovias federais desenvolveram-se as principais ocupações urbanas da região de interesse. Outras importantes ocupações encontram-se associadas às vias arteriais, ferrovias de cargas, ruas locais e estradas rurais no trecho do Arco Metropolitano a construir (Duque de Caxias BR-040 a Itaguaí). O Arco Metropolitano, sobretudo no trecho de ligação entre os municípios de Duque de Caxias e Itaguaí, tem seu traçado definido em terrenos planos e semi-planos, privilegiando a passagem por vales e regiões com presença de campos (pastos), onde a pressão de ocupação histórica pela agricultura e a recente urbanização reduziram em muito a cobertura vegetal, alterando as paisagens naturais. O trecho desde Itaguaí à região de Nova Iguaçu se desenvolve entre áreas residenciais e extensas áreas de pastos e de pequenas culturas sazonais de baixa importância para a economia dos municípios e, em determinadas regiões, em áreas degradadas e de baixa ocupação tendo como exemplo, áreas de exploração mineral (areais). Já no trecho nas cercanias de Duque de Caxias em direção a Magé, a área se caracteriza pela predominância de área urbana consolidada e em plena expansão.

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De forma geral, como destacado no Estudo de Impacto Ambiental - EIA da BR-493/ RJ-109 (Tecnosolo - Concremat, Jun/07) nos casos de ocupação por áreas residenciais, predominam construções de baixo padrão, com casas simples, sem a presença marcante de infra-estrutura básica e oferta de equipamentos públicos que atendam ao processo de ocupação em andamento. Ocorre, também, a presença de regiões de sítios de veraneio ao longo deste trecho. Vale destacar que estes são os perfis mais comuns atravessados pelo traçado, que abriga também locais de depósitos de lixos, campos de golfe, diversos campos de futebol, entre outros equipamentos de lazer. No trecho a construir, entre os municípios de Itaguaí e Duque de Caxias (BR-040), são poucas as indústrias e empresas nos bairros e localidades atravessadas, prevalecendo o perfil residencial, com predominância, quando há, do desenvolvimento de atividades econômicas primárias, como pequena agricultura, pecuária, piscicultura, e extração de areia. Essa situação, contudo, apresenta em alguns trechos sinais da transição econômica vivida na região e que tende a se afirmar com a implantação do Arco Metropolitano. Na proximidade de centros industriais como Duque de Caxias, Itaboraí e Itaguaí, muitas zonas industriais estão sendo criadas pelos Planos Diretores dos municípios para atender à nova dinâmica de desenvolvimento regional, observando-se a instalação de algumas unidades de menor porte. A rede viária local é marcada pela presença de muitas estradas vicinais, bem como vias de acesso a localidades mais isoladas, como é o caso de Xerém (Duque de Caxias), Adrianópolis, Tinguá e Rio d’Ouro (Nova Iguaçu). Essas estradas são importantes eixos de ocupação da região, permitindo a formação de novos bairros. Algumas são observadas ao longo do traçado e poderão ser impactadas pela implantação do Arco Metropolitano, tendo em vista as alterações na dinâmica socioeconômica, gerando a necessidade de reorganização dos espaços e do cotidiano social da população presente. No trecho que compreende os municípios de Duque de Caxias a Magé a ocupação é composta por área urbana que se desenvolveu no vetor e entorno da própria rodovia BR-493. Ainda, no trecho do Arco Metropolitano que compreende a duplicação – Magé a Manilha/Itaboraí – destaca-se a existência da APA de Guapimirim e de outras Unidades de Conservação, notadamente criadas em função da sua grande importância para a conservação dos manguezais e outras formações vegetais presentes. 11

A região que compreende os bairros de Itambi e Manilha no município de Itaboraí, também se configura como áreas urbanizadas. A seguir, apresenta-se uma síntese da caracterização do Uso da Terra e Cobertura Vegetal em cada uma das três Áreas de Estudo, mediante a espacialização e a quantificação do comportamento dos eventos socioambientais que se expressam nas diferentes formas de apropriação do território, com apoio no mapeamento das formas de uso da terra e cobertura vegetal remanescente. Área de Estudo I – Porção Oeste No segmento inicial do Arco Metropolitano, na confluência com a rodovia BR-101, nas proximidades da área urbana de Itaguaí, vale destacar a forte presença do porto de Itaguaí (Baía de Sepetiba) e empreendimentos associados localizados na Ilha da Madeira (Companhia Siderúrgica do Atlântico - CSA, Termelétrica de Furnas – Santa Cruz, Sepetiba Tecon – CSN, Base Aérea de Santa Cruz, Cosígua, entre outros). Ainda seguindo pela BR-101 em direção ao município de Mangaratiba, nota-se a presença de vegetação associada a Serra do Itaguçu / Serra da Mazomba. A presença de significativas áreas classificadas como manguezal arbóreo também merecem destaque, associadas à faixa litorânea. A área urbana do município de Itaguaí concentra-se entre a BR-101, precisamente ao sul desta rodovia, e ao norte do porto de Itaguaí. A partir da ligação do eixo do Arco Metropolitano com a BR-101, próximo ao ramal ferroviário de Itaguaí em direção a Seropédica, a ocupação assume características rurais em meio ao setor de expansão da cidade de Itaguaí ao longo da estrada local (estrada do Cacau). Extensas áreas de pastagens predominam na região de Chaperó, com parcelas de campos sujeitos a inundação dominando a paisagem, com existência de várias áreas de extração de areia já em Seropédica, a sudeste da Serra das Araras. A noroeste da sede urbana de Seropédica, o traçado do Arco cruza as rodovias BR-465 (antiga Rio-São Paulo), notando-se a presença da Floresta Nacional Mário Xavier e do cruzamento com a BR-116 (atual Rio-São Paulo – Rodovia Presidente Dutra), percorrendo região ainda

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marcada por áreas voltadas à atividade de extração de areia para a construção civil, próximo à RJ-125, cruzando o rio Guandu na divisa com o município de Japeri.

Rio Guandu em Seropédica. Nota-se a presença de extensos pastos e esparsas ocupações por edificações e fragmentos florestais

Praça de Pedágio BR-116 em Seropédica. Em segundo plano, nota-se trevo com a BR-125 no trecho previsto para implantação do Arco Metropolitano

Vista geral de Itaguaí. Observa-se transição entre a área urbana e a ocupação voltada a pasto (rural)

Porto de Itaguaí. Instalações da CSN. Ao fundo observa-se Serra de Itaguçu e Serra da Mazomba

Com relação à Área de estudo I, e segundo o mapeamento de uso e ocupação do solo que será detalhado no item 3.2, pode-ser dizer que cerca de 70% de seu território é caracterizado 13

pela soma dos usos Campo/Pastagem (27%), Formações Originais (26%) e Vegetação Secundária (15%). Os municípios atravessados pelo Segmento B e parte do Segmento C do Arco Metropolitano (Seropédica, Itaguaí e Área de Planejamento 5.3 do município Rio de Janeiro) apresentam características rurais com predominância de áreas de campo/pastagem, áreas agrícolas e pequenas parcelas de áreas urbanas. Área de Estudo II – Porção Central De maneira geral, a área do traçado do Arco na Área de Estudo II está em processo acelerado de ocupação residencial, sendo uma das principais franjas e/ou bordas de urbanização da RMRJ ao norte dos municípios de Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Queimados e a sudeste da sede de Japeri. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental - EIA da BR-493/ RJ-109 (Tecnosolo - Concremat, Jun/07), a região do trecho correspondente ao entroncamento com a BR-040/116 em direção a Itaguaí seguindo pela RJ-109, tendo como paralelismo o eixo do ramal ferroviário de Japeri (a partir do município de Nova Iguaçu), possui uma grande dinâmica de ocupação, fruto de uma sucessão histórica de usos e processos de ocupação intensos e diferenciados, baseados em ciclos econômicos consecutivos (produção de cana-de-açúcar e laranja, bem como entrepostos no transporte de gêneros produzidos no interior do País: ouro e café). Após esses ciclos, as áreas de produção rural entraram em decadência, sendo progressivamente incorporadas ao processo de urbanização metropolitana, especialmente a partir dos anos 50; como resultado, a região apresenta grande heterogeneidade de ocupação, mesclando áreas residenciais e agropecuárias, com presença de algumas zonas industriais e Unidades de Conservação. Em decorrência do esgotamento e conseqüente valorização das áreas ocupáveis na periferia direta da cidade do Rio de Janeiro e dos municípios mais próximos da Baixada Fluminense, a periferia de municípios como Nova Iguaçu, Japeri, Duque de Caxias e Itaguaí, em zonas consideradas localmente como “rurais”, é palco de um processo de ocupação intenso e contínuo, representado por novos bairros residenciais e zonas industriais; essa dinâmica tem alterado o mercado imobiliário local, com novos loteamentos, novas áreas de construção, demandas por infra-estrutura etc.

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O traçado do Arco Metropolitano segue a sudeste da sede urbana de Japeri, próximo à divisa municipal com o município de Seropédica. Após cruzar o rio Guandu, a rodovia segue na direção leste, cruzando com a RJ-093 já ao norte de Engenheiro Pedreira, contornando a face norte da área urbana do município de Queimados, em direção a Nova Iguaçu, em área ocupada por extensos pastos, áreas úmidas, fragmentos florestais em trecho paralelo (ao norte) ao ramal ferroviário. Já em Nova Iguaçu, o traçado do Arco Metropolitano desenvolve-se em área semi-urbanizada e esparsos fragmentos florestais, na região do bairro de Vila de Cava, localizada ao norte da área urbana da cidade. Próximo ao limite intermunicipal com Duque de Caxias, nota-se a presença de propriedades e edificações diversas, provavelmente, voltadas ao uso como casas de veraneio em local conhecido como Vale da Madame. Após percorrer o município de Nova Iguaçu, o traçado do Arco Metropolitano continua a seguir em direção leste, passando pelo município de Duque de Caxias até a ligação com as rodovias BR-040 e BR-116. Neste contexto, o eixo da rodovia, em território municipal de Duque de Caxias percorre área federal de aproximadamente 19 ha no distrito de Pilar, a Cidade dos Meninos3. Esta área é conhecida historicamente pela extensa contaminação por HCH (hexaclorociclohexano) – pesticida. A partir da ligação com a BR-040 em Duque de Caxias, o traçado passa a ser constituído pelo trecho duplicado existente - BR-493 em direção a Magé e Guapimirim. Nota-se, tanto no vetor da BR-040, quanto nos arredores da BR-493, uma consolidada ocupação urbana, principalmente ao norte da Refinaria de Duque de Caxias – REDUC – implantada na década de 60. Esta ocupação possibilitou a expansão da mancha urbana do município de Duque de Caxias, na área a noroeste da porção central deste município. Hoje, esta região se caracteriza como área urbana de baixa a média densidade.

A Cidade dos Meninos é uma área federal, município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, na área metropolitana do Rio de Janeiro. Lá, nos anos 40, foi fundado um complexo educacional para crianças carentes, pela então primeira dama, D.Darcy Vargas. Pouco tempo após, o Ministério da Saúde instalava dentro de seus muros uma fábrica de pesticidas para enfrentar a malária então endêmica na região. Nos anos 50 a fábrica foi desativada e todo o material ali abandonado começou a se espalhar e se infiltrar pelo solo, iniciando um longo processo de contaminação do meio ambiente e da população, sem solução até hoje (Herculano 2002).

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Já em direção a leste, entre a divisa dos municípios de Duque de Caxias e Magé, a configuração da ocupação do entorno, ainda se apresenta como área urbana contígua ao vetor da própria BR-493, seguida por uma ocupação voltada a áreas de culturas em meio ao avanço da própria mancha urbana destes municípios. Ainda nesta região, notam-se esparsas áreas voltadas a pastagens contornando vegetação associada ao relevo e respectivas áreas ocupadas, indicando a pressão antrópica característica deste trecho. No sentido de Magé, já nas proximidades da divisa com o município de Guapimirim, a área urbana consolidada se torna mais evidente, confirmando a influência da BR-493 como indutora de ocupação.

Ocupação característica com morrotes/morros em meio a pastos e açudes no município de Japeri.

Área urbana ao norte de Nova Iguaçu. Ao fundo observa-se ramal ferroviário em trecho próximo a implantação do Arco Metropolitano.

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Área urbana ao norte de Nova Iguaçu próximo a estrada Adrianópolis com presença de habitações unifamiliares

Trecho próximo a divisa municipal de Nova Iguaçu e Duque de Caxias em região marcada pela presença de pastos e areais com respectivas lagoas

Ocupação por pastos, chácaras e esparsos fragmentos de vegetação no município de Duque de Caxias, próxima a área urbana

Área urbana de Duque de Caxias. Em primeiro plano destaca-se a BR-493

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Trecho urbano próximo a divisa municipal entre Duque de Caxias e Magé.

Área urbana de Magé (bairro Suruí). Observa-se trevo rodoviário na BR-493 de acesso ao bairro.

Área urbana de Magé, próximo a sede municipal

Conurbação entre Magé e Guapimirim. Observa-se curso d’água afluente da Baia de Guanabara e divisa municipal

Segundo o mapeamento de uso e ocupação do solo da área de abrangência do Arco, que será abordado em maiores detalhes no próximo item deste relatório, a região onde se encontra a Área de Estudo II possui classes de uso mais heterogêneos, apresentado a maior concentração de áreas urbanas (42%) dentre as três Áreas de Estudo. A predominância desse uso acontece devido à grande mancha urbana dos municípios da Baixada Fluminense e norte do município do Rio de Janeiro. 18

Área de Estudo III – Porção Leste Nesta área de estudo, no sentido leste, a partir de Guapimirim após o município de Magé, o traçado do Arco Metropolitano permanece em área urbana consolidada com transição para área de culturas e pastos (área rural de baixa densidade de ocupação), no entorno do eixo da rodovia. Este trecho é localmente conhecido com Estrada do Contorno da Baía (da Guanabara). Este segmento é caracterizado também pela presença de culturas, contornando a área de extenso manguezal, contígua à baía de Guanabara, APA Guapimirim e APA Bacia do Macacu. Neste trecho, em direção a Itaboraí, a ocupação urbana é rarefeita, observando-se a presença de fazendas, campos alagáveis e pastos. Ainda seguindo em direção a Itaboraí, após transpor a divisa municipal com Guapimirim, o traçado do Arco Metropolitano segue por área urbana de baixa densidade em local conhecido como Itambi. Com a aproximação à BR-101, a ocupação no entorno do eixo da BR-493 consolida-se como área urbana de baixa a média densidade, configurada por ocupações residenciais e também por edificações voltadas a um intenso comércio, além da presença de indústrias. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental desenvolvido para este trecho

(Concremat/2008), a região de Manilha possui uma estrutura de comércio bastante diversificada, com a presença de fábricas de cerâmicas, granito, bem como a presença variada de grandes empresas e galpões de porte industrial, além de postos de combustíveis, escolas, restaurantes, igrejas, etc. Por fim, o traçado do Arco Metropolitano percorre o distrito de Manilha no município de Itaboraí, finalizando o percurso na confluência com BR-101 em área urbanizada.

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Área urbana de Guapimirim com transição para área rural

Município de Guapimirim. Observa-se afluente da Baia de Guanabara em área com predominância voltada a pastos e culturas diversas

BR-493 em trecho a duplicar, no município de Guapimirim (contorno leste da Baia de Guanabara)

Transição da área rural para área urbana já no município de Itaboraí

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Área urbana de Itaboraí as margens da BR493.

Área urbana de Itaboraí as margens da BR-493 já em Manilha. Observa-se a confluência com a BR-101 à esquerda e ao fundo.

A Área de Estudo III apresenta características de áreas rurais fortemente antropizadas; no entanto, o percentual de áreas urbanas (17%) é notável, visto que nessa Área de Estudo encontra-se a mancha urbana dos municípios de Itaboraí e Niterói.

2.4. Empreendimento Alicerce
O traçado do Arco Metropolitano representado pelo e sua espacialidade é o componente fulcral do Plano Diretor.

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Figura 2. 2 – Arco Metropolitano – Empreendimento Alicerce

O Arco Metropolitano, investimento estratégico para o Estado do Rio de Janeiro, compreende uma rodovia que ligará dois importantes eixos de desenvolvimento do Estado: o eixo leste, onde está sendo construído o COMPERJ, em Itaboraí, e o eixo Sepetiba, onde se localiza a província portuária de Sepetiba. Irá transformar a Baixada Fluminense numa grande área de logística e desenvolver de forma integrada todo o Estado. O Arco Metropolitano é um anel viário que contornará a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, permitindo o acesso adequado de cargas à província portuária de Sepetiba por toda a malha rodoviária do País, através da intersecção com cinco grandes eixos rodoviários (Rio/Vitória, Rio/Bahia, Rio / Belo Horizonte, Rio / São Paulo e Rio/Santos, formando um elenco de “esquinas privilegiadas” que convergem para o Rio de Janeiro.

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Figura 2. 3 – Arco Metropolitano - Interligações Privilegiadas

Figura 2. 4 – Projeto do Arco Metropolitano: pistas duplas em toda extensão

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Figura 2. 5 - Projeto do Arco Metropolitano: trevos com todos os movimentos

2.5. Empreendimentos Âncora
O Arco Metropolitano, cujo traçado delineia expressiva conexão logística, firma-se em duas âncoras de magnitude estruturante: O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ, em Itaboraí; e A “Província Portuária de Sepetiba”, significativo conjunto de empreendimentos logísticos, associados a instalações industriais, a ser implantado em Itaguaí.

Figura 2. 6 – Empreendimentos Âncoras

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Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ Com o crescimento da produção de petróleo, e agora também com o grande volume programando para vir da camada pré-sal, o governo sinalizou a intenção de suprir a demanda interna de derivados petroquímicos e intensificar sua exportação. Nesse sentido, vem se alinhar o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ -, ora em implantação, elevando a produção nacional de produtos petroquímicos, cuja demanda, segundo estudos da Petrobrás, deverá passar de 6 milhões de toneladas/ano em 2010 para 10 milhões de toneladas/ano em 2020. O Complexo terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo pesado nacional em uma mesma planta industrial, que transformará diretamente e num único local, o petróleo em resinas plásticas e outros produtos petroquímicos de uso variado. Seu processo produtivo terá uma Unidade de Refino e de 1ª geração para produção de petroquímicos básicos, além de um conjunto de unidades de 2ª geração, que vai transformar estes produtos básicos em produtos petroquímicos. Haverá ainda uma Central de Utilidades (UTIL), responsável pelo fornecimento de água, vapor e energia elétrica necessários para a operação de todo o Complexo. Suas capacidades de produção em dimensão plena contemplam: Petroquímicos básicos (1ª geração): eteno (1,3 milhão de toneladas/ano), propeno (880 mil toneladas/ano), benzeno (600 mil toneladas/ano), butadieno (157 mil toneladas/ano) e paraxileno (700 mil toneladas/ano); Petroquímicos de 2ª geração: estireno (500 mil toneladas/ano), etileno-glicol (600 mil toneladas/ano), polietilenos (800 mil toneladas/ano), polipropileno (850 mil toneladas/ano) e PTA/PET (500 mil/600 mil toneladas/ano).

Já empresas de 3ª geração, que poderão ser atraídas pelo COMPERJ e se instalar também nos municípios vizinhos e ao longo do Arco Metropolitano, serão responsáveis por transformar esses produtos petroquímicos de 2ª geração em bens de consumo, tais como: componentes

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para as indústrias montadoras de automóveis, materiais cirúrgicos e linha branca como eletrodomésticos, dentre outros. De acordo com estudos da PETROBRAS (2007), há potencial para a instalação de cerca de 720 empresas na indústria de transformação, para a produção de plásticos a partir dos produtos do COMPERJ.

Figura 2. 7 – COMPERJ: Terraplanagem

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Figura 2. 8 - COMPERJ: Perspectiva

Província Portuária da Baía de Sepetiba Portos constituem aspectos críticos da rede logística, fazendo a interação do transporte marítimo com o rodo-ferroviário e são seus nós fundamentais. Criam, ao integrar os diversos elementos do sistema de transporte, vantagens locacionais comparativas, gerando áreas de maior atratividade para novos investimentos, intensificando a ocupação do seu entorno. Instauram um processo de crescimento em causação circular cumulativa, com economias de aglomeração. A viabilização de conexões internacionais amplia o tamanho de mercado, permitindo a realização de exportações e gerando divisas para o país. Expande a demanda agregada e, assim, contribui para o crescimento do PIB. Esse contexto associado à vocação histórica da baía de Sepetiba e à grande demanda mundial está provocando o “boom” de investimentos portuários no Estado do Rio de Janeiro, especialmente nesse lócus privilegiado. É inegável a atração de variados investimentos para o Rio de Janeiro, provocando mudança de patamar em seu crescimento, recrudescendo sua dinâmica de expansão. Entre esses, a infraestrutura da cadeia de apoio à mineração contribui para diversificação da economia estadual, 27

dando-lhe um papel estratégico no setor de serviços avançados de logística. Prevê-se um crescimento bem acima da média nacional. Entre 2008 e 2012, o investimento previsto na exploração mineral deverá alcançar US$ 47 bilhões no Brasil. Em minério de ferro, sua produção vai quase duplicar, contemplando uma expansão da extração de minério de ferro nos próximos anos de 350 para 650 milhões de toneladas/ano (PDP, 2008), com investimento estimado de US$ 30 bilhões. Nessa trajetória, essa demanda logística portuária da produção do minério de ferro de Minas Gerais terá que convergir, em grande parte, para o Estado do Rio de Janeiro, além do Espírito Santo, como condição natural na otimização do custo que perdura, o de transporte, fazendo da baía de Sepetiba uma província portuária privilegiada para abrigar terminais com a melhor logística para exportações crescentes de minério de ferro do Quadrilátero Ferrífero de MG.

Figura 2. 9 - Distâncias lineares - quadrilátero ferrífero MG / portos de embarque

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Não obstante a ampliação da fronteira mineral beneficiada pelas condições de acessibilidade às reservas minerais da Região Norte, a produção de minério de ferro da província mineral do sudeste brasileiro continua crescendo e, particularmente, o quadrilátero ferrífero de Minas Gerais permanece expressivo, representando algo como 70% do total das exportações brasileiras, portanto, com papel primaz. Nesse contexto, a baía de Sepetiba se revela uma Província Portuária e, não por acaso, objeto de desejo de grandes exportadores da cadeia extrativa de minério de ferro e de outras cargas (containers, geral etc.), considerando que, em um raio de 500 km encontra-se algo como 50% do PIB brasileiro. O estudo contempla, assim, esta âncora, a província portuária de Sepetiba, abrigando um elenco de investimentos concretos e perspectivos em novas instalações portuárias com terminais privados, aprovados pelo governo do Estado: CSA - Companhia Siderúrgica do Atlântico: complexo siderúrgico que engloba além de uma usina, um terminal portuário para exportação de produtos siderúrgicos e importação de carvão. Sua capacidade de produção é de 5 milhões de ton/ano de placas de aço, destinadas ao mercado externo.

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Figura 2. 10 - Porto CSA Siderúrgica do Atlântico – Terminal offshore

LLX - PORTO SUDESTE: Terminal para exportação de minério de ferro, com capacidade de 50 milhões/ano e importação de granéis sólidos, principalmente carvão. No projeto, está prevista a construção de pátios para estocagem e manuseio de minério de ferro e de outros granéis sólidos com uma área total de 51,2 hectares

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Figura 2. 11 - LLX Porto Sudeste - Terminal offshore e Pátio Logístico

GERDAU: Terminal offshore para movimentação de minério de ferro e produtos siderúrgicos, em conexão com sua usina siderúrgica no distrito de Santa Cruz – Itaguaí. USIMINAS: Porto com terminal offshore de embarque para exportação de minério de ferro e pellets, projetado com capacidade inicial de 25 Mtpa e plena de 50 Mtpa. Empreendimento alinhado com sua nova estratégia de verticalização da cadeia produtiva e autonomia em minério de ferro, hoje suprido pela Vale, que passará a ser fornecido integralmente pelo próprio grupo e possibilitará que a empresa detenha segurança e controle no abastecimento deste insumo estratégico como também passe a atuar no mercado internacional, como exportadora. Maior complexo siderúrgico de aços planos da América Latina, com produção de mais de 9 Mtpa, iniciou esta estratégia com a aquisição da mineradora J. Mendes, com minas na região de Itauna – MG, onde irá construir uma usina de peletização com capacidade de 7 Mtpa. A participação da Usiminas no capital da operadora ferroviária MRS assegura capacidade logística necessária para o escoamento da produção de minério de ferro e pellets para a 31

exportação. Para o retroporto do terminal na baía de Sepetiba, adquiriu a área da antiga Ingá, com 96 ha e já em processo de recuperação ambiental, PETROBRÁS: Porto com o projeto mais expressivo, abrigando terminais para líquidos e sólidos, instalações para gás natural, recebimento de petróleo para refinarias. O porto da Petrobras, além de ser utilizado para a movimentação de produtos petroquímicos, será também base de apoio e operação da empresa para a exploração dos campos do pré-sal da Bacia de Santos. Especificamente para o COMPERJ abrange recebimento de petróleo, movimentação e exportação de seus petroquímicos sólidos. Também terá exportação de coque de petróleo, minério de ferro (50 Mtpa), ferro gusa, carga geral e importação de carvão mineral, coque, fertilizantes e instalações para supply boats. Retroárea com 1000 ha, 75% aproveitáveis. PLATAFORMA LOGÍSTICA CSN: contempla um conjunto de quatro projetos distintos: Expansão do Tecon (Terminal de Contêineres) Expansão do Tecar (Terminal de Cargas): aumento da capacidade para 100 Mtpa de minério de ferro e para 8 Mtpa de carvão. Implantação do Centro de Apoio Logístico com capacidade de armazenagem e movimentação de 900 mil TEUs / ano. Implantação do Porto Privativo Lago da Pedra com dois piers e de sua retroárea. Pier 1: carga geral, produtos siderúrgicos e contêineres Pier 2, carvão e minério de ferro. A capacidade de movimentação nos piers será de 60 Mpta de minério de ferro, 12 Mpta de carvão e outras cargas diversas, 11 Mpta de carga geral e produtos siderúrgicos e 1 Milhão de TEUs/ano. A retroárea contará com pátios de estocagem de 120 ha. CDRJ - PORTO DE ITAGUAÍ Investimento na dragagem do Porto de Itaguaí, que passará a ter profundidade de 20 metros, contra os atuais 17,5, para o acesso de navios de maior porte aumentando a dinâmica de movimentação de embarcações.

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Também vai ampliar a extensão do canal das Docas para a CSA Siderúrgica do Atlântico que tem cais próprio, mas, para chegar ao seu porto, será necessário passar pelo canal do Porto de Itaguaí. Esse investimento possibilitará aumento significativo da capacidade do Porto para atender a demanda por transporte de cargas. A perspectiva é de que a capacidade de movimentação do porto de Itaguaí aumente em 50% após as obras de dragagem

Figura 2. 12 - Porto de Itaguaí

A orientação do Governo do Estado para que as empresas com empreendimentos portuários na baía de Sepetiba e com áreas onshore contíguas, desenvolvessem projetos conjuntos convergentes a tudo o que for comum a eles, como canal de entrada, dragagem, etc., induzindo potenciais parcerias entre LLX / Usiminas e CSN / Gerdau / Petrobrás, não retira a individualidade dos seus terminais offshore e assim estão considerados neste estudo. A perspectiva dos projetos de terminais offshore considerados está exposta no desenho da baía de Sepetiba, legitimando a percepção de dimensão Província Portuária. A configuração dos empreendimentos abrigados nesta âncora está visualizada na Figura 2.13 33

Figura 2. 13 - Província Portuária da Baía de Sepetiba

.

2.6. Empreendimentos Aderentes
Em sincronia com o Arco Metropolitano e os investimentos colocalizados que constroem o alicerce e as âncoras, há outro elenco de empreendimentos que potencialmente pode ser agregado, com essa mesma natureza para esta dimensão, situados neste eixo de desenvolvimento, em maturação temporal convergente no “tempo”, magnitude estruturante e espacialmente evidenciados na órbita de interferência do Arco Metropolitano, identificando-se como elementos estratégicos dessa construção. Abrigam-se neste conjunto perspectivo de empreendimentos aderentes aos investimentos estruturantes, o aporte expressivo da indústria naval, a usina siderúrgica 2 da CSN, em Itaguaí, para produção de 4,5 MTPA destinadas ao mercado externo e também os empreendimentos delineados na implantação da Coquepar, as ampliações da Bayer e REDUC, cujo valor estratégico os adiciona nesta dimensão. Exemplifica esta aderência o projeto Coquepar, que tem como objetivo a construção de uma unidade com escala de 250 mil ton/ano, para a produção de coque calcinado de petróleo 34

destinado ao mercado de alumínio primário e direcionada em sua maior parte (85%) ao mercado externo. Também a indústria naval na área de abrangência do Arco Metropolitano tem nos estaleiros Mauá, Eisa, Aliança e STX Europe representatividade em dimensão estruturante, com as encomendas para construção de navios-tanque, embarcações para transporte de produtos derivados de petróleo, OSCV (Offshore Support and Construction Vessel), ROV (Remote Operated Vehicle Vessel), navios tipo Panamax e navios porta-contêineres, em expressivo valor de investimento.

Figura 2. 14 - Empreendimentos aderentes

Outros empreendimentos previstos e que oferecem potencial estruturante na região podem ser citados: RIOPOL - Rio Polímeros S/A; Hermes (expansão do centro de distribuição da empresa); Linde (construção de uma fábrica de gases - oxigênio, nitrogênio e argônio); construção de equipamentos para a indústria nuclear da NUCLEP; expansão dos estaleiros da Marinha do Brasil, estaleiro Renave, estaleiro Rionave, estaleiro da antiga Ishibrás.

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2.7. Agregação de Empreendimentos Estruturantes
A consolidação dos empreendimentos - alicerce, âncoras e aderentes, apresenta sua expressão em valor de investimento segmentada por Área de Estudo do Plano Diretor no Quadro 2.2.
Quadro 2. 2 - Investimentos Previstos – Alicerce, Âncoras e Empreendimentos Aderentes ÁREA DE ESTUDO INVESTIMENTO R$

EMPREENDIMENTO

MUNICÍPIO

SETOR

Arco Metropolitano

Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, I, II, III Japeri, Seropédica e Itaguaí TOTAL INVESTIMENTO ÁREA I, II, III

Transportes Logística

1.200.000.000

1.200.000.000

Plataforma Logística CSN • Expansão TECON Itaguaí • Expansão TECAR • Pólo Logístico • Porto Privativo Lago da Pedra Porto Sudeste LLX Itaguaí Porto Petrobrás Itaguaí Porto Usiminas Itaguaí Porto Gerdau Itaguaí Porto Itaguaí – CDRJ Itaguaí CSA Rio de Janeiro • Usina Siderúrgica • Porto CSA CSN Itaguaí • Usina Siderúrgica 2 Coquepar Seropédica TOTAL INVESTIMENTO ÁREA I REDUC – Ampliação Refinaria Bayer – Expansão Estaleiro EISA Duque de Caxias Belfort Roxo Rio de Janeiro

4.700.000.000 Transportes Logística 1.500.000.000 4.000.000.000 1.000.000.000 1.100.000.000 86.000.000 Siderurgia Transportes Logística Siderurgia Petroquímica 13.100.000.000 7.600.000.000 524.000.000 33.610.000.000 1.500.000.000 100.000.000 3.285.000.000 4.885.000.000

I

Petroquímica Química II Indústria Naval TOTAL INVESTIMENTO ÁREA II

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EMPREENDIMENTO COMPERJ STX Europe Estaleiro Mauá Estaleiro Aliança

MUNICÍPIO

ÁREA DE ESTUDO

SETOR

INVESTIMENTO R$ 17.600.000.000 1.100.000.000 627.200.000 211.000.000 19.538.200.000 59.233.200.000

Itaboraí / São Petroquímica Gonçalo III Niteroi Indústria Naval Niteroi Niteroi TOTAL INVESTIMENTO ÁREA III INVESTIMENTO TOTAL

2.8. Empreendimentos Complementares
Mais do que um complexo logístico, o Arco Metropolitano constitui uma dimensão que condiciona o desenvolvimento de novas indústrias e serviços. Sua existência constitui fator de importância para a arquitetura do sistema produtivo agregado em sua área de abrangência, com novos empreendimentos em relação de causa e efeito tecnológico e mercadológico. Nesse entendimento, o objeto de estudo é articulador, ao provocar a inclusão dos Distritos Industriais existentes no eixo logístico do Arco Metropolitano e embrião de um parque produtor expandido, no contexto de novos empreendimentos dentro de sua geografia, incitados pelo adensamento industrial ordenado em sua “natureza distrito industrial” e potencializados pela disponibilidade locacional neles remanescente. Essa natureza e geografia envolvem os Parques Industriais Santa Cruz, Campos Elíseos, Fazenda Botafogo, Queimados e Paracambi, fortalecidos sob incentivo conhecido como o Programa de Fomento ao Desenvolvimento Industrial Sustentável do Estado do Rio de Janeiro – Rio Ecopolo – e ao abrigo da condução CODIN. A identificação do status de cada um forma a massa crítica para essa repercussão futura do Arco Metropolitano. Distrito Industrial de Santa Cruz Localizado no bairro de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro/RJ, teve sua implantação sob o referido programa Rio Ecopolo em 2002, quando as empresas industriais que integravam o Distrito Industrial de Santa Cruz estabeleceram um termo de compromisso para manter um rumo de desenvolvimento sustentável.

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Possui uma área total de 737 ha. Deste total, 462 ha são destinados para as atividades industriais, havendo atualmente 332 ha vendidos e 58 ha disponíveis para negociação futura. Sua tipologia industrial, embora expressiva, é diversificada e sem convergência maior em complementaridade tecnológica ou mercadológica.
Quadro 2. 3 - Distrito Industrial de Santa Cruz – Tipologias Representativas Empresa Aciquímica Basf Casa da Moeda do Brasil Ecolab Fabrica Carioca de Catalisadores GERDAU – Cosigua Usina Termoelétrica de Santa Cruz Latasa Novartis Biociências Pan Americana SICPA Valesul Tipologia Reciclagem Química Gráfica Produtos higiene Petroquímica Siderurgia Energia Metalurgia Farmacêutica Química Química Metalurgia

Há fatores específicos de animação, com a presença de empreendimentos estruturantes, como a GERDAU e a proximidade com a Província Portuária de Sepetiba, que incitarão a entrada de novos empreendimentos integrantes de sua matriz produtiva e plenitude de ocupação, em simbiose induzida pelo Arco Metropolitano.

Figura 2. 15 - Distrito Industrial de Santa Cruz

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Distrito Industrial Campo Elíseos Localizado no município de Duque de Caxias, também teve sua implantação sob o programa Riopolo em 2002, quando as indústrias que compunham esse pólo petroquímico realizaram um termo de compromisso de desenvolvimento sustentável. Possui área total em torno de 970 ha. Diante da sua atual ocupação territorial, que se encontra no limite, qualquer nova instalação industrial somente poderia ocorrer mediante expansão de sua área. Sua tipologia industrial reflete forte complementaridade tecnológica e mercadológica, induzida pela presença da Petrobrás, com a REDUC, cuja expansão está contemplada no conjunto de empreendimentos aderentes do estudo e fator de animação para sua ocupação locacional plena, exponencializando essa complementaridade, com novos empreendimentos induzidos pelo Arco Metropolitano.
Quadro 2. 4 - Distrito Industrial de Campos Elíseos – Tipologias Representativas Empresa Petrobrás Distribuidora Petrobrás Distribuidora Ipiranga Nitriflex Petroflex Polibrasil Resinas Real Minas REDUC Rio Polímeros Supergasbras Termo Rio White Martins Tipologia Industrialização e distribuição de óleos, lubrificantes e parafinas. Comércio atacadista de combustíveis Refino de petróleo Química, fabricação de elastômeros. Química, fabricação de elastômeros. Petroquímica Distribuição combustíveis. Refino de Petróleo Química, produção de polietileno Distribuição de GLP Energia Manufatura e distribuição de gases

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Figura 2. 16 - Distrito Industrial Campo Elíseos

Distrito Industrial da Fazenda Botafogo Localizado em Acari, no município do Rio de Janeiro, o Distrito Industrial da Fazenda Botafogo também realizou em 2002 o compromisso de desenvolvimento sustentável sob o programa Riopolo, unindo suas empresas sob esta conduta. Com tipologia diversificada, o Distrito possui uma área total de 157 ha. Deste total, 79,4 ha são destinados para as atividades industriais, havendo atualmente 74,4 ha vendidos e 5 ha disponíveis para negociação futura (CODIN).
Quadro 2. 5 - Distrito Industrial Fazenda Botafogo – Tipologias Representativas Empresa Armco Staco C.R.R. Ciba Cromos Eninco Estoque King Pan-Americana Socan Tipologia Metalurgia Reciclagem Especialidades químicas Tintas gráficas Engenharia Indústria frigorífica Fabricação de aparelhos e equipamentos de sinalização Química Produtos alimentícios

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Empresa S.R.R. Sumatex Usina Nova América

Tipologia Equipamentos para Construção Pesada Química Química

A figura a seguir apresenta as empresas e sua localização no Distrito Industrial de Botafogo.

Figura 2. 17 - Distrito Industrial da Fazenda Botafogo

Distrito Industrial de Queimados Localizado no município de Queimados, na área de abrangência do Arco Metropolitano, conta também com tipologia industrial diversificada. Possui área total de 232 ha, com cerca de 177 ha destinados para atividades industriais. Para novas negociações industriais ainda são disponíveis em torno de 88 ha. 41

Um significativo fator específico de animação, com a implantação do Arco Metropolitano, será a redução dos atuais 50 km rodoviários entre o Distrito Industrial e o Porto de Sepetiba, para 10 km.
Quadro 2. 6 - Distrito Industrial de Queimados – Tipologias Representativas Empresa ArFrio I e II Citycol Sanes Brasil Quartzolit Multibloco Nebraska Power Boats JMR21 Reluz Knauf do Brasil Ecopack Kaiser Deca Amcor Vig Xavier Sayoart Tipologia Armazéns gerais frigoríficos Têxtil Indústria Alimentos Argamassa Artefatos de concreto Fundição Ind. Náutica Ind. de Plásticos e reciclagem Cosméticos Artefatos de gesso Telhas ecológicas Cervejaria Louças sanitárias Alumínio Vigilância e segurança Têxtil

Figura 2. 18 - Distrito Industrial de Queimados

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Distrito Industrial de Paracambi Este Distrito Iindustrial, localizado no município de Paracambi, é empreendimento em fase de maturação. Sua concepção o diferencia do convencional, ao contemplar interação planejada em seu projeto de infra-instrutura viária e serviços de transporte, de energia, de água, de serviços comuns, com arquitetura e construção sustentáveis. Esta singularidade e sua proximidade, cerca de 13 km apenas, com Japeri, município cortado pelo Arco Metropolitano, o coloca com uma extensão da área de abrangência do Plano. As tipologias industriais que integram seu cenário de planejamento, ainda que em diversidade, já contemplam co-processamentos e induzem simbioses com receptores potenciais.
Quadro 2. 7 - Distrito Industrial de Paracambi – Tipologias Representativas TIPOLOGIAS INDUSTRIAIS CONSIDERADAS Têxtil – fabricação Tecidos Metalurgia ferrosos e não ferrosos– fabricação arames Co-processamento de resíduos / cimenteira Metalurgia – fabricação de pregos Manufatura de tintas Reciclagem de produtos plásticos Galvanoplastia Beneficiamento de mármore, ardósia, granito e outras pedras Fabricação de material eletrônico Reciclagem de materiais associados a atividades de artesanato Estação de tratamento de efluentes

A figura esquemática a seguir apresenta a distribuição perspectiva das áreas industriais do Distrito Industrial de Paracambi.

43

Figura 2. 19 - Distrito Industrial Paracambi - Distribuição das áreas industriais

Agregação dos Distritos Industriais O tema indutor de empreendimentos complementares na construção do objeto do estudo assume a seguinte expressão:
Quadro 2. 8 - Empreendimentos complementares Distrito Industrial Santa Cruz Tipologia Industrial Predominante Diversificada Fator de Animação Específico GERDAU Proximidade Província Portuária Sepetiba REDUC -------Proximidade Província Portuária Sepetiba Concepção inovadora Área – ha Total Disponível 737 58

Localização Rio de Janeiro Área de Estudo I

Campos Elíseos Faz. Botafogo Queimados

Duque de Caxias Área de Estudo II Rio de Janeiro Área de Estudo I Queimados Área de Estudo II Paracambi Área de estudo II

Gaso-Petroquímica Diversificada Diversificada

970 157 232

0 5 88

Paracambi

Diversificada

250

(Em construção)

44

Figura 2. 20 - Agregação dos Distritos Industriais

45

3.

CENA ATUAL

3.1. Aspectos Ambientais
3.1.1. Cobertura Vegetal e Áreas Protegidas
O presente item trata da cobertura vegetal e da presença de áreas protegidas na área de abrangência do Arco Metropolitano, bem como de aspectos ecológicos da vegetação do bioma Mata Atlântica, predominante na região.

3.1.1.1. Definições e Conceitos sobre a Flora Regional
A paisagem da área de abrangência do Arco Metropolitano é caracterizada pela presença do bioma de Mata Atlântica. Destacam-se inúmeros morros e colinas, que se localizam na região de transição entre as baixadas e os maciços da Serra do Mar. A grande diversidade física existente nesta unidade geográfica influi nas condições altimétricas, geológicas, hidrológicas, pedológicas e microclimáticas, que por sua vez, resultam na presença de distintas formações vegetacionais. De acordo com o Sistema de Classificação da Vegetação Brasileira proposto oficialmente pelo IBGE (1993), grande parte da área de influência do Arco Metropolitano está inserida na região de Domínio Fitoecológico da Floresta Ombrófila Densa, também denominada Floresta Pluvial Tropical, devido à íntima relação desta fisionomia com ambientes ombrófilos, caracterizados por elevadas temperaturas (médias de 25˚C) e alto índice pluviométrico, com precipitações bem distribuídas ao longo do ano e ausência de períodos secos. Originalmente, esta fisionomia da Mata Atlântica revestia, de forma contínua, toda a área abrangida pela Serra do Mar, pelas Colinas e Maciços Costeiros e partes das planícies litorâneas do Estado do Rio de Janeiro, estendendo-se desde o nível do mar até cotas acima de 1.500 metros de altitude. Com o processo de colonização e exploração do Brasil, foram devastadas extensas áreas florestais e drasticamente reduzida a cobertura vegetal primitiva da Mata Atlântica (Dean,1997), restando os remanescentes da Floresta Ombrófila Densa, agora encontrados somente nas 46

agudas escarpas da cadeia da Serra do Mar, próximo ao Oceano Atlântico, e nos cumes das montanhas. Restou muito pouco das formações exuberantes que embelezavam as baixadas litorâneas e as inclinações mais suaves em direção a Oeste, que sofreram uma devastação sem resistências, em decorrência da ocupação antrópica da Serra do Mar. Para muitos autores, este processo de exploração a qualquer preço fez com que o bioma acabasse por ficar inserido nos maiores pólos industriais e agropecuários do País, além dos mais importantes aglomerados urbanos. Como resultado deste processo, menos de 8% da área atual do bioma Mata Atlântica preserva suas características bióticas originais (Fundação CIDE, 2003). As características ecológicas da área de abrangência do Arco Metropolitano destacam-se pela heterogeneidade das condições ambientais e de uso e ocupação do solo. A seguir são apresentadas as principais categorias vegetacionais, com base na classificação do IQM Verde II, realizado em 2003 pela Fundação CIDE. a) Floresta Vegetação primária, formada por indivíduos de porte arbóreo em forma contínua, com as espécies dispostas, segundo a altura, em até quatro estratos definidos, variando entre 20 e 30 metros de altura. Nesta legenda, incluem-se, além das Florestas Ombrófila Densa, Ombrófila Mista e Estacional Semidecidual, as secundárias antigas com porte arbóreo, estrutura florestal e ocorrência de espécies clímax. A Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial Tropical) recobre as encostas do litoral e das Serras do Mar e da Mantiqueira. Dá lugar, nas áreas dos Planaltos da Bocaina e de Itatiaia, acima de 800 metros, à Ombrófila Mista. Ambas estão relacionadas a ambientes com menos de 60 dias secos no ano, sendo constituídas por árvores de folhas perenes. A Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Semicaducifólia Tropical) apresenta-se bastante fragmentada tanto no Norte e Noroeste Fluminenses quanto no Médio-Baixo Vale do rio Paraíba do Sul. Está relacionada a ambientes com mais de 60 dias secos no ano, apresentando entre 20% e 50% de espécies que perdem suas folhas na estação seca.

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Em geral, os tipos florestais podem se apresentar em duas subclasses, uma correspondente à formação aluvial e outra reunindo as formações denominadas florestas de terras baixas, de encostas e de montanhas. b) Vegetação secundária Compreende tanto áreas abandonadas após diferentes tipos e intensidades de uso - o que pode conduzir a diferentes padrões de regeneração - quanto áreas naturais ou em regeneração submetidas a diferentes níveis de degradação, devido a fatores como fogo e exploração de madeira. O resultado apresenta-se, geralmente, na forma de um mosaico, com a ocorrência de diferentes situações numa mesma área. A Resolução CONAMA nº 010, de 1/10/1993, assim define Vegetação Secundária ou em Regeneração: “vegetação resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações antrópicas ou causas naturais, podendo ocorrer árvores remanescentes da vegetação primária.” b.1) Vegetação secundária em estágio de sucessão de inicial a médio Compreende tanto a vegetação “herbáceo-arbustiva de porte baixo, com cobertura vegetal variando de fechada a aberta” (estágio de regeneração inicial; Res. CONAMA 010/1993) quanto a “vegetação arbórea e/ou arbustiva - predominando sobre a herbácea e podendo constituir estratos diferenciados -, com fisionomia de aberta a fechada e ocorrência eventual de indivíduos emergentes” (estágio de regeneração médio; Res. CONAMA 010/1993). Em certos casos, inclui manchas de área degradada, devido à dificuldade de se fazer a distinção entre ambas as classes, em decorrência da escala adotada. b.2) Vegetação secundária em estágio de sucessão avançado “Vegetação arbórea, dominante sobre as demais, formando um dossel fechado e relativamente uniforme no porte, podendo apresentar árvores emergentes com diferentes graus de intensidade e copas superiores horizontalmente amplas” (Res. CONAMA 010/1993).

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c) Manguezal “Ambiente halófilo da desembocadura dos cursos d’água no mar, onde se desenvolve uma vegetação que pode apresentar fisionomia arbórea ou herbácea” (RADAMBRASIL, 1983). É constituído de “...uma flora especializada, ora dominada por gramíneas (Spartina) e amarilidáceas (Crinum), que lhe conferem uma fisionomia herbácea, ora dominada por espécies arbóreas dos gêneros Rhizophora, Laguncularia e Avicennia. De acordo com a dominância de cada gênero, o manguezal pode ser classificado em mangue vermelho (Rhizophora), mangue branco (Laguncularia) e mangue siriúba (Avicennia), os dois primeiros colonizando os locais mais baixos e o terceiro, os locais mais altos e mais afastados da influência das marés.” (Res. CONAMA 010/1993). Os Mangues podem ser encontrados em subtipos: manguezal arbóreo e manguezal herbáceo. d) Restinga Vegetação pioneira de porte variável encontrada sobre terrenos sedimentares quaternários marinhos, assim como sobre dunas e depressões arenosas inundáveis costeiras. É “... também considerada comunidade edáfica, por depender mais da natureza do solo do que do clima. Ocorre em mosaico (...), apresentando, de acordo com o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, este último mais interiorizado.” (Res. CONA MA 010/1993). As espécies que aí vivem (flora e fauna) possuem mecanismos para suportar os fatores físicos dominantes, como: salinidade, extremos de temperatura, forte presença de ventos, escassez de água, solo instável e insolação forte e direta. A Restinga pode ser subdividida em: restinga arbórea, restinga arbórea inundável e restinga arbustiva/ herbácea. e) Campo inundável Vegetação pioneira sobre terrenos sedimentares quaternários aluviais, sujeitos a inundações periódicas. Sua composição “... varia de acordo com a intensidade e duração da inundação, apresentando originalmente fisionomia arbustiva ou herbácea” (RADAMBRASIL, 1983). O arbustivo é conhecido como brejo e o herbáceo, como campo de várzea. f) Campo de altitude 49

Campo rupestre em área de Refúgio Vegetacional (IBGE, 2001) ou Ecológico alto-montano (RADAMBRASIL, 1983), característico das áreas superiores a 1.500 m do Maciço do Itatiaia. O campo de altitude “... apresenta uma cobertura herbáceo-graminóide intercalada por pequenos arbustos, caracterizando-se pela ocorrência de um grande número de famílias e vários gêneros endêmicos.” (RADAMBRASIL, 1983). g) Campo/Pastagem Estão considerados nesta classe os campos antrópicos encontrados nas áreas onde a vegetação natural primitiva foi substituída por práticas de agricultura ou para o criatório de animais. No primeiro caso, o declínio da agricultura deu lugar a extensas áreas recobertas por vegetação herbácea sem nenhum uso atual (a fisionomia mais comum no território fluminense). Os campos utilizados como criatórios são encontrados em escala menor. Nesta classe, estão incluídos os campos que se instalaram no lugar dos remanescentes de savana (cerrado), da Bacia Terciária de Resende. Também são incluídas como “áreas antropizadas”, áreas degradadas e áreas urbanas.

3.1.1.2. Unidades de Conservação
Os esforços para conservar remanescentes da cobertura vegetal nativa são de mérito das Unidades de Conservação, com respaldo na legislação ambiental brasileira e em políticas públicas voltadas à conservação ambiental. A Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC – define “Unidade de Conservação” como: “O espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção.” Com base no SNUC, as unidades de conservação estão organizadas em dois grandes grupos:

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Unidades de Proteção Integral, com a finalidade de preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos recursos naturais. Pertencem a esse grupo as categorias: − − − − − Estação Ecológica – ESEC; Reserva Biológica – REBIO; Parque Nacional – PARNA; Refúgio de Vida Silvestre; e Monumento Natural.

Unidades de Uso Sustentável, visando conciliar a conservação da natureza com o uso sustentável de parte dos recursos naturais. Esse grupo é constituído pelas categorias: − − − − − − − Área de Proteção Ambiental – APA; Área de Relevante Interesse Ecológico – ARIE; Floresta Nacional – FLONA; Reserva Extrativista – RESEX; Reserva de Fauna; Reserva de Desenvolvimento Sustentável; Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN.

As UCs podem ser criadas pelo poder público federal, estadual ou municipal, sendo regidas e administradas por legislação específica dessas esferas de governo. Os Planos de Manejo das UCs definem os usos que são permitidos dentro dos limites das Unidades de Uso Sustentável, visto que nas UCs de Proteção Integral, não são permitidos usos antrópicos. A Figura 3.1 apresenta a distribuição das Unidades de Conservação existentes na área de abrangência do Arco Metropolitano.

51

3.1.1.3. Corredores Ecológicos
Em áreas com intenso crescimento populacional, a atividade humana transformou a paisagem original em um mosaico fragmentado, que é dominado por uma matriz antropizada, geralmente resultante de atividades agropastoris e inserções urbanas ou de serviços. Inseridas na matriz, encontram-se manchas de ecossistemas originais ou deles derivadas, que funcionam como habitats naturais. As conexões entre os fragmentos são denominadas corredores ecológicos, pois funcionam como meio de passagem para a biota que os ocupa. Cada unidade da paisagem possui estrutura, condições ambientais, funcionamento e percepções próprios e inerentes à sua área, disposição espacial e/ou forma (Forman, 1995; Putz et al., 2001). A estrutura da paisagem é de suma importância para a conservação de populações biológicas, pois dela depende a dinâmica de populações (Collinge, 1996). De acordo com o Programa de Proteção das Florestas Tropicais (PP-G7), no Estado do Rio de Janeiro, com exceção dos fragmentos florestais localizados na Região Norte Fluminense, próximos à divisa com os Estados do Espírito Santo e Minas Gerais, todos os demais remanescentes da Mata Atlântica estão inseridos no Corredor Ecológico da Serra do Mar, também conhecido como Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar ou Corredor Sul da Mata Atlântica (Aliança, 2009). O Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar engloba um mosaico de usos e ocupações do solo, integrando áreas protegidas, áreas de cultivo, pastagens, centros urbanos e atividades industriais. Apesar de circundar as duas maiores metrópoles do Brasil – São Paulo e Rio de Janeiro –, este corredor possui a maior extensão contígua preservada da Mata Atlântica localizada ao sul de sua distribuição geográfica original. No Corredor Ecológico da Serra do Mar vários remanescentes da Mata Atlântica estão protegidos em 65 Unidades de Conservação de Proteção Integral, administradas pelos poderes públicos federal, estadual e municipal. Além disto, existem 100 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), que correspondem a 50% das áreas florestais remanescentes da Mata Atlântica na região, contribuindo para a conservação de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. 52

Figura 3. 1 - Unidades de Conservação na área de abrangência do Arco Metropolitano

3.1.1.4. Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade
Desde a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) realizada em 1992, o governo brasileiro vem desenvolvendo importantes instrumentos para possibilitar a efetiva conservação da diversidade biológica do País. Para cumprir com as diretrizes e as demandas da CDB, elaborou-se a Política Nacional de Diversidade Biológica, e o Programa Nacional da Diversidade Biológica - PRONABIO, viabilizando as ações propostas pela Política Nacional (MMA, 2002). Objetivando apoiar iniciativas que ofereçam informações e subsídios básicos para a elaboração tanto da Política como do Programa Nacional, criou-se o “Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira” – PROBIO. Este projeto tem como missão 53

avaliar e identificar áreas e ações prioritárias para a conservação dos biomas brasileiros. Através do PROBIO, foram realizados workshops e estudos (entre 1997-2000), tendo-se definido as principais áreas prioritárias para conservação na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal, Mata Atlântica e Campos Sulinos, e na Zona Costeira e Marinha. Os critérios utilizados para a definição das áreas mais relevantes foram baseados nas informações disponíveis sobre biodiversidade e pressão antrópica, que incluem os índices de diversidade biológica, grau de ameaça das espécies, presença de ecorregiões, entre outros critérios. A metodologia utilizada consiste na reunião de um conjunto de informações, não somente dos aspectos biológicos, mas também dos aspectos sociais e econômicos de uma região, para servir de apoio à definição de áreas e de ações prioritárias para a conservação (MMA, 2002). Desta forma, as áreas definidas como prioritárias foram mapeadas e classificadas em quatro níveis de importância: Área de extrema importância biológica; Área de muito alta importância biológica; Área de alta importância biológica; e Área insuficientemente conhecida, mas de provável importância biológica.

No final do processo, foram escolhidas 900 áreas que foram reconhecidas pelo Decreto nº 5092, de 21 de maio de 2004 e instituídas pela Portaria nº 126, de 27 de maio de 2004, do Ministério do Meio Ambiente. Neste momento, a atualização das Áreas e Ações Prioritárias para Conservação, Utilização Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade, em função da disponibilidade de novas informações e instrumentos, é de responsabilidade do MMA, em consonância com as estratégias sugeridas pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), pelo PAN-Bio Diretrizes e Prioridades do Plano de Ação para Implementação da Política Nacional de Biodiversidade, aprovado na 9ª Reunião Extraordinária (Deliberação CONABIO nº 40 de 07/02/06); e pelo Plano Nacional de Áreas Protegidas - PNAP, instituído pelo Decreto nº 5758 de 13/04/2006. 54

Vale destacar que na Região Sudeste, extensas áreas foram indicadas como prioritárias; têm início no litoral norte do Paraná e acompanham a costa até a divisa do Estado do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, incluindo algumas das áreas mais bem conservadas de floresta ombrófila densa atlântica do Brasil: trechos da conhecida Serra do Mar, com várias denominações regionais e serras mais interiores, em que essa formação constitui amplas áreas de transição (ecótonos) com a floresta estacional semidecidual (MMA, 2002). Segundo MMA (2002), embora a Região Sudeste concentre um conjunto substancial das mais renomadas instituições de pesquisa na área ambiental, nela foi localizada a maioria das áreas consideradas de “provável importância biológica, mas insuficientemente conhecida”. Grande parte dessas áreas representa justamente remanescentes de floresta estacional semidecidual, sendo por isso necessário um maior esforço para analisar o efeito da fragmentação florestal na composição quali-quantitativa e na dinâmica da vegetação. Na área de abrangência do Arco Metropolitano, uma das áreas que se sobressai é a Serra dos Órgãos, localizada no extremo norte da Área de Estudo III. A Serra dos Órgãos constitui área contínua de Floresta Ombrófila Densa Montana e Alto - Montana, compreendendo Unidades de Conservação de uso sustentável e proteção integral, mas que, no entanto, necessitam de implementação efetiva. A área apresenta expressiva riqueza tanto da flora quanto da fauna, com índices de endemismo e ameaçadas de extinção (MMA, 2002). A Figura 3.2 apresenta a distribuição das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade na região de estudo, conforme definições do PROBIO, e o Quadro 3.1 quantifica essas áreas por município da área de abrangência do Arco Metropolitano. Verifica-se que 32% do território da área de abrangência do Arco Metropolitano estão indicados pelo PROBIO como áreas de alta, muito alta e extremamente alta prioridade para conservação.

55

Figura 3. 2 - Áreas Prioritárias para conservação da biodiversidade definidas pelo PROBIO na área de abrangência do Arco Metropolitano

56

Quadro 3. 1 - Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade na Área de Abrangência do Arco Metropolitano Prioridade para Conservação (km²) Área de Estudo Área de estudo I Área de estudo I Área de estudo II Área de estudo II Área de estudo III Área de estudo II Área de estudo III Área de estudo III Área de estudo I Área de estudo II Área de estudo II Área de estudo I Área de estudo III Área de estudo II Área de estudo II Área de estudo III Área de estudo II Área de estudo II Área de estudo II Área de estudo I Área de estudo III Área de estudo II Área de estudo III 315,88 36,95 748,82 894,45 9,95 4,00 12,01 9,29 69,73 22,14 82,69 1,15 105,08 11,04 8,62 130,38 1,71 173,28 15,43 19,06 36,13 75,98 70,31 177,31 34,88 179,53 42,96 138,13 451,20 Alta 16,29 21,46 1,59 0,87 Muito Alta Extremamente Alta

Município AP 5.2 Rio de Janeiro AP 5.3 Rio de Janeiro AP 3 Rio de Janeiro Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados Seropédica São Gonçalo São João de Meriti Tanguá Total:

Área do Município (km²) 291,24 163,49 203,27 77,76 957,09 465,05 357,41 429,11 278,96 81,99 390,51 369,62 363,05 41,62 19,31 134,59 519,04 188,35 76,43 265,04 248,31 34,98 141,85 6.098,08

57

3.1.1.5. Descrição por Área de Estudo
Os Quadros 3.2 e 3.3., abaixo, resumem os dados dos padrões de uso do solo e cobertura vegetal por município inserido em cada Área de Estudo da área de abrangência do Arco Metropolitano, ilustrados pela Figura 3.3, verificando-se a presença tanto de áreas antropizadas quanto de áreas que ainda possuem cobertura vegetal nativa e em diferentes estágios de sucessão. Os Quadros 3.4 a 3.6 apresentam a quantificação detalhada do uso do solo e cobertura vegetal por município. Quadro 3. 2 - Total de Área Antropizada na área de abrangência do ARCO RJ.
Área de Estudo Área Total (km ) Área de Estudo I Área de Estudo II Área de Estudo III Total 1.368,35 2.098,31 2.631,43 6.098,09 km
2 2

Área antropizada (km )

2

Percentual de área antropizada (%)

744,92 1.335,91 1.457,02 3537,85 km
2

54,4 63,7 55,4 58,0%

Quadro 3. 3 - Total de Vegetação Nativa presente na área de abrangência do ARCO RJ. Área de Estudo Área Total (km ) Área de Estudo I Área de Estudo II Área de Estudo III Total 1.368,35 2.098,31 2.631,42 6.098,09 km
2 2

Área de vegetação nativa (Km ) 522,66 712,39 1.100,01 2.335,06 km
2 2

Percentual de vegetação nativa (%) 38,2 34,0 42,0 38,3%

Conforme observa nos quadros acima, destaca-se que em cada Área de Estudo, os índices de antropização superam mais da metade do total de cada área. Dessa forma, 58% de toda a área de abrangência do Arco Metropolitano se encontra ocupada principalmente por 58

campos/pastagem, culturas, áreas degradadas e/ou áreas urbanizadas.

Nota-se que a Área de Estudo II apresenta maior porcentagem de áreas antropizadas, ocupando 1.335,91 km2, o que corresponde a 63,7% do total da região de estudo. A Figura 3.4 sintetiza os padrões de uso do solo e cobertura vegetal, agrupados pelas principais tipologias. A Área de Estudo II apresenta também a maior área de ocupação urbana (807,62 km2), o que corresponde a 38,5% do total. Porém, a Área de Estudo I é que apresenta a maior porção de área degradada, o que se encontra principalmente no município de Itaguaí. Tanto a Área de Estudo I como a III apresentam índices de antropização relativamente semelhantes, apresentando em média 55% de suas áreas ocupadas, principalmente, por campos/pastagem e áreas urbanizadas. Observa-se que a maior parte da área ocupada por campos/pastagem se encontra na Área de Estudo III – total de 676,20 km2 (25,7% do total da área), com destaque para os municípios de Cachoeiras do Macacu, Itaboraí, Maricá e Tanguá. Porém, a Área de Estudo I, em relação às outras duas, é a que apresenta a maior porcentagem de área ocupada por campos/pastagem (27,3% do total de sua área).

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Figura 3. 3 - Mapa do Uso e ocupação do solo e cobertura vegetal na área de abrangência do Arco Metropolitano

Conforme já exposto no item 3.1.1.1, a cobertura original da Mata Atlântica foi drasticamente reduzida na região, devido à intensa atividade humana, restando somente fragmentos de florestas nativas em diversos estágios sucessionais e níveis de preservação. Desta forma, o que resta da Floresta Ombrófila Densa e dos tipos vegetacionais nativos da região encontra-se em níveis críticos de preservação. O Quadro 3.3, antes exposto, mostra a quantificação da cobertura vegetal na região de estudo, verificando-se que apenas 38,3% do total de toda área de abrangência do Arco apresenta-se com algum tipo de formação florestal ou vegetação natural. Destaca-se, como já comentado

60

anteriormente, que a Área de Estudo III possui maior área de remanescentes de vegetação nativa e a Área de Estudo II a menor proporção de área com cobertura vegetal.

Figura 3. 4 - Mapa de Uso e ocupação do solo e cobertura vegetal na área de abrangência do Arco – síntese

A maior porção de florestas e vegetação nativa da região avaliada está presente na Área de Estudo III, apresentando 1.100 km2, ou 42% do total da área ocupada por algum tipo de vegetação nativa. Destaca-se uma faixa de floresta de terras baixas/encostas (482 km2. 18,3%), somando-se ainda os remanescentes de florestas em estágio sucessional avançado (243,3 km2; 9,2%) e florestas em estágio de sucessão inicial/médio (289 km2; 11%).

61

Quadro 3. 4 - Quantificação dos padrões de uso do solo para análise de vegetação nativa e níveis de antropização da Área de Estudo I de Estudo I

Veg.secundár Área do Município Município (km²) Campos / Pastage m Cultura Floresta de terras baixas, encostas e montanhas Mangueza l arbóreo Veg.secundár Manguezal herbáceo Restinga ia em estágio ia em estágio Área degradada Área urbana

arbustiva de sucessão de sucessão avançado inicial a médio

AP 5.2

291,24

22,13

0,89

14,18

17,94

18,75

4,40

0,90

57,65

11,51

135,85

AP 5.3

163,49

21,45

31,07

0,00

5,19

0,97

0,00

2,26

4,00

0,00

72,59

Itaguaí

278,96 137,69

9,06

20,70

3,37

0,00

0,78

51,97

10,64

32,26

0,00

Mangaratiba

369,62

27,96

1,76

229,76

1,19

0,00

1,57

27,60

30,15

4,88

9,88

Seropédica Total Km2

265,04 163,97 20,81

0,00

0,00

0,00

0,00

5,91

12,78

0,00

41,16

1368,35 373,2

63,59

264,64

27,69

19,72

6,75

88,64

115,22

48,65

259,48

Total %

27,3

4,6

19,3

2,0

1,4

0,5

6,5

8,4

3,6

19,0

Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo, Fundação CIDE (2001;2003).

É importante destacar que áreas de manguezais e restingas foram intensamente ocupadas e substituídas por atividades produtivas e/ou ocupação urbana. Isto se confirma com ausência quase completa desses tipos de vegetação nas três Áreas de Estudo. Nenhuma das Áreas de Estudo apresenta índices maiores que 2,5% de mangue ou restinga; no entanto, observa-se, no município de Guapimirim (Área de Estudo III) e Duque de Caxias (Área de Estudo II), dois municípios localizados nas bordas da Baía da Guanabara, expressiva presença de manguezal do tipo arbóreo.

62

Quadro 3. 5 - Quantificação dos padrões de uso do solo para análise de vegetação nativa e níveis de antropização da Área de Estudo II

Município

Floresta de Veg.secundária Veg.secundária Área do terras Área Campos / Manguezal Manguezal Restinga em estágio de em estágio de Área Município Cultura baixas, Pastagem arbóreo herbáceo arbustiva sucessão sucessão urbana (km²) encostas e degradada avançado inicial a médio montanhas

AP 3 Belford Roxo

203,27 77,76

0,31 3,62 65,93 39,23 56,98 3,88 0,29 102,09 95,79 32,37 0,00

0,00 1,41 12,13 5,88 46,76 0,00 0,00 16,27 8,49 7,69 0,00

0,00 0,00 119,07 0,00 109,73 19,45 0,00 168,21 0,00 0,00 0,00

1,23 0,00 25,22 0,00 13,96 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

0,24 0,00 5,49 0,00 0,26 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

3,08 3,01 21,89 4,72 63,53 0,00 0,00 20,50 44,87 2,00 0,00

3,37 0,02 11,80 0,31 4,82 0,03 0,00 33,64 29,84 2,10 0,00

10,56 5,19 0,87 0,00 0,00 3,10 0,00 8,80 0,00 0,00 0,65

179,89 64,01 188,35 30,74 89,02 14,32 9,54 159,64 7,40 30,73 33,98

Duque de Caxias 465,05 Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados 81,99 390,51 41,62 19,31 519,04 188,35 76,43

São João de Meriti 34,98

Total Km2

2098,31 400,49 Total % 19,1

98,63 4,7

416,46 19,8

40,41 1,9

5,99 0,3

0 0,0

163,6 7,8

85,93 4,1

29,17 1,4

807,62 38,5

Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo, Fundação CIDE (2001;2003).

63

Quadro 3. 6 - Quantificação dos padrões de uso do solo para análise de vegetação nativa e níveis de antropização da Área de Estudo III.

Município

Floresta de Veg.secundária Veg.secundária Área do terras Campos / Manguezal Manguezal Restinga em estágio de em estágio de Área Área Município Cultura baixas, Pastagem arbóreo herbáceo arbustiva sucessão sucessão inicial degradada urbana (km²) encostas e avançado a médio montanhas

Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Total Km2 957,09 357,41 429,11 363,05 134,59 248,31 141,85 2631,42 Total % 201,49 135,13 55,66 185,53 115,50 3,28 44,70 70,06 84,75 90,35 4,54 0,00 0,38 4,39 357,30 84,09 0,00 22,29 18,28 0,01 0,03 482,00 18,3 0,00 38,04 19,08 0,00 0,01 0,00 0,00 57,12 2,2 0,00 0,04 0,00 0,00 0,00 27,73 0,00 27,76 1,1 0,00 0,00 0,00 0,66 0,00 0,00 0,00 0,66 0,03 65,49 37,87 25,41 77,41 9,65 10,65 16,89 243,36 9,2 179,51 1,84 7,56 24,45 20,34 18,96 36,45 289,11 11,0 0,00 1,03 0,00 0,00 1,09 0,84 0,00 2,97 0,1 15,24 47,47 97,56 70,82 70,87 142,50 13,85 458,31 17,4

676,20 319,54 25,7 12,1

Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo, Fundação CIDE (2001;2003).

A seguir, apresenta-se uma análise mais detalhada das condições de cobertura vegetal e da presença de Unidades de Conservação em cada Área de Estudo.

Área de Estudo I (Porção Oeste) A região que compreende a Área de Estudo I é caracterizada como importante pólo econômico para a região Metropolitana do Rio de Janeiro, exercida pela presença do porto de Itaguaí e empreendimentos siderúrgicos. No passado, a Área de Estudo I encontrava-se originalmente coberta por Floresta Ombrófila Densa, incluindo formações florestais, manguezais, matas ciliares e comunidades aluviais. Atualmente, é uma área composta predominantemente por campo (periodicamente alagável), formado, principalmente, por ervas invasoras. Esta situação reflete o antropismo estabelecido

64

no local, que resultou em uma redução significativa das unidades florestais em bom nível de integridade ambiental. A área de entorno do Arco Metropolitano abrange um mosaico de vegetação constituído de ambientes florestais e campestres. As comunidades vegetais distribuem-se em faixas e manchas irregulares ao longo da planície costeira. Estes ambientes encontram-se em distintos estados de conservação, conforme o tipo de ação antrópica em cada trecho. De um modo geral, as áreas situadas na porção setentrional, mais afastadas do mar, encontram maior nível de degradação, sendo ocupadas mormente por pastagens associadas a restos de vegetação nativa, formada por pequenos fragmentos de cobertura arbustivo-arbórea. Na região central e noroeste da Área de Estudo I, destaca-se a heterogeneidade da paisagem, que assume características rurais. Nesta região, onde se encontra o município de Seropédica, percebe-se um mosaico de paisagens composto por campos e fragmentos florestais bastante degradados. Mesmo assim, estão presentes importantes unidades de conservação, com destaque para a Floresta Nacional de Mário Xavier, além de RPPNs que cumprem a função de proteção ambiental dos remanescentes que ainda resistem à pressão antrópica da região. Por apresentar forte influência nas condições ambientais da baía de Sepetiba e em todo o ecossistema associado a florestas de encostas e manguezais, toda a porção oeste da Área de Estudo I é classificada como de prioridade muito alta e extremamente alta para a conservação da biodiversidade, conforme critérios determinados pelo PROBIO (MMA, 2002), e segundo ilustra a Figura 3.2, antes apresentado. O Quadro 3.7 quantifica as áreas definidas pelo PROBIO para conservação da biodiversidade, de acordo com sua prioridade, na Área de Estudo I, verificando-se que cerca de 24% do seu território estão indicados como de alta e extremamente alta prioridade para conservação da biodiversidade.

Quadro 3. 7- Distribuição percentual das áreas definidas pelo PROBIO para conservação da biodiversidade na Área de Estudo I

65

Prioridade para Conservação (%) Município Área do Município (km²) Alta 5,6 13,1 4,0 28,4 0,0 11,2 Muito Alta 0,0 0,0 0,0 0,5 0,0 0,1 Extremamente Alta 0,0 0,0 49,5 5,2 4,5 12,4

AP 5.2 Rio de Janeiro AP 5.3 Rio de Janeiro Itaguaí Mangaratiba Seropédica Total

291,2 163,5 279,0 369,6 265,0 1.368,4

O Quadro 3.8 relaciona as Unidades de Conservação presentes na Área de Estudo I. Foram consideradas também as UCs localizadas em municípios fora da área de abrangência do Arco, mas que possuem parte de seus limites nos municípios inseridos em alguma das Áreas de Estudo. A Área de Estudo I apresenta 296,34 km2 de áreas protegidas inseridas no sistema de Unidades de Conservação, o que representa 22% da sua área total sob proteção ambiental. Mesmo existindo tais Unidades, nota-se que as áreas protegidas presentes enquadram-se somente na categoria de Uso Sustentável, não havendo UCs de Proteção Integral.

Quadro 3. 8 - Unidades de Conservação da localizadas na Área de Estudo I

Nome_UC

Jurisdição Tipo_UC

Município

Área da UC

Bioma

66

no Município FN Mário Xavier RPPN Sítio Poranga RPPN Fazenda Cachoeirinha RPPN Gotas Azuis APA de Mangaratiba APA do Rio Guandu Federal Federal Federal Estadual Estadual Municipal
2

US US US US US US

Seropédica Itaguaí Mangaratiba Seropédica Mangaratiba, dos Reis AP 5.3, Seropédica Angra Itaguaí,

4,92 2,12 0,94 0,07 255,18 33, 1

Mata Atlântica Mata Atlântica Cerrado Mata Atlântica Mata Atlântica/Costeiro Mata Atlântica

Área Total = 296,34 km

PI – Proteção Integral. US - Uso Sustentável. Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo. Fundação CIDE (2001).

Ao sul da Área de Estudo I, onde se encontra a baía de Sepetiba, estão instaladas indústrias de grande porte e o porto de Itaguaí. Esta região apresenta elevado índice de ocupação urbana, concentrando-se entre a BR-101 e ao norte do Porto de Itaguaí. É expressiva a presença de áreas classificadas como manguezal arbóreo associadas à faixa litorânea. O município de Mangaratiba destaca-se pela presença da vegetação que se encontra em encostas e terras baixas. O que resta das formações florestais ainda presentes se encontra sob proteção de Uso Sustentável, pela presença de Unidades de Conservação como a APA de Mangaratiba, APA do Rio Guandu e RPPN Fazenda da Cachoeirinha. Resumindo, destacam-se para a Área de Estudo I as seguintes características: Maior percentual de área ocupada por campos/pastagem (27,3%); Maior percentual de áreas degradadas: 48,7 km2 (3,6%); Menor porção de áreas protegidas em Unidades de Conservação: 296,34 Km2 (22%); Ausência de Unidades de Conservação da categoria de Proteção Integral.

67

Área de Estudo II A cobertura vegetal ao longo do traçado do Arco Metropolitano que inclui a Área de Estudo II constitui-se de pequenos e médios fragmentos florestais. Os fragmentos estão representados por matas secundárias em diferentes estágios de recuperação, dispostas em torno de alguns núcleos urbanos e áreas rurais, relativamente próximas a manchas de vegetação maiores, geralmente incluídas em Unidades de Conservação. Ao norte do Segmento C/D do Arco, percorrendo os municípios de Paracambi, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Magé, destacam-se importantes fragmentos de florestas em estágio sucessional avançado, inicial e médio, além de florestas de terras baixas e de encosta. Grande parte da vegetação conservada encontra-se protegida por Unidades de Conservação, com destaque para a Reserva Biológica de Tinguá (norte de Nova Iguaçu e Duque de Caxias), além de RPPNs que se encontram no município de Magé (Quadro 3.9).
Quadro 3. 9 - Unidades de Conservação localizadas na Área de Estudo II

Nome_UC

Jurisdição Tipo_UC

Município

Área da UC no Município 125,23

Bioma

PE da Pedra Branca

Estadual

PI

Rio de Janeiro

Mata Atlântica/Costeiro

RB e Arqueológica de Guaratiba

Estadual

PI

Rio de Janeiro

36,02

Mata Atlântica/Costeiro

RB do Tinguá

Federal

PI

Nova Iguaçu, Duque de Caxias

248,41

Mata Atlântica

PNM de Nova Iguaçu Municipal

PI

Nova Iguaçu

11,37

Mata Atlântica

PN

da

Serra

dos

Órgãos*

Federal

PI

Magé

e

(Petrópolis,

Guapimirim,Teresópolis)

18,23

Mata Atlântica

RPPN

Sítio

Granja

Federal

US

Rio de Janeiro

0,97

Mata Atlântica/Costeiro

68

Nome_UC São Jorge

Jurisdição Tipo_UC

Município

Área da UC no Município

Bioma

RPPN Ecológico

Centro Metodista Federal US Rio de Janeiro 1,02 Mata Atlântica/Costeiro

Ana Gonzaga

RPPN Querência

Federal

US

Magé

1,13

Mata Atlântica/Costeiro

RPPN El Nagual

Federal

US

Magé

1,13

Mata Atlântica

Magé, Duque de Caxias APA de Petrópolis* Federal US e Petrópolis) (Guapimirim, 127,84 Mata Atlântica

APA das Serras do Gericinó-Mendanha

Estadual

US

Nova Iguaçu, Mesquita, Rio de Janeiro

68,61

Mata Atlântica

APA do Rio Guandu

Municipal

US

Japeri,

Nova

Iguaçu,

Paracambi,Queimados

30,88

Mata Atlântica

APA do Xerém

Municipal

US

Duque de Caxias

100,09

Mata Atlântica

APA de Pedra Lisa

Municipal

US

Japeri

17,71

Mata Atlântica

APA do Japeri

Morro

de

Municipal

US

Japeri, Paracambi

6,58

Mata Atlântica

APA do Rio D'Ouro

Municipal

US

Nova Iguaçu

25,39

Mata Atlântica

APA do Rio Santana Municipal

US

Nova Iguaçu, Paracambi

1,43

Mata Atlântica

APA

do

Rio

São

Municipal

US

Nova Iguaçu

17,38

Mata Atlântica

69

Nome_UC Pedro de Jaceruba

Jurisdição Tipo_UC

Município

Área da UC no Município

Bioma

APA do Rio Tinguá/ Iguaçu

Municipal

US

Nova Iguaçu

47,53

Mata Atlântica

APA Tinguazinho

Municipal

US

Nova Iguaçu

11,71

Mata Atlântica

Área Total = 898,66 km

2

PI – Proteção Integral. US - Uso Sustentável. Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo. Fundação CIDE (2001). Para a Área de Estudo II, as UCs na categoria de Uso Sustentável representam 52% (459,4 km2) do total de áreas protegidas. Estão presentes também nesta região UCs de Proteção Integral, apresentando o total de 439,26 km2, equivalente a 20,9% do total da área da Área de Estudo II. Portanto, têm-se 43% do território da Área de Estudo sob proteção legal em Unidades de Conservação. Encontra-se, ainda, a sudoeste do Segmento C, uma grande extensão de florestas de terras baixas e encostas, ocupando parte significativa dos municípios de Nova Iguaçu e Mesquita. Nesta zona, estão inseridas áreas protegidas municipais, destacando-se o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu e a APA das Serras do Gericinó-Mendanha. O Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu (PNMNI) é o primeiro geoparque1 do Estado de Rio de Janeiro. Criado em 1998, localiza-se na Baixada Fluminense, na Serra de Madureira, na sua vertente iguaçuana. Junto com o Parque Municipal do Mendanha/RJ faz parte da APA do Gericinó-Mendanha, uma área de importante valor ecológico, considerada Reserva da Biosfera

Segundo a definição da UNESCO, um geoparque é "um território de limites bem definidos com uma área suficientemente grande para servir de apoio ao desenvolvimento só cio local". Deve abranger um determinado número de sítios geológicos de relevo ou um mosaico de entidades geológicas de especial importância científica, raridade e beleza, que seja representativa de uma região e da sua história geológica, eventos e processos. Poderá possuir não só significado geológico, mas também ao nível da ecologia, arqueologia, história e cultura (PNMIG, 2009).

1

70

pela UNESCO em 1996. Em 05 de junho de 2004, foi elevado à categoria de geoparque, em funçăo dos inúmeros atrativos geológicos existentes. O PNMNI constitui um importante remanescente da Mata Atlântica, onde se destacam vários exemplos da flora e fauna da regiăo (PNIMIG, 2009). São grandes os esforços para a conservação da biodiversidade local, já que esta região é atravessada por importante malha viária (BR 116, BR 101, RJ 097), induzindo a ocupação antrópica. Observa-se no Quadro 3.10, a seguir, as áreas destacadas como de alta, muito alta e extremamente alta prioridade para conservação da biodiversidade na Área de Estudo II, com predomínio da categoria “muito alta”. A Área de Estudo II destaca-se pelas seguintes características: Maior área de ocupação urbana: 807,62 km2 (38,5%); Maior percentual de área antropizada (63,7%); Menor percentual de área com cobertura de vegetação nativa (34%); Maior área relativa conservada sob regime de Unidades de Conservação: 898,66 Km2 (43%); Maior área com a presença de Unidades de Conservação sob categoria de Uso Sustentável (459,4 km2).

71

Quadro 3. 10 - Distribuição percentual das áreas definidas pelo PROBIO para conservação da biodiversidade na Área de Estudo II

Prioridade para Conservação (%) Município Área do Município (km²) Alta 0,8 0,0 15,1 0,0 0,3 0,0 0,0 13,4 0,0 0,0 0,0 6,8 Muito Alta 0,4 0,0 7,5 10,5 33,4 0,0 0,0 4,3 43,9 0,0 0,0 13,3 Extremamente Alta 0,0 0,0 0,0 0,0 4,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,7

AP 3 Rio de Janeiro Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Total

203,3 77,8 465,0 82,0 390,5 41,6 19,3 519,0 188,4 76,4 35,0 2.098,3

Área de Estudo III Na Área de Estudo III encontra-se a totalidade do Segmento A do Arco Metropolitano. Essa área apresenta grande densidade demográfica, desde o município de São Gonçalo até 72

Itaboraí. Mesmo assim, observa-se ao norte e nordeste da área, a presença de fragmentos de florestas nativas em estágio de sucessão avançado e sucessão inicial/médio. Com base em informações do Instituto Nacional de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a vegetação local é predominantemente florestal (Floresta Ombrófila Baixo Montana e Floresta Ombrófila Montana), com pequenos trechos de vegetação rupícola em algumas escarpas. A Floresta Baixo - Montana recobre a maior parte da região norte da Área de Estudo III, onde se encontram os pontos mais altos de algumas serras. O dossel atinge até cerca de 25 m de altura, com emergentes relativamente freqüentes, que em geral ultrapassam 35 m de altura. O sub-bosque é ralo e rico em arbustos e indivíduos jovens de espécies arbóreas. A riqueza de trepadeiras lenhosas é notável e caracteriza a fisionomia da floresta nesta região. As epífitas são pouco expressivas, sendo encontradas em maior abundância apenas nas grotas e margens dos rios. A flora desta região, representada através da quantificação do inventário realizado por pesquisas do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico, apresenta uma das mais elevadas riqueza de espécies em Mata Atlântica no Rio de Janeiro (consulta on line - JBRJ, 2009). Ao norte dessa Área de Estudo, localizam-se os municípios de Guapimirim (a noroeste) e Cachoeiras de Macacu (a nordeste), sendo o primeiro caracterizado como município serrano, situado no sopé da Serra dos Órgãos. Guapimirim é o município com maior número de Unidades de Conservação na Área de Estudo III; em seguida, vem o município de Cachoeira de Macacu. O Quadro 3.11 relaciona as Unidades de Conservação presentes na Área de Estudo III.

Quadro 3. 11 - Unidades de Conservação da localizadas na Área de Estudo III

Nome_UC

Jurisdição

Tipo_UC

Municipio

Área da UC no

Bioma

73

Município PE da Serra da Tiririca Estadual PI Niterói, Gonçalo PN da Serra dos Federal PI Guapimirim e (Magé, 27,08 Teresópolis Petrópolis) Estadual PI Cachoeiras Macacu, Guapimirim PE dos Três Picos Estadual PI Cachoeiras Macacu, etc. APA de Guapimirim Federal US Guapimirim, etc. APA da Bacia do Rio Federal São João/Mico-LeãoUS Cachoeiras de Macacu 61,95 e outros municípios Mata Atlântica/Costeiro Itaboraí 139,27 Mata Atlântica/Costeiro de 463,18 Teresópolis Mata Atlântica de 49,32 Mata Atlântica Mata Atlântica Maricá, São 23,37 Mata Atlântica/Costeiro

Órgãos EE do Paraíso

Dourado APA Cima de Macaé de Estadual US

vizinhos. Cachoeiras de Macacu 0,88 e outros municípios Mata Atlântica

vizinhos APA da Bacia do Rio Estadual Macacu US Cachoeiras Macacu, Guapimirim APA de Maricá Estadual US Maricá 9,69 Costeiro de 194,98 Itaboraí, Mata Atlântica/Costeiro

Guapimirim e (Magé, 23,80 Duque APA de Petrópolis* Federal
2

de

Caxias, Mata Atlântica

US

Petrópolis)

Área Total = 993,52 km

PI – Proteção Integral. US - Uso Sustentável. Fonte: Mapa de Uso e Ocupação do Solo. Fundação CIDE (2001).

Verifica-se que a Área de Estudo III se destaca por apresentar maior quantidade de áreas protegidas em Unidades de Conservação. As Unidades de Uso Sustentável totalizam 430,57

74

km2, correspondendo a 16,4% do total de áreas protegidas. As Unidades de Proteção Integral apresentam 562,95 km2, o que equivale a 21,4% do total da Área de Estudo. Portanto, Área de Estudo III apresenta 37,8% de áreas sob proteção ambiental abrigadas em Unidades de Conservação. As principais áreas protegidas existentes se destacam, não somente pelo potencial turístico, mas pela presença de corpos d’água que deságuam na baía de Guanabara, banham a região da APA do Guapimirim e da estação Ecológica do Paraíso. Nesta zona se encontram, ainda, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e a APA da Bacia do Rio Macacu. Segundo o Projeto Manguezal, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro desde 2001, a APA do Guapimirim engloba os manguezais da porção oriental da baía de Guanabara, nos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo, tornando-se a primeira Unidade de Conservação específica de manguezais (JBRJ, 2001). Além de manguezais, a APA de Guapimirim compreende regiões ocupadas por atividades agrícolas e zonas urbanas, que são compostas por pequenos núcleos de pescadores, agricultores e população de baixa renda, que respondem por alguns dos principais entraves à adequada gestão da APA: aterros, invasões, vazadouros de lixo, desmatamentos, queimadas e despejo de esgoto. Soma-se a isto, a presença do pólo industrial instalado na bacia da baía de Guanabara e os acidentes ocorridos, principalmente por derrames de óleo (Amador, 1997). Embora a estrutura física da APA não seja suficiente para efetivar a recuperação dos danos ambientais, a partir do rompimento do oleoduto da Petrobras, ocorrido em janeiro de 2000, foi iniciada uma série de investimentos, na tentativa de contribuir para a preservação deste que é um dos maiores remanescentes de manguezal do Estado do Rio de Janeiro (consulta on line JBRJ, 2009). A Área de Estudo III destaca-se ainda por fazer parte da proposta de um corredor ecológico no Rio de Janeiro denominado “Cordão da Mata”. O corredor proposto pelo Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro procura interligar remanescentes florestais da Região Serrana e do 75

Norte Fluminense, envolvendo diversas iniciativas em várias escalas. Estão inseridos neste corredor os Parques Estaduais dos Três Picos e do Desengano (Fundação CIDE, 2001). A região sul da Área de Estudo III destaca-se pela presença de fragmentos florestais de terras baixas e manguezais arbóreos e herbáceo, além da presença de corpos d’água e salinas. Uma faixa de vegetação, que se estende desde sudeste a sudoeste, apresenta remanescentes de florestas de terra baixa e encosta, vegetação secundária em estágio de sucessão avançada e inicial/média. Apesar da presença de vegetação nativa na região sudeste - sudoeste da Área de Estudo III, é importante destacar que ela se encontra cercada por áreas de cultivos, pecuária e forte pressão urbana. Por este motivo, os remanescentes de vegetação encontrados nos municípios de Niterói, Maricá, Itaboraí e Tanguá apresentam-se como áreas de muito alta e extremidade alta prioridade para implantação de estratégias de conservação da biodiversidade, segundo as diretrizes do PROBIO (MMA, 2002), e quantificado no Quadro 3.12, abaixo. Conforme já mencionado, o Segmento A do Arco Metropolitano está totalmente inserido na Área de Estudo III, percorrendo os municípios de Magé, Guapimirim e Itaboraí. Em sua área de influência direta, percorre o extremo noroeste da baía de Guanabara, passando pela APA de Guapimirim, onde se encontram manguezais arbóreos e uma porção de vegetação em estagio de sucessão inicial. A área se caracteriza pela forte pressão antrópica, devido à presença significativa de áreas urbanas, concentradas em núcleos que acompanham quase que de forma contínua os eixos rodoviários, com destaque para o aglomerado São Gonçalo-Itaboraí, ao longo das rodovias BR 101 e BR 493 (Boher et al., 2007). Os dados abaixo destacam as características da Área de Estudo III: Maior área de campos/pastagem (676,20 Km2), mas a segunda em proporção (25,7%) do total da Área III; Maior percentual de culturas agrícolas: 319,54 km2 (12,1% ocupados por culturas); Maior área com cobertura de vegetação nativa: 1.100 km2 (42%); Segunda maior área conservada sob regime de Unidades de Conservação: 993 m2 (38%); Segunda maior área com a presença de Unidades de Conservação sob categoria de Uso Sustentável (430 km2 – 16,4%) 76

Maior área com presença de Unidades de Conservação da categoria de Proteção Integral (563 km2 – 21,4%); Maior percentual de áreas classificadas pelo PROBIO como de muito alta (18,7%) e extremamente alta (27%) prioridade para conservação.

Quadro 3. 12 - Distribuição percentual das áreas definidas pelo PROBIO para conservação da biodiversidade na Área de Estudo III

Prioridade para Conservação (%) Município Área do Município (km²) Alta 0,0 0,0 0,0 0,0 6,9 4,0 0,0 0,7 Muito Alta 18,5 0,0 17,7 47,7 0,0 1,6 26,0 17,8 Extremamente Alta 47,1 50,2 10,0 10,0 0,0 0,0 0,0 27,0

Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Total

957,1 357,4 429,1 363,1 134,6 248,3 141,9 2.631,4

3.1.2. Recursos Hídricos e Usos das Águas
Os municípios atravessados pelo Arco Metropolitano inserem-se predominantemente em duas grandes bacias hidrográficas – a bacia da Baía da Guanabara e a bacia da Baía de Sepetiba . Ambas têm sua rede de drenagem contribuinte diretamente ao Oceano Atlântico. Essas duas bacias constituem duas das sete Macrorregiões Ambientais (MRAs) em que foi subdividido o Estado do Rio de Janeiro (Decreto Estadual n° 26.058 de 14 de março de 2000), 77

para efeitos do planejamento e intervenção da gestão ambiental, a MRA1 e a MRA2, que estão assim definidas: • MRA 1 – Bacia da Baía da Guanabara, das Lagoas Metropolitanas e Zona Costeira Adjacente: envolve as sub-bacias dos rios que desembocam na Baía de Guanabara, destacando-se os rios Iguaçu, Carioca, Irajá, São João de Meriti, Estrela, Surui, Roncador, Guapi, Guarai, Macabu, Caceribu, Guaxindiba, Imboassu e Bomba, e os canais do Fonseca e de Icaraí; • MRA 2 – Bacia Contribuinte à Baía de Sepetiba: contempla as sub-bacias do córrego Caratuacaia e os rios Jacareí, Grande, Ingaiba, São Braz, do Saco, Saí, João Gago, Muriqui, Catumbi, Muxiconga, da Draga, Botafogo, Tingussu, Timirim, Mazomba-Cação, da Guarda, Guandu-canal de São Francisco, Guandu-Mirim-canal Guandu, canal de São Fernando, Canais do Itá e Pau Flexas e os rios do Ponto, Piraquê-Cabuçu, Piracão, Portinho e João Correia.

O Quadro 3.13 apresenta a distribuição da área territorial dos municípios da área de abranência do Arco Metropolitano nas duas grandes bacias hidrográficas antes referidas.

Quadro 3. 13 - Distribuição Territorial dos Municípios da Área de Abrangência do Arco Metropolitano nas Bacias Hidrográficas das Baías da Guanabara e Sepetiba

78

% do Município na Bacia Município Área do Município Área de Estudo Baía da Guanabara Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados Rio de Janeiro - AP - 3 Rio de Janeiro - AP - 5.2 Rio de Janeiro -AP - 5.3 São Gonçalo São João de Meriti Seropédica Tanguá 77,76 Área de estudo II 957,09 Área de estudo III 465,05 Área de estudo II 357,41 Área de estudo III 429,11 Área de estudo III 278,96 Área de estudo I 100,0 91,2 97,6 96,9 100,0 98,9 2,5 13,6 89,8 100,0 96,2 46,3 1,9 100,0 11,1 98,9 100,0 100,0 Baía de Sepetiba 1,0 100,0 100,0 95,1 10,2 53,7 99,7 98,2 88,8 100,0 100,0 -

81,99 Área de estudo II 390,51 Área de estudo II 369,62 Área de estudo I

363,05 Área de estudo III 41,62 Área de estudo II 19,31 Área de estudo II 134,59 Área de estudo III 519,04 Área de estudo II 188,35 Área de estudo II 76,43 Área de estudo II 203,27 291,24 163,49 Área de estudo I Área de estudo I Área de estudo I

248,31 Área de estudo III 34,98 Área de estudo II 265,04 Área de estudo I

141,85 Área de estudo III

79

Figura 3. 5 – Mapa de bacias hidrográficas

O Quadro 3.14 apresenta a distribuição da área territorial dos municípios da área de abrangência do Arco Metropolitano nas duas grandes bacias hidrográficas antes referidas.

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Quadro 3. 14 - Distribuição Territorial dos Municípios da Área de Abrangência do Arco Metropolitano nas Bacias Hidrográficas das Baías da Guanabara e Sepetiba

% do Município na Bacia Município Área do Município Área de Estudo Baía da Guanabara Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados Rio de Janeiro - AP - 3 Rio de Janeiro - AP - 5.2 Rio de Janeiro -AP - 5.3 São Gonçalo São João de Meriti Seropédica Tanguá 77,76 Área de estudo II 957,09 Área de estudo III 465,05 Área de estudo II 357,41 Área de estudo III 429,11 Área de estudo III 278,96 Área de estudo I 100,0 91,2 97,6 96,9 100,0 98,9 2,5 13,6 89,8 100,0 96,2 46,3 1,9 100,0 11,1 98,9 100,0 100,0 Baía de Sepetiba 1,0 100,0 100,0 95,1 10,2 53,7 99,7 98,2 88,8 100,0 100,0 -

81,99 Área de estudo II 390,51 Área de estudo II 369,62 Área de estudo I

363,05 Área de estudo III 41,62 Área de estudo II 19,31 Área de estudo II 134,59 Área de estudo III 519,04 Área de estudo II 188,35 Área de estudo II 76,43 Área de estudo II 203,27 291,24 163,49 Área de estudo I Área de estudo I Área de estudo I

248,31 Área de estudo III 34,98 Área de estudo II 265,04 Área de estudo I

141,85 Área de estudo III

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Os municípios de Cachoeiras de Macacu, Niterói e São Gonçalo têm pequenas parcelas de seus territórios inseridas nas bacias de Macaé e Contribuintes da Lagoa Feia, e na bacia do rio São João e Complexo Lagunar. Já o município de Maricá possui 86% de sua área inserida na bacia do rio São João e Complexo Lagunar. Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Guapimirim, Magé, Mangaratiba e Paracambi têm pequenas porções de suas áreas localizadas na bacia do Baixo Paraíba do Sul. Contudo, para efeitos da presente análise, são de maior destaque as bacias da Baía da Guanabara e da Baía de Sepetiba, onde se espera que sejam mais evidentes os efeitos da implantação do Arco Metropolitano e dos empreendimentos a ele integrados. Em termos da distribuição territorial das três Áreas de Estudo nas duas principais bacias hidrográficas consideradas, a situação é a mostrada no Quadro 3.15.
Quadro 3. 15 - Distribuição das Áreas de Estudo nas Principais Bacias Hidrográficas da Região

Área de Estudo

Inserção na Bacia da Baía da Guanabara km
2

Inserção na Bacia da Baía de Sepetiba km
2

% 15,6 66,0 84,2

% 83,8 33,4 0,0

I – 1.572 km

2 2 2

245 1.251 2.215

1.318 632 0

II – 1.895 km

III – 2.631 km

Verifica-se o predomínio da Área de Estudo I na bacia da Baía de Sepetiba, e das Áreas de Estudo II e III na bacia da Baía da Guanabara, sendo que a Área de Estudo III não possui áreas inseridas na bacia da Baía de Sepetiba. Verifica-se que a maior parte dos municípios insere-se, total ou parcialmente, na bacia da Baía da Guanabara, sendo que seis municípios possuem seus territórios integralmente inseridos nessa bacia, enquanto quatro municípios, na bacia da Baía de Sepetiba.

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De acordo com o Mapa Geoambiental do Estado do Rio de Janeiro, a área de abrangência do Arco Metropolitano faz parte do Domínio Geoambiental I – Faixa Litorânea, e compreende as Colinas Isoladas (colinas residuais sustentadas por gnaisses, granitoides e granodioritos) e as Baixadas (planícies constituídas por sedimentos fluviais recentes). Do ponto de vista geomorfológico, as baias da Guanabara e de Sepetiba constituem blocos rebaixados e afogados pelo mar, limitados ao sul pelo oceano e pela restinga de Marambaia, respectivamente. Muitos dos morrotes que hoje pontilham a baixada da bacia do rio Guandu constituíam-se de pequenas ilhas isoladas unidas recentemente pela sedimentação quaternária. As Colinas Isoladas se formaram pela sedimentação fluvial nos baixos cursos dos principais rios da região, que destacou as litologias remanescentes situadas no graben da Baia da Guanabara. Suas amplitudes topográficas são inferiores à cota 50 m. Os terrenos deste Domínio são susceptíveis a erosão nas áreas mais baixas e planas, entre as colinas isoladas, e de moderada susceptibilidade nas vertentes mais declivosas. No entanto, nas vertentes convexas, a susceptibilidade a erosão é baixa. Os processos de meteorização são intensos, formando solos residuais e coluviais de espessura considerável, com moderada a alta capacidade de carga. Ocorrem aqüíferos livres a confinados, restritos aos vales planos, com potencial hidrogeológico baixo a nulo. No Domínio da Baixada, ocorrem solos hidromórficos associados a locais com maior restrição de drenagem e solos aluviais distróficos associados a planícies mais bem drenadas. São os sedimentos quaternários argilo-arenosos e/ou areno-argilosos resultantes do trabalho dos rios da região, que formam terrenos inundáveis nas margens desses rios, e onde devem ser evitadas intervenções. O lençol freático é elevado e passível de contaminação. O potencial hidrogeológico dos aqüíferos sedimentares é considerado de alta qualidade.

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Ao norte da área de estudo, destacam-se os contrafortes da Serra do Mar, em uma sucessão de cristas, vales e escarpas, formados a partir do final do Cretáceo, somente consolidados no Quaternário Inferior, a partir do qual foi sendo gerado o complexo serrano-baixada, principalmente por rochas do Complexo Paraíba do Sul, apresentando algumas intrusões de rochas alcalinas. No sul e leste da área, predominam sedimentos de idade Quaternária, representados predominantemente por areias quartzosas formando praias, cordões litorâneos e, até mesmo, dunas já estabilizadas. As formas de relevo do Domínio da Baixada foram elaboradas principalmente durante o período Terciário. Os vales são constituídos por sedimentos fluviais, coluviais e depósitos de talus. Junto ao litoral, a bacia dos rios Guandu e da Guarda, principais contribuintes da Baía de Sepetiba, apresenta sedimentos fluviais argilosos, característicos de ambientes de deposição lagunar, apresentando ainda extensas áreas de brejo com o lençol freático praticamente aflorando na superfície. Na foz dos rios Guandu e da Guarda (Baía de Sepetiba) e Iguaçu (Baía da Guanabara), ainda são encontrados mangues com seus depósitos característicos de sedimentos finos (argilosos). Quanto aos parâmetros climáticos, a temperatura média do ar na região em estudo varia de 20 ° a 28 ° sendo que o trimestre mais quente ocorr e de dezembro a fevereiro e o mais frio, de C C, junho a agosto. A umidade média relativa do ar atinge valor máximo (88%) no período de maior pluviosidade (dezembro-março) e valor mínimo (65%) entre maio e setembro, podendo apresentar variações intermensais que podem atingir até 8%. A região em estudo, por estar próxima à linha da costa recebe, normalmente, maior contribuição de umidade do ar de origem marinha devido às circulações atmosféricas predominantes, trazida pelos ventos alísios. Dessa forma, apresenta sempre índices elevados de umidade (maiores que 70%).

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Os efeitos orográficos, a proximidade do mar e a direção das massas de ar combinam-se para produzir microclimas e variações de regime pluvial a curtas distâncias na região de estudo. A precipitação média anual situa-se entre 1.000 mm e mais de 2.230 mm. As serras apresentam precipitações superiores às zonas de baixada. O período de precipitação pluviométrica máxima vai de dezembro a março (verão) e o de precipitação mínima, de junho a agosto (inverno). O mês mais seco é junho, com uma precipitação média mensal de 30 mm, e o mais chuvoso e janeiro, com média mensal de 110 mm. As precipitações pluviométricas que atingem a região estão associadas aos diversos mecanismos atmosféricos, tais como: frentes frias (todo o ano), linhas de instabilidade (primavera – verão) e formações convectivas regionais (primavera, verão e outono), originadas de sistemas provenientes do setor norte - noroeste. As entradas de frentes frias, normalmente, são de caráter mais intenso para chuvas e, principalmente, ventos, apos o sistema frontal passar pelo litoral sul e adentrar a região da Baía da Guanabara. Os efeitos de orografia e as entradas de frentes frias são responsáveis pela ocorrência de eventos extremos de precipitação, caracterizados por chuvas de grande intensidade.

3.1.2.1. Bacia da Baía da Guanabara
A Baía de Guanabara possui uma superfície de aproximadamente 381 km2, comportando um volume de água de 3 bilhões de metros cúbicos, circundado por um perímetro de 131 km. A bacia hidrográfica tem área de 4.081 km2, apresentando topografia diversificada, constituída por planícies, das quais se destaca uma grande depressão denominada “baixada fluminense”, pelas colinas e maciços costeiros e pelas escarpas da Serra do Mar. Os divisores de águas têm início no Pão de Açúcar e prosseguem pelas cristas da Serra da Carioca, dos Maciços da Tijuca e Pedra Branca e pelas Serras de Madureira-Mendanha, Tinguá, do Couto, da Estrela, dos Órgãos, Macaé de Cima, Santana, Botija, Sambé, Barro de Ouro, Sapucaia, Cacorotiba, Tiririca e Grande, tendo seu trecho final no Morro da Viração, em Niterói, nas proximidades da Fortaleza de Santa Cruz.

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A Serra dos Órgãos se estende como um paredão abrupto e contínuo, com altitudes que oscilam entre 800 e 1800 metros, chegando a apresentar picos que ultrapassam 2.200 metros. A distância entre a Serra do Mar e o litoral é, em média, de 40 km, sendo que o trecho mais afastado se situa na região nordeste da bacia. Esta barreira orográfica é, em grande parte, responsável pelas condições climáticas verificadas em toda a bacia. Na região, todas as serras estão situadas na área de preservação permanente da Reserva Biológica do Tinguá, administrada pelo IBAMA. Nos maciços litorâneos, localizados bem próximos ao mar, as altitudes são menores: entre 400 e 1.000 metros, sendo que os localizados na região oeste (Serras da Tijuca e da Pedra Branca) são bem mais elevados que os da Serra da Tiririca, situada na região leste da bacia. A área de drenagem contribuinte à Baía da Guanabara limita-se a sudoeste com as sub-bacias hidrográficas da baixada de Jacarepaguá e da Lagoa Rodrigo de Freitas; a oeste com a bacia da Baá de Sepetiba, ao norte, com a bacia do rio Paraíba do Sul (rios Piabanha e Dois Rios), a leste, com as sub-bacias dos rios Macaé e São João e a sudeste com as bacias das lagunas de Piratininga – Itaipu e Maricá. A divisão adotada atualmente para a bacia da Baía da Guanabara considera 25 bacias e subbacias, sendo a área de drenagem do rio Iguaçu uma Unidade Hidrográfica. A bacia hidrográfica da Baía da Guanabara abarca os maiores centros urbanos e concentra mais de 70% da população fluminense, bem como a maioria das indústrias de maior porte do Rio de Janeiro. Engloba a porção territorial mais desenvolvida do Estado e grande parte da região metropolitana, estando nela contidos 16 municípios, sendo 10 integralmente e 6 parcialmente. A rede de drenagem da bacia é composta de 50 rios e riachos, sendo os principais os rios Macacu, Iguaçu, Estrela e Sarapuí. Os trechos de baixo curso de muitos rios vêm sendo modificados desde o final dos séculos XIX e início do XX, por obras de drenagem executadas por Prefeituras, Governo do Estado e pela União.

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As intervenções mais significativas se deram nas décadas de 30 e 40, devido às obras de dragagem, retificação e construção de canais, empreendidas pela Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense e posteriormente pelo hoje extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento – DNOS. As imensas áreas urbanizadas resultaram na retificação e canalização em concreto de centenas de quilômetros de cursos d’água. Os principais usos da água identificados na bacia são o abastecimento de água e a diluição de efluentes domésticos e industriais. Em relação ao abastecimento de água, vários rios situados nas vertentes das serras de São Pedro, do Macuco e da Estrela, nos municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, apresentam pontos de captação de água para abastecimento, sendo os sistemas formados por conjuntos de barragens e adutoras. Essas captações compõem seis mananciais superficiais denominados: São Pedro, Rio d’Ouro, Parada Cachoeira, Tingia, Xerém e Mantiqueira. As adutoras desses mananciais foram implantadas entre 1877 e 1912 e representavam até 1940 cerca de 80% do volume d’água disponível para o abastecimento da cidade do Rio de Janeiro, constituindo o mais antigo sistema de suprimento de água da capital do Estado. Atualmente, atendem, quase que exclusivamente, áreas urbanizadas dos municípios da Baixada Fluminense. As águas são de boa qualidade; o tratamento adotado inclui, além de prédecantação, desinfecção com cloro. Quanto ao balanço entre oferta e demandas hídricas, segundo LIMA/COPPE (2008), o Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia da Baía da Guanabara indica que, já para o ano de 2005, são verificados déficits nos sistemas produtores de água existentes (Quadro 3.16). Para o ano de 2020, a demanda para abastecimento da população urbana da bacia, inclusive perdas, deverá alcançar 52 m3/s, sendo que 35 m3/s corresponderiam às áreas atualmente atendidas pelo sistema Guandu/Ribeirão das Lajes. Os restantes 17 m3/s seriam atendidos pelos mananciais locais. Esse valor representa 61% do total das disponibilidades obtidas com o somatório da vazão Q7,10 de todos os rios afluentes à bacia (27,8 m3/s).

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Conforme a mesma fonte, uma análise deste resultado indica que, em 2020, se forem mantidas as condições atuais de oferta de água, o crescimento da população levará a déficits hídricos ainda maiores nos mananciais utilizados, conforme o quadro abaixo.
Quadro 3. 16 - Déficits hídricos dos sistemas Guandu, Saracuruna e Imunana – 2005-2020

Sistema de Abastecimento

Déficit em 2005 (m /s)
3

Déficit em 2020 (m /s) 1,148 0,005 0,706 6,491 8,350
3

Rio Guandu/Ribeirão da Lajes Barragem do Saracuruna Rio Saracuruna Canal do Imunana/Laranjal Total

0,255 0,003 0,309 3,376 3,943

Fonte: adaptado de LIMA/COPPE (2008), com base em dados do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia da Baía da Guanabara O déficit de 1,148 m3/s no sistema Guandu/Ribeirão das Lajes afetará o município do Rio de Janeiro e grande parte dos municípios da Baixada Fluminense. Já o déficit de 6,491 m3/s no canal de Imunana afetará os municípios de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói, além de áreas fora da bacia hidrográfica contribuinte para a bacia da Baía da Guanabara (região litorânea de Niterói e Maricá). A diluição de esgotos domésticos e industriais representa um dos principais usos da água identificados na bacia. Aproximadamente 265 km de extensão de rios são usados com essa finalidade, recebendo efluentes, direta ou indiretamente. O sistema de esgotamento sanitário operado pela CEDAE é do tipo separador absoluto, que pode ou não receber os despejos industriais, preliminarmente tratados, mas, em muitos casos, está associado ao sistema de drenagem urbana. Segundo LIMA/COPPE (2008), um problema de grandes dimensões associado às águas pluviais contaminadas é o grande número de favelas na região da Baía da Guanabara, áreas 88

muito difíceis de serem esgotadas. Os esgotos gerados pela população favelada formam valas negras e acabam chegando aos sistemas de drenagem urbana e daí aos rios e à própria baía. Outros fatores que contribuem para a deterioração da qualidade da água da rede de drenagem e da baía são os aterros do espelho d’água, as altas taxas de assoreamento decorrentes do desmatamento e da destruição dos manguezais. Como resultado dessa situação, a maioria dos cursos d’água das sub-bacias dos canais do Mangue, do Cunha e dos rios Irajá, São João, Acari, Iguaçu e Estrela, que se encontra canalizada de forma aberta ou subterrânea, apresenta suas águas extremamente poluídas pelas cargas de esgoto doméstico e industrial que recebem. O esgoto coletado na região é encaminhado para as Estações de Tratamento de Esgotos – ETEs – Pavuna e Sarapui. As condições sanitárias dos rios da bacia impossibilitam sua utilização como áreas de lazer, à exceção de alguns locais situados próximo aos cursos superiores dos rios. A área mais expressiva situa-se nas imediações da sede do distrito de Tinguá, próximo aos limites da Reserva Biológica. Nesse local foi construída uma série de bares, ao longo da margem direita do rio Tinguá, que oferece como atrativo para a população a formação de piscinas naturais devido ao represamento de alguns trechos. Os rios Guapi e Macacu têm a melhor qualidade de água, servindo como fonte de abastecimento público para Niterói e São Gonçalo. Nessa região, localiza-se a APA de Guapimirim, que engloba as desembocaduras dos rios Guapi, Macacu, Cacerebu e Guaxindiba. Quanto à qualidade dos sedimentos da rede de drenagem e da própria baía da Guanabara, segundo LIMA/COPPE (op. cit.), estudos realizados pela FEEMA no final da década de 1990 mostraram que as concentrações de metais pesados foram maiores na poção noroeste da baía da Guanabara, entre as desembocaduras dos rios Irajá, São João de Meriti, Sarapuí e Iguaçu, decrescendo em direção à parte central e a entrada da baía. As concentrações de mercúrio foram maiores nos rios Acari / São João de Meriti, devido aos despejos da Cia.Eletroquímica Panamericana. Em relação ao cromo, as maiores concentrações foram encontradas nos rios 89

Sarapuí e Iguaçu, devido aos lançamentos da Bayer e REDUC. No caso do cobre, a maior concentração foi detectada no rio Inhomirim, afluente do rio Estrela. Além dos metais pesados, estão também presentes nos sedimentos da baía da Guanabara os hidrocarbonetos de petróleo, processo que se intensificou após os acidentes de derramamento de petróleo ocorridos no ano 2000.

3.1.2.2. Bacia da Baía de Sepetiba
A Baía de Sepetiba é um corpo d’água com 520 km2 e 170,5 km de perímetro. A bacia da Baia de Sepetiba, à semelhança da que contribui para a Baía de Guanabara, pode ser classificada também como uma região hidrográfica. Abrange total ou parcialmente o território de 12 municípios fluminenses, a saber: Itaguaí, Seropédica, Mangaratiba, Queimados, Japeri e Paracambi, Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Pirai e Rio Claro. A bacia hidrográfica contribuinte à Baía de Sepetiba abrange uma superfície de cerca de 2.711 km2 e possui dois conjuntos fisiográficos distintos: o Domínio Serrano, representado por

montanhas e escarpas da vertente oceânica da Serra do Mar e pelos maciços costeiros (Pedra Branca, Mendanha, Ilha da Marambaia); e o Domínio da Baixada, representado por uma extensa planície flúvio-marinha. Ocorrem ainda colinas residuais de transição entre os domínios Serrano e Baixada. Os divisores de água, partindo da Pedra de Guaratiba, passam pelas Serras Preto do Cabuçu, Madureira, Gericino, Tinguá, do Couto, São Pedro, Catumbi, Araras, Cacador, Leandro, Itaguaçu e Lajes, terminando na Ponta de Gambelo, em Mangaratiba. A bacia confronta-se a oeste com a bacia do rio Jacuacanga (bacia da Baía da Ilha Grande), ao norte, com a bacia do rio Paraíba do Sul (sub-bacias dos rios Piraí, Alegre, Ubá e Piabanha), a leste, com a bacia da Baía da Guanabara e a sudeste, com a bacia da Baixada de Jacarepaguá. O período de águas altas vai de dezembro a março, sendo que as maiores vazões ocorrem com maior freqüência em janeiro. O período de águas baixas vai de junho a setembro, com as 90

vazões mínimas ocorrendo mais freqüentemente em julho. As descargas em geral acompanham os índices de precipitação. Os rios que desembocam na baía estão sujeitos à ação das marés, que influencia o escoamento, e à penetração da cunha salina, que eleva os teores de cloretos e oxigênio e permite que os manguezais se instalem nas suas margens. Os principais rios da bacia são o Guandu, da Guarda, canal Guandu, Mazomba, Piraquê, Piracao, Portinho, Ingaiba, São Braz, do Saco e Saí. A maioria dos rios apresenta seus baixos cursos bastante modificados em relação ao que eram originalmente. Devido às inundações constantes a que estava sujeita a região, em face de sua topografia plana, desde o século XVII os cursos d’água vêm sendo retificados, dragados, canalizados, unidos por “valões” etc. Entre 1935 e 1941, o extinto DNOS realizou obras em praticamente todos os trechos fluviais de baixada, incluindo não somente as bacias dos rios Guandu, da Guarda e dos rios da Zona Oeste/RJ, mas também em algumas bacias de Mangaratiba e até na Restinga da Marambaia. Foram concluídas obras de 270 quilômetros de canais, 620 quilômetros de valetas e erguidos 50 quilômetros de diques. Em termos ambientais, essas obras eliminaram ou reduziram drasticamente as várzeas alagadas e, conseqüentemente, as matas paludosas e a vegetação herbácea aluvial. Atualmente, o principal vetor de ocupação da bacia é o avanço da área urbana. Em linhas gerais, a Baixada pode ser caracterizada como área de fronteira metropolitana. Felizmente, intervenções públicas marcantes na região têm sido responsáveis pela criação de Unidades de Conservação, tal como descrito no item 3.4 deste relatório. Os recursos hídricos da bacia são utilizados para abastecimento público e industrial, recreação, geração de energia e diluição de efluentes. As águas utilizadas para o abastecimento dos municípios do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense (Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Belford Roxo, 91

Queimados e Japeri) provêm dos Sistemas Paraíba - Guandu (45,0 m3/s), ribeirão das Lajes (5,1 m3/s), Acari (1,2 m3/s) e, ainda, de pequenos mananciais locais (0,3 m3/s). O Sistema Guandu foi concebido considerando o atendimento à área do atual município do Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara, até o ano 2000. Contudo, a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara ampliou a área de influência do sistema, reduzindo sensivelmente o horizonte de auto-suficiência de abastecimento projetado. O abastecimento de água potável na nova área beneficiada pelo Sistema Guandu iniciou-se com a construção da Adutora Principal da Baixada Fluminense, a partir da ETA do Guandu. A Adutora da Baixada, embora ainda insuficiente para o atendimento da totalidade da região, possibilitou uma grande ampliação do sistema e a construção de alguns reservatórios. Contudo, a rede de distribuição não se encontra setorizada, implicando um controle operacional deficiente, o que, aliado ao baixo índice de medição, acarreta um elevado nível de perdas. Em conseqüência de todas essas obras terem sido realizadas em caráter de emergência, e sempre com alcances inferiores à demanda da época, as expansões de rede foram sempre, inevitavelmente, superiores à capacidade de adução do sistema. A necessidade de redução do déficit de produção de água tratada, que afeta principalmente as regiões da Baixada Fluminense e Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, fez com que a CEDAE iniciasse a execução das obras de ampliação do complexo de produção do Guandu, de forma a viabilizar a melhoria do abastecimento de água da Baixada Fluminense (acréscimo de 4 m3/s) e da cidade do Rio de Janeiro (3 m3/s), principalmente da Zona Oeste com 2 m3/s. Recentemente, o Sistema Guandu sofreu ampliação para uma capacidade de adução de cerca de 47 m3/s e tratamento no entorno de 42 m3/s. As obras de ampliação acopladas aos programas de setorização e de desenvolvimento operacional, em que são previstas ações contínuas para reverter o baixo índice de medição, permitirão o equacionamento dos problemas da continuidade do abastecimento no município do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense. 92

O tratamento efetuado através da ETA do Guandu, e os sistemas de desinfecção dos demais mananciais, garantem a qualidade da água distribuída à população. A bacia da Baía de Sepetiba conta com importantes usinas de geração hidrelétrica do Estado do Rio de Janeiro. As principais usinas estão situadas na parte de montante da bacia do rio Guandu, e apenas uma delas, uma PCH particular, situa-se no rio Santana, tributário da margem esquerda do rio Guandu. Em 1905, foi construída a barragem e o reservatório de Lajes, no ribeirão das Lajes, bem como a Usina Hidrelétrica de Fontes. Posteriormente, em 1911, a bacia passou a receber as águas do rio Piraí, através de uma barragem neste rio e de um túnel que desembocava no reservatório de Lajes. Nos anos de 1940 e 1943, a barragem de Lajes foi alteada. Em 1952, foram concluídas as obras de desvio do rio Paraíba do Sul - Piraí e a Usina Hidrelétrica de Nilo Peçanha. A bacia da Baia de Sepetiba possui uma população estimada superior a 1.300.000 habitantes. A carga orgânica produzida na bacia é superior a 70.000 kg/dia, em termos de DBO, lançada, na prática, diretamente nos corpos d’água, já que uma parcela muito pouco significativa é dotada de algum tratamento. Nas áreas desprovidas de esgotamento sanitário, situação em que se encontra a maior parte da bacia, os efluentes são conduzidos a fossas sépticas individuais, geralmente sem sumidouro, ou, na maioria dos casos, para as galerias de águas pluviais ou diretamente para valas ou para fundos de vale e cursos d’água locais. Como resultado, tem-se a degradação dos ecossistemas aquáticos de toda a bacia hidrográfica. A situação sanitária da região é muito grave, principalmente nas áreas de baixada, sujeitas a inundações periódicas. Essa condição é agravada pela falta de uma atuação das prefeituras no sentido de conscientizar a população sobre a importância da limpeza periódica das fossas sépticas que, com o tempo, passam a operar como simples caixas de passagem, com pouca ou até mesmo nenhuma depuração dos esgotos. 93

Em relação às atividades agrícolas, pode-se citar a oleicultura e a fruticultura como as principais, predominando, em Itaguaí e Santa Cruz, a fruticultura, basicamente a cultura de banana e coco. Na região do canal de São Francisco, localizam-se algumas áreas com atividades agropecuárias. A utilização de defensivos agrícolas e carrapaticidas é intensa, podendo trazer graves conseqüências, tanto para os rios quanto para as águas da baia, tendo em vista que muitos desses compostos são resistentes e cumulativos na cadeia biológica. O parque industrial da bacia da Baía de Sepetiba constitui um dos maiores pólos industriais do Estado do Rio de Janeiro. Este fato, além de contribuir para o agravamento da poluição proveniente dos efluentes líquidos, aumenta também o risco de poluição por acidentes no transporte de produtos, nas rodovias que cruzam os rios. Se por um lado, a área drenante à Baía de Sepetiba já registra um número significativo de indústrias de médio porte, por outro lado, o número de indústrias de grande porte é reduzido, o que representa riscos ambientais bastante diferenciados, uma vez que, alguns setores industriais apresentam melhor nível de tecnologia ambiental e, conseqüentemente, melhor desempenho do que outros. As principais tipologias industriais identificadas, no conjunto do parque industrial da bacia da Baía de Sepetiba, são as seguintes: metalurgia, química, têxtil, bebidas, minerais não metálicos e editorial/gráfico. O setor de bebidas é o mais moderno e o de melhor desempenho na bacia, oferecendo uma adequada e contínua operação da estação de tratamento de efluentes líquidos, enquanto que os setores providos de tecnologia mais antiga lançam no meio ambiente praticamente a quase totalidade de seu potencial poluidor. Por comparação com os outros setores, o setor metalúrgico é o de maior relevância, tanto em função de quantidade produzida, quanto de importância econômica. Seu potencial poluidor é considerável, seja ao nível de rejeitos líquidos, seja ao de geração de resíduos sólidos.

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A indústria química, quanto ao potencial de contaminação por efluentes líquidos e por resíduos sólidos, é a segunda mais importante a ser considerada. O Distrito Industrial de Nova Iguaçu, onde se localizam empresas poluidoras significativas, é motivo de grande preocupação, por constituir a maior ameaça à tomada d’água da CEDAE no rio Guandu, especialmente em função de sua localização, a apenas 7 km a montante da captação. As indústrias com maior potencial tóxico estão estabelecidas nos municípios de Queimados, Itaguaí e na Zona Industrial de Santa Cruz. Em termos de toxicidade, a descarga em grande quantidade de uma substância de baixa toxicidade supera, em termos de danos ambientais, a descarga de uma substância considerada de alta periculosidade, porém em quantidade reduzida. Deve-se salientar, ainda, que não basta considerar somente o efluente industrial, dissociando a importante relação entre o corpo d’água e as substâncias potencialmente tóxicas de efluentes industriais, sendo, neste sentido, de fundamental importância promover avaliações ecotoxicológicas e estudos do corpo receptor, tendo em vista, também, que a caracterização dos efluentes, por si só, possui limitações. Atualmente, a poluição ambiental mais relevante associada ao setor industrial é relacionada com a contaminação ambiental dos recursos hídricos por metais pesados, que se acumulam nos sedimentos de fundo da Baía de Sepetiba, em especial na sua porção leste. A Cia. Industrial Mercantil Ingá, com lançamentos e derramamentos acidentais diretamente na costa, figura como a principal geradora deste tipo de poluição. Contudo, a poluição orgânica de origem industrial é de menor relevância frente aos níveis de poluição de origem doméstica verificados na bacia, em face do bom desempenho ambiental das principais indústrias com potencial de geração desse tipo de carga. Os principais cursos d’água que recebem efluentes industriais são: rio Poços/Queimados, que drena áreas industriais do município de Queimados; Prata do Mendanha e Campinho, afluentes do Guandu-Mirim, que drenam as áreas industriais de Campo Grande, sendo que o primeiro também recebe as águas de lavagem da ETA-Guandu; o canal do Itá, que drena as áreas 95

industriais da porção leste da R.A. de Santa Cruz e o canal Santo Agostinho, que drena o D.I. de Santa Cruz. Quanto aos resíduos sólidos, considerável potencial poluidor existente na bacia, o problema mais urgente situa-se no equacionamento dos passivos ambientais, em especial,

considerando-se a precariedade das condições de estoque dos resíduos acumulados em vários pontos da bacia. A região de Itaguaí é a principal supridora de areia para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, sendo intensa a atividade de extração no leito dos rios e por meio de cavas. As lavras de areia, principalmente em ambientes de cavas submersas, alcançam profundidades muito grandes, formando lagos de coloração verde piscina. São observadas, também, cavas abertas, de contorno irregular e de grande profundidade, muitas vezes interligadas em superfície com a calha do rio. Esta atividade é a causa de grandes danos ambientais, cuja reparação é muito difícil, quando se procura restabelecer as condições naturais. No rio Guandu, a captação da CEDAE é seriamente prejudicada pelas mudanças físicoquímicas da água provocadas pela extração de areia. Além disso, a descaracterização das margens propicia o seu repovoamento por um tipo de vegetação que, além de não fixá-las, se desprende, trazendo, também, problemas operacionais para a captação na ETA Guandu. Em face desses fatos a Comissão Estadual de Controle Ambiental, por meio da deliberação CECA no 3.554, de 02 de outubro de 1996, procurou traçar diretrizes para o disciplinamento e controle da atividade no Estado, principalmente na sub-bacia do rio Guandu, com a suspensão da concessão de novas licenças para empreendimentos de extração de areia e, para aqueles já instalados, que não tenham requerido a licença de extração no leito do rio Guandu, no trecho compreendido entre a Usina Pereira Passos e a Barragem da ETA Guandu.

96

O condicionamento de adoção de projetos de recuperação das margens do rio e de medidas compensatórias por danos ambientais, imposta aos núcleos de extração de areia e esta deliberação, aplica-se também, aos contribuintes do rio Guandu. Aspectos Oceanográficos da Baía de Sepetiba 1 Tendo em vista a previsão de construção de diversos empreendimentos na baía de Sepetiba, no município de Itaguaí, constituintes do objeto da presente Avaliação Ambiental Estratégica, importa conhecer os principais aspectos oceanográficos da baía. Temperatura A distribuição espacial da temperatura apresenta um padrão similar, independentemente da estação do ano, havendo diferenças apenas no valor da temperatura da água na superfície e no fundo. Os valores médios anuais são da ordem de 25ºC no verão e de 22ºC no inverno. A distribuição da temperatura da água resulta do volume de aporte dos rios, da penetração oceânica e do grau de insolação. A água superficial da região central da baía apresenta valores mais elevados de temperatura, média superior a 25° principalmente no entorno da s ilhas de Itacuruçá e da Madeira, devido C, à pouca circulação e baixa profundidade. Nas extremidades da baía, no pequeno canal de comunicação com o oceano em Barra de Guaratiba e no canal principal entre as ilhas Grande e Marambaia a temperatura média é de 24° C. Salinidade A baía de Sepetiba é classificada segundo a Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, como um corpo hídrico de águas salinas, Classe 1. O teor de salinidade na baía compreende valores entre 32 e 25, em sua maior parte, sendo que, no fundo e em áreas costeiras, à margem continental da baía, a partir da ilha de Itacuruçá, são verificados valores de salinidade inferiores a 30. Na parte central, próxima à Ilha de Jaguanum e na comunicação com o oceano, são encontrados valores superiores a 32.

1

Fonte das informações: COMPANHIA SIDERÚRGICA DO ATLÂNTICO – CSA / ECOLOGUS ENGENHARIA CONSULTIVA, 2005. EIA/RIMA do Terminal Portuário Centro Atlântico.

97

De acordo com dados de 1990 da FEEMA o aporte de água doce, principalmente dos canais de São Francisco e Guandu, tem influência significativa na distribuição da salinidade no

interior da baía, evidenciado nos baixos valores encontrados naquela área de deságüe, que são menores que 14. Regime de Marés A análise das constantes harmônicas permite concluir que o regime de maré na baía de Sepetiba é do tipo semidiurno, com desigualdade diurna. Naturalmente, os contornos da baía e sua batimetria são fatores que influenciam a maior ou menor defasagem dos períodos de maré no interior da mesma. A desigualdade diurna (diferença de altura entre duas preamares ou baixa-mares sucessivas em um mesmo dia) provoca diferentes intensidades nas duas correntes de enchente e de vazante que ocorrem diariamente. Segundo informações consultadas nas tábuas de marés para o Porto de Sepetiba fornecidas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), a amplitude média das marés para o período de quadratura é de 0,50 m e para o período de sizígia é de 1,4 m. Regime de Ondas A penetração de ondas oceânicas na baía é pequena ou desprezível; as ondas no interior da baía são geradas pelos ventos incidentes sobre o corpo líquido, basicamente os de Leste, Sudeste e Nordeste, que provocam perturbações na superfície da água. A média da altura máxima de onda prevista para o entorno da baia é de 0,25 m, para a região central é de 0,35 m e nas áreas sul e sudoeste da ilha de Itacuruçá a maior altura prevista é de 0,50 m, devido à influência do canal de navegação da baía e da maior proximidade à sua entrada. Correntes A baía de Sepetiba é um corpo d’água semiconfinado com dois acessos ao mar. O acesso principal fica a Oeste, onde ocorrem as correntes de maior intensidade, além de um maior volume de águas renovadas. O outro fica a Leste, sendo constituído por um canal estreito (Canal do Bacalhau) que deságua na localidade de Barra de Guaratiba. 98

Hidraulicamente, esse canal tem pouca ou nenhuma influência na circulação das águas na baía. A circulação de águas na baía é regida pelo fluxo e refluxo da maré. A onda da maré é do tipo estacionária, característica típica de baías e estuários. As velocidades de corrente máxima, devido a este tipo de onda, ocorrem próximo às meias marés, ou seja, na enchente e na vazante. As correntes de uma onda estacionária não dependem tanto da profundidade, mas, principalmente, da amplitude e de outros fatores físicos como ventos, morfologia de fundo e configuração de canais. No caso da baía de Sepetiba, os fatores determinantes da circulação são a maré, a morfologia costeira e de fundo e o vento. A profundidade da baía é maior na parte central, e vai diminuindo na medida em que se avança para as bordas e para o fundo. Isto faz com que as águas escoem preferencialmente para a parte mais profunda, formando uma espécie de canal central. Hidrodinâmica da Baía. O comportamento hidrodinâmico da baía de Sepetiba é definido pelos principais fenômenos que ocorrem no corpo d’água. Estudos hidráulicos realizados pelo Instituto de Pesquisas Hidroviárias - INPH na baía de Sepetiba entre agosto de 1974 e dezembro de 1975 mostraram que a circulação da água na regida predominantemente pela maré. Os efeitos meteorológicos e aqueles associados às descargas fluviais dos pequenos rios que deságuam na baía são desprezíveis. Dessa forma, a maré é o principal fator de renovação das águas da baía. Segundo Rodrigues o padrão de circulação da água acompanha a morfologia do fundo e as correntes de enchente, tanto na quadratura quanto na sizígia, são mais intensas do que as correntes de vazante. A existência dessas correntes preferenciais pode ser confirmada pela observação de imagens suborbitais, que mostram as desembocaduras dos rios e canais da região com forte inflexão para Leste (foto abaixo), caracterizando a deriva desses deltas em função das correntes.

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Foz retificada do Canal de São Francisco, notando-se a ilha criada pela descarga sólida e a deriva do delta, como função da corrente preferencial no sentido Leste (Fonte: CSA/ECOLOGUS, 2005, op.cit, apud Relatório INPH nº 002-2001)

As inversões de corrente ocorrem simultaneamente ao longo da vertical, caracterizando um corpo d'água não estratificado. Na região da baía de Sepetiba conclui-se, portanto, que a velocidade das correntes pode ser bem representada por meio de valores médios na vertical, sendo desnecessária a inclusão de gradientes de pressão devido a gradientes de densidade. Além da quase homogeneidade da coluna d’água, o escoamento relevante nas situações de interesse para aplicação de modelos de simulação da circulação de água na baía de Sepetiba é predominantemente horizontal, sendo os gradientes horizontais de pressão devidos aos declives da superfície livre muito maiores que os devidos às variações de densidade. Aporte e Deposição de Sedimentos Fluviais na Baía O transporte de sedimentos para a baía de Sepetiba é um fenômeno natural determinado pelos condicionantes físicos da bacia de drenagem. No entanto, vem sendo agravado nos últimos quarenta anos em decorrência de diversas atividades antrópicas, que concorrem para a degradação dos solos e a redução da cobertura vegetal, de forma disseminada em todo o 100

espaço da bacia. Estas ações contribuem em menor ou maior grau para a intensificação da produção e do transporte dos sedimentos, cujo resultado se faz sentir através do assoreamento das calhas dos rios e finalmente na baía de Sepetiba. Verifica-se que a deposição de sedimentos é intensa, sobretudo na porção leste da baía, entre a Ilha da Madeira e Guaratiba. Essa deposição provocou e vem provocando, em poucas décadas, o surgimento do delta do canal de São Francisco. Os sedimentos que são arrastados para o extremo leste da baía, região de Guaratiba, possuem pequena mobilidade, ocasionada pela baixa circulação de água nesta região, contribuindo assim para um processo de assoreamento e redução da profundidade da baía. Verifica-se, por exemplo, que na foz do Cabuçu-Piraquê, os sedimentos em suspensão ficam ao sabor do vai-e-vem das marés, adentrando os estuários (5 a 10 km) até onde a energia da maré os possa levar. A deposição cumulativa de sedimentos no extremo leste da baía, como decorrência do delta, provoca deslocamento das correntes para o Sul, com eventual repercussão sobre a costa interior da restinga. Na parte oeste da baía, o transporte de sedimentos se dá com menor intensidade, existindo situações isoladas, em que o carreamento de sedimentos oriundos das encostas de solo residual, colocadas a descoberto com a implantação de sistema viário na vertente oceânica da serra do Mar, em especial a Rio-Santos, irá provocar o “engordamento” das praias da costa. O aporte global de sedimentos à baía de Sepetiba pode ser estimado em 1.150.000 t/ano, dos quais 75% são oriundos do rio Guandu, aí incluídos os sedimentos transpostos da bacia do Paraíba do Sul (28% do total). Entre os cursos d’água afluentes à baía de Sepetiba destacamse aqueles responsáveis pela maior parcela dos aportes líquidos e sólidos, sobretudo no tocante aos sedimentos finos, que se apresentam concentrados ao longo de uma extensão de 4 km, entre a foz do Mazomba e a foz do rio Guandu-Mirim. As fotos a seguir ilustram feições críticas do processo de sedimentação que ocorre junto à linha de costa, na porção leste da Baía de Sepetiba.

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Praia de Guaratiba (Praia da Capela) completamente recoberta por sedimentos finos e alta carga orgânica. (Fonte: CSA / ECOLOGUS, 2005, op. cit.)

Intenso processo de sedimentação e assoreamento do Saco da Coroa Grande (Fonte: CSA / ECOLOGUS, 2005, op. cit.)

102

3.1.2.3.

Águas Subterrâneas

Região da Bacia da Baía da Guanabara Segundo apresentado no EIA/RIMA do COMPERJ (CONCREMAT, 2007), os aqüíferos encontrados na região da bacia da Baia da Guanabara dividem-se em: Aqüífero Cristalino, Aqüífero Alúviolacustre, Aqüífero Macacu e Aqüífero Sedimentar Marinho. Os aqüíferos sedimentares Macacu e Alúviolacustre são, certamente, mais relevantes do ponto de vista de seu potencial hidrogeológico, merecendo, assim, atenção especial quanto à sua

vulnerabilidade à ação antrópica. Poços cadastrados na região indicam que a Sudeste da bacia o pacote de sedimentos tem, em média, 50 m de espessura, encontrando o embasamento, por vezes, aos 30 m de profundidade. As maiores espessuras de sedimentos estão a noroeste da bacia. O Aqüífero Cristalino é de média a baixa favorabilidade para explotação de água subterrânea. Na bacia, os poços cadastrados captam água do sedimento e das fraturas com freqüência, caracterizando uma captação mista, que dificulta a análise dos parâmetros hidrogeológicos. O Aqüífero Alúviolacustre caracteriza-se como semi-confinado, multicamadas, com camadas arenosas produtivas até 20 m de profundidade, com vazões específicas superiores a 1,0 m3/h/m. A água é considerada de boa qualidade, porém, sensível à contaminação, devido à falta de tratamento de esgotos domésticos e industriais em áreas de maior ocupação antrópica. O Aqüífero Macacu constitui uma unidade semi-confinada, sendo o aqüífero produtor representado pelas camadas arenosas intercaladas aos sedimentos mais finos. Esses pacotes têm espessuras de até 200 m e vazões específicas entre 0,5 m3/h/m e 1,0 m3/h/m. As captações de água geralmente são feitas por poços rasos, cacimbas ou poços escavados com ponteiras, exceto nos locais de maior espessura dos aqüíferos, onde existem poços tubulares construídos em formações sedimentares. O Aqüífero Macacu possui alto potencial de explotação, com águas de boa qualidade, levemente ferruginosas.

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O Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia da Baía da Guanabara (citado por LIMA/COPPE, 2008) apresenta os dados do quadro abaixo, relativos às reservas estimadas dos aqüíferos da região: Quadro 4.17 - Reservas estimadas dos aqüíferos da região da Baía da Guanabara
Aqüífero Alúviolacustre Macacu Fluvio-marinho argilo-arenoso
Guanabara

Rp = 10 m 1,03 0,39 0,92

9

3

Rr = 10 m 1,48 0,39 0,69

8

3

Rendimento médio por poço (m /h) 10 a 20 20 5 a 10
3

Fonte: LIMA/COPPE (2008), com base em dados do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia da Baía da

A Reserva Permanente (Rp) é obtida assumindo-se valores típicos de porosidade efetiva dos mananciais e calculando-se uma espessura média saturada. A Reserva Renovável (Rr) é a quantidade de água renovada, por ano, no meio aqüífero, obtida através do conhecimento da precipitação anual, taxa de infiltração e área do meio avaliado. A recarga dos sistemas aqüíferos sedimentares (livres e semi-confinados) dá-se pela infiltração direta das águas das chuvas nas superfícies aflorantes da Formação Macacu e dos sedimentos quaternários. As áreas localizadas próximo ao sopé das escarpas da Serra do Mar são privilegiadas quanto à recarga, uma vez que a barreira orográfica representada pela serra determina uma maior concentração das chuvas. De modo geral, os poucos estudos realizados na região apontam o sentido de fluxo da água Sudoeste, controlados pelas diferenças de gradiente. Próximo aos canais dos rios Caceribu e Macacu, o fluxo segue em direção a esses canais. As águas salgadas e salobras que ocorrem nas áreas de manguezais adentram os aluviões na porção Oeste da área. Valores altos de cloretos verificados em alguns poços existentes nas proximidades da margem esquerda do rio Macacu resultam da entrada da cunha salina; contudo, esse rio configura-se como barreira hidrogeológica, visto que não foram encontrados altos teores de cloretos em poços localizados na sua margem direita. 104

Região da Bacia da Baía de Sepetiba Segundo o Macroplano de Gestão e Saneamento Ambiental da Baía de Sepetiba (SMA/ CONSÓRCIO ETEP/ECOLOGUS/SM GROUP, 1997), de um modo geral, os aqüíferos existentes na área da bacia hidrográfica da baía de Sepetiba podem ser divididos em duas dominâncias expressivas – Aqüífero Cristalino e Aqüífero Sedimentar. O primeiro domínio hidrogeológico - Rochas do Embasamento Cristalino (aqüíferos fissurados/manto de intemperismo) constituídos essencialmente por rochas metaígneas do précambriano, bastante tectonizadas, ocupa a maior parte da área. As rochas cristalinas não formam um aqüífero regional contínuo, mas apresentam condições aqüíferas locais (rochas fraturadas e manto de intemperismo) e são exploradas por alguns poços. Os sedimentos quaternários formam o segundo domínio, considerado como o principal sistema aqüífero da região - Aqüífero Sedimentar Quaternário - abrangendo a área de baixada, representada por extensas planícies de origem flúvio-marinha. As vertentes mais acentuadas e os topos das elevações, bem como divisores hidrográficos (interflúvios) são considerados como zonas morfológicas com limitação para acumulação de água subterrânea, independentemente do tipo de rocha ou grau de fraturamento. Ao contrário, os vales e as áreas de planície (baixada) apresentam situação morfológica favorável para armazenar água subterrânea. A influência exercida pelas lineações tectônicas no comportamento de água subterrânea constitui, assim, situações favoráveis à locação de poços tubulares profundos para o seu aproveitamento. Já a influência da hidrografia na qualidade da água subterrânea é relativa, pois depende da qualidade da água superficial; tendo esta boa qualidade, a sua contribuição é positiva, pois sua infiltração promove a circulação e renovação da água subterrânea. Nesse caso, a exploração nos vales fluviais será favorável, pois haverá melhor quantidade e boa qualidade de água. Contido, a seleção desses locais somente terá sentido em função da proximidade com núcleos populacionais urbanos ou rurais para usufruir desse benefício.

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As áreas com coberturas vegetais expressivas, como a oeste da Baía de Sepetiba, proporcionam maiores volumes armazenados de água no subsolo, pois a presença da vegetação dificulta o escoamento superficial e propicia condições de maior infiltração e melhores condições de recarga aos aqüíferos (trechos das sub-bacias do Alto Guandu, Santana, São Pedro, Queimados, Guandu-Mirim, Mazomba e Prata-Saí). As coberturas inconsolidadas (manto de intemperismo) constituídas geralmente por material areno-argiloso funcionam como camada reguladora da recarga, limitando a infiltração, mas podem constituir fonte de recarga importante para as rochas fraturadas subjacentes, pois atuam como fonte de captação da água precipitada em toda superfície permeável ou semipermeável, diminuindo a perda por escoamento e evaporação. A escolha de áreas para explotação com coberturas inconsolidadas deve estar associada à sua constituição granulométrica, evitando-se coberturas síltico-argilosas, relevo movimentado ou bordas de elevação. No “Macroplano” antes referido, o manto de intemperismo foi englobado no mesmo domínio dos aqüíferos fissurados pela íntima associação existente entre eles. As fraturas e falhas constituem zonas do meio rochoso com acréscimo localizado de porosidade, funcionando como polarizadores do fluxo d’água. Um poço locado sobre fraturas ou falhas, deverá apresentar maiores potencialidades aqüíferas. Locações em cruzamentos de fraturas constituem situações mais favoráveis que em fraturas simples (caracterizando duas ou três vezes mais a potencialidade aqüífera). No domínio sedimentar quaternário, as camadas de areia estão intercaladas com material fino (argilas e siltes), ocasionando variações nos sentidos vertical e horizontal, em cada planície e, também, de uma planície para outra. As camadas de areia entre as camadas argilosas e siltosas, formam, por vezes, um aqüífero lenticular que pode ser subdividido em sub-aqüíferos confinados pelas camadas pouco permeáveis. A espessura dos aqüíferos quaternários, com camadas confinantes é bastante variável. No domínio sedimentar quaternário, estima-se alcançar até 150-200 metros em alguns locais. Em certas áreas, o aqüífero sedimentar é influenciado pela cercania do mar, causando uma 106

intrusão salobra e salina nesses sistemas. Em muitos lugares, pode acontecer a contaminação dos aqüíferos relacionados às aglomerações urbanas e industriais. Nas áreas de restinga e alagadiços, o lençol freático é muito próximo da superfície, em função da proximidade do mar e da própria horizontalidade deste tipo de formação geomorfológica. Os aqüíferos são abundantes, porém, existe uma forte presença de água salobra, devido principalmente à intrusão da cunha salina por sub-superfície. No embasamento cristalino, estudos realizados no âmbito do Plano Diretor de Abastecimento de Água da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, indicam que as profundidades médias alcançadas dos poços são de 104 m no município de Paracambi, 79 m em Itaguaí, 86 m em Queimados e 77 m em Seropédica. No entanto, a maior ocorrência de água subterrânea verifica-se, em geral, até uma profundidade média de 60 m. As vazões são pequenas e a qualidade da água na maioria dos poços é boa. Alguns poços captam água de aluviões, manto de intemperismo (rocha decomposta) e nas fraturas da rocha sã, simultaneamente, sem incremento sensível de vazão. Em muitos pontos da região, são observados processos irregulares de ocupação das margens dos canais de drenagem, quer seja por favelas e submoradias, quer por instalações comerciais (postos de gasolina, pequenas fábricas e oficinas). A ocupação inadequada dessas áreas alagadiças promove o recalque em fundações, aterros, infra-estrutura subterrânea e pavimentos viários, por adensamento dos pacotes plásticos argilosos. Dificuldades crescentes ao escoamento das águas de chuva são impostas pela ocupação urbana totalmente desordenada. Solapamentos das margens e assoreamento do canal dos rios são observados em praticamente todos os rios e córregos que atravessam zonas urbanizadas, com o agravante de contaminação das águas subterrâneas e de superfície, por lançamento de esgoto doméstico e industrial. A má utilização do solo em grandes parcelas da região reforça os processos naturais de assoreamento do sistema de drenagem, acentuando as condições de inundação e comprometendo, até mesmo, a qualidade de praias adjacentes, uma vez que a contaminação

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do lençol freático é decorrente da inexistência de um sistema eficiente de processamento de águas servidas. Verifica-se, assim, que as fontes potenciais de poluição dos aqüíferos na região da bacia da Baía de Sepetiba são os esgotos domésticos e industriais, resíduos sólidos urbanos, fertilizantes, resíduos de origem animal, inseticidas e intrusão de água salgada. Vários efluentes e águas superficiais poluídas penetram nos aqüíferos e poços de abastecimento de água, principalmente nos poços rasos domésticos que servem setores da população, produzindo água de má qualidade. A redução do volume total de resíduos perigosos dispersos na área da bacia e sua gestão podem resultar numa redução das pressões exercidas sobre as águas de superfície e subterrâneas, assim como uma redução de substâncias nocivas causadoras de poluição atmosférica e poeiras transportadas pelo vento, no caso de armazenamento, por exemplo, de minério em pilhas. Outro problema verificado na região é a intensa exploração de areia, através do sistema de cavas, o que provoca alterações significativas no padrão de circulação das águas subsuperficiais, além de expor o lençol freático, presente em pequenas profundidades, à contaminação devido à formação das lagoas. O “Macroplano” refere que, durante os trabalhos exploratórios de campo, observou-se que muitos canais e valas que atravessam a região estavam praticamente secos, o que pode significar que as águas de sub-superfície passaram a alimentar as cavas dos areais ao invés dos canais e valas que cortavam a região. Os consumidores potenciais de água subterrânea são: os órgãos municipais responsáveis pelo abastecimento doméstico, de pequenas indústrias, de instituições públicas e de outras demandas hídricas; o setor industrial, incluindo as indústrias de médio e grande porte; o setor agrícola, que inclui o abastecimento de propriedades rurais, atividades pastoris e principalmente irrigação

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Área degradada por exploração de areia na bacia da Baía de Sepetiba (fonte: SMA/ CONSÓRCIO ETEP/ECOLOGUS/SM GROUP, 1997, op. cit.)

O aproveitamento de água subterrânea de pequena profundidade, através de poços rasos (cisternas ou cacimbas), especialmente nas áreas não servidas por rede de distribuição de água e nas zonas rurais de todos os municípios constitui uma fonte importante de abastecimento de água. O Quadro 4.18 resume as principais informações sobre as águas subterrâneas da bacia da Baía de Sepetiba.

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Quadro 4.18 - Principais características das águas subterrâneas na bacia da Baía de Sepetiba
Domínio Hidrogeológico (Predominância) Sedimentar Quaternário Municípios Litologia Predominante Rio de Janeiro Sedimentos flúviomarinhos E granitos Compartimento Topográfico Baixadas, colinas: 100200m e 400600m Rochas do Embasamento Cristalino Rio de Janeiro Granitos e sedimentos fluviais Baixadas, colinas; 400600m Características Principais Deficiência hídrica; adensamentos urbanos; vegetação degradada; manguezais Deficiência hídrica; adensamentos urbanos e industriais; vegetação degradada; erosão superficial; sujeita a inundação e assoreamento Rochas do Embasamento Cristalino Queimados Gnaisses e migmatitos Baixada, colinas, 100200m e 600800m Rochas do Embasamento Cristalino Queimados e Nova Iguaçu Gnaisses, migmatitos, granodioritos.e rochas alcalinas Baixada, colinas, 100200m e 400600m Elevados índices de chuva nas cabeceiras do rio Queimados; adensamento urbano; vegetação degradada; ocorrência de assoreamento e enchentes Rochas do Embasamento Cristalino Nova Iguaçu Granodioritos e rochas alcalinas 600-800 m e >800m Reserva Biológica do Tinguá com matas preservadas, clima chuvoso; ocupação urbana incipiente Deficiência hídrica; adensamentos urbanos; vegetação degradada

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Domínio Hidrogeológico (Predominância) Rochas do Embasamento Cristalino

Municípios

Litologia Predominante

Compartimento Topográfico 200-400m, 400-600m e 600-800m

Características Principais Desnivelamentos topográficos acentuados; degradação da vegetação; erosão nas encostas; clima chuvoso

Miguel Pereira e Eng. Paulo de Frontin

Gnaisses, migmatitos e granodioritos

Rochas do Embasamento Cristalino

Paracambi e Eng. Paulo de Frontin

Granitóides, gnaisses e migmatitos

Colinas, 100200m, 200400m e 400600m

Principal fonte de sedimentos para a Baixada de Sepetiba; vegetação degradada; predomínio de gramíneas; baixa densidade de população

Sedimentar Quaternário/ Rochas do Embasamento Cristalino Rochas do Embasamento Cristalino/ Sedimentar Quaternários

Seropédica e Itaguaí

Sedimentos flúviomarinhos, gnaisses e migmatitos

Baixada e colinas

Densa rede de canais; deficiências hídricas no verão; alta densidade populacional

Itaguaí e Mangaratiba

Sedimentos fluviomarinhos, gnaisses e migmatitos

Baixada e 400600m

Alto índice de chuva nas cabeceiras de drenagem; elevados gradientes; vegetação degradada; solo pouco espesso; movimento de massa, assoreamento e enchentes na baixada.

Rochas do Embasamento Cristalino

Mangaratiba

Granitos, gnaisses e migmatitos

100-200m, 200-400m

Fortes gradientes nas cabeceiras de drenagem; vegetação conservada (matas), erosão por movimento de massa

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Domínio Hidrogeológico (Predominância) Rochas do Embasamento Cristalino

Municípios

Litologia Predominante

Compartimento Topográfico 400-600m;600800m (planalto médio Paraíba do Sul

Características Principais Desnivelamentos topográficos significativos; encostas íngremes; captação das águas da Represa de Ribeirão das Lajes para abastecer o Rio de Janeiro

Rio Claro Piraí

Gnaisses, migmatitos e granitóides

Sedimentar Quaternário

Itaguaí, Seropédica, Queimados e Japeri

Sedimentos fluviais

Baixada e colinas

Lençol freático pouco profundo; adensamento urbano industrial; atividades mineradoras (areia)

Sedimentar Quaternário

Itaguaí

Sedimentos flúviomarinhos

Baixada

Grande densidade de canais naturais e artificiais; zona litorânea influenciada por maré com penetração da cunha salina; solos argilosos com alto teor de enxofre; assoreamento; lençol freático próximo à superfície

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3.1.3. Bacias Aéreas, Qualidade do Ar e Ruídos 3.1.3.1. Bacias Aéreas e Qualidade do Ar

Através da Portaria Normativa n.º 348 de 14/03/90 o IBAMA estabeleceu os padrões nacionais de qualidade do ar e os respectivos métodos de referência, ampliando o número de parâmetros anteriormente regulamentados através da Portaria GM 0231 de 27/04/76. Os padrões

estabelecidos através dessa portaria foram submetidos ao CONAMA em 28.06.90 e transformados na Resolução CONAMA nº 03/90. São estabelecidos dois tipos de padrões de qualidade do ar: os primários e os secundários. São padrões primários de qualidade do ar as concentrações de poluentes que, SE ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis

máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo metas de curto e médio prazo. São padrões secundários de qualidade do ar as concentrações de poluentes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e à flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo meta de longo prazo. Assim, caso a concentração de poluentes em um dado local venha a ultrapassar os valores do quadro anterior, o ar é considerado inadequado. Para cada poluente são também fixados níveis para caracterização de estados críticos de qualidade do ar: níveis de alerta, atenção e emergência. O diagnóstico de qualidade do ar deve ser feito, preferencialmente, pela utilização de dados de monitoramento obtido em estações fixas, com série histórica de dados e monitoramento contínuo. O Arco Metropolitano deverá cruzar grande parte da RMRJ, sendo que a mais importante região por onde não deverá passar a via de tráfego é justamente a maior parte do município do Rio de Janeiro onde, por outro lado, espera-se uma influência indireta do Arco, ao aliviar importantes vias de tráfego na região, melhorando a fluidez geral e, conseqüentemente, diminuindo as emissões totais de poluentes na RMRJ. 113

Quadro 3. 17 - Padrões Nacionais de Qualidade do Ar (CONAMA 03/90)

Poluente partículas totais em suspensão

Tempo de amostragem 24 horas 1 MGA 2 24 horas 1

Padrão primário µg/m3 240 80 150 50 150 60 365 80 320 100 35 ppm 9 ppm 160

Padrão secundário µg/m3 150 60 150 50 100 40 100 40 190 100 35 ppm 9 ppm 160

partículas inaláveis MAA 3 24 horas 1 fumaça MAA 3 24 horas 1 dióxido de enxofre MAA 3 24 horas 1 dióxido de nitrogênio MAA 3 1 hora 1 Monóxido de carbono 8 horas 1 ozônio 1 hora 1

1- Não deve ser excedido mais que uma vez por ano 2- Média geométrica anual 3- Média aritmética anual

114

Portanto, para a caracterização da qualidade do ar atual na área de abrangência do Arco, deve-se considerar toda a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, sendo que parte dela deverá receber um acréscimo de emissões, pela proximidade do traçado do Arco, enquanto outras áreas sofrerão um efeito positivo, pelo oferecimento de uma futura rota alternativa de tráfego em regiões atualmente saturadas. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro apresenta um sistema de circulação atmosférica que, embora complexo, é eficiente em vários pontos da cidade, pois combina os efeitos de brisa com as canalizações proporcionadas pela topografia local. Este fato resultou em que, durante muito tempo, as ações de controle da qualidade do ar fossem colocadas em segundo plano na região, acreditando-se que não viriam a ocorrer problemas mais sérios. No entanto, a presença da segunda maior população do Brasil, intensa frota de veículos e vasto parque industrial levaram a concentrações inadequadas de poluentes em diversas áreas, principalmente o material particulado, medido na rede manual de amostragem, que vem ao longo dos anos revelando níveis acima do padrão ambiental na maior parte das áreas monitoradas. Quanto aos resultados obtidos na rede automática de monitoramento da qualidade do ar, no ano de 2007, dentre os poluentes monitorados na região, ozônio, partículas totais, partículas inaláveis (MP10) e dióxido de nitrogênio apresentaram concentrações acima do padrão de qualidade do ar. Do total de ultrapassagens do padrão, o ozônio responde por 98,5% destas, como será visto adiante, apresentando-se como o poluente de maior preocupação atual, a exemplo do que ocorre em outras Regiões Metropolitanas do Brasil e exterior. O ozônio é um poluente secundário, formado na atmosfera através da reação entre os compostos orgânicos voláteis e óxidos de nitrogênio em presença de luz solar. Conseqüentemente, as ações de controle devem ter como alvo a redução de seus precursores. O grande número de violações ao PQAR por ozônio deve-se, basicamente, à localização das áreas monitoradas, visto que as estações que registraram quase a totalidade das violações por ozônio, mais de 99%, encontram-se instaladas na área de influência do pólo petroquímico e próximas a duas grandes redes viárias, Rodovias Washington Luiz e Rio- Teresópolis.

115

Em termos de controle das emissões de fontes veiculares, que constituem os principais precursores dos oxidantes fotoquímicos, representados pelo ozônio, embora as novas fases do PROCONVE estabeleçam limites mais restritivos para emissões de poluentes a partir de 2009, principalmente para os percussores de ozônio, a frota de veículos vem apresentando acentuada curva de crescimento ao longo dos últimos anos, e tais medidas isoladamente não serão suficientes para garantir a redução ou uma tendência de estabilização do teor de poluentes oriundos de fontes móveis. Dentre as alternativas existentes, destaca-se a necessidade urgente de melhoria da distribuição modal de transporte público e da matriz energética. Neste sentido, a implantação do Arco Metropolitano pode ter um importante papel ao permitir um rearranjo geral do sistema de transportes na RMRJ, particularmente de cargas, realizado basicamente por caminhões, que constituem uma das principais fontes de emissão de óxidos de nitrogênio, um dos precursores dos oxidantes fotoquímicos. As condições climáticas e topográficas influenciam fortemente a qualidade do ar, sendo que na RMRJ os maciços da Tijuca e da Pedra Branca, paralelos à orla marítima, atuam como barreira física aos ventos predominantes do mar, não permitindo a ventilação adequada das áreas situadas mais para o interior. No período de maio a setembro, devido à atuação dos sistemas de alta pressão que dominam a região, ocorrem com freqüência situações de estagnação atmosférica e elevados índices de poluição. Além desses fatores, deve ser considerado também que a região está sujeita às características do clima tropical, com intensa radiação solar e temperaturas elevadas, favorecendo os processos fotoquímicos e outras reações na atmosfera, com geração de poluentes secundários. Levando-se em consideração as influências da topografia e da meteorologia, a Região Metropolitana foi dividida em quatro sub-regiões, de acordo com a figura a seguir.

116

Figura 3. 6 - Delimitação das sub-regiões da RMRJ
Fonte: FEEMA, 2007.

Sub-região I - com uma área de 730 km², compreende os distritos de Itaguaí e Coroa Grande, no município de Itaguaí; os municípios de Seropédica, Queimados e Japerí e as regiões administrativas de Santa Cruz e Campo Grande, no município do Rio de Janeiro; Sub-região II - com uma área de cerca de 140 km², envolve as regiões administrativas de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, no município do Rio de Janeiro; Sub-região III - ocupa uma área de cerca de 700 km². Abrange os municípios de Nova Iguaçu, Belford Roxo e Mesquita; os distritos de Nilópolis e Olinda, no município de Nilópolis; os distritos de São João de Meriti, Coelho da Rocha e São Mateus, no município de São João de Meriti; os distritos de Duque de Caxias, Xerém, Campos Elíseos e Imbariê, no município de Duque de Caxias; os distritos de Guia de Pacobaíba, Inhomirim e Suruí, no município de Magé e as regiões administrativas de Portuária, Centro, Rio Comprido, Botafogo, São Cristóvão, Tijuca, Vila Isabel, Ramos, Penha, Méier, Engenho Novo, Irajá,

117

Madureira, Bangu, Ilha do Governador, Anchieta e Santa Tereza, no município de Rio de Janeiro; Sub-região IV - com área de cerca de 830 km², abrange parte do município de Niterói, além dos municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Magé e Tanguá.

Portanto, a área de influência do Arco Metropolitano inclui as Bacias Aéreas I, III e IV. Para a determinação das principais Fontes Fixas e Fontes Móveis da Região Metropolitana, a FEEMA realizou um inventário de fontes, considerando as principais fontes fixas, sendo que 500 empresas são responsáveis por mais de 90% dos poluentes emitidos.
Quadro 3. 18 - Taxa de Emissão por Bacia Aérea de poluentes industriais (x1000 ton/ano)

Fonte: FEEMA, 2007. Os resultados demonstram que na Bacia Aérea III estão localizadas as fontes fixas que mais contribuem com a emissão de poluentes para a atmosfera. Em seguida, aparece com a segunda posição a região da Bacia Aérea I, área da Região Metropolitana de maior crescimento industrial previsto, ambas na área de influência do Arco Metropolitano. Para as fontes móveis, foram contabilizadas as emissões provenientes dos veículos automotores que circulam nas principais vias estruturais e arteriais da RMRJ. Desse modo, foram selecionadas 187 vias, que foram devidamente segmentadas em razão dos respectivos traçados ou fluxo, consideradas como as mais significativas quanto ao volume de tráfego na

118

Região Metropolitana, e responsabilizadas como as principais contribuintes de emissões de poluentes atmosféricos de origem veicular, totalizando 260 fontes.

Quadro 3. 19 - Percentual de Emissões das principais vias

Fonte: FEEMA, 2007. Verifica-se que a Avenida Brasil é responsável por 25% a 30% do total de poluentes do ar emitidos pelas principais vias de tráfego na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O quadro a seguir apresenta os totais de emissão de poluentes de fontes móveis e fixas (industriais).
Quadro 3. 20 - Taxas de Emissão por tipo de Fonte na RMRJ (x 1000 ton/ano)

Fonte: FEEMA, 2007. Observa-se que a contribuição das fontes fixas é majoritária em relação a material particulado inalável e dióxido de enxofre, contribuindo com 58% e 88%, respectivamente. 119

Quanto aos hidrocarbonetos e monóxido de carbono, a contribuição das fontes móveis é significativamente superior, representando 67% e 98%, respectivamente. Com relação aos óxidos de nitrogênio, as fontes móveis são responsabilizadas pela maior quantidade emitida, 66%, embora a parcela de contribuição das fontes fixas também seja considerável, 37%. A rede de monitoramento da qualidade do ar da Região Metropolitana é composta por 32 estações manuais e 4 estações automáticas fixas e duas móveis, capacitadas à realização de medições contínuas das concentrações de poluentes gasosos, partículas inaláveis, além de parâmetros meteorológicos, direção e velocidade dos ventos, umidade e temperatura do ar. A Figura 3.7 apresenta a localização das estações de monitoramento da qualidade do ar na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Figura 3. 7 - Estações de monitoramento da qualidade do ar na RMRJ
Fonte: LIMA, 2008

São apresentados, a seguir, os dados de monitoramento do ano de 2007, último relatório de monitoramento de qualidade do ar divulgado pela FEEMA. 120

Figura 3. 8 - Concentração Média Anual - Partículas Totais em Suspensão (Rede manual)
Fonte: FEEMA, 2007.

Observa-se, nesta figura, que em diversas estações ocorreu ultrapassagem do padrão de qualidade do ar, tanto nas localizadas na área de influência direta do Arco Metropolitano, quanto naquelas na área de influência indireta. O mesmo quadro se repete na análise das partículas inaláveis – mais características das fontes móveis, veículos diesel – conforme apresentado na figura a seguir.

121

Figura 3. 9- Concentração Média Anual de Partículas Inaláveis – Rede Manual
Fonte: FEEMA, 2007.

O diagrama a seguir apresenta os índices de qualidade do ar nas estações da rede manual, onde se monitora material particulado (total e inalável), apresentando o percentual de tempo de exposição a cada índice. Observa-se, por esses dados, que, na maior parte do tempo, a qualidade do ar atende aos padrões de qualidade (Boa ou Regular), sendo que algumas estações na área de influência direta do empreendimento, como Belford Roxo, Nova Iguaçu e São João do Meriti, entre outras, apresentam qualidade do ar próximo a um nível de saturação, com incidência de episódios de ultrapassagem dos padrões de qualidade do ar e raras ocasiões de qualidade boa. A rede automática de monitoramento da qualidade do ar na Região Metropolitana do Rio de Janeiro é constituída por 4 estações de amostragem contínua de poluentes do ar e parâmetros meteorológicos, localizadas nos bairros do Centro e de Jacarepaguá, no município do Rio de Janeiro, no Centro do município de Nova Iguaçu e no município de São Gonçalo. Também se encontram incorporadas à rede FEEMA, não só uma estação de monitoramento contínuo pertencente à UTE Barbosa Lima Sobrinho, localizada em Japeri/Engenheiro Pedreira, como também 4 estações da REDUC e uma da TERMORIO, na região de Duque de Caxias, todas 122

capacitadas a medir continuamente não só poluentes do ar, como também parâmetros meteorológicos.

Figura 3. 10 - Evolução do IQAr da rede manual da RMRJ
Fonte: FEEMA, 2007.

Nessas estações da rede automática, embora em menor quantidade, monitoram-se gases poluentes, além do material particulado, sendo que as de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São Gonçalo encontram-se na área de influência direta do Arco Metropolitano. A figura a seguir apresenta as médias anuais de dióxido de enxofre nas diversas estações automáticas, onde se pode observar que em todas elas – inclusive naquelas próximas à refinaria em Duque de Caxias –, os valores anuais estão bem abaixo do padrão de qualidade 123

do ar, demonstrando não ser este poluente um agente de maiores preocupações, desde que se passou a utilizar combustíveis com baixo teor de enxofre nos principais centros urbanos brasileiros.

Figura 3. 11 - Concentração Média Anual de Dióxido de Enxofre
Fonte: FEEMA, 2007.

Com relação ao dióxido de nitrogênio, como pode ser observado nas figuras a seguir, embora as médias anuais se apresentem bem abaixo do padrão de qualidade do ar, os níveis máximos se aproximaram muito ou ultrapassaram os padrões horários, indicando que eventualmente as concentrações deste poluente atingem valores de saturação, particularmente na região de Duque de Caxias, na área de influência do empreendimento.

124

Figura 3. 12 - Concentração Média Anual de Dióxido de Nitrogênio.
Fonte: FEEMA, 2007.

125

Figura 3. 13 - Concentração Máxima Horária de Dióxido de Nitrogênio
Fonte: FEEMA, 2007.

Já o CO, típico poluente de origem veicular, especialmente veículos leves, apresenta valores de média de 8 horas sempre abaixo de 50 % do padrão, sendo desta ordem de grandeza na estação do centro do Rio de Janeiro, indicando que este poluente não constitui problema na RMRJ, como pode ser observado na figura a seguir.

126

Figura 3. 14 - Concentração máxima em 8 horas de Monóxido de Carbono

Fonte: FEEMA, 2007.

As duas próximas figuras apresentam, respectivamente, as médias anuais e máxima diária de partículas inaláveis monitoradas na rede automática, onde se observa que em ambos os parâmetros os valores de diversas estações encontram-se próximos ao padrão de qualidade do ar, indicando condições de saturação atmosférica para este elemento, como já havia sido observado dos resultados do monitoramento da rede manual.

127

Figura 3. 15 - Concentrações Média Anual de Partículas Inaláveis
Fonte: FEEMA, 2007.

Figura 3. 16 - Concentração Máxima Diária de Partículas Inaláveis
Fonte: FEEMA, 2007.

128

Finalmente, o ozônio, como indicador dos oxidantes fotoquímicos, conforme já mencionado anteriormente, apresenta-se como o poluente mais crítico, com concentrações máximas acima dos padrões em todas as estações de monitoramento da RMRJ, e com diversos episódios críticos de qualidade do ar, como pode ser visto na figura a seguir. Deve-se ressaltar que a presença de altas concentrações de ozônio em uma dada estação, por se tratar de um poluente secundário, não significa que os precursores tenham sido emitidos nas proximidades, pois as reações fotoquímicas levam algumas horas para ocorrer, fazendo com que os picos de ozônio venham a ser verificados, freqüentemente, em locais distantes das fontes de emissão.

Figura 3. 17 - Concentração Máxima de 1 hora de Ozônio
Fonte: FEEMA, 2007.

129

O diagrama a seguir apresenta a incidência dos índices de qualidade do ar nas estações automáticas, observando-se que nas estações de Duque de Caxias ocorreu grande incidência de dias com qualidade Inadequada, lembrando que a maior parte das ultrapassagens dos PQAR verificadas nestas estações deve-se aos oxidantes fotoquímicos.

Figura 3. 18- Evolução do IQAr da rede automática – RMRJ

Fonte: FEEMA, 2007

3.1.3.2.

Ruído

No Brasil, a legislação pertinente aos níveis de ruído é a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA - nº 01/90, que determina que sejam atendidos os critérios estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT -, em sua norma técnica NBR 10.151 (revisão de 2000) “Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, Visando o Conforto da Comunidade”, para ruídos emitidos em decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas. Os níveis máximos de ruído externo que a norma técnica NBR 10.151 considera recomendáveis para conforto acústico são apresentados no Quadro 3.21, a seguir. 130

A reação pública a uma fonte de ruído normalmente só ocorre se for ultrapassado o limite normalizado, e é tanto mais intensa quanto maior o valor desta ultrapassagem.

Quadro 3. 21 - Limites de Ruído conforme NBR10.151

Tipos de áreas Áreas de sítios e fazendas Área estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de escolas Área mista, predominantemente residencial Área mista, com vocação comercial e administrativa Área mista, com vocação recreacional Área predominantemente industrial

Diurno 40 50 55 60 65 70

Noturno 35 45 50 55 55 60

Obs.: Caso o nível de ruído preexistente no local seja superior aos relacionados nesta tabela, então este será o limite.

Segundo a NBR 10.151, revisão de 1987: “Diferenças de 5 dB(A) são insignificantes; queixas devem ser certamente esperadas se a diferença ultrapassar 10 dB(A).” Embora este critério não possua efeito legal, é útil para a qualificação da magnitude de eventuais impactos negativos de ruído, e servir de base para a priorização da implantação de medidas corretivas. Conforme requerido pela norma NBR 10.151, a classificação do tipo de uso e ocupação do solo nos pontos receptores medidos deve ser realizada por observação local imediata durante as medições dos níveis de ruído. Desta forma, a classificação de uso e ocupação nos pontos receptores não representa, necessariamente, o zoneamento oficial do município, pois freqüentemente a ocupação real não 131

corresponde a ele. Por outro lado, os padrões de ruído são estabelecidos em função da sensibilidade dos agentes receptores, que estão intrinsecamente relacionados com o tipo de ocupação existente. A caracterização acústica de uma região só pode ser feita com precisão através de medições de nível de ruído. No entanto, o ruído ambiente altera-se significativamente em curtas

distâncias. Por exemplo, ao lado de uma avenida de tráfego pesado, os níveis sonoros podem atingir valores superiores a 80 dB(A) e, distanciando-se dela, em uma área residencial, com reduzido tráfego de veículos, em poucas quadras já se atingem valores adequados para a ocupação residencial, inferiores a 55 dB(A). Isto se dá porque o decaimento sonoro é da ordem de 6 dB(A) a cada vez que se dobra a distância até a fonte sonora, se considerada a propagação em campo aberto. Como, na

prática, sempre existem obstáculos à propagação sonora, este decaimento é ainda mais intenso. No caso de proximidade de fontes industriais, existem ainda outras peculiaridades. Se, por um lado, a fonte é fixa e frequentemente de intensidade pouco variável, ocorrem muitas vezes dificuldades na aplicação dos padrões legais de ruído. A indústria está, via de regra, em uma “área industrial”, onde a legislação, como já exposto, determina padrões de ruído mais permissivos. Já os pontos receptores de interesse – residências, por exemplo – estarão em uma área mista, ou residencial, onde seriam aplicáveis padrões sonoros bem mais restritivos. Desta forma, é muito comum que a emissão de ruído por uma atividade industrial esteja atendendo aos padrões dentro da área industrial, mas ultrapassando-os junto aos receptores, em uma área residencial vizinha. Por este motivo, é fundamental, para se evitar estas

incongruências legais, que haja um adequado planejamento e regulamentação do uso do solo, de modo a se criar áreas de transição entre as diferentes ocupações. Por essas razões, uma medição de ruído realizada em um local pode diferir significativamente de outra realizada a poucos metros de distância. Não existe, portanto, ao contrário da análise de qualidade do ar, a possibilidade de determinação de níveis sonoros que sejam representativos de áreas extensas, sendo indispensável que a avaliação acústica seja realizada em diversos pontos receptores de ruído, relativamente próximos um do outro. 132

Não existe, assim, um “Boletim de Qualidade Acústica”, ou um mapeamento sonoro da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, pois não haveria a possibilidade de se gerar um documento com estas características que fosse representativo de alguma região. O Arco Metropolitano, dada a sua extensão e características, com trechos em traçados novos e outros seguindo o eixo de vias já existentes, algumas com intenso tráfego de veículos, como a BR-116, apresenta condições acústicas muito diversas, desde locais em áreas rurais, com níveis sonoros inferiores a 50 dB(A), passando por áreas urbanas residenciais compostas por ruas de tráfego local, com nível sonoro de 50 a 60 dB(A), outras áreas urbanas servidas por avenidas de tráfego arterial, com níveis sonoros da ordem de 65 a 70 dB(A); até áreas de intensa atividade e tráfego pesado, superando os 75 dB(A) de nível de ruído ambiente. Obviamente, com a implantação do Arco Metropolitano, o ruído de tráfego gerado deverá elevar o nível sonoro resultante na área lindeira à via, sendo que o grau de incômodo deverá ser tanto maior quanto menor o ruído ambiente atual. Ou seja, as áreas menos ocupadas, onde atualmente o nível sonoro é de menor intensidade, constituem os pontos potencialmente mais críticos, pois nestes locais a operação da via de tráfego resultaria em um nível de ruído muito mais elevado em relação aos níveis prévios. Este efeito ambiental só poderá ser

quantificado futuramente, pela comparação dos resultados de medição de ruído realizadas antes da entrada em operação da via, em pontos potencialmente críticos, que são áreas residenciais, com instituições de saúde ou de ensino, localizadas a uma distância de até 300 m da futura via, com as medições realizadas nos mesmos pontos – e segundo a mesma metodologia – após a entrada em operação normal do Arco Metropolitano. Visto que as medições de ruído devam ser realizadas nos locais mais próximos à via de tráfego a ser implantada, enquanto não se define o seu traçado exato, qualquer avaliação acústica feita indicará apenas a ordem de grandeza do ruído característico de cada região de ocupação homogênea, tendo efeito limitado como base de referência na avaliação futura. Os empreendimentos industriais coligados ao Arco Metropolitano, embora em sua maioria ocupem áreas de uso unicamente industrial – o que não demanda maiores preocupações, pela ausência de receptores – devem também ser avaliados pontualmente, verificando a eventual existência de receptores potencialmente críticos dentro de sua área de influência acústica. 133

Especial atenção, neste sentido, assim como para a via de tráfego, deve ser dada à instalação de empreendimentos industriais em áreas atualmente de baixa ocupação, pois são justamente os locais onde os receptores eventualmente existentes são mais sensíveis a novas fontes sonoras. Também nas áreas de ocupação industrial, já existentes, a ampliar ou a implantar, a avaliação acústica deverá ser realizada junto aos pontos receptores potencialmente mais críticos dentro da área de influência de cada empreendimento. Dentre a documentação disponível para obtenção de dados nesta análise, o EIA do “Projeto de Implantação do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro BR-493/RJ-109”, realizado pelo Consórcio Concremat / Tecnosolo em 2007, apresenta os resultados de medições feitas em 18 pontos receptores localizados ao longo dos 74 km deste trecho, apresentando níveis de ruído ambiente que variam entre 44 e 82 dB(A), o que confirma o anteriormente exposto, sobre a grande variabilidade do nível sonoro, conforme a localização. Ressalta-se, no entanto, que estes valores apresentados no EIA poderão vir a constituir importante referência na futura comparação com novas medições, a serem realizadas após a entrada em operação da via de tráfego. No caso de uma via com as características e objetivos funcionais do Arco Metropolitano, além do efeito de aumento do nível de ruído resultante nas vizinhanças imediatas deste, haverá também um potencial de redução nos níveis de ruído de tráfego em vias que atualmente servem de ligação entre as diversas regiões a serem servidas pelo Arco Metropolitano, que deverão ter o seu fluxo total de veículos aliviado, com a conseqüente redução proporcional das emissões sonoras. Valem, neste caso, as mesmas considerações já tecidas quanto à

variabilidade do nível de ruído ambiente em função das características de ocupação da área. Seja como for, pode-se considerar que, dada a grande urbanização e alta densidade demográfica da RMRJ, na maior parcela da área de influência do empreendimento o nível sonoro atual já deve ultrapassar os padrões recomendáveis conforme a NBR 10151, indicando por um lado uma “saturação” sonora (que implica em impossibilidade legal de incremento nos níveis de ruído atuais) e por outro lado uma baixa sensibilidade da população a novas fontes de ruído, por já estar submetida a condições acústicas acima dos padrões recomendáveis.

134

Deve-se ter especial atenção, neste sentido, aos locais onde existam receptores atualmente sujeitos a níveis adequados de ruído, particularmente bairros residenciais distantes de vias de tráfego intenso, localizados a uma distância de até 300 m do traçado do Arco Metropolitano, que deverão constituir os pontos receptores potencialmente mais críticos.

3.1.4. Resíduos Sólidos
Este item trata da questão dos resíduos sólidos na área de abrangência do Arco Metropolitano, abordando os três tipos principais de resíduos – urbanos, industriais e dos serviços de saúde. Além disso, são inseridos comentários sobre as ações previstas pelo Programa de Despoluição da Baía da Guanabara, no que diz respeito às soluções propostas para gestão dos resíduos sólidos na região.

3.1.4.1.

Resíduos Sólidos Urbanos

Os municípios integrantes da área de abrangência do Arco Metropolitano geram uma média diária de 14.000 toneladas de resíduos sólidos urbanos, cuja destinação final se divide entre aterros sanitários, aterros controlados, e lixões: Aterros sanitários: são áreas que possuem uma infra-estrutura voltada à minimização de impactos sobre o meio ambiente, havendo basicamente a impermeabilização do solo, coleta e tratamento do chorume gerado, cobertura periódica do local de disposição, controlando problemas quanto à proliferação de odores desagradáveis, assim como atração de animais/vetores; Aterros controlados: podem ser entendidos como locais de destinação sem

impermeabilização inferior, criando potencial de impactos do solo e águas subterrâneas por meio da percolação do chorume, havendo apenas a realização da cobertura periódica dos resíduos depositados; Lixões: possuem as piores condições operacionais. Não há impermeabilização inferior, não existe a atividade de cobertura diária dos resíduos, geram odores desagradáveis, servem 135

de atrativo para animais e criam a possibilidade de se vincular atividades paralelas, como a catação de materiais recicláveis e respectivo comércio. O Quadro 3.22 exibe os 21 municípios da área de abrangência do Arco Metropolitano, sua geração diária de resíduos urbanos, condições da destinação final, além de aspectos operacionais relevantes. Alguns dados referentes aos municípios de Mangaratiba, Seropédica e Maricá ou não estão disponíveis, ou mostraram inconsistências, e serão devidamente contemplados nos próximos produtos deste estudo, após sua consolidação.
Quadro 3. 22 - Geração diária dos resíduos sólidos urbanos na área de abrangência do Arco Metropolitano – 2000
Geração diária (toneladas) 100 Aspectos operacionais relevantes Operação inadequada

Sub-bacia contemplada Baía de Guanabara Baía de Guanabara/Baixo Paraíba do Sul/Guandu

Município Itaguaí

Índice de coleta (%) 88,6

Destinação final Aterro controlado

Mangaratiba

Em consolidação

Em consolidação

Em consolidação

Em consolidação

Baia de Guanabara/Guandu

Rio de Janeiro

98,87

9.089

CTR Gericinó e Aterro de Gramacho Lixão

Os locais estão em fase final de vida útil Operação inadequada Operação inadequada

Guandu

Seropédica

80,2

Em consolidação 375

Baia de Guanabara Baía de Guanabara/Baixo Paraíba do Sul/Guandu Guandu Baia de Guanabara/Baixo Paraíba do Sul Baia de Guanabara/Guandu

Belford Roxo

88,42

Lixão

Duque Caxias

de

88,95

750

Aterro de Gramacho

Fase final de vida útil

Japeri Magé

57,6 84,05

28 130

Lixão Lixão Aterro de Gramacho

Operação inadequada Operação inadequada Fase final de vida útil

Mesquita

98,91

95

136

Sub-bacia contemplada Baia de Guanabara Baia de Guanabara/Guandu Baixo Paraíba do Sul/Guandu Baía de Guanabara/Guandu Baia de Guanabara Baía de Guanabara/Baixo Paraíba do Sul/Guandu/São João e Complexo Baia de Guanabara/Baixo Paraíba do Sul

Município Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi

Índice de coleta (%) 99,00 87,15 89,6

Geração diária (toneladas) 125 1.000 76

Destinação final Aterro de Gramacho CTR Nova Iguaçu Lixão Aterro controlado Aterro de Gramacho

Aspectos operacionais relevantes Fase final de vida útil Aproveitamento de biogás Operação inadequada Operação inadequada Fase final de vida útil

Queimados

86,7

53

São João do Meriti

97,70

300

Cachoeira Macacu

de

71,44

23

Lixão

Operação inadequada

Guapimirim

78,39

20

Aterro controlado

Operação inadequada

Baia de Guanabara Baia de Guanabara/São João e Complexo Lagunar Baía de Guanabara/São João e Complexo Lagunar

Itaboraí

60,05

110

Lixão

Operação inadequada

Maricá

71,8

81

Em consolidação

Em consolidação

Niterói

96,92

750

Aterro controlado

Fase final de vida útil

Baía de Guanabara/São João e Complexo Lagunar Baía de Guanabara

São Gonçalo

91,19

870

Aterro controlado

Fase final de vida útil Operação inadequada

Tanguá

77,53

16

Lixão

Fonte: LIMA/COPPE, 2008.

137

3.1.4.2.

Resíduos Sólidos Industriais

Para um melhor conhecimento das condições dos resíduos industriais, o Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA – definiu, em 2002, uma resolução específica para inventariar as gerações e o próprio gerenciamento dos resíduos provenientes dos processos industriais, diferenciados principalmente pela periculosidade e potencial geração de impactos ambientais. Sua aplicabilidade não se tornou efetiva, pois grande parte das empresas não atende tal exigência legal. Os dados a seguir discutidos foram obtidos de levantamento estadual promovido pelo Instituto Estadual do Ambiente – INEA –, no ano 2000, na época denominada Fundação Estadual de Meio Ambiente – FEEMA. Os dados se resumem à situação industrial da Baia de Guanabara, única área abrangida no trabalho do INEA, que obteve registros de 636 empresas. Numa visão geral da geração dos resíduos industriais inventariados, 31,48% são classificados como Classe I – Perigosos, segundo a Norma Técnica ABNT – NBR 10.004/2004. Do restante, 12,06% são Classe IIA – Não Inertes, e 56,46% são Classe IIB – Inertes. Os municípios do Rio de Janeiro e Duque de Caxias são responsáveis por 76,60% de todo o resíduo Classe I – Perigoso produzido e 75,11% dos resíduos Classe II – Não Perigosos, mostrando seu alto grau de industrialização. O quadro a seguir apresenta de forma detalhada as gerações dos resíduos industriais inventariados e registrados no INEA.

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Quadro 3. 23 - Resíduos sólidos industriais inventariados – 2000

Resíduos Gerados (t/ano) Município Classe I Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Magé Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Rio de Janeiro São Gonçalo São João de Meriti Tanguá Total Fonte: INEA, 2000. 4.568,88 0 42.890,04 0 45,6 24 8,64 148,44 16.611,24 49.731,6 6.873 0,6 0 120.902,04 Classe IIA 783,36 0,36 17.695,32 60 185,16 123,6 0,24 504,72 3.987,72 14.108,16 7.290,6 24,48 1.560 46.323,72 Classe IIB 3.887,28 0 58.386,24 1.539,84 1.385,4 605,52 32,76 2.423,16 8.785,08 107.460,12 32.208,36 18,48 63,6 216.795,84 Total 9.239,52 769,96 11.8971,6 1599,84 1.616,16 753,12 41,64 3.076,32 29.384,04 171.299,88 46.371,96 43,56 1.623,6 384.791,20

A grande preocupação no âmbito do processo de gerenciamento ambiental dos resíduos sólidos é escolher a forma mais adequada para o seu tratamento e/ou deposição final. A melhor indicação sempre estará voltada aos locais licenciados pelo órgão ambiental, pois corresponderá a um processo conhecido tecnicamente e avaliado ambientalmente, trazendo uma segurança ao gerador quanto à geração de potenciais impactos ambientais associados. Para o tratamento dos resíduos, o mercado fornece como principais opções: reciclagem, incineração e coprocessamento. Demais formas se resumem em procedimentos onde o resíduo permanece “existente” por um período considerado de longo prazo. Este é o caso básico dos aterros, onde o resíduo é depositado num espaço específico, permanecendo 139

“existente”, estabelecendo desta forma uma relação de responsabilidade ambiental do gerador sobre o resíduo. Tal relação de responsabilidade se estende por um longo período, até mesmo após o encerramento das atividades do aterro, pois no local remanescerá um passivo ambiental que necessariamente precisa de cuidados/monitoramentos periódicos, de modo a comprovar a inexistência de impactos negativos, criando-se um compromisso de adequações técnicas, sempre que pertinente. Como a cobrança ambiental entre o gerador e o seu resíduo possui uma tendência de crescimento, grande parte das empresas está deixando de lado a opção dos aterros, exatamente pelo longo tempo de responsabilidade a ser assumido pelo passivo depositado, passando assim para as opções térmicas de tratamento, especialmente o coprocessamento. Este tratamento, além de aproveitar o poder calorífico do resíduo, elimina a questão de disposição, sendo então incorporado ao produto final do processo industrial (cimenteira). Toda a forma de destinação final de um resíduo sempre estará ligada às suas características físico-químicas, passíveis de prévia avaliação e aprovação pelo órgão ambiental. Segundo o levantamento do INEA (2000), os principais sistemas de destinação utilizados pelas indústrias são: recuperação/reciclagem (40,88%), aterros municipais (31,70%) e

coprocessamento (15,68%). A figura a seguir exibe as condições gerais das destinações finais.

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Figura 3. 19 - Destinações finais aplicáveis aos resíduos industriais no Estado do Rio de Janeiro
Fonte: INEA, 2000.

Dos resíduos inventariados 68,38% correspondem aos classificados como Classe II – Não Perigosos, enquadrando os que possuem um valor comercial agregado, como o papel, plástico, metal, vidro, entre outros. Devido a este fato, há um maior quantitativo de empresas licenciadas exatamente para absorver este mercado. Para esses resíduos, no ano 2000, existiam cerca de 120 empresas licenciadas, com portes variados, contemplando as atividades de transporte e comercialização. Outro resíduo comercializado, mas classificado como Classe I – Perigoso, é o óleo utilizado nos processos industriais. Em 2000, existiam apenas três empresas autorizadas legalmente para operar com a reciclagem desse resíduo, processo este denominado “rerrefino”. Como a destinação final pode ser realizada em outros Estados, mediante prévia autorização do INEA, parte era direcionada para demais destinatários brasileiros, no ano considerado. O Brasil atualmente experimenta um processo de estruturação para atender à demanda dos resíduos sólidos. Apresenta-se a seguir a quantificação das estruturas licenciadas e capacitadas a receber os resíduos industriais no Brasil. Estes dados foram obtidos na Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos – ABETRE.

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Quadro 3. 24 - Empresas que atuam na destinação dos resíduos industriais no Brasil

Tipo de destinação e capacidade Aterro Classe IIA Capacidade: sem informações Aterro Classe I Capacidade: 4.000.000 t Coprocessamento (cimenteiras) Capacidade: 1.500.000 t/ano

Região Brasileira Nordeste Sudeste Sul Nordeste Sudeste Sul Norte Nordeste Sudeste Centro Oeste Sul Nordeste Sudeste Centro Oeste Sul Norte Nordeste Sudeste

Quantidade de empresas 4 23 9 2 8 6 2 5 14 5 4 1 6 1 2 2 2 8

Unidades de Blend(*) Capacidade: 380.000 t/ano Incineradores Capacidade: 97.000 t/ano

Fonte: LIMA/COPPE, 2008; (*) Blend: atividade de homogeneização de resíduos industriais para posterior tratamento térmico por meio do coprocessamento. Esta homogeneização é necessária para evitar desvios do processo produtivo da empresa cimenteira.

3.1.4.3.

Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde

Os resíduos provenientes das atividades dos serviços de saúde merecem um destaque, pois possuem especificidades quanto ao potencial de patogenicidade, podendo originar impactos socioambientais negativos caso não gerenciados da maneira correta. Os procedimentos de manuseio e, principalmente, de acondicionamento e destinação final desses resíduos são estabelecidos pela Resolução da Diretoria Colegiada – RCA/Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA 306/04, complementados pela Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA 358/05. 142

Os resíduos são divididos em cinco grupos, de acordo com as respectivas características patogênicas e /ou de periculosidade. De acordo com as prescrições das resoluções antes referidas, todos os geradores devem elaborar um Plano de Gerenciamento conforme suas atividades desenvolvidas e quantitativos relacionados. Mesmo esta exigência sendo formulada no ano 2005, sua implementação prática ainda é deficiente, de modo que não existe um banco de dados confiável, principalmente pela ausência de fiscalização, criando uma falta de compromisso entre os geradores desse tipo de resíduo perigoso. Estimativas dos quantitativos de geração de resíduos dos serviços de saúde podem ser feitas tomando como base referencial um levantamento mundial efetuado pelo Instituto International Health Care Network, no ano 1997. Segundo esse trabalho, para a estimativa de geração dos resíduos dos serviços de saúde nos municípios da área de abrangência do Arco Metropolitano, adota-se como referência a geração de 03 kg/leito – hospital geral, podendo este índice ser modificado mediante atividade desenvolvida e tipo de resíduo criado; para os químicos, são 0,5 kg/leito perfuro cortantes, 0,04 kg/leito e embalagens 0,5 kg/leito. O quadro a seguir exibe as estimativas de quantitativos realizadas pelo IBGE, para os municípios da área de abrangência do Arco Metropolitano. Os resíduos de serviços de saúde, na prática, ainda não são inventariados numa dimensão confiável e muito menos possuem um gerenciamento ambiental adequado, sendo em grande parte incorporados ao sistema de coleta pública e enviados aos locais de disposição dos resíduos urbanos, contrariando a legislação brasileira, que exige a destinação para incineração ou aterro sanitário; neste último caso, ainda é necessário um tratamento prévio para a minimização do potencial patogênico dos resíduos.

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Quadro 3. 25 - Estimativas quantitativas municipais dos resíduos de serviço de saúde.

Município

Nº de estabelecimentos 41 Em consolidação

Nº de leitos hospitalares 183 Em consolidação

Geração diária estimada (kg) 549 Em consolidação 63.309

Aspectos operacionais relevantes Coleta inadequada Em consolidação Destinação sem prétratamento

Itaguaí Mangaratiba

Rio de Janeiro

1.595

21.103

Seropédica Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Meriti Cachoeira Macacu Guapimirim Itaboraí de João do

28 26 212 12 58 17 28 107 27 17 72 24 12 70

18 189 949 182 451 0 65 1.021 1.176 146 1.016 68 39 364

54 567 2.847 546 1.353 0 195 3.063 3.528 438 3.048 204 117 1.092

Sem informação Coleta inadequada; disposição em lixão Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta adequada com prétratamento Sem informação Sem informação Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta inadequada; disposição em lixão Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento Coleta diferenciada; disposição sem pré-tratamento

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Município

Nº de estabelecimentos 29 272 200

Nº de leitos hospitalares 104 2.534 1.991

Geração diária estimada (kg) 312 7.602 5.973

Aspectos operacionais relevantes Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento

Maricá Niterói São Gonçalo

Coleta diferenciada; possui tratamento térmico Coleta diferenciada; possui tratamento térmico

Tanguá

4

200

600

Coleta inadequada; disposição sem pré-tratamento

Fonte: IBGE, 2005.

3.1.4.4.

Considerações sobre o Programa de Despoluição da Baia de Guanabara

– PDBG
O PDBG está dividido em três fases distintas: Fase I – Programa de Despoluição da Baía de Guanabara; Fase II – Programa de Recuperação Ambiental da Bacia da Baía de Guanabara; Fase III – Programas Ambientais Complementares. A questão dos resíduos sólidos está contemplada na Fase I, distribuindo-se entre os seguintes componentes: Componente I – Saneamento: esgotos sanitários e abastecimento d’água; Componente II – Drenagem urbana (macrodrenagem); Componente III – Resíduos sólidos; Componente IV – Programas ambientais complementares; Componente V – Mapeamento digital. O Componente III do PDBG, tem como objetivos a implementação de ações para disposição, destinação e tratamento do lixo urbano, construção de incineradores, instalação de usinas de reciclagem e compostagem, além da recuperação de aterros existentes. 145

O PDBG pretende atingir o recolhimento de 90% dos resíduos urbanos com disposição adequada em aterros sanitários, beneficiando 2,8 milhões de habitantes e resultando em impactos ambientais positivos, como a redução dos assoreamentos dos corpos d’água e a minimização da carga poluidora e melhoria da qualidade das águas superficiais e subterrâneas. A implantação de aterros sanitários, devido à existência de impermeabilização do solo, coleta e tratamento do chorume gerado, evitaria a percolação desta carga poluidora líquida no solo, reduzindo a contaminação do solo e das águas subterrâneas, que ocorre em aterros controlados e lixões. Segundo auditoria operacional do PDBG, efetuada em 2006 pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, constatou-se o seguinte: Dentre as metas estabelecidas pelo PDBG, consta a implantação de Estações de Transferência, que, segundo dados da SEMADUR, já foi atingida; A Estação de Transferência de Resíduos Urbanos de São João de Meriti está operando através dos serviços prestados pela empresa SERVIFLU, que participa, entre outras atividades, com o transporte de estimadas 400 toneladas diárias ao Aterro Gramacho; Paralelamente, está em operação a Estação de Transferência de Nilópolis, de onde são dirigidas cerca de 140 toneladas diárias para o mesmo aterro (Gramacho); No que se refere aos municípios de São Gonçalo e Niterói, respectivas usinas de triagem/reciclagem e compostagem estão em andamento, existindo nas proximidades um grande número de catadores; Os aterros de São Gonçalo, Niterói e Magé não tiveram andamento. No caso de São Gonçalo, em razão de um Mandato de Intimação do Ministério Público Estadual, devido à reação negativa da população local quanto à implantação do aterro; Em Niterói, foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC – para o encerramento das atividades do aterro Morro do Céu e, paralelamente, o início de implantação de um aterro sanitário, visto que o atual opera sob o regime de aterro controlado.

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3.2. Desenvolvimento Urbano
3.2.1. Rede e centralidades urbanas
As metrópoles de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília estão no contexto de primeiro nível de gestão territorial de acordo com a Hierarquia dos Centros Urbanos Brasileiros, pois a principal ligação externa de cada uma destas metrópoles se dá com outras metrópoles regionais. É neste contexto que se encontra o Arco Metropolitano, inserido na Região Metropolitana no Rio de Janeiro, interligando as principais rodovias federais e possibilitando também a ligação rodoviária entre Itaguaí (porto de Itaguaí / empreendimentos siderúrgicos) e Itaboraí (COMPERJ). O Rio de Janeiro – Metrópole Nacional – tem projeção no próprio Estado, no Espírito Santo, em parcela do sul da Bahia, e na Zona da Mata de Minas Gerais, onde divide influência com Belo Horizonte. Essa rede conta com 11,3% da população do País e 14,4% do PIB nacional. O PIB per capita é da ordem de R$ 15 mil no centro, e R$ 14,8 mil nos demais municípios da rede. Compõem a rede do Rio de Janeiro: Vitória, como capital regional A; Juiz de Fora, capital regional B; e Cachoeiro de Itapemirim, Campos dos Goytacazes e Volta Redonda - Barra Mansa, capitais regionais C. Os centros sub-regionais A de Barbacena, Muriaé, Ubá, Teixeira de Freitas, Colatina, São Mateus, Cabo Frio, Itaperuna, Macaé e Nova Friburgo; e os Centros sub-regionais B de Cataguases, Linhares, Resende, Angra dos Reis e Teresópolis também integram a rede do Rio de Janeiro. Ressalta-se que os municípios considerados como integrantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ou Grande Rio, são: Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá. Portanto, de acordo com o REGIC (IBGE, 2008, op. cit.), importante considerar que para a análise realizada no contexto do Plano Diretor, considera-se de extrema importância a própria dinâmica urbana entre estes municípios, ou seja, os municípios integrantes da Região Metropolitana exercem importante relação entre si.

147

3.2.2. Polarização e Determinantes da Funcionalidade Intrametropolitana
Após o estudo de Lysia Bernardes ( “O Rio de Janeiro e a sua região”, IBGE, Rio de Janeiro,1964), o IBGE, seguindo a metodologia adaptada para o caso brasileiro proposta por M.Rochefort e Hartreau(“La fonction régionale de l’armature urbaine française”, Ed. Ministère de la Construction et de l’Équipement, Paris, 1963 e “Métodos de Estudo das Redes urbanas”, in Boletim Geográfico no.19, Rio de Janeiro, 1961), vem publicando há vários anos os resultados das pesquisas sobre as “Regiões de influência das cidades” no país. Entretanto, a referência de base espacial para as pesquisas tem sido primordialmente o conjunto dos aglomerados metropolitanos nas 9 Regiões Metropolitanas oficiais. Assim, no caso do Rio de Janeiro, identificada como a segunda metrópole nacional, as funções urbanas são analisadas, via redes de influência, a partir das demandas e das ofertas do seu conjunto metropolitano, no qual a capital está inserida e representa uma parcela majoritária desta influência espacial. Com efeito, e segundo os resultados recentes (“Regiões de influência das cidades-2007”, IBGE, Rio de Janeiro, 2008), a Região metropolitana do Rio de Janeiro polariza, além de todo o interior de seu estado, um total de 264 municípios da federação, abrangendo uma área de influência de mais de 137 mil kms2 e onde estão assentados mais de 20,7 milhões de habitantes. Esta polarização técnica, embora se contraindo com o passar dos tempos – em 1964, a polarização da cidade alcança um território que se estende até a capital de Brasília, incluindo todo o estado de Minas Gerais, o Espírito Santo, o sul da Bahia e o do estado de Goiás -, ela abarca ainda o estado do Espírito Santo, o sul da Bahia e a Zona da Mata mineira, até o município de Juiz de Fora onde já compartilha a sua polarização com a capital mineira de Belo Horizonte. Segundo o IBGE esta área de influência conta com 11,3% da população do país e responde, aproximadamente, por 14,4% do PIB nacional. Desta forma, o estudo das centralidades e subcentralidades do território intrametropolitano em questão fica prejudicado pela abrangência e principalmente, pela base espacial eleita para estes estudos do IBGE, a não ser pela evidência da polarização técnica, e mesmo, psicológica, inequívoca da metrópole do Rio de Janeiro sobre todo o seu espaço estadual.

148

A identificação das centralidades e subcentralidades do território intrametropolitano, entretanto, não é um exercício complexo, pois muitas populações dos núcleos urbanos que foram emancipados após a Constituição de 1988, demandam por funções urbanas, salvo raras exceções, cuja presença e distribuição dos bens e serviços emanam ainda, principalmente, dos respectivos 1os. distritos municipais de origem que ainda são, sem dúvida alguma, a principal referência de oferta dessas funções. Seguindo a dinâmica e as características de funcionamento dos centros urbanos, no caso municipais (1º. Distrito), e suas redes de influência, acima apontadas, procedemos, primeiramente com a análise do conjunto de municípios de cada uma das 3 partições sugeridas para, em seguida, identificar as redes entre estas sub-regiões do território intrametropolitano. Algumas entrevistas pontuais – vide, Questionário padrão em anexo -, no comércio varejista, e junto à alguns serviços essenciais (médicos, dentistas, veterinárias, laboratórios de análises clínicas, etc.), bem como às administrações municipais (hospitais gerais e especializados,etc.) foram realizadas nestas localidades, procurando entender e identificar estas redes de influência intrametropolitanas. Nos quadros, abaixo, apresentamos a evolução das populações municipais e de seus respectivos distritos, bem como as taxas médias geométricas de crescimento anual entre os períodos censitários e as respectivas densidades demográficas em fim de período. O critério para a caracterização dos diferentes municípios foi, respectivamente: Taxa média geométrica de crescimento anual, verificada nos períodos censitários, no município sendo superior àquelas observadas para o conjunto da Região metropolitana, para o Estado do Rio de Janeiro e para o país, significando uma forte atratividade no período. Nesses casos, a coloração indicativa, nos quadros abaixo, sendo vermelha. A taxa média geométrica de crescimento anual, verificada nos períodos censitários, no município sendo inferior àquelas observadas para toda a Região metropolitana, para o Estado do Rio de Janeiro e para o país, significando uma fraca atratividade no período. Nesses casos, a coloração indicativa, nos quadros abaixo, sendo a amarela. A coloração laranja indica uma atratividade média do município, uma vez que as taxas médias geométricas de crescimento anual se apresentaram apenas superiores àquelas verificadas para o país, sendo inferiores àquelas das escalas metropolitana e estadual. A

coloração verde identifica aqueles distritos, de uma mesma circunscrição municipal, com taxas 149

médias geométricas de crescimento médio superiores ao verificado no próprio município, significando uma atratividade relativa importante, por período censitário, ao nível intramunicipal. Centralidades da Área de Estudo 1 São três os municípios, Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba, mais a Área de Planejamento 5 (AP 5) do município da capital, formada pelo bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Guaratiba, Bangú e Realengo que compõem esta área de Estudo 1 do território da meso região. Os municípios de Itaguaí e o de Seropédica estarão sob influência direta dos futuros empreendimentos estruturantes do Arco metropolitano, enquanto o município de Mangaratiba e a AP 5 do Rio de Janeiro, devem receber uma influência indireta destas operações. Pode-se perceber que todos os municípios desta Área, inclusive a AP 5 do Rio de Janeiro, vem crescendo demograficamente acima das taxas verificadas no próprio estado do Rio de Janeiro, bem como na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Este crescimento aponta indubitavelmente para o fenômeno da forte atratividade populacional exercida, desde então, pelos mesmos nesta área de estudo. No que tange a centralidade funcional desta sub-região de estudo e suas áreas de influência a partir dos núcleos urbanos presentes, podemos perceber que, na realidade, trata-se de um espaço com ausência efetiva de uma centralidade definida em matéria de oferta de bens e serviços urbanos. Com efeito, as funções urbanas presentes no município de Itaguaí são ainda tímidas e mesmo, inexistentes, fruto de um assentamento desordenado e rarefeito de seus núcleos urbanos (Ibituporanga e Seropédica, por exemplo), ocupado notadamente pelos transbordamentos da capital metropolitana polarizante, sobretudo “sob trilhos” como vimos anteriormente. O atual município de Seropédica, por sua vez, emancipado após a Constituição de 1988, ainda tem uma relativa dependência funcional com o seu ex primeiro distrito (Itaguaí), entretanto, vem compartilhando, nos últimos anos, esta dependência com o município de Paracambi (na sub-região 2) visto a fácil acessibilidade, em termos de distância e de transportes (BR-116 e a antiga rodovia Rio-São Paulo, a BR- 465), onde, estas rodovias cortam o seu território. Vale lembrar que este município metropolitano conta apenas com 2 agências bancárias, e um posto avançado do Banco do Brasil S.A. da agência de Itaguaí, situado nas dependências da 150

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em seu território, bem como a ausência de funções de Entretenimento (teatros, cinemas, museus), com apenas 1 biblioteca, e de Saúde, com apenas 17 clínicas especializadas particulares e sem um leito sequer, e nenhum hospital geral. É preciso enfatizar aqui o fim do pedágio rodoviário, cobrado até recentemente na principal agulha de acesso a este município de Seropédica, próximo a antiga rodovia Rio-São Paulo(BR-465), que dinamizou esta procura por bens e serviços urbanos relativamente mais sofisticados no município contiguo e de menor porte de Paracambi. Em dezembro de 2009, o referido pedágio voltou a ser cobrado, entretanto, os veículos de passeio ou não, com placas de imatriculação em Seropédica e Paracambi estão isentos, não alterando, portanto, a tendência verificada quando da pesquisa de campo. O município de Mangaratiba e a Área de Planejamento 5 da capital metropolitana, que devem sofrer respectivamente uma influência indireta dos empreendimentos estruturantes do Arco metropolitano, possuem funções urbanas diferenciadas entre elas e mesmo, no seu interior. Com efeito, na AP 5 da capital percebe-se o aparecimento, cada vez mais, de funções

urbanas mais nobres e sofisticadas em seu bairro de Guaratiba, fruto de uma população residente de padrão de renda mais elevado e onde, inclusive, já começa a impactar e logo, a atender as demandas, de bairros como o de Santa Cruz, este último com funções urbanas mais precárias e rarefeitas. No caso do município de Mangaratiba, fortemente polarizado pela capital metropolitana, suas funções urbanas são estritamente locais e atendem, de uma forma restrita, as populações presentes em seus distritos, não influenciando funcionalmente os municípios contíguos como, por exemplo, o de Itaguaí. O ramificação ferroviária de Santa Cruz( RJ) até o distrito de Itacurussá, que funcionou até a década dos anos 80, muito contribui para a fixação das populações dos distritos do município de Mangaratiba. O município de Itaguaí deve, no futuro próximo, ao receber um forte impacto dos inúmeros empreendimentos estruturantes vinculados a seu porto, exercer uma maior influência nesta sub-região e assim apresentar uma centralidade funcional de referência metropolitano da referida sub-região. neste espaço

151

Centralidades na Área de Estudo 2 Com uma área de mais de 2.000 km2, esta área de estudo (Quadro 2) é indubitavelmente a mais extensa do traçado do Arco metropolitano do Rio de Janeiro e aquela com um número maior de municípios sob a influência deste futuro arco rodoviário. Sua população residente atual é de mais de 3 milhões de habitantes. Entretanto, embora vasta em extensão, esta sub-região é aquela que apresenta o maior número de municípios de pequenas dimensões geográficas e geralmente, com grandes concentrações demográficas. Isto pode ser explicado pelas inúmeras emancipações distritais ocorridas após a Constituição federal de 1988 e onde distritos populosos, salvo algumas exceções e com ausência de funções urbanas mínimas que, quando existentes são de

natureza tímida ou inexpressiva, se tornaram municípios da federação. Compõe esta subregião 10 municípios fluminenses mais a área de planejamento 3 da capital formada pelos bairros de Bonsucesso, Penha, Ramos, Olaria, Irajá, Governador. Os municípios de Paracambi, Japerí, Maré metropolitana, e Ilha do

Queimados, Belforf Roxo, Nova Iguaçú,

Duque de Caxias, Magé estarão sob a influência direta dos empreendimentos estruturantes, enquanto os demais ou seja, Mesquita, Nilópolis, São João de Meriti e a AP 3 da capital metropolitana devem receber uma influência mais indireta do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Como salientamos acima, todos esses municípios são polarizados pela capital metropolitana e seus assentamentos se devem ao processo de transbordamento desta mesmos, não havendo inclusive, capital sobre os

em sua grande maioria, descontinuidades espaciais nas

ocupações. Entretanto, embora no passado recente, caracterizassem basicamente como cidades-dormitório, com o incremento relativo da renda, em alguns deles, e de certo modo um empreendorismo local, percebe-se o aparecimento e o crescimento de funções urbanas, embora muitas vezes tímida e as vezes, de baixa qualificação urbana, todas supridas naturalmente pela capital metropolitana que guarda ainda uma forte referência funcional. A presença, mais recentemente, de grandes redes de hipermercados (Carrefour,Makro, Atacadão, etc.) nos limites administrativos de Belford Roxo, Nova Iguaçú e Mesquita e ao longo da BR-116(Rio- São Paulo) corrobora este fato, atendendo uma grande parte destas 152

populações, inclusive, aquelas da periferia da metrópole Rio de Janeiro (os bairros de Irajá, Pavuna, Acarí, etc, por exemplo). De qualquer forma, algumas centralidades estão presentes nesta sub-região polarizada pela cidade do Rio de Janeiro. Os municípios de Nova Iguaçú e Duque de Caxias são exemplos marcantes dessas centralidades funcionais. No primeiro caso, Nova Iguaçú, tem a sua centralidade funcional sobre os municípios de Japeri, Queimados, Mesquita, Nilópolis e São João de Meriti, todos ex- distritos emancipados do primeiro no passado recente, a exceção de São João de Meriti. Estes municípios e suas populações encontram ainda neste primeiro, a referência funcional necessária, que os supre de bens e de serviços essenciais e que não são encontrados em seus territórios municipais. O mesmo ocorrendo com o município de Duque de Caxias cuja influência funcional se estende ao município de Magé e também, em parte, ao de São João de Meriti, onde este último divide a influência funcional com o município de Nova Iguaçú, devido principalmente ao fácil acesso ao primeiro. O município de Japeri, por sua vez, cuja influência funcional é exercida por Nova Iguaçú e notadamente pelo Rio de Janeiro, com as melhorias da RJ-093 (Japeri-Paracambi-Eng. P. de Frontin - Mendes), bem como a ramificação

ferroviária, tem recorrido,nos últimos anos, às funções urbanas de Paracambi relativamente mais diversificadas do que aquelas encontradas em seus respectivos e distintos núcleos urbanos, Engenheiro Pedreira e Japerí. Quanto a AP3, onde integram os bairros da capital supracitados, sua influência sobre os municípios periféricos é incontestável, uma vez que nela são encontradas funções urbanas nobres e diversificadas e de um certo modo, mais dinâmicas do que as da AP5 na sub-região de estudo 1. Centralidades na Área de Estudo 3 São 7 os municípios,que compõem esta área de Estudo 3 do território da meso região. Os municípios de Itaboraí, Guapimirim, São Gonçalo, Niterói estarão certamente sob influência direta dos futuros empreedimentos estruturantes do Arco metropolitano, enquanto o município

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de Maricá, Tanguá e Cachoeira de Macacu, devem receber uma influência indireta destas operações. Pode-se perceber pelo Quadro 3, abaixo, que praticamente todos os municípios desta Área vem crescendo demograficamente acima das taxas verificadas no país, no estado do Rio de Janeiro, bem como na própria Região Metropolitana do Rio de Janeiro, à exceção do município de Niterói, cuja urbanização se apresenta bastante consolidada e em termos de funções urbanas e, um pouco menos, o município de São Gonçalo o qual apresenta, em fim de período, uma média atratividade, medida e comparada com as taxas de crescimento verificadas no país e no próprio estado no mesmo período. Podemos considerar que, em quase toda a sua totalidade, o crescimento relativo verificado nos municípios desta área de estudo aponta indubitavelmente para uma forte atratividade populacional exercida, desde então, pelos mesmos, nesta meso região intrametropolitana. No que tange as redes de influência, exercidas pela oferta de bens e serviços, nos diferentes municípios, a ex-capital fluminense Niterói apresenta indiscutivelmente uma forte polarização. Com efeito, o município de Niterói, embora polarizado pela metrópole nacional do Rio de Janeiro, exerce uma centralidade muito expressiva nesta sub-região e onde, o leque relativamente diversificado de suas funções urbanas atrai grande parte da população destes municípios do leste da Baía da Guanabara, como Maricá, Tanguá, Itaboraí, Cachoeiro de Macacu e principalmente, o município contíguo de São Gonçalo. Com efeito, com uma

densidade demográfica importante e a atuação de economias de aglomeração, apoiado pelo aumento gradativo da renda local, proporcionaram nos dias atuais o aparecimento de funções urbanas mais nobres que atendem um horizonte espacial importante, atendendo praticamente este conjunto de municípios. Assim, os municípios de Tanguá, Itaboraí, São Gonçalo e Maricá, embora fortemente polarizados pela metrópole, encontram suas respectivas referências funcionais em Niterói e no caso do município de Cachoeira de Macacu, além da mesma dependência funcional encontrada por estes primeiros municípios, esta vem sendo compartilhada com o município contíguo de Teresópolis, fora da área metropolitana e da influência futura do Arco metropolitano. 154

Entretanto, o município de Niterói, mesmo exercendo uma centralidade importante diante destes municípios da sub-região, a proximidade relativa com a capital nacional do Rio de Janeiro faz com que estas populações municipais recorram a metrópole, a qual ainda serve de referência maior, visando o atendimento de suas demandas essenciais. O município de Guapimirim (ex-distrito, emancipado após a Constituição de 1988, do município de Magé) tem suas funções urbanas complementadas de forma diferente dos anteriores. Com efeito, Guapimirim encontra sua demanda por bens e serviços ainda no seu ex-primeiro distrito de Magé, com uma forte tendência a recorrer ao município contiguo de Teresópolis em função, principalmente, do fácil acesso, em termos de distância e de transportes (BR-116, RioTeresópolis) e onde encontra a presença de funções urbanas relativamente mais diversificadas e de nível bem superior àqueles encontrados tanto no primeiro distrito de Magé como em seu próprio território municipal. Assim, o leque de opções de Guapimirim é diversificado em termos de atendimento do conjunto de funções urbanas pois, mesmo encontrando uma oferta de bens e serviços relativamente tímidos no município de Magé, vem compartilhando com o município de Teresópolis, a procura por bens e serviços, este último com funções urbanas mais sofisticadas e diversificadas, embora ainda com uma forte opção pela metrópole. A

acessibilidade ao município de Teresópolis, tanto em termos de distância como de transporte, proporciona a Guapimirim esta condição de dependência face a precariedade da oferta de suas respectivas funções urbanas. Em suma, nesta sub-região de estudo 3, embora os municípios encontram-se ainda fortemente polarizados pela metrópole do Rio de Janeiro, estes têm em Niterói a sua referência principal, em matéria de oferta de funções urbanas, e onde o município de Guapimirim se apresenta como a grande exceção.

3.2.3. As subcentralidades na região do Arco metropolitano
Entende-se por subcentralidades espaciais em um dado território, os núcleos urbanos de segunda ordem, onde a população, seja urbana ou rural, recorre por referência às funções urbanas que lhe são ofertadas em um dado município. 155

Em cada circunscrição municipal, geralmente, esta localidade é exercida pelo núcleo urbano do 1º. Distrito municipal, onde encontram-se localizados, além dos Poderes Executivo e Legislativo municipal, o conjunto destas funções urbanas. Todavia e em certos casos, este lugar central de referência do município, pelo fato de abrigar funções ainda de natureza muito tímida ou mesmo, inexistentes, as populações buscam suprir algumas de suas necessidades básicas em núcleos urbanos geograficamente mais próximos e externos à respectiva circunscrição municipal, além da opção por núcleos urbanos de primeira grandeza no território ou seja, localidades centrais de primeira ordem ou mesmo, se voltarem para a metrópole polarizadora. A mesorregião do Arco metropolitano do Rio de Janeiro é formada por cerca de 21 municípios, onde muitos deles obtiveram sua emancipação após a Constituição de 1988, os quais são caracterizados, em sua grande maioria, apenas por um núcleo urbano. Entretanto, devido a proximidade destes com as antigas cidades-sedes (1º. Distrito) de seus ex-municípios, bem como pela notória carência das respectivas funções urbanas, as populações ainda buscam suprir, geralmente, suas necessidades básicas nestes últimos. Trata-se, portanto, de uma situação sui generis encontrada em grande parte dos municípios intrametropolitanos do estado do Rio de Janeiro. Vejamos a seguir, por Área de Estudo da meso região do Arco

metropolitano, as subcentralidades existentes neste território. Os resultados aqui apresentados é um dos subprodutos da pesquisa de campo supramencionada, realizada junto as principais cidades-sedes(1º. Distrito) municipais da meso região em questão, Mangaratiba, na Área de Estudo 1, da meso região do Arco metropolitano é um município polarizado, como vimos anteriormente, pela metrópole do Rio de Janeiro. Com efeito, é nela que as populações residentes nos 4 (quatro) distritos administrativos recorrem às funções urbanas mais nobres. Entretanto, é no 1º. Distrito do município de Mangaratiba que as populações, rurais e urbanas, buscam suprir suas necessidades básicas. Com efeito, a subcentralidade deste território é exercida pelo 1º. Distrito de Mangaratiba. De uma forma geral, as funções urbanas de seus distritos litorâneos, a saber, Conceição de Jacareí, Vila Muriqui e Itacurussá, são muito tímidas e voltadas basicamente para as atividades de veraneio, uma das características econômicas de toda esta municipalidade Na mesma Área de estudo, encontra-se o município de Itaguaí, formado por seu 1º. Distrito, também de natureza litorânea, e o Distrito de Ibituporanga. Este último, pela proximidade geográfica com a AP5 do Rio de Janeiro e, em especial, o bairro de 156

Santa Cruz, sua população diminuta busca,cada vez mais, neste bairro suburbano do Rio de Janeiro suprir as suas necessidades básicas. Diferentemente do município de Mangaratiba, o 1º. Distrito de Itaguai não apresenta hoje uma subcentralidade em sua circunscrição municipal antes, inclusive, formado pelo atual município de Seropédica, desservindo tão somente e precariamente sua população distrital.

Seropédica é um dos municípios que se emanciparam após a Constituição de 1988, guardando, até pouco tempo, um vínculo funcional com o 1º. Distrito de Itaguaí. É um dos municípios metropolitanos emancipados sem divisões administrativas distritais e onde o seu núcleo urbano situa-se, principalmente, ao longo da rodovia BR 465(antiga rodovia Rio-São Paulo). Trata-se de um município com funções urbanas tímidas e rarefeitas ao longo desta rodovia, onde a população supre suas necessidades básicas, quase sempre, nos municípios vizinhos e contíguos, como por exemplo de Paracambi ( na Área de Estudo 2), bem como na AP5 (Santa Cruz)do Rio de Janeiro, deixando, portanto, de recorrer, cada vez mais, as funções urbanas, ainda tímidas e rarefeitas, do seu ex- 1º. Distrito de Itaguaí, conforme mencionado na análise sobre centralidades da meso região.

Na Área de Estudo 2 da meso região do Arco metropolitano, por sua vez, encontram-se muitos municípios que se emanciparam após a Constituição de 1988, quase sempre, possuindo apenas um núcleo urbano principal, ou seja suas cidades-sedes(1ºs. Distritos).

É importante enfatizar aqui, que esta área da meso região metropolitana possui duas centralidades ou seja,respectivamente o 1ºs.Distritos de Nova Iguaçu e de Duque de Caxias, além da metrópole do Rio de Janeiro que a polariza, onde as populações municipais, rurais e urbanas, buscam suprir suas necessidades básicas.

O município de Paracambi, nesta área da região, embora com funções modestas, trata-se de um subcentro de referência para os municípios contíguos de Seropédica (Área 1), como vimos anteriormente, mas também para o município de Japerí. Com efeito, as respectivas populações recorrem a este município em busca de algumas funções ofertadas (Mercados varejistas, bancos, etc.), principalmente após as boas condições de tráfego da rodovia RJ-093, ligando este último até os municípios de Eng. Paulo de Frontin e de Mendes. Constatou-se também, 157

que um dos núcleos urbanos do município de Japeri, o de Engenheiro Pedreira, sua população, urbana e rural, pela fácil acessibilidade, recorre à algumas funções do município de Queimados (Clinicas infantil e especializadas e mercado varejista,etc.), município este, com funções urbanas ainda modestas e igualmente, emancipado de Nova Iguaçú após a Constituição de 1988.

Os municípios de Japeri, Queimados, Belford Roxo e Mesquita obtiveram suas emancipações do município de Nova Iguaçu após da Constituição de 1988. Contatou-se pela pesquisa de campo realizada nos respectivos 1ºs.Distritos (distritos únicos) que suas populações ainda recorrem ao 1º. Distrito de Nova Iguaçú para satisfazerem suas necessidades básicas, mais nobres e diversificadas do que aquelas encontradas e seus respectivos 1ºs. Distritos. Como vimos anteriormente, o município de Nova Iguaçu trata-se de um dos municípios centrais de referência nesta Área de estudo da meso região do Arco metropolitano do Rio de Janeiro.

Os municípios de São João de Meriti e de Nilópolis possuem funções urbanas relativamente superiores do que aquelas até aqui verificadas nesta área da meso região metropolitana, entretanto, suas populações, pela acessibilidade ao 1º. Distrito (único) de Nova Iguaçu, encontram funções superiores e mais diversificadas neste último, recorrendo de forma esporádica para satisfazerem as suas necessidades básicas(comércio atacadista, hospitais e clínicas especializadas, etc.) não encontradas em seus territórios municipais. Uma parte da população de São João de Miriti recorre igualmente às funções urbanas de Nova Iguaçu, sobretudo aquelas redidentes em seu Distrito de Coelho da Rocha. No caso do município de Nilópolis, pela fácil acessibilidade ferroviária à alguns bairros suburbanos do Rio de Janeiro, suas populações (Distrito de Olinda) recorrem a estes últimos para satisfazerem suas necessidades básicas. Finalmente, ainda nesta Área de estudo 2 da região, encontram-se os municípios de Magé, onde suas funções ainda se apresentam bastante tímidas e o município de referência de Duque de Caxias, onde apresenta funções urbanas importantes e diversificadas,

principalmente o seu 1º. Distrito de mesmo nome. Com efeito, as populações, urbanas e rurais, de Magé, inclusive seus 5(cinco) Distritos administraivos - Surui, Inhomirim, Guia de Pacobaíba , Santo Aleixo e o 1º. Distito de Magé, bem como os 4(quatro) Distritos de Duque de Caxias158

Campos Elísios, Embarie e Xerém encontram no 1º. Distrito de Duque de Caxias as funções urbanas requeridas e muitas vezes, necessárias para suprir as respectivas demadas básicas. Na Área 3 de estudo da meso região do Arco metropolitano encontra-se como localidade central o município de Niterói. A ex- capital do antigo estado do Rio de Janeiro ainda exerce uma influência importante diante dos municípios do leste geográfico da Baia de Guanabara, embora fortemente polarizado pela metrópole do Rio de Janeiro. As populações dos municípios de Marica, São Gonçalo, Itaboraí, Cachoeiro de Macacu e Tanguá encontram neste município e principalmente em seu 1º. Distrito de Niterói, o centro urbano de referência de grande parte das funções urbanas (Saúde, Educação técnica e universitária, Comércio atacadista e varejista, etc.), onde ainda procuram suprir suas necessidades básicas.

As populações residentes nos municípios de Guapimirim (ex-distrito de Magé) e Cachoeira de Macacu, embora tenham sua referência central no 1º. Distrito de Niterói dividem a opção por este núcleo urbano de referência com o município de Teresópolis, principalmente pela fácil acessibilidade a este último (BR-116,Rio Teresópolis),o qual apresenta, por sua vez, uma oferta de funções urbanas nobre e diversificada.

Com a exceção do município de São Gonçalo, onde suas funções urbanas, principalmente em seu 1º. Distrito, têm-se diversificado de forma relativa, no qual, inclusive, pela fácil acessibilidade à sua circunscrição (Rio-Manilha – BR-101) tem acolhido populações do município de Itaboraí, os municípios inserido nesta Área 3 de estudo apresentam uma

ausência efetiva de subcentralidades em seu território, diferentemente das áreas de estudo analisadas anteriormente. Niterói, principalmente, ainda apresenta o papel de lugar central para a demanda destas populações municipais desta área, seguido, de uma forma tímida e pontual, pelo município de São Gonçalo.

No Quadro 3.26, abaixo, apresenta um resumo esquematizado das centralidades e subcentralidades verificadas na meso região do Arco metropolitano do Rio de Janeiro, bem como a influência a nível distrital dos diferentes municípios

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Quadro 3. 26 - Centralidades e subcentralidades da mesorregião do Arco
Metrópole Localidade central Subcentralidade Municipio/Distrito subordinado Itaguaí Ibituporanga Seropedica(*) Mangaratiba .............. Conceição de Jacareí Itacurussa Vila Muriqui Paracambi................ Seropédica (*) Japeri (*) Eng. Pedreira(*) Nova Iguaçu .......................................................... Japeri(*) Eng. Pedreira(*) Queimados Belford Roxo Mesquita Nilópolis Olinda Duque de Caxias .............. ........................................ Campos Elysios Imbariê Xerém São João de Miriti Coelho da Rocha São Mateus Magé Guapimirim(*) Teresópolis .......... ................................................. Guapimirim(*) Cachoeira de Macacu(*) Niterói................................................................................. Itaipu São Gonçalo ............... .Ipiiba Monjolo/Neves Sete Pontes Itaboraí CabuçuSambaetiba Itambi/Porto das Caixas Tanguá Maricá/Manoel Ribeiro/Inoa Cachoeiro da Macacu(*) Jacuíba/Papucaia Subaio(*) (*) Indica que o núcleo urbano e a sua periferia rural imediata subordinam-se também a uma outra localidade central

Rio de Janeiro ----------------------------------------------------------------.................................

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3.2.4. Demografia 3.2.4.1. O contexto
A rede urbana do Estado do Rio de Janeiro tem uma característica altamente primaz, na qual a população do centro principal, com cerca de 6,32 milhões de habitantes, é seis vezes maior que a da segunda cidade mais populosa, São Gonçalo, com cerca de 1 milhão de habitantes. As relações entre as populações dos dois mais populosos centros urbanos de outros estados importantes da federação são bem inferiores: Belo Horizonte/Uberlândia – cerca de 3,9; Salvador/Feira de Santana – 4,8; Curitiba/Londrina – cerca de 3,6; Porto Alegre/Caxias do Sul – cerca de 3,25; Recife/Jaboatão dos Guararapes – 2,32; e Goiânia/Aparecida de Goiânia – 2,85. A exceção é constituída pela capital de São Paulo, cuja população é cerca de 9 vezes a de Guarulhos, segundo mais populoso centro e, além disso, os dois municípios ficam na mesma Região Metropolitana2, como no Rio de Janeiro. Ocorre, porém, que não obstante a primazia da cidade de São Paulo, a rede de centros regionais daquele Estado é altamente equilibrada tanto relativamente às bases populacionais como às econômicas, contando o Estado com três Regiões Metropolitanas (São Paulo, Campinas e Baixada Santista). A propósito, Minas Gerais conta com duas Regiões Metropolitanas (as de Belo Horizonte e do Vale do Aço) e o Paraná tem três (as de Curitiba, Londrina e Maringá). É bem verdade que o Estado do Rio de Janeiro, ocupando 43,7 mil km2, tem uma das menores áreas territoriais, só ficando à frente dos Estados de Alagoas (27,77 mil km2) e Sergipe (21,91 km2). Note-se também que num raio de 250 km da capital (um percurso de um pouco mais de 3 horas de carro) estão localizadas todas as cidades mais economicamente importantes do Estado. Esse fato aliado ao centralismo político da Nação, exercido pelo Rio de Janeiro durante quase duzentos anos, certamente contribuíram de alguma maneira para a formação dessa autêntica “macrocefalia” do sistema urbano do Estado a qual, como será visto, não tende a mudar significativamente nas próximas duas décadas3.

2 3

Os municípios do Recife e de Jaboatão dos Guararapes também se situam na mesma Região Metropolitana. Essa macrocefalia foi expressa de forma mais intensa no interior da RMRJ devido à “separação administrativa entre o núcleo e a periferia, que contribuiu para que aumentasse o gap existente entre essas duas áreas, em função do melhor desempenho da economia carioca em relação à do antigo Estado do Rio. Assim, o crescimento populacional da baixada fluminense resultou na criação das chamadas “cidades dormitório, cujos habitantes trabalhavam na cidade do Rio de Janeiro” (Santos, 2003, p. 98). A

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Não cabe, na presente análise, um exame exaustivo dos fatores políticos e econômicos que têm historicamente condicionado a preponderância tão acentuada da RMRJ. No entanto, para apoiar a análise desse item, tentou-se caracterizar, de forma bem resumida, o que pareceu ser os dois grandes períodos, iniciando-se na segunda metade do século passado, que marcaram a história recente da RMRJ, para a partir daí se conjecturar sobre o futuro “demográfico” da Região. As mudanças no cenário econômico nacional e internacional complementadas pelas transformações positivas mais recentes na administração do Estado começam a marcar o que pode ser considerado um novo período nesse processo evolutivo – o que é determinante e decisivo nos movimentos demográficos. O primeiro período corresponde ao início de um longo processo de esvaziamento econômico e de declínio da importância política4, marcado pela transferência, nos anos 60 do século passado, da capital da República, do então Estado da Guanabara, centro hegemônico da região, para Brasília. Segundo Lessa (2008, p. 345), esse início de esvaziamento passou despercebido pelos efeitos da política de desenvolvimento industrial implementada pelos Governos do Estado da Guanabara5 e continuada após a “fusão”, em 1975, com o Estado do Rio de Janeiro, além do dinamismo econômico, então em pleno vigor, resultado do modelo de político-econômico implantado pelo regime militar. No entanto, já se consolidava a tendência de diminuição da competitividade do Rio e sua região de influência frente ao maior dinamismo de outros centros, principalmente, São Paulo. Inúmeras indústrias se transferiram para outros Estados ou simplesmente encerraram as suas atividades, como a Fábrica Nacional de Motores (FNM) e empresas da indústria naval. Em consequência, o Estado do Rio de Janeiro passou a perder sua posição relativa na participação do PIB brasileiro, a qual, a custo de fatores, entre os anos de 1970 e 2007, se reduziu de 16,7% para 11,0% (-34%), sendo a contração no caso da participação do PIB da RMRJ no conjunto dos PIBs das principais Regiões Metropolitanas do país, de 27,17% para 18,41% (-32%)6. A crise na economia mundial, iniciada com o choque do petróleo, em fins dos anos 70, na qual o Brasil mergulha um tanto tardiamente no início dos

4

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referida separação administrativa fincou raízes tão profundas que até hoje é manifesta, sob diversas formas, a primazia que os governos do estado e da federação dão ao município do Rio de Janeiro no tratamento das necessidades a serem atendidas. A rigor, a perda da hegemonia econômica do Rio de Janeiro para São Paulo começou a ocorrer no início dos anos 30 com o processo de industrialização do país (Santos 2003, p.94). No início dos anos 70, eram 9 os Distritos Industriais instalados no Rio de Janeiro (Lessa, 2001, p. 348). Dados extraídos do Relatório do Produto 2, Componente 3 – Revisão 2, ago. 2009 (p. 81/82).

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anos 80 contribuiu para agravar ainda mais a situação de declínio econômico do Estado do Rio de Janeiro, somando-se a isso uma série de governos estaduais, que se sucederam desde os anos 707, incapazes de definir políticas e estratégias para reverter a progressiva perda de competitividade da economia estadual e, o que foi mais grave, impedir a “guetização” de bairros inteiros dos subúrbios cariocas, onde as famílias perderam seus empregos pelos efeitos econômicos diretos, indiretos e induzidos pela fuga das indústrias para outras regiões e da perda das funções de capital nacional, e a tolerância, se não incentivo, à disseminação de assentamentos habitacionais informais em toda a Região Metropolitana. Formaram-se assim verdadeiros territórios independentes onde as leis e a ordem eram ditadas pelas quadrilhas de bandidos que fizeram desses territórios base de suas operações de tráfico de drogas. O Rio de Janeiro virou um dos símbolos internacionais de cidade violenta e partida. O sentimento, então muito comum, entre seus moradores era o desejo de mudar para outros centros o que se completava com o medo dos forâneos de vir para o Rio, seja a título de negócio ou turismo, ensejando uma perspectiva altamente pessimista para o futuro dessa região. Assim, não apenas ampliou-se o esvaziamento econômico da região como se criou um formidável estoque de carências sociourbanas, ainda não resolvidas, que permanecem como desafio para os três níveis da administração pública e para a sociedade como um todo. O segundo período se caracteriza pelo início de um saudável processo de descentralização econômica do Estado, iniciada em fins da década de 80, com a consolidação, nos municípios do Norte Fluminense, das atividades da indústria petrolífera e, na região do médio Vale do Paraíba, com a ampliação da atividade siderúrgica em Volta Redonda e o desenvolvimento do segmento metal mecânico/automobilístico, envolvendo diversos outros municípios dessa região. Teve também importância significativa nessa fase o desenvolvimento das atividades de turismo e lazer nos municípios das Baixadas Litorâneas e da Baía da Ilha Grande (Costa Verde). Esses fatos propulsores foram importantes no surgimento de novos subcentros de porte médio no interior do Estado.

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O governo Geisel (1974/79) lançou o II PND, cuja principal estratégia era a de manter as elevadas taxas de crescimento do PIB, que já dava sinais de tendência de declínio, não obstante a taxa média de crescimento do PIB per capita durante toda a década de 70 ter sido de 5, 52%.

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No entanto, esse início de processo de desconcentração das oportunidades econômicas entre as regiões do Estado ainda não teve representatividade significativa na redução da concentração da população do Estado na RMRJ, a qual em vinte anos diminuiu menos de 2% (Quadro 3.27). Possivelmente a retomada das atividades da indústria naval em Niterói, a ampliação da COSIGUA (já sob a direção do Grupo GERDAU) na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, a ampliação das atividades portuárias na Baía de Guanabara e em Sepetiba/Itaguaí, associadas ao comércio exterior crescente e às atividades de exploração e produção do petróleo e gás natural na costa brasileira, particularmente nas Bacias de Campos e Santos, contribuíram para que a RMRJ mantivesse seu quociente populacional praticamente inalterado, mesmo nesse novo quadro de início mais firme do processo de descentralização econômica do Estado.
Quadro 3. 27 – População da Região Metropolitana do Rio de Janeiro na população do Estado do Rio de Janeiro
Proporção da população da Região Metropolitana do Rio de Janeiro na população do Estado do Rio de Janeiro 1991 - 2000 - 2010 População 1991 Abs. % (1000) RMRJ Estado RJ 9.689 12.808 75,6 100,0 2000 Abs. % (1000) 10.869 14.391 75,5 100,0 2010 Abs. % (1000) 11.839 15.993 74,0 100,0

Fonte: IBGE/Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010

É importante ser levado em conta que das 20 cidades do Estado com população entre 100 mil a 1 milhão de habitantes, 10 delas — Duque de Caxias, Itaboraí, Magé, Niterói, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Queimados, São Gonçalo, São João do Meriti e Nilópolis — estão localizadas na RMRJ. Por outro lado, no conjunto das populacionalmente mais importantes Regiões

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Metropolitanas do país, a RMRJ ainda permanece como a detentora da maior proporção da população do Estado8. Para o terceiro período existe uma percepção geral de que a economia do Estado, após a longa fase de “invernada”, começa a se recuperar com a possibilidade de vir a ser ampliada de forma significativa a participação do setor industrial na oferta do emprego9, sem prejuízo da tendência de significativa elevação no setor de serviços que já apresenta um maior dinamismo na oferta de empregos da região10. Essa fase, iniciada pelo processo de descentralização regional já referido, estaria tendo continuidade e maior amplitude, principalmente a partir dos últimos anos da década passada, com o sério esforço que vem sendo desenvolvido, conjuntamente, pelas administrações dos três níveis de governo, para enfrentamento dos velhos problemas que fragilizaram o papel do município do Rio de Janeiro como centro dinamizador do desenvolvimento do Estado. Esse quadro não indicou ainda a possibilidade de a RMRJ voltar a atrair migrantes de outras Unidades da Federação, embora tenha havido significativa redistribuição da população entre os municípios do próprio Estado. Observa-se que no período 2001/2009, de acordo com dados das PNADs, a população da RMRJ aumentou em cerca de 645 mil pessoas (5,90%). Dessas, 304 mil eram naturais do próprio município e 345 mil não o eram. Desse último grupo, os não nascidos no Estado do Rio de Janeiro (migrantes de outros Estados) se reduziu em 46 mil pessoas (2,21%) e os que eram originários do próprio Estado, mas não nascidos no município de atual residência se elevou em 391 mil pessoas (31,36%). Em conclusão, houve uma redução de alguma expressão na população originária de outros Estados da Federação, mas o número de pessoas do próprio

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Somente a Região Metropolitana de Macapá, no Amapá, apresenta concentração maior (76,4 %) do que a da RMRJ (GARSON, 2009, p.116/117). 9 O Relatório do Produto 2, Componente 3, do Plano Diretor do Arco Metropolitano (p.133), com base nos dados RAIS/MTE, indica que em 2008, na Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, a participação deste setor representava, apenas, 13,6 % do total do emprego formal, enquanto nas periferias das RMSP e RMBH essa participação era de, respectivamente, 30,5 % e 32,58 %. É bem verdade que se tomadas as Regiões Metropolitanas como um todo, essas proporções mudam bastante (9,72 % na RMRJ; 18,24 % na RMSP e 13,4 % na RMBH). Isso não altera, contudo, a existência de bem menor capacidade de geração de oportunidades de trabalho das indústrias localizadas nas duas regiões do Rio de Janeiro consideradas relativamente às das demais regiões referidas. 10 Ainda, de acordo com a mesma fonte, em 2008, os setores comércio, serviços e administração pública da RMRJ ocupavam 84 % dos empregos formais enquanto essa proporção era de, respectivamente 76,05 % na RMSP e 76,32 % na RMBH.

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Estado, seja de outro município da RMRJ ou de município de outra região, é bastante impressionante. A própria construção do Arco Metropolitano ocupará um número estimado de pessoas da ordem de 56,1 mil e está previsto, para após início dos empreendimentos, que mais de 10 mil se localizarão ou ampliarão suas atividades na sua região de influência.

Quadro 3. 28 – População residente na RMRJ, segundo a naturalidade (Município e Estado)
População residente na RMRJ, segundo a naturalidade (município e Estado) 2001 e 2009 População (1.000) Item Total Naturais do município Total Sempre residiram no município Total e naturais da unidade da federação Não naturais e não naturais da unidade da federação do municipio e naturais da unidade da federação sempre residiram na unidade da federação de naturalidade em relação à unidade Sem da federação declaração de naturalidade em relação ao município
Fonte: IBGE/PNAD 2001 e 2009 (Tab1850)

Proporção (%) 2001 100,00 69,54 30,42 11,40 19,03 10,81 0,04 2009 100,00 68,29 59,27 31,71 14,14 17,57 12,73 -

Variação 2001-2009 (B)-(A) Abs.(1000) 645 304 345 391 -46 291 -4 % 5,90 4,00 10,37 31,36 -2,21 24,60 -

2001 (A) 10.937 7.606 3.328 1.247 2.081 1.183 4

2009 (B) 11.582 7.910 6.865 3.673 1.638 2.035 1.474 -

As mudanças em curso na administração pública em geral e particularmente na gestão financeira, melhoria significativa da segurança pública, inclusive com a retomada de áreas gerenciadas por grupos de criminosos (UPPs), com a redução da violência na capital que tenderá a se estender para as demais áreas da RMRJ e para o interior, e a sinalização positiva de novos investimentos privados em grandes projetos industriais e portuários, como é o caso de Açu e Itaguaí, além dos investimentos em capacidade de pesquisa e desenvolvimento no campus da UFRJ, na Ilha do Fundão, com a participação da PETROBRAS e de grandes empresas nacionais e internacionais (maior centro de pós-graduação e pesquisa tecnológica da América Latina) e do interesse empresarial crescente nos terminais portuários e estaleiros 166

da Baía de Guanabara, podem ser fatos condutores a um futuro regional a um só tempo mais dinâmico e sustentável. Lessa (2001, p.376), analisando os horizontes que se abrem para o Estado do Rio de Janeiro e, particularmente, sua Região Metropolitana, considera que a operação do Porto de Sepetiba, dadas suas características intrínsecas e as possibilidades de sua interligação logística com o aeroporto do Galeão revivido, poderá tornar o Rio o principal centro multimodal intercontinental, articulando países da América do Sul com as redes mundiais, desde que estabelecidos eficientes meios de comunicação e sistemas de apoio como hotéis, centros de convenções etc. ao turismo de negócios. Conclui-se que “Não é descabido pensar que o binômio portoaeroporto, combinado com serviços sofisticados urbanos que o Rio pode oferecer, venha a compor o portal por onde a América do Sul — principalmente o Mercosul — articular-se-á com as correntes comerciais do mundo. O Rio será reposicionado na economia nacional a partir de Sepetiba.” A materialização dessas perspectivas para o futuro para a RMRJ, entre outras medidas, pressupõe: i) a introdução de mudanças na administração pública em geral e particularmente na gestão urbana; ii) a integração físico-espacial dos investimentos setoriais dos diferentes níveis da administração; iii) a criação de uma forte articulação Estado/Municípios que poderá ser viabilizada com a criação efetiva de um agência metropolitana com a responsabilidade de promover o planejamento integrado do desenvolvimento da região de forma racional e autossustentável nas dimensões socioeconômica, ambiental e físico-territorial; iv) a disponibilização de uma fonte permanente de recursos que fique, pelo menos em parte, protegida das flutuações das dotações orçamentárias.

3.2.4.2. O crescimento demográfico no período 2000-2010
Os dados do Quadro 3.29 indicam que a taxa de crescimento médio anual na Região do Arco foi de 0,99%. Para a RMRJ e o município do Rio de Janeiro as taxas foram de, respectivamente 0,86% e 0,77%. A população da RMRJ passou de 10,86 milhões para 11,83 milhões. Dessa forma, não obstante a desaceleração do crescimento populacional dessa Região se manter — a taxa de crescimento no período anterior, 1991-2000, foi de 1,36% a.a. — a base populacional é tão grande que, mesmo crescendo a um ritmo mais reduzido, gerou um acréscimo populacional de mais de 900 mil pessoas, ou cerca de 90 mil/ano. 167

Quadro 3. 29 – População do Arco Metropolitano, Região Metropolitana do Rio de janeiro e Município do Rio de Janeiro
População - Região do Arco Metropolitano, Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Municipio do Rio de Janeiro 2000 - 2010 População 2000 Proporção na população da Região do Arco (%) 2010 Proporção na população da Região do Arco (%) Taxa média anual de crescimento 2000/2010 (%)

Setor

Município Abs.

Abs.

Acréscimo 2000/2010

Itaguaí 1 Seropédica Mangaratiba Rio de Janeiro-AP5 (1) Subtotal Setor 1 Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu (2) Mesquita (2) 2 Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Rio de Janeiro-AP3 (1) Subtotal Setor 2 3 Itaboraí Guapimirim São Gonçalo Tanguá Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu Subtotal Setor 3 Total Região do Arco Total RMRJ Total Município do Rio de Janeiro

82.003 65.260 24.901 1.556.505 1.728.669 83.278 40.475 121.993 754.519 166.080 153.712 449.476 434.474 775.456 205.830 2.353.590 5.538.883 187.479 37.952 891.119 26.057 459.451 76.737 48.543 1.727.338 8.994.890 10.869.255 5.857.904 19,2% 100,0% 61,6% 19,2%

109.163 78.183 36.311 1.774.608 1.998.265 95.391 47.074 137.938 795.212 168.403 157.483 459.356 469.261 855.046 228.150 2.548.802 5.962.116 218.090 51.487 999.901 30.731 487.327 127.519 54.370 1.969.425 9.929.806 11.838.752 6.323.037 19,8% 100,0% 60,0% 20,1%

27.160 12.923 11.410 218.103 269.596 12.113 6.599 15.945 40.693 2.323 3.771 9.880 34.787 79.590 22.320 195.212 423.233 30.611 13.535 108.782 4.674 27.876 50.782 5.827 242.087 934.916 969.497 465.133

2,9 1,8 3,8 1,3 1,5 1,4 1,5 1,2 0,5 0,1 0,2 0,2 0,8 1,0 1,0 0,8 0,7 1,5 3,1 1,2 1,7 0,6 5,2 1,1 1,3 1,0 0,9 0,8

Fonte: IBGE/Censos Demográficos 2000 e 2010 e IPP/PMRJ-Armazém de Dados para as populações de 2000 das Aps 3 e 5 do Rio de Janeiro Notas: (1) As populações de 2010 da AP3 e da AP5 foram estimadas com base nas taxas médias de crescimento anual verificadas no período 2000/10, respectivamente, nos municípios do Setor 2 (0,80%) e do Setor 3 (1,32%). (2) População de Nova Iguaçu em 2000 já deduzida da população de Mesquita, que se desmembrou em 2001. População de Mesquita em 2000 obtida no IBGE/Censo Demográfico 2000-Resultados do Universo- Municípios instalados em 2001.

Vale notar que, não obstante a metrópole vir mantendo, praticamente, a mesma participação da sua população na população do Estado, é muito forte a tendência de “transbordamento” do 168

crescimento assinalado para os municípios da periferia dessa Região. Em alguns municípios periféricos observaram-se taxas de crescimento três vezes aquela da RMRJ — Maricá (5,21%), Mangaratiba (3,84%), Guapimirim (3,10%) e Itaguaí (2,9%) — no entanto, a base populacional desses municípios ainda é relativamente reduzida no contexto da Região. Analisando-se os resultados do conjunto dos 3 Setores da Região do Arco, o Setor 1 foi o que apresentou a mais elevada taxa média anual de crescimento (1,46%) e o segundo mais importante acréscimo populacional, cerca de 270 mil pessoas. Quanto ao Setor 2, que deteve o maior acréscimo populacional, cerca de 423 mil pessoas — com exceção dos municípios de Japeri, Paracambi e Queimados11, que tiveram taxas expressivas — para os demais, as taxas foram estáveis ou bem reduzidas, como Mesquita, São João de Meriti, Nilópolis, e Belford Roxo. Julgou-se importante nesta análise estabelecer uma associação entre a velocidade de crescimento demográfico e o acréscimo populacional apresentado pelos municípios que estão acima dos valores medianos desses dois indicadores. Certamente as unidades que reúnem esses dois atributos apresentam maiores condições potenciais para passarem a exercer novos papéis na hierarquia das centralidades e subcentralidades urbanas da Região. Estão nesse caso os municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Itaguaí, Maricá e a AP5/RJ.

11

A dinâmica populacional dos municípios de Japeri, Paracambi e Queimados está mais próxima da registrada para os municípios do Setor 1 do que a do Setor 2 do Estudo. Certamente este fato é mais um elemento que reforça a recomendação, contida no Relatório dos Produtos 6 e 7 do Componente 3 (p. 12), de que faz mais sentido, para fins de coordenação econômica, que aqueles 3 municípios passem a integrar o Setor 1.

169

Quadro 3. 30 – Acréscimo populacional e taxa média anual de crescimento, em ordem decrescente – Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Acréscimo populacional e taxa média anual de crescimento, em ordem decrescente - Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro 2000 - 2010 Município Maricá Mangaratiba Guapimirim Itaguaí Seropédica Tanguá Itaboraí Paracambi Japeri Rio de Janeiro - AP5 Queimados São Gonçalo Cachoeiras de Macacu Magé Duque de Caxias Rio de Janeiro-AP3 Belford Roxo Niterói Nova Iguaçu Nilópolis São João de Meriti Mesquita Mediana Acréscimo Tx média anual populacional de crescimento 2000-2010 % 50.782 5,2% 11.410 13.535 27.160 12.923 4.674 30.611 6.599 12.113 218.103 15.945 108.782 5.827 22.320 79.590 195.212 34.787 27.876 40.693 3.771 9.880 2.323 19.133 3,8% 3,1% 2,9% 1,8% 1,7% 1,5% 1,5% 1,4% 1,3% 1,2% 1,2% 1,1% 1,0% 1,0% 0,8% 0,8% 0,6% 0,5% 0,2% 0,2% 0,1% 1,2%

Finalmente, cabe registrar um fato importante que vem acontecendo paralelamente ao aumento da população. A porcentagem de famílias com rendimento mensal de até 2 salários mínimos aumentou de 23,2% em 2001 para 27,9% em 2009 e a de famílias com rendimento mensal de até 5 salários mínimos se elevou de 56,59% para 65,21%. Em sentido inverso, 170

ocorreu uma certa contração do número de famílias nas faixas médias e altas de rendimento. Ou seja, aumentou a concentração de famílias nas classes de rendimentos familiares menores.
Quadro 3. 31 – Mudança do perfil do rendimento médio mensal de famílias residentes em domicílios particulares – Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2001-2009

Mudança no perfil do rendimento médio mensal de famílias residentes em domicílios particulares - Região Metropolitana do Rio de Janeiro 2001 - 2009
Classe de rendimento (Salários Mínimos) Sem rendimento Até 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 a 10 Mais de 10 a 20 Mais de 20 Sem declaração Total
Fonte: IBGE/PNAD 2001 e 2009

2001
% (A) 3,2 6,3 13,7 12,7 20,7 21,6 10,7 6,4 4,7 100,0 Acumulado 3,2 9,5 23,2 35,9 56,6 78,2 88,9 95,3 100,0 % (B)

2009
Acumulado 2,1 9,9 27,9 44,6 65,2 81,3 88,7 92,6 100,0

Diferença 2009-2001 (C)=(B)-(A) (%)
-1,0 1,4 4,3 4,1 -0,1 -5,6 -3,3 -2,5 2,7

2,1 7,7 18,0 16,8 20,6 16,0 7,4 3,9 7,4 100,0

O aumento do poder de compra das referidas classes — certamente impulsionado pela política de transferência de renda para os mais pobres, aumentos reais do valor do salário mínimo e ampliação significativa da oferta de emprego — fica mais evidenciado quando analisado o valor total dos rendimentos por faixa, calculado em Reais, deflacionando-se o salário mínimo nominal pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), conforme mostrado na Quadro 3.32. Verifica-se que a elevação dos rendimentos totais, em valores constantes, nas três primeiras faixas, foi superior a 100%.

171

Quadro 3. 32 – Rendimento total mensal das famílias residentes em domicílios particulares (1) – Região Metropolitana do Rio de Janeiro
Rendimento total mensal das famílias residentes em domicílios particulares (1) - Região Metropolitana do Rio de Janeiro 2001 - 2009
Classe de rendimento (Salários Mínim os)

Rendimentos familiares totais (R$ milhões) (2) 2001 2009 61 237 354 911 1.691 1.650 2.723 8.011 124 528 790 1.518 2.106 1.926 2.657 10.415

Variação 2001/09 (%) 104,7% 122,8% 123,5% 66,7% 24,6% 16,7% -2,5% 30,0%

Até 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 a 10 Mais de 10 a 20 Mais de 20 Total

Fonte: IBGE/PNAD/SIDRA 2001 e 2009 Notas: (1) Somente f amílias com declaração de rendimentos. (2) Calculado com o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado - IPCA.

Esses resultados sinalizam para a ocorrência de importantes mudanças de comportamento nos padrões de consumo e de expectativas, principalmente relacionadas às famílias das referidas faixas. Entre essas mudanças estão, certamente, a possibilidade de acesso ao financiamento de itens como a casa própria e o automóvel, e a disseminação por toda a periferia da região de novos pontos de comércio e de negócios, modificando e pressionando a demanda de terras e de infraestrutura urbana. Além disso, irão impor a necessidade de mudança na qualidade de atendimento dos serviços públicos.

3.2.4.3. Projeção para o crescimento demográfico 2020-2030
De acordo com as projeções realizadas12, no cenário tendencial ou de referência, a população da Região do Arco até 2030 deverá atingir cerca de 11,24 milhões de pessoas (85,17% da

12

Na realização dessas projeções populacionais foi adotado o método de tendência de crescimento demográfico que é normalmente empregado pelo IBGE. Este método consiste em elaborar estimativas de população para áreas menores — no caso, os municípios e APs do RJ que integram a Região do Arco — a partir das projeções populacionais do IBGE para o Brasil e o Estado do Rio de Janeiro em 2020 e 2030. O cenário médio utilizado nestas projeções é que a porcentagem da população do Estado do Rio morando na Região do Arco e também nas Aps 1, 2 e 4 do Rio, de 74,6 % em 2010, se mantém constante em 2020 e 2030.

172

população da RMRJ), com um acréscimo da ordem de 1,31 milhões de pessoas nesse intervalo, correspondendo a um incremento médio anual, no período, de 65,71 mil habitantes (Quadro 3.33). Dessa forma a taxa média anual de crescimento, que no período 2000/2010 foi de 0,99%, se reduz para 0,62% ao longo das próximas duas décadas. É evidente que se trata de um período muito longo, no qual a velocidade das transformações que vêm ocorrendo nos campos socioeconômico, político, nos arranjos de ocupação territorial e no papel do Brasil na economia mundial, não permitem vislumbrar, com doses mínimas de segurança, a forma como a população se distribuirá entre os municípios da Região objeto do presente Estudo. Podem-se antever, contudo, formidáveis pressões que ocorrerão em todos os já saturados e insuficientes serviços e infraestruturas urbanos, caso essa evolução demográfica não seja acompanhada por maciços investimentos nesses setores e dentro de processos eficientes e eficazes de planejamento integrado. Apenas um dado pode ilustrar bem o tamanho dos desafios a enfrentar: mantida a atual proporção de 3,25 veículos por habitante, verificada para a RMRJ13, no período 2010-2030 a frota atual de cerca de 3,6 milhões de veículos passará a ter cerca de 4 milhões, ou seja 400 mil unidades a mais circulando. As projeções realizadas mantêm a mesma ordem hierárquica dos municípios hoje vigente, considerado o tamanho de suas populações. No entanto, muito provavelmente, essa ordem não se manterá inalterada, devido, também, às grandes diferenças entre as forças propulsoras do desenvolvimento em cada município e os espaços disponíveis para abrigar o crescimento populacional e novas funções urbanas etc. Quanto a este último aspecto, convém indicar que a Região caminha para um processo de esgotamento do estoque de áreas urbanizadas. No intervalo entre 2001 e 2010 a área urbanizada da Região do Arco passou de 1.084,76 km2 para 1.526,62 km2, com um acréscimo de 441,86 km2, ou seja, 49,10 km2/ano. Como é natural que aconteça, não obstante não ser o ideal, na medida em que as cidades se expandem para as periferias a densidade ocupacional

13

Considera o total de veículos matriculados nos municípios da RMRJ, incluindo automóveis, caminhonetas, caminhões, ônibus, motocicletas etc. Conforme o Relatório DENATRAN de Dez/2010, obtido no site - http://www.denatran.gov.br/frota.htm.

173

do solo vai se reduzindo. No caso da Região do Arco a redução entre 2001 e 2010 foi de 8.211,06 para 6.845,71/pessoas por km2, cerca de 17%. Assim, na melhor das hipóteses, não considerando essa progressiva redução da densidade ocupacional do solo, o total da área dos vazios disponíveis para receber usos urbanos na Região do Arco (646,63 km2) se esgotaria em cerca de 13 anos.

Quadro 3. 33 – Projeção da população – Região do Arco Metropolitano, Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Município do Rio de Janeiro – 2010-2030
Projeção da população - Região do Arco Metropolitano, Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Municipio do Rio de Janeiro 2010 - 2030 Taxa média anual de População Acréscimo crescimento (%) Setor Município 2010 Itaguaí 1 Seropédica Mangaratiba Rio de Janeiro-AP5 (*) Subtotal Setor 1 Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita 2 Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Rio de Janeiro-AP3 (*) Subtotal Setor 2 Itaboraí Guapimirim São Gonçalo 3 Tanguá Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu Subtotal Setor 3 Total Região do Arco Total RMRJ Total Município do Rio de Janeiro 109.163 78.183 36.311 1.774.608 1.998.265 95.391 47.074 137.938 795.212 168.403 157.483 459.356 469.261 855.046 228.150 2.548.802 5.962.116 218.090 51.487 999.901 30.731 487.327 127.519 54.370 1.969.425 9.929.806 11.838.752 6.323.037 2020 133.279 89.657 46.442 1.968.263 2.237.642 106.146 52.933 152.096 831.344 170.466 160.831 468.129 500.149 925.715 247.968 2.722.133 6.337.910 245.270 63.505 1.096.490 34.881 512.078 172.609 59.544 2.184.377 10.759.929 12.699.580 6.736.034 2030 147.342 96.349 52.350 2.081.197 2.377.238 112.418 56.350 160.352 852.415 171.668 162.784 473.244 518.161 966.926 259.525 2.823.214 6.557.059 261.120 70.513 1.152.817 37.301 526.513 198.904 62.561 2.309.729 11.244.026 13.201.584 6.976.879 2010/20 24.116 11.474 10.131 193.656 239.377 10.755 5.859 14.158 36.132 2.063 3.348 8.773 30.888 70.669 19.818 173.331 375.794 27.180 12.018 96.589 4.150 24.751 45.090 5.174 214.952 830.123 860.828 412.997 2020/30 14.063 6.692 5.908 112.933 139.596 6.272 3.417 8.256 21.071 1.203 1.953 5.116 18.013 41.212 11.557 101.081 219.149 15.850 7.008 56.327 2.420 14.434 26.295 3.017 125.352 484.098 502.004 240.845 2010/2030 38.179 18.166 16.039 306.589 378.973 17.027 9.276 22.414 57.203 3.265 5.301 13.888 48.900 111.880 31.375 274.412 594.943 43.030 19.026 152.916 6.570 39.186 71.385 8.191 340.304 1.314.221 1.362.832 653.842 2010/20 2,0 1,4 2,5 1,0 1,1 1,1 1,2 1,0 0,4 0,1 0,2 0,2 0,6 0,8 0,8 0,7 0,6 1,2 2,1 0,9 1,3 0,5 3,1 0,9 1,0 0,8 0,7 0,6 2020/30 1,0 0,7 1,2 0,6 0,6 0,6 0,6 0,5 0,3 0,1 0,1 0,1 0,4 0,4 0,5 0,4 0,3 0,6 1,1 0,5 0,7 0,3 1,4 0,5 0,6 0,4 0,4 0,4 2010/30 1,5 1,1 1,8 0,8 0,9 0,8 0,9 0,8 0,3 0,1 0,2 0,1 0,5 0,6 0,6 0,5 0,5 0,9 1,6 0,7 1,0 0,4 2,2 0,7 0,8 0,6 0,5 0,5

Fonte: IBGE/Censo Demográfico 2010 e projeções realizadas por David Vetter Consultoria Econômica Ltda. Nota (*): As populações de 2010 da AP3 e da AP5 foram estimadas com base nas taxas médias de crescimento anual verificadas no período 2000/10, respectivamente, nos municípios do Setor 2 (0,80%) e do Setor 3 (1,32%).

174

Quadro 3. 34 – Crescimento da área urbanizada – Região do Arco Metropolitano e Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2001-2010
Crescimento da área urbanizada - Região do Arco Metropolitano e Região Metropolitana do Rio de Janeiro 2001 - 2010 Densidade Densidade Área urbanizada Área urbanizada média População média População urbana 2001 populacional 2010 urbana residente populacional residente 2000 (km2) urbana (km2) 2010 urbana 2010 2000/2001 244,62 556,94 283,20 1.084,76 1.228,96 1.706.470 5.520.168 1.680.387 8.907.025 10.793.857 6.976 9.912 5.934 8.211 8.783 378,84 718,43 429,35 1.526,62 1819,35 1.975.186 5.932.919 1.951.721 10.450.797 11.780.449 5.214 8.258 4.546 6.846 6.475 Aumento da área urbanizada 2001-2010 (km2) Total 134,22 161,49 146,15 441,86 590,39 Média anual 14,91 17,94 16,24 49,10 65,60 Área de vazios urbanizáveis em 2010 (km2) 159,58 202,71 284,33 646,63 601,00 Proporção de vazios no Arco 2.010 (%) 24,7% 31,3% 44,0% 100,0%

Região

Arco Setor 1 Metro- Setor 2 politano Setor 3 Total RMRJ

Fonte: IBGE/Censos Demográficos 2000 e 2010 e estudo feito por David Vetter Consultoria Econômica Ltda.

3.2.5. Emprego
A taxa anual do aumento de emprego formal (dados de RAIS) na RMRJ durante o período 2000/09 foi 3,4%. O incremento médio anual foi de mais de 85.000 empregos neste período (768.443 empregos em total). Quadro 3.35 e Figuras 3.20 e 3.21. A taxa anual maior foi da construção civil (8,3% a.a.), porém, em termos absolutos o setor de serviços foi de longe o mais importante com um aumento de quase 338.000 empregos durante o período (44,0% do aumento total).
Quadro 3. 35 – RMRJ – Variação do emprego por setor – 2000-2009 Variação 2000/09 Setor Agropecuária Indústria Utilidade Pública Construção Civil Comércio Serviços Adm. Pública TOTAL de Empregos Fonte: RAIS/TEM 2000 3.923 218.585 34.647 76.468 372.820 1.022.720 447.701 2.177.076 2009 3.029 276.889 39.914 156.658 549.861 1.360.638 558.530 2.945.519 Variação (894) 58.304 5.267 80.190 177.041 337.918 110.829 768.443 % anual -2,8% 2,7% 1,6% 8,3% 4,4% 3,2% 2,5% 3,4% % total -0,1% 7,6% 0,7% 10,4% 23,0% 44,0% 14,4% 100,0%

175

10.0% 8.3% 8.0%

6.0% 4.4% Taxa anual 4.0% 2.7% 2.0% 1.6% 3.2% 2.5% 3.4%

0.0%
Ag ro -p ec uá r ia ria Co m er c io ço s a úb lic a ivi In dú st Pú bl ic Se rv i TO TA C L l çã o

id ad e

Co ns tru

-2.8% -4.0%

Figura 3. 20 – Taxa anual de variação do emprego por setor na Região do Arco – 2000-2009

Ut il

350,000 300,000 250,000 200,000 150,000 177,041

337,918

Ad m

-2.0%

.P

110,829 100,000 58,304 50,000 (894) ic a In dú st ria iv il Ag ro -p ec uá r om er c Pú bl iç os Se rv ia

80,190

5,267
ic a Ad m .P úb l

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(50,000)

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C

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U

Figura 3. 21 – Variação do emprego por setor na Região do Arco – 2000-2009

C

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C

io

176

A taxa anual de variação do emprego total da RMRJ (3,4%) foi inferior às taxas das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, da Região Sudeste e do Brasil (Figura 3.22).

7.0% 6.5% 6.0% 5.5% Taxa anual % 5.0% 4.5% 4.5% 4.0% 3.5% 3.0% 2.5% 2.0% Região do Arco RMRJ Estado do RJ RMSP Periferia RMSP RMBH Sudeste Brasil 3.4% 4.3% 3.9% 4.2% 4.6% 4.6%

6.8%

5.1%

Periferia RMBH

Figura 3. 22 – Taxa anual de variação do emprego total – Região do Arco, Regiões Metropolitanas de RJ, SP e BH, Periferias de RMSP e RMBH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil — 2000-2009

Na Região do Arco, o total de empregos aumentou mais nas APs 3 e 5/RJ (92.550 e 68.179 empregos) e nos municípios de Duque de Caxias (75,856) e Niterói (60.288) durante o período 2000/09 (Quadro 3.36 e Figuras 3.23 e 3.24).

177

Quadro 3. 36 – Região do Arco – Variação do emprego formal total — 2000-2009

Setor

Município

Emprego 2000 2009 (*) 27.628 9.781 9.692 161.411 208.512 4.881 5.223 12.337 86.721 12.945 18.916 51.002 28.347 159.488 18.365 499.333 897.558 25.637 5.379 97.363 3.120 174.681 11.290 7.265 324.735 1.430.805 2.984.437 2.231.333

Variação 2000/09 Absoluto 16.420 4.668 5.341 68.179 94.608 3.275 -814 4.972 20.747 4.285 5.331 21.667 12.506 75.856 5.915 92.550 246.290 11.949 2.611 26.802 1.310 60.288 4.950 1.584 109.494 450.391 781.153 498.415 % 146,5% 91,3% 122,8% 73,1% 83.1% 203,9% -13,5% 67,5% 31,4% 49,5% 39,2% 73,9% 78,9% 90,7% 47,5% 22,8% 37.8% 87,3% 94,3% 38,0% 72,4% 52,7% 78,1% 27,9% 50.9% 45.9% 35.5% 28.8% % anual 10,5% 7,5% 9,3% 6,3% 6,9% 13,1% -1,6% 5,9% 3,1% 4,6% 3,7% 6,3% 6,7% 7,4% 4,4% 2,3% 3,6% 7,2% 7,7% 3,6% 6,2% 4,8% 6,6% 2,8% 4,7% 4,3% 3,4% 2,8%

1

Itaguaí Seropédica Mangaratiba Rio de Janeiro-AP5(1) Subtotal Setor 1

11.208 5.113 4.351 93.232 113,904 1.606 6.037 7.365 65.974 8.660 13.585 29.335 15.841 83.632 12.450 406.783 651,268 13.688 2.768 70.561 1.810 114.393 6.340 5.681 215,241 980,413 2.203,284 1.732,918

2

Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita (2) Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Rio de Janeiro-AP3(1) Subtotal Setor 2

3

Itaboraí Guapimirim São Gonçalo Tanguá Niterói Maricá Cachoeira de Macacu Subtotal Setor 3 Total: Região do Arco Total: RMRJ Total Mun. RJ

Fonte: RAIS/ MTE Nota: (*) As estimativas do emprego na RA3 e RA5/RJ em 2009 foram elaboradas com os dados de IPP de 2008.

178

Taxa anual (%)
Variação de emprego 2000/09 29,000 39,000 49,000 59,000 69,000 79,000 89,000 99,000 9,000 -1,000

10.0%

12.0%

14.0%

0.0%

2.0%

4.0%

6.0%

8.0%

Figura 3. 24 – Região do Arco – Taxa Anual de variação do emprego formal total – 2000-2009
19,000 16,420
10.5% 7.5%
4,668 5,341

Ita Se g u aí ro R pé io M an dic de a Ja ga ne rat ib iro -A a P5 (1 ) Ja pe Pa ri ra ca Q m ue b im i N ad ov os a I M gua es ç qu u it a Sã (2 N ) o iló Jo ão po lis de Be M lfo erit D i rd uq ue R de oxo C R ax io ia de s Ja ne Ma gé iro -A P3 (1 Ita ) bo G ua raí p S ã im iri o m G on ça l Ta o ng uá C N ac ite ró ho ei M i ra ar de ic á M ac ac u
9.3% 6.3%
68,179

-2.0%
13.1%
3,275 -814

Figura 3. 23 – Região do Arco – Variação do emprego formal total – 2000-2009

-1.6% 5.9%
4,972

3.1%
20,747

4.6%
4,285 5,331

3.7% 6.3% 6.7% 7.4% 4.4% 7.2%
2,611

21,667 12,506 5,915 92,550 75,856

2.3% 7.7% 3.6% 6.2% 4.8% 6.6% 2.8%

11,949 26,802 1,310 60,288 4,950

Ita Se g u aí ro R pé io M di an de c Ja ga a ne rat iro iba -A P5 (1 ) Ja pe Pa ra ri ca Q ue mbi im N ad ov os a Ig ua M es ç qu u ita Sã (2 N o iló ) Jo ão po de lis Be M er lf D uq ord iti ue R de oxo C R ax io ia de s Ja ne Ma i ro gé -A P3 (1 Ita ) G bor ua aí p Sã im i ri o m G on ça l Ta o ng uá C N ac ite ho ró ei M i ra ar de ic á M ac ac u
1,584

179

Como era de se esperar, as maiores taxas anuais de crescimento de emprego formal ocorreram em alguns municípios mais afastados dos centros tradicionais:

Quadro 3. 37 – Região do Arco – Variação do emprego formal total — 2000-2009 Taxas anuais de Crescimento de emprego formal 13,15% 10,54% 9,31% 7,66% 7,47% 7,44% 7,22% 6,68% 6,62% 6,34% 6,29% 6,24%

Municípios Japeri Itaguaí Mangaratiba Guapimirim Seropédica Duque de Caxias Itaboraí Belford Roxo Marica São João de Meriti Rio de Janeiro-AP5(1) Tanguá

3.2.6. Habitação 3.2.6.1. Introdução
Os estudos sobre o funcionamento do setor habitacional em geral concentram suas metodologias, fortemente, no exame de duas questões básicas, o déficit habitacional — 180

significando a necessidade de reposição de novas unidades ao estoque existente — e a inadequação habitacional – correspondendo às unidades que apresentam um ou mais tipos de precariedade que devem ser corrigidas para elevar suas condições de habitabilidade. Se bem que indispensáveis para balizarem metas para as políticas habitacionais, é necessário que essas metodologias sejam complementadas com o estudo da real capacidade dessas políticas acompanharem a evolução do estoque de moradias, contrastando-a com o que é produzido pelos programas habitacionais financiados com recursos públicos e privados. No primeiro caso o foco é o estoque, no segundo o fluxo. A presente abordagem trata de examinar essas duas questões. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro possuía, em 2000, 3,214 milhões de domicílios e uma população de 10,915 milhões de pessoas. Estudos desenvolvidos pela Fundação João Pinheiro16 apuraram para essa Região um déficit habitacional, naquele ano, de mais de 500 mil habitações e 1,1 milhão de inadequações17. Significa dizer que 11,6% da população habitava em situação de absoluta precariedade, na maioria dos casos, sem condições de acesso, por seus próprios meios, a uma moradia digna. Pontuava, também, aquele estudo, que 74% do déficit estavam concentrados na população mais vulnerável, aquela com menos de três salários mínimos de renda mensal. Por outro lado, mesmo dentre as famílias que possuíam um teto, estas muitas das vezes conviviam com inadequações que geravam insegurança quanto à propriedade do imóvel, desconfortos e mesmo riscos à saúde (habitações sem infraestrutura, sem banheiro, densidade excessiva de moradores por dormitório e inadequação fundiária). Estava formado o quadro com o qual a RMRJ se depararia no início deste século e cuja mitigação estava diretamente relacionada ao desenvolvimento de uma política suficientemente

14 15

IBGE – Censo 2000. Idem. 16 Déficit Habitacional no Brasil 2000 – Fundação João Pinheiro (FJP). 17 A metodologia adotada pela FJP para cálculo das inadequações não permite a soma das diversas inadequações, uma vez que diferentes anomalias podem estar presentes em um único domicílio. Por esta razão este documento não menciona o número de domicílios inadequados, mas a quantidade de inadequações a serem combatidas.

181

abrangente, que propiciasse meios para o enfrentamento da diversidade de ações que necessitavam ser implementadas. Evolução do estoque de domicílios e do déficit habitacional As considerações a seguir apresentadas, em função da falta de dados municipais atualizados sobre o déficit habitacional, referem-se à Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que encerra 19 municípios da Área de Influência do Arco Metropolitano representando, este, pouco mais de 80% – tanto em termos de população como em quantidade de domicílios da RMRJ (apenas os municípios de Mangaratiba e Cachoeiras de Macacu não pertencem à RMRJ).

Entre 2000 e 2008 a adoção de medidas para o incremento do financiamento habitacional propiciou uma significativa redução relativa do déficit habitacional na RMRJ que, de 11,6% do total de domicílios em 2000, passou a representar 9,1% em 2008. A Tabela a seguir apresenta os dados representativos do total do Estado do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Quadro 3. 38 – Domicílios e Deficit habitacional – Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Estado do Rio de Janeiro – 2000-2008

182

Domicílios e déficit habitacional - Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Estado do Rio de Janeiro - 2000 - 2008 Ano 2000 2008 RMRJ Domicílios 3.246.257 4.124.328 Déficit 375.314 375.461 Estado RJ Domicílios 4.253.763 5.712.155 Déficit 505.201 490.230 Representatividade do déficit RMRJ 11,6% 9,1% Estado RJ 11,9% 8,6%

Fontes: IBGE/Censos Demográficos 2000 e 2010, com interpolação para obtenção dos domicílios em 2008; Déficit habitacional no Brasil 2005 - Fundação João Pinheiro (dados de 2000) e Déficit Habitacional no Brasil 2008 - Fundação João Pinheiro (dados publicados pelo Ministério das Cidades e ajustados para a mesma metodologia do Déficit 2000).

Esta foi, contudo uma redução menos significativa do que a do total do Estado (de 2,5 pontos percentuais na RMRJ e 3,1 no total do Estado), fazendo pressupor, entre outras possibilidades: i) que a elevação da renda da população se refletiu na melhoria do estoque habitacional mais intensamente no resto do Estado do que na RMRJ; ii) que os agentes imobiliários, públicos e privados, tiveram melhores condições de atuação nos municípios do interior (maior oferta de terrenos com preços inferiores na composição dos custos dos empreendimentos — idem para a mão de obra — menos burocracia na aprovação do projetos e mais apoio dos governos locais etc.). Em termos absolutos, o déficit na RMRJ e no Estado do Rio de Janeiro se mantiveram estáveis entre 2000 e 2008, enquanto o estoque de domicílios no mesmo período teve uma evolução de 27% e 34%, respectivamente, novamente com crescimento mais representativo no total do Estado, sinalizando a tendência de desconcentração populacional ocorrida nesse período. A estratificação do déficit habitacional urbano segundo faixas de renda salarial apresentada na tabela abaixo aponta que, a partir de 2006, com exceção da faixa de até 3 salários mínimos, vem ocorrendo reduções nas demais faixas. Para a RMRJ o déficit pode até mesmo ser considerado residual, nas faixas de 3 a 5 salários mínimos (16 mil unidades) e acima de 5 salário mínimos (17 mil unidades). Como resultado, tem-se que, entre 2000 e 2008, a concentração na faixa de renda inferior a 3 salários mínimos foi alterada de 74% para 91% do déficit, numa clara demonstração da forte dose de regressividade das políticas habitacionais adotadas, historicamente mais voltadas para as faixas de renda média e alta.

183

Quadro 3. 39 – Deficit habitacional urbano por faixa de renda – Estado do Rio de Janeiro e Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2000-2008

184

Déficit habitacional urbano por faixa de renda - Estado do Rio de Janeiro e Região Metropolitana do Rio de Janeiro - 2000 - 2008 Números absolutos Faixa de renda Ano 2000 2005 2006 2007 2008 <3 SM Estado 368.879 508.736 544.933 480.400 436.305 RMRJ 274.986 386.582 415.007 379.146 340.306 3 A 5 SM Estado 60.416 32.010 26.233 36.872 32.355 RMRJ 46.949 29.093 21.364 29.100 16.063 > 5 SM Estado 62.380 30.867 25.041 17.100 21.570 RMRJ 50.675 25.126 18.182 13.496 17.183

Total Estado 491.675 571.614 596.207 534.371 490.230 RMRJ 372.610 440.801 454.553 421.742 373.552

Distribuição percentual Faixa de renda Ano 2000 2005 2006 2007 2008 <3 SM Estado 75% 89% 91% 90% 89% RMRJ 74% 88% 91% 90% 91% 3 A 5 SM Estado 12% 6% 4% 7% 7% RMRJ 13% 7% 5% 7% 4% Evolução Faixa de renda Ano 2005/2000 2006/2005 2007/2006 2008/2007 2008/2000 <3 SM Estado 38% 7% -12% -9% 18% RMRJ 41% 7% -9% -10% 24% 3 A 5 SM Estado -47% -18% 41% -12% -46% RMRJ -38% -27% 36% -45% -66% > 5 SM Estado -51% -19% -32% 26% -65% RMRJ -50% -28% -26% 27% -66% Total Estado 16% 4% -10% -8% 0% RMRJ 18% 3% -7% -11% 0% > 5 SM Estado 13% 5% 4% 3% 4% RMRJ 14% 6% 4% 3% 5% Total Estado 100% 100% 100% 100% 100% RMRJ 100% 100% 100% 100% 100%

Fonte: Déficit Habitacional no Brasil - 2005, 2006, 2007 e 2008 - FJP OBS: o Déficit de 2008 foi divulgado pelo MCidades em julho de 2010.

A inversão da curva de crescimento do déficit habitacional foi possível em razão de diversos fatores, os principais voltados ao aumento da renda média real dos trabalhadores ocorrido a partir do Plano Real, ao aumento do nível de emprego com carteira assinada que reflete diretamente nas disponibilidades do FGTS, à alteração dos regulamentos que regem os depósitos em cadernetas de poupança, que resultou em um forte impulso dos financiamentos do SBPE, à segurança na concessão do crédito propiciada pela criação da figura da alienação 185

fiduciária de bens imóveis em garantia dos financiamentos habitacionais e, mais recentemente, ao direcionamento de recursos do OGU, em volume significativo, para a área habitacional18. Conquanto estas medidas tenham propiciado impacto direto na redução do déficit habitacional, seus efeitos nas classes de renda menos favorecidas (especialmente aquela com renda inferior a 3 salários mínimos) são pouco significativos, uma vez que em sua grande maioria são famílias sem acesso ao mercado imobiliário formal. Alie-se a este fato os números da inadequação habitacional, traduzidos em habitações insalubres e sem titulação, muitas vezes localizadas em áreas de risco e habitadas, em sua maioria, por essas famílias com baixos rendimentos. Os números apresentados nos estudos desenvolvidos pela Fundação João Pinheiro para a inadequação habitacional apontam que a inadequação permaneceu estável em números absolutos, tanto no Estado do Rio de Janeiro como em sua Região Metropolitana, seguindo o mesmo comportamento da evolução do déficit habitacional em relação ao estoque de domicílios. A solução para a questão habitacional, contudo, não se resume ao atendimento do passivo hoje existente em termos de déficit e de inadequação. A formulação de uma política que vise o equacionamento da questão como um todo levará em conta, também, as estimativas de crescimento da população e sua relação com a evolução da densidade domiciliar (que vem se reduzindo desde os anos 80), que resultará na necessidade de novos domicílios para abrigar esta população em condições adequadas.

Quadro 3. 40 – Domicílios Urbanos e Inadequações – Estado do Rio de Janeiro e Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2000 e 2007

18

Com o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC e o Programa Minha Casa Minha Vida – PMCMV.

186

Domicílios Urbanos e Inadequações – Estado do Rio de Janeiro e Região Metropolitana do Rio de Janeiro - 2000 e 2007 RMRJ Ano Domicílios urbanos 2000 2007 3.246.257 4.124.328 Inadequações 826.373 753.471 Domicílios urbanos 4.097.733 5.303.554 Inadequações 1.128.197 1.130.511 RMRJ 25,5% 18,3% Estado do Rio de Janeiro Representatividade das inadequações Estado do Rio de Janeiro 27,5% 21,3%

Fontes:IBGE/ Censos Demográficos 2000 e 2010, com interpolação para obtenção dos domicílios em 2007; Déficit Habitacional no Brasil 2005 – Fundação João Pinheiro (dados de 2000) e Déficit Habitacional no Brasil 2007 – Fundação João Pinheiro

Projeções efetuadas para os próximos 20 anos (Quadro 3.41) apontam para o incremento de 1,2 milhão de moradias na Área de Influência do Arco Metropolitano. De acordo com o cenário apresentado, que não considera o impacto do desenvolvimento decorrente da execução do Arco nem das áreas do COMPERJ e do polo de Itaguaí, as APs 3 e 5 do Município do Rio de Janeiro concentram 41% do crescimento previsto — 500 mil unidades — seguidas de São Gonçalo, com cerca de 100 mil unidades. Ou seja, apenas estas três sub-regiões deverão abrigar 50% do crescimento previsto até 2030. Se considerarmos o impacto desse crescimento sobre o território, seis municípios — 3 situados no Setor 1 e 3 no Setor 319 — concentram os casos que vão requerer maior atenção. O Setor 1, que já sofre o impacto das instalações do Porto de Itaguaí, é o que terá maior crescimento domiciliar, com 3 dos 4 municípios que o compõem com crescimento superior a 50% e com o caso extremo de Mangaratiba, que deverá dobrar o número de domicílios em duas décadas. A AP5 do Rio de Janeiro, no Setor 1, embora sofra um impacto percentual menor, abrigará cerca de 200 mil novos domicílios, mais do que a soma dos três outros municípios do Setor. A observação do resultado das projeções para o Setor 3 apresenta outro caso extremo, o do município de Maricá, que também deverá abrigar crescimento expressivo do estoque de domicílios de mais de 80% em relação a 2010. Também Guapimirim e Cachoeiras de Macacu

19

No Setor 1: Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba; e no Setor 3: Guapimirim, Maricá e Cachoeiras de Macacu.

187

deverão merecer um olhar especial, uma vez que são projetados aumentos superiores a 50% dos domicílios em 20 anos.
Quadro 3. 41 – Projeção do número de domicílios – Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro – 2020-2030
Projeção do número de domicílios - Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - 2020 - 2030 Domicílios Setor Itaguaí Seropédica 1 Mangaratiba Rio de Janeiro-AP5 (1) Total Setor 1 Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu (2) Mesquita (2) 2 Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Rio de Janeiro-AP3 (1) Total Setor 2 Itaboraí Guapimirim São Gonçalo 3 Tanguá Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu Total Setor 3 Total Região do Arco Total RMRJ Total Município do Rio de Janeiro Estado do Rio de Janeiro Município 2000 22.969 18.114 7.189 438.882 487.154 22.987 11.419 33.334 213.630 47.023 44.428 129.390 121.619 219.977 58.097 724.147 1.626.051 53.346 10.622 262.892 7.286 143.924 22.853 13.905 514.828 2.628.033 3.246.257 1.802.347 4.253.763 2010 41.131 30.854 31.627 592.115 695.727 30.496 17.196 46.007 276.007 57.839 54.828 157.481 157.875 295.100 87.787 963.378 2.143.994 82.519 21.339 345.793 11.187 191.014 67.347 23.172 742.371 3.582.092 4.378.706 2.406.906 6.149.030 Crescimento absoluto Crescimento % 2010/2020 2020/2030 2010/2030 21% 19% 36% 12% 14% 12% 16% 13% 11% 9% 9% 8% 11% 12% 16% 12% 11% 17% 24% 11% 16% 12% 31% 19% 14% 13% 12% 12% 15% 29% 28% 45% 19% 21% 18% 23% 20% 16% 14% 14% 13% 17% 18% 23% 18% 17% 24% 33% 17% 24% 18% 40% 27% 21% 19% 18% 18% 22% 56% 53% 98% 33% 38% 31% 43% 35% 29% 24% 24% 23% 29% 32% 43% 32% 31% 45% 64% 31% 44% 31% 84% 51% 39% 34% 33% 32% 39%

Projeções
2020 49.684 36.854 43.136 664.281 793.956 34.032 19.917 51.975 305.384 62.933 59.726 170.711 174.950 330.480 101.770 1.076.044 2.387.921 96.258 26.386 384.836 13.024 213.191 88.302 27.536 849.533 4.031.410 4.912.038 2.691.626 7.041.614 2030 64.258 47.077 62.745 787.237 961.317 40.058 24.552 62.144 355.436 71.612 68.071 193.251 204.042 390.759 125.593 1.268.005 2.803.522 119.667 34.986 451.356 16.154 250.977 124.004 34.972 1.032.116 4.796.955 5.820.725 3.176.729 8.562.393

2010/2020 8.553 6.000 11.509 72.166 98.229 3.536 2.721 5.968 29.377 5.094 4.898 13.230 17.075 35.380 13.983 112.667 243.927 13.739 5.047 39.043 1.837 22.177 20.955 4.364 107.162 449.318 533.332 284.720 892.584

2020/2030 14.573 10.223 19.609 122.956 167.361 6.025 4.636 10.169 50.052 8.679 8.345 22.540 29.092 60.279 23.824 191.960 415.601 23.409 8.599 66.520 3.130 37.785 35.702 7.436 182.582 765.545 908.687 485.103 1.520.778

2010/2030 23.127 16.223 31.118 195.122 265.589 9.562 7.356 16.137 79.429 13.773 13.243 35.770 46.167 95.659 37.806 304.627 659.529 37.148 13.647 105.563 4.967 59.963 56.657 11.800 289.745 1.214.863 1.442.019 769.823 2.413.363

Fontes: IBGE/Censos Demográficos 2000 e 2010; IPP/PMRJ-Armazém de Dados para as Aps 3 e 5 do Rio de Janeiro em 2000 e Projeções para 2020 e 2030 realizadas por David Vetter Consultoria Econômica Ltda. Notas: (1) Os números de domicílios das APs3 e 5/RJ em 2010 f oram estimados com base na taxa média de crescimento anual 2000-2010 dos municípios do Setor 2 (2,80%) e da RMRJ (3,04%), respectivamente. (2) Domicílios de Nova Iguaçu em 2000 já deduzidos os correspondentes a Mesquita, que se desmembrou em 2001. Domicílios de Mesquita em 2000 obtidos reduzindo-se o número de domicílios, de Nova Iguaçu, na mesma proporção observada entre as respectivas populações no mesmo ano.

A análise das necessidades habitacionais e da projeção do acréscimo de domicílios para os próximos 20 anos nos dá uma ideia aproximada do problema a ser enfrentado no âmbito do Estado do Rio de Janeiro e de sua Região Metropolitana. De fato, a solução do déficit habitacional existente e o atendimento à demanda futura vislumbram a necessidade da construção, no Estado, de quase 3 milhões de novas moradias — das quais 63% na RMRJ (1,8 milhão) — e a solução para 1,1 milhão de inadequações hoje existentes, concentradas em 67% na RMRJ (753 mil).

188

Quadro 3. 42 – Necessidades habitacionais e projeção do número de domicílios Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Estado do Rio de Janeiro – 2010-2030
Necessidades habitacionais e projeção do número de domicílios Região Metropolitana do Rio de Janeiro e Estado do Rio de Janeiro 2010 - 2030 Situação Déficit em 2008 Aumento do número de domicílios (B) 2010/2030 (A)+(B) Novos domicílios (C) Inadequações em 2007 (A) RMRJ 375.461 1.442.019 1.817.480 753.471 Estado do Proporção Rio de RMRJ/Est. Janeiro RJ 490.230 77% 2.413.363 2.903.593 1.130.511 60% 63% 67%

Uma ação efetiva que propicie a solução das necessidades habitacionais existentes bem como a oferta de habitações adequadas à demanda que se prenuncia exigirá esforços conjuntos de todas as esferas de governo e da iniciativa privada, por meio da oferta de um quadro institucional e normativo que dê agilidade e facilidades ao processo construtivo, da existência de estruturas administrativas modernas e de equipes capacitadas que deem respostas rápidas às demandas da sociedade civil no âmbito habitacional e da disponibilidade de recursos para fazer frente a este desafio. Especificamente com relação à RMRJ, a adoção de novos conceitos para a

operacionalização da política habitacional, com características próprias, poderá se traduzir em instrumento fundamental no enfrentamento da questão. Será de fundamental importância que os projetos e intervenções habitacionais não estratifiquem a demanda por faixa de renda nem impeçam que seja financiada, juntamente com a intervenção habitacional, a urbanização de áreas para atividades comerciais e de serviços úteis à população e geradoras de renda e trabalho, na linha de pequenos ou grandes bairros completos, também chamados “projetos habitacionais integrados”.

189

3.2.6.2. Participação dos programas habitacionais na formação do estoque
Sobre a disponibilidade de recursos, dados apresentados pela Caixa Econômica Federal relativos a financiamentos concedidos sob sua gestão20 no período 2005-2010 (Quadros 3.43 e 3.44) apresentam os resultados dos investimentos realizados no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro e nos municípios da Área de Influência do Arco Metropolitano, provenientes das diversas fontes de recursos operadas pela CAIXA. O dado mais visível, numa primeira abordagem, diz respeito ao crescimento exponencial do crédito no total do país, entre 2005 e 2010, como consequência dos fatores mencionados anteriormente. Mais impactante ainda são os resultados observados quando se compara o número de famílias atendidas com financiamento habitacional no período 1990-2002, que não chegou a 2,4 milhões em13 anos, dos quais 160 mil no Estado do Rio de Janeiro21. De se comentar, ainda, que os dados contidos nos Quadros 3.43 e 3.44 refletem apenas os financiamentos concedidos pela CAIXA, não contando com dados dos demais agentes do SBPE. Ao agregarmos os dados desses agentes, o total no período passa para 5 milhões de financiamentos, conforme Quadro 3.43 a seguir:
Quadro 3. 43 – Atendimentos habitacionais – Brasil – 2005-2010
Atendimentos habitacionais - Brasil - 2005 - 2010 Agente Financiador Caixa Econômica Federal Demais Agentes do SBPE (exclusive SBPE Caixa) Total 2005 420.701 39.539 460.240 2006 543.261 63.674 606.935 2007 584.785 121.562 706.347 2008 528.129 200.147 728.276 2009 926.074 149.998 1.076.072 2010 1.176.819 241.682 1.418.501 Total 4.179.769 816.602 4.996.371

Fontes: Caixa Econômica Federal e ABECIP (w w w .abecip.org.br)

Como os dados dos demais agentes não permitem uma desagregação por estado, nem especificam financiamentos para novas unidades, as análises desenvolvidas levaram em consideração apenas os dados da CAIXA.

20 21

Inclui recursos do FGTS, OGU, SBPE (Caixa), FAR, FAT, FDS e Consórcio (Caixa) O Financiamento Habitacional pelo Setor Público Federal: 1990-2002 – Roberto Zamboni / IPEA - 2004

190

Dos 4,2 milhões de financiamentos concedidos no período 2005-2010, apenas 255 mil se destinaram ao Estado do Rio de Janeiro, equivalendo a uma média anual de 6% do total nacional. Considerando que o Estado do Rio abriga 9% dos domicílios do país e sua segunda maior Região Metropolitana, entende-se que o desempenho das operações com origem em recursos administrados pelo Governo Federal está aquém do perfil da demanda local. Apenas as operações da CAIXA com recursos do SBPE e recursos próprios se aproximam de um perfil considerado satisfatório, com 8% dos financiamentos nacionais. Dados mais recentes publicados pelo Banco Central para o SBPE apontam a participação do Estado do Rio no entorno de 10% da produção nacional com aqueles recursos, refletindo um desempenho mais aproximado da demanda estadual. Ao fazermos a analogia entre os financiamentos concedidos e o incremento estimado do estoque de domicílios entre 2005 e 2010 e mesmo considerando a totalidade dos financiamentos concedidos, nem sempre voltados para a produção de novas moradias, podemos observar que toda a produção financiada do período foi responsável por apenas 1/3 do aumento do estoque. Considerando que no período 2005-2008 os números do déficit habitacional tiveram pequeno acréscimo em valores absolutos, de 38 mil unidades, enquanto o estoque de domicílios evoluiu em 600 mil unidades, pode-se considerar que a construção individual (sem financiamento) é ainda responsável pela maior parte do crescimento do estoque e que esta produção vem se desenvolvendo dentro dos padrões desejáveis, uma vez que não há impacto no déficit. Ou seja, o financiamento habitacional é fundamental na contenção do déficit habitacional, mas, mais importante é a existência de instrumentos de planejamento eficientes, com legislação clara e simplificada, aliada a uma gestão que dê agilidade aos processos, facilitando a construção habitacional individual, que se sobrepõe em muito à construção financiada.

191

Quadro 3. 44 – Financiamentos, estoque de domicílios e déficit habitacional Estado do Rio de Janeiro – 2005-2010
Financiamentos, estoque de domicílios e déficit habitacional - Estado do Rio de Janeiro - 2005 - 2010 Financiamentos Caixa 255.062 Financiamentos Outros Agentes Total Financiamentos
(1)

81.660 336.722 1.034.686 33%

Crescimento do estoque de domicílios 2005-2010 (2) Financiamentos / cresc. estoque Déficit Habitacional 2005 (3) 2008 Crescimento do déficit 2005/2008 Crescimento do estoque de domicílios 2005-2008
(2)

441.127 478.901 37.774 597.810

Notas; (1) considerada a média de 10% dos financiamentos totais, presente nos relatórios divulgados pelo BACEN (2) crescimento do estoque estimado pela interpolação do número de domicílios em 2000 e 2010 no Est RJ - Censo IBGE (3 Déficit habitacional ajustado pela metodologia que considera apenas parte das famílias conviventes como déficit habitacional - FJP

Ainda com relação à analogia entre os financiamentos concedidos e o incremento estimado do estoque de domicílios entre 2005 e 2010, embora não seja possível a análise dos dados incluindo os financiamentos do SBPE dos agentes privados, nem se possa definir com precisão, em alguns casos, a quantidade de financiamentos para imóveis novos22, os elementos disponibilizados pela CEF nos permitem verificar o comportamento bastante desigual entre os municípios que compõem a Região do Arco. Enquanto no município de Niterói os financiamentos foram responsáveis por 69% do incremento do estoque, no extremo oposto, no município de Mangaratiba, as habitações financiadas pela CEF alcançaram apenas 2% da evolução do estoque. Dentre os municípios que foram mais impactados com financiamentos da CEF temos, além de Niterói, os municípios de Queimados e Rio de Janeiro, onde a relação financiamento x crescimento do estoque superou os 40%. Porém, aos

22

A exemplo do financiamento para materiais de construção, cujos dados não especificam se destinados a reforma ou a construção de imóvel novo, e que representa 33% do total das unidades financiadas. Além desta modalidade de financiamento, nos Programas Pró-Cotista/FGTS, Pró-Moradia/FGTS, PPI Favelas/OGU, Urbanização de Assentamentos, também os dados não nos permitem separar a quantidade de imóveis novos das outras modalidades de atendimento.

192

considerarmos apenas a modalidade de financiamento para imóveis novos, verificamos uma grande diferença no município de Niterói. Como não temos elementos para discriminar, nas demais formas de financiamento, os destinados a imóveis novos, o conhecimento real da situação do município dependeria de um estudo mais aprofundado dos investimentos habitacionais ali ocorridos. De uma maneira geral, os municípios situados no Setor 1 tiveram impacto insignificante dos financiamentos da CEF no crescimento do estoque de domicílios. Entre os municípios situados no Setor 2, foi possível verificar um impacto razoável, à exceção de Nova Iguaçu que, embora tenha sido o segundo município mais beneficiado com financiamentos na Baixada, os mesmos perdem significado face ao tamanho do seu estoque de domicílios. Verifica-se também uma forte concentração de investimentos no município do Rio de Janeiro. Porém, da mesma forma como ocorre em Niterói, não há como medir com exatidão o impacto do financiamento de imóveis novos no déficit habitacional, tendo em vista que, dos 134 mil financiamentos concedidos no município, apenas 33 mil estão discriminados como direcionados a imóveis novos.

Quadro 3. 45 – Representatividade dos financiamentos habitacionais (*) no crescimento do estoque de domicílios – Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro e Estado do Rio de Janeiro

193

Representatividade dos financiamentos habitacionais (*) no crescimento do estoque de domicílios - Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro e Estado do Rio de Janeiro 2005 - 2010 Financiamentos Financiamentos de imóveis totais novos 2005-2010 2005-2010 540 261 757 344 105 102 2.916 4.249 1.720 1.496 2.090 3.364 5.253 918 2.106 208 8.752 291 17.338 4.925 540 133.719 255.062 58.014 191.733 647 149 67 5 2.504 2.462 1.053 260 886 2.598 2.139 398 802 36 3.510 216 1.417 3.443 261 32.905 68.831 23.114 56.019 Representatividade Representatividade dos dos financiamentos financiamentos de imóveis novos totais 10.394 5% 3% 7.213 16.548 4.019 3.183 6.846 33.183 5.688 5.473 14.735 19.309 40.315 16.372 16.171 6.284 44.286 2.159 25.208 28.116 5.222 324.100 1.034.686 307.432 631.532 10% 2% 3% 3% 43% 13% 30% 27% 14% 17% 13% 6% 13% 3% 20% 13% 69% 18% 10% 41% 25% 19% 30% 9% 1% 2% 0% 37% 7% 19% 5% 6% 13% 5% 2% 5% 1% 8% 10% 6% 12% 5% 10% 7% 8% 9%

Município

Crescimento do estoque 2005-2010

Itaguaí Seropédica Mangaratiba Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Itaborai Guapimirim São Gonçalo Tanguá Niteroi Maricá Cachoeiras de Macacu Rio de Janeiro Estado do Rio de Janeiro Região do Arco (exceto mun. RJ) Região do Arco (com mun. RJ)

(1) Não inclui os financiamentos do SBPE com os demais Agentes Financeiros

Em números globais, temos que, dos cerca de 250 mil imóveis financiados pela CEF entre 2005 e 2010, 37% destinaram-se especificamente à aquisição de imóveis usados, 27% à 194

aquisição de imóveis novos e os restantes 36%, parte foi destinada a imóveis novos, parte a imóveis usados e parte a reforma de imóveis já existentes.
Quadro 3. 46 – Destinação dos financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal – Estado do Rio de Janeiro – 2005-2010
Destinação dos financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal - Estado do Rio de Janeiro 2005 - 2010 Destinação Imóvel novo Imóvel usado Imóvel novo ou usado ou reforma ou materiais de construção Outros Total
Fonte: Caixa Econômica Federal/RJ

Quantidade 68.831 93.749 73.322 19.160 255.062

% do total 27% 37% 29% 8% 100%

Quadro 3. 47 – Total de financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal (*) – Brasil, Estado do Rio de Janeiro e Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro – 2005-

195

2010
Total de financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal (*) - Brasil, Estado do Rio de Janeiro e Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - 2005 - 2010
Localização Brasil Estado do Rio de Janeiro Estado do Rio de Janeiro/Brasil Municípios da Região do Arco Metropolitano Municípios da Região do Arco Metropolitano/Estado do Rio de Janeiro Municípios da Região do Arco Metropolitano/Brasil 2005 420.701 22.705 5,4% 17.533 77% 4,2% 2006 543.261 34.411 6,3% 17.241 50% 3,2% 2007 584.785 26.459 4,5% 20.998 79% 3,6% 2008 528.129 30.462 5,8% 23.716 78% 4,5% 2009 926.074 67.145 7,3% 53.682 80% 5,8% 2010 1.176.819 73.880 6,3% 58.563 79% 5,0% Total 4.179.769 255.062 6,1% 191.733 75% 4,6%

Detalhamento por fonte de recursos Brasil
Fonte de recursos Total FGTS (inclui MCMV FGTS) CAIXA (SBPE+recursos próprios) FAT FDS (inclui MCMV FDS) OGU (inclui PSH) FAR (inclui MCMV FAR) Consórcio CAIXA 2005 420.701 302.738 59.321 5.163 1.268 14.938 33.629 3.644 2006 543.261 361.931 86.634 4.943 4.843 39.177 40.178 5.555 2007 584.785 287.643 106.976 959 5.682 155.700 19.358 8.467 2008 528.129 255.461 203.370 36 8.108 40.855 9.781 10.518 2009 926.074 303.348 455.005 1.882 11.184 144.265 10.390 2010 1.176.819 370.990 546.855 4.366 3.105 240.529 10.974 Total 4.179.769 1.882.111 1.458.161 11.101 26.149 264.959 487.740 49.548

Estado do Rio de Janeiro
Fonte de recursos Total FGTS (inclui MCMV FGTS) CAIXA (SBPE+recursos próprios) FAT FDS (inclui MCMV FDS) OGU (inclui PSH) FAR (inclui MCMV FAR) Consórcio CAIXA 2005 22.705 13.526 5.411 304 133 3.331 2006 34.411 13.559 7.115 310 151 10.614 2.662 2007 26.459 9.229 9.546 58 70 6.223 1.333 2.189 2008 30.462 12.655 15.599 19 2009 67.145 18.312 35.719 100 1.422 11.592 2010 73.880 18.831 47.478 7.571 Total 255.062 86.112 120.868 691 321 20.581 26.489 -

Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
Fonte de recursos Total FGTS (inclui MCMV FGTS) CAIXA (SBPE+recursos próprios) FAT FDS (inclui MCMV FDS) OGU (inclui PSH) FAR (inclui MCMV FAR) Consórcio CAIXA Fonte: Caixa econömica Federal Nota (*): Inclui imóveis novos e usados, reformas e intervenção em áreas degradadas 2005 17.533 9.519 4.341 210 132 3.331 2006 17.241 9.659 5.536 171 151 29 1.695 2007 20.998 7.197 7.434 12 70 5.745 540 1.703 2008 23.716 10.723 11.271 19 2009 53.682 15.083 26.111 100 796 11.592 2010 58.563 15.075 36.493 6.995 Total 191.733 67.256 91.186 412 321 8.405 24.153 -

196

Quadro 3. 48 – Financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal para imóveis novos – Brasil, Estado do Rio de Janeiro e Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro – 2005-2010
Financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal para imóveis novos - Brasil, Estado do Rio de Janeiro e Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - 2005 - 2010
Localização Brasil Estado do Rio de Janeiro Estado do Rio de Janeiro/Brasil Municípios da Região do Arco Metropolitano Municípios da Região do Arco Metropolitano/Estado do Rio de Janeiro Municípios da Região do Arco Metropolitano/Brasil 2005 109.063 6.205 5,7% 5.468 88% 5,0% 2006 150.846 5.815 3,9% 4.112 71% 2,7% 2007 164.676 6.544 4,0% 4.318 66% 2,6% 2008 164.389 7.358 4,5% 5.697 77% 3,5% 2009 332.241 21.105 6,4% 18.795 89% 5,7% 2010 555.611 21.804 3,9% 17.629 81% 3,2% Total 1.476.826 68.831 4,7% 56.019 81% 3,8%

Detalhamento por fonte de recursos Brasil
Fonte de recursos Total FGTS (inclui MCMV FGTS) CAIXA (SBPE+recursos próprios) FAT FDS (inclui MCMV FDS) OGU (inclui PSH) FAR (inclui MCMV FAR) Consórcio CAIXA 2005 109.063 60.254 4.579 327 1.268 9.006 33.629 2006 150.846 89.227 11.566 24 4.843 5.008 40.178 2007 164.676 104.478 18.555 5.682 16.603 19.358 2008 164.389 90.309 28.165 19 8.108 28.007 9.781 2009 332.241 135.522 50.229 1.882 343 144.265 2010 555.611 243.036 65.895 4.366 1.785 240.529 Total 1.476.826 722.826 178.989 370 26.149 60.752 487.740 -

Estado do Rio de Janeiro
Fonte de recursos TOTAL FGTS (inclui MCMV FGTS) CAIXA (SBPE+REC. PRÓPRIOS) FAT FDS (inclui MCMV FDS) OGU (inclui PSH) FAR (inclui MCMV FAR) CONSÓRCIO CAIXA 3.331 2005 6.205 2.408 445 21 2006 5.815 1.993 991 151 18 2.662 2007 6.544 3.062 1.381 70 698 1.333 2.017 2008 7.358 3.146 2.176 19 2009 21.105 5.702 3.711 100 11.592 2010 21.804 8.722 5.511 7.571 Total 68.831 25.033 14.215 40 321 2.733 26.489 -

Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
Fonte de recursos Total FGTS (inclui MCMV FGTS) CAIXA (SBPE+recursos próprios) FAT FDS (inclui MCMV FDS) OGU (inclui PSH) FAR (inclui MCMV FAR) Consórcio CAIXA Fonte: Caixa econömica Federal 3.331 2005 5.468 1.793 333 11 2006 4.112 1.543 723 151 1.695 2007 4.318 2.403 972 70 333 540 1.532 2008 5.697 2.671 1.475 19 2009 18.795 4.530 2.573 100 11.592 2010 17.629 6.602 4.032 6.995 Total 56.019 19.542 10.108 30 321 1.865 24.153 -

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3.2.6.3. Instrumentos de política urbana
Dados publicados pelo IBGE na Pesquisa de Informações Municipais – MUNIC de 2009, nos dão uma visão bastante detalhada dos instrumentos disponíveis nos municípios brasileiros e que regem, dentre outras, as questões urbanas. De acordo com os dados apresentados na Tabela que segue, embora 90% dos municípios do Arco contem com Fundo Municipal de Habitação e 62% tenham já instalado Conselhos Municipais de Habitação, tais instrumentos ainda não se refletiram na condução da política urbana municipal. Podemos verificar que os Conselhos, embora instalados, ainda não possuam funcionamento pleno, já que apenas 24% deles tiveram reuniões nos 12 meses que antecederam a pesquisa. No que se refere à existência de Planos Locais de Habitação de Interesse Social – PLHIS, apenas quatro dos municípios do Arco informaram ter Planos concluídos (Niterói, Paracambi, Mangaratiba e Japeri) e 1 município (Magé) informou que ainda não tinha sido iniciada sua formulação (embora tenha recebido recursos federais para elaboração no orçamento de 200823). Os Planos, Conselhos e Fundos de Habitação foram instrumentos tornados obrigatórios por legislação federal de 200524 e sua implantação vem ocorrendo lentamente. Inicialmente previsto o prazo de 2009, este vem sendo sucessivamente prorrogado, uma vez que são reconhecidas as dificuldades de alteração do modelo nos mais de 5,5 mil municípios e 27 unidades da federação. É importante se ter em conta que a legislação federal prevê que a disponibilidade desses instrumentos será condição indispensável para que os municípios possam continuar a ter acesso aos recursos do OGU para os programas habitacionais25. Ao nos determos sobre a legislação urbana, todos os municípios do Arco contam com Plano Diretor atualizado, Lei de Zoneamento e Código de Obras e a maioria possui Códigos de Obras e de Posturas, Leis de Parcelamento do Solo e de Zonas Espaciais de Interesse Social – ZEIS. Com a implantação do Arco Metropolitano e a instalação do COMPERJ e Polo de Itaguaí, deverão ser incentivadas as operações urbanas consorciadas, cuja legislação está hoje

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De acordo com dados publicados pelo Ministério das Cidades em sua página da internet, 15 municípios do Arco receberam recursos para formulação de seus PLHIS, entre eles o município de Magé. o Lei n 11.124, de 16 de junho de 2005, instituiu o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social – SNHIS, criou o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS e instituiu o Conselho Gestor do FNHIS.

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De acordo com norma do Ministério das Cidades, o referido prazo foi prorrogado até o dia 31/12/2011.

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presente em apenas 2 municípios do Arco (São João de Meriti e Mangaratiba). É através deste tipo de intervenção que serão viabilizadas as transformações urbanísticas estruturais propostas neste estudo, as quais deverão contar com a participação conjunta do poder público e investidores privados.
Quadro 3. 49 – Instrumentos de Política Urbana – Municípios do Estado do Rio de Janeiro e da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro – 2009
Instrumentos de Política Urbana - Municípios do Estado do Rio de Janeiro e da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - 2009 Instrumento PLHIS em elaboração CONSELHO DE HABITAÇÃO reuniões nos últimos 12 meses FUNDO DE HABITAÇÃO LEGISLAÇÃO Plano Diretor em elaboração Lei de Zoneamento Código de Obras Código de Posturas Lei de Parcelamento do Solo Lei de ZEIS Lei de ZEIE Lei de Estudo de Impacto de Vizinhança Lei de Solo Criado Lei de Contribuição de Melhorias Lei de Operações Urbanas Consorciadas PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA CADASTRO HABITACIONAL informatizado ARTICULAÇÃO INTERINSTITUCIONAL Consórcio público com o Governo Federal Consórcio público com o Estado Consórcio público intermunicipal Convênio de parceria com o setor privado Apoio do setor privado ou de comunidades
Fonte: IBGE/MUNIC-2009

Estado Total 23 43 58 30 67 70 13 78 89 86 77 58 59 36 45 45 10 29 88 53 26 23 4 6 5 % Estado 25% 47% 63% 33% 73% 76% 14% 85% 97% 93% 84% 63% 64% 39% 49% 49% 11% 32% 96% 58% 28% 25% 4% 7% 5%

Munic. da Região do Arco Total 4 16 13 5 19 21 0 21 21 20 18 17 17 14 11 10 2 11 21 17 8 5 2 2 2 100% 100% 95% 86% 81% 81% 67% 52% 48% 10% 52% 100% 81% 38% 24% 10% 10% 10% % Arco 19% 76% 62% 24% 90% 100%

A questão se torna preocupante quando verificamos a baixa articulação entre os municípios do Arco. Na época da última pesquisa MUNIC/IBGE publicada em 200926, os municípios se

A análise da articulação dos municípios aqui apresentada foi baseada em dados da MUNIC/IBGE 2009, fornecidos formalmente ao IBGE pelos municípios. Comparando-se os dados da Tabela 3.13 com os da Tabela Anexa 1, que consolida as informações relativas a este assunto, contidas no Relatório dos Produtos 3 e 4 do Componente 3 deste Plano Diretor, verifica-se

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relacionavam, apenas, tenuamente entre si. Na verdade, as articulações intermunicipais são as menos presentes, tanto no nível do Estado quanto no nível dos Municípios do Arco, juntamente com as parcerias com a sociedade civil. Os municípios se relacionam mais com o Governo Federal diretamente e, em menor significado, com o governo estadual. Pode-se deduzir que as parcerias são majoritariamente implementadas com a finalidade de repasse de recursos das instâncias de governo de instâncias superiores, com pouca ou nenhuma articulação no nível de um desenvolvimento urbano integrado.
Quadro 3. 50 – Articulação interinstitucional – Município da Região do Arco Metropolitano
Articulação interinstitucional - Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - 2009 Consórcio Consórcio Consórcio público com o público com público Governo o Estado intermunicipal Federal x x Convênio de parceria com o setor privado Apoio do setor privado ou de comunidades

Município Itaguaí Seropédica Mangaratiba Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Itaboraí Guapimirim São Gonçalo Tanguá Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu
Fonte: IBGE/ MUNIC-2009

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hoje a existência de número bem maior de instrumentos de colaboração intermunicipal na Região do Arco. No entanto, como registrado no referido Relatório, as opiniões colhidas indicam, de modo quase unânime, que são poucos os frutos dessa colaboração, não obstante a maioria considerar necessária a existência de uma entidade que cuide dos interesses comuns dos municípios da RMRJ, dando ênfase ao enfrentamento do problema da desigualdade de recursos técnicos disponíveis a cada um para transformarem em projetos e ações efetivas as linhas de financiamento e custeio de programas oferecidos pelos governos federal e estadual. Daquele estudo, destaca-se, também, que nenhum dos mecanismos de colaboração intermunicipal citados se refere à questão habitacional.

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3.2.6.4. Instrumentos de gestão urbana
Em geral é muito reduzida a possibilidade de os municípios exercerem um efetivo acompanhamento e controle do crescimento urbano sem sistemas de informações adequados. Em geral os dados decorrentes do dia a dia da gestão urbanística (i.g. loteamentos aprovados e respectivo número de lotes; licenças para construção e de habite-se concedidos, com o número de unidades quando se tratar de habitação multifamiliar) são insuficientes ou mesmo inexistentes em meio informatizado. Entre outras vantagens que poderiam ser oferecidas para os planejadores, administradores e conselheiros municipais, além de entidades públicas e privadas interessadas, está o conhecimento sobre as reais dimensões e dinâmica da informalidade habitacional, em geral de grandes proporções27. Não obstante defasadas, as informações do Quadro 3.51 mostram as reduzidas proporções do número de licenças para construções habitacionais e concessão de habite-se, em relação ao aumento do estoque habitacional, em alguns municípios da RMRJ que participaram do Programa Habitar Brasil/BID28.

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28

O IBGE publica entre as informações dos Censos, dados referentes aos aglomerados denominados “subnormais”. Eles permitem uma visão aproximada da informalidade habitacional — no entanto mais relacionadas às ocupações tipo favelas — mas é o único produzido para todo o país. Além de não abranger todas as modalidades da informalidade habitacional, salvo raríssimas exceções, não expressa de forma adequada a verdadeira dimensão desse problema. Além disso, o levantamento desse dado tem periodicidade decenal, o que o torna rapidamente superado. O Programa Habitar Brasil/BID – HBB, custeou projetos de desenvolvimento institucional na área habitacional (82 municípios) e na urbanização de favelas (119 municípios).

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Quadro 3. 51 – Dados de Controle urbanístico de alguns municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro

Dados de controle urbnístico de alguns municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro % em relação ao crescimento do estoque de domicílios licenças para obra "Habite-se"concedidos concedidas 2,27 6,37 2,90 s/ informação s/ informação Nova Iguaçu Rio de Janeiro São João de Meriti s/ informação 39,9 6,97 2,27 0,83 0,36 40,1 26,46 s/ informação 23,2 6,97

Município Belford Roxo Duque de Caxias Magé Niterói

Período da informação 2002 1997/1998 1997/1998 1997/1998 2002/2003 1997/1998 1997/1998 1997/1998

Fonte: Planos Municipais Estratégicos - PEMAS, financiados pelo Programa Habitar-Brasil/BID

Essa fragilidade das instituições municipais no tratamento de importantes questões urbanas e habitacionais recomenda que o Estado, a par de outras medidas visando elevar a capacitação institucional dos municípios, atribua prioridade a este setor pela importância que tem na estruturação dos espaços urbano/metropolitanos.

3.2.6.5. Instrumentos financeiros
Os programas administrados pela CAIXA, principal órgão de financiamento dos programas habitacionais de interesse social no país, nem sempre contemplam ou, mesmo admitem, a possibilidade serem aplicados para resolver uma multiplicidade de carências ou aproveitar inúmeras oportunidades existentes, entre elas: • na forma de edificações de grande porte, antigos prédios de escritórios, fábricas e galpões que têm permanecido ociosas (p.ex. ao longo da Av. Brasil)29;

29

O aproveitamento desses imóveis pelos governos, especialmente no caso de proprietários inadimplentes com suas obrigações fiscais, deveria ser prioritário.

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em intervenções não convencionais, como exemplo: a densificação de quadras/bairros residenciais, inclusive em assentamentos habitacionais regularizados, onde isso naturalmente vá ocorrer espontaneamente, mas de forma desorganizada se não houver um processo planejado;

• • • •

renovação de áreas nos centros mais antigos; aluguel social, para famílias sem condições de serem transformadas em proprietários30; Projetos habitacionais integrados de grande porte/bairros verdes; Urbanização de áreas livres para revenda às incorporadoras.

Por isso, os programas alternativos pioneiros de alguns Estados e Municípios surgem muito mais em função de apoio de entidades internacionais de fomento, principalmente BID e BIRD, ou então de iniciativas de governos que criaram linhas próprias para financiamento de seus programas e projetos. Provavelmente, a mais significativa iniciativa de dispor de uma fonte autônoma, permanente e de fluxo significativo de recursos é a do Governo do Estado de São Paulo31. Uma outra séria limitação atual dos programas geridos pela CAIXA — que repete experiências do passado — é o fato de que, na construção dos novos conjuntos habitacionais, a escolha dos terrenos, em geral, se fundamenta nas oportunidades do mercado de terras identificadas pelos agentes habitacionais e/ou empresários, e não em estratégias que poderiam ter sido estabelecidas no processo de planejamento da organização territorial e do sistema de transportes pela autoridade municipal competente. É evidente que, nesse caso, o problema

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Uma das experiências mais interessantes de que temos conhecimento sobre o aluguel social foi desenvolvida pela Prefeitura do Município de São Paulo para moradores muito pobres residentes nas ruas, favelas e cortiços no centro de São Paulo. Infelizmente essa experiência foi muito prejudicada pela descontinuidade administrativa e por falhas ocorridas na implementação e na gestão no período pós-ocupação das unidades habitacionais (BID/PBLM 2007). O Estado de São Paulo vinculou por lei uma parcela correspondente a 1% do ICMS para os programas habitacionais da então CECAP, hoje CDHU. Apesar de atualmente os aportes do Governo à CDHU não representarem o total da referida proporção da arrecadação do ICMS, trata-se de montante bem significativo — R$ 700 a R$ 800 milhões/ano, pois é do próprio Estado, podendo ser aplicado de forma independente ou associado a programas geridos pela CAIXA ou de outras origens. Esse sistema, permitiu que o Governo do Estado de São Paulo desse continuidade aos seus programas habitacionais junto aos municípios no longo período de “vacas magras“ do FGTS quando, praticamente, foram paralisados os financiamentos concedidos através daquela fonte.

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não é só da CAIXA uma vez que os municípios raramente dispõem de planos ou estudos e capacidade de controle para orientar essas escolhas de áreas. Sobre essa questão, é bom lembrar que há mais de 10 anos, com a Lei n° 10.257, de 10/07/2001, tornaram-se disponíveis instrumentos (Direito de preempção; Parcelamento, edificação ou utilização de compulsórios; Operações urbanas consorciadas, Consórcio imobiliário, ZEIS etc.) para viabilizar aquele tipo de ação das Prefeituras e possibilitar estratégias não convencionais para a implantação de grandes projetos habitacionais integrados. No entanto, até o momento poucas são as experiências que se podem encontrar que tirem proveito dos referidos instrumentos. Cabe, portanto, na ocasião em que se cogita o estabelecimento de novas estratégias para o enfrentamento dos velhos problemas habitacionais que afligem as populações dos municípios da periferia da RMRJ, criar novas alternativas de disponibilização de recursos. Entre as alternativas de novas fontes de recursos para os programas habitacionais a serem promovidos pelo Estado estariam: A exemplo do Estado de São Paulo, a destinação por Lei de uma parcela anual da arrecadação do ICMS ao Fundo Estadual de Habitação de Interesse Social - FEHIS. Estimando-se a referida vinculação em 1% do ICMS, o aporte de recursos oriundos dessa fonte alcançaria valor de R$ 204 milhões/ano32. Criação da obrigatoriedade de formação da poupança habitacional prévia como pré-requisito para entrar num “sistema estadual” de atendimento habitacional, modalidade amplamente aplicada em países desenvolvidos e, mais notoriamente no sistema habitacional chileno33. Adotando-se os critérios desse sistema na RMRJ e admitindo-se, para a proporção de

32 33

Tomando-se como base uma arrecadação do ICMS mensal média de R$ 1,7 bilhões (2010.) Sistema Habitacional Chileno: formação de uma poupança mínima com depósitos de U$ 10 durante 60 meses e proporção de contas de poupança habitacional equivalente a 13% da população do município. Possivelmente mais importante do que canalizar recursos adicionais para o sistema habitacional, esse processo comprovou ser um instrumento altamente educativo no sentido de preparar os poupadores quanto às suas responsabilidades de pagamento das prestações quando passarem à condição de mutuários. Ele permite uma mais imediata a comprovação de responsabilidade financeira dos interessados dispensando a comprovação de renda. Essa comprovação é o principal critério que tem sido usado no Brasil para selecionar a demanda e tem-se revelado muito limitadora e ineficaz.

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poupadores, apenas 6,5% da população da RMRJ, haveria a possibilidade de um aporte anual de recursos da ordem de cerca de R$ 15 milhões. Recolhimento de uma parcela das mais-valias criadas em função dos grandes projetos habitacionais integrados e de áreas verdes promovidos por iniciativa do Estado através de PPPs.

3.2.7. Saneamento Básico 3.2.7.1. Abastecimento de água
Não obstante a melhora significativa que vem apresentando o fornecimento de água tratada à população, na última década o atendimento nos municípios da Região do Arco ter-se-ia elevado de cerca de 61% para 74%34, ainda é insatisfatória a situação em muitas localidades. Como pode ser visto na tabela abaixo em 2010 ainda existam 3 municípios (Maricá, Tanguá e Itaboraí) nos quais apenas metade ou menos dos domicílios contavam com água fornecida pela rede de geral. A situação bem menos favorável do Setor 3 do Arco — apenas cerca de 74% de atendimento — reflete a insatisfatória situação dos atuais sistemas de tratamento e distribuição de água nessa sub-região e do não aproveitamento de reservas de captação já identificadas35.

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Convém observar que na época de elaboração deste Relatório ainda não estavam disponíveis os dados do Censo de 2010 sobre as condições gerais dos domicílios, tendo-se assim estimado a situação dos domicílios em 2010 através da modelagem das tendências verificadas na década. 35 Informações da CEDAE dão conta que esta situação será bastante melhorada com projetos, cujos recursos estão assegurados, que beneficiarão os municípios da sub-região leste do Arco, entre eles o de construção de nova captação, melhoria operacional do Sistema Imunana-Laranjal com a execução da nova adutora de água bruta e otimização da Estação de Tratamento de Água.

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Quadro 3. 52 – Domicílios com instalação de água canalizada (rede geral) – Região do Arco Metropolitano
Domicílios com instalação de água canalizada (rede geral)- Região do Arco Metropolitano 2000 Com água canalizada rede geral Abs 17.314 15.531 4.639 424.637 462.121 14.531 7.712 22.137 210.894 46.421 42.731 123.467 87.847 152.548 27.113 713.692 1.449.092 12.893 4.837 211.334 1.807 112.747 4.916 9.657 358.191 2.269.404 2.879.641 1.762.861 % 75,4% 85,7% 64,5% 96,8% 94,9% 63,2% 67,5% 66,4% 98,7% 98,7% 96,2% 95,4% 72,2% 69,3% 46,7% 98,6% 89,1% 24,2% 45,5% 80,4% 24,8% 78,3% 21,5% 69,4% 69,6% 86,4% 88,7% 97,8% Estimativa: Total domicílios 41.131 30.854 31.627 592.115 695.727 30.496 17.196 46.007 276.007 57.839 54.828 157.481 157.875 295.100 87.787 944.699 2.125.315 82.519 21.339 345.793 11.187 191.014 67.347 23.172 742.371 3.563.413 4.378.706 2.406.906 2010 Estimativa: com água canalizada rede geral Abs 32.554 27.204 21.911 576.515 658.185 20.754 12.391 32.675 273.149 57.240 53.126 151.614 120.505 217.536 45.679 933.665 1.918.335 23.370 10.861 288.933 3.247 156.178 17.079 17.103 548.787 3.125.306 3.940.301 2.364.190 % 79,1% 88,2% 69,3% 97,4% 94,6% 68,1% 72,1% 71,0% 99,0% 99,0% 96,9% 96,3% 76,3% 73,7% 52,0% 98,8% 90,3% 28,3% 50,9% 83,6% 29,0% 81,8% 25,4% 73,8% 73,9% 87,7% 90,0% 98,2%

Setor

Município

Total 22.969 18.114 7.189 438.882 487.154 22.987 11.419 33.334 213.630 47.023 44.428 129.390 121.619 219.977 58.097 724.147 1.626.051 53.346 10.622 262.892 7.286 143.924 22.853 13.905 514.828 2.628.033 3.246.257 1.802.347

Itaguaí Seropédica 1 Mangaratiba Rio de Janeiro-AP5(1) Subtotal Setor 1 Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita (2) 2 Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Rio de Janeiro-AP3(1) Subtotal Setor 2 Itaboraí Guapimirim São Gonçalo 3 Tanguá Niterói Maricá Cachoeira de Macacu Subtotal Setor 3 Total: Região do Arco Total: RMRJ Total Mun. RJ

Fonte: IBGE, Censo 2000; Projeção para 2010 realizada por David Vetter Consultoria Econômica Ltda

É importante salientar que o fato de o domicílio estar ligado à rede pública de água não significa que disponha do fornecimento ininterrupto. A pergunta nas pesquisas censitárias não incluiu a qualidade desse fornecimento.

3.2.7.2. Esgotamento sanitário
Certamente o esgotamento sanitário é, junto com o transporte e habitação, uma das questões mais críticas enfrentadas pelas populações dos municípios da periferia da RMRJ. Não apenas pelos problemas que causam à saúde da população como pelos impactos que as águas não tratadas provocam no meio ambiente.

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O Quadro 3.53 demonstra a precariedade desse serviço em muitos dos municípios da Região do Arco, sendo de apenas 57,90% a média dos domicílios nos municípios do Arco que contam com esse serviço. É mais crítica a situação de 8 daqueles municípios que estão situados abaixo dessa média, Seropédica, Mangaratiba, Tanguá, Maricá, Paracambi, São Gonçalo, Itaboraí e Nova Iguaçu.36 No entanto, não obstante esse quadro nada animador, a carência neste setor é ainda mais grave quando se considera que o esgoto coletado não significa, necessariamente, que receberá tratamento, já que parte dele é lançado diretamente nos corpos receptores. Os dados do IBGE não permitem fazer a distinção entre o destino dos lançamentos das águas servidas. A outra alternativa para analisar este assunto é utilizar como base os dados do Sistema Nacional de Informações do Setor de Saneamento SNIS, do Ministério das Cidades, produzido com dados das prestadoras municipais e estaduais desse serviço, conforme Tabela mais adiante.

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Convém observar que na época de preparo deste Relatório ainda não estavam disponíveis os dados do Censo de 2010 sobre as condições gerais dos domicílios.

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Quadro 3. 53 – Domicílios com instalações sanitárias de esgoto (rede coletora ou pluvial) – Região do Arco Metropolitano
Domicílios com istalações sanitárias de esgoto (rede coletora ou pluvial) - Região do Arco Metropolitano 2000 Setor Município Total 22.969 18.114 7.189 438.882 487.154 22.987 11.419 33.334 213.630 47.023 44.428 129.390 121.619 219.977 58.097 724.147 1.626.051 53.346 10.622 262.892 7.286 143.924 22.853 13.905 514.828 2.628.033 3.246.257 1.802.347 Com instalações sanitárias rede coletora Abs 9.401 2.052 1.056 218.490 230.999 6.320 6.812 11.517 133.855 29.463 35.310 86.284 65.019 124.030 17.097 628.767 1.144.474 14.821 2.276 105.936 1.812 105.129 2.243 6.412 238.629 1.614.102 2.164.983 1.405.606 2010 Estimativa: Estimativa: com instalações Total sanitárias rede coletora domicílios % Abs % 40,9% 41.131 22.755 55,3% 11,3% 30.854 5.735 18,6% 14,7% 31.627 7.442 23,5% 49,8% 592.115 378.492 63,9% 47,4% 695.727 414.425 59,6% 27,5% 30.496 12.319 40,4% 59,7% 17.196 12.475 72,5% 34,6% 46.007 22.334 48,5% 62,7% 276.007 206.984 75,0% 62,7% 57.839 43.375 75,0% 79,5% 54.828 47.906 87,4% 66,7% 157.481 123.077 78,2% 53,5% 157.875 106.164 67,2% 56,4% 295.100 205.954 69,8% 29,4% 87.787 37.487 42,7% 86,8% 944.699 870.788 92,2% 70,4% 2.125.315 1.688.863 79,5% 27,8% 82.519 33.620 40,7% 21,4% 21.339 6.992 32,8% 40,3% 345.793 189.060 54,7% 24,9% 11.187 4.158 37,2% 73,0% 191.014 158.323 82,9% 9,8% 67.347 10.966 16,3% 46,1% 23.172 14.011 60,5% 46,4% 742.371 450.569 60,7% 61,4% 3.563.413 2.636.669 74,0% 4.378.706 3.422.328 66,7% 78,2% 78,0% 2.406.906 2.078.625 86,4% Média dos Municípios do Arco 57,90%

Itaguaí Seropédica 1 Mangaratiba Rio de Janeiro-AP5(*) Subtotal Setor 1 Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita (2) 2 Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Rio de Janeiro-AP3(*) Subtotal Setor 2 Itaboraí Guapimirim São Gonçalo 3 Tanguá Niterói Maricá Cachoeira de Macacu Subtotal Setor 3 Total: Região do Arco Total: RMRJ Total Mun. RJ

Fonte: IBGE, Censo 2000; Projeção para 2010 realizada por David Vetter Consultoria Econômica Ltda (*) Todas as Regiões Administrativas das AP5 eAP3

Contrastando o volume de esgoto tratado — 368,5 milhões m3/ano — com 1,43 bilhões m3/ano de água efetivamente distribuída para consumo, verifica-se que o primeiro representa a absurdamente reduzida proporção de cerca de 26%. Pelo menos 13 municípios não contam com qualquer tratamento de esgoto. Niterói, que detém a melhor situação, conta apenas com 61% do seu esgoto tratado, enquanto no município do Rio de janeiro, segundo melhor colocado, essa proporção não chega a 30%.

208

Assim, não é à toa que a Baía de Guanabara e, praticamente, a maior parte dos cursos naturais das águas e as lagoas estejam em estágio tão crítico de poluição (níveis altíssimos de coliformes fecais, metais pesados e poluentes orgânicos). Esse problema é agravado pela falta de uma atitude responsável de parte da população que descarta todo tipo de material, principalmente plásticos e embalagens usadas em geral, e pela existência de lixões e aterros sanitários não controlados, o que provoca ainda a obstrução das galerias pluviais, com isso reduzindo a capacidade de vazão e facilitando a inundação das áreas urbanas mais baixas, sobretudo quando chuvas fortes se associam a marés altas. Quando se utiliza o conjunto de dados acima, do SNIS, montado pelo Ministério das Cidades, que se apoia em informações fornecidas pelas Concessionárias, verifica-se que o abastecimento de água potável em rede e, sobretudo, o esgotamento sanitário em redes exclusivas, ligadas a estações de tratamento do efluente final, representam desafios críticos ao desenvolvimento sustentável da região de estudo. Os dados demonstram que parte significativa da água produzida e distribuída não é coletada nas redes de esgoto, indicando que grande volume de águas servidas, com milhões de coliformes termotolerantes por cada 100 ml, entre outros poluentes mais tóxicos, é destinado diretamente, in natura, aos corpos receptores. Comparando-se ainda o volume de esgoto sanitário coletado (438,5 milhões de m3/ano) com o que é alegadamente tratado (368,5 milhões de m3/ano) — indicando um descarte adicional in natura de mais 190 mil toneladas por dia nos corpos receptores — chega-se à magnitude do verdadeiro desafio em saneamento básico, que no caso inclui a despoluição da Baía de Guanabara, apenas considerando-se a situação atual, sem um acréscimo anual de cerca de 50 km2 de áreas urbanizadas e mais de 83 mil habitantes que irá ocorrer nas duas próximas décadas na Região de Influência do Arco. Além disso, os dados do SNIS mostram, em primeiro lugar, que dos cerca de 1,7 bilhões de m3/ano de água produzida (ou 1,4 bilhões de m3/ano de água tratada) na região de estudo, apenas cerca de 820 milhões de m3/ano são efetivamente faturados. Trata-se de perdas técnicas e comerciais inaceitáveis, que evidenciam gastos extraordinários desnecessários em energia e insumos diversos, para não mencionar as implicações ambientais negativas, além dos custos excessivos das contas de cobrança aos usuários. Mas a sequência da análise 209

mostra ainda que apenas 438 milhões de m3/ano são coletados nas redes de esgoto no sistema de separação absoluta adotado pelas concessionárias da região, o que significa o descarte direto pelas redes de água pluvial e sistema natural de drenagem, de um volume de águas servidas no mínimo da ordem de 400 milhões de m3/ano ou praticamente 1,1 milhões de toneladas por dia de esgoto in natura nos corpos receptores, entre os quais se destaca a Baía de Guanabara. Se levarmos em conta que a eficiência média dos sistemas de tratamento secundário de esgoto existentes atinge no máximo 90% no que se refere à remoção de coliformes fecais, sem que se saiba com maior precisão a concentração de outros poluentes no descarte final efetivo, pode-se entender ainda melhor a magnitude do desafio enfrentado neste setor. A adoção de tecnologias alternativas aos sistemas de coleta e tratamento de esgoto de grande porte, utilizados em todo o mundo, de forma isolada para novos assentamentos, vem sendo implementada, ao que consta, no licenciamento de muitos desses projetos na região. Sem entrar no mérito dos custos e benefícios sociais das alternativas comercialmente disponíveis, e reconhecendo-se a inviabilidade de soluções convencionais por bacia/sub-bacia no curtíssimo prazo, entende-se que as soluções individuais devem ser adotadas, sobretudo no caso de grandes projetos. Mas torna-se urgente e prioritário enfrentar o desafio representado pelos atuais e previsíveis níveis de descarte de esgoto in natura nos corpos receptores da região. Trata-se de promover o diagnóstico detalhado da situação por bacia/sub-bacia da região, considerando-se a capacidade atual e possível das ETEs existentes, ao mesmo tempo em que são identificadas as demandas futuras derivadas do crescimento urbano previsto e/ou induzido pelos projetos integrados de desenvolvimento dos vazios urbanizáveis ou pelo adensamento seletivo de áreas de ocupação incipiente e reservar áreas estrategicamente localizadas para a construção de novas ETEs, além de garantir a possibilidade de ampliação das existentes. Nesse sentido, cabe aqui introduzir o mapa das principais bacias hidrográficas de interesse na região, bem como a localização das ETEs existentes e previstas, além das propostas do esforço JICA (2004)

210

3.2.7.3. A Bacia da Baia de Guanabara
Em função da maior importância relativa, socioeconômica e ambiental, da região hidrográfica da Baía de Guanabara no contexto da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e da Região do ARCO, passa-se a um exame sucinto do quadro atual, com ênfase na questão do esgotamento sanitário, setor reconhecidamente chave na despoluição desse ambiente natural extraordinário. A Região Hidrográfica da Baía de Guanabara (RHBG) possui área de 4.198 km2 e abrange a maioria dos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro com cerca de dez milhões de habitantes, o que corresponde a aproximadamente 80% da população do Estado, são eles: Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, São Gonçalo, Magé, Guapimirim, Itaboraí, Tanguá e partes dos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito e Petrópolis. Essa região apresenta alto grau de degradação ambiental, com redução das áreas de manguezais, que originalmente ocupavam 260km2 da bacia e atualmente correspondem a apenas 82km2. Essa alteração reduz a capacidade de reprodução de diversas espécies de vida aquática e intensifica o processo de assoreamento que, ao longo do tempo, resulta na progressiva redução de profundidade da Baía. Em suas áreas mais densamente urbanizadas, os rios são quase todos canalizados e em muitos trechos são cobertos, conduzindo águas de péssima qualidade. Esta região também apresenta carência habitacional para a população de baixa renda, o que resulta na ocupação espontânea de área como encostas, margens de rios e áreas inundáveis.

211

Quadro 3. 54 – Principais ameaças à Baía de Guanabara
Ameaças Formas Consequências Modificação do sistema de circulação das águas Redução da vida média da Baía

Às características morfológicas (relativas à forma, à configuração)

• •

diminuição do espelho d'agua, através de aterros assoreamento (acúmulo de sedimentos através do depósito de areia, terra, detritos etc)

eutrofização (grande concentração de nutrientes) e aumento da concentração de matéria orgânica principalmente devido ao lançamento de esgoto in natura contaminação química e microbiana pelos fluentes domésticos e industriais, pela dissolução de lixo descartado indevidamente e pela lixiviação e chorume de aterros não controlados

À qualidade das águas

Alteração dos processos naturais de depuração Crescimento anormal de algas Redução da vida média da Baía

À biota (Conjunto de seres animais e vegetais)

• • •

destruição de manguezais poluição das águas poluição do sedimento

Eliminação de "habitats" de muitas espécies de crustáceos, moluscos e peixes Diminuição do potencial pesqueiro Contaminação química e microbiana da fauna Contaminação do pescado

Aos usos

• • • •

presença de lixo contaminação microbiana da água assoreamento presença de óleo

Prejuízos à navegação Diminuição da pesca Perda de valor estético e recreativo-turístico Prejuízos à paisagem

212

Esgoto sanitário A FEEMA (hoje INEA), em 2006, estimava que, até o início do PDBG 1, a Baía recebia cerca de 17 m³/s de efluentes domésticos sem tratamento, correspondendo a 465 t./dia de carga orgânica (expressa em DBO – demanda biológica de oxigênio, cerca de 54 g/hab./dia). Esse volume equivale a um estádio do Maracanã por dia. Em cálculo anterior nesta seção mostra-se que os dados do SNIS para 2008 indicam um descarte diário de pelo menos cerca de 1 milhão de metros cúbicos por dia de esgoto in natura, confirmando a ordem de grandeza divulgada naquela ocasião pela FEEMA. Ineficiência na coleta e destino final do lixo A deficiência na coleta e a falta de locais adequados para receber o lixo gerado pela população são um dos principais problemas da bacia da Baía de Guanabara, causando grandes danos ambientais como: • focos de proliferação de doenças; • contaminação do solo; • poluição das águas superficiais e subterrâneas; • obstrução dos sistemas de drenagem. Das quase 13.000 toneladas por dia de lixo geradas na Bacia da Baía de Guanabara, 4.000 toneladas não chegam a ser coletadas, sendo vazadas em terrenos baldios, rios e canais. Das 9.000 toneladas por dia que são coletadas, 8.000 toneladas vão para o aterro de Gramacho, cuja vida útil estará esgotada em poucos anos. O restante do lixo é lançado em vazadouros, sem medida de controle adequada. Os resíduos hospitalares, apesar de representarem pequena parcela do volume total de lixo gerado na Bacia, devem ser prioridade devido à presença de micro-organismos patogênicos, resíduos químicos e materiais cortantes. Só o Município do Rio de Janeiro mantém atualmente um sistema aceitável de coleta e destino final desse tipo de resíduo (site FEEMA, 2006).

213

Poluição industrial É estimado que 64 toneladas de carga orgânica e sete toneladas de óleo são lançadas por dia na Baía, contendo 0,3 tonelada de metais pesados como chumbo, cromo, zinco e mercúrio. As responsáveis por essa carga poluente são as indústrias alimentícias e químicas, especialmente as petroquímicas. Das 450 indústrias classificadas como prioritárias para controle, estima-se que 55 são responsáveis por 80% da carga poluidora (site FEEMA, 2006). Em que pese o avanço dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto na Bacia, bem como do controle dos resíduos urbanos e da poluição industrial, o programa de despoluição da Baia de Guanabara não gerou até esta data os resultados esperados. A seguir apresenta-se um quadro com localização das ETEs existentes e em processo de ampliação/melhoria, bem como as previstas em 2003 no Plano Estratégico de Esgotamento Sanitário da Baía de Guanabara37. O Plano de Esgotamento Sanitário desenvolvido para a bacia da Baía de Guanabara, com um horizonte de 2020, compreende 16 sistemas de esgotamento independentes, cobrindo cerca de 2.970 km2 de área esgotada e atendendo 9.4 milhões de pessoas (JICA, 2003). Em 2006 estaria sendo incluído o Sistema do Emissário Submarino de Ipanema por absorver os esgotos sanitários da Zona Sul e de parte do Centro, integrantes da bacia contribuinte da Baía de Guanabara. O Quadro 3.55 apresenta as populações de projeto para as bacias de esgotamento da bacia da Baía de Guanabara, estimadas a partir do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, que se constituíram em dados básicos para o desenvolvimento dos sistemas de rede e tratamento de esgotos. As informações técnicas pertinentes encontram-se em processamento GIS para utilização no presente estudo na finalização da avaliação multicriterial dos vazios urbanizáveis e áreas adensáveis.

37

Plano de Esgotamento Sanitário desenvolvido como parte dos estudos conduzidos pela JAPAN INTERNATIONAL COOPERATION AGENCY (JICA). The Study on Management and Improvement of Environmental Conditions of Guanabara Bay in Rio de Janeiro. Final Report. Main Report. Outubro2003.

214

A vazão de contribuição per capita de esgotos foi estimada em 80% do volume de consumo per capita de água, assumindo-se uma taxa de retorno de 80% da água consumida. O efluente industrial foi considerado como parte do efluente doméstico e a vazão média per capita de esgotos foi estimada em 300 litros diários. No desenvolvimento dos sistemas de rede e tratamento de esgotos foi, também, assumida a hipótese de que, mesmo em 2020, 10% da população da área esgotável da bacia contribuinte, não teria acesso a serviços de esgotos. A taxa de infiltração foi estimada na faixa de 0,05 – 1,0 L/s.km de rede de esgotamento.

215

Quadro 3. 55 – Características das ETEs existentes e propostas – (JICA–2004)

216

3.2.8. Mobilidade e Transporte 3.2.8.1. Introdução
A questão dos transportes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro é uma das mais críticas a serem enfrentadas para que a região possa alcançar novos patamares de desenvolvimento. As cidades e metrópoles são corpos vivos cujo adequado funcionamento depende de um eficiente sistema de circulação de pessoas e mercadorias, tanto quanto o organismo humano necessita que a circulação sanguínea irrigue de forma adequada todas as partes do corpo. O Arco Metropolitano quando entrar em operação em sua totalidade trará um grande alívio ao sistema viário metropolitano, facilitando enormemente os movimentos inter-regionais e permitindo o fluxo direto entre os grandes polos industriais do COMPERJ, da REDUC e da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro/Itaguaí, assim contribuindo para diminuir o congestionamento dos principais eixos rodoviários da Região Metropolitana, inclusive aqueles de características expressas ou arteriais que permitem a articulação dos bairros com o sistema rodoviário federal. No entanto, ainda será insuficiente para reduzir os grandes gargalos que travam ou impedem a fluidez desse sistema principalmente nas horas de pico. Os problemas a serem enfrentados estão em várias frentes: i) estrutura radial, fortemente centralizada no município do Rio de Janeiro, da maioria dos sistemas de transporte existentes para os deslocamentos na metrópole. A maior parte dos ônibus municipais e intermunicipais, e o transporte alternativo, se dirigem à área central da metrópole enquanto são inexistentes ou precárias as alternativas de transporte público direto entre as cidades e os bairros da periferia (i.g. um passageiro do sistema de transporte público para se deslocar entre os municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias tem que fazer esse percurso vindo ao centro do Rio de Janeiro); ii) como consequência direta e da grande concentração do emprego no município polo da região formam-se nas horas de pico, cada vez mais ampliadas, longos engarrafamentos nas vias troncais elevando enormemente os custos de transporte, o tempo gasto nesses deslocamentos que, com frequência chega a mais de 2 horas entre localidades que não distam mais de 40 km, elevando, também, os níveis de poluição atmosférica; iii) falta de alternativas viárias e sistemas municipais bem hierarquizados para que o tráfego entre localidades próximas não tenha que utilizar as vias troncais intermunicipais; vi) grande 217

descoordenação intermodal; v) preferência dada ao transporte rodoviário sobre a alternativa ferroviária, que gerou a desativação de diversos ramais ferroviários, os quais seriam hoje de grande importância funcional para racionalizar o sistema de circulação na metrópole. Quanto a esse último aspecto, como será visto mais adiante, apenas 7 % das viagens por coletivos são feitas utilizando trem ou metrô. Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana (PDTU/2005) “o congestionamento nas principais vias de trânsito da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em especial nos acessos à cidade do Rio de Janeiro (...) que em 2003 foi de 55 km, poderá chegar em 2013 a 133 km, com intensos rebatimentos para a periferia da Região Metropolitana através da Avenida Brasil, da Ponte Rio-Niterói, da Rodovia Washington e da Rodovia Presidente Dutra ”38. Estudo recente desenvolvido pelo IPPUR aponta a Região Metropolitana do Rio de Janeiro como a área em que a população despende o maior tempo no percurso casa-trabalho entre as 10 maiores RM do Brasil. “Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE (PNAD), nas 10 regiões metropolitanas pesquisadas, tem aumentado o número de pessoas que passam mais tempo no trajeto casa-trabalho. Ao compararmos o percentual de pessoas que demoravam mais de 1 hora para se deslocarem diariamente de suas casas até seu local de trabalho, ou vice-versa, entre 2001 e 2008, percebemos que ocorreu um aumento em quase todas as metrópoles. (...) Surpreendentemente, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro é onde existe um maior percentual de pessoas que levam mais de 1 hora no trajeto casa-trabalho, mais que São Paulo, inclusive”39.

3.2.8.2. Divisão modal
Muitas viagens são realizadas diariamente pelas pessoas utilizando-se de mais de um modo de deslocamento. Considerado apenas o modo principal das viagens realizadas na RMRJ, cerca

38 39

Conforme citado no Anexo 6, Subproduto 1, Componente 2 do Plano Diretor do Arco Metropolitano, set. 2010 (p.11). Juciano M. Rodrigues.

218

de 12,5 milhões, tem-se que 33,85 % são feitas a pé e os restantes 66,15% por algum tipo de veículo motorizado40.

Figura 3. 25 – Percentual de pessoas que gastam mais de 1 hora segundo o tempo de deslocamento casa-trabalho

Verifica-se no Quadro 3.56 que das viagens motorizadas, 26% corresponde ao transporte individual e 74% ao coletivo. Dessas últimas, 66,1% são realizadas por ônibus (municipais, intermunicipais e transporte alternativo) apenas a irrisória proporção de 7% utiliza o sistema ferroviário (metrô 4% e trem 3%41), reduzindo-se para um pouco menos de 5% se considerada a totalidade das modalidades motorizadas. Já para o sistema aquaviário (barca, aerobarco/catamarã), a carga representa apenas 0,9 % (ou 0,7% do total), isso não obstante: i) o grande potencial oferecido pela Baía de Guanabara para esse tipo de deslocamento; ii) a existência de uma enorme demanda de transporte entre as comunidades situadas no anel urbano situado no entorno dessa Baía; iii) e, não menos importante, ser o aquaviário o meio de

40 41

PDTU - Relatório 9 (2005, p.12). O sistema de bondes tem participação inferior a 1%.

219

transporte menos poluidor e mais eficiente no uso de energia. Ou seja, os veículos com “roda de borracha”, como dizem alguns, contrariamente à tendência dos centros mais desenvolvidos, predominam completamente entre as modalidades de transporte da população, gerando todas as bem conhecidas consequências negativas que essa alternativa acarreta.
Quadro 3. 56– Divisão Modal das viagens motorizadas – Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2005
Divisão modal das viagens motorizadas - Região Metropolitana do Rio de Janeiro - 2005 Modo de transporte Condutor de auto Passageiro de auto Transporte individual Táxi Motocicleta Ônibus executivo Caminhão Total modo individual Ônibus municipal Ônibus intermunicipal Transporte alternativo Transporte coletivo Metrô Trem Transporte escolar Transporte fretado Barco/Aerobarco/Catamarã Bonde Total modo coletivo Total
Fonte: PDTU/2005

Viagens realizadas 2.106.591 863.043 139.109 100.922 47.233 29.448 3.286.346 5.254.848 1.331.894 1.630.985 355.404 303.578 190.262 92.150 82.091 2.195 9.243.409 12.529.755

% Modo 64,1% 26,3% 4,2% 3,1% 1,4% 0,9% 100,0% 56,8% 14,4% 17,6% 3,8% 3,3% 2,1% 1,0% 0,9% 0,0% 100,0% Total 16,8% 6,9% 1,1% 0,8% 0,4% 0,2% 26,2% 41,9% 10,6% 13,0% 2,8% 2,4% 1,5% 0,7% 0,7% 0,0% 73,8% 100,0%

3.2.8.3. Veículos circulantes (excluídos os sistemas aquaviário, metroviário e ferroviário)
Segundo dados do DETRAN-RJ, o número de veículos motorizados matriculados nos municípios da RMRJ passou de 2,8 milhões em dezembro de 2005 para 3,6 milhões em dezembro de 2010, com uma elevação de mais de 825,6 mil veículos (29,3 %), ou 165,1 mil 220

veículos/ano. Excetuados os veículos grupados em “outros”, impressiona a elevação das proporções de motocicletas e motonetas — cerca de 199 mil (86 %), ou 40 mil a mais a cada ano — e de ônibus/micro-ônibus (cerca de 11 mil unidades, com 26 % de acréscimo).
Quadro 3. 57 – Aumento da frota de veículos – Região do Arco Metropolitano, Região Metropolitana e Município do Rio de Janeiro – 2005-2010
Aumento da frota de veículos - Região do Arco Metropolitano, Região Metropolitana e Município do Rio de Janeiro 2005 - 2010 Município Itaguaí Seropédica Mangaratiba Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Mesquita Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Itaboraí Guapimirim São Gonçalo Tanguá Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu Rio de Janeiro Total ( ARCO+ tot. Rio) RMRJ Média de acréscimo anual
Fonte: DETRAN/RJ (Posição dez- 2005 e dez- 2010)

2005 31.370 5.840 3.924 3.788 6.389 11.104 133.495 11.090 26.930 73.150 31.163 151.690 25.065 36.746 5.227 122.987 2.499 190.341 18.401 9.717

2010 41.568 11.308 8.226 8.461 12.536 19.133 180.445 24.345 38.472 102.771 57.977 211.660 41.144 53.614 8.790 188.023 4.307 236.770 36.798 15.846

Acrécimo 2005-2010 10.198 5.468 4.302 4.673 6.147 8.029 46.950 13.255 11.542 29.621 26.814 59.970 16.079 16.868 3.563 65.036 1.808 46.429 18.397 6.129 434.827 836.105 825.674 165.135

1.929.502 2.364.329 2.830.418 3.666.523 2.816.777 3.642.451

221

Excetuando-se os municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, todos os demais apresentaram crescimento da frota de veículos acima da média da RMRJ (29,3 %), sendo que os municípios de Japeri, Mesquita, Mangaratiba, Maricá e, praticamente, Paracambi e Seropédica, dobraram o tamanho de suas frotas em apenas 5 anos.

Figura 3. 26 – Elevação da produção de veículos nos municípios da Região e na RMRJ – 20052010

Esses dados são bons sinalizadores do agravamento dos problemas dos congestionamentos hoje existentes, sendo que a grande elevação do número de motocicletas — que alcançou cerca de 178 % em Belford Roxo e cerca de 170% em Mesquita — justifica-se por ser o veículo motorizado de custo mais baixo e pelo momento de melhoria do poder aquisitivo das famílias de mais baixa renda. No entanto, a referida elevação, pode ser explicada também por constituir-se a motocicleta a forma que a população encontra para tentar minimizar os problemas causados pelos enormes engarrafamentos.

222

3.2.8.4. Sistema ferroviário
O sistema ferroviário da região, que surgiu para atender, inicialmente, à necessidade de transporte de carga, notadamente de produtos agrícolas, até o porto42, desempenhou uma função importante como principal indutor na expansão urbana para o interior da capital. Com o crescimento da população e o surgimento, no entorno das estações ferroviárias, de bairros residenciais o sistema passou a transportar cada vez mais passageiros. Por outro lado, as ruas adjacentes às vias férreas tornaram-se longos eixos de acesso aos bairros atingindo os municípios vizinhos da região metropolitana, compondo uma estrutura urbana baseada em corredores rodoferroviários de disposição radiada, tendo como núcleo os centros do Rio de Janeiro e de Niterói. A construção das rodovias de acesso ao Rio, Av. Brasil (BR-101), na direção da Zona Oeste, a Rodovia Washington Luís (BR-040), atravessando o município de Caxias em direção ao norte (municípios da região serrana), e a Rodovia Presidente Dutra (BR116), cruzando São João de Meriti e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no caminho de São Paulo, passaram a oferecer aos bairros e centros comerciais mais distantes acesso mais rápido e direto que o oferecido pelos eixos adjacentes às vias férreas (FUNDREM/Jaime Lerner Planejamento Urbano Ltda., 1984, p.9). Com a primazia conferida ao transporte rodoviário, em função do impulso dado à indústria automobilística, e à ampliação da malha viária, vários ramais foram sendo desativados enquanto entrava em colapso o transporte ferroviário. Com a privatização dos serviços oferecidos pela Rede Ferroviária Federal houve recuperação do fluxo de passageiros nos ramais que foram mantidos. A quantidade de passageiros transportados, entre 2000 e 2009, se elevou em cerca de 46 mil/ano (57 %). Não obstante essa modalidade de transporte ainda estar muito aquém da importância que poderia ter no sistema metropolitano.

42

A primeira ferrovia, linha Central, foi inaugurada em 1858, cobrindo o percurso de 48 km entre a estação Pedro II e Queimados. Um ano depois essa linha é estendida até Japeri (FUNDREM/Jaime Lerner Planejamento Urbano Ltda., 1984, p.9)

223

Quadro 3. 58 – Passageiros do sistema de transporte ferroviário Região Metropolitana do Rio de Janeiro
Passageiros do sistema de transporte ferroviário Região Metropolitana do Rio de Janeiro 2001 - 2009 Passageiros transportados/ano (em mil) Var. 20012001 2009 2009 (%) 80.247 126.185 57,2% 37.184 10.305 9.176 2.759 20.823 60.117 19.285 11.265 5.488 30.031 61,7% 87,1% 22,8% 98,9% 44,2%

Item Total Deodoro Ramal Saracuruna ferroviário Berford Roxo Japeri Santa Cruz

Fonte: Diversas, segundo mencionado no Anexo 6/Relatório do Subproduto 1/Componente 2 do Plano Diretor do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

3.2.8.5. Sistema metroviário
O sistema metroviário passou a operar desde 1979 e, segundo dados do PDTU (2005), participava apenas com 2,8% do total no modal de viagens motorizadas na RMRJ, proporção esta um pouco maior do que a do sistema ferroviário (2,4%). Entre 2000 e 2005, a quantidade de passageiros transportados aumentou em 126 mil/dia (30%). Em extensão de linhas, com 42 km, é o terceiro maior do país ficando atrás do de São Paulo e o do Distrito Federal. Atualmente conta com 35 estações e obras em andamento para ampliação da linha 1 até a Barra da Tijuca. É opinião unânime entre os especialistas que essa malha metroviária é muito insatisfatória, especialmente, quando se considera a capacidade de transporte por metrô em outros grandes centros43.

43

O Metrô de Buenos Aires conta com 74 estações, 75 km de linhas e transporta diariamente cerca de 1,7 milhões de pessoas. O Metrô da Cidade do México tem 175 estações, 201 km de linhas, transporta 3,9 milhões de passageiros/dia.

224

Quadro 3. 59 – Passageiros de transporte metroviário Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2000-2009
Passageiros do sistema de transporte metroviário Região Metropolitana do Rio de Janeiro 2000 - 2009 Fluxo médio de passageiros /dia útil (em mil) 2000 Total Linha 1 Linha 2 422 321 101 2009 Var. 2000-2009 (%) 548 29,9% 414 134 29,0% 32,7%

Fonte: Diversas,segundo mencionado no Anexo 6/Relatório do Subproduto 1/Componente 2 do Plano Diretor do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

3.2.8.6. Sistema aquaviário
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ, na comparação com outros modais o aquaviário leva enormes vantagens, as quais podem ser resumidas nos seguintes parâmetros:

Maior Eficiência energética Capacidade de concentração de cargas Vida útil da infraestrutura Vida útil dos equipamentos e veículos Segurança de carga

Menor Consumo de combustível Emissão de poluentes (alterações climáticas e efeito estufa) Congestionamento de tráfego Número de acidentes Custo operacional Impacto ambiental Emissão de ruído 225

Algumas dessas vantagens são quantificadas abaixo, destacando-se; i) maior eficiência energética (5,0 tonelada/HP, contra apenas 0,17 no rodoviário e contra 0,75 no ferroviário); menor emissão de poluentes (20 kg/1.000 tku de CO2, contra 34 no ferroviário e 116 no rodoviário; menor consumo de combustível (5 litros/1.000 tku, contra 10 no ferroviário e 96 no rodoviário);44

Figura 3. 27 – Aspectos Ambientais Relevantes

Ocorre que, não obstante tais vantagens, essa modalidade de transporte vem perdendo importância na matriz de transportes da RMRJ. Entre 2000 e 2009, a redução de passageiros transportados/ano reduziu de 24,9 milhões para 22,6 milhões, ou seja 9%, não obstante o enorme incremento na demanda de transporte que havia nesse intervalo. Acresce a esse aspecto o fato de ainda ser muito reduzido o número de ligações atendidas por esse sistema (Rio-Niterói; Rio Paquetá; Rio-Cocotá e Rio-Charitas).

44

Fonte: http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/palestras/Mar0817PiracicabaAlexOliva.pdf.

226

Quadro 3. 60 – Passageiros do sistema de transporte aquaviário – Região Metropolitana do Rio de Janeiro – 2000-2009
Passageiros do sistema de transporte aquaviário Região Metropolitana do Rio de Janeiro 2000 - 2009 Passageiros transportados/ano (em mil) 2000 2009 Var. 2000-2009 (%)

24.949

22.684

-9,1%

Fonte: Conerj/Barcas S.A. e Transtur, segundo mencionado no Anexo 6/Relatório do Subproduto 1/Componente 2 do Plano Diretor do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Potencial de ampliação do sistema aquaviário na Baía de Guanabara Em 1998, quando a operação das ligações aquaviárias foi passada para a iniciativa privada, a concessionária vencedora teve a opção contratual de exercer direito de exploração de mais três linhas, Praça XV-São Gonçalo, Praça XV-Guia de Pacotiba (Magé) e Praça XV- Barra da Tijuca, com prazo de implantação de dois anos para as duas primeiras e de três anos para a última. Nenhuma das linhas opcionais foi implantada.” Além disso, um estudo concluído em 2001, patrocinado pelo BNDES, indicou a viabilidade técnico-econômica de outras oito ligações entre municípios localizados no entorno da Baía de Guanabara: Gradim-Praça XV; Niterói-Santos Dumont; Rio-São Gonçalo-Itaboraí; Duque de Caxias-Niterói; Duque de CaxiasRio de Janeiro (Armazém 18); Magé (Guia de Pacotiba) – Cocotá – Niterói; Magé (Guia de Pacotiba)- Cocotá-Praça XV e Charitas-Botafogo.

227

3.2.8.7. Análise dos dados das viagens intra e intermunicipais
Estudo realizado a partir do Sistema de Informações da Mobilidade Urbana (ANTP, 2008) e informações das concessionárias de ônibus urbanos e interurbanos da RMRJ mostra que, nos municípios da Área de Influência do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, foram realizadas em 2007, em média, 22,2 milhões de viagens diárias, aí consideradas as intra e intermunicipais. Desse total, 9,7 milhões (44%) foram intermunicipais. A Área é formada por municípios com grandes disparidades de funções urbanas e de oferta de emprego, o que explica, em parte, a grande quantidade de viagens intermunicipais. Dos cinco municípios com maior percentual de viagens para fora de suas fronteiras, apontados no estudo acima mencionado (Quadro 3.61) Magé com 85%, Guapimirim com 78%, Itaboraí com 74%, São Gonçalo com 73% e Cachoeiras de Macacu com 70 %, quatro pertencem ao Setor 3, e um pertence ao Setor 2. No entanto, considerada a proporção dessas viagens no total das viagens intermunicipais, as originadas nos municípios do Rio de Janeiro (38,7%) e São Gonçalo (22,5%), são as que exercem a maior pressão no sistema viário metropolitano. A análise dos dados apresentados permite verificar o grande volume de tráfego metropolitano a partir do município do Rio de Janeiro, com cerca de 3,8 milhões de deslocamentos diários intermunicipais, ou seja, mais do que a soma dos deslocamentos nos setores 1, 2 e 3 (descontadas as AP 3 e 5 do Rio de Janeiro pela indisponibilidade do dado). O que surpreende nesta informação é que, apesar de ser o município ainda hoje o catalizador das atividades da região, 32% de sua população se desloca para atividades diárias em outros municípios. Isto reforça o entendimento das interdependências típicas de regiões metropolitanas e o reconhecimento do interesse metropolitano, supramunicipal, também no setor de transportes, pois os piores problemas do município capital do estado, assim como dos demais, só terão melhor solução quando integrados a soluções metropolitanas. Em outras palavras, os congestionamentos nos acessos e travessias das áreas centrais do município do Rio ou de Niterói, dependem de soluções coordenadas entre os órgãos concedentes do transporte coletivo rodoviário intramunicipal (Municípios) e intermunicipal (Secretaria de Estado dos Transportes) bem como de investimentos adequados nos sistemas de transporte coletivo ferroviário, metroviário e aquaviário, com ênfase na integração multimodal, inclusive e 228

particularmente com o transporte rodoviário, através de ramais de grande capacidade para áreas centrais, estações de transbordo confortáveis e bilhetagem única. Conforme apresentado no Relatório 2 do Componente 2 – Políticas Públicas de Desenvolvimento Urbano, os cinco primeiros municípios possuem uma baixa dinâmica econômica, resultando na grande incidência do movimento pendular nos transportes, com a população tendo de se deslocar de seus municípios para buscar serviços e funções urbanas de grau mais elevado, em especial trabalho, saúde e educação. O imenso tráfego a partir do município do Rio de Janeiro, com cerca de 3,8 milhões de viagens intermunicipais diárias, cerca de 38% do total, surpreende por ser o município catalizador das atividades da região. Os setores 1 e 2, excluídas as AP 3 e 5 do município do Rio de Janeiro, apresentam resultados semelhantes em termos percentuais, porém com fluxo muito mais expressivo no Setor 2, em função de sua população, estimada em cerca de 3,7 milhões de habitantes em 2007, o que resulta em cerca de 2,8 milhões de deslocamentos diários intermunicipais. Estudo mais detalhado sobre o comportamento do transporte rodoviário intermunicipal de passageiros é apresentado a seguir, a partir de trabalho desenvolvido pelo GETEMA/COPPE com base nos dados primários da Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro para o PDTU 2005. O estudo envolve, diferentemente dos dados contidos no Quadro 3.61, dados específicos sobre as AP3 e 5 do município do Rio de Janeiro, permitindo uma visão mais apurada da Área de Influência do Arco Metropolitano.

229

Quadro 3. 61 – Viagens diárias realizadas – Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro – 2007
Viagens diárias realizadas - Municípios da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - 2007 (*)

Setor

Município

Estimativa da população residente (A)

Viagens c/ origem e destino no município (/1000)
Municipais (B) Metropolitanas (C) 62 35 12 109 72 29 88 208 57 55 304 655 709 690 2.867 425 61 2.193 21 241 30 21 2.992 3.763 9.731

Viagens metropolitanas (%)

No total c/ origem e No total da Total destino no Região do (D)=(B)+(C) município Arco (F) (%) (E)=(C )/(D) 120 72 27 219 116 50 159 823 146 162 665 1.000 1.500 810 5.431 572 78 3.000 33 940 168 30 4.821 11.820 22.231 51,7% 48,6% 44,4% 49,8% 62,1% 58,0% 55,3% 25,3% 39,0% 34,0% 45,7% 65,5% 47,3% 85,2% 52,8% 74,3% 78,2% 73,1% 63,6% 25,6% 17,9% 70,0% 62,1% 31,8% 43,8% 0,6% 0,4% 0,1% 1,1% 0,7% 0,3% 0,9% 2,1% 0,6% 0,6% 3,1% 6,7% 7,3% 7,1% 29,5% 4,4% 0,6% 22,5% 0,2% 2,5% 0,3% 0,2% 30,7% 38,7% 100,0%

Itaguaí Setor 1 Seropédica Mangaratiba Total Setor 1 Japeri Paracambi Queimados Nova Iguaçu Setor 2 Mesquita Nilópolis São João de Meriti Belford Roxo Duque de Caxias Magé Total Setor 2 Itaboraí Guapimirim São Gonçalo Setor 3 Tanguá Niterói Maricá Cachoeiras de Macacu Total Setor 3 1e2 Rio de Janeiro Total Região do Arco

108.790 81.462 33.668 223.920 105.341 45.562 151.110 910.528 196.270 148.207 479.266 527.173 910.728 258.736 3.732.921 247.786 50.458 1.030.981 29.586 488.729 114.681 59.018 2.021.239 6.186.710 12.164.790

58 37 15 110 44 21 71 615 89 107 361 345 791 120 2.564 147 17 807 12 699 138 9 1.829 8.057 12.500

Fonte: Elaborado pelo GETEMA/UFRJ a partir de dados disponíveis no Sistema de Informações da Mobilidade Urbana – Relatório Geral 2008 (ANTP) e informações das concessionárias de ônibus urbanos e interurbanos da RMRJ Nota (*): Inclui todos os modais de transporte (coletivo, automóvel, motocicleta, bicicleta e a pé).

3.2.8.8. Viagens intermunicipais de passageiros
A leitura do Quadro 3.61, que mede os deslocamentos rodoviários diários intermunicipais de passageiros na Área de Influência do Arco, nos permite, numa primeira leitura, verificar a concentração de deslocamentos na Área 2, no eixo Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Duque de Caxias, Mesquita, Nilópolis e Rio de Janeiro AP3 e na área central da região do Arco. As áreas onde estão sendo executadas as obras do Seguimento C do Arco, o mais próximo dos municípios citados, são hoje pouco povoadas e relativamente distantes dos 230

centros urbanos municipais. A concentração de deslocamentos está situada mais ao sul, na confluência das sedes municipais e no município do Rio de Janeiro. A Figura 3.28, que espacializa os deslocamentos superiores a 5 mil passageiros/dia, permite a visualização desta concentração, que totaliza cerca de 600 mil viagens/dia, em dados de 2005.
Figura 4.39 – Deslocamentos rodoviários superiores a 5000 passageiros/dia

Figura 3. 28- Deslocamentos rodoviários superiores a 5 passageiros/dia

Se agregarmos as viagens intermunicipais nos trechos com menos de 5 mil passageiros/dia, veremos, este fluxo se estendendo a Queimados, Japeri e, com menor intensidade, a

Paracambi. Com estes municípios fica totalizada a Área 2, com cerca de 700 mil passageiros/dia. Ou seja, em 2005, 84% do fluxo rodoviário da Área 2 estava concentrado no eixo Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Duque de Caxias, Mesquita, Nilópolis e Rio de Janeiro AP3 fazendo pressupor que esta concentração permanece até a atualidade, uma vez que não houve ocorrências de impacto na área.

231

Chama a atenção, no entanto, o fato de que especialmente a sede de Japeri encontra-se bem próxima ao Arco e seu fluxo principal corta esse eixo, devendo ser dada especial atenção a este trecho.

Figura 3. 29- Deslocamentos rodoviários totais

Os deslocamentos na Área 3, embora menos numerosos do que os deslocamentos na Área 2, incluem o trecho de maior fluxo, com mais de 100 mil passageiros/dia entre São Gonçalo e Niterói. Verifica-se também um importante fluxo entre São Gonçalo e Itaboraí e, com menor intensidade, entre Maricá e São Gonçalo/Niterói. Já o Município de Guapimirim, no extremo norte da Área, possui maior interface com Magé, na Área 2. Já os municípios da Área 1 se relacionam menos entre si e com os municípios das outras Áreas. Apenas entre Itaguaí e o Rio de Janeiro AP3 existem fluxos superiores a 5 mil viagens/dia.

232

Pode-se também verificar que, à exceção das AP3 e 5 do Rio de Janeiro, que possuem fluxos intensos em todas as direções, a maior quantidade de viagens intermunicipais ocorre internamente às Áreas de Estudo 1, 2 e 3. Os gráficos a seguir apresentam os deslocamentos rodoviários intermunicipais diários com origem em todos os municípios do Arco, quanto no que se refere aos deslocamentos dentro da mesma Área.

Figura 3. 30 – Deslocamento Intermunicipal diário de passageiros

233

Figura 3. 31– Deslocamento intermunicipal diário de passageiros no mesmo setor do Arco

Relacionando-se estes fluxos ao traçado do Arco Metropolitano, especial atenção deverá ser dada aos municípios de Itaboraí, Magé, Japeri, Seropédica e Itaguaí, cujas sedes municipais encontram-se próximas ao traçado da Rodovia, recebendo os maiores impactos iniciais decorrentes do início de operação. Nas tabelas acima, pode-se verificar que, à exceção de Itaboraí, são hoje municípios de pequeno significado nos deslocamentos intermunicipais, situação que tende a ser revertida com a entrada em operação do Arco Metropolitano. Também o trecho da BR 040 entre Duque de Caxias e o Arco, onde já existe um núcleo urbano bastante sedimentado, inclusive contando com as instalações da REDUC – Refinaria Duque de Caxias e RIOPOL – Rio Polímeros S/A, deverá ser objeto de estudo especial.

234

3.2.9. Educação e Saúde
Para caracterizar o nível de atendimento em educação e saúde nos municípios da Região Metropolitana, utilizamos os indicadores de saúde e educação do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal de 2007 (IFDM):45 “Emprego & Renda, Educação e Saúde constituem as três esferas contempladas pelo IFDM, todas com peso igual no cálculo para determinação do índice de desenvolvimento dos municípios brasileiros. O índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior será o nível de desenvolvimento da localidade, o que permite a comparação entre municípios ao longo do tempo. Por ter periodicidade anual, recorte municipal e abrangência nacional, a metodologia do IFDM possibilita o

acompanhamento do desenvolvimento humano, econômico e social de todos os municípios brasileiros.”

Fonte: Sistema FIRJAN: IFDM.

Figura 3. 32 – As variáveis componentes do IFDM por área de desenvolvimento

45

Os indicadores IFDM para todos os municípios Brasileiros e a metodologia utilizada em seu cálculo estão disponíveis no Sistema FIRJAN/ IFDM: http://www.firjan.org.br/data/pages/2C908CE9229431C90122A3B25FA534A2.htm

O excelente site IpeaData também fornece estes indicadores, o que facilita a análise das relações entre os índices IFDM e as muitas outras variáveis disponíveis nesse site: http://www.ipeadata.gov.br/

235

A Figura 3.32 anterior mostra as variáveis utilizadas no cálculo do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal por Emprego & Renda, Educação e Saúde. O Quadro 3.62 mostra os índices IFDM para as três áreas de desenvolvimento nos municípios da Região do Arco em 2007.
Quadro 3. 62 – Municípios da Região do Arco: IFDM por áreas de desenvolvimento:2007 Educação Índice 0.799 0.797 0.779 0.725 0.722 0.700 0.696 0.683 0.678 0.675 0.659 0.650 0.643 0.634 0.625 0.620 0.618 0.612 0.609 0.570 0.550 Ordem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Saúde Índice 0.839 0.890 0.794 0.875 0.804 0.795 0.799 0.778 0.853 0.797 0.747 0.727 0.728 0.777 0.738 0.734 0.663 0.779 0.763 0.694 0.702 Ordem 4 1 9 2 5 8 6 11 3 7 14 18 17 12 15 16 21 10 13 20 19 Emprego & Renda 0.851 0.849 0.634 0.239 0.552 0.386 0.955 0.570 0.699 0.557 0.725 0.778 0.497 0.551 0.344 0.703 0.507 0.546 0.896 0.556 0.369 IFDM Geral 0.830 0.845 0.736 0.613 0.693 0.627 0.817 0.677 0.743 0.676 0.710 0.718 0.623 0.654 0.569 0.686 0.596 0.646 0.756 0.607 0.540

Municípios Rio de Janeiro Niterói Mangaratiba Paracambi Marica Cachoeiras de Macacu Itaguaí Nilópolis São Gonçalo Seropédica Itaboraí Nova Iguaçu Tanguá Mesquita Guapimirim São João de Meriti Queimados Magé Duque de Caxias Belford Roxo Japeri
Fonte: Sistema FIRJAN: IFDM.

Como era de esperar, existe uma correlação forte entre os índices de educação e saúde (Coeficiente de correlação Spearman = 0,81). Por exemplo, os índices dos municípios de 236

Japeri, Belford Roxo e Queimados são relativamente baixos tanto para educação como saúde, e por outro lado os índices de Niterói e Rio de Janeiro são mais altos. IFDM - Educação: Variação 2000/07 O Quadro 3.33 mostra que as variações nas ordenações (i.e., rankings) dos municípios da Região do Arco segundo os Índices IFDM-educação em 2000 e 2007 foram relativamente pequenas com as exceções de Seropédica, Itaboraí e Tanguá que melhoraram bastante suas posições, e Belford Roxo e Duque de Caxias que caíram nas suas posições. O coeficiente de correlação Spearman entre os índices nos dois anos foi 0,82.

0.90
Niterói Paracambi

0.85

São Gonçalo Rio de Janeiro

0.80 Saúde
Magé Duque de Caxias Mesquita

Maricá Cachoeiras de Macacu Itaguaí Seropédica Nilópolis

Mangaratiba

0.75

Itaboraí Guapimirim São João de Meriti Tanguá Nova Iguaçu Japeri Belford Roxo

0.70

Queimados

0.65 0.50

0.55

0.60

0.65 Educação

0.70

0.75

0.80

0.85

Figura 3. 33 – Municípios da Região do Arco: A correlação entre os índices IFDM de educação e saúde: 2007

237

Quadro 3. 63 – Municípios da Região do Arco: IFDM – Educação:2000/2007 — Índices e Ordenações Ordenações: IFDM – Educação 2000 1 2 3 4 5 6 7 8 9 12 10 11 12 14 15 16 17 18 19 20 21 2007 1 2 4 3 9 5 6 8 7 14 12 20 19 16 10 17 11 15 18 21 13 Variação 2000/07 0 0 -1 1 -4 1 1 0 2 -2 -2 -9 -7 -2 5 -1 6 3 1 -1 8

Índice IFDM – Educação Municípios 2000 Rio de Janeiro Niterói Paracambi Mangaratiba São Gonçalo Maricá Cachoeiras de Macacu Nilópolis Itaguaí Mesquita (*) Nova Iguaçu Belford Roxo Duque de Caxias São João de Meriti Seropédica Queimados Itaboraí Guapimirim Magé Japeri Tanguá 0.748 0.719 0.663 0.639 0.622 0.620 0.603 0.599 0.596 0.555 0.582 0.557 0.555 0.545 0.520 0.520 0.515 0.486 0.476 0.449 0.449 2007 0.799 0.797 0.725 0.779 0.678 0.722 0.700 0.683 0.696 0.634 0.650 0.570 0.609 0.620 0.675 0.618 0.659 0.625 0.612 0.550 0.643

Nota: (*) Mesquita 2000 = Nova Iguaçu 2000. Fonte: Sistema FIRJAN: IFDM.

IFDM - Saúde: Variação 2000/07 O Quadro 3.64 mostra que as variações nas ordenações (i.e., rankings) dos municípios da Região do Arco segundo os Índices IFDM-saúde em 2000 e 2007 foram mais significativas que 238

as de IFDM-educação. Mesquita, Paracambi e Cachoeiras de Macacu apresentaram as maiores melhorias em suas posições e Guapimirim, Magé e Itaboraí caíram mais. O coeficiente de correlação Spearman entre os índices nos dois anos foi 0,64.
Quadro 3. 64 – Municípios da Revisão do Arco: IFDM – Saúde:2000-2007 Índice IFDM - Saúde Município Niterói São Gonçalo Guapimirim Magé Mangaratiba Rio de Janeiro Itaboraí Maricá Itaguaí Seropédica Paracambi São João de Meriti Tanguá Japeri Nilópolis Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Mesquita (*) Nova Iguaçu Belford Roxo Queimados
Nota: (*) Mesquita 2000 = Nova Iguaçu 2000. Fonte: Sistema FIRJAN: IFDM.

2000 0.875 0.858 0.810 0.802 0.789 0.779 0.773 0.769 0.757 0.756 0.747 0.746 0.742 0.739 0.738 0.732 0.705 0.653 0.692 0.665 0.653

2007 0.890 0.853 0.738 0.779 0.794 0.839 0.747 0.804 0.799 0.797 0.875 0.734 0.728 0.702 0.778 0.795 0.763 0.777 0.727 0.694 0.663

Ordenações: IFDM - Saúde Variação 2000 2007 2000/07 1 1 0 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 20 18 19 20 3 15 10 9 4 14 5 6 7 2 16 17 19 11 8 13 12 18 20 21 -1 -12 -6 -4 2 -7 3 3 3 9 -4 -4 -5 4 8 4 8 0 -1 -1

239

3.3. Desenvolvimento Econômico e Social
3.3.1. Evolução Econômica da Área de Influência dos Municípios do Arco
Metropolitano
46

Quando analisada a evolução do número de empregos para os municípios da área de influência do Arco Metropolitano, verifica-se que, do ponto de vista industrial, os municípios que compõem o Arco metropolitano47 apresentam, entre 2000 e 2007, um crescimento total de 32,87%, bastante próximo do que ocorre na periferia de São Paulo, de 32,24%48. Na mesma direção, quando observada à evolução do emprego industrial49, por município da região de influência do Arco, nesta década, vemos que, dos dezenove municípios com dados disponíveis50 para o período 2000/2007, dez municípios apresentam um crescimento positivo do emprego industrial com um percentual superior ao ocorrido na periferia de São Paulo. Entre os cinco municípios que mais empregam na área industrial, na região de influência do Arco Metropolitano, apresentam, entre 2000 e 2007, um crescimento percentual superior ao da média do Arco, 32,87%, e ao da periferia da RMSP, 32,24%, os municípios de Duque de Caxias, 48,02%; Niterói, 110,20%; e São João de Meriti, 45,70%.

Os municípios da área de influência do Arco Metropolitano totalizam vinte, participando todos os municípios da região metropolitana, excluindo a cidade do Rio de Janeiro, e incluindo Mangaratiba e Itaguaí, pertencentes à Região da Costa Verde, e Cachoeiras de Macacu e Maricá, pertencentes à Região das Baixadas Litorâneas. 47 Volto a lembrar que, além dos municípios da periferia da cidade do Rio de Janeiro que compõem o estudo do Plano Diretor do Arco Metropolitano, apresentaremos também neste relatório, em separado, um exame das regiões administrativas de Santa Cruz, Campo Grande, Guaratiba e Bangu, que fazem parte da Área de Planejamento 5 da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro. 48 Neste trabalho, no que diz respeito à questão econômica, privilegiamos, em alguns momentos, comparar a evolução dos municípios do Arco Metropolitano com a evolução da periferia de SP, principal concentração industrial e econômica do país, no que diz respeito à periferia das metrópoles brasileiras. 49 No trabalho de desenho do Plano Diretor do Arco Metropolitano, no componente econômico, damos prioridade ao exame do setor industrial como elemento privilegiado de análise, não só porque os empreendimentos estruturantes são hegemonicamente do setor secundário mas, também pela capacidade de encadeamentos e efeitos que podem gerar para trás e para frente em outras atividades econômicas. 50 Não foi possível fazer análise para o município de Mesquita por não existirem dados na base da RAIS para o ano de 2000. Acreditamos que isso se deva ao fato dele ter sido criado em 25 de setembro de 1999.

46

240

Entre os cinco municípios que mais empregam na área industrial encontram-se com uma taxa de crescimento do emprego neste setor inferior ao do Arco e ao da periferia da RMSP, os municípios de São Gonçalo, 10,59%, e Nova Iguaçu, -2,07%. A evolução de São Gonçalo reforça a importância de, em nosso trabalho, auxiliar na construção de estratégias que possam permitir o melhor aproveitamento possível do ponto de vista econômico-social para o município dos investimentos previstos e possíveis a partir da implantação do COMPERJ, tendo em vista que o mesmo estará instalado nos municípios de Itaboraí e São Gonçalo. Acredita-se que o município de Nova Iguaçu deve ser foco de análise tendo em vista a sua importância e os benefícios que pode vir a obter com a construção do Arco. Além do município apresentar entre 2000 e 2007 uma pequena queda do número de empregos gerados no setor industrial, quando organizamos um ranking do peso do emprego industrial no emprego total de cada município do Arco, vemos que o município de Nova Iguaçu encontra-se apenas na 10ª posição, tendo, em 2007, um percentual de empregos industriais vis-a-vis o emprego total no município de 12,81% . Na mesma direção, quando analisada a importância em cada município do Arco Metropolitano do peso do número de estabelecimentos industriais no total de estabelecimentos, vemos que Nova Iguaçu encontra-se apenas na 17ª posição, com um percentual de estabelecimentos industriais vis-a-vis de 7,22%. A possibilidade de Nova Iguaçu vir a se beneficiar do Arco Metropolitano se reforça pelo fato de que, pelo trabalho realizado sobre o potencial de desenvolvimento produtivo do COMPERJ, feito pela FIRJAN51, Nova Iguaçu pode vir a ser o terceiro município mais beneficiado em termos de distribuição da capacidade produtiva, por município da região de influência ampliada do

COMPERJ: Potencial de Desenvolvimento Produtivo. In: “Estudos para o Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, nº 1, maio 2008, FIRJAN (Elaboração técnica: Fundação Getúlio Vargas).

51

241

COMPERJ52, podendo vir a absorver em torno de 9% da alocação da capacidade produtiva quando o COMPERJ já estiver em operação. Além disso, quando analisado, os cinco principais setores industrias mais importantes no município, indica-se que o maior destaque em termos de empregos é a fabricação de produtos químicos, 2.486 empregos. O município possui ainda um número considerável de empregos em indústrias tradicionais nos setores de produtos alimentícios e bebidas, 1.638 empregos, fabricação de móveis e indústrias diversas, 1.536 empregos, e confecção de artigos do vestuário e acessórios, 843 empregos. Entende-se que o investimento na construção do Arco Metropolitano; os investimentos estruturantes já em execução ou previstos na RMRJ e no estado do Rio de Janeiro; e uma adequada estratégia de fomento ao adensamento de cadeias produtivas pode vir a trazer vantagens competitivas do ponto de vista logístico e da ampliação de emprego, renda e mercado, o que pode vir a beneficiar as indústrias vinculadas a bens de consumo não duráveis. Dessa forma, indica-se que no Plano Diretor do Arco Metropolitano seja inserida uma análise das potencialidades e formas de fomento à indústria de bem de consumo não durável, tendo em vista a sua significativa presença em diversos municípios da região de influência do Arco Metropolitano, sendo estes também os setores industriais com maior disseminação pelos municípios da área de influência do Arco Metropolitano. O setor de fabricação de produtos alimentícios e bebidas encontram-se presente entre os cinco setores industriais mais importantes em 16 dos 20 municípios da região de influência do Arco Metropolitano e o setor de confecção do vestuário e acessórios apresenta presença em 13 dos 20 municípios.

O estudo da Firjan sobre o potencial do desenvolvimento produtivo do Comperj apontou como região de influência ampliada a composta pelos municípios que teriam potencial de atração de indústrias da terceira geração do Comperj – setor plástico. Encontram-se incluídos nessa relação os municípios de Duque de Caxias, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Queimados, Itaboraí, Magé, Guapimirim, Tanguá, Cachoeiras de Macacu, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis, São João de Meriti, Maricá e Niterói, no que diz respeito aos municípios que encontram-se incluídos no Plano Diretor do Arco Metropolitano. Além disso, estão apontados também como tendo potencial de atração de indústria plástica os municípios de Rio Bonito, Casimiro de Abreu, Teresópolis, Silva Jardim, Nova Friburgo, Petrópolis e Saquarema, que não estão incluídos no Plano Diretor do Arco Metropolitano. Por último, a cidade do Rio de Janeiro também é citada como tendo potencialidade para ficar com 5,8% da alocação da capacidade produtiva da indústria plástica. Encontram-se incluídas no termo de referência do Plano Diretor do Arco Metropolitano regiões administrativas situadas na Área de Planejamento 5 que serão objeto de estudo em separado neste trabalho, como já apontado.

52

242

Além disso, quando analisado o percentual de empregos formais existentes em 2007 nos setores de fabricação de produtos alimentícios e bebidas e de confecção de artigos de vestuário e acessórios, em relação ao total do emprego industrial, nos municípios do Arco Metropolitano e das periferias da RM SP e BH, é identificado um nível de concentração mais significativo na área de influência do Arco. Em 2007, o setor de fabricação de produtos alimentícios e bebidas representa 14,83% do total de empregos industriais gerados na área de influência do Arco, contra um percentual para esse setor vis-à-vis o total de empregos industriais nas periferias das RMs de SP e BH de, respectivamente, 6,01% e 10,21%. Além disso, ao analisar os números absolutos de empregos, verifica-se que no setor de fabricação de produtos alimentícios e de bebidas foram gerados nos municípios da área de influência do arco metropolitano em 2007, 13.697, o que é um número praticamente igual ao existente na periferia da RMBH, 14.889 empregos. Nesse aspecto é importante ressaltar ainda que para o total do emprego em todos os setores industriais vemos 92.332 postos de trabalho na área de influência do arco contra 145.808 na periferia da RMBH. No setor de fabricação de produtos alimentícios e bebidas aparecem com destaque Duque de Caxias, com 3.090 empregos em 2007; São Gonçalo, com 3.095; Nova Iguaçu, com 1.638; e Magé, com 1.049. Deve-se ressaltar que este setor também aparece com destaque em Cachoeiras de Macacu, com 755 empregos diretos. Neste município, o setor de produtos alimentícios e bebidas detém 65,09% do total de empregos, tendo em vista centralmente a instalação da Schincariol no município em 2000. Com relação a esse ponto, devemos lembrar, ainda, que o estado do Rio de Janeiro já vem sendo palco de significativos investimentos no setor de bebidas nos últimos anos. Da mesma forma, em 2007 o setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios representa 9,98% do total de empregos industriais gerados na área de influência do Arco, contra um percentual para esse setor vis-à-vis o total de empregos industriais nas periferias das RMs de SP e BH de apenas, respectivamente, 2,07% e 1,88%. Neste setor, apesar da significativamente mais baixa densidade industrial do arco metropolitano, encontra-se um total de empregos no arco de 9.216 postos, próximo ao existente da periferia RMSP, de 12.468 e bastante superior ao existente no total da periferia RMBH de 2.736 empregos formais. 243

No setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios destacam-se São Gonçalo, com 2.429 empregos; Duque de Caxias, com 2059; e São João de Meriti, com 1.463. Por último, com relação a esse ponto, é importante lembrar que os grandes empreendimentos estruturantes do Arco são, via de regra, intensivos em capital e relativamente pouco geradores de empregos diretos. Isso reforça novamente a conveniência de analisar-se também a potencialidade de setores industriais tradicionais na área de influência do Arco Metropolitano. Voltando à análise da evolução do emprego nos municípios do Arco Metropolitano, entre 2000 e 2007, verifica-se que no setor comércio, os municípios do Arco Metropolitano apresentam um baixo desempenho. Entre 2000 e 2007, o emprego nesse setor cresce, na média nesses municípios, 52,88%, contra um crescimento para o total das periferias da RMSP e RMBH respectivamente de 74,11% e 81,14. Apresentam um desempenho superior ao da periferia da RMSP apenas os municípios de Seropédica, 157,18%; Duque de Caxias, 85,56%; Japeri, 98,03%; Queimados, 86,11%; Guapimirim, 150,38%; e Tanguá, 75,80% . Já quando analisada a variação dos estabelecimentos, seja para o total de atividades, seja para o total da indústria, verifica-se que a maioria dos municípios, como já fora apontado na Introdução deste trabalho, apresenta um crescimento inferior ao da RMSP. Para todas as atividades identifica-se um crescimento do número de estabelecimentos no Arco Metropolitano de apenas 14,16%, contra um crescimento na periferia da RMSP de 32,66% e na periferia de RMBH de 34,43%. Para o setor industrial, identifica-se um crescimento no número de estabelecimentos no total do Arco Metropolitano de apenas 10,72%, contra um crescimento de 24,45% na periferia da RMSP e de 35,37% na periferia da RMBH. Além disso, apresentam um crescimento no número de estabelecimentos industriais superior à periferia da RMSP apenas sete municípios: Japeri, 122,22%; Tanguá, 92,86%; Mangaratiba, 62,50%; Maricá, 49,15%; Queimados, 31,11%; Seropédica, 27,27%; e Belford Roxo, 25,37%. Deve-se ressaltar que esses municípios apresentam uma boa evolução, mas partem de uma base muito pequena de número de estabelecimentos industriais. Em 2007, seis desses sete municípios apresentam um número de 244

estabelecimentos industriais inferior a 100, Belford Roxo apresentando um número de estabelecimentos de 168. No caso de Belford Roxo, apesar da existência de uma grande empresa, como a Bayer, a disseminação de empreendimentos industriais é bastante pequena. No que diz respeito a esse aspecto, entre os cinco municípios que possuem o maior número de estabelecimentos industriais, nenhum apresenta um crescimento superior ao da periferia da RMSP. Mesmo o município de Duque de Caxias, que vem se beneficiando de significativos investimentos industriais, como a implantação da Rio Polímeros e a expansão da Reduc, apresenta um crescimento do número de estabelecimentos de apenas 17,08%. Acredita-se que o exame do sucesso e dificuldade na organização de um pólo de gás-químico na região de Caxias até o momento; ao lado do estudo que apresentado no segundo relatório sobre as perspectivas dos setores petroquímico e de plástico e das entrevistas que realizadas junto às empresas que compõem os empreendimentos estruturantes do Arco permitirá – de forma articulada aos estudos já existentes – um refinamento das estratégias para esses setores em Caxias e na área de influência do Arco Metropolitano. No que diz respeito ao setor de fabricação de artigos de borracha e plástico - apesar da ainda limitada evolução do número de estabelecimentos industriais em Duque de Caxias – percebe-se uma boa evolução do número de estabelecimentos e emprego entre 2000 e 2007. No que diz respeito ao número de estabelecimentos temos um crescimento no setor de artigos de borracha e plástico em Duque de Caxias de 68,12%, contra um crescimento para um total de atividades industriais no município, de 17,08%. Já para o emprego formal encontra-se um crescimento de 178,06%, entre 2000 e 2007 para o setor em exame contra um crescimento para o total de indústria no município de 48,02%. Outro destaque que acredito merecer ser dado aqui - ainda no que diz respeito a evolução de estabelecimentos no arco metropolitano - é o fato de o município de Niterói, apesar da reativação da indústria naval e de apresentar um crescimento de empregos para o total das atividades industriais de 110,20%, ter tido no período entre 2000 e 2007 um crescimento dos estabelecimentos industriais de apenas 0,97%. Nesse aspecto, é importante ressaltar que, entre os cinco setores industriais mais importantes em Niterói, do ponto de vista da geração de 245

emprego, encontra-se entre os dois primeiros a fabricação de outros equipamentos de transporte e o de extração de petróleo e serviços relacionados. Dessa forma, Niterói já apresenta uma significativa relação com a indústria naval e o setor petróleo, podendo vir a se beneficiar com o Arco logístico metropolitano, o Pré-Sal e a instalação da base de operação da Petrobras para a atuação do Pré-Sal em Itaguaí. Acredita-se que as possibilidades para Niterói nessas áreas devem ser analisadas nos próximos relatórios. Uma das análises que podem ser feitas, por exemplo, é a possibilidade de Niterói e a região do Arco virem a se beneficiar através da produção de barcos de apoio para a Petrobras. Ainda na análise relativa à evolução do número de estabelecimentos no Arco, entre 2000 e 2007, vemos, também no caso do comércio, uma evolução para o total do Arco de apenas 13,84%, contra um crescimento na periferia da RMSP de 41,80% e na periferia da RMBH de 35,88%. Nesse aspecto, deve-se ressaltar que apresenta um crescimento superior às periferias da RMSP e RMBH somente os municípios de Seropédica, 50,50%; Maricá 48,13% . Quando analisada a evolução no número de estabelecimentos por porte, percebe-se que a pior evolução da geração de estabelecimentos formais nos vinte municípios em exame relativamente ao existente na periferia das RMs de SP e BH está concentrada nos micro estabelecimentos. Foi verificada que a pior evolução da abertura de novos empreendimentos formais em todas as atividades econômicas, excetuando-se as indústrias, está compreendida na periferia da cidade do Rio de Janeiro principalmente nas micro empresas. Para as micro empresas encontra-se um crescimento entre 2000 e 2007 no número de estabelecimentos formais de apenas 8,81% contra um percentual de abertura de novas micro empresas nas periferias das RMs de SP e BH de respectivamente 30,72% e 38,67%. Da mesma forma quando analisada a variação do número de estabelecimentos por tamanho de empresa na área industrial vemos um crescimento, também entre 2000 e 2007, significativamente menor para micro estabelecimentos no Arco vis-a-vis as outras duas regiões analisadas. Nesse período ocorre um crescimento dos micros estabelecimentos industriais nos municípios do Arco Metropolitano de apenas 3,70% contra um crescimento nas periferias das RMs de SP e BH de respectivamente 19,34% e 42,25%. Por outro lado, ao analisar os grandes empreendimentos industriais vemos um crescimento na área de influência do Arco 246

Metropolitano de significativos 144,44% contra um crescimento de 53,70% na periferia da RMSP e de 176,47% na periferia da RMBH53. Novamente verifica-se que não basta atrair grandes empreendimentos para a região, é necessário a organização de estratégias integradas de desenvolvimento econômico-social. Nesse sentido será de fundamental importância, no correr do trabalho do plano diretor do Arco Metropolitano, a realização do desenho de propostas de estímulo à formalização e abertura de micro estabelecimentos, com base nos empreendimentos âncora que se organizarão na área de influência do Arco e do crescimento econômico que deverá ocorrer. Quando analisada a evolução do PIB total a custo de fatores dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, entre 2002 e 2006, verifica-se que comparativamente à evolução das periferias da RMSP, de 26,54%(14,92), e da RMBH, de 36,24%(22,69), só apresentam uma evolução positiva os municípios de Duque de Caxias e Mangaratiba com um crescimento de, respectivamente, 45,52% e 21,98% . Quando analisado os dados relativos à evolução, entre 2002 e 2006, do PIB do setor industrial, por município54 do Arco Metropolitano, verifica-se que a maioria não apresenta uma boa evolução vis-a-vis a ocorrida nas periferias da RMSP e RMBH. Nesse período, apresentam um crescimento superior ao ocorrido para o total da periferia da RMSP, 15,64%, apenas os municípios de Duque de Caxias, 105,88%, Cachoeiras de Macacu, 61,30%, e Mangaratiba, 35,65%. No caso de Duque de Caxias, a evolução positiva do PIB industrial deve derivar dos macro investimentos já citados. No caso de Cachoeiras de Macacu, o resultado positivo da evolução do PIB industrial deve advir da criação de uma fábrica da Schincariol no município.

Analisada aqui a evolução dos estabelecimentos separadamente, tendo em vista que o SEBRAE faz uma classificação diferente do porte de empresas dependendo do setor. Para o setor industrial a classificação é a seguinte: micro empresa, as que têm de 0 a 19 empregados; pequena empresa, as que têm de 20 a 99 empregados; média empresa, as que têm de 100 a 499 empregados; e grande empresa acima de 499 empregados. Para o total dos demais setores, a classificação é a seguinte: micro empresa, as que possuem de 0 a 9 empregados; pequena empresa, as de 10 a 49 empregados; média empresa, as de 50 a 99 empregados; e como grande empresa as acima de 99 empregados. 54 Adota-se aqui os dados do PIB existentes no IBGE. A não opção pelos dados da Fundação CEPERJ deve-se ao fato de que a metodologia adotada pela CEPERJ é diferente da do IBGE, não permitindo a comparabilidade com outras regiões fora do ERJ.

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O caso de Cachoeiras de Macacu mostra claramente que não basta atrair para o município um grande empreendimento, mas que, além de realizar essa atração, é preciso pensar políticas integradas, como a proposta do Plano Diretor do Arco Metropolitano. Ao comparar os dados da evolução do PIB industrial deste município – que acopla o valor adicionado gerado pelo grande empreendimento – com outros dados de evolução do emprego e de estabelecimentos, verificase que não houve uma irradiação significativa. No que diz respeito à evolução do emprego, entre 2000 e 2007, verifica-se que para o total dos setores, Cachoeiras de Macacu apresentou um crescimento de apenas 17,48%, contra um crescimento no total do Arco Metropolitano de 41,99%, e na periferia da RMSP de 37,72%. Por sua vez, na indústria o crescimento do emprego em Cachoeiras de Macacu foi de 27,89%, contra um crescimento no Arco de 32,87%, na periferia da RMSP de 32,24% e na periferia da RMBH de 56,65%. No que tange à evolução do número de estabelecimentos, no mesmo período, encontra-se um crescimento em Cachoeiras de Macacu, para o total de atividades, de apenas 6,48%, contra um crescimento no Arco de 14,16%; na periferia da RMSP de 32,66%; e na periferia da RMBH de 34,43%. Para o setor industrial, Cachoeiras de Macacu apresenta um crescimento do número de estabelecimentos de 9,09%, contra um crescimento no Arco Metropolitano de 10,72% e na periferia da RMSP de 24,45%. No comércio, a evolução de Cachoeiras de Macacu é de apenas 7,24%, contra um crescimento no Arco Metropolitano de 13,84%, na periferia da RMSP de 41,80% e na periferia da RMBH de 35,88%. Por último, para o setor serviços, encontra-se uma evolução em Cachoeiras de Macacu, do número de estabelecimentos, de -0,65%, contra 16,65% no Arco, 28,19% na periferia da RMSP e 39,59% na periferia da RMBH. Os dados relativos à evolução do PIB de serviços em Cachoeiras de Macacu, por sua vez, mostram um crescimento, entre 2002 e 2006, de apenas 0,31%. Por último, os dados do PIB agropecuário desse município apresenta uma queda de 17,28%. No que diz respeito, ainda, à evolução do PIB de serviços, entre 2002 e 2006 no Arco Metropolitano, não identifica também um bom cenário. Nesse aspecto verifica-se um crescimento no Arco de apenas 4,41%, contra um crescimento na periferia da RMSP de 16,29% 248

e na periferia da RMBH de 20,68%. Nesse aspecto, apresenta um crescimento próximo ou superior aos das periferias das RMs SP e BH apenas os municípios de Duque de Caxias e Mangaratiba com crescimento do PIB de serviços entre 2002 e 2006 de, respectivamente, 20,76% e 20,65%. Com relação à evolução do PIB do setor serviços, é importante ressaltar que a evolução positiva de Mangaratiba aparentemente deve-se apenas a um benefício fiscal na área de ISS que permite que empresas sem nenhum vínculo real de atividade no município venham formalmente a se registrar nele. É curioso que, dos 19.887 empregos gerados no município de Mangaratiba, 15.405 estejam no setor de serviços prestados principalmente às empresas, ou seja, 77,46%. Além disso quando olhamos o número de empregos industriais formais em Mangaratiba em 2007 aponta-se apenas 58, contra um total de empregos para os 20 municípios da área de influência do arco metropolitano de 92.332. Entre 2002 e 2006, nove entre os vinte municípios analisados apresentam uma queda do PIB de serviços. Acredita-se que esses resultados, no que diz respeito principalmente à evolução nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, dos estabelecimentos, entre 2000 e 2007, e do PIB, entre 2002 e 2006, tenham relação com o fato de a periferia da cidade do Rio de Janeiro apresentar de forma qualitativamente mais importante característica de cidade dormitório vis-àvis a situação das periferias das RMSP e RMBH, à carência de investimentos em infra-estrutura, à precária ambiência social-econômica e à histórica ausência de estratégias regionais no estado do Rio de Janeiro, na RMRJ e particularmente em sua periferia. A pouca densidade de atividades econômicas nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano aparece novamente quando é analisado o número de empregos em relação à

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população economicamente ativa - PEA - em 2000 e em relação ao total da população no ano de 200755. Pode-se verificar que para um ranking entre os municípios que compõem o Arco Metropolitano e os municípios das periferias das RMs SP e BH – com 50 mil ou mais habitantes -, comparando o total da população economicamente ativa com o total do emprego formal em 2000, verifica-se que, entre municípios analisados, apenas uma pequena minoria dos municípios do Arco Metropolitano apresenta-se entre os 29 primeiros colocados, na primeira metade da tabela56 reforçando assim a existência de uma baixa densidade econômica no Arco vis-a-vis as outras duas principais periferias de metrópole na região Sudeste No caso da comparação do percentual do emprego sobre a população total em 2007, vemos que, entre os 29 primeiros colocados, encontra-se apenas 4 municípios do Arco Metropolitano, na seguinte ordem: Mangaratiba, Niterói, Itaguaí e Duque de Caxias. É importante ressaltar ainda que no caso de Mangaratiba pode-se supor que a imensa maioria dos empregos seja gerada no município apenas formalmente, pelo já apontado. Além disso, quando é construído um ranking do número de empregos industriais formais sobre a PEA no ano 2000 e o total da população no ano de 2007, também para os municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias da RMSP e RMBH, verifica-se com mais clareza o quanto é rarefeita a atividade econômica na área em análise. No que tange a um ranking do nível de emprego industrial no ano 2000 em relação a PEA (2000) nos municípios do Arco Metropolitano e periferias das regiões metropolitanas de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes encontra-se neste ano entre os 29 primeiros apenas o

Para essa comparação são utilizados os dados relativos a PEA, que só estão disponíveis para o ano 2000, comparando com o total do emprego formal no mesmo ano e para uma visão em período mais recente optou-se por fazer uma comparação do total do emprego existente em 2007 com o total da população estimada por município para o mesmo ano. 56 Neste trabalho foram analisados os dados comparando os municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias das RMs de SP e BH optou-se por incluir todos os vinte municípios integralmente localizados na área de influência do Arco e os municípios das periferias das RMs de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes. Este critério foi definido pelo fato de quase todos os municípios da área de influência do Arco Metropolitano terem 50 mil ou mais habitantes, excetuando-se Guapimirim, Mangaratiba, Tanguá e Paracambi, enquanto na RMSP temos 9 municípios com menos de 50 mil habitantes e na RMBH temos 23 municípios.

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municípios de Paracambi. É importante ressaltar que entre 2000 e 2007 houve uma queda no total do emprego industrial em Paracambi de 86,55%. Na mesma direção no que diz respeito ao ranking do nível de emprego industrial por habitante nos municípios da área de influência do Arco metropolitano e nas periferias das RMs de SP e BH, no ano de 2007, o primeiro município do Arco Metropolitano a aparecer é o município de Duque de Caxias, apenas na 31ª posição, com um percentual de empregos industriais formais no ano de 2007 vis-a-vis o total da população de 3,08%. Além disso, entre os 24 últimos colocados, encontram-se 18 municípios da área de influência do Arco Metropolitano . A importante falta de densidade econômica ainda existente nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano pode ser também verificada quando é realisado um ranking comparando a participação percentual da administração pública no cálculo do PIB de cada município do Arco com os municípios das periferias das RMs de SP e BH. Verifica-se que, entre os 11 municípios mais dependentes centralmente da receita pública e de transferências estaduais e federais para a formação de seu PIB, todos são municípios da área de influência do Arco metropolitano57. Na mesma direção, quando analisada a participação de cada setor do IBGE no total de empregos dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias da RMSP e RMBH, verifica-se novamente a maior rarefação de atividades econômicas no território dos municípios do Arco Metropolitano. Enquanto para o setor industrial verifica-se um percentual de participação dos municípios do Arco Metropolitano no total de empregos em 2007 de 13,73%, para as periferias da RMSP e RMBH vemos, respectivamente, uma participação de 30,89% e 32,37%. Para o setor comércio verifica-se uma participação de 25,89% no Arco Metropolitano e, na periferia das RMs de SP e BH, respectivamente, 17,79% e 18,86%. Ou seja, a pequena expressão industrial da região e o fato de uma parcela expressiva da população trabalhar fora

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Uma exceção é o município de Seropédica, que acredita-se derivar o peso da administração público no seu PIB em boa medida da existência de instalações da Universidade Federal Rural no município. Realizada uma análise dos dez setores mais importantes na geração de emprego no município, a primeira colocação fica com a área de educação, com 1.979 empregos, derivando em torno de 1.800 da Universidade (tabela 44 anexa).

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do Arco fazem com que o setor industrial tenha uma participação percentual menor e o setor comercial uma participação percentual maior. Quando analisado o salário médio dos trabalhadores formais no setor privado verifica-se que a média salarial no Arco Metropolitano em 2007, R$ 976,51, era menor do que a existente na periferia da RMBH, R$ 1.126,51, e na periferia da RMSP, R$ 1.477,88. Acredita-se que esse salário médio maior nas periferias de SP e BH derive da menor densidade industrial no Arco Metropolitano - compensada em alguma medida pelos salários pagos em grandes indústrias como, por exemplo, a REDUC em Duque de Caxias – pelo fato de outras atividades como as vinculadas ao comércio necessitarem menos de uma mão-de-obra especializada e pagarem, hegemonicamente, um salário médio menor. Um dado interessante, é que a cidade de Niterói, tradicionalmente apontada como tendo forte participação da classe média, possui um salário médio do setor privado em dezembro de 2007 de R$ 1.089,00, inferior ao existente em Duque de Caxias, de R$ 1.246,88. Acredita-se que isso derive do fato de que provavelmente os assalariados de renda mais alta em Niterói venham a trabalhar em boa medida na cidade do Rio de Janeiro. Por outro lado, uma boa parcela dos trabalhadores de maior salário no setor privado no município de Duque de Caxias não reside no próprio município. Em Duque de Caxias costuma se apontar, inclusive, que a Ilha do Governador seria o “quinto distrito” do município, servindo como local de residência para quem trabalha em Duque de Caxias e possui uma renda maior. Dessa forma, acredita-se que uma prioridade em uma política para a área de influência do Arco Metropolitano seria procurar estimular a residência dos trabalhadores com salários mais altos nos próprios municípios em que trabalhem ou venham a trabalhar, principalmente em um momento em que melhorará a logística de acesso à região e ocorrerão diversos investimentos dos empreendimentos estruturantes. Isto permitirá uma maior apropriação de renda e de emprego na própria localidade do investimento; uma menor necessidade de deslocamento dos trabalhadores; uma maior qualidade de vida e uma maior densidade e interação social em cada município, gerando assim a possibilidade de ampliação do capital social em cada cidade.

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Nesse aspecto, é interessante a definição de uma agenda de investimentos na área de infraestrutura, políticas sociais e também em políticas voltadas para a área de entretenimento e de valorização do acervo histórico e cultural que venham a estimular a ampliação da fixação de trabalhadores de classe média nesses municípios. Com relação ao assunto, o Caderno Baixada do Jornal Extra do dia 29 de agosto de 2009 traz matéria intitulada “Bens tombados da Baixada poderiam ser belos pontos turísticos, mas encontram-se em situação de abandono”. Um dos pontos citados é a área em torno do antigo Porto Iguaçu, localizado no município de Nova Iguaçu, por onde se escoava “na primeira metade do Século XIX (...) cerca de 70% do café trazido do interior para o Rio”. De acordo com a matéria, no entorno do antigo porto localizava-se a Vila Iguaçu, principal povoado da região, cuja sede possuía, além da Igreja de Nossa Senhora de Iguaçu, de 1760, um quartel, uma cadeia e a Câmara Municipal. Ainda de acordo com a matéria, “o conjunto da Vila Iguaçu é um de dezenas de bens tombados na Baixada em estado de abandono”. Políticas nessas áreas, como também na área ambiental em regiões como a Reserva do Tinguá, podem, além de trazer benefícios turísticos, ajudar a criar uma imagem positiva dos municípios e da região, estimulando a localização de pessoas com renda mais alta e melhorar a auto-estima dos moradores. De acordo com economistas, como Albert Hirschman58, a questão da auto-estima é uma variável fundamental em uma estratégia de desenvolvimento.

3.3.2. Indicadores Sociais nos Municípios da Área de Influência do Arco Metropolitano
A periferia da cidade do Rio de Janeiro apresenta um pesado crescimento populacional entre 1940 e 2000, de acordo com dados do IBGE. Nesse período, a região de influência do Arco Metropolitano apresenta um crescimento populacional de 956,13%. Da mesma forma, entre 1940 e 2000, as periferias da RMSP e RMBH apresentam também um pesado crescimento populacional percentual, de respectivamente 2.978,97% e 1.058,05%, o

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HIRSCHMAN, Albert O. Estratégia do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1958.

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que gera nas periferias das RMs uma importante necessidade de investimentos sociais e em infra-estrutura. No entanto, deve-se lembrar que o dinamismo econômico na RMRJ, principalmente a partir dos anos 1970, é qualitativamente pior do que o existente nas outras duas RMs, gerando assim endogenamente menos recursos fiscais. Além disso, deve-se lembrar que, entre 1960 e 1974, enquanto as periferias das RMs de SP e BH beneficiavam-se de estarem sob a mesma unidade federativa e de receberem de forma obrigatória e voluntária recursos do imposto estadual arrecadado principalmente no núcleo dinâmico, ou seja, a capital dessas regiões - a periferia da cidade do Rio de Janeiro, por estar em outra unidade federativa, não recebia tal benefício, limitando a capacidade de investimentos59. Isso gera uma situação particularmente grave na periferia da RMRJ, seja do ponto de vista do investimento em infra-estrutura para atrair atividades produtivas, seja do ponto de vista de recursos para atrair investimentos em saúde, educação e infra-estrutura social, como veremos a seguir. Inicialmente, analisado a situação do ponto de vista do nível educacional no Arco Metropolitano vis-a-vis a situação existente nas periferias das RMs de SP e BH, visando verificar a situação social nesse aspecto e fazer uma primeira avaliação da competitividade da área do Arco Metropolitano do ponto de vista educacional. De acordo com dados da RAIS/MTE para 2007, encontra-se a seguinte situação do ponto de vista do percentual de trabalhadores em todos os setores – excluindo o item administração pública, que será analisado posteriormente em separado – com o fundamental completo, médio completo e superior completo no Arco Metropolitano, periferia da RMSP e periferia da RMBH.

Deve-se lembrar que o antigo ERJ, também denominado “ velha província”, passa desde o fim do ciclo cafeeiro a ter um crescimento bastante dependente da cidade do Rio de Janeiro e uma capacidade própria de geração de recursos tributários estaduais para investimentos em infra-estrutura bastante limitada. Sobre o assunto, ver SILVA, Mauro Osorio. Rio Nacional, Rio Local: mitos e visões da crise carioca e fluminense. Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2005. Sobre o assunto ver também a análise de João Paulo de Almeida Magalhães, no documento intitulado: Federação das Indústrias do Estado da Guanabara; Centro Industrial do Rio de janeiro. A fusão dos estados da Guanabara e da Rio de Janeiro [S.1], 1969.2 v. Neste documento João Paulo de Almeida Magalhães aponta que a existência de uma única unidade federativa na região do Estado de São Paulo permitiu que recursos tributários estaduais – gerados no núcleo central dessa região, cidade de São Paulo – fossem destinados de forma organizada para investimentos em infra-estrutura que facilitaram o florescimento da área industrial do ABC Paulista.

59

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Com o fundamental completo é verificado um percentual para os municípios do Arco Metropolitano de 21,21%, contra um percentual na periferia da RMSP de 14,99% e na periferia da RMBH de 21,00%. No que diz respeito ao percentual com nível médio completo, encontra-se no Arco um total de 36,20%, contra um percentual de 43,68% na periferia da RMSP e de 37,42% na periferia da RMBH. Com o superior completo detecta-se 8,84% no Arco Metropolitano, 10,40% na periferia da RMSP e 6,59% na periferia da RMBH. Ou seja, por anos de estudo, o Arco Metropolitano apresentaria uma situação pior do que a periferia da RMSP e semelhante à situação da periferia da RMBH. No que diz respeito ao nível de escolaridade especificamente no setor industrial, é observado que o padrão existente no Arco Metropolitano é inferior ao existente nas periferias da RMSP e da RMBH. Com o fundamental completo encontra-se no Arco Metropolitano um percentual de trabalhadores de 24,42%, contra um percentual nas periferias da RMSP e RMBH de, respectivamente, 15,50% e 21,54%. Com o nível médio completo, por sua vez, encontra-se um percentual no Arco de 33,02%, contra 44,71% na periferia da RMSP e 39,89% na periferia da RMBH. Com nível superior completo, encontra-se um percentual no Arco de 6,08%, contra percentuais nas periferias da RMSP e RMBH de, respectivamente, 9,61% e 6,26% . Além disso, ao analisar os resultados do Ministério da Educação através das médias do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2007, na rede pública do ensino fundamental de 1ª a 4ª série e de 5ª a 8ª série, é observado uma situação fortemente pior, do ponto de vista da qualidade do ensino, nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano vis-a-vis a situação existente nas periferias das RMs de SP e BH. Através da organização de um ranking dos resultados para essas três regiões, em 2007, observa-se que, no que diz respeito aos resultados do IDEB para alunos da 1ª a 4ª série, os municípios da área de influência do Arco Metropolitano encontram-se posicionados de forma fortemente pior, apresentado os 16 piores resultados entre os 59 municípios aqui analisados. Da mesma forma, para os resultados para alunos da 5ª a 8ª série da rede pública do ensino fundamental também é observado um péssimo resultado relativo para os municípios do Arco

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Metropolitano. Entre os municípios analisados nas três regiões citados, encontra-se entre os 20 piores resultados 17 municípios da área de influência do Arco Metropolitano. Ou seja, os resultados aqui apresentados na área educacional mostram não só um nível médio de qualificação dos trabalhadores pior no Arco Metropolitano vis-a-vis as duas outras regiões analisadas, para o total das atividades produtivas e para especificamente o setor industrial, mas principalmente apontam um padrão educacional pior para a oferta futura de mão de obra na região. Isso aponta a necessidade de uma articulação com o poder público e entidades empresariais, não só para a melhoria do ensino tradicional como também para ampliação dos anos de estudo dos trabalhadores e, também, uma política de formação técnica. Com relação ao segundo ponto, ocorrerá um detalhamento em relatórios posteriores. Ainda no que diz respeito ao nível educacional, deve-se lembrar, no entanto, que existe um percentual significativamente maior de cidadãos que residem nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, mas que trabalham em outras regiões, vis-a-vis a situação encontrada nas periferias das RMs de SP e BH. Além disso, ao analisar o padrão educacional do total da população dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias das RMs de SP e BH – ou seja, levando em consideração os que lá residem e não os que lá trabalham –, encontra-se uma situação equivalente no Arco metropolitano vis-a-vis as periferias das RMs de SP e BH. De acordo com dados do IBGE para o censo do ano 2000 – dados mais recentes disponíveis – ,é verificado que apresentam fundamental completo 12,41% da população do Arco, vis-a-vis 11,58% na periferia da RMSP e 10,82% na periferia da RMBH. Com nível médio completo encontra-se no Arco 15,04%, contra nas periferias das RMs de SP e BH, respectivamente, 15,66% e 13,05%. No que tange a parcela da população com 12 anos ou mais de estudo observa-se um percentual de 6,26% no Arco e, nas periferias das RMs de SP e BH, um percentual de, respectivamente, 7,36% e 3,37%.

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Ou seja, do ponto de vista do padrão educacional da população nessas três regiões encontra-se um nível de qualificação no Arco Metropolitano próximo ao existente na periferia da RMSP e superior ao existente na periferia da RMBH, ao menos até o ano 2000. Dessa forma, com a melhoria de logística futura, os investimentos estruturantes previstos e uma política de fomento a encadeamentos, poderá ocorrer, simultaneamente a uma ampliação da oferta de empregos, uma ampliação do padrão educacional daqueles que trabalham na área de influência do Arco Metropolitano, com um maior aproveitamento da população lá residente, inclusive da parcela com maior nível educacional, pelo adensamento e sofisticação da atividade econômica. Na área de saúde, da mesma forma, não é identificada uma boa situação nos municípios localizados na área de influência do Arco Metropolitano. Recentemente, a Firjan divulgou os dados do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal – IFDM, que contempla todo o país para o ano de 2006. O Índice Firjan trabalha com as variáveis emprego e renda, educação, saúde e um índice incorporando essas três variáveis. De acordo com os dados divulgados, para o total do ERJ encontra-se, no que se refere ao IFDM geral, que incorpora todas as variáveis citadas, uma melhoria, entre 2005 e 2006, maior do que no estado de São Paulo. De 2005 para 2006 ocorreu uma melhoria do índice para a totalidade dos municípios fluminenses de 3,1%, contra uma melhoria para o total dos municípios do Estado de São Paulo de 1,6%. Essa melhoria reflete a redinamização econômica que o ERJ começa a apresentar a partir da segunda metade dessa década. No entanto, o IFDM aponta que a melhoria deve-se centralmente à variável emprego e renda, não tendo ocorrido ainda uma melhoria significativa nas variáveis educação e saúde. O IFDM Saúde busca avaliar a qualidade do sistema de saúde municipal referente à atenção básica. As variáveis acompanhadas por esse indicador são: quantidade de consultas pré-natal; taxa de óbitos mal definidos; e taxa de óbitos infantis por causas evitáveis. Quando é analisado o IFDM Saúde para os municípios da área de influência do Arco Metropolitano, observa-se que, além do ERJ não ter apresentado uma boa evolução entre 2005 e 2006, encontram-se essas localidades, na grande maioria dos municípios, em uma situação 257

bastante ruim, no quadro dos 92 municípios fluminenses. Em um ranking do IFDM Saúde no ERJ, encontra-se no Arco Metropolitano razoavelmente bem posicionados, entre os 92 municípios fluminenses, apenas Niterói, 10ª posição; Paracambi, 27ª; e São Gonçalo, 29ª. Todos os demais 17 municípios do Arco Metropolitano encontram-se entre a 58ª e a 92ª posição, sendo Tanguá o 90º; Queimados o 91º; e Belford Roxo o 92º colocado. Além disso, ao realizar um ranking comparativo para o IFDM saúde, levando em conta os municípios da área de influência do Arco Metropolitano e os municípios com 50 mil habitantes ou mais das periferias das RMs de SP e BH, verifica-se que os municípios do Arco

Metropolitano encontram-se mal posicionados. Em uma boa posição relativa no que diz respeito às três regiões analisadas, identifica-se apenas Niterói, na 7ª posição em 2006; Paracambi, na 15ª; e São Gonçalo na 20ª. Nas 10 piores posições, encontra-se 8 municípios da área de influência do Arco, que são, pela ordem decrescente: Guapimirim, Itaboraí, Japeri, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Tanguá, Queimados e Belford Roxo. No que se refere aos indicadores de infra-estrutura dos domicílios urbanos, aproveita-se aqui os dados organizados na tese de doutorado da economista Sol Garson60, fazendo um comparativo da situação nas periferias da RMRJ, RMSP e RMBH. Nesse caso, os dados existentes são para o ano 2000 e cobrem apenas os municípios do Arco que estão na periferia da RMRJ, ficando dessa forma, fora dessas tabelas, os municípios de Cachoeiras de Macacu, Itaguaí, Mangaratiba e Maricá, por estarem localizados fora da classificação atual da RMRJ61. Com base no anexo estatístico dessa tese de doutorado são analisadas as informações referentes à participação total dos domicílios atendidos nos seguintes itens: existência de calçamento; existência de esgotamento sanitário; iluminação pública; e coleta de lixo. Ao analisar as tabelas 118, 119, 120, 121 e 122, verifica-se, em sua maioria, um mau posicionamento dos municípios da periferia da RMRJ vis-a-vis as outras duas regiões

60 As tabelas com dados relativos a situação das periferias das RMS RJ, SP e BH foram organizadas com base no anexo estatístico existente na tese de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. 61 Nas tabelas de infra-estrutura foi realizada uma comparação entre todos os municípios da periferia da RMRJ com os municípios das periferias das RMs de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes, tendo em vista a metodologia adotada.

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analisadas. No caso de calçamento/pavimentação, encontram-se particularmente mal posicionados os municípios de Seropédica, Queimados, Itaboraí, Japeri e Tanguá, ocupando cinco das seis últimas posições nesse ranking, com respectivamente 65,9%; 67,1%; 70,7%; e 82% de seus domicílios não atendidos. No que diz respeito aos serviços de água aos domicílios, encontram-se nas quatro últimas posições no ranking os municípios de Magé, Guapimirim, Tanguá e Itaboraí, com respectivamente 53,3%, 54,5%, 75,2% e 75,8% de domicílios não atendidos. De acordo com os dados existentes na tese de Sol Garson, o município de Itaboraí é também um dos piores posicionados entre todas as 30 regiões metropolitanas brasileiras. Isso é particularmente preocupante pelo forte impacto que o município receberá com a instalação do Comperj. No que diz respeito aos serviços de esgoto, identifica-se uma situação um pouco melhor da periferia da RMRJ vis-a-vis os municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias das RMs de SP e BH. Nesse item, encontram-se particularmente mal posicionados os municípios de Itaboraí, Guapimirim, Tanguá, Magé, Japeri e Seropédica, com respectivamente 30,1%; 32,3; 33,4; 38,1%; 39,9%; e 41% dos domicílios não atendidos. No que tange aos serviços de iluminação pública, encontra-se particularmente mal posicionados no ranking os municípios de Magé, Guapimirim, Japeri, Tanguá e Itaboraí, com respectivamente 18,7%; 20,6%; 26,0%; 32,8% e 37,1% dos domicílios não atendidos . No que se refere aos serviços de coleta de lixo aos domicílios urbanos no ano de 2000, identifica-se uma situação particularmente ruim na periferia da RMRJ, com os municípios dessa região ocupando 10 das 15 piores posições no ranking. Encontram-se, em ordem decrescente, entre esses 10 municípios, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Mesquita, Queimados, Magé, Seropédica, Guapimirim, Tanguá, Itaboraí e Japeri. As duas situações mais graves são de Itaboraí e Japeri, com respectivamente 39,9% e 42,4% dos seus domicílios não atendidos. No que diz respeito ainda à saúde, uma boa notícia refere-se ao município de Itaboraí, que de acordo com o jornal O Globo de terça-feira 1º de setembro de 2009, página 18, virou modelo de combate à tuberculose conseguindo “superar metas da OMS, enquanto Estado do Rio tem 259

maior taxa de incidência da doença” no país. De acordo com a matéria, “um dos municípios mais pobres do Estado – está na 66ª posição entre os 92 do Rio, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – Itaboraí acaba de conquistar um lugar de destaque em outro mapa social: tornou-se referência nacional no tratamento de tuberculose pulmonar, segundo a Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). O programa de combate à doença implantado no município reduziu o índice de abandono do tratamento de 30% para 4% e aumentou o de cura de 60% para 88%, nos últimos cinco anos. Especialistas atribuem o bom resultado à cobertura do Programa de Saúde da Família no município. Enquanto no [município do] Rio o projeto só atinge 3,5% da população, em Itaboraí a cobertura é de quase 70%”. Esse dado é particularmente alvissareiro tendo em vista os indicadores existentes para Itaboraí, já analisados. Mostra, inclusive, como é possível realizar, principalmente em um momento em que a receita corrente líquida dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano apresenta crescimento real nesta década – como é informado mais adiantes neste trabalho; em que ocorre incremento nos investimentos privados; e em que começa a se trabalhar no Estado do Rio de Janeiro com planejamento, como é o caso do Plano Diretor do Arco Metropolitano e o Plano Estratégico do Governo do Rio de Janeiro – 2007-2010. No trabalho do Arco Metropolitano é proposto também medidas no que diz respeito à articulação institucional. Atualmente, além dos péssimos indicadores hegemônicos na área de saúde, existe uma particular fragilidade no Estado do Rio de Janeiro e sua Região Metropolitana no que respeito à organização de consórcios intermunicipais na área de saúde. Uma hipótese importante para ser analisada é avaliar a possibilidade de começar a construir uma institucionalidade para a RMRJ e a área de influência do Arco Metropolitano com consórcios setoriais, particularmente no que diz respeito à área de saúde. Uma sugestão inicial também é procurar fortalecer a unidade de gerenciamento criada pelo governo do estado para acompanhar a elaboração do Plano Diretor do Arco Metropolitano, criando assim um primeiro embrião de discussão e articulação no que diz respeito a elaboração e execução de políticas para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro e os municípios incluídos na área de influência direta do Arco Metropolitano. 260

3.3.3. Dados Fiscais dos Municípios na Área de Influência do Arco Metropolitano
Do ponto de vista da possibilidade de gasto em cada município, é verificada através da receita corrente líquida per capita, em 2007, dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, que para o total dos municípios dessa região encontra-se uma capacidade de gasto menor do que a existente nas periferias das RMs de SP e BH. Enquanto no Arco temos uma receita média de R$868,12, nas periferias das RMs de SP e BH verifica-se respectivamente uma receita corrente líquida per capita de R$1.448,53 e R$1.092,14. Ou seja, a disponibilidade por habitante nas periferias das RMs de SP e BH são superiores relativamente aos municípios da área de influência do Arco em, respectivamente, 66,86% e 25,81%. Com receita corrente líquida per capita superior a do total do Arco Metropolitano e das periferias das RMs de SP e BH, encontram-se apenas os municípios de Mangaratiba, R$5.006,25; Itaguaí, R$2.356,67; Niterói, R$1.877,31; e Paracambi, R$1.660,29. Com uma disponibilidade de gasto superior à média do Arco Metropolitano – R$868,12 – encontram-se os municípios de Guapimirim, R$1.342,98; Cachoeiras de Macacu, R$1.328,55; Tanguá, R$1.303,74; Duque de Caxias, R$1.110,69; Maricá, R$1.031,97; Seropédica, R$992,63; Japeri, R$930,67; e Itaboraí, R$900,22. Por último com uma disponibilidade de gasto por habitante inferior à média do Arco metropolitano, encontram-se Magé, R$762,19; Nilópolis, R$756,42; Nova Iguaçu, R$683,90; Queimados, R$635,22; Belford Roxo R$579,11; São João de Meriti, R$540,87; Mesquita, R$526,62; e São Gonçalo, apenas R$349,63. Um dado positivo é que a variação percentual real da receita corrente líquida entre 2000 e 2007, dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, obteve um crescimento de 64,04%, contra uma variação positiva para as periferias das RMs de SP e BH respectivamente de 49,39% e 55,55% . Com um crescimento inclusive superior ao da média do Arco, localizam-se os municípios de Mangaratiba, 211,42%; Paracambi, 176,29%; Itaguaí, 139,91%; Japeri, 100,87%; Guapimirim, 100,51%; Cachoeiras de Macacu, 100,20%; Magé, 93,12%; Nilópolis, 89,99%; Maricá, 89,68%; Duque de Caxias, 71,04%; e Itaboraí, 68,88%. 261

Na evolução da receita corrente líquida, entre 2000 e 2007, encontra-se como destaque negativo, a inspirar cuidados, o município de São Gonçalo, que, além de apresentar a menor receita corrente líquida per capita da área de influência do Arco Metropolitano, apresenta uma queda de 3,74%. Esta ampliação da receita de forma significativa da grande maioria dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano - ao lado do esforço de planejamento iniciado no atual governo, das perspectivas de crescimento econômico e de receita pública com base na melhoria logística e de estratégias de fomento à melhoria da gestão pública e ao desenvolvimento econômicosocial que podem ser implementadas, pode possibilitar o início de uma inversão da situação e trajetória da periferia da cidade do Rio de Janeiro. Na mesma direção, quando elaborado um ranking da receita corrente líquida per capita em 2007 para os municípios da área de influência do Arco e das periferias das RMs de SP e BH com população igual ou superior a 50 mil habitantes, encontra-se como líder o município de Mangaratiba, com uma receita corrente líquida per capita de R$5.006,25, superior inclusive à existente em São Caetano do Sul, de R$4.572,3562. Além disso, encontram-se bem posicionados no ranking da receita corrente líquida per capita, em 2007, para as três regiões em exame, os municípios de Itaguaí, na 7ª posição, Niterói, na 9ª posição, e Paracambi, na 12ª posição. Mesmo municípios, como Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Tanguá, Duque de Caxias, Seropédica, Japeri e Itaboraí encontram-se posicionados nesta tabela em situação melhor do que a encontrada no ranking da maioria dos indicadores sociais. Ainda com uma posição bastante ruim no ranking da receita corrente líquida per capita em 2007 para os municípios do Arco Metropolitano e periferias das RMs de SP e BH com 50 mil habitantes mais, encontram-se, em ordem decrescente de receita pública per capita, os municípios de Magé, Nilópolis, Nova Iguaçu, Queimados, Belford Roxo, São João de Meriti, Mesquita e São Gonçalo.

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.É importante apontar que, de acordo com o recém divulgado Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal – IFDM, para o ano de 2006, que contempla as variáveis emprego e renda, educação e saúde, o município de São Caetano do Sul apresentou o melhor resultado entre todos os municípios brasileiros

262

Dessa forma, acredita-se que numa articulação e organização de uma governança para os municípios da área de influência do Arco Metropolitano seria importante pensar uma política específica para aqueles que já tiveram alguma melhoria na disponibilidade de renda pública municipal e uma outra levando em consideração a situação daqueles municípios que ainda apresentam um dado ainda claramente ruim de receita corrente líquida per capita. Quando são analisados os dados relativos ao ISS per capita de 2007, vemos que – como reflexo da baixa densidade de atividade econômica na área de influência do Arco Metropolitano vis-a-vis a situação existente nas periferias das RMs de SP e BH, como já analisado – apresentam um valor superior ao existente para o total da periferia da RMSP, R$163,36, apenas os municípios de Itaguaí, R$561,11; Mangaratiba, R$524,42; e Niterói, R$208,57. Mesmo ao comparar os dados da receita per capita de ISS, em 2007, dos municípios do Arco com o existente no total da periferia da RMBH, R$69,78, verifica-se adicionalmente apenas o município de Paracambi, R$84,51. Os demais municípios da área de influência do Arco Metropolitano apresentam um valor bastante baixo, sendo que o pior posicionado é São João de Meriti, com apenas R$19,24. Da mesma forma, como conseqüência da baixa densidade econômica dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, ao analisar o ICMS per capita em 2007 observa-se que o valor para o total do Arco é de apenas R$194,81, contra um valor para a periferia da RMSP de R$440,51 e para a periferia da RMBH de R$418,08. Na mesma direção, no que diz respeito ainda à receita de ICMS per capita disponível em 2007, em um ranking das três regiões aqui analisadas, encontram-se nas dez piores posições, em ordem decrescente, sete municípios do Arco, que são: Itaboraí, Nilópolis, Nova Iguaçu, Mesquita, São Gonçalo, Magé e São João de Meriti. No que tange à variação percentual da transferência de ICMS entre 2000 e 2007, para as três regiões aqui analisadas, verifica-se novamente uma boa variação para o total do Arco Metropolitano, de 55,75%, contra variações na periferia das RMs de SP e BH de, respectivamente, 28,35% e 66,80%. Os destaques aqui são os municípios de Mangaratiba, com um crescimento de 499,22%, e Itaguaí, com um crescimento de 198,96%. 263

No que se refere a Itaguaí, acredita-se que já seja resultado do crescimento econômico com base na ampliação do Porto, o que deverá se ampliar fortemente nos próximos anos, tendo em vista os importantes novos investimentos previstos. Isso, se, por um lado, pode gerar otimismo, por outro aumenta a responsabilidade no desenho e execução de estratégias, visando evitar uma expansão desordenada, como já ocorrida em outros locais. Deve-se lembrar que, se os empreendimentos estruturantes per si não gerarão desenvolvimento econômico-social, a sua simples instalação ou ampliação, no entanto, deverá gerar no município em que estiver localizado cada empreendimento uma ampliação do valor adicionado e um aumento da transferência de ICMS. Por último, ainda na questão tributária, é importante ressaltar que, ao analisar o IPTU per capita em 2007, encontra-se para o total do Arco Metropolitano um valor de R$54,72, contra um valor nas periferias da RMSP e RMBH de, respectivamente, R$133,18 e R$33,22. É curioso que, neste caso, o IPTU per capita do Arco é inclusive significativamente superior ao da periferia da RMBH. No entanto, diversos municípios, apresentam ainda valores extremamente baixo, como Japeri que apresenta uma receita de IPTU per capita em 2007 de R$3,77. Da mesma forma, ao realizar um ranking do IPTU per capita para 2007 levando em conta os municípios do Arco Metropolitano e da periferia das RMs de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes, encontram-se entre os dez últimos colocados sete municípios do Arco que, em ordem decrescente, são: Cachoeiras de Macacu, Mesquita, Paracambi, Seropédica, Queimados, Belford Roxo e Japeri. No caso da variação do IPTU, não é encontrado uma evolução da receita tão favorável no Arco metropolitano, entre 2000 e 2007 vis-a-vis as outras duas regiões analisadas neste trabalho. Nesse período, a variação real no total do Arco Metropolitano foi de 18,24%, contra uma variação nas periferias das RMs de SP e BH, respectivamente, de 54,14% e 14,94%. Dessa forma, pode ser interessante avaliar a situação da administração tributária municipal no que diz respeito ao ISS e ao IPTU, visando propor parcerias e modernização da mesma. 264

É importante ressaltar que, apesar da melhora da relação entre as esferas públicas no atual governo do estado, continua-se a apresentar uma baixa participação no cenário federativo do uso dos recursos do BNDES relativos ao PMAT, que visa apoiar a melhoria da gestão pública e tributária municipal. Deve-se lembrar que o aprimoramento de uma política nesse sentido, em bases organizadas, pode se beneficiar não só do bom relacionamento atual do governo estadual com o federal, mas, também, do fato de a InvesteRio ter passado recentemente a ser agente do BNDES nesse aspecto e esse banco funcionar na cidade do Rio de Janeiro.

265

Quadro 3. 65 - Participação das Unidades Federativas no Produto Interno Bruto Nacional a Custo de Fatores e Variação Percentual da participação entre 1970 e 2006. Part.% Part.% 1970 2006 Acre 0,13 0,22 Alagoas 0,68 0,69 Amapá 0,11 0,24 Amazonas 0,69 1,62 Bahia 3,80 4,06 Ceará 1,44 2,00 Distrito Federal 1,26 3,94 Espírito Santo 1,18 2,10 Goiás 1,52 2,47 Maranhão 0,82 1,26 Mato Grosso 1,09 1,52 Mato Grosso do Sul 1,02 Minas Gerais 8,28 9,22 Pará 1,10 1,96 Paraíba 0,71 0,88 Paraná 5,43 5,88 Pernambuco 2,91 2,34 Piauí 0,37 0,56 Rio de Janeiro 16,67 11,49 Rio Grande do Norte 0,54 0,89 Rio Grande do Sul 8,60 6,67 Rondônia 0,10 0,57 Roraima 0,03 0,17 Santa Catarina 2,68 4,01 São Paulo 39,43 33,15 Sergipe 0,43 0,66 Tocantins 0,43 Brasil 100,00 100,00 Fonte: IBGE, Contas Regionais do Brasil, e IPEAData. Unidades Federativas Var.% 70-06 65,89 2,03 118,84 134,95 6,75 38,56 212,32 77,63 62,78 54,07 39,74 11,38 77,98 23,75 8,24 -19,50 51,25 -31,07 64,20 -22,47 467,64 454,04 49,59 -15,93 54,21 -

266

Quadro 3. 66 - Participação das Principais Regiões Metropolitanas no Produto Interno Bruto das Regiões Metropolitanas a Custo de Fatores e Variação Percentual da participação entre 1970 e 2006.

Principais Regiões Part.% Part.% Var.% Metropolitanas 1970 2006 70-06 BELEM 1,19 1,65 39,12 FORTALEZA 1,58 3,11 97,22 RECIFE 3,28 3,71 13,10 SALVADOR 3,25 4,83 48,57 BELO HORIZONTE 5,15 7,66 48,77 RIO DE JANEIRO 27,17 18,83 -30,72 SAO PAULO 49,06 46,88 -4,43 CURITIBA 2,70 5,81 115,39 PORTO ALEGRE 6,63 7,52 13,49 Total das Principais Regiões Metropolitanas 100,00 100,00 -Fonte: IBGE, Contas Regionais do Brasil, e IPEAData.

267

Quadro 3. 67 - Variação percentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Grandes Regiões e Unidades Federativas entre 1985 e 2007.
AgropecuServ. Ind. ConstruIndústria Comércio Serviços ária Util. Púb. ção Civil Admin. Pública

Unidade Territorial Região Norte

Total

787,06 Rondônia Acre Amazonas Roraima Para Amapá Tocantins Região Nordeste Maranhão Piauí Ceara Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Região Centro-Oeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal BRASIL 3.161,15 1.829,41 199,89 1.860,00 518,52 9.533,33 341,99 723,17 511,35 186,69 495,00 941,86 209,01 72,58 551,23 572,12 248,46 403,71 506,19 161,64 186,51 248,20 250,46 232,98 254,67 849,31 804,26 900,33 1.051,61 202,11 314,36

108,90 229,07 230,51 81,54 487,85 94,51 15,63 72,08 89,00 136,07 141,13 103,14 107,12 6,41 121,32 67,91 74,60 8,76 77,75 67,60 -23,46 2,10 73,96 145,41 91,38 29,80 288,03 267,66 437,35 287,07 130,03 35,33

59,91 25,32 8,97 30,46 146,12 36,82 80,59 10,60 32,31 -5,22 -4,10 60,56 70,12 1,91 47,26 38,27 -14,18 28,02 36,72 73,84 -1,06 43,46 29,66 46,82 35,54 13,02 6,97 -10,95 7,00 10,70 10,85 24,50

130,98 25,74 305,40 152,15 1.481,12 68,64 263,99 67,17 21,71 27,60 113,08 188,68 63,93 42,55 42,40 89,71 76,81 83,35 95,51 167,39 50,35 85,69 108,28 25,56 398,54 151,53 127,23 150,60 193,73 59,12 220,96 88,38

331,09 478,68 534,33 200,43 475,08 250,70 759,73 188,47 317,83 254,06 163,99 344,24 234,76 151,71 183,14 182,88 165,04 144,20 202,76 264,22 81,70 149,38 137,51 162,48 248,09 79,50 252,17 192,97 440,56 227,35 227,39 160,79

153,87 197,00 162,31 174,80 281,79 86,93 624,48 114,41 140,12 141,86 147,22 181,74 112,58 92,51 41,16 209,64 101,56 86,49 95,55 147,93 52,31 98,04 101,88 100,86 153,47 82,12 132,39 120,86 165,14 143,53 118,91 97,35

202,84 140,98 108,33 175,59 89,84 165,96 260,40 102,28 150,73 110,42 84,63 108,66 77,78 87,77 104,13 90,34 120,52 74,54 140,14 96,61 40,15 68,15 42,11 85,84 72,96 0,56 100,99 120,14 289,25 111,53 61,39 86,45

184,40 200,35 166,28 143,00 210,54 137,29 302,53 109,54 147,55 128,35 120,66 149,60 104,10 74,20 92,53 128,83 114,47 68,64 119,83 137,32 37,10 64,00 88,22 116,06 128,37 50,65 157,13 169,86 303,67 166,41 100,51 83,52

Fonte: RAIS/MTE. Obs: O setor Indústria é o somatório dos setores de Extrativa Mineral e Indústria de Transformação

268

Quadro 3. 68 - Variação percentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, principais Regiões Metropolitanas, Estado do RJ, Interior Fluminense, Sudeste e Brasil entre 1985 e 2007. Serv. AgropecuInd. Util. ConstruAdmin. ária Indústria Pub. ção Civil Comércio Serviços Pública -13,37 117,62 226,99 88,45 161,64 290,10 248,46 314,36 -35,33 -26,16 45,21 -11,87 -23,46 10,55 8,76 35,33 -11,38 18,15 29,92 6,99 -1,06 98,31 28,02 24,50 26,93 52,43 39,54 46,23 50,35 181,48 83,35 88,38 62,63 127,05 159,68 110,06 81,70 184,46 144,20 160,79 38,96 99,50 107,13 84,69 52,31 159,96 86,49 97,35 20,24 48,98 89,38 36,77 40,15 254,95 74,54 86,45

Unidade Territorial RMRJ RMSP RMBH Principais Regiões Metropolitanas Estado do RJ Interior Fluminense Sudeste Brasil Fonte: RAIS/MTE.

Total 22,77 44,57 88,69 47,97 37,10 121,79 68,64 83,52

Obs 1: Nas Principais Regiões Metropolitanas encontram-se as Regiões Metropolitanas do RJ, SP, BH, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Obs 2: Na periferia da RMRJ, RMSP e RMBH encontram-se incluídos todos os municípios dessas RMs menos as respectivas capitais. Obs 3: No interior Fluminense estão incluídas as Macro-regiões Noroeste Fluminense, Norte Fluminense, Serrana, Médio Paraíba, Baixadas Litorâneas, Centro-Sul Fluminense e Costa Verde

269

Quadro 3. 69 - Variação percentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Grandes Regiões e Unidades Federativas entre 1995 e 2007.
AgropecuServ. Ind. ConstruIndústria Comércio Serviços ária Util. Pub. ção Civil 254,52 292,91 61,38 273,98 195,34 228,49 93,31 596,04 36,13 175,59 141,91 141,78 46,27 26,20 -8,83 -32,96 79,20 60,51 20,94 31,75 76,20 -8,86 14,37 15,69 18,66 47,47 0,32 147,16 63,89 306,50 173,58 28,25 110,66 154,20 151,92 103,11 151,26 92,73 103,51 367,04 70,50 64,02 43,45 99,75 106,75 66,63 26,45 62,19 91,45 102,22 26,27 55,90 78,35 4,34 21,78 62,61 93,60 71,67 36,72 152,57 185,21 149,62 165,46 66,10 -9,50 -9,49 26,62 68,97 255,74 37,44 -85,33 101,98 -5,35 -13,90 4,68 -32,90 21,87 41,74 -10,34 27,70 -6,69 -12,87 -6,24 -3,37 31,36 -10,26 -7,36 7,16 17,06 20,60 -8,07 3,60 9,01 -20,97 -11,76 57,02 192,72 125,55 401,60 126,17 247,79 177,70 239,20 575,95 83,49 205,62 67,07 19,44 164,45 61,47 54,25 94,28 149,63 103,61 35,51 49,49 77,46 37,95 25,30 36,81 20,92 84,83 26,96 67,13 112,80 273,26 60,43 18,62 218,85 261,98 267,31 142,46 231,09 218,39 311,62 316,77 127,42 204,03 173,17 118,48 185,79 135,52 108,92 135,65 96,93 113,68 88,58 109,95 130,76 60,24 90,27 100,98 111,68 141,80 71,52 160,05 128,01 222,87 156,31 144,24 78,72 100,68 -28,41 77,75 237,19 72,34 268,58 195,34 63,29 82,53 115,50 40,78 111,24 31,32 43,25 41,39 56,29 92,37 60,30 69,65 65,08 41,90 65,60 74,91 64,97 106,05 69,74 83,77 85,09 96,40 99,41 68,85 Admin. Pública 113,71 59,66 226,32 116,77 35,88 87,14 473,30 252,37 72,01 82,58 32,37 118,02 30,91 53,87 79,17 39,80 104,11 84,68 38,93 69,55 71,09 46,42 20,87 19,82 21,76 63,57 -0,93 52,02 48,80 111,81 80,97 25,11

Unidade Territorial Região Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Para Amapá Tocantins Região Nordeste Maranhão Piauí Ceara Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Região CentroOeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal

Total 114,76 106,24 91,06 101,76 113,69 102,17 179,92 258,88 70,41 94,79 62,07 77,73 74,30 54,16 50,24 47,66 79,60 87,57 47,38 65,67 78,71 36,37 43,73 58,58 62,66 86,83 40,29 87,35 84,95 145,92 107,71 50,15

BRASIL Fonte: RAIS/MTE.

37,18

45,16

-3,58

50,13

104,79

65,08

50,21

58,31

Obs: O setor Indústria é o somatório dos setores de Extrativa Mineral e Indústria de Transformação.

270

Quadro 3. 70 - Variação percentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, principais Regiões Metropolitanas, Estado do RJ, Interior Fluminense, Sudeste e Brasil entre 1995 e 2007.

Unidade Territorial RMRJ RMSP RMBH Principais Regiões

Agropecuária -58,35 -24,31 -12,93

Serv. Ind. Util. ConstruAdmin. Indústria Púb. ção Civil Comércio Serviços Pública -9,80 -3,23 29,31 -14,93 -11,94 2,22 21,17 15,01 52,19 49,37 77,32 84,22 33,09 65,31 64,55 37,02 18,56 43,91

Total 26,99 35,19 51,16

Metropolitanas Estado do RJ Interior Fluminense Sudeste Brasil Fonte: RAIS/MTE.

-31,09 -8,86

9,34 4,34

-9,26 -10,26

26,62 37,95

72,86 60,24

56,24 41,90

25,90 46,42

37,67 36,37

13,04 20,94 37,18

41,48 26,27 45,16

17,47 -6,24 -3,58

112,12 35,51 50,13

106,60 88,58 104,79

98,63 60,30 65,08

95,43 38,93 50,21

79,78 47,38 58,31

Obs 1: Nas Principais Regiões Metropolitanas encontram-se as Regiões Metropolitanas do RJ, SP, BH, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Obs 2: Na periferia da RMRJ, RMSP e RMBH encontram-se incluídos todos os municípios dessas RMs menos as respectivas capitais. Obs 3: No interior Fluminense estão incluídas as Macro-regiões Noroeste Fluminense, Norte Fluminense, Serrana, Médio Paraíba, Baixadas Litorâneas, Centro-Sul Fluminense e Costa Verde

271

Quadro 3. 71 - Taxa de crescimento da produção física da Indústria de Transformação 1995/2008. Unidade Territorial Brasil Ceará Pernambuco Bahia Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Paraná Santa Catarina Var. % 36,60 46,11 4,74 43,06 52,26 57,73 -2,40 41,31 42,06 26,21

Rio Grande do Sul 19,51 Fonte: IBGE, PIM-PF

272

Quadro 3. 72 - Variação percentual do total de empregos formais segundo Setores do IBGE por Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Periferias das Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, principais Regiões Metropolitanas, Estado do RJ, Interior Fluminense, Sudeste e Brasil entre 2000 e 2007. Serv. AgropeInd. Util. ConstruAdmin. cuária Indústria Pub. ção Civil Comércio Serviços Pública -10,78 -7,23 2,46 -15,72 15,79 17,87 1,63 6,22 9,63 17,92 28,89 17,81 32,66 22,56 32,24 42,95 56,65 27,69 31,58 63,61 39,01 45,50 14,85 50,93 18,78 58,55 30,77 -45,75 18,23 21,74 64,04 23,74 25,59 48,08 56,21 34,78 59,04 52,63 66,86 34,14 54,86 75,08 49,45 47,83 38,16 52,78 54,71 74,11 54,09 81,14 50,96 41,42 52,52 54,49 60,90 22,36 30,62 42,92 28,17 -2,06 61,83 33,62 27,00 51,81 33,22 38,14 37,02 46,52 8,75 39,84 193,02 72,43 21,32 43,36 73,13 39,53 39,03

Unidade Territorial RMRJ* Periferia RMRJ* RMSP Periferia RMSP RMBH Periferia RMBH Principais Regiões Metropolitanas* Estado do RJ* Interior Fluminense* Sudeste* Brasil* Fonte: RAIS/MTE

Total 28,33 39,46 33,02 37,72 39,73 63,31 32,21 34,13 57,46 38,95 43,31

* Verificamos inconsistência na base de dados da RAIS para o numero de empregados no Setor Administração Publica no ano de 2000 nos municípios de Belford Roxo, Itaguaí e São João de Meriti. Por esse motivo as variações da administração pública nestes municípios encontram-se excluídas nas linhas da RMRJ, periferia RMRJ, principais Regiões Metropolitanas, Estado do RJ, Interior Fluminense, Sudeste e Brasil. Obs 1: Nas Principais Regiões Metropolitanas encontram-se as Regiões Metropolitanas do RJ, SP, BH, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Obs 2: Na periferia da RMRJ, RMSP e RMBH encontram-se incluídos todos os municípios dessas RMs menos as respectivas capitais. Obs 3: No interior Fluminense estão incluídas as Macro-regiões Noroeste Fluminense, Norte Fluminense, Serrana, Médio Paraíba, Baixadas Litorâneas, Centro-Sul Fluminense e Costa Verde.

273

Quadro 3. 73 - Variação percentual dos empregos por setor nos Municípios da área de influencia do Arco Metropolitano, Regiões Metropolitanas de SP e BH, Periferias de SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil entre 2000 e 2007.
AgropecuMunicípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica* Área 2 Belford Roxo* Duque de Caxias Japeri* Magé Mesquita** Nilópolis* Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti* Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Tota Arco Metropolitano*** Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ*** -2,62 63,89 1,84 -29,06 -18,69 430,77 22,37 -6,74 -15,72 17,87 -10,78 27,89 6,21 53,79 160,44 110,20 10,59 70,16 32,87 32,24 56,65 17,81 25,14 -3,57 714,29 -100,00 43,29 -37,68 -44,83 48,90 58,55 -45,75 14,85 -18,42 -97,76 -60,95 -18,70 26,88 8,80 1236,17 56,83 59,04 66,86 48,08 67,86 150,38 43,18 56,44 37,25 59,68 75,80 52,88 74,11 81,14 38,16 -20,11 0,53 75,44 25,29 27,66 18,37 -19,53 36,52 28,17 61,83 22,36 28,70 563,14 44,08 76,22 35,69 38,77 15,75 47,53 39,84 72,43 37,02 17,48 85,59 43,84 51,97 34,94 29,13 56,41 41,99 37,72 63,31 28,33 7,81 -35,09 500,00 -44,00 97,14 -57,14 0,00 30,88 48,02 175,97 -6,84 109,50 -2,07 -86,55 30,12 45,70 338,33 -85,71 487,07 -82,35 333,33 317,50 468,75 -71,14 124,57 111,42 -54,84 20,72 -11,52 175,75 62,50 1,54 -5,01 -27,72 85,56 98,03 62,29 51,78 40,77 62,41 86,11 68,20 27,11 57,44 76,96 -23,56 17,15 5,95 -22,55 35,49 17,28 *** 70,50 235,90 31,82 6,32 49,99 -5,09 19,08 *** *** 63,54 162,20 15,34 26,83 27,58 -36,94 37,79 *** -21,53 60,71 -66,67 39,74 -84,32 87,88 -49,02 -100,00 135,12 -30,91 -6,21 48,45 56,08 157,18 10,27 562,29 243,08 *** 92,63 -28,69 *** 357,07 53,53 ária Indústria SERV IND UP Construção Civil Comercio Serviços ADM PUBL TOTAL de Empregos

RMSP RMBH Estado do RJ*** Sudeste*** Brasil*** Fonte: MTE/RAIS 2007

2,46 15,79 6,22 17,92 28,89

22,56 42,95 31,58 39,01 45,50

18,78 30,77 21,74 23,74 25,59

34,78 52,63 54,86 49,45 47,83

54,71 54,09 41,42 54,49 60,90

42,92 -2,06 27,00 33,22 38,14

8,75 193,02 43,36 39,53 39,03

33,02 39,73 34,13 38,95 43,31

274

* O numero de empregos em 2000 era zero por isso não há variação. ** Não há dados para o município de Mesquita por ele ter sido criado em 25 de setembro de 1999 de acordo com a lei estadual 3253. O município de Mesquita anteriormente era um distrito de Nova Iguaçu. *** Verificamos inconsistência na base de dados da RAIS para o numero de empregados no Setor Administração Pública no ano de 2000 nos municípios de Belford Roxo, Itaguaí e São João de Meriti.

275

Quadro 3. 74 - Ranking do total de empregos gerados pela indústria nos municípios de influência do Arco Metropolitano no ano de 2007. Total de empregos no setor industrial 25.978 15.040 13.148 10.784 5.423 4.363 2.804 2.526 2.098 1.941 1.565 1.213 1.163 1.160 1.060 770 536 356 346 58

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Municípios Duque de Caxias (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Niterói (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Queimados (RMRJ) Belford Roxo (RMRJ) Magé (RMRJ) Itaguaí (RJ) Nilópolis (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Seropédica (RMRJ) Cachoeiras de Macacu (RJ) Maricá (RJ) Guapimirim (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Japeri (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Mangaratiba (RJ)

Fonte: RAIS/MTE

276

Quadro 3. 75 - Ranking do percentual do número de empregos gerados pela indústria em relação ao emprego total no ano de 2007.

#

Municípios

Participação (%) 27,63 22,16 18,99 18,93 17,38 16,51 14,99 14,82 14,61 12,81 11,96 11,00 10,87 10,21 9,38 9,09 9,08 8,52 8,45 0,29 13,73 30,89 32,37 19,75 19,32

1 Queimados 2 Itaboraí 3 Duque de Caxias 4 Tanguá 5 Cachoeiras de Macacu 6 São Gonçalo 7 Guapimirim 8 Seropédica 9 Magé 10 Nova Iguaçu 11 São João de Meriti 12 Maricá 13 Mesquita 14 Belford Roxo 15 Itaguaí 16 Paracambi 17 Nilópolis 18 Niterói 19 Japeri 20 Mangaratiba Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH Sudeste Brasil Fonte: RAIS/MTE

277

Quadro 3. 76 - Participação percentual do número de estabelecimentos industriais no total de estabelecimentos no ano de 2007.

#

Municípios

Percentual 19,55 14,22 14,17 12,67 12,09 11,95 11,05 10,89 10,25 10,23 9,49 9,22 8,49 8,44 8,10 8,04 7,22 7,13 4,38 3,33 9,12 14,58 14,80 10,38 10,77

1 Seropédica 2 Duque de Caxias 3 Mesquita 4 São João de Meriti 5 Itaboraí 6 Tanguá 7 São Gonçalo 8 Guapimirim 9 Paracambi 10 Belford Roxo 11 Queimados 12 Japeri 13 Cachoeiras de Macacu 14 Magé 15 Itaguaí 16 Maricá 17 Nova Iguaçu 18 Nilópolis 19 Niterói 20 Mangaratiba - Arco Metropolitano - Periferia RMSP - Periferia RMBH - Sudeste - Brasil Fonte: RAIS/MTE

278

Quadro 3. 77 - 5 principais setores Industriais na geração de empregos nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano em 2007. Duque de Caxias 136.768 14.332

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (6,29% do total de empregos) Fabricação de outros equipamentos de transporte Extração de petróleo e serviços relacionados Confecção de artigos do vestuário e acessórios Edição, impressão e reprodução de gravações Fabricação de produtos químicos

Niterói 154.364 9.713

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (10,48% do total de empregos) Fabricação de produtos químicos Fabricação de artigos de borracha e plástico Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis nu.... Confecção de artigos do vestuário e acessórios

6.063 1.057 921 918 754

3.638 3.156 3.090 2.389 2.059

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (8,02% do total de empregos) Fabricação de produtos de metal – exclusive maquinas e equipamentos Extração de minerais não-metálicos Metalurgia básica Fabricação de maquinas, aparelhos e materiais elétricos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fonte: RAIS/MTE

Itaguaí 20.683 1.658

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (0,22% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de outros equipamentos de transporte Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fabricação de moveis diversas e industrias

Mangaratiba 19.887 44

672 533 276 96 81

18 18 7 1

Não há empregados nos outros setores industriais

279

Quadro 3. 78 - 5 principais setores Industriais na geração de empregos nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (10,50% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de equipamentos de instrumentação para usos médicohospitalares Fabricação de produtos químicos Fabricação de artigos de borracha e plástico

São Gonçalo 91.113 9.564 3.095 2.429 1.557 1.357 1.126

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (8,43% do total de empregos) Fabricação de produtos químicos Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de moveis e industrias diversas Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação equipamentos de maquinas e

Nova Iguaçu 84.169 7.096 2.486 1.638 1.536 843 593

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (7,77% do total de empregos) Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de artigos de borracha e plástico Fabricação de moveis e industrias diversas Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Fonte: RAIS/MTE

São João de Meriti 45.331 3.522

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (7,30% do total de empregos) Fabricação de produtos químicos Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Preparação de couros e Fabricação de artefatos de couro, artigos de... Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

Belford Roxo 24.747 1.806

1.463 894 724 231 210

785 310 306 236 169

280

Quadro 3. 79 - 5 principais setores Industriais na geração de empregos nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (17,96% do total de empregos) Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Fabricação de outros equipamentos de transporte

Itaboraí 19.689

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (6,83% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de moveis e industrias diversas Fabricação de produtos químicos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Confecção de artigos do vestuário e acessórios

Nilópolis 17.230

3.536 2.080 551 378 313 214

1.177 498 356 129 104 90

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (12,26% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de produtos químicos Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Fabricação de moveis e industrias diversas Fonte: RAIS/TEM

Magé 14.360

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (23,32% do total de empregos) Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carroceria... Fabricação de produtos têxteis Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Confecção de artigos do vestuário e acessórios

Queimados 10.148

1.760 1.049 295 173 134 109

2.367 669 575 398 397 328

281

Quadro 3. 80 – 5 principais setores Industriais na geração de empregos nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (13,71% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de produtos de minerais não metálicos Extração de minerais não-metálicos Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de artigos de borracha e plástico

Seropédica 7.850 1.076

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (7,60% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação equipamentos de maquinas e

Mesquita 11.157 848

394 254 213 122 93

326 197 124 108 93

Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de moveis e industrias diversas

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (7,43% do total de empregos) Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fabricação de produtos têxteis Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fonte: RAIS/TEM

Paracambi 3.807

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (7,81% do total de empregos) Fabricação de produtos de minerais não metálicos Confecção de artigos do vestuário e acessórios Extração de minerais não-metálicos Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

Japeri 4.211

283

329

109 82 38 29

182 64 36 24

25

23

282

Quadro 3. 81- 5 principais setores Industriais na geração de empregos nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (12,89% do total de empregos) Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Fabricação de moveis e industrias diversas Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de produtos de minerais não metálicos Metalurgia básica

Guapimirim 5.137 662

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (17,56% do total de empregos) Fabricação de produtos de minerais não metálicos Confecção de artigos do vestuário e acessórios Extração de minerais não-metálicos Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carroceria...

Tanguá 2.831 497

392 89 84 52 45

285 83 83 24 22

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (16,80% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de produtos de madeira Extração de minerais não-metálicos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fonte: RAIS/MTE

Cachoeiras de Macacu 6.674 1.121

Setores TOTAL de empregos Total dos 5 setores industriais mais importantes (9,75% do total de empregos) Fabricação de produtos alimentícios e bebidas Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fabricação de artigos de borracha e plástico Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Extração de minerais não-metálicos

Maricá 9.635 939

755 173 124 36 33

474 231 99 83 52

283

Quadro 3. 82 - Atividades industriais e municípios em que são citados como estando entre as 5 mais importantes do ponto de vista da geração de empregos na área de influência do Arco Metropolitano

Setores 1 Fabricação de alimentícios e bebidas produtos

Municípios Belford Roxo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Tanguá Belford Roxo, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Itaboraí,Itaguaí, Japeri, Mangaratiba, Maricá, Nilópolis, Paracambi,Queimados, Seropédica, Tanguá Belford Roxo, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Maricá, Mesquita, Paracambi, Queimados, Seropédica Belford Roxo, Duque de Caxias, Magé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, São Gonçalo Guapimirim, Magé, Mangaratiba, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, São João de Meriti Cachoeiras de Macacu, Itaguaí, Japeri, Maricá, Seropédica, Tanguá Guapimirim, Itaboraí, Magé, São João de Meriti, Tanguá Duque de Caxias, Maricá, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica Mesquita, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro Itaboraí, Mangaratiba, Niterói Paracambi, Queimados Niterói, Rio de Janeiro Guapimirim, Itaguaí Queimados, Tanguá Niterói Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Itaguaí São Gonçalo

2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

Confecção de artigos do vestuário e acessórios Fabricação de produtos de minerais não metálicos Fabricação de produtos de metal exclusive maquinas e equipamentos Fabricação de produtos químicos Fabricação de moveis e industrias diversas Extração de minerais nãometálicos Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Fabricação de artigos de borracha e plástico Fabricação de maquinas e equipamentos Fabricação de outros equipamentos de transporte Fabricação de produtos têxteis Edição, impressão e reprodução de gravações Metalurgia básica Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e carrocerias Extração de petróleo e serviços relacionados Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de... Fabricação de produtos de madeira Fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis Fabricação de maquinas, aparelhos e materiais elétricos Fabricação. de equip. de instrumentação para usos médicohospitaleiros

Fonte: RAIS/TEM

284

Quadro 3. 83 - Participação do setor de Fabricação de Produtos Alimentícios e Bebidas no total do emprego formal industrial em 2007 segundo os municípios do Arco Metropolitano e periferias das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte.

Municípios do Arco Metropolitano Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti Seropédica Tanguá Total Municípios Arco Periferia RMSP Periferia RMBH Fonte: RAIS/MTE.

Fabricação de Produtos Total Alimentícios e Bebidas Indústria 169 755 3.090 84 378 78 23 1.049 18 474 326 498 645 1.638 25 49 3.095 894 394 15 13.697 36.276 14.889 2.526 1.160 25.978 770 4.363 1.941 356 2.098 58 1.060 1.213 1.565 13.148 10.784 346 2.804 15.040 5.423 1.163 536 92.332 603.599 145.808

Part. % 6,69 65,09 11,89 10,91 8,66 4,02 6,46 50,00 31,03 44,72 26,88 31,82 4,91 15,19 7,23 1,75 20,58 16,49 33,88 2,80 14,83 6,01 10,21

285

Quadro 3. 84 - Participação do setor de Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios no total do emprego formal industrial em 2007 segundo os municípios do Arco Metropolitano e periferias das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte.

Municípios do Arco Metropolitano Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti Seropédica Tanguá Total Municípios Arco Periferia RMSP Periferia RMBH Fonte: RAIS/MTE.

Confecção de Artigos do Total Vestuário e Acessórios Indústria 137 173 2.059 10 209 4 64 173 0 5 108 90 921 843 109 328 2.429 1.463 8 83 9.216 12.468 2.736 2.526 1.160 25.978 770 4.363 1.941 356 2.098 58 1.060 1.213 1.565 13.148 10.784 346 2.804 15.040 5.423 1.163 536 92.332 603.599 145.808

Part. % 5,42 14,91 7,93 1,30 4,79 0,21 17,98 8,25 0,00 0,47 8,90 5,75 7,00 7,82 31,50 11,70 16,15 26,98 0,69 15,49 9,98 2,07 1,88

286

Quadro 3. 85 - Variação percentual por setor dos estabelecimentos nos municípios da área de influencia do Arco Metropolitano, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, total dos municípios do Arco Metropolitano, periferias de SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil entre os anos de 2000 e 2007.

MUNICIPIOS Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica* Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri* Magé Mesquita** Nilópolis* Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti* Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia SP Periferia BH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil

Agropecuária -4,49 -17,39 -46,67 -40,00 6,25 -50,00 6,90 -31,58 -29,41 150,00 10,86 39,13 3,26 -4,65 109,09 125,00 36,67 14,94 5,20 16,75 14,85 2,09 24,65 8,38 11,34 21,83

Indústria 5,62 62,50 27,27 25,37 17,08 122,22 -17,12 -5,83 -19,43 8,82 31,11 7,83 9,09 -10,42 16,88 49,15 0,97 18,86 92,86 10,72 24,45 35,37 3,01 11,25 16,68 8,25 18,44 26,14

Serv. Ind. Útil. Púb. 0,00 -100,00 100,00 109,09 300,00 -66,67 83,33 0,00 0,00 -66,67 -20,00 0,00 200,00 -100,00 0,00 50,00 0,00 28,07 43,15 -18,60 68,86 46,05 63,24 47,54 5,92 16,16

Construção Civil -4,65 55,56 42,11 14,04 9,28 0,00 37,14 -8,82 -31,14 66,67 14,29 -18,07 0,00 -62,50 -23,64 15,00 -5,18 -13,21 60,00 -4,37 28,81 22,98 -7,35 19,42 4,28 -5,69 7,24 14,22

Comércio 18,95 38,78 50,50 27,00 19,30 28,87 22,92 1,98 -1,34 10,63 26,79 6,43 7,24 37,69 19,27 48,13 6,84 12,92 33,33 13,84 41,80 35,88 8,96 28,91 23,80 13,86 31,20 40,95

Serviços 31,03 36,84 68,33 44,02 23,05 -3,08 14,32 9,11 6,41 19,23 19,88 17,41 -0,65 44,09 38,67 39,93 10,02 15,61 40,63 16,65 28,19 39,59 10,28 18,96 21,55 13,51 23,15 28,02

Total 18,49 34,02 43,20 31,02 20,04 19,89 15,83 3,73 -0,90 12,11 24,90 9,56 6,48 27,01 21,62 41,29 8,59 13,93 41,25 14,16 32,66 34,43 8,85 21,58 20,67 12,47 23,53 31,29

Fonte: MTE/RAIS * Os valores em 2000 eram nulos, por isso não há variação ** Não há dados para o município de Mesquita por ele ter sido criado em 25 de setembro de 1999 de acordo com a lei estadual 3253. O município de Mesquita anteriormente era um distrito de Nova Iguaçu.

287

Quadro 3. 86 - Número total de estabelecimentos formais segundo Setores do IBGE nos municípios da área de influencia do Arco Metropolitano, total do Arco Metropolitano Regiões Metropolitanas de SP e BH, Periferias de SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil no ano de 2007.

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do Rio de Janeiro Região Sudeste Brasil Fonte: MTE/RAIS

Agropecuária 85 19 8 3 17 1 31 0 0 13 12 5 5 245 32 95 41 138 9 41 800 1.478 1.973 727 2.103 3.110 7.515 152.516 310.935

Indústria 94 13 70 168 1.001 20 121 84 97 398 37 59 427 60 43 187 88 520 731 27 4.245 14.928 4.317 10.683 42.614 9.604 17.154 155.356 314.565

Serv. Ind. Util. Púb. 1 0 0 2 23 0 4 0 1 11 1 1 2 4 1 3 0 12 6 1 73 209 35 282 555 111 450 2.649 6.758

Construção Civil 41 14 27 65 212 8 48 14 31 115 10 16 68

Comércio 521 136 152 875 3.270 125 799 296 669 2.721 177 336 1688

Serviços 418 208 101 530 2.514 63 431 199 563 2.257 124 205 1180

Total 1.160 390 358 1.643 7.037 217 1.434 593 1.361 5.515 361 622 3.370

8 237 153 707 6 179 134 395 42 718 502 1.547 23 554 389 1.095 311 4.186 6.717 11.884 138 3.243 2.488 6.615 8 104 45 226 1.205 20.986 19.221 46.530 3.152 43.687 38.917 102.371 1.841 11.907 9.089 29.162 3.996 57.458 87.330 160.476 10.989 135.735 145.885 337.881 6.217 35.110 41.337 95.489 6.303 86.765 112.963 231.150 54.903 581.733 550.212 1.497.369 110.643 1.173.362 1.004.166 2.920.429

288

Quadro 3. 87 - Total e variação percentual do emprego formal nas atividades do Setor Petroquímico, no total da indústria e no total das atividades econômicas no município de Duque de Caxias entre 2000 e 2007. Atividades do Setor Petroquímico Fabricação de artigos de borracha e plástico Total da indústria Fonte: RAIS/MTE. 2000 1.135 17.550 2007 3.156 25.978 Var. % 178,06 48,02

Quadro 3. 88 - Total e variação percentual dos estabelecimentos nas atividades do Setor Petroquímico, no total da indústria e no total das atividades econômicas no município de Duque de Caxias entre 2000 e 2007. Atividades do Setor Petroquímico Fabricação de artigos de borracha e plástico Total da indústria Fonte: RAIS/MTE. 2000 69 855 2007 116 1.001 Var. % 68,12 17,08

289

Quadro 3. 89 - Variação do número de estabelecimentos no setor privado exclusive o industrial por tamanho de empresa nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, Periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil entre os anos de 2000 e 2007.

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil Fonte: RAIS/MTE

Micro Empresa 15,42 33,06 44,03 25,23 13,22 10,13 17,88 -1,16 -5,10 11,90 18,60 3,49 4,17 33,18 17,70 36,61 3,63 6,35 35,48 8,81 30,72 38,67 3,40 19,85 19,48 8,83 21,55 29,78

Pequena Empresa 50,96 28,13 68,97 81,40 59,35 38,46 37,82 36,30 33,93 21,43 55,77 47,44 16,98 38,24 52,63 70,67 38,33 53,41 44,44 47,21 53,00 67,56 29,80 38,40 43,55 35,14 41,46 47,33

Media Empresa 40,00 100,00 -16,67 28,57 44,00 46,67 115,38 33,75 -16,67 60,00 78,38 125,00 75,00 47,06 114,29 31,69 45,33 0,00 45,44 48,86 70,14 26,32 44,80 39,77 32,33 42,10 45,10

Grande Empresa 0,00 20,00 400,00 18,18 72,22 100,00 0,00 -7,69 13,70 50,00 75,00 16,67 100,00 -50,00 14,29 -33,33 16,51 41,67 100,00 31,88 32,11 71,43 19,53 40,46 39,39 25,14 39,80 43,32

Total 19,78 33,22 47,69 31,70 20,60 14,53 20,24 4,55 0,91 12,50 24,28 9,81 6,24 33,84 22,30 40,64 8,97 13,35 36,30 14,52 34,19 42,83 7,82 23,25 23,07 12,84 24,16 31,96

290

Obs 1: A área de influência do Arco Metropolitano é composta por todos os Municípios da Região Metropolitana excluindo a cidade do Rio de Janeiro e somando Mangaratiba e Itaguaí pertencentes à Região da Costa Verde e Cachoeiras de Macacu e Maricá pertencentes à Região das Baixadas Litorâneas Obs 2: Participam também da área de influência do Arco Metropolitano as regiões administrativas de Santa Cruz, Campo Grande, Guaratiba e Bangu. Estas, no entanto, serão objeto de análise no item 5 deste relatório. Obs 3: A classificação utilizada foi a do Sebrae, que aponta para as atividades econômicas não industriais, como micro empresa as que possuem de 0 a 9 empregados, como pequena empresa as de 10 a 49 empregados, como média empresas as de 50 a 99 empregados e como grande empresa as acima de 99 empregados.

291

Quadro 3. 90 - Variação do número de estabelecimentos no setor industrial por tamanho de empresa nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, Periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil entre os anos de 2000 e 2007. Micro Empresa -4,11 85,71 18,87 28,45 14,62 133,33 -14,88 -16,67 -21,00 26,92 33,33 4,86 1,96 -16,67 10,74 49,06 -3,27 17,43 81,82 3,70 19,34 42,25 -0,02 7,65 15,95 6,10 15,35 24,06 Pequena Empresa 33,33 300,00 0,00 16,44 66,67 -23,81 150,00 -19,12 -33,33 30,00 33,33 100,00 50,00 22,22 33,33 35,56 38,24 200,00 17,92 39,79 52,13 9,55 27,05 38,24 19,61 33,94 37,27 Media Empresa 300,00 -100,00 200,00 100,00 86,36 -75,00 100,00 -11,54 0,00 -25,00 0,00 0,00 200,00 9,09 -9,09 0,00 23,15 25,23 36,42 -2,31 15,71 31,16 9,61 25,97 31,29 33,33 0,00 144,44 53,70 176,47 52,38 37,63 168,18 67,74 61,79 63,38 0,00 -100,00 0,00 0,00 0,00 Grande Empresa 0,00 0,00 0,00 0,00 100,00 0,00

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri* Magé Mesquita** Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil Fonte: RAIS/MTE

Total

5,62 62,50 27,27 25,37 17,08 122,22 -17,12 -5,83 -19,43 8,82 31,11 7,83 9,09 -10,42 16,88 49,15 0,97 18,86 92,86 6,39 24,45 44,19 1,48 11,25 19,51 8,25 18,44 26,14

292

Obs 1: A área de influência do Arco Metropolitano é composta por todos os Municípios da Região Metropolitana excluindo a cidade do Rio de Janeiro e somando Mangaratiba e Itaguaí pertencentes à Região da Costa Verde e Cachoeiras de Macacu e Maricá pertencentes à Região das Baixadas Litorâneas Obs 2: Participam também da área de influência do Arco Metropolitano as regiões administrativas de Santa Cruz, Campo Grande, Guaratiba e Bangu. Estas, no entanto, serão objeto de análise no item 5 deste relatório. Obs 3: A classificação utilizada foi a do Sebrae, que aponta, para as atividades econômicas industriais, como micro empresas as que possuem de 0 a 19 empregados, como pequena empresa as de 20 a 99 empregados, como média empresas as de 100 a 499 empregados e como grande empresa as acima de 499 empregados.

293

Quadro 3. 91 - PIB a custo de fatores dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, Periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Sudeste e Brasil. PIB a preços de 2006 e variação percentual real entre 2002 e 2006

2002 Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica (RMRJ) Área 2 Belford Roxo (RMRJ) Duque de Caxias (RMRJ) Japeri (RMRJ) Magé (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Nilópolis (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Queimados (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Maricá Niterói (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil Fonte: IBGE, PIB dos Municípios. (R$ 1.000)

2006 (R$ 1.000) Variação(%)

1.787.626 252.897 450.665 2.836.170 13.668.233 394.655 1.329.324 963.287 1.072.941 5.621.596 300.510 956.135 2.941.818 472.223 275.564 1.288.992 629.957 6.522.584 6.561.028 169.623 48.495.827 360.969.463 123.266.422 190.774.114 579.002.974 147.641.242 205.946.421 992.151.467 1.780.173.602

1.731.290 308.482 424.104 2.716.420 19.890.401 403.765 1.268.208 1.015.284 1.014.230 5.718.851 280.271 806.708 2.716.420 521.964 293.030 1.290.679 687.040 6.620.143 6.398.615 160.749 54.246.646 414.838.099 151.238.860 217.812.433 650.479.436 178.414.148 233.813.921 1.138.640.567 2.034.734.000

-3,15 21,98 -5,89 -4,22 45,52 2,31 -4,60 5,40 -5,47 1,73 -6,73 -15,63 -8,34 10,53 6,34 0,13 9,06 1,50 -2,48 -5,23 11,86 14,92 22,69 14,17 12,34 20,84 13,53 14,76 14,30

Obs: Variação real calculada através do Deflator Implícito do PIB Nacional (SCN 2000). O PIB a custo de fatores exclui imposto e subsídios, equivalente ao Valor Adicionado Bruto (VAB).

294

Quadro 3. 92 - PIB do setor Industrial a custo de fatores dos municípios do Arco Metropolitano, Regiões Metropolitanas de RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil. PIB a preços de 2006 e variação percentual real entre 2002 e 2006.

2002 Municípios Área 1 Itaguaí (RJ) Mangaratiba (RJ) Seropédica (RMRJ) Área 2 Belford Roxo (RMRJ) Duque de Caxias (RMRJ) Japeri (RMRJ) Magé (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Nilópolis (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Queimados (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Área 3 Cachoeiras de Macacu (RJ) Guapimirim (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Maricá (RJ) Niterói (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Arco Metropolitano Periferia da RMSP Periferia da RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil Fonte: IBGE, PIB dos Municípios. (R$ 1.000) 141.805 28.799 104.645 602.367 3.976.976 43.793 163.108 106.806 116.758 809.524 50.357 246.091 324.666 84.454 54.981 228.110 78.369 829.167 1.057.851 31.946 9.080.571 121.214.173 38.406.347 44.958.598 173.512.609 42.150.194 50.074.374 285.554.715 481.571.364

2006 (R$ 1.000) 158.245 39.065 64.426 625.293 8.187.978 46.919 143.664 112.581 104.378 821.928 33.367 158.986 281.864 136.220 57.746 187.842 76.379 952.265 878.790 26.044 13.093.981 140.167.489 51.642.273 70.843.964 194.595.973 56.230.632 76.633.157 354.465.091 585.602.000 Variação (%) 11,59 35,65 -38,43 3,81 105,88 7,14 -11,92 5,41 -10,60 1,53 -33,74 -35,40 -13,18 61,30 5,03 -17,65 -2,54 14,85 -16,93 -18,48 44,20 15,64 34,46 57,58 12,15 33,41 53,04 24,13 21,60

Obs 1: Variação real calculada através do Deflator Implícito do PIB Nacional (SCN 2000). O PIB a custo de fatores exclui imposto e subsídios, equivalente ao Valor Adicionado Bruto (VAB).

295

Quadro 3. 93 - PIB do setor de Serviços a custo de fatores dos municípios do Arco Metropolitano, Regiões Metropolitanas de RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil. PIB a preços de 2006 e variação percentual real entre 2002 e 2006.

2002 Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica (RMRJ) Área 2 Belford Roxo (RMRJ) Duque de Caxias (RMRJ) Japeri (RMRJ) Magé (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Nilópolis (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Queimados (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Maricá Niterói (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil Fonte: IBGE, PIB dos Municípios. (R$ 1.000) 1.633.257 216.206 340.518 2.232.391 9.685.272 347.742 1.148.860 856.152 956.183 4.804.020 247.991 707.492 2.616.547 369.491 214.837 1.055.250 546.793 5.683.182 5.484.147 135.959 39.282.290 224.978.535 70.404.733 144.917.852 390.688.015 91.035.703 154.752.450 671.375.744 1.180.796.889

2006 (R$ 1.000) 1.558.982 260.862 354.097 2.089.372 11.695.977 354.284 1.105.096 902.431 909.851 4.889.105 245.320 645.844 2.413.748 370.624 231.099 1.097.786 606.883 5.654.351 5.495.530 133.180 41.014.424 261.620.430 84.964.556 146.056.148 442.813.370 107.551.348 156.028.704 749.053.358 1.337.903.000 Variação(%) -4,55 20,65 3,99 -6,41 20,76 1,88 -3,81 5,41 -4,85 1,77 -1,08 -8,71 -7,75 0,31 7,57 4,03 10,99 -0,51 0,21 -2,04 4,41 16,29 20,68 0,79 13,34 18,14 0,82 11,57 13,31

Obs: Variação real calculada através do Deflator Implícito do PIB Nacional (SCN 2000). O PIB a custo de fatores exclui imposto e subsídios, equivalente ao Valor Adicionado Bruto (VAB).

296

Quadro 3. 94 - PIB do setor agropecuária a custo de fatores dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, Regiões Metropolitanas de RJ, SP e BH, Sudeste e Brasil. PIB a preços de 2006 e variação percentual real entre 2002 e 2006.

2002 Municípios Área 1 Itaguaí (RJ) Mangaratiba (RJ) Seropédica (RMRJ) Área 2 Belford Roxo (RMRJ) Duque de Caxias (RMRJ) Japeri (RMRJ) Magé (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Nilópolis (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Queimados (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Área 3 Cachoeiras de Macacu (RJ) Guapimirim (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Maricá (RJ) Niterói (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Arco Metropolitano Periferia da RMSP Periferia da RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil Fonte: IBGE, PIB dos Municípios. (R$ 1.000)

2006 (R$ 1.000) Variação (%)

12.564 7.892 5.503 1.412 5.986 3.120 17.356 330 * 8.052 2.162 2.552 604 18.278 5.746 5.632 4.795 10.235 19.030 1.718 132.966 14.776.755 14.455.342 897.664 14.802.351 14.455.344 1.119.598 35.221.008 117.805.349 *

14.063 8.555 5.581 1.754 6.446 2.562 19.448 271 7.818 1.585 1.878 800 15.120 4.185 5.051 3.777 13.527 24.295 1.525 138.241 13.050.181 14.632.032 912.320 13.070.093 14.632.168 1.152.060 35.122.118 111.229.000

11,93 8,40 1,41 24,24 7,69 -17,87 12,05 -17,82 -2,91 -26,71 -26,42 32,52 -17,28 -27,17 -10,32 -21,22 32,16 27,67 -11,20 3,97 -11,68 1,22 1,63 -11,70 1,22 2,90 -0,28 -5,58

Obs 1: Variação real calculada através do Deflator Implícito do PIB Nacional (SCN 2000). O PIB a custo de fatores exclui imposto e subsídios, equivalente ao Valor Adicionado Bruto (VAB).

297

Quadro 3. 95 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007. Duque de Caxias
136.768 104.707 22.120 18.456

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (77,32% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Administração publica, defesa e seguridade social Serviços empresas Educação prestados principalmente as

Niterói
154.364 119.358 26.693 18.404

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (76,56% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Serviços empresas prestados principalmente as

15.143

Administração publica, defesa e seguridade social Transporte terrestre

14.745

11.509

12.055

Atividades imobiliárias

10.707

Construção

9.759

Saúde e serviços sociais

9.266

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

9.307

Alojamento e alimentação

8.371

Educação

5.599

Construção

7.330

Alojamento e alimentação

4.822

Fabricação de outros equipamentos de transporte

6.063

Saúde e serviços sociais

4.206

Transporte terrestre

5.872

Fabricação de produtos químicos

3.638

Fonte: RAIS/MTE

298

Quadro 3. 96 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (76,55% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Administração publica, defesa e seguridade social Transporte terrestre

São Gonçalo
91.113 69.750 19.189 15.449

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (76,30% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Administração publica, defesa e seguridade social Construção Serviços empresas Educação prestados principalmente as

Nova Iguaçu
84.169 64.225 19.309 8.951

8.027

6.210

Educação

6.339

5.608

Serviços prestados principalmente as empresas

4.654

5.053

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

4.329

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

4.636

Saúde e serviços sociais

3.156

Transporte terrestre

4.341

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

3.095

Alojamento e alimentação

4.001

Alojamento e alimentação

2.830

Saúde e serviços sociais Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis

3.421

Construção

2.682

2.695

Fonte: RAIS/MTE

299

Quadro 3. 97 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007. São João de Meriti
45.331 37.450 12.336 6.323

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (82,61% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Transporte terrestre Administração publica, defesa e seguridade social Serviços empresas prestados principalmente as

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (87,56% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Transporte terrestre

Belford Roxo
24.747 21.669 8.588 5.096

5.303

2.495

3.395

Educação

1.463 914

Alojamento e alimentação

2.346

Construção

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

2.287

Serviços empresas

prestados

principalmente

as

788

Educação

1.934

Fabricação de produtos químicos

785

Confecção acessórios

de

artigos

do

vestuário

e

1.463

Saúde e serviços sociais

678

Saúde e serviços sociais

1.169

Alojamento e alimentação Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis

436

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

894

426

Fonte: RAIS/MTE

300

Quadro 3. 98 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (78,42% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Serviços empresas prestados principalmente as

Itaboraí
19.689

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (85,48% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Administração publica, defesa e seguridade social Educação

Nilópolis
17.230

15.441

14.729

3.569

4.427

3.549

3.466

2.080

2.167

1.351

Transporte terrestre

1.110

Transporte terrestre Educação Alojamento e alimentação Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos

1.189 863 841

Saúde e serviços sociais Serviços empresas prestados principalmente as

807 786 578

Alojamento e alimentação

831

Construção

507

617

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

498

551

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

383

Fonte: RAIS/MTE

301

Quadro 3. 99 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (80,33% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Administração publica, defesa e seguridade social Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

Magé
14.360 11.536 4.874 2.291

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (80,04% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Fabricação e montagem de automotores, reboques e carrocerias Educação veículos

Queimados
10.148 8.122 2.384 2.066

1.049

669

Construção

734

668

Educação

616

Fabricação de produtos têxteis

575

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

562

Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos Fabricação de produtos de minerais não metálicos

398

Saúde e serviços sociais

421

397

Serviços empresas

prestados

principalmente

as

357

Transporte terrestre

372

Atividades anexas e auxiliares do transporte e agencias de viagem

337

Confecção acessórios

de

artigos

do

vestuário

e

328

Fabricação de produtos químicos

295

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

265

Fonte: RAIS/MTE

302

Quadro 3. 100 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (88,31% do total de empregos) Educação* Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Transporte terrestre

Seropédica
7.850 6.932 1.979 1.844

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (87,75% do total de empregos) Transporte terrestre Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Serviços empresas prestados principalmente as

Mesquita
11.157 9.790 3.044 1.919

886

1.400

689

1.391

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

394

Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio

497

Construção

332

Educação

464

Fabricação de produtos de minerais não metálicos

254

Correio e telecomunicações

356

Extração de minerais não-metálicos

213

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

326

Atividades anexas e auxiliares do transporte e agencias de viagem Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis

193

Fabricação de máquinas e equipamentos Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis

197

148

196

Fonte: RAIS/TEM * De acordo com os dados da RAIS, do total do emprego na educação, 1.804 empregos estão vinculados ao setor publico federal.

303

Quadro 3. 101 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao número de empregos formais gerados na área de influência do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (89,65% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Saúde e serviços sociais

Paracambi
3.807 3.413 1.138 965

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (94,32% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio Fabricação de produtos de minerais não metálicos Educação

Japeri
4.211 3.972 2.526 670

514

217

Transporte terrestre

201

182

Educação

172

106

Confecção acessórios

de

artigos

do

vestuário

e

109

Saúde e serviços sociais

102

Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis Alojamento e alimentação

92

Confecção acessórios

de

artigos

do

vestuário

e

64

84

Atividades associativas

37

Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos

82

Extração de minerais não-metálicos

36

Intermediação financeira

56

Serviços empresas

prestados

principalmente

as

32

Fonte: RAIS/MTE

304

Quadro 3. 102 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao numero de empregos formais gerados na área de influencia do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (87,25% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Fabricação de celulose, papel e produtos de papel Comércio por atacado e representantes comerciais e agentes do comércio Alojamento e alimentação

Guapimirim
5.137 4.482 2.069 920

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (90,46% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Construção Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Fabricação de produtos de minerais não metálicos Saúde e serviços sociais

Tanguá
2.831 2.561 632 628

392

437

251

285

173

114

Agricultura, pecuária e serviços relacionados Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis Transporte terrestre

172

Alojamento e alimentação Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis Agricultura, pecuária e serviços relacionados

110

161

98

120

91

Atividades imobiliárias

113

Confecção acessórios

de

artigos

do

vestuário

e

83

Serviços empresas

prestados

principalmente

as

111

Extração de minerais não-metálicos

83

Fonte: RAIS/MTE

305

Quadro 3. 103 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao numero de empregos formais gerados na área de influencia do Arco Metropolitano em 2007. Cachoeiras de Macacu
6.674 5.845 1.915 1.262

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (87,58% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (87,93% do total de empregos) Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Administração publica, defesa e seguridade social Transporte terrestre

Maricá
9.635 8.472 2.709 2.705

755

642

Agricultura, pecuária e serviços relacionados Serviços empresas prestados principalmente as

699

Educação

586

420

Atividades imobiliárias

479

Alojamento e alimentação

176

Fabricação de produtos alimentícios e bebidas

474

Confecção acessórios

de

artigos

do

vestuário

e

173

Fabricação de produtos de minerais não metálicos

231

Transporte terrestre

160

Alojamento e alimentação Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis Construção

218

Educação

154

215

Eletricidade, gás e água quente

131

213

Fonte: RAIS/MTE

306

Quadro 3. 104 - Ranking dos 10 setores mais importantes no que diz respeito ao numero de empregos formais gerados na área de influencia do Arco Metropolitano em 2007.

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (89,02% do total de empregos) Administração publica, defesa e seguridade social Serviços empresas prestados principalmente as

Itaguaí
20.683 18.412 6.564 3.489

Setores
TOTAL de empregos Total dos 10 setores mais importantes (98,26% do total de empregos) Serviços empresas prestados principalmente as

Mangaratiba
19.887 19.541 15.405 1.672

Administração publica, defesa e seguridade social Alojamento e alimentação Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Atividades imobiliárias

Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos Construção Atividades anexas e auxiliares do transporte e agencias de viagem

2.664

924

1.185

467

1.100

381

Alojamento e alimentação Comércio e Representação de veículos automotores e motocicletas, Comércio a varejo de combustíveis Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e equipamentos

874

Atividades relacionados

de

informática

e

serviços

205

728

Atividades anexas e auxiliares do transporte e agencias de viagem

177

672

Atividades recreativas, culturais e desportivas

175

Transporte terrestre

603

Agricultura, pecuária e serviços relacionados

81

Extração de minerais não-metálicos

533

Pesca, aqüicultura e serviços relacionados

54

Fonte: RAIS/MTE

307

Quadro 3. 105 - Ranking do nível de emprego em relação à PEA (2000) nos Municípios do Arco Metropolitano e periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH para os municípios com 50 mil ou mais habitantes.

Municípios # 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 Cajamar (RMSP) Barueri (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Santana de Parnaíba (RMSP) Poá (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Embu (RMSP) Nova Lima (RMBH) Niterói Cotia (RMSP) Betim (RMBH) Diadema (RMSP) Contagem (RMBH) Mangaratiba Guarulhos (RMSP) Santo André (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Paracambi Itaguaí Caieiras (RMSP) Osasco (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Arujá (RMSP) Suzano (RMSP) Mairiporã (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Embu-Guaçu (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Vespasiano (RMBH) Mauá (RMSP) Jandira (RMSP)

% Emprego sobre a PEA(2000) 164,74 132,83 125,47 86,52 81,38 52,85 51,87 50,37 50,20 46,86 40,75 40,53 40,18 39,09 38,01 35,84 35,44 35,29 30,89 30,70 29,89 29,79 29,44 29,28 27,64 26,97 26,56 25,9 24,16 23,38 21,52 21,2 19,19 19,17

308

Municípios # 35 Itaquaquecetuba (RMSP) 36 Itapevi (RMSP) 37 Nilópolis 38 Maricá 39 Seropédica 40 Ferraz de Vasconcelos (RMSP) 41 São Gonçalo 42 Guapimirim 43 Nova Iguaçu 44 Itaboraí 45 Tanguá 46 Esmeraldas (RMBH) 47 Sabará (RMBH) 48 São João de Meriti 49 Queimados 50 Magé 51 Santa Luzia (RMBH) 52 Franco da Rocha (RMSP) 53 Ibirité (RMBH) 54 Carapicuíba (RMSP) 55 Belford Roxo 56 Ribeirão das Neves (RMBH) 57 Francisco Morato (RMSP) 58 Japeri 59 Mesquita Fonte: RAIS/MTE 2000 Censo IBGE 2000

% Emprego sobre a PEA(2000) 19 18,89 18,86 18,06 17,89 16,88 16,79 16,46 16,03 15,92 15,39 15,33 15,04 14,24 14,05 14,01 13,94 13,71 11,21 11,08 8,42 7,48 6,2 4,87 *

* Não há dados para o município de Mesquita por ele ter sido criado em 25 de setembro de 1999 de acordo com a lei estadual 3253. O município de Mesquita anteriormente era um distrito de Nova Iguaçu.

309

Quadro 3. 106 - Relação entre o número de empregos e o número de habitantes nos municípios do Arco Metropolitano e periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH para os municípios com 50 mil ou mais habitantes no ano de 2007. % Emprego sobre a População Total 79,03 72,04 67,98 67,45 59,08 37,22 35,17 33,44 32,57 31,71 26,98 25,98 24,98 24,28 23,30 23,27 22,33 21,98 21,69 21,04 20,17 19,08 18,33 16,86 16,23 15,61 15,12 13,81 13,32 12,58 12,28 12,25 11,89 11,49

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34

Municípios Barueri (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Mangaratiba Cajamar (RMSP) Santana de Parnaíba (RMSP) Poá (RMSP) Nova Lima (RMBH) Cotia (RMSP) Niterói São Bernardo do Campo (RMSP) Contagem (RMBH) Diadema (RMSP) Santo André (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Betim (RMBH) Taboão da Serra (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Guarulhos (RMSP) Itaguaí Mogi das Cruzes (RMSP) Arujá (RMSP) Osasco (RMSP) Caieiras (RMSP) Mairiporã (RMSP) Duque de Caxias Suzano (RMSP) Embu (RMSP) Jandira (RMSP) Mauá (RMSP) Cachoeiras de Macacu Vespasiano (RMBH) Itapecerica da Serra (RMSP) Embu-Guaçu (RMSP) Guapimirim

310

#

Municípios

35 Nilópolis 36 Santa Luzia (RMBH) 37 Seropédica 38 Sabará (RMBH) 39 Nova Iguaçu 40 Tanguá 41 Itaquaquecetuba (RMSP) 42 São João de Meriti 43 Itapevi (RMSP) 44 São Gonçalo 45 Maricá 46 Ferraz de Vasconcelos (RMSP) 47 Itaboraí 48 Franco da Rocha (RMSP) 49 Paracambi 50 Carapicuíba (RMSP) 51 Esmeraldas (RMBH) 52 Queimados 53 Ibirité (RMBH) 54 Magé 55 Mesquita 56 Belford Roxo 57 Ribeirão das Neves (RMBH) 58 Francisco Morato (RMSP) 59 Japeri Fonte: IBGE e MTE/RAIS

% Emprego sobre a População Total 11,22 10,87 10,83 10,77 10,13 10,00 9,86 9,76 9,51 9,48 9,15 9,13 9,12 9,12 8,97 8,84 8,60 7,79 7,55 6,19 6,11 5,15 4,93 4,64 4,52

311

Quadro 3. 107 - Ranking do nível de emprego industrial no ano de 2000 em relação à PEA(2000) nos Municípios do Arco Metropolitano e Periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH para os municípios com 50 mil ou mais habitantes. Emprego no setor Industrial sobre a PEA(2000) 29,30 26,17 24,96 24,38 20,55 19,95 18,72 15,41 15,03 14,46 14,07 12,98 12,86 12,71 10,91 10,87 10,80 10,61 10,34 10,17 10,12 8,96 8,87 8,45 8,30 8,02 7,91 7,18 7,16 6,91 6,58 5,42 5,07 4,82 4,63

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35

Municípios Cajamar (RMSP) Barueri (RMSP) Diadema (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Santana de Parnaíba (RMSP) Betim (RMBH) Guarulhos (RMSP) Paracambi Caieiras (RMSP) Suzano (RMSP) Cotia (RMSP) Arujá (RMSP) Contagem (RMBH) Ribeirão Pires (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Nova Lima (RMBH) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Jandira (RMSP) Poá (RMSP) Embu-Guaçu (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Vespasiano (RMBH) Santo André (RMSP) Mauá (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Embu (RMSP) Mairiporã (RMSP) Osasco (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Sabará (RMBH) Duque de Caxias Santa Luzia (RMBH) Itapevi (RMSP)

312

#

Municípios

36 Franco da Rocha (RMSP) 37 Guapimirim 38 Cachoeiras de Macacu 39 Queimados 40 Itaguaí 41 Mangaratiba 42 Itaboraí 43 São Gonçalo 44 Niterói 45 Tanguá 46 Nova Iguaçu 47 Ibirité (RMBH) 48 Magé 49 Carapicuíba (RMSP) 50 Seropédica 51 São João de Meriti 52 Ribeirão das Neves (RMBH) 53 Esmeraldas (RMBH) 54 Maricá 55 Nilópolis 56 Belford Roxo 57 Japeri 58 Francisco Morato (RMSP) 59 Mesquita Fonte: MTE/RAIS 2000, Censo IBGE 2000

Emprego no setor Industrial sobre a PEA(2000) 4,45 4,31 4,14 4,11 3,83 3,32 3,30 3,24 2,74 2,68 2,68 2,57 2,53 2,52 2,17 1,81 1,78 1,61 1,16 1,04 1,03 0,39 0,35 *

* Não há dados para o município de Mesquita por ele ter sido criado em 25 de setembro de 1999 de acordo com a lei estadual 3253. O município de Mesquita anteriormente era um distrito de Nova Iguaçu.

313

Quadro 3. 108 - Ranking do nível de emprego industrial por habitantes nos Municípios do Arco Metropolitano e Periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH para os municípios com 50 mil ou mais habitantes no ano de 2007. Participação do Emprego Industrial no Total da População 19,42 16,95 14,84 12,46 12,35 11,44 10,73 10,42 10,05 8,69 8,06 7,74 7,48 7,12 6,65 6,31 6,16 6,05 5,94 5,54 5,49 4,97 4,97 4,94 4,77 4,45 4,38 4,31 3,92 3,49 3,44 3,28 3,28 3,28

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34

Municípios Cajamar (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Diadema (RMSP) Barueri (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Betim (RMBH) Cotia (RMSP) Arujá (RMSP) Santana de Parnaíba (RMSP) Guarulhos (RMSP) Contagem (RMBH) Ribeirão Pires (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Caieiras (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Poá (RMSP) Mauá (RMSP) Suzano (RMSP) Jandira (RMSP) Santo André (RMSP) Embu-Guaçu (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Vespasiano (RMBH) Osasco (RMSP) Mairiporã (RMSP) Nova Lima (RMBH) Embu (RMSP) Niterói Sabará (RMBH) Santa Luzia (RMBH) Itapevi (RMSP) Rio Bonito

314

# 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61

Municípios Franco da Rocha (RMSP) Duque de Caxias Teresópolis Itapecerica da Serra (RMSP) Itaguaí Cachoeiras de Macacu Ibirité (RMBH) Tanguá Itaboraí Queimados Seropédica São Gonçalo Guapimirim Nova Iguaçu Carapicuíba (RMSP) Magé São João de Meriti Ribeirão das Neves (RMBH) Maricá Paracambi Nilópolis Mesquita Esmeraldas (RMBH) Belford Roxo Japeri Francisco Morato (RMSP) Mangaratiba
Fonte: População – IBGE 2008 Empregos – MTE/RAIS 2008

Participação do Emprego Industrial no Total da População 3,09 3,07 2,46 2,37 2,09 2,07 1,97 1,96 1,77 1,68 1,63 1,50 1,49 1,49 1,47 1,08 1,03 0,96 0,94 0,82 0,77 0,75 0,69 0,60 0,44 0,22 0,15

315

Quadro 3. 109 - Participação percentual da Administração Pública (APU) no PIB municipal (2007) para os municípios da área de influência do Arco Metropolitano e periferias de SP e BH. Municípios Metropolitanos Japeri (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Belford Roxo (RMRJ) Magé (RMRJ) Seropédica (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Guapimirim (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Queimados (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Nilópolis (RMRJ) Maricá (RJ) São Gonçalo (RMRJ) Francisco Morato (RMSP) Nova Iguaçu (RMRJ) Mangaratiba (RJ) Ribeirão das Neves (RMBH) Esmeraldas (RMBH) Cachoeiras de Macacu (RJ) Teresópolis (RJ) Ibirité (RMBH) Sabará (RMBH) Embu-Guaçu (RMSP) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Santa Luzia (RMBH) Carapicuíba (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Niterói (RMRJ) Vespasiano (RMBH) Mairiporã (RMSP) Itapevi (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Rio Bonito (RJ) Embu (RMSP) Jandira (RMSP) Part. % APU/PIB 55,76 45,21 42,69 42,36 41,84 41,67 41,62 40,35 40,24 39,82 38,74 36,47 35,60 33,96 33,79 33,36 33,36 32,31 32,03 28,06 26,80 26,50 23,45 23,07 22,75 22,35 22,01 20,96 19,44 19,52 16,86 16,85 15,85 15,72 15,56 14,53

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 30 29 31 32 33 34 35 36

316

37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61

Municípios Metropolitanos Itaguaí (RJ) Franco da Rocha (RMSP) Poá (RMSP) Mauá (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Arujá (RMSP) Caieiras (RMSP) Duque de Caxias (RMRJ) Santana de Parnaíba (RMSP) Santo André (RMSP) Guarulhos (RMSP) Suzano (RMSP) Nova Lima (RMBH) Contagem (RMBH) Cotia (RMSP) Diadema (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Osasco (RMSP) Cajamar (RMSP) Betim (RMBH) Barueri (RMSP)

Part. % APU/PIB 14,00 12,57 12,44 12,22 11,97 11,27 11,10 10,95 10,82 10,59 9,85 9,32 9,12 8,74 8,66 8,59 8,54 8,39 8,31 7,17 6,30 5,46 4,61 4,50 2,69

Fonte: IBGE – PIB Municípios

317

Quadro 3. 110 - Participação Percentual de cada setor do IBGE no total de empregos nos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano, total do Arco Metropolitano, Periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil no ano de 2008.

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil
Fonte: RAIS/MTE

Agropecuaria Indústria 0,74 0,42 0,75 0,02 0,04 0,08 0,63 0,00 0,00 0,11 0,95 0,07 0,01 8,45 2,53 1,12 1,37 0,07 1,88 0,08 3,08 3,28 0,44 0,40 1,36 0,10 0,20 0,60 0,64 8,90 0,26 14,94 10,43 17,96 12,00 17,68 11,03 7,32 15,17 10,24 23,50 10,23 15,41 15,65 18,11 11,82 9,71 6,92 15,43 21,46 13,77 13,16 30,50 32,59 9,72 18,24 13,40 11,80

SERV IND UP 0,11 0,00 0,42 0,08 0,35 0,00 1,72 0,04 0,01 2,43 0,17 0,17 0,23 3,20 0,76 0,76 0,00 2,18 0,10 0,27 0,04 0,05 0,96 0,89 0,19 1,42 0,79 1,43 1,34

ConstruADM ção Civil Comércio Serviços PUBL 3,07 0,60 5,72 3,73 7,41 2,15 2,86 0,92 1,56 6,70 0,61 6,09 1,55 5,92 1,06 15,79 2,32 5,28 5,29 3,56 14,72 4,17 5,18 4,00 6,09 4,63 4,72 8,25 4,92 15,71 3,22 15,68 22,24 25,86 26,47 40,15 19,29 29,58 32,19 30,77 23,50 34,23 19,61 30,80 24,65 34,08 19,96 14,87 28,09 21,86 25,77 24,84 18,40 19,68 18,91 17,70 14,94 19,25 45,67 72,18 42,71 24,65 38,11 12,60 21,83 54,02 39,91 33,63 29,19 22,63 43,84 18,34 17,77 22,67 26,67 53,84 62,15 35,11 12,90 39,06 41,12 38,43 28,82 46,24 42,30 37,17 43,41 25,80 23,31 19,77 38,84 10,28 46,70 15,12 14,69 21,62 9,76 28,07 24,03 9,91 29,07 31,43 16,90 23,75 8,95 8,80 17,46 25,95 13,89 14,30 7,37 11,27 18,99 16,05 24,21 18,64

TOTAL 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

318

Quadro 3. 111 - Salário Médio dos trabalhadores formais no setor privado por municípios do Arco Metropolitano, Periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil – Salário Médio de dezembro de 2008. Salário Médio do setor privado em dezembro de 2008 R$ 1.503,36 R$ 481,45 R$ 2.069,79 R$ 1.025,33 R$ 1.324,31 R$ 901,12 R$ 794,95 R$ 840,80 R$ 938,84 R$ 869,87 R$ 752,21 R$ 1.039,63 R$ 830,56 R$ 945,22 R$ 784,00 R$ 847,45 R$ 715,48 R$ 1.320,27 R$ 792,15 R$ 854,84 R$ 747,67 R$ 859,05 R$ 1.079,87 R$ 1.607,34 R$ 1.252,86 R$ 1.534,51 R$ 1.779,64 R$ 1.257,32 R$ 1.485,50 R$ 1.441,81 R$ 1.285,60

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói Rio Bonito Sao Gonçalo Tanguá Teresópolis Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do Rio de Janeiro Região Sudeste Brasil
Fonte: RAIS/MTE 2007

319

Quadro 3. 112 - Variação da população residente entre 1940 e 2000 nas cidades de SP, BH, RJ, nas Regiões Metropolitanas de SP, BH, RJ, Estado do RJ, Sudeste e Brasil.

Municípios Cidade do Rio de Janeiro Arco Metropolitano RMRJ Cidade de São Paulo Periferia RMSP RMSP Cidade de Belo Horizonte Periferia RMBH RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil

1940

2000

Variação 232,05 956,13 387,14 686,74 2.978,97 1.040,19 959,02 1.058,05 1.004,87 298,43 296,15 312,44

1.764.141 5.857.904 481.455 5.084.795 2.198.634 10.710.515 1.326.261 10.434.252 241.784 7.444.451 1.568.045 17.878.703 211.377 2.238.526 182.281 2.110.899 393.658 4.349.425 3.611.998 14.391.282 18.278.837 72.412.411 41.169.321 169.799.170

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Censos Demográficos (dados do RJ e Arco Metropolitano); IPEAData (dados de SP, BH, Sudeste e Brasil)

320

Quadro 3. 113 - Nível de escolaridade dos empregados formais no setor privado segundo os anos de estudo nos municípios do Arco Metropolitano, periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas de SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil no ano de 2008 – em percentual do total de empregados.

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói Rio Bonito Sao Gonçalo Tanguá Teresópolis Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do Rio de Janeiro Região Sudeste Brasil

FUND. FUND. MEDIO MEDIO SUPERIOR INCOMPL. COMPL. INCOMPL. COMPL. INCOMPL.

SUPERIO R COMPL. 12,95 4,73 22,47 7,75 8,08 8,57 5,58 4,87 14,16 8,13 7,54 9,27 6,17 4,95 4,67 4,88 5,40 15,76 5,85 7,69 3,43 9,22 9,72 11,06 6,86 15,14 15,42 10,66 13,75 12,10 10,84

TOTAL

25,63 37,18 19,18 17,14 20,94 25,86 21,75 19,75 12,24 17,88 22,01 22,59 17,97 29,74 29,32 33,76 19,73 18,14 28,44 18,05 31,23 30,06 20,70 16,03 20,97 17,75 15,39 20,35 19,12 19,47 20,42

15,83 15,28 17,90 22,01 22,28 20,29 21,00 30,34 20,37 20,10 15,01 20,00 24,54 20,46 18,66 19,74 26,34 15,61 19,89 21,95 31,57 20,37 20,06 14,15 19,64 17,99 13,39 16,73 18,21 15,82 15,34

9,28 9,07 6,72 10,95 8,92 6,92 8,85 9,11 9,10 8,79 11,80 8,68 8,47 8,33 12,33 10,27 10,41 7,67 8,43 9,71 9,94 9,27 8,79 8,70 9,94 7,81 8,11 8,70 8,15 8,90 9,47

33,19 28,87 32,08 40,22 35,85 36,19 40,42 34,25 41,38 42,37 40,85 37,24 40,09 33,02 31,97 29,73 36,19 39,40 34,28 40,34 22,61 27,74 37,66 45,33 39,37 36,63 42,04 39,76 36,48 39,45 39,68

3,10 4,86 1,66 1,94 3,94 2,17 2,40 1,68 2,75 2,72 2,79 2,22 2,76 3,49 3,06 1,61 1,93 3,43 3,12 2,26 1,22 3,34 3,07 4,73 3,21 4,67 5,66 3,80 4,29 4,27 4,26

100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

Fonte: RAIS/MTE Obs: Na coluna com o percentual dos que possuem até o fundamental incompleto estão incluídos os analfabetos.

321

Quadro 3. 114 - Nível de escolaridade em percentagem dos empregados no setor industrial segundo os anos de estudo. Municípios do Arco Metropolitano, Periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil no ano de 2008.

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói Rio Bonito Sao Gonçalo Tanguá Teresópolis Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do Rio de Janeiro Região Sudeste Brasil

FUND. FUND. MEDIO MEDIO SUPERIOR SUPERIOR INCOMPL. COMPL. INCOMPL. COMPL. INCOMPL. COMPL. 35,21 36,17 32,52 8,73 19,03 38,76 32,08 16,62 14,08 22,01 35,05 30,73 27,04 17,85 29,83 48,09 27,22 21,41 50,64 18,99 32,60 33,70 23,45 14,87 17,47 17,63 15,49 17,25 19,47 19,37 23,38 23,24 36,17 19,97 22,94 25,37 27,29 25,46 34,38 23,16 21,95 10,87 19,12 30,31 23,40 19,89 16,58 28,02 18,63 15,32 26,45 38,01 20,19 23,32 14,20 19,98 20,68 15,27 20,29 19,67 17,05 16,88 5,91 6,38 11,44 9,17 9,71 9,17 8,92 11,93 12,85 11,46 16,85 8,55 10,94 7,00 10,64 13,72 12,01 9,90 10,06 10,27 11,32 11,72 10,31 8,87 10,27 9,16 9,13 10,20 9,21 9,72 10,70 26,11 19,15 32,52 48,68 34,88 22,48 30,08 33,52 46,89 38,22 32,34 34,79 29,05 38,17 35,22 18,99 30,25 39,34 20,23 37,66 16,39 28,99 35,04 47,18 42,33 34,30 43,11 41,21 36,07 41,27 38,66 1,57 0,00 1,89 1,96 3,50 0,46 1,04 1,78 1,06 2,24 2,45 2,20 1,34 7,34 1,38 1,05 1,07 3,05 1,29 2,19 1,01 2,31 2,53 4,50 3,52 4,01 4,78 3,39 3,67 3,60 3,48 7,95 2,13 1,66 8,53 7,51 1,83 2,42 1,78 1,96 4,12 2,45 4,62 1,32 6,23 3,04 1,56 1,42 7,67 2,46 4,44 0,68 3,08 5,35 10,37 6,43 14,21 12,23 7,66 11,92 8,98 6,90

TOTAL

100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

Fonte: RAIS/MTE Obs: Na coluna com o percentual dos que possuem até o fundamental incompleto estão incluídos os analfabetos.

322

Quadro 3. 115 - Ranking dos municípios do Arco Metropolitano e dos municípios das periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes, segundo as médias do IDEB 2007, na rede pública do ensino fundamental da serie inicial a quarta série.

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 38 39 40

Municípios BARUERI (RMSP) SÃO BERNARDO DO CAMPO (RMSP) RIBEIRAO PIRES (RMSP) ARUJA (RMSP) CAIEIRAS (RMSP) SANTO ANDRE (RMSP) TABOAO DA SERRA (RMSP) CAJAMAR (RMSP) DIADEMA (RMSP) MAUA (RMSP) POA (RMSP) PEDRO LEOPOLDO (RMBH) MOGI DAS CRUZES (RMSP) NOVA LIMA (RMBH) COTIA (RMSP) EMBU-GUACU (RMSP) ITAPEVI (RMSP) JANDIRA (RMSP) OSASCO (RMSP) SUZANO (RMSP) CONTAGEM (RMBH) RIBEIRAO DAS NEVES (RMBH) PARACAMBI (RMRJ) CARAPICUÍBA (RMSP) EMBU (RMSP) FERRAZ DE VASCONCELOS (RMSP) ITAPECERICA DA SERRA (RMSP) BETIM (RMBH) FRANCISCO MORATO (RMSP) FRANCO DA ROCHA (RMSP) GUARULHOS (RMSP) SANTANA DE PARNAIBA (RMSP) SANTA LUZIA (RMBH) MARICA (RJ) ESMERALDAS (RMBH) SABARA (RMBH) IBIRITE (RMBH) TERESOPOLIS (RJ) RIO BONITO (RJ) NITEROI (RMRJ) VESPASIANO (RMBH) MANGARATIBA (RMRJ)

2007 5,2 5,1 5,0 4,9 4,9 4,9 4,9 4,8 4,8 4,8 4,8 4,8 4,7 4,7 4,6 4,6 4,6 4,6 4,6 4,6 4,6 4,6 4,5 4,5 4,5 4,5 4,5 4,5 4,4 4,4 4,4 4,4 4,4 4,3 4,3 4,3 4,2 4,2 4,2 4,1 4,1 4,0

323

# 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59

Municípios ITAQUAQUECETUBA (RMSP) MAIRIPORA (RMSP) CACHOEIRAS DE MACACU (RJ) NILOPOLIS (RMRJ) ITAGUAI (RJ) NOVA IGUACU (RMRJ) SÃO GONCALO (RMRJ) ITABORAI (RMRJ) MESQUITA (RMRJ) QUEIMADOS (RMRJ) TANGUA (RMRJ) DUQUE DE CAXIAS (RMRJ) JAPERI (RMRJ) MAGE (RMRJ) SEROPEDICA (RMRJ) BELFORD ROXO (RMRJ) GUAPIMIRIM (RMRJ) SÃO JOAO DE MERITI (RMRJ) SÃO CAETANO DO SUL (RMSP)

2007 4,0 4,0 3,9 3,9 3,8 3,8 3,8 3,7 3,7 3,7 3,7 3,6 3,6 3,6 3,6 3,5 3,5 3,5 -

Fonte: INEP/MEC

324

Tabela 3.116 - Ranking dos municípios do Arco Metropolitano e dos municípios das periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes, segundo as médias do IDEB 2007, na rede pública do ensino fundamental de quinta a oitava série.

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34

Municípios SAO CAETANO DO SUL (RMSP) BARUERI (RMSP) RIBEIRAO PIRES (RMSP) CAIEIRAS (RMSP) SANTO ANDRE (RMSP) SAO BERNARDO DO CAMPO (RMSP) MAUA (RMSP) TABOAO DA SERRA (RMSP) BETIM (RMBH) CONTAGEM (RMBH) ARUJA (RMSP) EMBU-GUACU (RMSP) MAIRIPORA (RMSP) SANTANA DE PARNAIBA (RMSP) SUZANO (RMSP) ITAPECERICA DA SERRA (RMSP) MOGI DAS CRUZES (RMSP) PEDRO LEOPOLDO (RMBH) CARAPICUÍBA (RMSP) DIADEMA (RMSP) OSASCO (RMSP) POA (RMSP) SABARA (RMBH) CAJAMAR (RMSP) COTIA (RMSP) FERRAZ DE VASCONCELOS (RMSP) FRANCISCO MORATO (RMSP) FRANCO DA ROCHA (RMSP) GUARULHOS (RMSP) ITAPEVI (RMSP) JANDIRA (RMSP) ESMERALDAS (RMBH) VESPASIANO (RMBH) EMBU (RMSP)

2007 4,5 4,4 4,3 4,2 4,2 4,2 4,1 4,1 4,1 4,1 4,0 4,0 4,0 4,0 4,0 3,9 3,9 3,9 3,8 3,8 3,8 3,8 3,8 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,7 3,6

325

# 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59

Municípios IBIRITE (RMBH) MARICA (RJ) ITAQUAQUECETUBA (RMSP) CACHOEIRAS DE MACACU (RJ) PARACAMBI (RMRJ) NOVA LIMA (RMBH) RIBEIRAO DAS NEVES (RMBH) NITEROI (RMRJ) SEROPEDICA (RMRJ) ITABORAI (RMRJ) TANGUA (RMRJ) SANTA LUZIA (RMBH) MANGARATIBA (RJ) GUAPIMIRIM (RMRJ) NILOPOLIS (RMRJ) NOVA IGUACU (RMRJ) SAO GONCALO (RMRJ) MAGE (RMRJ) MESQUITA (RMRJ) BELFORD ROXO (RMRJ) ITAGUAI (RJ) QUEIMADOS (RMRJ) DUQUE DE CAXIAS (RMRJ) JAPERI (RMRJ) SAO JOAO DE MERITI (RMRJ)

2007 3,6 3,5 3,5 3,4 3,4 3,4 3,4 3,3 3,3 3,2 3,2 3,2 3,1 3,0 3,0 3,0 3,0 2,9 2,9 2,8 2,8 2,8 2,7 2,7 2,6

Fonte: INEP/MEC

326

Quadro 3. 117 - Participação percentual do nível de estudo da população nos municípios do Arco Metropolitano, Periferias do RJ, SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil no ano de 2000 Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita* Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói Rio Bonito São Gonçalo Tanguá Teresópolis Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do RJ Sudeste Brasil SEM FUND INSTRUÇÃO INCOMP 8,28 7,99 8,18 8,01 7,38 10,63 8,70 3,63 7,09 11,36 8,97 5,19 12,85 10,10 10,22 7,84 3,48 11,43 5,60 13,75 9,28 6,90 6,13 6,53 5,35 5,27 5,45 6,22 7,20 11,05 57,27 51,70 58,85 58,51 54,94 63,59 58,25 45,24 53,14 54,20 58,63 53,26 57,16 59,84 61,88 51,94 32,34 59,21 50,14 64,93 57,55 52,38 50,89 59,03 45,05 46,53 51,41 47,70 50,91 53,65 FUND COMP 10,35 11,83 10,23 13,29 13,41 10,15 11,78 14,08 12,95 10,65 12,07 14,78 9,92 11,24 9,80 9,36 9,63 7,44 12,62 7,25 8,16 12,26 11,58 10,82 12,32 11,61 10,66 11,65 10,57 9,01 MEDIO INCOMP 6,78 5,69 7,37 6,86 7,00 5,84 6,20 9,74 7,55 6,34 6,61 7,91 5,45 5,08 6,00 7,24 7,05 5,16 8,18 3,76 5,39 7,25 8,38 7,20 7,49 8,07 7,51 7,20 7,20 6,49 MEDIO COMP 12,94 16,43 10,99 11,07 13,39 8,40 12,33 20,09 14,81 13,88 11,57 15,32 11,20 9,91 9,22 15,65 21,08 12,33 18,11 8,61 10,96 14,91 15,66 13,05 17,58 16,77 16,13 16,47 14,96 12,85 12 ANOS OU MAIS 4,36 6,37 4,38 2,26 3,88 1,41 2,75 7,20 4,46 3,59 2,15 3,54 3,43 3,82 2,89 7,98 26,42 4,43 5,37 1,70 8,66 6,31 7,36 3,37 12,20 11,77 8,84 10,76 9,15 6,95 TOTAL

100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

Fonte: IBGE – Censo 2000 * Não há dados para o município de Mesquita por ele ter sido criado em 25 de setembro de 1999 de acordo com a lei estadual 3253. O município de Mesquita anteriormente era um distrito de Nova Iguaçu. Obs 1: Os dados do censo não permitem criar uma coluna com nível de escolaridade de superior completo, por isso colocou-se somente a coluna de mais de 12 anos de estudo ao contrario das demais tabelas de escolaridade deste trabalho. Obs 2: Nas tabelas de nível de escolaridade dos empregados formais pela RAIS o percentual de trabalhadores sem instrução para o total de atividades econômicas e para os empregados do setor privado é extremamente baixo. Por isso, nessas tabelas não foram destacados os sem instrução. No caso dos dados do censo, que mede o universo, o percentual de sem instrução tem expressão, por isso foi incluído.

327

Quadro 3. 118 - Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) Geral, Emprego e Renda, Educação e Saúde 2005 e 2006 dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Índice e posição no ranking nacional nos anos de 2005 e 2006 e variação percentual do índice entre 2005 e 2006.

IFDM UF 2005 Posição 2006 Posição Variação % Rio de Janeiro 0,7793 4 0,8035 3 3,1 São Paulo 0,8499 1 0,8637 1 1,6 IFDM Emprego e Renda UF 2005 Posição 2006 Posição Variação % Rio de Janeiro 0,8058 4 0,8872 2 10,1 São Paulo 0,8379 1 0,8890 1 6,1 IFDM Educação UF 2005 Posição 2006 Posição Variação % Rio de Janeiro 0,7257 6 0,7132 7 -1,7 São Paulo 0,8580 1 0,8384 1 -2,3 IFDM Saúde UF 2005 Posição 2006 Posição Variação % Rio de Janeiro 0,8063 8 0,8101 9 0,5 São Paulo 0,8540 2 0,8637 2 1,1
Fonte: IFDM/FIRJAN.

328

Quadro 3. 119 - Ranking do IFDM/Saúde 2006 para os municípios da área de influência do Arco Metropolitano dentro do Estado do RJ. Ranking Saúde do ERJ 10º 27º 29º 35º 58º 61º 63º 65º 67º 71º 73º 74º 77º 80º 81º 84º 85º 86º 90º 91º 92º -

Municípios

IFDM/Saúde 2006

Niterói (RMRJ) 0,8912 Paracambi (RMRJ) 0,8614 São Gonçalo (RMRJ) 0,8512 Rio de Janeiro (RMRJ) 0,8347 Seropédica (RMRJ) 0,8008 Mangaratiba (RJ) 0,7961 Cachoeiras de Macacu (RJ) 0,7906 Itaguaí (RJ) 0,7863 Maricá (RJ) 0,7824 Nilópolis (RMRJ) 0,7744 Mesquita (RMRJ) 0,7675 Duque de Caxias (RMRJ) 0,7654 Magé (RMRJ) 0,7572 Guapimirim (RMRJ) 0,7395 Itaboraí (RMRJ) 0,7384 Japeri (RMRJ) 0,7277 Nova Iguaçu (RMRJ) 0,7265 São João de Meriti (RMRJ) 0,7254 Tanguá (RMRJ) 0,7000 Queimados (RMRJ) 0,6946 Belford Roxo (RMRJ) 0,6895 Total do Estado do RJ 0,8101 Brasil 0,7699 Fonte: Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal

Obs: indicador IFDM/ Saúde visa avaliar a qualidade do Sistema de Saúde Municipal referente à Atenção Básica. As variáveis

acompanhadas por este indicador são: Quantidade de Consultas PréNatal; Taxa de Óbitos Mal-Definidos; e, Taxa de Óbitos Infantis por Causas Evitáveis.

329

Quadro 3. 120 - Ranking comparativo do IFDM Saúde em 2005 e 2006, para os municípios do Arco Metropolitano e periferias das RMs SP e BH com 50 mil ou mais habitantes.

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36

Municípios Barueri (RMSP) Caieiras (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Santana de Parnaíba (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Osasco (RMSP) Niterói Santo André (RMSP) Diadema (RMSP) Jandira (RMSP) Mairiporã (RMSP) Mauá (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Carapicuíba (RMSP) Paracambi Nova Lima (RMBH) Cajamar (RMSP) Francisco Morato (RMSP) Guarulhos (RMSP) São Gonçalo Itapecerica da Serra (RMSP) Franco da Rocha (RMSP) Cotia (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Betim (RMBH) Itapevi (RMSP) Contagem (RMBH) Mogi das Cruzes (RMSP) Ibirité (RMBH) Embu-Guaçu (RMSP) Arujá (RMSP) Embu (RMSP) Poá (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Seropédica Esmeraldas (RMBH)

IFDM/Saúde Ranking 2005 Brasil 0,9306 0,9278 0,9230 0,8869 0,9032 0,8868 0,8961 0,8782 0,8884 0,8638 0,8656 0,8648 0,8603 0,8510 0,8461 0,9246 0,8153 0,8396 0,8379 0,8468 0,8468 0,8273 0,8332 0,8346 0,8231 0,8388 0,8201 0,8087 0,7957 0,8185 0,8023 0,8041 0,8065 0,7789 0,7878 0,7880 182 200 234 607 431 610 508 716 593 912 889 903 967 1.117 1.193 220 1.659 1.300 1.328 1.182 1.181 1.491 1.408 1.389 1.545 1.312 1.579 1.760 1.982 1.608 1.872 1.844 1.797 2.237 2.101 2.097

IFDM/Saúde 2006 0,9475 0,9321 0,9304 0,9139 0,9099 0,8931 0,8912 0,8857 0,8854 0,8738 0,8718 0,8681 0,8665 0,8634 0,8614 0,8603 0,8580 0,8573 0,8534 0,8512 0,8470 0,8430 0,8404 0,8395 0,8370 0,8362 0,8356 0,8313 0,8273 0,8256 0,8246 0,8185 0,8087 0,8082 0,8008 0,8000

Ranking Brasil 111 225 239 406 444 655 682 765 767 933 963 1.016 1.037 1.094 1.127 1.144 1.182 1.200 1.270 1.305 1.363 1.427 1.482 1.496 1.536 1.553 1.563 1.636 1.698 1.735 1.754 1.837 1.996 1.998 2.118 2.133

330

#

Municípios

IFDM/Saúde Ranking 2005 Brasil 1.930 2.217 2.106 2.204 2.269 2.508 2.180 2.441 2.374 2.527 2.628 2.555 2.432 2.718 2.662 2.513 2.550 2.650 2.874 3.002 3.054 3.195 3.322

IFDM/Saúde 2006 0,7961 0,7960 0,7906 0,7906 0,7863 0,7824 0,7744 0,7738 0,7675 0,7668 0,7654 0,7612 0,7572 0,7514 0,7483 0,7395 0,7384 0,7277 0,7265 0,7254 0,7000 0,6946 0,6895

Ranking Brasil 2.197 2.199 2.270 2.271 2.342 2.389 2.479 2.485 2.580 2.593 2.609 2.671 2.738 2.813 2.856 2.966 2.984 3.129 3.149 3.157 3.506 3.578 3.646

37 Mangaratiba 0,7993 38 Ferraz de Vasconcelos (RMSP) 0,7802 39 Cachoeiras de Macacu 0,7876 40 Sabará (RMBH) 0,7806 41 Itaguaí 0,7763 42 Maricá 0,7562 43 Nilópolis 0,7824 44 Suzano (RMSP) 0,7620 45 Mesquita 0,7679 46 Vespasiano (RMBH) 0,7546 47 Duque de Caxias 0,7473 48 Santa Luzia (RMBH) 0,7527 49 Magé 0,7632 50 Itaquaquecetuba (RMSP) 0,7398 51 Ribeirão das Neves (RMBH) 0,7448 52 Guapimirim 0,7559 53 Itaboraí 0,7530 54 Japeri 0,7458 55 Nova Iguaçu 0,7287 56 São João de Meriti 0,7198 57 Tanguá 0,7153 58 Queimados 0,7032 59 Belford Roxo 0,6931 Fonte: Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal

Obs: indicador IFDM/ Saúde visa avaliar a qualidade do Sistema de Saúde Municipal referente à Atenção Básica. As variáveis acompanhadas por este indicador são: Quantidade de Consultas Pré-Natal; Taxa de Óbitos Mal-Definidos; e, Taxa de Óbitos Infantis por Causas Evitáveis.

331

Quadro 3. 121- Domicílios urbanos Ranking de eficiência de serviços urbanos - calçamento / pavimentação (2000). Todos os municípios da periferia da RMRJ e municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias das RMSP e RMBH. Total de Domicílios com deficiência
0 837 750 774 1.200 3.344 6.502 12.658 1.537 13.263 10.244 23.177 13.928 20.969 3.835 1.763 32.043 2.307 2.574 6.331 4.967 7.617 17.958 6.117 11.363 63.818 30.239 3.780 5.881 24.218 15.025 10.949 9.020 75.648 17.979 7.438 23.855 4.586 120.603 99.664 16.511 59.689 28.814

Municípios metropolitanos
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 São Caetano do Sul (RMSP) Barueri (RMSP) Nilópolis (RMRJ) Caieiras (RMSP) Jandira (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Diadema (RMSP) Santo André (RMSP) Nova Lima (RMBH) Contagem (RMBH) Carapicuíba (RMSP) Osasco (RMSP) Mauá (RMSP) Niterói (RMRJ) Poá (RMSP) Paracambi (RMRJ) São Bernardo do Campo (RMSP) Cajamar (RMSP) Arujá (RMSP) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Cotia (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Sabará (RMBH) Embu (RMSP) Guarulhos (RMSP) São João de Meriti (RMRJ) Pedro Leopoldo (RMBH) Vespasiano (RMBH) Betim (RMBH) Santa Luzia (RMBH) Itapecerica da Serra (RMSP) Franco da Rocha (RMSP) Duque de Caxias (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Santana de Parnaíba (RMSP) Suzano (RMSP) Guapimirim (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) Ibirité (RMBH) Belford Roxo (RMRJ) Magé (RMRJ)

Participação no Total de Domicílios
0,0 1,5 1,7 4,1 4,9 6,4 6,6 6,8 9,2 9,3 11,3 12,8 14,1 14,6 15,3 15,4 16,2 16,8 17,0 17,3 17,6 19,8 20,2 20,9 21,5 22,0 23,4 27,1 30,7 30,9 32,1 32,5 34,3 34,4 38,2 40,0 40,0 43,2 45,9 46,7 49,0 49,1 49,6

332

Municípios metropolitanos
44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 Itaquaquecetuba (RMSP) Ribeirão das Neves (RMBH) Mairiporã (RMSP) Itapevi (RMSP) Embu Guaçu (RMSP) Francisco Morato (RMSP) Seropédica (RMRJ) Queimados (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Esmeraldas (RMBH) Japeri (RMRJ) Tanguá (RMRJ)

Total de Domicílios com deficiência
35.396 32.297 8.772 23.170 8.126 20.751 11.944 22.361 37.728 9.338 18.844 6.423

Participação no Total de Domicílios
51,4 52,1 54,4 55,5 56,6 61,1 65,9 67,1 70,7 77,9 82,0 88,6

Fonte: IBGE (2000) com base no anexo estatístico existente na tese de doutorado de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. Observação: a deficiência em calçamento e pavimentação é definida pela inexistência de calçamento/pavimentação na localidade onde o domicílio está instalado.

333

Quadro 3. 122 - Domicílios urbanos Ranking de eficiência de serviços urbanos - água (2000) Todos os municípios da periferia da RMRJ e municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias das RMSP e RMBH.
Total de Domicílios com deficiência 21 902 910 1.726 298 2.608 856 602 1.805 1.335 1.082 5.656 6.113 916 3.001 1.697 2.047 5.923 2.545 1.006 15.933 3.898 1.087 1.591 1.822 895 2.627 1.347 5.058 2.354 3.894 2.147 12.595 1.952 2.583 8.849 5.075 5.836 7.357 40.782 51.558 31.177

Municípios metropolitanos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 São Caetano do Sul (RMSP) Diadema (RMSP) Carapicuíba (RMSP) Contagem (RMBH) Poá (RMSP) Osasco (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Ibirité (RMBH) Mauá (RMSP) Barueri (RMSP) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Santo André (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Jandira (RMSP) Betim (RMBH) Nilópolis (RMRJ) Santa Luzia (RMBH) São João de Meriti (RMRJ) Embu (RMSP) Caieiras (RMSP) Guarulhos (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Vespasiano (RMBH) Franco da Rocha (RMSP) Sabará (RMBH) Pedro Leopoldo (RMBH) Francisco Morato (RMSP) Nova Lima (RMBH) Ribeirão das Neves (RMBH) Ribeirão Pires (RMSP) Itapevi (RMSP) Arujá (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Cajamar (RMSP) Seropédica (RMRJ) Suzano (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Cotia (RMSP) Mesquita (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Niterói (RMRJ)

Participação no Total de Domicílios 0,0 0,9 1,0 1,2 1,2 1,4 1,6 1,8 1,8 2,4 3,0 3,0 3,1 3,7 3,8 3,8 4,4 4,6 4,8 5,3 5,5 5,7 5,7 6,1 6,2 6,4 7,7 8,0 8,2 8,3 9,3 14,1 14,1 14,2 14,3 14,9 15,0 15,2 15,6 19,1 19,6 21,7

334

Municípios metropolitanos 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 Santana de Parnaíba (RMSP) Belford Roxo (RMRJ) Duque de Caxias (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Queimados (RMRJ) Japeri (RMRJ) Embu Guaçu (RMSP) Mairiporã (RMSP) Esmeraldas (RMBH) Magé (RMRJ) Guapimirim (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Itaboraí (RMRJ)

Total de Domicílios com deficiência 4.196 33.772 67.429 3.707 11.197 8.456 5.391 7.256 5.419 30.984 5.745 5.479 40.453

Participação no Total de Domicílios 22,6 27,8 30,7 32,5 33,6 36,8 37,5 45,0 45,2 53,3 54,5 75,2 75,8

Fonte: IBGE (2000) com base no anexo estatístico existente na tese de doutorado de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. Observação: a deficiência em água é definida pela existência somente de poço ou nascente na propriedade ou outra forma de abastecimento de água que não seja encanada na localidade onde o domicílio está instalado.

335

Quadro 3. 123 - Domicílios urbanos Ranking de eficiência de serviços urbanos - esgotamento (2000) Todos os municípios da periferia da RMRJ e municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias das RMSP e RMBH.

Municípios metropolitanos

Total de Domicílios com deficiência 46 1.472 8.147 4.817 1.779 10.590 17.979 5.106 4.816 1.954 3.319 18.644 11.907 2.607 12.942 26.493 3.741 15.901 7.567 49.362 6.848 6.250 50.133 5.715 41.946 28.439 25.693 13.056 50.459 16.909 3.574 14.123 10.345 12.876 5.232 3.312 23.490 16.592 8.275 3.427 2.434 14.738

Participação no Total de Domicílios 0,1 3,3 4,4 4,9 7,1 8,2 9,1 9,2 9,2 11,7 11,7 13,0 13,1 13,7 14,5 14,6 15,3 16,1 16,1 17,0 18,7 18,7 19,1 19,5 19,6 19,9 21,1 21,9 22,9 24,6 26,0 26,7 27,0 27,5 28,1 29,0 29,9 31,1 31,5 32,3 33,4 35,3

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42

São Caetano do Sul (RMSP) Nilópolis (RMRJ) Santo André (RMSP) Diadema (RMSP) Poá (RMSP) São João de Meriti (RMRJ) São Bernardo do Campo (RMSP) Barueri (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Nova Lima (RMBH) Ribeirão Pires (RMSP) Niterói (RMRJ) Carapicuíba (RMSP) Caieiras (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Osasco (RMSP) Jandira (RMSP) Mauá (RMSP) Mesquita (RMRJ) Guarulhos (RMSP) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Queimados (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Sabará (RMBH) Nova Iguaçu (RMRJ) Contagem (RMBH) Belford Roxo (RMRJ) Suzano (RMSP) Duque de Caxias (RMRJ) Itaquaquecetuba (RMSP) Cajamar (RMSP) Embu (RMSP) Cotia (RMSP) Santa Luzia (RMBH) Santana de Parnaíba (RMSP) Paracambi (RMRJ) Betim (RMBH) Itaboraí (RMRJ) Franco da Rocha (RMSP) Guapimirim (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Itapevi (RMSP)

336

Municípios metropolitanos

Total de Domicílios com deficiência 5.093 22.140 9.166 7.431 8.278 27.312 7.035 15.793 6.844 7.777 18.651 23.004 10.228

Participação no Total de Domicílios 36,5 38,1 39,9 41,0 43,2 44,1 46,3 46,8 47,6 48,2 55,3 67,7 85,3

43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55

Pedro Leopoldo (RMBH) Magé (RMRJ) Japeri (RMRJ) Seropédica (RMRJ) Vespasiano (RMBH) Ribeirão das Neves (RMBH) Arujá (RMSP) Ibirité (RMBH) Embu Guaçu (RMSP) Mairiporã (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Francisco Morato (RMSP) Esmeraldas (RMBH)

Fonte: IBGE (2000) com base no anexo estatístico existente na tese de doutorado de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. Observação: a deficiência em esgotamento é definida pela existência somente de fossa rudimentar ou esgoto jogado diretamente em vala, rio, lago ou mar na localidade onde o domicílio está instalado.

337

Quadro 3. 124- Domicílios urbanos Ranking de eficiência de serviços urbanos - iluminação (2000) Todos os municípios da periferia da RMRJ e municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias das RMSP e RMBH.

Municípios metropolitanos São Caetano do Sul (RMSP) Nilópolis (RMRJ) Contagem (RMBH) Poá (RMSP) São João de Meriti (RMRJ) Santa Luzia (RMBH) Barueri (RMSP) Ribeirão das Neves (RMBH) Nova Lima (RMBH) Sabará (RMBH) Santo André (RMSP) Caieiras (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Betim (RMBH) Vespasiano (RMBH) Niterói (RMRJ) Pedro Leopoldo (RMBH) Ibirité (RMBH) Paracambi (RMRJ) Belford Roxo (RMRJ) Diadema (RMSP) Mesquita (RMRJ) Jandira (RMSP) Suzano (RMSP) Francisco Morato (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Duque de Caxias (RMRJ) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Nova Iguaçu (RMRJ) Osasco (RMSP) Carapicuíba (RMSP) Mauá (RMSP) Guarulhos (RMSP) Arujá (RMSP) Franco da Rocha (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Queimados (RMRJ) São Bernardo do Campo (RMSP) Embu (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Seropédica (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Esmeraldas (RMBH)

Total de Domicílios com deficiência 0 384 2.601 468 2.957 1.487 1.801 2.114 584 1.112 7.047 825 1.219 3.420 835 6.733 674 1.689 639 7.111 5.714 3.144 1.785 4.433 2.556 4.074 17.570 2.962 17.428 15.002 7.713 8.445 27.201 1.500 2.612 8.918 3.335 21.251 5.690 9.180 2.518 37.473 1.805

Participação no Total de Domicílios 0,0 0,9 1,8 1,9 2,3 3,2 3,3 3,4 3,5 3,8 3,8 4,3 4,3 4,4 4,4 4,7 4,8 5,0 5,6 5,8 5,8 6,7 7,3 7,4 7,5 7,8 8,0 8,1 8,2 8,3 8,5 8,5 9,4 9,9 9,9 10,0 10,0 10,7 10,8 13,3 13,9 14,3 15,1

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43

#

338

Municípios metropolitanos Cajamar (RMSP) Itapevi (RMSP) Cotia (RMSP) Magé (RMRJ) Itapecerica da Serra (RMSP) Guapimirim (RMRJ) Santana de Parnaíba (RMSP) Japeri (RMRJ) Embu Guaçu (RMSP) Tanguá (RMRJ) Itaboraí (RMRJ) Mairiporã (RMSP)

Total de Domicílios com deficiência 2.253 6.871 6.648 10.887 6.520 2.183 4.138 5.978 4.151 2.377 19.782 6.765

Participação no Total de Domicílios 16,4 16,4 17,3 18,7 19,3 20,6 22,2 26,0 28,9 32,8 37,1 42,0

44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55

Fonte: IBGE (2000) com base no anexo estatístico existente na tese de doutorado de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. Observação: a deficiência em iluminação é definida pela inexistência de iluminação pública na localidade onde o domicílio está instalado.

#

339

Quadro 3. 125 - Domicílios urbanos Ranking de eficiência de serviços urbanos - coleta de lixo (2000) Todos os municípios da periferia da RMRJ e municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias das RMSP e RMBH.

Municípios metropolitanos

Total de Domicílios com deficiência 0 315 404 365 124 136 1.048 308 396 446 236 2.123 1.216 815 428 5.236 784 2.976 968 4.109 490 4.428 687 1.372 2.795 2.572 3.459 1.869 1.361 885 5.798 1.175 23.162 3.009 1.191 1.452 24.312 1.603 1.858 14.081 5.435 5.528

Participação no Total de Domicílios 0,0 0,2 0,4 0,4 0,5 0,5 0,5 0,6 0,7 1,0 1,2 1,2 1,3 1,5 1,5 1,8 2,0 2,3 2,6 2,9 2,9 3,1 3,7 4,1 4,1 4,3 4,4 4,5 5,2 5,8 6,5 8,5 8,8 8,9 10,4 10,4 11,1 11,2 11,5 11,6 11,6 11,8

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42

São Caetano do Sul (RMSP) Santo André (RMSP) Diadema (RMSP) Mauá (RMSP) Jandira (RMSP) Poá (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Barueri (RMSP) Nilópolis (RMRJ) Caieiras (RMSP) Osasco (RMSP) Carapicuíba (RMSP) Embu (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Guarulhos (RMSP) Cotia (RMSP) São João de Meriti (RMRJ) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Contagem (RMBH) Nova Lima (RMBH) Niterói (RMRJ) Santana de Parnaíba (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Suzano (RMSP) Betim (RMBH) Itapevi (RMSP) Franco da Rocha (RMSP) Arujá (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) Cajamar (RMSP) São Gonçalo (RMRJ) Ibirité (RMBH) Paracambi (RMRJ) Pedro Leopoldo (RMBH) Duque de Caxias (RMRJ) Embu Guaçu (RMSP) Mairiporã (RMSP) Belford Roxo (RMRJ) Santa Luzia (RMBH) Mesquita (RMRJ)

340

Municípios metropolitanos

Total de Domicílios com deficiência 25.107 4.419 9.263 5.641 3.578 6.208 4.115 2.295 1.637 16.882 21.310 9.753 8.393

Participação no Total de Domicílios 11,8 13,3 15,9 16,6 19,8 21,2 21,5 21,6 22,5 27,2 39,9 42,4 70,0

43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55

Nova Iguaçu (RMRJ) Queimados (RMRJ) Magé (RMRJ) Francisco Morato (RMSP) Seropédica (RMRJ) Sabará (RMBH) Vespasiano (RMBH) Guapimirim (RMRJ) Tanguá (RMRJ) Ribeirão das Neves (RMBH) Itaboraí (RMRJ) Japeri (RMRJ) Esmeraldas (RMBH)

Fonte: IBGE (2000) com base no anexo estatístico existente na tese de doutorado de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. Observação: a deficiência em coleta de lixo é definida pela inexistência de coleta de lixo e/ou quando o lixo é queimado ou enterrado na propriedade, jogado em terreno baldio, logradouro, rio, lago ou mar, ou tem outro destino que não seja a coleta de lixo na localidade onde o domicílio está instalado.

341

Quadro 3. 126 - Receita Corrente líquida per capita em 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano.

RCL Per Capita Belford Roxo 579,11 Cachoeiras de Macacu 1.328,55 Duque de Caxias 1.110,69 Guapimirim 1.342,98 Itaboraí 900,22 Itaguaí 2.356,67 Japeri 930,57 Magé 762,19 Mangaratiba 5.006,25 Maricá 1.031,97 Mesquita 526,62 Nilópolis 756,42 Niterói 1.877,31 Nova Iguaçu 683,90 Paracambi 1.660,29 Queimados 635,22 São Gonçalo 349,63 São João de Meriti* 540,87 Seropédica* 992,63 Tanguá 1.303,74 Total do Arco Metropolitano 868,12 Periferia de São Paulo 1.448,53 Periferia de Belo Horizonte 1.092,14 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / Municípios IBGE * Não foram apresentados no FINBRA valores para Seropédica e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos, portanto os valores considerados para tais municípios foram aqueles obtidos através do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Obs 1: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

Chamamos de Receita Corrente líquida a Receita Corrente subtraídos os repasses legais do município para composição do FUNDEB.

342

Quadro 3. 127- Variação Percentual Real da Receita Corrente líquida entre 2000 e 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano.

Municípios Belford Roxo Cachoeira de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Mesquita Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo Periferia de Belo Horizonte Fonte: FINBRA 2000 e 2007

2000 185.762.468,94 35.195.932,86 547.223.205,49 29.933.704,49 115.030.829,67 93.669.598,45 43.175.535,24 91.633.580,58 47.025.241,47 57.286.513,34 61.145.227,93 545.318.346,63 353.582.776,65 25.492.584,34 52.112.603,12 348.917.584,74 174.231.789,23 38.796.570,66 23.005.068,28 2.868.539.162,11 8.070.144.730,80 1.750.263.331,28

2007 278.292.734,76 70.462.320,88 935.960.508,67 60.020.345,76 194.260.090,52 224.722.833,63 86.726.732,16 176.958.939,00 146.447.768,14 108.660.598,96 116.171.286,93 889.847.324,07 568.096.010,00 70.434.359,73 82.753.821,78 335.863.596,66 251.116.279,55 71.931.936,71 36.924.500,09 96.105.238,48 4.705.651.988,00 12.056.150.545,95 2.722.481.030,69

Var. % 49,81 100,2 71,04 100,51 68,88 139,91 100,87 93,12 211,42 89,68 89,99 63,18 60,67 176,29 58,8 -3,74 44,13 85,41 60,51 64,04 49,39 55,55

* Não foram apresentados no FINBRA valores para Seropédica e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos, portanto os valores considerados para tais municípios foram aqueles obtidos através do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Obs 1: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009 Chamamos de Receita Corrente líquida a Receita Corrente subtraídos os repasses legais do município para composição do FUNDEB.

343

Quadro 3. 128- Ranking da Receita Corrente líquida per capita em 2007 dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes. RCL # 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 Municípios Mangaratiba – RJ São Caetano do Sul - RMSP Barueri – RMSP Santana de Parnaíba - RMSP Nova Lima – RMBH Cajamar – RMSP Itaguaí – RJ São Bernardo do Campo - RMSP Niterói – RMRJ Betim – RMBH Santo André – RMSP Paracambi – RMRJ Cotia – RMSP Taboão da Serra - RMSP Arujá – RMSP Guarulhos – RMSP Poá – RMSP Mairiporã – RMSP Guapimirim – RMRJ Cachoeiras de Macacu - RJ Tanguá – RMRJ Caieiras – RMSP Osasco – RMSP Mogi das Cruzes - RMSP Diadema – RMSP Jandira – RMSP Duque de Caxias - RMRJ Pedro Leopoldo - RMBH Suzano – RMSP Contagem – RMBH Mauá – RMSP Itapecerica da Serra - RMSP Itapevi – RMSP Ribeirão Pires – RMSP Maricá – RJ Embu-guaçu – RMSP Seropédica* - RMRJ Per Capita 5.006,25 4.572,35 3.575,72 2.877,87 2.781,06 2.476,35 2.356,67 2.350,55 1.877,31 1.788,80 1.700,77 1.660,29 1.614,10 1.407,88 1.377,16 1.369,54 1.355,76 1.352,80 1.342,98 1.328,55 1.303,74 1.231,69 1.226,86 1.226,03 1.211,51 1.149,17 1.110,69 1.105,55 1.100,12 1.076,05 1.062,65 1.044,87 1.040,02 1.037,31 1.031,97 1.020,15 992,63

344

RCL # 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 Municípios Per Capita 930,57 900,22 898,26 811,82 804,22 799,64 778,29 766,86 762,19 756,42 713,63 683,90 676,54 670,03 663,04 635,22 579,11 540,87 526,62 473,02 390,46 349,63 868,12

Japeri – RMRJ Itaboraí – RMRJ Franco da Rocha - RMSP Francisco Morato - RMSP Sabará – RMBH Vespasiano – RMBH Ibirité – RMBH Embu – RMSP Magé – RMRJ Nilópolis – RMRJ Esmeraldas – RMBH Nova Iguaçu – RMRJ Santa Luzia – RMBH Itaquaquecetuba - RMSP Ferraz de Vasconcelos - RMSP Queimados – RMRJ Belford Roxo – RMRJ São João de Meriti* - RMRJ Mesquita – RMRJ Carapicuíba – RMSP Ribeirão das Neves - RMBH São Gonçalo – RMRJ Total do Arco Metropolitano Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE

* Não foram apresentados no FINBRA valores para Seropédica e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos, portanto os valores considerados para tais municípios foram aqueles obtidos através do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Obs 1: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009 Chamamos de Receita Corrente líquida a Receita Corrente subtraídos os repasses legais do município para composição do FUNDEB.

345

Quadro 3. 129- Posicionamento dos municípios do Arco Metropolitano em relação aos municípios da periferia das RMs SP e BH com 50 mil ou mais habitantes ou mais nos rankings de infraestrutura.
Posicionamento no que diz respeito ao total de domicílios com deficiência em iluminação Posicionamento no que diz respeito ao total de domicílios com deficiência em calçamento e pavimentação Posicionamento no que diz respeito ao total de domicílios com deficiência em coleta de lixo

Municípios Área 1 Itaguaí (RJ) Mangaratiba (RJ) Seropédica (RMRJ) Área 2 Belford Roxo (RMRJ) Duque de Caxias (RMRJ) Japeri (RMRJ) Magé (RMRJ) Mesquita (RMRJ) Nilópolis (RMRJ) Paracambi (RMRJ) Nova Iguaçu (RMRJ) Queimados (RMRJ) São João de Meriti (RMRJ) Área 3 Cachoeiras de Macacu (RJ) Guapimirim (RJ) Itaboraí (RMRJ) Maricá (RJ) Niterói (RMRJ) São Gonçalo (RMRJ) Tanguá (RMRJ)

41 20 27 51 47 22 2 19 29 37 5 49 54 16 42 53

50 42 34 54 43 35 3 16 40 51 27 38 52 14 39 55

47 40 37 54 45 42 10 35 43 44 18 50 53 22 33 51

Fonte: IBGE, Censo de 2000; FINBRA 2007
Obs 1: As colunas com dados relativos às deficiências de serviços públicos nos domicílios são baseadas no anexo estatístico existente na tese de doutorado de Sol Garson Braule Pinto intitulada “Regiões Metropolitanas: Obstáculos institucionais a cooperação em políticas urbanas”, defendida no Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional da UFRJ no ano de 2007. Obs 2: Os municípios com traço (-) estão incluídos na área de influência do Arco Metropolitana, porém não integram a RMRJ. Na tese, a autora compilou dados das RMs brasileiras. Obs 3: Esta tabela de posicionamento no ranking foi obtida com base em outras tabelas apresentadas neste relatório e que contém os municípios da periferia da RMRJ, e os municípios com 50 mil ou mais habitantes das periferias da RMSP e RMBH. Obs 4: O município de São João de Meriti apresentou valores incorretos no FINBRA 2007 e o de Seropédica não apresentou valor algum, sendo assim os valores utilizados são aqueles apresentados pelo TCE-RJ.

346

Quadro 3. 130 - Posicionamento dos municípios do Arco Metropolitano em relação aos municípios da periferia das RMs SP e BH com 50 mil ou mais habitantes ou mais nos rankings sociais. Posicionamento no que diz respeito ao IFDM Saúde Posicionamento no que diz respeito ao IDEB 1 a 4 série 45 40 55 56 52 53 54 49 44 23 46 50 58

Municípios

Área 1 Itaguaí (RJ) 41 Mangaratiba (RJ) 37 Seropédica (RMRJ) 35 Área 2 Belford Roxo (RMRJ) 59 Duque de Caxias (RMRJ) 47 Japeri (RMRJ) 54 Magé (RMRJ) 49 Mesquita (RMRJ) 45 Nilópolis (RMRJ) 43 Paracambi (RMRJ) 15 Nova Iguaçu (RMRJ) 55 Queimados (RMRJ) 58 São João de Meriti (RMRJ) 56 Área 3 Cachoeiras de Macacu (RJ) 39 Guapimirim (RJ) 52 Itaboraí (RMRJ) 53 Maricá (RJ) 42 Niterói (RMRJ) 7 São Gonçalo (RMRJ) 20 Tanguá (RMRJ) 57 Fonte: FIRJAN e Ministério da Educação/ IDEB; FINBRA 2007

43 57 48 34 38 47 51

Obs 1: Esta tabela de posicionamento no ranking foi obtida com base em outras tabelas apresentadas neste relatório e que contém os 59 municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias da RMSP e RMBH com 50 mil ou mais habitantes. Obs 2: O município de São João de Meriti apresentou valores incorretos no FINBRA 2007 e o de Seropédica não apresentou valor algum, sendo assim os valores utilizados são aqueles apresentados pelo TCE-RJ.

347

Quadro 3. 131- ISS per capita em 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano. Municípios Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP R$ 24,78 33,10 137,19 67,29 22,66 561,11 24,74 36,06 524,42 34,94 19,82 33,77 208,57 41,90 84,51 33,23 29,33 19,24 62,76 25,90 74,69 163,36

Periferia RMBH 69,78 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE * Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

348

Quadro 3. 132- Variação Percentual da arrecadação de ISS entre 2000 e 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano

Municípios Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Mesquita Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo Periferia de Belo Horizonte Fonte: FINBRA 2000 e 2007

2000 7.528.696,30 666.096,39 51.643.430,24 1.666.671,64 3.217.754,53 9.495.250,43 519.716,56 5.285.277,46 6.809.366,52 1.507.909,98 2.498.972,90 53.853.366,07 22.254.670,89 2.117.970,27 1.900.341,08 22.090.696,70 9.245.585,93 2.754.589,03 792.275,91 205.848.638,83 688.714.521,67 95.545.399,96

2007 11.909.915,64 1.755.488,43 115.607.502,22 3.007.221,45 4.890.529,17 53.505.663,00 2.305.288,99 8.371.440,61 15.340.909,66 3.679.082,23 5.187.183,91 98.861.468,01 34.802.111,39 3.585.087,96 4.328.577,89 28.172.273,67 8.932.984,94 4.548.278,14 733.667,40 3.617.645,73 409.524.674,71 1.359.610.914,03 172.706.879,08

Var. % 58,19 163,55 123,86 80,43 51,99 463,50 343,57 58,39 125,29 143,99 107,57 83,58 56,38 69,27 127,78 27,53 -3,38 65,12 -7,40 98,94 97,41 80,76

* Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

349

Quadro 3. 133 - Ranking do ISS per capita em 2007 dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte com 50 mil ou mais habitantes.

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33

Municípios Barueri - RMSP São Caetano do Sul - RMSP Santana de Parnaíba - RMSP Itaguaí - RJ Mangaratiba - RJ Nova Lima - RMBH Cajamar - RMSP Poá - RMSP Cotia - RMSP São Bernardo do Campo - RMSP Niterói - RMRJ Osasco - RMSP Santo André - RMSP Duque de Caxias - RMRJ Caieiras - RMSP Taboão da Serra - RMSP Diadema - RMSP Betim - RMBH Guarulhos - RMSP Mogi das Cruzes - RMSP Arujá - RMSP Contagem - RMBH Paracambi - RMRJ Mairiporã - RMSP Ribeirão Pires - RMSP Mauá - RMSP Pedro Leopoldo - RMBH Itapevi - RMSP Guapimirim - RMRJ Jandira - RMSP Seropédica* - RMRJ Suzano - RMSP Itapecerica da Serra - RMSP

R$ 1.029,10 753,10 718,82 561,11 524,42 462,34 377,03 353,58 253,19 226,22 208,57 187,25 174,91 137,19 128,57 107,74 103,21 100,89 97,96 93,87 93,12 87,91 84,51 78,97 74,73 72,12 72,11 69,96 67,29 64,68 62,76 53,76 46,59

350

# 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59

Municípios

R$

Embu - RMSP 46,12 Vespasiano - RMBH 44,82 Itaquaquecetuba - RMSP 43,21 Nova Iguaçu - RMRJ 41,90 Embu-Guaçu - RMSP 40,15 Franco da Rocha - RMSP 38,84 Sabará - RMBH 37,42 Magé - RMRJ 36,06 Maricá - RJ 34,94 Nilópolis - RMRJ 33,77 Queimados - RMRJ 33,23 Cachoeiras de Macacu - RJ 33,10 Ibirité - RMBH 29,65 São Gonçalo - RMRJ 29,33 Tanguá - RMRJ 25,90 Belford Roxo - RMRJ 24,78 Japeri - RMRJ 24,74 Itaboraí - RMRJ 22,66 Carapicuíba - RMSP 22,07 Francisco Morato - RMSP 19,93 Mesquita - RMRJ 19,82 São João de Meriti* - RMRJ 19,24 Santa Luzia - RMBH 19,08 Ferraz de Vasconcelos - RMSP 15,50 Esmeraldas - RMBH 11,06 Ribeirão das Neves - RMBH 8,53 Total do Arco Metropolitano 74,69 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE * Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

351

Quadro 3. 134 - ICMS per capita em 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano.

Municípios Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo

R$ 122,62 371,31 438,64 244,23 108,81 832,66 142,88 88,38 1.756,51 142,67 93,82 102,93 258,76 100,11 249,28 131,82 91,21 85,33 173,45 315,95 194,81 440,51

Periferia de Belo Horizonte 418,08 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE * Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

352

Quadro 3. 135- Ranking do ICMS per capita em 2007 dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte com 50 mil ou mais habitantes.

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34

Municípios Mangaratiba – RJ Barueri – RMSP São Caetano do Sul - RMSP Betim – RMBH Nova Lima – RMBH Cajamar – RMSP Itaguaí – RJ São Bernardo do Campo - RMSP Cotia – RMSP Suzano – RMSP Diadema – RMSP Guarulhos – RMSP Mauá – RMSP Duque de Caxias - RMRJ Taboão da Serra - RMSP Santo André – RMSP Santana de Parnaíba - RMSP Itapecerica da Serra - RMSP Cachoeiras de Macacu - RJ Contagem – RMBH Arujá – RMSP Pedro Leopoldo - RMBH Tanguá – RMRJ Mogi das Cruzes - RMSP Osasco – RMSP Jandira – RMSP Caieiras – RMSP Ribeirão Pires – RMSP Niterói – RMRJ Paracambi – RMRJ Franco da Rocha - RMSP Guapimirim – RMRJ Itapevi – RMSP Poá – RMSP

R$ 1.756,51 1.565,35 1.438,49 1.146,82 917,23 838,64 832,66 702,65 530,48 508,04 504,77 488,58 467,25 438,64 419,87 380,23 378,18 376,33 371,31 371,12 338,72 324,19 315,95 314,75 311,67 301,26 282,15 261,34 258,76 249,28 244,83 244,23 244,21 223,22

353

# 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59

Municípios

R$

Embu-Guaçu – RMSP 195,16 Sabará – RMBH 194,37 Embu – RMSP 191,96 Vespasiano – RMBH 188,29 Ibirité – RMBH 186,62 Seropédica* - RMRJ 173,45 Mairiporã – RMSP 173,28 Itaquaquecetuba - RMSP 143,6 Japeri – RMRJ 142,88 Maricá – RJ 142,67 Santa Luzia – RMBH 141,46 Queimados – RMRJ 131,82 Ferraz de Vasconcelos - RMSP 128,01 Belford Roxo – RMRJ 122,62 Carapicuíba – RMSP 122,08 Itaboraí – RMRJ 108,81 Nilópolis – RMRJ 102,93 Nova Iguaçu – RMRJ 100,11 Mesquita – RMRJ 93,82 São Gonçalo – RMRJ 91,21 Magé – RMRJ 88,38 Francisco Morato - RMSP 86,67 São João de Meriti* - RMRJ 85,33 Esmeraldas – RMBH 61,28 Ribeirão das Neves - RMBH 46,07 Total do Arco Metropolitano 194,81 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE * Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

354

Quadro 3. 136 - Variação Percentual da transferência de ICMS entre 2000 e 2007 nos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano.

Municípios Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Mesquita Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo

2000 47.926.980,70 12.712.226,87 200.414.073,12 9.615.612,62 20.979.100,04 26.558.272,34 7.279.009,86 19.953.693,15 8.574.988,55 8.327.287,09 13.408.334,07 77.447.979,22 69.731.787,21 8.755.624,57 20.256.644,85 74.726.968,78 36.183.899,48 9.091.141,23 8.900.485,35 680.844.109,10 2.856.528.388,08

2007 58.923.313,48 19.693.308,51 369.632.073,58 10.914.926,71 23.480.771,36 79.398.705,05 13.316.400,04 20.519.540,43 51.383.278,30 15.021.959,75 15.808.482,39 122.653.876,68 83.159.044,51 10.575.409,73 17.173.452,70 87.616.655,98 39.617.208,04 12.569.573,86 8.948.423,59 17.121.784,93 1.060.406.404,69 3.666.344.267,75

Var. % 22,94 54,92 84,43 13,51 11,92 198,96 82,94 2,84 499,22 80,39 17,9 58,37 19,26 20,78 -15,22 17,25 85,33 38,26 0,01 55,75 28,35 66,80

Periferia de Belo Horizonte 620.315.621,97 1.034.704.022,95 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE

* Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

355

Quadro 3. 137 - IPTU per capita em 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano.

Municípios Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo

R$ 12,63 19,48 37,67 31,04 24,89 97,09 3,77 23,74 268,77 122,02 18,95 33,19 304,22 29,27 18,22 14,20 28,60 26,32 16,86 22,73 54,72 133,18

Periferia de Belo Horizonte 33,22 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE * Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

356

Quadro 3. 138- Ranking do IPTU per capita em 2007 dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte com população com 50 mil ou mais habitantes.

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35

Municípios Santana de Parnaíba – RMSP Niterói – RMRJ São Caetano do Sul – RMSP Mangaratiba – RJ Nova Lima – RMBH São Bernardo do Campo - RMSP Santo André – RMSP Mairiporã – RMSP Diadema – RMSP Mogi das Cruzes – RMSP Arujá – RMSP Guarulhos – RMSP Cotia – RMSP Osasco – RMSP Cajamar – RMSP Maricá – RJ Suzano – RMSP Caieiras – RMSP Ribeirão Pires – RMSP Mauá – RMSP Itaguaí – RJ Embu-Guaçu – RMSP Taboão da Serra – RMSP Poá – RMSP Itapevi – RMSP Jandira – RMSP Itaquaquecetuba – RMSP Embu – RMSP Itapecerica da Serra – RMSP Barueri – RMSP Franco da Rocha – RMSP Pedro Leopoldo – RMBH Carapicuíba – RMSP Duque de Caxias – RMRJ Betim – RMBH

R$ 461,79 304,22 289,88 268,77 244,14 241,93 207,46 170,64 166,56 164,75 156,67 151,09 147,28 142,97 136,08 122,02 105,43 104,26 101,16 98,71 97,09 66,19 62,97 57,73 53,63 51,27 49,73 49,45 47,3 44,66 44,4 40,97 40,85 37,67 36,06

357

# 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59

Municípios

R$

Contagem – RMBH 35,89 Nilópolis – RMRJ 33,19 Francisco Morato - RMSP 32,06 Ferraz de Vasconcelos - RMSP 31,9 Guapimirim – RMRJ 31,04 Nova Iguaçu – RMRJ 29,27 São Gonçalo – RMRJ 28,6 São João de Meriti* - RMRJ 26,32 Esmeraldas – RMBH 25,26 Itaboraí – RMRJ 24,89 Sabará – RMBH 24,32 Ibirité – RMBH 24,09 Magé – RMRJ 23,74 Tanguá – RMRJ 22,73 Cachoeiras de Macacu - RJ 19,48 Mesquita – RMRJ 18,95 Vespasiano – RMBH 18,44 Paracambi – RMRJ 18,22 Seropédica* - RMRJ 16,86 Santa Luzia – RMBH 16,2 Queimados – RMRJ 14,2 Belford Roxo – RMRJ 12,63 Ribeirão das Neves - RMBH 8,52 Japeri – RMRJ 3,77 Total do Arco Metropolitano 54,72 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE * Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

358

Quadro 3. 139 - Variação Percentual da arrecadação de IPTU entre 2000 e 2007 dos municípios da área de Influência do Arco Metropolitano.

Municípios Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Queimados São Gonçalo São João de Meriti* Seropédica* Tanguá Mesquita Paracambi Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo

2000 6.449.247,15 842.583,39 28.761.085,21 1.114.599,26 3.316.809,20 4.518.517,05 288.338,72 2.836.601,50 6.130.326,33 9.407.211,96 3.210.847,85 108.603.855,39 20.783.881,30 1.789.357,00 40.755.928,92 11.413.921,41 1.828.080,76 363.684,60 252.414.877,00 719.155.541,96

2007 6.068.769,96 1.033.123,23 31.745.785,88 1.387.384,46 5.370.319,65 9.257.891,92 351.337,38 5.511.598,97 7.862.418,60 12.848.008,59 5.096.813,02 144.202.630,57 24.315.636,78 1.849.545,46 27.475.282,95 12.218.472,82 1.222.032,69 643.866,65 3.457.662,70 772.924,31 298.460.919,58 1.108.485.648,89 82.224.513,20

Var. % -5,90 22,61 10,38 24,47 61,91 104,89 21,85 94,30 28,25 36,58 58,74 32,78 16,99 3,36 -32,59 7,05 -33,15 77,04 18,24 54,14 14,94

Periferia de Belo Horizonte 71.534.300,46 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE

* Não foram encontrados valores para Seropédica no ano de 2007 e os de São João de Meriti mostraram-se incorretos ao comparar os dados de 2007 com o de 2006. Obs: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

359

3.4. Governança
3.4.1. Governança Municipal
A área de abrangência do Arco Metropolitano engloba municípios com grandes diferenças, que vão desde a sua dimensão populacional até o porte de suas economias. A governança municipal configura também um quadro regional diverso, conforme apresentado anteriormente no item 3.5.6.

Além da implantação do Arco Metropolitano, outros vários empreendimentos dos setores de transporte e logística, indústria naval, petroquímica e siderurgia, também constituintes do objeto do estudo, poderão alterar as dinâmicas municipais, principalmente na Área de Estudo I, onde se localiza a maioria dos investimentos, sendo também de destaque o grande porte do COMPERJ, situado na Área de Estudo III.

A grande maioria desses empreendimentos localiza-se em municípios que são cortados pelo traçado do Arco Metropolitano, com destaque para os municípios de Itaguaí e do Rio de Janeiro, onde se localizam dez e sete, respectivamente.

Entretanto, deve-se observar a governança municipal da área de abrangência à luz das alterações que já estão em andamento ou previstas, principalmente dos municípios que sofrerão intervenções diretas do Arco Metropolitano e dos demais empreendimentos. Dentre eles, o Rio de Janeiro, como já era de se esperar, é o município com a melhor governança da área de abrangência do Arco.

Já Itaguaí é o município que concentra a maioria dos empreendimentos constituintes do estudo, onde também ocorrerão intervenções para a implantação do Arco, principalmente nas proximidades de sua área urbana, localizada entre a rodovia BR-101 e o porto de Itaguaí. A governança municipal de Itaguaí é classificada no arquétipo Baixa Capacidade de Gestão. O município tem fraca capacidade de gestão municipal, e alta capacidade financeira. O município não possui conselho de política urbana, desenvolvimento urbano ou da cidade, e também possui um baixo percentual de funcionários da administração municipal com ensino superior. 360

Mas é um dos municípios da área de abrangência do Arco Metropolitano com a melhor capacidade financeira. A promoção do fortalecimento da gestão pública municipal de Itaguaí desponta como um aspecto relevante a ser considerado.

Nova Iguaçu é um dos mais importantes centros de comércio e serviços na escala metropolitana. As suas antigas áreas rurais hoje são palco de um processo de expansão urbana intensa, com novos bairros residenciais e zonas industriais. Sua população, em 2000, era de quase 800 mil habitantes. A governança de Nova Iguaçu caracteriza-se, principalmente, pela sua baixa capacidade financeira, com forte dependência dos recursos estaduais e federais, apesar da importância do seu setor terciário.

Em Japeri, que possui área urbana com grande dinâmica de ocupação, o trecho do Arco Metropolitano será paralelo ao eixo do ramal ferroviário existente. A sua governança municipal caracteriza-se, principalmente, pela baixa capacidade financeira. É o município com a menor capacidade de investimento e a menor capacidade de arrecadação, dependendo quase que totalmente de repasses externos. Sua capacidade de gestão é razoável, sendo menos desenvolvida na área ambiental, pois o município não possui conselho ou fundo de meio ambiente, nem integra nenhum comitê de bacia hidrográfica.

No município de Magé, a sua área urbana, que está em expansão, é contígua à rodovia BR493. É o município com a pior governança municipal, com baixa capacidade de gestão (poucos funcionários com nível superior, não possui conselho de desenvolvimento urbano nem de meio ambiente, tão pouco fundo municipal de meio ambiente) e baixa capacidade financeira (receita própria pequena e baixa receita per capita). Dessa forma, Magé, sob o aspecto de sua governança, é muito frágil.

Em Itaboraí localiza-se o COMPERJ, empreendimento de grande porte – não somente para o município, mas para todo o Estado do Rio de Janeiro – ora em implantação. Também no município, o traçado do Arco Metropolitano intercepta a rodovia BR-101 norte. A governança municipal de Itaboraí caracteriza-se como de baixa capacidade financeira (tanto de investimento como de arrecadação), em contraposição à sua boa capacidade de gestão. A instalação de um empreendimento do porte do COMPERJ em Itaboraí, município que em 2000 361

tinha menos de 200 mil habitantes, já vem provocando grandes alterações na dinâmica intra e intermunicipal.

Guapimirim merece atenção, sobretudo pela contigüidade espacial com o município de Itaboraí. Grande parte da sua área urbanizada encontra-se ao longo da rodovia BR-493, principal vetor de dinamização da ocupação urbana. O município tem uma frágil governança, uma das piores da área de abrangência do Arco, com baixa capacidade financeira e de gestão. E, assim como Magé, não possui conselho de desenvolvimento urbano ou de meio ambiente, nem fundo municipal de meio ambiente.

Tanguá poderá se comportar como um dos vetores de expansão, a leste, do Arco. É um município de pequeno porte; sua população, em 2000, era de menos de 30 mil habitantes. A proximidade de Itaboraí, e do COMPERJ, já tem reflexos neste pequeno município, principalmente com relação à oferta de empregos. A governança municipal de Tanguá é caracterizada por baixa capacidade financeira, mas com razoável capacidade de gestão, que poderá ser aprimorada, principalmente com relação à administração municipal.

3.4.2. Dados de Gestão Pública dos Municípios na Área de Influência do Arco Metropolitano
Com relação à análise da situação da gestão pública nos municípios do Arco Metropolitano, um primeiro ponto a avaliar é o fato de que, apesar desses municípios aparecerem, em média, de forma pior classificada nos rankings feitos nesse trabalho, comparando os indicadores econômico-sociais do Arco com as periferias das RMs de SP e BH com 50 mil habitantes ou mais, o salário médio do setor público no Arco Metropolitano, de R$ 1203,01, é maior do que o existente para o total da periferia da RMBH, R$ 1103,45. Ainda com relação ao salário médio na administração pública nos municípios do Arco Metropolitano é verificado que Duque de Caxias apresenta o maior salário médio, R$ 2231,11, e Cachoeiras de Macacu é o que apresenta o menor salário médio, R$ 621,91 .

362

È interessante verificar que o município de Duque de Caxias, apesar de apresentar o maior salário médio para os municípios do Arco Metropolitano e o sexto melhor salário médio na administração pública em um Ranking do Arco e das periferias da RMRJ e RMSP para municípios com 50 mil ou mais habitantes, apresenta um péssimo posicionamento no que diz respeito aos indicadores do IDEB para o ensino fundamental da série inicial à quarta série e do Índice FIRJAN de desenvolvimento municipal na área de saúde. Pode ser verificado que no ranking do Arco com os municípios das periferias das RMs de SP e BH, os nove menores salários médios entre os municípios analisados em dezembro de 2007 são todos da região de influência do Arco Metropolitano: São Gonçalo, R$917,85; Mangaratiba, R$896,38; Tanguá, R$872,50; Nilópolis, R$833,12; Paracambi, R$736,65; Japeri, R$736,45; Magé, R$692,87; Guapimirim, R$689,85; e Cachoeiras de Macacu, R$621,91. Isto apesar de o salário médio no setor público para o total dos vinte municípios da área de influência do Arco Metropolitano ser 9% superior ao salário médio encontrado para os municípios da periferia da RMBH63. Ao analisar o nível de qualificação por anos de estudo no setor público é verificado, ao contrário da maioria dos indicadores, um bom posicionamento dos municípios do Arco Metropolitano visa-vis a situação existente para o total das periferias das RMs de SP e BH. No que diz respeito ao número de anos de estudos dos trabalhadores no setor público no Arco Metropolitano, encontra-se, na faixa do médio completo, 39,50% dos servidores, e na faixa com do superior completo, 38,88%, contra um percentual, nas duas faixas citadas, na periferia da RMSP de 35,29% e 32,19% e na periferia da RMBH de 33,71% e 30,88%. Pode-se verificar ainda uma ótima situação do município de Duque Caxias do ponto de vista da escolaridade dos servidores públicos. Não existe na prefeitura, de acordo com os dados do Ministério do Trabalho, funcionários analfabetos, com nível médio incompleto encontramos 0,21% do total dos servidores; com nível médio completo 1,44%; com nível superior incompleto

Nos indicadores sobre a situação fiscal e a gestão pública, em alguns momentos priorizados a comparação com a periferia da RMBH, com 50 mil habitantes ou mais, vis-a-vis a periferia da RMSP, com 50 mil habitantes ou mais, tendo em vista a disponibilidade fiscal da periferia da RMBH ser mais próxima da realidade de receita corrente líquida per capita municipal existente nos municípios da área de influência do Arco Metropolitano.

63

363

0,41%. Em Duque de Caxias quase todos os servidores tem nível superior completo, ou seja, 95,29% do total de funcionários municipais.64 Com relação ainda à escolaridade dos servidores públicos, observa-se uma importante precarização do município de Cachoeiras de Macacu, que apresenta 14,38% do total de seus servidores na situação de analfabetismo. No que diz respeito ao salário médio dos servidores, já apontamos que este é ligeiramente maior para o total dos municípios da área de influência do Arco vis-a-vis o que ocorre para o total da periferia da RMBH. No entanto, quando se analisa o nível salarial por faixa, é observada na faixa de até um salário mínimo 7,55% dos servidores municipais do Arco, contra um percentual do total das periferias da RMSP e RMBH de respectivamente 2,13% e 4,14%. Já na faixa entre 3 e 10 salários mínimos, encontra-se um percentual de 33,20% no Arco contra um percentual de 32,17% no total da periferia da RMBH. Por outro lado, na faixa de 1 a 3 salários mínimos encontra-se uma menor concentração relativa de funcionários no Arco Metropolitano, 52,29% do total, contra um percentual de 56,68% no total da periferia da RMBH . Ou seja, no Arco metropolitano, em primeiro lugar, verifica-se que apesar do salário médio para os servidores no total dos vinte municípios ser ligeiramente superior ao existente para o total da periferia da RMBH, encontra-se nas nove últimas posições somente municípios da área de influência do Arco. Em segundo lugar, os salários dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano estariam com maior concentração relativa, vis-a-vis o encontrado na periferia da RMBH nas faixas até um salário mínimo e de 3 a 10 salários mínimos, contra uma menor concentração relativa nas faixas de 1 a 3 salários mínimos. Esses dois fatores parecem denotar um pior nível organizacional nos municípios do Arco Metropolitano no que diz respeito a gestão de pessoal. Um outro ponto ainda a ressaltar nessa tabela é que Cachoeiras de Macacu apresenta 49,71% dos seus servidores na faixa até 1 salário mínimo.

Com relação à situação educacional dos servidores em Duque de Caxias, o nível é particularmente alto. Visando realizar uma verificação, foram tabulados também os dados de 2006 e encontrados coerência com os dados de 2007.

64

364

Além disso é importante apontar que, além de Cachoeiras de Macacu, diversos municípios do Arco Metropolitano apresentam mais de 10% de seus trabalhadores na faixa até 1 salário mínimo. Nessa situação encontram-se Guapimirim com 23,48% dos funcionários nessa faixa, São Gonçalo com 16,02%, Magé com 15,89%, Belford Roxo com 14,03% e Nilópolis com 11,08%. Ao analisar o peso da administração pública no emprego total através de um ranking dos municípios do Arco Metropolitano e das periferias das RMs de SP e BH. Neste ranking pode-se observar por um lado Mangaratiba apresentando apenas 8,41% do total de empregos formais gerados no município no setor público e por outro que os 4 municípios que apresentam maior peso de emprego na administração pública vis-a-vis o emprego total são Itaguaí com 31,74%, Belford Roxo com 34,64%, Guapimirim 40,28% e Japeri 59,99%. Além disso, neste ranking observa-se ainda nas oito últimas posições a presença também dos municípios de Maricá com 27,84% dos trabalhadores atuando no setor público, Cachoeiras de Macacu com 28,69% e Paracambi com 29,89%. No caso de Mangaratiba acredita-se que o pequeno peso do emprego na administração pública vis-a-vis as demais atividades não seja resultado de uma pujança privada. Na verdade como já apontado isso deriva de um artificialismo pelo incentivo fiscal de ISS. O que gera a instalação apenas do ponto de vista formal de empresas no município que de fato atuam em outras regiões. Por outro lado a existência de sete municípios entre os oito com maior peso do emprego no setor público no total do emprego no ranking acima citado das três regiões aqui analisadas deve-se novamente a pequena densidade econômica da área de influência do Arco Metropolitano Foi verificada a relação existente no que diz respeito ao total de habitantes e servidores nos municípios do Arco Metropolitano comparando com a situação existente nos municípios das periferias das RMs de SP e BH procurando avaliar a existência de excesso ou falta de servidores.

365

Um primeiro ponto a destacar é que aparece com um número significativo de servidores relativamente ao número de habitantes no município a cidade de São Caetano do Sul que aparece via de regra bastante bem colocada nos indicadores sociais, de infra-estrutura e serviços públicos que foi organizada neste trabalho. Além disso no Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal divulgado recentemente pela FIRJAN para o ano de 2006 a cidade de São Caetano do Sul aparece como a mais bem colocada entre todos os municípios brasileiros. Isso faz sentido quando identificado que o setor público é altamente intensivo em pessoal, tendo em vista principalmente as áreas de saúde e educação. Por outro lado, da mesma forma verifica-se que um maior salário médio no setor público pode não significar um melhor serviço, um número maior de servidores vis-a-vis o número de habitantes pode não gerar, desarticulado de um estratégia e política geral, resultados positivos. Neste mesmo ranking de habitantes por servidor aparecem nas sete últimas posições – ou seja, entre aqueles nas três regiões que possuem o maior número de habitantes vis-a-vis o número de servidores – seis municípios da área de influência do Arco Metropolitano, que são: São Gonçalo, São João de Meriti, Magé, Mesquita e Nova Iguaçu. Esses municípios, por sua vez, têm aparecido no conjunto de indicadores sociais também mal posicionados, o que leva a supor a existência de uma carência de servidores para atender a população. No caso de Nova Iguaçu ainda no ranking de habitantes por servidor devemos ressaltar que aqueles municípios com um maior número de habitantes – como é o caso deste município com 855.500 habitantes estimados em 2008- ocorre um ganho de escala que permite uma necessidade menor de servidores em relação ao número de habitantes. No que se refere à política de investimento das prefeituras verifica-se que alguns municípios na área de influência do Arco Metropolitano com investimento per capita significativo no ano de 2007 como conseqüência do crescimento da receita pública per capita disponível ocorrida entre 2000 e 2007 como já apontado nesse trabalho. Nesse aspecto destacam-se positivamente os municípios de Itaguaí, com investimento per capita em 2007 de R$ 720,22, Mangaratiba R$ 606,28 e Tanguá com investimento per capita de R$ 243,71 superiores ao investimento existente na periferia de Belo Horizonte de R$ 184,40 . 366

Com o investimento também com alguma significação encontram-se os municípios de Guapimirim R$ 185,23, Magé R$ 172,61, Japeri R$ 159,90, Duque de Caxias R$ 137,04. Em uma situação ainda preocupante do ponto de vista da capacidade de inversão pública municipal localizam-se com investimentos per capita inferiores a R$ 100,00 ao ano e menos da metade do ocorrido na periferia da RMBH os municípios de: Nilópolis R$ 80,74, Mesquita R$ 78,54, Queimados R$ 50,52, São Gonçalo R$ 41,59 e São João de Meriti R$ 24,21. É importante ressaltar que esses municípios excetuando-se Nilópolis aparecem, via de regra, com péssimos indicadores do ponto de vista social, de infra-estrutura e de serviços públicos. Ainda sobre investimento per capita em 2007 organizado um ranking com os municípios da área de influência do Arco Metropolitano e das periferias das RMs de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes. Verifica-se que encontram-se na primeira metade deste ranking de 59 municípios Itaguaí, Mangaratiba, Tanguá, Guapimirim, Magé, Japeri, Duque de Caxias e Paracambi. Estas localidades do Arco Metropolitano são encontradas via de regra mal posicionados ao ponto de vista dos indicadores econômicos sociais de infra-estrutura e serviços públicos municipais. Isto pode ser fruto ou do fato de ter havido uma maior disponibilidade de investimentos per capita somente a partir de período recente ou de um mau aproveitamento de recursos públicos ou ainda de menor apoio e articulação no que diz respeito às esferas públicas estadual e federal. Em ordem decrescente entre os 29 primeiros colocados ainda no que se refere ao valor do investimento per capita para o ranking das três regiões aqui analisadas encontram-se: Itaguaí, terceiro colocado; Mangaratiba, quarto; Tanguá, décimo segundo; Guapimirim, décimo nono; Magé, vigésimo; Japeri, vigésimo terceiro; Duque de Caxias, vigésimo sétimo; Paracambi vigésimo nono. Do ponto de vista do custeio per capita em 2007 verificado também em um ranking dos municípios da região de influência do Arco Metropolitano e das periferias das RMs de SP e BH com 50 mil ou mais habitantes que oito municípios da área de influência do Arco encontram-se na primeira metade do ranking, entre os 29 primeiros. O dado preocupante a ser analisado é em primeiro lugar que entre esses municípios encontram-se neste ranking do custeio per capita para as três regiões analisadas os municípios de Mangaratiba e Itaguaí respectivamente na 367

segunda posição e na décima primeira. Esses municípios apesar de terem tido um expressivo crescimento da receita disponível per capita ainda encontram-se com indicadores sociais de infra-estrutura e serviços públicos bastante precários. Um segundo dado a ser levado em consideração é que encontra-se ainda na primeira metade do ranking do custeio per capita os municípios de Guapimirim, cachoeiras de Macacu, Maricá e Tanguá, que também apresentam precários indicadores sociais de infra-estrutura e de serviços públicos municipais das três regiões analisadas. Como uma primeira análise para conhecimento e base de ação do plano diretor do Arco Metropolitano é apontado que os vinte municípios componentes da área encontra-se uma

escolaridade média no setor público em termos de anos de estudos competitiva com a existente nas periferias das RMs de SP e BH. Um segundo é que apesar dos indicadores significativamente piores dos municípios da Área de influência do Arco Metropolitano vis-a-vis o encontrado na periferia da RMBH vemos que o salário médio no setor público no Arco Metropolitano é ligeiramente superior ao da periferia da RMBH. Por outro lado ao analisar a distribuição das faixa salariais verifica-se também indicadores que apontam as necessidades de importantes investimentos em melhoria de estratégia e gestão nos municípios do Arco. No que se refere ao número de servidores por habitante identifica-se que entre os municípios que apresentam a menor disponibilidade de servidores vis-a-vis o número de habitantes são via de regra exatamente aqueles que apresentam os piores indicadores sociais de infra-estrutura e de serviços públicos. Um último aspecto a destacar no que diz respeito aos dados já identificados sobre a gestão pública municipal é que verifica-se que apesar da existência de alguns municípios com uma boa capacidade de investimento per capita em 2007, ainda identifica-se, via de regra, um péssimo posicionamento na média dos indicadores organizados neste trabalho.

368

Entende-se que uma sugestão neste momento em que inicia-se uma etapa qualitativamente diferente de planejamento no âmbito do estado e da RMRJ é o governo do estado procurar articular parcerias com os municípios do Arco Metropolitano e do governo federal levando em consideração os indicadores de gestão pública existentes. Possivelmente, pelo que já foi observado, em algum deles a questão será, em maior nível o apoio à ampliação da capacidade de gestão pública, tendo em vista a capacidade de investimento per capita já adquirido. Em outros além da melhoria de gestão provavelmente será necessário um ingresso mais importante de recursos das esferas estadual e federal.

369

Quadro 3. 140 - Salário Médio dos trabalhadores na Administração Publica Municipal nos municípios do Arco Metropolitano, periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil – Salário Médio de dezembro de 2007

Municípios

Salário Médio da Administração Publica Municipal em dezembro de 2007 R$ 977,42 R$ 896,38 R$ 940,63 R$ 976,00 R$ 2.231,11 R$ 736,45 R$ 692,87 R$ 1.198,66 R$ 833,12 R$ 1.271,94 R$ 736,65 R$ 1.136,36 R$ 1.152,57 R$ 621,91 R$ 689,85 R$ 1.178,45 R$ 1.056,97 R$ 1.549,93 R$ 917,85 R$ 872,50 R$ 1.203,01 R$ 1.807,51 R$ 1.103,45 R$ 1.768,33 R$ 2.052,39 R$ 1.694,65 R$ 1.412,16 R$ 1.401,92 R$ 1.301,87

Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do Rio de Janeiro Região Sudeste Brasil
Fonte: RAIS/MTE 2007

370

Quadro 3. 141 - Ranking do Salário Médio dos trabalhadores da Administração Publica municipal entre os municípios do Arco Metropolitano e municípios com mais de 50 mil habitantes das periferias das Regiões Metropolitanas de BH e SP – Salários médios de dezembro de 2007 Salário Médio da Administração Publica em dezembro de 2007 R$ 3.705,53 R$ 2.944,94 R$ 2.265,45 R$ 2.231,11 R$ 2.164,95 R$ 2.119,35 R$ 2.098,48 R$ 2.026,86 R$ 1.899,04 R$ 1.814,25 R$ 1.732,42 R$ 1.720,21 R$ 1.708,25 R$ 1.692,60 R$ 1.661,18 R$ 1.631,59 R$ 1.618,96 R$ 1.555,56 R$ 1.551,22 R$ 1.549,93 R$ 1.510,91 R$ 1.497,41 R$ 1.485,34 R$ 1.375,85 R$ 1.347,34 R$ 1.334,05 R$ 1.287,41 R$ 1.271,94 R$ 1.252,23 R$ 1.236,36 R$ 1.205,05 R$ 1.198,66 R$ 1.196,82 R$ 1.196,20 R$ 1.183,82 R$ 1.178,45 R$ 1.158,69

MUNICIPIOS # 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 Barueri (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Duque de Caxias Diadema (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Santo André (RMSP) Guarulhos (RMSP) Betim (RMBH) Itapevi (RMSP) Esmeraldas (RMBH) Arujá (RMSP) Embu (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Suzano (RMSP) Caieiras (RMSP) Francisco Morato (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Contagem (RMBH) Niterói Poá (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Cajamar (RMSP) Embu-Guaçu (RMSP) Cotia (RMSP) Mauá (RMSP) Osasco (RMSP) Nova Iguaçu Franco da Rocha (RMSP) Carapicuíba (RMSP) Mairiporã (RMSP) Mesquita Vespasiano (RMBH) Santa Luzia (RMBH) Santana de Parnaíba (RMSP) Itaboraí Nova Lima (RMBH)

371

MUNICIPIOS # 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 São João de Meriti Jandira (RMSP) Queimados Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Ribeirão das Neves (RMBH) Maricá Ibirité (RMBH) Itaguaí Belford Roxo Sabará (RMBH) Seropédica Ribeirão Pires (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) São Gonçalo Mangaratiba Tanguá Nilópolis Paracambi Japeri Magé Guapimirim Cachoeiras de Macacu

Salário Médio da Administração Publica em dezembro de 2007 R$ 1.152,57 R$ 1.144,36 R$ 1.136,36 R$ 1.126,46 R$ 1.114,75 R$ 1.056,97 R$ 992,48 R$ 977,42 R$ 976,00 R$ 941,41 R$ 940,63 R$ 929,94 R$ 918,58 R$ 917,85 R$ 896,38 R$ 872,50 R$ 833,12 R$ 736,65 R$ 736,45 R$ 692,87 R$ 689,85 R$ 621,91

Fonte: MTE/RAIS

372

Quadro 3. 142 - Nível de escolaridade em percentagem dos empregados na Administração Pública Municipal segundo os anos de estudo para os municípios do ARCO Metropolitano, periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil no ano de 2007
Municípios ANALFABETO FUND. INCOMPL. 10,55 12,12 8,19 5,93 2,23 10,85 8,69 0,36 12,46 5,22 5,52 7,93 7,58 FUND. COMPL. 8,63 4,56 4,07 3,66 0,42 15,04 20,21 2,92 18,81 5,89 9,56 10,07 15,87 MEDIO MEDIO INCOMPL. COMPL. 3,08 5,83 7,43 2,19 0,21 3,84 4,41 2,29 8,08 2,97 2,86 3,61 2,36 45,46 37,55 13,72 16,27 1,44 49,52 49,06 42,21 33,27 29,57 71,53 40,90 46,81 SUPERIOR INCOMPL. 4,32 12,12 18,33 2,27 0,41 1,39 2,79 10,21 3,17 9,88 0,10 5,87 3,85 SUPERIOR COMPL. 27,37 27,75 48,26 69,67 95,29 19,36 14,84 42,00 24,21 46,39 10,34 31,54 23,53 TOTAL

Área 1 Itaguaí 0,59 Mangaratiba 0,07 Seropédica 0,00 Área 2 Belford Roxo 0,00 Duque de 0,00 Caxias Japeri 0,00 Magé 0,00 Mesquita 0,00 Nilópolis 0,00 Nova Iguaçu 0,09 Paracambi 0,10 Queimados 0,08 São João de Meriti 0,00 Área 3 Cachoeiras de Macacu 14,38 Guapimirim 0,10 Itaboraí 0,00 Maricá 0,00 Niterói 0,00 São Gonçalo 0,00 Tanguá 0,63 Arco Metropolitano 0,38 Periferia RMSP 0,39 Periferia 0,45 RMBH RMRJ 0,01 RMSP 0,20 RMBH 0,31 Estado do Rio 0,29 de Janeiro Região 0,47 Sudeste Brasil 0,70 Fonte: RAIS/MTE 200

100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

0,05 23,15 21,99 9,17 27,86 0,41 19,30 7,41 15,55 18,31 10,11 12,03 14,78 13,06 18,08 18,09

29,59 8,70 8,03 8,02 18,96 1,54 12,34 7,47 9,89 10,37 8,19 13,20 8,58 9,28 10,81 10,58

0,05 4,20 2,89 2,57 11,08 1,57 4,75 2,93 3,34 3,42 1,54 1,96 3,15 2,53 3,20 3,80

41,45 48,67 34,06 17,23 26,47 92,48 44,62 39,50 35,29 33,71 35,57 30,83 31,36 37,03 32,07 35,95

0,00 1,16 2,92 3,62 1,61 0,39 1,58 3,44 3,35 2,85 3,33 1,95 2,39 2,92 2,85 3,26

14,48 14,02 30,10 59,40 14,01 3,60 16,77 38,88 32,19 30,88 41,25 39,83 39,43 34,89 32,52 27,62

100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

373

Quadro 3. 143 - Participação percentual de cada nível de rendimento dos empregados na Administração Publica Municipal nos Municípios do Arco Metropolitano, Periferias de SP e BH, Regiões Metropolitanas do RJ, SP e BH, Estado do RJ, Sudeste e Brasil em 2007
Em salários

mínimos
1A3 SM 70,42 75,77 81,02 50,90 16,01 76,21 71,19 45,23 66,36 46,10 81,18 61,83 63,49 40,83 63,90 56,36 66,07 68,09 48,26 77,22 52,29 38,03 56,68 34,74 34,34 46,98 45,64 49,85 54,60 3 A 10 SM 23,25 18,18 17,52 29,56 68,09 13,66 6,77 49,82 20,05 44,86 13,60 32,84 32,11 9,30 8,36 40,49 30,57 18,30 26,04 17,09 33,20 48,45 32,17 53,11 49,04 38,29 40,80 36,63 26,80 MAIS DE 10 SM 1,97 1,12 0,92 1,64 11,26 1,23 0,26 1,98 0,52 2,66 0,00 1,89 2,11 0,00 0,19 1,74 1,57 9,64 0,89 0,00 3,17 8,66 4,44 6,43 12,24 9,78 4,42 5,82 3,51

Municípios Área 1 Itaguaí Mangaratiba Seropédica Área 2 Belford Roxo Duque de Caxias Japeri Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu Paracambi Queimados São João de Meriti Área 3 Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Arco Metropolitano Periferia RMSP Periferia RMBH RMRJ RMSP RMBH Estado do Rio de Janeiro Região Sudeste Brasil
Fonte: RAIS/MTE 2007

ATE 1 SM 0,81 0,75 0,11 14,03 1,55 7,21 15,89 0,78 11,08 1,91 2,36 3,02 1,49 49,71 23,78 0,17 0,07 1,81 16,02 2,06 7,55 2,13 4,14 3,46 2,42 2,82 3,20 4,20 11,47

374

Quadro 3. 144- Ranking da participação percentual do numero de empregados na Administração Publica no total de empregos dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano e municípios das periferias de SP e BH com mais de 50 mil habitantes em 2007 Numero de empregos na ADM PUBL 7.603 3.617 5.195 2.162 2.162 14.000 9.868 16.705 10.402 6.507 1.672 1.289 3.718 1.311 5.213 4.645 2.377 3.639 2.589 6.189 8.911 14.745 5.885 11.261 5.302 18.333 4.104 16.769 4.252 2.015 3.273 2.095 1.074 Participação da ADM PUBL no emprego total 3,81 4,74 4,98 5,49 5,54 5,65 5,92 6,15 6,33 6,48 8,41 8,67 8,86 8,94 9,02 9,11 9,94 10,14 10,19 10,45 10,59 10,78 10,97 11,64 11,70 11,88 12,24 12,53 12,88 13,06 13,54 15,27 15,28

Municípios # 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 Barueri (RMSP) Mogi das Cruzes (RMSP) São Caetano do Sul (RMSP) Cajamar (RMSP) Poá (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Santo André (RMSP) Guarulhos (RMSP) Contagem (RMBH) Diadema (RMSP) Mangaratiba Caieiras (RMSP) Suzano (RMSP) Arujá (RMSP) Cotia (RMSP) Taboão da Serra (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Embu (RMSP) Nova Lima (RMBH) Santana de Parnaíba (RMSP) Nova Iguacu Duque de Caxias Mauá (RMSP) Betim (RMBH) Sao Joao de Meriti Niteroi Carapicuíba (RMSP) Osasco (RMSP) Itaquaquecetuba (RMSP) Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Santa Luzia (RMBH) Pedro Leopoldo (RMBH) Embu-Guaçu (RMSP)

Numero de empregos total 199.737 76.359 104.352 39.393 39.043 247.777 166.806 271.693 164.228 100.488 19.887 14.875 41.947 14.669 57.792 51.002 23.902 35.883 25.397 59.222 84.169 136.768 53.645 96.706 45.331 154.364 33.536 133.781 33.014 15.427 24.176 13.722 7.027

375

Municípios # 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 Mairiporã (RMSP) Mage Franco da Rocha (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Sao Goncalo Mesquita Jandira (RMSP) Itaborai Itapevi (RMSP) Nilopolis Vespasiano (RMBH) Tangua Sabará (RMBH) Seropedica Queimados Ribeirão das Neves (RMBH) Esmeraldas (RMBH) Francisco Morato (RMSP) Maricá Cachoeiras de Macacu Ibirité (RMBH) Paracambi Itaguai Belford Roxo Guapimirim Japeri

Numero de empregos na ADM PUBL 1.885 2.291 1.789 2.945 15.449 1.919 2.534 3.566 3.556 3.466 2.359 632 3.038 1.844 2.384 3.868 1.235 1.824 2.682 1.915 3.261 1.138 6.564 8.572 2.069 2.526

Numero de empregos total 12.100 14.360 11.080 18.220 91.113 11.157 14.293 19.689 18.417 17.230 11.565 2.831 13.011 7.850 10.148 16.233 4.769 6.799 9.635 6.674 11.213 3.807 20.683 24.747 5.137 4.211

Participação da ADM PUBL no emprego total 15,58 15,95 16,15 16,16 16,96 17,20 17,73 18,11 19,31 20,12 20,40 22,32 23,35 23,49 23,49 23,83 25,90 26,83 27,84 28,69 29,08 29,89 31,74 34,64 40,28 59,99

Fonte: RAIS/MTE

376

Quadro 3. 145 - População, número de servidores públicos municipais e número de habitantes por servidor público em 2008 nos municípios do Arco Metropolitano e municípios com mais de 50 mil habitantes das periferias das Regiões Metropolitanas de SP e BH # 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 Municipios Mangaratiba Itaguaí Santana de Parnaíba (RMSP) Guapimirim Cachoeiras de Macacu São Caetano do Sul (RMSP) Nova Lima (RMBH) Cajamar (RMSP) Pedro Leopoldo (RMBH) Barueri (RMSP) Contagem (RMBH) Tanguá Vespasiano (RMBH) Japeri Paracambi Cotia (RMSP) Niterói Betim (RMBH) Ibirité (RMBH) Osasco (RMSP) Sabará (RMBH) Taboão da Serra (RMSP) Mairiporã (RMSP) Ribeirão Pires (RMSP) Seropédica Jandira (RMSP) Maricá Diadema (RMSP) Itapecerica da Serra (RMSP) Itapevi (RMSP) Esmeraldas (RMBH) Nilópolis Itaquaquecetuba (RMSP) Embu-Guaçu (RMSP) São Bernardo do Campo (RMSP) Guarulhos (RMSP) Queimados Itaboraí Santo André (RMSP) População 2008 31.848 103.515 110.730 48.688 56.529 151.103 75.530 62.522 58.635 264.619 617.749 30.139 99.557 100.055 44.629 179.109 477.912 429.507 155.290 713.066 125.285 224.757 77.443 111.402 77.618 110.325 119.231 394.266 159.102 201.995 58.307 159.005 351.493 61.701 801.580 1.279.202 137.870 225.309 671.696 Funcionarios da Adm Publica 2008 3.749 6.042 5.877 2.278 2.318 5.878 2.872 2.205 2.057 8.800 19.016 912 2.990 2.917 1.300 5.190 13.299 11.775 3.955 17.462 3.047 5.395 1.843 2.595 1.800 2.553 2.676 8.848 3.438 4.202 1.197 3.040 6.674 1.168 15.024 22.928 2.465 3.979 11.715 Habitantes por servidor 8,50 17,13 18,84 21,37 24,39 25,71 26,30 28,35 28,51 30,07 32,49 33,05 33,30 34,30 34,33 34,51 35,94 36,48 39,26 40,84 41,12 41,66 42,02 42,93 43,12 43,21 44,56 44,56 46,28 48,07 48,71 52,30 52,67 52,83 53,35 55,79 55,93 56,62 57,34

377

# 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59

Municipios Arujá (RMSP) Mauá (RMSP) Francisco Morato (RMSP) Belford Roxo Franco da Rocha (RMSP) Carapicuíba (RMSP) Poá (RMSP) Embu (RMSP) Santa Luzia (RMBH) Caieiras (RMSP) Ribeirão das Neves (RMBH) Suzano (RMSP) São Gonçalo São João de Meriti Magé Ferraz de Vasconcelos (RMSP) Mesquita Nova Iguaçu Mogi das Cruzes (RMSP) Duque de Caxias

População 2008 78.960 412.753 155.224 495.694 129.304 388.532 111.016 245.093 227.438 86.698 340.033 279.394 982.832 468.309 240.940 175.939 187.949 855.500 371.372 864.392

Funcionarios da Adm Publica 2008 1.335 6.928 2.560 8.117 2.079 6.009 1.709 3.771 3.491 1.306 4.476 3.634 12.227 5.823 2.587 1.875 1.956 7.785 3.363 *

Habitantes por servidor 59,15 59,58 60,63 61,07 62,20 64,66 64,96 64,99 65,15 66,38 75,97 76,88 80,38 80,42 93,13 93,83 96,09 109,89 110,43 *

Fonte: IBGE 2008 IBGE - Pesquisa de Informações Básicas Municipais - Gestão Pública 2008 * Não há dados para Duque de Caxias

378

Quadro 3. 146 - Investimento per capita em 2007 dos municípios da Zona de Influência do Arco Metropolitano MUNICIPIO Belford Roxo Cachoeiras de Macacu Duque de Caxias Guapimirim Itaboraí Itaguaí Japeri Magé Mangaratiba Maricá Mesquita Nilópolis Niterói Nova Iguaçu Paracambi Queimados São Gonçalo Tanguá São João de Meriti Seropédica Total do Arco Metropolitano Periferia de São Paulo Periferia de Belo Horizonte R$ 40,87 77,40 137,04 185,23 63,83 727,22 159,90 172,61 606,28 107,59 78,54 80,74 85,48 96,55 132,95 50,52 41,59 243,71 98,20 213,40 184,40

Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE Observação: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009 Os investimentos à que nos referimos são a soma dos Grupos de Despesa “Investimentos” e “Inversões Financeiras”.

379

Quadro 3. 147 - Investimento per capita em 2007 dos municípios das Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte com população superior a 50 mil habitantes

# 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40

MUNICIPIO Barueri - RMSP São Caetano do Sul - RMSP Itaguaí - RJ Mangaratiba - RJ Nova Lima - RMBH Santana de Parnaíba - RMSP Betim - RMBH São Bernardo do Campo - RMSP Pedro Leopoldo - RMBH Santo André - RMSP Suzano - RMSP Tanguá - RMRJ Poá - RMSP Mogi das Cruzes - RMSP Cajamar - RMSP Ibirité - RMBH Arujá - RMSP Ribeirão Pires - RMSP Guapimirim - RMRJ Magé - RMRJ Mairiporã - RMSP Guarulhos - RMSP Japeri - RMRJ Francisco Morato - RMSP Itapevi - RMSP Osasco - RMSP Duque de Caxias - RMRJ Diadema - RMSP Paracambi - RMRJ Contagem - RMBH Itapecerica da Serra - RMSP Caieiras - RMSP Taboão da Serra - RMSP Maricá - RJ Ribeirão das Neves - RMBH Mauá - RMSP Nova Iguaçu - RMRJ Embu - RMSP Vespasiano - RMBH Ferraz de Vasconcelos - RMSP

R$ 1.066,86 781,57 727,22 606,28 554,85 425,28 372,61 353,93 343,71 296,80 249,29 243,71 241,20 235,42 231,85 229,13 213,18 210,60 185,23 172,61 165,66 162,29 159,90 147,47 138,73 137,47 137,04 136,23 132,95 127,47 124,07 122,99 112,39 107,59 101,17 100,71 96,55 96,32 91,30 90,00

380

# 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 -

MUNICIPIO

R$

Sabará - RMBH 86,37 Niterói - RMRJ 85,48 Nilópolis - RMRJ 80,74 Cotia - RMSP 78,76 Mesquita - RMRJ 78,54 Cachoeiras de Macacu - RJ 77,40 Santa Luzia - RMBH 71,68 Embu-guaçu - RMSP 69,59 Itaboraí - RMRJ 63,83 Franco Rocha - RMSP 63,03 Carapicuíba - RMSP 62,32 Itaquaquecetuba - RMSP 55,68 Esmeraldas - RMBH 54,96 Queimados - RMRJ 50,52 São Gonçalo - RMRJ 41,59 Belford Roxo - RMRJ 40,87 Jandira - RMSP 39,84 São João de Meriti - RMRJ Seropédica - RMRJ Total do Arco Metropolitano 98,20 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE Observação: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009 Os investimentos à que nos referimos são a soma dos Grupos de Despesa “Investimentos” e “Inversões Financeiras”.

381

Quadro 3. 148 - Custeio per capita em 2007 nos municípios da área de influencia do Arco metropolitano e das periferias das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte com 50 mil ou mais habitantes

MUNICIPIO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 São Caetano do Sul - RMSP Mangaratiba - RJ Nova Lima - RMBH Cajamar - RMSP Barueri - RMSP Paracambi - RMRJ Niterói - RMRJ São Bernardo do Campo - RMSP Santo André - RMSP Santana de Parnaíba - RMSP Itaguaí - RJ Taboão da Serra - RMSP Betim - RMBH Osasco - RMSP Guapimirim - RMRJ Guarulhos - RMSP Cotia - RMSP Cachoeiras de Macacu - RJ Mauá - RMSP Diadema - RMSP Poá - RMSP Mogi das Cruzes - RMSP Arujá - RMSP Contagem - RMBH Maricá - RJ Tanguá - RMRJ Ribeirão Pires - RMSP Mairiporã - RMSP Pedro Leopoldo - RMBH Japeri - RMRJ Suzano - RMSP Duque de Caxias - RMRJ Itapevi - RMSP Itapecerica da Serra - RMSP Nova Iguaçu - RMRJ Embu-Guaçu - RMSP Caieiras - RMSP Itaboraí - RMRJ

R$ 2.020,52 1.963,24 1.334,50 1.249,66 1.160,14 1.052,49 1.041,92 1.000,56 993,71 968,72 731,68 691,54 670,39 669,55 657,13 631,26 626,04 614,40 603,71 544,53 535,65 503,86 498,51 496,57 492,93 474,37 469,69 467,35 432,82 429,58 429,52 407,04 405,18 403,32 391,09 383,83 379,60 346,72

382

MUNICIPIO 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 -

R$

Itaquaquecetuba - RMSP 344,05 Francisco Morato - RMSP 341,39 Magé - RMRJ 331,37 Jandira - RMSP 323,28 Franco da Rocha - RMSP 318,65 Sabará - RMBH 302,42 Ferraz de Vasconcelos - RMSP 293,72 Vespasiano - RMBH 268,42 Embu - RMSP 266,87 Esmeraldas - RMBH 249,95 Mesquita - RMRJ 232,10 Nilópolis - RMRJ 225,98 Belford Roxo - RMRJ 224,04 Santa Luzia - RMBH 222,29 Carapicuíba - RMSP 210,36 Ibirité - RMBH 203,06 Queimados - RMRJ 197,77 Ribeirão das Neves - RMBH 190,99 São Gonçalo - RMRJ 121,00 São João de Meriti - RMRJ 67,20 Seropédica - RMRJ Total do Arco Metropolitano 451,76 Fonte: FINBRA 2007 e Contagem de População 2007 / IBGE Observação: Valores corrigidos pelo IPCA – Maio de 2009

383

4.

SIMULAÇÃO

DE

CENÁRIOS

DA

REGIÃO

DE

INFLUÊNCIA DO ARCO METROPOLITANO DO RIO DE JANEIRO NO PERÍODO DE 2007 ATÉ 2030
A construção de uma metodologia que incorpore as futuras transformações da região de influência do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro deve considerar como conjunto de análise toda a paisagem compreendida na área de recorte definida pelos municípios referidos no Termo de Referência (TR) e todo o município do rio de janeiro, e não só as Áreas de Planejamento 3 e 5 como esta definida pelo TR. Assumindo esta premissa, estamos modificando a área de estudo definida pelo Termo de Referência, quando assumimos todo o município do Rio de Janeiro e não apenas as suas Áreas de Planejamento 3 e 5. A definição desta premissa, que se baseia no conceito de paisagem empregada nos estudos geográficos, se justifica, pelo fato de estarmos tratando de modelar as dinâmicas da expansão do tecido urbano na região de influência do Arco Metropolitano. As informações históricas do crescimento das áreas urbanas no Rio de Janeiro e conseqüentemente na região de influência do Arco Metropolitano não podem deixar de levar em consideração a influência em que todo o território do município do Rio de Janeiro possuiu na determinação dos fatores que governam esta dinâmica, sendo parte integrante do processo a evolução do crescimento das áreas urbanas desta região estratégica para a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Nestes termos a área de estudos definida para a simulação do crescimento urbano da Área de Influência do Arco Metropolitano, se estende em todo o território dos 21 municípios definidos pelo Termo de referência, considerando toda a extensão do município do Rio de Janeiro. A construção dos cenários se baseia na observação e simulação das dinâmicas e dos impactos que re-configuram a realidade, multiplicando-a e diversificando-a. Estas alterações na matriz espacial existente são resultados da soma da natureza local e metropolitana. O que se pretende com a construção dos cenários é atender a demanda por prever transformações futuras no território. Os componentes de Gestão do Plano Diretor utilizaram os cenários como referência para a sua tomada de decisão. Para auxiliar na simulação das dinâmicas territoriais futuras a ocorrer na Região de Influência do Arco Metropolitano, utilizou-se uma plataforma de simulação de crescimento urbano eu se baseia no modelo de Simulação de Cenários de Crescimento Urbano e Transformação do Uso do Solo, conhecido por SLEUTH. Este modelo é resultado da evolução do modelo de Simulação de Crescimento Urbano da Universidade de Clarke, Califórnia (EUA). SLEUTH é um 384

simulador de crescimento urbano que também acopla a funcionalidade de simulação do processo dinâmico de transformação da paisagem, através do módulo desenvolvido sobre o modelo de transição do uso e cobertura do solo. Para a construção do modelo de simulação de crescimento urbano da região de influência do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, foram levantadas informações sobre os fatores que governam a dinâmica de crescimento urbano da região a partir de um quadro geral, Figura 1 – Fatores e Crescimento Urbano, que sintetiza a contribuição dos componentes deste Plano Diretor, nas dimensões: Ambiental, Econômico Social e Urbano. Utilizando o quadro de informações descrito acima, obtidos através da análise dos fatores que compreendem a cena atual sobre a Região do Arco Metropolitano, foi construída uma representação espacial da realidade do espaço de desenvolvimento urbano, que servirá de entrada para o modelo de simulação de crescimento urbano. Para compor esta representação espacial da realidade atual, foram organizados dois conjuntos de fatores sobre o histórico de desenvolvimento urbano da região de estudo. O primeiro conjunto de fatores apresenta uma descrição dos fatores físicos e de uso do solo urbano, neste conjunto são sintetizadas as informações de: Crescimento urbano da região, abrangendo os períodos de 1975, 1994, 2001 e 2007. Dinâmica do uso do Solo nos períodos de 1975 e 2007; Caracterização física do relevo da região, da qual foram derivados os dados de declividade e sombreamento do terreno, obtidos a partir do modelo digital do terreno (DEM), tendo como base os dados do SRTM de 3 arco de segundo, gerados pela NASA para todo o Mundo. O segundo grupo de fatores organiza as informações referentes: Ao Ordenamento Territorial; A representação espacial da dimensão territorial dos empreendimentos estruturantes e suas Forças de atração e alteração do uso e ocupação do solo; A representação espacial do conjunto estruturado dos Planos Diretores Municipais; As políticas de proteção da biodiversidade e o desenvolvimento da malha de transporte, a partir dos mapas históricos obtidos junto ao DER-RJ. Para este conjunto de fatores foram organizados os seguintes planos de informação: • A disposição espacial das áreas de proteção da natureza, abrangendo o conjunto de unidades de conservação de Proteção Integral e de Uso Sustentável de todos os níveis administrativos (Federais Estaduais e Municipais);

385

• • •

As informações sobre as áreas institucionais pertencentes às forças armadas e demais instituições públicas; O conjunto dos Planos Diretores Municipais e sua representação espacial sobre a área de estudo; As áreas ocupadas pelos empreendimentos estruturantes e a representação espacial das áreas de influência do Complexo Portuário Industrial de Itaguaí e a área de Influência do COMPERJ, estas representando as forças de atração e dinamismo territorial destes complexos produtivos;

Mapa da evolução histórica do desenvolvimento da rede de transporte da região e um mapa com o poder de atração gravitacional das estradas, representando o padrão de uso e ocupação do solo influenciado pelo desenvolvimento e atração dos eixos de circulação e mobilidade.

Esta etapa de organização e sistematização dos fatores de desenvolvimento urbano esta sintetizada no quadro abaixo, que descreve os dois grupos de fatores utilizados na simulação de crescimento urbano. Todos os fatores são representados por mapas. Em alguns casos são apresentadas tabelas e gráficos para representar as tendências da distribuição espacial do fator em análise.

386

Figura 4.1 - Esquema Geral – Fatores de Crescimentos Urbano

387

4.1 Fatores de Desenvolvimento Urbano da Região de Influência do Arco Metropolitano
4.1.1 Histórico de crescimento Urbano da Região do Arco Metropolitano

O histórico de crescimento urbano representa a evolução do tecido urbano da Região de Influência do Arco Metropolitano. A investigação desta evolução foi realizada pelo resgate das informações históricas dos mapas de uso e ocupação do solo, produzidos por diferentes instituições responsáveis pelo mapeamento e levantamentos geográficos e estatísticos da ocupação do território do Estado do Rio de Janeiro. A representação da evolução histórica neste documento esta organizada em mapas de áreas urbanas, abrangendo as datas de 1975, gerado a partir do mapa de uso do solo pelo IBGE/DSG (Mapa 4.1). O mapa das áreas urbanas do ano de 1994 (Mapa 4.2) foi gerado a partir do projeto GEROE desenvolvido pela Fundação CIDE, hoje denominada Fundação CEPERJ. O mapa das áreas urbanas de 2001 (Mapa 4.3), foi gerado a partir dos dados do Projeto IQmVerde também da Fundação CIDE e o mapa das áreas urbanas de 2007 (Mapa 4.4) foi gerado a partir dos dados do mapa de uso e ocupação do solo desenvolvido pelo projeto do ZEE-RJ.

A evolução das áreas urbanas no período de 1975 até o ano de 2007 está organizada na tabela 4.1, em ordem decrescente de percentual de urbanização para o ano de 2007. A partir desta tabela podemos observar que os municípios que apresentam as maiores áreas urbanas em relação à área do município para o ano de 2007, são os municípios de São João de Meriti, que apresenta 93,67% da sua área urbanizada, o município de Belford Roxo, com 60,60% da sua área coberta por áreas urbanizadas e o município de Nilópolis com 52,2% de sua área considerada urbanizada. No extremo oposto encontram-se os municípios com as menores proporções de áreas urbanizadas em seus territórios, estes municípios são: Cachoeiras de Macacú o município com a menor área urbanizada, 1,33%; Mangaratiba com 2,45% do seu território com áreas urbanizadas e o município de Paracambi, com 3,36% da área do seu território sendo de uso urbano.

388

Tabela 4.1 – Percentual de Área Urbanizada por Município para os anos de 1975, 1994, 2001 e 2007.

% de Área Urbana no Município Área do Município (Km²) 35 78 19 1182 248 134 39 468 76 82 521 363 430 276 389 284 146 361 180 353 954

Município São João de Meriti Belford Roxo Nilópolis Rio de Janeiro São Gonçalo Niterói Mesquita Duque de Caxias Queimados Japerí Nova Iguaçu Maricá Itaboraí Itaguaí Magé Seropédica Tanguá Guapimirim Paracambi Mangaratiba Cachoeiras de Macacú

1975 75,40% 22,40% 48,66% 20,18% 16,69% 14,86% 19,60% 5,74% 9,60% 4,88% 5,77% 0,42% 0,13% 1,65% 0,56% 1,00% 0,27% 0,01% 0,46% 0,50% 0,09%

1994 86,64% 44,25% 49,34% 33,28% 33,67% 27,20% 31,70% 19,92% 16,72% 16,60% 14,59% 9,16% 9,72% 5,70% 6,70% 4,51% 4,37% 2,87% 1,40% 1,00% 0,39%

2001 92,79% 59,52% 49,87% 44,13% 42,17% 34,01% 33,46% 25,10% 20,73% 20,22% 19,35% 12,67% 12,76% 9,43% 9,28% 5,57% 5,75% 4,88% 2,06% 1,60% 0,71%

2007 93,67% 60,60% 52,05% 48,50% 45,99% 41,09% 34,16% 26,73% 24,85% 22,44% 21,64% 17,87% 15,61% 14,21% 10,76% 10,64% 7,24% 5,63% 3,36% 2,45% 1,33%

389

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa de Uso e Ocupação do Solo IBGE/DSG Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

7520000

Área urbana

RJ SP

7520000

±
10 20 Quilômetros 30 40

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Legenda
Arco Metropolitano

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

Mapa de Áreas Urbanas do Ano de 1975
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.1

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa de Uso e Ocupação do Solo Projeto GEREO/Fundação CIDE - RJ Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

7520000

Área Urbana

RJ SP

7520000

±
10 20 Quilômetros 30 40

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Legenda
Arco Metropolitano

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

Mapa de Áreas Urbanas do Ano de 1994
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.2

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa de Uso e Ocupação do Solo Projeto IQMVerde/Fundação CIDE - RJ Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

7520000

Área Urbana

RJ SP

7520000

±
10 20 Quilômetros 30 40

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Legenda
Arco Metropolitano

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

Mapa de Áreas Urbanas do Ano de 2001
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.3

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

Fontes:

580000

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

7600000

7520000

Área Urbana 2007

RJ SP

7520000

Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

Legenda
Arco Metropolitano

7600000

Mapa de Uso e Ocupação do Solo Projeto ZEE - RJ (Zoneamento Ecológico Econômico - RJ)

±
10 20 Quilômetros 30 40

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

Mapa de Áreas Urbanas do Ano de 2007
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.4

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

4.1.2 Caracterização do Relevo da Região do Arco Metropolitano

Os Condicionantes Físicos do relevo foram derivados dos dados do Modelo SRTM/NASA. O modelo SRTM é uma representação do relevo mundial obtida a partir dos dados de elevação do terreno gerados através de métodos interferométricos por radar de todo o globo terrestre. Estes dados estão disponíveis na internet de forma gratuita com a escala de 3 arco por segundo. Para a construção das variáveis dos condicionantes físicos do relevo da região de influência do arco metropolitano do RJ, foram gerados a partir dos dados de elevação do SRTM, os valores da Declividade em porcentagem e os valores de iluminação e sombreamento do terreno. Estes dois fatores estão representados nos mapas 4.5 e 4.6.

Para permitir uma análise agregada dos dados de declividade por município foram agregados os valores de declividade em quatro classes: classe 1 (0-5%), classe 2 (5-20%), classe 3 (2035%) e classe 4 (35-100%). A tabela 4.2 apresenta os dados de declividade por município. A partir dos dados da tabela, podemos destacar que os municípios que apresentam os menores valores porcentuais de sua cobertura na Classe 4 (35-100% de declividade) são os mesmos municípios que apresentam os maiores porcentuais de áreas urbanizadas em seu território, estes municípios são os: Nilópolis, que possui 0% de sua região em áreas com declividade acima de 35%, o município de São João de Meriti, que possui 5% de sua área com valores de declividade na classe 4 e o município de Belford Roxo que possui 7% de sua área com valores de declividade acima de 35% (Classe 4).

A relação entre declividade e urbanização representa a influência que a declividade exerce sobre o processo de urbanização do território. As áreas urbanas ocupam prioritariamente as áreas de baixa declividade, conseqüência dos custos de construção e dos riscos oriundos da ocupação das áreas com relevo acidentado. A região metropolitana do Rio de Janeiro apresenta um relevo muito acidentado, fato que condicionou a ocupação da cidade as suas regiões com relevo suave. Esta característica da cidade condicionou seu desenvolvimento deste a sua origem, no inicio da colonização. Avanços na tecnologia de construção e no desenvolvimento da engenharia fizeram com que a cidade sobrepusesse seus obstáculos, atravessando suas montanhas, estabilizando suas encostas e modificando seu relevo, para permitir o avanço da urbanização e a interligação das suas áreas urbanas e bairros desconectados entre si. Obras de construção de túneis, aterros e desmonte de morros foram realizadas em várias partes da cidade, alterando seu relevo original e permitindo o crescimento e o espraiamento de seu tecido urbano. Esta relação entre declividade e áreas urbanas pode 394

ser visualizada no gráfico 4.1, que apresenta a relação entre as áreas urbana do ano de 2007 e as classes de declividade consideradas anteriormente, a saber: classe 1 (0-5%), classe 2 (520%), classe 3 (20-35%) e classe 4 (35-100%). Com base neste gráfico observa-se que mais de 60% das áreas urbanas da região de influência do arco metropolitano ocupam a classe 1 de declividade, que é a classe com as áreas mais planas do relevo. Todavia as áreas urbanas estão localizadas em menos de 5% em áreas de maior declividade, isto é, acima de 35% de declividade.

70% 65% 60% 55% 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 1 2 3 4 Classe de Decividade

Gráfico 4.1 – Percentual de áreas urbanas por classe de declividade

% da Área Urbana em 2007

395

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Modelo Digital de Elevação (MDE) SRTM/NASA/USGS Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

7520000

Classe 2 (5-20%)

RJ SP

7520000

±
10 20 Quilômetros 30 40

Legenda
Classes de Declividade
Classe 1 (0-5%) Arco Metropolitano

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

7440000

7440000

0

5

Classe 3 (20-35%) Classe 4 (>35%)

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Mapa de Classes de Declividade em %
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.5

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

4.1.3. Histórico de Uso e Ocupação do Solo

O Uso e Ocupação do Solo esta representado para os anos de 1975 (IBGE/DSG) e para o ano de 2007 (ZEE-RJ) (Mapas 4.7 e 4.8). Estes dois mapas foram utilizados pelo modelo de simulação de crescimento urbano SLEUTH, como dados de entrada para a simulação da dinâmica de uso e ocupação da região em estudo. Com base nestes dados o modelo de simulação pode obter as taxas de transição entre as classes de uso e ocupação do solo e prever para o ano de 2030 a nova dinâmica da paisagem e sua representação espacial. O modelo de simulação da dinâmica da paisagem resultara na espacialização do processo de transformação do uso do solo para o ano de 2030, identificando a dinâmica entre as classes de uso do solo, possibilitando uma avaliação da tendência de modificação da paisagem. A tabela 4.2, representa a configuração de uso do solo dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano, e esta organizada de forma decrescente pelo percentual de área urbana no município. Nesta tabela podemos destacar os municípios que possuem área com maior cobertura de florestas e aqueles que apresentam maiores áreas destinadas à produção agrícola e pecuária. Dentro deste espectro os municípios com os maiores percentuais de áreas cobertas por uso Florestal são: Mangaratiba, Cachoeiras de Macacú e Magé. Os municípios que apresentam as maiores porções do seu território cobertos por uso Agropastoril, são os municípios: Seropédica, Queimados, Japeri e Itaboraí. Uma visão geral da paisagem da Região de Influência do Arco Metropolitano apresenta uma configuração de uso e ocupação do solo em que, 46% da região esta coberta por Ecossistemas Naturais, 26% se destina ao uso agropastoril, 22% são áreas urbanas em diferentes graus de urbanização e 1% são outros usos, em que são compreendidos as áreas de praia, solos expostos e afloramentos rochosos. Estas informações estão sumarizadas no gráfico 4.2, e destaca a relevância das áreas de ecossistemas naturais para a manutenção dos serviços ambientais de proteção aos mananciais hídricos, de proteção das encostas, de conforto térmico, de regulação da temperatura, de suporte a vida silvestre, de proteção dos rios, de qualidade de vida, que representam a importância e vocação natural para a disseminação de uma cultura de desenvolvimento sustentável, a qual a região de influência do Arco Metropolitano e neste caso também a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, possuem para se tornarem referência nos processos de Planejamento Metropolitano que compatibilizem o desenvolvimento econômico em bases sustentáveis.

398

Tabela 4.2 – Percentual de cobertura de uso do solo Agropastoril, Florestal e Urbano dos Municípios da área de influência do arco metropolitano em 2007.

Município Agropastoril% Floresta % Urbano % São João de Meriti 6% 0% 94% Belford Roxo 26% 12% 62% Nilópolis 47% 2% 51% Rio de Janeiro 17% 32% 49% São Gonçalo 27% 27% 46% Niterói 8% 45% 41% Mesquita 15% 53% 34% Duque de Caxias 22% 50% 27% Queimados 66% 5% 25% Japerí 60% 18% 22% Nova Iguaçu 26% 52% 22% Maricá 20% 57% 18% Itaboraí 60% 23% 16% Itaguaí 42% 43% 14% Magé 23% 65% 11% Seropédica 71% 11% 11% Tanguá 59% 33% 7% Guapimirim 34% 58% 6% Paracambi 53% 43% 3% Mangaratiba 10% 87% 2% Cachoeiras de Macacú 27% 71% 1%

50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Agropastoril Areas Úmidas Floresta Outros Urbana Agropastoril Areas Úmidas Floresta Outros Urbana

Gráfico 4.2 – Percentual das Classes de Uso e Ocupação do Solo da Região de Influência do Arco Metropolitano no ano de 2007.

399

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa de Uso do Solo IBGE/DSG 1975 Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000

700000
560000 620000 680000
MG

730000

760000

7520000

Mata / Floresta

RJ SP

7520000

±
10 20 Quilômetros 30 40

Legenda
Classes de Uso do Solo 1975
Água Arco Metropolitano

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Título

7440000

Área Urbana

7440000

0

5

Outros usos

Mapa de Uso e Ocupação do Solo do Ano de 1975
Data

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.7

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

Fontes:

580000

610000

640000

7600000

7520000

Vegetação Natural

RJ SP

7520000

Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

Outros Usos Agropastoril

MG

7600000

Mapa de Uso e Ocupação do Solo 2007 Projeto ZEE-RJ (Zoneamento Ecológico Econômico - RJ)

±
10 20 Quilômetros 30 40

Legenda
Arco Metropolitano

670000
560000

700000
620000 680000 740000 800000

730000

760000

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
Consórcio Projeto

Uso e Ocupação do Solo

Título

7440000

Áreas Úmidas

7440000

0

5

Áreas Urbanas

Mapa de Uso e Ocupação do Solo do Ano de 2007
Data

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.8

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

4.1.3 Unidades de Conservação

O sistema de Unidades de Conservação Brasileiro esta regido pela Lei N 9.985, de 18 de julho de 2000. Esta Lei regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal. As unidades de conservação nos termos desta legislação agrupam as categorias de unidades de conservação em dois grupos: As Unidades de Proteção Integral e as Unidades de Uso Sustentável. De acordo com o art. 7, parágrafos 1 e 2, os objetivos básicos dos dois grupos de unidades de conservação são: “§ 1o O objetivo básico das Unidades de Proteção Integral é preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nesta Lei. § 2o O objetivo básico das Unidades de Uso Sustentável é compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais.”

Neste trabalho foram levantadas 21 Unidades de Conservação de Proteção Integral e 23 Unidades de Conservação de Uso Sustentável. Abaixo segue uma lista das Unidades de Conservação levantadas neste estudo (Tabela 4.3). A organização espacial e o padrão de distribuição das Unidades de Conservação na área de influência do Arco Metropolitano estão representados nos Mapa 4.9 e Mapa 4.10, sendo este último com os nomes das unidades de Conservação no mapa.

Tabela 4.3 – Relação das Unidades de Conservação Levantadas por Grupo de Unidade de Conservação definidos pelo SNUC.

Nome da Unidade de Conservação APA da Bacia do Rio São João/Mico-LeãoDourado APA da Região Serrana de Petrópolis APA das Serras do Gericinó-Mendanha APA de Guapi-Mirim APA de Macaé de Cima APA de Mangaratiba APA de Maricá APA de Pedra Lisa APA do Morro de Japeri APA do Retiro APA do Rio D'Ouro APA do Rio Guandu APA do Rio Santana

GRUPO Proteção Integral Uso Sustentável x x x x x x x x x x x x x

402

Nome da Unidade de Conservação APA do Rio São Pedro de Jaceruba APA do Rio Tinguá/ Iguaþu APA do Xerém APA dos Frades APA Morro Agudo APA Municipal de Mesquita APA Tinguazinho APARio Guandu ARIE Ilha das Cagarras ESEC da Guanabara ESEC do Paraíso FLONA Mário Xavier PARNA da Serra dos Ërgãos PARNA da Tijuca Parque Estadual do Cunhambebe PE da Chacrinha PE da Pedra Branca PE da Serra da Tiririca PE do Graja· PE dos TrÛs Picos PNM de Nova Iguaþ· REBIO do Tinguá REBIO e Arqueológica de Guaratiba RPPN Ceflusmme RPPN Centro Ecológico Metodista Ana Gonzaga RPPN El Nagual RPPN Fazenda Cachoeirinha RPPN Gotas Azuis RPPN QuerÛncia RPPN Sítio Granja São Jorge RPPN Sítio Poranga Total

GRUPO Proteção Integral Uso Sustentável x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x 21 23

Uma análise estratégica sobre o estado de conservação dos ecossistemas naturais dos municípios da área de influência do Arco Metropolitano foi realizada computando-se as áreas naturais protegidas por unidades de conservação dos dois grupos (Proteção Integral e Uso Sustentável) e as áreas naturais não protegidas, dentro de cada município. Vale ressaltar que o conceito de ecossistema natural aqui utilizado, representa a soma das áreas das classes de uso e ocupação do solo de 2007, a saber: Floresta, Mangue, Restinga e Vegetação Secundária. A tabela 4.4 apresenta a relação percentual de áreas de ecossistemas naturais protegidos para cada grupo de unidade de conservação e as áreas de ecossistemas naturais não protegidos por município.

403

Tabela 4.4 – Percentual de áreas de ecossistemas naturais protegidos e não protegidos por município da área de influência do arco Metropolitano.

Município São João de Meriti Tanguá Belford Roxo Maricá Queimados Niterói Nilópolis Itaboraí São Gonçalo Itaguaí Seropédica Cachoeiras de Macacu Rio de Janeiro Magé Guapimirim Japeri Duque de Caxias Mangaratiba Nova Iguaçu Paracambi Mesquita Total Região do Arco

Ecossistemas Naturais Protegidos Proteção Uso Integral Sustentável 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,1% 4,4% 2,1% 0,0% 11,4% 15,9% 0,0% 0,0% 17,3% 6,4% 13,2% 0,0% 22,5% 5,8% 18,7% 0,0% 24,7% 38,0% 6,9% 43,1% 4,1% 6,6% 41,7% 25,1% 36,6% 0,0% 68,7% 41,1% 36,2% 34,0% 50,4% 49,3% 39,6% 0,0% 99,8% 13,0% 87,0% 28,1% 26,8%

Ecossistemas Naturais não Protegidos 100,0% 100,0% 99,9% 93,5% 88,6% 84,1% 82,7% 80,4% 77,5% 75,5% 75,2% 55,1% 52,8% 51,7% 38,4% 31,3% 22,7% 15,5% 11,1% 0,2% 0,1% 45,0%

Através da tabela acima podemos destacar que na área de influência do Arco Metropolitano,
55% dos ecossistemas naturais estão inseridos em áreas de Unidades de Conservação, sendo 28% em unidades de conservação de Proteção Integral e 27% em áreas de Uso Sustentável. Ao todo a região possui 45% das suas áreas de ecossistemas naturais fora de Unidades de Conservação.

Dentre as formações naturais existentes na região de influência do arco metropolitano encontram-se áreas de Floresta Atlântica e seus ecossistemas associados de Mangue e Restinga, além de áreas com Floresta Ombrófila em diferentes estágios de desenvolvimento que são denominadas por vegetação secundária. A tabela 4.5 apresenta a distribuição das áreas de ecossistemas naturais desagregadas em suas diferentes classes para a região de influência do Arco Metropolitano. Na região do arco metropolitano dos 28% de áreas de proteção integral 31% são florestas, 20% são áreas de manguezais e 2% são de áreas de 404

Floresta em estágio inicial de regeneração. No grupo de unidades de conservação de uso sustentável, do total de 27% de áreas de ecossistema Natural, 28% são florestas, 41% são Manguezais, 8% são de áreas de Restinga e 9% são áreas de vegetação em estágio inicial de regeneração. Dentre as áreas de ecossistemas naturais não protegidos, que representam 45% do total de áreas de ecossistemas naturais, encontram-se 42% de áreas de Floresta, 39% de áreas de manguezal, 92% das áreas de restinga e 90% de áreas de vegetação em estágio inicial de regeneração. Esta ultima provenientes da regeneração de áreas abandonadas de pastagens e de antigas áreas de cultivo.

Tabela 4.5 – Percentual de áreas de ecossistemas naturais protegidos e não protegidos por município da área de influência do arco Metropolitano.

Ecossistema Natural Proteção Integral Uso Sustentável Não Protegido Floresta 31% 28% 42% Mangue 20% 41% 39% Restinga 0% 8% 92% Vegetação em Estágio Inicial 2% 9% 90% Total 28% 27% 45% Uso do Solo

405

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Secretaria Estadual de Meio Ambiente - RJ INEA - Instituto Estadual do Ambiente Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000

700000
560000 620000 680000
MG

730000

760000

7520000

RJ SP

7520000

±
20 Quilômetros 30 40

Legenda
Arco Metropolitano Unidades de Uso Sustentável Unidades de Proteção Integral

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

Mapa de Unidades de Conservação
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.9

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

APA de Macaé de Cima PE dos Três Picos

PARNA da Serra dos ÓrgãosESEC do Paraíso REBIO do Tinguá APA da Região Serrana de Petrópolis APA da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado
7490000

APA do Rio Santana APA do Xerém APA do Rio São Pedro de Jaceruba APA de Pedra Lisa APA do Rio Tinguá/ Iguaçu APARio Guandu APA do Rio Guandu APA do Rio D'Ouro RPPN Gotas Azuis APA do Retiro APA Tinguazinho FLONA Mário Xavier APA Morro Agudo PNM de Nova Iguaçú APA das Serras do Gericinó-Mendanha APA Municipal de Mesquita

7490000

RPPN Querência APA de Guapi-Mirim ESEC da Guanabara

RPPN Sítio Poranga

7460000

Parque Estadual do Cunhambebe APA Tamoios

PARNA da Tijuca ARIE Ilha das Cagarras

REBIO e Arqueológica de Guaratiba

RPPN Ceflusmme

580000 Fontes: Secretaria Estadual de Meio Ambiente - RJ INEA - Instituto Estadual do Ambiente Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000

700000
560000 620000 680000
MG

730000

760000

7520000

RJ SP

7520000

±
20 Quilômetros 30 40

Legenda
Arco Metropolitano Unidades de Uso Sustentável Unidades de Proteção Integral

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

Mapa de Unidades de Conservação
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.10

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

APA de Mangaratiba RPPN Sítio Granja São Jorge RPPN Centro Ecológico Metodista Ana GonzagaPE da Pedra Branca

PE do Grajaú

PE da Serra da Tiririca APA de Maricá

7520000

APA dos Frades

4.1.4 Histórico da Rede de Transporte

A Rede histórica de transporte foi desenvolvida a partir da digitalização dos mapas da rede de transporte do Estado do Rio de Janeiro, obtidos junto ao DER-RJ (Figuras 2 a 9). Os mapas foram georreferênciados e comparados com a malha de estradas e ferrovias obtidas através das bases de dados do IBGE e do ZEE – RJ para a rede de transporte. Para representar a rede de transporte foi gerado um mapa contendo a rede de transporte atual e as vias previstas e planejadas, representando a evolução histórica da rede de transporte (Mapa 4.11), que fornece para o modelo de simulação de crescimento urbano informações sobre a transformação dos aspectos da mobilidade e da acessibilidade da Região em estudo. Outro fator derivado da rede de transporte é o fator de atração gravitacional exercido pelas estradas. Este fator representa o poder de transformação territorial o qual as estradas exercem na dinâmica de desenvolvimento urbano de uma região. O poder gravitacional das estradas esta relacionado ao padrão de ocupação e uso do solo ao longo dos eixos de transporte, que se configuram como locais que apresentam relações com a facilidade de mobilidade, a organização logística de escoamento da produção a acesso a infra-estrutura e a serviços urbanos. O Mapa 4.12 representa espacialmente o fator de atração gravitacional da rede de transporte da região de influência do arco metropolitano.

408

409

410

411

412

413

414

415

416

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

B R 11 6
7490000

BR116

B

5

B R 101 - A
BR
7460000

ill r as vB

01 BR 1

10 1
7460000

580000 Fontes: Mapas históricos da Rede de Transporte do Estado do Rio de Janeiro - DER-RJ Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

7520000

Rodovia Federal

RJ SP

7520000

±
10 20 Quilômetros 30 40

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
7600000 7600000

Legenda
Arco Metropolitano Rodovias Estaduais e Municipais

740000 800000

Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

Mapa dos Eixos de Transporte Rodoviários
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.11

560000

620000 680000

740000 800000

7490000

B R 49 3

7520000

BR 040

R

46

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapas Históricos da Rede de Transporte do Estado do Rio de Janeiro DER - RJ Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

7520000

Fator de Atração das Rodovias
Atração Neutro

RJ SP

7520000

±
40

640000

Legenda

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Arco Metropolitano Principais Rodovias Áreas_Institucionais Empreendimentos

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

20 Quilômetros

30

Mapa do Fator de Atração das Rodovias
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.12

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

4.1.5 Aglomerados Econômicos como indutores do Desenvolvimento Urbano
Sinergicamente ao Arco Metropolitano foram levantados os Empreendimentos Estruturantes previstos para implantação na região atravessada pelo Arco Metropolitano, e que, juntamente com o eixo rodoviário, constituem um fator de influência ao desenvolvimento Urbano da Região de influência do Arco Metropolitano. As transformações esperados oriundas dos

empreendimentos são de ordem local e regional, ocasionando desdobramentos na dinâmica populacional, apropriação de recursos naturais e ordenamento do território, o que vai exigir opções estratégicas para a área alvo do Plano Diretor.

Na construção da Simulação dos Cenários, os Aglomerados Econômicos formados pelo agrupamento estratégico de grupos de Empreendimentos Estruturantes, são tratados como pólos de crescimento os quais seu fortalecimento e suas capacidades de arrasto produtivo são precedentes, considerados para a efetiva geração dos efeitos multiplicadores sobre a totalidade do território. Cabe ressaltas que as formas de organização logístico-produtivas influenciam a forma de organização territorial e vice-versa.

O Arco Metropolitano e os Empreendimentos Estruturantes formam uma configuração agregada, que exige uma previsão estratégica das transformações conjuntas, oriundas das repercussões econômicas, sociais e nas interferências no meio ambiente, para oferecer opções de desenvolvimento regional, que envolverá decisões públicas de natureza estratégica, e decisões privadas que se debruça na competitividade empresarial, impondo

compartilhamentos, colaboração e gestão conjunta a serem previstas para a região alvo do Plano Diretor.

Na Área de Influência do Arco Metropolitano, os principais Aglomerados Econômicos são o Metal-Mecânico (Situado em Itaguaí) e o Químico-Farmacêutico (Situado em Itaboraí – COMPERJ).

No Aglomerado Econômico de Itaguaí os principais empreendimentos que o constituem são: Destaca-se o conjunto de unidades concentradas nas imediações da estrutura portuária de Itaguaí que se estende ao extremo oeste da AP5 do MRJ (dentro do Distrito Industrial de Santa Cruz), incluindo: Porto Público de Itaguaí administrado por Companhia DOCAS/RJ (com

419

Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR1, ambos terminais da CSN, e os terminais da VALE2), Plataforma Logística da CSN (expansão de Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR, bem como, futuramente, implantação de Centro de Apoio Logístico, Porto Privativo Lago de Pedra com retroárea), Porto Sudeste-MMX e Porto Usiminas (escoamento de minério de ferro), Base Naval Militar da Marinha (com estaleiro de submarinos), parques siderúrgicos da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA e da Gerdau Aços Longos (Cosigua), Nuclebrás Equipamentos Pesados – NUCLEP (produção de estruturas metálicas e caldeiraria pesada), Fábrica Carioca de Catalisadores – FCC (produção de compostos usados no refino de petróleo). Nessa região, existem também outros projetos em discussão: terreno a ser licitado por DOCAS/RJ, a princípio, apontado como “Área Multiuso” (mas, poderá se tornar um novo estaleiro); Porto Petrobrás (área de apoio offshore); Porto Gerdau (escoamento de produtos siderúrgicos e importação de carvão); e usina siderúrgica CSN II (a princípio, aços longos).

Chama atenção o papel estruturante que o COMPERJ poderá desempenhar enquanto âncora, a ponto de transformar Itaboraí em uma grande centralidade econômica da Área de Estudo 3. Dessa forma, recomenda-se incentivar o desenvolvimento de um Pólo Petroquímico baseado em Petróleo para caracterizar Itaboraí enquanto núcleo motriz de um Complexo QuímicoFarmacêutico regional. Cabe ainda ressaltar que, além de fortalecer internamente esse complexo, deve ser buscado estimular sua unificação com o complexo Químico-Farmacêutico nucleado futuramente por Duque de Caxias (Área de Estudo 2).

No Aglomerado Econômico de Itaboraí, o Porto Público de Itaguaí poderá desempenhar enquanto âncora, uma sinergia local ao ponto de transformar Itaguaí na principal centralidade econômica da Área de Estudo 1. Dessa forma, recomenda-se incentivar a consolidação de uma concepção “Porto-Indústria” planejado para caracterizar Itaguaí enquanto núcleo motriz de um Complexo Metal-Mecânico regional. Cabe ainda ressaltar que, além de fortalecer internamente esse complexo, deve-se buscar estimular sua unificação com o complexo MetalMecânico nucleado por Volta Redonda na Região do Médio Paraíba.

A incorporação dos efeitos portadores de futuro ocasionados pela influência dos empreendimentos, nas trajetórias de desenvolvimento urbano da região alvo do Plano Diretor, esta representada nos Mapas 4.13 e 4.14, respectivamente, Influência dos Aglomerados
Respectivamente, Terminal de Contêineres e Terminal de Cargas. Quanto ao Sepetiba TECAR, sua movimentação é basicamente de suprimento de carvão e escoamento de minério de ferro.
2 1

Trata-se dos terminais da Companhia Portuária Baía de Sepetiba – CPBS e da antiga Valesul.

420

Econômicos de Itaguaí e Influência dos Aglomerados Econômicos de Itaguaí e Itaboraí. Estes mapas são constituídos por uma superfície contínua que representa a força “gravitacional” dos aglomerados econômicos considerados nos cenários investigados neste estudo, e que estão previstos para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

421

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

Fontes:

580000

610000

640000

670000

700000
560000 620000 680000
MG

730000

760000

7600000

7520000

Atração

RJ SP

7520000

Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

Fator de Atração Cluster Econômicos

Arco Metropolitano

7600000

Biblioteca do INEA de Estudos de Impacto Ambiental de Empreendimentos Industriais

±
30 40

Legenda

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

20 Quilômetros

Neutralidade

Escala

Mapa do Fator de Atração dos Clusters de Desenvolvimento Econômico
Data

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.13

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

Fontes:

580000

610000

640000

670000

700000
560000 620000 680000
MG

730000

760000

7600000

7520000

Atração

RJ SP

7520000

Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

Fator de Atração

Arco Metropolitano

7600000

Biblioteca do INEA de Estudos de Impacto Ambiental de Empreendimentos Industriais

±
20 Quilômetros 30 40

Legenda

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
Consórcio Projeto

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

Neutralidade

Escala

Mapa do Fator de Atração do Cluster de Desenvolvimento Econômico - Itaguaí
Data

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.14

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

4.1.6 Forças de Atração e Repulsão ao Crescimento Urbano – Cenário Normativo
Para representar as forças de atração e repulsão ao desenvolvimento econômico da região de influência do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, foi construído um mapa de forças de atração e repulsão ao crescimento urbano para cada um dos dois cenários de desenvolvimento econômico, representados pelas dinâmicas territoriais oriundas do poder de transformação dos aglomerados econômico de Itaguaí e de Itaboraí, do poder de atração da rede de transporte, incluindo as transformações oriundas dos fatores transformadores induzidos pela implantação do Arco Metropolitano, conjugado aos Fatores de Controle Normativo regulados pelas regras de ocupação do território definidas pelas leis ambientais e as leis que atuam no processo de uso e ocupação do solo. O primeiro cenário considera as forças de dinamismo oriundas do aglomerado econômico de Itaguaí, e para o segundo cenário são avaliadas as transformações dinâmicas do território pela análise conjunta dos efeitos sinérgicos dos aglomerados econômicos de Itaguaí e Itaboraí, tal divisão visa atender as especificações de construção de cenários definidas pelo Edital. A construção do mapa de atração e repulsão foi realizada através da combinação dos pesos de atração das rodovias, multiplicado pelo peso de atração dos Clusters econômicos para cada um dos cenários de simulação, e o resultado destes foi combinado com o mapa de forças de controle, representado pelo peso das unidades de conservação e da resistência do relevo (Declividade), em conjunto com a delimitação das áreas de exclusão a urbanização destacando-se as áreas institucionais e a definição adotada pela organização político territorial. O resultado do mapa de atração e repulsão ao crescimento urbano para cada um dos cenários de simulação pode ser resumido na equação abaixo:

F = (Fator de Atração das Estradas * Fator de Atração dos Empreendimentos) - (Fator de Controle das Unidades de Conservação * Fator de Resistência da Declividade * Fator de ordenamento territorial)

424

A seguir são apresentados os mapas gerados na construção dos cenários investigados. O primeiro mapa apresenta a superfície de atração ao crescimento urbano para o cenário 1 que, leva em consideração a força de atração “ gravitacional” das estradas conjugada com a força de transformação territorial do aglomerado econômico de Itaguaí (Mapa 4.15). O segundo mapa apresenta as forças de atração ao crescimento urbano para o cenário 2, que considera a força indutora de desenvolvimento dos eixos de transporte e o rebatimento espacial da influência ao crescimento econômico induzida pela ação conjunta dos aglomerados econômicos de Itaguaí e Itaboraí (Mapa 4.16). Para a composição das forças de controle ao crescimento urbano, foram levantadas todas as unidades de conservação existentes na região de estudo, as áreas institucionais e as zonas territoriais mais restritivas a urbanização definida pelos planos diretores, a conjugação destes fatores estão reunidas no Mapa 4.17. A construção das forças de atração e repulsão dos cenários utilizados para a modelagem do crescimento urbano da Região do Arco Metropolitano estão representadas nos mapas 4.18 e 4.19, que são respectivamente o mapa de atração e repulsão ao crescimento urbano do cenário 1 e o mapa de atração e repulsão ao crescimento urbano do cenário 2.

425

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa derivado da Álgebra de Mapas entre o fator de atração das Estradas e o Fator de atração do Cluster Econômico em Itaguaí. Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

7520000

Neutralidade Atração

RJ SP

7520000

±
20 Quilômetros 30 40

Legenda
Arco Metropolitano Principais Rodovias

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Fatores de Atração

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

Mapa dos Fatores de Atração Cenário 1
Data

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.15

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa derivado da Álgebra de Mapas entre o fator de atração das Estradas e o Fator de atração dos Clusters Econômicos em Itaguaí e Itaboraí. Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

7520000

Neutralidade Atração

RJ SP

7520000

±
20 30 40

Legenda
Arco Metropolitano Principais Rodovias

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Fatores de Atração

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

Mapa dos Fatores de Atração Cenário 2
Data

Escala

Quilômetros

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.16

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes:

610000

Mapa derivado da Álgebra de Mapas entre o fator de declividade, as Unidades de Conservação de Proteção Integral e as Áres Instiucionais. Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

7520000

Repulsão

RJ SP

7520000

±
30 40

640000

Legenda
Arco Metropolitano Principais Rodovias

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Fatores de Controle

Unidades de Proteção Integral

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

7440000

7440000

0

5

10

20 Quilômetros

Mapa dos Fatores de Controle do Desenvolvimento Urbano
Data

Neutralidade

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.17

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa derivado da Álgebra de Mapas entre os fatores de controle e os fatores de atração do scenário 1. Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

7520000

Fatores de Atração e Controle
Controle Atração

RJ SP

7520000

±
40

640000

Legenda

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Arco Metropolitano Principais Rodovias Áreas_Institucionais Unidades de Proteção Integral

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Título

7440000

7440000

0

5

10

20 Quilômetros

30

Mapa dos Fatores de Controle e Atração ao Crescimento Urbano Cenário 1
Data

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.18

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

7520000

7490000

7460000

580000 Fontes: Mapa derivado da Álgebra de Mapas entre os fatores de controle e os fatores de atração do scenário 2. Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

7520000

Fatores de Controle e Atração
Controle Atração

RJ SP

7520000

±
40

640000

Legenda

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Arco Metropolitano Principais Rodovias Áreas_Institucionais Unidades de Proteção Integral

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Título

7440000

7440000

0

5

10

20 Quilômetros

30

Mapa dos Fatores de Controle e Atração ao Crescimento Urbano Cenário 2
Data

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.19

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

4.1.7 Simulação de Crescimento Urbano para o Ano de 2030. A Dinâmica da Paisagem da Região de Influência do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro.
Nesta etapa são apresentados os resultados da simulação de crescimento urbano previstos para os dois cenários investigados neste estudo. As simulações empregadas se baseiam na plataforma de simulação de crescimento urbano desenvolvida pelo Serviço Geológico Americano em colaboração com o Departamento de Geografia da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara (EUA). Estas duas instituições desenvolveram pesquisas sobre a dinâmica urbana através de modelos de simulação de crescimento urbano. Seus estudos baseiam-se na utilização e evolução do modelo de simulação de crescimento urbano Clarke Urban Grow Model (SLEUTH). Este modelo baseia-se no uso de autômatos celulares, modelos digitais do terreno, mapeamento do terreno, e a modelagem da cobertura da terra, para predizer cenários de crescimento urbano. Este modelo foi aplicado com sucesso para simulações de crescimento urbano para as regiões de São Francisco, Chicago, Washington-Baltimore, Sioux Falls e a Costa Sul da Califórnia. Neste produto esta ferramenta foi à base de simulação para a predição dos cenários futuros de crescimento urbano para a Região de Influência do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro.

As pesquisas desenvolvidas através do software SLEUTH foram reunidas em um projeto e seus resultados são apresentados no site do projeto Gigalopolis, programa desenvolvido pela U.S. Geological Survey. Este programa destina-se ao estudo de sistemas urbanos oriundos da conectividade e interligação de subsistemas urbanos regionais conhecidos por Megalopolis. A conectividade dos estabelecimentos urbanos regionais é considerada uma das forças dominantes da mudança global no século 21. Seus efeitos ocasionam impactos na paisagem, na atmosfera, e nos recursos hídricos. Os objetivos em longo Prazo do projeto é desenvolver e refinar estas ferramentas para aprimorar as previsões de crescimento urbano nas escalas regionais, continentais e globais. O projeto Gigalopolis aprimora o modelo SLEUTH de crescimento urbano, possibilitando uma nova abordagem adaptada às escalas regionais, continentais e globais.

Os resultados da simulação para os cenários 1 e cenário 2 estão apresentadas nos mapas 4.20 e 4.21, respectivamente. Cada um dos Mapas representa uma superfície de probabilidade de urbanização, que define a possibilidade de determinado local se urbanizar no período investigado, neste caso o período investigado esta entre os anos de 2010 a 2030. A superfície gerada pela simulação esta dividida em classes de probabilidade que variam de 0-10%, 10431

20%, 20-30%, 30-40%, 40-50%, 50-60%, 60-70%, 70-80%, 80-90% e de 90-100%. O gráfico 4.3 apresenta a relação entre a área prevista na simulação para cada uma das classes de probabilidade em cada um dos cenários investigados. Por meio desta tabela observamos que o cenário 2 apresenta uma concentração maior de áreas destinadas a classe de probabilidade de urbanização nas classes de 100% (aproximadamente 100 Km²) e nas classes de 20-30% e de 30-40%, estas diferenças são observadas espacialmente comparando-se os mapas 4.20 e 4.21, nos quais observamos uma maior ocorrência de áreas com probabilidades de 90-100% de urbanização relacionadas a influências de organização espacial exercidas pelo aglomerado econômico de Itaboraí e nas demais classes as variações estão relacionadas a influência conjunta das forças de transformação espacial advindas da interação dos aglomerados econômicos de Itaguaí e Itaboraí. Tais resultados nos orientam para a definição de diretrizes e propostas de organização e controle e do aproveitamento dos potenciais de transformação destes locos de organização espacial para evitar a deterioração destes espaços e dinamizar suas potencialidades oferecendo as condições de suporte político-territoriais as quais estão organizadas no capítulo de Repercussões e Mudanças e Diretrizes Estratégicas.

900 800 700 Área em KM² 600 500 400 300 200 100 0 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Probabilidade de Urbanização
Gráfico 4.3 – Percentual Probabilidade de Urbanização.

Cenário 1 Cenário 2

432

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

±

7520000

7490000

7460000

0

5

10

20 Quilômetros

30

40

7520000

7440000

Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

Áreas não Urbanizadas

7440000

Rede de Transporte Histórica DER-RJ Fatores de Atração e Controle - Cenário 1

Empreendimentos Unidades de Proteção Integral

20-40% 40-60% 60-80% 80-100%

RJ SP

7520000

Fontes: Resultado do Modelo de Simulação de Crescimento URbano - SLEUTH. (Cenário 1) Com Base nos dados de: Uso do Solo ZEE-RJ - 2007 Uso do Solo IBGE/DSG - 1975 Uso do Solo da Fundação CIDE (Projetos GEROE e IQMVerde)

580000

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Legenda
Arco Metropolitano Principais Rodovias Áreas_Institucionais

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

% Urbanização 2030
Área Urbana 2007 0-20%

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Escala

Mapa de Simulação de Crescimento Urbano Cenário 1 - Cluster Itaguaí
Data

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.20

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

±

7520000

7490000

7460000

0

5

10

20 Quilômetros

30

40

7520000

7440000

Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

Áreas não Urbanizadas

7440000

Rede de Transporte Histórica DER-RJ Fatores de Atração e Controle - Cenário 2

Unidades de Proteção Integral Empreendimentos

20-40% 40-60% 60-80% 80-100%

RJ SP

7520000

Fontes: Resultado do Modelo de Simulação de Crescimento URbano - SLEUTH. (Cenário 2) Com Base nos dados de: Uso do Solo ZEE-RJ - 2007 Uso do Solo IBGE/DSG - 1975 Uso do Solo da Fundação CIDE (Projetos GEROE e IQMVerde)

580000

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Legenda
Arco Metropolitano Principais Rodovias Áreas_Institucionais

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

% Urbanização 2030
Área Urbana 2007 0-20%

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Escala

Mapa de Simulação de Crescimento Urbano Cenário 2 - Clusters Itaguaí e Itaboraí
Data

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.21

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

Um outro produto derivado da simulação de crescimento urbano realizada através da plataforma de simulação SLEUTH é a representação espacial da dinâmica da paisagem prevista para o ano de 2030, levando em consideração o crescimento urbano como um fator de controle deste processo. O resultado é um mapa (Mapa 4.22), que representa a condição de uso e ocupação do solo prevista para o ano de 2030, tendo como base os resultados da simulação de crescimento urbano descritas anteriormente como fatores que governam a transformação da paisagem. Para simplificar o modelo foram considerados na modelagem da transformação da paisagem três tipos de classes de uso do solo, sendo elas: Florestas, Outros usos (Pastagens e Cultivos) e áreas urbanas. Para o ano de 2030 observa-se que a classe de outros usos, se torna cada vez mais menos expressiva na paisagem, padrão ocasionado pela falta de dinamismo das cadeias produtivas e das ações políticas e econômicas relacionadas à atividade pecuária e aos cultivos nas regiões rurais inseridas na região de influencia do arco metropolitano (Gráfico 4.4). A perda de dinamismo destas áreas ocasiona um avanço das áreas urbanas para a periferia das regiões urbanas já consolidadas. Em relação às florestas se mantidas as condições de controle e considerando os avanços na legislação florestal, e ainda considerando a maior participação da sociedade nas discussões ambientais, ocasionadas pela maior conscientização sobre as questões ambientais, verifica-se uma manutenção das áreas naturais protegidas e seus serviços ambientais, e em alguns locais observa-se a regeneração da floresta em área de pastagens abandonadas. Estas implicações assumem relevância que colocam a região de influência do arco metropolitano como uma região que apresenta a possibilidade de implementar um plano de desenvolvimento econômico sustentável, que pretende ampliar suas bases econômicas através da diversificação da sua economia conjugada a uma estratégia que amplie a manutenção dos serviços florestais oferecidos pelos seus ecossistemas naturais.
Dinâmica de Uso do Solo
50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Floresta Outros Classes de Uso Urbano

% de Cobertura (Ha)

Uso 2007 Uso 2030

Gráfico 4.4 – Dinâmica de Uso de solo.

435

580000

610000

640000

670000

700000

730000

760000

±

7520000

7490000

7460000

0

5

10

20 Quilômetros

30

40

580000 Fontes: Mapa de uso e Ocupação do Solo - 2030 Resultado da Simulação da Dinâmica da Paisagem pelo Software SLEUTH. Sistema de Projeção Cartográfica UTM Universal Transversa de Mercartor Datum Horizontal - WGS84

610000

640000

670000
560000

700000
620000 680000
MG

730000

760000

Legenda
Arco Metropolitano Principais Rodovias Áreas_Institucionais Empreendimentos

Localização: Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro
740000 800000
7600000 7600000
Consórcio Projeto

Uso do Solo 2030
Agua Floresta Outros Urbano

7520000

RJ SP

7520000

Título

Plano Diretor Estraégico de Desenvolvimento Sustentável da Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Mapa de Uso e Ocupação do Solo Ano de 2030
Data

7440000

7440000

Escala

1:500.000

10/04/2011

Mapa

MAPA 4.22

560000

620000 680000

740000 800000

7460000

7490000

7520000

5.

REPERCUSSÕES E MUDANÇAS

5.1. Qualidade Ambiental
Os processos desencadeados pela implantação do Arco Metropolitano com potencial de mudança nos padrões de uso e ocupação da sua área de abrangência estão representados na Figura 5.1, que ilustra a seguinte dinâmica, típica da introdução de um novo eixo de transportes em uma dada região: i. a implantação de infra-estrutura de transportes valoriza a área do entorno, que se torna atrativa para a ocupação; ii. atividades econômicas ou urbanas de grande porte (indústrias ou shopping centers, por exemplo) são atraídas para estas áreas em função dos novos índices de acessibilidade (por vezes, a infra-estrutura de transporte é implantada justamente para beneficiar essas atividades, porém a oferta de acessibilidade é que viabiliza o início do processo de ocupação); iii. as atividades econômicas ou urbanas de grande porte, juntamente com a infra-estrutura de transportes, atraem atividades complementares, como empresas, comércio e serviços, dinamizando o processo de ocupação da área; iv. o desenvolvimento econômico da área gera crescimento populacional e,

conseqüentemente, demanda por habitação, entre tantas outra demandas ícones associadas a educação, saúde, sistema viário. Em alguns casos, quando as áreas urbanas estão saturadas, a simples implantação de infra-estrutura de transporte atrai habitação, como é o caso das ocupações irregulares que se desenvolveram ao longo de vias importantes, como a Avenida Brasil, Linha Vermelha e outras. Em outros casos, o aumento da acessibilidade de determinada área antes desvalorizada para a moradia a torna atrativa para o mercado imobiliário, como por exemplo, o município de Niterói após a construção da Ponte Rio-Niterói e Duque de Caxias, após a inauguração da segunda parte da Linha Vermelha. Os processos aqui representados muito provavelmente constituirão as grandes mudanças da região, no âmbito dos padrões atuais de uso e ocupação do solo.

439

USO DO SOLO

VALOR DA TERRA

VIAGENS / MOVIMENTOS

ACESSIBILIDADE

DEMANDA DE TRANSPORTE

OFERTA DE TRANSPORTE

necessidade de intervenção no espaço urbano para garantir

INVESTIMENTOS EM PERDA DE ATRIBUTOS LOCACIONAIS
deseconomias de aglomeração > vantagens desfrutadas

INFRA-ESTRUTURA
aumento da atratividade da área p/ a ocupação

ADENSAMENTO / SETORIZAÇÃO

AUMENTO DO VALOR DA

intensificação da ocupação

ALTERAÇÕES DE USO / OCUPAÇÃO DO SOLO

atração de novos agentes e

Figura 5. 1- Interrelações entre infraestrutura de transportes e uso e ocupação do solo

Como resultado desses processos, antevê-se a possibilidade de que se desencadeiem ocupações irregulares/desordenadas, bem como pressão pelo uso de áreas protegidas e Unidades de

440

Conservação, com localização predominante ao longo do Arco Metropolitano. Alguns pontos merecem atenção especial, destacando-se, no contexto das repercussões antevistas: Aumento de densidade em áreas urbanas (Manilha, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Queimados, Seropédica e Itaguaí, por exemplo) ou ocupação de novas áreas (Itaboraí, Japeri, Paracambi, Engenheiro Pedreira, Cidade dos Meninos), gerando sobrecarga no tráfego do Arco Metropolitano, especialmente nos pontos de entroncamento com vias, estradas e rodovias existentes; Estrangulamento da área urbana de Seropédica, que fica limitada a norte pela FLONA Mário Xavier, a nordeste pela BR-116 (Dutra), a noroeste pelo Arco Metropolitano (Segmento C) e a sul e sudeste pela ferrovia existente e pelo campus da UFRRJ. Expansão da área central condicionada à ocupação na faixa oposta do Arco, gerando pressão para ocupação da FLONA Mário Xavier; Pressão para ocupação de Áreas de Proteção Ambiental (APA de Pedra Lisa, APA do Rio São Pedro de Jaceruba, APA Rio d´Ouro, APA do Rio Tinguá do Iguaçu, APA Tinguazinho, APA de Xerém); Alteração de uso com possibilidade de impactos econômicos positivos de localidades (consolidação como centro de comércio e serviço regional) que ficarão livres do tráfego de passagem (BR-101 sul – AP5 do Rio de Janeiro; BR-116 Dutra – Nova Iguaçu, Belford Roxo, Mesquita e São João de Meriti; BR-040 – Duque de Caxias.

441

Figura 5. 2 - Áreas mais impactadas positivamente pela implantação do Arco Metropolitano

Poderá ocorrer também a ocupação de novas áreas ao longo do Arco e de outras vias, com riscos de formação de aglomerações subnormais, favelização e especulação imobiliária. Também é esperado adensamento de áreas já urbanizadas, atravessadas pelo Arco ou que venham a gozar de maiores acessibilidades, bem como a possibilidade de intensificação do isolamento de áreas urbanas, hoje já fragmentadas.

442

Figura 5. 3 - Áreas de alívio de tráfego

Considerando que os Planos Diretores Urbanos Municipais apresentam uma grande diversidade de tipologias e diretrizes no âmbito dos seus zoneamentos, antevê-se que possam se desencadear conflitos de uso do solo intermunicipais, que, no momento, não possuem ordenamento definido ao nível regional respaldado por instrumentos legais adequados. No âmbito desse estudo, que tem como objeto a implantação de obra viária de grande porte e de empreendimentos industriais distribuídos ao longo de uma Metrópole, o domínio sobre as questões referentes à dinâmica da morfologia urbana nas diferentes regiões da área de estudo é prioritário.

443

Figura 5. 4 - Riscos de novas ocupações antrópicas

Os fenômenos de crescimento e adensamento do tecido urbano metropolitano apresentam complexidade muito maior do que os mesmos fenômenos em municípios isolados. As interdependências entre as atividades econômicas desempenhadas pelos diferentes municípios que compõe uma mesma mancha urbana provocam fluxos que se manifestam e se distribuem ao longo da paisagem sem necessariamente incorporar uma identidade municipal. A maneira diferenciada com que cada município aborda a problemática do planejamento territorial a partir do seu zoneamento não permite composição dos diferentes Planos no formato de um mosaico capaz de amparar um diagnóstico direto.

444

Figura 5. 5 - Adensamento de áreas urbanizadas

O conjunto da legislação que determina o Uso e Ocupação do Solo e o Zoneamento nos municípios pertencentes à área de abrangência do Arco Metropolitano revela uma fragmentação das estratégias de gestão do território da RMRJ. Percebe-se no mosaico de Cartas de Zoneamento e de Macrozoneamento dos municípios que não existe padrão nas propostas de zonas de uso. O nome e a quantidade de Zonas propostas variam grandemente entre os municípios.

445

Figura 5. 6 - Mancha urbana isolada

. A metodologia utilizada pelos municípios varia na medida em que eles elegem categorias e temas distintos para se referir às diferentes configurações do território. Enquanto alguns municípios apropriam-se de nomenclatura “tradicional”, atribuindo categorias direcionadas à delimitação dos usos permitidos em cada trecho do território como, por exemplo, Seropédica, que delimita zonas residenciais, industriais, comerciais etc., outros municípios elegem temas relacionados a estágios diferenciados de urbanização como, por exemplo, Belford Roxo, que define Zonas de Ocupação Estratégica, Zonas de Consolidação Urbana, Zonas de Ocupação Controlada, entre outras. Apesar de muitas Leis demonstrarem preocupação em delimitar zonas de preservação ambiental, zonas de produção agrícola, zonas urbanas, entre outras, muitas vezes, a fronteira entre dois municípios apresenta usos distintos e até conflitantes. A variedade e a fragmentação do conjunto das propostas referentes à gestão das atividades no território urbano. Uma vez que não existe

446

padrão da metodologia utilizada no zoneamento territorial entre os diferentes municípios, o controle e a regulação do conjunto deste território são prejudicados. Verifica-se em muitos casos que o zoneamento é utilizado mais como uma cartografia urbana, mapeando os diferentes cenários encontrados nos municípios muito mais como uma espécie de diagnóstico dos padrões vigentes do que uma atividade de planejamento, em que o poder público atua definindo prioridades e diretrizes de ordenamento do território. O objetivo de se obter uma leitura do conjunto das políticas públicas reguladoras do espaço nos municípios integrantes da área de abrangência do Arco Metropolitano é compreender como as diferentes gestões municipais contribuem para o controle ou descontrole do crescimento e da transformação do espaço construído. Boa parte desses municípios apresenta tecido urbano conurbado, apresentando conflitos ligados ao cotidiano de seus habitantes. A falta de legislação urbana integrada compromete a solução de muitos desses conflitos, por não ser capaz de responder às especificidades e características de um tecido urbano metropolitano. Enquanto alguns locais oferecem grande oportunidade de emprego, de serviços e equipamentos públicos, outros são prioritariamente residenciais, mais conhecidos como “cidade dormitório”. Tais relações demandam políticas públicas metropolitanas que satisfaçam concomitantemente a particularidade dos municípios e a complexidade dos diferentes fluxos existentes entre eles. Para minimizar a disparidade da paisagem urbana no conjunto dos municípios pertencentes à Metrópole Carioca, a gestão integrada de políticas públicas voltadas ao controle das atividades desempenhadas no solo urbano deve ser prioritária. A disposição adequada das infraestruturas, dos equipamentos públicos, das áreas de lazer, do sistema de transporte público e das zonas de uso ao longo do território permite a constituição de morfologia urbana homogênea. A distribuição equilibrada das estruturas urbanas e das estratégias de gestão da Metrópole permite a homogeneização dos usos ao longo do tecido urbano e conseqüentemente minimiza a necessidade de deslocamentos pendulares, refletindo-se na melhora do trânsito, na qualidade de vida dos habitantes e na economia de tempo e de dinheiro. Vale salientar que a implantação de novos núcleos produtivos impulsionados pelos empreendimentos Objeto AAE nos municípios que foram identificados como mais aptos a

447

absorver novos empreendimentos (o Núcleo Potencial Referência Desagregado), associados a novos contingentes populacionais, poderá provocar mudanças nos papéis atuais de alguns desses municípios (com destaque a Mangaratiba, Seropédica, Nova Iguaçu, Magé, São Gonçalo, Itaboraí e Rio Bonito), alterando os padrões de centralidades vigentes e impactando os movimentos pendulares da população para estudo e trabalho.

Figura 5. 7 - Municípios que poderão representar novos papéis na rede urbana regional

O Arco Metropolitano, pela sua localização, bem como outros novos eixos de transporte que poderão ser implantados deverão ampliar as condições de acesso às Unidades de Conservação de proteção integral situadas ao norte da área alvo do Plano Diretor e às suas zonas de amortecimento, podendo comprometer o desenvolvimento das atividades turísticas aí

desenvolvidas, com reflexos negativos na atuação das associações existentes, tais como a que atua na região da REBIO do Tinguá.

448

Figura 5. 8 - Maior acessibilidade à REBio do Tinguá

Os remanescentes vegetais existentes e as Unidades de Conservação estarão sujeitos a pressões devidas à possibilidade de ampliação das áreas urbanizadas, principalmente ao longo do Arco Metropolitano e seu entorno próximo, e nas áreas a serem ocupadas pelos grandes empreendimentos industriais, tais como o COMPERJ, requerendo medidas para disciplinamento do uso e ocupação dessas áreas. O adensamento de atividades industriais na região da baía de Sepetiba a implantação de outros empreendimentos de grande porte, tais como o COMPERJ, resultarão num aumento das emissões de efluentes líquidos e na geração de resíduos sólidos na região.

449

Figura 5. 9- Pressão sobre as Unidades de Conservação

Também deverá haver aumento do volume de resíduos sólidos gerados naqueles municípios que vierem a receber novos investimentos, com provável aumento de contingentes populacionais, com destaque a Seropédica e Mangaratiba, na Área de Estudo I; Duque de Caxias, Magé, Nova Iguaçu e Queimados, na Área de Estudo II; e Niterói, São Gonçalo e Rio Bonito, na Área de Estudo III.

450

Figura 5. 10 - Concentração de empreendimentos na baía de Sepetiba

A qualidade do ar na região de implantação do COMPERJ e na Província Portuária de Sepetiba deverá sofrer alterações, devido às novas emissões atmosféricas previstas, contribuindo para uma piora das condições atuais das Bacias Aéreas I e IV; da mesma forma, o aumento do tráfego de veículos em áreas hoje não urbanizadas pode levar a concentrações máximas de ozônio ainda maiores que as atualmente apuradas, principalmente na Bacia Aérea III. Eventuais acidentes com cargas perigosas ao longo do Arco Metropolitano podem resultar em poluição/contaminação de mananciais atravessados pela rodovia, com reflexos negativos sobre a biota aquática, além de potencializar riscos de incêndios em áreas de mata.

451

Figura 5. 11 - Interferências do Arco em mananciais hídricos

Intervenções diretas nas baías de Sepetiba e Guanabara, tais como serviços de dragagem e aumento do tráfego de navios poderão ocasionar impactos negativos aos ecossistemas aquáticos e estuarinos, com reflexos na qualidade da água das baías, já bastante comprometida, e na biota marinha, além de afetar as atividades de pesca e maricultura. A ressuspensão dos sedimentos de fundo, durante o transporte (overflow) e a disponibilização do sedimento na coluna d’água durante o procedimento de disposição dos materiais dragados altera as características físico-químicas da água, biota e a morfologia de fundo da região dragada e da área de disposição. Além disso, os atrativos naturais, principalmente as enseadas e as ilhas da Madeira, Martins, Jaguarnum e Itacuruçá (em Sepetiba) e Ilha Fiscal e Ilha de Paquetá (na baía de Guanabara) garantem uma forte vocação para as atividades turísticas. O turismo, associado aos esportes náuticos, com destaque para a pesca esportiva, é bastante praticado em função da riqueza do patrimônio natural e do ecossistema associado, na baía de Sepetiba. No entorno dessa baía existem importantes ecossistemas ainda preservados de florestas, restingas – como a da

452

Marambaia – e manguezais.

Figura 5. 12 - Ilustração de procedimentos de dragagem

Adicionalmente, a baía de Sepetiba desempenha também um importante papel no abrigo de espécies de aves nativas, endêmicas e ameaçadas de extinção; no refúgio de aves costeiras; bem como serve de área de descanso para bandos de aves que procuram abrigo em sua vegetação. Os estuários da região, por sua vez, guardam uma imensa riqueza biológica típica de ambientes de transição. Debaixo d’água esta situação se repete; os alevinos buscam proteção contra os predadores nas raízes submersas da vegetação do mangue, que conforma um dos mais importantes ecossistemas aquáticos do Estado do Rio de Janeiro, sendo uma área natural de cria e desenvolvimento de comunidade de peixes. Essa condição poderá ser alterada, caso não sejam tomados os cuidados necessários tanto

453

durante as operações de dragagem da baía quanto durante o tráfego de navios, que deverá se intensificar após a implantação dos novos terminais portuários previstos. De modo a avaliar em nível global o grau dos impactos sinérgicos e cumulativos decorrentes da implantação das atividades industriais que compõem o grupo de investimentos integrante do Objeto AAE, foi consultada o MN-050.R-2 da FEEMA, de 2007, que classifica as atividades poluidores em diferentes graus de potencial poluidor. Nesse documento, a FEEMA define “poluição” como a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. O manual da FEEMA apresenta o potencial poluidor teórico para subgrupo de atividades definidos conforme classificação do IBGE. O potencial poluidor (PP) corresponde ao potencial poluidor mais elevado entre os potenciais de poluição da água e do ar, o potencial de degradação ambiental e o potencial de risco. A metodologia adotada pela FEEMA prevê quatro níveis de potencial poluidor, a saber: A – alto M – médio B – baixo I – insignificante O critério adotado para definição dos níveis de potencial poluidor de cada tipologia é eminentemente empírico, e estabelece o potencial teórico por tipologia e não o potencial real por atividade, para o qual seria necessário considerar as especificidades de cada tipologia e das diferentes técnicas utilizadas.

454

Contudo, a classificação da FEEMA é adequada para os objetivos do Plano, que busca avaliar as questões de interesse em níveis de abstração compatíveis com dimensões espaciais e temporais amplas e num contexto de decisões de natureza estratégica. As questões pontuais e específicas de cada empreendimento são tratadas pelos Estudos de Impacto Ambiental. O Quadro 3.abaixo relaciona os empreendimentos estruturantes e seu potencial poluidor, segundo a classificação da FEEMA, observando-se que todos eles apresentam alto potencial.

Quadro 5. 1- Potencial poluidor dos Empreendimentos Estruturantes
ÁREA DE ESTUDO POTENCIAL POLUIDOR * Alto (construção)

EMPREENDIMENTO

MUNICÍPIO Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí

SETOR Transportes Logística

Arco Metropolitano

I, II, III

Plataforma Logística CSN • Expansão TECON Itaguaí • Expansão TECAR • Pólo Logístico • Porto Privativo Lago da Pedra Porto Sudeste LLX Itaguaí Porto Petrobrás Itaguaí Porto Usiminas Itaguaí Porto Gerdau Itaguaí Porto Itaguaí – CDRJ Itaguaí I CSA Rio de Janeiro • Usina Siderúrgica • Porto CSA CSN Itaguaí • Usina Siderúrgica 2 Coquepar Seropédica REDUC – Ampliação Refinaria Duque de Caxias Bayer – Expansão Belfort Roxo II Estaleiro EISA Rio de Janeiro COMPERJ Itaboraí / São Gonçalo III STX Europe Niterói Estaleiro Mauá Niterói Estaleiro Aliança Niterói * Fonte: FEEMA, 2007. MN-050.R-2 – Classificação de Atividades Poluidoras.

Alto Transportes Logística Alto Alto Alto Alto Alto Siderurgia Transportes Logística Siderurgia Petroquímica Petroquímica Química Indústria Naval Petroquímica Indústria Naval Alto Alto Alto Alto Alto Alto Alto Alto Alto Alto

Cabe salientar, porém, que todos os empreendimentos já foram, estão sendo ou serão obrigatoriamente licenciados pelo INEA, e que os respectivos estudos necessários para as fases de obtenção de Licenças Prévia, de Instalação e de Operação contemplam medidas adequadas

455

para evitar, mitigar ou compensar impactos negativos. Cabe inserir tais medidas em um arcabouço de ações que visualize e considere o seu conjunto. Sob o ponto de vista dos aspectos relacionados com transporte e logística, a implantação do Arco Metropolitano contribuirá para desonerar o modo rodoviário das principais rodovias que atravessam a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com destaque à BR-101, BR-116 e BR040, passando por áreas de ocupação rarefeita distantes de zonas densamente ocupadas, o que resulta num um efeito positivo de alta relevância para a região. Contribuirá, também, para induzir a implantação de outros trechos rodoviários, mediante construção/melhoria de novos acessos a áreas urbanas e áreas industriais, bem como para recuperação de rodovias existentes.

Figura 5. 13 - Interligações Arco vs. principais eixos viários da região

456

Figura 5. 14 - Carregamento atual dos eixos de transporte da RMRJ

Figura 5. 15 - Condições atuais da BR-493

457

Dadas as mudanças previstas em decorrência da implantação do Arco Metropolitano e das suas articulações com outros eixos viários, espera-se que as localidades listadas no Quadro 5.2 sejam as mais beneficiadas pelo aumento dos seus níveis atuais de acessibilidade.

Quadro 5. 2 - Localidades mais beneficiadas pelo aumento dos níveis de acessibilidade proporcionados pelo Arco Metropolitano
ARTICULAÇÕES MUNICÍPIOS / ÁREAS BENEFICIADOS SEGMENTO C BR-101 (sul) Porto de Itaguaí (final do Arco) Itaguaí (leste – via Rodovia Rio-Santos) Retira tráfego de passagem do município do Rio com destino aos municípios do CONLESTE Paracambi (norte – via Dutra e RJ-127 sem pedágio) Seropédica (sul – rodovia funciona como via urbana – Av. Min. Fernando Costa – pressão para ocupação entre BR-101, Serra da Mazomba / Calçada, BR-116 e UFRRJ) Retira tráfego de passagem dos municípios de Queimados, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti e Nilópolis com destino aos municípios do CONLESTE Japeri (norte – direto pela RJ-125 para área central) Paracambi (norte – via Estrada Japeri-Paracambi para área central) Seropédica (sul – entre o Rio Guandu, BR-116 e RJ-127) Vias Laterais beneficiando as áreas adjacentes para ocupação. Japeri (norte – via Estrada Engenheiro Pedreira para área central) Paracambi (norte – via Estrada Japeri-Paracambi para área central) Santo Antônio, Japeri (norte – entre o Arco, a ferrovia, a Serra da Bandeira e a RJ-113 – pressão na APA de Pedra Lisa e na APA do Rio São Pedro de Jaceruba) Engenheiro Pedreira, Japeri (sul – direto pela RJ-093) Queimados (sul – via Estrada Santo Antônio / Padre José Anchieta para área central) Vila Cava, Nova Iguaçu (norte e sul – pressão na APA Rio D´Ouro e na APA do Rio Tinguá do Iguaçu) Nova Iguaçu (sul – Av. Henrique Duque Estrada Mayer para área central) Queimados (sudoeste – via Estrada Tinguazinho / Av. Irmãos Guinle – pressão na APA Tinguazinho) Xerém, Duque de Caxias (norte – via Estrada Rio D´Ouro – pressão na APA de Xerém) Cidade dos Meninos, Duque de Caxias (sul – Estrada do Amapá – pressão para ocupação) Belford Roxo (sul – via Estrada Rio D´Ouro / Estrada do Amapá para área central) Duque de Caxias (sul – via Estrada do Amapá / Av. Pres. Kenedy para área central Alteração de uso no entroncamento da BR-040 com a nova rodovia (grandes desapropriações). Área urbana consolidada de Duque de Caxias.

BR-465 BR-116 (Dutra)

RJ-125

RJ-093

RJ-113 (Rio d´Ouro)

RJ-085 / RJ-115

BR-040 SEGMENTO D Imbariê (mesmo nível) RJ-107 Piabetá Suruí BR-116 (norte) SEGMENTO A Magé (2) Magé (1) Vale das Pedrinhas COMPERJ BR-101 (Manilha)

Vias laterais Inhomirim / Petrópolis (serra pesada) Piabetá / Fragoso / Pau Grande / Inhomirim Suruí / Guia de Pacobaíba / Barão do Inin Guapimirim / Teresópolis

Área urbana de Magé. Servida de via lateral, ocupação dos dois lados da rodovia. Área urbana de Magé. Servida de via lateral, ocupação dos dois lados da rodovia. Distrito de Guapimirim, onde está localizada a APA de Guapimirim Itambí, Itaboraí – acesso principal ao COMPERJ Manilha. Servida de via lateral, ocupação dos dois lados da rodovia. Entroncamento importante com a BR-101 e a Rodovia Niterói-Manilha.

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ARTICULAÇÕES

MUNICÍPIOS / ÁREAS BENEFICIADOS SEGMENTO B

Distrito Industrial Itaguaí Mazomba Porto de Itaguaí Coroa Grande Itacuruçá

Distrito Industrial de Santa Cruz (sul) Itaguaí, área central (oeste) RJ-099 (nordeste, para Seropédica – UFRRJ) Mazomba, Itaguaí (noroeste – via Estrada da Mazomba) Área residencial (Jardim Acácias, Brisa Mar, Vila Margarida), Itaguaí Entroncamento com o Arco Metropolitano (Segmento C) para o Porto de Itaguaí Coroa Grande, Magaratiba (sul – via Rua Roberto Landell de Moura) Itacuruçá, Mangaratiba (sudoeste – via RJ-014)

5.2. Desenvolvimento Urbano
4.2.1. Evolução urbana
O território da região de abrangência é constituído por 21 municípios e para fins analíticos, está subdividido em três conjuntos de municípios bastante distintos. Com efeito, torna-se necessário enfatizar que esse espaço no seu conjunto e mesmo, no que tange a cada uma das três partições sugeridas, apresentam características bastante diferentes e diversificadas tanto no que concerne à base produtiva como à urbanização. Assim, encontram-se no âmbito do território sob a futura influência do Arco Metropolitano, espaços com perfil produtivo e econômico relativamente densos e dinâmicos, como os casos do município de Itaguaí e a AP 5 (área de planejamento) do município da capital, esta última formada principalmente pelos bairros de Sta. Cruz, Guaratiba, Campo Grande, etc., todos pertencentes a Área de Estudo 1 e os municípios de Niterói e de São Gonçalo, ambos na Área de Estudo 3, como espaços descontínuos e heterogêneos, inclusive de vocação ainda agro-pastoril, como os municípios de Paracambí, Japerí, Queimados, Mesquita, Nova Iguaçú, Nilópolis, São João de Merití, Belford Roxo, Duque de Caxias e Magé, todos pertencentes a Área de Estudo 2, bem como AP 3 (área de planejamento) do município da capital - formada basicamente pelos bairros da orla oeste da Baía de Guanabara, como a Ilha do Governador, Maré, Bonsucesso, Ramos, Penha, etc. No que se refere à urbanização, a situação pré-existente deste território se apresenta com

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características urbanas bastante heterogêneas. Neste território encontram-se desde áreas com densidades demográficas importantes – caso da Área de estudo 3, na orla leste da Baía de Guanabara (São Gonçalo e Niterói) – e áreas de baixa densidade, muitas vezes esparsas e rarefeitas e com tecido urbano descontínuo e vazios demográficos – casos das áreas de Estudo 1 ( Seropédica) e 2 (Nova Iguaçu, Paracambi e Magé) e 3 (Tanguá, Itaboraí, Guapimirim). Ainda neste contexto e mais precisamente no que tange às funções urbanas a situação não é diferente. Com efeito, verificam-se áreas portadoras de funções nobres e diversificadas - áreas municipais periféricas do entorno do município da capital e, notadamente a AP 3 do Rio de Janeiro, bem como outras, com funções urbanas tímidas e mesmo inexistentes – principalmente, nas áreas de Estudo 1 (município de Seropédica, por exemplo) e 2 (municípios de Japeri e de Magé, por exemplo), que poderíamos qualificar qualificação. Este perfil tanto no que diz respeito às questões urbanas como ao econômico é fruto dos antecedentes históricos do padrão da ocupação metropolitana. Com efeito, a expansão da cidademunicípio do Rio de Janeiro (ex-Distrito Federal e depois, ex-estado da Guanabara) ocorreu além dos seus limites administrativos, num processo de expansão do típico excêntrico em termos locacionais, incorporando assim, em seu processo de metropolização núcleos urbanos, outrora com vida independente e/ou simplesmente áreas rurais que se urbanizaram em função do seu poder de atração. Formou-se, assim, uma nítida sub-região com centro na antiga capital federal e que hoje abrange, total ou parcialmente, os municípios fluminenses periféricos de Nilópolis, São João de Meriti, Duque de Caxias, Nova Iguaçú (e por emancipação, a partir da Constituição de 1988, os seus distritos de Mesquita, Queimados, Belford Roxo e Japeri) e Itaguaí (e seu ex-distrito de Seropédica). Ao mesmo tempo e em menor cadência do que o núcleo anterior, acima indicado, a ex-capital fluminense Niterói, como cidade central, que embora polarizada pela ex-capital federal e depois o ex-estado da federação, o da Guanabara, não se pode deixar de reconhecer a sua forte polarização sobre os municípios de seu entorno imediato, abrangendo, nesse sentido, os municípios de São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito (e mais tarde, por emancipação, o distrito de Tanguá), Maricá e Magé. Aqui, na ocasião, a malha ferroviária influenciou, embora de uma forma como espaços de urbanização de baixa

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menos contundente, a ocupação desta periferia da ex-capital fluminense e a sua evolução (ramal ferroviário Niterói – São Gonçalo – Itaboraí), onde nos anos recentes, com o rodoviarismo em voga e a forma muito precária pela qual vem ainda operando este trecho ferroviário, vamos encontrar uma explicação em outros fatores que ditam a dinâmica dos diferentes assentamentos e, mesmo, das funcionalidades locais. Como enfatizou Lysia Bernardes (“A Área metropolitana do Rio de Janeiro”, in Revista de Administração Municipal, no. 109 – Rio de Janeiro, nov./dez, 1971, pp. 50-60),.......” trata-se, sem dúvida, de um complexo metropolitano cuja estrutura é peculiar por abranger duas cidades centrais, mas sua unidade é indubitável”. Com efeito, se este transbordamento da ex-capital fluminense de Niterói para os municípios do seu entorno imediato pode ser considerado tímido em termos de assentamentos populacionais e de funções urbanas, se processando basicamente por conta do status político-administrativo vigente na ocasião ou seja, de capital de um ente da federação, aqueles ocorridos a partir do primeiro núcleo urbano ou seja, da metrópole do Rio de Janeiro, ocorreram de forma mais contundente e em boa medida podem ser explicado pelas possibilidades de deslocamento de pessoas, geralmente de baixa renda, viabilizado em muitos casos pelos transportes sobre trilhos. Nesse sentido, o ramal de Japeri, da estação Central do Brasil até Paracambi (ex-Tairetá); a linha auxiliar da estação Central do Brasil ao então distrito de Belford Roxo; o ex-ramal da Leopoldina, da estação da Leopoldina (hoje assumido pela estação da Central do Brasil) até Duque de Caxias e Saracuruna, com ramificações até Inhomirim e ao então ex-distrito de Magé, Guapimirim ocasionaram fortemente, no tempo, os assentamentos diferenciados e do tipo excêntrico da então capital federal. O mesmo fenômeno ocorreu com o espaço da AP 5 da capital (principalmente os seus bairros de Santa Cruz e Campo Grande), onde a ocupação de vastas zonas rurais se deu pelo ramal de Santa Cruz, ligando o percurso da estação da Central do Brasil até o município de Itaguai. Tratava-se de assentamentos urbanos de natureza descontínua, onde populações de baixa renda e de origem militar e para fins residenciais geraram, quase sempre, funções urbanas de baixa qualificação, como salientam vários autores (“Curso de Geografia da Guanabara”, FIBGE,Rio de Janeiro,1968). No caso do bairro de Guaratiba, seu processo de assentamento populacional se deu mais recentemente com a abertura dos corredores rodoviários da capital (“linha amarela”) e

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onde, as populações residentes de renda mais alta atraem, cada vez mais, funções nobres para este espaço da zona oeste da capital. Até meados da década de 70, quase todos esses municípios do entorno da cidade-estado da Guanabara ainda eram considerados cidades-dormitório da capital e mais tarde, com o declínio e/ou precariedade dos transportes sobre trilhos, substituídos primordialmente pelos transportes rodoviários intermunicipais e/ou por veículos de passeio, concomitantemente com um certo empreendorismo local e o aumento da demanda local por bens e serviços, ocasionaram o aparecimento de funções urbanas de mercado mínimo, embora, muitas vezes tímidas e/ou rarefeitas e de baixa qualificação urbana. As relações de causa e efeito desses processos são inequívocas por conta, por um lado, da acessibilidade, pelos trilhos e mais tarde, rodoviário, e por outro lado, pelo aumento da oferta local de bens e serviços ou seja, das funções urbanas locais, muitas vezes tímidas e/ou rarefeitas, evidenciando a formação e a atual configuração deste território intrametropolitano. De qualquer forma, o território em questão, diferenciado urbanisticamente e ainda fortemente polarizado pela capital do Rio de Janeiro, apresenta já neste novo século, centralidades e subcentralidades funcionais nas partições acima definidas, sem dúvida hierarquizadas em função da atuação, em maior ou menor grau, das economias de aglomeração atuantes em seus respectivos núcleos centrais.

4.2.2. Repercussões do Arco Metropolitano na Região
Em um nível intermediário de agregação espacial, também merece atenção especial o estudo de subgrupamentos de municípios definidos, por exemplo, pelo critério da distância de cada município medida em relação ao traçado do Arco. De forma mais simplificada, os municípios e distritos da meso região podem ser tentativamente agrupados em dois subconjuntos, contíguos definidos como: i) aqueles mais próximos ou sujeitos a influência ou impacto imediato da implantação do Arco e ii) aqueles mais distantes e ditos de impacto comparativamente remoto. Visualmente, o conjunto das duas áreas teria um formato alongado de forma a acompanhar o traçado do Arco e a de influência imediata formaria uma espécie de núcleo interno da meso

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região. Ademais, a análise dessas duas áreas justifica-se na medida que cada uma delas reaja de forma diferenciada a implantação do Arco. Assim, para fins do presente relatório admite-se como verdadeiras as seguintes hipóteses de trabalho: (i) O impacto da implantação do Arco sobre a área de influência mais imediata tende a ser de natureza primordialmente urbana/metropolitana; o que abrange os impactos de natureza demográfica assim como os novos requisitos em termos de investimentos voltados para melhorar as condições de acessibilidade à infraestrutura social. (ii) O impacto da implantação do Arco sobre a área de influência remota tende a ser de natureza primordialmente regional e se refere aos impactos sobre a (localização, escala e composição) da produção e sobre os requisitos de investimentos na infraestrutura econômica (complementar) de Transporte (vias alimentadoras, por exemplo), Energia, Água industrial, treinamento técnico-profissional e indução de capacidade gerencial na região. Antes de prosseguir, cumpre fazer algumas considerações adicionais sobre a variável distância, critério utilizado para definir as áreas de influência imediata e remota. Por simplificação ou por razões dificuldades estatísticas, é usual medir a distância em termos físicos (kms.). Não obstante, o critério correto a ser utilizado nestes casos deve empregar o conceito de distância econômica, medida pelo tempo percorrido ou preferencialmente pelos custos unitários (terminais e variáveis) requeridos para acessar o eixo troncal do Arco. Dessa forma é também possível incorporar na análise outros fatores tais como a presença de vias secundárias/alimentadoras, entroncamentos, pontos de transbordo etc. Nessas condições, o principal objetivo deste capítulo 5 é preliminarmente identificar para mais tarde, nos próximos relatórios, quantificar os impactos econômicos mais relevantes da implantação e eventual consolidação do Arco Metropolitano, segundo as duas áreas acima discutidas. Mais precisamente, procurar-se-á enfatizar a disponibilidade presente e futura de infraestrutura de transportes e facilidades de acesso ao arco. Na seqüência, serão apresentadas, para fins de discussão, as bases de uma proposta metodológica a ser utilizada, ao longo do trabalho, para avaliar impacto econômico desse empreendimento. Nesse último aspecto, vale destacar inicialmente, a discussão dos critérios utilizados para melhor definir o que se convencionou chamar de área de influência imediata e área de influência remota ou regional do Arco

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metropolitano. Outra questão básica diz respeito à geração de carga para o complexo de transporte em estudo, ou em outras palavras, os requisitos necessários para que as regiões de influência sejam capazes de assegurar o “carregamento” do Arco. Além dos próximos relatórios, um documento final deverá reunir as implicações de política econômica mais relevantes do estudo para fins de avaliação das potencialidades futuras do Arco e superação dos obstáculos a sua consolidação. Embora se reconheça a importância das externalidades sociais e ambientais decorrentes da implantação do Arco metropolitano, convém notar que o enfoque aqui adotado é primordialmente econômico e sua maior limitação tem a ver com as dificuldades de acesso à informações estatísticas consistentes e detalhadas sobre a implantação e operação do Arco. Dados relativos a cronogramas de investimento, custos operacionais, assim como simulações de carregamento e projeções de carga são difíceis de obter e, quando disponíveis, não resistem a uma avaliação crítica um pouco mais severa. Vale lembrar que os transportes representam parcela de custo relevante na composição dos preços CIF dos produtos em geral, e em particular, das exportações e importações. Entendidos no seu sentido mais amplo, tais custos incluem, em acréscimo às tarifas, outros adicionais associados ao uso das facilidades de armazenagem e emprego da mão de obra, além de despesas necessárias para resolver entraves legais, administrativos e outras restrições nãotarifárias incidentes sobre a movimentação de bens e serviços. No caso brasileiro, alguns desses adicionais são freqüentemente denominados de “Custo Brasil”, a fim de colocar em destaque as ineficiências da infra-estrutura de transporte, em especial, a portuária. A implantação, operação e eventual expansão de um projeto de infra-estrutura com as características do Arco Metropolitano produzem necessariamente um forte impacto econômico sobre a economia como um todo e, em especial, sobre a região sob a sua influência direta. Ademais, tal impacto tende a ser diferenciado durante as várias etapas do projeto. A fase de implantação, por exemplo, envolve essencialmente atividades de engenharia e construção civil, com predominância da mão de obra típica desses setores. A fase seguinte, de operação do complexo rodo-ferroviário, exige mão de obra com qualificação específica, certamente muito diversa daquela utilizada na fase anterior. Significa dizer que se, por lado, os coeficientes de mão de obra por unidade de capital investido tendem a ser bem superiores (em módulo) aos

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coeficientes de mão de obra observados durante a operação do complexo (medidos em horas trabalhadas por unidade de carga movimentada), por outro, os salários médios pagos durante a implantação tendem a ser inferiores a remuneração média da mão de obra requerida para a operação (em condições normais) das rodovias e ferrovias. Cabe ainda lembrar que projetos dessa ordem de magnitude costumam criar toda sorte de problemas específicos, uma vez concluída a implantação do complexo. Muitos desses problemas derivam da necessidade de “realocação” setorial e/ou espacial da mão de obra empregada durante a fase de implantação, uma vez que mesma não possui a qualificação necessária para ser absorvida no próprio complexo ou pelas atividades produtivas atraídas para o seu entorno. Note-se que projetos dessa natureza também envolvem longos períodos de maturação e a mão de obra empregada durante a implantação acaba desenvolvendo fortes vínculos com a região onde se localiza o complexo, dando origem a fortes resistências a eventual transferência para outras regiões. Uma possível solução parcial envolve o re-treinamento da mão de obra ou a criação de linhas de crédito para incentivar localmente novos negócios por conta própria ou atividades produtivas de natureza familiar. Contudo, na prática, dificilmente tais artifícios conseguem resolver, em definitivo, os problemas de congestionamento do mercado de trabalho local. O resultado é o agravamento dos desequilíbrios de natureza mais duradoura, tais como invasões de terra, aumento do subemprego e da pobreza, criminalidade e comprometimento da infra-estrutura urbana na área de influência imediata do complexo. Similarmente, a questão do horizonte de tempo utilizado na avaliação do impacto econômico do Arco merece atenção especial. Problemas de curto prazo, tais como a capacidade de resposta da rede de transportes em períodos de pico ou questões associadas à sazonalidade da demanda, requerem tratamento e análises específicas. Conforme já foi dito acima, o presente capítulo preocupa-se primordialmente com os impactos econômico-espaciais do complexo a médios e longos prazos, ou seja, com horizontes de tempo da ordem de cinco a quinze anos. Neste período, o foco da análise concentra-se nas transformações estruturais da produção e nas alterações das preferências locacionais dos agentes econômicos. Considera-se igualmente relevante analisar os rebatimentos dessas transformações sobre os padrões locais de uso do solo e sobre as necessidades de novos investimentos na infra-estrutura urbana. A idéia da avaliação do impacto de um empreendimento da magnitude do Arco Metropolitano

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requer também, que se explicite claramente o que a literatura especializada denomina de “indicadores de desempenho”. Trata-se de variáveis que permitem identificar e, principalmente, mensurar as principais tendências das variações espaço-temporais do fenômeno sendo analisado. Assim, do ponto de vista metodológico, propõe-se que sejam utilizados três tipos ou categorias de indicadores, a saber: a) Indicadores associados ao desempenho demográfico da região de influência. Nesta primeira categoria de indicadores, a preocupação maior é com os impactos do Arco sobre os padrões de crescimento populacional, com especial destaque para as mudanças no comportamento migratório e níveis de bem estar da população residente nas áreas de influência do arco; b) Indicadores associados ao impacto do complexo de transporte sobre as necessidades de investimentos na infra-estrutura urbana (habitação, saneamento, lazer, etc.) nas áreas de influência; c) Indicadores de desempenho da atividade produtiva, mais precisamente escala, localização e composição (“mix”) das atividades produtivas situadas nas áreas de influência. Cumpre ainda ressaltar que, conforme será visto em maior detalhe nos próximos relatórios, a avaliação dos impactos do Arco sobre a área de influência imediata baseia-se primordialmente no comportamento dos indicadores do tipo a e b acima, ao passo que nas áreas de influência (regional) mais remotas a ênfase é nos indicadores de produção (c). O quadro 1, abaixo, apresenta os diferentes municípios, nas três Áreas de Estudo da

mesorregião do Arco metropolitano do Rio de Janeiro, especificando o que ficou convencionado acima de se chamar de município sob a influência direta do Arco metropolitano (em negrito) e aqueles sob a influência remota. No referido quadro 5, apresentamos nas diferentes colunas, respectivamente (i) a situação espacial em relação ao Arco metropolitano; (ii) o(s) evento(s) presentes(s) e/ou previsto(s) , isto é a infra-estrutura instalada e/ou projetada para o horizonte de tempo estipulado no Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento, bem como a principal característica da urbanização presente e (iii) o(s) Projeto(s) principal(is), isto é os investimentos estruturantes programados.

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Quadro 5. 3 - Municípios nas Áreas de Influência Imediata e Remota do Arco Metropolitano (critério distância do Arco e Entroncamentos pertinentes)
Principais Município(*) ITAGUAI Situação Entroncamento do Infra-Estrutura Arco Porto de Itaguaí, Porto do Sudeste, Porto Usiminas, Estaleiro Projetos Complexo Portuário, CSN

Metropolitano com a BR-101 da Marinha, Estaleiro CDRJ, Plataforma Logística da CSN, e acesso ao Porto, além de Porto Vale, Zona de Apoio Logístico, ligação ferroviária vias de pequena significação (MRS) para o tráfego de cargas e passageiros Caçador, Palmeiras, (Estr. Estr. Rua do das

Tocantins,

Estr. Dona Elizabeth e Estr. do Mazomba).

RIO DE JANEIRO / AP5

Intercepta o arco através da Possui quatro Distritos Industriais (Santa Cruz, Campo CSA BR-101, lote 4, que integra o Grande, Palmares e Paciência), o que garante à região a Michelin sistema. grande atratividade. Mas o grande investimento estruturante Flowserve para os próximos anos é o Complexo da CSA, com uma Hermes siderúrgica e um porto. O PNLT prevê a construção da Linde Hidrovia dos Jesuítas, ligando a Baía de Sepetiba à BR 116, Cosigua criando um novo sistema de transporte na região, o hidroviário, por balsas.

SEROPÉDICA Entroncamento

do

Arco Área destinada ao Distrito Industrial cortada pelo Arco

Coquepar

Metropolitano com as BR- Metropolitano e pelo ramal da MRS, ladeado pela BR 116 e 116 e BR-465, com o ramal circundado pelo canal de São Francisco para onde está da MRS que acessa o Porto prevista a construção da Hidrovia dos Jesuítas de Itaguaí e RJ-125 - Estrada Japeri-Miguel Pereira, além

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Principais Município(*) Situação Infra-Estrutura Projetos

PARACAMBI

Sem

entroncamento

ou Área destinada ao Distrito Industrial com 2,5 km², há 13 km do Arco Metropolitano.

Light S.A.

interseção com o Arco

JAPERI

Entroncamento

do

Arco Área destinada ao Distrito Industrial cortada pelo ramal da Light e

Metropolitano com o ramal MRS, ladeado pelo canal de São Francisco para onde está Granado da MRS que acessa os prevista a construção da Hidrovia dos Jesuítas.

portos de Itaguaí e do Rio de Janeiro, RJ-093 - Estrada dos Coqueiros e vias de pequena significação para o tráfego de cargas (Estr. e da

passageiros

Saudade, Estr. Aljezur, Rua Odorico Rocha, Estr. Santo Antônio 2, Estr. Ari Schiavo, Av. Eduardo Souto Barbosa).

QUEIMADOS

Sem entroncamento ou interseção com o Arco.

Seu Distrito Industrial de 2,3 km² (com possibilidade de Nihil expansão para 9 km²) se localiza junto à BR 116, podendo acessar rapidamente o Arco Metropolitano e o ramal da MRS que acessa o Porto de Itaguaí.

Mesquita

Sem entroncamento ou interseção com o Arco.

Registra alta densidade populacional e poucas opções para Nihil grandes empreendimentos. Registra alta densidade populacional e poucas opções para grandes empreendimentos. Nihil

Nilópolis

Sem entroncamento ou interseção com o Arco.

NOVA IGUAÇU

Entroncamentos com o Arco O município não possui Distrito Industrial e poucas áreas Nihil Metropolitano através de vias para expansão industrial no entorno direto do Arco de pequena significação para Metropolitano, que corre paralelo ao ramal da MRS que o volume de tráfego interno acessa o porto do Rio de Janeiro. Em Ambaí está previsto a de cargas e passageiros recuperação dos trilhos que se conectam com São Bento,

(Estr. do Retiro, Estr. Iguaçu em Duque de Caxias, parte do projeto de revitalização da Velho, Estr. São Bernardino, ferrovia de contorno da baía de Guanabara, o que irá criar o Rua Cel. Alberto Melo, Estr. Arco Ferroviário do Rio de Janeiro. Santa Perciliana, Av. Vilar

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Principais Município(*) Situação Infra-Estrutura Projetos

Belford Roxo

Sem entroncamento ou interseção com o Arco.

Registra alta densidade populacional e poucas opções para Nihil grandes empreendimentos.

São João de.Meriti DUQUE DE CAXIAS

Sem entroncamento ou interseção com o Arco. Entroncamento do Arco

Registra alta densidade populacional e poucas opções para Nihil grandes empreendimentos.

REDUC

Metropolitano com BR-040 e O município possui um grande distrito industrial próximo ao Suzano -116/493, RJ 085 e RJ 115 - entrocamento do Arco Metropolitano,BR-040 e BR- 116/493. Riopol Estrada de Xerém, além de Com a implantação da Ferrovia de contorno da Baía da Turbomeca vias de pequena significação Guanabara, que correrá paralela ao Arco, se torna, como para o tráfego de cargas e Seropédica, um dos municípios de maior infraestrutura passageiros (Av. Canal do logística potencial. Rio Calombé, Rua Local).

MAGÉ

Entroncamento do Arco

O município não possui Distrito Industrial, mas reserva Nihil

Metropolitano com BR- 116 e grandes áreas livres ao longo das BR-116 e -493 - 493 (integrantes do Arco Metropolitano), que serão

acompanhadas pela Ferrovia de Contorno da Baía da Guanabara. A proximidade com o Comperj é um forte fator de atração para investimentos.

GUAPIMIRIM

Não há entroncamentos significantes

O município não possui Distrito Industrial, mas reserva Nihil grandes áreas livres ao longo da BR-493 (Arco

Metropolitano), que serão acompanhadas pela Ferrovia de Contorno da Baía da Guanabara. A proximidade com o Comperj é um forte fator de atração para investimentos.

ITABORAÍ

Entroncamento do Arco Metropolitano com a BR-101

O município não possui distrito industrial, mas o Comperj é o COMPERJ principal investimento estruturante em implantação no estado do Rio de Janeiro. A existência de grandes áreas no entorno direto do Arco Metropolitano e a Ferrovia de

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Principais Município(*) Situação Infra-Estrutura Projetos

Rio de Janeiro / AP3

Sem entroncamento ou interseção com o Arco. Registrará redução do fluxo de veículos de carga na Linha Vermelha oriundos da BR- 040.

Possui o mais importante centro tecnológico da Petrobrás no EISA, Brasil, além de um Centro Tecnológico e do principal Petrobrás campus universitário do estado (UFRJ)

TANGUÁ

Não há entroncamentos significantes

O município não possui Distrito Industrial, mas reserva Nihil grandes áreas livres com capacidade para atrair

investimentos de apoio ao COMPERJ. A reativação da linha marítima da FCA, integrando a ferrovia de contorno da Baía da Guanabara, ligando o COMPERJ, o Porto do Açu, o Porto de Itaguaí e o corredor São Paulo - Rio da MRS tem potencial para tornar o município logisticamente atrativo. Maricá Caso o Arco Metropolitano seja complementado com a O município não possui Distrito Industrial, mas o Nihil

prolongamento do Arco, caso ocorra, atrairá investimentos

RJ-114, Maricá será uma das para seu entorno. Há estudos para a construção de um porto pontas da rodovia. Niterói Sem entroncamento ou interseção com o Arco. SÃO GONÇALO Sem entroncamento ou interseção com o Arco. ou estaleiro no município. O município não possui Distrito Industrial e é densamente C.Naval ocupado. O município está em fase de implantação do Distrito Porto Industrial de Guaxindiba, prevendo utilizar no futuro o porto Schulz que a Petrobrás constrói para movimentar equipamentos destinados ao COMPERJ. É densamente ocupado, mas se favorecerá da implantação do Centro de escoamento e do centro de Inteligência do Comperj. CACHOEIRAS Sem entroncamento ou DE MACACU interseção com o Arco. Município com baixa densidade urbana. Pode se favorecer Nihil da proximidade com o COMPERJ para atrair investimentos.

(*) Os municípios que sujeitos a uma influência mais direta do Arco metropolitano estão em caixa alta e em negrito neste Quadro.

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O ordenamento do território na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que sempre foi uma questão importante, se tornou imprescindível e inadiável nos últimos anos com o advento de grandes investimentos estruturantes nos setores portuário, siderúrgico, petroquímico e logístico, que ditarão o rumo do crescimento da RMRJ nas próximas décadas. Esses investimentos provocarão grandes transformações no perfil da ocupação do solo na RMRJ. Com maior impacto sobre o território estão o COMPERJ, em Itaboraí, e a província portuária, em Itaguaí. Separados por uma região densamente ocupada, sem conexão ferroviária e com o sistema rodoviário saturado, esses investimentos foram o impulso final para a construção do Arco Rodoviário Metropolitano do Rio de Janeiro, que ligará as duas cabeceiras da RMRJ, conectando as rodovias BR 101 Norte, em Manilha, no município de Itaboraí, ao Porto de Itaguaí. Sua construção aliviará a pressão por mobilidade de carga na zona central da RMRJ, que não possui capacidade para uma nova onda de adensamento no tráfego – destinado ao porto de Itaguaí co origem no COMPERJ, Norte Fluminense e Região Serrana (vindo em especial da Zona da Mata Mineira), ou originário deste com sentido contrário – que seria concentrando, por trechos, na BR 040, na Linha Vermelha e na BR 116, atravessando áreas de grande densidade urbana até Queimados, onde a pressão urbana diminui, mas não o fluxo do tráfego. A Construção do Arco Metropolitano provocará uma completa transformação desse fluxo de tráfego, que será retirado da Zona Urbana Metropolitana a partir da conexão da BR 493/116 com a BR 040, de onde partirá o traçado do Arco, uma rodovia originalmente planejada para servir basicamente ao movimento de cargas, mas que sofrerá os impactos do tráfego urbano pelo avanço da ocupação do solo para suas margens a partir das oportunidades que serão geradas pelos investimentos estruturantes já anunciados e pelos investimentos que serão realizados na cadeia produtiva desses classificados como estruturantes. Esta fase do estudo sobre as políticas urbanas na região do Arco Metropolitano tem o objetivo de identificar as zonas de ocupação urbana, distritos ou zonas de interesse industrial e espaços vazios nos municípios, apontando o provável comportamento a ser seguido pela ocupação do solo nas próximas décadas, induzido pelos investimentos estruturantes, em especial COMPERJ em Itaboraí e província portuária em Itaguaí e seu elo, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro.

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O estudo Decisão Rio: 2010-2012, do Sistema FIRJAN, apontou investimentos de R$ 126 bilhões no Rio de Janeiro no período, destacando a região de entorno do Porto de Itaguaí e do Arco Metropolitano como um dos principais eixos de desenvolvimento do estado. Denominado Eixo Sepetiba, a região se caracteriza pelas oportunidades criadas a partir da construção do trecho virgem do Arco Metropolitano, de sua conexão com os portos já existentes e em construção na Baía de Sepetiba e pelos investimentos industriais em andamento no seu entorno, como a Companhia Siderúrgica do Atlântico. Um evento que traria um forte componente de pressão sobre a RMRJ foi desarticulado, alterando parcialmente o perfil que vinha se desenhando para a ocupação do solo: a decisão da Petrobras, que elegeu como prioridade estratégica para a exploração do pré-sal a Bacia de Santos, em São Paulo, optando pela construção de sua base de operações na cidade de Santos, o perfil da ocupação do Eixo Sepetiba se direciona para o apoio logístico ao complexo portuário de Itaguaí. Partindo dessa condição, foi realizada a análise do impacto do Arco Metropolitano e da província portuária sobre o ordenamento urbano dos municípios que seriam mais diretamente atingidos pelo investimento, a saber: Itaguaí, Seropédica, Paracambi, Japeri e Queimados, que integram o Sistema de Apoio Industrial ao Porto de Sepetiba, criado por legislação estadual em 1998 (também integram o Sistema os Distritos Industriais da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro – Campo Grande, Paciência, Palmares e Santa Cruz). A criteriosa avaliação dos espaços urbanos e das demandas projetadas de investimentos contribui para a discussão do ordenamento territorial no Eixo Sepetiba. Os impactos da província portuária são definidos a partir do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. De fato, o ganho logístico criado com o Arco Metropolitano – que pode reduzir em até 20% o custo de transporte de/para o porto de Itaguaí1 – irá atrair empresas e centros logísticos para o trecho virgem situado nos municípios analisados. Para 2015 a previsão é de uma movimentação diária de 2,8 mil veículos de carga no Arco Metropolitano com origem/destino no porto2, atravessando áreas pouco adensadas e com perfil topográfico que favorecem investimentos de pequeno a grande porte em variados segmentos, de logística de apoio (armazenamento e transporte),

“Avaliação dos Impactos Logísticos e Socioeconômicos da Implantação do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro”, Sistema FIRJAN e Coppead/UFRJ, 2008.
2

1

Idem.

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passando por fabricação industrial (peças e equipamentos) até indústrias de base (siderúrgicas e metalúrgicas). Considerando a atuação integrada do Arco Metropolitano e do complexo portuário e cruzando com as demandas industriais projetadas, as áreas disponíveis e as infraestruturas logísticas existentes e em implantação, foi possível apontar as principais vocações dos municípios da região frente às perspectivas. Vale lembrar que os municípios sob influência imediata do Arco Metropolitano, sob o critério da distância econômica, estão acentuados, abaixo, em negrito.

ITAGUAÍ Concentra os investimentos portuários e embora não tenha um Distrito Industrial delimitado, possui duas áreas com as características necessárias para receber investimentos industriais. A primeira, com 14,9 km² se localiza ao longo do Arco Metropolitano, na divisa com Seropédica, com plena acessibilidade aos portos de Itaguaí e do Sudeste e à Plataforma Logística da CSN - que negocia com Petrobrás e a Gerdau a implantação de um porto conjunto. A segunda, com 14,5 km², está localizada entre o ramal da MRS e a RJ-099, com acesso à BR-101. Somadas, as áreas equivalem a quase seis vezes o Distrito Industrial de Santa Cruz/RJ, onde estão instaladas 32 empresas com área média de 95 mil m², entre elas Novartis e Casa da Moeda. Itaguaí não apresenta restrições a empreendimentos em seu Plano Diretor e na Lei de Zoneamento, mas em sincronia com o complexo industrial-portuário e pelo fato de ser a cabeceira do Arco Metropolitano, acena com preferências para atividades nos setores portuário (armazenagem e transporte – empresas de logística, especialmente), naval (máquinas e equipamentos) e siderúrgico. 96,6% dos 2.560 estabelecimentos do município3, são micro e pequenos. Os segmentos de serviços e comércio reúnem 84,2% dos estabelecimentos e a indústria 12%, concentrada nas áreas de construção civil e extração mineral. Segundo a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro – CEPERJ4, em 2006 o PIB ficou em R$ 1,9 bilhão,

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Fonte: RAIS 2007.

Todas as informações sobre o PIB dos municípios constam nos Estudos Socioeconômicos dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro, do TCE/RJ, com informações da Fundação CIDE, que foi extinta com a criação da Fundação CEPERJ. A opção por utilizar o PIB de 2006 se deve ao fato de ser o mais recente com informações setorizadas.

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tendo como principais setores comércio (27,6%), transportes (10,6%) e aluguéis (7,2%). A indústria ocupou a 10ª posição, contribuindo com apenas 0,7% do PIB.

SEROPÉDICA Com um importante entroncamento formado pelas Rodovias Presidente Dutra (BR 116), BR 465 (antiga Rio – São Paulo), Arco Metropolitano e o ramal da MRS que acessa o complexo portuário de Itaguaí, o município possui uma grande área destinada ao Pólo Industrial. Localizado entre a BR-116, o Rio Guandu e a RJ-125 o terreno possui 19,5 km², dos quais apenas 5% estão ocupados pelas empresas Eletrobolt e Panco. A Coquepar, um empreendimento em implantação avaliado em R$ 524 milhões, principal investimento industrial no município, se localiza fora dos limites do Pólo. A Lei de Zoneamento define como empreendimentos de interesse indústrias de médio a grande porte e empresas de negócios e extração mineral, mas o governo busca aproveitar programas de incentivos do governo estadual voltados para os setores têxtil, calçadista, de jóias, cosméticos, fármacos, eletrônicos, bebidas (alcoólicas, cerveja e refrigerante), gráfico, metalmecânico, máquinas e equipamentos agropecuários e industriais, parafusos,

autopropulsores e ótico. A legislação municipal proíbe a implantação de indústrias cujos efluentes finais contenham substâncias de alto grau de toxidade e que não sejam degradáveis, indústrias que lancem substâncias cancerígenas em seus efluentes finais e indústrias que operem com reator nuclear. Em 2006 o setor de aluguéis respondeu por 26% do PIB de R$ 395 milhões, o que se explica pelo fato de a economia municipal gravitar ao redor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A administração pública respondeu por 24% do PIB e a construção civil por 10%. O setor industrial contribui com 3,9%, sendo o sexto setor em importância. 98% dos 871 estabelecimentos formais de Seropédica são micros e pequenos, sendo 40% de serviços, 37% agropecuários e 21% industriais, em especial nos segmentos de extração mineral e construção civil.

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JAPERI A área reservada para o Distrito Industrial possui 396 mil m². Localiza ao longo da Estrada do Guandu, na bifurcação da malha da MRS para os portos de Itaguaí e do Rio de Janeiro5, está a menos de 1 km da RJ 125, que margeia o Distrito Industrial de Seropédica e se conecta ao Arco Metropolitano e à Rodovia Presidente Dutra. Ainda em fase de planejamento, possui área superior ao Distrito Industrial de Paciência no Rio de Janeiro (333,5 mil m²), onde funcionam 13 empresas, com tamanho médio de 21 mil m². Não há restrições a empreendimentos na legislação municipal, que também não apresenta definição dos segmentos industriais desejados. A área depende da implantação de infraestruturas básicas (água, saneamento, telecomunicações e outras) para se tornar atrativa para investidores.

A indústria tem pouco peso na economia municipal, tendo respondido em 2006 por apenas 1% do PIB de R$ 345 milhões. O setor de aluguéis respondeu por 38% do PIB, a administração pública por 35% e transportes por 7%. 99% dos 653 estabelecimentos são micros e pequenos, sendo que 45% são do setor agropecuário, 42% de serviços e 12% industriais - principalmente da construção civil.

QUEIMADOS Possui um Distrito Industrial de 2,3 km² com gás canalizado, telefonia digital, subestação de energia elétrica e abastecimento de água, sendo o único da região analisada realmente implantado (os demais estão em fase de implantação ou são apenas projetos). Segundo a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (CODIN) 32 empresas estão instaladas no distrito, ocupando 49% de sua área. Localizado a 6,5 km do ramal da MRS que acessa o porto de Itaguaí, a 10 km do Arco Metropolitano e margeado pela Rodovia Presidente Dutra, o distrito possui forte vantagem competitiva e atratividade. As empresas já instaladas atuam principalmente nas áreas de construção (civil e metalúrgica), transportes, armazenamento e fabricação de instrumentos e componentes tecnológicos.

5 Ramal que a partir de Ambaí, em Nova Iguaçu, integrará a ferrovia de contorno da Baía da Guanabara, que fará a conexão entre o porto do Açu (em São João da Barra), o Comperj (em Itaboraí) e o porto de Itaguaí e criará uma ligação ferroviária com São Paulo para escoar a produção do Comperj e do Distrito Industrial do Açu.

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A legislação não restringe investimentos, mas diante do perfil atual as atividades mais indicadas estão relacionadas àquelas já praticadas, como por exemplo: armazéns gerais frigoríficos; indústrias alimentícias; bebidas alcoólicas, cerveja e refrigerantes; têxtil; de artefatos de concreto; argamassa; gesso; metalmecânico; náutica; cosméticos; louças; e alumínio. Por não haver restrições a atividades e grande área disponível não há impeditivo para novos segmentos, principalmente pela possibilidade de expansão em 6,7 km², o que elevaria a área do distrito para 9 km², equivalente à ocupada pela CSA em Santa Cruz, no Rio de Janeiro. O PIB de 2006, de R$ 686 milhões, ficou concentrado nos setores de aluguéis (28%), administração pública (24%) e construção civil (10%). A indústria contribuiu com 8%, sendo o quarto principal setor econômico do município. 98% dos 1.468 estabelecimentos são de micro e pequeno portes e os segmentos de serviços e agropecuária concentram, cada um, 44% dos estabelecimentos. estabelecimentos. PARACAMBI O município possui um Distrito Industrial em fase de implantação em um terreno de 2,5 km² ao longo da rodovia RJ 127 (que acessa a BR-116). Seu projeto prevê a instalação de infraestrutura viária, serviços de transporte, de energia, de água e de telecomunicações. Apesar de estar a 13 km do Arco Metropolitano, em Japeri, se localiza na área de influência direta do Arco. Sua ocupação já possui atividades definidas pelo governo municipal: desdobramento de madeira; destilação de álcool e cervejarias; frigorífico; fundição de peças; indústria cerâmica; indústria de artefatos de cimento e usinas de concreto; indústria química; indústria eletromecânica; indústria mecânica; indústria metalúrgica; indústria de biodiesel; montagem de veículos; produção de óleos vegetais e outros produtos; produção de óleos, gorduras e ceras vegetais e animais; torrefação e moagem de cereais; laticínio, fábrica de farinhas (moinho); aparelho, peças e acessórios para agropecuária; e fábrica de espumas e derivados. A indústria, focada na construção civil, representa 11% dos

Além do Distrito Industrial planejado Paracambi possui na Lei de Zoneamento uma Zona de Interesse Industrial localizada na divisa com Seropédica e Japeri, junto do ramal da MRS, com 1,7 km². A área não possui importantes vias rodoviárias, com exceção da Estrada dos

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Macacos, que acessa o Centro de Paracambi, e da Estrada Paracambi-Japeri.

O PIB de Paracambi no período de referência foi de R$ 262 milhões, concentrado em aluguéis (23%%), administração pública (21%) e serviços industriais de utilidade pública (7%). A indústria contribuiu com 6%, sendo o quarto principal setor econômico do município. 99% dos 962 estabelecimentos do município são de micros e pequenos, sendo que 48% são do segmento de serviços, 40% agropecuários e 11% industriais – em especial confecção, laticínios e extração mineral.

Faz-se necessário ressaltar que a análise apresentada das áreas destinadas à expansão industrial do Eixo Sepetiba considerou não apenas a legislação e o atual perfil municipal, mas também a lei estadual nº. 3055/98, que criou o Sistema de Apoio Industrial ao Porto de Sepetiba, “destinado a incrementar a instalação de estabelecimentos industriais nas áreas de convergência para o Porto de Sepetiba”. A lei, além de definir os distritos industriais, prevê a implantação de duas usinas termelétricas em Seropédica e Paracambi (para onde está prevista ainda uma hidrelétrica). Outra legislação importante para a atratividade industrial dos municípios é a Lei nº. 5636/10, publicada em 06/01/2010 pelo governo do estado e que dispõe sobre política de recuperação industrial regionalizada no Rio de Janeiro. A lei incluiu os distritos industriais de Japeri, Paracambi e Queimados entre os beneficiados pelo regime especial de tributação e recolhimento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual ou Intermunicipal e de Comunicações – ICMS, fixando em 2% a alíquota do imposto recolhido sobre o valor das operações de saída por transferência e por venda, deduzidas as devoluções. A lei é um forte incentivo para a atração de investimentos, uma vez que os benefícios poderão ser aplicados na importação, desde que o desembaraço das aquisições realizadas no exterior seja realizado através dos portos e aeroportos fluminenses. Fora do chamado Eixo Sepetiba, que sentirá mais diretamente os impactos do conjunto Arco Metropolitano – Província Portuária em Itaguaí, e do Eixo Leste, que terá os impactos diretos do conjunto Arco Metropolitano – COMPERJ está um grupo de municípios com grande densidade populacional, formado por Belford Roxo, Duque de Caxias, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu e São João de Meriti.

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Estes municípios terão impactos diferenciados, considerando dois fatores: oferta de espaços vazios para atrair investimentos e proximidade com o Arco Metropolitano, que desse grupo atravessa apenas os municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

BELFORD ROXO Sem entroncamento ou intersecção com o Arco Metropolitano, o município não possui um distrito industrial estabelecido e registra alta densidade populacional, o que gera poucas opções para empreendimentos que exigem grandes áreas.

As opções para a expansão do uso do solo, tanto para novas áreas residenciais quanto para áreas industriais, se concentram nas regiões de Bela Vista, Parque Aurora e São Vicente, no norte do município. Nestas áreas empreendimentos poderão ser beneficiados pela reimplantação do ramal ferroviário de cargas entre Ambaí (Nova Iguaçu) e São Bento (Duque de Caxias), e pela proximidade que terá com o Arco Metropolitano, dependendo de adequações em vias de acesso nos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, como Estrada Amapá e Estrada Rio Douro, sem o que o acesso à região fica comprometido, com quase exclusividade pelas vias urbanas de acesso à BR 116, no Sul do município.

Diante desse quadro o município possui perfil mais adequado para investimentos nas áreas de prestação de serviços e, com a implantação do ramal Ambaí – São Bento, para segmentos de armazenamento e fabricação de instrumentos e componentes tecnológicos.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 2,9 bilhões, o 11º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada na indústria de transformação (29%), com destaque para o segmento químico-farmacêutico com 99%; aluguéis (23%); e administração pública (21%).

Esses setores não originam grandes pressões por novas zonas de habitação, mas a reativação do ramal Ambaí – São Bento tende a despertar o interesse industrial pelos espaços vazios em seu entorno.

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DUQUE DE CAXIAS O município de Duque de Caxias possui importantes entroncamentos com o Arco Metropolitano. O primeiro ocorre no Trevo das Margaridas, início do trecho virgem. Outros entroncamentos importantes ocorrem nas RJs 085 e 115 - Estrada de Xerém, além de vias de pequena significação para o tráfego de cargas e passageiros (Av. Canal do Rio Calombé, Rua Local).

Sua estruturação industrial está bem definida, com um grande distrito próximo ao entroncamento entre o Arco Metropolitano e BRs-040 e 116/493. Com a implantação da Ferrovia de contorno da Baía da Guanabara, que correrá paralela ao Arco, se torna um dos municípios de maior infraestrutura logística potencial, inserindo neste contexto sua proximidade com o Aeroporto Internacional do Galeão – Tom Jobim e com o Porto do Rio de Janeiro.

O município possui vazios adequados para expansão urbana próximo a Pilar e Chácara Rio – Petrópolis, e para expansão industrial na porção Leste, próximo ao Distrito Industrial e à Reduc, embora exija fortes investimentos em infraestruturas devido às condições do solo.

A expansão da capacidade da Reduc a partir da implantação do COMPERJ e a atração de atividades da indústria petroquímica de segunda e terceira gerações provocarão um forte impulso na ocupação do solo no município, havendo o risco de, não se implantando um sistema de controle, o processo culminar no aumento da favelização. Dos municípios localizados na Baixada Fluminense Duque de Caxias é o que dispõe de melhores condições para aproveitar o crescimento econômico impulsionado pelo conjunto Arco – COMPERJ – Província Portuária, mas em contrapartida é o município que tenderá a sofrer mais fortemente as pressões por ocupação do solo e os riscos de um processo desordenado.

Diante desse quadro o município possui perfil adequado para investimentos nas áreas petroquímica de primeira, segunda e terceira gerações, fabricação de instrumentos e componentes tecnológicos, fármacos, eletrônicos, metalmecânico, máquinas e equipamentos industriais, autopropulsores e ótico.

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Em 2006 o PIB do município foi de R$ 18,3 bilhões, o 2º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada na indústria de transformação (60%), com destaque para o segmento químico com 93%; aluguéis (9,8%); e administração pública (6%).

MESQUITA Sem entroncamento ou intersecção com o Arco Metropolitano, o município não possui um distrito industrial estabelecido e possui alta densidade populacional, o que oferece poucas opções para empreendimentos que exigem grandes áreas.

O município está espremido entre Nova Iguaçu, Belford Roxo, Nilópolis e a serra, sem opções para a expansão urbana e industrial. Distante do Arco Metropolitano e ladeado pela BR 116, o benefício indireto dos grandes empreendimentos poderá se concentrar na melhoria da mobilidade urbana em direção às demais cidades da RMRJ, em especial àquelas que, por possuírem vazios urbanos, atrairão grandes investimentos.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 1,7 bilhões, o 16º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada na construção civil (51%); aluguéis (15%); e administração pública (13%). NILÓPOLIS Sem entroncamento ou intersecção com o Arco Metropolitano, o município não possui um distrito industrial estabelecido e possui alta densidade populacional, o que oferece poucas opções para empreendimentos que exigem grandes áreas. O município está espremido entre São João de Meriti, Mesquita, o Rio de Janeiro e a serra, sem opções para a expansão urbana e industrial. Distante do Arco Metropolitano e ladeado pela BR 116 e pela Avenida Brasil, o benefício indireto dos grandes empreendimentos poderá se concentrar na melhoria da mobilidade urbana em direção às demais cidades da RMRJ, em especial àquelas que, por possuírem vazios urbanos, atrairão grandes investimentos. Em 2006 o PIB do município foi de R$ 919 milhões, o 24º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada nos aluguéis (22%); administração pública (21%); e construção civil (20%).

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NOVA IGUAÇU O município possui entroncamentos com o Arco Metropolitano através de vias de pequena significação para o volume de tráfego interno de cargas e passageiros (Estr. do Retiro, Estr. Iguaçu Velho, Estr. São Bernardino, Rua Cel. Alberto Melo, Estr. Santa Perciliana, Av. Vilar Novo, Av. Vilar Grande, Estrada de Adrianópolis e Queimados – Rio D’Ouro). Nova Iguaçu não possui Distrito Industrial, mas existem vazios urbanos que podem ser utilizados para expansão industrial no entorno direto do Arco Metropolitano, que em um longo percurso corre próximo ao ramal da MRS que acessa o porto do Rio de Janeiro. Em Ambaí está previsto a recuperação dos trilhos que se conectam com São Bento, em Duque de Caxias, parte do projeto de revitalização da ferrovia de contorno da baía de Guanabara, o que irá criar o Arco Ferroviário do Rio de Janeiro.

Diante desse quadro o município possui perfil adequado para investimentos nas áreas de armazéns gerais; indústrias alimentícias; têxtil; de artefatos de concreto; argamassa; gesso; metalmecânico; e cosméticos.

Uma questão importante a ser discutida é a regularização das Áreas de Proteção Ambiental existentes no município, algumas ainda não reconhecidas pelos órgãos federais e estaduais.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 5,1 bilhões, o 7º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada nos aluguéis (23%); administração pública (21%); e indústria de transformação (11%), com destaque para os segmentos de material de transportes (13,45%) e produtos alimentares (10%).

SÃO JOÃO DE MERITI Sem entroncamento ou intersecção com o Arco Metropolitano, o município não possui um distrito industrial estabelecido e possui alta densidade populacional, o que oferece poucas opções para empreendimentos que exigem grandes áreas.

O município está espremido entre Nilópolis, Rio de Janeiro, Belford Roxo e Duque de Caxias,

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sem opções para a expansão urbana e industrial. Distante do Arco Metropolitano e ladeado pela BR 116 e pela Avenida Brasil, o benefício indireto dos grandes empreendimentos poderá se concentrar na melhoria da mobilidade urbana em direção às demais cidades da RMRJ, em especial para a Zona Oeste do Rio de Janeiro, Duque de Caxias e Itaguaí, que concentram grandes investimentos estruturantes e possuem vazios urbanos que se tornam forças de atração para novos investimentos.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 2,9 bilhões, o 13º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada na construção civil (27%) aluguéis (22%); e administração pública (20%).

No Eixo Leste estão os municípios que receberão mais diretamente os impactos da construção co COMPERJ, em Itaboraí. Estes municípios guardam outra grande vantagem em relação à Baixada Fluminense: assim como o Eixo Sepetiba, possuem grandes vazios urbanos que permitem a expansão tanto da ocupação imobiliária quanto de projetos industriais. São estes os municípios de Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Itaboraí, Magé, Maricá, Niterói, São Gonçalo e Tanguá.

CACHOEIRAS DE MACACU Sem entroncamento ou intersecção com o Arco Metropolitano Cachoeiras de Macacu não integra a Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O município não possui um distrito industrial estabelecido, mas sua proximidade com o COMPERJ, em Itaboraí, e a existência de grandes vazios urbanos pode fazer com que se beneficie dos transbordamentos dos investimentos que se seguirão ao COMPERJ, como a petroquímica de segunda e terceira gerações, assim como pode passar a exercer uma função de amortecimento da expansão urbana de Itaboraí.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 516 milhões, o 34º maior do estado com a atividade econômica do município concentrada na indústria de transformação (38%) aluguéis (24%); e administração pública (13%). GUAPIMIRIM Embora cortado pelo Arco Metropolitano o município não possui, em seu território, um entroncamento significante com o mesmo. Guapimirim não possui Distrito Industrial, mas

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reserva grandes áreas livres ao longo da BR-493 (Arco Metropolitano), que serão acompanhadas pela Ferrovia de Contorno da Baía da Guanabara, oferecendo oportunidades para investimentos industriais e imobiliários. A proximidade com o COMPERJ é um forte fator de atração industrial, oferecendo oportunidade para o setor petroquímico de segunda de terceira gerações, além de segmentos como construção civil, transportes e armazenagem.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 288 milhões, o 42º do estado com a atividade econômica do município concentrada nos aluguéis (21%); administração pública (20%); e serviços industriais de utilidade pública (11%). ITABORAÍ Com o investimento no COMPERJ se consolidará como o centro econômico do Eixo Leste da RMRJ. O Arco Metropolitano garantirá o escoamento da produção do COMPERJ para o Porto de Itaguaí e um acesso mais fácil para São Paulo, uma vez que deixará de ser utilizada a BR 116, que corta a área urbana na RMRJ. Com os investimentos aderentes ao COMPERJ, como a petroquímica de segunda e terceira gerações, o município sofrerá grandes pressões sobre o uso do solo nas próximas décadas, necessitando de um elaborado processo de ordenamento do território para garantir a melhor ocupação e reduzir os riscos de um avançado processo de favelização, natural em regiões onde ocorrem grandes investimentos estruturantes que geram dezenas de milhares de empregos na construção e reduzem drasticamente a utilização da mão-de-obra na fase de operação.

Com vistas à produção do COMPERJ e das indústrias aderentes avançam as negociações para a implantação da Ferrovia do Contorno da Baía da Guanabara, que criaria condições de escoar a produção do complexo para o principal mercado consumidor brasileiro, o estado de São Paulo, através do modo ferroviário, o que reduziria o fluxo de veículos no Arco Metropolitano, garantindo melhores opções de ocupação de seu entorno imediato.

Existe a necessidade de se definir, de forma clara, uma legislação de ocupação do solo que permita o crescimento das plantas industriais sem estrangular a expansão urbana e de forma a evitar a favelização.

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Considerando o entroncamento entre a BR 493 e a BR 101 Norte em Manilha, esse ponto se torna um objeto de grande preocupação, que será tratado no relatório sobre a infraestrutura de transportes na RMRJ, que indicará propostas para melhorar a integração entre os municípios e utilizar o transporte público como ferramenta para evitar a ocupação desordenada do solo nos municípios onde se concentrarão os investimentos estruturantes.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 1 bilhão, o 22º do estado com a atividade econômica do município concentrada nos aluguéis (31%); administração pública (28%); e construção civil (13%). MAGÉ O município possui um entroncamento do Arco Metropolitano na bifurcação das BRs 116 e 493, próximo do ramal ferroviário que comporá a Ferrovia de Contorno da Baía da Guanabara, pertencente à Linha Marítima da Ferrovia Centro Atlântica (FCE). Magé não possui Distrito Industrial, mas reserva grandes áreas livres ao longo das BR-116 e 493 e do ramal ferroviário adequados para investimentos industriais (petroquímica se segunda e terceira gerações, armazenagem, transporte e metalmecânico) e residenciais, dependendo de uma definição de ocupação mais objetiva e adaptada à nova realidade econômica do município nas próximas décadas, sob a influência do COMPERJ.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 1,15 bilhão, o 21º do estado com a atividade econômica do município concentrada nos aluguéis (28%); administração pública (26%); e construção civil (6%).

MARICÁ O município está na ponta leste da RMRJ, sem conexão direta com o Arco Metropolitano, cujo projeto original termina no entroncamento da BR 493 com a BR 101 Norte, em Manilha, Itaboraí. Existe um projeto para que o arco seja estendido até Maricá, através da RJ 114, fazendo do município uma das pontas da rodovia. Para que seja implementado o governo do estado precisará realizar a obra, por se tratar de uma via estadual.

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O município não possui Distrito Industrial, mas o prolongamento do Arco, caso ocorra, atrairá investimentos para seu entorno. Há estudos para a construção de um porto ou estaleiro no município, o Complexo Industrial Portuário de Jaconé, cujo objetivo é atuar no apoio à exploração dos campos do pré-sal na Bacia de Santos. Defensor da proposta o governo do município busca vender o projeto para investidores privados. Em 2006 o PIB do município foi de R$ 527 milhões, o 32º do estado com a atividade econômica do município concentrada nos aluguéis (26%); administração pública (23%); e construção civil (5%).

NITERÓI O município não possui entroncamento ou interseção com o Arco Metropolitano, além de apresentar grande adensamento populacional, o que reduz a possibilidade de receber investimentos que exigem grande extensão de área. Embora não possua um distrito industrial, tem seu perfil econômico ligado à indústria naval, mantendo forte atratividade para investimentos no setor.

O porto do município se especializou em serviços de apoio à indústria off shore, o que faz o porto se estabelecer como um dos que atingem os maiores valores agregados do país. A retomada dos investimentos na indústria naval apresenta perspectivas de alavancar a oferta de empregos no município, que devido à sua ligação direta com o Rio de Janeiro através da Ponte Presidente Costa e Silva e com os municípios da Baixada e Oeste da RMRJ através de uma ampla rede de trens urbanos faz com que Niterói apresente menores possibilidades de sofrer uma explosão populacional incentivada por estes investimentos, em especial devido à falta de vazios urbanos destinados a essa ocupação.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 6,6 bilhões, o 4º maior do estado com a atividade econômica concentrada em serviços (30%); indústria de transformação (12%); e construção civil (10%), com destaque para os segmentos material de transporte (83%) e química (8%). SÃO GONÇALO O município não possui entroncamento ou interseção com o Arco Metropolitano, mas receberá os impactos diretos da construção do COMPERJ, onde funcionará o Centro de Escoamento e o Centro de Inteligência do COMPERJ. São Gonçalo está em fase de implantação do Distrito

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Industrial de Guaxindiba, prevendo utilizar no futuro o porto que a Petrobrás constrói para movimentar equipamentos destinados ao COMPERJ. O município é densamente ocupado, o que cria empecilhos para grandes investimentos industriais. Os vazios urbanos existentes são mais indicados para a expansão urbana. Em 2006 o PIB do município foi de R$ 5,5 bilhões, o 6º maior do estado com a atividade econômica concentrada nos aluguéis (24%); administração pública (22%); e construção civil (13%).

TANGUÁ O município não possui entroncamento ou interseção com o Arco Metropolitano. Tanguá possui Distrito Industrial, mas reserva grandes áreas livres com capacidade para atrair investimentos de apoio ao COMPERJ. A reativação da linha marítima da FCA, integrando a Ferrovia de Contorno da Baía da Guanabara, ligando o COMPERJ, o Porto do Açu, o Porto de Itaguaí e o corredor São Paulo - Rio da MRS tem potencial para tornar o município logisticamente atrativo.

Em 2006 o PIB do município foi de R$ 121 milhões, o 63º do estado com a atividade econômica concentrada nos aluguéis (32%); administração pública (29%); e construção civil (11%).

5.3. Desenvolvimento Econômico e Social
4.3.1. Análise da Dinâmica Espacial dos Complexos Logísticos-Produtivos na Área de Influência do Arco Metropolitano
Uma ordem de prioridades apontadas no capítulo 1 foi a consolidação de pólos de crescimento e o fortalecimento de sua capacidade de arrasto produtivo gerando maiores efeitos multiplicadores sobre a totalidade do território. Esse capítulo visa oferecer recomendações para transformar pólos de crescimento territorialmente concentrados em pólos de desenvolvimento regional, logo, na direção de uma desconcentração econômica para periferia metropolitana que dê suporte à competitividade das cadeias produtivas.

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Inicialmente, é importante advertir que nem todas aglomerações econômicas podem ser consideradas clusters (enquanto arranjos locais organizados) nem levam necessariamente à configuração de pólos de crescimento. Quanto ao primeiro aspecto, certas aglomerações podem gerar insatisfatoriamente interdependências entre os agentes locais, não havendo ganhos significativos de “eficiência coletiva”. Quanto ao segundo aspecto, certas aglomerações podem se caracterizar pela pouca contribuição para circulação de renda e fluxos de produção em termos regionais, muitas vezes sua dinâmica se restringindo a dependência de relações externas. Ao contrário, a configuração de um pólo é definida como uma “concentração dispersa”, marcada pelo surgimento de um núcleo motriz e uma relação sinérgica destacada com espaços de espraiamento dentro de um mesmo território. Nesse quadro virtuoso, inclusive as relações externas são um estímulo a mais para o dinamismo regional. Por isso, Chaves e Simões (2007) chamaram atenção que o incentivo às aglomerações econômicas deve ser considerado diante de suas vantagens para o processo de adensamento das cadeias produtivas. Mesmo que se consolidem como clusters, as aglomerações precisam ser tratadas de forma integrada à organização industrial em um contexto mais amplo que a localidade. Como lembrou Brandão (2007), políticas que só valorizem aglomerações irão enfrentar sérias limitações à medida que desconsiderem a espacialidade das relações intersetorias imersas em processos produtivos supralocais. É preciso deixar claro que não se desconsidera a importância de serem incentivados ganhos de “eficiência coletiva” por interações localizadas, mas se deseja enfatizar as oportunidades de estimular ganhos de dinamismo ao longo das cadeias produtivas. É fundamental que seja superada a porosidade na formação regional das cadeias produtivas de acordo com o potencial aglomerativo de seus elos em articulação com outras cadeias associadas a mesma base técnica. Nesse sentido, a visão estratégica está centrada na valorização de sinergias através da consolidação de complexo logístico-produtivos. Cabe lembrar que um complexo geralmente é formado por várias concentrações geográficas da produção em que suas cadeias são articuladas logisticamente. Na Área de Influência do Arco Metropolitano, os principais complexos são o MetalMecânico e o Químico-Farmacêutico (como definidos em HAGUENAUER et al., 2001)6. Em

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Embora esses complexos não estejam completos dentro da região, envolvem os fluxos de produção dominantes.

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suas articulações intra e inter-regionais, o primeiro pode englobar as seguintes atividades: Extração de carvão; Extração de minerais metálicos; Metalurgia Básica (Siderurgia está enquadrada); Produtos de Metal; Reciclagem de Sucatas Metálicas; Máquinas e Equipamentos; Material Elétrico; Material Eletrônico e Comunicações; Veículos Automotores; Construção Naval; e Outros Equipamentos de Transporte. Já o segundo pode englobar as seguintes atividades: Extração de petróleo e gás natural; Derivados de Petróleo e Álcool; Outros Produtos Químicos (Petroquímica está enquadrada); Borracha; Transformados Plásticos; Reciclagem de

Transformados Plásticos; Farmacêuticos e Veterinários; e Perfumaria, sabões e velas (Cosméticos está enquadrado). Na sequência a proposta de articulação espacial das atividades econômicas será apresentada mais detalhadamente. Essa proposta está associada a avaliação dos potenciais estruturantes dos empreendimentos âncoras já existentes ou com implantação definida, bem como associada aos novos investimentos sugeridos. Segundo a noção de “pólos de crescimento” (PERROUX, 1967), pretende-se destacar as principais aglomerações econômicas candidatas a se tornar núcleos motrizes e seus prováveis espaços de espraiamento imediato e não imediato. Posteriormente, também serão enfatizados alguns pontos centrais para o maior desenvolvimento do potencial turístico na Área de Influência do Arco Metropolitano. Cabe esclarecer que o tratamento que será dado aos complexos logístico-produtivos está voltado para explicitar as especificidades regionais e qualificá-las. Como salientou Coutinho (1973), “(...) é necessário qualificar muito bem a complexidade das estruturas econômicas regionais e da sua inter-relação – os complexos industriais devem ser planejados dentro desta perspectivas; de outro modo (...) perde o poder de captar as interações dinâmicas”.

4.3.2. Área de Estudo 1 (redefinida): espaço de polarização para um Complexo Metal-Mecânico
No Termo de Referência, a Área de Estudo 1 foi definida com o conjunto formado por: Área de Planejamento 5 do Município do Rio de Janeiro (AP5 do MRJ), Itaguaí, Mangaratiba e Seropédica. Contudo, para fins de coordenação econômica, propõe-se que sejam também incluídos: Queimados, Japeri e Paracambi (antes admitidos na Área de Estudo 2). O mapa 5.1 no anexo oferece a visualização da Área de Estudo 1 após as alterações propostas.

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Condicionantes à ocupação econômica Segundo o critério de “distância econômica”7, quase todos os municípios da Área de Estudo 1 (redefinida) estão sob influência imediata do Arco Metropolitano. A única exceção é Mangaratiba. De uma maneira geral, essa área se configura como grandes vazios intercalados por uma atividade agropastoril e franjas urbanas concentradas no entorno dos principais eixos viários (vide mapa 1.2 no capítulo 1). Destaca-se ainda importantes unidades de conservação ambiental em Mangaratiba e Paracambi. Alerta-se que o ordenamento territorial deve se ater ao risco de surgirem diversas ocupações subnormais e favelização. Segundo Quadro 5.4, entre 2000 e 2010, chama atenção um crescimento populacional acima de 10,0% em Mangaratiba, Itaguaí, Seropédica, Paracambi e Japeri (em grande parte, reflexo de um processo migratório interno8). Desses caso, o mais significativo, em termos absolutos, foi Itaguaí (18.359). Cabe ainda lembrar que a AP5 do MRJ já sofre também intensa pressão populacional. Recomenda-se maior atenção das políticas públicas urbanas porque justamente Itaguaí e AP5 do MRJ estão recebendo grandes projetos de investimento em siderúrgica e em terminais portuários, havendo expectativa de expansão econômica associada a estrutura de movimentação de cargas (o que inclui contêineres). Além disso, Mangaratiba e Paracambi possuem importantes unidades de conservação ambiental, logo, também recomenda-se maior atenção das políticas ambientais. Quanto ao zoneamento do território, a mancha urbana (rosa), as áreas dos principais empreendimentos âncoras (roxo claro) e das áreas definidas para uso industrial (roxa escuro) estão delimitadas na Figura 5.16.

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Para maiores detalhes, consultar P2 do PDU.

O quadro 5.3 do anexo permite reforçar essa interpretação em termos estaduais, pois, no período 2005/2008 foi significativa a expansão da população não natural do município e natural do estado. Cabe ainda lembrar que todas as previsões mostram uma continuidade de queda da taxa de crescimento populacional para o total da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e para o Estado do Rio de Janeiro.

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Quadro 5. 4 - Variação da população percentual e absoluta da população nos Municípios da

área de influencia do Arco Metropolitano, Região Metropolitana do RJ, Estado do RJ e Sudeste entre 2000 e 2010 Variação (%) 2000/2010 Crescimento absoluto na década 18.359 8.655 10.065 5.776 9.170 10.785 21.124 42.976 12.477 520 -153.094 -9.979 3.184 13.246 23.301 39.479 -18.373 54.633 3.298 255.287 284.879 789.354 5.244.351

Municípios

População 2000 População 2010

Itaguaí Japeri Mangaratiba Paracambi Queimados Seropédica Belford Roxo Duque de Caxias Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguacu São João de Meriti Cachoeiras de Macacu Guapimirim Itaboraí Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Total Arco* Região Metropolitana ERJ Região Sudeste
Fonte: Censo Demográfico / IBGE

ÁREA DE ESTUDO 1 (redefinida) 82.003 100.362 22,39 83.278 91.933 10,39 24.901 34.966 40,42 40.475 46.251 14,27 121.993 131.163 7,52 65.260 76.045 16,53 ÁREA DE ESTUDO 2 (redefinida) 455.598 818.432 218.307 159.685 154.232 767.505 439.497 ÁREA DE ESTUDO 3 48.543 51.727 37.952 51.198 187.479 210.780 76.737 116.216 459.451 441.078 891.119 945.752 26.057 29.355 5.084.795 5.340.082 10.792.518 11.077.397 14.391.282 15.180.636 72.412.411 77.656.762 434.474 775.456 205.830 N/A* 153.712 920.599 449.476 4,86 5,54 6,06 0,34 -16,63 -2,22 6,56 34,90 12,43 51,45 -4,00 6,13 12,66 5,02 2,64 5,48 7,24

Nota: (*) Não incluído valores para Áreas de Planejamento 3 e 5 do Município do Rio de Janeiro.

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COQUEPAR (Seropédica)

Distrito Industrial de Queimados Estrutura Portuária (Itaguaí), incluindo: terminal de contêiner no Porto Público de DOCAS/RJ, estaleiro de submarinos na Base Naval Militar da Marinha, Plataforma Logística, CSN Porto Sudeste-MMX e Porto Usiminas

NUCLEP (Itaguaí)

Distrito Industrial de Santa Cruz (AP5 do MRJ), incluindo: ThyssenKrupp (CSA), Gerdau (COSIGUA) e FCC
Figura 5. 16 - Mancha urbana e macrozoneamento dos principais empreendimentos

âncoras e e das áreas definidas para uso industrial na Área de Estudo 1 (redefinida)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos Planos Diretores Municipais, dados dos empreendimentos, e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005.

Principais empreendimentos âncoras: ⇒ Destaca-se o conjunto de unidades concentradas nas imediações da estrutura portuária de Itaguaí que se estende ao extremo oeste da AP5 do MRJ (dentro do Distrito Industrial de Santa Cruz), incluindo: Porto Público de Itaguaí administrado por Companhia DOCAS/RJ (com Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR9, ambos terminais da CSN, e os terminais da VALE10), Plataforma Logística da CSN (expansão de

Respectivamente, Terminal de Contêineres e Terminal de Cargas. Quanto ao Sepetiba TECAR, sua movimentação é basicamente de suprimento de carvão e escoamento de minério de ferro.
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Trata-se dos terminais da Companhia Portuária Baía de Sepetiba – CPBS e da antiga Valesul.

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Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR, bem como, futuramente, implantação de Centro de Apoio Logístico, Porto Privativo Lago de Pedra com retroárea), Porto Sudeste-MMX e Porto Usiminas (escoamento de minério de ferro), Base Naval Militar da Marinha (com estaleiro de submarinos), parques siderúrgicos da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA e da Gerdau Aços Longos (Cosigua), Nuclebrás Equipamentos Pesados – NUCLEP (produção de estruturas metálicas e caldeiraria pesada), Fábrica Carioca de Catalisadores – FCC (produção de compostos usados no refino de petróleo). ⇒ Nesse região, existem também outros projetos em discussão: terreno a ser licitado por DOCAS/RJ, a princípio, apontado como “Área Multiuso” (mas, poderá se tornar um novo estaleiro); Porto Petrobrás (área de apoio offshore); Porto Gerdau (escoamento de produtos siderúrgicos e importação de carvão); e usina siderúrgica CSN II (a princípio, aços longos). Além disso, em Seropédica, há a COQUEPAR (produtora de insumo para cadeia de alumínio). Áreas definidas para uso industrial: ⇒ Ressalta-se grandes espaços disponíveis em Seropédica. Também merecem destaque Queimados (particularmente, seu distrito industrial), AP5 do MRJ (enfatizando, o Distrito Industrial de Santa Cruz) e Itaguaí. Em menor medida ainda se observa algumas áreas em Japeri e Paracambi. Cabe ressalvar que próximo aos parques da ThyssenKrupp (CSA) e da Gerdau (Cosigua) existe uma aglomeração relacionada à cadeia siderúrgica. Contudo, não se trata de um cluster, ou seja, um arranjo local organizado com ganhos de “eficiência coletiva” por interações localizadas. Não obstante, é importante políticas para torná-lo um pólo ao incentivar o adensamento da cadeia, inclusive com fabricação de produtos de metal. O Quadro 5.5 no anexo apresenta, de forma resumida, as principais informações e características dos distritos industriais implantados ou projetados na Área de Influência do Arco Metropolitano. Segundo esse quadro, o Distrito de Santa Cruz possui infra-estrutura minimamente adequada (embora careça de investimentos), com cerca de 4,6 milhões de m2. Atualmente, já tem área ocupada de 3,3 milhões de m2 , sendo 14 indústrias operando: Gerdau (Cosigua), Casa da Moeda, Aciquímica, Liarte, Rexan Latasa, Temporal, Morganite, Misel, IDM, 492

Transcor, CSN, Ecolab, Fabrica Carioca de Catalisadores, Sicpa. Ainda há 12,6% de espaço disponível para atração de novos empreendimentos. Na Área de Estudo 1 (redefinida), já estão implantados também os distritos de Itaguaí, Queimados, Campo Grande (MRJ), Paciência (MRJ) e Palmares (MRJ). Entre eles, destaca-se o Distrito de Queimados junto a BR-116 (Rodovia Presidente Dutra/Rio-São Paulo), que servirá para poder acessar o Arco Metropolitano. Atualmente, esse distrito está praticamente todo ocupado, mas já está em discussão seu projeto de expansão. Recomenda-se maior acompanhamento para que a execução desse expansão ganhe maior agilidade. Existem ainda alguns projetos de distritos em Japeri, Paracambi e Seropédica, bem como da área industrial em Paracambi que dependem de obras de infraestrutura. O distrito de Japeri possuirá como principal vantagem logística o próprio Arco Metropolitano, que ainda terá um entroncamento com um ramal ferroviário da MRS que acessa o Porto do Rio de Janeiro (carecendo da reconstrução do ramal Ambaí – São Bento, já projetada). Além disso, poderá aproveitar as economias de aglomeração pela proximidade com o Distrito de Queimados. Sem acesso direto ao Arco Metropolitano, o distrito e a área industrial em Paracambi terão como vantagem logística a proximidade com a RJ-127 para acessá-lo através da BR-116. Quanto ao distrito de Seropédica trata-se de uma área de cerca de 20 milhões de m2 com excepcional potencial logístico: cortada pelo Arco Metropolitano, pelo ramal ferroviário da MRS que liga o Porto de Itaguaí e ladeado pela BR-116. Nesse sentido, tem potencial para se tornar o principal eixo de articulação logística, por um lado, das unidades concentradas nas imediações da estrutura portuária de Itaguaí e se estendendo ao extremo oeste da AP5 do MRJ, e, por outro lado, das unidades concentradas nos Distritos de Queimados e, futuramente, nos distritos de Japeri e Paracambi. Cabe ressaltar que o distrito de Queimados, bem como os distritos de Japeri e Paracambi, quando implantados definitivamente, já dispõem de um importante benefício tributário através da lei nº 5.636/2010 (Lei Cabral). Para maiores detalhes, o Quadro 5.5 no anexo apresenta, de forma resumida, as principais disposições do programa de incentivos fiscais do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Apesar da oportunidades oferecidas para maior ocupação, quase todos os municípios da Área de Estudo 1 (redefinida) ainda possuem porte econômico modesto. Como mostra o Quadro 5.5, 493

a única exceção é Itaguaí. Esse último município possui médio porte, com 3,5% do valor agregado bruto no total da Área de Influência do Arco Metropolitano. Cabe lembrar que Itaguaí possui como um de seus principais fatores de competitividade os serviços portuários, incluindo a atividade do Porto Público de Itaguaí - DOCAS/RJ com os terminais Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR. Por isso, recomenda-se que esses serviços seja mais estimulados a fim de aumentar o porte econômico municipal e provocar rebatimentos sobre outros municípios que passem a desempenhar o papel de retroporto.
Quadro 5. 5 - Participação percentual dos municípios no valor agregado bruto (VAB) por

setores no total da Área de influencia do Arco Metropolitano, 2007 Municípios Itaguaí Japeri Mangaratiba Paracambi Queimados Seropédica Belford Roxo Duque de Caxias Magé Mesquita Nilópolis Nova Iguaçu São João de Meriti Cachoeiras de Macacu Itaboraí Guapimirim Maricá Niterói São Gonçalo Tanguá Total Arco* Agropecuária Indústria Serviços Administração Pública ÁREA DE ESTUDO 1 (redefinida) 10,0 1,1 4,4 1,7 0,3 0,8 6,5 0,3 0,7 1,6 0,2 0,6 1,2 1,0 1,5 4,1 0,5 0,8 ÁREA DE ESTUDO 2 (redefinida) 1,3 3,7 4,9 4,8 68,5 28,6 14,1 0,9 2,7 0,2 0,7 2,2 0,0 0,7 2,2 5,0 5,1 11,9 0,6 1,8 5,7 ÁREA DE ESTUDO 3 8,5 0,7 0,9 4,1 1,1 2,6 3,1 0,4 0,6 2,7 0,5 1,5 10,4 7,1 14,1 18,7 5,3 13,0 1,4 0,2 0,3 100,0 100,0 100,0 2,1 1,6 0,8 0,8 2,2 1,3 8,3 16,5 4,0 3,1 2,8 14,3 7,7 1,1 3,9 0,9 1,9 10,1 15,9 0,5 100,0 Total 3,5 0,7 0,6 0,5 1,3 0,7 4,6 39,3 2,2 1,8 1,8 10,1 4,7 0,9 2,2 0,5 1,3 12,2 11,0 0,3 100,0

Fonte: Produto Interno Bruto dos Municípios 2003-2007 / IBGE. Nota: (*) Não incluído valores para Áreas de Planejamento 3 e 5 do Município do Rio de Janeiro.

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Atualmente, a Área de Estudo 1 (redefinida) já vem passando por um considerável ciclo de investimentos produtivos, a maioria deles trata de implantação de novos empreendimentos. Como principais investimentos recentes, destacam-se: Início de operação de plantas instaladas recentemente: ⇒ Companhia Siderúrgica do Atlântico/CSA – ThyssenKrupp e Vale (AP5 do MRJ) Construção de um parque siderúrgico produtor de placas de aços planos, a princípio, voltado para exportação para unidades de laminação da ThyssenKrupp nos Estados Unidos e na Europa. Ressalva-se que é possível a instalação futuramente de uma laminadora dentro do parque, o que recomenda-se que sua viabilização seja objeto de políticas. ⇒ Base Naval Militar (inclui estaleiro de submarinos) – Marinha do Brasil (Itaguaí). Construção de um estaleiro de submarinos convencionais e nucleares, de uma base de operações na atividade (base para submarinos do Município do Rio de Janeiro será transferida para esse complexo), bem como de um laboratório de manutenção ambiental da Baía de Sepetiba. ⇒ Companhia de Coque Calcinado de Petróleo/COQUEPAR – Petrobrás, Energy Investments e Unimetal (Seropédica) Construção de uma usina calcinadora de coque verde, matéria-prima que é derivada do refino do petróleo. Destaca-se que o coque calcinado é um importante insumo para indústria de alumínio, sendo utilizado como condutor de energia elétrica para a redução da alumina. A princípio, produção voltada para exportação, tendo como diferencial competitivo o baixo teor de enxofre. Trata-se da segunda fábrica desse tipo no Brasil (anteriormente, só existia a Petrocoque no Estado da Bahia). Modernização e projeto de expansão física em curso: ⇒ Porto Público de Itaguaí – DOCAS/RJ, incluindo Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR – CSN (Itaguaí) Conjunto de obras, que incluem: obras de dragagem (projeto incluído no Programa de Aceleração do Crescimento - PAC do governo federal), estudos de viabilidade econômica para 495

licitação de dois novos terminais (um terminal líquido e outro de granéis sólidos), e projeto de ampliação de Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR - CSN (respectivamente, Terminal de Contêineres e Terminal de Cargas11). Ressalta-se que as duas últimas iniciativas pela CSN estão incluídas dentro de seu planejamento para o projeto de implantação de uma plataforma logística. Rcentemente, a companhia DOCAS/RJ anunciou que será agilizada a licitação do novo terminal de granéis sólidos no Porto Público de Itaguaí: conhecido como "porto do meio", por ser localizado entre os terminais da Vale e da CSN, terá área de 245,5 mil m2 e capacidade de embarque de 25 milhões de toneladas por ano. Os maiores interessados na licitação são empresas de mineração de Minas Gerais (região de Serra Azul, no quadrilátero ferrífero): Arcelor Mittal, Ferrous Resources, Usiminas, dentre outras. Atualmente, essas mineradoras não têm uma "janela para o mar" para exportar seu minério de ferro, e ficam na dependência de um espaço para escoar o produto nos terminais da Vale e da CSN. Em estágio de negociação para implantação efetiva: ⇒ Porto Sudeste - MMX e Porto USIMINAS (Itaguaí) Porto Sudeste é um terminal portuário privativo para exportação de minério de ferro trazido de Minas Gerais através do ramal ferroviário da MRS. Diante da falta de aceso marítimo no terreno vizinho de sua propriedade, a USIMINAS já vem negociando com a MMX para seu escoamento também ocorrer através desse terminal. Além disso, a licitação do novo terminal de granéis sólidos no Porto Público de Itaguaí oferece mais uma alternativa. Isso porque a companhia DOCAS/RJ declarou que, segundo acordos realizados, o futuro arrendatário terá que dividir o novo terminal público com a USIMINAS que será parceira em sua construção. ⇒ Plataforma Logística CSN, Porto Gerdau e Porto Petrobrás (Itaguaí) A Plataforma Logística CSN se refere à construção de um centro de apoio logístico e de um novo terminal chamado de Porto Privativo Lago da Pedra com retroárea em área externa ao Porto Público de Itaguaí, bem como às expansões de Sepetiba TECON e Sepetiba TECAR dentro do Porto Público de Itaguaí. O Porto Gerdau se refere a construção de um porto

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Quanto ao Sepetiba TECAR, sua movimentação é basicamente de suprimento de carvão e escoamento de minério de ferro.

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privativo voltado para o escoamento de produtos siderúrgicos e importação de carvão. Já o Porto Petrobrás se refere a uma base de apoio para operação offshore. Diante da impossibilidade física para construção de três espaços de atracação para o Porto Lago de Pedra, Porto Gerdau e Porto Petrobrás, os responsáveis pelos empreendimentos estão buscando um entendimento sobre a gestão conjunta da "janela para o mar", apesar de possuírem terrenos próprios para finalidades particulares. Inclusive a Petrobrás vem estudando, como alternativa, o aproveitamento do terminal portuário da NUCLEP (atualmente subtilizado devido o elevado assoreamento). Em fase de projeto para futura implantação: ⇒ Novo estaleiro em terreno de DOCAS/RJ a ser licitado, inicialmente chamado de “Área Multiuso” (Itaguaí). Ressalta-se a dificuldade atual para se definir novas áreas para a construção naval no Estado do Rio de Janeiro diante de limites físicos. Por se tratar de um grande terreno, ele pode comportar inclusive uma estaleiro de porte. Recomenda-se empenho do governo estadual para acelerar essa licitação junto a DOCAS/RJ pois aumentaria a competitividade da indústria naval estadual na disputa por grandes encomendas de embarcações no país. ⇒ Usina CSN II (Itaguaí) Construção de um parque siderúrgico produtor de aços longos. Já possui a EIA/RIMA (respectivos estudo e relatório de impacto ambiental). ⇒ Nova unidade da Fábrica Carioca de Catalisadores/FCC – Petrobrás e Albemarle (AP5 do MRJ) Ampliação para produção do catalisador para HPC (Hidroprocessamento), que se somará à produção já existente para o FCC (Craqueamento Catalítico Fluido). Trata-se de outro tipo de catalisador também usado no refino de petróleo, mas voltado para atender as rigorosas especificações de enxofre nos combustíveis (ou seja, ambientalmente mais adequados). Dessa forma, o empreendimento diversifica sua produção com ampliação da capacidade produtiva significativa. O investimento será realizado dentro do terreno que já possuem no Distrito Industrial de Santa Cruz. 497

Desconsiderando a COQUEPAR que se encontra em Seropédica, todos os demais investimentos mencionados se referem à Itaguaí e à AP5 do MRJ. Portanto, a tendência é que os grandes empreendimentos reforcem a concentração econômicas nessas duas áreas. Nesse sentido, é fundamental uma política de coordenação para que a instalação do Arco Metropolitano contribua com uma desconcentração econômica para a periferia metropolitana que dê suporte à competitividade das cadeias produtivas. Chama atenção o papel estruturante que o Porto Público de Itaguaí poderá desempenhar enquanto âncora, a ponto de transformar Itaguaí na principal centralidade econômica da Área de Estudo 1 (redefinida). Dessa forma, recomenda-se incentivar a consolidação de uma concepção “Porto-Indústria” planejado para caracterizar Itaguaí enquanto núcleo motriz de um Complexo Metal-Mecânico regional. Cabe ainda ressaltar que, além de fortalecer internamente esse complexo, deve ser buscado estimular sua unificação com o complexo Metal-Mecânico nucleado por Volta Redonda na Região do Médio Paraíba. Inclusive, isso poderia levar ao aproveitamento de encadeamentos com a indústria automobilística de Resende e Porto Real, bem como a maior intermodalidade logística com a construção do Aeroporto do Vale do Aço (entre Barra do Piraí e Volta Redonda). Principais segmentos do complexo a ser fomentado O fortalecimento de um complexo Metal-Mecânico na Área de Estudo 1 (redefinida) está centrado na competitividade das seguintes atividades: Cadeia siderúrgica e fabricantes de produtos de metal Já existem duas usinas siderúrgicas, uma da Gerdau (Cosigua) e outra da ThyssenKrupp (CSA). Destaca-se ainda a NUCLEP para produção de estruturas metálicas e caldeiraria pesada, incluindo encadeamentos com o setor de construção naval e offshore. Essa atividade ainda pode ser reforçada pela execução do projeto da usina CSN II. Recomenda-se um política de coordenação que estimule compras conjuntas de suprimentos pelas usinas siderúrgica a fim de organizar uma rede de fornecedores locais, bem como rearticular um parque de fabricantes de produtos de metal. Essa inicitativas devem objetivar a configuração de um Pólo Siderúrgico efetivamente.

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Além disso, chama atenção que, caso se recuperasse as atividades produtoras de alumínio poderiam estimular também maiores encadeamentos em segmentos metálicos não ferrosos. Afinal, a COQUEPAR já começa a produzir coque calcinado usado como insumo na cadeia de alumínio. Nesse ponto, destaca-se a instalação recente da Unimetal junto a própria COQUEPAR em Seropédica e a existência da Metalsul (Ex-Valesul) a ser reestruturada12 na AP5 do MRJ. Cadeia naval e offshore Já ocorreu a instalação do estaleiro de submarinos da Marinha. Todavia, é importante estimular a criação de um novo estaleiro não apenas para atividade de construção, mas também para desenvolver serviços de reparo naval (aguardando conclusão de licitação de DOCAS/RJ). Como ambos empreendimentos se referem a Itaguaí, o foco de efeitos multiplicadores deve ficar inicialmente no próprio município. Contudo, um possível desenvolvimento da cadeia poderá se estender para outras localidades próximas. Logística retroportuária A atividade de logística possui diversas potencialidades ligadas a crescente circulação de cargas junto a dinamismo portuário e expansão de sua área de retroporto. Nesse ínterim, existe possibilidade de encadeamento direto com produção de base metal-mecânica (uso de aço). Além disso, existe também um leque mais amplo de oportunidades, como a produção de plásticos para embalagem e qualquer produção voltada para exportação (por exemplo, processamento de grãos e carnes) ou que se beneficie de transporte de cabotagem. Particularmente, é fundamental fortalecer a movimentação de contêineres no Porto de Itaguaí. Associado a isso, recomenda-se a construção de terminais reguladores que acentuem o potencial logístico ao buscar aproveitar a possibilidade de intermodalidade rodoviáriaferroviária-portuária na Área de Estudo 1 (redefinida). Entre os atributos de acessibilidade, além do próprio Arco Metropolitano, estão: a BR-116/Rodovia Presidente Dutra (a principal estrada nacional, fazendo ligação Rio–São Paulo), a BR-101/Rodovia Translitorânea (via

Em abril de 2009, ainda como Valesul, o empreendimento passou a desempenhar apenas a atividade de fundição a partir do emprego de lingotes de alumínio primário e sucata comprados de terceiros. Em Janeiro de 2010, a Vale anunciou a venda para o grupo Metalis dos ativos da produção de alumínio (embora manteve a posse da estrutura portuária antes associada). A dificuldade para retomar a fase de redução de alumina se deve aos altos custos de energia elétrica, pois exige elevado consumo.

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troncal entre as duas cabeceiras do Arco Metropolitano, incluindo Rio-Santos, Avenida Brasil e Ponte Rio-Niterói), e o ramal ferroviário da MRS (chegando até o Porto de Itaguaí). Quanto a esse último, torna-se prioritário acelerar sua rebitolagem a fim de unificá-lo com os ramais da FCA (ligando Leste Metropolitano, Norte Fluminense e Espírito Santo), e da ALL (ligando com São Paulo). Da mesma forma, é fundamental maior pressão política para a segregação dentro da cidade de São Paulo e acelerar a construção do Tramo Norte do Ferroanel ao redor deste município, pois reduziram “distâncias econômicas” para o escoamento de toda a produção do Sul e do Centro-Oeste brasileiro. Destacam-se também outros projetos viários, como: a Hidrovia dos Jesuítas (ligando Baia de Sepetiba à BR-116, via canal de São Francisco, criando um transporte de cargas por balsas) e o projeto do acesso rodoviário direto do Distrito de Santa Cruz ao Porto de Itaguaí (evitando cruzar a área da cidade). Além do estímulo a movimentação de contêineres no Porto de Itaguaí, é importante que sejam executadas políticas para maior utilização da estrutura portuária da NUCLEP, inclusive para atender essa demanda da cadeia do Petróleo e Gás Natural (interesse já manifestado pela Petrobrás). Quanto a esse último ponto, chama atenção as oportunidades existentes na Baía de Sepetiba para construção de centros de fornecimento de equipamentos e apoio logístico ao pré-sal, aproveitando a proximidade com a Bacia de Santos. Para isso, recomenda-se o maior acompanhamento da negociação para a execução do projeto Porto Petrobrás. Da mesma forma, devem ser trabalhadas as sinergias a partir da modernização e expansão do Terminal Portuário de Angra dos Reis (TEPAR) junto ao projeto de construção de uma fábrica de tubos flexíveis, iniciativas anunciadas pela Technip (arrendatário do TEPAR desde 2009)13. Cabe enfatizar que, através da atividade logística, surgem oportunidades de desencadear uma desconcentração econômica significativa na Área de Estudo 1 (redefinida). Todavia, a capacidade de arrasto depende da expansão da atividade logística retroportuária estar associada à organização de políticas setoriais específicas que induzam a complementaridade entre atividade produtivas afins na totalidade do território, fortalecendo o Complexo MetalMecânico. Caso contrário, há o risco de ser acentuada crescentemente a concentração

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Embora o município da Angra dos Reis não faça parte da Área de Influência do Arco Metropolitano, sua proximidade com a Área de Estudo 1 permite que as sinergias a partir desse empreendimento sejam trabalhadas.

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econômica nas proximidades do pólo de crescimento em Itaguaí sem configurar um pólo de desenvolvimento regional. Proposta de ordenamento econômico do território Recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Itaguaí como núcleo motriz, e AP5 do MRJ, Seropédica e Queimados como seus espaços de espraiamento imediato. Nesse sentido, a política de coordenação deve ter como foco que as “condições gerais de produção” para a Área de Estudo 1 (redefinida) dependem, em grande parte, da articulação desse conjunto de municípios para efetivar os principais encadeamentos latentes (diretos). Para isso, o fator fundamental é incentivar a expansão da movimentação de contêineres no Porto Público de Itaguaí e a consolidação produtiva da retroárea portuária, evitando a ocupação desordenada e estimulando a montagem de terminais reguladores próximos às principais vias. Além disso, ganha importância estimular a unificação com o complexo Metal-Mecânico nucleado por Volta Redonda na Região do Médio Paraíba. Quanto aos demais municípios (Mangaratiba, Paracambi e Japeri), caracterizam-se como espaços de espraiamento não imediato. A princípio, esses municípios poderão aproveitar oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados (indiretos) que devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais. A Figura 5.17 apresentam a distribuição espacial das forças no território para o fortalecimento do Complexo Metal-Mecânico na Área de Estudo 1 (redefinida):

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Figura 5. 17 - Distribuição espacial do núcleo motriz e dos espaços de espraiamento do Complexo Metal-Mecânico na Área de Estudo 1 (redefinida)
Fonte: Elaboração própria Nota: Demarcou-se de acordo com as divisões político-administrativas, porém as ocupações econômicas já existentes ou possíveis são uma parcela de cada município (e não sua totalidade).

Para cada elemento integrante da Área de Estudo 1 (redefinida), sobressaem-se as seguintes questões-chave: Itaguaí ⇒ A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do seu perfil econômico já existente, particularmente, incentivo a consolidação de sua estrutura portuária dentro de uma concepção “Porto-Indústria” planejado. Soma-se a isso a importância de passar a desempenhar um papel de centralidade na rede urbana.

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Trata-se do núcleo motriz para o Complexo Metal-Mecânico. Em uma concepção “PortoIndústria” planejado, além de serviços portuários, devem ser incentivados as seguintes atividades: serviço de apoio a indústria petrolífera, Construção Naval e Offshore (o que inclui serviços de reparo), e atividades de logística de retroporto. Torna-se fundamental incentivar sua capacidade de transmitir em termos regionais as vantagens de sua estrutura portuária (particularmente, em movimentação de contêineres), acentuando sua competitividade para concentrar cargas gerais. Destaca-se que diante da importância dos incentivos ao fortalecimento de sua centralidade econômica, sua centralidade urbana deve ser incentivada também. Assim, recomenda-se estimular o desenvolvimento de suas funções urbanas junto aos investimentos fundamentais em infraestrutura. Área de Planejamento do Município do Rio de Janeiro (AP5 do MRJ) ⇒ A questão-chave não é apenas buscar maior dinamismo, mas também sua generalização na estrutura econômica a ponto de superar os riscos de sobreespecialização. Por enquanto, sua dinâmica depende dos impactos locais de alguns grandes empreendimentos. Destaca-se a importância de incentivar, de forma integrada, indústrias dos segmentos metal-mecânicos, bem como a execução de um programa de investimentos em infraestrutura urbana que permitam construir melhores vantagens competitivas (por exemplo, em logística). Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo MetalMecânico. Diante disso, devem ser incentivados os encadeamentos regionais a respeito da cadeia siderúrgica e dos fabricantes de produtos de metal a fim de se consolidar como uma das principais aglomerações produtivas do complexo Metal-Mecânico. Um encadeamento importante se refere ao maior aproveitamento do potencial da NUCLEP em Itaguaí, produtora de grandes estruturas metálicas sob encomenda. Ademais, há um leque de oportunidades em atividades diversas que estejam voltadas para escoamento marítimo, dado sua vantagem logística com a proximidade da estrutura portuária de Itaguaí (vantagem reforçada com a duplicação da BR-101 já realizada, embora ainda seja importante a execução do projeto de um acesso rodviário direto por fora da cidade). Seropédica 503

⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar melhor outras oportunidades que aquelas oferecidas pela atividade extrativa em areais e pedreiras (com considerável passivo ambiental). Destaca-se seu potencial para ser o centro concentrador da atividade logística (“hub logístico”) na Área de Estudo 1 (redefinida), com a instalação de centros de distribuição atacadistas e varejistas. Para isso, cabe ser redefinido seu perfil econômico para a função de retroporto. Além disso, é importante que seja revalorizado o papel da UFFRJ como âncora econômica. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo MetalMecânico. É preciso enfatizar que possui as principais áreas de vazios aptas para a implantação de novos empreendimentos (inclusive grande porte)14, inclusive com possibilidade de criar um espaço contíguo junto ao distrito de Queimados e ao futuro Distrito de Japeri. Contudo, é necessário enfrentar sérios desafios de infra-estrutura para tornar a área adequada. Além disso, também é preciso valorizar sua localização geográfica estratégica: cruzado pelo Arco Metropolitano, terá entroncamento no seu território com BR-116, BR-465 e com o ramal ferroviário da MRS. Esse entroncamento será excepcional para logística de cargas, ligando-se diretamente com as atividades industriais na AP5 do MRJ e com o Porto de Itaguaí. Segundo P2 do PDU, é um dos municípios de maior infraestrutura logística potencial junto com Duque de Caxias (Área de Estudo 2), tendo vantagens para a instalação de centros de distribuição atacadistas e varejistas. Nesse aspecto, precisa ser redefinindo seu perfil para a função de retroporto (inclusive, possui 100 km2 de áreas livres na fronteira com Itaguaí). Devem ser feitas políticas para estimular a produção voltada para escoamento portuário, por exemplo: agroindústria (incluindo produção agrícola, avicultura e indústria para processamento de carnes e grãos) e silvicultura. Além disso, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ) deve ser considerada politicamente uma âncora regional, cabendo ser incentivado seu papel indutor para estimular agronegócio e de atividades de base tecnológica.

Diante da implantação do aterro sanitário, é preciso um planejamento cuidadoso para não comprometer as vantagens para atração de maiores investimentos produtivos.

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Queimados ⇒ A questão-chave é alcançar uma maior dinamização industrial, aproveitando melhor seu potencial logístico ao redefinir seu perfil para função de retroporto. A ocupação e expansão de seu distrito industrial são iniciativas fundamentais. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo MetalMecânico. Destaca-se a vantagem de possuir um distrito já instalado e com expectativa de expansão ladeado pela BR-116, estando a 9,4 km do traçado do Arco Metropolitano e a a 6,5 km do ramal ferroviário da MRS. A ocupação e expansão de seu distrito industrial são

iniciativas fundamentais, bem como discutir a possibilidade de criar um espaço contíguo com os futuros distritos de Seropédica e Japeri. Ademais, é preciso ser redefinindo seu perfil para a função de retroporto, com políticas para estimular a produção voltada para escoamento portuário, por exemplo, a agroindústria (incluindo processamento de carnes e grãos). Japeri ⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de superar um quadro de pouca competitividade de sua atividade agrícola (basicamente horticultura). É preciso ser redefinindo seu perfil para a função de retroporto e o enfrentamento de sérios desafios de infraestrutura urbana. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo MetalMecânico. Cabe ser estimulado o aproveitamento das economias de aglomeração pela proximidade do distrito industrial de Queimados com vista a criar um espaço contíguo, possivelmente somando o futuro distrito de Seropédica. Da mesma forma, cabem ser executadas políticas para estimular produções voltada para escoamento portuário, por exemplo: agroindústria (incluindo produção agrícola e indústria para processamento de carnes e grãos) e silvicultura. Paracambi ⇒ Questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de superar um quadro de desarticulação de sua indústria têxtil e de pouca competitividade de sua atividade agrícola (basicamente horticultura). É preciso ser redefinindo seu perfil para a função de retroporto e o enfrentamento de sérios desafios de infraestrutura urbana. 505

Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo MetalMecânico. É preciso criar novas vantagens competitivas com base na redefinição de seu perfil para a função de retroporto e em melhorias nas condições de escoamento e de capacitação empresarial e produtiva na cadeia têxtil (particularmente, no setor de vestuário e acessórios). Segundo P2 do PDU, trata-se de uma subcentralidade urbana, o que lhe confere outras oportunidades a serem melhor aproveitadas na prestação de serviços locais diante da expectativa de efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais. Mangaratiba ⇒ A questão-chave é dinamizar o perfil já existente voltado para o turismo náuticooceânico. Destaca-se seu potencial em prestação de serviços locais e atividades residenciais, ambas sustentadas pelo efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo MetalMecânico. É preciso construir amenidades e sustentabilidade ambiental, já que se encontra entre uma grande unidade de conservação na Serra do Mar e o Oceano Atlântico. Segundo P2 do PDU, trata-se de uma subcentralidade urbana. Destaca-se ainda as vantagens que possui para o desenvolvimento do turismo náutico-oceânico, sendo fundamentais iniciativas como: a recuperação de áreas degradadas, a proteção de áreas de encosta e uma política de preservação da Baía de Sepetiba.

4.3.3. Área de Estudo 2 (redefinida): espaço de polarização para um Complexo Químico-Farmacêutico
No Termo de Referência, a Área de Estudo 2 foi definida com o conjunto formado por: Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São João de Meriti e Área de Planejamento 3 do Município do Rio de Janeiro (AP3 do MRJ). Contudo, para fins de coordenação econômica, propõe-se que sejam excluídos: Queimados, Japeri e Paracambi (agora admitidos na Área de Estudo 1). O mapa 5.1 no anexo oferece a visualização da Área de Estudo 2 após as alterações propostas.

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Condicionantes à ocupação econômica Segundo o critério de “distância econômica”15, somente Duque de Caxias, Magé e Nova Iguaçu são os municípios da Área de Estudo 2 (redefinida) sob influência imediata do Arco Metropolitano. Por conseguinte, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis, São João de Meriti e AP3 do MRJ estão sob influência apenas remota. De uma maneira geral, essa área se configura como espaços urbanos densamente ocupados, constituindo uma das principais manchas urbanas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (vide mapa 1.2 no capítulo 1). Apresenta também importantes unidades de conservação ambiental (principalmente, na franja norte). Alerta-se que o ordenamento territorial deve se ater ao risco de surgirem diversas ocupações subnormais e favelização. Afinal, todos os seus municípios já sofrem intensa pressão populacional. Os casos mais preocupantes são Duque de Caxias e Belford Roxo que continuam com elevados crescimentos em termos absolutos. Como mostrou o quadro 2.1, entre 2000 e 2010, respectivamente, aumentaram em 42.976 e em 21.124 habitantes a mais. Particularmente, recomenda-se maior atenção das políticas públicas urbanas porque Duque de Caxias concentra grandes oportunidades de desenvolvimento em diversas atividades, o que, em parte, estende-se para imediações como Belford Roxo através de um conjunto de indústrias e serviços de suporte associados às atividades petrolíferas e químicas (incluindo a petroquímica) . Quanto ao zoneamento do território, a mancha urbana (rosa), as áreas dos principais empreendimentos âncoras (roxo claro) e das áreas definidas para uso industrial (roxa escuro) estão delimitadas na Figura 5.18.

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Para maiores detalhes, consultar P2 do PDU.

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Distrito Industrial de Xerém (Duque de Caxias) Cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal (Nova Iguaçu)

Cluster Gás-Químico / Área Industrial de Campos Elíseos (Duque de Caxias) Parque industrial da Bayer (Belford Roxo) Estrutura Aeroportuária do Galeão (AP3 do MRJ) Atividades do Complexo da Saúde (AP3 do MRJ) Parque tecnológico da UFRJ (AP3 do MRJ)
Figura 5.18 - Mancha urbana e macrozoneamento dos principais empreendimentos

âncoras e das áreas definidas para uso industrial na Área de Estudo 2 (redefinida)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos Planos Diretores Municipais, dados dos empreendimentos, e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005. Nota: Na escala do mapa, não é possível visualizar as áreas do Parque tecnológicos da UFRJ, porém foi apontada sua localização aproximada. As atividades tecnológicas do Complexo da Saúde bem como o Cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal são compostos de unidades dispersas não constituindo uma área contígua, assim a localização apontada é apenas indicativa.

Principais empreendimentos âncoras: ⇒ Nas proximidades da Refinaria Duque de Caxias/REDUC, destaca-se o conjunto de unidades do Cluster Gás-Químico na Área Industrial de Campos Elíseos. Chama atenção também o parque tecnológico da UFRJ (além dos laboratórios do CENPES, da COPPE, do Instituto de Macromoléculas e da Faculdade de Química), as atividades tecnológicas do Complexo da Saúde (por exemplo: Fiocruz, Instituto Vital Brasil, Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – BIO RIO e os laboratórios da Faculdade de Farmácia da UFRJ) e a Estrutura Aeroportuária do Galeão, todos os três conjuntos de atividades dentro da AP3 do MRJ. Além disso, há a presença do Cluster de Cosméticos e Higiene 508

Pessoal em Nova Iguaçu (integrando empresas como: Niely, Embelleze e Aroma do Campo) e do parque industrial da Bayer em Belford Roxo (produção de defensivos agrícolas e matérias-primas básicas para fabricação de Poliuretano16). Áreas definidas para uso industrial: ⇒ Ressalta-se que os principais espaços disponíveis estão dentro de Magé e Duque de Caxias (incluindo Distrito Industrial de Xerém). Em menor medida, destaca-se uma área próxima à Bayer em Belford Roxo. Cabe observar que possui vazios de menor extensão em comparação as Áreas de Estudo 1 (redefinida) e Área de Estudo 3, logo, a instalação de novos empreendimentos de porte exige maior atenção para o ordenamento do território. Justifica-se tratar a aglomeração de fábricas de cosméticos e de produtos de higiene pessoal em Nova Iguaçu e imediações como um cluster por causa das economias externas importantes (interdependências não intencionais). Contudo, nota-se sérias dificuldade para se estabelecer práticas cooperativas (interdependências intencionais). Assim, existem entraves para garantir ganhos de “eficiência coletiva” sustentados. Por isso, recomenda-se políticas que busquem estimular a consolidação desse cluster. Da mesma forma, justifica-se tratar a aglomeração nas proximidades da REDUC como um cluster por se tratar de um arranjo local organizado com economias externas importantes (interdependências não intencionais) e práticas cooperativas efetivas (interdependências intencionais), o que garante ganhos de “eficiência coletiva”. Além da REDUC (e outros segmentos da Petrobrás, como BR Distribuidora e TRANSPETRO), sobressaem-se um conjunto de unidades econômicas interdependentes em segmentos de química básica e energia: borracha sintética (Nitriflex e Lanxess), resinas petroquímicas (antigas unidades da Rio Polímeros e Polibrasil Resinas adquirias pela Brasken), geração termoelétrica (TermoRio) e distribuição de gases (White Martins, Ultragás, Supergasbras, Minasgás e Nacionalgás). Todavia, ainda existem dificuldades para a formação de um parque de fabricantes de Transformados Plásticos em sua proximidade. Por conseguinte, recomenda-se políticas

Poliuretano é um bem intermediário para produção de espumas, tintas/vernizes, adesivos, e alguns tipos de plásticos/borracha sintética.

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voltadas para a consolidação do pólo relacionado a cadeia petroquímica. Destaca-se ainda sua articulação com a Fábrica Carioca de Catalisadores – FCC no Distrito de Santa Cruz na Área de Estudo 1. Embora não seja oficialmente uma distrito, a Área Industrial de Campos Elíseos (Duque de Caxias) possui inclusive uma associação própria atuante (Associação das Empresas de Campos Elíseos - ASSECAMP). Possui infra-estrutura minimamente adequada, mas que carecem de investimentos em melhoria do acesso logístico. Para isso, recomenda-se políticas integradas aos principais projetos de infraestrutura: restauração de vias rodoviárias próximas, construção de um anel viário (permitindo ligação direta com o Arco Metropolitano) e construção de um pátio para caminhões (“Truck Center”). Cabe ressaltar que essas políticas são fundamentais para a execução de planos de expansão da área industrial, inclusive para atração de fabricantes de Transformados Plásticos. Na Área de Estudo 2 (redefinida), já está implantado também o Distrito Industrial de Xerém (Duque de Caxias) e em projeto a área industrial de Magé. Quanto ao distrito de Xerém, possuindo 1,0 milhão de m2, ainda dispõe de 1/3 de sua área total para instalação de novos empreendimentos, inclusive de grande porte. Além de possuir infra-estrutura minimamente adequada (embora, careça de investimentos), possui as vantagens de ter o campus de laboratórios do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO. Sua proximidade à BR-040 também oferece grandes vantagens: além do acesso ao Arco Metropolitano, facilita a articulação tanto ao parque tecnológico da UFRJ e às atividades tecnológicas do Complexo da Saúde na AP3 do MRJ, como também com a

produção intensiva em tecnologia dentro de Petrópolis (por exemplo, GE Celma que passou a ser fabricante de turbinas de avião). Quanto ao projeto de área industrial em Magé, sua principal vantagem logística será o próprio Arco Metropolitano. Como mostrou o Quadro 5.5, os municípios da Área de Estudo 2 (redefinida) possuem portes econômicos variados. Duque de Caxias e Nova Iguaçu são aqueles que mais se destacam representando, respectivamente, 39,3% e 10,1% do valor agregado bruto no total da Área de Influência do Arco Metropolitano. São João de Meriti e Belford Roxo são de médio porte, respectivamente, com 4,7% e 4,6% do valor agregado bruto no total da Área de Influência do Arco Metropolitano. Já o demais municípios (Magé, Mesquita e Nilópolis) são de pequeno porte. 510

As posições destacadas de Duque de Caxias e de Nova Iguaçu se explicam pelos diferenciais de competitividade que possuem. Segundo relatório do produto 2 do Plano de

Desenvolvimento Urbano (P2 do PDU), trata-se de importantes centralidade urbanas, sendo as principais referências para a oferta de funções urbanas na Baixada Fluminense. Além disso, aglomeram atividades produtivas relevantes em termos estaduais, particularmente em indústrias químicas. Atualmente, a Área de Estudo 2 (redefinida) vem recebendo alguns projetos de investimentos induzidos pela própria execução da atividades industriais. Como principais investimentos, destacam-se: Modernização: ⇒ Bayer (Belford Roxo) Melhorias no processo de produção, bem como negociação para atração de novas empresas parceiras para compartilhamento de recursos dentro do parque industrial. ⇒ REDUC (Duque de Caxias) Adequação às exigências ambientais, aumentando a qualidade do produto. Ambos projetos estão voltados para um processo de ajustes adaptativos internamente as plantas existentes. Na Bayer, a iniciativa também está relacionada à busca de maiores economias de escopo com suas empresas parceiras: Haztec Tribel, especializada no tratamento e gerenciamento de resíduos industriais; Haztec Geoplan, especializada em soluções para abastecimento de água: Air Liquide, fornecedora de gases industriais; EBAMAG, empresa de logística do Grupo Toniato; Mauser e Graham, fabricantes de embalagens plásticas. Inclusive, já há expectativa de implantação de novas empresas parceiras no parque produtivo. Apesar disso, as oportunidades para encadeamentos são menores em comparação ao caso de implantação de novas plantas ou aumentos consideráveis de capacidade produtiva. A princípio, a tendência é que seja garantida a competitividade das operações atuais, mas sem gerar efeitos multiplicadores consideravelmente em termos regionais. Nesse sentido, é fundamental uma política de coordenação para que a instalação do Arco Metropolitano contribua com uma 511

desconcentração econômica para a periferia metropolitana que dê suporte à competitividade das cadeias produtivas. Chama atenção o papel estruturante que o Cluster Gás-Químico poderá desempenhar enquanto âncora a ponto de transformar Duque de Caxias em principal centralidade econômica da Área de Estudo 2 (redefinida). Dessa forma, recomenda-se incentivar a consolidação de um Pólo Petroquímico baseado em Gás Natural para caracterizar Duque de Caxias enquanto núcleo motriz de um Complexo Químico-Farmacêutico regional. Cabe ainda ressaltar que, além de fortalecer internamente esse complexo, deve ser buscado estimular sua unificação com o complexo Químico-Farmacêutico nucleado futuramente por Itaboraí (Área de Estudo 3, maiores detalhes na seção 2.3). Principais segmentos do complexo a ser fomentado O Complexo Químico-Farmacêutico na Área de Estudo 2 (redefinida) estará centrado na competitividade das seguintes atividades: Transformados Plásticos (3ª geração da cadeia petroquímica) Já existem unidades produtoras de 1ª e 2ª geração petroquímica (plantas antes pertencentes a Polibrasil e Rio Polímeros), recentemente adquiridas pela Brasken que atualmente é a principal empresa do segmento petroquímico no país. A medida que a Brasken conclua seu processo de aquisição, é possível que tenha papel atuante para a articulação regional da cadeia. Em centrais petroquímicas que ela possui em outras unidades da federação, vem colaborando para o desenvolvimento de produtos, logo, ajudando a diferenciação e agregação de valor nas atividades de clientes próximos. Nesse aspecto, um parque próximo de produtores de Transformados Plásticos poderia se aproveitar de uma difusão de conhecimentos e da coordenação da atividade de P&D liderado pela Brasken. Recomenda-se uma política de coordenação que estimule esse encadeamento latente (direto), o que deixaria seu impacto mais concentrado em Duque de Caxias. Todavia, é uma atividade que também pode servir para estimular uma maior desconcentração econômica na Área de Influência do Arco Metropolitano, desde que os municípios a desenvolvam em conjunto com serviços de logística.

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Borracha Sintética Nesse setor, destaca-se a presença da Nitriflex e da Lanxess nas proximidades da REDUC. Embora consideradas integrantes do Cluster Gás-Químico, utilizam insumos como butadieno e estireno, produtos gerados apenas em petroquímicas a base do Petróleo. Assim, não possuem encadeamento com a petroquímica circunvizinha a base de Gás Natural, dependendo de trazer grande parte de seus insumos de fora do Estado do Rio de Janeiro. A implantação do COMPERJ poderá ser fundamental para reverter isso, pois será a base de Petróleo, logo, podendo produzir insumos como butadieno e o estireno. Assim, seu impacto deve ficar concentrado em Duque de Caxias, mas importantes encadeamentos em termos regionais poderão ocorrer com o outro Pólo Petroquímico a surgir em Itaboraí (Área de Estudo 3). Tal fato reforça a importância de estimular a unificação do complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí. Como medida mais imediata, recomenda-se a construção de um terminal para granel líquido no Porto de Itaguaí para suprir sua demanda de insumo com maior competitividade. Indústria Farmacêutica e outros segmentos da Química Fina: As atividades da indústria farmacêutica possuem destaque em Duque de Caxias, inclusive de farmoquímicos. Contudo, não possuem encadeamentos relevantes com o Cluster GásQuímico. Seus insumos (chamados de Intermediários de Síntese) são obtidos a partir de petroquímicas a base de Petróleo e não a base do Gás Natural, logo, dependem de trazer grande parte de seus insumos de fora do Estado do Rio de Janeiro. A implantação do COMPERJ poderá ser fundamental para reverter isso, pois será a base de Petróleo, logo, podendo produzir Intermediários de Síntese. Cabe assinalar que representa um importante fator de competitividade a proximidade com as atividades tecnológicas do Complexo da Saúde17 na AP3 do MRJ. Nesse aspecto, é fundamental se desenvolver políticas de coordenação para o Complexo de Saúde, conforme começa a ser desenhado pelo Ministério da Saúde, BNDES e Governo do Estado do Rio de Janeiro.

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Cabe assinalar que Farmacêutica não inclui apenas medicamentos, mas produções de insumos hospitalares, vacinas, reagentes para diagnóstico, hemoderivados etc. No Complexo de Saúde, a esse conjunto de atividades, soma-se a produção de Equipamentos Médicos e a prestação de serviços de saúde.

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Portanto, o impacto deve ficar concentrado em Duque de Caxias e na AP3 do MRJ, mas importantes encadeamentos em termos regionais poderão ocorrer com o outro Pólo Petroquímico a surgir em Itaboraí e com a produção de insumos hospitalares em São Gonçalo (ambas atividades na Área de Estudo 3). Novamente, reforça a importância de estimular a unificação do complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí. Quanto ao setor de Fertilizantes, é um potencial ainda pouco explorado mas que deveria receber maior atenção de políticas. Atividades relacionadas ao mercado de Poliuretano e Defensivos Agrícolas A fabricação de matérias-primas básicas para fabricação de Poliuretano e de Defensivos Agrícolas são os principais segmentos da unidade da Bayer em Belford Roxo. Seu processo produtivo tende não gerar grandes efeitos multiplicadores diretamente para a região. Inclusive, não possuem encadeamento destacado com a central petroquímica de Duque de Caxias. Contudo, a implantação do COMPERJ pode produzir os insumos que utilizam (por exemplo, tolueno e benzeno). Mais uma vez fica evidenciado, a importância de estimular a unificação do Complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí (Área de Estudo 3). Além disso, através de uma política de coordenação é possível estimular uma desconcentração econômica para fabricação de insumos para atividades agrícolas bem como que utilizam Poliuretano como matéria-prima (por exemplo: espumas, tintas/vernizes, adesivos, e alguns tipos de plásticos/borracha sintética). Cosméticos e Produtos de Higiene Pessoal Ganha destaque a grande concentração geográfica da produção em Nova Iguaçu. Recomenda-se políticas de coordenação que consolidem como cluster, o que exige maiores práticas cooperativas (interdependências intencionais). Seu impacto deve ficar concentrado em Nova Iguaçu e imediações (incluindo São João de Meriti e Duque de Caxias). Atividades demandantes de Derivados de Refino de Petróleo e de Gás Natural para Uso Industrial Diante da existência de um Cluster Gás-Químico em Duque de Caxias, surge oportunidade para o maior aproveitamento regional da oferta de Gás Natural e Derivados de Refino de Petróleo. Embora nas imediações do cluster as vantagens competitivas são mais evidentes, é 514

possível estimular uma desconcentração econômica para outras localidades de segmentos que tenham como fator de competitividade o fornecimento assegurado desses insumos Logística entre parques produtivos A atividade de logística possui diversas oportunidades ligadas a crescente movimentação de cargas junto ao dinamismo dos parques industriais e suas inter-relações possíveis. Por exemplo, a logística pode estimular diretamente a produção de plásticos de embalagem. Nesse aspecto, estimulará o desenvolvimento da cadeia petroquímica. Além disso, pode contribuir para a unificação do complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí (Área de Estudo 3). Assim, a logística entre parques produtivos ganha destaque. Nesse ínterim, destaca-se oportunidades de aumentar o potencial logístico ao se buscar a aproveitar a intermodalidade rodoviário-ferroviário na Área de Estudo 2 (redefinida). Entre seus atributos de acessibilidade, além do próprio Arco Metropolitano, estão: a BR-116/Rodovia Presidente Dutra (a principal estrada nacional, fazendo ligação Rio–São Paulo), a BR-040 (fazendo ligação Rio-Juíz de Fora) e o ramal ferroviário da FCA (chegando até o Porto do Rio). Quanto a esse último, torna-se prioritário acelerar a reestruturação da linha litorânea da FCA (ligando até o Porto do Açu no Norte Fluminense e ao Estado do Espírito Santo), articulando-na com as linhas da MRS (ligando com Porto de Itaguaí, Estado de Minas Gerais e Estado de São Paulo). Para isso, é importante a reconstrução do ramal Amabaí-São Bento (ligando linha da MRS em Nova Iguaçu a linha da FCA em Duque de Caxias), a implementação do Ferrovia do Contorno da Baía de Guanabara/Arco Ferroviário (exige rebitolagem do trecho Santa RitaSaracuruna-Magé, bem como rebitolagem e reativação do trecho Magé-Visconde de Itaboraí), construção do acesso ao COMPERJ em Itaboraí, rebitolagem e reativação do ramal Visconde de Itaboraí-Tanguá, e, já no Norte Fluminense, construção da extensão até o Porto do Açu. Essas iniciativas são fundamentais para se criar maior competitividade sistêmica através de uma sistema logístico integrado, articulando os portos de Itaguaí, Rio e Açu. Ressalta-se também projetos rodoviário importantes: construção da Transbaixada/Avenida Sarapuí (ligando Avenida Brasil no MRJ a BR-040 em Duque de Caxias) junto com a criação da RJ-103 (ligando a BR-040 em Duque de Caxias até o Arco Metropolitano em Magé); a expansão da Via Light (completando a ligação de seu trecho em Nova Iguaçu a BR-116 em Queimados, bem como do trecho de São João de Meriti a Linha Vermelha em Madureira no 515

MRJ); readequação da Estrada de Adrianópolis em Nova Iguaçu (ligando Via Light até o Arco Metropolitano). Chama atenção que a execução desses projetos permite melhorar a acessibilidade no interior da Área de Estudo 2, o que complementaria o papel integrador do Arco Metropolitano. Além disso, ganha evidência a importância de potencializar o papel do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) na Ilha do Governador (AP3 do MRJ) em transporte de cargas tecnológicas e de maior sofisticação (por exemplo: Farmacêutica, Cosméticos, outras indústrias químicas etc.). Cabe lembrar que esse aeroporto possui espaço para armazenamento e está próximo do parque tecnológico da UFRJ, das atividades tecnológicas do Complexo da Saúde e de Duque de Caxias, que possui um parque industrial, em parte, com potencial para o desenvolvimento de produção de alta tecnologia (o que tende a ser reforçado pela articulação com essas atividades em Petrópolis através da BR-040). Diante disso, recomenda-se encarar como prioritário melhorar o acesso e revalorizar o papel logístico do Aeroporto Internacional Tom Jobim, acentuando ainda mais os ganhos de intermodalidade. Cabe enfatizar que, através da atividade logística entre parques industriais, surgem oportunidades para desencadear uma desconcentração econômica significativa na Área de Estudo 2 (redefinida). Todavia, a capacidade de arrasto depende da expansão da atividade logística estar associada à organização de políticas setoriais específicas que induzam a complementaridade entre as unidades produtivas afins na totalidade do território, fortalecendo o Complexo Químico-Farmacêutico. Caso contrário, há o risco de não configurar um pólo de desenvolvimento regional. Proposta de ordenamento econômico do território Recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Duque de Caxias como núcleo motriz, e Nova Iguaçu, Belford Roxo, Magé e AP3 do MRJ como seu espaço de espraiamento imediato. Nesse sentido, a política de coordenação deve ter como foco que as “condições gerais de produção” para a Área de Estudo 2 (redefinida) dependem, em grande parte, da articulação desse conjunto de municípios para efetivar os principais encadeamentos latentes (diretos). Para isso, por um lado, o fator fundamental é incentivar a consolidação do Pólo Petroquímico em Duque de Caxias, integrando a cadeia através da maior produção de Transformados Plásticos. Por outro lado, também é preciso incentivar a possibilidade de sua complementação sinérgica com o outro pólo futuramente em Itaboraí (Área de Estudo 3). 516

Quanto as demais áreas (Mesquita, Nilópolis e São João de Meriti), caracterizam-se como espaço de espraiamento não imediato. A princípio, essas áreas poderão aproveitar de oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados (indiretos) que devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais. A Figura 5.19 apresenta a distribuição espacial das forças no território para o fortalecimento do Complexo QuímicoFarmacêutico na Área de Estudo 2 (redefinida):

Figura 5. 19 - Distribuição espacial do núcleo motriz e dos espaços de espraiamento do

Complexo Químico-Farmacêutico na Área de Estudo 2 (redefinida)
Fonte: Elaboração própria Nota: Demarcou-se de acordo com as divisões político-administrativas, porém as ocupações econômicas já existentes ou possíveis são uma parcela de cada município (e não sua totalidade).

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Para cada elemento integrante da Área de Estudo 2 (redefinida), sobressaem-se as seguintes questões-chave: Duque de Caxias ⇒ A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já existente, particularmente incentivo a consolidação de seu Pólo Petroquímico. Ressaltase as vantagens para o desenvolvimento de um parque destacado de produtores de Transformados Plásticos (inclusive associado ao desenvolvimento de produtos). Destaca-se também seu potencial para ser o centro concentrador da atividade logística (“hub logístico”) na Área de Estudo 2 (redefinida), com a instalação de centros de distribuição atacadistas e varejistas. Soma-se a isso, a importância de incentivar atividades intensivas em alta tecnologia, visando um “sistema de inovação” no eixo AP3 do MRJ-Caxias-Petrópolis, incluindo viabilização da nova planta para expansão do Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – BIO RIO. Além disso, destaca-se a necessidade de fortalecer as atividades relacionadas ao seu papel de centralidade na rede urbana e indústrias voltadas para os Mercados Consumidores de Massa (como Moveleiro, Alimentos e Bebidas, e Vestuário e Assessórios). Trata-se do núcleo motriz para o Complexo Químico-Farmacêutico. Além da produção de petroquímicos básicos e resinas, devem ser incentivados o maior desenvolvimento das seguintes atividades: Indústria de Transformados Plásticos (em especial, aquela articulada com serviços de desenvolvimento de produtos), Indústria de Borracha Sintética, Indústria Farmacêutica (incluindo Farmoquímicos), atividades demandantes de Derivados de Refino de Petróleo e de Gás Natural para Uso Industrial, bem como a logística entre parques produtivos. Quanto esse último ponto, reforça essa potencialidade a necessária reestruturação da linha litorânea da FCA (ligando até o Porto do Açu no Norte Fluminense e ao Estado do Espírito Santo) junto a articulação com as linhas da MRS (ligando com Porto de Itaguaí, Estado de Minas Gerais e Estado de São Paulo). Isso porque facilitará a articulação logística entre seu Pólo Petroquímico e o Pólo Petroquímico de Itaboraí (a partir do COMPERJ). Particularmente, essa articulação logística é relevante para a competitividade da produção de Borracha Sintética e Farmoquímicos (o Pólo Petroquímico em Itaboraí sendo a base de Petróleo, pode produzir insumos importantes para essas atividades). 518

Dado a proximidade ao MRJ e a Petrópolis, é inegável suas vantagens em acessibilidade para ser incentivado a instalação de centros de distribuição atacadistas e varejistas. É preciso valorizar sua localização geográfica estratégica: cruzado pelo Arco Metropolitano, terá entroncamento no seu território com a BR-040 (fazendo ligação Rio-Juíz de Fora). Segundo P2 do PDU, Duque de Caxias é um dos municípios de maior infraestrutura logística potencial junto com Seropédica (Área de Estudo 1). Soma-se a isso o fato de possuir áreas de vazios aptas para a implantação de novos empreendimentos (por exemplo, Distrito Industrial de Xerém). Apesar disso, recomenda-se investimentos para melhoria da infraestrutura instalada e maior acessibilidade. Segundo P2 do PDU, trata-se de uma das principais centralidades urbanas, o que lhe confere outras oportunidades a serem melhor aproveitadas na prestação de serviços locais diante da expectativa de efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais. Em termos de aglomerações econômicas, além do Cluster Gás-Químico, chama atenção as indústrias relacionadas aos Mercados Consumidores de Massa: Moveleira, Alimentos e Bebidas (por exemplo, carne processada), e Vestuários e Assessórios18. Com exceção do arranjo local no setor Moveleiro, os demais não se configuram em clusters. Mesmo o Cluster Moveleiro merece maior apoio para se reestruturar. Dessa maneira, recomenda-se políticas que estimulem os ganhos de “eficiência coletiva” através das interações localizadas, mas associados ao incentivo para o adensamento regional das respectivas cadeias produtivas. Destaca-se ainda potencial para atividades intensivas em alta tecnologia (incluindo indústria farmacêutica). Nesse sentido, o INMETRO deve ser considerado politicamente uma âncora regional, cabendo ser incentivado seu papel indutor em articulação com atividades de P&D nas empresas. Quanto ao Complexo da Saúde, chama atenção que o Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – BIO RIO, atualmente dentro do Campus da UFRJ (Ilha do Fundão, AP3 do MRJ) possui projeto de expansão com a instalação de uma nova planta em Duque de Caxias (chamada BIO RIO 2). Sendo assim, recomenda-se acompanhamento político para ser viabilizado esse projeto com maior agilidade.

Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades: comércio atacadista de cosméticos e higiene pessoal; comércio atacadista de bebidas; fabricação de estruturas metálicas e máquinas, bem como serviço de usinagem/soldagem/tintas; metalurgia de não-ferrosos e fundições; manutenção e reparo de veículos automotores; e fabricação e comércio de calçados e artefatos de couro.

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Diante disso, é importante buscar maior articulação com as atividades tecnológicas do Complexo da Saúde (por exemplo: Fiocruz, Instituto Vital Brasil, Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – BIO RIO e os laboratórios da Faculdade de Farmácia da UFRJ), e do parque tecnológico da UFRJ (além dos laboratórios do CENPES, da COPPE, do Instituto de Macromoléculas e da Faculdade de Química), ambos na AP3 do MRJ, bem como a produção também intensiva em tecnologia em Petrópolis (por exemplo, GE Celma que passou a ser fabricante de turbinas de avião). Para esse objetivo, recomenda-se uma política de coordenação que estimule um “sistema de inovação” no eixo AP3 do MRJ-Caxias-Petrópolis. Nesse ínterim, é importante também a revalorização do papel logístico do Aeroporto do Tom Jobim (Galeão) na Ilha do Governador (AP3 do MRJ), trazendo vantagens para o transporte de cargas tecnológicas e de maior sofisticação (por exemplo: Farmacêutica, Cosméticos, outras indústrias químicas etc.). Nova Iguaçu ⇒ A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já existente, particularmente incentivo a consolidação de seu Cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal. Cabe ser fortalecido seu potencial logístico e associá-lo ao incentivo à produção de Transformados Plásticos. Além disso, devem ser estimuladas as seguintes iniciativas: indústrias relacionadas aos Mercados Consumidores de Massa (como Moveleiro, Alimentos e Bebidas, e Vestuário e Acessórios), atividades associadas ao seu papel de centralidade na rede urbana, e turismo (ecoturismo e do histórico-cultural). Trata-se de parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico. Destaca-se a importante concentração geográfica na indústria de Cosméticos e Higiene Pessoal. Apesar das dificuldades para práticas cooperativas entre os agentes envolvidos (interdependência intencional), pode ser considerado um cluster pelas economias externas existentes (interdependências não intencionais). Em termos de aglomerações econômicas, chama atenção outras indústrias relacionadas aos Mercados Consumidores de Massa, como o setor Moveleiro, Alimentos e Bebidas (em especial, fabricação de refrigerantes e outras bebidas não alcoólicas) e o setor de Vestuário e

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Acessórios (particularmente, fabricação de tecidos de malha).19 Contudo, diferente do caso de Cosméticos e Higiene Pessoal, eles não configuram clusteres. Dessa maneira, as aglomerações identificadas merecem maior apoio para se consolidar. Recomenda-se políticas que estimulem os ganhos de “eficiência coletiva” através das interações localizadas, mas associados ao incentivo para o adensamento regional das respectivas cadeias produtivas. Em particular, é importante incentivar a maior articulação do setor de Cosméticos com o Pólo Petroquímico que será instalado em Itaboraí futuramente (a base de Petróleo, pode produzir insumos para atividade de Cosméticos). Destaca-se que a força do cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal favorece o desenvolvimento da indústria química no município. Nesse ínterim, o relatório dos produtos 4 e 5 do Plano de Desenvolvimento Econômico e Social (P4 e P5 do PDES) identificou uma fabricação não desprezível de produtos químicos diversos como: tintas e vernizes, produtos de limpeza, explosivos etc. Apesar de poucas áreas disponíveis para expansão industrial, destaca-se seu potencial logístico: cruzado pela BR-116 e futuramente pelo Arco Metropolitano. Entretanto, esse potencial está restringido pela necessidade de um zoneamento mais adequado para ocupação industrial (indústrias muito espalhadas no espaço urbano) e de sérios investimentos em infraestrutura urbana (por exemplo, atendimento de serviços básicos nas zonas periféricas e melhoria das vias rodoviárias intermediárias). Destaca-se a importância da execução dos projetos de expansão da Via Light (em especial, a ligação com a BR-116 em Queimados), da readequação da Estrada de Adrianópolis (ligando a Via Light até o Arco Metropolitano) e da reconstrução do ramal ferroviário Amabaí-São Bento junto a reestruturação da linha litorânea da FCA. Cabe ser fortalecido esse potencial logístico e associá-lo ao incentivo a produção de Transformados Plásticos. Segundo P2 do PDU, Nova Iguaçu é considerada uma das principais centralidades urbanas, o que lhe confere outras oportunidades a serem melhor aproveitadas na prestação de serviços

19 Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades: fabricação de artefatos de concreto; fabricação de aparelhos e equipamentos para instalações térmicas; produção de produtos laminados de aços longos e comércio atacadista de sucatas metálicas; comércio atacadista de produtos agropecuários; comércio atacadista de produtos farmacêuticos; comércio e serviços de reparo de autopeças (já inclui fabricação de autopeças e estruturas para veículos automotores); e serviços de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos mecânicos.

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locais diante da expectativa de efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais. Destaca-se ainda as vantagens que possui para o desenvolvimento do ecoturismo e do turismo histórico-cultural (para maiores detalhes ver seção 2.4). Belford Roxo ⇒ A questão-chave não é apenas buscar maior dinamismo, mas também sua generalização na estrutura econômica a ponto de superar os riscos de sobreespecialização. Por enquanto, sua dinâmica tem grande dependência dos impactos locais do parque industrial da Bayer. Destaca-se a importância de incentivar a expansão das atividades da Bayer e outras atividades correlatas (por exemplo, atividades relacionadas aos mercados de Poliuretano20 e insumos para a produção agrícola), bem com a execução de um programa de investimentos em infraestrutura urbana que permitam construir melhores vantagens competitivas (por exemplo, em logística). Trata-se de parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico. É inegável a importância do parque industrial da Bayer para o desenvolvimento da indústria química no município. Nesse ínterim, P4 e P5 do PDES identificou uma produção não desprezível de desinfetantes e aditivos químicos. Nota-se que a Bayer possui 80 mil m² de extensão com toda a infra-estrutura instalada, aproveitando de economias de escopo importantes com empresas parceiras integradas ao empreendimento. Recomenda-se políticas que apóiem sua expansão de modo a reforçar seu potencial competitivo. Nesse ínterim, cabem ser estimuladas oportunidades de encadeamentos em termos regionais, como a articulação logística com o Pólo Petroquímico a ser instalado futuramente em Itaboraí (sendo a base de Petróleo, este pólo pode produzir insumos importantes para essa atividade). Ressalva-se que Belford Roxo possui densidade populacional elevada, com um histórico de ocupações subnormais e favelização e poucas áreas disponíveis para expansão industrial (uma delas próxima a Bayer). Contudo, destaca-se seu potencial logístico: possui acesso a BR-116 e faz divisa com os principais municípios da Área de Estudo 2 (redefinida). Isso já fica evidente com a instalação recente de duas empresas do ramo: Hines e Skill). Inclusive P4 e P5

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Poliuretano é um bem intermediário para produção de espumas, tintas/vernizes, adesivos, e alguns tipos de plásticos/borracha sintética.

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do PDES identificou uma produção não desprezível de plásticos para embalagem. Entretanto, esse potencial está restringido pela necessidade de sérios investimentos em infraestrutura urbana (por exemplo, atendimento de serviços básicos nas zonas periféricas e melhoria das vias intermediárias). Destaca-se a importância da execução dos projetos de reconstrução do ramal Amabaí-São Bento junto a reestruturação da linha litorânea da FCA, o que permitirá ganhos de intermodalidade ferroviário-rodoviário. Além disso, é importante também a execução do projeto de construção da Transbaixada/Avenida Sarapuí (ligando Avenida Brasil no MRJ a BR-040 em Duque de Caxias), o que lhe daria acesso também a BR-040. Em termos de aglomerações econômicas, destaca-se as unidades do setor de calçados e artefatos de couro (uma indústria relacionada aos Mercados Consumidores de Massa)21. Contudo, sua organização ainda é incipiente para ser considerada um cluster,

conseqüentemente, merecer mais apoio para se consolidar. Magé ⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar as oportunidades em logística e produção de plásticos devido sua posição estratégica entre os dois Pólos Petroquímicos da Área de Influência do Arco Metropolitano. Assim, Magé tende a sofrer influência direta do pólo nucleado em Duque de Caxias e também do pólo nucleado futuramente por Itaboraí. Por conseguinte, são fundamentais obras de infra-estrutura para que seja aproveitada para ocupações econômicas, inclusive, através do desenvolvimento da Área de Estudo 3. Além disso, devem ser estimuladas as seguintes iniciativas: indústrias relacionadas aos Mercados Consumidores de Massa (particularmente, Alimentos e Bebidas) e turismo (ecoturismo e do histórico-cultural). Trata-se de parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico. Dado a proximidade a Duque de Caxias e a Itaboraí, é inegável suas vantagens em acessibilidade ao ser cruzado pelo Arco Metropolitano em uma grande extensão de seu território. Essa vantagem ainda poderá ser reforçada pela intermodalidade com a reestruturação da linha litorânea da FCA e por uma alternativa rodoviária na franja sul com a

21 Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades : fabricação de produtos ; fabricação de produtos de minerais não metálicos; fabricação de estruturas metálicas e comércio atacadista de sucatas; e fabricação de estruturas para veículos automotores.

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construção da RJ-103 (ligando a BR-040 em Duque de Caxias até o Arco Metropolitano no meio de Magé). Soma-se a isso o fato de possuir uma quantidade significativa de áreas de vazios aptas para a implantação de novos empreendimentos. Embora requer obras de infraestrutura, possui vantagens em comparação a outros municípios ao redor: adequação da oferta de água e grande disponibilidade de terrenos com baixo valor de negociação Em termos de política de desconcentração econômica, considera-se Magé um dos locais mais apropriados para ser incentivada a atividade de logística entre os parques produtivos e o setor de Transformados Plásticos. Com execução dos investimentos em infraestrutura necessários, caberá a Magé servir de espaço de articulação em prol da unificação dos Complexos QuímicoFarmacêuticos das Áreas de Estudo 2 (redefinida) e 3. Em um primeiro momento, no qual o Pólo Petroquímico ancorado pelo COMPERJ em Itaboraí ainda não está em plena operação, Magé já poderá servir logisticamente para facilitar sinergias com produção da indústria farmacêutica em São Gonçalo (Área de Estudo 3), ampliando sua competitividade. Outro desafio é superar a pouca competitividade de sua atividade agrícola (basicamente, produção de arroz em áreas alagadas) e estimular oportunidade na indústria de Alimentos e Bebidas, uma indústria relacionada aos Mercados Consumidores de Massa. Como exemplo, já se destaca a produção de refrigerantes (por exemplo, fábrica do Refrigerante Pakera), um comércio atacadista de bebidas, e uma fabricação de produtos de carne22. Além disso,

destaca-se ainda as vantagens que possui para o desenvolvimento do ecoturismo e do turismo histórico-cultural (para maiores detalhes ver seção 2.4). Área de Planejamento 3 do Município do Rio de Janeiro (AP3 do MRJ) ⇒ A questão-chave é reforçar o núcleo motriz em Duque de Caxias com as vantagens do parque tecnológico da UFRJ e das atividades tecnológicas do Complexo da Saúde. Cabe considerá-los âncoras regionais. Nesse aspecto, ganha importância incentivar um “sistema de inovação” no eixo AP3 do MRJ-Caxias-Petrópolis. Além disso, o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) deve ser revalorizado seu papel logístico desenvolvendo-se suas competências para o transporte de cargas tecnológicas.

22 Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades: confecção de roupas íntimas; e indústrias de extração de pedra, areia e argila, mais especificamente as ligadas à rochas ornamentais como o mármore.

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Ademais, é fundamental a execução de sérios investimentos em infraestrutura urbana e incentivo a maior prestação de serviços locais para maior geração de empregos. Trata-se de parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico devido à excelência das atividades intensivas em alta tecnologia, o que reforça o potencial motriz em Duque de Caxias. Nesse sentido, devem ser considerados politicamente âncoras regionais o parque tecnológico da UFRJ (além dos laboratórios do CENPES, da COPPE, do Instituto de Macromoléculas e da Faculdade de Química), bem como as atividades tecnológicas do Complexo da Saúde (por exemplo: Fiocruz, Instituto Vital Brasil, Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro – BIO RIO, e os laboratórios da Faculdade de Farmácia da UFRJ), cabendo ser incentivado seu papel indutor. Recomenda-se uma política de coordenação que estimule um “sistema de inovação” no eixo AP3 do MRJ-Caxias-Petrópolis. Nesse ínterim, é importante a revalorização do papel logístico do Aeroporto do Tom Jobim (Galeão) na Ilha do Governador (AP3 do MRJ), trazendo vantagens para o transporte de cargas tecnológicas e de maior sofisticação (por exemplo: Farmacêutica, Cosméticos, outras indústrias químicas etc.). Apesar desses potenciais, cabe ressaltar que as atividades destacadas estão insuladas, sem uma grande ocupação produtiva no entorno que esteja diretamente associada. No geral, essa área é marcada por uma densidade populacional elevada, com um histórico de desindustrialização e surgimento de ocupações subnormais e favelização. Nesse sentido, o fundamental é a execução de sérios investimentos em infraestrutura urbana e incentivo a maior prestação de serviços locais para maior geração de empregos. São João de Meriti ⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de superar um quadro de desarticulação de sua indústria têxtil. Particularmente, são importantes incentivos para atividade de logística (incluindo produção de plásticos associada) e buscar maior competitividade para sua produção de Vestuário e Acessórios. Trata-se de parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico. Município com grande densidade populacional, não possuindo áreas significativas para novas ocupações industriais e muitos terrenos com valores de venda proibitivos. Contudo, dada a proximidade ao MRJ junto a BR-116, possui vantagens para ser 525

incentivado a instalação de centros de distribuição atacadistas e varejistas e a produção de plástico para embalagem. Destaca-se que já possui diversos galpões de armazenamento (incluindo frigoríficos), em que se destaca a instalação de uma empresa logística: a BRASPRESS. Nesse sentido, recomenda-se políticas para incentivar a atividade de logística e a atividade de Transformados Plásticos (em especial, para embalagem). Ademais, a execução do projeto de expansão da Via Light l(ligando até a Linha Vermelha na altura do Bairro de Madureira no MRJ) oferece oportunidade boas oportunidades para melhorar sua

acessibilidade. Cabe ressaltar que possuía uma tradicional aglomeração relacionada a indústria têxtil, que foi desestruturada em décadas atrás. Contudo, ainda se destaca o setor de Vestuário e Acessórios. Recomenda-se políticas que estimulem o aumento de sua competitividade. Merece ainda ser destacado que possui rebatimentos do Cluster de Cosméticos e Higiene Pessoal de Nova Iguaçu, com uma produção e um comércio atacadista não desprezíveis neste setor. Assim, deve ser maior incentivado junto as políticas voltadas para esse cluster em Nova Iguaçu. Mesquita ⇒ A questão-chave é buscar maior dinamismo a partir do perfil econômico já existente, particularmente incentivo a atividade de logística. Soma-se a isso oportunidades para desenvolvimento de turismo (ecoturismo e histórico-cultural). Trata-se de parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico. Município com grande densidade populacional e boa parte do território contido em uma Área de Proteção Ambiental - APA. Dessa forma, são limitadas as possibilidades de novas ocupações econômicas. Todavia, há um potencial na atividade de logística, dada sua proximidade a BR-116. Inclusive, já estão implantadas diversas empresas de transporte e instalado um área aduaneira (Porto Seco), o que facilita o desembaraçamento de cargas. Ademais, a execução dos projetos de expansão da Via Light e construção da Transbaixada/Avenida Sarapui oferecem oportunidades para melhor sua acessibilidade.

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Destaca-se ainda a possibilidade de desenvolvimento do ecoturismo e turismo histórico-cultural (para maiores detalhes ver seção 2.4)23. Nilópolis ⇒ A questão-chave é buscar maior dinamismo a partir do perfil econômico já existente, particularmente incentivo a prestação de serviços locais. Trata-se de parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo QuímicoFarmacêutico. Município com grande densidade populacional, não possuindo áreas disponibilizadas para novas ocupações industriais. Nesse sentido, suas oportunidades estão basicamente voltadas para comércio e prestação de serviços gerais, sustentadas pelo efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais. Chama atenção que a execução do projeto de construção da Transbaixada/Avenida Sarapui oferece oportunidade para melhor sua acessibilidade.

4.3.4. Área de Estudo 3: espaço de polarização para um Complexo QuímicoFarmacêutico e um Complexo Metal-Mecânico
No Termo de Referência, a Área de Estudo 3 foi definida com o conjunto formado por: Cachoeira de Macacu, Guapimirim, Itaboraí, Marica, Niterói, São Gonçalo e Tanguá. Para fins de coordenação econômica, será mantida essa configuração. Apesar dessa configuração adotada, ressalva-se que serão consideradas as possibilidade de inter-relação com Magé (contida na Área de Estudo 2)24. Da mesma forma, será tratada a atividade de Construção Naval e Offshore na Baia de Guanabara como um todo, logo, também serão consideradas as possibilidade de inter-relação com suas plantas produtivas no litoral das Áreas de Planejamento 1 e 3 do Município do Rio de Janeiro (AP1 e AP3 do MRJ).

23 Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades: fabricação e comércio atacadista de máquinas e ferramentas; e confecção de roupas profissionais. 24

Inclusive, Magé integra o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense – CONLESTE, que possui, entre seus membros, todos os municípios da Área de Estudo 3.

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Condicionantes à ocupação econômica Segundo o critério de “distância econômica”25, quase todos os municípios da Área de Estudo 1 (redefinida) estão sob influência imediata do Arco Metropolitano. A única exceção é Niterói e Marica. De modo geral, essa área se configura como grandes porções de vegetação natural (estendese de Guapimirim, Cachoeira de Macacu, Tanguá e Maricá) e franjas urbanas concentradas no entorno dos principais eixos viários. Soma-se a esse quadro, vazios relevantes que estão intercalados por uma atividade agropastoril. Alerta-se que o ordenamento territorial deve se ater ao risco de surgirem diversas ocupações subnormais e favelização. Entre os municípios que já sofrem intensa pressão populacional estão Niterói e São Gonçalo. Quanto esse último, em 2010, passou a ser o mais populoso na Área de Influência do Arco Metropolitano, sendo o que mais cresceu a população em termos absolutos no período 2000/2010 (54.633 habitantes a mais). Recomenda-se maior atenção das políticas públicas urbanas porque São Gonçalo deverá sofre efeitos multiplicadores da implantação do COMPERJ, além das oportunidades com a expansão da cadeia naval. Entre 2000 e 2010, ocorreu um crescimento populacional acima de 10,0% em Maricá, Guapimirim, Tanguá e Itaboraí (em grande parte, reflexo de um processo migratório interno). Particularmente, isso se torna mais preocupante em Itaboraí e Maricá, porque tiveram também elevado crescimento em termos absolutos (respectivamente, 23.301 e 39.479 habitantes a mais). Recomenda-se maior atenção das políticas urbanas porque a execução do projeto do COMPERJ ocorre em Itaboraí, sendo completado pela expectativa de oportunidades com a formação de um conjunto indústrias associadas e serviços de suporte às atividades petrolífera e petroquímica. Além disso, Maricá possui importantes áreas de vegetação nativa remanescente ainda desprotegidas legalmente, logo, também recomenda-se maior atenção das políticas ambientais. Quanto ao zoneamento do território, a mancha urbana (rosa), as áreas do principais empreendimentos âncoras (roxo claro) e as principais áreas definidas para uso industrial (roxa escuro) estão delimitadas na Figura 5.20.

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Para maiores detalhes, consultar P2 do PDU.

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Estrutura portuária na Praia da Beira em Itaoca (São Gonçalo)

COMPERJ (Itaboraí)

Laboratórios da B Braun e da Ranbaxy (São Gonçalo)

Cluster Naval e Offshore (Niterói e São Gonçalo)

Figura 5.20 - Mancha urbana e macrozoneamento dos principais empreendimentos

âncoras e das áreas definidas para uso industrial na Área de Estudo 3
Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos Planos Diretores Municipais, dados dos empreendimentos, e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005.

Na escala da Figura 5.20, não foi possível a visualização das áreas dos laboratórios da B Braun e da Ranbaxy (indústria farmacêutica), bem como a área do Cluster Naval e Offshore. A Figura 5.21 permite visualizar melhor a localização desses laboratórios e de alguns dos

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principais estaleiros: Eisa, Inhaúma, Mauá26, Aliança, STX Europe, Rio Nave, MacLaren Oil e Renave. Quanto a esses últimos, aponta-se também algumas plantas existentes na AP1 e AP3 do MRJ (no caso, estaleiros EISA, Inhaúma e Rio Nave).

Figura 5. 21 - Localização dos principais empreendimentos âncoras na Área de Estudo 3

que estão mais próximos à Baía de Guanabara
Fonte: Elaboração própria a partir de dados dos empreendimentos e na Base Cartográfica Integrada do Brasil ao Milionésimo – IBGE 2005.

Principais empreendimentos âncoras: ⇒ Destaca-se a futura instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro/COMPERJ (produtora de petroquímicos básicos e resinas) em Itaboraí, incluindo a instalação de uma estrutura portuária em São Gonçalo (Praia da Beira, Itaoca). Alem disso, já existe em operação os laboratórios da B Braun e da Ranbaxy (indústria farmacêutica) em São Gonçalo, e um Cluster Naval e Offshore nas imediações de Niterói que se estende

O Estaleiro Mauá possui três plantas em lugares distintos ao redor da Baía de Guanabara: Ilha da Conceição (Niterói), Ponta de D’areia (Niterói) e Ilha do Caju (AP3 do MRJ). A localização apontada no mapa 2.6 se refere a sua planta principal na Ponta de D’areia (Niterói)

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também a São Gonçalo. Quanto a esse último, inclui algumas plantas existentes na AP1 e AP 3 do MRJ. Áreas definidas para uso industrial: ⇒ Ressalta-se grandes espaços disponíveis em Itaboraí. Observa-se ainda algumas áreas disponíveis em São Gonçalo, Tanguá, Guapimirim e Cachoeira de Macacu. Ressalva-se que, embora faça parte da Área de Estudo 2, Magé possui áreas disponíveis de razoáveis dimensões que podem ser aproveitadas também através do desenvolvimento na Área de Estudo 3. Justifica-se tratar a aglomeração de estaleiros e canteiros no litoral da Baía de Guanabara como um Cluster Naval e Offshore por causa das economias externas importantes (interdependências não intencionais) e de algumas práticas cooperativas (interdependências intencionais), embora geralmente em caráter circunstancial. Afinal, existem entraves para ser considerado um arranjo local organizado, particularmente a falta de sistematização de práticas cooperativas, o que poderia garantir ganhos de “eficiência coletiva” sustentados. Por isso, recomenda-se políticas que busquem estimular a consolidação desse cluster. Na Área de Estudo 3, não há nenhuma distrito industrial já implantado. Contudo, existem projetos de criação de distritos ou áreas industriais em Itaboraí, São Gonçalo (especificamente, Distrito Industrial de Guaxindiba com 2,4 bilhões de m2 de áreas livres), e Tanguá (condomínio com 1,5 bilhões de m2 de áreas livres), todos dependendo de obras de infraestrutura. O distrito proposto em Itaboraí tem acesso direto ao Arco Metropolitano. Já o distrito de São Gonçalo e o condomínio industrial em Tanguá serão ladeados pela BR-101/Rodovia Translitorânea para através dela acessar o Arco Metropolitano. Ressalta-se que as vantagens logísticas dos três projetos podem ser reforçadas pela reestruturação da linha litorânea da FCA, passando a ter ganhos de intermodalidade rodoviário-ferroviário. Especialmente, essa obra é importante para aumentar as potencialidades do futuro condomínio industrial em Tanguá. Guapimirim e Cachoeiras de Macacu não possuem projetos de criação de distritos. Contudo, o primeiro reserva áreas livres ao longo do Arco Metropolitano, e o segundo tem como vantagem áreas de vazio com grande proximidade do COMPERJ. 531

Os municípios da Área de Estudo 3 possuem um marcada disparidade de portes econômicos. Isoladamente Niterói e São Gonçalo se destacam representando, respectivamente, 12,2% e 11,0% do valor agregado bruto no total da Área de Influência do Arco Metropolitano. Já o demais municípios são de portes mais modestos (Itaboraí, Tanguá, Guapimirim e Cachoeira de Macacu). As posições destacadas de Niterói e São Gonçalo se explicam pelos diferenciais de competitividade que possuem. Niterói é uma importante centralidade urbana, sendo a principal referência para a oferta de funções urbanas na maior parte da região ao Leste da Baía de Guanabara27. Já São Gonçalo é uma subcentralidade urbana, também com uma oferta de funções urbanas não desprezível. Além disso, ambas aglomeram atividades produtivas relevantes em termos estaduais, como indústrias da cadeia naval e, no caso de São Gonçalo, também indústrias químicas (incluindo segmentos farmacêuticos). Atualmente, a Área de Estudo 3 vem recebendo projetos de investimentos influenciados pela grande expansão da indústria petrolífera no Estado do Rio e pela política de indução setorial da Petrobrás no período recente. Como principais investimentos, destacam-se: Em estágio de instalação e negociação acionária: ⇒ Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro/COMPERJ – Petrobrás e, possivelmente, Brasken (Itaboraí) Construção de um parque industrial composto por unidades de refino e de produção de petroquímicos básicos e resinas (1ª e 2ª geração da cadeia petroquímica) visando, dentro da estratégia da Petrobrás, agregar valor ao óleo pesado extraído na Bacia de Campos. Para sua logística, as seguintes obras estão envolvidas: • Implantação de um sistema de oleodutos que efetuarão o transporte de materiais líquidos, ligando o COMPERJ ao terminal de Campos Elíseos (ligado à REDUC em Duque de Caxias) e ao terminal da Ilha Comprida (Estado de São Paulo). Nota-se que é

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Embora não faça parte da Área de Estudo 3, Teresópolis possui também uma centralidade urbana destacada sobre Guapimirim e Cachoeira de Macacu.

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próximo ao terminal em Campos Elíseos que serão montados os tanques de armazenagem do petróleo que será utilizado. • • Interligação ao sistema de gasodutos Cabiúnas-REDUC (GASDUC). Montagem de uma estrutura portuária com retroárea em São Gonçalo (Praia da Beira, Itaoca) para o suprimento de equipamentos pesados, sendo acessado através de uma estrada a ser também construída (projeta-se a realização de uma dragagem de 8,5 metros de profundidade) • Construção dos respectivos acessos para o Arco Metropolitano e para a linha litorânea da FCA (dentro do projeto de sua reestruturação) para o escoamento de produtos sólidos. Sob o conceito de unidade integrada, o projeto básico original do COMPERJ visava a construção de uma “refinaria petroquímica” em que a parte de refino e a parte petroquímica seriam construídas de forma simultânea. Recentemente, houve uma alteração nesse projeto básico para ser feito, em uma primeira fase, somente a parte de refino. Além disso, a parte de refino teve sua capacidade produtiva dobrada com a inclusão de mais uma unidade para atender, em grande parte, a demanda de óleo combustível: diesel basicamente, mas também querosene de aviação, coque, enxofre etc. Ao contrário do que se planejou no início, nessa primeira fase, o COMPERJ passou a seguir os moldes de uma refinaria “premium” voltada para a produção de combustíveis, a qual se prevê entrar em operação no final de 2013. Por conseguinte, foram postergadas as unidades de produção petroquímica para uma segunda fase, com previsão de início das obras em 2014 e operação em 2017 da 1ª geração e em 2018 da 2ª geração. Em 2018, também é prevista o início de operação da segunda refinaria. Ademais, o COMPERJ ainda tem área disponível considerável, podendo receber ainda outras unidades futuramente. Em estágio de negociação para a reestruturação da planta: ⇒ Estaleiro Inhaúma – Petrobrás (Bairro do Caju na AP1 do MRJ) O arrendamento da área do antigo Estaleiro Ishibrás atualmente desativada está sendo tratada com a Petrobrás. Uma das propostas é que seja utilizado para a conversão de navios em 533

FPSOs (Sistema Flutuante de Produção e Estocagem), como cascos de plataformas. Atualmente, essa função vem sendo realizada no exterior por ausência de espaços disponíveis no país para realizá-la. Sendo assim, a operação do Estaleiro Inhaúma poderá permitir aumentar o conteúdo nacional. Além disso, a Petrobrás também propôs que a áreas seja usada como base de apoio para balsas de sua propriedade, bem como para base de suporte de suas operações. Modernização e projeto de expansão física em curso: ⇒ Estaleiro Aliança – Grupo Fischer (Niterói e, com a expansão, também em São Gonçalo) Investimento para melhorias no processo de produção na atual planta dentro de Niterói e deslocamento da parte fabril para outra planta em instalação dentro de São Gonçalo (bairro de Guaxindiba). Assim, o empreendimento visa aumentar sua produtividade, aproveitando melhor a área próxima ao mar na planta de Niterói. Grandes Encomendas de produção: ⇒ Estaleiro EISA – Grupo Sinergy (Ilha do Governador na AP3 do MRJ) Carteira de embarcações para PDVSA (navios panamax/tanqueiros e navios de

produto/derivados de petróleo), Vale Log-in (porta-contêineres e graneleiros), Astro Marítima (supply-boats/navios de apoio offshore), Marinha (barcos para patrulha costeira) e TRANSPETRO/Petrobrás (navios panamax/tanqueiros). Esse último, refere-se a inclusão no Programa de Modernização e Expansão da Frota – PROMEF após transferência de encomendas originalmente ganhas em licitação pelo consórcio Rio Naval (que incluía entre os membros o Estaleiro SERMETAL). ⇒ Estaleiro Mauá – Grupo Sinergy (Niterói e Bairro do Caju na AP1 do MRJ) Carteira de embarcações para a TRANSPETRO/Petrobrás (navios de produto/derivados de petróleo). Refere-se a licitação ganha no âmbito do PROMEF. ⇒ Estaleiro Superpesa (Ilha do Fundão na AP3 do MRJ)

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Carteira de embarcações para a TRANSPETRO/Petrobrás (navios bunker de transporte de combustível para embarcações). Refere-se a licitação ganha no âmbito do PROMEF. ⇒ Estaleiro STX Europe (Niterói) Carteira de projetos para a construção de supply-boats/navios de apoio offshore. Em fase de projeto para futura implantação: ⇒ B Braun (São Gonçalo) Projeto de ampliação da capacidade produtiva através da construção de uma nova fábrica dentro do futuro Distrito de Guaxindiba. É inegável que na Área de Influência do Arco Metropolitano, o COMPERJ é o maior investimento em curso. Além disso, há expectativa de que sua implementação permita construir um Pólo Petroquímico capaz de gerar importantes efeitos multiplicadores para uma região atualmente carente de maiores oportunidades econômicas. Dessa forma, é determinante um atuação política para que esse compromisso com o desenvolvimento regional seja efetivo. Desconsiderando o COMPERJ que se encontra em Itaboraí, todos os demais investimentos mencionados se referem a projetos induzidos pela própria execução das atividades industriais. A possibilidade de gerar efeitos multiplicadores consideravelmente em termos regionais vai depender da capacidade de coordenação dos agentes envolvidos. Sendo assim, ganha importância iniciativas que estimulem a maior articulação entre as plantas existentes e orientem o maior desenvolvimento da cadeia de fornecedores (por exemplo, navipeças e equipamentos). Nesse sentido, é fundamental uma política de coordenação para que a instalação do Arco Metropolitano contribua com uma desconcentração econômica para a periferia metropolitana que dê suporte à competitividade das cadeias produtivas. Chama atenção o papel estruturante que o COMPERJ poderá desempenhar enquanto âncora, a ponto de transformar Itaboraí em uma grande centralidade econômica da Área de Estudo 3. Dessa forma, recomenda-se incentivar o desenvolvimento de um Pólo

Petroquímico baseado em Petróleo para caracterizar Itaboraí enquanto núcleo motriz de um Complexo Químico-Farmacêutico regional. Cabe ainda ressaltar que, além de fortalecer

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internamente esse complexo, deve ser buscado estimular sua unificação com o complexo Químico-Farmacêutico nucleado futuramente por Duque de Caxias (Área de Estudo 2). Além disso, também chama atenção o papel estruturante que o Cluster Naval e Offshore capitaneado por Niterói poderá desempenhar enquanto âncora, a ponto de garantir que esse município reforce seu papel regional como uma das principais centralidades econômicas da Área de Estudo 3. Dessa forma, recomenda-se incentivar a consolidação de um pólo para caracterizar Niterói enquanto núcleo motriz de um Complexo MetalMecânico regional. Cabe ainda ressaltar que, além de fortalecer internamente esse complexo, deve ser buscado estimular sua unificação com o embrionário complexo Metal-Mecânico nucleado por Macaé na Região Norte Fluminense. Inclusive, isso poderia levar ao maior aproveitamento dos encadeamentos com a indústria petrolífera. Principais segmentos dos complexos a serem fomentados O fortalecimento de um Complexo Químico-Farmacêutico e de um Complexo Metal-Mecânico na Área de Estudo 3 está centrado na competitividade das seguintes atividades: Transformados Plásticos (3ª geração da cadeia petroquímica) O grande desenvolvimento dessa atividade vai depender que a implantação do COMPERJ consolide efetivamente um Pólo Petroquímico em Itaboraí. Ao passar a execução da parte petroquímica para uma segunda fase, não poderá ser discutir imediatamente a indução de um parque de produtores de plástico com desenvolvimento de produtos. Em um primeiro

momento, ganha importância a consolidação do Pólo Petroquímico em Duque de Caxias (Área de Estudo 2) a fim de rebatimentos para a Área de Estudo 3. Isso torna-se possível a medida que se busque politicamente desenvolver a produção de plásticos em conjunto com serviços de logística. Nesse sentido, destaca-se as vantagens em acessibilidade com o Arco Metropolitano, além da BR-101. Essas vantagens ainda poderão ser reforçadas com a reestruturação da linha litorânea da FCA passando a ter ganhos de intermodalidade rodoviário-ferroviário. Ressalva-se que é importante negociar para não serem feitas apenas as linhas de produção petroquímicas mais usuais no COMPERJ: na 1ª geração, eteno e propeno, assim como, na 2ª geração, polietileno e polipropileno. Isso porque outras linhas de produtos permitem ir gerar encadeamentos com Transformados Plásticos não possíveis nas plantas contidas no Cluster Gás-Químico (Duque de Caxias, Área de Estudo 2), por exemplo, PET podendo ser usado na 536

produção de garrafas e embalagens. Nesse sentido, recomenda-se acompanhamento político para garantir que seja confirmada a diversidade do escopo de petroquímicos básicos e resinas com a execução da 2ª fase do projeto. Inclusive, é possível também serem discutidos politicamente encadeamentos diretos com a cadeia da Construção Civil. Isso porque é possível em um central petroquímica a base de Petróleo produzir PVC, usado, por exemplo em tubulações. Em virtude da demanda projetada da Construção Civil para os próximos anos, recomenda-se que se rediscuta que essa linha de produto seja realizada também na 2ª fase do projeto. Insumos para as indústria de Borracha Sintética, Têxtil e Vestuário, e Tintas/Vernizes É importante negociar para que o COMPERJ permmita, na 1ª geração, a fabricação de benzeno, butadieno e para-xileno, bem como, na 2ª geração, estireno podendo ser usado na produção de borracha sintética, PTA podendo ser usado na cadeia do poliéster (associada a indústria têxtil e de vestuário), Etilenoglicol podendo ser usado em solventes e outros produtos químicos (útil na fabricação de tintas e vernizes). Recomenda-se acompanhamento político, pois, caso isso ocorra aumentará a articulação do complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí, pois os principais demandantes atuais estão na Área de Estudo 2. Além disso, caso esse encadeamento com a cadeia de poliéster ocorra poderá melhor a competitividade de uma série de fábricas de Vestuários e Acessórios. Inclusive facilitará a recuperação de algumas aglomerações têxtis que sofreram processo de desestruturação (por exemplo, em São João de Meriti na Área de Estudo 2). Todavia, é notório que a Petrobrás veio realizando recentemente investimentos na construção da Petroquímica Suape em Pernambuco para atender essa demanda. Nesse sentido, recomenda-se políticas que levem a rediscussão dessas questões em virtude do potencial identificado para generalização dos efeitos em cadeia, inclusive para atividades voltadas para os Mercados Consumidores de Massa.

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Indústria Farmacêutica e outros segmentos da Química Fina As atividades da indústria farmacêutica na Área de Estudo 3 possuem maior destaque em São Gonçalo (em especial, os laboratórios da B Braun e da Ranbaxy28). Contudo, em grande medida estão insuladas, sem possuírem encadeamentos regionais significativos. Caso a a implantação do COMPERJ consolide efetivamente um Pólo Petroquímico em Itaboraí poderá permitir importantes encadeamentos. Em um primeiro momento, ganha importância buscar a consolidação do Pólo Petroquímico em Duque de Caxias (Área de Estudo 2) e incentivar os rebatimentos para a Área de Estudo 3. Afinal, destaca-se as vantagens em acessibilidade com o Arco Metropolitano, além da BR-101. Essas vantagens ainda poderão ser reforçadas com a reestruturação da linha litorânea da FCA passando a ter ganhos de intermodalidade rodoviárioferroviário. Além disso, a produção de farmoquímicos em Duque de Caxias tem insumos (chamados de Intermediários de Síntese) obtidos a partir da petroquímica com base em Petróleo. A implantação do COMPERJ poderá ser fundamental para reverter isso, pois será a base de Petróleo, logo, podendo produzir Intermediários de Síntese. Novamente, reforça a importância de estimular a unificação do complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí. Cabe ainda ressaltar, a importância da articulação com as atividades tecnológicas do Complexo de Saúde29 dentro da AP3 do MRJ. Nesse ínterim, é fundamental desenvolver políticas de coordenação para o Complexo de Saúde, conforme começa a ser desenhado pelo Ministério da Saúde, BNDES e Governo do Estado do Rio de Janeiro. Quanto ao setor de Fertilizantes, é um potencial ainda pouco explorado, mas que poderá ser estimulado caso o COMPERJ também produza os insumos necessários. Atividades demandantes de Derivados de Refino de Petróleo e de Gás Natural para Uso Industrial

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B Braun fabrica produtos de uso médico, servindo como insumos hospitalares. Já a Ranbaxy produz medicamentos genéricos.

29 Cabe assinalar que Farmacêutica não inclui apenas medicamentos, mas produções de insumos hospitalares, vacinas, reagentes para diagnóstico, hemoderivados etc. No Complexo de Saúde, a esse conjunto de atividades, soma-se a produção de Equipamentos Médicos e a prestação de serviços de saúde.

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Diante mudança de escopo do projeto básico do COMPERJ, a ofertas de insumos paras essas atividades ganha maior relevância. Recomenda-se políticas de coordenação para que com a execução da primeira fase do empreendimento já sejam incentivadas. Embora nas imediações do COMPERJ as vantagens competitivas são mais evidentes, é possível estimular uma desconcentração econômica para outras localidades a medida que seja assegurado o fornecimento desses insumos. Cadeia Naval e Offshore O Cluster Naval e Offshore capitaneado por Niterói trata-se da principal concentração da atividade no Estado do Rio de Janeiro. Todavia, carece de importantes políticas de coordenação dada a dificuldade de se consolidar efetivamente enquanto cluster. Além disso, apesar da diversas plantas existentes e de possuir uma cultura desenvolvida historicamente, ainda não foi capaz de formar um pólo em caráter regional. Dessa forma, as políticas de coordenação são fundamentais também para estimular o desenvolvimento da cadeia como um todo, inclusive discutindo a produção de navipeças e equipamentos que já possuem escala no mercado nacional. Caso contrário, os efeitos multiplicadores serão reduzidos e basicamente circunscritos as plantas dos principais estaleiros. Logística entre parques produtivos (e, possivelmente, de retroporto) A atividade de logística possui diversas oportunidades ligadas a crescente movimentação de cargas junto a dinamismo dos parques industriais e suas inter-relações possíveis. Por exemplo, a logística pode estimular diretamente a produção de plásticos de embalagem. Nesse aspecto, estimulará o desenvolvimento da cadeia petroquímica. Além disso, pode contribuir para a unificação do complexo Químico-Farmacêutico nucleado por Duque de Caxias com aquele futuramente nucleado por Itaboraí (Área de Estudo 3). Assim, a logística entre parques produtivos ganha destaque. Nesse ínterim, destaca-se oportunidades de aumentar o potencial logístico ao se buscar a aproveitar a intermodalidade rodoviário-ferroviário na Área de Estudo 2 (redefinida). Entre seus atributos de acessibilidade, além do próprio Arco Metropolitano, estão: a BR-101/Rodovia Translitorânea, o ramal ferroviário da FCA (chegando até o Porto do Rio), e a montagem da estrutura portuária em São Gonçalo (Praia da Beira, Itaoca).

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A princípio, essa estrutura portuária seria construída pela Petrobrás para atender apenas a logística de entrada de equipamentos pesados no COMPERJ. Recentemente, foi divulgado acordo com o governo do Estado do Rio de Janeiro para que seja ampliado e adquira funções mais amplas. Pretende-se que passe a atender cargas diversas e passageiros. Além disso, discute-se a possibilidade de instalação de um estaleiro para construção de pequenas embarcações e módulos de plataformas de petróleo. Torna-se prioritário acelerar a reestruturação da linha litorânea da FCA (ligando até o Porto do Açu no Norte Fluminense e ao Estado do Espírito Santo), articulando-na com as linhas da MRS (ligando com Porto de Itaguaí, Estado de Minas Gerais e Estado de São Paulo). Para isso, é importante a reconstrução do ramal Amabaí-São Bento (ligando linha da MRS em Nova Iguaçu a linha da FCA em Duque de Caxias), a implementação do Ferrovia do Contorno da Baía de Guanabara/Arco Ferroviário (exige rebitolagem do trecho Santa Rita-Saracuruna-Magé, bem como rebitolagem e reativação do trecho Magé-Visconde de Itaboraí), construção do acesso ao COMPERJ em Itaboraí, rebitolagem e reativação do ramal Visconde de Itaboraí-Tanguá, e, já no Norte Fluminense, construção da extensão até o Porto do Açu. Essas iniciativas são fundamentais para se criar maior competitividade sistêmica através de uma sistema logístico integrado, articulando os portos de Itaguaí, Rio e Açu. Destaca-se que já existem oportunidades em atividade de logística retroportuária com a montagem do terminal em São Gonçalo e a abertura de um acesso rodoviário direto ao COMPERJ. Todavia, chama atenção que oferecer boa acessibilidade para a ligação da Região Metropolitana com o Porto do Açu em São João da Barra/Norte Fluminense (através da ligação do Arco Metropolitano com BR-101 e, principalmente, pela linha férrea da FCA) poderá permitir oportunidades ainda não tão evidentes. Isso porque poderá inserir a Área de Estudo 3 como parte da região de influência do Porto de Açu a ponto de ser um estímulo ao desenvolvimento de uma logística retroportuária a fim da movimentação de cargas metropolitanas junto a instalação de terminais reguladores. Cabe enfatizar que, através da atividade logística, surgem oportunidades de desencadear uma desconcentração econômica significativa na Área de Estudo 3. Todavia, a capacidade de arrasto depende da expansão da atividade logística estar associada à organização de políticas setoriais específicas que induzam a complementaridade entre atividade produtivas afins na totalidade do território, fortalecendo os complexos Químico-Farmacêutico e Metal-Mecânico. 540

Caso contrário, há o risco de ser acentuada crescentemente a concentração econômica nas proximidades de alguns empreendimentos âncoras sem configurar pólos de desenvolvimento regional. Proposta de ordenamento econômico do território Quanto ao Complexo Químico-Farmacêutico, recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Itaboraí como núcleo motriz, e São Gonçalo, Tanguá e Magé como integrantes de seu espaço de espraiamento imediato. Embora incluído na Área de Estudo 2, Magé tende a sofrer influência direta também do pólo nucleado por Itaboraí. Por isso, foi incluído dentro do espaço de espraiamento imediato. A política de coordenação deve ter como foco que as “condições gerais de produção” para a Área de Estudo 3 dependem, em grande parte, da articulação desse conjunto de municípios para efetivar os principais encadeamentos latentes (diretos) relacionados ao Complexo Químico-farmacêutico. Para isso, por um lado, o fator fundamental é incentivar a consolidação do Pólo Petroquímico em Itaboraí, integrando a cadeia através da maior produção de Transformados Plásticos (não apenas os usuais, mas também PET e PVC) e outras linhas possíveis de serem associadas (Borracha Sintética, Têxtil e Vestuário, Tintas e Vernizes, e até Farmacêutica). Por outro lado, também é preciso incentivar a possibilidade de sua complementação sinérgica com o outro pólo em Duque de Caxias (Área de Estudo 2). Já aos demais municípios (Guapimirim, Cachoeira de Macacu, Maricá e Niterói), caracterizamse como integrantes do espaço de espraiamento não imediato. A princípio, esses municípios poderão aproveitar de oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados (indiretos) que devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais Quanto ao Complexo Metal-Mecânico, recomenda-se que o planejamento indutor esteja voltado para conformar Niterói como núcleo motriz, e São Gonçalo e Itaboraí como seu espaço de espraiamento imediato. Embora as Áreas de Planejamento 1 e 3 do Município do Rio de Janeiro não estejam incluídas na Área de Estudo 3, considera-se como reforços ao potencial motriz as plantas produtivas voltadas especificamente para a cadeia naval e offshore na parte oeste da Baía de Guanabara.

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A política de coordenação deve ter como foco que as “condições gerais de produção” para a Área de Estudo 3 dependem, em grande parte, da articulação desse municípios para efetivar os principais encadeamentos latentes (diretos) relacionados ao Complexo Metal-Mecânico. Para isso, o fator fundamental é incentivar a formação de um Pólo Naval e Offshore (e não apenas um cluster) em que os estaleiros e canteiros reestruturados em termos gerenciais e patrimoniais passem a ter maior poder de articulação e desenvolvimento da cadeia produtiva em escala regional a ponto de desenvolver uma rede comum de fornecedores. Além disso, é importante estimular a unificação com o embrionário complexo Metal-Mecânico nucleado por Macaé na Região Norte Fluminense. Já aos demais municípios (Maricá, Tanguá, Guapimirim e Cachoeira de Macacu), caracterizamse como espaços de espraiamento não imediato. A princípio, esses municípios poderão aproveitar de oportunidades em atividades complementares e encadeamentos inesperados (indiretos) que devem ser objeto de negociação para superar suas restrições atuais A Figura 5.22 e a Figura 5.23 apresentam, respectivamente, a distribuição espacial das forças no território para o fortalecimento do Complexo Químico-Farmacêutico e do Complexo MetalMecânico na Área de Estudo 3:

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Figura 5. 22 - Distribuição espacial do núcleo motriz e dos espaços de espraiamento do

Complexo Químico-Farmacêutico na Área de Estudo 3
Fonte: Elaboração própria Nota: 1) Demarcou-se de acordo com as divisões político-administrativas, porém as ocupações econômicas já existentes ou possíveis são uma parcela de cada município (e não sua totalidade). 2) Embora incluído na Área de Estudo 2, Magé tende a sofrer influência direta também do pólo nucleado por Itaboraí. Por isso, foi incluído no mapa.

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Figura 5. 23 - Distribuição espacial do núcleo motriz e dos espaços de espraiamento do

Complexo Metal-Mecânico na Área de Estudo 3
Fonte: Elaboração própria Nota: 1) Demarcou-se de acordo com as divisões político-administrativas, porém as ocupações econômicas já existentes ou possíveis são uma parcela de cada município (e não sua totalidade). 2) Embora as Áreas de Planejamento 1 e 3 do Município do Rio de Janeiro não estejam incluídas na Área de Estudo 3, considera-se como reforços ao potencial motriz as plantas produtivas voltadas especificamente para a cadeia naval e offshore na parte oeste da Baía de Guanabara.

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Para cada elemento integrante da Área de Estudo 3, sobressaem-se as seguintes questõeschave: Itaboraí ⇒ A questão-chave é a dinamização do perfil econômico que está sendo profundamente redefinido, superando um quadro de desarticulação com o fim de sua produção de laranja. Particularmente, é fundamental o incentivo a consolidação de seu Pólo Petroquímico. Ressalta-se as vantagens para o desenvolvimento de um parque destacado de produtores de Transformados Plásticos (inclusive associado ao desenvolvimento de produtos). Destaca-se também seu potencial para ser o centro concentrador da atividade logística (“hub logístico”) na Área de Estudo 3, com a instalação de centros de distribuição atacadistas e varejistas. Soma-se a isso, a possibilidade de também sofrer rebatimentos do desenvolvimento da cadeia naval. Destaca-se ainda a importância de passar a desempenhar um papel de centralidade na rede urbana, bem como a importância de aumentar a competitividade de suas indústrias voltadas para cadeia da Construção Civil e de sua agricultura (incluindo floricultura). Trata-se do núcleo motriz para o Complexo Químico-Farmacêutico e parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo Metal-Mecânico. Enquanto núcleo motriz para o Complexo Químico-Farmacêutico, seu principal desafio é desenvolver um Pólo Petroquímico a base de Petróleo em todas suas potencialidades. Assim, poderá levar a uma transformação muito mais profunda na estrutura econômica, evitando o risco de uma sobre-especialização em atividades de refino e serviços de distribuição de combustíveis. Recomenda-se políticas de coordenação que assegurem grandes impactos para o desenvolvimento regional em termos de efeitos multiplicadores. Nesse sentido, além de buscar que seja garantida uma produção expressiva de petroquímicos básicos e resinas, deve ser incentivado a diversificação de suas linhas de produção. Recomenda-se políticas que garantam o suprimento e desenvolvam um parque de fabricação de plásticos não apenas os usuais (polietileno e polipropileno), mas também PET e PVC (este último, usado em tubulações na Construção Civil). Da mesma forma, recomenda-se políticas que garantam o suprimento para outras atividades associadas (Borracha Sintética, Têxtil e Vestuário, Tintas e Vernizes, e até Farmacêutica). Nesse aspecto, é fundamental incentivar a possibilidade de sua complementação sinérgica com o outro pólo em Duque de Caxias (Área 545

de Estudo 2), pois grande parte dessas atividades associadas já possui destaque nas imediações dele. Além disso, essa complementação sinérgica favorece o surgimento de

serviços de desenvolvimento de produtos. Cabe ressaltar a importância de Magé servir logisticamente de espaço de articulação entre os dois pólos petroquímicos Diante da 1ª fase de implantação do COMPERJ ser voltada para a parte de refino, ganha evidência a oferta de Derivados de Refino de Petróleo (por exemplo: diesel, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo/GLP etc). Além disso, estando ligado ao sistema de gasodutos Cabiúnas-REDUC (GASDUC), aumenta a disponibilidade de gás natural para uso industrial. Assim, surgem oportunidades que devem ser estimuladas para atividades que demandem com mais intensidade esses insumos. Enquanto parcela do espaço de espraiamento imediato para o Complexo Metal-Mecânico, chama atenção que já existe um rebatimento embrionário a partir do Cluster Naval e Offshore. Afinal, segundo P4 e P5 do PDES, já se identifica um conjunto de unidades voltadas para a manutenção e reparação de embarcações, bem como para montagem de estruturas metálicas. Esses rebatimentos podem ser acentuado com o avanço da atividade logística, logo, recomenda-se que seja estimulado seus encadeamentos com a produção de base metalmecânica (uso de aço). Destaca-se as grandes vantagens para estimular a logística entre parques produtivos. Quanto esse último ponto, destaca-se o acesso a BR-101 e o fato de ser cruzada pelo Arco Metropolitano. Ademais, deverá reforçar essa potencialidade a necessária reestruturação da linha litorânea da FCA (ligando até o Porto do Açu no Norte Fluminense e ao Estado do Espírito Santo) junto a articulação com as linhas da MRS (ligando com Porto de Itaguaí, Estado de Minas Gerais e Estado de São Paulo). Destaca-se também o acesso direto ao Arco Metropolitano e a BR-101. Soma-se a isso o fato de possuir as principais áreas de vazios com possibilidade de implantação de novos empreendimentos (inclusive de grande porte). Diante da importância dos incentivos ao fortalecimento de sua centralidade econômica, sua centralidade urbana deve ser incentivada também. Assim, recomenda-se estimular o desenvolvimento de suas funções urbanas junto aos investimentos fundamentais em infraestrutura.

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Em termos de aglomerações econômicas, chama atenção a produção de cerâmica vermelha para tijolos e telhas (atividade integrante da cadeia da Construção Civil), bem como uma floricultura30. Por conseguinte, merece haver políticas que visem aumentar a competitividade de ambas. Particularmente, fortalecer a atividade associada à produção de tijolos e telhas ganha maior significado diante da demanda projetada da Construção Civil para os próximos anos. Niterói ⇒ A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já existente, particularmente incentivo a consolidação de seu Cluster Naval e Offshore e desenvolver em seu interior um pólo com reações em cadeia mais efetivas. Particularmente, é fundamental, orientar os estaleiros e canteiros a desenvolver maiores competências e a ganhar maior poder de comando sobre a cadeia produtiva. Além disso, devem ser estimuladas as seguintes iniciativas: turismo náutico-oceânico e atividade relacionadas à pesca. Trata-se do núcleo motriz para o Complexo Metal-Mecânico e de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato para o Complexo Químico-Farmacêutico. Enquanto núcleo motriz para o Complexo Metal-Mecânico, seu principal desafio é liderar a formação de um Pólo Naval e Offshore em que os estaleiros e canteiros reestruturados em termos gerenciais e patrimoniais passem a ter maior poder de articulação da cadeia produtiva em escala regional a ponto de desenvolver uma rede comum de fornecedores (particularmente, em São Gonçalo). Nesse sentido, é fundamental políticas de coordenação que incentivem, de forma integrada, indústrias dos segmentos metal-mecânicos envolvidos. Da mesma forma, é importante a consolidação do cluster através do incentivo a maior sistematização de práticas cooperativas entre os agentes envolvidos. Cabe ressalvar que Niterói possui densidade populacional elevada, com elevados valores de negociação de terrenos e sem áreas definidas para novas ocupações industriais. Diante disso, ressalta-se a importância de políticas que incentivem o maior aproveitamento do potencial turístico náutico-oceânico. Ademais, já se identifica uma concentração de atividades de

30 Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades: comércio atacadista de bebidas; fabricação de produtos de papel; fabricação de esquadrias e produtos terfilados de metal; e fabricação de produtos de carne.

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comércio atacadista e varejista de pescado que merecem maior atenção, buscando articular melhor a competitividade de todo o segmento pesqueiro a região leste da Baía de Guanabara (o que inclui São Gonçalo e Maricá). São Gonçalo ⇒ A questão-chave é alcançar a maior dinamização a partir do perfil econômico já existente, particularmente incentivo a consolidação de seu Cluster Naval e Offshore e desenvolver em seu interior um pólo com reações em cadeia mais efetivas. Particularmente, destaca-se oportunidades para o desenvolvimento de um parque produtor de navipeças e equipamentos que já tenha escala o mercado nacional. Destaca-se a importância de incentivar a expansão da indústria farmacêutica junto ao incentivo a maiores encadeamentos em termos regionais. Além disso, cabe ser fortalecida sua produção de Transformados Plásticos ao associá-la com o maior desenvolvimento da atividade logística. Inclusive é preciso desenvolver a logística de retroporto a partir da estrutura portuária em construção. Deve-se ainda estimular a maior competitividade de suas indústrias voltadas para cadeia da Construção Civil e para Vestuários e Acessórios, bem como das atividades relacionadas à pesca. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento imediato tanto do Complexo MetalMecânico quanto do Complexo Químico-Farmacêutico. Enquanto parcela do espaço de espraiamento imediato do Complexo Metal-Mecânico, chama atenção a oportunidade de aproveitar os principais rebatimentos do desenvolvimento da cadeia naval e offshore. Afinal, já possui uma concentração em diversos segmentos metal-mecânicos associados, sendo preciso incentivar sua maior capacitação para passar a produzir navipeças e equipamentos que já tenha escala o mercado nacional. Recomenda-se que esses incentivos estejam articuladas com uma política de coordenação voltada para o desenvolvimento de uma rede de

fornecedores em termos regionais. Enquanto, parcela do espaço de espraiamento imediato do Complexo Químico-Farmacêutico chama atenção as atividades na indústria farmacêutica. Contudo, em grande medida estão insuladas, sem possuírem encadeamentos regionais significativos. Nesse ponto, recomendase políticas de coordenação voltadas para maior articulação tanto com o futuro pólo petroquímico de Itaboraí, como também com o pólo petroquímico de Duque de Caxias e o Complexo da Saúde (Área de Estudo 2). Cabe ressaltar a importância de Magé servir 548

logisticamente de espaço de articulação para facilitar sinergias com as atividades na Área de Estudo 2. Segundo P4 e P5 do PDES, destaca-se uma produção não desprezível de plásticos para embalagens. Nesse sentido, com a expansão da atividade petroquímica, aumentam as

oportunidades para Transformados Plásticos em São Gonçalo. Recomenda-se que seja incentivada a atividade buscando associá-la a atividade de logística. Cabe lembrar que é cruzado pela BR-101 através da qual pode acessar o Arco Metropolitano. Ademais, sua posição vem se tornando estratégica para a logística com os projetos da Petrobrás no município: a construção da Central de Escoamento de Produtos Líquidos do próprio COMPERJ, e montagem de uma estrutura portuária (Praia da Beira, Itaoca) para transporte de grandes equipamentos com a abertura de uma estrada com acesso direto ao empreendimento. Cabe ressaltar que, além da logística entre parques produtivos, deverá ser estimulada a logística de retroporto em conjunto com o desenvolvimento dos serviços portuários no terminal em implantação. Nesse ponto, observa-se as potencialidade que essa estrutura portuária permite para o maior desenvolvimento do Distrito de Guaxindiba. Cabe ressalvar que São Gonçalo possui densidade populacional elevada, com grave problema de ocupação desordenada do território e com poucas áreas disponíveis para expansão industrial (maior exceção se refere ao projeto de distrito em Guaxindiba). Diante disso, é fundamental investimentos em infraestrutura urbana e buscar dotar de maior competitividade a produções já existentes. Além daquelas destacada anteriormente, chama ainda atenção uma concentração em na fabricação de cerâmica vermelha para tijolos e telhas (atividade integrante da cadeia da Construção Civil), no setor de Vestuário e Acessórios e na fabricação de produtos de pescado. Recomenda-se política que incentivem o fortalecimento dessas atividades31.

31 Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para as seguintes atividades:fabricação de refrigerantes e de outras bebidas não alcoólicas; fabricação de produtos de papel; fabricação de esquadrias de metal, caldeiraria pesada e comércio atacadista de sucatas metálicas; e fabricação de tintas e vernizes.

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Tanguá ⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar as oportunidades em logística e produção de plásticos. É preciso o enfrentamento de sérios desafios de infraestrutura urbana. Além disso, deve ser estimulado o turismo rural e incentivar uma agroindústria com base na citricultura local (especificamente, indústrias de suco de laranja concentrado e congelado). Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento imediato do Complexo QuímicoFarmacêutico e uma parcela do espaço de espraiamento não imediato do Complexo MetalMecânico. Ressalta-se a possibilidade de se desenvolver a atividade de logística em apoio ao COMPERJ. Entre suas vantagens, ganha destaque ser cortado pela BR-101 e possuir áreas disponíveis para ocupação. Quanto a esse último aspecto, é fundamental a realização de investimentos de infraestrutura urbana. É preciso chamar atenção que Tanguá se torna uma posição estratégica com a reestruturação da linha litorânea da FCA, pois teria o primeiro terminal de acesso a Região Metropolitana no seu extremo leste. Com a criação de pátios reguladores a atividade logística ganharia força a medida que a Área de Estudo 3 integrasse a região de influência do Porto de Açu em São João da Barra (Norte Fluminense). Para isso, é fundamental uma política de coordenação que busque estimular a unificação do Complexo Metal-Mecânico nucleado por Niterói com aquele nucleado por Macaé na Região Norte Fluminense. Em termos de aglomerações econômicas, chama atenção a citricultura, basicamente voltada para a produção de laranja32. Por conseguinte, merece haver políticas que visem aumentar sua competitividade, particularmente, através do estímulo a encadeamentos para indústrias de suco de laranja concentrado e congelado. Da mesma forma, recomenda-se que se apóie o desenvolvimento do turismo rural.

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Com base em dados da RAIS/MTE para 2008, P4 e P5 do PDES também chama atenção para fabricação de produtos de papel,

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Cachoeira de Macacu ⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar as oportunidades no ecoturismo. Além disso, deve ser estimulado maior competitividade de sua agricultura incentivando a formação de uma agroindústria associada. Não se descarta os impactos do COMPERJ para atração de algumas empresas em sua fronteira (vizinha ao empreendimento). Requer importantes investimentos em infraestrutura para melhor sua capacidade de escoamento da produção. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato tanto do Complexo Químico-Farmacêutico quanto do Complexo Metal-Mecânico. É preciso construir amenidades e sustentabilidade ambiental a fim de estimular o desenvolvimento de ecoturismo (para maiores detalhes ver seção 2.4). A final, seu território envolve áreas importantes para conservação ambiental. Vale lembrar que parte significativa do município é uma área de preservação ambiental da Mata Atlântica, passível de ser melhor explorada. Além disso, a fim de aproveitar vantagens já existentes, cabe incentivar um indústria de Alimentos e Bebidas com base na produção agrícola local (em especial, beneficiamento de goiaba com produção de geléias e conservas) e em suas vantagens para atividades intensivas em uso de água (oferta de água expressiva). Destaca-se que sua proximidade com o COMPERJ é um fator competitivo importante, porém considera-se que, a princípio, seja circunscrito a vizinhança do empreendimento. Afinal, apensar de ser um município com baixa densidade populacional, tem poucas áreas disponibilizadas para novas ocupações econômicas e é cortado por gasodutos e linhas de distribuição de energia. Além disso, é fundamental a realização de investimentos para superar sua falta de infraestrutura para melhor escoamento da produção. Guapimirim ⇒ A questão-chave exige uma reestruturação econômica a fim de aproveitar melhor outras oportunidades que aquelas oferecidas pela indústria produtora de papel (com considerável passivo ambiental). Destaca-se seu potencial para o ecoturismo e atividades residenciais.

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Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato tanto do Complexo Químico-Farmacêutico quanto do Complexo Metal-Mecânico. É preciso construir amenidades e sustentabilidade ambiental a fim de estimular o desenvolvimento de ecoturismo (para maiores detalhes ver seção 2.4). A final, seu território envolve áreas de manguezal e áreas importantes para conservação ambiental. Destaca-se que sua proximidade com o COMPERJ é um fator competitivo importante, porém considera-se que, inicialmente, sem grandes efeitos multiplicadores. Afinal, sua principal via para expansão econômica ainda é a RJ-122, na qual se encontras as principais áreas livres disponibilizadas. Destaca-se que a RJ-122 tem entroncamento com o Arco Metropolitano em Magé. Isso demonstra a importância de articular Magé não só ao desenvolvimento da Área de Estudo 2, mas também a Área de Estudo 3. Maricá ⇒ A questão-chave é dinamizar o perfil já existente voltado para o turismo náuticooceânico. Destaca-se seu potencial em prestação de serviços locais e atividades residenciais, ambas sustentadas pelo efeito multiplicador da renda urbana em termos regionais. Além disso, deve estimular a maior competitividade das atividades relacionadas à pesca. Merece ser mais discutida as possibilidades reais em segmentos metal-mecânicos. Trata-se de uma parcela do espaço de espraiamento não imediato tanto do Complexo Químico-Farmacêutico quanto do Complexo Metal-Mecânico. É preciso construir amenidades e sustentabilidade ambiental, já que possui áreas importantes para preservação ambiental. Segundo P5, P6 e P7 do AAE, observa-se ecossistemas conservados, porém ainda desprotegidos, particularmente ao redor de suas lagoas. Nesse sentido, torna-se fundamental sérios investimentos na despoluição das águas e em infraestrutura urbana (em especial, saneamento), evitando uma ocupação desordenada do território. Além disso, destaca-se a importância de desenvolver turismo náutico-oceânico (para maiores detalhes ver seção 2.4), bem como incentivar sua indústria de produtos de pescado. A princípio, sua capacidade de alavancar uma profunda alteração de seu perfil econômico merece ser mais discutida. Nesse ponto, a maior exploração do aeroporto municipal é um fator relevante. Contudo, considera-se o projeto do “Pólo Naval de Jaconé” (que inclui a construção 552

de um estaleiro) ainda carecendo de melhor avaliação de sua viabilidade efetiva. Afinal, é uma área particular (pertence ao grupo Brokefields e Braskan) que depende de ser negociada, e o investimento para a adequação das condições marítimas é considerável por não se encontrar em águas abrigadas. Caso esse projeto seja executado (Grupo Mendes Júnior e Grupo Restis demonstraram interesse) somando ainda a possível construção de uma fábrica de turbinas e motores de navios (projeto da Daihatsu), Maricá tenderia a se beneficiar mais diretamente dos efeitos multiplicadores do Complexo Metal-Mecânico na Área de Estudo 3.

4.3.5. Potencial turístico na Área de Influência do Arco Metropolitano
Com base nas informações obtidas em visitas realizadas aos municípios da região de influência do Arco Metropolitano, é possível observar algumas potencialidades (ou mesmo aptidões) turísticas, necessariamente mal exploradas, e que dependem de uma política integrada de desenvolvimento. Além do fato de ser um grande gerador de emprego, renda e de lazer, na maioria das vezes sustentável do ponto de vista ambiental, o turismo traz consigo, como característica principal, o aumento da auto-estima do local ou região de influência. Nesse sentido, o desenvolvimento do turismo deve ser entendido como uma questão fundamental para a região de influência do Arco Metropolitano. Ocorre que, para o aproveitamento pleno dessas vantagens, é fundamental que se discuta a geração de produtos e o aprimoramento de estratégias, dando especial atenção à equalização do déficit de infraestrutura observado. É de suma importância, portanto, que a gestão pública tenha papel destacado no fortalecimento do turismo, criando condições básicas para o surgimento, manutenção e potencialização de atrativos existentes. Chama atenção questões referentes aos municípios de Mangaratiba, Nova Iguaçu, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Maricá e Niterói, e, em menor grau, os municípios de Magé, Mesquita e Tanguá. Mangaratiba Está na zona de influência direta dos empreendimentos da parte sul da Área de Estudo 1, embora não se beneficie com a possibilidade de instalação de empreendimentos industriais. É 553

um Município que conta com uma série de belezas naturais, com 120 praias, 15 ilhas e 54 km de orla, além de encostas de serras com extensas áreas verdes e de proteção ambiental. Vale destacar, ainda, que é justamente lá o principal meio de acesso à Ilha Grande, famosa e muito procurada pelos turistas por sua beleza exuberante. Em outras palavras, o turismo em Mangaratiba tem grande potencial de expansão para a exploração ecológica das praias e do oceano, bem como o aproveitamento do Parque Estadual do Cunhambembe e dos demais parques ecológicos do Município, oferecendo, inclusive, múltiplas opções de lazer para o próprio cidadão. Nesse ponto, vale destacar que a dinâmica esperada para a região nos próximos anos fortalece Mangaratiba como opção de moradia, pois oferece plenas condições de receber o trabalhador da Área de Estudo 1. Sob a hipótese de haver melhoria significativa de infraestrutura e de serviços sociais básicos, que atualmente são precários, espera-se que Mangaratiba passe a oferecer condições, também, para que cidadãos de terceira idade optem por morar no Município. Nova Iguaçu O principal potencial turístico de Nova Iguaçu está ligado à Reserva Biológica do Tinguá, uma extensa área de Mata Atlântica ainda preservada e com importante componente históricocultural. Há, também, a Serra do Vulcão, no Maciço do Mendanha, no limite com o município vizinho de Mesquita, outra importante área verde onde já funciona o Parque Municipal de Nova Iguaçu que, embora tenha esse nome, é de administração conjunta. Destaca-se, ainda, que, somadas, as áreas verdes chegam a um terço do território municipal. A Reserva Biológica do Tinguá possui interessantes recursos naturais, como rios e matas preservadas, que favorece o turismo ecológico, como visitação controlada, trilhas e caminhadas. No que se refere ao turismo histórico-cultural, a área onde se localiza a reserva possui sítios arqueológicos, igrejas históricas e construções seculares que têm potencial sensível de exploração. Entre elas, destacam-se: o Iguaçu Velho, primeira sede do Município; a Igreja matriz de Nossa Senhora da Piedade, construção do século XVII; o cemitério de Nossa Senhora do Rosário, de 1875; o Porto do Iguaçu, um porto fluvial onde a produção agrícola da região e o ouro eram embarcados; a Estrada Real do Comércio, utilizada para escoamento do 554

café produzido no médio vale do Paraíba do Sul no século XIX; e a Fazenda São Bernardino, do século XVIII. O Maciço do Mendanha, onde se localiza o Parque Municipal de Nova Iguaçu, é utilizado, principalmente, para a prática do vôo livre. O acesso ao Parque, uma das poucas opções de lazer na região, no entanto, é feito pelo município de Mesquita e é precário, além de oferecer pouca segurança. O território de Nova Iguaçu conta, ainda, com diversas igrejas e capelas seculares, de importância destacada nos diversos ciclos econômicos do país (ouro e café, principalmente), que deve ser observado, de maneira complementar, à utilização da reserva do Tinguá para o turismo histórico-cultural. Guapimirim Guapimirim é área de influência direta dos investimentos estruturantes da área 3 e possui 70% de seu território em área de proteção ambiental, além de uma área verde com participação ainda maior. Dessa forma, o potencial turístico do Município é baseado, principalmente, na exploração do ecoturismo nas suas cinco áreas de proteção ambiental e três parques. No Parque da Serra dos Órgãos, criado em 1839, se localiza o Dedo de Deus, um dos principais pontos turísticos da região, observável do Mirante do Soberbo, na divisa com Teresópolis. O Parque já oferece infraestrutura para caminhadas, escaladas e trilhas ecológicas, atividades amplamente exercidas na região. Outro destaque são as cachoeiras, abundantes no Município, com destaque para as quedas d’água do Rio Soberbo, a cachoeira do Véu da Noiva e as cachoeiras do Parque da Serra da Caneca Fina. O Parque Estadual dos Três Picos, que abrange os municípios de Guapimirim, Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo e Teresópolis, também é um importante ponto de potencial turístico pouco aproveitado onde, inclusive, já se cogita criar uma Zona Especial de Turismo no contexto da Serra Verde Imperial.

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Destaca-se, ainda, que Guapimirim possui uma imensa área de manguezais, de rara beleza, com centenas de espécies de animais, com potencial para o ecoturismo aos moldes, e guardadas as devidas proporções, do realizado no Pantanal. Outro ponto relevante é a distância do Município para o COMPERJ, de apenas oito quilômetros, que poderá transformar Guapimirim numa importante opção de moradia para os trabalhadores da região. A infraestrutura do local, principalmente de água e esgoto, no entanto, ainda não oferece condições de receber uma ampliação significativa no contingente populacional. Cachoeiras de Macacu Cachoeiras de Macacu possui potencial praticamente inexplorado para o ecoturismo. Cerca de 65% do município representam uma área preservada de Mata Atlântica, com fontes de água doce, belezas naturais e mais de setenta cachoeiras, oferecendo opções de prática de esportes de aventura, caminhadas e trilhas ecológicas. Há, no entanto, poucas opções de hotéis, pousadas e circuitos bem definidos, embora a gestão pública local tenha empreendido algum esforço na divulgação do turismo no Município. Nesse sentido, inclusive, há a previsão de criação de uma Zona Especial de Turismo na região do Parque dos Três Picos, que abrande outros municípios vizinhos, no contexto da Serra Verde Imperial. Há, também, um projeto de criação de um parque industrial “verde”, ou Eco Parque, onde se instalariam empresas pouco poluentes, que dividiriam espaços com empreendimentos voltados para a exploração do turismo, tanto na prestação de serviços de hospedagem, quanto na produção de artefatos diversos voltados para o mercado consumidor gerado pelo aumento do turismo. Cachoeiras de Macacu, embora tenha boa parte de seu território ocupado por pequenos sitiantes, também pode vir a se transformar numa alternativa de moradia fixa para os trabalhadores da região, especialmente os do COMPERJ, uma vez que este se localiza na fronteira com Itaboraí, dividido, apenas, pelo Rio Macacu. Assim como Guapimirim e demais municípios da região, há necessidade de consideráveis investimentos em infraestrutura, dado o passivo acumulado. Cachoeiras de Macacu, embora

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tenha abundância de água nos rios e nascentes, tem deficiências na distribuição de água e, consequentemente, no esgotamento sanitário. Maricá Maricá é zona de influência indireta dos projetos estruturantes da área de planejamento 3. O Município já vem sendo alvo de sensível especulação imobiliária, com o transbordamento da pressão por moradia na fronteira com Niterói, até mesmo por conta da oferta de terrenos de mais baixo custo. Há, no local, diversas praias oceânicas, algumas de difícil uso turístico, exceto para o surf, para esportes de aventura e turismo náutico. Entretanto, Maricá possui a particularidade de ter, ocupando um percentual considerável do território municipal, lagoas com potencial para exploração. São, ao todo, cinco lagoas de grandes proporções, cada qual com suas particularidades, porém com grau de poluição preocupante, dado que boa parte da população está instalada no entorno dessas lagoas, mas apenas 3% do Município possui rede de coleta de esgotos. Em suma, a exploração plena do turismo no local depende, necessariamente, de um programa bem estruturado de despoluição das lagoas, especialmente a Lagoa de Maricá. Destaca-se, também, a presença de uma das últimas áreas de restinga preservadas na região de influência do Arco Metropolitano, reserva biológica e banco de sementes importante, que também pode ser explorado para o turismo ecológico, com caminhadas e passeios dirigidos ao local. Essas belezas naturais e a abundância de áreas para abrigar construções de luxo, já despertaram o interesse de grandes redes hoteleiras, em especial os resorts, e alguns já procuraram se instalar na região. O último grande empreendimento a tentar a instalação foi uma empresa espanhola, que pretendia construir um resort de grandes proporções, sem, no entanto, obter êxito. Outro fator que contribui com o desenvolvimento da atividade turística reside no fato de que Maricá possui, ainda, um aeroporto com uma pista com mais de mil metros, autorizado para pousos e decolagens de pequenas aeronaves, e um heliporto com toda a infraestrutura instalada. A presença do aeroporto e do heliporto, somado ao crescimento imobiliário e ao 557

interesse de grandes construtoras e redes hoteleiras, pode gerar uma mudança no perfil do turismo na região. Além disso, Maricá poderá se transformar, no futuro, numa clara opção de moradia para o COMPERJ, dado a questão aeroportuária e a qualidade das habitações em construção, desde que seja feito um esforço para cobrir o déficit de infraestrutura, principalmente na pavimentação, distribuição de água e coleta de esgotos. Niterói Cercado de praias de beleza exuberante, Niterói tem um potencial baseado, principalmente, na exploração do turismo oceânico. São cerca de 11 km de litoral, entre praias de baía e praias oceânicas, freqüentadas , especialmente, por turistas de municípios vizinhos, além de parques, reservas, fortes, monumentos históricos e o Museu de Arte Contemporânea (MAC). Entre os destaques estão: a praia de Icaraí, onde são realizados boa parte dos eventos promovidos em Niterói; Itacoatiara, praia na região oceânica que possui águas azuis e vegetação preservada, com potencial de exploração para esportes radicais como o surf; Itaipu, também na região oceânica e que, pela sua conformação rochosa, apresenta águas calmas, além de comércio que cresceu em torno da vila de pescadores existente no local; e Camboinhas, extensão de Itaipu, um recanto bastante procurado por velejadores. Além disso, a cidade foi, durante décadas, fortificação militar utilizada na proteção da Baía de Guanabara, o que lhe rendeu uma herança histórica de instalações militares, como os fortes de Imbuí e Barão do Rio Branco, de 1567; a Fortaleza de Santa Cruz, utilizada como fortaleza a partir de 1612; Forte do Pico ou São Luiz, 1715; e o Forte do Gragoatá, construído no início do século XVIII. Todos os forte estão, atualmente, abertos à visitação turística. A região oceânica guarda, ainda, belezas naturais com potencial para o turismo náutico e o ecoturismo, como as Lagunas de Itaipu, em área de preservação ambiental, onde se pratica windsurf e Jet-ski; e a Laguna de Piratininga, também em área de preservação ambiental, onde se observa a navegação de pequenas embarcações e Jet-skis. Completando a ligação entre o mar e a natureza preservada, há, ainda, parques e reservas abertos à visitação. Nesse sentido, destaca-se o Parque da Cidade, uma reserva biológica e florestal que fica a uma altitude de 270 metros, que permite visão panorâmica de toda a cidade, 558

inclusive das praias da região oceânica do município, e onde se encontra uma rampa de vôo livre. Por fim, a orla do Município na região do centro conta com o Caminho Niemayer, um conjunto de construções projetadas pelo arquiteto que culmina no Mirante da Boa Viagem, onde está o Museu de Arte Contemporânea. Casos especiais: Magé, Mesquita e Tanguá Magé, Mesquita e Tanguá se enquadram em casos especiais, pois possuem potencial turístico que poderá ser explorado em comunhão com o fortalecimento do turismo em municípios vizinhos. Novamente, é fundamental que se avalie o desenvolvimento de potencial e integrado de determinada região, observando que existe, quase sempre, algum grau de similaridade (e porque não de complementaridade) nas atividades turísticas que precisam ser associadas. Magé possui grau de complementaridade alto ao turismo praticado em Guapimirim, dado que possui uma considerável área verde nas divisas com aquele Município e na divisa com Petrópolis, que guardam, além de belezas naturais, algumas construções seculares, como a primeira estrada de ferro do país. Não seria justo, portanto, pensar em desenvolver o turismo na chamada Serra Verde Imperial, sem que se observe que Magé é parte integrante desse contexto, embora tenha um déficit de infraestrutura e serviços sociais que o deixa aquém dos demais municípios da região. O fomento ao turismo integrado pode reverter o isolamento histórico de Magé, trazendo-o para uma nova realidade de auto-estima ampliada. Mesquita é um Município que possui mais de 50% de seu território dentro de uma área de proteção ambiental, que é, justamente, a Serra do Mendanha, onde se localizam o Parque Municipal de Nova Iguaçu, de administração conjunta entre Mesquita e Nova Iguaçu, e onde se pratica, de forma desorganizada, o turismo ecológico e o turismo de aventura, como o vôo livre. Tanguá sempre esteve sua história ligada ao do Município vizinho de Itaboraí, que foi, durante boa parte do último século, um grande produtor de laranja. Tanguá herdou, portanto, fazendas de laranja e grandes plantações. Nesse sentido, já existe, tanto em projeto quanto em início de exploração, o desejo de consolidar o turismo rural, com a visitação nas plantações e fazendas presentes no Município, que seria chamado de “circuito da laranja”, onde o visitante passaria o dia conhecendo a história da plantação de cítricos no Estado, visitando casarios históricos e consumindo os derivados da laranja, como doces em compotas, produzidos na região. 559

4.3.6. Condições de Vida
Espera-se que a criação de um número significativo de empregos na região repercuta sobre a demanda de habitação, dados os déficits habitacionais existentes na RMRJ. Da mesma forma, estima-se uma pressão maior sobre a infraestrutura de educação disponível e sobre os níveis de qualidade de ensino, sendo relevante registrar que o problema educacional na região envolve aspectos significativos de qualidade do ensino básico, não se restringindo aos aspectos quantitativos da questão, como, por exemplo, as taxas de repetência, reingressos e evasões. Outro segmento que sofrerá pressões são os serviços de saúde, principalmente quanto ao número de unidades hospitalares disponíveis, indicando a necessidade da adoção de medidas estratégicas objetivando o aumento da oferta desses recursos e a garantia, em tempo oportuno, de atendimento eficiente e abrangente à população. Também são antevistos riscos de aumento dos níveis de violência urbana, caso se intensifiquem processos de favelização e de ocupações subnormais na região, gerando novos focos de concentração de pobreza. Os serviços de saneamento ambiental – água, esgoto, drenagem urbana e resíduos sólidos – também deverão sofrer aumento das demandas, em decorrência do aporte de população ou mesmo mudança espacial de concentrações populacionais, e em virtude da implantação de grandes empreendimentos industriais. A questão do abastecimento de água pode se tornar crítica em alguns municípios da Baixada Fluminense, em que os níveis de cobertura dos serviços ainda são baixos, tais como em Mesquita e Nova Iguaçu. Em Paracambi, a CEDAE abastece cerca de 80% da população; em Seropédica, informações colhidas no município referem problemas com a qualidade da água fornecida pela CEDAE. No município de Itaguaí, que deverá receber um montante significativo de novos investimentos, informações locais dão conta de que apenas 30% da população é abastecida pelos sistemas da CEDAE.

560

Quanto à coleta e tratamento de esgotos, a situação é ainda mais grave, pois o nível de cobertura dos serviços é muito baixo, repercutindo negativamente na qualidade da água da rede de drenagem e mesmo de mananciais de abastecimento público.

5.4. Governança
As Prefeituras Municipais da região, com destaque aos municípios que receberão os investimentos Objeto AAE e àqueles que se apresentam com maior potencial para absorver a expansão da capacidade (Núcleo Potencial Referência) produtiva e da população, como Itaguaí, Seropédica, Queimados, Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Itaboraí, serão pressionadas pelo aporte de novas receitas e pelas demandas dos serviços das áreas de saúde, habitação e educação. Embora os arquétipos de governança municipal, discutidos no Produto 2, tenham sido considerados com um dos critérios de seleção desses municípios, justamente por identificarem aqueles com as maiores fragilidades de gestão financeira ou com melhor potencial de governança, nem todos apresentam performance suficiente para dar conta das novas demandas antevistas. Diante das novas dinâmicas e desafios na região, os instrumentos de gestão municipal podem se tornar obsoletos e ineficazes, como, por exemplo, os Planos Diretores Municipais que foram elaborados sem considerar a implantação do Arco Metropolitano, tal como ocorre com o município de Seropédica, que, conforme indicado anteriormente, muito provavelmente sofrerá um estrangulamento de sua área urbana. Em alguns municípios, as áreas urbanas poderão sofrer um aumento da densidade populacional – Itaguaí, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Seropédica, Queimados – e em outros, poderá haver a expansão da ocupação de novas áreas, como é o caso de Itaboraí, Japeri, Paracambi e Rio Bonito.

561

6.

SISTEMA DE INDICADORES E MODELO DE GESTÃO

6.1 Apresentação
Este capítulo apresenta os produtos 2,3,4 e 5 do Componente 4 - “Sistema de Indicadores e Modelo de Gestão” do Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Sustentável da Meso-Região do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, que adiante será denominado apenas por Plano Diretor. Sua elaboração atende especificações do Contrato 040/2008 entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Consórcio Tecnosolo e ARCADIS Tetraplan, conforme solicitação de Propostas SDP N 01/08 da Unidade de Gerenciamento de Programas – UGP, seguindo as indicações do Termo de Referência - TR, e do Plano de Trabalho (Produto 1) deste Plano Diretor, abordando especificamente os escopos que tratam sobre a construção do Sistema de Indicadores e do Modelo de Gestão. Observando ao que foi previsto no Plano de Trabalho, neste capítulo são apresentados os produtos 2 a 5 do Componente 4, que especificamente abordam as seguintes atividades: apresentação da estrutura física e conceitual do modelo do Sistema de Indicadores e as fases da formação do Sistema de Indicadores; Uma levantamento dos conceitos e antecedentes do processo de gestão metropolitana, acompanhado de levantamento dos modelos de arranjos institucionais para a gestão metropolitana no Brasil, e uma revisão histórica do processo de gestão da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) e uma proposta de um arranjo institucional para a Gestão Metropolitana. Ampliando as funções inicialmente previstas, o Componente 4 desenvolverá um papel integrador dos estudos e diretrizes propostas nos componentes anteriores, onde será formado um sistema gerenciador de banco de dados georreferenciado das informações levantadas e produzida no desenvolvimento dos estudos deste Plano Diretor. Os dados utilizados para a formação do banco de dados do Sistema de Indicadores Metropolitanos foram obtidos de duas fontes básicas: (i) dos demais componentes que compõem este Plano Diretor, em especial do Componente 1 – Avaliação Ambiental Estratégica, Componente 2 – Política de Desenvolvimento Urbano, e Componente 3 – Política de Desenvolvimento Econômico e Social; e (ii) das reuniões e levantamentos realizados junto aos municípios que compõem a área de abrangência do Arco Metropolitano, no âmbito da Avaliação Municipal Participativa. A Avaliação Municipal Participativa foi um componente desenvolvido de forma complementar aos seis componentes previstos, com o objetivo de buscar a inserção dos 562

municípios na discussão da questão metropolitana e no processo de elaboração do Plano Diretor. Possibilitando captar as oportunidades e fragilidades locais frente ao novo cenário regional, identificando suas principais demandas. Além dessas duas fontes básicas de dados, foram realizados levantamentos complementares para completar a base de dados necessária para a produção dos indicadores metropolitanos. Entende-se que o Sistema de Indicadores será uma ferramenta ancora para a divulgação e monitoramento dos resultados na busca para o desenvolvimento sustentável da região abrangida pelo Arco Metropolitano. O sistema servirá de suporte para o monitoramento da carteira de ações temáticas sugeridas pelos estudos, possibilitando a tomada de decisão, visando corrigir os rumo das políticas regionais e planejamentos territoriais, através de uma gestão integrada da região do Arco Metropolitano. Para a construção do modelo de gestão do Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Sustentável da Meso Região do Arco Metropolitano foram revistos os conceitos de: Região Metropolitana e sua legislação específica; Os contextos regionais e locais das características deste território, abordando sua estrutura organizacional e funcional; Quais os tipos de arranjos institucionais para a Gestão Metropolitana; Quais os instrumentos, e mecanismos legais e administrativos atribuídos as Regiões Metropolitanas. Neste produto serão abordados os temas acima citados de forma a construir um panorama geral, o qual servirá de base para a elaboração do modelo adotado por este Plano Diretor, o qual será definido nos próximos produtos deste componente. O capítulo está estruturado em seis seções, incluindo esta apresentação. A segunda seção aborda o tema da Gestão Metropolitana e seus modelos. Nesta seção são abordados o conceito e os antecedentes históricos da Gestão Metropolitana no Brasil. Ainda nesta seção esta uma revisão sobre os modelos de arranjos institucionais para a Gestão Metropolitana adotados no Brasil. A seguir apresenta-se um levantamento da legislação específica sobre Regiões Metropolitanas e uma apresentação das regiões metropolitanas Brasileiras e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Na terceira seção são vistos: os passos para a seleção de indicadores, uma metodologia de classificação em níveis hierárquicos dos indicadores, a apresentação do modelo conceitual DPSIR de estrutura sistêmica de monitoramento e interrelação dos indicadores e a primeira fase da formação dos indicadores metropolitanos. Na quarta seção é apresentada a estrutura conceitual e lógica do funcionamento e montagem do banco de dados espacial e dos indicadores metropolitanos, estruturado para ser utilizado em conjunto com um sistema via web com a possibilidade de usar o banco com um sistema de informações 563

geográficas (SIG). Na quinta seção é exposto a estrutura analítica de todos os dados e indicadores utilizados para a construção do sistema de indicadores do Plano Diretor do Arco Metropolitano, considerando os dados obtidos e gerados em todos os componentes do Plano Diretor, assim como as informações estruturadas das reuniões municipais participativas. A sexta e ultima seção contem um o levantamento das bibliografias utilizadas para a realização deste documento. Por final tem um apêndice que contém o código para criar o banco de dados.

564

6.2 Modelo de Gestão
A implantação do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro (Figura 6.1) e do conjunto de empreendimentos de grande porte, na sua área de abrangência, promoverá oportunidades estratégicas de desenvolvimento no Estado do Rio de Janeiro. Nesse sentido, é essencial a identificação dos diversos rebatimentos daí decorrentes, e que acarretarão em forte impacto sobre a dinâmica ambiental, social, econômica e urbana dessa região. Assim, a articulação e o equilíbrio entre as ações inerentes à implantação dos empreendimentos permitirão o melhor aproveitamento das oportunidades e o controle dos impactos sobre a população e sobre o território.

Figura 6.1 - Mapa da Área de Influência do Arco Metropolitano e o Traçado do Arco Metropolitano

Sobre essa perspectiva é fundamental a elaboração de um Modelo de Gestão e de um conjunto de indicadores que permitam ao Governo do Estado o efetivo acompanhamento e avaliação das ações públicas e privadas desenvolvidas na região.

De acordo com o Termo de Referência o objetivo geral do componente Modelo de Gestão é: “conceber um Modelo de Gestão Institucional – envolvendo Governo Federal, Estadual e os Municípios – a ser coordenado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, com a participação dos 565

atores econômicos e sociais e agências de fomento e desenvolvimento envolvidos ou atingidos pelas dinâmicas previstas, a partir da implantação do Arco Metropolitano. Tal modelo, centrado em coordenação e colaboração e orientado para resultados, deverá identificar competências e responsabilidade desenvolvidas, linhas de ação, políticas, processos e projetos de natureza pública e privada que, estrategicamente, propiciem o melhor desempenho em relação às oportunidades e compensação dos riscos vinculados aos empreendimentos”. Para alcançar este objetivo e viabilizar um conjunto de intervenções congruentes e complementares no desenvolvimento da região de abrangência do Arco Metropolitano, o planejamento deverá buscar um Modelo de Gestão capaz de incentivar a gestão compartilhada, respeitando os limites de cada esfera de governo. Para atingir tal meta, de acordo com a política nacional para áreas metropolitanas, os principais desafios1 que se colocam são: Aumentar a eficiência e a eficácia dos investimentos do Governo Federal, articulados com as diretrizes dos Governos Estaduais e Municipais, em consonância com os princípios de autonomia e descentralização. Enfrentar o tema integrando regionalmente o planejamento urbano, a provisão de serviços públicos e a promoção do desenvolvimento territorial, de forma a lidar com o aprofundamento de problemas de exclusão social, reestruturação produtiva, degradação do meio ambiente e mobilidade urbana. Estabelecendo um novo marco de ação e cooperação intermunicipal, integrando as ações e investimentos situados em distintos setores e escalas de governo. Viabilizar a participação da comunidade em instâncias regionais, para consolidar os planos e intervenções propostas, incentivando a articulação com as ações locais. O modelo de gestão a ser desenvolvido busca o aperfeiçoamento da gestão institucional com participação social, treinamento e capacitação dos agentes institucionais, identificando as devidas

1

Rolnik,R.Novas perspectivas para a gestão metropolitana, O papel do Governo Federal, Ministério das Cidades, in

www.conferencia.cidades.pr.gov.br/download/documentos/desafio_da_gestao.pdf

566

competências e responsabilidades. Os diversos municípios envolvidos, e demais atores da administração pública direta e indireta, bem como instituições privadas e entidades civis de representação deverão participar de um conjunto de ações, coordenadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, planejadas e orientadas de modo a viabilizar o interesse regional. A implantação desse modelo de gestão deverá dirigir as intervenções projetadas a nível local e regional, de modo a esclarecer a congruência dos objetivos comuns, explorando efeitos sinérgicos positivos e compensando deficiências entre os municípios envolvidos. Para isso, de acordo com o Termo de Referência, o Modelo de Gestão deverá atender aos seguintes propósitos: Buscar comprometer os órgãos públicos de todas as esferas e as empresas privadas que atuem na região com os objetivos definidos no Plano Diretor; Criar instrumentos que induzam à fiscalização, ao disciplinamento e ao controle da ocupação do solo e uso dos recursos da região; Gerenciar as ações propostas no Plano Diretor; Verificar a necessidade de adequação dos Planos Diretores Municipais existentes, de forma a viabilizar as propostas regionais do Plano Diretor do Arco Metropolitano; Monitorar todos os projetos e intervenções na região, com a finalidade de maximizar os seus efeitos positivos e compensar impactos negativos decorrentes de sua implantação; Viabilizar a execução dos projetos e intervenções com vistas a alcançar os resultados almejados, a prevenir os impactos e a conduzir o desenvolvimento sustentável da região ao cenário desejado; Manter e operar o sistema de monitoramento e avaliação; Qualificar de gerentes para suprir a equipe responsável pela gestão do Plano Diretor e pelo desenvolvimento das ações. Considerando que grande parte dos municípios que compõe a região de estudo, são integrantes da região metropolitana do estado do Rio de Janeiro (Lei Complementar Nº 133, de 15 de Dezembro de 2009). O modelo de gestão a ser estudado deverá se aproximar das características de uma gestão metropolitana. Sendo este um dos aspectos gerais determinados pelo termo de referência para um modelo de gestão, que resulta no “estabelecimento do desenho da gestão metropolitana, arranjo institucional no qual o Estado reassume o seu papel constitucional de organização, harmonização e integração das ações, dentro de um contexto de responsabilidades compartilhadas com a União e os Municípios”. Desta forma, os objetivos e desafios a serem alcançados pelo modelo de Governança Metropolitana a ser adotado para coordenar as ações deste Plano Diretor vão além daqueles definidos para atender as demandas deste Plano Diretor. 567

O entendimento da dinâmica metropolitana, de seus problemas e de suas desigualdades espaciais são estratégicos para viabilizar a concordância das ações, programas e projetos definidos pelo Plano Diretor e as demandas metropolitanas necessárias para o desenvolvimento sustentável e o ordenamento territorial da Região.

6.2.1 Regiões Metropolitanas: conceitos e antecedentes.
As Regiões Metropolitanas se apresentam como grandes conurbações urbanas, provocadas pela expansão urbana de municípios vizinhos e pela comunicação econômico-social entre cidades (Guimarães, 2004). Citando Eros Roberto Grau (1983), as Regiões Metropolitanas, são definidas como: “Conjunto territorial intensamente urbanizado, com marcante densidade demográfica, que constitui um pólo de atividade econômica, apresentando uma estrutura própria definida por funções privadas e fluxos peculiares, formando, em razão disso, uma mesma comunidade sócio-econômica em que as necessidades específicas somente podem ser de modo satisfatório, atendidas através de funções governamentais coordenadas e planejadamente exercitadas. Para o caso brasileiro, admite-se que as Regiões Metropolitanas são um conjunto, com tais características, implantado sobre uma porção territorial dentro da qual se distinguem várias jurisdições políticos – territoriais contíguas e superpostas entre si – Estados e Municípios”. As Regiões Metropolitanas apresentam questões de ordem comum que estão relacionadas às atividades exercidas em seus espaços urbanos, estas atividades tratadas em conjunto configuram as funções urbanas metropolitanas. Estas atividades são regidas por sujeitos e produzem bens e serviços. Tanto os sujeitos, quanto os bens e serviços se transferem de um município para o outro, ultrapassando os limites territoriais dos municípios. Estes movimentos são viabilizados por canais de comunicação entre as cidades, estes canais de comunicação configuram a rede de infra-estrutura que viabiliza estes movimentos. Nas Regiões Metropolitanas estes movimentos configuram relações entre os municípios através de uma rede interligada por suas infra-estruturas, por onde se operam os fluxos de suas atividades (Grau, 1983 apud Guimarães, 2004, p. 2.) Neste contexto em que as relações e a amplitude das várias funções e fluxos estabelecidos em todo o complexo urbano se expandem para além dos limites municipais considerados, observa-se emergir uma estrutura, a qual estas funções e fluxos estabelecidos exigem à necessidade de novos mecanismos comuns que integrem de forma organizada as funções urbanas, através de redes de infra-estruturas interconectas e funcionais por onde ocorrem os fluxos de informações, pessoas, bens e serviços entre as cidades (Guimarães, 2004). 568

À medida que as autoridades administrativas municipais não possuem as condições para atender a expansão da demanda pelos serviços públicos, originada pela relação de trocas e fluxos entre os grandes aglomerados urbanos, verifica-se o choque entre as estruturas municipais, agravado pela multiplicidade dos centros de decisão político administrativo da região. Deste fato, origina-se a necessidade do surgimento de novos centros de decisões administrativas e empresariais com o foco em decisões a níveis mais distantes daqueles ligados aos interesses exclusivamente locais. (Guimarães, op. cit.). As externalidades e os problemas metropolitanos são de acordo com Guimarães (2004), “... conseqüência do crescimento acelerado e com indesejada normalidade no dia a dia das Regiões Metropolitanas, a escassez de serviços sanitários, deficiências de moradia e serviços básicos, falta de segurança e degradação ambiental, além da vulnerabilidade a acidentes e desastres naturais. É a cidade explodindo em si mesma, expandindo-se sem limites”. Diante deste quadro fica evidente que a “Crise Urbana” e o desafio Metropolitano são no Brasil objeto de interesse e preocupação, o qual deve ser pensado como uma oportunidade de reverter este quadro de deterioração instalado e desenvolver e destacar as experiências de sucesso mais consistentes e duradoras para os problemas identificados (Souza, 2010). O processo de metropolização se configura pelo expressivo adensamento populacional em razão da dinâmica da economia, da produção técnica e do conhecimento, e da diversidade do trabalho, mas também com a expansão física dessas aglomerações em área contínuas de ocupação. São características comuns as regiões metropolitanas a alta densidade populacional, concentração de atividades econômicas, volumosos fluxos de circulação de pessoas, mercadorias e serviços, e pela existência de uma unidade principal, que se destaca pelo tamanho populacional e a densidade econômica, desempenhando funções complexas e diversificadas e relacionando-se com outros espaços urbanos no país e no exterior (Observatório das Metrópoles, 2009). Nesse processo de metropolização, as cidades latino-americanas observam o deslocamento de indústrias e a instalação de serviços na periferia: ao ampliar-se, a área urbanizada ocupa novos territórios em espaços por vezes de baixa densidade, com alto custo de deslocamento da população e de mercadorias e de oferta e manutenção de serviços públicos (Rojas 1993, p.35 apud Garson, 2007). As metrópoles brasileiras são “ao mesmo tempo uma escala fundamental das questões sociais brasileiras e órfãs do interesse público” (Ribeiro, 2004, p. 23). Apesar de sua importância, essas áreas não se constituem em territórios de desenvolvimento de políticas públicas específicas. Isso 569

põe em relevo a discussão de ferramentas, mecanismos, instrumentos e ordenamentos para que esses territórios sejam governáveis, permitindo estruturar e implementar políticas públicas e ações coletivas para o seu desenvolvimento. Com o intuito de sistematizar as discussões sobre os modelos de governança metropolitana, e contribuir para a construção de mecanismos que viabilizem a governabilidade destes territórios Lefèvre (2005, pág. 200), diferencia os modelos de governança pela capacidade de dotar as áreas metropolitanas de ferramentas, mecanismos, instrumentos e ordenamento, em duas grandes categorias de governança: (i) A primeira categoria se produz a partir de uma autoridade pública metropolitana, podendo ser uma unidade de governo local ou um organismo metropolitano, formado pela cooperação entre governos locais. (ii) A segunda categoria de governança se dá por meio de arranjos os quais não formam novas unidades de governo, estes se formalizam através de procedimentos e instrumentos específicos de cooperação, sem a presença de uma instituição de governo metropolitana. A cooperação visa melhorar a coordenação de políticas em diferentes setores e com sentido local. Os instrumentos referidos nesta categoria compreendem aqueles específicos desenvolvidos para a coordenação de políticas e cooperação entre os entes públicos. Modelos mais flexíveis que o governo metropolitano, como a cooperação voluntária ganham prestígio, por manter a autonomia dos governos locais. O governo do Estado funciona como coordenador dos municípios. Os Estados dotaram suas regiões metropolitanas de estruturas que podiam incluir Conselhos Deliberativos, Conselhos Consultivos, órgãos estaduais específicos, ainda que não apenas voltados para a problemática metropolitana. Grupos grandes e heterogêneos dificilmente cooperarão de forma voluntária, requerendo incentivos seletivos que os estimulem a agir de forma coordenada. Antes mesmo da definição das bases jurídicas das Regiões Metropolitanas no Brasil, já existiam experiências embrionárias de administrações metropolitanas. O quadro abaixo resume o levantamento realizado por Guimarães (2004) sobre estas iniciativas administrativas das regiões metropolitanas (Tabela 6.1).

570

Tabela 6.1 - Arranjos Institucionais Metropolitanos embrionários anteriores a produção legal para a disciplina jurídica das Regiões Metropolitanas.

Estado

Entidade

Síntese Histórica
Criado pelo Governo do

São Paulo

Grupo Executivo da Grande São Paulo (GEGRAM).

Estado de São Paulo em 29/03/67 a partir de um grupo encarregado de estudar o tema “Metropolização”. Criado por iniciativa da dos área

Municípios

metropolitana por volta de Grupo Executivo da Região Metropolitana (GERM) 1970, como órgão técnico montado pelo Conselho

Porto Alegre

Metropolitano de Municípios, responsável pela elaboração do Plano de Desenvolvimento Metropolitano. Criado pela prefeitura em convênio Federal com de o Serviço e

Habitação

Belém

Sociedade de Economia Mista

Urbanismo (SERFHAU), com o objetivo de o gerir sistema de

tecnicamente metropolitano planejamento. Criado Salvador e Belo Horizonte Grupo ou Conselho pelos

Governos

Estaduais, com o objetivo de atuarem como órgãos de

assessoria técnica. Criado pelo Governo Federal, Grande Rio de Janeiro Grupo de Estudos da Área Metropolitana (GERMET). no caso a iniciativa foi do Governo Federal porque a área metropolitana da cidade

571

Estado

Entidade

Síntese Histórica
do Rio de Janeiro abrangia territórios de dois Estados, impossibilitando que a

iniciativa partisse de cada Estado Isoladamente.

Estas experiências apontam para uma multiplicidade de arranjos institucionais metropolitanos, viabilizada pela iniciativa dos Governos Estaduais. Estas iniciativas são todas anteriores a Constituição de 1967 e a Lei complementar nº14 de 1973, e todas partem de um reconhecimento comum de que a gestão das áreas metropolitanas caberia aos Governos Estaduais, independente das modalidades específicas de administração setorial metropolitana (Guimarães, op. cit.).

6.2.2 Regiões Metropolitanas Brasileiras: Aspectos Jurídicos e seus arranjos institucionais Metropolitanos.
As regiões metropolitanas não eram preocupação na época da Constituição de 1891, e nem eram a realidade do Brasil da época. Pela constituição de 1891 (art. 65 § 1º e art. 48, n. 16) era facultada aos Estados a possibilidade de se lavrarem acordos ou convenções entre si, sem caráter político (Guimarães, 2004, pág. 18). A partir da Constituição de 1934 (art. 9º) os Estados e a União tinham a possibilidade de realizar acordos “... para o desenvolvimento de ações em conjunto de seus serviços...” (Guimarães, op. cit.). Nesta Constituição ainda não se observa manifestação a respeito da regularização e constituição das Regiões Metropolitanas. A Urbanização e processo de metropolização iniciam-se no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Nesta época a política urbana era conduzida pelo governo federal, contando com o suporte de órgãos voltados para o estudo e desenho de políticas, como o Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada – EPEA, atual IPEA. As políticas eram operadas por empresas públicas, subordinadas a diversos ministérios, com recursos e agilidade a sua alocação, como o Banco Nacional de Habitação – BNH. A criação de Regiões Metropolitanas estava relacionada á política nacional de desenvolvimento urbano, a expansão da produção industrial e á consolidação das metrópoles (Observatório das Metrópoles, 2009).

572

A questão metropolitana surge pela primeira vez como tema jurídico específico, através do Art. 164 da Constituição Federal de 1967. No Art. 164 da Constituição Federal esta definido:
“Art. 164. A União, mediante Lei Complementar, poderá, para realização de serviços comuns, estabelecer Regiões Metropolitanas constituídas por municípios que, independentemente de sua vinculação administrativa, façam parte de uma mesma comunidade sócio – econômica”.

A Constituição Federal de 1967 estabelece a possibilidade de criação das Regiões Metropolitanas, mas este ato estava restrito a União, como determinado pela edição do art. 157, § 10 da Constituição Federal de 1967, que determina que a criação das Regiões Metropolitanas seja de competência exclusiva da União, que trataria de regulamentar a proposta mediante Lei Complementar. Nestes artigos não se observa a criação de fontes de recursos para a sua manutenção e nem os arranjos institucionais e administrativos destas unidades territoriais metropolitanas. A constitucionalização da matéria metropolitana atribuída a União, evidência o caráter centralizador do modelo de planejamento pelo governo federal, contando com o trabalho conjunto dos órgãos estaduais responsáveis pela execução e coordenação das políticas setoriais. Em resposta e com o a prerrogativa de atender a Constituição de 1967, estabeleceu-se a Lei Complementar n. 14, de 8 de Junho de 1973, que em rigor se torna a primeira legislação especial a tratar do tema das Regiões Metropolitanas (Guimarães, 2004). A Lei Complementar Nº 14, de 8 de Junho de 1973, estabeleceu na forma do art. 164 da Constituição, as primeiras regiões metropolitanas do Brasil. As regiões metropolitanas referidas nesta Lei foram, as de: São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, Curitiba, Belém e Fortaleza. O Rio de Janeiro não foi incluído na Lei Complementar nº 14 de 1973. Este só teve sua criação decretada em 1974, através da Lei Complementar Federal nº 20/1974. A Lei Complementar nº 14/1973 estabelece as atividades e funções metropolitanas e as responsabilidades e função de um Conselho Deliberativo e Consultivo para estas regiões:
“(...) Art. 2º - Haverá em cada região metropolitana um Conselho Deliberativo e um Conselho Consultivo, criados por lei estadual. § 1º - O Conselho Deliberativo constituir-se-á de 5 (cinco) membros de reconhecida capacidade técnica ou administrativa, nomeados pelo Governador do Estado, sendo um deles dentre os nomes que figurem em

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lista tríplice feita pelo Prefeito da Capital e outro mediante indicação dos demais Municípios integrantes da região metropolitana. § 2º - O Conselho Consultivo compor-se-á de um representante de cada Município integrante da região metropolitana sob a direção do Presidente do Conselho Deliberativo. § 3º - Incumbe ao Estado prover, a expensas próprias, as despesas de manutenção do Conselho Deliberativo e do Conselho Consultivo. Art. 3º - Compete ao Conselho Deliberativo: I - promover a elaboração do Plano de Desenvolvimento integrado da região metropolitana e a programação dos serviços comuns; II - coordenar a execução de programas e projetos de interesse da região metropolitana, objetivandolhes, sempre que possível, a unificação quanto aos serviços comuns; Parágrafo único - A unificação da execução dos serviços comuns efetuar-se-á quer pela concessão do serviço a entidade estadual, que pela constituição de empresa de âmbito metropolitano, quer mediante outros processos que, através de convênio, venham a ser estabelecidos. Art. 4º - Compete ao Conselho Consultivo: I - opinar, por solicitação do Conselho Deliberativo, sobre questões de interesse da região metropolitana; II - sugerir ao Conselho Deliberativo a elaboração de planos regionais e a adoção de providências relativas à execução dos serviços comuns. Art. 5º - Reputam-se de interesse metropolitano os seguintes serviços comuns aos Municípios que integram a região: I - planejamento integrado do desenvolvimento econômico e social; II - saneamento básico, notadamente abastecimento de água e rede de esgotos e serviço de limpeza pública; III - uso do solo metropolitano; IV - transportes e sistema viário, V - produção e distribuição de gás combustível canalizado; VI - aproveitamento dos recursos hídricos e controle da poluição ambiental, na forma que dispuser a lei federal; VII - outros serviços incluídos na área de competência do Conselho Deliberativo por lei federal.

574

Art. 6º - Os Municípios da região metropolitana, que participarem da execução do planejamento integrado e dos serviços comuns, terão preferência na obten