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Learning by Design

Uma Reflexão Crítica sobre a Metodologia
Ana Rita Leite * Elisabeth Leite * Margarida Oliveira * Sónia Soares

MESTRADO EM ENSINO DAS ARTES VISUAIS DO 3º CICLO DO ENSINO BÁSICO E ENSINO SECUNDÁRIO * Conceção e Avaliação de Projetos e Instituições Educativas * Henrique Vaz

ÍNDICE PRÓLOGO
.............................................................................................................................. 3

INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 4
PERCURSOS: ESCOLA, PEDAGOGIA ......................................................................................... 4

CURRICULO TRANSFORMATIVO: O PROJETO COMO MEIO DE APRENDIZAGEM ................................................................................................................ 8
ENSINAR VERSUS APRENDER .................................................................................................... 10

REFEXÃO SOBRE A CONSTRUÇÃO PLANIFICADA DO PROJETO: ...... 12
“A CADEIRA” NA APLICAÇÃO LBYD ........................................................................................... 14

CONCLUSÕES ..................................................................................................................... 18
AVALIAÇÃO E LBYD .................................................................................................................... 18

BIBLIOGRAFIA: ................................................................................................................ 22

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Constituindo-se como uma disciplina de opção do 12º ano. quer numa vertente de imersão. experimentada. do curso de Mestrado de Ensino de Artes Visuais do 3º ciclo e Secundário. num movimento contínuo que todavia não exclui o erro e a aprendizagem através do erro. dentro da disciplina Materiais e Tecnologias. e cujo programa se centrou na apresentação de uma metodologia de trabalho que é também um posicionamento crítico. conceptualizada. quer através da estruturação das aulas que recebemos. novos conhecimentos e experiências que por sua vez motivam novas ações. experiências e saberes. A nossa proposta de grupo resultou de uma decisão conjunta de abordar. que no nosso entender se adequa à construção do conhecimento. envolve o processo contínuo da reflexão ação que permite sedimentar nas experiências e conhecimentos pessoais. 3 . que se integra na componente de formação específica do curso Científico-Humanístico de Artes Visuais. através do desafio que nos foi lançado para estruturarmos uma unidade curricular. o seu programa convoca uma abordagem teórico prática. todo o programa da disciplina escolhida (MTEC). isto é. analisada e aplicada. O tema Cadeira surge então como uma sugestão possível para trabalhar as várias componentes da metodologia do Learning by Design abrangendo também. face a práticas de ensino mais tradicionais ou conservadoras. A metodologia do Learning by Design ou “aprendizagem colaborativa” foi ao longo do período. o tema: A Cadeira. com uma carga horária semanal de 3 unidades letivas de 90 minutos.PRÓLOGO Esta reflexão surge no âmbito da unidade curricular Conceção e Avaliação de Projetos e Instituições Avaliativas.

4 . que vai ganhando forma na Europa ao longo do século XVIII adquirindo maturidade no final do século XIX. isto e.” (apud. depois de Freud isso não mais foi possível. No século XVI Lutero defendia-o: “Há várias razões para não deixar aos pais o cuidado da educação. a Escola é também transmissora dos seus valores fundamentais: razão e ciência. acreditou na ideia de um sujeito estável e pré existente. processos. na “verdade” aristotélica de que o conhecimento se constrói sobre uma tabula rasa. numa complexa mistura de métodos. E de ensinar rapidamente…” (idem). Em primeiro lugar. de acordo com o pressuposto que as famílias não teriam capacidade para Educar os seus jovens. PEDAGOGIA A Escola foi criada como instituição que rompe com os cânones de socialização vigentes. E de ensinar com tal certeza que seja impossível não conseguir bons resultados. um método universal de ensinar tudo a todos. Com ela inaugura assim um novo modelo de socialização dos jovens. mas é já no século XVII que Coménio escreve um tratado que funda a pedagogia: “Didáctica significa arte de ensinar. Enquanto produto da modernidade. ideológica e estruturalmente. 2007). O que a história da escola e da pedagogia nos mostra. AMADO. E os discursos destes pedagogos refletem as suas preocupações e desejos reais. igualdade e fraternidade estruturam os estados nação. na revolução cujos princípios de liberdade. supondo mesmo que tenham capacidade para o fazer: assemelham-se a avestruz que abandona os seus ovos. e formações ideológicas. Podemos dizer que existem tantas escolas quanto projetos educativos e professores para os implementar. Imbuído do espírito iluminista que inventou o saber enciclopédico. através dos seus documentos. na crescente exaltação da razão e da ciência. a maioria deles são suficientemente pouco pessoas de bem para se dispensarem disso. e/ou que seria muito melhor educá-los em conjunto em contextos especialmente concebidos para o efeito. e em valores capitalistas potenciados pela revolução industrial. dão a vida aos filhos e deixam que eles se eduquem ao acaso. Todavia.INTRODUÇÃO PERCURSOS: ESCOLA. e neles encontramos muito do que ainda se pensa e faz hoje. (…) Nós ousamos prometer uma Didáctica Magna. nos princípios positivistas refletidos na psicologia. é contrário à ideia de uniformidade no percurso de consolidação da Escola enquanto instituição educativa. que por intermédio da psicologia. e proclamou a liberdade e autonomia do indivíduo como ser racional e um produto acabado.

assim. as atitudes.Do mesmo modo. os conteúdos mobilizados. daí a educação ser construída em relação com as pessoas e com o mundo. da música. através dos meios de comunicação de massas. a Escola é sobretudo o lugar privilegiado de ensino. executando a tarefa para que este a repita pela imitação dos seus gestos. de tal modo que a sua pedagogia serviu a causa nazi. mediante a admiração. por outro lado porque o saber não se constrói de maneira linear. por exemplo. organizar o mundo e a vida de acordo com princípios racionais. dos filmes. Naturalmente que o conhecimento se constrói numa interrelação entre estas dimensões. contribuindo muitas vezes para deformar em vez de formar. colocando a escola bem como outras instituições modernas em situação de crise. A educação é temporalmente um processo contínuo. de ensinar. referimo-nos a um saber fazer (know-how. 1 Embora neste sentido ela se faça de forma espontânea. foi vindo a perder validade. Os conteúdos da educação incluem os valores. nos espaços privados (casa) e nos espaços públicos (escola. o domínio de materiais. onde frequentemente. Neste sentido. intimidatório e a mecanismos de punição/recompensa. Pode ser um processo descontínuo ou contínuo mas implica promover o desenvolvimento das capacidades físicas. é na Escola e através dos professores que melhor se constrói e define. são predominantemente práticos. há antecipações. comunidade). Por outro lado. a uma destreza física que o instrutor transmite ao aprendiz pelo exemplo. da internet. as regras de conduta. de saberes teóricos. o educando aceita e submete-se ao modelo que lhe é apresentado ou proposto. Temporalmente é um processo descontínuo. retrocessos. por um lado porque não se está sempre a ensinar. savoir-faire).”1 Pois somos educados e educamos pelo facto de interagirmos uns com os outros. correspondendo essencialmente a competências físicas. mas também. Pombo 5 . Cf. dos livros. a um mundo perfeito. baseou a sua filosofia da educação no princípio de “Cada um (…) educa cada um a cada instante. destrezas mentais. onde o professor desempenha o papel principal na transmissão de conteúdos programáticos. este princípio é válido e muito poderoso. isto é. fase de latência. Aqui são mobilizados conteúdos teóricos. O pedagogo Ernst Krieck (18821947). as normas e os costumes que influem nos comportamentos sociais. agora mais do que nunca. A origem da Escola relembra que a sua missão é Educar. conceitos abstratos. e muitas vezes inconsciente. o Ensino aprendizagem. a uma sociedade perfeita. etc. ou amiúde recorrendo ou sendo submetidos ao discurso autoritário. Ensinar… e Instruir. Ao contrário da Educação. pela “modelação”. nos conduziria à perfeição. reconstruções intensivas. Entendemos que a Escola deve também ser um lugar de instrução. embora não restrito ao espaço escolar nem à figura do professor. a convicção de que.

com o seu próprio esforço. Class. e os modelos pedagógicos têm estado em constante debate em interrelação com os modelos sociais. que revela um mundo em conflito com as novas tecnologias e sistemas de comunicação. que valorizava mais a avaliação do que a aprendizagem. a pedagogia e a avaliação respondem respetiva e implicitamente ao que é considerado conhecimento válido. “…existem diversas teorias curriculares que correspondem a diferentes concepções de currículo. esforçando-se por garantir aos cidadãos os direitos de igualdade e liberdade para que cada indivíduo possa e deva. Vol. cultural (e também politico e ideológico) e económico…” (Pacheco. Neste sentido a escola como instituição social tem vindo obrigatoriamente a sofrer diversas alterações. B. De acordo com isto.36). rigoroso. Assentando a prática pedagógica num documento curricular. Embora não exista uma definição única. O antigo sistema educativo. (Bernstein2 apud. por esta razão podemos falar de currículo dentro de uma perspetiva “tradicional/ tecnicista”. e à conjuntura das diversas individualidades. valores/atitudes e experiências). Pacheco) O conceito de currículo assume então significados práticos diversos de acordo com as perspetivas ideológicas de educação que o constroem. I. 6 . London: Routledge & Keagan Paul. defensor apenas de um saber único que assenta na meritocracia. é um sistema castrador que perece sobre si próprio nesta época transcultural. 2005: p. cuja construção se faz a partir de uma multiplicidade de práticas inter-relacionadas através de deliberações tomadas nos contextos social. ideologias e formas de legitimação do processo de construção do conhecimento. “critica” e “pós critica” da educação. a denominada época de “globalização” (Anthony Elliot). uma heterogeneidade. “…o currículo é um projecto de formação (envolvendo conteúdos. um multiculturalismo. De fato. procurar a sua realização. em acordo com os documentos ministeriais que a informam. o sistema educativo tem que se adaptar à diversidade. 2005: p. codes and control. bem como inúmeras orientações. transmissível. Como tal é impossível entende-los isoladamente e como algo desligado de um contexto e compromisso ideológico. a função da avaliação. 44) A escola enquanto instituição privilegiada de formação articula atualmente com a sociedade transcultural. e vice-versa. e da pedagogia. abrindo-se à diferença. considerando a 2 BERNSTEIN. político e cultural que se vai alterando ao longo do tempo e produzindo novas soluções. (1977).” (Pacheco. e com isso contribuir para o desenvolvimento da sociedade. o papel do professor.Pensar a Escola é também pensar o currículo. ao que importa como transmissão válida do conhecimento e ao que conta como realização válida desse conhecimento num determinado momento. o currículo.

o conhecimento se constrói em colaboração. e incidindo nos modos de aprender de cada aluno/pessoa. segundo o qual. nem lhes é incutida uma consciência crítica. propõe-se um currículo construtivo (através dos projetos curricular de escola e de turma). diversidade. caraterizado pela abertura. 7 . que no entanto não deixa de ser um currículo pensado e aplicado na escola. assente numa pedagogia centrada no papel do professor e na qual os estudantes não são suficientemente desafiados a participar na sua construção. que promove o diálogo e que assume um currículo alargado de conteúdos e um compromisso cívico. de modo a permitir a autonomia das escolas e a intervenção dos diferentes atores da comunidade educativa. Deve-se então considerar o currículo transformativo. cujo centro da preocupação seja os alunos. e indeterminado com relação à sua objetivação. Neste âmbito surge o Learning by Design. flexibilidade.articulação do currículo nacional/currículo prescrito com o currículo local/real.

cultural e pragmático revela-se uma metodologia de trabalho de projeto (MTP) mais adequada às mudanças necessárias à prática pedagógica atual. O Pólo Biológico centra-se na readaptação. O projeto revela-se no ato. Entendendo-se projeto como meio de articulação entre concepção e realização. enquanto objetividade. ao racionalismo técnico-científico. passando a ser considerada a intencionalidade do sujeito em si. visto que se pode aprender em qualquer momento. conhecer e pensar. sobrepondo-se assim a sua individualidade ao social. encorajando múltiplos modos de ver. A nosso ver. A função adaptativa faz a gestão do nosso quotidiano visando uma ação futura. o Pólo Cultural está diretamente ligado à evolução desta era pós-pós-moderna. relacionando os conteúdos significativos já adquiridos. em qualquer lugar. assumindo os próprios docentes e alunos como fonte dos conteúdos curriculares. e por fim. a função teórica/epistemológica realiza uma abordagem conceptual centrando-se na investigação. a função pragmática que resulta da aplicação de metodologias projetuais visando uma operacionalidade funcional. teórica/epistemológica e pragmática. Existem diversos modos de apreensão de projeto: empírico. e na projeção. sendo que esta não é linear. que nos exige incondicionalmente a definição de novas estratégias e metodologias visando uma adaptação às mudanças sociais e culturais constantes e contínuas. relaciona-se ao desafio existencial. focando diferentes funções: adaptativa. que relaciona o pólo biológico existencial. destacando numa perspetiva societal do indivíduo no espaço social. É um currículo comprometido com as subjetividades dos alunos e tem por base a experiência vivencial dos mesmos. reflexão e análise. dando espaço à criatividade para a resolução de situações complexas com as quais os sujeitos se confrontam. que reside na ação. o Pólo Pragmático releva a metodologia usada no processo.CURRICULO TRANSFORMATIVO: O PROJETO COMO MEIO DE APRENDIZAGEM O currículo transformativo assenta na construção do conhecimento. focando os conteúdos significativos em constituição. científico e operatório. e por último. na medida em que este passa a necessitar de uma transcendência relativamente à sociedade de produção e consumo. 8 . realizando uma aprendizagem entre pares. Este currículo mobiliza a ideia de projeto. centrando-se na realização. na reconfiguração dos seus próprios comportamentos individuais. como a própria denominação refere. o Pólo Existencial. a aplicação de projeto quaternário.

) mobilizar é por recursos em movimento. valores e atitudes críticas. e na mobilização dos alunos e da comunidade na construção social e educativa. conceptual e atitudes e comportamentos de intervenção. Verifica-se que estas quatro dimensões se relacionam com os setores: da inovação técnica. realizar uma articulação entre teoria e prática. perceções e emoções. a autonomia e a exploração criativa.. o desenvolvimento de competências e saberes sociais. levando à construção do conhecimento por interação. privilegiando uma aprendizagem por descoberta pessoal. É uma relação dialógica que promove uma educação de cidadania. da participação social. Esta perspetiva de aprendizagem vê o aluno enquanto sujeito ativo e coautor na construção do seu saber. articulando assim a objetividade do saber empírico . (Charlot. a interdisciplinaridade. perspetivando uma escola democrática e ecológica.. e essencialmente. deve ser desenvolvida em grupo. sentimentos. A MTP assenta no desenvolvimento de integração e construção de saberes escolares interdisciplinares..fazendo. da procura do sentido e da criatividade individual. e valorizar tanto o processo como o resultado. “A mobilização implica mobilizar-se (“de dentro”). a partilha.) A relação com o saber não deixa de ser uma relação social. embora sendo de um sujeito”. 2000:55) Assim como mobiliza a ação e a transformação. na medida que esta. Não há sujeito senão em um mundo e em uma relação com o outro. a diversidade. a criatividade.comportando planificações com explicitação de conteúdos. a abertura ao imprevisto. a cooperação. (. a responsabilidade. “Não há relação com o saber senão a de um sujeito. 9 .científico com a subjectividade das vivências individuais e dos pensamentos. possuir uma planificação flexível. para fazer uso de si próprio como recurso. deve considerar os problemas apostos pelos sujeitos do grupo. 2000:73) A pedagogia de projeto promove assim uma metodologia do aprender . a flexibilidade. Mobilizar-se é reunir suas forças. o espírito crítico. deve articular uma relação entre o saber e o saber-fazer.. enquanto a motivação enfatiza o fato de que se é motivado por alguém ou por algo (“de fora”) (. suscetível à imprevisibilidade e ao desconhecido com vista à aquisição e compreensão do respetivo saber.” (Charlot. desenvolvendo um conhecimento sensorial. Após o exposto considera-se que o trabalho de projeto rentabiliza a experiência pessoal. Assim. por experiência. que ao ser partilhada em grupo provoca debate/discussão e conflitos cognitivos.

no mundo. realizando uma construção de conhecimentos e interrogação sobre o ser. e partilhar. a prática. como na sua aplicação na sala de aula. de maneira grosseira e não pertinente. como físico e espiritual. Assim sendo. promovendo a interação de modo a evitar a cristalização do conhecimento e a conformação dos indivíduos aos seus (pré)conceitos. de errar e corrigir. o abstrato. é uma movimentação do saber que viabiliza a transformação do ser humano na sua totalidade. de alguém que questiona as generalizações simplistas que possam ser invocadas. Considerando que ensinar é comunicar. a teoria não existem como forma de ser. temporal.“O concreto. não de dominação mas de abertura espontânea ao imprevisto. proporcionando diálogo e entreajuda de professores. aprender é uma interrelação entre passado e presente. quer do mundo. que é parte integrante da dimensão identitária”. e que aprender é um processo de crescimento. Ensinar auxilia na construção de um discurso próprio. pois. (CHARLOT.aprendizagem. 10 . entendemos necessário analisar o que é ensinar e o que é aprender. e como apoiante no tratamento da informação adquirida. da interrogação. construção e reconstrução com vista à formação de identidades. de maturação. ativo. ENSINAR VERSUS APRENDER “Aprender (…) é entrar numa relação com o outro. proporcionando essa relação colaborativa entre colegas de turma. quer a nível mental. Como tal ensinar e aprender. que pode resultar como metodologia de planificação de unidades curriculares. ou uma relação com um mundo posto à distancia e em palavras”. com vista a aquisição de um conhecimento. provido de uma afetividade. mas também esse outro virtual que cada um leva dentro de si como interlocutor. quer se trate do aluno. que se realiza através da experimentação. O que é designado assim. de tutor crítico dos dados e rigor. é uma relação: a relação com o mundo enquanto conjunto de situações e relações nas quais está engajado um sujeito encarnado. 2000:72) Na medida que este sistema de ensino aprendizagem colaborativa propõe uma relação dialógica entre pares e com o saber. uma dimensão relacional. Toda relação com o saber comporta. (CHARLOT. que assenta na desconstrução. o outro fisicamente presente em meu mundo. “questionando o inquestionável” para ser possível a autoprojeção no futuro desejado. 2000:71) O professor assume um papel de orientador do método. tanto individual quanto coletivo. É uma abordagem colaborativa e cooperativa do ensino .

(…) entrar em um dispositivo relacional. nem resignado. “não há saber senão produzido em uma confrontação interpessoal”. a autodeterminação. (idem:70) Se ensinar é incentivar e estimular a reflexão.Neste processo relacional é condição estar recetivo ao outro. 11 . garantir um certo controlo de seu desenvolvimento pessoal. desenvolver competências para a autoconstrução. o pensamento crítico e o interesse pelo novo/desconhecido. 2000:61) Assim. autoresponsabilização. ao que ele tem a dizer. “Significa. não receando a exploração de diversos caminhos. construir de maneira reflexiva uma imagem de si mesmo”. refletir. a autoconfiança. com vista à reflexão e ao questionamento de forma a adquirir novos saberes. apropriar-se de uma forma intersubjetiva. Este processo relacional entre ensinar/aprender é simultaneamente um processo afetivo carregado de intencionalidade. à sua experiência de vida. é uma reflexão crítica a partir da subjetividade individual que se forma no entanto a partir da partilha conjunta. não é um estar passivamente perante o que o outro nos trás. então aprender é questionar. mas antes colocar-se em disposição de escuta atenta. analisar. (Charlot. compreender. Na verdade.

relevando que a educação começa com o reconhecimento da diferença. se o sujeito a ser educado não investe pessoalmente no processo que o educa. na medida que estes vivem numa diversidade tecnológica e global com maior diversidade e experiências extremamente variadas. buscando imperiosamente um equilíbrio nos domínios da identidade e da cidadania. relativas a ler/escrever/falar e ouvir. As relações humanas tornaram-se o centro fulcral da aquisição/realização e compreensão da aprendizagem nesta nova sociedade do conhecimento que se encontra em crescente mutação e fragmentação.LBYD E OS QUATRO CAMPOS DO CONHECIMENTO “…ninguém poderá educar-me se eu não consentir. a ideia base actualmente reside na comunicação. tal 12 . Posto isto. que comprometem a sensibilidade dos estudantes. visto que as comunidades são vistas também como produtoras de conhecimento. 2000:54) No âmbito da aprendizagem colaborativa surge o “Learning By Design”. pretende -se que eles mobilizem com entusiasmo e com convicção os seus horizontes de conhecimentos e capacidades. se eu não colaborar. na identidade individual e sua subjectividade. que resultavam na memorização e repetição foram completamente descartáveis. Necessitam assim de ambientes inovadores de aprendizagem com vista à sua participação. Com a pertença. É um sistema de aprendizagem que faz um paralelismo à teoria experiencial de aprendizagem de David Kolb. e com a transformação. iniciativa e inovação. com competências e capacidades de adaptação. uma educação é impossível. sendo comum a necessidade premente dos estudantes possuírem multiliteracias. flexibilidade. criando identidades multifacetadas que desenvolveram as identidades multiculturais e que se contrapõem às anteriores identidades singulares. é uma aprendizagem transformativa. o LbyD assenta nas diferenças sócio-culturais. Os antigos métodos de ensino transmissivo. na medida em que a escola não é o único local de aprendizagem. Esta aprendizagem.” (CHARLOT. de alguma maneira. Assim sendo. É uma sociedade transformada e em constante transformação. pretende-se dizer que os alunos têm que se sentir integrados na aprendizagem. assumindo uma pedagogia que se centra em novos ambientes de aprendizagem. assumindo a pertença e a transformação como condições fundamentais para uma aprendizagem efetiva. este novo método de aprendizagem centra-se nas relações humanas. na qual a escola deve considerar a capacidade de construção do novo tipo de sujeito.

foca-se numa pedagogia que se reporta a quatro processos de conhecimento: experienciar. ele determina “modos relacionados dialeticamente” de “experiência compreensiva” (fazer ou observar) e “experiência transformadora” (sentir ou pensar). tipicamente expressa como círculo de aprendizagem de quatro estágios. sistematiza discutindo e superando as contradições.como a teoria de aprendizagem de Kolb.htm :02) O LbyD surge num plano de mediação com foco numa metodologia de mediação dialética. em que ‘experiências imediatas ou concretas’ fornece uma base para ‘observações e reflexões’. construtor. 13 . produzindo novas implicações para a ação que pode ser ‘ativamente testada’. no estilo de aprendizagem de Kolb. analogamente ao modelo de Kolb. planificador e gestor da aprendizagem. o LbyD exige um professor crítico. que resgata conteúdos já adquiridos pelos alunos.businessballs. Paralelamente. conceptualizar. a qual. que sintetiza a produção do novo saber. analisar e aplicar. Conceituação abstrata e Experimentação ativa. Tais ‘observações e reflexões’ são assimiladas e destiladas em ‘conceitos abstratos’. por sua vez. cria novas experiências. Observação reflexiva. a contradição.com/kolblearningstyles. articulando o saber imediato. a aquisição do saber mediato.” (Kolb in www. a superação do saber do imediato. Em relação às práticas profissionais do docente. que problematiza o saber imediato ante o saber mediato. que define quatro estágios: Experiência concreta. “Kolb inclui esse ‘círculo de aprendizagem’ como um princípio central de sua teoria de aprendizagem experiencial.

subdividindo ainda cada um. ficando ao todo com oito campos. anotando-as em post-its. Seguidamente fizemos um brainstorming de possíveis atividades. definimos a ideia central do projeto: “A Cadeira”. conceptualizar. a conexão e a sequência das diversas atividades e a respetiva estrutura da aprendizagem e trabalho que pretendemos que o aluno realize. começamos por debater em grupo possíveis ideias para a realização da unidade de trabalho. em dois: experienciar o conhecido e o novo. desenvolvemos em grupo um percurso que consistiu em diferentes etapas: idear. analisar e aplicar. E apresentamos. reconhecendo. a planificação da proposta “a Cadeira”. Dividiu-se em quatro grupos o tipo de conhecimento a ser invocado: experienciar. Em seguida procedemos à ordenação da aprendizagem interrelacionando com processos pedagógicos. Assim. mapear. A segunda fase do esboço foi o mapeamento. e por fim formalizar e publicar. e articulando as diferentes atividades numa sequência do processo de ensino. ensinar e aprender. para a disciplina de Materiais e Tecnologias. Neste sentido. analisar funcionalmente e criticamente. rever e alinhar.REFEXÃO DA CONSTRUÇÃO PLANIFICADA DO PROJETO: “A CADEIRA” NA APLICAÇÃO LBYD No contexto da aprendizagem colaborativa (LbyD) foi nos sugerido planificar uma unidade curricular para uma das disciplinas que podemos vir a lecionar. como foi referido. Na fase da ideação. 14 . revimos e alinhamos considerando os objetivos gerais e específicos correspondentes a cada processo de conhecimento. Posto isto. realizando um mapa dos processos de conhecimento. Nesta etapa discutimos e debatemos as ideias e atividades propostas reorganizando-as e reelaborando-as. e por fim aplicar apropriadamente e criativamente. que na aprendizagem colaborativa a planificação encontra-se num sistema aberto. dentro da disciplina de Materiais e Tecnologias. analisando o currículo e o programa da disciplina em causa. conceptualizar por nomeação e com a teoria. Esta fase denomina-se sequenciar e é de extrema importância para a aprendizagem na medida em que questiona qual ou quais os conteúdos/finalidades que pretendemos que os alunos atinjam. sequenciar. definimos qual a disciplina e o correspondente ano de escolaridade. Procedemos à colocação dos post-its com as diversas atividades no respetivo quadro de conhecimento a mobilizar.

propor-se-ia em grupos de trabalho uma aplicação destas metodologias.No campo do Experienciar. vivências e experiências. visamos a construção crítica. a construção e reformulação de ideias. e projetamos incentivar a questionar e a observar o modo como os objetos são constituídos e como interagem com eles. No campo do conhecimento Conceptualizar valorizamos a articulação entre o conhecimento empírico e o conhecimento científico. Em relação ao campo Experienciar o Conhecido. Propusemos uma contextualização relativa à história e evolução do design e introduzimos a metodologia projetual. No campo: Conceptualizar sublinha-se a instrução manifesta. relacionando os seus conhecimentos. Seguidamente. procurando com isso valorizar a integração do indivíduo em si na realização do projeto concreto. Quanto ao Experienciar o Novo. No sub campo: Analisar Funcionalmente. No campo: Experienciar. tentamos colocar-nos no mundo dos alunos. propusemos que fosse feita a reflexão sobre os efeitos. que deveria ser argumentada. a base do diálogo e debate em grupo. valorizando as experiências e as competências pessoais. a possibilidade de contextualizar e recontextualizar questões sócio-históricas. e a sua inserção no projeto pedagógico e formativo. procuramos desenvolver a prática situada. para desenvoltura das capacidades de argumentação e fundamentação de pontos de vista. No sub grupo Conceptualizar por Nomeação procuramos promover a identificação por parte do aluno do mesmo tipo de coisas com vista a novos conceitos. Consideramos aqui o método de resolução de problemas que comporta o paradigma da racionalidade técnica e o paradigma da prática reflexiva. Propusemos promover a partilha através do debate no coletivo da turma visando que os alunos mobilizassem as suas experiências e conhecimentos sobre o objeto .A Cadeira. No conjunto de processos agrupados segundo a designação Analisar. consideramos positiva a reivindicação dos conhecimentos reais do aluno. interconetando conceitos e relações de causa e efeito. compreendendo a relação 15 . No que diz respeito ao que foi designado por Conceptualizar com a Teoria procuramos que se fizesse aqui a associação com diferentes tipos de coisas. um conjunto de imagens de cadeiras. Neste contexto salientar-se-ía a pertinência do recurso à rede network. a análise da função. isso contribuiria para fomentar o debate. O que permite sedimentar as futuras aquisições. requerendo uma recolha individual e pesquisa de elementos visuais. racionalização do conhecimento. características e estruturas. e os seus interesses e motivações pessoais relativamente às suas próprias vidas. projetamos a promoção de novas experiências mas de acordo com as perspetivas dos alunos. a comunidade em que se inserem.

a mobilização por parte dos alunos dos conhecimentos adaptando-os em diferentes contextos. o saber-projetar e o saber-fazer. questões de ecologia e sustentabilidade. social e ambiental. desenho planificado do mesmo. Na última fase da planificação esteve contemplada a proposta de formalizar e publicar. Sugere-se aqui complementar estes saberes através da aplicação de softwares. Emergiu assim. Ambicionando convocar conceitos da arte contemporânea e apontou se a requisição do registo de ideias e esboços de cadeiras. etapa que enquanto exercício por nós realizado. Quanto ao Analisar Criticamente propusemos a reflexão sobre os efeitos que o objeto em questão . e materiais e técnicas. consideramos positivo o conhecimento e aplicação dos métodos técnico produtivos que estão associados na transferência mental para um objeto real. e a aquisição de uma linguagem técnica específica e o desenvolvimento e estímulo do espírito de cooperação e responsabilização. após a conclusão do projeto e realizada a respetiva aprendizagem. se tivéssemos implementado como professoras a planificação do tema numa turma. entendendo o aluno como um ser autónomo e capaz de gerir a sua formação quando orientado. um plano de negociação entre autor e objeto. Por fim. com outros profissionais e instituições. Relativamente ao aplicar. Neste campo consideramos de interesse fulcral a emersão da análise crítica. 16 . através da reflexão-em-ação. da inovação e da idealização de novas soluções. visando novas evoluções e direções. no Aplicar Criativamente. do work-in-progress. Nesta atividade sugere-se que o aluno coloque à prova o seu projeto e procura-se motiva-lo a trabalhar interdisciplinarmente com a comunidade escolar. de um modo adequado.entre a produção do objeto e a sua função. bem como. Procurando salientar-se o caráter multifuncional dos objetos. No que diz respeito à nossa proposta. objeto e materiais. procuramos no Aplicar Apropriadamente que fossem realizadas formas/objeto. que a posteriori resultariam na ação. Destacase o domínio de diferentes processos de comunicação de ideias. No sentido dos estudantes poderem transformar e aplicar com maturidade os conhecimentos adquiridos relativamente a materiais e a tecnologias e na aplicação dos mesmos. na tentativa de evidenciar uma prática transformada. No sentido a poderem construir algo de modo interessante sugerimos. Neste âmbito procurando que fossem convocados os saberes do aluno aliados ao saber científico. a turma teria oportunidade de. produz a nível humano.A Cadeira.

obtendo um feedback real sobre o objeto que tinham produzido.apresenta-lo à comunidade educativa. 17 .

O professor assume-se no ato educativo como um investigador transformador. a avaliação que obedece a este modelo procura dar resposta a três níveis de preocupações implícitos nas aprendizagens: o indivíduo. Naturalmente lamentamos não ter sido possível pôr em prática esta metodologia percebendo concretamente o feedback de cada um dos alunos. Os modos de aprendizagem dos alunos são privilegiados. Nomeadamente no que concerne à avaliação. Entendemos que com isso poderíamos ter ido mais longe na nossa reflexão. repõe os sujeitos.CONCLUSÕES Perspetivando que “a definição do homem enquanto sujeito de saber se confronta à pluralidade das relações que ele mantém com o mundo” (Charlot. revelou-se muito interessante precisamente por possibilitar uma construção conjunta do percurso a realizar. a acumulação de conteúdos intelectuais. não. suscetível de ser confrontado com os saberes próprios dos alunos. A experimentação desta metodologia.” (idem:64) Neste sentido. e o professor procura adequar as suas propostas de experiências específicas a essas diversas orientações no sentido de possibilitar o desenvolvimento de todas elas. Este processo de cooperação e partilha promove uma aprendizagem transformativa que assenta num caráter relacional visando a construção efetiva de identidades que se singularizam no coletivo social. mobilizando-as e integrando-as na prática pedagógica. AVALIAÇÃO E LBYD De acordo com os documentos facultados sobre o dispositivo LbyD. O 18 . o programa. no lugar de construtores de formas curriculares. segundo LbyD como um método de mediação que resulta em aprendizagens significativas e funcionais. tanto professor como alunos. visto orientar a construção de identidades multifacetadas. destacamos a abordagem da aprendizagem colaborativa. e a performance organizacional ao nível da pesquisa e avaliação. Considera-se assim que o modelo LbyD é um modelo que enaltece a democracia e que se revela mais eficiente na sociedade atual. centrada nas vivências individuais. A planificação das atividades tendo em conta o processo ensinar versus aprender. como alvo dela e como possíveis implementadoras no âmbito do ensino das áreas artísticas. em todos os alunos. 2000:60) deve considerar-se que “o processo que leva a adotar uma relação de saber com o mundo é que deve de ser o objeto de uma educação intelectual e.

curricular e de gestão.seu foco está em como avaliar com eficácia as escolhas efetuadas. A avaliação de projetos supõe quatro campos: a identificação do objeto da avaliação (o projeto em si mesmo). que poderá incluir uma introdução. 2002: p. e conhecimento construído colaborativamente). a apresentação de resultados. nos planos pedagógico. São elas: a avaliação do projeto. a planificação da avaliação. Daqui destacamos a importância da avaliação do grupo. de resolução de problemas. na medida que rompe com a visão que tem vindo a ser defendida e valorizada através dos documentos legais. definindo as questões de avaliação e os critérios de análise. Para Perrenoud e Doll. Porque na 19 . algumas conclusões e recomendações. É importante que se definam claramente indicadores que identifiquem a orientação qualitativa ou quantitativa se bem que se deve ter em atenção a possibilidade de o grau de subjetividade ser bastante elevado quando estão em jogo critérios predominantemente qualitativos. E no nosso entender um dos pontos positivos dentro deste modelo que parece orientar-se sobretudo para a avaliação de projetos. Avalia o conhecimento e a performance pessoais: experiencial. O dispositivo de L-by-D assume uma abordagem holística e integrada da avaliação. e que instrumentos serão utilizados na recolha. a indicação do aspecto essencial da avaliação. criatividade/imaginação/inovação. que responsabiliza individualmente os indivíduos por resultados que procedem de múltiplos fatores e decisores. Recorre à construção de portfolios individuais nos quais a prova dos resultados consta do portfolio tanto quanto a classificação. Avalia um conjunto alargado de domínios: as capacidades de colaboração. o plano de avaliação.188) sob a forma de testes que preparam alunos e alunas para os exames. da performance (atuação no decorrer da tarefa). Além disso. Corrobora resultados com revisão formal de pares. o questionário e a observação direta. analise e interpretação dos dados. e a avaliação da organização da documentação do processo de trabalho. analítico e aplicado. A Forma proposta para comunicar os resultados da avaliação do projeto supõe um relatório escrito. o acompanhamento é um critério de referência para a avaliação continuada dos processos de conhecimento. conceptual. Avalia indivíduos num contexto de grupo: a habilidade para estabelecer conexões sociais produtivas (para textos e pessoas. a avaliação do grupo. A existência de um modelo que possibilita a comparação é recomendada. Embora os mais usuais sejam a entrevista. entendidas como “uma maneira de medir o deficit entre cânone apresentado e o cânone adquirido” (Doll. Supõe a importância de determinadas tecnologias de avaliação na perceção de atributos relevantes para a adaptação dos indivíduos às exigências da nova economia. a avaliação escolar está quase sempre associada às notas.

subserviente destes princípios neoliberais. o valor da investigação. mas também um acompanhamento 20 . são pontos positivos e pontos negativos. exigindo uniformidade e rigidez que submissas à centralização e construção técnica curricular. O que a proposta de avaliação que segue a dos projetos. nomeadamente a avaliação do grupo. e não bastasse já toda a cultura que envolve as crianças. a possibilidade de cooperação entre professores/alunos. Deste modo. possibilitam a regulação. A cultura industrial que se cria nas escolas remete para segundo plano ou elimina. uma vez que é um projeto de todo um grupo e nunca de pessoas isoladas. que vivenciam ritmos alternados de tensão e relaxamento contraproducentes a uma relação positiva com o conhecimento e com os outros.” (Perrenoud. incita-se a competição estúpida entre professores. e na preocupação com a adequação às exigências da economia. do respeito. surge a necessidade compulsiva de comparar. Como aspetos negativos apontamos o foco na eficácia. O facto de existir um feedback sobre o processo de trabalho no final. e das relações possíveis que ele condiciona ou induz. que sobrevaloriza os exames e que sob a aparência da exatidão esconde uma grande dose de arbitrariedade. 69) De facto. “os rankings” transformam o ensino num negócio. e professores/professores. apresenta. a ordem de valores e suposições que alicerçam a procura de excelência das escolas é perversa porque. os alunos trabalham para a nota evidenciando como “…o sistema clássico de avaliação favorece uma relação utilitarista. isola as pessoas e aprisiona-as a estruturas de reprodução. os resultados quantitativos apresentados como prova de qualidade. Porque perseguindo-se o propósito da eficiência e eficácia. 2008) e técnica. de acordo com o nosso modo de entender a educação/ensino/instrução. nivelamento e reprodução. em vez de estimular uma competição consigo mesmos. e absorvem grande parte da energia de professores e alunos. a que estas se tornem recetores de interesses.prática. medir. pelo contrário. da partilha e colaboração. Alguns dos pontos positivos já foram referidos à medida que expúnhamos os princípios segundo os quais se rege. Estes modelos de avaliação condicionam ainda toda a estratégia pedagógica ao cumprimento de prazos. Devido à sociedade e ao governo não conseguirem desvincular a Escola desse compromisso com os mercados. o que conta é o resultado. até mesmo cínica com o saber. e dos alunos entre si. colocando a avaliação ao serviço da normalização. projetando o ensino como ciência (Eisner. da comunicação. ao coloca-los em campos opostos apresenta-se limitada. 1999: p. as famílias em consumidores. encorajando. perante um sistema de avaliação. avaliar. um projeto que estará sempre sujeito ao modo organizativo da instituição. que por exemplo ao nível da avaliação de uma instituição escolar fará todo o sentido.

refletindo-se em experiências enriquecedoras. que contribua de facto para a formação total da pessoa. defendemos um ensino colaborativo.ao longo daquele. 21 . constituído por professores críticos e reflexivos das suas práticas. desumanizados muitas vezes nos seus princípios. parece-nos em contexto de aula bastante enriquecedor. e domínios dos saberes por parte do aluno. em que a teoria e a prática se constroem como uma mestiçagem. ação. quer para alunos quer para professores. porque concebidos em função das leis de mercado. Acreditamos e defendemos um modelo de avaliação formador. como ser complexo e produtor de múltiplos discursos sobre si e sobre o mundo. que aprisiona os professores a programas rígidos. quando o objetivo é promover um aperfeiçoamento em tempo útil do projeto e ou da consciência. Contrariamente à vontade de transformar o ensino numa técnica.

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