Avivamento à moda wesleyana

Por José Ildo Mello “É chegado o Reino de Deus!” (Mt 12.28) Wesley ensinava que pregar não é dominar certas técnicas, mas o ser dominado por certas convicções. Vamos começar com o exame Mateus 13.31-32: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo: Qual é realmente a menor de todas as sementes, mas quando ele é cultivado, é a maior das hortaliças e torna-se uma árvore , de modo que as aves do céu vêm e se aninham nos seus ramos”. Há alguns anos atrás, um pastor de outra denominação foi convidado para pregar em uma reunião especial sobre a missão da conferência no Brasil. Sabendo que o nosso lema para aquele ano era "oração e ação por um mundo melhor", ele começou seu discurso dizendo: "Oração e ação: sim, mas mundo melhor: não!" E continuou dizendo que não devemos nutrir esperança a respeito de melhoras das condições de vida deste mundo antes da Segunda Vinda de Jesus. Para ele, a missão da Igreja é como a arca de Noé, em outras palavras, limitada apenas a pregar o Evangelho para a salvação das almas. Esta teologia faz dos pregadores agoureiros do fim, sob o pressuposto de que quanto pior melhor, por significar que Jesus está voltando. Este ponto de vista ensina que o Reino de Deus será inaugurado no futuro, de forma radical e abrupta, por ocasião da Segunda Vinda de Jesus. Comodismo e escapismo são conseqüências inevitáveis. Mas, tal perspectiva não encontra respaldo nos ensinos de Jesus e seus apóstolos. Jesus contou uma série de parábolas referentes ao Reino de Deus (Mateus 13). Em todas elas, observasse uma clara alusão ao contexto atual. Nenhuma delas se encaixa bem numa perspectiva futurista do Reino. Vejamos, por exemplo, o que Jesus diz a respeito da natureza do Reino de Deus na Parábola do Grão de Mostarda. Vemos aqui, que Jesus está ensinando que a manifestação e o estabelecimento do Reino de Deus é um processo lento e gradual, com um início pequeno e modesto. Não sendo em nada parecido com uma abrupta erupção vulcânica, pois o Reino se assemelha a uma semente de mostarda em seu processo gradual de crescimento. Algo como aquele pequeno grupo de discípulos no início da Igreja! Não despreze o poder desse "pequeno grão de mostarda!", porque ele está destinado a crescer e a influenciar como sal da terra e luz do mundo! A

presença da Igreja na Terra visa promover luz, esperança, justiça e vida. "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mateus 5,13-16). O Reino de Deus já foi inaugurado neste mundo e está em processo de expansão. Jesus disse: "mas se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então o reino de Deus é chegado a vós" (Mateus 12:28). Como cristãos, temos de convir que Jesus estava expulsando demônios pelo Espírito de Deus, que, de acordo com as palavras de Jesus, é um sinal de que o Reino de Deus chegou até nós. Observe que Jesus estava falando sobre o Reino de Deus em termos da presente era: aqui e agora! No versículo 29, Jesus continua este raciocínio com uma pergunta: "como pode alguém entrar na casa de um homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não amarrar o valente? E então roubará a sua casa". O que Jesus está dizendo aqui não lança luz sobre o controverso texto de Apocalipse 20 que fala sobre a prisão de Satanás? Também no que diz respeito à interpretação do Apocalipse 20, temos Efésios 1.20-23 e 2.6, que diz: "... Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja,que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância... Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus". Voltemos agora para Mateus 12:28-29, note que Jesus estava expulsando demônios. Ele estava saqueando os bens da casa do homem valente. O que é possível porque Jesus, em primeiro lugar, havia tido o cuidado de amarrar o tal valente. Este é um nítido retrato de que o Reino de Deus foi inaugurado por ocasião da Primeira Vinda de Cristo. Jesus disse: “Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (João 12:31). Satanás está amarrado no sentido de não poder mais continuar enganando as nações como fazia até o nascimento do Cristo (Ap 20). “A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (Jo 1.5). Ser amarrado, não significa que Satanás não continua a exercer certo poder e influência neste mundo. Mas significa que ele foi ferido mortalmente pelo nascimento, vida, morte e ressurreição do legítimo Rei deste mundo, o Senhor Jesus, que se manifestou neste mundo para destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8), de modo que as portas do inferno não tem poder para impedir o sucesso da missão da Igreja de resgatar vidas, fazendo discípulos de todas as nações, promovendo a justiça e o bem como sal da terra e luz do mundo. Há diferença entre batalha decisiva e batalha final como se viu na história do desfecho da Segunda Guerra Mundial, cuja batalha decisiva tornou-se conhecida como o "Dia D". Depois daquele dia, embora os exércitos inimigos continuassem a insistir na luta, nada mais poderiam fazer para evitar a derrota final, por terem sido feridos mortalmente.

Para o Apóstolo Paulo, a Batalha Decisiva de Cristo contra Satanás e todas as forças do mal foi travada na Cruz: "e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz" (Co 2.15). Esta foi a batalha mais importante de todas, pois é ela que garante o sucesso da Batalha Final do Armagedom que acontecerá por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando o anticristo será destruído com um sopro apenas da boca do Rei Jesus (2 Ts 2) e quando todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é Senhor! A Primeira Vinda trouxe a presença do Reino e a Segunda Vinda trará a plenitude dele. Satanás está preso no sentido de que ele não tem poder e nem liberdade de ação a ponto de bloquear o progresso da missão da igreja. Jesus disse: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16.18). Satanás continua fazendo grande oposição ao reino de Jesus, mas seu poder está agora restrito ao ponto de que as portas do inferno não prevalecerão contra a missão da Igreja. Além disso, Jesus disse que o Evangelho do reino, necessariamente, teria de ser pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações antes do fim (Mateus 24.14). E o Livro de Apocalipse revela que nos céus haverá uma multidão incontável de salvos provenientes de todos os povos, línguas e nações (Ap 6 e 7). Isso significa que a igreja será bem sucedida em sua Grande Missão. E em outro texto, os discípulos compartilhavam com Jesus da alegria de terem sido capazes de subjugar os demônios. "E Jesus disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano algum (Lc 10.18,19). Mas alguém pode alegar que não consegue enxergar que Satanás esteja de fato amarrado e nem que Jesus esteja reinando. O autor de Hebreus trata desta questão em Hebreus 2:7,8, onde, por um lado, ele reconhece que todas as coisas já estão debaixo dos pés de Jesus, mas, em segundo lugar, ele confessa que ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas. Esta aparente contradição tem a ver com o que foi dito acima sobre a tensão natural que existe entre a batalha decisiva e a batalha final, entre o já e o ainda não. Cristo já triunfou na cruz (Colossenses 2:15), mas a batalha final ainda está por vir, quando a morte, o último inimigo, será colocada sob os pés do Senhor (1 Coríntios 15. 25-26). Até lá, temos de lutar o bom combate (2 Timóteo 4:7). Paulo, em 1 Coríntios 15. 25-26 e 54-55, partilha do mesmo ponto de vista de Jesus sobre a manifestação paulatina do Reino de Deus durante o período que vai da Primeira até a Segunda Vinda de Cristo. Neste texto, não há como evitar a conclusão de que este período em que Jesus "deve reinar até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés" seja entendida em termos da presente época, antes da Segunda Vinda de Jesus, porque é apenas na Sua Segunda Vinda que a morte, o último inimigo, será destruída. Observe que a Segunda Vinda de Jesus marca o ápice e não o início do Reino de Jesus neste mundo.

Paulo diz que os crentes já foram transladados para o Reino de Cristo: "Porque ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Cl 1.13). E, não devemos esquecer também de que a declaração mais primitiva e fundamental da fé cristã é "Jesus é o Senhor". É Senhor já no presente e não o será apenas no futuro. Isto tem muitas implicações, tanto sociais como também políticas. Assim, muitos cristãos morreram por causa desta "mera" confissão. Pois significa mais do que dizer que Jesus é o Senhor da minha vida, significando também que Ele é o Senhor de todo o mundo. É por isso que ele é chamado de o Rei dos reis! O que buscamos quando fazemos a oração que Jesus nos ensinou: "Venha o teu reino. Sua vontade seja feita na terra como no céu"? Algo para o aqui e agora nesta época ou algo apenas para o futuro, para depois da Segunda Vinda de Cristo? O que significa buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua Justiça (Mt 6.33)? O que um cristão deve fazer com a fome e sede de justiça que devem caracterizar um filho de Deus (Mt 5.6)? As bemaventuranças são para agora ou apenas para uma era futura? John Wesley era otimista quanto à suficiência do poder da graça de Jesus não só para nos perdoar os nossos pecados, mas também para nos purificar de toda injustiça e para transformar as pessoas em novas criaturas, capacitando-as a serem imitadoras de Deus como filhos amados. Mas Wesley não parou por aí, ele também acreditava na competência desta graça de transformar o mundo. Wesley disse: “Dá-me cem homens que nada odeiem senão o pecado, que nada temam senão Deus e que nada busquem senão almas perdidas, e eu transformarei o mundo em chamas”. E o Dr. Howard Snyder em “O Wesley Radical”, declara que" Wesley viu tamanho poder na graça de Deus, que não se pode estabelecer limites ao que o Espírito de Deus pode realizar através da Igreja na era presente. Mas essa ênfase deve ser combinada com as advertência de julgamento e castigo eterno. A confiança precisa ser otimista e também realista. O trigo cresce, mas o joio também. A ciência se desenvolve, mas a iniqüidade também. As portas do inferno não prevalecem contra o avançar da Igreja, mas não quer dizer que estejam inoperantes. Falando sobre o realismo do ponto de vista pós-milenista de Wesley , vamos olhar mais uma vez o texto da parábola do grão de mostarda. Quando a semente se torna uma árvore, as aves vêm e se aninham nos seus ramos. Note que a parábola do Semeador no mesmo capítulo fala sobre as aves vindas de comer a semente. Os pássaros não parecem representar algo bom, pelo menos neste contexto. As aves, nestas duas parábolas do reino, não pertencem à semente ou à árvore. As aves são motivadas por interesses mesquinhos. Eles querem destruir a semente quando ela é pequena e querem associar-se a ela quando ela transforma-se em uma árvore frondosa para poder tirar partido de sua sombra e frutos. A história da igreja mostra exatamente isso, pois ela foi terrivelmente perseguida no começo quando era apenas um pequeno grupo, mas, quando se tornou grande, os "pássaros" buscaram associar-se a ela. Quanto joio há no meio do trigo.

Jesus continua o seu ensinamento sobre a natureza de seu reino nesta época dizendo que o reino de Deus cresce como uma boa semente, mas o inimigo planta ervas daninhas. Isso aponta para a existência de um conflito entre as forças do bem e do mal, em que o inimigo está tentando obstruir a expansão do Reino de Deus. Esta guerra vai continuar a existir até a última batalha, quando o último inimigo será colocado sob os pés de Jesus (1Co 15.25). Wesley não ignorou as profecias que falam sobre a grande angústia, a apostasia de muitos cristãos e que descrevem também aumento da maldade nos finais dos templos, mas viu essas profecias combinados no mesmo contexto em que Jesus também diz que a igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão, pois "este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim" (Mateus 24.14). Mas o realismo de Wesley não diminuiu sua motivação nem o seu otimismo que tanto o moveu a ação em favor do Reino de Deus. Ele nunca perdeu seu idealismo com base em sua confiança no poder de Deus para a santificação e transformação pessoal e social. Sua escatologia não permitiu que ele ficasse parado em uma posição de mera contemplação. "Por que vocês estão olhando para o céu?" Perguntou aos anjos aos discípulos em Atos 1.10. A escatologia de Wesley não era especulativa e não se prestava para satisfazer a curiosidade. Wesley não apenas olhava para a frente para contemplar o dia do Senhor, mas ele também trabalhou muito para acelerar a chegada deste grande dia, seguindo a recomendação do Apóstolo Pedro em sua segunda carta que nos exorta a aguardar e a apressar a Segunda Vinda de Cristo (2 Pedro 3). Wesley sabia que a segunda vinda de Jesus estava ligada ao cumprimento da missão da igreja. "O Senhor não retarda a sua promessa, como alguns a julgam demorada. Ele é paciente com você, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento " (2 Pe 3). Wesley viu que o Novo Testamento combina o evangelismo e as dimensões profética do Evangelho em um mesmo pacote. Não houve separação entre salvação pessoal e engajamento social. Wesley concordava com Paulo em que a fé que salva é a fé que se manifesta através do amor (Gálatas 5.6). Nós somos enviados em missão a este mundo como o Pai que enviou Jesus (João 20:21). "O Filho de Deus se manifestou para destruir as obras do diabo" (1 João 3:8). E nós sabemos "como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder: que andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus estava com ele" (Atos 10:38). Jesus não estava apenas preocupado com as almas, mas ele também mostrou preocupação significativa com a pessoa como um todo. Seu ministério de compaixão não foi usado como uma isca para pescar almas, pois uma boa parte daqueles que foram curados por Jesus acabou por não segui-lo. Alguns deles nem sequer voltaram a ele para agradecer. Isso mostra que o ministério de compaixão tem valor em si mesmo, porque ele pertence à natureza real do Reino de Deus que é amor! E é da natureza deste amor fazer o bem! Jesus não pode negar a si mesmo. Tão pouco nós que somos seus seguidores. Wesley era um homem de convicção. Para ele, a teologia e a prática eram realmente um! Como o Dr. McKenna disse em seu livro "Que tempo para ser um Wesleyano!: "Como conseqüência lógica da doutrina arminiana da expiação ilimitada, Wesley pregou os direitos

naturais e sociais de todos os homens". Assim, Wesley se atreveu a acreditar que o mundo poderia ser melhorado pela graça de Deus. Imagine quanta fé e coragem foram necessário para Wesley decidir trabalhar para acabar com um mal milenar tão terrível como era a escravidão. Utopia? A última carta que John Wesley escreveu foi para William Wilberforce, um discípulo de Wesley que era um membro do Parlamento inglês. A carta manifestava a sua oposição à escravidão e incentivava Wilberforce perseverar firme em sua luta contra a escavidão. O Parlamento finalmente proibiu a participação da Inglaterra no comércio de escravos em 1807. O status quo não tem a última palavra! As trevas não podem contra a luz de Cristo (Jo 1.5) Há esperança para o mundo, pois Jesus amou o mundo de tal maneira (Jo 3.16)! Quem sabe o que poderia ter acontecido se a Igreja Metodista não tivesse entrado declínio espiritual algumas décadas após a morte de Wesley? Talvez, o contexto tivesse sido outro a ponto de desencorajar Karl Marx a dizer: "A religião é o ópio do povo". Quem pode dizer quantas guerras, quanto o racismo e quantas injustiças sociais poderiam ter sido evitadas se a igreja sempre fosse fiel às exigências do Evangelho? Estamos vivendo em um mundo materialista. Satanás é o Senhor do materialismo. Paulo disse: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal" (1 Timóteo 6:10). Somos constantemente bombardeados pela mídia que nos incita a nos conformarmos com um modo de vida onde os homens trabalham para ganhar, ganham para comprar, e compram para provar seu valor. Preocupações sobre a ascensão social, com o consumo, com o bem estar existencial têm restringido um profundo compromisso das pessoas com a vontade de Deus. A Bíblia diz: "Não ameis o mundo" (1 Jo 2.15). E "Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente"(Romanos 12.2). "Não ajunteis para vós tesouros na terra ... Ninguém pode servir a dois senhores" (Mateus 6.19,24). A teologia da prosperidade é apenas uma manifestação extrema desse grande problema da falta de visão do Reino de Deus entre os evangélicos. Parece que perdemos a mentalidade peregrina. E a resposta para esse problema está em um verdadeiro reavivamento que encha os nossos corações com amor e nos mova a um estilo de vida simples a fim de dar mais e mais para os pobres e para a missão da igreja. Um avivamento que nos faça buscar o seu reino e a justiça de Deus em primeiro lugar. Como uma pequena semente, este reavivamento pode começar com uma pessoa ou com um pequeno grupo de discípulos dispostos a obedecer a todos os mandamentos do Senhor. Para Wesley a generosidade é a prova final da vida cheia do Espírito. Pois a graça recebida deve se transformar espontaneamente em graça repartida, se não, corre o risco de ser cancelada pelo Rei (Mateus 18.25-34). Contra a corrupção social muito grande da Inglaterra, Wesley viveu o fruto do Espírito. Embora tenha se tornado um dos homens mais ricos da Inglaterra, viveu anualmente com apenas 28 Libras até sua morte, entregando o restante para os pobres.

A terrível pobreza que campeia este mundo coloca uma interrogação sobre o estilo de vida de muitos cristãos. Temos que seguir o exemplo de Jesus, dos apóstolos, de Wesley e Asbury, entre outros. O estilo de vida simples e a prática da caridade como bons despenseiros da multiforme graça de Deus é o que pode impactar o mundo. Note que o sinal da salvação de Zaqueu foi que ele, espontaneamente, decidiu partilhar o seu dinheiro (Lc 19). Em contrapartida, a ambição pelo dinheiro foi o sinal da condenação do Jovem Rico (Mc 10). O sinal mais contundente de Pentecostes foi que a multidão dos discípulos mostrava amor e cuidado uns para com os outro. "Eles tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, de modo que não haviam necessitados entre eles " (At 2). Seria o Evangelho, boa notícia para os pobres apenas em termos da promessa de vida eterna no céu? Não estavam os pobres da igreja primitiva experimentando também os primeiros frutos da justiça do Reino? Lembre-se que o ano do Jubileu era uma boa notícia para os pobres (Lv 25); Somente o Senhor Jesus, através do Seu Espírito derramado sobre a Igreja, foi capaz de cumprir o ano do Jubileu (At 2). Mas, seria isto impossível hoje em dia? "O que é impossível para o homem, é possível para Deus!" (Mc 10.27). Portanto, precisamos de um reavivamento! Reavivamento é a redescoberta de valores e princípios originais. Temos de olhar para trás para ver se existem alguns valores que foram esquecidos. Além de tudo o que foi dito aqui, eu gostaria de chamar a atenção para a importância de pequenos grupos no desenvolvimento do caráter cristão de santificação e de outros valores do reino de Deus, que devem ser cultivados na comunidade de convertidos que desejam seguir os passos de Cristo. O homem é um ser social. Um influencia o outro, principalmente pelo exemplo. O poder da cultura costumava ser maior do que o poder de nossas convicções pessoais. Se queremos mudar as pessoas e a sociedade, temos de desenvolver pequenos grupos, onde se possa provar a bondade da palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro. Mas, de um modo em geral, o Metodismo foi perdendo essa visão que era tão vital para Wesley. Nós negligenciamos nosso precioso legado. Hoje, para nossa vergonha, outras igrejas cristãs estão redescobrindo a importância dos pequenos grupos. Pequenos grupos nos ajudam a lembrar que o reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda! O poder do progresso e do impacto destes microcosmos é impressionante! Esta é a estratégia do Reino! Um reavivamento produz crescimento. A informalidade e o dinamismo espiritual do movimento Wesleyano levou a igreja Metodista a crescer de 15.000 membros em 1780 para 1.360.000 membros em 1850, tornando-se a maior denominação em solo americano, seguidos pelos batistas, com 800.000, e pelos presbiterianos, 460.000, e anglicanos, com 200.000. Precisamos voltar às nossas raízes, nós precisamos de um reavivamento ao estilo Wesleyano para experimentar o que eles experimentaram e produzir frutos semelhantes aos que produziram. Mas avivamentos não são mais que costumavam ser. Eles foram transformados em campanhas evangelísticas e em cultos carregados de puro emocionalismo, onde reina o egocentrismo, o individualismo e o estrelismo. Avivamentos fracos em conteúdo bíblico, capengas em termos de profundidade profética, escondendo o preço do discipulado, numa

tentativa de agradar o cliente. Dizem o que as pessoas querem ouvir e não aquilo que elas precisam escutar. Pouco ou nada falam sobre a gravidade do pecado e a necessidade de arrependimento e de santificação. Avivamentos inócuos no sentido de conduzir o indivíduo a negar a si mesmo a fim de colocar-se inteiramente sob o senhorio de Jesus Cristo. Convidam as pessoas a mera decisão de "aceitar a Cristo". E, para entornar o caldo, propõem isto como um meio de se obter uma vida boa e próspera, apelando para a sedução das riquezas, da fama e do poder. Ignoram a mensagem da cruz. Para estes a cruz é algo que pertence exclusivamente a Cristo e não tem nada a ver com o cristão. O Deus destes é o Deus da "graça barata", o Deus que sempre dá, sem jamais requerer nada. Um Deus criado a imagem e semelhança daqueles que são incapazes de negarem-se a si mesmos. Estão enfatizando a fé em detrimento do amor. Estão querendo fazer de Deus uma espécie de gênio da lâmpada de Aladim, um meio para obtenção de suas ambições egoístas. Estão pregando um outro evangelho que mantém os homens escravizados ao deus deste século e conformados com os valores deste mundo. Precisamos de um avivamento do tipo wesleyano, que nos leve a uma missão integral e que nos impulsione a viver e pregar os ensinamentos de nosso Senhor. Um reavivamento que nos impeça de nos preocuparmos apenas com a salvação das almas e de ignorarmos as necessidades físicas das pessoas. Precisamos de um avivamento que não só promova a reconciliação entre o homem e Deus, mas também entre o homem e o seu próximo. Um reavivamento que promova o arrependimento, não o alívio emocional e psicológico de uma consciência culpada, mas a aceitação da cruz como uma verdadeira morte para este mundo com o propósito de viver para Deus. Se Jesus é o Senhor, então as pessoas devem ser confrontadas com a sua autoridade sobre a totalidade da vida. Quando eu leio sobre o que Deus fez nos tempos de Wesley, sou tomado por uma sensação de fracasso. Não por ignorar os frutos ministeriais até o presente, mas por perceber que o Senhor poder e quer realizar muito mais que isto. Mas "eu ainda tenho um sonho!" Porque nós temos esse maravilhoso legado, me atrevo a sonhar em tomar parte em um grande avivamento, o maior em toda a história da igreja, o derradeiro antes do Grande Dia do Senhor. Um avivamento à moda antiga que venha impactar este mundo com o poder do santo Evangelho de Jesus! A experiência de Wesley nos ensina que avivamento é precedido de um sentimento de frustração, fracasso e tristeza, daquele tipo, segundo Deus, que nos leva ao arrependimento. Wesley teve tristeza por causa do seu estado espiritual, por causa também da situação de carnalidade da igreja anglicana, por causa do estado de degradação moral e de injustiça de seu país e do mundo. Aqui no Brasil temos vitórias para celebrar, o que pode nos atrapalhar na busca de um genuíno avivamento. Uma bênção pode ser tornar em maldição quando nos leva a acomodação. Avivamento não se fabrica, não é produto de marketing e nem de planejamento estratégico. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (2 Cr 7:14)

A solução passa pela pregação de todo o conselho de Deus de maneira convicta, acompanhada da encarnação e vivência da mensagem que se prega. Tal pregação acompanhada de exemplo pode levar os homens a sentirem aquela tristeza segundo Deus que os leva ao genuíno arrependimento. Serve como uma voz profética em meio ao deserto que prepara o caminho do Senhor. Que tal se Wesley estivesse vivo nos dias de hoje! Talvez alguém sugira a possibilidade de fazermos um clone dele. Mas não seria uma boa idéia fazer um clone de Wesley. Além das implicações éticas da clonagem, sabemos que o segredo da vida de Wesley não estava em seus genes e nem mesmo em sua excelente educação familiar e formação acadêmica. Precisamos lembrar que, com tudo isto, Wesley falhou em sua primeira missão para a América. O segredo de seu fecundo ministério foi a experiência espiritual que mudou a sua vida e o mundo ao seu redor. O Deus que se moveu notavelmente no passado ainda está no seu trono. "Senhor, ouvi falar da tua fama; temo diante dos teus atos, Senhor. Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo..." (Habacuque 3.2). Ó Senhor, reaviva a tua obra em nossos dias! "Realiza de novo, Senhor!" Vídeo desta mensagem: http://youtu.be/w8bEqmx1lSc Saiba mais sobre o assunto em: http://escatologiacrista.blogspot.com/p/o-milenioapocaliptico.html ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Versão em inglês

The church needs a genuine revival to faithfully fulfill its call to be salt and light of this world.
By José Ildo Mello Lets start exam Matthew 13.31-32: The kingdom of heaven is like to a grain of mustard seed, which a man took, and sowed in his field: Which indeed is the least of all seeds: but when it is grown, it is the greatest among herbs, and becomes a tree, so that the birds of the air come and lodge in its branches. Two years ago, a pastor of another denomination was invited to preach in a special meeting about mission of Brazilian conference. Knowing that our motto for that year was “prayer and action for a better world”, he start his speech saying: “Prayer and action: yes, but a better world: no!” And he continued saying that we don’t have to nourish hope about this condemned world before the second coming of Jesus. For him, the mission of the church is like Noah’s ark, in other words, it is confined to preaching the Gospel to save souls.

This theology makes preachers merely ominous foreboders of the end, thinking: “The worse it gets, the better it is, because it means that Jesus is coming”. For this point of view, the Kingdom of God is future, whose beginning will take place in a radical and abrupt way at the occasion of the Second Coming of Jesus. Accommodation and escapism are the unavoidable consequences. Therefore, I’d like to invite you to exam this and some other texts in order to see what is the concept of God’s Kingdom found in the words of Jesus and his apostles. Jesus is teaching that the manifestation and establishment of God’s Kingdom is a slow gradual process with a small and modest beginning. It is not like an abrupt volcanic eruption, but is like to a mustard seed in its gradual process of growing. Even as a small group of disciples at the beginning! Don’t despise the power of this “small grain of mustard seed”! Because it is destined to grow and influence as salt of the Earth and light of the World! Our presence here is to promote light, hope, justice and life as agents of the Kingdom of God. “Let your light shine before men, that they may see your good deeds and praise your Father in heaven” (Matthew 5.13-16). The Kingdom of God has already been initiated in this world. Jesus said “but if I cast out devils by the Spirit of God, then the kingdom of God is come unto you” (Matthew 12:28). As Christians, we have to agree that Jesus was casting out devils by the Spirit of God, which, according to the words Jesus, is a sign that Kingdom of God is come unto us. Note that Jesus was speaking about the Kingdom of God in terms of this present age, here and now! In verse 29, Jesus continues this point by asking a question: “how can one enter into a strong man's house, and spoil his goods, except he first bind the strong man? And then he will spoil his house”. What Jesus is saying here doesn’t cast light on the controversial text in Revelation 20 that speaks about the imprisonment of Satan? (Also in regard to the interpretation of Revelation 20, see Ephesians 1.20-23 and 2.6, that say: “…raised him from the dead and seated him at his right hand in the heavenly realms, far above all rule and authority, power and dominion, and every title that can be given, not only in the present age but also in the one to come. And God placed all things under his feet and appointed him to be head over everything for the church, which is his body, the fullness of him who fills everything in every way… And God raised us up with Christ and seated up with him in the heavenly realms in Christ Jesus!”). Let us return now to Mathew 12:28-29, note that Jesus was casting out devils. He was spoiling the goods of the strong man’s house, which is possible because Jesus, first, took care to bind the strong man. This is a picture of the truth that the Kingdom of God is come to this world. To be tied doesn’t mean that Satan doesn’t continue to exercise power and influence. But it means that he was fatally wounded by the birth, life, death and resurrection of the legitimate King of this world, the Lord Jesus, who was manifested to this world to destroy the works of the devil (1 Jo 3.8). In the Second World War, for example, there was a difference between the final battle and the decisive battle. We have already heard something about the tremendous value of the famous “D Day”, that was the decisive battle. After that day, although the enemy continued to insist on fighting, he was fatally wounded and martial experts knew there was no hope for him. Satan is bound in the sense that he no longer has the power and freedom to block the progress of the mission of the church. Jesus said, “On this rock I will build my church, and the gates of Hades will not overcome it” (Mt 16.18). Satan continues making great opposition to the kingdom of Jesus, but his power is now restricted to the point that the gates of Hades will not overcome the mission of the Church. Besides, Jesus said that the Gospel of the kingdom, necessarily, would be

preached in the whole world as a testimony to all nations before the end (Matthew 24.14). That means the church will be well succeeded in his Great Mission. And in other text, the disciples of Jesus were glad that they were been able to cast the devil out as Jesus used to do. “And Jesus said unto them, I beheld Satan as lightning fall from heaven. Behold, I give unto you power to tread on serpents and scorpions, and over all the power of the enemy: and nothing shall by any means hurt you (Luke 10.18,19). For our better understanding of the nature of the Kingdom of Jesus, note the paradoxical affirmation of the author of Hebrews in 2:7b-8, where, first, he recognizes that all things are in subjection under the feet of Jesus, but, in second place, he confesses that we see not yet all things put under him. This apparent contradiction has to do with what has been said above about the natural tension that exists between the Decisive battle and the final battle. The Apostles recognize the triumph of Christ at the Cross-. Paul said: “And having spoiled principalities and powers, he made a show of them openly, triumphing over them in the cross” (Colossians 2:15), but, the final battle is on the way for occasion of the Second Coming of Jesus, when the death, the last enemy, will be put under the feet of the Lord. Until there, we have to fight a good fight (2 Timothy 4:7). And based in 1 Corinthians 15. 25-26 and 54-55, we have to conclude that this period when Jesus “must reign until he has put all enemies under his feet” can only be understood in terms of the present age, before the second coming of Jesus, because it is only at His second coming that death, the last enemy, will be destroyed. Note that the Second Coming of Jesus marks the end and not the beginning of this period of the kingdom of Jesus in this world. Paul says in Colossians 1.13: “For he has rescued us from the dominion of darkness and brought us into the kingdom of the Son he loves”. We must not forget that the most primitive and basic declaration of Christian faith is “Jesus is Lord”. This has many implications including both social and political. So many Christians have died because of this “simple” confession. It means more than saying that Jesus is the Lord of my life, but it means that He is the Lord of the whole world. That’s why he is called the king of kings! What do we think when we pray the prayer that Jesus taught us: “your kingdom come. Your will be done on earth as it is in heaven”? Is this to be here and now in this age or only in the future after the Second Coming? Doesn’t Jesus teach us that, instead of being anxious about the material things, we must seek first His kingdom and His righteousness (Matthew 6.33)? What must a Christian do with the hunger and thirst for righteousness that must characterize a child of God (Matthew 5.6)? John Wesley was optimistic about the sufficiency of the power of the grace of Jesus not only to forgive us of our sins, but also to purify us from all unrighteousness and to transform persons into new creatures who are able to be imitators of God as dearly loved children. But Wesley didn’t stop there, he also believed in the competence of this grace to transform the world. Wesley said: "Give me a hundred men who love nothing but God and hate nothing but sin, and I will shake the whole world for Christ. It doesn’t matter if they are clerics or lay, men like that will beat the kingdom of Satan and will build the Kingdom of God on earth.” And Dr. Howard Snyder in “The Radical Wesley”, page 146 declares that “Wesley saw God’s grace so fully abounding that one could not set limits on what God’s Spirit might accomplish through the church in the present order… But this emphasis had to be combined with the warning of judgment and eternal punishment. Biblical realism required holding together eschatological hope and dread” (p. 85). Talking about the realism in the postmillennial point of view of Wesley, let us look once more at the text of the parable regarding the mustard seed. When the seed becomes a tree, the birds come and lodge on its branches. Note that the parable of the Sower in the same chapter talks about birds coming to eat the seed. The birds don’t seem to represent something good, at least in this context. The birds, in these two parables of the kingdom, don’t belong to the seed or to the tree. The birds are motivated by self-interest. They want to destroy the seed when it is small and want to be associated with

it in order to take advantage of it when it has grown into a tree. The history of the church shows this, it was persecuted when was just a small group, but, when it became large, the “birds” flocked to associated with it. Jesus continues his teaching about the nature of his kingdom in this age saying that the kingdom of God grows as a good seed, but the enemy plants weeds. This points to the existence of a conflict between the forces of the enemy - and of God in which the enemy is trying to obstruct the expansion of the Kingdom of God. This war will continue to exist until the last battle, when the last enemy will be put under Jesus feet. Wesley didn’t ignore the prophecies that speaks about the Great Distress, the apostasy of so many Christians and the increase of wickedness in the end of the time, but he saw this prophecies combined in the same context where Jesus also says that the church will well succeeded in the accomplished of its mission, because “this gospel of the kingdom will be preached in the whole world as a testimony to all nations, and then the end will come” (Matthew 24). But the realism of Wesley didn’t lessen his motivation nor his optimism that moved him to action. He never lost his idealism based on his confidence in the power of God for personal and social sanctification and transformation. His eschatology did not permit him to stay stopped in a position of mere contemplation. “Why do you stand here looking into heaven?” asked the angels to the disciples in Acts 1.10. The eschatology of Wesley didn’t remain speculative. Eschatology is not to simply satisfy our curiosity. Wesley did not just look forward the day of God, but he also worked very hard to speed the coming of Jesus, as Peter recommend in 2 Peter 3.12. Wesley knew that the Second Coming of Jesus was connected to the fulfillment of the mission of the church. “The Lord is not slow in keeping his promise, as some understand slowness. He is patient with you, not wanting anyone to perish, but everyone to come to repentance”. Wesley saw that the New Testament combines the evangelistic and the prophetic dimensions of the gospel in the same package. There was no split between personal salvation and Social engagement. Wesley believed as Paul that the faith, which saves, is the faith that expresses itself through love (Galatians 5.6). We are sent in mission to this world as the Father had sent Jesus (John 20:21). “Son of God was manifested to destroy the works of the devil” (1 John 3:8). And we know “how God anointed Jesus of Nazareth with the Holy Spirit and with power: who went about doing good, and healing all that were oppressed of the devil; for God was with him” (Acts 10:38). Jesus was not only concerned about souls, but he also showed significant concern the person as a whole. His ministry of compassion was not to be merely bait for fishing souls. A good part of those who were healed by Jesus ended up not following him. Some of them didn’t even returned to him to show gratitude. It shows that the ministry of compassion has value in and of itself, because it belongs to the real nature of the God’s Kingdom that is love! Jesus cannot deny himself. What about us? Wesley was a man of conviction. For him, theology and practice really were one! As Dr. McKenna said in his book “What a time to be a Wesleyan! (P. 99): “As a logical consequence of the Arminian doctrine of unlimited atonement, Wesley preached the natural rights of all men for social as well as spiritual freedom”. Therefore, Wesley dared to believe that the world could be improved by the grace of God. Imagine what it was like to be living in the time of Wesley and to decide to work to change a millennial social problem such as slavery. Utopia?! The last letter that John Wesley wrote was to William Wilberforce, a man who had been converted under Wesley's ministry and who was a Member of Parliament. The letter expresses his opposition to slavery and encourages Wilberforce to take action for

change. Parliament finally outlawed England's participation in the slave trade in 1807. The status quo does not have the last word. There is hope! Who knows what could have happened if the Methodist church had not entered spiritual decline some decades after the death of Wesley? Perhaps Karl Marx would have been discouraged to say, “Religion is the opiate of the people”. Perhaps Marx wouldn’t have been inspired by his social context to write his thesis. Who can say how many wars, how much racism and how many social injustices could have been avoided if the church had always been faithful to the demands of the Gospel? For example, how powerful could our testimony have been to a fragmented world about the love, peace and unity we can experience in Christ if the church did not have to succumb to the status quo, adopting the principle of church growth based in homogeneity---a principle so prevalent in our segregated culture? It doesn’t matter that this principle works. Of course it works, because it makes easy the way for men who don’t want to cross social and ethnic frontiers. Such pragmatism doesn’t break with this evil structure that divided men in social class and ethnic groups. How can a segregated church speak to a segregated and divided world that the final propose of God is the unity of all things in Christ? It will be possible only if we can say with Paul: “Here (in the Church) there is no Greek or Jew, circumcised or uncircumcised, barbarian, Scythian, slave or free, but Christ is all, and is in all” (Colossians 4.13)! Could the ignominious apartheid in South Africa been have avoided? What to say about the racism in other “evangelical” countries? Unfortunately the great revival that happened in Rwanda and Burundi did not reach the necessary depth in order to destroy the barriers and the dividing walls of hostility that exist between tribes of hutus and tutsis, which could have prevented that tremendous genocide. Another implication for this criticism to the principle of uniformity, which is less critical, but still concerns me, having to do with music in the church. We have witnessed many who have abandoned the church because it will not accept even a combination of traditional and contemporary musical styles of worship. They show their intolerance. They sanctify what is secondary to the detriment of what is primary: “the holiness of our unity in Christ”. . They reveal an extreme zeal for music style, a zeal that should be given to theme of love. The New Testament says nothing about musical styles, but speaks a lot about the unity of the body of Christ and about the love that must drive the relationships of the brothers. “Love is patient, love is kind. It does not envy… is not self-seeking… it always perseveres” (1 Corinthians 13.4-7). To promote the unity of the Church, shouldn’t “we then that are strong ought to bear the infirmities of the weak, and not to please ourselves” (Romans 15:1), and Paul still speak about the necessity of bearing with one another in love (Ephesians 4.2)? Dividing the congregation in two groups, instead of being a good idea to solve the conflict, rather just bears witness that which divides us is stronger than the love that should join us. Another consideration on this subject has to do with the priority we must give to our mission to reach the lost. The church doesn’t live for itself. Talking about the worship service and meetings of the church, Paul teaches us that we have to take into consideration the opinion of the unbelievers (1 Corinthians 14.23). In secondary matters like this we must be able to give up our own preferences in order to see a soul saved. “Because one soul is worth more than the whole world!” John and Charles Wesley sacrificed personal preferences and esthetics tastes in order to reach the lost. The principle here is the kenosis: the self-emptying of his own cultural tastes. Charles was a cultured poet and a musician with a refined esthetics taste, but he chose to write hymns little cultured as those that were being singing in the England taverns. And John Wesley, after 33 years of preaching at free air, confessed that it was a cross for him. What sacrifices are we making in the name of love and in favor of the unity and the mission of the church?

Wesley also fought for fair prices and wages, safe work environment, and he was against wars, the production and consumption of alcohol, against child labor and was for reforming prisons, etc. We are living in a world of materialism. Satan is the Lord of Materialism. Paul said, “For the love of money is the root of all evil” (1 Timothy 6:10). We are constantly bombarded by the media that wants we to conform to a way of life where men work to earn, earn to buy, and buy to prove his value. Concerns about social ascension, worry about consuming, possessing, insurance and the future, all have restrained a profound commitment to the will of God. The Bible says, “Do not love the world” (1 John 2.15). And “Do not conform any longer to the pattern of this world, but be transformed by the renewing of your mind. Then you will be able to test and approve what God’s will is – his good, pleasing and perfect will” (Romans 12.2). “Do not store up for yourselves treasures on earth…No one can serve two masters” (Matthew 6.19,24). Believers in general react against the threat of communism, but end up surrendering to capitalism without also perceiving the action of the Satan in terms of seeking selfrealization in the pleasures of this world, and the never-ending drive for consumption, materialism and individualism. Prosperity theology is just an extreme manifestation of this great problem of lack of vision of the Kingdom of God among evangelicals. It seems we have lost the pilgrim mentality. The book “Money, Possessions and Eternity” By Randy Alcorn can help us understand better what the Bible teaches on this subject. And the answer to this problem is in a genuine revival that fill our hearts with love and move us to a simple life style in order to give more and more to the poor and to the church. A Revival that makes us to seek first His kingdom and His righteousness. As a small seed, this revival can start with one person or with a small group, who are disposed to obey all the commandments of the Lord. For Wesley giving grace is the final evidence of the Spirit-filled life. Grace freely received must be grace freely given, if not, it risks being canceled by the King (Matthew 18.25-34). Dr. McKenna, in his wonderful book “What a time to be Wesleyan! Page 41” says, “Against the great social corruption of England, Wesley lived out the fruit of the Spirit. Although he became one of the richest men in England, he lived annually on 28 pounds until his death, giving away the rest to the poor”. How could the believers be united in mission if some of them live in an ostentatious way? Great poverty in this world puts a question mark on the life-style of many Christians. What do we have to do? We have to follow the example of Jesus, the apostles, Wesley and Asbury among others. The simple life style and the practice of charity as a good dispenser of the divine Grace of Christ is what can impact this world. Note that the sign of salvation of Zacchaeus was that he spontaneously decided to share his money. In contrast, the ambition for money was the sign of condemnation to the rich young man. The most impacting sign of Pentecost was that the multitude of disciples shows love and care toward each other. “They had everything in common. Selling their possessions and goods, they gave to anyone as he had need” (Act 2). Is the Gospel the good news for the poor only in terms of the promise of eternity in the heaven? Weren’t the poor of the early church experiencing the first fruits of the justice of the Kingdom? Remember that The Jubilee year was good news to the poor; Only Jesus at Pentecost was able to accomplish the year of Jubilee. It was a type of agrarian reformation, a communism promoted not by power, but by the Spirit of Jesus. “But this is impossible nowadays”, someone will argue. Jesus would answer, saying, “with man this is impossible, but not with God; all things are possible with God.” (Mark 10.27). Therefore we need a revival! Revival is the discovery of original values and principles. We must look back to see if there are some values that were forgotten. Besides all that has been said here, I’d like to call attention to the great importance of small groups in the development of Christian

character of sanctification and other values of the kingdom of God that must be nurtured in the community of the converted that desires to walk as Jesus did. Man is a social being. One influences the other, mainly by example. The power of culture used to be greater than the power of our personal convictions. If we want to change individuals and society, we must develop small groups that can taste the goodness of the word of God and the power of the coming age. But Methodism lost this vision that was so vital for Wesley. We neglected our precious legacy. Nowadays, to our shame, other Christian churches are rediscovering the importance of the small groups. Small groups help us remember that the kingdom of heaven is like to a grain of mustard seed! The power of the progress and impact of these micro contexts is impressive! This is the strategy of the Kingdom! A revival produces growing. The informality and the dynamism of the Wesleyan movement caused the new Methodist church to grow from 15,000 members in 1780 to 1,360,000 members in 1850. This being the case, the Methodist church was by far the largest denomination on American soil, followed by the Baptists with 800,000, the Presbyterians with 460,000 and the Anglicans with 200,000. We need to return to our roots, we need a Wesleyan style revival to experience what they experienced and to produce fruit similar to those they produced. But revivals are not what they used to be. They were transformed into evangelistic campaigns or into services that were charged with emotion, both of which placed the stamp of self-centeredness and individualism on to them. These campaigns and services are concerned with the transcendental exclusively, and are strong on promotion, pressure, and emotion, but weak on Biblical content and lacking in prophetic depth, and they hid the price of discipleship in the attempt to please the customer, but are unable to guide the individual denying himself in order to place himself entirely under the lordship of Jesus Christ. The decision of “accept Christ” is the means by which we achieve the “good life” without paying any price. The cross loses its shame, since it points to the sacrifice that Jesus Christ made for us, but is not a call to discipleship: It is the cross of Christ, not of the disciple. The God of this Christianity is the God of “cheap grace”, the God who always gives, but never demands anything, the God made for the person who lives by the rule of the least resistance, the God who focuses on those who are unable to deny themselves in order to dedicate themselves to God, since they need God as one needs an aspirin. The manipulation of the Gospel for personal success will always lead to slavery to the world and its powers. We need a revival like the Wesleyan, which moves us to a holistic mission that drives us to live and preach all the teachings of our Lord. A revival that keeps us from worrying only about the salvation of the soul and ignoring the physical needs of persons. We need a revival that not only promotes reconciliation between man and God, but also between man and his neighbor. A revival that promotes repentance, not psychological and emotional relief of a guilty conscience, but the acceptance of the cross as a death to this world with the purpose of living for God. If Jesus is Lord, then persons must be confronted with his authority over the totality of life. God is doing great things among us in Brazil. I am sharing something about this in the appendix. But, when I thing about what God did in the times of Wesley, Asbury and B. T. Roberts, I am overcome by a sense of failure or insufficiency. But “I still have a dream!” Because we have this tremendous legacy, I dare to dream of taking part in a great revival, the greatest of all in the history of the church that impacts this world with the power of the holy Gospel of Jesus! Wesley is dead. How good it would be if he were alive to help us. Someone should think about the possibility of making a clone. But it would not be a good idea to make a clone of Wesley. Besides the ethical implications over cloning, the secret of Wesley’s life was not in his genes or academic formation. We need to remember that Wesley

failed in his first mission to America. The secret of his fruitful ministry was the spiritual experience that changed his live and the world around him. The God who moved remarkably in those former days is still on His throne. “Lord, I have heard of your fame; I stand in awe of your deeds, O Lord, Renew them in our day, in our time make them known; in wrath remember mercy” (Habakkuk 3.2). O Lord, revive your work in our day! You can do it again. “Do it again! Lord!” Bishop Ildo Mello

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