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Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010

Murilo Bastos da Cunha Universidade de Brasília Departamento de Ciência da Informação e Documentação Brasília, DF 70910-900 Brasil e-mail: murilobc@unb.br Resumo
As tecnologias da informação afetarão tanto as atividades acadêmicas quanto a natureza do empreendimento em educação superior, que, além de assimilar essas tecnologias, necessitará atender aos requisitos da globalização dos mercados e, conseqüentemente, tais mudanças refletirão na biblioteca universitária. Entre outras, prenunciam-se mudanças estruturais (ênfase no atendimento, terceirização dos outros serviços), no financiamento (consórcios visando à redução de custos), nos serviços (balcão de referência eletrônico, suporte a programas de ensino à distância, agentes inteligentes), quanto aos públicos (o atendimento à demanda reprimida por ensino superior implicará diversidade de clientela).
Palavras-chave

INTRODUÇÃO Nos últimos anos, tem havido um aumento das reflexões, talvez devido ao rápido processo de mudanças nas área científica, tecnológica, econômica, política e social e à aproximação do início de novos século e milênio. “Embora nada haja de anormal no caminho cósmico que o planeta Terra estará percorrendo ao transpor o limiar do milênio, o sentido simbólico que a civilização judaico-cristã atribui à passagem do século é suficientemente forte para causar impactos na sociedade e na vida das pessoas e, por isso, não pode ser desprezado pela ciência apenas como um magno evento de psicologia social. Rever o passado e prever o futuro é, pois, um exercício que tende a aumentar de importância até o ano 2001, início do terceiro milênio. A atmosfera fin de siècle, que predomina nesses dias, enaltece a preocupação com o futuro” (Marinho). Com base nesse enfoque é que foi feito este trabalho. Seu objetivo é analisar os principais tópicos que, provavelmente, terão maiores impactos na biblioteca universitária brasileira em 2010. Os temas abordados incluem a estrutura, o financiamento, os serviços e os públicos. Nessas análises serão vistas, de forma prioritária, as mudanças que as universidades provavelmente sofrerão e, logo em seguida, os possíveis reflexos em suas bibliotecas. Este tipo de abordagem será adotado, pois considera-se que a biblioteca não é um ente isolado, estando, portanto, inserida em um contexto maior. Vale a pena ressaltar que, por se tratar de um estudo prospectivo, não se teve neste trabalho pretensão de apresentar perguntas e respostas para toda a problemática da futura biblioteca universitária. Pretendeu-se, entretanto, que este trabalho servisse de elemento auxiliar na importante reflexão sobre o tema, pois é sabido que “a nossa é uma dessa épocas em que a poeira das perguntas demora a assentar e quando as respostas chegam já estão obsoletas” (Campos).

Biblioteca digital; Biblioteca universitária; Desenvolvimento de coleções; Serviço de aquisição; Catalogação; Classificação; Referência; Comutação bibliográfica; Serviços técnicos; Universidade; Ensino superior; Internet; Periódico eletrônico; Agentes inteligentes.

Building the future: the Brazilian university library in 2010 Abstract
Information technology will affect academic activities as well as the nature of the high education sector. This sector besides the need to assimilate these technologies will need to attend the requisites of market globalization and, as consequence, all theses changes will be reflected in the university library. Prospectives impacts will affect the structure (emphasis in user services, outsourcing of several services), in the financing aspect (growing of consortia in order to reduce costs), in services (electronic reference, support to long distance education programs, intelligent agents) and in the clientele (attending the great demand por high education which implies a diversity of people).
Keywords

University library; Digital library; Academic library; Collection development; Library acquisition; Cataloging; Classification; Reference; Interlibrary loan; Technical services; User education; University; Higher education; Internet; Electronic journal; Intelligent agent.

Artigo aceito para publicação em 17/04/2000

Ci. Inf., Brasília, v. 29, n. 1, p. 71-89, jan./abr. 2000

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aquelas áreas e serviços mais distantes do mercado . tão 72 grandes como as que ocorreram em outras áreas no final do século XIX. A temática. colocando obstáculos na alocação de recursos financeiros para essas organizações. mudanças precisam ser feitas para que. certamente. comparativamente. por exemplo. As universidades não sobreviverão. levantaram diversos problemas-chave. Ci. quando. de forma crescente. A maré globalizante precisa ser entendida em todas as suas facetas e. É bom relembrar que a harmonia social e econômica entre sociedade e academia. Essa indefinição sobre o destino das IES públicas. em sua maioria. à necessidade de se aumentarem verbas. Aqueles departamentos e cursos mais ligados ao mercado são também os que possuem maior grau de visibilidade dentro do campus. as ciências sociais e. procurando fluxos alternativos de recursos em fontes privadas. os quais. A globalização econômica – termo bastante disseminado atualmente – tem provocado mudanças em todos os mercados nacionais. nos últimos 20 anos. naturalmente. anunciou um dilema. eram óbvios. O corpo docente e o seu conhecimento estão sendo transformados em commodities. Os governos. além disso. E. tendo em vista o incremento das especializações e o desnível de prestígio entre a pesquisa e ensino.entre elas as humanidades. à perda do sentido de erudição. aí. Brasília. Aqui.Murilo Bastos da Cunha O FUTURO DA UNIVERSIDADE O futuro da universidade foi objeto de grande discussão nos Estados Unidos. as mudanças que estão ocorrendo na academia são. Vale lembrar que o enfoque do mercado globalizante pode ser perverso para as bibliotecas universitárias. têm reagido a essas adversidades. por outro lado. Inf. a biblioteca universitária possa ocupar um nicho importante na vida acadêmica. prestígio e autonomia relativa dentro das IES. Essas áreas possuem o conhecimento que o mercado valoriza e. Os principais problemas abordados estavam ligados a receios sobre o futuro do financiamento para a pesquisa. v. as universidades. Nos últimos anos. Assim. Como se sabe. segundo o qual um burro faminto. 29. p. o domínio crescente das áreas de ciência. de forma paulatina. o que acontecerá? Aqueles pesquisadores ligados ao aspecto cultural preocupam-se com o reposicionamento das universidades na sociedade. seria incapaz de decidir por um deles e morreria de fome” (Michavila). Em decorrência disso. a qualidade do ensino de graduação e as melhores opções para autonomia das universidades públicas. quais seriam as conseqüências dessa mudança estrutural para as universidades? Algumas delas já são visíveis há algum tempo. mudanças nos objetivos e no gerenciamento estão deixando o futuro das universidades ao sabor da inconsistência do mercado global. forjada no século XIX e até meados do século XX. 1. Os grandes debates que se seguiram. situado a igual distância entre dois montes de feno.. Existe a possibilidade de falhas. 2000 . talvez fossem acrescentados tópicos como a cobrança ou não de anuidades em todos os tipos de universidades. tradicionalmente. são centros de custos. Ainda não está claro se as universidades estão bem preparadas para competir no mercado. com certeza. o guru Peter Drucker mencionou que “trinta anos a partir de agora os campi das grandes universidades serão relíquias. Para sobreviver. quase nunca tratados em um evento de bibliotecas universitárias. pode levar a uma paralisia similar à proposição de Buridan. em 1997. especialmente no mercado. precisam ser analisados. por ser complexa e envolver muitos aspectos conflitantes. reitor por duas vezes da Universidade de Paris. o debate sobre a universidade vem se arrastando há vários anos no Congresso Nacional e entre as entidades representativas das instituições de ensino superior (IES) e dos docentes. Caso essa discussão tivesse ocorrido no Brasil. porque elas. A famosa expressão de Francis Bacon de que “conhecimento é poder” agora. também refletirá na biblioteca universitária brasileira. jan. passa a ter novas acepções: “conhecimento é capital e capital é poder” – exceto se o conhecimento de determinada área não tiver valor! Mas. essa harmonia entrou em colapso e foi suplantada pela disciplina do mercado. Para os vencedores vão os maiores fundos. Enorme quantidade de documentos já foi gerada pelo Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub). estão alterando suas formas tradicionais de apoio às IES e. em desvantagem. em 2010. Observa-se. caso elas ocorram. n. Serão elas um mero apêndice do mercado ou instrumentos da política econômica nacional? Esses tópicos. virtualmente isolou o corpo docente da competição do mercado. tradicionalmente. elas passaram por grande mudança quando tiveram o primeiro livro impresso”. e diretrizes devem ser traçadas para serem incorporadas ao planejamento estratégico de nossas instituições. incluídas também as bibliotecas ficam. famoso filósofo francês do século XIV. tecnologia e medicina nas pesquisas universitárias. “Jean Buridan. 71-89./abr. e não de captação de recursos. pela Associação Nacional das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e pela Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes). segundo Lenzner & Johnson (1997). suas ligações com a indústria são marcantes. Por outro lado.

simultaneamente. algumas instituições podem prover o credenciamento formal. ainda. precisam vencer os obstáculos burocráticos do vestibular. Talvez o mais importante de tudo venha a ser o impacto da tecnologia de informação. e. Como resultado. 71-89. outros setores também 73 . Atualmente. Brasília. “somente no ano passado [1998]. tais como a limpeza. quando e onde o aprendizado ocorrerá. as limitações desse “mercado” acadêmico têm sido desafiadas. A evolução para uma educação centrada no aprendiz é irresistível e desafiadora. que. terceirizando os currículos. Assim. Este processo é sustentado por avaliações feitas por conselhos profissionais e por organismos federais e estaduais. podem. isto é. as faculdades e universidades estão centradas no corpo docente. Nos anos 90. eliminando os obstáculos tempo e espaço. (.2 bilhões.) O mercado vai saturar e só sobrarão as melhores instituições”. Inf. caso estes necessitem de conhecimento específico. que. entretanto. o ponto focal da universidade tem sido a biblioteca. Os professores decidem o que lecionar.. finalmente.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 POSSÍVEIS CENÁRIOS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA Na universidade. que explorarão novos paradigmas de aprendizado e ameaçarão os provedores tradicionais. gráfico. atividades também podem ser terceirizadas. Através dos séculos. Muitas das atividades atuais das IES. acessíveis a qualquer indivíduo e. as universidades desfrutaram monopólio do ensino superior devido. 2000 no mercado. por exemplo. Por exemplo. primordialmente. a educação superior poderia transformar-se em um sistema de faculdades e universidades. as nações reconhecem a importância da educação superior. 1. paulatinamente. Os estudantes precisam viajar até o campus para aprender. E. cursos e outros serviços a partir de IES já estabelecidas. o estudante terá acesso a uma enorme variedade de oportunidades de aprendizagem. pois instituições educacionais no futuro estarão centradas no corpo discente. com certeza. Nesse novo cenário de aprendizagem. poderá propiciar mais opções Ci. O impacto mais significante de um cenário futuro será a quebra dessa estrutura monolítica. v. será necessário redistribuir várias de suas funções. receber o certificado de reconhecimento do aprendizado. grande quantidade de usuários descontentes. o rápido crescimento do ciberespaço e da universidade virtual provocará a criação de instituições sem campus.. Essa universidade virtual enfatizará o marketing e a distribuição. poderiam organizar. vídeo e sonoro) e das experiências sensoriais por meio da realidade virtual – já foi além da imprensa e de seus impactos no conhecimento. a grande demanda para a educação e treinamento superiores não pode ser totalmente suprida nesse verdadeiro labirinto legal. simplesmente o conhecimento e outras. jan. principalmente pela tecnologia de informação. pode erodir por diversos fatores. algoritmo e simulação da realidade virtual e. Considerando que. a convergência digital dos vários meios de comunicação (impresso. estão à disposição dos estudantes. super-regulada e controlada. Aspectos relativos à estrutura Ao longo do tempo. de fato.. n./abr. Entretanto. A atual universidade envolve uma instituição monolítica que controla todos os aspectos do aprendizado. das limitações nas ofertas de disciplinas e dos rígidos horários escolares. como. nas bibliotecas. com o uso de empresas para executar serviços de encadernação. Hoje. novas forças competem com o sistema vigente de credenciamento profissional e acadêmico. o ensino superior privado foi um negócio que faturou R$ 4. à certificação do conhecimento por meio de diplomas. não mais uma prerrogativa de poucos privilegiados da academia. como. No atual paradigma. 29. certamente. p. trabalhando junto ao mercado para entender suas necessidades. esse conhecimento existe sob muitas formas: texto. som. com o seu acervo de obras impressas preservando o conhecimento da civilização. centrado no aprendiz. aliás. outras. ao mesmo. pois existem demanda não atendida.se em uma verdadeira “indústria” do conhecimento e aprendizado. a preservação do conhecimento é uma das funções que menos rapidamente mudam. terá uma abrangência mundial e será uma das mais promissoras do futuro Os contornos dessa futura reestruturação do empreendimento em educação superior ainda não estão claros. está sendo feito há décadas. Segundo Rezende (1999). Segundo. baixa utilização de tecnologia da informação e sua importância estratégica para o país. essa indústria. fazendo a distribuição por meio de sofisticada tecnologia educacional. e a educação será provida à distância. ele existe literalmente no éter. O computador – ou mais precisamente. Ao mudar de um enfoque centrado no professor para outro. Se cumprirem todos os requisitos. Primeiro. além da atual. o mercado em expansão atrairá novos competidores. o mercado educacional brasileiro pode ser um campo fértil para investidores privados. distribuído em redes mundiais. Essa situação. vigilância e alimentação já são executadas por organizações terceirizadas. em representações digitais.

estar dispostas a terceirizar áreas nas quais não possuem vantagens competitivas. a Universidade de Alberta. v. é provável que surjam novas entidades educacionais. as IES da órbita privada tiveram. Em contrapartida. estadual e municipal) teve pequenas oscilações. no mesmo período. estruturas e fontes de sustentação (tabela 1). como resultado dessas mudanças. é que a universidade futura não será a mesma do momento atual. existiam no Brasil 973 faculdades e universidades. jan. 1980-1998 Ano 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1998 Total 882 876 873 861 847 859 855 853 871 902 918 893 893 873 851 894 922 973 Federal 56 52 53 53 53 53 53 54 54 54 55 56 57 57 57 57 57 57 Estadual 53 78 80 79 74 75 90 83 87 84 83 82 82 77 73 76 74 74 Municipal Particular 91 682 129 617 126 614 114 615 111 609 105 626 120 592 103 613 92 638 82 682 84 696 84 671 88 666 87 652 88 633 77 684 80 711 78 764 Fonte: Ministério da Educação/Inep No futuro. Em lugar de desenvolver o conteúdo e transmiti-lo em um ambiente de sala de aula. o número das IES com dependência administrativa subordinada aos três níveis da órbita pública (federal. Isto trará novos modelos de organização. 71-89. n. 289). outras serão fundidas ou adquiridas por concorrentes. e as IES contarão com diversas parcerias organizacionais na comercialização desses produtos. Observa-se que. e. 29. novos relacionamentos entre as universidades e entre elas e o setor privado. telecomunicações e redes. notadamente nas ciências sociais. onde serão enfatizadas suas habilidades de motivação e consultoria. notadamente os computadores. A natureza da educação superior será mais alterada pela nossa habilidade de introduzir novas e eficientes maneiras para o aprendizado do que pela mera introdução de novas mídias para o transporte da informação. Está claro que a educação superior precisa descentralizar suas atividades e melhorar sua eficácia. Segundo James W. devem reforçar seus pontos fortes e fazer com que os mesmos possam dar o exato suporte às suas estratégias e. com alto grau de certeza. nos Estados Unidos. p. O que se pode prever. por outro lado. Inf./abr. a partir de 1995. Nessa nova realidade. os serviços educacionais serão distribuídos via Internet. humanas e Ci. isto. Portanto. existe enorme campo de aplicação. no período de 1980-1998. 2000 . no Canadá.Murilo Bastos da Cunha foram afetados. a Wright State University. p. à semelhança de outras instituições de nossa sociedade. No futuro. à semelhança das áreas comercial e industrial. Algumas IES poderão desaparecer. toda a catalogação e o processamento de suas monografias. Muitos processos administrativos tornaram-se altamente dependentes da tecnologia de informação que ainda não é amplamente utilizada em todas as unidades acadêmicas. Assim. 74 TABELA 1 Instituições. O modelo de criação. As universidades. Tecnologia Como organizações direcionadas para o conhecimento. Em 1998. Williams (1998. Só as melhores e mais competitivas vão sobreviver” (Avancini & Toledo). “o setor deverá sofrer um processo de fusões e incorporações semelhante ao que os bancos vivem hoje. suas bibliotecas serão afetadas pelo impactos dessas transformações. missões. terceirizou. de desenvolvimento de disciplinas pode mudar para um método mais complexo de criação de material instrucional. E o que ocorrerá com suas bibliotecas? Possivelmente. não será mais necessário. Essa tecnologia é um direcionador de mudança no ensino superior e afetará tanto as atividades acadêmicas fundamentais quanto a natureza do empreendimento em educação superior. É sabido que muitos professores escreveram livros-texto e que os mesmos chegam até seus leitores por meio da indústria editorial. Alianças e consórcios serão formados visando a obter uma redução dos custos e aumento da produtividade. O modelo de ensino de graduação vigente obriga que todos os estudantes estejam no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Com as novas formas de aprendizado assíncrono. 1. Assim. é natural que as IES sejam grandemente afetadas pelos rápidos progressos na tecnologia de informação. os professores também sofrerão mudanças. por dependência administrativa. também passarão por fusões. caracterizadas por uma grande diversidade em tamanho. paulatinamente. eles continuarão a se encarregar do processo de aprendizado à longa distância. ao mesmo tempo. quase artesanal e individual. Elas passaram de 69% do total em 1986 para 77% em 1996. é evidente que o grande crescimento das IES se dá na esfera privada. terceirizou todas as operações de catalogação.. grandes oscilações. Brasília. O ponto comum entre esses dois exemplos é que servidores foram deslocados dos serviços técnicos para o atendimento ao público.

utilizarão aplicações multimídia e outros tipos de produtos/serviços que demandam alta confiabilidade e velocidade de transmissão. 2000 de textos impressos. A velocidade de transmissão de dados agora passa a contar com redes de alta velocidade. computadores pessoais e videogames. deve-se mencionar que isso irá requerer grande mudança no ensino de graduação. poucos são os docentes que dominam essas habilidades. 75 . encontra-se o da biblioteca. Até 2010. se complementado com recursos de diversas mídia. o incremento das velocidades de transmissão de dados e redução drástica nos custos das memórias de massa baratearam os custos e aumentaram a potencialidade dos recursos informáticos. Tal como a atual tecnologia de microcomputadores. pois. isto é. existem projetos de implementação de redes digitais de alta velocidade interligando diversos prédios do campus por meio de cabos de fibra óptica e ampliando o acesso à World Wide Web (WWW). os usuários das bibliotecas terão acesso a grandes arquivos de dados. porque nem sempre estão inclinados a ler seqüencialmente um manual e desejam aprender por meio de participação e experimentação diretas. o uso do CDROM e o advento da biblioteca digital. estará automatizada./abr. Em decorrência disso. 71-89. Se adotada a terminologia contemporânea de redes computacionais. interativas. Porém. que provê serviços e produtos. Os estudantes de hoje são membros de uma geração digital. Nos últimos tempos. bibliotecas sempre foram dependentes da tecnologia da informação. o acesso a base de dados bibliográficos armazenados nos grandes bancos de dados.. a universidade atual pode ser considerada como um “servidor de conhecimentos”. Os professores ficarão mais centrados na motivação e gerenciamento do processo ativo de aprendizado dos estudantes. esses papéis podem ser vistos como uma simples manifestação do século XX e ligados aos papéis fundamentais de criação. no momento. necessitarão de mais recursos financeiros para a provisão de equipamentos mais potentes e modernos. Vale a pena ressaltar que. jan. transmissão ou aplicação de conhecimentos sob qualquer forma solicitada. Eles gastaram grande parte de suas vidas rodeados de mídia eletrônicos. transmissão e ampliação do conhecimento. Nessas áreas. Aqui. Enquanto não surge uma didática específica para esse tipo de aprendizado. a criação. Entre os prédios a serem conectados a essa tecnologia. Diferente da maioria daqueles que foram criados em uma era de meios de comunicação passiva – como o rádio e a televisão –. para eles o enfoque do aprendizado deveria ser uma experiência plug and play. quase a totalidade. demonstram que. o aumento da velocidade das CPUs. as bibliotecas sempre acompanharam e venceram os novos paradigmas tecnológicos (figura 1). o enfoque do currículo da universidade tradicional pode ser bem mais efetivo para essa geração. Os membros do corpo docente do século XXI verão que será necessário reduzir seus papéis como professores e se transformarem em desenvolvedores de experiências de aprendizado. no final dos anos 90. nos últimos 150 anos. de forma crescente. preservação. preservação. e muitas delas serão bibliotecas totalmente digitais. Na área de pesquisa. em muitas universidades. Inf. 1. Brasília. FIGURA 1 Evolução tecnológica da biblioteca EVOLUÇÃO DA BIBLIOTECA ERA IV Maturidade Virtual b a ERA III ERA II Digital Eletrônica Automatizada ERA I Tradicional moderna Zona de descontinuidade 1850 2000 Tempo Em 2010. MTV.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 artes. 29. também ocorrerão mudanças: o foco passará de um pesquisador solitário para um grupo de estudiosos que. se não a totalidade das bibliotecas universitárias brasileiras. altamente dependente das diversas tecnologias de informação. A passagem dos manuscritos para a utilização Ci. com a implantação em todo o Brasil das redes de alta velocidade. o impacto nas atividades educacionais será mais profundo do que aqueles ocorridos nas áreas de ciências exatas e tecnológicas. No tocante à natureza das atividades acadêmicas. p. é comum afirmar-se que a missão da universidade é efetivada pela trindade: ensino. n. integração. os universitários esperam e têm desejos de maior interação. v. pesquisa e extensão. E como ficam as bibliotecas com essas mudanças nas atividades básicas da universidade? Em todas as épocas. será composto de especialistas de várias áreas.

investe na construção de seu backbone com 28 pontos de presença naquele estado. dentre outras facilidades. 55). Inf.. mas menos de um terço das pessoas em muitos países possuem telefones. “O relacionamento social depende de quem está controlando a tecnologia. segundo levantamento feito por Crespo (2000). onde é vital ter as qualidades de alta velocidade e segurança. (. vale a pena refletir sobre o seu estrondoso crescimento. . médica e científica. v.. mesmo 76 quando distantes dos principais centros tecnológicos” (A Internet 2... lembrar os efeitos sociais da tecnologia.. “no período de um a dois anos.. jornais. mas a chegada de novos fornecedores mudará o cenário.. discos. A base da RNP-2 serão 14 Redes Metropolitanas de Alta Velocidade (Remav). Pela magnitude dos projetos mencionados. e. mas já é possível conferir um resultado prático.. p. operadora de telefonia fixa em São Paulo. surge “a possibilidade de transporte de um grande volume de informações e com rapidez e grande quantidade entre os institutos e deverá trazer..8 bilhões até 2004. além das aplicações atuais... p. Nessa nova rede. pelo menos os preços estão caindo” (Crespo. 12). c) a Global One está ampliando em dez vezes a capacidade das ligações entre o Brasil. diversas empresas começam a concorrer no mercado até então dominado pela Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). a socialização de tecnologias entre centros distantes e a disseminação de pesquisas e da educação através de informações em áudio e vídeo de alta resolução. p. Entretanto. p. o país ainda sofrerá com problemas de infra-estrutura. D. o sistema telefônico global aproxima as pessoas.) A Internet passou a ser encarada definitivamente como um meio de comunicação de massa cujo potencial vai mexer com os fundamentos de tudo nesse setor – do rádio à televisão. d) a IMPSAT iniciou a construção de uma rede de fibra ótica que interligará toda a América Latina. A estrutura vigente da Internet não está mais dando vazão à quantidade. Essa fusão “é desconcertante porque marca o triunfo da Internet. Bibliotecas digitais de alta fidelidade documental. 29. (. que poderão alcançar maior velocidade utilizando a chamada banda larga. dos dados trafegados na rede. algumas vezes. terão prioridade as aplicações que envolvam multimídia. A associação de empresas da Internet com produtores de filmes. cada vez crescente.. recursos multimídia antes impensáveis. que tem por objetivo final interligar a comunidade acadêmica brasileira à Rede Internet-2 norte-americana. p. (. não é somente a RNP que está se modernizando. revistas ou livros tem um potencial ilimitado.. na área governamental.) As ampliações dos backbones estão apenas começando. a WWW atingiu essa marca em apenas quatro anos.Murilo Bastos da Cunha No que se refere à WWW. n. “Enquanto o telefone levou 74 anos para conquistar os seus primeiros 50 milhões de usuários. estarão ao alcance das comunidades acadêmica. portanto estamos gerando uma sociedade com uma elite informacional. 1. Na área privada. Pode parecer óbvio ou banal. Brasília. Como nos movemos para um mundo centrado na tecnologia. É o denominado comércio eletrônico (e-commerce) que está eliminando as distâncias entre as empresas e os consumidores gerando negócios inimagináveis antes de 1995. a Rede Nacional de Pesquisas (REDE . p. Dependendo do ponto de vista.. Na RNP-2. são: a) a Telefônica. 12). jan.. 98-99). a Internet é o principal motor dessa revolução que está derrubando por terra o jeito tradicional de se fazer negócio” (WWW . tais como projeções de telas em três dimensões e controle remoto de microscópios eletrônicos.) Mais do que um agente de comunicação e informação. concorrente nacional da Embratel.. prevê investimentos de R$ 2. Ci. É importante. Ela reúne produtores de conteúdo com canais de acesso abertos a milhões de pessoas” (Gallupo. (. 85). É a denominada RNP-2 (ou Internet2). Menos de 10% possuem microcomputadores.. Se a lentidão da rede continua insuportável.) Não podemos depender somente das forças do mercado para corrigir esse desequilíbrio porque o mercado não é direcionado pelas considerações sociais.) está promovendo a atualização da rede acadêmica brasileira com a construção de um backbone de alta velocidade. logo nos primeiros dias do século XXI. Os principais projetos em andamento. Em janeiro de 2000. 2000 . com investimentos da ordem de US$ 500 milhões. Por exemplo. os Estados Unidos e a Europa. 71-89. e) a Intelig. entretanto. mas precisamos parar e ver que as pessoas sem acesso à tecnologia não terão um futuro orientado tecnologicamente. é importante assegurar que todos os segmentos da sociedade tenham acesso à tecnologia necessária” (Hawkins./abr. como o mais vigoroso motor da economia mundial. Assim. b) a PSINET está montando pontos de presença no eixo Rio de Janeiro-São Paulo-Belo Horizonte. a American Online (AOL) incorporou o grupo Time Warner em uma transação de US$ 184 bilhões. a sociedade atual apresenta os melhores e os piores aspectos. somos convencidos de que a tecnologia está disponível universalmente. da mídia impressa ao cinema. abrindo um novo patamar qualitativo para as comunicações de dados.

obtê-los dependia da sua localização física e da provisão de cópias.. (. a guerra do acesso grátis não tem mais freios. pois. A adequação tecnológica deve ser incrementada com investimentos para a integração dos avanços da comunicação com uma realidade educacional muito variada. jan. 29. É um modelo. do comércio eletrônico e da publicidade vendida em suas páginas. parte da informação demandada será provida pelos serviços tradicionais das bibliotecas. O primeiro programa da UniRede responderá pela criação de licenciaturas variadas. quando o distanciamento entre ricos e pobres aumenta e os riscos de exclusão social são potencializados pelo distanciamento tecnológico da sociedade. Tais ações permitirão melhor domínio do ciclo tecnológico e a otimização dos parcos recursos investidos na área. Resta.) As empresas que investem na Internet gratuita apostam que conseguirão retirar seu sustento da comercialização de seu banco de dados de clientes. federais e estaduais. onde materiais instrucionais produzidos nas referidas parcerias estarão à disposição dos estudantes. 71-89. “Hoje. e sua meta é ambiciosa: 100 mil alunos/ano (Brasil. da formação de consórcios para a compra de hardware e software e da definição de um mínimo de padronização entre os diversos sistemas de automação utilizados. democratizar o uso da Internet. o Brasil poderá ter destinos entre a segunda e terceira categorias. portanto. não houve. Dos norte-americanos. 1. Ensino à distância As tecnologias de informação aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem vêm mudando significativamente o perfil da educação no mundo contemporâneo. quanto de pós-graduação. a universalização de direitos e benefícios dos progressos econômicos e tecnológicos. Em 6 de janeiro de 2000. Mesmo ultrapassando suas paredes para obter outros recursos informacionais que seus usuários demandavam. nova divisão entre as nações haverá de estabelecer-se (Brasil. Esse boom de usuários gerados pela Internet gratuita precisa ser visto com cautela. foi criada a Universidade Virtual Pública do Brasil (UniRede). Porém. Em decorrência disto.. tanto em níveis de graduação. disseminando e d u c a ç ã o a s s i s t i d a p o r m e i o s interativos via Internet. utilizará o tráfego via Internet. é favorável. 44% têm acesso à Internet em casa ou no trabalho – mais que o dobro da porcentagem na Alemanha e Inglaterra” (Lohr). Biblioteca digital A característica da biblioteca tradicional é que tanto a coleção quanto o seu catálogo utilizam o papel como suporte de registro da informação. extensão ou educação continuada. Certamente. a situação brasileira tende a se alterar. promover tal integração será um dos principais desafios para um país como o Brasil. “Depois que o Bradesco deflagrou. parecido com o das redes de TV aberta” (Bauer). apenas 2% da população tinham acesso a um computador e a um provedor de acesso. dado que já dispõe de condições políticas e tecnológicas que o projetam para a utilização de media interativas de maior impacto populacional.. pois. Deve-se ressaltar que o desenvolvimento das bibliotecas universitárias estará na dependência do intercâmbio regular de experiências entre os diversos projetos em andamento. p./abr. no Brasil. v. em 1999. entretanto. O paradigma da biblioteca digital (Cunha (1999) é diferente daquele da 77 . que ainda se concentram em uma minoria da população.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 Assim. Inf. três níveis de status tecnológico-educacional já são evidentes: a) países que não dispõem de qualquer condição de uso de tecnologias mais avançadas e que ficarão restritos ao ensino presencial e a um baixo nível de escolarização da população. com níveis dos mais elevados aos mais primitivos. ela desenvolveu os mecanismos de acesso que permitiam encontrar esses documentos.) Nas principais cidades brasileiras. Nessa divisão. para. oferecer um conjunto de aplicações voltadas para a recuperação do ensino superior público. pois. no caso brasileiro. Esse consórcio visa a aproveitar o melhor do potencial destas universidades para atender à demanda por ensino superior. por meio da implantação de infovias. n. até agora. A UniRede é constituída por um consórcio de. a mania do acesso gratuito à Web. Para alcançá-la. suplantar o cenário econômico. já há diversas opções de provedores que não cobram absolutamente nada pelos seus serviços. MEC). (. MEC). A depender das políticas adotadas no presente e no futuro imediato. em dezembro [1999]. Esse programa fará com que o número de usuários nas bibliotecas das IES consorciadas aumente. quase a metade da população global on-line reside nos Estados Unidos. inicialmente. b) países cujas possibilidades restringem-se à condição de usuários de ensino e tecnologias. certamente.. é vital. O cenário tecnológico. 33 universidades públicas. Nos próximos anos. 2000 c) países que geram conhecimentos tecnológicos dispõem de soberania educacional e chegam a exportar cursos para a segunda categoria de países. Brasília. teoricamente.. Ci.

1995). Muito embora a informação esteja se tornando cada vez mais digital. elas se tornarão também gerenciadoras de linhas de comunicação com outros locais de conhecimento.. 29. catalogação e armazenamento dos documentos. a automação de bibliotecas pode apresentar dois desafios para o planejamento do espaço físico. “as bibliotecas continuarão com a custódia dos materiais educativos sólidos. n. o conceito de biblioteca digital representa um processo gradual e evolutivo como resultado da utilização do computador de forma cada vez mais crescente nas últimas décadas. 1987). p. sistemas de automação vieram fazer parte do seu quotidiano. com destaque para os livros./abr. (. Seus problemas agora estão relacionados ao financiamento do acesso e padronização dos fluxos que permitam ao usuário encontrar o caminho através dessa massa de recursos disponíveis. Wired. provavelmente. em vez de enfrentar os problemas inerentes à localização. 71-89. foram implementados os catálogos em linha e o acesso a bancos de dados. a revista Wired (Future. até 2010. e alterações precisam ser feitas. bibliotecas digitais são simplesmente um conjunto de mecanismos eletrônicos que facilitam a localização da demanda informacional. portanto. decidindo quais conhecimentos existentes em outras instituições merecem menção pelos selecionadores e hiperorganizadores da biblioteca local. Inf. como será o relacionamento entre as bibliotecas tradicionais e digitais? Para Michael Dertouzos. Na década de 80. as pessoas “precisarão de um lugar para estudo e reflexão. muitos prédios de bibliotecas irão desaparecer. Embora aparentemente novo e revolucionário. Como conseqüência. Em geral. Instalações físicas As bibliotecas tradicionalmente convivem com problemas derivados da necessidade de instalações e áreas físicas suficientes tanto para armazenar seus acervos quanto para prover serviços a seus usuários. No início dos anos 80. 2000 . Por volta de 1970. Diferentemente das bibliotecas universitárias tradicionais.. os administradores passaram a observar com cuidado o que deveria ser feito para adaptar suas instalações às novas e constantes demandas. Os resultados (tabela 2) revelam que a biblioteca exclusivamente digital exigirá algum tempo. elétrico e de iluminação requeridos para apoiar os modernos programas informacionais. por alguns anos. aquisição. por não precisar ter uma localização física. 1994). segundo Milstead (Milstead). com a condição de que as bibliotecas físicas controlem a qualidade das bibliotecas virtuais. 1. interligando recursos e usuários. v.. p. e não apenas parte de uma massa” (Myers. Mas. levando em conta os requisitos do programa de disponibilidade da informação que combinará. 241). com o CDROM tornou.se possível recuperar referências bibliográficas e textos completos. as bibliotecas digitais não se localizam em um determinado prédio ou edifício e. O segundo é que essas instalações foram projetadas para serem utilizadas durante várias décadas sem grandes alterações (Michael.. como conseqüência. O vento da mudança já começou a soprar. o uso tradicional do suporte em papel com a Ci. Assim. quando se teria a primeira grande biblioteca virtual e quando a realidade virtual seria amplamente utilizada nessas instituições.Murilo Bastos da Cunha biblioteca tradicional. 1995. O espaço para acomodar a crescente coleção sempre foi uma das maiores preocupações de seus diretores. muitas bibliotecas universitárias deverão sofrer reformas ou mudar-se para novas instalações.) O gerenciamento eficaz desses selecionadores de conhecimento será crucial para a qualidade das instituições de ensino no futuro” (Dertouzos. solicitou a especialistas em bibliotecas digitais que dissessem quando se teria a metade da Library of Congress digitalizada. Assim. O primeiro é causado pelo fato de que muitos prédios foram concebidos para dar suporte a sistemas que não utilizam muitos equipamentos e. a biblioteca digital vai existir no ciberespaço. e esses novos mecanismos causaram profundo impacto no espaço da biblioteca.. Brasília. Um lugar para aprenderem a ser indivíduos. jan. Em 1995. não possuem os sistemas de comunicação. Cada uma deve avaliar cuidadosamente o seu espaço. Contudo. 78 TABELA 2 Previsão de evolução da biblioteca digital Personalidade Metade da LC digitalizada Primeira grande biblioteca virtual 2020 ? 2005 2030 2010 2016 Realidade virtual nas bibliotecas 1997 2010 1997 2020 2000 2005 Ken Dowlin Hector GarciaMolina Clifford Lynch Ellen Poisson Robert Zich Média 2050 2065 2020 2050 2030 2043 Fonte: Future of libraries.

Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 ampla gama dos suportes digitais e do crescimento do ensino à distância.0 M 9.5 M 1995/1996 23. 1997). nos últimos anos. diretórios e enciclopédias passaram a estar disponíveis tanto em papel como em suporte digital. torna-se cada vez mais difícil prover acesso à totalidade da informação demandada por seus usuários. microcomputadores.55 M 0.1 M 0.8 M 0. determinados títulos tornaram-se acessíveis somente por intermédio de um terminal. É claro que as bibliotecas universitárias continuarão a incorporar “materiais de todas as formas às suas coleções físicas.1 M 6.5 M 8. elas poderão ser substituídas por empresas comerciais provedoras de informação ou por intermediários da informação”(Sherrer.25 M 0. jan. manter-se como o centro intelectual do campus. muitas das necessidades de informação dos usuários não são mais supridas exclusivamente pelas bibliotecas. v. utilizar o sistema da biblioteca para acessar a informação. De qualquer forma. Além disso. 1994). Brasília. É o momento da integração crescente das fontes eletrônicas aos acervos e serviços existente. os serviços de desenvolvimento de coleções e aquisição terão grandes transformações. p. Illinois University California (Berkeley) University of Michigan Cambridge University Fonte: Lesk. Se as bibliotecas falharem em incorporar a responsabilidade de gerenciamento da informação armazenada em outros lugares (. n. Até 2010. com os periódicos eletrônicos. mais e mais usuários estão resolvendo suas demandas informacionais por meio do ciberespaço. O crescente custo dos documentos é um dos óbices..24 M 0. No final dos anos 80. 71-89. uma coisa é certa: a futura biblioteca coexistirá em um ambiente no qual os usuários estarão conectados a uma ampla variedade de recursos informacionais que muitas das bibliotecas não poderão prover. faz com que seja impossível adquirir tudo o que se publica. 29. O aspecto negativo desse cenário é que muitas bibliotecas universitárias irão descobrir que suas capacidades para adquirir novos terminais e novas gerações de máquinas será excedida pela demanda por acesso. B. Em algumas áreas. p. TABELA 3 Crescimento do acervo Instituição Harvard University Yale University Univ. O esforço para recuperar as funções básicas da biblioteca universitária necessitará compreender que. Porém.7 M 3. Esse crescimento pode ser mais bem visualizado na tabela 3.5 M 8. porém talvez o mais importante seja a explosão bibliográfica que tornou quase impossível adquirir e encontrar espaço físico para atender a uma gama de interesses dos possíveis usuários (Hawkins. redes locais e outras tecnologias da informação que começam a fazer parte da moderna biblioteca universitária. de fato. A reforma das instalações pode custar mais do que o esperado. No início de 2000.. por si mesmo. ser insuficientes para abrigar a bateria de microcomputadores e/ou terminais necessários ao catálogo automatizado. 126). os artigos passaram a ser armazenados em arquivos eletrônicos e um crescente percentual de profissionais divulga seus trabalhos diretamente na Internet.). 2000 . 1997. Portanto. 9. leitoras de CD-ROM.. poucas são as bibliotecas que estão equipadas para coexistirem com os catálogos em linha. Os metros quadrados liberados com o abandono do catálogo em ficha podem. coleções de periódicos. É sabido que o ciclo de vida do hardware gira em torno de 18-24 meses. 1996. a criação de acervo digital será um dos caminhos a serem trilhados com a re-alocação de recursos para projetos colaborativos (Cunha. para amenizar os efeitos dessa demanda e das constantes mudanças tecnológicas é que a biblioteca deverá prover pontos de acesso nos quais o próprio usuário ligará o seu equipamento portátil e. p. ao mesmo tempo. A explosão bibliográfica./abr. 1. Portanto. O prédio que emerge dessa consideração precisa combinar os elementos que fazem uma biblioteca funcionar em um ambiente de rápida mudança e. mas igual importância terá a informação sobre aquilo que não está armazenado localmente.. paradoxalmente. onde são mostradas as estatísticas de acervos de algumas bibliotecas universitárias no exterior. cabeamento em fibra ótica. o desenvolvimento de coleções será coordenado 79 Ci. O acervo informacional Para a biblioteca. devido às limitações orçamentárias vigentes em todos os países.5 M No tocante à preservação dos conhecimentos. Inf. M: milhões Anos anteriores — — — — — 330 (em 1473) 1910 1.

Entretanto. 2000 80 . a cada vez.Murilo Bastos da Cunha de modo que atenda aos requisitos de gerenciamento das bibliotecas consorciadas. no caso de item de grande procura. está “comprando direitos autorais das editoras. Inf. os técnicos responsáveis pelo processamento desses documentos virtuais deverão fazer conferências regulares quanto à acuidade dos dados e à permanência das hiperligações. e. mas as opções para acessar a informação demandada (Demas. os setores de referência e desenvolvimento de coleções estarão intimamente interligados. Elas. Na prática. Tanto a transmissão do pedido do documento demandado como o pagamento das respectivas taxas serão feitos de forma eletrônica. 1994). tais como metadados e marcação de textos. arquivo transferido e em outros suportes digitais ainda não existentes no momento. O recebimento do item solicitado pelo usuário poderá ser feito pelo próprio interessado e/ou colocado à disposição de toda a clientela daquela biblioteca. além de conhecer seus instrumentos de trabalho. utilizaram políticas de desenvolvimento de coleções que antecipavam as possíveis necessidades de informação de sua clientela com base na idéia de que as necessidades dos usuários correntes seriam automaticamente atendidas. As normas contidas no Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR-II) e no formato MARC mostram-se insuficientes para atender às novas necessidades técnicas. as bibliotecas passaram a ter enormes demandas de cópias de artigos de periódicos de títulos inexistentes nos acervos locais. 29. necessitam dominar outros. o diferencial mudará do tamanho do acervo para o tamanho das verbas disponíveis para o acesso. 1. imagens digitais. a comutação bibliográfica deixou de ser um mero mecanismo de suprir falhas do acervo para se transformar em uma das áreas básicas da organização bibliotecária. com a introdução do acesso em linha aos bancos de dados comerciais. cuja importância cresce a cada dia. No futuro. despesas com escaneamento de textos e com a preservação do documento digital. p. 71-89. pois o que irá contar não são os milhões de itens do acervo. Assim. e também estar aptos a lidar com as características multimídia dos novos documentos. A cópia “comprada” pela biblioteca fica armazenada em computador da empresa./abr. essas novas fontes são verdadeiras obras de referência. o “empréstimo eletrônico”. Determinados itens armazenados em outros acervos digitais nem sempre estarão disponíveis sem custo. A empresa NetLibrary (http: www. tradicionalmente. convertendo os livros em um formato apropriado para leitura on-line e os vende para bibliotecas e consumidores” (Bransten). fundada nos Estados Unidos em agosto de 1998. com o advento da informação digital. as bibliotecas universitárias enfrentam os desafios de prover fácil acesso desses documentos a seus usuários. O livro eletrônico já está se tornando uma r e a l i d a d e . por exemplo. total ou parcialmente. Ci. necessita-se utilizar arquivos de textos completos de periódicos. com a existência de centenas de bibliotecas utilizando os catálogos públicos de acesso em linha e dos catálogos coletivos de livros e periódicos. Agora. as páginas iniciais (home-pages) e os periódicos eletrônicos. Agora.com). A área de comutação bibliográfica tem crescido de importância nos últimos trinta anos. por exemplo. Esses custos poderão ser subsidiados. som e fotografia. e haverá necessidade de pagamento pelo acesso e transmissão da informação. Esses documentos estão provocando a criação de novos padrões para a perfeita descrição dos formatos e para melhorar os requisitos para seus acessos e usos. pela biblioteca ou pagos integralmente pelo usuário. Em decorrência da natureza efêmera de muitos recursos da Internet. tendo em vista as decisões feitas junto ao acervo em períodos anteriores. dados numéricos e multimídia. Esse tipo de transação fará com que a biblioteca não tenha. muitas bibliotecas somente catalogarão aquelas fontes consideradas de qualidade ou que possuam uma certa segurança de acesso e confiabilidade. impresso. As bibliotecas universitárias. porém. Brasília. netlibrary. houve crescimentos dos pedidos de empréstimo-entre-bibliotecas de obras disponíveis em outras regiões. um único usuário pode fazer. caso a biblioteca tenha adquirido somente um exemplar. surgiram outros tipos de documentos para serem processados pelos serviços técnicos. Os direitos e o gerenciamento dos direitos autorais estarão interligados para possibilitar o acesso autorizado às informações digitalizadas. vídeo. n. Portanto. Nos anos 80. O item recebido poderá vir sob a forma de um documento impresso. os catalogadores. por exemplo.. trazem também novas questões para a catalogação formal. Organização do acervo informacional À medida que a informação digital se expande. Em meados dos anos 70. v. jan. O setor de processamento técnico é desafiado a prover novos meios de descrever o registro e o conteúdo de itens com estruturas informacionais e manipulação bem diferentes daqueles tradicionalmente arrolados pelo controle bibliográfico. Com o advento da Internet.

p. o qual terá as ligações (links) para as bibliotecas hospedeiras dos documentos digitais. o que aconteceria se abandonássemos nossos catálogos locais e permitíssemos aos nossos usuários selecionar qualquer coisa dos 40 milhões de itens no Worldcat do OCLC? Suponhamos que tenhamos em estoque somente os títulos mais procurados e ficássemos dependentes de outras bibliotecas. proporcionalmente. distribuidores e editoras para suprir o restante? E se usarmos a Internet. nome do criador/ autor ou de cabeçalhos de assuntos. mais desempregados” (Grinbaum. um alto grau de flexibilidade e qualidade na busca e recuperação da informação.2 3. jan. dezenas de termos de indexação podem ser incluídos e. no caso de periódicos eletrônicos. 29.3 4. inclusive para bibliotecas centrais (como as das universidades de Brasília e Santa Maria). Aspectos relativos a financiamento Ao se abordar o aspecto de financiamento para a biblioteca universitária. 2000 81 . Muitas mudanças ocorrerão nas tarefas de organização do acervo informacional. O paradigma da unidade representativa da informação era. n.1 anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos 00 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Ci. Inf. diversos níveis de representação do documento. tanto para itens impressos quanto para os digitais. por exemplo. Muitos dos sistemas de recuperação de imagens.). O desenvolvimento das técnicas de indexação sem vínculo com a representação textual poderá dispensar o preenchimento desses dados. 71-89. Será comum o downloading do registro catalográfico para o catálogo local.. um filme. os níveis de representação do conteúdo alcançam níveis inimagináveis. podendo ser um mapa. já permite o acesso eletrônico ao registro catalográfico completo de monografias incorporadas ao seu acervo após 1982. um livro. é importante relembrar que existe alta correlação entre a saúde da economia brasileira e das IES. FIGURA 2 Média anual do crescimento do PIB em cada década O crescimento do Brasil no século 20 M édia anual de c re scim ento do P IB em ca da década (e m % ) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 8.1 6 4. as descrições mínimas restringiam-se a dados sobre o autor. Foi nos anos do “milagre”. A política de indexação seguida pela biblioteca é que irá delinear quais níveis de representação da informação serão adotados em um determinado acervo. Brasília. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (Biblioteca . “Os anos 80 levaram a fama de ‘década perdida’. mas a década de 90 está sendo até pior: o Brasil cresceu menos e hoje tem. na década de 70 e início de 80. a distribuição eletrônica e a remessa de baixo custo para levar a biblioteca aos nossos usuários em lugar de exigir que eles venham até nós? São perguntas inquietantes e provocativas que exigem grandes reflexões por parte dos profissionais das bibliotecas universitárias. Além disso. por exemplo. áudio e outros objetos não-textuais são dependentes de campos de dados tais como o título. essa tarefa provavelmente ficará restrita a grandes bibliotecas ou àquelas muito especializadas. Entretanto. vídeo. O registro pode ser copiado nos formatos USMARC e ISO/2709. Nos sistemas manuais tradicionais e mesmo nos catálogos automatizados produzidos até o final dos anos 80.8 7. com reflexos no tamanho do arquivo invertido e nos mecanismos de busca. v.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 A catalogação original. uma figura. sobremaneira. não desaparecerá. O armazenamento digital amplia as possibilidades de pontos de acesso a um determinado documento. que diversas IES obtiveram verbas para construção de novos prédios.3 5. um slide. um capítulo ou mesmo um verbete de uma obra de referência. as várias partes do documento como objeto físico podem ficar hospedadas em diversos computadores. Tais características agregam. 1999). Porém.1 3 1. essas decisões terão muitas implicações na representação do conteúdo a ser utilizado. por exemplo. em uma coleção digital heterogênea. 1./abr. Obviamente. também. Como indagou Steve Coffman (1999).. Atualmente.. e não os seus capítulos. título e alguns cabeçalhos de assunto.7 6. A média anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem decrescido nas últimas décadas (figura 2).

desde a saúde até a proteção ambiental. a educação superior no Brasil ficou presa a problemas financeiros. equipamentos e expansão da base de conhecimento. consórcio. Nos anos 80. Enquanto isso. De qualquer maneira. reduzir o déficit governamental e fazer suprimentos para garantir o pagamento da dívida externa. consultando-se o acervo digital localizado em uma outra biblioteca. talvez ainda precisem ser impressos por algum tempo. da reconstrução de cidades ao entretenimento do público em geral. Neste caso./abr. O número de estudantes cresceu. Ao mesmo tempo. em termos percentuais. A média do preço de um curso no Brasil é de US$ 3 mil” (Rezende. em quase todos os países. “o Brasil pagou a conta do pesadíssimo endividamento externo da década de 70. considerando a necessidade de se equilibrar o orçamento público. especialmente no acervo e na provisão de produtos e serviços. possivelmente em percentual e velocidade maiores. uma coleção de artigos agrupados por um editor especializado? Os títulos muito especializados. O periódico eletrônico já é uma realidade e pode ser acessado de diversas maneiras. dentro de poucos anos. o Library Consortium Management: an international journal. n. haverá uma forma híbrida. seja normal e inevitável o pagamento de mensalidades nas universidades públicas. as quais requerem novas instalações. segundo o IBGE. 29.. Inf. têm declinado ao longo dos últimos quinze anos! Essa situação tende a se agravar. Em 1976. 70. As crises econômicas. 2000 . 71-89. para a aquisição de assinaturas de periódicos eletrônicos. 1999). Aspectos relativos a serviços e produtos As necessidades da sociedade determinam as aplicações do conhecimento gerado nas universidades. p. Na área da biblioteca universitária. várias ações têm sido encetadas para otimizar os recursos financeiros. acesso integral para os assinantes da publicação impressa). tendo em vista a distribuição de renda brasileira. Nas últimas décadas. com pequeno número de assinaturas. a aprovação. “A discussão do preço é outro entrave entre empresários e alunos. 1999). Brasília. Será que o periódico “tradicional” sobreviverá no seu formato atual. pesquisa e extensão também cresceu. irão migrar para o formato eletrônico. em nível remoto. Em nível local. O custo do ensino superior é relativamente caro. em 1999. particularmente aqueles de conteúdo generalistas. as universidades têm sido solicitadas a contribuir em uma ampla variedade de atividades. publicação em papel e forma digital (com diversas modalidades de acesso aos artigos: parcial ou totalmente livre para todos. provocou. considerando que essas atividades universitárias são dependentes de pessoal altamente qualificado. Ci. jan. v. portanto. O tema. Nesse cenário. por meio de CD-ROM. independentemente da subordinação administrativa das IES. e os serviços profissionais fornecidos pelas universidades nas áreas de saúde e extensão foram afetados. Periódicos No setor de periódicos estão ocorrendo grandes mudanças. Os cortes e atrasos nos pagamentos das assinaturas de periódicos estrangeiros são um bom exemplo Desde o início dos anos 90. A magnitude dos serviços demandados pelas IES aumentou sobremaneira. É saber como será a estrutura da comunicação científica.Murilo Bastos da Cunha Uma das razões para as dificuldades brasileiras seria a alta dependência do capital estrangeiro. do Programa de Biblioteca Eletrônica (Probe). empresa provedora de documentos ou mesmo em sítios na Internet. O próprio termo periódico (journal) carrega consigo enorme bagagem cultural. o custo para prover ensino. todas elas têm de procurar novas maneiras para controlar 82 os custos e incrementar a produtividade. é provável que. devido à sua importância transcendental. Mesmo que a demanda de serviços educacionais tenha crescido e que os custos operacionais para prover esses serviços também tenha tido incremento. É quase certo que a nossa educação superior necessita melhorar a eficácia para fazer face a pressões do incremento dos custos. chegou-se a uma situação inusitada. em maio de 1999. Vale a pena citar. o pagamento da dívida externa e as ações para equilibrar os gastos públicos têm enormes reflexos nas bibliotecas universitárias. Em relação aos periódicos. no caso brasileiro. Já os problemas atuais decorreriam da crise gerada pelos investimentos especulativos estrangeiros a partir do Plano Real. estando. se pública ou privada.5% da população recebia até dois salários mínimos. pelo menos na área pública: os recursos orçamentários. lançado em julho de 94” (Grinbaum. o aparecimento de um periódico especializado. Uma das modalidades que tem tido crescente sucesso é a idéia de consórcio para desenvolver produtos e serviços informacionais. consórcio entre as universidades públicas de São Paulo e a Bireme. à margem do ensino superior pago. os títulos de grande circulação. existe outro aspecto a que se deve prestar atenção. Essa gama de atividades certamente tem reflexos na biblioteca universitária. isto é. tendo em vista o crescimento demográfico e as novas demandas sociais. 1.

os usuários necessitam de apoio instrucional para otimizar suas navegações na Internet. ou. enviar lista de livros novos. v. o período coberto e o tipo de documento desejado. quando as duas versões. discutiu-se muito a respeito do provável desaparecimento do bibliotecário de referência. por sua vez. adicionará sinônimos. Brasília. O correio eletrônico é um instrumental simples e barato. jan. cada vez mais crescente. resumo. ou mesmo na Internet. a biblioteca passou a contar com mais um canal de comunicação junto a seus usuários que podem enviar perguntas e/ou solicitações das mais diversas ordens. uma boa maneira de precisar a relevância dos gastos é compará-los com os custos de assinatura de periódicos que podem incluir centenas de artigos irrelevantes ou de títulos de pouca utilização. agregar maior valor do que na forma tradicional impressa. Aqui. De olho neste mercado. tendo em vista a possibilidade de o usuário-final ter acesso total à imensidão de informação digital. extrairá palavras-chave da expressão de busca elaborada pelo usuário remoto. para que essa nova modalidade de comunicação funcione bem. É claro que os métodos e os enfoques utilizados para informar e instruir os usuários serão influenciados pela tecnologia da informação que podem possibilitar maior eficácia nas atividades relacionadas ao treinamento de usuário no ambiente universitário. passando a visualizá83 . por exemplo. Pode-se. O usuário. Ci. haverá redução na quantidade de volumes encadernados e títulos recolocados nas estantes e. perfis de usuários e cópia de documentos. n. As atividades de educação do usuário.. 1. Os índices digitais agora passam a conter hiperligações com os documentos e seus textos completos. mas os bibliotecários ainda continuarão a ensinar as pessoas a fazer melhor proveito dos recursos informacionais existentes na biblioteca. onde o usuário. pode então assinalar o que deseja: referência bibliográfica. sumário ou o texto completo. 29. 71-89. denominado Engineering Information Village (www. Apesar de existirem programas navegadores (browsers) e mecanismos de busca. o pedido do usuário é encaminhado para o seu computador ou sua caixa postal eletrônica. é vital que a mesma seja integrada às rotinas normais. de um ainda pequeno grupo de usuários que deseja ir diretamente às fontes. existirá um programa de computador. ainda terão valor os índices e bibliografias correntes para a clientela das bibliotecas universitárias? As fontes secundárias. 2000 alguns produtores de bibliografias correntes. considerando a situação precária dos mecanismos de busca existentes na WWW de recuperar informações relevantes. parece que o intermediário da informação ainda tem muito o que fazer. o “agente inteligente” realiza a busca e apresenta os resultados com o grau de relevância para cada item recuperado. pode acessar sumários correntes de periódicos. O dinheiro gasto com a encomenda de artigos é relevante. organizará o resultado em uma estrutura hierárquica e enviará o resultado preliminar para o usuário. Após isto. denominado “agente inteligente”. que. Com o incremento no número de bases de dados de texto completo. tenham conteúdos substancialmente diferentes. Heckart (1998. onde se incluem esses tipos de documentos. Porém. Inf. Porém. Com o correio eletrônico. Esses portais poderão se transformar em um forte concorrente da atual biblioteca universitária. a política de aquisição de periódicos deverá enfatizar o periódico eletrônico. impressa e digital. p./abr. será reduzido o número de servidores envolvidos nessa tarefa. 253). criou um portal com um sistema comercial de informação integrada. Assim. No futuro “balcão” de referência eletrônica. Referência Anos atrás. Este poderá fazer alterações e adicionar novos parâmetros. existe uma tendência. O aumento da velocidade de transmissão de dados e o crescimento de acervos digitais facilitarão a rápida identificação e acesso ao texto integral do documento. fazer indagações que serão respondidas por professores de engenharia ou bibliotecários. (produtor do Engineering Index). por meio dele. Com a implantação dessa política.ei. será comum o acesso ao correio eletrônico por meio de telefone celular. na biblioteca digital. mediante pagamento. Existe um custo associado ao pedido de artigos em grande volume em decorrência do downsizing do acervo local. observa-se um paradoxo: ao mesmo tempo em que existe grande número de usuários que necessita aprender como navegar na Internet. tradicionalmente executadas pelo serviço de referência. podem. Mas.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 Na biblioteca universitária.org). como o Engineering Information Inc. Finalmente. os usuários deverão alterar suas percepções em relação aos índices. receber notícias diárias sobre um determinado tema. p. conseqüentemente. consultar bibliografia técnica e pedir cópia de documentos. deverão ter mudanças. de acordo com Ronald J. e o formato impresso somente será privilegiado nos casos em que a imagem visual digitalizada não tenha alta qualidade. Essas fontes são o meio para se fazer buscas de recursos informacionais segundo critérios específicos. Em breve. consultar normas técnicas.

573 Em 2000. Como será feito o marketing de produtos eletrônicos? Considerando que as bibliotecas aumentarão seus acervos de periódicos e bases de dados eletrônicos. v. pois. TABELA 4 População residente.034 52.002.485 33. a biblioteca universitária extrapolará os assuntos técnico-científicos e poderá colaborar nas outras necessidades informacionais diárias de sua clientela.984 80. considerando a impossibilidade humana de acompanhar o crescente volume de dados. gerar recursos financeiros para a biblioteca. programação cinematográfica e futuros produtos informacionais ainda não disponíveis no mercado. pesquisadores e professores. Esse “inchaço” nas cidades tem acarretado maiores demandas de investimentos em infra-estrutura. segundo o IBGE. n.133 33. Assim. o Brasil contará com cerca de 188 milhões de habitantes.990 123.303. jan. agora.. Com isso. Há 30 anos. ainda.182 18. o crescimento da população brasileira no período de 1940-1996. O sucesso das atividades de uma universidade virtual muito dependerá de um acervo digital.082.506 38. está havendo um ressurgimento da disseminação seletiva da informação (DSI ou SDI)..356. 29.340. no período de 1940-1996.436. 71-89. (. Aspectos relativos a públicos Antes de se discutir a clientela a ser atendida futuramente pelas IES. cobertura. e. se esses serviços forem comercializados para um público externo à IES. Portanto. o valor das fontes secundárias é revigorado. Tal fato dará um grande valor agregado às suas atividades. Observa-se que. a se manter essa taxa. benefícios e opções de acesso. grande parte de suas atividades dependia do fator humano.. transporte e habitação.767. e o aprendizado para os alunos virtuais pode realizar-se independentemente de sua distância ou localização.054.4% (ou 2. 2000 . poderão.3 milhões por ano). Inf. A DSI não ficará restrita aos documentos tradicionais. também como forma de acessar o documento.397 70. jornais. elas continuam a servir de índice da literatura especializada e. o IBGE estimou que o país contaria com 166 milhões de habitantes. os usuários devem ser informados a respeito da disponibilidade. com a avalanche de informações disponibilizadas via Internet. rádio e televisão. como conseqüência.566.037 119. por situação do domicílio ANOS 1940 1950 1960 1970 1980 1991 1996 Fonte: IBGE URBANA 12.053 38.070. por conseguinte.475 157.167 RURAL 28.139.079. Aqui.944.834. p. (. Apesar da escassez de Ci.891 31.696.161. Em 1996. porque haverá ligação mais estreita entre os programas de ensino formal e aqueles próprios do ensino à distância. Em 2010.409 110. A biblioteca universitária. é necessário conhecer um pouco mais os aspectos ligados à evolução demográfica brasileira.Murilo Bastos da Cunha los como um caminho prático para acessar a informação.. A tabela 4 mostra. mercado das bolsas de valores. “Os esforços de marketing devem ser direcionados para cada um dos distintos segmentos do mercado de recursos eletrônicos: estudantes. Esse novo acervo permitirá que sejam eliminadas as paredes da sala de aula. essa dependência é amenizada e. saneamento.997.423 41. poderá ocupar um importante papel como um dos suportes básicos na provisão de informação dentro dos programas de ensino à distância. para os estudantes eles necessitam focalizar nas suas necessidades para a informação que seja acessível rapidamente . a população brasileira crescia em torno de 3% ao ano. desde a formulação da estratégia de busca até a obtenção do texto completo do documento.315 51. no formato e local desejados. devido aos custos envolvidos. pode ocorrer maior otimização dos recursos humanos.706 146.457 93.084. no tempo que eles precisarem dela.. Portanto. Nas bibliotecas tradicionais.782. antes de 2010. Os produtos e serviços ofertados por uma determinada biblioteca dependem de como os recursos são alocados pela instituição. a filtragem de informação e a personalização de sua disseminação têm 84 enorme perspectiva de crescimento.) Os esforços de marketing devem ser orientados para os benefícios./abr. poderá incluir. nas digitais.297 35. notadamente livros e artigos científicos. aplicações. essa taxa tinha decrescido para 1.) Esses esforços de marketing devem combinar as formas impressas e eletrônicas em vez de tratar cada formato separadamente” (IFLA’99). aparece outro nicho para esforços cooperativos entre as bibliotecas universitárias. a concentração demográfica urbana cresceu de forma acentuada.990.825. Brasília. Cada segmento tem necessidades diferentes que precisam ser avaliadas.406 TOTAL 40. 1. noticiários em linha das agências de notícias.

628 74 1.980 1. terá reflexos nas bibliotecas universitárias.7 22.621 47. TABELA 6 Censo do ensino superior de graduação (1998) Aspecto Instituições Cursos/G Total Federal Estadual Municipal Particular 973 6.321.8 1996 77. Inf.5 91.031 124.0 40. (4) número de mortos para cada mil nascimentos.988 81. n. por terem maior grau de liberdade junto ao Ministério da Educação do que as IES isoladas.125.338 408. p. p.6 40.801 70. 29. Portanto./abr.317 7.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 recursos para atender a essas demandas.0 39.) Os centros universitários passaram a ter maior autonomia para criar.858..306 115.2 81.266.122 194.5 Fonte: IBGE Legenda: (1) % de domicílios atendidos.0 1980 76.302 454.932 39. onde se nota que as vagas ofertadas atingem somente 27.640 51..1 50.281 90. Tal prerrogativa só era permitida às universidades. certamente.8 81. caso se mantenha a taxa de natalidade (1.04% do alunado de graduação (tabela 7. tem se beneficiado dos principais serviços e bens (tabela 5).9 25. v.252 habitantes (Almanaque. juntamente com a pesquisa e extensão” (INEP Notícias). Brasília.6 1996 90.8 28.2 35. E como está o ensino superior no Brasil? Os seus dados estatísticos relativos ao nível de graduação.1% da procura de candidatos inscritos nos vestibulares.4 84. As universidades detinham 69.267 4.888 30. a seguir). organizar e extinguir cursos e programas de educação superior.9 1995 76. 85 . Essa assertiva pode ser facilmente visualizada na tabela 8. (.1 % do alunado.3 92.617 857.733 570.4 82.4 22.7 40. constam da tabela 6.5 12. 71-89.3 78.016 776. a seguir. o crescimento está concentrado na rede particular. o país contava.419 89.409 104. proporcionalmente.2 39. Esses dados mostram que o ensino de graduação ainda tem uma boa margem para crescimento.611 77.0 74.2 % dos cursos de graduação e contavam com 62.4% em 1996) e não haja incremento no número de vagas ofertadas. provavelmente.2 56. das quais 78. É nessa área onde.353 165. Porém. 2000 TABELA 5 Principais índices de mensuração de qualidade de vida Serviços Água encanada (1) Esgoto (1) Iluminação elétrica (1) Telefone (1) Pessoas alfabetizadas (%) Bens Rádio (1) Televisão (1) Geladeira (1) Automóveis (2) Moradias (3) Mortalidade infantil (4) 1980 54. A demanda pelos cursos de graduação ainda está reprimida e tende a agravar-se. os centros universitários.232. “A transformação de faculdades em centros universitários depende de parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) e obedece a requisitos de qualidade acadêmica.73). desenvolvendo as áreas de ensino e formação.8 68.506 4.958 Concluintes* Ingressantes Professores Servidores Inscritos vestibular Vagas oferecidas Vagas não preenchidas 274.125 274.229 168.5 39.670 2. como maiores demandas de área física.201 44. deverão ocorrer os maiores investimentos em bibliotecas universitárias para poder atender aos requisitos de qualidade exigidos pelo Ministério da Educação e também à grande demanda reprimida de alunos.384 651.950 57 1.628 2.782 78 507 121.483 1.788 1.2 79. Isto..318 Matrículas/G 2.0 1995 88. Segundo dados do censo do curso de graduação realizado pelo Inep.119 629. (3) em milhões de unidades. Observa-se que em 1998 existiam 973 IES.950 764 3. Essas instituições ainda eram responsáveis por 57. jan.731 67. segundo o último censo efetuado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).5% eram da órbita privada.160 45. deverão ter maiores expansões nos próximos anos.155 15. no mesmo Ci. .9 27.678 Fonte: Inep Legenda: (*) Dados referentes a 1997. aos poucos.934 38. a população.384 65. o de 1996 é estimado. produtos e serviços informacionais. (2) dados de 1995 correspondem a 1991.7 25. 1. Qual seria a clientela das nossas bibliotecas universitárias em 2010? O IBGE estimou que a população brasileira em 1998 era da ordem de 158.7 68.

200 graduandos em sua clientela potencial. n. Quanto à pós-graduação. talvez com família.34% é baixa. que buscam elevar o nível de escolaridade e desenvolver habilidades necessárias para suas carreiras tardias. Tipo de IES 1.particular 2) Centro universitário 3) IES isolada . cada vez mais.225 750.estadual . caso a política educacional faça esforço para incrementá-la. é possível que nossas bibliotecas passem a contar com 2.892 492.271 24.596 Fonte: Fundação Capes.760.837 3.467. no referido período. estando já no mercado de trabalho.740 20. Assim. de faculdades centradas em si mesmas para centradas na comunidade. Os estudantes dos próximos dez anos – hábeis navegadores da Internet – irão requerer diferentes formas de educação.146 139.190 174. era de 1. jan.34%. a 2 ou 2. 71-89.519. é importante reconhecer o impacto nas mudanças dos serviços educacionais procurados pela nossa sociedade. TABELA 9 Alunos de pós-graduação por nível segundo a região.federal . utilizando-se a mesma taxa de universitários de 1998 (1.767 35.420 Sul 8. O sistema de pós-graduação brasileiro é considerado de boa qualidade e mantém. Está claro que as instituições atuais terão de mudar de forma significativa.121 329.federal .864 61./abr.municipal . ou novos tipos de instituições serão criadas. nas quais o aprendizado interativo e colaborativo irão substituir a leitura passiva e a experiência em sala de aula. o percentual ou taxa de universitários de graduação. 72. um grande demandador de serviços educacionais. Censo do Ensino Superior 1998.230 Total 47.410 20.federal .186 172.municipal . 29. Inf.137 441.858. respectivamente.250 71.007 45. 1997 Nível Mestrado Doutorado Total Norte 751 123 874 Nordeste 4.651 2.160 2.118 568.estadual .9% dos alunos estão concentrados em IES localizadas na região sudeste (tabela 9). prevendo-se que o Brasil contará com cerca de 188 milhões de habitantes.700. A transição de estudante para aprendiz. os serviços fornecidos pelas IES continuarão a crescer.125.743 2.000 ou 4. de estudantes temporários para pessoas que terão de aprender por toda a vida são elementos que sugerem mudanças a serem encetadas pelas nossas instituições. 1. O jovem estudante de graduação nos próximos anos terá colegas mais adultos que possuem backgrounds diferenciados.municipal . Pelos dados estatísticos vistos anteriormente. Brasília.estadual .436 CentroOeste 1.873 239. p. com 3.933 15.758 767.763 101. por exemplo.190. Assim.125.661 Sudeste 31. Além do papel tradicional.888 392.794 58.357 776.008 86. sistema de avaliação constante.000 estudantes de graduação.. apesar de. Também é notório que as melhores bibliotecas de pesquisa estejam nessa região. Espera-se que haja um crescimento de cursos de pós-graduação em regiões mais carentes e também na órbita das universidades privadas.160 10.958 estudantes (ver tabela 6). O futuro estudante tornar-se-á.particular Total geral Vagas oferecidasInscrições no vestibular 502. o país então contará.327 813.016 Fonte: INEP Censo ensino superior.031 2. Em 2010.349 216.34%). quando comparada com outros países. 2000 .782 448 2. v.particular Total geral Fonte: Inep.Murilo Bastos da Cunha ano.521 52.797 44. Ci. com 2.908 67. .municipal .026 53.976 341.5%.924 9.particular 2) Centro universitário 3) IES isolada . há algum tempo. é sabido que essa taxa de 1.260 24.federal . A magnitude dessa demanda por educação superior pode ser maior do que o ensino de graduação tradicional.163 61.838 823 5.397 337. 86 TABELA 7 Alunos de graduação matriculados em 30 de abril de 1998 segundo a dependência administrativa da IES Número de alunos 1) Universidade .958 TABELA 8 Número de vagas oferecidas e inscrições no vestibular (1998) Tipo de IES 1) Universidade .estadual . Mas. 1998. Expansão significativa será necessária para responder à necessidades de uma população de jovens que serão estudantes universitários nos próximos dez anos.

muitos. Portanto. existem diversos temas que poderão caracterizar pelo menos alguma parte do ensino superior no futuro. d) Diversidade de opções de aprendizado – O sistema de ensino superior terá um alto grau de diversidade para atender às crescentes e variadas necessidades da população. tem se alterado muito. n. cada vez mais. a universidade parece que irá continuar mantendo o enfoque evolucionário. A situação do entorno social externo. Em decorrência da grande preocupação das forças sociais. A situação nos finais dos anos 70 não é a mesma que a do final do milênio e das décadas vindouras” (Ortega. terceirização e globalização. formando uma verdadeira rede de aprendizado. v. A própria história da universidade. Além disso. São eles: a) Mudança do enfoque centrado no corpo docente para o enfoque centrado no estudante – À semelhança de outras áreas sociais. Entretanto. 29. p. também é o conhecimento que se transforma na chave para o nível de vida das pessoas. e. No futuro. 2000 . e. nessa era de transformações rápidas. Apesar disso. segurança e bem-estar social. existirão muitas formas e tipos de instituições que servirão à sociedade brasileira. à medida que um povo educado e com conhecimento se transforma no elemento-chave da prosperidade. a universidade. c) Sistema de aprendizagem assíncrono – Será quebrada a barreira do tempo e espaço. acreditam que a mudança ocorrerá somente em uma pequena porção do ensino superior e que a universidade não irá liderar o processo de mudança. apesar de as forças de mudança nessa nova era da informação serem bem mais fortes e rápidas do que as existentes no tempo da Revolução Industrial. deixará de existir. à qual a universidade serve. Assim.Construindo o futuro: a biblioteca universitária brasileira em 2010 freqüentemente. enfoque aqueles que são servidos – no caso. haverá uma mudança radical: da sala de aula síncrona para assíncrona. ao longo dos últimos séculos.. para evitar a obsolescência. Em outras palavras. é responsabilidade de um Estado democrático prover educação e treinamento necessários ao longo da vida de seus cidadãos. essa demanda estar orientada para a obtenção de habilidades direcionadas para objetivos de carreira mais imediata. É possível que também haja alteração da demanda tradicional. e) Expansão do alunado – No mundo atual. É claro que muitos podem discordar enfaticamente da assertiva de Drucker de que a universidade. com certeza. adaptando-se e adotando os novos paradigmas da sociedade. destaca-se como uma das mais importantes instituições do nosso tempo. b) Rede interligando todos os níveis de ensino – Todos os níveis de educação estarão mais interligados. mais preocupada com a autonomia como reivindicação do que com a sua responsabilidade social. O aprendizado na idade adulta está tornando a instrução contínua. dentro da academia. poder utilizar os conhecimentos. torna-se integrante do mundo digital. certamente se acredita que existem formas de universidade que ainda não foram visualizadas sob a perspectiva atual. no caso brasileiro atual. a educação superior deverá utilizar a tecnologia da informação para reduzir as limitações do espaço e do tempo. acarretando a existência de aprendizes com variadas faixas etárias e interesses individuais. na qual se espera que o estudante termine um curso de graduação para. “Muitos adultos que voltam a estudar estão menos interessados em diplomas do que em atualizar suas habilidades profissionais e seu know-how técnico./abr. baseada numa rede de aprendizados que irá utilizar variada e complexa rede de tecnologias de informação. é importante que. que atualmente conhecemos. necessita-se suprir essa grande demanda. é também vital que se visualize a crescente importância do aprendizado ao longo da vida. posteriormente. Está claro que. Brasília. mostra que ela precisou mudar e se adaptar visando à preservação de seus papéis tradicionais. nesta época de “enxugamento” de empresas. CONCLUSÕES A universidade passará por uma revolução ou evolução? “As universidades freqüentemente têm estado mais preocupadas com seus problemas do que com as demandas da sociedade. Para atingir maior número de pessoas nas diversas regiões. o conhecimento é a moeda que determina a riqueza das nações. jan. a questão levantada por Peter Drucker. fazendo com que o aprendizado seja mais compatível com o estilo de vida e necessidades em uma sociedade que. em vez de episódica” (Dreazen). Portanto. Inf. os estudantes. torna-se vital. Cada fase histórica da educação superior teve por objetivo atender a um determinado segmento da sociedade. mencionada anteriormente. 1. existirão novas posturas em que o estudante poderá se inscrever ou em programas que não visam à diplomação final ou em modalidades de programas cuidadosamente selecionados para atender às necessidades de requisitos de uma formação ao longo da vida de um estudante em particular. 71-89. Também é difícil sugerir uma forma particular para a universidade do século XXI. 87 Ci. também na educação superior. 1999).

ibict. 47. 3.co.com/wired/3. 1997. 17-47. 24. 18. 2000 . Rose. 14. São Paulo: Companhia das Letras.mec. 8. URL: www. Isto. Brian L. 19 jan.gov. um “ensino onipresente”. 1997. COFFMAN. v. CAMPOS. 15. Roberto. p. 33. 2000. tais como as universidades. No caso da biblioteca universitária. CUNHA. talvez uma renascença do ensino superior e de sua biblioteca. URL:www. Paulo. O Globo .ibge. à semelhança de um avestruz ameaçado.. DERTOUZOS. 21.htm 7. URL: www. March 1999.12/departments/reality. n. 3. v. 59. O mouse que ruge. As outras que. ou. 30 de jan. 16 jan. Marta. DREAZEN. BIBLIOTECA NACIONAL (Rio de Janeiro). Não há dúvida de que as instituições de ensino. Samuel. está se tornando uma realidade. . talvez seja importante considerar. 15. 2000. n. Inf. P 84-85. jan. p./abr. 1999.htm 6. fev. mas uma oportunidade para renovação. 2000.br 24. v. enterrarem suas cabeças na areia. 1995. The Wall Street Journal. CUNHA. DEMAS.br/ 16. v. 1999. 10. conservarem alguma visão idílica do passado. IBGE. v. 12. 413 p. O que será: como o novo mundo da informação transformará nossas vidas. Murilo Bastos da. 71-80. caso elas consigam reagir aos desafios. Ciência da Informação. Tecnologia. v. p. MINISTERIO DA EDUCAÇÃO. p.Murilo Bastos da Cunha f) Aprendizado ao longo da vida – A possibilidade de se ter um aprendizado constante. Ricardo. Escola do futuro será virtual e mais cara. Veja. O elemento-chave será a capacidade de as universidades e.html 23. CRESPO. 15. talvez não seja suficiente. Internet grátis? Info Exame. fev. José Roberto. 5.br/ bibvirtual/catalogos/catalogos. um aprendizado para qualquer um. Lisa.inep. 71-89. 98105. no futuro. 1. FUTURE of libraries. Ciência da Informação.br/ Noticias/nt.uk/ala2000workshop. Searcher. É vital entender que o desafio da mudança não seja visto como uma ameaça mortal. o que é pior. 4. TOLEDO. 13. URL: http:// www. 195213. Rio de Janeiro. em especial.html 17. Nov.gov. AVANCINI. Paulo. 20. FUNDAÇÃO CAPES. Netlibrary targets an early market for e-books.br/ 88 Ci. Ensino superior brasileiro cresce “torto”. URL: www. 2. HAWKINS. n. Yochi J. 2-1. A-26. n. Info Exame. 4. 7. 3-4. Em lugar de um ensino assíncrono. O contexto que se apresenta é propício para mudar a natureza do empreendimento acadêmico. correrão grande risco e terão pouca chance de serem reconhecidas como instituições necessárias.liblink.hotwired.bn. Collection development for the electronic library: a conceptual and organizational model. terão uma importância crescente na sociedade da informação. May 1998. p. n. Wired v. pode ser o paradigma dos próximos 50 anos. Brasil anda atrás nos anos 90. p. p. como tal. transformar os processos e estruturas administrativas que caducaram e questionar as premissas existentes. 28 de nov. Backbone é o X da questão. oportunidades e responsabilidades que se apresentam. Relevance in the 21 century. 73. O Estado de S. p. Steve. 1632. 2000. Sept. BRASIL. n. 15. p. em qualquer lugar e em todo o tempo. 26 dez. Os próximos dez anos serão um período de mudanças significativas em nossas IES. Aquela biblioteca que der um passo nesse processo de mudança irá renascer. Donald. 1999. 12. defendendo rigidamente o status quo. Murilo Bastos da. n. Paulo. p. n. Creating the library of the future: incrementalism won’t get us there! Serials Librarian v. URL: www.ibict. 22. 1999. 8. p./dez. College & Research Libraries. 67. n. BRANSTEN. IFLA’99 workshop & discussion. Desafios na construção da biblioteca digital.br/cionline 11. Michael. 2. 19. ALMANAQUE Abril. 28. 29. v.gov. n. Building earth’s largest library.capes. HAWKINS. p. 20-21. 255-266. isto é. Machine help and human help in the emerging digital library. set. GRINBAUM. URL: www. v. v. HECKART. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. p. p. 1994. sua biblioteca assimilarem os novos paradigmas. Ronald J. porém. Folha de S. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS (INEP) URL: www. Esse tipo de ensino é desafiador e.check. 1999. the online discussion and information forum for Librarianship and Information Management. Folha de S. 9. 26. GALLUPO. 3. Biblioteca digital: bibliografia internacional anotada. Ricardo. 167. 1994. URL: http://www. 1998.. 3. 2000.. 3-3. modernidade e depois. é necessário examinar as enormes possibilidades do futuro e entender que o desafio mais crítico será remover os obstáculos que a impedem de responder às necessidades de uma clientela em mudança. Marcelo.br/cionline 12. Brasília. BAUER. Information Today. 167. Library Hi Tech.gov. ao longo da vida. 250-259. B-12. p.

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