UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS
G. M. Sotkov e U. Camara dS
Notas de Funções Especiais
VITÓRIA
2010
Resumo
Em muitas oportunidades, durante o curso de Mecânica Quântica (e em qualquer curso
sério de física), você se confrontará com várias funções especiais, ao mesmo tempo em
que não são oferecidos cursos sobre o assunto durante a graduação. Assim, estas notas
1
,
auto-consistentes, foram feitas para auxiliar o aluno (você mesmo) no desafio de entender
um pouco sobre o micro-mundo da mecânica quântica. As funções especiais encontradas
aqui são: Gamma, Beta, Hipergeométrica, Hipergeométrica Conflluente, os Polinômios de
Hermite, de Legendre e as Funções de Legendre Associadas. Damos ênfase às proprieda-
des que serão úteis no decorrer do curso: condições para as hipergeométricas se tornarem
polinômios (importante no estudo dos níveis de energia de vários potenciais) e expan-
sões assintóticas das hipergeométricas (vitais na obtenção dos coeficientes de reflexão e
transmissão em “espalhamentos” unidimensionais e seções de choque em espalhamentos
tridimensionais). Também oferecemos vários exercícios, todos com aplicações na física
(mesmo que não apareçam no curso de mec. quântica), com o objetivo de estimular o
aluno a se interessar mais pelo assunto. E temos três apêndices: No primeiro damos uma
pequena introdução sobre a Transformada de Fourier (essencial na Mec. Quântica) e a
“função” Delta de Dirac, no segundo tratamos do problema de Sturm-Liouville e o ter-
ceiro é dedicado à obtenção da segunda solução independente duma equação diferencial
ordinária de segunda ordem quando já conhecemos uma solução.
Basicamente todo o conteúdo dessas notas pode ser encontrado nas referências bibliográ-
ficas, a única diferença está na ordem de exposição. Os livros, em geral, discutem as
funções hipergeométricas e hipergeométricas confluentes após estudar os polinômios orto-
gonais e as Funções de Legendre Associadas. Nós fazemos exatamente o oposto, já que as
funções citadas não passam de casos particulares de hipergeométricas e hipergeométricas
confluentes. Com isso, entendemos que ao estudar os casos mais gerais no início, o leitor
terá uma base sólida para aprender, rapidamente, os casos particulares.
1
ainda em construção
Sumário
1 Funções Gamma e Beta 1
1.1 Função Gamma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Função Beta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.3 Relação entre a função Gamma e funções trigonométricas . . . . . . . . . . 5
1.4 Fórmula de duplicação de Lagrange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.5 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2 Funções Hipergeométrica e Hipergeométrica Confluente 10
2.1 Função Hipergeométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.1.1 Equação diferencial e solução via série de potências . . . . . . . . . 10
2.1.2 Representação Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.1.3 Relações Úteis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.1.4 Expansões Assintóticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.2 Função Hipergeométrica Confluente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.2.1 Equação diferencial e solução via série de potências . . . . . . . . . 18
2.2.2 Representação Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.2.3 Expansão Assintótica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.2.4 Hipergeométrica confluente como um problema de Sturm-Liouville . 21
2.3 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3 Polinômios de Hermite 24
3.1 Definição via Função Geratriz, Relações de Recorrência e a EDO de Hermite 24
3.2 Ortogonalidade e norma dos Polinômios de Hermite . . . . . . . . . . . . . 25
3.3 Relação com a função Hipergeométrica Confluente . . . . . . . . . . . . . . 27
3.4 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
4 Funções de Legendre 30
4.1 Polinômios de Legendre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
4.1.1 Função Geratriz, Relações de Recorrência e Equação Diferencial . . 30
4.1.2 Ortogonalidade e norma dos polinômios de Legendre . . . . . . . . 32
4.1.3 Relação entre os polinômios de Legendre e a função hipergeométrica 34
4.1.4 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
4.2 Funções de Legendre Associadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.2.1 Definição e equação diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.2.2 Ortogonalidade e norma das Funções de Legendre Associadas . . . 38
4.2.3 O caso m < 0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
4.3 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
A Transformada de Fourier e Delta de Dirac 42
A.1 Delta de Kronecker e Séries de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
A.2 Transformada de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
A.3 Delta de Dirac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
A.4 Transformada de Fourier em d dimensões e consequências . . . . . . . . . . 47
B Problema de Sturm - Liouville 52
C Wronskiano e a segunda solução independente 55
C.1 Wronskiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Referências Bibliográficas 59
1
Capítulo 1
Funções Gamma e Beta
1.1 Função Gamma
A função Gamma (Γ) pode ser definida como a integral abaixo:
Γ(z) ≡


0
e
−t
t
z−1
dt ; 'e(z) > 0 (1.1)
Sua propriedade mais importante é:
Γ(1 + z) = zΓ(z) (1.2)
Para provar, basta integrar a eq. (1.1) por partes
Γ(1 + z) = −e
−t
t
z

t=∞
t=0
+ z


0
e
−t
t
z−1
dt = zΓ(z)
Repare que Γ(1) = 1, então para z = n ∈ N, temos de (1.2) que: Γ(1 + n) = n!. Ou seja,
Γ(z) é uma generalização natural do fatorial. Outra quantidade importante é Γ(1/2).
Γ(1/2) =


0
e
−t
t

1
2
dt
t=u
2
= 2


0
e
−u
2
du =

π
2
=⇒Γ(3/2) =
1
2
Γ(1/2) =

π
2
; Γ(5/2) =
3
2
Γ(3/2) =
3

π
4
; . . . onde novamente usamos a eq.
(1.2).
A eq. (1.1) está definida na região 'e(z) > 0, porém com uma continuação analítica,
pode-se definir a função Γ(z) em todo plano complexo, exceto nos seus pontos singulares
(que iremos descobrir).
Mas antes de prosseguir, vamos responder a pergunta que está na sua cabeça (ou não): o
que é uma continuação analítica?
A resposta será dada em um exemplo muito parecido com o nosso, porém (provavelmente)
mais familiar ao leitor. Tenha a série progressão geométrica.
f(z) =

¸
n=0
z
n
(1.3)
quando [z[ < 1, a série converge para o valor:
f(z) =
1
1 −z
(1.4)
Entretanto, a eq. acima está definida ∀ z = 1 e coincide com “velha” definição (1.3) para
[z[ < 1. Com isso, a eq. (1.4) fornece uma continuação analítica da eq. (1.3) para todo
plano complexo (exceto no pólo simples em z = 1).
Agora, vamos usar a mesma lógica para encontrar uma definição mais abrangente da
função Γ. Comecemos rescrevendo a eq. (1.1) da seguinte forma:
Γ(z) = lim
n→∞

n
0

1 −
t
n

n
t
z−1
dt
já que
1
lim
n→∞

1 −
t
n

n
=

¸
n=0
(−1)
n
t
n
n!
≡ e
−t
1
o famoso limite fundamental que pode ser facilmente verificado via expansão binomial
3
com a troca de variável u =
t
n
e integrando n vezes por partes
Γ(z) = lim
n→∞
n
z

1
0
(1 −u)
n
u
z−1
dt
= lim
n→∞
n
z
n
z

1
0
(1 −u)
n−1
u
z
dt
= lim
n→∞
n
z
n(n −1)
z(z + 1)

1
0
(1 −u)
n−2
u
z+1
dt
= lim
n→∞
n
z
n(n −1)(n −2)
z(z + 1)(z + 2)

1
0
(1 −u)
n−2
u
z+2
dt
.
.
.
= lim
n→∞
n
z
n(n −1)(n −2) . . . 1
z(z + 1)(z + 2) . . . (z + n −1)

1
0
(1 −u)
n−n
u
z+n−1
dt
. .. .
=
1
z+n
logo:
Γ(z) = lim
n→∞
n!
z(z + 1)(z + 2) . . . (z + n)
n
z
(1.5)
Da mesma forma que nosso exemplo simples (eqs. (1.3) e (1.4)), a eq. (1.5) é uma
continuação analítica da definição (1.1) que estende o domínio da função Γ(z) para todo
plano complexo, exceto nos pontos z = 0, −1, −2, . . ., onde a função, claramente (pela eq.
(1.5)), possui pólos simples. A eq. (1.5) pode ser encarada como uma definição da função
Γ (a mais geral possível), seu problema é ser de difícil manuseio
2
.
1.2 Função Beta
A função Beta é definida como a seguinte combinação de funções Gammas:
B(a, b) ≡
Γ(a)Γ(b)
Γ(a + b)
(1.6)
2
uma propriedade que não é difícil provar com essa fórmula é: Γ(1 + z) = zΓ(z). Prove!
4
Através da eq. (1.1), vamos derivar uma representação integral para a função Beta.
Γ(a)Γ(b) =


0
e
−x
x
a−1
dx


0
e
−y
y
b−1
dy

; 'e(a), 'e(b) > 0
com a troca: x = u
2
; y = v
2
⇒Γ(a)Γ(b) = 4


0
du


0
dve
−(u
2
+v
2
)
u
2a−1
v
2b−1
u = r cos θ e v = r sin θ
= 4


0
e
−r
2
r
2(a+b)−1
dr
. .. .
1
2
R

0
e
−t
t
a+b−1
dt=
1
2
Γ(a+b)

π
2
0
(cos θ)
2a−1
(sin θ)
2b−1

Levando à representação integral de B(a, b):
B(a, b) = 2
π
2
0
(cos θ)
2a−1
(sin θ)
2b−1
dθ ; 'e(a), 'e(b) > 0 (1.7)
Formas Alternativas:
t = (cos θ)
2
em (1.7)
B(a, b) =

1
0
t
a−1
(1 −t)
b−1
dt (1.8)
t = x
2
em (1.8)
B(a, b) = 2

1
0
x
2a−1
(1 −x
2
)
b−1
dx (1.9)
t =
u
1+u
em (1.8)
B(a, b) =


0
u
a−1
(1 + u)
a+b
du (1.10)
5
1.3 Relação entre a função Gamma e funções trigono-
métricas
B(α, 1 −α) ≡
Γ(α)Γ(1 −α)
Γ(1)
....
=1
=


0
u
α−1
(1 + u)
du ; 0 < 'e(α) < 1 (1.11)
onde usamos a eq. (1.10)
Resolução da integral:


0
x
α−1
(1+x)
dx ; 0 < 'e(α) < 1
Considere a função f(z) =
z
α−1
1+z
; z ∈ C ; z = x + iy
A função f(z) possui um pólo simples em z = −1 e uma ramificação em z = 0. Iremos
calcular a integral:
I =

C
f(z)dz
onde o contorno C é dado pela figura (1.1)
Ε
R
C
2
C
1
1
Re z
Imz
Figura 1.1: Contorno C
I =

R

x
α−1
1 + x
dx +

C
2
z
α−1
1 + z
+

R

e
2πi
x

α−1
1 + e
2πi
....
=1
x
dx +

C
1
z
α−1
1 + z
dz
= 2πiRes

f(z)

z=−1
= 2πie
iπ(α−1)
6
C
1
:

C
1
z
α−1
1 + z
dz ; z = e

=
α


0
i
e
iαθ
1 + e

dθ ∼
α
→0 ( →0)
C
2
:

C
2
z
α−1
1 + z
dz ; z = Re

= R
α


0
i
e
iαθ
1 + Re

dθ ∼
1
R
1−α
→0 (R →∞)
No limite →0 e R →∞
2πie
iπ(α−1)
=

1 −e
2πi(α−1)


0
x
α−1
1 + x
dx


0
x
α−1
1 + x
dx = −
2πi

e
πi(α−1)
−e
−πi(α−1)
= −
π
sin π(α −1)
=
π
sin πα
(1.12)
Substituindo (1.12) em (1.11) temos a relação desejada:
Γ(z)Γ(1 −z) =
π
sin πz
(1.13)
A eq. (1.13) foi derivada apenas para o intervalo 0 < 'e(z) < 1, porém a função Γ(1 −
z)Γ(z) é analítica em todo plano complexo (fora os pólos em z ∈ Z). A função
π
sin(πz)
também é analítica nessa região. Como as funções coincidem na região 0 < 'e(z) < 1,
podemos concluir que elas coincidem na região comum de analiticidade. Portanto, a
fórmula (1.13) vale para todo
3
z / ∈ Z.
Ela também pode ser escrita da seguinte forma:
Γ(z)Γ(−z) = −
π
z sin πz
(1.14)
3
isso ocorre, devido ao fato da eq. ter sido derivada através da representação integral de Γ (eq. (1.1)).
Se a derivássemos, por exemplo, via eq. (1.5) (o que é possível, mas muito mais trabalhoso), ela estaria
definida ∀ z / ∈ Z
7
No caso de z ser um imaginário puro, i.e. z →ix, com x ∈ R, temos uma outra importante
relação:
Γ(ix)Γ(−ix) = [Γ(ix)[
2
=
π
x sinh πx
(1.15)
1.4 Fórmula de duplicação de Lagrange
Para encerrarmos o capítulo sobre funções Gamma e Beta, iremos derivar uma última
ralação, muito utilizada, entre as funções Gamma. Tenha:
B

z +
1
2
, z +
1
2

=
Γ(z +
1
2
)
2
Γ(2z + 1)
eq.(1.8)
=

1
0
t
z−1/2
(1 −t)
z−1/2
dt = 2

1/2
0
t
z−1/2
(1 −t)
z−1/2
dt
porque o integrando é par em ralação ao ponto t =
1
2
. Com a troca 2t = 1 −

x
= 2
−2z

1
0
x
−1/2
(1 −x)
z−1/2
. .. .
eq.(1.8)
= B(1/2,z+1/2)=

πΓ(z+1/2)
Γ(z+1)
então:

πΓ(2z + 1) = 2
2z
Γ(z + 1)Γ(z + 1/2) (1.16)
que é a fórmula de duplicação de Lagrange. No caso particular de z = n ∈ N, a fórmula
(1.16) fornece a relação:
Γ(n + 1/2) =
(2n)!

π
2
2n
n!
(1.17)
1.5 Exercícios Propostos
(1) Ângulo sólido e volume de uma “bola” em d dimensões:
8
O elemento de volume d-dimensional em coordenadas esféricas é dado por: d
d
x = dΩ
d−1
r
d−1
dr,
onde dΩ
d−1
≡ ângulo sólido.
Prove que:
(a)

S
d−1
dΩ
d−1
=

d/2
Γ(d/2)
, onde S
d−1
é a esfera em (d −1)-dimensões.
(b) O volume da “bola” d-dimensional de raio R é: V (B
d
) =

d/2
dΓ(d/2)
R
d
.
Dica: use a igualdade:

π

d
=


−∞
e
−x
2
dx

d
=


−∞
e
−x
2
1
dx
1

. . .


−∞
e
−x
2
d
dx
d

=

R
d
e

P
d
i=1
x
2
i
d
d
x
(2) Usando as eqs. (1.1) e (1.2), prove, via expansão de Taylor de Γ(1 + z) em torno de
z = 0, a relação abaixo:
Γ(z →0) =
1
z
−γ +O(z) (1.18)
onde
γ ≡ −


0
e
−t
ln(t)dt = −
d
dz
Γ(1 + z)

z=0
≈ 0.5772 (1.19)
é a famosa constante de Euler.
A eq. (1.18) é muito importante para o processo de renormalização dimensional em teorias
quânticas de campos.
(3) Calcule a integral:


0
(sin θ)
2n+1
dθ, n ∈ N
(Resposta:
2
2n+1
(n!)
2
(2n+1)!
)
Dica: Identifique a integral como uma função Beta e use a eq. (1.17).
(4) Função Digamma e mais sobre a constante de Euler:
A função Digamma é definida como a derivada logarítmica de Γ(z), i.e.
ψ(z) ≡
d
dz
ln Γ(z) (1.20)
9
Usando a identidade Γ(1 + z) = zΓ(z) em conjunto com a eq. (1.5), demonstre que
ψ(1 + z) = − lim
n→∞

n
¸
m=1
1
m
−ln n

+

¸
l=1
z
l(z + l)
(1.21)
Obs.: ψ(1) =
1
Γ(1)
d
dz
Γ(1 + z)

z=0
= −γ pela eq. (1.19), logo tomando z = 0 no resultado
acima chegamos numa outra forma de escrever a constante de Euler:
γ = lim
n→∞

n
¸
m=1
1
m
−ln n

(1.22)
A eq. (1.22) é útil para encontrarmos valores aproximados de γ de forma bem simples
(usando uma calculadora), basta fixar um valor finito para n (quanto maior o valor esco-
lhido, melhor será a aproximição)
4
.
(5) Definição alternativa para a função Gamma:
Começando da eq. (1.5), mostre que
1
Γ(z)
= ze
γz

¸
m=1

1 +
z
m

e

z
m
(1.23)
onde γ é dado pela eq. (1.22). A definição da função Γ como (1.23) é chamada de definição
de Weierstrass.
4
por exemplo, γ
n=10
= 0.6263. O erro percentual é de 8, 5.
10
Capítulo 2
Funções Hipergeométrica e
Hipergeométrica Confluente
2.1 Função Hipergeométrica
2.1.1 Equação diferencial e solução via série de potências
Tenha a seguinte equação diferencial ordinária (EDO) de segunda ordem
1
:
z(1 −z)
d
2
y(z)
dz
2
+ [c −(a + b + 1)z]
dy(z)
dz
−aby(z) = 0 (2.1)
Tal equação é invariante a permutação a ↔ b e é singular
2
nos pontos z = 0, z = 1 e
z = ∞
3
(todos regulares). Vamos procurar uma solução via série de potências (Frobenius)
y(z) =

¸
n=0
g
n
z
n+k
; k ∈ R ; g
0
= 0
1
no capítulo 2, o argumento z será considerado como real ou um imaginário puro.
2
Uma EDO do tipo y

(z) + P(z)y

(z) + Q(z)y(z) = 0 é singular no ponto z
0
se ao menos um dos
limites não é bem definido:
lim
z→z
0
P(z) , lim
z→z
0
Q(z)
3
para mostrar a singularidade no infinito, faça a troca u =
1
z
na eq. (2.1) e analise o comportamento
para u →0
11
O raio de convergência da série é [z[ ≤ 1 para 'e(c −a −b) > 0 (a ser justificado)
y

(z) =

¸
n=0
(k + n)z
k+n−1
y

(z) =

¸
n=0
(k + n −1)(k + n)z
k+n−2
Substituindo em (2.1) e agrupando termo a termo:
k(k −1 + c)g
0
z
k−1
+

¸
n=0

(k + n + 1)(k + n + c)g
n+1
−[(k + n)(k + n + a + b) + ab]g
n
z
n+k

= 0
como g
0
= 0 ⇒k(k + c −1) = 0 ou
k =

0
1 −c
Caso k = 0:
Temos a relação de recorrência:
g
n+1
=
(n + a)(n + b)
(n + 1)(n + c)
g
n
; c = 0, −1, −2, . . . (2.2)
Escolhendo g
0
= 1
⇒y(z)
k=0
= 1 +
ab
c
z +
a(a + 1)b(b + 1)
c(c + 1)
z
2
2
+ . . .
ou
y(z)
k=0
=
Γ(c)
Γ(a)Γ(b)

¸
n=0
Γ(a + n)Γ(b + n)
Γ(c + n)
z
n
n!

2
F
1
(a, b; c; z) (2.3)
pois, usando sucessivamente a eq. (1.2) chega-se à igualdade:
a(a + 1)(a + 2) . . . a(a + n −1) =
Γ(a + n)
Γ(a)
(2.4)
12
A eq. (2.3) é a famosa função hipergeométrica em sua representação de série de potencias.
Propriedades importantes
(a) se −a (ou −b) ∈ N, então:
g
−a+1
=
(−a + a)(−a + b)
(−a + 1)(−a + c)
g
−a
= 0 ; −a ∈ N
logo
g
n
= 0 ; ∀ n > −a (−a ∈ N)

2
F
1
(−N, b; c; z) é um polinômio de grau N (N ∈ N). Utilizando o fato que:
Γ(−(N −n))
Γ(−N)
=
(−N + n −1)!
(−N −1)!
= (−N + n −1)(−N + n −2) . . . (−N + n −(n −1))(−N)
= (−1)
n
N(N −1)(N −2) . . . (N −(n −2))(N −(n −1))

(N −n)!
(N −n)!

= (−1)
n
N!
(N −n)!
(2.5)
o polinômio
2
F
1
(−N, b; c; z) toma a forma:
2
F
1
(−N, b; c; z) =
Γ(c)
Γ(b)
N
¸
n=0
(−1)
n
N!
(N −n)!
Γ(b + n)
Γ(c + n)
z
n
n!
(2.6)
(b) se b = c
2
F
1
(a, b; b; z) =
1
Γ(a)

¸
n=0
Γ(a + n)
n!
z
n
= 1 + az + (a + 1)a
z
2
2
+ (a + 2)(a + 1)a
z
3
3!
+ . . .
= (1 −z)
−a
(2.7)
que pode ser facilmente verificado expandindo (1 − z)
−a
em série de Taylor em torno de
z = 0.
Caso k = 1 −c:
13
A recorrência fica:
g
n+1
=
(1 −c + n)(1 + n + a + b −c)
(2 −c + n)(1 + n)
g
n
=
(n + a + 1 + c)(n + b + 1 −c)
(n + 2 −c)(1 + n)
g
n
; c = 2, 3, . . .
Assim, a segunda solução também pode ser escrita em termos de uma hipergeométrica:
y(z)
k=1−c
= z
1−c
2
F
1
(a + 1 −c, b + 1 −c; 2 −c; z) (2.8)
A solução geral da eq. (2.1) é
4
:
y(z) = A
2
F
1
(a, b; c; z) + Bz
1−c
2
F
1
(a + 1 −c; b + 1 −c; 2 −c; z) ; c / ∈ Z (2.9)
onde A e B são constantes.
Observações:
(1) Se 'e(c) > 1, então a segunda solução é singular em z = 0, portanto se as condições
de contorno exigirem uma solução finita em z = 0 ⇒ B = 0 ('e(c) > 1).
(2) Assim como a eq. diferencial (2.1), a eq. (2.9) é invariante a permutação a ↔b.
2.1.2 Representação Integral
Vamos estudar representações integrais para a função hipergeométrica que, em particular,
serão úteis na seção (2.1.4), onde derivaremos as formas assintóticas da hipergeométrica.
Iniciando com a integral:
I =
Γ(c)
Γ(d)Γ(c −d)

1
0
2
F
1
(a, b; d; zt)t
d−1
(1 −t)
c−d−1
dt ; 'e(c) > 'e(d) > 0
4
no caso c ∈ Z, o método de série de potências só fornece uma solução. A explicação desse problema
e um método alternativo para encontrar a segunda solução independente encontram-se no apêndice C
14
Substituindo a eq. (2.3) dentro da integral e invertendo a ordem da soma e integral
I =
Γ(c)
Γ(d)Γ(c −d)

Γ(d)
Γ(a)Γ(b)


¸
n=0
Γ(a + n)
Γ(b + n)Γ(d + n)
z
n
n!

1
0
t
n+d−1
(1 −t)
c−d−1
dt
. .. .
eq.(1.8)
= B(n+d,c−d)=
Γ(n+d)Γ(c−d)
Γ(n+c)

=
Γ(c)
Γ(a)Γ(b)

¸
n=0
Γ(a + n)Γ(b + n)
Γ(c + n)
z
n
n!

2
F
1
(a, b; c; z)
Assim:
2
F
1
(a, b; c; z) =
Γ(c)
Γ(d)Γ(c −d)

1
0
2
F
1
(a, b; d; zt)t
d−1
(1 −t)
c−d−1
dt;
'e(c) > 'e(d) > 0 (2.10)
Essa é uma representação integral de uma hipergeométrica em termos de outra.
No caso particular d = b, ela assume uma forma mais simples. Da eq. (2.7) temos:
2
F
1
(a, b; c; z) =
Γ(c)
Γ(b)Γ(c −b)

1
0
t
b−1
(1 −t)
c−b−1
(1 −zt)
−a
dt; 'e(c) > 'e(b) > 0 (2.11)
que é a representação integral usual da hipergeométrica.
Vamos mostrar duas aplicações simples da eq. (2.11).
Primeira: tomando z = 1 em (2.11):
2
F
1
(a, b; c; 1) =
Γ(c)
Γ(b)Γ(c −b)

1
0
t
b−1
(1 −t)
c−a−b−1
dt
. .. .
eq.(1.8)
= B(b,c−a−b)=
Γ(b)Γ(c−a−b)
Γ(c−a)
=
Γ(c)Γ(c −a −b)
Γ(c −a)Γ(c −b)
(2.12)
15
com
5
'e(c −a −b) > 0 e 'e(b) > 0.
Segunda: derivando a eq.
d
dz
2
F
1
(a, b; c; z) = a
Γ(c)
Γ(b)Γ(c −b)

1
0
t
b
(1 −t)
c−b−1
(1 −zt)
−(a+1)
dt
=
ab
c
Γ(1+c)
. .. .
cΓ(c)
bΓ(b)
. .. .
Γ(1+b)
Γ(c −b)

1
0
t
(b+1)−1
(1 −t)
(c+1)−(b+1)−1
(1 −zt)
−(a+1)
dt
=
ab
c
2
F
1
(a + 1, b + 1; c + 1; z)
Repetindo o processo m vezes
d
m
dz
m
2
F
1
(a, b; c; z) =
[a(a + 1) . . . (a + m−1)][b(b + 1) . . . (b + m−1)]
c(c + 1) . . . (c + m−1)
2
F
1
(a + m, b + m; c + m; z)
que pode ser escrito de uma forma mais elegante (via eq. (2.4))
d
m
dz
m
2
F
1
(a, b; c; z) =
Γ(m + a)
Γ(a)
Γ(m + b)
Γ(b)
Γ(c)
Γ(m + c)
2
F
1
(a + m, b + m; c + m; z) (2.13)
2.1.3 Relações Úteis
(i) Da representação integral (2.11), temos:
2
F
1

a, c −b; c;
−z
1 −z

=
Γ(c)
Γ(c −b)Γ(b)

1
0
t
c−b−1
(1 −t)
b−1

1 +
zt
1 −z

−a
dt
=
Γ(c)
Γ(c −b)Γ(b)
(1 −z)
a

1
0
t
c−b−1
(1 −t)
b−1
(1 −(1 −t)z))
−a
dt
agora faça a troca: 1 −t = u
= (1 −z)
a
Γ(c)
Γ(c −b)Γ(b)

1
0
u
b−1
(1 −u)
c−b−1
(1 + zu)
−a
dt
= (1 −z)
a
2
F
1
(a, b.c.z)
5
condição de válidade da equação (1.8), justificando o raio de convergência da série de potências
16

2
F
1
(a, b; c; z) = (1 −z)
−a
2
F
1

a, c −b; c;
−z
1 −z

(2.14)
que relaciona valores da hipergeométrica no intervalo [z[ < 1 (aonde vale a série (2.3))
com valores fora desse intervalo. Assim, a eq. (2.14) é uma continuação analítica da
função hipergeométrica.
(ii) Definindo y(z) = (1 −z)
c−a−b
ξ(z).
⇒y

(z) = (1 −z)
c−a−b
[−(c −a −b)(1 −z)
−1
ξ + ξ

]
y

(z) = (1 −z)
c−a−b

(c −a −b)(c −a −b −1)(1 −z)
−2
ξ −2
(c −a −b)
1 −z
ξ

+ ξ

Substituindo na eq. (2.1) e simplificando:
(1 −z)
(c−a−b)

z(1 − z)ξ

−[c −((c −a) + (c −b) + 1)z]ξ

−(c −a)(c −b)ξ

= 0
⇒ξ( z ) ∼
2
F
1
(c −a, c −b; c; z)
ou
2
F
1
(a, b; c; z) = const(1 −z)
c−a−b
2
F
1
(c −a, c −b; c; z)
Aplicando em z = 0 fica claro que const = 1, ou seja:
2
F
1
(a, b; c; z) = (1 −z)
c−a−b
2
F
1
(c −a, c −b; c; z) (2.15)
2.1.4 Expansões Assintóticas
As equações (2.14) e (2.15) em conjunto com a representação integral (2.10) são suficientes
para derivarmos os assintóticos da função hipergeométrica quando:

(i) [z[ →∞
(ii) z →1
(2.16)
17
(i) [z[ →∞
colocando (2.14) dentro da integral (2.10):
2
F
1
(a, b; c; z) =
Γ(c)
Γ(d)Γ(c −d)

1
0
t
d−1
(1 −t)
c−d−1
(1 −zt)
−a
2
F
1

a, d −b; d; −
zt
1 −zt

dt
[z[ →∞

2
F
1

a, d −b; d; −
zt
1 −zt


2
F
1
(a, d −b; d; 1) =
Γ(d)Γ(b −a)
Γ(b)Γ(d −a)
('e(b) > 'e(a))
Assim:
2
F
1
(a, b; c; z )
|z|→∞

Γ(c)Γ(d)Γ(b −a)
Γ(d)Γ(c −d)Γ(b)Γ(d −a)

1
0
t
d−1
(1 −t)
c−d−1
(−zt)
−a
dt
=
Γ(c)Γ(b −a)(−z)
−a
Γ(c −d)Γ(b)Γ(d −a)

1
0
t
d−a−1
(1 −t)
c−d−1
dt
. .. .
eq.(1.8)
= B(d−a,c−d)=
Γ(d−a)Γ(c−d)
Γ(c−a)

2
F
1
(a, b; c; z )
|z|→∞

Γ(c)Γ(b −a)
Γ(b)Γ(c −a)
(−z)
−a
; 'e(b) > 'e(a)
Sabemos que a função hipergeométrica é simétrica em relação a permutação dos índices a
e b, por outro lado, a expressão assintótica derivada não possui tal simetria. Isso é natural,
já que ela foi derivada assumindo uma diferença entre esses índices

'e(b) > 'e(a) ⇒
(−z)
−b
<(−z)
−a
, quando [z[ →∞, ou seja, o termo simétrico de ordem O((−z)
−b
) não
aparece na expressão acima, pois é desprezível em relação ao termo de ordem O((−z)
−a
)).
O outro caso ('e(b) < 'e(a) ⇒(−z)
−b
(−z)
−a
, quando [z[ →∞) pode ser facilmente
derivado repetindo todos os cálculos, porém permutando os índices a e b no lado direito
das equações. Agora o resultado é:
2
F
1
(a, b; c; z)
|z|→∞

Γ(c)Γ(a −b)
Γ(a)Γ(c −b)
(−z)
−b
; 'e(a) > 'e(b)
Levando-nos ao assintótico geral (para 'e(a) > 'e(b) ou 'e(a) < 'e(b)):
2
F
1
(a, b; c; z)
|z|→∞

Γ(c)Γ(b −a)
Γ(b)Γ(c −a)
(−z)
−a
+
Γ(c)Γ(a −b)
Γ(a)Γ(c −b)
(−z)
−b
(2.17)
18
simétrico nos índices a e b.
(ii) z →1
(a) 'e(c) > 'e(a + b)

2
F
1
(a, b; c; z)
z→1

Γ(c)Γ(c −b −a)
Γ(c −a)Γ(c −b)
. .. .
2
F
1
(a,b;c;1)
+O(1 −z)
(b) 'e(c) < 'e(a + b)
Agora, a hipergeomética não é definida (é singular) no ponto z = 1. Entretanto, a equação
(2.15) nos fornece a forma como a hipergeométrica diverge. De (2.15) temos:
6
2
F
1
(a, b; c; z)
z→1
≈ (1 −z)
c−a−b
2
F
1
(c −a, c −b; c; 1) = (1 −z)
c−a−b
Γ(c)Γ(a + b −c)
Γ(a)Γ(b)
No caso geral temos ('e(c) > 'e(a + b) ou 'e(c) < 'e(a + b)):
2
F
1
(a, b; c; z)
z→1

Γ(c)Γ(c −b −a)
Γ(c −a)Γ(c −b)
+ (1 −z)
c−a−b
Γ(c)Γ(a + b −c)
Γ(a)Γ(b)
(2.18)
que é o resultado procurado (simétrico nos índices a e b).
2.2 Função Hipergeométrica Confluente
2.2.1 Equação diferencial e solução via série de potências
Com as trocas z →z e b →1/, a eq. (2.1) fica:
z(1 −z)y(z)

+ [c −(a +
−1
−1)z]y(z)

−ay(z) = 0
Tomando o limite →0 temos a EDO hipergeométrica confluente:
zy

(z) + (c −z)y

(z) −ay(z) = 0 (2.19)
6
2
F
1
(c −a, c −b; c; 1) existe, pois 'e(c) < 'e(a + b) (ver equação (2.12))
19
De forma análoga, a função hipergeométrica confluente (uma das soluções da equação
acima) é definida como:
1
F
1
(a; c; z) ≡ lim
→0
2
F
1
(a, 1/; c; z)
= lim
→0
Γ(c)
Γ(a)

¸
n=0
Γ(a + n)
Γ(c + n)
(z)
n
n!
Γ(1/ + n)
Γ(1/)
. .. .
1

n
(1+)(1+2)...(1+(n−1))

1
F
1
(a; c; z) =
Γ(c)
Γ(a)

¸
n=0
Γ(a + n)
Γ(c + n)
z
n
n!
; c = 0. −1, −2, . . . (2.20)
que é a função hipergeométrica confluente em sua representação de série de potências.
A segunda solução independente de (2.19) pode ser obtida da mesma forma:
lim
→0
(z)
1−c
2
F
1
(1 + a −c, 1/ + 1 −c; 2 −c; z) = z
1−c
1
F
1
(1 + a −c; 2 −c; z)
Solução geral de (2.19)
7
y(z) = A
1
F
1
(a; c; z) + Bz
1−c
1
F
1
(1 + a −c; 2 −c; z); c / ∈ Z (2.21)
onde A e B são constantes.
Observações:
(i) A eq. (2.19) é singular nos pontos z = 0 (regular) e z = ∞(irregular
8
). A singularidade
no ∞ é formada pela confluência de duas singularidades, regulares, da hipergeométrica
(pontos z = 1 e z = ∞).
(ii) A hipergeométrica confluente é um polinômio de grau N se −a = N ∈ N. E com a
ajuda da eq. (2.5) o polinômio pode ser escrito como:
1
F
1
(−N; c; z) =
N
¸
n=0
(−1)
n
N!
(N −n)!
Γ(c)
Γ(c + n)
z
n
n!
(2.22)
7
no caso c ∈ Z, recaímos na nota de rodapé da pág. 13.
8
ver próximo parágrafo
20
(iii)
1
F
1
(a; a; z) =
¸

0
z
n
n!
= e
z
2.2.2 Representação Integral
Fazendo b →
−1
e z →z em (2.10) e tomando o limite →0
1
F
1
(a; c; z) =
Γ(c)
Γ(d)Γ(c −d)

1
0
1
F
1
(a; d; zt)t
d−1
(1 −t)
c−d−1
dt; 'e(c) > 'e(d) > 0(2.23)
Para d = a, temos a representação integral da hipergeométrica confluente usualmente
encontrada na literatura:
1
F
1
(a; c; z) =
Γ(c)
Γ(a)Γ(c −a)

1
0
e
zt
t
a−1
(1 −t)
c−a−1
dt; 'e(c) > 'e(a) > 0 (2.24)
2.2.3 Expansão Assintótica
Da eq. (2.24) iremos achar o comportamento da função hipergeométrica confluente para
[z[ →∞.
1
F
1
(a; c; z) =
Γ(c)
Γ(a)Γ(c −a)

1
0
e
zt
t
a−1
(1 −t)
c−a−1
dt
com a troca u = −tz
1
F
1
(a; c; z) =
Γ(c)
Γ(a)Γ(c −a)
(−z)
−a


0
e
−u
u
a−1

1 +
u
z

c−a−1
du
. .. .
(I)
+

−z

e
−u
u
a−1

1 +
u
z

c−a−1
du
. .. .
(II)

(I): [z[ →∞
(I) ≈


0
e
−u
u
a−1
du = Γ(a)
21
(II):
(II) =

−z
0
e
−u

1 +
u
z

u
a−1
du
v=u+z
=

0

e
z−v

v
z

c−a−1
(v −z)
a−1
dv
⇒(II)
|z|→∞
≈ −e
z
z
a−c+1
(−z)
a−1


0
e
−v
v
c−a−1
dv = −e
z
z
a−c+1
(−z)
a−1
Γ(c −a)
Assim:
1
F
1
(a; c; z)
|z|→∞

Γ(c)
Γ(c −a)
(−z)
−a
+
Γ(c)
Γ(a)
e
z
z
a−c
(2.25)
que é o resultado desejado
9
.
2.2.4 Hipergeométrica confluente como um problema de Sturm-
Liouville
Vamos aplicar a lógica desenvolvida no apêndice B à função hiperg. confluente. Primeiro,
rescrevemos a eq. (2.19) na forma Auto-Adjunta:

z
c
e
−z
y

= a(z
c−1
e
−z
)y(z)
Comparando com a eq. (B.3) (ver apêndice), temos: p(z) = z
c
e
−z
, q(z) = 0, ω(z) =
z
c−1
e
−z
e µ
n
= −a. A eq. hiperg. confluente é uma eq. de auto-valores, sendo “a” o auto
valor. Se 'e(c) > 0 ⇒p(z = 0) = p(z →∞) = 0, então nosso espaço CP é o das funções
continuas por partes (ver apêndice A) com z ∈ [0, ∞), onde os vetores y
a
e y
a
(a = a

)
são ortogonais em relação ao produto interno (B.5), i.e.


0
z
c−1
e
−z
1
F
1
(a; c; z)
1
F
1
(a

; c; z) = 0, a = a

, 'e(c) > 0 (2.26)
9
repare que a eq. (2.25) cresce exponencialmente, por isso a singularidade no infiito é irregular
(essencial)
22
2.3 Exercícios Propostos
(1) Resolva a eq. (2.19) através do método de Frobenius (série de potências), chegando
à eq. (2.20).
(2) Integral elíptica completa de primeiro tipo e o período do pêndulo:
(a) A integral elíptica completa de primeiro tipo é definida como
k(m) =

1
0
dt
(1 −t
2
)
1
2
(1 −mt
2
)
1
2
, [m[ < 1. (2.27)
Comparando com a forma integral (2.11) da função hipergeométrica, demonstre a igual-
dade:
k(m) =
π
2
2
F
1

1
2
,
1
2
; 1; m

(b) O período de oscilação de um pêndulo é dado pela integral:
T = 4

l
2g

θ
M
0


cos θ −cos θ
M
onde l é o comprimento do pêndulo, g a aceleração gravitacional e θ
M
o ângulo máximo
de oscilação (ponto de retorno). Com a troca sin
θ
2
= sin
θ
M
2
sin ϕ e usando a eq. (2.27),
chegue em:
T = 4

l
g
k

sin
2

θ
2

= 2π

l
g

1 +
1
4
sin
2

θ
2

+
9
64
sin
4

θ
2

+O

sin
6

θ
2

(3) A definição da função Gamma Incompleta é
10
:
γ(z, x) ≡

x
0
e
−t
t
z−1
dt = 2


x
0
e
−u
2
u
2z−1
du, x, 'e(z) > 0 (2.28)
10
A função Gamma (completa) é dada pelo limite γ(z, x →∞) = Γ(z)
23
Através da representação integral (2.24), verifique a igualdade:
γ(z.x) =
x
z
z
1
F
1
(z; z + 1; −x) (2.29)
(4) A função Beta Incompleta é definida como
11
:
B(a, b)
x

x
0
t
a−1
(1 −t)
b−1
dt, 0 < x ≤ 1 'e(a), 'e(b) > 0 (2.30)
(a) Demonstre a seguinte série de Taylor:
(1 −t)
b−1
=

¸
n=0
Γ(1 −b + n)
Γ(1 −b)
t
n
n!
(b) Substitua o resultado da letra (a) na definição de B(a, b)
x
, inverta a ordem da soma
e integral e integre para obter o resultado:
B(a, b)
x
= x
a

¸
n=0
Γ(1 −b + n)
Γ(1 −b)
x
n
n!(n + a)
(c) Comparando com a série (2.3), chegue à igualdade
B(a, b)
x
=
x
a
a
2
F
1
(a, 1 −b; a + 1; x) (2.31)
(5) Utilizando as representações intergrais da hipergeométrica e da hipergeométrica con-
fluente (eqs. (2.3) e (2.20)), demonstre a fórmula:


0
e
−λt
t
ν
1
F
1
(α; γ; kt) =
Γ(ν + 1)
λ
ν+1
2
F
1

α, ν + 1; γ;
k
λ

(2.32)
que serve, por exemplo, para normalizar os auto-estados de energia do potencial de Morse
unidimensional.
11
a função Beta “completa” corresponde ao caso particular B(a, b)
x=1
24
Capítulo 3
Polinômios de Hermite
3.1 Definição via Função Geratriz, Relações de Recor-
rência e a EDO de Hermite
Uma ótima forma de definir os polinômios de Hermite (H
n
(u)) é como os coeficientes da
série de potências da seguinte função geratriz
g(z, u) ≡ e
−z
2
+2zu
=

¸
n=0
z
n
n!
H
n
(u) (3.1)
Tal definição é útil, pois possibilita a derivação de relações de recorrência entre os polinô-
mios de forma muito simples. Aplicando

∂z
na eq. acima:
∂g
∂z
= (−2z + 2u)g =

¸
n=1
z
n−1
(n −1)!
H
n
(u) =

¸
n=0
z
n
n!
H
n+1
(u)
⇒(2uH
0
−H
1
)z
0
+

¸
n=0
(2uH
n
−2nH
n−1
−H
n+1
)
z
n
n!
= 0
nos levando a relação de recorrência:
2uH
n
−2nH
n−1
= H
n+1
, n = 0, 1, 2, . . . (3.2)
25
que permite a obtenção de qualquer H
n
(u) conhecendo apenas H
0
. Como g(0, u) = 1,
temos que H
0
(u) = 1. Logo, os primeiros polinômios podem ser facilmente encontrados
via eq. (3.2):
H
0
(u) = 1; H
1
(u) = 2u; H
2
(u) = 2(2u
2
−1); H
3
(u) = 12u

2
3
u
2
−1

. (3.3)
Agora, vamos derivar a função geratriz em relação à variável u para encontrar outra
recorrência:
∂g
∂u
= 2zg =

¸
n=0
z
n
n!
H

n
(u)
⇒2

¸
n=0
z
n+1
n!
H
n
(u) = 2n

¸
n=1
z
n
n!
H
n
(u) =

¸
n=0
z
n
n!
H

n
(u)
⇒H

n
= 2nH
n
(u) (3.4)
Derivando a eq. (3.4) e usando a eq. (3.2) chegamos à EDO de Hermite:
H

n
(u) −2uH

n
(u) + 2nH
n
(u) = 0 (3.5)
Os polinômios de Hermite só representam uma das soluções dessa eq. diferencial de
segunda ordem. A outra solução (que não é um polinômio) será discutida na seção (3.3).
3.2 Ortogonalidade e norma dos Polinômios de Hermite
Seguindo o método desenvolvido no apêndice B, iremos mostrar que os polinômios de
Hermite são vetores ortogonais
1
do espaço vetorial das funções contínuas por partes (ver
apêndice A) com o argumento u ∈ R (na verdade eles formam uma base desse espaço
vetorial). Para isso, vamos rescrever a eq. (3.5) na forma Auto-Adjunta:

e
−u
2
H

n
(u)

= −2ne
−u
2
H
n
(u)
1
em relação a um produto interno a ser definido
26
ou seja, a EDO de Hermite é uma eq. de auto-valores. Comparando com a eq. geral
(B.3), temos que p(x) = ω(x) = e
−u
2
(→ 0, quando u → ±∞), q(x) = 0 e µ
n
= 2n.
Substituindo em (B.5):
(H
n
, H
m
) ≡


−∞
e
−u
2
H
n
(u)H
m
(u)du = 0, n = m
Além da ortogonalidade, também precisamos da norma do vetor (para normalizar a função
de onda do oscilador harmônico), i.e. de
(H
n
, H
n
) =


0
e
−u
2
H
n
(u)
2
du ≡ A
n
Com a ajuda da ortogonlidade e da eq. de recorrêcia (3.2), calcular tal norma será uma
tarefa bem simples, vamos à ela! Pela eq. acima têm-se que:
2nA
n−1
=


0
e
−u
2
(2nH
n−1
)H
n−1
du
eq. (3.2)
=


0
e
−u
2
(−H
n+1
+ 2uH
n
)H
n−1
=


−∞
e
−u
2
H
n
(2uH
n−1
)du
eq.(3.2)
=


−∞
e
−u
2
H
n
(H
n
+ 2(n −1))H
n−2
=


−∞
e
−u
2
H
2
n
du = A
n
⇒A
n+1
= 2(n + 1)A
n
(3.6)
A eq. (3.6) relaciona as normas dos polinômios H
n
e H
n+1
, logo só precisamos calcular
(H
0
, H
0
) ≡ A
0
=


−∞
e
−u
2
du =

π
para conhecer qualquer A
n
.
A
1
= 2A
0
= 2

π, A
2
= 2
2
2

π, A
3
= 2
3
3!

π . . .
⇒A
n
= 2
n
n!

π,
ou seja:
(H
n
, H
m
) =


0
e
−u
2
H
n
(u)H
m
(u)du = 2
n
n!

πδ
nm
(3.7)
27
3.3 Relação com a função Hipergeométrica Confluente
Até aqui, discutimos as principais propriedades dos polinômios de Hermite exatamente
da mesma forma que o leitor pode encontrar em qualquer livro de física matemática ou
mec. quântica (ver referências bibliográficas). Entretanto, o que não é muito discutido na
literatura é que quando vamos resolver a eq. de Schrödinger para o oscilador harmônico
não chegamos imediatamente à eq. diferencial (3.5), mas sim à eq..
H

ν
(u) −2uH

ν
(u) + 2νH
ν
(u) = 0 (3.8)
com (a priori) ν > −
1
2
. Então, por que nos interessamos tanto pelo caso ν = n =
0, 1, 2, . . .? E qual é o paradeiro da segunda solução independente desta eq. diferencial de
segunda ordem? As respostas para essas perguntas estão na relação entre a função H
ν
e a
hiperg. confluente, juntamente com a condição de contorno imposta pela mec. quântica.
Tal relação pode ser facilmente obtida com a troca x = u
2
que transforma a eq. (3.8) em:
x
d
2
H
ν
(x)
dx
2
+

1
2
−x

dH
ν
(x)
dx
+
ν
2
H
ν
(x) = 0
que é a EDO hiperg. confluente para a = −
ν
2
, c =
1
2
, cuja solução é dada pela eq. (2.20),
i.e.
H
ν
(u) = A
ν1
F
1


ν
2
;
1
2
; u
2

+ B
ν
u
1
F
1


(ν −1)
2
;
3
2
; u
2

(3.9)
Quando u →±∞, H
ν
(u) cresce exponencialmente (∼ e
u
2
), devido à eq. (2.25). Por outro
lado, a mec. quântica impõe uma condição de contorno sobre a solução. É exigido que a
integral
(H
ν
, H
ν
) =


0
e
−u
2
H
ν
(u)
2
du
28
convirja. Isso só é possível se H
ν
for um polinômio
2
(
1
F
1
(−n; c; u
2
), n ∈ N). Entretanto,
repare que é impossível as duas soluções independentes serem polinômios ao mesmo tempo.
Se ν = n = 0, 2, 4, . . ., devemos tomar B
n
= 0 para H
n
(u) ser um polinômio e se ν = n =
1, 3, 5, . . . A
n
é quem deve ser nulo. Em suma temos:
H
n
(u) ≡

(−1)
n
2
n!
(
n
2
)!
1
F
1


n
2
;
1
2
; u
2

, n = 0, 2, 4, . . .
(−1)
n−1
2
2(n!)
(
n−1
2
)!
u
1
F
1


n−1
2
;
3
2
; u
2

, n = 1, 3, 5 . . .
(3.10)
onde as constantes foram ajustadas para as eqs. (3.2) e (3.10) coincidirem
3
. O estudo
desta seção explica o porquê de ν →n = 0, 1, 2, . . . (justificando a quantização da energia
do oscilador) e o motivo de só utilizarmos uma das soluções da EDO de Hermite.
3.4 Exercícios Propostos
(1) Derivação alternativa da eq. (3.9):
Faça a troca H
ν
(u(x)) =

xW(x) (onde x = u
2
) na eq. (3.8), encontre a eq. diferencial
para W(x) (uma hipergeométrica confluente) e chegue novamente em (3.9).
(2) Fórmula de Rodrigues
Uma outra forma de definir os polinômios de Hermite é através da fórmula de Rodruigues:
H
n
(u) ≡ (−1)
n
e
−u
2 d
n
dx
n
e
−u
2
(3.11)
Verifique que para os valores de n = 0, 1, 2 e 3 ela coincide com a eq. (3.3).
(3) Expansão de uma função em termos dos polinômios de Hermite
(a) Seja F(u) uma função contínua por partes (ver apêndice A), com u ∈ R. Supondo
que F(u) possa ser expandida em termos dos polinômios de Hermite
F(u) =

¸
n=0
C
n
H
n
(u) (3.12)
2
já que nenhuma combinação linear das duas soluções pode cancelar os termos divergentes.
3
compare com a eq. (3.3)
29
mostre (com a ajuda da eq. (3.7)) que
C
n
=
1
2
n
n!

π


−∞
e
−u
2
F(u)H
n
(u)du (3.13)
(b) Prove a chamada relação de completude (ver eq. (B.8)):
e
u
2
δ(u −u

) =

¸
n=0
H
n
(u)H
n
(u

)
2
n
n!

π
(3.14)
30
Capítulo 4
Funções de Legendre
4.1 Polinômios de Legendre
4.1.1 Função Geratriz, Relações de Recorrência e Equação Dife-
rencial
Os polinômios de Legendre (P
l
(x)) podem ser definidos através da seguinte função geratriz:
g(x, t) ≡
1

1 −2xt + t
2
=

¸
l=0
P
l
(x)t
l
, 0 ≤ t < 1, −1 ≤ x ≤ 1 (4.1)
Como g(x, 0) = 1, então P
0
(x) = 1. O que será suficiente para conhecermos todos
os polinômios P
l
(x), assim que derivarmos algumas relações de recorrência. Para isso,
começarei aplicando

∂t
em (4.1)
∂g(x, t)
∂t
=
x −t
(1 −2tx + t
2
)
1/2
(1 −2tx + t
2
)
=

¸
l=0
lP
l
(x)t
l−1
l→l+1
=

¸
l=0
(l + 1)P
l+1
(x)t
l
eq.(4.1)
⇒ (x −t)

¸
l=0
P
l
(x)t
l
= (1 −2xt + t
2
)

¸
l=0
(l + 1)P
l+1
(x)t
l
31
Agrupando os termos em potências de t
(xP
0
−P
1
)t
0
+ (3xP
1
−P
0
−2P
2
)t +

¸
l=2
[(2l + 1)xP
l
−(l + 1)P
l+1
−lP
l−1
]t
l
= 0
levando à relação
(l + 1)P
l+1
= (2l + 1)xP
l
−lP
l−1
, l = 0, 1, . . . (4.2)
Os polinômios P
l
(x) podem ser facilmente derivados, para qualquer l, via eq. (4.2),
sabendo que P
0
(x) = 1 (como já havíamos adiantado). Os primeiros termos são:
P
0
(x) = 1, P
1
(x) = x, P
2
(x) =
1
2
(3x
2
−1),
P
3
(x) =
1
2
(5x
3
−3x), P
4
(x) =
1
8
(35x
4
−30x
2
+ 3) (4.3)
Outras relações de recorrência, agora relacionando derivadas de P
l
(x), resultam da dife-
renciação da função geratriz (4.1) com relação à x (P

l

dP
l
(x)
dx
).
∂g(x, t)
∂x
=
t
(1 −2xt + t
2
)

¸
l=0
P
l
t
l
=

¸
l=0
P

l
(x)t
l


¸
l=1
P
l−1
t
l
=

¸
l=0
P

l
t
l
−2x
¸
l=0
P

l−1
t
l
+

¸
l=2
P

l−2
t
l
⇒0 = P

0
t
0
+ (P

1
−2xP

0
−P
0
)t +

¸
l=2
(P

l
+ P

l−2
−2xP

l−1
−P
l−1
)t
l
A igualdade só é verdadeira se cada potência for nula, ou seja:
P

0
(x) = 0, P

1
(x) = 1
P

l+1
(x) + P

l−1
(x) = 2xP

l
(x) + P
l
(x), l ≥ 1 (4.4)
Vamos efetuar a seguinte operação: 2
d
dx
[eq. (4.2)]−(2l + 1)[eq. (4.4)]. Após um pequeno
trabalho algébrico
(2l + 1)P
l
(x) = P

l+1
(x) −P

l−1
(x) (4.5)
32
Combinações das eqs. (4.4) e (4.5) fornecem várias relações interessantes. Por exemplo,
eq. (4.4)+ eq. (4.5) (com l →l −1)
P

l
= xP

l−1
+ lP
l−1
(4.6)
e x

eq. (4.4)−eq. (4.5)

xP

l−1
= x
2
P

l
−lxP
l
(4.7)
Através dessas relações, vou derivar a eq. diferencial de segunda ordem, cujo polinômio
P
l
(x) é uma das soluções. Somando (4.6) e (4.7)
(1 −x
2
)P

l
= lP
l−1
−lxP
l
derivando
(1 −x
2
)P

l
−2xP

l
= lP

l−1
. .. .
eq.(4.7)
= l(xP

l
−lP
l
)
−lP
l
−lxP

l
assim, terminamos com a seguinte eq. diferencial de segunda ordem (onde só aparece P
l
)
(1 −x
2
)P

l
(x) −2xP

l
(x) + l(l + 1)P
l
(x) = 0 (4.8)
que é a eq. de Legendre. A outra solução da eq. (4.8) será discutida daqui a pouco (seção
(4.1.3)).
4.1.2 Ortogonalidade e norma dos polinômios de Legendre
É trivial ver que pode-se rescrever a eq. (4.8) como
((1 −x
2
)P

l
)

= −l(l + 1)P
l
33
i.e., temos uma eq. de auto-valores (ver apêndice B), onde ω(x) = 1, q(x) = 0 e p(x) =
1 −x
2
→p(−1) = p(1) = 0. Logo os polinômios P
l
são ortogonais em relação ao seguinte
produto interno
(P
l
, P
m
) =

1
−1
P
l
(x)P
m
(x)dx = 0, l = m
A norma (P
n
, P
n
) é facilmente calculada através da eq. (4.2) e da ortogonalidade. Primeiro
faça l →l −1 em (4.2), então multiplique-a por P
l
(x) e integre:
⇒(P
l
, P
l
) =

1
−1
P
l
(x)
2
dx =
1
l

1
−1
P
l
(x)

(2l −1)xP
l−1
(x) −(l −1)P
l−2
(x)

=
(2l −1)
l

1
−1
xP
l
(x)P
l−1
(x)dx
onde a ortogonalidade foi usada.
Agora multiplique a eq. (4.2) por P
l−1
e integre:
(P
l−1
, P
l−1
) =

1
−1
P
2
l−1
=
1
l

1
−1
P
l−1
(x)

(2l + 1)xP
l
−(l + 1)P
l+1

=
(2l + 1)
l

1
−1
xP
l−1
(x)P
l
(x)dx
Comparando as eqs.
⇒(P
l
, P
l
) =
2l −1
2l + 1
(P
l−1
, P
l−1
)
Sabendo que
(P
0
, P
0
) =

1
−1
dx = 2 →(P
1
, P
1
) =
1
3
2 , (P
2
, P
2
) =
3
5
1
3
2, . . . ,
(P
l
, P
l
) =

2l −1
2l + 1

2l −3
2l −1

2l −5
2l −3

. . .

1
3

2 =
2
2l + 1
Levando à forma final
(P
l
, P
m
) =

1
−1
P
l
(x)P
m
(x)dx =
2
2l + 1
δ
lm
(4.9)
34
4.1.3 Relação entre os polinômios de Legendre e a função hiper-
geométrica
Faça a troca y =
1−x
2
(x = −2y + 1) na eq. diferencial de Legendre (4.8). Após uma
pequena álgebra
y(1 −y)
d
2
dy
2
P
l
(y) + (1 −2y)
d
dy
P
l
(y) + l(l + 1)P
l
(y) = 0
Uma rápida comparação com a eq. (2.1) mostra que a eq. acima é uma hipergeométrica
com os parâmetros a = −l (como deve ser para a hipergeométrica ser um polinômio),
b = l + 1 e c = 1. Já que c = 1 ∈ Z, a segunda solução independente é singular no ponto
y = 0 (x = 1)
1
. Sendo P
l
(1) = 1 (ver exercício (1) deste parágrafo) e
2
F
1
(a, b; c; 0) = 1, a
relação entre essas funções fica
P
l
(x) =
2
F
1

−l, l + 1; 1;
1 −x
2

(4.10)
Queremos deixar claro que a segunda solução da eq. (4.8) existe, mas pela relação com
a eq. diferencial hipergeométrica fica claro (pois c = 1 ∈ Z) que ela não é um polinômio
e diverge em y = 0 (x = 1) (da forma ln y, y → 0, como mostrado no apêndice C). Em
praticamente todas as aplicações físicas exige-se a regularidade de P
l
(x) no ponto x = 1
(y = 0), assim essa segunda solução é descartada.
Outro comentário digno de nota é que na Mecânica Quântica (e quase todas as outras
aplicações físicas
2
) a eq. (4.8) não aparece (a priori ) com l = 0, 1, 2, . . ., mas sim com
l = ν > 0. A discretização de l é uma imposição que ocorre quando as condições de
contorno do problema exigem regularidade da solução no ponto x = −1 (y = 1), já que
pela eq. (2.12)
2
F
1
(−l, l +1; 1; 1) ∼ Γ(0) →∞(pólo simples), pois c = a+b = 1, a menos
que a hipergeométrica seja um polinômio
3
.
1
ver apêndice C
2
existem exceções, principalmente no eletromagnetismo.
3
um polinômio não pode divergir num valor finito. Além disso, a M.Q. exige que

1
−1
(P
ν
(x))
2
< ∞ o
que não seria possível se P
ν
(1) fosse um pólo simples ⇒

1
−1
(P
ν
(x))
2
dx ∼

1
1
(1−x)
2
dx ∼
1
1−x
, x →0.
35
4.1.4 Exercícios Propostos
(1) Usando a eq. (4.1) no ponto x = 1, mostre que P
l
(1) = 1 ∀ l = 0, 1, 2, . . .
(2) Fórmula de Rodrigues:
Uma definição alternativa para os polinômios de Legendre é:
P
l
(x) =
1
2
l
l!
d
l
dx
l
(x
2
−1)
l
(4.11)
Verifique que os primeiros termos coincidem com a eq. (4.3).
(3) Paridade dos Polinômios de Legendre: novamente com a ajuda da eq. (4.1), demonstre
a igualdade
P
l
(−x) = (−1)
l
P
l
(x) (4.12)
(4) Prove a relação (basta usar a função geratriz (4.1))
1
[r −

˜ r[
=
1
r

¸
l=0
P
l
(cos θ)

˜ r
r

l
, ˜ r < r (4.13)
onde cos θ =
r.

˜ r
|r||

˜ r|
. A eq. acima é muito útil no eletromagnetismo, em especial na expansão
multipolar (ver final do apêndice A).
(5) Expansão de uma função em termos dos polinômios de Legendre
(a) Seja F(x) uma função contínua por partes definida no intervalo x ∈ [−1, 1]. Supondo
que F(x) possa ser expandida em termos dos polinômios de Legendre
F(x) =

¸
l=0
C
l
P
l
(x) (4.14)
mostre (com a ajuda da eq. (4.9)) que
C
l
=
2l + 1
2

1
−1
F(x)P
l
(x)dx (4.15)
(b) Prove a chamada relação de completude (ver eq. (B.8)):
δ(x −x

) =

¸
l=0
(2l + 1)
2
P
l
(x)P
l
(x

), −1 < x, x

< 1 (4.16)
36
4.2 Funções de Legendre Associadas
4.2.1 Definição e equação diferencial
A definição das Funções de Legendre Associadas é
P
m
l
(x) = (1 −x
2
)
m/2
d
m
dx
m
P
l
(x), −l ≤ m ≤ l (4.17)
A eq. acima fornece alguns resultados importantes de imediato. Um é que
P
m
l
(1) = P
m
l
(−1) = 0 (4.18)
outro é a paridade de P
m
l
(x). Fazendo x → −x na definição acima mais a ajuda da eq.
(4.12):
P
m
l
(−x) = (−1)
l+m
P
m
l
(x) (4.19)
Também é evidente que P
m
l
(x) = 0 se m > l (explicando parte da restrição sobre os
valores de m), pois P
l
(x) é um polinômio de grau l, logo, se o derivarmos mais de l vezes o
resultado será zero. Já a outra restrição (−l < m) é necessária, pois a definição (4.17) não
faz sentido para esses valores de m < −l. Na verdade, vamos considerar, por enquanto,
apenas m > 0, mais à frente será mostrado que existe uma relação entre P
m
l
(x) e P
−m
l
(x),
i.e. é suficiente nos restringirmos ao caso m > 0.
Pela definição (4.17) mais a eq. (4.3) fica fácil derivar algumas das Funções de Legendre
Associadas:
l = 1 : P
1
1
(x) = (1 −x
2
)
1/2
(4.20)
l = 2 : P
1
2
(x) = 3x(1 −x
2
)
1/2
, P
2
2
(x) = 3(1 −x
2
)
l = 3 : P
1
3
(x) =
3
2
(5x
2
−1)(1 −x
2
)
1/2
, P
2
3
(x) = 15(1 −x
2
), P
3
3
= 15x(1 −x
2
)
3/2
l = 4 : P
1
4
(x) =
5
2
(7x
3
−3x)(1 −x
2
)
1/2
, P
2
4
(x) =
15
2
(7x
2
−1)(1 −x
2
)
P
3
4
(x) = 105x(1 −x
2
)
3/2
, P
4
4
(x) = 105(1 −x
2
)
2
37
O estudo dessas funções será feito de forma bastante ortodoxa aqui. Apelarei diretamente
para a relação entre os polinômios de Legendre e a função hipergeométrica mais a eq.
(2.13), o que permite (de uma forma bem simples) relacionar as funções de Legendre
Associadas com hipergeométricas.
d
m
dx
m
P
l
(x) =
d
m
dx
m
2
F
1

− l , l + 1; 1;
1 −x
2

eq.(2.13)
=

Γ(−l + m)
Γ(−l)

(l + m)!
l!
1
m!
(−1)
m
2
m
2
F
1

− l +m, l + 1 + m; 1 + m;
1 −x
2

Usando a eq. (2.5) (com N → l e n → m) no termo entre parênteses, as funções de
Legendre Associadas podem ser escritas, de forma elegante, como:
P
m
l
(x) =
(l + m)!
(l −m)!
(1 −x
2
)
m/2
2
m
m!
2
F
1

−(l −m), l + 1 + m; 1 + m;
1 −x
2

. (4.21)
A vantagem da eq. acima é que obviamente
P
m
l
(x(y))
[1−x
2
(y)]
m/2

P
m
l
(y)
[y(1−y)]
m/2

2
F
1
(−(l − m), l +
1; m + 1; y) (y =
1−x
2
) é solução da eq. hipergeométrica (2.1), com a = −(l − m),
b = l + m + 1 e c = m + 1, i.e.
y(1 −y)
d
2
dy
2

y(1 −y)

−m/2
P
m
l
(y)

+ (1 + m−2(m + 1)y)
d
dy

y(1 −y)

−m/2
P
m
l
(y)

+
((l −m))(l + m + 1)

y(1 −y)

−m/2
P
m
l
(x)

= 0
Abrindo as derivadas (e usando a igualdade (l −m)(l + m + 1) = l(l + 1) −m(m + 1))
⇒y(1 −y)
d
2
dy
2
P
m
l
(y) + (1 −2y)P
m
l
(y) +

l(l + 1) +
m
2
4y(y −1)

P
m
l
(y) = 0
Passando para a coordenada x = 1 −2y:
(1 −x
2
)
d
2
dx
2
P
m
l
(x) −2x
d
dx
P
m
l
(x) +

l(l + 1) −
m
2
(1 −x
2
)

P
m
l
(x) = 0 (4.22)
que é a eq. diferencial para as funções de Legendre Associadas. Os motivos por trás da
segunda solução independente da eq. acima ser ignorada e de não ser discutido o caso
l / ∈ N são os mesmos já mencionados na seção dos polinômios de Legendre.
38
4.2.2 Ortogonalidade e norma das Funções de Legendre Associa-
das
Rescrevendo a eq. (4.22) na forma Auto-Adjunta:
d
dx

(1 −x
2
)
d
dx
P
m
l
(x)


m
2
(1 −x
2
)
P
m
l
(x) = −l(l + 1)P
m
l
Uma simples comparação com a eq. (B.3) fornece: p(x) = (1 − x
2
), q(x) =
m
2
(1−x
2
)
,
µ
l
= l(l + 1) e ω = 1. Aplicando o resultado dado por (B.5), obtêm-se
(P
m
l
, P
m
l
) ≡

1
−1
dxP
m
l
(x)P
m
l
(x) = 0, l = l

(4.23)
Repare que a eq. acima só tem sentido se os índices m’s das duas funções forem os
mesmos, devido ao fato de q(x) depender explicitamente de m (na verdade de [m[) e na
derivação da eq. (B.5) assumirmos que apenas o auto-valor µ
l
= l(l + 1) muda.
O cálculo da norma não é nada simples. O método que vamos usar é trabalhoso mas
de fácil entendimento. Ele é baseado na fórmula de Rodrigues para P
m
l
, algo facilmente
derivado via a fórmula de Rodrigues dos polinômios P
l
(x) (eq. (4.11)) e a definição (4.17)
P
m
l
(x) =
(1 −x
2
)
m/2
2
l
l!
d
m+l
dx
m+l
(x
2
−1)
l

(−1)
m/2
2
2
l!
X
m/2
d
m+l
dx
m+l
X
l
(4.24)
onde X = (x
2
−1). Assim:
(P
m
l
, P
M
l
) =

1
−1
dxP
m
l
(x)
2
=
(−1)
m
2
2l
(l!)
2

1
−1
dx

X
m
d
m+l
dx
m+l
X
l

d
m+l
dx
m+l
X
l

integrando por partes (e usando que X

x=±1
= 0)
= −
(−1)
m
2
2l
(l!)
2

1
−1
dx

d
m+l−1
dx
m+l−1
X
l

d
dx
¸
X
m
d
m+l
dx
m+l
X
l

após l + m integração por partes:
(P
m
l
, P
M
l
) =
(−1)
l
2
2l
(l!)
2

1
−1
dxX
l
d
m+l
dx
m+l
¸
X
m
d
m+l
dx
m+l
X
l

39
Usando a fórmula de Leibniz
d
n
dx
n

A(x)B(x)

=
n
¸
s=0
n!
(n −s)!s!

d
n−s
dx
n−s
A(x)

d
s
dx
s
B(x)

(4.25)
temos:
d
m+l
dx
m+l
¸
X
m
d
l+m
dx
l+m
X
l

=
l+m
¸
s=0
(m + l)!
(m + l −s)!s!

d
m+l−s
dx
m+l−s
X
m

d
s+l+m
dx
s+l+m
X
l

como X
p
é um polinômio de grau 2p (p ∈ N)
4
, os termos não nulos da soma acima são
aqueles que obedecem, simultaneamente, as duas desigualdades:
m + l + s ≤ 2l
m + l −s ≤ 2m
implicando que s = l −m (subtraia as desigualdades). Logo:
d
m+l
dx
m+l
¸
X
m
d
l+m
dx
l+m
X
l

=
(m + l)!
(2m)!(l −m)!

d
2m
dx
2m
X
m

d
2l
dx
2l
X
l

=
(m + l)!
(2m)!(l −m)!
(2m)!(2l)!
Substituindo o resultado acima no cálculo da norma e escrevendo X explicitamente:
(P
m
l
, P
m
l
) =
(2l)!(l + m)!
2
2l
(l!)
2
(l −m)!

1
−1
dx(−1)
l
(x
2
−1)
l
=
(2l)!(l + m)!
2
2l
(l!)
2
(l −m)!

π
0

sin θ

2l+1

. .. .
=2
2l+1
(l!)
2
(2l+1)!
, x = cos θ
=
2
2l + 1
(l + m)!
(l −m)!
onde o resultado da integral acima é dado pelo exercício (3) do capítulo 1. Finalmente:
(P
m
l
, P
m
l
) =
2
2l + 1
(l + m)!
(l −m)!
δ
ll
(4.26)
que é a equação procurada.
4
X
p
= (x
2
−1)
p
= x
2p
+O(x
2p−1
) →
d
2p
dx
2p
X
p
= (2p)!
40
4.2.3 O caso m < 0
Nosso interesse está na solução, não singular em x = 1, da eq. diferencial (4.22) (é ela que
irá aparecer por toda a sua vida) e repare que tal eq. diferencial só depende de m
2
, i.e. não
depende do sinal de m. Esse fato demonstra que P
−m
l
(x) (m > 0) também é solução da
mesma equação. Consequentemente ou ela é proporcional à P
m
l
ou corresponde à segunda
solução independente da equação de segunda ordem. A primeira opção é a correta, já que
P
−m
l
não é singular em x = 1 (y =
1−x
2
= 0) (ver eq. (4.24) (fazendo m → −m)),
portanto não pode ter relação com a segunda solução independente (que é singular em
x = 1). Logo:
P
−m
l
(x) = C
lm
P
m
l
(x)
onde C
lm
é uma constante de proporcionalidade que só depende de l e m. Para encontrar
C
lm
tenha:
(P
−m
l
, P
m
l
) =

1
−1
dxP
−m
l
(x)P
m
l
(x)
eq.(4.17)
=

1
−1
dx

d
−m
dx
−m
P
l
(x)

d
m
dx
m
P
l
(x)

integrando por partes
=

d
−m
dx
−m
P
l
(x)

d
m−1
dx
m−1
P
l
(x)

x=1
x=−1

1
−1
dx

d
−m+1
dx
−m+1
P
l
(x)

d
m−1
dx
m−1
P
l
(x)

o primeiro termo é nulo devido a paridade de P
l
(x) ( P
l
(−x) = (−1)
l
P
l
(−x) via eq.
(4.12)). Após m integrações por partes (sempre com o termo de derivada total dando
zero):
(P
−m
l
, P
m
l
) = (−1)
m

1
−1
dxP
l
(x)
2
= (−1)
m
2
2l + 1
Por outro lado:
(P
−m
l
, P
m
l
) = C
lm
(P
m
l
, P
m
l
) = C
lm
2
2l + 1
(l + m)!
(l −m)!
41
Comparando:
P
−m
l
(x) = (−1)
m
(l −m)!
(l + m)!
P
m
l
(x) (4.27)
provando que P
m
l
e P
−m
l
são proporcionais, i.e. linearmente dependentes.
4.3 Exercícios Propostos
(1) Os harmônicos esféricos (que descrevem a dependência angular de um sistema quân-
tico não-relativístico com simetria radial) são definidos como:
Y
m
l
(θ, φ) =

2l + 1

(l −m)!
(l + m)!
P
m
l
(cos θ)e
imφ
, 0 ≤ θ ≤ π, 0 ≤ φ < 2π (4.28)
onde l ∈ N e m = −l, −l + 1, . . . , l −1, l. Verifique que:


0

π
0
dθ sin θ[Y
m
l
(θ, φ)[
2
= 1
42
Apêndice A
Transformada de Fourier e Delta de
Dirac
Um certo conhecimento sobre transformada de Fourier é essencial no curso de Mec. Quân-
tica, por outro lado, em geral, o aluno ainda não estudou o assunto. O objetivo deste
apêndice é de, sem se aprofundar na matemática, introduzir elementos básicos da trans-
formada de Fourier, ao menos o suficiente para os nossos propósitos
1
. Antes de falar de
transformada de Fourier vamos fazer uma pequena revisão sobre séries de Fourier.
A.1 Delta de Kronecker e Séries de Fourier
Se n, m ∈ Z, então o delta de Kronecker é definido como:
δ
nm
=

0, se n = m
1, se n = m
(A.1)
1
o aluno que desejar se aprofundar mais no assunto deve consultar a bibliografia
43
Existem muitas representações para a eq. (A.1). As de nosso interesse são:
δ
nm
=
1
2πL

πL
−πL
e
i(n−m)
x
L
dx
=
1
πL

πL
−πL
cos

nx
L

cos

mx
L

dx
=
1
πL

πL
−πL
sin

nx
L

sin

mx
L

dx (A.2)
onde as duas últimas não representam δ
00
= 1. Por inspeção direta você pode confirmar
que essas representações são legítimas. A eq. (A.2) serve como pré-requisito para a
definição de séries de Fourier.
Seja a função f(x) um vetor no espaço vetorial das funções contínua por partes
2
no
intervalo x ∈ [−Lπ, Lπ] (chamarei de CP), então assumindo que o conjunto de vetores
(1/2, cos
x
L
, cos
2x
L
, . . . , sin
x
L
, sin
2x
L
, . . .) forma uma base de CP, f(x) pode ser escrita como:
f(x) =
a
0
2
+

¸
n=1

a
n
cos

nx
L

+ b
n
sin

nx
L

(A.3)
Mesmo sem provar nada a definição acima é bem natural, onde a parte dos cossenos
(incluindo o termo a
0
) descreve a parte simétrica da função, enquanto os senos a parte
anti-simétrica
3
. Para determinar os coeficientes de Fourier a
0
, a
n
e b
n
, vamos aplicar, res-
pectivamente,


−Lπ
dx,


−Lπ
dx cos
mx
L
,


−Lπ
dx sin
mx
L
na eq. acima e utilizar (assumindo
uma integração termo a termo) a eq. (A.2). Assim temos:
a
0
=
1


−Lπ
dxf(x)
a
n
=
1


−Lπ
dxf(x) cos

nx
L

b
n
=
1


−Lπ
dxf(x) sin

nx
L

(A.4)
2
funções que possuem apenas um número finito de descontinuidades e de extremos (máximos, mínimos
e pontos de inflexão) em um intervalo definido.
3
toda função pode ser escrita como a soma de uma parte simétrica e uma ani-simétrica: f(x) =
1
2
(f(x) + f(−x)) +
1
2
(f(x) −f(−x))
44
Com as fórmulas cos
nx
L
=
1
2
(e
i
nx
L
+ e
−i
nx
L
) e sin
nx
L
=
1
2i
(e
i
nx
L
− e
−i
nx
L
), a série de Fourier
(A.3) pode ser rescrita como:
f(x) =

¸
n=−∞
c
n
e
i
nx
L
(A.5)
onde
c
0
=
a
0
2
c
n
=
1
2
(a
n
−ib
n
), se n > 0
c
n
=
1
2
(a
−n
+ ib
−n
), se n < 0
Substituindo (A.4) na eq. acima, chega-se a uma fórmula universal para c
n
c
n
=
1
2Lπ


−Lπ
dxf(x)e
−i
nx
L
n ∈ Z (A.6)
que poderia ser derivada aplicando


−Lπ
dxe
−i
mx
L
na eq. (A.5) e usando a primeira eq.
de (A.1). Repare que nessa forma os coeficientes são imaginários, porém c

n
= c
−n
o que
garante a realidade de f(x) (f(x)

= f(x)). Por outro lado, poderíamos ter definido a
série de Fourier como a eq. (A.5) (sem referência à eq. (A.3)) com f(x) sendo uma função
complexa e mesmo assim a primeira eq. de (A.2) garantiria que os coeficientes c
n
seriam
dados por (A.6), i.e. as eqs. (A.5) e (A.6) definem a série de Fourier mesmo para uma
função complexa (só que sendo complexa, c

n
= c
−n
). Isso encerra a pequena revisão sobre
séries de Fourier.
A.2 Transformada de Fourier
A transformada de Fourier consiste no limite L → ∞ da série de Fourier, ou seja, ela
representa uma função f(x) contínua por partes que está definida em toda reta. Vamos
ver como tomar tal limite.
Mudando a notação da seguinte forma: k ≡
n
L
, ∆k ≡ k(n + 1) − k(n) =
1
L
e c
n
→ c(k),
45
então temos pela eq. (A.5):
f(x) =
¸
k

L∆k
....
=1

c(k)e
ikx
=
1


¸
k
∆k

2πLc(k)

e
ikx
Definindo:
F(k) ≡

2πLc(k)

=
1

−Lπ
−Lπ
dxf(x)e
−ikx
a série pode ser escrita como:
f(x) =
¸
k
F(k)


e
ikx
∆k =
¸
k
Área
k
(A.7)
onde Área
k
é explicado graficamente na figura A.1
k

ÁRea
Área
l
l
k
F.e
ikx
2 Π
Figura A.1: Valores de
F(k)


e
ikx
(com x fixo) para vários valores de k em um
exemplo hipotético. A soma na eq. (A.7) é dada pela soma das pequenas áreas,
como mostrado no ponto k = l.
Quanto maior L menor será ∆k =
1
L
e mais próximos estarão os pontos da fig. (A.1).
Fica evidente pela figura (A.1) que no limite L → ∞ (∆k → 0) a variável k se torna
contínua, F(k)e
ikx
(x fixo) vira uma função contínua de k e a soma (A.7) tem como limite
uma integral em k (integral é a área sob a curva). Ou seja, o resultado final para a
46
transformada de Fourier é:
f(x) =
1


−∞
dkF(k)e
ikx
F(k) =
1


−∞
dxf(x)e
−ikx
(A.8)
A.3 Delta de Dirac
A transformada de Fourier pode ser usada para derivar uma representação integral da
“função” (distribuição) Delta de Dirac (δ(x)) que é definida como:


−∞
f(x)δ(x −x
0
)dx = f(x
0
) (A.9)
fazendo f(x) = δ(x) na segunda eq. de (A.8) implica que
F(k) =
1


e, consequentente:
δ(x) =
1


−∞
dke
ikx
(A.10)
que é principal representação da Delta de Dirac usada na física. Se afrouxarmos a condição
de f(x) ∈ R, i.e. considerarmos f(x) uma função complexa (de uma argumento real), e
definirmos a transformada de Fourier de f(x) como a primeira eq. de (A.8), a eq. (A.10)
garante que a transformada inversa seja dada pela segunda eq. de (A.8) (basta aplicar
1

2


−∞
e
−ik

x
nos dois lados da equação). O que quero dizer é que a fórmula (A.8) vale
mesmo para funções complexas.
Algumas propriedades da Delta de Dirac são:
• δ(−x) = δ(x)
prova: basta re-derivar a representação integral tamando F(k) = δ(k) e f(x) =
1


,
47
ao invés de f(x) = δ(x) e F(k) =
1


.
• f(x)δ(x −a) = f(a)δ(x −a) ([f(a)[ < ∞)
prova:


−∞
f(x)δ(x−a)dx = f(a).1 = f(a)


−∞
δ(x−a)dx

=


−∞
f(a)δ(x−a)dx
• δ(ax) =
δ(x)
|a|
prova:


−∞
δ(x)dx =


−∞
δ(
|a|x
|a|
)[a[d
x
|a|
=


−∞
([a[δ([a[y))dy =


−∞
([a[δ(ay))dy =


−∞
([a[δ(ax))dx

δ(g(x)) =
¸
n
δ(x −x
n
)
[g

(x
n
)[
, onde g(x
n
) = 0 e g

(x
l
) = 0 (A.11)
prova:


−∞
δ(x −x
1
)dx,
com a troca: δ(x − x
1
) = δ([g(x)[) = δ(g(x)) → dx = [g

(x)[dx (g(x
1
) = 0 e
g

(x
1
) = 0), logo:


−∞
δ(x −x
1
)dx =


−∞
δ(g(x))[g

(x)[dx
⇒δ(g(x)) =
δ(x −x
1
)
[g

(x)[
=
δ(x −x
1
)
[g

(x
1
)[
a generalização é imediata.
A.4 Transformada de Fourier em d dimensões e con-
sequências
A generalização da Delta de Dirac para d-dimensões é imediata:

R
d
f(x)δ
d
(x −x

)d
d
x = f(x

) (A.12)
48
ou seja:
δ
d
(x −x

) ≡ δ(x
1
−x

1
)δ(x
2
−x

2
) . . . δ(x
d
−x

d
)
=

1


−∞
dke
ik
1
x
1

. . .

1


−∞
dke
ik
d
x
d

=
1
(2π)
d

R
d
d
d
ke
i

k.x
(A.13)
A forma natural da transformada de Fourier em d dimensões é:
f(x) =
1
(2π)
d/2

R
d
d
d
kF(

k)e
i

k.x
(A.14)
e a eq. (A.13) mais a definição (A.12) garantem que a transformação inversa (basta aplicar
1
(2π)
d/2

R
d
e
−i

k.x
nos dois lados da eq. acima) seja dada por:
F(

k) =
1
(2π)
d/2

R
d
d
d
xf(x)e
−i

k.x
(A.15)
definindo a transformada de Fourier em d-dimensões.
Uma propriedade interessante (e muito importante na mec. quântica) da transformada
de Fourier é:

R
d
d
d
x[f(x)[
2
=

R
d
d
d
k[F(

k)[
2
(A.16)
A prova consiste em usar a eq. (A.14) e depois a representação da Delta (A.13):

R
d
d
d
x[f(x)[
2
=

R
d
d
d
x

1
(2π)
d/2

R
d
d
d
k

F

(

k

)e
−i

k

.x

1
(2π)
d/2

R
d
d
d
kF(

k)e
i

k.x

=

R
d
d
d
k

R
d
d
d
k

F(

k)F

(

k

)
1
(2π)
d

R
d
d
d
xe
i(

k−

k

).x
. .. .

d
(

k−

k

)
=

R
d
d
d
k[F(

k)[
2
Iremos encerrar o apêndice mostrando como resolver uma eq. diferencial parcial através
da transformada de Fourier e da representação integral (A.10) da Delta de Dirac. Vamos
49
resolver a eq.:
(∇
2
(x)
−µ
2
)G(x −x

) = −eδ
3
(x −x

) (A.17)
µ ≥ 0 é uma constante com dimensão do inverso do comprimento. Substituindo no lado
esquerdo a transformada de Fourier
G(x −x

) =
1
(2π)
3/2

R
3
d
3
k
˜
G(

k)e
i

k.(x−x

)
e no direito a eq. (A.13) (com d = 3), ficamos com:
1
(2π)
3/2

R
3
d
3
ke
i

k(x−x

)

−([k[
2
+ µ
2
)
˜
G(k) +
e
(2π)
3/2

= 0
como a transformada de Fourier de zero é zero

˜
G([k[) =
e
(2π)
3/2
([

k[
2
+ µ
2
)
O uso da transformada de Fourier transfere o problema de resolver a eq. diferencial (A.17)
em resolver a seguinte integral:
G(x −x

) =
e
(2π)
3

R
3
d
3
k
e
i

k(x−x

)
([

k[
2
+ µ
2
)
passando para coordenadas esféricas: d
3
k → k
2
sin θdkdθdφ e

k(x −x

) = kr cos θ, onde
k ≡ [

k[ e r ≡ [x −x

[
G(x −x

) =
e
(2π)
3


0


0
dk
k
2
k
2
+ µ
2

π
0
dθ sin θe
ikr cos θ
. .. .
R
1
−1
dξe
ikrξ
=
e

2
r


0
dk
k sin(kr)
k
2
+ µ
2
=
e

2
r


−∞
dk
k sin(kr)
k
2
+ µ
2
=
e

2
r
·m


−∞
dk
ke
ikr
k
2
+ µ
2

=
e

2
r
·m


−∞
dk
ke
ikr
(k + iµ)(k −iµ)
. .. .
=(I)

(I) =

C
dz
ze
izr
(z + iµ)(z −iµ)
= 2πiRes

ze
izr
(z + iµ)(z −iµ)

z=iµ
= iπe
−µr
50
onde o contorno C é dado pela figura (A.2). Pegando a parte imaginária do resultado
acima chegamos à resposta do problema:


R
Re z
Im z
Figura A.2: Contorno C
G(r) =
e
4πr
e
−µr
(A.18)
conhecido como potencial de Yukawa. No limite µ → 0 e com e =
1

0
, a eq. (A.17) vira
a eq. de Poisson que descreve o potencial elétrico no ponto x de uma carga pontual no
ponto x

com carga elétrica unitária. E a solução fica:
G(r) =
1

0
1
r
(A.19)
Por fim, mostrarei como a solução (A.19) é suficiente para determinar o potencial ele-
trostático de qualquer distribuição de carga ρ(x) (a carga total da distribuição é q =

R
3
ρ(x)d
3
x), i.e. qualquer solução da eq. de Poisson:

2
ϕ(x) = −
ρ(x)

0
(A.20)
Para isso, basta escrever ϕ(x) como:
ϕ(x) =

R
3
d
3
x

G(x −x

)ρ(x

)
51
Aplicando ∇
2
:

2
ϕ(x) =

R
3
d
3
x


2

G(x −x

)

ρ(x

)
!
= −
ρ(x)

0
que só é verdade se G(x −x

) for solução de (A.17) com µ = 0 e e =
1

0
, i.e. se for a eq.
(A.19). Portanto, a solução geral da eq. (A.20) é:
ϕ(x) =
1

0

R
3
d
3
x

ρ(x

)
[x −x

[
(A.21)
onde o integrando pode ser expandida em termos de

x

x

=
r

r
(se [x[ for maior que as
dimensões da distribuição de cargas) via fórmula (4.13):
ϕ(x) =
1

0
r

¸
l=0

R
3
d
3
x

ρ(x

)P
l
(cos θ)

r

r

l
, cos θ =
x.x

rr

=
1

0
q
r
+
1

0
p.x
r
3
+
1

0
x
i
x
j
2r
5
Q
ij
+ . . .
que é a famosa expansão multipolar. Os termos p e Q
ij
são, respectivamente, chamados
de momento de dipolo e tensor de quadripolo e são dados por:
p =

R
3
d
3
x

x

ρ(x

)
Q
ij
=

R
3
d
3
x

ρ(x

)(3x
i
x
j
−δ
ij
r
2
)
Q
ij
é um tensor simétrico (Q
ij
= Q
ji
) e de traço nulo (Q
i
i
= 0).
52
Apêndice B
Problema de Sturm - Liouville
Dada a EDO de segunda ordem:
y

(x) +
a
1
(x)
a
2
(x)
y

(x) +
a
0
(x)
a
2
(x)
y(x) = 0 (B.1)
com a
2
(x) = 0, exceto em alguns pontos isolados (possíveis singularidades). Multiplicando
a eq. por p(x) = exp(

x a
1
(¯ x)
a
2
(¯ x)
d¯ x) e definindo q(x) =
a
0
(x)
a
2
(x)
exp(

x a
1
(¯ x)
a
2
(¯ x)
d¯ x), rescrevemos a
eq. (B.1) na forma Auto-Adjunta (algo sempre possível):
ˆ
Ly(x) ≡

p(x)y

(x)

+ q(x)y(x) = 0 (B.2)
A forma Auto-Adjunta (B.2) pode ser útil ao resolvermos problemas de auto valores, i.e.
ˆ
Ly
n
(x) = −µ
n
ω(x)y
n
(x) (B.3)
supondo que cada y
n
corresponda à apenas uma constante µ
n
, ou seja, sem degenerescên-
cia. A função ω(x) (positiva definida) é chamada de função peso e será importante mais
à frente.
As funções y
n
(x) (para vários valores de n), estão definidas no espaço vetorial das funções
continuas por partes, num certo intervalo do argumento x (por exemplo, [a, b], [0, ∞),
53
(−∞, ∞), etc.) que vamos chamar de CP. Existem certas restrições sobre p(x), q(x) e
ω(x) que são:
• p(x) > 0 é diferenciavel em CP e p(x) = 0 em ∂CP (extremos (ou bordas) de CP)
• q(x) e ω(x) > 0 (pode ser zero em ∂CP) são continuas em CP
As condições acima são suficientes para mostrar a ortogonalidade entre as funções y
n
(x).
Para provar a afirmação, basta tomar a seguinte diferença:
y
n
(
ˆ
Ly
m
) −y
m
(
ˆ
Ly
n
) = (µ
n
−µ
m
)ω(x)y
n
(x)y
m
(x)
que após simplificações no lado esquerdo (usando a eq. (B.2)) toma a forma

p(x)

y
n
(x)y

m
(x) −y
m
(x)y

n
(x)

= (µ
n
−µ
m
)ω(x)y
n
(x)y
m
(x) (B.4)
conhecida como identidade de Lagrange.
De acordo com nossas condições, p = 0 em ∂CP (limites de CP). Assim ao integrar (B.4)
em CP temos:
p(x)

y
n
(x)y

m
(x) −y
m
(x)y

n
(x)

∂CP
= 0 = (µ
n
−µ
m
)

CP
ω(x)y
n
(x)y
m
(x)
Com isso, concluímos que se µ
n
= µ
n
, então
(y
n
, y
m
) ≡

CP
ω(x)y
n
(x)y
m
(x) = 0 n = m (B.5)
Ou seja, as funções y
n
e y
m
(n = m) são ortogonais em relação ao produto interno definido
pela eq. (B.5), onde a função peso ω(x) tem o papel de garantir que a norma quadrada
de y
n
seja bem definida, i.e. [[y
n
[[
2
≡ (y
n
, y
n
) < ∞.
54
No caso de n ser um índice discreto, variando de zero até o infinito, a eq. (B.5) “garante”
1
que uma função F(x) em CP possa ser expandida em termos de y
n
(i.e. y
n
forma uma
base de CP)
F(x) =

¸
n=0
c
n
y
n
(x), com (B.6)
c
n
=
1
[[y
n
[[
2
(F(x), y
n
) =
1
[[y
n
[[
2

CP
ω(x)F(x)y
n
(x)dx (B.7)
Se F(x) = δ(x −x

) (x, x

∈ CP), temos a relação de completude (ou completeza):
δ(x −x

)
ω(x

)
= δ

x
x

ω(˜ x)d˜ x

=

¸
n=0
1
[[y
n
[[
2
y
n
(x)y
n
(x

) (B.8)
onde na primeira igualdade usei a manjada fórmula (A.11).
1
não é uma prova matemática
55
Apêndice C
Wronskiano e a segunda solução
independente
Em alguns casos o método de Frobenius só fornece uma das duas suluções independentes
de uma EDO de segunda ordem. O objetivo deste apêndice é tentar responder à duas
questões: (1) Existe uma forma geral de encontrar a segunda solução? (2) Por que o
método de Frobenius falha em certas situações.
Para responder a primeira pergunta (cuja resposta é sim) vamos estudar o Wronskiano.
C.1 Wronskiano
Tenha uma EDO de segunda ordem do tipo
y

(x) + P(x)y

(x) + Q(x)y(x) = 0 (C.1)
cuja solução geral seja dada por:
y(x) = Ay
1
(x) + By
2
(x); A, B = const
56
onde y
1
(x) e y
2
(x) são soluções linearmente independentes (l.i.) da eq. Então o Wronski-
ano é definido como o seguinte determinante:
W(x) ≡

y
1
y
2
y
1
y

2

= y
1
y

2
−y

1
y
2
= y
2
1
d
dx

y
2
y
1

= 0 (C.2)
O Wronskiano é não nulo, pois se o fosse indicaria que y
1
e y
2
não são l.i. (y
1
(x) ∼ y
2
(x)).
Derivando o Wronskiano:
W

(x) = y
1
y

2
−y

1
y
2
como y
1
e y
2
são suluções de (C.1): y

i
= −Py

i
− Qy
i
, i = 1, 2, a eq. acima pode ser
escrita da seguinte forma:
W

(x) = y
1
y

2
−y

1
y
2
= −y
1
Py

2
−Qy
1
y
2
+ Py

1
y
2
+ Qy
1
y
2
= −P(y
1
y

2
−y

1
y
2
) = −P(x)W(x)
Integrando:
W(x) ∝ e

R
x
P(ξ)dξ
(C.3)
Igualando as eqs. (C.2) e (C.3)
y
2
1
d
dx

y
2
y
2

∝ e

R
x
P(ξ)dξ

x
d

y
2
y
1

x

exp

η
P(ξ)dξ

y
2
1
(η)
então
y
2
(x) ∝ y
1
(x)

x

exp

η
P(ξ)dξ

y
2
1
(η)
(C.4)
Portanto, se temos o conhecimento de uma das soluções (y
1
(x)) a outra é completamente
determinada pela eq.(C.4), respondendo a nossa primeira questão.
57
Vamos aplicar este método num exemplo bem simples que dará a dica para a resposta da
segunda questão. Tenha a EDO:
xy

(x) + y

(x) = 0
Tentaremos resolver via Frobenius, i.e. colocando y(x) =
¸

n=0
C
n
x
n+k
na eq.
⇒0 =

¸
n=0

C
n
(n + k)(n + k −1) + C
n
(n + k)

x
n+k−1
=

¸
n=0
C
n
(n + k)
2
x
n+k−1
ou seja, C
n
= 0, exceto C
−k
. Assim, y(x) ≡ y
1
(x) = C
−k
= const que obviamente é
solução da eq. acima. O método não forneceu a segunda solução, vamos achá-la via eq.
(C.4) (com P(x) =
1
x
)
y
2
(x) ∝

x
dηexp

η
1
ξ

=

x

η
= ln[x[
A solução geral fica:
y(x) = A + B ln[x[; A, B = const.
O exemplo acima é muito simples, mas muito instrutivo, pois fornece a explicação exata
do método de Frobenius falhar em certas ocasiões. O motivo é que uma das soluções
(que chamamos de segunda) possui uma singularidade essencial no ponto x = 0 (no
caso, ln x, x → 0) e como não é possível expandir uma solução em série de potências
ao redor de uma singularidade essencial é natural que o método de Frobenius falhe. O
comportamento apresentado pelo exemplo é de certa forma geral, no sentido de quando o
método de potências falha temos uma segunda solução com o comportamento ln x, x →0.
Um exemplo mais complicado é o da hipergeométrica com c = 1. Nesse caso, as duas
soluções independentes (ver eq. (2.9)) coincidem, i.e. o método de Frobenius só fornece
uma solução. A segunda solução pode ser obtida por (C.4) (com y
1
(z) sendo dado por
58
(2.3))
y
2
(z) ∝ y
1
(z)

z
dz

[z

−1/2[
[z

[
1
y
1
(z

)
2
[1 −z

[
a+b+1
|z|1

z
dz

[z

[
∼ ln[z[
mostrando o comportamento logarítmico próximo de z = 0. Por outro lado, como pode
ser visto nesse último exemplo, o cálculo da eq. (C.4) é, em geral, muito complicado. Por
isso vamos desenvolver um método alternativo para encontrar a segunda solução.
Suponha que Frobenius só forneceu uma solução para a eq. (C.1) (y
1
(x)), pelos nossos
argumentos a segunda solução deve ter um comportamento ln x, x →0, o que nos estimula
a tentar o seguinte ansatz :
y
2
(x) = u(x) ln x + v(x) (C.5)
u(x) e v(x) são funções a serem determinadas. Colocando em (C.1)
ln x(u

+ Pu

+ Q) +
2u

x

u
x
2
+
u
x
P + v

+ Pv

+ vQ = 0
Escolhendo u = y
1
o primeiro termo se anula, resultando em:
v

+ P(x)v

+ Q(x) =
y
1
x
2

y
1
x
P(x) −2
y

1
x
(C.6)
Agora podemos tentar resolver a eq. acima tomando
v(x) =

¸
n=0
C
n
x
n+k
i.e. com Frobenius. Escrevendo explicitamente a série de y
1
(x) nos termos do lado direito
e comparando potência a potência, podemos determinar os coeficientes C
n
.
Resumo: quando o método de série de potências falha, demos argumentos para convencer
o leitor que isso é resultado de um comportamento logarítimico nas proximidades do
ponto de origem da série, o que sugere o ansatz (C.5). Escolhendo u(x) = y
1
(x) (solução
conhecida), chega-se à eq. (C.6) que, talvez, seja resolvida pelo método de Frobenius.
59
Referências Bibliográficas
[1] Mathematical Methods for Physicists, Sixth Edition, Arfken and Weber.
[2] Funções Especiais com Aplicações, Edmundo Capelas de Oliveira.
[3] Funções Analíticas com Aplicações, Edmundo Capelas de Oliveira e Waldyr Alves
Rodruigues Jr.
[4] Notas de Física Matemática, Carmen Lys Ribeiro Braga.
[5] Quantum Mechanics, Third Edition, L.D. Landau and E.M. Lifshitz.
[6] Special Functions and Polynomials, Gerard ’t Hooft and Stefan Nobbenhuis.
[7] Introdução à Análise Linear, Vols. 2 e 3, Donald Kreider e outros.
[8] Física Matemática, Butkov.

Resumo
Em muitas oportunidades, durante o curso de Mecânica Quântica (e em qualquer curso sério de física), você se confrontará com várias funções especiais, ao mesmo tempo em que não são oferecidos cursos sobre o assunto durante a graduação. Assim, estas notas 1 , auto-consistentes, foram feitas para auxiliar o aluno (você mesmo) no desafio de entender um pouco sobre o micro-mundo da mecânica quântica. As funções especiais encontradas aqui são: Gamma, Beta, Hipergeométrica, Hipergeométrica Conflluente, os Polinômios de Hermite, de Legendre e as Funções de Legendre Associadas. Damos ênfase às propriedades que serão úteis no decorrer do curso: condições para as hipergeométricas se tornarem polinômios (importante no estudo dos níveis de energia de vários potenciais) e expansões assintóticas das hipergeométricas (vitais na obtenção dos coeficientes de reflexão e transmissão em “espalhamentos” unidimensionais e seções de choque em espalhamentos tridimensionais). Também oferecemos vários exercícios, todos com aplicações na física (mesmo que não apareçam no curso de mec. quântica), com o objetivo de estimular o aluno a se interessar mais pelo assunto. E temos três apêndices: No primeiro damos uma pequena introdução sobre a Transformada de Fourier (essencial na Mec. Quântica) e a “função” Delta de Dirac, no segundo tratamos do problema de Sturm-Liouville e o terceiro é dedicado à obtenção da segunda solução independente duma equação diferencial ordinária de segunda ordem quando já conhecemos uma solução. Basicamente todo o conteúdo dessas notas pode ser encontrado nas referências bibliográficas, a única diferença está na ordem de exposição. Os livros, em geral, discutem as funções hipergeométricas e hipergeométricas confluentes após estudar os polinômios ortogonais e as Funções de Legendre Associadas. Nós fazemos exatamente o oposto, já que as funções citadas não passam de casos particulares de hipergeométricas e hipergeométricas confluentes. Com isso, entendemos que ao estudar os casos mais gerais no início, o leitor terá uma base sólida para aprender, rapidamente, os casos particulares.

1

ainda em construção

Sumário
1 Funções Gamma e Beta 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 Função Gamma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Função Beta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Relação entre a função Gamma e funções trigonométricas . . . . . . . . . . Fórmula de duplicação de Lagrange . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1 3 5 7 7 10

2 Funções Hipergeométrica e Hipergeométrica Confluente 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 2.1.4 2.2 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.2.4 2.3

Função Hipergeométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Equação diferencial e solução via série de potências . . . . . . . . . 10 Representação Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Relações Úteis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Expansões Assintóticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Equação diferencial e solução via série de potências . . . . . . . . . 18 Representação Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Expansão Assintótica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Hipergeométrica confluente como um problema de Sturm-Liouville . 21

Função Hipergeométrica Confluente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 24

3 Polinômios de Hermite 3.1 3.2 3.3 3.4

Definição via Função Geratriz, Relações de Recorrência e a EDO de Hermite 24 Ortogonalidade e norma dos Polinômios de Hermite . . . . . . . . . . . . . 25 Relação com a função Hipergeométrica Confluente . . . . . . . . . . . . . . 27 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 30 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

4 Funções de Legendre 4.1 Polinômios de Legendre 4.1.1 4.1.2 4.1.3

Função Geratriz, Relações de Recorrência e Equação Diferencial . . 30 Ortogonalidade e norma dos polinômios de Legendre . . . . . . . . 32 Relação entre os polinômios de Legendre e a função hipergeométrica 34

. .1 4. . .4 Transformada de Fourier em d dimensões e consequências . . . . . . 36 Exercícios Propostos . . . . . . .Liouville C Wronskiano e a segunda solução independente 52 55 C. . . . .1. . . . . . . . . . . . . . . . .2 Transformada de Fourier . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . 40 Funções de Legendre Associadas . 42 A. . . . . . . . .3 4. . . . . . . 36 Ortogonalidade e norma das Funções de Legendre Associadas . . . . . 55 Referências Bibliográficas 59 . . .4. . . . . . . . . . 46 A. . . . . . . . . . . . .1 Delta de Kronecker e Séries de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Delta de Dirac . . . . . . . . . . . 35 Definição e equação diferencial . . . . . 41 42 A Transformada de Fourier e Delta de Dirac A. . . . . . 44 A. . . . . . .4 4. . . . . . 38 O caso m < 0 . . . . .2 4.2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Wronskiano . . 47 B Problema de Sturm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Exercícios Propostos . . . . . . . . . . . .

basta integrar a eq. ∞ t=u2 ∞ 0 Γ(1/2) = 0 e−t t− 2 dt = 2 1 e−u du = 2 √ π .1 Capítulo 1 Funções Gamma e Beta 1.2) Para provar.1 Função Gamma A função Gamma (Γ) pode ser definida como a integral abaixo: ∞ Γ(z) ≡ 0 e−t tz−1 dt . e(z) > 0 (1. (1.2) que: Γ(1 + n) = n!.1) Sua propriedade mais importante é: Γ(1 + z) = zΓ(z) (1. Ou seja. temos de (1. Outra quantidade importante é Γ(1/2). Γ(z) é uma generalização natural do fatorial. então para z = n ∈ N.1) por partes t=∞ Γ(1 + z) = −e t  +z −t z  t=0 ∞ e−t tz−1 dt = zΓ(z) 0 Repare que Γ(1) = 1.

√ π . Agora. porém com uma continuação analítica.4) fornece uma continuação analítica da eq. vamos usar a mesma lógica para encontrar uma definição mais abrangente da função Γ. a eq. porém (provavelmente) mais familiar ao leitor. Mas antes de prosseguir. pode-se definir a função Γ(z) em todo plano complexo.3) para |z| < 1.3) para todo plano complexo (exceto no pólo simples em z = 1). (1.4) Entretanto. exceto nos seus pontos singulares (que iremos descobrir). (1.2 =⇒ Γ(3/2) = 1 Γ(1/2) = 2 (1.1) da seguinte forma: n Γ(z) = lim n→∞ 1− 0 t n n tz−1 dt já que1 t 1− n n ∞ n→∞ 1 lim = n=0 (−1)n tn ≡ e−t n! o famoso limite fundamental que pode ser facilmente verificado via expansão binomial . a eq.3) quando |z| < 1. onde novamente usamos a eq. .2). a série converge para o valor: 1 1−z f (z) = (1. 4 . ∞ f (z) = n=0 zn (1.1) está definida na região e(z) > 0. A eq. (1. vamos responder a pergunta que está na sua cabeça (ou não): o que é uma continuação analítica? A resposta será dada em um exemplo muito parecido com o nosso. acima está definida ∀ z = 1 e coincide com “velha” definição (1. (1. Com isso. . 2 Γ(5/2) = 3 Γ(3/2) = 2 √ 3 π . Comecemos rescrevendo a eq. Tenha a série progressão geométrica.

−2. .5)). . seu problema é ser de difícil manuseio2 . . b) ≡ 2 (1.3) e (1. . onde a função.. . (1. possui pólos simples. exceto nos pontos z = 0. Prove! . (z + n − 1) 1 (1 − u)n−n uz+n−1 dt 0 1 = z+n logo: n! nz n→∞ z(z + 1)(z + 2) . = n→∞ lim nz n(n − 1)(n − 2) . claramente (pela eq. (z + n) Γ(z) = lim (1.5) é uma continuação analítica da definição (1. −1. (1. A eq. . .5) Da mesma forma que nosso exemplo simples (eqs.1) que estende o domínio da função Γ(z) para todo plano complexo. (1.4)). . 1 z(z + 1)(z + 2) .5) pode ser encarada como uma definição da função Γ (a mais geral possível). .3 com a troca de variável u = t n e integrando n vezes por partes 1 Γ(z) = n→∞ lim nz 0 (1 − u)n uz−1 dt n 1 = lim nz (1 − u)n−1 uz dt n→∞ z 0 1 z n(n − 1) = lim n (1 − u)n−2 uz+1 dt n→∞ z(z + 1) 0 n(n − 1)(n − 2) 1 = lim nz (1 − u)n−2 uz+2 dt n→∞ z(z + 1)(z + 2) 0 . (1. 1.6) uma propriedade que não é difícil provar com essa fórmula é: Γ(1 + z) = zΓ(z). . . a eq.2 Função Beta A função Beta é definida como a seguinte combinação de funções Gammas: Γ(a)Γ(b) Γ(a + b) B(a.

b) = 0 ta−1 (1 − t)b−1 dt (1. e(a). b): π 2 B(a.4 Através da eq.8) ∞ B(a. (1. e(b) > 0 (1. b) = 2 0 x2a−1 (1 − x2 )b−1 dx (1. y = v 2 ∞ ∞ ⇒ Γ(a)Γ(b) = 4 0 du 0 dve−(u 2 +v 2 ) u2a−1 v 2b−1 u = r cos θ e v = r sin θ ∞ π 2 =4 1 2 e 0 R∞ 0 −r2 2(a+b)−1 r dr 0 (cos θ)2a−1 (sin θ)2b−1 dθ 1 e−t ta+b−1 dt= 2 Γ(a+b) Levando à representação integral de B(a.9) t= u 1+u em (1.7) 1 B(a. vamos derivar uma representação integral para a função Beta. ∞ ∞ Γ(a)Γ(b) = 0 e−x xa−1 dx 0 e−y y b−1 dy .1).8) t = x2 em (1. e(b) > 0 com a troca: x = u2 . e(a).8) 1 B(a. b) = 0 ua−1 du (1 + u)a+b (1.10) . b) = 2 0 (cos θ)2a−1 (sin θ)2b−1 dθ .7) Formas Alternativas: t = (cos θ)2 em (1.

z ∈ C . 1 − α) ≡ Γ(α)Γ(1 − α) = Γ(1) =1 ∞ 0 uα−1 du .3 Relação entre a função Gamma e funções trigonométricas B(α.5 1.1) Im z R Ε 1 C2 Re z C1 Figura 1. 0 < e(α) < 1 (1 + u) (1.11) onde usamos a eq. Iremos calcular a integral: I= C f (z)dz onde o contorno C é dado pela figura (1.1: Contorno C R I = xα−1 dx + 1+x C2 z α−1 + 1+z R e2πi x dx + 1 + e2πi x =1 α−1 C1 z α−1 dz 1+z   = 2πiRes f (z)  = 2πieiπ(α−1) z=−1 . 0 < e(α) < 1 .10) Resolução da integral: Considere a função f (z) = ∞ xα−1 dx 0 (1+x) z α−1 1+z . z = x + iy A função f (z) possui um pólo simples em z = −1 e uma ramificação em z = 0. (1.

(1. z = 1+z = eiθ 2π α 0 C1 i eiαθ dθ ∼ 1 + eiθ α → 0 ( → 0) C2 : z α−1 dz .12) em (1.14) isso ocorre.11) temos a relação desejada: π sin πz Γ(z)Γ(1 − z) = (1. por exemplo. / Ela também pode ser escrita da seguinte forma: π z sin πz Γ(z)Γ(−z) = − 3 (1.5) (o que é possível. ter sido derivada através da representação integral de Γ (eq. (1. a fórmula (1. podemos concluir que elas coincidem na região comum de analiticidade. porém a função Γ(1 − π sin(πz) z)Γ(z) é analítica em todo plano complexo (fora os pólos em z ∈ Z).1)). (1.12) ⇒ 0 π xα−1 2πi π =− dx = − πi(α−1) = 1+x sin π(α − 1) sin πα e − e−πi(α−1) Substituindo (1. devido ao fato da eq.13) foi derivada apenas para o intervalo 0 < e(z) < 1. via eq. mas muito mais trabalhoso). Como as funções coincidem na região 0 < e(z) < 1.6 C1 : z α−1 dz . ela estaria definida ∀ z ∈ Z / .13) A eq. z = Reiθ 1+z 2π C2 = R α 0 i eiαθ 1 dθ ∼ 1−α → 0 (R → ∞) iθ 1 + Re R No limite → 0 e R → ∞ ∞ 2πieiπ(α−1) = ∞ 1 − e2πi(α−1) 0 xα−1 dx 1+x (1. Portanto. Se a derivássemos. A função também é analítica nessa região.13) vale para todo3 z ∈ Z.

temos uma outra importante relação: π x sinh πx Γ(ix)Γ(−ix) = |Γ(ix)|2 = (1.16) que é a fórmula de duplicação de Lagrange. iremos derivar uma última ralação.16) fornece a relação: √ (2n)! π Γ(n + 1/2) = 22n n! (1.17) 1.8) x−1/2 (1 − x)z−1/2 = B(1/2.8) 1 1/2 = tz−1/2 (1 − t)z−1/2 dt = 2 0 0 tz−1/2 (1 − t)z−1/2 dt √ porque o integrando é par em ralação ao ponto t = 1 .5 Exercícios Propostos (1) Ângulo sólido e volume de uma “bola” em d dimensões: . a fórmula (1.15) 1.(1. z → ix. No caso particular de z = n ∈ N. muito utilizada. Tenha: Γ(z + 1 )2 1 1 2 B z + .z+1/2)= √ πΓ(z+1/2) Γ(z+1) então: √ πΓ(2z + 1) = 22z Γ(z + 1)Γ(z + 1/2) (1. entre as funções Gamma.(1.7 No caso de z ser um imaginário puro.4 Fórmula de duplicação de Lagrange Para encerrarmos o capítulo sobre funções Gamma e Beta. i.e.z + = 2 2 Γ(2z + 1) eq. Com a troca 2t = 1 − 2 1 x = 2−2z 0 eq. com x ∈ R.

e. .8 O elemento de volume d-dimensional em coordenadas esféricas é dado por: dd x = dΩd−1 rd−1 dr.19) é a famosa constante de Euler. Γ(d/2) onde S d−1 é a esfera em (d − 1)-dimensões. 2 e−xd dxd 2 = Rd e− Pd i=1 x2 d i d x (2) Usando as eqs. (1. prove. (1. Prove que: (a) S d−1 dΩd−1 = 2π d/2 .17).18) onde ∞ γ≡− 0 e−t ln(t)dt = − d Γ(1 + z) dz ≈ 0. n ∈ N 0 22n+1 (n!)2 ) (2n+1)! (Resposta: Dica: Identifique a integral como uma função Beta e use a eq.1) e (1.2). (1. 2π d/2 Rd . via expansão de Taylor de Γ(1 + z) em torno de z = 0.20) . d ln Γ(z) dz ψ(z) ≡ (1. (3) Calcule a integral: 2π (sin θ)2n+1 dθ. onde dΩd−1 ≡ ângulo sólido. a relação abaixo: 1 − γ + O(z) z Γ(z → 0) = (1. (4) Função Digamma e mais sobre a constante de Euler: A função Digamma é definida como a derivada logarítmica de Γ(z). i. . dΓ(d/2) (b) O volume da “bola” d-dimensional de raio R é: V (B d ) = Dica: use a igualdade: √ ∞ d ∞ ∞ −∞ π d = −∞ e −x2 dx = −∞ e−x1 dx1 .18) é muito importante para o processo de renormalização dimensional em teorias quânticas de campos.5772 z=0 (1. A eq.

22).5). γn=10 = 0. (5) Definição alternativa para a função Gamma: Começando da eq.9 Usando a identidade Γ(1 + z) = zΓ(z) em conjunto com a eq.: ψ(1) = 1 d Γ(1 Γ(1) dz + z) z=0 = −γ pela eq. melhor será a aproximição)4 . A definição da função Γ como (1.21) Obs. basta fixar um valor finito para n (quanto maior o valor escolhido.22) é útil para encontrarmos valores aproximados de γ de forma bem simples (usando uma calculadora). O erro percentual é de 8.23) é chamada de definição de Weierstrass. logo tomando z = 0 no resultado acima chegamos numa outra forma de escrever a constante de Euler: 1 − ln n m m=1 n γ = lim n→∞ (1.5).6263. (1.22) A eq. (1.19).23) onde γ é dado pela eq. demonstre que 1 − ln n m m=1 n ∞ ψ(1 + z) = − lim n→∞ + l=1 z l(z + l) (1. . (1. mostre que 1 z −z = zeγz 1+ e m Γ(z) m m=1 ∞ (1. 5. (1. 4 por exemplo. (1.

1) e analise o comportamento .1.1 Equação diferencial e solução via série de potências Tenha a seguinte equação diferencial ordinária (EDO) de segunda ordem1 : dy(z) d2 y(z) + [c − (a + b + 1)z] − aby(z) = 0 2 dz dz z(1 − z) (2. g0 = 0 no capítulo 2. faça a troca u = para u → 0 3 1 z na eq.10 Capítulo 2 Funções Hipergeométrica e Hipergeométrica Confluente 2. o argumento z será considerado como real ou um imaginário puro. k ∈ R . (2. lim Q(z) 2 z→z0 z→z0 para mostrar a singularidade no infinito.1) Tal equação é invariante a permutação a ↔ b e é singular2 nos pontos z = 0. z = 1 e z = ∞3 (todos regulares).1 Função Hipergeométrica 2. Vamos procurar uma solução via série de potências (Frobenius) ∞ y(z) = n=0 1 gn z n+k . Uma EDO do tipo y (z) + P (z)y (z) + Q(z)y(z) = 0 é singular no ponto z0 se ao menos um dos limites não é bem definido: lim P (z) .

3) pois.4) . −1. . usando sucessivamente a eq. c = 0.1) e agrupando termo a termo: ∞ k(k − 1 + c)g0 z k−1 + n=0 (k + n + 1)(k + n + c)gn+1 − [(k + n)(k + n + a + b) + ab]gn z n+k = 0 como g0 = 0 ⇒ k(k + c − 1) = 0 ou    0   1−c Caso k = 0: Temos a relação de recorrência: (n + a)(n + b) gn . .11 O raio de convergência da série é |z| ≤ 1 para ∞ e(c − a − b) > 0 (a ser justificado) y (z) = n=0 ∞ (k + n)z k+n−1 (k + n − 1)(k + n)z k+n−2 n=0 y (z) = Substituindo em (2. a(a + n − 1) = (2. c c(c + 1) 2 ⇒ y(z)k=0 = 1 + ou Γ(c) = Γ(a)Γ(b) ∞ y(z)k=0 n=0 Γ(a + n)Γ(b + n) z n ≡ 2 F1 (a.2) chega-se à igualdade: Γ(a + n) Γ(a) a(a + 1)(a + 2) . b.. . (1. (n + 1)(n + c) k= gn+1 = (2. . −2. c..2) Escolhendo g0 = 1 ab a(a + 1)b(b + 1) z 2 z+ + . . z) Γ(c + n) n! (2.

então: (−a + a)(−a + b) g−a = 0 . c.12 A eq. c. b.3) é a famosa função hipergeométrica em sua representação de série de potencias. b. b. b. Utilizando o fato que: Γ(−(N − n)) (−N + n − 1)! = = (−N + n − 1)(−N + n − 2) .6) 2 F1 (a. c. . 2 3! (2. z) = n=0 Γ(a + n) n z n! z2 z3 + (a + 2)(a + 1)a + . . b. −a ∈ N (−a + 1)(−a + c) g−a+1 = logo gn = 0 . . . (2. z) = Γ(b) (b) se b = c 1 Γ(a) ∞ N (−1)n n=0 N ! Γ(b + n) z n (N − n)! Γ(c + n) n! (2. (−N + n − (n − 1))(−N ) Γ(−N ) (−N − 1)! = (−1)n N (N − 1)(N − 2) . z) toma a forma: Γ(c) 2 F1 (−N. z) é um polinômio de grau N (N ∈ N). ∀ n > −a (−a ∈ N) ⇒ 2 F1 (−N.7) = 1 + az + (a + 1)a = (1 − z)−a que pode ser facilmente verificado expandindo (1 − z)−a em série de Taylor em torno de z = 0. Caso k = 1 − c: . .5) o polinômio 2 F1 (−N. Propriedades importantes (a) se −a (ou −b) ∈ N. . (N − (n − 2))(N − (n − 1)) = (−1)n N! (N − n)! (N − n)! (N − n)! (2.

8) A solução geral da eq. portanto se as condições de contorno exigirem uma solução finita em z = 0 ⇒ B = 0 ( e(c) > 1). 2 − c. (2. . 3. então a segunda solução é singular em z = 0. zt)t 0 I = − t)c−d−1 dt . a segunda solução também pode ser escrita em termos de uma hipergeométrica: y(z)k=1−c = z 1−c 2 F1 (a + 1 − c. Iniciando com a integral: Γ(c) Γ(d)Γ(c − d) 1 d−1 (1 2 F1 (a. onde derivaremos as formas assintóticas da hipergeométrica. Observações: (1) Se e(c) > 1. b. A explicação desse problema e um método alternativo para encontrar a segunda solução independente encontram-se no apêndice C .9) é invariante a permutação a ↔ b. c.1.2 Representação Integral Vamos estudar representações integrais para a função hipergeométrica que. z) . b + 1 − c. (2. em particular. b + 1 − c. (2) Assim como a eq. d. 2. .9) onde A e B são constantes. b. a eq.4). diferencial (2. o método de série de potências só fornece uma solução. (2 − c + n)(1 + n) (n + 2 − c)(1 + n) gn+1 = Assim. . c ∈ Z / (2. 2 − c. e(c) > e(d) > 0 4 no caso c ∈ Z.13 A recorrência fica: (n + a + 1 + c)(n + b + 1 − c) (1 − c + n)(1 + n + a + b − c) gn = gn . z) (2. serão úteis na seção (2. z) + Bz 1−c 2 F1 (a + 1 − c.1.1). c = 2.1) é4 : y(z) = A2 F1 (a.

11) que é a representação integral usual da hipergeométrica. 0 e(c) > e(b) > 0 (2. c.c−a−b)= Γ(b)Γ(c−a−b) Γ(c−a) = Γ(c)Γ(c − a − b) Γ(c − a)Γ(c − b) (2.c−d)= Γ(n+d)Γ(c−d) Γ(n+c) Γ(c) = Γ(a)Γ(b) Assim: n=0 Γ(a + n)Γ(b + n) z n ≡ 2 F1 (a.7) temos: Γ(c) Γ(b)Γ(c − b) 1 2 F1 (a. b.8) = B(n+d.8) = B(b.11): Γ(c) Γ(b)Γ(c − b) 1 2 F1 (a. (2.(1. (2.14 Substituindo a eq.11). ela assume uma forma mais simples. Da eq. d. No caso particular d = b.(1. b. c. Primeira: tomando z = 1 em (2. c.12) . Vamos mostrar duas aplicações simples da eq. 1) = tb−1 (1 − t)c−a−b−1 dt 0 eq. c. (2. z) = Γ(d)Γ(c − d) e(c) > e(d) > 0 1 d−1 (1 2 F1 (a. b. z) = tb−1 (1 − t)c−b−1 (1 − zt)−a dt.10) Essa é uma representação integral de uma hipergeométrica em termos de outra. b.3) dentro da integral e invertendo a ordem da soma e integral Γ(d) Γ(c) I = Γ(d)Γ(c − d) Γ(a)Γ(b) ∞ ∞ n=0 Γ(a + n) zn Γ(b + n)Γ(d + n) n! 1 tn+d−1 (1 − t)c−d−1 dt 0 eq. z) Γ(c + n) n! Γ(c) 2 F1 (a. zt)t 0 − t)c−d−1 dt. b. (2.

4)) Γ(m + a) Γ(m + b) Γ(c) dm F (a. b + m. z) c Repetindo o processo m vezes dm [a(a + 1) . . c + m. z) m2 1 dz Γ(a) Γ(b) Γ(m + c) (2. . z) = 2 F1 (a + m. (b + m − 1)] F (a. c + m. temos: 1 −z Γ(c) zt −a tc−b−1 (1 − t)b−1 1 + = dt 1−z Γ(c − b)Γ(b) 0 1−z 1 Γ(c) = (1 − z)a tc−b−1 (1 − t)b−1 (1 − (1 − t)z))−a dt Γ(c − b)Γ(b) 0 2 F1 a. c − b. b. b. b.8). (a + m − 1)][b(b + 1) . b + m. c. b. Segunda: derivando a eq. z) = a dz Γ(b)Γ(c − b) Γ(1+c) 1 tb (1 − t)c−b−1 (1 − zt)−(a+1) dt 0 1 = cΓ(c) ab c bΓ(b) Γ(c − b) Γ(1+b) t(b+1)−1 (1 − t)(c+1)−(b+1)−1 (1 − zt)−(a+1) dt 0 = ab 2 F1 (a + 1. c + 1. z) = 2 F1 (a + m. c.11).13) 2. z) m2 1 dz c(c + 1) . .3 Relações Úteis (i) Da representação integral (2. c.15 com5 e(c − a − b) > 0 e e(b) > 0. (c + m − 1) que pode ser escrito de uma forma mais elegante (via eq.z) 5 a condição de válidade da equação (1. c. (2. . b + 1.1. justificando o raio de convergência da série de potências . .c. agora faça a troca: 1 − t = u Γ(c) = (1 − z) Γ(c − b)Γ(b) a 1 ub−1 (1 − u)c−b−1 (1 + zu)−a dt 0 = (1 − z) 2 F1 (a. . Γ(c) d 2 F1 (a.

Assim. z) = (1 − z)−a 2 F1 a.3)) com valores fora desse intervalo. c. −z 1−z (2. (2. c. c. z) = (1 − z)c−a−b 2 F1 (c − a.14) é uma continuação analítica da função hipergeométrica. c.1) e simplificando: (1 − z)(c−a−b) z(1 − z)ξ − [c − ((c − a) + (c − b) + 1)z]ξ − (c − a)(c − b)ξ = 0 ⇒ ξ( z ) ∼ 2 F1 (c − a. ou seja: 2 F1 (a. b. ⇒ y (z) = (1 − z)c−a−b [−(c − a − b)(1 − z)−1 ξ + ξ ] y (z) = (1 − z)c−a−b (c − a − b)(c − a − b − 1)(1 − z)−2 ξ − 2 (c − a − b) ξ +ξ 1−z Substituindo na eq. c − b.4 Expansões Assintóticas As equações (2.10) são suficientes para derivarmos os assintóticos da função hipergeométrica quando:    (i) |z| → ∞   (ii) z → 1 (2. (ii) Definindo y(z) = (1 − z)c−a−b ξ(z). z) = const(1 − z)c−a−b 2 F1 (c − a. c − b.14) e (2. c.16) . c − b. z) Aplicando em z = 0 fica claro que const = 1.15) 2. z) ou 2 F1 (a.14) que relaciona valores da hipergeométrica no intervalo |z| < 1 (aonde vale a série (2.15) em conjunto com a representação integral (2. c − b. z) (2.16 ⇒ 2 F1 (a.1. c. b. a eq. (2. c. b.

b.17 (i) |z| → ∞ colocando (2. z ) ≈ |z|→∞ Γ(c)Γ(b − a) (−z)−a .(1. c.10): Γ(c) Γ(d)Γ(c − d) 1 2 F1 (a. c. 1) = 1 − zt Γ(b)Γ(d − a) ( e(b) > e(a)) ⇒ 2 F1 a. c. d. o termo simétrico de ordem O((−z)−b ) não aparece na expressão acima. Γ(b)Γ(c − a) e(b) > e(a) Sabemos que a função hipergeométrica é simétrica em relação a permutação dos índices a e b.8) = B(d−a. z) ≈ Γ(c)Γ(a − b) (−z)−b .17) . z) ≈ Γ(c)Γ(b − a) Γ(c)Γ(a − b) (−z)−a + (−z)−b Γ(b)Γ(c − a) Γ(a)Γ(c − b) (2. − 0 zt dt 1 − zt |z| → ∞ zt Γ(d)Γ(b − a) ≈ 2 F1 (a. Γ(a)Γ(c − b) e(a) > e(b) ou e(a) > e(b) Levando-nos ao assintótico geral (para |z|→∞ e(a) < e(b)): 2 F1 (a. c. Isso é natural. c. z) = td−1 (1 − t)c−d−1 (1 − zt)−a 2 F1 a. − Assim: 1 Γ(c)Γ(d)Γ(b − a) td−1 (1 − t)c−d−1 (−zt)−a dt Γ(d)Γ(c − d)Γ(b)Γ(d − a) 0 1 Γ(c)Γ(b − a)(−z)−a td−a−1 (1 − t)c−d−1 dt = Γ(c − d)Γ(b)Γ(d − a) 0 |z|→∞ 2 F1 (a. d − b. d − b. d − b. d. b. a expressão assintótica derivada não possui tal simetria. pois é desprezível em relação ao termo de ordem O((−z)−a )). ou seja. d. por outro lado. b. b. quando |z| → ∞) pode ser facilmente derivado repetindo todos os cálculos. O outro caso ( e(b) < e(a) ⇒ (−z)−b (−z)−a . quando |z| → ∞. b. porém permutando os índices a e b no lado direito das equações. já que ela foi derivada assumindo uma diferença entre esses índices (−z)−b e(b) > e(a) ⇒ (−z)−a .14) dentro da integral (2. z ) ≈ eq. Agora o resultado é: |z|→∞ 2 F1 (a.c−d)= Γ(d−a)Γ(c−d) Γ(c−a) ⇒ 2 F1 (a.

18) que é o resultado procurado (simétrico nos índices a e b).1) (b) e(c) < e(a + b) Agora. c. (ii) z → 1 (a) e(c) > e(a + b) z→1 ⇒ 2 F1 (a.18 simétrico nos índices a e b. c.b.2 Função Hipergeométrica Confluente 2. c − b. 2. De (2. z) ≈ Γ(c)Γ(a + b − c) Γ(c)Γ(c − b − a) + (1 − z)c−a−b Γ(c − a)Γ(c − b) Γ(a)Γ(b) (2. z) ≈ (1 − z)c−a−b 2 F1 (c − a.15) nos fornece a forma como a hipergeométrica diverge.15) temos:6 z→1 2 F1 (a.12)) . b. z) ≈ Γ(c)Γ(c − b − a) +O(1 − z) Γ(c − a)Γ(c − b) 2 F1 (a. c − b. c. (2. a eq. 1) = (1 − z)c−a−b Γ(c)Γ(a + b − c) Γ(a)Γ(b) No caso geral temos ( e(c) > e(a + b) ou z→1 e(c) < e(a + b)): 2 F1 (a. Entretanto. c. pois e(c) < e(a + b) (ver equação (2.2.19) − a.1 Equação diferencial e solução via série de potências Com as trocas z → z e b → 1/ . b. b. a hipergeomética não é definida (é singular) no ponto z = 1. 1) existe.c. a equação (2.1) fica: z(1 − z)y(z) + [c − (a + −1 − 1) z]y(z) − ay(z) = 0 Tomando o limite → 0 temos a EDO hipergeométrica confluente: zy (z) + (c − z)y (z) − ay(z) = 0 6 2 F1 (c (2. c.

Γ(c + n) n! (2.5) o polinômio pode ser escrito como: N! Γ(c) z n (−1) 1 F1 (−N . z). z) = (N − n)! Γ(c + n) n! n=0 n 7 8 N (2. c ∈ Z / (2. A singularidade no ∞ é formada pela confluência de duas singularidades. 2 − c.22) no caso c ∈ Z. (2.. (2. .19 De forma análoga. z) = Γ(a) ∞ n=0 Γ(a + n) z n . c.. 1/ .19)7 y(z) = A1 F1 (a. z) →0 Solução geral de (2. (ii) A hipergeométrica confluente é um polinômio de grau N se −a = N ∈ N. c. c = 0. − 1. 2 − c. c. Observações: (i) A eq. z) →0 Γ(c) = lim →0 Γ(a) ∞ n=0 Γ(a + n) ( z)n Γ(c + n) n! 1 n (1+ Γ(1/ + n) Γ(1/ ) )(1+2 ). z) = z 1−c 1 F1 (1 + a − c. A segunda solução independente de (2. z) + Bz 1−c 1 F1 (1 + a − c.19) é singular nos pontos z = 0 (regular) e z = ∞ (irregular8 ). z) ≡ lim 2 F1 (a. . a função hipergeométrica confluente (uma das soluções da equação acima) é definida como: 1 F1 (a. c. . 1/ + 1 − c. recaímos na nota de rodapé da pág. ver próximo parágrafo . −2.19) pode ser obtida da mesma forma: lim( z)1−c 2 F1 (1 + a − c. 2 − c. 13.21) onde A e B são constantes. da hipergeométrica (pontos z = 1 e z = ∞). c.20) que é a função hipergeométrica confluente em sua representação de série de potências.(1+(n−1) ) Γ(c) ⇒ 1 F1 (a. regulares. E com a ajuda da eq.

3 Expansão Assintótica Da eq. e(c) > e(d) > 0 (2. Γ(c) Γ(a)Γ(c − a) 1 1 F1 (a.10) e tomando o limite → 0 1 1 F1 (a. c. (2. a.20 (iii) 1 F1 (a. z) = Γ(a)Γ(c − a) ∞ e 0 −u a−1 u u 1+ z (I) c−a−1 −z du + ∞ e−u ua−1 1 + (II) u z c−a−1 du (I): |z| → ∞ ∞ (I) ≈ 0 e−u ua−1 du = Γ(a) . c.2. 0 e(c) > e(a) > 0 (2. zt)t 0 d−1 Γ(c) 1 F1 (a. z) = ∞ zn 0 n! = ez 2. z) = ezt ta−1 (1 − t)c−a−1 dt 0 com a troca u = −tz Γ(c) (−z)−a 1 F1 (a. temos a representação integral da hipergeométrica confluente usualmente encontrada na literatura: Γ(c) Γ(a)Γ(c − a) 1 1 F1 (a. c.24) iremos achar o comportamento da função hipergeométrica confluente para |z| → ∞.2. z) = Γ(d)Γ(c − d) (1 − t)c−d−1 dt. c.23) Para d = a.24) 2.2 Representação Integral −1 Fazendo b → e z → z em (2. d. z) = ezt ta−1 (1 − t)c−a−1 dt.

Se e(c) > 0 ⇒ p(z = 0) = p(z → ∞) = 0. por isso a singularidade no infiito é irregular (essencial) .25) que é o resultado desejado9 . 2. Primeiro.2. z) ≈ Γ(c) Γ(c) z a−c (−z)−a + ez Γ(c − a) Γ(a) (2. temos: p(z) = z c e−z .3) (ver apêndice). rescrevemos a eq. de auto-valores. ∞ z c−1 e−z 1 F1 (a. hiperg. então nosso espaço CP é o das funções continuas por partes (ver apêndice A) com z ∈ [0. 0 9 e(c) > 0 (2. confluente é uma eq. c.26) repare que a eq. i. z)1 F1 (a . (B.4 Hipergeométrica confluente como um problema de SturmLiouville Vamos aplicar a lógica desenvolvida no apêndice B à função hiperg. sendo “a” o auto valor.21 (II): −z (II) = 0 |z|→∞ e−u 1 + u a−1 v=u+z u du = z ∞ 0 0 ez−v ∞ v z c−a−1 (v − z)a−1 dv ⇒ (II) ≈ −ez z a−c+1 (−z)a−1 e−v v c−a−1 dv = −ez z a−c+1 (−z)a−1 Γ(c − a) Assim: |z|→∞ 1 F1 (a. c.19) na forma Auto-Adjunta: z c e−z y = a(z c−1 e−z )y(z) Comparando com a eq. confluente. A eq. q(z) = 0.5). a = a . z) = 0. (2.25) cresce exponencialmente. c.e. ω(z) = z c−1 e−z e µn = −a. (2. onde os vetores ya e ya (a = a ) são ortogonais em relação ao produto interno (B. ∞).

1. (2. (2) Integral elíptica completa de primeiro tipo e o período do pêndulo: (a) A integral elíptica completa de primeiro tipo é definida como 1 k(m) = 0 dt (1 − t2 ) 2 (1 1 − mt2 ) 2 1 . x → ∞) = Γ(z) .27) Comparando com a forma integral (2. m 2 F1 2 2 2 k(m) = (b) O período de oscilação de um pêndulo é dado pela integral: l 2g θM T =4 √ 0 dθ cos θ − cos θM onde l é o comprimento do pêndulo.22 2. (2. .28) A função Gamma (completa) é dada pelo limite γ(z. chegue em: l θ k sin2 g 2 l 1 θ 9 θ θ 1 + sin2 + + O sin6 sin4 g 4 2 64 2 2 T = 4 = 2π (3) A definição da função Gamma Incompleta é10 : x √ x γ(z. (2.3 Exercícios Propostos (1) Resolva a eq. chegando à eq. |m| < 1. x.20).19) através do método de Frobenius (série de potências). demonstre a igualdade: π 1 1 . Com a troca sin 2 = sin θ2 sin ϕ e usando a eq. e(z) > 0 2 (2. (2.11) da função hipergeométrica. x) ≡ 0 10 e t −t z−1 dt = 2 0 e−u u2z−1 du. g a aceleração gravitacional e θM o ângulo máximo θ M de oscilação (ponto de retorno).27).

1 − b. e(b) > 0 (2. 0 < x ≤ 1 e(a). ν+1 2 1 λ λ (2.3) e (2. verifique a igualdade: xz 1 F1 (z. (2. b)x ≡ 0 ta−1 (1 − t)b−1 dt.3). 11 a função Beta “completa” corresponde ao caso particular B(a. γ.29) (4) A função Beta Incompleta é definida como11 : x B(a. para normalizar os auto-estados de energia do potencial de Morse unidimensional.x) = (2. −x) z γ(z. x) a B(a. γ.23 Através da representação integral (2.20)). b)x = (2. b)x . b)x=1 . kt) = 0 Γ(ν + 1) k F α. b)x = x a n=0 Γ(1 − b + n) xn Γ(1 − b) n!(n + a) (c) Comparando com a série (2.30) (a) Demonstre a seguinte série de Taylor: ∞ (1 − t) b−1 = n=0 Γ(1 − b + n) tn Γ(1 − b) n! (b) Substitua o resultado da letra (a) na definição de B(a. ν + 1.31) (5) Utilizando as representações intergrais da hipergeométrica e da hipergeométrica confluente (eqs. demonstre a fórmula: ∞ e−λt tν 1 F1 (α.32) que serve.24). inverta a ordem da soma e integral e integre para obter o resultado: ∞ B(a. chegue à igualdade xa 2 F1 (a. z + 1. por exemplo. a + 1.

Aplicando ∂g = (−2z + 2u)g = ∂z ⇒ (2uH0 − H1 )z 0 + n=0 ∞ ∂ ∂z na eq. (3. .1) Tal definição é útil. . . n = 0. u) ≡ e −z 2 +2zu = n=0 zn Hn (u) n! (3. 1.1 Definição via Função Geratriz. pois possibilita a derivação de relações de recorrência entre os polinômios de forma muito simples.24 Capítulo 3 Polinômios de Hermite 3. 2.2) . Relações de Recorrência e a EDO de Hermite Uma ótima forma de definir os polinômios de Hermite (Hn (u)) é como os coeficientes da série de potências da seguinte função geratriz ∞ g(z. acima: ∞ n=1 ∞ z n−1 Hn (u) = (n − 1)! n=0 zn Hn+1 (u) n! zn =0 n! (2uHn − 2nHn−1 − Hn+1 ) nos levando a relação de recorrência: 2uHn − 2nHn−1 = Hn+1 .

3) Agora.4) ⇒ Hn = 2nHn (u) Derivando a eq. H1 (u) = 2u. 3 H0 (u) = 1. os primeiros polinômios podem ser facilmente encontrados via eq. diferencial de segunda ordem. A outra solução (que não é um polinômio) será discutida na seção (3.2 Ortogonalidade e norma dos Polinômios de Hermite Seguindo o método desenvolvido no apêndice B. H3 (u) = 12u (3. Para isso. u) = 1. 3.5) na forma Auto-Adjunta: e−u Hn (u) = −2ne−u Hn (u) 1 2 2 em relação a um produto interno a ser definido . Como g(0.25 que permite a obtenção de qualquer Hn (u) conhecendo apenas H0 . H2 (u) = 2(2u2 − 1). (3.5) Os polinômios de Hermite só representam uma das soluções dessa eq. (3. vamos rescrever a eq. (3.2) chegamos à EDO de Hermite: Hn (u) − 2uHn (u) + 2nHn (u) = 0 (3. (3.4) e usando a eq. temos que H0 (u) = 1. iremos mostrar que os polinômios de Hermite são vetores ortogonais1 do espaço vetorial das funções contínuas por partes (ver apêndice A) com o argumento u ∈ R (na verdade eles formam uma base desse espaço vetorial).3).2): 2 2 u −1 . vamos derivar a função geratriz em relação à variável u para encontrar outra recorrência: ∂g = 2zg = ∂u ∞ ∞ n=0 zn H (u) n! n ∞ ⇒2 n=0 z n+1 ∞ n! Hn (u) = 2n n=1 zn Hn (u) = n! n=0 zn H (u) n! n (3. Logo.

de recorrêcia (3. acima têm-se que: ∞ eq.(3. logo só precisamos calcular ∞ 2 (H0 . quando u → ±∞). A2 = 22 2 π. Hm ) ≡ −∞ e−u Hn (u)Hm (u)du = 0.e. q(x) = 0 e µn = 2n. √ ⇒ An = 2n n! π. Hn ) = 0 e−u Hn (u)2 du ≡ An 2 Com a ajuda da ortogonlidade e da eq.7) .6) relaciona as normas dos polinômios Hn e Hn+1 .5): ∞ 2 (Hn . . calcular tal norma será uma tarefa bem simples.6) A eq. Substituindo em (B.26 ou seja. (3. n = m 2 Além da ortogonalidade. A3 = 23 3! π . . √ √ √ A1 = 2A0 = 2 π.2). temos que p(x) = ω(x) = e−u (→ 0.2) = e−u Hn (Hn + 2(n − 1))Hn−2 −∞ 2 = −∞ e −u2 ⇒ An+1 = 2(n + 1)An (3. vamos à ela! Pela eq. H0 ) ≡ A0 = −∞ e−u du = √ π para conhecer qualquer An . geral (B. a EDO de Hermite é uma eq. i. ou seja: ∞ (Hn . Hm ) = 0 √ 2 e−u Hn (u)Hm (u)du = 2n n! πδnm (3. também precisamos da norma do vetor (para normalizar a função de onda do oscilador harmônico).3). de auto-valores. Comparando com a eq. (3. de ∞ (Hn .2) ∞ 0 2nAn−1 = 0 ∞ e −u2 (2nHn−1 )Hn−1 du Hn (2uHn−1 )du 2 Hn du = An = e−u (−Hn+1 + 2uHn )Hn−1 ∞ 2 = −∞ ∞ e −u2 eq.

juntamente com a condição de contorno imposta pela mec. diferencial (3. de Schrödinger para o oscilador harmônico não chegamos imediatamente à eq. Por outro lado.9) Quando u → ±∞. ν 1 (ν − 1) 3 2 Hν (u) = Aν 1 F1 − .27 3.8) 1 com (a priori) ν > − 2 . cuja solução é dada pela eq. quântica. .25).e.5). confluente. (3. . . . Então. Hν (u) − 2uHν (u) + 2νHν (u) = 0 (3. Tal relação pode ser facilmente obtida com a troca x = u2 que transforma a eq.3 Relação com a função Hipergeométrica Confluente Até aqui. É exigido que a integral ∞ (Hν . Hν ) = 0 e−u Hν (u)2 du 2 . por que nos interessamos tanto pelo caso ν = n = 0.8) em: d2 Hν (x) 1 dHν (x) ν + −x + Hν (x) = 0 2 dx 2 dx 2 x que é a EDO hiperg. diferencial de segunda ordem? As respostas para essas perguntas estão na relação entre a função Hν e a hiperg. a mec. . u2 + Bν u1 F1 − . Hν (u) cresce exponencialmente (∼ eu ). mas sim à eq. discutimos as principais propriedades dos polinômios de Hermite exatamente da mesma forma que o leitor pode encontrar em qualquer livro de física matemática ou mec. o que não é muito discutido na literatura é que quando vamos resolver a eq. 1. 2. c = 1 . devido à eq. confluente para a = − ν . (2. (2. 2 2 i.u 2 2 2 2 2 (3..? E qual é o paradeiro da segunda solução independente desta eq.20). quântica impõe uma condição de contorno sobre a solução. Entretanto. quântica (ver referências bibliográficas).

diferencial para W (x) (uma hipergeométrica confluente) e chegue novamente em (3.10) coincidirem3 . compare com a eq. repare que é impossível as duas soluções independentes serem polinômios ao mesmo tempo. 3. 3. 5.28 convirja.2) e (3. 2 n ( )! 2 2 2 Hn (u) ≡   (−1) n−1 2(n!) u1 F1 − 2 ( n−1 )! 2 (3. . (3) Expansão de uma função em termos dos polinômios de Hermite (a) Seja F (u) uma função contínua por partes (ver apêndice A).11) Verifique que para os valores de n = 0. 2. 2. . (3. . 2. . devemos tomar Bn = 0 para Hn (u) ser um polinômio e se ν = n = 1. c. (3. u2 ). 1 . 5 ..8). n = 1. 3. (3. onde as constantes foram ajustadas para as eqs. . Supondo que F (u) possa ser expandida em termos dos polinômios de Hermite ∞ F (u) = n=0 2 3 Cn Hn (u) (3. 1. 4. . (3. Em suma temos:    (−1) n n! 1 F1 − n . . (2) Fórmula de Rodrigues Uma outra forma de definir os polinômios de Hermite é através da fórmula de Rodruigues: dn −u2 e dxn Hn (u) ≡ (−1)n e−u 2 (3. 4. . n ∈ N). n = 0. (justificando a quantização da energia do oscilador) e o motivo de só utilizarmos uma das soluções da EDO de Hermite. . . 2 . Isso só é possível se Hν for um polinômio2 (1 F1 (−n.9): √ Faça a troca Hν (u(x)) = xW (x) (onde x = u2 ) na eq.9).3) . 1. Se ν = n = 0.4 Exercícios Propostos (1) Derivação alternativa da eq. 2 e 3 ela coincide com a eq. encontre a eq. u2 2 . (3. An é quem deve ser nulo.12) já que nenhuma combinação linear das duas soluções pode cancelar os termos divergentes. . . O estudo desta seção explica o porquê de ν → n = 0. com u ∈ R.10) n−1 3 . . Entretanto.3). u2 . .

13) (b) Prove a chamada relação de completude (ver eq. (B.14) . (3.29 mostre (com a ajuda da eq.8)): ∞ e δ(u − u ) = n=0 u2 Hn (u)Hn (u ) √ 2n n! π (3.7)) que 1 √ n n! π 2 ∞ −∞ Cn = e−u F (u)Hn (u)du 2 (3.

−1 ≤ x ≤ 1 l=0 (4. t) ≡ √ = 1 − 2xt + t2 ∞ Pl (x)tl .1 Polinômios de Legendre 4.1 Função Geratriz.(4. começarei aplicando ∂ ∂t em (4. então P0 (x) = 1. 0 ≤ t < 1. assim que derivarmos algumas relações de recorrência. O que será suficiente para conhecermos todos os polinômios Pl (x).30 Capítulo 4 Funções de Legendre 4.1) ∞ ∞ ∂g(x. Relações de Recorrência e Equação Diferencial Os polinômios de Legendre (Pl (x)) podem ser definidos através da seguinte função geratriz: 1 g(x. Para isso.1.1) lPl (x)t l=0 l−1 l→l+1 = (l + 1)Pl+1 (x)tl l=0 ∞ ⇒ (x − t) l=0 Pl (x)tl = (1 − 2xt + t2 ) l=0 (l + 1)Pl+1 (x)tl .1) Como g(x. 0) = 1. t) x−t = = 2 )1/2 (1 − 2tx + t2 ) ∂t (1 − 2tx + t ∞ eq.

4) d Vamos efetuar a seguinte operação: 2 dx [eq. resultam da diferenciação da função geratriz (4. 2 1 1 (5x3 − 3x). P1 (x) = x. (4. para qualquer l.5) . P1 (x) = 1 Pl+1 (x) + Pl−1 (x) = 2xPl (x) + Pl (x). 1. .4)]. t) = ∂x (1 − 2xt + t2 ) ∞ ∞ ∞ ∞ l dPl (x) ).2) Os polinômios Pl (x) podem ser facilmente derivados.31 Agrupando os termos em potências de t ∞ (xP0 − P1 )t + (3xP1 − P0 − 2P2 )t + l=2 0 [(2l + 1)xPl − (l + 1)Pl+1 − lPl−1 ]tl = 0 levando à relação (l + 1)Pl+1 = (2l + 1)xPl − lPl−1 .3) Outras relações de recorrência. P4 (x) = (35x4 − 30x2 + 3) P3 (x) = 2 8 (4.1) com relação à x (Pl ≡ t ∂g(x. dx Pl t = l=0 l=0 ∞ Pl (x)tl Pl−2 tl l=2 ∞ ⇒ l=1 Pl−1 tl = l=0 Pl tl − 2x l=0 0 Pl−1 tl + ⇒ 0 = P0 t + (P1 − 2xP0 − P0 )t + l=2 (Pl + Pl−2 − 2xPl−1 − Pl−1 )tl A igualdade só é verdadeira se cada potência for nula. agora relacionando derivadas de Pl (x). (4. (4. Os primeiros termos são: 1 P0 (x) = 1. l = 0. ou seja: P0 (x) = 0. (4. Após um pequeno trabalho algébrico (2l + 1)Pl (x) = Pl+1 (x) − Pl−1 (x) (4.2). . P2 (x) = (3x2 − 1). sabendo que P0 (x) = 1 (como já havíamos adiantado). .2)]−(2l + 1)[eq. via eq. l ≥ 1 (4.

4. Somando (4.4) e (4.7) Através dessas relações.(4. A outra solução da eq. (4. Por exemplo.1.6) e (4. (4.8) como ((1 − x2 )Pl ) = −l(l + 1)Pl .2 Ortogonalidade e norma dos polinômios de Legendre É trivial ver que pode-se rescrever a eq. terminamos com a seguinte eq. de Legendre.5) fornecem várias relações interessantes.3)).4)+ eq.4)−eq.7) (1 − x2 )Pl = lPl−1 − lxPl derivando (1 − x2 )Pl − 2xPl = = lPl−1 eq.8) será discutida daqui a pouco (seção (4. eq. (4. cujo polinômio Pl (x) é uma das soluções.5) (com l → l − 1) Pl = xPl−1 + lPl−1 (4.5) xPl−1 = x2 Pl − lxPl (4.6) e x eq. (4.8) que é a eq.7) −lPl − lxPl l(xPl −lPl ) assim.1. diferencial de segunda ordem. (4. (4. vou derivar a eq.32 Combinações das eqs. diferencial de segunda ordem (onde só aparece Pl ) (1 − x2 )Pl (x) − 2xPl (x) + l(l + 1)Pl (x) = 0 (4. (4.

Pl ) = −1 Pl (x)2 dx = (2l − 1) l 1 1 l 1 Pl (x) (2l − 1)xPl−1 (x) − (l − 1)Pl−2 (x) −1 = xPl (x)Pl−1 (x)dx −1 onde a ortogonalidade foi usada. . q(x) = 0 e p(x) = 1 − x2 → p(−1) = p(1) = 0. Pl ) = Sabendo que 1 31 2. dx = 2 → (P1 .. P2 ) = 3 53 −1 2l − 1 2l − 3 2l − 5 1 2 . P0 ) = (Pl . Pn ) é facilmente calculada através da eq.2) e da ortogonalidade. (P2 . então multiplique-a por Pl (x) e integre: 1 ⇒ (Pl . 2l − 1 (Pl−1 . Pl ) = Levando à forma final 1 (Pl . . temos uma eq.. Logo os polinômios Pl são ortogonais em relação ao seguinte produto interno 1 (Pl . (4.. P1 ) = 2 . 2= 2l + 1 2l − 1 2l − 3 3 2l + 1 1 (P0 .2) por Pl−1 e integre: 1 (Pl−1 . . Pl−1 ) = −1 2 Pl−1 = 1 l 1 1 Pl−1 (x) (2l + 1)xPl − (l + 1)Pl+1 −1 = (2l + 1) l xPl−1 (x)Pl (x)dx −1 Comparando as eqs. . (4. Agora multiplique a eq.e.2).9) . l = m A norma (Pn . Pm ) = −1 Pl (x)Pm (x)dx = 2 δlm 2l + 1 (4. onde ω(x) = 1. Primeiro faça l → l − 1 em (4.33 i. Pm ) = −1 Pl (x)Pm (x)dx = 0. de auto-valores (ver apêndice B). Pl−1 ) 2l + 1 ⇒ (Pl .

(4. mas sim com l = ν > 0. l + 1. como mostrado no apêndice C). pois c = a + b = 1. x → 0. Sendo Pl (1) = 1 (ver exercício (1) deste parágrafo) e 2 F1 (a. c.8) não aparece (a priori) com l = 0.. . Além disso. Em praticamente todas as aplicações físicas exige-se a regularidade de Pl (x) no ponto x = 1 (y = 0).1) mostra que a eq. 2. . 1.1. (4. diferencial hipergeométrica fica claro (pois c = 1 ∈ Z) que ela não é um polinômio e diverge em y = 0 (x = 1) (da forma ln y. a M. exige que que não seria possível se Pν (1) fosse um pólo simples ⇒ 1 (Pν (x))2 dx −1 ∼ 1 (Pν (x))2 < ∞ −1 1 1 1 (1−x)2 dx ∼ 1−x .34 4. l + 1. (2.3 Relação entre os polinômios de Legendre e a função hipergeométrica 1−x 2 Faça a troca y = pequena álgebra (x = −2y + 1) na eq.8) existe. Já que c = 1 ∈ Z. a segunda solução independente é singular no ponto y = 0 (x = 1)1 . b = l + 1 e c = 1. A discretização de l é uma imposição que ocorre quando as condições de contorno do problema exigem regularidade da solução no ponto x = −1 (y = 1). (2. assim essa segunda solução é descartada. a relação entre essas funções fica 1−x 2 Pl (x) = 2 F1 − l. 1) ∼ Γ(0) → ∞ (pólo simples). (4. 1 2 ver apêndice C existem exceções. y → 0.12) 2 F1 (−l. 1. 3 um polinômio não pode divergir num valor finito. o .Q. diferencial de Legendre (4. acima é uma hipergeométrica com os parâmetros a = −l (como deve ser para a hipergeométrica ser um polinômio). . mas pela relação com a eq. Outro comentário digno de nota é que na Mecânica Quântica (e quase todas as outras aplicações físicas2 ) a eq. Após uma y(1 − y) d2 d P (y) + (1 − 2y) Pl (y) + l(l + 1)Pl (y) = 0 2 l dy dy Uma rápida comparação com a eq. a menos que a hipergeométrica seja um polinômio3 . 0) = 1. já que pela eq. b.10) Queremos deixar claro que a segunda solução da eq. principalmente no eletromagnetismo. 1.8).

(4.35 4. (4. (4.15) (b) Prove a chamada relação de completude (ver eq. 2.r ˜ .1.1).16) . .12) 1 ∞ Pl (cos θ) l=0 r l ˜ . (4.11) Verifique que os primeiros termos coincidem com a eq. (3) Paridade dos Polinômios de Legendre: novamente com a ajuda da eq.14) mostre (com a ajuda da eq.1)) 1 = r |r − r| ˜ onde cos θ = r. r<r ˜ r (4.9)) que 2l + 1 Cl = 2 1 F (x)Pl (x)dx −1 (4. em especial na expansão multipolar (ver final do apêndice A). |r||r| ˜ (4. 1.13) A eq.4 Exercícios Propostos (1) Usando a eq. x < 1 2 (4. (2) Fórmula de Rodrigues: Uma definição alternativa para os polinômios de Legendre é: 1 dl 2 (x − 1)l 2l l! dxl Pl (x) = (4. (5) Expansão de uma função em termos dos polinômios de Legendre (a) Seja F (x) uma função contínua por partes definida no intervalo x ∈ [−1. acima é muito útil no eletromagnetismo. 1]. Supondo que F (x) possa ser expandida em termos dos polinômios de Legendre ∞ F (x) = l=0 Cl Pl (x) (4.1) no ponto x = 1. . mostre que Pl (1) = 1 ∀ l = 0.8)): ∞ δ(x − x ) = l=0 (2l + 1) Pl (x)Pl (x ). −1 < x. demonstre a igualdade Pl (−x) = (−1)l Pl (x) (4) Prove a relação (basta usar a função geratriz (4. (B. .3).

17) mais a eq.17) não faz sentido para esses valores de m < −l. apenas m > 0.17) A eq.12): Plm (−x) = (−1)l+m Plm (x) (4. P4 (x) = 105(1 − x2 )2 . vamos considerar.2. mais à frente será mostrado que existe uma relação entre Plm (x) e Pl−m (x).e.20) 3 2 3 (5x2 − 1)(1 − x2 )1/2 .18) outro é a paridade de Plm (x). (4. pois Pl (x) é um polinômio de grau l. se o derivarmos mais de l vezes o resultado será zero. Um é que Plm (1) = Plm (−1) = 0 (4. Fazendo x → −x na definição acima mais a ajuda da eq. P4 (x) = (7x2 − 1)(1 − x2 ) 2 2 3 4 P4 (x) = 105x(1 − x2 )3/2 . i. é suficiente nos restringirmos ao caso m > 0. Pela definição (4.3) fica fácil derivar algumas das Funções de Legendre Associadas: 1 l = 1 : P1 (x) = (1 − x2 )1/2 1 2 l = 2 : P2 (x) = 3x(1 − x2 )1/2 . −l ≤ m ≤ l dxm Plm (x) = (1 − x2 )m/2 (4.2 Funções de Legendre Associadas 4. (4.1 Definição e equação diferencial A definição das Funções de Legendre Associadas é dm Pl (x). P2 (x) = 3(1 − x2 ) 1 l = 3 : P3 (x) = (4. P3 (x) = 15(1 − x2 ).36 4. pois a definição (4.19) Também é evidente que Plm (x) = 0 se m > l (explicando parte da restrição sobre os valores de m). acima fornece alguns resultados importantes de imediato. Já a outra restrição (−l < m) é necessária. Na verdade. por enquanto. logo. P3 = 15x(1 − x2 )3/2 2 5 15 1 2 l = 4 : P4 (x) = (7x3 − 3x)(1 − x2 )1/2 .

de forma elegante. 1. acima ser ignorada e de não ser discutido o caso l ∈ N são os mesmos já mencionados na seção dos polinômios de Legendre.(2. Os motivos por trás da segunda solução independente da eq. 1 + m. como: (l + m)! (1 − x2 )m/2 1−x . (l − m)! 2m m! 2 Plm (x(y)) [1−x2 (y)]m/2 Plm (x) = (4. m + 1.5) (com N → l e n → m) no termo entre parênteses. (2. l + 1 + m. b = l + m + 1 e c = m + 1. (2.e. dm dm 1−x P (x) = m 2 F1 − l . d2 dy 2 −m/2 y(1 − y) y(1 − y) Plm (y) + (1 + m − 2(m + 1)y) d dy y(1 − y) y(1 − y) −m/2 Plm (y) + = 0 ((l − m))(l + m + 1) −m/2 Plm (x) Abrindo as derivadas (e usando a igualdade (l − m)(l + m + 1) = l(l + 1) − m(m + 1)) d2 m m2 m ⇒ y(1 − y) 2 Pl (y) + (1 − 2y)Pl (y) + l(l + 1) + Plm (y) = 0 dy 4y(y − 1) Passando para a coordenada x = 1 − 2y: d2 m d P (x) − 2x Plm (x) + 2 l dx dx m2 Plm (x) = 0 (1 − x2 ) (1 − x2 ) l(l + 1) − (4. i.13). 2 F1 − (l − m). acima é que obviamente 1.21) A vantagem da eq. m 2 1 Γ(−l) l! m! 2 2 eq. y) (y = 1−x ) 2 ∼ Plm (y) [y(1−y)]m/2 ∼ 2 F1 (−(l − m). l + 1 + m. com a = −(l − m). l + 1. m l dx dx 2 Γ(−l + m) (l + m)! 1 (−1)m 1−x F − l +m.13) = Usando a eq.22) que é a eq. as funções de Legendre Associadas podem ser escritas.37 O estudo dessas funções será feito de forma bastante ortodoxa aqui. o que permite (de uma forma bem simples) relacionar as funções de Legendre Associadas com hipergeométricas. 1 + m. Apelarei diretamente para a relação entre os polinômios de Legendre e a função hipergeométrica mais a eq. l + é solução da eq. diferencial para as funções de Legendre Associadas. hipergeométrica (2. / .1).

Plm ) ≡ −1 dxPlm (x)Plm (x) = 0.11)) e a definição (4.3) fornece: p(x) = (1 − x2 ).5) assumirmos que apenas o auto-valor µl = l(l + 1) muda. PlM ) dxXl −1 dm+l dm+l Xm m+l Xl dxm+l dx .24) onde X = (x2 − 1). PlM ) = −1 dxPlm (x)2 = (−1)m 22l (l!)2 1 dx Xm −1 dm+l l X dxm+l dm+l l X dxm+l integrando por partes (e usando que X (−1)m 22l (l!)2 1 x=±1 = 0) =− dx −1 dm+l−1 l d dm+l X Xm m+l Xl dxm+l−1 dx dx após l + m integração por partes: (−1)l = 2l 2 2 (l!) 1 (Plm .2 Ortogonalidade e norma das Funções de Legendre Associadas Rescrevendo a eq. obtêm-se 1 m2 . q(x) = µl = l(l + 1) e ω = 1. acima só tem sentido se os índices m’s das duas funções forem os mesmos.5). (4. O cálculo da norma não é nada simples. O método que vamos usar é trabalhoso mas de fácil entendimento. Assim: 1 (Plm . l = l (4. (B. (1−x2 ) (Plm .38 4. (B. Aplicando o resultado dado por (B.23) Repare que a eq. devido ao fato de q(x) depender explicitamente de m (na verdade de |m|) e na derivação da eq.17) (1 − x2 )m/2 dm+l 2 (−1)m/2 m/2 dm+l l (x − 1)l ≡ X X 2l l! dxm+l 22 l! dxm+l Plm (x) = (4. (4. Ele é baseado na fórmula de Rodrigues para Plm .2. algo facilmente derivado via a fórmula de Rodrigues dos polinômios Pl (x) (eq.22) na forma Auto-Adjunta: d m2 d (1 − x2 ) Plm (x) − P m (x) = −l(l + 1)Plm 2) l dx dx (1 − x Uma simples comparação com a eq.

x = cos θ =22l+1 (2l+1)! (l!)2 = onde o resultado da integral acima é dado pelo exercício (3) do capítulo 1. Finalmente: 2 (l + m)! δll 2l + 1 (l − m)! (Plm .25) s=0 (m + l)! dm+l−s m X (m + l − s)!s! dxm+l−s ds+l+m l X dxs+l+m como Xp é um polinômio de grau 2p (p ∈ N)4 . Plm ) = dx(−1)l (x2 − 1)l −1 π sin θ 0 2l+1 dθ. os termos não nulos da soma acima são aqueles que obedecem.39 Usando a fórmula de Leibniz dn A(x)B(x) = dxn temos: l+m dm+l m d X Xl = m+l l+m dx dx l+m n s=0 n! dn−s A(x) (n − s)!s! dxn−s ds B(x) dxs (4. simultaneamente. Plm ) = (4. as duas desigualdades: m + l + s ≤ 2l m + l − s ≤ 2m implicando que s = l − m (subtraia as desigualdades).26) que é a equação procurada. 4 Xp = (x2 − 1)p = x2p + O(x2p−1 ) → d2p p dx2p X = (2p)! . Logo: (m + l)! d2m m dl+m dm+l X Xm l+m Xl = dxm+l dx (2m)!(l − m)! dx2m d2l l X dx2l (m + l)! (2m)!(2l)! (2m)!(l − m)! = Substituindo o resultado acima no cálculo da norma e escrevendo X explicitamente: (2l)!(l + m)! 2l (l!)2 (l − m)! 2 (2l)!(l + m)! = 2l 2 2 (l!) (l − m)! 2 (l + m)! 2l + 1 (l − m)! 1 (Plm .

(4.e.2. Consequentemente ou ela é proporcional à Plm ou corresponde à segunda solução independente da equação de segunda ordem. Esse fato demonstra que Pl−m (x) (m > 0) também é solução da mesma equação. Plm ) = Clm (Plm . Para encontrar Clm tenha: 1 eq. não singular em x = 1. Logo: Pl−m (x) = Clm Plm (x) onde Clm é uma constante de proporcionalidade que só depende de l e m.40 4. diferencial só depende de m2 . Plm ) = Clm . Plm ) = (−1) m −1 dxPl (x)2 = (−1)m 2 2l + 1 Por outro lado: 2 (l + m)! 2l + 1 (l − m)! (Pl−m . A primeira opção é a correta.12)). Após m integrações por partes (sempre com o termo de derivada total dando zero): 1 (Pl−m . portanto não pode ter relação com a segunda solução independente (que é singular em x = 1). diferencial (4.3 O caso m < 0 Nosso interesse está na solução. Plm ) = −1 d−m dx Pl (x) dx−m −1 1 dm Pl (x) dxm integrando por partes d−m = Pl (x) dx−m dm−1 Pl (x) dxm−1 x=1 1 − x=−1 −1 dx d−m+1 Pl (x) dx−m+1 dm−1 Pl (x) dxm−1 o primeiro termo é nulo devido a paridade de Pl (x) ( Pl (−x) = (−1)l Pl (−x) via eq.24) (fazendo m → −m)). i.22) (é ela que irá aparecer por toda a sua vida) e repare que tal eq. já que Pl−m não é singular em x = 1 (y = 1−x 2 = 0) (ver eq. (4.17) dxPl−m (x)Plm (x) = (Pl−m . não depende do sinal de m. da eq. (4.

φ)|2 = 1 . φ) = (4.28) onde l ∈ N e m = −l. l. 0 ≤ θ ≤ π.41 Comparando: (l − m)! m P (x) (l + m)! l Pl−m (x) = (−1)m (4. −l + 1. 4. Verifique que: 2π π dφ 0 0 dθ sin θ|Ylm (θ.3 Exercícios Propostos (1) Os harmônicos esféricos (que descrevem a dependência angular de um sistema quântico não-relativístico com simetria radial) são definidos como: 2l + 1 (l − m)! m P (cos θ)eimφ . .27) provando que Plm e Pl−m são proporcionais. linearmente dependentes. . l − 1. . . 0 ≤ φ < 2π 4π (l + m)! l Ylm (θ.e. i.

se n = m 1 δnm = (A.1) o aluno que desejar se aprofundar mais no assunto deve consultar a bibliografia . sem se aprofundar na matemática. Quântica. o aluno ainda não estudou o assunto. m ∈ Z.42 Apêndice A Transformada de Fourier e Delta de Dirac Um certo conhecimento sobre transformada de Fourier é essencial no curso de Mec. por outro lado. introduzir elementos básicos da transformada de Fourier.1 Delta de Kronecker e Séries de Fourier Se n. Antes de falar de transformada de Fourier vamos fazer uma pequena revisão sobre séries de Fourier. se n = m   1. A. ao menos o suficiente para os nossos propósitos1 . O objetivo deste apêndice é de. então o delta de Kronecker é definido como:    0. em geral.

. sin 2x . enquanto os senos a parte anti-simétrica3 . mínimos e pontos de inflexão) em um intervalo definido. então assumindo que o conjunto de vetores x x (1/2.) forma uma base de CP . Para determinar os coeficientes de Fourier a0 . vamos aplicar. . As de nosso interesse são: 1 2πL 1 = πL 1 = πL πL −πL πL δnm = ei(n−m) L dx nx mx cos dx L L −πL πL nx mx sin sin dx L L −πL cos x (A. sin L . (A. cos L . respectivamente. L Lπ −Lπ dx sin mx na eq. Assim temos: 1 Lπ 1 = Lπ 1 = Lπ Lπ a0 = an bn 2 dxf (x) −Lπ Lπ nx L −Lπ Lπ nx dxf (x) sin L −Lπ dxf (x) cos (A. Lπ] (chamarei de CP ). f (x) pode ser escrita como: L L ∞ f (x) = a0 nx nx + an cos + bn sin 2 L L n=1 (A. A eq. . Lπ −Lπ dx cos mx . . an e bn .43 Existem muitas representações para a eq. onde a parte dos cossenos (incluindo o termo a0 ) descreve a parte simétrica da função.1).4) funções que possuem apenas um número finito de descontinuidades e de extremos (máximos.2). 3 toda função pode ser escrita como a soma de uma parte simétrica e uma ani-simétrica: f (x) = 1 (f (x) + f (−x)) + 1 (f (x) − f (−x)) 2 2 . Seja a função f (x) um vetor no espaço vetorial das funções contínua por partes2 no intervalo x ∈ [−Lπ. acima e utilizar (assumindo L uma integração termo a termo) a eq. (A. cos 2x . (A.2) onde as duas últimas não representam δ00 = 1. Por inspeção direta você pode confirmar que essas representações são legítimas.3) Mesmo sem provar nada a definição acima é bem natural. .2) serve como pré-requisito para a definição de séries de Fourier. . Lπ −Lπ dx. .

44 Com as fórmulas cos nx = 1 (ei L + e−i L ) e sin nx = L 2 L (A.3) pode ser rescrita como:

nx nx nx 1 (ei L 2i

− e−i L ), a série de Fourier

nx

f (x) =
n=−∞

cn e i L

nx

(A.5)

onde a0 2 1 = (an − ibn ), se n > 0 2 1 = (a−n + ib−n ), se n < 0 2

c0 = cn cn

Substituindo (A.4) na eq. acima, chega-se a uma fórmula universal para cn 1 2Lπ
Lπ −Lπ
nx

cn =

dxf (x)e−i L n ∈ Z
Lπ −Lπ
mx L

(A.6)

que poderia ser derivada aplicando

dxe−i

na eq. (A.5) e usando a primeira eq.

de (A.1). Repare que nessa forma os coeficientes são imaginários, porém c∗ = c−n o que n garante a realidade de f (x) (f (x)∗ = f (x)). Por outro lado, poderíamos ter definido a série de Fourier como a eq. (A.5) (sem referência à eq. (A.3)) com f (x) sendo uma função complexa e mesmo assim a primeira eq. de (A.2) garantiria que os coeficientes cn seriam dados por (A.6), i.e. as eqs. (A.5) e (A.6) definem a série de Fourier mesmo para uma função complexa (só que sendo complexa, c∗ = c−n ). Isso encerra a pequena revisão sobre n séries de Fourier.

A.2

Transformada de Fourier

A transformada de Fourier consiste no limite L → ∞ da série de Fourier, ou seja, ela representa uma função f (x) contínua por partes que está definida em toda reta. Vamos ver como tomar tal limite. Mudando a notação da seguinte forma: k ≡
n , L

∆k ≡ k(n + 1) − k(n) =

1 L

e cn → c(k),

45 então temos pela eq. (A.5):

f (x) =
k

L∆k c(k)eikx
=1

1 = √ 2π Definindo: √

∆k
k

2πLc(k) eikx

F (k) ≡

1 2πLc(k) = √ 2π

−Lπ

dxf (x)e−ikx
−Lπ

a série pode ser escrita como: F (k) ikx √ e ∆k = 2π

f (x) =
k

Áreak
k

(A.7)

onde Áreak é explicado graficamente na figura A.1
F.eikx 2Π ÁRea

Áreal

k

l

k

Figura A.1: Valores de

(com x fixo) para vários valores de k em um exemplo hipotético. A soma na eq. (A.7) é dada pela soma das pequenas áreas, como mostrado no ponto k = l.

F (k) ikx √ e 2π

Quanto maior L menor será ∆k =

1 L

e mais próximos estarão os pontos da fig. (A.1).

Fica evidente pela figura (A.1) que no limite L → ∞ (∆k → 0) a variável k se torna contínua, F (k)eikx (x fixo) vira uma função contínua de k e a soma (A.7) tem como limite uma integral em k (integral é a área sob a curva). Ou seja, o resultado final para a

46 transformada de Fourier é: 1 f (x) = √ 2π 1 F (k) = √ 2π

dkF (k)eikx
−∞ ∞

dxf (x)e−ikx
−∞

(A.8)

A.3

Delta de Dirac

A transformada de Fourier pode ser usada para derivar uma representação integral da “função” (distribuição) Delta de Dirac (δ(x)) que é definida como:

f (x)δ(x − x0 )dx = f (x0 )
−∞

(A.9)

fazendo f (x) = δ(x) na segunda eq. de (A.8) implica que 1 F (k) = √ 2π e, consequentente: 1 δ(x) = 2π

dkeikx
−∞

(A.10)

que é principal representação da Delta de Dirac usada na física. Se afrouxarmos a condição de f (x) ∈ R, i.e. considerarmos f (x) uma função complexa (de uma argumento real), e definirmos a transformada de Fourier de f (x) como a primeira eq. de (A.8), a eq. (A.10) garante que a transformada inversa seja dada pela segunda eq. de (A.8) (basta aplicar
1 √ 2 ∞ e−ik x −∞

nos dois lados da equação). O que quero dizer é que a fórmula (A.8) vale

mesmo para funções complexas. Algumas propriedades da Delta de Dirac são:

• δ(−x) = δ(x) prova: basta re-derivar a representação integral tamando F (k) = δ(k) e f (x) =
√1 , 2π

onde g(xn ) = 0 e g (xl ) = 0 |g (xn )| δ(g(x)) = n ∞ −∞ (A.47 ao invés de f (x) = δ(x) e F (k) = √1 . A. logo: ∞ ∞ δ(x − x1 )dx = −∞ −∞ δ(g(x))|g (x)|dx δ(x − x1 ) δ(x − x1 ) = |g (x)| |g (x1 )| ⇒ δ(g(x)) = a generalização é imediata.4 Transformada de Fourier em d dimensões e consequências A generalização da Delta de Dirac para d-dimensões é imediata: f (x)δ d (x − x )dd x = f (x ) Rd (A. 2π • f (x)δ(x − a) = f (a)δ(x − a) (|f (a)| < ∞) prova: ∞ −∞ f (x)δ(x − a)dx = f (a).1 = f (a) ∞ −∞ δ(x − a)dx = ∞ −∞ f (a)δ(x − a)dx • δ(ax) = prova: δ(x) |a| ∞ −∞ δ(x)dx = ∞ −∞ x δ( |a|x )|a|d |a| = |a| ∞ (|a|δ(|a|y))dy −∞ = ∞ (|a|δ(ay))dy −∞ = ∞ (|a|δ(ax))dx −∞ • δ(x − xn ) . com a troca: δ(x − x1 ) = δ(|g(x)|) = δ(g(x)) → dx = |g (x)|dx (g(x1 ) = 0 e g (x1 ) = 0).12) .11) prova: δ(x − x1 )dx.

15) definindo a transformada de Fourier em d-dimensões.16) A prova consiste em usar a eq.x nos dois lados da eq. −∞ 1 2π ∞ dkeikd xd −∞ dd keik.14) e depois a representação da Delta (A. quântica) da transformada de Fourier é: dd x|f (x)|2 = Rd Rd dd k|F (k)|2 (A.13): 1 (2π)d/2 Rd dd x|f (x)|2 = Rd Rd dd x dd k Rd dd k F ∗ (k )e−ik .13) A forma natural da transformada de Fourier em d dimensões é: 1 (2π)d/2 f (x) = dd kF (k)eik.14) e a eq.x Rd (A. δ(xd − xd ) 1 2π 1 = (2π)d = ∞ dkeik1 x1 . Vamos .48 ou seja: δ d (x − x ) ≡ δ(x1 − x1 )δ(x2 − x2 ) . (A. acima) seja dada por: 1 (2π)d/2 F (k) = dd xf (x)e−ik.x Rd (A. (A. Uma propriedade interessante (e muito importante na mec. .x Rd (A.10) da Delta de Dirac. .x Rd 1 (2π)d/2 dd xei(k−k ).x Rd = dd k F (k)F ∗ (k ) 1 (2π)d Rd =δ d (k−k ) = Rd dd k|F (k)|2 Iremos encerrar o apêndice mostrando como resolver uma eq.12) garantem que a transformação inversa (basta aplicar 1 (2π)d/2 Rd e−ik. .13) mais a definição (A. . diferencial parcial através da transformada de Fourier e da representação integral (A.x dd kF (k)eik.

17) em resolver a seguinte integral: e (2π)3 eik(x−x ) (|k|2 + µ2 ) G(x − x ) = d3 k R3 passando para coordenadas esféricas: d3 k → k 2 sin θdkdθdφ e k(x − x ) = kr cos θ. onde k ≡ |k| e r ≡ |x − x | e (2π)3 2π ∞ G(x − x ) = dφ 0 0 dk k2 k 2 + µ2 π dθ sin θeikr cos θ 0 R1 −1 dξeikrξ e k sin(kr) e k sin(kr) dk 2 = 2 dk 2 2r 2 2π k +µ 4π r −∞ k + µ2 0 ∞ ∞ keikr e keikr e = m dk 2 = 2 m dk 4π 2 r k + µ2 4π r (k + iµ)(k − iµ) −∞ −∞ = =(I) ∞ ∞ (I) = C dz ze ze = 2πiRes (z + iµ)(z − iµ) (z + iµ)(z − iµ) izr izr = iπe−µr z=iµ . (A.13) (com d = 3). ficamos com: 1 (2π)3/2 e (2π)3/2 ˜ d3 keik(x−x ) − (|k|2 + µ2 )G(k) + R3 =0 como a transformada de Fourier de zero é zero e (2π)3/2 (|k|2 + µ2 ) ˜ ⇒ G(|k|) = O uso da transformada de Fourier transfere o problema de resolver a eq. Substituindo no lado esquerdo a transformada de Fourier 1 (2π)3/2 G(x − x ) = ˜ d3 k G(k)eik.17) µ ≥ 0 é uma constante com dimensão do inverso do comprimento.: ( 2 (x) − µ2 )G(x − x ) = −eδ 3 (x − x ) (A.49 resolver a eq.(x−x ) R3 e no direito a eq. diferencial (A.

a eq.18) conhecido como potencial de Yukawa. (A. de Poisson: ρ(x) 0 2 ϕ(x) = − (A.2).17) vira a eq.20) Para isso.2: Contorno C G(r) = e −µr e 4πr 1 0 (A. i. de Poisson que descreve o potencial elétrico no ponto x de uma carga pontual no ponto x com carga elétrica unitária. basta escrever ϕ(x) como: ϕ(x) = R3 d3 x G(x − x )ρ(x ) . mostrarei como a solução (A.50 onde o contorno C é dado pela figura (A.e.19) é suficiente para determinar o potencial eletrostático de qualquer distribuição de carga ρ(x) (a carga total da distribuição é q = R3 ρ(x)d3 x).19) Por fim. qualquer solução da eq. E a solução fica: 1 1 4π 0 r G(r) = (A. No limite µ → 0 e com e = . Pegando a parte imaginária do resultado acima chegamos à resposta do problema: Im z R iΜ Re z iΜ Figura A.

Os termos p e Qij são.x 1 xi xj ij + + Q + .. chamados de momento de dipolo e tensor de quadripolo e são dados por: p = R3 d3 x x ρ(x ) d3 x ρ(x )(3x i x j − δ ij r 2 ) R3 Qij = Qij é um tensor simétrico (Qij = Qji ) e de traço nulo (Qi = 0).19). a solução geral da eq. i .21) onde o integrando pode ser expandida em termos de = r r (se |x| for maior que as dimensões da distribuição de cargas) via fórmula (4.20) é: 1 4π 0 ρ(x ) |x − x | x x 1 0 ..x rr 1 q 1 p. se for a eq. ϕ(x) = d3 x R3 (A. Portanto.e. cos θ = x. 3 4π 0 r 4π 0 r 4π 0 2r5 que é a famosa expansão multipolar. i.17) com µ = 0 e e = (A.13): 1 4π 0 r ∞ ϕ(x) = = d3 x ρ(x )Pl (cos θ) l=0 R3 r r l .51 Aplicando 2 : ρ(x) 0 2 ϕ(x) = R3 d3 x 2 G(x − x ) ρ(x ) = − ! que só é verdade se G(x − x ) for solução de (A. respectivamente. (A.

por p(x) = exp( x a1 (¯) x d¯) x a2 (¯) x e definindo q(x) = a0 (x) exp( a2 (x) x a1 (¯) x d¯). ou seja. sem degenerescência. b]. . ∞).1) na forma Auto-Adjunta (algo sempre possível): ˆ Ly(x) ≡ p(x)y (x) + q(x)y(x) = 0 (B. exceto em alguns pontos isolados (possíveis singularidades). As funções yn (x) (para vários valores de n). (B.1) com a2 (x) = 0.3) supondo que cada yn corresponda à apenas uma constante µn .2) pode ser útil ao resolvermos problemas de auto valores. estão definidas no espaço vetorial das funções continuas por partes. x a2 (¯) x rescrevemos a eq. i.e. A função ω(x) (positiva definida) é chamada de função peso e será importante mais à frente.2) A forma Auto-Adjunta (B. Multiplicando a eq. [a. num certo intervalo do argumento x (por exemplo.Liouville Dada a EDO de segunda ordem: a0 (x) a1 (x) y (x) + y(x) = 0 a2 (x) a2 (x) y (x) + (B.52 Apêndice B Problema de Sturm . [0. ˆ Lyn (x) = −µn ω(x)yn (x) (B.

e. . as funções yn e ym (n = m) são ortogonais em relação ao produto interno definido pela eq.) que vamos chamar de CP . concluímos que se µn = µn . ||yn ||2 ≡ (yn . então (yn . Para provar a afirmação. Existem certas restrições sobre p(x). i.4) em CP temos: p(x) yn (x)ym (x) − ym (x)yn (x) ∂CP = 0 = (µn − µm ) CP ω(x)yn (x)ym (x) Com isso. (B. De acordo com nossas condições. etc. yn ) < ∞. ∞). Assim ao integrar (B.5).53 (−∞. basta tomar a seguinte diferença: ˆ ˆ yn (Lym ) − ym (Lyn ) = (µn − µm )ω(x)yn (x)ym (x) que após simplificações no lado esquerdo (usando a eq.2)) toma a forma p(x) yn (x)ym (x) − ym (x)yn (x) = (µn − µm )ω(x)yn (x)ym (x) (B. ym ) ≡ CP ω(x)yn (x)ym (x) = 0 n = m (B.5) Ou seja. onde a função peso ω(x) tem o papel de garantir que a norma quadrada de yn seja bem definida. q(x) e ω(x) que são: • p(x) > 0 é diferenciavel em CP e p(x) = 0 em ∂CP (extremos (ou bordas) de CP) • q(x) e ω(x) > 0 (pode ser zero em ∂CP ) são continuas em CP As condições acima são suficientes para mostrar a ortogonalidade entre as funções yn (x).4) conhecida como identidade de Lagrange. p = 0 em ∂CP (limites de CP ). (B.

variando de zero até o infinito.7) cn = Se F (x) = δ(x − x ) (x. 1 não é uma prova matemática . temos a relação de completude (ou completeza): δ(x − x ) =δ ω(x ) x ∞ ω(˜)d˜ = x x x n=0 1 yn (x)yn (x ) ||yn ||2 (B. com 1 1 (F (x).8) onde na primeira igualdade usei a manjada fórmula (A. x ∈ CP ).11).54 No caso de n ser um índice discreto.5) “garante” 1 que uma função F (x) em CP possa ser expandida em termos de yn (i.e. (B.6) (B. a eq. yn ) = 2 ||yn || ||yn ||2 ω(x)F (x)yn (x)dx CP (B. yn forma uma base de CP ) ∞ F (x) = n=0 cn yn (x).

C. Para responder a primeira pergunta (cuja resposta é sim) vamos estudar o Wronskiano. B = const .1) cuja solução geral seja dada por: y(x) = Ay1 (x) + By2 (x). A.55 Apêndice C Wronskiano e a segunda solução independente Em alguns casos o método de Frobenius só fornece uma das duas suluções independentes de uma EDO de segunda ordem.1 Wronskiano Tenha uma EDO de segunda ordem do tipo y (x) + P (x)y (x) + Q(x)y(x) = 0 (C. O objetivo deste apêndice é tentar responder à duas questões: (1) Existe uma forma geral de encontrar a segunda solução? (2) Por que o método de Frobenius falha em certas situações.

4) y2 (x) ∝ y1 (x) 2 y1 (η) Portanto. Derivando o Wronskiano: W (x) = y1 y2 − y1 y2 como y1 e y2 são suluções de (C. (C.i.56 onde y1 (x) e y2 (x) são soluções linearmente independentes (l.i. a eq. acima pode ser escrita da seguinte forma: W (x) = y1 y2 − y1 y2 = −y1 P y2 − Qy1 y2 + P y1 y2 + Qy1 y2 = −P (y1 y2 − y1 y2 ) = −P (x)W (x) Integrando: Rx W (x) ∝ e− P (ξ)dξ (C.2) e (C. 2.3) Igualando as eqs.(C.4).) da eq. respondendo a nossa primeira questão.3) d y2 dx y2 x Rx 2 y1 ∝ e− ∝ P (ξ)dξ η ⇒ y2 d y1 x exp − dη P (ξ)dξ 2 y1 (η) então x exp − dη η P (ξ)dξ (C. (y1 (x) ∼ y2 (x)).2) O Wronskiano é não nulo. pois se o fosse indicaria que y1 e y2 não são l.1): yi = −P yi − Qyi . se temos o conhecimento de uma das soluções (y1 (x)) a outra é completamente determinada pela eq. . Então o Wronskiano é definido como o seguinte determinante: W (x) ≡ y1 y2 y1 y2 2 = y1 y2 − y1 y2 = y1 d y2 dx y1 =0 (C. i = 1.

O método não forneceu a segunda solução. Tenha a EDO: xy (x) + y (x) = 0 Tentaremos resolver via Frobenius. O motivo é que uma das soluções (que chamamos de segunda) possui uma singularidade essencial no ponto x = 0 (no caso. vamos achá-la via eq. pois fornece a explicação exata do método de Frobenius falhar em certas ocasiões. x → 0) e como não é possível expandir uma solução em série de potências ao redor de uma singularidade essencial é natural que o método de Frobenius falhe.57 Vamos aplicar este método num exemplo bem simples que dará a dica para a resposta da segunda questão. acima.9)) coincidem. Nesse caso. i. ln x. as duas soluções independentes (ver eq. exceto C−k . 1 (C. colocando y(x) = ∞ ∞ n=0 Cn xn+k na eq. (2. Um exemplo mais complicado é o da hipergeométrica com c = 1. Assim. mas muito instrutivo. x → 0.4) (com y1 (z) sendo dado por . A. o método de Frobenius só fornece uma solução.4) (com P (x) = x ) x η y2 (x) ∝ dηexp − 1 dξ = ξ x dη = ln|x| η A solução geral fica: y(x) = A + B ln|x|. i. O exemplo acima é muito simples.e. no sentido de quando o método de potências falha temos uma segunda solução com o comportamento ln x. ⇒0 = n=0 ∞ Cn (n + k)(n + k − 1) + Cn (n + k) xn+k−1 Cn (n + k)2 xn+k−1 n=0 = ou seja.e. A segunda solução pode ser obtida por (C. B = const. y(x) ≡ y1 (x) = C−k = const que obviamente é solução da eq. O comportamento apresentado pelo exemplo é de certa forma geral. Cn = 0.

Por isso vamos desenvolver um método alternativo para encontrar a segunda solução.3)) z y2 (z) ∝ y1 (z) ∼ ln|z| dz |z − 1/2| 1 |z| 1 ∼ 2 |1 − z |a+b+1 |z | y1 (z ) z dz |z | mostrando o comportamento logarítmico próximo de z = 0. Por outro lado. o que nos estimula a tentar o seguinte ansatz : y2 (x) = u(x) ln x + v(x) (C.6) Agora podemos tentar resolver a eq. podemos determinar os coeficientes Cn . Colocando em (C. talvez. . (C. como pode ser visto nesse último exemplo. Suponha que Frobenius só forneceu uma solução para a eq. Escolhendo u(x) = y1 (x) (solução conhecida). x → 0.6) que.1) (y1 (x)).e. (C. seja resolvida pelo método de Frobenius. em geral. demos argumentos para convencer o leitor que isso é resultado de um comportamento logarítimico nas proximidades do ponto de origem da série. Escrevendo explicitamente a série de y1 (x) nos termos do lado direito e comparando potência a potência.58 (2. o que sugere o ansatz (C. chega-se à eq. o cálculo da eq.1) 2u u u − 2 + P + v + P v + vQ = 0 x x x ln x(u + P u + Q) + Escolhendo u = y1 o primeiro termo se anula. com Frobenius. acima tomando ∞ v(x) = n=0 Cn xn+k i.5) u(x) e v(x) são funções a serem determinadas. resultando em: y1 y1 y − P (x) − 2 1 2 x x x v + P (x)v + Q(x) = (C. Resumo: quando o método de série de potências falha. pelos nossos argumentos a segunda solução deve ter um comportamento ln x. muito complicado.5). (C.4) é.

Donald Kreider e outros.59 Referências Bibliográficas [1] Mathematical Methods for Physicists. . Butkov. Third Edition. Carmen Lys Ribeiro Braga. Edmundo Capelas de Oliveira. [6] Special Functions and Polynomials.M.D. Lifshitz. [7] Introdução à Análise Linear. Arfken and Weber. [3] Funções Analíticas com Aplicações. L. Edmundo Capelas de Oliveira e Waldyr Alves Rodruigues Jr. Sixth Edition. Landau and E. Vols. [5] Quantum Mechanics. [4] Notas de Física Matemática. 2 e 3. Gerard ’t Hooft and Stefan Nobbenhuis. [8] Física Matemática. [2] Funções Especiais com Aplicações.

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