RESGATE VERTICAL: PRINCÍPIOS E PROCEDIMENTOS Leandro Dri Manfiolete¹ - Soldado PMPR Corpo de Bombeiros - Santo Antônio da Platina - PR 1 - Membro

do LEL/DEF/IB/UNESP Rio Claro 1. INTRODUÇÃO

Através dos tempos, o homem buscou desafiar seus limites em ambientes selvagens, na busca de sua sobrevivência, criando mecanismos para melhor se adaptar a ambientes hostis. O medo da altura sempre perseguiu e o desafia como um medo saudável que ante o pânico gerado, deve ser visto com respeito, pois afinal de tudo a gravidade está presente para lembrar quão perigosa pode ser uma queda. Há uma complexidade em se definir locais de ambiente vertical; mas, para melhor compreensão, são lugares que exist a a probabilidade de acontecer algum tipo de ocorrência. Uma e scada enclausurada de um edifício alto, disposta verticalmente, não é um ambiente vertical; mas a marquise de uma loja com um operário preso a ela pode ser considerada um ambiente vertical. Com o aumento da população urbana, a sociedade teve de se organizar para que mais pessoas coubessem em menores espaços. A idéia dos aglomerados urbanos criou força a partir do século XX e todos os problemas advindos dessa elevação das moradias começaram, tanto em sua fase de construção como no seu uso e manutenção. Exigia-se que o trabalhador da construção civil passasse por diversas situações de risco; muitas mortes ocorreram e continuam a ocorrer pela inobservância da segurança necessária. No Brasil, somente com uma maior exigência dos órgãos governamentais, está -se exigindo um melhor treinamento e uso de equipamentos adequados aos que trabalham nas alturas. O ambiente vertical industrial mistura-se com o urbano, e poderiam ser deixados no mesmo grupo, porém é preferível deixá -lo destacado, para descrever-lhe as particularidades. As indústrias vêm procurando desenvolver grupos especializados nos trabalhos em altura, pelo

a linguagem também o foi. o uso de equipamento esportivo pelos grupos voluntários e a necessidade de se efetuar alguns resgates através do helicóptero. O resgate em montanhas. é sinônimo de salvamento. existem locais em que o ambiente industrial exige maior cuidado e o pessoal que trabalha ali deve estar preparado para efetuar seu auto -resgate. Outro tipo de atividade vista neste contexto é o resgate em montanha. Adotou -se vertical nesta pesquisa bibliográfica pelo fato da atividade poder ocorrer em depressões. Envolve uma das modalidades mais . São extremamente difíceis de operar. envolvem outra atividade que exige preparo e conhecimento quanto o resgate vertical. além de ser feito pelas corporações de bombeiros. Nesse sentido. como o Corpo de Socorro em Montanha. cujo custo é elevado. seja pela alta periculosidade da prática da escalada ou montanhismo. pois acidentes em montanhas são comuns. no Brasil. muitas vezes. O resgate urbano apresenta particularidades evidentes. atuando no Parque Estadual do Marumbi no Paraná e o Corpo de Resgate em Montanha da Pedra do Baú. é também executado por alguns grupos de montanhistas preocupados com os acidentes em seu local de lazer. por isto surge como uma categoria de resgate vertical especializado.retorno financeiro que trazem. RESMONT. Além di sto. como dificuldades no terreno. o resgate vertical define-se como o ato ou ação de retirar alguém ou alguma coisa de uma situação de perigo. Esta postura foi adotada tendo em vista as várias publicações internacionais que tratam do tema resgate e o fato de praticamente todas as técnicas empregadas foram importadas. quando o termo altura somente se emprega a partir do nível do solo. em fase de estruturação no estado de São Paulo. executado quase na totalidade pelos corpos de bombeiros. já que um grupo bem treinado pode substituir máquinas de elevação no serviço industrial. seja pela inexperiência de pessoas que estão-se iniciando no esporte. e. que é a busca pela vítima. Na montanha essas atividades estão intimamente ligadas e a má execução de uma pode levar ao fracasso da outra. COSMO. intempéries. eles acabaram formando grupos voluntários de resgate. Dentre as particularidades do resgate em montanhas destaca -se a exigência de equipamentos leves que facilitam o transporte.

Pensando no perfil do resgatista não busca-se uma fórmula exata. tendo em vista que é o único em que a vítima não tem intenção de ser resgatada. Outro princípio é a revisão de todo o sistema antes do início da operação. em que se usa o elemento surpresa para ser bem sucedido. pois até meados dos anos 80 ainda se usavam cordas de fibra natural. Toda atividade envolvendo vítimas se estabelece p ela agilidade e o auto-resgate. todos falharão. Para o desenvolvimento do resgate alguns princípios básicos devem ser seguidos para melhor execução da operação e garantia do s ucesso no salvamento da vítima. para fazer parte de uma equipe. na qual duas pessoas fazem a verificação: quem leva a cabo o trabalho e um fiscalizador. pois não se pode conceber realizar o resgate de uma vítima sem antes verificar se o local é seguro e se toda a equipe está assegurada. A equipe de resgate deve ser pensada como um sistema igual àquele com cordas e mosquetões. mas na maioria das corporações ainda não foi feita a troca. já que não há pior resgatista do que aquele incapaz de salvar a própria vida. da equipe e da vítima. pois de nada adianta o resgatista ter todo o conhecimento para realizar o resgate de uma vítima. Nesse sentido o trabalho coordenado de todos os integrantes torna-se importante para a execução de um salvamento bem sucedido. O principal avanço foi na mudança da corda utilizada para este serviço.difíceis de serem executadas: o resgate de suicida. sendo que uma nova evolução foi necessária como a troca de materiais esportivos por materiais fabricados essencialmente para o resgate. Agora. O auto-resgate pode ser necessário se a tarefa não sair conforme planejado . onde cada integrante do conjunto torna-se importante e que se um falhar. A revisão de todo o processo da operação deve ser feita pelo inspetor de segurança. como a segurança deve sempre ser tomada na seguinte ordem: segurança no local. O principal elo dessa corrente para o resgate vertical é a pessoa operante no resgate. Quanto mais cedo o acesso e a retirada da vítima da situação de risco. melhor será iniciado o tratamento . com grande experiência e que não deve tomar parte no resgate. termo em segurança do trabalho denominado de verificação por ³quatro olhos´. se ele próprio não souber sair de uma situação de risco. onde um resgatista formado e treinado é essencial para o sucesso da operação. deve-se adquirir alguns atributos característicos auxiliares no serviço. dentro da equipe pode -se ter .

por mais relutante que ela possa estar em receber atendimento médico. seja para um simples rapel ou para o mais complexo resgate vertical. nunca se descarta a possibilidade de trauma. Deve haver um espaço vazio entre o casco e a cabeça. Outro item importante atrelado ao resgatista é o atendimento pré-hospitalar. o trabalho em ambiente vertical possui alguns equipamentos de proteção individual imprescindíveis. Capacetes . REFERÊNCIAS AGUIAR. Dentro de um grupo destes. desde um simples desmaio até um traumatismo crânio -encefálico com lesões permanentes. J. agindo de maneira a garantir a estabilização da coluna. 3. a pós um acidente em altura. o casco dos capacetes é fabricado com fibra de carbono ou outras. efetuado concomitantemente com o resgate possivelmente. em vítimas com parada cardiorrespiratória a prioridade é receber os procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar. E. Não é necessário que ele seja um atleta.pessoas de tipos físicos e formações diferentes. mas também muito resistente e bem fixado a cabeça Para ser leve e resistente. Resgate Vertical. que junto a isso. para garantir a circulação de ar e evitar que o impacto no capacete seja transmitido diretamente ao crânio. S. preenchido por uma rede ou outro tipo de proteção. plásticas resistentes. onde aquele que não tenha muita habilidade para encontrar um ponto de ancoragem seja o mais resistente na hora de carregar uma maca e vive-versa Em relação às habilidades específicas. a facilidade em confeccionar nós. para o ambiente vertical ele deve ser leve e confortável. toda vítima deve ser conduzida ao hospital. principalmente em vítima inconsciente. Curitiba. a jugular (fixação do capacete ao queixo) deve ser ajustável e presa em no mínimo 03 (três) . 2008. ou seja. sem esquecer de que.1. Equipamentos de Proteção Individual Como em toda atividade considerada perigosa. agilidade de encontrar soluções e de identificar problemas são algumas habilidades que se exigem de um resgatista. Para possuir uma excelente fixação. deve-se existir membros capazes de garantir o suporte básico de vida. pois protegem a cabeça contra quedas de objeto e ferramentas ou qual quer outro impacto. mas todos os componentes da equipe devem ter uma resistência física boa para trabalhar em operações demoradas. Uma única lesão no crânio pode provocar sérias complicações.São peças fundamentais para o ambiente vertical. ter conhecimento de primeiros-socorros.

comumente encontrado nos desportos verticais.pontos no capacete. e no punho sempre é preciso haver um ajuste de elástico ou velcro 3. como os rins. No resgate. A principal função das luvas no ambiente vertical é proteger as mãos do atrito contra a corda para evitar que este venha a causar queimaduras nas mãos. Cintos Simples O cinto de segurança simples. cruzando -a nas costas e passando as alças pelos braços. uma dupla camada na palma garante proteção extra. como baudrier ou arnês. Outra forma é adquirir um peitoral fabricado Para se unir o peitoral com o cinto. com passagem nas pernas e na pélvis. Jugulares com f ibra elástica não devem ser usadas. o cinto de segurança é o principal equipamento de proteção individual no ambiente vertical. que possibilite a confecção de nós. Luvas de couro de vaqueta são preferíveis por serem macias e. no resgate. umidadee neve. Calçados . deve ser preferencialmente combinado com um peitoral. proteção e aderência. Os calçados para atividade outdoor são mais indicados do que calçados para segurança no trabalho. pois podem deslizar para fora da cabeça. A luva deve se moldar e permitir boa movimentação dos dedos. envolvendo a região pélvica e as pernas. menor resistência e risco de estrangular as artérias e veias das pernas e órgãos internos da região abdominal. Pode ser feito manualmente com fitas ou corda de maneira bastante simples. não d evem usar roupas de fibras sintéticas pelo risco de elas se derreterem e grudarem na pele. preso a uma corda. ele previne a queda do resgatista. ao mesmo tempo. Os cintos de segurança são normalmente fabricados com fitas de poliéster e poliamida costuradas. resistentes. com espessura de 05 a 06 centímetros. para evitar a queda em uma inve rsão. Deve ser confortável e flexível de tal forma que proporcione amplo movimento a os membros superiores e inferiores. Pode ser feito manualmente com uma fita. como a tripulação de um helicóptero de resgate. No ponto de ancoragem do cinto. Basicamente existem dois tipos de cintos de segurança que podem ser utilizados no resgate: simples.São três as características essenciais para um calçado no ambiente vertical: conforto. pélvis e peitoral (sobre os ombros). sola mantém a aderência em condições ruins como lama. A vestimenta a ser usada depende principalmente do tipo de serviço realizado e do risco que oferece. este tipo de cinto de segurança somente deve ser utilizado em situação emergencial. porém apresenta desconforto.Conhecido popularmente como ³cadeirinha´ ou ainda pelo seu nome em outros países. no ambiente vertical. Cintos de Segurança . é a calça jeans. O resgate vertical normalmente exige longas caminhadas e/ou passagem por obstáculos. a fita encontra -se dobrada para aumentar a resistência.5. Um exemplo de roupa comum e que não deve ser usada por este motivo. e o cinto pára -quedista com passagem nas pernas. Resgatistas que estão sujeitos a serem atingidos por raios. passar uma fita duas vezes pelos dois e finalizar com um nó ou ainda passar a corda diretamente pelo peitoral e .

3. Um costume antigo de prender equipamentos e que pode se revelar perigoso é o ato de se passar uma fita pelo omb ro cruzando as costas.O uso de lanterna no resgate se faz necessário. Óculos . peito e costas). que possuam um elástico que. além de deixar as duas mãos livres. ajustes nas pernas. devido ao uso deste método para se prender material. . principalmente. impeçam-no de cair Óculos escuros podem ser usados desde que possuam um dispositivo para impedir sua queda. Outra boa opção é estender uma pequena corda como um varal no local em que se está trabalhando. com lentes resistentes e. Facas . pois a colocação do peitoral se faz de maneira pratica.Equipamentos rígidos ou outros podem cair quando não estão devidamente presos e virem a atingir pessoas que estão abaixo deles. pois este não pod e esperar a luz do dia para ser realizado. a melhor opção é o cinto do tipo pára -quedista. e 02 laterais. Lanternas .amarrar no cinto Cintos de Segurança para Resgate (Páraquedista) .5 kN. além de ajustá-lo à face. é essencial que os óculos possuam uma ampla visão. Lanternas de cabeça são as mais recomendadas. mosquetão para conectar e desconectar rapidamente o peitoral com o cinto e 05 pontos de ancoragem.No resgate vertical nem sempre é necessário o uso de óculos de segurança. sendo 03 com um anel em D feito de aço (pélvis. Técnicas adequadas. como aquela usada para a extricação de aparelhos de rapel são sempre preferíveis ao uso de uma faca.9.O uso de faca para o corte de cordas com nós muito apertados ou para rasgar a camiseta que bloqueia o aparelho de rapel não é incomum no ambiente vertical. Algumas mortes por estrangulamento após uma queda já foram relatadas. deve suportar uma força exercida pelo resgatista em uma queda de no mínimo 1. Um cinto pára -quedista para resgate possui algumas especificações que o diferencia dos demais. dois ajustes no peitoral. somente para posicionamento com talabarte Prender os Equipamentos . Uma forma fácil de mantê-los presos é colocálos nas argolas existentes nos cintos de seguranças. uma lâmina exposta próxima a uma corda tensionada pode resultar em um desastre. porém apresenta um grande risco. ferindo-as gravemente. Para o ambiente vertical. prendem-se facilmente aos capacetes e seu facho de luz direciona-se para onde se está olhando. o cinto da pélvis deve possuir dois ajustes para facilitar a centralização. sendo um nas costas e outro no peito.Para o resgate vertical. sendo este obrigatório em a tividades verticais onde existe o risco de partículas sólidas entrarem em contato com os olhos como o corte de árvores ou reforma de um edifício.

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