Professor Fábio Oliveira Santos Professora Stephanie Efstathiou

O saber dos professores em seu trabalho Os saberes presentes na prática docente:
A) Que o saber docente se compõe, na verdade, de vários saberes proveniente de várias fontes: disciplinares curriculares, profissionais e experienciais; B) Que embora esses saberes ocupem uma posição estratégica entre os saberes sociais, o corpo docente e desvalorizado em relação aos saberes que possui e transmite; C) Status particular que os professores conferem aos saberes experienciais.

Cap.1: O Saber docente: um papel plural, estratégico e desvalorizado.
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Nas sociedades contemporâneas, a pesquisa científica e erudita, enquanto sistema socialmente organizado de produção de conhecimentos, está inter-relacionada com o sistema de formação e de educação em vigor.

Entretanto, na medida em que a produção de novos conhecimentos tende a se impor como um fim em si mesmo e um imperativo social indiscutível, e é o que parece ocorrer hoje em dia, as atividades de formação parecem passar para segundo plano.

Os saberes docentes:
Entretanto a relação dos docentes com seus saberes não se reduz a uma função de transmissão dos conhecimentos já constituídos. Sua prática integra diferentes saberes, com os quais o corpo docente mantém diferentes relações.

Os saberes da formação profissional (das ciências da educação e da ideologia Pode-se chamar de saberes profissionais o conjunto de saberes transmitidos pelas instituições de pedagógica) formação de professores.
O professor e o ensino constituem objetos de saber para as ciências humanas e para as ciências da educação. Obs.: Mas a prática docente não é apenas um objeto de saber das ciências da educação, ela é também uma atividade que mobiliza diversos saberes que podem ser chamados de pedagógicos.

Os saberes disciplinares.
Além dos saberes produzidos pelas ciências da educação e dos saberes pedagógicos, a prática docente incorpora ainda saberes sociais definidos e selecionados pela instituição universitária. Estes saberes integram-se igualmente à prática docente através da formação inicial e continua.

Os saberes curriculares.
Estes saberes correspondem aos discursos, objetivos, conteúdos e métodos a partir dos quais a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais por ela definidos e selecionados como modelos da cultura erudita.

Os saberes experienciais. Finalmente, os próprios

professores, no exercício de suas funções e na prática de sua profissão, desenvolvem saberes específicos, baseados em seu trabalho cotidiano e no conhecimento de seu meio.

As relações dos professorespode-se dizer que os com seus De modo geral, professores ocupam uma posição estratégica, próprios saberes porém socialmente desvalorizada, entre os
diferentes grupos que atuam, de uma maneira ou de outra, no campo dos saberes. De fato, os saberes da formação profissional, ou saberes disciplinares e os saberes curriculares parecem sempre ser mais ou menos de segunda mão.

2. O docente diante de seus saberes: as certezas da prática e a importância crítica da experiência De fato, quando interrogamos os professores

sobre os seus saberes e sobre sua relação com os saberes, eles apontam, a partir da categoria de seu próprio discurso, saberes que denominam de práticos ou experienciais.

Os saberes experienciais
Pode-se chamar de saberes experienciais o conjunto de saberes atualizados, adquiridos e necessários no âmbito da prática da profissão docente e que não provêm das instituições de formação nem dos currículos. Os saberes experienciais estão enraizados no seguinte fato mais amplo: o ensino se desenvolve num contexto de múltiplas interações que representam condicionantes diversos para a atuação do professor.

Os saberes experienciais possuem três objetos: aos Os saberes experienciais fornecem
professores certezas relativas a seu contexto de trabalho na escola, de modo a facilitar sua integração, são eles: A) as relações e interações que os professores estabelecem e desenvolvem com os demais atores no campo de sua prática; b) as diversas obrigações e normas às quais seu trabalho deve submeter-se e; c) a instituição enquanto meio organizado e composto de funções diversificadas.

A objetivação parcial dos saberes experienciais. e, É através das relações com os pares

portanto, através do confronto entre os saberes produzidos pela experiência coletiva dos professores, que os saberes experienciais adquirem uma certa objetividade: as certezas subjetivas devem ser sistematizadas a fim de se transformarem num discurso objetivo.

Cap. 2: Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magistério.
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Se o trabalho modifica o trabalhador e sua identidade, modifica também, sempre com o passar do tempo, o seu “saber trabalhar”. Obs.: Tal como Marx já havia enunciado, toda praxis social é, de uma certa maneira, um trabalho cujo processo de realização desencadeia uma transformação real no trabalhador.

1) Por que esse interesse pelo tempo na construção dos saberes?
Os saberes que servem de base para o ensino, tais como são vistos pelos professores, não se limitam a conteúdos bem circunscritos que dependem de um conhecimento especializado. Eles abrangem uma grande diversidade de objetos, de questões, de problemas que estão todos relacionados com seu trabalho. Obs.: O saber profissional é associado tanto às suas fontes e lugares de aquisição quanto aos seus momentos e fases de construção.

2) As fontes pré-profissionais do saber-ensinar: uma história pessoal de social. Ao longo e sua história de vida pessoal

e escolar, supõe-se que o futuro professor interioriza um certo número de conhecimentos, de competências, de crenças, de valores, etc., os quais estruturam a sua personalidade e suas relações com os outros e são reatualizados e reutilizados, de maneira não reflexiva.

3) A carreira e a edificação temporal dos saberes profissionais. Adotando o ponto de vista da Escola de Chicago,
pode-se conceber a carreira como a trajetória dos indivíduos através da realidade social e organizacional das ocupações, pouco importa seu grau de estabilidade e sua identidade. A carreira consiste numa sequência de fases de integração numa ocupação. Obs.: a análise da carreira deve apoiar-se no estudo de dois fenômenos interligados: a institucionalização da carreira e sua representação subjetiva entre os atores.

À guisa de conclusão: Saberes, identidade e trabalho na linha do tempo O objetivo deste capítulo era estudar as
relações entre os saberes profissionais dos professores, o tempo e o aprendizado de trabalho. Obs.: Partimos da idéia de que o tempo é um fator importante na edificação dos saberes que servem de base ao trabalho docente.

Cap. 3: O trabalho docente, a pedagogia e o ensino.
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1 A pedagogia do ponto de vista do trabalho dos professores.
A pedagogia é o conjunto de meios empregados pelo professor para atingir seus objetivos no âmbito das interações educativas com os alunos. Obs.: aquilo que se costuma chamar de pedagogia, na perspectiva da análise do trabalho docente, é a tecnologia utilizada pelos professores.

O caráter incontornável da pedagogia.
Quer queira quer não, todo professor, ao escolher determinados procedimentos para atingir seus objetivos em relação aos alunos, assume uma pedagogia, ou seja, uma teoria de ensino-aprendizagem. Obs.: Assim como não existe trabalho sem técnica, também não existe processo de ensinoaprendizagem sem pedagogia.

2. A pedagogia e o processo de trabalho docente.
Como todo trabalho humano, o ensino é um processo de trabalho constituído de diferentes componentes que podem ser isolados abstratamente para fins de análise. Esses componentes são o objetivo do trabalho, o objeto de trabalho, as técnicas e os saberes dos trabalhadores.

Os fins do trabalho dos professores.
Ensinar e perseguir fins, finalidades. Em linhas gerais, pode-se dizer que ensinar é empregar determinados meios para atingir certas finalidades. Obs.: Nesse sentido, uma boa maneira de compreender a natureza do trabalho dos professores é compará-lo com o trabalho industrial.

Trabalho na indústria Obj. do trabalho Precisos Operatórios e delimitados Coerentes A curto prazo Natureza do objeto do trabalho Material Seriado Homogêneo Passivo Determinado

Trabalho na escola Ambíguos Gerais e ambiciosos Heterogêneos A longo prazo Humano Individual e social Heterogêneo Ativo e capaz de oferecer resistência Comporta uma parcela de indeterminação e de autodeterminação (liberdade)

Trabalho na indústria Natureza do objeto de Simples pode ser trabalho analisado e reduzido aos seus componentes funcionais Natureza e Relação técnica com o componentes típicos da objeto: manipulação, relação do trabalhador controle e produção com o objeto

Trabalho na escola Complexo não pode ser analisado nem reduzido aos seus componentes funcionais Relação multidimensional com o objeto: profissional, pessoal, intersubjetiva, jurídica, emocional, normativa, etc.

O trabalhador controla O trabalhador precisa diretamente o objeto colaboração do objeto O trabalhador controla O trabalhador nunca totalmente o objeto pode controlar totalmente o objeto

Trabalho na indústria Produto do trabalho O produto do trabalho é material e pode ser observado, medido, avaliado O consumo do produto do trabalho é totalmente separável da atividade do trabalhador Independente do trabalhador

Trabalho na escola O produto do trabalho é intangível e imaterial, pode dificilmente ser observado e medido O consumo do produto do trabalho pode dificilmente ser separado da atividade do trabalhador e do espaço de trabalho Dependente do trabalhador

3. O objeto humano do trabalho docente.
O objeto do trabalho dos professores são seres humanos individualizados e socializados ao mesmo tempo. As relações que eles estabelecem com seu objeto de trabalho, são portanto, relações humanas, relações individuais e sociais ao mesmo tempo.

Os resultados do trabalho ou o produto do ensino
No trabalho industrial, o trabalhador pode observar diretamente o seu produto, pois ele é física e materialmente independente do trabalhador . Em outras atividades humanas, porém, e é o caso do ensino, é difícil, senão impossível, especificar claramente se o produto do trabalho foi realizado

5 As técnicas e os saberes no trabalho docente

Comparação entre o trabalho industrial e o trabalho docente no que se refere às tecnologias Tecnologias do trabalho Tecnologia do trabalho na
no setor da indústria, com escola com seres objetos materiais humanos
Baseadas nas ciências naturais e aplicadas Repertórios de conhecimentos Baseada nas ciências humanas e nas ciências da educação, bem como do senso comum Saberes não formais, instáveis, problemáticos e plurais

Natureza dos conhecimentos Saberes formalizados, em questão proposicionais, validados e unificados Natureza do objeto técnico

Aplicam-se a causalidades, a Aplicam-se a relações sociais regularidades funcionais, a e a individualidades, assim classes de objetos, a séries como relações que apresentam irregularidades; são confrontadas com indivíduos com particularidades

Tecnologias trabalho no setor da indústria, com objetos materiais

Tecnologias do trabalho na escola, com seres humanos

Exemplos de objetos específicos aos quais se aplicam as tecnologias

Metais, informações fluidos, etc.

A ordem na sala de aula, a motivação dos alunos, a aprendizagem dos saberes escolares, a socialização, etc.

Natureza das tecnologias

Apresentam-se como um Tecnologias frequentemente dispositivo material que gera invisíveis, simbólicas, efeitos materiais linguísticas que geram crenças e práticas

Controle do objeto

Possibilitam um alto grau de Possibilitam um baixo grau determinação do objeto de determinação do objeto

Exemplos de técnicas

Esfregar, cortar, selecionar,

Lisonjear, ameaçar,

6. O professor enquanto trabalhador
O trabalho docente, no dia-a-dia, é fundamentalmente um conjunto de interações personalizadas com os alunos para obter a participação deles em seu próprio processo de formação e atender às suas necessidades. Eis por que esse trabalho exige, constantemente, um investimento profundo, tanto do ponto de vista afetivo, como cognitivo, nas relações humanas com os alunos.

Cap. 4 Elementos para uma teoria da prática educativa
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Este capítulo esta dividido em duas partes:
1) três concepções da prática educativa; 2)quadro teórico referente à prática educativa de um modo geral e ao ensino de modo específico.

A educação enquanto arte
Essa concepção associa a profissão de educador a uma arte, termo grego que pode ser traduzido como técnica.

Educação enquanto arte
Ação / Praxis Atividade típica Arte / técnica Ciência / epistéme

Atividade imanente Fabricação de uma Contemplação e ao agente, ação obra e produção de conhecimento moral algo rigoroso O homem prudente, o artesão, o sofista, O sábio, o filósofo, o homem político, o o médico, o o cientista guerreiro, o educador gozador Orientadas por fins Orientada por imanente ou resultados naturais ao agente exteriores ao agente Os fins e as normas Os seres contingentes e individuais Orientada por um interesse relativo ao puro conhecimento Os seres necessários (os números, o dívino)

Ator típico

Natureza da atividade

Objeto do saber

A arte enquanto técnica guiada por valores
A segunda concepção identifica a prática educativa a uma técnica guiada por valores. Ela surge com os tempos modernos.

A educação enquanto técnica: subjetividade e objetividade.
Esfera de subjetividade Atividades típicas Esfera de objetividade As atividades moraisAs técnicas, as atividades legais, pessoais, instrumentais e passionais, as condutas estratégicas, a pesquisa baseadas no interesse dos científica atores Todo ator eu age baseando-se em seu interesse ou em regras subjetivas Guiada por fins por normas O técnico, o científico, o calculador, o estrategista

Atores típicos

Natureza da atividade Objetivo típico da atividade Objeto do saber

Guiada por objetivos axiológicos neutros

A conformidade às regras O domínio e controle dos e interesses fenômenos As regras, o interesse subjetivo Todos os fenômenos naturais e o ser humano como fenômeno natural

A educação enquanto interação
A terceira concepção relativa à prática educativa a identifica como interação. Essa concepção é definida atualmente por várias teorias: o simbolismo interacionista, as teorias da comunicação, a teoria da racionalidade.

2. Ações e saberes na prática educativa
1) Agir tradicional: Weber, Health 2) Agir afetivo: Freud, Nell, Rogers 3) Agir instrumental: Watson, Skinner, Gagné 4) Agir estratégico: Newman, Schön 5) Agir normativo: Well, Moore 6) Agir dramatúrgico: Goffman, Doyle 7) Agir expressivo: Schütz, Rogers 8) Agir comunicacional: Habermas, Apel

Mas na falta de unidade, defendo a que o “saber ensinar” possui uma especificidade prática, que deve ser buscada naquilo que se pode chamar de cultura profissional dos professores.

Bibliografia.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional; 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

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