Mímesis, linguagem e aprendizagem em Walter Benjamin

Muito provavelmente todos aqueles que se aventuraram pela busca do conhecimento em meio à tradição filosófica já pressentiram alguma vez o perigo ou foram em algum momento alertados por seus mestres sobre certa postura crítica a se tomar, indiscriminadamente, diante dos filósofos e suas idéias. Deixar-se levar pela compulsão mimética 1, nesse contexto, pode trazer aos mais apaixonados conseqüências bastante negativas, fazendo de alguns idólatras , caricaturas grotescas dos ³seus´ autores. Não percebem a distância (que apenas su perficialmente pode parecer pequena) entre estudar um filósofo e tomar para si, sistematicamente, as suas idéias. É sabido também que alguns desses pensadores têm, pela força e o impacto das suas idéias, pela natureza das suas posições e , talvez principalmente, pelo estilo ³sedutor´ com que expõem seus pensamentos, um poder de despertar, naqueles que se aproximam desavisados, vertigem, perplexidade, prazer intelectual, admiração, convicção, idolatria. Sócrates, Aristóteles, Descartes, Marx, Nietzsche, Walter Benjamin são, nos dias de hoje, mais cultuados do que alguns santos. Paradoxalmente, nos sentimos obrigados a admitir que, não obstante todo tipo de alerta e cuidado, é impossível sair ileso de algu mas experiências dessa natureza. Talvez até não seja temerário afirmar que de nenhuma delas saímos sem desconstruir ou construir algo. Todo esforço dialético, no sentido de evitar a precipitação em aceitar como verdadeira uma tese, é positivo, sem dúvida. Ao extrapolar a esfera dialética, terá que buscar em regiões obscuras a matéria para sustentar suas afirmações, sob o risco de incorrer em pura ³teimosia´. E foi com essa força, a da acuidade crítica e da inventividade intelectual e estética que Walter Benjamin marcou seu lugar, ou até, marcou vários lugares na História da Filosofia, onde transita m suas idéias com a joviedade e a autoridade daquelas que, por trazerem em si algo de ³in esgotável´, ³intocável´, conseguem a façanha de se manterem atualizadas, ou melhor, atualizáveis, mesmo depois de transposto um século de tão drásticas transformações. Meu esforço inicial, como pôde ser percebido, será o de identificar, por meio de alguns tópicos, as zonas de impacto da crítica benjaminiana sobre a tradição filosófica , assim como o seu diálogo com pensadores que o antecederam e aos quais certamente podemos reput ar grande influência sobre suas idéias, naquilo que elas
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Benjamin, em ³A doutrina das semelhanças´ fala sobre a ³violenta pressão para nos tornarmos semelhantes´ como

uma ³pulsão´ da qual nem aqueles que a estudam estão imunes e que pela qual podem alguns estudiosos tornar-se fiéis e fervorosos seguidores.

suas teorias estéticas. ainda em seu início. ³A doutrina das semelhanças´ .guardam de mais especial. como sustentam alguns comentadores. voltadas à reflexão sobre a aprendizagem. a busca se dará pela dimensão do conceito de mímesis em meio às suas reflexões acerca da linguagem. alguns dos grandes responsáveis pela reação contra o racionalismo iluminista por meio das agudas críticas aos conceit os de experiência e conhecimento sustentados pela Aufklarüng e condensados por Kant . É justamente em meio a essas ³teorias da linguagem´ que tentaremos investigar o alcance e a importância do conceito de mímesis e da capacidade mimética como ³suporte teórico e prático em relação ao mundo´. depois de pontuar alguns aspectos essenciais ao vislumbre de certa totalidade da obra benjaminiana como tem sido abordada atualmente. August Wilhelm von Schlegel (1767-1845) e Novalis (1772-1801). ao refletir. ³Sobre a capacidade mimética´ . tendo como ponto de partida as conclusões alcançadas nos estudos da primeira fase. se tornam operadores dentro da concepção benjaminiana de experiência e filosofia. principalmente no âmbito . acerca da possibilidade de identificar uma relação entre a concepção benjaminiana da linguagem e as da infância. terá como objetivo construir uma perspectiva estético -pedagógica. Entre eles estão Johann Georg Hamann (1730 -1788) e os primeiros românticos de Jena. Em seguida. A segunda fase da pesquisa. apresentadas nos textos ³Sobre a linguagem geral e a linguagem humana´. e ³A tarefa do tradutor´ e que trazem conceitos que.

quase incomunicáveis e por i sso até contraditórias. é resultado da posição de Benjamin como. que afirma que o mundo está sujeito a um movimento de retorno ao seu início e que. 3 López-Gallucci. É nesse sentido que. Logo cedo. foi comum encontrar leituras que costumavam seguir duas vertentes: ou tentavam separar o Benjamin metafísico do Benjamin materialista em duas fases estanques. dos textos sobre a linguagem e do ³Crítica a violência ± Crítica do poder ´. não resultam em meras repetições.APOKATÁSTASIS 2: A SALVAÇÃO DA METAFÍSICA BENAJAMINIANA Não é bem uma novidade o fato de que aparentemente há uma divergência quase antagônica entre os textos produzidos por Benjamin na sua juventude e os da sua maturidade. quanto com a visão política que culminaria no seu progressivo envolvimento teórico com o marxismo . Double bind: Walter Benjamin. vão incorporando gradualmente elementos do material ismo histórico. Considerações sobre a origem e a Seligmann-Silva. teve um contato significativo tanto com a teologia e a mística judaica. essência espiritual da linguagem. depois de conhecer Ernst Bloch. ou acabavam por se perder ao ignorar os limites necessários nessa tensa relação entre as duas fases. no que diz respeito à recepção da obra benjaminiana durante suas diversas ³épocas´. Já na obra sobre o drama barroco mesmo os que buscavam uma atualização radical da obra de Benjamin r econheceram na análise da alegoria (contida no texto) o esboço das teorias que se tornariam paradigmáticas nas análises da ³assim chamada pós -modernidade´. prin cipalmente a partir de meados da década de vinte. Johann Georg Hamann. A princípio. mas sim tem o objetivo de recuperar progressivamente o estado perfeito original. Natacha Muriel. Márcio. gerando comentários como os do próprio 2 Uma noção de movimento cíclico. Walter Benjamin. 2003. Asja Lacis e Bertolt Brecht. Com a valorização das obras sobre o conceito romântico de crítica. Não é por acaso que seus primeiros escritos são voltados a temas como a crítica à noção tradicional de experiência. a partir da década de 80. própria da Patrística. Essa tensão. como podemos constatar no comentário de Seligman -Silva4. Por muito tempo. realizou-se uma apokatástasis para reler e ³salvar o que antes havia sido deixado de lado´. que viria a ser determinante para os rumos mais imediatos que Benjamin viria a dar para suas reflexões . a tradução como modelo de criação absoluta e como crítica. ³ao mesmo tempo ápice da modernidade e fundador de uma concepção por assim dizer pós-moderna do conhecimento e da sociedade´. pela amizade com Gershom Scholem. afirma Seligman-Silva. de conhecimento e à discussão acerca da origem e essência mística da linguagem 3 e os que se seguem. 4 . a sua contribuição para a reflexão acerca do que seria essa pós -modernidade seria reconhecida em seus trabalhos considerados pós -metafísicos. Campinas-SP. o Benjamin da primeira fase começou a ser considerado tão atual quanto o da segunda fase.

e talvez principalmente. possivelmente. WALTER BENJAMIN E A CRÍTICA À TRADIÇÃO FILOSÓFICA Ao ressaltar o grande impacto que a obra de Benjamin causou na história do pensamento ocidental. usarei como base a dissertação de mestrado de Natacha Muriel López Gallucci (Unicamp). Benjamin utiliza dois textos anteriores a esse em suas citações. torna -se. que buscam ressaltar uma integração fluida e ao mesmo tempo tensa entre o ³misticismo´ e o ³materia lismo´ de Walter Benjamin. contudo. Hamann é comumente caracterizado como um radical. Na literatura é apontado como precursor do ³ Sturm und Drang ´5 e na história da filosofia como fundador da Filosofia da Fé. Esses argumentos podem ser encontrados na ³Metacrítica sobre o purismo da razão´ .Seligmann-Silva. merecem. Dela partirá uma ³ponte´ até o texto ³ Sobre a linguagem em ge ral e sobre a linguagem humana´ afirmando uma ligação íntima deste com a filosofia da linguagem de Georg Hamann. GEORG HAMANN. situando -o na vanguarda intelectual do seu tempo. Para isso. inaugurando concepções e desafiando paradigmas. ultima opinião sobre a origem divina e humana da linguagem (1770 )´ 5 . Uma Rapsódia em prosa cabalística (1762) ´ e o ensaio ³ O Cavalheiro rosacruz. que influenciou decisivamente os Primeiros Românticos Alem ães. tem no centro uma teoria mística da linguagem. pelo qual o mesmo tinha profundo interesse em sua juventude. intitulada ³Walter Benjamin. por confrontar agudamente a primeira Crítica de Kant. no texto sobre a linguagem. Sua noção de Conhecimento Intuitivo Analógico. tem um ³caráter central e constitutivo´ que se estende a todo seu pensamento. É conhecido também. Considerações sobre a origem e a essência espiritual da linguagem´. Adversário da Ilustração e de todas as formas universais de sua época. A premissa inicial é a de que o problema da linguagem em Benjamin. que mencionado implícita e explicitamente. com as palavras da própria autora ³um ponto de apoio provocador e imprescindível para a ob ra filosófica benjaminiana´. Johann Georg Hamann. São eles: ³ Estética in Nuce. é no mínimo honesto empreender um a busca pelas suas referências mais marcantes e dar-lhes os créditos que. OS PRIMEIROS ROMÂNTICOS ALEMÃES.

. do Pensamento e da Linguagem. por outro nos advertem da importância dos conceitos de Natureza. que viria a tornar-se amigo seu. tanto em sua filosofia da linguagem quanto no dialogo com Herder 6. Filósofo e escritor alemão que foi aluno de Kant e terminou por se aproximar das idéias de Hamann. entre a crítica ao pensamento iluminista do século XVIII e a crítica das concepções gnosiológicas sistemáticas do começo do século XX que o aproxima bastante da crítica de Hamann. aqueles que são considerados pelos contemporâneos como sendo os fundamentos da estilística hamanniana. Há no texto ³ Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem humana ´ uma convergência. em ataque a Spinoza. no pensamento e na linguagem. que por sua vez. Linguagem e Experiência da Revelação em Hamann. Hamann critica as concepções que concorriam pela palavra final nesta questão. em princípio temática. reforça essa idéia. que era dotado de uma grande capacidade de construir sistemas. Dentro da discussão acerca da origem da linguagem no contexto do século XVIII (que será abordad a mais num momento posterior).1803). juntamente com a definição de ³linguagem´ constituem o corpo da crítica à teoria do conhecimento efetuada por ambos os autores. Schlegel viria a corroborar com essa crítica. Essa discussão é decisiva em Hamann e Benjamin. em última instância. a saber: os adeptos da teoria inatista. XVIII podem ser encontrados. salienta a necessidade de apresentar separadamente a questão. que certa vez havia declarado que apenas se sentia apto para provocar por me io de ³fragmentos. além dos argumentos que fu ndamentam sua controvertida Metacrítica a Kant. ³Hamann observa que. já que termina por abarcar as definições de ³natureza´ e ³experiência´ . Para Hamann os sistemas são apenas formas que obscurecem o acesso a verdade além de colocar armadilhas como aquela na qual teria caído Kant ao esquecer -se da linguagem em sua crítica da Razão. pois remetem. Tal oposição dificilmente poderia ser considerada como mera provocação e a menção benjaminiana de Hamann. sob o discurso da teologia.Nesses dois textos. influenciados por Condillac e Hume nos anos centrais do séc. Se por um lado eles desvendam seu interesse pela origem da linguagem. para uma argumentação circular. afirmando que essas posições operam como conceitos sem autoridade. possivelmente fruto de profunda reflexão filosófica sobre as condições de possibil idade da Razão. µalgo¶ se subtrai e foge dos movimentos de dedução e indução sob os quais se apóia a abordagem filosófica 6 Johann Gottfried von Herder (1744 . ocorrências [e] sugestões´. O papel de Hamann nesse debate foi importante na medida em que. os que consideravam a linguagem como uma dádiva divina e aqueles que afirmavam ser a linguagem originada no pacto social. da estética e da filosofia.

em Hamann e em Benjamin a revelação mágica do significado de uma configuração discursiva não depende de uma teoria natural da linguagem nem de uma interpretação etimológica do nome. Não só a faculdade de pensar depende da linguagem (de acordo com as sábias. como a linguagem constitui o ponto fulcral do desentendimento da razão consigo própria. e em parte devido à infinitude das figuras do discurso face às figuras lógicas. e por outro. idéia apresentada na Metacrítica hamanniana: ³E. Essa ³prioridade genealógica´ da l inguagem não é uma característica adicional da língua. na medida em que tal ponto. por um lado.tradicional´. mediador. introduzindo formas de abordagem estéticas e históricas da linguagem. sustentando. nem o pensamento nem a experiência humana. os primeiros românticos e Benjamin é justamente a recorrência a um mistério estruturador na linguagem. Benjamin toma essa idéia como diretriz e tenta recolocar o problema da linguagem de maneira não sistemática. servindo tanto de metáfora para um ³desentendimento´ próprio ao uso cotidiano da linguagem quanto para o mistério da origem da lingua gem. continua por responder uma questão essencial: como é possível a nossa faculdade de pensar? A nossa faculdade de pensar à direita e à esquerda da experiência?. no sentido de um platonismo 8. à magia ou à opacidade. com ela e para além dela. a infinidade das figuras do discurso em relação à finitude das figuras lógicas. antes dela e sem ela. e sim o fato de que não podemos conceber sem ela. Nenhuma dedução é necessária para comprovar a prioridade genealógica da linguagem relativamente às sete sagradas funções das frases e conclusões lógicas e a heráldica em que estas se integram. se refere ao que há de obscuro e mágico no pensamento. Segundo Menninghaus 7 uma das idéias compartilhadas por Hamann. para não falar de muitas outras razões semelhantes´. e particularmente conectado ao absoluto e à divi ndade. possível de ser encontrada por dedução ou indução. situando na linguagem ³o ponto fulcral do desentendimen to da razão consigo própria´. Por esses termos é que Hamann confronta muitos dos pressu postos epistemológicos do século XVIII acerca das faculdades superiores do homem. em parte devido à freqüente coincidência dos conceitos mais amplos e mais restri os e do t respectivo esvaziamento e plenitude nas frases que se reportam ao plano ideal. seja pela via do apelo à obscuridade. embora mal conhecidas. num movimento de recolocação da ³prioridade genealógica´ da linguagem. afinal. Tal concepção teria sido re sponsável por 7 8 (VER CONCEPÇÃO PLATÔNICA DA LINGUAGEM) . Para ele. afirmações maravilhosas desse homem de mérito que é Samuel Heinke).

Nele é possível perceber a importância dada pelo romantismo ao mistério da linguagem. mesmo sem qualquer aprofundamento especial. o que pode.. No texto Sobre a linguagem . na Aesthética in nuce. dando corpo à resistência ao racionalismo.. assim como à relação desse mistério com a fala do cotidiano. da Verdade. na medida em que Hamann utiliza desde figuras bíblicas a versos gregos e latinos na constituição do problema inédito da origem e essência da linguagem. as teorias estéticas que surgiam contemporaneamente em Berlim. do qual se expressam poetas e profetas´. É por meio de uma citação bíblica que Hamann. Benjamin retoma a relação estabelecida por Hamann e pelo romantismo entre ³verdade e fala´.. Para Hamann havia uma ligação entre a experiência oculta e inesgotável da linguagem e seu uso comum. a autora chama atenção para os equívocos daqueles que buscaram uma leitura direta dos mistérios da cabala em Benjamin. Os dois ensaios escolhidos por Benjamin para sua análise são bastante controvertidos. A autora assinala a proximidade entre Novalis e Benjamin n essa passagem.] ´Mas. µuso cotidiano da linguagem¶.´. mas ligadas a uma determinada palavra que dá à sua significação um alcance. as idéias gerais e abstratas não são senão ideais particulares. µlinguagem poética e profética¶. constituem os argumentos aproveitados por Benjamin e o primeiro romantismo e retomados por Novalis em seu Monólog . Contudo. passível de ser aproveitada pela filosofia. próprias do sensus communis´ Tópicos como. ela já está simultaneamente exposta e encoberta no simples uso lingüístico da percepção e da observa ção vulgares. a experiência particular da fala. ³Para Novalis a linguagem é um mundo em si. ser esclarecido por meio da citação hamanniana das palavras de Berkeley. o falar por falar onde se pronuncia esse mistério. negligenciando alguns aspectos como.. segundo a autora. µmistério¶.confundir certos objetos dos estudos de gramática com as pretensões de uma filosofia buscava uma linguagem em geral que pudesse dar conta geometricamente. com sua forte crítica ao sistema dedutivo moderno kantiano. nos recorda essa significação em coisas particulares´ [. no que toca propriamente à importante descoberta. ³O que prevalece em Benjamin é o interesse em uma forma de abordagem místico -esotérica. apresenta o paradoxo . por exemplo. uma abrangência maiores e que simultaneamente. Hamann e os primeir os românticos influenciaram. utilizando para isso elementos teológicos relacionados à cabala judaica. presente na Metacrítica: ³. ³essência e mistério´.

³Uma Rapsódia em Prosa Cabalística´. é possível minimizar as referências à Cabala e à mística judaica em ambos os autores? Ou talvez esse seja o dispositivo que melhor expõe essa convergência (sistemática segundo Menninghaus) em direção do mistério da essência e origem espiritual da linguagem? (Aqui parece haver um problema relacionado à convergência entre Hamann e Benjamin no ensaio Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem humana e o problema estilístico exposto por Wohlfahrt: embora possa ser lido como um tratado do estilo. o mistério fugidio da linguagem é abordado. se estabelece nos seguintes termos: ³o acesso ao conhecimento provém de um longo processo de ruminação´ ou ³provem da imediaticidade de uma verdade revelada´? Na obra em questão. esse resiste à desintegração e ao aniquilamento graças à força contundentemente estética e instauradora características da escrita benjaminiana. ATÉ ESSE PONTO DA PESQUISA. resistindo a dispersão à que a submete o olhar do filósofo. seu real significado remete à análise desse estilo em função da idéia benjaminiana de linguagem. µsobre¶ e µna¶ linguagem. inclinação essa que a mantém reunida. que a autora afirma ser determinante para a leitura benjaminiana da linguagem. Seu debate não se identifica nem com o discurso dos teólogos nem com o discurso da arte. espécie de aflição ou ocupação da linguagem (mencionada já por Novalis no Monolog).´ (A MINHA INTENÇÃO. se desdobra em questões importantes pra a moderna Filosofia da Linguagem. POR MEIO DA . E esse recorte. Nesse ponto a autora levanta uma questão fundamental. segundo sua expressão. ainda pareça desmembrar seu objeto pelas múltiplas abordagens. Essa força remete à auto-reflexão conceptual da linguagem sobre si mesma como núcleo temático. É ME APOIAR A DISSERTAÇÃO DE NATACHA APENAS PARA FORTALECER. a partir da questão dos acessos à µpureza¶ e à µorigem¶. ancora no rastro crítico-estilístico da escrita de Hamann. Tal abordagem. como faz questão de mencionar a autora. mais com o µuso¶ e com as µformas de dizer¶ próprias da escrita filosófica. que será mantida em ³suspensão´ para uma melhor construção e esclarecimento: tendo em vista a convergência que há entre Benjamin e Hamann. o que justifica o subtítulo. ³Neste sentido. paradigmaticamente. como mostraremos. Hamann escolhe um tipo de escrita que estrutura a sua apresentação místico -esotérica.epistemológico que deseja examinar além do estilo que emprega em sua ³prosa cabalística´. Benjamin reflete. No ensaio benjaminiano. (comparação com o estilo cubista de fragmentação e montagem). Esse paradoxo. a retomada benjaminiana da linguagem como núcleo temático no ensaio Sobre a linguagem.

AS CRÍTICAS QUE BENJAMIN REALIZOU COM SUA CONCEPÇÃO DE MÍMESIS E LINGUAGEM E. um tratamento positivo. Contudo. se o diálogo se estende. E OBVIAMENTE DEFENDENDO ESSA RELAÇÃO. As palavras são a origem das percepções. Critica a tradição epistemológica que considera as percepções como organização primeira dos dados da sensação. logo surgem referências certas ³coincidências´. Critica a noção kantiana de experiência por não abarcá -la em sua totalidade. fragmentos. algumas consultas casuais ao que dizem os astros. Critica a noção de progresso e a historiografia burguesa. porém. não é difícil encontrar quem já tenha se espantado com algumas correspondências entre as características atribuídas pela astrologia às pessoas de determinados signos e as características realmente manifes tadas por tais . encontrar pessoas que prontamente assumam acreditar nas previsões do horóscopo e na astrologia de uma maneira geral . dando -lhes. ou que acredita numa certa medida. Não numa tentativa de resgatar esses elementos. podemos perceber do se tratam as constantes referências que o pensador faz a elementos do contexto mítico e teológico. elementos do passado. Proposta de uma nova forma de apresentação do pensamento. CONSEQUENTEMENTE. A SUA PROPOSTA (NÃO SISTEMÁTICA) DE FILOSOFIA POR MEIO DE UMA SALVAÇÃO DA METAFÍSICA QUE PARTE DA LINGUAGEM COMO UM MÉDIUM DE REFLEXÃO ONDE O SER SE MANIFESTA COMO UMA TRADUÇÃO INFINITA DE SI MESMO. Questionados. O CONCEITO DE MÍMESIS NO CONTEXTO DAS TEORIAS DA LINGUAGEM DE WALTER BENJAMIN Nos dias de hoje já não é tão comum. Critica a tentativa de reconstruir. numa certa medida. desvelando processos e tendências que sejam importantes para a superação de questões que se põem no ³tempo de agora´. mas sim. num esforço de submeter toda a forma de manifestação da experiência humana histórica à crítica das reflexões filosóficas . É pela palavra nomeadora que as sensações tornam -se distintas. ) (parágrafo de fechamento da parte introdutória ainda não resolvido ) Dessa maneira. Escrevia em ensaios. certamente a maioria deles dirá que não acredita. principalmente no meio acadêmico.REFERÊNCIA AOS AUTORES CITADOS. por meio da técnica. ou de adentrar nos domínios da teologia e do misticismo. Ainda assim. aforismos. poucos são os que realmente acreditam em previsões de revista.

envolto em obscurantismo e quase sempre imerso em contextos mitológicos. verdadeiro demais sobre você. posso afirmar que. e nem que ao ser concluída a tarefa darei conta de esgotá -las. Consideremos outras realidades. Muitos de nós já nos deparamos com situações desse tipo. Um ³conhecimento´ místico.pessoas. Mimema é o resultado da ação mimética e mimetikos refere-se à capacidade de imitação ou capacidade mimética. abandonar o propósito da reflexão filosófica e adentrar os domínios da teologia e do misticismo? São questões para as quais não tentaremos buscar agora a s respostas. encontra correspondência com fatos da realidade cotidiana. mas que. entre os quais Hermann Koller. a palavra ³mímesis´ tem hoje uma gama de derivações bastante diversificada na língua portuguesa. representação e ainda retrato. Ou alguém que de repente. contudo. A primeira palavra é utilizada em associação com o teatro. te diz algo surpreendente demais. de alguma forma. mimema. mimesis. procuraram estabelecer o surgimento da palavra na Antigüidade Grega. 9 . Mimos e mimetes referem-se a pessoas que imitam ou representam algo/alguém. não apenas em seu aspecto lingüístico. mas também cultural. mimésis. mímesis. sem. culturais e temporais. secreto demais. A análise lingüística mostra que a raiz da palavra remete à palavra mimos e dela derivam as palavras mimeisthai. Não posso dizer que toda a pesquisa esta restrita aos aspectos problematizados nessas ques tões. mimese. onde tal conhecimento mantinha o status de ciência e de onde possamos extrair exemplos que reforcem essa fundamentação empírica para certas ³leituras místicas´ e partamos para os questionamentos: Mesmo diante do ceticismo ao qual somos habitualmente compelidos diante dessas questões. contudo. mas que ao longo dos estudos serão analisadas com um cuidado maior. Mimeisthai significa imitação. devemos seguir para onde elas nos apontam. no mais insuspeito (ou suspeito) dos momentos. como nega r categoricamente tais correspondências? Se admitirmos a existência de tais correspondências. assumindo várias funções como: substantivo feminino e masculino (mímica. para vislumbrarmos a amplitude e a complexidade do conceito de mímesis na filosofia de Walter Benjamin. Gerald Else e Goram Sörbom. mimetes e mimetikos. como esboçar uma explicação acerca dos processos pelos quais são estabelecidas. Historiadores da língua grega. MÍMESIS: A DIMENSÃO DA PALAVRA E DO CONCEITO Originária do grego mimos9.

porque a pergunta ± ³o que é mímesis?´ . por exemplo. na medicina. Seria próxima da representação da vida ordinária. M. Na caricatura de um covarde. deve-se reconhecer o comportamento que descreve a covardia para imitá Tratava-se -lo. talvez não constitua um equívoco usar a mesma palavra para denominar aquele que pratica o mimetismo.mimetismo ou mimético10). mas trata -se de ridicularizar alguém por meio da imitação literal de outro ou interpretada a partir de tipos gerais como a figura do covarde. numa tentativa de explorar os limites alcançados por tal conceito dentro da tradição filosófica: ³Para os autores que desenvolveram esses itens. Por outro lado. Damião) Para um maior esclarecimento sobre a dimensão do conceito de mímesis prosseguirei. Por um lado. função de adjetivo. Esse entendimento ecoará em Platão. verbo (m imetizar). ³Ou seja. simplificando e caricaturando o dia-a-dia. como notaremos logo em seguida. posto que não é socialmente considerado como uma representação artística. acompanhada ou não por música ou ritmos. Quanto à sua origem cultural. seguindo os passos de Damião. pelo estudo que desenvolveram. 11 12 . dessa maneira. seus significados se desdobram em diversas áreas do saber humano. na ecologia. e essa é uma questão fundamental para a pesquisa de Damião 11. há uma divergência entre autores que se dividem em duas correntes principais .´ (C. na retórica. Dessa maneira. afirmando o significado originário de mímesis como ³representação. adjetivo (mimético).pressupõe que mímesis é um conceito amplo e homogêneo 10 Mimético. Gebauer e Wulf. significados diversos que de maneira alguma estavam restr itos à dimensão do uso estético. expressão por meios sonoros e gestuais´ . que por meio da análise de textos antigos discordam da teoria de Koller. seu sentido estaria muito distante do emprego artístico nas tragédias ou comédias. sendo expandido apenas num momento posterior. alegando ter a palavra mímesis. um substantivo. desde o princípio. encontram -se Gerald Else e Göran Sörbom. é demonstrar. tem. se postam aqueles que defendem a tese de que o significado originário da palavra mímesis. melhor do que colocar a questão: ³o que é mímesis?´. desconhecida de Homero e Hesíodo. que essa pergunta conduz a um erro. tendo sua primeira ocorrência no contexto da dança. contudo. e esta é a vertente seguida por Damião. estava ligada à dimensão estética. chamada de mimos. Hermann von Koller 12 assume essa posição. de um tipo de performance ou brincadeira. como nas artes em geral. como aquele dotado de mimetismo.

no entanto. o elemento sensual da mímesis diminuiu. gestos e sons. tão presente em culturas antigas ou primitivas. podemos recorrer à figura do contador de estórias. perdeu seu lugar com o desenvolvimento da escrita. o que não deve por motivo algum corresponder à realizações esquemáticas prévias. Aqui. aquilo que já se formou através da ação. MAS QUERO TENTAR FAZER PELO MENOS UM BOM PARÁGRAFO PARA CADA CITAÇÃO. antigas tradições. Para isso listaremos algumas citações retiradas livro Mimesis. EM ALGUNS DELES EU VOU PRECISAR DE MAIS AJUDA DO QUE EM OUTROS E QUERIA QUE ME MANDASSE UMA ORIENTAÇÃO SOBRE CADA UM) ³As culturas orais estão na origem da mímesis.. Isso seria um erro. tomando o estudo de Gebauer e Wulf 13 poderemos ter uma noção das dimensões alcançadas pelo conceito de mímesis. Nesse nível. com o uso da técnica. p. 316 -320.. uma pressuposição inválida. É CLARO QUE O CRITÉRIO PARA DETERMINAR A EXTENSÃO DO COMENTÁRIO É A RELEVÂNCIA DO TÓPICO PARA A PESQUISA E TAMBÉM A MINHA PROPRIEDADE PARA COMENTAR CADA UM DELES. de Gunter Gebauer e Christoph Wulf. iludem o leitor com definições apressadas.´ (C. A repetição de um gesto fornece proeminência à qualidades que originalmente não desempenhavam nenhum 13 . A tentativa de reviver. porque ao contrário de entender a complexa estrutura que forma o conceito.. Elas são caracterizadas pelo ritmo. Desde o século XVIII. O narrador.. ³Processos miméticos colocam em ação aquilo que o ator já adquiriu.que se desenvolveu ao longo da história com o mesmo significado. COMO A SENHORA VAI PERCEBER. as ações miméticas incorporam todo o corpo do narrador e de sua audiência. (. Dimensão retórica.) Essas tendências foram intensificadas e aceleradas pelos meios técnicos da comunicação moderna´. o ator constitui algo que é próprio. Com o uso geral da escrita. M. com tradução sob responsabili dade da professora Carla Milani Damião: (NESSA PARTE DAS CITAÇÕES DE GEBAUER E WULF EU PRETENDO EXPANDIR BASTANTE OS COMENTÁRIOS. existem tendências que claramente tomaram a direção contrária na tentativa de recapturar as características das culturas orais. (.) Na repetição. Damião) Dessa maneira.

a relação é quase inversa: o mundo mimético da tragédia é presente. o ator apenas põe em prática. um exagero. (.´ Dimensão estética do ator. Mesmo quando age de maneira supostamente original.. (. de ritmo. uma caricatura.. qualidade de tempo e espaço. Age pelo hábito . quando imita um gesto. Nessa relação. A mímesis constrói novamente mundos já construídos. (.. que produz relações entre acontecimentos e objetos na superfície sensível da aparência´. um jogo. Metafísica. ³Na referência mimética.).. Para Aristóteles. o ator ressalta q ualidades ocultas nesse gesto. em contraste. ³Mímesis é intermediária por natureza.. réplica ou reprodução de outro quando há entre eles uma referência mimética. como aquele da imitação.´ . correspondências. e de execução do movimento... por meio dos processos miméticos. Isolamento e mudança de perspectiva são características do processo estético. e o mundo mimético. Dimensão extra-sensível. Ao contrário. Esta é geradora de imagens.papel especial na ação imitada. similitudes. ele é submetido ao que é dito presente como se tivesse acabado de ocorrer.. esticada entre um mundo (produzido simbolicamente) e outro. e o faz em tão alto grau de presença quanto o mundo ao qual ele se refere. o qual já foi anteriormente sujeito à interpretação. Tão logo uma referência seja estabelecida entre um mundo mimético e outro. a determinação é feita em relação ao mundo que é o verdadeiro e ao que é aparente.) Ela isola um objeto ou um acontecimento de seu contexto usual e produz uma perspectiva de recepção que difere daquela percebida no primeiro mundo. . Dimensão estética da percepção. corporal. Platão considera o mundo das idéias como o verdadeiro.) Uma nova interpretação mimética é ao mesmo tempo uma nova percepção (.) Imitação é apenas um caso de mímesis. ³Processos miméticos não se fundam em similaridades. é possível estabelecer uma comparação entre os dois mundos e identificar o tertium comparationis. ilusório. Em termos gerais: um objeto ou acontecimento só pode ser lembrado como imagem. reflexo e conexões entre réplicas. uma interpretação é feita por meio da perspectiva de um mundo produzido simbolicamente de outro mundo anterior (que não necessariamente existe). movimentos já captados em ações anteriores .

Nas imagens de poder surge um mundo dominado pelo poder. Os processos miméticos são preponderantes no pensamento. Ela gera um mundo de aparições/aparências..³A força da mímesis está essencialmente nas imagens que evoca.´ Dimensão social. mas é a geradora de image ns que servem de conexão entre a realidade individual e a empírica. ³Regimes políticos autoritários usam procedimentos miméticos para construir acontecimentos fictícios para substituir a realidade. a mimética e o mundo precedente. de semblantes.´ Dimensão política. ³Como produto de ficções sociais.. Dimensão cognoscitiva ou gnosiológica. constituído simbolicamente. As imagens produzem conexões entre a realidade individual e empírica. simulação. As imagens possuem de fato uma existência material. mas o que elas representam não é uma parte integral da realidade empírica. mas. ) são criações humanas. O mundo que a mímesis encontra é. mas ela também possui sobre eles um aspecto de ilusão. a política é estetizada.´ Dimensão lingüística. Os sistemas simbólicos humanos usados na mímesis não são o resultado de adaptações orgânicas. . a mímesis pertence a uma ordem não -empírica do conhecimento. ficção e engano´. a mímesis rompe a fronteira do domínio da estética. A mímesis não pertence à ordem empírica. (. que são precisamente aquelas que dizem respeito à constituição de ambas. nesse mundo de aparência fascinante. ele mesmo. característica marcante dos regimes políticos autoritários. Relacionada à estetização da política. ³Mímesis difere de mimetismo (mimicry) por meio de características essenciais. e se torna efetiva como uma força social.

ainda assim.) .2 ± Dimensões do conceito de mímesis em Walter Benjamin (Aqui eu tentarei. de 1933. como percebeu Platão. e que tratarei dele no âmbito do texto ³A doutrina das semelhanças´. publicado pela Editora Brasiliense com tradução de Sérgio Paulo Rouanet. 2. NA MEDIDA DO QUE É POSSÍVEL PRA MIM. comunicação e relações.(PARA CONCLUIR A PARTE QUE SE REFERE À DIMENSÃO DO CONCEITO DE MÍMESES EM GERAL. dar uma noção da dimensão do conceito de mímesis na bibliografia da minha pesquisa. criando raízes. e sim uma estrutura complexa que se sustenta com base nas segu intes condições: ³Como um suporte teórico e prático em relação ao mundo´ (COMENTÁRIO) ³A mímesis abrange cognição e ação.´. mas seus efeitos alcançam o social e político. homogêneo. por meio de citações. PRETENDO CITAR AS CONCLUSÕES DA SENHORA E FAZER UM COMENTÁRIO PONTO A PONTO) Como pudemos perceber ao refletir sobre à dimensão do conceito de mímesis de acordo com a análise do estudo de Gebauer e Wulf realizada por Damião. Para isso eu vou extrair dos textos de Benjamin. sistemas simbólicos. MAS É TAMBÉM O TEXTO QUE EU MAIS LI E NÃO VAI ME TOMAR TANTO TEMPO ASSIM FAZER UM COMENTÁRIO. no comportamento individual como um contágio. não se trata de um conceito único. ´ (COMENTÁRIO) ³A relevância da mímesis não se restringe à estética. numa dimensão ainda um pouco restrita. trechos que confir mem essa relação. (COMENTÁRIO) A partir de agora. me limitarei a tratar do conceito de mímesis em Walter Benjamin. (DAQUI PRA BAIXO E REALMENTE COMEÇAREI A ESCREVER AGORA. tendo em vista que tal conceito é fundamental na produção teórica benjaminiana. É aqui que pretendo dar ênfase àquela terceira dimensão mencionada por Wulf e Gebauer .

16h . A busca por desvelar os processos que engendram semelhanças ³A natureza engendra semelhanças. Na ³infância´ das culturas.2 ± Apresentação do texto ³A doutrina das semelhanças´ y y y Contexto e particularidades do texto. analogia. A criança aprende pela imitação A imitação não se limita à imitação de pessoas Educação por adestramento. a faculdade tem seu auge nos tempos antigos.2. Paralalelismo. As três teorias da linguagem de Walter Benjamin Materialismo e metafísica 2.1.1 ± A faculdade mimética y y y y y A importância de buscar o semelhante. Nesse sentido. mímesis y y História Filogenética: é a história da faculdade na espécie humana.2. Do nascimento à morte. Dimensão pedagógica do conceito de mímesis. a faculdade tem seu auge na infância e sua manifestação pode ser vista de maneira mais acentuada na brincadeira infantil. Limite gnosiológico. História da humanidade. Co-determinância decisiva da faculdade mimética 2. Nesse sentido. y . y y y y y As questões ontogênéticas da faculdade mimética podem ser respondidas pel o exame da história filogenética do ³comportamento mimético´. Compulsão.2.1 ± A história da faculdade mimética: sentido ontogenético e filogenético y História Ontogenética: é a história da faculdade no indivíduo.´ Homem: produtor supremo de semelhanças .

2. y 2.1. Inconsciente como instância privilegiada para a determinação mimética .y Para compreender isso.1. y y y 2. As semelhanças que percebemos são a ³ponta do iceberg´ .4 ± Astrologia e totalidade cósmica y Benjamin propõe uma reflexão filosófica acerca da astrologia e das antigas tradições para achar os ³indícios dessa metamorfose´. determinação e consciência y Mesmo hoje.2. Processos celestes eram imitáveis individual e coletivamente O nascimento como um ajustamento à ordem cósmica y y y y y . as semelhanças determinam muito mais episódios do que podemos perceber .2. Um desses sentidos estava relacionado ao domínio do micro e do macrocosmo. mais fraca.1. Como certas configurações sensíveis foram dotadas de características miméticas das quais hoje não suspeitamos ? Horóscopo como totalidade espiritual em analogia à totalidade cósmica A identidade do indivíduo é determinada pelo seu lugar na or dem cósmica. é necessário transcender o conceito contemporâneo de semelhança. As correspondências naturais estimulam e despertam a faculdade mimética que lhes corresponde no homem.3 ± Extinção ou transformação? y y y y y Coisas miméticas (ontogênese) Forças miméticas (filogênese) Tendência evolutiva: declínio ou transformação? Crescente fragilidade do ³dom da apreensão mimética´ Universo do homem moderno é pobre em correspondências mágicas em relação aos antigos ou primitivos.2 ± Mímesis. 2.

2.5 ± A percepção das semelhanças e as semelhanças extra -sensíveis y y y y O momento determinante: temporalidade Efemeridade e transitoriedade na percepção das semelhanças O astrônomo e o astrólogo: conhecimento por analogia Semelhanças extra-sensíveis: astrologia e linguagem 16h 30min .1.2.2.3.2.3 ± Considerações finais .2 ± Mímesis e linguagem y y Influência da faculdade mimética sobre a linguagem Nunca se investigou seriamente a significação ou a história da faculdade mimética Esfera superficial das semelhanças: a sensível y 2.2 ± A palavra escrita e a falada 2.4 ± A linguagem como portadora da faculdade mimética 17h .2.2.2.2.2.1 ± Teorias onomatop oéticas: mímesis e significado y y y Onomatopoese e mímesis na gênese da linguagem A linguagem não é um sistema convencional de símbolos Recurso às teorias onomatopoéticas em sua forma crua 2.2.3 ± Magia e semiótica: a leitura mágica e a leitura profana 2.2.2.

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